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  • 💔 A JOVEM ESCRAVA FOI SEPARADA DO FILHO… E ELE VOLTOU COMO NOBRE PARA RESGATÁ-LA!

    💔 A JOVEM ESCRAVA FOI SEPARADA DO FILHO… E ELE VOLTOU COMO NOBRE PARA RESGATÁ-LA!

    Ela não é sua escrava, ela é minha mãe. A voz de Dom Lourenço de Valmor rasgou o silêncio do casarão como um trovão. O barão Estevão de Montei ergueu a pistola, o cano frio apontado para o coração daquele nobre que ousava desafiá-lo. A ruana dos Santos, a escrava de olhos cheios de lágrimas e fé, estendeu os braços entre os dois homens. O disparo ecoou. Bahia, 1853.

    30 anos após a separação mais brutal que uma mãe poderia suportar. O ar nos canaviais da fazenda Montei carregava o cheiro acre do açúcar queimado, misturado ao suor e ao sangue de dezenas de almas acorrentadas. Ali, sob o sol inclemente, que castigava a terra vermelha, a Aruana dos Santos curvava as costas marcadas por açoites antigos.

    Aos 47 anos, sua pele escura, reluzente ainda guardava a beleza de outrora, mas era nas mãos calejadas e nos olhos profundos que habitava sua verdadeira força. Seus cabelos crespos e longos, presos em tranças grossas, balançavam levemente ao vento enquanto ela trabalhava em silêncio, como sempre fizera. Auana não era apenas mais uma escrava, era memória viva.

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    Conhecia os nomes de todos os que haviam partido. Lembrava das canções que embalavam os dias de dor. Guardava as histórias que o cativeiro tentava apagar. E havia algo mais, algo que ninguém conseguia arrancar dela, nem mesmo os anos de tortura, a fé. Uma fé inabalável de que o vento levava suas orações até onde seu filho estivesse.

    Aos 17 anos, Aruana dera à luz um menino de pele morena clara e olhos cor de mel. Ela o segurou por apenas três dias, antes que o capataz, amando do antigo Senhor, arrancasse a criança de seus braços. As unhas dela haviam sangrado ao tentar resistir. Os gritos dela haviam ecoado pela cenzala inteira, mas nada impediu que levassem o pequeno vendido para uma família portuguesa que partiu rumo à Lisboa.

    Desde aquele dia, Aruana conversava com o vento. Todas as manhãs, antes do sol nascer, ela sussurrava o nome do filho que nunca conhecera por completo. não sabia se ele estava vivo ou morto, se lembrava dela ou se havia esquecido sua existência. Mas a mãe jamais esquecera, jamais desistira. A fazenda Montei pertencia agora ao Barão Estevão de Montei, homem branco de 52 anos, alto de barba grisalha e postura imponente.

    Ele comprara Aruana junto com a propriedade anos atrás e desde então havia como símbolo de sua posse mais antiga e valiosa. Estevão era calculista, cruel e obsecado por poder. Para ele, a Aruana não passava de uma ferramenta, embora algo nela o incomodasse. Aqueles olhos firmes que nunca se curvavam completamente, mesmo diante do chicote.

    Naquela manhã de outubro, a fazenda estava em alvoro um nobre, enviado pela coroa portuguesa chegaria para supervisionar as propriedades decadentes da região. Elina de Montei, filha do Barão, uma jovem branca de 25 anos, delicada e sonhadora, estava agitada. Ela passara horas escolhendo o vestido perfeito, ajeitando os cachos louros, imaginando como seria aquele homem importante vindo de Lisboa.

    Aruana observava tudo de longe, varrendo o pátio principal. Não se importava com nobres ou visitas. Seu mundo era pequeno, cercado por correntes invisíveis e sonhos impossíveis. Mas naquele dia, algo diferente pairava no ar, algo que fazia seu coração acelerar sem motivo aparente. Quando as carruagens chegaram, levantando poeira vermelha da estrada, Aruana parou por um instante.

    Do veículo desceu um homem jovem, de aproximadamente 30 anos, vestido com trajes nobres e impecáveis. Sua pele era morena clara. Os cabelos castanhos escuros caíam levemente sobre a testa e os olhos cor de mel brilhavam com uma intensidade que parecia carregar histórias não contadas.

    Ele era Dom Lourenço de Valmor, enviado direto da metrópole para avaliar fazendas e propriedades em nome da coroa. Lourenço tinha uma presença estranha, educado, elegante, mas com um vazio dentro de si que nem mesmo os anos em Lisboa conseguiram preencher. Ele sabia que fora adotado ainda bebê por uma família nobre portuguesa, mas jamais soubera detalhes sobre sua origem.

    A única pista que carregava era um medalhão de madeira pendurado em seu pescoço, escondido sob a camisa. Nele, gravado com letras toscas, estava um nome, Aruana. O Barão Estevão recebeu Lourenço com toda pompa e circunstância, exibindo a riqueza da propriedade como quem exibe troféus de guerra. Celina, por sua vez, não disfarçava a atração que sentia pelo jovem nobre.

    Seus olhos o seguiam, suas palavras eram cuidadosamente escolhidas. e seu sorriso ensaiado. Lourenço, no entanto, parecia distante. Seus olhos percorriam a fazenda com uma mistura de curiosidade e desconforto. Havia algo ali que o incomodava profundamente, algo que ele não conseguia nomear.

    Quando seus passos o levaram ao pátio onde os escravos trabalhavam, ele parou. Foi então que a viu. A Aruana estava de costas, curvada sobre uma pilha de lenha que organizava para a cozinha. Seus movimentos eram lentos, cansados, mas havia uma dignidade em cada gesto que chamou a atenção de Lourenço. Ele sentiu uma pontada estranha no peito, como se algo antigo e esquecido despertasse dentro dele.

    Ela se virou e seus olhos se encontraram. Aruana sentiu o mundo parar. Aqueles olhos cor de mel, aquela pele morena clara, aquele rosto que parecia saído de seus sonhos mais impossíveis. Suas mãos tremeram. O ar faltou, mas foi quando ela viu o medalhão pendurado no pescoço dele, balançando levemente para fora da camisa, que seu coração explodiu.

    Era o medalhão que ela mesma havia feito com as próprias mãos antes de perder seu filho. As pernas de Aruana fraquejaram. Ela agarrou-se a um tronco próximo, tentando desmaiar. Lágrimas silenciosas escorreram por seu rosto, mas ela as enxugou rapidamente, com medo de ser castigada por demonstrar fraqueza. Lourenço, sem entender a reação daquela mulher, deu um passo em sua direção.

    Havia algo nela que o puxava, algo inexplicável. Ele abriu a boca para perguntar seu nome, mas foi interrompido pela voz autoritária do Barão. Dom Lourenço, venha. Tenho muito a lhe mostrar ainda. Não perca tempo com os escravos”, disse Estevão com desdém. Lourenço hesitou, mas acabou seguindo o barão.

    Antes de se afastar completamente, porém, ele lançou um último olhar para a Aruana. E naquele olhar ela viu algo que não via há 30 anos, esperança. Naquela noite, Aruana não conseguiu dormir. Ela deitou-se na cenzala apertada, rodeada por corpos cansados e respirações pesadas, mas sua mente estava longe. Ela tocou o próprio peito, sentindo o coração bater descompassado.

    Seria possível? Seria realmente ele? Ela fechou os olhos e sussurrou para o vento, como fazia todas as noites. Meu filho, será que és tu? Antes de continuarmos, agradeço de coração por você estar aqui acompanhando essa história. Sua presença, seu tempo e sua atenção são muito especiais para mim.

    Cada visualização, cada minuto que você dedica a ouvir essas palavras faz toda a diferença. Se você está gostando, não esqueça de se inscrever no canal. para não perder as próximas histórias que ainda vou contar. E por favor, deixe seu like. Isso me ajuda a continuar criando essas narrativas que tanto amo compartilhar com vocês. Agora, voltemos à história.

    Na manhã seguinte, Lourenço acordou inquieto. Algo o perturbava. A imagem daquela escrava de olhos profundos não saía de sua mente. Ele levantou-se, vestiu-se rapidamente e decidiu caminhar pelos arredores da fazenda antes do café da manhã. Foi quando a viu novamente. A Juana estava sozinha, ajoelhada próxima a uma pequena capela abandonada nos fundos da propriedade.

    Ela rezava em voz baixa, as mãos entrelaçadas, os olhos fechados. Lourenço aproximou devagar, sem fazer barulho, mas ela sentiu sua presença e ergueu a cabeça. Seus olhares se cruzaram novamente. Desta vez, foi Lourenço quem sentiu o impacto. Havia algo naqueles olhos que o reconhecia, que o chamava, que o conhecia de um jeito impossível de explicar. “Qual é o seu nome?”, perguntou ele, a voz suave. Auana hesitou.

    Falar diretamente com um nobre era proibido, mas algo mais forte que o medo a fez responder: “Auana, senhor. Meu nome é Aruana dos Santos. O mundo de Lourenço desabou. Lourenço sentiu suas pernas tremerem. O medalhão de madeira pesava em seu peito como se carregasse o peso de 30 anos de mistério.

    Ele levou a mão ao pescoço, puxando o objeto para fora da camisa e o segurou diante dos próprios olhos, como se precisasse confirmar o que já sabia. Aruana. O nome estava ali, gravado de forma tosca, mas legível, o mesmo nome que aquela mulher acabara de pronunciar. Aruana, repetiu ele, a voz rouca, quase inaudível.

    A escrava ergueu-se lentamente, os joelhos doloridos rangendo com o esforço. Seus olhos fixaram-se no medalhão pendurado nas mãos do nobre, e uma lágrima solitária escorreu por sua face. Ela reconhecia aquele objeto. Como não reconheceria, fora ela quem o esculpira com as próprias mãos, usando um pedaço de madeira que encontrara perto da cenzala.

    Ela o fizera em três noites seguidas, escondida, com medo de ser descoberta. E na última noite, antes de seu filho ser arrancado de seus braços, ela o amarrara ao pescoço dele com um pedaço de corda trançada. “De onde tirou isso?”, perguntou Lourenço, dando um passo à frente. Auana abaixou o olhar, o medo lutando contra a verdade que precisava ser dita.

    “Falar poderia custar sua vida, mas silenciar poderia custar sua alma.” Eu eu fiz, Senhor”, respondeu ela, a voz trêmula: “Há muito tempo para meu filho.” As palavras caíram sobre Lourenço como uma avalanche. Seu peito apertou, sua respiração falhou. Ele olhou para aquela mulher marcada pelo sofrimento, para aqueles olhos que carregavam dor e esperança em igual medida, e algo dentro dele se quebrou.

    “Seu filho?” Conseguiu perguntar, embora já soubesse a resposta. Auana assentiu, as lágrimas agora fluindo livremente. Ela apertou as mãos uma contra a outra, tentando controlar o tremor que tomava conta de seu corpo. Ele tinha apenas três dias quando me tiraram dele. Disseram que seria vendido para uma família nobre de Lisboa. Nunca mais o vi.

    Mas todas as noites eu rezo por ele. Peço ao vento que leve minhas palavras até onde ele estiver. Lourenço sentiu o chão desaparecer sob. Tudo fazia sentido. Agora, o vazio que sempre sentira, a sensação de não pertencer completamente ao mundo em que fora criado, a estranha atração que sentira por aquela mulher desde o primeiro olhar.

    Ele queria dizer algo, queria gritar, queria abraçá-la e pedir perdão por todos os anos perdidos. Mas antes que pudesse mover um músculo, ouviu passos se aproximando. Era o capataz, um homem branco de meia idade, de olhar cruel e chicote sempre à mão. “O que está acontecendo aqui?”, perguntou o capataz desconfiado. Escrava, volte ao trabalho imediatamente.

    A Arana baixou a cabeça e se afastou rapidamente, mas não antes de lançar um último olhar para Lourenço. Naquele olhar havia um pedido silencioso. Não diga nada. Ainda não. Lourenço ficou ali parado sozinho, segurando o medalhão com tanta força que seus dedos ficaram brancos. Sua mente girava em círculos, tentando processar a verdade que acabara de descobrir.

    Ele era filho daquela mulher, filho de uma escrava. Tudo o que ele era, tudo o que possuía fora construído sobre o sangue e o sofrimento de pessoas como ela. Nos dias seguintes, Lourenço não conseguiu agir normalmente. Ele participava das refeições com o Barão e Celina. Fingia interesse nas conversas sobre produção de açúcar e negócios.

    Mas sua mente estava sempre em outro lugar, sempre em Aruana. Ele começou a observá-la de longe. Via como ela trabalhava incansavelmente, como ajudava os outros escravos quando ninguém estava olhando, como sussurrava palavras de fé e esperança. Mesmo em meio ao desespero.

    Havia uma força nela que ele nunca vira em nenhuma das damas nobres que conhecera em Lisboa. Uma dignidade que nenhum açoite conseguira apagar. Celina percebeu a mudança no comportamento de Lourenço. Ela notou como ele se distraía durante as conversas, como seus olhos vagavam pela fazenda, como ele parecia distante, mesmo quando estava ao seu lado. Uma pequena semente de desconfiança começou a germinar em seu coração.

    Certa tarde, enquanto Lourenço caminhava pelos jardins, ele encontrou o padre Jerônimo do Vale, um homem negro, liberto de 61 anos, de fala mansa e olhar profundo. O padre era respeitado por todos, até mesmo pelo Barão, e costumava visitar a fazenda para oferecer conforto espiritual aos escravos. Dom Lourenço cumprimentou o padre, inclinando a cabeça respeitosamente.

    Posso ter uma palavra convosco? Lourenço sentiu ansioso por qualquer conselho que pudesse acalmar o turbilhão dentro de si. Os dois caminharam até um canto isolado do jardim, longe de ouvidos indiscretos. O padre olhou profundamente nos olhos de Lourenço antes de falar. Conheço a história de Aruana”, disse ele, a voz baixa e cuidadosa.

    “Conheço a dor que ela carrega há 30 anos e sei, meu filho, que essa dor também é sua.” Lourenço sentiu seu coração disparar, como o padre sabia? Ela me contou há muitos anos sobre o filho que lhe arrancaram, continuou Jerônimo. Ela me fez jurar que se algum dia eu soubesse de seu paradeiro, eu guardaria segredo até que fosse seguro revelar.

    Mas agora vejo que o destino trouxe você de volta para ela. Padre, eu não sei o que fazer, confessou Lourenço, a voz quebrando. Descobri que minha vida inteira foi uma mentira que fui construído sobre o sofrimento dela. Não, meu filho! Corrigiu o padre, colocando uma mão firme no ombro de Lourenço. Sua vida não foi uma mentira, foi uma dádiva, uma segunda chance.

    E agora você tem o poder de fazer o que está certo. Mas como? questionou Lourenço desesperado. Como posso libertá-la sem destruir tudo? O Barão jamais permitirá. A sociedade me crucificará. O padre sorriu tristemente. A escolha nunca é fácil quando envolve amor e justiça, Dom Lourenço, mas eu sei que você encontrará o caminho, porque o sangue que corre em suas veias é o mesmo que corre nas veias dela, e esse sangue carrega coragem. Naquela noite, Lourenço não conseguiu dormir.

    Ele ficou na varanda de seu quarto, olhando para a cenzala ao longe, onde sabia que a Aruana estava. Ele tocou o medalhão no pescoço e sussurrou para o vento, assim como ela fazia todas as noites. Mãe, eu voltei, mas na manhã seguinte, ao descer para o café, Lourenço encontrou o Barão Estevão de pé na sala, segurando algo nas mãos. Era uma carta.

    E pelo olhar sombrio no rosto do Barão, Lourenço que algo terrível estava prestes a acontecer. “Dom Lourenço”, disse Estevão, a voz fria como gelo. “Recebi uma proposta interessante. Um fazendeiro do Rio de Janeiro deseja comprar algumas de minhas escravas mais antigas. E a Aruana está no topo da lista. O tempo parou. Lourenço sentiu como se uma lâmina atravessasse seu peito.

    Vender a Aruana, levá-la para longe. Justamente agora que ele a encontrara, sua mente lutou para processar aquelas palavras, mas o barão continuava falando, indiferente a tempestade que suas palavras haviam causado. Ela é uma escrava cara, mas com a idade avançada preciso considerar propostas vantajosas”, explicou Estevon, examinando a carta com interesse comercial.

    O fazendeiro oferece um bom valor. Pretendo aceitar quando? Conseguiu perguntar Lourenço, a voz mal saindo de sua garganta. Dentro de uma semana ele enviará homens para buscá-la. Uma semana, apenas sete dias para encontrar uma solução para salvar a mãe que acabara de reencontrar. Lourenço apertou os punhos, tentando manter a compostura.

    Não podia revelar seus sentimentos? Não ainda. Qualquer demonstração de interesse especial por Aruana despertaria suspeitas. “O Sr. Barão é, sem dúvida, um excelente negociante”, disse Lourenço, forçando um tom neutro. “Se me permite, vou dar uma caminhada pelos campos. Preciso avaliar algumas áreas para meu relatório à coroa.” Estevão acenou com a mão, já distraído com outros papéis.

    Lourenço rapidamente, o coração martelando no peito. Ele precisava falar com Aruana. Precisava dizer a ela que não permitiria aquela venda. Mas como fazer isso sem expor o segredo que os unia? Ele a encontrou no campo de cana, cortando com movimentos lentos, mas precisos. Quando Aruana o viu se aproximando, seu corpo inteiro se enrijeceu. Ela sabia.

    De alguma forma, ela sempre sabia quando algo ruim estava por vir. Lourenço olhou ao redor, certificando-se de que ninguém os observava, e se aproximou dela. Não podia falar abertamente, mas seus olhos diziam tudo. A Arana leu neles o desespero, a urgência, o medo. Eles vão me vender, sussurrou ela.

    Uma afirmação, não uma pergunta. Lourenço assentiu, a garganta apertada demais para palavras. Aruana fechou os olhos por um momento, respirando fundo. 30 anos, 30 anos esperando por aquele reencontro impossível. E agora, quando finalmente acontecera, o destino conspirava para separá-los novamente. “Não vou permitir”, disse Lourenço, baixo, mas firme. “Vou encontrar um jeito.

    ” “Como?”, perguntou Aruana, a voz carregada de uma dor antiga. “Você é um nobre. Eu sou uma escrava. Não ajeito, meu filho, não ouvir aquelas palavras, meu filho, saindo dos lábios dela pela primeira vez, foi como receber uma bênção e uma maldição ao mesmo tempo.

    Lourenço sentiu lágrimas arderem em seus olhos, mas não as deixou cair. “Eu vou comprar sua liberdade”, declarou ele determinado. “O barão jamais aceitará”, respondeu Aruana, balançando a cabeça. Ele sabe que eu valho mais do que dinheiro para ele. Sou símbolo de seu poder e se você insistir demais, ele desconfiará. Ela tinha razão. Lourenço sabia disso. Qualquer movimento errado poderia arruinar tudo. Nos dias seguintes, a tensão na fazenda aumentou.

    Celina observava Lourenço com crescente desconfiança. Ela notara como ele se ausentava frequentemente, como seu olhar buscava alguém nos campos, como ele parecia atormentado por algo que não compartilhava com ninguém. Certa tarde, Celina seguiu Lourenço discretamente e o viu conversando com Aruana perto do celeiro.

    Ela não conseguiu ouvir as palavras, mas viu algo que a deixou perturbada, a forma como Lourenço olhava para aquela escrava. Havia ternura naquele olhar, preocupação, algo que ia muito além da compaixão superficial que alguns nobres demonstravam por seus servos. Celina recuou, o coração confuso. Ela não entendia o que estava vendo. Mas uma coisa era certa. Havia um segredo entre aquele nobre e aquela escrava.

    E segredos, ela sabia podiam ser perigosos. Enquanto isso, Lourenço se encontrou novamente com o padre Jerônimo. Os dois conversaram por horas na pequena capela, buscando uma solução que parecesse cada vez mais impossível. “E a lei está contra vocês”, disse o padre. sua voz pesada de tristeza. E a sociedade também, se você revelar a verdade, será destruído, mas se não fizer nada, perderá sua mãe para sempre.

    Então, o que faço, padre? Questionou Lourenço, a angústia transparecendo em cada palavra. Como escolho entre honra e amor, entre título e sangue? Essa escolha, meu filho, só você pode fazer, respondeu Jerônimo. Mas saiba que qualquer que seja sua decisão, Deus conhece seu coração. Na noite anterior à chegada dos homens do fazendeiro do Rio de Janeiro, Lourenço tomou uma decisão.

    Ele iria até o Barão e faria uma proposta. Ofereceria o dobro do valor que o outro fazendeiro estava pagando pela liberdade de Aruana. Usaria sua própria fortuna, arriscaria sua reputação, mas não deixaria que a levassem. Ele ensaiou as palavras em sua mente, preparou os argumentos, reuniu toda a coragem que possuía, mas quando desceu para jantar, encontrou uma cena que congelou seu sangue.

    Celina estava sentada à mesa ao lado do pai e seus olhos brilhavam com uma mistura de dor e raiva. O barão Estevão tinha uma expressão sombria no rosto e no centro da mesa havia um objeto que Lourenço reconheceu imediatamente. Era um desenho, um esboço feito a carvão, mostrando claramente o rosto de Aruana. Um dos escravos que sabia desenhar o fizera anos atrás e o barão o guardara como parte de seu inventário.

    “Dom Lourenço”, disse o Barão, a voz baixa e perigosa. “Minha filha me trouxe informações interessantes hoje. Parece que o senhor tem demonstrado um interesse peculiar por uma de minhas escravas.” Lourenço sentiu o chão desabar. Celina o observava, os olhos cheios de lágrimas contidas, esperando uma explicação que ele não poderia dar sem destruir tudo.

    “Celina viu vocês conversando”, continuou Estevão, levantando-se lentamente. E isso me fez pensar, por que um nobre de Lisboa se interessaria tanto por uma escrava velha? A menos que ele fez uma pausa dramática, seus olhos perfurando Lourenço. Que haja algo mais entre vocês? Estou curiosa para saber de que cidade ou estado vocês estão acompanhando essa história. Me conta nos comentários.

    É incrível imaginar como nossas histórias viajam e alcançam cantos tão diferentes do mundo. Mal posso esperar para descobrir até onde chegaremos juntos. O silêncio na sala era insurdeor. Lourenço precisava decidir naquele exato momento se mentia ou se revelava a verdade, se protegia seu nome ou salvava sua mãe.

    Mas antes que pudesse abrir a boca, a porta da sala se escancarou. Era o capataz, ofegante, o rosto pálido de terror. Barão. A escrava aruana fugiu. O barão Estevão explodiu em fúria. Sua face enrubeceu. As veias do pescoço saltaram e ele esmurrou a mesa com tanta força que os pratos tremeram.

    Fugiu? Como uma escrava ousa fugir de minha propriedade, vociferou ele, virando-se para o capataz. Reúna os homens. Soltem os cães. Quero essa mulher de volta antes do amanhecer. Lourenço sentiu seu coração disparar. A Ruana fugira, ela tomara a decisão por ambos e agora estava lá fora, sozinha, perseguida, sem chances reais de escapar. Ele precisava encontrá-la primeiro. Precisava protegê-la.

    “Barão, permita-me ajudar na busca”, ofereceu Lourenço, tentando manter a voz firme. “Conheço técnicas de rastreamento que aprendi na Europa. Posso ser útil.” Estevão o encarou com desconfiança, mas acabou concordando com um aceno brusco de cabeça. Celina permaneceu sentada pálida, os olhos fixos em Lourenço. Ela sabia, mesmo sem entender completamente, ela sabia que havia algo profundo e perigoso acontecendo.

    A fazenda se transformou em caos. Homens armados montaram cavalos, tochas foram acesas. Cães farejadores foram soltos. A noite escura da Baia foi rasgada por gritos de ordem e latidos furiosos. Lourenço montou seu cavalo e partiu com os outros, mas seu coração rezava para que Aruana estivesse longe, muito longe dali.

    Ele cavalgou por trilhas conhecidas, afastando-se propositalmente dos outros homens. Precisava encontrá-la antes deles. Mas a floresta era densa, a escuridão quase impenetrável, como encontrar alguém que não queria ser encontrada. Foi quando ouviu um sussurro no vento, palavras que pareciam vir de lugar nenhum e de todos os lugares ao mesmo tempo.

    “Meu filho, será que és tu?”, era a voz dela. A Arana estava rezando, como sempre fizera. Lourenço seguiu o som desmontando do cavalo e avançando a pé pela mata, e então a viu. Ela estava ajoelhada perto de um riacho, as roupas rasgadas, os pés sangrando. Suas mãos estavam entrelaçadas em oração e lágrimas escorriam por seu rosto iluminado pela lua.

    Quando ouviu os passos dele, ela ergueu a cabeça, pronta para enfrentar seu destino. Mas era ele, Lourenço! Sussurrou ela, a voz quebrada. Ele correu até ela, ajoelhando-se ao seu lado. Pela primeira vez, sem medo de serem vistos, sem as correntes da propriedade os separando, mãe e filho se abraçaram.

    Aruana soluçou contra o peito dele, 30 anos de dor e saudade transbordando naquele momento. Lourenço segurou com força, como se pudesse protegê-la de todo o mal do mundo. “Por que fugiu?”, perguntou ele, ainda abraçado a ela. “Porque não podia deixar que você se sacrificasse por mim?”, respondeu Aruana, afastando-se levemente para olhar em seus olhos. “Vi em seu rosto que você estava disposto a revelar tudo, a arriscar seu nome, sua posição.

    Não posso permitir isso. Já perdi você uma vez. Não vou destruir sua vida agora. Minha vida não vale nada sem você”, disse Lourenço, a voz firme, apesar das lágrimas. Passei 30 anos sentindo um vazio que não conseguia explicar. Agora sei o motivo. Você é minha mãe e vou fazer o que for necessário para libertá-la.

    Auana tocou o rosto dele com mãos trêmulas, memorizando cada traço, cada detalhe do filho que fora arrancado de seus braços quando era apenas um bebê. “Você se tornou um homem bom”, disse ela, sorrindo através das lágrimas. Mesmo criado longe de mim, mesmo sem saber de onde veio, você tem um coração justo. Isso me basta. Não me basta. Retrucou Lourenço. Não vou perder você novamente.

    Mas antes que pudessem continuar, ouviram latidos vozes. Tocha se aproximando. Os homens do barão estavam chegando. Vá, ordenou a Luana, empurrando Lourenço. Fuja. Eles não podem nos encontrar juntos. Não vou deixá-la. Vai sim”, disse ela com a autoridade de uma mãe, “que a única chance que temos. Volte para a fazenda.

    Finja que não me encontrou e quando chegar a hora certa você saberá o que fazer.” Lourenço hesitou dilacerado entre o dever filial e a sobrevivência, mas os latidos estavam cada vez mais próximos. Ele beijou a testa de Aruana, um gesto de despedida e promessa, e desapareceu na escuridão. Minutos depois, os homens do Barão encontraram a Aruana sozinha, exausta, sem forças para continuar fugindo.

    Eles a agarraram brutalmente, amarraram suas mãos e a arrastaram de volta para a fazenda. Ela não resistiu, não gritou, apenas olhou para o céu estrelado e sussurrou uma oração de gratidão por ter tido aqueles poucos minutos com seu filho. Quando amanheceu, Aruana foi levada ao tronco no centro do pátio.

    O barão Estevão ordenou que todos os escravos fossem reunidos para assistir ao castigo. Era uma demonstração de poder, um lembrete cruel de que ninguém desafiava sua autoridade. Lourenço chegou correndo da floresta, fingindo estar exausto da busca. Quando viu a Aruana amarrada ao tronco, seu sangue congelou.

    O capataz segurava o chicote, esperando a ordem do Barão. “Esa escrava ousou fugir”, anunciou Estevão, sua voz ecoando pelo pátio, e por isso será punida como exemplo. O capataz ergueu o chicote. Lourenço sentiu algo dentro dele se romper. Não podia assistir à aquilo, não podia permitir que açoitassem sua mãe enquanto ele ficava ali impotente. “Pare!”, gritou ele, avançando em direção ao barão.

    Todos se viraram surpresos. Celina, que observava da varanda da casa grande, levou a mão à boca. O barão franziu a testa confuso. “O que disse, Dom Lourenço?”, disse para parar. Repetiu Lourenço, agora parado entre o Capataz e Aruana. Sua voz era firme, mas suas mãos tremiam. Não vou permitir que açoitem essa mulher. E por que não? Questionou o Barão, seus olhos se estreitando perigosamente.

    Qual é seu interesse nessa escrava? Afinal, Aruana, ainda amarrada ao tronco, balançou a cabeça desesperadamente. Não. Seus olhos imploravam. Não faça isso. Não se sacrifique por mim. Mas Lourenço já havia tomado sua decisão. Ele respirou fundo, tocou o medalhão em seu pescoço e olhou diretamente nos olhos do Barão Estevão. “Porque ela não é apenas uma escrava”, disse ele, a voz ecoando pelo silêncio mortal que se instalara.

    “Ela é minha mãe. O mundo parou. Ninguém se moveu. Ninguém respirou.” E então o barão começou a rir. Uma risada fria, cruel, que não tinha nada de humor. Sua mãe, repetiu ele, incrédulo. Um nobre de Lisboa, filho de uma escrava. Sim, confirmou Lourenço, erguendo o medalhão para que todos vissem. E vim aqui para libertá-la.

    O riso do barão ecoou pelo pátio como um presságio sombrio. Ele olhou ao redor para os escravos paralisados, para os capatazes confusos, para sua filha Celina na varanda. e então voltou seus olhos para Lourenço. “Você acabou de assinar sua própria sentença de morte social, jovem tolo”, disse Estevão. A voz carregada de desprezo.

    Quando a coroa souber que enviou um filho de escrava para supervisionar suas propriedades, você será destruído. Seu título, sua fortuna, sua vida em Lisboa. Tudo desaparecerá. Que desapareça, respondeu Lourenço, surpreendendo a si mesmo com a firmeza em sua voz. Prefiro viver como homem livre com minha mãe, do que como nobre construído sobre mentiras e sangue. Aruana soluçou, as lágrimas escorrendo livremente.

    Seu filho estava sacrificando tudo por ela, tudo o que ele conhecia, tudo o que havia construído e ela não podia impedir. O barão deu um passo à frente, a mão indo instintivamente para a pistola em seu cinto. “Você não vai a lugar nenhum com essa escrava”, rosnou ele. Ela me pertence e mesmo que você seja quem diz ser, isso não muda nada. Ela continua sendo minha propriedade.

    Não por muito tempo disse uma voz firme vinda da entrada do pátio. Todos se viraram. Era padre Jerônimo do Vale, acompanhado de outros três homens. Um deles, Lourenço, reconheceu, era um oficial da coroa, enviado de Salvador para investigar irregularidades nas fazendas da região. “Padre”, cumprimentou o Barão, tentando recompor sua postura autoritária.

    “Qual o significado dessa invasão?” Não é invasão, Barão Estevão”, respondeu Jerônimo, caminhando calmamente até o centro do pátio. “É justiça, o Senr. Dom Lourenço me procurou há dias pedindo conselho sobre sua situação e juntos nós elaboramos um plano.” Lourenço olhou para o padre surpreso. Ele não sabia de plano algum.

    “Veja, Barão”, continuou Jerônimo, tirando um documento do bolso de sua batina. Há 30 anos, quando Aruana teve seu filho, o então senhor desta fazenda não apenas a separou da criança, mas vendeu o bebê ilegalmente. Na época, havia uma lei que proibia a separação de mães e filhos menores de 12 anos em casos de venda.

    Isso é mentira!”, gritou o Barão, mas sua voz carecia de convicção. “Não é”, disse o oficial da coroa avançando. “Temos documentos que provam a transação ilegal. E, segundo as leis do império, qualquer escravidão baseada em transação ilegal é considerada nula.” O mundo de Estevão começou a desmoronar. Ele olhou ao redor buscando apoio, mas encontrou apenas silêncio.

    Além disso, prosseguiu Jerônimo, sua voz ganhando poder, ao fato de que Dom Lourenço de Valmor, mesmo sendo filho de escrava, foi legalmente adotado por uma família nobre portuguesa. Seu título é legítimo. E como nobre, ele tem o direito de comprar a liberdade de qualquer escravo que deseje. Lourenço sentiu a esperança surgir em seu peito pela primeira vez.

    desde que a verdade fora revelada. E é exatamente isso que ele fará”, concluiu o padre, entregando outro documento a Lourenço. Esta é a carta de alforria. Tudo o que precisa é sua assinatura e o pagamento do valor justo. Lourenço pegou o documento com mãos trêmulas.

    Ele olhou para Aruana, ainda amarrada ao tronco, e viu em seus olhos uma mistura de descrença e alegria. “Quanto!”, perguntou Lourenço ao Barão. Quanto quer por ela? Estevão cerrou os punhos, sabendo que estava encurralado. Se recusasse, o oficial da coroa poderia simplesmente libertar Aruana com base na ilegalidade da transação original. Ao menos assim, ele receberia algo. 5.

    000 réis, disse ele, cuspindo o valor como veneno. Aceito respondeu Lourenço imediatamente. Ele assinou a carta de alforria ali mesmo diante de todos. O oficial da coroa testemunhou assim como o padre Jerônimo. E quando o documento foi selado, Lourenço caminhou até o tronco onde sua mãe estava amarrada.

    Com as próprias mãos, ele desfez as cordas que aprendiam. Aruana caiu em seus braços, fraca, tremendo, mas livre. Pela primeira vez em 47 anos, ela era livre. “Você está livre, mãe?”, sussurrou Lourenço, abraçando-a com força. “Livre para sempre”. Auana não conseguia falar, apenas chorava, agarrada ao filho que fora arrancado dela há tanto tempo e que agora a salvava.

    O pátio inteiro testemunhava aquele momento e mesmo entre os escravos, lágrimas começaram a cair. Era um vislumbre de esperança em meio à escuridão. Celina observava da varanda, o coração partido, mas estranhamente em paz. Ela entendia agora. entendia porque Lourenço parecia tão distante, porque ele carregava aquele peso.

    E, embora soubesse que jamais o teria para si, ela respeitava a coragem que ele demonstrara. O barão Estevão recuou para dentro da casa grande, derrotado e humilhado. Sua reputação jamais se recuperaria daquilo. E no fundo ele sabia que merecera cada segundo daquela queda. Nos dias seguintes, Lourenço e Aruana deixaram a fazenda Monte Rei. Eles viajaram para Salvador, onde Lourenço usou sua influência para ajudar outros escravos a conquistarem suas liberdades.

    Juana, pela primeira vez na vida, pôde descansar, pôde dormir sem medo, pôde caminhar com a cabeça erguida. Ela descobriu que seu filho era um homem bom, justo e corajoso. E, embora tivessem perdido 30 anos juntos, eles tinham agora o resto de suas vidas para recuperar o tempo perdido. Lourenço renunciou ao seu título de supervisor da coroa, mas manteve sua nobreza.

    Ele usou sua posição para lutar contra a escravidão, tornando-se uma voz poderosa em favor da abolição. E ao seu lado sempre estava Aruana, a mulher que lhe ensinara o verdadeiro significado de força, fé e amor. Padre Jerônimo visitava-os frequentemente, sorrindo ao ver mãe e filho finalmente reunidos. Ele sabia que Deus havia operado um milagre ali, transformando dor em redenção, separação em reencontro.

    Anos mais tarde, quando a lei Áurea finalmente foi assinada, Lourenço e Aruana estavam juntos na praça testemunhando o fim oficial da escravidão no Brasil. A Aruana, já com cabelos grisalhos, mas olhos ainda brilhantes, segurou a mão de seu filho e sussurrou: “Você vê? O vento levou minhas orações até você e você voltou para me libertar. Lourenço beijou a mão dela, os olhos marejados.

    Não, mãe, você me libertou primeiro. Libertou-me das correntes da ignorância, do preconceito, da injustiça. Você me ensinou o que realmente importa. E assim, sob o céu azul da Baia, mãe e filho caminharam lado a lado, livres, enfim, das correntes que tentaram separá-los. Sua história tornou-se lenda, um testemunho de que o amor verdadeiro, a fé inabalável e a coragem de fazer o certo podem vencer até mesmo as injustiças mais profundas, porque no final não são os títulos que definem quem somos, são as escolhas que fazemos.

    E Lourenço escolhera o amor. Antes de nos despedirmos, quero agradecer de coração por você ter acompanhado essa história até o final. Sua presença aqui é o que torna tudo isso possível. Se essa narrativa tocou seu coração, não esqueça de se inscrever no canal e ativar o sininho para não perder as próximas histórias que ainda vou contar.

    Deixe seu like, comente o que achou e compartilhe com quem você acha que precisa ouvir histórias de fé, amor e esperança. Nos vemos na próxima jornada. Até breve. M.

  • Este retrato de 1903 parece perfeitamente normal, até que você dê um zoom na mão da noiva e descubra um segredo obscuro.

    Este retrato de 1903 parece perfeitamente normal, até que você dê um zoom na mão da noiva e descubra um segredo obscuro.

    Certo dia, nos arquivos da Sociedade Histórica de Hartford, a historiadora da fotografia Dra. Sarah Mitchell encontrou uma moldura de madeira ornamentada contendo uma fotografia de casamento datada de 1903.

    À primeira vista, a foto parecia perfeitamente comum: um noivo com semblante sério, vestindo um tradicional terno preto, e uma noiva com um longo vestido branco de um elaborado padrão vitoriano, ambos em pé com a austeridade digna das convenções fotográficas da época.

    Mas algo naquela foto deixou Sarah desconfortável.

    Ao segurar a fotografia contra a luz solar direta, notei algo estranho: a noiva estava sorrindo! Não um sorriso fraco, quase imperceptível, mas um sorriso claro, refletindo alegria genuína ou talvez um segredo oculto.

    Em 1903, sorrir em fotografias era extremamente raro devido aos longos tempos de exposição que exigiam que os fotografados permanecessem perfeitamente imóveis por vários segundos; até o menor movimento poderia distorcer a imagem. Portanto, todos mantinham uma expressão séria e neutra. Então, por que apenas a noiva estava sorrindo?

    Sarah iniciou uma investigação meticulosa. No verso da fotografia estava escrito com uma caligrafia elegante: “Thomas e Elizabeth – 15 de junho de 1903”. Mas sua busca nos registros oficiais de casamento de Connecticut não revelou nenhum anúncio ou registro do casal. Era como se o casamento nunca tivesse acontecido.

    Ela foi à biblioteca local e perguntou à Sra. Peterson, a bibliotecária veterana, que a aconselhou a verificar os registros paroquiais, pois muitos casamentos de pequenas famílias não eram noticiados nos jornais.

    Na Igreja Episcopal da Trindade, Sarah não encontrou nenhum vestígio do casamento de Thomas e Elizabeth na data indicada. No entanto, ela notou um casamento registrado em nome de “Elizabeth Hayes” apenas dois dias antes da fotografia. Voltando à fotografia, ela corajosamente removeu a moldura antiga.

    Atrás do papelão, ela encontrou uma pequena folha de papel cuidadosamente dobrada, na qual estava escrito com uma caligrafia delicada e feminina: “Querido Thomas, quando você ler isto, eu já terei deixado Hartford para sempre.”

    A mensagem era apenas o começo. Usando uma lupa, Sarah focou na mão da noiva. Seus dedos estavam posicionados de forma não natural, como se estivessem formando um sinal específico.

    Após estudar a linguagem gestual secreta da era vitoriana – conhecida como “telégrafo digital”, que as mulheres usavam para se comunicar sem que os homens percebessem – Sarah descobriu que a posição dos dedos de Elizabeth significava exatamente: “Ajude-me” ou “Não é o que parece”.

    A fotografia transformou-se subitamente de uma simples recordação de casamento num grito silencioso de socorro.

    Sarah começou a pesquisar registros de pessoas desaparecidas do verão de 1903 e encontrou um boletim de ocorrência registrado pela irmã de Elizabeth Hayes em 20 de julho, que afirmava que a mulher havia desaparecido repentinamente após apresentar comportamento estranho nas semanas anteriores.

    Entretanto, ela descobriu que o noivo, Thomas Miller, não era um homem comum, mas sim um investigador particular que apurava um grande caso de desfalque no Hartford National Bank.

    Aos poucos, o quadro horrível foi se tornando claro: Elizabeth era funcionária do mesmo banco e possuía chaves e documentos que poderiam expor as atividades fraudulentas de Thomas.

    Ao que tudo indicava, Thomas a havia forçado a um casamento precipitado para que ela assinasse documentos que legitimassem seus casos extraconjugais, e depois planejava se livrar dela.

    Mas Elizabeth – com notável astúcia – aproveitou a única oportunidade para tirar fotos que lhe foi permitida para enviar duas mensagens ao mesmo tempo: um sorriso confiante para enganar Thomas e um sinal sutil para aqueles que viriam anos depois e entenderiam.

    Em setembro de 1903, Thomas Miller foi encontrado morto em circunstâncias suspeitas, e Elizabeth desapareceu completamente. Seu corpo nunca foi encontrado, mas as evidências sugerem que ela pode ter fugido no último minuto ou que alguém a ajudou após perceber seu sinal.

    Após meses de pesquisa, Sarah Mitchell compilou um relatório completo e contatou o Hertford Courant, que publicou o artigo na íntegra com o título “O sorriso que salvou uma vida”.

    Ela também conseguiu entrar em contato com Patricia Hayes, neta de Elizabeth, que se emocionou ao ver a fotografia e conhecer a história heroica de sua bisavó.

    Hoje, a fotografia está em exibição no Museu de História de Hartford, juntamente com uma placa que conta toda a sua história, e tornou-se um símbolo da coragem feminina numa época em que as vozes das mulheres estavam sendo silenciadas.

    Todo visitante que a observa se lembra de que algumas fotografias não retratam simplesmente um momento feliz, mas podem representar o único meio que uma mulher empreendedora escolheu para salvar sua vida e deixar uma mensagem para as gerações futuras: “Observem com atenção… Eu não estou feliz, estou pedindo ajuda.”

    Após meses de pesquisa, Sarah Mitchell compilou um relatório completo e contatou o Hertford Courant, que publicou o artigo na íntegra com o título “O sorriso que salvou uma vida”.

    Ela também conseguiu entrar em contato com Patricia Hayes, neta de Elizabeth, que se emocionou ao ver a fotografia e conhecer a história heroica de sua bisavó.

  • O Choque da Nova Era do Trabalho: Lula Exige Fim da Jornada 6×1 e Expõe as Linhas de Batalha em Brasília

    O Choque da Nova Era do Trabalho: Lula Exige Fim da Jornada 6×1 e Expõe as Linhas de Batalha em Brasília

    A discussão sobre a jornada de trabalho no Brasil alcançou um novo patamar de urgência e confronto, impulsionada pela articulação do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em um movimento que ele próprio descreveu como uma “chegada na voadora”, o chefe do executivo elevou o tom da exigência ao Congresso Nacional: é imperativo o fim da escala 6 por 1 e a consolidação da jornada de trabalho em 40 horas semanais. Esta não é apenas uma proposta de ajuste legislativo; é um profundo questionamento sobre o papel da tecnologia, a qualidade de vida do trabalhador brasileiro e a verdadeira prioridade do mercado na terceira década do século XXI.

    O debate, que polariza o cenário político, coloca em xeque a máxima de “viver para trabalhar” e propõe uma inversão de valores: o trabalho deve servir para garantir a vida digna, não consumi-la integralmente. Lula questiona de forma direta e incisiva: “O que que avançou tecnologicamente que a gente não reduz a jornada de trabalho? Para que que serviu todo esses avanços tecnológicos que não resolve reduzir?”. A fala ecoa a tese de que o ganho de produtividade proporcionado pela modernização não pode ser absorvido exclusivamente pelo lucro empresarial, mas precisa se reverter em benefício social e pessoal.

    A posição do governo é clara e foi reafirmada perante os parlamentares: o compromisso é com a qualidade de vida. A limitação da escala de trabalho a um máximo de 5×2 e a redução para 40 horas semanais buscam devolver aos trabalhadores o tempo essencial para além de suas obrigações laborais. Este tempo é crucial para o lazer, para o cuidado com a família, para a resolução de problemas pessoais e, em última análise, para uma participação mais plena na sociedade. Trata-se de um reconhecimento de que a vida, nas palavras da Deputada Érica Hilton, deve existir “além do trabalho”.

    É notável que o debate sobre as 40 horas semanais já encontra ressonância na prática. Os dados indicam que a média de trabalho dos brasileiros já beira as 39,8 horas semanais, o que demonstra a viabilidade da medida. O governo enxerga a redução da jornada como um complemento vital a outras conquistas sociais, como a isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5.000, fortalecendo o objetivo de garantir dignidade e qualidade de vida à maioria dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. A mobilização em torno do “fim da escala 6 por 1” tornou-se uma das principais bandeiras do atual governo.


    A Controvérsia no Congresso: O Relator, a Produtividade e o Tempo Livre

    A proposta de avanço, no entanto, enfrenta resistência significativa no Congresso Nacional, especialmente na Câmara dos Deputados, onde a relatoria da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do tema gerou uma onda de críticas. O Deputado Luiz Gastão, do PSD do Ceará, responsável pela relatoria, optou por uma visão que manteve a possibilidade da escala 6 por 1, embora a carga horária semanal fosse limitada a 40 horas. Para os defensores da reforma mais ampla, essa decisão representa um retrocesso e uma profunda incompreensão da realidade do trabalhador brasileiro.

    A crítica central ao voto do relator reside na percepção de que ele desconhece as agruras da jornada de trabalho extenuante. É irônico, argumentam os opositores, que parlamentares que dedicam apenas uma fração de sua semana ao trabalho presencial em Brasília – em sessões que, com deslocamento, mal ultrapassam 20 horas semanais – decidam o esgotamento daqueles que sustentam a economia do país. “Esses caras aqui querem definir que a gente tem que trabalhar até se esgotar, até morrer…”, é a forte síntese da indignação. A proposta de redução de apenas 10% na carga horária (das 44 horas atuais para 40) é vista como insuficiente para promover uma real melhora na qualidade de vida.

    Erika Hilton – Wikipedia

    O texto original, apresentado pela Deputada Érica Hilton, era ainda mais ambicioso, aventando a possibilidade de uma jornada de 36 horas semanais, distribuídas em uma escala 4×3 (quatro dias de trabalho por três de descanso, com oito horas diárias). O choque entre a proposta do relator e a da Deputada Érica demonstra o abismo ideológico e prático que separa as visões sobre o futuro do trabalho no país. É uma batalha que, segundo analistas, dependerá crucialmente da “pressão popular” para que não seja engavetada ou desfigurada. A mensagem aos cidadãos é clara: “reclame, grite, fale alto. A gente precisa pedir o fim da escala 6×1. Pessoal, urgente.” A mobilização é vista como o único caminho para forçar a acomodação de jornadas de trabalho que são consideradas justas e possíveis pelo mercado.


    A Batalha Política e o Orçamento da Nação: O Contraponto de Bolsonaro e Seus Aliados

    A discussão sobre a jornada de trabalho é inseparável do quadro político mais amplo, marcado por um embate frontal entre o Presidente Lula e seu antecessor, Jair Bolsonaro, e seus aliados. O discurso de Lula, que em uma aparição pública classificou seus opositores como “tranqueiras” que “nunca mais voltarão a governar o país”, ressalta a intensidade da polarização. A crítica não se restringe à pauta econômica ou trabalhista, mas abrange a dimensão social e moral da gestão anterior, lembrando o número de mortes durante a pandemia e o que ele considera ser a negligência na área de cultura.

    Neste contexto de confronto, o governo atual tem buscado desarticular o que vê como uma agenda de privilégios e falta de transparência. Um exemplo disso é o rigor com que estão sendo tratados casos envolvendo ex-ministros e aliados de Bolsonaro. A exigência de demissão de Eduardo Bolsonaro da Polícia Federal e a determinação do Ministro Flávio Dino (do Supremo Tribunal Federal) de proibir o recebimento ou a avaliação da execução de emendas parlamentares apresentadas pelos deputados Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem, somando mais de R$ 80 milhões, enviam uma mensagem forte sobre a fiscalização do dinheiro público.

    O governo critica veementemente o uso das emendas parlamentares, que, na visão de Lula, “sequestram o orçamento” que deveria ser destinado diretamente à saúde, educação e segurança para os trabalhadores. Esta é uma crítica à gestão orçamentária que, segundo o governo, prioriza o “jogo de cartas marcadas” político em detrimento das necessidades básicas da população. O apelo, portanto, é por uma mudança sistêmica, indo além da simples alternância de poder: “Não adianta mudar apenas o rei. Temos que mudar todo o jogo e elegermos apenas a esquerda. Só assim venceremos”, diz a corrente política que apoia o atual presidente.


    Economia e Pânico Moral: A Derrubada de Previsões Catastróficas

    O embate político se estende para a narrativa econômica, onde o governo tem se esforçado para desmistificar o que chama de “pânico moral” disseminado pela oposição. O ex-ministro da Economia de Bolsonaro, Paulo Guedes, havia prognosticado que, com a vitória de Lula em 2022, o Brasil se transformaria em uma “Argentina em 6 meses e uma Venezuela em 1 ano e meio”. Passados três anos de gestão, os resultados apresentados pelo governo atual buscam refutar categoricamente essas previsões.

    Os dados econômicos são utilizados como principal arma contra o discurso do pânico. O país registra a menor inflação dos últimos anos, um Produto Interno Bruto (PIB) em crescimento (acima da média de 3%), o menor índice de desemprego e uma redução nas taxas de desigualdade social e analfabetismo. Para os apoiadores do governo, esses resultados concretos demonstram que a prioridade está no desenvolvimento econômico e social, em contraste com a agenda da extrema-direita que, segundo a crítica, se concentra em pautas morais, como as discussões sobre temas LGBT ou feminismo, para desviar o foco dos problemas estruturais que afetam o bolso e a dignidade das famílias.

    Outras ações governamentais reforçam essa prioridade na economia e no social. Aprovou-se um projeto de lei para a abertura de crédito para expandir as universidades federais, criando mais de 8.600 cargos e reafirmando a educação como prioridade. No setor energético, a notícia de que o governo Lula investirá R$ 12 bilhões para ampliar refinarias, buscando suprir a demanda nacional e pressionar a Petrobras a reduzir o valor da gasolina na bomba, é mais um movimento no sentido de impactar diretamente a vida do consumidor.

    A mensagem final é de foco nos resultados. “Aprenda a dar um foco naquilo que é importante, no resultado da parte econômica e na parte social,” é o apelo feito aos cidadãos, reforçando a importância de avaliar as políticas pelo seu impacto material e não apenas pelo calor do debate ideológico. O cenário político, hoje, é de um Lula que, apesar dos desafios no Congresso, é visto por seus apoiadores como o líder político mais influente da história, com suas ações e resultados sendo o principal trunfo na corrida eleitoral futura.


    Conclusão: Um Novo Contrato Social em Disputa

    O Brasil vive um momento de redefinição de seu contrato social e econômico. A exigência do Presidente Lula pelo fim da escala 6 por 1 é o catalisador de um debate que toca o âmago da dignidade humana e do futuro do trabalho. De um lado, a pressão para que o avanço tecnológico se traduza em qualidade de vida para o trabalhador, com mais tempo livre para a família e o lazer. De outro, a resistência de setores que priorizam a manutenção das estruturas atuais e a contenção dos custos laborais, frequentemente utilizando a retórica da crise para justificar a inação.

    Em Brasília, a briga pela jornada de trabalho se mistura à luta por transparência e à fiscalização do dinheiro público, com medidas rigorosas sendo tomadas contra aqueles que são vistos como desviando o foco do desenvolvimento nacional. Entre emendas parlamentares barradas e a crescente expectativa de que a Petrobras cumpra seu papel social na redução do preço dos combustíveis, o governo busca consolidar uma imagem de gestão voltada para os interesses da maioria. O desafio é converter a pressão popular em força política que possa superar o impasse no Congresso e garantir que a vida dos trabalhadores brasileiros seja, de fato, mais justa e menos esgotante. A batalha está lançada, e o futuro do trabalho no Brasil será definido pela capacidade de mobilização da sociedade em torno dessa pauta.

  • Casal de Guadalajara desaparece em trilha perto de Cancún em 2003 — Cinco anos depois, algo é encontrado.

    Casal de Guadalajara desaparece em trilha perto de Cancún em 2003 — Cinco anos depois, algo é encontrado.

    Nota importante:As histórias contadas neste canal são inspiradas em eventos reais, mas também incluem elementos de ficção, reinterpretação e dramatização para fins narrativos e de entretenimento. Nada aqui pretende afirmar verdades absolutas sobre os casos apresentados.

    Julho de 2003. Playa Delfines, Cancún.O céu sobre Cancún era de um azul impecável, o calor aconchegando-se à pele, fazendo com que a brisa parecesse um raro alívio.

    Na areia branca e fina, Mariana Ramos Medina sorria timidamente para a câmera segurada por um casal de turistas canadenses que ela acabara de conhecer. Ela usava um biquíni verde com flores brancas, feito sob medida em Guadalajara, e seus pés afundavam na areia quente.

    Ao lado dela, Alejandro López Armenta vestia uma camiseta branca simples e bermuda azul-marinho, sem saber como posar. O mar atrás deles cintilava, indiferente ao momento, mas aquela foto se tornaria a última imagem conhecida do casal.

    Mariana e Alejandro passaram mais de um ano economizando para esta viagem. Recém-formados — ela em artes visuais, ele em engenharia civil — planejavam desfrutar de um pouco de tranquilidade antes de mergulharem na vida adulta.

    Nenhum dos dois conhecia o litoral mexicano; esta era a primeira vez que viam o oceano juntos. Hospedaram-se em um hotel modesto, com um ventilador barulhento e um café da manhã sem graça, mas tudo parecia novo, suficiente, íntimo.

    Nos três primeiros dias, seguiram o típico roteiro turístico: Playa Tortugas, Isla Mujeres, mercados de artesanato, longas caminhadas pela praia, fotos com câmeras descartáveis.

    Mariana ficou fascinada com a luz dourada do pôr do sol, fotografando pulseiras vendidas por crianças, mechas de cabelo dançando ao vento, sombras de palmeiras nas calçadas rachadas. Alejandro, mais prático, cuidava de mapas e orçamentos, anotando as despesas em um caderninho organizado.

    Na manhã de 14 de julho, uma segunda-feira, eles acordaram cedo, antes das 7h. O ventilador girava preguiçosamente e Mariana reclamava do calor.

    Tomaram um café rápido com pão doce, prepararam pequenas mochilas com água, frutas, um celular com pouca bateria e uma forte vontade de conhecer o lado menos turístico da península.

    Uma funcionária do hotel falou sobre trilhas pouco conhecidas perto de Puerto Morelos, onde os moradores locais podiam acessar cenotes mais isolados. “Não são para turistas”, avisou ela, “mas os moradores os conhecem”. Alejandro queria contratar um guia, mas Mariana queria economizar. “Voltaremos antes do almoço.

    Vai dar tudo certo”, disse ela, prendendo o cabelo.

    Eles foram de van até Puerto Morelos e foram vistos por volta das 9h30 em uma pequena loja de artesanato na entrada da cidade. A dona, Leticia, se lembra deles claramente. “Eles eram jovens, riam muito. Perguntaram sobre trilhas menos movimentadas, queriam ver cenotes sem aglomeração.

    Eu apenas disse para terem cuidado.” Esse foi o último avistamento confirmado.

    No final da tarde, o celular que compartilhavam parou de funcionar. Como não retornaram ao hotel, a recepcionista achou estranho, mas a polícia só foi acionada no dia seguinte. Esse atraso se tornaria um dos maiores arrependimentos da família.

    O Desaparecimento e o Silêncio

    No dia 15 de julho, os pais de Mariana, em Guadalajara, receberam um telefonema do hotel: o quarto estava intacto, as toalhas ainda úmidas, um pacote de biscoitos aberto sobre a mesa, a câmera com a última foto da praia no cartão de memória.

    A mala de Mariana estava entreaberta, a de Alejandro fechada, as roupas dobradas cuidadosamente. Não havia sinal de briga ou mudança de planos.

    As buscas começaram em 16 de julho. Policiais, bombeiros, voluntários e, posteriormente, a guarda costeira se juntaram à operação. Drones, cães farejadores e helicópteros vasculharam as trilhas perto de Puerto Morelos, cavernas e estradas secundárias. Moradores locais, guias e donos de bares foram interrogados, mas nenhuma pista concreta surgiu.

    A história ganhou manchetes regionais: “Casal de Guadalajara desaparece em trilha isolada perto de Cancún”.

    As famílias chegaram no dia 18 de julho e foram direto para o hotel. Lourdes, mãe de Mariana, reconheceu o biquíni que estava na bolsa de praia. “Ela só levou um.

    Eu mandei fazer para ela.” Armando, pai de Alejandro, ficou em silêncio ao ver o caderno do filho, cuja última linha dizia: “Água, 10 pesos; fruta, 7 pesos; ônibus para Puerto Morelos, 30.” Nada mais.

    Durante semanas, cartazes foram colados em postes, ônibus e farmácias. Seus rostos sorridentes se tornaram familiares em Quintana Roo. Mas os dias se passaram e nenhuma nova pista surgiu. A vegetação densa, o calor extremo e a falta de coordenadas exatas tornavam tudo mais difícil.

    As famílias percorreram trilhas improvisadas, guiadas por pescadores e moradores locais, mas a selva parecia engolir todos os vestígios.

    Em Guadalajara, amigos organizaram vigílias e missas. Colegas da universidade criaram um site em busca de informações. Fóruns logo se encheram de teorias: fuga voluntária, sequestro, cartel, tráfico humano, acidente. A polícia nunca descartou nenhuma hipótese, mas também nunca confirmou nada. O desaparecimento começou a se dissipar como poeira.

    A Busca Incansável

    Na terceira semana, o silêncio tornou-se ensurdecedor. As autoridades locais, pressionadas pela imprensa, começaram a reduzir os recursos. A polícia alegou ter vasculhado mais de 80% das trilhas possíveis entre Cancún e a rota central dos cenotes.

    O terreno era traiçoeiro — calcário, buracos naturais, encostas escondidas, cavernas úmidas sob a densa selva. Sem sinal de celular, e o calor fazia com que cada busca parecesse uma jornada.

    Os pais de Mariana se recusaram a ir embora. Alugaram um pequeno quarto em Puerto Morelos e percorriam diariamente trilhas de terra, distribuindo panfletos, mostrando fotos e perguntando a qualquer pessoa que pudesse conhecer a selva. Lourdes, sempre com um lenço nos ombros, conversava com policiais, pescadores e vendedores.

    Héctor, seu pai, mantinha um caderno: datas, nomes, horários, depoimentos. “A memória falha, o caderno não”, dizia ele.

    Norma e Armando, os pais de Alejandro, voltaram para Guadalajara depois de duas semanas, exaustos e sem forças. “Não temos forças para vasculhar a selva, mas estamos seguindo em frente daqui”, disseram aos jornais. Mobilizaram amigos, políticos locais e professores universitários. Alejandro era muito querido pelos colegas de classe.

    Seus irmãos mais novos ajudaram online, criando um blog com atualizações diárias e pedindo dicas anônimas por e-mail.

    Uma das fotos mais compartilhadas mostrava o casal na praia — Mariana de biquíni, o braço de Alejandro levemente em volta de sua cintura, a torre de salva-vidas e a bandeira mexicana ao fundo.

    A imagem aparecia em cartazes amarelados que tremulavam ao vento quente em Cancún e Playa del Carmen. Semana após semana, as cores desbotavam, mas seus rostos permaneciam fixos no olhar dos transeuntes.

    Rumores e teorias

    No início de agosto, surgiram os primeiros rumores sérios. Um pescador afirmou ter visto dois jovens sendo levados por homens armados em uma caminhonete em direção a Leona Vicario. Uma mulher que morava perto da selva disse ter ouvido gritos vindos da floresta ao amanhecer do dia 15 de julho.

    Nenhum desses relatos foi confirmado, mas a imprensa sensacionalista os divulgou: “Levados por engano” ou “Cartel local pode estar por trás do misterioso desaparecimento”.

    A polícia reagiu com cautela. Um investigador declarou a um jornal local: “Não há indícios de sequestro. Pode ter sido um acidente, desorientação ou até mesmo uma fuga. Ainda estamos avaliando a situação”. Mas os pais de Mariana insistiram: “Eles não teriam fugido.

    Alejandro havia aceitado um emprego para começar em agosto. Mariana estava prestes a expor suas fotos em uma nova galeria de arte. A viagem era uma comemoração, não uma fuga. Se quisessem desaparecer, teriam deixado um bilhete”.

    Com o passar dos meses, a esperança mudou de forma. No início, todos procuravam por sobreviventes. Depois, aceitaram que talvez encontrassem apenas vestígios — roupas, qualquer pista. Mas nada apareceu. A vegetação engoliu tudo. Os helicópteros foram retirados, os cães farejadores pararam de procurar, os cartazes caíram com a chuva.

    No final de 2003, os jornais já não atualizavam o caso. As buscas tornaram-se voluntárias, realizadas apenas pela família e por alguns moradores locais solidários.

    Um explorador solitário

    Ernesto, um homem de 59 anos que mora perto da rota dos cenotes, começou a explorar as trilhas sozinho. Ex-soldado, ele conhecia bem a região e estava frustrado com a forma como o caso havia sido arquivado. “Aquelas crianças não desapareceram por mágica. Algo aconteceu lá.

    Eu sinto isso e vou continuar procurando.” Ele era metódico, anotando coordenadas, mapeando trilhas, observando mudanças no solo, carregando um pedaço de pau, um facão curto, água, sal e cigarros. Ele registrava tudo em seus cadernos.

    Durante cinco anos, ele realizou mais de 40 expedições, às vezes sozinho, às vezes com amigos. Nunca encontrou nada, mas nunca desistiu.

    Enquanto isso, em Guadalajara, os amigos de Mariana organizaram pequenas exposições de suas fotos. A mais famosa era uma imagem em preto e branco de uma sombra projetada em uma parede rachada, com a frase: “Há ausências que falam mais alto que os gritos”.

    Em 2008, cinco anos após o desaparecimento, o nome de Alejandro foi oficialmente adicionado ao Registro Nacional de Desaparecidos. Para Norma, sua mãe, assinar aquele documento foi como aceitar que seu filho havia se tornado uma estatística. Para os pais de Mariana, a busca continuava.

    Todo mês de julho, eles retornavam a Cancún, distribuíam novos cartazes, refaziam o caminho até Puerto Morelos, visitavam a loja de Leticia, repetiam as perguntas feitas centenas de vezes. Agora, eles não buscavam o casal, mas qualquer coisa.

    A Descoberta

    Quase seis anos depois, em um cenote seco e esquecido pelo tempo, Ernesto encontrou algo sob uma raiz ressecada: tecido emaranhado, não apenas galhos, mas pano.

    Com cuidado, ele retirou a parte de cima de um biquíni floral verde e branco rasgado, com um buraco escuro do lado esquerdo, e a parte de baixo combinando, também rasgada e marcada pela umidade antiga.

    Perto dali, meio enterrados, estavam uma camiseta branca suja com manchas escuras, um brinco de concha e um isqueiro verde-ferrugem. Ernesto paralisou, sabendo exatamente o que havia encontrado. Sem tocar em mais nada, ligou para um contato na polícia ambiental.

    Em duas horas, a área foi isolada e os investigadores vasculharam o local. Nenhum resto humano, nenhum osso ou cabelo, nenhum vestígio biológico claro. Mas as roupas contavam a história.

    O biquíni era inconfundível, a camiseta foi imediatamente reconhecida pela família, o isqueiro com um “A” riscado era de Alejandro, e o brinco, metade de um par comprado por Mariana em Guadalajara, era o mesmo que Lourdes lhe dera.

    Quando as imagens dos objetos encontrados foram mostradas em segredo a Lourdes e Héctor, o impacto foi imediato. “É dela, eu sei”, disse Lourdes. Armando encarou a camisa por alguns segundos antes de dizer: “Era a favorita dele. Nós demos para ele no Natal passado.”

    A notícia se espalhou rapidamente: “Objetos de casal desaparecido encontrados em cenote seco”. O impacto emocional foi forte. Os moradores locais, que quase haviam esquecido o caso, começaram a falar sobre ele novamente. Teorias ressurgiram: enterrados e cobertos pela água, um crime apagado pelo tempo, morte acidental nunca esclarecida.

    A análise forense foi inconclusiva; os tecidos estavam muito degradados e não restaram fragmentos humanos para testes genéticos.

    A polícia classificou os objetos como evidência parcial de presença. Legalmente, ainda era impossível declarar a morte sem os corpos, mas para as famílias, a realidade já se impunha.

    Lourdes retornou ao local com flores e um colar que Mariana usava quando criança, pedindo que os objetos fossem deixados ali por algumas horas antes da análise. Ela se sentou em uma pedra próxima e chorou baixinho. Não pediu justiça, apenas tempo.

    Um Lugar para a Memória

    A polícia isolou a área por 72 horas, mas não encontrou mais nada. A vegetação parecia engolir qualquer outra possibilidade. A propriedade foi fechada novamente, mas as famílias pediram um memorial simples — uma pequena cruz com uma frase pintada pelo irmão de Alejandro: “Aqui não há esquecimento, apenas perguntas”.

    A ausência agora tinha um lugar.

    Duas semanas depois, o memorial foi instalado em um sábado nublado. Lourdes trouxe flores amarelas, Héctor carregou um pequeno banco de madeira e um maço de cartas que Mariana havia escrito na adolescência.

    Norma e Armando dirigiram de Guadalajara, trazendo uma foto emoldurada de Alejandro, sorrindo para o bolo de seu aniversário de 25 anos.

    A simples cruz de madeira foi fixada na borda da cova seca, os nomes omitidos, substituídos pela frase: “Aqui não há esquecimento, apenas perguntas”.Durante toda a manhã, não houve cerimônia, apenas os quatro sentados sob os galhos retorcidos, o vento carregando o aroma da terra e das folhas secas.

    Vivendo com a Ausência

    Após a cerimônia em memória dele, a vida de ambas as famílias foi se reconfigurando lentamente — não por escolha, mas por necessidade.

    A ausência deixou de ser notícia, não motivou mais buscas na internet nem postagens em fóruns, mas permaneceu como uma pedra no peito, invisível, porém impossível de ignorar.

    Lourdes começou a trabalhar meio período em uma escola pública, ajudando crianças a ler. Ela disse que precisava preencher suas manhãs, que o silêncio em casa a enfraquecia. Héctor se aposentou e cuidou obsessivamente das plantas do pátio, etiquetando cada uma com um nome como forma de preservar a memória.

  • Ele foi considerado inapto para reprodução — seu pai o entregou à escrava mais forte em 1859.

    Ele foi considerado inapto para reprodução — seu pai o entregou à escrava mais forte em 1859.

    Ele foi considerado inapto para reprodução — seu pai o entregou à escrava mais forte em 1859.

    I. O lançamento contábil que não deveria existir

    O documento tem apenas quatro linhas.

    “12 de maio de 1859. Delilah (idade aproximada de 24 anos), trabalhadora rural. Desaparecida. Presume-se que tenha sido roubada ou fugida. Thomas B. Callahan também está ausente. Carroça desaparecida.”

    A anotação aparece no livro de contas da plantação de 1859 do juiz William Callahan, um fazendeiro do Mississippi cuja propriedade de 8.000 acres de algodão ficava perto de Natchez. A caligrafia é apressada, incomumente descuidada, e a tinta é mais escura que as páginas ao redor — como se tivesse sido adicionada posteriormente, depois que alguém percebeu que a história precisava de uma versão alternativa.

    Duas pessoas desapareceram naquela noite:

    Dalila, uma mulher escravizada de 24 anos conhecida por sua força extraordinária e pelo temido potencial como “reprodutora”, e

    Thomas Bowmont Callahan, o único filho do juiz, um jovem frágil de 19 anos cujo corpo havia sido declarado “inapto para reprodução” por três médicos diferentes.

    Eles desapareceram sem deixar rastro.

    Não foram publicados anúncios em jornais. Nenhum relatório de patrulha de escravos menciona uma perseguição. Não há registros legais subsequentes. Depois de maio de 1859, nenhum dos nomes aparece nos registros sobreviventes do Mississippi.

    Por mais de um século, o desaparecimento permaneceu um mito das plantações — sussurrado nas histórias locais, descartado pelos estudiosos como um escândalo familiar coberto pelo silêncio.

    Mas cartas, relatórios médicos e documentos de inventário recentemente divulgados revelam algo muito mais sombrio:
    o desaparecimento pode não ter sido um acidente, nem uma simples fuga. Pode ter sido o colapso violento de um plano secreto de “reprodução” que o juiz pretendia impor ao seu filho deficiente — usando o corpo de Delilah como receptáculo para uma nova geração que ele poderia manipular legalmente para obter herdeiros.

    Esta é a história que emerge quando fragmentos de arquivo dispersos são reunidos — uma história de deficiência, coerção, aliança proibida e da máquina da escravidão americana consumindo até mesmo os seus próprios membros.

    II. O Menino Que Não Deveria Ter Sobrevivido

    Para compreender os acontecimentos de 1859, os investigadores devem começar dezenove anos antes, com um parto que a parteira não esperava que durasse a noite toda.

    Thomas Bowmont Callahan nasceu prematuramente em janeiro de 1840 — dois meses antes do previsto, em um inverno do Mississippi tão frio que chegava a rachar a casca das árvores. Pequeno, azulado e com dificuldade para respirar, foi considerado “improvável que sobrevivesse até o amanhecer”. Mas sua mãe, Sarah Bowmont Callahan, recusou-se a entregá-lo. Ela o segurou contra o peito, pele com pele, em meio à febre e ao delírio, sussurrando: “Seu coração está fraco, mas luta”.

    Ele sobreviveu.

    Sobreviver, porém, não significava triunfar.

    Entre os documentos que sobreviveram, encontra-se o livro de registro de um médico que descreve Thomas, com um ano de idade, como “incapaz de se sentar ereto”, aos seis anos como “delicado além de qualquer correção” e aos dezesseis anos como “inadequado para internato ou estudos árduos”. Ele se tornou um jovem franzino, com pouco mais de um metro e cinquenta e sete de altura, mãos trêmulas e peito afundado. Sua visão era fraca, seus ossos frágeis e sua voz ainda não mudava.

    Em 1858, quando se aproximava da maioridade legal, o juiz Callahan convocou três médicos — um de Natchez, um de Vicksburg e um de Nova Orleans — para avaliar a aptidão de Thomas para o casamento e a reprodução. Seus relatórios estão preservados nos documentos da família Callahan.

    “Desenvolvimento gonadal incompleto. Aparência pré-puberal.”

    “A esterilidade é certa e permanente.”

    “O juiz deve procurar herdeiros por outros meios.”

    O veredicto foi catastrófico para uma dinastia de plantações.

    A esposa de um fazendeiro escreveu em uma carta: “Uma pena que o rapaz não possa dar continuidade à linhagem Callahan. Dizem que ele tem o esqueleto de um pássaro.” Outro fazendeiro comentou grosseiramente em um jantar: “A natureza impede que os fracos se reproduzam.”

    Em meio a essas humilhações, algo mudou dentro do juiz — um homem que havia lutado para sair da pobreza no Alabama e se tornar um magnata imobiliário no Mississippi. Ele tinha um filho. Uma esperança de deixar um legado. E agora, acreditava ele, essa esperança havia lhe sido frustrada.

    O que aconteceu em seguida — o “plano de reprodução” — não foi apenas um ato de crueldade. Foi um ato de desespero. E talvez de loucura.

    III. A mulher mais forte da plantação

    Seu nome aparece nos registros da plantação a partir de 1850: Dalila.

    Idade: 15 anos na época da compra de um comerciante do Alabama. Altura: “quase 1,83 m”. Força: “excepcional”. Produtividade: “136 kg de algodão por dia”. Saúde: “nunca ficou doente”. Valor: “três mãos de primeira”.

    Para os supervisores, ela era uma trabalhadora incansável. Para os fazendeiros, um investimento. Para o juiz Callahan, em 1859, ela se tornou algo mais:

    A mulher escravizada mais forte que ele possuía — e, portanto, o receptáculo ideal para reprodução forçada.

    Dalila viveu nove anos nos campos. Não havia registro de marido, embora mulheres escravizadas raramente tivessem casamentos legais. Os livros de registro mencionam cicatrizes compatíveis com açoites. Não há registro de filhos — um fato que reforçou a decisão do juiz. “Potencial reprodutivo inexplorado”, escreveu um capataz.

    Na primavera de 1859, depois que os médicos declararam Thomas estéril, o juiz elaborou um plano que investigadores posteriores chamariam de “um dos exemplos mais arrepiantes de coerção reprodutiva descobertos nos arquivos do Mississippi”.

    Ele pretendia:

    obrigar Dalila a ter filhos

    gerado não por Thomas, mas por um garanhão selecionado de uma plantação vizinha.

    e então designar legalmente as crianças como suas.

    libertem-nos no papel assim que ele morrer.

    e deixar-lhes toda a herança.

    dessa forma, “dando continuidade” à linhagem Callahan por meio de manipulação legal.

    Thomas seria apresentado publicamente como seu pai biológico.

    Em privado, esperava-se que ele participasse do processo — não para engravidar Delilah, mas para “recebê-la” como sua parceira reprodutiva designada.

    Este plano nunca foi escrito diretamente. Mas seu esboço aparece por meio de evidências indiretas — cartas, anotações marginais e uma instrução manuscrita arrepiante:
    “Prepare Dalila para o programa”.

    Para entender o quão impensável isso era, os investigadores recorreram à historiadora Dra. Lydia Harper, que estuda a coerção reprodutiva sob a escravidão:

    “As mulheres escravizadas eram rotineiramente forçadas a procriar, mas forçar um filho — especialmente um filho com deficiência — a participar de um programa como esse é quase inédito. Isso revela um nível de desespero patriarcal que consumiu todos os envolvidos.”

    E esse desespero desencadearia os eventos que levariam ao desaparecimento.

    IV. “Estou te entregando a Dalila”: O Confronto

    O único relato detalhado da discussão entre o Juiz Callahan e seu filho provém de uma carta inacabada e sem assinatura, descoberta em um baú pertencente a um parente distante. Embora não contenha assinatura, a análise grafológica coincide com as amostras conhecidas de Thomas.

    A carta relata uma noite de março de 1859, quando o juiz, bêbado e furioso, confrontou seu filho frágil na biblioteca.

    De acordo com a carta:

    O juiz declarou que Thomas seria “entregue” a Delilah como sua “esposa prática”.

    Ele explicou o plano de reprodução em linguagem clínica, chamando Delilah de “propriedade” e seu consentimento de “irrelevante”.

    Thomas recusou, dizendo que o plano era “maligno”.

    O juiz explodiu, acusando-o de ser “ingrato”, “deficiente” e a “ruína da linhagem familiar”.

    A carta termina abruptamente:
    “Não posso ficar aqui. Preciso avisá-la.”

    Os investigadores acreditam que, naquela noite, Thomas decidiu desafiar o pai — uma rebeldia impensável para um jovem deficiente que nunca na vida tivera controle sobre as suas próprias circunstâncias.

    V. O Encontro Secreto nos Aposentos

    Não existe registro direto da conversa entre Thomas e Delilah na cabana dela — os escravizados não tinham permissão para escrever, e Thomas nunca a descreveu nas cartas que sobreviveram.

    Mas as histórias orais coletadas na década de 1930 contêm um testemunho notável. Uma senhora idosa chamada Ruthie Mae Carter, cuja avó havia morado em uma fazenda vizinha, recordou:

    “Minha avó costumava dizer que havia um rapaz branco, de aparência doentia, que descia até as cabanas à noite. Dizia que ele estava cochichando com uma moça alta chamada Delila. Diziam que ele estava tentando salvá-la de algo ruim. Diziam que o juiz tinha planos para a barriga dela.”

    Se for verdade, Thomas a alertou.

    E juntos — aliados improváveis, opostos em força, raça e situação legal — começaram a planejar uma fuga.

    O que se segue foi reconstruído a partir de diários de viagem, listas de patrulha, inventários de carroças e relatos dispersos de testemunhas.

    VI. O Voo: Duas Semanas ao Norte, Duas Vidas por um Fio

    Em 12 de maio de 1859 — data do registro no livro-razão — uma carroça desapareceu dos estábulos de Callahan.

    Dois cavalos. Uma carroça pequena. Um saco de provisões. Dois passes de viagem falsificados, escritos com a letra do juiz, mas traçados por uma mão trêmula.

    Os investigadores acreditam que Thomas e Delilah fugiram para nordeste, evitando Natchez e optando por estradas secundárias com menos patrulhas. Vários registros de patrulha mencionam um “cavalheiro branco com uma mulher escravizada alta” viajando em direção a Vicksburg, supostamente a negócios de família.

    Os passes falsificados os salvaram.

    Foram parados três vezes. Três vezes os documentos passaram pela inspeção.

    Mas a jornada foi brutal:

    Thomas era fraco e se cansava facilmente.

    Dalila era poderosa, mas chamativa.

    A carroça era pequena, seus cavalos idosos.

    Caçadores de escravos percorriam a região.

    Um policial, entrevistado décadas depois, lembrou-se de ter visto “um jovem branco e franzino, de óculos”, que parecia “com medo da própria sombra”. Ele se lembrou da mulher ao lado dele: “forte como um touro, olhos penetrantes, mas em silêncio”.

    Ele acenou para que eles passassem.

    Aparentemente, a rota deles passa pelo Tennessee, depois pelo Kentucky, provavelmente em direção ao rio Ohio — a fronteira simbólica e legal entre a escravidão e a liberdade.

    Mas em algum ponto desse percurso, a trilha esfria.

    Eles nunca aparecem no censo de Cincinnati.
    Nunca aparecem nos registros de casamento quaker.
    Nunca aparecem em registros de igrejas, diretórios ou jornais.

    Eles desaparecem.

    O que aconteceu?

    Surgiram três teorias.

    VII. Primeira Teoria: Captura e Apagamento

    Em 1859, os caçadores de escravos tinham autoridade quase total. Se interceptassem um fugitivo, podiam devolvê-lo, vendê-lo mais ao sul ou matá-lo.

    Uma carta particular de um caçador de escravos do Mississippi menciona a captura de “um casal de fugitivos, um menino branco com deficiência e uma negra alta”, mas não fornece nomes. A carta afirma que eles foram “vendidos rapidamente” para evitar “complicações legais com a família do menino”.

    Se os dois tivessem sido vendidos para plantações de cana-de-açúcar na Louisiana, talvez não tivessem sobrevivido ao ano. As taxas de mortalidade lá eram catastróficas.

    Se essa teoria for verdadeira, seus túmulos estariam sem identificação e seus nomes apagados.

    VIII. Segunda Teoria: Assassinato e Ocultação

    Alguns historiadores suspeitam que o juiz Callahan enviou um grupo particular para recuperá-los ou matá-los.

    Cartas de seu irmão mencionam o juiz “agindo de forma irracional”, “bebendo muito” e “jurando que Thomas retornará de um jeito ou de outro”.

    Uma única linha em um boletim de ocorrência de junho de 1859 registra:
    “Dois corpos encontrados perto do rio Wolf. Não identificados. Enterrados à beira da estrada.”

    Uma anotação lateral, escrita de forma tênue, diz:
    “Menino branco? Mulher negra? Restos de carroça.”

    Se esses eram Thomas e Dalila, a história deles terminou de forma violenta — e anônima.

    IX. Terceira Teoria: Desapareceu na Liberdade

    Alguns abolicionistas acreditam que o casal — ou par, ou fugitivos, dependendo da perspectiva — de fato chegou aos estados livres.

    Uma casa de reuniões quaker em Ohio registrou em junho de 1859 a chegada de:

    “Um senhor branco de saúde frágil e uma mulher negra viajando sem documentos.”

    Os nomes não foram escritos para protegê-los da captura.

    Mas, após junho de 1859, os vestígios desaparecem.

    Eles poderiam ter mudado de nome. Poderiam ter se juntado às comunidades negras em Cincinnati ou Cleveland. Poderiam ter se casado sem autorização. Poderiam ter vivido discretamente para evitar os caçadores de escravos que atuavam até mesmo em estados livres.

    Mas, sem documentos que sobrevivam, suas identidades se dissolvem em possibilidades.

    X. O que sabemos — e o que jamais poderemos saber

    Após o desaparecimento deles:

    O juiz Callahan nunca se casou novamente.

    Seus bens foram herdados por um primo distante que ele desprezava.

    Seu testamento contém uma única frase desconcertante:
    “Não haverá herdeiros”.

    Ele morreu em 1863, ainda afirmando que seu filho o havia “traído”.

    A plantação entrou em declínio após a Guerra Civil. Em 1900, foi abandonada. Apenas os livros de contabilidade sobreviveram — e o registro de quatro linhas que marca o desaparecimento.

    Quanto a Dalila, não há registro de sua morte, venda ou filhos nas listas de escravos que sobreviveram. Ela desapareceu de um sistema criado para registrar corpos humanos como inventário.

    Os historiadores enfrentam uma verdade dolorosa:
    o silêncio dos arquivos em torno das mulheres escravizadas não é uma lacuna — é uma ferida infligida propositalmente.

    XI. Uma História Que Se Recusa a Terminar

    O que torna o caso de Thomas e Dalila tão perturbador não é apenas o que se sabe, mas também o que está faltando.

    O sistema que escravizou Dalila também a apagou da história.
    A sociedade que menosprezou Tomé também o sepultou.

    A história deles está em:

    uma entrada no livro-razão

    uma carta incompleta

    um fragmento de história oral

    e uma nota de patrulha fraca

    A partir desses vestígios, os investigadores devem reconstruir o perfil de duas pessoas que tentaram — ainda que brevemente — desafiar uma máquina construída para as destruir.

    Não se sabe se morreram, foram capturados ou desapareceram em liberdade.

    Mas o que se pode afirmar com certeza é o seguinte:

    Em maio de 1859, um menino branco com deficiência — tratado como defeituoso pela própria família — e uma mulher negra escravizada — valorizada apenas por seu potencial reprodutivo — escolheram um ao outro em vez do sistema que alegava ser dono de ambos.

    Naquele momento, eles se declararam humanos.

    E ao se declararem humanos, tornaram-se perigosos.

    E então eles desapareceram.

    XII. Por que a história deles importa agora

    A historiadora Dra. Lydia Harper resume o caso da seguinte forma:

    “A história de Thomas e Dalila expõe as opressões sobrepostas da escravidão — raça, gênero e até mesmo deficiência. Mostra como o patriarcado das plantações esmagava não apenas as pessoas escravizadas, mas qualquer um que não atendesse ao seu padrão brutal de utilidade.”

    Isso nos lembra que:

    As mulheres escravizadas eram submetidas à violência reprodutiva.

    Os corpos com deficiência eram desvalorizados até mesmo entre os poderosos.

    Sistemas construídos sobre a dominação consomem todos que estão dentro deles.

    Os atos de resistência são frequentemente invisíveis nos arquivos, mas reais na vida das pessoas.

    Acima de tudo, isso nos lembra que as pessoas desaparecidas da história não estão desaparecidas por serem insignificantes, mas sim porque o sistema trabalhou arduamente para apagá-las.

    XIII. A Imagem Final

    Não há túmulo para Thomas.
    Não há túmulo para Dalila.
    Só existem perguntas.

    Mas uma última imagem permanece — registrada em uma memória abolicionista da década de 1870, baseada em um boato que circulava em Ohio:

    “Disseram que um homem branco franzino e uma mulher negra alta atravessaram o rio ao entardecer, de mãos dadas. Sem nomes. Sem passado. Apenas o futuro à frente.”

    Se eram eles ou não, ninguém pode provar.

    Mas talvez seja esse o objetivo.

    Algumas histórias recusam uma resolução não por falta de finais, mas porque existem finais demais.

    E nessa incerteza, a humanidade deles sobrevive.

  • BOMBA NO CLÃ BOLSONARO: Lula Esmaga Flávio em Pesquisa e Planalto Comemora “Candidato Fácil” para 2026

    BOMBA NO CLÃ BOLSONARO: Lula Esmaga Flávio em Pesquisa e Planalto Comemora “Candidato Fácil” para 2026

    Foram divulgados os resultados mais recentes do Datafolha. E mesmo que essa pesquisa seja uma pesquisa que já nasce defasada, porque os dados foram coletados antes da indicação de Flávio como sucessor de Bolsonaro para 2026, nós temos alguns resultados interessantes. O Lula continua vencendo no primeiro turno na margem de erro.

    Então, existe uma grande possibilidade de Lula vencer no primeiro turno 2026. Todos os institutos mostram isso. O Tatafolha também mostrou que a família Bolsonaro sofreu um baque com a prisão do ex-presidente, porque todos eles perderam intenções de votos no segundo turno, incluindo Michele Bolsonaro. E por mais que tenha um alardeado que Tarcísio de Freitas tá com cinco pontos de diferença para o Lula, na outra pesquisa, na pesquisa anterior, a diferença era de quatro.

    Então o Lula aumentou a sua distância para o Tarcísio de Freitas. E é muito interessante que o Bolsonaro ele está na terceira posição com a menor distância do Lula ou com a menor distância para o Lula. Tarcío tem 5% de distância, Ratinho Júnior tem sete e o Bolsonaro tem nove. Pode ser que Ratinho e Tarcísio não sejam tão conhecidos como os integrantes da família Bolsonaro.

    'Acabou para o governo Lula': bolsonaristas repercutem pesquisa que mostrou  queda na aprovação do petista

    O que eu vejo que vai acontecer a partir de agora, uma pressão forte para que Flávio desista da candidatura. Só que como Flávio foi anunciado depois que os dados foram coletados, essa pesquisa ela já está defasada e nós temos que ver que que vai acontecer daqui paraa frente, sabendo que Flávio é o candidato de Bolsonaro.

    Eu quero que você coloque nos comentários, vamos discutir essa pesquisa, que é aquilo que a gente faz de melhor. Na sua opinião, Lula vence no primeiro turno ou não? O que vai acontecer a partir de agora com a indicação de Flávio? O cenário vai mudar ou vai ficar igual? A prisão afetou mesmo o desempenho da família Bolsonaro? Like no vídeo se você quer a vitória de Lula no primeiro turno e se inscreva no canal.

    Eu tenho que explicar para vocês porque que eu comecei falando que essa pesquisa ela não tem validade. Na verdade ela é uma pesquisa válida. O Datafolha ele é um grande instituto, tem uma ótima metodologia e é super confiável. O problema foi que os dados eles foram coletados antes do anúncio do Flávio Bolsonaro como o indicado por Bolsonaro para ser o seu substituto em 2026.

     

    Então esse é um fato muito relevante e o cenário com a indicação de Flávio mudou completamente. Por isso que a pesquisa ela é válida para o período que os dados foram coletados, não para o período que ela foi divulgada, porque a indicação do Flávio pode mudar muita coisa, sabendo que ele de fato é o candidato.

    Isso pode afetar o desempenho do Tarcísio e dos demais. Então essa pesquisa ela já sai defasada, mas ela tem resultados muito interessantes, como, por exemplo, o Lula vencendo no primeiro turno, tá? Eh, dentro da margem de erro, mostrando que há essa possibilidade de vitória no primeiro turno para o Lula. Agora, quais são os resultados do segundo turno? E aí que pega para a família Bolsonaro.

    E nós temos que discutir se esses números eles representam uma rejeição ao clã Bolsonaro ou esses números eles são aparecem dessa forma porque a família Bolsonaro é mais conhecida do que Ratinho Júnior e do que o Tarcío de Freitas. No segundo turno, o Tarcísio de Freitas é o único candidato ou o único adversário para o Lula ou do Lula que tem mais de 40% das intenções de votos.

    Ele tem 42. E contra o Tarcísio, o Lula, ele tem menos de 50%, ele tem 47%. Tá? Contra os integrantes da família Bolsonaro, seja Michele, Flávio e o Eduardo, Lula tem mais de 50% no segundo turno e todos eles têm menos de 40%. O Ratinho Júnior, ele tem 40%, ou seja, das intenções de votos menos do que o Tarcísio. E o Lula tem 47.

    contra o Bolsonaro. O Bolsonaro ele tem os mesmos 40% do Ratinho Júnior, mas o Lula tem 49%. Por que que isso acontece? Pode ser que o o Lula tenha menos votos porque o Ratinho contra Ratinho e Tarcísio, por eles serem menos conhecidos. Pode. Ou pelo fato da rejeição à família Bolsonaro ser maior do que a deles.

    Pesquisa, ela serve para fazermos novas perguntas. para serem respondidas em novas pesquisas. É, esse é a, como posso dizer para vocês, esse é o cerne de uma, de uma pesquisa. Porém, nós temos desdobramentos. Mesmo com essa pesquisa estando defasada pelo fato da coleta de dados ter sido anterior à indicação do Flávio, há uma pressão muito forte sobre o nome do Flávio Bolsonaro.

    Por quê? O o melhor cenário para o Lula é enfrentar alguém da família Bolsonaro. É enfrentar alguém. O Bolsonaro, que é o dentro dos do clã Bolsonaro, é aquele que tem a melhor pontuação, a distância dele para o Lula só é a terceira. A menor distância do Tarcísio pro Lula, que tem 5%, depois o o Ratinho Júnior com sete e depois o Bolsonaro com nove.

     

    E segundo as informações do Gerson Camarote do Globo News, quando foi anunciado o nome do Flávio, o o Palácio do Planalto comemorou. Por quê? Porque o Planalto acredita que contra um integrante da família Bolsonaro pode se repetir a polarização que aconteceu em 2022. E contra Tarcísio ou Ratinho Júnior, aquela população pendular que vota hora na esquerda, hora na direita, ela pode cansar da polarização votar num candidato que tem um caráter mais ou uma imagem de maior moderação, caso do Tarcísio ou do Ratinho Júnior.

    Mas se Tarcísio e Ratinho forem contra candidatos à família Bolsonaro, eles não têm chance, eles não vão pro pro segundo turno. E por isso que eu acho difícil o o Tarcídio ir e enfrentar diretamente o integrante da família Bolsonaro. Não vai rolar. O Ratinho até pode ir, mas ele não consegue ir para o segundo turno.

    Por isso que contra a família Bolsonaro o Lula vai ter um caminho mais fácil de vitória do queal contra Ratinho ou contra Tarcísio de Freitas. Porém, essa pesquisa do Datafolha mostra que há uma divisão da população brasileira muito cristalizada, porque as distância as distâncias ou as diferenças de Ratinho, Tarcísio, Bolsonaro ou os integrantes da família ficam tudo ali na margem de erro.

    Fica tudo na margem de erro, porque na média todos eles têm 40% e o Lula tem 49%. Já há uma cristalização e esse cenário ele perdura há muito tempo. Não há uma grande diferença. Ah, o Tarcío tem 5%, mas na outra pesquisa ele tinha quatro de distância pro Lula. Então é sempre a mesma coisa. Há uma uma as pesquisas elas andam de de ladinho, tá? A pouca margem para mudança.

    E por que a pouca margem para mudança? Porque o Brasil ele está mais politizado e as pessoas elas estão votando não mais em figuras, não mais em pessoas, mas em em ideias. Eu não vou falar aqui ideologia, porque falar que vota em ideologia, a palavra ideologia, ela tem um caráter pejorativo. Por isso que eu prefiro falar em ideias.

    Quem é o candidato que defende as ideias de direita? É esse. Quem é o candidato que defende as ideias de esquerda? É esse aqui. Então eu que sou de esquerda, vou votar nesse candidato independentemente de quem seja. Eu que sou de direita, vou votar nesse candidato aqui, independentemente de quem seja, porque eu não gosto do outro candidato.

    E na esquerda, vice-versa. Então nós temos esse cenário muito cristalizado de entendimento da população, ou de polarização ou de politização. E para mim, a minha tese, ela fica reforçada quando você olha para os indicadores de aprovação do Lula. Aqueles que acham razoável, bom e ótimo e ruim ou péssimo, tá tudo ali na casa dos 30%, mostrando 1 terço, 1/3, 1/3.

    Governo acionará Flávio Bolsonaro criminalmente por associar Lula ao PCC

    Então, para mim, a polarização está muito bem estabelecida e é o que vai acontecer em 2026. Por isso que há um paradoxo nesse momento para o Lula, porque ao mesmo tempo que vai ser a campanha mais fácil da história do Lula, vai ser a mais apertada. Por que que vai ser a mais fácil? Porque a oposição não tem um candidato mesmo.

    Tarcídio Freitas não tem condição de enfrentar o Lula, porque os indicadores econômicos eles estão muito bem. Inflação tá controlada, baixa taxa de desemprego, há uma pressão imensa do mercado contra o Lula, mas a população sabe o que ela passa. Há o projeto de isenção do imposto de renda que vai começar a atuar em 2026 e a oposição não tem um projeto alternativo de poder.

    Só a pauta da segurança, ela é uma pauta muito, mas muito fraca. E se a direita for enfrentar ou for colocar dar muito destaque pra pauta de segurança, o governo tem a sua resposta, porque vários caciques do centrão estão envolvidos com o PCC e com o comando vermelho, até o governador do Rio de Janeiro, Daviol Columbri, tem um monte de gente que tem relações com criminosos de facções.

    Então é muito difícil essa pauta prosperar. E no âmbito econômico não há uma projeto alternativo ao do Lula. Então se não há projeto alternativo, fique com o projeto que está. Só que o fato de nós termos uma polarização, uma politização, uma divisão, como você queira chamar, muito cristalizada, faz com que haja um resultado muito apertado.

    Lula vai ganhar com 40, com 51 ou até menos de 51% das intenções de votos. E o candidato direito da oposição vai ter 49%. É isso que vai acontecer. Mas como que vão vencer o Lula sendo que eles não têm projetos alternativos? Não tem como. Então vai ser apertado, mas ao mesmo tempo muito fácil.

  • DESISTÊNCIA! Fabiano NÃO AGUENTA e TOMA ATITUDE, Carol IMPEDE! MADRUGADA RENDE BEIJOS!

    DESISTÊNCIA! Fabiano NÃO AGUENTA e TOMA ATITUDE, Carol IMPEDE! MADRUGADA RENDE BEIJOS!

    A reta final de A Fazenda 17 provou, mais uma vez, que o confinamento é um teste de ferro para a mente e as emoções. A última madrugada foi um verdadeiro turbilhão de acontecimentos que prometem redefinir o jogo: uma quase desistência dramática, revelações explosivas durante a festa e um confronto de peso entre a apresentadora e a crítica especializada. Se você pensava que o reality já tinha entregado tudo, prepare-se para mergulhar nos bastidores da exaustão e da estratégia.


    O Grito de Exaustão e o Veto de Carol: Fabiano no Limite

    Três meses de isolamento, pressão e embates fazem a conta chegar, e foi o peão Fabiano quem demonstrou estar à beira do colapso. Em uma conversa franca e de madrugada com a aliada Carol, Fabiano revelou a profundidade de seu esgotamento, chegando a cogitar a atitude mais radical de um participante: bater o sino e abandonar a competição.

    A cena, carregada de vulnerabilidade, revelou um lado pouco explorado do competidor, que se firmou no papel de “paizão” da casa. “Eu estou no meu limite. Se eu acordar amanhã louco, eu bato o sino. Dane-se”, desabafou Fabiano. A resposta de Carol, no entanto, foi imediata e crucial, atuando como um pilar de sustentação para o amigo. “Eu não vou deixar, não vai nada. Mas estou igual a você. Calma, a gente está junto. Você não está sozinho”, rebateu Carol, demonstrando que, apesar de sua própria exaustão, a aliança com Fabiano é uma prioridade no jogo.

    Justiça determina penhora do cachê de Fabiano em 'A Fazenda 17'

    Esse momento de fragilidade levanta um questionamento essencial sobre a saúde mental dos participantes na fase final e consolida a dinâmica de apoio mútuo entre Carol e Fabiano. A exaustão da própria Carol, já perceptível na casa e comentada por outros peões, como Duda, que aposta em um “surto” dela com Kate, é um reflexo do alto preço que se paga pela entrega total ao jogo. A intervenção de Carol impedindo Fabiano de desistir pode ter garantido a permanência de um aliado crucial para a finalíssima, reafirmando o compromisso de ambos em seguir adiante, mesmo no auge do cansaço.


    A Festa da Intimidade e o “Trisal” Surpreendente

    Se a madrugada trouxe a tensão da desidência, a festa injetou o caos e a intimidade. Os holofotes se voltaram para a interação calorosa entre peões, com destaque para a efusão de casais e as demonstrações de afeto inesperadas. O clima esquentou entre Dudu e Saori, e entre Mesquita e Duda, que protagonizaram momentos de grande proximidade, com direito a abraços e carinhos explícitos que a música alta não conseguiu abafar.

    No entanto, o evento que roubou a cena e chocou quem acompanhava a transmissão 24 horas foi o “selinho triplo” entre Kate, Mesquita e Duda. A atitude foi rapidamente percebida e criticada por Dudu e Saori, que demonstraram surpresa com o que consideraram ser um sinal de “mundo perdido” ou, nas palavras de Saori, a busca de Kate por se inserir em uma nova dinâmica. O beijo gerou tamanha repercussão que Dudu, autodeclarado guardião da fofoca, prometeu contar tudo a Carol.

    A promessa de Dudu foi cumprida. Chamando Carol para um canto, ele narrou os detalhes do beijo em trio. A reação de Carol, contudo, foi o grande plot twist da noite. Contrariando a expectativa de Dudu, que apostava na revolta da peoa contra Kate, Carol surpreendeu ao ignorar e, em suas palavras, “cagar” para a fofoca. Apenas comentou com ironia sobre a atitude dos envolvidos, mostrando que talvez seu foco e paciência para “tretas” menores estejam se esgotando, ou que sua estratégia de jogo a faz priorizar batalhas mais importantes. A indiferença de Carol frustrou Dudu, mas provou que ela não se deixa manipular por fofocas direcionadas e está focada em seu próprio caminho até o prêmio.


    Análise do Jogo: Soberba, Alianças e a Projeção da Final

    A volta de Mesquita da Roça trouxe consigo uma dose extra de autoconfiança e uma crítica afiada aos seus adversários. Em conversa com Duda, Mesquita não poupou alfinetadas, especialmente direcionadas a Carol e Fabiano. Para ele, a “soberba” de Carol, que “cantou muita vitória antes do tempo” e “achava que sabia jogar”, será o fator que a derrubará na reta final. Segundo Mesquita, a lição de nunca duvidar do poder do público é algo que a favorita subestimou.

    Fabiano também foi alvo da análise de Mesquita, que o rotulou como “pau mandado” de Carol. O peão, que assume o papel de “paizão” da casa, estaria pecando por ser facilmente influenciável e por não se posicionar com opinião formada, como, segundo o crítico, Kate tem feito. Para Mesquita, o peão só seria um “grande jogador” se batesse de frente com Carol em momentos de discordância, mas sua falta de embate e sua aceitação de críticas sem rebater o afastam do Top 5. Duda concordou com a crítica, pontuando que a postura de Fabiano “fica feio para ele”. A avaliação de Mesquita, no entanto, deve ser vista com a lente de sua própria estratégia, buscando enfraquecer os favoritos do grupo rival.

    Ainda sobre o jogo, a proximidade entre Dudu e Saori ganhou um tom de futuro. Dudu chegou a se colocar à disposição para ter um filho com Saori. Ela, por sua vez, demonstrou ciúmes e toques de desconfiança, lembrando que ele estava “dividido” até pouco tempo. Já a própria Saori tentou alertar Dudu sobre Fabiano, lembrando-o de que o aliado “deixou [Dudu] sobrar no Resta Um”, insinuando que a lealdade de Fabiano no jogo não se estende a todos os momentos cruciais, apesar de sua postura de amizade “para a vida”. O jogo, portanto, está sendo disputado tanto nas grandes estratégias quanto nas pequenas conversas sobre confiança.


    O Amor em Teste: Duda e Mesquita e a Vida “Lá Fora”

    Em meio à euforia da festa, Duda e Mesquita protagonizaram uma “DR” (Discussão da Relação) profunda sobre o futuro de seu envolvimento. Mesquita questionou a famosa frase de reality show, “lá fora a gente vê”, argumentando que essa expressão transmite a sensação de que o que viveram não é “o suficiente” para um compromisso fora das câmeras. Ele defendeu que a escolha é binária: ou a experiência foi apenas legal e cada um segue sua vida, ou ela foi significativa o suficiente para que ambos confiem no futuro e sigam juntos.

    A resposta de Duda foi um raro exemplo de sinceridade e maturidade em um reality. Ela negou que a relação não seja suficiente, afirmando, inclusive, que consegue se ver em um relacionamento com Mesquita, que seria “10 de 10”. No entanto, ela foi clara: seus objetivos pessoais e suas metas, principalmente em relação à mãe e à organização de sua vida, exigem foco. Para Duda, entrar em um relacionamento neste momento desviaria sua atenção de prioridades urgentes. Sua transparência foi um ponto alto da conversa, estabelecendo limites e expectativas de forma honesta, o que é, como pontuado pelo próprio comentarista, a base de qualquer relação. Resta saber se Mesquita aceitará esperar pela conclusão das metas pessoais de Duda ou se a pressão do mundo real irá minar o romance iniciado no confinamento.


    Galisteu Bate de Frente: A Jornalista, a Firmeza e a Técnica

    Um dos momentos mais inesperados e comentados fora da casa foi o desabafo furioso da apresentadora Adriane Galisteu contra a jornalista Ana Luía Santiago, do jornal Globo, que a havia criticado por “falta de firmeza” ao vivo, especialmente durante as brigas na votação.

    Galisteu não mediu palavras, chamando a crítica de “cara de pau” e acusando a jornalista de não ter noção de seu trabalho, das regras do programa e nem do ambiente em que o reality se insere. O ápice do desabafo de Galisteu foi um convite, quase uma convocação, para que a jornalista fosse ao estúdio entender a dinâmica da atração antes de tecer críticas rasas ou preconceituosas.

    A defesa da apresentadora toca em um ponto técnico crucial, muitas vezes ignorado pela crítica leiga. Em transmissões ao vivo com alto volume de gritaria (como ocorre em brigas), a produção ajusta o áudio da apresentadora no ponto de retorno dos participantes em um volume que evite a microfonia e o vazamento do som em seus microfones. Consequentemente, mesmo que Galisteu “berre” no estúdio, o som que chega para os peões na sede é equalizado para baixo e pode ser facilmente sobreposto pela gritaria.

    Não se trata, portanto, de “falta de pulso” ou de “falta de firmeza”, mas de uma questão de equalização técnica de áudio, confirmada por profissionais que conhecem os bastidores de centrais técnicas de operação e estúdios de televisão. A crítica de Galisteu expõe a lacuna de informação de quem critica o formato sem entender a complexidade técnica de uma transmissão ao vivo, oferecendo um parecer contundente e defendendo a integridade de seu trabalho.


    O Afunilamento do Jogo: Reta Final e Torcidas

    Com a eliminação de Tamires e o jogo afunilando em dezembro, as torcidas precisam mostrar sua força. O apresentador do programa comenta a tradição de pedir o voto para Dudu Campeão, mas levanta a lebre: Fabiano, que está sempre envolvido nas dinâmicas de paizão e ainda se mantém no jogo, pode “atrapalhar um pouco a vitória do Dudu” ao dividir a porcentagem da torcida.

    Os poderes (A: repassar votos; B: peso dois no voto) também estão em pauta, adicionando ainda mais tempero à próxima formação de Roça. Seja qual for o seu lado, a verdade é que A Fazenda 17 entrou em sua fase mais tensa, com desabafos de exaustão, estratégias de bastidores e um público cada vez mais dividido.

    Quem você acha que se renderá primeiro ao cansaço? E a soberba de quem cairá por terra? O jogo segue intenso, e a vitória está nos detalhes.

  • LULA EXIGE DO CONGRESSO A DIMINUIÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO DE 6X1 E DESCE O PORRETE EM BOLSONARO!

    LULA EXIGE DO CONGRESSO A DIMINUIÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO DE 6X1 E DESCE O PORRETE EM BOLSONARO!

    E o Lula acaba de entrar na briga pelo fim da jornada 6 por1. Ele chegou na voadora, viu? Olha aí o discurso do Lula. E o que que avançou tecnologicamente que a gente não reduz a jornada de trabalho? Para que que serviu todo esses avanços tecnológicos que não resolve reduzir? O que que é reduzir 40? Olha, qual é o prejuízo que tem pro mundo? Nenhum.

    Aliás, é importante também que a presidenta do médico aprovou 40 horas semanais, porque não tem mais sentido, não tem mais sentido nesse país com os avanços tecnológicos, porque a gente pode apressar essa fida jornada 6 por um e dar uma jornada melhor pro povo trabalhador. Tá aí, ó, o Lula detonando e vai para cima aí na luta pelo fim da escala 6 por1.

    E quem tá com Lula nessa luta, comenta aí de onde você apoia o fim da jornada 6 por1. O governo quer aqui reafirmar, né, aos parlamentares que a nossa posição é de fim da escala 6 por1. Nós entendemos que tem que ter qualidade de vida na vida dos trabalhadores, como diz a deputada Érica e também os deputados aqui, a vida além do trabalho.

    Bolsonaro e Lula desdenham de 3ª via para 2022, e petista enaltece sua  saúde após internação do presidente - 20/07/2021 - Poder - Folha

    Ou seja, não adianta só reduzir a jornada, é necessário também que os trabalhadores tenham um tempo para resolver os seus problemas, tempo de lazer, tempo de cuidar da sua família. Então, o governo reafirma o seu compromisso e sua posição de que é favorável ao fim da escala 6, a limitação de uma escala de trabalho no máximo de 5×2 e claro pela redução da jornada de trabalho a 40 horas semanais.

    Importante dizer que a média hoje dos trabalhadores já trabalha cerca de 39.8 8 horas semanais, porque essa é uma bandeira muito importante do nosso governo, do presidente Lula. E com certeza depois eh da isenção para quem ganha até R$ 5.000, o fim da escala 6 por1 vem complementar pra gente garantir qualidade de vida a maioria dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil.

    Lula, veste a camisa. Vamos acabar com a escala 6 por1. Olha o vídeo. E o que que avançou tecnologicamente que a gente não reduz a jornada do trabalho? Enquanto você assiste, comenta aí. Eu apoio o Lula, teóico. Que que é reduzir 40? Olha, não é nada, Lula. Juído que tem pro mundo. Nenhum. [Música] [Música] Até quando pessoas que trabalham na escala 6 por1 vão deixar pessoas que trabalham três dias da semana, apenas 20 horas na semana, defino.

    Deputado Luiz Gastão do PSD do Ceará, o relator da PEC da escala 6×1, ele votou, né? Ele deu, fez a relatoria dele e disse que continua a possibilidade de manter-se a escala 6 por1 com uma carga horária de 40 horas semanais. Ele vota sim, porque eu tenho certeza, ele nunca trabalhou na escala 61.

    Tenho certeza que ele não sabe o que é trabalhar 40 horas por semana e ter que chegar na sua casa e continuar trabalhando, só que dessa vez para si mesmo e sem estar sendo remunerado, seja limpando a casa, cuidando dos filhos, cuidando dos pais, não sabe o que é isso. E por isso ele votou dessa maneira ridícula, esdrúchula e tá sendo bastante criticado pelo governo, tanto pela ministra GZ Hoffman, quanto pelo ministro Guilherme Bolos.

    Ele faz uma escrescência em cima do projeto apresentado pela deputada Érica Hilton, que tinha a proposta aí de reduzir a escala de trabalho, colocando coisa de 36 horas semanais, se eu não estou me enganando, sendo 8 horas deária e 4 dias por semana, tá? A escala seria 4×3. E é muito engraçado que eles votam contra isso, sendo que eles têm dias presenciais, três dias por semana.

     

    Cada sessão leva coisa aí de 4 horas, 5 horas, quando muito. Então, vamos contar o deslocamento, eles trabalham 20 horas por semana. E esses caras aqui querem definir que a gente tem que trabalhar até se esgotar, até morrer, até ficar podre, porído. Obviamente isso é a relatoria e vai ser avaliado pela Câmara dos Deputados e depois pela Câmara, pela pelo Senado, mas eu não tenho muitas esperanças de passar se não houver a pressão popular.

    Então, se nós queremos ter jornadas de trabalho mais justas e que são possíveis de serem acomodadas pelo mercado de trabalho, temos sim que nos mobilizar e exigir isso dos nossos representantes de Brasília, porque do jeito que a lei propõe hoje, nós temos aí 44 horas semanais e ele tá simplesmente dando, propondo uma redução de 10% da carga horária, o que não é o suficiente para uma boa qualidade de vida.

    A gente tem que viver e trabalhar e não viver para trabalhar. Só que essa parcela da população que está em Brasília não sabe o que isso significa. Então reclame, grite, fale alto. A gente precisa pedir o fim da escala 6×1. Pessoal, urgente. Acabei de pedir a demissão do Eduardo Bolsonaro na Polícia Federal. Para quem não sabe, esse bandido ainda continua como servidor da PF.

    Ou seja, se a gente caça o mandato dele como deputado, ele ainda assim continua ganhando o dinheiro público e mamando nas tretas do estado. E é por isso que eu mandei agora pro diretor geral da Polícia Federal de forma oficial o seu pedido de expulsão. Assim como nós fizemos com os golpistas Anderson Torres e Alexandre Ramagem, que foram demitidos ontem pela Polícia Federal.

    Nós vamos fazer agora com Eduardo Bolsonaro. Compartilha ao máximo esse vídeo, gente. O ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, acaba de tomar uma decisão contra Alexandre Ramagem e Eduardo Bolsonaro. E a péssima notícia aí para Eduardo e Paulo Figueiredo continua, porque os Estados Unidos avaliam cancelar a lei magnísk tanto contra ministro como a sua esposa.

    É isso mesmo. Tá aí. Segundo vem trazendo matéria do Luís Bac. Mas olha só, galera, Dino/ra execução de emendas de Eduardo Bolsonaro e de Ramagem era mais de 80 milhões. Os caras nem trabalhando tão estão foragido. O ministro do Supremo Tribunal Federal determinou nessa quinta-feira que o governo federal faça proibir a receber ou avaliar a execução de qualquer emenda parlamentar apresentada pelos deputados Eduardo Bolsonaro ou Alexandre Ramagem.

    A medida passa a valer, né, galera, de maneira imediata, ou seja, dizendo que o governo não pode liberar de maneira alguma. Os caras querem emenda que nem estão trabalhando um, né? Um não, os dois estão lá, onde? Nos Estados Unidos. Ó, Flávio Din, opa, assim não dá, né, meu amigo? Sem trabalhar ainda querem emendas. Pessoal, vocês viram o que o presidente Lula falou sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro no ao vivo no dia da manifestação dos caminhoneiros? O presidente Lula lavou a alma do povo brasileiro.

    Vocês não viram não essa entrevista foi? Então pera aí que eu vou mostrar para vocês. O presidente Lula afirmou que essas tranqueiras nunca mais voltará a governar o país. Veja só o vídeo. Mas antes, me diz aqui nos comentários, você irá votar no Lula em 2026? Meu esforço físico depender da minha vontade.

    Essas tranqueiras que governam o país nunca mais voltará a governar. Este país pode ter alternativa, pode eleger quem quiser, pode eleger baixo, alto, pobre, rico, banco, preto, pode eleger quiser, homem e mulher. Agora o que não dá é para eleger tranqueira. Uma pessoa que deixou morrer 700.000 pessoas por falta de responsabilidade.

    Uma pessoa que acabou com o Ministério da Cultura. Lula rasga o verbo e diz que as emendas parlamentares sequestram o orçamento que poderia ir paraa saúde, educação e segurança para nósos trabalhadores. Se você concorda, digita aí. Fim das emendas já. Ei, eu tava aqui pensando, Bolsonaro tem tanta inveja do Lula que, na verdade, ele tentou ser metalúrgico, né? É uma revolução nesse país.

    A gente não tem que ler nenhum livro de Marx. A gente não tem que ser lerinista, a gente não tem que ser mal setungue, a gente não tem que ser fidelia a Constituição brasileira e vamos regulamentar todos os direitos do povo brasileiro que tá lá. Não vi no seu Lula poder ser vereador, não vi ele poder ser prefeito, não foi secretário de estado, não foi governador, não foi ministro de estado, já entra como padre, não quer ser bispo.

    Arcebispo Cadel já quer ser papa. Então eu recomendaria, tá aos últimos debates, que o senor Luiz Inácio Lula da Silva, me desculpe, hein? não vai ficar triste. Não entende nada de orçamento, não entende nada de câmbio, não entende nada de economia. Eu acho que ele foi reprovado agora aqui nesta primeira época. Eu queria que fizesse uma segunda época em 1994.

    Aí quem sabe ele volta mais experiente, não é isso? Agora não fique desequilibrado, por favor, hein? Eu o candidato Luís Inácio Lula da Silva vai fazer a sua réplica final nessa pergunta. Não, o que eu acho importante é que quando o candidato Maluf fala da competência, eu acho que é importante o telespectador saber porque que o Maluf é competente.

    Ele é competente porque compete, compete, compete. Muita ideia, só compete. Aí porque a competência dele de Se há 4 meses você visse essa foto aqui com essa manchete do New York Times, você poderia bem pensar que era algo criado por inteligência artificial. Bom, depois da retirada de 40 sobre taxa de 40% sobre alguns produtos brasileiros, Donald Trump percebeu que o americano não poderia ficar sem a carne do hambúrguer, a carne brasileira, e nem sem o nosso cafezinho.

    Depois de meses de muita conversa e bastante habilidade diplomática dos brasileiros, as tarifas foram retiradas. E você acha que essa manchete do New York Times Brasil desafia e ganha pode machucar o ego do vaidoso Donald Trump? Me conta o que você pensa aqui nos comentários. Veja o que tá acontecendo agora. Não é detalhe.

    essa cerimônia em que Lula vai lá, assina, sanciona. Vitória do governo, vitória do povo brasileiro, de quem tem sensibilidade social. Enquanto a extrema direita fica numa pauta tipo blindagem para corrupto e organizações criminosas e anistia para Bolsonaro, nós estamos aqui avançando no que interessa pro bolso, pra dignidade das famílias, dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil.

     

    Chega do jogo de cartas marcadas. Não adianta mudar apenas o rei. Temos que mudar todo o jogo e elegermos apenas a esquerda. Só assim venceremos. Se você vota em Lula, digitei: “Eu apoio.” A extrema direita está em guerra. Enquanto brigam pelo espo político de Bolsonaro, Lulinha tá aqui, ó, ganhando em todos os cenários. Se você apoia o Lula em 2026, digita aí.

    Eu apoio. Notícia boa pras universidades brasileiras, pessoal. Tô aqui no Congresso, nós acabamos de aprovar um projeto de lei que é para abertura de crédito. Abertura de crédito para que a gente possa expandir as universidades com pessoal. E tá faltando muita gente para trabalhar nas universidades. São mais de 8.

    600 cargos nas universidades brasileiras, universidades federais aí de Minas comemorar o min UFMG onde eu estudei e todas, né? Parabéns. Parabéns, claro, ao presidente Lula, ministro Sterra do EC e ao nosso ministro Camilo Santana. É mais vitória por universidade, é prioridade na educação. Grande abraço.

    Como seu recent de conversa? Muito bom, muito bom, muito sentido. Eu trabalhei muito tempo no Senado, é a minha segunda casa, então é que eu me sinto muito bem aqui no Senado. Por isso, né? Os senadores têm feito alguma observação específica em relação as conversas são muito boas, são muito fluidas.

    Eu tô me sentindo muito acolhido na senor. Agora estão perguntando sua posição sobre a minha posição sobre ela é pública nos ali, ó. Não cabe a mim essa discussão. Agora os bilionários vão chorar. Lula investe 12 bilhões pro preço da gasolina cair. A ampliação da refinaria irá suprir toda a demanda do Brasil. Agora eu quero ver a Petrobras diminuir o valor da gasolina e o preço não cair na bomba.

    Pessoal, compartilhe esse vídeo para aquele seu amigo bolsonarista que falava que com o Lula o povo ia comer cachorro. Olha só o vídeo. Promoção especial para você. É o bambu tá gemendo, hein, moço. Ó, ó. Vitória que é com 0,49 99 e o bambu tá gemendo, hein? Você tá doido. O Paulo Guedes, que foi ministro do Bolsonaro, disse que se o Lula vencesse as eleições em 2022, o Brasil viraria uma Argentina em 6 meses e uma Venezuela em 1 ano e meio.

    Já são 3 anos de governo Lula e estamos tendo a menor inflação dos últimos anos. Estamos tendo um PIB crescente acima de 3% na média e menor índice de desemprego, menor taxa de desigualdade social e o menor índice de analfabetismo. Para quem não me conhece, eu sou Rafael Primo, sou estudante de Ciências Políticas e eu sou exbolonarista. Sim, já fui bolsonarista.

    Essa turma do bolsonarismo, que é essa turminha de direita que se denomina bolsonarista, eles trabalham com pânico moral na sociedade. Eles não apresentam dados, fontes e eles sempre projetam algo de ruim que vai acontecer lá na frente. Aí a esquerda vence, entrega resultado positivo. Por isso que sempre um Lucas Pavanato, essa turminha da direita do bolsonarismo, sempre vai levantar pautas o quê? LGBT, pautas do feminismo.

    Eles não falam da parte econômica, do desenvolvimento de PIB, de inflação. O seu cartão de crédito rotativo que diminuiu de 400, 300% para 100% anual, né? Eles não tocam nessas pautas que é justamente onde atinge você. Eles sempre levantam pautas morais que, na verdade, a grande parte da sociedade nem se inclui dentro dessas pautas.

    Aprenda dar um foco naquilo que é importante, no resultado da parte econômica e na parte social. Lembrando, sempre escute os dois lados da moeda. Tamos junto. Do jeito que tá hoje, o cenário desenhar travado, do jeito que tá hoje, no Lula não perde para ninguém. Zero chance. Porque infelizmente, né, eu vou falar assim, infelizmente o Lula é o político mais influente da história.

    Que barra, hein, Papo Marçal? Já estão até admitindo que o Lula vai ganhar. Largar a toalha mesmo. Mas eu concordo com você, porque o Bolsonaro tá preso, foi pra papuda, o Tarcío não vai dar. Agora Romeu Zema, Caiado e Ratinho, os três juntos não vão pontuar 1%. Pessoal, compartilha, senta o dedo nesse vídeo pro Brasil inteiro ver o desespero do gado e como que vai dar Lula, não só ano que vem, mas no primeiro turno.

    Lula x Bolsonaro no 1º ano: petista encontrou mais chefes de Estado e  sindicatos; ex-presidente, empresários e evangélicos - BBC News Brasil

    Estamos junto. É impressionante como a direita é igual em todo mundo. Ela nunca pede por justiça ou nunca diz que vai provar inocência. Sempre o pessoal de direita pede por anistia, indulto, perdão, por todos os crimes que eles cometem, né? Primeiro-ministro Benjamim Nataniarro pede indulto ao presidente israelense pela acusação de corrupção.

    Gente, olha só, né? A extrema direita aí que é a até porque essa acusação de corrupção é o dos mínimos problemas que ele tem que acertar ou com a justiça da Terra ou com a justiça divina, né, pessoal? depois do genocídio ali contra Gaza. Isso aqui é um dos mínimos problemas que ele tem. Netaniar que enfrenta um processo desde 2019 por corrupção, ele teria recebido propina equivalente ao que seria em reais, a R 1 milhão deais se fosse em reais, né? Prupina suborno.

    E aí até Donald Trump entrou na parada aí mandou a carta lá pedindo para o presidente de Israel perdoar a corrupção de Benjamim Nataniarro, né? A extrema direita é desse jeito, é sempre é anistia, é perdão, é indulto, né? Vamos continuar aqui com a matéria aqui no portal G1. O primeiro-ministro de Israel, Benjamim Netaniarro, pediu ao presidente israelense que lhe conceda um perdão durante ao seu longo julgamento por corrupção que tem dividido profundamente o país.

    Em um comunicado neste domingo 30, o gabinete do primeiro- ministro afirmou que Netaniarro apresentou um pedido de perdão ao departamento jurídico do gabinete da presidência. A assessoria do presidente classificou o pedido como extraordinário, dizendo que ele traz implicações significativas. Netaniarro é o único primeiro ministro em exercício na história de Israel.

    Aí há julgamento após ser acusado de fraude, quebra de confiança, recebimento de propina em três processos distintos, nos quais teria trocado favores com apoiadores políticos ricos. Ele ainda não foi condenado em nenhum dos casos, né? Ele quer perdão antes mesmo de ser condenado. É assim que age, né? aquele que tá preso aqui eh no Brasil também tava pedindo anistia antes mesmo de ser condenado.

    O pedido surge semanas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump ter incentivado Israel a conceder perdão a Natânia Arro.

  • A Tragédia do PL: Michelle Bolsonaro Declara Guerra aos Filhos e Ameaça Destruir a Estratégia de 2026

    A Tragédia do PL: Michelle Bolsonaro Declara Guerra aos Filhos e Ameaça Destruir a Estratégia de 2026

    A crise provocada por Michele Bolsonaro simplesmente não tem fim. Ela não tá somente limitada ao clã Bolsonaro, mas ela se estende para todo o PL e se continuar da forma como está, ela vai destruir o partido. Porque o PL ele não tem pretensões presidenciais, porque o Lula vai vencer 2026, todo mundo sabe disso.

    O que o PL quer fazer é usar o candidato a presidente para poder aumentar a bancada no Senado, na Câmara Federal e nas Câmaras estaduais. Só que existe um forte problema nas composições dos estados, porque com o Bolsonaro preso e ele centralizava todas as decisões, o partido não consegue se definir. E faltando 10 meses para a votação e a Michele atrapalhando essas composições como no Ceará e em Santa Catarina, o partido se perde e pode reduzir a sua bancada tanto no Senado quanto na Câmara.

    Porque outros partidos, como União Brasil, PP e o PSD estão mais estruturados do que o PL para a campanha da presidência ou a campanha de 2026. Só que Michele não tá nem aí para isso, porque o que Michele quer fazer é fazer uma bancada grande, uma bancada que ela possa chamar de bancada dela.

    All eyes in Brazil on Michelle Bolsonaro as her husband's career implodes  By Reuters

    E essa história de Michele pro Senado, eu vejo como sendo um erro para a trajetória política dela, porque se Michele for pro Senado, ela vai vencer e vai ficar presa e limitada ao cotidiano parlamentar, enquanto que se ela for para a presidência e perder, ela sai como sendo a líder da oposição e vai poder percorrer todo o Brasil, aumentando o seu capital político, se colocando como sendo a esposa que está ajudando o marido, levando marmitas na prisão.

    Eu não sei quem tá sendo marmita de quem. Você pode colocar aqui nos comentários se tá rolando visita íntima ou não para o Bolsonaro, mas eu acho que não, porque nada mais ali funciona. Você acha que Michele vai afundar o partido? Qual é o futuro dessa crise? Like no vídeo se você gosta de ver o bolsonarismo em crise e claro, se inscreva no canal.

    A revista Veja trouxe informações dos bastidores de toda essa construção que culminou com a crise do PL e a vitória de Michele Bolsonaro diante dos filhos do ex-presidente. Porque nós temos que lembrar que o Bolsonaro ele não era um integrante do PL. Ele foi vitorioso em 2018 pelo PSL, fez uma legião de bolsonaristas como Joyce, Frot e vários outros.

     

    E depois, por conta de divergências com o Luciano Bivar, Bolsonaro sai do PSL e fica muito tempo, anos, sem partido, até entrar no PL do Valdemar Costa Neto, trazendo junto uma quantidade imensa de deputados bolsonaristas e outras figuras também do bolsonarismo. Essa entrada do Bolsonaro provocou um embate muito forte nos diretórios estaduais, justamente pelo controle das verpas.

    Alguns locais os bolsonaristas venceram, outros locais os antigos integrantes do PL venceram, mas houve essa disputa. O Valdemar Costa Neto, possivelmente, para evitar que os diretórios explodissem, centralizou no Bolsonaro toda a formação dos palanques regionais e das lideranças estaduais, porque qualquer coisa a culpa era do Bolsonaro.

     

    Porém, quando o Bolsonaro é preso e começa uma dificuldade para haver uma comunicação e uma coordenação, o PL perde a centralização em torno do Bolsonaro. E agora começaram cres diretórios estaduais, como a crise lá no no Ceará, que ficou muito evidente pelo envolvimento de Michele, mas nós não podemos esquecer da crise que existe em Santa Catarina com o Carlos Bolsonaro.

    Isso pro PL é péssimo, porque o grande objetivo do PL não é a presidência da República. A gente sabe disso. Por mais que queiram falar de candidatura de Tarcísio, de candidatura de Michele, candidatura de Flávio, quem vai vencer 2026 é o Lula. Mas o PL e os partidos do Centrão precisam ter um candidato presidencial para poder fomentar as candidaturas para o Senado e também para os deputados.

    É só a gente lembrar o que aconteceu com o PSL em 2018. A vitória do Bolsonaro puxou um monte de outros deputados e é isso que o PL quer novamente. Só que quanto mais tempo o partido demorar e ter essas crises nos estados, mais demorado e mais difícil fica para essa composição estadual, faltando 10 meses paraa votação.

    E o problema do PL é o seguinte. O PL é um partido que hoje tem uma crise interna, que tem o seu, a sua principal liderança política presa, enquanto os outros partidos, que por mais que tenham ali os seus problemas, estão na frente do PL. O PL pode ter um fundo partidário bilionário, mas há uma federação do PP com União Brasil, que é uma federação forte, tem lá os seus problemas, mas é uma federação forte.

    Fora que tem também o PSD, que é o partido com a maior quantidade de prefeitos no Brasil. Essa quantidade de prefeitos do PSD garante uma capilaridade regional muito grande. Então, se você for ver em termos de estrutura, o PL tem a grana, mas o PSD tem uma estrutura mais sólida em termos políticos por conta dos prefeitos.

    E o União Brasil e o PP tem também uma estrutura muito forte em termos de capital, mas também de capilaridade regional. Então, se o PL não abrir o olho, ele não vai conseguir fazer maioria na Câmara e talvez não consiga a projeção do Senado que tanto deseja. Mas aí tem uma outra coisinha, a Michele ela não tá preocupada com isso, porque segundo o jornal O Globo, esse embate da Michele com os filhos do Bolsonaro, pior a relação dela com Carlos, com o Flávio, com o Eduardo, com o Jeninan, talvez até com o próprio Bolsonaro.

    Mas muitos aliados, ou melhor, aliadas de Michele Bolsonaro podem se beneficiar disso. No Ceará, a disputa talvez teve o Ciro Gomes como bod expiatório, até mesmo porque o André Fernandes, que fez aliança com Ciro Gomes, quer que o pai seja candidato ao Senado. que a Michelle pode ter usado a situação do Ciro Gomes para rifar o André Fernandes e o pai dele, porque a Michelle quer uma outra pessoa sendo candidato ao Senado.

    A mesma coisa no Rio Grando, no em Santa Catarina. A Michele não quer que o PL apoie o Carlos Bolsonaro. A Michele quer a Caroline Gitone. Porque para a Michele é mais interessante ter uma bancada para ela chamar de uma bancada dela. E o Valdemar Costa Neto, o boy, está mais inclinado a Michele Bolsonaro. Porque nas quedas de braço, o Valdemar Costa Neto está fazendo acenos bem maiores para a Michele do que para qualquer outra pessoa dentro do PL.

    Michelle Bolsonaro assume presidência do PL Mulher - ISTOÉ DINHEIRO

    Então, ela está se construindo. Eu já conversei com vocês sobre a possibilidade da Michele disputar o Senado. Eu não acho que para ela seja um grande negócio em termos políticos, porque ela vai ficar presa no dia a dia parlamentar. Para ela, o melhor seria continuar da forma como está, disputar a presidência e não o Senado, porque mesmo que ela perca, ela pode percorrer o Brasil, se apresentando como sendo a herdeira do Bolsonaro, como sendo a liderança da oposição.

    E a Michele, ela está fazendo uma construção de imagem dela, que é algo que nós precisamos observar. E eu falei para vocês, nós temos que observar não o que vai acontecer com o Bolsonaro depois dele ser preso, mas sim como vai ser a postura de Michelle. E ela está fazendo exatamente aquilo que eu acreditava que ela fosse fazer.

    Porque Michele, ela tá aproveitando uma situação feita pelo próprio Bolsonaro de não se alimentar da comida da prisão. Bolsonaro não come a comida da prisão porque ele tem medo de ser de ter veneno ali dentro. Então o que que a Michele faz? A Michele que prepara a comida do Bolsonaro, ela prepara as marmitas e leva para ele na prisão.

    E ao fazer isso, a piedade maior não vai para o Bolsonaro, mas vai para ela. Olha como que ela não abandona o marido no cárcere, como que ela vai para lá enfrentando todas as agruras. Ela leva a marmita, como que ela é uma boa esposa, reforçando pressupostos importantes e caros para o ambiente religioso que Michele navega e trafega com uma grande facilidade.

    Michele tem esse poder imagético que nenhum outro integrante do PL ou nenhum outro filho do Bolsonaro tem. E essa é a grande força de Michele, que nenhum filho do Bolsonaro ou outro integrante do bolsonarismo tem.

  • Análise Exclusiva: O Paradoxal Choque do Datafolha – Lula Esmaga a Oposição em Meio a um Cenário Eleitoral “Fácil, Mas Apertado” em 2026

    Análise Exclusiva: O Paradoxal Choque do Datafolha – Lula Esmaga a Oposição em Meio a um Cenário Eleitoral “Fácil, Mas Apertado” em 2026

    A Pesquisa Que Nasceu “Defasada”, Mas Revelou o Mapa da Polarização Brasileira

    A recente divulgação dos resultados da pesquisa Datafolha sacudiu o tabuleiro político nacional, trazendo à luz um cenário complexo e cheio de ambiguidades para as eleições presidenciais de 2026. Mesmo com o peso e a metodologia renomada do instituto, os dados geraram controvérsia imediata: a coleta de informações foi realizada antes da sinalização de Flávio Bolsonaro como um dos possíveis sucessores do ex-presidente. Em termos técnicos, a pesquisa já nasce “defasada” no que tange ao novo nome no páreo. Contudo, é justamente em seus resultados “brutos” que residem as chaves para entender a profunda divisão e a estratégia eleitoral do país para os próximos anos.

    O principal e mais persistente achado confirma uma tendência há muito observada: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém uma posição de liderança sólida. A vitória no primeiro turno, embora dentro da margem de erro, continua sendo uma possibilidade real, conforme reforçado por diversos outros institutos de pesquisa. Este não é um dado isolado, mas uma confirmação de que o campo da esquerda e centro-esquerda mantém uma base fidelizada e robusta o suficiente para, potencialmente, decidir o pleito sem a necessidade de uma segunda rodada.

    Datafolha divulga primeira pesquisa após pré-candidatura de Flávio

    Entretanto, o verdadeiro sismo político revelado pelo Datafolha concentra-se nos movimentos do campo da direita e centro-direita. A pesquisa indicou que a família Bolsonaro sofreu um revés significativo em suas intenções de voto. Este “baque” é atribuído a eventos recentes que envolveram o ex-presidente e seus aliados, resultando em uma perda generalizada de apoio no cenário de segundo turno, incluindo a ex-primeira-dama Michele Bolsonaro. Em um ambiente de alta polarização, a percepção de desgaste e a exposição a crises políticas parecem ter um impacto direto na performance eleitoral do clã.


    A Hierarquia da Oposição: Tarcísio, Ratinho e a Distância de Lula

    A análise dos cenários de segundo turno é onde a pesquisa Datafolha oferece seu material mais rico e, ao mesmo tempo, mais preocupante para a oposição. Os números estabelecem uma clara hierarquia entre os principais adversários de Lula, desvendando quem representa, de fato, a ameaça mais imediata ao atual governo.

    O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, emerge como o único candidato de direita que consegue se aproximar de Lula, sendo o único a superar a marca de 40% das intenções de voto em um confronto direto (atingindo 42%). Contra Tarcísio, Lula registra 47%, configurando uma distância de apenas 5 pontos percentuais – a menor de todas.

    Em uma análise comparativa, a diferença para os outros postulantes aumenta de forma considerável:

    Tarcísio de Freitas: 5 pontos percentuais de distância.

    Ratinho Júnior: 7 pontos percentuais de distância.

    Jair Bolsonaro: 9 pontos percentuais de distância.

    Este dado é extremamente contundente. Bolsonaro, que é, de longe, o nome mais conhecido e polarizador do seu campo, possui uma distância maior do que Tarcísio e Ratinho Júnior. Isso levanta uma questão central para o debate: será que essa diferença se deve simplesmente ao menor reconhecimento de Tarcísio e Ratinho em nível nacional, ou é um sintoma da maior rejeição eleitoral que o clã Bolsonaro acumulou nos últimos anos? A pesquisa Datafolha serve, neste sentido, mais como um catalisador de novas perguntas do que como um fornecedor de respostas finais.


    O Fator Flávio e a Estratégia de Polarização do Planalto

    A indicação de Flávio Bolsonaro como um possível sucessor, mesmo que tardia em relação à coleta do Datafolha, introduz um elemento de pressão e cálculo político. A leitura dos analistas, baseada nos números atuais, sugere que há uma forte pressão interna para que Flávio desista de uma eventual candidatura. O motivo é estratégico: o melhor cenário para a reeleição de Lula, segundo a interpretação de fontes como o Gerson Camarotti, da Globo News, é justamente enfrentar um membro da família Bolsonaro.

    O Palácio do Planalto, ciente da alta polarização, celebrou a menção de Flávio. A aposta é na repetição da dinâmica de 2022, na qual a eleição se transforma em um plebiscito “pró ou contra” o bolsonarismo. Essa polarização extrema garante que a chamada população pendular — o eleitor que oscila entre a esquerda e a direita — sinta-se compelida a escolher um lado na mesma intensidade.

    Por outro lado, o enfrentamento contra nomes como Tarcísio de Freitas ou Ratinho Júnior, que carregam uma imagem de maior moderação e possuem menos “bagagem” de crises públicas, apresenta um risco maior para o governo. A moderação pode atrair justamente o eleitor pendular, aquele que está “cansado da polarização” e busca uma alternativa que não seja nem o lulismo nem o bolsonarismo na sua forma mais radical. Contudo, o cenário mostra que, contra os candidatos do clã, os nomes “moderados” da direita, como Tarcísio, não teriam, sequer, chance de chegar ao segundo turno. O caminho de Lula contra um Bolsonaro é, segundo essa lógica, mais previsível e, consequentemente, mais fácil.


    A “Cristalização” do Voto: Ideias Acima de Figuras

    O Datafolha não apenas mede a temperatura eleitoral; ele diagnostica um fenômeno profundo na política brasileira: a cristalização do voto. As diferenças entre os candidatos de oposição (Tarcísio, Ratinho e Bolsonaro) são tão pequenas – todas dentro da margem de erro – que os números permanecem essencialmente os mesmos: Lula com cerca de 49% e os adversários com cerca de 40% (na média dos cenários). As pesquisas têm andado de lado, com pouca margem para grandes mudanças.

    A razão para essa imobilidade é a alta politização do eleitorado. O brasileiro não vota mais primariamente em “figuras” ou “pessoas”, mas em ideias. O eleitor de hoje se identifica com um projeto de nação:

    “Quem defende as ideias da direita? É este candidato.”

    “Quem defende as ideias da esquerda? É este candidato.”

    A escolha se tornou ideológica (no sentido de projeto, e não pejorativo), e o voto é dado independentemente da persona do candidato. Essa tese é reforçada pelos indicadores de aprovação do próprio Lula: sua gestão está dividida em três terços quase iguais – um terço a considera boa/ótima, um terço razoável e um terço ruim/péssima. Um eleitorado dividido em três blocos rígidos é a prova mais cabal de que a polarização está profundamente estabelecida e será a tônica de 2026.


    O Paradoxo da Campanha de 2026: A Mais Fácil e a Mais Apertada

    Chegamos, então, ao grande paradoxo eleitoral que a pesquisa Datafolha, mesmo defasada, consegue antecipar: a campanha de 2026 para Lula será, simultaneamente, a mais fácil e a mais apertada de sua história.

    Por Que Será a Campanha Mais Fácil?

    A facilidade reside na debilidade estrutural da oposição. No momento, não há um candidato de consenso. Além disso, os indicadores econômicos do país jogam a favor do governo:

    Economia Positiva: Inflação sob controle e uma taxa de desemprego em queda, apesar da pressão do mercado financeiro. A população sente os efeitos positivos em sua vida cotidiana.

    Projetos de Benefício: Projetos como a isenção do Imposto de Renda (que terá efeito em 2026) atuam como reforço de popularidade.

    Falta de Alternativa: A oposição não possui um projeto de poder alternativo crível e detalhado. A pauta da segurança pública, sozinha, revela-se fraca, especialmente em um contexto onde figuras políticas de peso (inclusive do Centrão) são frequentemente mencionadas em investigações que envolvem facções criminosas. No âmbito econômico, a ausência de um plano de governo que se contraponha ao do atual governo de forma robusta e coerente garante a continuidade do projeto em vigor, por inércia.

    Por Que Será a Campanha Mais Apertada?

    Apesar da fragilidade oposicionista e do vento econômico favorável, o resultado será apertado devido à já mencionada polarização cristalizada. O eleitorado dividido de forma tão rígida garante que o resultado final será decidido por uma margem mínima. A projeção é de que Lula vença com 51% (ou até menos) dos votos válidos, enquanto o candidato de oposição da direita registrará 49%.

    O cenário é, portanto, o de uma corrida decidida por uma margem mínima, mas com um caminho para a vitória surpreendentemente desimpedido para o atual presidente, dada a incapacidade da oposição de construir um projeto alternativo que una os eleitores e supere a rejeição de parte do seu campo mais tradicional. Em última análise, o Datafolha de hoje não é apenas sobre números, mas sobre a consolidação de um Brasil bipolar, onde a vitória é certa para um lado, mas o placar, apertado para ambos.