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  • FIM DA MAGNITSKY A ALEXANDRE ANUNCIADO E TRUMP ABRE lNVESTIGAÇÃO-B0MBA!! BANANlNHA EM PÂNlCO!!

    FIM DA MAGNITSKY A ALEXANDRE ANUNCIADO E TRUMP ABRE lNVESTIGAÇÃO-B0MBA!! BANANlNHA EM PÂNlCO!!

    E terça-feira aí pegando fogo em Brasília. Olha só os bolsonaristas aí, principalmente os filhos do Bolsonaro que estão ali acompanhando em tempo real, né? O Bolsonaro não, porque ele está enjaulado, lembre-se disso. Eles foram aí da euforia ao pânico em poucas horas. Que que aconteceu hoje de manhã? O Flávio Bolsonaro foi visitar o Jair Bolsonaro e logo depois ele se reuniu aí com o seu comparsa de crimes que é o Ciro Nogueira.

    Vamos lembrar, o Ciro Nogueira é ligado ao PCC. Segundo aí inúmeras testemunhas que já falaram a Polícia Federal, tá sendo investigado por isso. O Flávio Bolsonaro, ele indicou ali pro governo do Rio de Janeiro muita gente que é ligada também ao comando vermelho. Só que ao que tudo indica, essas facções todas lavam o dinheiro mais ou menos da mesma maneira.

    É ali que se une tudo, tá? E o Cío Nogueira foi ministro da Casa Civil do Bolsonaro e cometeram muitos crimes juntos, principalmente no Bolsolão. Depois dessa reunião que também contou com o Rueda, que também ele é presidente do partido eh do União Brasil e ele também tá sendo investigado aí por ligações com o PCC. Pois bem, nessa reunião eles decidiram que eles iam pautar aí o projeto de anistia hoje.

    Entenda a escalada de tensão que fez com que os EUA sancionassem Moraes com  Lei Magnitsky | G1

    Então o Hugo Mota, que é lacaio aí da extrema direita, ele anunciou que iria pautar o PL da dosimetria. OK? A esquerda reagiu. Para você ter uma ideia, os assuntos mais falados aí nas redes sociais hoje foram, vou te mostrar aqui, sem anistia número um, Hugo Mota número dois e sem dosimetria número três. Ah, para você ver aí que tá tá ruim, né? O povo tá contra o projeto deles.

    Inclusive, pesquisa mostrou aí que mais de 50% dos brasileiros, no caso 53, são a favor da manutenção da prisão do Bolsonaro. E mais de 50% também achou que ele ia fugir. OK. Que que aconteceu? Aconteceu que os bolsonaristas passaram ali a comemorar tudo mais, pererê, barará.

    Só que a primeiro BAC foi quando o Hugo Mota deu uma entrevista falando que ele ia pautar isso, porque isso é prerrogativa dele e tudo mais. Aí você vê a a primeira coisa que eu vou te dizer é o seguinte, a o tudo que falaram aí as fontes desses jornalistas da Globo, do Metrópolis, etc. Tem aqui nos vídeos de ontem e no vídeo de hoje de manhã sobre que o eles iam para cima do Flávio Bolsonaro e tudo mais, você vê que boa parte daquilo eles recuam, né? Por que que recuaram? o pessoal ali do da direita, que a imprensa chama de Centrão, eh passou a ser avisado aí pelo

    Flávio Bolsonaro o seguinte: “Foi esse provavelmente o tema da reunião do Flávio com Jair Bolsonaro hoje de manhã. Eles vão usar o gabinete do ódio para achincalhar qualquer que seja o candidato aí eh dessa direita aí eh que que querem lançar aí. Ontem se cogitou muito que eles iam lançar o Ratinho Júnior, a presidência que ele tava ganhando muita força com a candidatura do Flávio, que eles acreditavam que o Ratinho Júnior poderia chegar no segundo turno contra o Lula e ali teria o apoio do Bolsonaro. Sim ou sim, né? Que eles

    iam apoiar qualquer um contra o Lula. Isso foi falado até pelo Eduardo Bolsonaro. Porém, o que foi dito aí pelo Flávio é o seguinte: qualquer um que vocês lançarem vai ser o nosso candidato, o nosso alvo direto, eh, oponente direto para ir pro segundo turno. Então, a gente vai estraçalhar vocês nas redes sociais.

     

    A gente vai estraçalhar. Não vai ter como depois vocês tentarem qualquer tipo de aliança, coisa assim, porque a gente vai desde já estraçalhar os nomes que estão aí na infilirados para serem candidatos do chamado sistema, tá? Aí você vê, putz, os caras devem ter pensado, pô, então se colocar o Tarcísio, o bolsonarismo bate no Tarcísio.

    Vamos lembrar quando o Fláv, o Eduardo Bolsonaro, o Eduardo Bolsonaro tem um alcance pequeno e ele tem ali um poder de influência bem pequeno na extrema direita. E quando ele passou a a falar mal do Tarciso, o Tarciso caiu três pontos na pesquisa. Por que que caiu três pontos? Porque alguns bolsonaristas mais radicais que votavam no Tarcío falaram: “Opa, pera aí, esse cara é o do sistema, não voto mais nele”.

    três pontos é o suficiente ali. É, é o limear às vezes para o cara ir pro segundo turno ou não. Vamos lembrar, o Lula no primeiro turno do da eleição passada teve 48% dos votos. Um pouquinho mais de 48% dos votos. Por menos de dois pontos o Lula não ganhou no primeiro turno. Então você vê que três pontos é muita coisa. Três pontos é muita coisa nessa hora.

    Quando quando um candidato tem três pontos, como teve o Ciro Gomes, não é nada. Mas você vê que eh para ganhar no primeiro turno ou não, às vezes essa é a diferença. Aí eles pensaram: “Pô, pera aí, isso com poucos ataques. Imagina se Eduardo, Flávio, Carlos, gabinete do ódio inteiro, parlamentares que realmente estejam ali ligados ao bolsonarismo e eles são muito bons de pressionar quem não tá com eles.

    Você vê que o Nicolas faz muita coisa na base da pressão. Gustavo Girer é outro que também faz. Eh, biaquicisses também, alguns ali também vão na base da pressão. Então eles são bons nisso. Com esse pessoal todo vai ficar difícil, vai ficar muito difícil algum outro candidato ali chegar nos 10%. Alguns vão falar: “Mas Thiago, não vão chegar nem a 10%.” Eu te explico.

    Se sempre o candidato aí que é a tal da terceira via sempre se ferra, nunca chega nem 10%. Então você vê, pô, tá ruim, tá ruim aí para esse pessoal. Eles perceberam, pô, vai dar ruim. É engraçado. Agora eu vou dar um adendo aí e que ninguém vai lembrar disso aí. Quase. Você vai ver qualquer assiste todos os canais.

    Quero ver um lembrar disso aí. O Daviel Columbre tava mandando em direta a mim, né, talvez sem saber que sou eu, né, e ao Lindberg Farias, dizendo que, olha, vocês dizem que o Congresso é inimigo do povo e não sei o quê. Bravo, bravo, porque toda vez que o Congresso Nacional aprova alguma coisa contra a população, a esquerda vai para cima do Congresso, dizendo que o Congresso é inimigo do povo.

    Pois bem, mas aí ele fica bravo, falou que acionou a Polícia Legislativa e a polícia do Senado, sendo que é muito fácil. É só ver quem tá puxando. Eu, no caso, eu, Thiago, dos Reis. Aí tá, é só ler a matéria da Globo, quem quem que teve o maior alcance lá. Pois bem, aí e o pior, ele aciona a polícia por uma coisa que não é crime. Eu sou o pior ainda.

    Ele falou que vai acionar isso. Polícia não é para processar, é para expor. Aí quando vem a ameaça da extrema direita a xincalhar com eles, aí eles fazem o quê? Ai não, então vamos votar aí o que o Bolsonaro quer. É só que isso não durou muito tempo não. Por quê? Porque logo depois Hugo Mota deu essa entrevista aqui que caiu como um balde de água fria para todos os bolsonaristas.

    Vou mostrar aqui com vocês. Bandidão. Desculpa mostrar bandido na sua tela, mas Hugo Mota, deputado Eduardo Bolsonaro. Deputado Eduardo Bolsonaro, ele já tem o número de faltas que são suficientes para a cassação do seu mandato. Deputado Eduardo Bolsonaro, como todos sabem, está no exterior por decisão dele. Ele foi para os Estados Unidos, não tem frequentado as sessões da casa.

    é impossível o exercício do mandato parlamentar fora do território nacional. E com esse cumprimento de faltas, nós estamos também publicando hoje, aí será através da mesa da Câmara também o prazo para que ele possa em cinco sessões, poder apresentar a sua defesa e a mesa deverá apresentar o resultado pela cassação do seu mandato, já que ele eh cumpriu o número de faltas suficientes para isso, não é? é regimental e nós queremos também, não é, até semana que vem concluir esse processo do deputado Eduardo Bolsonaro. Então nós nessa

    reunião de líderes tratamos aí você vê, pera aí, então na mesma reunião em que eles anunciaram aí que iam votar tal da anistia, ele anunciou que vai caçar o Eduardo Bolsonaro. Você vê que ele tem cinco sessões para fazer a sua defesa, mas ele já atingiu o limite de faltas. Ou seja, mesmo se Eduardo Bolsonaro, que vamos lembrar, não tem mandado de prisão contra ele.

    Se ele pegar o próximo voo paraa Brasília e e conseguir chegar hoje à noite, se ele tivesse pego aí quando deu a entrevista ou antes, a quando teve a reunião de líderes que foi hoje de manhã, se ele pegasse um voo na hora, chegasse em Brasília lá são 8 horas de voo, chegasse, pegou o voo meio-dia, chegou 8 da noite e foi no Congresso Nacional que eles vão ficar votando hoje lá até quase meia-noite.

    Mesmo assim não adianta nada, porque ele já teve as faltas, ele será caçado. Foi isso aí que anunciou o Hugo Moto. Aí falaram: “Pô, mas mas mas vai votar anestia a cação de Eduardo Bolsonaro é porque o Hugo Mota quer caçar um desafeto do Artur Lira, que é o Glauber Braga. Glauber Braga aí tem um processo de cassação.

    Vamos lembrar, a direita tem maioria na Câmara dos Deputados. A esquerda não apenas não tem maioria, nós somos uma minoria bem pequena, mas bem pequena mesmo. E se você pensar os parlamentares de esquerda, a maioria nem sequer sabe usar a rede social, cara. Não sabe usar o Instagram, cara. Eu compartilhe aí um post.

    Se você pedir pro deputado, ele vai mandar um assessor ou assessora que ele não sabe usar o celular. O da extrema direita. Então o dia inteiro assim. E aí tem uma coisa que você pode gostar ou não. Eu particularmente não tenho aí sentimento quanto a isso de positivo ou negativo. Para muita coisa é negativa, para outras coisas, como expor muita coisa que a imprensa não mostra, é bem positiva.

    Mas hoje o ofício aí de ser deputado envolve você ficar fazendo assim, falar com as pessoas, envolve você mostrar isso. E muitos não fazem, a extrema direita faz. Aí eles têm um alcance muito maior os deputados. eles conseguem impor determinadas versões eh narrativas, né, determinadas narrativas. Aí o que aconteceu? Eles também conseguem ter maioria na Câmara, porque e um deputado que tem um alcance, ele amplia a sua votação na próxima pelo coeficiente eleitoral, ele elede alguns do partido dele a mais a mais.

    OK? Voltamos aí ao caso, eles, o Artur Lira quer caçar o Glauber Braga e aí devem aí caçar Carla Zambelli e o Eduardo Bolsonaro. Aí querem equiparar o Glauber Braga que não cometeu crime algum ao Eduardo Bolsonaro e a Carla Zambelli. Mas fala: “Pô, mas que que palhaçada, hein? Essa aí é na conta do Artur Lira.

    O Hugo Mota é só o lacaio, o cachorrinho do Artur Lira. O Artur Lira manda, senta, ele senta, dá patinha, ele dá patinha, rola o o Hugo Mota deita no chão e rola. É isso aí. Voltamos aí ao da extrema direita. Caçar o o Glober Braga não muda nada na vida do Bolsonaro, do Flávio Bolsonaro, do Eduardo, nada, nada, nada, nada. Ah, mas o Gláber Braga incomoda.

    Sim, mas eles querem e e é se livrar da prisão, caçar o com o Glauber Braga caçado ou não, eles continuam no caminho da prisão que muda a anistia. Aí o o Gomota falou o seguinte: “Olha, não vai ter isso de anistia não, isso de anistia está afastado, vai ser dosimetria.” Já foi o primeiro BAC que falaram: “Putz, a gente queria anistia, né?” Dosimetria não tira o Bolsonaro da prisão.

    Tira? Você deve estar se perguntando, eu respondo. Não, não tira. Aí chegou o texto do Paulinho da Força. O texto do Paulinho da Força é muito parecido com algum texto que ele poderia colocar em pauta um mês atrás, dois meses atrás, quando ele foi tornado relator e se encontrou lá com o Neves. Podia ser, provavelmente ele escreveu o texto naquele dia ali, naqueles dias e colocou em pauta hoje.

    O texto diz o seguinte, que o crime de abolição violenta do Estado democrático de direito e de golpe de estado, esses crimes se equiparam e aí a pessoa vai ficar com com na pena com o crime que tiver ali a maior pena. Ou seja, se se um cara pegar 8 anos por abolição violenta do Estado democrático de direito e 7 anos por golpe de estado, vai valer a pena de 8 anos.

    Se ele pegar 8 anos por golpe de estado e e 7 anos por abolição violenta do Estado democrático de direito, aí vai valer a pena do golpe de estado que é maior. É isso. Só que por isso, eh, por essa dosimetria, o Bolsonaro ainda vai ficar aí com uma pena de 19 anos de jaula. O problema para ir para para extrema direita é um pouquinho menos, 18 anos e 18 anos e pouco.

    O problema para eles é o seguinte: o Bolsonaro ainda fica 2 anos e 9 meses em regime fechado. O eh o Paulinho da Força ainda colocou para ajudar os golpistas que o tempo em prisão domiciliar pode ser utilizado para redução de pena. Como assim, Thago? O Brasil tem uma mamata, existe em alguns países, mas no Brasil é uma coisa que você fala é incrível, que o cara lê um livro e faz um resumo do livro, ele diminui ali três dias na pena.

    O cara trabalha lá na prisão, ele diminui quatro dias na pena. Às vezes você tem cara, eu tava vendo um vídeo do Fabiano Contarato, você vê um cara que é condenado por homicídio, ou seja, ele tirou a vida de uma pessoa com todas as benécies da lei, o cara fica 3 anos. 3 anos. Vale a pena. Você mata alguém e você fica 3 anos preso só.

    Brasil. Brasil 2025. E tem parte da esquerda que aquela esquerda que a direita gosta. E veja, é sempre a esquerda antipetista, que adora defender bandido e que acha isso maravilhoso e que quando a direita, a extrema direita coota essa pauta aí da segurança pública e a e a e a direita fala, vamos aumentar pena para bandido, essa parte aí da esquerda que uma esqu uma parte mínima, fala é não pode, não pode, não sei o quê.

    a gente sabe que tem que ter mais educação, mais mais condições para as pessoas, que isso diminui a criminalidade a médio e longo prazo. Mas você tem uma pena que pode chegar em determinados casos há só 3 anos de jaula para alguém que tirou a vida de outra pessoa. Olha, Brasil, no caso, o que que tá fazendo Paulinho da força é ainda pior.

    Por quê? Porque a pessoa mesmo na prisão domiciliar ela pode dizer que lê um livro, fazer ali um resumo no chat GPT, por exemplo. Chat GPT resume 30 livros para mim. O chat GPT resume, você manda o PDF lá de 30 livros, você pode baixar em qualquer site. E o chat apt resume todos. Aí a pessoa pode, se quiser, transcrever assim a mão tudo que tá ali escrito chat dept e mandar lá para diminuir dias e dias e dias a sua pena.

    Então uma pessoa aliem em algumas horas consegue ali escrever um resumão de 300 livros copiando do chatt e vai diminuir ali um ou dois anos a sua pena. Olha só que coisa. Brasil 2025. Esse é o projeto de lei aí do Paulinho da Força, não extrem direita sempre defendendo o bandido, né? Só que aí quando veio o texto, eles perceberam, pô, mas o Bolsonaro continua, ele continua preso com esse texto.

    Depois do visto, o que a Lei Magnitsky pode fazer com as finanças de  Alexandre de Moraes | Fast Company Brasil

    E o pior é que dependendo da reação que vai ter do Supremo Tribunal Federal, principalmente do Alexandre de Morais e do Gonê, é capaz que esse pessoal aí decida, pô, tá, o Bolsonaro vai continuar preso, o o Lula é reeleito, esse pessoal vai falar: “Pô, agora vamos pegar o Bolsonaro por outros crimes”. Porque a dosimetria trata dos crimes de abolição violenta do estado democrático de direito e golpe de estado, tá? Mas não trata de roubo de dinheiro público, não trata de genocídio na pandemia, não trata de superfaturamento de vacina, de

    nada disso. Esse projeto aí fala: “Ih, então tem, eu tenho uma chance enorme de antes do Bolsonaro ter uma progressão de regime de que ele já esteja condenado e com mandado de prisão por outros processos. Tem, porque a retalhação que deve vir.” Diante disso, deu aí um pânico na extrema direita.

    o melhor amigo do filas Malafaia, que é o líder do PL na Câmara, que é o ô me me sumiu o nome dele aqui, eu vou mostrar o vídeo dele. soft. Logicamente que não estamos satisfeitos com este resultado, mas é o degrau possível e nós não vamos abrir mão em circunstância nenhuma de no próximo ano, voltando os trabalhos legislativos em primeiro de fevereiro, de continuar a nossa luta pela anistia de todos os presos políticos.

    Aí ele falou: “Não, estamos satisfeitos nisso.” O Flávio Bolsonaro já anunciou que ele vai manter a candidatura, porém provavelmente ele vai manter a candidatura para conseguir pressionando, mas deve ter feito o acordo. Ó, vocês votam 12etri, eu não vou atacar vocês da maneira que atacar. A gente não vai aí utilizar nossa força máxima para atacar vocês. A gente vai negociando aí.

    Só que nisso aí Bolsonaro continua preso. Fizeram, fizeram, fizeram, fizeram. E o projeto faz com que o Bolsonaro continue preso. O que eu falei aqui da lei sobre homicídio, aquilo não entra no projeto da da dosimetria. Esse projeto para dosimetria diz que alguém pode ler livros e tudo mais, mas só os condenados por crimes contra o estado democrático de direito ou golpe de estado, esse tipo de coisa, condenados por outras coisas.

    E essa parte não entra na lei. Você fala que coisa, né? Cria um novo tipo penal. Se a pessoa comete qualquer um qualquer crime, o tempo que ela fica em casa em prisão domiciliar, fingindo que tá lendo livros e fingindo que tá trabalhando, não diminui a sua pena. Mas se ela cometer unicamente crimes contra a democracia, aí sim, aí a pessoa, o tempo que tiver em casa, fingindo que tá lendo o livro e fingindo que tá trabalhando, esse tempo conta para diminuir a pena.

    Aí você fala: “Que coisa, né? Que coisa. Essa é extrema direita. E o pior é que tem otário que vota nesses caras ainda. Fica é isso. V aí Brasil 2025, viu? Temos um trabalho longo pela frente porque olha, o Brasil é uma democracia. A gente tem que convencer os o os que votam aí no no Bolsonaro na extrema direita, a mudar de lado.

    Essa é a nossa tarefa mais difícil, viu? E temos convencer muita gente aí que é isentão a vir pro nosso lado para que na próxima legislatura a gente não tenha uma minoria tão insignificante na Câmara, porque a gente não tem condição de passar nada. Essa é a verdade. Eles passam o trator sempre que querem. E olha que o governo Lula ainda faz aí uma uma articulação de tirar de de tirar ali leite de pedra.

    Eu peço aí a sua inscrição no canal. Seguimos aqui na luta contra essa caja maldita. fou.

  • MICHELLE LARGA O PL MULHER! Crise sem fim na família

    MICHELLE LARGA O PL MULHER! Crise sem fim na família

    Michele Bolsonaro está fora da presidência do PL Mulher. O anúncio aconteceu na segunda-feira. Eu acho pouco provável que isso não tenha a ver com a candidatura do Flávio. Ela disse que está muito tensa e alegou problemas de saúde. Eu vejo que é conversa para boi dormir ou é uma estratégia de Michelle. Temos duas hipóteses.

    Uma pode ser que Michele tenha perdido seu ímpeto presidencial com o anúncio de Bolsonaro, que todo mundo sabe e a visão é consolidada, que o Bolsonaro lançou o Flávio depois de ter sido derrotado pela Michele no embate do Ceará. Mas a Michele pode estar fazendo isso para fortalecer a imagem dela de sofredora com a prisão do Bolsonaro.

    Ela tem feito isso, tem feito visitas entes, tem levado marmitinhas para o Bolsonaro e isso tudo fortalece a imagem da esposa piedosa que está com o marido injustiçado na prisão. A gente sabe que essa candidatura de Flávio cada vez mais tá dando água. Ele não está conseguindo tracionar, pelo menos nesses primeiros dias, e ele é muito fraco psicologicamente e também politicamente.

    Ao lado de Bolsonaro, Michelle é protagonista em evento do PL Mulher de SP

    Não descarto que essa candidatura de Flávio vá por terra e a candidatura de Michele acabe vingando, porque ela é muito mais competitiva que o Flávio e que o Tarcísio de Freitas. E você tem que participar dessa discussão comigo. Você vai colocar nos comentários se você acha que Michele ela está reagindo por quê? pela candidatura do Flávio que a decepcionou ou é uma estratégia de imagem da Michele ou um pouco dos dois? Coloque aqui a sua participação.

    Deixe no comentário também o quanto que o afastamento de Michele do Pel Mulher pode afetá-la para 2026. E esse casamento é um casamento de fachada? Deixa o like no vídeo se você vê essa candidatura de Flávio como um fiasco e se inscreva no canal. A Michele Bolsonaro, ela abriu mão do PL Mulher. Ela não é mais a presidente do PL Mulher por enquanto.

    Só que antes do anúncio da Michele ser divulgado, houve uma posição do Bolsonaro com relação ao Flávio, mas nós tivemos algumas informações de bastidores. O anúncio que o Flávio fez que ele seria o candidato do Bolsonaro aconteceu na sexta-feira. Na quinta-feira, ou seja, um dia antes, o Bolsonaro teve um encontro com o Flávio na prisão.

     

    Nesse encontro, o Bolsonaro falou que o Flávio seria o candidato dele, Bolsonaro, em uma resposta a Michele Bolsonaro, porque o anúncio do Flávio aconteceu dias depois daquela discussão que houve no Ceará com Michele rompendo a aliança com Ciro Gomes. O Flávio Bolsonaro falou que Michele era autoritária, mas depois teve uma discussão com o Bolsonaro.

    O Flávio pediu até desculpas para Michele, mostrando que quem manda era ela, Michele Bolsonaro. E aí teve essa reunião. O Bolsonaro lançou o nome do Flávio e solicitou para Michele que não houvesse questionamentos públicos do nome do Flávio, do nome do Flávio, que não houvesse uma oposição pública também na Michele e que não tivesse nenhum tipo de dessor.

    Em contrapartida, o Bolsonaro falou para o Flávio que ele não iria aceitar nenhum tipo de complô contra a esposa, porque quando houve o embate lá no Ceará, o Flávio, o Eduardo, o Carlos e o Jair Renan atacaram a atual esposa do Bolsonaro. Quando teve esse anúncio do Bolsonaro com o Flávio, as portas para Michele Bolsonaro se fecharam como candidata presidencial.

    E na mesma época que Michele fez aquele embate no Ceará, as pessoas começaram a falar que, olha, a Michele quer ser candidata a presidente e todo mundo sabia que ela tem essa pretensão. Aí, passados alguns dias, Michele emite uma nota afastandose, afastando da presidência do PL Mulher, alegando tensões decorrentes da prisão do Bolsonaro, tensões que podem ser tensões familiares, eu acredito que sejam tensões familiares e motivos de saúde.

    A prisão do Bolsonaro, segundo a nota que foi emitida pelo Pele Mulher, afetou muito Michele Bolsonaro. A saúde dela ficou muito debilitada, a imunidade caiu, isso já vinha sendo arrastado há alguns meses e agora ela precisou de um afastamento. Pode ter a ver com o anúncio da candidatura do Flávio.

    Sim, nós não podemos descartar isso. Eu acho que tem sim a ver. Michele tinha pretensões presidenciais e está frustrada com a preferência de Bolsonaro pelo Flávio, que é um candidato muito fraco. E Michele sabe que ela é mais forte do que o Flávio. Não em termos de números, porque ambos têm números muito parecidos, mas ela engaja mais.

    Michele, ela tem uma retórica melhor. Michele ela empolga mais e ela tem um potencial com o voto feminino muito maior do que o do Flávio. Mas Michele pode estar fazendo isso também para cultivar uma imagem da esposa perseguida ou da esposa sofredora com a prisão do Bolsonaro. Michele tem feito visitas ao Bolsonaro, ele não come comida da prisão, então ela leva marmitas, ela faz questão de ser fotografada visitando o Bolsonaro, é uma esposa presente e isso favorece a imagem dela.

    A prisão do Bolsonaro tem sido muito boa para Michele, primeiro porque ela fica longe do Bolsonaro. Quem vai querer Bolsonaro perto? Obviamente ninguém. Ele é asqueroso, mas em termos políticos também a fortalece como o afastamento do Bolsonaro do dia a dia do PL fez com que Michele pudesse peitar a família lá no Ceará. E há uma visão consolidada desde o anúncio do Flávio que o Bolsonaro reagiu à pressão que Michele fez no Ceará.

    O Bolsonaro, ele teve praticamente aí três objetivos que tá estão consolidados. O primeiro é manter a influência da família, a influência política da família na direita, isso todo mundo sabe. Segundo, aumentar o preço do apoio em 2026. E terceiro, evitar que Michele pudesse se destacar, porque por mais que Michele seja a esposa de Bolsonaro, ele não confia nela como confia nos filhos.

    Bolsonaro, ele é um cara muito paranóico e ele teve problemas com as duas esposas antes, tanto com a Rogéria, que é a mãe do Carlos, do Flávio e do e do e do Eduardo. O o Bolsonaro lançou o Carlos para disputar com a própria mãe quando ela ela ela era vereadora, até minha língua travou, lá no Rio de Janeiro. E depois a segunda esposa, Ana Cristina Vale, também o Bolsonaro teve problemas com ela.

    PL Mulher vira plataforma de esposas de políticos para 2026

    Por que que não vai ter com a Michele? São dois problemas em três casamentos, então é muito possível que tenha. Então ele lança a candidatura do falável justamente para evitar que a que a Michele Bolsonaro possa crescer mais politicamente. E a candidatura da Michele, ela é criticada por integrantes do centrão. Isso segundo a Daniela Lima.

    O que eu vejo que são críticas assim muito envias, porque quem está criticando a candidatura de Michele é o Ronaldo Caiado. São assessores de Caiado. Eles dizem que a Michele ela tem muito poder de largada. Ela larga muito bem na candidatura, mas a chegada dela é ruim, porque ela não teria o que apresentar em termos políticos contra o Lula, contra o Lula.

    Na minha visão, isso é uma grande bobagem, é uma mentira, porque não há diferença em termos de chegada da Michele, para o Flávio, para o Caiado ou até mesmo pro Tício de Freitas. Nenhum deles tem bagagem suficiente ou resultados suficientes para mostrar pra população e enfrentar o Lula. Nenhum deles tem, ainda mais agora com bons indicadores econômicos, bons indicadores sociais e aprovação da isenção do imposto de renda.

    E o Lula indo para 2026 com a discussão da escala 6 por1, vai ser a plataforma de campanha dele. Quem consegue enfrentar isso? Sinceramente, ninguém. O que eles estão tentando fazer é sabotar a candidatura de Michele, porque se Michele sai como candidata, ela vai ser derrotada pelo Lula como todos os outros serão. Porém, ela tem um potencial de liderar a direita muito maior do que qualquer um dos outros candidatos.

    Ninguém tem a força que Michele tem para tocar esse bolsonarismo mais religioso, essa talvez essa nova etapa da política brasileira, que é uma política com valores religiosos muito empregados. Caiado não tem, Zema não tem, Ratinho, Bolsonaro, Flávio, Eduardo, mas Michele tem.

  • HUGO MOTTA ENTERRA ANISTIA, CONFIRMA BOLSONARO ENJAULADO E ANUNCIA CASSAÇÃO DE EDUARDO BOLSONARO!!

    HUGO MOTTA ENTERRA ANISTIA, CONFIRMA BOLSONARO ENJAULADO E ANUNCIA CASSAÇÃO DE EDUARDO BOLSONARO!!

    E terça-feira aí pegando fogo em Brasília. Olha só os bolsonaristas aí, principalmente os filhos do Bolsonaro que estão ali acompanhando em tempo real, né? O Bolsonaro não, porque ele está enjaulado, lembre-se disso. Eles foram aí da euforia ao pânico em poucas horas. Que que aconteceu hoje de manhã? O Flávio Bolsonaro foi visitar o Jair Bolsonaro e logo depois ele se reuniu aí com o seu comparsa de crimes que é o Ciro Nogueira.

    Vamos lembrar, o Ciro Nogueira é ligado ao PCC. Segundo aí inúmeras testemunhas que já falaram a Polícia Federal, tá sendo investigado por isso. O Flávio Bolsonaro, ele indicou ali pro governo do Rio de Janeiro muita gente que é ligada também ao comando vermelho. Só que ao que tudo indica, essas facções todas lavam o dinheiro mais ou menos da mesma maneira.

    É ali que se une tudo, tá? E o Cío Nogueira foi ministro da Casa Civil do Bolsonaro e cometeram muitos crimes juntos, principalmente no Bolsolão. Depois dessa reunião que também contou com o Rueda, que também ele é presidente do partido eh do União Brasil e ele também tá sendo investigado aí por ligações com o PCC. Pois bem, nessa reunião eles decidiram que eles iam pautar aí o projeto de anistia hoje.

    A reação de Hugo Motta à pressão para cassar o mandato de Eduardo Bolsonaro

    Então o Hugo Mota, que é lacaio aí da extrema direita, ele anunciou que iria pautar o PL da dosimetria. OK? A esquerda reagiu. Para você ter uma ideia, os assuntos mais falados aí nas redes sociais hoje foram, vou te mostrar aqui, sem anistia número um, Hugo Mota número dois e sem dosimetria número três. Ah, para você ver aí que tá tá ruim, né? O povo tá contra o projeto deles.

    Inclusive, pesquisa mostrou aí que mais de 50% dos brasileiros, no caso 53, são a favor da manutenção da prisão do Bolsonaro. E mais de 50% também achou que ele ia fugir. OK. Que que aconteceu? Aconteceu que os bolsonaristas passaram ali a comemorar tudo mais, pererê, barará.

    Só que a primeiro BAC foi quando o Hugo Mota deu uma entrevista falando que ele ia pautar isso, porque isso é prerrogativa dele e tudo mais. Aí você vê a a primeira coisa que eu vou te dizer é o seguinte, a o tudo que falaram aí as fontes desses jornalistas da Globo, do Metrópolis, etc. Tem aqui nos vídeos de ontem e no vídeo de hoje de manhã sobre que o eles iam para cima do Flávio Bolsonaro e tudo mais, você vê que boa parte daquilo eles recuam, né? Por que que recuaram? o pessoal ali do da direita, que a imprensa chama de Centrão, eh passou a ser avisado aí pelo

    Flávio Bolsonaro o seguinte: “Foi esse provavelmente o tema da reunião do Flávio com Jair Bolsonaro hoje de manhã. Eles vão usar o gabinete do ódio para achincalhar qualquer que seja o candidato aí eh dessa direita aí eh que que querem lançar aí. Ontem se cogitou muito que eles iam lançar o Ratinho Júnior, a presidência que ele tava ganhando muita força com a candidatura do Flávio, que eles acreditavam que o Ratinho Júnior poderia chegar no segundo turno contra o Lula e ali teria o apoio do Bolsonaro. Sim ou sim, né? Que eles

    iam apoiar qualquer um contra o Lula. Isso foi falado até pelo Eduardo Bolsonaro. Porém, o que foi dito aí pelo Flávio é o seguinte: qualquer um que vocês lançarem vai ser o nosso candidato, o nosso alvo direto, eh, oponente direto para ir pro segundo turno. Então, a gente vai estraçalhar vocês nas redes sociais.

     

    A gente vai estraçalhar. Não vai ter como depois vocês tentarem qualquer tipo de aliança, coisa assim, porque a gente vai desde já estraçalhar os nomes que estão aí na infilirados para serem candidatos do chamado sistema, tá? Aí você vê, putz, os caras devem ter pensado, pô, então se colocar o Tarcísio, o bolsonarismo bate no Tarcísio.

    Vamos lembrar quando o Fláv, o Eduardo Bolsonaro, o Eduardo Bolsonaro tem um alcance pequeno e ele tem ali um poder de influência bem pequeno na extrema direita. E quando ele passou a a falar mal do Tarciso, o Tarciso caiu três pontos na pesquisa. Por que que caiu três pontos? Porque alguns bolsonaristas mais radicais que votavam no Tarcío falaram: “Opa, pera aí, esse cara é o do sistema, não voto mais nele”.

    três pontos é o suficiente ali. É, é o limear às vezes para o cara ir pro segundo turno ou não. Vamos lembrar, o Lula no primeiro turno do da eleição passada teve 48% dos votos. Um pouquinho mais de 48% dos votos. Por menos de dois pontos o Lula não ganhou no primeiro turno. Então você vê que três pontos é muita coisa. Três pontos é muita coisa nessa hora.

    Quando quando um candidato tem três pontos, como teve o Ciro Gomes, não é nada. Mas você vê que eh para ganhar no primeiro turno ou não, às vezes essa é a diferença. Aí eles pensaram: “Pô, pera aí, isso com poucos ataques. Imagina se Eduardo, Flávio, Carlos, gabinete do ódio inteiro, parlamentares que realmente estejam ali ligados ao bolsonarismo e eles são muito bons de pressionar quem não tá com eles.

    Você vê que o Nicolas faz muita coisa na base da pressão. Gustavo Girer é outro que também faz. Eh, biaquicisses também, alguns ali também vão na base da pressão. Então eles são bons nisso. Com esse pessoal todo vai ficar difícil, vai ficar muito difícil algum outro candidato ali chegar nos 10%. Alguns vão falar: “Mas Thiago, não vão chegar nem a 10%.” Eu te explico.

    Se sempre o candidato aí que é a tal da terceira via sempre se ferra, nunca chega nem 10%. Então você vê, pô, tá ruim, tá ruim aí para esse pessoal. Eles perceberam, pô, vai dar ruim. É engraçado. Agora eu vou dar um adendo aí e que ninguém vai lembrar disso aí. Quase. Você vai ver qualquer assiste todos os canais.

    Quero ver um lembrar disso aí. O Daviel Columbre tava mandando em direta a mim, né, talvez sem saber que sou eu, né, e ao Lindberg Farias, dizendo que, olha, vocês dizem que o Congresso é inimigo do povo e não sei o quê. Bravo, bravo, porque toda vez que o Congresso Nacional aprova alguma coisa contra a população, a esquerda vai para cima do Congresso, dizendo que o Congresso é inimigo do povo.

    Pois bem, mas aí ele fica bravo, falou que acionou a Polícia Legislativa e a polícia do Senado, sendo que é muito fácil. É só ver quem tá puxando. Eu, no caso, eu, Thiago, dos Reis. Aí tá, é só ler a matéria da Globo, quem quem que teve o maior alcance lá. Pois bem, aí e o pior, ele aciona a polícia por uma coisa que não é crime. Eu sou o pior ainda.

    Ele falou que vai acionar isso. Polícia não é para processar, é para expor. Aí quando vem a ameaça da extrema direita a xincalhar com eles, aí eles fazem o quê? Ai não, então vamos votar aí o que o Bolsonaro quer. É só que isso não durou muito tempo não. Por quê? Porque logo depois Hugo Mota deu essa entrevista aqui que caiu como um balde de água fria para todos os bolsonaristas.

    Vou mostrar aqui com vocês. Bandidão. Desculpa mostrar bandido na sua tela, mas Hugo Mota, deputado Eduardo Bolsonaro. Deputado Eduardo Bolsonaro, ele já tem o número de faltas que são suficientes para a cassação do seu mandato. Deputado Eduardo Bolsonaro, como todos sabem, está no exterior por decisão dele. Ele foi para os Estados Unidos, não tem frequentado as sessões da casa.

    é impossível o exercício do mandato parlamentar fora do território nacional. E com esse cumprimento de faltas, nós estamos também publicando hoje, aí será através da mesa da Câmara também o prazo para que ele possa em cinco sessões, poder apresentar a sua defesa e a mesa deverá apresentar o resultado pela cassação do seu mandato, já que ele eh cumpriu o número de faltas suficientes para isso, não é? é regimental e nós queremos também, não é, até semana que vem concluir esse processo do deputado Eduardo Bolsonaro. Então nós nessa

    reunião de líderes tratamos aí você vê, pera aí, então na mesma reunião em que eles anunciaram aí que iam votar tal da anistia, ele anunciou que vai caçar o Eduardo Bolsonaro. Você vê que ele tem cinco sessões para fazer a sua defesa, mas ele já atingiu o limite de faltas. Ou seja, mesmo se Eduardo Bolsonaro, que vamos lembrar, não tem mandado de prisão contra ele.

    Se ele pegar o próximo voo paraa Brasília e e conseguir chegar hoje à noite, se ele tivesse pego aí quando deu a entrevista ou antes, a quando teve a reunião de líderes que foi hoje de manhã, se ele pegasse um voo na hora, chegasse em Brasília lá são 8 horas de voo, chegasse, pegou o voo meio-dia, chegou 8 da noite e foi no Congresso Nacional que eles vão ficar votando hoje lá até quase meia-noite.

    Mesmo assim não adianta nada, porque ele já teve as faltas, ele será caçado. Foi isso aí que anunciou o Hugo Moto. Aí falaram: “Pô, mas mas mas vai votar anestia a cação de Eduardo Bolsonaro é porque o Hugo Mota quer caçar um desafeto do Artur Lira, que é o Glauber Braga. Glauber Braga aí tem um processo de cassação.

    Vamos lembrar, a direita tem maioria na Câmara dos Deputados. A esquerda não apenas não tem maioria, nós somos uma minoria bem pequena, mas bem pequena mesmo. E se você pensar os parlamentares de esquerda, a maioria nem sequer sabe usar a rede social, cara. Não sabe usar o Instagram, cara. Eu compartilhe aí um post.

    Se você pedir pro deputado, ele vai mandar um assessor ou assessora que ele não sabe usar o celular. O da extrema direita. Então o dia inteiro assim. E aí tem uma coisa que você pode gostar ou não. Eu particularmente não tenho aí sentimento quanto a isso de positivo ou negativo. Para muita coisa é negativa, para outras coisas, como expor muita coisa que a imprensa não mostra, é bem positiva.

    Mas hoje o ofício aí de ser deputado envolve você ficar fazendo assim, falar com as pessoas, envolve você mostrar isso. E muitos não fazem, a extrema direita faz. Aí eles têm um alcance muito maior os deputados. eles conseguem impor determinadas versões eh narrativas, né, determinadas narrativas. Aí o que aconteceu? Eles também conseguem ter maioria na Câmara, porque e um deputado que tem um alcance, ele amplia a sua votação na próxima pelo coeficiente eleitoral, ele elede alguns do partido dele a mais a mais.

    OK? Voltamos aí ao caso, eles, o Artur Lira quer caçar o Glauber Braga e aí devem aí caçar Carla Zambelli e o Eduardo Bolsonaro. Aí querem equiparar o Glauber Braga que não cometeu crime algum ao Eduardo Bolsonaro e a Carla Zambelli. Mas fala: “Pô, mas que que palhaçada, hein? Essa aí é na conta do Artur Lira.

    O Hugo Mota é só o lacaio, o cachorrinho do Artur Lira. O Artur Lira manda, senta, ele senta, dá patinha, ele dá patinha, rola o o Hugo Mota deita no chão e rola. É isso aí. Voltamos aí ao da extrema direita. Caçar o o Glober Braga não muda nada na vida do Bolsonaro, do Flávio Bolsonaro, do Eduardo, nada, nada, nada, nada. Ah, mas o Gláber Braga incomoda.

    Sim, mas eles querem e e é se livrar da prisão, caçar o com o Glauber Braga caçado ou não, eles continuam no caminho da prisão que muda a anistia. Aí o o Gomota falou o seguinte: “Olha, não vai ter isso de anistia não, isso de anistia está afastado, vai ser dosimetria.” Já foi o primeiro BAC que falaram: “Putz, a gente queria anistia, né?” Dosimetria não tira o Bolsonaro da prisão.

    Tira? Você deve estar se perguntando, eu respondo. Não, não tira. Aí chegou o texto do Paulinho da Força. O texto do Paulinho da Força é muito parecido com algum texto que ele poderia colocar em pauta um mês atrás, dois meses atrás, quando ele foi tornado relator e se encontrou lá com o Neves. Podia ser, provavelmente ele escreveu o texto naquele dia ali, naqueles dias e colocou em pauta hoje.

    O texto diz o seguinte, que o crime de abolição violenta do Estado democrático de direito e de golpe de estado, esses crimes se equiparam e aí a pessoa vai ficar com com na pena com o crime que tiver ali a maior pena. Ou seja, se se um cara pegar 8 anos por abolição violenta do Estado democrático de direito e 7 anos por golpe de estado, vai valer a pena de 8 anos.

    Se ele pegar 8 anos por golpe de estado e e 7 anos por abolição violenta do Estado democrático de direito, aí vai valer a pena do golpe de estado que é maior. É isso. Só que por isso, eh, por essa dosimetria, o Bolsonaro ainda vai ficar aí com uma pena de 19 anos de jaula. O problema para ir para para extrema direita é um pouquinho menos, 18 anos e 18 anos e pouco.

     

    O problema para eles é o seguinte: o Bolsonaro ainda fica 2 anos e 9 meses em regime fechado. O eh o Paulinho da Força ainda colocou para ajudar os golpistas que o tempo em prisão domiciliar pode ser utilizado para redução de pena. Como assim, Thago? O Brasil tem uma mamata, existe em alguns países, mas no Brasil é uma coisa que você fala é incrível, que o cara lê um livro e faz um resumo do livro, ele diminui ali três dias na pena.

    O cara trabalha lá na prisão, ele diminui quatro dias na pena. Às vezes você tem cara, eu tava vendo um vídeo do Fabiano Contarato, você vê um cara que é condenado por homicídio, ou seja, ele tirou a vida de uma pessoa com todas as benécies da lei, o cara fica 3 anos. 3 anos. Vale a pena. Você mata alguém e você fica 3 anos preso só.

    Brasil. Brasil 2025. E tem parte da esquerda que aquela esquerda que a direita gosta. E veja, é sempre a esquerda antipetista, que adora defender bandido e que acha isso maravilhoso e que quando a direita, a extrema direita coota essa pauta aí da segurança pública e a e a e a direita fala, vamos aumentar pena para bandido, essa parte aí da esquerda que uma esqu uma parte mínima, fala é não pode, não pode, não sei o quê.

    a gente sabe que tem que ter mais educação, mais mais condições para as pessoas, que isso diminui a criminalidade a médio e longo prazo. Mas você tem uma pena que pode chegar em determinados casos há só 3 anos de jaula para alguém que tirou a vida de outra pessoa. Olha, Brasil, no caso, o que que tá fazendo Paulinho da força é ainda pior.

    Por quê? Porque a pessoa mesmo na prisão domiciliar ela pode dizer que lê um livro, fazer ali um resumo no chat GPT, por exemplo. Chat GPT resume 30 livros para mim. O chat GPT resume, você manda o PDF lá de 30 livros, você pode baixar em qualquer site. E o chat apt resume todos. Aí a pessoa pode, se quiser, transcrever assim a mão tudo que tá ali escrito chat dept e mandar lá para diminuir dias e dias e dias a sua pena.

    Então uma pessoa aliem em algumas horas consegue ali escrever um resumão de 300 livros copiando do chatt e vai diminuir ali um ou dois anos a sua pena. Olha só que coisa. Brasil 2025. Esse é o projeto de lei aí do Paulinho da Força, não extrem direita sempre defendendo o bandido, né? Só que aí quando veio o texto, eles perceberam, pô, mas o Bolsonaro continua, ele continua preso com esse texto.

    E o pior é que dependendo da reação que vai ter do Supremo Tribunal Federal, principalmente do Alexandre de Morais e do Gonê, é capaz que esse pessoal aí decida, pô, tá, o Bolsonaro vai continuar preso, o o Lula é reeleito, esse pessoal vai falar: “Pô, agora vamos pegar o Bolsonaro por outros crimes”. Porque a dosimetria trata dos crimes de abolição violenta do estado democrático de direito e golpe de estado, tá? Mas não trata de roubo de dinheiro público, não trata de genocídio na pandemia, não trata de superfaturamento de vacina, de

    nada disso. Esse projeto aí fala: “Ih, então tem, eu tenho uma chance enorme de antes do Bolsonaro ter uma progressão de regime de que ele já esteja condenado e com mandado de prisão por outros processos. Tem, porque a retalhação que deve vir.” Diante disso, deu aí um pânico na extrema direita.

    o melhor amigo do filas Malafaia, que é o líder do PL na Câmara, que é o ô me me sumiu o nome dele aqui, eu vou mostrar o vídeo dele. soft. Logicamente que não estamos satisfeitos com este resultado, mas é o degrau possível e nós não vamos abrir mão em circunstância nenhuma de no próximo ano, voltando os trabalhos legislativos em primeiro de fevereiro, de continuar a nossa luta pela anistia de todos os presos políticos.

    Hugo Motta

    Aí ele falou: “Não, estamos satisfeitos nisso.” O Flávio Bolsonaro já anunciou que ele vai manter a candidatura, porém provavelmente ele vai manter a candidatura para conseguir pressionando, mas deve ter feito o acordo. Ó, vocês votam 12etri, eu não vou atacar vocês da maneira que atacar. A gente não vai aí utilizar nossa força máxima para atacar vocês. A gente vai negociando aí.

    Só que nisso aí Bolsonaro continua preso. Fizeram, fizeram, fizeram, fizeram. E o projeto faz com que o Bolsonaro continue preso. O que eu falei aqui da lei sobre homicídio, aquilo não entra no projeto da da dosimetria. Esse projeto para dosimetria diz que alguém pode ler livros e tudo mais, mas só os condenados por crimes contra o estado democrático de direito ou golpe de estado, esse tipo de coisa, condenados por outras coisas.

    E essa parte não entra na lei. Você fala que coisa, né? Cria um novo tipo penal. Se a pessoa comete qualquer um qualquer crime, o tempo que ela fica em casa em prisão domiciliar, fingindo que tá lendo livros e fingindo que tá trabalhando, não diminui a sua pena. Mas se ela cometer unicamente crimes contra a democracia, aí sim, aí a pessoa, o tempo que tiver em casa, fingindo que tá lendo o livro e fingindo que tá trabalhando, esse tempo conta para diminuir a pena.

    Aí você fala: “Que coisa, né? Que coisa. Essa é extrema direita. E o pior é que tem otário que vota nesses caras ainda. Fica é isso. V aí Brasil 2025, viu? Temos um trabalho longo pela frente porque olha, o Brasil é uma democracia. A gente tem que convencer os o os que votam aí no no Bolsonaro na extrema direita, a mudar de lado.

    Essa é a nossa tarefa mais difícil, viu? E temos convencer muita gente aí que é isentão a vir pro nosso lado para que na próxima legislatura a gente não tenha uma minoria tão insignificante na Câmara, porque a gente não tem condição de passar nada. Essa é a verdade. Eles passam o trator sempre que querem. E olha que o governo Lula ainda faz aí uma uma articulação de tirar de de tirar ali leite de pedra.

    Eu peço aí a sua inscrição no canal. Seguimos aqui na luta contra essa caja maldita. fou.

  • SERGIO MORO SE ENROLA E VAI PRESO POR VÍDEO ENCONTRADO NA VARA DE CURITIBA! CHANTAGENS E 0RGlAS!

    SERGIO MORO SE ENROLA E VAI PRESO POR VÍDEO ENCONTRADO NA VARA DE CURITIBA! CHANTAGENS E 0RGlAS!

    Atenção, atenção. A Polícia Federal conseguiu a prova chave pra prisão do Sérgio Moro. Polícia Federal apreende vídeo da festa da cueca na vara de Curitiba. Segundo a delação do Tony Garcia, tinha uma festa da cueca em que desembargadores do TRF4 estavam com prostitutas. E esse vídeo foi gravado amando do Sérgio Moro.

    Agora a Polícia Federal achou o vídeo. Só que a coisa piora. A Polícia Federal também encontrou um despacho assinado pelo próprio Sérgio Moro, em que ele ordena aí espionagem de figuras com foro privilegiado. Isso tudo é crime e tudo que o Tony Garcia falou já foi comprovado pela Polícia Federal. Agora só falta enjaular o Sérgio Moro.

    Grande dia. Casa caiu pro Sérgio Moro. A Polícia Federal acabou de encontrar o vídeo da festa da cueca, onde simplesmente desembargadores e juízes da Vara de Curitiba, comandada por Sérgio Moro, participam de festinhas e orgias com garotas de programa. E olha só que coisa, quem patrocinava estas orgias entre desembargadores e prostitutas eram famosos escritórios de advocacia que ofereciam essas festinhas em troca de decisões favoráveis por parte dos juízes em processos que envolviam clientes desses escritórios. Olha só que coisa

    curiosa. Então, quer dizer que uma das decisões que foi a condenação do presidente Lula saiu de uma orgia de juízes com prostitutas em Curitiba. Sérgio Moro é uma farça e tem que ser preso. E pegaram o Moro. Pois é. A Polícia Federal encontrou o tal vídeo da festa da cueca lá na 13ª vara de Curitiba. E o que que isso significa? Significa que tá sendo comprovada as denúncias aí do ex-deputado estadual Tony Garcia de que o Moro tinha um vídeo que comprometia aí os desembargadores lá do TRF de Curitiba e dessa forma ele chantagiava esses

    A mudança de Sergio Moro na República de Curitiba | VEJA

    caras para só soltar decisões favoráveis aí ao golpe contra o Brasil, contra o PT para prender o presidente Lula e para destruir o nosso país através da Lava-Jato. Pois é, agora ficou ruim. Com certeza isso aí vai colocar o Moro no caminho da cadeia, que é onde ele deveria estar. E o pior de tudo pro Moro é que a PF ainda encontrou documentos aí que também comprovam que o Marreco de Maringá se utilizava aí do ex-deputado estadual Tony Garcia para espionar e pessoas que tinham foro privilegiado.

    Isso mesmo. O cara cometeu todo tipo de crime. O caminho dele pra cadeia já tá sacramentado. E agora é só o povo brasileiro esperar para comemorar. PF apreende vídeo da festa da cueca na vara de Curitiba. Aqui embaixo, a Polícia Federal aprendeu durante a operação desta quarta-feira, dia 3/12, na 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, um vídeo intitulado Festa da cueca.

    Aí eu fiz um resumo aqui da matéria. O vídeo intitulado Festa da cueca registra um encontro íntimo descrito como uma orgia entre juízes federais e garotas de programa e uma suí presidencial de hotel de luxo em Curitiba. Pois na matéria aqui diz que é o Hotel Burbom. A gravação captura os participantes em situações comprometedoras, com ênfase em elementos de roupas íntimas, daí o nome cueca, o que facilitaria o uso para chantagem.

    Segundo investigações, os encontros eram mensais e financiados por escritórios de advocacia em troca de favorecimentos em decisões judiciais, como direcionamento de sentenças. A denúncia aqui diz que escritórios de advocacia aqui da região bancavam essas festas para que juízes federais se divertissem em troca de favorecimento nas nos processos que esses escritórios de advocacia tinham na vara de Cuti.

    O episódio principal ocorreu em 2003 no Hotel Burbon, envolvendo desembargadores do Tribunal Regional Federal da Quarta Região, famosíssimo TRF4, responsável por julgar recursos da Lava-Jato. Um delator alega que durante uma festa foi combinada a condenação do ex-presidente Lula em processos da operação Lava-Jato.

    Por enquanto, o que a gente tem são denúncias de que isso talvez tenha ocorrido. Ainda não tem provas reais de que isso ocorreu. E o que aparentemente que a matéria diz é que a PF encontrou esse vídeo. Ai, como eu queria trabalhar na PF para saber o que tá acontecendo ali dentro. Gente, hoje eu preciso que vocês prestem muita atenção no que eu vou mostrar aqui.

    Em uma entrevista histórica, o advogado Roberto Bertudo, um dos melhores advogados do Brasil, um dos nomes que viveu por dentro a máquina de Curitiba, decidiu falar. E quando eu digo falar, eu quero dizer abrir o jogo de um jeito que ninguém esperava, nem mesmo o Sérgio Moro. Todo contou os bastidores. Explicou exatamente porque a Polícia Federal precisou entrar na 13ª Vara de Curitiba, antiga fortaleza de Sérgio Moro, e descreveu como funcionava aquele ambiente, onde, segundo ele, muita coisa acontecia longe dos olhos da imprensa e também longe da legalidade. E não para

    por aí. Ele relatou o que viveu na pele, as pressões, as perseguições, o modus operand e tudo isso agora vindo à tona. Coloca Lava-Jato diante de perguntas que o Brasil nunca teve coragem de fazer. Mas agora as perguntas foram feitas. O vídeo de hoje é simplesmente imperdível. Se o que Bertoldo disse for confirmado, a história judicial recente do país precisa ser reescrita. Sim.

    Então já prepara o café, respira fundo e vem comigo, porque depois dessa entrevista nada mais fica de pé no mito da moralidade seletiva de Curitiba. E vou aproveitar, se não se inscreveu no meu canal, aproveita, vai lá, se inscreva, ativa o sininho, porque aqui tem verdade. Vamos ver. É, mas é o que eu posso falar são a é a verdade dos fatos.

    O Tony Garcia no ano, isso há muito tempo, há 20 anos atrás, foi forçado a fazer uma delação premiada contra mim e contra dezenas de outras pessoas pelo pelo Sérgio Moro. Isso não era fato novo. Eh, naquele momento em que eu fui processado, eu respondi mais de 80 inquéritos. Eu acho que eu fui a pessoa que mais ações penais e inquéritos respondeu eh por conta dessa delação do Sérgio Moro ou ou melhor dessa delação que o Sérgio Moro forçou o o Tony Garcia a realizar e e isso acabou redundando na minha prisão, uma prisão violenta que eu

    reputo não como prisão, assim como sequestro, né? e que foi algo que foi reeditado depois na Lava-Jato e que foi o modo operand eh, adotado pelo Sérgio Moro e pela gang dele aí da da que eles chamam de força tarefa, mas na verdade era uma gangue tarefa eh com objetivo político de enriquecimento ilícito, de ingresso na vida política, de busca de fama, vaidade e todos os males aí que contornaram essa realidade que foi a essa Lava-Jato.

     

    E nesse contexto, eh, o Tony Garcia contou em algumas, aí sim, eu vi algumas entrevistas deles, dele e que ele disse que ele foi forçado a dizer que pelo Sérgo Moro de que eu vi que eu viajava em meu avião com o com o Zé Adceu carregando dinheiro. E na verdade em todo aquele período, eu dizia, repetia, eu venho há mais de 20 anos contando a mesma história de que eh a minha prisão e o que o que vinha por trás da da do movimento da minha prisão era para que eu revelasse fatos relacionados a que eu não sabia, fatos

    relacionados a a Zéu, o presidente Lula, e que eles tentavam fazer com que eu também fizesse uma delação premiada contra o Zé e contra o Lula. Eh, esse é um foi o modos operante do Sérgio Moro que o levou que levou o Cro Moro a um enriquecimento. Ele ficou rico, hoje é um homem rico de muitas posses, né? A gente percebe isso.

    E que redundou nessa decisão do ministro Dias Toffoli, que é uma decisão que não merece ser comemorada, porque é muito triste você imaginar a uma vara da Justiça Federal sendo visitada pela Polícia Federal, viaturas da Polícia Federal. adinho numa vara da Justiça Federal é algo muito feio, muito, é algo que empobrece, é algo que desmerece profundamente eh a to toda e qualquer virtude que se construiu em torno da Justiça Federal Brasileira.

    É um caso, acho que único, acho que nunca houve antes na história do Brasil algo nesse sentido de policiais terem que invadir uma uma vara federal para buscar documentos. E o que se busca nesses documentos? Não, eu suponho, eu não vi a decisão do ministro Dias Sofoli, mas eu suponho que, pelo que eu vi, pela imprensa, que são fatos relacionados à a tal festa da cueca, que foi nominada assim pelo pelo pelo Tony Garcia, Tony Garcia é um bom marqueteiro, deu esse nome a alguns eventos que de fato aconteceram.

    Eu tenho conhecimento desses desses eventos e eventos que foram gravados sim pelo meu ex-sócio, que é um outro, eu acho que é mal do nome, né, que é Sérgio Costa, né, que era uma pessoa que também que acabou fazendo uma dação premiada, uma colaboração, algo nesse sentido, e que eh atendendo a todas as solicitações que o Sérgio Moro, Deltanaiol, Carlos Fernando e Janório Paludo, que são os principais personagens dessa dessa gangue da masmorra de Curitiba, eh, que funcionou inicialmente com o propósito, intuito de enriquecimento dessas pessoas e eles

    conseguiram esse intuito. todos eles saíram ricos eh dessa dessa dessa operação e e com o ingresso de dois deles na política nacional. O que a gente vê que isso posteriormente foi provado pela Vazar Jato e que demonstrou que aquilo lá não era um não era uma força tarefa do poder judiciário com o Ministério Público e era assim, na verdade a união de alguns amigos, de alguns espertalhões que tentavam fazer que se utilizavam de cargos públicos, de como agentes públicos para ganharem dinheiro com palestra e para criarem uma

    fundação onde aí sim a gente sabe teria havido o desaparecimento de R$ 5 bilhões deais, esse desaparecimento desse dinheiro que eu acho que é que está por trás dessa decisão do Diastofol, assim como a busca por por desses dessas eh possíveis gravações ou essas gravações que potencialmente estariam eh de posse do Sérgio Moro.

    Eu lamento apenas que isso tenha acontecido somente agora, porque não há dúvida que passado tanto tempo e tendo em vista o anúncio antecipado de que essa busca e apreensão aconteceria, não há não existe dúvida que eles desapareceram com tais documentos e esses documentos eh seguramente estão guardados ou estão em algum local sobre a proteção do próprio Sérgio Moro que inegavelmente eh se utilizou no cargo de juiz. juiz federal para se promover.

    É, então acho que o resultado dessa busca apreensão, fora a vergonha, fora o desmerecimento, fora eh todo o problema causado eh para a Justiça Federal do Paraná e para o TRF4, não dá, não trará muitos resultados, suponho eu. Gostaria até que trouxessem mais trouxesse mais resultados, mas eu suponho que eles devem ter desaparecido com todo e qualquer vestígio, com todo e qualquer vestígio que possam que pudesse incriminá-los, né? A partir da revista Fórum, que traz detalhes sobre a operação da Polícia Federal na 13ª Vara Federal de Curitiba.

    Bom, a PF apreendeu um vídeo intitulado Festa da cueca. Pois é, a gravação registra um encontro com desembargadores e garotas de programa em um hotel de luxo em Curitiba. De acordo com a reportagem, é exatamente o material apontado por Tony Garcia como prova central de um esquema clandestino que teria sido operado por Sérgio Moro para coagir magistrados e assim influenciar decisões do TRF4.

    Para quem não se lembra, Tony Garcia é um empresário que atuou como delator e afirma que foi recrutado por Sérgio Moro para agir como agente infiltrado. A sua função, segundo ele, era justamente obter informações e gravações comprometedoras, entre elas a da festa da cueca para fortalecer o poder informal do então juiz sobre desembargadores que julgavam processos sensíveis.

    Certo? Então, deixa eu lhe falar uma coisa, doutor. Eu espero Uhum. que essa nação nunca abdique de acreditar na justiça. Agora eu queria lhe avisar uma coisa. Esses mesmos que me atacam hoje, se tiverem sinais de que eu serei absolvido, prepare-se, porque os ataques ao senhor vai ser muito mais forte do que ele sabe até ministro da Suprema Corte que não pensa como pensa a empresa brasileira.

    Esse é um daqueles vídeos para ser compartilhados a moda, porque a casa do Marreco de Maringá caiu definitivamente. A justiça encontrou a delação do Tony Garcia sobre a festa da cueca. Quem aí se lembra que vários juízes desembargadores e promotores participaram de uma festa com prostitutas e foram chantageados pelo juiz eco, o marreco de Maringá? Disse o Tony Garcia em depoimento à polícia.

    Lula previu que isso aconteceria, que um dia este Marrequinho, a copia e cola da Gabriela HT e Deltan Ladranhol estariam no banco dos réus. Agora, o depoimento que eu trouxe para você de uma ex-juíza que disse ter sido enforcada dentro de um elevador e o leite dela secou porque ela estava puérpera, tinha acabado de dar a luz.

    trouxe apenas alguns trechos porque o vídeo é muito extenso, está disponível no Brasil 247. Vou dar o meu testemunho aqui para vocês de o quanto eu vi uma entidade mafiosa dentro da 13ª vara e dentro da estrutura do TRF4, que até hoje se nega, a fazer uma correção e a rever seus erros. Só consigo falar com vocês de tudo isso porque eu não sou mais juíza e eu estou a 8.

    Análise | Sérgio Moro: o ex-juiz que rasgou a Constituição, por Jorge  Folena - Brasil de Fato

    000 1000 km de distância de Curitiba. Eu só me sinto segura assim para vocês saberem o quanto é difícil, mesmo sendo um juiz federal na época, lutar contra uma ilegalidade acobertada pelo judiciário. O Moro queria o controle absoluto sobre os processos e esse processo específico ela pagou a liberdade que eu concedi naquele abascópico, que eu nem lembro mais.

    Eu tinha guardado todas as as provas de quem era. Ela falou que só que era uma pessoa da Petrobras que tinha que continuar presa porque eh, enfim, ele tava quase fazendo a delação e tinha que continuar preso que o MPF ia mandar no outro dia um outro processo para aprender, que ia ser inútil soltar, tinha uma balela ali, mas enfim, não ouvi ela, coloquei ali a ordem de soltura que não é feita da noite, é feita da manhã, né? E sempre antes de entregar o plantão, às 11 horas, geralmente a gente entregava, eu dou mais uma, dava mais uma revisada no croc

    e vi que foi apagado. Ah, daí eu fiquei, fiquei muito brava com ela e peitei ela, peitei a vara e foi então que o Moro me pegou no elevador e me pegou pelo pescoço e me ameaçou. Não sei. Deixa eu estão ouvindo a gravidade disso? Isso, isso, isso é mafioso, é criminoso. Uma pessoa que recém tinha tido um filho e o meu reou.

    Ô, Polícia Federal, prepara a cela do marreco que ele tá chegando. Enquanto isso, Cloud Croves pega a pipoca e o guaraná que tá esquentando a festa. Papei. Acabou pro Moro. Sua candidatura a governador está sendo enterrado no Paraná pelos coronegal encontrou o vídeo que o Tony Garcia disse que tinha. Digite aí o que que você acha que deveria acontecer com o Moro?

  • MOTTA ANUNCIA CASSAÇÃO DE EDUARDO

    MOTTA ANUNCIA CASSAÇÃO DE EDUARDO

    Um grito curto de criança ecoa dentro da casa grande. Não é grito de quem caiu, nem de quem levou tapa. É outro tipo de som. Agudo, abafado, preso na garganta, como se o ar tivesse virado vidro. Na sala fechada, três velas grossas queimam sobre a mesa.

    A luz dourada trêmula nas paredes brancas, desenhando sombras longas que dançam no teto. O cheiro no ar doce, enjoativo, cera derretida, misturada com algo mais pesado, mais visal, o cheiro de pele queimando. Zeca, 8 anos, está parado no centro da sala. O corpo pequeno treme, mas os pés não se mexem. Ele aprendeu cedo. Quando assim a chama, não se corre.

    Quando ela segura, não se debate. A mão dela aperta o queixo do menino com força suficiente para imobilizar, mas não machucar ainda. Os dedos brancos contra a pele escura parecem garras segurando presa viva. A outra mão de Amélia inclina a vela devagar, com uma calma que dói mais que pressa.

    Motta abre caminho para a cassação de Eduardo Bolsonaro; análise deve ocorrer antes do recesso parlamentar - URB News

    Cera se acumula na ponta, formando uma gota gorda, translúcida, a milímetros do rosto de Zeca. Do outro lado, Filó segura o braço do menino. A mão dela treme, quase imperceptível, mas treme. Os olhos fixos no chão, a respiração curta, o corpo dividido entre obedecer e recuar. Do pirbaixo da vela, mais sera pinga em gotas irregulares, marcando o tempo como relógio cruel.

    A porta está entreaberta. Um fio de luz vem do corredor. São de passos se aproximando. Botas pesadas no açoalho de madeira. E então, clara como faca rasgando o pano, a voz de Amélia corta o silêncio. Quero ver se alguém ainda vai dizer que você tem a cara do coronel depois disso.

    A frase chega no corredor como explosão. Os passos param. A porta se abre de vez e a gota de cera chacoalhando na ponta da vela finalmente cai. Para entender o dia em que a cera queimou o rosto de uma criança e rachou a máscara da Casagre, a gente precisa voltar alguns anos.

    Voltar pro tempo em que o cheiro de cera era tão comum na fazenda Capim Seco quanto o cheiro de café. A propriedade ficava no interior, cercada de roças alinhadas, gado gordo pastando na sombra, casa grande branca brilhando sob o sol, como se quisesse cegar quem olhasse de frente. Para quem passava pela estrada, aquilo parecia pedaço de paraíso, mas quem morava ali sabia.

    O que realmente marcava o capim seco não era a beleza da fachada, era o som dos gritos vindos de dentro e o ritual silencioso que transformava dor em rotina. No centro de tudo estava Amélia, branca, fina, cheia de renda francesa e joias herdadas. Ela parecia, para quem via de fora, uma senhora de família respeitável. Usava vestidos claros, prendia o cabelo com pentes de madre pérola, falava baixo na missa, mas os escravizados sabiam a verdade.

    Por trás da pose de dama havia uma mulher que sentia prazer em ver gente sofrer. Amélia tinha um método próprio de castigar. Não usava chicote, achava vulgar, coisa de feitor. Não gritava em público. Isso era falta de classe. O que ela fazia era pior. Transformava a violência em ritual doméstico, quase íntimo. Quando alguém a contrariava, quebrava algo. Demorava para obedecer.

    Ela não mandava pro tronco. Mandava acender uma vela grossa. Chamava a pessoa perto e com a maior calma do mundo inclinava a vela sobre a pele alheia até a caera quente escorrer devagar, grudando, queimando, marcando braço, mão, ombro, às vezes pescoço, e repetia sempre a mesma frase, como se fosse lição de catecismo. É só uma marquinha para lembrar o lugar.

     

    Os gritos ecoavam pela cozinha, pelo corredor, pela sala de costura. Mas paraa Amélia, aquilo não era crueldade, era educação, controle, poder exercido em gotas quentes, uma de cada vez. Luzia conhecia bem aquela dor. Tinha 22 anos, pele escura, mãos calejadas de tanto servir. Desde menina trabalhava dentro da casa grande, trazia água, arrumava camas, ajudava na cozinha, acalmava choro de criança branca enquanto engolia o próprio.

    Nos braços carregava cicatrizes irregulares, manchas claras, tortas, que o tempo não conseguiu apagar. Cada uma delas guardava uma memória. A primeira vez tinha sido por causa de uma gargalhada. Luzia estava na cozinha rindo alto de algo que outra escrava tinha dito quando Amélia apareceu na porta com o rosto endurecido. “Você acha que pode rir desse jeito?” A voz veio fria, cortante.

    Escrava que ri alto demais é porque não tá trabalhando o suficiente. A vela encostou no braço de Luzia. A cera desceu, a dor subiu. Desde aquele dia, Luzia aprendeu a rir para dentro, a falar baixo, a medir cada gesto, cada palavra, cada suspiro. Aprendeu que existir dentro da casa grande era andar por corda bamba esticada sobre fogo e que a qualquer momento a cera podia cair de novo.

    Luzia tinha um filho, Zeca, 8 anos, pele mais clara que a dela, olhos atentos demais pra idade, andava sempre com um pano no ombro, levando recado de um lado pro outro, servindo café, carregando cesta. Oficialmente, ele era só mais um menino nascido na cenzala, filho de escrava, destinado a repetir a vida da mãe.

    Mas quem olhava com atenção via outra coisa: o jeito de andar, o formato do rosto, um modo de olhar parecido demais com o do coronel Batista, dono da fazenda Capim Seco. Todo mundo na cenzala via, a própria Amélia via, mas a regra do jogo era clara. Ninguém falava disso em voz alta. Pro mundo, Zeca era apenas filho de Luzia. Pro coronel, naquela parte escondida que ele não deixava vir à tona, o menino era muito mais que isso.

    Batista nunca tinha assumido em palavras, mas dava sinais sem perceber. Deixava o menino circular mais perto da varanda, dava um pedaço de pão a mais, colocava para trabalhar dentro de casa em vez de mandar pro pesado da roça. Pequenos gestos que, somados, formavam confissão silenciosa, e cada um desses gestos queimava Amélia por dentro como cera fervendo.

    Ao lado de Amélia, sempre colada como sombra, estava Filó, escrava de companhia, aquela que arrumava cabelo da senhora, alinhava vestido, cheirava perfume, repetia tudo que a patroa dizia, mesmo quando era absurdo, mesmo quando era cruel. Filó aguentava humilhação, tapa, grito, tudo, só para continuar ali, longe da roça, longe da cenzala, perto da sombra fria da Casagre.

    Achava que isso a protegia, achava que obedecer a tornava diferente e de vez em quando ganhava a tarefa de ser a mão que segurava o braço de alguém enquanto a Mélia derramava cera. Com o tempo, Filó foi ficando dura por dentro. O olhar virou seco, o coração virou pedra. Ela não gostava de fazer aquilo, mas fazia.

    E cada vez que segurava um braço alheio, convencia a si mesma de que não tinha escolha, que obedecer era sobreviver, que culpa era luxo que escrava não podia ter. E no centro de tudo isso, habitando o escritório com cheiro de fumo e couro, estava o coronel Batista, homem alto, voz grossa, acostumado a mandar e ser obedecido.

    Tratava escravo como propriedade, batia quando achava necessário, mantinha a fazenda funcionando com mão de ferro. Não era homem bom, mas também não era o tipo que torturava por prazer. Para ele, violência era ferramenta, chicote, tronco, feitor, coisas que tinham função, lugar, lógica, as crueldades da esposa, porém ele preferia não ver.

    Quando ouvia um grito de cera vindo da cozinha, fechava a porta do escritório. Quando via de relance um braço queimado no corredor, desviava o olhar. Mulher tem seus modos de educar. Dizia para si mesmo, como quem repete mantra para dormir em paz.

    Desde que a fazenda funcione, não vou me meter em frescura de vela. A omissão dele era o chão firme, onde a maldade de Amélia pisava sem medo de cair. E durante anos, esse arranjo funcionou até que a cera mirou no rosto errado. Num fim de tarde comum, uma travessa de louça cara escorregou das mãos trêmulas de Tomé, escravizado mais velho, e caiu no chão da cozinha.

    O som do impacto foi seco, final. Vidro se estilhaçando em mil pedaços que espalharam brilho pelo ladrilho. Amélia ouviu o estrondo e veio voando, vestido claro arrastando no chão, rosto já endurecido antes mesmo de chegar. Essa travessa veio da corte. A voz dela cortou o ar. Você sabe quanto vale isso, negro inútil? Tomé, de joelhos, tentava juntar os cacos com as mãos tremendo.

    Perdão, senhor. Minha mão escorregou. Eu não. Ela não deixou ele terminar. Filó, segura o braço dele. Filó, que estava arrumando pano de prato do outro lado da cozinha, congelou por um segundo. Depois obedeceu como sempre. segurou o braço de Tomé com força suficiente para impedir que ele se mexesse.

    A vela grossa já estava acesa na mesa. Amélia pegou, inclinou devagar e a cera começou a escorrer. Primeiro uma gota, depois outra, depois um fio contínuo, grosso, que desceu pela pele enrugada do braço de Tomé como rio de fogo. O grito dele rasgou a cozinha. O corpo inteiro se contorceu, querendo escapar da mão que o prendia, mas Filó segurou firme.

    O cheiro de pele queimada subiu no ar, misturado com o cheiro doce da cera. Amélia soltou o braço dele só quando achou suficiente. Pronto, agora você não esquece mais de segurar direito. Tomé caiu de joelhos, chorando baixo, abraçando o próprio braço. De longe, encostada na porta que dava pro corredor, Luzia assistiu tudo em silêncio. Sentiu o cheiro.

    Sentiu no próprio corpo a memória das próprias cicatrizes acordando. engoliu seco e voltou pro estava fazendo, fingindo que não tinha visto nada. No corredor, o coronel passou, viu a cena de relance, Tomé no chão, Amélia guardando a vela, Filó limpando as mãos no avental.

    Ele parou por meio segundo, depois entrou no escritório e trancou a porta. Aquele clique da fechadura ecoou mais alto que o grito de Tomé. Quando a gente pensa em tortura, a imagem que vem na cabeça é de chicote, de tronco, de ferro quente marcando pele. Mas a verdade é que a violência mais devastadora nem sempre vem do instrumento mais óbvio. Às vezes ela vem de uma vela.

    O que Amélia fazia não era reconhecido como tortura pela sociedade da época. Era visto como castigo doméstico, coisa de mulher. educação de escravo, pequeno demais para ser levado a sério, íntimo demais para ser questionado. E é exatamente isso que torna esse tipo de violência tão perigosa. Quando a crueldade é transformada em rotina, em gesto banal, em ritual quase feminino, vela, cera, sala de costura, ela escapa do radar moral.

    Ninguém intervém porque parece pequeno demais. Ninguém denuncia porque acontece dentro de casa e a vítima sozinha com a dor acaba acreditando que aquilo realmente é só uma marquinha. Mas não é. Queimadura de cera deixa cicatriz permanente. A pele não volta ao que era. A marca fica. E cada vez que a pessoa olha pro próprio braço, revive a humilhação, a impotência, o medo. Isso tem nome na psicologia, trauma cumulativo.

    Não é um evento único e brutal. é a repetição de pequenas violências que somadas destróem a sensação de segurança, de dignidade, de humanidade. E quando o agressor transforma isso em ritual, sempre a mesma frase, sempre o mesmo cheiro, sempre a mesma dinâmica, a vítima passa a viver em estado de alerta permanente. Luzia media distância de vela.

    Zeca calculava onde a Sinhá estava antes de entrar numa sala. Tomé tremia toda vez que ouvia o som de pavio queimando, porque o corpo aprende. Ser quente não é só uma marquinha, é controle, é desumanização, é lembrete diário de que você não é dono nem da própria pele. E o mais cruel, quem aplica esse tipo de violência raramente sente culpa.

    Amélia não achava que estava torturando. Achava que estava educando, disciplinando, colocando cada um no seu lugar. Ela via os escravizados como objetos que precisavam ser moldados. E a cera era a ferramenta perfeita. Deixava a marca visível, mas não estragava o corpo pro trabalho. Esse é o sadismo doméstico. Violência disfarçada de cuidado, crueldade vendida como pedagogia.

    E funciona porque ninguém de fora enxerga como crime até que a cera caia no lugar errado. Você percebe o que essa gota de cera faz? Não é só a pele de uma criança queimar. É a máscara da casa grande rachando na frente de todo mundo. Coloca nos comentários: “Em que momento para você o coronel deixou de ser só omisso e virou também culpado? O estalo veio de onde ninguém esperava.

    Num dia aparentemente comum, uma parente distante da família veio visitar a fazenda. Mulher idosa, viúva, cheia de modos e comentários sobre tudo. Zeca foi chamado para levar uma bandeja de café até a sala onde as senhoras conversavam. Entrou quieto, como sempre, pés descalços fazendo barulho suave no açoalho. Colocou a bandeja na mesinha de centro, deu dois passos para trás e fez uma reverência leve.

    como Luzia tinha ensinado. A visitante, vendo o menino sorrir educado, soltou um comentário que caiu num ambiente como pedra em vidro. Mas que menino bonito, sen a Amélia tem os olhos meio parecidos com os do coronel, não tem? O mundo parou. O sorriso de Amélia congelou no rosto. Os dedos apertaram o lenço bordado que segurava no colo. O olhar antes educado virou faca apontada pro menino.

    Zeca sentiu o peso daquele silêncio, mas não entendeu. Abaixou a cabeça e saiu rápido da sala. Amélia forçou um sorriso fino e respondeu com voz controlada: “Criança mesti sempre puxa um traço ou outro, não é? Coisa do acaso. Mas por dentro a frase martelava sem parar. Tem os olhos meio parecidos com os do coronel.

    Aquilo que todo mundo fingia não ver tinha acabado de ser dito em voz alta, na frente de visita, na frente dela. E o pior era verdade. A partir daquele dia, Amélia começou a mirar em Zeca com uma intensidade nova. Não era mais só desprezo, era algo mais profundo, mais pessoal. Era ódio misturado com humilhação, ciúme misturado com racismo.

    Ela via no menino a prova viva da traição do marido. Via a beleza dele como afronta. Via o jeito como os outros escravos tratavam o garoto com carinho e isso a enraivecia ainda mais. Começou com pequenas violências. Chamava o menino de atrevido sem motivo. Mandava refazer tarefas que já estavam feitas. Dava tapas na nuca fingindo que era brincadeira.

    Falava perto dele sobre [ __ ] que se acha e escravo que esquece o lugar. Luzia via tudo e o medo crescia dentro dela como planta venenosa. Ela conhecia aquele padrão, conhecia o jeito como Amélia escolhia um alvo e ia apertando aos poucos, como quem aperta nó até sufocar. e sabia que mais cedo ou mais tarde assim a ia passar do tapa para cera.

    Mas o que Luzia não sabia era que dessa vez Amélia não queria marcar um braço, queria marcar o rosto. Numa tarde abafada, com o sol ainda alto, mas já inclinando pro fim do dia, Amélia mandou preparar a sala dela. Fechou as janelas, acendeu um castiçal com três velas grossas, dispensou os outros criados, chamou Só Filó e mandou Luzia enviar o menino.

    Quando Luzia ouviu a ordem, sentiu o estômago virar. Assim tá chamando Zeca Luzia. A criada que trouxe o recado falou baixo, quase com pena. Luzia fechou os olhos por um segundo, respirou fundo, depois chamou o filho. Zeca, assim, quer você na sala dela. O menino largou o pano que estava dobrando e foi sem fazer pergunta.

    Ele tinha aprendido cedo. Quando assim a chama não se hesita. Luzia ficou parada no corredor, mãos apertadas uma na outra, coração batendo descompassado. Algo estava errado. Ela sentia no corpo inteiro. Dentro da sala, Amélia a esperava sentada numa cadeira alta, com as costas retas e as mãos cruzadas no colo.

    As três velas queimavam sobre a mesa, enchendo o ambiente com aquele cheiro doce e enjoativo que Luzia conhecia tão bem. Zeca entrou, parou a alguns passos de distância. Amélia olhou para ele de cima a baixo, devagar, como quem examina objeto para decidir se vale a pena consertar ou jogar fora. Me diz uma coisa, Zeca.

    Você se acha bonito? O menino piscou confuso. Não sei se há. Eu só sou eu. Ela sorriu. Mas não era sorriso de alegria, era sorriso de quem já decidiu o que vai fazer. Pois tem muita gente por aí achando você bonito demais, falando que você tem olho bonito, cara. A voz dela ficou mais fria. [ __ ] que começa a se achar, esquece o lugar. E eu não vou deixar isso acontecer.

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    Amélia pegou uma das velas, colocou um pires embaixo e começou a inclinar devagar. Vem mais perto. Zeca deu um passo, depois outro. O corpo inteiro em alerta, mas sem saber exatamente do quê. Filó, parada ao lado, sentiu a mão tremer. Ela sabia o que vinha a seguir.

    Já tinha visto aquela cena dezenas de vezes, mas nunca com criança, nunca mirando no rosto. Amélia segurou o queixo de Zeca com força. Os dedos brancos afundaram na pele escura, imobilizando a cabeça do menino. Ele tentou recuar, mas não conseguiu. Filó, segura o braço dele. Filó hesitou por uma fração de segundo. Hesitou, depois obedeceu.

    Suas mãos seguraram o braço fino de Zeca e ela sentiu o corpo dele tremer. Sentiu o medo dele subindo pela pele como febre. Amélia inclinou a vela. A cera começou a escorrer, formando uma gota gorda na ponta. Vou te dar um presente para você nunca esquecer que essa cara não te faz melhor que ninguém aqui dentro.

    A gota cresceu, balançou, ficou a milímetros do olho de Zeca e foi nesse exato momento que a porta se abriu. Coronel Batista vinha pelo corredor irritado, remoendo contas que não fechavam, pensando em safra e em dívida. Quando passou perto da sala da esposa, ouviu a voz dela atravessando a porta entreaberta. Quero ver se algum branco ainda vai dizer que você tem a cara do coronel depois disso.

    A frase o atingiu como soco no estômago. Ele parou, virou a cabeça, empurrou a porta e viu Zeca, de olhos fechados, chorando sem chorar, com o queixo preso na mão da Simá. Filó segurando o braço do menino, dividida entre obediência e horror. Amélia com a vela inclinada, a cera quente a milímetros do rosto da criança.

    O que é isso aqui? A voz do coronel explodiu pela sala. Amélia levou um susto. A mão deu uma mexida brusca. A vela chacoalhou e a gota de cera caiu. Atingiu a bochecha de Zeca perto do olho. O menino gritou, um grito pequeno, rasgado, de dor pura. Luzia, que tinha vindo correndo pelo corredor ao ouvir o grito do marido, chegou na porta e viu o filho com a mão no rosto, a pele vermelha, a lágrima misturada com cera, e viu pela primeira vez o coronel não como patrão, mas como homem em choque.

    “Você ficou doida, Amélia?”, ele gritou. Voz tremendo entre fúria e algo parecido com medo. “Vai queimar o rosto do menino?” Ela soltou o queixo de Zeca e se levantou, jogando veneno na resposta. Menino mestiço tem que ter marca, Batista. Assim, ninguém confunde com gente da família. Ela deu um passo em direção ao marido.

    Ou você prefere que o povo continue olhando para ele e dizendo que tem sua cara? A frase derrubou o castelo de silêncio que o coronel tinha construído durante anos. Naquele segundo, tudo veio à tona. Amélia escancarou que sabia da paternidade. Os escravos, parados na porta, entenderam que a farça tinha acabado e o próprio Batista teve que se olhar por dentro. Ele viu ali não só a crueldade da esposa, viu sua própria covardia diante dela, todos os gritos de cera que tinha fingido não ouvir, todo o braço queimado que tinha deixado acontecer por conveniência, toda a omissão vestida de não vou me meter. Tudo isso explodiu

     

    naquele rosto de criança manchado de cera. Batista saiu da sala em passos duros, atravessou o corredor e se trancou no escritório. Ficou ali sozinho, com as mãos apoiadas na mesa, a respiração pesada, o peito apertado. Na cabeça, as imagens voltavam uma atrás da outra. O braço de Tomé vermelho, a pele enrugada, grudada de cera, o grito dele rasgando a cozinha e ele Batista passando pelo corredor, vendo de relance, trancando a porta, as cicatrizes nos braços de Luzia, marcas que ele via todos os dias e fingia que não via, os gritos que atravessavam

    paredes sempre abafados, sempre longe o suficiente para ele fingir que eram coisa pequena. E agora o rosto do filho, a marca perto do olho, a prova viva de que cada porta que ele fechou era permissão para que a crueldade continuasse. Se ele não fizesse nada agora, se deixasse passar mais essa, a culpa seria dele para sempre.

    Não a culpa difusa de quem não sabia, mas a culpa clara, consciente de quem viu e escolheu não ver. Ele abriu a porta e gritou pro corredor: “Chamem o feitor. Juntem os escravos no terreiro. É agora. Tem uma pergunta que atravessa essa história como espinho enfiado na carne.

    Quando é que o coronel deixou de ser só omisso e virou culpado?” A resposta é dura, mas precisa ser dita desde o primeiro grito que ele ouviu e ignorou. Na psicologia existe um conceito chamado efeito espectador. Quanto mais gente testemunha violência sem intervir, mais fácil fica para cada pessoa se convencer de que não é minha responsabilidade.

    Mas no caso do coronel, a coisa é pior, porque ele não era só espectador. Ele era o dono da casa, o homem com mais poder ali dentro, a única pessoa que podia ter parado Amélia sem sofrer consequência nenhuma. e escolheu não fazer nada. Toda vez que fechava a porta do escritório, ao ouvir um grito, ele reforçava a violência.

    Toda vez que via um braço queimado e desviava o olhar, ele dava permissão para que aquilo continuasse. A omissão dele era o chão, onde a crueldade de Amélia pisava firme. E o mais grave, ele não era omisso por ignorância. Ele sabia o que estava acontecendo. Só fingia que não via porque era conveniente.

    Porque intervir significaria criar atrito com a esposa. Significaria assumir que dentro da própria casa, sob o próprio teto, estava acontecendo algo errado. Significaria olhar no espelho e ver que tipo de homem ele realmente era. Então ele escolheu a disson cognitiva. Eu sou um homem de ordem, mas não vou me meter em frescura de vela. Até que a cera mirou no filho dele. Aí, de repente a frescura virou intolerável.

    Não porque ele descobriu que tortura é errada, mas porque a vítima dessa vez espelhava ele. E isso revela algo brutal sobre como funciona a empatia seletiva. A dor alheia só se torna real quando atinge alguém que a gente reconhece como parte de si. Enquanto eram braços de escravos quaisquer sendo queimados, o coronel conseguia dormir em paz.

    Mas quando foi o rosto do próprio filho, o corpo que carregava o sangue dele, aí sim a máscara caiu. E a cicatriz de Zeca, pequena, brilhante, perto do olho, virou mais que marca de queimadura. Virou prova material da culpa do pai. Porque cada vez que Batista olhasse para aquele rosto, ia lembrar. Ele podia ter impedido isso anos atrás.

    Podia ter parado na primeira vez que ouviu um grito. Podia ter protegido todos os corpos que Amélia marcou com cera, mas só agiu quando a dor tocou nele. No terreiro da fazenda, o tronco foi montado sob o sol inclemente da tarde. A cenzala inteira foi convocada. Feitores vieram. Gente da casa parou o que estava fazendo.

    Até alguns curiosos da vila, atraídos pelo burburinho, se aproximaram das cercas. Era rotina ver negro amarrado ali. O que ninguém esperava era quem o coronel apontou primeiro. Amarra aá. O mundo pareceu parar de girar. Os murmúrios cessaram. O vento sumiu. Até as cigarras pararam de cantar. Amélia arregalou os olhos, o rosto perdendo a cor por baixo do pó de arroz.

    “Você enlouqueceu, Batista!”, ela gritou, a voz aguda rasgando o silêncio. “Eu sou sua esposa”. Ele deu um passo em direção a ela e a voz que saiu foi de homem que não ia recuar. E você quase cegou uma criança por ciúme. E não foi qualquer criança, foi meu filho. A bomba explodiu. Zeca, no colo de Luzia, chorava baixinho, a mão ainda cobrindo a bochecha queimada.

    Os escravos se entreolharam, alguns sentindo vontade de sorrir, mas o medo era grande demais para deixar qualquer alegria vazar. O coronel não parou, apontou pro feitor, depois paraa Amélia. Amarra agora. O feitor hesitou, olhando pros lados, procurando alguém que dissesse que aquilo era loucura. Mas o coronel repetiu mais alto: “Eu disse: Amarra”. Dois homens avançaram, seguraram Mélia pelos braços.

    Ela debateu, gritou, chamou o marido de covarde, de traidor, de louco, mas foi levada até o tronco. As mãos brancas, acostumadas a segurar leque e vela, foram amarradas na madeira áspera. E então o coronel virou pro outro lado da sala. “Amarra essa aí também”, apontou para Filó.

    Filó, que tinha ficado paralisada perto da porta, sentiu as pernas fraquejarem. Eu só obedecia, coronel. A voz dela saiu fina, desesperada. Eu só fazia o que assim a mandava. Mas já era tarde. Ela também foi levada, amarrada ao lado de Amélia. Ver duas mulheres, uma senhora branca e uma criada de quarto, presas no tronco, foi uma imagem que ninguém ali tinha visto. O ar vibrava.

    Os escravos sentiam algo estranho subindo pela espinha. Não era exatamente alegria, porque alegria era perigosa demais, mas era algo parecido com justiça, torta, imperfeita, mas real. O coronel encarou o pátio inteiro, a voz firme cortando o silêncio. Toda vez que essa mulher derramou cera em negro nessa fazenda, eu virei a cara. Fingi que não vi.

    Deixei acontecer porque era mais fácil do que enfrentar. Ele respirou fundo, o peso da própria culpa esmagando o peito. Hoje ela vai sentir um pouco do que fez e todos vocês vão ver que pela primeira vez a dor tá passando pro outro lado. Mandou bater. O feitor confuso levantou o braço, mas a mão tremia.

    O chicote desceu, não como desce em corpo negro, não com a força brutal do costume. Desceu com hesitação, com medo de marcar demais a pele branca, mas desceu. Amélia gritou. Não era grito de dor física. O golpe tinha sido fraco. Era grito de humilhação, de raiva, de algo mais profundo e corrosivo, deshonra pública. Você tá me deshonrando diante dessa gentalha. Ela berrou o rosto vermelho, os olhos injetados de ódio.

    “Minha família vai saber disso. Você vai se arrepender.” O coronel deu um passo à frente, a voz saindo mais baixa, mais cortante. Minha deshonra foi ter deixado você mandar nessa casa como mandou. Hoje quem vê isso aqui é Deus. E essa gente que você queimou com sua cera. Mas golpes desceram. Amélia gritava. Filó chorava.

    Os escravos assistiam em silêncio, alguns com os olhos marejados, outros com o rosto duro, todos tentando entender o que aquilo significava. Luzia apertava Zeca contra o peito, sentindo o coração do filho bater descompassado. Quando a surra terminou, o coronel se aproximou de Amélia, ainda amarrada, o rosto molhado de suor e lágrima.

    A partir de hoje, você não é mais minha esposa. Vai voltar para casa dos seus pais, sem criado, sem escrava de companhia, sem mando nesta fazenda. Ele virou para Filó que tremia inteira. E você desce para Senzala. Gente que segura braço de irmão para outro derramar cera quente não merece o conforto da casa grande.

    Quando soltaram as duas mulheres do tronco, Amélia caiu de joelhos no chão de terra. Não porque doía, doía pouco comparado ao que ela tinha feito com tantos outros, mas porque algo dentro dela tinha se quebrado. A máscara de senhora respeitável, o poder de mandar e desmandar, o lugar social que ela achava intocável.

    Tudo isso tinha sido arrancado dela em público diante de escravos, diante de gente da vila, diante de Deus e do mundo. E ela sabia, não tinha volta. Filó foi levada para cenzá-la naquela mesma noite, ainda com as marcas do chicote nas costas, o rosto inchado de tanto chorar. Os outros escravos a receberam em silêncio. Ninguém comemorou, ninguém consolou.

    Ela tinha escolhido um lado e agora pagava o preço. Nos dias que seguiram, a fazenda Capin Seco pareceu outro lugar. Não porque tivesse mudado de verdade. O tronco continuava ali, a escravidão continuava, a violência não tinha acabado, mas algo tinha se deslocado. Uma engrenagem tinha rangido e todo mundo sentia. Amélia foi mandada de volta paraa casa dos pais numa carruagem fechada, sem despedida, sem cerimônia.

    Levou só as roupas do corpo e um baú pequeno. Nenhum criado, nenhuma joia, nenhum vestígio do poder que tinha exercido por anos dentro daquela casa. O boato da senhora amarrada no tronco correu à região, mas foi engolido pela lógica da época. Assunto de família não virava caso de justiça. O pai dela preferiu trancar a filha no quarto a enfrentar o escândalo em praça pública.

    Na casa dos pais, Amélia virou peso. Filha devolvida, mulher sem marido, sem casa, sem função. Passou os dias seguintes, trancada no quarto, recusando comida, murmurando sobre deshonra e vingança. Mas a verdade é que ninguém dava mais atenção a ela. Anos depois, no inventário do pai, ela aparece apenas como filha solteira, sem dote, sem qualquer menção à fazenda capim seco.

    A mulher da cera quente tinha sido apagada dos registros, mas as cicatrizes que deixou seguiam vivas nos corpos que marcou. Filó desceu para Senzá, carregando nos ombros mais que as marcas do chicote. Carregava o peso de ter sido cúmplice, de ter segurado braços enquanto outros queimavam, de ter trocado a solidariedade pela ilusão de proteção. Na cenzala, ninguém bateu nela, mas ninguém falava com ela também.

    Ela virou sombra, presente, mas invisível. Dormia num canto, comia sozinha, trabalhava calada. Com o tempo, Filó entendeu que castigo não é só dor física, é também o silêncio dos que poderiam ter sido seus irmãos. Zeca ficou com a cicatriz, uma marca pequena, clara, brilhando na bochecha esquerda, perto do olho. De longe, quase não se via. De perto era impossível não notar.

    Luzia cuidou daquele rosto com compressas frias, rezas baixinhas e beijos onde a pele não doía. E toda vez que olhava pra cicatriz, pensava algo estranho. Amélia tinha tentado marcar o filho para diminuí-lo, para apagar a beleza dele, para destruir a semelhança com o pai. Mas a marca tinha feito o contrário.

    Tinha forçado o segredo a sair, tinha feito a máscara da Casagrande cair, tinha obrigado o coronel a escolher e pela primeira vez ele tinha escolhido proteger o filho em vez de fingir que ele não existia. A cicatriz era prova de dor, mas também era prova de verdade. Zeca continuou listado como peça nos inventários da fazenda, sem alforria, sem mudança formal de status, mas na prática sua vida deslizou para um lugar estranho, suspenso entre dois mundos.

    Dormia num quartinho apertado construído entre a casa grande e a cenzala, nem dentro, nem fora. Servia café mais perto da varanda do que dos canaviais. Usava roupa um pouco melhor que a dos outros e sentia nos olhos dos brancos e dos negros o incômodo de quem não sabe em que lado da linha colocar um corpo. Os brancos da região olhavam com desconfiança.

    Filho reconhecido, mas escravo. Os escravizados olhavam com distância, irmão de sangue, mas protegido pelo Senhor. Zeca cresceu nesse limbo, carregando no rosto a marca que o separava de todos e que ao mesmo tempo, o definia. Luzia continuou trabalhando dentro da casa grande. Nada mudou oficialmente.

    Elas ainda era escrava, ainda servia, ainda obedecia. Mas algo tinha mudado por dentro. Pela primeira vez, ela tinha visto o sistema tremer, tinha visto a cera virar pro outro lado, tinha visto que mesmo num mundo construído em cima de violência, às vezes uma gota é suficiente para rachar tudo. E começou a acreditar, nem que fosse só um pouquinho, que o silêncio não era a única forma de proteger o filho, que existir não precisava ser sempre se encolher, que talvez um dia aquela cicatriz pudesse virar outra coisa. O coronel Batista assumiu Zeca publicamente como filho. Não deu

    liberdade, não mudou a condição do menino de escravo para livre, não aboliu nada, mas disse em voz alta diante da fazenda inteira que aquele era seu sangue. E prometeu mais para si mesmo do que para qualquer um, que ninguém mais encostaria fogo naquele rosto. Foi uma promessa pequena, individual, limitada. Não salvou ninguém além de Zeca.

    Não mudou a estrutura, não libertou Luzia, mas naquele momento dentro daquela casa, foi o máximo que o sistema permitiu rachar. Anos depois, já mais velho, com o cabelo grisalho e as costas curvadas, Batista às vezes ficava parado na varanda olhando Zeca trabalhar no pátio. Via a cicatriz brilhar ao sol e lembrava. Lembrava da porta do escritório que trancou enquanto ouvia gritos.

    Lembrava do braço de Tomé queimado, do olhar de Luzia pedindo proteção silenciosa de todos os corpos que ele deixou marcar, porque era mais fácil não ver. carregou pro resto da vida o peso de saber que podia ter feito aquilo antes, que podia ter impedido a primeira queimadura, que podia ter protegido todos os corpos que Amélia marcou, mas só agiu quando a dor tocou nele.

    E essa culpa, essa marca invisível que nenhuma cera conseguia desenhar, era a única coisa que ele não conseguia apagar. Naquela noite, depois que todos foram dormir, Luzia ficou sozinha com Zeca no quartinho pequeno que dividiam. Ela molhou um pano limpo em água fria e pressionou de leve contra a bochecha do filho. Ele estremeceu, mas não reclamou. Dói, mãe, dói, mas vai passar.

    Zeca ficou quieto por um tempo, depois perguntou com aquela voz fina de quem ainda não entende o mundo. Assim a foi embora por minha causa? Luzia respirou fundo, escolheu as palavras com cuidado. Ela foi embora porque fez uma coisa que nem o coronel conseguiu fingir que não viu. E a cicatriz vai sumir? Luzia olhou pra marca, pequena, mas permanente. Não, essa vai ficar. Zeca abaixou a cabeça.

    Luzia segurou o queixo dele com delicadeza, tão diferente do jeito que Amélia tinha segurado, e levantou o rosto do menino até os olhos dela encontrarem os dele. Escuta bem o que eu vou te dizer, meu filho. Essa marca não te faz menor, não te faz feio, não te tira nada do que você é.

    Ela respirou fundo, sentindo as próprias cicatrizes nos braços pulsarem como lembrança viva. Eles tentaram te marcar para te lembrar do lugar, mas essa marca foi o que fez a máscara deles cair. Foi o que fez seu pai assumir você. Foi o que fez a casa inteira ver que a dor que eles causam é real. Zeca não entendeu tudo, mas entendeu o suficiente.

    Abraçou a mãe e dormiu com a cabeça no colo dela enquanto Luzia ficava acordada, olhando pela janela estreita, pensando em quantos braços tinham sido queimados em silêncio antes daquele dia. Na cenzala, os mais velhos coxixavam baixo, sentados em roda perto da fogueira fraca. Tomé estava ali mexendo o fogo devagar com um graveto, o braço marcado pela cera, nunca mais voltando a ser o que era.

    Ele não falava muito desde aquele dia, mas ouvia tudo. Demorou, mas um dia a cera virou pro lado de lá, alguém disse cuspindo no chão. É, mas o tronco ainda tá de pé. Outro respondeu, olhando pro pátio escuro. Tá, mas pelo menos hoje eles sentiram um gosto do que a gente sente todo dia. Tomé balançou a cabeça devagar, ainda mexendo o fogo.

    Não foi justiça, foi só o coronel defendendo o que é dele. Verdade, concordou uma voz mais velha, mas mesmo assim foi alguma coisa. E era verdade, não tinha sido justiça completa, não tinha sido abolição, não tinha mudado o sistema. Mas naquele dia, pela primeira vez, a violência doméstica da Casa Grande tinha sido exposta em público.

    A mulher que torturava tinha sido punida e um homem com poder tinha sido forçado a olhar paraa própria culpa. Era pouco, mas era mais do que nada. Tem uma pergunta que essa história deixa no ar e que atravessa séculos até chegar em nós. Quantos corpos precisaram ser queimados em silêncio até que uma única marca, por atingir a honra da Casa Grande, obrigasse alguém com poder a enxergar o que sempre esteve diante dele? A resposta é brutal.

    Todos os outros não contaram. Tomé queimado na cozinha? Não contou. Luzia marcada no braço. Não contou. Dezenas de escravos que passaram pela vela de Amélia ao longo dos anos não contaram. Só quando a cera caiu no rosto de Zeca, filho do Senhor, espelho do Pai, prova viva do sangue misturado, foi que o sistema entrou em colapso.

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    E isso revela algo devastador sobre como funciona a empatia e a justiça dentro de estruturas de poder. A dor só se torna inaceitável quando atinge quem importa. Enquanto eram corpos negros quaisquer, a violência era ignorada, naturalizada, chamada de educação. Mas quando foi o corpo que espelhava o Senhor, aí sim virou crime. Isso não é só coisa do passado.

    Quantas violências acontecem hoje, todos os dias, em silêncio, sem que ninguém com poder intervenha, até que a dor chegue perto o suficiente para incomodar. Quantas marcas são deixadas em corpos que ninguém vê, porque esses corpos não importam o suficiente. Quantas vezes a omissão é vestida de não é da minha conta, não quero me meter? É complicado demais.

    A história de Zeca e da Cera Quente nos lembra: “Não existe neutralidade diante da crueldade. Quando você vê e não faz nada, você não é neutro, você é cúmplice.” O coronel achava que fechar a porta do escritório o isentava, mas cada porta fechada era permissão para que a violência continuasse. Filó achava que só obedecer a protegia, mas cada braço que ela segurou a transformou em parte do sistema que a oprimia.

    E Amélia? Amélia achava que estava educando, que a dor que causava era pequena demais para ser crime. Mas toda violência começa sendo normalizada como pequena. Toda tortura começa sendo chamada de disciplina. Todo o controle começa sendo vendido como cuidado. A cera quente não era só uma marquinha, era desumanização derretida.

    Era poder exercido sobre corpos disponíveis. Era sadismo disfarçado de pedagogia. E só parou quando a marca atingiu quem não podia ser marcado. Hoje a gente olha para essa história e sente raiva, sente indignação, sente vontade de gritar que aquilo era absurdo e era. Mas também é importante a gente se perguntar, que violências normalizadas a gente ainda finge não ver? Que gritos a gente ainda abafa fechando portas? Que marcas a gente ainda acha aceitáveis, desde que não atinjam quem importa? Porque o legado da escravidão não é só cicatriz histórica, é estrutura que

    segue funcionando, adaptada, disfarçada, mas viva. E enquanto houver corpos que podem ser marcados e corpos que não podem, enquanto houver dor, que só vira crime quando atinge o lado certo da linha, a cera continua caindo. Só que agora a gente não pode mais fingir que não vê.

    Mas aqui no Ciência na Cenzala, nossa missão é outra. A gente não deixa a dor virar só marquinha. A gente lê os relatos que tentaram enterrar, desenterra os nomes que a Casagrande queimou e escuta o que os corpos marcados ainda têm para contar. Se você acredita que a verdadeira história, a que arrancaram dos livros e esconderam atrás de portas fechadas, precisa ser contada, se inscreve e vem com a gente.

    Juntos, a gente garante que essas vozes e essas cicatrizes nunca mais sejam apagadas. M.

  • CASO GLAUBER: NOVAS DENÚNCIAS CONTRA HUGO MOTTA EXPLODEM EM BRASÍLIA E TRANSFORMAM O PLENÁRIO EM UM CAMPO DE BATALHA POLÍTICA!

    CASO GLAUBER: NOVAS DENÚNCIAS CONTRA HUGO MOTTA EXPLODEM EM BRASÍLIA E TRANSFORMAM O PLENÁRIO EM UM CAMPO DE BATALHA POLÍTICA!

    CASO GLAUBER: ACUSAÇÕES CONTRA HUGO MOTTA PROVOCAM REAÇÃO IMEDIATA E PLENÁRIO PEGA FOGO — UMA RECONSTRUÇÃO DRAMATIZADA DOS BASTIDORES QUE O BRASIL NÃO VIU

    Brasília amanheceu sob um clima pesado, daqueles que fazem os corredores do Congresso parecerem longos demais e silenciosos demais — o tipo de silêncio que antecede tempestades políticas capazes de mudar o rumo de partidos, alianças e reputações. Era início de tarde quando o chamado “Caso Glauber” emergiu de maneira abrupta, colocando o nome de Hugo Motta no centro de um turbilhão que ninguém havia previsto com tamanha intensidade. O que começou como um debate comum rapidamente se transformou em um confronto acalorado, com acusações, interrupções e uma plateia perplexa assistindo a cada detalhe.

    Tudo teria começado horas antes, em reuniões fechadas onde rumores circulavam com velocidade incomum. Deputados comentavam sobre documentos, bastidores e conversas que teriam sido mal-interpretadas — ou, talvez, interpretadas exatamente como deveriam. Glauber, figura conhecida por discursos incisivos, teria recebido informações que julgou “graves o suficiente” para levar ao plenário. E foi exatamente isso que ele fez, criando o estopim de um conflito que incendiaria a sessão.

    Quando Glauber pediu a palavra, o ambiente já estava tenso. Era possível perceber olhares cruzados, assessores cochichando atrás das cadeiras e líderes partidários trocando sinais discretos. Tudo indicava que algo grande estava prestes a acontecer. Em sua fala inicial, ele começou de forma contida, descrevendo, quase didaticamente, que brechas e contradições vinham sendo observadas em decisões internas que envolviam diferentes setores do Parlamento. Não citou nomes de imediato — um recurso retórico que aumentou a expectativa dos presentes.

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    Foi então que, num crescendo dramático, Glauber fez referência indireta a Hugo Motta, apontando “movimentações políticas atípicas” e uma “rede de interesses velada”. Bastou essa insinuação para transformar o plenário numa arena. A reação foi imediata: parlamentares começaram a discutir entre si, movimentos bruscos ocorreram, e a mesa diretora precisou pedir silêncio ao menos quatro vezes.

    Hugo Motta, visivelmente surpreendido pela forma como o assunto surgiu, pediu seu direito de resposta. Sua postura foi firme, quase desafiadora. Ele iniciou sua fala questionando a falta de provas diretas, alegando que insinuações não deveriam substituir fatos em nenhuma circunstância. O tom das trocas aumentava a cada minuto, criando uma atmosfera que lembrava mais um debate eleitoral do que uma sessão deliberativa.

    A partir daí, a narrativa se partiu em duas versões, cada uma defendida com veemência. De um lado, Glauber afirmava que estava cumprindo seu papel fiscalizador, levantando questionamentos que, segundo ele, mereciam investigação e transparência. Do outro, Hugo Motta argumentava que estava sendo alvo de acusações sem embasamento, centradas mais em divergências ideológicas do que em fatos concretos.

    Enquanto isso, nos bastidores, assessores corriam de um lado para outro. Telefonemas eram feitos, papéis eram trocados, e líderes partidários se movimentavam discretamente para tentar conter o caos que se instalava. A imprensa, posicionada em pontos estratégicos, buscava captar cada gesto, cada sussurro, cada frase dita em volume mais baixo do que deveria.

    A temperatura política atingiu seu ápice quando um grupo de deputados tentou intervir, pedindo que o debate fosse levado para o Conselho de Ética ou para comissões específicas, em vez de continuar se desenrolando de maneira explosiva diante das câmeras. Mas o clima já estava inflamado demais para ser controlado com apelos diplomáticos.

    O público que acompanhava pelas transmissões nas redes sociais não tardou a se manifestar. Comentários se multiplicaram em ritmo frenético. Uns defendiam a postura de Glauber, alegando que questionamentos são parte essencial da atividade parlamentar. Outros defendiam Hugo Motta, afirmando que ataques sem comprovação poderiam destruir reputações injustamente. O caso, antes restrito ao plenário, ganhava proporção nacional.

    Nos corredores, episódios paralelos revelavam a profundidade da crise. Alguns deputados relatavam que reuniões emergenciais estavam sendo convocadas pelos partidos para discutir como conduzir a situação. Outros afirmavam que novos elementos poderiam surgir, aumentando ainda mais o impacto do episódio. Havia um clima de incerteza que se espalhava como fumaça, difícil de controlar ou conter.

    À medida que a tarde avançava, parecia claro que aquela sessão entraria para os anais como uma das mais turbulentas do Congresso recente. O presidente da Casa precisou suspender temporariamente os trabalhos. Parlamentares levantaram-se de suas cadeiras em pequenos grupos, conversando em tom tenso e gesticulando de maneira exagerada. Era o cenário clássico de uma crise política em plena ebulição.

    Quando a sessão foi retomada, tanto Glauber quanto Hugo Motta adotaram tom um pouco mais contido, embora o clima permanecesse explosivo. Ambos pediram que o caso fosse levado a um âmbito mais técnico, permitindo que os fatos fossem avaliados sem o calor do confronto direto. Essa mudança de postura pareceu aliviar momentaneamente a tensão, mas não diminuiu a curiosidade e a especulação.

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    Do lado de fora, especialistas em política debatiam na televisão e no rádio, tentando entender os impactos do embate. Alguns diziam que o episódio revelava fissuras antigas dentro do Congresso. Outros viam o caso como parte da luta por espaço e visibilidade num cenário político cada vez mais polarizado. Havia quem afirmasse que o “Caso Glauber” poderia influenciar votações futuras e até mesmo alterar alianças previstas.

    À noite, enquanto os corredores do Congresso ficavam vazios, o Brasil seguia discutindo fervorosamente o acontecido. O episódio, embora dramatizado nesta reconstrução, evidencia algo que sempre esteve presente na política: o confronto de narrativas, a disputa por legitimidade e o impacto gigantesco da pressão pública.

    Se o “Caso Glauber” terá desdobramentos ainda mais explosivos ou se será absorvido pela rotina frenética de Brasília, ninguém sabe. Mas uma coisa é certa: o dia em que o plenário pegou fogo ficará marcado como um exemplo vívido de como a política pode ser imprevisível, teatral e profundamente humana.

  • MOTTA ANUNCIA CASSAÇÃO DE EDUARDO

    MOTTA ANUNCIA CASSAÇÃO DE EDUARDO

    Um grito curto de criança ecoa dentro da casa grande. Não é grito de quem caiu, nem de quem levou tapa. É outro tipo de som. Agudo, abafado, preso na garganta, como se o ar tivesse virado vidro. Na sala fechada, três velas grossas queimam sobre a mesa.

    A luz dourada trêmula nas paredes brancas, desenhando sombras longas que dançam no teto. O cheiro no ar doce, enjoativo, cera derretida, misturada com algo mais pesado, mais visal, o cheiro de pele queimando. Zeca, 8 anos, está parado no centro da sala. O corpo pequeno treme, mas os pés não se mexem. Ele aprendeu cedo. Quando assim a chama, não se corre.

    Quando ela segura, não se debate. A mão dela aperta o queixo do menino com força suficiente para imobilizar, mas não machucar ainda. Os dedos brancos contra a pele escura parecem garras segurando presa viva. A outra mão de Amélia inclina a vela devagar, com uma calma que dói mais que pressa.

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    Cera se acumula na ponta, formando uma gota gorda, translúcida, a milímetros do rosto de Zeca. Do outro lado, Filó segura o braço do menino. A mão dela treme, quase imperceptível, mas treme. Os olhos fixos no chão, a respiração curta, o corpo dividido entre obedecer e recuar. Do pirbaixo da vela, mais sera pinga em gotas irregulares, marcando o tempo como relógio cruel.

    A porta está entreaberta. Um fio de luz vem do corredor. São de passos se aproximando. Botas pesadas no açoalho de madeira. E então, clara como faca rasgando o pano, a voz de Amélia corta o silêncio. Quero ver se alguém ainda vai dizer que você tem a cara do coronel depois disso.

    A frase chega no corredor como explosão. Os passos param. A porta se abre de vez e a gota de cera chacoalhando na ponta da vela finalmente cai. Para entender o dia em que a cera queimou o rosto de uma criança e rachou a máscara da Casagre, a gente precisa voltar alguns anos.

    Voltar pro tempo em que o cheiro de cera era tão comum na fazenda Capim Seco quanto o cheiro de café. A propriedade ficava no interior, cercada de roças alinhadas, gado gordo pastando na sombra, casa grande branca brilhando sob o sol, como se quisesse cegar quem olhasse de frente. Para quem passava pela estrada, aquilo parecia pedaço de paraíso, mas quem morava ali sabia.

    O que realmente marcava o capim seco não era a beleza da fachada, era o som dos gritos vindos de dentro e o ritual silencioso que transformava dor em rotina. No centro de tudo estava Amélia, branca, fina, cheia de renda francesa e joias herdadas. Ela parecia, para quem via de fora, uma senhora de família respeitável. Usava vestidos claros, prendia o cabelo com pentes de madre pérola, falava baixo na missa, mas os escravizados sabiam a verdade.

    Por trás da pose de dama havia uma mulher que sentia prazer em ver gente sofrer. Amélia tinha um método próprio de castigar. Não usava chicote, achava vulgar, coisa de feitor. Não gritava em público. Isso era falta de classe. O que ela fazia era pior. Transformava a violência em ritual doméstico, quase íntimo. Quando alguém a contrariava, quebrava algo. Demorava para obedecer.

    Ela não mandava pro tronco. Mandava acender uma vela grossa. Chamava a pessoa perto e com a maior calma do mundo inclinava a vela sobre a pele alheia até a caera quente escorrer devagar, grudando, queimando, marcando braço, mão, ombro, às vezes pescoço, e repetia sempre a mesma frase, como se fosse lição de catecismo. É só uma marquinha para lembrar o lugar.

     

    Os gritos ecoavam pela cozinha, pelo corredor, pela sala de costura. Mas paraa Amélia, aquilo não era crueldade, era educação, controle, poder exercido em gotas quentes, uma de cada vez. Luzia conhecia bem aquela dor. Tinha 22 anos, pele escura, mãos calejadas de tanto servir. Desde menina trabalhava dentro da casa grande, trazia água, arrumava camas, ajudava na cozinha, acalmava choro de criança branca enquanto engolia o próprio.

    Nos braços carregava cicatrizes irregulares, manchas claras, tortas, que o tempo não conseguiu apagar. Cada uma delas guardava uma memória. A primeira vez tinha sido por causa de uma gargalhada. Luzia estava na cozinha rindo alto de algo que outra escrava tinha dito quando Amélia apareceu na porta com o rosto endurecido. “Você acha que pode rir desse jeito?” A voz veio fria, cortante.

    Escrava que ri alto demais é porque não tá trabalhando o suficiente. A vela encostou no braço de Luzia. A cera desceu, a dor subiu. Desde aquele dia, Luzia aprendeu a rir para dentro, a falar baixo, a medir cada gesto, cada palavra, cada suspiro. Aprendeu que existir dentro da casa grande era andar por corda bamba esticada sobre fogo e que a qualquer momento a cera podia cair de novo.

    Luzia tinha um filho, Zeca, 8 anos, pele mais clara que a dela, olhos atentos demais pra idade, andava sempre com um pano no ombro, levando recado de um lado pro outro, servindo café, carregando cesta. Oficialmente, ele era só mais um menino nascido na cenzala, filho de escrava, destinado a repetir a vida da mãe.

    Mas quem olhava com atenção via outra coisa: o jeito de andar, o formato do rosto, um modo de olhar parecido demais com o do coronel Batista, dono da fazenda Capim Seco. Todo mundo na cenzala via, a própria Amélia via, mas a regra do jogo era clara. Ninguém falava disso em voz alta. Pro mundo, Zeca era apenas filho de Luzia. Pro coronel, naquela parte escondida que ele não deixava vir à tona, o menino era muito mais que isso.

    Batista nunca tinha assumido em palavras, mas dava sinais sem perceber. Deixava o menino circular mais perto da varanda, dava um pedaço de pão a mais, colocava para trabalhar dentro de casa em vez de mandar pro pesado da roça. Pequenos gestos que, somados, formavam confissão silenciosa, e cada um desses gestos queimava Amélia por dentro como cera fervendo.

    Ao lado de Amélia, sempre colada como sombra, estava Filó, escrava de companhia, aquela que arrumava cabelo da senhora, alinhava vestido, cheirava perfume, repetia tudo que a patroa dizia, mesmo quando era absurdo, mesmo quando era cruel. Filó aguentava humilhação, tapa, grito, tudo, só para continuar ali, longe da roça, longe da cenzala, perto da sombra fria da Casagre.

    Achava que isso a protegia, achava que obedecer a tornava diferente e de vez em quando ganhava a tarefa de ser a mão que segurava o braço de alguém enquanto a Mélia derramava cera. Com o tempo, Filó foi ficando dura por dentro. O olhar virou seco, o coração virou pedra. Ela não gostava de fazer aquilo, mas fazia.

    E cada vez que segurava um braço alheio, convencia a si mesma de que não tinha escolha, que obedecer era sobreviver, que culpa era luxo que escrava não podia ter. E no centro de tudo isso, habitando o escritório com cheiro de fumo e couro, estava o coronel Batista, homem alto, voz grossa, acostumado a mandar e ser obedecido.

    Tratava escravo como propriedade, batia quando achava necessário, mantinha a fazenda funcionando com mão de ferro. Não era homem bom, mas também não era o tipo que torturava por prazer. Para ele, violência era ferramenta, chicote, tronco, feitor, coisas que tinham função, lugar, lógica, as crueldades da esposa, porém ele preferia não ver.

    Quando ouvia um grito de cera vindo da cozinha, fechava a porta do escritório. Quando via de relance um braço queimado no corredor, desviava o olhar. Mulher tem seus modos de educar. Dizia para si mesmo, como quem repete mantra para dormir em paz.

    Desde que a fazenda funcione, não vou me meter em frescura de vela. A omissão dele era o chão firme, onde a maldade de Amélia pisava sem medo de cair. E durante anos, esse arranjo funcionou até que a cera mirou no rosto errado. Num fim de tarde comum, uma travessa de louça cara escorregou das mãos trêmulas de Tomé, escravizado mais velho, e caiu no chão da cozinha.

    O som do impacto foi seco, final. Vidro se estilhaçando em mil pedaços que espalharam brilho pelo ladrilho. Amélia ouviu o estrondo e veio voando, vestido claro arrastando no chão, rosto já endurecido antes mesmo de chegar. Essa travessa veio da corte. A voz dela cortou o ar. Você sabe quanto vale isso, negro inútil? Tomé, de joelhos, tentava juntar os cacos com as mãos tremendo.

    Perdão, senhor. Minha mão escorregou. Eu não. Ela não deixou ele terminar. Filó, segura o braço dele. Filó, que estava arrumando pano de prato do outro lado da cozinha, congelou por um segundo. Depois obedeceu como sempre. segurou o braço de Tomé com força suficiente para impedir que ele se mexesse.

    A vela grossa já estava acesa na mesa. Amélia pegou, inclinou devagar e a cera começou a escorrer. Primeiro uma gota, depois outra, depois um fio contínuo, grosso, que desceu pela pele enrugada do braço de Tomé como rio de fogo. O grito dele rasgou a cozinha. O corpo inteiro se contorceu, querendo escapar da mão que o prendia, mas Filó segurou firme.

    O cheiro de pele queimada subiu no ar, misturado com o cheiro doce da cera. Amélia soltou o braço dele só quando achou suficiente. Pronto, agora você não esquece mais de segurar direito. Tomé caiu de joelhos, chorando baixo, abraçando o próprio braço. De longe, encostada na porta que dava pro corredor, Luzia assistiu tudo em silêncio. Sentiu o cheiro.

    Sentiu no próprio corpo a memória das próprias cicatrizes acordando. engoliu seco e voltou pro estava fazendo, fingindo que não tinha visto nada. No corredor, o coronel passou, viu a cena de relance, Tomé no chão, Amélia guardando a vela, Filó limpando as mãos no avental.

    Ele parou por meio segundo, depois entrou no escritório e trancou a porta. Aquele clique da fechadura ecoou mais alto que o grito de Tomé. Quando a gente pensa em tortura, a imagem que vem na cabeça é de chicote, de tronco, de ferro quente marcando pele. Mas a verdade é que a violência mais devastadora nem sempre vem do instrumento mais óbvio. Às vezes ela vem de uma vela.

    O que Amélia fazia não era reconhecido como tortura pela sociedade da época. Era visto como castigo doméstico, coisa de mulher. educação de escravo, pequeno demais para ser levado a sério, íntimo demais para ser questionado. E é exatamente isso que torna esse tipo de violência tão perigosa. Quando a crueldade é transformada em rotina, em gesto banal, em ritual quase feminino, vela, cera, sala de costura, ela escapa do radar moral.

    Ninguém intervém porque parece pequeno demais. Ninguém denuncia porque acontece dentro de casa e a vítima sozinha com a dor acaba acreditando que aquilo realmente é só uma marquinha. Mas não é. Queimadura de cera deixa cicatriz permanente. A pele não volta ao que era. A marca fica. E cada vez que a pessoa olha pro próprio braço, revive a humilhação, a impotência, o medo. Isso tem nome na psicologia, trauma cumulativo.

    Não é um evento único e brutal. é a repetição de pequenas violências que somadas destróem a sensação de segurança, de dignidade, de humanidade. E quando o agressor transforma isso em ritual, sempre a mesma frase, sempre o mesmo cheiro, sempre a mesma dinâmica, a vítima passa a viver em estado de alerta permanente. Luzia media distância de vela.

    Zeca calculava onde a Sinhá estava antes de entrar numa sala. Tomé tremia toda vez que ouvia o som de pavio queimando, porque o corpo aprende. Ser quente não é só uma marquinha, é controle, é desumanização, é lembrete diário de que você não é dono nem da própria pele. E o mais cruel, quem aplica esse tipo de violência raramente sente culpa.

    Amélia não achava que estava torturando. Achava que estava educando, disciplinando, colocando cada um no seu lugar. Ela via os escravizados como objetos que precisavam ser moldados. E a cera era a ferramenta perfeita. Deixava a marca visível, mas não estragava o corpo pro trabalho. Esse é o sadismo doméstico. Violência disfarçada de cuidado, crueldade vendida como pedagogia.

    E funciona porque ninguém de fora enxerga como crime até que a cera caia no lugar errado. Você percebe o que essa gota de cera faz? Não é só a pele de uma criança queimar. É a máscara da casa grande rachando na frente de todo mundo. Coloca nos comentários: “Em que momento para você o coronel deixou de ser só omisso e virou também culpado? O estalo veio de onde ninguém esperava.

    Num dia aparentemente comum, uma parente distante da família veio visitar a fazenda. Mulher idosa, viúva, cheia de modos e comentários sobre tudo. Zeca foi chamado para levar uma bandeja de café até a sala onde as senhoras conversavam. Entrou quieto, como sempre, pés descalços fazendo barulho suave no açoalho. Colocou a bandeja na mesinha de centro, deu dois passos para trás e fez uma reverência leve.

    como Luzia tinha ensinado. A visitante, vendo o menino sorrir educado, soltou um comentário que caiu num ambiente como pedra em vidro. Mas que menino bonito, sen a Amélia tem os olhos meio parecidos com os do coronel, não tem? O mundo parou. O sorriso de Amélia congelou no rosto. Os dedos apertaram o lenço bordado que segurava no colo. O olhar antes educado virou faca apontada pro menino.

    Zeca sentiu o peso daquele silêncio, mas não entendeu. Abaixou a cabeça e saiu rápido da sala. Amélia forçou um sorriso fino e respondeu com voz controlada: “Criança mesti sempre puxa um traço ou outro, não é? Coisa do acaso. Mas por dentro a frase martelava sem parar. Tem os olhos meio parecidos com os do coronel.

    Aquilo que todo mundo fingia não ver tinha acabado de ser dito em voz alta, na frente de visita, na frente dela. E o pior era verdade. A partir daquele dia, Amélia começou a mirar em Zeca com uma intensidade nova. Não era mais só desprezo, era algo mais profundo, mais pessoal. Era ódio misturado com humilhação, ciúme misturado com racismo.

    Ela via no menino a prova viva da traição do marido. Via a beleza dele como afronta. Via o jeito como os outros escravos tratavam o garoto com carinho e isso a enraivecia ainda mais. Começou com pequenas violências. Chamava o menino de atrevido sem motivo. Mandava refazer tarefas que já estavam feitas. Dava tapas na nuca fingindo que era brincadeira.

    Falava perto dele sobre [ __ ] que se acha e escravo que esquece o lugar. Luzia via tudo e o medo crescia dentro dela como planta venenosa. Ela conhecia aquele padrão, conhecia o jeito como Amélia escolhia um alvo e ia apertando aos poucos, como quem aperta nó até sufocar. e sabia que mais cedo ou mais tarde assim a ia passar do tapa para cera.

    Mas o que Luzia não sabia era que dessa vez Amélia não queria marcar um braço, queria marcar o rosto. Numa tarde abafada, com o sol ainda alto, mas já inclinando pro fim do dia, Amélia mandou preparar a sala dela. Fechou as janelas, acendeu um castiçal com três velas grossas, dispensou os outros criados, chamou Só Filó e mandou Luzia enviar o menino.

    Quando Luzia ouviu a ordem, sentiu o estômago virar. Assim tá chamando Zeca Luzia. A criada que trouxe o recado falou baixo, quase com pena. Luzia fechou os olhos por um segundo, respirou fundo, depois chamou o filho. Zeca, assim, quer você na sala dela. O menino largou o pano que estava dobrando e foi sem fazer pergunta.

    Ele tinha aprendido cedo. Quando assim a chama não se hesita. Luzia ficou parada no corredor, mãos apertadas uma na outra, coração batendo descompassado. Algo estava errado. Ela sentia no corpo inteiro. Dentro da sala, Amélia a esperava sentada numa cadeira alta, com as costas retas e as mãos cruzadas no colo.

    As três velas queimavam sobre a mesa, enchendo o ambiente com aquele cheiro doce e enjoativo que Luzia conhecia tão bem. Zeca entrou, parou a alguns passos de distância. Amélia olhou para ele de cima a baixo, devagar, como quem examina objeto para decidir se vale a pena consertar ou jogar fora. Me diz uma coisa, Zeca.

    Você se acha bonito? O menino piscou confuso. Não sei se há. Eu só sou eu. Ela sorriu. Mas não era sorriso de alegria, era sorriso de quem já decidiu o que vai fazer. Pois tem muita gente por aí achando você bonito demais, falando que você tem olho bonito, cara. A voz dela ficou mais fria. [ __ ] que começa a se achar, esquece o lugar. E eu não vou deixar isso acontecer.

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    Amélia pegou uma das velas, colocou um pires embaixo e começou a inclinar devagar. Vem mais perto. Zeca deu um passo, depois outro. O corpo inteiro em alerta, mas sem saber exatamente do quê. Filó, parada ao lado, sentiu a mão tremer. Ela sabia o que vinha a seguir.

    Já tinha visto aquela cena dezenas de vezes, mas nunca com criança, nunca mirando no rosto. Amélia segurou o queixo de Zeca com força. Os dedos brancos afundaram na pele escura, imobilizando a cabeça do menino. Ele tentou recuar, mas não conseguiu. Filó, segura o braço dele. Filó hesitou por uma fração de segundo. Hesitou, depois obedeceu.

    Suas mãos seguraram o braço fino de Zeca e ela sentiu o corpo dele tremer. Sentiu o medo dele subindo pela pele como febre. Amélia inclinou a vela. A cera começou a escorrer, formando uma gota gorda na ponta. Vou te dar um presente para você nunca esquecer que essa cara não te faz melhor que ninguém aqui dentro.

    A gota cresceu, balançou, ficou a milímetros do olho de Zeca e foi nesse exato momento que a porta se abriu. Coronel Batista vinha pelo corredor irritado, remoendo contas que não fechavam, pensando em safra e em dívida. Quando passou perto da sala da esposa, ouviu a voz dela atravessando a porta entreaberta. Quero ver se algum branco ainda vai dizer que você tem a cara do coronel depois disso.

    A frase o atingiu como soco no estômago. Ele parou, virou a cabeça, empurrou a porta e viu Zeca, de olhos fechados, chorando sem chorar, com o queixo preso na mão da Simá. Filó segurando o braço do menino, dividida entre obediência e horror. Amélia com a vela inclinada, a cera quente a milímetros do rosto da criança.

    O que é isso aqui? A voz do coronel explodiu pela sala. Amélia levou um susto. A mão deu uma mexida brusca. A vela chacoalhou e a gota de cera caiu. Atingiu a bochecha de Zeca perto do olho. O menino gritou, um grito pequeno, rasgado, de dor pura. Luzia, que tinha vindo correndo pelo corredor ao ouvir o grito do marido, chegou na porta e viu o filho com a mão no rosto, a pele vermelha, a lágrima misturada com cera, e viu pela primeira vez o coronel não como patrão, mas como homem em choque.

    “Você ficou doida, Amélia?”, ele gritou. Voz tremendo entre fúria e algo parecido com medo. “Vai queimar o rosto do menino?” Ela soltou o queixo de Zeca e se levantou, jogando veneno na resposta. Menino mestiço tem que ter marca, Batista. Assim, ninguém confunde com gente da família. Ela deu um passo em direção ao marido.

    Ou você prefere que o povo continue olhando para ele e dizendo que tem sua cara? A frase derrubou o castelo de silêncio que o coronel tinha construído durante anos. Naquele segundo, tudo veio à tona. Amélia escancarou que sabia da paternidade. Os escravos, parados na porta, entenderam que a farça tinha acabado e o próprio Batista teve que se olhar por dentro. Ele viu ali não só a crueldade da esposa, viu sua própria covardia diante dela, todos os gritos de cera que tinha fingido não ouvir, todo o braço queimado que tinha deixado acontecer por conveniência, toda a omissão vestida de não vou me meter. Tudo isso explodiu

     

    naquele rosto de criança manchado de cera. Batista saiu da sala em passos duros, atravessou o corredor e se trancou no escritório. Ficou ali sozinho, com as mãos apoiadas na mesa, a respiração pesada, o peito apertado. Na cabeça, as imagens voltavam uma atrás da outra. O braço de Tomé vermelho, a pele enrugada, grudada de cera, o grito dele rasgando a cozinha e ele Batista passando pelo corredor, vendo de relance, trancando a porta, as cicatrizes nos braços de Luzia, marcas que ele via todos os dias e fingia que não via, os gritos que atravessavam

    paredes sempre abafados, sempre longe o suficiente para ele fingir que eram coisa pequena. E agora o rosto do filho, a marca perto do olho, a prova viva de que cada porta que ele fechou era permissão para que a crueldade continuasse. Se ele não fizesse nada agora, se deixasse passar mais essa, a culpa seria dele para sempre.

    Não a culpa difusa de quem não sabia, mas a culpa clara, consciente de quem viu e escolheu não ver. Ele abriu a porta e gritou pro corredor: “Chamem o feitor. Juntem os escravos no terreiro. É agora. Tem uma pergunta que atravessa essa história como espinho enfiado na carne.

    Quando é que o coronel deixou de ser só omisso e virou culpado?” A resposta é dura, mas precisa ser dita desde o primeiro grito que ele ouviu e ignorou. Na psicologia existe um conceito chamado efeito espectador. Quanto mais gente testemunha violência sem intervir, mais fácil fica para cada pessoa se convencer de que não é minha responsabilidade.

    Mas no caso do coronel, a coisa é pior, porque ele não era só espectador. Ele era o dono da casa, o homem com mais poder ali dentro, a única pessoa que podia ter parado Amélia sem sofrer consequência nenhuma. e escolheu não fazer nada. Toda vez que fechava a porta do escritório, ao ouvir um grito, ele reforçava a violência.

    Toda vez que via um braço queimado e desviava o olhar, ele dava permissão para que aquilo continuasse. A omissão dele era o chão, onde a crueldade de Amélia pisava firme. E o mais grave, ele não era omisso por ignorância. Ele sabia o que estava acontecendo. Só fingia que não via porque era conveniente.

    Porque intervir significaria criar atrito com a esposa. Significaria assumir que dentro da própria casa, sob o próprio teto, estava acontecendo algo errado. Significaria olhar no espelho e ver que tipo de homem ele realmente era. Então ele escolheu a disson cognitiva. Eu sou um homem de ordem, mas não vou me meter em frescura de vela. Até que a cera mirou no filho dele. Aí, de repente a frescura virou intolerável.

    Não porque ele descobriu que tortura é errada, mas porque a vítima dessa vez espelhava ele. E isso revela algo brutal sobre como funciona a empatia seletiva. A dor alheia só se torna real quando atinge alguém que a gente reconhece como parte de si. Enquanto eram braços de escravos quaisquer sendo queimados, o coronel conseguia dormir em paz.

    Mas quando foi o rosto do próprio filho, o corpo que carregava o sangue dele, aí sim a máscara caiu. E a cicatriz de Zeca, pequena, brilhante, perto do olho, virou mais que marca de queimadura. Virou prova material da culpa do pai. Porque cada vez que Batista olhasse para aquele rosto, ia lembrar. Ele podia ter impedido isso anos atrás.

    Podia ter parado na primeira vez que ouviu um grito. Podia ter protegido todos os corpos que Amélia marcou com cera, mas só agiu quando a dor tocou nele. No terreiro da fazenda, o tronco foi montado sob o sol inclemente da tarde. A cenzala inteira foi convocada. Feitores vieram. Gente da casa parou o que estava fazendo.

    Até alguns curiosos da vila, atraídos pelo burburinho, se aproximaram das cercas. Era rotina ver negro amarrado ali. O que ninguém esperava era quem o coronel apontou primeiro. Amarra aá. O mundo pareceu parar de girar. Os murmúrios cessaram. O vento sumiu. Até as cigarras pararam de cantar. Amélia arregalou os olhos, o rosto perdendo a cor por baixo do pó de arroz.

    “Você enlouqueceu, Batista!”, ela gritou, a voz aguda rasgando o silêncio. “Eu sou sua esposa”. Ele deu um passo em direção a ela e a voz que saiu foi de homem que não ia recuar. E você quase cegou uma criança por ciúme. E não foi qualquer criança, foi meu filho. A bomba explodiu. Zeca, no colo de Luzia, chorava baixinho, a mão ainda cobrindo a bochecha queimada.

    Os escravos se entreolharam, alguns sentindo vontade de sorrir, mas o medo era grande demais para deixar qualquer alegria vazar. O coronel não parou, apontou pro feitor, depois paraa Amélia. Amarra agora. O feitor hesitou, olhando pros lados, procurando alguém que dissesse que aquilo era loucura. Mas o coronel repetiu mais alto: “Eu disse: Amarra”. Dois homens avançaram, seguraram Mélia pelos braços.

    Ela debateu, gritou, chamou o marido de covarde, de traidor, de louco, mas foi levada até o tronco. As mãos brancas, acostumadas a segurar leque e vela, foram amarradas na madeira áspera. E então o coronel virou pro outro lado da sala. “Amarra essa aí também”, apontou para Filó.

    Filó, que tinha ficado paralisada perto da porta, sentiu as pernas fraquejarem. Eu só obedecia, coronel. A voz dela saiu fina, desesperada. Eu só fazia o que assim a mandava. Mas já era tarde. Ela também foi levada, amarrada ao lado de Amélia. Ver duas mulheres, uma senhora branca e uma criada de quarto, presas no tronco, foi uma imagem que ninguém ali tinha visto. O ar vibrava.

    Os escravos sentiam algo estranho subindo pela espinha. Não era exatamente alegria, porque alegria era perigosa demais, mas era algo parecido com justiça, torta, imperfeita, mas real. O coronel encarou o pátio inteiro, a voz firme cortando o silêncio. Toda vez que essa mulher derramou cera em negro nessa fazenda, eu virei a cara. Fingi que não vi.

    Deixei acontecer porque era mais fácil do que enfrentar. Ele respirou fundo, o peso da própria culpa esmagando o peito. Hoje ela vai sentir um pouco do que fez e todos vocês vão ver que pela primeira vez a dor tá passando pro outro lado. Mandou bater. O feitor confuso levantou o braço, mas a mão tremia.

    O chicote desceu, não como desce em corpo negro, não com a força brutal do costume. Desceu com hesitação, com medo de marcar demais a pele branca, mas desceu. Amélia gritou. Não era grito de dor física. O golpe tinha sido fraco. Era grito de humilhação, de raiva, de algo mais profundo e corrosivo, deshonra pública. Você tá me deshonrando diante dessa gentalha. Ela berrou o rosto vermelho, os olhos injetados de ódio.

    “Minha família vai saber disso. Você vai se arrepender.” O coronel deu um passo à frente, a voz saindo mais baixa, mais cortante. Minha deshonra foi ter deixado você mandar nessa casa como mandou. Hoje quem vê isso aqui é Deus. E essa gente que você queimou com sua cera. Mas golpes desceram. Amélia gritava. Filó chorava.

    Os escravos assistiam em silêncio, alguns com os olhos marejados, outros com o rosto duro, todos tentando entender o que aquilo significava. Luzia apertava Zeca contra o peito, sentindo o coração do filho bater descompassado. Quando a surra terminou, o coronel se aproximou de Amélia, ainda amarrada, o rosto molhado de suor e lágrima.

    A partir de hoje, você não é mais minha esposa. Vai voltar para casa dos seus pais, sem criado, sem escrava de companhia, sem mando nesta fazenda. Ele virou para Filó que tremia inteira. E você desce para Senzala. Gente que segura braço de irmão para outro derramar cera quente não merece o conforto da casa grande.

    Quando soltaram as duas mulheres do tronco, Amélia caiu de joelhos no chão de terra. Não porque doía, doía pouco comparado ao que ela tinha feito com tantos outros, mas porque algo dentro dela tinha se quebrado. A máscara de senhora respeitável, o poder de mandar e desmandar, o lugar social que ela achava intocável.

    Tudo isso tinha sido arrancado dela em público diante de escravos, diante de gente da vila, diante de Deus e do mundo. E ela sabia, não tinha volta. Filó foi levada para cenzá-la naquela mesma noite, ainda com as marcas do chicote nas costas, o rosto inchado de tanto chorar. Os outros escravos a receberam em silêncio. Ninguém comemorou, ninguém consolou.

    Ela tinha escolhido um lado e agora pagava o preço. Nos dias que seguiram, a fazenda Capin Seco pareceu outro lugar. Não porque tivesse mudado de verdade. O tronco continuava ali, a escravidão continuava, a violência não tinha acabado, mas algo tinha se deslocado. Uma engrenagem tinha rangido e todo mundo sentia. Amélia foi mandada de volta paraa casa dos pais numa carruagem fechada, sem despedida, sem cerimônia.

    Levou só as roupas do corpo e um baú pequeno. Nenhum criado, nenhuma joia, nenhum vestígio do poder que tinha exercido por anos dentro daquela casa. O boato da senhora amarrada no tronco correu à região, mas foi engolido pela lógica da época. Assunto de família não virava caso de justiça. O pai dela preferiu trancar a filha no quarto a enfrentar o escândalo em praça pública.

    Na casa dos pais, Amélia virou peso. Filha devolvida, mulher sem marido, sem casa, sem função. Passou os dias seguintes, trancada no quarto, recusando comida, murmurando sobre deshonra e vingança. Mas a verdade é que ninguém dava mais atenção a ela. Anos depois, no inventário do pai, ela aparece apenas como filha solteira, sem dote, sem qualquer menção à fazenda capim seco.

    A mulher da cera quente tinha sido apagada dos registros, mas as cicatrizes que deixou seguiam vivas nos corpos que marcou. Filó desceu para Senzá, carregando nos ombros mais que as marcas do chicote. Carregava o peso de ter sido cúmplice, de ter segurado braços enquanto outros queimavam, de ter trocado a solidariedade pela ilusão de proteção. Na cenzala, ninguém bateu nela, mas ninguém falava com ela também.

    Ela virou sombra, presente, mas invisível. Dormia num canto, comia sozinha, trabalhava calada. Com o tempo, Filó entendeu que castigo não é só dor física, é também o silêncio dos que poderiam ter sido seus irmãos. Zeca ficou com a cicatriz, uma marca pequena, clara, brilhando na bochecha esquerda, perto do olho. De longe, quase não se via. De perto era impossível não notar.

    Luzia cuidou daquele rosto com compressas frias, rezas baixinhas e beijos onde a pele não doía. E toda vez que olhava pra cicatriz, pensava algo estranho. Amélia tinha tentado marcar o filho para diminuí-lo, para apagar a beleza dele, para destruir a semelhança com o pai. Mas a marca tinha feito o contrário.

    Tinha forçado o segredo a sair, tinha feito a máscara da Casagrande cair, tinha obrigado o coronel a escolher e pela primeira vez ele tinha escolhido proteger o filho em vez de fingir que ele não existia. A cicatriz era prova de dor, mas também era prova de verdade. Zeca continuou listado como peça nos inventários da fazenda, sem alforria, sem mudança formal de status, mas na prática sua vida deslizou para um lugar estranho, suspenso entre dois mundos.

    Dormia num quartinho apertado construído entre a casa grande e a cenzala, nem dentro, nem fora. Servia café mais perto da varanda do que dos canaviais. Usava roupa um pouco melhor que a dos outros e sentia nos olhos dos brancos e dos negros o incômodo de quem não sabe em que lado da linha colocar um corpo. Os brancos da região olhavam com desconfiança.

    Filho reconhecido, mas escravo. Os escravizados olhavam com distância, irmão de sangue, mas protegido pelo Senhor. Zeca cresceu nesse limbo, carregando no rosto a marca que o separava de todos e que ao mesmo tempo, o definia. Luzia continuou trabalhando dentro da casa grande. Nada mudou oficialmente.

    Elas ainda era escrava, ainda servia, ainda obedecia. Mas algo tinha mudado por dentro. Pela primeira vez, ela tinha visto o sistema tremer, tinha visto a cera virar pro outro lado, tinha visto que mesmo num mundo construído em cima de violência, às vezes uma gota é suficiente para rachar tudo. E começou a acreditar, nem que fosse só um pouquinho, que o silêncio não era a única forma de proteger o filho, que existir não precisava ser sempre se encolher, que talvez um dia aquela cicatriz pudesse virar outra coisa. O coronel Batista assumiu Zeca publicamente como filho. Não deu

    liberdade, não mudou a condição do menino de escravo para livre, não aboliu nada, mas disse em voz alta diante da fazenda inteira que aquele era seu sangue. E prometeu mais para si mesmo do que para qualquer um, que ninguém mais encostaria fogo naquele rosto. Foi uma promessa pequena, individual, limitada. Não salvou ninguém além de Zeca.

    Não mudou a estrutura, não libertou Luzia, mas naquele momento dentro daquela casa, foi o máximo que o sistema permitiu rachar. Anos depois, já mais velho, com o cabelo grisalho e as costas curvadas, Batista às vezes ficava parado na varanda olhando Zeca trabalhar no pátio. Via a cicatriz brilhar ao sol e lembrava. Lembrava da porta do escritório que trancou enquanto ouvia gritos.

    Lembrava do braço de Tomé queimado, do olhar de Luzia pedindo proteção silenciosa de todos os corpos que ele deixou marcar, porque era mais fácil não ver. carregou pro resto da vida o peso de saber que podia ter feito aquilo antes, que podia ter impedido a primeira queimadura, que podia ter protegido todos os corpos que Amélia marcou, mas só agiu quando a dor tocou nele.

    E essa culpa, essa marca invisível que nenhuma cera conseguia desenhar, era a única coisa que ele não conseguia apagar. Naquela noite, depois que todos foram dormir, Luzia ficou sozinha com Zeca no quartinho pequeno que dividiam. Ela molhou um pano limpo em água fria e pressionou de leve contra a bochecha do filho. Ele estremeceu, mas não reclamou. Dói, mãe, dói, mas vai passar.

    Zeca ficou quieto por um tempo, depois perguntou com aquela voz fina de quem ainda não entende o mundo. Assim a foi embora por minha causa? Luzia respirou fundo, escolheu as palavras com cuidado. Ela foi embora porque fez uma coisa que nem o coronel conseguiu fingir que não viu. E a cicatriz vai sumir? Luzia olhou pra marca, pequena, mas permanente. Não, essa vai ficar. Zeca abaixou a cabeça.

    Luzia segurou o queixo dele com delicadeza, tão diferente do jeito que Amélia tinha segurado, e levantou o rosto do menino até os olhos dela encontrarem os dele. Escuta bem o que eu vou te dizer, meu filho. Essa marca não te faz menor, não te faz feio, não te tira nada do que você é.

    Ela respirou fundo, sentindo as próprias cicatrizes nos braços pulsarem como lembrança viva. Eles tentaram te marcar para te lembrar do lugar, mas essa marca foi o que fez a máscara deles cair. Foi o que fez seu pai assumir você. Foi o que fez a casa inteira ver que a dor que eles causam é real. Zeca não entendeu tudo, mas entendeu o suficiente.

    Abraçou a mãe e dormiu com a cabeça no colo dela enquanto Luzia ficava acordada, olhando pela janela estreita, pensando em quantos braços tinham sido queimados em silêncio antes daquele dia. Na cenzala, os mais velhos coxixavam baixo, sentados em roda perto da fogueira fraca. Tomé estava ali mexendo o fogo devagar com um graveto, o braço marcado pela cera, nunca mais voltando a ser o que era.

    Ele não falava muito desde aquele dia, mas ouvia tudo. Demorou, mas um dia a cera virou pro lado de lá, alguém disse cuspindo no chão. É, mas o tronco ainda tá de pé. Outro respondeu, olhando pro pátio escuro. Tá, mas pelo menos hoje eles sentiram um gosto do que a gente sente todo dia. Tomé balançou a cabeça devagar, ainda mexendo o fogo.

    Não foi justiça, foi só o coronel defendendo o que é dele. Verdade, concordou uma voz mais velha, mas mesmo assim foi alguma coisa. E era verdade, não tinha sido justiça completa, não tinha sido abolição, não tinha mudado o sistema. Mas naquele dia, pela primeira vez, a violência doméstica da Casa Grande tinha sido exposta em público.

    A mulher que torturava tinha sido punida e um homem com poder tinha sido forçado a olhar paraa própria culpa. Era pouco, mas era mais do que nada. Tem uma pergunta que essa história deixa no ar e que atravessa séculos até chegar em nós. Quantos corpos precisaram ser queimados em silêncio até que uma única marca, por atingir a honra da Casa Grande, obrigasse alguém com poder a enxergar o que sempre esteve diante dele? A resposta é brutal.

    Todos os outros não contaram. Tomé queimado na cozinha? Não contou. Luzia marcada no braço. Não contou. Dezenas de escravos que passaram pela vela de Amélia ao longo dos anos não contaram. Só quando a cera caiu no rosto de Zeca, filho do Senhor, espelho do Pai, prova viva do sangue misturado, foi que o sistema entrou em colapso.

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    E isso revela algo devastador sobre como funciona a empatia e a justiça dentro de estruturas de poder. A dor só se torna inaceitável quando atinge quem importa. Enquanto eram corpos negros quaisquer, a violência era ignorada, naturalizada, chamada de educação. Mas quando foi o corpo que espelhava o Senhor, aí sim virou crime. Isso não é só coisa do passado.

    Quantas violências acontecem hoje, todos os dias, em silêncio, sem que ninguém com poder intervenha, até que a dor chegue perto o suficiente para incomodar. Quantas marcas são deixadas em corpos que ninguém vê, porque esses corpos não importam o suficiente. Quantas vezes a omissão é vestida de não é da minha conta, não quero me meter? É complicado demais.

    A história de Zeca e da Cera Quente nos lembra: “Não existe neutralidade diante da crueldade. Quando você vê e não faz nada, você não é neutro, você é cúmplice.” O coronel achava que fechar a porta do escritório o isentava, mas cada porta fechada era permissão para que a violência continuasse. Filó achava que só obedecer a protegia, mas cada braço que ela segurou a transformou em parte do sistema que a oprimia.

    E Amélia? Amélia achava que estava educando, que a dor que causava era pequena demais para ser crime. Mas toda violência começa sendo normalizada como pequena. Toda tortura começa sendo chamada de disciplina. Todo o controle começa sendo vendido como cuidado. A cera quente não era só uma marquinha, era desumanização derretida.

    Era poder exercido sobre corpos disponíveis. Era sadismo disfarçado de pedagogia. E só parou quando a marca atingiu quem não podia ser marcado. Hoje a gente olha para essa história e sente raiva, sente indignação, sente vontade de gritar que aquilo era absurdo e era. Mas também é importante a gente se perguntar, que violências normalizadas a gente ainda finge não ver? Que gritos a gente ainda abafa fechando portas? Que marcas a gente ainda acha aceitáveis, desde que não atinjam quem importa? Porque o legado da escravidão não é só cicatriz histórica, é estrutura que

    segue funcionando, adaptada, disfarçada, mas viva. E enquanto houver corpos que podem ser marcados e corpos que não podem, enquanto houver dor, que só vira crime quando atinge o lado certo da linha, a cera continua caindo. Só que agora a gente não pode mais fingir que não vê.

    Mas aqui no Ciência na Cenzala, nossa missão é outra. A gente não deixa a dor virar só marquinha. A gente lê os relatos que tentaram enterrar, desenterra os nomes que a Casagrande queimou e escuta o que os corpos marcados ainda têm para contar. Se você acredita que a verdadeira história, a que arrancaram dos livros e esconderam atrás de portas fechadas, precisa ser contada, se inscreve e vem com a gente.

    Juntos, a gente garante que essas vozes e essas cicatrizes nunca mais sejam apagadas. M.

  • O que o Rei Xerxes Fez com Suas Filhas Foi Pior do que a Morte

    O que o Rei Xerxes Fez com Suas Filhas Foi Pior do que a Morte

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    Em 465 a.C., uma mulher foi arrastada para o pátio do palácio mais magnífico da Terra. O que aconteceu a seguir foi tão brutal que até os soldados endurecidos que o testemunharam não conseguiam falar sobre isso sem tremer. O crime dela: dizer não ao homem errado. Mas aqui está o que torna esta história verdadeiramente horrível. Este não foi um incidente isolado.

    Este foi apenas um dia na corte real persa. Um crime num padrão de décadas que transformou o palácio mais bonito do mundo numa câmara de tortura psicológica. E o homem responsável… você sabe o nome dele. Viu os exércitos dele em filmes, mas não faz ideia do que ele realmente era. A história quer que se lembre do Rei Xerxes I da Pérsia como um guerreiro, como o homem que liderou milhões contra a Grécia, como o construtor de monumentos que desafiavam a imaginação.

    Essa é a história que contamos a nós mesmos porque é mais fácil de digerir. Mas e se eu lhe dissesse que por trás daquelas paredes douradas, uma guerra diferente estava a ser travada? Uma sem espadas ou escudos. Uma onde as vítimas não podiam correr, não podiam lutar, e não podiam sequer falar a sua verdade sem arriscar tudo o que amavam?

    E se a maior atrocidade do reinado de Xerxes não tivesse nada a ver com a Grécia? E se estivesse a acontecer debaixo do seu próprio teto todos os dias, às pessoas que deveriam estar mais seguras na sua presença? Fique comigo porque o que está prestes a aprender mudará tudo o que pensava saber sobre a antiga Pérsia. E prometo-lhe, até ao final deste vídeo, entenderá porque é que esta história foi enterrada por mais de 2.000 anos.

    Vamos começar com uma pergunta que os historiadores raramente fazem. O que é que realmente faz a um ser humano quando todos à sua volta insistem que ele não é humano de todo? Outubro de 486 a.C., a sala do trono de Persépolis. Um homem de 36 anos chamado Xerxes recebe a coroa do maior império que o mundo já viu. O seu pai, Dario o Grande, está morto. E a partir deste momento, Xerxes nunca mais experimentará uma única interação humana genuína.

    Pense nisso por um segundo. Cada pessoa que se aproxima dele deve seguir um ritual elaborado chamado proskynesis: cair de cara no chão, beijar a terra diante dele. Não fazer uma vénia, não ajoelhar — prostrar-se completamente como se fosse perante uma divindade. Ninguém pode virar-lhe as costas, nunca. Fazê-lo é morte.

    Ninguém pode olhar diretamente nos olhos dele a menos que receba permissão explícita. Ninguém pode falar a menos que lhe dirijam a palavra primeiro. O historiador grego Heródoto registou algo arrepiante sobre o protocolo da corte persa. Se tivesse de abordar o rei com notícias urgentes, primeiro tinha de ficar fora da sala do trono durante dias, às vezes semanas, à espera de permissão para entrar.

    Mesmo se o império estivesse a arder, mesmo se cidades estivessem a cair, você esperava, porque perturbar o rei-deus no momento errado podia custar-lhe a cabeça. Mas aqui está o que torna isto verdadeiramente insidioso. Xerxes não nasceu a acreditar que era divino. Foi sistematicamente condicionado a isso. A sua mãe, Atossa, entendia o poder melhor do que ninguém vivo. Ela era filha de Ciro o Grande, o fundador do Império.

    Ela tinha visto a sua própria família despedaçar-se em guerras de sucessão. Tinha visto irmãos envenenar irmãos, visto linhagens inteiras apagadas durante a noite, e conhecia a verdade brutal: na corte persa, a família não era uma fonte de amor. Era a ameaça mais perigosa de todas. Então ela ensinou ao filho uma lição que envenenaria tudo o que ele tocasse.

    Confie em nada. Controle tudo. Não mostre fraqueza. Porque no momento em que for visto como humano, no momento em que for visto como vulnerável, já está morto. As fontes gregas dizem-nos que Atossa tinha uma influência enorme sobre Xerxes, mais do que qualquer figura paterna ou conselheiro.

    E o que ela criou não foi um rei. Ela criou algo muito mais perigoso. Um homem que genuinamente acreditava que outros seres humanos existiam apenas como extensões da sua vontade. Agora, vamos falar sobre o lugar onde tudo isto se desenrolou: a própria casa real. Hollywood entende isto espetacularmente mal.

    Quando imaginamos antigos reis persas, imaginamos uma espécie de festa de despedida de solteiro eterna. Centenas de esposas, prazer infinito, uma fantasia de indulgência absoluta. Mas a realidade era muito mais complexa e, de certa forma, muito mais perturbadora. A casa real persa, chamada Anderun, era na verdade uma instituição política sofisticada.

    E ao contrário da crença popular, Xerxes parece ter sido casado com apenas uma mulher durante toda a sua vida adulta: a Rainha Amestris. Pense nas implicações disso. Isto não era um harém de mulheres descartáveis que podiam ser ignoradas. Amestris era um elemento permanente, uma mulher de imenso poder por direito próprio.

    Ela possuía vastas propriedades. Comandava as suas próprias tropas domésticas. Realizava audiências com dignitários estrangeiros. Registos antigos mostram que ela até controlava grandes projetos de construção em todo o império. Mas aqui está o senão que torna todo este sistema tão psicologicamente distorcido: todo esse poder existia ao prazer de Xerxes. Com uma única palavra, ele podia tirar tudo.

    A casa real era o lar das mulheres mais poderosas do império: a mãe do rei, a sua esposa, as suas irmãs, as suas filhas, e as esposas e filhas dos seus parentes mais próximos. Estas mulheres viviam num luxo inimaginável. Usavam mantos que valiam mais do que cidades inteiras. Jantavam iguarias trazidas de todos os cantos do mundo conhecido.

    Eram servidas por centenas de servos que existiam apenas para satisfazer os seus desejos. Mas também eram prisioneiras. O médico grego Ctésias, que serviu na corte persa décadas após a morte de Xerxes, deixou-nos descrições da casa real que soam como algo saído de um pesadelo. Os aposentos das mulheres eram isolados do mundo exterior por muralhas maciças e portões trancados.

    Visitantes masculinos eram proibidos inteiramente, exceto o próprio rei e um pequeno número de eunucos que tinham sido castrados especificamente para servir no Anderun. As mulheres podiam olhar de janelas altas para a cidade em baixo, mas não podiam sair. Podiam ouvir os sons da vida além das muralhas, mas não podiam participar nela.

    Tinham tudo, exceto a única coisa que mais importa: agência sobre a sua própria existência. E aqui está o que torna isto ainda mais horripilante. Isto não era visto como opressão. Era visto como honra, como proteção, como o mais alto privilégio que uma mulher podia alcançar. As próprias mulheres tinham sido criadas desde o nascimento para ver esta gaiola como um palácio, para ver a sua impotência como poder, para ver o seu isolamento como intimidade com a própria divindade.

    Isto é o que torna o controlo sistémico tão insidioso. As vítimas internalizam-no. Defendem-no. Não conseguem sequer imaginar uma alternativa. Durante décadas, este sistema funcionou exatamente como projetado. Os registos oficiais persas, esculpidos em monumentos de pedra por todo o império, falam apenas de ordem, prosperidade e harmonia divina.

    Tudo era perfeito. Tudo era controlado. E então algo correu catastroficamente mal. É aqui que Heródoto entra na história. Escrevendo cerca de 30 anos após a morte de Xerxes, ele registou um incidente tão perturbador que os estudiosos debatem a sua autenticidade há mais de dois milénios. E quero ser claro consigo: Heródoto era grego, escrevendo para uma audiência grega que tinha todas as razões para odiar a Pérsia.

    O seu relato podia ser propaganda. Podia ser exagero. Podia até ser ficção completa. Mas os detalhes que ele fornece são tão específicos, tão psicologicamente precisos que merecem a nossa atenção. Segundo Heródoto, em algum momento no final dos anos 470 a.C., após a desastrosa campanha grega, depois de Xerxes ter regressado à Pérsia em humilhação, o rei desenvolveu uma obsessão pela esposa do seu próprio irmão, Masistes.

    O nome desta mulher nem sequer está registado. A história não se incomodou em preservá-lo. Vamos chamar-lhe o que ela era: uma vítima. Ela era casada com um dos comandantes militares mais poderosos do rei, um homem que comandava exércitos e governava províncias inteiras. Ela era mãe. Ela estava, ao que tudo indica, a viver uma vida relativamente normal dentro das restrições da cultura real.

    E Xerxes queria-a. Agora, é aqui que a história se torna psicologicamente reveladora, porque Xerxes não tomou simplesmente o que queria. Lembre-se, ele acreditava que era divino. Acreditava que tudo e todos existiam para o seu prazer. Mas mesmo com todo esse condicionamento, alguma parte dele aparentemente ainda procurava consentimento. Ainda queria ser desejado, não apenas obedecido.

    Então ele aproximou-se dela, fez avanços, fez promessas, e ela disse não. Pense na coragem que isso exigiu. Este era o homem mais poderoso da Terra, que tinha autoridade legal absoluta para tomar qualquer coisa que quisesse, que tinha executado pessoas por muito menos do que recusá-lo. E ela olhou-o nos olhos e disse não.

    Para a maioria dos homens, isso teria sido o fim. Mesmo para a maioria dos tiranos, haveria consequências, mas o assunto teria terminado aí. Mas Xerxes não era a maioria dos tiranos. O seu condicionamento tinha-lhe ensinado que os seus desejos eram imperativos cósmicos. Que a resistência à sua vontade era uma forma de desordem no próprio universo.

    Algo que precisava de ser corrigido. Então ele não desistiu. Simplesmente mudou o seu foco para a filha dela. Artaynte estava provavelmente no final da adolescência ou início dos 20 anos. Ela era a própria sobrinha de Xerxes. E ao contrário da mãe, aparentemente não tinha a força ou talvez a consciência para recusar. O caso começou.

    E é aqui que fica ainda mais retorcido. Xerxes, que tinha sido rejeitado pela mãe, tinha agora controlo total sobre a filha. E alguma parte dele precisava de provar esse controlo, de demonstrar o seu poder de uma forma que magoasse a mulher que ousara recusá-lo. Segundo Heródoto, Xerxes prometeu a Artaynte tudo o que ela quisesse.

    Qualquer coisa no império, diz o nome, e é dela. E Artaynte, seja manipulada ou genuinamente desejando-o, pediu um manto específico: uma peça de vestuário magnífica e única que tinha sido tecida pessoalmente pela própria Rainha Amestris, incorporando fio de ouro e púrpura real persa. Era um símbolo do estatuto da rainha, único em todo o mundo.

    Xerxes deu-lho. Agora, vamos fazer uma pausa e pensar no que isto significa. Xerxes não era estúpido. Ele sabia exatamente o que estava a fazer. Sabia que dar à sua amante a peça de vestuário pessoal da sua esposa era um insulto deliberado e calculado. Sabia que provocaria Amestris. E em algum nível, ele provavelmente queria que provocasse, porque é isto que o poder absoluto faz à empatia.

    Não a diminui apenas, inverte-a. O sofrimento dos outros torna-se entretenimento. O conflito torna-se desporto. A dor de outras pessoas torna-se prova da sua própria supremacia. Quando a Rainha Amestris viu o seu manto em Artaynte, entendeu imediatamente o que tinha acontecido. E planeou a sua resposta com a precisão fria de alguém que passara a vida inteira a navegar na política brutal da corte persa.

    Mas aqui está o que faz esta história transcender a simples intriga palaciana. Amestris não alvejou Artaynte. Alvejou a mãe de Artaynte. A mulher que tinha recusado Xerxes em primeiro lugar. A mulher que era, em todos os sentidos significativos, completamente inocente. Segundo Heródoto, Amestris esperou pelo momento perfeito: a celebração do aniversário do rei.

    Um banquete massivo onde o costume persa ditava que o rei tinha de conceder qualquer pedido que lhe fosse feito. Era uma obrigação sagrada testemunhada por todos os nobres mais poderosos do império. E à frente de todos, Amestris fez o seu pedido. Ela queria a esposa de Masistes entregue a ela como presente.

    Xerxes entendeu imediatamente o que isto significava. Implorou a Amestris que escolhesse outra coisa, qualquer outra coisa. Ofereceu-lhe cidades, riqueza, exércitos, mas Amestris estava ligada pelo mesmo código que o ligava a ele. O pedido tinha sido feito publicamente, e não podia ser recusado. A mulher foi entregue à custódia da rainha.

    O que aconteceu a seguir é tão brutal que o próprio Heródoto luta com a descrição. Amestris mandou mutilar a mulher de formas especificamente concebidas para destruir tudo o que fazia dela uma pessoa. Os seus seios foram cortados. O nariz, orelhas, lábios e língua foram removidos. E depois ela foi enviada de volta para o marido nesta condição, como uma mensagem.

    Deixe-me ser absolutamente claro: este é um dos atos de crueldade mais horripilantes registados do mundo antigo. É quase impossível processar o nível de sadismo envolvido. Mas precisamos de entender a psicologia por trás disso. Amestris não estava apenas a punir uma rival. Estava a fazer uma declaração sobre poder na casa real.

    A mensagem era clara: “Eu sou a rainha. A minha autoridade neste domínio é absoluta. E qualquer pessoa que se torne objeto do desejo do rei, mesmo sem querer, será destruída tão completamente que servirá de aviso por gerações.” Mas há outra camada aqui que é ainda mais perturbadora.

    Ao alvejar a mãe em vez da filha, Amestris estava a punir a mulher pela sua virtude, pela sua recusa, pela sua lealdade ao marido. A mensagem era: “Devias ter-te submetido. A tua dignidade, o teu código moral, a tua resistência… essas coisas não são virtudes aqui. São crimes.”

    O marido da mulher, Masistes, respondeu exatamente como seria de esperar: com raiva absoluta. Reuniu as suas forças e tentou rebelar-se contra o próprio irmão. A revolta foi esmagada. Masistes e toda a sua família — filhos, filhas, todos — foram caçados e executados. A mulher que tinha dito não, a filha que não conseguiu dizer não, e uma linhagem inteira foram apagadas.

    Tudo porque um homem acreditava que os seus desejos eram imperativos divinos. Agora, aqui está a pergunta que os historiadores odeiam, mas que temos de fazer. Foi este um incidente isolado? Uma história terrível num reinado de outra forma normal? Ou foi isto uma janela para algo muito mais sombrio? O problema é que os registos reais persas foram concebidos para projetar uma ordem divina.

    Eles registavam vitórias militares, projetos de construção, devoção religiosa. Não registavam escândalos palacianos. Não registavam conflitos familiares. Especialmente não registavam nada que humanizasse ou criticasse o rei. Portanto, ficamos com fragmentos: fontes gregas que podem ser tendenciosas, evidências arqueológicas que sugerem coisas que não podem provar, e a lógica psicológica do próprio poder absoluto.

    Vamos pensar no que sabemos com certeza. Sabemos que Xerxes foi criado num sistema especificamente concebido para eliminar a sua empatia. Sabemos que foi condicionado desde o nascimento a ver outros humanos como objetos que existiam para servir a sua vontade. Sabemos que experimentou uma das derrotas militares mais humilhantes da história na Grécia, regressando a casa com o ego despedaçado e a paranoia amplificada.

    E sabemos que depois da Grécia, algo mudou. O registo histórico mostra que Xerxes essencialmente se retirou da vida pública. Parou de liderar campanhas militares. Parou de viajar pelo império. Retirou-se para os seus palácios, particularmente o de Persépolis, e passou os últimos anos do seu reinado focado em projetos de construção e no que as fontes descrevem vagamente como “atividades privadas”.

    O que eram essas atividades privadas? As fontes não dizem, mas sabemos que a corte se tornou cada vez mais isolada. Sabemos que os seus filhos cresceram a ver a paranoia do pai intensificar-se. Sabemos que o poder de oficiais da corte como Artabanus, o comandante da guarda real, expandiu-se dramaticamente.

    Aqui está o que isso sugere: o sistema tinha consumido até o homem no seu centro. Xerxes tinha-se tornado um prisioneiro do seu próprio poder absoluto. Não podia confiar em ninguém. Não podia formar relacionamentos genuínos. Não podia sequer ter a certeza de que os seus próprios filhos não o matariam — o que, como veremos, era um medo perfeitamente razoável.

    Para as mulheres da casa, este período deve ter sido aterrorizante. Um rei-deus paranoico e isolado com poder absoluto sobre a sua vida, o seu corpo e a sua família. Sem apelos, sem proteção, sem fuga. E isto não era exclusivo de Xerxes. Este era o sistema. Era assim que a dinastia Aqueménida funcionava há mais de dois séculos.

    Xerxes não inventou esta máquina. Ele herdou-a, aperfeiçoou-a e passou-a adiante. Agosto de 465 a.C., o palácio em Persépolis. Meia-noite. O Rei Xerxes I, governante do maior império da história humana, foi assassinado na sua própria cama. Os detalhes são obscuros porque as fontes contradizem-se umas às outras. Mas a versão mais dramática da história, preservada por múltiplos historiadores gregos, é assim:

    Artabanus, o comandante da guarda real, o homem cujo trabalho inteiro era proteger o rei, liderou a conspiração. Ele e um pequeno grupo de co-conspiradores entraram nos aposentos privados do rei e mataram-no enquanto dormia. Mas Artabanus não parou por aí. Executou um plano tão astuto, tão psicologicamente sofisticado que revela o quão profundamente a disfunção tinha penetrado na família real.

    Ele foi ter com o filho mais novo de Xerxes, Artaxerxes, e disse-lhe que o seu irmão mais velho, o Príncipe Herdeiro Dario, tinha acabado de assassinar o pai deles. Apresentou provas falsas. Manipulou o luto e a raiva do jovem príncipe. E Artaxerxes, acreditando na mentira, executou o seu próprio irmão para vingar o pai.

    Só mais tarde, quando Artabanus tentou consolidar o seu próprio poder, é que a verdade emergiu, e Artaxerxes, percebendo que tinha sido manipulado para o fratricídio, mandou caçar e matar Artabanus e todos os seus co-conspiradores. Pense no que esta história nos diz. O próprio guarda-costas do rei assassinou-o. O próprio filho do rei assassinou o irmão.

    E tudo isto aconteceu dentro do palácio mais fortemente guardado do mundo antigo, cercado por milhares de tropas leais. Como é que isso acontece a menos que todo o sistema esteja completamente quebrado? A menos que a cultura de medo e paranoia se tenha espalhado tão profundamente que até o círculo íntimo vê o assassinato como o único caminho para a sobrevivência?

    Xerxes tinha passado a vida inteira a construir muralhas. Muralhas à volta do seu palácio, muralhas à volta da sua casa, muralhas à volta da sua própria humanidade. E no final, essas muralhas não o protegeram. Prenderam-no. Para as mulheres da casa real, a morte do Rei Xerxes não mudou nada. Artaxerxes I herdou o trono e herdou o sistema.

    O Anderun continuou. A prática de ver as mulheres reais como ativos políticos continuou. O isolamento, o controlo, a redução de seres humanos a instrumentos de poder dinástico, tudo isso continuou. Na verdade, intensificou-se. O próprio filho de Artaxerxes, o futuro Dario II, casou com a sua meia-irmã, Parysatis, numa união especificamente concebida para consolidar o poder.

    Esta prática de casamento entre irmãos tornou-se mais comum em gerações Aqueménidas posteriores, influenciada por tradições zoroastristas, mas impulsionada por cálculo político durante o século e meio seguinte, até Alexandre o Grande queimar Persépolis até ao chão. O sistema persistiu. Gerações de mulheres nasceram, viveram e morreram dentro daquelas muralhas, nunca conhecendo qualquer outra realidade.

    E aqui está a parte verdadeiramente arrepiante. Isto não era visto como tragédia. Era visto como civilização, como ordem, como a maneira natural das coisas. Os guardas que o impunham pensavam que estavam a cumprir o seu dever. Os sacerdotes que o abençoavam pensavam que estavam a servir os deuses. As mulheres que sofriam com isso muitas vezes defendiam-no porque lhes tinha sido ensinado desde o nascimento que isto era honra, não horror.

    É assim que a opressão sistémica se parece no seu estado mais eficaz. Quando as vítimas não conseguem sequer reconhecer a sua própria opressão. Quando a gaiola é tão bonita que se esquece que é sequer uma gaiola. As ruínas de Persépolis permanecem hoje no deserto iraniano. As suas colunas a alcançar o céu como dedos partidos.

    Turistas caminham por elas imaginando a glória que outrora foi. Mas aquelas pedras lembram-se de coisas diferentes. Lembram-se das mulheres cujos nomes não foram registados, das vozes que não foram ouvidas, das vidas que foram vividas inteiramente ao prazer de outra pessoa. A história da casa de Xerxes não é apenas história antiga. É um aviso que ecoa através de cada século e cada civilização.

    Mostra-nos o que acontece quando construímos sistemas que colocam qualquer ser humano além da responsabilidade. Quando confundimos poder com divindade. Quando nos convencemos a nós mesmos de que algumas pessoas nascem para governar e outras nascem para servir. O palácio é ruínas agora. O império é pó. Mas a lição permanece. O poder absoluto não corrompe apenas a pessoa que o detém.

    Corrompe todos os que participam na sua manutenção. Retorce o amor em controlo, o dever em medo, e os seres humanos em instrumentos. E isso não é história antiga. Isso está a acontecer agora mesmo, em algum lugar do mundo… atrás de muralhas que não conseguimos ver.

  • CASO GLAUBER: ACUSAÇÕES CONTRA HUGO MOTTA PROVOCAM REAÇÃO IMEDIATA E PLENÁRIO PEGA FOGO!

    CASO GLAUBER: ACUSAÇÕES CONTRA HUGO MOTTA PROVOCAM REAÇÃO IMEDIATA E PLENÁRIO PEGA FOGO!

    Nos corredores e no coração do poder legislativo brasileiro, o ar tem estado mais denso, as vozes mais elevadas e a tensão palpável. Uma recente sessão plenária da Câmara dos Deputados transformou-se em um palco de acusações incisivas e debates acalorados, trazendo à tona as profundas divisões e as complexas manobras que moldam o cenário político do país. No centro dessa tempestade, as acusações dirigidas ao presidente Hugo Motta reverberaram com força, provocando uma reação imediata e incendiando o plenário de uma forma que há muito não se via.

    O episódio, que rapidamente se espalhou pelos noticiários e redes sociais, revelou a fragilidade do diálogo e a intensidade das disputas ideológicas que permeiam o Congresso Nacional. A indignação expressa por diversos parlamentares, incluindo um deputado de 67 anos que relatou ter sido alvo de agressões por parte da segurança da Casa, ecoou um sentimento de ultraje e desrespeito. “Um absurdo. Eu continuo indignado. Não vim aqui com 67 anos de idade para ser espancado por segurança nessa casa, por ordem, segundo seguranças do presidente dessa casa. Isso é inadmissível”, declarou o parlamentar, com a voz embargada pela emoção e pela incredulidade diante do ocorrido.

    Este incidente, longe de ser isolado, parece ser um sintoma de um clima político cada vez mais polarizado e combativo. As acusações de “postura autoritária e desleal” dirigidas ao comando da Casa, combinadas com a insinuação de que certas ações visam silenciar vozes dissonantes, pintam um quadro preocupante sobre a saúde da democracia parlamentar. A história, como bem apontado pelos críticos, “vai cobrar muito caro” dos atos e decisões tomadas em momentos de tamanha efervescência.

    O “Casamento de Conveniência” e a Sombra de 2026

    O cerne da discórdia não se limitou apenas às tensões internas do plenário. A discussão se aprofundou na análise de um projeto de lei que, segundo alguns, visaria “passar pano para golpista”, reduzindo drasticamente penas de crimes relacionados a atentados contra as liberdades democráticas. A manobra política, descrita como um “casamento de conveniência do centrão com a extrema direita”, levanta sérias questões sobre os verdadeiros interesses por trás de tais iniciativas. “A história cobrará muito, mas muito caro, do casamento de conveniência do centrão com a extrema direita para votar um projeto para passar pano para golpista, para reduzir pena de 27 anos para 2 anos”, bradou um dos oradores, apontando para a gravidade da proposta.

    Flávio Bolsonaro cogita 'negociar penas' e quer projeto que negue tentativa  de golpe

    A timing da discussão também não passou despercebida. A menção à possível candidatura de Flávio Bolsonaro e a subsequente “negociação vergonhosa” entre o centrão e a extrema direita para a votação do projeto de anistia sugere que as decisões atuais podem estar fortemente influenciadas pelas eleições de 2026. Este cenário levanta a suspeita de que os interesses eleitorais estão se sobrepondo à integridade democrática e à justiça, transformando o parlamento em um tabuleiro de xadrez onde cada movimento é calculado com vistas ao futuro político dos envolvidos.

    A “PEC da Bandidagem” e a Inversão de Valores

    A memória de episódios anteriores, como a obstrução da presidência para defender figuras controversas e projetos vistos como danosos, foi evocada para ilustrar a incoerência e a seletividade de certos posicionamentos. Enquanto alguns parlamentares são supostamente agredidos e jornalistas são expulsos da Casa – atos comparados a práticas de ditaduras –, outros “golpistas e criminosos” são tratados “a pão de ló, com tapinha nas costas”, mantendo seus assentos no parlamento. Essa disparidade no tratamento, segundo os críticos, é uma prova da “inviabilização do trabalho da Câmara” em prol de interesses particulares.

    A “PEC da bandidagem”, um tema recorrente nas discussões, é um exemplo notório de como certas pautas são combatidas com veemência enquanto outras, de cunho semelhante ou até mais grave, recebem apoio ou complacência. A luta contra tal PEC, que mobilizou a sociedade e foi “derrotada em cem dias” pelas “lutas democráticas do nosso povo”, serve como um lembrete da importância da vigilância e da resistência. A preocupação é que, “quando a luta dorme, o parlamento aponta ataques brutais”, como a tentativa de cassação do deputado Glauber, que se desenhava no horizonte.

    A Farsa da Normalidade e a Vergonha do Congresso

    A sessão plenária, que deveria ser um ambiente de debate construtivo e representação popular, foi descrita como uma “farsa”. A indignação com a imposição de uma “vergonhosa derrota” ao povo brasileiro foi unânime entre os opositores do projeto. A retórica de que o “Congresso inimigo do povo” – embora não de autoria do orador – ressoou como um eco amargo da percepção pública. “Eu digo isso com vergonha. Porque tudo que eu mais quero é que o Congresso não seja inimigo do povo”, confessou um deputado, expressando o desejo de um parlamento verdadeiramente a serviço da nação.

    A evocação de Ulisses Guimarães, uma figura emblemática da redemocratização brasileira, para ilustrar a “vergonha” que ele sentiria da Câmara Federal no momento, foi um golpe certeiro. O contraste entre os ideais democráticos e a realidade das práticas políticas atuais é gritante, deixando uma sensação de desilusão e de um futuro incerto.

    Terras Públicas, Grileiros e Anistia aos Golpistas: Uma Teia de Interesses

    A discussão sobre a anistia para “golpistas” se entrelaçou com a pauta das terras públicas, revelando uma complexa teia de interesses e potenciais prejuízos. A preocupação de que, em dois anos, caso o Congresso não aprecie a matéria, “terras públicas importantes de muitos hectares podem passar para controles ilícitos de grileiros”, aponta para a vulnerabilidade do patrimônio nacional diante de manobras legislativas questionáveis. Essa situação, combinada com a “pretensa anistia ou redução de penas”, é vista como um “aval ao golpismo, um atentado contra a história brasileira e contra quem lutou, dando a sua própria vida por essa democracia tão precária que temos”.

    A ideia de perdoar aqueles que cometeram crimes contra a democracia, enquanto parlamentares são retirados à força do plenário, cria uma inversão de valores perigosa. A Federação Psol Rede, ao votar “não”, alertou para as consequências nefastas de tais propostas, ressaltando a importância de proteger as terras fronteiriças e de não ceder a pressões que beneficiam a grilagem e a impunidade.

    Fraude, Lavagem de Dinheiro e a Luta contra o Devedor Contumaz

    Em meio a esse cenário de tensões, a pauta do governo Lula, que visa enfrentar a fraude e a lavagem de dinheiro, emergiu como um contraponto positivo. Este projeto, que foi uma “reivindicação da base do governo”, busca coibir o “devedor contumaz”, aquele que faz do não pagamento de impostos um modelo de negócio, lesando o erário público e a sociedade. “Nós estamos enfrentando com esse projeto não apenas a sua negação, mas a fraude. A fraude contra o erário público, contra a possibilidade do orçamento público ter volume para atender a sociedade brasileira”, explicou um deputado, defendendo a importância da iniciativa.

    A proposta busca atingir não o pequeno empresário com dificuldades, mas sim aqueles que deliberadamente criam empresas para sonegar, fechando CNPJs e abrindo outros, perpetuando um ciclo de dívidas e prejuízos ao país. A ligação entre a fraude, a lavagem de dinheiro e o crime organizado foi explicitada, mostrando como a sonegação alimenta atividades ilícitas e desvia recursos essenciais da educação e da saúde. “É dessa maneira que a gente combate o crime organizado, pegando o dinheiro do crime organizado e não dá para eles criar empresas simplesmente para negar enquanto o povo, o povo paga no seu dia a dia sem tributo”, afirmou outro parlamentar, reforçando a necessidade de punir os “bilionários, os laranjas” que se beneficiam dessas práticas.

    A Hipocrisia Punitivista e a Proteção de “Bandidos de Estimação”

    A discussão sobre o devedor contumaz e a anistia aos golpistas revelou uma “hipocrisia punitivista” que permeia o sistema. Enquanto o “rigor de pena” é aplicado a “criminosos comuns”, muitas vezes presos provisórios por crimes menores, a “hora do bandido de estimação” é marcada pela redução de penas e pela facilitação da vida. Essa disparidade de tratamento, que atinge em cheio a população negra e pobre do país, é vista como um reflexo de um sistema seletivo e injusto.

    “Aqui é o rigor punitivista, mas na hora do bandido de estimação, aí esse rigor acaba, reduz pena, facilita a vida”, denunciou um deputado, salientando que essa anistia “não vai alcançar a maioria dos presos, que muitas vezes são crimes menores e que estão dentro do sistema carcerário”. A indignação se aprofunda ao perceber que a anistia é proposta para aqueles que “sustentam tortura, sustentam violência e querem atacar a democracia brasileira”, enquanto a sociedade clama por justiça e por um combate eficaz à impunidade.

    Um Parlamento em Crise: Agressões, Anistia e a Ausência de Debate Público

    O clima de agressão e a tentativa de votar a anistia aos golpistas na mesma data em que ocorreram incidentes de violência no parlamento foram duramente criticados. A “violência da tarde” e seus “reflexos ainda perduram”, pois ela “foi gravíssima e ela tentou contra todo o parlamento”. A tentativa de “anistia sem um debate público com a sociedade brasileira”, contrariando a “opiniões e pesquisas totalmente contrárias à impunidade”, é um sinal preocupante da desconexão entre o parlamento e a vontade popular.

    A ausência de um debate transparente e a imposição de pautas sem o devido escrutínio público são vistas como “mais um tapa e mais uma agressão à nossa população”, que no dia a dia é punida por “uma conta que comete uma infração de trânsito ou que comete um crime”. A ideia de perdoar golpistas “só porque alguns generais foram presos, só porque o dito mito deles que tanto mal fez esse país, também está na cadeia”, é considerada um absurdo e um desrespeito àqueles que lutaram e continuam lutando pela democracia.

    A sessão plenária da Câmara dos Deputados transformou-se em um espelho das contradições e desafios que o Brasil enfrenta. Entre acusações de autoritarismo, manobras políticas e a defesa de projetos controversos, a voz da democracia clama por um parlamento que represente verdadeiramente os interesses do povo, com justiça, transparência e respeito às liberdades. A luta contra a impunidade e a defesa de um sistema legal constitucional são imperativos em um momento em que a história, sem dúvida, cobrará seu preço.

  • CAOS NO PLENÁRIO (FICÇÃO): Glauber Braga e Hugo Motta se Envolvem em Confronto Surreal em Universo Paralelo

    CAOS NO PLENÁRIO (FICÇÃO): Glauber Braga e Hugo Motta se Envolvem em Confronto Surreal em Universo Paralelo

    Num universo alternativo — tão parecido com o nosso, mas com sutis distorções que fazem a política parecer ainda mais imprevisível — a Câmara dos Deputados se tornara palco de um dos episódios mais absurdos, intensos e comentados de toda a história legislativa. Tudo começou em uma manhã aparentemente comum, quando os parlamentares se preparavam para mais uma sessão marcada por debates, disputas e discursos inflamados. Ninguém imaginava, porém, que aquele seria o dia em que Glauber Braga e Hugo Motta protagonizariam uma cena que, mais tarde, seria lembrada como “O Grande Caos do Plenário”.

    O ambiente já estava carregado antes mesmo do início oficial dos trabalhos. Sussurros percorriam os corredores, assessores se moviam rapidamente entre gabinetes, e um clima de inquietação pairava no ar. Em meio a tudo isso, Glauber Braga caminhava firme pelo salão, com aquela expressão determinada que costumava exibir quando percebia que algo importante estava prestes a acontecer. Ele trazia consigo uma pasta abarrotada de documentos, anotações e discursos que pretendia apresentar naquele dia.

    Já Hugo Motta, por sua vez, organizava seus papéis com uma tranquilidade quase ensaiada. Ele sabia que teria participação central na sessão, e parecia preparado para qualquer movimento inesperado. Contudo, nem mesmo ele poderia prever o que viria a seguir.

    A tensão aumentou quando a presidência anunciou a pauta. Era um tema delicado naquele universo alternativo: um projeto que mexia com interesses poderosos, alianças frágeis e disputas internas que vinham se intensificando há semanas. Glauber, conhecido por sua postura combativa, levantou-se imediatamente, pedindo a palavra. Hugo, sentado logo à frente, ajeitou-se na cadeira com um olhar calculista. Parecia antecipar uma batalha.

    Mas o que ninguém suspeitava era que aquela sessão ficaria marcada não pelo teor do debate, mas pelo evento surreal que se seguiria — algo que parecia saído de uma novela política exagerada ou de uma saga épica onde as regras da realidade eram maleáveis.

    Enquanto Glauber caminhava em direção ao microfone, os assessores tentavam entregar-lhe uma pilha adicional de documentos. Ele desviou, tentando manter o foco. O plenário estava barulhento, e várias conversas paralelas dificultavam qualquer tentativa de organização. Foi nesse momento que ocorreu a primeira peça do dominó que desencadearia o caos: sua pasta caiu ao chão, espalhando papéis por todo lado. Glauber abaixou-se rapidamente para pegá-los, mas na confusão acabou esbarrando na mesa onde ficava a cadeira de Hugo Motta.

    O impacto, embora leve, provocou uma reação inesperada: a cadeira de Hugo deslizou alguns centímetros para trás devido ao piso recém-encerado — um detalhe irrelevante em qualquer outro dia, mas crucial naquele instante. Aquele deslocamento acidental levou a um ruído peculiar, um rangido metálico que ecoou pelo microfone do plenário, amplificado por uma falha técnica do sistema de áudio.

    O barulho soou como um estrondo, e por alguns segundos, todos ficaram em silêncio.

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    Hugo, interpretando o movimento como uma tentativa de tomar sua posição durante o debate — algo muito simbólico naquele universo alternativo — levantou-se abruptamente e segurou a cadeira com força, como se estivesse defendendo um posto estratégico. Glauber, por sua vez, ainda agachado recolhendo documentos, levantou-se confuso, sem entender a reação dramática do colega.

    Mas o momento já havia escapado ao controle.

    Alguns parlamentares, vendo apenas parte da cena, imaginaram que Glauber estivesse, de alguma forma, tentando “tomar” a cadeira de Hugo. Outros acharam que Hugo estava exagerando. O plenário, sempre inflamável, explodiu em gritos simultâneos: uns pedindo calma, outros acusando ambos, e alguns apenas tentando aproveitar o caos para ganhar algum tempo no debate.

    Foi então que aconteceu a cena que marcaria aquele dia para sempre. Em meio à confusão, Glauber tentou puxar a cadeira para evitar que ela caísse depois de seu esbarrão inicial, mas Hugo, acreditando que aquilo era um ato simbólico de afronta política, segurou a cadeira com força. O resultado foi um movimento desajeitado, quase coreográfico, que fez com que ambos perdessem momentaneamente o equilíbrio.

    Os dois tropeçaram para frente, cada um puxando a cadeira em direções opostas, criando um espetáculo caótico que lembrava uma disputa improvável entre dois guerreiros medievais lutando por um trono… de madeira. Assessores correram para tentar separar os dois, não porque houvesse uma briga real, mas porque o gesto parecia muito teatral — e naquele universo, teatralidade política tinha impacto profundo.

    No auge da confusão, alguém gritou: “Segurem o plenário! A cadeira vai cair!”. Isso só aumentou o frisson. A cadeira realmente escorregou, girou, e acabou sendo levantada ligeiramente pela força combinada dos dois parlamentares — não de forma agressiva, mas totalmente descoordenada. Para quem assistia de longe, parecia que Glauber estava sendo arrastado pela força da situação, tentando recuperar o equilíbrio enquanto segurava a pasta aberta, com papéis voando como se fossem confetes de uma comemoração completamente fora de hora.

    Os fotógrafos, claro, não perderam a oportunidade. Flashs estouraram de todos os ângulos, eternizando aquela cena absurda. Em segundos, as imagens correram pelo universo paralelo, transformando o episódio em meme, manchete, piada interna e combustível para análises políticas intermináveis.

    Quando finalmente a situação foi controlada — com a cadeira depositada em segurança no chão e ambos os parlamentares recuperando a compostura — o plenário estava dividido entre risos, indignação e perplexidade. Hugo e Glauber, sem dizer palavra, apenas se entreolharam, cientes de que entrariam para a história… mas não exatamente da maneira que imaginavam.

    A sessão foi suspensa temporariamente. A cada corredor, surgia uma nova versão da história: alguns diziam que Glauber tentou “ocupar simbolicamente o espaço de fala”; outros que Hugo “defendeu com bravura seu posto”; e muitos simplesmente achavam que tudo não passara de um grande mal-entendido amplificado por azar, piso escorregadio e excesso de paixão política.

    Glauber Braga é retirado à força de cadeira do presidente da Câmara

    O episódio, por mais surreal que fosse, se tornou rapidamente objeto de debates acadêmicos naquele universo alternativo. Especialistas em comportamento legislativo analisavam o “incidente da cadeira” como um exemplo extremo de como símbolos políticos podiam adquirir vida própria. Já humoristas transformaram tudo em sketches, e o público, claro, se deliciou com o espetáculo inesperado.

    No fim do dia, Glauber e Hugo divulgaram notas oficiais — sérias, protocolares — explicando que tudo não passara de uma coincidência infeliz e que não houve agressão, disputa física ou hostilidade real. Mas o imaginário popular já havia absorvido a narrativa épica daquele momento. O “caos no plenário” entrou para a cultura política daquele universo alternativo como uma lenda, uma mistura de comédia, tensão e absurdo.

    E assim ficou marcado o dia em que uma cadeira — simples, de madeira, com um estofado azul já desgastado — se tornou protagonista de um dos episódios mais emblemáticos da política… mesmo que tudo isso só pudesse acontecer em um mundo onde a realidade decidira tirar férias.