Ele pagou apenas $22 pelo rancho, mas encontrou uma garota enforcada lá dentro. O que ela revelou após ser salva desencadeou uma perseguição brutal por um tesouro que valia mais do que ouro.

Paguei exatos vinte e dois dólares por um rancho. Parecia um negócio da China, o tipo de sorte que um homem só encontra uma vez na vida. Mas a primeira coisa que vi não foi a promessa de um lar ou o gado pastando; foi uma garota pendurada por uma corda, balançando suavemente logo após o portão de entrada. E o pesadelo não terminava ali. Ela não era apenas uma garota qualquer.

Bem-vindos às terras sem lei do Oeste. Vamos começar.

O final da tarde na pradaria trazia consigo um silêncio pesado. O sol derramava-se sobre a terra, quente e dourado, como se tivesse a intenção cruel de queimar o solo até que nada restasse além de ossos e poeira. Elias Ward recostou-se na sela, aliviando as rédeas. Seu cavalo, uma besta castanha exausta, soprava com força após a longa jornada, com o pelo coberto por uma camada fina de poeira vermelha que se agarrava também ao velho casaco de couro de Elias.

À frente, o portão desgastado do rancho surgiu no horizonte trêmulo de calor. Eram cem acres de terra que ele comprara naquela mesma manhã. Por vinte e dois dólares, Elias imaginava encontrar nada mais do que algumas tábuas apodrecidas, um telhado torto e talvez um poço seco. Ele estava preparado para o trabalho duro, para a solidão. Mas não estava preparado para o que viu através da porta escancarada do celeiro abandonado.

Um corpo pendia inerte. Pés descalços e sujos de terra balançavam ao ritmo do vento quente do deserto. Uma corda velha e surrada mordia profundamente a pele de seu pescoço. Abaixo dela, uma cadeira quebrada jazia no chão, e ao lado, uma tábua de madeira chamuscada exibia letras negras, escritas por uma mão rude e apressada: Traidora: a morte é a punição.

Elias não hesitou. Não houve tempo para o choque paralisá-lo. Ele instigou o cavalo para frente, saltou da sela em um único movimento fluido e já tocou o chão com sua faca em punho. O aço brilhou uma única vez sob o sol impiedoso antes de cortar a corda com precisão cirúrgica.

O corpo dela desabou em seus braços, leve como um galho seco. Elias amorteceu a queda, sentindo o calor febril que emanava da pele dela. A respiração da garota era um som terrível, um chocalhar doloroso; a pele ao redor do pescoço já estava escurecida por hematomas violentos. O cheiro adocicado de feno velho misturava-se com o odor metálico e tênue de sangue.

Ajoelhado na terra batida, Elias agiu por instinto. Pressionou a boca contra a dela, forçando ar para dentro daqueles pulmões que lutavam para viver, e então desferiu um soco firme, calculado, contra o peito dela. O impacto surtiu efeito. Uma tosse violenta rasgou a garganta da garota. Seus olhos se abriram, trêmulos, vidrados, tentando focar no rosto do estranho acima dela.

— Vá… saia daqui… — ela raspou, a voz crua, fina como um fio de seda prestes a arrebentar.

Elias a segurou firme, seus olhos duros como pederneira.

— Ninguém enforca uma pessoa nas minhas terras e sai andando impune.

O vento mudou de direção, fazendo a placa de madeira bater contra o poste com um estalo oco e fantasmagórico. Um rancho por vinte e dois dólares e uma vida quase perdida nele. Elias começou a se perguntar que tipo de sombras e demônios estavam escondidos por trás daquela pechincha.


A garota ainda tremia incontrolavelmente quando Elias a ajudou a entrar na casa principal. O lugar era um reflexo do abandono: o telhado tinha goteiras visíveis, as paredes de tábuas estavam rachadas, permitindo a entrada de feixes de luz e poeira. O cheiro úmido de madeira podre misturava-se com o aroma frio e morto de uma lareira que não via fogo há anos.

Ele a acomodou em um banco longo e lhe entregou seu cantil. Ela bebeu em pequenos goles, engasgando ocasionalmente, mas seus olhos nunca deixavam a porta, varrendo a entrada com um terror primitivo, como se esperasse que o diabo em pessoa fosse arrombá-la a qualquer momento.

— Quem é você? — Elias perguntou. Sua voz era baixa, grave, apenas o suficiente para abafar o som do seu próprio coração, que ainda batia acelerado pela adrenalina.

— Lydia. Lydia Cain. — Ela pousou o cantil, as mãos finas ainda tremendo sobre a mesa rústica. — E isto… isto costumava ser minha casa.

Elias estreitou os olhos, processando a informação.

— Costumava?

Lydia soltou uma risada fraca, um som que carregava o gosto amargo de fel e cinzas.

— Até a família Maddox tomá-la. Meu pai descobriu um veio de água profundo sob esta terra. Um aquífero enorme, suficiente para manter a cidade inteira viva através da seca, para irrigar plantações que nem existem ainda. Ele pretendia vender a água a um preço justo, para ajudar a todos. Mas Maddox… Maddox queria tudo para si.

Ela fez uma pausa, engolindo em seco, a dor física e emocional evidente em seu rosto.

— Um dia, o poço desabou enquanto meu pai trabalhava nele. Eles chamaram de acidente. Mas eu sei que não foi. No dia em que enterramos meu pai, Maddox apareceu com papéis de transferência assinados por uma mão que não era a minha. Eu nunca assinei, mas eles me forçaram a sair de qualquer maneira.

Apenas os olhos de Lydia encontraram os de Elias. Havia uma firmeza ali, uma brasa sob as cinzas.

— Eu nunca parti de verdade. Eu fiquei em silêncio, nas sombras.

Nos olhos dela, Elias viu algo que ele costumava encarar no espelho durante seus anos mais sombrios. Aquele olhar de quem perdeu tudo, mas que, por pura teimosia ou loucura, força a espinha a ficar ereta.

— Então, o enforcamento de hoje… — ele começou — …foi um aviso?

A voz dela caiu para um sussurro conspiratório.

— Eles estão procurando por aquele veio de água há três anos. Eu tenho o mapa do meu pai e os levantamentos geológicos dele. Ninguém além de mim sabe onde estão as coordenadas exatas. E hoje, acho que decidiram que me assustar não era mais suficiente. Queriam me apagar para sempre.

Do lado de fora, uma rajada de vento empurrou a poeira vermelha através da janela aberta, chacoalhando a moldura empenada. Elias olhou para os campos abertos e áridos. Ele havia comprado um pedaço de terra barato, mas junto com a escritura, herdara uma guerra que não era sua. No entanto, no Oeste, problemas não pediam licença para entrar. Às vezes, eles vinham apenas para testar se você merecia o chão onde pisava.

— Você tem para onde ir? — Elias perguntou.

Lydia balançou a cabeça negativamente.

— Só tenho o poço. E os homens dispostos a matar por ele.

Elias recostou-se na parede, sentindo a pulsação de seu próprio sangue. Nunca um negócio de terras o deixara com tal sensação de dívida moral.


De longe, ao longo da trilha que levava à entrada do rancho, um som começou a rolar. Batidas de cascos. Tump-tump, tump-tump. Não eram rápidas o suficiente para denotar urgência, mas também não eram lentas o suficiente para serem o passo despreocupado de viajantes. Eram deliberadas.

Elias e Lydia trocaram olhares. Ambos entenderam imediatamente: não era um vizinho vindo com uma torta de boas-vindas. O som crescia, ecoando pelo chão aberto como tambores de guerra anunciando uma tempestade.

Elias caminhou até a varanda, estreitando os olhos contra a trilha poeirenta. Ao longe, três cavaleiros tomaram forma, silhuetas escuras contra o sol poente, com a poeira vermelha fervendo atrás deles como fumaça.

— Harper — a voz de Lydia foi um sussurro áspero atrás dele.

Elias olhou para ela por cima do ombro.

— Você o conhece?

— Wade Harper. O executor de longa data de Maddox. O cão de guarda. Se ele está aqui, significa que eles seguiram meu rastro.

Ela se moveu rapidamente para o canto da sala. Debaixo de um tapete puído, Lydia puxou uma pequena caixa de madeira. Dentro, envolto em pano oleado para proteger da umidade, havia um rolo de pergaminho e várias folhas de papel amareladas pelo tempo. A tinta estava desbotada, mas legível.

— O mapa do veio de água — disse Lydia, desenrolando-o sobre a mesa.

As linhas meticulosas mostravam cada curva e reviravolta sob a terra, com marcas especiais indicando pontos-chave.

— Levou quase dez anos para meu pai medir, perfurar buracos de teste, marcar cada ramificação, cada veio alimentador. A linha principal corre bem debaixo do pasto norte.

Elias estudou o documento rapidamente, percebendo que aquilo era mais do que um mapa; era poder. Presas à borda estavam notas detalhadas sobre profundidade, capacidade e métodos para canalizar a água. Se aquilo caísse nas mãos de Maddox, toda a região estaria sob seu polegar. Ele seria rei num reino de sede.

Do lado de fora, o bater dos cascos cessou. Uma voz masculina, áspera mas clara, gritou:

— Ward! Ouvi dizer que acabou de comprar este rancho. Precisamos conversar.

Elias olhou para Lydia.

— Esconda isso. Agora.

Ela correu para enrolar o mapa e deslizou-o para uma fenda estreita sob as tábuas do assoalho solto.

— Ele não vai embora até revirar este lugar — disse ela, o medo evidente na voz.

Elias saiu para a varanda. Os três cavaleiros estavam alinhados. Harper estava no centro, a aba do chapéu puxada para baixo, os olhos semicerrados contra o brilho do sol. Os dois homens ao lado dele permaneciam em silêncio, as mãos descansando fáceis, mas prontas, sobre os revólveres.

— O que você quer? — Elias perguntou calmamente, sua própria mão roçando o cabo do Colt ao seu lado.

— Só ouvi dizer que há um forasteiro segurando algo que não lhe pertence — disse Harper, sorrindo sem um pingo de calor. — Você comprou este lugar, tudo bem. Mas há algo aqui que precisa voltar para seu legítimo dono.

Elias não piscou.

— Os papéis de venda estão no escritório da cidade. Vá perguntar lá.

Harper soltou uma risada seca, como areia deslizando em uma panela de metal.

— Não estou falando da terra, Ward. Estou falando de água.

Naquele momento, Elias soube que não havia volta. Harper não desmontou imediatamente. Ele se inclinou para frente na sela, descansando as duas mãos no chifre, seu olhar varrendo o rancho como se já conhecesse cada grão de madeira e cada rachadura nas tábuas.

— Sabe — disse ele lentamente —, aqui no Oeste, a água vale mais que ouro. E algo tão valioso… não cai simplesmente nas mãos de um estranho.

Os dois cavaleiros ao lado dele se separaram; um derivou ao longo da linha da cerca, o outro dirigiu-se para o velho poço. Moviam-se como homens em sua própria terra, sem se dar ao trabalho de pedir.

— Vocês estão em minhas terras, Harper. Melhor darem meia-volta. Seria mais saudável para todos.

A boca de Harper se curvou em desdém.

— Acho que vou ficar um pouco. Pelo menos até encontrar o que vim buscar.

Dentro da casa, Lydia se moveu ligeiramente. A tábua do assoalho que escondia o mapa ainda estava solta, e ela sabia que um passo descuidado poderia entregá-la. Elias olhou para trás por cima do ombro, seus olhos enviando um sinal claro: Fique parada.

Harper instigou seu cavalo um passo à frente.

— Ward, vou te dar uma chance. Traga a garota aqui fora, me entregue o que ela está segurando, e nós partiremos pacificamente.

Elias não respondeu. Ele descansou uma mão no poste da varanda, os dedos tamborilando levemente — um velho hábito de quando pesava suas opções. Ele sabia que Harper não queria apenas o mapa. O homem queria controle total. E um homem como aquele nunca ia embora só porque alguém pediu educadamente.

— Ninguém aqui além de mim — disse Elias, a voz plana e constante como água de poço fundo.

Harper riu, mas o som nunca chegou aos seus olhos. Ele inclinou a cabeça em direção ao homem que vasculhava perto do poço.

— Verifique ao redor da casa. Leve o seu tempo. Se Ward tiver reclamações, dispare um tiro de aviso.

O homem começou a caminhar em direção aos degraus. Elias deslocou-se apenas o suficiente para bloquear o caminho, sua postura mudando de relaxada para letal.

O pátio inteiro afundou em um silêncio espesso e pesado, quebrado apenas pelo vento batendo a placa de madeira contra o poste. Clack. Clack.

Harper avisou:

— Vou te alertar, Ward. A água sempre encontra o caminho de volta para seu dono. E se você tentar segurá-la, será enterrado sob este mesmo chão.

A tensão era quase física. Três homens contra um. Mas Elias Ward não era um homem que dobrava os joelhos.

— Não vou dizer de novo — disse Elias, a voz dura como pedra molhada. — Dê um passo para trás.

O homem congelou no meio do passo, olhando para Harper. Harper desmontou, lento e deliberado. O tilintar das esporas em seus calcanhares marcava o tempo como um relógio fatal. Quando suas botas tocaram a terra, menos de três passos os separavam.

— Você acha que um comprador de pechinchas pode segurar algo pelo qual todo o território está faminto? — Harper provocou.

O vento soprou, trazendo o cheiro de grama queimada. A mão de Harper encontrou o cabo de seu revólver, o polegar soltando a tira de couro de segurança. O pequeno clique soou como um trovão ao meio-dia.

Dentro da casa, Lydia pressionou o mapa com mais força sob o assoalho. O coração dela martelava. Então, seu pé escorregou. O chão deu um rangido fraco, traidor.

A cabeça de Harper virou instantaneamente para a porta.

— Então, não é só você.

Elias não se moveu, mas sua mão deslizou milímetros mais perto do Colt.

— Pode ser um gato. Ou sua própria sombra.

O sorriso de Harper era fino.

— Você está apostando sua vida em uma mentira.

Ele fez sinal para o homem à sua esquerda circular para a porta dos fundos. Elias sabia: se isso acontecesse, Lydia estaria encurralada.

— Ninguém revista minha casa enquanto eu estiver de pé — Elias rosnou.

O ar estava grosso como alcatrão. Um som errado e o sangue mancharia a terra.

Então, à distância, o som de outros cascos quebrou o impasse. Mais rápidos. Mais pesados. Eram muitos.

Harper inclinou a cabeça, as sobrancelhas se juntando. Elias também ouviu. Pelo menos quatro, talvez cinco cavalos cavalgando forte, direto para o rancho.

— Amigos seus? — Harper perguntou, o tom agora afiado.

Elias não respondeu, mas lá dentro, Lydia sussurrou com um fio de esperança:

— O Xerife…

Momentos depois, cinco cavaleiros surgiram na vista, levantando uma nuvem de poeira. À frente deles estava o Xerife Colton Bennett, seu casaco longo estalando ao vento, a estrela de prata no peito capturando a luz. Bennett não diminuiu a velocidade imediatamente. Ele trouxe seus homens para perto, espalhando-os em um semicírculo que cortava qualquer fuga.

Winchesters foram sacadas das bainhas, os canos apontados diretamente para Harper e seus capangas.

— Wade Harper! — A voz de Bennett soou dura como aço. — Tire a mão dessa arma e dê um passo para trás.

Harper soltou uma risada baixa, mas sua mão permaneceu onde estava.

— Xerife, eu estava apenas tendo uma conversa amigável com o novo proprietário. Não há necessidade de transformar isso em algo maior.

O tom de Bennett ficou mais afiado.

— Ficou grande no dia em que você e Maddox sabotaram o poço dos Cain e mataram Thomas Cain. E hoje, eu tenho uma testemunha.

Um silêncio chocado varreu o pátio. Lydia apareceu na porta, uma mão segurando o batente, os olhos arregalados.

— Sua testemunha? Algum bêbado velho, suponho — zombou Harper.

— Pete Harden — Bennett rebateu. — Ele estava lá. Viu você puxar o suporte. Viu o poço desabar enquanto Thomas ainda estava lá embaixo. E agora, com a palavra dele e os papéis daquele veio de água, tenho o suficiente para enforcar toda a equipe de Maddox.

Os olhos de Harper dispararam para Lydia, afiados como uma lâmina.

— Papéis, hein? — Ele se virou para Elias. — Então, você acolheu essa pequena cobra.

— Estou apenas guardando o que pertence ao dono legítimo — respondeu Elias.

— Última chance, Harper. Solte a arma. Ninguém precisa morrer hoje — avisou o Xerife.

Mas Elias viu o brilho no olho de Harper. A chama fria e familiar de um homem que preferiria morrer em um tiroteio a balançar em uma forca. Harper sabia que o fim da linha havia chegado.

Lydia desceu os degraus da varanda, segurando o pacote de pano oleado.

— Chega. Você quer os papéis? Estão aqui. Deixe o Elias em paz.

Harper sorriu, vitorioso, e avançou para pegar o pacote. Mas o Xerife gritou:

— Isso é evidência, Harper! Toque nisso e você morre!

Harper congelou. Ódio puro queimava em seus olhos.

— Evidência? Não significa nada se quem a segura estiver morto.

Sua mão foi para o revólver, rápida como o bote de uma cascavel.

Elias se jogou para o lado, empurrando Lydia para o chão. O tiro estalou como um chicote, a bala rasgando a manga de Elias. No mesmo segundo, Bennett e dois deputados dispararam em uníssono.

Harper foi jogado para trás, o peito explodindo em vermelho contra a poeira. Ele cambaleou, o olhar cheio de veneno, antes de desabar na terra. Seus homens jogaram as armas no chão, rendendo-se imediatamente.

Quando a poeira baixou, o silêncio retornou ao rancho, agora com um peso diferente.


O Xerife Bennett desmontou, instruindo seus homens a algemar os sobreviventes. Ele se virou para Lydia, a voz suavizando.

— Senhorita Cain, sinto muito. A justiça tardou, mas chegou.

Lydia desembrulhou o pacote, revelando as notas do pai.

— Está tudo aqui. A prova de que meu pai encontrou a água e de que Maddox o matou por isso.

Elias pressionava a mão contra o braço de raspão, o sangue manchando a camisa, mas era um ferimento superficial. Lydia correu até ele, preocupação e gratidão misturadas no olhar.

— Se não fosse por você… — ela começou.

Elias deu um sorriso fraco e torto.

— Este rancho é meu. Quem tenta matar alguém nas minhas terras, acerta as contas comigo.

O sol estava se pondo, estendendo sombras longas e roxas sobre os campos, transformando a poeira vermelha em uma fita de ouro brilhante. Os cascos do cavalo do xerife e sua escolta desapareceram no horizonte, levando os prisioneiros e o corpo de Harper.

Elias encostou-se no poste da varanda. Lydia trouxe uma tigela de água morna e um pano limpo, ajoelhando-se para limpar o ferimento dele.

— Sabe — disse ela suavemente —, por três anos, nunca pensei que viveria para ver este dia.

Elias olhou para o campo onde a última luz do dia dançava sobre o capim alto.

— A verdade costuma chegar atrasada, mas chega. A questão é quem tem a coragem de esperar por ela.

Lydia olhou para cima, capturando o olhar dele.

— E agora? O que você fará com esta terra?

Ele olhou ao redor, vendo não mais ruínas, mas potencial.

— Primeiro, acho que vou consertar aquele portão. Depois, o telhado e o poço. Talvez o lugar precise de alguém que saiba exatamente quão precioso ele é para vigiá-lo.

Lydia inclinou a cabeça, uma leve curva nos lábios.

— Parece que você está contratando.

Elias ofereceu sua mão calejada.

— Acho que este rancho é grande o suficiente para duas pessoas que sabem trabalhar e cumprir sua palavra.

Ela colocou a mão fina na dele, apertando com firmeza.

— Trato feito.

Acima deles, as primeiras estrelas começaram a piscar. O vento da noite trazia o cheiro fresco e úmido das profundezas subterrâneas — uma promessa silenciosa de que a água ainda fluía, viva e forte, sob seus pés.

Elias respirou fundo. Pela primeira vez em anos, sentiu que não estava enfrentando o vento sozinho. Suas sombras se alongavam juntas sobre a terra. Duas pessoas muito diferentes, unidas pela mesma coisa: uma vontade que se recusava a curvar. E aqui no Oeste, às vezes, isso é tudo o que você precisa para começar uma nova vida.

Porque nestas terras, terra e água valem muito, mas a coisa mais rara de todas é encontrar uma alma disposta a ficar e lutar ao seu lado até o fim da trilha.

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