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  • Escândalo em Brasília: Conversas Secretas, Remédios de Luxo e o Cerco da Polícia Federal a Líderes do Congresso e Governo Estadual

    Escândalo em Brasília: Conversas Secretas, Remédios de Luxo e o Cerco da Polícia Federal a Líderes do Congresso e Governo Estadual

    O clima nos corredores do poder em Brasília e no Rio de Janeiro é de tensão e desespero incontrolável. Uma nova e avassaladora onda de investigações da Polícia Federal, com o pulso firme do Ministro Alexandre de Moraes como relator, mira o que está sendo chamado de “núcleo político” das maiores facções criminosas do país. O objetivo é desmantelar a estrutura que, segundo as apurações, permite a lavagem de dinheiro, o cometimento de crimes em larga escala e o enriquecimento ilícito de criminosos e seus aliados na alta cúpula da política nacional.

    Os holofotes das operações mais recentes se voltaram para dois nomes de peso: o Presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, e o Governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. O que emerge das evidências colhidas pela PF não são apenas alegações de corrupção tradicional, mas sim a suposta proximidade e a troca de favores com indivíduos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). A profundidade e o grau de detalhe das provas sugerem que este pode ser o prelúdio de uma crise institucional sem precedentes, que promete redefinir o cenário político brasileiro.

    Quem é Cláudio Castro? O homem por trás da luta contra o crime

    Parte I: O Caso Monjaro e a Teia de Alcolumbre

    As revelações mais chocantes vieram à tona a partir de uma matéria investigativa que expôs a alegada amizade íntima de Davi Alcolumbre com um indivíduo foragido e suposto membro do PCC, conhecido como “Beto Louco”, um empresário que, segundo a PF, atuava na lavagem de dinheiro para a facção.

    O elo foi revelado em um contexto social. Beto Louco teria sido um dos convidados em uma festa na residência de Antônio Rueda, o presidente nacional do partido União Brasil. Esta menção ao União Brasil se torna crucial, pois lança uma sombra sobre o partido, que já enfrenta controvérsias significativas. Nomes como Rodrigo Bacelar, presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e figura proeminente no partido, foi alvo de prisão por suspeita de auxílio ao Comando Vermelho. O caso de TH Joias, envolvido em alegações de lavagem de dinheiro para a mesma facção, reforça a narrativa de que o União Brasil estaria no centro de uma união de interesses incomuns.

    A imprensa tem sido criticada por uma suposta seletividade na “demonização” de partidos, destacando o contraste entre a forma como o Partido dos Trabalhadores (PT) é tratado e o tratamento dado a outras legendas, mesmo diante de alegações graves. O União Brasil, que abriga figuras como Kim Kataguiri e Sérgio Moro, é um amálgama de tendências políticas diversas, e a concentração de escândalos envolvendo seus membros mais influentes tem levado a questionamentos sobre a integridade do seu quadro. Alguns comentaristas, em tom de crítica ácida, sugerem que o nome da legenda poderia ser alterado para “União das Facções do Brasil”, tamanha a gravidade dos vínculos expostos.

    No entanto, o ponto central da investigação contra Alcolumbre reside no que ficou conhecido como o “Caso Monjaro”. Em uma conversa durante a festa na casa de Rueda, Alcolumbre teria se queixado a Beto Louco sobre a dificuldade em obter o Monjaro. Para quem não está familiarizado, o Monjaro é um medicamento injetável para emagrecimento, muitas vezes apelidado de “Ozempic dos ricos” devido ao seu alto custo, que pode chegar a R$ 5.000 por caneta, e sua suposta eficácia superior com menos efeitos colaterais.

    O detalhe explosivo é que, na época do diálogo, o Monjaro ainda não estava regulamentado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) no Brasil, sendo, portanto, uma substância ilegalmente comercializada e tratada como um produto de contrabando. A obtenção de tal medicamento envolvia, necessariamente, o mercado clandestino e vias de importação ilícitas.

    As investigações da Polícia Federal conseguiram interceptar e, posteriormente, confirmar, conversas cruciais. Na mesma noite em que Alcolumbre manifestou sua dificuldade, Beto Louco teria instruído seu motorista, por meio de mensagens, a providenciar a entrega das canetas de Monjaro, que chegariam de avião a Brasília. A familiaridade entre o motorista de Beto Louco e Alcolumbre era notória, com o motorista se referindo ao senador apenas como “Davi”.

    No dia seguinte, após a entrega, o motorista de Alcolumbre enviou uma mensagem ao motorista de Beto Louco, confirmando o recebimento: “Já tá entregue, tá? Já tá recebido aqui. Até já falei com o com o Davi, o senador já tá sabendo também, já tá comigo, então considere entregue.” A resposta de Beto Louco, “Obrigado, irmão, abração, tem uma boa noite,” sela a transação. O que se desenha é um cenário em que um traficante, no sentido mais amplo – um indivíduo que lava dinheiro para uma facção criminosa e que agora estaria fornecendo um medicamento ilegal de alto custo – faz negócios diretos com o Presidente do Congresso Nacional.

    Mais tarde, descobriu-se que Alcolumbre estaria usando o Monjaro não apenas para uso pessoal, mas como uma “moeda de troca” em Brasília. Naquela época, ele ainda articulava sua candidatura à presidência do Senado, e a distribuição das canetas de alto valor e difícil acesso entre os senadores era uma forma de “agrado”, uma tática de toma lá, dá cá para angariar votos e apoio. O que estava em jogo, portanto, não era apenas um ato isolado de contrabando, mas a instrumentalização de um item de luxo e ilegal para influenciar o resultado de uma das votações mais importantes do Congresso. O cerco da PF, com base em conversas e testemunhos confirmados pelos próprios motoristas, sugere que o desespero de Alcolumbre para indicar um Ministro do STF para protegê-lo é mais do que justificável.

    Parte II: Cláudio Castro e a Manobra do Diário Oficial

    O pânico em Brasília e no Congresso encontra seu eco no Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro. A atenção da Polícia Federal se voltou também para o Governador Cláudio Castro (PL), que foi citado na decisão do Ministro Alexandre de Moraes que culminou na prisão de Rodrigo Bacelar. A citação indica que o governador pode ser o próximo alvo das investigações.

    O contexto envolve a prisão de TH Joias, à época deputado estadual (segundo suplente que havia assumido o cargo), sob acusação de lavagem de dinheiro para o Comando Vermelho. Quando um parlamentar é preso, a Constituição exige uma votação na Assembleia Legislativa para decidir se a prisão será mantida ou revogada. Esta votação estava marcada para os dias seguintes.

    A ameaça de um desgaste político gigantesco para Cláudio Castro era iminente. Havia duas saídas desfavoráveis:

    Se a Alerj salvasse TH Joias: O Governador, aliado pessoal do deputado, sofreria um desgaste enorme, sendo acusado de cumplicidade com a facção criminosa.

    Se a Alerj mantivesse a prisão: A medida sinalizaria um corte abrupto dos vínculos de agentes públicos com o Comando Vermelho, o que poderia prejudicar outros aliados políticos de Castro que tivessem tais laços.

    Diante desse dilema, Cláudio Castro optou por uma manobra de emergência. Às pressas, no mesmo dia da prisão de TH Joias, ele assinou um despacho para que fosse publicada uma edição extra do Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro.

    A edição extra de um Diário Oficial é um procedimento raro, reservado para decisões urgentes ou de importância crucial que não podem esperar a publicação regular do dia seguinte. No caso de Castro, era uma decisão urgente e importante: a exoneração do então secretário Pisani.

    O raciocínio por trás da exoneração é um intrincado jogo político:

    Pisani era secretário de Castro, mas era o primeiro suplente do deputado estadual Otone de Paula Pai, que havia falecido.

    Com Pisani como secretário (não exercendo o mandato de deputado), TH Joias, que era o segundo suplente, subiu na linha de sucessão e assumiu o mandato.

    Ao exonerar Pisani, Cláudio Castro forçou seu retorno imediato à Assembleia Legislativa, reassumindo seu cargo como deputado.

    Com o retorno de Pisani, TH Joias perdeu automaticamente o mandato (voltando à condição de segundo suplente).

    Ao perder o mandato, TH Joias deixou de ser um parlamentar, e a necessidade da votação para manter ou revogar sua prisão na Alerj foi eliminada. A jogada foi um xeque-mate político: Castro evitou o desgaste de uma votação polêmica, livrando-se tanto da pecha de salvador de criminoso quanto da pressão de ter que cortar laços com aliados de facções. O governador preferiu sacrificar a estabilidade de um secretário para proteger sua própria imagem política, especialmente mirando sua futura candidatura ao Senado.

    Alexandre de Moraes não deixou o ato passar. Em sua decisão, o Ministro cita a manobra, afirmando que ela foi realizada “para evitar desgaste”, e ordena à Polícia Federal que investigue todos os atos que levaram à edição extra do Diário Oficial. A PF agora tem a tarefa de rastrear cada detalhe: quem escreveu o despacho, qual conta de usuário acessou o sistema, quem deu a ordem e o horário exato da decisão, feita às pressas na noite da prisão.

    A ironia não passou despercebida: o Governador Cláudio Castro havia declarado publicamente, dias antes, que “não há núcleo político das facções criminosas no Rio de Janeiro”. Menos de 48 horas depois, a decisão judicial que aponta Bacelar como aliado do Comando Vermelho e a manobra forçada de seu próprio governo para proteger sua imagem demonstram o oposto, expondo, segundo os investigadores, o governador como peça-chave de uma complexa articulação.

    Abin diz que CV está presente em todas as guerras de facções


    Conclusão: O Pavor de uma Nova Onda de Exposição

    A convergência de provas no “Caso Monjaro” e a manobra no Rio de Janeiro pintam um quadro sombrio da política nacional. O desespero não se restringe a Alcolumbre e Castro; ele se espalha pela cúpula do União Brasil e do Congresso Nacional.

    A principal apreensão nos bastidores é a de que esta série de investigações, conduzida com rigor pela Polícia Federal e sob a supervisão do STF, se transforme em uma “nova Lava Jato”. No entanto, é crucial distinguir a natureza das operações. Enquanto a Lava Jato original foi criticada por uma suposta seletividade com foco em um espectro político (PT, Lula), as atuais investigações, segundo analistas, visam expor de forma abrangente o envolvimento de líderes de diferentes partidos com o crime organizado, focando na intersecção entre o poder público e as facções criminosas.

    A Polícia Federal está determinada a obter todas as provas contra os envolvidos. O uso de intercepções telefônicas, testemunhos e a análise forense de atos administrativos (como a edição extra do Diário Oficial) demonstram uma metodologia robusta e inquestionável. Os próximos meses prometem ser cruciais. Se as evidências se consolidarem, o Brasil pode testemunhar a prisão de figuras políticas de altíssimo escalão, numa exposição que finalmente revelará a extensão da corja que, segundo os críticos, se instalou no centro do poder. O cerco está se fechando, e o país aguarda para ver quais serão as próximas peças gigantes a cair.

  • Estou te implorando… Vai logo!” – “O Fazendeiro deu um passo mais perto… E fez o impensável

    Estou te implorando… Vai logo!” – “O Fazendeiro deu um passo mais perto… E fez o impensável

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    Não consegues imaginar o que ele lhe fez. Ninguém conseguia. Não a menos que a tivessem visto naquela manhã. Não a menos que tivessem visto o sangue seco na sua pele, os hematomas a engolir-lhe os braços, a vergonha nos seus olhos que nenhum pó conseguia esconder. Evelyn tinha apenas 23 anos, demasiado jovem para carregar o peso do horror.

    Demasiado velha para ainda ser chamada de criança. E desde que a mãe morreu, ela estava presa numa casa que nunca pareceu um lar. Ele era o padrasto dela. Os vizinhos deixaram de perguntar sobre ela há muito tempo. Cada vez que ouviam gritos daquela casa, apenas baixavam a luz dos candeeiros. Numa pequena cidade, o silêncio é por vezes a coisa mais cruel de todas.

    Um homem cujo hálito fedia a uísque e cuja alma fedia a podridão. Ele não a criou. Ele manteve-a como um animal atrás de paredes e portas trancadas. Começou com palavras, depois punhos, depois noites que duravam demasiado tempo. E naquela noite, a noite em que o deserto reteve a respiração, ele chegou a casa pior do que o costume.

    Garrafas a balançar numa mão, loucura a arder atrás dos olhos. Ela tentou fugir. Ele apanhou-a. Ela suplicou. Ele não ouviu. A luta foi brutal. O chão tremeu. O ar foi rasgado com sons que ninguém deveria ouvir. Madeira estalou. Tecido rasgou. A respiração dela desapareceu. Quando acabou, Evelyn não se conseguia mexer. Olhou fixamente para o teto como se este a pudesse engolir.

    Mas não chorou. Já tinha chorado demais. Em vez disso, rastejou até à porta, depois até à beira do alpendre, depois para o selvagem. Sem sapatos, sem plano, apenas dor. A terra seca arranhou-lhe os joelhos. Agulhas de cato picaram-lhe as coxas. As suas roupas rasgadas pendiam dos ombros como pó. Ela não sabia há quanto tempo estava a caminhar.

    As estrelas lá em cima desfocaram-se num longo risco de luz. Cada som a fazia estremecer. Um coiote, o vento, o seu próprio batimento cardíaco. Mas ainda assim caminhava, porque parar significava lembrar. A certa altura, caíram completamente. O seu corpo era agora todo cortes e hematomas. Feridas abertas sobre velhas cicatrizes. Até a lua parecia desviar o olhar.

    Vagueou pela noite, sozinha e quebrada. Ao nascer do sol, colapsou perto da beira de um trilho poeirento. A respiração era superficial. A pele ardia com o sol nascente. Foi então que ouviu cascos, uma sombra, um homem, um cavalo. Ele era alto, mais velho, construído como uma parede de pedra. O rosto estava desgastado pelo tempo e pela guerra. As roupas empoeiradas como a terra de onde vinha.

    Um lenço vermelho ao pescoço, a mão a descansar gentilmente no coldre ao seu lado. Ele não era apenas um rancheiro. Era outra coisa, algo mais frio, algo mais silencioso. Evelyn arfou. Agarrou a coisa mais próxima que conseguiu encontrar: folhas de palmeira secas. Envolveu-as à volta do corpo o melhor que pôde, deixou-se cair atrás de um arbusto. A tremer, os seus olhos encontraram os dele.

    Não falou no início. Não sabia como. Mas então as palavras libertaram-se.

    “Estou a implorar-lhe. Apresse-se.”

    Ela nem tinha a certeza do que estava a pedir. Apresse-se e vá-se embora. Apresse-se e esqueça que ela alguma vez existiu. Apresse-se antes que ela se desmoronasse novamente. Mas ele não se virou. Não disse uma palavra. Deu um passo em frente. E o coração dela parou.

    Quem era este homem? Iria magoá-la também? Ou seria ele a primeira alma em anos que faria o impensável — não com violência, mas com bondade? Num lugar onde monstros usavam rostos familiares? Poderia um estranho tornar-se a única coisa segura que restava? Ou era apenas outra mentira à espera de acontecer? Quando a viu pela primeira vez, Thomas não pensou.

    Ele apenas se moveu. Anos de instinto de soldado disseram-lhe que ela precisava de ajuda. Então tirou o casaco e envolveu-o à volta dela, cuidadoso para não a assustar mais. Ela tremia como uma folha ao vento. A pele estava fria, os olhos vazios, os lábios gretados. Ele não fez perguntas. Não disse uma palavra.

    Apenas a levantou gentilmente, levou-a até ao cavalo e cavalgou em direção ao rancho. A viagem foi silenciosa. Apenas o vento falava. A cabeça dela descansava contra o peito dele. E pela primeira vez em anos, Thomas sentiu algo vivo no seu coração novamente. Já tinha carregado homens feridos antes, mas isto parecia diferente. Isto já não era dever.

    Isto era algo para o qual ele não tinha nome. Quando chegaram ao rancho, deitou-a num velho sofá junto à lareira. Acendeu o fogo, ferveu água e trouxe panos limpos. Ela observou-o com olhos cansados, sem saber se devia confiar nele. Ele não olhava para ela da maneira que outros homens olhavam. Apenas continuava a trabalhar, mãos firmes, respiração calma.

    Mais tarde, quando acordou, encontrou-se embrulhada num cobertor que cheirava a cedro e fumo. Thomas estava sentado do outro lado da sala, a olhar para o fogo. Não se mexia, não falava, apenas estava lá sentado como uma estátua de silêncio. Ela sussurrou, mal audível:

    “Porque é que me está a ajudar?”

    Ele olhou para cima, encontrou os olhos dela por um segundo, depois disse:

    “Porque alguém me ajudou uma vez.”

    Ela não sabia o que dizer. Por um momento, houve paz. O tipo que se sente frágil como vidro prestes a partir. Dias passaram. Thomas cozinhava refeições simples, tratava das feridas dela e falava pouco. Ela começou a perguntar sobre ele, sobre as medalhas na parede, sobre as cicatrizes nos braços dele. Ele contou-lhe pedaços, como tinha lutado guerras que lhe tiraram tudo, como saiu vivo mas perdeu a vontade de ficar entre as pessoas.

    O rancho era o seu exílio. Até ela aparecer. Evelyn começou a ajudar no lugar, a limpar, a cozinhar, a tentar retribuir algo. Às vezes sorria apenas por um segundo, e Thomas notava. Fingia que não, mas notava. À noite, ela ainda acordava a gritar. Ele nunca ia ao quarto dela, mas ela sabia que ele estava sentado acordado junto ao fogo, à espera que ela se calasse novamente.

    Duas pessoas quebradas a aprender a respirar no mesmo espaço. Nenhum a pedir demasiado, nenhum a fugir. Mas a paz nunca dura muito no selvagem. Porque algures lá fora, um homem estava a fazer perguntas. Queria saber para onde a rapariga tinha ido e estava disposto a matar para a encontrar. O que acontece quando o passado volta a cavalgar para a cidade? Irá Thomas protegê-la novamente ou perder tudo duas vezes?

    Durante algumas semanas, a vida no rancho pareceu quase normal. Evelyn riu novamente, embora nunca por muito tempo. Thomas arranjou a cerca, alimentou os cavalos e fingiu que o mundo fora do portão não existia. Mas a paz no selvagem é como fumo. Parecia sólida até o vento mudar. Numa tarde, o céu ficou cinzento e o vento carregou poeira pelas colinas.

    Thomas estava a empilhar feno quando viu uma figura a caminhar pela estrada de terra. Passos lentos, botas pesadas. Algo na maneira como o homem se movia disse-lhe que não eram boas notícias. Evelyn olhou pela janela e congelou. A cor drenou do seu rosto. Não precisou de dizer o nome dele. Thomas já sabia. O homem aproximou-se.

    As roupas estavam rasgadas, olhos vermelhos, boca torcida de ódio. Parou junto à cerca, agarrou o poste e disse num rosnado baixo:

    “Estás a escondê-la aqui, velho?”

    Thomas não respondeu. Pousou a forquilha, limpou as mãos e caminhou em direção ao portão. O vento apanhou-lhe o chapéu, mas ele não piscou.

    “Ela está segura aqui”, disse ele. “É melhor dares meia volta.”

    O homem riu, um som seco e quebrado. “Achas que consegues mantê-la longe de mim?”

    Evelyn saiu para o alpendre. As mãos tremiam, mas os olhos estavam claros.

    “Vai-te embora”, disse ela. “Já fizeste o suficiente.”

    Isso só o deixou mais zangado. Empurrou o portão, avançou em direção a ela. Thomas moveu-se mais rápido do que um homem da sua idade deveria. Agarrou o homem pelo colarinho, empurrou-o para trás com força. Por um segundo, olharam-se fixamente, ambos a respirar pesadamente. Ambos a lembrar guerras diferentes. Então o homem atacou primeiro. Thomas bloqueou, depois ripostou.

    Uma luta curta e dura. O tipo que termina antes de se perceber que começou. Quando acabou, o homem jazia no pó, sangue no lábio, orgulho despedaçado. Thomas apontou para a estrada.

    “Volta aqui outra vez, e não sais a andar da próxima vez.”

    O homem cuspiu, rastejou até ficar de pé e recuou. Mas antes de partir, olhou para Evelyn com olhos que ardiam.

    “Isto não acabou”, disse ele.

    Então virou-se e desapareceu na tempestade.

    “Para dentro.”

    Evelyn sentou-se junto ao fogo, a tremer, mas viva. Thomas serviu-lhe um copo de água, as mãos ainda a tremer.

    “Ele vai voltar”, sussurrou ela.

    Thomas assentiu. “Deixa-o tentar.”

    Nessa noite, o vento nunca parou de soprar. Cada ranger do celeiro fazia Thomas alcançar a arma. Não dormiu. Nem o deserto. Lá fora, o trovão rolava sobre as colinas, a calma antes da próxima tempestade tinha começado.

    Se ainda estás aqui, bebe um gole do teu chá. Diz-me que horas são, onde estás e de onde estás a ouvir. E se queres saber o que acontece quando ele regressa, clica em subscrever, fica perto e não pisques. O vento trazia o cheiro a chuva naquela manhã. Thomas sentiu-o antes de ver as nuvens. As tempestades vinham sempre duas vezes no deserto.

    Uma vez do céu, uma vez do passado. Evelyn estava a estender roupa atrás do celeiro quando ouviu o som. Batidas de cascos novamente. Não um cavalo desta vez. Dois. Rápidos, determinados. Thomas saiu da oficina, caçadeira na mão, rosto tenso. Não precisou de perguntar quem era. Alguns homens ouvem-se antes de se ver. Os cavaleiros pararam no portão.

    Um era o homem que ele já tinha derrotado. O outro era mais alto, mais limpo e muito mais perigoso. Um rosto que sorria sem calor. Evelyn sussurrou:

    “É ele. Ele compra pessoas.”

    Thomas sentiu algo escuro torcer-se no peito. Não medo, raiva. O homem do chapéu inclinou a cabeça, chamando:

    “Entrega-a, velho. Estaremos fora antes do pôr do sol.”

    Thomas levantou a caçadeira. “Nem pensar.”

    O homem riu suavemente. “Pensei que não.”

    Então tudo explodiu. O primeiro tiro rasgou o ar. Lascas voaram da parede do celeiro. Evelyn baixou-se atrás do cocho, agarrou a pequena espingarda que Thomas a tinha ensinado a usar. A mão tremia, mas a pontaria era firme. Thomas moveu-se como o soldado que costumava ser. Disparou uma vez, depois outra. Um dos cavalos disparou. O homem mais alto mergulhou para se cobrir. O padrasto rastejou em direção à cerca, praguejando entre dentes. Era o caos.

    Fumo, gritos, o cheiro penetrante a pólvora. Evelyn gritou:

    “Thomas, à tua direita!”

    Ele virou-se mesmo a tempo. O homem mais alto estava a correr para ele com uma faca. Thomas bloqueou com a coronha da arma e bateu com força. O homem caiu para trás, atordoado. O padrasto congelou, mãos no ar, a tremer. Evelyn avançou, olhos frios agora, voz firme.

    “Acabou.”

    Manteve a espingarda apontada até Thomas alcançar a corda, amarrar as mãos deles e levá-los para a cerca. Quando o xerife chegou, a tempestade tinha rebentado. A chuva lavou o sangue e o pó para o chão. Dois homens algemados, cabeças baixas, silenciosos por uma vez. O xerife olhou para Thomas.

    “Fez a coisa certa.”

    Thomas assentiu, olhos em Evelyn. Ela estava encharcada da chuva, o cabelo colado ao rosto. Mas havia uma força tranquila nela agora. Algo tinha mudado. Algo que não se quebraria novamente.

    Enquanto as carroças se afastavam, Thomas ficou ao lado dela sob o céu cinzento.

    “Podes respirar agora”, disse ele.

    Ela sorriu fracamente. “Talvez pela primeira vez.”

    O vento acalmou, a chuva abrandou, e pela primeira vez em anos, o rancho sentiu-se como um lar novamente, mas a paz nunca fica muito tempo numa terra como esta. Porque às vezes, mesmo quando a justiça é feita, os fantasmas ainda encontram um caminho de volta.

    A chuva parou, mas o vento trazia um som. Um cavalo algures longe. Talvez não fosse nada. Ou talvez fosse o início de algo pior. A tempestade tinha passado. A terra cheirava a terra molhada e fumo. O sol empurrou através do céu cinzento, derramando luz sobre o rancho. Tudo parecia novo outra vez, até o ar.

    Thomas ficou junto à cerca, a observar o horizonte. As carroças do xerife tinham ido. Os homens que tinham trazido escuridão para as vidas deles estavam trancados, longe dali. Pela primeira vez em anos, Thomas sentiu uma paz que não o assustava. Lá dentro, Evelyn estava a fazer café. As mãos ainda tremiam às vezes, mas os olhos estavam mais brilhantes.

    Tinha começado a trautear novamente. Pequenas melodias que flutuavam pela velha casa de madeira. Thomas ouvia, fingindo que não. Aquele som era melhor do que o silêncio. Dias transformaram-se em semanas. As feridas sararam, embora as cicatrizes ficassem. Às vezes ela falava em partir, recomeçar noutro lugar. Thomas nunca a impediu.

    Apenas dizia: “Onde quer que vás, torna-o melhor do que de onde vieste.”

    Ela sorria com isso. Era o tipo de sorriso que vem da dor e gratidão misturadas. O tipo que diz: “Eu consegui passar por isto.” Thomas começou a arranjar o telhado, uma tábua de cada vez. Evelyn plantou flores perto do celeiro. Pequenas brancas. Ele provocou-a por causa disso. Disse que o deserto as comeria numa semana. Ela disse: “Talvez, mas plantarei mais.”

    Tornou-se a maneira de viverem. Ele construía coisas que podiam partir. Ela cultivava coisas que podiam morrer. Ambos sabendo que tentar era o que os mantinha humanos. Numa noite, sentaram-se no alpendre a ver o pôr do sol. Evelyn olhou para os campos, quieta por um momento, depois perguntou:

    “Achas que as pessoas podem realmente recomeçar?”

    Thomas pensou sobre isso, sobre a guerra, sobre os anos que passou a fugir do seu próprio fantasma. Depois disse:

    “Acho que recomeçar não é sobre esquecer. É sobre lembrar sem deixar que isso te mate.”

    Ela assentiu lentamente. A luz laranja bateu no rosto dela suave e quente. Talvez isso fosse resposta suficiente. O mundo seguiu em frente, mas a história ficou, porque aqui fora, cada cicatriz conta uma. E cada história como a deles fazia a mesma pergunta. Quão longe podes correr antes de finalmente decidires parar de correr? O que perdoarias se isso significasse que podias respirar novamente? Talvez a lição seja simples.

    Que não importa quão quebrada a vida se torne, alguém ainda pode caminhar ao teu lado através dos destroços. Não para consertar. Apenas para garantir que continuas a caminhar. À medida que a última luz desaparecia, Evelyn sussurrou:

    “Obrigada, Thomas.”

    Ele não respondeu, apenas sorriu, inclinando o chapéu para o céu.

    “Algumas palavras não precisam de ser ditas quando ambos os corações já sabem.”

    E talvez fosse isso que esta história realmente era. Não sobre dor, mas sobre encontrar paz quando menos se espera. Se ficaste comigo através do pó e da tempestade, respira fundo. Talvez a paz não seja algo que encontras. Talvez seja algo que constróis um dia de cada vez. Com mãos calejadas e um coração cansado aqui fora sob o céu vasto, até as coisas quebradas podem florescer novamente.

    Olha à tua volta. Talvez a tua história também não tenha acabado. E se este conto tocou algo em ti, diz-me. Deixa um comentário, clica no botão de gosto e subscreve para poderes cavalgar connosco na próxima história do Velho Oeste. Porque às vezes o próximo nascer do sol traz mais do que apenas luz. Traz outro…

  • MALAFAIA SURTA CONTRA FLÁVIO BOLSONARO APÓS AVISO DE PRlSÃO E PLANO DE ANISTIA AFUNDA!! VEXAME TOTAL

    MALAFAIA SURTA CONTRA FLÁVIO BOLSONARO APÓS AVISO DE PRlSÃO E PLANO DE ANISTIA AFUNDA!! VEXAME TOTAL

    O anúncio da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, feito em meio a uma crescente pressão da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal (STF), não se sustentou por 48 horas. Longe de ser uma demonstração de força, o movimento se revelou um ato de desespero e um tiro no pé político, expondo publicamente uma estratégia bizarra de barganha que tinha como preço único e inegociável a anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro e, por tabela, a salvação jurídica do próprio clã.

    A reação foi imediata, brutal e veio de todos os lados: do mercado financeiro, de figuras proeminentes da direita e, previsivelmente, do sistema de Justiça, que, segundo analistas, não recuará. O plano, classificado como “amadorismo total” até por aliados históricos como o pastor Silas Malafaia, naufragou em menos de dois dias, transformando uma jogada de mestre que visava negociar a liberdade em um vexame de proporções épicas, que arrancou gargalhadas e até comemoração discreta nos bastidores do Palácio do Planalto.

    O Escudo da Imunidade e o Teatro da Perseguição

    A manobra do clã Bolsonaro foi lida pelo cenário político como um movimento desesperado para criar um escudo de imunidade e uma narrativa de perseguição política em torno de Flávio Bolsonaro. Nos bastidores, as investigações conduzidas sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, no âmbito das apurações contra facções criminosas e a atuação de milícias digitais, se aproximam perigosamente do senador. Despachos recentes do ministro citaram aliados de Flávio, incluindo um advogado preso por ligações com grupos criminosos e até um ex-árbitro de futebol indicado pelo senador para um cargo na Secretaria de Esportes do Rio de Janeiro. A batata de Flávio, como se diz na gíria política, estava “assando rapidamente”.

    Bolsonaro Backs Son Flavio for Brazil 2026 Election Against Lula, Jolting  Market - Bloomberg

    Diante da iminência de operações e do aprofundamento das investigações, o clã optou por ressuscitar uma tática já conhecida no jogo político da extrema-direita. A estratégia é simples: anunciar o alvo da investigação como candidato a um cargo majoritário. Assim, quando a polícia age, a narrativa de defesa é instantânea: “Alexandre de Moraes e a esquerda estão com medo e perseguindo nosso candidato”.

    Essa mesma peça de teatro foi encenada em ocasiões anteriores. Em 2023, quando uma operação de busca e apreensão atingiu o número dois e três da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), indicados por Alexandre Ramagem (aliado do clã), a investigação parecia se aproximar de Ramagem e Carlos Bolsonaro. O que fez o ex-presidente? Peitou a cúpula do seu partido, passou por cima de negociações e cravou: “Nosso candidato [à prefeitura do Rio de Janeiro] é Ramagem”. Meses depois, quando Ramagem foi alvo de uma operação de busca e apreensão, a narrativa estava pronta: “Estão perseguindo o nosso candidato”.

    Outro exemplo ocorreu em janeiro de 2024, quando Carlos Jordy, então líder da oposição na Câmara, foi alvo de busca e apreensão. Dois dias depois, ele foi alçado por Bolsonaro à condição de candidato à prefeitura de Niterói, no Rio de Janeiro. Em todos os casos, o objetivo era claro: blindagem temporária e criação de uma cortina de fumaça.

    Com Flávio, o plano era mais ambicioso. A candidatura não visava apenas blindagem, mas sim ser a moeda de troca definitiva para aprovar o projeto de anistia. O objetivo do “sistema” – o mercado, setores de centro-direita e aqueles que desgostam do PT – seria manter Jair Bolsonaro inelegível, mas preso apenas por crimes relacionados ao Golpe de Estado, ignorando acusações de roubo de joias, mau uso do cartão corporativo ou genocídio na pandemia.

    A ideia era manter o ex-presidente na cadeia, forçando-o a apoiar Tarcísio de Freitas como o nome que unificaria a direita, pavimentando o caminho para um eventual acordo ou indulto, se Tarcísio vencesse. O lançamento de Flávio, então, era o contraponto: “Se não houver anistia, Flávio segue candidato e racha a direita”. O passo seguinte seria negociar: “Votem a anistia, soltem o Bolsonaro, e ele retira Flávio e apoia quem vocês quiserem”.

    A Reação Brutal do ‘Sistema’: Mercado e Aliados em Pânico

    O plano, porém, desmoronou assim que o anúncio foi feito, na sexta-feira. A reação do chamado “sistema” não foi de medo ou recuo, mas de repulsa e um cálculo frio que expôs o amadorismo da jogada.

    O mercado financeiro reagiu de forma violenta. A bolsa de valores, que vinha batendo recordes e estava em alta, despencou mais de 10.000 pontos em resposta ao anúncio. O dólar subiu 4%. A desvalorização não ocorreu porque o mercado temia uma presidência de Flávio – muito pelo contrário. Economistas e barões do mercado, em análises publicadas na grande imprensa, precificaram (como chamam a reação do mercado) a candidatura Flávio como a certeza de que Luiz Inácio Lula da Silva teria uma vitória extremamente fácil nas próximas eleições.

    O cálculo é simples: o mercado apoia Tarcísio por considerá-lo um candidato que imporia políticas de austeridade e teria chances reais de derrotar Lula. Flávio, por outro lado, carece de apoio e popularidade para vencer o pleito. A candidatura, portanto, foi vista como uma “terceira via” que tiraria capital político de Tarcísio, garantindo o tetra de Lula com facilidade inédita. Em outras palavras, a bolsa caiu porque a vitória de Lula se tornou muito mais provável.

    A pressão se intensificou no sábado e domingo, vinda de dentro da própria base de apoio. Pesquisas que vazaram rapidamente mostraram Flávio com uma desvantagem de 16 pontos percentuais em um cenário de segundo turno contra Lula – o que o coloca entre os candidatos com pior desempenho (atrás apenas do irmão, Eduardo, com 20 pontos de desvantagem). O melhor desempenho ainda é o de Tarcísio, que perde por “apenas” cinco pontos.

    Nesse cenário de terra arrasada, até mesmo aliados fiéis reagiram com fúria. Silas Malafaia, um dos maiores apoiadores do ex-presidente, rompeu o silêncio para detonar a estratégia. Em uma nota para a imprensa, ele criticou: “O amadorismo da direita faz a esquerda dar gargalhadas”. A crítica do pastor, um profundo conhecedor do humor político da base bolsonarista, atestava o óbvio: a esquerda, de fato, estava em festa. Rumores também indicavam que a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, estava “uma fera” nos bastidores, alegando não ter sido avisada sobre a decisão.


    O Preço Revelado: A Carta Mais Fraca na Mesa de Negócios

    O golpe mais duro no plano veio no domingo. A pressão foi tão insuportável que Flávio Bolsonaro, desesperado, recuou publicamente antes mesmo que a estratégia pudesse ser colocada em prática. No meio da tarde de domingo, ele apareceu para repórteres e, praticamente desistindo da candidatura, revelou a sua carta na manga, que se provou ser uma das piores cartas do baralho.

    Ao ser questionado sobre se levaria a candidatura até o fim, Flávio hesitou e disse: “Olha, eu tenho uma possibilidade de não ir até o fim. Eu tenho preço para isso. Eu vou negociar. Eu tenho preço para não ir até o fim.” Pouco depois, ele mesmo revelou o preço, antecipando o que seria uma negociação sigilosa nos corredores do Congresso: a anistia.

    O timing para essa negociação seria crucial, pois o Congresso entra em recesso no dia 19 de dezembro e só retorna em 1º de fevereiro. O plano era manter o suspense até, pelo menos, terça-feira, para aumentar a pressão e usar a mídia como palco para a barganha. Mas o pânico fez o senador adiantar o preço publicamente.

    Esse recuo prematuro foi um erro estratégico fatal. Na analogia com um jogo de cartas, o clã virou a carta que tinha na manga antes da hora e, para piorar, a carta era fraca. A reação em Brasília foi de escárnio. A jogada, que deveria ser um blefe poderoso, revelou-se um pedido de socorro.

    Ainda no domingo, Eduardo Bolsonaro tentou desesperadamente fazer um spin nas redes sociais, publicando uma nota que exaltava a “candidatura de Flávio Bolsonaro [que] alcança 117 milhões nas redes”, tentando alegar que a esquerda estava “pirando” com a força do movimento. A resposta dos internautas, até mesmo de parte da base, foi de deboche. O comentário mais curtido sob a postagem de Eduardo resumia a ironia: “A candidatura do Flávio Bolsonaro tem todo o meu apoio. Espero que vocês levem até o fim essa candidatura”. A mensagem implícita: a permanência de Flávio garantia a vitória de Lula no primeiro turno.

    O desespero do clã foi flagrante. Se o objetivo era obter a anistia, a resposta do “sistema” foi de dobrar a aposta. A expectativa, agora, é que a reação de Alexandre de Moraes seja de intensificar as investigações contra Flávio Bolsonaro, apertando o cerco para mostrar que peitar o Judiciário não será tolerado. O plano não apenas falhou, como acelerou a pressão policial sobre o principal alvo.


    O Calcanhar de Aquiles: O Foro Privilegiado e a Cadeia

    A razão pela qual Flávio Bolsonaro não pode levar a cabo essa candidatura é o seu “calcanhar de Aquiles”: a perda do foro privilegiado.

    O mandato de senador de Flávio se encerra em 2026. Se ele for candidato à Presidência e perder, ele automaticamente fica sem mandato parlamentar a partir de janeiro de 2027. Ao perder o mandato, ele cai imediatamente nas mãos da primeira instância da Justiça. O risco é real e imediato. Juízes de primeira instância no Rio de Janeiro já ordenaram a prisão de aliados próximos no passado, como Fabrício Queiroz.

    Ninguém em Brasília, nem mesmo os aliados mais próximos, acredita que Flávio Bolsonaro arriscaria ficar um único dia sem foro privilegiado. A candidatura à Presidência, portanto, nunca foi séria. Era uma manobra de negociação desesperada. A aposta de que o Congresso votaria a anistia para evitar a candidatura foi a única forma de dar sentido ao risco.

    O fracasso em manter o blefe e a rápida revelação do “preço” (anistia) fizeram com que o plano mirabolante desmoronasse por completo, expondo a fragilidade e o isolamento político do clã, que segue sem apoio popular e sem base para protestos – o ex-presidente, aliás, segue isolado na sede da Polícia Federal, sem qualquer manifestação de apoio de seguidores nas ruas.

    A jogada que era para ser o xeque-mate se tornou o maior vexame político recente, confirmando a previsão de que o clã não sabe jogar o jogo da alta política e que o amadorismo, somado à arrogância, pode ser a sentença final.

  • A QUEDA DO SENADO E O JOGO DE CHANTAGEM: LULA EXPÕE ALCOLUMBRE E MOTTA NA GUERRA PARA FREAR A POLÍCIA FEDERAL

    A QUEDA DO SENADO E O JOGO DE CHANTAGEM: LULA EXPÕE ALCOLUMBRE E MOTTA NA GUERRA PARA FREAR A POLÍCIA FEDERAL

    O cenário político em Brasília não é apenas de alta tensão, mas de franca rota de colisão. As recentes e coordenadas ações dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), não representam mais meros desentendimentos institucionais sobre a agenda do país. Na análise detalhada dos fatos e das evidências jurídicas, o que se manifesta é uma guerra política que tem como pano de fundo o medo, o ego ferido e, acima de tudo, a proteção de interesses financeiros de grupos específicos e poderosos.

    Há uma percepção clara e cada vez mais fundamentada de que parte do Congresso não está agindo em nome da população ou de projetos de longo prazo para a nação. Pelo contrário, está mobilizada para satisfazer birras pessoais, agradar aos seus financiadores de campanha e blindar lobistas estratégicos. Esta postura de retaliação e o uso das pautas legislativas como ferramentas de vingança e autoproteção se tornaram evidentes nas últimas semanas, com o Legislativo demonstrando uma urgência questionável em reverter medidas de interesse público que o Executivo tentou impor. O verdadeiro motor desse pânico e dessa ofensiva legislativa? O profundo terror que o escândalo financeiro do Banco Master está gerando nos corredores do poder.

    Alcolumbre expõe contrariedade Messias escolhido para STF - 18/11/2025 -  Poder - Folha

    A Ofensiva de Retaliação: O PL da Devastação e o Sacrifício do Meio Ambiente

    O exemplo mais flagrante desse comportamento retaliatório e de desmonte regulatório foi a articulação para derrubar a maior parte dos vetos apostos pelo Presidente Lula a um projeto de lei de caráter ambiental que, em sua forma original, era amplamente criticado como o “PL da devastação”.

    O Executivo, exercendo sua prerrogativa constitucional e atendendo a apelos de organizações internacionais e da sociedade civil, havia vetado mais de 60 pontos por considerá-los tóxicos, um grave retrocesso para a agenda de proteção ambiental do país e um risco à segurança jurídica. Contudo, em uma demonstração chocante de força e de desprezo pela agenda climática, o Legislativo conseguiu aprovar a rejeição de 59 desses vetos, restabelecendo as partes mais controversas do projeto.

    Tal ação envia uma mensagem perturbadora ao mundo e à população brasileira: questões cruciais como a preservação de biomas vitais e a mitigação dos impactos das mudanças climáticas tornam-se, na prática, meras moedas de troca em disputas políticas de gabinete.

    A derrubada desses vetos, especialmente em relação ao autolicenciamento — que permite a grandes obras dispensarem o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), um processo essencial de prevenção — cria um precedente terrível. O resultado prático é o aumento exponencial do risco de novas tragédias ambientais e sociais, comparáveis em escala às que já chocaram o país em Mariana e Brumadinho. É como se o Congresso estivesse deliberadamente dando uma licença para repetir a tragédia. Ao mesmo tempo, essa ação prejudica a imagem internacional do Brasil, afasta o investimento estrangeiro que busca responsabilidade ambiental e coloca comunidades tradicionais e populações vulneráveis na linha de frente dos desastres.

    Hugo Motta e a PEC da Blindagem: O Jantar da Suspeita

    Concomitantemente à ofensiva ambiental do Senado, o presidente da Câmara, Hugo Motta, demonstrou seu empenho em avançar com pautas que geram profunda controvérsia e suspeita, como a chamada PEC da Blindagem ou, no linguajar popular, PEC da Bandidagem.

    Esta proposta visa, inequivocamente, a restringir a autonomia operacional e investigativa da Polícia Federal (PF), favorecer políticos que estão sob escrutínio judicial e enfraquecer as ferramentas legais de combate ao crime de colarinho branco e à corrupção.

    O timing dessa movimentação é o elemento mais suspeito. Ela ocorre em meio a revelações de que Hugo Motta foi o convidado de honra em um jantar de gala em Nova York, custeado pelo dono de uma empresa investigada por fraudes fiscais milionárias pela Receita Federal, a Refit. Em um cenário político onde nada é coincidência, a defesa fervorosa de medidas que enfraquecem a fiscalização e a punição de crimes financeiros, logo após um intercâmbio social de alto luxo com um empresário sonegador investigado, levanta sérias dúvidas sobre a prioridade real do parlamentar: o interesse público ou a lealdade aos seus financiadores?

    Esta atuação legislativa de Motta também se manifesta no travamento sistemático de pautas cruciais para o Erário e o combate à ilegalidade. Um exemplo claro é o PL do Devedor Contumaz, um projeto que tramita há mais de 8 anos no Congresso e que visa justamente criar mecanismos eficazes para punir e coibir empresas que sonegam impostos de forma planejada, reiterada e como modelo de negócios. Estimativas da Receita apontam perdas de R$ 200 bilhões por ano. O fato de este projeto ficar engavetado por tanto tempo, enquanto o maior devedor contumaz do país desfruta de proteção política e social e promove jantares de gala, é a prova de que há um lobby poderoso e organizado no Congresso que atua diretamente contra o interesse da Receita Federal e contra o combate às organizações criminosas que usam a sonegação como principal ferramenta de lavagem de dinheiro.

    O Epicentro do Terror: A Delação Premiada do Banco Master

    O pano de fundo desta insatisfação e desta guerra legislativa é um elemento oculto, mas poderoso, que gera profundo terror nos corredores do poder: o escândalo financeiro do Banco Master.

    Este banco se tornou o epicentro de uma crise de confiança e de investigações que se aprofundam e que, segundo fontes políticas, causam um incômodo generalizado na classe política. O Banco Master operava com forte dependência de benefícios e depósitos de governos estaduais, tornando-se uma instituição com ligações intrínsecas ao poder político e exigindo conexões profundas e permanentes com o Centrão.

    A recente prisão e a subsequente transferência do dono do banco sob custódia para o complexo penitenciário da Papuda, juntamente com a crescente especulação sobre uma possível delação premiada, são o verdadeiro motor do pânico que desestabiliza o Congresso. A possibilidade de que este empresário revele esquemas de financiamento ilícito, proteção política e desvios que atingiriam diretamente a cúpula do Legislativo, incluindo aliados de Hugo Motta e Davi Alcolumbre, é a razão primária para a pressa em tentar frear a PF e criar pautas-bomba contra o governo.

    A lógica é simples e brutal: O risco de exposição e prisão é maior do que o custo político de romper com o Executivo.

    A Chantagem de Alcolumbre: O Esmigalhar das Instituições

    O desrespeito institucional é particularmente evidente na postura do Senador Davi Alcolumbre, que levou a briga para o campo do Judiciário e das indicações de alto escalão. Sua insatisfação declarada decorre da recusa do Presidente Lula em indicar um aliado seu para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

    O Senador teria utilizado sua posição para chantagear o Executivo, exigindo, de forma controversa, a garantia de que poderia comandar o Banco do Brasil e outras autarquias federais em troca da aprovação do nome indicado por Lula, Jorge Messias.

    Essa postura revela uma mentalidade de barganha, onde o interesse pessoal e o controle de cargos estratégicos se sobrepõe ao funcionamento harmônico das instituições. O objetivo claro é utilizar o cargo de presidente do Senado como alavanca para obter poder de negociação e controle de cargos estratégicos – uma prática que desrespeita a prerrogativa constitucional do Presidente da República e enfraquece a moralidade do Senado.

    As pautas-bomba que estão sendo aprovadas, como o retrocesso ambiental, a tentativa de extinção de crimes contra o Estado democrático de direito e o travamento de medidas anticorrupção, são, no fundo, apenas ferramentas nessa guerra política. Elas são usadas para desgastar o governo e sinalizar aos seus financiadores que seus interesses estão sendo protegidos. É um cenário onde a sobrevivência jurídica e a manutenção de privilégios se sobrepõem ao interesse público, transformando o Congresso em um campo de batalha pessoal e de defesa de interesses corporativos. A população, neste contexto, torna-se a vítima das birras, do medo e da falta de compromisso de seus representantes. A “queda do Senado” é, na verdade, a queda da própria moralidade na política.

  • Vídeo Vaza e Mostra o Momento Exato em que o Ministro Álvaro Diniz Usa Todo o Seu Poder Contra Advogado em Reunião Secreta

    Vídeo Vaza e Mostra o Momento Exato em que o Ministro Álvaro Diniz Usa Todo o Seu Poder Contra Advogado em Reunião Secreta

    O país acordou em estado de choque após o vazamento de um vídeo que, até poucas horas atrás, parecia apenas um rumor. Agora, com o arquivo circulando em redes privadas e fóruns obscuros, não restam dúvidas: algo grande foi exposto — algo que os bastidores do poder tentaram manter enterrado.

    O protagonista dessa história explosiva é o influente e temido Ministro da Justiça Álvaro Diniz, uma figura conhecida pela postura firme, fala controlada e um histórico político impecável — ao menos diante das câmeras. Mas o que acontece quando as cortinas se fecham? O vídeo vazado sugere um lado completamente diferente, muito mais sombrio e agressivo, do ministro.

    A gravação mostra um encontro secreto com o advogado Caio Ferraz, um defensor conhecido por assumir casos complexos envolvendo denúncias contra figuras poderosas. Caio já havia relatado pressão política em ocasiões anteriores, mas nunca apresentou provas concretas. Agora, pela primeira vez, a situação mudou — e mudou de forma brutal.

    O Dia do Vazamento

    A manhã começou como qualquer outra. Jornais discutiam economia, comentaristas falavam sobre os próximos passos do governo, e as redes sociais estavam relativamente calmas. Porém, às 9h17, um perfil anônimo publicou um link enigmático, acompanhado de uma legenda que dizia: “A verdade está prestes a explodir.”

    Em poucos minutos, a gravação se espalhou. Grupos de jornalistas correram para verificar a autenticidade, editores suspenderam reportagens menores, e as redações do país entraram em modo de emergência. Tudo por causa de um vídeo de pouco mais de cinco minutos, filmado por uma câmera que parecia estar escondida atrás de um difusor de ar na sala de reuniões do Ministério da Justiça.

    O Conteúdo da Gravação

    A sala é iluminada de forma discreta, com uma mesa de madeira escura ao centro. O ministro Álvaro Diniz entra primeiro, sério, ajustando os punhos da camisa, acompanhado por dois assessores que permanecem de pé, silenciosos. Alguns segundos depois, Caio Ferraz aparece, segurando uma pasta de documentos.

    O diálogo começa tenso.

    “Senhor ministro, eu vim porque recebi uma convocação urgente.” — diz Caio, tentando manter a postura.

    “Convocação não… advertência.” — responde o ministro, sentado com a calma de quem sabe que controla cada centímetro da sala.

    A partir daí, o vídeo captura uma escalada impressionante de intimidação. Álvaro Diniz questiona o advogado sobre denúncias recentes envolvendo contratos públicos suspeitos. Caio responde que está apenas fazendo seu trabalho. O ministro rebate com frases que, em qualquer outro contexto, pareceriam apenas duras — mas ali, ditas com frieza cirúrgica, soam como ameaças.

    Em um momento que já virou destaque nacional, Diniz se inclina para frente, coloca as mãos sobre a mesa e declara:

    “Você não tem ideia do tamanho do poder que está cutucando. E se continuar, vai sentir cada consequência disso.”

    O tom, a expressão, o silêncio que segue — tudo no vídeo aparenta ser uma demonstração explícita de força.

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    A Reação Imediata

    Especialistas em retórica e linguagem corporal começaram a analisar cada segundo da gravação. Alguns afirmam que há sinais claros de intimidação deliberada; outros acreditam que o ministro apenas reagia a acusações falsas. Mas o público, ao assistir ao vídeo cru, sem cortes, tende a enxergar algo muito mais agressivo.

    Nas redes sociais, as hashtags explodiram. Em menos de duas horas, o nome de Álvaro Diniz estava no topo dos assuntos mais comentados. Memes surgiram, paródias apareceram, mas também houve manifestações de preocupação real.

    O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil convocou uma reunião emergencial. Delegações internacionais pediram esclarecimentos. Até o setor empresarial demonstrou inquietação, temendo instabilidade política.

    Quem Vazou o Vídeo?

    Essa é a pergunta que paira no ar como uma nuvem carregada. Os investigadores ainda não sabem quem plantou a câmera nem como o arquivo saiu de dentro de um prédio altamente monitorado.

    Algumas hipóteses começaram a circular:

      Alguém de dentro do próprio ministério, insatisfeito com decisões recentes.
      Um assessor do advogado, querendo expor pressões ilegais.
      Um grupo político rival, tentando derrubar o ministro.
      Um ataque hacker, aproveitando falhas na segurança interna.

    Nenhuma dessas teorias parece completamente sólida, mas todas têm elementos que poderiam ser verdadeiros.

    A História de Caio Ferraz

    Até então, Caio era visto como um advogado habilidoso, mas discreto. Agora, tornou-se uma figura central na narrativa. Segundo pessoas próximas, ele teria recebido diversas mensagens e e-mails suspeitos semanas antes da reunião. Há relatos de que veículos desconhecidos observaram sua residência e que estranhos tentaram contato com familiares.

    Caio ainda não fez uma declaração oficial, mas fontes afirmam que ele está “abalado, mas determinado”. O vazamento do vídeo o transformou em símbolo — para alguns, de coragem; para outros, de imprudência.

    O Ministro em Crise

    Para Álvaro Diniz, o impacto político foi imediato. Analistas dizem que o vídeo revela uma faceta autoritária, enquanto aliados insistem que as imagens foram tiradas de contexto. O gabinete do ministro divulgou uma nota curta, afirmando que ele sempre atuou “dentro dos limites da lei”.

    Mas a pressão não diminuiu. Jornalistas se aglomeraram na porta do ministério, parlamentares pediram explicações formais, e opositores começaram a articular audiências públicas para discutir “abuso de poder”.

    Nos bastidores, rumores apontam que Diniz estaria furioso, exigindo que identifiquem o responsável pelo vazamento. Há quem diga que ele não dormiu naquela noite — e que a crise interna se tornou insustentável.

    Flávio Dino deixará Ministério da Justiça com 47 convocações não atendidas  na Câmara

    As Consequências Possíveis

    O vídeo tem potencial para provocar uma série de desdobramentos:
    — abertura de investigações;
    — pedidos de afastamento;
    — novas denúncias contra o ministério;
    — manifestações públicas.

    A situação é tão explosiva que especialistas comparam o caso a crises políticas internacionais — aquelas que começam com uma simples gravação e terminam mudando governos.

    E Agora?

    À medida que o vídeo continua se espalhar, a percepção pública está em constante mutação. Cada pessoa vê algo diferente: intimidação, desespero, arrogância, frieza, reação legítima — ou todas essas coisas ao mesmo tempo.

    O que ninguém pode negar é que o episódio marcou um ponto de ruptura. Nada será como antes para o ministro Álvaro Diniz, para o advogado Caio Ferraz ou para o ministério que agora enfrenta a maior turbulência de sua história.

    E enquanto novas informações surgem, uma única certeza permanece:

    O vídeo foi apenas o começo.

     

  • BOLSONARO TEM NOVA CIRURGIA E RELATOR CONFESSA: “É PRA LIBERAR TODO MUNDO”

    BOLSONARO TEM NOVA CIRURGIA E RELATOR CONFESSA: “É PRA LIBERAR TODO MUNDO”

    A política brasileira caminha em um ritmo frenético, produzindo fatos que, se não fossem tão graves, pareceriam roteiros cinematográficos. Nos últimos dias, a cena política foi dominada por uma série de eventos interligados que expuseram a fragilidade das instituições e a maneira como as negociações de bastidores moldam o destino jurídico e social do país. Desde a situação pessoal de um ex-presidente até a controvérsia sobre a redução de penas, passando por um inédito caos na Câmara dos Deputados, o momento exige uma análise detalhada e crítica.

    O Enigma da Cirurgia e a Perda de Privilégios

    Um dos fatos mais notáveis envolve a saúde e a situação legal do ex-presidente Jair Bolsonaro. Seus advogados protocolaram um pedido junto ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para autorizar um período de internação de, no mínimo, sete dias. A necessidade seria a realização de duas cirurgias: uma para tratar uma hérnia inguinal e outra intervenção na área do abdômen, como uma tentativa de solucionar o persistente problema de soluços.

    Junto ao pedido de autorização para o procedimento médico e o tempo de recuperação fora da custódia, veio a manobra política esperada: a solicitação de prisão domiciliar. A defesa argumenta que, devido à condição de saúde e à necessidade de recuperação cirúrgica, o ex-presidente deveria ser mandado para casa, uma tática vista por muitos como uma tentativa de se livrar do confinamento. Tais movimentos, em face da gravidade da situação política e judicial do ex-presidente, são frequentemente analisados com ceticismo, levantando a dúvida se a questão da saúde não estaria sendo instrumentalizada para fins de alívio da pena.

    Alexandre de Moraes: inimigo de bolsonaristas já foi alvo da esquerda

    Paralelamente, a Justiça Federal tomou uma decisão significativa que impacta diretamente os custos da vida pública do ex-presidente. Em um movimento iniciado por um vereador do Partido dos Trabalhadores de Belo Horizonte, o juiz federal determinou o fim dos benefícios vitalícios de Bolsonaro. Ex-presidentes têm direito a uma série de benesses custeadas pela Presidência, incluindo quatro assessores, motoristas e dois veículos oficiais. No entanto, o entendimento legal foi claro: não há previsão na lei para que um indivíduo que está preso continue usufruindo de tais privilégios, cujo custo já somava quase 1 milhão de reais apenas neste ano. A suspensão desses benefícios, embora passível de recurso, reforça o princípio de que a custódia judicial impõe limites à manutenção do status quo político.

    A Dosimetria e a Confissão Explosiva

    O epicentro do debate político, contudo, tem sido o projeto de lei da “dosimetria”, um termo técnico que, na prática, se tornou sinônimo de anistia disfarçada. Este projeto, que visa a redução de penas, foi aprovado na Câmara dos Deputados sob intensa polêmica. A redução é substancial: para o ex-presidente Bolsonaro, a previsão de reclusão em regime fechado de seis ou sete anos cairia para algo em torno de dois anos e meio a três anos, permitindo uma progressão de regime mais célere.

    A gravidade da situação se elevou a um novo patamar com a confissão do relator do projeto na Câmara, o deputado Paulinho da Força. Em um momento capturado por jornalistas, o relator admitiu publicamente a intenção real por trás da proposta. Ele declarou, de forma explícita e direta: “Eu só não chamo de anistia, mas libera todo mundo.”

    Essa declaração é a prova cabal de que o projeto, aprovado como uma forma de reavaliar penas e garantir a progressão de regime, tem um objetivo político muito maior: abrir as portas da prisão para uma ampla gama de condenados, incluindo indivíduos envolvidos nos ataques à democracia, e, de maneira central, o próprio Jair Bolsonaro. É a primeira vez em décadas que o Congresso Nacional pauta e aprova uma lei com o intuito de reduzir penas, invertendo a tendência histórica de apenas endurecer a legislação penal. O receio é que, ao modificar a lei para contemplar seus pares políticos, o Congresso acabe beneficiando criminosos comuns, enfraquecendo o combate a crimes como corrupção, que também foram incluídos, de forma disfarçada, nas brechas da nova legislação.

    O Mercado das Emendas e o Caos Ético

    A votação da dosimetria não foi um ato isolado de benevolência legislativa; foi, na verdade, uma manobra de retaliação política. O cenário na Câmara dos Deputados foi de completo caos, com a liderança do presidente Hugo Mota sendo severamente criticada.

    Um flagrante jornalístico expôs a vergonhosa dinâmica por trás do voto. Em uma conversa capturada por áudio, deputados federais revelaram que a aprovação da dosimetria foi uma resposta direta ao atraso no pagamento de emendas parlamentares impositivas pelo Governo Federal.

    A lógica é chocante: como o governo não cumpriu a agenda de liberação das emendas (o que implica na liberação de recursos para as bases eleitorais dos deputados), a maioria da Casa resolveu retaliar. E a forma de punir o Executivo foi aprovar o projeto que beneficia o principal adversário do governo. “Não pagou as emendas, então a gente vai sacanear o governo pautando o projeto que tira o Bolsonaro da cadeia,” esta foi a essência da negociação. Esse comportamento escancara o fisiologismo e o “toma lá, dá cá” na política, onde o interesse público e a integridade da justiça são trocados por interesses financeiros e eleitorais. A pauta negativa, que prejudica o governo e a nação, virou moeda de troca.

    Hugo encerra sessão no plenário da Câmara após protestos da oposição | CNN  Brasil

    O Muro do Senado e a Dança STF-Senado

    O projeto da dosimetria agora enfrenta um novo e significativo obstáculo no Senado Federal. A pressa inicial em votá-lo foi contida. O projeto foi enviado para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde será analisado quanto à sua constitucionalidade. A relatoria na CCJ foi entregue a um senador da oposição, Spiridião Amin, um bolsonarista de Santa Catarina. Sua nomeação levanta o temor de que ele não apenas endosse o texto da Câmara, mas que possa introduzir uma emenda propondo uma anistia ampla, geral e irrestrita — o que realmente limparia os crimes dos envolvidos.

    Contudo, a CCJ serve como um filtro. Se for considerado inconstitucional, o projeto nem sequer chega ao plenário. Adicionalmente, o senador Veneziano Vital do Rêgo, membro da CCJ, já avisou que pedirá vista (adiamento) do projeto, uma manobra que visa empurrar a votação para 2026, permitindo que a “poeira baixe” e o tema seja debatido com menos temperatura política.

    Outro ponto crucial é o poder de veto do Presidente da República. É dado como certo que o presidente Lula vetará a redução de penas, especialmente considerando que ele próprio foi alvo de planos de ações criminosas por parte do grupo que a lei visa beneficiar. O desafio reside na derrubada desse veto, que exige maioria absoluta: 257 votos na Câmara e 41 no Senado. A Câmara demonstrou ter votos suficientes, mas o Senado se mostra mais dividido, o que é a esperança da base governista.

    Em uma esfera diferente, mas igualmente relevante, desenrola-se o que alguns analistas chamaram de “dança do acasalamento” entre o Supremo Tribunal Federal e o Senado. O ministro Gilmar Mendes, ao dar decisões que alteravam a lei do impeachment de ministros, estaria, na verdade, forçando o Senado a pautar um novo projeto para modernizar a legislação de 1950. O objetivo era criar regras mais rígidas, impedindo pedidos de impeachment baseados apenas em discordâncias de decisões. A articulação, que envolveu outros ministros como Alexandre de Moraes, foi vista como uma jogada calculada para, após a simulação de um conflito público, chegar a um acordo para uma legislação que satisfaça ambas as partes, demonstrando que as grandes reformas institucionais são, muitas vezes, produtos de complexas negociações de bastidores. O projeto de reforma da lei do impeachment também deve ser adiado para 2026.

    Padrões Duplos e Articulações Subterrâneas

    O estilo de liderança do presidente da Câmara, Hugo Mota, foi criticado por aplicar “dois pesos e duas medidas” no tratamento das pautas e dos parlamentares. O contraste é evidente na forma como ele lidou com a ocupação da presidência da Câmara por grupos de direita em agosto, em comparação com a maneira violenta como a Polícia Legislativa agiu para retirar o deputado Glauber Braga do plenário, sob a alegação de violação do decoro.

    Em agosto, os indivíduos que ocuparam a mesa por dois dias e paralisaram os trabalhos não sofreram punição imediata, com Mota aparecendo em imagens sorrindo e negociando. No caso de Glauber, contudo, a reação foi de extrema força. Essa disparidade de tratamento levou líderes partidários a culparem Mota diretamente pelo agravamento da crise no plenário, expondo uma alegada preferência pelo agrado à extrema-direita em detrimento da isonomia.

    Notícias Positivas e a Luta por Direitos

    Em meio a tanta turbulência política, algumas notícias positivas sobre a agenda social e econômica merecem destaque, apesar de frequentemente serem ofuscadas pelo drama do Congresso. A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou uma proposta que reduz o limite máximo da jornada de trabalho semanal para 36 horas e, crucialmente, estabelece o fim da escala 6×1. Isso significa que trabalhadores contratados terão que gozar de dois dias de descanso semanal, uma conquista histórica para os direitos laborais.

    No campo econômico, o governo confirmou o reajuste do salário mínimo para 2026, que subirá para R$ 1.621,00. O reajuste segue uma fórmula que garante o aumento acima da inflação, uma política que, historicamente, demonstrou ser um motor para o crescimento e a melhoria do poder de compra do trabalhador, contrastando com períodos anteriores onde o aumento se limitava apenas à correção inflacionária. Além disso, a inflação medida pelo IPCA de novembro foi a menor para o mês desde 2018, fechando em 0,18%, um índice abaixo da expectativa do mercado e que ajuda a manter a inflação dentro da meta, conferindo credibilidade à economia nacional. A queda no preço dos alimentos da cesta básica é particularmente benéfica para a população de baixa renda.

    Por fim, a preocupação com a regulamentação das redes sociais ganhou corpo após o súbito e inexplicável desaparecimento de perfis de figuras públicas, em sua maioria progressistas, como o próprio Lula e outros influenciadores de esquerda, na plataforma Instagram. A empresa Meta alegou estar investigando o sumiço. Este evento sublinha o perigo da ausência de regulamentação: na falta de regras claras, grandes empresas de tecnologia podem, a seu bel-prazer, tirar o alcance de vozes e manipular o debate público, afetando o tecido social e democrático.

    Conclusão: O Apelo à Consciência Cidadã

    O mosaico político brasileiro se revela complexo e, em muitos aspectos, desalentador. Desde a manobra legal para reduzir penas para indivíduos que atentaram contra a democracia, motivada por retaliação financeira, até o uso de dois pesos e duas medidas na condução da Câmara, o Congresso Nacional parece cada vez mais distante dos interesses do povo. A tentativa de tornar as ações antidemocráticas um crime com punição “barata” é um alerta máximo para a fragilidade da democracia. É fundamental que a sociedade civil permaneça mobilizada e vigilante. O momento exige mais do que apenas assistir: é preciso ir às ruas e usar as redes para expressar a vontade popular, garantindo que os funcionários públicos, que são os políticos, trabalhem para o benefício do povo brasileiro, e jamais para se protegerem da justiça.

  • O SORRISO DA CENSURA: HUGO MOTTA DESLIGA O MICROFONE E É ESMAGADO PELA AUTORIDADE MORAL DE BENEDITA DA SILVA

    O SORRISO DA CENSURA: HUGO MOTTA DESLIGA O MICROFONE E É ESMAGADO PELA AUTORIDADE MORAL DE BENEDITA DA SILVA

    O SORRISO DA CENSURA: HUGO MOTTA DESLIGA O MICROFONE E É ESMAGADO PELA AUTORIDADE MORAL DE BENEDITA DA SILVA

    A Câmara dos Deputados protagonizou, em uma de suas sessões recentes, um espetáculo de autoritarismo e descontrole que será lembrado como um dos momentos mais vergonhosos da sua história. No centro do caos, o Presidente da Câmara, Hugo Motta, perdeu completamente a compostura regimental e a decência política, transformando o Plenário, a suposta “casa do povo”, em um palco de intimidação e descarada censura. O uso de dois pesos e duas medidas, a agressão a um parlamentar e a expulsão de jornalistas definiram uma noite que teve seu ponto mais baixo no momento em que Motta, com um sorriso no rosto, cortou o microfone de uma das maiores referências da história constitucional brasileira, a Deputada Benedita da Silva.

    O vexame foi tão profundo que gerou uma reação imediata não apenas no meio político, mas entre os mais respeitados jornalistas do país, com Miriam Leitão e Andreia Sadi usando termos duros para descrever o que aconteceu: censura, blackout e ditadura.

    Após motim da oposição, Hugo Motta consegue sentar na cadeira de presidente  da Câmara e mesa é desocupada - Clóvis Gaião

    O Confronto Geracional: A Humilhação de Benedita da Silva

    O primeiro sinal de que Hugo Motta havia perdido “completamente o controle” veio em seu confronto com a Deputada Benedita da Silva (PT-RJ). Movido por um “ego tão inflado” e uma visível intenção de provocar, Motta interrompeu a fala da deputada, que, aos 83 anos, carrega o peso da história e da experiência política que Motta ainda não tem.

    A resposta de Benedita, no entanto, foi um tour de force de respeito regimental e autoridade moral que humilhou Motta publicamente. Em um tom calmo, mas firme, ela o colocou “exatamente no lugar dele”, exigindo reciprocidade:

    “Eu estou falando, senhor presidente. Eu estou, senhor presidente, eu estou falando com Vossa Excelência, com todo o respeito regimental e com toda a educação que pelo menos eu tive até agora aqui nesse plenário e esperamos reciprocidade.”

    Em seguida, ela deu a Motta uma aula de Regimento Interno, lembrando-o de que, como Presidente da Casa, ele é o “presidente de todos nós” e, portanto, se quisesse manifestar uma opinião a favor ou contra, deveria passar a presidência para o seu substituto.

    O golpe de misericórdia veio com a invocação de sua própria história:

    “Mas eu quero lembrar a vossa excelência, porque talvez essa casa não esteja informada, que no Brasília 5 de outubro de 88, presidente Ulisses Guimarães, primeiro secretário Mauro Maia, segundo secretário Arnaldo Faria de Sá, terceira secretária, Benedita da Silva, que assinou com toda a sua bancada a Constituição de 88.”

    A Deputada Benedita da Silva não apenas deu uma bronca; ela confrontou a inexperiência e o autoritarismo de Motta com a memória viva da redemocratização. Ela é uma signatária da Constituição Cidadã de 1988. Motta, ao interrompê-la, estava desrespeitando não apenas uma colega, mas um pilar da história democrática.

    O ato final de Motta nessa sequência foi, talvez, o mais revoltante: ele sorriu enquanto cortava o microfone de Benedita, em uma cena que, segundo a análise, “expõe o autoritarismo crescendo dentro da câmara”. O sorriso de escárnio em resposta a uma lição de democracia é a face mais sombria do poder que se sente intocável.

    O Blackout e a Censura: “Digno dos Piores Momentos da Ditadura”

    O incidente com Benedita foi apenas o prefácio de uma noite de terror democrático. Hugo Motta partiu para uma escalada de ações que incluíram a expulsão de jornalistas e o corte do sinal da TV Câmara.

    Miriam Leitão, em sua análise ao vivo, não hesitou em classificar o ato: “Isso aí lembra os piores momentos da [ditadura]”. O corte de sinal e a retirada da imprensa, segundo ela, são “uma coisa assim digna dos piores momentos da ditadura. Não se faz isso de maneira alguma”. A censura é o termo correto.

    Andreia Sadi reforçou a gravidade do ato, chamando-o de “censura” e de um completo desvirtuamento do propósito da instituição:

    “Desvirtuaram completamente o que é o sentido da Câmara dos Deputados, que é a casa do povo. Eles não são donos da Câmara dos Deputados.”

    Sadi ressaltou que a Câmara existe para o povo e pela sociedade. Quando a sociedade não pode “fiscalizar e acompanhar e monitorar” o que acontece, a porta se fecha para a transparência. O corte de acesso é uma declaração de que “Isso aqui é nosso, vocês não têm nada a ver com isso”. O resultado é a desmoralização e o acentuamento do desgaste: “eles querem fazer tudo no escurinho ali, não querem que a gente acompanhe, tem alguma coisa errada”. A falta de transparência, como Sadi bem coloca, tem nome: blackout. Conversando com ex-presidentes da Câmara, ela descobriu que o corte do sinal da TV Câmara é um evento sem precedentes na memória recente, um ato de virar as costas para o povo.

    Dois Pesos e Duas Medidas: A Hipocrisia de Hugo Motta

    O autoritarismo de Motta foi seletivo, e essa é a chave da sua condenação política. Miriam Leitão afirmou que, em um país polarizado como o Brasil, Hugo Motta tratou “de maneira diferente um lado e o outro lado, à esquerda e à direita”.

    O estopim da crise foi o Deputado Glauber Braga (PSOL), que, em protesto, ocupou a mesa da Presidência (ato condenável, segundo a própria jornalista). Qual foi a reação de Motta? Ele mandou a Polícia Legislativa retirá-lo com “cenas de muita agressão”. O Deputado, que foi levado para cassação, vira o bode expiatório da esquerda.

    O contraste é revoltante. Motta “não tratou da mesma forma quando a direita ocupou toda a mesa diretora e passou lá de um dia pro outro”. Pior: ele nunca puniu esses parlamentares, apesar de ter prometido fazê-lo.

    Miriam Leitão citou três casos gravíssimos de impunidade, que expõem o conluio de Motta com a extrema-direita:

      Carla Zambelli: Desde junho, há uma ordem judicial para cassá-la (por condenação), e a Câmara “desrespeita essa ordem judicial até o dia de hoje”.

      Alexandre Ramagem: É um foragido da justiça, condenado, com ordem de cassação que a Câmara ignora.

      Eduardo Bolsonaro: Desde março, não aparece para trabalhar, usando seu mandato para conspirar contra a economia brasileira ao pedir sanções estrangeiras.

    Nenhum desses casos de conspiração, agressão à economia ou desobediência judicial foi levado ao Plenário para cassação. Mas o Deputado de esquerda, Glauber Braga, por um ato de protesto, foi sumariamente caçado. Tratar um país polarizado com “dois pesos e duas medidas… agrava o conflito” e destrói qualquer resquício de imparcialidade que o cargo de Presidente da Câmara deveria exigir.

    A Reação Popular: Glauber Fica

    O autoritarismo de Hugo Motta gerou uma reação imediata e contundente. A tentativa de cassação de Glauber Braga, percebida como uma injustiça e um ato político de retaliação, uniu diversos setores da sociedade.

    Artistas e figuras públicas se mobilizaram com a hashtag “Glauber Fica”, inundando as redes sociais com mensagens de apoio: “Glauber fica. Glauber fica. Estou aqui para dizer mais uma vez e mais do que nunca Glauber fica”.

    A solidariedade ao deputado é uma resposta direta à sua luta para “desmascarar o Congresso inimigo do povo”. Essa movimentação externa demonstra que a população não está passiva diante da escalada autoritária de Motta. A tentativa de silenciar um deputado de esquerda e encobrir o ato de violência contra a imprensa falhou, transformando-se em um catalisador para a indignação popular e a defesa intransigente da liberdade de expressão.

    O Legado de uma Noite Vergonhosa

    A noite de autoritarismo de Hugo Motta deixou um legado amargo para o Congresso Nacional. O Presidente da Câmara, ao sorrir ao cortar o microfone de uma constitucionalista, ao usar a Polícia Legislativa com truculência seletiva e ao impor a censura, deu munição aos críticos que o comparam aos piores momentos da ditadura brasileira.

    A denúncia contundente de Miriam Leitão e Andreia Sadi é um registro histórico: o que aconteceu foi um ataque à democracia. A Câmara não pode ser vista como a propriedade privada de quem a preside. Seu papel é ser a “casa do povo”, transparente e responsável. A atitude de Motta apenas acentua o desgaste, afasta a população e confirma a percepção de que a liderança da Casa está disposta a negociar a integridade democrática por alinhamentos políticos.

    O clamor por transparência e por punição exemplar dos deputados que conspiraram contra o país, como Ramagem e Zambelli, não pode ser abafado por sacrifícios políticos injustos, como o de Glauber Braga. A lição de Benedita da Silva permanece: o Presidente da Casa deve ter a decência de respeitar o debate e a reciprocidade, e não usar seu poder para oprimir ou censurar. A luta pela democracia e pela transparência no Congresso passa, urgentemente, pela responsabilização de Hugo Motta.

  • Glauber Braga explode no plenário e expõe bastidores da direita golpista durante sessão de cassação

    Glauber Braga explode no plenário e expõe bastidores da direita golpista durante sessão de cassação

    A noite caiu sobre Brasília com um peso difícil de descrever. Os corredores da Câmara dos Deputados estavam mais movimentados do que de costume, e pequenas ilhas de parlamentares se reuniam em conversas sussurradas, como se cada palavra pudesse detonar um escândalo. A sessão de cassação que se aproximava tinha tudo para ser apenas mais um embate acalorado entre oposição e situação — até que o deputado Glauber Braga decidiu que aquela noite não seria esquecida tão cedo.

    O relógio marcava pouco depois das oito quando o presidente da mesa declarou aberta a sessão. As galerias estavam lotadas, com assessores, jornalistas e curiosos tentando captar cada gesto. Os flashes das câmeras iluminavam o ambiente de tempos em tempos, mas havia uma escuridão simbólica pairando sobre o plenário: a sensação de que algo sério estava prestes a acontecer.

    Glauber Braga permaneceu sentado nos primeiros minutos, ouvindo em silêncio, como quem aguarda o instante exato para entrar em cena. Seus olhos percorriam o ambiente com firmeza, acompanhando os discursos inflamados de deputados que defendiam a cassação com argumentos que ele conhecia de cor — e que, para ele, escondiam motivações mais profundas e obscuras. A cada frase que ecoava pelo microfone, o deputado fazia uma anotação rápida no papel à sua frente.

    Quando finalmente pediu a palavra, o burburinho no plenário cessou imediatamente. Glauber não era conhecido por discursos mornos; quando subia à tribuna, algo acontecia. E naquela noite, o impacto seria maior que o habitual.

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    Ele ajustou o microfone, respirou fundo e iniciou com uma frase curta, mas carregada de tensão:

    “Chegou a hora de tirar as máscaras.”

    A frase percorreu o plenário como uma onda elétrica. Alguns parlamentares da direita se remexeram em suas cadeiras, já antecipando o confronto. Outros mantiveram a postura, tentando demonstrar indiferença — sem muito sucesso.

    Glauber prosseguiu:

    “Estamos aqui discutindo uma cassação travestida de justiça, mas movida pelo desejo de poder de uma direita golpista que não suporta ver sua influência diminuída. Esta sessão não é sobre ética, não é sobre legalidade, e muito menos sobre democracia. É sobre vingança.”

    Do outro lado do plenário, um deputado mais exaltado pediu questão de ordem, protestando contra o uso da palavra “golpista”. A mesa indeferiu. Glauber sorriu de leve e continuou.

    “Mas já que querem falar de golpe… vamos falar direito.”

    O silêncio posterior era tão profundo que permitia ouvir até mesmo o clique das câmeras.

    Ele então abriu uma pasta repleta de documentos. Ninguém sabia exatamente o que havia ali, mas o gesto foi suficiente para elevar a tensão ao máximo. Glauber começou a citar trechos de conversas, declarações e estratégias políticas articuladas nos bastidores por setores da direita — elementos que, dentro da narrativa criada aqui, revelavam uma trama para desestabilizar adversários e manipular processos internos da Casa.

    Cada acusação era recebida por reações explosivas: alguns deputados levantavam-se indignados, outros gritavam palavras desconexas tentando interromper o discurso, mas o presidente da mesa mantinha a ordem com dificuldade.

    Glauber retomou, elevando o tom:

    “Vocês não suportaram perder influência, perder narrativa, perder a capacidade de enganar o povo. E agora tentam transformar este plenário em um palco de perseguição política. Vocês querem cassar quem não se curva ao seu projeto de poder.”

    Nesse momento, parte da oposição aplaudiu de pé. O contraste entre palmas e gritos indignados de adversários criou uma paisagem sonora caótica — mas Glauber, firme, mantinha a voz estável, como se a confusão ao redor só o fortalecesse.

    Ele então caminhou alguns passos para a frente, aproximando-se simbolicamente dos parlamentares da direita.

    “Vocês falam de moralidade, mas passam pano para quem rasga a Constituição. Falam de respeito institucional, mas conspiram em salas fechadas. Falam de democracia, mas só a defendem quando ela serve aos seus interesses.”

    Uma deputada tentou interromper novamente, acusando Glauber de teatralidade. Ele apenas respondeu:

    “Se apontar a verdade é teatro, então preparem-se, porque o espetáculo está só começando.”

    Câmara aprova PL da Dosimetria, que reduz pena de Bolsonaro e aliados

    O público nas galerias reagiu com uma mistura de choque e entusiasmo. O nível de dramaticidade da sessão atingia níveis raros, e jornalistas digitavam freneticamente, tentando registrar cada detalhe.

    Glauber prosseguiu por longos minutos, descrevendo episódios, confrontos políticos, tentativas de manipulação e discursos que, na narrativa ficcional desta reportagem, formavam um mosaico de conflitos internos que poucos tinham coragem de trazer ao microfone. Sua fala era intensa, bem construída, e sobretudo contundente.

    Mas o momento mais impactante ainda estava por vir.

    O deputado encerrou seu discurso com uma frase que ecoaria por toda a Casa:

    “A história não vai lembrar vocês como heróis da democracia. Vai lembrar vocês como aquilo que realmente são: a direita golpista que tentou calar quem não se ajoelha.”

    A frase final caiu sobre o plenário como um raio. Durante alguns segundos, ninguém disse nada. Nem mesmo seus apoiadores. Foi um silêncio pesado, profundo, que significava mais do que qualquer aplauso ou vaia poderia expressar.

    Depois, o caos.

    Deputados se levantaram, gritaram, protestaram. Outros batiam palmas com força. A mesa precisou suspender a sessão por alguns minutos para tentar recuperar a ordem. Glauber voltou para sua cadeira lentamente, como alguém que sabe exatamente o tamanho do impacto que acabara de causar.

    Aquela noite mudaria conversas, alianças e a temperatura política dos dias seguintes. E mesmo quem discordava dele sabia: o discurso de Glauber Braga entraria para os anais da Câmara como um dos mais explosivos, intensos e provocadores de sua carreira.

     

  • ESQUERDA ARTICULA E CONSEGUE REVERTER CASSAÇÃO PROVÁVEL, QUE VIRA SUSPENSÃO POR 6 MESES

    ESQUERDA ARTICULA E CONSEGUE REVERTER CASSAÇÃO PROVÁVEL, QUE VIRA SUSPENSÃO POR 6 MESES

    O Voto da Virada: O Parlamento Redefine Seus Próprios Limites

    A noite de 10 de dezembro de 2025 ficará marcada nos anais da política brasileira como um momento de profunda tensão e, por fim, de articulação bem-sucedida. O que parecia ser o caminho inevitável para a cassação de um mandato, a pena máxima para um parlamentar, transformou-se em uma suspensão de seis meses, após uma reviravolta no Plenário da Câmara dos Deputados. O episódio, centrado na figura do deputado Glauber Braga, transcendeu a mera punição individual, tornando-se um teste decisivo para a capacidade da Casa de se autogerir e de ponderar o peso do voto popular frente às regras de decoro.

    A votação que selou o destino de Glauber Braga foi precedida por um debate acalorado e uma intensa movimentação nos bastidores. O clima de incerteza era palpável. As bancadas se reuniam, as orientações eram passadas e, em meio ao turbilhão, pairava a ameaça de que 78 mil votos, confiados pelo povo do Rio de Janeiro, fossem anulados.

    A pauta era clara: decidir sobre a penalidade a ser aplicada ao deputado. A Resolução que veio do Conselho de Ética, cujos termos iniciais apontavam para o caminho da cassação, era o ponto de partida. Contudo, a apresentação da Emenda de Plenário Número Um alterou radicalmente o cenário. Esta emenda propunha a substituição da cassação pela suspensão do exercício do mandato por um período de seis meses.

    O Drama da Representação Popular e a Defesa da Dignidade

    A defesa da suspensão não se ateve apenas aos detalhes processuais. Ela mergulhou na essência do que significa um mandato parlamentar no Brasil. Os oradores que subiram à tribuna não apenas defenderam o colega, mas sim o princípio de que o voto do cidadão é sagrado e inalienável. A voz que ecoava pelo plenário era de que a cassação de um mandato é uma medida “muito dura” e deve ser reservada a casos de gravidade extrema, como corrupção ou quebra irremediável do decoro.

    “É muito duro caçar um mandato de um parlamentar cuja trajetória é digna, é correta,” argumentou um dos defensores da emenda. O ponto central da argumentação era a trajetória de Glauber Braga, vista como ilibada em termos de probidade. A defesa fez questão de destacar: a questão não se resumia a ele “ser ou não ser um homem corrupto,” mas sim ao significado maior de sua representação.

    File:Glauber Braga (PSOL-RJ).jpg - Wikimedia Commons

    O mandato, conforme articulado no debate, é a materialização do “sonho, é o desejo, é a vontade daquela população que vê naquele parlamentar a sua oportunidade de se expressar e a sua oportunidade de realizar os seus sonhos.” Anular um mandato, portanto, não é apenas punir um indivíduo, mas silenciar milhares de eleitores.

    A Reação e a Articulação Política nos Bastidores

    O incidente que levou o deputado ao Conselho de Ética foi colocado em perspectiva. A suspensão foi defendida como uma punição razoável para uma reação que, embora imprópria ao ambiente parlamentar, teve motivação passional e humana. Segundo o relato, o deputado se alterou após um “provocador ir até falar da sua mãe, provocou sete vezes a sua mãe que estava doente.”

    A tese da defesa era unânime: “A reação dele jamais poderia ser motivo de cassação.” O Parlamento, ao acatar a suspensão, reconheceu implicitamente que o contexto da ofensa pessoal, atingindo a esfera familiar e a saúde de um ente querido, mitigava a gravidade da quebra de decoro a ponto de afastar a cassação.

    A vitória da suspensão foi, acima de tudo, uma vitória da “política se sobrepondo.” Em um plenário que muitas vezes é palco de “discensso” e onde, por vezes, as discussões “extrapolam o que [se] entende que seja razoável,” o encaminhamento final mostrou que o pragmatismo e a capacidade de diálogo prevaleceram. O consenso se formou em torno da ideia de que, se a cassação se concretizasse, “a casa perderia, a democracia perderia.”

    O agradecimento público a líderes de diferentes partidos — União Brasil, PSD, MDB — e de outros campos políticos evidenciou a amplitude da articulação. O esforço foi descrito como um reconhecimento de que havia uma “injustiça colocada” e que a cassação levaria a uma perda para “todos nós enquanto parlamento.”

    O Confronto e o Apelo à Racionalidade

    A votação inicial, que estabeleceu a preferência pela Emenda de Plenário Número Um, já demonstrava a intensa polarização e o equilíbrio de forças: 226 votos “Sim” contra 220 “Não,” com três abstenções. O resultado apertado mostrava que “ninguém tem voto suficiente para ter uma decisão para um ou para outro lado. Para caçar, para caçar ou absolver.”

    Neste cenário de paridade, o apelo à “racionalidade” e a busca por um “acordo informal, de equilíbrio, de responsabilidade” se tornaram cruciais. A suspensão por seis meses foi apresentada não apenas como um resultado político, mas como a única solução “aceitável, razoável, é possível” que poderia unir a maioria.

    Enquanto a Esquerda e o Centro se mobilizavam pela suspensão, a ala da Direita manteve a “coerência,” defendendo a cassação desde o princípio. A postura da Direita, conforme manifestada na tribuna, foi a de manter o seu posicionamento, transferindo a responsabilidade do resultado final para os “partidos de centro,” caso a cassação fosse rejeitada. Esse movimento tático visava demarcar território político e posicionamento ideológico, mas acabou isolado na votação da emenda.

    A Consolidação da Vitória e a Promulgação da Resolução

    O ápice da noite foi a votação final da Emenda de Plenário Número Um, que instituiria a suspensão. O resultado foi expressivo e confirmou o sucesso da articulação: 318 votos “Sim” contra apenas 141 “Não.”

    A aprovação da emenda representou uma clara manifestação da vontade do Plenário, sobrepondo-se ao parecer inicial do Conselho de Ética. Com a aprovação, a “proposição inicial” ficou “prejudicada.” A Presidência da Casa, então, deu andamento à promulgação da resolução que oficializaria a decisão.

    A Resolução aprovada, lida em plenário, foi clara e direta: “Fica declarada a suspensão do exercício do mandato do deputado Glauber Braga pelo prazo de 6 meses,” citando o artigo 10, inciso terceiro, do Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados.

    A suspensão é um período de reflexão e um custo político elevado, mas a manutenção do mandato após o período de afastamento representa uma vitória para o princípio da representação popular e para a articulação política de centro-esquerda. O parlamento brasileiro, em uma de suas noites mais tensas, optou pela moderação e pela preservação do voto, reafirmando que a política, com suas negociações e consensos, é o caminho para a governabilidade e para a justiça proporcional. A lição desta noite é que, em momentos críticos, a união de forças em torno de um objetivo comum pode reescrever o destino de uma votação já dada como perdida.

  • “A Tempestade na Câmara: Censura, Dosimetria e o Poder de Hugo Motta”

    “A Tempestade na Câmara: Censura, Dosimetria e o Poder de Hugo Motta”

    Nos corredores de carpetes gastos e luzes frias da Câmara dos Deputados, raramente reina silêncio. Mas, naquela semana, algo diferente pairava no ar. A movimentação dos parlamentares parecia mais contida, as conversas se transformavam em murmúrios e o clima lembrava a véspera de uma tempestade. Deputados experientes, acostumados com turbulências, caminhavam com o rosto tenso, como se receassem que qualquer frase, gesto ou voto pudesse se transformar em munição contra eles.

    O motivo daquele ambiente inquietante era um projeto que muitos consideravam técnico, mas que rapidamente se converteu em símbolo de uma batalha maior: o PL da Dosimetria. Oficialmente, tratava-se de um esforço para estabelecer critérios mais claros de punição para crimes relacionados à disseminação de informações. Na teoria, uma tentativa de dar segurança jurídica. Na prática — segundo críticos dentro e fora do Congresso —, um instrumento que poderia abrir brechas para arbitrariedades e controlar a fala pública.

    E, no centro dessa disputa, surgia um nome repetido de forma insistente: Hugo Motta. Líder influente, estrategista habilidoso e figura que desperta tanto admiração quanto resistência, Motta passou a ser acusado por opositores de conduzir o processo com mão de ferro.

    Nenhuma das acusações era tratada oficialmente como fato comprovado, mas circularam em mensagens de WhatsApp, bastidores e entrevistas veladas. O jornalismo político é, muitas vezes, a arte de captar aquilo que é dito quando ninguém quer assumir que disse — e foi dessa névoa de versões que se formou um dos episódios mais tensos daquela legislatura.

    O Começo do Impasse

    A tramitação do PL parecia tranquila nos primeiros dias. Relatores revisavam trechos, líderes se articulavam em busca de consenso e assessores jurídicos produziam pareceres intermináveis. No entanto, a calmaria começou a se desfazer quando começaram a circular rumores de que modificações inesperadas seriam incluídas no texto final — mudanças que, segundo alguns parlamentares, poderiam aumentar a possibilidade de punições contra veículos de imprensa, influenciadores e até opositores políticos.

    Em reuniões fechadas, deputados relatavam que a pressão teria se intensificado. Alguns afirmaram que foram orientados a “evitar discursos inflamados” ou “reduzir o tom”, enquanto outros citavam telefonemas com cobranças inusitadas. Não havia provas documentais, mas o padrão repetitivo dos relatos despertou preocupação.

    Os corredores da Câmara, geralmente palco de trocas ruidosas, viraram um labirinto de expressões desconfortáveis. Muitos evitavam entrevistas, recusavam comentar o PL e até mudavam de direção ao avistar repórteres.

    O Episódio da Reunião Tensa

    A história ganhou novo capítulo numa manhã abafada de quarta-feira. Uma reunião da CCJ, que deveria ser apenas mais uma entre tantas, transformou-se em palco de um dos momentos mais tensos da crise.

    Segundo participantes — que pediram anonimato —, quando o debate sobre um dos artigos mais polêmicos começou, a temperatura subiu. Parlamentares questionaram a rapidez com que alterações estavam sendo votadas. Outros alegaram que não haviam recebido o texto final com antecedência.

    E aí, como relatam testemunhas, Hugo Motta teria adotado um tom particularmente rígido, defendendo que o país precisava de regras urgentes para lidar com “abusos digitais”. Para seus aliados, ele estava apenas tentando manter a ordem num ambiente sempre prestes ao caos. Para seus críticos, porém, foi uma demonstração de força que extrapolava o papel de um líder parlamentar.

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    A sessão terminou abruptamente, com bate-bocas abafados e um clima ainda mais carregado do que antes.

    No café do Anexo II, onde parlamentares costumam espairecer, o assunto dominava. Uns diziam que o líder estava “apenas cumprindo seu papel”. Outros, menos diplomáticos, falavam em “arbítrio”, “pressão” e “censura”.

    A Palavra Proibida: “Censura”

    Poucos termos despertam emoções tão fortes no Brasil quanto a palavra “censura”. Ela evoca memórias sombrias, feridas históricas e um temor compartilhado entre pessoas das mais diversas posições políticas. Por isso, quando deputados começaram, ainda que discretamente, a sugerir que o PL poderia abrir portas para limitações indevidas à liberdade de expressão, o debate deixou de ser técnico e passou a ser existencial.

    A oposição afirmava que o projeto precisava de mais audiências públicas, mais especialistas, mais escrutínio. Aliados defendiam que a era digital exigia respostas rápidas. E, no meio disso, pairava a figura de Motta — ora visto como alguém tentando impor disciplina para garantir avanços, ora descrito como símbolo de uma intervenção que beirava a censura.

    A palavra ecoava nos bastidores, mesmo quando não era dita em público.

    Jornalistas que tentaram entrevistar parlamentares ouviam frases vagas:
    “Não posso comentar isso agora…”
    “Tem coisa aí que você não imagina…”
    “Se eu falar o que penso, dá problema.”

    Quanto mais o silêncio se instalava, mais estridente se tornava.

    A Narrativa Pública

    A imprensa passou a acompanhar cada movimento. Comentários em redes sociais viralizavam, lives de influenciadores denunciaram “manobras sombrias”, e veículos independentes pediam mais transparência. De repente, o PL da Dosimetria — que antes parecia uma peça técnica de legislação — tornou-se protagonista de discussões acaloradas em mesas de bar, podcasts e programas de rádio.

    Hugo Motta, pressionado, deu entrevistas defendendo que todo o processo seguia o rito normal. Reforçou que o Brasil enfrentava problemas reais com difusão de conteúdos criminosos e que era preciso modernizar a legislação. Seus argumentos encontraram apoio significativo — mas também reacenderam a resistência daqueles que viam no projeto algo além do declarado.

    Críticos argumentavam que o diabo morava nos detalhes. Que a redação, mesmo que aparentemente neutra, poderia permitir interpretações elásticas. Que governos futuros, ou mesmo órgãos administrativos, poderiam utilizar as normas para restringir discursos incômodos. E que, sem salvaguardas rígidas, toda a sociedade correria risco.

    A Noite da Virada

    Foi numa quinta-feira à noite, quando boa parte da imprensa já começava a desligar câmeras, que tudo se intensificou. Mensagens anônimas começaram a circular entre jornalistas e deputados. Afirmavam que haveria uma tentativa de acelerar a votação na madrugada. Não havia confirmação oficial, mas a simples possibilidade gerou frenesi.

    Repórteres correram de um anexo a outro. Deputados retornaram às pressas. A expectativa de um golpe regimental pairava no ar.

    Horas depois, líderes anunciaram que não haveria votação relâmpago. Mas o estrago já estava feito: a desconfiança se consolidara.

    E é isso que, segundo analistas políticos, tornou o episódio tão explosivo. Não foi apenas o conteúdo do PL — foi o método, a atmosfera, o medo de decisões tomadas longe dos olhos do público.

    Quando o Medo se Torna Sistema

    O mais inquietante talvez não tenha sido a disputa legislativa, mas a sensação de que a liberdade de expressão poderia se tornar objeto de barganha política. Jornalistas relatavam sentir-se observados. Influenciadores moderaram suas críticas. Parlamentares evitaram declarações contundentes.

    Não havia censura formal. Mas havia o temor dela. E, como lembram historiadores, o medo pode funcionar como uma forma silenciosa de controle.

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    O Desfecho (ainda aberto)

    Sem consenso, o PL acabou adiado. Oficiais do Legislativo falaram em “revisões necessárias”. Movimentos sociais comemoraram. Parlamentares respiraram aliviados.

    Mas ninguém se esqueceu do que aconteceu naquela semana.

    O nome de Hugo Motta continuou no centro do debate — para uns, símbolo de firmeza; para outros, de arbitrariedade. A palavra “censura”, mesmo não materializada, passou a rondar qualquer discussão sobre regulação digital.

    E o episódio se tornou um lembrete poderoso: a democracia não se fragiliza apenas com atos explícitos, mas com silêncios, pressões e procedimentos pouco transparentes.