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  • HUGO MOTTA ENTERRA ANISTIA, CONFIRMA BOLSONARO ENJAULADO E ANUNCIA CASSAÇÃO DE EDUARDO BOLSONARO!!

    HUGO MOTTA ENTERRA ANISTIA, CONFIRMA BOLSONARO ENJAULADO E ANUNCIA CASSAÇÃO DE EDUARDO BOLSONARO!!

    A terça-feira em Brasília foi marcada por uma intensa e frenética articulação política que rapidamente transformou a euforia em pânico nos círculos da extrema-direita. O dia, que amanheceu com a promessa de uma grande vitória legislativa, terminou com uma série de reviravoltas que não apenas frustraram as esperanças de anistia total, mas também introduziram um elemento de caos e instabilidade, culminando no anúncio do processo de cassação de um dos filhos do ex-presidente. Os bastidores do Congresso Nacional revelaram uma complexa teia de alianças, ameaças e movimentos estratégicos que expuseram a fragilidade da base aliada e a profundidade da crise política e judicial que cerca o grupo.

    O Eixo Político-Investigativo e a Ameaça Oculta

    O dia de intensas negociações começou com um encontro crucial entre Flávio Bolsonaro e o ex-presidente, que se encontra sob medidas restritivas de liberdade. Logo em seguida, Flávio se reuniu com figuras políticas de peso, notadamente Ciro Nogueira e Luciano Bivar, presidente do União Brasil. A presença desses dois nomes adicionou uma camada de complexidade e controvérsia, visto que ambos são figuras investigadas por supostas ligações com facções criminosas e esquemas de lavagem de dinheiro, de acordo com inquéritos da Polícia Federal. Essa convergência de interesses entre o clã e políticos com histórico de investigações serve como pano de fundo para as negociações que se seguiram.

    O tema central desses encontros, especula-se, foi a ameaça de um racha interno e a necessidade de coesão diante das próximas eleições presidenciais. A ala bolsonarista, ao que tudo indica, utilizou seu maior trunfo: o poder de descredibilização nas redes sociais, o chamado “Gabinete do Ódio”. A mensagem transmitida aos aliados da direita, frequentemente agrupados sob o termo “Centrão”, foi clara e intimidadora. Flávio teria alertado que qualquer candidato que se apresentasse como uma “terceira via” ou uma alternativa de centro-direita ao bolsonarismo seria implacavelmente atacado e desmantelado nas redes.

    Number 3': Bolsonaro's son Eduardo pushes for US pressure on Brazil

    Cogitou-se o lançamento de nomes como o do governador Ratinho Júnior para a presidência, com a crença de que ele poderia avançar para o segundo turno com o apoio do ex-presidente. No entanto, a ameaça de ataques digitais — de “estraçalhar” a reputação nas redes sociais — fez com que os potenciais aliados recuassem. O caso de Tarcísio de Freitas serviu como um exemplo prático do poder destrutivo dessas milícias digitais. Quando Eduardo Bolsonaro, mesmo com seu limitado alcance individual, direcionou críticas a Tarcísio, o governador de São Paulo perdeu três pontos nas pesquisas. Em um cenário eleitoral polarizado, onde uma diferença mínima (como os 1,8% que separaram o atual presidente da vitória no primeiro turno da última eleição) pode ser decisiva, três pontos é um dano estratégico insuperável. O medo de se tornar o “alvo direto” dessa máquina de ódio coagiu os grupos a reconsiderarem qualquer aliança ou candidatura dissidente.

    A Troca de Cavalos: Anistia Derrotada pela Dosimetria

    Em meio a essa pressão interna, o deputado Hugo Motta, um dos articuladores da base aliada na Câmara, anunciou o projeto que levaria o nome da anistia à votação. A reação da sociedade e da oposição foi imediata e avassaladora. Em poucas horas, as hashtags “Sem Anistia” e “Sem Dosimetria” dominaram as redes sociais, refletindo o sentimento majoritário da população. Uma pesquisa revelou que mais de 50% dos brasileiros (53%, para ser exato) eram a favor da manutenção das restrições de liberdade do ex-presidente.

    A pressão popular, somada à resistência da esquerda e à complexidade das negociações, forçou um recuo estratégico. Hugo Motta, inicialmente porta-voz da anistia total, deu uma entrevista na qual enterrou essa possibilidade. A pauta seria trocada: em vez da anistia, que perdoaria os crimes, seria votado o Projeto de Lei da Dosimetria. Este foi o primeiro balde de água fria nos apoiadores, pois a dosimetria, ao contrário da anistia, não garantiria a liberdade imediata.

    Curiosamente, nesse mesmo anúncio, Hugo Motta entregou a segunda grande bomba da noite.

    A Cassação de Eduardo Bolsonaro: Uma Manobra de Artur Lira

    Na mesma reunião de líderes que selou o destino do projeto de anistia, Motta anunciou que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) seria alvo de um processo de cassação de seu mandato parlamentar. O motivo: acúmulo de faltas suficientes para a perda do cargo.

    Eduardo Bolsonaro se encontrava no exterior por decisão própria, nos Estados Unidos, e não estava frequentando as sessões da Câmara. O regimento interno é claro: o exercício do mandato exige a presença física no território nacional e um limite de ausências. O deputado já havia atingido esse limite.

    O anúncio pegou a extrema-direita de surpresa. O prazo estipulado é de cinco sessões para que o deputado apresente sua defesa. Motta indicou que o processo seria concluído rapidamente, talvez na semana seguinte, dada a contagem das faltas. Essa medida é vista por analistas como uma jogada de poder do presidente da Câmara, Artur Lira, que utilizaria o processo de cassação como uma moeda de troca ou um instrumento de “equalização” política. A ideia seria cassar figuras controversas da extrema-direita (como Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli) ao mesmo tempo em que se processa desafetos internos (como Glauber Braga, da oposição), criando um falso senso de imparcialidade, mesmo que os crimes e as acusações sejam de naturezas completamente distintas. Para o clã bolsonarista, a cassação de um de seus membros, mesmo por “falta”, é uma derrota emblemática, mas que não se compara ao objetivo maior: garantir a liberdade do ex-presidente.

    O Texto Final e o Pesadelo Jurídico

    O clímax da tensão veio com a apresentação do texto final do projeto de dosimetria, de autoria do deputado Paulinho da Força. A proposta visa equiparar os crimes de Abolição Violenta do Estado Democrático de Direito e Golpe de Estado, estabelecendo que o condenado cumprirá a pena referente ao crime que tiver a maior sanção. A intenção, por trás da aparente tecnicidade, era reduzir o tempo de reclusão.

    Contudo, a análise do texto final trouxe a mais dura das realidades. Mesmo com a dosimetria, a pena do ex-presidente ainda se manteria na casa de dezenove anos de reclusão. O tempo em regime fechado, a ser cumprido antes da progressão, ficaria em torno de dois anos e nove meses. O projeto, portanto, falhou em seu principal objetivo: libertar o ex-presidente a curto prazo.

    O texto de Paulinho da Força incluiu, ainda, uma cláusula extremamente controversa, que foi descrita nos bastidores como uma “mamata” penal: a possibilidade de que o tempo passado em prisão domiciliar seja utilizado para redução da pena. No Brasil, já existe um sistema que permite a redução de pena por trabalho ou leitura (o condenado lê um livro, faz um resumo e reduz alguns dias da sentença). A inovação do PL é que essa benesse de redução por leitura ou trabalho seria aplicada ao período de prisão domiciliar, mas apenas para os condenados por crimes contra o Estado Democrático de Direito ou Golpe de Estado.

    Essa é uma exceção jurídica de grande peso. Na legislação penal brasileira, um indivíduo condenado por homicídio, mesmo com todas as atenuantes, pode cumprir uma pena de reclusão de cerca de três anos. A criação de um “tipo penal” mais brando, que permite a redução da pena em casa apenas para crimes contra a democracia, escancarou o caráter político da proposta. Enquanto criminosos comuns não têm esse privilégio durante a prisão domiciliar, aqueles que atentaram contra a ordem constitucional teriam uma espécie de “lei especial” à sua disposição. O uso de ferramentas de inteligência artificial, como o Chat GPT, para a elaboração de resumos de livros lidos em prisão domiciliar, foi ironicamente citado como uma forma de burlar o sistema e reduzir substancialmente a pena, o que agravaria ainda mais a anomalia jurídica criada pelo projeto.

    O Pânico da Extrema-Direita e a Ameaça de Retaliação

    A divulgação do texto final causou um imediato “pânico” nos líderes da extrema-direita. A principal preocupação não era apenas o fato de o ex-presidente continuar sob custódia, mas sim o risco de uma retaliação por parte do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente dos ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes.

    O PL da Dosimetria trata apenas dos crimes de Abolição Violenta do Estado Democrático de Direito e Golpe de Estado. Ele não atinge os inquéritos e ações penais em curso por outros crimes graves, como peculato, roubo de dinheiro público, genocídio durante a pandemia ou superfaturamento de vacinas. O receio é que, antes que o ex-presidente atinja a progressão de regime pela condenação atual (18 ou 19 anos), o STF e a Justiça Federal o condenem e emitam novos mandados de prisão por esses outros processos. A retaliação judicial seria um golpe fatal e faria com que o período de reclusão se estendesse indefinidamente.

    Diante do cenário de derrota iminente, o líder do PL na Câmara (amigo de Silas Malafaia), anunciou publicamente a insatisfação do partido com o resultado, qualificando a dosimetria como apenas um “degrau possível”. Ele prometeu que a luta pela anistia total será retomada no próximo ano legislativo, a partir de fevereiro.

    A manobra da dosimetria, portanto, não apenas falhou em seu propósito original, mas também evidenciou a complexidade e a hipocrisia das negociações políticas. O grupo que se posiciona como “defensor da moral e dos bons costumes” atuou para criar uma lei com um privilégio penal específico para quem atenta contra a democracia, enquanto o sistema prisional comum permanece inalterado para os crimes de maior violência. A democracia brasileira, que se provou mais resiliente do que o esperado, conseguiu frustrar a tentativa de anistia total, mas a batalha contra a desarticulação institucional e os privilégios legislativos está longe de terminar. A próxima legislatura promete ser um campo de batalha ainda mais árduo.

  • BEYONCÉ PROCESSA FILME DE BOLSONARO! O FILME RETRATA A FANTASIA BOLSONARISTA NO MUNDO DE NÁRNIA!

    BEYONCÉ PROCESSA FILME DE BOLSONARO! O FILME RETRATA A FANTASIA BOLSONARISTA NO MUNDO DE NÁRNIA!

    O cenário político brasileiro tem sido, há anos, um palco de dramas e comédias que, por vezes, parecem tirados diretamente da ficção. No entanto, o mais recente acontecimento que está agitando o panorama nacional e internacional não é um novo escândalo governamental, mas sim uma produção cinematográfica. O filme sobre Jair Bolsonaro, intitulado em inglês The Dark Horse (O Cavalo Negro, ou O Azarão, em tradução política), não apenas falhou em ser uma obra de arte, mas se transformou em um épico patético de revisionismo histórico e controvérsia que mal chegou às telas e já atrai processos judiciais.

    A primeira impressão do projeto é de confusão. Críticos e espectadores não conseguem classificá-lo: seria uma tragédia, uma ficção de má qualidade ou uma comédia não intencional? O consenso é de que a produção é, no mínimo, malfeita. Não se trata de uma crítica meramente estética, mas de uma percepção generalizada de amadorismo que, ironicamente, parece fazer um retrato fiel do que muitos consideram ter sido a essência da gestão do ex-presidente. A própria base de apoio do ex-presidente, os bolsonaristas, manifestou descontentamento com algumas cenas, chegando a compará-las com a teatralidade exagerada de uma novela mexicana. A crítica, porém, não consegue se deter no ator, pois a própria figura de Bolsonaro é vista como intrinsecamente ligada ao que há de mais caricato e inverossímil.

    O filme, portanto, cumpre a função de espelho, refletindo a metodologia política que ascendeu ao poder: uma construção baseada na excentricidade e no ridículo, onde o interesse primordial não é a ética, o bom senso ou a verdade, mas sim a atenção. A máxima “falem bem ou falem mal, mas falem de mim” é o cerne desta estratégia. E o filme, ao gerar tanta controvérsia, acaba ganhando a propaganda que, talvez, o seu material de baixíssima qualidade não conseguiria por conta própria.

    O ROTEIRO DA MENTIRA: REVISÃO HISTÓRICA E O NOVO HERÓI FICTÍCIO

    O maior problema do filme não reside na atuação ou na cinematografia, mas no seu roteiro. A produção é descrita como uma obra de revisionismo histórico, uma coleção de inverdades que, do começo ao fim, tenta reescrever a história recente do Brasil. O protagonista, Jair Bolsonaro, é apresentado como um defensor dos oprimidos. Acredite, ele é retratado como:

    Um defensor dos povos indígenas.

    Um protetor da natureza e do meio ambiente.

    Um defensor das comunidades quilombolas.

    Um lutador incansável contra criminosos, traficantes e grileiros de terra.

    Essa caracterização é totalmente oposta à percepção pública de suas políticas e declarações durante seu mandato. O roteiro, assinado por Mário Frias, ex-ator e ex-Secretário de Cultura, transforma a biografia do político em uma fantasia, desvinculada de seu histórico de 27 anos como deputado federal e dos quatro anos como presidente, que, segundo a crítica, foram marcados por inação legislativa e uma gestão presidencial controversa, especialmente no que diz respeito ao descaso com as mortes causadas pela Covid-19 e à derrota nas urnas para o atual presidente. O filme, assim, não é um retrato, mas sim uma ficção.

    O FATOR BEYONCÉ E O ATOR QUE VIROU MONTAGEM TEOLÓGICA

    A controvérsia atingiu o nível global com o envolvimento, ainda que indireto, de uma das maiores artistas do planeta: Beyoncé. Circulam informações de que a cantora estaria articulando um processo judicial contra a produção do filme, especificamente contra Mário Frias, por conta do uso não autorizado de sua música. A especulação é que a artista não deseja que seu trabalho seja associado a um projeto que carrega tamanhas acusações de conteúdo político e ideológico questionável. Para a cantora e para qualquer artista que preze pela reputação e coerência, ter sua obra atrelada a uma produção tão polarizada e controversa é um risco que se deseja evitar a todo custo.

    Secret Bolsonaro biopic starring Jim Caviezel currently in production | Fox  News

    No centro do elenco, a escolha para interpretar Bolsonaro também gerou espanto. O papel principal foi dado ao ator norte-americano Jim Caviezel. A ironia não passou despercebida, afinal, Caviezel ganhou notoriedade mundial ao interpretar Jesus Cristo no filme A Paixão de Cristo. A jornada cinematográfica do ator foi descrita com sarcasmo como uma “montanha-russa teológica do céu direto para o inferno,” de Jesus a Bolsonaro.

    Além de sua interpretação de figuras bíblicas, Caviezel é conhecido por suas declarações polêmicas e por se alinhar a teorias da conspiração e narrativas da direita radical americana. Essa escolha levanta a suspeita de que a seleção de elenco não foi baseada apenas em mérito artístico, mas em um forte alinhamento ideológico, indicando que o filme é, antes de tudo, um manifesto político. Ninguém de seu calibre aceitaria um papel tão controverso sem uma afinidade prévia.

    OS BASTIDORES DO MISTÉRIO: FINANCIAMENTO SECRETO E PROJETO POLÍTICO

    O aspecto mais intrigante de The Dark Horse é a cortina de fumaça que o envolve. O filme é um projeto internacional que, supostamente, está sendo rodado em locações espalhadas pelo Brasil, Estados Unidos e Nepal, com uma equipe estrangeira. No entanto, a produção surgiu do nada, sem os anúncios habituais em grandes veículos da indústria, sem produtoras consolidadas divulgando o projeto e, o mais importante, sem nenhum registro sólido de quem está financiando a obra.

    O silêncio sobre a origem do dinheiro é ensurdecedor. Um filme internacional, com um ator famoso e gravações em três países, exige um orçamento significativo. O fato de não haver transparência sobre o financiamento transforma a produção em um verdadeiro mistério.

    Quem está pagando por esta reabilitação de imagem?

    É neste ponto que o filme transcende a categoria de entretenimento e entra na esfera da geopolítica. A ausência de clareza levanta a suspeita de que o projeto é, na verdade, uma operação política internacional disfarçada de arte. O próprio título, Dark Horse, tem um peso político na língua inglesa, referindo-se ao candidato subestimado ou injustiçado que vence no final.

    Essa é exatamente a narrativa que os apoiadores de Bolsonaro tentam vender desde 2018: a de um “azarão” que superou o sistema. O filme, portanto, pode estar sendo financiado e planejado para criar uma “mitologia cinematográfica” em torno de Bolsonaro, reabilitando sua imagem internacionalmente e pavimentando um caminho para uma possível futura ascensão política.

    As perguntas se acumulam: Seria este filme parte de um plano internacional de reabilitação? Estaria o dinheiro vindo de redes extremistas dos Estados Unidos ou de outros grupos alinhados a essa ideologia? O projeto cheira menos a cinema e mais a propaganda política de alto risco.

    A VERGONHA DA ESPÉCIE: QUANDO A ESTUPIDEZ ASSUME O TRONO

    A reflexão que a ascensão de Bolsonaro e agora a produção deste filme provocam leva a um questionamento mais profundo sobre a natureza humana e a liderança. Em uma comparação frequentemente utilizada, a diferença entre os humanos e os animais reside em algo vergonhoso para a nossa espécie: os animais, por instinto, nunca permitiriam que um estúpido liderasse a manada. Nenhum lobo seguiria um líder fraco, e nenhum leão obedeceria um covarde.

    Os humanos, no entanto, parecem ser a única forma de vida capaz de entregar o comando ao pior entre nós – ao mais barulhento, ao mais arrogante e ao mais vazio. Seguimos a aparência e o discurso, e confundimos gritaria com autoridade, enquanto a inteligência se cala e a estupidez assume o trono, governando com convicção.

    The Dark Horse não é apenas um filme, mas um sintoma dessa falha social. É a materialização de uma tentativa de reescrever uma história controversa com mentiras, financiada por forças ocultas com um claro objetivo ideológico. A verdade é que nenhum filme deste porte nasce na escuridão, e nenhum ator de tal nível se arrisca em um papel tão polêmico sem alinhamento político. Este silêncio sobre o financiamento e a produção fala mais alto do que qualquer comunicado oficial. A história do Brasil não pode ser reescrita sem que se questione cada etapa desse projeto. É imperativo que a investigação sobre a origem desse dinheiro e o propósito real dessa “propaganda disfarçada de arte” se aprofunde.

  • A TÁTICA DO SEQUESTRO: SADI DESMASCARA A CHANTAGEM DE FLÁVIO E A FRAQUEZA DE HUGO MOTTA

    A TÁTICA DO SEQUESTRO: SADI DESMASCARA A CHANTAGEM DE FLÁVIO E A FRAQUEZA DE HUGO MOTTA

    A política brasileira, notória por suas reviravoltas e manobras de bastidores, vive mais um de seus momentos de alta tensão e incerteza. O que parecia ser apenas o lançamento de mais uma candidatura para a presidência da Câmara dos Deputados – a de Flávio Bolsonaro – foi rapidamente desmascarado como uma tática política muito mais antiga e complexa: um sequestro orquestrado da agenda legislativa. O presidente da Casa, Hugo Motta, cuja liderança é descrita por analistas como fraca, teria cedido a esta manobra, colocando em votação, em regime de urgência, o polêmico Projeto de Lei da Dosimetria.

    A notícia, que ecoou nos corredores da Câmara e nas mesas de análise política, foi destrinchada com clareza pela jornalista Andreia Sadi, em parceria com Otávio Guedes. A essência do debate não reside na capacidade eleitoral de Flávio Bolsonaro, mas sim no preço que o sistema está disposto a pagar para desmobilizar uma ameaça. A pauta em questão, o chamado PL da Dosimetria, tem o efeito prático de reduzir as penas para aqueles condenados em razão da tentativa de golpe de estado ocorrida em 8 de janeiro.

    O Sequestro da Pauta e a Troca de Peças

    A revelação central desta dinâmica é a de que a candidatura de Flávio, na visão de líderes do Centrão e da própria apuração jornalística, não passava de um artifício. A família Bolsonaro, historicamente, demonstra uma capacidade de trocar as peças em um tabuleiro de negociação para sequestrar o debate político e forçar o resgate de pautas de interesse.

    Família Bolsonaro na política - 08/10/2018 - Política - Fotografia - Folha  de S.Paulo

    O episódio atual remonta a táticas anteriores. Há alguns meses, por exemplo, o nome de Eduardo Bolsonaro foi usado em uma pressão similar, condicionando o trabalho pela reversão de certas tarifas à concessão de anistia para os envolvidos. Naquele momento, o Centrão, pragmático, rejeitou a anistia como inviável e direcionou a negociação para o tema da dosimetria.

    A dosimetria, neste contexto, surge como o “primeiro pagamento” deste resgate político. Não é a anistia total e irrestrita desejada por alguns, mas é uma medida concreta que oferece uma redução de pena aos condenados. A lógica de negociação, vista pelos partidos de centro e direita, foi clara: se a anistia é inatingível, foca-se na dosimetria, que é mais palatável politicamente e, portanto, possui maior chance de aprovação.

    Essa decisão, conforme apurado por Sadi, foi construída nos bastidores com líderes do Centrão e de partidos de direita como um “aceno” direto no contexto da ameaça da candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência da República. O movimento demonstra uma engenharia política onde a ameaça de um nome impopular ou divisivo é usada como alavanca para aprovar uma legislação de interesse.

    O Custo Político do Sobrenome

    O drama se aprofunda na conversas de Flávio Bolsonaro com os partidos do Centrão. Ali, ele foi confrontado com uma realidade dura e direta: sua candidatura é percebida como uma medida egoísta. Os líderes expressaram que o campo da direita necessita construir uma candidatura com chances reais de disputar o poder contra o campo da esquerda, e Flávio, neste cenário, não é visto como o nome ideal.

    A crítica mais incisiva recai sobre o capital político da família: o sobrenome Bolsonaro, no olhar frio dos negociadores do Centrão, é hoje um passivo, e não um ativo. Essa percepção desmantela a tentativa de Flávio de se posicionar como o “Bolsonaro moderado”, uma narrativa que não encontrou eco na bancada. O recado foi inequívoco: se ele insistir na candidatura, caminhará sozinho, contando apenas com o apoio de seu partido, o PL, e sem o suporte da ampla frente do Centrão.

    Além da questão eleitoral, os líderes alertaram Flávio sobre o risco de ficar sem mandato caso persista nesse caminho, uma avaliação fundamentada na análise das pesquisas de opinião. A conversa, travada em tom de advertência amigável, buscou fazê-lo refletir sobre a estratégia arriscada que estava adotando.

    A Dosimetria como Prioridade do Centrão

    O ponto crucial da negociação não era a anistia – que Flávio tentou defender em conversas privadas – mas sim a dosimetria. O Centrão questionou a lógica do Senador: por que defender uma anistia que é politicamente impossível de ser aprovada, quando é possível aprovar uma dosimetria que pode, concretamente, reduzir a pena de aliados que estão na cadeia, como o ex-ministro Anderson Torres?

    A defesa do PL da dosimetria por parte do Centrão não é apenas um favor ao clã Bolsonaro; é uma estratégia de sobrevivência e proteção de seus próprios quadros. A medida beneficia diretamente aliados que foram condenados pelos atos de 8 de janeiro.

    Adicionalmente, o cálculo político-penal que permeou as conversas confirmou o que já era de conhecimento: a dosimetria, se aprovada, traz benefícios diretos ao ex-Presidente Jair Bolsonaro. Os cálculos feitos por advogados indicam que a pena de Bolsonaro poderia ser reduzida em aproximadamente dois anos e meio, passando de 27 anos e 3 meses para 24 anos e 10 meses.

    Essa redução, embora não seja a libertação esperada pelos seus apoiadores mais fervorosos, representa uma vitória tática no âmbito judicial. O fato de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) terem recebido a notícia dessa possível redução sem grande perplexidade, definindo-a como “não o pior dos mundos”, apenas sublinha a complexidade da legislação penal em jogo.

    A discussão sobre o escalonamento da redução de pena – que varia de 25% para réus primários até 50% ou 60% em casos mais graves, como crime hediondo ou comando de milícia – levantou um ponto de ironia amarga: a lei estaria categorizando o crime de 8 de janeiro em um patamar de gravidade semelhante ao de milícias, um contraste chocante com a narrativa de que os envolvidos eram apenas “senhorinhas pacíficas com a Bíblia na mão”.

    A Perspectiva de Poder e o Passivo Eleitoral

    A aliança do Centrão com o clã Bolsonaro é puramente transacional. Os líderes partidários, embora muitos sejam amigos pessoais de Flávio, são movidos por cálculos frios de probabilidade. Eles buscam quem tem mais chance de angariar votos, fundo partidário, perspectiva de poder e, acima de tudo, capacidade de liderar uma frente vitoriosa.

    O consenso entre este grupo é que Flávio Bolsonaro não é esse candidato. Em um cenário onde se buscam nomes como Tarcísio de Freitas ou Ratinho Junior, Flávio se torna um elemento de divisão. A leitura deles é que, mesmo que Flávio insista, eles não o acompanharão, pois o custo de tê-lo como líder é maior do que o benefício.

    Internamente, há ainda a preocupação de que Jair Bolsonaro repita o movimento feito por Luiz Inácio Lula da Silva em 2018, ao tentar constranger os demais candidatos de direita, nomeando um sucessor de forma unilateral. O receio é que, se Flávio levar a candidatura até o fim, os demais partidos simplesmente se retirem, deixando-o isolado.

    O reflexo dessa insatisfação não se restringe aos líderes políticos. A análise da repercussão nas redes sociais, mesmo entre os seguidores mais leais, revelou uma frustração crescente. Comentários direcionavam-se a um apelo: “Vocês só pensam em vocês. Lancem o Tarcísio ou a Michelle, mas Flávio Bolsonaro não dá.” A bandeira da moral e da ética, historicamente hasteada por este campo político, é vista como comprometida por uma candidatura percebida como puramente egoísta.

    O turbilhão na Câmara, portanto, não é apenas sobre a presidência da Casa. É sobre a reconfiguração da direita brasileira, a negociação de penas de alto perfil e a fragilidade de um clã político que tenta usar táticas de pressão que, no jogo frio do Centrão, estão se tornando cada vez mais caras e menos eficazes. A urgência na votação da dosimetria é o preço da chantagem, mas também a prova da vulnerabilidade no coração do poder legislativo.

  • O Boomerang do Circo Político: Como a Tentativa de Atacar o Filho de Lula Colocou Romeu Zema no Foco da CPMI do INSS

    O Boomerang do Circo Político: Como a Tentativa de Atacar o Filho de Lula Colocou Romeu Zema no Foco da CPMI do INSS

    O Espetáculo da Hipocrisia e a Trama de Desviar o Foco

    A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as graves fraudes e o desmonte no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tornou-se, nos últimos dias, o palco de uma das mais tensas e reveladoras batalhas políticas do cenário nacional recente. O que deveria ser um rigoroso inquérito focado em proteger milhões de aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC, vítimas de esquemas de roubo milionários, transformou-se em um espetáculo de acusações sem lastro probatório e manobras desesperadas, orquestradas por alas da oposição, em uma tentativa clara de desviar a atenção pública dos verdadeiros focos de investigação.

    A cena central desse drama político girou em torno de Fábio Luís Lula da Silva, mais conhecido como Lulinha, o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em um movimento que o próprio governo classificou como “patético” e “absurdo”, a oposição buscou a convocação de Lulinha para depor, baseada em alegações frágeis e que carecem de qualquer fundamentação jurídica ou prova material contundente, visando apenas criar manchetes negativas e atacar o presidente pela via familiar.

    A acusação, veiculada por veículos de imprensa e amplificada por figuras bolsonaristas como o deputado Nicolas Ferreira, sustentava que Lulinha teria recebido uma espécie de “mesada” mensal de cerca de R$ 300 mil, totalizando a cifra astronômica de R$ 25 milhões em valores repassados por Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, preso desde setembro de 2025 e uma figura central no esquema de fraudes.

    Essa narrativa explosiva tinha um único ponto de sustentação: o depoimento de uma única testemunha, Edson Claro, ex-funcionário de Camilo Antunes. No entanto, o próprio contexto da investigação e a ausência de provas documentais tornam a alegação altamente questionável. Como bem apontado pelos governistas, e até mesmo por partes da reportagem que vazou o depoimento, é virtualmente impossível esconder transações dessa magnitude (R$ 25 milhões e pagamentos mensais de R$ 300 mil) sem deixar um rastro documental que, até o momento, não foi apresentado sequer à Polícia Federal ou à própria CPMI.


    O Confronto e a Derrubada da Farsa

    A estratégia oposicionista, caracterizada por ser um “jogo rasteiro”, encontrou uma resposta firme e eloquente vinda da bancada governista, personificada na postura do ministro Paulo Pimenta. Em um dos momentos mais marcantes da CPMI, Pimenta demonstrou uma postura inabalável e elegante, desmantelando a manobra bolsonarista em questão de segundos.

    A essência da defesa foi clara: exigência de prova. O desafio lançado aos parlamentares que propunham a convocação e propagavam a acusação era simples e direto: “Apresentem aqui um documento da CPI, que apresentem aqui uma prova do que disseram”. A ausência de qualquer documento, extrato, comprovante de transferência ou nexo causal entre Fábio Luís e os desvios associativos do INSS apenas reforça a tese de que o objetivo não era investigar, mas sim fazer “espetáculo” e transformar a comissão em um “circo político”.

    Paulo Pimenta participa do Roda Viva e discute os assuntos mais comentados  na política brasileira — Secretaria de Comunicação Social

    O alvo da oposição não era o crime em si, mas o desgaste da imagem presidencial. No entanto, esse tipo de tática expõe a profunda hipocrisia que permeia certos setores da direita. O transcript aponta para uma gritante dualidade de critérios: por um lado, uma única testemunha, que sequer apresentou provas materiais, é suficiente para condenar moralmente o filho do presidente na arena pública; por outro, quando se trata de investigações envolvendo figuras de seu próprio campo político—como o ex-presidente ou seu círculo próximo—e que, segundo a narrativa da base aliada, possuem “toneladas de provas, arquivos, áudios, vídeos de reunião” de planos mais graves, todas as evidências são sumariamente ignoradas e tratadas como invenções.

    A política, nesse cenário, é reduzida a um jogo de ataque e defesa, onde a verdade factual é secundária em relação à criação de uma narrativa impactante para as redes sociais. A preocupação demonstrada pelos governistas não era apenas defender Lulinha, mas proteger a própria seriedade do inquérito. O objetivo do requerimento era, inequivocamente, desviar o foco da investigação dos “verdadeiros responsáveis dentro do INSS” que, segundo a base governista, agiram durante a gestão anterior para permitir que “quadrilhas de ladrões roubassem aposentados, aposentadas, pensionistas”.


    A Blindagem e o Preço da Ação Afoita

    O termo “blindagem” foi exaustivamente repetido nos debates da comissão, mas com significados diferentes para cada lado. A oposição usou a palavra para acusar o governo e a base aliada de protegerem Lulinha e, em momentos anteriores, bancos e outros citados. Já a base aliada via a manobra como uma tentativa desesperada de blindar os “verdadeiros culpados” do período Bolsonaro, que se beneficiaram de fraudes e desvios.

    O ponto crucial é que a imunidade parlamentar, embora ampla, não protege ninguém contra o crime. Como alertou a bancada governista, qualquer acusação repetida “aqui fora daqui que repetir, que afirmar que recebia mesada, que recebeu dinheiro, vai ter que provar o que disse, porque a imunidade parlamentar não protege ninguém contra crime”. Este é um lembrete severo de que a veiculação de fake news e a transformação de suspeitas em fatos concretos, sem respaldo documental, podem e devem gerar responsabilidade criminal e civil para quem as propaga.

    Apesar da veemência da oposição, a tentativa de convocação de Lulinha foi derrotada. A base governista conseguiu expor a fragilidade das acusações e a natureza puramente política da manobra. Isso marcou uma derrota significativa para o Centrão bolsonarista, que apostava todas as suas fichas na criação desse escândalo para reverter a pressão que recaía sobre seu campo político.


    O Boomerang Político: Romeu Zema é Convocado

    A virada de mesa, o momento de maior impacto e ironia política, veio logo em seguida. Enquanto a oposição celebrava em parte o barulho que fez com a acusação contra Lulinha, o Congresso aprovou a convocação de outra figura proeminente: o governador de Minas Gerais, Romeu Zema.

    A convocação de Zema se deu para que ele depusesse sobre as fraudes em consignados envolvendo a empresa de sua própria família, o Banco Máter, e a Cocaro, também citada no caso. Este movimento, aprovado no calor da disputa, demonstrou que as tentativas de “desvio de foco” podem, na verdade, acabar colocando o holofote em figuras que a oposição preferiria manter nas sombras.

    A convocação do governador Zema, um dos nomes fortes da direita e potencial candidato à presidência, é um golpe retumbante. Enquanto o ataque contra Lulinha desmoronou por falta de provas, a convocação de Zema, para depor sobre fraudes concretas em consignados, eleva o patamar da investigação a um nível que a oposição jamais esperava.

    O resultado final do episódio foi um poderoso boomerang político. A artilharia, inicialmente direcionada ao Planalto e à família presidencial, acabou atingindo uma figura de peso da própria direita. A derrota na tentativa de convocar Lulinha e a vitória na convocação de Zema significaram, em termos de narrativa, uma vitória para a base governista e um forte revés para o campo bolsonarista.


    Conclusão: O Que Realmente Importa

    O episódio na CPMI do INSS é um retrato fiel da política brasileira contemporânea: uma guerra de narrativas onde a busca por manchetes e a criação de inimigos políticos muitas vezes ofuscam o trabalho sério de investigação. O grande drama, no entanto, permanece inalterado.

    A CPMI foi criada para investigar um crime hediondo: assaltar a dignidade e o sustento de milhões de idosos e pessoas vulneráveis. A oposição, ao tentar desviar o foco para acusações frágeis contra a família do presidente, corre o risco de ser vista como cúmplice da blindagem dos verdadeiros responsáveis pela fraude.

    O resultado do confronto — a derrota da convocação de Lulinha e a aprovação da convocação de Zema — reafirma a necessidade de que a política volte a ser pautada por fatos e provas. O circo se encerrou, mas a investigação, agora, deve voltar aos trilhos e garantir que todos os personagens, de todos os espectros políticos, que foram responsáveis por permitir que esta “quadrilha de ladrões roubasse aposentados”, sejam punidos na forma da lei. O povo brasileiro está atento e exige que a justiça seja feita, não contra os alvos políticos escolhidos a dedo, mas contra aqueles que roubaram o salário mínimo de quem trabalhou a vida inteira.

  • “Compartilhe Minha Cama ou Congele!”: A Exigência Apache que Salvou o Cowboy Solitário da Mais Fria Noite

    “Compartilhe Minha Cama ou Congele!”: A Exigência Apache que Salvou o Cowboy Solitário da Mais Fria Noite

    “Compartilhe Minha Cama ou Congele!”: A Exigência Apache que Salvou o Cowboy Solitário da Mais Fria Noite

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    O ano era 1881, fim de dezembro, e o Território de Wyoming jazia sob semanas de neve e vento. Os invernos ficaram mais rigorosos nos últimos anos. Ou talvez fosse assim que Matthew Cole os sentia.

    Ele tinha 36 anos, um homem que vivia há muito tempo com sua dor. Fora marido e pai; sua esposa morrera de febre, seu filho, dias depois. Isso aconteceu há três invernos.

    Desde então, sua vida se resumia a manter a cabana de pé, alimentar seus cavalos e garantir que ele acordasse para mais um dia. Ele não bebia. Não jogava. Não procurava as cidades, pois as cidades traziam pessoas, e pessoas significavam perguntas.

    Ele ficava onde estava porque não tinha outro lugar para ir, e o silêncio era mais fácil do que responder a qualquer um.

    Sua cabana ficava a meio quilômetro da trilha. Um único cômodo, teto baixo, uma cama de tábuas, uma mesa, duas cadeiras e um fogão que abrigava o único calor. Era um lugar para sobreviver, não para viver.

    Sua missão agora era simples: passar o inverno, cortar lenha suficiente, manter os cavalos alimentados e esperar que a solidão não o esvaziasse mais do que já o fizera.

    Na noite em que a batida veio, a tempestade estava se formando desde o anoitecer. O vento uivava contra as paredes, sacudia as persianas, chacoalhava a trava da porta. A neve caía de lado nas janelas.

    Ele estava sentado à mesa com uma lamparina acesa, costurando uma tira de couro. O rifle estava encostado ao lado, por hábito.

    No início, ele pensou ter imaginado: um baque contra a porta, fraco sob a tempestade. Ele congelou, a agulha no meio do couro.

    Então veio outra batida, mais alta, urgente e real. Seu peito apertou. Ninguém vinha até ali sem motivo.

    Ele pegou o rifle e atravessou o quarto em silêncio.

    Ao abrir a trava e puxar a porta, o rifle inclinado, mas não levantado, uma mulher estava lá, semi-enterrada na neve. Ela se inclinava para a frente, como se a própria tempestade a empurrasse.

    Seu cabelo, longo e preto, agarrava-se ao rosto em mechas congeladas. Sua pele era bronzeada. Os lábios rachados pelo frio, e seus olhos, escuros, agudos, inquebrantáveis, mesmo enquanto seu corpo tremia, fixaram-se diretamente nos dele.

    Ela usava um vestido de pele de veado, esfarrapado no decote e na bainha. O tecido estava rígido de geada e grudava em suas curvas onde as costuras haviam desfiado em seu peito. Seu decote mostrava-se de uma forma que não pretendia seduzir, mas não podia ser ignorada.

    Sua voz veio rouca, cortada pelo vento: “Compartilhe minha cama ou congele.”

    Por um momento, seu instinto foi fechar a porta. Ele havia estabelecido regras: mais ninguém. Sem envolvimentos. Sem motivos para ter esperança.

    Ele prometeu a si mesmo que nunca mais seria responsável por outra vida.

    Ele sentiu um lampejo de pânico com a ideia de alguém entrando na cabana e em seu silêncio, mas seus olhos captaram o tremor de seus ombros. Se ele a deixasse lá, ela estaria morta antes do amanhecer. Ele sabia disso.

    Ele baixou o rifle, deu um passo para trás e não disse nada.

    Ela atravessou a soleira rápido, como se soubesse que ele poderia mudar de ideia a qualquer segundo. O calor do fogão a atingiu, e ela ofegou.

    Matthew fechou a porta contra a tempestade. Ela virou-se para encará-lo, os olhos cansados, mas inflexíveis. Ela parecia alguém a quem foi dito para implorar, mas escolheu comandar.

    Ele pegou um cobertor e o colocou perto do fogão. Ela sentou-se lentamente, puxando-o sobre os ombros, mas nunca desviou o olhar dele.

    Ele serviu um ensopado ralo em uma tigela de lata e o colocou à frente dela. Ela hesitou por meio segundo, depois pegou-o com as duas mãos e bebeu. Os olhos dela suavizaram-se apenas ligeiramente, mas ele viu o alívio em seus ombros.

    Ele se encostou na mesa, braços cruzados, observando-a comer. Sua mente corria rápido. Quem era ela? Por que estava ali?

    Ele sentiu o aperto no peito novamente, não pânico desta vez, mas algo que não sentia há anos: a pontada de responsabilidade.

    Ele atiçou o fogão e, quando se virou, ela estava de pé, o cobertor ainda em seus ombros. Ela foi para a cama dele sem perguntar. Puxou as cobertas para o lado e deslizou para debaixo delas, ainda observando-o, os olhos escuros e firmes. Ela deixou um espaço ao lado dela, deixando claro o que esperava.

    Matthew ficou parado, pensamentos pesados. Ele se lembrou da esposa naquela cama, das noites de calor antes que a doença viesse. Ele lembrou-se de segurar o filho até que ele ficasse imóvel.

    Tudo nele queria manter a parede erguida, mas a tempestade pressionava a cabana.

    Ele se moveu por fim, lento e deliberado, ainda de botas, e sentou-se na beira da cama. Ela se aproximou, o ombro roçando o braço dele. O calor dela infiltrou-se nele, a respiração quieta, mas firme.

    Nenhum dos dois falou. A tempestade preencheu o silêncio. Matthew olhou para o teto, cada músculo tenso, sabendo que ela estava viva porque ele a deixara entrar. Pela primeira vez em três invernos, a cabana não estava vazia.

    A tempestade não cedeu durante a noite. Rasgava as paredes da cabana e agitava as vigas do telhado.

    Matthew permaneceu rígido em um lado da cama, de botas, as costas semi-viradas para a mulher. Ele podia sentir o calor dela através das cobertas. Toda vez que ela se movia, seus músculos ficavam tensos.

    Parte dele queria se afastar, manter aquele muro de silêncio intacto. Mas outra parte, mais teimosa, dizia-lhe para deixá-la ficar.

    A noite se estendeu lentamente, e nenhum dos dois falou. Ele tentou não notar os detalhes: o cabelo secando, o contorno de seu corpo. O sono veio em intervalos curtos.

    Pela manhã, a tempestade havia se acalmado, mas deixou o mundo lá fora profundamente enterrado. O silêncio após o vento era pesado.

    Matthew levantou-se primeiro. Ele acendeu outra lamparina antes de alimentar o fogão. Ele olhou para ela, ainda na cama. Ela estava acordada, observando-o com atenção. Seu rosto tinha mais cor agora.

    “Eu preciso saber seu nome,” disse Matthew finalmente, a voz baixa, mas firme.

    Ela hesitou. “Nia,” ela respondeu. A palavra carregava força.

    Matthew assentiu. “Você vem de alguma tribo próxima.”

    Ela balançou a cabeça. “Não, meu povo se dispersou. Alguns mortos, alguns levados.” Ela olhou para o chão. “Eu caminhei por muitos dias. Homens me seguiram. Eu os perdi na tempestade.”

    Isso respondeu às perguntas que ele vinha pensando. Ela não estava ali por acaso.

    Matthew serviu café em duas xícaras de lata e colocou uma para ela. Ela pegou-a lentamente, os olhos fixos nos dele, como se ainda estivesse insegura se ele a puxaria de volta.

    “Você pode ficar até que a tempestade se quebre,” disse Matthew após um longo silêncio. As palavras eram mais pesadas do que deveriam. Trazê-la para a cabana significava enfrentar as perguntas que ele havia enterrado.

    Nia o estudou com aqueles olhos escuros. “Eu fico até poder andar sem congelar,” ela disse. Não um pedido, apenas um fato. Matthew sentiu um lampejo de respeito por sua teimosia.

    Ele colocou outra porção de ensopado à frente dela. Enquanto ela comia, Matthew observou suas roupas. O vestido não era adequado para o inverno de Wyoming.

    Ele pegou uma camisa de lã em um pequeno baú. “Você vai precisar disto,” ele disse.

    Os olhos dela piscaram para a camisa. Após uma pausa, ela pegou-a. Ela não a vestiu, ainda não.

    O dia passou em silêncio, quebrado apenas pelo som de tarefas. Matthew limpava a neve, checava os cavalos, rachava lenha. Toda vez que voltava para dentro, ela estava lá, perto do fogo, às vezes olhando para ele, às vezes olhando para as chamas com um olhar distante que falava mais do que ela dizia em voz alta.

    Ao cair da noite, o vento havia se acalmado. Matthew estava limpando seu rifle. Nia levantou-se de seu lugar e se moveu até ele. Sem falar, ela vestiu a camisa que ele lhe dera, sobre seu vestido rasgado.

    Então ela sentou-se em frente a ele. “Você também perdeu alguém,” ela disse baixinho.

    Matthew parou de limpar o rifle. Ele olhou para cima, sobressaltado. Ele pensou na febre da esposa, na pequena mão do filho. Ele não falava deles desde que morreram.

    Ele forçou a mandíbula a relaxar. “Sim,” ele disse por fim, nada mais.

    Nia não pressionou. Ela apenas assentiu, como se entendesse o suficiente.

    Desta vez, quando se deitaram, Matthew tirou as botas. Ele deitou-se devagar, sentindo o calor dela quando ela se aproximou. Ele não a tocou. Mas a presença dela aliviou o vazio que vivia nele há muito tempo. A cabana não era mais apenas um abrigo para um.

    A manhã seguinte trouxe um sol pálido, suficiente para lançar uma fraca luz prateada sobre as planícies. A neve estava profunda. Matthew sabia que viajar seria impossível por dias.

    Ele estava na janela. Nia estava sentada na cama. Ela parecia mais forte. Matthew sentiu o peso da responsabilidade se aprofundar. Ela disse que homens a haviam seguido.

    “Você vai me contar mais,” ele disse, a voz calma, mas carregada.

    Nia olhou para ele, depois baixou os olhos. “Eles eram comerciantes,” ela disse por fim. “Homens que compram e…”

    A voz dela falhou. Matthew esperou.

    “Eles vendem o que pegam. Eles nos atacaram porque eu vi algo que não deveria.”

    “O quê?”

    “Uma mulher. Amarrada. Eles a estavam transportando. Ela estava doente.”

    Elias sentiu um calafrio que não era do vento. “Eles estão vindo por você porque você é uma testemunha.”

    “Eles não vão parar. Eles sabem que eu sou Apache. Eles não esperam que a lei me proteja.”

    “Eles estão errados,” disse Matthew.

    Naquela manhã, eles trabalharam juntos em um silêncio confortável. Nia o ajudou a cortar madeira. Suas mãos eram fortes. Ela não agia como um fardo.

    Na terceira noite, Nia não se moveu para a cama imediatamente. Ela olhou para ele, seus olhos buscando o dele. “Eu posso me curar aqui. Eu posso trabalhar.”

    “Eu sei,” ele disse. Ele nunca duvidou de sua força.

    “Eles vão parar de me procurar se pensarem que eu estou morta.”

    Matthew olhou para ela. Ele entendeu. “Eles não vão acreditar que a tempestade te levou.”

    “Mas eles acreditarão se você disser a eles que me vendeu.”

    A proposta a atingiu com a força de um choque. “O quê?”

    “Um comerciante branco. Em uma tempestade. Se você disser que me vendeu para ele por suprimentos. Eles vão parar de me procurar.”

    “Eu não vou vendê-la, Nia.”

    “Não de verdade. Apenas a história. Eles acreditarão que eu desapareci no sistema deles. Eles vão te deixar em paz.”

    Matthew olhou para a mulher que pedia que ele fizesse o impensável para salvá-la. Ele viu a inteligência e a coragem em seus olhos.

    “Vai demorar meses para que eles parem de procurar,” ele disse.

    “Meses em que eu estarei segura. E em que você não terá que ficar sozinho.”

    Matthew ficou de pé. Ele se lembrou da solidão que o havia esvaziado. E agora, a presença dela o preenchia.

    “Tudo bem,” ele disse. “Você fica. Mas nós não vamos contar mentiras. Nós vamos dizer a verdade.”

    Nia franziu a testa. “A verdade?”

    “A verdade é que eu te encontrei ferida. Que você está se curando aqui. E que, se Caleb Miller ou qualquer um dos comerciantes vier até aqui, eles terão que passar por mim.”

    Ele olhou para ela com uma firmeza que ela nunca tinha visto. “E se você pudesse me dar um novo motivo para não desistir, eu aceitaria.”

    O rosto de Nia suavizou-se. Ela não tinha pedido amor, apenas segurança. Mas ele estava oferecendo mais. Ela se aproximou e o abraçou, a testa encostada em seu peito. “Obrigada.”

    A primavera chegou, lenta e fria. Matthew e Nia trabalhavam juntos. Nia tinha um dom para cavalos e para as ervas que cresciam no deserto. Ela transformou a cabana fria em um lar.

    No dia em que Thomas, o líder dos comerciantes, finalmente apareceu, ele estava sozinho e parecia cansado.

    “Você está escondendo a mulher Apache,” ele disse, sem rodeios.

    Matthew estava na frente do celeiro. “Eu a encontrei. Ela está aqui.”

    Thomas riu. “Eu esperava uma luta. Não uma confissão. Ela vale um bom preço, Cole.”

    “Ela não está à venda.”

    “Ela é uma testemunha de negócios ruins. Ela precisa desaparecer.”

    “Ela não vai desaparecer.”

    Thomas puxou uma faca. “Isso é estúpido. Por que você está se arriscando por uma selvagem?”

    “Porque ela é a única pessoa que se atreveu a me pedir ajuda. E porque eu sou o único que se atreveu a dar.”

    A luta foi rápida e feia. Matthew, embora mais velho, era mais forte. Ele desarmou Thomas e o jogou na poeira.

    “Diga a Caleb Miller que Nia fica,” Matthew disse. “E se alguém mais vier, eu estarei esperando.”

    Thomas foi embora. Nia saiu do celeiro. Ela correu até Matthew, inspecionando-o. “Você está bem?”

    “Eu estou bem.” Ele sorriu, um sorriso que ela nunca tinha visto.

    Eles voltaram para a cabana. O perigo havia passado.

    Anos depois, eles ainda estavam na cabana. A casa estava maior, havia novas janelas, e o quarto tinha sido expandido. Nia era a fazendeira e a curandeira da região. Matthew era um marido feliz.

    Em uma noite de inverno, enquanto o vento uivava, Nia se aconchegou perto dele. “Lembra quando eu disse: ‘Compartilhe minha cama ou congele’?”

    Matthew riu. “Eu lembro. E eu sinto muito por ter demorado tanto para escolher.”

    “Você fez a escolha certa,” ela disse.

    Eles se beijaram. O amor que cresceu na solidão da cabana de pinho era forte e real. A vida de Matthew não era mais um ato de sobrevivência, mas uma história de amor. Aquele inverno, que deveria tê-lo quebrado, foi o começo de tudo.

  • “Você Vai Fazer Sexo Conosco”: A Proposta das 3 Gigantes Que Herdaram a Fazenda do Cowboy Solitário

    “Você Vai Fazer Sexo Conosco”: A Proposta das 3 Gigantes Que Herdaram a Fazenda do Cowboy Solitário

    “Você Vai Fazer Sexo Conosco”: A Proposta das 3 Gigantes Que Herdaram a Fazenda do Cowboy Solitário

    A escritura parecia mais pesada do que deveria nas mãos calejadas de Boon Whitmore enquanto ele olhava para a fazenda que deveria estar vazia.

    Três mulheres estavam na varanda como sentinelas, suas estruturas imponentes projetando longas sombras sobre as tábuas de madeira.

    A mais alta, com braços que poderiam lutar com um touro, deu um passo à frente com um sorriso que não alcançava seus olhos azuis frios.

    “Você deve ser o novo proprietário,” ela disse, sua voz carregando o peso de alguém acostumado a conseguir o que queria. Mas havia algo mais em seu tom, algo que fez os pelos da nuca de Boon se arrepiarem.

    As outras duas mulheres flanqueavam seus lados, igualmente altas e musculosas, observando-o com a intensidade de predadoras avaliando sua presa.

    Boon havia viajado por três dias através de terreno difícil para chegar a esta propriedade remota. Suas economias de uma vida investidas no que o vendedor prometeu ser terra fértil, perfeita para a criação de gado.

    O isolamento fazia parte do apelo, uma chance de recomeçar longe das complicações da vida na cidade. Agora, parado no pátio empoeirado com estas três estranhas reivindicando seu espaço, o isolamento parecia mais uma armadilha.

    “Senhoras, acho que houve algum engano,” disse Boon, mantendo a voz firme, apesar do desconforto. “Esta é minha propriedade agora. Eu tenho os documentos legais aqui mesmo.” Ele ergueu a escritura.

    O sorriso da mulher se alargou, revelando dentes que pareciam afiados demais. “Ah, nós sabemos exatamente quem você é, Boon Whitmore. Estávamos esperando por você.”

    A maneira como ela disse o nome dele o gelou. Como ela sabia quem ele era? O vendedor havia garantido que a transação era privada.

    “Temos vivido aqui há bastante tempo,” a segunda mulher falou, a voz mais grave. “Cuidando da terra, mantendo-a aquecida.” Ela enfatizou a última palavra de uma maneira que apertou o estômago de Boon com uma emoção que ele não conseguia nomear.

    A terceira mulher, uma ruiva com sardas que salpicavam seus ombros poderosos, soltou uma risada baixa. “O proprietário anterior fez certos arranjos conosco antes de partir. Arranjos que não desaparecem apenas por causa de um pedaço de papel.”

    Boon sentiu o peso dos olhares como uma pressão física. Elas não eram ocupantes ilegais comuns ou vizinhas confusas. Havia algo deliberado e calculado em sua presença.

    “Que tipo de arranjos?” Boon perguntou, embora parte dele temesse a resposta.

    Os olhos da mulher alta brilharam com algo que não era bem diversão. “O tipo que envolve você ficar aqui conosco permanentemente.” Ela fez uma pausa, deixando as palavras afundarem antes de desferir o golpe que mudaria tudo. “Você vai fazer sexo conosco, Boon. Com nós três. É assim que as coisas funcionam.”

    As palavras o atingiram como um golpe físico. Não por desejo, mas pela audácia e ameaça que carregavam. Aquilo não era sedução. Era algo mais.


    A mão de Boon congelou a meio caminho do rifle. “Eu não sei que tipo de jogo vocês estão jogando,” ele disse, forçando firmeza em sua voz. “Mas eu paguei caro por esta terra, e não vou a lugar nenhum.”

    Ele desmontou devagar, mantendo os movimentos deliberados e não ameaçadores.

    A mulher alta riu, um som desprovido de calor. “Jogo? Ah, Boon, isto não é um jogo. Isto é negócio.” Ela gesticulou para a fazenda. “Veja, o homem que lhe vendeu esta propriedade nos devia algo. Uma dívida que não desaparece só porque ele fugiu com seu dinheiro.”

    A ruiva avançou. “Marcus Vance fez promessas que não pôde cumprir. Disse que trabalharia a terra conosco, seria nosso parceiro em mais de uma maneira. Quando isso não deu certo, ele nos prometeu que o próximo proprietário honraria seus compromissos.” Seus olhos verdes fixaram-se em Boon. “Esse seria você.”

    Boon sentiu o primeiro ataque real de pânico. Marcus Vance. Era o nome do vendedor. Mesmo que isso fosse verdade, “nenhum homem pode fazer promessas em nome de outra pessoa, especialmente promessas desse tipo.”

    A segunda mulher, de cabelos mais escuros, riu. “Você realmente não entende como as coisas funcionam aqui, não é? Quando você está tão longe da civilização, das leis, as regras tradicionais não se aplicam. Nós fazemos nossos próprios arranjos.”

    “A escritura é legal,” Boon insistiu. “Protocolada no escritório territorial, testemunhada, selada. O que quer que Marcus Vance tenha prometido a vocês pessoalmente, não tem nada a ver comigo.”

    O sorriso da líder desapareceu, substituído por algo mais frio. “Documentos legais não significam nada aqui quando você está a três dias do xerife mais próximo. Além disso,” a ruiva acrescentou, “nós temos nossa própria papelada, contratos que Marcus assinou, acordos que mencionavam especificamente a transferência de obrigações para qualquer futuro proprietário.”

    Ela tirou um papel dobrado do bolso, e o coração de Boon afundou. As peças se encaixavam: Marcus Vance o vendera deliberadamente para algum tipo de arranjo?

    Mas havia algo mais no comportamento delas, algo que ele não conseguia identificar sob a intimidação. Ele sentiu algo quase como anseio. A maneira como os olhos da líder se demoravam nele.

    O documento parecia oficial o suficiente. “Vocês estão blefando,” disse Boon, embora sua voz não tivesse convicção. “Nenhum tribunal honraria um contrato que envolva forçar alguém a isto.”

    A mulher de cabelos escuros desceu da varanda. “Quem disse alguma coisa sobre tribunais? Nós lidamos com nossa própria justiça aqui.” Ela se movia com a confiança de quem nunca perdeu um confronto físico. Boon deu um passo involuntário para trás.

    “Meu nome é Helena,” disse a líder, seu tom quase de conversa. “Esta é Ruth,” ela acenou para a mulher de cabelos escuros, “e Magdalene.” A ruiva deu um pequeno aceno. “Estávamos esperando por você há semanas, Boon. Marcus o descreveu perfeitamente.”

    “O que quer que Marcus tenha dito sobre mim, ele não tinha o direito.”

    A expressão de Helena suavizou ligeiramente. “Boa fé,” ela repetiu, quase melancólica. “Marcus não era de muita boa fé. Ele nos usou,” Magdalene acrescentou, sua voz carregando uma mágoa que surpreendeu Boon. “Ele aproveitou nossa hospitalidade, nosso trabalho, nossos afetos. E então decidiu que era muito problemático e fugiu com o dinheiro da venda da terra que melhoramos.”

    O quadro estava se formando. Elas foram traídas. E agora viam Boon como sua salvação ou sua vingança.

    “Então você vê,” Helena continuou, aproximando-se. “Nós temos uma reivindicação legítima aqui, não apenas sobre a terra, mas sobre o que nos foi prometido, o que Marcus se comprometeu e depois abandonou.”

    Boon notou os detalhes que havia perdido: a leve tremedeira nas mãos de Helena ao falar sobre traição. Ele se perguntou se, sob toda a ameaça, havia atração genuína. E, mais perturbador, ele estava começando a senti-la também?

    “Mostre-me este contrato,” disse Boon finalmente, surpreendendo-se com a firmeza de sua voz. “Se Marcus realmente assinou algo que me vincula, eu tenho o direito de ver exatamente o que diz.”

    Magdalene desdobrou o documento. A assinatura de Marcus Vance estava claramente visível, junto com um selo notarial.

    “Isto é um acordo de parceria,” disse Boon, lendo os termos. “Para operações agrícolas, participação nos lucros, e,” ele pausou em uma cláusula incomum, “apoio mútuo e companheirismo para todas as partes envolvidas.”

    “Marcus era inteligente com as palavras,” disse Ruth, movendo-se para ficar ao lado de Boon. Sua proximidade era perturbadora. “Ele fez promessas que pareciam românticas, mas eram, na verdade, arranjos de negócios, e vice-versa.”

    “A terra tem sido lucrativa sob nossa gestão. Construímos sistemas de irrigação, melhoramos o solo,” explicou Helena. “Marcus se beneficiou do nosso trabalho por meses antes de decidir que queria sair. Mas em vez de honrar seus compromissos, ele encontrou um comprador e desapareceu com o dinheiro, deixando-nos apenas um pedaço de papel que aparentemente transfere suas obrigações para quem comprasse a propriedade.”

    “Mesmo que este contrato seja legítimo,” disse Boon lentamente. “Eu não o assinei. Eu não posso ser responsabilizado por acordos feitos por outra pessoa.”

    A expressão de Helena mudou, e Boon vislumbrou algo vulnerável. “Você está certo,” ela disse calmamente. “Legalmente, você provavelmente não está vinculado. Mas moralmente, investimos tudo nesta terra. Não temos para onde mais ir.”

    “Não estamos pedindo que você honre cada detalhe do que Marcus prometeu,” disse Ruth. “Mas estamos pedindo que você considere que podemos construir algo melhor juntos do que qualquer um de nós sozinho.”

    A resistência de Boon vacilou. “O que exatamente vocês estão propondo?”

    As três mulheres trocaram olhares. A resposta dele determinaria não apenas seu futuro imediato, mas potencialmente o resto de sua vida.


    Helena deu um passo à frente. “Estamos propondo uma parceria real,” ela disse, sua voz carregando um calor que não estava lá antes. “Não o arranjo hesitante que Marcus ofereceu, mas algo genuíno. Trabalhamos a terra juntos, compartilhamos os lucros igualmente, e,” ela o encarou diretamente, “compartilhamos nossas vidas.”

    “Vocês três,” disse Boon lentamente. “Estiveram juntas desde que Marcus partiu.”

    Ruth assentiu, um leve rubor colorindo seu rosto. “Encontramos conforto uma na outra depois que ele nos abandonou. Começou como sobrevivência, mas se tornou algo mais, algo que não queríamos perder.”

    “Nós sabemos como isso soa,” disse Magdalene. “Três mulheres pedindo a um estranho para se juntar a elas em algo que a maioria das pessoas nunca entenderia. Mas aqui, as regras convencionais não se aplicam. Nós criamos nossa própria família, nossos próprios laços.”

    “O aspecto físico,” disse Boon, sua voz mais rouca. “O que isso significaria exatamente?”

    O sorriso de Helena voltou, desta vez genuíno. “Significaria o que for natural para todos nós,” ela disse simplesmente. “Sem pressão, sem exigências, apenas a liberdade de explorar o que se desenvolve entre nós enquanto construímos algo juntos.”

    “E se não funcionar?” perguntou Boon.

    “Então nós resolvemos como adultos,” disse Ruth. “Mas Boon, nós o observamos. O respeito que você demonstrou. Achamos que pode funcionar.”

    “Eu preciso ver o que vocês construíram aqui,” disse Boon.

    Ruth o levou para os campos. Boon ficou impressionado com a sofisticação do sistema de irrigação que ela havia criado. Magdalene juntou-se a eles para mostrar a criação de gado. “Estabelecemos relações comerciais com três assentamentos diferentes,” ela explicou. A fazenda estava prosperando.

    “A casa,” disse Helena, ao voltarem, “tem quatro quartos. Estávamos usando três, mas sempre tivemos esperança.”

    “Não estamos pedindo uma resposta hoje,” disse Ruth. “Esta é uma grande decisão.”

    Mas Boon percebeu que sua decisão já estava tomada. O que ele sentia era o chamado da pertença.


    Naquela noite, eles compartilharam uma refeição. A atmosfera havia mudado de confronto para otimismo cauteloso.

    “Há mais uma coisa que você deve saber,” disse Helena. “Marcus nos deixou com mais do que apenas promessas quebradas. Há dívidas que ele contraiu em nosso nome. Pessoas que esperam pagamento que não podemos fornecer sozinhas.”

    “Que tipo de dívidas?” perguntou Boon.

    Magdalene abriu um livro-razão. “Suprimentos que ele pediu, mas nunca pagou. Ele usou nossa reputação para garantir mercadorias, depois desapareceu antes que as contas vencessem.”

    “O suficiente para nos arruinar se não pagarmos,” disse Ruth calmamente.

    “Tenho capital da venda das minhas posses anteriores, o suficiente para liquidar estas dívidas e investir na expansão,” disse Boon. O alívio nos rostos delas foi imediato.

    “Mas eu tenho condições,” continuou Boon. “Se fizermos isso, faremos da maneira certa. Documentos legais de parceria, acordos claros sobre responsabilidades. E nós daremos tempo para que os relacionamentos pessoais se desenvolvam naturalmente. Sem pressão.”

    “É tudo o que sempre quisemos, Boon,” disse Helena. “Uma parceria real com alguém que nos veja como iguais, não como objetos.”

    Três meses depois, Boon estava no mesmo pátio. A operação havia se expandido. O mais importante: os quatro haviam encontrado um ritmo que funcionava profissional e pessoalmente.

    Helena tornou-se sua confidente. A sabedoria de Ruth e seu pensamento inovador tornaram-na indispensável. A lealdade de Magdalene e seu espírito apaixonado o conquistaram. O arranjo que parecia impossível naquele primeiro dia havia evoluído para algo belo e funcional.

    Eles haviam criado sua própria família, suas próprias regras.

    “Algum arrependimento?” perguntou Helena, sentando-se ao lado dele.

    Boon olhou para cada uma delas. “Apenas um,” ele disse, surpreendendo as três. “Eu me arrependo de que tenha sido preciso a traição de Marcus Vance para nos unir. Poderíamos ter feito isso há muito mais tempo.”

    A risada delas ecoou pela noite. Em um mundo que exigia conformidade, eles escolheram a conexão. E nessa escolha, encontraram algo precioso e duradouro.

  • Cowboy Encontra Três Apaches no Riacho, Que Não Fogem: O Início de Uma Escolha Corajosa no Kansas

    Cowboy Encontra Três Apaches no Riacho, Que Não Fogem: O Início de Uma Escolha Corajosa no Kansas

    Cowboy Encontra Três Apaches no Riacho, Que Não Fogem: O Início de Uma Escolha Corajosa no Kansas

    O sol pairava alto sobre as colinas de Wyoming naquela tarde pesada de verão de 1879. Grant Macauen seguia o riacho estreito com passos firmes e cuidadosos, verificando a cerca que parecia sempre quebrar após uma noite de vento forte.

    Ele se portava da mesma maneira desde que enterrara sua irmã, dois anos antes: ombros eretos, mandíbula cerrada, o silêncio sendo um hábito que ele não se incomodava mais em quebrar.

    A terra permanecia quieta, exceto pelo murmúrio do riacho e o roçar suave dos galhos contra sua camisa.

    Ele parou ao ouvir algo que não pertencia ao gado, ao vento ou aos pássaros: um respingo suave seguido por uma risada silenciosa e leve. Aquele som o fez ficar rígido, pois ele não ouvia alegria tão de perto há muito tempo.

    Grant avançou com cautela, afastando um galho. A cena do outro lado o congelou no lugar. Três jovens mulheres Apache estavam com a água na altura dos joelhos em uma curva rasa do riacho.

    A água escorria em suas pernas enquanto lavavam a sujeira e o suor da pele. Seus cabelos pendiam longos e pesados. Seus vestidos de pele de veado estavam sobre as rochas próximas.

    As mulheres o viram no mesmo segundo em que ele as viu. Todo movimento parou. Os olhos se aguçaram, os corpos ficaram tensos, como se esperassem o pior.

    Grant levantou ambas as mãos ligeiramente, palmas abertas, e recuou, sem dizer uma palavra. Seus dedos não se aproximaram do revólver em seu quadril. Ele manteve o olhar fixo no chão à sua frente.

    Uma mulher saiu da água devagar, a água escorrendo por suas pernas enquanto pegava a parte de cima do vestido na rocha. Ela pressionou-a contra o peito, a respiração irregular, mas não correu.

    Essa mulher, Seiya, tinha um vestido rasgado. A frente rasgara na altura do peito durante o que quer que tivessem sobrevivido, deixando uma linha visível que ela tentava proteger com o braço.

    Grant manteve o foco constante e respeitoso no chão entre eles, para que ela soubesse que ele não tinha a intenção de machucar.

    “Não queremos problemas,” ela disse em inglês cauteloso e com sotaque, a voz tensa de medo e exaustão.

    “Eu também não,” Grant respondeu calmamente, no mesmo tom que usava com cavalos assustados. “Estou apenas verificando minha cerca.”

    Ela o estudou. A companheira permaneceu logo atrás, observando cada respiração dele.

    “Você veio sozinho?” ela perguntou.

    “Sim.”

    Grant estendeu a mão lentamente até sua bolsa de sela e pegou um embrulho envolto em pano. Ele o colocou em uma rocha plana a meio caminho entre eles, depois recuou novamente.

    As mulheres não se moveram. Então Seiya se aproximou, os olhos fixos nele até que alcançou o embrulho e levantou o pano. Dentro havia pão.

    Ela partiu um pedaço, deu um pouco para as outras, e quando olhou para ele, algo em sua postura havia mudado. Ainda havia preocupação, mas o medo agudo havia diminuído.

    “Qual é o seu nome?” ela perguntou.

    “Grant Macauen.”

    Ela tocou o decote rasgado novamente, tentando manter o tecido junto. “Meu nome é Seiya.”

    O nome se instalou entre eles como algo frágil. Grant inclinou a cabeça em reconhecimento. Seiya notou como ele mantinha as mãos paradas e nunca se aproximava da arma.

    “Nós não estávamos nos banhando por conforto,” disse Seiya, a voz apertando novamente. “Nosso acampamento foi atacado. Corremos para a floresta. Minha irmã foi levada.”

    Grant não pressionou por mais. “Eu sinto muito.”

    Ela olhou para o tecido molhado do vestido e depois para ele. “Não nos resta nada.”

    “Vocês podem pegar cobertores,” disse Grant, acenando para seu cavalo. “E mais pão.”

    Seiya trocou um olhar com as outras mulheres. Ela se aproximou lentamente enquanto Grant colocava os itens no chão. Quando ela pegou o cobertor, seus dedos roçaram a borda da mão dele por um breve segundo. O contato a assustou, mas ela não se afastou. Grant permaneceu parado, firme.

    Quando ela finalmente recuou, apertou o cobertor contra o peito. “Você nos ajudou sem pedir nada,” ela disse.

    “Parecia que vocês precisavam.”

    O silêncio se alongou. O sol baixou, e as companheiras de Seiya se reuniram com seus pertences. Antes de partirem, Seiya olhou para Grant mais uma vez.

    “Você é diferente dos homens de quem fugimos,” ela disse suavemente.

    “Estou apenas tentando fazer o certo.”

    Ela assentiu, depois se afastou com as outras. Seus pés descalços deixaram marcas úmidas nas rochas até que as árvores engoliram seus últimos rastros. Grant permaneceu no riacho muito depois que elas desapareceram. Pela primeira vez em anos, o silêncio ao seu redor não parecia o mesmo.


    Grant seguiu a cerca até que o céu escureceu. Seu ritmo era o mesmo, mas sua mente voltava constantemente para a curva do riacho.

    Seus passos arrastaram-se pela terra seca enquanto ele caminhava em direção à cabana. Ele viu o contorno familiar do pequeno prédio, mas notou algo. Fumaça subia fraca da chaminé. Ele não havia acendido o fogo.

    Isso significava que outra pessoa o tinha feito.

    Ele diminuiu o passo imediatamente. Atingindo a beira do pátio, ele notou pequenas pegadas descalças na entrada. Três pares.

    Elas tinham vindo para cá. As mesmas mulheres. Ele não esperava que elas confiassem nele.

    Ele entrou devagar. O fogo crepitava baixo no fogão, emitindo um brilho laranja que preenchia a cabana. As três mulheres Apache estavam sentadas perto do fogão, envoltas nos cobertores dele.

    Seiya levantou-se imediatamente. “Viemos porque não tínhamos para onde mais ir,” ela disse, a voz quieta, mas firme. “Não arrombamos. A porta não estava trancada.”

    Grant exalou lentamente. Não estava zangado. “Vocês estão seguras aqui. Podem ficar até recuperarem as forças.”

    Seiya se aproximou. “Os homens que atacaram nosso acampamento não eram invasores de passagem. Eles estão nos procurando. Eles conhecem estas florestas. Se nos escondermos nas árvores, eles nos encontrarão antes do amanhecer.”

    Grant entendeu. Caçadores habilidosos. Homens que não parariam.

    “Por que eles invadiram seu acampamento?” ele perguntou, dando a Seiya a chance de preencher a lacuna que o ouvinte exigiria.

    Ela engoliu em seco. “Nos recusamos a sair. Eles queriam nossos cavalos. Queriam minha irmã porque ela pode trocar ervas e remédios.”

    “Onde era o seu acampamento?”

    “Cerca de cinco quilômetros a nordeste, perto da crista da rocha rachada. Não podemos voltar.”

    Grant puxou uma cadeira e gesticulou para que se sentassem. Seiya o observava com uma avaliação silenciosa, como alguém decidindo se um homem pode ser confiável a longo prazo.

    “Você está ferida,” disse Grant, notando o tremor sutil em seus braços. “Todas vocês estão.”

    Ele pegou uma pequena caixa de estanho e a colocou na mesa. “Eu tenho pomada e ataduras.”

    Nenhuma das mulheres se moveu. Grant esperou. A paciência dele foi a resposta de que precisavam.

    Seiya se aproximou primeiro, sentando-se à sua frente. Ela colocou a mão na mesa, com a palma para baixo, mostrando um arranhão nos nós dos dedos. Grant abriu a lata, mergulhou os dedos na pomada e fez uma pausa, esperando que ela assentisse antes de tocá-la.

    Ele aplicou o unguento com pressão firme e cuidadosa. A respiração dela diminuiu, não de dor, mas por perceber que ele não estava tentando reivindicar nada através do gesto.

    “Por que você não nos deixou no riacho?” perguntou Seiya, observando-o. “A maioria dos homens teria ido embora ou tentado nos forçar a segui-los.”

    Grant não olhou para a mão dela enquanto enfaixava seus nós dos dedos. “Você parecia assustada. Eu não encurralo pessoas assustadas.”

    “Você não fala muito.”

    “Falar não me ajudou muito no passado.” A resposta dele tinha peso. Fez com que ela parasse.

    Ela se inclinou ligeiramente. “O que aconteceu com sua irmã?”

    Grant manteve o movimento firme enquanto respondia. “Disputa de terra. As pessoas agiram com raiva. Ela foi pega no meio.”

    “Ela era jovem?” Seiya perguntou, a voz baixa.

    “Jovem demais.”

    Ele terminou de enfaixar sua mão e colocou os suprimentos restantes na mesa para que as outras duas mulheres pudessem se aproximar.

    Seiya não se afastou. Ela permaneceu sentada à sua frente.


    Lá fora, o vento mudou. Alguém ou algo se moveu perto da linha das árvores. Grant levantou-se imediatamente, ouvindo, a cabeça inclinada para a janela.

    O som não era alto, mas também não era aleatório. As mulheres congelaram. Seiya levantou-se e se aproximou dele instintivamente.

    Grant moveu-se para a janela, levantando a cortina apenas o suficiente para ver o pátio escurecendo.

    “Eles estão perto,” sussurrou Seiya.

    “Talvez,” murmurou Grant. “Ou talvez seja apenas o vento.” Ambos sabiam que não era apenas o vento.

    Grant abaixou a cortina e virou-se para ela. “Vocês podem ficar aqui esta noite. Barrem a porta quando eu sair. Vou garantir que nada esteja se aproximando demais.”

    Seiya agarrou seu pulso, detendo-o. O toque dela era leve, mas firme. “Não nos deixe sozinhas por muito tempo.”

    Grant assentiu. “Não vou.”

    Ele saiu. As mulheres fecharam a porta.

    Grant moveu-se para o pátio e notou um conjunto de pegadas na poeira. Rasas, deliberadas, e espaçadas como as de alguém tentando não ser ouvido. Não eram as pegadas das mulheres. Eram maiores, mais pesadas. Alguém as tinha seguido.

    Ele voltou para a porta, bateu duas vezes e esperou que a barra fosse levantada.

    “Você encontrou algo,” disse Seiya.

    “Pegadas,” respondeu Grant. “Alguém rondou o quintal antes de eu chegar em casa. Estava observando.”

    Seiya deu um passo à frente. “Os homens que levaram minha irmã não são estranhos a esta terra. Eles se movem em pequenos grupos. Eles se esgueiram, depois atacam rápido.”

    “Por que eles as seguiriam para tão longe do seu acampamento?” ele perguntou.

    Seiya aceitou um copo de água, as mãos tremendo. “Porque eles levaram minha irmã. E eles acham que voltaremos por ela. Eles a estão usando como isca.”

    Grant sentou-se. Seiya respondeu às perguntas não feitas.

    “O nome dela é Ta. Ela tem 17 anos. Ela conhece medicina. Os invasores a levaram porque ela pode mantê-los vivos por mais tempo.”

    “Por que vocês não procuraram ajuda do seu povo?”

    “Nossa tribo se dispersou dias atrás. Não sabemos onde eles estão agora. E não sabemos mais em quem confiar.”

    A menor das mulheres perguntou: “Eles virão aqui?”

    “Se viram seus rastros levando para este lugar,” disse Grant, cuidadosamente. “Eles podem vir, mas ainda não estão perto. Temos tempo.”

    “Por que você está nos ajudando?” perguntou Seiya suavemente.

    Os olhos de Grant baixaram por um momento. “Porque eu vi o que acontece quando as pessoas são deixadas sozinhas com o perigo se aproximando. Eu não vou deixar isso acontecer aqui.”

    A resposta dela fez a respiração de Seiya diminuir, não de alívio, mas por reconhecer um homem que havia perdido alguém e se recusava a repetir o erro.

    Seiya notou que Grant não tinha fotos de família ou itens pessoais. Ela se aproximou. “Não há presentes de sua irmã?” ela perguntou gentilmente.

    “Eles queimaram no fogo que a levou,” ele disse.

    Seiya colocou a mão na mesa perto da dele. “Você não precisa ficar sozinho com essa memória.”

    Lá fora, o vento mudou novamente. Grant foi para a janela e levantou a cortina. “Eles ainda não estão aqui,” ele disse. “Mas estão procurando.”

    Seiya se aproximou dele, o ombro roçando seu braço. “O que faremos?”

    “Amanhã,” disse ele, a voz firme. “Nós vamos encontrar sua irmã.”

    O fôlego de Seiya parou. “E esta noite?” ela perguntou.

    “Esta noite,” disse Grant, abaixando a cortina. “Vocês ficam na cabana, e eu vigiarei.”

    Ela tocou as costas de seu pulso. “Eu confio em você.”

    Grant apenas permitiu que o momento se instalasse entre eles.


    Grant ficou perto da porta, ouvindo a escuridão se instalar. Ele sabia que não havia lugar seguro para enviá-las. “Não há lugar seguro para onde enviar vocês,” ele disse baixinho. “A crista é muito aberta, e a cidade é muito longe. Resolveremos isso aqui.”

    Seiya acordou e o viu. “Você não dormiu.”

    “Estou bem,” ele respondeu. “Preciso que você esteja firme quando começarmos a procurar por sua irmã.”

    Ela se levantou. Ela olhou para um pequeno cavalo de madeira esculpido em uma prateleira. “Isso pertencia à sua irmã?”

    “Ela fez para mim.”

    “Ela deve ter amado você.”

    “Ela era brilhante, gentil demais para o mundo em que vivíamos,” ele disse. “Eu carrego a memória dela porque mais ninguém o fará.”

    Um baque suave soou lá fora, um som abafado de bota batendo na terra. A postura de Grant mudou instantaneamente.

    “Há alguém lá fora,” disse Grant. “Ele está verificando o lugar antes que os outros cheguem.”

    “Ele virá até a porta?” perguntou Seiya.

    “Ainda não. Ele está esperando o escuro ficar mais profundo.”

    Grant vestiu o casaco. “Ele precisa saber que este lugar não é um alvo fácil.”

    “Você estará caminhando para o perigo,” disse Seiya, a voz trêmula.

    “Eu não planejo lutar. Eu só quero que ele saia da propriedade.”

    Seiya agarrou o pulso dele novamente. “Se algo acontecer com você, não sobreviveremos.”

    “Nada vai acontecer comigo.”

    “Volte,” ela sussurrou.

    “Eu voltarei,” ele disse.

    Ele saiu. O homem escondido entre as árvores se moveu. Grant parou na beira do pátio, as mãos abertas.

    “Você já viu o suficiente,” ele disse na escuridão. “Se você se aproximar, responderá a mim.”

    O homem recuou para a escuridão mais profunda, movendo-se silenciosamente. Grant esperou. Quando ele voltou para a cabana, Seiya abriu a porta com alívio visível.

    “Ele se foi,” disse Grant. “Mas voltará com mais homens.”

    “Saímos ao primeiro sinal de luz,” disse Grant. “Encontraremos sua irmã antes que a usem para encontrar vocês.”


    Ao amanhecer, Grant liderou-as para longe do rancho. Ele usou uma trilha antiga de caça.

    “Eles ainda estão avançando para o sul,” ele murmurou. “Eles não perceberam o erro.”

    “Onde eles a estão mantendo?” perguntou Seiya.

    “Na ravina, perto da rocha rachada.” Grant estudou a terra, observando o ângulo das rochas e os esconderijos. “Eles colocarão um guarda na entrada, outro mais fundo. O líder ficará perto de Ta.”

    “Como você sabe disso?”

    “Porque é assim que eu faria se não quisesse que ninguém entrasse ou saísse.”

    Seiya não discutiu. Ela liderou as outras mulheres para trás de um pinheiro caído.

    “Não me deixe para trás,” ela sussurrou para Grant.

    “Eu não vou,” ele respondeu.

    Grant deslizou para a ravina com passos medidos. O ar estava frio. Ele viu o reflexo fraco de algo metálico à frente. Uma arma.

    Ele encontrou o guarda e o derrubou. Um a menos.

    Ele se moveu para uma clareira escondida. Duas barracas improvisadas. Dois homens sentados. E Ta, sentada ao lado de um tronco caído, com os pulsos frouxamente amarrados. Ela estava viva, mas com hematomas.

    Grant descobriu que eles não a levaram apenas como isca. Eles precisavam do conhecimento dela em medicina.

    O líder se levantou, percebendo o barulho da luta. “Saia,” chamou o líder.

    Grant avançou. Quando o líder levantou a arma em direção a Ta, Grant agiu. Ele desviou o braço do homem, enviando a bala para o ar. O tiro ecoou pela ravina.

    Grant empurrou o homem contra uma rocha, nocauteando-o.

    Ta olhou para Grant. “Você não está com eles.”

    “Não,” disse Grant. “Sua irmã me enviou.”

    “Seiya está viva!”

    “Está,” ele disse. “E esperando.”

    Ele cortou a corda em seu pulso. Ta levantou-se. Grant a guiou para fora. Seiya correu para eles, abraçando a irmã.

    “Você a trouxe de volta para mim,” disse Seiya.

    “Ainda não estamos fora de perigo,” disse Grant. “O tiro trará os outros.”

    “Nós os enfrentaremos juntos.”

    “Então, vamos nos mover rápido.”


    Grant os guiou através de uma trilha escondida que ele conhecia. A perseguição se dividiu.

    “Eles estão nos caçando,” sussurrou Ta.

    “Eles estão seguindo o caminho que vocês saíram,” disse Grant. “Não este.”

    Ele os levou para uma crista que dava para uma ravina escondida atrás de uma rocha enorme. “Ninguém vai encontrar vocês aqui.”

    “E você?” perguntou Seiya.

    “Vou criar um rastro falso. Atraí-los para o sul, depois volto.”

    Ta agarrou sua manga. “Se eles o pegarem…”

    “Eles não vão,” disse Grant.

    Seiya se aproximou. “Volte,” ela sussurrou.

    “Eu voltarei,” ele disse.

    Grant criou a trilha falsa. Ele ouviu os bandidos se aproximando. Ele os despistou no riacho, usando a água para esconder seus rastros. Ele conseguiu escapar e voltou para o esconderijo.

    Seiya correu para ele. “Você voltou.”

    “Eu disse que voltaria.” Seiya segurou o rosto dele por um breve momento.

    “Vamos sair ao primeiro sinal de luz,” disse Grant. “Encontraremos o caminho de volta para minha cabana.”

    Eles voltaram para a cabana pela rota escondida. O lugar estava seguro.

    Seiya encarou Grant. “O que vai acontecer agora?”

    “Vocês podem ficar aqui até decidirem o seu próximo caminho. Ninguém vai forçá-las a se mover.”

    “Você espera que partamos em breve?”

    “Não,” ele disse. “Eu espero que vocês se curem. O resto é escolha de vocês.”

    Seiya se aproximou. “Você arriscou tudo por nós.”

    “Eu não teria feito isso se não achasse que importava.”

    Seiya tocou o rosto dele. “E nós pertencemos a essa casa?” ela perguntou.

    Grant respondeu sem hesitar. “Se vocês escolherem isso.”

    Seiya pegou a mão de Grant. “Eu não quero ir embora.”

    “Então não vá,” ele disse.

    O beijo deles foi lento, cuidadoso. Duas pessoas se firmando após sobreviverem a algo que quase os quebrou.

    “Você nos encontrou na água,” ela murmurou. “E você nos deu um lugar para viver.”

    “Vocês encontraram o caminho para cá,” disse Grant. “Eu só estou feliz por estar lá quando vocês precisaram de alguém.”

    Naquela noite, o rancho permaneceu em calma. O futuro estava claro. Seiya e suas irmãs escolheram ficar. Grant escolheu deixar seu coração se abrir novamente. E pela primeira vez desde a tragédia, Grant Macauen não enfrentou mais o mundo sozinho.

  • “Não Consigo Fechar as Pernas”: O Rancheiro Encontra Hannah e o Início de Uma Nova Vida no Kansas

    “Não Consigo Fechar as Pernas”: O Rancheiro Encontra Hannah e o Início de Uma Nova Vida no Kansas

    “Não Consigo Fechar as Pernas”: O Rancheiro Encontra Hannah e o Início de Uma Nova Vida no Kansas

    O grito dela não soou humano. Cortou o calor daquela tarde no Kansas como o som de algo morrendo.

    Quando Elias Boon empurrou a porta do estábulo no rancho Miller, ele não encontrou o cavalo que viera comprar. Encontrou uma jovem no chão de terra, tremendo tanto que a palha ao seu redor vibrava.

    Suas pernas estavam travadas, separadas, e ela tentava incessantemente juntá-las. Mas cada tentativa enviava uma pontada de dor tão forte que ela gritava novamente.

    Elias parou. Ele tinha visto feridas de guerra, ossos quebrados, homens mantidos vivos apenas pela oração. Mas nunca vira uma mulher sofrendo assim, sozinha em um celeiro silencioso, enquanto o sol lá fora continuava a brilhar como se nada estivesse errado.

    Ela tentou se erguer sobre um cotovelo. Sua voz rachou como madeira frágil. Ela sussurrou: “Não consigo fechar as pernas.” Então ela chorou de novo, não por vergonha, mas por uma dor tão profunda que vivia em cada respiração.

    Elias ajoelhou-se ao lado dela. Ele ainda não a tocou, para não assustá-la.

    Ele viu hematomas na parte interna de suas coxas, inchaços vermelhos onde a pele havia sido esfregada, marcas antigas de corda perto de seus tornozelos. Sinais de alguém forçando seu corpo a abrir-se o tempo suficiente para despedaçá-la por dentro.

    Ela tentou cobrir as pernas com as mãos trêmulas. “Por favor, não me deixe aqui. Dói. Não consigo me mover.”

    Elias sentiu algo pesado se instalar em seu peito. Aquilo não era um acidente. Não era uma queda. Era crueldade. Crueldade lenta, feita por alguém que deveria tê-la protegido.

    Ele pousou o chapéu no chão e falou gentilmente. “Senhora. Meu nome é Elias. Eu não vou machucá-la. Deixe-me ver o que está errado para que eu possa ajudá-la.”

    Ela assentiu levemente. Sua voz caiu para um sussurro fantasma. “Meu nome é Hannah. Por favor, senhor, leve-me embora daqui. Por favor.”

    Elias inclinou-se, cuidadoso e firme. Ele se abaixou para apoiar a perna dela apenas o suficiente para verificar se havia sangramento. No segundo em que sua mão tocou a pele dela, Hannah gritou e agarrou sua camisa com as duas mãos, seus dedos agarrados como os de alguém se afogando.

    Ele percebeu então que ela estava deitada ali há horas, talvez mais. Podia sentir o calor irradiando de sua pele inchada. O tipo de calor que indicava que a infecção já estava se instalando.

    Elias Boon não era um homem que fugia do sofrimento. Nunca foi.

    Ele olhou em direção à casa do rancho. Vazia. Nenhum sinal do marido que ela mencionara. Nenhum sinal de qualquer alma que se importasse se ela vivesse ou morresse.

    Ele se virou para ela. “Hannah, eu vou tirar você daqui. Eu lhe prometo.”

    Os olhos dela se arregalaram, cheios de medo e esperança em conflito. Ela perguntou, a voz trêmula: “Senhor, se você me ajudar agora, o perigo o seguirá também?”

    E Elias sentiu o peso daquela pergunta se instalar sobre ele como uma tempestade, porque ele sabia a verdade. Sim, o perigo estava chegando.


    Hannah agarrou-se a Elias como se estivesse segurando a última coisa sólida no mundo. Sua respiração vinha em golfadas curtas e dolorosas, e toda vez que tentava puxar as pernas, sibilava em agonia.

    Elias sabia que ela não podia ficar naquele celeiro nem mais um minuto. Então, ele deslizou um braço sob seus ombros, o outro sob seus joelhos, e a levantou o mais gentilmente que um homem de sua idade conseguia.

    Ela ofegou, não de medo, mas de alívio.

    Ele a carregou para a luz quente do sol do Kansas. A cabeça dela repousava em seu peito, os dedos ainda firmes em sua camisa. Por um segundo, ela semicerrou os olhos para a vasta pradaria, como se tivesse esquecido a aparência do mundo fora daquele estábulo escuro.

    O vento roçou seu rosto, um vento quente de verão, e só isso a fez começar a chorar novamente. Suave e trêmula.

    Elias colocou-a em seu cavalo, firmando-a enquanto ela tentava sentar sem deixar as pernas se tocarem. “Calma. Eu estou com você.” Sua voz era calma, do tipo que um homem ganha apenas após uma vida inteira de anos difíceis.

    Ela olhou para ele. Seus olhos estavam assustados, mas outra coisa cintilava ali. Algo minúsculo. A esperança tentando acordar novamente.

    Ele montou atrás dela, firmando-a com os dois braços para que ela não caísse. A cada som de casco, Hannah respirava um pouco mais fundo. Cada solavanco na estrada a fazia gemer, mas ela não reclamou.

    Ela encostou a cabeça nas costas de Elias e sussurrou: “Você está mesmo me levando embora.”

    Ele assentiu. “Sim, senhora. E nós não vamos olhar para trás.”

    A viagem durou horas, o suficiente para o sol deslizar para o oeste e lançar luz dourada sobre as planícies. Elias falava às vezes, apenas sobre coisas pequenas: o tempo, a terra, histórias sobre cavalos que ele costumava domar quando era mais jovem. Nada pesado. Nada que a fizesse encolher, apenas o suficiente para mantê-la acordada e talvez afugentar o medo que tentava rastejar por sua espinha.

    Quando o Rancho Boone surgiu à vista, Hannah estava tremendo de exaustão. As cercas brancas, as portas vermelhas do celeiro, o som do gado no pasto distante. Tudo parecia irreal para ela, como se tivesse entrado na vida de outra pessoa, uma vida onde o ar não doía e as pessoas falavam sem gritar.

    Elias carregou-a para dentro de sua casa, chamou a velha Senhora Harper, a governanta, e pediu-lhe que trouxesse água morna e lençóis limpos.

    Hannah tentou se desculpar por ser um fardo. Ele balançou a cabeça. “Não, senhora. Nem um pouco.” Ele disse isso de forma tão simples que ela acreditou nele pela primeira vez em anos. Ela se permitiu descansar.

    Mas, ao fechar os olhos, um pensamento se impôs: o marido dela, Caleb, viria procurá-la.


    Hannah estava no Rancho Boone há apenas dois dias quando o problema finalmente apareceu. Elias viu a poeira primeiro, um rastro longo e fino subindo sobre a cerca. Cavaleiros se movendo rápido, e não do tipo amigável.

    Hannah estava descansando lá dentro, apoiada por travesseiros. Elias saiu em silêncio e fechou a porta atrás de si, não querendo que ela ouvisse os gritos raivosos que se aproximavam.

    Caleb Miller cavalgou direto para o pátio como se fosse o dono do lugar. Ele puxou o cavalo para parar, apontou um dedo trêmulo para Elias e latiu: “Traga minha esposa para cá agora mesmo!”

    Elias não vacilou. Ele era um cowboy trabalhador desde os 15 anos. Mas a maneira como os olhos de Caleb ardiam, a maneira como ele cuspia a palavra esposa como se fosse propriedade, isso agitou algo quente no peito de Elias.

    Caleb desmontou e avançou. “Você a levou! Você a roubou de mim! Eu vou arrastá-la de volta sozinho.”

    Elias manteve a voz firme. “Ela está ferida. Está assustada. E ela foi comigo porque queria ir embora.”

    Caleb zombou. “Queria ir embora? Aquela mulher é minha! Ela faz o que eu digo.”

    Essa frase empurrou Elias além do limite. Ele deu um passo à frente e disse: “Hoje, ela não faz. Nunca mais.”

    Caleb o empurrou. Elias o empurrou de volta com mais força. Caleb atacou descontroladamente, acertando um golpe forte logo abaixo do olho de Elias, abrindo a pele e embaçando sua visão.

    Antes que os capangas pudessem cercá-lo, um dos cowboys do rancho correu do celeiro, gritando que Elias não lutaria sozinho. E foi tudo o que foi preciso para a coisa toda explodir.

    Caleb avançou novamente, atacando com mais raiva do que pontaria, enquanto os capangas se apressavam atrás dele. Elias se abaixou, agarrou-o pela frente da camisa e o esmagou contra a lateral do bebedouro.

    Elias e o cowboy do rancho se moveram com propósito. Anos de trabalho no rancho haviam lhes dado uma força que aqueles rapazes não esperavam.

    Elias jogou um na terra enquanto o cowboy puxava o outro pelo colarinho com força suficiente para fazê-lo uivar.

    Então Elias voltou-se para Caleb, que se levantava como um galo furioso. Elias o agarrou pelo colarinho. “Se você chegar perto dela de novo, é melhor vir com um pregador. E suas últimas palavras prontas.”

    Caleb recuou, tremendo de raiva, mas com muito medo de avançar novamente. Ele cuspiu na terra, montou em seu cavalo e foi embora, gritando que aquilo não tinha acabado.

    Elias ficou na poeira que assentava, o peito arfando. Sabendo muito bem que a luta estava apenas começando. Dentro da casa, Hannah tinha ouvido o suficiente para começar a tremer novamente. Mas desta vez, ela tremia por uma razão diferente. Alguém finalmente se colocara entre ela e o homem que a atormentava.


    Caleb foi embora naquele dia, mas a poeira que ele deixou para trás nunca se assentou de verdade. Elias sabia disso. Hannah também sabia. O ar parecia mais pesado, como se todo o rancho estivesse prendendo a respiração.

    Naquela noite, Elias sentou-se à mesa da cozinha, olhando para a parede como se a resposta certa pudesse estar gravada na madeira. Mas ele continuava pensando em Hannah descansando no quarto de hóspedes, finalmente aquecida, finalmente segura, e como tudo isso poderia ser arrancado se Caleb aparecesse com a lei ao seu lado.

    Ele finalmente se levantou, pegou o chapéu e disse: “Senhora Harper, fique de olho nela. Preciso ver um velho amigo.”

    A viagem para Dodge City levou menos de uma hora. Elias cavalgava rápido. O sol estava se pondo quando ele amarrou seu cavalo em frente ao escritório do xerife.

    Lá dentro, o Xerife Cole Harding sentou-se atrás de uma mesa. Ele levantou os olhos no segundo em que Elias entrou.

    “Ora, Boon, esse é um rosto que eu só vejo quando algo ruim aconteceu. Sente-se antes que caia.”

    Elias sentou-se, mas sua mandíbula permaneceu tensa. Cole ouviu Elias contar tudo. Cada detalhe feio, cada hematoma que ele vira nela. Cada palavra que Caleb cuspira da sela.

    Cole inclinou-se para trás, mastigando a parte interna da bochecha, a maneira como ele sempre fazia quando tentava manter a calma. “Elias, o que aquele homem fez é um crime, simples assim. Mas a lei por aqui nem sempre funciona como deveria. Você sabe disso.”

    “Eu sei,” disse Elias. “Mas eu não vou mandá-la de volta. Não enquanto eu estiver respirando.”

    Cole assentiu lentamente. “Tudo bem. Faremos isso direito então. Conseguiremos que o médico escreva uma declaração. Encontraremos qualquer pessoa em Abilene que tenha visto Caleb levantar a mão contra ela. Traremos Hannah quando ela estiver forte o suficiente para falar, e levaremos tudo ao Juiz Wilbur antes que Caleb o faça.”

    Pela primeira vez naquele dia, Elias sentiu um pequeno peso ser tirado de seus ombros. Ele se levantou, apertou a mão de Cole, e o xerife disse: “Traga-a amanhã. Vou garantir que o juiz ouça os dois.”

    O amanhã nunca veio.

    O juiz adiou a audiência, dizendo que precisava de mais testemunhas e declarações adequadas. Assim, nas duas semanas seguintes, Elias cavalgou de Abilene a Dodge City, conversando com vizinhos, reunindo cartas, até implorando ao médico para ir duas vezes examinar Hannah e escrever suas descobertas.

    Toda noite, Hannah perguntava se havia algum progresso. E toda noite, Elias dizia para ela aguentar só mais um pouco.

    Na manhã da audiência, o tribunal em Dodge City estava mais frio do que qualquer vento de inverno que Hannah já conhecera. Ela sentou-se ao lado de Elias, as mãos firmemente cruzadas.

    O médico falou primeiro, depois um lojista de Abilene, depois um vizinho. Caleb não estava em lugar nenhum.

    E finalmente, foi a vez de Hannah. Ela se levantou lentamente, os pés instáveis, mas sua voz, de alguma forma, estava firme o suficiente para alcançar todos os cantos daquela sala. Ela não mencionou a dor. Ela não mencionou as piores noites. Ela apenas falou sobre o desejo de paz, de segurança, do direito de fechar os olhos à noite sem medo.

    Quando ela terminou, até o Juiz Wilbur permaneceu em silêncio por um longo momento. Então ele pigarreou e disse as palavras que mudaram a vida dela.

    O Juiz Wilbur anunciou que Hannah receberia uma ordem de proteção temporária, mantendo Caleb longe dela e do Rancho Boone. Ele explicou que uma audiência completa seria marcada nas próximas semanas, assim que mais testemunhas fossem reunidas e a lei tivesse tempo para rastrear Caleb.

    Não era a vitória final, mas era o primeiro passo real em direção a uma. O ambiente pareceu mais claro, mais leve, quase sagrado.

    Hannah sentou-se, e o suspiro que soltou foi a primeira respiração livre que ela dava em anos. Elias olhou para ela, e ela olhou de volta, e nada precisava ser dito. Alguns momentos dizem tudo sem uma única palavra.


    Meses se passaram. Hannah ajudou na cozinha, depois no jardim, depois perto dos cavalos, assim que sua força voltou. E toda noite, Elias se pegava observando-a rir com a Senhora Harper ou ouvindo-a cantarolar enquanto dobrava a roupa. E ele percebeu algo gentil, mas certo: ela estava se curando, e ele também.

    Em uma manhã fresca, Hannah acordou cedo, pálida e tonta. A Senhora Harper sorriu do jeito que só as mulheres mais velhas sorriem quando já sabem a resposta.

    Mais tarde naquela tarde, o médico confirmou. Hannah estava esperando uma criança.

    Quando ela contou a Elias, ele ficou imóvel. Então ele se sentou pesadamente, como se tivessem tirado o ar dele. Ela temeu que ele estivesse chateado, mas então ele riu, enxugou os olhos e disse: “Ora, vejam só. A vida ainda encontra um jeito.”

    Para Hannah, era mais do que um filho. Era a prova de que ela nunca havia sido quebrada. Era a prova de que a bondade cultiva coisas que a crueldade nunca conseguiria.

    Longe, na pradaria, Caleb finalmente ouviu a notícia de que Hannah estava grávida. Ele paralisou, atordoado que ela pudesse carregar um filho depois de tudo. Então seu rosto se contorceu, parte arrependimento, parte raiva pura, enquanto ele murmurava que aquilo não era o fim.

    Mas Hannah estava segura, e pela primeira vez em muito tempo, ela se sentiu digna de amor. Amor de verdade, amor tranquilo, do tipo que permanece.

  • “Espere… Vai Colocar Isso Dentro de Mim?” — A Luta Pela Liberdade de Lily e o Ferreiro Solitário

    “Espere… Vai Colocar Isso Dentro de Mim?” — A Luta Pela Liberdade de Lily e o Ferreiro Solitário

    “Espere… Vai Colocar Isso Dentro de Mim?” — A Luta Pela Liberdade de Lily e o Ferreiro Solitário

    Ela irrompeu da grama alta de verão. Havia sangue em seu vestido. O medo queimava em seus olhos. Por um instante, até o vento do Kansas pareceu parar.

    Ela corria como se o inferno tivesse se estendido da pradaria para arrastá-la de volta. Seu vestido branco estava rasgado, o cabelo colado ao rosto. Continuava olhando por cima do ombro, como se alguém estivesse perto o suficiente para sentir sua respiração.

    O nome dela era Lily Hart, 24 anos. Pequena, rápida, mais dura do que parecia, mas não o suficiente para fugir de um homem como Clayton Reed.

    A maioria dos homens em Dodge City dizia que Clayton havia nascido em berço de ouro. Outros diziam que o ouro era roubado. De qualquer forma, ele era o tipo de barão do gado rico que acreditava que tudo o que queria já era seu, incluindo Lily. E naquele dia, ele finalmente a havia empurrado longe o suficiente para fazê-la fugir.

    O sol castigava-a como fogo. A pradaria estava tão silenciosa que ela podia ouvir o próprio pulso.

    Então veio o som que quase a fez cair de joelhos. O estalo de um rifle atrás dela. Seco, cruel, próximo.

    A bala roçou seu quadril e a fez cair na terra. Ela atingiu o chão com força, a poeira explodiu. A respiração rasgou seu peito, mas ela se apoiou em braços trêmulos e continuou a rastejar.

    Não chorou. Não gritou. Cada centímetro de seu corpo pedia para desistir, mas sua vontade dizia não.

    Mais adiante, ela avistou uma linha de postes de cerca, um galpão, uma cabana, fumaça subindo de uma forja. Alguém vivia ali. Alguém que poderia ajudar, que poderia pelo menos afugentar Clayton o tempo suficiente para que ela se levantasse novamente.

    Ela não sabia se alguém no Kansas era corajoso o suficiente para enfrentar Clayton, mas naquele momento, estava disposta a apostar sua vida em um estranho.

    Arrastou-se pela poeira até que suas mãos atingiram o feno espalhado pelo pátio do rancho. Sua visão embaçou. O mundo girava.

    E então ela o viu. Sawyer Briggs, 50 anos, ombros largos, barba grisalha, pele queimada de sol. Um rancheiro que também trabalhava com ferro para metade do condado. Estava sentado perto de um fardo de feno com um martelo na mão. Um homem que parecia ter sido esculpido na própria terra.

    Ele se levantou no momento em que a viu cair. Atravessou o pátio com passos lentos e firmes, o tipo de passos que pertencem a um homem que não teme nada.

    Ela tentou se levantar. Tentou avisá-lo de que Clayton estava perto. Tudo o que conseguiu foi um sussurro: “Por favor, me ajude!”

    Sawyer ajoelhou-se ao lado dela. Seus olhos se estreitaram ao ver o sangue encharcando o tecido perto de seu quadril. Ele pressionou uma mão perto do ferimento, e Lily ofegou de dor, mas não se afastou. Não desta vez. Não quando sua vida estava em um fio.

    Ela não tinha ideia se este homem era um santo ou um tolo, apenas que ele era a primeira pessoa entre ela e Clayton.

    Ele olhou para o horizonte, onde a poeira subia dos cavaleiros de Clayton. Depois olhou de volta para ela, o rosto ilegível. Sawyer levantou Lily como se ela não pesasse mais do que um saco de ração e a levou para a sombra, ao lado da forja.

    O calor que emanava da fornalha parecia o portão do inferno, mas de alguma forma fez seu tremor piorar.

    Ele a colocou gentilmente em uma cama de feno limpo e pegou a garrafa de uísque guardada perto da bigorna.

    Ela tentou afastar a mão dele, mas estava muito fraca. “Calma. Você bebe isso ou sangra até morrer.” Sua voz era calma, firme.

    Lily tomou um gole e tossiu forte. A queimação atingiu sua garganta como um soco. Ela limpou a boca e olhou feio para ele.

    “Eu não vim aqui para ser remendada por um estranho,” ela disse, embora suas mãos tremessem.

    Sawyer levantou uma sobrancelha. “Você veio aqui porque o caminho acabou.”

    Então ele afastou o tecido rasgado perto do quadril e viu a bala alojada profundamente na pele inchada. Ele soltou um longo suspiro.

    “Isso tem que sair agora. Se eu esperar, você perderá a perna inteira.”

    Lily se endireitou. Seus olhos arregalaram. “O que você planeja fazer comigo?” sua voz falhou, não por medo dele, mas por medo da dor.

    Sawyer pegou uma faca de caça da forja, a lâmina fumegando devido ao calor. Ele a limpou em um pano limpo e disse: “A bala está perto da superfície. Preciso abrir um pouco a pele, o suficiente para tirá-la. Vai doer muito, mas vai salvar sua vida. As pessoas por aqui fazem isso assim desde antes de Kansas ter um nome.”

    Ele precisava estancar o sangramento antes que a levasse. Ali, a diferença entre viver e morrer era muitas vezes apenas um homem teimoso que ousava tentar.

    Ela encarou a faca fumegante. “Espere, você vai colocar isso dentro de mim.”

    Sawyer nem sequer piscou. “Vai acabar rápido. Fique quieta, ou isso vai dar errado rapidamente.”

    Ela tentou se afastar, mas sua força se esgotara. Sua dignidade, porém, permanecia. Ela olhou diretamente nos olhos dele, desafiando-o a machucá-la.

    “Faça, então. Mas se você me matar, eu vou assombrá-lo até você morrer.”

    Sawyer quase sorriu. Quase. Então ele pressionou a lâmina quente em direção ao ferimento enquanto o vento trazia o trovão distante de cascos rolando pela pradaria. E bem quando o metal tocou sua pele, Lily ouviu algo que fez seu coração parar: Clayton estava mais perto do que qualquer um imaginava.


    Assim que o corte foi aberto, Sawyer pegou uma haste de ferro curta que mantinha perto das brasas, a ponta brilhando fracamente. O metal quente tocou a pele de Lily, e ela soltou um som que era metade grito, metade fúria.

    Sawyer pressionou firme. Não era crueldade, apenas um homem que havia feito esse tipo de coisa muitas vezes. O metal quente sibilou ao tocar a carne rasgada.

    Lily agarrou um punhado da camisa dele e segurou como se estivesse pendurada em um penhasco. A dor era cega e branca, mas no momento em que pensou que desmaiaria, ouviu algo lá fora: o lento ranger de rodas de carroça, o som de cavalos, vozes baixas.

    Os homens de Clayton estavam perto o suficiente para que Sawyer ficasse tenso antes dela. Pela primeira vez naquele dia, Lily entendeu que este estranho poderia ser quem pagaria o preço por sua fuga.

    “Não pare,” ela sussurrou entre dentes cerrados. “Se ele me pegar assim, estou acabada.”

    Sawyer não olhou para cima. “Ainda não.” Ele manteve a ferramenta firme enquanto o suor escorria por suas têmporas. Ele pressionou mais fundo. O som que saiu de Lily foi agudo o suficiente para rachar a madeira, mas ela permaneceu imóvel.

    “Está lá,” murmurou Sawyer. “A bala está virando. Aguente.”

    A mão de Sawyer roçou sua cintura enquanto ele a estabilizava. E por um segundo estranho, Lily sentiu um calor que não tinha nada a ver com o fogo da forja.

    Um grito veio de fora. A voz profunda e fria de Clayton Reed: “Sawyer Briggs! Você tem algo que me pertence. Traga-a para fora e ninguém se machuca.”

    O coração de Lily batia forte contra as costelas. Sawyer finalmente olhou para ela. Ele firmou o quadril dela com uma mão e cravou a ferramenta com a outra.

    A bala saltou, caindo na terra. Lily ofegou como se tivesse ficado submersa por muito tempo.

    Sawyer pegou um pedaço de pano limpo e pressionou-o em seu ferimento. Sua voz estava baixa: “Você consegue ficar de pé por um minuto, certo? Porque se Clayton entrar por aquela porta, é melhor você estar de pé ou é melhor estar pronta para lutar.”

    Lily se levantou. Suas pernas tremiam, fracas, mas teimosas. Ela limpou as lágrimas. Ela não havia acabado.

    Lá fora, os passos ficaram mais pesados, mais próximos. Clayton chamou novamente, mais alto: “Briggs, você tem uma chance de entregar a moça. Está me ouvindo?”

    Sawyer se levantou, pegou seu martelo e acenou em direção à porta. Ele estava em menor número e em desvantagem de armas, mas viveu tempo demais para deixar o medo guiar suas escolhas.

    Lily engoliu em seco. Os dois sabiam que o que viria a seguir decidiria tudo.


    Clayton entrou na soleira da porta como se fosse dono de toda a pradaria. Dois homens ficaram atrás dele com os rifles prontos. Ele escaneou a sala lentamente até que seus olhos pousaram em Lily, parada ao lado de Sawyer com o pano ensanguentado pressionado em seu quadril.

    “Ora, vejam só,” ele disse com um meio sorriso. “Eu cavalgo todo este caminho e encontro minha noiva escondida no celeiro de outro homem.”

    Lily ficou tensa. Sawyer apenas mudou seu peso, como um touro prestes a atacar.

    Clayton apontou para ela. “Venha aqui agora. Está me ouvindo?”

    Lily balançou a cabeça. Sua voz tremeu, mas ela se manteve firme. “Eu não sou sua. Nem agora, nem nunca.”

    Clayton riu, um som feio. Ele gesticulou para Sawyer. “Briggs, isto é simples. Você se afasta. Eu levo a moça. E todos vamos para casa. Sem problemas.”

    Sawyer deslizou uma bota para a frente. Apenas uma, mas o suficiente para mudar o ar na sala. “Você atirou nela,” ele disse baixinho. “Você a perseguiu por metade da pradaria e acha que eu vou deixá-lo sair com ela? Não vai acontecer.”

    O sorriso de Clayton desapareceu. “Problemas, então.”

    O primeiro tiro soou tão alto que a forja estremeceu. O capanga de Clayton atirou muito cedo, muito selvagem. Sawyer avançou, pegou a pesada concha de ferro ao lado da bigorna e a balançou com força. O golpe arrancou o rifle da mão do homem.

    Lily tropeçou para trás contra o feno, mas permaneceu de pé.

    Clayton agarrou o braço dela e puxou com tanta força que ela gritou. Sawyer se virou rápido, agarrou Clayton pelo colarinho e o jogou contra a viga de madeira com uma força que chacoalhou as ferramentas.

    Clayton cuspiu sangue e sibilou. “Você pensa que pode roubar de mim? Você pensa que pode pegar o que é meu?”

    Sawyer se inclinou. “Ela não é um objeto, e com certeza não é sua.”

    O segundo capanga levantou o rifle, mirando nas costas de Sawyer. Lily viu primeiro. Seu fôlego parou. Ela sabia que em mais um instante, toda a luta poderia terminar em morte.

    Então ela fez a única coisa que lhe restava. Ela agarrou a coisa mais próxima que conseguiu alcançar, não para lutar como um soldado, mas para balançar o suficiente para quebrar a mira dele.

    Ela não esperou que o medo a alcançasse. Balançou o ferro com toda a força que lhe restava. O som estalou no celeiro como um sino de igreja. O atirador caiu de joelhos, atordoado, a arma escorregando de suas mãos.

    Clayton congelou o tempo suficiente para Sawyer se libertar e empurrá-lo de volta contra o poste. Pela primeira vez, o perigo no celeiro parecia estar se inclinando para o lado deles.

    Os dois homens se encararam, ofegantes. Clayton atacou primeiro, selvagem e desleixado. Mas Sawyer se moveu como um homem que havia sobrevivido a muitos anos difíceis para ser derrubado por mais um valentão. Um soco sólido, e Clayton atingiu a terra.

    O celeiro ficou quieto. Apenas o fogo da forja crepitava no canto.

    Lily estava parada, a ferramenta de ferro tremendo em suas mãos. Mas havia um fogo em seus olhos agora, firme e novo. Ela não apenas sobreviveu, ela lutou.

    Sawyer foi para o lado dela e pegou o ferro gentilmente. Ele olhou para ela com algo próximo ao orgulho. “Você salvou minha vida.” Sua voz estava calma, mas ela podia ouvir a verdade. Pela primeira vez desde que fugiu de Clayton, o coração de Lily se acalmou.

    Clayton gemeu na terra. Seus homens o ajudaram a se levantar, a coragem deles quebrada. Ele olhou para Lily com ódio. Mas Sawyer se colocou entre eles.

    Sua voz era baixa, lenta e final. “Ela acabou com você. Cavalgue e não volte.”

    Clayton se levantou, limpando o sangue da boca. “Isto não acabou, Briggs. Eu vou voltar com todos os homens que tenho.”

    Sawyer deu um passo à frente, o suficiente para fazê-lo parar de falar. “Então é melhor trazer um pregador também.”

    Clayton recuou lentamente, não derrotado, apenas planejando.

    Lily soltou um longo suspiro. Toda a luta pareceu escoar dela de uma vez. Sawyer a segurou antes que ela caísse. Não como um herói, mas como um ser humano que se recusava a deixar alguém desmoronar na sua frente.

    Ele a acomodou perto da forja e enrolou um cobertor em seus ombros.

    “Você se levantou hoje. A maioria das pessoas passa a vida inteira esperando que outra pessoa as salve, mas você salvou a si mesma. Nunca se esqueça disso.”

    Lily olhou para o fogo brilhante e sussurrou: “Eu pensei que estava fugindo porque era fraca.”

    Sawyer balançou a cabeça. “Correr em direção à liberdade não é fraqueza. É o primeiro passo para se tornar quem você deveria ser.”

    Ao pôr do sol sobre os campos do Kansas, Lily finalmente sentiu o peso sair de seu peito. Não porque estava segura, mas porque havia assumido o controle de sua própria história. Quando a última luz se esvaiu, Lily percebeu que seu ferimento não doía mais tanto.

    O que a assustava mais era não saber para onde ir. Liberdade parecia grande e brilhante em sua cabeça. Ali, na poeira fria, parecia apenas uma estrada sem mapa.

    Sawyer foi até a cerca e selou seu segundo cavalo, o velho castrado preto que ele raramente usava. Ele olhou para ela com olhos calmos e firmes e disse: “Venha, a noite fica fria aqui fora.”

    Eles partiram na escuridão, dois estranhos unidos pela luta, em direção a um futuro incerto, mas totalmente escolhido por eles.

  • Explodiu de vez: nova pesquisa Datafolha vira o jogo, destrói planos da direita e deixa Flávio Bolsonaro em completo pânico ao ver números devastadores para 2026!

    Explodiu de vez: nova pesquisa Datafolha vira o jogo, destrói planos da direita e deixa Flávio Bolsonaro em completo pânico ao ver números devastadores para 2026!

    ESTOUROU!!! PESQUISA PEGA DIREITA DE SURPRESA E FLÁVIO BOLSONARO ENTRA EM PÂNICO!!

    Salve, salve, pessoal! Hoje o clima é de rebuliço total no cenário político brasileiro — e não é exagero. A nova pesquisa Datafolha caiu como uma bomba no campo da direita e, segundo fontes próximas, fez Flávio Bolsonaro entrar em estado de puro pânico político. Isso porque, ao contrário das expectativas da oposição, Lula aparece cada vez mais forte, consolidado e com aprovação crescente.

    E como sempre, antes de mergulharmos nessa análise explosiva, vale aquele recado tradicional dos criadores de conteúdo independentes — tal como Tony diz em seus vídeos:
    Deixe o seu like, escreva seu comentário, compartilhe a informação, ative o sininho e, claro, fortaleça quem faz jornalismo independente. Afinal, é assim que o trabalho continua no ar, livre, sem depender dos interesses ocultos da grande mídia.

    Agora… vamos ao que interessa, porque o que saiu hoje ninguém na extrema direita queria ler.


    A BOMBA DO DATAFOLHA QUE MUDOU OS ÂNIMOS EM BRASÍLIA

    A nova pesquisa Datafolha — uma das mais respeitadas e temidas do país — revelou um panorama que deixou a direita atônita. A grande mídia até tentou, como sempre, dar uma espremida nos números, tentando puxar algum ponto negativo, algum detalhe que pudesse virar manchete sensacionalista contra o governo. Só que, nesta rodada, não houve como disfarçar:

    Lula está estável, forte e com potencial de vitória já no primeiro turno.

    É isso mesmo. Mesmo com tentativas de manipular a percepção através das manchetes, os dados falam por si. Lula aparece com:

    32% de ótimo/bom,

    30% de regular,

    37% de ruim/péssimo.

    A grande imprensa até tenta jogar apenas o ótimo/bom no título para parecer que a aprovação está “baixa”, mas ignorar o regular é uma forma distorcida de mostrar o cenário. Quem classifica como regular não rejeita o governo — pelo contrário, é justamente esse eleitorado que tende a decidir a eleição votando pela continuidade.

    E quando esses números são somados, o resultado é simplesmente devastador para a oposição:

    Lula chega aos impressionantes 62% de aceitação entre ótimo/bom + regular.

    Um índice excelente para um presidente no meio do mandato, especialmente considerando o contexto econômico e político pós-governo Bolsonaro.

    A rejeição segue estável em 37%, o chamado “núcleo duro bolsonarista”, que permanece resistente e fechado em sua bolha. Mas fora desse grupo, o cenário para Lula é amplamente favorável.


    A DIREITA EM POLVOROSA – E A GUERRA INTERNA COMEÇA A FERVER

    Se tem uma coisa que a pesquisa deixou clara é o desespero interno da direita. Isso porque a extrema direita está dividida entre três frentes:

      Os bolsonaristas raiz que querem apenas um Bolsonaro no topo da chapa.

      O centrão, que não confia em ninguém da família Bolsonaro.

      A burguesia, que aposta todas as fichas em Tarcísio de Freitas.

    E é nesse ambiente turbulento que surge a informação que deixou Brasília em choque:

    Flávio Bolsonaro é oficialmente o escolhido por Jair para disputar a Presidência.

    Ou melhor… era para essa notícia ter fortalecido o clã Bolsonaro.
    Mas o Datafolha trouxe o que pode ser considerado o pior pesadelo do senador.


    FLÁVIO BOLSONARO É ESMAGADO POR LULA NO SEGUNDO TURNO

    Datafolha divulga primeira pesquisa após pré-candidatura de Flávio

    Sim, leitor. Esmagado é a palavra exata.

    De acordo com o Datafolha:

    **Lula 51% x 36% Flávio Bolsonaro

    Diferença: 15 pontos.**

    Essa diferença não é apenas confortável — ela representa uma surra eleitoral.
    Um placar que inviabiliza qualquer discurso de força da direita na atual conjuntura.

    E tem mais: Lula cresceu três pontos desde julho, enquanto Flávio caiu um ponto.
    O movimento é claro: a candidatura do filho 01 não empolga o eleitorado nacional.


    E TEM MAIS: FLÁVIO BOLSONARO PODE NEM CHEGAR AO SEGUNDO TURNO

    Isso não é exagero analisando os números que vieram a seguir.

    Se o plano de Jair Bolsonaro é usar Flávio como uma espécie de “avatar político” para manter o sobrenome Bolsonaro no poder, a elite econômica não está comprando essa ideia.

    A burguesia e o centrão veem Flávio como um candidato fraco, marcado por escândalos e com baixa competitividade nacional. Já Tarcísio e Ratinho Júnior aparecem como alternativas mais sólidas — mas mesmo assim, ambos também perdem para Lula.

    Vamos aos números.


    CENÁRIOS DE SEGUNDO TURNO: LULA VENCE TODOS

    1. Lula x Tarcísio de Freitas

    Lula: 47%

    Tarcísio: 42%
    Diferença: 5 pontos.

    Esse é o adversário mais competitivo — justamente por isso é o preferido da burguesia. Mas ainda assim, Lula mantém vantagem.


    2. Lula x Ratinho Júnior

    Lula: 47%

    Ratinho: 41%
    Diferença: 6 pontos.

    Ratinho Júnior surpreendeu ao aparecer relativamente bem, mas isso se deve sobretudo ao peso nacional do pai. Fora isso, o governador do Paraná não tem apelo popular no restante do país.


    3. Lula x Eduardo Bolsonaro (Bananinha)

    Lula: 52%

    Eduardo: 35%
    Diferença: 17 pontos (!)

    Esse cenário é ainda pior para a família Bolsonaro.
    Eduardo, que vive nos EUA fugindo das investigações, simplesmente não tem força eleitoral real.


    4. Lula x Michelle Bolsonaro

    Embora o Datafolha não tenha divulgado todos os detalhes, fontes indicam que Michelle também fica significativamente atrás de Lula, reforçando que a “dinastia familiar” não tem mais o brilho de 2018.


    A TENSÃO DO LADO BOLSONARISTA: PANDEMÔNIO NOS BASTIDORES

    Assim que a pesquisa saiu, segundo relatos de aliados próximos:

    Flávio teria ficado descontrolado,

    Bolsonaro pai ficou irritado,

    e a cúpula do PL entrou em estado de alerta.

    É um cenário onde:

    O clã Bolsonaro insiste em um candidato da família para manter relevância,

    O centrão vê isso como suicídio eleitoral,

    A burguesia pressiona por Tarcísio, considerado “palatável” e mais competitivo.

    Essa guerra interna deve se intensificar nos próximos meses.


    POR QUE LULA CONTINUA FORTE?

    A resposta é simples:
    economia.

    E como o próprio Tony explicou no vídeo:
    supermercado decide eleição.
    Mesmo com desafios, o brasileiro percebe uma melhora gradual no poder de compra, estabilização de preços e retomada de programas sociais.

    Além disso:

    Lula é reconhecido internacionalmente,

    tem boa aceitação entre os mais pobres,

    e continua sendo o nome mais conhecido e confiável da política brasileira.


    E SE O ADVERSÁRIO FOR MESMO FLÁVIO BOLSONARO?

    Aí o cenário pode ser ainda mais dramático para a direita.

    Analistas apontam que, nesse caso, o Brasil pode nem sequer ter segundo turno.
    Flávio carrega o desgaste das rachadinhas, do escândalo Queiroz, da imagem nacional frágil e da dependência completa da figura do pai.

    Seria, segundo especialistas, o pior adversário possível para enfrentar Lula.


    CONCLUSÃO: O JOGO ESTÁ ABERTO — MAS LULA SEGUE LARGADO NA FRENTE

    A pesquisa Datafolha não só causou pânico na direita, como mostrou que:

    Lula está muito bem avaliado,

    cresce onde importa,

    vence todos os adversários testados,

    e se mantém como o principal nome para 2026.

    Enquanto isso, a extrema direita mergulha em conflitos internos, sem unidade, sem estratégia clara e — agora — com números que confirmam o seu maior medo:
    Lula pode conquistar sua quarta vitória presidencial.