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  • ANA DO AÇOITE – A NEGRA QUE ARRANCOU A LÍNGUA DO PADRE E INCENDIOU A FAZENDA BOM DESPACHO

    ANA DO AÇOITE – A NEGRA QUE ARRANCOU A LÍNGUA DO PADRE E INCENDIOU A FAZENDA BOM DESPACHO

    Eu lhe digo, meu filho, o ano era 1783, e o mar já tinha bebido tanto sangue preto que as ondas chegavam escuras no cais de Salvador. Naqueles tempos de pecado grande, o navio português, que trazia a mentira no nome — Nossa Senhora da Guia —, atracou na Bahia. Vinha de terras do Daomé, e das 412 almas que partiram, apenas 391 chegaram.

    O sol queimava a pele no cais. Os homens brancos, comerciantes e senhores de engenho, se espremiam nas sombras dos armazéns por causa do fedor que vinha do navio. Cheiro de morte, de carne podre misturada com sangue e suor. O que saiu dali não parecia gente, parecia sombra. Corpos magros, olhos fundos que já tinham visto o outro lado da vida.

    E foi ali, no meio daquela confusão, que ela apareceu.

    Ana ainda não era do Açoite, era só Ana, menina de 12 anos, corpo miúdo, mas firme, pele preta retinta. Ela desceu do navio acorrentada a outras mulheres, que vinham de cabeça baixa, tremendo. Ana, porém, vinha de cabeça erguida. Os olhos dela eram brasa, não piscavam, não lacrimejavam. Olhavam fixo, feito olho de cobra antes do bote.

    Um feitor gordo, sem-vergonha, de nome Joaquim Tigre, viu a menina e riu. “Ô negrinha atrevida, vamos quebrar esse orgulho logo, que aqui é terra de cristão e escravo que olha de frente, apanha até virar poeira.”

    Ele se aproximou, pegou o queixo de Ana com a mão suja de gordura e cachaça, levantou o rosto dela para a luz. E Ana não desviou o olhar, ficou encarando o homem, não chorou, não implorou, só olhou. E naquele olhar tinha uma promessa que o feitor ainda não sabia ler: Você vai pagar por essa mão.


    A noite caiu feito maldição. No galpão onde os africanos esperavam a feira do dia seguinte, só havia chão de barro e cheiro de medo. Ana ficou sentada num canto de costas para a parede. Uma velha magra, que tinha sido griô em Angola, sussurrou: “Menina, abaixa esse olhar. Abaixa que o orgulho mata mais rápido que fome.”

    Ana respondeu em voz baixa, mas firme, feito raiz de Baobá. “Na minha terra, minha mãe era rainha. Rainha não abaixa o olhar, nem quando a matam.”

    No dia seguinte, Ana foi vendida junto com outras 13 mulheres para o Comendador Manuel Pinto de Souza, dono da fazenda do Bom Despacho. Homem gordo, branco feito sebo, que batizava escravo com a mão direita e mandava açoitar com a esquerda.

    Levaram as mulheres para o pátio da alfândega. Acenderam a fornalha, colocaram o ferro em brasa para esquentar. Ferro em forma de cruz. O ferrador aproximou o ferro. A cruz estava vermelha, chiando, fumegando. Ele encostou no ombro esquerdo de Ana.

    O cheiro de carne queimada subiu, a pele estalou. E Ana não gritou, não deu um gemido, não derramou uma lágrima, só cerrou os dentes e olhou pro céu. Naquele silêncio de dor, ela fez uma promessa que ninguém ouviu: Essa cruz queima minha carne, mas vai queimar a alma de quem mandou. Não vai morrer. Vai virar raiva.

    Quando tiraram o ferro, a marca ficou perfeita. Cruz gravada funda, carne viva sangrando. Ana olhou para o ferrador, sorriu, um sorriso pequeno, mas que fez o homem dar um passo para trás. “Até a sua morte,” ela sussurrou em Fon, língua que ninguém entendeu, mas que carregava uma maldição antiga.

    Naquela noite, a Dama Gertrude decidiu que Ana seria instrumento. Instrumento de justiça, instrumento de vingança. Naquela noite nasceu Ana do Açoite.


    A fazenda do Bom Despacho era um engenho grande. A Casa Grande, branca feito ossada ao sol, ficava no alto do morro. Embaixo, como ferida na terra, ficavam as senzalas.

    Joaquim Tigre, o feitor-mor, recebeu as mulheres novas. “Aqui vocês vão aprender o que é trabalho de verdade.” As outras mulheres baixaram a cabeça. Ana continuou olhando para ele.

    “Ô negrinha, você não aprendeu ainda. Escravo olha pro chão, não olha para branco no olho,” gritou o feitor.

    Ana não desviou o olhar.

    Naquele momento, Dona Feliciana de Bragança e Souza, esposa do Comendador, chamou da varanda. Mulher branca, de pele mole, invejosa das negras que pariam filhos. Ela olhou Ana de cima a baixo. “Que negrinha feia, toda marcada. Manda essa pro eito, longe da minha vista.”

    Naquele momento, Ana abriu a boca e falou, não em português, mas em Fon. As palavras saíram claras, com a cadência de uma reza, mas com o peso de uma maldição: “O Enun Madó no Kung Be Dó.” (O céu não cai, mas o ventre da senhora cairá.)

    O Padre Inácio de Almeida, capelão da fazenda, magro de olhos fundos, aproximou-se. “Essa é possuída. Traz o mal de África na alma. Precisa ser domada.”

    Dona Feliciana mandou: “Joaquim, leve essa negra pro tronco agora. 50 chibatadas e depois passa sal. Quero que ela aprenda que aqui não tem língua de diabo.”


    Levaram-na para o terreiro. Amarraram Ana no tronco, tiraram a camisa. A marca da cruz no ombro ainda estava viva. Joaquim Tigre desenrolou o chicote de couro cru.

    Pá! O estalo ecoou. O sangue começou a escorrer. Ana não gritou, não gemeu, não derramou uma lágrima.

    O feitor bateu, bateu, bateu. A cada golpe, a pele de Ana se abria mais. Mas ela tinha aprendido no ventre da mãe-rainha: Silêncio também é arma. Quem grita perde.

    “Por que essa maldita não chora?”, ele gritou quase desesperado.

    A anciã de Angola, que assistia, sussurrou: “Porque ela não é daqui. Quem vem de lá com axé de rainha não se quebra com chicote de branco.”

    Quando chegou à quinquagésima chibatada, as costas de Ana eram só sangue e carne viva. Jogaram o sal grosso nas feridas abertas. A dor era excruciante, mas Ana não desmaiou. Ela jurou ali, no tronco, com as costas em fogo: Cada chibatada que levei hoje vai voltar para quem mandou. O tronco vai me ver de pé um dia e o feitor vai me ver com chicote na mão.


    Ana levou três semanas para conseguir se levantar. As costas eram um mapa de cicatrizes, mas ela carregava as marcas como medalhas de guerra. Voltou para o eito, trabalhando em silêncio.

    Dois anos se passaram. O Comendador, bêbado e gordo, desceu à senzala numa noite de chuva grossa, acompanhado de Joaquim Tigre. Ele parou em Ana. “A negrinha atrevida, a que não gritou no tronco. Quero ver se na cama ela também não grita.”

    Arrastaram-na pela lama até a Casa Grande, levaram-na para o quarto de hóspedes. O Comendador, corpo branco, gordo, fedendo a suor velho e vinho azedo, a violentou com a ajuda de Joaquim.

    Jogaram Ana no terreiro na chuva. Ela ficou ali, sangrando, tremendo, com o corpo dilacerado e a alma quebrada. Ela não chorou, não gritou, pois tinha aprendido: Lágrima é alegria para o opressor. Ela guardou a raiva, guardou a dor, guardou a promessa de vingança.


    Seis semanas depois, a barriga de Ana começou a crescer. Gravidez. Filho do Comendador, semente branca plantada à força em ventre preto.

    “Não vão tirar,” Ana disse para a anciã, pondo a mão na barriga. “Essa criança é minha.”

    Mas Sinhá Feliciana tinha olho de cobra. Chamou Ana na varanda. “Sua negra desgraçada, está prenha de quem?” O Comendador deu de ombros: “E daí? É escrava. É minha. Faço o que quero.”

    Sinhá Feliciana ficou roxa de raiva. “Joaquim! Leva essa negra na cozinha. Manda a cozinheira fazer chá de erva de Santa Maria. Dose tripla. Vai tirar essa criança dela agora.”

    Fizeram Ana beber três canecas do chá amargo e venenoso. A dor veio em ondas, fazendo o corpo inteiro se retorcer. Ana sangrou por três horas.

    Quando a dor finalmente parou, o filho tinha saído. Saiu morto, com sete meses, com os olhos fechados que nunca iam se abrir. Filho de ninguém, filho de violência.

    Ana pegou o corpo, não chorou, mas a dor que sentiu foi pior que tudo. Naquela noite, depois que todos dormiram, Ana levou o corpinho do filho para a capela. Cavou um buraco no chão, bem embaixo do altar, onde o Padre pisava todo dia.

    Enquanto cobria o buraco, ela fez um juramento: Filho meu, você não pediu para nascer, não pediu para morrer, mas juro pela terra que te recebe. O homem que te fez vai pagar, a mulher que mandou te matar vai pagar. E essa igreja que benzia tudo isso vai virar cinza.

    Ela enterrou junto uma cabaça velha com terra do túmulo, uma mecha do próprio cabelo e três gotas de sangue que escorria entre suas pernas. Naquela noite, Ana plantou o Ebó mais poderoso.


    Três meses depois, a maldição começou. Dona Feliciana perdeu 15 quilos, ficou amarela, com os olhos fundos. O Comendador teve três quedas em duas semanas. O feitor Joaquim andava com as mãos na virilha, sentindo uma dor que nenhum médico curava.

    O Padre Inácio, ao abrir a boca para rezar a missa, sentiu a língua pesada, grossa, inchada.

    Naquela segunda-feira, três negras velhas foram lavar a capela. Maria Gorda limpou o altar e viu. Os olhos da imagem de Nossa Senhora do Rosário estavam furados. E dos buracos escorria líquido vermelho, sangue.

    A capela explodiu. O Comendador, mancando, reuniu 450 escravos no terreiro. “Quem foi que profanou a imagem?”

    O Padre Inácio, com a voz fanhosa, apontou para Ana. “Foi ela! A negra atrevida! Ela que fez feitiço de África!”

    Mandaram amarrar Ana no tronco. O Comendador exigiu confissão. Queria Ana queimada viva. O Bispo Auxiliar, Dom Fernando, que viera para o espetáculo, concordou.

    Marcaram o castigo para a Quinta-feira Santa.


    A Quinta-feira Santa amanheceu vermelha. Trezentas pessoas brancas encheram a capela. Ana foi trazida nua, acorrentada, mas o rosto sereno, como se fosse a juíza.

    O Bispo pregou sobre a justiça de Deus. O Comendador bateu a bengala. Joaquim Tigre trouxe uma tesoura de podar parreira. O Padre Inácio desceu do altar, trêmulo, segurando a tesoura para arrancar a língua de Ana.

    Mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, Ana abriu a boca e sorriu.

    “Não preciso arrancar a sua, padre, você mesmo vai oferecer.”

    E então ela avançou.

    Ana, com as mãos acorrentadas, com os pés sangrando, cravou os dentes na língua do Padre Inácio. Ela puxou. Puxou com a força da raiva de quatro anos de cativeiro. Crack! O som foi de algo se partindo. A língua do Padre Inácio se soltou.

    Ana cuspiu no chão. O Padre caiu para trás, sangrando, tentando gritar, mas não tinha mais como.

    A capela explodiu. Os brancos gritaram. Ana pegou o cálice que tinha caído, encheu com a mistura do sangue do Padre e do vinho consagrado. E bebeu.

    “Agora o sangue de Deus branco desceu pela garganta de negra. Agora estamos quites!”, ela gritou.


    As negras do fundo da capela começaram a cantar em Yorubá. Os homens pegaram enxadas. A capela virou prisão.

    Ana se aproximou do Bispo, que tremia de medo. “O Senhor não vai morrer hoje,” ela disse. “Vai viver, vai voltar para Salvador. Vai contar o que viu. O tempo de vocês acabou.”

    Os escravos tinham espalhado pólvora ao redor. Ana olhou os brancos aterrorizados, olhou os negros com olhos brilhando. Ela ergueu o cálice ensanguentado e disse: “O fogo que vocês prometeram para o inferno dos pretos agora vai queimar o paraíso dos brancos. Soltem as tochas!

    As tochas caíram. O fogo consumiu a capela.

    Ana saiu. As correntes ainda prendiam os pulsos, mas ela andava como se estivesse solta. A Casa Grande foi invadida e queimada. Dona Feliciana morreu ali, engolida pelo fogo que ajudou a acender.

    O Comendador, rastejando no canavial, foi encontrado por Tomé, pai da filha de Ana. Tomé enfiou terra na boca dele. “Engole a terra que você tanto amou! Engole o açúcar que valeu mais que nossas vidas!”


    Ao cair da tarde, a fazenda do Bom Despacho era só ruína fumegante. O tronco, quebrado em pedaços, foi jogado no fogo.

    Quatrocentos ex-escravos se reuniram no terreiro. Ana subiu nos restos da varanda. “O inferno que eles prometiam pros pretos desceu e engoliu os brancos, mas não acabou. Eles vão voltar, vão trazer exército, vão trazer corrente nova. Então nós vamos embora. Vamos fundar quilombo.”

    Sob o céu vermelho, 400 ex-escravos deixaram as cinzas da fazenda e entraram na mata. Ana ia na frente. A promessa tinha sido cumprida.

    O fogo tinha nascido do altar. E daquela destruição nasceu o quilombo, resistência, a lenda que duraria mais que qualquer império. Ana do Açoite tinha virado vento. E o açoite, meu filho, não era mais o chicote que cortava as costas dela, era ela mesma.

  • TRUMP ANUNCIA GUERRA NA FRONTEIRA DO BRASIL E LULA CHEGA NA VOADORA!! BRICS FORAM ACIONADOS!!

    TRUMP ANUNCIA GUERRA NA FRONTEIRA DO BRASIL E LULA CHEGA NA VOADORA!! BRICS FORAM ACIONADOS!!

    E temos pânico nos Estados Unidos. Olha, pânico em toda a extrema direita dos Estados Unidos. A começar pelos brasileiros. O Figueiredo e o Eduardo Bolsonaro foram novamente desmoralizados. Por quê? Porque ontem o presidente Lula teve uma conversa de 40 minutos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

    O Figueiredo foi aí esculachado pelos bolsonaristas porque no sábado ele postou um uma foto do casamento dele com o Trump como sendo ali o chefe de cerimônias lá nos Estados Unidos. Se você não sabe, não precisa um padre ou um líder religioso casar alguém, não. Qualquer pessoa ali com poder do Estado pode causar duas pessoas.

    E aí ele postou uma foto como se o Trump tivesse casando ele e a esposa dele. Só que era inteligência artificial. E aí todo mundo detonou ele. Primeiro os bolsonaristas acreditaram. Na hora que eles viram que era mentira, os próprios seguidores começaram a detonar o Figueiredo, a falar que olha, você mente assim pra gente, pelo menos podia dizer que era inteligência artificial, que era uma brincadeira.

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    Aí ele meteu aquela que todo bolsonarista mete quando quando pegam na mentira. Ele falou: “Era óbvio que era uma brincadeira, era óbvio que não era assim mesmo, pô. Não era não. É que muitos imbecis acreditaram, né? Imbecis. Bom, imbecis porque são bolsonaristas, né? Se alguém que não é bolsonarista acreditou, foi de ingênio ali por acreditar numa montagem desse cara.

    Aí bateu o pânico aí no Eduardo Bolsonaro porque o Lula conversou muito com o Trump. O Trump também tá em pânico porque saiu pesquisa de opinião e aí saíram duas pesquisas bombásticas essa semana. A primeira mostra o seguinte: a popularidade do Trump caiu 24 pontos desde que ele assumiu, ou seja, do dia 21 de janeiro até hoje, 24 pontos a menos de popularidade pro Trump.

    E no ano que vem vai ter as eleições de meio de mandato. Se você não sabe, nos Estados Unidos, no México também é assim. Alguns deputados e senadores são eleitos na eleição que elege o presidente. No Brasil, deputados, senadores e o presidente e governadores são eleitos no mesmo dia, né? A cada 4 anos.

    Nos Estados Unidos, no México, partes são eleitos ali no mesmo dia e os outros são eleitos exatamente no meio do mandato do presidente. Aí é eleito metade do Congresso Nacional. E aí o que acontece? As projeções mostram que os democratas devem ficar aí com mais de 300 deputados e os republicanos com 120 poucos. Quer dizer, vão ficar com pouquinhos republicanos.

    Vai ser uma derrota esmagadora se as pesquisas se confirmarem. Só que o problema é o seguinte. As pesquisas mostram ali e locais onde tem democratas com mais de 10 pontos na frente dos republicanos, eles já consideram que já tá ganha ali pros democratas. onde tem republicanos, mais de 10 pontos na frente dos democratas.

    Se considera na pesquisa que os republicanos estão ali com esse esses locais ganhos e onde tá ali mais ou menos empatado, se considera ali que tá que pode ser para um lado ou pro outro. Porém, nos locais onde tá mais ou menos empatado, em quase todos os democratas estão ganhando. Então tá ruim aí pro Trump, bem ruim a situação dele.

    Então o que que o Trump tá querendo? Ele precisa de uma forma de arrecadação rápida para ele começar a anunciar alguma coisa importante aí. pro povo dos Estados Unidos antes da eleição. É por isso que ele tirou as tarifas ao Brasil para ver se ele eh continha um pouquinho a inflação, o que não adiantou nada. Nada. Para você ter uma ideia, quando a tarifa é anunciada, o preço já sobe quase que imediatamente, porque os o o os importadores quando tão importando ali café, eh, suco de laranja e outras coisas, eles já começa a reajustar, já

    prevendo que eles vão ter prejuízo lá na frente, que as pessoas não vão comprar o produto que eles estão importando, eh, com tanta frequência, porque ficou mais caro, eles já começam a reajustar o preço para aumentar o lucro deles. Quando quando começa a ter tarifa, ah, tarifa é de 50% na carne brasileira, os caras reajustam o preço em 100%.

    Exatamente. Para que vendendo menos eles consigam o mesmo lucro. Que eles pensam, o cara que é rico e tem dinheiro para comprar, o cara que classe média alta, o rico tem dinheiro para comprar, ele vai continuar comprando. Talvez uma quantidade menor a classe média, média alta.

    Sim, mas o cara que é rico vai continuar comprando. Então vamos lucrar mais com esses aí e aí e compensar o lucro que a gente vai perder de quem é pobre e não vai mais comprar carne. É isso que eles pensam, tá? E aí quando o Trump tira as tarifas, nossa, agora o preço vai diminuir os 40% que tinham aumentado, não vai. Por quê, Thago? Porque eles diminuem 20, 25, porque eles vão continuar com a taxa, com a margem de lucro aumentada.

    É isso que acontece, tá? Esse aí é os chamado capitalismo selvagem que a extrema direita tanto defende. Aí ficou ruim pro Trump, bem ruim. Nisso, o Lula ligou para ele e falou: “Olha, tem outros produtos brasileiros que você poderia tirar as tarifas e a gente tá aberto aí a negociações, tá? A negociação até o momento foi a seguinte.

    O Trump recua em quase tudo e o Lula em troca fez o quê? Nada. O Lula sorriu. E ó, tá aqui meu sorriso da Trump. Ó que bonito. E alguma atitude do governo brasileiro? Nenhuma. Alguma sinalização, Thiago? Teve alguma sinalização do governo brasileiro de que fará algo que o Trump quer ou precisa? Não. Nenhum.

    O Lula então tocou no com o Trump naquele assunto que é o o assunto aí da semana. Desde a semana passada, o Trump fez uma coisa que é crime, é crime pela lei internacional, tá? Você vê aí que os órgãos internacionais não servem para nada. Eh, nunca serviram, tá? Mas hoje, felizmente, temos aí essa visão, ó, eu tô aqui falando para você abertamente, de que os órgãos como a ONU, Organização Mundial do Comércio, esses órgãos não servem para absolutamente nada, nada.

    Eles só servem para corroborar com os crimes de guerra dos Estados Unidos e dos europeus. Só para isso e para justificar ali invasões deles e depois fazer vista grossa quando eles cometem inúmeros crimes. Só para isso aí. O que acontece? Os Estados Unidos, o Trump ele fez um tweet na sexta-feira dizendo que ele estava fechando o espaço aéreo da Venezuela.

    Ele falou: “O espaço aéreo da Venezuela tem que ser está fechado. Todas as companhias aéreas começam a obedecer o que eu tô falando. Tá fechado o espaço aéreo da Venezuela. O que que tá fazendo? É uma declaração de guerra. Você fecha o espaço aéreo de um de um país, quer dizer o seguinte, você tá falando, se alguém entrar lá, eu vou derrubar esse avião.

    Seja um avião comercial ou não, avião com gente inocente dentro ou não, vou derrubar, hein? Só que o Trump foi ignorado. No no mesmo dia em que ele falou aquilo, não tinha voos. Se você não sabe, na Venezuela tem pouquíssimos voos internos e internacionais, nacionais e internacionais. Por quê? Porque a Venezuela tá sofrendo sanções dos Estados Unidos há 10 anos e aí cada vez menos transporte há dentro e fora da Venezuela pro país ou fora.

    Só que o Trump achava achava que não. Vou te mostrar aqui o um uma imagem, depois vou te mostrar em tempo real, tá? Nenhum voo de Caracas foi cancelado. Aqui é um um voo de Caracas para Cancum. Ó, o avião tava indo, saiu de Caracas, tava indo normalmente para Cancum. Tá aí alguns passaram a publicar prints mostrando, olha, não tem nenhum avião, prints, tem um site chamado Flight Flight Radar.

    E aí nesse site você vê, você consegue ver em tempo real todos os aviões do mundo. Aí eles mostravam: “Olha, não tem nenhum avião sobre a Venezuela, mas é que são poucos voos lá”. Mas se você dar o zoom, você vê que tem vários aviões aí, ó, em cima de Caracas e tudo mais. Inclusive em tempo real tem aviões aí.

    O site tá aqui, ó. tempo real você vê que tem aviões nesse exato momento que eu tô gravando vídeo que estão no espaço aéreo da Venezuela. Ou seja, ignoraram o Trump. Ó, tem várias aqui, ó. Nem tinha isso aqui quando eu fui ver meia hora atrás. Várias aqui no espaço da Venezuela. Ah, não, não é tanto igual tem em outros países.

    Não é tanto igual tem aqui, ó, na na Guiana, por exemplo. Na Colômbia tem mais também. Porém, é o é aquilo, são países que são mais conectados do que a Venezuela, que sofre sanções. OK? Então você vê que desmoralização do Trump e o que tá acontecendo, eu vou resumir bem resumido para você e aí explica um pouquinho. O Trump tá tentando negociar com o Putin, que é uma negociação que não tá dando certo, tá? Que é a seguinte, ele fala: “Olha, eu te dou a Ucrânia e ainda te devolvo todo dinheiro que os Estados Unidos e os europeus confiscaram

    ilegalmente da Rússia, dinheiro que já era russo. E em troca você me dá a Venezuela. você não defende a Venezuela. Só que o Putin não vai fazer isso. Ele sabe que a Venezuela vale muito mais do que os ativos russos que foram confiscados. Se você não sabe, mais ou menos 300 bilhões de euros é o que os europeus confiscaram de ativos russos ilegalmente.

    Aí você vê que país que vai querer investir na União Europeia, depois eles entendem porque que é um declínio muito forte eh nos investimentos na nos países da União Europeia. Quem é que vai investir lá se na hora que dá na telha deles eles resolvem? Ó, vou confiscar aqui todo o dinheiro da Rússia. Bras que basado em que é porque vocês invadiram a Ucrânia.

    Pô, mas engraçado, Israel fez um, cometeu um genocídio e vocês não confiscaram um centavo de Israel. Tá cheio de países que invade os Estados Unidos que o digam, né? invadem países, cometem genocídios aí, um atrás do outro e vocês nunca confiscaram um centavo deles. Agora vocês vão roubar o dinheiro do da Rússia, dos russos, do é dinheiro do do governo russo, então é dinheiro do povo russo que pagou impostos e a Rússia investiu lá na Europa e a Europa roubou o dinheiro, os Estados Unidos também.

    O que para você ter uma ideia, notícias mostram que eh quase todos os países da África trocaram as suas dívidas externas de dólar para IAN. A Rússia também tá trocando sua dívida externa de dólar para Yan. Os países agora querem dívidas em yan, eles não querem mais em dólar. A desdolarização tá avançando muito rapidamente e os Estados Unidos estão em pânico.

    E o Trump precisa, ele quer roubar o petróleo da Venezuela o quanto antes para ele começar a pegar esse petróleo e começar a dar lucro para ele começar a distribuir dinheiro, literalmente distribuir dinheiro, que ele já prometeu com todas as letras que ele vai distribuir 2.000 para cada cidadão estadunidense. Então ele precisa roubar esses 2000 de alguém da Venezuela.

    Venezuela tem aí mais de 100 trilhões em petróleo, né? Então não estão falando de bilhões, estamos falando de trilhões. Para você ter ideia, ó o tamanho da briga que tá sendo no Brasil para Petrobras começar a explorar o petróleo na margem equatorial. Estamos falando aí de 15 a 25 trilhões em petróleo. O pressal, tivemos um golpe de estado, toda essa desgraça que aconteceu no Brasil, com toda a imprensa a favor daquilo para que roubassem nosso petróleo, que era cerca de 13 a 17 trilhões. A Venezuela tem mais de 100.

      E desde 2015 a Venezuela não pode vender esse petróleo para ninguém. Aí no final do governo Biden e o Trump ele tá renovando isso mensalmente, ele renova, tá, essa licença, a Venezuela pode vender petróleo por um preço justo para algumas companhias estadunidenses, principalmente para Exon. E aí eles estão vendendo e a economia da Venezuela tá bombando, melhorou muito a economia da Venezuela nos últimos três anos, né? Aquela pobreza que era e tal.

    Você vê aí vídeos de eh youtubers que fazem viagens aí, os que vão para Venezuela ultimamente, todos eles mostram lá que tá muito mais organizado, por exemplo, Caracas do que Bogotá na Colômbia, para você ter uma ideia. Aí tá, o Trump ele precisa roubar. E aí ele tá tentando com Putin, ele ofereceu pro Putin uma proposta de paz na Ucrânia, que era o seguinte: “Olha, ele dá paraa Rússia 20% do território para da Ucrânia, que é o que a Rússia já tomou ali.

    Então o que vocês tomaram é seu. Eh, vocês ficam com a com parte ali das terras raras e parte ficam pros Estados Unidos. A Ucrânia que se dan no acordo, tá? A Ucrânia vai diminuir seu o seu efetivo de soldados de 900.000 soldados para 600.000 soldados. E nós vamos devolver aí a Rússia todos os ativos que foram congelados, cerca de 300 bilhões de euros. O Putin disse: “Bom, aceito.

    ” Aí a União Europeia falou: “Não, de jeito nenhum.” “Ah, e a Ucrânia não entra no OTAN e os Estados Unidos nem OTAN não terão bases na Ucrânia”. Aí os europeus falaram: “Não, os europeus querem mais guerra”. Tá aí eles estão naquele lobby que é o mesmo lobby que tava o Biden e a Camala Hurens e que o e que o Trump tá um pouquinho, mas o Trump tem outros interesses maiores.

    Eh, que aquele lobby de vamos fazer guerra sim, porque a gente precisa manter a Rússia ocupada com a Ucrânia enquanto a gente vai atacar outras frentes. Aí os países do Brick, por exemplo, estão usando agora o Japão, colocaram lá uma marionete no Japão, que é estilo Zelensk no Japão, para ver se o Japão ataca a China, para ver se a China fica ocupada ali brigando com o Japão para que eles possam cometer crimes em outros locais. É isso.

    Então, já tá a Rússia ocupada com a Ucrânia e eles têm medo ali de que acabe o conflito na Ucrânia. O próprio Trump também tá com esse medo, porque se ele vai para cima da Venezuela e a Rússia não tá ocupada com a Ucrânia, a Rússia vai defender a Venezuela com mais afinco. Então ele precisa acabar o que tá acontecendo na Ucrânia de maneira que ele faça uma aliança com Putin dizendo: “Ó, eu posso fazer aqui o que eu quiser na Venezuela e você não vai ajudá-los”.

    Por quê? Porque faz aí cerca de um mês, o governo da Rússia disse que poderia enviar pra Venezuela o seu melhor míssil, que é o Oresnik, que é um míssil hipersônico. Esse míssil saindo de Caracas, ele chega em Washington em menos de 15 minutos com seis ogivas nucleares. E é aquele e é um do daqueles tipos de mísseis hipersônicos que eles saem da estratosfera, eles dão volta no planeta e eles caem no local assim verticalmente.

    Ele não vai assim até o local, ele sobe, vai por fora do planeta e ele cai. É impossível de ac de de de pegar esse misto, não tem como. Então fica praticamente uma arma na cabeça dos Estados Unidos para sempre. Então o eles, ô, pera aí, melhor a gente fazer acordo com o Putin antes de mexer com o Maduro. O Maduro da Venezuela tá mostrando que ele não tá nem um pouco preocupado com as ameaças do Trump.

    Isso aqui é o Maduro no domingo. Eu tava dançando, ele fez lá um um evento do governo dele e ele resolveu dançar feliz da vida e tudo mais. Não tá nem aí. Tá mostrando zero de preocupação com qualquer tipo de guerra. Ele não acredita mesmo que os Estados Unidos vão conseguir. Ele se sente aí protegido pela Rússia e pela China.

     

    OK? O Japão passou a fazer uma retórica com a China de que olha, a gente pode defender Taiwan e não sei o quê. Se a China fizer algo contra o Taiuan, nós defenderemos até militarmente. E o governo da China fez um alerta a ao Japão dizendo que na carta eh pós- Segunda Guerra Mundial, a carta de fundação da ONU diz o seguinte, que países que causaram a Segunda Guerra Mundial, como aí ele fala Alemanha, Itália e Japão, podem ser atacados preventivamente por qualquer membro fundador das Nações Unidas, incluindo a China, porque são países que fizeram a

    Segunda Guerra Mundial, cometeram genocídios na Segunda Guerra Mundial. E aí a China foi bem enfática. Itália, Alemanha e Japão. Ou seja, se o Japão continuar com essa retórica, a China pode atacar o Japão militarmente, preventivamente, sem o apoio, sem precisar pedir permissão ou apoio do Conselho de Segurança da ONU e não seria crime internacional.

    Quando os Estados Unidos e invadem algum país, é crime internacional, tá? Que eles fazem sem a sem pedir pro Conselho de Segurança da ONU. Quando Israel começa genocío na Palestina, é crime internacional. A China tá falando, ó, a gente pode atacar o Japão, bombardear, fazer o que a gente quiser e não é crime internacional, porque a ONU tem artigos ali, são três artigos na carta de fundação da ONU que diz que esses países podem ser atacados sim preventivamente se eles voltarem a ter uma retórica militar.

    E o Japão tá com uma retórica militar. Então veja que a China tá ocupada ali com o Japão e e o governo chinês já lançou notas dizendo que eles sabem que são os Estados Unidos que estão por trás dos ataques do Japão, dessa retórica aí do Japão contra a China. Então você vê que o Trump tá ali em todo o tabuleiro ali da geopolítica tá bem troncado.

    O Trump tá troncado por todos os lados e ele não tá conseguindo o que ele quer. Por isso que ele tá em pânico. Aí o Lula liga para ele. O Lula também falou, tocou no assunto aí de organizações criminosas, entre aspas. O Lula falou: “Olha, precisa de uma cooperação dos Estados Unidos porque a nossa Polícia Federal descobriu que as organizações criminosas, as maiores que tem no Brasil, elas operam nos Estados Unidos também.

    Brics, “sul global” e a arenga ideológica entre Lula e Trump - Instituto  Monitor da Democracia

    E o vocês aí que tanto segurança, tem tanta segurança, tanto isso, aquilo, essa retórica aí de que vocês são os bamb bamb bãs, vocês não fazem nada. Vocês vão descobrir até hoje isso aí, que tem gente lavando dinheiro nos Estados Unidos de organização criminosa. Como pode? Então o Trump falou que não, nós vamos cooperar. Só que o o Lula não é bobo.

    O Lula deve saber. Você plantonista já sabe. O Trump, o secretário de estado dele, vários membros do governo dele são cúmplices de donos de cartéis de drogas. São cúmplices. O Trump ele deu eh ele deu indulto essa semana, já foi solto, foi solto ontem. Trump deu induto para esse cara aqui, que é o ex-presidente de Honduras, que foi condenado a 45 anos de jaula lá nos Estados Unidos com todas as provas de que ele é narcotraficante.

    E o Trump simplesmente simplesmente soltou o cara e falou: “O que? Por que que eles solta um dos maiores narcotraficantes da América Central? Porque ele é cúmplice desses caras. Ele é cúmplice. O Lula sabe disso. Então ele sabe muito provavelmente até onde ele pode ir na conversa com o Trump e até onde o Trump tá falando a verdade que vai cooperar e até onde a balela do Trump para fingir que quer fazer alguma coisa. É isso.

    O Lula sabe, mas ele tocou no assunto para enquadrar, para falar: “Ó, vocês que estão aí protegendo, que a gente tá investigando e a gente vê que esses caras vêm nos Estados Unidos um paraíso para eles lavarem dinheiro do tráfico de drogas. Não pode.” Então veremos aí o que vai acontecer.

    Segundo aí o governo brasileiro, o Trump falou que vai cooperar em absolutamente tudo o que o governo brasileiro pedir. Veja, né? Tudo que o Eduardo Bolsonaro pedir. Eduardo Bolsonaro, tchau. Já já parte da cooperação vai ser, olha, tem uma organização criminosa que tem toda golpe de estado no Brasil, viu? E tem uns membros dessa organização nos Estados Unidos. Manda para cá.

    Anota isso aí, viu? Anota. São os próximos passos, um passo de cada vez. Eu peço a sua inscrição no canal. Seguimos aqui na luta contra esses malditos. Falou. M.

  • Márcia Sensitiva Revela o Caos Espiritual: Bilhões, Contratos e a Regra Proibida da Louça

    Márcia Sensitiva Revela o Caos Espiritual: Bilhões, Contratos e a Regra Proibida da Louça

    No palco do Lady Night, o que se espera é sempre o inesperado. Mas o que aconteceu quando Márcia Sensitiva, a vidente mais pop e direta do Brasil, sentou no sofá de Tatá Werneck, superou todas as expectativas. Foi uma overdose de previsões bombásticas, conselhos inusitados sobre o mundo espiritual e piadas que transitavam livremente entre a quinta dimensão e o mais mundano dos afazeres domésticos. A entrevista não foi apenas um bate-papo: foi uma verdadeira sessão de clarividência temperada com a acidez e o carisma pelos quais Márcia e Tatá são universalmente conhecidas.

    O encontro, que a própria Márcia previu ser um sucesso estrondoso para a carreira de Tatá, começou com uma apresentação de tirar o fôlego. Márcia não é apenas médium: é vidente, clarividente, e, talvez o mais surpreendente, uma médium de cura. Quando Tatá, em seu estilo característico, sugeriu que Márcia curasse um dilema estético íntimo, a resposta veio rápida e prática, dissociando o poder espiritual de uma simples cirurgia, mas abrindo a porta para a sucessão de absurdos espirituais que viriam a seguir.

    Bilhões, Renovação de Contrato e o Enigma da Velha

    Uma das primeiras perguntas feitas por Tatá, com o objetivo de testar as habilidades de acesso a “outro mundo” de Márcia, foi sobre as finanças de um famoso brasileiro. Sem pestanejar, Márcia confirmou que o saldo bancário de Luciano Huck já beirava a casa dos bilhões. A previsão para a própria Tatá foi ainda mais animadora e caótica: sucesso, mais inteligência, rapidez e, crucialmente, a certeza de que seu contrato seria renovado, gritando um audacioso “chupa, Globo!”. Segundo Márcia, Tatá atingirá um pico de sucesso por volta dos 45 anos, mantendo-se em um patamar de reconhecimento e riqueza.

    A conversa rapidamente mergulhou na natureza dos espíritos. A primeira revelação pessoal de Márcia para Tatá foi de que uma “velha” a acompanha desde sempre. “Uma velha do seu lado a vida inteira que eu te olho na televisão,” descreveu Márcia. Tatá, em um momento de brilhantismo, questionou se a velhinha não seria ela mesma, transfigurada pela televisão. A confirmação de que se trata de uma entidade ancestral protetora introduziu uma das grandes regras do universo de Márcia: ela se comunica com a Quinta e a Sexta Dimensões, ou seja, com seres espirituais de elevadíssimo padrão.

    Essa hierarquia espiritual explica por que Márcia não ganha na loteria. Os espíritos que se comunicam com ela estão em um plano muito superior ao nosso, focados em questões mais elevadas do que “dar os números” ou “pagar um boleto”. Eles não aparecem para contar piadas ou realizar pequenas tarefas mundanas. No entanto, são eles que ditam o ritmo da vida de Márcia. Ela revelou que, quando se atrasa, a culpa é dos espíritos, que a acordam em horários inusitados para resolver problemas urgentes, muitas vezes às 4 da manhã, com o espírito a incentivando a “levantar e ir ao banheiro”.

    Lavar a Louça: A Regra de Sobrevivência Espiritual

    Talvez a revelação mais surpreendente e hilária da noite tenha sido a regra de ouro sobre a limpeza da louça. Márcia alertou que se uma pessoa morre e não ascende, ela fica como um encosto no plano terrestre. O problema é a sujeira: “A cada 10 pessoas que morrem, oito não vão, querida”, alertou. E se a louça não for lavada, as almas ficam presas à tarefa, inalando os restos de arroz, feijão e carne, pensando que estão comendo. A lição é clara: tem que lavar a louça para não prender o espírito na faxina doméstica. Tatá, em resposta, apenas reforçou o absurdo da situação com sugestões ultrajantes sobre o que fazer com os pratos antes de dormir, ao que Márcia respondeu com um “tem que fazer tudo, lavar a louça, guardar tudo”.

    Lady Night, o mais novo acerto de Tatá Werneck – Série Maníacos

    A vida de Márcia é um constante campo de testes para as suas previsões. Ela admitiu que já se envolveu em situações embaraçosas no campo amoroso. Em uma confissão bem-humorada, contou que uma vez saiu com um homem sobre quem ela havia previsto que “não daria em nada”. E, de fato, a previsão se concretizou, levando Tatá a questionar se a vidente se sentia “velha” por isso.

    A vidente também compartilhou histórias sobre a natureza do toque e do afeto. Ela afirma ter que beijar seus fãs “de boca fechada”, porque teme que um espírito indesejado “coloque um pau na sua boca” – uma maneira peculiar de expressar seu medo de possessão espiritual por via oral. A fronteira entre o desejo humano e a intervenção espiritual se torna, na visão de Márcia, surpreendentemente porosa.

    O Encargo, a Carpa e o Futuro Amoroso

    A vida pessoal de Márcia Sensitiva, mesmo sendo uma profissional do mundo espiritual, não está livre de sustos. Em um relato mais sério (e um pouco nojento), ela contou que, morando sozinha, sentiu um cheiro de podre em sua cama. Ao investigar, viu um espírito masculino de má índole, um encosto, que a olhou e disse: “Quero acabar com você”. A luta contra as forças do mal é diária.

    Seu contato com o reino animal também é inusitado. Márcia tem a certeza de que, em outra vida, foi uma carpa de shopping. Quando passa perto de lagos, os peixes a encaram, a convencendo a dar dinheiro, um “convívio” esquisito que ela prefere não levar a extremos.

    Questionada sobre o amor sensual, Márcia foi direta, mas realista. Ela não se envolveria sexualmente com amigos. Sua filosofia de vida é que as almas que estão destinadas a ter filhos juntas já se combinaram em outra vida. Isso leva a um dos momentos mais cômicos, quando ela calcula que Neymar, com sua prole numerosa, deve ter “combinado com 70 pessoas” em outras encarnações. Ela afirma que a melhor companhia hoje são seus amigos, mas sim, ela ainda acredita no amor — “se acontecia uma coisa boa entre a gente e tal, entre homem, acredito”.

    O universo das aparições espirituais também se confunde com o mundo do entretenimento. Tatá perguntou se Márcia já havia visto “almas peladas” no motel. Márcia confirmou o óbvio: sim, a visão é constante, pois a nudez e a intimidade estão em toda parte.

    As Previsões Finais e a Mensagem para a Avó

    No desfecho da entrevista, as previsões para Tatá voltaram à tona. Márcia afirmou que a apresentadora terá mais um filho, que já está “pronto” e é “grande”, avisando Tatá para “tomar cuidado” com a possibilidade de uma nova gestação. A estabilidade na Globo e a continuidade do sucesso financeiro foram garantidas, embora Márcia tenha deixado claro que não via “bilhões” no futuro da apresentadora, mas sim muita grana e prosperidade.

    O clímax veio com a última previsão. Tatá pediu uma palavra sobre seu corpo. Após um momento de concentração e risos, as duas falaram a palavra ao mesmo tempo: Tatá disse “hemorroida”, enquanto Márcia viu “vesícula e estômago”. A confusão entre o espiritual e o fisiológico encerrou o segmento com a certeza de que, para Márcia, o corpo humano e o mundo astral estão inextricavelmente ligados.

    Apesar de todo o caos e humor, Márcia Sensitiva é, no fundo, uma pessoa de bom coração. Ela se dispôs a mandar uma mensagem à avó de Tatá no plano espiritual, expressando a saudade da neta e a falta que ela faz. No entanto, Márcia, a pragmática do mundo espiritual, exigiu o nome e a data de nascimento e morte para cumprir a missão. E quanto à senha do cofre? Márcia pediu que Tatá se concentrasse na palavra “Dona Denguinho”, a senha que a avó não revelou antes de partir.

    Márcia Sensitiva no Lady Night não foi apenas entretenimento. Foi uma aula de como equilibrar a seriedade do mundo espiritual com a leveza da comédia, provando que é possível ser uma figura de autoridade na mediunidade e, ao mesmo tempo, uma fonte inesgotável de “loucura” e gargalhadas. Seu legado é claro: muita grana, sucesso na Globo e, acima de tudo, a garantia de que, para manter a harmonia no astral, é preciso manter a pia limpa.

  • Para Sempre Seis: Uma homenagem a Aëla, o Espírito Alegre que cantou e dançou por toda a sua vida.

    Para Sempre Seis: Uma homenagem a Aëla, o Espírito Alegre que cantou e dançou por toda a sua vida.

    Em 31 de dezembro de 2018, enquanto o mundo se preparava para receber um novo ano, um milagre silencioso aconteceu. Seu nome era Aëla Rolland, uma menina perfeita, nascida entre o último suspiro de um ano e o início promissor do próximo. Foi um momento simbólico em muitos sentidos. Pois, desde seus primeiros dias, Aëla carregava dentro de si algo raro: uma luz, uma presença, uma gentileza atemporal. Ela nasceu como um sussurro e se tornou uma canção.

    Para aqueles que a conheciam, Aëla não era apenas uma filha, uma irmã ou uma amiga: ela era pura alegria. Desde muito jovem, irradiava bondade. Seus olhos brilhavam com uma sabedoria serena, e seu sorriso tinha o poder de dissipar até os dias mais sombrios. Ela era gentil, carinhosa e infinitamente curiosa. Seu riso, suave e contagiante, preenchia todos os lugares por onde passava, e sua voz, sempre pronta para cantar, parecia carregar mais do que uma melodia; era uma fonte de cura.

    Aëla adorava cantar. A música não era apenas um hobby para ela; era parte essencial de quem ela era. Quer estivesse cantando baixinho enquanto coloria ou soltando a voz com sua canção favorita enquanto dançava de pijama, a voz de Aëla preenchia todos os cantos de sua casa. Sua família frequentemente comentava como seu canto podia animar as pessoas, aliviar as tristezas e preencher o silêncio com uma sensação de paz.

    Ela também adorava dançar, não para chamar a atenção, nem para se apresentar, mas pelo simples prazer do movimento. Seus pezinhos giravam no chão da sala de estar, nos palcos da escola e nos terraços do jardim. Para Aëla, dançar era liberdade. Era expressão. Era a vida em movimento. Ela dançava quando estava feliz, quando estava animada, até mesmo quando não se sentia bem. Era a sua maneira de dizer: “Ainda estou aqui. Ainda sou eu.”

    A imaginação de Aëla era vívida e magnífica. Ela adorava Peter Pan, não apenas pelas fadas e pelo voo, mas também pela mensagem da história: alguns espíritos não foram feitos para envelhecer. Ela acreditava na Terra do Nunca da mesma forma que outras crianças acreditam na gravidade: plenamente, livremente, sem questionamentos. Peter Pan não era uma fantasia para ela; era um amigo, um sonho, um lar para a alma que se recusa a ser definida pelo tempo.

    E era exatamente isso que Aëla era: um espírito atemporal em um corpo pequeno e frágil.

    Um momento decisivo que nenhuma família deveria jamais ter que enfrentar.

    Em junho de 2024, poucos meses após seu quinto aniversário, Aëla foi diagnosticada com glioma pontino intrínseco difuso (DIPG), um tumor cerebral extremamente raro e agressivo que afeta principalmente crianças. Esse diagnóstico virou a vida de sua família de cabeça para baixo. Não há cura conhecida. A taxa de sobrevivência é tragicamente baixa. É o tipo de diagnóstico que deixa os pais sem fôlego, os médicos tristes e as famílias lutando para manter a esperança.

    Mas Aëla não viu as estatísticas. Ela não viu o medo. Ela não parou de cantar.

    Durante 11 meses de tratamentos, exames, internações e dores, ela permaneceu ela mesma, plena e notavelmente. Embora o tumor tenha gradualmente lhe roubado a capacidade de se mover livremente, andar, comer confortavelmente e até mesmo falar sem esforço, jamais afetou seu espírito.

    Ela cantava apesar da dor.
    Sorria apesar do cansaço.
    Dava abraços que pareciam irradiar luz do sol.
    Dançava com os olhos quando seu corpo não aguentava mais.

    Num mundo onde as crianças deveriam ser despreocupadas, Aëla enfrentou o sofrimento e o fez com graça. Sua coragem não foi estridente nem provocativa. Foi silenciosa, gentil e profunda. Ela não precisava ser corajosa para que o mundo a notasse. Simplesmente ser ela mesma já era um ato de heroísmo.

    No dia em que ela voou para longe.

    Na manhã de 16 de maio de 2025, após quase um ano de lutas, a jornada terrena de Aëla chegou ao fim. Ela tinha apenas seis anos de idade.

    Nas ternas palavras de sua mãe, Meg Rolland:

    “É com o coração pesado e imensa tristeza que Aëla partiu voando com Peter Pan esta manhã, perto de Paulin e de mim.”

    Foi um momento de perda indescritível. Um momento que nenhum pai deveria jamais ter que enfrentar. E, no entanto, há uma beleza serena nesta imagem: uma menina, já sem sofrimento, erguendo-se livremente, deixando para trás um corpo debilitado, mas carregando consigo um espírito inabalável.

    Ela não apenas foi embora.
    Ela voou para longe.

    O que resta quando o corpo desaparece?

    A ausência de Aëla é imensurável. Sua cama está vazia. Suas roupas ainda estão penduradas. Suas canções favoritas ressoam de forma diferente agora. Mas em cada canto de sua casa e de seu coração, sua presença persiste.

    Em cada um de seus desenhos.
    Em cada brinquedo que ela amava.
    Em cada vídeo onde sua voz ecoa com risos.
    Nas pegadas macias que um dia dançaram.

    E nos corações de sua família – seus pais, seus irmãos e irmãs, seus avós e todos aqueles que a amavam – ela não é uma lembrança. Ela é uma presença. Ela não é o passado. Ela é o presente e a eternidade.

    Sua família a descreve como:

    Seis anos para sempre. Meu amor para sempre. Memórias para sempre.

    E não apenas com lágrimas, mas com gratidão. Gratidão por cada momento passado com ela. Gratidão pelas lições que ela lhe ensinou sem sequer tentar. Gratidão por ter tido a chance de amá-la tão intimamente.

    O Legado de Luz de Aëla

    Existem crianças que vivem vidas longas. E existem crianças que vivem intensamente.

    O tempo de Aëla na Terra foi curto, mas foi repleto — além da medida — de tudo o que importa. Amor. Música. Alegria. Maravilha. Coragem. Inocência. Magia.

    Seu legado reside não no que ela fez, mas em quem ela foi.

    Ela vive em cada criança que gira só para sentir o vento.
    Ela vive em cada pai ou mãe que canta para o filho, mesmo nos dias mais difíceis.
    Ela vive em cada vez que Peter Pan é assistido, em cada canção de ninar suave, em cada giro, em cada risada.

    Um apelo para lembrar e viver de forma diferente.

    A história de Aëla não é apenas sobre perda, mas sobre como viver. Ela nos mostrou que a vida não é definida pela quantidade de tempo que temos, mas pela intensidade com que amamos. Que os momentos importam. Que a gentileza é uma força. Que o momento presente é fundamental.

    Num mundo que muitas vezes passa despercebido e se esquece dos pequenos detalhes, Aëla percebia. Ela sentia profundamente. Ela se doava incondicionalmente. E, em troca, nos ensinou que até a vida mais curta pode ser uma obra-prima.

    Descanse em paz, doce Aëla.

    Você era precioso demais para este mundo.
    Mas somos melhores porque você esteve aqui.

    Você é :

    Seis anos para sempre.
    Amados para sempre.
    Luz para sempre.
    Dançando para sempre.
    Cantando para sempre.
    Livres para sempre.

    Você continua vivendo, estrelinha.
    E sua luz jamais se apagará.

  • As Coisas Indizíveis que o Vietcongue Fez aos Soldados Americanos

    As Coisas Indizíveis que o Vietcongue Fez aos Soldados Americanos

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    Nas densas e sombrias selvas do Vietnã, onde o calor e a umidade sufocavam cada soldado, um inimigo invisível e implacável espreitava. Durante as décadas de 1960 e 1970, o Viet Cong e o Exército do Vietnã do Norte projetaram armadilhas mortais destinadas a desmoralizar, mutilar e matar soldados americanos desavisados. Além das armas convencionais, essas armadilhas engenhosas e cruéis simbolizavam uma guerra psicológica onde o medo se tornou uma ferramenta de controle.

    Cada passo no labirinto da selva poderia significar a diferença entre a vida e a morte, forçando os soldados a enfrentar não apenas um exército, mas um território letal e em constante mudança. Que horrores o Viet Cong cometeu contra os soldados americanos?

    O Viet Cong: Origem do pesadelo para os soldados americanos. No coração da Guerra do Vietnã, o Viet Cong surgiu como uma força insurgente cuja estratégia redefiniria o combate moderno. Oficialmente conhecido como Frente Nacional para a Libertação do Vietnã do Sul (FNL), o Viet Cong foi fundado na década de 1950 em resposta direta à crescente intervenção dos EUA na região. Seu objetivo principal era derrubar o governo pró-americano e reunificar o Vietnã sob um regime comunista, alinhando-se com a “teoria do dominó”, que visava impedir a propagação do comunismo no Sudeste Asiático.

    O Viet Cong era composto por uma coalizão diversificada de camponeses, trabalhadores urbanos, ex-soldados e simpatizantes comunistas. Essa mistura de indivíduos permitiu que o Viet Cong alavancasse uma ampla rede de apoio local, facilitando o recrutamento e a logística essencial para uma guerra de guerrilha prolongada. Inspirados pelos ensinamentos de guerrilha de Sun Tzu, os líderes do Viet Cong adotaram táticas que contrariavam a superioridade tecnológica e numérica das forças americanas.

    Sun Tzu enfatizava a importância da surpresa, do conhecimento do terreno e do moral, princípios que o Viet Cong aplicou meticulosamente para enfraquecer seu inimigo. Inicialmente, o Viet Cong enfrentou uma desvantagem significativa contra o Exército dos EUA, que possuía tecnologia avançada, poder aéreo inigualável e um arsenal massivo. As forças americanas, bem equipadas e altamente treinadas, pareciam ter todas as vantagens em termos de capacidade de combate convencional.

    No entanto, o Viet Cong entendeu que o confronto direto seria insustentável, então optaram por uma guerra de atrito. Eles usaram emboscadas estratégicas, sabotagem e ataques surpresa para desgastar as tropas dos EUA, evitando confrontos diretos que poderiam resultar em derrotas decisivas. A estratégia vietcongue baseava-se em minar o moral das tropas dos EUA e prolongar o conflito até que a opinião pública nos Estados Unidos se voltasse contra a guerra.

    Essa abordagem alinhava-se com os princípios de Sun Tzu de vencer sem lutar e exaurir o inimigo por meio de táticas indiretas. O Viet Cong usou seu profundo conhecimento do terreno e sua capacidade de se misturar com a população local para evitar as forças americanas, mantendo uma presença constante e desafiando a superioridade militar dos adversários. À medida que a guerra avançava, o Viet Cong demonstrou uma notável capacidade de adaptação às táticas e tecnologias americanas.

    A escalada dos ataques aéreos e o uso de tecnologias avançadas pelos Estados Unidos forçaram o Viet Cong a inovar continuamente seus métodos de combate. Eles adotaram táticas de mobilidade rápida e focaram na flexibilidade operacional, permitindo que as forças insurgentes respondessem rapidamente aos movimentos inimigos e explorassem quaisquer fraquezas nas linhas dos EUA.

    Além disso, o Viet Cong fortaleceu suas redes de inteligência e contra-inteligência, usando informações da população local para antecipar e combater as operações americanas. A criação de células descentralizadas permitiu uma comunicação eficiente e uma resposta rápida às ameaças, mantendo o Viet Cong um passo à frente no campo de batalha. Essa estrutura organizacional descentralizada também dificultou para as forças dos EUA identificar e desmantelar a rede insurgente, prolongando assim o conflito.

    A liderança dentro do Viet Cong foi outro fator crucial em sua capacidade de adaptação. Líderes como Vo Nguyen Giap combinaram estratégias militares com uma profunda compreensão da psicologia da guerra, motivando as tropas e mantendo a coesão interna que fortaleceu sua resistência contra as forças dos EUA. Giap, com sua abordagem pragmática e capacidade de inspirar guerrilheiros, garantiu que o Viet Cong pudesse evoluir suas táticas e manter a eficácia operacional durante todo o conflito.

    Túneis de Cu Chi: A fortaleza subterrânea do Viet Cong. Durante a Guerra do Vietnã, os túneis de Cu Chi desempenharam um papel central nas táticas de guerrilha usadas pelo Viet Cong. Essa vasta rede subterrânea, que se estendia por mais de 250 km, permitiu que os combatentes vietnamitas desafiassem efetivamente a superioridade militar das forças dos EUA e do Vietnã do Sul.

    Construídos entre as décadas de 1940 e 1960, os túneis conectavam áreas estratégicas desde os arredores de Saigon até a fronteira com o Camboja, servindo como base secreta para operações de combate, transporte de suprimentos e, o mais importante, como abrigos onde os guerrilheiros poderiam evitar a captura. A construção desses túneis foi um testemunho da engenhosidade e determinação do Viet Cong. Usando ferramentas básicas e técnicas de escavação manual, os guerrilheiros trabalharam sob condições extremamente difíceis, enfrentando calor, umidade e o risco constante de desabamentos.

    Os túneis foram projetados para serem o mais discretos possível, com entradas camufladas sob montes de terra ou escondidas dentro de vegetação densa, tornando-os difíceis de serem detectados pelas forças inimigas. A vida dentro dos túneis de Cu Chi não era fácil. Os espaços eram estreitos e escuros, com pouca ventilação que tornava o ar denso e difícil de respirar.

    Apesar dessas condições adversas, os túneis estavam equipados com instalações essenciais que permitiam aos guerrilheiros viver e operar por longos períodos sem precisar vir à superfície. Dormitórios improvisados, cozinhas rudimentares, áreas de reunião e até pequenos hospitais subterrâneos foram construídos para garantir que os combatentes pudessem permanecer operacionais e cuidar dos feridos sem se expor a perigos externos.

    Um dos aspectos mais notáveis dos túneis de Cu Chi foi sua complexidade e multifuncionalidade. A rede de túneis não servia apenas como abrigo, mas também como centros logísticos e operacionais. Nesses espaços subterrâneos, os guerrilheiros podiam planejar ataques, armazenar armas e suprimentos e coordenar movimentos estratégicos sem serem detectados. Essa infraestrutura subterrânea permitiu que o Viet Cong mantivesse uma presença constante e conduzisse operações de forma eficaz, apesar da intensa pressão militar dos EUA.

    A estratégia por trás dos túneis de Cu Chi refletia uma profunda compreensão das táticas de guerrilha e uma adaptação engenhosa às circunstâncias do conflito. Ao usar esses túneis, o Viet Cong podia se mover rapidamente entre diferentes áreas, evitar confrontos diretos e minimizar perdas humanas. Além disso, os túneis proporcionavam um nível de segurança que permitia aos guerrilheiros se recuperarem de ferimentos, reabastecerem e se reorganizarem sem a ameaça constante de ataques aéreos ou terrestres.

    A capacidade dos túneis de Cu Chi de proteger os guerrilheiros e facilitar as operações logísticas foi crucial para a sustentabilidade da insurgência. Apesar de suas tecnologias avançadas de reconhecimento e busca, as forças dos EUA acharam extremamente difícil localizar e destruir toda a rede de túneis. A adaptabilidade e o conhecimento do terreno pelo Viet Cong permitiram que eles reconstruíssem e expandissem os túneis mesmo após tentativas de erradicação, mantendo assim uma vantagem estratégica significativa ao longo do conflito.

    Minas terrestres: O perigo oculto do Viet Cong. Durante a Guerra do Vietnã, armadilhas e minas terrestres tornaram-se ferramentas essenciais no arsenal do Viet Cong, permitindo-lhes combater a superioridade militar dos Estados Unidos e do Vietnã do Sul. Essas armas não apenas representavam uma ameaça física, mas também eram instrumentos de guerra psicológica projetados para instilar medo e desmoralizar as tropas inimigas.

    Engenosas e cruéis, as armadilhas do Viet Cong incluíam tudo, desde granadas modificadas até a infame mina “Bouncing Betty”, cada uma projetada para maximizar tanto o impacto letal quanto o psicológico no campo de batalha. A mina “Bouncing Betty”, tecnicamente conhecida como mina-S, era particularmente letal devido à sua capacidade de subir no ar antes de detonar, dispersando estilhaços a uma altura devastadora.

    Originalmente desenvolvida na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, o Viet Cong adquiriu essas minas saqueando arsenais inimigos e recebendo apoio clandestino de aliados internacionais. Ao lado da “Bouncing Betty”, o Viet Cong empregou dispositivos improvisados, como “toe poppers” (minas pequenas projetadas para mutilar os dedos dos pés) e armadilhas de arame escondidas que explodiam ao menor contato, aumentando o perigo constante no solo.

    A criatividade do Viet Cong não se limitou ao uso de minas pré-existentes. Armadilhas improvisadas, como a “granada em uma lata”, demonstraram sua capacidade de transformar objetos cotidianos em armas mortais. Esse dispositivo consistia em uma granada de mão presa com um elástico dentro de uma lata vazia. Quando pisada ou manuseada, o pino era liberado, desencadeando uma explosão inesperada.

    Essas armadilhas eram difíceis de detectar, pois eram camufladas entre a folhagem ou escondidas ao longo de trilhas frequentadas, tornando-as ainda mais letais e eficazes. O impacto dessas táticas foi devastador para as forças dos EUA e do Vietnã do Sul. Cada passo na selva tornou-se uma loteria mortal, criando tensão psicológica constante entre os soldados.

    A incerteza sobre a segurança de cada movimento corroeu o moral e a coesão, forçando os soldados a proceder com cautela e atrasando suas operações. Esse estado de medo perpétuo enfraqueceu a eficácia operacional, em alinhamento com a estratégia do Viet Cong de desgastar o inimigo por meio de táticas indiretas.

    Estacas Punji: A arma letal da guerrilha Viet Cong. As estacas punji tornaram-se uma das armas mais temidas do Viet Cong durante a Guerra do Vietnã, servindo como um exemplo sombrio de como materiais simples e prontamente disponíveis poderiam ser transformados em instrumentos de terror letal. Essas armadilhas consistiam em estacas de bambu afiadas enterradas no chão e cobertas com folhas ou terra, projetadas para infligir ferimentos graves e semear medo entre as forças inimigas.

    Sua implementação refletiu uma combinação de engenhosidade tática e crueldade estratégica, alinhando-se com os princípios da guerra psicológica destinados a desgastar o inimigo física e mentalmente. As estacas punji foram estrategicamente implantadas ao longo das rotas de trânsito frequentadas por tropas dos EUA e do Vietnã do Sul, como caminhos na selva ou margens de rios. Sua presença nessas trilhas transformou cada passo em uma potencial armadilha mortal, transformando o terreno em um campo de batalha invisível onde o perigo espreitava em cada esquina.

    Além disso, elas eram parte integrante das defesas ao redor dos túneis de Cu Chi, dissuadindo soldados inimigos que tentavam se infiltrar na rede subterrânea do Viet Cong. A localização precisa e a camuflagem dessas estacas tornavam-nas difíceis de detectar até que fosse tarde demais, aumentando assim sua eficácia letal. O impacto das estacas punji foi além dos ferimentos físicos que causaram.

    A ameaça constante de encontrar uma armadilha oculta gerou um estado de ansiedade e paranoia entre os soldados dos EUA, minando seu moral e confiança no ambiente de combate. A incerteza sobre a segurança de cada passo transformou a selva vietnamita em uma zona de ameaça constante, erodindo a determinação e a coesão das tropas. Esse estado de medo perpétuo enfraqueceu a eficácia operacional das forças dos EUA, em linha com a estratégia do Viet Cong de desgastar o inimigo por meio de táticas indiretas.

    Para aumentar a letalidade das estacas punji, os guerrilheiros vietcongues frequentemente as cobriam com substâncias mortais. Isso incluía venenos derivados de plantas locais, fezes humanas e animais e outros agentes infecciosos que poderiam causar infecções graves e complicações potencialmente fatais. Essa camada adicional de perigo significava que mesmo uma ferida superficial poderia se tornar fatal, prolongando o sofrimento e aumentando o terror associado a essas armadilhas. A combinação de danos físicos e o risco de infecções graves tornaram as estacas punji uma ameaça dupla, tanto imediata quanto de longo prazo.

    Armadilhas de rede e fosso: Engenhosidade mortal na selva vietnamita. As armadilhas de rede e fosso representaram algumas das táticas mais astutas e eficazes empregadas pelo Viet Cong durante a Guerra do Vietnã. Esses dispositivos, embora aparentemente simples, combinavam eficácia letal com um profundo impacto psicológico, criando um campo de batalha cheio de incertezas onde cada passo poderia ser fatal.

    Projetadas para incapacitar e aterrorizar as tropas inimigas, essas armadilhas refletiram a engenhosidade e adaptabilidade do Viet Cong em sua luta contra uma força militarmente superior. As armadilhas de rede, também conhecidas como “apanhadores de homens”, eram uma maneira devastadora de capturar e neutralizar soldados inimigos. Essas armadilhas consistiam em grandes redes camufladas estrategicamente colocadas no chão e presas com estacas escondidas.

    Quando um soldado caminhava sobre elas, uma corda escondida apertava, levantando o indivíduo do chão e deixando-o vulnerável. Essa suspensão repentina não apenas causava danos físicos, mas também criava uma sensação de desamparo e terror, exacerbando o desgaste psicológico nas tropas. Um incidente notável ilustrando a brutalidade dessas armadilhas ocorreu em 1966, durante a Operação Attleboro na província de Tay Ninh. O sargento americano Michael O’Brien e seu esquadrão foram pegos por uma armadilha de rede enquanto patrulhavam uma área densamente arborizada.

    “De repente, me vi erguido no ar, pendurado em uma árvore, sem saber o que havia acontecido”, relatou O’Brien. Felizmente, seus camaradas conseguiram libertá-lo rapidamente, mas o evento deixou uma cicatriz psicológica profunda, destacando a engenhosidade letal do Viet Cong e o impacto duradouro dessas táticas nos soldados americanos.

    Além das armadilhas de rede, o Viet Cong também usava armadilhas de fosso, projetadas para fazer os soldados caírem em buracos ou estruturas escondidas. Essas armadilhas, frequentemente camufladas com folhas ou galhos, eram implantadas em áreas de alto tráfego, aumentando a incerteza e o perigo. Os soldados nunca sabiam quando poderiam cair em uma armadilha, tornando ainda mais aterrorizante mover-se através de território hostil.

    Essas armadilhas de fosso não apenas causaram baixas diretas, mas também interromperam linhas de suprimento e operações militares, dificultando o avanço contínuo das tropas americanas. A engenhosidade por trás das armadilhas de rede e fosso do Viet Cong residia em sua capacidade de explorar o ambiente e a previsibilidade das táticas inimigas. Ao camuflar essas armadilhas no terreno natural, o Viet Cong maximizou sua eficácia sem exigir esforço significativo em sua implementação.

    A combinação de elementos físicos e psicológicos tornou essas armadilhas uma ameaça constante, forçando as tropas dos EUA a proceder com extrema cautela e retardando suas operações.

    Armadilhas de arame: Ameaça invisível na selva. Uma das táticas mais mortais e furtivas usadas pelo Viet Cong durante a Guerra do Vietnã foram as armadilhas de arame, dispositivos letais que transformaram as densas selvas em um campo minado de terror e morte. Aproveitando a simplicidade dos materiais disponíveis e a complexidade do terreno da selva, o Viet Cong implantou armadilhas como a “armadilha de mola” e a “armadilha deslizante”, projetadas para causar ferimentos devastadores e gerar uma atmosfera constante de medo e incerteza.

    Armadilhas de mola, também conhecidas como “armadilhas de chicote”, eram extremamente letais e eficientes. Construídas com arame esticado e conectadas a objetos pontiagudos, como ganchos de metal ou espigões, essas armadilhas operavam por meio de um mecanismo simples, mas altamente eficaz. Quando um arame escondido era pisado, o objeto pontiagudo era liberado com força suficiente para perfurar a carne, causando feridas graves ou até morte instantânea.

    Colocar essas armadilhas em caminhos frequentados por tropas americanas e sul-vietnamitas transformou cada passo em uma potencial armadilha mortal. Um incidente vivido pelo soldado James O’Neal em 1966 exemplifica a brutalidade dessas armadilhas. Enquanto patrulhava na província de Binh Duong, O’Neal acionou sem saber uma armadilha de mola.

    “Eu não vi o arame até que fosse tarde demais. De repente, senti uma dor intensa na perna e olhei para baixo para ver um gancho de metal profundamente cravado na minha panturrilha”, lembrou O’Neal. Incapaz de andar devido à gravidade da ferida, ele foi evacuado por seus camaradas, mas sua experiência ressalta a letalidade e o impacto psicológico dessas armadilhas.

    Além das armadilhas de mola, o Viet Cong usava armadilhas deslizantes e fios de tropeço que causavam danos físicos e tinham um profundo impacto psicológico. A ameaça constante de cair em uma armadilha de arame criou um estado permanente de ansiedade entre as tropas, que avançavam com extrema cautela e desconfiança. Essa incerteza enfraqueceu o moral e a coesão, reduzindo sua eficácia operacional e retardando suas missões.

    A engenhosidade por trás das armadilhas de arame do Viet Cong residia em sua capacidade de explorar o ambiente e a previsibilidade das táticas inimigas. Camufladas entre a folhagem ou escondidas em caminhos frequentemente percorridos, essas armadilhas eram difíceis de detectar até que fosse tarde demais, aumentando sua eficácia letal. A combinação de elementos físicos e psicológicos tornou essas armadilhas uma ameaça constante, forçando as tropas americanas a avançar com extrema cautela e desacelerando suas operações.

    Terror biológico: Criaturas venenosas e sabotagem do Viet Cong. O Viet Cong demonstrou maestria na guerra psicológica, empregando não apenas armadilhas físicas, mas também criaturas venenosas e táticas de sabotagem para espalhar o pânico e desestabilizar o moral das forças inimigas. Essa combinação de métodos engenhosos e crueldade estratégica transformou a selva vietnamita em um ambiente constante de medo tanto para soldados americanos quanto sul-vietnamitas.

    Cobras venenosas, como najas e víboras, foram usadas estrategicamente pelo Viet Cong. Colocadas em mochilas, escondidas em armadilhas ou em áreas de descanso, essas criaturas perigosas representavam uma ameaça constante. O objetivo era criar terror psicológico que minasse o moral das tropas, que temiam tanto o fogo inimigo quanto encontros inesperados com animais mortais.

    Essa forma de sabotagem não apenas causou baixas físicas, mas também afetou profundamente o estado mental dos combatentes. Um incidente notável ocorreu em 1967, quando o Cabo John Harker, um fuzileiro naval dos EUA, foi picado por uma naja venenosa enquanto patrulhava na província de Quang Tri.

    “Senti uma dor aguda no braço e vi a cobra deslizar para fora da minha vista. Em minutos, meu braço inteiro ficou dormente e eu mal conseguia movê-lo”, recordou Harker. Graças à rápida intervenção de sua equipe, que aplicou um torniquete e solicitou uma evacuação médica, Harker sobreviveu ao ataque. No entanto, este evento deixou uma marca psicológica profunda nele e em seus companheiros soldados, aumentando a paranoia e a sensação de vulnerabilidade entre as tropas.

    Além de criaturas venenosas, o Viet Cong implementou táticas de sabotagem que incluíam o envenenamento de suprimentos de comida e água. Os guerrilheiros colocavam veneno em poços de água ou alimentos destinados aos soldados, criando uma atmosfera de desconfiança constante. Essa estratégia não apenas causou danos físicos, mas também fomentou um senso de paranoia, enfraquecendo a coesão e a eficácia operacional das tropas americanas e sul-vietnamitas.

    Cativeiro brutal: O horror de ser um prisioneiro do Viet Cong. Ser capturado pelas forças norte-vietnamitas durante a Guerra do Vietnã representou um dos destinos mais atrozes para os soldados americanos. Sem uma declaração formal de guerra, os prisioneiros de guerra (POWs) eram vistos como invasores estrangeiros, o que justificava a brutalidade empregada contra eles.

    Os norte-vietnamitas usaram punições físicas severas não apenas como método de coerção para obter informações militares, mas também para forçar confissões de supostos crimes de guerra. Os métodos de tortura incluíam amarrar os braços ou pernas do prisioneiro com cordas até que fossem deslocados, mantê-los com os pés acorrentados em restrições de ferro por semanas e administrar espancamentos extremos que muitas vezes levavam à morte do prisioneiro.

    Essas práticas implacáveis destinavam-se a quebrar a resistência física e psicológica dos soldados americanos, deixando-os em um estado constante de desespero. Um dos casos mais emblemáticos é o do infame prisioneiro de guerra John McCain. Após sobreviver a um acidente aéreo em 1967, McCain foi capturado pelo Viet Cong e passou cinco longos anos em cativeiro. Seu tempo como prisioneiro foi marcado por tratamento brutal e tortura constante.

    Inicialmente, ele foi tratado por cirurgiões vietnamitas que causaram danos irreparáveis à sua perna, deixando-o com danos nervosos graves. Após uma recuperação parcial, McCain foi submetido a punições físicas a cada 2 horas por quatro dias consecutivos. Esse regime de tortura quebrou seu braço esquerdo e fraturou suas costelas, deixando cicatrizes visíveis e profundas, tanto físicas quanto psicológicas.

    A experiência de McCain não foi única; muitos soldados americanos enfrentaram situações semelhantes, onde a brutalidade de seus captores buscava não apenas infligir dor física, mas também destruir sua vontade de resistir. As condições desumanas nos campos de prisioneiros incluíam privação extrema, falta de cuidados médicos adequados e a constante ameaça de violência, exacerbando o trauma psicológico dos soldados.

    A guerra psicológica travada pelo Viet Cong teve um impacto duradouro nos prisioneiros. O medo constante de mais tortura e a incerteza sobre seu destino final criaram níveis elevados de estresse pós-traumático. McCain, por exemplo, mostrou sinais evidentes de trauma durante sua carreira política posterior, incluindo dificuldades físicas como mancar devido a cirurgias inadequadas e mobilidade limitada em seu braço, refletindo o sofrimento que suportou durante seu cativeiro.

    O legado desses abusos também influenciou a percepção pública da Guerra do Vietnã nos Estados Unidos. Histórias de prisioneiros maltratados e torturados alimentaram o crescente descontentamento e oposição à guerra, contribuindo para uma mudança na opinião pública e, eventualmente, para a retirada americana do conflito.

    Além dos danos físicos, a brutalidade dos norte-vietnamitas deixou profundas cicatrizes emocionais nos soldados. A exposição constante à violência e a incapacidade de reconhecer seus captores como seres humanos complexos exacerbaram o trauma psicológico, levando muitos a desenvolver transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e outros problemas de saúde mental que persistiram muito depois do fim da guerra.

    As histórias de soldados como John McCain são testemunhos poderosos da resiliência humana diante de adversidades extremas. Apesar do sofrimento e ferimentos, McCain emergiu como um símbolo de perseverança e compromisso, tornando-se uma figura proeminente na política dos EUA e defendendo a reconciliação e o entendimento entre as nações. Sua experiência pessoal destaca a magnitude da dor e da injustiça que muitos prisioneiros de guerra enfrentaram durante o conflito.

    Em conclusão, o tratamento brutal dos prisioneiros americanos pelo Viet Cong não apenas infligiu danos físicos devastadores, mas também deixou cicatrizes psicológicas profundas que afetaram os soldados por toda a vida. Essas táticas de tortura e abuso refletem uma estratégia de guerra psicológica projetada para enfraquecer o inimigo por dentro, deixando um legado de trauma e sofrimento que ressoa na memória coletiva da Guerra do Vietnã.

    Feridas invisíveis: O impacto psicológico da guerra. A guerra psicológica destaca-se como o eixo central do conflito do Vietnã, onde as forças americanas não apenas lutaram contra um inimigo tangível, mas também contra uma ameaça intangível que penetrou profundamente nas mentes dos soldados. O Viet Cong, com sua natureza invisível e elusiva, transformou cada dia de combate em uma batalha contra o desconhecido.

    Sem um rosto visível e misturando-se indistintamente com civis inocentes, o inimigo tornou-se uma presença constante de medo e paranoia. No meio da densa selva vietnamita, os soldados dos EUA enfrentaram o risco constante de cair em armadilhas explosivas sem aviso. Essas armadilhas, projetadas para infligir ferimentos graves ou morte, criaram uma sensação de insegurança perpétua.

    A incerteza sobre a proximidade de uma armadilha letal corroeu o moral e aumentou o estresse, levando muitos soldados a depender do uso de drogas como mecanismo de enfrentamento. Esse ambiente de ameaça constante afetou não apenas seu bem-estar físico, mas também a saúde mental das tropas, deixando cicatrizes que persistiriam muito depois do fim do conflito.

    O Viet Cong não focou apenas em danos físicos, mas também em desestabilizar a força mental dos soldados americanos. A propaganda desempenhou um papel crucial nessa estratégia. Os guerrilheiros distribuíram cartazes chamativos que apresentavam símbolos nacionais, como a flor de lótus, combinados com imagens de aviões americanos destruídos e a figura de Ho Chi Minh.

    Esses cartazes coloridos e vibrantes foram espalhados por áreas estratégicas, criando uma narrativa que confundia as tropas ao tornar difícil distinguir combatentes da FNL de civis comuns. Essa indistinguibilidade gerou uma sensação constante de ameaça, onde qualquer movimento poderia desencadear uma emboscada mortal.

    A desconfiança infiltrou-se nas fileiras dos EUA, pois cada soldado tinha que permanecer alerta não apenas ao inimigo visível, mas também à possibilidade de que um civil pudesse fazer parte do Viet Cong. Essa dualidade aumentou a tensão e o medo, dificultando a coesão e a eficácia operacional das tropas. O medo de ser capturado pela FNL tornou-se uma sombra persistente, mantendo os soldados em um estado constante de alerta e fadiga emocional.

    As cicatrizes psicológicas da guerra manifestaram-se em comportamentos erráticos e na diminuição do moral geral. Histórias de soldados que perderam a sanidade devido ao estresse extremo e medo constante eram comuns, ilustrando o impacto devastador da guerra psicológica. A incapacidade de distinguir entre amigos e inimigos, a suspeita constante e o medo do desconhecido minaram a confiança e a resiliência das tropas, enfraquecendo sua capacidade de lutar efetivamente.

    As coisas indescritíveis que o Viet Cong fez aos soldados americanos durante a Guerra do Vietnã deixaram uma marca profunda na história militar e na psique daqueles que participaram do conflito. Armadilhas mortais como estacas punji e armadilhas de arame, juntamente com o uso de criaturas venenosas e táticas de sabotagem, não apenas causaram baixas físicas significativas, mas também criaram um estado constante de medo e ansiedade entre as tropas dos EUA.

    Essas estratégias de guerra psicológica minaram o moral e a coesão dentro das forças, criando um ambiente onde cada passo poderia ser o último. O trauma psicológico resultante de enfrentar um inimigo tão engenhoso e implacável deixou cicatrizes duradouras nos soldados. Histórias como as de John McCain e Frank Harper exemplificam o sofrimento físico e emocional que muitos suportaram, refletindo como as táticas do Viet Cong afetaram profundamente os combatentes dos EUA.

    A incerteza constante e o medo de emboscadas inesperadas transformaram a selva vietnamita em um campo de pesadelos, onde a sobrevivência dependia tanto da força mental quanto da habilidade física. Essas experiências traumáticas não apenas influenciaram a vida dos soldados, mas também moldaram a percepção pública e as políticas militares subsequentes dos EUA. As táticas implacáveis do Viet Cong demonstraram uma compreensão avançada da guerra de guerrilha e uma capacidade excepcional de adaptação e superação de adversidades, deixando lições cruciais sobre a natureza do conflito assimétrico. E por coisas como essas, os militares dos EUA têm pesadelos lembrando os horrores e estratégias que enfrentaram em uma guerra onde o inimigo não era apenas formidável, mas também impiedosamente engenhoso.

  • MORAES CHOCA O PAÍS E ANUNCIA QUE VAI DECRETAR A QUEDA DE MARCOS DO VAL! O SENADOR SERÁ EXPULSO POR TRAIR O STF

    MORAES CHOCA O PAÍS E ANUNCIA QUE VAI DECRETAR A QUEDA DE MARCOS DO VAL! O SENADOR SERÁ EXPULSO POR TRAIR O STF

    Título: O SENADOR MARCOS DO VAL TRAI O STF E A POLÍTICA BRASILEIRA! A REAÇÃO DE MORAES SERÁ IMPACTANTE!

    O clima em Brasília e no Rio de Janeiro nunca esteve tão tenso! Nos bastidores do poder, um verdadeiro jogo de traições, acordos secretos e escândalos políticos está tomando conta do cenário nacional. A política brasileira nunca mais será a mesma depois dos acontecimentos que marcaram a traição de um senador ao STF e a tentativa de ressuscitar o nome de uma figura altamente polêmica para comandar o estado do Rio de Janeiro. Prepare-se, porque o que está por vir vai deixar todos de queixo caído!

    Tudo começou com o senador Marcos Duval, uma figura que já estava em apuros com a Justiça e que, ao invés de se afastar dos holofotes, fez exatamente o contrário: traiu a confiança daqueles que lhe ajudaram a escapar de uma situação delicada. O senador, que já havia sido alvo de medidas restritivas do ministro Alexandre de Moraes, incluindo a obrigatoriedade de usar tornozeleira eletrônica e ficar proibido de utilizar suas redes sociais, havia quebrado um dos maiores protocolos de segurança política do Brasil.

    Mas o que aconteceu para que Marcos Duval tomasse tal atitude? O que foi que o levou a agir assim, traindo quem lhe deu a mão quando ele mais precisou? A resposta não é simples e envolve acordos escusos, promessas não cumpridas e uma política de bastidores que só fortalece ainda mais o desencanto da população com os políticos de Brasília.

    O que mais choca, no entanto, é a reação de Moraes. O ministro, que havia se mostrado confiável ao retirar a tornozeleira eletrônica do senador, agora está armado com motivos ainda mais fortes para retomar as medidas restritivas contra o parlamentar. Como se não bastasse o ato de deslealdade de Duval, o que mais se observa é o enfraquecimento de Davi Alcolumbre, que, ao tentar proteger Marcos Duval, também se viu traído e exposto diante de toda a sociedade.

    Marcos do Val apresentou pedido de licença do mandato ao Senado, diz  decisão de Moraes

    O pior de tudo é o cenário que se desenha para o futuro. Com a decisão de Duval de descumprir o acordo feito com Alcolumbre e tentar retornar ao Senado, a situação ficou ainda mais explosiva. A política brasileira está à beira de uma nova crise institucional, com desconfianças, traições e alianças questionáveis ganhando cada vez mais espaço no cenário nacional. E o que mais se questiona é: até onde vai a confiança entre os membros do Congresso e o STF?

    Mas o escândalo não para por aí. Em outro front, o PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, tenta ressuscitar o nome de um dos maiores fiascos da gestão Bolsonaro: o ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuelo. A simples ideia de que um homem que gerenciou a crise da pandemia de forma tão desastrosa possa ser cogitado para comandar o estado do Rio de Janeiro é uma afronta à memória das vítimas da Covid-19. O caos que ele ajudou a criar na saúde pública durante sua gestão não pode ser esquecido tão facilmente!

    A política do antipetismo, por mais vazia e destrutiva que seja, ainda tem um poder imenso sobre uma parte significativa da população brasileira. Como é possível que alguém tão incompetente tenha sido o segundo deputado mais votado no Rio de Janeiro em 2022? A resposta está no abismo ideológico que divide o país e que, ao que parece, continua sendo alimentado por nomes como Pazuelo e Flávio Bolsonaro.

    Marcos do Val volta a criticar decisões de Moraes sobre seu mandato —  Senado Notícias

    Mas o que está por trás dessa manobra do PL? Será que eles realmente acreditam que Pazuelo tem chance de vencer a eleição no Rio, ou estão apenas utilizando sua figura polarizadora para manter a base bolsonarista mobilizada? A jogada do PL é, no fundo, uma tentativa de projetar figuras como Pazuelo e Flávio Bolsonaro para futuros cargos de relevância política. Uma estratégia de longo prazo que, se bem-sucedida, pode enfraquecer a oposição e garantir a continuidade do bolsonarismo no cenário político.

    Mas, como sempre, a política brasileira se reinventa a cada dia, com suas traições, manobras e especulações. O que está em jogo agora é o futuro do Brasil, e a população está cada vez mais indignada com os caminhos tomados pelos políticos. A sociedade não aguenta mais tanto escárnio, tanto desrespeito com as instituições e com a verdade. O momento de mudança pode estar mais perto do que imaginamos, mas será que teremos a coragem necessária para dar o primeiro passo?

    Do Val recusa "saída honrosa” do Senado: "Não negocio com bandido”

    Em Brasília, o jogo político continua, e a cada dia novas revelações e escândalos vêm à tona. O que podemos esperar para o futuro? Só o tempo dirá, mas uma coisa é certa: a política brasileira nunca mais será a mesma após esses acontecimentos explosivos. E você, está preparado para o que vem por aí?

  • O que Aconteceu com as Esposas dos Líderes Nazistas Após a Segunda Guerra Mundial?

    O que Aconteceu com as Esposas dos Líderes Nazistas Após a Segunda Guerra Mundial?

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    Quando as tropas americanas e soviéticas começaram a rastrear os líderes nazistas para levá-los a julgamento em Nuremberg, na maioria das vezes só conseguiam encontrar suas esposas. Os maridos estavam mortos ou haviam fugido do país. Um debate feroz seguiu-se sobre o que deveria ser feito com essas mulheres assustadas.

    Eram testemunhas, espectadoras inocentes, cúmplices ou perpetradoras? Todas alegaram inocência, desempenhando o papel de meras donas de casa devotadas que cuidavam de seus filhos e maridos. Em alguns casos, isso era verdade. Mas para a maioria delas, a realidade era muito mais sinistra.

    Essas mulheres estão entre as mais vis e impenitentes da história, as “Princesas Nazistas” que amavam criminosos de guerra alemães. Todas eram afiliadas ao partido nazista, às vezes muito antes de conhecerem seus cônjuges, e na maioria dos casos sobreviveram a eles, mantendo viva a chama do antissemitismo e do racismo. Saiba quais destinos trágicos aguardavam essas esposas, mães e amantes após o seu amado Terceiro Reich perder a Segunda Guerra Mundial.

    Bem-vindos às Memórias Marshall.

    Gerda Bormann, a esposa devotada do diabo. Nem todas as esposas de líderes nazistas eram nazistas. Gerda Bormann, no entanto, era absolutamente devotada à ideologia e ao partido de Adolf Hitler e foi sem dúvida a primeira “princesa nazista” da história.

    Ela nasceu em 1909 em Constança, numa família de entusiastas nazistas. Foi seu pai, Walter Buch, quem apresentou a jovem Gerda ao “Tio Adolf”. Se é que havia diferença, Gerda era mais fanática que seu pai, algo que se tornaria claro depois que ela se envolveu com um homem atarracado e de pescoço grosso chamado Martin Bormann, que era um recém-chegado relativo ao movimento, juntando-se ao partido em fevereiro de 1927.

    Ele foi brevemente um oficial de imprensa em sua área local antes de passar para a SA, a ala paramilitar do partido nazista. Foi aqui que ele entrou em contato pela primeira vez com o pai de Gerda. Gerda apaixonou-se loucamente por ele e os dois se casaram em 1929. Quando Hitler chegou ao poder em 1933, Bormann tornou-se chefe de gabinete de Rudolf Hess e mais tarde tornou-se secretário pessoal de Adolf Hitler, o ponto alto de sua carreira.

    Gerda não poderia estar mais orgulhosa de seu marido e também desfrutava das melhorias de vida que vinham com tal posição elevada, enquanto cuidava de nove filhos. De acordo com o ideal nazista, a invasão soviética pôs fim ao seu sonho. No entanto, à medida que o Exército Vermelho se aproximava de Berlim em 1945, Gerda fugiu com seus nove filhos. Ela aproveitou o caos, posando como diretora de um lar de crianças com quatro de seus filhos disfarçados de órfãos.

    Os outros cinco foram levados por Martin Bormann para facilitar essa fuga. Mas vendo que não tinha saída, ele tirou a própria vida mordendo uma pílula de cianeto. Seu corpo, no entanto, não seria encontrado até muito mais tarde. Portanto, no momento, os investigadores aliados não sabiam de sua morte.

    Enquanto isso, Gerda embarcou em um ônibus escolar com as crianças e conseguiu cruzar a fronteira para a Itália, parando no Tirol do Sul, onde foram recebidos pelo chefe regional nazista. Ele havia garantido um lugar para esconder todo o material sensível de Gerda e encontrou-lhes um lar em uma pequena aldeia em um vale a 48 km de Bolzano.

    Embora segura por enquanto, Gerda estava em terrível agonia. Sua cunhada, que havia feito a viagem com ela, observou que Gerda, que geralmente era uma pessoa muito quieta, agora não parava de reclamar de uma dor que sofria na parte inferior do corpo. Uma vez instalados em Bolzano, encontraram um médico italiano local que imediatamente reconheceu a gravidade de sua condição.

    Gerda sofria de estágios avançados de câncer de ovário e precisava de uma operação o mais rápido possível. A essa altura, os aliados estavam em seu rastro. Dois agentes de inteligência a rastrearam e informaram a unidade britânica estacionada na área. Tendo consultado o médico que diagnosticou Gerda, um major do exército britânico apareceu em sua porta. Gerda entrou em pânico, pensando que ele iria levá-la para um campo de concentração, mas o major garantiu-lhe que ela não estava em perigo. Em vez disso, ela foi direto para um hospital para prisioneiros de guerra em Merano.

    A cirurgia ocorreu, mas sem efeito. Enfrentando sua morte iminente, Gerda buscou consolo na religião e converteu-se ao catolicismo. Ela morreu em 23 de março de 1946, alguns meses antes de seu 37º aniversário.

    Magda Goebbels, a ávida leitora do “Mein Kampf”. Em 1º de maio de 1945, Magda Goebbels poderia ter invejado Gerda Bormann, que teve a sorte de fugir do país.

    Como se viu, ela nunca saberia o que aconteceu com Gerda. Johanna Maria Magdalena Ritschel nasceu em 1901 e passou a maior parte de sua infância em Bruxelas, mas foi repatriada para a Alemanha quando a Primeira Guerra Mundial eclodiu. Em 1921, ela casou-se com um rico industrial alemão chamado Günther Quandt, que tinha o dobro de sua idade na época. Em 1929, quando Quandt descobriu que ela havia sido infiel, ele decidiu terminar o casamento, deixando-a com uma pequena fortuna e um apartamento luxuoso em Berlim no processo. Enquanto estava em Berlim naquela época, era impossível ignorar os confrontos diários entre os nazistas e seus oponentes.

    Instigada por vários amigos, Magda participou de um grande comício nazista onde o orador principal era Joseph Goebbels. Além de Hitler, Goebbels era o orador público mais eficaz dos nazistas, incitando a audiência à medida que avançava, eriçado de agressão.

    Ele era extremamente inteligente e altamente educado, com um doutorado em literatura pela Universidade de Heidelberg. Mas ele também era um homem pequeno, tinha um pé torto e mancava pronunciadamente. Magda não prestou atenção a isso, mas sentiu-se atraída por sua voz e ideias. Ela imediatamente juntou-se ao partido e comprou uma cópia de “Mein Kampf” e “O Mito do Século XX”, uma mistura desconexa escrita pelo filósofo nazista Alfred Rosenberg.

    Magda rapidamente tornou-se líder do grupo local de mulheres nazistas, mas sua presença causou atrito com os outros membros que objetavam receber ordens de uma senhora tão superprivilegiada. Frustrada, Magda mirou mais alto e candidatou-se a um emprego no departamento de propaganda de Goebbels, onde ele não poderia deixar de notá-la.

    Impressionado pela óbvia classe e beleza de Magda, Goebbels pediu-lhe que assumisse a responsabilidade por seu arquivo privado, esperando que trabalhar tão perto tornasse mais fácil para ele seduzi-la. No final de fevereiro de 1931, Magda e Goebbels haviam começado a dormir juntos. Um relacionamento desenvolveu-se e, em abril, eles estavam fazendo planos para seu futuro juntos.

    O apartamento dela na Theodore-Heuss-Platz logo se tornou um dos principais locais de encontro para Adolf Hitler e outros oficiais nazistas. Isso trouxe alguns problemas aos Goebbels, pois Joseph ficou com ciúmes da atenção que Hitler dava a Magda. O fato de Magda também estar apaixonada por Hitler não fez bem ao casal. Mas também foi a principal razão pela qual ela se casou com Goebbels: para estar mais perto do Führer.

    Em 19 de dezembro de 1931, Goebbels e Magda, que já estava grávida, casaram-se em uma cerimônia civil seguida de um serviço religioso. Hitler foi o padrinho. Quando Magda lhe agradeceu com um beijo, os olhos dele estavam cheios de lágrimas. Em 1º de setembro de 1932, sua primeira filha, Helga, nasceu.

    Foi uma experiência angustiante para Magda, que depois se sentiu exausta e muito fraca. Seu médico explicou que o parto havia agravado uma condição cardíaca pré-existente dela, então ela deveria ter cuidado no futuro. Apesar disso, e antes de estar totalmente recuperada, ela engravidou novamente, mas sofreu um aborto espontâneo em dezembro. O casal passou aquela véspera de Ano Novo na casa de campo de Hitler em Obersalzberg.

    Essa foi uma má ideia, pois Magda contraiu uma infecção e desenvolveu uma febre terrivelmente alta. Ela sobreviveu, mas a partir desse ponto e até o fim de sua vida, ela seria seriamente limitada em seus movimentos. Durante a guerra, Magda treinou como enfermeira da Cruz Vermelha, apesar de seu coração fraco e saúde delicada, que a forçaram a passar longos períodos acamada em casa.

    Quando, no final de 1945, as tropas soviéticas entraram em Berlim, a família Goebbels mudou-se para um bunker subterrâneo que estava conectado ao bunker de Hitler. Na tarde de 30 de abril, encontraram-se com Hitler e Eva Braun pela última vez. Então Magda e Goebbels retiraram-se para seu próprio bunker para passar uma última ceia juntos.

    No dia seguinte, 1º de maio, o dentista da SS Helmut Kunz foi instruído a injetar morfina em seus seis filhos, um a um, para deixá-los inconscientes. Depois disso, uma cápsula de cianeto foi colocada na boca de cada uma das crianças e esmagada. Quando todas as crianças estavam mortas, Joseph e Magda saíram do bunker e foram para o jardim da chancelaria, onde também tiraram suas próprias vidas.

    Goebbels instruíra um oficial da SS a atirar em seus corpos para garantir que estivessem mortos e depois encharcar os corpos com gasolina e acendê-los. Seus restos carbonizados foram encontrados no dia seguinte pelas tropas soviéticas.

    Filosofia, literatura e assassinato em massa. A vida de Ilse Pröhl. Certa noite, a jovem e rica Ilse Pröhl encontrou um de seus vizinhos em Munique, um jovem alto vestindo um uniforme esfarrapado que se apresentou como Rudolf Hess. Ela ficou imediatamente impressionada com a aparência dele, as sobrancelhas grossas, os olhos fundos e a expressão assombrada.

    Ela sentiu-se instantaneamente atraída por ele. Se Hess, de 26 anos, teve uma reação semelhante é impossível dizer. De todos os nazistas sêniores, Hess era o mais enigmático. Ao longo de sua vida, ficaria claro que ele sofria de problemas mentais desde muito cedo.

    Ele também era um herói de guerra condecorado que havia sido ferido duas vezes em batalha. Ilse decidiu persegui-lo e eles começaram a passar tempo juntos. Tornaram-se bons amigos, pois seu caso era puramente platônico. Ainda virgem, Hess não mostrava absolutamente nenhum interesse em sexo. Nos anos seguintes, seu relacionamento careceu de uma dimensão física, o que frustrou Ilse.

    Em vez disso, cultivaram uma conexão espiritual baseada em seu amor compartilhado pela cultura alemã, especialmente os escritores e compositores românticos do final do século XVIII e início do século XIX. O escritor favorito de Ilse era Friedrich Hölderlin. No outono de 1920, Ilse havia concluído seus estudos secundários, começado um curso universitário de meio período em alemão e biblioteconomia e começado a trabalhar em um sebo de livros raros.

    Além de viagens ocasionais fora de Munique para visitar o campo, ela passava a maior parte de seu tempo livre trabalhando para o movimento nazista, entregando panfletos, colando cartazes, ajudando no jornal do partido e agindo como secretária de Hess enquanto ele se ligava a Hitler e colocava seu corpo em risco durante as frequentes brigas entre apoiadores nazistas e seus oponentes de esquerda.

    Em reconhecimento aos seus esforços, Ilse e Hess receberam o privilégio de estar perto de Hitler durante seu tempo livre. Eventualmente, Hess e Hitler tornaram-se muito bons amigos. Em 1923, Hess foi um dos soldados leais que lutaram ao lado de Hitler durante o fracassado Putsch da Cervejaria em Munique.

    Temendo a captura, Hess telefonou para Ilse para informá-la de que tentaria cruzar a fronteira para a Áustria, o que fez. Mais tarde, ele voltou à Alemanha para visitar Ilse, mas foi capturado e preso junto com Hitler e outros instigadores. Ilse nunca deixou de aparecer todos os sábados, quando a Hess eram permitidas 6 horas de visita.

    Hess valorizaria a lealdade de Ilse por toda a sua vida. Após a prisão de Hess, Ilse e Rudolf casaram-se em 1927 e seu único filho nasceu em 1937. A essa altura, Hess fora nomeado Ministro do Reich e passava longas horas trabalhando. Quando a guerra começou em 1939, ele tornou-se cada vez mais paranoico e sua saúde mental declinou até que, em 1941, decidiu voar sozinho para a Escócia na esperança de negociar um tratado de paz diretamente com o governo britânico.

    As autoridades britânicas colocaram-no em uma prisão para prisioneiros de guerra. E depois de descobrir as notícias, Ilse pegou seu filho e retirou-se para uma cidade chamada Hindelang para ficar longe de Munique e da fúria de Hitler contra Rudolf, que era considerado um desertor. Rudolf Hess foi um dos primeiros nazistas a ser processado e condenado nos julgamentos de Nuremberg.

    E em 3 de junho de 1947, Ilse Hess foi presa em Munique. Como todas as esposas dos criminosos de guerra condenados ou executados durante os julgamentos de Nuremberg, ela foi transferida para um campo de internamento em Göggingen. Em 24 de março de 1948, ela foi libertada e estabeleceu-se nos Alpes Bávaros, onde abriu uma pensão em 1955.

    Rudolf estava cumprindo prisão perpétua na prisão de Spandau, que ela visitava nos fins de semana. Ilse sempre fora uma nazista dedicada até sua morte aos 95 anos. Ela permaneceu leal a Hitler e suas visões e, após a guerra, tornou-se uma autora muito respeitada.

    Ela publicou um livro popular em 1952 e seguiu-o em 1954 com um livro intitulado “Rudolf Hess: Prisioneiro da Paz”, a primeira de uma série de coleções de sua correspondência com o marido. Após a morte dele em 1995, ele pediu para ser enterrado ao lado de sua esposa em Wunsiedel, Baviera.

    Margarete Himmler, a colaboradora silenciosa. Margarete Boden conheceu Heinrich Himmler durante uma viagem de trem de 3 horas de Munique para Berlim.

    Eles iniciaram uma conversa e, ao final da viagem, uma conexão havia sido feita. Tendo seguido caminhos separados, começaram a trocar cartas, um hábito quase diário que continuaria ao longo de seu relacionamento, em grande parte porque estavam mais frequentemente separados do que juntos. Margarete era 8 anos mais velha que Himmler.

    De uma família proprietária de terras confortável, ela tinha idade suficiente para se juntar à Cruz Vermelha Alemã em 1914 e tornar-se enfermeira. Após completar seu treinamento, foi enviada para um hospital de campanha. Logo após o fim da guerra, casou-se com Himmler. Seus planos de casamento dependiam de Margarete vender sua parte da propriedade que herdara e usar o dinheiro para comprar um terreno.

    Eles iriam se tornar fazendeiros. Essa era a ambição há muito acalentada por Himmler. Mas Hitler tinha outros planos para um de seus associados mais leais. Himmler teve uma carreira de sucesso no partido nazista, tornando-se chefe de polícia, líder da Waffen-SS e Ministro do Interior durante a presidência de Hitler.

    Himmler também foi responsável por supervisionar os programas de extermínio de judeus. Em maio de 1945, Himmler e Margarete separaram-se e prometeram encontrar-se novamente no exterior. Himmler foi capturado e mordeu uma cápsula de cianeto, morrendo quase instantaneamente. Margarete e sua filha Gudrun deixaram a cidade de Gmund à medida que as tropas aliadas avançavam na área.

    Após a invasão de Bolzano, Itália, pelo exército dos EUA em maio de 1945, Margarete e Gudrun foram presas. Foram mantidas em vários campos de internamento na Itália, França e Alemanha. Durante seu internamento, Margarete foi interrogada, mas ficou claro que ela não estava informada sobre os negócios oficiais de seu marido. Mais tarde naquele ano, ela foi chamada para testemunhar nos julgamentos de Nuremberg, onde também alegou inocência.

    Ela e Gudrun foram libertadas em novembro de 1946 do internamento. Refugiaram-se por um tempo na Instituição Bethel de Bielefeld. Margarete manteve que, embora tivesse sido esposa de Himmler, permaneceu longe dos holofotes. No entanto, o comitê aliado que monitorava suas ações estava convencido de que ela provavelmente apoiava os objetivos do partido nazista e endossava as ações de seu marido.

    Seu advogado insistiu durante o processo de apelação subsequente que Margarete não poderia ser responsável pelas ações de seu marido. Entre 1948 e 1953, Margarete esteve envolvida em três julgamentos diferentes. O resultado final foi que um juiz finalmente decidiu que ela não deveria ser responsabilizada pelos crimes de seu marido, apesar de não ter estado distante deles.

    Em 15 de janeiro de 1953, ela foi classificada como beneficiária do regime nazista e sentenciada a 30 dias de trabalho punitivo. Ela também perdeu seus direitos de pensão e o direito de votar. Sua filha Gudrun deixou Bethel em 1952 e, a partir do outono de 1955, Margarete viveu com sua irmã Lydia em Heepen. Margarete disse a Lydia que tudo o que esperava era uma vida tranquila e contentou-se em desaparecer na obscuridade. Foi exatamente isso que ela fez.

    E quando morreu em 25 de agosto de 1967, aos 74 anos, levou consigo todos os segredos de seu marido, incluindo todos os seus casos.

    Dormindo com o mal: Hedwig Potthast. De fato, como Margarete Himmler confessou certa vez a um dos interrogadores americanos, seu marido nunca fora muito fiel. Seu caso mais famoso foi com sua secretária de 26 anos, Hedwig Potthast.

    Nascida em 6 de fevereiro de 1912 de pais de classe média que a colocaram em uma escola secundária de alto nível onde aprendeu inglês. Hedwig subsequentemente obteve seu diploma no Instituto de Economia para Intérpretes em Mannheim. Formando-se em 1932, acabou conseguindo um emprego como balconista em um correio. Entediada e buscando um desafio, Hedwig candidatou-se a um cargo no departamento de imprensa da Gestapo no outono de 1935.

    Isso ainda não foi suficiente para satisfazer suas ambições e, em janeiro de 1936, ela tornou-se secretária pessoal de Himmler. Os amigos de Hedwig a chamavam de “Coelhinha” porque ela estava sempre amigável e otimista, duas coisas que Margarete Himmler nunca fora. Hedwig gostava de ginástica e remo. Era popular com seus colegas. Em outubro de 1937, juntou-se a outros membros da equipe para o aniversário de Himmler no Lago Tegernsee e foi bem-vinda à família SS.

    Como trabalhavam muito próximos, o relacionamento de Hedwig e Himmler desenvolveu-se e, em algum momento durante o Natal de 1938, admitiram seus sentimentos um pelo outro. Himmler discutiu seu caso diretamente com Hitler, que era famosamente avesso ao casamento, mas também ao divórcio. Ele recomendou que Himmler continuasse o relacionamento, mas secretamente.

    Por alguma razão, Himmler não fez isso. Em vez disso, disse à sua esposa em 1941 que tinha uma amante e que queria ter filhos com ela. Margarete ficou amargamente ressentida, mas mesmo assim aceitou o fato e continuou sendo a esposa de Himmler.

    Hedwig teve que renunciar às suas funções em 1941, e o partido nazista encontrou um lugar para ela viver na floresta de Mecklemburgo, cerca de uma hora ao norte de Berlim. Hedwig e Himmler tiveram dois filhos, um menino e uma menina. Em 1944, ele comprou para ela uma casa de campo perto de Berchtesgaden, onde o famoso “Ninho da Águia” de Hitler estava localizado. Lá ela levava uma vida bizarra.

    Uma vez ela foi visitada por Gerda Bormann e seus filhos. De acordo com Gerda, após o chá, Hedwig convidou todos para o sótão para ver “algo especial”. Móveis feitos de partes de corpos humanos. Hedwig explicou em detalhes o processo por trás da construção de uma cadeira cujo assento era uma pélvis humana e as pernas eram pernas humanas que se apoiavam em pés humanos reais.

    Hedwig também tinha cópias de “Mein Kampf” encadernadas com pele humana que havia sido descascada das costas de prisioneiros de Dachau. Gerda lembrou que Himmler tentou dar a Bormann uma edição similarmente única de “Mein Kampf”, mas ele recusou-se a aceitar. Gerda disse que era “demais para ele”.

    Após a Segunda Guerra Mundial, Potthast casou-se novamente e viveu o resto de sua vida fora dos olhos do público. Em entrevistas pós-guerra, absteve-se de responder perguntas sobre o envolvimento de Himmler em crimes de guerra cometidos pelos nazistas ou sobre seu próprio conhecimento deles. Quando soube da morte de Himmler no rádio, escondeu-se, vivendo temporariamente com Eleonore Pohl em Rosenheim, Alta Baviera.

    Ela foi presa no mesmo ano por membros do Exército dos EUA e interrogada por vários dias em Munique. Alegou inocência completa e não foi processada pelo resto de sua vida. Ela permaneceu quieta sobre seu envolvimento com Himmler e longe da imprensa.

    Quando a filha de Himmler, Gudrun, descobriu sobre ela e sobre seus meio-irmãos, tentou fazer contato com eles, mas Hedwig recusou. Pouca informação sobre sua vida pós-guerra é conhecida, além do fato de que ela morreu em 22 de setembro de 1994, aos 82 anos, na cidade de Baden-Baden.

    Gudrun Himmler, a neonazista de rosto angelical. A terceira garota Himmler era Gudrun, filha única de Heinrich e Margarete.

    Ela era famosa entre os conhecidos de seu pai porque todos pensavam que ela encarnava o ideal da raça alemã pura com seus cabelos loiros trançados e seus traços faciais delicados. Como filha única de uma das famílias mais proeminentes do gabinete nazista, ela desfrutou de uma infância luxuosa e feliz até o fim da guerra.

    Assim como outras princesas nazistas, ela e sua mãe tentariam passar despercebidas pela fronteira sul para o Tirol do Sul. Mas, como explicado antes, em 13 de maio de 1945, Margarete e sua filha foram descobertas no Tirol e levadas sob custódia pelos Aliados. Passaram duas noites em um hotel administrado por americanos perto de Bolzano, uma noite em Verona, voaram para Florença e terminaram sua jornada em um campo e centro de interrogação administrado pelos britânicos perto de Roma, onde eram as únicas prisioneiras mulheres.

    De Roma, ela e Gudrun foram transportadas para Nuremberg. Na chegada, Margarete foi revistada e um frasco de cianeto de potássio foi encontrado costurado no enchimento do ombro de seu casaco. Margarete e Gudrun foram colocadas em uma cela nua com duas tábuas como camas.

    Reconhecendo que a prisão de Nuremberg não era exatamente um ambiente ideal para uma adolescente, o Coronel Andrus do Exército dos EUA tentou tornar o tempo de Gudrun lá o mais normal possível. No entanto, Gudrun foi interrogada em 22 de setembro de 1945. Perguntaram-lhe sobre seu último encontro com o pai e se ela viajou muito durante os anos de guerra. A disciplinada e angelical Gudrun respondeu que passara os últimos 5 anos em casa ou na escola.

    Ela falou brevemente sobre sua visita à plantação de ervas de Dachau e, quando questionada se seus pais haviam discutido seus planos pós-guerra ou qualquer outra coisa significativa, a resposta de Gudrun foi que eles nunca lhe contaram nada. Os interrogadores acreditaram nela.

    Após a guerra, Gudrun casou-se com o propagandista e autor de extrema-direita Wulf-Dieter Burwitz, que mais tarde se tornou funcionário do partido na seção bávara do Partido Nacional Democrata de extrema-direita ou NPD. Agora transformada em uma princesa nazista genuína, Gudrun tornou-se uma defensora de causas de extrema-direita. Ela encontrou validação entre as fileiras da “Silent Help” (Ajuda Silenciosa), uma organização que ajudava ex-membros da SS.

    Ela trabalhou incansavelmente em nome da organização por mais de 40 anos e seus membros a tratavam com um grau de respeito e admiração que beirava a reverência. Ao mesmo tempo, Gudrun ajudou a criar um grupo neonazista mal legalizado para sua própria geração chamado “Juventude Viking”.

    Em 1958, Gudrun participou de uma reunião de veteranos da SS e simpatizantes realizada na Áustria, perto de um antigo sítio celta nas profundezas das florestas da Boêmia. Gudrun foi a convidada de honra no que se tornaria uma celebração anual das conquistas de seu pai. De 1961 a 1963, ela trabalhou sob um nome falso como secretária para o Departamento de Inteligência da Alemanha Ocidental ou BND.

    Na época, a agência era chefiada por Reinhard Gehlen, um general recrutado pelos americanos que contratou, entre outros, ex-nazistas para trabalhar para o BND com base em suas conexões e experiência com a Europa Oriental e atividades anticomunistas. Gudrun morreu em 2018, agarrada à crença de que Himmler não fizera nada de errado.

    Hedwig Höss, mais do que apenas uma dona de casa. Não se sabe muito sobre Hedwig, esposa de Rudolf Höss, comandante dos campos de extermínio de Auschwitz, além do fato de que ela sempre foi uma mulher muito reservada e quieta.

    Sua vida entrou em escrutínio recentemente, pois foi o tema principal do filme premiado de Jonathan Glazer, “The Zone of Interest”. Lá ela é retratada como uma típica dona de casa alemã que estava encarregada de uma grande casa enquanto seu marido trabalhava longas horas. Ela nasceu em 1908 em Neukirch, Alemanha, tornando-a uma das princesas nazistas mais jovens da Segunda Guerra Mundial.

    Aos 21 anos, ela se envolveu para sempre com um dos capítulos mais sombrios da história humana através de seu casamento com Rudolf Höss. O casal estabeleceu-se e teve cinco filhos: Klaus, Heidetraut, Inge-Brigitt, Hans-Jürgen e Annegret. Enquanto cuidava das crianças, acompanhou a ascensão meteórica de seu marido nas fileiras do partido nazista, até ele ser nomeado comandante de Auschwitz em 1940.

    A família mudou-se para uma vila localizada a poucos quilômetros do campo, um contraste gritante de domesticidade e barbárie inimaginável. Por essa razão, historiadores ainda debatem até que ponto ela estava realmente ciente dos horrores que aconteciam literalmente ao lado de sua casa.

    Alguns afirmam que ela permaneceu felizmente ignorante, protegida por seu marido e pelas armadilhas de uma vida privilegiada dentro da hierarquia nazista. Outros, no entanto, sugerem rachaduras nessa fachada. Muitos sobreviventes do campo testemunharam ter visto Hedwig a cavalo perto do campo, e alguns relatos afirmam que ela recebeu presentes de peles e joias potencialmente saqueadas de vítimas.

    Se ela escolheu não saber ou participou ativamente de uma ignorância intencional para manter uma vida confortável é uma pergunta difícil de responder. À medida que as forças aliadas se aproximavam da Alemanha em 1945, Höss tentou desaparecer. Hedwig, no entanto, ficou para trás com seus filhos. Ela pensou que pareceria suspeito se fugisse e escolheu, em vez disso, ficar em casa e fingir ignorância. Ela acabou sendo capturada e interrogada pelos britânicos.

    Seu depoimento oferece pouca percepção, deixando historiadores lutando com a extensão de seu conhecimento. Essa estratégia evidentemente valeu a pena, pois Hedwig Höss nunca foi acusada de nenhum crime. Ela nem sequer disse aos seus próprios filhos que o pai deles havia sido enforcado em Auschwitz. Sua filha Inge-Brigitt Höss mudou-se para a Espanha de Franco, onde trabalhou como modelo de moda e conheceu seu futuro marido.

    Juntos, mudaram-se para os Estados Unidos, onde acabaram se estabelecendo em Arlington, Virgínia. Foi durante uma visita a Inge-Brigitt que Hedwig Höss morreu em 15 de setembro de 1989. Ela foi enterrada sob uma lápide anônima que diz apenas a palavra “Mutti”, que significa mamãe em alemão.

    A maior fã de Hitler, Lina Heydrich. Enquanto Hedwig Höss sempre fora reservada sobre suas próprias visões políticas, outras princesas nazistas eram muito mais vocais em sua rejeição de judeus e povos racialmente inferiores. Uma das jovens que se reuniram sob a bandeira de Hitler no início dos anos 1920 foi a adolescente Lina von Osten, cujo irmão mais velho já era um apoiador nazista confirmado. Ele pediu à jovem Lina que o acompanhasse a uma reunião do partido, e isso foi tudo o que ela precisou para se convencer da superioridade das ideias de Hitler.

    Ela estava especialmente interessada no fato de que o movimento de Hitler era voltado para os jovens, ao contrário do resto da antiga política prussiana. Ela também era uma antissemita notável. Ela decidiu mudar sua vida e abandonou sua casa de família na ilha de Fehmarn, muito perto da Dinamarca. Lina vinha de uma família rica cuja fortuna diminuiu durante a hiperinflação do início dos anos 1920.

    Tendo decidido tornar-se professora, Lina dirigiu-se ao porto continental de Kiel para completar seu treinamento em uma escola técnica de ensino médio, ficando em uma pensão para estudantes do sexo feminino. Ao se aproximar do final de seu curso, Lina e alguns amigos compareceram a um baile em 6 de dezembro de 1930.

    E foi durante o que de outra forma seria uma noite monótona que Lina conheceu o oficial naval de 27 anos Reinhard Heydrich. Heydrich era alto, loiro, com corpo de atleta e sem dúvida impressionante em um uniforme, mas ele também tinha uma cabeça anormalmente grande, olhos estreitos, boca pequena e orelhas de abano. Lina achou-o intrigante e concordou com um encontro no dia seguinte.

    Além da poderosa atração física entre eles, Lina e Heydrich compartilhavam algumas características-chave. Ambos estavam fixados em escapar de suas origens e forjar um destino diferente para si mesmos. Eram teimosos e extremamente ambiciosos e sentiam que a maioria das pessoas eram seres inferiores. Lina era uma nazista fervorosa antes de conhecer Heydrich e frequentemente reclamava que seu marido nem sequer tinha lido “Mein Kampf”.

    Quando ele foi dispensado da Marinha por conta de seu relacionamento com Lina, ela o instou a se juntar à recém-criada SS. Após uma reunião com o próprio Himmler, ele foi contratado na hora para atuar como chefe do serviço de inteligência da SS. Ele teria uma carreira de sucesso na SS, mas foi assassinado durante a guerra por seu papel na ocupação da Tchecoslováquia.

    Lina Heydrich foi interrogada após a guerra, mas apesar de seu óbvio compromisso com a causa nazista, nenhum crime pôde ser imputado a ela, então ela foi inocentada. Mais tarde, ela abriu uma série de processos judiciais contra o governo da Alemanha Ocidental em 1956 e 1959, garantindo-lhe o direito de receber uma pensão.

    Como seu marido, apesar de ser um criminoso de guerra, fora um general da polícia alemã morto em ação, ela tinha direito a uma pensão substancial. Na Tchecoslováquia, Lina foi julgada à revelia e sentenciada à prisão perpétua, mas isso nunca foi cumprido. Ela casou-se novamente em 1965 com um dramaturgo e diretor de teatro finlandês que morreu tragicamente 4 anos depois.

    Lina continuou a viver até 1985, tendo publicado vários livros e artigos de jornal onde defendia seu falecido marido.

    As duas esposas de Hermann Göring. Hermann Göring é o único homem nesta lista a ter se casado duas vezes. Oficiais nazistas tinham que seguir um código de conduta rigoroso, o que significava que precisavam manter seus casos privados e, se casassem com alguém, o divórcio nunca era uma opção. Por causa da origem de elite de Göring, Hitler considerava-o um ativo valioso.

    Ele podia abrir portas para a elite militar e a aristocracia. Estes eram corretores de poder locais que poderiam ajudar Hitler a realizar sua ambição imediata de usar Munique como ponto de partida de uma revolução nacional. Quando foram apresentados no final de 1922, o próprio Hitler convidou Göring para se juntar ao movimento.

    Göring não estava particularmente convencido das ideias de Hitler, mas estava profundamente comovido pela capacidade do Führer de mobilizar as massas. Nesse sentido, o incipiente partido nazista oferecia a Göring uma oportunidade de ser um peixe grande em um lago pequeno. Mas foi a nova esposa sueca de Göring, Carin, quem selou o acordo. Já uma antissemita confirmada, Carin adorava o chão em que Hitler pisava.

    Para ela, Hitler era como um super-herói mítico de uma lenda nórdica. Carin fez tudo ao seu alcance para cimentar o relacionamento entre os dois homens, e teve sucesso, pois Göring tornou-se um dos principais membros do partido nazista, criando mais tarde a Gestapo e sendo nomeado comandante-chefe da Luftwaffe, a força aérea da Alemanha.

    Göring sempre se lembraria de quão apoiadora sua primeira esposa tinha sido de sua carreira nas fileiras nazistas. A romântica história de amor de Carin e Göring foi usada pela máquina de propaganda de Goebbels, e o casal se mostrava junto pelo país para impulsionar a popularidade do partido nazista.

    Mas Carin era doente, sofrendo de tuberculose no início dos seus 40 anos, quando sua mãe, Huldine Fock, morreu inesperadamente em setembro de 1931. Foi um grande choque para a Carin de 42 anos. Embora sua saúde ainda estivesse frágil, ela foi para a Suécia para o funeral de sua mãe, mas sofreu um ataque cardíaco no dia seguinte em Estocolmo. Göring foi informado e juntou-se a ela lá imediatamente, ficando ao seu lado até que ela morreu de insuficiência cardíaca em 17 de outubro de 1931, 4 dias antes de seu 43º aniversário.

    Göring continuou a subir nas fileiras do partido nazista, pois era o que Carin teria desejado. Durante uma de suas turnês, conheceu a atriz de 38 anos Emmy Sonnemann. Emmy era o oposto de Carin em tudo, exceto na beleza. Emmy gostava de se retratar como uma artista sem sentimento pela política e alegava que fazia o seu melhor para evitar discutir o trabalho de Göring.

    Ela ficava muito mais feliz conversando com ele sobre teatro, livros, pinturas e relacionamentos humanos. Ela queria ser atriz desde que viu uma produção de “O Mercador de Veneza” quando tinha 12 anos. Seu pai, um empresário rico que possuía uma fábrica de chocolate, era contra sua carreira de atriz, mas sua mãe era mais compreensiva.

    Apesar de seu fingido desinteresse pela política, Emmy Göring foi apelidada de “Primeira Dama do Terceiro Reich”. Graças aos contatos de Göring e à máquina de propaganda de Goebbels, Emmy tornou-se uma das atrizes mais respeitadas e conhecidas do Reich. Como Göring e Carin antes, agora Göring e Emmy eram o primeiro casal do Reich. Mas isso também selou seu destino.

    Lina Heydrich pode ter sido uma nazista convicta, mas apesar de seu desinteresse pela política, o alto perfil de Emmy rendeu-lhe uma condenação a um ano de prisão após a guerra, e ela teve 30% de seus bens confiscados pelo governo Aliado. Ela também foi banida do palco por 5 anos.

    Alguns anos após sua libertação da prisão, Emmy Göring estabeleceu-se em um apartamento muito pequeno na cidade de Munique e permaneceu lá pelo resto de sua vida.

    O amor tóxico de Hitler, Eva Braun. Em 1930, Adolf Hitler pediu ao seu associado próximo, Martin Bormann, para se encontrar em segredo. Ele tinha uma coisa importante para lhe perguntar. Uma vez a sós, Hitler deu-lhe uma tarefa que exigia segredo e discrição.

    Ele pediu a Bormann para verificar a ascendência de uma garota de 17 anos que Hitler conhecera no estúdio fotográfico de Heinrich Hoffmann, onde ela trabalhava como assistente. Hitler simpatizara com ela e queria saber se ela era de boa estirpe ariana. Após completar uma investigação minuciosa, Bormann pôde confirmar que Eva Braun não tinha uma gota de sangue judeu.

    Hitler ficou aliviado. O único problema era que Hitler já tinha um relacionamento romântico, embora tóxico, com sua meia-sobrinha, Geli Raubal. Geli tinha apenas 22 anos na época, enquanto Hitler era 20 anos mais velho que ela. Ele era extremamente protetor com ela, fazendo Geli sentir-se controlada e sob vigilância.

    Depois de 1927, quando Hitler soube de um caso que ela teve com um motorista, determinou que ela não ficaria sozinha com nenhum homem além dele. Isso foi devastador para a pobre Geli, que não sabia o que fazer. Na noite de 18 de setembro de 1931, enquanto Hitler estava em Nuremberg, Geli pegou a arma que ele lhe dera para proteção, colocou o cano contra o peito e disparou. Ela caiu no chão sangrando lentamente até a morte.

    Hitler sentiu-se devastado, mas com Geli fora de cena, estava livre para perseguir um relacionamento com Eva. Hitler tinha fortes sentimentos contra o casamento. Então, até o final de suas vidas, ele negou essa possibilidade a Eva, que pediu para se casar em várias ocasiões. Eva encarnava o ideal de feminilidade natural de Hitler.

    Uma verdadeira loira, ela era atlética e esportiva. Praticava ginástica e natação e mantinha-se em forma. Ela não tinha quase nenhum interesse em política ou no estado da nação. Tinha poucas pretensões e era refrescantemente de espírito livre. Ela era emocionalmente imatura e fácil para Hitler manipular.

    Do ponto de vista dela, Hitler era cortês, muitas vezes encantador, indulgente e atencioso. Enquanto a fama crescente dele a lisonjeava e excitava, Eva ainda não havia compreendido o quão cruel e indiferente Hitler podia ser com aqueles que ousavam se aproximar dele. Em 1932, ela estaria profundamente ciente de seu desinteresse.

    Tendo se entregado a Hitler, Eva esperava incessantemente que ele lhe desse alguma atenção. Mas Hitler mal esteve em Munique durante aquele ano. Mesmo quando estava, tinha muito pouco tempo para ela. Eva levou suas ausências e silêncios para o lado pessoal como um sinal de rejeição. A ansiedade virou desespero. Como Geli antes dela, ela tinha sua própria pistola.

    Deixando um bilhete de despedida rabiscado, ela colocou a arma no pescoço e puxou o gatilho. A bala alojou-se em seu pescoço, errando por pouco a artéria. Sangrando profusamente, Eva conseguiu chamar um médico que veio imediatamente e a levou para o hospital, onde a bala foi removida com sucesso. Se isso foi um pedido de atenção ou uma tentativa honesta de tirar a própria vida, funcionou.

    Hitler ficou chocado e agiu. Jurou que cuidaria melhor dela. Eva sofreria muito com as ausências de Hitler. Ele frequentemente esquecia o aniversário dela e cancelava compromissos no último minuto. Apesar disso, Eva permaneceria ao lado do Führer até o fim amargo.

    Após a tentativa de vida de Eva, Hitler fez de tudo para acomodá-la. Em agosto de 1935, alugou um apartamento de três quartos para Eva e sua irmã. No mês de março seguinte, Hitler comprou para ela uma vila de dois andares e um carro novo. Mais importante para Eva, deram-lhe o quarto adjacente ao de Hitler no Berghof. Levou um tempo, e houve restrições contínuas à sua liberdade de movimento. Mas no Berghof, ela floresceu. Durante os dias finais da guerra, enquanto o exército soviético se aproximava rapidamente de Berlim, Hitler, Eva e outros comandantes nazistas retiraram-se para bunkers subterrâneos, sentindo o fim se aproximar. E como sinal de apreço pelos muitos anos de apoio inabalável de Eva, Hitler concedeu-lhe um desejo antigo dela.

    Hitler fez seu secretário pessoal, Martin Bormann, conduzir uma pequena cerimônia civil onde se casou com Eva. A cerimônia ocorreu em um ambiente de concreto fechado. Não importava. No dia seguinte, estariam mortos. Eva passou o resto de seu dia de casamento dizendo os últimos adeus àqueles que restavam no bunker.

    À medida que notícias da execução pública de Mussolini começaram a chegar ao bunker, não havia fuga aparente. Foi então que Hitler sentou-se ao lado de Eva e discutiu suas decisões finais. Fizeram um pacto para acabar com a vida um do outro, com o qual ela concordou. “Não havia sentido em viver”, alegou ela, se ele não estivesse ao seu lado.

    Como é de conhecimento público, os detalhes em torno das mortes reais de Hitler e Eva Braun não são claros. É comumente aceito que Hitler atirou na própria cabeça depois de testemunhar Eva ingerindo uma cápsula de cianeto. Soldados da SS haviam sido instruídos a carregar os corpos para fora, encharcá-los em gasolina e atear fogo neles. Os restos deveriam ser enterrados em uma cova rasa no jardim da chancelaria.

    No dia seguinte, quando tropas soviéticas invadiram o bunker, encontraram os cadáveres carbonizados e secretamente os levaram de volta para a União Soviética sem nunca confirmar publicamente que pertenciam a Hitler e Eva Braun. Por essa razão, pensou-se por muito tempo que tanto Hitler quanto Eva haviam de alguma forma escapado de Berlim e fugido para a América do Sul ou outro lugar.

    Apenas muito mais tarde, na década de 1970, os soviéticos reconheceram ter levado os corpos de Hitler e Eva. Embora naquela época não houvesse mais restos disponíveis para estudo, pois haviam sido completamente destruídos. Uma das últimas coisas que Eva fez antes de chegar ao fim de sua vida foi escrever uma carta. Nessa carta dirigida à sua irmã Gretl, ela relembrou sua vida e concluiu que tinha sido uma vida feliz.

    Entre as coisas que a faziam feliz, disse ela, estava poder morrer ao lado do Führer e ser poupada dos horrores que viriam para ela, a mulher mais conspícua do Terceiro Reich. Eva deslizou a carta em um envelope e deu-a a Hanna Reitsch, uma mulher aviadora heroína que também estava entre as últimas pessoas a ver Hitler vivo, pois era casada com seu médico pessoal.

    A jornada de Gretl Braun do estrelato à obscuridade. Perto do fim da guerra em 1944, um dos protegidos de Himmler, Hermann Fegelein, um oficial de cavalaria da SS arrojado mas sádico, casou-se com uma jovem chamada Gretl Braun. Seis meses depois, enquanto o exército soviético se concentrava nas fronteiras do Reich, Fegelein desertou Gretl e preparava-se para fugir de Berlim com outra mulher e algumas barras de ouro roubadas quando foi apreendido pela SS e executado. Gretl, grávida na época, implorou a Eva pela vida de seu marido, mas sem sucesso.

    Fegelein foi executado poucas horas antes de Hitler e Eva cometerem suicídio. Gretl fazia parte do círculo íntimo de Hitler desde 1930, quando ela e sua irmã conheceram o Führer. Imediatamente tornaram-se visitantes frequentes das muitas residências de Hitler. A vida inicial de Gretl fora confortável.

    Seu pai, Friedrich Braun, era professor escolar, e a família desfrutava de uma existência de classe média. Ela sempre teve um relacionamento próximo com sua irmã mais nova, Eva, e ambas eram conhecidas por sua beleza e personalidades extrovertidas. Após a guerra, Gretl enfrentou as duras realidades de um regime caído. Foi ostracizada por sua associação com os nazistas e lutou para reconstruir sua vida.

    Ela deu à luz uma filha, Eva Barbara, nomeada em homenagem à sua irmã falecida. Gretl escolheu uma vida de obscuridade tranquila. Raramente falava sobre seu passado, talvez sobrecarregada pelo peso do legado de sua família. Trabalhou como secretária e eventualmente casou-se novamente em 1958, adotando o nome Gretl Braun-Berlinghoff. Sua filha Eva Barbara perdeu tragicamente o namorado em um acidente de carro em 1975, após o qual tirou a própria vida.

    Gretl Braun faleceu em 1987, deixando para trás uma vida marcada para sempre, como muitas das mulheres nesta lista, por sua proximidade com algumas das figuras mais monstruosas da história. Como no caso das outras chamadas “princesas nazistas”, pode-se argumentar que eram jovens na época e simplesmente desfrutavam da vida de luxo ligada a estar perto de homens poderosos. Mas isso seria enganoso.

    A verdade é que a maioria dessas mulheres, Gretl e Eva incluídas, eram cúmplices e muitas vezes colaboradoras nos empreendimentos criminosos dos nazistas. Longe de serem donas de casa inocentes, essas 12 princesas nazistas eram todas antissemitas convictas e supremacistas raciais.

    Muitas vezes apoiavam seus maridos, discutiam com eles as atrocidades que perpetravam no campo de batalha e nos campos de extermínio, e até os pressionavam a ir mais longe. Depois que a guerra terminou, algumas como Eva Braun e Magda Goebbels tiraram suas próprias vidas, enquanto outras enfrentaram prisão como cúmplices dos muitos crimes de guerra de oficiais nazistas.

    Qualquer que fosse o caso, uma coisa é certa, e é que essas mulheres foram em parte responsáveis por alguns dos piores crimes na história da humanidade.

  • O céu ganhou um anjo — nossa doce Sasha.

    O céu ganhou um anjo — nossa doce Sasha.

    Esta manhã, o mundo se acalmou.

    Sasha — brilhante, corajosa e infinitamente gentil — deu seu último suspiro nos braços daqueles que mais a amavam.

    Antes de falecer, ela pediu para ser abraçada com força — e depois ainda mais forte — como se soubesse que, naquele abraço, sua alma encontraria forças para se libertar.

    E quando seu último suspiro chegou, foi suave.
    Suave.
    Como um sussurro entre duas batidas do coração.

    Sua mãe a abraçou com força, com medo de soltá-la sequer um centímetro.

    O peso do corpo de sua filha, ainda quente, ainda ali, ainda dele.

    Sair daquele quarto de hospital sem Sasha nos meus braços foi como acordar de um sonho, subitamente petrificado.

    Foi como uma traição — como se ela estivesse abandonando Sasha.

    Como se sua filhinha ainda estivesse ali deitada, esperando seu retorno.

    Depois que sua alma deixou seu corpo frágil, eles se deitaram ao lado dele, observando o calor desaparecer de suas bochechas.

    Eles ficaram até o final – até Sasha ter que se arrumar – segurando suas mãozinhas, passando os dedos sobre os dela uma última vez.

    Eles só queriam mais alguns minutos.

    Mais algumas respirações.
    Mais alguns segundos em que o mundo ainda parecia intocado.

    Sasha pediu que eles lutassem – e eles lutaram.


    Com tudo.
    Com todos os remédios.
    Com toda a esperança.

    Cada grama de força que o amor pudesse reunir.

    Quimioterapia.
    Nova imunoterapia.
    Medicina integrativa.

    Tentaram todos os tratamentos que ofereciam o mínimo de esperança.
    Mas, em poucos dias, seus tumores cresceram.

    Eles mudaram de estratégia mais uma vez – uma nova imunoterapia direcionada, duas novas quimioterapias – na esperança de que a ciência pudesse, de alguma forma, superar a velocidade da doença.


    Mas o exame seguinte foi implacável.
    Os tumores haviam se espalhado para o fígado, rins, pâncreas e até mesmo para o sistema linfático, envolvendo cruelmente seus pulmões e esvaziando seu peito de ar.

    No entanto, Sasha nunca desistiu.
    Ela sorria sempre que podia.

    Ela murmurava “obrigada” após cada injeção.
    Tentava confortar as pessoas que deveriam confortá-la.

    Quando sua respiração se tornou superficial e seus níveis de CO₂ começaram a subir, seu cérebro, num último ato de misericórdia, a protegeu da dor.
    Durante a última semana de sua vida, ela não sentiu sofrimento.

    Sem sofrimento.

    Sem medo.
    Ela não precisava mais de analgésicos fortes.
    Sua morte, após tantas noites de sofrimento insuportável, veio suave e misericordiosamente, como um sono profundo.

    E isso, segundo sua família, foi um presente.

    O fim mais sereno que uma doença tão cruel poderia oferecer.

    Sasha era um milagre envolto em fragilidade.
    Seu corpo era pequeno e frágil, mas seu espírito, invencível.

    Ela ardia com um fogo que nem mesmo o câncer conseguiu extinguir.

    Uma luz que brilhava em todas as noites escuras, entre as paredes do hospital e as orações da meia-noite.

    “Nossos filhos”, murmurou sua mãe, “são os guerreiros mais ferozes desta terra.”


    “Eles suportam aquilo que pensamos que deveria destruí-los, lembrando-nos de que a força da alma é ilimitada.”

    Sasha ensinou a todos ao seu redor o verdadeiro significado de coragem: não a ausência de medo, mas a escolha de continuar sorrindo apesar de si mesma.
    Ela enfrentou cada dia com uma graça incrível, agarrando-se ao amor mesmo quando seu corpo a traía.

    É uma verdade cruel: Sasha lutou contra tratamentos concebidos na década de 1950.
    Seus pais a viram suportar o inimaginável e não puderam deixar de se perguntar: e se?

    E se crianças como ela tivessem acesso a terapias modernas e direcionadas?

    E se a ciência tivesse progredido mais rápido, sido mais justa, mais compassiva? E se o brilho e o riso de Sasha tivessem durado mais tempo?

    A dor desses “e se” nunca desaparecerá.

    Elas ressoarão em cada batida do coração, em cada nascer do sol, em cada manhã calma quando o mundo parecer demasiado imóvel.

    “Oh, minha filhinha”, murmurou sua mãe naquela manhã,
    “o relógio não mede mais o tempo, apenas a distância entre nós.”

    “Contarei os minutos. Sofrerei por você. Até nosso próximo encontro.”

    O corpo de Sasha desapareceu, mas sua presença permanece.

    Em cada canto da casa onde ela costumava rir.

    No leve aroma do seu xampu no travesseiro.
    Nos desenhos colados na geladeira, no livro de colorir inacabado, nos sapatinhos perto da porta.
    Ela está em todo lugar e em lugar nenhum: uma alma grande demais para um só lugar, radiante demais para uma única vida.

    Sua partida deixou um silêncio repleto de amor.

    Um silêncio que carrega sua memória como o vento nas folhas.
    E nesse silêncio, sua família encontra a mesma força que Sasha demonstrava em cada batalha: uma força silenciosa, constante e inabalável.

    Eles continuarão, como ela teria desejado.


    Eles amarão mais profundamente, rirão mais alto e nunca mais darão o nascer do sol como garantido.
    Porque Sasha, mesmo em seus momentos finais, mostrou a eles o que significa viver plenamente, amar profundamente e partir com delicadeza.

    Ela desapareceu da vista, mas não da alma.
    Sua luz permanece: intensa, bela, eterna.

    🕊️Descanse em paz, querida Sasha. Você lutou com graça. Você amou sem medo. Você jamais será esquecida.

  • MICHELLE HUMILHOU BOLSONARO E FILHOS! Ela venceu e Flávio pede desculpas

    MICHELLE HUMILHOU BOLSONARO E FILHOS! Ela venceu e Flávio pede desculpas

    Michelle Bolsonaro destruiu os filhos de Bolsonaro, mas principalmente o Flávio. Na verdade, Michele, ela acabou humilhando o Flávio Bolsonaro, que foi se encontrar com o pai lá na prisão para que Bolsonaro desse um enquadro em Michele. Mas quem foi enquadrado foi o próprio Flávio, que depois publicamente pediu desculpas a Michele por tê-la chamado de autoritária e por ter constrangido o André Fernandes.

    A pergunta que fica é por Flávio teve esse tipo de postura. A minha opinião é que o Bolsonaro tem rabo preso com Michele. E ele tem rabo preso com Michele por causa daquele episódio que foi revelado pelo Julian Lemos que o Bolsonaro teria feito um ataque físico a Michele Bolsonaro. Algo que nunca foi desmentido pela família.

    Julian Lemos não foi processado nesse episódio. Rolou lá uma representação, mas não avançou. Se esse for o motivo de Bolsonaro ter rabo preso com Michele, tá muito mais do que justificável, porque se Michele for contrariada por Bolsonaro, ela mostra fotos do ocorrido e acaba completamente para o Bolsonaro. E Michele não parou por aí.

    Após visita ao pai na prisão, Flávio Bolsonaro diz que pediu desculpas a  Michelle: “uma mulher respeitada” - URB News

    Ela fez novos ataques falando que não poderia permitir uma aliança com Ciro Gomes e se colocando como uma defensora do próprio Bolsonaro e agora continua interferindo, interferindo diretamente no PL no Rio de Janeiro, porque ela não quer que o PL faça aliança com Eduardo Pais. Coloque nos comentários por que você acha que Flávio recuou.

    Bolsonaro tem rabo preso com Michele por causa daquela história do ataque físico revelado pelo Julian Lemos. Essa história do Julian Lemos é verdadeiro? Michelle derrotou o Flávio Bolsonaro. É uma nova era do bolsonarismo agora. Como que fica o bolsonarismo daqui pra frente? Concorda que Flávio foi derrotado? Se você concorda, você tem que deixar o like no vídeo e se inscrever também no canal.

    Toda essa história envolvendo Michele Bolsonaro, Flávio e os filhos do ex-presidente começou quando Michele publicamente criticou a aliança que o PL tinha feito com Ciro Gomes lá no Ceará. Depois dessa, desse desse chilique público ou barraco público da Michele, o André Fernandes, que foi quem articulou a aliança com Ciro Gomes, falou que foi o Bolsonaro que autorizou essa parceria.

    E depois os filhos do Bolsonaro, principalmente Flávio, endossado por Carlos, por Eduardo e por Gerrenan, criticaram o Michele Bolsonaro. Flávio tinha chamado Michele até mesmo de autoritária e que o que ela fez foi constrangedor. E Flávio havia marcado uma reunião com Bolsonaro no presídio. O objetivo dessa reunião era enquadrar Michele.

    Mas ao término da reunião, Flávio Bolsonaro sai, fala com os repórteres e diz que ele já pediu desculpas para Michele. Olha a situação. Flávio vai para repreender Michele junto com o Bolsonaro e ele sai, ele que estava super irritado, sai e falou que ele já disse para o pai que ele se desculpou com Michele. Isso não para em pé. Não para em pé.

    Porque ele falou: “Eu já comuniquei meu pai que eu pedi desculpas e depois fez elogios a Michele. Até ontem tava falando que ela é autoritária. Aí depois de encontrar com Bolsonaro, o objetivo de Flávio era enquadrar Michele e ele foi enquadrado, saiu manso com o rabo entre as pernas. Bolsonaro deu um cala boca no Flávio e a partir desse momento, Michele derrotou os filhos do Bolsonaro.

    Ela mostrou quem é que manda. Ela manda na casa, ela manda no bolsonarismo e ela manda no PL, que é o partido. Acabou. Agora, por que que Bolsonaro teve essa postura com Michele? Não sabemos. E aí temos que especular. Isso é óbvio, porque o Bolsonaro, ele não precisa financeiramente da Michele. Ah, ele pode conseguir alguns benefícios pelo fato da Michele estar no PL mulher, mas que que que Bolsonaro ganha com isso? Absolutamente nada.

    ela pode conseguir alguma coisa, tal, se manter influente na política, mas a minha hipótese é que aquilo que o Julian Lemos falou, o ex-deputado federal da Paraíba, aliado de Bolsonaro, tende a ser verdade. Em 2022, num podcast chamado Arretado, Julian Lemos foi e revelou que Michele Bolsonaro estava toda marcada porque Bolsonaro havia atacado fisicamente e esse não foi, não tinha sido o primeiro e único episódio de ataque físico a Bolsonaro.

    Quando Michele fez uma cirurgia para colocar próteses mamárias, Bolsonaro não gostou e nas palavras de Julian Lemos deu uns tapas nela. Depois, quando Bolsonaro perdeu a campanha política, Bolsonaro teria atacado fisicamente Michele e ela estaria também toda marcada, por isso que ela não aparecia publicamente. Isso segundo Julian Lemos.

    E vendo o que Mauro Cid falou, que Michele estava pressionando o Bolsonaro, é possível que seja verdade que Bolsonaro estressado com o Michelle tenha atacado fisicamente. Esse caso teve uma repercussão, claro, no momento. O Julianemos falou assim: “Vem no Julian que eu sei, não queiro me processar”.

    Foi algo mais ou menos assim. Houve uma representação criminal contra o Julian Lemos, uma representação processual, jurídica, e não avançou. Nesse mesmo podcast, Julian Lemos falou que Carlos Bolsonaro é o psicopata. Carlos o processou e ganhou, mas o processo do Bolsonaro não avançou e eu vi hoje para trazer essa informação. Se o que Julian Lemos falou é verdade, é possível que Michele tenha fotos.

    E se Michele Bolsonaro tem registros do ataque que ela sofreu de Bolsonaro, Bolsonaro, em hipótese alguma, pode contrariá-la, porque se Bolsonaro a contrariar, ela divulga os documentos. Eu acredito que Bolsonaro tem rabo preso com Michele por conta disso, dos ataques físicos revelados por Julian Lemos.

     

    E ela não parou por aí nos ataques, porque de segunda para terça-feira, quando ela foi atacada pelo Flávio, principalmente, mas depois endossada pelo endossado pelos outros filhos do Bolsonaro, o que Michele falou? que ela entende e respeito a posição dos dos enteados, que ela não queria ofender os os entiados, sempre se colocando como cordeirinha.

    Ela é muito esperta, mas que ela, Michele, jamais poderia permitir uma aliança com o Ciro Gomes depois de tudo que o Ciro Gomes fez para o marido dela, o Bolsonaro, chamando genocído, coisa do tipo, e falou: “Ciro Gomes não é de direita, nunca foi, não defende nossos valores”. Ou seja, foi um ataque extremamente ardeloso de Michele.

    O que Michele falou? Eu estou defendendo o Bolsonaro. Vocês estão fazendo alianças com a esquerda. Eu não. Eu me mantenho pura e convicta às minhas convicções, as minhas posições ideológicas. Eu não estou me vendendo. Vocês estão o a posição de Michele foi muito forte, muito, muito forte. Ela protegeu o Bolsonaro.

    Flávio diz que pediu desculpas a Michelle após críticas ao PL | CNN Brasil

    Essa é a visão que foi passada. Não tem como os filhos do Bolsonaro encararem Michele ou a derrotarem. Se eles quiserem fazer qualquer coisa com Michele, eles vão se lascar e vão se lascar bonito. E o que chamou a atenção foi o seguinte. O Flávio Bolsonaro depois negou que tivesse qualquer tipo de aliança ou parceria com o Cío Gomes.

    Como que ele negou se todo mundo falou que havia uma aliança? O o o Eduardo explicou essa aliança nas redes sociais, até o o Rodrigo Constantino conversou sobre isso, sobre essa aliança. Tem declarações, tá tudo público agora. Fala que não tem aliança com com o PSDB no no Ceará. Não faz sentido isso que tá sendo dito pelo Flávio. Ele tomou um cala boca.

    Michele venceu a disputa com Flávio e ela continua causando tumultos no PL porque o partido não possui candidato forte para disputar o governo do Rio de Janeiro. E por conta disso, o PL vai apoiar o C o Eduardo Pais. Só que Michele já chamou o Silas Malafé, falou: “Não vamos apoiar o Eduardo Pais e tá provocando divergência no Rio de Janeiro.

    Não quero, Michele não quer apoiar o Eduardo Pais e é muito possível que não não apoie, que o que o partido não vai apoiá-lo. Ela está mandando. Michele Bolsonaro manda no bolsonarismo, manda no PL e manda na família porque ela calou a boca de Carlos, de Flávio, de Eduardo, de Geran e do próprio Bolsonaro. A questão é por que como ela conseguiu calar a boca? Qual o motivo para Bolsonaro ter repreendido o Flávio e apoiado Michele? Não sabemos.

    A hipótese do Júli Lemos para mim faz sentido. No.

  • A Sinhá da Fazenda Gorda Demais Para Andar: Como Seus Carregadores Humanos Conquistaram Sua Vingança, Geórgia 1857

    A Sinhá da Fazenda Gorda Demais Para Andar: Como Seus Carregadores Humanos Conquistaram Sua Vingança, Geórgia 1857

    Meu nome é Big Moses, e eu sou o homem que carregou 180 quilos de pura maldade nas costas até o dia em que decidi deixar a Terra carregá-la.

    Setembro de 1857. A plantação Bowmont se estendia por 2.000 acres no solo da Geórgia como uma ferida que se recusava a cicatrizar. Mas não era o Mestre Charles quem tornava nossas vidas um inferno. Era sua esposa, a Dama Gertrude Bowmont, uma mulher cuja crueldade só era superada por seu apetite voraz e os 180 quilos de carne que ela usava como arma contra aqueles que considerava menos que humanos.

    A Dama Gertrude nem sempre foi uma montanha de malevolência. Cinco abortos espontâneos e 23 anos de casamento com um homem que a desprezava a transformaram em algo monstruoso, não apenas no corpo, mas no espírito. O peso veio gradualmente, quilo por quilo, à medida que ela buscava consolo na comida.

    Mestre Charles mantinha uma amante em Savannah e desaparecia por semanas, deixando a esposa sozinha com sua raiva e seu apetite. Foi durante uma dessas ausências que Gertrude desenvolveu o sistema que definiria seus últimos anos. Incapaz de andar e orgulhosa demais para usar uma cadeira de rodas, ela decidiu que seus escravizados seriam seu meio de transporte e mobília.

    Eu fui escolhido como seu principal carregador por causa do meu tamanho e força. Com 1,93m e 136 quilos de músculo, eu era o único capaz de suportar seu peso por longos períodos.


    Moses!” ela berrava da janela do quarto a cada manhã. “Venha cá, sua besta preguiçosa! Hora de ganhar seu sustento!”

    Eu largava meu trabalho e corria para a Casa Grande. O atraso resultaria em punição, não apenas para mim, mas para minha esposa, Sarah, e nossos três filhos. O bem-estar da minha família dependia de minha obediência completa aos seus caprichos.

    A rotina da manhã nunca variava. Eu entrava no quarto e a encontrava sentada na beira de sua cama. “Abaixe-se de quatro,” ela ordenava, apontando para o chão. “Você conhece a posição.”

    Eu me ajoelhava, sentindo a familiar dor nos joelhos e a vergonha ardente. Gertrude usava minhas costas como um degrau para descer da cama, seu peso total pressionando minha coluna como uma montanha.

    “Bom garoto,” ela diria, dando tapinhas na minha cabeça. “Agora, vamos ver quais aventuras teremos hoje.”

    As aventuras sempre envolviam alguma forma de transporte e sempre terminavam com meu corpo gritando de agonia. Gertrude subia nas minhas costas e envolvia seus braços enormes em meu pescoço. Ela cravava os calcanhares em minhas laterais como esporas, me incitando a ir mais rápido.

    Giddy up, cavalo!” ela gritava, rindo da própria piada.

    Qualquer tropeço resultaria em um golpe forte na minha cabeça ou um chute violento nas costelas.


    Eu não era a única vítima. Samuel, o carpinteiro, era forçado a servir como cadeira durante as refeições, agachado enquanto ela se sentava em suas costas e comia suas porções enormes. David, o ferreiro, tornava-se sua mesa humana, deitado de costas enquanto ela colocava pratos quentes em seu peito. Joshua, o mais jovem, servia como banquinho para os pés, ajoelhado enquanto ela apoiava seus pés inchados em suas costas.

    O peso cortava a circulação das pernas de Joshua, mas a dor física era nada comparada à tortura psicológica.

    “Vocês nasceram para me servir,” ela dizia enquanto eu a carregava. “Deus fez vocês fortes para que pudessem suportar meu peso. Deus fez vocês pretos para que soubessem seu lugar. Deus fez vocês meus para que eu pudesse usá-los como bem entendesse.”

    Ela nos forçava a latir como cães, a rastejar de barriga, a lamber seus pés. O cheiro de seu suor e de sua carne não lavada tornaram-se familiares para mim.


    O ponto de ruptura veio em uma manhã de terça-feira, em setembro, quando acordei com uma febre que embaçava minha visão e fazia meu corpo tremer. Sarah me implorou para ficar na cama, mas eu sabia que Gertrude não aceitaria a doença.

    “Você mal consegue se levantar,” Sarah sussurrou.

    “Eu tenho que ir,” eu respondi. A punição por desobediência era sempre coletiva. Se eu falhasse, Gertrude se vingaria na minha família.

    Quando cheguei à Casa Grande, Gertrude sorriu com prazer genuíno ao ver meu estado. “Pobre Moses,” ela disse com falsa simpatia. “Você está se sentindo um pouco mal? Que pena, porque eu tenho planos para nós hoje. Nós vamos para a cidade, e você vai me carregar o caminho todo.”

    A cidade ficava a oito quilômetros de distância, uma jornada que levaria três horas a pé com Gertrude nas minhas costas.

    “Por favor, sinhá,” eu disse, as palavras raspando minha garganta. “Estou muito doente hoje. Talvez Samuel pudesse…”

    “Samuel está ocupado,” Gertrude me cortou, a voz fria e perigosa. “E eu não quero Samuel. Eu quero você. Agora se abaixe para que eu possa subir ou eu farei você ser chicoteado até não conseguir mais ficar de pé.”

    Eu não tive escolha. Abaixei-me e senti o peso enorme de Gertrude se instalar nas minhas costas como um prédio desabando. A febre tornava tudo irreal, mas a dor era imediata e avassaladora. Minhas pernas quase dobraram ao lutar para ficar de pé.

    “Aí está meu bom cavalo,” Gertrude disse. “Agora, vamos para a cidade.”


    A jornada se tornou um pesadelo de calor, dor e humilhação. Gertrude parecia aumentar a cada passo. Duas vezes tive que parar para vomitar, enquanto ela gritava comigo para continuar.

    “Você está me atrasando, seu animal inútil!” ela guinchava, cravando os calcanhares nas minhas laterais. “Mova-se mais rápido, ou eu venderei seus filhos para as plantações de arroz, onde eles trabalharão até morrer.”

    A ameaça me deu força para continuar, mas eu podia sentir meu corpo falhando. Minha visão estava embaçada, e minhas pernas tremiam tanto que eu mal conseguia manter o equilíbrio. Sangue escorria pelas minhas costas onde o peso de Gertrude havia aberto feridas antigas.

    Estávamos a três quilômetros da cidade quando meu corpo finalmente cedeu. Eu caí pesadamente, e Gertrude rolou das minhas costas com um grito de raiva e dor.

    Ela havia se machucado. Vi sangue em suas mãos e ela segurava a lateral do corpo. Mas em vez de mostrar preocupação, ela imediatamente começou a me chutar com suas botas pesadas.

    “Sua besta desajeitada! Você me machucou! Eu vou fazer você ser esfolado vivo!

    Eu estava fraco demais para me defender. Através da névoa de dor, ouvi outras vozes se aproximando. Samuel, David e Joshua haviam nos seguido.

    “Ajudem-me a levantar,” Gertrude ordenou. “Este animal inútil me derrubou. Ele vai pagar por isso.”

    Mas enquanto meus amigos me ajudavam a ficar de pé e viam o sangue nas minhas costas, a febre nos meus olhos, algo mudou em seus rostos. Vi o mesmo olhar nos olhos de todos eles: uma determinação fria e dura.

    Basta,” Samuel disse calmamente. “Isso acaba agora.”

    Naquele momento, eu soube que nosso longo pesadelo estava prestes a se tornar o dela.


    O silêncio após as palavras de Samuel foi como a calmaria antes de uma tempestade. Gertrude, ainda caída no chão, olhou para nós quatro. Por vinte anos, fomos sua mobília humana, suas bestas de carga.

    “O que você disse?” Gertrude exigiu, lutando para se levantar.

    “Eu disse: isso acaba agora,” Samuel repetiu, a voz firme. “Não vamos mais carregá-la. Não vamos mais servir como sua mobília. Acabou.”

    O rosto de Gertrude mudou de cor: vermelho de raiva, branco de choque, roxo de indignação. “Vocês não podem se recusar! Eu sou dona de vocês!”

    “E que consequências?” David perguntou, aproximando-se. “Vai nos chicotear, vender, matar? Sinhá, você nos ameaça com essas coisas há anos, e ainda estamos aqui. Talvez seja hora de começarmos a ameaçar você.”

    As palavras pairaram no ar como fumaça de tiro. Gertrude percebeu que o equilíbrio de poder havia mudado. Ela estava sozinha em uma estrada deserta, com quatro homens que tinham todos os motivos para odiá-la.

    “Vocês não se atreveriam,” ela sussurrou. “Charles vai caçar vocês.”

    “O xerife vai o quê?” Joshua interrompeu. “Investigar o trágico acidente que se abateu sobre a amada Dama Bowmont, o infeliz incidente em que ela caiu no pântano e se afogou enquanto seus fiéis escravos tentavam desesperadamente salvá-la.”

    O plano estava se formando em seus olhos. Eu senti uma onda de esperança.

    “Parem de nos tratar como cães pedindo migalhas,” Samuel riu. “Nós somos homens. E acabamos de ser tratados como menos.”

    Gertrude tentou uma abordagem diferente. “Pensem nas suas famílias. Pensem nos seus filhos. Se algo acontecer comigo, Charles vai se vingar neles.”

    Era um golpe baixo. Mas eu pensei sobre o sangue nas minhas costas, os anos de humilhação.

    “Meus filhos,” eu disse, a voz ficando mais forte, “vão crescer em um mundo onde não terão que carregar 180 quilos de maldade nas costas.”

    Samuel assentiu e começou a desamarrar a corda da cintura. “Agora, vamos ajudá-la a chegar exatamente onde você pertence.”


    Nós amarramos as mãos e os pés de Gertrude, ignorando seus protestos. O pântano ficava a menos de dois quilômetros de onde havíamos parado, uma extensão fétida de água preta e lama sugadora. O lugar perfeito para um acidente.

    Nós a carregamos através dos ciprestes e musgos. O peso dela, distribuído entre nós quatro, era quase suportável pela primeira vez em anos.

    “Para onde estão me levando?” ela perguntou.

    “Para um lugar onde você possa descansar,” Samuel respondeu. “Um lugar onde você não terá que se preocupar em encontrar pessoas para carregá-la.”

    Encontramos o local perfeito, uma pequena clareira onde a água era profunda e escura, alimentada por correntes fortes. David e Joshua construíram uma plataforma com troncos e galhos.

    “Eu posso mudar,” ela disse, implorando. “Eu vou libertar todos vocês, dar dinheiro.”

    “Agora você quer nos ajudar,” eu disse. “Agora que você é a única que precisa de ajuda. Dor não desculpa a maldade.”

    A plataforma estava pronta, uma jangada improvisada que suportaria o peso de Gertrude exatamente pelo tempo que precisávamos. Colocamo-la sobre os troncos e empurramos o vaso improvisado para a água escura.

    “A plataforma foi projetada para afundar lentamente,” David explicou. “Você tem talvez vinte minutos.”

    Gertrude olhou para nós, seus olhos arregalados. “Por favor, eu sinto muito.”

    “Nós também sentimos muito,” Samuel disse. “Sentimos muito por termos demorado tanto para encontrar nossa coragem. Sentimos muito por termos deixado você nos machucar por tanto tempo.”


    A plataforma começou a se quebrar mais rápido. Gertrude gritou enquanto afundava, a água escura subindo ao seu redor.

    “Isto é por cada vez que você nos fez rastejar,” David disse calmamente.

    “Isto é por cada vez que você nos fez latir como cães,” Joshua acrescentou.

    “Isto é por cada vez que você nos lembrou que éramos propriedade,” Samuel continuou.

    E isto é pelos meus filhos,” eu finalizei, “que nunca terão que carregar seu peso nas costas.”

    Os gritos de Gertrude ecoaram pelo pântano enquanto ela desaparecia sob a superfície, seu corpo maciço puxado para baixo pelo peso que antes havia sido sua arma contra nós. A água se fechou sobre sua cabeça com apenas um leve murmúrio.

    “O que agora?” Joshua perguntou finalmente.

    “Agora voltamos,” Samuel disse. “Contamos que houve um acidente. E se não acreditarem em nós…”

    “…enfrentamos o que vier,” eu respondi. “Mas enfrentamos como homens livres, não como bestas de carga.”


    A caminhada de volta para a plantação foi longa. Tínhamos cruzado uma linha que não podia ser desfeita. Samuel assumiu o comando da nossa história, elaborando os detalhes da mentira. Tínhamos que convencer o mundo de que éramos vítimas inocentes de um trágico acidente.

    “Lembrem-se,” ele disse, “nós amávamos a Dama Gertrude. Ela era gentil conosco.”

    Master Charles não era um homem estúpido. Encontramo-lo em seu escritório. “Onde está a Dama Gertrude?” ele perguntou, a voz neutra.

    Samuel entregou nosso relato ensaiado, descrevendo como eu havia desmaiado, como ela havia caído e se machucado, e como tentamos limpá-la na água do pântano.

    Charles ouviu sem interrupção. Quando terminamos, ele considerou o que lhe dissemos.

    “Vocês estão dizendo que minha esposa, que mal conseguia andar, chegou até a beira de um pântano e caiu?”

    “Nós a carregamos até lá, senhor,” eu disse. “Ela estava machucada e nos pediu para levá-la à água.”

    Charles assentiu lentamente, e eu vi um lampejo em seus olhos, não de suspeita, mas de compreensão. Nossa história, por mais fabricada que fosse, parecia verdadeira para ele, dada a natureza teimosa de Gertrude.

    “Mostrem-me,” ele disse.


    Fomos forçados a levá-lo de volta ao pântano. A ironia não me passou despercebida. Estávamos carregando o peso da nossa mentira.

    O pântano parecia diferente na luz fraca, mais ameaçador. “Foi aqui que aconteceu,” Samuel disse.

    Charles examinou a área. “Vocês disseram que pularam para tentar salvá-la, mas suas roupas estão secas.”

    Meu sangue gelou.

    “Nós trocamos de roupa quando voltamos para a plantação,” David disse rapidamente.

    Charles sorriu. Não era um sorriso de felicidade. Era o sorriso frio e calculista de um homem que entendia exatamente o que havia acontecido e o aprovava.

    “Eu vejo,” ele disse calmamente. “Um trágico acidente! Minha pobre esposa, levada pelo pântano traiçoeiro.” A ênfase que ele colocou em “infeliz” deixou claro que ele não considerava a morte de Gertrude infeliz de forma alguma.

    “Vocês fizeram exatamente o que precisava ser feito,” ele disse, colocando uma mão no meu ombro. “Às vezes, acidentes acontecem, e às vezes, esses acidentes são necessários.”

    Ele começou a traçar a história que seria contada às autoridades. Seríamos os quatro carregadores de caixão, carregando o caixão vazio com a mesma dedicação que havíamos mostrado em carregar sua esposa.

    “Não investigarei a morte de Gertrude de perto,” ele disse. “Meu alívio é tão grande quanto o de vocês.”


    Naquela noite, eu senti o peso do corpo de Gertrude se levantar dos meus ombros pela primeira vez em anos. A febre havia cessado. Eu adormeci sem temer a manhã.

    O funeral de Gertrude foi a performance de luto mais elaborada da Geórgia. O caixão estava vazio, mas pesava com pedras. Éramos os carregadores de caixão.

    “Queridos amados,” entoou o Reverendo Matthews, “nos reunimos hoje para celebrar a vida da Dama Gertrude Bowmont, uma mulher de graça, caridade e virtude cristã.”

    Eu tive que morder a língua para não rir.

    Mestre Charles representou seu papel perfeitamente, com a cabeça baixa. “Gertrude era a luz da minha vida,” ele disse. “Sua ausência deixa um vazio que jamais poderá ser preenchido.”

    A multidão se virou para nós, nos vendo como heróis. “Vocês arriscaram suas próprias vidas,” Charles disse. “Sua lealdade e coragem jamais serão esquecidas.”

    O xerife de Morrison, em sua investigação, declarou-se satisfeito. “Esses pântanos são traiçoeiros,” ele disse. “Uma mulher do tamanho da Dama Gertrude não teria chance.”

    O caso foi encerrado.


    Sem a presença opressiva de Gertrude, a atmosfera na plantação se transformou. Samuel, David e Joshua floresceram. Samuel organizou melhorias nas condições de vida. David montou uma escola secreta. Joshua tornou-se condutor da Estrada de Ferro Subterrânea.

    Eu me tornei contador de histórias e guardião das memórias. Fiz questão de que as futuras gerações soubessem a verdade.

    A Guerra Civil nos encontrou prontos. Quando as tropas da União chegaram, encontraram uma comunidade organizada. Mestre Charles nos concedeu a liberdade legal.

    Eu escolhi permanecer. Onde a Casa Grande ficava, agora era uma escola. Onde nós éramos propriedade, agora éramos cidadãos.

    20 anos depois, Thomas Morrison, filho do xerife, um jornalista, me visitou. Ele havia ouvido rumores.

    “Eu sei o que aconteceu de verdade,” ele disse.

    “O que você faria se eu lhe dissesse que a Dama Gertrude foi assassinada por quatro escravos que foram torturados por ela por anos?”

    “Eu tentaria entender por que isso aconteceu,” ele disse.

    “A verdade,” eu disse, “é que às vezes a justiça vem de fontes inesperadas. E às vezes, a única maneira de parar um monstro é se tornar algo mais perigoso do que o próprio monstro.”

    O livro de Thomas Morrison contou nossa história com honestidade. Nós não éramos heróis nem vilões, mas humanos levados ao limite.

    No final, eu sou Moses Washington. Minha lápide diz: “Ele carregou o peso para que outros pudessem ser livres.” A Dama Gertrude Bowmont pensou que poderia usar seu peso para esmagar nossos espíritos. Em vez disso, ela nos ensinou que mesmo o fardo mais pesado se torna suportável quando é compartilhado. E no final, foi o peso dela, e não o nosso, que a arrastou para a escuridão. O pântano guardou seus segredos, mas nós guardamos nossa dignidade, e essa, talvez, tenha sido a maior de todas as vitórias.