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  • ALCOLUMBRE COLOCA POLÍCIA ATRÁS DE CIDADÃOS QUE CRITICARAM O CONGRESSO! EDUARDO CHORA EM ISRAEL!

    ALCOLUMBRE COLOCA POLÍCIA ATRÁS DE CIDADÃOS QUE CRITICARAM O CONGRESSO! EDUARDO CHORA EM ISRAEL!

    Galera, olha que absurdo e inacreditável. Parece que o presidente do Senado, senador Davial Columbri, está se sentindo o imperador do Brasil, o rei da cocada, dono da toda. Parece que ele esqueceu que foi eleito para representar e não para mandar no povo. Quem era ser o Artur Lira, que quando foi presidente da Câmara aí de quem falasse do Lira corri o risco de tomar um processo.

    Não era coisa pouca, era coisa a partir de R$ 100.000 já para intimidar mesmo. Parece que o Davial Columbre resolveu adotar a mesma postura. Depois da decisão do ministro Gilmar Mendes, que tirou da mão do Senado o poder de ficar chantagando ministros do Supremo com ameaça de impeachment, ele acha que é uma boa ideia ficar praticando censura.

    O senador Daviel Columbo, disse que vai mandar ir atrás daquelas pessoas que levantaram a tag congresso inimigo do povo e vai expor essas pessoas. Pois muito bem, senhor alumbre, eu sou uma das pessoas que falei que o Congresso é inimigo do povo. Eu estou aqui, eu estou me expondo. Eu não estou me escondendo. Essa aqui é a minha cara.

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    Eu estou aqui para falar com o senhor. Vou continuar dizendo isso porque isso é liberdade de expressão. Isso o artigo 5º da Constituição me garante. E quem está comigo já comenta aí. Congresso inimigo do povo. E eu não recebi um centavo para fazer isso. Eu faço isso com muito orgulho, porque esse é o pior congresso da história do nosso país.

    É um congresso que está sequestrando o orçamento da União, que fica o tempo todo ameaçando ministros do Supremo de impeachment porque não gostaram de decisão. Então, sim, é o pior congresso e é o Congresso que é inimigo do povo. Sim, e falo com muito orgulho. Agora eu vou trazer para vocês a fala do Alcol Columbre dizendo que vai mandar a polícia legislativa investigar as pessoas que colocaram Congresso inimigo do povo.

    Já vou pedir que deixe um comentário para engajar, deixa a curtida, compartilhe o vídeo, me siga e se gosta do conteúdo que eu produzo do enfrentamento à extrema direita, quem puder e quiser dar uma força, a chave é essa aqui. Qualquer apoio é muito bem-vindo. E é muito importante porque pode ser que o Davi Columbar. Alguns dias atrás era uma agressão infundada ao Congresso Brasileiro, quando algumas autoridades da República chamaram o Congresso Brasileiro de inimigo do povo.

     

    E eu conversava com as pessoas, mas é justo, Leila, o Congresso brasileiro ser tratado e patrocinado por autoridades do Brasil como um congresso inimigo do povo? Um congresso que nos últimos anos entregou ao Brasil e deu ao Brasil a capacidade de existirmos enquanto estado da federação. E um dia desses estavam por aí, patrocinado por muitos, porque a Polícia Legislativa do Senado tá investigando, a polícia legislativa da Câmara tá investigando as duas e logo mais nós teremos e vamos trazer a público aqueles que fizeram aquelas

    agressões contra o Congresso inimigo do povo. E é a mesma coisa que a presidência está vivendo nos últimos dias, como se quisesse usurpar a prerrogativa de indicar. O ato de indicação de um ministro do Supremo Tribunal Federal é um ato jurídico administrativo complexo. Viram só? Sentiu, né? não dê motivos que nós não vamos chamar o Congresso de inimigo do povo.

    Agora, a indicação do ministro do Supremo Tribunal Federal é um ato administrativo, jurídico, complexo, que cabe ao presidente da República indicar e cabe o Senado Sabatinar e não ficar tentando constranger o presidente da República para indicar o nome que o presidente do Senado deseja ver no Supremo Tribunal Federal, né, senhor Davial Columbia? Então, não nos dê motivo que nós não vamos chamar o congresso de inimigo do povo.

    E quando chamamos o Congresso de inimigo do povo, todos os membros do Congresso que fazem parte do Congresso, a gente tá colocando no mesmo bolo. Deixa aí nos comentários a sua opinião. Se concorda comigo, comenta aí: “Congresso inimigo do povo e que venha o senhor Davi Columbia”. Tamamos junto. Ai, que que é essa? Ai, cara, não aguenta não.

    Por amor de Deus, essa família já vem com a piada prontíssima e quer piada maior ainda. Cremosa Satanar, o bucho de águaaprem acaba de bater o martelo e o candidato à presidência em 2026 da excremento direita, Flávio Rachadinha, Willam Wonka da fantástica fábrica de chocolates. Obrigada, Satanaro. Bucho de égua prenha, tu acabou de enterrar excremento direita e dar de bandeja as eleições para painho Lula em 2026.

    E o outro que sentiu a Cláudia, Davi Alcobund Mary Man já baixou a bolinha, baixou o tom, porque ontem veio questionar a nossa hashag congresso inimigo do povo e hoje o povo subiu a hashag ao columbre inimigo do povo. Ah, vocês acham que nós do governo temos algum problema contra o Congresso Nacional? A gente não tem. Eu sinceramente não concordo.

    Não concordo com as emendas impositivas. Eu acho que o fato do Congresso Nacional sequestrar 50% da União é um grave eu histórico. Mas você só vai acabar com isso quando você mudar as pessoas que governem que provaram isso. Da mesma forma que eu acho histórico, gente. Eu trabalhava, eu ia na porta da Folkswag 5:30 da manhã. A tinha 40.

    000 trabalhadores produzia 1200 carros, a gente trabalhava, sabe, mesma jornada de trabalho que trabalha hoje com os avanços tecnológiczinho com o governo federal, já mandou alisar a piroquinha do Lula hoje lá no Amapá, mandando seus agradecimentos, porque agora sabe que que a população está tendo acesso à informação e vai colocar vocês nos seus devidos lugares de exsenadores e ex-deputados.

    Cheirinho no cangote dos meus apoiadores, o Jesus Gilberto, Luís Daniel, Vera, Lúcia Molinar, Joventina Firmina, João Benedito, Afran, Ivanete, Ana Cláudia Portela, Sandro Oziel, Lui Anderson e Miram Coem. Lindos vamos falar de cidadão de bem, conservador, a favor da família. a favor da moral e dos bons costumes.

    Terrivelmente evangélico, político de direita, bolsonarista e que tá sendo acusado. Olha, gabarada, que desmantelo é esse na direita? O que é que tá acontecendo com vocês? Só escândalo, só bomba, uma atrás da outra. Sabe o que é? É quando vocês dizem assim que Deus faça justiça aí Deus faz justiça.

    Tá desmoralizando e tirando as máscaras desses falsos profetas, dos falsos cristãos aí tudinho. Até dos falsos bolsonaristas. As máscaras estão caindo. Todos que ainda estão fazendo alguma coisa pelo príncipe das trevas é só para aparecer por causa de política. E o resto só escândalo. E agora mais um acusado de teó. colocado umas gaias na mulher e o escândalo tá grande.

    E por coincidência o nome do cara é Silas, mas é só uma coincidência. Bora ver aí a mulher furiosa. Quem é a vereadora? Não de mim. Eu sou deputada federal. Aceitar também não pode eu não vou cair. Não tem nada a ver. Cai fora cai fora daqui que eu estou pro federal aqui agorinha. Tá chegando aqui no exército todinho tá. Fui informado que o o meu marido, deputado federal Silas Câmara estaria em casa.

    Aí eu cheguei essa hora debaixo de chuva e o nobre e a excelência deputado federal não dorme em casa. Os funcionários pensam que ele está em casa. Isso aqui é a nossa casa, gente, ó. Ele não dorme em casa. Não dorme em casa. Não dorme em casa. Mas engana todo mundo que dorme em casa, hein, Silas? Onde é que tu tás? Ei, Gabada, eu já imagino Deus chegando, sabe? No juízo final, Deus chegando, ele pode fechar essa igreja aí, ó.

    Joga nas profundezas. Aquela igreja ali, ó. Pode jogar também. Tem alguém aqui que nunca brigou por política? Tem não. Apois eu vou voltar sozinho. O resto vai descer tudinho no tobogão das profundezas. Principalmente esses que vivem aí querendo se esconder atrás de uma religião, atrás de uma Bíblia.

    Vai descer tudinho, ó, no tobogão das profundezas. Já posso sentir até a quintura daqui. Quando vocês caírem, ó, vai ser uma temperatura tão alta lá, porque é gente caindo nas profundezas, viu? Jáada. Beijinho no chifre. Parem tudo e sentem. Esse vídeo aqui está espetacular. O Brasil parou ontem na CPMI e você precisa ver isso agora.

    Tentaram de novo incriminar o filho do presidente Lula, mas o tiro saiu pela culatra. Paulo Pimenta deu um desafio público, 12 horas para apresentarem uma única prova. Aliás, Paulo Pimenta tem passado muito tempo no Senado Federal. Eu acho que ele já tá tentando se acostumar. Sim, tentando, porque todo vídeo está Paulo Pimenta.

    Eu acho que o novo endereço dele é esse, ala, senador Nilo Coelho, plenário número dois. Acho que ele tá dormindo ali, não é possível. E adivinha, gente? Até agora nada, zero vazio. O bolsonarismo não apresentou prova nenhuma, só teatro, nenhuma evidência. E aí vem o melhor. No meio do desespero da oposição, o clima esquentou e o presidente da CPMI precisa intervir porque Paulo Pimenta chama um colega de Marreco. Sim, o Marreco de Maringá.

    Sabe quem é, né? Sérgio Moro. O ex-juiz parcial que fez parte do governo Bolsonaro e que nunca moveu um dedo para impedir o rombo do INSS. E antes que os bolsonaristas respirassem, Pimenta soltou uma bomba. É bomba. Novos documentos mostrando que o governo Bolsonaro já sabia dos desvios e não fez absolutamente nada.

    Tentaram usar a CPMI para atacar o Lula e acabaram deixar deixando claro que são quem são os verdadeiros responsáveis. E eu vou te mostrar cada detalhe dessa humilhação histórica. Tô um pouquinho rouco, tá gente? Porque eu tô um pouco gripado, mas vou te pedir para se inscrever no meu canal, dar aquela moral, porque eu tô aqui gripado, mas te passando o melhor da CPMI.

    E agora fiquem com esse espetáculo. Vamos lá, já que eles querem tanta transparência, coloca o Lurinha sentado aí. O que nós estamos assistindo aqui de uma forma covarde, senhor presidente, é vários parlamentares que se repetem fazendo acusações, sem apresentar nenhuma prova. Presidente, na minha primeira manifestação aqui hoje, já fazem mais de 12 horas, eu desafiei os deputados: “Me mostrem uma prova, me mostrem um documento, me mostrem uma conta, um depósito, um rif nesta CPI que tenha qualquer relação com o filho do presidente Lula”.

    Passaram-se 12 horas, dezenas e dezenas de parlamentares falaram: “Nenhum, presidente, nenhum apresentou uma prova”. Sabe por quê? Porque não tem. Nenhum apresentou nenhum documento. Porque não tem? Na medida que alguém fala a respeito de alguém e acusa sem prova, é o quê? É um insulto, é uma calúnia, é uma mentira.

    Portanto, senhor presidente, peço para finalizar a questão de ordem, excelência, porque tem um tempo da liderança a finalizar. Vou finalizar, pois não, mas eu não posso me calar diante da mentira. orquestrada sem provas, repetida aqui por vários parlamentares. Então eu peço a Vossa Excelência que seja observado que dispõe o artigo 19, inciso primeiro.

    Pois não, excelência, eu recolho a questão de ordem, mas desejo lembrar a Vossa Excelência que durante a sua última fala o senhor se lhe dirigiu a um colega nosso como Marreco de Tal. É uma ofensa, excelência. É uma ofensa. Está dentro do mesmo apelido aqui. Não me bota em barrega, mas tá dentro do mesmo que vossa excelência tá pedindo que use.

    Então eu eu recolho, mas marreco é ofensa. É uma ofensa, excelência. Sim, mas quando me chamamos de malagueta é ofensa? Não. Então vin pode pedir que eu mesmo se uma vez fiz, vou ficar chorando aqui. Ai me chamar de malagueto. Vou chorar. Não me chame de marreco. Está no mesmo artigo de vossa excelência. Então assim, eu nunca vi chamar.

    Ah, não me chamem de marreco, se não choro. Eu não vou chorar se me chamarem de de malaguet. É uma ofensa, excelência. ofensa eu vejo dessa forma como ofensa. Ponto. Vocês gostaria de fazer tempo de com certeza, presidente, antes me comprometi demonstrar nesta última manifestação que faço nesse semestre na CPI mais provas, mais documentos que mostram o comprometimento, a responsabilidade do governo Bolsonaro, do esquema criminoso montado do governo Bolsonaro para favorecer estas entidades que roubaram bilhões de aposentados e

     

    aposentadas. E aqui, presidente, eu trago documentos inéditos, novos documentos. Dia 6/10 de 2020, senhor presidente, quem tá acompanhando a CPI sabe que a senora Marcela, depois o Roosvell, que eram da Dirbin, deram parecer contrário ao ACT do da Conafer, do famoso mão preta foragido.

    Conafer, muito conhecido aqui da CPI, inclusive temos aqui entre os membros da CPI o chofer da CONAFER. Muito bem. Dia 6/10, depois que a Dirben resolveu dar o parecer contrário, o senhor Leonardo Rolim, presidente do NSS, faz uma minuta para discutir a mudança de competência, tirar da Dirbé e mandar para Dirat os ACTs. 6D10 D10, presidente.

    Um dia depois, parecer do Virgílio, um dia depois favorável a mandar para dirate. 8 de outubro, dois dias depois, manifestação da DAMB, divisão de acordos nacionais de benefícios que fiscalizava os ACTs. Diz a DAMB aqui, totalmente contrária. Considerando o elevado número de reclamações aqui na ouvidoria, já são mais de 3.000 denúncias.

    Cabe informar que isto será extremamente prejudicial à fiscalização, inclusive da fiscalização do acordo firmado com a CONAFER, que foi suspenso. Diz mais, nos últimos meses foram indeferidos aqui as CTS da ABP, Ideias, Sebap, CAAP, AMBEC, Sulamérica. Presidente, todas as CS tinham sido tinham sido negados, inclusive da Conferito, DDS, dois dias depois, no próprio dia 8, uma outra coordenação é chamada a opinar, coordenação de pagamento, gestão de benefícios previdenciários contra tirar da dirbem e botar na dirate.

    Presidente, logo em seguida, no dia 8 de outubro, o presidente Leonardo Rim Leonardo Rolim, independente de todas as manifestações contrárias, transfere para diat as competências da Dirbi. Presidente, no mesmo no mesmo dia 8, além de delegar as competências e publicá-las, ele começa a criar as condições para salvar a CONAFER.

    Nesse meio tempo é publicado o decreto, o decreto assinado pelo Bolsonaro, pelo Paulo Guedes e pelo Ônix. E no dia 28 de 10, senhor presidente, é concedido o aditivo da Confer. Veja o senhor presidente, em menos de 30 dias tramitou todo o processo. Tiraram as competências de uma diretoria, transferiram para outra, negaram os pareceres técnicos de todos os setores consultados e salvaram a CONAFER.

    Inclusive, com a chegada do Zé Carlos Oliveira, nunca mais a CONAFER foi fiscalizada e inclusive o dinheiro que havia sido bloqueado foi devolvido para CONAFER. Mais do que isso, senhor presidente, quando nós chegamos agora no governo e vai ser feita uma fiscalização do próprio INSS, você percebe o quê? que desde 2022 não havia mais sido fiscalizado os ACTs.

    Alcolumbre sobe tom contra governo Lula na indicação de Messias ao STF –  CartaCapital

    Por quê? Merece destaque e o governo Bolsonaro, presidente, em 2022 extinguiu a divisão de fiscalização, a DAMP extinguiu. E aí, deputado Dourinaldo, o que que acontece quando o INSS vai fazer uma fiscalização? Ele diz: “O quê?” Olha, nunca mais teve fiscalização porque a DAMB foi extinta em 21 de março até 2022.

    Então, extinguiram o órgão que fazia a fiscalização dos ACTs e diz mais. Mesmo tendo extinguido a DAMB e não tendo mais condições de fiscalização, foram concedidos 12 novos acordos. Conafer, UNASPUB, a Universo de Sergipe, a CAB da Cecília, a CBPA do nosso Franklin, a BPC que é a Mar Brasil. Então aqui tá a prova documento por documento, que não foi uma coisa por acaso, foi uma ação planejada, coordenada, com hierarquia.

    É uma organização criminosa que tem hierarquia, divisão de tarefas. E por isso, senhor presidente, os responsáveis por esse roubo, todos eles precisam ir paraa cadeia. Aqui estão os documentos que provam a responsabilidade dos gestores do governo Bolsonaro pelo roubo de bilhões de reais contra aposentados, pensionistas, presidente e BPC.

    Os atendimentos pro vício em casa de aposta triplicaram. É, vamos ser bem sincero, esse negócio de jogo vício, casa de aposta é algo preocupante. A gente precisa fazer algo para ontem. Essas casas de aposta, elas não agregam em absolutamente nada para o Brasil. Inclusive, boa parte delas, antes de você ter o mínimo de imposto, que inclusive a direita estava sendo contrária, eles mandavam praticamente toda remessa de lucro para fora do Brasil.

    Eles operam só em sites virtuais lá que o pessoal entra, aposta, coloca o dinheiro e depois, cara, perde dinheiro e o dinheiro vai para fora do país. Não gera emprego, não gera renda, não, não deixa as pessoas que apostam ricas, só vem de um sonho, uma ilusão para esses indivíduos. Eles não são culpados, né? Eles vêm ali nas apostas num desespero, talvez uma maneira de tentar melhorar de vida com um monte de influenciadores, inclusive influenciadores muito grandes e famosos, que vendem isso como um investimento, uma ideia de mudar de vida e aí acabam caindo aí no vício que agora

    o estado não consegue pé para acompanhar isso. Mas o estado de São Paulo tem o seu governador que estava fazendo lobby para que as casas de aposta não fossem taxadas. Lembrando vocês, as casas de aposta não geram nada, elas apenas sugam dinheiro das pessoas prometendo retornos. que não vão acontecer na sua grande maioria, às vezes um retorninho ali e outro, porque precisa dar aquela munição pra pessoa poder pegar aquele gosto, né, e poder apostar cada vez mais e mais.

    Então, hoje uma casa de aposta, por exemplo, não colabora para custear essas internações que são necessárias e não temos leitando devidamente os seus impostos na proporção que deveriam pagar pelo estrago que causa. Yeah.

  • A HORA CHEGOU! TOFFOLI ENCONTRA PROVA ASSINADA POR MORO E FLÁVIO DINO PAUTA O JULGAMENTO FATAL!

    A HORA CHEGOU! TOFFOLI ENCONTRA PROVA ASSINADA POR MORO E FLÁVIO DINO PAUTA O JULGAMENTO FATAL!

    O cenário político e judicial brasileiro está em um momento de intensa movimentação, com o cerco se fechando sobre o senador Sérgio Moro por meio de ações coordenadas do Supremo Tribunal Federal, STF. A recente operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, determinada pelo ministro Dias Toffoli, sinaliza um avanço significativo nas investigações que envolvem a conduta do ex-juiz durante a extinta operação Lava-Jato.

    A ação não foi um procedimento de rotina, ela foi a culminação de uma longa espera motivada pela recusa da vara em fornecer documentos cruciais solicitados pelo STF há mais de um ano. O ponto focal desta investigação é a delação premiada de Tony Garcia, um ex-deputado estadual que alegou ter atuado por muitos anos como agente secreto de Sérgio Moro.

    Segundo Garcia, essa colaboração se dava sob a coersão de um inquérito criado na própria 13ª vara. Para garantir sua liberdade e evitar uma prisão a qualquer momento, ele teria sido obrigado a cumprir uma série de missões estabelecidas pelo então juiz Moro, incluindo a coleta de informações sobre figuras políticas proeminentes como governadores e senadores.

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    A gravidade da denúncia reside na alegação de que um juiz utilizou sua autoridade judicial para criar um mecanismo de pressão e inteligência paralela. A delação de Tony Garcia não se baseia apenas em palavras. Ele apresentou provas documentais de suas alegações, incluindo documentos que teriam sido assinados pelo próprio Sérgio Moro e que detalhavam as missões a serem cumpridas.

    Diante da posse desses documentos, Toffolicou a 13ª vara todos os autos e inquéritos relacionados a Tony Garcia. A vara, no entanto, ignorou o pedido por mais de um ano, o que levou o ministro a reiterar a ordem com um ultimato. Diante da persistente não conformidade, a única alternativa legal restante foi determinar a busca e apreensão.

    A operação da Polícia Federal em Curitiba não foi uma simples retirada de caixas. A determinação judicial de Toffoli exigiu que a PF realizasse uma análise em loco dos documentos e processos dentro da própria vara com o uso de peritos especializados. Isso foi necessário devido ao imenso volume de documentos em papel da época dos fatos e para evitar que a polícia levasse material irrelevante.

    Essa análise minuciosa no local demonstra a seriedade com que o STF está tratando a obtenção das provas, buscando garantir que nenhum documento que possa comprovar a conduta de Moro seja omitido ou destruído. A análise do timing dessa operação é inevitavelmente política. A deflagração ocorre após 2 anos de espera, justamente no período que antecede um ano eleitoral.

    O senador Moro tem manifestado a intenção de concorrer ao governo do Paraná, mesmo tendo ainda 5 anos de mandato no Senado. A divulgação de investigações e o avanço de processos judiciais em momentos cruciais do calendário eleitoral, um padrão historicamente associado à própria operação Lava-Jato, agora volta-se contra seu idealizador.

    Os desdobramentos dessa operação podem impactar a elegibilidade e a viabilidade política do senador, alterando significativamente o panorama eleitoral de 2026. Simultaneamente a obtenção dessas provas, Moro enfrenta um desafio de peso na primeira turma do STF. Ele é réu em uma ação movida pelo ministro Gilmar Mendes por crimes de calúnia e difamação.

     

    O julgamento que teve um placar de 4 a 0 para torná-lo réu e foi paralisado por um pedido de vistas está agora nas mãos do ministro Flávio Dino, o atual presidente da primeira turma. A expectativa é que o julgamento seja retomado no início do próximo ano. A preocupação de Moro reside no fato de que uma eventual condenação, dependendo da pena estipulada, pode resultar em sua inelegibilidade, frustrando seus planos de candidatura.

    O cenário é complexo, pois o senador não tem o mesmo nível de blindagem no Senado Federal que seu grupo político possui na Câmara dos Deputados. Historicamente, o Senado tende a ser mais rigoroso e menos propenso a defender seus membros quando confrontados com ordens judiciais do STF. Se as investigações de Tofol prosperarem e o processo de Gilmar Mendes resultar em condenação, o senador pode se ver isolado, sem o apoio institucional necessário para evitar as consequências legais.

    O risco de inelegibilidade é real e iminente. A escalada desses eventos reflete uma profunda reconfiguração no tabuleiro político judicial do país. A ação de Dias Toffol não é isolada. Ela se insere em um contexto em que o STF está revendo e corrigindo os excessos e ilegalidades cometidas durante a condução de processos da Lava-Jato.

    A obtenção dos documentos na 13ª Vara é uma etapa fundamental para confirmar as alegações de Tony Garcia, que configuram um abuso de autoridade e uma violação das garantias fundamentais do processo legal. A transparência e a publicidade dos autos agora são cruciais para que a sociedade compreenda a extensão e a natureza dos atos investigados.

    A reação do senador Moro, amplamente divulgada pela mídia, tem sido a de alegar perseguição política e questionar a lisura das investigações, desqualificando Tony Garcia como um criminoso condenado. No entanto, é importante observar que a condenação do delator foi feita pelo próprio Moro, o que torna a defesa dele complexa.

    Tenho diferenças, mas não perderei a civilidade', diz Moro após ser  fotografado abraçado em Dino | G1

    A imprensa, de fato, tem dedicado um espaço considerável à versão do senador, o que pode influenciar a percepção pública. Contudo, o que está em jogo é a comprovação documental dos fatos e não apenas a narrativa midiática. A busca pela verdade processual é o que deve prevalecer. O avanço das investigações contra Moro, somado à recente decisão do ministro Gilmar Mendes sobre as regras de impeachment de ministros do STF, representa um golpe na estratégia de longo prazo da extrema direita.

    O plano de buscar uma maioria no Senado para derrubar ministros do STF por decisão política foi desmantelado pela decisão de Mendes, que centralizou a prerrogativa do impeachment na Procuradoria Geral da República, PGR, e limitou a abertura de processos a casos de crimes comprovados e não a decisões judiciais.

    Isso retira o poder de chantagem do Senado sobre o judiciário e isola ainda mais as figuras políticas que, como Moro, se candidataram com o objetivo declarado de reformar o STF a partir do legislativo. O quadro geral mostra que o ano de 2026 será de intensas disputas judiciais para o senador Moro. Ele enfrentará não apenas o processo de calúnia, que pode resultar em inelegibilidade, mas também os desdobramentos da delação de Tony Garcia.

    A convergência de fatos e a determinação do STF em avançar com a obtenção de provas sugerem que o senador será submetido a um escrutínio rigoroso que poderá culminar em sanções legais. O papel de Flávio Dino, ao pautar ou não o julgamento na primeira turma, será fundamental para definir o futuro político do senador.

    A legalidade e a imparcialidade do processo devem ser garantidas, mas as evidências reunidas até o momento indicam que a situação jurídica do senador Moro é extremamente delicada. A verdade sobre as ações de Curitiba e os documentos de Toffol precisam ser reveladas. Clique no ícone Valeu Demais, Super thanks, logo abaixo, e envie sua contribuição para manter o Manifesto Brasil forte nessa denúncia.

  • ARTIGO EXCLUSIVO: A TRAIÇÃO DE BOLSONARO A MICHELLE! FLÁVIO, O CANDIDATO QUE ‘DEFECA NAS CALÇAS’, É A ÚNICA ESPERANÇA DO CLÃ PARA EVITAR A PRISÃO E A DILUIÇÃO DO PODER

    ARTIGO EXCLUSIVO: A TRAIÇÃO DE BOLSONARO A MICHELLE! FLÁVIO, O CANDIDATO QUE ‘DEFECA NAS CALÇAS’, É A ÚNICA ESPERANÇA DO CLÃ PARA EVITAR A PRISÃO E A DILUIÇÃO DO PODER

    Bolsonaro escolheu Flávio Bolsonaro como seu candidato para enfrentar Lula em 2026. Sim, ele mesmo, Flávio Bolsonaro. Esse aqui tá passando mal, passando malv, não dá para continuar. Tá passando mal. Assessores. Sabe o que Flávio estava fazendo nesse exato momento no debate da Band para a prefeitura do Rio de Janeiro em 2016? Ele estava borrando as calças.

    Literalmente, Flávio Bolsonaro defecou nas causas no debate em 2016. E 10 anos depois, Flávio Bolsonaro vai enfrentar Lula num debate presidencial. Vai ficar ainda mais fácil para o Lula vencer o Flávio e ele ser novamente o presidente da República, indo para o quarto mandato, mas possivelmente ainda no primeiro turno.

    Vai ser apertado, mas vai ser extremamente fácil, porque a escolha do Bolsonaro é uma reação a Michele Bolsonaro. Ela veio, essa definição dias depois do episódio lá no Ceará, na qual Michele derrotou a família Bolsonaro. É uma reação de Bolsonaro para manter o poder dentro do seu clã, afastando todas as possibilidades de Michele querer disputar qualquer coisa.

    Pesquisa: no RN, Lula derrota Bolsonaro, Michelle, Tarcísio e Flávio | CNN Brasil

    E a candidatura de Flávio tem como objetivo principal não a vitória, porque ele não tem chance, o próprio Bolsonaro sabe disso, mas é uma forma de manter a o poder político e a coesão dentro do bolsonarismo visando 2030. Coloque nos comentários, claro, o que que você acha dessa escolha do Flávio Bolsonaro. Vai facilitar ainda mais a vitória do Lula em 2026? Eu já acredito que se o Flávio não defecar nas calças em algum debate, já é uma vitória para a família Bolsonaro.

    O quanto que houve de reação do Bolsonaro a Michele com essa escolha do Flávio Bolsonaro? Quero saber todas as suas percepções. Coloque aqui nos comentários se a escolha do Flávio vai manter o capital político do Bolsonaro até 2030 ou pelo menos da família. Acha que Flávio perde fácil pro Lula? Então no vídeo se você concorda e se inscreva no canal.

    Segundo o Paulo Capelli do Metrópolis, nós temos que trazer aqui a fonte principal, porque o Paulo Capelli foi o primeiro que trouxe a informação que o Flávio Bolsonaro havia sido escolhido pelo próprio Bolsonaro para disputar a presidência. Claro que depois essa informação foi muito difundida, mas o primeiro que deu esse furo foi o Paulo Capelli do Metrópolis.

    Aliados do Flávio Bolsonaro foram comunicados que o Flávio ele foi escolhido por Bolsonaro para ser o seu substituto em 2026. Foi a primeira vez que Bolsonaro admitiu isso publicamente. Havia muita discordância ou muita especulação que poderia ser Tarcísio. Nós aqui no canal já estávamos falando que era muito pouco provável que Tarcío de Freitas fosse abandonar o certo que é o governo de São Paulo para disputar a presidência contra o Lula em 2026.

    Porque por mais que muitas pessoas falem que Lula é fraco, que Lula está mal, que Lula é isso, que Lula é aquilo, Lula lidera em todos os cenários. Saiu pesquisa da Atlas Intel recentemente, nessa semana, Lula ainda está vencendo no primeiro turno, então é muito blá blá blá para pouco resultado efetivo. O Bolsonaro acredita que Flávio vai ganhar musculatura e tração assim que ele se lançar como candidato e vai percorrer o Brasil, mas sinceramente não vai, porque não importa, pessoal.

     

    Essa é a grande verdade. Nós temos visto todas as pesquisas de intenção de votos e como o país está muito politizado e dividido e isso não é nenhum tipo de problema, qualquer candidato que se colocar como sendo opositor ao Lula vai ter a mesma votação. Seja Flávio, seja Michele, seja aquela capivara, o Panda, o Johnny Bravo que está ali atrás ou até mesmo o Minion. Não importa.

    Então, o Flávio é um candidato competitivo simplesmente pelo fato dele ser alguém do espectro da direita. Então não tem, não muda absolutamente nada. Só que como candidato o Flávio é extremamente fraco. Flávio é fraco. Michele, na minha opinião, era um candidato muito mais forte do que ele. E Flávio, ele é fraco. Sem tirar, sem aqui a parte da picardia dele ter deficado nas calças no debate municipal para o Rio de Janeiro em 2016.

    Então imagina enfrentar o Lula na Globo ao vivo no segundo turno. O Lula engole o Flávio, porque o Flávio ele não tem o poder retórico necessário para ser candidato a presidente. Ele não tem o poder engajador para ser candidato a presidente. E ele não tem ali o a capacidade de envolvimento. Ele não tem isso.

    A retórica dele é pior que a do Lula, o engajamento dele é pior do que a do Lula e o entusiasmo que ele transmite é muito pior do que o Lula. Como que ele vai enfrentar o Lula depois de ter reduzido imposto de renda, da redução do imposto de renda? Como que ele vai conseguir enfrentar o Lula? Lula falando de escala 6 por1. Não há a possibilidade.

    Não há a possibilidade. A única chance da direita tentar fazer alguma coisa seria com Michele, por conta do poder retórico de Michele, por conta do envolvimento, por conta do engajamento, da empolgação que ela gera e justamente do discurso religioso, político, que ela mistura tudo. Nós vimos na manifestação em Brasília faz aí dois, três meses, aquela manifestação no meio de semana foi um fiasco.

    O Flávio fala, ninguém se importa com ele. Michele vai, as pessoas ovacionam, gritam, se esguelam, porque Flávio é fraco, é um candidato que defeca nas calças. Só que essa escolha do Bolsonaro, claro, foi uma reação a Michele, porque ela veio dias depois do embrolho que houve no Ceará. Michele desafiou o PL no Ceará, criticou a aliança com Ciro Gomes, teve uma reunião do Flávio com o Bolsonaro.

    O Flávio foi desautorizado pelo Bolsonaro, pediu desculpas a Michele depois de falar que ela era autoritária e eles foram derrotados. O clã Bolsonaro foi derrotado por Michele, tanto que a aliança com Ces foi desfeita. Mas o Bolsonaro percebeu que se não houvesse uma definição agora, Michele iria pegar tração, porque surpreendeu todo mundo como a família Bolsonaro colocou o rabo entre as pernas diante de Michelle.

    Nós até especulamos por que que Bolsonaro tem esse rabo preso todo. Será que é verdade aquilo que o Júlio Lemos falou que o Bolsonaro atacou fisicamente a Michele? Por isso ele tem medo que ela exponha alguma coisa? Só que se a situação continuasse da forma como estava, a musculatura de Michele poderia ganhar tração e daí seria impossível colocar o Flávio.

    Então, em reação ao Michele, no meu ponto de vista, Bolsonaro lança a candidatura de Flávio e acaba de uma vez por todas com essa história. Evita que ela cresça, evita que ela apareça. E Bolsonaro quer jogar Michele para o Senado, porque no Senado Michele não vai mais poder percorrer o Brasil livremente, como ela está percorrendo.

    Esse é o movimento do Bolsonaro. Essa foi a jogada do Bolsonaro. Foi uma reação a Michele Bolsonaro. O Tarcío de Freitas, claro, já foi avisado. Segundo também, segundo o Igor Gadel do Metrópolis, Tarcídio foi avisado pelo próprio Flávio que Bolsonaro o escolheu como sendo seu substituto. E o Tarcíio se livrou de uma, né? Porque ele iria para o embate presidencial contra o Lula, iria perder.

    A direita teria que colocar um substituto. Há uma grande definição sobre quem vai ser o substituto do Tarcídio Freitas. seria Ricardo Nunes, uma prefeito de São Paulo, mas aí vem o poderia ganhar. Então seria para o Tarcísio uma decisão muito muito ruim, né, enfrentar o o Lula deixando o governo de São Paulo que ele vai vencer, ele tá talvez ganhe até no primeiro turno.

    É muito possível, mas São Paulo, principalmente no interior, é um estado muito conservador. Mas o Tarciso já foi comunicado e para ele foi um alívio, porque agora ele não precisa mais ficar eh fazendo bajulações para a família Bolsonaro. Só que essa candidatura, ela não é, pessoal, uma candidatura presidencial. Isso tem que ficar claro.

    A nova pesquisa do PL com Lula, Michelle e Tarcísio na disputa pela Presidência

    O objetivo do Bolsonaro é manter o bolsonarismo como sendo o centro da direita ou o núcleo da direita. Quando o Bolsonaro foi preso, o embate entre aqueles que querem manter o poder de Bolsonaro ou manter o poder da família Bolsonaro é aqueles que querem se emancipar da família Bolsonaro ou da influência da família Bolsonaro.

    Se o Bolsonaro passasse o bastão ou escolhesse Tarcío de Freitas ou até mesmo Michele, o poder iria se diluir. com o Flávio, ele consegue manter o poder e evita um alongamento, ou melhor, ele evita que a família Bolsonaro tenha o seu fim decretado de modo precoce, porque aquele que enfrentar o Lula e for derrotado, ele sai como senho da liderança da oposição.

    Se for Michele, ela já se capacita para 2030 e se torna o grande expoente, ainda mais sem mandato. Se for o Flávio, pelo menos o Flávio sai como a liderança da oposição. E aí ele vai conseguir manter uma certa influência num período que o Bolsonaro pode continuar preso. Bolsonaro vai ficar preso até o ano que vem.

    Se a liderança da direita for diferente de um integrante da família Bolsonaro, o Bolsonaro não vai ter poder de pressão para pressionar sobre uma candidatura futura, sobre a liberdade dele. E o Flávio, ele vai manter a retórica da prisão, da condenação. Então é uma candidatura que não visa a vitória, visa tentar abrandar a pena de Bolsonaro.

    Esse é o objetivo, manter poder, é manutenção de poder e abrandar a prisão de Bolsonaro. Primeiro abrandar a prisão, depois manter poder. Essa é a minha visão, é a minha interpretação. E sinceramente que presente que esses caras deram pro Lula, hein?

  • GILMAR MENDES AJUDA LULA A ESMAGAR O CENTRÃO! PROVA DE CRlME BILIONÁRIO DE ZEMA E BOLSONARO APARECE🔥

    GILMAR MENDES AJUDA LULA A ESMAGAR O CENTRÃO! PROVA DE CRlME BILIONÁRIO DE ZEMA E BOLSONARO APARECE🔥

    Olha, quem duvida aí do poder de articulação do Lula tá tendo que morder aí a língua, se morder de raiva nessa semana. Que que fez aí o Lulinha? E olha, não tenha dúvidas de que tem muitas coisas nos bastidores que a gente não fica sabendo que estão acontecendo para isso tudo. Vamos lembrar aí o o panorama.

    Nas últimas semanas, o Lula anunciou Jorge Messias como seu candidato ao Supremo Tribunal Federal ali pra vaga do STF. O presidente do Senado, que é o Dav Columbri, ficou irritadíssimo. Ele quer que o Rodrigo Pacheco, senador de Minas Gerais, seja ministro do STF para ajudá-lo ali em algumas decisões, porque os dois são amigos, comparsas, né? E ele começou a atacar o Lula falando que olha, o problema na indicação do Messias e sem a maneira como você fez, sem me avisar antes, não sei o quê, como se ele fosse ali o rei do mundo, né? O Lula tem que

    pedir permissão, se ajoelhar, falar: “Olha, por favor, tudo mais”. OK? O Lula então avisou que, olha, se você quiser ir pro pau ou Davi Columb, a gente vai pro pau. Quer ir pro pau? Vamos pro pau. Ah, esse esse recado foi dado ao Davi Columb na segunda-feira numa reunião com a ministra Gaz Hoffman, que é a ministra da articulação.

    Lula e Bolsonaro podem ser cassados por pré-campanha, diz Gilmar | VEJA

    Ela salientou: “Olha, a gente prefere apaziguar tudo como tava tudo em paz. O Lula tem direito de fazer uma indicação ao STF e ele fez. Você aí tem o dever de marcar a sabatina e os senadores aprovam o nome, o nome do Lula, que eles têm que ver se ele tem notório saber jurídico. No caso do Messias tem. E aí aprova o nome dele. Fim.

    Você não tem que usurpar aí a prerrogativa do presidente. Hum. Deu ruim. O Dav Columbre não disse que queria ir pro pau, mas seguiu ali atacando o governo. Aí o Davi Columbr levou uma, uma, olha, foi humilhado pelo Lula, levou uma lapada forte porque ele quis marcar a sabatina do Messias para agora, começo de dezembro.

    Porém, o Lula não mandou pro Senado a carta, que é a notificação oficial da indicação. E aí ele não podia marcar a Sabatina, ele teve que desmarcar a Sabatina. Ele falou que isso é inadmissível, isso é inaceitável, que é gravíssimo. Pô, prerrogativa do Lula enviar a carta quando ele quiser. O Lula fez a indicação e já sabia que o alcolumbria da Chilique.

    Então, o que que ele fez? Ele fez a indicação e não mandou a carta. E aí ele esperou para ver qual seria o Chilique. Sabe aquela pessoa que quer te testar e ela faz alguma piada com você, alguma coisa para ver a sua reação e depois fala: “Ah, era só brincadeira”. Então, foi mais ou menos o que o Lula fez. Indique o indiquei o Messias, pô.

    Era só brincadeira, eu indiquei, mas eu mandei a carta só para ver qual seria a reação do do alcolumbre. Ele viu a reação destemperada do Davi Columbri. OK. A coisa piora. Por que que piora? Porque o Daviel Columbre foi ali da mesa diretora do Senado, né, e detonou o governo Lula falando que não sei o quê, tá, tá, e sinalizou, olha, a depender aí do andar da carruagem, isso aí só vai ficar para depois da eleição de 2026.

    Ou seja, ele tá ameaçando não pautar nunca e deixar o Supremo Tribunal Federal com um ministro a menos. E por que que ele diz depois da eleição? Pá, porque se o Lula perde entre outro presidente cancela e o outro presidente faz ali a indicação. Em 2027, no dia 1o de fevereiro, vai ter eleição para presidência do Senado.

    E aí o Alcol Columbá mais presidente. Aí o outro presidente é quem vai marcar sabatina. alguém que vai ser eleito pelo no pelo Senado eleito em 2026 talvez alguém pior que o alcolumbo. Pois bem, acontece que ele não contava que o Lula também tem seus contatos no Supremo Tribunal Federal. Olha só o que que aconteceu. De repente chega o Gilmar Mendes e solta uma bomba.

    Qual foi a bomba do Gilmar Mendes? O Gilmar Mendes, ele tentou ligar para o Columbri, que tá com o rei na barriga, eh, e dizer: “Olha, eu vou fazer mudanças aí na maneira como se faz impeachment de ministro do Supremo.” O Alcol Columbre não atendeu as ligações do Gilmar Mendes. Fala: “Pô, você não vai atender ligação do Gilmar Mendes, tem que ser muito burro”. OK.

    O Al Columb está tendo crises de pânico. É por isso que ele tá nessa briga toda, porque tem investigações da Polícia Federal como o Alexandre de Morais que estão chegando em amigos dele. O Alcol Columbia é do União Brasil. Um copartidário dele. Você vê como a imprensa faz para proteger certos partidos políticos.

    Quando é PT, a imprensa é PT, PT, PT, petista, PT, petista. Quando é do União Brasil, você não vê a imprensa demonizando. Olha, o presidente do União Brasil tem ligação com o PCC. Olha, um dos políticos mais importantes do partido, que é presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, foi preso por fazer parte do Comando Vermelho e ajudar, orientar ali o Comando Vermelho em como fugir da justiça, como fugir da Polícia Federal.

    fala, pô, ele orientou o cara que lava dinheiro pro comando vermelho, que também é do União Brasil, a como fugir ali da Polícia Federal, ele fugiu, como destruir provas e tudo mais, só que ele também orientava traficantes. Aí fica ruim também foi preso outro membro do partido na semana passada, um vereador eh eh foi preso um do União Brasil e um do PL, porque ele estava ajudando uma outra facção criminosa chamada TCP.

     

    Você fala: “Pô, esses caras só tão ajudando facção criminosa. Eles lucram com dinheiro da venda de drogas. Por isso que eles são contra a legalização de qualquer tipo de droga, porque se for legalizada e a pessoa poder comprar numa farmácia, num mercado ou no bar esquina, aí o traficante não ganha nada, né? Quem quem que vai querer eh subir o morro para comprar lá com o traficante ilegalmente, sem saber a procedência do que você tá comprando, sendo que você tem um negócio que paga imposto tudo bonitinho no mercado, com selo de onde veio e e com, obviamente,

    seguindo as leis de qualidade, que se tiver uma qualidade ruim, você pode processar a empresa, imagina aí nem ninguém vai querer comprar do traficante. Por isso que esse pessoal da extrema direita é contra a legalização das drogas, tá? Só por isso, porque eles são cúmplices os traficantes, tá? Voltando aí ao caso, o Dabel Columbi tá com medo disso.

    Isso tá chegando nos governadores, tá chegando no Cláudio Castro do PL, tá chegando no Zema do PL, Zema que tá com um problemão aí na CPI do INSS, que já já eu falo disso e tal. Aí o que que fez o Gilmar Mendes? Gilmar Mendes, ele numa decisão monocrática, no âmbito ali de alguém que recorreu do da lei dos impeachments, que é a lei de 1950, ele mudou a lei para ele mudou ali o entendimento da lei para impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.

    Ele falou que, olha só, o procurador geral da República pode entrar com pedido de impeachment de ministro do Supremo. O Senado para aprovar tem que ter 2/3 do Senado e não maioria simples. Aí fica muito mais difícil pros bolsonaristas conseguirem 2/3. Aí eles precisam de 49 votos para aprovar o impeachment de um ministro do Supremo e não mais 41.

    Então são oito votos a mais. Fica bem difícil. O Senado tem 81 eh senadores, fica bem difícil conseguir ali 49, tá? E só pode pedir impeachment de ministros do Supremo por crimes que não seja uma decisão judicial. Ah, o cara dá uma decisão ali que alguém não gostou, pô, vai ali e pede o impeachman dele. Não pode.

    Tem que ter ali um crime ali, uma investigação que provou um crime do ministro. Tá, Dav Columbri ficou uma fé, deu aí uma entrevista, vou mostrar aqui um trecho para você com vocês aqui da Vel Columbelecida indica a necessidade de se alterar o regime das chamadas decisões monocráticas, em especial aquelas que suspendem a vigência de uma lei cautelarmente.

    Não é no mínimo razoável que uma lei votada em duas casas legislativas e sancionadas pelo presidente da República seja revista pela decisão de um único ministro do Supremo Tribunal Federal. Para tanto, deve ser exigível a decisão colegiada da Corte, instância única e última para se declarar a constitucionalidade ou não de uma lei vigente.

    Também neste sentido, tramita no Congresso Nacional a PEC 8, já votada e aprovada no Senado Federal, aguardando deliberação da Câmara dos Deputados. A PEC 8 foi aí pra Câmara dos Deputados que não votou a PEC 8 Câmara dos Deputados votou 3 horas depois, 2 horas depois desse discurso aí um projeto de lei que não é PEC, eh, na Comissão de Constituição e Justiça, que diz ali que decisões monocráticas de ministros do Supremo Tribunal Federal devem ser levadas imediatamente ao plenário, que eles não podem mais tomar decisões monocráticas no âmbito ali de leis, ou

    seja, você tem uma lei que é inconstitucional, ele tem que o plenário decidir. O problema aí do alumbre é que quando for a plenário vai ser 11 a 0 contra ele para garantir ali referendar a decisão do do Gilmar Mendes. Então pode ir no plenário, pode fazer o que quiser, você vai perder.

    E aí a única chance dele dele reverter isso é recorrendo. Só que sabe o que acontece? Ele não pode recorrer porque ele não é parte nesse processo. Ele pode entrar com outro processo contra isso e aí pode demorar anos e anos e anos. Sabe quem recorreu? Advocacia geral da União de Messias pede que Gilmar reconsidere decisão de que só PGR pode pedir impeachment de ministro.

    toda a decisão. Aí o Messias que o Davi Columbia tava boicotando é quem está ali negociando o meio termo com o Gilmar Mendes. Aí o Messias sai como herói. Aí os senadores falam: “Pô, esse cara ele é o bonzão, hein? Vamos aprovar esse cara para SF”. Aí pergunta aí para você plantonista, tem o dedinho do Lula nos bastidores ou não tem? Tá aí a alcol.

    Olha, deve assim, alguém anotou a placa do caminhão que me atropelou. Tá ruim aí pro alcolumbre, viu? Bem ruim. Só que não tão ruim como tá aí para alguns bolsonaristas. Olha a CPI do NSS, CPMI, né? É uma CPI mista, tem senadores e deputados nela. A CPMI NSS finalmente chegou aí depois de chegar em muita gente ligada ao Bolsonaro, agora chegou num governador, foi convocado, está convocado.

    Vai depor lá na CPMI o Romeu Zema. Governador de Minas Gerais. Thiago, como assim Romeu Zema, aliado do Bolsonaro e comparça num crime de R$ 7 bilhões de reais? O quê? 7 bilhões. 7 bilhões. Que que aconteceu? Vou te explicar isso. Quem assiste o Plantão Brasil aqui há pelo menos 3 anos vai se lembrar que eu fiz vídeo na época.

    Entre o primeiro e o segundo turno da eleição, o Bolsonaro cometeu mais um crime eleitoral. Ele liberou o empréstimo consignado para quem recebia o auxílio Brasil. E aí vários bancos passaram a oferecer esse empréstimo com juros altíssimos. E aí a pessoa pelo próprio aplicativo do banco, ela se recebeu o auxílio Brasil, ela já podia pedir o empréstimo, o Pix cair na conta na hora.

    E aí a pessoa acabava ali pagando às vezes o dobro do que pegou emprestado. A pessoa pegava ali R$ 2.000 emprestados e parcelava em 2 anos, no fim pagava 4.000 pro banco. Só que olha só que operação delicinha pro banco. Já é o dinheiro descontado direto na folha de pagamento da pessoa que recebe auxílio Brasil.

    Então a pessoa podia ali perder, né, até 1/3 do benefício. Ela podia ali comprometer com empréstimo. Ou seja, a pessoa tá ali, ela ela faz um gasto inesperado. Vamos lembrar, na grande maioria são pessoas humildes, pessoas que não tiveram acesso aí a estudo, muito menos estudo de matemática. Velho, pô, 2000 agora. A pessoa não pensa no juro, sobre juros, sobre isso aqui e a pessoa se endivida.

    E o banco cobra um juro, cobrava juros abusivos os bancos, né, por uma por um dinheiro que é certo, não tem como dar calote. Fala, pô, uma coisa é o banco, e isso eu vejo muita gente de direita falando, é uma falácia gigantesca, dizer a no Brasil a taxa de juros é muito alta porque tem muita inadimplência, tem muito caloteiro.

     

    Pô, mas como é que você vai pagar o empréstimo se você pega ali no cartão de crédito R$ 1.000, depois de ano você tá devendo R.000. Aí depois o banco fala: “Não, é porque você não paga, pô.” Claro que ninguém consegue pagar com com um juros tão alto, mas aí eles usam essa. Só que no caso do do auxílio do consignado, não tem como ter na implênciaa se já é descontado na fonte.

    Mesmo assim os juros mais altos do mundo. OK? Acontece que o Romeu Zema, ele tem um banco. Vou te mostrar aqui uma um vídeo que foi feito pela equipe do deputado Rogério Correia, que é parte da CPMI, em que ele expõe aí o Romeu Zema em poucos segundos. Aí depois eu explico melhor. Vamos lá com vocês aqui. Romeu Zema. Vamos lá.

    Sabe o Romeu Zema, aquele do partido novo e que gosta de pousar de humilde? O que ele não te conta é que ele também tem um banco que se chama Zema Financeira. Em 2022, o governo Bolsonaro teve a ideia de liberar empréstimo consignado no auxílio Brasil, traduzindo: cobrar juros de quem passava fome durante a pandemia.

    E adivinha qual banco correu para morder essa fatia? O banco do Zema. Olha o esquema. A CGU descobriu que 93% desses empréstimos foram liberados exatamente entre o primeiro e o segundo turno das eleições. Foram mais de R bilhões e meio deais. Resultado, famílias vulneráveis presas em juros abusivos enquanto o banco lucrava.

    O Zema diz que é liberal e é mesmo liberal com o lucro do banco dele e mão de ferro com quem passa fome, sabe? E aí você vê o que é apenas 11 bancos mais a Caixa Econômica Federal, que é um banco estatal, tiveram ali, ganharam do governo Bolsonaro o privilégio de fazer esse tipo de operação. Eu vou falar até eu queria, eu abria um banco, eu pegava o empréstimo no BNDS e eu emprestaria dinheiro, porque olha, é lucro certo ali.

    Quem entrou nessa ganhou um lucro certo ali. Não tinha como você perder dinheiro. 7 bilhões. O Zema pegou nessa aí. Aí você fala: “Que coisa, hein? Que coisa! Até você, plantonista, se pudesse, abriria um banco e faria isso. Emprestar dinheiro sabendo que você vai ganhar com juros altos e não tem como a pessoa te dar calote.

    Pois bem, aí você fala: “Pô, isso é um crime, né, Thago? Se foi feito de de maneira que ele usou ali a interferência que ele tem no governo Bolsonaro e a amizade que ele tem para fazer isso, não é um crime. Porque se todos os bancos pudessem entrar, que é o que eu falei, até você podia abrir um banco e entrar, né? Se todos pudessem entrar, aí você tem uma concorrência.

    Mas se só alguns bancos foram escolhidos a dedos puderem entrar, aí tem crime. Porque uma coisa você ter concorrência e aí tem 300 bancos no Brasil, contando bancos, bancos digitais, etc., todos oferecendo o mesmo serviço. A pessoa ia pegar empréstimo, mesmo que sejam pessoas ali que são eh menos alfabetizadas e tal, a pessoa vai, muitos vão pensar e falar: “Pô, vou pegar empréstimo onde me cobra juros menores”, né? Só que agora se só tinha a Caixa Econômica do governo Bolsonaro que tava cobrando juros maiores que os

    Lula celebrates sovereignty of Brazilian people on Independence Day |  Agência Brasil

    outros e os outros todo mundo fazia cartel para cobrar o juro, ó, no mínimo vamos cobrar aqui 5, 6, 7% ao mês, hein? Aí o que acontece? A pessoa fica sem ter ali a livre concorrência, sem ter ali opção. Aí que tá o crime. Pois bem, descobriram que estavam fazendo isso com o consignado do DNSS e do auxílio Brasil.

    E aí falaram o quê? Para piorar, o Zema, ele ele mandou para CPM, ele já tá com medo, ele mandou uma carta dizendo: “Ó, eu não posso ser convocado porque eu não faço parte do quadro societário aí do banco mais. Aliás, eu não faço parte mais da administração do banco, porém do quadro societário, sim, ele faz parte. Ele tem 16% do banco, aí o irmão dele tem mais 16% e a outra irmã dele tem mais de 16%.

    Fala o quê? É total tem 16 e uma fração. Total eles têm 49.9. 9% do banco, ele e os dois irmãos. E quem é que tem 50.1% do banco, Thaago? Da onde? Quem que tem a maioria? O pai deles. Ou seja, é uma empresa da família Zema, Banco Zema, empresa da família Zema. Ele e os irmãos. E ele ganha diretamente lucro sobre isso, porque ele tem 16% do banco, 7 bilhões.

    Se ele lucrou ali desses 7 bilhões, vamos supor que três é lucro, dois é lucro, 2 bilhões de lucro, 16% de 2 bilhões é o quê? R20 milhões deais só numa atacada para ele, mais 320 pra irmã, 320 pro irmão e mais 1 bilhão pro pai. Tá bom? Que mais? Pois bem, no caso Zema, ele queria mais, ainda fez consignado com o NSS e ainda fez vários outros tipos de operações aí irregulares no governo Bolsonaro.

    Agora será convocado na CPMI. A CPMI tá indo para cima dos bolsonaristas, tá passando trator. Começam, quanto mais eles vão ali cavucando, mais eles acham eh as digitais de bolsonaristas no roubo e agora não só dos aposentados, mas também dos beneficiários do auxílio Brasil. A ver, ih, a coisa vai ficar ruim. Pior, o banco do Zema é o banco que mais teve reclamação de empréstimos que foram concedidos sem ali a anuência da pessoa.

    Ou seja, de repente caía dinheiro na conta da pessoa e começava a debitar por mês ali mais. Mas fala: “Pô, que coisa? Quer dizer, o dinheiro era tão fácil de ganhar? Porque imagina, você empresta R$ 1.000 por uma pessoa e ao longo de 1 do anos você cobrou 2.000 daquela pessoa. É um lucro, não existe investimento no mundo que você tenha 100%, 200% ali de lucro garantido em um ano, em 2 anos.

    Não existe. Vê um investimento que te dá 100% de lucro em um ano, não existe. Pois bem, você vai colocar ali no LCI, dá 1% ao mês, imagina 100% ao ano. Ok? Aí o que que eles faziam? Era tão fácil ganhar dinheiro que eles começaram a cadastrar pessoas ali e aí eles faziam um Pix lá pra pessoa e começava a descontar para ganhar dinheiro em cima de pessoas que não queriam o empréstimo.

    Aí fala que coisa, é crime da pior espécie. Roubando mesmo. É pior que ladrão de celular que te roubou uma vez só. Vai te roubando todo mês. Pois bem, veremos aí o que vai acontecer com Romeu Zema, viu? As investigações estão avançando sobre ele. Peço aí a sua inscrição no canal. Seguimos aqui na luta contra essa extrema direita maldita. Falou. Yeah.

  • EXCLUSIVO: A BOMBA QUE ABALOU O SENADO! DAVI ALCOLUMBRE EXPOSTO COM ELOS DE ALTA PERICULOSIDADE E O ESCÂNDALO DAS “CANETAS PROIBIDAS” DO PCC

    EXCLUSIVO: A BOMBA QUE ABALOU O SENADO! DAVI ALCOLUMBRE EXPOSTO COM ELOS DE ALTA PERICULOSIDADE E O ESCÂNDALO DAS “CANETAS PROIBIDAS” DO PCC

    Que bomba foi essa para o Davi Columbri? Mais uma bomba. E é como eu falei para vocês, não se desafia presidente da República. Todos aqueles que tentam desafiar presidentes acabam se dando mal. E o Daviol Columbri é mais um. Porque saiu aí uma informação que o Daviol Columbri teria adquirido canetas emagrecedoras do Beto Louco.

    Beto Louco é aquele empresário pivô da operação Overclean. E eu não sei se as canetas emagrecedoras funcionaram ou não. Acredito visualmente que não funcionaram. E talvez esse descompasso hormonal seja o motivo da irritação do Davi Columbre com o governo Lula. Ou pode ser também a Polícia Federal rondando aí as relações de políticos do centrão com integrantes do PCC.

    Porque o mais chocante, na minha opinião, de toda essa revelação da compra das canetas do Davi Columb vindas do Beto Louco, foi que o Davi Columb esteve junto com o Beto Louco em uma festa de aniversário do Antônio Rueta, que é o presidente do União Brasil. Então esse Beto Louco, ele tinha relações muito próximas e talvez até mesmo de amizade com o Antônio Rueda. Eles eram amigos.

    Shielding bill faces rockier path in Senate

    Como que você chama alguém pro seu aniversário porque não é seu amigo ou uma pessoa que você não conhece? Então, tá estranho e tá sempre vindo aí a imprensa, cobertura política, aventando essas relações de integrantes do centrão com integrantes de facções criminosas. Tem coisa aí e vai ter gente que vai ser presa.

    Por que que o Davi Columbre está tão revoltoso com o governo? É a Polícia Federal? É a caneta emagrecedora que não deu certo ou um descompasso hormonal? Quero que você coloque aqui nos comentários com o nosso toquezinho de picardia. Você tem achado muito suspeito essa toda essa notícia, né, envolvendo o integrante do centrão e o PCC? E o Antônio Rueda, hein? Coloque nos comentários, like no vídeo se você gostou, qual culm se ferrou e se inscreva no canal.

    O Fábio Serapião do Wall obteve umas mensagens que são muito esquisitas do Daviol Columbri sobre ali que envolvem o Daviol Columbri. Por que que aconteceu? Teve lá o pivô da operação Overclean, um dos pivôs, né, são dois empresários e um dos empresários é o Beto Louco. O Beto Louco, pessoal, ele eh intermediava a compra de canetas emagrecedoras ou a venda de canetas emagrecedoras e foram obtidas mensagens do Fábio Serapião, do motorista do Davi Columbri com o Beto Louco.

    E o Beto louco passou essas canetas emagrecedoras para o motorista para que elas fossem entregues ao Daviol Columbre. Isso porque na época das mensagens, lá em agosto do ano passado, as canetas emagrecedoras de uma determinada marca específica não eram e regulamentadas pela Anvisa. Então para você conseguir obter essas canetas emagrecedoras ou era mercado paralelo com alguém que viajava muito para o exterior ou que podia intermediar essa compra.

     

    Mais ou menos um contrabando aí, contrabando de empresário ligado ao PCC. E aí o Daviol Columbre conseguiu ou teria conseguido do Beto louco porque o motorista levou até ele. E o que mais me chama atenção em toda essa história não é nem a compra das canetas emagrecedoras, né? é que um dia antes das mensagens do Betoluco para o o assessor, o motorista do Davi Columbri ocorrerem, o Davi Columbri esteve junto com o Beto Louco na festa de aniversário do Antônio Rueda.

    Então esse Beto louco era alguém íntimo do meio político, reforçando ainda mais as especulações sobre essas relações promíscuas de figuras políticas do Centrão com integrantes do crime organizado. E esse caso também mostra toda a reforça, melhor dizendo, toda a suspeita que há em Brasília, que há no governo e que há em toda a cobertura política dos motivos do Dav Columb estar todo raivoso com o governo Lula.

    Pode ser que as caretas não tenham surgido do efeito. Pode, pode, pode. Claro, isso é uma possibilidade e por isso ele tá nervoso com o Lula. Mas pode ser também que todas essas operações da Polícia Federal tenham causado revolta no Davi Colore. Porque você tem Overclean, você tem eh carbono oculto, você tem o caso do Banco Master, você tem também o episódio da refinaria refit Manguinhos.

    Tudo isso sempre envolvendo integrantes do centrão como Ciro Nogueira, Antônio Rueda e agora até mesmo o Davi ao Columbri. E quando saiu a operação carbono oculto, nós temos que lembrar que o Igor Gadelha do Metrópolis trouxe informação que Brasília tava de cabelo em pé. Cabelo em pé com suspeitas e possibilidades ali de relações que deveriam ficar ocultas.

    Porque quando o governo Lula começou a rastrear o fluxo financeiro do crime organizado, o centrão ficou com PEC da blindagem, piante de facção, tentando se blindar de alguma forma. De todo esse caso das canetas emagrecedoras do da Aviol Columbri, o que mais me chama a atenção e o que é mais preocupante é o envolvimento do Antônio Rueda.

    Senate shelves controversial shielding bill after unanimous ...

    Por quê? O Davi Columbra, ele pode ter encontrado ali no aniversário do Antônio Rueda, o Beto louco. E aí, ah, você tem a caneta? Tem, tão vivend para mim e tal. Pode ter sido uma relação pontual, mas a relação do Beto Louco com Antônio Rueda não era algo pontual, porque você não chama alguém pro seu aniversário se você teve apenas uma relação pontual com essa pessoa.

    Não é assim que as coisas funcionam. Então é muito possível que o Beto Louco era alguém íntimo do Antônio Rueda. E a gente sabe que um dos pilotos que faziam táxis aéreo para o Beto Louco confessou ou falou em depoimento à Polícia Federal que o dono da empresa de taxi aéreo ou pelo menos dos jatos, era o Antônio Rueda.

    Então havia uma relação próxima entre os dois. E vai dar problema. Vai, vai dar problema, porque tá tendo aí uma um movimento de delação, inclusive delação do Beto Louco. Segundo Andresa Matais, o Celso Vilarde, que é o mesmo advogado do Bolsonaro e agora advoga para o Beto Louco, disse que não há a mínima possibilidade de haver uma delação premiada.

    Mas o Lauro Jardim do Globo afirmou que o Beto Louco já até teria feito a delação premiada dele. E se esse cara abrir a boca, ele vai colocar Brasília para baixo. O Planalto Central vai simplesmente cair, porque se ele era amigo do Antônio Rueda, ele vai entregar um cara, ele vai revelar as relações de políticos.

    Fora que também tem a possibilidade da delação do Banco Master, não do Varcaro, do Vorcaro, mas do Paulo Henrique Costa, que era o presidente do BRB, uma complicação, olha, uma situação que tá um clima estranho, né? Porque assim, parece que são que tá a imprensa tá só ventilando, soprando, aventando, né? Porque é Círio Nogueira, empresa dele e alguém do PCC.

    É Davi Columb, alguém o motorista e alguém do PCC. Tem sempre um intermediário intermediando essas relações de políticos com integrantes do PCC. Tá estranho. Tá estranho. Quase como uma uma espécie de preparação para a grande bomba que está vindo. É muita fumaça saindo aí. E eu não acredito que essa fumaça toda vai revelar um um foguinho, não.

    Vai revelar um incêndio, possivelmente de proporções florestais.

  • A FILHA DA ESCRAVA GRITOU DENTRO DA CAPELA “A SINHÁ ESTÁ MENTINDO!” — E O PADRE NÃO CONSEGUIU…

    A FILHA DA ESCRAVA GRITOU DENTRO DA CAPELA “A SINHÁ ESTÁ MENTINDO!” — E O PADRE NÃO CONSEGUIU…

    A filha da escrava gritou dentro da capela assim a está mentindo e o padre não conseguiu esconder o resto da história. Olá, meu amigo e minha amiga. Aqui é Miguel Andrade, o narrador de segredos da Senzala. E hoje você vai conhecer uma história que vai mexer com cada pedaço do seu coração.

    Antes de começarmos, inscreva-se no canal e me diga nos comentários de onde você está nos ouvindo. É sempre emocionante saber até onde nossas histórias chegam. Prepare-se, porque a emoção começa agora. O silêncio dentro da capela de Nossa Senhora do Rosário em Parati era tão denso que parecia sufocar quem ousasse respirar.

    As velas tremeluziam nas laterais do altar, projetando sombras dançantes sobre as paredes caiadas de branco, enquanto o cheiro de incenso misturava-se ao aroma adocicado das flores brancas que enfeitavam o caminho até o padre. Era domingo, 15 de março de 1857, e toda a elite cafeeira da região estava reunida para a missa solene. Sentada no primeiro banco, com seu vestido de seda verde esmeralda bordado em fios dourados, dona Mariana Vasconcelos mantinha a postura ereta, o leque de marfim nas mãos enluvadas, os olhos claros fixos no crucifixo. Ao seu lado,

    o coronel Antônio Vasconcelos, dono da fazenda Santa Cruz, a maior produtora de café do Vale do Paraíba, ajeitava o colarinho engomado e observava com orgulho a esposa. Mas ninguém ali, absolutamente ninguém, esperava pelo grito agudo e desesperado que rasgaria aquele momento de devoção, como um raio partindo o céu. Assim, está mentindo.

    O padre Bernardo congelou com a hóstia nas mãos, seus olhos arregalados voltando-se para a porta da capela. Todas as cabeças viraram ao mesmo tempo, rangendo os bancos de madeira envernizada contra o chão de pedra. Lá estava ela, Joana, uma menina de apenas 10 anos, magra como um passarinho, pele negra brilhando de suor sobre o sol que entrava pela porta aberta, os pés descalços cobertos de poeira vermelha da estrada.

    Usava um vestido simples de algodão cru, curto demais para seu tamanho, remendado com retalhos desiguais. Seus olhos grandes e assustados estavam vermelhos de tanto chorar. Mas havia neles uma determinação que não pertencia a uma criança. Era o desespero de quem não tinha mais nada a perder. Suas mãos pequenas seguravam firme a saia da mãe Rosa, uma mulher de 40 anos curvada pelo peso de décadas de trabalho nas lavouras.

    O murmúrio começou a se espalhar pelos bancos. Eram escravas da fazenda Santa Cruz. o que uma criança fazia ali gritando contra aá. Dona Mariana levantou-se devagar, o rosto pálido, perdendo toda a cor que o pó de arroz tentava manter. Seus dedos apertaram o leque com tanta força que as varetas de marfim quase se partiram.

    Essa menina enlouqueceu sua voz saiu trêmula, mais alta o suficiente para ecoar pelas paredes da capela. Coronel, mande prender essa criatura. imediatamente perdeu completamente o juízo. O marido já estava de pé, a mão no cabo do chicote que sempre carregava preso ao cinto, não por necessidade, mas por hábito, como quem carrega um símbolo de poder.

    Os outros fazendeiros começaram a se levantar também, indignados com tamanha afronta. Uma escrava criança interromper a missa, gritar acusações contraá. Aquilo era motivo de castigo exemplar, talvez até o tronco, mas a pequena Joana não recuou. Seus olhos infantis se cvaram nos de dona Mariana, com uma intensidade perturbadora.

    A senhora pode mandar-me chicotear, pode me vender, pode fazer o que quiser comigo. Joana falou com a voz trêmula e aguda de criança, lágrimas escorrendo pelo rosto magro. Mas eu não vou deixar a senhora vender minha mãe, não depois de tudo que a senhora escondeu desse povo todo, não depois do que o padre sabe e nunca contou.

    As palavras saíam atropeladas, intercaladas por soluços, mas cada uma delas carregava um peso que fez o ar da capela ficar ainda mais pesado. O silêncio que se seguiu foi mortal. O padre Bernardo, um homem de 60 anos com batina gasta e olhar cansado, abaixou lentamente a hóstia. Suas mãos começaram a tremer visivelmente.

    Ele sabia, claro que sabia, durante 23 anos guardara aquele segredo sob o selo da confissão, carregando o peso daquelas palavras sussurradas no confessionário, como quem carrega uma cruz de chumbo nas costas. Mas agora, com todos os olhos voltados para ele e uma criança desesperada diante do altar, o que poderia fazer? Dona Mariana desceu os degraus que separavam o banco da elite do resto da capela, suas sapatilhas de cetim batendo secamente contra a pedra.

    Padre Bernardo, essa menina está perturbada. É filha de Rosa, a lavadeira. E esta manhã eu avisei que sua mãe seria vendida para a fazenda São José, no Rio de Janeiro. A criança não entende nada de negócios, ficou transtornada. Sua voz era calculada agora, como quem já ensaiara aquelas palavras.

    Uma escrava velha e improdutiva precisa ser substituída. É assim que as coisas funcionam. Mande essa criança se retirar antes que ela seja castigada por desrespeito. Os outros fazendeiros concordaram com menios de cabeça, suas esposas murmurando indignadas atrás dos leques. Como ousava uma negrinha fazer um escândalo daqueles? Mas havia algo no olhar do padre Bernardo que incomodava, algo que ele escondia.

    Mas Rosa, até então calada e tremendo de medo, deu um passo à frente e puxou a filha para trás de si, protegendo-a. Suas pernas magras mal a sustentavam, mas havia uma coragem desesperada em seu gesto. “Sim, Mariana”, ela disse com a voz rouca de quem passou a vida inteira em silêncio. “A senhora sabe muito bem porque eu não posso ser vendida.

    A senhora sabe o que aconteceu naquela noite de 1838, quando o senhor seu pai ainda era vivo. A senhora estava lá, eu estava lá e o padre Bernardo também estava. Por isso, a senhora sempre me manteve perto da casa grande, longe dos outros escravos, me proibindo de contar qualquer coisa do passado. O murmúrio na capela explodiu. 1838, 19 anos atrás, que noite era essa? O coronel olhou para a esposa confuso.

    Dona Mariana recuou um passo, o leque caindo de suas mãos e batendo no chão com um som seco. Seu rosto, antes pálido, agora estava vermelho de raiva ou seria de terror? Cale-se, dona Mariana berrou, perdendo toda a compostura de dama da elite. Cale essa boca antes que eu mande arrancar em sua língua e tire essa criança daqui. Ela viro-se para o marido, desesperada.

    Antônio, faça alguma coisa. Essa negra está inventando histórias para não ser vendida. Está difamando o meu nome, a memória do meu pai. Mas o coronel não se movia. Ele conhecia a esposa há 15 anos, desde que se casaram num acordo entre famílias ricas.

    E nunca, em todos esses anos, a vira perder o controle daquela forma. Havia algo errado, algo que ele não sabia. E pela primeira vez uma dúvida cruel começou a crescer em seu peito. Seus olhos se voltaram para o padre Bernardo, que permanecia imóvel diante do altar, a testa coberta de suor frio.

    A pequena Joana continuava ali, agarrada às saias da mãe, tremendo, mas sem recuar. Padre, o coronel disse com voz grave, o Senhor vai explicar o que está acontecendo aqui agora. Era uma ordem, não um pedido. O padre Bernardo fechou os olhos por um longo momento. Podia sentir o peso de cada olhar sobre si, o julgamento silencioso daqueles que esperavam dele uma resposta.

    Como servo de Deus, havia jurado guardar os segredos da confissão até a morte. Mas como homem de consciência, como poderia permitir que Rosa fosse vendida, separada de sua filha pequena para esconder um pecado que ele testemunha? As mãos dele tremeram ao pousar o cálice sobre o altar. olhou para a menina Joana, tão pequena, tão frágil, mas tão corajosa, e algo em seu coração de velho padre se partiu.

    Há coisas, ele começou com voz trêmula, que foram ditas no confissionário, coisas que eu não posso, então eu vou contar. Joana gritou de repente, soltando-se da mãe e dando passos trôpegos à frente. Sua voz aguda de criança ecoou pela capela inteira. Minha mãe me contou tudo ontem à noite quando chorava pensando que nunca mais ia me ver.

    Assim, a Mariana não é filha do Barão de Parati, ela é filha da minha avó Benedita, filha de uma escrava. As palavras saíram aos borbotões, como se a menina precisasse falar rápido antes que alguém a impedisse. O barão de Parati não podia ter filhos. Todo mundo na fazenda sabia disso.

    E a esposa dele, desesperada para ter um herdeiro, fez um acordo com minha avó. Ela engravidou de um capataz branco, teve a criança e a baronesa fingiu que era dela. Minha avó foi obrigada a amamentar a própria filha como se fosse ama de leite e depois foi vendida para longe para nunca contar a verdade. A menina engasgava com o choro, mas continuava. Minha mãe Rosa viu tudo acontecer.

    Ela era só uma menina na época, mas viu o estrondo das revelações, caiu sobre a capela como um trovão. Dona Mariana cambaleou, as pernas falhando, e teria caído se não se agarrasse ao banco. As mulheres cobriram a boca com as mãos horrorizadas. Os homens se entreolharam incrédulos. Uma fazendeira da elite, esposa de coronel, filha de escrava, saída do ventre de uma negra, aquilo era impossível, monstruoso.

    Mas todos sabiam das histórias que circulavam sobre o Barão de Parati, sobre como sua esposa nunca saiu de casa durante a gravidez, sobre como ninguém foi chamado para assistir o parto. E agora, com o padre Bernardo, de cabeça baixa, tremendo, incapaz de negar as palavras da criança, a verdade começou a se desenhar naquele silêncio mortal.

    A pequena Joana, com seus 10 anos e seu corpo franzino, havia acabado de destruir toda a vida de dona Mariana Vasconcelos. E o pior, tinha feito isso por amor, por amor a sua mãe. Dona Mariana levantou os olhos, encontrando o olhar horrorizado do marido, e compreendeu que sua vida, tal como conhecia, havia terminado.

    O coronel Antônio Vasconcelos soltou o braço da esposa como quem solta um ferro em brasa. Seu rosto, sempre altivo e imponente, agora estava tomado por uma expressão de nojo e descrença que ele nem tentava esconder. “Mariana,” Sua voz saiu rouca, quase inaudível. “Diga que essa criança está mentindo. Diga agora”. Mas dona Mariana não conseguia falar.

    Sua boca abria e fechava como a de um peixe fora d’água, nenhum som saindo. As pernas tremiam tanto que ela precisou se apoiar no banco mais próximo, derrubando o inário que estava sobre o assento. O som do livro batendo no chão ecoou pela capela como uma sentença.

    Os outros fazendeiros começaram a coxixar entre si, suas esposas trocando olhares escandalizados. Alguns já se levantavam, apressados para sair dali e espalhar a notícia. Aquilo seria o maior escândalo que para ti já presenciara. Uma mulher da elite que se sentava nos melhores bancos, que comandava dezenas de escravos, que organizava bailes e jantares para toda a nobreza cafieira.

    Era filha de escrava, tinha sangue negro correndo nas veias. Padre Bernardo, o coronel virou-se bruscamente para o altar, a voz agora carregada de fúria. O Senhor vai falar, vai me dizer se isso é verdade ou não. Eu exijo. Seus olhos estavam injetados de raiva, mas por baixo dela havia algo pior, humilhação.

    Ele, o homem mais poderoso do Vale do Paraíba, havia se casado com aquilo. A sociedade inteira riria dele. Seus negócios seriam manchados. Sua honra destruída. O padre Bernardo levantou lentamente a cabeça e, quando seus olhos encontraram os do coronel, havia neles tristeza profunda, antiga, como a de quem carrega um fardo pesado demais há tempo demais. Coronel. Ele começou a voz embargada.

    Eu não posso quebrar o selo da confissão, mas o que posso dizer é que o barão de Parati procurou a igreja em seu leito de morte e havia coisas que pesavam em sua consciência, coisas sobre a origem de sua única filha. O silêncio que se seguiu era tão absoluto que dava para ouvir o farfalhar das velas.

    O padre havia acabado de confirmar tudo sem quebrar seu voto e todos entenderam. A pequena Joana continuava parada no meio do corredor, as lágrimas escorrendo pelo rosto, o corpo pequeno, tremendo de medo e coragem ao mesmo tempo. Rosa puxou a filha para trás, tentando protegê-la, mas a menina resistiu. E tem mais, Joana gritou novamente, a voz aguda cortando o murmúrio, que começava a crescer. Minha mãe Rosa também é filha da Benedita.

    Elas são irmãs. Assim, a Mariana e minha mãe nasceram do mesmo ventre. A revelação caiu como uma bomba. Algumas mulheres gritaram horrorizadas. Assim a vender a própria irmã, continuou Joana, os soluços intercalando as palavras. Depois que a senh Mariana nasceu e foi entregue pra baronesa, minha avó Benedita engravidou de novo de um escravo da fazenda.

    Nasceu minha mãe Rosa, mas ela ficou na cenzala como escrava, enquanto a irmã dela foi criada na casa grande como branca. A menina engasgava com o choro. São irmãs do mesmo sangue, da mesma mãe. E assim a ia separar minha mãe de mim, do mesmo jeito que separaram ela da avó Benedita. Cale essa criança.

    Dona Mariana finalmente encontrou a voz e ela saiu como um berro desesperado. Ela avançou em direção a Joana, os olhos transtornados, as mãos estendidas como garras. Mentiras. Tudo mentira. Minha mãe era a baronesa. Eu não tenho nada a ver com essa essa Mas antes que ela chegasse perto da menina, o coronel a segurou pelo braço com força, fazendo-a girar para encará-lo. “Você vai responder minhas perguntas agora, Mariana”, ele disse entre dentes cerrados.

    “E vai falar a verdade. Pela primeira vez em todos esses anos. vai me dizer a verdade. Ela tentou se soltar, mas ele a segurava com força. Você sabia? Sabia que era filha de uma escrava, que tinha uma irmã escrava na sua própria fazenda? Dona Mariana fechou os olhos, as lágrimas finalmente escapando.

    Quando abriu a boca para falar, sua voz estava quebrada, irreconhecível. Eu eu descobri quando tinha 15 anos. Meu pai me contou antes de morrer. Disse que era um segredo que eu deveria levar para o túmulo. Mas sobre Rosa, eu não sabia. Eu juro que não sabia. O coronel soltou o braço da esposa com tanta força que ela quase caiu.

    “Você me enganou”, ele gritou e sua voz reverberou pelas paredes da capela. “Você se casou comigo sabendo que era que tinha?” Ele não conseguia nem terminar a frase, enojado demais. Nosso casamento foi arranjado pelas famílias. Eu recebi terras, dinheiro, o título de coronel, tudo porque você era filha do Barão de Parati. Mas era tudo mentira. Você não tem sangue nobre, você é E então ele disse a palavra que fez dona Mariana desmoronar completamente. Você é uma negra.

    A palavra caiu sobre ela como uma condenação definitiva. Todas as outras mulheres da elite se afastaram instintivamente, como se a cor da pele de dona Mariana pudesse contaminá-las só por proximidade. Ela caiu de joelhos no chão frio da capela, o vestido de seda verde esmeralda espalhado ao seu redor como as asas de um pássaro abatido, e começou a chorar convulsivamente.

    Rosa, que até então havia ficado em silêncio depois do grito da filha, deu um passo à frente com as pernas tremendo, puxando Joana consigo. “Sim, Mariana”, ela disse com uma voz que misturava dor e firmeza. Eu também não sabia que a senhora era minha irmã. Minha mãe Benedita foi vendida quando eu tinha apenas trs anos. Eu mal me lembro do rosto dela. Cresci na cenzala, ouvindo os mais velhos contarem a história de uma escrava bonita que teve uma filha e que a baronesa criou como se fosse dela.

    Mas ninguém nunca disse o nome dessa escrava. Ninguém nunca disse que era minha mãe. Suas mãos tremiam enquanto segurava os ombros magros da filha. Só descobri a verdade quando Benedita conseguiu mandar uma carta há 10 anos, pouco antes de morrer no Espírito Santo. Ela me contou tudo, me disse que eu tinha uma irmã que foi criada como branca, como e me fez prometer que eu nunca contaria para não destruir a vida dela. A voz de Rosa se quebrou.

    Eu guardei esse segredo durante 10 anos. Sim, 10 anos te servindo, lavando suas roupas. cuidando da sua casa, sabendo que você era minha irmã e que nunca poderia te abraçar. Irmã? Dona Mariana levantou a cabeça, o rosto desfigurado pelo choro e pela raiva. Eu não sou sua irmã. Eu não tenho nada a ver com você.

    Nós não somos iguais. Ela apontava para Rosa com desprezo, mesmo prostrada no chão. Você é escrava. Você nasceu na cenzala e eu nasci na casa grande. O sangue não importa. O que importa é onde você foi criada. Mas Rosa sacudiu a cabeça lentamente, as lágrimas escorrendo pelo rosto cansado. O sangue importa simá, porque é o mesmo sangue que corre nas minhas veias, que corre nas suas. É o sangue da nossa mãe Benedita. Ela nos deu a vida.

    A única diferença entre eu e a senhora é que a senhora teve sorte de nascer primeiro e ter a pele mais clara. Só isso, sorte. A palavra ecoou pela capela. Sorte. Era disso que se tratava. Não mérito, não valor, não caráter, apenas sorte. A sorte de ter nascido com a pele certa no momento certo para a pessoa certa.

    A pequena Joana observava assim no chão, chorando, e algo se revirou em seu peito infantil. “A senhora ia me deixar sem mãe?”, ela disse com a voz trêmula: “Do mesmo jeito que deixaram a senhora sem a avó Benedita. A senhora sabe como dói ficar sem mãe sem a Sabe como é acordar de noite com medo e não ter ninguém para abraçar?” As palavras da menina eram simples, mas cortavam fundo. Eu só queria que a senhora não vendesse minha mãe. Só isso.

    Eu não queria destruir a vida da senhora. Joana começou a chorar mais forte. Eu só queria ficar com minha mãe. Rosa abraçou a filha, afundando o rosto nos cabelos crespos da menina. E as duas choraram juntas, mãe e filha, unidas pelo amor, enquanto do outro lado da capela, dona Mariana chorava sozinha, separada de tudo e de todos pela mentira que havia sustentado sua vida inteira.

    O padre Bernardo desceu lentamente do altar, os passos pesados, e se aproximou de dona Mariana. Ele se ajoelhou ao lado dela, colocando uma mão gentil em seu ombro. “Filha”, ele disse com suavidade. “A verdade sempre vem à tona. Sempre. Você viveu uma mentira durante toda a sua vida e mentiras, por maiores que sejam, não se sustentam para sempre.

    ” Ela ergueu os olhos inchados para ele. “O que eu faço agora, padre? Como eu vivo depois disso? Eu perdi tudo. Meu marido, minha posição, minha vida. O padre suspirou fundo. Você ainda tem algo, Mariana? Algo que nunca teve antes. Ela olhou para ele confusa. O quê? E ele respondeu, olhando para Rosa e Joana. Uma família, uma irmã, uma sobrinha. Sangue verdadeiro.

    Não aquele que foi comprado com mentiras, mas aquele que foi dado por Deus. Dona Mariana seguiu o olhar do padre e viu Rosa segurando Joana, as duas abraçadas, protegendo-se mutuamente. E pela primeira vez em sua vida, ela entendeu o que havia perdido ao viver aquela farça.

    O coronel já estava na porta da capela, ajeitando o chapéu quando virou-se uma última vez. “Nosso casamento acabou, Mariana”, ele disse com frieza. Vou procurar a anulação junto à igreja e você vai sair da fazenda. Não quero mais ver sua cara. Você me envergonhou. Envergonhou meu nome, minha família, minha linhagem. Cada palavra era uma sentença fria e definitiva. Dona Mariana estendeu as mãos em sua direção, suplicante.

    Antônio, por favor, onde eu vou? O que vai ser de mim? Eu não tenho para onde ir. Mas ele já havia saído batendo a porta da capela com força. O som ecoou como um portão de prisão se fechando. Os outros fazendeiros e suas esposas o seguiram rapidamente, ansiosos para escapar daquele escândalo e espalhar a notícia por toda para ti.

    Em poucos minutos, todos haviam saído, deixando apenas o padre Bernardo, dona Mariana destroçada no chão e Rosa com Joana. Rosa olhou para a mulher que durante toda a vida fora a sua mulher que a mandara chicotear quando quebrou uma louça, que a humilhara na frente de outros escravos, que decidira vendê-la para longe da filha sem pensar duas vezes.

    Mas agora, vendo aquela mesma mulher desmoronada, chorando feito criança abandonada, Rosa sentiu algo inesperado crescer em seu peito. Não era alegria pela vingança, não era satisfação pela queda, era pena. Pena misturada com uma dor antiga e profunda, porque elas eram irmãs, ligadas pelo sangue de Benedita, pela dor da escravidão, pela crueldade de um sistema que separava famílias e destruía vidas.

    “Sim a Mariana”, Rosa disse suavemente, soltando Joana e dando um passo em direção à irmã caída. A senhora não precisa ficar sozinha. Dona Mariana ergueu os olhos incrédula. O que O está dizendo? Rosa estendeu a mão. Uma mão calejada, marcada por anos de trabalho duro, mas aberta em oferta. Somos irmãs e irmãs não se abandonam, mesmo quando uma delas passou a vida inteira nos abandon.

    Dona Mariana olhou para a mão estendida de rosa, como se estivesse vendo um fantasma. Aquela mão escura, calejada, marcada por cicatrizes de trabalho forçado, era a mão de sua irmã, sua irmã de sangue, a filha da mesma Benedita, que a amamentou em segredo, que foi arrancada de suas vidas para que uma mentira pudesse prosperar.

    Durante longos segundos, ela não se mexeu, apenas fitava aquela mão como se não soubesse o que fazer. O orgulho, a vergonha, o desespero, tudo se misturava em seu peito apertado. Mas então, lentamente, suas próprias mãos trêmulas e enluvadas se ergueram. Ela tirou as luvas de renda branca, deixando-as cair no chão da capela, e segurou a mão de rosa.

    No momento em que seus dedos se entrelaçaram, algo se rompeu dentro de dona Mariana, como se uma represa que ela construíra durante toda a vida desmoronasse de uma vez. Ela desabou em soluços convulsivos, apertando a mão da irmã como quem se agarra a última tábua em meio a um naufrágio. “Eu não sabia”, ela choramingou. “Eu juro que não sabia que você era minha irmã.

    Se eu soubesse, mas a senhora sabia que eu era gente. Rosa interrompeu com voz firme, mas sem raiva. A senhora sabia que eu sentia dor, que eu amava minha filha, que eu tinha coração e mesmo assim ia me vender para longe. Ela não soltou a mão de Mariana, mas também não deixou de falar a verdade.

    A senhora não precisava saber que éramos irmãs para me tratar com humanidade. Sim. mas escolheu não fazer isso. As palavras eram duras, mas precisavam ser ditas. Dona Mariana apertou os olhos, as lágrimas continuando a escorrer. Eu eu fui criada para ser assim, para não ver os escravos como como pessoas. Meu pai, a baronesa todos me ensinaram que era assim que as coisas eram, que era natural, que era certo. Sua voz estava quebrada.

    Mas eu estava errada, tão errada. Ela olhou para Joana, que observava tudo com os olhos grandes e assustados. E você, minha sobrinha, uma criança de 10 anos, teve mais coragem do que eu tive em toda a minha vida. O padre Bernardo, ainda ajoelhado ao lado delas, colocou as mãos sobre as duas mulheres.

    Filhas, ele disse com voz embargada pela emoção. Este é um momento que eu orei para ver durante 23 anos. Quando o Barão confessou a verdade em seu leito de morte, ele me fez prometer que eu velaria por Mariana, mas também por qualquer outra filha que Benedita pudesse ter tido.

    Ele sabia que Rosa existia, sabia que havia vendido a mãe de vocês para esconder o segredo e aquele pecado o consumiu até o último dia de sua vida. O padre olhou para Mariana com ternura. Seu pai não era um homem mau, Mariana, era um homem fraco, um homem que escolheu a mentira em vez da verdade, por medo do julgamento da sociedade. Mas no final ele se arrependeu e me fez prometer que se algum dia a verdade viesse à tona, eu protegeria você e Rosa. Ele pausou.

    Por isso, eu sempre rezei por vocês duas. Dona Mariana soltou um gemido de dor. Meu pai sabia e nunca me disse que eu tinha uma irmã. Era mais uma camada de traição, mais uma mentira descoberta. Eu poderia ter conhecido você, Rosa. Poderia ter te tratado diferente. Poderia ter. Mas Rosa balançou a cabeça. A senhora poderia sim a mas não teria feito.

    Porque mesmo sabendo que era filha de escrava, a senhora continuou vivendo como branca, tratando os escravos como animais. O problema não era só não saber que eu era sua irmã. O problema era não ver que todos nós éramos humanos. As palavras de rosa eram certeiras, como flechas atingindo o coração da verdade.

    A senhora me chicoteou uma vez porque eu quebrei um prato, lembra? Eu lembro. Tenho a marca nas costas até hoje. Naquele dia, a senhora nem olhou para o meu rosto, nem viu que eu estava chorando. Para a senhora eu era só uma coisa que havia quebrado outra coisa. A revelação caiu sobre Mariana como água gelada. Ela se lembrava, claro que se lembrava.

    Fora há três anos quando Rosa deixara cair uma travessa de porcelana francesa que pertencera à baronesa. Na época, Mariana ordenara cinco chicotadas, nem sequer questionara. Era o procedimento normal para escravos que danificavam propriedades valiosas. Mas agora, olhando para a irmã, compreendendo que aquelas chicotadas haviam rasgado a pele da própria irmã.

    Meu Deus! Ela sussurrou, levando as mãos ao rosto. O que eu fiz? O que eu me tornei? A pequena Joana, que até então ficara abraçar das saias da mãe, deu um passo tímido à frente. Sim. Ah! Ela disse com a vozinha trêmula. A senhora pode mudar. Minha mãe sempre diz que Deus perdoa quem se arrepende de verdade. A senhora pode ser diferente agora.

    As palavras de uma criança de 10 anos carregavam uma sabedoria que muitos adultos jamais alcançariam. A senhora pode nos ajudar a ser livres. Livres? Mariana repetiu a palavra como se fosse estrangeira. Eu eu não tenho mais poder sobre nada, Joana. Seu tio. O coronel vai me expulsar da fazenda. Ele vai ficar com tudo. Eu não posso libertar vocês.

    Mas o padre Bernardo levantou-se lentamente, um brilho diferente nos olhos cansados. Mariana, você ainda tem poder sobre uma coisa? O coronel pode ficar com a fazenda, com os bens, com as terras, mas os escravos que vieram com você como dote de casamento ainda estão sob sua autoridade legal. até que a anulação seja finalizada. E isso pode levar meses.

    Ele pausou, deixando as palavras penetrarem. Rosa e Joana faziam parte do seu dote. Elas ainda são legalmente suas propriedades por enquanto. O silêncio que se seguiu foi carregado de compreensão. Mariana olhou para o padre, depois para Rosa, depois para a pequena Joana. Seus olhos se arregalaram ao entender o que ele estava sugerindo.

    O Senhor está dizendo que eu posso, que eu devo libertá-las. O padre completou assinar as cartas de alforria hoje mesmo, antes que o coronel perceba, antes que ele tome o controle de todos os seus bens. é sua última chance de fazer algo certo, de honrar a memória de Benedita, de ser a irmã que você nunca foi. As palavras do padre ecoaram pela capela vazia.

    Mariana sentiu o peso daquela escolha sobre seus ombros. Se libertasse Rosa e Joana, não receberia nada em troca. Não ganharia perdão social. não recuperaria sua posição, não voltaria a ser quem era. Seria apenas um ato de justiça silencioso, invisível para todos, exceto para elas. Mas era a coisa certa a fazer.

    Pela primeira vez em sua vida, dona Mariana Vasconcelos estava diante de uma escolha moral verdadeira, uma escolha que não lhe traria benefício algum, apenas a paz de consciência. Eu preciso de papel”, ela disse lentamente, a voz ainda trêmula, mas decidida. “Preciso escrever as cartas de alforria agora, antes que seja tarde demais”.

    O padre Bernardo sorriu, um sorriso cansado, mas genuíno, e foi até a sacristia, voltando com papel, tinta e pena. Mariana sentou-se no primeiro banco da capela, ainda com o vestido de seda verde esmeralda sujo de poeira, e começou a escrever com mãos trêmulas. Rosa e Joana ficaram ao lado, observando em silêncio, mal ousando acreditar no que estava acontecendo.

    Mariana escreveu cada palavra com cuidado, sabendo que aquilo significava não apenas a liberdade delas, mas também sua própria redenção, não aos olhos da sociedade, mas aos olhos de Deus e de sua própria consciência. Quando terminou a primeira carta, entregou-a para a Rosa. “Você está livre”, ela disse, e sua voz se quebrou.

    Livre para ir para onde quiser, fazer o que quiser, livre da escravidão, livre de mim. Rosa pegou o papel com mãos trêmulas, as lágrimas escorrendo novamente. Não eram lágrimas de dor dessa vez, mas de alívio, de libertação, de um peso sendo finalmente retirado de suas costas. Mariana então escreveu a segunda carta para Joana.

    quando a entregou para a menina, ajoelhou-se diante dela, ficando na altura dos olhos da criança. “Joana”, ela disse com suavidade. “vo é mais corajosa do que qualquer adulto que eu conheço. Você arriscou tudo para salvar sua mãe e ao fazer isso, você também me salvou.” Ela tocou gentilmente o rosto da menina. “Você me libertou de uma prisão que eu nem sabia que estava.

    A prisão da mentira.” Joana, com seus 10 anos, olhou para Simã, não para a tia e fez algo inesperado. Abraçou-a. Seus braços magros envolveram o pescoço de Mariana e ela sussurrou: “Eu perdoo a senhora, tia Mariana. Mamãe sempre disse que guardar raiva no coração é como beber veneno e esperar que o outro morra.

    Eu não quero ter veneno no meu coração. O abraço daquela criança quebrou Mariana completamente. Ela abraçou a sobrinha de volta, chorando como não chorava desde que era pequena, e permitiu-se sentir, verdadeiramente sentir, pela primeira vez em décadas. Quando finalmente se separaram, Rosa estendeu a mão novamente para Mariana.

    “Venha conosco”, ela disse simplesmente: “A senhora não tem para onde ir. O coronel vai expulsá-la da fazenda. Mas nós temos um plano. Há um quilombo a três dias de caminhada daqui nas montanhas. Um lugar onde pessoas livres e fugitivas vivem juntas, trabalhando à terra, criando seus filhos em paz. Nós vamos para lá e você pode vir também. A proposta era absurda.

    Uma mulher branca criada na elite, vivendo em um quilombo, trabalhando a terra com as próprias mãos, dividindo uma cabana simples com exescravos, era impensável, era impossível, era a única opção verdadeira que ela tinha. “Eu não sei trabalhar na roça”, Mariana disse fracamente. “Não sei cozinhar, nem lavar roupa, nem nada”. Rosa sorriu pela primeira vez. Um sorriso pequeno, mas genuíno.

    Nós ensinamos, irmãs ensinamas às outras. E naquela frase simples, estava contida toda a revolução que acabara de acontecer naquela capela. O padre Bernardo abençoou as três mulheres, fazendo o sinal da cruz sobre elas. Vocês vão precisar partir hoje mesmo antes que o coronel descubra e tente impedir.

    Levem apenas o necessário e que Deus as proteja nessa jornada. Mariana olhou ao redor da capela, a mesma capela onde fora batizada, onde fizera a primeira comunhão, onde se casara. Era o último lugar de sua vida antiga que veria. Quando saísse por aquela porta, dona Mariana Vasconcelos deixaria de existir. Seria apenas Mariana, irmã de Rosa, tia de Joana, filha de Benedita, uma mulher livre de títulos, de posses, de mentiras.

    E pela primeira vez em sua vida, isso não lhe causava terror, causava uma paz estranha, assustadora, mas real. Estou pronta”, ela disse, levantando-se: “Vamos embora!” E as três saíram da capela juntas, uma exiná, uma ex-escrava e uma criança corajosa, caminhando lado a lado sob o sol forte de março de 1857, em direção a um futuro incerto, mas finalmente verdadeiro.

    A notícia do escândalo se espalhou por ti, como fogo em capim seco. Dona Mariana Vasconcelos, a respeitável esposa do coronel, era filha de escrava. O casamento seria anulado, ela seria expulsa da sociedade. Mas quando os curiosos foram até a fazenda Santa Cruz procurar por ela, descobriram que ela havia desaparecido junto com Rosa e Joana.

    Alguns disseram que ela enlouquecera e fugira para a mata, outros que fora morta por escravos revoltados. Mas o padre Bernardo, quando perguntado, apenas sorria e dizia: “Ela encontrou o caminho da verdade e a verdade a libertou”. Meses depois, rumores começaram a circular sobre um quilombo nas montanhas, onde uma mulher branca vivia entre os libertos, trabalhando à terra, ensinando as crianças a ler, sendo chamada carinhosamente de dona Mariana da Liberdade.

    Ninguém sabia se era verdade, mas o padre Bernardo, sempre que ouvia esses rumores, fazia o sinal da cruz e agradecia a Deus, porque ele sabia que às vezes, apenas à vezes, a redenção era possível, mesmo no coração de um sistema tão cruel quanto a escravidão. E assim, na pequena capela de Parati, onde tudo começara com o grito desesperado de uma criança de 10 anos, a verdade não apenas fora revelada, ela transformara vidas.

    Joana cresceria livre, aprendendo a ler e escrever, carregando consigo a história de como sua coragem mudara o destino de três gerações. Rosa viveria seus últimos anos em paz, ao lado da filha e da irmã, trabalhando a própria terra, cantando as canções que Benedita lhe ensinara.

    E Mariana, despida de seu título e de sua posição, finalmente aprenderia o que significava ser verdadeiramente humana. Porque a liberdade não estava apenas nas cartas de alforria que ela assinara, estava no perdão que recebera, no amor que aprendera a dar. Na verdade que, embora dolorosa, a libertara de uma prisão muito maior que qualquer cenzala.

    Enquanto o sol se punha sobre as montanhas do Vale do Paraíba, três mulheres caminhavam juntas, irmãs de sangue, unidas não mais pela escravidão, mas pela escolha de serem família. E isso no Brasil de 1857 era o maior milagre de todos. Esta história nos ensina que a verdadeira liberdade não vem apenas de documentos assinados, mas do coração transformado.

    Joana, com seus 10 anos, teve a coragem que muitos adultos jamais terão. A coragem de gritar a verdade, mesmo sabendo que seria castigada. Rosa nos mostrou que perdoar não significa esquecer a dor, mas escolher não deixar que ela nos aprisione. E Mariana descobriu que podemos renascer mesmo depois de viver uma vida inteira de mentiras.

    A escravidão tentou separar irmãs, destruir famílias e apagar histórias, mas o amor foi mais forte. O amor de mãe e filha, o amor entre irmãs que nem sabiam que eram irmãs, porque no final somos todos humanos e nenhuma corrente, nenhuma lei injusta, nenhuma mentira pode mudar isso. A verdade sempre liberta.

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  • As práticas horríveis das irmãs trigêmeas Redd: casaram-se com todos os homens solteiros da própria família.

    As práticas horríveis das irmãs trigêmeas Redd: casaram-se com todos os homens solteiros da própria família.

    Bem-vindos a um dos casos mais sombrios da história dos Ozarks. Em 1894, as autoridades descobriram três irmãs trigémeas forçadas a casamentos com todos os homens da sua família a 18 milhas da civilização em Stone County, Missouri. Naomi, Ruth e Esther Red viviam sob controlo absoluto num complexo escondido.

    Quando um rapaz escapou, os investigadores descobriram 16 anos de horror justificado por doutrina religiosa. Como é que isto permaneceu escondido? Que crença justificou tal mal? Subscreve para estares connosco enquanto expomos a verdade que a história enterrou. Comenta abaixo com a tua cidade e hora local. Vamos descobrir esta história juntos. Os Ozarks do Missouri no final da década de 1870 eram uma paisagem desenhada para segredos.

    Os despenhadeiros de calcário elevavam-se a 91 metros acima de vales estreitos, os seus rostos marcados por cavernas que se afundavam na escuridão. As florestas de madeira dura cresciam tão densas que, mesmo ao meio-dia, o dossel filtrava a luz solar num crepúsculo perpétuo. Ribeiros que corriam límpidos e rasos no verão transformavam-se em torrentes todos os novembro, cortando vales inteiros do mundo exterior durante meses a fio. Isto não era vida selvagem no sentido romântico.

    Era um país de trabalho onde as famílias lutavam pela sobrevivência através da extração de madeira e agricultura de subsistência, onde o vizinho mais próximo poderia viver a 8 quilómetros de distância, e onde as leis e costumes do mundo exterior chegavam tarde, se é que chegavam. Nesta paisagem de isolamento natural, um homem podia desaparecer por escolha.

    E na primavera de 1878, foi exatamente isso que Hyram Caleb Red pretendia fazer. Ele chegou ao assentamento de Galena numa manhã chuvosa de abril, uma figura alta e magra com uma barba branca que lhe chegava ao peito. Conduzindo uma carroça carregada com bens domésticos e acompanhado por uma mulher e seis crianças. Galena em si era mal uma cidade.

    340 almas, uma loja geral, um ferreiro, uma igreja metodista e uma dispersão de casas ao longo de uma rua principal enlameada. A sede do condado ficava a 116 quilómetros a nordeste, em Springfield, uma viagem de 3 dias inteiros de carroça, o que significava que Galena operava com a independência casual de todos os assentamentos da fronteira, um lugar onde os assuntos de um homem eram seus, a menos que ameaçassem diretamente os seus vizinhos.

    Hyram Red fez perguntas na loja geral sobre terras disponíveis, falando com as cadências medidas das escrituras, identificando-se como um ex-pregador do Tennessee que procurava um lugar de silêncio para prosseguir os seus estudos. O lojista, um homem chamado William Cobb, recordou mais tarde que Red parecia educado e articulado, embora um tanto intenso na sua maneira, e que a sua esposa, Mercy, parecia mais desgastada do que a sua idade, mas respeitosa e silenciosa, como era apropriado para as mulheres daquela época.

    Dentro de uma semana, Hyram tinha comprado 640 acres num vale chamado Kettle Creek Bottoms de uma viúva ansiosa por vender terras que o seu falecido marido tinha adquirido, mas nunca cultivado com sucesso. O preço era de $200, uma quantia significativa que Hyram tinha poupado de anos de pregação em circuito, mas a terra era considerada quase sem valor pelos padrões locais.

    Kettle Creek Bottoms ficava a 18 milhas (29 km) a sudoeste de Galena, acessível apenas por um único rasto de carroça que serpenteava por um terreno cada vez mais acidentado, atravessando três leitos de ribeiro separados que inundavam perigosamente durante as estações chuvosas da primavera e do final do outono. O vale em si era um anfiteatro natural rodeado em três lados por cumes íngremes cobertos de carvalho e hickory com apenas uma estreita abertura que fornecia entrada pelo leste.

    O ribeiro que dava o nome ao lugar corria pelo centro do vale, água fiável, mas propensa a subidas repentinas que podiam prender qualquer pessoa lá dentro durante semanas. Os proprietários anteriores tinham abandonado a propriedade depois de descobrirem que as inundações sazonais tornavam a agricultura impraticável e que o isolamento tornava a extração de madeira economicamente inviável. Os toros cortados em Kettle Creek teriam de ser transportados 18 milhas por estradas pobres para chegar a qualquer mercado.

    Para uma família que procurava prosperidade comum, a terra era uma piada cruel. Para um homem que procurava isolamento absoluto, era perfeita. Hyram mudou a sua família para a propriedade no final de abril de 1878, e durante os primeiros anos, ele manteve o que parecia ser um contacto normal, embora infrequente, com Galena. Ele chegava ao assentamento uma vez por mês, por vezes acompanhado por um dos seus filhos mais velhos, para comprar farinha, sal, tecido e outras necessidades que não podiam ser produzidas na propriedade.

    William Cobb lembrava-se que Hyram sempre pagava em dinheiro, nunca a crédito, e que falava cortesmente, mas brevemente, discutindo apenas negócios imediatos e recusando convites para reuniões sociais ou serviços religiosos. Quando questionado sobre a sua família, Hyram dizia apenas que estavam bem e que estava a ensinar os seus filhos ele próprio, o que não levantava preocupações particulares numa época em que o ensino formal em áreas remotas era esporádico, na melhor das hipóteses.

    Entre os seus filhos estavam filhas trigémeas nascidas em 1876 e com apenas dois anos quando a família chegou a Stone County. Três meninas idênticas com cabelo escuro que Cobb recordava ter visto apenas uma ou duas vezes a espreitar silenciosamente da parte de trás da carroça de Hyram. Os seus nomes eram Naomi, Ruth e Esther.

    Nomes bíblicos para crianças que cresceriam a conhecer apenas a versão distorcida das escrituras que o pai escolheu ensinar-lhes. A geografia de Kettle Creek Bottoms forneceu mais do que mera distância da civilização. Criou um tipo de prisão natural. O vale media aproximadamente 3,2 km de comprimento e 800 metros no seu ponto mais largo, um espaço grande o suficiente para se sentir isolado, mas pequeno o suficiente para ser completamente controlado por um homem determinado.

    Os cumes circundantes elevavam-se abruptamente, cobertos de madeira e mato rasteiro, densos o suficiente para desencorajar a exploração casual, e a rocha calcária sob o solo estava cheia de sumidouros e pequenas cavernas que tornavam a viagem campo travessa traiçoeira para qualquer pessoa que não estivesse familiarizada com o terreno. O único rasto de carroça que ligava Kettle Creek ao mundo exterior descia através de uma abertura estreita mal larga o suficiente para uma carroça carregada.

    E esta abertura tornava-se intransitável durante chuvas fortes quando as três travessias de ribeiro ao longo da rota inundavam. De novembro a abril, seis meses inteiros de cada ano, qualquer pessoa que vivesse em Kettle Creek Bottoms podia esperar estar completamente isolada de Galena, dependendo inteiramente da comida e suprimentos que tinham armazenado. Para uma família normal, este isolamento teria sido uma dificuldade a ser suportada.

    Para Hyram Red, era uma vantagem cuidadosamente calculada que lhe permitiria construir e manter uma estrutura familiar que violava todas as leis de Deus e do homem, permanecendo invisível para as autoridades que deveriam ter protegido as suas vítimas. Em 1885, 7 anos após a chegada da família Red a Stone County, eles tinham efetivamente desaparecido da consciência da comunidade.

    As visitas mensais de Hyram a Galena tinham cessado inteiramente após 1882, o ano em que a sua esposa Mercy morreu, de acordo com informações em segunda mão fornecidas pelos seus filhos durante uma das suas últimas viagens de suprimentos. Nenhuma certidão de óbito foi arquivada. Nenhum médico tinha assistido à sua doença final. E nenhum ministro tinha conduzido um serviço fúnebre.

    Ausências que teriam levantado sérias questões numa comunidade mais ligada, mas que passaram despercebidas nos Ozarks, onde a morte era comum e as formalidades burocráticas muitas vezes ignoradas em áreas remotas. A retirada da família foi gradual o suficiente para que nenhum momento único disparasse o alarme. Um mês Hyram aparecia em Galena. No mês seguinte, enviava um dos seus filhos.

    Depois, passavam dois meses sem qualquer aparição. E gradualmente os intervalos esticavam-se até que um ano inteiro podia passar sem que ninguém de Kettle Creek Bottoms fizesse a viagem de 18 milhas até à civilização. William Cobb, o proprietário da loja geral, ocasionalmente comentava com os clientes que se perguntava como é que a família do pregador estava a dar-se, mas isto era especulação ociosa em vez de preocupação genuína, e ninguém considerava que era sua responsabilidade investigar o bem-estar de pessoas que tinham escolhido um isolamento tão extremo. Os poucos encontros que ocorreram durante este período de retirada deveriam ter servido como avisos, mas foram descartados ou mal interpretados por homens que não conseguiam imaginar a verdade.

    No outono de 1883, um grupo de caça de Galena passou a menos de 1,6 km do complexo Red enquanto rastreava um veado ferido. Um dos caçadores, um agricultor chamado Robert Mills, relatou mais tarde ter visto fumo a subir do vale e ter vislumbrado o que pareciam ser estruturas toscas de toros através das árvores.

    Mas o grupo não se aproximou porque, como Mills explicou, o povo da montanha era conhecido por ser protetor das suas propriedades e desconfiado de estranhos. Outro caçador alegou ter ouvido vozes, vozes de mulheres, ele pensou, mas o som estava distante e distorcido pela acústica natural do vale, e ninguém pensou em mencioná-lo a qualquer autoridade.

    Em 1885, um grupo de caça diferente acampou no cume acima de Kettle Creek Bottoms e relatou ter visto figuras a moverem-se na clareira abaixo ao anoitecer, pequenas formas que poderiam ter sido crianças. Mas, novamente, nenhum contacto foi feito e nenhuma investigação se seguiu. A atitude predominante em Stone County era de não-interferência determinada nos assuntos de famílias isoladas, uma norma cultural que servia bem à maioria dos residentes, mas que deixava certas vítimas inteiramente sem proteção.

    O ano de 1880 trouxe um estranho em contacto direto com a família Red, um contacto que deveria ter exposto as atividades de Hyram, mas que em vez disso resultou no primeiro assassinato. Edmund Hargrove, de 34 anos, trabalhava como escriturário no Gabinete do Avaliador do Condado de Springfield e tinha sido-lhe atribuída a função adicional de enumerador do censo federal para as porções remotas de Stone County.

    Era um homem meticuloso conhecido entre os seus colegas pela sua insistência em visitar pessoalmente todas as famílias, em vez de aceitar informações em segunda mão ou estimativas. Os seus registos do censo preservados nos Arquivos Nacionais mostram que ele chegou a Kettle Creek Bottoms a 14 de agosto de 1880 e registou a presença de oito indivíduos.

    Hyram Red, 48 anos, ocupação pregador. Mercy Red, 40 anos, ocupação dona de casa, e seis crianças com idades entre 4 e 22 anos, incluindo as filhas trigémeas de quatro anos. As notas de Hargrove incluíam uma breve observação de que as condições de vida da família pareciam modestas, mas adequadas, e que Hyram tinha sido cortês, mas ansioso para que eu partisse.

    Esta frase final sugere que Hargrove tinha sentido algo incomum sobre a família ou a atmosfera do complexo, alguma qualidade que fazia Hyram ansioso para ver o recenseador partir. Mas Hargrove aparentemente não perseguiu as suas suspeitas nem relatou quaisquer preocupações às autoridades. Edmund Hargrove deixou o complexo Red na tarde de 14 de agosto, tencionando regressar a Galena ao anoitecer e depois continuar o seu trabalho de censo noutras áreas remotas no dia seguinte. Ele nunca chegou.

    Quando ele não regressou após 3 dias, a sua esposa contactou o xerife em Springfield, que organizou um grupo de busca que percorreu a rota que Hargrove deveria ter tomado, procurando no rasto da carroça e nos bosques circundantes por qualquer sinal de acidente ou ataque. Eles não encontraram nada, nenhum corpo, nenhum cavalo abandonado, nenhuma indicação do que tinha acontecido a um homem que tinha simplesmente desaparecido na vida selvagem.

    A suposição partilhada pela aplicação da lei e pela família de Hargrove era que ele tinha sofrido algum infortúnio comum aos viajantes em terreno acidentado. Talvez o seu cavalo o tivesse atirado e ele tivesse batido com a cabeça, caindo num dos muitos desfiladeiros ou sumidouros que marcavam a paisagem calcária.

    Ou talvez ele tivesse tentado atravessar um ribeiro inundado e sido arrastado, o seu corpo levado para jusante e enterrado em silte. A possibilidade de ter sido assassinado nunca entrou seriamente na investigação porque não parecia haver motivo. Os recenseadores não carregavam dinheiro que valesse a pena roubar, e as famílias que visitavam não tinham razão para os prejudicar. O desaparecimento de Edmund Hargrove foi oficialmente classificado como uma morte acidental presumida. A sua viúva recebeu uma pequena pensão e o caso foi encerrado.

    Permaneceria fechado por 13 anos até que a descoberta do livro de registos de Hyram Red fornecesse a verdade que os pesquisadores nunca tinham imaginado. A entrada do livro de registos para agosto de 1880, escrita com a letra precisa de Hyram, dizia: “O homem do censo fez perguntas sobre a saúde de Mercy e a escolaridade das crianças, não pude permitir o seu regresso. O Senhor entende a necessidade.” Estas duas frases descobertas em novembro de 1893 finalmente explicariam o destino de Edmund Hargrove e provariam que Hyram Red não era meramente um homem a impor crenças religiosas distorcidas à sua família, mas um assassino disposto a matar qualquer pessoa que ameaçasse expor as suas atividades.

    O padrão de isolamento que Hyram Red tinha cuidadosamente construído atingiu a sua plena realização nos anos entre 1885 e 1891. Um período durante o qual a família se tornou completamente invisível para o mundo exterior. Nenhum membro da família apareceu em Galena durante estes seis anos. Nenhum viajante relatou encontrá-los nos trilhos. Nenhum caçador ou armadilheiro se aventurou perto o suficiente do complexo para observar as suas atividades.

    A família Red existia num estado de ocultação perfeita, sustentada pelas colheitas que cultivavam nas clareiras limitadas do vale, a caça que os filhos de Hyram caçavam nas florestas circundantes e a completa ausência de qualquer supervisão ou intervenção externa. Esta foi a era em que as verdadeiras intenções de Hyram passaram da teoria à prática.

    Os anos em que as filhas trigémeas se transformaram de crianças em jovens mulheres, e quando a interpretação distorcida das escrituras pelo pai se tornou a única realidade que conheceriam. Naomi, Ruth e Esther Red fizeram nove anos em 1885, uma idade em que a maioria das raparigas no Missouri rural teria começado a frequentar sessões irregulares em escolas de uma sala, aprendendo a ler além dos primers básicos e socializando com outras crianças de fazendas vizinhas.

    As irmãs trigémeas não experimentaram nada disto. A sua educação consistia unicamente no que o pai lhes ensinava a partir de um único livro, a Bíblia. E a sua instrução focava-se não na literacia por si só, mas em passagens selecionadas que apoiavam a sua emergente teologia de pureza de linhagem e autoridade patriarcal.

    Em 1889, as trigémeas tinham atingido 13 anos de idade. E foi durante este ano que o segundo estranho fez contacto fatal com a família Red. Solomon Wix, era um caixeiro viajante que trabalhava nas regiões remotas do sudoeste do Missouri e norte do Arkansas, fazendo o seu circuito duas vezes por ano com uma carroça puxada por mulas cheia de agulhas, linha, medicamentos patenteados, tecido e outros pequenos bens que as famílias isoladas precisavam, mas não conseguiam obter facilmente.

    Ele era bem conhecido em Galena, onde tipicamente ficava na pensão gerida por uma viúva chamada Margaret Simmons, e tinha uma reputação de fiabilidade e honestidade numa ocupação frequentemente associada a fraude e sobrecarga de preços. Em outubro de 1889, Wix mencionou a várias pessoas em Galena que tencionava visitar a família do pregador em Kettle Creek porque tinha ouvido dizer que poderiam precisar de suprimentos, não tendo sido vistos na cidade durante vários anos.

    Margaret Simmons testemunhou mais tarde que Wix tinha parecido bem-disposto quando partiu a 12 de outubro de 1889, e que tinha deixado alguns pertences pessoais no seu quarto habitual, indicando a sua intenção de regressar dentro do seu tempo de circuito típico de duas semanas. Ele nunca regressou. Quando semanas se passaram sem sinal de Wix, os residentes de Galena assumiram que ele tinha simplesmente mudado a sua rota ou seguido para outros territórios, uma ocorrência comum o suficiente com caixeiros itinerantes cujos movimentos eram imprevisíveis por natureza.

    Nenhuma investigação foi lançada, nenhuma busca foi organizada, e Solomon Wix juntou-se a Edmund Hargrove na categoria de homens que tinham desaparecido na vida selvagem dos Ozarks e cujos destinos permaneceriam desconhecidos durante anos. O livro de registos de Hyram Red forneceu a explicação para o desaparecimento de Wix tal como tinha feito para Hargrove, embora a entrada fosse mais reveladora sobre o que o caixeiro tinha testemunhado.

    A entrada de outubro de 1889 dizia: “O estranho Wix veio fazer perguntas, viu as raparigas, comentou o arranjo familiar, não pude permitir o seu regresso, entreguei o seu corpo à terra atrás do cume norte.” A frase “viu as raparigas e comentou o arranjo familiar” sugere que em 1889 as irmãs trigémeas tinham atingido uma idade e aparência que tornavam a sua situação percetível para um estranho observador e que algo sobre a estrutura de vida da família tinha atingido Wix como incomum o suficiente para comentar.

    O que exatamente ele viu ou que perguntas fez nunca se saberá, mas foi suficiente para convencer Hyram de que o caixeiro representava uma ameaça que exigia eliminação permanente. O assassinato de Solomon Wix demonstrou que o isolamento da sua família por Hyram não era meramente psicológico ou religioso, mas era ativamente mantido através da violência quando necessário, e que ele tinha atravessado um limiar do qual não podia haver regresso.

    O inverno de 1891 trouxe a primeira indicação clara de que algo terrível estava a ocorrer em Kettle Creek Bottoms. Embora o aviso não tenha sido atendido, um agricultor chamado Cyrus Webb, cuja propriedade ficava no cume a 3,2 km a nordeste do vale, relatou a vários residentes de Galena que tinha ouvido gritos vindos da direção do complexo Red ao longo de várias noites no final de novembro. Webb foi específico na sua descrição.

    Estes não eram sons de animais, não os gritos de gatos selvagens ou o uivo do vento através dos despenhadeiros, mas gritos humanos, gritos de mulheres que ecoavam do vale com uma qualidade de terror que o tinha tornado incapaz de dormir. Ele disse ao proprietário da loja geral, William Cobb, que os gritos tinham ocorrido em três noites separadas, sempre depois de escurecer, e que tinham parado subitamente de cada vez, cortando-se a meio do grito, de uma forma que sugeria algo pior do que causas naturais.

    Cobb ouviu o relato de Webb com ceticismo, e quando Webb sugeriu que talvez alguém devesse ir a Kettle Creek para verificar o bem-estar da família, Cobb descartou a ideia como interferência desnecessária. Outros homens que ouviram a história de Webb ofereceram explicações alternativas.

    Os sons tinham sido gatos selvagens, que eram conhecidos por gritar de maneiras que imitavam vozes humanas, ou tinham sido o vento, que podia produzir sons estranhos quando soprava através das aberturas estreitas nos despenhadeiros de calcário, ou Webb tinha estado a beber e tinha imaginado tudo. Ninguém queria acreditar que os gritos eram reais porque reconhecer a sua realidade teria exigido ação.

    E ação significava cavalgar 18 milhas para um país difícil para confrontar uma família que tinha deixado claro o seu desejo de isolamento. Cyrus Webb fez o seu relato, foi dispensado pelos seus vizinhos e acabou por parar de mencionar o que tinha ouvido. Os gritos não se repetiram, pelo menos não alto o suficiente para chegar à sua fazenda no cume distante, e o assunto foi esquecido por todos, exceto pelo próprio Webb, que mais tarde testemunharia que sabia que algo mau estava a acontecer naquele vale, e que a sua falha em insistir na investigação permaneceu um dos grandes arrependimentos da sua vida.

    Na manhã de 12 de outubro de 1893, um rapaz adolescente cambaleou para Galena descalço e a sangrar. A sua aparência era tão chocante que várias mulheres que o viram a emergir da estrada florestal imediatamente chamaram ajuda. Ele usava roupas caseiras que estavam rasgadas e sujas de dias de viagem pela vida selvagem. O seu rosto estava contundido com evidências de violência recente, e os seus pés estavam cortados e inchados de caminhar 18 milhas por terreno acidentado sem sapatos.

    Ele desabou fora da loja geral de William Cobb, repetindo as mesmas palavras repetidamente. Eles ainda estão lá. Os bebés ainda estão lá. Vários homens levaram-no para o consultório da Dr. Temperance Blackwell, uma das poucas médicas a praticar no Missouri e a única médica em Galena. Dr. Blackwell tinha 52 anos em 1893, formada pelo Female Medical College of Pennsylvania, que tinha estabelecido a sua prática em Stone County 18 anos antes.

    E ela tinha visto a sua parte de lesões e traumas numa região onde as emergências médicas eram comuns e a ajuda profissional escassa. Mas a condição do rapaz que lhe foi trazido naquela manhã de outubro sugeria algo para além das dificuldades comuns da fronteira.

    O seu exame inicial revelou subnutrição, múltiplas fraturas antigas que tinham sarado mal sem atenção médica e sinais de trauma psicológico tão severo que o rapaz se encolhia violentamente a qualquer movimento repentino ou som alto. Ao longo de dois dias, enquanto a Dr. Blackwell tratava as suas lesões físicas e gradualmente ganhava a sua confiança.

    O rapaz contou uma história que parecia impossível de acreditar. Ele identificou-se como Jacob Red, 16 anos, neto de Hyram Red, que tinha comprado terras em Kettle Creek Bottoms 15 anos antes. Ele explicou que tinha nascido no vale e nunca o tinha deixado até à sua fuga 5 dias antes, que podia ler porque o seu avô o tinha ensinado a partir da Bíblia, mas que nunca tinha frequentado a escola ou a igreja ou visto qualquer comunidade para além da sua própria família.

    Ele alegou que o seu pai era Isaac Red, o filho mais velho de Hyram, e que a sua mãe era Naomi Red, uma das filhas trigémeas, e que Isaac e Naomi eram meio-irmãos partilhando o mesmo pai. Quando a Dr. Blackwell lhe pediu para clarificar, pensando que devia ter percebido mal. Jacob repetiu a sua declaração com a certeza plana de alguém a recitar um facto tão fundamental para a sua existência que ele nunca o tinha questionado.

    Ele era o produto de incesto, ele explicou, assim como todas as crianças no complexo. O seu avô tinha arranjado casamentos entre os seus filhos e as filhas trigémeas quando as raparigas atingiram a adolescência, acreditando que manter a linhagem pura e não misturada era o que Deus exigia de uma família verdadeiramente fiel. A Dr. Blackwell contactou imediatamente o Xerife Thomas Garrett, que chegou ao seu consultório com considerável ceticismo.

    Garrett tinha 49 anos em 1893, nativo de Stone County que tinha servido como xerife durante 12 anos, e a sua experiência com o crime consistia principalmente em disputas de propriedade e violência ocasional entre vizinhos bêbados. A história que Jacob Red contou estava tão fora da compreensão de Garrett sobre o comportamento humano que o seu primeiro instinto foi descartá-la como delírio ou exagero. Mas a Dr. Blackwell insistiu que o rapaz mostrava sinais de trauma genuíno em vez de loucura, que o seu relato era internamente consistente em vários relatos, e que a sua condição física apoiava um histórico de abuso e privação.

    Ela também salientou que o rapaz tinha fornecido detalhes específicos sobre a localização do complexo, a disposição dos edifícios, o número de pessoas a viver lá e as rotinas diárias da família, detalhes que podiam ser facilmente verificados se alguém fizesse a viagem para investigar. O Xerife Garrett permaneceu incerto, mas a decisão foi tirada das suas mãos quando o Subdelegado dos Estados Unidos Amos Pritchard chegou a Galena para outros assuntos e soube do caso.

    Pritchard tinha 47 anos em 1893, um ex-batedor do Exército da União que tinha passado a Guerra Civil a rastrear guerrilhas confederadas através das mesmas colinas do Missouri e Arkansas onde agora perseguia fugitivos e criminosos como oficial da lei federal. Ele tinha uma vasta experiência na vida selvagem dos Ozarks e entendia a sua capacidade de ocultar tanto pessoas quanto crimes. Ele também possuía algo que o Xerife Garrett não tinha. A capacidade de imaginar que a história de Jacob Red poderia ser verdadeira.

    Pritchard tinha visto maldade suficiente durante a guerra e na década seguinte para saber que o isolamento podia transformar pessoas comuns em monstros. Que a convicção religiosa podia justificar qualquer atrocidade. E que as famílias que viviam para além do alcance da lei e da supervisão comunitária eram capazes de horrores sustentados que a sociedade civilizada preferia não reconhecer.

    Ele questionou Jacob Red diretamente, perguntando por detalhes geográficos específicos, descrições das estruturas do complexo, informações sobre armas e animais e recursos. E ele achou as respostas do rapaz detalhadas e credíveis.

    Quando Jacob desenhou um mapa mostrando quatro cabanas dispostas num quadrado em torno de um pátio central com uma cave de raízes, um celeiro e o terreno circundante marcado com a precisão de alguém que tinha vivido lá toda a sua vida, Pritchard tomou a sua decisão. Ele iria investigar. Ele levaria a Dr. Blackwell com ele para avaliar a condição médica de quaisquer crianças que encontrassem, e ele reuniria um grupo capaz de lidar com o que quer que descobrissem em Kettle Creek Bottoms.

    A preparação para a expedição demorou seis semanas, não porque Pritchard estivesse hesitante, mas porque o tempo e o terreno tornavam a ação imediata impossível. As chuvas de outubro tinham inchado as três travessias de ribeiro ao longo do rasto da carroça para Kettle Creek, tornando a rota intransitável, e Pritchard não arriscaria homens e cavalos numa viagem que poderia facilmente resultar em afogamentos ou lesões antes mesmo de chegarem ao seu destino.

    Ele usou este atraso forçado para recolher informações, questionando Jacob em detalhe sobre os hábitos do seu avô e as rotinas diárias da família. Aprendendo tudo o que podia sobre a disposição do complexo e o número de pessoas que poderia encontrar. Jacob explicou que havia 17 pessoas a viver em Kettle Creek, o seu avô Hyram, três dos seus tios que serviam como executores da autoridade de Hyram. As três irmãs trigémeas que tinham casado com estes tios e com o pai de Jacob, e 11 crianças com idades entre bebés e 8 anos.

    Ele descreveu muitas das crianças como “não estando bem da cabeça ou torcidas no corpo“, sinais que a Dr. Blackwell imediatamente reconheceu como consistentes com anormalidades genéticas resultantes de consanguinidade. Jacob também revelou porque é que finalmente tinha escolhido fugir, apesar de não ter conhecimento do mundo exterior e nenhuma certeza de que sobreviveria à viagem.

    O seu avô tinha-o informado de que era altura de casar com Ruth, uma das irmãs trigémeas, que era também irmã da sua mãe e esposa de um dos seus tios. A perspetiva desta união tinha enchido Jacob de tal horror que ele tinha arriscado tudo para fugir, esperando por uma noite em que o seu avô estivesse profundamente a dormir, e depois correndo pela escuridão, seguindo o rasto da carroça pela memória, até chegar a Galena, a 18 milhas de distância.

    Na manhã de 19 de novembro de 1893, o Subdelegado Marshall Amos Pritchard liderou um grupo de sete pessoas para fora de Galena em direção a Kettle Creek Bottoms. O grupo consistia no próprio Pritchard, Xerife Thomas Garrett, quatro deputados que tinham sido jurados especificamente para esta expedição e a Dr. Temperance Blackwell, que tinha insistido em acompanhá-los, apesar da natureza perigosa da missão e da dificuldade da viagem.

    A Dr. Blackwell entendeu que se o relato de Jacob Red fosse preciso, as crianças no complexo exigiriam avaliação médica imediata, e ela não estava disposta a confiar essa avaliação a homens sem treino médico. Ela cavalgava ao lado dos homens, vestindo roupas práticas adequadas para viagens na vida selvagem, carregando a sua mala médica e um caderno no qual tencionava documentar tudo o que observasse.

    O grupo estava armado com espingardas e revólveres, embora Pritchard esperasse que a demonstração de força fosse suficiente para evitar a violência. Eles carregavam provisões para 3 dias, esperando que a viagem para o complexo demorasse 8 horas, com tempo necessário para investigação e a viagem de regresso.

    O rasto da carroça para Kettle Creek Bottoms começou como uma estrada reconhecível, mas deteriorou-se rapidamente à medida que deixava as áreas povoadas em torno de Galena. Dentro de cinco milhas, os sulcos eram mal visíveis, cobertos de vegetação e destruídos por anos de inundações sazonais. O grupo atravessou o primeiro ribeiro sem dificuldade, a água a correr límpida e rasa após vários dias sem chuva, mas a segunda travessia exigiu navegação cuidadosa onde a margem tinha desmoronado, e a aproximação era traiçoeira com lama.

    A terceira travessia, ainda a 10 milhas do seu destino, mostrava evidências de por que razão esta rota era intransitável metade do ano. O leito do ribeiro tinha 6 metros de largura, esculpido profundamente em calcário, e as marcas de água alta nas árvores circundantes indicavam que durante as inundações da primavera, a água subia 2,4 metros ou mais, transformando a travessia numa torrente furiosa que arrastaria qualquer cavalo ou carroça tolo o suficiente para tentar a passagem.

    Agora, no final de novembro, a água mal chegava aos joelhos dos cavalos, mas a travessia serviu como um marcador de limite claro. Para além deste ponto, estavam a entrar num país que estava efetivamente isolado da civilização durante meses a fio, um país onde um homem podia fazer o que quisesse sem medo de ser descoberto ou de intervenção. O terreno tornou-se cada vez mais acidentado à medida que se aproximavam de Kettle Creek.

    O rasto da carroça desceu através de uma abertura estreita entre dois despenhadeiros de calcário, mal larga o suficiente para uma carroça carregada passar, as paredes de rocha elevando-se 15 metros de cada lado e criando um portão natural para o vale além. Pritchard mandou parar no topo desta descida, e da sua posição elevada puderam ver fumo a subir do vale abaixo, colunas finas de cinzento que indicavam lareiras ativas em várias estruturas.

    Através dos ramos nus das árvores do final do outono, puderam distinguir edifícios dispostos numa clareira exatamente como Jacob tinha descrito. Quatro cabanas rudes construídas de toros, uma estrutura maior que parecia ser um celeiro e terreno aberto no centro que servia como pátio. O complexo parecia quase pacífico à distância, uma pequena propriedade rural esculpida na vida selvagem, não mostrando nenhum sinal exterior dos horrores que o testemunho de Jacob tinha descrito. A Dr. Blackwell escreveu mais tarde no seu diário que neste momento tinha experimentado uma breve esperança de que talvez Jacob tivesse exagerado ou entendido mal a sua situação, que talvez descessem ao vale e não encontrassem nada mais do que uma família excêntrica, mas inofensiva, a viver em isolamento voluntário. Essa esperança não sobreviveria às próximas 24 horas.

    O grupo desceu para Kettle Creek Bottoms no início da tarde, cavalgando lentamente e não fazendo qualquer tentativa de ocultação. A estratégia de Pritchard era direta. Abordar abertamente, identificar-se como autoridade policial e solicitar falar com Hyram Red sobre o desaparecimento do seu neto.

    Ele esperava que, ao não revelar imediatamente que Jacob estava seguro e tinha exposto os segredos da família, pudesse observar o complexo e os seus habitantes antes que Hyram ficasse defensivo ou perigoso. À medida que emergiam da linha de árvores para a clareira, figuras apareceram nas portas das cabanas. Rostos de mulheres, pálidos e inexpressivos, observando os cavaleiros que se aproximavam com o que parecia ser nem medo nem curiosidade, mas sim uma estranha e vazia resignação.

    Rostos de crianças apareceram ao lado delas, alguns com características que, mesmo à distância, pareciam incomuns. E então uma figura alta saiu da maior cabana, um homem de barba branca a segurar uma Bíblia, parado perfeitamente enquanto esperava que os cavaleiros se aproximassem. Hyram Caleb Red tinha 61 anos naquele dia de novembro, mas parecia antigo, o seu rosto profundamente vincado e o seu corpo magro de anos de trabalho manual e vida espartana.

    No entanto, ele irradiava autoridade, de pé com a postura de um homem acostumado à obediência absoluta. E quando falou, a sua voz carregava as cadências medidas da escritura e do sermão. Pritchard desmontou e identificou-se, explicando que estavam a investigar o desaparecimento de Jacob Red e desejavam fazer algumas perguntas sobre a família. A resposta de Hyram foi calma e sem pressa.

    Ele reconheceu que Jacob era seu neto, que o rapaz tinha fugido do plano de Deus, e que responderia pela sua desobediência quando fosse encontrado. Não havia ansiedade na maneira de Hyram, nenhuma indicação de que ele considerasse a chegada de sete oficiais da lei armados como uma ameaça à sua autoridade ou ao seu modo de vida.

    Ele convidou-os a olhar à volta do complexo para ver que a sua família vivia de acordo com a lei de Deus. E ele não fez objeção quando os deputados de Pritchard começaram a caminhar pela clareira, examinando as estruturas e observando as pessoas que observavam das portas e janelas. Foi durante este levantamento inicial que a Dr. Blackwell notou a primeira evidência inegável de que o relato de Jacob tinha sido preciso.

    As três jovens que estavam na porta de uma cabana estavam visivelmente grávidas. As três, a sua condição óbvia apesar da roupa larga que usavam. Elas eram idênticas na aparência, o que significava que eram as irmãs trigémeas que Jacob tinha descrito, e tinham 17 anos, demasiado jovens para estarem a ter filhos por qualquer padrão civilizado.

    E o facto de as três estarem simultaneamente grávidas sugeria um nível de controlo e coordenação que só podia vir de autoridade patriarcal absoluta. A Dr. Blackwell aproximou-se das mulheres, apresentando-se e perguntando se estavam bem, se precisavam de atenção médica. As irmãs não disseram nada, não a olharam nos olhos, simplesmente ficaram em silêncio até que Hyram gritou do outro lado do pátio que as mulheres não tinham permissão para falar com estranhos. Foi neste momento que a Dr. Blackwell testemunhou mais tarde quando soube com absoluta certeza que tudo o que Jacob lhes tinha contado era verdade, que estas jovens eram prisioneiras que tinham sido sistematicamente abusadas, e que as crianças a espreitar das portas das cabanas eram a prova de crimes que excediam qualquer coisa que ela tinha encontrado em 18 anos de prática médica nos Ozarks.

  • A ESCRAVA OBESA FOI FORÇADA A COMER NO CHÃO COMO UM ANIMAL — MAS A SINHÁ ENTROU EM PÂNICO QUANDO…

    A ESCRAVA OBESA FOI FORÇADA A COMER NO CHÃO COMO UM ANIMAL — MAS A SINHÁ ENTROU EM PÂNICO QUANDO…

    A escrava obesa foi forçada a comer no chão como um animal, mas assimá entrou em pânico quando viu quem estava observando. Olá, meu amigo e minha amiga. Aqui é Miguel Andrade, o narrador de segredos da Senzala. E hoje você vai conhecer uma história que vai mexer com cada pedaço do seu coração.

    Antes de começarmos, inscreva-se no canal e me diga nos comentários de onde você está nos ouvindo. É sempre emocionante saber até onde nossas histórias chegam. Prepare-se, porque a emoção começa agora. A tarde caía pesada sobre a fazenda São Jerônimo, no Vale do Paraíba, em 1867. O sol de março ardia como brasa sobre os cafezais que se estendiam até onde a vista alcançava.

    E o cheiro de terra molhada misturava-se ao aroma forte do café secando nos terreiros. Na varanda da casa grande, cercada por colunas brancas e azulejos portugueses, aá Mariana Cavalcante observava com olhos frios e calculistas. Seus dedos finos, adornados com anéis de ouro e esmeraldas. tamborilavam impacientes sobre o corrimão de madeira nobre. O vestido de seda verde musgo farfalhava a cada movimento e seu rosto pálido mantinha aquela expressão de superioridade que cultivara durante toda a vida.

    Ao seu lado, um leque de penas balançava lentamente, mas não era o calor que a incomodava, era a presença daquela escrava que ousara olhá-la nos olhos pela manhã. No centro do terreiro, sob o sol escaldante, Josefa ajoelhava-se sobre a terra batida. Seu corpo volumoso tremia, não apenas pelo esforço, mas pela humilhação que rasgava sua dignidade como uma lâmina afiada.

    Aos 42 anos, Josefa carregava no corpo as marcas de uma vida inteira de trabalho forçado, mãos calejadas, costas curvadas e aquela gordura que todos zombavam sem saber que vinha da pouca comida de qualidade e do inchaço da tristeza acumulada. Seus olhos castanhos, ainda assim guardavam uma luz que nenhum açoite conseguira apagar.

    a memória de tempos em que fora tratada com respeito, quando ainda era jovem e servia na casa de outra família. Agora, diante de toda a cenzala reunida por ordem da Sinh, ela estava ali de quatro, com um prato de restos no chão à sua frente. O silêncio era cortante como o vidro quebrado. “Coma, Josefa, coma como o animal gordo que você é”.

    A voz da senha Mariana ecoou pelo terreiro com veneno destilado em cada sílaba. As outras escravas desviavam o olhar, algumas com lágrimas escorrendo silenciosamente. Os feitores, de chapéu de couro e chicote na cintura, observavam com sorrisos cruéis. Josefa cerrou os punhos sobre a terra quente, sentindo as pedrinhas cravarem em sua pele.

    Sua respiração estava pesada e o suor escorria por seu rosto redondo, misturando-se as lágrimas que teimavam em cair. Ela não queria dar a assiná o prazer de vê-la chorar, mas a dor era grande demais. Aquilo não era sobre comida, era sobre poder, sobre esmagar qualquer fagulha de humanidade que ainda restasse dentro dela.

    A humilhação havia começado horas antes, quando Josefa estava na cozinha da Casa Grande, preparando o almoço. Assim, a Mariana entrara de supetão, o rosto contorcido de raiva, acusando-a de ter roubado um pedaço de queijo. Josefa jurara por tudo que era sagrado, que não havia tocado em nada, que apenas cumpria suas ordens. Mas assim a não queria ouvir.

    Seus olhos brilhavam com aquela sede de crueldade que aparecia sempre que se sentia desafiada. Você comeu sua nojenta gorda, e vai pagar por isso. Josefa sabia que não adiantava argumentar. A verdade nunca importara naquela casa. O que importava era o humor da Shahá. E naquele dia ele estava negro como carvão. O verdadeiro motivo da ira de Mariana era outro e Josefa sabia disso.

    Na noite anterior, o senhor Augusto Cavalcante, dono da fazenda, havia olhado para Josefa com gentileza quando ela servira o jantar. Fora apenas um olhar humano, um aceno de cabeça em agradecimento, nada mais. Mas para assim a Mariana, consumida pelo ciúme doentil e pela insegurança, qualquer gesto de consideração do marido para com as escravas era uma traição intolerável.

    Ela não suportava que Augusto demonstrasse qualquer traço de compaixão, principalmente para com Josfa, que apesar do corpo volumoso e da idade, tinha nos olhos aquela doçura maternal que Mariana jamais possuiria. Assim, a sabia que não podia atacar o marido diretamente, então descontava sua fúria nas mulheres, que ele olhasse com humanidade.

    Agora, com o sol apino, Josefa baixava a cabeça em direção ao prato. As mãos tremiam, o cheiro da comida azeda subia-lhe às narinas, restos de feijão estragado, farinha mofada, pedaços de carne podre que nem os cachorros da fazenda comeriam. Assim a havia ordenado que juntassem o pior do pior, o que já estava sendo descartado.

    “Vamos? Vamos ou prefere o tronco?” A voz de Mariana cortava o ar como chicote. Josefa fechou os olhos, pedindo forças a Deus e aos orixás que sua avó lhe ensinara a reverenciar em segredo. Ela pensou em sua filha, vendida há 10 anos para uma fazenda distante, e em seu filho, que conseguira fugir para um quilombo no norte. Por eles, ela sobreviveria. Por eles engolia aquela humilhação.

    Quando estava prestes a tocar o rosto no prato, um som de cavalos interrompeu a cena. O barulho de cascos sobre a terra batida fez todos se virarem. Pela estrada de acesso à fazenda, levantando uma nuvem de poeira alaranjada, vinha uma comitiva, três cavalos, um branco na frente, montado por um homem alto, de fraco escuro e cartola, dois cavalos baios atrás com dois acompanhantes.

    O portão de ferro da fazenda rangeu ao ser aberto pelo escravo Tomás, que correu para anunciar a visita. Assim, a Mariana arregalou os olhos e toda a cor fugiu de seu rosto já pálido. Seus dedos apertaram o leque com tanta força que as penas se dobraram. Não podia ser. Não naquele momento, não naquele exato momento.

    O homem que desmontava do cavalo branco era Dom Pedro de Alcântara Silveira, juiz de direito da comarca e primo distante do imperador Dom Pedro II. Sua presença na região era rara, mas quando acontecia causava alvoroço. Era conhecido por suas ideias progressistas, por defender publicamente a abolição gradual da escravatura e por punir com rigor senhores que cometessem crueldades extremas contra seus escravizados.

    Alto de barba grisalha bem aparada, óculos de armação dourada e postura ereta. Dom Pedro tinha a autoridade de quem nascera na nobreza, mas cultivara a consciência. Seus olhos azuis e penetrantes varreram a cena, a escrava ajoelhada, o prato no chão, assim a petrificada, os feitores tensos. O silêncio que se instalou era mais pesado que chumbo.

    “Sim Ah, Mariana”, disse Dom Pedro com a voz grave e controlada, retirando as luvas de couro lentamente enquanto caminhava em direção à casa grande. “Que cena interessante me recebe em sua fazenda”. Cada palavra era medida, cada sílaba carregada de reprovação mal disfarçada. Mariana forçou um sorriso que mais pareceu uma careta.

    Suas mãos tremiam visivelmente. Dom Pedro, que honra inesperada. Não sabíamos de sua visita ou teríamos preparado uma recepção adequada? Sua voz saiu esganiçada, desesperada. Ela fez um gesto brusco para os feitores. Liberem todos. Voltem ao trabalho agora. Os escravos se dispersaram rapidamente, mas Josefa permaneceu ajoelhada, paralisada.

    Com o coração batendo descompassado, ela levantou os olhos devagar e encontrou o olhar de Dom Pedro fixo nela, um olhar que misturava compaixão e algo mais, algo que ela não conseguia decifrar. Dom Pedro caminhou até Josefa com passos firmes que ecoavam sobre a terra.

    Ele parou diante dela e, para horror da senha Mariana e espanto de todos os presentes, estendeu a mão enluvada em direção à escrava. Levante-se”, disse ele com firmeza, mas sem aspereza. Josefa olhou para aquela mão como se fosse uma aparição. Ninguém nunca lhe estendera a mão. Ninguém. Com lágrimas escorrendo livremente agora, ela aceitou a ajuda e ergueu seu corpo dolorido.

    De pé, pôde olhar nos olhos daquele homem poderoso que, por algum motivo que ela não compreendia, parecia vê-la como ser humano. “Qual é seu nome? perguntou ele. Josefa, senhor, ela respondeu com a voz embargada. Dom Pedro assentiu lentamente e então se virou para assim a Mariana com uma expressão que faria o demônio recuar. Precisamos conversar, senhora Cavalcante, agora.

    E enquanto marchava para a casa grande com Mariana, praticamente correndo atrás dele, Josefa ficou ali de pé no meio do terreiro, sentindo pela primeira vez em anos algo que quase esquecera, esperança. Dentro da casa grande da fazenda São Jerônimo, o ar estava pesado, como a tempestade que se anuncia. O salão principal exibia toda a opulência que o café podia comprar.

    Lustres de cristal importados da França pendiam do teto alto. Móveis de jacarandá entalhado ocupavam cada canto e tapetes persas cobriam o piso de tábuas largas e enceradas. Nas paredes, retratos a óleo dos antepassados dos Cavalcante olhavam com seus olhos mortos e julgadores. Dom Pedro de Alcântara Silveira estava de pé junto à janela, as mãos cruzadas nas costas.

    observando, através das cortinas de renda o terreiro onde Josefa ainda permanecia, agora amparada por outras escravas que a levavam para a sombra. Assim, a Mariana tremia atrás dele, torcendo um lenço de linho entre os dedos, o rosto mais branco que os azulejos portugueses da varanda. O silêncio entre eles era tão denso que parecia sugar o ar da sala.

    “A senhora tem noção da gravidade do que presenciei?” A voz de Dom Pedro era baixa, controlada, mas carregava uma fúria contida que fazia as palavras vibrarem como cordas de violino esticadas ao limite. Ele não se virou para encará-la. Manteve os olhos fixos na janela, como se não suportasse olhar para aquela mulher. Mariana engoliu seco, sentindo a garganta árida.

    Dom Pedro, eu foi apenas uma correção necessária. A escrava foi insolente. Roubou comida da dispensa. Eu não podia deixar passar. Sua voz saía trêmula, desesperada. Cada palavra uma tentativa patética de justificar o injustificável. Ela sabia que estava mentindo e sabia que ele sabia. Dom Pedro finalmente se virou e o olhar que lançou sobre ela fez Mariana dar um passo para trás involuntariamente.

    Insolente? Dom Pedro tirou os óculos e limpou-os com um lenço, um gesto lento e deliberado que apenas aumentava a tensão. A senhora chama de insolência uma escrava que trabalha de sol a sol, que cozinha suas refeições, que mantém esta casa funcionando? E qual foi essa terrível insolência? Olhar para a senhora, respirar o mesmo ar? Ele recolocou os óculos e caminhou em direção a Mariana, com passos medidos.

    Cada palavra era uma acusação, cada sílaba, um martelo batendo no caixão da dignidade dela. Eu conheço mulheres como a senhora Mariana, conheço muito bem mulheres que transformam sua própria infelicidade em veneno e despejam esse veneno sobre quem não pode se defender. Mulheres que confundem poder com crueldade. Mariana sentiu as lágrimas subirem, mas não eram lágrimas de arrependimento, eram de raiva e humilhação.

    “O Senhor não tem o direito de vir julgar”, explodiu Mariana, a máscara de submissão finalmente caindo. Seu rosto se contorceu em uma expressão feia, revelando toda a amargura que cultiva dentro de si como erva daninha. O senhor com suas ideias modernas, defendendo essa corja como se fossem gente de verdade. Eles são nossa propriedade, comprados e pagos. Eu faço o que quiser com o que é meu.

    As palavras saíram como cuspe e ela imediatamente percebeu que havia ido longe demais. Dom Pedro estreitou os olhos e um sorriso frio, sem humor algum, curvou seus lábios. propriedade”, repetiu ele quase sussurrando. “Que interessante a senhora mencionar isso, porque veja bem, Mariana, há leis neste império, leis que proíbem maus tratos excessivos, mesmo contra escravizados, eu, como juiz de direito, tenho o poder de aplicá-las”.

    O sangue fugiu completamente do rosto de Mariana. Ela cambaleou e segurou-se no encosto de uma poltrona. O senhor, o senhor não faria isso. Somos uma família respeitada. Meu marido tem influência. Nós Dom Pedro levantou a mão, silenciando-a. Seu marido, falemos sobre Augusto. Ele caminhou até uma mesinha lateral, onde havia uma garrafa de cristal com vinho do porto e serviu-se de uma taça, saboreando lentamente, fazendo Mariana esperar em agonia.

    Augusto Cavalcante é um homem que conheço há anos. Um homem bom, talvez fraco demais para sua própria bondade. Um homem que, imagino, não faz ideia do tipo de monstro com quem divide a cama. As palavras eram veneno puro. Mariana sentiu algo se estilhaçar dentro dela, o pouco que restava de sua dignidade. Naquele momento, a porta do salão se abriu bruscamente.

    Augusto Cavalcante entrou com passos largos, ainda vestindo as roupas de montaria, o rosto bronzeado pelo sol e coberto de poeira da viagem. Tinha acabado de voltar de São Paulo, onde fora negociar a venda de café. Era um homem de 48 anos, alto e ainda forte, com cabelos castanhos começando a grisalhar nas têmporas e olhos cor de mel, que normalmente expressavam bondade, mas agora brilhavam de confusão e preocupação.

    “Dom Pedro, que surpresa!”, exclamou, estendendo a mão calorosamente. “Se soubesse que o senhor viria, teria retornado mais cedo da capital”. Então, seus olhos pousaram na esposa e a expressão dele mudou. Mariana, o que aconteceu? Você está pálida como um fantasma. Ela tentou falar, mas as palavras morreram em sua garganta. Dom Pedro apertou a mão de Augusto com firmeza, mas seu rosto permaneceu sério.

    Augusto, meu amigo, precisamos conversar e você precisa saber o que acontece em sua fazenda quando está ausente. O tom era grave. carregado de significado. Augusto franziu a testa, olhando da esposa para o juiz. Do que está falando? Dom Pedro respirou fundo, como quem se prepara para desferir um golpe doloroso em um amigo.

    Quando cheguei hoje, presenciei sua esposa, forçando uma escrava a comer restos podres no chão, como um animal, diante de todos os outros escravizados. A mulher estava ajoelhada sob o sol. escaldante, sendo humilhada publicamente. Cada palavra caiu sobre Augusto como pedras. Seu rosto se transformou. Primeiro incredulidade, depois horror.

    Finalmente uma raiva surda que fez suas mãos se fecharem em punhos. Mariana. A voz de Augusto saiu baixa, perigosamente baixa. Ele se virou para a esposa com uma lentidão que era mais aterradora que qualquer explosão. Isso é verdade? Mariana recuou, as costas batendo contra a parede. Augusto, eu roubou. Ela foi insolente. Eu precisava dar o exemplo.

    Mas ele ergueu a mão, cortando suas justificativas. Qual escrava? Perguntou. E havia algo em sua voz que fez o coração de Mariana disparar em pânico puro. Qual era o nome dela? Dom Pedro respondeu quando Mariana permaneceu em silêncio. Josefa, uma mulher de meia idade, corpo avantajado, trabalha na cozinha da Casa Grande.

    O nome pairou no ar como um fantasma. Augusto fechou os olhos e quando os abriu novamente, havia lágrimas neles. Lágrimas de dor, de culpa, de uma verdade enterrada que finalmente vinha à superfície. Josefa repetiu Augusto, e o nome saiu de seus lábios como uma prece.

    Ele caminhou até a janela e ficou ali parado, observando o terreiro onde à distância podia ver a figura volumosa de Josefa, sentada à sombra de uma mangueira, sendo cuidada pelas outras escravas. Suas mãos tremiam. Dom Pedro observava tudo em silêncio, os olhos afiados, não perdendo nenhum detalhe daquela cena. Mariana, encostada na parede sentia o mundo desmoronar ao seu redor.

    Augusto, ela sussurrou, o que está havendo? Por que está agindo assim por causa de uma escrava qualquer? Mas a resposta que veio não foi a que ela esperava. Augusto se virou lentamente, o rosto marcado por uma dor antiga e disse: “Porque Josefa não é uma escrava qualquer, Mariana. Ela nunca foi. O silêncio que se seguiu foi absoluto.

    Mariana arregalou os olhos, sentindo um frio glacial subir pela espinha. O que o que você quer dizer com isso? Augusto passou a mão pelo rosto, um gesto de homem derrotado. Josefa foi minha ama de leite. Quando minha mãe morreu no parto, foi ela quem me amamentou, quem cuidou de mim como se eu fosse seu próprio filho. Ela tinha apenas 16 anos, acabara de ter seu primeiro bebê.

    Durante anos, ela foi mais mãe para mim do que qualquer outra pessoa. As palavras saíam carregadas de emoção e lágrimas escorriam abertamente por seu rosto. Quando meu pai morreu e eu herdei esta fazenda, prometi a ela que nunca deixaria que nada de ruim lhe acontecesse. Prometi protegê-la e falhei.

    Ele olhou para Mariana com uma mistura de decepção e nojo. E você, minha esposa, a humilhou da forma mais viu possível. Dom Pedro permaneceu em silêncio, mas seus olhos brilhavam com uma compreensão profunda. Ele sabia que havia mais naquela história, camadas de verdades enterradas que estavam prestes a emergir.

    Mariana, por sua vez, sentiu uma fúria cega tomar conta de si. Tudo fazia sentido agora. Os olhares de Augusto para Josefa, a gentileza que ele demonstrava, a forma como sempre garantia que ela estivesse bem alimentada e nunca fosse castigada fisicamente. Não era desejo carnal, como ela imaginara em seus delírios ciumentos. Era algo pior.

    Era amor filial, era devoção, era uma dívida impagável. E Mariana, em sua crueldade ignorante, havia atacado exatamente a pessoa que seu marido mais amava naquele mundo depois de seus próprios filhos. A tempestade que se formava dentro da casa grande da fazenda São Jerônimo estava apenas começando, e o trovão que se anunciava prometia destruir tudo.

    A noite caiu sobre a fazenda São Jerônimo, como um manto negro, trazendo consigo o canto dos grilos e o cheiro de jasmim que subia dos jardins. Na cenzala, as velas debo tremulavam, lançando sombras dançantes nas paredes de pau a pique. Josefa estava deitada em sua esteira, o corpo ainda dolorido da humilhação do dia, mas seu coração pulsava com uma inquietação diferente. Algo estava mudando.

    Ela podia sentir no ar, aquela tensão elétrica que precede as grandes tempestades. Outras escravas coxixavam nos cantos, especulando sobre a presença do juiz, sobre a discussão que se estendera por horas na casa grande, sobre os gritos da Sinhá que ecoaram até o terreiro. Josefa, porém, permanecia em silêncio, os olhos fixos no teto de palha, repassando mentalmente cada palavra que Dom Pedro lhe dissera antes de ir embora ao cair da tarde. Tenha fé, Josefa. A verdade sempre encontra seu caminho.

    Na Casa Grande, a atmosfera era sufocante. Augusto Cavalcante trancara-se em seu escritório após a revelação, recusando-se a falar com Mariana. Ela, por sua vez, caminhava de um lado para outro em seu quarto, o vestido de seda agora amarrotado, o cabelo escapando do penteado elaborado. Seus olhos estavam vermelhos, não de arrependimento, mas de fúria impotente.

    Como ousavam tratá-la daquela forma? Como ousavam fazê-la sentir-se a vilã quando ela apenas mantinha a ordem em sua própria casa? Mariana parou diante do espelho veneziano e fitou sua própria imagem. Uma mulher de 35 anos que parecia ter 50, consumida pela amargura e pelo ciúme, que corroíam sua alma como ácido.

    Ela pensou em Dom Pedro, naquele olhar de desprezo que ele lançara sobre ela, e algo se retorceu em seu peito. Havia algo mais ali, algo que ela não compreendia. Por que um juiz tão importante viajaria até aquela fazenda sem aviso? Por que se importaria tanto com uma escrava? O amanhecer trouxe uma surpresa que fez toda a fazenda parar. Dom Pedro de Alcântara Silveira retornou, mas desta vez não estava sozinho.

    Com ele vinha uma senhora idosa de cabelos completamente brancos, presos em um coque elegante, vestida com um trage simples, mas de tecido fino. Não a roupa de uma escrava, mas também não a ostentação de uma simá. Seu rosto era marcado pelas rugas profundas de quem viveu muito e sofreu mais ainda. Mas seus olhos negros brilhavam com uma inteligência aguçada e uma dignidade inabalável.

    Ela se movia com dificuldade, apoiada em uma bengala de madeira nobre, mas sua postura era ereta. Quando a carruagem parou no terreiro da fazenda, todos os escravos que trabalhavam nos cafezais pararam para observar. Havia algo naquela mulher que comandava respeito, algo que transcendia cor ou condição social. Dom Pedro ajudou-a a descer com uma gentileza que surpreendeu a todos e então, para espanto geral, beijou sua mão com reverência.

    Augusto saiu da casa grande ainda vestindo as roupas do dia anterior, os olhos inchados de uma noite sem dormir. Quando viu a idosa ao lado de Dom Pedro, parou abruptamente nos degraus da varanda, o rosto se transformando em uma máscara de total incredulidade. “Tia Benedita, a voz saiu rouca, carregada de emoção.

    A idosa sorriu, um sorriso triste, mas afetuoso. Augustinho”, disse ela com voz firme, apesar da idade avançada. “Passou tanto tempo, menino, tanto tempo.” Augusto desceu os degraus correndo, esquecendo completamente do protocolo, e abraçou a velha senhora com uma força que fez Dom Pedro se aproximar, temendo que ela se machucasse.

    “Como? Como é possível? Disseram que você havia morrido há mais de 30 anos. Disseram que você havia fugido e morrido no caminho. As lágrimas escorriam livremente pelo rosto daquele homem poderoso, agora reduzido a um menino reencontrando alguém que julgava perdido para sempre. Benedita afastou-se delicadamente e enxugou as lágrimas de Augusto com um lenço bordado. Não morri, meu filho.

    Fugi, sim. Fugi porque seu pai, que Deus o tenha, decidiu me vender depois que você completou 10 anos. Disse que eu não era mais necessária, que tinha outras bocas jovens para alimentar e que uma escrava velha como eu não valia mais a pena. A amargura nas palavras era palpável.

    décadas de dor concentradas em cada sílaba, mas antes de me levarem, eu fugi. Corri para o quilombo do Jabaquara em Santos. Lá vivi todos esses anos, trabalhando como parteira, ajudando outras almas fugidas. E lá, há 5 anos, encontrei alguém que você precisa conhecer. Ela fez um gesto para Dom Pedro, que acenou para alguém dentro da carruagem.

    A porta se abriu novamente e um jovem desceu alto, de pele escura, olhos inteligentes e porte digno. Usava roupas simples, mas limpas, e carregava um embrulho nas mãos. Augusto olhou para ele sem compreender. Augusto Cavalcante, disse Dom Pedro com solenidade. Permita-me apresentar Samuel, filho de Josefa, fugitivo há 12 anos, agora homem livre, vivendo no quilombo sob minha proteção legal.

    As palavras explodiram como dinamite. Augusto cambaleou, apoiando-se no corrimão da varanda. o filho de Josefa. Mas ela nunca me disse que ele estava vivo. Ela disse que não sabia seu paradeiro. Samuel deu um passo à frente, a voz firme e clara. Ela não sabia, Senhor, nunca soube.

    Quando fugi desta fazenda aos 15 anos, não pude enviar notícias. Foi apenas quando encontrei tia Benedita no quilombo e ela me contou sobre o Senhor, sobre como minha mãe amamentou o Senhor e cuidou do Senhor como filho, que entendia a conexão. Foi ela quem me trouxe até Dom Pedro, que tem ajudado nosso quilombo. Samuel respirou fundo. Vim aqui hoje para ver minha mãe pela primeira vez em 12 anos para dizer a ela que estou vivo, que sou livre e que nunca mais precisará se ajoelhar diante de ninguém.

    Naquele momento, Josefa surgiu na porta da cozinha, atraída pela comoção. Quando seus olhos pousaram em Samuel, o tempo parou. O embrulho que ela carregava, uma bandeja com o café da manhã, caiu no chão com estrondo, a porcelana se estilhaçando em mil pedaços. Suas pernas falharam e ela teria desabado se duas escravas não a amparassem imediatamente.

    Samuel, o nome saiu como um sussurro, como uma oração, como o choro de 12 anos de dor, concentrada em uma única palavra: “Meu filho, meu menino.” Samuel correu até ela e mãe e filho se abraçaram no meio do terreiro. Ambos chorando, ambos tremendo, ambos incapazes de acreditar que aquele momento era real.

    As outras escravas choravam também, e até mesmo os feitores mais endurecidos desviavam o olhar, incapazes de assistir aquela cena sem sentir algo se mover dentro de seus peitos de pedra. Augusto observa tudo com lágrimas, escorrendo pelo rosto, a mão sobre o coração, mas a paz daquele momento foi estilhaçada por um grito vindo da varanda.

    Mariana Cavalcante estava ali, o rosto contorcido em uma máscara de ódio puro. Não, não vou permitir isso. Não vou permitir que transformem minha casa em um circo, que elevem escravos ao nível de pessoas, que destruam tudo que construímos. Ela segurava algo nas mãos, uma pistola antiga, herança do sogro.

    Suas mãos tremiam violentamente e seus olhos tinham o brilho da loucura. Aquela negra gorda tem que pagar. Ela tem que pagar por roubar o amor do meu marido, por fazer ele me olhar como se eu fosse um monstro. Antes que alguém pudesse reagir, Mariana apontou a arma para Josefa. O estampido do tiro rasgou o ar da manhã como um trovão.

    Mulheres gritaram, homens se jogaram no chão, mas quando o eco do disparo finalmente silenciou, não foi Josefa quem estava caída, era Augusto. Ele se jogara na frente de Josefa no último segundo e a bala o atingira no ombro. Sangue vermelho escuro espalhava-se por sua camisa branca enquanto ele caía de joelhos. O rosto pálido, mas os olhos firmes. “Chega, Mariana”, disse ele com a voz fraca, mas resoluta.

    “Chega de ódio, chega de crueldade. Eu protegi Jos uma vez quando ela me protegeu e vou protegê-la até meu último suspiro.” Dom Pedro desarmou Mariana com um movimento rápido, enquanto Samuel e outros homens corriam para ajudar Augusto. Mariana desabou no chão, soluçando, não de arrependimento, mas do colapso completo de seu mundo de ilusões.

    Dom Pedro olhou para ela com uma mistura de pena e severidade. Senhora Cavalcante, a senhora está presa por tentativa de assassinato. Será levada para responder perante a justiça. Mariana não reagiu, apenas continuou chorando. ser humano destruído por seu próprio veneno. Três meses depois, a fazenda São Jerônimo estava irreconhecível. Augusto, recuperado do ferimento, tomara uma decisão que chocou toda a região.

    Libertou todos os seus escravizados, oferecendo-lhes trabalho remunerado para quem quisesse ficar. Metade permaneceu agora como trabalhadores livres com dignidade e salário justo. Josefa dirigia a cozinha não mais como escrava, mas como funcionária respeitada, e vivia em uma casinha própria, nos fundos da propriedade, onde Samuel a visitava toda a semana.

    Benedita também ficara, recusando-se a voltar para o quilombo. “Já corri demais na vida, menino. Agora quero morrer onde nasci”, dissera ela a Augusto. Mariana fora julgada e condenada a 5 anos de prisão, mas mais do que isso, fora condenada ao ostracismo social. Nenhuma família de bem queria associar-se ao escândalo. A fazenda agora respirava diferentes ares, ares de mudança, de redenção, de justiça tardia, mas finalmente alcançada.

    Em uma tarde dourada de junho, Josefa estava sentada sob a mangueira do terreiro, com Benedita ao seu lado e Samuel, ajudando Augusto a revisar os livros contábeis da fazenda. Dom Pedro visitava como amigo, não mais como juiz em missão. Josefa olhou ao redor para os trabalhadores livres cantando nos cafezais, para seu filho vivo e próspero, para o homem que ela amamentara agora, tratando-a com o respeito que ela sempre merecera. E sentiu algo que não sentia há décadas.

    Paz. Tia Benedita, disse ela suavemente. Você acha que Deus perdoa? Perdoa as pessoas que fizeram o mal. A velha segurou sua mão com força surpreendente. Deus perdoa quem se arrepende de verdade, minha filha, mas tem gente que prefere morrer com o ódio dentro do peito. Essas nem Deus alcança. Josefa a sentiu e então sorriu um sorriso livre pela primeira vez em sua vida, porque ela finalmente compreendera.

    A verdadeira liberdade não vem de papéis assinados, mas de saber que sua dignidade nunca poderia ser roubada, apenas esquecida por um tempo, e agora ela a havia recuperado. Esta história nos lembra de uma verdade profunda e atemporal. A crueldade nasce não da força, mas da fraqueza.

    Mariana não era poderosa, era prisioneira de seu próprio ódio, escrava de seus medos e inseguranças. Enquanto isso, Josefa, mesmo ajoelhada sobre a terra quente, mantinha algo que nenhum chicote poderia arrancar, sua humanidade intacta. Quantas vezes julgamos o valor de uma pessoa por sua posição social, por seu corpo, por sua condição? Josefa nos ensina que dignidade não se perde, apenas se esquece temporariamente, esperando o momento certo para ressurgir.

    A verdadeira liberdade não está nos papéis de euforria, mas na capacidade de olhar nos olhos de quem tentou nos destruir e ainda assim escolher o perdão. está em reconhecer que todos somos humanos, frágeis, imperfeitos, mas merecedores de respeito. Augusto se redimiu ao proteger quem o protegeu. Samuel encontrou sua mãe não por acaso, mas porque o amor verdadeiro sempre encontra seu caminho de volta.

    E Josefa, ela nos mostra que resistir com dignidade é a maior vingança contra a injustiça. Que cada um de nós carregue um pouco de Josefa, a força de permanecer humano, mesmo quando o mundo conspira para nos transformar em animais. A verdadeira força está em nunca perder a capacidade de amar. Você gostou desta história? Então se inscreva no nosso canal, ative o sininho e compartilhe este vídeo para que mais pessoas conheçam esse segredo da cenzala que ninguém conta.

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  • O Segredo da Esposa Obesa do Coronel: Grávida de um Escravizado… O Marido Dela Descobriu

    O Segredo da Esposa Obesa do Coronel: Grávida de um Escravizado… O Marido Dela Descobriu

    O sol poente tingia de vermelho as colinas secas da fazenda Santa Cruz, no sertão baiano de 1875, quando o coronel Ramiro desmontou do cavalo com um bque surdo no terreiro de terra batida. Seus botins de couro polido erguiam poeira fina e o chapéu de aba larga sombreava olhos que ardiam como brasas.

    Ele havia voltado cedo da cidade, o peito apertado por um sussurro ouvido no armazém. algo sobre sua esposa, dona Isabela, e um ventre que crescia além do esperado. Sem uma palavra, ele atravessou o alpendre de madeira escura, as esporas tiltando como sinos de alerta. Isabela costura a luz de uma lamparina no quarto principal, o vestido de linho claro esticado sobre a barriga proeminente.

    Seus cabelos negros, presos em coque severos sob a mantilha de renda, tremiam levemente ao ouvir os passos pesados. Ela ergueu o olhar pálida como cera, e a agulha parou no ar. Ramiro parou na soleira, o lenço sujo de suor no pescoço e fechou a porta com um clique que ecoou como uma sentença.

    Ei, se essa atenção já te pegou de jeito, faz assim. Se inscreva no canal agora. Compartilhe essa história com quem ama um bom suspense e comenta aí embaixo de onde você tá assistindo. Vamos nessa jornada juntos. O silêncio se esticava como corda de viola prestes a romper. Ramiro tirou o chapéu devagar, pendurando-o no espaldar da cama de Docelé.

    Seus olhos, castanhos e frios, como o inverno do planalto, fixaram-se na curva suave do abdômen dela. Isabela! Murmurou, a voz rouca de cachaça e raiva contida. Quem é o pai dessa criança que carrega no ventre? Ela engoliu em seco, as mãos crispadas no pano. O ar cheirava a jasmim murcho e segredos podres.

    Fora dali, os escravos terminavam o dia nos canaviais. Foi se cortando a terra seca sob o olhar dos feitores. Isabela se levantou com esforço, o corpete apertado forçando uma respiração curta. casara-se com Ramiro aos 17, viúva de um primo distante, atraída pelo poder dele sobre aquelas terras vastas, onde o engenho rangia dia e noite, mas os anos haviam secado o leito conjugal, como o rio no estio.

    Ele, absorto em dívidas com bancos do rio e intrigas políticas, mal tocava nela. Ela, dona da casa grande, administrava as mucamas e os quitais com mão firme, mas o vazio crescia. Até João, o escravo capataz, de pele escura como café torrado, olhos verdes herdados de algum avô fugido. É seu, Ramiro! Mentiu ela, a voz firme, apesar do tremor nas pernas.

    Ele riu curto e seco, aproximando-se. O cheiro de tabaco e couro invadiu o quarto. Meu, há meses sem te tocar, mulher, e esse ventre não mente. Ele estendeu a mão, hesitante, tocando a barriga. Isabela recuou, o coração martelando. Lá fora, o sino da capela tocava o Angelos, chamando os fiéis para a reza, mas ali só sombras alongadas e acusações não ditas.

    Ramiro virou-se para a janela, olhando o terreiro onde os escravos se arrastavam para os barracões. João estava entre eles, alto e forte, carregando um feixe de varas. O coronel sentiu o ciúme subir como Billy. As semanas notar os olhares demorados, as idas dela acenzá-las sob pretexto de remédios.

    “Eu sei tudo”, disse ele baixo. “O capataz, aquele negro que você protege das chibatadas”. Isabela negou com a cabeça, mas as lágrimas traíam. Não de tristeza, mas de medo cru, o tipo que paralisa. A noite caiu pesada, estrelas cravadas no céu sem lua. Ramiro saiu pisando firme, ordenando ao feitor que trancasse João no tronco do engenho.

    Isabela ficou sozinha, mãos na barriga, sentindo o leve chute da criança. João a salvara meses antes, numa febre que a derrubara. Ele entrara no quarto à noite, com ervas do mato, mãos calejadas que curavam mais que remédios. O toque virara desejo, encontros furtivos no paiol de milho, sussurros de liberdade num mundo de correntes.

    No barracão, João ouviu as correntes tilintarem em seus pulsos. O feitor, um homem magro, de bigode fino, cuspiu no chão. Ordens do patrão, moleque. Amanhã você explica. João não falou. Seus olhos, herdados de uma mãe branca, raptada, fitavam o vazio. Ele sonhava com quilombos distantes, mas Isabela o ancorava ali. A gravidez mudara tudo.

    Ela prometera libertá-lo após o parto, com papéis falsos para o norte. Ramiro voltou ao quarto ao amanhecer, Barba por fazer, olhos injetados. Isabela dormia inquieta. Ele sentou na beira da cama, a pistola no coudre reluzindo. Diga a verdade, ou ele some da fazenda. Ela acordou sobressaltada, o vestido amarrotado. Não faça isso, Ramiro. Ele não fez nada.

    Mas o coronel já sabia. Um moleque da cozinha vira os dois no estábulo. Sussurrara por ciúme. A traição queimava mais que sol no lombo. O dia raiou quente, o sol escaldante nos canaviais. Isabela desceu a senzala véu no rosto, alegando caridade. Os escravos se afastavam, sussurrando. João, acorrentado ao tronco, ergueu o olhar.

    Dona Isabela, fuja enquanto pode. Ela tocou seu rosto rápido. Eu cuido disso. Mas o feitor rondava, chicote enrolado. Ramiro observava da varanda, charuto na boca. Seus planos ferviam. Vender João para o garimpo no Amapá. onde homens sumiam em minas, ou pior, um acidente no engenho.

    Isabela era dele, a fazenda era dele. Ninguém roubava o que era seu. Ela subiu correndo, suando sob o espartilho. Me deixe falar com ele uma última vez. Ramiro negou, trancando a porta. Hoje resolvemos. A tensão crescia como nuvem de tormenta. No almoço, pratos de feijão e carne seca intocados. Isabela sentia contrações leves, o corpo traindo-a.

    Ramiro andava de um lado para outro, botas ecoando no açoalho de taco. Por que, Isabela? Eu te dou tudo. Ela fitou-o complexa em sua dor. Amava o poder dele tanto quanto o desprezo. Você me deu correntes invisíveis. Ao entardecer, o coronel mandou chamar o padre da capela vizinha, não por fé, mas por testemunhas.

     

    João seria interrogado ali na casa grande, sob olhares de todos. Isabela suplicou em vão. O sino tocou de novo, chamando para o julgamento particular. Os escravos paravam o trabalho, sentindo o ar carregado. João foi arrastado, correntes nos pés, camisa rasgada revelando cicatrizes antigas. Ramiro o encarou no salão, mesa de mogno entre eles.

    Confessa, negro. João ergueu o queixo. A senhora é livre no coração dela. Isabela entrou pálida, barriga proeminente como prova viva. O padre murmurava orações. A mão de Ramiro foi à pistola. O ar parou. Isabela gritou: “Pare!” Mas o tiro não veio. Ainda não. O coronel hesitou vendo a criança mexer sob o vestido dela.

    Seria sangue do seu sangue ou marca indelével? A dúvida o corroía. A noite avançava, velas piscando, conversas sussurradas no terreiro. Isabela trancada no quarto, João no tronco. Ramiro bebia conhaque sozinho na varanda, olhando as estrelas. Amanhã decisões finais, mas um ruído no escuro, passos leves.

    Alguém se aproximava da cenzala, o ciúme reaccendia. Enquanto isso, na casa grande, Isabela planejava um cavalo selado no estábulo, papéis escondidos, mas Ramiro vigiava. A porta rangeu, ele entrou. Sombra imensa. “Você não escapa!” Ela congelou. Ramiro fechou a porta com um clique seco, o som ecoando como um veredito.

    Seus olhos, frios como o aço de uma lâmina, fixaram-se nela. Isabela sentiu o ar rarear, o peito apertado por uma mão invisível. Papéis amassados caíam de sua mão trêmula, espalhando-se pelo açoalho de madeira polida. “Planejos tolos”, murmurou ele, aproximando-se devagar. Cada passo rangia, medido, como o tic-taque de um relógio antigo marcando o fim.

    “Acha que um cavalo e umas cartas vão te levar para onde?” para os braços dele. Ela ergueu o queixo, forçando a voz a sair firme. Não finja ignorância, Ramiro. Você sabe de tudo, mas eu não sou sua propriedade. Ele riu baixo, um som que serpenteava pela sala escura. Parou a um braço de distância, o cheiro de tabaco e couro impregnando o ar. Propriedade.

    Você é minha esposa. Carrega meu nome. E agora? Isso apontou para o ventre dela, arredondado sob o vestido de linho fino, bordado com rendas que pareciam zombar da situação. Isabela recuou um passo batendo na mesa de Mogno. Ali, sobre a superfície, uma vela tremeluzia, projetando sombras dançantes nas paredes forradas de tapeçarias portuguesas.

    Lá fora, o vento uivava entre as palmeiras da fazenda, carregando o eco distante dos gemidos dos trabalhadores nos canaviais. A noite caía pesada sobre a baía do século XIX, onde o sol escaldante do dia dava lugar a uma escuridão úmida e conspiratória. Ramiro estendeu a mão, pegando um dos papéis caídos.

    Desdobrou-o com dedos precisos, lendo em silêncio. Para o porto de Salvador, um barco para o norte. Seus lábios se curvaram. Com ele o escravo Manoel. O nome pairou no ar como fumaça, Manuel, alto, de pele escura como ébano polido, olhos que prometiam liberdade em meio à corrente. Ele trabalhava nos campos há anos, mas nos últimos meses olhares trocados nas sombras da cenzala haviam se tornado toques furtivos, promessas sussurradas.

    E agora a criança, prova irrefutável. Ele me ama”, disse Isabela, a voz ganhando força. “Não como você, concorrentes e ordens. Ele me vê”. Ramiro amassou o papel, jogando-o no fogo da lareira. Chamas devoraram as palavras, lambendo a borda com fome. “Amor, na cenzala você delira, Isabela. Ele é propriedade minha, como os cavalos, como a terra.

    E você? Você traiu tudo isso. Ela girou nos calcanhares, correndo para a porta, mas ele foi mais rápido. O braço dele atravou, puxando-a de volta. O corpo dela colidiu contra o dele, rígido como o tronco de jatobá. Solte-me!”, gritou ela, debatendo-se. “Não antes de decidir seu destino.” Ramiro a empurrou para a cadeira, os olhos flamejando, sentou-se à frente, inclinando-se.

    “Eu poderia mandar chicoteá-lo até o limite ou vendê-lo para o rio longe daqui. E você?” “Ficaria aqui sozinha com a vergonha”. Isabela engoliu em seco. Pensou em Manuel, acorrentado na cenzala, o corpo marcado pelas tarefas diárias sob o sol impiedoso. Ele sonhava com quilombos distantes, terras livres além das matas densas.

    Você não fará isso. Sabe que a criança é inocente. Ele se levantou abruptamente, caminhando até a janela. Lá fora, tochas piscavam nos postes da entrada da Casa Grande, vigiando os caseiros. A lua cheia iluminava os telhados de palha das barracas dos escravos, um mar de silhuetas imóveis. Inocente. Nada é inocente aqui.

    Esta fazenda é meu império. Eu construí com suor alheio e você o mancha. Silêncio. Apenas o crepitar da lareira. Isabela observa as costas dele largas sob o colete de veludo. Ramiro não era monstro sem alma, era homem forjado pela terra, viúvo recente quando a desposara, atraído por sua beleza pálida e herança modesta. Casamento de conveniência, pensara ela.

    Mas o ciúme agora o consumia, lento, corrosivo. “Vai embora, então”, disse ele por fim, virando-se, “ma sem ele, deixe o escravo, pegue o cavalo, os papéis, vá para onde quiser, sozinha”. Era uma armadilha. Isabela sabia. Sem Manuel, a criança nasceria sem pai, e ela, mulher solteira na Baia escravocrata, enfrentaria olhares e sussurros.

    Famílias a rejeitariam, portas se fechariam. Você mentiria, mandaria capangas atrás de mim. Ramiro sorriu sombrio. Talvez, ou talvez eu queime tudo agora. A senzala, ele, você assistiria. A ameaça pairou. Ela se levantou devagar, aproximando-se. Ouça-me. Deixe-nos ir. Eu sumirei. Ninguém saberá. Ele balançou a cabeça. Meu orgulho não permite.

    Passos ecoaram no corredor. Um capataz bateu a porta. Coronel, um problema nos canaviais. Fogo nos restos da colheita. Ramiro hesitou, olhos em Isabela. Fique aqui. Conversaremos ao amanhecer. saiu trancando a porta por fora. Sozinha, ela correu à janela. Vidro embaçado pelo hálito da noite. Viu sombras se movendo, escravos alertados pelo fogo distante.

    Entre eles, Manuel. Seu coração acelerou. Precisava avisá-lo. Com unhas arranhou a tranca. Nada. olhou para o sino de chamada na parede usado para reunir os trabalhadores. “Um sinal desesperado?” “Não, pensou melhor no quarto adjacente, uma passagem secreta para o estábulo conhecida só dela.

    Herança de antigas donas da casa, fugas de maridos brutos.” Rastejou pelo piso, empurrando o painel falso. O ar úmido do estábulo a envolveu. Cavalos relincharam baixos. Selou-o dela às pressas, mas ouviu vozes, capangas de Ramiro voltando do fogo. Correu para as cenzá-la, portão semiaberto dentro, corpos exaustos nos cres.

    Manuel ergueu-se, olhos arregalados. Senhora, o que faz aqui? Ela agarrou seu braço. Ele sabe. Fugimos agora. O cavalo espera. Ele olhou para os outros escravos, despertando em sussurros. Eles vão nos seguir. Não temos escolha. Puxou-o para fora. Correram pelas sombras dos canaviais altos, folhas cortantes roçando as pernas.

    O vestido dela se rasgava nas espadas de São João. O ventre pesava, mas a adrenalina impulsionava. Trovões ribombaram ao longe. Chuva fina começou misturando-se ao suor. Atrás latidos de cães. Ramiro os soltara. Manuel parou ofegante. Eu volto, distraio eles. Vá para o rio. Ah, não. Ela o segurou, mas ele beijou sua testa fugindo de volta.

    Isabela seguiu sozinha, tropeçando na lama. O rio negro brilhava sob a lua, correnteza forte para Salvador, mas dor lancinante no ventre. Parou curvada. A criança se mexia, agitada, passos. Ramiro surgiu das árvores sozinho, revólver na mão. Acabou, Isabela. Ela caiu de joelhos. Por favor. Ele se aproximou, arma baixa. Volte.

    Eu cuido de tudo. O escravo some. A criança será minha. Oferta cruel. Olhos dela varreram a escuridão. Manoel voltava com dois escravos armados de facões. Confronto iminente. Ramiro ergueu a arma. Tensão esticou o ar como corda de viola. Se inscreva no canal agora. Compartilhe esta história com quem ama narrativas reais e comente de onde você está assistindo.

    Sua interação faz o algoritmo nos levar mais longe. Manoel avançou o facão reluzindo. Solte ela, coronel. Ramiro girou. Traidores disparou para o alto, ecoando como julgamento. Escravos hesitaram. Isabela gritou: “Parem! Basta! A chuva engrossou, transformando o chão em lama, escorregadia. Ramiro avançou para Manuel, os dois colidindo em luta bruta.

    Punhos voaram. Ramiro, mais forte pela autoridade diária, derrubou-o. Mas Manuel rolou, cravando o facão na terra ao lado. Isabela se arrastou, pegando uma pedra, lançou-a, acertou o ombro de Ramiro. Ele grunhiu virando-se. Chega. Ela se pôs de pé. Mate-me se quiser, mas ele vive. Ramiro parou.

    Arma apontada para Manuel. Olhos dele encontraram os dela. Algo quebrou. Não ódio puro, mas dor crua. Você escolhe isso sobre mim? Eu escolho liberdade. Silêncio, chuva batendo. Então ele baixou a arma. Vão, antes que eu mudei”. Manuel se ergueu, ajudando-a. Correram para o rio, barco escondido por ele dias antes.

    Remaram contra a corrente, fazenda sumindo na névoa. Dias depois, em Salvador, Isabela sentiu as primeiras dores. Manuel ao lado, mãos calejadas segurando-as dela. Uma nova vida nascia em meio a incertezas. Mas Ramiro, na fazenda vazia, ele bebia conhaque, olhando os canaviais. Jurou vingança silenciosa, contratou caçadores. A perseguição só começava.

    Enquanto o sol nascia sobre o porto agitado, Isabela sussurrou para o filho: “Você é livre!”, mas sombras se aproximavam pelo horizonte. As sombras no horizonte ganhavam forma. Três cavaleiros, silhuetas esguias contra o amanhecer avermelhado, galopando pela estrada de terra que levava alcais. Isabela apertou o menino contra o peito, o coração martelando como tambores de guerra.

    O porto de Salvador fervilhava com carregadores suados, mercadores gritando ordens em português misturado a línguas africanas e o cheiro salgado do mar. se entrelaçando ao fedor de peixe podre. Ela havia pago o último ouro a um capitão de navio negreiro que fingia lealdade, prometendo passagem para o norte, onde as leis eram menos cruéis.

    O menino, com olhos grandes e herdados do pai escravo, agarrou a saia dela. “Mamãe, eles vêm?”, sussurrou, voz trêmula como folha ao vento. Isabela forçou um sorriso, os lábios pálidos. Não olhe para trás, só para o mar. Mas os cascos ecoavam mais perto, poeira subindo como fumaça de um incêndio distante.

    O capitão, um homem barbudo, com cicatrizes no rosto, gesticulou para o Cis. Subam agora, senhora, o vento vira a favor. Eles correram, pés chapinhando em poças de água de mar, o menino tropeçando nas pedras irregulares. Atrás, os caçadores desmontaram, pistolas reluzindo ao sol nascente. O líder, um mestiço de olhar frio chamado Ramiro, gritou: “Parem aí pelo coronel Albuquerque.

     

    ” Isabela não parou. O navio, um brigue rangente com velas arriadas, balançava na baia. Uma prancha instável o separava da liberdade. No terceiro instante de pavor puro, enquanto a prancha rangia sob seus pés, pare aqui e se inscreva no canal agora mesmo. Curta, compartilhe com quem precisa dessa atenção e comente de onde você está assistindo, do Brasil ou do mundo todo, para mais histórias que prendem assim.

    Subiram a bordo em tropeços, mãos calejadas dos marinheiros, puxando-os para a segurança relativa do Convés. O capitão berrou ordens e as velas inflaram com um estalo seco. O navio se afastou do cais, cortando as ondas como uma lâmina. Ramiro, na margem, ergueu a pistola, mas o disparo ecoou inofensivo, perdido no vento.

    Isabela caiu de joelhos, o filho nos braços, o peito arfando, livre. Por enquanto, dias se arrastaram no mar revolto, o horizonte, uma linha infinita de azul impiedoso. O capitão, vendo o ouro gasto, revelou sua face verdadeira. Vocês vão pro rio, senhora, mas o coronel tem olhos em todo o porto. Isabela trocou olhares com o menino, que agora brincava com cordas velhas alheio ao abismo.

    Ela pensava em João, o escravo da fazenda, pai dele, um homem de mãos fortes que plantava café sob o chicote, mas cujos olhos prometiam mundos além das correntes. O segredo nascera numa noite de tempestade, quando o coronel roncava bêbado e João a ajudara a escapar de uma surra. Um toque virou chama, uma gravidez virou sentença.

    No Recife, o navio ancorou sob nuvens carregadas. Isabela desceu com o filho, disfarçada em trapos de lavadeira, rumo a uma pensão nos becos fedorentos do porto. Mas o coronel não dormia. Seus emissários chegavam primeiro. Cartas seladas com cera vermelha, ameaças veladas. Volte ou o bastardo paga. Ela queimou o papel na chama de uma vela, cinzas voando como almas perdidas.

    O menino torcia, febre subindo com o calor úmido da cidade, sem ouro, sem aliados. Ela vendia flores roubadas nas ruas, olhos sempre no retrovisor das sombras. Uma noite, chuva torrencial transformou as ruas em rios de lama. Isabela carregava o filho febril para um curandeiro negro, livre por milagre de lei. Nos fundos de uma casa de taipa, o homem de dreads grisalhos examinou o menino.

    Ele carrega sangue forte, senhora. Sobreviverá se o destino quiser. Mas destino era luxo para escravos e adúlteras. Lá fora passos. Ramiro e dois capangas infiltrados como mercadores. Ela ouviu a porta ranger, escondeu-se atrás de cortinas poídas, o filho inerte nos braços. Onde está a mulher do coronel? Rosnou Ramiro, voz como ferro enferrujado.

    O curandeiro mentiu com calma. Passou por aqui ontem, rumou pro interior. Uma pausa eterna. Facas foram sacadas, mas o homem não cedeu. Um soco ecoou, vidro quebrando. Isabela tapou a boca do menino, o coração uma bigorna. Eles foram embora, xingando a noite. Isabela esperou até o silêncio engolir a chuva. Fugiram pela janela, serpenteando becos escuros, lama grudando nas saias.

    O curandeiro sussurrou ao partir: “Vão pro quilombo no sertão lá. Sangue como o dele é lei, mas o caminho era a morte certa. Matas infestadas de onças, rios traiçoeiros, patrulhas de senhores, semanas de marcha exaustiva, pés sangrando em trilhas invisíveis. O menino melhorava, crescendo magro, mas feroz, caçando frutas com pedras.

    Isabela contava histórias de João. Seu pai ergueu montanhas com as mãos. Chegaram ao quilombo ao luar uma fortaleza de palha e coragem no coração da mata atlântica. Guardiões armados de mosquetes enferrujados os revistaram. Quem manda? Um líder, cicatriz no rosto como mapa de batalhas, fixou os olhos no menino.

    Filho de quem? João da fazenda Albuquerque. O nome abriu portas. João escapara meses antes, agora capitão dos fugitivos. Ele surgiu da escuridão, corpo marcado por chicotes antigos, mas olhos flamejantes. Abraçou o filho primeiro, depois Isabela, um toque que dizia tudo sem palavras. Você veio. O coronel enfurecido enviou uma expedição. Soldados regulares, cães farejadores, fúria cega.

    A batalha veio ao amanhecer, tiros cortando a névoa, flechas silvando. Ramiro liderava, prometendo ouro aos quilombolas que traíssem. Mas João, ao lado de Isabela, ergueu barricadas de troncos. O menino escondido, atirou uma pedra que derrubou um cão. Tensão no ar como corda esticada. O coronel em pessoa cavalgava à frente, espada desembanhada, rosto contorcido em ódio pessoal.

    Sua traidora, o fruto da vergonha morre hoje. Isabela enfrentou-o no claro da mata, voz firme. Ele é mais homem que você jamais foi. Um duelo de vontades, não de aço. João flanqueou o mosquete apontado. Os soldados hesitaram. Fome de soldo, dúvida no peito. Ramiro traiu primeiro, virando a arma contra o coronel num instante de ganância.

    O líder caiu, um gemido abafado na terra úmida, caos, tiros cruzados, retirada apressada. O quilombo venceu, não por milagre, mas por lealdade forjada em correntes quebradas. Isabela e João reconstruíram vidas na selva. O menino cresceu guerreiro, aprendendo a ler estrelas e leis ocultas. Não houve salvação fácil.

    Invernos rigorosos ceifaram fracos, emboscadas testaram nervos. Mas o segredo, outrora veneno, virou raiz profunda, livre, mas sempre vigilante, pois sombras nunca morrem de todo. Anos depois, o menino, agora homem, sussurrou para o filho dele: “Você é livre. O ciclo não quebrado, mas transformado. Ei, se essa atenção te prendeu até aqui, se inscreva no canal, ative o sininho, compartilhe com amigos e comente qual segredo você esconderia numa fazenda como essa? De onde você assiste? Mais histórias vem aí. M.

  • A Escravizada Encontrou a Filha OBESA da Sinhá Abandonada — E o Motivo Surpreendeu a Todos

    A Escravizada Encontrou a Filha OBESA da Sinhá Abandonada — E o Motivo Surpreendeu a Todos

    A escrava ouviu choros no canavial e encontrou a filha obesa da Sá abandonada num tronco e o motivo deixou todos em choque. Olá, meu amigo e minha amiga. Aqui é Miguel Andrade, o narrador de segredos da Senzala. E hoje você vai conhecer uma história que vai mexer com cada pedaço do seu coração.

    Antes de começarmos, inscreva-se no canal e me diga nos comentários de onde você está nos ouvindo. É sempre emocionante saber até onde nossas histórias chegam. Prepare-se, porque a emoção começa agora. A madrugada cobria a vila de São Francisco do Conde, com seu manto escuro e silencioso. No engenho Santo Rosário, a lua cheia iluminava os intermináveis canaviais do recôncavo baiano com seu brilho fantasmagórico e frio.

    Joaquina, uma das escravas mais antigas da propriedade, carregava um pote de água da cozinha em direção às cenzalas, quando um som estranho a fez parar. Era um choro abafado, angustiante, vindo da direção da mata fechada que cercava a plantação. Seu coração disparou, porque aquela angústia não era de animal selvagem, mas de gente sofrendo em segredo, escondida na escuridão.

    Joaquina deixou o pote no chão e olhou em volta, certificando-se de que ninguém a observava. Sem hesitar mais, ela decidiu seguir aquele som que a chamava como um apelo desesperado de socorro. Joaquina adentrou a plantação de cana com passos rápidos, mas cautelosos, atenta a qualquer movimento.

    O orvalho da madrugada molhava seus pés descalços enquanto ela se movia entre as plantas altas e ponteagudas. Sua camisa de algodão grosseiro grudava em seu corpo suado pela tensão e pelo esforço da caminhada noturna. O som do choro ficava cada vez mais próximo, mais nítido, mais desesperador a cada passo que dava.

    Os canaviais pareciam intermináveis, formando um labirinto verde que a engolia completamente no meio da noite. Joaquina sentia o coração martelar no peito, temendo o que poderia encontrar naquele lugar esquecido por Deus. Finalmente, após minutos que pareceram horas, ela alcançou a origem do lamento que cortava a madrugada. Quando seus olhos se acostumaram com a penumbra, Joaquina sentiu suas pernas fraquejarem diante da cena horrível.

    Ali estava Ritinha, a filha mais nova da Sinalucrécia, amarrada a um velho tronco de castigo. O tronco estava esquecido entre as canas, coberto de musgo e marcas antigas de sangue e sofrimento. A jovem tinha os pulsos feridos pelas cordas grossas que aprendiam com força brutal contra a madeira.

    Sua camisola de linho estava rasgada, suja de terra vermelha e manchada com sangue já seco. Um pano imundo cobria parcialmente seu rosto inchado de tanto chorar na solidão daquela noite terrível. Ritinha era uma moça de corpo robusto, rosto angelical e olhos que agora transbordavam desespero e pavor.

    Ainá nunca a levava às festas da região, nem permitia que ela saísse dos limites da casa grande. Ela vivia reclusa, sempre a sombra da irmã mais velha, considerada mais bela, elegante e digna. Joaquina aproximou-se com mãos trêmulas e começou a soltar as amarras que feriam os pulsos delicados da moça.

    Quem fez isso com a cinhazinha? Quem teve coragem de amarrar a senhora desse jeito cruel? sussurrou Joaquina com a voz embargada e os olhos enchendo-se de lágrimas de revolta e compaixão. Olhava nervosamente ao redor, temendo que algum feitor aparecesse e a pegasse ali, libertando a filha da patroa.

    Suas mãos calejadas trabalhavam rapidamente nos nós apertados, com a urgência de quem sabe que o tempo é curto. tinha tremia tanto que mal conseguia se manter em pé quando as cordas finalmente se soltaram. Joaquina a envolveu em seus braços protetores, tentando acalmá-la com o carinho maternal que sempre demonstrava. A jovem soluçava convulsivamente, incapaz de formar palavras coerentes naquele estado de choque profundo e traumático.

    Finalmente, após longos minutos de choro, Ritinha conseguiu murmurar entre soluços: “Foi mamãe? Ela mesma me trouxe aqui.” As palavras saíram quebradas, quase inaudíveis, mas cada sílaba ecoou como um trovão nos ouvidos de Joaquina. Ahah. A diz que eu era uma vergonha para a família, que eu tinha que desaparecer para sempre, continuou a moça.

    Joaquina sentiu um aperto no peito ao perceber a crueldade daquela punição vinda da própria mãe. Que pecado terrível Ritinha poderia ter cometido para merecer tamanha desumanidade e rejeição materna tão brutal. A escrava cobriu a jovem com seu próprio lenço e prometeu com voz firme: “Você vai ficar bem, minha flor”.

    Mas precisava entender o que havia provocado aquela violência absurda contra uma menina tão jovem e inocente. Ritinha hesitou longamente, seus olhos buscando o chão como se tivessem medo da própria verdade que carregava. Suas mãos tremiam e ela respirava com dificuldade, lutando contra o medo de revelar seu segredo terrível. “É que é que eu estou esperando um filho, dona Joaquina”, disse finalmente com a voz falhada pela vergonha.

    As palavras seguintes foram ainda mais difíceis de pronunciar, presas na garganta pelo terror do julgamento. E o pai, o pai dessa criança é, mas antes que pudesse terminar a confissão, um barulho vindo da casa grande interrompeu abruptamente. Os cães de guarda começaram a latir furiosamente, quebrando o silêncio da madrugada com seus uivos desesperados.

    Alguém na casa grande havia percebido a ausência de Ritinha e dado o alarme para iniciar a busca. Joaquina agarrou Ritinha pelo braço e a empurrou para dentro da plantação mais densa de cana de açúcar. “Fique aqui escondida e não faça barulho nenhum, pelo amor de Deus”, ordenou em sussurro urgente.

    A escrava então correu de volta para a trilha principal, fingindo que estava apenas cumprindo suas tarefas noturnas. precisava agir com naturalidade absoluta, pelo menos por enquanto, até descobrir um plano para salvar a moça. Mas dentro de seu peito, uma tormenta de pensamentos e emoções conflitantes começava a se formar violentamente.

    Sim, a Lucrécia, tão devota aos santos e tão orgulhosa de sua posição social, seria realmente capaz de condenar? Seria capaz de mandar a própria filha para a morte apenas por vergonha e medo do escândalo social? E quem seria o pai daquela criança que causava tanto horror, ódio e desespero na família? A tensão crescia no ar como uma tempestade prestes a estourar com toda sua fúria sobre o engenho.

    Joaquina sentia que algo muito maior e mais perigoso estava escondido por trás daquela punição cruel e desumana. O segredo que Ritinha carregava no ventre era uma bomba pronta para explodir e destruir vidas inocentes. A escrava sabia, com a certeza que vem da experiência de anos de sofrimento, que aquilo não terminaria bem.

    Forças poderosas estavam em jogo, interesses que não hesitariam em derramar sangue para proteger a honra da família. Joaquina rezou baixinho enquanto caminhava de volta, pedindo forças aos santos e aos orixás que a guiassem. O amanhecer se aproximava rapidamente, trazendo consigo a luz que revelaria todos os segredos escondidos pela noite.

    E quando o sol nascesse sobre o engenho santo rosário, nada mais seria como antes na vida daquelas pessoas. O dia seguinte, amanheceu com um sol escaldante que castigava sem piedade os canaviais do engenho Santo Rosário. O cheiro adocicado de melaço queimado misturava-se ao odor acre do suor dos escravizados, que já trabalhavam desde o nascer do sol.

    Nas moendas, os homens e mulheres cortavam canas sem parar, sob a vigilância constante dos feitores armados. Mas na Cagre, o clima era completamente diferente do trabalho que acontecia lá fora nos campos. Uma atmosfera sombria e pesada pairava sobre os cômodos luxuosos, carregada de tensão e segredos não ditos. Assim, a Lucrécia mandara trancar todos os quartos e dispensara todas as mucamas do serviço interno sem explicação.

    Ninguém entra e ninguém sai desta casa até eu ordenar o contrário! Gritou com os olhos faiscando de raiva. Ritinha havia desaparecido durante a noite e assim sabia que esse sumisso não duraria muito tempo. Enquanto isso, longe dos olhos vigilantes da casa grande, Joaquina escondia a Ritinha. em um pequeno casebre abandonado perto do rio.

    A construção de pau a pique estava meio caída, mas oferecia abrigo e privacidade longe das vistas curiosas do engenho. Antigamente ali morava um velho vaqueiro que havia morrido anos atrás e desde então ninguém mais se aproximava do lugar.

    Joaquina trazia comida, roupa limpa e água fresca, tudo cuidadosamente escondido entre panos no fundo de seu balaio. A moça passava os dias chorando baixinho, com a mão sempre sobre o ventre, ainda pouco saliente, mas já perceptível. “Ele não sabe de nada. Ele nem imagina o que está acontecendo”, dizia Ritinha entre soluços de culpa.

    Joaquina sentava-se ao seu lado no chão de terra batida e apertava sua mão com ternura maternal genuína. “Eu vou proteger ainha com minha própria vida. Pode ter certeza disso, minha menina”, prometia a escrava. Na casa grande, o feitor Justino, um homem brutal e sem escrúpulos, escutava uma conversa atravessada vinda da sala principal. eram as vozes alteradas da Sinalucrécia e do coronel Amâncio, seu marido, um homem austero e distante.

    O coronel era daqueles que passava muito mais tempo cuidando do alambique e bebendo cachaça do que com a família. Aquele desgraçado miserável vai pagar caro por isso. Ele seduziu minha filha inocente, gritava Lucrécia fora de si. A voz dela estava carregada de uma fúria que o feitor raramente tinha ouvido antes, mesmo em seus piores momentos.

    A culpa não é da menina, a culpa é toda dele. E ainda por cima, um negro, um maldito escravo. Continuou. O coronel, visivelmente embriagado, como sempre estava naquelas horas, não reagiu com a violência esperada pela esposa, apenas murmurou com a voz pastosa e indiferente. Enterre isso logo e que ninguém mais fale no assunto jamais.

    Joaquina, que havia voltado para suas tarefas na casa para não levantar suspeitas, escutou tudo pela janela dos fundos. Ela estava fingindo varrer o quintal, mas na verdade estava de orelha em pé. captando cada palavra daquela conversa explosiva. Suas pernas fraquejaram quando compreendeu completamente o significado daquelas palavras cheias de ódio e preconceito racial profundo. Um escravo.

    Ritinha estava grávida de um escravo do engenho. Era por isso, então, que aá queria vê-la morta. A notícia daquele romance proibido e da gravidez interracial corria sério risco de ser abafada com sangue inocente. Se descobrissem a identidade do pai da criança, os senhores não hesitariam um segundo em mandá-lo ao tronco, ou pior ainda, direto para a morte sem julgamento, como costumavam fazer com escravos que esqueciam seu lugar.

    Mas quem seria esse homem corajoso ou imprudente o suficiente para amar a filha da Sinhá? Joaquina precisava descobrir logo. Naquela mesma noite, sob o céu estrelado e sem lua, Joaquina confrontou Ritinha com o coração apertado de ansiedade. A escrava sabia que aquela pergunta poderia mudar o destino de muitas pessoas, talvez até o dela própria.

    Me diga agora, menina, quem é o pai dessa criança que a senhora carrega no ventre? Perguntou com firmeza. Ritinha chorou copiosamente, demorou uma eternidade para responder, retorcendo as mãos com nervosismo e vergonha profunda. Olhava para todos os lados, como se temesse que alguém pudesse estar escutando através das paredes finas do Casebre.

    O silêncio se prolongou dolorosamente, até que finalmente ela murmurou tão baixo que Joaquina quase não escutou. Foi Pedro, o rapaz que trabalha na moenda. Pedro era um jovem de olhos gentis e voz suave, que trabalhava sempre calado e nunca reclamava da dor. Filho de africanos escravizados, havia nascido ali mesmo no engenho e crescido sob a constante ameaça da shibata dos feitores.

    Mas apesar de toda a brutalidade que sofrera, ele tinha um coração puro, gentil e cheio de esperança no futuro. Foi só uma vez lá na beira do rio, no fim da tarde, ele me tratou com carinho”, contou Ritinha. Seu rosto corava de vergonha ao relembrar aquele momento de intimidade proibida, mas doce e verdadeiro. Ele me tratou diferente de todo mundo aqui, como se eu realmente importasse, como se eu fosse alguém especial, continuou.

    Joaquina sentiu o mundo girar ao redor quando a realidade completa da situação se revelou diante dela. Aquilo podia custar a vida de Pedro sem julgamento nem piedade, executado como exemplo para os outros escravos. Podia custar também a vida da criança inocente, que ainda nem havia nascido para ver o mundo cruel, e podia custar a vida de todos que soubessem do segredo e tentassem protegê-los da fúria dos senhores. Mas o pior de tudo ainda estava por vir.

    Joaquina podia sentir isso nos ossos, na alma cansada. A tempestade estava apenas começando. No domingo seguinte, durante a missa obrigatória na pequena capela do Engenho, assim a Lucrécia mandou chamar Pedro discretamente. Todos os escravos e senhores estavam presentes, cumprindo a obrigação religiosa semanal imposta pelo coronel Amâncio.

    Você foi visto rondando a varanda da Casa Grande várias vezes nos últimos meses. Tem algo a dizer sobre isso?”, perguntou ela. Sua voz estava carregada de veneno, mal disfarçado, e seus olhos brilhavam com uma crueldade que fazia todos ao redor estremecerem. Pedro, com a cabeça respeitosamente baixa, como era esperado de um escravo diante de sua senhora, respondeu com dignidade surpreendente: “Nunca faria nada contra a Sinzinha.

    Posso jurar pelos santos e por Deus”, disse ele com voz firme. “Mas o olhar gélido de Lucrécia já era uma sentença de morte. Todos ali sabiam reconhecer aquele olhar mortal. Não haveria perdão nem misericórdia para quem ousasse cruzar as linhas invisíveis mais rígidas que separavam senhores de escravos. Levem esse insolente ao tronco imediatamente. Vamos arrancar a verdade dele na Shibata. ordenou Lucrécia com voz estridente.

    O feitor Justino e seus capangas agarraram Pedro pelos braços com violência e o arrastaram à força diante de todos. A congregação assistia em silêncio tenso, alguns com horror, outros com a indiferença que anos de brutalidade haviam cultivado. O chicote estalou no ar como um trovão aterrorizante e o primeiro grito de Pedro ecoou até a mata fechada.

    O som alcançou a moita distante onde Ritinha, escondida com Joaquina assistia a cena horrível através de uma fresta. Pelo amor de Deus, ele vai morrer e é tudo culpa minha. Eu não posso deixar isso acontecer, gritava desesperada. Ritinha tentava correr em direção à capela para se entregar e salvar Pedro, mas Joaquina assegurava com toda a força.

    Não, senazinha, se você aparecer agora, eles matam os dois sem pensar duas vezes. Espere, tenha fé, implorava. Os olhos de Joaquina se enchiam de lágrimas quentes enquanto ela assistia à tortura de um inocente que amava verdadeiramente. O que fazer naquela situação impossível, onde todos os caminhos levavam à tragédia e a morte inevitável? A verdade era uma bomba prestes a explodir com consequências devastadoras para todos os envolvidos no engenho.

    Se falasse e revelasse o segredo do romance, condenava a moça à morte certa ou ao exílio permanente. Se calasse, como sempre fizera ao longo de sua vida de escrava, deixaria um inocente ser morto brutalmente. Mas o destino já estava em marcha inexorável, movido por forças maiores que a vontade de qualquer pessoa ali.

    Os segredos enterrados na casa grande logo viriam à tona, como cadáveres que boiam no rio após a cheia. E quando isso finalmente acontecesse, quando toda a verdade fosse revelada sob a luz cruel do sol, ninguém sairia ileso daquela história. O sangue derramado marcaria aquela terra para sempre, para todas as gerações futuras que viriam depois deles.

    Pedro já não sentia mais as costas destroçadas pelos açoites que pareciam não ter fim naquela manhã de horror. O chicote abrira sucos profundos e sangrentos que vertiam sem parar sobre o sol escaldante do meio-dia. A pele, já naturalmente escura, se misturava agora com o vermelho vivo do sangue que escorria pelas costas.

    Seus gritos haviam cessado há muito tempo, substituídos por gemidos baixos de agonia, além da capacidade humana de suportar. Mas o que doía mais profundamente do que qualquer ferida física era saber que Ritinha talvez estivesse morta. Foi então que, como um raio caindo em dia de céu limpo, surgiu a figura dela no meio da clareira.

    Ritinha, assim, azinha, esquecida e reclusa, agora suja de terra, com a barriga já visível e os cabelos desgrenhados. Ela berrava com uma força que ninguém imaginava que possuísse. Parem imediatamente. Foi por amor. Eu que escolhi ele. Todos os presentes pararam congelados como estátuas de sal, incapazes de processar o que viam e ouviam naquele momento impossível.

    O feitor Justino hesitou com o chicote ainda erguido no ar, sem saber se devia continuar a punição ou obedecer. O coronel Amâncio, que observava a cena da varanda da Casagre com sua bebida habitual, jogou fora o copo violentamente. Ele desceu as escadas cambaleante, mais pela surpresa do que pela embriaguez, tentando compreender o escândalo que se desenrolava.

    Assim, a Lucrécia soltou um grito agudo de desespero e correu até a filha, tentando cobri-la com seu chale bordado. Você enlouqueceu completamente, menina. está perdida, completamente perdida”, gritava, tentando arrastá-la de volta para casa a força, mas Ritinha se desvencilhou com uma determinação feroz que nunca antes havia demonstrado em toda sua vida de submissão.

    Ela estava disposta a enfrentar qualquer consequência para salvar o homem que amava verdadeiramente das garras da morte certa. Foi Pedro. Ele é o pai da criança que carrego e se ele morrer aqui hoje, eu morro também, declarou Ritinha. Sua voz ecoou por todo o engenho com clareza absoluta, chegando aos ouvidos de todos os presentes naquele momento histórico.

    O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor, mais pesado que o ar antes de uma tempestade devastadora prestes a cair. O coronel, envergonhado diante dos olhares de outros senhores de engenho que estavam presentes para a missa, mandou soltar Pedro. mas imediatamente ordenou que o levassem acorrentado ao cárcere escuro e úmido que ficava nos fundos da propriedade.

    A história, porém, já havia escapado do controle e se espalhava como fogo em palha seca pelo engenho inteiro. Durante a noite, enquanto a Casa Grande se reunia em conselho de família para decidir o destino dos envolvidos, Joaquina entrou sorrateiramente no cárcere.

    Ela limpava as feridas terríveis de Pedro com água e ervas medicinais, tentando aliviar um pouco de seu sofrimento físico. Por que, meu filho? Porque você não negou tudo quando teve a chance de se salvar? Perguntou baixinho. Pedro olhou nos olhos dela com a serenidade surpreendente dos justos, que conhecem seu próprio valor, mesmo sendo escravos.

    Sua voz estava rouca de tanto gritar sobre o chicote, mas suas palavras saíram claras e firmes como rocha. Porque pela primeira vez na minha vida, eu fui verdadeiramente amado. E não por uma escrava como eu, mas por uma siná que me viu como homem, não como animal.

    Havia uma dignidade em suas palavras que fez Joaquina chorar silenciosamente, reconhecendo a grandeza daquela alma torturada. fisicamente, mesmo que isso me custe a vida aqui neste cárcere imundo, eu não vou negar nosso amor”, continuou Pedro. Joaquina secou as lágrimas e continuou limpando as feridas em silêncio, maravilhada com a coragem daquele jovem que preferia morrer.

    Lá fora, as estrelas testemunhavam aquela conversa enquanto o vento soprava entre as folhas de cana de açúcar, levando sussurros de mudança. O destino estava sendo tecido naquela noite de decisões impossíveis e escolhas que mudariam tudo para sempre. Na manhã seguinte, quando o sol mal havia nascido, Lucrécia mandou chamar Joaquina para uma conversa particular e urgente.

    A Sinhá estava pálida como um fantasma, com olhos fundos de quem não dormira a noite inteira pensando em soluções. Suas mãos tremiam visivelmente enquanto segurava uma xícara de café que esfriava sem que ela bebesse um único gole. Você sabia de tudo desde o começo, não sabia? Você ajudou a esconder minha filha de mim, acusou com voz trêmula.

    Joaquina a sentiu firmemente, sem medo das consequências que poderiam vir pela sua ousadia de desobedecer a patroa. Sabia sim, Senhá, e sei mais. Sei que essa criança pode ser a salvação desta casa amaldiçoada”, respondeu Lucrécia riu de forma amarga e histérica, um riso que não tinha alegria nenhuma, apenas desespero e descrença. Salvação.

    Isso é uma mancha eterna que nunca mais vai sair do nome da nossa família respeitável”, gritou batendo a xícara na mesa. A Joaquina se aproximou corajosamente e disse baixinho, olhando diretamente nos olhos da Siná, sem desviar o olhar pela primeira vez. A vergonha não está no amor que eles sentem um pelo outro.

    A vergonha está na forma cruel como a senhora trata as pessoas que ama. As palavras caíram como pedras pesadas no coração de Lucrécia, que recuou como se tivesse sido fisicamente agredida. Naquela mesma tarde, uma carta chegou do Rio de Janeiro, trazida por um mensageiro exausto de tanto cavalgar sem parar. O irmão de Lucrécia, que era deputado imperial e homem influente na corte, enviava um aviso urgente e preocupante.

    Os abolicionistas estavam pressionando o governo imperial por investigações rigorosas em engenhos acusados de maus tratos e punições ilegais. Vários proprietários já haviam sido processados e alguns até perderam suas terras por crimes contra escravos comprovados em tribunal. Lucrécia sentiu um frio percorrer a espinha ao ler aquelas palavras que significavam perigo real para a família inteira.

    Se descobrissem que ela havia mandado castigar a própria filha no tronco dos escravos, o nome da família estaria destruído completamente. Então, naquele exato momento de maior tensão e incerteza sobre o futuro, Ritinha tomou toda sua coragem restante nas mãos. Ela convocou todos ao alpendre da Casa Grande, senhores, feitores, escravizados e até vizinhos curiosos que haviam chegado pela notícia.

    Diante de todos aqueles rostos que a julgavam e condenavam, ela fez um anúncio que ninguém jamais esqueceria. Pedro é o pai do meu bebê. Eu vou me casar com ele com ou sem a bênção desta família. Um burburinho imenso tomou conta do engenho. Pessoas falando todas ao mesmo tempo em descrença e escândalo absoluto. O coronel levantou a mão para protestar violentamente e talvez até bater na filha pela insolência inaceitável, mas foi interrompido por um detalhe que até então ninguém ali presente sabia.

    Um segredo guardado há décadas inteiras. Ritinha tirou do pescoço uma correntinha antiga e delicada com uma medalhinha de ouro que brilhava ao sol do meio-dia. Essa medalha foi dada pela minha avó africana antes de morrer. Antes de ser escravizada e trazida à força para o Brasil, ela era princesa em sua terra natal”, revelou Ritinha.

    Todos ficaram em silêncio absoluto, tentando processar a magnitude daquela revelação inesperada que mudava tudo completamente. Mamãe nunca quis que eu dissesse isso para ninguém, mas corre sangue africano nas veias desta casa, desta família tão orgulhosa. Continuou. Todos os olhares se voltaram para a Lucrécia, que ficou lívida, e abaixou a cabeça em silêncio pela primeira vez.

    A verdade terrível e libertadora era exatamente essa. O pai de Lucrécia havia engravidado uma escrava da casa há décadas atrás. Lucrécia nascera desse pecado racial que ela tentara esconder a vida toda, negando suas próprias raízes e origem humilde. Sua avó paterna era africana, escravizada, trazida à força de outro continente.

    O que ela tanto tentava esconder com violência e crueldade era a sua própria origem misturada, sua própria humanidade compartilhada. Diante dessa verdade impossível de negar ou de esconder por mais tempo, não houve mais gritos de revolta, nem indignação fingida. Nem castigos brutais, nem ameaças de morte foram proferidas naquele momento de revelação transformadora, que mudou tudo completamente.

    Pedro foi solto do cárcere imediatamente, suas feridas ainda abertas, mas seu espírito finalmente livre da condenação injusta. Joaquina, profundamente emocionada até a alma, segurou a mão trêmula de Ritinha e sussurrou com lágrimas, escorrendo pelo rosto envelhecido. Agora você entende por protegida pela Virgem Maria e pelos orixás? Porque essa criança que você carrega, minha filha querida, ela é esperança viva.

    No mês seguinte, quando as feridas de Pedro estavam finalmente cicatrizadas e o escândalo havia se acalmado um pouco, eles se casaram. A cerimônia foi simples, mas emocionante, realizada na pequena capela do engenho, onde tudo havia começado com acusações e violência. Nascia ali uma nova era no Engenho Santo Rosário, uma era de mudança lenta, mas real e transformadora.

    Aos poucos, sob a pressão das novas leis e da própria consciência despertada, os castigos brutais cessaram e os muros se abriram. E quando a filha de Pedro e Ritinha nasceu meses depois, ela foi batizada com o nome significativo e poderoso de esperança. Porque naquele lugar marcado por dor, sofrimento e sangue derramado, uma escrava corajosa, um amor proibido, mas verdadeiro, e uma verdade esquecida, foram capazes de plantar as sementes da liberdade futura. Esta história nos transporta para um Brasil colonial

    marcado por feridas profundas, onde o amor ousou florescer em meio às correntes da escravidão. O engenho Santo Rosário torna-se palco de uma transformação que transcende as barreiras impostas pela sociedade da época. Joaquina representa a força silenciosa dos oprimidos, aqueles que, mesmo sem voz oficial na história, foram os verdadeiros pilares de resistência e humanidade.

    Sua coragem maternal, ao proteger Ritinha, revela que a dignidade humana não conhece condição social. Ritinha e Pedro personificam o amor que desafia estruturas injustas. Ele, um jovem escravizado que prefere a morte a negar seu amor. Ela, uma cinhazinha que rompe com os privilégios para abraçar a verdade de seu coração.

    Juntos expõem a hipocrisia de uma sociedade que esconde suas próprias origens mestiças. A revelação final de que Lucrécia carrega sangue africano, desconstrói a falsa pureza racial que sustentava todo aquele sistema de opressão. A verdade liberta, ainda que doa, mostra que todos somos entrelaçados, que a humanidade compartilhada é maior que qualquer barreira artificial.

    A pequena esperança nasce como símbolo vivo de que o amor verdadeiro pode plantar sementes de liberdade, mesmo no solo mais árido da injustiça. Sua existência prova que a redenção é possível quando temos coragem de enfrentar nossas próprias sombras e reconhecer nossa humanidade comum. Você gostou desta história? Então se inscreva no nosso canal, ative o sininho e compartilhe este vídeo para que mais pessoas conheçam esse segredo da cenzala que ninguém conta.

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