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  • A escrava que comprou a própria senhora: a vingança inesperada em Cartagena, 1843

    A escrava que comprou a própria senhora: a vingança inesperada em Cartagena, 1843

    Nas ruas de paralelepípedos de Cartagena, sob o sol escaldante de 1843, uma mulher negra caminhava de cabeça erguida, carregando documentos que mudariam tudo. Não eram os seus papéis de liberdade, eram algo muito mais impactante, o contrato de compra da sua antiga ama. A mesma mulher que a tinha marcado com ferro em brasa agora lhe pertencia.

    Esta é a história real de como o destino pode dar voltas tão impossíveis que parecem escritas pela mão da justiça divina. Antes de começar, ative as notificações porque esta história contém detalhes que nunca aparecem nos livros de história. Cada minuto revela uma reviravolta que o deixará sem palavras. O ano era 1823.

    María Clemencia chegou à casa grande da família Villanueva quando tinha apenas 8 anos. Haviam-na comprado no mercado de escravos do porto, arrancada dos braços da sua mãe que nunca mais voltaria a ver. O preço: 40 pesos de ouro, menos do que um cavalo de raça pura.

    Dona Catalina de Villanueva era conhecida em toda Cartagena não pela sua beleza nem pelo seu requinte, mas pela crueldade meticulosa com que tratava os seus escravos. Era uma mulher de 32 anos, viúva de um comerciante espanhol que lhe havia deixado propriedades e uma fortuna considerável. Sem filhos próprios, tinha convertido o sofrimento alheio na sua única forma de sentir poder.

    María Clemencia aprendeu rápido as regras daquela casa. Acordar antes da alvorada, água gelada do poço. Preparar o pequeno-almoço da senhora exatamente como ela gostava, chocolate grosso, arepa de ovo, frutas descascadas em quartos perfeitos. Um erro significava o chicote. Dois erros. O tronco no pátio sob o sol do meio-dia. A cidade de Cartagena fervilhava com mudanças.

    A independência de Espanha tinha chegado há apenas duas décadas e com ela promessas de liberdade que nunca alcançavam os que mais dela precisavam. As leis diziam que os filhos de escravos nascidos depois de 1821 seriam livres ao completar 18 anos. Mas para os que já estavam marcados, acorrentados aos seus amos, a liberdade era apenas uma palavra oca que flutuava no ar quente das Caraíbas.

    Dona Catalina tinha um costume particular. Cada vez que um escravo a desagradava gravemente, não se contentava com o castigo físico comum. Ordenava que trouxessem o ferro com a sua inicial, um C ornamentado, e o aqueciam até que brilhasse vermelho como o inferno.

    A marca ficava no ombro direito, visível, permanente, um lembrete de quem tinha o poder. María Clemencia recebeu a sua marca aos 12 anos. O seu crime, derramar uma gota de café no vestido de seda favorito da senhora durante uma reunião com outras damas de sociedade. A dor foi tão intensa que perdeu os sentidos. Quando acordou, o cheiro a carne queimada ainda impregnava o ar e Dona Catalina olhava para ela de cima com um sorriso satisfeito. Os anos passaram como uma eternidade contida.

    María Clemencia cresceu observando, aprendendo, guardando cada humilhação num canto da sua mente onde o ressentimento se convertia em algo mais frio e calculado. Determinação. Dom Sebastián Montes era o contabilista de Dona Catalina, um homem mulato livre que geria os livros da fazenda. Havia nascido livre porque o seu pai espanhol o havia reconhecido, um privilégio quase impossível.

    visitava a casa grande todas as semanas para rever as contas e algo no olhar de María Clemencia, então com 16 anos, chamou a sua atenção. Não era piedade o que sentia, era reconhecimento. Via nela a mesma centelha que ele tinha tido, a fome de ser mais do que o destino tinha escrito. Uma tarde, enquanto esperava no pátio, Dom Sebastián deixou aberto o seu livro de contas.

    María Clemencia, que supostamente era analfabeta como todos os escravos, aproximou-se. Os seus olhos percorreram os números com uma velocidade que o surpreendeu. Ela não só reconhecia os símbolos, como os compreendia. Começou então uma educação clandestina. Nos breves momentos em que Dona Catalina saía para os seus compromissos sociais, Dom Sebastián ensinava-lhe primeiro os números, somar, subtrair, multiplicar. As bases do comércio.

    Depois vieram as letras rabiscadas na areia do pátio que apagavam imediatamente. María Clemencia era uma estudante voraz. Memorizava tudo na primeira explicação. Em 6 meses dominava as operações básicas. Num ano podia ler contratos completos e entender cada cláusula. Dom Sebastián ficou assombrado, mas também preocupado.

    O conhecimento nas mãos de um escravo era uma arma perigosa, tanto para quem o possuía como para quem o ocultava. Mas María Clemencia tinha um plano que mal começava a tomar forma. observava como Dona Catalina geria os seus negócios, as suas propriedades, os seus investimentos.

    A senhora era rica, mas não inteligente com o dinheiro. Gastava em joias e vestidos importados, em festas ostentosas que não impressionavam ninguém. As suas propriedades geravam menos do que podiam porque a sua crueldade fazia com que os escravos trabalhassem o mínimo para evitar o castigo, nunca com motivação real. Em 1839, María Clemencia tinha 20 anos e havia desenvolvido algo que Dona Catalina nunca poderia comprar.

    Paciência estratégica. Não sonhava em escapar, sonhava com algo muito mais ambicioso, embora ainda não soubesse como o conseguir. O ponto de viragem chegou quando Dom Sebastián lhe confidenciou algo em voz baixa enquanto reviam os inventários do armazém. A lei de manumissão permitia que os escravos comprassem a sua própria liberdade se reunissem dinheiro suficiente.

    O preço era negociável, mas geralmente equivalente ao valor de mercado do escravo. Para uma mulher jovem e forte como María Clemencia, isso significava aproximadamente 200 pesos de ouro, uma fortuna impossível, ou pelo menos assim parecia. O destino tem formas peculiares de apresentar oportunidades. Para María Clemencia chegou em forma de um erro contabilístico que ninguém mais notou.

    Dona Catalina tinha herdado várias propriedades no porto, armazéns que alugava a comerciantes. Dom Sebastián geria as cobranças, mas a senhora insistia em rever pessoalmente os livros todos os meses, não por diligência, mas por desconfiança. Era uma das suas muitas contradições.

    Desconfiava de todos, exceto do seu próprio juízo, que era deficiente. Em março de 1840, um dos inquilinos pagou duas vezes pelo mesmo mês devido a um mal-entendido. Dom Sebastián anotou ambos os pagamentos, mas na revisão com Dona Catalina, ela só verificou a primeira entrada.

    O segundo pagamento ficou registado nos livros gerais, mas não no livro pessoal da senhora. María Clemencia detetou o erro e nesse momento, com a clareza de uma revelação, compreendeu que as falhas no sistema podiam ser mais valiosas do que o próprio ouro. Começou a prestar atenção obsessiva aos livros quando Dom Sebastián os deixava momentaneamente. Memorizava discrepâncias, datas em que as cobranças eram feitas em dinheiro e não havia recibos detalhados, momentos em que a contabilidade se tornava nebulosa pela própria negligência de Dona Catalina. Se está a pensar que sabe

    para onde vai esta história, espere. O que se segue desafia toda a lógica da época e prova que a inteligência pode ser mais poderosa do que qualquer corrente. Dom Sebastián notou o interesse cada vez mais agudo de María Clemencia. Uma noite, depois de Dona Catalina se retirar para os seus aposentos, perguntou-lhe diretamente o que estava a planear. Ela não mentiu.

    explicou-lhe com uma calma que contrastava com a audácia do seu plano, que queria comprar a sua liberdade, não a implorando, mas a ganhando com as mesmas ferramentas que os brancos usavam, dinheiro e conhecimento. A proposta que fez a Dom Sebastián era arriscada, mas brilhante.

    Ela identificaria oportunidades para melhorar a rentabilidade das propriedades de Dona Catalina. Pequenas eficiências que a senhora nunca notaria. Negociariam melhores preços com fornecedores, reduziriam desperdícios, otimizariam rotas de entregas. As poupanças, invisíveis para Dona Catalina, mas reais nas contas, poderiam ser desviadas gradualmente.

    Não era roubo no sentido tradicional. Era mais sofisticado. Era fazer com que o dinheiro que se perdia por ineficiência deixasse de se perder e guardá-lo em vez de se evaporar simplesmente no caos administrativo da fazenda. Dom Sebastián ficou em silêncio durante longos minutos. Depois assentiu, não por ganância própria, mas porque reconhecia algo extraordinário quando o via.

    Se María Clemencia conseguisse isto, seria a primeira escrava na história de Cartagena a comprar a sua liberdade através de pura astúcia financeira, sem doações nem favores. Os 3 anos seguintes foram de uma paciência que teria quebrado qualquer um com menos determinação. María Clemencia e Dom Sebastián executaram o seu plano com precisão cirúrgica. Começaram pequeno.

    Um armazém no porto estava a armazenar mercadorias de forma ineficiente, pagando por mais espaço do que o necessário. María Clemencia sugeriu uma reorganização. Dom Sebastián implementou-a como se fosse ideia sua. A poupança mensal: 3 pesos. Uma insignificância para Dona Catalina. O início de tudo para María Clemencia.

    Identificaram um fornecedor de tecidos que estava a cobrar a mais porque sabia que ninguém verificava os preços comparativos. Mudaram de fornecedor sem que Dona Catalina notasse. Poupança mensal, mais 5 pesos. Assim, pouco a pouco, construíram um fluxo invisível de dinheiro.

    Dom Sebastián abriu uma conta discreta em nome de um comerciante fictício. As poupanças eram depositadas ali. No papel pareciam despesas legítimas de manutenção e operação. Na realidade eram a acumulação metódica do preço da liberdade. Dona Catalina, absorta nos seus próprios excessos, nunca notou que as suas propriedades estavam a gerar mais dinheiro do que ela via.

    Para ela, enquanto tivesse o suficiente para manter o seu estilo de vida ostentoso, os detalhes eram irrelevantes. María Clemencia vivia uma vida dupla. De dia a escrava submissa que cumpria cada ordem sem questionar. De noite, nos momentos roubados, a estratega que estudava cada aspeto do negócio da sua ama com mais dedicação do que a própria Dona Catalina. Houve momentos de terror.

    Uma vez Dona Catalina perguntou porque é que o gasto em manutenção de um dos armazéns tinha aumentado. Dom Sebastián, com calma admirável, explicou que os novos impostos municipais tinham aumentado os custos. Era mentira, mas apresentou documentos falsificados que a senhora mal olhou antes de os aprovar com um gesto desdenhoso.

    Em 1843, María Clemencia tinha 24 anos e 180 pesos acumulados. Faltavam-lhe apenas mais 20 pesos para reunir o preço estimado da sua liberdade. Estava tão perto que podia sentir a liberdade como algo tangível, real. Mas então, algo inesperado aconteceu que mudaria todo o plano. Em julho de 1843, Dona Catalina adoeceu.

    Não era nada grave no início, apenas uma febre persistente que atribuiu ao calor insuportável de Cartagena. Mas as semanas passaram e a febre não cedia. Os médicos vieram e foram embora, receitando sangrias e tónicos que não serviam de nada. A doença debilitou-a mais do que qualquer um esperava. Em agosto, Dona Catalina mal conseguia levantar-se da cama.

    O seu rosto, antes rotundo e sempre ruborizado de raiva ou vinho, tinha-se tornado macilento e pálido. A sua voz, antes potente e cheia de ordens cortantes, era agora um sussurro rouco. María Clemencia cuidava dela, não por afeto, mas porque era o seu dever. Mas enquanto mudava os lençóis encharcados em suor e preparava as infusões que os médicos ordenavam, observava.

    via como a mulher, que tinha sido o seu tormento durante duas décadas, se desvanecia, vulnerável e assustada. Um detalhe não passou despercebido. Dona Catalina não tinha herdeiros diretos. Tinha primos distantes em Espanha que nunca a tinham visitado, mas nenhum parente próximo que pudesse reclamar a herança imediatamente.

    E sem testamento atualizado, as suas propriedades entrariam num limbo legal que podia durar meses, talvez anos. Dom Sebastián veio visitar a doente e rever o estado das finanças. Em privado, disse a María Clemencia algo que ela tinha calculado. Se Dona Catalina morresse, tudo se complicaria. Os escravos provavelmente seriam vendidos em leilão para pagar dívidas e despesas legais.

    María Clemencia poderia acabar nas mãos de alguém ainda pior e todo o dinheiro acumulado ficaria inacessível. Tinham de agir rápido. Dom Sebastián preparou os documentos de manumissão. O preço: 200 pesos. O valor padrão de mercado para uma escrava de 24 anos. María Clemencia tinha 180, faltavam-lhe 20.

    Na noite de 15 de agosto, Dom Sebastián fez algo que lhe poderia ter custado tudo. Falsificou o recibo final. Nos livros apareceu que María Clemencia tinha completado o pagamento. Na realidade, os últimos 20 pesos nunca existiram. Era um risco calculado no meio do caos administrativo que a doença de Dona Catalina tinha criado.

    Na manhã seguinte, com Dona Catalina mal consciente e debilitada, Dom Sebastián apresentou os documentos para a sua assinatura. explicou-lhe em termos simples e urgentes que era uma formalidade de libertação de ativos que protegeria o seu património. Dona Catalina, confusa pela febre e confiando vagamente em que o seu contabilista sabia o que fazia, assinou. María Clemencia era livre. A liberdade chegou sem celebrações, sem lágrimas de alegria.

    María Clemencia saiu da casa grande numa quarta-feira ao anoitecer com os seus papéis de manumissão guardados contra o peito e uma determinação que ardia mais forte do que nunca. Não tinha terminado, mal começava. Durante as semanas seguintes, enquanto Dona Catalina recuperava lentamente da sua doença, María Clemencia instalou-se num pequeno quarto no bairro de Getsemaní.

    Era diminuto e quente, mas era seu. Pela primeira vez na vida podia fechar uma porta e estar sozinha, sem medo de que chegasse uma ordem ou um castigo, mas não perdeu tempo a desfrutar a liberdade passivamente. Com Dom Sebastián como sócio silencioso, começou a trabalhar como intermediária comercial. Conhecia os negócios do porto melhor do que muitos comerciantes porque tinha estudado as operações durante anos.

    ligava vendedores a compradores, negociava comissões, identificava oportunidades que outros passavam por alto. A sua vantagem era única. Era uma mulher negra livre numa cidade onde isso era raro, mas não impossível. Os comerciantes brancos a subestimavam. Pensavam que podiam enganá-la. Erro fatal. María Clemencia conhecia cada truque, cada inflação de preços, cada cláusula oculta.

    negociava com uma firmeza tranquila que desconcertava homens acostumados a intimidar. Em 6 meses tinha multiplicado o seu capital. Os 180 pesos converteram-se em 300, depois em 500. Investia em mercadorias que sabia que aumentariam de valor. Comprava barato quando outros precisavam de vender rápido. Vendia caro quando a procura era alta.

    Dona Catalina recuperou, mas não completamente. A doença tinha-a deixado debilitada e o seu temperamento tornou-se ainda mais errático. Despediu Dom Sebastián num acesso de paranoia infundada, acusando-o sem provas de desvio de fundos. Ele foi-se embora sem protestar, sabendo que qualquer defesa só pioraria as coisas. A fazenda começou a decair sem a sua gestão competente. Os inquilinos atrasavam-se nos pagamentos.

    Os fornecedores cobravam a mais, os escravos que restavam trabalhavam menos porque não havia supervisão efetiva. Dona Catalina, que nunca tinha entendido realmente como funcionavam os seus negócios, via a sua fortuna a erodir-se sem compreender porquê. Em dezembro de 1843, algo extraordinário chegou aos ouvidos de María Clemencia. Dona Catalina estava a considerar vender algumas das suas propriedades. As dívidas acumulavam-se.

    As despesas médicas tinham sido exorbitantes e ela precisava de liquidez imediata. Entre as propriedades que considerava vender havia uma que María Clemencia conhecia intimamente, o armazém do porto, que tinha sido a primeira fonte das suas poupanças. Valia aproximadamente 800 pesos no mercado, mas Dona Catalina, desesperada e mal aconselhada, estava disposta a aceitar menos por uma venda rápida.

    María Clemencia tinha exatamente 650 pesos. fez uma oferta de 600 em dinheiro, pagamento imediato. Para Dona Catalina, que não reconheceu a sua antiga escrava na mulher de negócios que tinha à sua frente, era uma bênção inesperada. A transação foi concluída numa semana. María Clemencia agora possuía uma propriedade que antes tinha administrado em segredo como escrava.

    A ironia era deliciosa, mas não era suficiente. O ano de 1844 chegou com Dona Catalina numa espiral descendente que parecia imparável. As vendas de propriedades não tinham resolvido os seus problemas porque ela não sabia administrar o que restava.

    Gastava mais do que ganhava, mantinha um estilo de vida que já não podia permitir-se e rejeitava conselhos de quem tentasse ajudá-la. María Clemencia, por outro lado, prosperava. O seu armazém gerava lucros constantes. Tinha contratado trabalhadores livres, pagando-lhes salários justos e descobriu algo que Dona Catalina nunca entenderia. As pessoas trabalhavam melhor quando se sentiam valorizadas. A sua reputação como comerciante honesta, mas firme, crescia.

    Em março, Dona Catalina pôs à venda a Casa Grande. era a sua última propriedade valiosa. O preço pedido era 2000 pesos, mas todos em Cartagena sabiam que estava sobrevalorizada. A casa era bonita, mas precisava de reparações extensas que Dona Catalina tinha ignorado durante anos.

    Além disso, vinha com o encargo legal de três escravos que ainda possuía, dois idosos e uma menina de 14 anos. Os compradores potenciais eram escassos. A casa era demasiado grande para a maioria, demasiado cara para uma propriedade que requeria investimento adicional. Passaram-se semanas sem ofertas sérias. María Clemencia observava à distância.

    Tinha calculado que a casa valia realisticamente 1500 pesos. Tinha 900 em dinheiro depois de reinvestir parte dos seus lucros. não era suficiente, mas tinha aprendido que nos negócios o dinheiro imediato valia mais do que promessas futuras, especialmente para alguém desesperado. O que está para acontecer não é ficção. É o momento em que a história dá uma reviravolta tão poderosa que redefine o que significa justiça.

    Não perca nem um segundo do que se segue. Em abril, María Clemencia pediu uma reunião com o notário que geria a venda. Apresentou-se como comerciante, mencionou o seu interesse na propriedade e perguntou se Dona Catalina consideraria uma oferta mais baixa se o pagamento fosse em dinheiro completo, sem demoras nem condições. O notário, um homem prático que sabia que Dona Catalina precisava do dinheiro urgentemente, aceitou apresentar a proposta: 900 pesos mais a absorção de uma dívida de 100 pesos que Dona Catalina tinha com um comerciante do porto. Total efetivo, 1000 pesos. Quando Dona

    Catalina recebeu a oferta, a sua primeira reação foi rejeitá-la indignada. 1000 pesos por uma propriedade que tinha custado 3000 quando o seu falecido marido a comprou. Era um insulto, mas o seu orgulho chocou com a realidade brutal. Não havia outras ofertas. Os credores pressionavam.

    Precisava de dinheiro agora, não promessas de melhores preços no futuro que podiam nunca chegar. O notário aconselhou-a a aceitar. assinalou que 1000 pesos lhe permitiriam pagar as suas dívidas imediatas e ainda lhe restariam fundos para se instalar numa habitação mais modesta, talvez até poupar se fosse prudente. Era isso ou enfrentar o embargo. Dona Catalina, com lágrimas de humilhação, assinou o contrato de venda, nunca perguntou o nome do comprador, não lhe importava.

    Só queria que acabasse a vergonha de ter de vender o seu lar. A escritura foi registada a 28 de abril de 1844. O novo proprietário da Casa Grande, incluindo os seus móveis e os três escravos que ainda residiam ali, era María Clemencia, antiga escrava de Dona Catalina de Villanueva.

    No dia em que María Clemencia voltou a pisar a Casa Grande como proprietária, o céu de Cartagena estava limpo e o sol brilhava com uma intensidade que parecia simbólica. Trazia os documentos de propriedade numa pasta de couro, caminhava de costas direitas, sem pressa. Dona Catalina tinha deixado a casa dias antes, instalando-se numa habitação alugada num bairro menos distinto, mas María Clemencia mandou chamá-la.

    Tinha algo importante a discutir sobre os termos da transação, explicou o mensageiro. Quando Dona Catalina chegou ao que tinha sido a sua casa, encontrou María Clemencia sentada na mesma sala onde costumava receber visitas. reconheceu-a imediatamente. O choque foi tão profundo que teve de se apoiar no aro da porta. María Clemencia não perdeu tempo em explicações desnecessárias.

    Com voz calma, quase suave, apresentou os factos. Ela era agora a dona da propriedade. Os três escravos que Dona Catalina tinha deixado estavam a ser libertados nesse mesmo dia. Não seriam vendidos nem transferidos. seriam livres com papéis e a opção de ficarem a trabalhar na casa por um salário se assim o desejassem. Dona Catalina tentou falar, mas as palavras afogaram-se na sua garganta. María Clemencia continuou.

    Havia um quarto para Dona Catalina na casa se ela precisasse, não como dona, mas como inquilina. O aluguer seria modesto dentro do que ela podia pagar com o que lhe restava da venda ou podia ir-se embora e nunca mais voltar. A escolha era sua.

    A antiga ama desmoronou-se numa cadeira, o rosto desfeito pela incredulidade e algo mais profundo, a compreensão devastadora do que acabava de acontecer. Não era só que tinha perdido tudo, era que o tinha perdido para a única pessoa que jamais teria imaginado capaz de tal coisa. María Clemencia aproximou-se, ajoelhou-se em frente a ela para estar à altura dos seus olhos e disse algo que Dona Catalina levaria até ao seu túmulo.

    “A senhora ensinou-me que o poder é a única coisa que importa neste mundo. Tinha razão, mas esqueceu-se de me ensinar que o poder muda de mãos quando menos se espera.” Levantou-se, caminhou para a janela e contemplou a cidade que se estendia em direção ao mar. Depois, sem se virar, acrescentou: “Pode ficar se aceitar viver sob o meu teto, como eu vivi sob o seu. Ou pode ir-se embora e nunca regressar.

    Mas se ficar, seguirá as minhas regras. E a minha primeira regra é esta: ninguém que viva nesta casa voltará a ser propriedade de outro.” Dona Catalina nunca respondeu. Levantou-se com dificuldade. Saiu da casa sem olhar para trás e nunca regressou. Passaria os seus últimos anos em quartos alugados cada vez mais pequenos, sustentada pela caridade de conhecidos que a tinham temido quando tinha poder e agora a suportavam com pena.

    María Clemencia permaneceu junto à janela muito tempo depois de a sua antiga ama ter partido, olhando o horizonte onde as Caraíbas se encontravam com o céu. Não sentia triunfo nem alegria. sentia algo mais complexo, o peso de ter provado que a justiça, embora lenta e tortuosa, podia manifestar-se de formas que ninguém antecipava. María Clemencia viveu na Casa Grande até à sua morte em 1871, aos 52 anos.

    Mas os 27 anos que passou como proprietária daquela casa não foram simplesmente uma extensão da sua vida, foram a construção deliberada de um legado que desafiaria as narrativas estabelecidas sobre poder, raça e justiça na Colômbia do século XIX. Os primeiros meses depois de tomar posse da propriedade foram de transformação silenciosa, mas profunda.

    María Clemencia não procurou vingança no sentido tradicional da palavra. Não humilhou os três escravos que herdou com a casa. Não os marcou com ferros em brasa, nem os submeteu aos castigos que ela própria tinha sofrido.

    Em vez disso, reuniu-os na mesma sala onde Dona Catalina costumava ditar ordens e apresentou-lhes documentos de manumissão para cada um deles. Explicou-lhes com voz firme, mas calorosa, que eram livres desde esse momento e que podiam escolher ficar a trabalhar por um salário justo ou partir para onde quisessem construir as suas vidas.

    Os três escolheram ficar, não por medo nem por falta de opções, mas porque reconheceram em María Clemencia algo que nunca tinham visto num proprietário, o entendimento profundo do que significava a falta de liberdade. Ela sabia exatamente que palavras, que gestos, que condições podiam fazer com que uma pessoa se sentisse humana ou reduzida a mercadoria.

    E usou esse conhecimento não para dominar, mas para elevar. A transformação da Casa Grande num refúgio para pessoas livres que procuravam trabalho e estabilidade não foi acidental. Era parte de uma visão mais ampla que María Clemencia tinha começado a desenvolver durante os seus anos como escrava, observando as ineficiências e crueldades do sistema que a oprimia.

    Compreendeu algo que poucos na sua época entendiam, que a verdadeira prosperidade não vinha de extrair o máximo trabalho com o mínimo custo humano, mas de criar condições onde as pessoas pudessem florescer e, ao fazê-lo, gerar riqueza partilhada. Em 1845, apenas um ano depois de comprar a Casa Grande, María Clemencia abriu uma pequena oficina de costura numa das salas que antes serviam para as reuniões sociais de Dona Catalina.

    Contratou mulheres livres, muitas delas antigas escravas que tinham comprado a sua liberdade ou a tinham recebido por testamento dos seus amos. pagou-lhes salários que estavam acima da média do mercado e ensinou-lhes não só a coser, mas a administrar dinheiro, a negociar preços, a entender contratos.

    Estava a replicar, com modificações próprias, a educação clandestina que Dom Sebastián lhe tinha dado anos atrás. A oficina prosperou de maneiras que surpreenderam até os comerciantes mais estabelecidos de Cartagena. As mulheres trabalhavam com uma dedicação que não se podia comprar com ameaças nem chicotes. Produziam vestuário de qualidade superior porque tinham um incentivo real.

    Parte dos lucros era distribuída entre elas de acordo com a quantidade e qualidade do seu trabalho. Era um sistema radical para a época, um vislumbre do que décadas depois se chamaria economia cooperativa. Durante os anos seguintes, María Clemencia expandiu as suas operações comerciais com a mesma astúcia que tinha usado para acumular o dinheiro da sua liberdade.

    Comprou um armazém no porto em 1847, uma pequena propriedade agrícola nos arredores de Cartagena em 1850. e participou como investidora silenciosa em várias empresas comerciais que precisavam de capital, mas não queriam a visibilidade de ter uma mulher negra como sócia pública. Ela aceitava estes termos não por submissão, mas por pragmatismo.

    Sabia que algumas batalhas se ganhavam lentamente, acumulando poder económico real, enquanto outros lutavam por reconhecimento simbólico. O que tornava única a sua forma de fazer negócios era a maneira como equilibrava rentabilidade com responsabilidade social. Quando a epidemia de cólera atingiu Cartagena em 1849, María Clemencia converteu temporariamente parte da casa grande num centro de atendimento para os doentes que não tinham recursos para pagar médicos.

    Não o fez como caridade ostentosa nem procurando reconhecimento público. Fê-lo porque se lembrava com clareza absoluta o que era estar vulnerável e não ter ninguém que oferecesse ajuda. A sua relação com a comunidade de pessoas negras livres de Cartagena era complexa. Alguns admiravam-na como um exemplo do que era possível alcançar com inteligência e determinação.

    Outros viam-na com desconfiança, considerando-a demasiado próxima dos brancos, demasiado envolvida no sistema comercial que tinha sustentado a escravidão. María Clemencia nunca tentou resolver estas tensões com explicações ou justificações. Simplesmente continuou a fazer o que considerava correto. Criar oportunidades económicas reais, não promessas vazias de igualdade futura.

    A abolição definitiva da escravidão na Colômbia chegou em 1851, apenas 7 anos depois de María Clemencia ter comprado a Casa Grande. Foi um momento de celebração maciça nas comunidades negras, mas María Clemencia observou os festejos com uma mistura de alegria e ceticismo calculado.

    Sabia por experiência própria que os documentos legais não eliminavam automaticamente as estruturas de poder e desigualdade que se tinham construído durante séculos. A liberdade legal era o primeiro passo, não o último, e tinha razão. Os anos seguintes à abolição demonstraram que muitos antigos escravos receberam a sua liberdade sem recursos, sem terras, sem educação e sem as conexões sociais necessárias para prosperar numa economia que continuava dominada pelas mesmas famílias brancas que tinham possuído escravos.

    Alguns acabaram a trabalhar em condições pouco melhores do que a escravidão, presos por dívidas e contratos abusivos. María Clemencia respondeu a esta realidade expandindo as suas operações de uma maneira que beneficiava especificamente pessoas livres recentemente. Criou um sistema de microcréditos antes que esse termo existisse, emprestando pequenas quantidades de dinheiro a pessoas que queriam iniciar negócios próprios, mas não tinham acesso aos bancos formais que só emprestavam a proprietários estabelecidos. Os

    juros que cobrava eram justos, os termos eram claros e, mais importante ainda, oferecia aconselhamento sobre como gerir o dinheiro emprestado. Nem todos os projetos prosperavam, mas os que o faziam geravam um efeito multiplicador na comunidade. Em 1856, María Clemencia tinha 37 anos e tinha acumulado uma fortuna que rivalizava com a de muitas famílias brancas tradicionais de Cartagena, mas, ao contrário delas, nunca usou a sua riqueza para comprar estatuto social nem para se integrar nos círculos de elite

    que a teriam rejeitado de qualquer forma. O seu poder era económico e, portanto, mais sólido do que o poder social que dependia de perceções e tradições. Houve tentativas de a desacreditar. Rumores sobre como tinha obtido o seu dinheiro inicial, insinuações de que tinha roubado a Dona Catalina, acusações sem fundamento de que mantinha relações inapropriadas com comerciantes brancos em troca de favores. María Clemencia ignorou tudo isto com uma indiferença que desarmava os seus detratores. Não precisava

    defender a sua reputação porque as suas ações falavam mais alto do que qualquer calúnia. O que poucos sabiam era que María Clemencia mantinha uma correspondência regular com Dom Sebastián Montes, que, depois de ser despedido por Dona Catalina, tinha estabelecido a sua própria firma de contabilidade em Bogotá.

    Nas suas cartas trocavam não só informação sobre negócios e oportunidades comerciais, mas também reflexões sobre o estado do país, sobre as possibilidades reais de igualdade numa sociedade mal saída da escravidão, sobre os limites e potenciais da liberdade económica como ferramenta de transformação social.

    Dom Sebastián visitou Cartagena em 1862 e ficou na Casa Grande durante duas semanas. Foi a primeira vez que se reencontraram desde os dias turbulentos de 1843. Caminharam juntos pelos mesmos corredores onde anos atrás tinham conspirado em segredo para acumular o preço da liberdade.

    E Dom Sebastián confessou-lhe algo que María Clemencia já tinha intuído, que ao ajudá-la ele tinha estado a curar as suas próprias feridas. Tinha nascido livre por acidente de nascimento, não por mérito, e sempre tinha sentido uma culpa difusa pelos privilégios que isso lhe outorgava enquanto outros igualmente capazes permaneciam acorrentados.

    Ajudar María Clemencia tinha sido a sua forma de fazer algo significativo com esse privilégio acidental. Os últimos anos de vida de María Clemencia foram marcados pela consolidação mais do que pela expansão. começou a transferir gradualmente a gestão dos seus negócios para as pessoas que tinha treinado durante anos, criando uma estrutura onde a propriedade e o controlo se distribuíam entre vários gerentes em vez de se concentrarem numa só pessoa.

    Era a sua maneira de garantir que o que tinha construído sobreviveria para além da sua própria vida. Em 1869, aos 50 anos, María Clemencia começou a ter problemas de saúde que os médicos da época não puderam diagnosticar com precisão. Provavelmente era alguma forma de doença cardíaca ou renal, condições que então não tinham tratamento efetivo.

    Durante os dois anos seguintes, o seu vigor físico foi diminuindo gradualmente, embora a sua mente tenha permanecido lúcida até ao fim. Passou os seus últimos meses a ordenar os seus assuntos com a mesma meticulosidade que tinha aplicado a cada aspeto da sua vida. O seu testamento era um documento extraordinariamente detalhado que distribuía a sua propriedade entre as pessoas que tinham trabalhado com ela, com condições específicas para garantir que nenhuma das suas propriedades fosse vendida a famílias que tivessem sido proprietárias de escravos.

    Era uma cláusula legalmente questionável, mas suficientemente bem redigida para sobreviver aos desafios iniciais. María Clemencia morreu a 3 de março de 1871, rodeada não pela família de sangue que nunca recuperou,

    mas pela família que tinha escolhido e construído, as mulheres da oficina de costura, os gerentes dos seus negócios, as pessoas que tinham encontrado nela não uma patroa, mas uma mentora e aliada. O seu funeral foi um evento extraordinário para Cartagena. Compareceram centenas de pessoas negras livres que a reconheciam como um símbolo do que era possível.

    Mas também compareceram comerciantes brancos que tinham feito negócios com ela e tinham aprendido a respeitar a sua astúcia e a sua palavra. A procissão que levou o seu corpo para o cemitério passou deliberadamente em frente ao que tinha sido a casa onde Dona Catalina viveu os seus últimos anos de pobreza e isolamento.

    Não foi crueldade, mas um lembrete silencioso de como o destino tinha reescrito duas vidas que começaram em extremos opostos da hierarquia social. Dona Catalina tinha morrido 19 anos antes, em 1852, em condições de pobreza relativa. A sua morte passou praticamente despercebida, registada nos arquivos paroquiais com a brevidade impessoal de alguém que já não importava a ninguém. Não deixou herança significativa, não deixou legado que valesse a pena mencionar.

    O seu nome sobreviveu apenas em documentos legais e nas memórias daqueles que recordavam a sua crueldade como um aviso sobre os perigos do poder sem empatia. O contraste entre estas duas mortes, entre estes dois legados, diz mais sobre justiça e significado do que qualquer tratado filosófico.

    María Clemencia, nascida sem nada, marcada com ferro em brasa, propriedade de outra pessoa durante 16 anos, deixou um impacto que se estendeu décadas para além da sua morte. Dona Catalina, nascida com privilégio, possuidora de propriedade e poder, desapareceu da memória coletiva como se nunca tivesse existido.

    Esta história obriga-nos a confrontar perguntas incómodas sobre a natureza do poder e da justiça. Foi vingança o que María Clemencia executou? No sentido tradicional, não. Nunca procurou infligir o mesmo sofrimento que ela tinha experimentado, mas num sentido mais profundo e complexo, talvez sim o tenha sido. A vingança de demonstrar que a ordem social que Dona Catalina considerava imutável era na realidade frágil e contingente.

    A vingança de provar que a inteligência e a determinação podiam superar as vantagens do nascimento. A vingança de viver bem e construir significado num mundo que tinha tentado reduzi-la a mercadoria. O que torna esta história particularmente relevante não são só os factos extraordinários que descreve, mas o que nos revela sobre os sistemas de opressão e as possibilidades de resistência.

    María Clemencia não esperou que outros lhe outorgassem liberdade por compaixão ou por mudanças legais. Construiu-a ela própria, passo a passo, com uma paciência que requeria uma força psicológica quase sobre-humana. Viveu durante anos com a contradição de estar legalmente escravizada enquanto desenvolvia as habilidades e acumulava os recursos que eventualmente a libertariam. A sua história também nos recorda que a libertação individual, embora importante, não é suficiente.

    María Clemencia podia ter usado a sua liberdade simplesmente para garantir a sua própria comodidade e segurança. Em vez disso, escolheu criar estruturas que facilitassem a libertação e prosperidade de outros. entendeu intuitivamente o que décadas depois se articularia como teoria, que a verdadeira liberdade é coletiva, que ninguém é completamente livre enquanto outros permanecem oprimidos.

    Nos arquivos de Cartagena, entre documentos amarelados e fragilizados pelo tempo, ainda existem os registos que certificam a transferência de propriedade da Casa Grande para María Clemencia. Existem as escrituras das suas outras propriedades, os livros de contabilidade que mostram a rentabilidade dos seus negócios, os testamentos que distribuíram a sua riqueza.

    São testemunhos silenciosos, mas irrefutáveis de que em 1843, numa cidade onde a escravidão ainda era legal e o racismo estrutural definia cada aspeto da vida social, uma mulher conseguiu o impossível. Mas para além dos documentos legais e dos registos comerciais, o verdadeiro legado de María Clemencia vive na pergunta que a sua vida coloca a cada geração.

    O que faremos nós com as injustiças que observamos? Esperaremos passivamente que os sistemas opressivos desmoronem pelo seu próprio peso ou construiremos ativamente as alternativas que queremos ver? Usaremos o poder que acumulamos para replicar hierarquias existentes ou para criar novas possibilidades? María Clemencia escolheu construir.

    Escolheu transformar o seu sofrimento em sabedoria, a sua opressão em estratégia e a sua libertação pessoal em oportunidade coletiva. Não foi perfeita, não resolveu todos os problemas da sua época, não eliminou o racismo nem a desigualdade da Colômbia, mas dentro do espaço que pôde influenciar, dentro das vidas que pôde tocar, demonstrou que um mundo diferente era possível. Esta é a vingança que ninguém esperava, não a destruição do opressor, mas a construção de alternativas tão robustas que fizeram com que a própria opressão parecesse obsoleta.

    Não o espetáculo dramático de justiça imediata, mas o trabalho lento, meticuloso e cumulativo de criar dignidade onde antes só havia humilhação. Não a proclamação de igualdade teórica, mas a demonstração prática de capacidade que nenhum preconceito podia negar.

    A história de María Clemencia recorda-nos que os momentos mais transformadores nem sempre são os mais visíveis. Não foi a assinatura da sua manumissão o momento mais importante da sua vida, embora tenha sido legalmente significativo. Foi cada dia que passou estudando números em segredo, cada decisão estratégica sobre como acumular e proteger recursos, cada momento em que escolheu a paciência calculada sobre a satisfação imediata.

    A transformação real acontece nos espaços invisíveis, nas decisões pequenas que acumuladas criam mudanças monumentais. E assim, numa casa de Cartagena que uma vez foi palco de crueldade e opressão, María Clemencia escreveu com a sua vida uma resposta definitiva à pergunta de se a justiça é possível num mundo injusto.

    A resposta é sim, mas não da maneira que esperamos. Não chega de cima como proclamação de autoridades benevolentes. Chega de baixo, construída por pessoas que se recusam a aceitar que as circunstâncias do seu nascimento as definam. Chega lentamente, dolorosamente, exigindo sacrifícios que não deveriam ser necessários, mas chega.

    Esta é a lição final que María Clemencia nos deixa, que o verdadeiro poder não está na capacidade de controlar outros, mas na capacidade de controlar o nosso próprio destino. Que a verdadeira vitória não está em derrotar os nossos opressores nos seus próprios termos, mas em criar termos completamente novos onde a opressão já não faça sentido.

    Que a verdadeira liberdade não é simplesmente a ausência de correntes, mas a presença de possibilidade. Em 1843, sob o sol escaldante de Cartagena, uma história impossível se tornou real e, ao fazê-lo, expandiu os limites do que todas as gerações futuras poderiam considerar possível.

    Esse é o legado que nenhuma sepultura pode conter, que nenhum documento pode capturar completamente e que nenhuma injustiça futura pode apagar. E, no entanto, há algo mais que deve ser dito sobre esta história, algo que transcende os factos documentados e entra no território do que significa recordar, do que significa preservar a memória num mundo que constantemente tenta apagar as verdades mais incómodas.

    Quando María Clemencia morreu em 1871, deixou instruções específicas e detalhadas no seu testamento sobre o que deveria ser feito com a Casa Grande. A propriedade não podia ser vendida a nenhuma família que tivesse possuído escravos em qualquer momento da sua história. Uma cláusula revolucionária que os seus herdeiros legais tentaram impugnar por a considerarem excessivamente restritiva e praticamente impossível de verificar.

    Os litígios legais duraram quase 5 anos, consumindo recursos e gerando debates acalorados nos círculos legais de Cartagena. Eventualmente, sob pressão de credores e pela complexidade de manter a restrição, a propriedade foi dividida e vendida em partes.

    Mas durante o tempo em que a cláusula se manteve vigente, obrigou cada advogado, notário e comprador potencial de Cartagena a rever meticulosamente os registos históricos de propriedade de escravos. Foi um confronto forçado com o passado que muitos teriam preferido esquecer. Uma exumação de pecados familiares que as elites consideravam enterrados para sempre.

    Os descendentes das mulheres que trabalharam na oficina de costura de María Clemencia continuaram as operações durante duas gerações mais, até ao final do século XIX, quando a industrialização mudou fundamentalmente a natureza do comércio têxtil na Colômbia.

    Mas a estrutura cooperativa que ela tinha estabelecido, onde as trabalhadoras partilhavam os lucros proporcionalmente ao seu trabalho e participavam ativamente em decisões sobre produção e preços, deixou uma marca profunda em como algumas comunidades afrodescendentes de Cartagena organizaram as suas atividades económicas durante décadas posteriores.

    Não era só um modelo de negócio, era uma filosofia de vida, que a prosperidade partilhada era mais sustentável e mais justa do que a exploração individual. Existe um detalhe extraordinariamente fascinante nos arquivos municipais de Cartagena que raramente é mencionado nas histórias oficiais, provavelmente porque desafia narrativas cómodas sobre progresso e esquecimento.

    Em 1875, exatamente 4 anos depois da morte de María Clemencia, um grupo de 12 mulheres afrodescendentes, todas elas antigas trabalhadoras dos seus diversos negócios ou filhas dessas trabalhadoras, apresentou uma petição formal ao Conselho Municipal. solicitavam permissão para estabelecer uma cooperativa de comércio têxtil e alimentos com estrutura de propriedade partilhada e gestão democrática.

    No documento extraordinariamente bem redigido e argumentado, citaram explicitamente o modelo que María Clemencia tinha criado como precedente histórico e justificação legal. argumentaram que se uma mulher tinha podido estabelecer tal estrutura com sucesso durante décadas, não havia razão legal nem moral para lhes negar o mesmo direito.

    A petição foi rejeitada por razões técnicas que mal ocultavam o verdadeiro motivo, o medo das elites comerciais brancas de que se estabelecesse um precedente de organização económica independente entre as comunidades afrodescendentes. As razões oficiais mencionavam irregularidades nos documentos de constituição e preocupações sobre a capacidade das requerentes para gerir obrigações fiscais.

    Mas as atas do Conselho Municipal preservadas nos arquivos revelam comentários dos vereadores que expressavam claramente o seu incómodo com a ideia de mulheres negras a operar negócios sem supervisão de patrões brancos. A rejeição foi uma derrota tática, mas o facto de ter existido a petição, de que estas mulheres conhecessem a história de María Clemencia com detalhes suficientes para a usarem como argumento legal, de que tivessem a audácia de se apresentarem perante autoridades que as consideravam inferiores, demonstra que o legado de María Clemencia não morreu com ela. Vivia

    na imaginação e na determinação dos que a recordavam. A história que reconstruímos é extraordinária pelos seus factos, mas talvez mais importante ainda pelas perguntas difíceis que coloca a cada geração que a descobre.

    Porque é que nomes como María Clemencia não aparecem nos livros de texto quando estudamos a história da Colômbia? Porque é que as narrativas escolares celebram comerciantes e políticos cujas fortunas se construíram sobre a escravidão, mas ignoram os que resistiram e superaram essa mesma escravidão? A resposta é tão incómoda quanto necessária, porque as narrativas históricas oficiais têm sido escritas predominantemente por e para os descendentes dos que tinham poder institucional, não dos que o desafiaram a partir das margens.

    Esta seletividade não é acidental nem neutra, é uma forma de violência epistemológica, uma tentativa deliberada de controlar que histórias são consideradas dignas de ser contadas, que vidas são consideradas dignas de ser recordadas. Quando eliminamos da memória coletiva histórias como a de María Clemencia, não só cometemos uma injustiça histórica contra ela especificamente, como cometemos uma injustiça contra todas as gerações futuras que precisam de saber que pessoas em circunstâncias impossíveis encontraram maneiras de transformar as suas realidades.

    Limitamos o horizonte do possível. Reduzimos o espetro de modelos de resistência e transformação disponíveis para os que hoje enfrentam as suas próprias opressões. Preservar e difundir histórias como esta não é meramente um ato de justiça histórica, embora certamente o seja.

    É fundamentalmente um ato de imaginação política e esperança pragmática. Quando jovens afrodescendentes na Colômbia, na América Latina, em qualquer parte do mundo aprendem que em 1843, em condições que pareciam desenhadas para tornar impossível qualquer forma de libertação, uma mulher conseguiu o que María Clemencia conseguiu.

    Expande-se radicalmente o sentido do que podem considerar possível nas suas próprias vidas. As histórias que contamos sobre o passado não são entretenimento passivo, são mapas, são ferramentas, são combustível para a imaginação de futuros diferentes. María Clemencia nunca escreveu memórias, nunca deixou um diário íntimo, nunca gravou um testemunho em primeira pessoa da sua experiência vivida.

    Esta ausência é dolorosamente comum nas histórias de pessoas escravizadas e marginalizadas. As suas vozes chegam até nós filtradas, fragmentadas, mediadas, reconstruídas a partir de registos criados por outros para propósitos completamente distintos. documentos legais de compra e venda, registos notariais de transações, inventários de propriedades onde seres humanos aparecem listados entre móveis e animais.

    Cada fragmento de informação sobre María Clemencia teve de ser escavado de arquivos que nunca foram desenhados para honrar a sua humanidade, mas para documentar o seu estatuto como mercadoria e depois como proprietária anómala. E, no entanto, mesmo nestes fragmentos áridos e burocráticos, mesmo na linguagem fria de contratos e escrituras, a força da sua vontade, a clareza da sua visão estratégica, a persistência sobre-humana da sua determinação brilham com uma intensidade que nenhum documento pode conter completamente nem nenhum silêncio pode eliminar. Os números nos livros de contabilidade contam uma história de acumulação metódica. As

    datas nos documentos de propriedade contam uma história de ascensão impossível. As cláusulas no seu testamento contam uma história de visão que se estendia para além da sua própria vida. Cada registo burocrático é inadvertidamente um monumento ao seu génio. Esta é a história que precisamos de levar para a frente, não como uma curiosidade histórica, não como uma anedota excecional que confirma a regra geral de opressão, mas como evidência sistemática de que as estruturas de dominação, por mais

    sólidas e permanentes que pareçam, sempre contêm fissuras, contradições, espaços de manobra e que pessoas extraordinárias, armadas com inteligência, paciência e determinação inabalável encontraram repetidamente maneiras de identificar essas fissuras e alargá-las até convertê-las em caminhos para a liberdade.

    A história de María Clemencia é tanto um testamento do passado como um convite urgente ao presente, a olhar as nossas próprias circunstâncias com olhos críticos, identificar as fissuras nas estruturas que nos limitam e oprimem, e ter a coragem monumental de as alargar sistematicamente. Nas ruas movimentadas de Cartagena, hoje, entre turistas que fotografam a arquitetura colonial e vendedores que oferecem souvenirs, muito poucos conhecem o nome de María Clemencia.

    Não há estátuas em praças públicas, não há placas comemorativas em edifícios, não há ruas que levem o seu nome, não há monumentos oficiais que honrem a sua memória. O Estado colombiano, tão prolífico em erguer estátuas a generais e políticos, nunca considerou que uma mulher que passou de escrava a proprietária através de pura astúcia merecesse reconhecimento público.

    Esta ausência de reconhecimento oficial é em si mesma uma declaração política sobre que vidas são consideradas dignas de comemoração. Mas nos arquivos, nos documentos amarelados e fragilizados que sobreviveram mais de um século e meio de humidade caribenha e negligência institucional, o seu nome permanece indelével: María Clemencia, proprietária, comerciante, libertadora, visionária.

    E nessa persistência arquivística há uma promessa poderosa, que as histórias verdadeiras, por mais que as elites contemporâneas e as gerações posteriores tentem ocultá-las, ignorá-las ou minimizá-las, encontram maneiras inesperadas de sobreviver, de ressurgir em momentos cruciais, de nos recordar quem somos realmente como sociedades e o que somos realmente capazes de conseguir quando nos recusamos coletivamente a aceitar os limites que outros tentam impor-nos.

    Esta é a vingança final que absolutamente ninguém esperava nem pôde antecipar. Não a destruição violenta do opressor, não o castigo exemplar do culpado, não a humilhação pública de quem humilhou, mas algo muito mais duradouro e transformador. A persistência inabalável da memória contra o esquecimento organizado.

    A insistência da história real contra as narrativas oficiais sanitizadas. A recusa absoluta, geração após geração, a ser esquecida, silenciada ou reduzida a nota de rodapé. María Clemencia ganhou a sua liberdade comprando-a com inteligência e paciência. Comprou a sua dignidade com estratégia e trabalho. Construiu o seu legado com visão e generosidade para com os que vieram depois.

    E ao fazer tudo isto em condições desenhadas para tornar cada passo impossível, demonstrou algo que ressoa através dos séculos, que a verdadeira vitória não se mede na derrota temporal do inimigo, mas na criação de alternativas tão sólidas, tão reais, tão materialmente existentes e tão documentadas que o mundo não tem mais opção senão reconhecê-las eventualmente, mesmo quando esse reconhecimento chegue séculos depois, quando todos os protagonistas já são pó, mas as suas ações permanecem como testemunho. indestrutível de possibilidade humana.

  • Eulália: A ESCRAVA que escondeu a verdade sobre a criança que nasceu com a marca do senhor.

    Eulália: A ESCRAVA que escondeu a verdade sobre a criança que nasceu com a marca do senhor.

    O amanhecer pintava de laranja as colinas que rodeavam a fazenda San Jerónimo, nas terras altas do vice-reinado de Nova Granada. Era o ano da graça de 1763 e o ar frio da madrugada trazia consigo o cheiro de terra molhada e café em flor.

    Eulalia caminhava descalça pelo caminho de pedra que ligava as cabanas dos escravos à casa grande, equilibrando na cabeça uma bilha de barro cheia de água fresca da nascente. Tinha 26 anos, mas o seu rosto refletia a dureza de uma vida que havia começado nas costas de Angola e continuado nestas montanhas verdes onde o sol mal aquecia e as noites gelavam os ossos.

    Seus pés conheciam cada pedra do caminho, cada irregularidade do terreno. Estava há cinco anos em San Jerónimo, desde que Dom Sebastián de Villarreal a havia comprado no mercado de Cartagena das Índias, juntamente com outros 20 africanos destinados a trabalhar nas suas plantações de café e cana-de-açúcar. A fazenda era próspera e Dom Sebastián, um homem de 50 anos com bigodes grisalhos e modos refinados, era conhecido em toda a província como um cavalheiro piedoso que assistia à missa todos os domingos e doava generosamente à igreja. Subscreva o canal e comente de que país nos está a ver. O seu apoio ajuda-nos a continuar a contar estas histórias esquecidas. Mas Eulalia conhecia outra face de Dom Sebastián. Todas as mulheres escravas da fazenda a conheciam, embora nenhuma se atrevesse a proferir palavra. Conheciam os seus passos noturnos pelo barracão, as suas escolhas arbitrárias, as suas promessas vazias, sussurradas na escuridão.

    A própria Eulalia tinha aprendido a reconhecer o som das suas botas no corredor de madeira, o ranger particular da porta quando se abria no meio da noite. Tinha aprendido a ficar imóvel, a respirar devagar, a fingir um sono tão profundo que o patrão passasse ao largo, procurando outra presa. A irmã de Eulalia não tivera essa sorte.

    Yemayá, dois anos mais nova, de pele escura como a noite e olhos que outrora brilharam com a alegria da sua terra natal, havia chamado a atenção do patrão desde o primeiro dia. Era inevitável. Yemayá possuía uma beleza que nem a fome nem o trabalho conseguiam apagar, uma graça natural nos seus movimentos que recordava as danças rituais da sua aldeia junto ao rio Cuanza.

    Durante meses, Dom Sebastián perseguiu-a com uma obsessão que todos na fazenda notavam, mas ninguém comentava. Dona Inés, a esposa do patrão, uma mulher magra e pálida, que passava os dias a rezar o terço e a bordar na sua sala, parecia cega a tudo o que acontecia para lá das paredes do seu santuário pessoal. Numa noite de abril, quando as chuvas batiam com fúria implacável no telhado de zinco do barracão, Dom Sebastián entrou à procura de Yemayá.

    Não houve subtileza nem simulação dessa vez. Simplesmente a agarrou pelo braço e levou-a, enquanto o resto dos escravos olhava para o chão, cerrava os punhos debaixo dos cobertores e engolia a sua impotência. Eulalia tentou interpor-se, mas o capataz Luis, um mulato brutal que servia de braço executor do patrão, empurrou-a contra a parede com tal força que lhe deixou contusões nos ombros durante semanas.

    Yemayá regressou ao amanhecer, não falou, não chorou, simplesmente deitou-se na sua enxerga e ficou a olhar para o teto de palha com olhos vazios. E a partir dessa noite, algo dentro dela morreu. Eulalia tentou consolá-la, falar-lhe na sua língua materna, cantar-lhe as canções que a mãe lhes tinha ensinado quando eram meninas livres em África. Mas Yemayá estava para lá do consolo.

    Havia atravessado um limiar do qual não havia retorno. Os meses passaram. Dom Sebastián continuou a visitar Yemayá com regularidade. Sempre na escuridão, sempre em silêncio. E quando a barriga de Yemayá começou a crescer, quando se tornou evidente que esperava um filho, o patrão deixou de a procurar. Simplesmente desapareceu das suas noites, como se nunca tivesse existido.

    Mas o dano já estava feito, semeado no corpo de Yemayá como uma semente envenenada. Eulalia cuidou da sua irmã durante a gravidez. Conseguia-lhe comida extra, água limpa, ervas medicinais que outras escravas idosas lhe ensinavam a preparar. Yemayá mal comia, mal falava, movia-se como um espectro entre os cafezais, cumprindo as suas tarefas com movimentos mecânicos, os olhos sempre perdidos num horizonte invisível.

    O parto chegou numa noite sem lua de janeiro de 1763. Eulalia e a parteira da fazenda, uma escrava chamada Tomasa, que tinha trazido ao mundo mais de 50 crianças em San Jerónimo, assistiram Yemayá no barracão, enquanto o vento uivava entre as montanhas. O trabalho de parto foi longo e doloroso. Yemayá gritava com uma voz que parecia sair das profundezas da terra, uma voz que continha toda a dor acumulada de meses de silêncio.

    Quando o menino finalmente nasceu, Tomasa limpou-o com água morna e envolveu-o num trapo limpo. Era um rapaz pequeno, mas saudável, com pulmões fortes que enchiam o barracão com o seu choro vigoroso. Mas quando Tomasa o aproximou da luz da vela para o examinar melhor, o seu rosto congelou numa expressão de horror. Ali, no ombro direito do recém-nascido, havia uma marca de nascença inconfundível, uma pinta escura em forma de meia-lua, exatamente idêntica à que Dom Sebastián de Villarreal tinha no mesmo lugar. Eulalia também a viu.

    O seu coração parou por um instante. Todas as escravas presentes no barracão o viram e todas entenderam de imediato a sentença de morte que aquela marca representava. Se Dona Inés descobrisse que o marido tinha gerado um filho com uma escrava, se os outros fazendeiros da região soubessem, se o escândalo chegasse aos ouvidos do bispo, Dom Sebastián faria o que fosse necessário para eliminar a evidência do seu pecado.

    Tomasa envolveu o menino apertadamente, cobrindo a marca. “Ninguém viu nada”, disse com voz firme, olhando para cada uma das mulheres presentes. “Este menino não tem marca nenhuma, entenderam todas?” As mulheres assentiram em silêncio. Sabiam o que estava em jogo. Não só a vida do recém-nascido, mas também a de Yemayá e possivelmente a de todas elas, se se atrevessem a falar.

    Eulalia pegou no menino nos braços e levou-o para junto da irmã. Yemayá olhou para ele com olhos vidrados, sem expressão. Não fez qualquer movimento para o pegar. “É o teu filho”, sussurrou Eulalia. “O teu bebé, tens de o amamentar.” Mas Yemayá desviou o olhar, virando o rosto para a parede de madeira. “Não é meu filho”, disse com voz oca.

    “É a semente do demónio. Não o quero. Leva-o para longe de mim.” Eulalia sentiu que o mundo desmoronava à sua volta. Olhou para o menino que segurava, tão pequeno e indefeso, alheio ao horror do seu nascimento e às implicações da marca que trazia na pele. O bebé tinha parado de chorar e olhava para ela com aqueles olhos escuros e indecifráveis de todos os recém-nascidos, procurando instintivamente o consolo e a proteção de que toda a criatura precisa para sobreviver. Nesse momento, Eulalia tomou uma decisão que mudaria o curso

    de muitas vidas. “Eu o criarei”, disse. “Eu serei a sua mãe.” Tomasa olhou para ela com uma mistura de admiração e terror. “Eulalia, sabes o que estás a fazer? Este menino é perigoso.” “Essa marca, nós a esconderemos”, interrompeu Eulalia. “Ninguém tem de a ver.

    Direi ao patrão que Yemayá morreu no parto e que o menino nasceu morto. Arranjarei outro bebé, algum que tenha morrido recentemente. Enterrá-los-emos juntos e a este menino eu o criarei como se fosse meu.” O plano era arriscado, quase suicida. Mas Tomasa, que tinha visto demasiada morte e sofrimento nos seus anos como parteira, assentiu lentamente.

    “Há um bebé que morreu há dois dias na fazenda vizinha”, disse, “o filho da escrava Rosa. Ninguém o enterrou ainda porque o pai queria fazer uma cerimónia. Eu posso consegui-lo.” Eulalia assentiu. “Faz isso e diz às outras para guardarem o segredo. Se alguém falar, morremos todos.”

    As horas seguintes foram um pesadelo de enganos cuidadosamente orquestrados. Tomasa trouxe o corpo do bebé morto embrulhado num pano escuro. Colocou-o ao lado de Yemayá, que permanecia imóvel na sua enxerga, imersa num silêncio catatónico. Ao amanhecer, quando Luis, o capataz, chegou para verificar o estado dos escravos, Eulalia saiu para o receber com lágrimas que não precisava de fingir.

    “A minha irmã morreu”, disse-lhe. “O parto foi muito difícil e o menino nasceu morto. Os dois partiram.” Luis entrou no barracão e examinou o corpo de Yemayá. Estava pálida, imóvel, com os olhos fechados. Tomasa tinha misturado ervas na sua água, induzindo-a a um sono tão profundo que parecia morte.

    Junto a ela jazia o pequeno corpo embrulhado que Luis assumiu ser o bebé. “O patrão vai querer saber”, disse finalmente. “Yemayá era do interesse dele.” Eulalia baixou o olhar, interpretando perfeitamente o papel de irmã inconsolável. “Eu sei. Por favor, diga-lhe que fizemos tudo o que era possível, mas Deus a levou.”

    Dom Sebastián de Villarreal recebeu a notícia enquanto tomava o pequeno-almoço na sala de jantar principal da Casa Grande. O seu rosto permaneceu impassível, mas os seus dedos ficaram tensos à volta da chávena de chocolate quente que segurava. “E o menino?”, perguntou. “Morto também, senhor”, respondeu Luis. “Nasceu morto.” Dom Sebastián assentiu lentamente e por um instante algo que poderia ter sido alívio, cruzou os seus olhos.

    “Enterra-os antes do meio-dia e garante que o padre abençoe as sepulturas. Não quero que se diga que não cumprimos os nossos deveres cristãos.” Nessa tarde, sob um céu cinzento que ameaçava chuva, Yemayá e o bebé morto foram enterrados no pequeno cemitério de escravos atrás da capela da fazenda. O Padre Rodrigo, um sacerdote idoso com mãos trémulas, rezou as orações correspondentes enquanto os escravos reunidos mantinham a cabeça baixa.

    Eulalia segurava o menino vivo escondido sob o seu cobertor, colado ao seu peito, rezando em silêncio para que não chorasse e revelasse o engano. O plano tinha funcionado, mas agora começava a parte mais difícil, manter o segredo. Eulalia disse a todos que tinha adotado o filho de uma prima que tinha morrido noutra fazenda. Era uma história plausível.

    Os escravos frequentemente adotavam os filhos de outros quando os pais morriam ou eram vendidos. Ninguém questionou muito e se alguns suspeitavam da verdade, tiveram a sabedoria de manter a boca fechada. Eulalia chamou ao menino Mateo. Amamentou-o com o leite de outras mulheres que tinham acabado de dar à luz e, quando cresceu um pouco, com papas de milho e banana, mantinha a marca do ombro sempre coberta, vestindo-o com camisas mesmo nos dias mais quentes.

    Quando outros escravos perguntavam porque é que o menino andava sempre tão agasalhado, Eulalia dizia que era fraco, que ficava doente facilmente com o frio das montanhas. Mateo cresceu forte apesar das precauções. Era um menino alegre, de riso fácil e energia inesgotável. Tinha a pele mais clara do que outros meninos escravos, um tom de café com leite que revelava a sua herança mista.

    Mas isto não era invulgar nas fazendas onde as misturas raciais eram comuns. O que era notável era a sua inteligência. Aprendia rapidamente tudo o que Eulalia lhe ensinava, os nomes das plantas, as estações do café, as histórias da sua terra africana que ela lhe contava em sussurros durante as noites. Quando Mateo completou 5 anos, começou a trabalhar nos campos juntamente com os outros meninos escravos, levando água aos trabalhadores e apanhando os grãos de café caídos.

    Dom Sebastián ocasionalmente via-o durante as suas inspeções à fazenda, mas nunca parecia prestar-lhe especial atenção. Era apenas mais um menino escravo entre as dezenas que corriam por San Jerónimo. Mas Eulalia vivia em constante terror. Cada vez que Dom Sebastián passava perto de Mateo, o seu coração acelerava. E se o patrão notasse a semelhança? E se alguém visse a marca acidentalmente? Redobrava as suas precauções, garantindo que Mateo estivesse sempre vestido, que nunca tomasse banho no rio com os outros meninos onde pudesse ser visto. Um

    dia, quando Mateo tinha 7 anos, ocorreu o inevitável. Os meninos estavam a brincar perto do barracão, um jogo de perseguição sob o sol do meio-dia. Mateo corria e ria, suado e feliz, quando tropeçou e caiu na lama. A sua camisa rasgou-se no ombro, expondo a pele.

    Um dos meninos mais velhos, um rapaz chamado Tomás, viu. “Mateo tem uma marca”, gritou. “Uma meia-lua no ombro.” O mundo de Eulalia parou, correu para os meninos e pegou em Mateo com rudeza, cobrindo o ombro com a mão. “Não é nada”, disse com voz trémula, “apenas uma mancha de nascença. Não significa nada.” Mas Tomás não era tolo.

    Tinha 12 anos e tinha vivido o suficiente em San Jerónimo para conhecer os rumores, as histórias sussurradas sobre Dom Sebastián e as mulheres escravas. “É a mesma marca do patrão”, disse lentamente, os seus olhos arregalando-se com a compreensão. “Eu a vi uma vez quando ele estava sem camisa. É exatamente igual.”

    Eulalia sentiu que o pânico a invadia, ajoelhou-se em frente a Tomás e pegou-lhe nos ombros. “Ouve-me”, disse com voz urgente. “Nunca, nunca digas isso em voz alta. Entendes? Se alguém te ouvir dizer isso, Mateo morrerá. Eu morrerei. Todos morreremos. Por favor, Tomás, tens de guardar este segredo.” O rapaz olhou para ela com olhos assustados, assentiu lentamente.

    “Não direi nada, Tia Eulalia, prometo.” Mas o segredo tinha começado a vazar. Nos dias seguintes, Eulalia notou os olhares diferentes de alguns escravos quando viam Mateo, sussurros que paravam quando ela se aproximava, uma tensão nova no ar do barracão.

    Tomasa veio visitá-la uma noite, o seu rosto enrugado, cheio de preocupação. “As pessoas estão a começar a suspeitar”, disse-lhe. “Alguns estão a dizer que Mateo é filho do patrão, que Yemayá não morreu realmente, que foi tudo um engano.” “Quem está a dizer isso?”, perguntou Eulalia com desespero.

    “Não importa quem, o que importa é que o rumor está a espalhar-se. E se chegar aos ouvidos do patrão, ou pior, aos ouvidos de Dona Inés…” Eulalia sabia que tinham razão para estar assustadas. Dona Inés podia ser uma mulher piedosa e retraída, mas também era orgulhosa e ciumenta da sua posição. Se descobrisse que o marido tinha tido um filho com uma escrava e que esse filho estava vivo e a crescer na sua própria fazenda, a sua fúria não conheceria limites.

    E na estrutura de poder da colónia, uma esposa ofendida tinha todo o direito de exigir retribuição sangrenta. Nessa noite, Eulalia não dormiu. segurou Mateo adormecido nos seus braços, acariciando o seu cabelo encaracolado, memorizando cada detalhe do seu rosto. Tinha criado este menino como se fosse seu próprio filho. Amava-o com uma intensidade que não tinha conhecido antes.

    Um amor que tinha crescido com cada dia, com cada sorriso, com cada palavra que ele aprendia. Não era só o filho da sua irmã, não era só o filho do patrão, era o seu filho em tudo o que importava, mas sabia que o amor não seria suficiente para o proteger. Precisava de um plano. Precisava de encontrar uma maneira de o manter a salvo antes que o segredo finalmente viesse à luz e os destruísse a todos. A oportunidade surgiu de uma maneira inesperada.

    Um mês depois do incidente com Tomás, chegou a San Jerónimo um visitante, Dom Alfonso de Mendoza, um fazendeiro da região de Antioquia, que vinha negociar a compra de café com Dom Sebastián. Dom Alfonso era conhecido como um homem relativamente benevolente para o seu tempo. Tratava os seus escravos com menos brutalidade do que outros fazendeiros,

    permitindo-lhes ter pequenas culturas próprias e vender os seus excedentes para comprar a sua liberdade eventualmente. Alguns dos seus escravos até tinham conseguido comprar a sua liberdade depois de anos de trabalho. Eulalia viu em Dom Alfonso uma possibilidade. Se pudesse convencer Dom Sebastián a vender Mateo a este homem, o menino teria uma oportunidade de escapar do perigo imediato que representava estar em San Jerónimo.

    Seria doloroso separar-se dele, mas pelo menos estaria vivo. Reuniu toda a sua coragem e aproximou-se de Dom Sebastián uma tarde, quando o patrão inspecionava os celeiros de café, ajoelhou-se à sua frente, mantendo a cabeça baixa em sinal da sua missão. “Senhor”, disse com voz trémula, “tenho um pedido.” Dom Sebastián olhou para ela com surpresa.

    Os escravos raramente se atreviam a dirigir-se a ele diretamente. “Fala”, disse com impaciência, “o meu filho Mateo, o que crio como meu. É um bom trabalhador, senhor, aprende rápido. Mas aqui em San Jerónimo há demasiadas crianças e não há trabalho suficiente para todas.

    Ouvi dizer que Dom Alfonso de Mendoza está à procura de comprar alguns escravos jovens para os treinar na sua fazenda. Peço-lhe, Senhor, que considere vender-me a mim e a Mateo a Dom Alfonso. Seremos bons trabalhadores para ele e o senhor receberá um bom preço por nós.” Dom Sebastián franziu o sobrolho. “Porque é que quer ser vendida? Aqui tem um lugar estabelecido, conhece o trabalho.”

    Eulalia engoliu em seco, escolhendo as suas palavras cuidadosamente. “Senhor, a minha irmã Yemayá morreu aqui. Cada dia que passo em San Jerónimo me lembra a sua ausência. Gostaria de começar de novo noutro lugar onde as recordações não sejam tão dolorosas.” Era uma mentira piedosa, mas continha verdade suficiente para ser convincente.

    Dom Sebastián considerou o pedido por um momento. “Dom Alfonso, de facto, está à procura de escravos jovens”, disse finalmente. “Tem planos de expandir as suas culturas de cacau e precisa de trabalhadores. Falarei com ele. Se estiver interessado e oferecer um preço justo, considerarei o teu pedido.”

    Eulalia sentiu uma mistura de esperança e terror. Tinha posto em marcha algo que não podia controlar. Dom Alfonso mostrou-se interessado. Inspecionou Mateo pessoalmente, examinou os seus dentes, as suas mãos, fê-lo correr e saltar para testar a sua resistência. “É um rapaz forte”, disse a Dom Sebastián. “E a mulher parece trabalhadora.

    Dar-lhe-ei 400 pesos pelos dois.” Era um preço justo e Dom Sebastián aceitou. Uma semana depois, Eulalia e Mateo foram levados de carroça para a fazenda de Dom Alfonso em Antioquia. A viagem durou três dias, atravessando montanhas escarpadas e vales nevoentos. Mateo, que nunca tinha saído de San Jerónimo, olhava para tudo com espanto e um pouco de medo.

    “Porque é que vamos embora, mamã?”, perguntou, usando a palavra com que tinha começado a chamar Eulalia desde que tinha memória. “Vamos para um lugar melhor”, respondeu ela, embora não tivesse a certeza de que fosse verdade, “um lugar onde poderás crescer seguro.” A fazenda de Dom Alfonso era mais pequena do que San Jerónimo, mas mais organizada.

    As cabanas dos escravos tinham telhados sólidos e paredes caiadas. Havia uma pequena escola onde um sacerdote ensinava a ler e escrever aos meninos escravos para que pudessem ler a Bíblia. Era invulgar, quase revolucionário para a época.

    Mas Dom Alfonso era um homem de ideias progressistas que acreditava que os escravos educados eram mais produtivos e menos propensos à rebelião. Eulalia e Mateo foram designados para trabalhar nas culturas de cacau. O trabalho era duro, mas não brutal. Os capatazes não usavam o chicote com a mesma frequência que em San Jerónimo. Havia um sistema onde os escravos podiam ganhar pequenas quantias de dinheiro vendendo os excedentes das suas culturas pessoais no mercado da vila próxima.

    Lentamente, com anos de trabalho e poupança, alguns escravos conseguiam acumular o suficiente para comprar a sua liberdade. Eulalia começou a poupar desde o primeiro mês. Cada peso que ganhava guardava-o cuidadosamente num saquinho de couro que escondia debaixo de uma tábua solta na sua cabana.

    O seu objetivo era comprar a liberdade de Mateo antes que ele crescesse o suficiente para que a verdade do seu nascimento pudesse alcançá-lo mesmo ali, longe de San Jerónimo. Os anos passaram. Mateo cresceu, tornando-se um jovem forte e inteligente. Aprendeu a ler e escrever na escola do sacerdote, mostrando uma aptidão natural para as letras e os números.

    O Padre Gonzalo, o sacerdote encarregado da escola, ficou impressionado com a sua inteligência. “Este rapaz poderia ser mais do que um trabalhador de campo”, disse a Dom Alfonso. “Tem a mente de um escrivão ou de um contabilista.” Dom Alfonso considerou a sugestão e decidiu treinar Mateo como assistente na administração da fazenda. Era uma posição rara para um escravo, mas Dom Alfonso era pragmático.

    Precisava de alguém que pudesse levar os livros de contas e Mateo demonstrava ser perfeitamente capaz. Aos 16 anos, Mateo passava os seus dias no escritório da fazenda, registando as transações comerciais, calculando os custos e os lucros, aprendendo os meandros do negócio. Eulalia observava o seu progresso com orgulho, misturado com medo.

    Quanto mais visível Mateo se tornava, mais perigoso era. A sua pele clara e os seus traços distintivos já causavam comentários entre os outros escravos. Alguns murmuravam que claramente tinha sangue branco, que provavelmente era filho de algum patrão. Eulalia desviava estas conversas quando podia, mas sabia que não podia deter os rumores para sempre.

    Então, quando Mateo tinha 17 anos, aconteceu algo que mudou tudo. Dom Sebastián de Villarreal chegou à fazenda de Dom Alfonso para uma visita de negócios. Vinha negociar um acordo comercial sobre a exportação de café e cacau através dos portos de Cartagena.

    Eulalia viu-o chegar na sua carruagem elegante, mais velho, mas ainda imponente com o seu bigode grisalho e o seu porte aristocrático. O seu sangue gelou. Durante 10 anos tinha conseguido manter Mateo afastado de Dom Sebastián. E agora o destino punha-os frente a frente. Correu à procura de Mateo no escritório. “Tens de ir embora”, disse com urgência. “Há um visitante e ele não pode ver-te.

    Vai para a vila, fica com o Padre Gonzalo, inventa qualquer desculpa, mas não voltes até que eu te diga que é seguro.” Mateo olhou para ela confuso. “Porquê, mamã? O que está a acontecer?” “Por favor”, suplicou Eulalia, as lágrimas enchendo os seus olhos. “Só confia em mim. Vai agora.” Mateo nunca tinha visto a sua mãe tão assustada.

    Assentiu e saiu rapidamente pela porta traseira do escritório, dirigindo-se para o caminho que levava à vila. Mas era tarde demais. Dom Alfonso já tinha trazido Dom Sebastián ao escritório para lhe mostrar os seus livros de contas, gabando-se do talentoso jovem escravo que tinha treinado. “Onde está Mateo?”, perguntou Dom Alfonso ao encontrar o escritório vazio.

    “Preciso que ele mostre ao Senhor de Villarreal os nossos registos comerciais.” Eulalia, que tinha seguido discretamente, interveio da porta. “Senhor, Mateo teve de levar uns documentos urgentes ao Padre Gonzalo na vila. Voltará amanhã.” Dom Alfonso franziu o sobrolho, incomodado pela inconveniência, mas assentiu.

    Dom Sebastián, por sua vez, mal prestou atenção. estava mais interessado em rever os números do que em conhecer o contabilista escravo. Nessa noite, Eulalia foi à vila para avisar Mateo de que devia ficar escondido até que Dom Sebastián partisse. encontrou-o no pequeno quarto traseiro da igreja onde o Padre Gonzalo ocasionalmente alojava visitantes.

    “Mamã, tens de me dizer o que está a acontecer”, disse Mateo, a sua frustração evidente. “Já não sou um menino. Tenho o direito de saber porque é que estás tão assustada.” Eulalia sentou-se na beira da enxerga estreita e respirou fundo. Tinha chegado o momento da verdade. não podia protegê-lo com mentiras para sempre. “Mateo”, começou lentamente. “Há algo sobre o teu nascimento que nunca te contei, algo perigoso.”

    Durante a hora seguinte contou-lhe tudo. Falou-lhe de Yemayá, a sua verdadeira mãe. Falou-lhe de Dom Sebastián e dos abusos em San Jerónimo. Falou-lhe do parto, da marca no seu ombro, do engano que tinha salvado a sua vida de bebé. Mateo ouviu em silêncio, o seu rosto passando por uma série de emoções, choque, incredulidade, horror, raiva.

    Quando Eulalia terminou, ele ficou a olhar para as suas próprias mãos como se as visse pela primeira vez. “Então eu sou… sou filho de um violador”, disse finalmente com voz oca, “sou o produto do pecado de um homem branco e do sofrimento de uma escrava.” “Não”, disse Eulalia com firmeza, pegando no seu rosto entre as mãos. “És o meu filho. És o menino que criei, que amei, que protegi todos estes anos.

    Não importa como começaste, o que importa é quem tu és. És Mateo. És bom, inteligente e digno. Não deixes que o pecado desse homem defina quem tu és.” Mateo desviou o olhar, as lágrimas a escorrer pelas suas faces. “A minha mãe, a minha verdadeira mãe, rejeitou-me.” Eulalia assentiu dolorosamente. “Yemayá estava partida por dentro.

    O que lhe fizeram destruiu algo nela. Mas eu te quis desde o momento em que te peguei nos meus braços. Eu sou a tua verdadeira mãe em tudo o que importa.” Os dias seguintes foram difíceis. Mateo lutava com a revelação da sua origem, com a identidade do homem que era o seu pai biológico, com o conhecimento de que a sua própria existência era perigosa.

    Dom Sebastián ficou na fazenda de Dom Alfonso durante uma semana, finalizando os detalhes do seu acordo comercial. Mateo permaneceu oculto na vila, ajudando o Padre Gonzalo com tarefas da igreja. Quando finalmente Dom Sebastián partiu, Mateo regressou à fazenda, mas algo tinha mudado nele. Já não era o jovem alegre e despreocupado de antes.

    Havia uma escuridão nova nos seus olhos, uma raiva contida que Eulalia reconhecia e temia. Uma noite, enquanto jantavam na sua cabana, Mateo disse-lhe: “Eu quero a minha liberdade, mamã. Quero comprar a minha liberdade e a tua, e depois quero ir para longe daqui, onde ninguém conheça a minha história.” Eulalia tinha estado a poupar durante anos precisamente para isto.

    Tinha agora quase dinheiro suficiente para comprar a liberdade de Mateo. A sua própria liberdade custaria mais, mas se Mateo fosse livre, era isso que importava. “Falarei com Dom Alfonso”, disse, “pedir-lhe-ei que nos permita comprar as nossas liberdades.” Dom Alfonso, para sua surpresa, concordou. Era incomum, mas não sem precedentes. Fixou um preço.

    500 pesos para Mateo, 700 para Eulalia. Eulalia tinha 400 pesos poupados. Mateo, que também tinha estado a poupar dos seus pequenos rendimentos como contabilista, tinha 150. Juntos tinham 550 pesos. Suficiente para comprar a liberdade de Mateo, mas não a de Eulalia. “Compra a tua liberdade”, disse Eulalia a Mateo. “Eu continuarei a trabalhar e a poupar.

    Daqui a mais alguns anos poderei comprar a minha.” Mas Mateo recusou. “Não te deixarei para trás. Ou saímos os dois ou nenhum sai.” Era uma discussão que se repetiu muitas vezes durante as semanas seguintes. Finalmente chegaram a um compromisso. Usariam o dinheiro para comprar a liberdade de Mateo primeiro.

    Ele, como homem livre, poderia trabalhar com um salário real e poupar mais rápido. Em dois anos teria o suficiente para comprar a liberdade de Eulalia. Foi um acordo doloroso, mas prático. Em janeiro de 1780, quando Mateo completou 17 anos, a transação foi concluída. Dom Alfonso assinou os papéis de manumissão e Mateo tornou-se oficialmente um homem livre. Era um momento de alegria misturada com tristeza.

    Mateo era livre, mas Eulalia continuava a ser escrava. E embora Dom Alfonso tenha prometido que ela poderia ficar na fazenda a trabalhar com salário, a separação era inevitável. Mateo precisava de se estabelecer nalgum lugar onde pudesse ganhar dinheiro suficiente para libertar a sua mãe. decidiu ir para Bogotá, a capital do vice-reinado, onde havia mais oportunidades para um homem educado.

    O Padre Gonzalo deu-lhe cartas de recomendação falando da sua inteligência e das suas habilidades com os números. Com estas cartas e os 50 pesos que lhe restavam depois de comprar a sua liberdade, Mateo partiu para a grande cidade. Foi um adeus doloroso. Eulalia abraçou o seu filho no caminho poeirento que levava a Bogotá, memorizando cada detalhe do seu rosto, do seu cheiro, da sensação dos seus braços a envolvê-la.

    “Promete-me que terás cuidado”, disse-lhe. “Promete-me que voltarás por mim.” “Prometo, mamã”, respondeu Mateo. “Trabalharei arduamente. Pouparei cada peso que ganhar e voltarei para comprar a tua liberdade. E então iremos embora juntos, para longe de tudo isto. Começaremos uma nova vida onde ninguém conheça a nossa história.”

    Os meses passaram lentamente para Eulalia. As cartas de Mateo chegavam irregularmente, trazidas por tropeiros e comerciantes que viajavam entre Bogotá e Antioquia. Contava-lhe sobre a sua nova vida na capital. tinha encontrado trabalho como escrivão numa firma comercial. O salário era modesto, mas suficiente para viver e poupar.

    partilhava um pequeno quarto com outros três homens livres num bairro humilde perto do mercado. A cidade era avassaladora, ruidosa e suja, mas também cheia de possibilidades que nunca tinha imaginado. Eulalia guardava cada carta como um tesouro, relendo-as até que as palavras se apagassem do papel. continuava a trabalhar nos campos de cacau, agora com um propósito renovado.

    Cada dia a aproximava da sua liberdade, da reunião com o seu filho. Mas então chegaram notícias que mudariam tudo novamente. Em março de 1781, deflagrou a Revolução dos Comuneros no vice-reinado de Nova Granada. Era uma rebelião contra os novos impostos impostos pela coroa espanhola, liderada por crioulos e mestiços que exigiam melhor tratamento e menor carga tributária.

    A rebelião espalhou-se rapidamente pelas províncias, atingindo até Bogotá. Durante meses, Eulalia não recebeu notícias de Mateo. Os caminhos estavam fechados, o comércio interrompido, o país imerso no caos. Vivia em constante angústia, sem saber se o seu filho estava vivo ou morto, se tinha sido arrastado para a violência da rebelião.

    Rezava todas as noites, pedindo a todos os santos e aos deuses da sua terra africana que o protegessem. Finalmente, em agosto de 1781, depois de a rebelião ter sido sufocada brutalmente pelas forças realistas, chegou uma carta. Mateo estava vivo. Tinha sobrevivido ao caos, permanecendo escondido no seu quarto durante os piores dias de violência. Mas a firma onde trabalhava tinha fechado, vítima da instabilidade económica.

    Tinha perdido o seu trabalho e as suas poupanças. “Sinto muito, mamã”, escrevia, “terei de começar de novo, mas não te preocupes, encontrarei outro trabalho. Ainda venho por ti.” Eulalia sentiu uma mistura de alívio por saber que ele estava vivo e desespero pelo retrocesso nos seus planos, mas não perdeu a esperança. Continuou a trabalhar, continuou a poupar, esperando o dia em que finalmente pudessem estar juntos como pessoas livres. Passou mais um ano.

    Mateo encontrou novo trabalho, desta vez como tutor privado para os filhos de famílias abastadas, que queriam que os seus meninos aprendessem aritmética e caligrafia. O pagamento era melhor do que antes. As suas cartas tornaram-se mais otimistas. “Em breve, mamã, em breve terei o suficiente.” E então, na primavera de 1783, chegou o dia.

    Mateo regressou a Antioquia com 700 pesos numa bolsa de couro, o preço da liberdade de Eulalia. Vinha numa mula alugada, vestido com roupa simples, mas limpa, os papéis da sua própria liberdade cuidadosamente dobrados no seu bolso. Quando Eulalia o viu a descer pelo caminho em direção à fazenda, correu para ele com lágrimas de alegria.

    Dom Alfonso completou a transação sem problemas, assinou os papéis de manumissão de Eulalia, aceitou o dinheiro e desejou-lhes boa sorte. Nessa noite, Eulalia dormiu como mulher livre pela primeira vez em mais de 20 anos. A sensação era estranha, quase irreal. Toda a sua vida adulta tinha sido propriedade de outro e agora subitamente era dona de si mesma.

    Mãe e filho deixaram Antioquia dois dias depois, levando apenas o essencial, algumas mudas de roupa, as cartas de Mateo, o dinheiro que lhes restava, apenas 50 pesos, e os papéis de liberdade que representavam a sua nova vida. Viajaram para o norte, em direção a Cartagena das Índias, onde Mateo tinha ouvido dizer que havia mais oportunidades para pessoas livres de cor.

    A viagem foi longa e perigosa, atravessando montanhas e selvas, dormindo em estalagens baratas e por vezes sob as estrelas. Chegaram a Cartagena em junho de 1783. A cidade costeira fervilhava de atividade. Barcos a entrar e a sair do porto, comerciantes a vender mercadorias de todo o mundo. Uma mistura de raças e culturas que Eulalia nunca tinha visto. Era avassaladora, mas também libertadora.

    Aqui, nesta cidade portuária, o seu passado como escravos era menos relevante. Muitos dos habitantes eram pardos e mulatos livres que tinham construído vidas prósperas. Mateo encontrou trabalho como contabilista numa companhia marítima. Eulalia, usando as habilidades que tinha desenvolvido durante anos nas fazendas, começou a vender comida no mercado, empanadas, arepas, doces de coco que cozinhava numa pequena divisão que alugavam perto do porto. Não era uma vida de luxo, mas era a sua vida, construída com

    as suas próprias mãos e decisões. Os anos passaram. Mateo tornou-se um homem respeitado nos círculos comerciais de Cartagena. A sua inteligência e ética de trabalho granjearam-lhe a confiança de mercadores importantes. Casou-se com uma mulher livre, uma parda chamada Isabel, que vendia tecidos no mercado.

    Tiveram três filhos e Eulalia tornou-se uma avó orgulhosa que cuidava das crianças enquanto os seus pais trabalhavam. Nunca falaram abertamente sobre o segredo que tinham guardado durante tantos anos. A marca no ombro de Mateo permanecia oculta sob a sua camisa, um lembrete silencioso de uma origem que tinham decidido deixar para trás.

    Aqui em Cartagena, Mateo era simplesmente um homem livre, um comerciante bem-sucedido, um pai e marido dedicado. O facto de quem era o seu pai biológico não importava, mas o passado nunca desaparece completamente. Em 1795, quando Mateo tinha 32 anos, recebeu notícias de que Dom Sebastián de Villarreal tinha morrido na sua fazenda nas montanhas.

    O velho fazendeiro tinha sofrido uma apoplexia, deixando a sua fortuna a Dona Inés e aos seus dois filhos legítimos. Não havia menção a nenhum outro herdeiro, nenhum reconhecimento dos muitos filhos ilegítimos que provavelmente tinha gerado com as suas escravas ao longo dos anos. Mateo recebeu a notícia em silêncio. Eulalia esperava que ele sentisse algo, raiva, alívio, tristeza, mas o seu rosto permaneceu impassível.

    “Era um estranho para mim”, disse finalmente, “o homem que me deu a vida, mas nada mais. Tu és a minha verdadeira família, mamã. Tu e os que amo aqui.” Eulalia abraçou o seu filho, sentindo-se grata por o fantasma que os tinha perseguido durante décadas finalmente ter desaparecido. Viveram as suas vidas em paz.

    Depois disso, Eulalia envelheceu, rodeada dos seus netos, contando-lhes histórias de África que a sua própria mãe lhe tinha contado, histórias de dignidade e resistência. Não lhes falou da escravidão de Dom Sebastián, do terrível segredo que tinha guardado. Essas histórias morreriam com ela.

    Em 1808, quando Eulalia tinha 71 anos, ficou gravemente doente. Sabia que o seu tempo estava a chegar. chamou Mateo para o seu lado na pequena casa onde vivia perto do porto. “Vivi uma boa vida”, disse, a sua voz fraca, mas firme. “Fui escrava durante metade da minha existência, mas morri livre.

    Criei um filho que se tornou um homem bom. Isso é mais do que muitos da minha geração puderam dizer.” “Tudo o que sou é graças a ti”, respondeu Mateo, segurando a sua mão enrugada. “Salvaste-me quando era bebé. Criaste-me. Amaste-me quando a minha própria mãe não pôde. Ensinaste-me a ser forte, a manter a dignidade, mesmo quando o mundo tentava tirar-ma. És a pessoa mais corajosa que conheci.”

    Eulalia sorriu fracamente. “Fiz o que tinha de fazer, o que qualquer mãe teria feito pelo seu filho.” Fechou os olhos e nessa noite, rodeada da sua família, Eulalia morreu em paz. Mateo enterrou-a no cemitério de San Pedro Claver, a igreja que tinha servido de refúgio para escravos durante a colónia.

    Sobre o seu túmulo colocou uma lápide simples com uma inscrição que ele próprio escreveu: “Eulalia, mãe corajosa, mulher livre, guardou o segredo que salvou uma vida e mudou muitas outras.” Mateo viveu até aos 63 anos, vendo a independência da Colômbia em 1810, o fim da escravidão em 1851. morreu sabendo que os seus próprios filhos nasceram num mundo diferente, um mundo onde a liberdade era um direito de nascença e não um privilégio que era preciso comprar.

    A marca no seu ombro, que tinha representado tanto perigo na sua juventude, desvaneceu-se com o tempo até se tornar apenas uma sombra, um lembrete ténue de um passado que a família tinha decidido não transmitir. A história de Eulalia e o segredo que guardou perdeu-se com as gerações, tornando-se um dos muitos relatos silenciosos de mulheres que fizeram o impossível para proteger aqueles que amavam em tempos de opressão absoluta. Mas nalgum lugar, nos registos esquecidos da fazenda San Jerónimo,

    nas cartas amareladas guardadas em arquivos empoeirados, na memória coletiva daqueles que conheceram a escravidão, a verdade permanece. Que o amor de uma mãe pode ser mais forte do que qualquer marca, mais poderoso do que qualquer segredo, mais duradouro do que qualquer injustiça.

  • A Defesa Inesperada: A Controversa Tese do “Constitucionalismo Abusivo” e o Novo Rosto da Crise Institucional

    A Defesa Inesperada: A Controversa Tese do “Constitucionalismo Abusivo” e o Novo Rosto da Crise Institucional

    O cenário político-jurídico brasileiro há muito se acostumou com a tensão, mas um recente posicionamento do Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), elevou o debate a um novo patamar de controvérsia. Em uma entrevista que visava defender uma decisão que críticos interpretam como uma forma de “blindar” a Suprema Corte, o ministro não apenas adicionou mais um termo ao léxico político nacional, mas cunhou uma expressão que, segundo observadores, tem o potencial de redefinir os limites da crítica institucional e da própria ação democrática: o “Constitucionalismo Abusivo”.

    A tese, lançada em meio a um turbilhão de críticas já existentes ao Judiciário, não é apenas uma peça de doutrina jurídica; ela é uma declaração de guerra ideológica contra a insatisfação popular e política que tem se manifestado, de maneira crescente, contra os membros do STF. Para compreender a magnitude dessa nova expressão, é fundamental primeiro revisitar o clima de exasperação que a precedeu, um contexto onde o tribunal já havia gerado uma sequência de expressões polêmicas que moldaram a percepção pública sobre sua atuação.

    A Atmosfera de Desconfiança e as Expressões do STF

    O STF tem estado sob intensa vigilância e crítica nos últimos anos, e essa tensão deu origem a termos que se tornaram onipresentes no debate público. A Corte, por meio de seus ministros, passou a caracterizar a insatisfação e a crítica como fenômenos que necessitavam de categorização e combate.

    Termos como “Desordem Informacional” surgiram para descrever a veiculação de verdades ou fatos que, embora corretos, eram apresentados de uma forma que levava o público a concluir que o próprio STF era o responsável pelos problemas em curso. Em outras palavras, a clareza factual era vista como um vetor de desestabilização da confiança na instituição.

    Em seguida, a expressão “Milícia Digital” foi amplamente utilizada para rotular e, em muitos casos, criminalizar qualquer pessoa ou grupo que ousasse criticar abertamente as decisões dos ministros. A crítica, elemento vital da saúde democrática, era assim reclassificada, em certos contextos, como uma ameaça organizada e ilegal.

    Além disso, declarações políticas de ministros sobre regimes internacionais, a exemplo da menção à admiração pelo regime chinês – tido por críticos como comunista, ditatorial e autoritário – adicionaram lenha à fogueira das críticas sobre o alinhamento ideológico da Corte.

    O ápice dessa sequência de declarações, antes do “Constitucionalismo Abusivo,” incluiu expressões que se tornaram icônicas na polarização política, como o infame “Perdeu, Mané” ou a afirmação de que o tribunal teria “derrotado o bolsonarismo”. Em um momento de profunda discórdia institucional, a Ministra Cármen Lúcia também proferiu uma frase que reverberou, indicando a preocupação da Corte com a descentralização do poder e a potencial desordem: “Não podemos deixar 213 pequenos tiranos no Brasil decidirem o que eles quiserem.”

    Supremo Tribunal Federal

    Em um cenário onde o STF era percebido por uma parcela significativa da população e do Congresso como tendo perdido o controle, agindo com inquéritos de longa duração, levando à prisão ou ao exílio de jornalistas, advogados e até mesmo parlamentares, a necessidade de uma defesa robusta e, sobretudo, inédita, se tornou evidente para seus membros.

    A Invenção do “Constitucionalismo Abusivo”

    É neste contexto de desconfiança e polarização que Gilmar Mendes introduz seu novo conceito. O ministro utilizou a entrevista para justificar a decisão de proteger seus colegas da Suprema Corte de um possível processo de impeachment, uma ferramenta de responsabilização política prevista na Constituição.

    Mendes argumentou que a prática de impeachment de juízes por um tribunal político, no caso o Senado Federal, tornou-se “ultrapassada”. E por que ela estaria ultrapassada? Porque, em sua visão, “isto na verdade dá ensejo àquela prática do constitucionalismo abusivo.”

    A expressão é chocante em sua essência, especialmente considerando a posição de quem a profere. Os ministros do STF são os guardiões designados da Constituição, o manual fundamental da democracia brasileira. No entanto, para proteger seus pares de crimes alegados – como a abertura de inquéritos supostamente ilegais, a intimidação de legisladores ou alegações de favoritismo – o ministro criou uma barreira terminológica que, na prática, desqualifica o exercício de um mecanismo constitucional legítimo.

    A tese do constitucionalismo abusivo implica uma premissa perigosa: se você utilizar a Constituição, com seus mecanismos previstos, para tentar restaurar a ordem democrática (na ótica dos críticos do STF) e, neste processo, os ministros do Supremo forem enfraquecidos ou responsabilizados, então você está abusando da Constituição.

    Trata-se de uma inversão conceitual. Usar a lei para resgatar a lei torna-se, pela nova definição, um crime ou, pelo menos, uma ilegalidade. É o ponto onde a defesa da lei se transforma na subversão da lei, dependendo de quem está sendo alvo da ação. O constitucionalismo abusivo, portanto, é a negação da legitimidade do processo de impeachment quando a maioria popular o utiliza como ferramenta contra os membros da mais alta corte.

    Observadores apontam que essa expressão supera em gravidade outras teses controversas, como a “ditadura da maioria”, de Alexandre de Moraes, ou a tese de que a Venezuela seria uma “ditadura conservadora”, atribuída ao Ministro Luís Roberto Barroso em um debate anterior. A razão é simples: o “constitucionalismo abusivo” não é apenas uma crítica a um modelo político; é uma tentativa de deslegitimar a própria estrutura de checks and balances quando esta se volta contra a instituição que a está definindo.

    O Risco da Sobrevivência e a Vontade Popular

    A parte mais reveladora da defesa de Gilmar Mendes reside na admissão aberta do porquê dessa decisão de “blindagem.” A motivação, segundo o próprio ministro, não é puramente filosófica ou doutrinária, mas profundamente política e de sobrevivência institucional:

    “Essa questão se tinha politizado no sentido agora partidário do termo de maneira tão radical que vários partidos anunciavam candidatos a senadores para fazer impeachment de ministros do Supremo.”

    Essa declaração é a chave para desvendar o novo conceito. Se partidos políticos estão lançando candidatos ao Senado com a bandeira expressa do impeachment de ministros do STF, isso significa que essa pauta gera votos. Se gera votos, é porque a vontade da maioria do povo brasileiro, manifestada nas urnas, clama por essa responsabilização.

    A lógica é fria e irrefutável: o povo quer a responsabilização dos ministros.

    Ao declarar que a campanha eleitoral, que seria baseada nessa perspectiva, está “longe de ser correto”, o Ministro Gilmar Mendes, em essência, está rotulando a vontade da maioria do povo, expressa democraticamente pelo voto, como um erro ou, pior, como um abuso. A Suprema Corte, que deveria ser a defensora imparcial da Constituição, age preventivamente contra o resultado potencial de um processo eleitoral.

    O que está em jogo, portanto, não é uma leitura refinada de jurisprudência, mas uma estratégia de sobrevivência. É o medo de serem alvos de um impeachment constitucional, impulsionado por uma maioria legítima no Senado. O “Constitucionalismo Abusivo” emerge, assim, não como uma tese acadêmica, mas como uma manobra jurídica de autoproteção institucional contra a soberania popular, vista como uma ameaça.

    Conclusão: Uma Instituição em Estado de Defesa

    O lançamento do termo “Constitucionalismo Abusivo” marca um ponto de inflexão na crise institucional brasileira. Não se trata apenas de mais um embate político, mas de um momento em que a Suprema Corte parece ter rompido o verniz da imparcialidade para se posicionar explicitamente em um estado de defesa contra a crítica e a ação política que ameaçam sua composição.

    A questão crucial que resta é: o que acontece quando o guardião da Constituição declara que o uso de um de seus próprios mecanismos, impulsionado pela vontade popular expressa em eleições, é um ato de abuso? A crítica sugere que o STF cruzou a linha, utilizando o aparato legal para proteger a si mesmo contra a accountability democrática, sob o pretexto de preservar a estabilidade institucional.

    O risco é que, ao rotular o legítimo uso dos mecanismos constitucionais de responsabilização como “abusivo”, o STF não apenas enfraquece a Constituição, mas também se isola ainda mais da percepção pública de legitimidade. A longo prazo, a única blindagem real para qualquer instituição democrática é a confiança e o respeito da população. E o “Constitucionalismo Abusivo” parece ter nascido não para gerar respeito, mas para garantir a sobrevivência em meio a uma das crises de confiança mais profundas da história recente do Brasil. A discussão sobre o papel do Judiciário e os limites de seu poder acaba de ganhar um novo e controverso capítulo.

  • URGENTE! SECRETÁRIO DE CASTRO LIGOU PARA DEPUTADOS PEDINDO PARA SOLTAR RODRIGO BACELLAR

    URGENTE! SECRETÁRIO DE CASTRO LIGOU PARA DEPUTADOS PEDINDO PARA SOLTAR RODRIGO BACELLAR

    É, meu amigo e minha amiga, o secretário de governo do Cláudio Castro, o André Moura, que foi chamado de criminoso algumas semanas atrás por um assessor da pasta da Casa Civil chamado Victor Travancas, estaria atuando nos bastidores lá na Lerge para conseguir que o Rodrigo Barcelo. O que é interessante dessa história toda é que há um tempo atrás, quando essa notícia do Victor Travancas saiu, né, de que o André Moura seria um criminoso e que ele teria ligação com o próprio TH Joias, ele disse que isso era a mobilização da oposição, em

    especificamente de Sergipe. Ele deu a entender isso, né? Porque ele é pré-candidato ao Senado de Sergipe. Você não tá entendendo errado não. Ele é secretário de governo do Cláudio Castro, da secretaria de governo, inclusive ele é Segov do Cláudio Castro e é pré-candidato ao Senado lá em Sergipe. Inclusive, ó, olha que grandissíssima ironia.

    Neste final de semana viralizou lá em Sergipe uma imagem que aparece o governador Fábio Mitidieri, que é o governador do estador de Sergipe, junto com o senador da República, Alessandro Vieira, ao lado do deputado estadual lá por Sergipe, Jeferson Andrade, junto com o senhor, deixa eu mostrar para vocês aqui, ó, junto com o senhor André Moura, tá aqui, vou até mostrar para vocês aqui que tem um material aqui pra gente poder discutir sobre isso aqui, ó.

    Essa seria supostamente, ó, a chapa com o apoio do governador de Sergipe, ó. E olha quem tá do lado aí, inclusive do governador, ó, Alessandro Vieira, que é relator da CPI do crime organizado, é relator também da PEC da da do PL antifacção, né? E aí o André Moura, quando foram divulgados alguns materiais apontando ali que ele teria supostalmente ligação com o TH Joias ou com o Cláudio Castro, inclusive tá aqui, ó, André Moura ao lado aí, do Cláudio Castro.

    Entenda por que Cláudio Castro é a continuação de Wilson Witzel no governo do RJ - Brasil de Fato

    André Moreness de terno creme, né, ou marrom, como vocês queiram chamar. No meio tá o Rodrigo Barcelá e do outro lado tá o Cláudio Castro. E aí quando eu saí dessas informações, ele disse que era a oposição tentando macular a imagem dele de alguma maneira e que não existe isso de que ele teria supostamente ligação com o crime organizado, mas que ele já teria identificado de onde teriam saído esses ataques.

    Quais seriam os ataques, Carlito? O Victor Travancas tá aqui, ó. saiu no na saiu no dia 17 de novembro na Fúria de São Paulo. Assessor de governo Castro pede exoneração e acusa secretário de ser criminoso. Quem seria esse secretário? O secretário seria o André, o André Moura, que inclusive foi condenado durante o período que que eh Aras ainda era procurador-geral da República, foi apresentada ali uma denúncia pela procuradoria geral da República, ele foi condenado, entrou com recurso e aí no meio do caminho a PGR decidiu voltar atrás e oferecer um

    acordo de não persecução penal. Só para vocês rememorarem um pouco quem é o André Moura. O André Moura, tá, ele era líder do governo do Michel Temer, ajudou a articular o golpe contra a presidenta Dilma Roussef, foi membro do governo Wilson Witsel, secretário da Casa Civil também, se não me falha a memória.

    estranhamente, mesmo Vitel passando por um golpe aplicado contra ele pelo seu vice-governador Cláudio Castro, o senor André Moura continuou como SECON, ou melhor, como secretário no governo do André, do do Cláudio Castro. E aí na época que saiu a publicação dessa carta aí, né, porque a matéria foi publicada na Folha de São Paulo no dia 17 de novembro, porém a carta pedindo a exoneração do Víctor Travancas, do governo do Cláudio Castro, ela foi enviada pro Cláudio Castro no dia 4 de novembro. E entre as alegações que foram

    apontadas ali pelo Víctor Travancas é que para um governo que quer se vender, eu vou até ler aqui um trecho da carta, deixa eu mostrar para vocês, ó. Essa aqui, ó, foi a carta que o Victor Travancas enviou pro Cláudio Castro. E em um trecho da carta, ele diz o seguinte, ó: “A decisão que hora apresento não nasce de desalento, mas de profunda inconformidade com a continuidade do secretário de governo, André Moura, na pasta no que no que pese o STF ter extinto a punibilidade deste criminoso, o mesmo não significa que não existiram

    os fatos ocorridos e a corrupção por ele praticada. Por quê? ele realmente não foi preso, não é porque ele era inocente, é porque ele fez um acordo de não persecução penal, que é basicamente um acordo que o Ministério Público oferece, onde o indivíduo eh confessa os crimes que cometeu, geralmente paga uma pecúnia, uma multa ou algo do tipo e ele não é preso, mas ele não é absolvido da culpa.

    Não, ele não é culpado, ele não roubou, ele não cometeu crime, não é isso que acontece, tá? Tanto que ele precisa confessar as condutas criminosas que tenha participado. E aí em outro trecho da carta publicada aqui pelo Victor Travancas, ele diz o seguinte, ó: “Um governo que pretende combater o crime organizado não pode ser ter entre seus membros um secretário que mantém íntimas relações conforme postages nas redes sociais do Instagram com o traficante TH Joias”.

    Essas postages são reais, Carlito. Bom, isso aqui é uma foto do André Moura com TH Joias. Tá, isso aqui tá no Instagram do TH, inclusive que chama o André Moura, como vocês podem ver aqui, ó, de meu amigo André Moura. Tem outro material, Carlito, tem outro material. Tá aqui, ó, outro material do TH Joias. E por que que eu tô mostrando tudo isso aqui? O governo do Cláudio Castro, o o o secretário André Moura, porque de acordo com esse material publicado agora no Globo, olha o que tá escrito aqui, ó.

    Secretário de governo procura deputados e pede votos a bacelar. Líder na Assembleia Legislativa, Amorim nega. E quem é que teria procurado, Carlit? Esses esses deputados tá aqui, ó. iniciativa teria partido do próprio André Moura, que é um dos indicados do Barcelão do governo Fluminense. Quem me segue no Instagram vai ver que eu publiquei um vídeo nesse final de semana questionando o senador Alessandro Vieira que dizia que o André Moura era criminoso também, que deveria estar na cadeia e não disputando política as

    eleições do por que ele está dividindo uma chapa com André Moura. Aí agora neste momento que o Alessandro Vieira é relator do PL antifacção no Senado e que é relator da CPI do crime organizado, você tem um cara que tá na mesma chapa, na pré-chapa, na verdade, né, para 2026, ao lado do André Moura, defendendo que se solte um cara que foi acusado pela Polícia Federal de vazar a informação de uma operação da polícia para um traficante que é ligado ao comando vermelho. E aí segue aqui a matéria, ó.

    o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Rio de Janeiro e líder do governo, Cláudio Castro, na Assembleia Legislativa, Rodrigo Amorim, que é ódo União Brasil, Rodrigo Amorim do União Brasil, André Moura do União Brasil, Rodrigo Barcelo, do União Brasil diz que negou que haja qualquer interesse do Palácio da Guanabara na votação que vai decidir se bacelar continuará preso.

    O Globo apurou que o secretário de governo, André Moura, ligou para alguns parlamentares orientando votar a favor da soltura. Aí eu vou perguntar agora pro André Moura se nessa carinha de pau dele ele vai ter coragem de novo de dizer que a Globo que talvez a a oposição que plantou essa matéria na Globo.

    Você vai dizer agora, André, porque nas denúncias que eu fiz lá em Sergipe, no meu Instagram, de das suas relações, no mínimo próximas demais com gente ligada ao crime, como é o caso do TH Joias, como é o caso do Rodrigo Bacelar, você respondeu dizendo que não, isso é a oposição que está preocupada com ótimo resultado nas pesquisas eleitorais do pré-candidato ao Senado André Moura. Vamos ver.

    O lobby teria partido de iniciativa pessoal do secretário e não de um pedido de Castro. André Moura é um dos é um dos indicados de Barcelona no primeiro escalão do governo Fluminense. Não há nenhuma orientação do governo sobre o tema, ao entendimento de que é um assunto interno restrito à casa. Nesta segunda-feira, a Comissão de Constituições e Justiça decidiu por quatro votos a três levar ao plenário, ã, na legge um uma um projeto de resolução para que os parlamentares se manifestem sobre a revogação ou não da prisão de Rodrigo Barcelar,

    presidente da casa. eh presidente de da casa determinada pelo Supremo Tribunal Federal. A votação está marcada para as 15 horas. O deputado Rodrigo Amorim negou ali e tudo mais, né? Mas tá todo mundo falando que foi sim, que o André Moura procurou várias pessoas. O André Moura procurou várias pessoas para tentar livrar da cadeia o o Rodrigo Barcel.

    E aí eu pergunto, André Moura, e pergunto aí ao senador Alessandro Vieira, primeiro ao senador Alessandro Vieira, cadê a coerência, Alessandro, de você que andava, dizia que o André Moura era um criminoso e que deveria estar na cadeia e que na semana passada, inclusive, disse que não subiria no mesmo palanque que André e que não pediria voto para André, porque diferente de de André, você não era malandro, fez denúncias no ano passado contra André Moura.

    E aí, Andra Moura, que é filha do André Moura, que é deputada federal por Sergipe, que foi candidata a prefeita de Aracaju no ano passado, aí agora tá ligando para parlamentares na lego, que tem ligação com Comando Vermelho, segundo a Polícia Federal. Eu vou fazer depois um vídeo. Se você me segue aqui no YouTube, não me segue no Instagram, me siga.

    É só botar lá o Carlito Neto ou Carlitos com o Neto que você me encontra, porque eu vou fazer um vídeo agora, assim que eu soltar esse vídeo, já vou fazer um vídeo criticando o Alessandro Vieira e a cara de pau do André Moura, que vai continuar culpando a oposição por expor o óbvio, André, que você tem no mínimo ligações próximas demais.

    Algumas pessoas até poderiam dizer que seriam perigosas com pessoas ligadas diretamente ao comando vermelho. André Moura, vai negar ainda isso que tá acontecendo? E qual que é o seu interesse em livrar a cara do Rodrigo Barcelar se primeiro vocês não toleram o crime, vocês não toleram criminosos e vocês não toleram ilegalidades? Eu acho que tá faltando um pouco de óleo de peroba para passar na cara de pau, né? Porque acho que passou da hora.

    E esse papio de que não, o governador Cláudio Castro não tem nada a ver com isso, não tem nenhuma orientação. O governador Cláudio Castro não tem nada a ver, mas o secretário de governo do Cláudio Castro tá ligando para deputados para conseguir votos para mandar para casa o Rodrigo Bacelar, mas não é algo que o governador quer.

    Então quer dizer, o governador não quer isso, mas não proibiu o seu secretário de entrar em contato com deputados. Realmente o Cláudio Castro acha que a gente vai engolir essa história de que não, não tem nada a ver com Castro não, isso aí ele que decidiu por conta própria. Toma vergonha na cara, deixa de imaginar que o povo é otário, tá certo? Comenta aqui embaixo o que que você acha disso tudo.

    Compartilha esse vídeo, se inscreva no canal se você ainda não for inscrito aqui, deixa seu like. Mais uma vez estamos num cenário diferente aqui em São Paulo. Hoje choveu, né? Então choveu até granizo aqui hoje em São Paulo. Então tô gravando em pé aqui. Não deu para sentar ali porque tá tudo molhado ali, como vocês estão vendo ali, ó.

    Mas muito obrigado a quem tá acompanhando aqui, pedir para deixar o like, compartilhar o vídeo, se inscrever no canal se você não é inscrito, se torne membro do canal aqui que ajuda a gente bastante, tá? Sendo membro do canal e pedir a você também que se puder colaborar com o nosso Pix, colabore. O Pix do canal é o historiadoroficial@gmail.com.

    O link para você colaborar com o nosso Pix tá em outros vídeos aí. É porque como eu não tô fazendo edição nesses vídeos aqui que eu tô nesta semana em São Paulo, não vai aparecer na tela, mas se você puder colaborar, eu agradeço bastante, tá certo? Tudo que eu falei para vocês tá aqui no comentário fixado. Compartilha o vídeo, grande abraço e até o nosso próximo encontro.

  • A Queda do Gigante: Evidências ‘Devastadoras’ Ameaçam Sérgio Moro e Abalam as Estruturas da Direita Brasileira

    A Queda do Gigante: Evidências ‘Devastadoras’ Ameaçam Sérgio Moro e Abalam as Estruturas da Direita Brasileira

    O cenário político brasileiro nunca foi um mar de calmaria, mas as últimas revelações sugerem que o país está prestes a testemunhar um terremoto de proporções inéditas. No centro do furacão está um dos nomes mais polarizadores da política recente: o ex-juiz e atual Senador Sérgio Moro. De acordo com informações que circulam nos bastidores e ganham as redes, provas consideradas “devastadoras” teriam sido encontradas, colocando sua permanência no Senado e até mesmo sua liberdade em risco iminente. A pergunta que ecoa em Brasília e nas redes sociais é: a casa realmente caiu para o Marreco do Paraná?

    As alegações contra Sérgio Moro são graves e apontam para um suposto esquema de corrupção que ultrapassaria a marca dos R$ 10 milhões. A narrativa mais chocante envolve a menção a uma misteriosa “pasta amarela”, descrita como um dossiê que traria à tona todos os detalhes das supostas transgressões cometidas pelo parlamentar. Embora os pormenores exatos do conteúdo permaneçam envoltos em especulação, o tom dos comentários sugere que o material é explosivo o suficiente para mudar o curso de sua carreira política e jurídica. Há, inclusive, referências a eventos privados polêmicos envolvendo pessoas de alto escalão, o que adiciona uma camada de escândalo às investigações de desvio.

    Pré-candidatura de Moro ao governo do Paraná provoca debandada de prefeitos no Estado | Jovem Pan

    O clamor por justiça e a intensificação das investigações colocam Moro em uma posição de extrema vulnerabilidade. As informações apontam que as autoridades estão trabalhando “a todo vapor”, e o Senador estaria “aterrorizado” com a possibilidade de uma prisão a qualquer momento. A ironia não passa despercebida: o juiz que se notabilizou por combater a corrupção agora se encontra no centro de um escândalo de desvio. Essa reviravolta serve de gancho para um conselho incisivo a apoiadores de figuras ligadas a Moro: antes de taxar outros de corruptos, é imperativo que cada um revise seus próprios conceitos e condutas, pois, no jogo da política, acusações frequentemente se viram contra os acusadores. A história tem mostrado que aqueles que mais veementemente apontam o dedo são, por vezes, os mesmos que escondem seus próprios delitos.

    A potencial queda de Moro não é um evento isolado; ela se insere em um contexto de crescente desorganização e tensões internas na direita brasileira. Um exemplo claro desse desalinho foi a tentativa fracassada de Flávio Bolsonaro de realizar uma reunião crucial com líderes da direita para discutir sua candidatura. O convite foi simplesmente ignorado pelos líderes do Centrão, resultando em uma sala esvaziada. O abandono sinaliza uma perda de força e coesão dentro do grupo que antes parecia monolítico, expondo as fissuras e o desinteresse de importantes figuras políticas em se alinhar a certas alas.

    Outro episódio que ilustra a hipocrisia e as contradições do movimento conservador é a votação na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Deputados da direita, que publicamente se posicionam como adversários ferrenhos da criminalidade e da corrupção, votaram para libertar um colega parlamentar aliado que havia sido preso pela Polícia Federal, acusado de envolvimento com lavagem de dinheiro para o crime organizado. Embora a legislação permita tal deliberação, o ato gerou intensas críticas por parte da oposição, que o classificou como uma vergonha e um claro exemplo de dois pesos e duas medidas. A defesa de que a soltura não atrapalharia as investigações soa vazia diante do histórico de conduta do grupo, reforçando a percepção de que, para essa ala política, a lei é aplicada de forma seletiva, dependendo da aliança partidária.

    A família Bolsonaro continua a ser um foco de polêmicas e manobras políticas. Flávio Bolsonaro, conhecido pelo apelido irônico de “Willonka” em alusão ao seu passado empresarial controverso, surpreendeu ao revelar o “preço” para desistir de sua candidatura à Presidência da República. O valor cobrado não era financeiro, mas sim a liberdade de Jair Bolsonaro. Flávio declarou que só abandonaria a disputa se seu pai estivesse “livre nas ruas e nas urnas”, caminhando feliz e “sem estar na cadeia”. Essa declaração, vista por muitos como um delírio político ou uma estratégia desesperada, sublinha a profunda preocupação da família com o futuro legal do ex-presidente, que atualmente enfrenta sérias restrições. A ideia de que a política nacional possa ser trocada por uma garantia de liberdade é, no mínimo, um indicativo da fragilidade e da situação de cerco em que a família se encontra.

    Adicionalmente, a atenção se voltou para o anúncio de um filme sobre o ex-presidente, intitulado em inglês como “The Dark Horse” e traduzido para o português como “A Mula Sombria”. O projeto, criticado por sua qualidade de produção e pelo ator escalado, que foi comparado a figuras de comédia nacional, virou alvo de escárnio. A descrição das cenas, focada em questões de saúde e momentos pouco lisonjeiros, reforça a visão de que a imagem de Bolsonaro está sendo constantemente desgastada, mesmo em tentativas de glorificação. Outro momento de ridículo foi a gravação de Eduardo Bolsonaro no Muro das Lamentações, rezando pela liberdade do seu pai. A gravação, amplamente divulgada, foi posteriormente ridicularizada quando se descobriu que o pedido, escrito em papel, foi descartado no lixo, simbolizando o fracasso da estratégia.

    A turbulência política não se restringe ao plano federal, alcançando as pautas legislativas estaduais e a conduta de parlamentares. A Deputada Federal Júlia Zanata, de Santa Catarina, tornou-se protagonista de uma controvérsia jurídica ao processar um comentarista por tê-la chamado de “vergonha para o estado”. O caso, que chegou a uma instrução criminal, levanta o debate sobre os limites da liberdade de expressão e a aceitação de denúncias que muitos consideram “absurdas”. O Ministério Público é questionado por permitir que um juiz decida se a opinião de um cidadão sobre um político constitui crime, em um momento em que escândalos de corrupção e agressões verbais mais graves circulam livremente.

    Além disso, Zanata está sob os holofotes por suas ações legislativas e pelo uso de recursos públicos. A parlamentar é criticada por ter encaminhado repasses significativos para um clube de tiro de um amigo. A situação se agravou quando a deputada, em vez de se defender, pareceu ridicularizar a investigação, pedindo desculpas apenas por ter mandado “tão pouco dinheiro público” no ano anterior e prometendo enviar muito mais. Sua defesa agressiva do armamento e a destinação de fundos a clubes de tiro são vistas como prioridades desalinhadas com as necessidades básicas da população.

    A controvérsia culmina com a sua “ideia revolucionária”: propor mudanças na Lei Maria da Penha para defender homens que apanham de mulheres. Embora a proteção de qualquer vítima seja um princípio justo, a proposta, vinda de uma defensora ferrenha do armamento e em meio a tantas outras polêmicas, é interpretada como uma manobra para armar a pauta política e desvirtuar o foco da legislação original, que visa proteger vítimas historicamente vulneráveis. A cada nova declaração, a reputação do estado e da classe política parece perder um pouco de sua dignidade.

    Em contraste com o debate político focado em figuras e escândalos, o tema da violência contra a mulher trouxe à tona uma discussão crucial sobre a raiz do problema. Especialistas argumentam que o aumento da pena, por si só, não resolverá a situação de agressões, feminicídios e violência generalizada. O cerne da questão reside na cultura de posse e superioridade.

    O agressor, ao cometer o crime, frequentemente acredita estar no seu direito de fazê-lo, vendo a mulher como sua “posse”. Muitos casos de feminicídio ocorrem porque o homem não aceita que a mulher não seja mais dele. Nessa perspectiva, a educação é a única solução real e duradoura. É a educação que molda o indivíduo desde a infância, na escola e na sociedade, e que precisa ser reformulada para desmantelar a crença de superioridade masculina. Não há punição máxima que fará um homem repensar um crime motivado por essa mentalidade de posse. A solução, complexa e multifacetada, não está em uma única lei, mas sim em uma profunda e contínua revolução educacional e cultural.

    Enquanto a direita se divide e, para alguns, “sucumbe e desaparece” em meio a crises internas, acusações de corrupção e polêmicas de gestão, a outra ala política avança. O governo federal tem implementado programas com foco popular, como o “Tobo Gás”, o grupo de trabalho para melhorar as condições de motoboys e o “Orçamento Popular”, que permitirá à população escolher como melhorar sua região. A tônica é a aproximação do governo com a base e a promessa de que o país continuará no “rumo certo”.

    No entanto, o drama em torno de Sérgio Moro e o caos na direita continuam a dominar o noticiário. Seja qual for o desfecho das investigações e dos processos judiciais, a percepção é de que o Brasil está em um momento de acentuada instabilidade. As revelações sobre Moro e a desorganização de seus aliados prometem um futuro político incerto e, para o observador atento, a garantia de mais capítulos explosivos nessa interminável novela brasileira. Resta saber se as profecias de prisão se concretizarão e se a ala política envolvida será capaz de resistir ao peso das “provas devastadoras” que parecem se acumular.

  • MALAFAIA SURTA CONTRA FLÁVIO BOLSONARO APÓS AVISO DE PRlSÃO E PLANO DE ANISTIA AFUNDA!! VEXAME TOTAL

    MALAFAIA SURTA CONTRA FLÁVIO BOLSONARO APÓS AVISO DE PRlSÃO E PLANO DE ANISTIA AFUNDA!! VEXAME TOTAL

    O anúncio da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, feito em meio a uma crescente pressão da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal (STF), não se sustentou por 48 horas. Longe de ser uma demonstração de força, o movimento se revelou um ato de desespero e um tiro no pé político, expondo publicamente uma estratégia bizarra de barganha que tinha como preço único e inegociável a anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro e, por tabela, a salvação jurídica do próprio clã.

    A reação foi imediata, brutal e veio de todos os lados: do mercado financeiro, de figuras proeminentes da direita e, previsivelmente, do sistema de Justiça, que, segundo analistas, não recuará. O plano, classificado como “amadorismo total” até por aliados históricos como o pastor Silas Malafaia, naufragou em menos de dois dias, transformando uma jogada de mestre que visava negociar a liberdade em um vexame de proporções épicas, que arrancou gargalhadas e até comemoração discreta nos bastidores do Palácio do Planalto.


    O Escudo da Imunidade e o Teatro da Perseguição

    A manobra do clã Bolsonaro foi lida pelo cenário político como um movimento desesperado para criar um escudo de imunidade e uma narrativa de perseguição política em torno de Flávio Bolsonaro. Nos bastidores, as investigações conduzidas sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, no âmbito das apurações contra facções criminosas e a atuação de milícias digitais, se aproximam perigosamente do senador. Despachos recentes do ministro citaram aliados de Flávio, incluindo um advogado preso por ligações com grupos criminosos e até um ex-árbitro de futebol indicado pelo senador para um cargo na Secretaria de Esportes do Rio de Janeiro. A batata de Flávio, como se diz na gíria política, estava “assando rapidamente”.

    Bolsonaro Backs Son Flavio for Brazil 2026 Election Against Lula, Jolting  Market - Bloomberg

    Diante da iminência de operações e do aprofundamento das investigações, o clã optou por ressuscitar uma tática já conhecida no jogo político da extrema-direita. A estratégia é simples: anunciar o alvo da investigação como candidato a um cargo majoritário. Assim, quando a polícia age, a narrativa de defesa é instantânea: “Alexandre de Moraes e a esquerda estão com medo e perseguindo nosso candidato”.

    Essa mesma peça de teatro foi encenada em ocasiões anteriores. Em 2023, quando uma operação de busca e apreensão atingiu o número dois e três da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), indicados por Alexandre Ramagem (aliado do clã), a investigação parecia se aproximar de Ramagem e Carlos Bolsonaro. O que fez o ex-presidente? Peitou a cúpula do seu partido, passou por cima de negociações e cravou: “Nosso candidato [à prefeitura do Rio de Janeiro] é Ramagem”. Meses depois, quando Ramagem foi alvo de uma operação de busca e apreensão, a narrativa estava pronta: “Estão perseguindo o nosso candidato”.

    Outro exemplo ocorreu em janeiro de 2024, quando Carlos Jordy, então líder da oposição na Câmara, foi alvo de busca e apreensão. Dois dias depois, ele foi alçado por Bolsonaro à condição de candidato à prefeitura de Niterói, no Rio de Janeiro. Em todos os casos, o objetivo era claro: blindagem temporária e criação de uma cortina de fumaça.

    Com Flávio, o plano era mais ambicioso. A candidatura não visava apenas blindagem, mas sim ser a moeda de troca definitiva para aprovar o projeto de anistia. O objetivo do “sistema” – o mercado, setores de centro-direita e aqueles que desgostam do PT – seria manter Jair Bolsonaro inelegível, mas preso apenas por crimes relacionados ao Golpe de Estado, ignorando acusações de roubo de joias, mau uso do cartão corporativo ou genocídio na pandemia.

    A ideia era manter o ex-presidente na cadeia, forçando-o a apoiar Tarcísio de Freitas como o nome que unificaria a direita, pavimentando o caminho para um eventual acordo ou indulto, se Tarcísio vencesse. O lançamento de Flávio, então, era o contraponto: “Se não houver anistia, Flávio segue candidato e racha a direita”. O passo seguinte seria negociar: “Votem a anistia, soltem o Bolsonaro, e ele retira Flávio e apoia quem vocês quiserem”.


    A Reação Brutal do ‘Sistema’: Mercado e Aliados em Pânico

    O plano, porém, desmoronou assim que o anúncio foi feito, na sexta-feira. A reação do chamado “sistema” não foi de medo ou recuo, mas de repulsa e um cálculo frio que expôs o amadorismo da jogada.

    O mercado financeiro reagiu de forma violenta. A bolsa de valores, que vinha batendo recordes e estava em alta, despencou mais de 10.000 pontos em resposta ao anúncio. O dólar subiu 4%. A desvalorização não ocorreu porque o mercado temia uma presidência de Flávio – muito pelo contrário. Economistas e barões do mercado, em análises publicadas na grande imprensa, precificaram (como chamam a reação do mercado) a candidatura Flávio como a certeza de que Luiz Inácio Lula da Silva teria uma vitória extremamente fácil nas próximas eleições.

    O cálculo é simples: o mercado apoia Tarcísio por considerá-lo um candidato que imporia políticas de austeridade e teria chances reais de derrotar Lula. Flávio, por outro lado, carece de apoio e popularidade para vencer o pleito. A candidatura, portanto, foi vista como uma “terceira via” que tiraria capital político de Tarcísio, garantindo o tetra de Lula com facilidade inédita. Em outras palavras, a bolsa caiu porque a vitória de Lula se tornou muito mais provável.

    A pressão se intensificou no sábado e domingo, vinda de dentro da própria base de apoio. Pesquisas que vazaram rapidamente mostraram Flávio com uma desvantagem de 16 pontos percentuais em um cenário de segundo turno contra Lula – o que o coloca entre os candidatos com pior desempenho (atrás apenas do irmão, Eduardo, com 20 pontos de desvantagem). O melhor desempenho ainda é o de Tarcísio, que perde por “apenas” cinco pontos.

    Nesse cenário de terra arrasada, até mesmo aliados fiéis reagiram com fúria. Silas Malafaia, um dos maiores apoiadores do ex-presidente, rompeu o silêncio para detonar a estratégia. Em uma nota para a imprensa, ele criticou: “O amadorismo da direita faz a esquerda dar gargalhadas”. A crítica do pastor, um profundo conhecedor do humor político da base bolsonarista, atestava o óbvio: a esquerda, de fato, estava em festa. Rumores também indicavam que a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, estava “uma fera” nos bastidores, alegando não ter sido avisada sobre a decisão.


    O Preço Revelado: A Carta Mais Fraca na Mesa de Negócios

    O golpe mais duro no plano veio no domingo. A pressão foi tão insuportável que Flávio Bolsonaro, desesperado, recuou publicamente antes mesmo que a estratégia pudesse ser colocada em prática. No meio da tarde de domingo, ele apareceu para repórteres e, praticamente desistindo da candidatura, revelou a sua carta na manga, que se provou ser uma das piores cartas do baralho.

    Ao ser questionado sobre se levaria a candidatura até o fim, Flávio hesitou e disse: “Olha, eu tenho uma possibilidade de não ir até o fim. Eu tenho preço para isso. Eu vou negociar. Eu tenho preço para não ir até o fim.” Pouco depois, ele mesmo revelou o preço, antecipando o que seria uma negociação sigilosa nos corredores do Congresso: a anistia.

    O timing para essa negociação seria crucial, pois o Congresso entra em recesso no dia 19 de dezembro e só retorna em 1º de fevereiro. O plano era manter o suspense até, pelo menos, terça-feira, para aumentar a pressão e usar a mídia como palco para a barganha. Mas o pânico fez o senador adiantar o preço publicamente.

    Esse recuo prematuro foi um erro estratégico fatal. Na analogia com um jogo de cartas, o clã virou a carta que tinha na manga antes da hora e, para piorar, a carta era fraca. A reação em Brasília foi de escárnio. A jogada, que deveria ser um blefe poderoso, revelou-se um pedido de socorro.

    Ainda no domingo, Eduardo Bolsonaro tentou desesperadamente fazer um spin nas redes sociais, publicando uma nota que exaltava a “candidatura de Flávio Bolsonaro [que] alcança 117 milhões nas redes”, tentando alegar que a esquerda estava “pirando” com a força do movimento. A resposta dos internautas, até mesmo de parte da base, foi de deboche. O comentário mais curtido sob a postagem de Eduardo resumia a ironia: “A candidatura do Flávio Bolsonaro tem todo o meu apoio. Espero que vocês levem até o fim essa candidatura”. A mensagem implícita: a permanência de Flávio garantia a vitória de Lula no primeiro turno.

    O desespero do clã foi flagrante. Se o objetivo era obter a anistia, a resposta do “sistema” foi de dobrar a aposta. A expectativa, agora, é que a reação de Alexandre de Moraes seja de intensificar as investigações contra Flávio Bolsonaro, apertando o cerco para mostrar que peitar o Judiciário não será tolerado. O plano não apenas falhou, como acelerou a pressão policial sobre o principal alvo.


    O Calcanhar de Aquiles: O Foro Privilegiado e a Cadeia

    A razão pela qual Flávio Bolsonaro não pode levar a cabo essa candidatura é o seu “calcanhar de Aquiles”: a perda do foro privilegiado.

    O mandato de senador de Flávio se encerra em 2026. Se ele for candidato à Presidência e perder, ele automaticamente fica sem mandato parlamentar a partir de janeiro de 2027. Ao perder o mandato, ele cai imediatamente nas mãos da primeira instância da Justiça. O risco é real e imediato. Juízes de primeira instância no Rio de Janeiro já ordenaram a prisão de aliados próximos no passado, como Fabrício Queiroz.

    Ninguém em Brasília, nem mesmo os aliados mais próximos, acredita que Flávio Bolsonaro arriscaria ficar um único dia sem foro privilegiado. A candidatura à Presidência, portanto, nunca foi séria. Era uma manobra de negociação desesperada. A aposta de que o Congresso votaria a anistia para evitar a candidatura foi a única forma de dar sentido ao risco.

    O fracasso em manter o blefe e a rápida revelação do “preço” (anistia) fizeram com que o plano mirabolante desmoronasse por completo, expondo a fragilidade e o isolamento político do clã, que segue sem apoio popular e sem base para protestos – o ex-presidente, aliás, segue isolado na sede da Polícia Federal, sem qualquer manifestação de apoio de seguidores nas ruas.

    A jogada que era para ser o xeque-mate se tornou o maior vexame político recente, confirmando a previsão de que o clã não sabe jogar o jogo da alta política e que o amadorismo, somado à arrogância, pode ser a sentença final.

  • ALVOROÇO: FABIANO QUASE DESISTE, DUDU EXPÕE FOFOCA CHOCANTE E BEIJO TRIPLO VIRA O ASSUNTO DA MADRUGADA

    ALVOROÇO: FABIANO QUASE DESISTE, DUDU EXPÕE FOFOCA CHOCANTE E BEIJO TRIPLO VIRA O ASSUNTO DA MADRUGADA

    A noite de festas no reality rural frequentemente serve como um catalisador para as emoções reprimidas, e a última celebração não foi exceção. O que deveria ser um momento de pura diversão se transformou em um turbilhão de desabafos, estratégias de jogo arriscadas e, claro, muita fofoca que promete redefinir as alianças e o panorama da competição. Com bebedeira elevada, declarações de amor e amizade, e até mesmo um “beijo compartilhado” polêmico, a Fazenda 17 viveu uma madrugada de caos controlado, onde o limite emocional de alguns competidores foi testado ao extremo, e a estratégia de outros veio à tona com clareza.

    Para o telespectador ávido, o que aconteceu após o show da banda Serial Funk é mais importante do que qualquer prova. A casa, em plena ebulição, revelou não apenas o lado festeiro dos peões, mas também a fragilidade de suas estratégias e a intensidade de seus relacionamentos interpessoais.

    O Xadrez Estratégico da Pré-Festa: A Soberba de Carol em Análise

    Antes mesmo dos drinques começarem a circular, a conversa estratégica já dominava o quarto. Fabiano iniciou a noite com uma reflexão sobre Ioná, expressando a Carol que acreditava que a ex-peoa merecia ter chegado muito mais longe na competição. Carol, no entanto, discordou veementemente. Para ela, Ioná havia ultrapassado limites, proferindo palavras consideradas graves e agindo sem moderação, o que justificaria sua saída.

    A análise de jogo não parou por aí. Reunidos, Toninho, Duda e Mesquita chegaram a uma conclusão unânime e alarmante para Carol: ela havia cometido um grave erro estratégico ao não vetar Dudu na Prova do Fazendeiro. A decisão, segundo eles, prejudicou demais o seu jogo, expondo-a a um risco desnecessário. Duda, com um olhar perspicaz, chegou a comentar que seria um desfecho irônico e “top” se Carol acabasse na Roça por alguma dinâmica e fosse eliminada, justamente por conta de sua postura que consideram “soberba” e a aposta excessiva na sua popularidade com o público.

    O grupo, convicto, afirmou que Carol está “queimadíssima aqui fora”, e que Dudu seria uma espécie de “versão masculina de Carol”, um competidor que também deveria enfrentar a berlinda. A amizade entre Carol e Kate também foi tema de debate, com o grupo observando que Carol estava gradualmente perdendo a paciência com a aliada, o que poderia culminar em um rompimento da “casca de bala” nos próximos dias.

    Ainda sobre alianças, a aproximação de Kate com Duda e Mesquita foi notada. A prioridade de voto do trio era clara: tirar Dudu. Kate, inclusive, via Duda e Mesquita como peças-chave para se posicionar de forma mais incisiva. Apesar da proximidade com Carol, Kate sempre se alinhou com o grupo em seus posicionamentos, e agora, com a intenção de ir para cima de Dudu, a união com Duda e Mesquita se fortalece, culminando no evento mais comentado da festa: o famoso beijo compartilhado.

    Em um breve momento de devaneio, Duda e Mesquita questionaram se estariam entre os favoritos da edição. Mesquita sonhou alto: “Já pensou se lá fora a gente é os favoritos?”, ao que Duda respondeu com imaginação e Mesquita com fé. Um diálogo que revela a esperança e, talvez, a ilusão que a pressão do jogo pode gerar.

    As Opções da Chama Laranja: O Poder da Reversão de Votos

    Em meio a toda a estratégia, a apresentadora Galisteu revelou as opções da Chama Laranja, que será disputada na Prova de Fogo. O poder do lampião mais uma vez mostra sua capacidade de virar o jogo de cabeça para baixo. As opções são:

    Opção A: Repassar todos os votos que um peão recebeu para outro (podendo inclusive repassar os próprios votos, uma dinâmica similar à da semana anterior, mas com potencial de impacto ainda maior).

    Opção B: Escolher mais um peão, e o voto do detentor do poder terá peso dobrado (o voto valerá dois).

    Essa votação crucial definirá os rumos da próxima Roça e será decidida pouco antes do sorteio da prova.

    A Festa Agitada: Romance Intenso e um Beijo Compartilhado

    A festa finalmente começou e, como sempre, rendeu momentos inesquecíveis. O grupo Serial Funk animou a noite, que foi marcada por declarações de amizade, promessas de divisão de prêmio, desabafos de casal e, principalmente, o polêmico “selinho triplo” entre Kate, Duda e Mesquita.

    O ato de Kate beijar os dois aliados gerou comentários imediatos e incisivos por parte de Dudu e Saori. Saori pontuou que Carol, que já estava em atrito com Kate por sua aproximação de Duda e Mesquita, ficaria ainda mais incomodada. A dupla interpretou o beijo como um sinal de que Kate estaria se divertindo com a intensa conexão física dos dois amigos. Dudu, em um momento de pura fofoca, declarou a Saori que queria contar o ocorrido imediatamente a Carol. “Ela [Carol] tem que ficar sabendo desse beijo”, disse.

    A preocupação de Dudu era que Carol ficasse “maluca” com a notícia, mas ele afirmou que não conseguiria guardar um segredo tão relevante. A discussão sobre o beijo e a natureza das relações continuou, com Dudu e Fabiano criticando abertamente o flerte intenso e a exibição de intimidade de Duda e Mesquita. Dudu traçou um contraste entre o que ele chamou de “conexão física pela conexão física” e o “amor verdadeiro”. Fabiano concordou, citando o “amor ágape,” um amor incondicional e superior. A dupla romântica da casa, Dudu e Saori, defendia a pureza de seu próprio sentimento em contraposição àquilo que consideravam uma atitude de exibição e busca por atenção.

    Fabiano no Limite: O Desabafo do “Paizão” e a Promessa Inacreditável

    Em um dos momentos mais emocionantes da noite, Fabiano demonstrou estar no seu limite emocional. Inicialmente, ele se declarou para Saori, incentivando Dudu a cultivar o relacionamento, mostrando seu lado de conselheiro. Ele expressou o desejo de ser o “paizão” da edição, e que, mesmo sem chances de ganhar o prêmio (segundo sua própria análise), fazia questão de levar Dudu, Saori e Carol para a vida. Ele até mesmo incluiu Toninho, que considera marrento, e Mesquita, afirmando que o peão se perdeu no jogo, mas que “aqui fora é uma pessoa completamente diferente.”

    Justiça determina penhora do cachê de Fabiano em 'A Fazenda 17'

    O ponto de virada veio em um desabafo profundo com Carol. Fabiano confessou que estava no seu ápice de estresse e que, se acordasse no dia seguinte “meio lelé das ideias,” consideraria seriamente “bater o sino” e ir embora. Carol, embora se identificasse com a exaustão, o impediu, afirmando que não o deixaria desistir. Fabiano, contudo, recuperou a compostura e mudou de ideia, motivado pela rivalidade: “Eu não ia aceitar perder pro Toninho, pra Duda, pro Valério, pro Mesquita, de jeito nenhum.”

    Nesse momento de fragilidade e união, Carol e Fabiano selaram uma promessa controversa e de alto risco para o jogo: se um deles ganhasse o prêmio final, o dividiria com o outro. Carol, de coração, prometeu dar uma “carvãozinho” (dinheiro) para Fabiano, pedindo que a informação ficasse em segredo. Fabiano, inicialmente, recusou, mas Carol insistiu. No fim, ele aceitou, dizendo que se recebesse, doaria para uma instituição de caridade, ou para seus pais, conforme sugerido por Carol. A promessa, que já gerou especulações sobre a sustentabilidade do jogo de Carol (que já havia feito promessas semelhantes a Kate), mostra o nível de confiança e lealdade entre os dois.

    Em um outro momento de desabafo com Carol, Fabiano voltou a criticar Toninho, descrevendo-o como “alegria e bonzinho” na frente das câmeras, mas “agressivo” por trás, citando brigas com ele e com Dudu. Fabiano afirmou que votaria facilmente no rival, separando “o jogo da amizade.” Carol, por sua vez, elogiou Fabiano, chamando-o de seu principal apoio no jogo, um “pai” que ela não teve, um homem que se sacrifica pela família, reconhecendo que ele a tirou de um “buraco” em momentos difíceis.

    Conexões Pós-Festa e Choques Estratégicos

    A euforia da festa continuou no pós-festa, especialmente para Mesquita, que estava visivelmente alterado. Em momentos de grande agitação e euforia, o peão pulou na aliada Kate, realizando movimentos de celebração.

    Enquanto isso, a conversa sobre o jogo continuava a todo vapor. Duda e Mesquita, em um momento de reflexão estratégica, debateram o futuro. Mesquita comentou que Carol ficou extremamente abalada com sua volta da Roça, e Duda concordou, afirmando que Carol e Saori cantaram vitória antes da hora. “Essa soberba que vai derrubar ela,” disse Mesquita, criticando Carol por achar que “só ela sabe jogar.”

    No mesmo diálogo, Mesquita criticou Fabiano, chamando-o de “influenciado por Carol.” Para ele, Fabiano não deveria estar no Top 5, pois “fica sendo influenciado, é chamado de burro e não rebate, ele é um pau mandado.” Duda concordou que a postura era feia. O casal também teve uma pequena Discussão de Relacionamento (DR) sobre o futuro fora do confinamento. Mesquita se sentiu inseguro pelo fato de Duda sempre dizer que não tinha certeza se continuaria com ele, o que abria margem para ele pensar que o relacionamento construído no programa não seria suficiente. Duda tranquilizou-o: “Não tem a ver com não ser o suficiente. Consigo me ver num relacionamento com você. Seria 10 de 10.” Contudo, ela ressaltou que, se estivesse em um relacionamento, seu foco mudaria, e que ela precisa resolver questões pessoais, especialmente em relação à sua mãe, antes de se entregar a algo com alguém.

    Outro momento de destaque foi a declaração de amor de Fabiano à sua namorada, mesmo em estado alterado. Em um longo monólogo, ele afirmou estar “firme, forte” e que ninguém teria o que falar dele. “Eu vou honrar ela para sempre. A mulher que eu quero envelhecer,” declarou, ressaltando sua fidelidade, mesmo que, segundo a observação de alguns, não tenha havido tanta “tentação” assim.

    Dudu e Saori: Planos para o Futuro e Clima de Romance

    O romance de Dudu e Saori continuou forte. Nos instantes finais da festa, Dudu cumpriu sua promessa e contou a Carol sobre o “beijo compartilhado” de Kate, Duda e Mesquita. Carol não deu muita importância, mas o incômodo era visível. Dudu e Saori continuaram a interagir de forma intensa, com Dudu expressando o desejo de ter um filho com ela. “Eu quero ser o pai de um filho com essa mulher… vai ser a coisa mais linda do mundo,” disse ele.

    A afinidade do casal era tamanha que, na área dos animais, Saori propôs momentos de carinho na baia, brincando com a ideia de intensa intimidade antes da Prova do Fazendeiro. O clima de romance na baia, que gerou comentários sobre a veracidade do relacionamento, encerrou a madrugada para o casal, que planeja passar o Réveillon juntos e construir uma vida a dois fora da Fazenda.

    A noite caótica e reveladora mostrou que, a cada dia que passa, as estratégias se intensificam e os laços afetivos são postos à prova. A promessa de divisão de prêmio, as críticas à soberba e a ameaça de desistência garantem que os próximos dias serão decisivos e cheios de reviravoltas no jogo.

  • O Escândalo: Dudu É AFASTADO por Saori, SE AFLIGE e DESABA em Noite de Conspirações e Traições!

    O Escândalo: Dudu É AFASTADO por Saori, SE AFLIGE e DESABA em Noite de Conspirações e Traições!

    A madrugada na Fazenda 17 pegou fogo e as máscaras caíram em uma sucessão de eventos que prometem mudar o rumo do jogo. Dudu, o Fazendeiro da semana, que parecia ter garantido sua paz, viu seu mundo ruir após uma discussão explosiva com Saori, culminando em um afastamento surpreendente. Paralelamente, nos bastidores, um grupo de peões arquitetava um plano audacioso para tirá-lo do jogo a qualquer custo. Com a casa dividida, alianças abaladas e mágoas expostas, o público precisa entender cada detalhe deste turbilhão.

    Naquele domingo, dia 7 de dezembro, a tensão que pairava no ar da sede se materializou em gritos, lágrimas e estratégias de jogo que ultrapassaram todos os limites. Se prepare para mergulhar em uma análise profunda e detalhada do que se desenrolou, das fofocas do edredom às conspirações no quarto, culminando na atitude drástica de Saori.


    As Revelações Bombásticas do Rancho e a Defesa de Carol

    A tarde já havia começado agitada com conversas que renderam o rancho. O Fazendeiro Dudu escolheu Saori, Carol e Fabiano para o privilégio da semana, uma decisão que gerou descontentamento imediato. Mesquita, em particular, criticou Dudu por ter deixado Kate de fora. “Eu sabia que ele faria isso. Deixou ela de fora,” disparou, esquecendo-se convenientemente que Kate é uma de suas maiores opositoras, que abertamente declara voto e está alinhada com os “inimigos” do Fazendeiro. O argumento de Mesquita, de que Dudu deveria levar alguém que planeja votar nele, soa, no mínimo, insano dentro da lógica de um jogo de sobrevivência como A Fazenda.

    Carol: "Foi o que foi falado da boca dela( Saori)." Fabiano: "Eu escutei isso aí, mas aí vou defender a Tàmires porque ela nunca faltou com respeito comigo. Sempre papo de jogo. [...]

    Durante o rancho, Carol, que se tornou uma das maiores aliadas de Dudu, reforçou a importância da beleza de Saori no relacionamento deles, em um tom de brincadeira sobre a relatividade do que atrai as pessoas. No entanto, o ponto central da conversa logo migrou para as intrigas da casa. Carol foi a responsável por trazer à tona o pavor que a peoa Duda sentia de Dudu chegar à final sem ter enfrentado uma Roça.

    Carol, demonstrando uma lealdade inabalável, revelou ter sido confrontada por Duda, que implorou para que ela usasse seu poder para vetar Dudu da Prova do Fazendeiro. A resposta de Carol foi um marco na temporada: ela preferia mil vezes ter Dudu na final a ter Tamires. Carol manteve a palavra, não vetou Dudu, e seguiu com seu voto, contrariando a própria amiga em prol do que considerava justo no jogo, e expondo a movimentação de Duda para prejudicá-lo.

    Dudu, por sua vez, aproveitou o momento para fazer um discurso tocante, agradecendo a Fabiano por não ter votado nele, e a Carol, cuja atitude foi crucial para sua vitória na Prova do Fazendeiro. O ápice veio quando ele deixou claro seu provável voto em Duda, motivado por um ataque inaceitável.

    Dudu citou o fato de Duda ter usado a condição de alopecia de Carol como munição em uma briga anterior. “Tenho motivo para votar na Duda, mas principalmente pelo fato dela ter usado a doença para atacar uma pessoa,” declarou Dudu, mostrando que no calor da raiva as pessoas se revelam, citando também os ataques de Toninho ao Piauí, menosprezando a região e o trabalho de quem ali vive. Essa postura de Dudu, defendendo a amiga publicamente, solidificou ainda mais a aliança dos três e acirrou os ânimos de quem estava de fora.


    O Plano Macabro: Conspiração no Quarto e A Prova do Fazendeiro

    Enquanto o trio desfrutava da calmaria do Rancho, o cenário na Sede era de guerra. Kate, Duda e Toninho se reuniram no quarto para detonar Dudu e traçar uma estratégia para colocá-lo na Roça definitivamente, já que ele escapou por pouco. O plano era simples e cruel: vetar Dudu da próxima Prova do Fazendeiro.

    Na visão deste grupo, Dudu estava “errado” ao vencer o chapéu, e o Brasil estaria apenas esperando o momento certo para eliminá-lo. Kate, com sua confiança costumeira, e Toninho, que se autoproclama o dono do jogo, teciam a conspiração. “Se conseguir colocar ele, é a última chance, é a última Roça,” afirmou Toninho. Kate, louca para ver Dudu no banquinho, reforçou: “e ser vetado, né?”

    Eles chegaram ao cúmulo de criticar a atitude de Carol por tê-lo defendido, concluindo que ela havia se “queimado” com o público. “O maior erro dela foi defender o Dudu, ela está cancelada agora por causa disso,” sentenciaram, em uma demonstração de autoengano assustadora, acreditando que a atitude de lealdade e justiça de Carol seria mal vista pelo público. O grupo estava convicto de que, se Dudu fosse para a Roça, o “tombo seria bonito de ver.” Eles se sentiam onipotentes, prontos para manipular o Resta Um e garantir que o Fazendeiro fosse para a berlinda, sem sequer considerar que suas ações e palavras é que poderiam estar causando rejeição externa. A arrogância da certeza de que o público está do seu lado é a queda de muitos peões, e este trio parece caminhar a passos largos para a desilusão.

    O receio é real: se Dudu chegar ao Top 4, todos fazem a prova e ninguém é vetado. “É por isso que ele tem que sair logo. Nossa, Brasil, tira ele assim que ele perder o Fazendeiro,” implorou Duda, mostrando seu desespero em ver o rival longe da final.


    A Queda de Dudu: Confronto com Saori e a Atitude Drástica de Kate

    O que ninguém esperava era que o abalo de Dudu viria de onde ele menos esperava: de sua própria aliada, Saori. No final da noite, a peoa voltou a cobrar uma dívida emocional de Dudu. Ela insistiu que ele nunca havia entrado de verdade nas brigas para defendê-la, mesmo ela tendo-o defendido em inúmeras ocasiões, inclusive em momentos de punição.

    O clima ficou pesado. Saori o acusou de ter se escondido atrás de “espiritualidade” e “oculto” quando deveria ter tido uma “postura de homem”. O debate escalou rapidamente para um ponto de não retorno quando Saori questionou a atitude de Dudu, chamando-o indiretamente de “saco de batata”, uma expressão que ele interpretou como falta de atitude ou covardia.

    “Você nunca entrou na briga por mim e eu sempre fiz isso por você,” cobrou Saori, visivelmente magoada. Dudu, já esgotado, tentou responder, mas a pressão e a insistência de Saori em repetir a pergunta o fizeram perder a vontade de conversar. Ele ironizou a situação, dizendo que estava sendo tratado “pior que um saco de batata” com “ressentimento profundo”.

    A DR (Discussão de Relacionamento) se tornou um monólogo de cobranças de Saori. Quando Dudu disse ter perdido a vontade de conversar com alguém que trazia falas que “não acrescentavam em nada,” Saori rebateu de forma fria, dizendo que se ele não tinha vontade, ela tinha “muito menos” e que eles poderiam seguir “sem conversar”.

    A atitude de Dudu de se afastar para a Sede, buscando espaço, foi a gota d’água para Saori. Ela o seguiu até a Sede e protagonizou o momento mais chocante da noite: a “expulsão” de Dudu da cama. “Foi a última vez que você saiu andando e me deixou falando sozinho. Pode sair. Suma, desapareça. Última vez, bebê. Vai maltratar quem que você está acostumado?”, disparou ela, em um tom de voz que não deixava margem para dúvidas. Dudu, humilhado e visivelmente abalado, tentou conversar, mas Saori foi incisiva: “Acabou, está tudo acabado.”

    Ele retornou para sua cama, abatido, enquanto o clima entre os dois se tornava frio. O Fazendeiro, que parecia intocável, agora enfrentava o desmoronamento de sua principal relação na casa e a certeza de que seu nome estava na mira dos rivais.

    O Aftermath e a Baixaria dos Rivais

    Enquanto Dudu lidava com a dor da briga e a ameaça iminente de Saori, o trio de conspiradores no quarto celebrava. Kate, Mesquita e Duda continuavam a arquitetar o próximo passo. Duda questionou: “Será que ele sabe que se ele sentar no banquinho ele sai?”. Kate e Mesquita concordaram. A paranoia e o desejo de eliminação eram tão grandes que eles imploravam por uma dinâmica que tirasse Dudu do jogo antes do Top 4.

    Mas a noite não terminou sem mais um episódio de baixaria. Mesquita, revoltado, reclamou que alguém havia mexido em seus itens de skincare e admitiu ter escondido-os para que Saori não usasse mais. “Eu vou falar que joguei fora. Descompromissada do baralho. Tenho raiva de gente invejosa assim,” desabafou Mesquita, adicionando mais um componente de drama pessoal e infantilidade ao já tenso cenário.

    O domingo agitado de A Fazenda 17 provou que a reta final é um campo minado. Dudu, o Fazendeiro, está acuado e desmoronando emocionalmente. A conspiração contra ele só se fortalece, e a atitude drástica de Saori joga um balde de água fria em qualquer chance de paz. Com dinâmicas de apontamento e Prova de Fogo a caminho, a próxima semana promete ser a mais decisiva e eletrizante da temporada. Quem sobreviverá?

  • ATlRARAM NO FILHO DE LULA E ACERTARAM NO ROMEU ZEMA! BOLSONARISTAS SE OFERECENDO PRA SEREM PRESOS!

    ATlRARAM NO FILHO DE LULA E ACERTARAM NO ROMEU ZEMA! BOLSONARISTAS SE OFERECENDO PRA SEREM PRESOS!

    Esse vídeo está simplesmente sensacional. Hoje você vai assistir a uma das cenas mais vergonhosas da oposição e uma das mais bonitas da política brasileira recente. O bolsonarismo tentou fazer aquilo que eles sempre fazem quando estão desesperados e estão inventar um inimigo, criar um escândalo falso. E dessa vez o alvo era o filho do presidente Lula.

    Eles queriam convocar o rapaz sem qualquer prova, sem relação alguma com caso, sem fundamento jurídico, só para criar manchete, só para tentar atacar o Lula pela família de novo. Mas aí acontece o momento, aquele momento em que a hipocrisia encontra a verdade e agora usa uma CPMI que era para ser séria, que era para ser uma CPMI para investigar quem roubou dos aposentados para falar mentira da família do presidente.

    Cadê a prova sobre o Fre Chico que vocês falaram e falaram e não veio absolutamente nada aqui. Cadê as provas? Apresente as provas. Apresente antes, antes, antes de falar mal da família dos outros, apresente a prova. Não tem prova. O senhor não atropele mais ninguém aqui. Faç, não atropele os outros. Deputado, deixa eu falar e não deputrele os outros.

    Zema e Lula falam sobre convivência “civilizada” e “sem extremismos” durante evento em MG | CNN Brasil

    Só atropelar que sabe. Olha a hipocrisia do Nicolas Ferreira e de toda a direita que tá divulgando essa fake news. Eles estão divulgando uma fake news dizendo que o filho do Lula ganhou uma mesada do careca do NSS. Só porque uma testemunha disse, sem nenhuma prova material ou nada, nenhuma prova, ela apenas disse.

    Mas quando se trata de um plano golpista do Bolsonaro, do líder deles, da bancada deles, que tem 1 TB de provas, arquivos, áudios, vídeo de reunião, não existe nenhuma tentativa de golpe, nada aconteceu. Mas uma pessoa apenas falar que o filho do Lula recebeu dinheiro, pronto, concluído, é condenado, mas o Bolsonaro com milhar de prova é um mito honesto.

    Pelo amor de Deus, Nicolas Ferreira, pelo amor de Deus, direita. Vocês são nojentos. Vocês são bando de moleques. Quem se beneficiou da fraude do NSS foi como ministro do Bolsonaro? Ônix, quem recebeu dinheiro foi os deputados da direita. Eucado, Progressistas, mas como você não tem prova de nada, é melhor fazer fake news, né? E é você, Nicos Ferreira, que é a PEC da bandidagem.

    Se você quer melhor para o Brasil, já me segue pra gente começar a revolução do novo só. Você já viu esse momento? Não vai ver agora. É aquele momento em que a mentira tenta levantar voo e cai no próprio peso. Paulo Pimenta entra em cena, fique até arrepiado, com uma postura firme, elegante e completamente inabalável.

    Ele desmonta cada faça bolsonarista em segundos. Chama a tentativa de convocação do filho de Lula de patética, absurda e sem qualquer conexão com os fatos. E ali na frente de todo mundo, eles põe a jogada rasteira da oposição. Eles não querem investigar, vocês querem fazer espetáculo, vocês querem transformar a CPMI em circo político.

     

    E pela primeira vez em muito tempo, a turma bolsonarista, que adora falar pelos cotovelos, ficou sem resposta, sem argumento, sem rumo. Hoje você vai ver porque Paulo Pimenta virou pesadelo dos bolsonaristas dentro da CPMI e porque essa tentativa desesperada de atacar o filho do Lula virou motivo de piada nacional.

    Você até vai rir, aliás, você não vai rir porque é uma piada de péssimo gosto. E agora nós vamos juntos assistir a esse espetáculo. Vamos lá. Eu eu vou dar o a palavra aos parlamentares. 2 minutos. Serador Girão. A família do pai dos pobres tá toda enrolada. com o roubo dos pobres. Presidente, isso é muito grave. Isso não é trocadilho. Isso é para esfregar na cara de quem tinha dúvida o que vem aparecendo nessa comissão desde o início.

    É importante, senhor presidente. A palavra hoje do Brasil chama-se blindagem. Desde ontem só se fala em blindagem. Aqui nessa CPI a gente fala desde o começo. O que é que tá aqui no pai dos burros? Blindagem. Significação ou efeito de proteger algo ou alguém? geralmente através de um investimento resistente ou um conjunto de medidas protetoras.

    Eu nasci para ver o PT, a tropa de choque do governo Lula, blindar bancos aqui. Já blindaram Fre Chico, já blindaram o sócio do careca do INSS. Daqui a pouco vão blindar o Lulinha, que recebeu R$ 300.000 de mesada mensal e tá na Espanha. Senhor presidente, eu quero nesses 30 segundos aqui que me falta palavra blindagem.

    É um regime que o Brasil vive hoje. STF, governo Lula. Ontem nós tivemos a blindagem do STF. Hoje nós estamos tendo a blindagem do Congresso Nacional para não investigar quem realmente roubou o povo brasileiro. E olha aqui, ó. Olha aqui, presidente. Presidente, eu peço aos brasileiros de bem aqui. Presidente, estão me atrapalhando, presidente.

    Para encerrar, excelência, para encerrar, excelência. Para encerrar. Para encerrar, presidente, olha, esse quadro aqui é o quadro da blindagem dos bancos, que agora os os parlamentares da base do Lula blindaram os bancos. Agora, presidente, encerrar, para encerrar, eu peço aos brasileiros que printem, porque nós vamos colocar nas redes sociais e coloquem no espelho do banheiro para não esquecer quem blindou os poderosos que roubaram os brasileiros. Muito obrigado, presidente.

    Olha, a presidência, por favor, a presidência tem a liberdade de palavra. Isso é um parlamento. Estão em votação, senhores. Quando nós estáamos votando aqui, eu abri a palavra para todos. Todos tem direito de abrir a palavra. Eu passo a palavra igualmente para todo mundo. Eu só vou lembrar uma coisa aqui. Só um instante.

    Está aberta a presença para a sessão do Congresso Nacional. Parlamentares. Se a votação começar lá, nós teremos que suspender as votações aqui. Então vamos deixa a presidência exercer o papel dela. Por favor, por favor. Hoje não tem manobra nenhuma. Foi aprovado o requerimento em consenso. Durante as votações. Eu dei voz a todos.

    Eu eu vou pedir ao Marconha Teresa aqui, por gentileza, vamos pra frente porque senão daqui a pouco a gente tem que suspender as votações, a gente fica pior. Presidente, eu lamento a levandade, eu lamento a mentira, a desfaçatez e alerto que vão responder criminalmente, civilmente, cada acusação sem prova que fizerem aqui em qualquer outro lugar contra o senor Fábio ou qualquer outra pessoa.

    O desafio os parlamentares que falaram até agora, senhor presidente, que apresentem aqui um documento da CPI, que apresentem aqui uma prova do que disseram. foram atrás, senhor presidente, de um depoimento de um camarada que é acusado por roubo de carro, um cara que responde por ladrão, que tá envolvido numa briga que não tem nada a ver com essa CPI, que não tem nada a ver conosco, uma pessoa completamente desacreditada, um desqualificado que não apresentou nenhuma prova.

     

    E me admiro de parlamentares da República chegarem aqui e afirmarem: “Recebe isso, recebe aquilo”. Então, provem o que vocês estão dizendo. Provem. Estão aqui para divulgar fake news e mentira, tentando transformar essa CPI num palco, senhor presidente, de acusações criminosas, como já fizeram na história, contra outras pessoas e contra o próprio presidente Lula.

    Não há nenhuma relação entre esta CPI, entre esta investigação e o senhor Fábio. Não há qualquer nexo, inclusive, senhor presidente. Vossa Excelência foi um que em várias oportunidades afirmou que precisava haver um nexo de relação. Não há um documento. Tem milhares de documentos dentro da CCPI, milhares de documentos de quebras que foram feitas, de sigilos, de rifes.

    É o desafio que me mostre qualquer documento, qualquer prova que o senhor Fábio tenha recebido, qualquer centavo relativo a algum assunto que diga respeito a desconto associativo, a INSS ou qualquer outro assunto. O que há aqui, senhor presidente, o que há aqui, lamentavelmente, é uma tentativa de manipulação baixa, com argumentos falsos que vão responder criminalmente e civilmente.

    parlamentar aqui fora daqui que repetir, que afirmar que recebia amizada, que recebeu dinheiro, vai ter que provar o que disse, porque a imunidade parlamentar não protege ninguém contra crime. Portanto, senhor presidente, não tem nenhum sentido, a não ser disputa política este requerimento aqui. Não há, senhor presidente, nenhum elemento que justifique que este requerimento seja apresentado e muito mais que ele seja aprovado.

    Portanto, o nosso voto é contra. Nós votamos contra e vamos continuar denunciando. O único objetivo, senhor presidente, desse requerimento, o senhor sabe qual é? É desviar o foco da investigação. É fazer com que a gente não chegue nos verdadeiros responsáveis dentro do INSS, mas não vão conseguir, não vão tirar o foco da investigação.

    Nós vamos levar até o fim essa investigação e vamos fazer com que todos estes personagens que foram responsáveis dentro do governo Bolsonaro para permitir que esta quadrilha de ladrões roubasse aposentados, aposentadas, pensionistas de BPC, sejam punidos. Não pensem que a sociedade brasileira não tá entendendo esta tentativa de dizer o foco da investigação.

    Este é um requerimento absolutamente fora de propósito e, portanto, será não o voto que nós vamos encaminhar aqui. Senhor presidente, quem é capaz de assaltar velhinhos que trabalharam 50 anos, 60 anos que recebem um salário mínimo de aposentadoria, na minha opinião, é capaz de fazer público? A gente sabe que criatividade nunca foi o forte da extrema direita, só que dessa vez eles se superaram, hein? inventaram ali uma suposta testemunha dizendo que o bolsonarista careca do INSS tava pagando uma mesada de 300.000 aí para o filho do

    Lula. Veja só, tentaram com o irmão do Lula, não deu certo, agora estão tentando com filho do Lula, né? Só que dessa vez tá muito na cara que essa suposta testemunha foi colocada lá, né, de propósito. Porque é o seguinte, se fosse verdade, digamos que essa testemunha tivesse falando a verdade, não seria muita incoerência um bolsonarista pagar mesada para um filho do Lula? Sim, porque o caneca do INSS, ele fez inclusive um PX ali de R$ 1, aquele PX simbólico, né, que os bolsonaristas fizeram aí, milhares de bolsonaristas fizeram esse PX aí de de

    R$ 1 para mostrar apoio ao Bolsonaro. E o careca do INSS foi um deles, não sou eu que tô dizendo, são os documentos oficiais aí que mostram aí que o Careca fez essa doação aí para mostrar apoio, né? Uma doação simbólica que a pessoa faz de R$ 1. O que me chama atenção nisso tudo é que os bolsonaristas eles não acreditam na delação do Mauro Sid.

    O ajudante de ordem do Bolsonaro trouxe ali uma tonelada de provas, fotos, documentos, mensagens, tudo, tudo os bolsonaristas ignoram. Só que quando eles colocam ali uma suposta testemunha para falar qualquer coisa contra a família do Lula, aí o Nicolas Ferreira vai para as redes sociais jogar piadinha.

    Tá vendo aí a hipocrisia da extrema direita, bicho? Tá vendo aí o tamanho da hipocrisia da extrema direita? Agora é o seguinte, já que eles colocaram essa testemunha, então faz ela provar, mostra lá os documentos. É muito fácil, né, cara? Muito fácil provar que o careca do INSS estava realmente pagando essa mesada para o filho do Lula, né? A troco de quê? Ninguém sabe, né? Mas que faltou criatividade aí, faltou, né? Enfim, dê a sua opinião aí nos comentários se você acredita nessa suposta testemunha ou não.

    Dê a sua opinião nos comentários aí. Se gostou do vídeo, curta, compartilha e siga o canal se ainda não for seguidor. Muito obrigado pelo apoio de vocês. Esse Lulinha é um gênio. Acaba de derrotar o centrão e os bolsonaristas entram em desespero. Calma aí que já já eu explico. O Romeu Zema, quem diria, hein, Romeu Zema? Olha só, galera, agora nesse exato momento que eu estou falando com você, a CPMI do INSS acaba de aprovar a convocação de Romeu Zeman para depor sobre os consignados da empresa da família dele. E ele ainda tentou barrar,

    olha só, a quebra de sigilo dele, né? Mas vamos aqui, eh, fraudes em consignados. A Comissão Parlamentar mista de inquérito que investiga as fraudes, né, galera? E o desmonte lá do INSS votou e acabou aí convocando Romeu Zemas e Cocaro, que é lá do Banco Máter. Mas segue aqui, galera. Tentaram convocar o Lulinha, o filho do Lula, para a CPMI.

    Aí tem várias conversas dizendo que ele recebeu 300.000 do Careca, sendo que o Careca é bolsonarista. E aí o governo conseguiu derrotar o centrão e não conseguiram, né, galera, convocar o filho aí de Lula. É mais uma derrota para o centrão bolsonarista e vitória para o Lulinha. Vamos lá, a bomba do dia, a polêmica do dia.

    Vamos ler a matéria do poder 360, que fala sobre a acusação contra o filho do Lula. Filho de Lula recebeu mesada do careca do INSS de testemunha. Depoimento de Edson Claro, que chegou em parte a CPMI, indica que o valor pago a Lulinha era de cerca de R$ 300.000 R$ 1.000 e que o filho do presidente também era sócio de Antônio Carlos Camilo Antunes.

    Envolvidos, os envolvidos negam as irregularidades. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, a CPM e do INSS, tem indícios apurados pela Polícia Federal de que Fábio Luiz Lula da Silva, 50 anos, filho mais velho do presidente Lula, com Marisa Letícia, manteve relação de proximidade e até uma sociedade empresarial com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido nos meios políticos como careca do INSS e que está preso desde 12 de setembro de 2025.

    Em um depoimento relevante sobre as fraudes da previdência, uma pessoa afirmou que Lulinha, como filho do presidente é chamado, foi recebedor de valores do careca do INSS, uma cifra aproximada de 25 milhões. A CPMI não sabe dizer se em qual moeda, se é dólar, se é euro, se é reais.

    E pagamentos mensais de cerca de R$ 300.000, que é tratado como mesada. Eu só vou fazer um adendo aqui sobre isso, tá? O que tem até agora é uma informação de uma testemunha. Ela pode estar mentindo, ela pode estar falando a verdade. Se ela estiver falando a verdade, para conseguir esconder 25 milhões e transferências de 300.000 mensais, é praticamente impossível.

    Então, se for verdade, isso aqui vai caminhar para uma punição severa aqui para o filho do Lut. Se for verdade, tá? É importante o que eu tô falando aqui. O que tem aqui é o depoimento de uma testemunha, não tem fatos de que essas transações ocorreram até agora. Além disso, o filho do presidente da República também fez viagens juntos junto com o careca do INSS para Portugal, segundo o depoimento coletado nas investigações.

    Todos esses dados foram antecipados pela blá blá blá propaganda aqui. Essas informações eram até agora desconhecidas. Com esse nível de detalhe foram fornecidas por Edson Claro, ex-funcionário do careca do INSS e que se diz ameaçado pelo ex-patrão. O poder 360 teve acesso aos dados por meio de integrantes da CPMI do INSS.

    Ou seja, esses dados que o poder 360 recebeu foram vazados por integrantes da CPMI. A investigação em curso no Congresso sobre fraudes contra os beneficiários do INSS tentou convocar Edson Clar. Houve fortíssima resistência por parte dos deputados e senadores governistas quando a proposta foi apresentada.

     

    Prevaleceu o desejo do planalto e a a convocação foi barrada. Só que é um dos alvos da investigação que está em curso na PF. Ele prestou o depoimento em 29 de outubro de 25. O conteúdo chegou a alguns integrantes da CPMI. também teve o poder 360 também teve acesso na condição de não divulgar a íntegra. Edson Claro fez nessa ocasião revelações graves contra a Lulinha, embora não tenha havido até agora coleta de provas para comprovar o que afirma o ex-funcionário do careca do INSS.

    Então aqui a matéria, demorou um tempo, mas aqui a matéria está dizendo que é apenas uma acusação que por enquanto não ter prova. O poder 360 tentou durante a quarta-feira entrar em contato com todos os citados nessa reportagem. Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha vive na Espanha e o poder 360 tentou contactá-lo por meio do seu ex-advogado e amigo Marco Aurélio Carvalho.

    Entre aspas, Marco Aurélio respondeu ao poder trábo, talvez por causa do fuso horário, mas acho que essa acusação é absolutamente pirotécnica e improvável. É mais uma tentativa de desgastar a imagem do Fábio Luiz, disse ele. E de certa maneira assim, é muito dinheiro, é uma acusação muito grave. E se tivesse alguma coisa, e aqui eu tô tomando uma posição, tá? Se tivesse alguma coisa já tinha vazado essas transações.

    Por que que vazou só a acusação de uma pessoa? Você toma cuidado com essas coisas, tá? Não fica claro o tipo de sociedade que Lulinha tem ou pode ter mantido com careca do INCS com base no que diz Edson Clar. Aqui a própria reportagem tá agora começando a colocar dúvidas sobre a informação que eles mesmos estão passando.

    Uma possibilidade que está nas investigações é que ambos possam ter relação com aqui eu nem vou ler, tá? Porque pode ser, pode ser, pode ser. Ele já tá induzindo para um caminho. Vamos pular aqui. Aí fala de uma empresa. As citações de contador PT, Roberta e Portugal. As citações a Flávio Fábio Luiz Lula da Silva nas investigações conduzida até agora são fatas.

    Zema sobre Lula: 'Apoio na hora se fizer boas reformas' - Politica - Estado de Minas

    O filho do presidente é citado em situações em que ele poderia ajudar de alguma forma os acusados a fraudar o INSS. Poderia, tá? Ele tá utilizando aqui um um viés de que ah, sim, ele tem contato com o pessoal e poderia. Se são fartas, deveria ter pelo menos uma prova, né? A matéria até agora não apresentou nada. Nas conversas pelo aplicativo de mensagem WhatsApp, uma pessoa que conversa com o careca do INSS diz: “Estar preocupada com a possibilidade de a mídia associá-lo à Lulinha por causa dos negócios da Word Cannaps”. O careca

    do INSS responde tentando tranquilizar a pessoa, dizendo que o seu aparelho não havia sido aprendido. Essa e outras reproduções de conversas via WhatsApp fazem parte da investigação de curso, ou seja, só conversas, não tem ali nenhuma transação financeira ou comprovação de que houve algum pagamento, que é o que diz o título da matéria.

    Lulinha aparece de várias formas em imagens com as reproduções de conversa do WhatsApp, às vezes é nosso amigo. É também citado num envelope com o ingresso para um show de Fábio, filho do Lula. Em outro texto tem isso, abre aspas. Mas é mais do mesmo. Vão tentar jogar o Fábio dentro disso. Fecha aspas.

    É o que parece que a matéria tá fazendo, né? Num diálogo há uma afirmação sobre Lulinha: “Meu amigo gostou. Não se sabe exatamente o que teria agradado o filho do presidente da República.” Ou seja, eles não sabem do que se trata, mas informaram ali, tá? Não, não fizeram o trabalho de, de pesquisar, estão informando hipóteses que eles na reportagem acham que pode ser.

    Jornalismo de hoje em dia, né? É isso. As dúvidas que ainda persistem sobre a exata relação entre Lulinha e o careca do NSS se dão porque a prospecção de dados segue de maneira lenta. O escândalo do NSS se tornou público em abril. Até agora as investigações não avançaram a respeito do que poderia ser o eventual envolvimento do filho do do presidente.

    Aí aqui eles estão fazendo um julgamento de valor sobre como tá indo as investigações, sem saber como estão indo as investigações. Isso aqui é um juízo de valor da matéria, do repórter e ele dá uma tendência clara do que tá acontecendo. E aqui ele diz mais. Segundo apurou o poder 360, uma ala acha que deveria ser acelerada a investigação para esclarecer a participação ou não de Lulinha em algum esquema com o careca do INSS.

    Outro grupo dentro da PF considera ser precipitado, avançar com alguma medida mais drástica e que só há indícios frágeis. Nem vou ler o resto da matéria. Ou seja, o que eles têm aqui é uma pessoa que fez uma denúncia que está na mão da PF, que está na mão da CPMI, que a CPMI teve acesso a isso e vazou. E apesar de ter essa denúncia, não existe nenhuma prova material dessas transferências de R$ 25 milhões e de R$ 300.000 mensais.

    O que eu vou repetir aqui é muito dinheiro. Essa denúncia é uma denúncia de muito dinheiro. Não teria como ele esconder. Se por algum acaso aparecer algo desse tipo, tudo muda. Por enquanto, a única coisa que tem é uma denúncia que a PF, a CPMI e os jornalistas precisam investigar.

  • ALEXANDRE CONSEGUE PROVA-CHAVE PRA PRENDER CLÁUDIO CASTRO E ALCOLUMBRE E VAI PRA CIMA COM PRlSÕES!!

    ALEXANDRE CONSEGUE PROVA-CHAVE PRA PRENDER CLÁUDIO CASTRO E ALCOLUMBRE E VAI PRA CIMA COM PRlSÕES!!

    Ai, ai, ai, ai, ai. Eu tô falando que tá um desespero muito grande em Brasília e também em outros lugares, como por exemplo o Rio de Janeiro. Por quê? Porque a Polícia Federal agora com Alexandre de Moraes como relator tá indo atrás do núcleo político que é utilizado por facções criminosas para que eles consigam cometer tantos crimes, lavar tanto dinheiro e principalmente ali embolsar o dinheiro dos crimes que eles cometem.

    Pois bem, chegou agora a Polícia Federal em dois nomes, tá? E chegou com força. O primeiro, ele tá aí rivalizando com o governo Lula ultimamente porque ele quer indicar ministro dele pro STF, talvez para que ele tenha ali para ajudá-lo quando tiver investigação contra ele. Tô falando aqui do presidente do Congresso Nacional e do Senado, que é o Davi Columbri.

    Olha só, a matéria aí do Wall revelou, e eu fiquei pasmo com essa aí, tá? Revelou que o Davi Columbri, ele é muito amigo de um membro aí do PCC chamado Beto Louco. Vou mostrar aqui foto do Beto Louco. O Beto Louco está foragido, tá? Ele é um, ele é um aí chamado pela imprensa de empresário e tudo mais. Tá aqui a foto dele.

    A dura conversa de Cláudio Castro com Alexandre de Moraes sobre as drogas | VEJA

    Ele é um dos que lavavam dinheiro aí para o primeiro comando da capital. O Beto Louco esteve numa festa na casa do Antônio Ruedo. Antônio Rueda é o é o presidente do União Brasil. É engraçado, né? Só um adendo aqui. A imprensa não faz com União Brasil e com outros partidos a demonização que fazem com o PT. Você percebeu? Toda a cúpula do partido tá envolvida com criminosos de facções criminosas.

    O um dos principais nomes do partido, que é o Rodrigo Bacelar, presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, foi preso por ajudar o comando vermelho. O TH Joias lavava dinheiro pro Comando Vermelho e tinha relações sexuais com um dos líderes do Comando Vermelho. Ele falou: “O quê?” Eh, teve tem vídeo disso aí, procura aí no Google que você vai achar.

    Aí você vê o tamanho da proximidade dele. É próximo até demais. Aí você fala o quê? Também do União Brasil. A imprensa não fala, não cita o nome do partido, não demoniza. União Brasil é o partido do Kim Cataguiri, tá? É o partido do Mamãe Falei, desses aí, porque a imprensa não pode, né? É o partido do Sérgio Moro. Você falaram: “Nossa, que coisa!” Todos no mesmo partido.

     

    É o partido que na verdade União Brasil deveria chamar União das facções do Brasil, porque é um partido que só tem faccionado lá, pelo visto. Pois bem, voltando aqui ao ao caso, o que que aconteceu? Na casa do presidente do União Brasil teve uma festa aí há alguns meses, tá? Nessa festa estavam aí tinha gente que já foi preso pela Polícia Federal por ter ligação com o PCC e estava também o Beto Louco.

    O Beto Louco estava na festa e segundo ali interlocutores da matéria do Wall, vou falar aqui o nome da jornalista, o jornalista Fábio Serapião do Wall. E aí, segundo aí as fontes, ele numa conversa ali, o Davi Columbri falou com o seu amigo Beto Louco, membro do PCC, o seguinte: “Olha, eu tô com dificuldade de conseguir Monjar.

    Monjário, se você não sabe, eu vou te mostrar aqui a foto, é uma caneta emagrecedora, é o Ozenique dos ricos, tá? O o tem o Ozenique, né, que ficou bem famoso, só que tinha um que uma dose disso aí, uma caneta dessa custa R$ 5.000, que é o Ozenique dos. Ele não dá os efeitos colaterais do Zenpic e ele é muito melhor aí, segundo quem já usou.

    Aí você vê tinha alguns anos febre pro Zenpic, depois pro Monjar. Em Brasília tem uma coisa que quase todo mundo tá usando isso aí. Quase todo mundo. É uma febre por isso aí, por mjaro. E aí tinha um negócio, principalmente há alguns meses atrás que era de bastidores, que era, olha, a gente realmente poderosa usa Monjaro.

    Quem é mais ou menos usa o Ozenique. Por quê? Porque o Monjar era proibido no Brasil, não tinha sido regulamentado pela Anvisa ainda. E aí não é que, ah, é proibido porque é uma droga, não sei o quê, mas é tratado como uma droga, é tratado como qualquer outra droga que é proibida no Brasil.

    Se você não sabe, qualquer remédio, é droga, você vai comprar remédio onde? Na drogaria, no nome já diz tudo. Aí o Monjário era uma droga proibida no Brasil porque o não tinha regulamentação ainda na Anvisa. E aí que acontecia? Só gente poderosa conseguir, além de custar R$ 5.000, uma caneta dessas que dura entre 15 dias a um mês, dependendo aí do nível que a pessoa tá usando, fala: “Pô, que tratamento caro, hein? O tratamento custa 5 a 10.

    000 por mês, caro, bem caro.” Ainda tinha o fato de que tinha que contrabandear, né? Você não consegue comprar no Brasil. Então, o que que aconteceu? Davi Columb reclamou pro seu amigo traficante: “Olha, deu ruim aí, eu não tô conseguindo essas canetas emagrecedoras, tudo mais”. Você pode ver que tem muita gente lá em Brasília que ficou assim bem eh bem mais magro.

    E tem uma coisa que é um dos um dos efeitos colaterais tem o mjário e tem o Zenpic, que é a pessoa também acaba perdendo gordura daqui, ó, do rosto, dessas partes aqui do rosto, que às vezes você nem percebe que tem uma gordurinha aqui. E aí o que que acontece? a pessoa acaba envelhecendo muito rápido. Então, se você vê aí alguém famoso, alguém adinheirado, que principalmente famoso adinheirado, que é quem realmente tem dinheiro para comprar esse tipo de coisa e que a pessoa emagreceu muito em pouco tempo e ficou com um cara bem mais

    velha, parece que a pessoa envelheceu 5, 10, 15, 20 anos em pouco tempo, é porque tá usando isso aí. Aí um dos dois, né? Aí em Brasília o dos ricos é o Monjar. OK? Eis que a Polícia Federal tem conversas que agora foram confirmadas, tá? Todo mundo confirmou, só o Davi Colúmero não quer falar com a imprensa, mas foram confirmadas aí conversas de que o Beto louco, a polícia prendeu o celular, o celular ali de todo mundo ligado a ele, inclusive do motorista dele.

    O Beto Louco falou pro motorista dele o seguinte: “Naquela mesma noite: “Olha, vai chegar de avião eh uma pessoa, a matéria não revelou o nome da pessoa com umas canetas de Monjaro. Aí você já sabe o que fazer”. Aí o motorista falou: “É para entregar pro Davi, né? Conheço o motorista dele.” Fala: “Pô, o motorista do Beto Louco já chama o Davi ao Columbre de Davi.

    Já tá chamando o cara de pelo íntimo ali. Conheço o motorista dele também. Tá aí você vê que o Beto Louco no mesmo dia ele mandou: “Pega as canetas de Monjar e não sei o que e já traz logo paraa Brasília”. No mesmo dia isso aconteceu. Aí o no dia seguinte as canetas foram entregues e aí tem uma mensagem do motorista do Davel Columbre para o motorista do Beto Louco em que ele diz: “Olha, já tá, já tá entregue, tá? Já tá recebido aqui.

    Até já falei com o com o Davi, o senador já tá sabendo também, já tá comigo, então considere entregue.” E aí o motorista fala pro Beto Louco, olha, tá tudo OK? O Beto Louco fala: “Ó, obrigado, irmão, abração, tem uma boa noite.” Fala: “Epa”. Então, um traficante do PCC, o cara que lavava dinheiro pro PCC, né? Ele não traficava drogas diretamente, mas se ele tá lavando dinheiro pra facção criminosa, ele é um traficante, sim ou não? Mesma coisa, tá? Aí o cara começou a fornecer remédio, agora tu pode chamar ele de traficante mesmo, que ele tava

    traficando um remédio ilegal. Eu vou chamar de remédio e não de droga por um simples motivo, apesar de todo o remédio ser uma droga. Depois, meses depois, o Monjar foi regulamentado pela Anvisa e o Monjar hoje é legal, mas na época não era. Na época era era uma droga ilegal, hoje é legal. OK.

    Aí o que acontece? Descobre-se, e aí sai saem outras matérias, uma que é do blog do Sacamoto, por exemplo, que o Davi Columb e ah, os motoristas confirmaram essas conversas, tá? Eles confirmaram que isso tudo aconteceu. Então tem testemunhas de que isso aconteceu. Você tá, a Polícia Federal já tem ligação com testemunhas de que o Davel Columbre era muito amigo e fazia negócios aí, como você vê, com o cara aí do PCC que tá foragido.

    Hum. Tá ruim, hein? Tá ruim. Tá, mas calma que vai piorar. Descobrem que nós bastidores o Davi Columbre para conseguir, ele era ainda nessa época candidato à presidência do Senado. O o presidente do Senado era o Davod Pacheco, que é quem o Al Columbri quer indicar pro STF, roubar a indicação do Lula, indicar o amigo dele.

    E aí o Davi Columb pegou essas canetas de Monjaro, não só para ele, mas para distribuir entre vários senadores. E aí ele trocava aí era uma das moedas de troca lá em Brasília do Toma lá da cá, entre outras coisas. para conseguir ali maioria para ser eleito presidente do Senado, fazer um agrado ali aos senadores.

    Ó, tô aí uma caneta, tá? A caneta que eles queriam. Não é caneta que assina, não. É a caneta que coloca aqui na barriguinha e aplica lá o negócio. A fala que coisa. Olha só como é que tá Brasília. Olha, olha o nível disso aqui. O nível das coisas. Aí você vê, a Polícia Federal, então já sabe que esse cara eh e os comparsas dele não são amigos apenas do Antônio Rueda e de outros políticos aata da União Brasil, também do Davi Columbre, presidente do Senado.

    Agora, dá para entender o tamanho do desespero dele para tentar indicar ministro Prostf? Tá em pânico. Eles estão em pânico. O relator disso aí é o Alexandre de Moraes. Prepara. A coisa piora, Thiago, piora, porque o Alexandre de Moraes, na decisão em que mandou prender outro político do União Brasil, que é o Rodrigo Bacelar, presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, o Alexandre de Moraes também cita o Cláudio Castro.

    Ele, o Cláudio Castro foi citado. No que, Thago? Que que citou o Cláudio Castro? Alexandre de Moraes mostra que o Cláudio Castro pode ser o álvo da próxima, tá? Epa, é isso, é isso sim. Cláudio Castro não é do Brasil, esse já é do PL, partido do Bolsonaro. O Cláudio Castro, no dia da prisão do TH Joias, aconteceu uma coisa.

    O Cláudio Castro às pressas ele assinou um despacho para que o Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro fosse publicada uma edição extra do Diário Oficial. Fala, Thaago. Daí você pode perguntar, mas Thiago, por que uma edição extra do Diário Oficial? Para que que serve? Para que que serve o Diário Oficial? Muita gente não sabe, eu vou explicar rapidamente.

    Quando tem uma nomeação para um cargo público, quando tem uma uma exoneração de um cargo público, quando tem edital de concurso público, coisas do tipo, isso tudo sai no Diário Oficial da União. É, o Diário Oficial da União, ele é público. Quando alguém eh é processado, não dá para intimar a pessoa.

     

    Dependendo do tipo de processo, no último caso se intima pelo Diário Oficial. Por quê? Porque o Diário Oficial é público. E aí tá lá tudo, ó. Fulano foi indicado ao cargo de tal, fulano foi exonerado do cargo tal, pela pessoa tal. É isso aí. Por que uma edição extra, Thago? Se o Di oficial sai todos os dias, eu vou te falar porque uma edição extra, porque ele não quis nem esperar até o dia seguinte.

    Geralmente a edição extra quando uma co uma decisão é tomada às pressas ou quando uma decisão é importante demais e não dá para esperar até amanhã. Nesse caso, eram duas coisas. Que que o Cláudio Castro fez? O TH Jas, ele era deputado estadual, amigo do Cláudio Castro, lavava dinheiro para o comando vermelho.

    O TH Joias, eh, ele era segundo suplente de deputado estadual. Thiago, mas o segundo suplente não é deputado. Era por quê? Porque o Otone de Paula, pai, pai do deputado Otônio de Paula, desse evangélico, aquele que ameaçou o Lula de morte, só que agora ele faz oração pelo Lula, parte da esquerda tá abraçando ele.

    A esquerda adora pegar uns refugos da direita, né? O novo aí é o Tôn de Paula. Eh, aí esse aí, o pai dele, deputado estadual, faleceu. Como ele faleceu, abriu uma vaga para deputado. Essa vaga era de um dos secretários, que é o Pisani. Pisciani aí é um cara conhecido no Rio de Janeiro, a família dele toda muito conhecida. E aí o Pisiani se tornou deputado estadual, porém ele não assumiu o carno de deputado estadual porque ele era secretário do Cláudio Castro.

    Secretário, se você não sabe, é como se fosse um ministro do governo do, só que do governo estadual. Que que fez o Cláudio Castro quando o Thoias foi preso? Quando um parlamentar é preso, tem que ter uma votação. Olha que desgraça. Tem que ter uma votação para decidir se mantém a prisão dele ou não.

    E aí ia ter uma votação dali alguns dias, né? serão 45 dias na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Mas você consegue mais vinar a desgraça que ia ser pro Cláudio Castro, principalmente nas redes sociais, porque se tivesse uma votação para salvar o TH Joias, a esquerda ia cair matando para cima do Cláudio Castro. Queria ser um desgaste gigantesco pro cara que quer ser candidato ao Senado ano que vem e que ele quer ser candidato sem apoio da família Bolsonaro que ele não ele não tem uma garantia que vai ter esse apoio, não. Ele acha que

    vai ter, mas não tem uma garantia de 100%. E aí, pô, vai sofrer um desgraço, vai ser achincalhado. Que que fez o Cláudio Castro? Então o Cláudio Castro assinou ali uma edição extra do Diário Oficial da União, exonerando o seu secretário Pisani para que o Pisani voltasse pra Assembleia Legislativa. O Pisciani voltando pra Assembleia Legislativa, o TH Joias, que era segundo suplente, com a morte do Tony de Paula Pai virou o primeiro suplente, com o Pisani sendo secretário, não era mais deputado, o TH Joias virou deputado. Só

    que o Pisciani voltando pro cargo de deputado, o que acontece? o TJAS perde o cargo dele porque ele volta a ser primeiro suplente. Se ele é primeiro suplente, não é mais deputado, o que que acontece? Não tem uma votação para manter a prisão dele ou não. E ali, naquele momento, eles estavam acreditando que eles iam conseguir convencer o poder judiciário a acabar com a prisão do Tega Joias.

    Eles não estavam imaginando que o caso ia subir para Alexandre de Moraes. Pois bem, o Alexandre de Moraes citou isso, falou o quê? E o Alexandre de Morais cita e fala: “Olha, você fez isso para evitar desgaste, porque teriam duas opções. A primeira, o Thoias ia ser salvo. Se ele é salvo, ia ter um desgaste político muito grande para o governador do estado, que é amigo pessoal do cara.

    É o desgaste enorme ali do Tajoias. Só que se ele não é salvo, se por acaso mantém, ia acabar cortar completamente os vínculos dos agentes públicos ali, ou seja, políticos que t vínculo com o CV, com Comando Vermelho, iam cortar, porque, pô, você manteve o cara preso. Só que ele tirando ali o secretário dele do emprego e colocando o secretário dele de volta na Assembleia Legislativa, com isso o THJS perde o mandato, não tem essa votação.

    Moraes vai ao RJ cobrar explicações de Cláudio Castro por megaoperação - Diário do Poder

    E aí ele nem se desgasta de um lado e ele nem se desgasta do outro. E o Alexandre de Moraes cita isso, fala: “Olha, mande aí a Polícia Federal investigar”. E mandou ali. A Polícia Federal agora tá tendo acesso a todos os atos que levaram a essa edição extra do Diário Oficial do Rio de Janeiro. Inclusive, quem foi que escreveu? Qual foi a conta que acessou aquilo? Quem foi que deu a ordem? O horário exato em que foi dada a ordem, o horário exato em que foi ali escrita a decisão extra do Diário Oficial da União? Por quê? Porque

    aquilo foi feito às pressas no dia em que o Teag Joias foi preso. Lembrando que TH Joias ele fugiu. Ele fugiu com a ajuda do Rodrigo Bacelar, que é aliado e na época era braço direito número um do Cláudio Castro. Depois o Barceliu o Cláudio Castro, mas o Cláudio Castro nunca traiu o Barcel.

    Foi o oposto que aconteceu, tá? traiu. Aí o o que aconteceu? O TH Joias acabou preso mesmo assim e aí o o Cláudio Castro na hora pá tira o cara ali para ele perder o mandato para que não tenha votação para não me desgastar e fala: “Ih, lembrando que o Cláudio Castro falou na quarta-feira dessa semana, tem uma declaração dele muito engraçada hoje, né? Declaração envelheceu rápido, envelheceu mal”.

    dizendo que não há núcleo político das facções criminosas no Rio de Janeiro. Menos de 48 horas depois, já sabemos que não apenas há o núcleo político, mas ele é formado pelo braço direito dele, que é o bacelar e por ele mesmo, Cláudio Cácero. Prepara, viu? Coisa vai ficar bem feia pro Cláudio Cácero nas próximas semanas.

    A polícia federal tá pegando todas as provas contra ele. E o Davi Columbri também tá em desespero. A cúpula do União Brasil tá em desespero e a cúpula do Congresso Nacional tá em desespero. Eles temem aí que isso ligado ao caso master, caso master tá com o Tofoli, que isso vire praticamente uma abre aspas nova Lava- Jato. Por quê? Porque vai pegar em cheio o e a cúpula aí do Congresso Nacional.

    Só que não a Lava Jato, aquela lá do Sérgio Moro, que tinha ali perseguição para pegar o PT, para pegar o Luan, não. Essa é para pegar os bandidos mesmo, assim que vai expor um atrás do outro. É isso que eles estão com medo. Veremos. Eu peço aí a sua inscrição no canal. Seguimos aqui na luta contra essa corja maldita. Falou.

    Yeah.