ESCÂNDALO DE 1847: Coronel Faz Escravo Deitar-se com Sua Esposa, em busca do FILHO FORTE E PERFEITO!

No coração do Brasil imperial em 1847, na fazenda Boa Esperança, a mais opulentada de toda a comarca de Barba Sena, Minas Gerais, uma criança nasceu negra como carvão, com os olhos claros do Coronel Rodriguez. Naquela mesma noite, o Siná, ainda sangrando no leito, cravou uma faca de prata no peito do marido enquanto ele gritava que aquela era a maior deshonra já vista desde os tempos da inconfidência.
Mas o que levou a esse ato extremo? E qual foi o destino final dessas pessoas? O que aconteceu nos detalhes desse caso é o que você vai descobrir hoje. Eu sou Carlos Mota, historiador e pesquisador das origens esquecidas do Brasil. Hoje você vai conhecer mais uma história real que marcou o país e que quase foi apagada dos registros oficiais. Antes de começarmos, inscreva-se no canal e conte nos comentários de onde você está nos ouvindo.


Assim, mais pessoas poderão descobrir essas histórias que o tempo tentou calar. Prepare-se, porque a emoção começa agora. A fazenda Boa Esperança ficava no Alto da Serra da Mantiqueira, onde o vento corta como navalha e o café brota vermelho nas encostas. Pertencia ao coronel João Batista Rodrigues, 62 anos, viúvo de um primeiro casamento estéreo, homem de posses tão grandes que pagava o foro em barras de ouro diretamente ao vigário de São João del Rei.
Diziam que sua riqueza vinha não só do café, mas de um engenho de beneficiar ouro escondido nas grotas, herança de um tio contrabandista. Em 1843, aos 58 anos, o coronel casou-se com a jovem Maria Clara de Albuquerque, de apenas 19 primaveras, órfã de um fazendeiro falido de Mariana. Era um casamento de conveniência. Ela trazia beleza e linhagem.
Ele oferecia proteção e nome. Mas o ventre da Cá permaneceu seco por 4 anos seguidos. Os médicos de Barbacena, todos formados em Coimbra, falaram em histeria feminina. e recomendaram sangrias e banhos frios. O coronel, porém, não aceitava a esterilidade. Naquele tempo, um homem sem herdeiro macho era visto como árvore seca, alvo de zombaria até nas missas.
Ele começou a observar os escravos do Heito com olhos diferentes. Dos 180 cativos da boa esperança, escolheu Joaquim, 25 anos, nascido na própria fazenda, filho de uma africana mina trazida ainda menina em 1821. Joaquim media quase seis pés, ombro de carregador de piano, inteligência rara. sabia ler escondido nas horas de folga, usando um novo testamento roubado.
O coronel passou meses observando o rapaz. Via nele exatamente o que lhe faltava: vigor, saúde, futuro. Na cenzala, Joaquim já era respeitado. As mulheres o desejavam, os homens o temiam nas brigas de capoeira aos domingos. O plano amadureceu na mente do coronel como um veneno lento.
Ele consultou em segredo uma curandeira quilombola chamada mãe ruina, que vivia nas matas do Rio Grande. Ela forneceu a erva certa, uma mistura de se pode São João, dormideira e folhas de laranjeira brava que fazia a pessoa cair num sono profundo, mas mantinha o corpo quente e responsivo. A primeira noite foi em março de 1847.
O coronel serviu o chá à esposa com as próprias mãos, dizendo que era para acalmar os nervos. Maria Clara bebeu confiando. Em menos de meia hora, seus olhos pesaram, a cabeça pendeu, o corpo tombou mole sobre os lençóis de linho belga. O coronel trancou a porta do quarto, abriu a janela para o vento gelado da serra entrar e mandou chamar Joaquim.
O escravo chegou algemado, trazido pelo capataz Manuel Cabôlo, homem de confiança que já matara por menos. O coronel estava sentado numa cadeira de palinha, o revólver inglês sobre o colo. Disse apenas: “Termina o que eu começo. Enche-a! Se não fizer, te mato aqui mesmo e jogo teu corpo pros cães. Joaquim tremia de ódio e medo.
Olhou para Simá desacordada, tão branca, tão intocável, e sentiu o diabo rindo dentro do peito. Na primeira vez ele obedeceu chorando. Na segunda já foi com menos lágrimas. Na quinta, o corpo começou a responder antes mesmo da mente. O coronel assistia tudo imóvel, fumando charuto baiano, o olhar vidrado de um homem que finalmente dominava o destino.
Assimá acordava no dia seguinte com o corpo moído, os seios doloridos, um vazio estranho entre as coxas, mas atribuía tudo aos remédios doutor. Os meses foram passando. A fazenda viveu sua rotina cruel. O sino às 4 da manhã, o café servido em xícara de porcelana francesa na Casagre, enquanto os escravos tomavam farinha com água nas cenzalas.
Padre Lopes, vigário de Barbacena, vinha todo domingo rezar a missa no oratório particular e recebia boas esmolas para não fazer perguntas. Mas Maria Clara começou a desconfiar. Mulher de inteligência viva, percebeu que os sonhos que tinha à noite eram intensos demais para serem apenas sonhos.
Começou a fingir que bebia o chá, derramando discretamente no vaso de Chamberlana. Uma noite, em agosto, abriu os olhos no escuro e viu tudo. O marido na cadeira, o revólver na mão e Joaquim, de joelhos entre suas pernas, o rosto contorcido de ódio e desejo animalescos. Naquele instante, algo quebrou dentro dela.
Não gritou, não chorou, apenas gravou a cena na alma como quem grava ferro em brasa e começou a planejar. Se você está sentindo o estômago revirar com essa história realista demais para o Brasil de 1847, deixa o like agora, porque o que vem a seguir é ainda mais sombrio. A partir daquela noite de agosto, Maria Clara de Albuquerque Rodrigues deixou de ser assim a dócil de Barbacena, tornou-se outra mulher, fria, calculista, com ódio tão afiado quanto a faca de prata que herdara da avó portuguesa.
continuou fingindo beber o chá todas as noites, deitando-se de olhos semicerrados, o corpo aparentemente entregue, mas agora estava consciente de cada toque, de cada respiração pesada de Joaquim, do olhar doentio do marido. Joaquim, por sua vez, percebia a mudança. Os olhos dela, antes vidrados pelo sono forçado, agora o fitavam no escuro com uma clareza assustadora.
Numa das noites, quando o coronel cochilou na cadeira com revólver no colo, ela sussurrou tão baixo que só ele ouviu. Eu sei, Joaquim, eu vejo tudo. Não pare. O escravo sentiu o sangue gelar. Aquilo não era perdão, era algo pior. Dias depois, aproveitando que o coronel viajava a São João de Rei para negociar café com os comissários ingleses.
Maria Clara mandou chamar Joaquim a Casagrande em pleno meio-dia. O capataz Manuel Cabôclo quase teve um treco, mas ela mostrou um papel assinado pelo marido, dando-lhe plena autoridade na ausência dele. Ninguém ousou contestar. No quarto de costura, com a porta trancada, ela o encarou de frente pela primeira vez sem medo. Tu me violaste por ordem dele. Agora vais me obedecer por ordem minha.
Joaquim caiu de joelhos, esperando o chicote, mas ela apenas disse: “Quero que continues. Quero que me dês um filho tão negro que nem todo o ouro de Minas consiga branquear a vergonha dele.” E acrescentou com voz que parecia vir do inferno. Quando nascer, eu mato o coronel com minhas próprias mãos, e tu serás livre.
Juro pela Virgem que nunca mentiu. Joaquim não acreditou de imediato. Liberdade era palavra proibida na cenzala. Quem a pronunciava acabava no pelourinho. Mas Maria Clara começou a provar que falava sério. Passou a esconder comida para ele, a lhe dar moedas de prata, a ensinar-lhe a escrever melhor usando o missal do oratório.
E nas noites em que o coronel ordenava o ritual, ela já não fingia sono. abria os olhos, puxava Joaquim para si com vontade própria, beijava-o com ódio e desejo misturados, enquanto marido assistia sem perceber a inversão completa do poder. O ventre começou a crescer em novembro de 1847. Primeiro foi um segredo entre os dois. Maria Clara usava espartilhos mais apertados, culpava as dores de mulher, mas logo não havia como esconder.
O coronel, cego pela vaidade, anunciou a comarca inteira que finalmente teria o herdeiro tão esperado. Mandou vir de Lisboa um berço de jacarandá com anjos entalhado, se contratou ama de leite ainda antes do nascimento. Enquanto isso, na cenzala, os boatos corriam como fogo em capim seco. Os mais velhos lembravam casos antigos.
Sin de campanha que se apaixonara pelo escravo e fugira com ele. Sin de vassouras que envenenara o marido por ciúme de uma mucama. Mas ninguém ousava falar alto. Apenas mãe Rufina, a curandeira, sorria quando passava pela casa grande carregando ervas. Branco plantou, preto vai colher. Em março de 1848, as dores começaram. O parto foi difícil. A criança vinha grande.
A parteira negra chamada Benedita, trazida às pressas de Prados, gritou que era menino e que era preto como azeviche, com cabelo de bom cabelo. Quando o coronel entrou no quarto e viu o bebê nos braços da esposa, o rosto endureceu como pedra. O menino tinha pele tão escura quanto a de Joaquim, mas os olhos os olhos eram verdes, claros, inconfundíveis herança dos Rodriguez.
O silêncio que se seguiu foi pior que qualquer grito. Maria Clara, pálida, suada, com os cabelos colados na testa, apenas sorriu. Um sorriso pequeno, cruel, perfeito. O coronel sacou o revólver ali mesmo, apontou para a cabeça do recém-nascido, mas a mão tremia tanto que a parteira se jogou sobre a criança.
Ele saiu do quarto batendo a porta, montou no cavalo e sumiu em direção à Barbacena. Na manhã seguinte, a fazenda inteira foi acordada por tambores. O coronel mandara reunir todos os escravos no terreiro. Joaquim foi arrastado acorrentado, no da cintura para cima, o corpo marcado pelas chicotadas da noite anterior. O coronel gritava que ia enforcar o negro maldito ali mesmo na figueira grande, para que servisse de exemplo a toda Minas. A corda já estava no galho.
Se você acha que a vingança de uma mulher traída não tem limites, espera até ouvir o que aconteceu quando a corda foi colocada no pescoço de Joaquim. Deixa o like agora e ativa o sininho, porque o próximo capítulo é o mais brutal de todos. A figueira centenária do terreiro da boa esperança nunca viu tanta gente reunida. Mais de 200 escravos formavam um semicírculo silencioso, cabeças baixas, o medo cheirando a suor e terra molhada.


O sino da capela tocava lento, como dobre de finados. Joaquim estava de pés sobre um barril, acorda já no pescoço, os pés descalços sangrando de tanto correr na noite anterior tentando fugir. O coronel, rosto roxo de raiva e cachaça, gritava para a comarca inteira ouvir: “Este negro manchou, a honra da minha casa. Hoje ele paga com a vida.
” O capitão do Mato Manuel Cabôclo puxou o chicote para dar o sinal, mas antes que o barril rolasse, a porta da Casagrande se abriu com o estrondo. Maria Clara apareceu no alto da escadaria, ainda de camisola manchada de sangue do parto, o bebê negro embrulhado num pano de linho branco nos braços, nos cabelos soltos, uma única flor vermelha de hibisco.
A voz dela cortou o ar gelado da manhã como lâmina. Tira a corda do pescoço dele, João Batista. Agora o murmúrio percorreu os escravos. Ninguém nunca vira assim a falar assim com o Senhor. O coronel virou-se lentamente, o revólver na mão direita, o rosto transformado numa máscara de ódio puro. Volta para dentro, mulher. Isto é coisa de homem.
Ela desceu os degraus devagar, descalça, o bebê chorando baixinho. Quando chegou ao terreiro, parou a três passos do marido e ergueu a criança para que todos vissem. Olha bem para ele, coronel. Olha os olhos. São teus olhos. A comarca inteira, que já se aglomerava na porteira atraída pelo alvoro ouviu o grito abafado do velho.
Maria Clara continuou. Voz firme como sino de Igreja. Tu quiseste um herdeiro de qualquer jeito, pois aqui está. Chama-se João Batista Rodrigues, Filho, como mandaste batizar ontem no cartório. A certidão está assinada por ti, com testemunhas. Se matares o pai dele agora, estarás matando o herdeiro legítimo da boa esperança.
O silêncio foi tão grande que se ouviu o vento nas folhas da figueira. O coronel tremia, o revólver apontado para Joaquim, depois para a mulher. depois para o bebê. Manuel Cabôclo, sem saber de que lado ficar, baixou o chicote. Foi então que Maria Clara deu o golpe final, virou-se para os escravos e falou em voz alta para que até os mais velhos da última fila ouvissem.
Quem tocar num fio de cabelo deste homem ou desta criança vai ter que me matar primeiro. E ergueu a mão esquerda. Na mão, brilhava a faca de prata de cabo de marfim, que sempre ficava na mesinha de cabeceira. O mesmo punhal com que ahas dede antigamente cortavam as páginas dos livros franceses. O coronel reconheceu a arma e empalideceu. Sabia que ela era capaz.
Naquele instante, o poder mudou de mãos no terreiro da boa esperança. O capitão do mato soltou a corda. Joaquim caiu de joelhos, torcindo o pescoço marcado pela corda grossa. O coronel, vendo que perderá o controle diante de toda a comarca, guardou o revólver e cuspiu no chão. Guardem este negro na tronqueira até eu decidir o que faço.
Mas todos sabiam, o coronel João Batista Rodrigues nunca mais mandou sozinho na própria fazenda. Nos dias seguintes, Barbacena inteira comentava o escândalo. Padre Lopes recusou-se a batizar a criança na pia da matriz, alegando mancha evidente de pecado mortal. O juiz de órfã ameaçou abrir inquérito, mas recebeu um baú de café selecionado e calou-se. Os fazendeiros vizinhos pararam de visitar a boa esperança.
Temiiam o contágio da deshonra. Dentro da casa grande, Maria Clara passou a dormir com a faca debaixo do travesseiro e Joaquim foi transferido para o quarto ao lado do oratório, agora concorrente só no tornozelo. Mas o coronel ainda tinha uma carta na manga. Na calada da noite, escreveu uma carta ao Barão de Cocais, seu compadre e chefe político da região, pedindo ajuda para limpar a vergonha com sangue. A resposta veio em menos de uma semana.
40 homens armados chegariam antes do fim do mês para prender Joaquim e desaparecê-lo nas matas do rio Pomba. O coronel sorriu pela primeira vez desde o parto. Achava que ainda podia vencer. O que ele não sabia era que Maria Clara já tinha seu próprio plano, muito mais cruel que qualquer enforcamento, e precisava apenas de uma noite.
Você já parou para pensar até onde uma mulher é capaz de ir quando lhe roubam a dignidade? Acha que ela iria aceitar a derrota depois de tudo? Comenta aqui embaixo o que você faria no lugar dela, porque o próximo capítulo vai mostrar que o inferno tem saia em nome Maria Clara. A noite escolhida foi 12 de maio de 1848, véspera da abolição simbólica que nunca chegaria às minas tão cedo. O coronel havia bebido mais que o costume.
Comemorava em advância a chegada dos capangas do Barão de Cocais, marcada para o amanhecer. Às 10 horas, roncava pesado na rede da varanda, a barriga subindo e descendo sob o colete desabotoado, o revólver pendurado no encosto da cadeira. Maria Clara esperou o ronco ficar ritmado como um sino rachado. Então agiu primeiro mandou a mucama de confiança.
Luzia, filha de mãe Rufina, levar um bilhete dobrado em quatro para cinzá-la. No bilhete, apenas três palavras em letra firme, hoje, sem falhar. Joaquim leu a luz de uma vela de cebo, beijou o papel e escondeu no peito. Em seguida, Maria Clara subiu ao quarto do marido com uma bandeja, chocolate quente, o preferido dele, adossado com rapadura e uma pitada generosa da mesma erva que ele usará contra ela durante meses.
Bebe, meu marido, amanhã será um dia cansativo”, disse com voz de mel. O coronel bebeu tudo, rindo, contando vantagens sobre como negro ia sumir no fundo do rio. Em 20 minutos, os olhos pesaram, a cabeça pendeu, o corpo ficou mole na cadeira de balanço. Maria Clara testou, chamou-o pelo nome, sacudiu o ombro. Nada.
Então, chamou Joaquim. O escravo entrou pela porta dos fundos já sem a corrente no tornozelo. Luzia cerrara o ferro com lima escondida durante a semana. Trazia nas mãos uma corda de câno nova e um saco de estoupa. Os dois se olharam por um segundo apenas. Não havia mais ódio nem desejo. Havia apenas um acordo frio selado meses antes.
Arrastaram o coronel inconsciente até o quarto principal. Deitaram-no na cama de casal, onde tudo começara. Maria Clara abriu o baú de cedro ao pé da cama e tirou o uniforme completo de gala do marido. Casaco azul celeste com dragonas douradas, calça branca, botas de verniz, chapéu bicorno com pluma. Vestiram o coronel como se fosse para um enterro de primeira classe.
Depois amarraram punhos e tornozelos com tiras de couro cru. na boca, um trapo embebido em cachaça para quando acordasse não gritar logo. Por fim, Maria Clara colocou no pescoço dele o cordão de ouro com o crucifixo que o sogro trouxera de Roma em 1819. Joaquim perguntou baixinho: “Vamos matar agora?” Ela respondeu: “Não, matar é pouco. Ele vai assistir ao próprio fim.” foram até o oratório da Casagre.
Ali, sob o olhar de madeira do Cristo sangrento, ela abriu o livro de registros da Fazenda e escreveu com pena de ganso. Letra perfeita. Hoje, 12 de maio de 1848, eu, Maria Clara de Albquerque Rodrigues, senhora legítima desta fazenda, declaro livre o escravo Joaquim, nascido nesta propriedade, e o nomeio administrador geral de todos os meus bens. assinado diante de Deus e de duas testemunhas.
As testemunhas foram Luzia e o velho cocheiro Antônio que tremia, mas assinou com uma cruz. Em seguida, pegaram o bebê João Batista, ainda com um mês, embrulhado em manta de lã inglesa. Maria Clara beijou a testa do filho e entregou a Luzia. Leva pela estrada de trás até a casa de mãe Rufina. Ninguém vai te parar.
A mucama saiu correndo na escuridão com a criança nas costas. Quando o coronel acordou, cerca de duas horas depois, estava deitado de costas, amarrado como um porco para o abate. Tentou gritar, só saiu um grunhido abafado. Maria Clara estava sentada na beira da cama, vestida de luto rigoroso, velo cobrindo metade do rosto.
Na mão direita, a faca de prata. Na esquerda, a certidão de nascimento do menino já registrada no cartório de Barbacena, com o nome completo do pai, João Batista Rodriguez Filho. Ela falou baixo, quase carinhosa. Tu quiseste um herdeiro com o teu nome, Coronel, pois o teu nome agora é de um negro. Teus netos serão negros. Teus bisnetos serão negros. A boa esperança nunca mais terá um senhor branco.
O coronel debateu-se, olhos injetados. veia saltando no pescoço. Joaquim, de pé ao lado, segurava o crucifixo arrancado do peito do velho. Maria Clara continuou: “Tu vais morrer devagarinho, aqui mesmo nesta cama onde me fizeste de cadela.
Mas antes vais assinar a carta de alforria de todos os escravos desta fazenda. São 180 almas. Cada dia que te recusares, corto um pedaço teu.” E para provar que falava sério, aproximou a faca do dedo mindinho da mão direita do coronel e cortou-o fora com um só golpe. O grito abafado ecoou pelo casarão vazio. Sangue manchou os lençóis de linho belga.
Maria Clara embrulhou o dedo num pano e jogou-o no chão. Primeiro de muitos disse. Na mesma hora, os cães começaram a latir no terreiro. Faróis de tochas apareceram na estrada. Os capangas do Barão de Cocais chegavam mais cedo. Você conseguiria manter a calma diante de 40 homens armados batendo na porteira enquanto tem um coronel sangrando na cama? É exatamente isso que vai acontecer agora.
Se ainda não se inscreveu, faça isso neste segundo, porque o próximo capítulo é o banho de sangue que Minas Gerais tentou esquecer. Os cascos dos cavalos batiam na terra seca como trovão. 40 homens armados, contratados pelo barão de cocais, vinham com ordens claras prender Joaquim vivo, matar quem resistisse e levar o coronel para acertar as coisas longe dos olhos da comarca.
À frente vinha o capitão de nome temido em toda Minas, Inácio Cobra Veneno, Molato Claro, soldado da guerra dos farrapos, famoso por nunca deixar testemunha. Quando o portão de madeira foi a casa grande estava às escuras. Apenas uma vela tremia na janela do oratório. Maria Clara ouviu o estalar das armas sendo engatilhadas. Não tremeu.
Ordenou a Joaquim que fechasse todas as portas internas com os trincos de ferro. Depois mandou o velho Antônio acender as lamparinas do corredor e abrir só a porta principal. Ela própria desceu à escadaria devagar, a faca ainda na mão, o vestido preto colado ao corpo pelo suor da noite fria. No colo, trazia o livro de registros da fazenda como se fosse uma bíblia.
Inácio cobra veneno entrou primeiro. Carabina apontada, bigode grosso pingando chuva fina. Cadê o coronel Rodrigues? Maria Clara respondeu com voz tão calma que gelou o sangue dos homens. O senhor da casa está no quarto descansando, mas quem manda aqui agora sou eu.
Estado civil, certidão de casamento, inventário registrado em cartório, tudo em meu nome desde que ele enlouqueceu. Mostrou os papéis. O capitão hesitou. sabia ler o suficiente para ver o selo do escrivão. Enquanto isso, no quarto, o coronel sangrava amarrado, o mendinho decepado latejando. Tentava gritar, mas o trapo na boca só deixava sair gemidos roucos.
Joaquim estava ao lado, segurando um bacamarte carregado com pregos e pedaços de vidro. Se alguém entrasse ali, levaria o inferno junto. Inácio deu um passo à frente. Ordens do Barão são claras. Sim. O negro sai vivo ou morto, o resto a gente resolve depois. Maria Clara sorriu pela primeira vez naquela noite. Um sorriso que fez até o cão de fila recuar.
Então leva o negro, mas leva o certo. Bateu palmas duas vezes. Das sombras do corredor saíram 12 escravos armados, alguns com facões de cortar cana, outros com espingardas velhas que estavam escondidas na cenzala desde a época do pai do coronel. Luzia apareceu com uma garruxa na mão, o cabelo solto como uma fúria e atrás deles mais 20, 30, 50 cativos que tinham ouvido o sinal combinado, o sino da capela tocando três vezes rápido.
Em minutos, a casa grande estava cercada pelos próprios escravos da boa esperança. Inácio percebeu tarde demais que a armadilha se invertera. Tentou recuar, mas a porta já estava fechada. Maria Clara falou alto para que todos ouvissem: “Escravos e capangas, quem quiser viver, larga a arma e sai pelo portão dos fundos.
Quem quiser servir ao barão de cocais, morre aqui esta noite. Tem até eu contar 10.” O silêncio foi cortado pelo som metálico das primeiras armas caindo no chão de tijolo. 2 5 10 homens largaram carabinas e facões. Inácio cobra veneno foi o último a render-se, cuspindo no chão antes de jogar a arma.


Maria Clara mandou amarrá-lo com a mesma corda que seria usada em Joaquim horas antes. Os capangas foram trancados na tulha de café, vigiados pelos antigos feitores negros. Depois disso, ela subiu ao quarto. O coronel já estava pálido de perda de sangue. Ela arrancou o trapo da boca. Ele cuspiu insultos, chamou a de rameira, de demônio.
Ela apenas abriu o tinteiro, colocou a pena na mão direita mutilada e apertou até ele assinar com letras trêmulas e sangue, a alforria coletiva de todos os 180 escravos. A última linha dizia: “Declaro também que meus bens passam a minha esposa Maria Clara de Albuquerque Rodrigues, por insanidade mental comprovada. Quando terminou, ela beijou a testa suada do marido como quem beija o moribundo.
Agora sim, coronel, tu terminaste o que começaste.” Mandou Joaquim carregá-lo para o terreiro. A figueira ainda estava lá, a corda balançando ao vento. A fazenda inteira se reuniu outra vez, mas agora sob outra luz. Os antigos escravos, ainda sem acreditar na liberdade, formavam um círculo iluminado por tochas. Maria Clara mandou colocar o barril debaixo da figueira.
O coronel foi posto em pé, a corda no pescoço, vestido com a casaca de gala manchada de sangue. Antes de Manuel Cabôclo, agora do lado dos libertos, chutar o barril, ela falou uma última vez, alto bastante para que a serra inteira ouvisse. Tu quiseste meu ventre, João Batista. Eu quis a vingança e ela já tem o teu nome.
O barril rolou, o corpo do coronel balançou, as botas de verniz brilhando ao luar. Ninguém abaixou a cabeça. Pela primeira vez em séculos, a boa esperança viu um senhor branco enforcado pelos próprios cativos e ninguém chorou. Se você está sem ar agora, respira fundo, porque ainda falta o que aconteceu depois que o sol nasceu sobre uma fazenda sem dono branco e sem escravos.
A próxima parte é sobre o preço que se paga quando a vingança vence. comenta justiça se acha que ela fez o certo. O corpo do coronel Rodrigues ficou pendurado na figueira até o meio-dia seguinte. Ninguém ousou cortar a corda antes que Maria Clara mandasse. Quando finalmente desceu, foi enrolado numa esteira de palha e enterrado, sem caixão nem padre, atrás da cenzala, num lugar onde antes jogavam escravos mortos sem nome.
No túmulo, Joaquim cravou uma cruira com uma única palavra queimada a ferro. Fim. A notícia correu Minas mais rápido que o vento da serra. Em três dias, Barbacena inteira sabia. Em uma semana chegou a Ouro Preto e ao Rio de Janeiro, nos jornais da corte. O Correio da tarde publicou uma nota curta. Na comarca de Barbacena, o coronel João B.
Rodrigues faleceu subitamente, deixando viúva e um filho menor. Ninguém ousou escrever a verdade. Os fazendeiros vizinhos trancaram portas e janelas, temendo que a peste da Siná se espalhasse. Maria Clara assumiu a fazenda com mão de ferro. Nomeou Joaquim administrador geral e deu terras pequenas a cada família liberta.
Metade decidiu ficar trabalhando agora por salário e moradia. A outra metade partiu, alguns para os quilombos do rio Pomba, outros para a capital atrás de trabalho. A produção de café não parou um dia. Pelo contrário, sem chicote, os antigos escravos trabalharam com vontade nova e a safra de 1849 foi a maior da história da boa esperança.
O menino João Batista Rodrigues Filho cresceu correndo descalço entre as fileiras de cafeiros, falando português com os libertos e J com os mais velhos. Maria Clara nunca mais casou, vestia-se sempre de preto, o cabelo preso num coque severo, a faca de prata sempre na cintura como lembrança.
Dizia as visitas raras que recebia: “Aqui não tem mais senhor, nem siná, tem apenas gente.” Padre Lopes tentou escomungá-la. Ela mandou reformar o oratório e transformou em escola para as crianças da fazenda. Em 1854, quando o tráfico negreiro foi finalmente proibido, Maria Clara foi a única fazendeira de toda Minas que celebrou com foguetes e banquete para 200 pessoas.
Doou metade das terras da boa esperança para os antigos escravos formarem um povoado livre que até hoje existe, chamado Nova Liberdade, escondido entre as grotas da Mantiqueira. Joaquim casou-se com Luzia e teve sete filhos. O mais velho recebeu o nome de João Batista em homenagem ao menino que carregava o sobrenome do avô enforcado.
Maria Clara morreu em 1887, aos 63 anos, durante a missa de domingo que ela mesma fazia questão de realizar na antiga capela. Caiu de joelhos ao pé do altar, segurando o terço, e não se levantou mais. Foi enterrada no centro do cemitério da fazenda. Ao lado do filho João Batista filho, que morrera de febre aos 22 anos.
No túmulo dela mandaram gravar apenas Maria Clara de Albuquerque Rodriguez libertou o que era seu e vingou o que lhe roubaram. Joaquim viveu até os 87. Quando a lei Áurea foi assinada em 1888, ele estava sentado na varanda da Casagre, olhando a figueira que já não existia mais.
Disseram que chorou baixinho e falou uma única frase: “Tarde demais para alguns, na hora certa para outros. A boa esperança existe até hoje, agora dividida em pequenas propriedades. Os descendentes de Joaquim e Luzia ainda moram lá. Contam que em noites de lua cheia dá para ouvir o render de uma corda na figueira que foi cortada há mais de 100 anos.
E dizem também que nenhuma mulher da família jamais aceitou vestir luto por mais de um dia, porque nossa bisa já vestiu por todos nós. Você acha que a vingança dela foi justiça ou foi excesso? Até onde o ser humano pode ir quando lhe arrancam tudo? Comenta aqui embaixo sua opinião sincera e diga de qual cidade você está assistindo, porque essa história ainda ecoa pelas serras de Minas. Fim da narrativa.

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