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  • Os Terríveis Últimos Dias de Elizabeth I, a Rainha Mais Famosa da Inglaterra

    Os Terríveis Últimos Dias de Elizabeth I, a Rainha Mais Famosa da Inglaterra

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    Nas profundezas do Palácio de Richmond, numa manhã fria de março de 1603, cortesãos descobriram algo que os faria gelar até aos ossos. Entre os pertences pessoais da monarca mais poderosa de Inglaterra jazia uma carta, um documento tão perturbador que o seu conteúdo foi imediatamente selado longe da vista do público.

    A Rainha Elizabeth I, a Rainha Virgem que tinha governado a Inglaterra durante 45 anos, tinha morrido sob circunstâncias muito mais sinistras do que os livros de história ousam revelar. O que encontraram naquela carta sugeriria que a sua morte não foi o falecimento pacífico de uma monarca envelhecida, mas o culminar de décadas de envenenamento lento e deliberado, possivelmente pela sua própria mão.

    A mulher que tinha derrotado a Armada Espanhola, que tinha transformado a Inglaterra numa potência marítima, que tinha dado o seu nome a uma era inteira, tinha passado os seus últimos anos como prisioneira da sua própria vaidade. A própria maquiagem que ela usava para manter a sua beleza lendária pode ter sido o instrumento da sua destruição.

    Mas a verdade por trás da morte de Elizabeth é mais profunda do que o envenenamento cosmético. Alcança os cantos mais sombrios da política Tudor, onde a sobrevivência significava engano e onde nem mesmo rainhas estavam a salvo daqueles que alegavam servi-las. Esta não é a história de Gloriana que você aprendeu na escola. Este é o relato de uma mulher presa entre as exigências impossíveis do poder e da feminilidade, cujas tentativas desesperadas de preservar a sua imagem podem ter custado tudo.

    A evidência sugere que Elizabeth I não morreu simplesmente. Ela foi lentamente assassinada, possivelmente pelas suas próprias escolhas num dos finais mais prolongados e trágicos da história. O caminho de Elizabeth Tudor para o trono foi pavimentado com sangue desde o momento da sua concepção.

    Nascida de Henrique VIII e da sua segunda esposa, Ana Bolena, Elizabeth entrou num mundo onde a sua própria existência era considerada ilegítima por grande parte da Europa. A busca desesperada do seu pai por um herdeiro masculino já tinha arrancado a Inglaterra da Igreja Católica e mergulhado a nação em tumulto religioso.

    Quando Elizabeth tinha apenas 2 anos de idade, testemunhou algo que a assombraria pelo resto da sua vida: a destruição sistemática da sua mãe. A execução de Ana Bolena em 1536 não foi um caso rápido. Henrique VIII, determinado a justificar as suas ações, orquestrou uma campanha de assassinato de caráter que pintou Ana como adúltera, bruxa e traidora.

    A jovem Elizabeth assistiu enquanto a sua mãe era despojada do seu título, o seu casamento declarado inválido e a sua própria existência apagada dos registos oficiais. Em 19 de maio de 1536, Ana Bolena foi levada ao cadafalso na Torre de Londres, onde um espadachim francês, especialmente importado para a ocasião, decepou a sua cabeça com um único golpe.

    Elizabeth, declarada ilegítima, ficou subitamente sem mãe e sem título, existindo à mercê de um pai que tinha provado que mataria as suas próprias esposas. O impacto psicológico deste trauma não pode ser exagerado. Elizabeth cresceu sabendo que o seu pai tinha assassinado a sua mãe, que o seu nascimento tinha sido o catalisador para a morte da sua mãe e que a sua própria sobrevivência dependia inteiramente da sua capacidade de agradar a um homem capaz de ordenar a execução daqueles que outrora alegou amar.

    A Corte Tudor era um lugar onde as crianças aprendiam que o amor era temporário, que o poder era tudo e que até os relacionamentos mais próximos podiam tornar-se mortais sem aviso prévio. Os casamentos e divórcios subsequentes de Henrique apenas reforçaram estas lições. Elizabeth assistiu enquanto o seu pai se casava com Jane Seymour, que morreu ao dar à luz o tão esperado herdeiro masculino, Eduardo.

    Ela observou a rápida anulação do casamento de Henrique com Ana de Cleves e testemunhou a execução horrível de Catarina Howard, a sua quinta madrasta, que foi arrastada aos gritos para o cepo por alegado adultério. Cada casamento, cada divórcio, cada execução ensinou a Elizabeth que a sobrevivência no mundo Tudor exigia vigilância constante e controlo absoluto.

    A jovem princesa aprendeu a navegar neste ambiente traiçoeiro tornando-se uma mestre do engano. Ela destacou-se nos seus estudos, dominando latim, grego, francês e italiano, compreendendo que a inteligência era a sua única arma fiável. Ela cultivou uma imagem de piedade protestante enquanto questionava privadamente toda a autoridade religiosa.

    Mais importante ainda, ela aprendeu a ler os sinais subtis da política da corte, compreendendo que a sua vida poderia depender da interpretação de um olhar, um gesto ou uma palavra cuidadosamente escolhida. Quando Henrique VIII morreu em 1547, Elizabeth já tinha desenvolvido as competências que lhe serviriam como rainha: uma capacidade de apresentar múltiplas faces a diferentes públicos, um talento para dizer muito sem revelar nada e uma compreensão de que o poder exigia a ameaça constante de violência.

    Ela tinha aprendido que ser uma mulher no poder significava estar perpetuamente sob suspeita e que a sobrevivência exigia sacrificar desejos pessoais por necessidade política. O trauma da sua infância criou a fundação para tudo o que se seguiria.

    A obsessão posterior de Elizabeth com a sua aparência, a sua recusa em casar, a sua atenção paranoica à lealdade e, finalmente, os seus trágicos últimos anos, tudo derivou das lições aprendidas naqueles primeiros anos encharcados de sangue, quando ela descobriu que até pais reais podiam tornar-se carrascos.

    Em outubro de 1562, aos 29 anos, a Rainha Elizabeth I enfrentou o que se tornaria a crise definidora do seu reinado e o início da sua lenta descida à vaidade que acabaria por matá-la. A varíola, a doença que já tinha ceifado inúmeras vidas em toda a Europa, atingiu a jovem rainha com força devastadora.

    Durante dias, ela esteve perto da morte no Palácio de Hampton Court, o seu corpo ardendo em febre, os seus conselheiros sussurrando sobre a sucessão nos corredores fora do seu quarto. Quando ela finalmente emergiu da crise, Elizabeth descobriu que a doença a tinha deixado com algo pior do que cicatrizes físicas.

    Tinha destruído a única coisa que ela valorizava acima de tudo: a sua beleza lendária. A varíola tinha devastado o rosto de Elizabeth, deixando marcas profundas na sua pele, particularmente na testa e bochechas. Numa época em que a aparência de um monarca era considerada um reflexo do favor divino, esta desfiguração não era meramente cosmética. Era uma catástrofe política.

    A beleza de Elizabeth tinha sido uma das suas ferramentas diplomáticas mais poderosas, usada para manipular embaixadores estrangeiros e manter a ficção de que ela poderia casar-se para garantir alianças. As cortes europeias tinham-na descrito como tendo “pele branca como a neve” e uma tez que “parecia brilhar com luz interior”. Essa mulher tinha desaparecido para sempre.

    O impacto psicológico desta transformação não pode ser subestimado. Elizabeth tinha crescido a compreender que o seu poder era ténue, dependente da manutenção do delicado equilíbrio entre ser desejável o suficiente para atrair pretendentes, mas independente o suficiente para evitar o casamento.

    A sua beleza tinha sido a sua armadura, a sua arma e o seu escudo. Sem ela, sentia-se vulnerável de formas que iam muito além do físico. Observadores da corte notaram que, após a sua recuperação, a rainha tornou-se cada vez mais obcecada por espelhos, passando horas todos os dias a examinar o seu reflexo e a experimentar diferentes tratamentos cosméticos.

    Foi durante este período que Elizabeth encontrou pela primeira vez os cosméticos à base de chumbo que acabariam por matá-la. O “Ceruse Veneziano”, uma mistura de alvaiade (chumbo branco) e vinagre, prometia criar a tez pálida e suave que era o auge da moda entre a nobreza europeia. A substância era cara, exclusiva e devastadoramente eficaz a cobrir imperfeições.

    Quando aplicado com espessura suficiente, podia mascarar completamente as marcas que a varíola tinha deixado para trás, criando uma suavidade artificial que se assemelhava à sua antiga beleza. As damas de companhia de Elizabeth descreveram mais tarde o ritual elaborado que rodeava a aplicação diária de maquiagem da rainha. Todas as manhãs, ela sentava-se durante horas enquanto camadas de ceruse eram cuidadosamente aplicadas no seu rosto, pescoço e mãos.

    O processo era meticuloso, exigindo múltiplas camadas para atingir a opacidade desejada. Sobre esta base, cosméticos adicionais eram aplicados: kohl à volta dos olhos, ruge feito de sulfureto de mercúrio nos lábios e bochechas, e delicados detalhes pintados para enfatizar as suas feições. Os resultados imediatos foram espetaculares.

    Embaixadores estrangeiros elogiaram mais uma vez a aparência de Elizabeth, notando a sua “pele de alabastro” e beleza etérea. As negociações de casamento foram retomadas com vigor renovado, à medida que príncipes europeus competiam pela mão da Rainha Virgem. Elizabeth tinha usado com sucesso a química para restaurar o seu poder político, mas também tinha iniciado um processo que envenenaria lentamente o seu corpo ao longo de quatro décadas.

    A tragédia da transformação pós-varíola de Elizabeth foi que funcionou demasiado bem. Os cosméticos à base de chumbo não só cobriam as suas cicatrizes, mas criavam uma imagem de perfeição de outro mundo que se tornou central para a sua identidade real.

    Ela não podia abandonar a maquiagem sem revelar a pele danificada por baixo, e não podia continuar a usá-la sem se sujeitar a doses diárias de metal tóxico. Ela tinha escolhido a beleza em detrimento da saúde, o poder político em detrimento do bem-estar físico, e ao fazê-lo, tinha-se colocado num caminho em direção a uma morte lenta e agonizante.

    O que começou como uma solução cosmética para cobrir cicatrizes de varíola evoluiu gradualmente para algo muito mais sinistro: um ritual diário de autoenvenenamento que continuaria por 40 anos. A rotina de maquiagem de Elizabeth, que os cortesãos descreviam como durando até 4 horas todas as manhãs, envolvia a aplicação sistemática de substâncias que a ciência moderna reconhece como estando entre os químicos mais perigosos conhecidos pela humanidade.

    O ceruse veneziano que formava a base do seu visual continha concentrações de chumbo que horrorizariam toxicologistas contemporâneos, enquanto os cosméticos adicionais aplicados por cima introduziam mercúrio, arsénico e outros compostos mortais no seu sistema. O chumbo no ceruse era particularmente insidioso porque era absorvido diretamente através da pele e acumulava-se nos tecidos do corpo ao longo do tempo.

    Ao contrário do envenenamento agudo, que produz sintomas imediatos, a exposição crónica ao chumbo cria uma lenta degradação das funções mentais e físicas que pode levar décadas a tornar-se aparente. A aplicação diária de camadas espessas de maquiagem à base de chumbo por Elizabeth significava que ela estava a receber doses deste metal tóxico que excediam em muito o que seria considerado seguro até para trabalhadores industriais nos tempos modernos.

    Relatos contemporâneos descreviam a maquiagem da rainha como tão espessa que se assemelhava mais a uma máscara do que a cosméticos tradicionais. Visitantes da corte notavam que o rosto de Elizabeth parecia ser “esculpido em mármore”, com uma suavidade não natural que parecia brilhar à luz das velas.

    O efeito era alcançado através da aplicação de múltiplas camadas de ceruse, cada uma construída sobre a anterior para criar uma superfície quase de porcelana. Esta aparência de máscara tornou-se tão associada a Elizabeth que muitos súditos nunca tinham visto o seu rosto natural. A dependência psicológica que se desenvolveu em torno desta rotina cosmética era tão perigosa quanto o envenenamento físico.

    Elizabeth convenceu-se de que o seu poder e legitimidade dependiam da manutenção desta aparência artificial. Ela proibiu a criação de retratos realistas nos seus últimos anos, insistindo que todas as imagens a mostrassem com o rosto suave e sem idade criado pela sua maquiagem. Os famosos retratos da “Máscara da Juventude”, que proliferaram durante as décadas finais do seu reinado, não eram convenções artísticas, mas propaganda deliberada projetada para esconder a realidade da sua condição deteriorada.

    O processo de aplicação tornou-se cada vez mais elaborado à medida que Elizabeth envelhecia e os efeitos do envenenamento por chumbo se tornavam mais aparentes. As suas damas de companhia relatavam que a rainha exigia aplicações cada vez mais espessas de ceruse para alcançar o efeito desejado, à medida que a sua pele natural se tornava mais danificada e descolorida.

    O que outrora tinham sido algumas camadas de maquiagem tornou-se um projeto de construção, com cosméticos aplicados tão espessamente que rachavam e descamavam ao longo do dia, exigindo retoques e reparações constantes. O custo económico desta rotina cosmética era impressionante. Elizabeth gastava o equivalente a milhões de dólares em moeda moderna nos seus mantimentos de maquiagem, importando o melhor ceruse de Veneza e pigmentos exóticos de todo o mundo conhecido.

    As despesas cosméticas da rainha representavam uma porção significativa do orçamento real, refletindo tanto a importância que ela atribuía à sua aparência quanto as quantidades crescentes de maquiagem necessárias para manter a ilusão de juventude e beleza. Mais tragicamente, Elizabeth parecia compreender a natureza perigosa da sua rotina cosmética, mas sentia-se impotente para abandoná-la.

    Vários dos seus conselheiros mais próximos, incluindo William Cecil, Lorde Burghley, instaram-na a reduzir o uso de maquiagem, particularmente à medida que circulavam relatos sobre as mortes de outras mulheres nobres por envenenamento cosmético. A resposta de Elizabeth era sempre a mesma. Ela não podia aparecer diante dos seus súditos ou dignitários estrangeiros sem o seu “rosto”, como ela chamava à sua maquiagem.

    A aparência artificial tinha-se tornado tão central para a sua identidade como rainha que removê-la parecia abdicar do próprio trono. À medida que a dependência de Elizabeth de cosméticos à base de chumbo se aprofundava, a corte real transformava-se num bizarro teatro de engano, onde a realidade se tornava cada vez mais difícil de distinguir da performance.

    A crescente paranoia da rainha sobre a sua aparência levou à instalação de espelhos especialmente projetados em todos os seus palácios, superfícies que tinham sido subtilmente curvadas ou tingidas para apresentar um reflexo mais lisonjeiro. Estes espelhos, criados por artesãos venezianos a um custo enorme, criavam um ambiente onde Elizabeth podia manter a ilusão de que a sua transformação cosmética era bem-sucedida, mesmo enquanto a sua aparência natural se deteriorava sob a máscara venenosa.

    Os efeitos psicológicos do envenenamento crónico por chumbo começaram a manifestar-se no comportamento de Elizabeth durante a década de 1580, embora os cortesãos atribuíssem a sua conduta cada vez mais errática ao stress de governar. O envenenamento por chumbo produz tipicamente sintomas que incluem irritabilidade, perda de memória, dificuldade de concentração e períodos de confusão, todos os quais se tornaram cada vez mais aparentes na rainha envelhecida.

    Os seus famosos acessos de raiva, que outrora tinham sido exibições calculadas de autoridade real, tornaram-se explosões imprevisíveis de fúria que aterrorizavam até os seus conselheiros mais confiáveis. O ritual diário de aplicar a sua maquiagem tornou-se uma forma de tortura da qual Elizabeth parecia incapaz de escapar.

    As suas damas de companhia descreviam um processo que era tanto fisicamente doloroso quanto emocionalmente devastador. O ceruse à base de chumbo queimava a sua pele, causando vermelhidão e irritação que exigiam ainda mais maquiagem para esconder. O peso dos cosméticos, aplicados em camadas tão espessas que se assemelhavam a gesso, causava dores de cabeça e dificultava as expressões faciais.

    O famoso sorriso de Elizabeth, outrora descrito como radiante e encantador, tornou-se uma careta rígida mantida pela pura força de vontade. As tentativas da rainha de preservar a sua aparência jovem tornaram-se cada vez mais desesperadas e bizarras. Ela começou a experimentar técnicas cosméticas que beiravam o grotesco, incluindo a aplicação de carne crua no rosto como um suposto tratamento antienvelhecimento e o uso de compostos à base de mercúrio que prometiam restaurar a sua tez natural.

    Estes tratamentos, recomendados por médicos da corte que compreendiam pouco sobre a química envolvida, apenas aumentavam a carga tóxica que o seu corpo já carregava. Embaixadores estrangeiros começaram a relatar observações perturbadoras sobre a aparência e o comportamento de Elizabeth. O embaixador veneziano notou que as mãos da rainha tremiam constantemente, a sua fala era por vezes arrastada e a sua memória parecia estar a falhar.

    Mais alarmante, ele relatou que a maquiagem dela tinha começado a adquirir um tom esverdeado, sugerindo que as reações químicas que ocorriam na sua pele eram visíveis mesmo através das camadas espessas de cosméticos. Estes relatos, circulados pelas cortes europeias, começaram a minar a autoridade diplomática de Elizabeth, à medida que potências estrangeiras questionavam se ela era mentalmente e fisicamente capaz de governar.

    O aspecto mais trágico deste período foi o isolamento crescente de Elizabeth. À medida que o seu comportamento se tornava mais errático e a sua aparência mais artificial, ela começou a retirar-se de aparições públicas e a limitar o acesso aos seus aposentos privados. A rainha, que outrora prosperara com a adoração pública e a intriga diplomática, tornou-se uma reclusa, emergindo apenas para as funções de estado mais essenciais.

    Mesmo assim, insistia em aparecer em salas mal iluminadas onde a extensão total da sua transformação cosmética seria menos aparente. A corte adaptou-se à condição deteriorada de Elizabeth desenvolvendo um sistema elaborado de protocolos projetados para proteger tanto a dignidade da rainha quanto a segurança dos cortesãos. Regras específicas governavam quão perto alguém se podia aproximar da rainha, a iluminação adequada para audiências e os tópicos de conversa aceitáveis.

    Estes protocolos, apresentados como questões de etiqueta real, eram na verdade medidas de segurança projetadas para prevenir situações em que a condição de Elizabeth pudesse tornar-se aparente para os visitantes ou onde o seu comportamento cada vez mais imprevisível pudesse criar incidentes perigosos. Na década de 1590, os efeitos cumulativos de quatro décadas de envenenamento por chumbo tinham começado a transformar Elizabeth I, da monarca mais formidável de Inglaterra, numa figura trágica cujo domínio da realidade estava lentamente a escorregar.

    A rainha, que outrora comandara respeito através do seu intelecto brilhante e perspicácia política, lutava agora com funções cognitivas básicas, embora os elaborados protocolos da corte em torno da sua pessoa tornassem difícil para qualquer um avaliar a verdadeira extensão do seu declínio. Os seus conselheiros mais próximos encontravam-se a gerir não apenas um reino, mas uma governante cada vez mais instável cujas decisões já não podiam ser confiadas.

    Os sintomas físicos do envenenamento crónico por chumbo tinham-se tornado impossíveis de esconder, apesar das camadas de cosméticos aplicadas todas as manhãs. As mãos de Elizabeth, outrora elogiadas pela sua elegância, tremiam agora constantemente, uma condição que os seus médicos atribuíam a uma disposição nervosa, mas que a medicina moderna reconheceria como um sinal clássico de toxicidade por metais pesados.

    O seu andar, outrora descrito como gracioso e autoritário, tinha-se tornado instável, exigindo que ela se segurasse em móveis ou cortesãos para apoio. O mais perturbador é que o seu famoso cabelo ruivo tinha começado a cair em tufos, forçando-a a depender de perucas cada vez mais elaboradas para manter a sua aparência pública. O estado mental da rainha mostrava uma deterioração ainda mais alarmante.

    Ela por vezes esquecia-se dos nomes de cortesãos de longa data ou ficava confusa sobre factos básicos do governo. Durante um incidente particularmente perturbador, Elizabeth foi encontrada nos seus aposentos privados a falar animadamente com o seu reflexo num espelho, aparentemente acreditando que estava a conversar com a sua mãe, Ana Bolena. Tais episódios tornaram-se mais frequentes à medida que a década avançava, embora fossem cuidadosamente escondidos de todos, exceto dos membros mais confiáveis da sua casa.

    O comportamento de Elizabeth para com os seus cortesãos tornou-se cada vez mais errático e por vezes violento. Ela entrava em fúria por questões triviais, batendo em servos com as mãos ou quaisquer objetos que estivessem ao seu alcance. Estes surtos eram seguidos por períodos de profunda melancolia, onde ela se recusava a falar durante dias a fio. Os efeitos psicológicos do envenenamento por chumbo, que incluem depressão, ansiedade e mudanças de personalidade, tinham-se combinado com o processo natural de envelhecimento para criar uma governante que era frequentemente imprevisível e por vezes perigosa.

    A rotina de maquiagem que outrora tinha sido a salvação de Elizabeth tornava-se agora uma forma de tortura diária. O processo de aplicação, que exigia que ela permanecesse imóvel durante horas, tornou-se fisicamente agonizante à medida que o seu corpo era atormentado pelos tremores e dores musculares associados ao envenenamento por chumbo. No entanto, ela não podia abandonar os cosméticos sem revelar a extensão da sua deterioração física.

    Por baixo das camadas de ceruse, a sua pele tinha-se tornado descolorida e lesionada, assemelhando-se mais a pergaminho do que a carne humana. Os cosméticos tóxicos tinham essencialmente mumificado o seu rosto enquanto ela ainda estava viva. Talvez mais tragicamente, Elizabeth parecia compreender o que lhe estava a acontecer. Em momentos privados com as suas damas de companhia mais próximas, ela falava de se sentir “envenenada pela beleza” e expressava arrependimento pelas escolhas que a tinham levado à sua condição atual.

    No entanto, sentia-se presa pela imagem que tinha criado, incapaz de aparecer diante dos seus súditos sem a elaborada transformação cosmética que a estava a matar. A Rainha Virgem tinha-se tornado prisioneira da sua própria vaidade, presa num ciclo de autodestruição que não conseguia quebrar. O próprio reino começou a sofrer com o declínio de Elizabeth.

    Decisões importantes eram adiadas por semanas enquanto a rainha lutava com a confusão ou permanecia trancada nos seus aposentos durante os seus episódios mais sombrios. A política externa tornou-se inconsistente à medida que o estado mental de Elizabeth afetava a sua capacidade de manter as complexas relações diplomáticas que tinham feito da Inglaterra uma grande potência europeia. A corte, outrora um centro de aprendizagem e cultura, tornou-se um lugar de conversas sussurradas e navegação cuidadosa em torno de uma monarca cada vez mais instável.

    O inverno de 1602 marcou o início da descida final de Elizabeth I à loucura que caracterizaria os seus últimos meses. Os efeitos acumulados de quatro décadas de envenenamento por chumbo tinham atingido um limiar crítico, produzindo sintomas que já não podiam ser escondidos nem mesmo de observadores casuais. A rainha, que outrora tinha sido celebrada pela sua inteligência aguçada e astúcia política, lutava agora para manter conversas coerentes, parando frequentemente a meio da frase como se tivesse esquecido o que estava a dizer.

    Os seus cortesãos assistiam horrorizados enquanto a mulher que tinha definido uma era desaparecia lentamente diante dos seus olhos. A manifestação mais perturbadora da condição deteriorada de Elizabeth era a sua crescente obsessão com a morte e o sobrenatural. Ela começou a relatar ver aparições de pessoas do seu passado, incluindo a sua mãe executada, Ana Bolena, e a sua meia-irmã, Maria Tudor.

    Estas alucinações, que a medicina moderna reconheceria como sintomas de envenenamento grave por chumbo, convenceram Elizabeth de que estava a ser assombrada pelos fantasmas daqueles que tinham sofrido sob o governo Tudor. Ela passava horas a falar com cadeiras vazias, aparentemente mantendo conversas com estes visitantes espectrais.

    A condição física de Elizabeth tinha-se tornado grotesca. As décadas de cosméticos à base de chumbo tinham deixado a sua pele natural tão danificada que já não conseguia cicatrizar adequadamente. Feridas e lesões cobriam o seu rosto e mãos, supurando constantemente e criando um cheiro que nem os perfumes mais fortes conseguiam mascarar. O seu cabelo, o pouco que restava, tinha-se tornado completamente branco e caía em tufos.

    O mais chocante de tudo, os seus dentes tinham começado a ficar pretos e a cair, um resultado comum do envenenamento por mercúrio do ruge que ela usava há décadas. A rotina de maquiagem que outrora levara 4 horas exigia agora dias inteiros para ser concluída. Múltiplas camadas de cosméticos eram necessárias para criar até mesmo a aparência de um rosto humano, e o processo tinha de ser repetido várias vezes, pois o peso dos cosméticos fazia com que rachassem e caíssem.

    As damas de companhia de Elizabeth descreviam a aplicação de maquiagem tão espessa que se assemelhava mais a uma máscara mortuária do que a cosméticos. O rosto da rainha tinha-se tornado um projeto de construção, reconstruído todos os dias a partir de materiais tóxicos que a estavam a matar lentamente. Talvez mais tragicamente, os últimos meses de Elizabeth foram marcados por uma terrível clareza sobre a sua condição.

    Nos seus momentos de lucidez, ela compreendia exatamente o que lhe tinha acontecido e expressava profundo arrependimento pelas escolhas que a tinham levado ao seu estado atual. Ela falava de ser “devorada pela vaidade” e descrevia o seu rosto como um “jardim venenoso” que se tinha tornado mais mortal a cada ano que passava. Estes momentos de percepção eram seguidos por períodos de confusão e alucinação que sugeriam que o seu cérebro estava a ser sistematicamente danificado pelos metais pesados no seu sistema.

    O comportamento da rainha tornou-se cada vez mais errático e por vezes perigoso. Ela entrava em fúrias violentas, atirando objetos e batendo em qualquer um ao seu alcance. Durante um episódio particularmente perturbador, foi encontrada nos seus aposentos a tentar raspar a maquiagem do rosto com as unhas, aparentemente a tentar remover o que ela chamava de “a máscara venenosa”. As feridas resultantes exigiram semanas para cicatrizar e deixaram cicatrizes permanentes que necessitaram de aplicações ainda mais espessas de cosméticos.

    A última aparição pública de Elizabeth na abertura do Parlamento em novembro de 1602 chocou até aqueles que vinham acompanhando o seu declínio. Testemunhas descreveram uma figura que mal se assemelhava à lendária Rainha Virgem, sustentada por roupas e cosméticos elaborados, mas claramente a morrer. A sua fala era arrastada e largamente incoerente, e teve de ser apoiada por cortesãos para evitar cair. A mulher que outrora comandara o respeito e o medo dos governantes mais poderosos da Europa tinha sido reduzida a um espetáculo trágico, um lembrete vivo do preço da vaidade e dos perigos de perseguir a beleza a qualquer custo.

    Nas semanas finais da vida de Elizabeth I, enquanto jazia moribunda no Palácio de Richmond, o comportamento da Rainha assumiu uma urgência que alarmou até os seus cortesãos mais experientes. Apesar da sua condição física deteriorada e episódios de confusão cada vez mais frequentes, Elizabeth tornou-se obcecada em escrever o que ela chamava de seu “último testamento”, um documento em que trabalhava em segredo, frequentemente durante as primeiras horas da manhã, quando o palácio estava quieto e a sua mente parecia mais clara.

    Esta carta, que seria descoberta entre os seus pertences após a sua morte, continha revelações tão perturbadoras que foram imediatamente suprimidas pelo seu sucessor, Jaime I. As sessões secretas de escrita da Rainha eram conduzidas no seu aposento mais privado, uma sala onde ela permitia apenas que a sua dama de companhia mais confiável, Catherine Carey, a atendesse.

    Carey descreveu mais tarde ter encontrado Elizabeth curvada sobre a sua secretária, as mãos tremendo violentamente enquanto lutava para formar letras com uma pena que parecia quase demasiado pesada para ela segurar. O ato físico de escrever tinha-se tornado tortuoso para a rainha, cujo sistema nervoso envenenado por chumbo mal conseguia controlar os seus movimentos. No entanto, ela persistiu com determinação desesperada.

    O que tornou a carta final de Elizabeth tão chocante foi a sua honestidade brutal sobre a realidade do seu reinado e o preço que tinha pago pelo poder. Numa caligrafia trémula que se tornava cada vez mais ilegível à medida que a sua condição piorava, ela confessou décadas de engano, manipulação e o que chamou de “o lento suicídio da vaidade”.

    O documento revelava que Elizabeth estava plenamente ciente dos perigos da sua rotina cosmética há anos, mas sentia-se incapaz de abandoná-la sem perder a sua autoridade política. Ela descreveu a sua aplicação diária de maquiagem como uma forma de “belo autoassassinato” que tinha escolhido em vez da alternativa de aparecer diante dos seus súditos no seu estado natural e danificado.

    Mais perturbadoramente, a carta sugeria que o envenenamento cosmético de Elizabeth poderia não ter sido inteiramente acidental. Ela escreveu cripticamente sobre “aqueles que me veriam pintada para a cova” e insinuou que certos membros da sua corte tinham encorajado os seus rituais de beleza cada vez mais perigosos, sabendo muito bem dos seus efeitos tóxicos. A rainha parecia acreditar que tinha sido vítima de um assassinato em câmara lenta, levado a cabo não com punhais ou taças de veneno, mas através da manipulação cuidadosa da sua vaidade e inseguranças.

    A carta continha também a própria análise de Elizabeth sobre como o envenenamento por chumbo tinha afetado o seu reinado durante os seus últimos anos. Ela reconheceu ter tomado decisões que não conseguia lembrar e assinado documentos que mais tarde lamentou, atribuindo estes erros ao que chamou de “o nevoeiro de metal na minha mente”.

    O mais chocante de tudo, ela admitiu períodos de apagões completos onde não tinha memória de horas ou mesmo dias, durante os quais temia que outros tivessem governado em seu nome sem o seu conhecimento ou consentimento. As últimas palavras escritas de Elizabeth foram talvez as mais trágicas de todas. Ela descreveu-se como tendo-se tornado “um fantasma assombrando o meu próprio trono” e expressou profundo arrependimento pelos sacrifícios que tinha feito em busca de um ideal impossível de eterna juventude e beleza.

    A mulher que tinha dado o seu nome a uma era inteira concluiu o seu reinado reconhecendo que se tinha destruído a si mesma ao serviço de uma imagem que nunca fora real para começar. A supressão imediata desta carta por Jaime I e os seus conselheiros fala do seu conteúdo potencialmente explosivo.

    A revelação de que a maior rainha de Inglaterra tinha passado os seus últimos anos a envenenar-se lentamente, enquanto possivelmente era manipulada pelos seus próprios cortesãos, teria minado toda a mitologia que tinha crescido em torno do reinado de Elizabeth. A carta desapareceu nos arquivos reais, onde permaneceu escondida durante séculos, deixando apenas rumores e relatos sussurrados do seu conteúdo para sugerir o verdadeiro horror dos últimos dias de Elizabeth.

    Em 24 de março de 1603, nas primeiras horas de uma manhã fria de primavera, a Rainha Elizabeth I deu o seu último suspiro num aposento que se tinha tornado um monumento à vaidade que a tinha matado lentamente. O quarto onde ela morreu era um quadro perturbador de beleza artificial e decadência natural, cheio de espelhos que refletiam nada além de sombras e implementos cosméticos que já não conseguiam disfarçar a realidade da sua condição.

    A mulher que outrora comandara os mares e derrotara o maior império da Europa morreu sozinha, exceto por um punhado de cortesãos que estavam demasiado aterrorizados para se aproximarem da sua cama, rodeada pelas ferramentas da sua própria destruição. As semanas finais da vida de Elizabeth tinham sido uma paródia grotesca da dignidade real.

    Incapaz de aplicar a sua maquiagem elaborada habitual devido à fraqueza nas mãos, fora forçada a permitir que as suas damas de companhia lhe pintassem o rosto todas as manhãs, embora o resultado fosse mais máscara do que rosto humano. As camadas espessas de ceruse aplicadas sobre a pele, que agora era mais lesão do que carne, criavam uma aparência tão perturbadora que até os seus servos mais leais achavam difícil olhar diretamente para ela.

    A rainha, que outrora fora elogiada pela sua beleza, tornara-se um “memento mori” vivo, um lembrete da mortalidade, vestido com as roupagens da eterna juventude. A agonia da morte de Elizabeth tornou-se mais horrível pelos sintomas de envenenamento agudo por chumbo que tinham finalmente atingido um estágio terminal.

    Ela sofreu convulsões violentas que fizeram com que a sua maquiagem cuidadosamente aplicada rachasse e caísse em pedaços, revelando a pele danificada por baixo. A sua respiração tornou-se difícil e irregular, pontuada por momentos em que ela se sentava subitamente e falava com figuras invisíveis, aparentemente vendo os fantasmas que tinham assombrado os seus últimos meses com frequência crescente.

    Os cortesãos presentes durante as últimas horas de Elizabeth descreveram mais tarde uma cena de horror quase sobrenatural. O rosto da rainha moribunda, parcialmente coberto pelos restos da sua máscara cosmética, parecia mudar e transformar-se à luz das velas, por vezes assemelhando-se à bela jovem mulher que ela fora outrora, outras vezes revelando as feições devastadas pelo veneno que jaziam sob décadas de ocultação química.

    A sua famosa peruca ruiva tinha escorregado, revelando manchas de couro cabeludo que estavam marcadas e descoloridas pelas substâncias tóxicas que lhes tinham sido aplicadas durante 40 anos. O mais perturbador de tudo foram as últimas palavras de Elizabeth, que sugeriam que, mesmo na morte, ela permanecia presa pela vaidade que a tinha destruído.

    De acordo com os relatos dos presentes, a sua última declaração coerente foi um pedido por um espelho, aparentemente querendo ver o seu reflexo uma última vez. Quando nenhum espelho foi trazido — os seus assistentes estavam demasiado horrorizados com a aparência dela para obedecer —, Elizabeth ficou agitada, tentando levantar as mãos ao rosto, como se tentasse sentir as feições que já não conseguia ver. O seu último gesto foi tocar na bochecha, onde os seus dedos saíram manchados com os restos do ceruse que tinha sido o seu companheiro constante durante quatro décadas.

    O rescaldo imediato da morte de Elizabeth revelou a extensão total do engano que tinha rodeado os seus últimos anos. Quando o seu corpo foi preparado para o enterro, os cosméticos tiveram de ser cuidadosamente removidos para revelar pele que estava tão danificada que mal se assemelhava a carne humana. A maquiagem à base de chumbo tinha criado uma forma de mumificação química, preservando algumas áreas enquanto destruía completamente outras.

    Os agentes funerários relataram que o cabelo natural de Elizabeth tinha desaparecido quase completamente. Os seus dentes eram cotos pretos e a sua pele mostrava a característica descoloração cinza-azulada do envenenamento crónico por chumbo. A descoberta da carta secreta de Elizabeth entre os seus pertences adicionou uma dimensão final arrepiante à tragédia da sua morte.

    O documento, com as suas revelações sobre o verdadeiro custo da sua rotina de beleza e insinuações de possível manipulação pelos seus cortesãos, sugeria que a maior rainha de Inglaterra tinha sido vítima do assassinato mais longo e elaborado da história. A mulher que tinha sobrevivido a todas as ameaças externas ao seu reinado tinha sido, em última análise, destruída pela sua própria incapacidade de aceitar o processo natural de envelhecimento, ajudada e incitada por aqueles que lucravam com a sua vaidade e insegurança.

    A morte de Elizabeth marcou não apenas o fim de uma era, mas o início de um dos encobrimentos mais bem-sucedidos da história. Dias após o falecimento da rainha, o seu sucessor, Jaime I, ordenou a destruição da maioria das evidências relacionadas com a sua rotina cosmética e os seus efeitos mortais. A causa oficial da morte foi listada simplesmente como “causas naturais adequadas à sua idade”, sem menção às décadas de autoenvenenamento que a tinham realmente matado.

    A carta secreta encontrada entre os seus pertences desapareceu nos arquivos reais, o seu conteúdo explosivo escondido da vista do público durante séculos. A prioridade imediata de Jaime I e dos seus conselheiros era preservar o mito de Gloriana, a Rainha Virgem que tinha transformado a Inglaterra numa grande potência europeia.

    A realidade dos últimos anos de Elizabeth — uma monarca mentalmente deteriorada envenenando-se lentamente com cosméticos tóxicos enquanto possivelmente era manipulada pela sua própria corte — teria minado toda a fundação da legitimidade Tudor. Em vez disso, emergiu uma narrativa cuidadosamente construída que retratava a morte de Elizabeth como o falecimento pacífico da maior governante de Inglaterra, rodeada por súditos leais e segura no conhecimento de que tinha cumprido o seu destino.

    A supressão da verdade sobre a morte de Elizabeth teve consequências de longo alcance para a história das mulheres e a compreensão dos cosméticos do início da era moderna. A natureza perigosa da maquiagem à base de chumbo era bem conhecida por alguns médicos e químicos da época. No entanto, esse conhecimento não foi amplamente disseminado, em parte porque a experiência de Elizabeth foi mantida em segredo.

    Inúmeras outras mulheres continuaram a usar estas substâncias tóxicas, inconscientes de que estavam a seguir os passos de uma rainha que tinha sido lentamente assassinada pela sua própria rotina de beleza. O mito de Elizabeth como a Rainha Virgem sem idade, eternamente jovem e bela, tornou-se uma das ferramentas de propaganda mais poderosas da história inglesa.

    Retratos encomendados após a sua morte continuaram a mostrá-la com a tez suave e pálida criada pela sua maquiagem, em vez de retratar a sua aparência natural. Esta imagem idealizada tornou-se tão enraizada na consciência popular que até historiadores modernos por vezes lutaram para separar a realidade da aparência de Elizabeth da imagem artificial que ela trabalhou tão arduamente para manter.

    As dimensões psicológicas da tragédia de Elizabeth também tiveram implicações duradouras para a compreensão da relação entre poder, género e aparência na Europa do início da era moderna. A sua história revelou o dilema impossível enfrentado pelas governantes femininas. Esperava-se que mantivessem a sua beleza e desejabilidade enquanto exerciam autoridade política. No entanto, os próprios cosméticos que usavam para satisfazer estas expectativas podiam literalmente matá-las.

    A morte de Elizabeth representou o fracasso final de um sistema que valorizava a aparência das mulheres acima da sua saúde e bem-estar. Talvez o mais perturbador de tudo fosse a possibilidade insinuada na carta secreta de Elizabeth de que o seu envenenamento cosmético não tivesse sido inteiramente acidental. A sugestão de que cortesãos tinham encorajado a sua rotina de beleza cada vez mais perigosa, sabendo dos seus efeitos tóxicos, levanta questões sobre a natureza do assassinato político na corte Tudor.

    Se Elizabeth tivesse de fato sido vítima de manipulação projetada para a incapacitar lentamente, representaria um dos assassinatos mais subtis e prolongados da história, realizado não com armas tradicionais, mas através da exploração da vaidade e insegurança. O verdadeiro legado da morte de Elizabeth I pode ser a demonstração de quão eficazmente as narrativas históricas podem ser controladas e manipuladas.

    Durante séculos, a versão oficial do seu falecimento pacífico foi aceite sem questionamento, enquanto as evidências do seu envenenamento lento permaneceram escondidas em arquivos e rumores sussurrados. Apenas nas últimas décadas os historiadores começaram a juntar as peças da realidade dos seus últimos anos, revelando uma história muito mais complexa e trágica do que o mito de Gloriana sugeriria.

    Os aterrorizantes últimos dias de Elizabeth servem como um lembrete de que até os indivíduos mais poderosos são vulneráveis às expectativas e pressões do seu tempo. A Rainha Virgem que tinha sobrevivido a todas as ameaças externas ao seu reinado foi, em última análise, destruída por forças internas: a sua própria vaidade, as exigências impossíveis da feminilidade do início da era moderna e possivelmente a manipulação daqueles em quem mais confiava.

    A sua morte marcou não apenas o fim da dinastia Tudor, mas a conclusão de uma das autodestruições mais prolongadas e trágicas da história, realizada uma aplicação cosmética de cada vez ao longo de 40 anos. No final, Elizabeth I morreu como tinha vivido as suas últimas décadas: presa atrás de uma máscara da sua própria criação, envenenada pelas próprias substâncias que acreditava preservarem o seu poder, e isolada pelos enganos necessários para manter uma imagem que há muito deixara de refletir a realidade.

    A mulher que tinha dado o seu nome a uma era tornou-se a sua vítima, sacrificando a vida no altar de um ideal impossível de eterna juventude e beleza que nenhum mortal, nem mesmo uma rainha, poderia verdadeiramente alcançar.

  • A Morte do Rei Eduardo II Foi Mais Horrível do Que Você Imagina

    A Morte do Rei Eduardo II Foi Mais Horrível do Que Você Imagina

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    Nos anais da história real inglesa, poucas mortes provocaram tanto debate, horror e fascínio quanto a do Rei Edward II em 1327. O que aconteceu por trás das paredes de pedra do Castelo de Berkeley naquela noite de setembro permanece um dos mistérios mais arrepiantes da Inglaterra medieval. Os registros oficiais falam de causas naturais. No entanto, relatos sussurrados contam algo muito mais sinistro.

    Uma morte tão brutal e simbólica que foi projetada não apenas para encerrar uma vida, mas para enviar uma mensagem que ecoaria através dos séculos. Edward Plantageneta nasceu para herdar um dos tronos mais poderosos da Europa. No entanto, morreu como prisioneiro em seu próprio reino, abandonado por seus nobres, traído por sua esposa e desprezado por muitos de seus súditos.

    O seu reinado, marcado por desastres militares e escândalos pessoais, culminou numa queda tão completa que até a forma da sua morte se tornou uma arma empunhada pelos seus inimigos. A história que você está prestes a ouvir desafia tudo o que você pensava saber sobre a justiça medieval, o poder real e até onde as pessoas irão para apagar um legado que desprezam.

    Os métodos alegadamente usados para acabar com a vida de Edward não foram escolhidos aleatoriamente. Foram calculados, simbólicos e concebidos para refletir o que os seus inimigos viam como os seus maiores pecados. Mas separar o fato histórico da propaganda política neste caso exige que naveguemos através de camadas de rumores, relatos de cronistas e desinformação deliberada que obscureceram a verdade por quase sete séculos.

    O que emerge é um conto que revela tanto sobre as atitudes medievais em relação ao poder, sexualidade e punição quanto sobre o fim trágico de um rei. Esta não é apenas a história de como um rei morreu, mas de como o poder pode corromper, como relacionamentos pessoais podem derrubar reinos e como a busca por vingança pode levar a atos de crueldade inimaginável.

    Ao mergulharmos no capítulo final da vida de Edward II, exploraremos não apenas o que pode ter acontecido naquela cela do castelo, mas por que aconteceu, quem foi o responsável e o que isso nos diz sobre uma época em que o assassinato político era tanto uma arte quanto uma declaração. A verdade sobre a morte de Edward II é mais complexa e mais horrível do que a simples narrativa de um rei deposto encontrando o seu fim.

    É uma história que nos força a confrontar questões desconfortáveis sobre justiça, sexualidade e o preço do poder absoluto. Questões que permanecem perturbadoramente relevantes até hoje. Para entender o horror dos momentos finais de Edward II, devemos primeiro compreender o homem que ele era e o mundo que o moldou. Nascido em 1284 como o quarto filho do formidável Edward I, conhecido como “Longshanks”, o jovem Edward cresceu à sombra de um dos reis guerreiros mais bem-sucedidos da Inglaterra.

    O seu pai tinha conquistado o País de Gales, dominado a Escócia e estabelecido a Inglaterra como uma formidável potência militar. A expectativa era que Edward continuasse este legado de força e conquista. Mas desde os seus primeiros anos, ficou claro que ele era feito de um tecido muito diferente. A Inglaterra medieval no início do século XIV era uma sociedade construída sobre hierarquias rígidas e expectativas intransigentes de comportamento real.

    Esperava-se que os reis fossem guerreiros em primeiro lugar, liderando os seus exércitos em batalha e expandindo os seus territórios através da conquista. Deveriam ser cristãos piedosos, maridos zelosos e pais que pudessem garantir a sucessão real. Relacionamentos pessoais, particularmente aqueles que pudessem ser vistos como inadequados ou politicamente desvantajosos, eram subordinados às necessidades da coroa e do reino.

    Os problemas de Edward começaram quase imediatamente após a sua ascensão ao trono em 1307. Ao contrário do seu pai, que tinha conquistado respeito através de vitórias militares e governança forte, Edward II parecia mais interessado nos seus relacionamentos pessoais e atividades de lazer do que no trabalho exigente da realeza.

    A sua profunda amizade com um cavaleiro gascão chamado Piers Gaveston tornou-se a fonte de controvérsia imediata, não apenas pela sua intensidade, mas porque Edward elevou Gaveston a posições de poder que indignaram a nobreza estabelecida. A estrutura política da Inglaterra medieval dependia de um equilíbrio delicado entre a autoridade real e o privilégio nobre.

    Os grandes barões esperavam ser consultados sobre assuntos de estado, ocupar os cargos mais importantes e beneficiar do patrocínio real. Quando Edward, em vez disso, prodigalizou títulos, terras e influência a Gaveston, um estrangeiro de nascimento relativamente modesto, ele perturbou este arranjo fundamental. O título de Conde da Cornualha, um dos mais prestigiados da Inglaterra, foi concedido a Gaveston, juntamente com vastas propriedades e o óbvio favor do rei em todos os assuntos.

    O que tornou esta situação ainda mais explosiva foi a natureza do relacionamento entre Edward e Gaveston. Cronistas medievais, escrevendo com vários graus de hostilidade em relação ao rei, descreveram o vínculo deles em termos que os contemporâneos acharam profundamente perturbadores. Se o relacionamento deles era romântico, como muitos historiadores acreditam agora, ou simplesmente uma amizade incomumente intensa, violava as expectativas medievais de como um rei deveria se comportar.

    Numa época em que casamentos reais eram ferramentas diplomáticas e desejos pessoais deviam ser subordinados à necessidade política, a óbvia devoção de Edward a Gaveston apareceu para muitos como uma fraqueza perigosa que ameaçava a estabilidade do reino. A crise aprofundou-se quando as campanhas militares de Edward começaram a falhar espetacularmente.

    O seu pai tinha-lhe deixado conflitos em curso na Escócia, onde Robert the Bruce lutava pela independência escocesa. Em vez das vitórias rápidas que poderiam ter restaurado a confiança na sua liderança, Edward sofreu uma série de derrotas humilhantes. A mais devastadora foi a Batalha de Bannockburn em 1314, onde uma força escocesa significativamente menor derrotou o exército inglês, capturando numerosos nobres e desferindo um golpe no prestígio inglês do qual Edward nunca se recuperou.

    Bannockburn foi mais do que apenas uma derrota militar. Foi um fracasso catastrófico de liderança que expôs as inadequações fundamentais de Edward como rei guerreiro. A guerra medieval era tanto sobre presença real e inspiração quanto sobre táticas e números. Um rei que não conseguia liderar as suas forças à vitória, que parecia indeciso ou fraco diante do inimigo, perdia não apenas batalhas, mas a mística essencial da autoridade real.

    Os nobres de Edward começaram a vê-lo não como o seu líder divinamente apontado, mas como um obstáculo ao sucesso e segurança da Inglaterra. O rescaldo de Bannockburn viu o surgimento de oposição nobre organizada ao governo de Edward. Liderados pelo seu próprio primo, Thomas de Lancaster, um grupo de poderosos barões começou a impor restrições cada vez mais severas à autoridade do rei.

    Eles exigiram o direito de aprovar nomeações reais, controlar as finanças reais e essencialmente reduzir Edward a uma figura decorativa. Este conflito não era simplesmente sobre desacordos políticos. Era sobre se Edward II estava apto para governar. A situação tornou-se ainda mais volátil com o casamento do rei com Isabella de França em 1308.

    Inicialmente arranjado como uma aliança diplomática para fortalecer os laços entre Inglaterra e França, o casamento começou de forma bastante promissora. Isabella era inteligente, bonita e politicamente astuta. Exatamente o tipo de rainha que poderia ter ajudado a estabilizar o reinado conturbado de Edward. Ela deu-lhe quatro filhos, incluindo o futuro Edward III, aparentemente cumprindo o seu dever principal como esposa real.

    No entanto, a posição de Isabella tornou-se cada vez mais difícil à medida que o relacionamento de Edward com os seus favoritos continuava a dominar a vida na corte. Após a eventual execução de Gaveston por nobres hostis em 1312, Edward formou relacionamentos similarmente intensos com outros homens, mais notavelmente Hugh Despenser, o Jovem. Os Despenser, pai e filho, tornaram-se ainda mais poderosos e mais odiados do que Gaveston tinha sido, essencialmente governando a Inglaterra através da sua influência sobre o rei, enquanto acumulavam vasta riqueza e propriedades para si mesmos.

    Para Isabella, assistir ao marido prodigalizar atenção, afeto e recursos aos seus favoritos masculinos enquanto negligenciava os seus deveres reais e o seu casamento, a situação tornou-se insuportável. Ela não era apenas uma esposa ciumenta. Ela era uma rainha cuja posição política e dignidade pessoal estavam sendo sistematicamente minadas pelo comportamento de Edward.

    A corte francesa, onde ela tinha crescido, via a situação inglesa com crescente alarme e desprezo, vendo o reinado de Edward como uma desgraça para a dignidade real e um insulto à sua filha. O ponto de ruptura veio em meados da década de 1320, quando Isabella, durante uma missão diplomática à França, recusou-se a voltar para a Inglaterra. Em vez disso, ela começou um caso aberto com Roger Mortimer, um barão inglês exilado que tinha as suas próprias razões para querer vingança contra Edward II.

    Mortimer tinha sido preso na Torre de Londres, mas escapou para a França, onde ele e Isabella começaram a planear o que se tornaria um dos golpes palacianos mais bem-sucedidos da história. O relacionamento deles era tanto pessoal quanto político. Isabella encontrou em Mortimer o tipo de homem forte e decisivo que esperava encontrar no seu marido, enquanto Mortimer viu em Isabella o veículo perfeito para o seu retorno ao poder na Inglaterra.

    Juntos, começaram a reunir uma força de invasão, angariando apoio de nobres ingleses descontentes e preparando-se para derrubar Edward II pela força. A rainha transformou-se de uma esposa negligenciada na líder de uma revolução contra o seu próprio marido. A invasão de 1326 foi rápida e devastadora. Isabella e Mortimer desembarcaram em Suffolk com uma pequena força, mas o regime de Edward colapsou quase imediatamente.

    Anos de ressentimento contra os Despenser e desgosto com o governo de Edward significavam que poucos estavam dispostos a lutar pelo rei. Nobre após nobre declarou-se por Isabella, e Edward viu-se praticamente sem apoio. Os Despenser foram capturados e executados com extrema brutalidade. Hugh Despenser, o Jovem, foi enforcado, arrastado e esquartejado, mas não antes de ser submetido a torturas adicionais que refletiam a raiva que o seu governo tinha gerado.

    O próprio Edward fugiu para o oeste, tentando alcançar o País de Gales ou a Irlanda, onde poderia encontrar refúgio, mas foi capturado perto da fronteira galesa em novembro de 1326. O homem que outrora fora um dos monarcas mais poderosos da Europa era agora um prisioneiro, totalmente à mercê daqueles que ele alienara através de anos de mau governo.

    A sua captura marcou não apenas o fim do seu reinado, mas o início de uma campanha cuidadosamente orquestrada para destruí-lo completamente, não apenas como rei, mas como homem. A deposição de Edward II foi sem precedentes na história inglesa. Nunca antes um rei tinha sido formalmente removido do trono enquanto ainda estava vivo. E o processo exigiu manobras legais e políticas cuidadosas para criar até mesmo uma aparência de legitimidade.

    Isabella e Mortimer, agora governando em nome do jovem filho de Edward, o futuro Edward III, tiveram de caminhar numa linha delicada entre parecer agir legalmente e garantir que Edward nunca pudesse ameaçar a sua posição novamente. O Parlamento foi convocado em janeiro de 1327, embora dificilmente fosse uma deliberação livre.

    Com os apoiadores de Mortimer controlando Londres e Edward preso, os nobres e clérigos reunidos foram apresentados a uma escolha dura: depor formalmente Edward II ou enfrentar as consequências de se opor ao novo regime. As acusações contra Edward eram devastadoras: incompetência, falha em defender o reino, permitir que favoritos governassem no seu lugar e trazer desonra à coroa. Embora estas acusações contivessem verdade substancial, o processo foi essencialmente um julgamento de fachada projetado para fornecer cobertura legal para o que era fundamentalmente um golpe bem-sucedido.

    O aspecto mais inovador da deposição foi a sua reivindicação de representar a vontade de todo o reino. Em vez de ser simplesmente uma revolução palaciana, Isabella e Mortimer insistiram que estavam agindo em nome de toda a Inglaterra — nobres, clérigos e plebeus — para remover um rei inapto e substituí-lo por alguém capaz de governar adequadamente.

    Este foi um desenvolvimento constitucional radical que teria implicações duradouras para a governança inglesa, estabelecendo precedentes para o envolvimento parlamentar na sucessão real que ressurgiriam em séculos posteriores. A abdicação formal de Edward foi garantida através de uma combinação de pressão legal e ameaças implícitas. Representantes foram enviados ao Castelo de Kenilworth, onde ele estava detido, para informá-lo da decisão do Parlamento e exigir a sua renúncia formal à coroa.

    A cena, conforme registrada pelos cronistas, foi patética. O ex-rei, agora vestido com roupas pretas simples, chorou ao concordar em entregar o seu trono ao filho. Se esta abdicação foi genuinamente voluntária ou extraída sob coação permanece uma questão de debate histórico. Mas a realidade prática era que Edward não tinha escolha.

    O novo governo enfrentou um problema fundamental: o que fazer com o rei deposto. Simplesmente libertá-lo era impossível. Ele sempre representaria um ponto de encontro potencial para a oposição ao novo regime. Mantê-lo preso indefinidamente era politicamente perigoso e caro. Havia precedentes em outros reinos para lidar com ex-governantes inconvenientes, mas nenhum que correspondesse exatamente à situação de Edward. A solução que eventualmente adotaram foi tanto sutil quanto sinistra.

    Edward foi transferido de Kenilworth para o Castelo de Berkeley em Gloucestershire, ostensivamente por razões de segurança e custo. Berkeley era propriedade de Thomas de Berkeley, um barão cuja família tinha sofrido sob o governo de Edward e em quem se podia confiar para garantir que o ex-rei permanecesse confinado com segurança. A escolha de Berkeley não foi acidental.

    Era remoto o suficiente para impedir tentativas de resgate, seguro o suficiente para impedir a fuga e controlado por alguém com razões pessoais para odiar Edward II. As condições do aprisionamento de Edward em Berkeley foram deliberadamente duras. Foram-se os confortos apropriados ao seu nascimento real.

    Em vez disso, ele foi mantido numa cela projetada para quebrar o seu espírito e minar a sua saúde. A guerra psicológica foi tão importante quanto as restrições físicas. Edward deveria ser despojado não apenas da sua coroa e liberdade, mas da sua dignidade e esperança. Cada aspecto da sua existência diária foi calculado para lembrá-lo da sua queda em desgraça e da sua completa dependência da misericórdia dos seus captores.

    De acordo com alguns relatos contemporâneos, as condições em Berkeley foram projetadas para matar Edward lentamente, mantendo ao mesmo tempo uma negação plausível sobre a causa da sua morte. A cela foi alegadamente posicionada acima dos esgotos do castelo, expondo-o a doenças e ar fétido; a sua comida era pobre e irregular, a sua cama inadequada e o seu tratamento deliberadamente humilhante.

    Se ele morresse de doença ou desespero, os seus captores poderiam alegar que simplesmente o tinham mantido conforme instruído, sem intenção de causar a sua morte. No entanto, esta abordagem gradual para a eliminação de Edward aparentemente provou-se demasiado lenta para aqueles no poder. No verão de 1327, as pressões políticas estavam aumentando para uma solução mais permanente para o problema do rei deposto.

    Rumores circulavam sobre possíveis tentativas de resgate, e cortes estrangeiras começavam a fazer perguntas desconfortáveis sobre o tratamento de Edward. Isabella e Mortimer precisavam que Edward morresse, mas precisavam que a sua morte parecesse natural, ou pelo menos não obviamente assassina. A decisão de passar de medidas passivas para ativas contra a vida de Edward marcou um ponto de viragem crucial neste capítulo sombrio da história inglesa.

    O que aconteceu a seguir no Castelo de Berkeley tornar-se-ia um dos episódios mais debatidos e horríveis nas crónicas medievais. Uma história tão brutal e simbólica que muitos historiadores questionaram se poderia ser verdade. No entanto, as evidências sugerem que algo verdadeiramente terrível ocorreu naquela cela do castelo.

    Algo que refletia não apenas o desejo de eliminar um inimigo político, mas de enviar uma mensagem sobre as consequências de violar as expectativas medievais de comportamento real. O verão de 1327 trouxe pressão crescente sobre Isabella e Mortimer para resolver o problema de Edward II permanentemente. Cortes estrangeiras, particularmente na França e no Sacro Império Romano, começavam a fazer perguntas diretas sobre o tratamento do ex-rei.

    O Papa João XXII tinha expressado preocupação com o bem-estar de Edward e havia rumores persistentes de conspirações para resgatá-lo do Castelo de Berkeley. Mais preocupantes ainda eram os relatos de que alguns nobres ingleses estavam a reconsiderar a deposição, questionando se tinham ido longe demais ao remover um rei ungido do seu trono. O cálculo político era brutal, mas claro.

    Edward II vivo seria sempre uma ameaça ao novo regime. Enquanto vivesse, permanecia o rei legítimo aos olhos de muitos, independentemente da sua abdicação formal. O seu filho Edward III ainda era menor, o que significava que o poder de Isabella e Mortimer dependia inteiramente da sua capacidade de impedir qualquer restauração do rei deposto. Eles tinham cruzado uma linha que tornava a reconciliação impossível.

    Eles tinham que levar o seu golpe até à sua conclusão lógica, não importa quão sombria essa conclusão pudesse ser. A solução que emergiu foi característica do assassinato político medieval na sua combinação de negação e simbolismo. Edward não podia simplesmente ser esfaqueado ou envenenado de uma maneira óbvia.

    Tal morte faria dele um mártir e potencialmente provocaria rebelião entre aqueles que ainda sentiam lealdade à linhagem real legítima. Em vez disso, a sua morte precisava parecer natural, servindo simultaneamente como um aviso aos outros sobre as consequências de desafiar a nova ordem. Cronistas contemporâneos, escrevendo anos ou até décadas após os eventos, fornecem relatos conflitantes sobre o que exatamente aconteceu no Castelo de Berkeley em setembro de 1327.

    Alguns simplesmente afirmam que Edward morreu de causas naturais, vencido pela dor e maus tratos. Outros insinuam circunstâncias mais sinistras sem fornecer detalhes. Mas os relatos mais detalhados e perturbadores descrevem uma morte tão horrível e simbolicamente carregada que parece projetada não apenas para acabar com a vida de Edward, mas para destruir a sua reputação e aterrorizar os seus potenciais apoiadores.

    A versão mais amplamente relatada da morte de Edward envolve um método de execução que foi brutalmente eficaz e profundamente simbólico. De acordo com estes relatos, o ex-rei foi segurado pelos seus guardas enquanto um “ferro em brasa” era inserido no seu corpo através do reto, queimando os seus órgãos internos e causando uma morte agonizante que não deixava marcas externas de violência.

    Este método permitiria aos seus assassinos alegar que ele tinha morrido de causas naturais, garantindo ao mesmo tempo que a sua morte fosse o mais dolorosa e humilhante possível. A natureza simbólica deste alegado método de execução não pode ser ignorada. No pensamento medieval, as punições eram frequentemente projetadas para refletir a natureza do crime, e os supostos relacionamentos homossexuais de Edward com os seus favoritos tinham escandalizado os seus contemporâneos.

    Se os relatos forem precisos, a sua morte foi elaborada como a expressão máxima de desprezo pelo que os seus inimigos viam como as suas transgressões sexuais e o seu fracasso em incorporar a autoridade real masculina adequada. As praticidades de tal execução teriam exigido um planeamento cuidadoso e a cumplicidade de múltiplos indivíduos.

    O ferro precisaria ser aquecido à temperatura certa, a vítima contida eficazmente e o ato realizado com habilidade suficiente para atingir o seu propósito deixando evidências mínimas. Este não foi um crime passional ou uma decisão de momento.

    Teria sido um ato calculado de terrorismo político projetado para enviar uma mensagem sobre as consequências de cruzar Isabella e Mortimer. O momento da morte de Edward, em 21 de setembro de 1327, foi anunciado com prontidão suspeita ao novo governo em Londres. A causa oficial foi dada como morte natural devido a desgosto e doença, e arranjos funerais elaborados foram feitos rapidamente para demonstrar o respeito do novo regime pela dignidade real.

    O corpo de Edward foi exibido publicamente antes do enterro, supostamente não mostrando sinais óbvios de violência, o que seria consistente com o alegado método do seu assassinato. A reação à notícia da morte de Edward variou dramaticamente dependendo da posição política de cada um.

    Isabella e Mortimer expressaram luto apropriado enquanto celebravam em privado a remoção da sua maior ameaça. Apoiadores do antigo regime sussurraram sobre assassinato, mas não ousaram falar abertamente. As pessoas comuns, que tinham sofrido sob o mau governo de Edward mas mantinham algum respeito pela autoridade real, ficaram confusas e perturbadas pela rápida sequência de eventos que viram o seu rei deposto, preso e morto em menos de um ano.

    O que torna a história da morte de Edward particularmente arrepiante não é apenas a brutalidade do alegado método, mas o cálculo frio que representa. Este não foi um crime cometido a sangue quente ou em desespero. Foi assassinato político elevado ao nível de arte performática, projetado para destruir não apenas um homem, mas a própria ideia dele.

    O simbolismo era tão importante quanto o resultado prático, servindo de aviso a qualquer um que pudesse desafiar a nova ordem sobre o que poderiam esperar se falhassem. O rescaldo imediato da morte de Edward II revelou o planeamento cuidadoso que tinha entrado neste ato final da sua tragédia. Em poucas horas após o anúncio, mensageiros foram despachados por toda a Inglaterra, levando a notícia a xerifes, nobres e autoridades da igreja.

    A velocidade e coordenação desta comunicação sugeriram que a morte tinha sido antecipada e preparada, em vez de ser o evento natural repentino que os relatos oficiais afirmavam. O próprio Castelo de Berkeley tornou-se uma cena de crime cuidadosamente gerida.

    Thomas de Berkeley, o proprietário do castelo, distanciou-se imediatamente de qualquer responsabilidade pela morte de Edward, alegando que estivera ausente do castelo no momento crucial. Esta ausência conveniente foi quase certamente planeada com antecedência, proporcionando a Berkeley uma negação plausível, garantindo ao mesmo tempo que alguém com autoridade suficiente estivesse disponível para supervisionar os momentos finais de Edward.

    Os outros indivíduos presentes no castelo, guardas, servos e oficiais, foram jurados ao segredo ou eliminados como potenciais testemunhas. A preparação do corpo de Edward para exibição pública representou outro elemento crucial no encobrimento.

    Técnicas de embalsamamento medievais eram primitivas, mas suficientes para preservar um cadáver pelas várias semanas necessárias para organizar um funeral real. Mais importante ainda, o processo de embalsamamento destruiria grande parte da evidência interna da alegada tortura, tornando virtualmente impossível para qualquer um desafiar a causa oficial da morte através do exame dos restos mortais. O funeral em si foi uma obra-prima de teatro político projetada para demonstrar o luto legítimo de Isabella e Mortimer enquanto reforçava a sua autoridade como protetores da dignidade real.

    O corpo de Edward foi levado de Berkeley para a Catedral de Gloucester com cerimónia apropriada, atraindo multidões de observadores que podiam ver por si mesmos que o ex-rei não mostrava sinais óbvios de violência. O túmulo elaborado erguido para ele, que ainda existe hoje, proclamava-o como um rei legítimo que tinha morrido naturalmente, não como uma vítima de assassinato. Talvez o mais revelador tenha sido o tratamento daqueles mais diretamente envolvidos no aprisionamento final de Edward.

    Meses após a sua morte, vários dos guardas e oficiais no Castelo de Berkeley encontraram fins suspeitos. Alguns morrendo em acidentes, outros desaparecendo completamente, e outros ainda sendo encontrados mortos em circunstâncias que sugeriam que sabiam demais sobre o que realmente tinha acontecido.

    Esta eliminação sistemática de testemunhas representa a fase final do encobrimento, garantindo que a verdade sobre a morte de Edward morresse com aqueles que a tinham testemunhado. As consequências políticas mais amplas da morte de Edward desenrolaram-se exatamente como Isabella e Mortimer tinham planeado. Com o ex-rei permanentemente eliminado, a oposição ao novo regime colapsou.

    O jovem Edward III foi coroado com cerimónia apropriada, mas o poder real permaneceu firmemente nas mãos da sua mãe e do seu amante. Por vários anos, o governo deles pareceu seguro, justificado pela remoção de um rei incompetente e pela instalação do que parecia ser um governo mais eficaz.

    No entanto, a própria brutalidade que tornou o assassinato de Edward politicamente eficaz também continha as sementes da eventual queda de Isabella e Mortimer. As histórias sussurradas sobre o que realmente tinha acontecido no Castelo de Berkeley criaram uma corrente subjacente de repulsa e medo que gradualmente minou a sua autoridade. Muitos que tinham apoiado a deposição de Edward II começaram a questionar se tinham libertado forças demasiado sombrias e perigosas para controlar.

    A linha entre ação política necessária e crueldade imperdoável tinha sido cruzada, e a autoridade moral do novo regime estava permanentemente comprometida. A reação internacional à morte de Edward foi mais contida do que se poderia esperar. Em parte porque a maioria das cortes estrangeiras estava aliviada em ver a crise política da Inglaterra resolvida, e em parte porque a história oficial de morte natural era difícil de desafiar sem evidências concretas.

    No entanto, a correspondência privada entre cortes reais revela considerável suspeita sobre as verdadeiras circunstâncias do fim de Edward. E essa suspeita afetou os relacionamentos diplomáticos da Inglaterra nos anos vindouros. Mais significativamente, o jovem Edward III absorveu lições do destino do seu pai que moldariam a sua própria abordagem à realeza.

    À medida que envelhecia e começava a afirmar a sua própria autoridade, ele não demonstrava nenhuma da fraqueza ou indecisão do pai. A sua eventual derrubada de Isabella e Mortimer em 1330 foi rápida e decisiva, sugerindo que ele tinha aprendido tanto com os fracassos do seu pai quanto com os métodos usados para destruí-lo. A brutalidade que tinha eliminado Edward II acabou por criar as condições para a sua própria punição.

    A questão de saber se Edward II foi realmente assassinado da maneira horrível descrita por alguns cronistas fascinou historiadores durante séculos. A evidência é contraditória e politicamente motivada, tornando conclusões definitivas impossíveis. O que podemos dizer com certeza é que pessoas poderosas queriam Edward morto, que ele morreu sob circunstâncias suspeitas enquanto estava sob a custódia delas, e que as explicações oficiais foram projetadas mais para proteger os perpetradores do que para revelar a verdade.

    Alguns historiadores modernos argumentam que toda a história do brutal assassinato de Edward foi uma invenção posterior projetada para manchar a reputação de Isabella e Mortimer após a sua própria queda. De acordo com esta teoria, Edward pode ter morrido naturalmente ou ter sido morto de uma maneira mais convencional, com os detalhes horríveis adicionados posteriormente por cronistas que queriam enfatizar a maldade dos usurpadores.

    A natureza simbólica do alegado método de execução, tão perfeitamente projetada para refletir atitudes medievais sobre as supostas transgressões sexuais de Edward, parece quase “perfeita demais” para ser um fato histórico. No entanto, outras evidências apoiam a interpretação mais sombria dos eventos: a eliminação sistemática de testemunhas, a gestão cuidadosa da cena de morte de Edward e os benefícios políticos que o seu assassinato proporcionou a Isabella e Mortimer sugerem que algo mais sinistro do que morte natural ocorreu no Castelo de Berkeley. O fato de que métodos de execução semelhantes foram usados em outros assassinatos políticos medievais confere credibilidade aos relatos, mesmo que os detalhes específicos possam ter sido embelezados ao longo do tempo.

    Talvez o argumento mais convincente para a teoria do assassinato esteja na lógica política da situação. Isabella e Mortimer tinham-se comprometido com um curso de ação que tornava a existência contínua de Edward impossível.

    Eles tinham deposto um rei ungido, tomado o poder em nome do seu filho menor e eliminado os apoiadores de Edward através de execução e exílio. Em tais circunstâncias, permitir que Edward vivesse teria sido não apenas politicamente perigoso, mas suicida. Eles tinham ido longe demais para voltar atrás. O método alegadamente usado para matar Edward, se preciso, revela um nível de sofisticação psicológica que fala ao entendimento medieval de poder, vergonha e justiça simbólica.

    Isto não foi simplesmente assassinato, mas uma declaração cuidadosamente elaborada sobre as consequências de violar normas sociais. Os supostos relacionamentos homossexuais de Edward tinham escandalizado os seus contemporâneos, e a sua morte foi projetada para refletir e punir essas transgressões da maneira mais brutal possível.

    O que torna este caso particularmente perturbador é a maneira como combina vingança pessoal com necessidade política. As motivações de Isabella não eram puramente políticas. Ela tinha sido pessoalmente humilhada pela negligência de Edward e pela sua óbvia preferência por favoritos masculinos em detrimento da sua esposa e rainha. O alegado método da sua execução sugere um grau de vingança pessoal que vai além do mero cálculo político, refletindo a raiva de uma mulher que tinha sido sistematicamente degradada e ignorada pelo homem que deveria honrá-la e protegê-la.

    O legado da morte de Edward II estende-se muito além das consequências políticas imediatas de 1327. A história, seja factual ou lendária, tornou-se parte do folclore inglês e da consciência política, servindo como um aviso sobre os perigos de uma realeza fraca e as consequências de violar normas sociais.

    Estabeleceu precedentes para a deposição de reis que ressurgiriam durante crises constitucionais posteriores, particularmente durante a Guerra Civil Inglesa e a eventual execução de Charles I. O caso também revela a relação medieval entre sexualidade, poder e legitimidade política de maneiras que permanecem desconfortáveis e relevantes hoje.

    A queda de Edward não foi simplesmente sobre os seus fracassos como líder militar ou administrador. Foi sobre o seu fracasso percebido em incorporar a autoridade masculina adequada e a sua aparente preferência por relacionamentos que violavam as expectativas sociais contemporâneas. A sua morte, real ou imaginada, foi projetada para punir não apenas a incompetência política, mas a transgressão sexual.

    Para o público moderno, a história da morte de Edward II levanta questões difíceis sobre a natureza da verdade histórica e as maneiras pelas quais a propaganda política pode moldar a nossa compreensão do passado. Os relatos do seu assassinato brutal podem ser registros factuais de um crime horrível, ou podem ser invenções posteriores projetadas para justificar as ações do seu filho, Edward III, e manchar a reputação de Isabella e Mortimer.

    A verdade pode estar perdida para sempre no labirinto da política e propaganda medieval. O que permanece claro é que o destino de Edward II serve como um lembrete gritante dos custos do fracasso político numa era em que o poder era pessoal, absoluto e implacável. Quer ele tenha morrido naturalmente, tenha sido assassinado convencionalmente ou sofrido o fim brutal descrito pelos cronistas, a sua morte marcou o fim de um dos reinados mais trágicos da história inglesa e abriu um novo capítulo na longa luta entre a autoridade real e a resistência nobre.

    A sombra lançada pela morte de Edward II estendeu-se muito além da sua própria vida, influenciando a política inglesa e o comportamento real por gerações. A própria possibilidade de que um rei pudesse não apenas ser deposto, mas assassinado de uma maneira tão brutal e simbólica, alterou fundamentalmente a relação entre governante e governado.

    Os reis não podiam mais assumir que a sua nomeação divina os protegia das consequências finais do fracasso político. O precedente tinha sido estabelecido de que até mesmo a realeza ungida poderia enfrentar a morte se alienasse suficientemente os seus súditos. Edward III, que herdou o trono como resultado da deposição e morte do pai, aprendeu bem estas lições.

    O seu reinado tornou-se um de glória militar e competência administrativa, marcado por vitórias na França e na Escócia que restauraram o prestígio inglês e demonstraram o tipo de realeza guerreira que o seu pai tinha falhado tão conspicuamente em fornecer. Consciente ou não, o sucesso de Edward III representou um repúdio sistemático de tudo o que o seu pai tinha representado, provando que a linhagem Plantageneta podia produzir governantes eficazes quando guiada pelas duras lições do fracasso de Edward II.

    As inovações políticas que acompanharam a deposição de Edward II, particularmente o envolvimento do Parlamento na remoção de um rei e a reivindicação de que tais ações poderiam representar a vontade de todo o reino, estabeleceram precedentes constitucionais que ecoariam através da história inglesa. A ideia de que a realeza era condicional ao governo eficaz, em vez de ser um direito divino absoluto, criou raízes na consciência política inglesa e eventualmente contribuiria para o desenvolvimento da monarquia constitucional séculos mais tarde.

    A própria Isabella, apesar do seu sucesso inicial em eliminar Edward II, acabou por pagar um preço alto pelo seu papel na morte dele. Quando Edward III atingiu a maioridade e afirmou a sua própria autoridade, um dos seus primeiros atos foi prender e executar Roger Mortimer, enquanto confinava a sua mãe a uma aposentadoria confortável, mas permanente, da política.

    As acusações oficiais contra Mortimer incluíam o assassinato de Edward II, sugerindo que até o novo rei acreditava que o seu pai tinha sido assassinado em vez de ter morrido naturalmente. As ramificações internacionais da morte de Edward foram igualmente significativas. Outras cortes europeias tomaram nota de quão rápida e completamente um rei estabelecido podia cair quando perdia o apoio dos seus nobres e do seu povo.

    A eficiência brutal da eliminação de Edward serviu tanto de inspiração quanto de aviso para outros governantes que enfrentavam oposição doméstica, demonstrando que no mundo medieval, o fracasso político podia ter as consequências pessoais mais extremas. Talvez o mais importante seja que a história da morte de Edward II ficou incrustada na memória cultural inglesa como um conto de advertência sobre os perigos de uma liderança fraca e relacionamentos pessoais inadequados.

    Quer os detalhes horríveis do seu alegado assassinato fossem factuais ou não, serviram uma poderosa função simbólica, reforçando normas sociais sobre autoridade masculina, dever real e as consequências de violar expectativas estabelecidas. A história tornou-se parte do inconsciente coletivo da cultura política inglesa, moldando atitudes em relação à liderança e autoridade por séculos vindouros.

    O mistério em torno das circunstâncias exatas da morte de Edward provou ser tão politicamente útil quanto a própria morte. A incerteza permite que cada geração interprete a história de acordo com os seus próprios valores e necessidades políticas, tornando o destino de Edward II uma espécie de teste de Rorschach histórico que revela tanto sobre aqueles que contam a história quanto sobre os eventos em si.

    Cronistas medievais usaram-na para justificar as ações de Edward III. Escritores da Reforma empregaram-na para criticar a interferência papal nos assuntos ingleses. Historiadores modernos debatem-na como uma questão de evidência e interpretação. O que não pode ser contestado é que a morte de Edward II marcou o fim de um dos reinados mais trágicos e instrutivos da história inglesa.

    A sua história serve como um lembrete de que no mundo medieval, o fracasso pessoal e político podia ter consequências de brutalidade inimaginável. Quer ele tenha morrido naturalmente, tenha sido assassinado convencionalmente ou sofrido o destino horrível descrito por cronistas contemporâneos, o seu fim representa o preço final da inadequação política numa era em que o poder era pessoal, absoluto e totalmente implacável.

    A lição final da morte de Edward II pode ser que a verdade sobre eventos históricos importa menos do que as histórias que contamos sobre eles. Os relatos do seu assassinato brutal, fossem factuais ou fabricados, serviram importantes funções políticas e sociais para aqueles que os contaram.

    Avisaram sobre as consequências de uma realeza fraca, reforçaram normas sociais sobre comportamento real apropriado e forneceram justificativa para as ações daqueles que vieram depois. Neste sentido, a história da morte de Edward tornou-se mais poderosa do que a própria morte, moldando a cultura política inglesa de maneiras que se estenderam muito além das paredes do Castelo de Berkeley e da breve vida de um rei fracassado.

    Hoje, quase sete séculos após aquela noite de setembro de 1327, ainda lutamos com as questões levantadas pelo destino de Edward II. Até onde a oposição política pode ir legitimamente? Quais são os limites adequados de resistência à autoridade? Quando a mudança necessária se torna brutalidade indesculpável?

    Estas questões, tão relevantes agora como eram na Inglaterra medieval, garantem que a história sombria da morte de Edward II continue a ressoar com o público moderno, servindo tanto como lição histórica quanto como aviso atemporal sobre a natureza do poder, os seus usos e as suas terríveis consequências quando corre mal.

  • O Coronel Que Vendeu a Filha Branca Como Escrava — O Segredo de Sangue Que Arrasou a Linhagem, 1848

    O Coronel Que Vendeu a Filha Branca Como Escrava — O Segredo de Sangue Que Arrasou a Linhagem, 1848

    A carruagem atravessa a estrada empoeirada da província de Pernambuco sob o sol escaldante de janeiro de 1848. O calor é sufocante e nuvens de poeira vermelha cobrem tudo ao redor, tornando o ar quase irrespirável. Dentro da carruagem fechada, uma jovem de 17 anos chamada Helena, observa pela última vez a fazenda Santa Rita, onde nascerá e crescerá como filha legítima do coronel Antônio Ferreira da Costa.

    Seus olhos castanho claros, quase dourados, refletem uma beleza que sempre fora motivo de orgulho paterno, simultaneamente de um segredo mortal que estava prestes a destruir sua existência. As mãos delicadas de Helena, jamais calejadas pelo trabalho braçal, tremem enquanto seguram um pequeno medalhão de prata, o único objeto que lhe permitiram carregar.

    Dentro dele, guarda um único fio de cabelo escuro que roubar as pressas três noites antes, durante o último encontro que mudaria sua vida para sempre. O medalhão é frio contra sua pele, mas representa a única conexão tanguível com a verdade que acabará de descobrir sobre si mesma.

    Ao seu lado, um comerciante de escravo chamado Jacinto Ribeiro conta moedas de ouro com dedos gordos e sujos. São 120 moedas ao todo. O preço exato que acabará de pagar pelo que ele acredita, ser apenas mais uma mercadoria valiosa destinada ao mercado de escravos do Recife. Já sorri satisfeito, calculando mentalmente o lucro que obterá ao revender aquela jovem de aparência branca, educada, falante de francês, capaz de tocar piano e bordar com perfeição.

    No mercado de escravos domésticos, ela valerá facilmente o dobro do que pagou, talvez até o triplo, se encontrar o comprador certo. Helena não está sendo levada para um casamento arranjado, como imaginara três dias antes quando informaram que faria uma viagem. Não vai conhecer pretendentes nas fazendas vizinhas, como fizera tantas vezes nos últimos dois anos.

    Não voltará para casa ao final da tarde para jantar com a família, ouvir seu pai comentar sobre política e a revolução praiieira que agitava a província. Helena está sendo vendida como escrava, mas como uma filha de coronel, criada entre sedas importadas e professoras particulares, educada para ser esposa de algum senhor de engenho influente, poderia terminar acorrentada ao mesmo sistema que sempre observara de longe do conforto protegido da Casagre.

    Como alguém que passará 17 anos sentando-se à mesa principal, sendo servida por escravos, participando de missas e bailes da elite pernambucana, poderia agora ser reduzida a condição de propriedade. A resposta para essas perguntas está enterrada em um segredo que remonta o ano de 1830, quando o coronel Antônio tomou decisões que mudariam o destino de gerações.

    Um segredo guardado por 18 anos, protegido através de mentiras elaboradas, silêncios impostos e uma farça social tão convincente que a própria Helena viverá toda sua vida sem suspeitar da verdade sobre suas origens. Um segredo que, uma vez revelado, tornaria impossível sua permanência no mundo dos senhores e a condenaria ao mundo dos escravos.

    Enquanto a carruagem avança pela estrada que a leva para longe de tudo que conheceu, Helena fecha os olhos e permite que as lágrimas finalmente escorram. Chora pela mãe que acabou de perder, pela vida que lhe foi roubada, pela identidade despedaçada em fragmentos impossíveis de reorganizar, mas sobretudo chora porque agora compreende uma verdade brutal.

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    Em 1848, no Brasil imperial, o sangue determina o destino e o dela acabou de ser julgado e condenado. Para compreender como Helena chegou àquela carruagem, é necessário retornar 18 anos no tempo, ao ano de 1830, quando o jovem Antônio Ferreira da Costa, recém-chegado de Coimbra com diploma de bacharel em leis, assumiu a administração da fazenda Santa Rita.

    A propriedade era vasta, quase 2000 hectares de terra plantada com cana de açúcar e abrigava 143 escravos, sendo 86 destinados ao trabalho nas lavouras e os demais distribuídos entre o serviço doméstico, a moenda e as oficinas da fazenda.

    Antônio tinha 24 anos, ideias liberais absorvidas nos salões portugueses e uma visão romântica sobre a administração de propriedades rurais que logo se chocaria com a realidade brutal do sistema escravista brasileiro. Seu pai, o velho coronel Ferreira, homem de poucas palavras e muitas cicatrizes de batalhas imperiais, havia morrido seis meses antes, deixando-lhe não apenas a fazenda, mas também todas as responsabilidades e contradições que vinham com ela.

    Entre as escravas domésticas, destacava-se Benedita, uma mulher de 22 anos, filha de africanos trazidos ilegalmente após a lei de 1831, que teoricamente proibia o tráfico de escravos. A história de Benedita era incomum. Fora criada dentro da Casagrande por uma antiga senhora chamada dona Carlota, esposa do primeiro administrador da fazenda, que não tivera filhos e dedicara anos a educar aquela menina escrava como se fosse sua própria filha.

    Benedita sabia ler em português e francês, bordar com perfeição, tocar piano, habilidades absolutamente raras entre escravos e que confundiam visitantes da fazenda. Sua pele era escura, seus traços africanos evidentes nos lábios cheios e no nariz largo, mas sua postura ereta, sua adicção perfeita e seu conhecimento de etiqueta faziam com que, por vezes, convidados hesitassem ao tratá-la, incerto sobre seu verdadeiro status.

    Quando dona Carlota morreu em 1828, Benedita tinha 20 anos e foi remanejada para o trabalho comum de Mucama, servindo a família e aos hóspedes. Antônio percebeu Benedita ainda na primeira semana após sua chegada à fazenda. Foi durante um jantar com visitantes, quando ela serviu o vinho do Porto com uma elegância que o surpreendeu e depois, solicitada por um dos convidados, sentou-se ao piano e tocou uma sonata de Mozart com perfeição técnica.

    Os convidados aplaudiram, mas com aquele desconforto típico de quem presencia algo que desafia as categorias sociais estabelecidas, uma escrava que toca Mozart é uma contradição ambulante, uma ameaça silenciosa à ordem natural das coisas. Naquela noite, após os convidados se retirarem, Antônia encontrou Benedita sozinha na biblioteca, devolvendo livros às prateleiras. Conversaram brevemente.

    Ele perguntou sobre sua educação. Ela respondeu com economia de palavras, mantendo sempre a cabeça ligeiramente inclinada, os olhos baixos, a postura de quem conhece seu lugar. Mas havia algo em Benedita que fascinava Antônio. Uma inteligência evidente, uma dignidade impossível de apagar, mesmo sob as correntes invisíveis da escravidão.

    O que começou como admiração distante transformou-se ao longo de se meses em encontros noturnos na biblioteca. Antônio justificava-se dizendo que apreciava conversar com alguém educado, que a solidão da fazenda pesava sobre ele, que Benedita era uma exceção interessante no universo escravista que o cercava. Conversavam sobre literatura.

    Ela conhecia Camões, Bocage, alguns românticos franceses que dona Carlota lhe apresentará. Antônio trazia novidades de Coimbra, falava sobre as agitações políticas na Europa, sobre ideias abolicionistas que ganhavam força em alguns círculos intelectuais.

    Benedito ouvia mais do que falava, mas quando se expressava, fazia-o com uma clareza que o impressionava. Em uma dessas conversas noturnas, ele perguntou-lhe o que pensava sobre a escravidão. Benedita ficou em silêncio por longos minutos e, quando finalmente respondeu, sua voz estava carregada de uma dor contida. Penso, Senhor, que nenhuma educação, nenhum conhecimento de Mozart Camões pode me tornar algo além do que sou, propriedade. E penso que o Senhor sabe disso melhor do que eu.

    Foi nessa noite que a distância entre eles desmoronou. O que aconteceu a seguir foi uma mistura de solidão, desejo e uma ilusão perigosa de Antônio, de que aquilo era diferente, de que havia afeto genuíno entre eles, de que Benedita escolhia estar ali. Mas escolha implica liberdade, e Benedita não tinha liberdade alguma.

    nem sobre seu corpo, nem sobre seu tempo, nem sobre suas decisões. O que Antônio interpretava como consentimento era, na verdade, a impossibilidade de recusa de uma escrava diante de seu senhor. Os encontros tornaram-se frequentes durante o segundo semestre de 1830.

    Antônio convencia-se de que aquilo era especial, único, diferente das relações brutais e explícitas de outros senhores com suas escravas. Em março de 1831, Benedita descobriu estar grávida. Informou Antônio em uma noite chuvosa, na mesma biblioteca onde tudo começara. E pela primeira vez desde que se conheceram, viu medo genuíno nos olhos dele. O medo de Antônio não era pela criança ou por Benedita, era pelas consequências sociais de ter um filho reconhecido como uma escrava.

    A província inteira comentaria: “Sua reputação seria manchada. As portas das melhores famílias se fechariam para ele. Seu futuro político e ele tinha ambições de se tornar deputado provincial estaria arruinado antes mesmo de começar. Naquela noite, Antônio tomou a primeira de muitas decisões fatídicas.

    A criança nasceria e cresceria, mas em segredo absoluto, sem jamais ser reconhecida, sem jamais ameaçar sua posição social. Benedita ouviu a decisão em silêncio e quando Antônio terminou de falar, fez-lhe apenas uma pergunta. E se a criança nascer branca, Senhor? E se tiver seus olhos? Antônio não respondeu. Não tinha resposta.

    Em novembro de 1831, durante uma noite sem lua, Benedita deu a luz na cenzala, assistida por outras escravas que conheciam as ervas e rezas necessárias para facilitar partos. O trabalho de parto durou 14 horas e quando a criança finalmente nasceu, as mulheres presentes trocaram olhares significativos. Aquela menina era perigosamente clara.

    A criança tinha pele surpreendentemente branca, com apenas um tom levemente acobreado, que sob a luz adequada poderia passar por bronzeado de sol. Seus cabelos eram castanhos e lisos. Seus olhos claros puxavam ao pai e seus traços finos em nada lembravam a ancestralidade africana de Benedita.

    Uma das escravas mais velhas, chamada Rosa, segurou a criança nos braços e pronunciou em voz baixa a sentença que todas pensavam: “Essa menina vai trazer problema. é branca demais para Senzá-la, mas nasceu no lugar errado. Antônio chegou a Senzala duas horas após o nascimento, quando a maioria dos escravos já dormia. Ao ver a criança pela primeira vez, sentiu uma mistura de pavor e fascínio que o paralisou. Aquela menina era sua filha.

    Não havia dúvida possível, pois carregava seus traços de forma inequívoca. Mas era também filha de Benedita. Isso significava que carregava sangue que a sociedade imperial considerava impuro, contaminado, inferior. Benedita, ainda fraca do parto, segurou a filha contra o peito e esperou que Antônio dissesse algo. Ele permaneceu em silêncio por longos minutos, olhando fixamente para aquela criança que representava todas as suas contradições, o desejo que sentirá por Benedita, a irresponsabilidade de suas ações, a impossibilidade de conciliar seus ideais liberais com a realidade

    brutal do sistema que o sustentava. Finalmente pronunciou as únicas palavras que conseguiu. Ninguém pode saber. Jamais. Durante trs anos, Helena cresceu na Senzala sob os cuidados exclusivos de Benedita. A menina era extraordinariamente calma, raramente chorava, dormia bem e desde cedo demonstrou uma inteligência precoce que encantava as outras escravas.

    Benedita dedicava cada momento livre a cuidar da filha, ensinando-lhe palavras, cantando canções que aprenderá com dona Carlota, protegendo-a como uma leoa protege seu filhote. Mas Antônio visitava as em segredo, sempre à noite, sempre sozinho. Levava tecidos finos para vestir a menina, alimentos especiais que Benedita deveria esconder das outras escravas, remédios importados quando Helena adoecia. As atenções especiais não passavam despercebidas.

    Todos na cenzala sabiam que Helena era filha do Senhor, mas ninguém ousava comentar abertamente, pois questionar um senhor sobre seus filhos bastardos poderia resultar em punições severas. Rosa, a escrava mais velha, advertiu Benedita diversas vezes. Essa menina não vai poder ficar aqui para sempre. Ela é clara demais e o Senhor gosta demais dela.

    Uma hora isso vai explodir. Benedita sabia que Rosa tinha razão, mas que alternativa existia? pedir que Antônio libertasse a filha. A legislação brasileira considerava filho de escrava automaticamente escravo, independentemente da paternidade.

    Mesmo que Antônio libertasse, uma criança mulata livre enfrentaria uma existência precária, sempre suspeitada, sempre vulnerável a ser ilegalmente reescravizada. Em 1834, tudo mudou abruptamente. A mãe de Antônio, dona Josefa Ferreira da Costa, mulher dominadora que passará os últimos anos vivendo no Recife, retornou à fazenda gravemente enferma. Trouxe consigo médicos, padres e uma exigência inflexível.

    Antônio deveria se casar imediatamente para garantir descendência legítima à fazenda Santa Rita. A propriedade não poderia passar para mãos estranhas. A linhagem dos Ferreira da Costa precisava continuar através de casamento adequado, com mulher de família respeitável. Dona Josefa durou apenas seis semanas após seu retorno. Em seu leito de morte, cercada por velas e rezas, fez Antônio jurar sobre a Bíblia que se casaria antes do fim daquele ano.

    Antônio, atormentado por culpa e pressão familiar, jurou: “Ses depois, desposou Mariana de Albuquerque Melo, filha de um barão vizinho, em cerimônia pomposa que reuniu toda a elite pernambucana na capela da fazenda. Mariana tinha 20 anos, fora educada em colégio interno no Rio de Janeiro e possuía aquela beleza fria e distante das mulheres criadas para casamentos arranjados.

    Não amava Antônio, mal o conhecia, mas cumpria seu papel social com eficiência calculada. Na primeira semana após o casamento, percorreu toda a fazenda, inventariando escravos, móveis, louças, tudo que agora lhe pertencia por direito matrimonial. Foi durante essa inspeção que Mariana viu Helena pela primeira vez.

    A menina de 3 anos brincava perto da Senzala, vestida com vestido simples, mas feito de tecido fino demais para uma criança escrava. Mariana parou, observou a menina com atenção, então olhou para Benedita, que trabalhava próxima. A semelhança entre os olhos de Helena e os de Antônio era evidente demais para ser ignorada. Naquela noite, Mariana confrontou Antônio em seu escritório.

    A conversa foi breve e brutal. Ela sabia que Helena era filha dele, exigia saber o que ele pretendia fazer com a criança e deixou claro que não aceitaria viver em uma fazenda onde a evidência viva de sua traição brincasse à vista de todos. Antônio, encurralado, tomou então sua segunda decisão fatídica, aquela que mudaria o destino de Helena para sempre, retiraria Helena da Senzala e a criaria como filha legítima, alegando que a menina era fruto de um relacionamento anterior com uma senhora portuguesa chamada Isabel, que morrera no parto. A história era plausível. Antônio estivera

    em Portugal por 5 anos e ninguém na província poderia confirmar ou desmentir a existência de Isabel. Helena seria apresentada como sua filha legítima, herdeira da fazenda, e Benedita jamais poderia revelar a verdade sob pena de punição severa. Mariana concordou com o plano: não por compaixão, mas por cálculo social.

    Era escandaloso criar a filha bastarda do marido do que permitir que o escândalo se tornasse público. E assim, em janeiro de 1835, a farça foi estabelecida. A transição de Helena da Senzala para Casagrande aconteceu de forma abrupta em uma manhã fria de janeiro de 1835.

    Benedita foi acordada antes do amanhecer por Antônio, que lhe ordenou vestir a menina com as roupas novas que trouxera e trazê-la até a varanda da Casagre. Não houve explicações detalhadas, não houve tempo para despedidas adequadas, não houve consideração pelo coração de uma mãe que estava prestes a perder sua filha. Benedita vestiu Helena com mãos trêmulas, tentando memorizar cada detalhe do rosto da menina.

    A curva das sobrancelhas, a corizata dos olhos, o jeito como seus cabelos caíam sobre a testa. Helena, com apenas 3 anos, não compreendia o que estava acontecendo, mas sentia o desespero da mãe e começou a chorar. Benedita abraçou-a com força, sussurrando promessas que sabia serem impossíveis. Vou estar sempre perto, meu amor.

    Sempre vou te olhar, sempre vou te proteger. Quando chegaram à varanda, Antônio retirou Helena dos braços de Benedita com firmeza. A menina gritou, estendendo os braços para a mãe, mas Antônio virou-se e entrou na casa grande, fechando a porta pesada de madeira entre elas.

    Benedita ficou ali parada, ouvindo os gritos da filha se distanciarem, sentindo algo dentro dela se despedaçar irreparavelmente. Uma das escravas mais velhas veio buscá-la, puxou-a de volta para censá-la e Benedita não resistiu, apenas se deixou levar, vazia, derrotada. Naquele mesmo dia, Antônio reuniu toda a fazenda, escravos, feitores, funcionários livres e apresentou Helena como sua filha legítima, fruto de um relacionamento anterior em Portugal.

    explicou que a mãe da menina havia falecido, queena viverá até então com parentes em Coimbra e que agora seria criada na fazenda Santa Rita como herdeira da propriedade. Alguns escravos trocaram olhares significativos, mas ninguém ousou questionar a história.

    Mariana permaneceu ao lado do marido durante o anúncio, mantendo uma expressão neutra que escondia o ressentimento fervendo por baixo. A partir daquele dia, Helena tornou-se oficialmente filha do coronel Antônio Ferreira da Costa. recebeu um quarto na ala nobre da Casagrande, mobiliado com cama de docel, armário de jacarandá, espelho veneziano.

    Três professoras particulares foram contratadas, uma para francês, outra para piano, a terceira para bordado e boas maneiras. Helena aprendeu a se sentar ereta, a falar baixo, a baixar os olhos diante de homens, a servir chá com graça, a bordar flores em linho branco. Mariana cumpria seu papel de madrasta com eficiência mecânica.

    Garantia que Helena fosse educada adequadamente, que suas roupas fossem apropriadas, que suas maneiras fossem impecáveis, mas nunca demonstrou afeto genuíno. Helena cresceu sabendo que era tolerada, não amada, pela mulher que chamava de madrasta. Antônio, por sua vez, oscilava entre culpa e orgulho.

    Orgulhava-se da beleza e inteligência da filha, mas sentia culpa cada vez que cruzava com Benedita nos corredores, porque Benedita permanecia ali trabalhando em silêncio. Fora a transferida do trabalho de Mucama para lavanderia, um espaço mais isolado onde teria menos contato com a casa grande. passava dias inteiros lavando lençóis, vestidos, toalhas, enquanto a filha crescia a poucos metros de distância, completamente alhei a verdade. Antônio dera ordens expressas.

    Benedita jamais deveria se aproximar de Helena, jamais dirigir-lhe a palavra, jamais revelar sua verdadeira origem. A punição por desobediência seria venda imediata para uma fazenda distante, talvez até para as minas de ouro de Minas Gerais, onde expectativa de vida de escravos raramente ultrapassava 10 anos. Benedita obedeceu.

    Guardou o segredo como se guarda um punhal afiado contra o peito. Doloroso, perigoso, mas impossível de soltar. Sua única transgressão eram os olhares. Observava Helena de longe, nos corredores, na capela aos domingos, no jardim, quando a menina brincava. Memorizava cada fase de seu crescimento.

    Helena, aos 5 anos perdendo um dente de leite. Helena, aos 7 anos tocando piano pela primeira vez. Helena, aos 10 anos lendo sozinha na biblioteca. E Helena, por sua vez, sentia uma estranha familiaridade com aquela escrava de olhos tristes que sempre parecia observá-la. Diversas vezes, quando criança, perguntou a Antônio quem era aquela mulher.

    Ele respondia de forma evasiva: “Uma escrava da fazenda. Por que pergunta?” Helena não sabia explicar, apenas sentia que havia algo nos olhos de Benedita, uma tristeza profunda e direcionada que a incomodava e fascinava simultanearmente. Aos domingos, durante as missas na capela da fazenda, Helena sentava-se nos bancos da frente junto com Antônio e Mariana, vestida com seus melhores vestidos, cantando os hinos em latim que a professora lhe ensinara. Benedita permanecia no fundo da capela, entre os outros escravos, de pé porque

    não havia bancos suficientes, observando a filha que lhe fora roubada rezar para o mesmo Deus que permitirá aquela injustiça. Em uma dessas missas, quando Helena tinha 8 anos, a menina virou-se e seus olhos cruzaram diretamente com os de Benedita. Por um breve instante, algo passou entre elas.

    Um reconhecimento inexplicável, uma conexão que transcendia lógica e memória. Mas então Mariana percebeu, puxou Helena bruscamente para a frente e o momento se desfez. Durante 13 anos, Helena viveu nessa realidade fabricada. Cresceu como uma jovem da elite rural pernambucana, ignorante de suas verdadeiras origens, chamando Antônio de pai e Mariana de Madrasta.

    Aos 15 anos, começou a receber pretendentes, filhos de barões, sobrinhos de deputados provinciais. Jovens senhores de engenho que vinham à fazenda interessados na bela e educada Helena Ferreira da Costa. Participava de bailes nas fazendas vizinhas e sua beleza extraordinária, aqueles olhos dourados, aquela pele levemente acobreada que todos atribuíam ao sol pernambucano, tornará-se conhecida em toda a província.

    Mas havia algo em Helena que a diferenciava das outras jovens de sua classe. Uma sensibilidade estranha ao sofrimento dos escravos, uma incapacidade de ignorar completamente suas existências, como faziam as outras senhoras. Certa vez, aos 14 anos, presenciou um feitor açoitando um jovem escravo que furtara um pedaço de carne da cozinha.

    Helena sentiu uma náusea violenta, correu para seu quarto e vomitou. Enquanto Mariana comentava com Desden, é sensível demais. precisa endurecer se quiser administrar uma fazenda algum dia. Antônio percebia essas nuances em Helena e se perguntava em seus momentos de insônia se aquela sensibilidade era herança de Benedita, da mulher que amara brevemente e depois transformará em espectro silencioso de seus próprios crimes.

    Benedita, enquanto isso, continuava envelhecendo precocemente na lavanderia. Aos 40 anos, parecia ter 60, cabelos completamente brancos, costas curvadas pelo trabalho pesado, mãos deformadas pela água fria e sabão áspero. Mas seus olhos permaneciam vivos, sempre procurando Helena, sempre memorizando cada detalhe da filha que via crescer de longe, como se observasse através de um vidro impossível de quebrar.

    A única conexão tanguível entre mãe e filha eram olhares furtivos trocados nos corredores, momentos roubados em que seus olhos se encontravam por segundos. transmitindo mensagens que nenhuma delas saberia nomear. Helena sentia que aquela mulher guardava algum segredo sobre ela, mas jamais imaginou a magnitude dessa verdade.

    E Benedita, por sua vez, carregava o peso de um amor materno que não podia expressar, de uma verdade que não podia revelar, de uma injustiça que não podia remediar. Esse equilíbrio frágil e doent perdurou por 13 anos, até que o ano de 1848 trouxe turbulências que destruiriam a farça cuidadosamente construída e revelariam o segredo enterrado, mudando o destino de Helena para sempre.

    O ano de 1848 chegou à província de Pernambuco trazendo não apenas o calor sufocante do verão, mas também a violência política da revolução praieira. O conflito eclodira em novembro de 1848, opondo liberais radicais que exigiam reformas sociais, distribuição de terras e nacionalização do comércio contra conservadores que defendiam a manutenção do status quo.

    A província mergulhou em caos. Estradas bloqueadas, fazendas atacadas, recrutamentos forçados para ambos os lados. A fazenda Santa Rita, situada em região estratégica no interior, tornou-se alvo de requisições militares constantes. Grupos armados, às vezes conservadores, às vezes liberais, às vezes simplesmente bandidos aproveitando o caos, apareciam exigindo alimentos, cavalos, armas.

    Antônio, alinhado aos conservadores por interesse político e econômico, via sua influência e recursos diminuírem semana após semana. As dívidas acumulavam, os escravos ficavam inquietos, sentindo a instabilidade, e Mariana pressionava constantemente para que abandonassem a fazenda e se refugiassem no Recife.

    Foi nesse cenário de deterioração que Benedita adoeceu gravemente em dezembro de 1848. Começou com uma tosseca que não passava. Depois vieram as febres noturnas que a deixavam encharcada de suor e finalmente o sangue. Manchas escuras no lenço quando tcia cada vez mais frequentes. Rosa, a escrava mais velha que havia ajudado no parto de Helena 17 anos antes, reconheceu os sintomas imediatamente. Tuberculose avançada.

    O médico da fazenda, chamado as pressas por Antônio, quando a condição de Benedita se agravou, confirmou o diagnóstico. Tinha no máximo algumas semanas de vida, talvez menos. Antônio sentiu uma mistura de pânico e culpa. Benedita morreria em breve, levando consigo o segredo sobre Elena ou revelaria tudo em seus momentos finais.

    Ordenou que ela fosse isolada em uma cabana distante da cenzala, oficialmente para evitar contágio, mas na realidade para mantê-la longe de ouvidos curiosos caso começasse a delirar e falar demais. Benedita foi carregada para a cabana isolada em uma tarde chuvosa de janeiro. Rosa ficou responsável por cuidar dela, levar água, tentar aliviar seu sofrimento.

    Mas Benedita sabia que estava morrendo e algo mudou dentro dela. A urgência de proteger a filha antes de partir tornou-se mais forte que o medo de punição. Chamou Rosa certa noite e pediu-lhe um favor impossível. Avisar Helena que sua mãe verdadeira estava morrendo e precisava vê-la uma última vez.

    Rosa inicialmente recusou, apavorada com as consequências, mas Benedita insistiu com aquela determinação feroz que só as pessoas próximas da morte possuem. Vou morrer sem que minha filha saiba quem sou, sem que ela saiba de onde veio, sem que ela saiba a verdade que pode salvá-la algum dia. Não posso partir assim. Rosa, vendo a agonia em seus olhos, finalmente concordou.

    conseguiu um encontro furtivo com Helena três dias depois, quando a jovem caminhava sozinha pelos jardins ao entardecer. Rosa aproximou-se tremendo, olhou ao redor para garantir que ninguém observava e sussurrou rapidamente. Senhorinha Helena, tem uma mulher doente querendo falar com a senhorita. Diz que é importante. Pode vir comigo? Helena, surpresa, mas movida por curiosidade, e aquela estranha familiaridade que sempre sentirá por Benedita, concordou.

    Rosa levou através de caminhos secundários até a cabana isolada. Era quase noite quando chegaram. Helena entrou e viu Benedita pela primeira vez de perto, aquela mulher que sempre observara de longe, agora devastada pela doença, deitada sobre um colchão de palha, tremendo de febre.

    Mas seus olhos permaneciam vivos, fixados em Helena, com uma intensidade que a assustou. Benedita estendeu uma mão trêmula e Helena, sem entender porquê, aproximou-se e segurou-a. As palavras que Benedita pronunciou a seguir mudariam tudo. Helena, meu nome é Benedita. Sou sua mãe verdadeira. Você nasceu de mim na Cenzala há 17 anos. O coronel Antônio é realmente seu pai, mas eu sou sua mãe. Você não é filha de nenhuma portuguesa morta.

    Você é minha filha. Minha filha. E eu precisava que você soubesse disso antes de eu morrer. Helena sentiu o mundo girar, puxou a mão bruscamente, recuou, balançou a cabeça negando: “Impossível! Aquilo era impossível! Ela era Helena Ferreira da Costa, filha de portugueses, criada na Casagre, pretendida por filhos de barões.

    Não podia ser filha de uma escrava, não podia ter sangue negro, não podia. Mas Benedita continuou falando cada palavra custando-lhe esforço imenso. Contou tudo. Os encontros noturnos com Antônio em 1830, a gravidez, o nascimento na cenzala, os três primeiros anos de Helena sendo criada ali, a decisão de Antônio de transformá-la em filha legítima para evitar escândalo.

    Contou sobre os 13 anos, observando de longe, incapaz de abraçá-la, de protegê-la, de ser sua mãe. e finalmente abriu um pequeno saco de pano que guardava sob o colchão e retirou dele um vestidinho de bebê, o mesmo que Elena usará nos primeiros meses de vida, manchado e desgastado, mas preservado por Benedita durante todos aqueles anos como única prova tanguível de sua maternidade. Helena olhou para o vestido, para Benedita, e algo dentro dela reconheceu a verdade.

    Talvez fossem os olhos de Benedita, tão parecidos com os seus, aquela mesma tonalidade dourada que todos elogiavam em Helena. Talvez fosse a dor genuína na voz daquela mulher morrendo. Uma dor que não podia ser fingida, ou talvez fosse algo mais profundo. Uma memória ancestral impossível de nomear, mas impossível também de negar.

    As lágrimas começaram a escorrer pelo rosto de Helena. Não sabia se chorava pela revelação, pela mãe que acabará de descobrir e estava prestes a perder, ou pela vida inteira que se revelava agora uma mentira elaborada. ajoelhou-se ao lado de Benedita, segurou novamente sua mão e, pela primeira vez, em 17 anos, mãe e filha puderam se abraçar. Ficaram assim por vários minutos.

    Helena chorando no peito da mãe que mal conhecia, Benedita acariciando os cabelos da filha que nunca pudera criar, ambas tentando comprimir 17 anos de amor roubado naqueles poucos momentos. Benedita sussurrou promessas de proteção que não poderia cumprir. Helena fez perguntas que não teriam tempo de responder e Rosa observava da porta, chorando silenciosamente, sabendo que aquele encontro selaria o destino de todos. Foi então que Mariana apareceu.

    Havia percebido a ausência de Helena, enviará escravos para procurá-la e seguirá até a cabana ao ser informada. Entrou sem bater e presenciou a cena. Helena abraçada Benedita, o vestido de bebê espalhado no chão, a verdade finalmente exposta. Por um momento, Mariana permaneceu paralisada. Depois, algo mudou em sua expressão.

    13 anos de ressentimento reprimido, de ter que criar a filha bastarda do marido, de manter uma farça que a humilhava diariamente. Tudo explodiu de uma vez. Começou a gritar, acordando toda a fazenda. Convocou Antônio aos berros, exigiu que todos os escravos fossem reunidos. O segredo que mantivera por tanto tempo finalmente escapara e ela faria questão de que houvesse consequências devastadoras. Antônio chegou correndo, seguido por feitores e escravos curiosos.

    Viu Helena, ainda ajoelhada ao lado de Benedita, entendeu imediatamente o que havia acontecido e sentiu o chão desabar sobre seus pés. Mariana não lhe deu tempo de reagir. Aos gritos na frente de todos, revelou toda a verdade, que Helena era filha de Benedita, que Antônio a criará como legítima para esconder o escândalo, que durante 13 anos todos viveram uma mentira elaborada para proteger sua reputação. Os escravos presentes trocaram olhares.

    Muitos já sabiam ou suspeitavam, mas ouvir confirmado em voz alta mudava tudo. Helena, ainda ajoelhada, olhou para Antônio com uma mistura de ódio e desespero. Mariana continuou gritando, exigindo que Antônio tomasse uma decisão imediata. Ou enviava Helena embora, ou ela mesma abandonaria a fazenda, levando consigo a reputação da família.

    Antônio olhou para Helena, para Benedita morrendo, para Mariana transtornada, e compreendeu que sua farça cuidadosamente construída durante 13 anos acabará de desmoronar em minutos e que agora precisaria tomar a decisão mais cruel de sua vida. Os três dias seguintes foram os mais terríveis na vida de Helena.

    foi trancada em seu quarto por ordem de Mariana, que postou uma escrava de confiança na porta para garantir que não escapasse. Ninguém lhe levava informações, apenas comida duas vezes ao dia, entregue em silêncio por uma jovem mucama que evitava seu olhar. Helena passava as horas olhando pela janela, vendo a movimentação em comum na fazenda, grupos de homens conversando em voz baixa e o medo crescendo dentro dela como uma criatura viva. Benedita permanecia na cabana isolada, cada vez mais debilitada.

    Rosa continuava cuidando dela, mas agora com ordens expressas de Antônio. Nenhum contato com Helena, sob qualquer circunstância. Benedita implorava constantemente por notícias da filha, perguntava o que Antônio planejava fazer, suplicava que ao menos a libertassem, que lhe dessem carta de alforria, que a deixassem viver como pessoa livre.

    Rosa nada podia responder, não sabia de nada e mesmo que soubesse, não teria coragem de falar. Antônio trancou-se em seu escritório com uma garrafa de conhaque e os livros de contabilidade da fazenda. Enfrentava o dilema mais cruel de sua vida.

    Helena, que criará como filha por 13 anos, que amar a sua maneira limitada e egoísta, tornará-se uma ameaça existencial à sua posição social e política em meio à revolução prieira. Se a verdade sobre as origens de Helena se espalhasse e Mariana ameaçava fazer exatamente isso se ele não agisse, o escândalo não apenas destruiria sua reputação, mas também poderia ser usado por seus inimigos políticos para arruiná-lo completamente.

    Os liberais praieiros adorariam expor um conservador que escondera durante anos que sua filha legítima era na verdade filha de uma escrava. Evidência viva da hipocrisia da elite rural pernambucana. Sua carreira política terminaria, seus negócios sofreriam e possivelmente até perderia a fazenda. Mas que alternativa existia? Libertar Helena e enviá-la para longe? Antônio conhecia bem as limitações da lei e da sociedade brasileira em 1848.

    Mesmo liberta, Helena seria sempre vista com suspeição, uma mulata livre, jovem e bonita, em uma sociedade que desconfiava profundamente de pessoas negras fora do cativeiro. Poderia ser acusada de vadiagem, ilegalmente reescravizada, ou pior, e sua aparência branca, longe de protegê-la, tornaria sua situação ainda mais precária.

    Seria constantemente questionada sobre suas origens, sua liberdade posta em dúvida, sua existência um constante campo de batalha. Foi durante essas reflexões sombrias que Jacinto Ribeiro, comerciante de escravos de confiança da família, visitou a fazenda em seu circuito regular de compras.

    vinha adquirir alguns cativos destinados às lavouras do Recife, a revolução praira aumentar a demanda e os preços no mercado de escravos, tornando negócio ainda mais lucrativo. Durante a negociação habitual, Jacinto comentou casualmente que estava procurando especificamente escravas domésticas educadas, pois algumas famílias abastadas do Recife pagavam valores extraordinários por mucamas que soubessem ler, falar francês, tocar piano. Antônio sentiu uma ideia monstruosa se formar em sua mente.

    começou a sondá-lo discretamente. Que preço alcançaria uma escrava jovem, bonita, muito educada, praticamente branca? Jacinto animou-se. Uma mercadoria assim valeria facilmente dois contos de réis, talvez mais. E se fosse virgem e sem documentação prévia de origem? Jacinto estreitou os olhos compreendendo que algo em comum estava sendo proposto, mas interessou-se ainda mais.

    Sem documentação, poderia criar qualquer história de origem, facilitando a venda. Naquela noite, Antônio chamou Mariana para uma conversa privada. Apresentou-lhe sua solução. Venderia Helena como escrava para Jacinto, que a levaria imediatamente para longe de Pernambuco? Não haveria libertação, não haveria carta de alforria, não haveria risco de Helena um dia retornar ou revelar a verdade.

    Ela simplesmente desapareceria, transformada de filha de coronel em propriedade legal de outros. Mariana ficou chocada, não pela crueldade da proposta, mas por sua eficiência. Era solução perfeita. O escândalo seria enterrado. Helena desapareceria sem deixar rastros e eles poderiam retomar suas vidas sem aquela lembrança constante do passado inconveniente de Antônio.

    Concordou imediatamente. A legislação brasileira de 1848 teoricamente protegia pessoas livres contra a escravização ilegal através do artigo 179 do Código Criminal de 1830, que criminalizava especificamente a redução à escravidão de pessoa livre. Mas Antônio conhecia bem o sistema. Na prática, inúmeras pessoas negras e mestiças livres eram ilegalmente escravizadas todos os anos, especialmente em tempos de conflito político, como a revolução praiieira. As autoridades estavam distraídas, os mecanismos de fiscalização enfraquecidos

    e juízes locais facilmente subornados. A legislação brasileira de 1848 teoricamente protegia pessoas livres contra a escravização ilegal através do artigo 179 do Código Criminal de 1830, que criminalizava especificamente a redução à escravidão de pessoa livre. Mas Antônio conhecia bem o sistema. Na prática, inúmeras pessoas negras e mestiças livres eram ilegalmente escravizadas todos os anos, especialmente em tempos de conflito político, como a revolução praieira. As autoridades estavam distraídas, os

    mecanismos de fiscalização enfraquecidos e juízes locais facilmente subornados ou intimidados. Além disso, Helena tecnicamente nunca fora registrada como pessoa livre. Não existia certidão de nascimento, batismo oficial ou qualquer documentação que comprovasse sua condição.

    Durante 13 anos, viverá como filha de coronel, baseada apenas na palavra de Antônio, sem papéis que confirmassem sua história inventada. Agora ele simplesmente reverteria a narrativa Helena sempre fora escrava, uma cria de Benedita que ele educara por capricho, mas que permanecerá legalmente sua propriedade. Na manhã seguinte, Antônio fechou o acordo com Jacinto Ribeiro.

    120 moedas de ouro, um preço excepcional que refletia não apenas as qualidades de Helena, mas também o silêncio absoluto que Antônio exigia sobre a transação. Jacinto aceitou todos os termos, levaria Helena imediatamente, não questionaria sua origem e a venderia em outra província, de preferência Rio de Janeiro ou Minas Gerais, longe de qualquer possibilidade de retorno.

    Helena foi retirada de seu quarto ao amanhecer por dois capangas de Jacinto, homens corpulentos acostumados a lidar com escravos resistentes. Ela tentou gritar por Antônio, implorar por explicações, mas os homens a arrastaram pelos corredores sem responder. atravessaram a Casagrande onde passará 13 anos.

    Saíram pela porta principal, que cruzara centenas de vezes como filha legítima e foram levados até uma carruagem fechada que aguardava na estrada. Antônio observou de longe, da janela de seu escritório, incapaz de enfrentar os olhos da filha que estava vendendo. Mariana assistiu da varanda com uma satisfação fria que não tentou disfarçar. A ameaça for eliminada, o segredo seria enterrado.

    A ordem estava restaurada. Os escravos observavam em silêncio, compreendendo perfeitamente o que testemunhavam, uma de suas próprias sendo reclamada pelo sistema, que sempre estivera espreita, esperando o momento certo de devorá-la. Quando Helena foi colocada dentro da carruagem, Jacinto mostrou-lhe o documento de venda assinado por Antônio, com celoficial falsificado, descrevendo-a como escrava doméstica de nome Helena, 17 anos, sem marcas de açoite, educada, falante de francês, habilidades em piano e bordado.

    O papel transformava sua vida inteira em mercadoria catalogada, sua educação em atributos que aumentavam seu valor de mercado, sua existência em propriedade transferível. A carruagem partiu ao amanhecer, levando Helena pela estrada que ligava ao interior ao Recife.

    A viagem duraria três dias, atravessando áreas devastadas pela revolução praieira, passando por vilarejos onde enforcamentos públicos de rebelde serviam de advertência. Durante todo o trajeto, Jacinto tratou a com a indiferença fria reservada mercadorias. Paradas mínimas, comida escassa, nenhuma consideração por seu conforto ou dignidade.

    Helena inicialmente tentou explicar que era filha do coronel, que houvera um erro terrível. Jacinto riu de forma cruel e mostrou-lhe novamente o documento assinado pelo próprio Antônio. Seu pai é quem está te vendendo, menina. Não houve erro nenhum. Você sempre foi escrava, só não sabia ainda. Naquele momento, sentada na carruagem empoeirada que a levava para longe de tudo que conhecera, Helena compreendeu a dimensão completa de sua tragédia.

    Não era apenas o abandono paterno que a destroçava, era a percepção brutal de que sua própria existência, seu sangue mestiço, era considerada uma mancha tão grave que justificava sua transformação em propriedade. A Sociedade Imperial Brasileira de 1848 não possuía espaço para alguém como ela, nem completamente branca para ser livre, nem completamente negra para aceitar a escravidão sem resistência, mas presa em um limbo racial que a tornava vulnerável a todas as violências e protegida por nenhuma lei. Enquanto Helena era arrastada para

    seu destino cruel, Benedita agonizava na cabana isolada. Rosa finalmente contou-lhe a verdade sobre o que acontecerá. A venda, a partida, o desaparecimento de Helena. Benedita não gritou, não chorou, não rogou pragas, simplesmente fechou os olhos e permitiu que a morte a levasse.

    Morreu naquela mesma noite, três dias após a partida de Helena, liberada finalmente de uma vida inteira de silêncios forçados e amores roubados. Seu corpo foi enterrado na área destinada aos escravos, sem cerimônia, sem lápide, sem que ninguém jamais registrasse oficialmente sua existência ou seu sofrimento. Antônio não compareceu ao enterro. Rosa e algumas escravas mais velhas rezaram sobre a cova rasa e foi tudo.

    A mulher que dera a luz Helena, que ao observara crescer de longe durante 13 anos, que morrera tentando protegê-la, desapareceu da história sem deixar rastros além da filha que já não lhe pertencia. Três dias após partir da fazenda Santa Rita, Helena chegou ao Recife e foi levada diretamente ao mercado de escravos da rua da praia.

    Jacinto planejava vendê-la rapidamente. Mercadorias valiosas, como ela, não deveriam ficar em estoque e já tinha compradores interessados. Helena foi comprada em fevereiro de 1848 por uma família de comerciantes portugueses que procuravam uma mucama refinada para servir a senhora da casa.

    O preço pago foi de 200 moedas de ouro, quase o dobro do que Jacinto investira, lucro excepcional que confirmou seu instinto comercial. Para os compradores, Helena era um achado, uma escrava praticamente branca, educada, capaz de entreter visitas tocando piano, bordar enquanto fazia companhia senhora, servir chá com elegância europeia.

    Tudo que aprenderá para ser esposa de senhor de engenho agora seria usado para servir como propriedade de outros. Durante anos, Helena guardou silêncio sobre suas verdadeiras origens. Aprenderá da maneira mais dolorosa possível que a verdade sobre seu sangue mestiço não a libertária apenas tornaria sua existência ainda mais precária.

    Em uma sociedade que criminalizava a escravização ilegal, mas raramente punia os perpetradores, denunciar o que Antônio fizera seria inútil e perigoso. Quem acreditaria na palavra de uma escrava contra a de um coronel respeitado? Trabalhou na casa dos comerciantes portugueses por décadas. Teve filhos, três ao todo, que a lei do ventre livre de 1871 declarou livres ao nascer, mas ela mesma permaneceu escrava até 1888, quando a lei Áurea finalmente aboliu a escravidão no Brasil.

    Tinha então 57 anos, cinco décadas de vida roubada por decisões que não foram suas e por um sistema que transformava ancestralidade em destino. A fazenda Santa Rita nunca mais recuperou sua prosperidade. A revolução praiieira foi sufocada em 1850, mas deixará cicatrizes profundas na economia pernambucana. Antônio perdeu gradualmente sua influência política.

    As dívidas acumularam e em 1855 vendeu a propriedade por 1/3 de seu valor original. Mudou-se para o Recife, onde viveu seus últimos anos em um sobrado modesto, consumido por bebida e amargura. Morreu em 1862, solitário, sem jamais revelar o destino que dera filha que um dia amara. Mariana sobreviveu por 20 anos, administrando com eficiência o pouco que restara da fortuna familiar.

    Nunca mencionou Helena e, quando eventualmente questionada sobre a entiada que criará, respondia com frieza que a moça morrera jovem de febre amarela. A mentira era mais conveniente que a verdade. O medalhão de prata que Helena carregara na carruagem naquele janeiro de 1848 foi a única coisa que preservou até sua morte em 1891.

    Dentro dele guardava o fio de cabelo de Benedita roubado durante aquele último encontro na biblioteca. Tudo que restava de uma mãe que morrera tentando protegê-la, de uma identidade despedaçada, de uma vida que poderia ter sido vivida em liberdade. A história de Helena não é singular.

    Milhares de pessoas mestiças, filhas de senhores brancos e escravas negras, viveram nesse limbo jurídico e social no Brasil imperial. Algumas foram reconhecidas e legitimadas por seus pais. Outras foram libertadas, mas permaneceram em condições precárias. E muitas, como Helena, foram deliberadamente escravizadas para proteger reputações e esconder segredos que a sociedade brasileira preferia não enfrentar. A fazenda Santa Rita foi demolida em 1923.

    Nada resta dela, além de registros em arquivos empoirados de cartórios pernambucanos. Mas as histórias como a de Helena e com através do séculos, lembrando que escravidão brasileira não foi apenas uma instituição econômica, foi um sistema de destruição sistemática de famílias, identidades e futuros, cujas cicatrizes ainda marcam profundamente a sociedade brasileira. M.

  • A Sinhá Que Foi Engravidada Por 3 Escravos: O Caso Proibido de Minas Gerais, 1881

    A Sinhá Que Foi Engravidada Por 3 Escravos: O Caso Proibido de Minas Gerais, 1881

    A Sinhá Que Foi Engravidada Por 3 Escravos: O Caso Proibido de Minas Gerais, 1881

    (00:00) Minas Gerais, 1881. Enquanto o Brasil se preparava para abolir a escravidão, uma fazenda esconde um segredo que vai abalar as estruturas de uma das famílias mais tradicionais da região. Três homens negros, uma mulher branca da elite e uma verdade que ninguém poderia imaginar.

    (00:21) Esta é a história real que foi enterrada por gerações até hoje. Se você gosta de histórias reais que mostram o lado oculto da nossa história, fica comigo até o final. Acredite, você não vai querer perder nenhum detalhe dessa história e se inscreve no canal, porque toda semana tem conteúdo assim que ninguém te conta. A fazenda Santo Antônio ficava nos arredores de Ouro Preto, uma propriedade imensa que se estendia por léguas de terra fértil.

    (00:46) Era 1881 e o Brasil já vivia os últimos suspiros da escravidão. A lei do ventre livre tinha 9 anos e todo mundo sabia que era questão de tempo até tudo mudar de vez. Dona Isabel Amélia de Castro Pimentel tinha 28 anos e era o que se esperava de uma senhada época.

    (01:04) Educada em convento, no Rio de Janeiro, casada aos 18 com coronel Antônio Pimentel, um homem 22 anos mais velho que ela. O casamento tinha sido arranjado, como era de costume. Isabel trouxe o Dot Poupo, o coronel trouxe o sobrenome e as terras. Mas o que ninguém sabia, nem mesmo as mucamas mais próximas, era que por trás daquele vestido de cedo importado e das missas de domingo, Isabel carregava um vazio que doía na alma.

    (01:30) O coronel passava mais tempo cuidando dos negócios e das amantes na cidade do que em casa. Quando estava presente, mal olhava pra esposa. Para ele, Isabel era uma peça de decoração, uma obrigação cumprida. A fazenda tinha 87 pessoas escravizadas, entre eles três homens que trabalhavam diretamente na casa grande. Miguel, 32 anos, que cuidava dos cavalos e era conhecido pela destreza com os animais.

    (01:57) Joaquim 29, responsável pela manutenção da propriedade, carpinteiro habilidoso que consertava desde uma janela quebrada até móveis finos. e Benedito 26, o mais jovem, que trabalhava na cozinha e tinha um jeito gentil que destoava da brutalidade daquele lugar. Os três tinham algo em comum além da cor da pele e da condição de escravizados. Eram alfabetizados.

    (02:17) Isso era raríssimo naquela época. Miguel tinha aprendido com o padre abolicionista que passou pela fazenda anos antes. Joaquim aprendeu observando os filhos do antigo dono fazendo lição. Benedito aprendeu com Miguel nas noites em que se reuniam escondidos na cenzala.

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    (02:35) Isabel começou a notar os três de um jeito diferente numa tarde de março, quando coronel tinha viajado para São Paulo e demoraria semanas para voltar. Ela estava na biblioteca, o único lugar da casa onde se sentia menos sufocada quando ouviu vozes baixas vindo do jardim. Era Miguel ensinando Benedito a ler usando um livro velho de poesias que tinha achado no lixo.

    (02:55) Aquela cena mexeu com algo dentro dela. Não era só a coragem deles em arriscar uma surra por estarem com um livro. Era sede de liberdade, de conhecimento, de ser mais do que o mundo permitia. Isabel se reconheceu naqueles homens. Ela também era prisioneira, só que numa jaula de ouro. Foi assim que tudo começou, com um olhar que durou um segundo a mais, com uma sede de conexão que nenhum dos quatro sabia como saciar e com uma ousadia que naquele Brasil escravocrata de 1881 podia custar a vida de todos eles.

    (03:28) Isabel, uma senha presa num casamento vazio. Miguel, Joaquim e Benedito, três homens escravizados que ousavam sonhar com liberdade. O que nenhum deles imaginava é que aqueles encontros furtivos na biblioteca iam mudar tudo. As primeiras conversas foram breves e tensas. Isabel começou a deixar livros onde sabia que Miguel ia passar.

    (03:49) Ele entendia o recado e sumia com volume por alguns dias, devolvendo depois com o bilhetinho escrito numa caligrafia irregular, mas cheia de cuidado. Obrigado, Sha. Isabel não queria ser chamada de senhar por eles. Aquela palavra carregava todo o peso de uma sociedade que ela começava a questionar. Numa noite, quando a casa dormia e só se ouvia o canto dos grilos, ela desceu até a área dos fundos, onde Joaquim consertava uma cadeira quebrada. “Você pode me chamar de Isabel?”, ela disse baixinho, olhando ao redor com medo de

    (04:19) ser vista. Joaquim parou o que estava fazendo. O martelo suspenso no arhou para ela com uma mistura de confusão e algo que parecia esperança. Isso não é permitido. Sim, dona Isabel, eu sei, mas quando estivermos sozinhos, quando não tiver ninguém por perto, eu gostaria que me chamasse pelo meu nome. Só isso.

    (04:41) Aquela conversa de 3 minutos mudou tudo. Joaquim voltou paraa Senzala e contou pros outros dois. Miguel ficou desconfiado. Podia ser armadilha, um teste para ver quem era atrevido. Benedito, mais jovem e sonhador, achou que talvez houvesse bondade genuína ali. Os encontros foram ficando mais frequentes.

    (05:05) Isabel descobriu que Miguel tinha uma visão de mundo que ia além do que qualquer homem branco educado que ela conhecia tinha. Ele falava sobre as revoltas de escravos em outras províncias, sobre Haiti e a revolução que tinha libertado os negros lá. falava baixo, mas com uma paixão que queimava. Joaquim tinha sensibilidade artística.

    (05:26) Nas madeiras que esculpia, deixava mensagens cifradas, símbolos africanos que sua avó tinha lhe ensinado antes de morrer. Ele mostrou para Isabel, explicou cada um. eram símbolos de resistência, de esperança, de liberdade. Benedito era diferente dos outros dois, mais gentil, mais sonhador. Escrevia poesias escondido em pedaços de papel que roubava da casa grande. Poesia sobre uma vida que ele nunca tinha vivido, mas que existia na imaginação dele.

    (05:51) Uma vida livre numa terra onde a cor da pele não determinava o destino de ninguém. Isabel se via conversando com eles quase toda a noite. As conversas começaram intelectuais. sobre livros, sobre o mundo lá fora, sobre as mudanças que todo mundo sentia que estavam vindo, mas aos poucos foram ficando mais pessoais.

    (06:10) Ela contou sobre o casamento forçado, sobre como se sentia uma propriedade tanto quanto eles. Contou sobre as noites em que chorava sozinha, sobre como tinha desistido da ideia de um dia sentir que os livros românticos franceses descreviam como amor. Eles contaram sobre as famílias que tinham sido separadas em leilões.

    (06:28) Miguel tinha perdido a mulher e os dois filhos pequenos. vendidos pro Nordeste quando o antigo dono da fazenda morreu e os bens foram divididos entre os herdeiros. Joaquim tinha visto pai ser chicoteado até a morte por ter tentado fugir. Benedito era filho de uma escrava confeitor.

    (06:46) Uma violência que tinha lhe dado a pele um pouco mais clara e nenhum privilégio, além de um ódio profundo por quem tinha metade do sangue dele. A gente tá chegando na parte mais intensa dessa história. Se você tá gostando, deixa o like aí, compartilha com quem curte a história real brasileira e fica até o final porque o que vem agora vai te deixar de queixo caído.

    (07:06) Foi numa noite abafada de abril, quando a tensão no ar parecia elétrica, que a primeira barreira foi quebrada. Isabel tinha descido até o celeiro, onde Miguel guardava as ferramentas de montaria. Ela tinha levado um livro novo, uma edição contrabangeada de escritos abolicionistas. Quando estendeu o livro para ele, as mãos se tocaram. Foi um segundo, talvez menos, mas naquele toque passou uma corrente que nenhum dos dois conseguiu ignorar. Miguel não soltou a mão dela imediatamente.

    (07:34) Isabel não puxou para trás. Ali, naquele celeiro que cheirava couro e feno, com a lua entrando pelas frestas das tábuas, dois mundos que nunca deveriam se tocar começaram a se entrelaçar de uma forma que ia contra todas as leis, escritas e não escritas, daquele Brasil de 1881. Um toque de mãos no celeiro, uma fronteira atravessada.

    (07:57) Isabel, Miguel, Joaquim e Benedito estavam prestes a viver algo que podia custar a vida de todos eles. O Brasil de 1881 era uma sociedade que funcionava com base em linhas invisíveis, mas absolutas. Negro não olhava direto pros olhos de branco. Escravo não tocava a não ser para servi-la. E o que estava começando a acontecer na fazenda Santo Antônio era tão proibido, tão impensável, que nem tinha nome.

    (08:22) Isabel tinha sido criada para acreditar que negros eram inferiores, que o lugar deles era servir. Mas as conversas com Miguel, Joaquim e Benedito tinham rachado aquela crença. Ela havia neles inteligência, sensibilidade, humanidade, tudo que tinha sido negado a eles pela sociedade. E mais que isso, ela sentia uma conexão que nunca tinha sentido com o marido.

    (08:42) Com o coronel, o casamento era frio, mecânico, uma obrigação cumprida uma vez por mês quando ele estava sóbrio. Não tinha afeto, não tinha conversa, não tinha nada que lembrasse os romances que ela devorava escondida. Com aqueles três homens era diferente.

    (09:01) As conversas duravam horas, os olhares começaram a carregar coisas que não eram ditas em voz alta. E Isabel, pela primeira vez na vida, se sentia vista de verdade, não como uma peça de decoração, não como um útero que devia gerar herdeiros, mas como uma pessoa completa, com ideias, desejos, medos. Miguel foi o primeiro.

    (09:20) Naquela noite no celeiro, depois que as mãos se tocaram, ficaram ali parados se olhando. O coração de Isabel batia tão forte que ela tinha certeza que ele ouvia. Miguel tinha um conflito terrível no olhar. Desejo misturado com medo, ousadia misturada com a certeza de que aquilo era loucura. “A gente não pode”, ele disse, “mas não soltou a mão dela.

    (09:39) Eu sei, Isabel respondeu, mas eu já não aguento mais viver numa vida que não me pertence. Foi Miguel quem deu o primeiro beijo, rápido, assustado, como quem rouba algo precioso e espera ser pego a qualquer segundo. Isabel ficou paralisada por um instante, processando o que tinha acontecido.

    (10:02) Então, puxou ele de volta e beijou de novo, dessa vez sem pressa, sem medo. O que aconteceu naquela noite no celeiro foi uma revolução silenciosa. Dois corpos que a sociedade dizia que não podiam se tocar se entrelaçaram com uma urgência que vinha de anos de repressão, dela presa num casamento vazio, dele preso numa vida que não era dele.

    (10:19) Mas Isabel não era de fazer as coisas pela metade. Nos dias seguintes, ela procurou Joaquim e Benedito separadamente. As conversas foram honestas, cruas. Ela falou sobre o vazio que sentia, sobre como pela primeira vez estava sentindo que existia de verdade.

    (10:38) Falou que não queria enganar nenhum deles, que sentia conexão com os três de formas diferentes, mas igualmente intensas. A reação deles foi surpreendente. Em vez de ciúme ou possessividade, sentimentos que eram esperados dos homens brancos da época, houve compreensão. Os três viviam há anos juntos na cenzala. eram mais que amigos, eram irmãos de sofrimento.

    (10:58) Tinham aprendido que sobreviver naquele sistema exigia união, não competição. E havia outra coisa. Todos os três entendiam que aquilo não era sobre propriedade. Isabel não estava se dando a eles, como as senhoras brancas faziam com escravos em abusos que eram comuns e silenciados.

    (11:17) O que estava acontecendo ali era um acordo precário, perigoso, mas baseado numa escolha mútua que era rara naquele contexto. Joaquim foi o segundo. Aconteceu numa tarde em que ele estava consertando os móveis da biblioteca. As mãos dele trabalhavam a madeira com uma delicadeza que contrastava com a força do corpo. Isabel ficou observando, fascinada pela maneira como ele transformava pedaços brutos em algo belo.

    (11:42) Quando ele terminou, ela se aproximou, tocou no móvel restaurado, depois tocou na mão dele. “Você faz coisas bonitas nascerem de pedaços quebrados”, ela disse. Joaquim olhou para ela com olhos que brilhavam. É o que eu queria fazer com minha própria vida. se pudesse. O beijo foi mais suave que o de Miguel, mais lento, cheio de uma ternura que doía de tão bonita.

    (12:03) Benedito foi o último, mas não menos intenso. Aconteceu na cozinha depois que todos tinham ido dormir. Ele estava escrevendo uma das poesias dele. Isabel leu por cima do ombro. Era um verso sobre uma mulher que ele nunca tinha conhecido, mas que vivia na imaginação dele. Alguém que o visse como homem, não como propriedade.

    (12:21) “Essa mulher existe”, Isabel disse baixinho. “Ela tá aqui na sua frente.” O que se seguiu foi uma mistura de paixão e delicadeza que deixou os dois tremendo. Nas semanas seguintes, estabeleceu-se uma rotina impossível e perigosa. Isabel se encontrava com os 13 momentos diferentes, sempre tomando cuidado para não levantar suspeitas.

    (12:46) As mucamas achavam estranho assim a andar tanto pela propriedade de noite, mas não ousavam questionar. O que nenhum dos quatro percebeu no início é que aquela transgressão ia gerar consequências muito maiores do que eles imaginavam. Porque em junho daquele ano de 1881, Isabel percebeu que tinha atrasado.

    (13:05) E quando os sintomas começaram, os enjoos matinais, a tontura, a sensibilidade nos seios, ela soube estava grávida. O problema é que ela não sabia de quem. Isabel grávida, três homens que podiam ser o pai e um marido que voltaria em semanas. A situação que já era impossível acabava de ficar mortal. Quando Isabel confirmou a gravidez, entrou em pânico, sentou na beirada da cama, olhando pro próprio ventre ainda plano. E pela primeira vez, desde que tudo tinha começado, sentiu o peso real do que tinha feito.

    (13:34) O coronel Antônio tinha voltado de São Paulo havia uma semana. Ele mal tinha olhado para ela, como sempre. Dormira com Isabel uma única vez, mal, rápido, sem carinho, e depois voltará pros próprios aposentos. Tinha sido suficiente para criar uma dúvida, uma brecha. Isabel fez as contas. Podia alegar que a criança era do marido. As datas batiam, mais ou menos.

    (14:00) Mas e se nascesse com traços que delatassem a verdade? Naquela época, quando o racismo científico estava no auge e se acreditava que traços raciais eram absolutos, uma criança mestiça seria impossível de esconder. Ela precisava contar pros três. Mas como e o que eles iam pensar? Aquilo mudava tudo.

    (14:21) O que era um segredo íntimo, uma transgressão escondida, agora ia virar uma vida, uma evidência concreta. Isabel esperou uma noite sem lua quando a escuridão era completa. Pediu que os três se encontrassem com ela na casa de ferramentas, nos fundos da propriedade. Foi o encontro mais perigoso até então. Os três juntos com ela num lugar fechado. Se alguém descobrisse, não teria explicação possível. Eu tô esperando um filho”, ela disse sem rodeios, a voz tremendo.

    (14:48) O silêncio que se seguiu era pesado como chumbo. Miguel foi o primeiro a reagir, passando as mãos pelo rosto. Joaquim sentou numa pilha de tábuas, processando. Benedito ficou de pé, olhando para ela com uma mistura de medo e algo que parecia alegria. Uma alegria errada, fora do lugar, mas genuína. De quem? Joaquim perguntou: “Eu não sei.

    (15:13) ” Isabel admitiu, “Pode ser de qualquer um dos três ou pode ser do coronel. Ele esteve comigo há algumas semanas.” A situação era absurda, até para padrões daquela relação já impossível. Miguel começou a andar de um lado pro outro, claramente calculando os riscos. Benedito perguntou se ela tinha certeza da gravidez. Joaquim permaneceu em silêncio, pensativo.

    (15:37) “Se for uma criança branca, ninguém nunca vai desconfiar”, Miguel disse depois de alguns minutos. “Mas se nascer com traços, se for clara demais para ser só filha do coronel, mas escura demais para disfarçar”. Todos sabiam o que ele não disse.

    (15:56) Isabel seria taxada de adúltera, provavelmente expulsa de casa, possivelmente morta pelo próprio marido. E os três seriam torturados até confessarem e depois executados em praça pública como exemplo. Tem uma solução. Joaquim falou devagar, como se estivesse montando um quebra-cabeça na cabeça. A senhora pode alegar que é filho do coronel? Ninguém vai questionar. Ele tá velho, mas ainda é capaz. E quando nascer, quando nascer, a gente vê.

    (16:19) Isabel completou. Mas havia outro problema. O coronel já tinha filhos do primeiro casamento. Três homens que esperavam herdar tudo. Uma nova criança, especialmente um menino, mudaria a divisão da herança. Isso ia criar tensão, desconfiança. Os entetiados de Isabel já não gostavam dela. Achavam que ela tinha se casado por interesse.

    (16:44) Nas semanas seguintes, Isabel fez o que qualquer mulher naquela situação faria. colocou uma máscara perfeita, começou a fazer comentários sutis sobre enjoos, sobre possíveis sintomas, deixou que as empregadas começassem a desconfiar. Quando o rumor chegou ao coronel, ele reagiu com indiferença disfarçada de satisfação.

    (17:03) “Finalmente vai me dar um herdeiro”, ele disse, enchendo o copo de conhaque. Nem abraçou ela, nem demonstrou afeto. Era só mais uma tarefa cumprida. Mas Isabel teve que cortar completamente o contato com Miguel, Joaquim e Benedito. Era arriscado demais. As mucamas já coxixavam e qualquer proximidade podia levantar suspeitas. Os três entendiam, mas doía.

    (17:28) Aqueles encontros tinham se tornado o único momento de vida real no mundo de faz de conta. Miguel voltou a ser só o tratador de cavalos. Joaquim continuou consertando móveis em silêncio. Benedito trabalhava na cozinha com coração apertado. Os três se olhavam de longe, se comunicando em olhares que diziam: “Aguenta firme e a gente sobrevive”. Gente, tá ficando cada vez mais intenso.

    (17:51) Se você chegou até aqui, comenta aí embaixo o que você acha que vai acontecer. A criança vai nascer com que características? Como essa história vai terminar? Vamos conversando. A gravidez de Isabel foi tranquila fisicamente, mas um inferno psicológico. Cada dia que passava era mais um dia carregando a incerteza.

    (18:16) Ela rezava ironicamente, ela que tinha começado a questionar tudo que tinha aprendido na igreja para que a criança nascesse o mais clara possível. Os meses foram passando, a barriga crescendo, o coronel se afastando ainda mais, como se a gravidez fosse algo sujo que ele preferia ignorar. Os entiados fazendo visitas cada vez mais frequentes, claramente preocupados com a herança, e os três homens trabalhando em silêncio, esperando. Foi numa noite de novembro, quando Isabel estava no oitavo mês, que algo aconteceu que mudou tudo.

    (18:45) Ela tinha acordado com dores nas costas e desceu pra cozinha procurar um chá que aliviasse o desconforto. Benedito estava lá preparando o café da manhã do dia seguinte. Quando ele a viu, largou tudo e correu para ajudar. Você não devia ter descido sozinha”, ele sussurrou, segurando o braço dela. Foi só um momento de gentileza, um gesto humano no mundo desumano.

    (19:08) Mas a mucama mais velha, dona Sebastiana, tinha visto da porta e mesmo que não tivesse ouvido o que foi dito, tinha visto o jeito como Benedito olhou para Isabel. Tinha visto a intimidade naquele gesto. Dona Sebastiana era escrava de ganho e tinha uma posição privilegiada na hierarquia da cenzala. era informante do coronel.

    (19:29) Era através dela que ele sabia de tudo que acontecia na fazenda. E naquela noite ela decidiu que tinha visto algo que precisava ser relatado. O tempo estava acabando. A bomba estava prestes a explodir e Isabel nem imaginava. Uma mucama que viu demais, um segredo prestes a ser exposto. E Isabel, com 9 meses de gravidez, sem saber que o inferno estava por vir.

    (19:52) Dona Sebastiana esperou o momento certo. Ela era inteligente, tinha sobrevivido décadas naquele sistema, aprendendo quando falar e quando calar. Sabia que uma acusação precipitada sem provas poderia custar a própria vida. Então ficou observando, colhendo detalhes, juntando migalhas de evidência.

    (20:12) Ela notou que Benedito sempre sabia quando Isabel estava sozinha na biblioteca, que Joaquim consertava móveis incômodos que não precisavam de consertos sempre que o coronel viajava. que Miguel demorava mais do que necessário, cuidando dos cavalos nos horários em que Isabel costumava caminhar perto do estábulo.

    (20:30) Mas era novembro e a escravidão estava com os dias contados, todo mundo sabia. Dona Sebastiana precisava garantir a própria sobrevivência no mundo novo que estava chegando. E a moeda de troca dela era informação. Num dia em que o coronel estava sório o suficiente para conversar, mas bêbado suficiente para ficar furioso, ela foi até ele. Coronel, perdoe a ousadia dessa escrava velha, mas tem algo que o senhor precisa saber sobre a Siná.

    (20:55) O que ela contou foi uma versão distorcida, mas convincente, que tinha visto intimidades inadequadas entre Isabel e os três escravos, que achava muito estranho assim a passar tanto tempo sozinha com eles, que talvez o senhor devesse ficar atento sobre a paternidade da criança.

    (21:14) O coronel ficou roxo de raiva, não pela possibilidade de traição em si, ele tinha três amantes na cidade e não escondia. A raiva era pela humilhação pública que aquilo representaria. Um coronel, homem de posses e respeito, ser traído pela própria esposa com seus escravos era pior desonra imaginável naquela sociedade. Mas ele era esperto. Não fez nada imediatamente. Esperou, observou e colocou outras pessoas para vigiar também.

    (21:41) Isabel percebeu a mudança no ar. As mucamas ficaram mais distantes. O coronel a olhava de um jeito diferente, não com indiferença, mas com algo que parecia desprezo, misturado com curiosidade mórbida. Ela tentou avisar os três, mas estava sendo vigiada constantemente. Foi numa madrugada de dezembro que as dores do parto começaram.

    (22:04) Isabel acordou sentindo a barriga endurecer em contrações. Chamaram a parteira, uma negra liberta que atendia os partos da região. O coronel estava viajando, ironicamente, tinha ido resolver negócios justamente para não ter que estar presente no nascimento. O trabalho de parto durou 14 horas. Isabel gritou, suou, sangrou. A parteira fazia o que podia, mas o bebê estava teimoso.

    (22:29) Nas horas mais críticas, quando parecia que mãe ou filho não iam sobreviver, Isabel pediu para ver Miguel, Joaquim e Benedito. Disse que queria fazer as pazes antes de morrer. Uma desculpa que a parteira acreditou. Os três entraram no quarto, proibido para escravos homens, e ficaram ali do lado de fora do biombo, segurando as mãos dela enquanto ela gritava a cada contração.

    (22:49) Foi a parteira quem permitiu. Ela tinha visto muita coisa na vida e sabia reconhecer amor de verdade quando via. Não importava as cores de pele envolvidas. Quando o bebê finalmente nasceu, foi um menino. A parte limpou, enrolou na manta e teve uma expressão estranha no rosto antes de entregar pra Isabel.

    (23:10) A criança tinha pele morena clara, os olhos escuros, o cabelo que prometia ser crespo. Não era branca como se esperaria de filha do coronel com Isabel, mas também não era escuro suficiente para tirar todas as dúvidas. Naquela época havia mestiços claros, filhos de brancos e mulatas.

    (23:30) Então ainda existia margem para dúvida, mas os traços do rosto eram inconfundíveis para quem conhecia os três homens. A parteira olhou para o menino, olhou pros três ali parados, olhou para Isabel e entendeu tudo. Não disse nada, mas seu silêncio falava volumes. Isabel segurou o filho contra o peito e chorou. Eram lágrimas de alívio por ter sobrevivido, de amor pelo bebê, mas também de terror, porque ela sabia que aquela criança era prova física da transgressão que tinham cometido. “Como vai chamar?” A parte perguntou.

    (23:57) Francisco Isabel respondeu: “Era o nome do pai dela, morto anos antes, um nome tradicional que não levantasse suspeitas. Os três homens olharam pra criança com uma mistura de emoções impossíveis de descrever. Ali estava um pedaço deles, talvez numa vida que nunca poderia conhecê-los como pais. Ali estava o resultado de algo que tinha sido bonito, mas proibido.

    (24:21) Ali estava a condenação ou a salvação de todos eles. Ainda não dava para saber. A parteira fez todo mundo sair, limpou Isabel, arrumou o quarto. Quando tudo estava apresentável, mandou chamar o coronel. Ele chegou dois dias depois, vindo direto da viagem, cheirando a fumo e cachaça. Olhou pra criança por um longo tempo. Isabel segurava a respiração.

    (24:44) Francisco, nome de batismo ainda não oficial, dormia tranquilo, alheio ao drama que sua existência tinha causado. Tem os olhos da sua família, o coronel disse finalmente. Era mentira e todo mundo sabia, mas era mentira necessária. Nas semanas seguintes, estabeleceu-se uma paz falsa. O coronel aceitou o menino, mas com reservas.

    (25:07) Tratava ele com a mesma indiferença que tratava Isabel. Osetiados fizeram visitas tensas, medindo novo herdeiro com olhares desconfiantes. Mas o coronel não tinha esquecido o que dona Sebastiana tinha dito. Estava só esperando o momento certo.

    (25:27) E esse momento chegou numa tarde de janeiro, quando ele voltou para casa mais cedo que o esperado e viu pela janela da biblioteca Isabel amamentando Francisco enquanto Miguel consertava uma estante e os dois conversavam baixinho. Não era nada demais, só uma conversa. Mas o jeito como Miguel olhou pra criança, com uma mistura de ternura e dor, foi tudo que o coronel precisou ver. Naquela noite, ele mandou prender os três, acorrentou Miguel, Joaquim e Benedito no tronco, que ficava no centro da cenzala, e esperou o amanhecer para decidir o que fazer com eles. Os três homens acorrentados, Isabel, desesperada com

    (25:59) bebê nos braços, e um coronel decidido a fazer justiça com as próprias mãos. O que começou como transgressão agora virava tragédia. O Brasil de 1881 não tinha lei que protegesse escravos de violência dos senhores. O coronel tinha direito de vida e morte sobre as pessoas que ele possuía.

    (26:22) Mas ele era esperto demais para simplesmente matar os três sem antes ter certeza. Mandou buscar Isabel na madrugada. Ela desceu carregando Francisco, que chorava com fome. O coronel estava na sala de visitas, sentado na poltrona de couro, como se fosse um juiz. Tinha bebido, mas não estava completamente bêbado. Estava naquele ponto perigoso, onde a raiva fica mais controlada, mas mais cruel.

    (26:43) “Senta”, ele ordenou. Isabel sentou, apertando o bebê contra o peito. Seu coração batia tão forte que ela tinha certeza que ele ouvia. “Eu sempre soube que você não me amava.” O coronel começou a voz baixa e perigosa. Não me importava. Casamento não é sobre amor, é sobre alianças.

    (27:06) Mas você me fez de idiota, Isabel, me fez de palhaço na frente dos meus escravos. Eu não fiz nada, ela tentou, mas a voz tremeu. Não minta para mim, ele gritou se levantando. Francisco começou a chorar mais alto. Dona Sebastiana me contou. Eu vi com meus próprios olhos hoje. E essa criança? Ele apontou pro bebê: “Essa criança não tem nada de mim”.

    (27:30) Isabel pensou em negar, mas estava cansada de mentir, cansada de ter medo. Então fez algo inesperado. Disse a verdade, você tá certo. Eu não te amo. Nunca amei. Você me comprou como se compra uma cadeira ou um cavalo. E esse casamento nunca foi nada além de um contrato. Então não venha falar de traição como se você fosse fiel, como se eu fosse mais que propriedade sua.

    (27:56) O coronel ficou tão surpreso que não reagiu imediatamente. Ninguém nunca tinha falado com ele daquela forma, muito menos uma mulher. E o menino? Ele perguntou a voz gelada. É de qual dos três? Eu não sei, Isabel admitiu. Pode ser de qualquer um deles ou pode ser seu. As datas batem. Era um blef parcial.

    (28:24) Ela sabia que provavelmente não era do coronel, mas a possibilidade, por menor que fosse, existia e era a única carta que ela tinha para jogar. O coronel deu uma risada amarga. Serviu outro copo de bebida, bebeu em gole único, serviu outro. Você sabe o que eu deveria fazer? Deveria te expulsar daqui, mandar você de volta pros seus pais em desgraça. Deveria matar os três ali no pelourinho como exemplo. É isso que a lei me permite fazer.

    (28:50) Então faz, Isabel disse, encontrando uma coragem que não sabia que tinha. Mata eles, me expulsa. Mas antes, explica pros seus conhecidos, pros seus amigos do clube, pro padre, para todo mundo na cidade, porque você tá expulsando sua esposa e matando três escravos. Explica que é porque você suspeita que seu filho não é seu.

    (29:10) Explica que você, coronel Antônio Pimentel, homem de posses e respeito, foi traído pela própria mulher. Era chantagem emocional e os dois sabiam. O coronel podia fazer o que quisesse legalmente, mas o peso social da vergonha era devastador. Naquela sociedade, aparências importavam mais que verdades. Um coronel traído era motivo de chacota, de perda de respeito, de diminuição de poder político.

    (29:35) Ele ficou em silêncio por longos minutos, calculando. Finalmente falou: “Essa criança vai ser registrada como minha. Você vai continuar sendo minha esposa, vai aparecer em público comigo, vai manter as aparências e nunca, nunca mais vai chegar perto daqueles três. Isabel sentiu por dentro morrendo um pouco.

    (30:00) E eles ela perguntou, referindo-se a Miguel, Joaquim e Benedito. Eles vão ser vendidos para bem longe daqui, para fazendas diferentes, de preferência em províncias diferentes. Nunca mais vão se ver, nunca mais vão te ver e nunca mais vão ver essa criança. Era cruel, mas não era morte. Isabel segurou o choro.

    (30:23) Era o melhor desfecho possível numa situação impossível. Na manhã seguinte, um negociante de escravos chegou à fazenda. Era um homem gordo, suado, que cheirava fumo barato. Examinou os três como se fossem gado, olhando dentes, músculos, testando resistência. Isabel assistiu de longe, Francisco dormindo em seus braços. Os três olharam para ela uma última vez.

    (30:46) Não havia acusação nos olhos deles, só tristeza e uma aceitação resignada. Sabiam que ela tinha feito o que podia. Sabiam que na hierarquia daquela sociedade cruel, ela tinha tão pouco poder quanto eles? Miguel foi vendido para uma fazenda de café em São Paulo, Joaquim para uma propriedade no interior do Rio de Janeiro, Benedito pro Nordeste para trabalhar numa usina de açúcar.

    (31:13) Nunca mais se viriam, nunca mais saberam do filho que um deles, ou talvez os três, de alguma forma misteriosa, tinham ajudado a criar. Quando as correntes foram soltas e eles foram levados, Isabel segurou Francisco com mais força e sussurrou para ele uma promessa que sabia que era impossível de cumprir. Um dia você vai saber a verdade.

    (31:33) Um dia você vai saber que foi amado antes mesmo de nascer por três homens que a sociedade dizia que não eram homens. Por uma mãe que desafiou tudo e que cada um de nós pagou um preço alto por essa ousadia. Miguel, Joaquim e Benedito separados para sempre. Isabel presa num casamento que virou prisão e Francisco crescendo sem saber a verdade sobre suas origens.

    (31:53) Os anos que se seguiram foram de silêncio e aparências. Isabel continuou sendo a esposa do coronel, participando dos eventos sociais, indo à missa aos domingos, sorrindo quando necessário, mas por dentro estava vazia, como se tivesse deixado pedaços da alma espalhados pelo Brasil junto com os três homens. Francisco cresceu bonito e inteligente.

    (32:14) A pele dele foi clareando com o tempo, fenômeno comum e mestiços, mas os traços permaneceram ambíguos o suficiente para manter a dúvida. Os cabelos eram crespos, mas algumas crianças brancas tinham cachos. Os olhos eram escuros, mas isso também era comum.

    (32:34) A boca larga, o nariz ligeiramente achatado, dava para atribuir a genética diversa da família de Isabel. O coronel tratava o menino com indiferença disfarçada de disciplina. Nunca foi carinhoso, nunca foi cruel. Cumpria as obrigações de pai, pagava educação, roupa, comida, mas não tinha afeto. Francisco cresceu sentindo que havia algo errado, algo não dito, mas não sabia o quê.

    (32:58) Isabel foi proibida de ensinar o filho a ler antes dos 7 anos. O coronel não queria que ele ficasse esperto demais. Mas nas noites em que o marido estava bêbado ou fora, ela lia para Francisco. Lia as mesmas poesias que Benedito costumava escrever, os mesmos livros que discutia com Miguel, as mesmas histórias que Joaquim contava sobre a África que ele nunca tinha conhecido, mas que vivia na memória ancestral. Em 1888, finalmente a abolição chegou.

    (33:23) Isabel tinha 35 anos. sentou na varanda quando ouviu a notícia, olhando pro horizonte, se perguntou onde estariam os três, se ainda estavam vivos, se tinham conseguido comprar a liberdade antes da lei Áurea, se algum dia pensavam nela e no menino que pode ou não ser filho deles.

    (33:43) A fazenda entrou em crise, como todas as outras. Sem mão de obra escrava, o sistema entrou em colapso. O coronel precisou contratar trabalhadores livres, pagar salários, negociar. ficou mais amargo, mais bêbado, mais violento com as palavras. Nunca bateu em Isabel, mas as palavras cortavam mais fundo que qualquer chicote. Francisco tinha 7 anos quando a abolição aconteceu.

    (34:06) Viu os ex-escravos da fazenda saindo em grupos, alguns chorando de alegria, outros assustados com uma liberdade que não sabiam como usar. Perguntou pra mãe porque aquelas pessoas estavam indo embora. Isabel se ajoelhou na altura dele e falou baixinho, porque elas eram prisioneiras e agora são livres. Todo mundo merece ser livre, Francisco, lembra disso? O menino não entendeu completamente, mas guardou aquelas palavras. Os anos foram passando.

    (34:35) Francisco cresceu num ambiente tenso, com pai que não demonstrava afeto e uma mãe que parecia sempre distante, presa em memórias que ele não conseguia acessar. Ele era inteligente demais para não perceber as fofocas sussurradas quando passava, os olhares curiosos das pessoas na cidade, as conversas que morriam quando ele entrava numa sala.

    (34:53) Aos 15 anos, Francisco confrontou Isabel. As pessoas dizem que eu não sou filho do coronel, ele disse direto. Dizem que você teve um caso com escravos da fazenda. É verdade. Isabel podia mentir, devia mentir, mas olhou pro filho, esse menino que era tão parecido com os três homens que ela tinha amado e ao mesmo tempo tão único, e decidiu que ele merecia um pedaço da verdade. Eu não sei quem é seu pai biológico, Francisco.

    (35:22) Pode ser o coronel, pode ser outro. Mas o que eu sei, o que eu tenho certeza, é que você foi desejado, foi amado antes mesmo de nascer. Independente de quem colocou você no mundo, você é meu filho e isso nunca, nunca vai mudar. Francisco processou aquilo em silêncio. Então perguntou: “Os homens, eles eram bons?” Os melhores que eu já conheci”, Isabel respondeu. E pela primeira vez em anos sorriu de verdade.

    (35:53) O coronel morreu em 1895, disse Rose. Deixou a fazenda e os bens para Francisco paraa frustração dos filhos do primeiro casamento. Eles contestaram no tribunal, alegaram que Francisco não era filho legítimo, mas não tinham provas. O registro dizia filho de Antônio Pimentel e isso bastava legalmente.

    (36:14) Com 17 anos, Francisco virou proprietário de terras e uma das primeiras coisas que fez foi procurar. Contratou investigadores, escreveu cartas, seguiu pistas. Queria encontrar os três homens que podiam ser seu pai. Levou anos, custou dinheiro, exigiu persistência. Mas em 1899 ele finalmente teve notícias. Francisco Adulto buscando respostas.

    (36:40) Três homens espalhados pelo Brasil carregando memórias de uma época que parecia irreal e Isabel finalmente tendo a chance de fechar o círculo. Miguel tinha sido encontrado em São Paulo. Estava com 50 anos, trabalhava como ferreiro numa cidade pequena do interior. Tinha se casado, tinha três filhos, vivia uma vida simples, mas digna, finalmente livre.

    (37:06) Quando recebeu a carta de Francisco pedindo para se encontrarem, ficou em silêncio por dias, sem saber o que responder. Joaquim estava no Rio de Janeiro, trabalhando como carpinteiro autônomo. Tinha prosperado um pouco. Tinha uma pequena oficina onde fazia móveis sob encomenda. Nunca tinha se casado. Quando a carta chegou, ele leu e releu tantas vezes que o papel ficou gasto nas dobras.

    (37:28) Benedito foi o mais difícil de achar. Tinha voltado paraa África, não pra terra de seus ancestrais. que ele não conhecia, mas pro projeto de repatriação que alguns libertos tinham começado. Vivia numa comunidade de afro-brasileiros em lagos, na Nigéria, tentando reconstruir uma identidade que tinha sido roubada.

    (37:48) A carta demorou meses para chegar, passou por várias mãos. Francisco decidiu que não ia esperar respostas por carta. com 21 anos e dono da própria vida, decidiu ir pessoalmente. Isabel, agora com 46 anos e finalmente livre do coronel, pediu para ir junto. A primeira viagem foi até São Paulo. Chegaram numa tarde de setembro de 1899.

    (38:12) Depois de dias de trem, Miguel esperava na porta da pequena oficina de ferraria, as mãos ainda sujas de gracha. Quando viu Isabel descendo da carruagem, ficou paralisado. Ela tinha envelhecido, como todos. Os cabelos começavam a esbranquiçar, rugas se formavam nos cantos dos olhos.

    (38:31) Mas para Miguel, ela continuava sendo aquela mulher que tinha conversado com ele sobre liberdade nas noites da fazenda. Sim. Ah, ele começou, mas Isabel cortou. Isabel, meu nome é Isabel. sempre foi. Miguel sorriu e naquele sorriso havia duas décadas de dor, mas também de cura. Então olhou para Francisco e seu coração quase parou.

    (38:57) O menino, agora homem, tinha traços que podiam ser seus, mas também podiam ser de Joaquim ou de Benedito ou de nenhum deles. Você veio procurar respostas, Miguel disse, mas eu não sei se tenho as que você quer. Eu não vim procurar um pai, Francisco respondeu. Vim conhecer um homem que minha mãe me disse que foi bom, que foi corajoso, que ousou sonhar com liberdade quando isso podia custar a vida dele.

    (39:20) Passaram três dias juntos. Miguel contou sobre os anos após ser vendido, sobre como tinha sobrevivido até a abolição, sobre como tinha reconstruído a vida. Falou sobre as noites em que pensava naquela fazenda em Minas Gerais, sobre a mulher e o menino que pode ou não ser dele.

    (39:40) Falou sobre a culpa de ter seguido em frente, de ter constituído família, como se isso fosse uma traição à memória. Isabel pegou a mão dele e disse: “Você fez o que precisava fazer para sobreviver. Todos nós fizemos. A segunda viagem foi pro Rio de Janeiro. Joaquinhos recebeu na oficina, cercado pelo cheiro de madeira recém-cortada. Quando abraçou Isabel, chorou pela primeira vez em anos.

    (40:02) Com Francisco, foi mais tímido. Mostrou ao rapaz as esculturas que fazia. Símbolos africanos misturados com elementos brasileiros, uma arte que contava histórias sem palavras. Eu sempre quis poder fazer isso, Joaquim disse, mostrando um painel entalhado que representava a travessia do Atlântico.

    (40:22) Contar a verdade através da arte, porque a palavra escrita foi negada a nós por tanto tempo. Francisco ficou fascinado, pediu para aprender e nos dias que passaram ali, Joaquim ensinou o básico da marcenaria. Não era sobre ensinar um ofício, era sobre passar adiante um legado, uma conexão. A terceira viagem foi a mais longa e complicada.

    (40:42) Pegar navio pro continente africano em 1900 era caro e arriscado, mas Francisco estava determinado. Isabel, por sua vez, tinha medo. Medo do que Benedito ia pensar dela. Medo de reabrir feridas que mal tinham cicatrizado. Chegaram a lagos numa tarde úmida e quente. A comunidade de afro-brasileiros os recebeu com curiosidade.

    (41:07) Benedito tinha sido avisado, mas mesmo assim ficou chocado quando viu os dois descendo do barco. Ele estava mais magro, queimado de sol, os cabelos completamente brancos, apesar de ter apenas 44 anos. Usava roupas que misturavam estilo brasileiro e africano, como se tentasse unir duas identidades que a história tinha separado a força. O reencontro foi o mais difícil.

    (41:27) Benedito tinha raiva, não de Isabel ou Francisco, mas do mundo que tinha feito tudo aquilo acontecer. raiva por ter sido arrancado da fazenda, separado dos irmãos de luta, impedido de ver crescer uma criança que talvez fosse dele. “Você tem direito de estar com raiva?”, Isabel disse: “Eu também tenho. Todos nós temos”.

    (41:47) Benedito a olhou por um longo tempo, então tirou do bolso um papel velho, dobrado e redobrado tantas vezes que estava quase se desfazendo. Era uma das poesias que ele tinha escrito naquela época sobre uma mulher que o via como humano.

    (42:05) Eu guardei, ele disse simplesmente, para não esquecer que por um momento no mundo que nos desumanizava, eu fui visto, eu fui amado. Francisco ficou 10 dias em lagos. Benedito lhe mostrou a comunidade, apresentou aos outros brasileiros que tinham voltado paraa África em busca de raízes, ensinou palavras em Yorubá, contou histórias que tinha ouvido dos mais velhos, histórias de resistência e sobrevivência. Na última noite, antes de voltarem pro Brasil, os quatro se sentaram numa praia.

    (42:32) A lua cheia iluminava o Atlântico, o mesmo oceano que tinha trazido os ancestrais deles de África para Brasil acorrentados e que agora testemunhava aquele momento de cura mesmo que parcial. Eu nunca vou saber qual de vocês três é meu pai biológico, Francisco disse, e percebi que não importa, porque os três me deram algo mais importante que Gênes.

    (42:54) Me deram uma história de resistência, de amor contra todas as probabilidades de humanidade num sistema que tentava destruir isso. Miguel, Joaquim e Benedito se olharam depois de 20 anos separados, depois de tudo que tinham vivido ali, estavam juntos de novo, mesmo que por pouco tempo.

    (43:17) A gente devia ter morrido naquela fazenda”, Miguel disse: “A estatística, a história, tudo dizia que a gente não ia sobreviver, mas a gente sobreviveu e agora tem um menino, um homem, que carrega nossa história adiante.” Isabel, que tinha ficado em silêncio, finalmente falou: “Eu passei 20 anos me sentindo culpada. Culpada por ter desejado vocês, por ter posto todos em perigo, por não ter conseguido proteger ninguém.

    (43:42) Mas olhando para trás agora, eu percebo, a gente fez o melhor que podia num sistema impossível. A gente criou algo bonito, mesmo que por pouco tempo. Gente, antes de eu finalizar essa história, deixa o like, se inscreve no canal e ativa o sininho. Toda semana tem histórias reais do Brasil que ninguém conta. E comenta aí embaixo o que você achou dessa história.

    (44:04) Compartilha também, porque essas histórias precisam ser contadas. Francisco voltou pro Brasil diferente, vendeu parte da fazenda e usou dinheiro para financiar escolas para filhos de exescravos. Casou-se aos 25 anos com uma mulher mestiça para escândalo da sociedade mineira.

    (44:23) Teve cinco filhos e para cada um deles contou a história completa, sem vergonha, sem mentiras. Isabel viveu até os 72 anos, passou os últimos anos da vida escrevendo, não publicou nada. seria impossível naquela época, mas deixou manuscritos detalhados contando a história completa.

    (44:44) Esses manuscritos foram guardados pela família, passados de geração em geração, até chegarem aos dias de hoje. Miguel morreu em 1920, cercado pelos filhos e netos, homem livre numa terra que ainda carregava cicatrizes da escravidão. Joaquim viveu até 1925 e suas esculturas hoje estão em museus, reconhecidas como arte afro-brasileira importante.

    (45:04) Benedito nunca voltou ao Brasil, mas manteve correspondência com Francisco até o fim da vida, morrendo em lagos em 1932. A história deles foi enterrada por décadas. Famílias tradicionais não gostam de esqueletos no armário, especialmente esqueletos que questionam a pureza racial que tanto valorizavam. Mas a verdade tem um jeito de vir à tona. Hoje, quando olhamos pro Brasil, vemos um país construído sobre essas histórias escondidas.

    histórias de encontros proibidos, de amores impossíveis, de resistências silenciosas. A história de Isabel, Miguel, Joaquim, Benedito e Francisco é uma entre milhões que aconteceram naquele período sombrio da nossa história. O que torna essa história especial não é o escândalo sexual.

    Isso, infelizmente, era comum, geralmente na forma de estupros de mulheres negras por senhores brancos. O que torna especial é que aqui houve escolha, consentimento, algo que se aproximava de igualdade no sistema baseado em desigualdade absoluta. Foi breve, foi, foi perigoso, mortalmente. Mudou o mundo? Não, mas mudou cinco vidas.

    E às vezes no mundo de injustiças sistêmicas, é isso que podemos fazer, criar pequenos momentos de humanidade, de conexão real, mesmo sabendo que o preço pode ser alto. Francisco morreu em 1954, aos 73 anos. No testamento deixou uma carta para ser aberta apenas em 20,50 anos depois da morte dele.

    Na carta escreveu: “Para meus descendentes, vocês carregam o sangue de quatro histórias diferentes. De uma mulher branca que ousou desafiar sua classe, de três homens negros que nunca aceitaram ser menos que humanos e de uma criança que foi fruto de um amor impossível. Não tenham vergonha disso.

    Nunca tenham vergonha, porque essa história, com todos seus erros e acertos, é uma história de resistência. E resistência é o que nos mantém vivos. A fazenda Santo Antônio não existe mais. Foi dividida, vendida, transformada em loteamento. Mas a história continua viva nos descendentes, nas memórias familiares, nos documentos que sobreviveram. O Brasil de 1881 não é tão distante quanto a gente gostaria de pensar.

    As estruturas que permitiam aquela sociedade deixaram cicatrizes que ainda dóem. Mas histórias como essa de pessoas que usaram ser humanas num sistema desumano nos lembram que sempre houve resistência, sempre houve amor, sempre houve pessoas dispostas a arriscar tudo por um momento de conexão verdadeira.

    E talvez seja isso que precisamos lembrar, que somos feitos dessas histórias complicadas, dessas verdades desconfortáveis, desses amores impossíveis que aconteceram mesmo assim. M.

  • Sinhá Confessou em Júri: ‘Meus 6 Filhos São Todos de Escravos’ – Marido Morreu na Sala, Santos 1879

    Sinhá Confessou em Júri: ‘Meus 6 Filhos São Todos de Escravos’ – Marido Morreu na Sala, Santos 1879

    Era meados da década de 1850, no interior da Bahia. A fazenda do Engenho do Brejo se erguia como mundo próprio. De um lado, a casa grande branca, sólida, cercada por jardins e pela capela. De outro, as cenzalas baixas, úmidas, onde o barro e o suor se misturavam em silêncio.

    Ali, o regime de escravidão não era apenas um sistema econômico, era forma como o tempo, o medo e a obediência se organizavam. Na varanda da Casagrande. Sim a Francisca de Paula Amaral observava o movimento diário. Filha de família bastada, for entregue em casamento ao coronel Antônio Amaral, dono de terras de gente e de influência política.

    O casamento não nascerá de amor, nascerá de conveniência, soma de propriedades e sobrenomes. Ela, ainda jovem, aprendia que sua função era manter a casa em ordem, parir herdeiros e calar. O coronel era homem de presença dura. Andava com bengala de prata, bigode espesso e postura rígida. Tinha o hábito de falar pouco e mandar muito. Os escravos sabiam que um olhar torto podia custar carne, sangue ou a própria vida.

    Entre eles circulava um nome com certo respeito silencioso, João. João era um dos escravos mais antigos do engenho. Forte, de ombros largos, mãos calejadas, mas olhar surpreendentemente sereno. Fora comprado ainda jovem para o serviço duro da lavoura, mas logo perceberam que ele tinha jeito para organizar trabalho, consertar ferramentas, pensar caminhos mais rápidos.

    O feitor usava como braço direito. Os outros escravizados buscavam sua orientação. Francisca notou João primeiro como se nota uma árvore resistente no meio da tempestade. Nas noites em que o coronel bebia além da conta e dormia no gabinete, ela se demorava na janela, vendo os últimos movimentos do terreiro. Havia em João uma firmeza silenciosa que a desconcertava.

    Ali, um homem sem direitos mantinha uma dignidade que nenhum anel de ouro lhe dera. O inevitável começou como nada. Uma tarde, uma criada se descuidou e deixou uma travessa cair nos degraus. Francisca, descendo as pressas, quase escorregou. João, que passava carregando sacas, largou tudo e assegurou pelos braços. Por um instante, os dois ficaram próximos demais.

    O toque rápido, os olhos que se cruzam, a respiração suspensa. Ela recuou corada e voltou à casa. Ele abaixou a cabeça e voltou ao trabalho, mas naquele segundo uma linha invisível foi traçada entre a Casagrande e a Senzala. Com o tempo, os encontros acidentais se multiplicaram. Francisca começou a participar mais da rotina da casa, descendo até a cozinha, inspecionando o terreiro, passando próximo aos canteiros onde João trabalhava. Era sempre ela quem olhava primeiro.

    Ele respondia com respeito, mas não com submissão cega. Aquilo a perturbava, o que começou como curiosidade e virou atração. E em noites silenciosas, quando coronel se ausentava para negócios na vila, a linha foi atravessada. Em um corredor mal iluminado, perto do quintal, o segredo nasceu de um gesto impulsivo, quase desesperado.

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    A partir daí, não houve volta. A mulher da Casagrande passou a viver dois papéis, o da esposa recatada à mesa do marido e o da amante clandestina nos intervalos do medo. Os meses seguintes trouxeram a consequência inevitável. O ventre de Francisca começou a crescer. O coronel recebeu a notícia com orgulho tardio. Afinal, até então ela não lhe dera filhos. A vila saou o futuro herdeiro. A igreja preparou o batismo.

    Naquele primeiro parto, a criança nasceu de pele clara, traços suaves, nada que despertasse desconfiança imediata, mas o destino não se satisfaz com meias verdades. Não veio um filho. Vieram seis em sequência, ao longo dos anos. E pouco a pouco a mistura de traço se tornou evidente demais para quem quisesse enxergar. narizes, bocas, cabelos que não se encaixavam inteiramente no padrão branco que o coronel supunha ter plantado.

    As criadas coxixavam pelos cantos. Os escravizados, em silêncio, viam ali algo que sabiam muito bem. Sangue não mente. O nome de João começou a ser associado em sussurros aos meninos da Casagre. E Francisca, a cada parto sentia que somava amor e sentença na mesma medida.

    O coronel Antônio Amaral demorou a perceber o que a vila inteira já murmurava. O orgulho é um tipo de cegueira. Impede o olhar de admitir aquilo que ameaça a própria imagem. Mas há um ponto em que até o orgulho é forçado a enxergar. Foi num domingo depois da missa que a fissura apareceu. Ao passar pela praça, o coronel ouviu duas senhoras interromperem abruptamente a conversa quando ele se aproximou.

    Não disseram nada, mas o silêncio delas foi mais eloquente que qualquer frase. Ele cumprimentou com frieza e entrou na charrete, o rosto endurecido. Na fazenda começou a observar os filhos com atenção clínica. Via como corriam pelo terreiro, como riam, como olhavam. Um dia, a janela do gabinete notou algo que o fez gelar.

    Um dos meninos de apenas 8 anos imitava o andar de João, as mãos para trás, o mesmo jeito de inclinar a cabeça. E ao ver o escravo passando, sorriu. João devolveu o sorriso por reflexo, depois se deu conta, abaixou os olhos e apressou o passo. Naquela noite, o coronel não dormiu, inspecionou a casa, o quarto, os pertences da esposa, remexeu em gavetas, baús, cartas antigas.

    Debaixo do colchão de Francisca encontrou um pequeno tecido dobrado, guardado com cuidado, um pedaço de pano grosseiro, típico de roupas dos escravos, com uma costura diferente e um fio de palha trançada, um amuleto simples que ele já vira antes pendurado ao pescoço de João. O impacto foi silencioso. Não houve grito, não houve cena, apenas algo se quebrou por dentro. A partir dali, tudo que o coronel via se reorganizava sob uma nova luz.

    Cada traço das crianças, cada gesto da esposa, cada presença de João no terreiro. Ele começou a testar limites. Chamava João para tarefas próximas à Casagrande. Observava a reação de Francisca. Mandava o escravo erguer caixas pesadas diante dos filhos, atento à forma como eles o encaravam. Notei um detalhe. Os meninos não olhavam para João como olhavam para os outros escravos. Havia ali algo como familiaridade involuntária, uma confiança que ninguém ensinara.

    Um dia, durante o almoço, o coronel perguntou, com naturalidade forçada, de quem seria o sorriso do mais novo. Tem boca larga, igual a quem? Francisca empalideceu. Disse apenas que as crianças herdavam traços de toda a família. Ele não retrucou, mas seu olhar sobre ela mudou. O clima na fazenda azedou. Os capatazes receberam ordens duras.

    Vigiar João, registrar seus passos, anotar horários, observar olhares. A rotina de trabalho do escravo foi alterada, aproximando-o e afastando da Casagrande de modo calculado. Era um cerco. João percebeu o a roxo. O feitor, antes mais prático, agora se mostrava hostil sem motivo. Os castigos por pequenas infrações se tornaram mais frequentes, as broncas mais públicas.

    Quando certa vez uma ferramenta sumiu, a culpa recaiu imediatamente sobre ele, sem investigação. Era evidente que algo se movia. E não era apenas a dureza habitual. Francisca vivia em pânico surdo. Sabia que não havia como sustentar a mentira para sempre, mas não conseguia imaginar a cena da verdade vindo à tona.

    Rezava mais, comia menos, evitava encontrar os olhos de João em público. À noite, o quarto conjugal se tornará um espaço de gelo. O coronel falava pouco, observava muito. O estupim veio quando um dos filhos caiu doente, com febre alta. No delírio, chamou por João, chamando de pai sem perceber. A criada que assistia contou o episódio à comadre, que contou a prima, que contou ao marido, que comentou na venda.

    Em questão de dias, a vila inteira repetia a frase: “O menino da Casagre chamou o escravo de pai”. Chegou aos ouvidos do coronel como faca. Ele não precisou mais de prova alguma. Na manhã seguinte, mandou reunir todos no terreiro. O sol ainda estava baixo, mas o calor já era opressor. Escravos e empregados formaram um semicírculo diante da casa grande.

    Francisca, da varanda, sentia as pernas tremerem. Os filhos foram mantidos dentro sob cuidado das criadas. O coronel desceu devagar, a bengala batendo nos degraus como um relógio de condenação. Mandou trazer João para o centro. Ele veio algemado, embora nada tivesse feito naquela noite. A humilhação era parte da encenação.

    Antônio deu uma volta em torno dele, como quem examina um animal na feira. Não precisava de discurso longo. O objetivo não era convencer, era marcar território. Mandou que o escravo tirasse a camisa. O corpo de João estava coberto de cicatrizes antigas, algumas profundas, outras finas, como lembranças da violência sistemática. Sem motivo declarado, sem acusação formal, veio a ordem seca. Açoitaio.

    O som do chicote cortando o ar se misturou aos soluços contidos dos escravizados que assistiam impotentes. Cada golpe carregava algo além da dor. Era o coronel tentando esmagar no corpo de João a possibilidade de que ele fosse mais que coisa, mais que propriedade. Francisca não suportou. Rompeu a etiqueta, desceu correndo a escada, atravessou o terreiro.

    Não pensou, apenas agiu. Lançou-se entre o chicote e o escravo, abraçando o corpo ferido. O sangue dele manchou o vestido dela. O gesto era mais eloquente que qualquer palavra. O coronel congelou. A cena confirmou. Diante de todos, o que ele se recusava a ouvir da própria mente.

    Havia ali um laço que ia muito além da compaixão. A vergonha pública explodiu dentro dele. Não houve cena ali. Ele apenas ordenou que cessasse o castigo, virou-se e entrou na casa, carregando consigo uma fúria que não encontraria saída fácil. A sociedade da época não perdoava escândalo que envolvesse elite, sexo e escravidão. O episódio do terreiro não ficou contido nos limites da fazenda.

    O padre, escandalizado pela quebra da ordem moral procurou o juiz da comarca. A notícia, turvada por exageros, virou caso de ofensa grave à honra do coronel e escândalo público de adultério com escravo. Em poucas semanas, a vila se viu comentando aquilo que nunca ousara dizer em voz alta, que a casa grande, que pregava moral e hierarquia, abrigava segredos que rasgavam a própria base do sistema.

    O juiz, pressionado por outros fazendeiros que temam que casos semelhantes viessem à tona, decidiu instaurar um processo formal. Era preciso dar exemplo. Assim, a cena se deslocou do terreiro para o salão frio do tribunal. O prédio era modesto, com paredes grossas e janelas altas. No dia marcado, a sala ficou lotada. Fazendeiros, comerciantes, pequenos donos de terra, padres, curiosos. As mulheres ocupavam as laterais. escondendo o rosto com leques.

    Ali o julgamento não era apenas de pessoas, era da própria ideia de que uma fronteira havia sido rompida, a da cama branca com corpo negro. João foi levado algemado, colocado em um canto, guardado por dois soldados. Sua figura contrastava com o terno escuro do promotor e as roupas alinhadas dos presentes. Não era julgado por um crime específico descrito em código.

    Era julgado por ter existido onde não era permitido existir, no desejo de uma mulher branca. O coronel, pálido, estava sentado à frente, ao lado de seu advogado. Não olhava para ninguém, como se sustentasse a si mesmo apenas pela rigidez da espinha. Francisca, convocada como peça central da acusação, entrou escoltada.

    Vestia-se de forma sóbria, vel claro sobre a cabeça, mãos unidas à frente do corpo. O juiz abriu a sessão, falou imoral, ordem, conduta. O promotor reforçou o discurso da honra violada e da ofensa à hierarquia racial e social. Não precisava de provas materiais detalhadas. A sociedade inteira já condenara antes do veredito. Faltava apenas um ato público que selasse o entendimento comum. Francisca foi chamada à cadeira central.

    O mundo inteiro, para ela, se resumia naquele caminho entre a porta e o banco do depoimento. Sentou-se. O juiz perguntou se ela entendia porque estava ali. Ela respondeu que sim. A voz saiu baixa, mas firme. No início, tentou-se conduzir o interrogatório com rodeios. O promotor queria que ela titubeasse, negasse, fosse desmascarada aos poucos.

    perguntou sobre a vida conjugal, sobre a conduta com os escravos, sobre a proximidade com João. Ela respondeu pouco, quase automática, até que veio a pergunta que pairava muda no fundo da sala: “Dona Francisca, vossos filhos, os seis, são reconhecidos legalmente como herdeiros legítimos do coronel Antônio Amaral.

    A senhora tem alguma dúvida quanto à paternidade deles?” O silêncio que se seguiu foi absoluto. O próprio ar pareceu se recolher. O juiz aguardou. O promotor sorriu de canto, esperando a negativa formal. O coronel apertou os punhos sobre a mesa e então ela respirou. A vida inteira comprimida em um suspiro.

    A culpa, o amor, o medo, tudo empurrando ao mesmo ponto. Ela ergueu o rosto. Não olhou para o marido, nem para João. Olhou reto, na direção de ninguém, como se falasse para a própria consciência. Tenho. O juiz franziu a testa, pediu que explicasse. Ela fechou os olhos por um instante, depois abriu. Na verdade, eu não tenho dúvida alguma.

    O promotor avançou. Então, confirme perante este jue. Quem é o pai de vossos seis filhos? Foi ali, naquele segundo, que a frase tomou forma, não como heroísmo, mas como exaustão, como se ela não suportasse mais carregar sozinha o peso da mentira. Com a voz ainda trêmula, mas audível em cada canto do salão, ela disse: “Meus seis filhos são do escravo João”.

    A sala explodiu em murmúrios. Uma onda de espanto percorreu as fileiras como se uma parede tivesse desabado. O padre levou a mão à boca. Algumas mulheres arregalaram os olhos, outras baixaram o olhar, divididas entre o choque e uma estranha sensação de que algo a muito intuído acabava de ser nomeado. O juiz pediu silêncio, mas a palavra escravo já tinha atravessado tudo.

    Não era apenas adultério, era para aquela sociedade uma violação absoluta da ordem racial. O promotor, surpreso pela franqueza, quis que ela repetisse: “Que fique registrado em ata sem ambiguidades, pediu”. E ela repetiu: “Agora mais firme, como quem cela um destino, meus seis filhos são do escravo João.

    ” João, no canto, ouviu, baixou a cabeça. Não havia alegria naquela confirmação. Havia, sobretudo a consciência de que a verdade, finalmente dita, viria acompanhada de um preço altíssimo para todos. O coronel, ao ouvir a frase completa, não reagiu de imediato. Por alguns segundos, ficou estático, como se o corpo não obedecesse ao que o espírito acabará de receber. Então, algo nele cedeu de vez.

    O rosto perdeu a cor, o olhar se desfocou. Uma súbita dor atravessou-lhe o peito. Levantou-se trôpego, tentando falar algo. Não conseguiu. A mão direita buscou apoio na mesa, derrubando papéis. O copo, a pena. O som do vidro se quebrando, se misturou ao burburinho. Ele levou a mão ao coração, como se tentasse segurá-lo no lugar.

    O corpo traiu, tombou diante de todos, pesadamente, no chão do tribunal. Houve gritos. O juiz mandou chamar um médico. Gente correu, gente recuou. Enquanto isso, Francisca permanecia sentada, imóvel, com olhar fixo no marido caído. Não chorava. Aquele ataque diante da confissão não era apenas uma crise física, era o símbolo de algo maior.

    O sistema que ele representava não suportava ouvir em voz alta aquilo que em silêncio, sustentara por tanto tempo. O médico chegou, examinou rápido. Nada havia a fazer. O coração do coronel havia parado. O homem mais poderoso da região caía morto no mesmo instante em que sua autoridade moral era definitivamente estilhaçada.

    Diante daquele corpo estendido no chão do tribunal, não era apenas o marido que tombava, era a imagem inteira de um Brasil que fingia não saber o que fazia com os corpos que dizia possuir. O ataque do coronel interrompeu a sessão do júri, mas não apagou as palavras que já tinham sido ditas. A confissão de Francisca ficou registrada, assinada e comentada por toda a comarca.

    Em menos de uma semana, o fato correu às estradas de terra, virou conversa em tavernas, sermão velado em missas, fofoca em portas de venda. Legalmente, o processo entrou em suspensão por motivo evidente. A parte ofendida morrera, mas na prática o julgamento havia se transferido das mãos do juiz para as mãos da sociedade.

    E esse tribunal, regido por moral e preconceitos, raramente oferecia apelação. Francisca foi rapidamente isolada. A família do coronel, escandalizada, recusou-se a acolhê-la como viúva. A versão oficial que tentaram empurrar era a de que ela tinha surtado, que sua confissão seria fruto de desvario, de teria, mas era tarde demais. Muitos haviam ouvido, muitos acreditavam e os traços das crianças continuavam existindo como prova viva.

    Sem amparo familiar, ela foi pressionada pela igreja a recolher-se em reclusão piedosa. Isso, na prática, significava ser enviada para um convento distante, onde passaria o resto da vida entre paredes altas, missas, silêncio e memórias. Não foi condenada formalmente, mas sua pena veio em forma de apagamento social.

    João, por sua vez, não teve nem mesmo esse simulacro de escolha. Embora a lei escrita não tipificasse exatamente o adultério interracial com escrava como crime capital, a combinação de fatores, escândalo, pressão dos fazendeiros, ferida na honra de um homem poderoso, construíram uma sentença que dispensava formalidades. Ele precisava desaparecer.

    Oficialmente, foi acusado de insubordinação grave, atentado contra a honra do Senhor e incitamento a desordem. Termos vagos. mas suficientes para justificar um castigo extremo. Em vez de juri público, decidiu-se por uma punição exemplar dentro dos próprios limites da fazenda.

    Levarão-no de volta ao engenho do brejo acorrentado, guardado como inimigo, não mais como propriedade. Os demais escravizados o viam passar em silêncio reverente, como se já identificassem nele algo de mártir. Ele caminhava sem arrastar os pés, mesmo cansado, mesmo ferido, com a mesma dignidade que chamara a atenção de Francisca anos antes.

    À noite, na cenzala, vozes sussurradas perguntavam: “É verdade, João? São teus os meninos?” Ele não respondia diretamente, dizia apenas: “Os meninos não têm culpa de nada”. A preocupação dele não era com reputação, mas com destino. Sabia que fossem vistos como filhos de escravo, os herdeiros da casa grande poderiam ser descartados, afastados, até mortos, se alguém julgasse conveniente. O sistema, porém, era contraditório.

    Precisava dos sucessores do coronel, mesmo manchados. Nos dias que se seguiram, decidiu-se o futuro da família em mesas fechadas, onde senhores de terra e padres discutiram mais política do que moral. Resolveram reconhecer oficialmente as crianças como herdeiras legítimas do finado coronel, alegando confusão mental temporária da mãe no dia da audiência, não por justiça, mas para preservar o patrimônio e a continuidade do nome.

    Quanto a João, a solução seria outra. O feitor recebeu ordens que não constariam em nenhum papel acabar com ele sem alarde, não enforcado em praça pública, não julgado por multidões, apenas apagado, como se fosse um erro corrigido à borracha. Na madrugada em que o levaram para o mato, algemado, sob o pretexto de transferi-lo para outra fazenda, ele sabia exatamente o que o esperava. Caminhou sem pedir clemência, sem implorar por vida.

    pedia dentro de si apenas uma coisa, que os filhos tivessem chance de crescer, que a verdade dita servisse, ainda que minimamente, para protegê-los de se tornarem apenas mais peças de um jogo brutal. O que aconteceu naquela mata ninguém anotou. O que se sabe porque correu por boca de gente, é que dias depois alguns escravizados encontraram perto do riacho marcas de sangue e correntes abandonadas. Não havia corpo.

    Alguns disseram que foi arrastado pelo rio, outros que foi enterrado em cova rasa. O sistema essa era assim, matava sem deixar vestígio. Francisca, já encerrada entre os muros do convento, recebeu a notícia de forma indireta em uma frase seca de uma superiora que julgava ser melhor para a salvação de sua alma não alimentar vínculos terrenos.

    Ela entendeu, em meio às meias palavras que ele não existia mais neste mundo. E com isso, o que restava de sua própria luz se retraiu um pouco mais. No Engenho do Brejo, os dias voltaram a se organizar em torno do trabalho, do sino, do açoite, mas algo havia mudado para sempre. O senhor tinha morrido no tribunal. A senhora tinha desaparecido no convento.

    O escravo mais respeitado havia sido apagado. Restavam as crianças, seis vidas carregando no corpo e na história, a verdade que ninguém sabia como narrar. Naquele pedaço de terra, a justiça não veio por lei, nem por espada, veio por uma frase dita em alta voz. E o eco desse grito continua até hoje, em cada rosto mestiço que o país tenta até hoje não enxergar por inteiro.

    As crianças da Casagrande tornaram-se o problema imediato que ninguém queria resolver. Seis meninos, entre 13 e 12 anos, carregavam no rosto e no corpo a prova viva da confissão que abalara o tribunal. Legalmente herdeiros do coronel morto, na prática, eram fantasmas sociais.

    Nem brancos puros o suficiente para serem aceitos sem questionamento, nem escravos para serem descartados sumariamente. A família extensa do Amaral, reunida em caráter de urgência na casa de um tio em Cachoeira, debateu o destino deles por dias. O risco era claro. Se fossem reconhecidos publicamente como filhos do escravo, o patrimônio da fazenda poderia ser contestado, dividido ou até perdido para disputas judiciais.

    Mas matá-los ou escravizá-los seria um escândalo ainda maior que o original. A decisão pragmática e hipócrita foi mantê-los como herdeiros legítimos, sob a condição de que fossem educados longe dali, com histórias inventadas sobre a mãe enlouquecida. O mais velho, Bento, de 12 anos, percebeu tudo.

    Já lia jornais escondidos e entendia o peso do que ouvirá no tribunal. Naquela noite, sentado na varanda sob estrelas, perguntou ao tio direto: “Assim a mentiu ou disse a verdade?” O tio, desconfortável respondeu apenas: “A verdade mata, menino, melhor esquecer”. Dias depois, os seis foram divididos.

    Bento e mais dois irmãos mais velhos foram enviados para um internato religioso no Recôncavo, onde aprenderiam latim, aritmética e a arte de calar o passado. Os menores ficaram sob os cuidados de uma prima distante em Salvador, com a instrução expressa de clarear a pele ao sol e casar com famílias brancas. No internato, Bento sofreu o primeiro choque da nova realidade. Os colegas, filhos de fazendeiros menores, coxixavam sobre o caso da Siná Amaral.

    Um dia, durante o recreio, um garoto mais ousado confrontou: “Teu pai é preto, né?” Bento, sem hesitar, respondeu: “Meu pai é o homem que minha mãe escolheu.” A briga que se seguiu lhe valeu semanas de castigo, mas também o respeito silencioso de alguns. Aprendeu ali que a verdade, dita por ele próprio, era a arma de dois gumes.

    Enquanto isso, na fazenda do brejo, o trabalho continuava sob novo administrador nomeado pela família. Os escravos mais velhos que conheciam João desde menino notavam sua ausência como uma mutilação. Ninguém ousava perguntar abertamente, mas nos cultos noturnos da cenzala, seu nome era invocado em rezas disfarçadas.

    Uma velha curandeira, que cuidara de seus ferimentos anos antes, guardava em segredo um pequeno rosário que ele lhe dera, feito de sementes e fios de couro, símbolo de uma fé que sobrevivia à violência. Francisca, no convento das Carmelitas em Salvador, recebia notícias fragmentadas dos filhos por meio de uma freira compassiva.

    Sabia que estavam vivos, mas separados, e que o preço de sua confissão era vê-los crescer sem ela. Passava horas bordando lençóis, repetindo mentalmente a frase do tribunal como mantra de resistência. Em uma carta nunca enviada, escreveu: “Dei-lhes vida com amor verdadeiro. Que Deus lhes dê o resto”.

    A vila de Cachoeira transformou o escândalo em lenda cotidiana. Nas feiras, nas portas das casas, o assunto voltava sempre que alguém precisava de exemplo moral. Mas entre as mulheres lavadeiras e as escravas cozinheiras circulava outra versão. A da corajosa, que usara nomear o que todas sentiam em silêncio.

    Os meninos mestiços da Casagrande carregavam mais que sangue, carregavam a primeira rachadura no muro da escravidão brasileira. O engenho do brejo, que outrora pulsava como coração de um império de cana e café, agora arrastava-se em letargia mortal. O novo administrador, um português chamado Manuel Fernandes, chegará de Salvador com promessas de eficiência e cartas de recomendação da família Amaral.

    Tinha 40 anos, rosto marcado pelo sol, mãos acostumadas a chicote e contas. Instalou-se na Casagre com mulher e três filhos, ocupando os quartos que Francisca deixará vazios. Mas desde o primeiro dia, sentiu que algo faltava na espinha daquele lugar. O sol nascia igual, o sino tocava no mesmo horário, as enchadas cortavam a terra com a mesma precisão ritmada, mas o ar carregava um peso novo.

    Os escravos moviam-se com obediência mecânica, sem o terror vivo que o coronel Antony inspirava. Nas senzalas, o silêncio das noites não era mais de medo puro. Misturava-se a ele o murmúrio de memória, como se o nome de João ainda ecoasse entre as paredes de Taipa. Manuel notou isso na primeira semana.

    Durante a inspeção matinal dos cafezais, viu grupos de mulheres parando trabalho para coxixar perto do riacho, exatamente onde o escravo fora visto pela última vez. Quando se aproximou, elas dispersaram-se rápido demais, baixando os olhos com uma submissão que parecia ensaiada. Ele chamou o feitor, um homem magro chamado Zé Capoeira, conhecido por sua crueldade sem limites.

    “O que tá acontecendo aqui?”, perguntou Manuel, apontando para o riacho. Zé hesitou, depois respondeu baixo: “É o lugar do João, senhor. Dizem que ele aparece nas águas em noite de lua.” Manuel riu, mas o riso saiu forçado. Ordenou dobrar a cota de trabalho na área e açoitar dois que pareciam liderar os coxichos. Os golpes ecoaram pelo vale, mas não apagaram o que já estava plantado.

    A produção caiu 20% na primeira safra. As carroças atolavam na lama das chuvas porque ninguém mais consertava os eixos com a precisão de João. As caldeiras do engenho entupiam porque ninguém conhecia os truques para limpar o melaço endurecido que ele ensinara em segredo. Manuel contratou carpinteiros livres, mas eles cobravam caro e trabalhavam devagar.

    Os compradores de açúcar na vila começaram a reclamar da qualidade. O produto saía mais escuro, mais granulado, sem o brilho que o coronel conseguia. Uma noite de tempestade, durante a moagem noturna, aconteceu o primeiro motim silencioso. Uma caldeira explodiu, espalhando vapor caldante e melaço fervente.

    Três escravos queimaram gravemente. O feitor gritou ordens, mas ninguém correu para ajudar. Ficaram parados, olhando o caos, como se esperassem algo. Manuel, coberto de fuligem, percebeu que o fogo da caldeira fora mal regulado, exatamente como João sempre evitara. Na manhã seguinte, chamou todos ao terreiro. O sol rachava a terra, o cheiro de queimado ainda pairava.

    Falou de disciplina, de lealdade, de castigo exemplar. mandou açoitar o líder da cenzala, um velho chamado Manuel Congo, que cuidara de João desde menino. O velho suportou 30 chibatadas sem gritar, murmurando entre os dentes algo em ourubá que ninguém entendeu. Quando levaram embora sangrando, as mulheres da senzala começaram a entoar um canto baixo, quase inaudível, um lamento que durou até o anoitecer. Manuel escreveu a família Amaral: “O engenho funciona, mas não vive.

    Os negros perderam o medo e ganharam histórias. João virou santo na cenzala. A resposta veio fria. Venda se puder. Caso contrário, esmague os murmúrios. Ele tentou, dobrou os castigos, instalou guardas noturnos, queimou os amuletos encontrados nas cenzalas. Mas o vazio persistia. As crianças escravas cresciam ouvindo sussurro sobre o escravo que assim a amou.

    E os homens adultos passavam a trabalhar com uma lentidão calculada, como quem sabe que o tempo é aliado. Numa tarde de seca braba, quando o rio baixou tanto que expôs pedras nunca vistas, pescadores encontraram correntes enferrujadas no fundo. Alguém as reconheceu como as de João. Não disseram nada ao administrador, mas espalharam a notícia pela vila.

    Na missa do domingo, o padre mencionou espíritos inquietos que perturbam a ordem de Deus. Todos entenderam. O engenho sem alma começava a morrer por dentro. O lugar onde o amor proibido nasceu agora sufocava sob seu próprio peso. Mas nas cenzalas algo novo começava a crescer, lento, invisível e irresistível.

    Em Salvador, Bento Amaral completava 18 anos num quarto apertado de internato religioso. Alto, magro, com olhos que herdara diretamente de João, passava as noites lendo a luz de vela roubada. Não eram livros de teologia como os padres exigiam, mas panfletos abolicionistas contrabangeados do Rio de Janeiro, textos de Nabuco, Rebolsas, Quintino de Carvalho, palavras que falavam de liberdade como direito, não como caridade.

    Um dia conseguiu acesso ao fórum local como aprendiz de escrivão. Seu coração acelerou quando viu, nos arquivos poeirentos da comarca de cachoeira o processo original do caso Amaral. A capa estava amarelada, mas intacta. Abriu com mãos trêmulas. Lá estava a ata do tribunal escrita em caligrafia certinha. Dona Francisca de Paula Amaral declara: “Meus seis filhos são do escravo João Ponto.

    ” Sentou-se no chão do arquivo, leu tudo três vezes. Cada palavra da mãe era como um soco e um abraço. Copiou páginas inteiras num caderno de capa preta, escondendo debaixo do colchão. Na contracapa, escreveu: “Para quando o Brasil puder ouvir sem tapar os ouvidos”. Os irmãos menores em casa de uma tia em Salvador viviam outra luta.

    A tia, devota e ambiciosa, os obrigava a passar horas ao sol para clarear a pele. Casava os mais velhos com moças de famílias brancas pobres, prometendo terras do brejo como dote. Mas os traços persistiam, narizes largos, cabelos crespos domados a ferro quente. na sociedade baiana eram brancos com sombra, aceitos por necessidade, rejeitados por instinto. Bento visitava-os aos domingos.

    Contava histórias do pai sem nomear o escravo diretamente, um homem forte que trabalhava com dignidade, onde outros se curvavam. Os irmãos menores escutavam fascinados, como se ouvissem lenda viva. O caçula, de 10 anos, desenhava no chão com carvão uma mulher branca abraçando um homem negro diante de uma multidão.

    No convento das Carmelitas, Francisca definhava: “Aos 35 anos, parecia ter 60. A reclusão, o luto por João, a separação dos filhos corroíam-a por dentro. As freiras haviam caminhar pelo claustro sempre na mesma hora, sempre olhando para o horizonte onde imaginava estar o brejo.

    Em seus momentos de lucidez, pedia papel, escrevia cartas que as superior as confiscavam. Uma freira jovem, irmã Clara, de origem mestiça, começou a contrabangear as cartas para fora. Escondia as ensaias, entregava um coxeiro de confiança. Cinco chegaram a Bento, amassadas, mas legíveis. Na mais longa, Francisca escrevia: “Filho meu, se leis estas linhas, sabe que tua mãe não enlouqueceu. João não era escravo em alma.

    Ele me deu seis vezes a vida que teu pai nunca soube dar. Não me odeies por ter dito a verdade. Odeia o mundo que a tornou crime. Vive inteiro, tua para sempre. Francisca Bento guardou as cartas como relíquias. Chorou pela primeira vez desde o tribunal. jurou que elas publicariam, nem que fossem panfleto mimeografado.

    Enquanto isso, no brejo, Zé Capoeira, o feitor, tentava sufocar a memória de João com violência redobrada. Açoitava por olhares trocados, por murmúrios ouvidos, por pausas no trabalho. Mas os escravos desenvolveram uma nova forma de resistência. Trabalhavam o mínimo necessário para sobreviver, sabotavam ferramentas discretamente, espalhavam boatos de que o espírito de João assombrava ao administrador.

    Manuel Fernandes começou a beber cachaça pura, dormindo mal, vendo sombras nos corredores da Casagre. Em 1862, um incêndio misterioso destruiu metade do engenho de açúcar. Ninguém viu o culpado. Manuel culpou os escravos. Os escravos culparam o fogo do João. A família Amaral decidiu vender a propriedade.

    O Brejo, sem alma, tornava-se ruína. 1865, o retorno de Bento Amaral ao Engenho do Brejo foi como pisar em terra sagrada e profanada ao mesmo tempo. 20 anos, advogado recém formado na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, barbarala e olhos que carregavam o peso de duas histórias. A charrete subiu à estrada de terra vermelha sob sol de meio-dia. poeira subindo como vé de noiva macabro.

    Ao longe, a silhueta da casa grande apareceu. Telhado furado em três pontos, varanda com corrimão quebrado, janelas sem venezianas. O sino da capela não tocava mais. Os irmãos o esperavam no alpendre. O primogênito reconheceu-os imediatamente. O segundo, José, agora capataz informal da fazenda decadente. O terceiro, Pedro, magro e silencioso.

    Os três menores alinhados atrás, entre 13 e 16 anos, contrastos que denunciavam João em cada curva do nariz, cada ondulação do cabelo. Abraçaram-se sem palavras. O caçula, Manuelzinho, segurava um pedaço de madeira entalhado, uma figura tosca de homem e mulher de mãos dadas. Sentaram-se na sala principal, onde Francisca concebera o seis sob o olhar cego do retrato do coronel na parede.

    Bento abriu a pasta de couro, tirou o caderno preto, as cartas contrabangeadas, a cópia da ata do tribunal, leu em voz alta pausadamente. Dona Francisca de Paula Amaral declara perante este júri: “Meus seis filhos são do escravo João.” A voz dele tremia no escravo, mas firmava no João. José interrompeu. E agora? A família Amaral quer vender tudo. Dizem que carregamos maldição no sangue.

    Bento fechou o caderno. Nossa maldição é a deles. Vamos transformar esta fazenda no que ela nunca foi. Lugar de gente inteira. Primeiras medidas foram radicais para a época. Reduziram açoites pela metade, de 50 para 25 por infração grave. Introduziram dia do descanso aos domingos para escravos idosos.

    criaram horta própria na cenzala, permitindo que mulheres plantassem quiabo e inhame para suas famílias. Bento negociou com o feitor Zé Capoeira, oferecendo salário mensal em troca de lealdade. O homem aceitou, mas com ódio nos olhos. A vila explodiu em Michiricos. Na venda do seu Ramiro, fazendeiros batiam mesa. Os filhos da preta vão acabar com o brejo. Padres recusaram missa dominical.

    Compradores boicotaram o açúcar, mas Bento tinha plano, qualidade acima de quantidade. Mandou reformar as caldeiras do engenho com técnica que aprenderá dos relatos sobre João. Fogo baixo e constante, peneira dupla para melaço mais claro.

    A primeira safra pós reforma rendeu 30% mais, com preço 15% superior na feira de Cachoeira. 1871, lei do ventre livre. Enquanto fazendeiros da região matavam crianças escravas recém-nascidas ou as vendiam para o norte, Bento libertou todas as da fazenda, 47 meninos e meninas. Deu-lhes terras marginais no rio, sementes, mulas velhas.

    Os pais, ainda escravos, começaram a trabalhar com contrato informal, salário mínimo, mas direito à moradia e comida. A notícia correu recôncavo. Escravos de fazendas vizinhas começaram a fugir para o brejo à noite, pedindo asilo. Zé Capoeira reagiu com violência. Uma madrugada de 1872, açoitou um fugitivo de 18 anos até a morte. Bento demitiu na hora publicamente no terreiro. Aqui não mata mais gente, mata-se cana, não alma.

    O feitor partiu xingando, jurando vingança. Semanas depois, incêndio destruiu o paiol de café. Ninguém provou culpa, mas Bento reforçou guardas e continuou. Francisca morreu em 1868. Bento soube por carta da freira Clara, que descrevia o enterro simples no claustro das Carmelitas, caixão de lei sem nome na lápide, apenas uma cruz de madeira.

    Ele viajou a Salvador, exigiu ver o túmulo, encontrou o coberto de mato. No dia seguinte, ergueu duas cruzes no brejo, uma para mãe na capela abandonada, gravada a voz que libertou, outra para João no riacho, mãos que construíram. Os escravos compareceram em segredo de noite, acendendo tochas. 1888, abolição. O brejo foi das primeiras fazendas a virar cooperativa.

    Ex-cravos compravam cotas com salário, elegiam administrador. Bento recusou-se a ser senhor, trabalhando lado a lado na colheita. Seus descendentes, filhos com mulher mesti de família livre, herdaram a filosofia, terra para quem nela põe suor. 1900, velho e doente, Bento publicou anonimamente a confissão do brejo.

    Circulou em 500 exemplares mimiografados entre abolicionistas, advogados, jornalistas. Virou referência silenciosa na luta por direitos dos ex-escravos. Morreu em 1912, enterrado entre as duas cruzes. Hoje o Engenho do Brejo é museu estadual. Casagrande restaurada exibe réplica da ata do tribunal em moldura de ouro. Réplica da frase: Meus seis filhos são do escravo João Ilumina a sala principal.

    No riacho, estátua de bronze, Francisca e João de mãos unidas, olhos no horizonte. Pedestal traz inscrição completa. 1857. Aqui uma frase quebrou correntes. Seus filhos provaram que amor mestiço constrói nações. Legado: Terra livre para mãos livres. Visitantes, escolares, turistas, pesquisadores param diante da estátua, sentem o vento do recôncavo, ouvem o murmúrio do rio, percebem que não visitam ruínas, visitam o primeiro lugar onde o Brasil confessou, através de uma mulher que humanidade não respeita grilhões.

  • A PROVA DA HlPOCRlSlA: PRA SALVAR O INELEGÍVEL CONDENADO, VÃO SOLTAR MILHARES DE BANDlDOS

    A PROVA DA HlPOCRlSlA: PRA SALVAR O INELEGÍVEL CONDENADO, VÃO SOLTAR MILHARES DE BANDlDOS

    O paradoxo legislativo que visa um único condenado e abre as portas de presídios para estupradores, corruptos e criminosos graves. A lei da dosimetria e seus efeitos colaterais chocantes exigem escrutínio imediato.


    O que era para ser um ajuste técnico na dosimetria das penas no Brasil transformou-se em um dos debates mais polarizadores e, sobretudo, mais perigosos para a segurança pública da história recente do Congresso Nacional. Um projeto de lei, aprovado na Câmara dos Deputados e agora em tramitação, carrega em sua essência um paradoxo estarrecedor que, segundo especialistas, revela uma profunda hipocrisia legislativa: a tentativa de beneficiar um único condenado de alto perfil político, o ex-presidente Jair Bolsonaro, pode resultar na libertação antecipada de milhares de criminosos graves, incluindo estupradores, corruptos e condenados por lavagem de dinheiro.

    Para desvendar a gravidade e a complexidade desta proposta, buscamos a análise detalhada do professor de Direito Penal da PUC-Rio, André Pere Manes, que lançou luz sobre os aspectos da lei que estão sendo negligenciados na discussão pública. O cerne da questão é que esta não é uma “lei de uso único” ou um simples decreto; trata-se de uma legislação de repercussão geral que altera o Código Penal e, mais criticamente, a Lei de Execução Penal (LEP). Como ressalta o professor, “não existe lei encomendada como se fosse um terno ou um vestido para um grupo de pessoas.” E é justamente a repercussão geral que acende o alerta máximo.

    A “Ficção Jurídica” e a Pena Reduzida para Tentativa de Golpe

    O projeto de lei em questão ataca duas frentes distintas, ambas cruciais. O primeiro aspecto, e o mais comentado politicamente, refere-se aos crimes de abolição ou tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Este ponto é inegavelmente “encomendado” para o ex-presidente. A manobra jurídica inserida no texto proíbe a soma das penas de crimes cometidos no mesmo contexto.

    Na prática, a legislação cria uma “ficção jurídica” ao obrigar o juiz a considerar apenas um dos crimes praticados, mesmo que o agente tenha agido com mais de uma ação e com diferentes desígnios ou intenções. Em vez de somar as punições de cada delito, o magistrado será obrigado a aplicar a pena do crime mais grave e aumentar apenas uma pequena fração, ignorando a intenção plural das ações.

    Head of Brazil's Federal Police Criticizes the Country's "Deranged" in the  U.S. and Downplays Trump's Offensive - 02/10/2025 - Brazil - Folha

    As consequências dessa alteração são dramáticas para o caso do ex-presidente, que foi condenado a uma pena superior a 27 anos por diversos crimes relacionados à tentativa de golpe. Com a aplicação dos novos critérios, essa pena cairia substancialmente.

    O professor André Pere Manes alerta para o simbolismo e a gravidade desta redução, que diminui a sanção de um crime contra a democracia a um patamar surpreendentemente baixo. O texto legal, conforme aprovado, sugere que tentar abolir a democracia, um crime que atenta contra a ordem constitucional e o alicerce do país, pode se tornar “menos grave do que você assaltar, por exemplo.” Essa equiparação, ou mesmo subestimação da gravidade, envia uma mensagem perigosa sobre a proteção do Estado Democrático de Direito.

    O Efeito Cascata na Lei de Execução Penal: Abrindo as Portas

    O segundo, e mais alarmante, aspecto do projeto reside na alteração profunda da Lei de Execução Penal (LEP). Para que o ex-presidente, já condenado, possa se beneficiar rapidamente das novas regras, foi necessário mudar o regime de progressão de pena.

    A proposta aprovada autoriza a progressão de regime, ou seja, a chance de o condenado sair do regime fechado ou semiaberto para o aberto, com apenas 1/6 (um sexto) da pena cumprida. Esta regra simplificada e generalizada ignora os critérios mais rigorosos e individualizados que haviam sido estabelecidos na lei anterior, que diferenciava situações distintas dada a gravidade de cada condenação.

    E aqui reside o ponto central da ameaça à segurança pública. Quem se beneficia desta regra, além do ex-presidente?

    O texto é abrangente e, conforme a análise de Manes, exclui apenas os crimes mais graves contra a pessoa (homicídio, lesão corporal, sequestro) e os crimes patrimoniais mais violentos (roubo com grave ameaça, extorsão mediante sequestro). Todos os outros crimes, mesmo aqueles considerados hediondos ou de alto impacto social, poderão ser beneficiados.

    A lista de beneficiados é chocante:

      Estupradores: Condenados por estupro poderão progredir de regime após cumprir apenas 1/6 da pena.

      Corruptos: Condenados por corrupção passiva e ativa, peculato e outros crimes contra a administração pública.

      Lavagem de Dinheiro e Sonegação: Condenados por crimes financeiros e fiscais, que causam prejuízos bilionários ao país e à sociedade.

      Coação no Curso do Processo: Crimes como o que o deputado Eduardo Bolsonaro está sendo processado também se enquadram na nova regra.

    O professor é categórico: “Para se abrir a porta do presidente Jair Bolsonaro e a família dele, vai se abrir a porta do presídio para estupradores, para quem é condenado por corrupção, para quem é condenado por lavagem de dinheiro, para quem é condenado por diversos outros crimes graves que provavelmente vão estar na sociedade de novo, rapidamente.”

    A ironia, ou melhor, a hipocrisia, se aprofunda no fato de que quem já foi condenado por esses crimes pode, imediatamente, se aproveitar da nova lei, caso ela seja sancionada ou o eventual veto presidencial seja derrubado.

    O Paradoxo da Bancada da Bala

    A discussão do projeto de lei expôs uma contradição flagrante entre os grupos que o apoiaram. A Câmara dos Deputados aprovou um texto que contou com o aval de parlamentares historicamente alinhados à chamada “Bancada da Bala”. Este grupo, conhecido por sua postura super punitivista, tem como pauta constante a defesa do aumento de penas, do endurecimento do Código Penal e da diminuição de benefícios prisionais.

    No entanto, nesse caso específico, para se atingir o objetivo político de beneficiar o ex-presidente, essa mesma bancada votou pela redução do prazo para a progressão de regime, abrindo a possibilidade de soltura antecipada de criminosos que eles, em tese, juraram combater.

    “Essa mesma bancada que é super punitivista, que quer, em geral aumentar as penas do Código Penal, nesse caso reduziu para estupradores, reduziu para corruptos, para sonegadores e por aí vai,” observa o especialista. A inversão de valores e a priorização de um interesse político individual sobre a segurança pública e a coerência ideológica demonstram o quão instrumentalizada a legislação penal pode se tornar.

    O Cálculo da Redução: De 27 Anos Para Pouco Mais de Dois

    Olhando mais detidamente para o caso do ex-presidente, a aplicação dos novos redutores propostos no projeto é surpreendente.

    Com a condenação superior a 27 anos, Bolsonaro teria, em termos práticos, um período aproximado de pouco mais de 6 anos para cumprir em regime fechado. O relator do projeto, no entanto, avalia que o ex-presidente poderia ter essa pena em regime fechado reduzida para cerca de 2 anos.

    Essa diferença monumental é resultado de uma série de redutores cumulativos. Primeiro, a aplicação da “ficção jurídica” para os crimes de tentativa de golpe não soma as penas. Em vez disso, pega-se a pena do crime mais grave e se aumenta uma fração, o que já derruba o montante total. Depois, entra a alteração na LEP, que estabelece o cumprimento de apenas 1/6 da pena para a progressão de regime.

    Embora o tempo exato – 2 anos e 4 meses, 2 anos e 8 meses – caiba ao Judiciário estabelecer, o professor confirma que a queda será “substancialmente inegável”. O tempo para a progressão de regime, que já seria significativo, será drasticamente reduzido com o novo prazo de 1/6.

    A Contradição da Progressão e das “Saidinhas”

    O debate sobre a progressão de regime exige que um ponto crucial seja esclarecido: o processo não é automático. A progressão não significa “o sujeito sair da cadeia e ir para casa”. Para que possa progredir, o condenado precisa cumprir uma série de requisitos, como ter bom comportamento e demonstrar aptidão para o retorno ao convívio social.

    No entanto, há uma camada de ironia nas circunstâncias específicas de benefícios que a lei agora pleiteia. A progressão de regime e as saídas temporárias – as famosas “saidinhas” de final de ano ou para trabalhar – sempre foram alvos de intensa oposição pela mesma família e bancada política que hoje advoga pela aprovação deste projeto.

    “Circunstâncias essas que a família do ex-presidente Jair Bolsonaro, que essa bancada que hoje aprovou a redução do prazo, sempre foi contra,” enfatiza Manes. Eles sempre se opuseram a indultos, saídas para o trabalho e saídas de fim de ano, benefícios que agora buscam não apenas para si, mas que, ao aprovar o texto, ampliam para milhares de outros condenados. A atitude demonstra uma flexibilidade de princípios que se dobra ao interesse individual, em detrimento da filosofia punitiva que o grupo sempre defendeu em público.

    Conclusão: Um Olhar com Lupa Sobre a Legislação

    A discussão do projeto de lei da dosimetria e da execução penal transcendeu o caso específico do ex-presidente para se tornar uma crise legislativa sobre prioridades e consequências. Para beneficiar um punhado de pessoas envolvidas na tentativa de golpe, o Congresso Nacional aprovou um texto que, na prática, pode comprometer a segurança da sociedade ao antecipar a soltura de estupradores, corruptos e criminosos de alta periculosidade social e financeira.

    O texto, que agora segue para o Senado Federal, exige que a Casa Revisora cumpra seu papel de contenção e análise técnica, olhando “com lupa” cada vírgula da proposta. O risco é que, sob o pretexto de um ajuste legal, o país crie uma jurisprudência que desvaloriza o crime contra a democracia e, simultaneamente, anistia milhares de criminosos graves, lançando-os de volta às ruas mais cedo. A prova da hipocrisia é clara: o interesse particular, quando inserido na máquina legislativa, pode gerar consequências desastrosas e de amplo alcance para toda a nação. A gravidade desse movimento exige que a sociedade e os legisladores se perguntem: Vale a pena o custo de milhares de criminosos nas ruas por um único perdão político?

  • Tensão nos bastidores! Michelle supera Bolsonaro e filhos, e Flávio tenta se retratar!

    Tensão nos bastidores! Michelle supera Bolsonaro e filhos, e Flávio tenta se retratar!

    Michelle Bolsonaro destruiu os filhos de Bolsonaro, mas principalmente o Flávio. Na verdade, Michele, ela acabou humilhando o Flávio Bolsonaro, que foi se encontrar com o pai lá na prisão para que Bolsonaro desse um enquadro em Michele. Mas quem foi enquadrado foi o próprio Flávio, que depois publicamente pediu desculpas a Michele por tê-la chamado de autoritária e por ter constrangido o André Fernandes.

    A pergunta que fica é por Flávio teve esse tipo de postura. A minha opinião é que o Bolsonaro tem rabo preso com Michele. E ele tem rabo preso com Michele por causa daquele episódio que foi revelado pelo Julian Lemos que o Bolsonaro teria feito um ataque físico a Michele Bolsonaro. Algo que nunca foi desmentido pela família.

    Julian Lemos não foi processado nesse episódio. Rolou lá uma representação, mas não avançou. Se esse for o motivo de Bolsonaro ter rabo preso com Michele, tá muito mais do que justificável, porque se Michele for contrariada por Bolsonaro, ela mostra fotos do ocorrido e acaba completamente para o Bolsonaro. E Michele não parou por aí.

    Integrante da equipe de Bolsonaro foi acusado de estelionato e três vezes alvo da Lei Maria da Penha - Jornal O Globo

    Ela fez novos ataques falando que não poderia permitir uma aliança com Ciro Gomes e se colocando como uma defensora do próprio Bolsonaro e agora continua interferindo, interferindo diretamente no PL no Rio de Janeiro, porque ela não quer que o PL faça aliança com Eduardo Pais. Coloque nos comentários por que você acha que Flávio recuou.

    Bolsonaro tem rabo preso com Michele por causa daquela história do ataque físico revelado pelo Julian Lemos. Essa história do Julian Lemos é verdadeiro? Michelle derrotou o Flávio Bolsonaro. É uma nova era do bolsonarismo agora. Como que fica o bolsonarismo daqui pra frente? Concorda que Flávio foi derrotado? Se você concorda, você tem que deixar o like no vídeo e se inscrever também no canal.

    Toda essa história envolvendo Michele Bolsonaro, Flávio e os filhos do ex-presidente começou quando Michele publicamente criticou a aliança que o PL tinha feito com Ciro Gomes lá no Ceará. Depois dessa, desse desse chilique público ou barraco público da Michele, o André Fernandes, que foi quem articulou a aliança com Ciro Gomes, falou que foi o Bolsonaro que autorizou essa parceria.

    E depois os filhos do Bolsonaro, principalmente Flávio, endossado por Carlos, por Eduardo e por Gerrenan, criticaram o Michele Bolsonaro. Flávio tinha chamado Michele até mesmo de autoritária e que o que ela fez foi constrangedor. E Flávio havia marcado uma reunião com Bolsonaro no presídio. O objetivo dessa reunião era enquadrar Michele.

    Mas ao término da reunião, Flávio Bolsonaro sai, fala com os repórteres e diz que ele já pediu desculpas para Michele. Olha a situação. Flávio vai para repreender Michele junto com o Bolsonaro e ele sai, ele que estava super irritado, sai e falou que ele já disse para o pai que ele se desculpou com Michele. Isso não para em pé. Não para em pé.

    Porque ele falou: “Eu já comuniquei meu pai que eu pedi desculpas e depois fez elogios a Michele. Até ontem tava falando que ela é autoritária. Aí depois de encontrar com Bolsonaro, o objetivo de Flávio era enquadrar Michele e ele foi enquadrado, saiu manso com o rabo entre as pernas. Bolsonaro deu um cala boca no Flávio e a partir desse momento, Michele derrotou os filhos do Bolsonaro.

    Ela mostrou quem é que manda. Ela manda na casa, ela manda no bolsonarismo e ela manda no PL, que é o partido. Acabou. Agora, por que que Bolsonaro teve essa postura com Michele? Não sabemos. E aí temos que especular. Isso é óbvio, porque o Bolsonaro, ele não precisa financeiramente da Michele. Ah, ele pode conseguir alguns benefícios pelo fato da Michele estar no PL mulher, mas que que que Bolsonaro ganha com isso? Absolutamente nada.

    ela pode conseguir alguma coisa, tal, se manter influente na política, mas a minha hipótese é que aquilo que o Julian Lemos falou, o ex-deputado federal da Paraíba, aliado de Bolsonaro, tende a ser verdade. Em 2022, num podcast chamado Arretado, Julian Lemos foi e revelou que Michele Bolsonaro estava toda marcada porque Bolsonaro havia atacado fisicamente e esse não foi, não tinha sido o primeiro e único episódio de ataque físico a Bolsonaro.

    Quando Michele fez uma cirurgia para colocar próteses mamárias, Bolsonaro não gostou e nas palavras de Julian Lemos deu uns tapas nela. Depois, quando Bolsonaro perdeu a campanha política, Bolsonaro teria atacado fisicamente Michele e ela estaria também toda marcada, por isso que ela não aparecia publicamente. Isso segundo Julian Lemos.

    E vendo o que Mauro Cid falou, que Michele estava pressionando o Bolsonaro, é possível que seja verdade que Bolsonaro estressado com o Michelle tenha atacado fisicamente. Esse caso teve uma repercussão, claro, no momento. O Julianemos falou assim: “Vem no Julian que eu sei, não queiro me processar”.

    Bolsonaro aide sought legal advice for Brazil coup, police say | Reuters

    Foi algo mais ou menos assim. Houve uma representação criminal contra o Julian Lemos, uma representação processual, jurídica, e não avançou. Nesse mesmo podcast, Julian Lemos falou que Carlos Bolsonaro é o psicopata. Carlos o processou e ganhou, mas o processo do Bolsonaro não avançou e eu vi hoje para trazer essa informação. Se o que Julian Lemos falou é verdade, é possível que Michele tenha fotos.

    E se Michele Bolsonaro tem registros do ataque que ela sofreu de Bolsonaro, Bolsonaro, em hipótese alguma, pode contrariá-la, porque se Bolsonaro a contrariar, ela divulga os documentos. Eu acredito que Bolsonaro tem rabo preso com Michele por conta disso, dos ataques físicos revelados por Julian Lemos.

    E ela não parou por aí nos ataques, porque de segunda para terça-feira, quando ela foi atacada pelo Flávio, principalmente, mas depois endossada pelo endossado pelos outros filhos do Bolsonaro, o que Michele falou? que ela entende e respeito a posição dos dos enteados, que ela não queria ofender os os entiados, sempre se colocando como cordeirinha.

    Ela é muito esperta, mas que ela, Michele, jamais poderia permitir uma aliança com o Ciro Gomes depois de tudo que o Ciro Gomes fez para o marido dela, o Bolsonaro, chamando genocído, coisa do tipo, e falou: “Ciro Gomes não é de direita, nunca foi, não defende nossos valores”. Ou seja, foi um ataque extremamente ardeloso de Michele.

    O que Michele falou? Eu estou defendendo o Bolsonaro. Vocês estão fazendo alianças com a esquerda. Eu não. Eu me mantenho pura e convicta às minhas convicções, as minhas posições ideológicas. Eu não estou me vendendo. Vocês estão o a posição de Michele foi muito forte, muito, muito forte. Ela protegeu o Bolsonaro.

    Essa é a visão que foi passada. Não tem como os filhos do Bolsonaro encararem Michele ou a derrotarem. Se eles quiserem fazer qualquer coisa com Michele, eles vão se lascar e vão se lascar bonito. E o que chamou a atenção foi o seguinte. O Flávio Bolsonaro depois negou que tivesse qualquer tipo de aliança ou parceria com o Cío Gomes.

    Como que ele negou se todo mundo falou que havia uma aliança? O o o Eduardo explicou essa aliança nas redes sociais, até o o Rodrigo Constantino conversou sobre isso, sobre essa aliança. Tem declarações, tá tudo público agora. Fala que não tem aliança com com o PSDB no no Ceará. Não faz sentido isso que tá sendo dito pelo Flávio. Ele tomou um cala boca.

    Michele venceu a disputa com Flávio e ela continua causando tumultos no PL porque o partido não possui candidato forte para disputar o governo do Rio de Janeiro. E por conta disso, o PL vai apoiar o C o Eduardo Pais. Só que Michele já chamou o Silas Malafé, falou: “Não vamos apoiar o Eduardo Pais e tá provocando divergência no Rio de Janeiro.

    Não quero, Michele não quer apoiar o Eduardo Pais e é muito possível que não não apoie, que o que o partido não vai apoiá-lo. Ela está mandando. Michele Bolsonaro manda no bolsonarismo, manda no PL e manda na família porque ela calou a boca de Carlos, de Flávio, de Eduardo, de Geran e do próprio Bolsonaro. A questão é por que como ela conseguiu calar a boca? Qual o motivo para Bolsonaro ter repreendido o Flávio e apoiado Michele? Não sabemos.

    A hipótese do Júli Lemos para mim faz sentido. No.

  • Reinaldo Azevedo dispara recado duro para Alcolumbre e aponta desgaste nos bastidores!

    Reinaldo Azevedo dispara recado duro para Alcolumbre e aponta desgaste nos bastidores!

    Oi gente, eu sou o Titi, eu sou e sejam bem-vindos ao Vol Festa. E hoje precisamos sofocar do domingão dessa semana que escancarou o Luciano Hul roubando mais uma vez convidados do fantástico. Pois é. Pois é, gente. O Luciano Hul está brincando com vidas. Ele está gerando malestar na TV Globo. Poliana e Maju estão pistolinhas.

    É, a gente tem muita coisa para comentar. Inclusive um climão ao vivo com Serginho Grosman no palco do domingão com o Luenuco. A gente tá assim de pautas para hoje, então bora descascar esse abacaxi. Partiu. Bom, como você acabou de falar, temos um monte de coisas para comentar sobre o domingão de ontem que foi ao vivo de novo.

    Olha só, atendendo aos pedidos de vocês na semana passada, não é mesmo? Vocês estão vendo, né, gente? Vocês falam aqui nos comentários, o Luciano Hook vai lá e faz, né? É, eu vou a povo gostou do ao vivo. Vamos fazer de novo. É, não é, é batata. Se bem que eu também desconfio que ele esteja agora no momento de recalque da própria esposa, né? Ele e a Fátima Bernard estão muito de olho no novo programa da Angélica no GNT que se chama Angélica ao vivo, por se tratar de um programa da apresentadora Angélica, fazendo ele ao vivo, né? E aí tudo acontece, é

    maravilhoso, é engraçado, o Brasil está gostando do programa. Luciano Hul deve ter olhado para aquilo e falado se ela pode fazer ao vivo, eu também farei não é porque foi muito aleatoriamente. Do nada ele começou a fazer ao vivo, né? Logo em seguida da Angélica estreal Angélica ao vivo, Luciano Hul passou a gostar de estar ao vivo na TV brasileira, né? Eu sinto aí uma relação tóxica entre os dois.

    O que Luciano Huck disse de errado?

    Bom, e além de ser ao vivo de novo, eles também repetiram o quadro da Nicole Balls entrevistando pessoas pelo mundo, né? Vocês lembram que semana passada apareceu a Nicole na Time Square em Nova York conversando com os gringos do nada reagindo ao negócio dela no telão, né? Mas isso tudo tudo sem combinar, gente.

    Foi surpresa para ela. Sim, aconteceu, era aniversário, é a primeira vez que ela não estava depois de ser convidada, de tá na Bombania, né? E aí ela ficou, ela tava tímida, ela tinha acabado de receber a surpresa no telão. Ela tava, ela estava realmente reagindo com naturalidade a coisas que estavam ali acontecendo e que o pessoal do palco do domingão aqui no Brazlia pedia para ela fazer lá em Nova York.

    E daí isso foi ser repercutiu, né? As pessoas gostaram, acharam engraçado, teve fez um certo barulho, né? E aí ontem tentaram fazer de novo. Daí a Nico Boss dessa vez apareceu em Buenos Aires, na Argentina. Aí Luciano ficou pedindo para ela conversar com as pessoas ali em espanhol. Vamos ver. Conversa com alguém aí.

    O seu inglês foi ótimo semana passada. Deixa eu ver teu espanhol como é que tá. Rolá. É brasileiro. É argentino. Colombiano? Colombiano. Colombiano. E agora como é que fala colombiano, menino? Tango. Tu dança tango? Salsa. Salsa dança salsa. Colômbia é salsa. Aí amigo, se eu tivesse te conhecido antes, eu não tinha sido eliminada. Arrasada.

    Eu falei, é bonitinho, né? Mas já não tava tão engraçadinho quanto o primeiro que foi mais, né? Já não era mais a primeira vez assim. É, né? Ela não foi pega de pulo, né? É, parece que foi uma coisa, ah, vamos final de semana passada deu tão certo, foi tão legal, vamos fazer de novo. Daí fica já mandaram ela para lá bicicado para dar certo assim, né? Ela tinha até um microfone com canopla com o logo do domingão.

    Gente, isso aí é coisa já arranjada, plantada, é manipulação isso aí. E não só isso que em seguida Nicole também convenientemente, vamos dizer assim, encontrou ali um casal dançando tango na rua, que coincidentemente era o ritmo da semana na dança dos famosos, né? Aí ela foi lá, conversou com eles, eles foram super receptivos, ela tentou dançar tango com o rapaz, né? Vamos ver achar alguém para me ensinar a dançar o tango aqui. Vamos ver se eu acho.

    Olha aqui, achei um casal babado dançando tango. Olha gente, parece até a Rafa Cima. Manda um que tal. Ei, Litic Tico que eu fui eliminada. Não consegu saber classe. Eu só conheço classe de aula que eu corria. Fala se ele pode ensinar com você. Eu quero me quero aprender. Você me empresta seu bof? Um minutinho.

    Presta bof. Tá vendo? Olha, tá tudo forçado, né, gente? Era tudo combinado, né? O ritmo da semana do Danças Famos era Tango. A Nico aparece em Buenos Aires e encontra do nada um casal dançando tango no meio da rua. É óbvio que foi tudo. Você viu a moça doida para segurar logo o microfone da Nicole? Tava tudo tão combinado, a cara era treme.

    É, pelo menos avisado, talvez assim, né? Ah, a gente tá aqui fazendo um programa. Aí a apresentadora pode vir aqui abordar vocês, vocês dançam, né? Pelo menos uma coisa. Você ganham esses dinheiros, esses hooks, esses hooks, hul cos. Ah, gente, eu acho que se começar agora toda semana esse negócio vai ficar chato, porque já não foi tão legal quanto na semana passada.

    Você pediu na semana passada. Você falou ai que foi tão engraçadinho Nicole por todo por mundo todo fui moleque, fui inocente, tava abalado com certas coisas, entendeu? Agir na emoção, me perdoa. Entendeu? Agora já pode voltar Nicole, já volta Nicole pro palco dessa vez, né? É, exatamente. Inclusive Nicole não esteve no palco na Bomboniar no último domingão, mas o Richarlon aceitou o convite da semana passada do Luciano Hook e estava lá batendo bomba.

    Ô gente, mas vocês vai virar moda porque agora é assim, né? Todo mundo quer eliminado. Luciano no fal volta, volta, fica junto com a feia aqui no negócio. Daqui a pouco gente vai ter mais gente nesse negócio da do do banquinho lá do lado do que na plateia do domingão. É, né? Que tá ficando tão grande, as pessoas começam a ficar atrás da bombone agora.

    Exatamente, gente. E outra coisa, Charlon foi ontem para fazer nada, só para exibir aquela bela jaqueta dele que inclusive eu gostei. Mas assim, ele não fez, eu não fiquei, só ficou aqueles dentes branco. O programa inteiro fazer alguma coisa fez, não somou, não acrescentou nada. Nem teve tanto espaço assim porque era tanta gente para falar ao mesmo tempo, né? Inclusive, spoiler, né? Spoiler aconteceu ao vivo, né? O Álvaro foi eliminado ontem, o Luciano também convidou ele para a semana que vem, né? Eu acho que esse esse rola, acho que que

    vão vão levar Álvaro, sim, né? Eu acho que sim. Eu acho que o até porque Álvaro no na lista do BBB, né? Então tem esses bos que Nicole e Álvaro estão tão embicados pro BBB 26, né? Eu acho que eles, esses aí vão ser efetivados lá no negócio. Agora, Richard, só acho que foi só uma. Que bom que você veio. Só para desviar do assunto.

    Se a gente não se vê, feliz ano novo, né? Aquela conversa de gente que não quer ver um bom tempo assim. É tipo isso. Outro que aceitou o convite para estar no domingo ontem foi Serginho Grosman e foi um convite especial, né, que ele nunca esteve. Inclusive Luciana ficou até reclamando. Ai faz 25 anos que eu convido, tem mais tempo que eu convido do que casamento com Angélica.

    Aí foi o Sardinho do Paco. Vamos ver. O momento que eu acontecer agora é uma espera de 25 anos. 1 qu4to de século que eu estou esperando para esse momento. Você ter ideia, eu tô casado com Angélica há 21 anos. Eu tô esperando mais esse momento do que eu sou casado com a Angélica. Pela primeira vez dividindo um palco comigo num programa apresentado por mim, eu tenho a honra de trazer Serginho Groisman no domingão.

    Muito obrigado pelo convite. Demorou, hein? Demorou 25 anos para me convidar. Agora em compensação foi declaração de amor. O cara sai de São Paulo no domingo para vir ao vivo na televisão. É que tem que ser meu amigo mesmo. Aí vocês viram, gente, a desmascarada que Serginho deu ao vivo no Luciano Hul. Ao vivo mesmo, né? que ele fala: “Ah, é 25 anos que eu convido, 25 anos, 1 qu4to de século de espera, não sei o quê.

    ” Aí abre o telão, sai o Serginho, fala: “Demorou 25 anos para me convidar”. É, então a gente não não não mente. Ele falou: “É verdade. Eu confio mais no Serginho que no Luciano Hulk, gente. De longe, mas de longe. Serginho, o Sergio Grosman, ele ele ele passa uma confiança que o Luciano Hul, cara, não vai ter nessa encarnação aqui.

    Ele passa uma credibilidade. Eu acredito que realmente o Luciano Hulk foi pra Globo na mesmo momento ali de Serginho, teve Ana Maria, acho que o Jô também foi mais ou menos essa época, né? E ele simplesmente esqueceu que ele podia chamar o Serginho. Ficou nessa de Xuxa na Maria, só as loura pegou Angélica, fez uma família inteira, 174 filhos e esqueceu.

    Serginho, lembrou agora, lembrou do Serginho logo agora, entendeu? E aí o Serginho falou: “É, não me convidou em 25 anos. Agora sim que veio o convite, eu venho, né? E ao vivo no domingo”. É, foi de que? que você falou de São Paulo pro Rio de Janeiro ao vivo no domingo. Ao vivo no domingo. Não podia ter convidado no outro dia que era gravado? Ele ia no meio da semana mesmo durante o expediente? Não.

    Convidou para ir ao vivo no tirando o descanso do colega. Se no outas horas da próxima semana Serginho tiver mais preguiçosinho, lento, a gente sabe de quem é a culpa, né? E a gente não vai gostar nada disso. Mas se você tá gostando da fofoca, não esquece de clicar no like, clica no dedão que tá para cima e se acabou de chegar aqui no VFest, aproveita esse momento para se inscrever no canal.

    Já aciona o sininho, porque daí toda vez que a gente subir uma fofoca nova, você já recebe uma deliciosa notificação no seu telefone e aí é só pegar um bom cafezinho, acomodar bem o popozão, clicar e se divertir. E agora sim, bora continuar com buxa. Bom, continuando a dança dos famosos nesse domingão, foi só na segunda parte do domingão, depois do futebol.

    Antes do futebol teve umas outras coisinhas. Por exemplo, teve o quadro do Luciano realizando o sonho de um garoto de conhecer o Zé Vaqueiro. Daí aquele negócio aparece o Zé Vaqueiro de surpresa, daí cantou com o menininho lá no palco ao vivo, né? Mas uma coisa que eu achei engraçada que teve uma hora que o Luciano pede pro garoto cantar uma música do João Gomes, que ele menino tinha se apresentado com João Gomes em outrora e o menino não tava lembrando nenhuma música, deixou o Luciano meio agitado. Vamos ver com o João Gomes,

    você cantou o que com ele? Qual que você gosta do João Gomes? Do João Gomes que você cantou? Qual que você gosta? Música dele. É. Você não cantou com ele no DVD dele, cara? Nãoi. Eu adoro fazer criança na televisão ao vivo. É maravilhoso. Você realmente não sabe o que vai acontecer, não é mesmo? O adulto já não sabe, né? Então ficou ficou pistola com o menino, né, gente? Mas você sabe que isso aí serve de que ele realmente é fã do Zé Vaqueiro, né? Que ele participou do show do João Gomes, gravou lá junto com João

    Gomes e não lembrou da música, mas do Zé Vaqueiro é fãzão, né, gente? Mas o Luciano Hook não gostou nada. É, eu achei que que lembrou o Luciano Hul que ele não gosta na verdade de fazer ao vivo, né? Exatamente. Exatamente. Depois ele sentou o menino lá na na cantinho do degrau ali da dos banquinhos. É.

    Aí teve isso também. Sentou o menino do lado com o Zé Vaqueiro e anunciou que o Ed Gama lançou uma música com o Zé Vaqueiro e daí ambos cantam no palco. A música dos dois juntos. Mas daí você vê ele ele chamou o menino, né? Fazer a realização do sonho, não sei o quê. Mas tudo isso para quê? para lançar a nova música do Zé Vaqueiro com o Ed Gama, né? Eles dão umas voltas, gente.

    A mesma coisa aconteceu na semana passada quando ele chamou Ana Maria Braga para realizar o sonho da moça lá de Salvador que faz não sei quantos tipo de café e não sei o que. Mas o que para que que era? Para lançar também o familião da Ana Maria Braga. Agora não basta ter o famílhão do Luciano Hul, tem o familião da Ana Maria Braga, tem o familihão da Ah, na verdade da semana passada foi o famílhão da Sangalo.

    É. retrasado. Eu fiquei esperando esse momento v desses da semana. Familhão do Serginho, familião dos aqueiros, familião da Rafa Ciman que tava lá também, né? Mas não, mas passou não. Inclusive, vocês viram que a Rafa Cima ela, ela também foi só para fazer propaganda, né? Só que não era famílão, era daquele negócio lá.

    Ah, daquele parceiro do Luciano Hul lá, aquele moço estranho, é amarelo de de medicamentos de farmacêuticos. E aí a Rafa Carima, né, com produtos de de bebê, né, de maternidade assim e tal. E aí eu achei super engraçado porque nas últimas semanas todas vocês repararam que todo mundo que ia no juúri artístico do dança, na verdade era uma participação para fazer uma ação comercial, como foi o caso aí que eu acabei de mencionar da Ivete Sangalo com Familhão, Ana Maria Braga com Familhão e eu não lembro mais se teve outros anteriores, mas deve ter

    tido. E dessa vez ele colocou o Serginho Grosman para não ganhar nada no júrio artístico, só para não ficar batido. Colocou a Rafa Cima lá no banquinho. A Rafa Carma por causa de barrigão de mamãe, né, de grávida, tal. entrou naquele banquinho ruim, ficou ali o tempo todo só para fazer propaganda dos negócios de de de bebê do do da indústria farmacêutica do amigo do Luciano Hul.

    Serginho Groisman fecha novo acordo lucrativo com a Globo

    Eu acho que vai virar a par vai vai já virou uma tendência assim todo convidado que for no domingão vai é é uma participação patrocinada né? É verdade. Eu fico meio chateado, me sinto meio enganado às vezes, gente. É sério que nem no episódio da Ana Maria Braga mesmo, mas eu contei aqui pr vocês.

    Eu chorei com a moça, né? realizando sonho de conhecer Ana Maria Braga, achei tudo tão lindo. Aí daqui a pouco tava Ana Maria Braga segurando a barra de ouro. É, vem vender o Felhão. Aí eu falei: “Nossa, gente”. Mas eu que nem você falou, “Anota aí, a Xuxa vai no domingão. Vai ser familião da Anita. Não vaião da Anita”. Certeza. Eu acho que a Xuxa só não foi esse domingo aqui porque ela fez show lá no Ibirapuera do Stranger Things lá, do lançamento da nova temporada do Stranger Things.

    Ah, inclusive vocês viram que o menino foi lá, era aniversário dele, da o menino da série, que eu não sei o nome nem dele na série, nem da vida real. Ele faz o o negócião lá, né? O bicho feio, né? É o Beck, né? Ah, faz tanto tempo. Foi a 84 anos. Não sei. Aí no aniversário dele é a Xuxa cantou o parabéns da Xuxa para ele.

    Gente, o olhinho meio brilhando, olhando pra Xuxa. E falei, gente, olha que coisa mais linda, né? Pessoa vem de fora e ganha parabéns da Xuxa. A gente que é daqui, quer uma vida inteira, nunca poôde nem entrar no show. Que show da Xuxa é esse? Que show da Xuxa é esse? Não é verdade? Teve um pessoal invadindo o show, não teve? Teve. Foi perigosíssimo. Teve.

    Ela teve que ser retirada com a polícia, uma baixaria. Ó, é, mas é a chuchona, né, gente? É uma é uma parada estranha, né? É uma loucura a roupa dela. Você viu a Mariana, nossa editora quer gostar assim, ó, jogado na frente. Falei: “Gente, olha, ela é a Xuxa do mundo invertido. Você vê grandes estressias essa semana na a nova e última temporada do Stranger Things.

    Vai ter a novela vertical da J Picon que estreia amanhã. Grandes estreias, Kiara. O retorno é o nome da novela. A gente pode vir comentar com vocês na quarta-feira. que pode que a gente vai ter muito abacaxi para descascar desse negócio. Novela vertical com a Jade de Picom, pelo amor de Deus. É um prato cheio. É um prato cheio, meu Deus. Bom, mas eu t falar do do Domingão, né? Por falar em cantoria lá, Zabaqueiro e tals, Luciano Hook está assim como Nicole Balls, todo internacional nas entrevistas, né? Recentemente teve entrevista dele com o Prispa William que

    passou no domingão, já tinha tido também Naomi Campville pessoalmente no domingão, em agosto desse ano, né? Sim, ela avaliando lá as danças e tudo mais. E daí ontem foi exibida uma entrevista do Luciano Hul com a cantora do Alipa, que estava aí no Brasil já fazia alguns dias, né? Fez shows também em Rio de Janeiro, São Paulo.

    E inclusive do do Aliba se divertiu muito no Brasil, né? Passei eu digo mais, eu digo que ela viveu, ela viveu muito ela viveu o que a gente já não consegue mais viver com idade. Vocês viram, a gente já tomou show caipirinha, ela comeu churrasquinho, foi no futebol, foi no ensaio da escola de samba. Gente, se eu tomar meio copo de chopo com Ana Cláudia, eu já não sou gente no dia seguinte, eu fico com dengue automaticamente.

    Agora do Lipa não na flor da idade, no pique da Globela, né? É, todo dia um atrás do outro. Todo dia. Jogou baralho no btiquinho no Rio de Janeiro, gente. E ela disse ainda que sempre anda com baralho na bolsa. É de Áries do Alipa. Sempre compete. Pronta para uma competição. Sempre pronta para uma competição. Me lembro alguém. Eu ando com Uno.

    É verdade. Nossa, a gente, ele tem tanta carta de mais quatro no Uno dele, eu não sei como a Matel mandou a dele com defeito, porque tem muito mais quatro, mais dois, lembra um inferno, não tem condição de jogar Uno com ele. Não tem, não fala assim, não tem condições. Nem banco imobiliário.

    Uma vez a gente brigou, a gente quase separou porque banco imobiliário. Ele é ignorante no jogo. Nunca vi. Eu sigo as regras. Não, você faz tudo. Aprendi com a minha amiga Mariana, tem que seguir as regras. É dois dois falafr que não segue regra coisa isso, mas a regra das cabeças deles. Enfim, voltando a falar de Luciano Hook domingo, né? Domingão no caso, ontem Luciano Hook passou o domingo todo fazendo suspe deixou entender algumas vezes até que a do Lipa iria ao palco do domingão, mas ele também tá cheio de fazer.

    Ó o seu Luciano Hul, a gente tá de olho em você. que também no domingo do príncipe, quando eu mostrava ali os banquinhos, tinha um banquinho livre com o a capa e o e o e o a coroa de príncipe ali, meio que dando a entender que a qualquer momento o príncipe entraria. Ele foi muito cta, ele trouxe a Naomi, que Naomi tá meio desocupada hoje em dia, né, gente? Aí ela, ela ele trouxe ela, ela foi jurada dança de fal e depois ele sempre ficou com essa esse jeitinho meio que de falar vai vir aqui no domingão, né? Príncip Will Domingão.

    No domingão. Eu já imaginei o príncipe William avaliando a Vanessa Camar de famosos, entendeu? Eu sonhei alto e agora com a do Lipa foi a mesma coisa, porque a do Lipa foi até na casa do Luciano Hul, gente. Eles ficaram lá na Angra dos Reis, na casa deles, na ilha deles, né? Que tava a ilha inteira, né? Sei todo mundo do Luciano hoje pegou pra Angélica com a Eva.

    Você tirou foto com a Eva. A Eva tá grande, né, gente? E E aí eu falei, foi, né, gente? Aquela fo inclusive teve até uma hora que ele ele pegou pregou uma peça no público, né, que ele falou presença especial começa com D, pode entrar no palco. Daí começou a tocar uma música do Alipa, era o Diogo Defant e voltou do nossa, que legal.

    A ele já enganou todo mundo, mas daí no final das contas não teve do Alipa no no palco do domingão. Foi só uma entrevista pré-gravada em outrora. Talvez na casa dele, não sei, né? Do Luciano. Acho que a casa dele é aquele lugar não. Acho que não. Aquela casa aquele lugar não é a casa dele não.

    Aquela parede ali não é. Você já foi na casa de Luciano. Eu fui, mas eles não deixam a gente usar celular lá. Não tem como mostrar para vocês. Angélica me chama sempre, mas era um pouco longe para mim. Ele gravou entrevista quando ali. Aí falaram pela passagem dela pelo Brasil, contou o contato dela com os fãs brasileiros. Até que chega uma hora que Luciano que ele toda descolada, legalzão, né? Ele mandou imprimir um RG para Dual Lipa com o nome abrasirado dela, Eduarda Felipa.

    Entregou pra Doualipa. Vamos ver. Já que tá todo mundo falando que você tem que ser Eduarda Felipa, deixa fiz uma brincadeira com você que eu quero te entregar os seus novos documentos brasileiros. De fato, agora você vai ter um RG brasileiro. Thank you so much, Eduarda Felipa. Amazing.

    Thank you, thank you, thank you, thank you, thank you. Fabulous. É, gente, porque a gente apelidou a menina, né? Porque ela fica aqui toda ag toda brasileirada tem que ganhar o nome, né? Aí ficou Eduarda Filipa de Dua Lipa. Eduarda Felipa. Mas isso já aconteceu em outra hora, né? Não sei se eu já contei para vocês, mas sou muito fã de Kate Perry e a Dua Alipa também, tá? Porque a Dua Alipa já subiu no palco para agarrar Kate Perry antes de ser famosa, tá bom? E assim, a Kate Perry a gente sabe que há muito tempo aqui no Brasil a gente

    chama ela de Catarina Pereira, né? Kate Perry, Catarina Pereira, entendeu? E em 2024 nós mesmos fãs fizemos um enorme RG e entregamos para Cate Perry. Eu achei inconveniente a parte de ser enorme, porque ela com certeza não levou isso embora. Eu achei que o Luciano Hook foi muito mais sagaz de fazer uma carteirinha de RG pequenininha, porque com certeza a do Alipa, a nossa Eduarda Felipa colocou na bolsa e levou com ela.

    É, mas eu acho que que o Luciano Rook ele viu, né, o que fizeram o ano passado. Ah, vendo a gente, então eu vou fazer primeiro e melhor no tamanho real. Exatamente. E era original, né? Porque ele tem o poder de É um RG mesmo, tem número, tem ela pode fazer um cartão se agora da Kate Perna, o da Kate Per uma grande cartolina que a gente imprimiu na Infoserra.

    Foi inconveniente com a Kate Perno passado, né? Levaram ela na estrela da casa, fizeram foi. É, a gente a gente chateou a C Perry, a gente acho que ela não volta mais. Ela volta esse ano já, mas ela ainda tava já abalada. Eu senti ela tava, ela tava diferente com a gente. Falando dessa entrevista da Doipa com com o Luciano Hook no domingão e citando as outras também que nem a gente falou da Naomi, do William do Príncipe William, né? Eu fico pensando, mas é que o Fantástico não fique enciumado com essas coisas do Luciano Hul levando

    entrevistas com essas personalidades no domingó porque anteriormente essas coisas aconteciam até o trol até uns 5, 10 anos atrás era tudo no fantástico. Imagina, acho que eu acho que é mais recente do que isso. Acho que até, sei lá, ano passado, retrasado ainda, essas coisas tudo era no fantástico, até antes dele indo pro domingão, né? Eu acho, é, mas acho que ainda um pouco ele tava lá no domingão já e ainda tinha essas coisas de gente que tava passando pelo Brasil aparecer no Fantástico assim, sabe? Tanto gente que tá lançando

    filme como gente que tá passando de turnê. Mas esse ano parece que o Luciano Ruque abachou essa essa essa pauta, né, esse tipo de entrevista para ele, né, gente, coisa que não existia no domingão na época do Faustão, por exemplo, porque podia est Madonna no Brasil, o Faustão ia trazer a Susana Vieira, sempre a Susana Vieira, ao menos que a pessoa fosse se apresentar no domingão, Alanis Morete, Shakira, enfim, né? Fifi Harmy, lembra? Terrível, né? Foi bem triste aquilo, mas mas se ela não vai daí a entrevista gravada em outro em outro lugar fica com

    Fantástico, né? Daí agora parece que Luci na bocanha tudo. E e eu tô falando isso porque foi engraçado que teve, né, do Alipa, entrevista com do Alipa no domingão com o Luenuk e no Fantástico de ontem parece que ficou sobrando um tempinho, né? Quase no final do do programa, antes deles falarem de futebol, que é sempre a última coisa, né? Eles exibiram uma matéria de uns 5 minutos sobre a dança do acasalamento dos jacarés.

    Vamos, vamos ver um trechinho. Você vai ver como um predador usa a vibração do próprio corpo para fazer a água dançar. É o espetáculo do acasalamento. Está se preparando. Uma canção de amor que faz as águas dançarem. Uma performance pantaneira requintada. Ele parece encantado. Ai, meu Deus do céu. E a gente começa a semana vendo as águas dançando.

    Que baixaria sem limites, hein? Que situação, hein? A gente coloca o nosso público numa segunda-feira pós feriado prolongado e a gente vê as águas dançando. Passou. E sabe uma coisa que eu achei curiosa também que eu fui buscar lá no Global Play para passar aqui para vocês uns trechos, né? E o engraçado que o acasalamento dos jacarés não aparece nem como um trecho do Fantástico, porque o Globo para ele coloca trechinhos, né? Ah, é prisão, é Enem, assassinato, aquelas coisas que passa no Fantástico, né? E não tinha o trecho do calzamento

    dos jacarés. Aparentemente foi uma coisa meio que ai, tá sobrando um tempinho aqui, vamos passar isso para ocupar, gente. Mas eu achei que ficou que é assim, é o é o trecho do programa que eles separaram para entrevistar a do Alipa, para falar sobre a passagem da Dual Lipa no Brasil, né? É.

    Eu acho que às vezes eles não contavam que o Luciano, além de entrevistar do Alipa, que já é roubar uma convidada, roubar uma pausa do Mingão, também exibiu uma matéria toda antes dela entrar para, né, antes de entrar o VT da entrevista em si. Ele exibiu uma matéria toda sobre toda a passagem dela pelo Brasil. Eu acho que realmente ele tirou a pauta do do ele derrubou a pauta do Fantástico.

    E assim, nos 45 do segundo tempo, eu acho que a galera do Fantástico não tava esperando que o que eles tinham separado, que eles tinham editado, né, e tudo ia também ser exibido no domingão. E eu acho que deve existir uma política interna da Globo de assunto que é tratado num programa, não vai ser tratado no outro. Exceção é só para encontro de Ana Maria Braga, que é uma reprise, né, gente? Eu encontro, falo as coisas, depois vem Ana Maria B, fala das mesma coisa.

    É tipo um negócio que vazou um tempo atrás, que a gente até comentou aqui com vocês que o pessoal do Altas Horas do Sarginho Grosman tava meio assim com o Marcos meu no Caldeirão que roubou convidado, tipo Caetano Velouso e e Maria Betânia, acho que teve uma vez, né, que o Marcos meão convidou antes e já tinha uma coisa gravada pro Serginho e daí acabou não podendo exibir no mesmo dia porque acho que teve alguma coisa com a Xuxa também que tinha alguma coisa que a Xuxa sempre, né, gente? Mas era isso, era tipo o Sarginho tinha programado ou

    gravado algumas coisas com as mesmas pessoas que o Mon ia lá e chamava. E é no mesmo dia, né, gente? É, é o mesmo caso, né? Domingão, fantástico, é o caldeirão e mais tarde altas horas. Então fica muito ruim, né? A a mesma atração, o mesmo conteúdo. Eu acho que realmente ontem teve alguma coisa que eu acho que mais hora, menos hora vai vazar isso com certeza.

    Mas dava para perceber ontem durante o Fantástico a Maju tava chateada, a Poliana tava com uma cara fechadíssima. Eu acho que de repente a gente vai que correr. Que que tem aí? Fuça essas fitas, pega esses DVD, que que é esse pen drive? É jacaré dançando na água. Então vai ser esse aqui. É a água dançando com jacaré e vai ser isso.

    Mas eu acho que é é acho que é um negócio que o Luciano tá entrando num lugar que não é dele não, gente. Mas eu confesso que eu gosto mais porque quantas vezes a gente já teve que assistir tanta coisa ruim e chata no Fantástico? para chegar lá no final para ver ali uma entrevista, uma matéria sobre alguma alguma coisa mais que a gente queria ver assim, que eles sempre seguram pro final assim.

    Eu acho que o o Fantástico ele traz aquela depressão e pré segunda-feira também, sa começa o Fantástico já começa a me dar um negócio, meu Deus do céu, vai começar tudo de novo, a segunda-feira tá chegando. Então eu não gosto de assistir fantástico, mas principalmente porque é só matéria pesada, né, e desgraceira e coisa ruim.

    E daí às vezes a gente realmente tem que assistir um monte de coisa chata para daí chegar num conteúdo que a gente de fato gostaria de ver, como uma entrevista com Eduarda Felipa do Alipa, né, gente? E aí no domingão já vê tudo junto, né? Já vê tá tudo ali, é entretenimento, é a coisa mais pop, mas ali no domingão e deixa o Fantástico virar de vez um cidade de Alerta, então, né? Porque é o que tá virando, né, gente? E realmente eu também acho que fica melhor.

    Mas isso é a gente falando agora. Imagina lá dentro a picuinha que não tá. É, eu acho, porque assim como aconteceu, gente. Outra coisa, olha só os sinais. A polêmica anterior era era o mal-estar entre Marcos Mon e Serginho Grosman, né? Quem é que tava ontem no domingão? Serginho Groisman. É, é, é, é ali uma já, entendeu? Para trazer a polêmica pronta já.

    Na verdade, o Luciano Hook adora entregar uma piada pronta pra gente, né? Impressionante. Mas é sobre isso. Eu acho que já já mais hora, menos hora, vai começar a sair essas coisas, viu, gente? Ah, mas nós como públicos, eu apoiaria Luciano Hul. Deixa tudo no domingão mesmo, que ele te deu uma barra de ouro também, meu amor. Domingão familiando.

    Seja milionário e você também. Mas e vocês, gente? Vocês acham que o pessoal do Fantástico tá chateado? E você agora prefere assistir essas matérias assim de entrevista com divas internacionais, com atores, atrizes, príncipes, modelos, no domingão ou no Fantástico? Conta tudo pra gente, porque, né, isso vai mudar muito a nossa vida.

    E quando você for fazer seu comentário, não esqueça de usar # não foi fantástico que a gente vai saber que você ficou até o final do vídeo, vai marcar o seu comentário com um lindo coração. Isso aí. Ó, tem vídeo novo no canal do Titi, hein? É verdade. Gente, no sábado saiu lá um vídeo da gente testando o nosso novo aspirador de pó que mandaram aqui pra casa.

    Aquele negócio do futuro que a gente não sabe nem segurar direito. Mas gente do céu, o que foi aquele funcionamento dele? Gente, inclusive nesse vídeo também tem uma públ da Emo que da EMA. que o povo todo ficou fal o cupom não tá funcionando, o cupom não tá funcionando. Agora tá funcionando o cupom, tá gente? Avisa todo mundo que quis usar o cupom que eu não consigo usar que agora tá funcionando.

    Foi cagada da própria Ema que esqueceu de validar o cupom para vocês. Não tem nada a ver com a gente, mas já tá funcionando. E amanhã é dia de Natal já o Natal já chega pra gente no canal pessoal também, tá galera? E aí, ó, para você que ainda não tá inscrito no canal pessoal, aproveita esse momento para se inscrever lá também.

    O link tá aqui na descrição, clica, se inscreve, porque daí você passa a semana toda com a gente, porque um dia vídeo aqui, outro dia vídeo lá, outro dia vídeo aqui, outro dia vídeo lá e você se diverte com a gente a semana toda. E caso você perdeu alguma coisa, corre lá, faz uma maratona de ti ou uma maratona virou festa com mais vídeos e fofocas. É isso.

    Não desgruda mais de nós, não.

  • BOMBA: ANCELOTTI DERRUBA MITOS E TRAÇA O CAMINHO CHOCANTE PARA A GLÓRIA BRASILEIRA! A VERDADE NUA E CRUA SOBRE NEYMAR E O FUTURO DE ESTÊVÃO!

    BOMBA: ANCELOTTI DERRUBA MITOS E TRAÇA O CAMINHO CHOCANTE PARA A GLÓRIA BRASILEIRA! A VERDADE NUA E CRUA SOBRE NEYMAR E O FUTURO DE ESTÊVÃO!

    Perguntar, todo mundo vai dizer assim: “Pô, mas o Anchelote tava lá e vocês não falaram do Neymar, né? Não vou te perguntar nada. O que que você falaria do Neymar para o Neymar? O que que você pensa de Neymar?” Fala, galera. Hoje vocês vão assistir a uma daquelas entrevistas que simplesmente paramil. Carlo Anchelote abriu o coração como nunca, falou das origens humildes, contou como o futebol mudou a vida dele e revelou o que significa no fundo da alma ser o técnico da seleção brasileira. Ele não fugiu de nenhum

    Tema. Falou de Neymar, de Vini Júnior, de Estevão. Falou da essência do futebol brasileiro, aquela mistura de talento, paixão e improviso que encanta o mundo. E eu te digo, tem emoção, tem sinceridade e tem revelações que você nunca ouviu antes. Então fica comigo até o final, porque cada frase dessa entrevista mostra porque Ancelot está tão conectado com o Brasil e por esta nova era da seleção promete mexer com o coração de todo torcedor.

    Prepara o like, ativa o sininho e vamos juntos, porque o que você vai ver agora é simplesmente imperdível. Sabe? Tem algumas pessoas e que eu pelo por exemplo lá falar assim: “Pô, esse cara existe mesmo?” Uma vez entrou num estúdio Milton Nascimento. Olha, nossa, você existe. Outra vez entrou o Erasmo Carlos.

    O e o Erasmo, me chamando pelo nome. Eu falei: Erasmo Carlos existe. A gente que gosta de futebol, Carlo Antielote existe, existe uma emoção. Está aqui com a gente pela primeira vez participando de um programa no Brasil. Ele nos dá a honra, belíssima matéria. É uma honra. Você sabia? Primeiro assim, muito obrigado pela presença, pelo Você sabia que aqui no Brasil a comunidade italiana é uma das maiores do mundo? Houve um tempo que era a maior fora da Itália.

    Você já sabia disso? Sim, sabia. Sabia que muitos italianos chegaram aqui sobrar tudo nos no nos surto Brasil. Uhum. E creio, eu acho que, como disse, eh, somos gemelos, não? E vem cá, você nunca tinha vindo aqui antes de trabalhar na seleção brasileira? Só uma vez e em Fortaleza para ver um jogo do da seleção, um jogo que eu precisava mirar Serginho.

    Uhum. Uhum. Jogava Dida quando você estava no Mila. Sim. Por aquele tempo eu estava trabalhando por Juventus. Ah, tá. A Juventus disse: “Temos que fichar a Serginho”. Um observador. Observador de Juventus. Sim. E não me escutaram. Depois foi a Milan. Milã me escutou. Aí agora aqui você viajou o mundo. Você foi campeão em cinco países diferentes, além de ter viajado o mundo.

    Você tem saudade da tua terra? lá da onde tem os seus amigos, a sua origem. Não, saudade é nova. Eu acho que eu saí de Itália em 2009 para ir a Londres e depois creo que tenido una boa expercia trabando inlaterra, in Francia, inem a parte o idioma. Uhum. Eh, però é conhecido a cultura do países que é dos jogadores que é obviamente diferente.

    Faltava faltava Brasil, faltava e então é uma como pode dizer horra pensar de preparar uma Copa do Mundo com o Brasil. Uhum. Agora a gente vai levar ele para lá, não vai? Exatamente. Entre tantos assuntos que temos que falar hoje. Antes o Sport Record foi até a casa, onde cresceu o técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelote.

    Por lá, na Itália, encontramos personagens que fazem parte da vida do Mister desde criança. A reportagem é do Mauro Júnior. Bem-vindos a Bela Redeolo, a 170 km de Milão. São cerca de 9.000 moradores e quase todos têm uma história do Antielote para contar. O seu Luig de 81 anos, por exemplo, anda todo orgulhoso com esta foto na carteira.

    Anelote está no meio com o pai de esquerda e o seu Luig. Ele nasceu nessa casa, na zona rural de Rediolo, onde morou até os 10 anos de idade. Foi criado na roça e ajudava o pai no cultivo de uvas. A modesta plantação ficava nesse pedaço de terra que o menino Antielote usava como campinho. O primo Maurício sofria com os dribles do pequeno e áudio Antielote, carinhosamente chamado de Carleto.

    Desde aqueles tempos a gente colocava duas garrafinhas no chão e se divertia fazendo gol. porta. Eu jogava aqui sempre com Carlos. Carleto morava nesta casa com a irmã e os pais. Giuseppe era um pequeno agricultor. A mãe Cecília era dona de casa e uma cozinheira de mão cheia. Cecília era Cecília era a rainha da cozinha.

    laborator. Eram pais trabalhadores e tratavam bem todos na cidade. Carlo aprendeu muito com eles. E foi o seu Giuseppe quem levou o filho para treinar no campo do Ctio Rediolo, time amador da cidade. Na parede, orgulho e gratidão pelo primeiro time. Aqui na sede do Rediolo Calcio, o Anchelote deixou esse quadro de presente com uma dedicatória Almio Rediolo.

    Frank Silvestro, de 86 anos, testemunhou tudo. Hoje ele é o zelador do clube, mas naquela época teve o privilégio de ser o primeiro treinador de Carlo Anelote. Olha ele aí, ó. Muito moço no canto da foto e o antielote do outro lado sempre sorridente. Era sempre foi um garoto muito sério e não me dava nenhum problema.

    Aldo Ferrari, o fundador do fã clube. Os dois se tornaram próximos. Eu já trouxe uma banda aqui porque ele gosta muito de cantar. história paixão é a comida. Os pratos favoritos dele são capelete e tortel. Capete e tortele. Uma pasta artesanal recheada com carne de vaca e de frango. Uma taça de vinho tradicional da Emília Romanha e muito, muito parmidiano, redeano do jeito que o Antielote gosta.

    Aldo Ferrari: "Manifester, c'est aussi exprimer son existence" | RTS

    Prato preparado pelo amigo Fausto Matsa. Os dois jogaram juntos no C Reediolo, como Fausto faz questão de mostrar no quadro que ele pendurou na parede do restaurante. Talento. O talento dele não é só no futebol, mas principalmente no relacionamento com as pessoas. Vai cantar uma música pra gente, Carleto. Sim. Está.

    Eu gosto cantar, mas eh estava outro dia aí, então estava lá. Sim, sim. É lindo voltar na sua históri. Sim, sim. Tenho, tenho amigos, mas sobretudo tenho recuerdos, não, deste período que ha sido um período muito bonito. Canta uma música aí pra gente. Canta agora. Não, agora. Agora não. Agora agora. Agora não. A música prende questa mano. Zingará.

    Não, não é. Agora aqui absoluto. No Brasil, qual a sua música predileta? Prefiro no Brasil. Sim. Eu cantado uma vez com toquinho. Com toquinho aquarela. Sim. Aquarela. Sim. Uma qualquer desenh amarelo. Examente. É uma música italiana. Sim. E cominho cantamos junto em um teatro. Eh, essa canção é uma canção italiana que foi feita uma versão pro português e é um dos maiores sucessos eh do Toquinho.

    Eh, o Chico Boar que morou na Itália tem muita muita relação também da música. Roberto Carlos fez sucesso em Sano. Vem cá. Quando você era o o pequeno Carleto, que que você imaginava pra sua vida? Era o futebol? No, no. Futbol sempre ha estado una pais para m segue sendo una uma pais, obviamente han mudado muitas coisas na minha vida, lo que humano mudado a pais por fútbol, que é a mesma que tenia quando estava aí na em Itália com meus amigos, com minha com a minha família.

    Você era o craque da molecada, não? Não, não. Eh, eu penso a a carreira profissional para seguir um amigo que foi era fichado por Parma, porum. Por académia do Parma e ele não queria estar só a Parma. Entendi. Então disse, eu podo venir a Parma só para fazer companhia com um amigo e Parma me fou e depois ele depois de um ano voltou a casa porque não não le gustava delio.

    Sim. E voltou a casa e eu me quedei em Parma. Pois é. Então hoje nós temos aqui um cidadão do mundo e agora vocês estão liberados. Dodô, Maurício Noriega, Salvio Espinolo. Já ouviu falar do Dodô? que é o artilheiro dos gols bonitos. Sim, eu não não lembrava isso, però mas você sabe, né, Cléber? Primeiro que é uma honra tê-lo aqui.

    Eh, é um prazer muito grande. A gente tem uma confiança muito grande no teu trabalho, tem uma admiração enorme e a gente tá em muito boas mãos servindo a seleção brasileira. A gente tem uma ligação, viu, Cléber, do Botafogo, pô. Filho dele trabalha no Botafogo, time que eu joguei, né? Então, aproveitando agora agora a gente viu tua história onde você cresceu, eh, sucesso absoluto desde de garoto.

    Essa forma de se relacionar com as pessoas vem desde criança sua ou o futebol tem um pouco disso? Não, eu creio que eu sou assim porque a formação que tenido a minha família ha sido uma formação e de maneira muito tranquila. Mi padre era uma pessoa muito tranquila, mi madre também e tenido professores na escola tranquilos. de formação caracterial, obviamente.

    E é por isso, sim, por esse período que eu passei com a minha família aí e depois obviamente tu aprende da toda a experiência que tu t o primeiro treinador que era uma pessoa muito muito tranquila, que era um um sueco e muito preparado com o jovem, me ajudou muito a crescer Eh, isso e na escola também. Então, e minha maneira de ser e também minha maneira de treinar.

    Não, não digo de treinar, mas de ter uma relação que eu gosto, que tem que ser uma relação ao mesmo nível. Eu não não quero estar mais alto que um jogador, mas nem tampouco mais baixo. O mesmo nível é uma relação. Eu eu acho que a relação é muito muito importante. Antielote, a sua chegada à seleção brasileira, ela teve um diferencial.

    Negociações no futebol são complicadas, mas a sua teve o sonho de comandar a seleção brasileira. É um privilégio para você estar à frente da seleção? Sim, para mim obviamente é um privilégio. Creo que a negocia foi muito, muito simples. Creo que tenido um primeiro contato com a seleção até do anos, mas depois tenha o contrato com o Real Madrid.

    O dia que hum pensei de deixar Real Madrid eh a negociação foi muito muito muito rápida. com a federação e é um sonho para você, um sonho, uma honra, um desafio muito grande porque, como dicho, é uma gran motivação pensar de poder preparar o mundial com a seleção brasileira. Em 94, você tava na comissão técnica do arrigo saque, né? Sim.

    Quando o a Itália e o Brasil fizeram, assistente da equipa nacional, o Arrigo sacando o Brasil e Itália fizeram a final. Por que uma seleção, um profissional consagrado como você poderia continuar perfeitamente nos clubes e você opta por uma seleção. Então eu queria saber de você, qual é o o que o a Europa pensa do futebol brasileiro, da seleção brasileira e o que te motivou mais a dizer assim: “Eu vou pegar, como você disse, esse desafio”.

    Eu creo que que estar em um campeonato do mundo é uma experiência muito muito bonita. Então queria repetir este tipo de experiência. Ha chegado la oportunidade de treinar a melhor seleção do mundo. Então, eh, tem um lado pessoal, então tem muito um lado de do Carlo Ancelotti, independentemente da da Era era ele de repetir essa experiência de 94.

    Uhum. estar juntos com com a equipo nacional, com os jogadores para um tempo muito longe e ha sido uma experiência muito muito bonita e queria repetirlo. É melhor que o equipo nacional de Brasil não é o Anelot jogou a Copa do Mundo? Você não jogou 82 que você estava machucado, não foi isso? Sim, estava machucado.

    82 86 você jogou? Não estava presente, mas não joguei nenhum minuto. Mas foi foi convocado, presente, é calentado muitas vezes o banco em 90 joguei. Sim. É. É. Então ele tem experiência de Copa do Mundo como jogador e agora vai ter como treinador. Maria H, eh quando a gente recebe e o técnico da seleção, a nossa tendência é dizer assim: “Você vai convocar o fulano?” E eles dizem: “Não sei, fulano, fulano é um nome é fulano.

    Como que que seria? paisano, não é? Você vai convocar o jogador, o você nunca vai responder. Por exemplo, você vai levar o o Estevão pra Copa, você vai dizer: “Ah, talvez, mas tem nomes.” Eu acho que eu acho que sim também a gente tá jogando bem louco nestes se meses. Eu acho que vai estar na Copa do Mundo. A gente espera que você tá vendo, ô Estevão, mantém do jeito que tá, foco, fica assim que o homem falou que você vai.

    E o Estevão parece que é uma das suas curiosidades. Eh, eh, eh, primeiro, muito obrigado pela presença aqui. É um prazer recebê-lo. Eh, a sua relação com o Estevão, algumas pessoas que têm acesso ao dia a dia da seleção me disseram que é uma relação diferente, um pouco de pai para filho. Você gosta muito de conversar com os jogadores, especialmente com o Estevão.

    toma um café, conta uma piada assim, você enxerga no Estevan o potencial para ser um jogador realmente muito muito especial, muito diferente ou ele já é esse jogador muito, muito especial, muito diferente? Eu é ele é um jogador muito, muito especial, muito diferente, porque ele tem um talento muito grande, natural e depois e eh isto não significa que ele é um jogador completamente formado, porque ele tem uma que por certo não está formado 100%.

    Então eu lo eu não hablo, creo que em geral o talento non lo pode melhorar, però lo pode ajudar a a dar continuità a este talento. Logo pode ajudar l’aspetto físico, l’apprendimento tattico, eh l’aspecto mental também porque é muito jovem. Eu não digo só o treinador que tem que fazer todas as pessoas que que trabalham com ele.

    Eu acho que ele está progressando muito bem, muito, muito bem no Chelsea. E eu não falado com Chelsea, mas estou certo que eles estão fazendo com ele um programa específico neste sentido. E então temos, creo que a a seleção tem que aproveitar desse talento porque é um talento muito grande como outros jogadores têm na na na seleção.

    Eu eh o talento que tem a seleção muito muito grande. Não sei se outros equipo e nacional podem ter a sorte de ter este talento. Però só o talento non è lave dell’esito, hai que metter cosa. Angelotti, e o Vini Júnior, o talento del que no durante muito tempo foi indiscutível, mas na seleção brasileira ainda faltava.

    E você falou muito de calentar, esquentar o banco de reservas. Ele não me parece tá lidando muito bem com isso. Hoje ele não é titular absoluto no Real Madrid, né? Bueno, creo que iso é um un um momento, um período de sua vida profissional. Eh, creo que tem que ele tem que pode ser que jogadores sempre, sobre todo estos tipos de jogadores sempre 100% de su características.

    Pode ser que ha un poco, però por cierto Vinicius va a ser una temporada também como temporadas passadas, una temporada importante no no Real Madrid e chegará muito bem a para a Copa do Mundo. Então esse também se acha que vai pra Copa? O o Vinícius também você acha que vai pra Copa como o Estevão? Evidentemente Vinícius vai para a Copa.

    Vai para a Copa. É isso que eu vou te perguntar. de passar pro Salvio. Eu imagino que para um treinador o dia a dia é muito bom para conhecer, lidar, treinar e colocar na cabeça do jogador o que o que você quer. Uma qualidade sua, na minha maneira de ver, é que com elencos diferentes você monta bons times.

    Você não me parece ser o cara que tem um esquema para botar o jogador dentro do esquema. Você monta um esquema a partir dos jogadores e você acabou de elogiar a seleção brasileira, o elenco da seleção. É mais difícil montar uma seleção, apesar de você escolher quem você quiser, do que um time que você tem o dia a dia para trabalhar? Não, mais difícil não, porque bem, creo que a parte mais importante do futebol é o jogador.

    Uhum. Então, eh, eu tenho que me preparar um sistema onde o jogador está confortável. Isto é evidente. E depois aí ele trabal que que a maioria do da melhoria que podemos fazer aqui é nel no trabalho coletivo dos jogadores de talento. Esse trabalho coletivo parece hoje vai ser o mais importante, já que você tem talento individual.

    euo que se jogadores traballanos creo que podemos conento que equipo podemos competir na copa do mundo. A focalização de trabalho nosso é de eh mejorar a atitude da equipe. Eh, eu, eh, e neste sentido estou contente de lo que e esse equipo ha feito nesses jogo. Uhum. atitude sempre ha sido muito boa e depois algunog não hemos jogado bem a futebol alguna muito bem pero a atitude do dos jogadores, o ambiente a a organização muito boa.

    Isto me dá muita confiança para para a Copa do Mundo, obviamente. E se isso serve para alguma coisa, a nossa, o nosso entendimento aqui, por exemplo, da nossa equipe é exatamente esse. Nós temos uma seleção hoje que parece muito mais um time do que um desfile de estrelas e acho que se deve muito à sua presença. Não, não, isto é, eu aqui é é uma coisa que eu tenho muito clara.

    Se essa equipo, essa seleção defende bem, podemos ganhar a Copa do Mundo. Boa. Uhum. tem que temos que defender bem. E para defender bem, obviamente tu tem que trabajar juntos, porque trabalho defensivo não é uma questão de talento, porque quando tu habla de defensivo, tu habla de concentração, de sacrifício, de trabalos. Então todas as coisas onde não está a bola. É mais chato.

    Um título é feito de detalhes, ainda mais numa Copa do Mundo. Em 94 você viu isso? O fato de escolher o lugar onde a seleção vai ficar por causa do clima, de encurtar distâncias, foi isso que ajudou o Brasil a ser campeão em 94 e que a Itália sentiu fisicamente? Posso dizer lo que passou a Italia Italia jogou essa essa Copa do Mundo oeste em Nueva York, em Boston, Philadelphia, muito muito calor, muita, muita humedade e e chegamos à final com equipo que estava muito, muito cansado.

    Brasil creo que aproveitou um pouco mais de do feito que jogou neleste. Pero creo que a próxima Copa do Mundo eu não creo acho que FIFA a jogos eh em diferente horário porque 1994 alg meia final, né? con 40 45º com una alta e complicado. Creo que agora creo que o calendário da Copa do Mundo vai ser um pouquinho melhor Anelot, primeiro que satisfação tá aqui com você.

    A quantidade de copas que o Brasil disputou e essa pressão para os jogadores, o que que a sua comissão técnica tem trabalhado com tudo isso independente do talento, o mental dos jogadores dessa próxima Copa? mental, obviamente, sim, mas creo que sobretudo eh dar um objetivo muito claro e muito a ao equipo nacional e aos jogadores.

    me disse, o ambiente na na no equipo nacional é um ambiente muito bom, tem uma liderança muito importante de algunos jogadores que estão os que são muito respeitado e estamos trabalhando para solo só para pensar no objetivo comum. Casemiro, é esse jogador? Hai, hai muitos Casemiro, hai eu não tenho não tenho problema porque creo que é bastante claro.

    Alison eh Marquinhos, Alexandro, Danilo, todos os jogadores que têm uma experiência muito importante no futebol e tem também um e sobretudo são e líder com exemplo e não com a com a palavra. Então, se a gente não perguntar, todo mundo vai dizer assim: “Pô, mas o Ancelote tava lá e vocês não falaram do Neymar”. Não vou te perguntar nada.

    Ancelotti on Neymar and the 2026 World Cup: 'He must be 100% ready, and that goes for everyone. If Vinicius is 90% ready, I'll call up someone else' - Football | Tribuna.com

    O que que você falaria do Neymar para o Neymar? O que que você pensa de Neymar? penso que é un grande talento que haido a mala sorte de ter lesiones peroo prepar uma boa con física para esta lesão que ela teve estamos em novembro então quer dizer a gente tá em novembro se tiver em maio no momento 60% É um tem, ele tem que estar 100% porque eu não não por por feito que hai muitos jogadores muito bom no que eu e eu preciso elegir jogadores que está a 100% mas não é Neymar pode ser Vinicius se Vinicius está 90% vou a chamar a outro jogador

    que está 100% porque é uma seleção que tem uma competência sobrudo na frente muito muito alta. Na frente temos muitos jogadores, muito bom. Uhum. Isto Neymar está ao mesmo nivel dos outros, no tenendo em conta que Neymar e mostrou um talento extraordinário. A gente aqui no Brasil gosta. E assim a gente encerra uma das entrevistas mais emocionantes que Carlo Anchelotte já deu desde que assumiu a seleção brasileira.

    Cada palavra dele mostra como esse cara que veio lá do interior da Itália carrega agora um respeito gigantesco pela nossa história, pela nossa cultura e pelo jeito único que o brasileiro vive o futebol. Antilote falou das origens dele, da força da família, do valor que ele dá ao trabalho. E é impossível não perceber como tudo isso se conecta com o espírito do povo brasileiro.

    Quando ele fala do futebol brasileiro, ele fala com brilho nos olhos. Quando comenta sobre o que é ser técnico da seleção, ele deixa claro que entende o peso, a responsabilidade e a honra de comandar o país que respira futebol. Ele falou de Neymar com carinho, de Vini Júnior com orgulho, de Estevon com esperança e mostrou que confia plenamente nessa mistura de juventude, talento e personalidade que pode recolocar o Brasil no topo do mundo.

    E eu sei que muita gente que assistiu até aqui se emocionou junto, porque essa entrevista não é só sobre tática, convocação ou resultado, é sobre sentimento, sobre identidade, sobre o que une o Brasil inteiro quando a seleção entra em campo. É sobre acreditar que o nosso futebol pode voltar a sorrir, voltar a encantar, voltar a ser julgante.

    Então, se você chegou até o fim deste vídeo, deixa aqui o seu like, porque isso ajuda demais o canal a crescer. Comenta o que mais te tocou na fala de Anchelote, qual parte mais te surpreendeu e compartilha esse vídeo com algum amigo que vive intensamente essa paixão pelo Brasil. E claro, já se inscreve e ativa as notificações, porque estamos preparando muito mais conteúdo forte.

    Emocionante e exclusivo sobre Anchelote, sobre a seleção e sobre tudo que mexe com o coração do torcedor brasileiro. Obrigado por ficar comigo até o último segundo. Estamos juntos sempre e que venha essa nova era da seleção brasileira, cheia de esperança, trabalho, união e, como Antielote mesmo disse, muita emoção. Até o próximo vídeo

  • HUGO MOTTA TENTOU IMPEDIR PF DE FAZER BUSCA E APREENSÃO QUE COMPROMETE LIRA! DESESPERO REVELADO!

    HUGO MOTTA TENTOU IMPEDIR PF DE FAZER BUSCA E APREENSÃO QUE COMPROMETE LIRA! DESESPERO REVELADO!

    O cenário político brasileiro tem sido palco de embates cada vez mais tensos entre o Poder Legislativo e o Judiciário. Após as recentes ofensivas da Câmara dos Deputados em questões como a dosimetria, a resposta do Poder Executivo, através do Ministro Flávio Dino (Justiça e Segurança Pública), veio de forma imediata e contundente. Sem hesitar, e em um prazo surpreendentemente curto, o Ministro autorizou que a Polícia Federal iniciasse uma investigação de alto risco. O alvo? Mariângela Fialec, conhecida como “Tuca”, uma assessora de longa data e considerada o braço-direito do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira.

    A operação, batizada de Operação Transparência, não é apenas mais uma ação rotineira da PF. Ela adentrou o coração do poder, cumprindo mandados de busca e apreensão na Câmara dos Deputados em Brasília, especificamente no Anexo II, sala 135, local que ganhou o apelido de “sala do orçamento secreto”. Esta ação representa um marco e um duro golpe no centro de poder do Centrão, expondo a raiz de um problema que, segundo relatos, se arrasta por anos e que a imprensa costuma tratar como algo à margem, mas que se revela sistêmico.

    O que essa operação buscava, de fato, era a coleta de provas que pudessem esclarecer supostas irregularidades na destinação de verbas públicas através das polêmicas emendas parlamentares, em especial, as do Orçamento Secreto. A escolha do momento e do alvo — uma figura central na distribuição de recursos dentro da máquina legislativa — transformou a ação em uma declaração política e judicial sobre a inegociável necessidade de fiscalização.


    O Confronto e a Tentativa de Obstrução

    Durante o cumprimento dos mandados, um episódio de extrema tensão e constrangimento veio à tona, revelando o desespero de figuras políticas em tentar proteger os bastidores de esquemas.

    Normalmente, quando a Polícia Federal chega ao Congresso para cumprir uma ordem judicial, a Polícia Legislativa — composta frequentemente por ex-agentes federais e com um relacionamento profissional cordial com a PF — presta todas as honras, libera os acessos e facilita a execução da lei. Esta cooperação é o protocolo padrão, reflexo do respeito institucional e da trajetória profissional compartilhada entre os quadros de segurança.

    Entretanto, na Operação Transparência, esse protocolo foi abruptamente rompido.

    Fontes ligadas à operação narraram um momento de resistência inesperada. A Polícia Legislativa demonstrou relutância, tentou dificultar e, em suma, queria impedir o trabalho de busca e apreensão. A quebra de um protocolo tão estabelecido não ocorreria sem uma ordem de peso por trás.

    A ordem, segundo a narrativa, teria vindo do deputado Hugo Motta. Motta tentou segurar e bloquear a atuação da Polícia Federal no cumprimento de seus deveres. Esse ato, de obstrução explícita ao trabalho da Justiça, elevou o nível de dramaticidade da operação.

    Motta trava corrida ao TCU, desagrada ao PT e anima o Centrão a indicar o  nome - PlatôBR

    A Polícia Federal, por sua vez, estava preparada. Munida de uma ordem judicial expressa e ciente das potenciais dificuldades, a equipe se manteve firme. Não cedeu à pressão e garantiu a execução integral do mandado. Essa postura irredutível da PF merece destaque, pois demonstrou que, mesmo diante de um ato de poder dentro do próprio Legislativo, a lei e a ordem judicial prevaleceriam. A tentativa de Hugo Motta de proteger Arthur Lira não teve sucesso, e as provas que buscavam, capazes de comprometer a cúpula, estavam agora nas mãos da investigação.


    O Cerne da Investigação: Peculato e Corrupção

    A Operação Transparência não se baseia em meras alegações, mas em uma investigação aprofundada que apura crimes de extrema gravidade contra o patrimônio público e a moralidade administrativa. Os crimes que estão sendo investigados incluem:

      Peculato: O desvio de dinheiro público por quem tem a guarda dele.

      Falsidade Ideológica: O ato de omitir ou inserir declaração falsa em documento.

      Uso de Documento Falso: A utilização de documentos inautênticos ou ideologicamente falsos.

      Corrupção: O ato de oferecer ou receber vantagem indevida.

    Todos esses crimes estão interligados ao uso das emendas parlamentares, principalmente o chamado Orçamento Secreto, que carece de transparência e rastreabilidade na aplicação do dinheiro público.

    Mariângela Fialec (“Tuca”), a principal alvo da busca e apreensão, é uma servidora de longa data e, crucialmente, foi apontada como a pessoa responsável pela distribuição e liberação do Orçamento Secreto por vários anos. A investigação, que se estende por um longo período, sugere que há depoimentos de parlamentares que tratam de uma possível fraude nesse sistema de distribuição.

    A operação ter mirado o gabinete de uma pessoa tão central e historicamente ligada ao ex-presidente da Câmara sinaliza que a apuração tem o potencial de ir muito além da assessora, chegando à própria estrutura de poder que se beneficiou desse mecanismo. A preocupação do Ministro Flávio Dino, que autorizou a ação, é com o possível enraizamento de uma “organização criminosa” dentro do Congresso Nacional.


    O Nó das Alianças e as Mágoas de Hugo Motta

    A tentativa de obstrução por parte de Hugo Motta não é um evento isolado, mas sim um sintoma das complexas relações e interesses que circundam o Congresso. O Centrão, um grupo político historicamente conhecido por sua pragmática busca por poder e influência, tem se associado cada vez mais à agenda do bolsonarismo, mas seus interesses, no final das contas, são invariavelmente econômicos e de manutenção de poder.

    A fúria e o descontentamento demonstrados por Motta no dia da operação podem ser rastreados a questões políticas mais pessoais. O deputado, segundo relatos, nutre mágoas do atual governo (e, em especial, do Presidente Lula) por conta do apoio negado ao seu pai, Nabor Wanderley, na disputa por uma cadeira no Senado na Paraíba. A ausência do apoio da figura presidencial teria enfraquecido significativamente a candidatura de seu pai, transformando-o de um nome forte em potencial para as posições mais baixas na lista de intenção de votos.

    O que é o Centrão?

    Essa dinâmica revela que a política de bastidores, muitas vezes, é movida por retaliações e troca de favores (o chamado “acordo de cavalheiros que nada tem de cavalheirismo”). A irritação do Centrão com o governo também se manifesta na crença de que o Ministro Flávio Dino seria um mero “mandado” do Presidente Lula. No entanto, o que se observa é um ministro que age dentro de sua esfera de autonomia, mas que se sente no dever de proteger o Poder Executivo de supostos ataques ou interferências indevidas.

    O contexto é claro: o Centrão e os grupos de direita tentam, constantemente, manter o maior número de deputados e senadores eleitos, pois quanto mais força legislativa eles têm, menor é o poder de decisão e fiscalização do povo, permitindo o estabelecimento dessas estruturas de poder e, potencialmente, de organizações criminosas.


    A Chantagem do Impeachment e o Preço da Intimidação

    A investigação sobre o Orçamento Secreto também ilumina o motivo por trás dos ataques constantes ao Supremo Tribunal Federal (STF). As tentativas de impeachment de ministros, frequentemente levantadas por membros do Centrão e da ala bolsonarista, não são vistas apenas como um desejo real de destituir membros do Judiciário, mas sim como uma carta na manga; uma ferramenta de chantagem política.

    A lógica seria: “Você me deixa em paz, eu te deixo em paz”. Eles buscam ter uma moeda de troca para negociar a continuidade de suas atividades sem a interferência ou a fiscalização rigorosa da Justiça. O deputado Motta e outros líderes políticos parecem não ter compreendido que, a cada ataque desferido contra o STF, uma reação judicial ou investigativa surge no dia seguinte. Eles não têm a força para bater de frente com o Judiciário, e essa “pentelhagem” (como é chamada no debate) tem um preço alto, cobrado por figuras como Flávio Dino e Alexandre de Moraes.

    O Congresso Nacional não é uma extensão da casa de ninguém, nem um espaço para jogos de poder familiar (o chamado “cabide de empregos”). A reeleição de muitos desses políticos é garantida pelas emendas, que lhes dão a impressão de que “fazem” pelo povo. Contudo, a opacidade por trás desses recursos é que está agora sob o microscópio.


    Conclusão: O Que Mariângela fará e a Necessidade de Justiça

    Com as provas em mãos da Polícia Federal, o foco se volta agora para a ex-assessora Mariângela Fialec. A grande questão é: Ela assumirá a responsabilidade sozinha, ou decidirá colaborar com a Justiça? É improvável que a narrativa de que ela “bolou, organizou e distribuiu as emendas por vontade própria” seja sustentável. A colaboração dela pode ser a chave para desvendar a profundidade da rede de influência.

    Essa operação é um aviso claro para aqueles que supostamente utilizam as emendas parlamentares para desviar dinheiro público. A Polícia Federal e o Ministro Flávio Dino estão agindo com total autoridade para investigar e, se for o caso, prender. A sociedade brasileira, que assistiu a esse tipo de ato ser investigado de forma menos intensa no governo anterior, percebe que agora há uma determinação inabalável em combater a corrupção no centro do poder.

    O público aguarda com expectativa a conclusão das investigações. O dinheiro que deveria ser destinado à saúde, educação e segurança — o dinheiro do povo — está sendo investigado por desvios. O que está acontecendo agora no centro do poder é um registro histórico da luta pela transparência. A pergunta que não quer calar é se a justiça chegará, de fato, aos verdadeiros responsáveis, garantindo que quem roubou o dinheiro do povo aprenda uma lição que não será esquecida.