
“Você pode lidar com todas nós cinco”, disseram as belas mulheres que viviam em sua cabana herdada. Clayton Reeves olhou para a escritura em suas mãos trêmulas, lendo as mesmas palavras pela décima vez. A cabana isolada do tio Jeremiah deveria estar vazia, abandonada por 3 anos desde a morte do velho. O advogado tinha sido muito claro sobre isso, então por que fumaça subia da chaminé e cinco cavalos pastavam pacificamente no prado abaixo?
Ele desmontou lentamente, os botas rangendo no chão coberto de geada enquanto se aproximava da estrutura de madeira. Pelas janelas, ele podia ver movimento dentro, sombras dançando à luz quente do lampião. O som de risadas femininas flutuava pelo ar fresco da manhã, seguido pelo barulho de pratos e o arrastar de cadeiras sobre o piso de madeira. Clayton bateu na porta, o coração acelerado pela confusão e por algo que não conseguia nomear.
Quando a porta se abriu, ele ficou sem fôlego. A mulher mais bela que já havia visto estava à sua frente, com cabelos escuros caindo sobre os ombros e olhos verdes observando-o com uma mistura de curiosidade e cansaço. Ela era alta e graciosa, com uma presença que comandava atenção sem esforço.
Atrás dela, surgiram outras quatro mulheres, cada uma impressionante à sua maneira. Uma ruiva de olhos azuis penetrantes cruzou os braços e inclinou a cabeça. Uma pequena loira de traços delicados espiava pelo batente da porta. Uma morena de olhos escuros e calculistas permaneceu nas sombras, enquanto outra mulher, de cabelos castanhos-avermelhados e ar de força silenciosa, ficou perto da lareira.
A mulher da porta sorriu, mas o sorriso não alcançou os olhos. Quando falou, sua voz era melódica, porém firme, carregando um tom de desafio que acelerou o pulso de Clayton. As palavras que saíram de seus lábios não eram o que ele esperava e mudariam tudo o que ele achava que sabia sobre sua herança: seu tio e as cinco mulheres misteriosas que pareciam pertencer a um lugar que era legalmente seu.
Mas enquanto Clayton permanecia ali, sem palavras e cativado, ele não tinha ideia de que essas mulheres guardavam segredos que remontavam a décadas. Segredos que o forçariam a questionar tudo o que acreditava sobre o passado de sua família e seu próprio futuro. A boca de Clayton secou enquanto ele encontrava sua voz: “Sou Clayton Reeves. Esta cabana agora me pertence. Meu tio Jeremiah deixou-a para mim em seu testamento.”
Ele levantou a escritura com os dedos trêmulos, o selo oficial claramente visível no pergaminho envelhecido. A mulher da porta, que parecia ser a líder, nem olhou para o documento. Em vez disso, ela se afastou com graça fluida, sinalizando para que ele entrasse. “Sou Clarabel. Por favor, entre. Precisamos conversar.”
Sua voz carregava uma autoridade que fez o peito de Clayton apertar com uma mistura desconhecida de atração e inquietação. O interior da cabana nada lembrava das visitas de Clayton na infância. Tecidos ricos cobriam as janelas, móveis elegantes preenchiam os cômodos, e o cheiro de lavanda e polidor de madeira pairava no ar.
Essas mulheres claramente haviam feito deste lugar seu lar, e o fizeram com cuidado e permanência. A ruiva avançou, os olhos azuis faiscando desafio. “Sou Ruby Callahan, e antes que comece a fazer exigências, deve saber que temos todo o direito de estar aqui.” Ela cruzou os braços, a postura sugerindo que estava preparada para uma briga.
A pequena loira aproximou-se, sua postura gentil contrastando fortemente com a agressividade de Ruby. “Sou Sadie Quinn. Não estamos tentando causar problemas. De verdade, não estamos.” Sua voz era suave, quase suplicante, e Clayton sentiu um impulso inesperado de tranquilizá-la.
A morena nas sombras finalmente se aproximou da luz, seu olhar calculista nunca deixando o rosto de Clayton. “Violet McCall”, disse simplesmente, sem oferecer explicação ou desculpa pela presença. A última mulher, de cabelos castanhos-avermelhados e força silenciosa, aproximou-se da lareira. “Grace Maddox, estávamos esperando por você, Sr. Reeves, embora talvez não tão cedo.” Suas palavras carregavam peso, como se soubesse algo que ele não sabia.
Clayton olhou ao redor, absorvendo os cinco pares de olhos que o observavam atentamente. Cada mulher era bela à sua maneira, mas havia mais do que beleza ali. Havia inteligência, determinação e segredos escondidos atrás daqueles rostos cuidadosamente compostos. Clarabel posicionou-se diretamente à sua frente, perto o suficiente para que ele sentisse seu perfume e o calor emanando de sua pele.
Seus olhos verdes encontraram os dele e, quando falou novamente, sua voz mal ultrapassava um sussurro. Mas soou clara no silêncio do cômodo: “A questão não é se você possui esta cabana, Clayton. A questão é se consegue lidar com o que vem junto.” Ela fez uma pausa, os lábios curvando-se em um sorriso que era ao mesmo tempo convite e desafio. “Você pode lidar com todas nós cinco.”
As palavras pairaram no ar entre eles como um desafio. E Clayton percebeu que, seja lá o que esperava encontrar naquela cabana isolada, não era isso. Essas mulheres não eram apenas invasoras ou ocupantes ilegais. Eram algo completamente diferente. E a forma como Clarabel olhava para ele sugeria que sua vida tranquila estava prestes a se tornar tudo, menos pacífica.
Antes que pudesse responder, Grace avançou com um papel dobrado na mão, e a expressão em seu rosto indicava que tudo que Clayton achava que sabia sobre sua herança estava prestes a mudar. Grace desdobrou o papel lentamente, seus cabelos castanhos-avermelhados captando a luz do lampião enquanto se inclinava à frente.
“Este é um contrato assinado por seu tio três meses antes de sua morte. Concede-nos direitos de residência nesta propriedade pelo tempo que precisarmos, em troca da manutenção da cabana e da terra ao redor.” O coração de Clayton afundou ao examinar o documento. A assinatura era inconfundivelmente do tio Jeremiah, a mesma caligrafia torta que lembrava de cartões de aniversário e cartas.
O contrato era detalhado, específico e aparentemente legítimo. Seus sonhos de uma herança simples e solidão pacífica desmoronaram como folhas secas em suas mãos. “Isso é impossível”, disse, embora sua voz carecesse de convicção. “O advogado nunca mencionou nenhum acordo existente. Ele disse que a propriedade era minha, livre e desembaraçada.”
Ruby se aproximou, sua presença irradiando calor que fazia Clayton perceber o quão pequena a cabana parecia com todos os seis lá dentro. “Advogados nem sempre sabem de tudo, não é? Às vezes, velhos homens guardam segredos, até de sua própria família.” Suas palavras carregavam uma sugestão que acelerava seu pulso, embora ele não compreendesse totalmente o que ela insinuava.
Sadie moveu-se para a janela, seu perfil delicado delineado pela luz da manhã. “Seu tio era um bom homem, Sr. Reeves. Ele entendia que às vezes as pessoas precisam de um lugar para recomeçar, longe de perguntas e julgamentos.” Sua voz tremia levemente, insinuando uma dor cuidadosamente escondida. Violet permaneceu nas sombras, mas Clayton podia sentir seus olhos escuros estudando-o com intensidade inquietante.
“A questão é: o que você pretende fazer sobre isso? Tornamos este lugar nosso lar por mais de dois anos. Melhoramos a terra, reformamos os prédios, e não temos para onde ir.” Clarabel circulava Clayton lentamente, como um predador avaliando a presa. Ainda assim, havia algo quase protetor em seu movimento. Quando parou novamente à sua frente, Clayton prendeu a respiração.
Ela estava próxima o suficiente para que ele visse o brilho dourado em seus olhos verdes. Próxima o suficiente para que o calor de seu corpo parecesse envolvê-lo. “Poderíamos lutar na justiça”, disse suavemente, os dedos percorrendo a borda do contrato. “Poderíamos arrastar isso pelos tribunais por meses, talvez anos, ou poderíamos encontrar outro acordo.”
A forma como disse a palavra “acordo” enviou eletricidade pelas veias de Clayton. Havia algo em seu tom, na forma como seus olhos seguravam os dele, que sugeria possibilidades que ele não havia considerado. As outras mulheres observavam a troca com expressões variadas: Ruby com divertimento, Sadie com preocupação, Violet com cálculo e Grace com algo quase como aprovação.
“Que tipo de acordo?” Clayton perguntou, surpreso pela aspereza de sua própria voz. Os lábios de Clarabel curvaram-se naquele sorriso enigmático novamente. Aquele onde todos obtêm o que precisam. Aquele onde um homem aprende que às vezes as coisas mais valiosas da vida vêm em pacotes inesperados.
Antes que Clayton pudesse perguntar o que ela queria dizer, o som de cavalos se aproximando ecoou pelo vale. Ruby moveu-se para a janela, seu corpo tenso como um arco. “Eles nos encontraram”, sussurrou. E pela primeira vez desde a chegada de Clayton, ele viu medo real em seus olhos. As outras mulheres imediatamente começaram a se mover com eficiência treinada, como se tivessem se preparado para esse momento muitas vezes antes.
O que quer que estivesse subindo a trilha da montanha, essas cinco mulheres vinham fugindo. E agora Clayton se viu no meio de algo muito mais perigoso do que uma simples disputa de propriedade. Clayton moveu-se instintivamente em direção à janela, mas a mão de Clarabel disparou, segurando seu pulso com força surpreendente. Seu toque enviou um choque pelo braço dele, e quando seus olhos se encontraram, ele viu não apenas medo, mas determinação feroz.
“Fique longe da janela”, sussurrou urgentemente. “Eles não podem saber que você está aqui.” Três cavaleiros emergiram da linha de árvores, suas roupas escuras destacando-se contra a paisagem coberta de neve. Mesmo de longe, Clayton pôde ver que carregavam-se como homens acostumados à violência, mãos descansando casualmente nos cintos de armas enquanto examinavam a cabana.
A mandíbula de Ruby se apertou enquanto espiava por uma fresta das cortinas. “É Morrison e seus homens. Eles nos rastreiam há semanas.” Sua voz carregava amargura, apertando o peito de Clayton com um instinto protetor inesperado. Sadie aproximou-se de Grace, buscando conforto, e Clayton percebeu como a mulher mais velha imediatamente envolveu o ombro da jovem com um braço protetor.
O vínculo entre essas mulheres era mais profundo do que amizade. “Quem é Morrison?” Clayton perguntou em voz baixa, consciente do toque contínuo de Clarabel em seu pulso. “Um homem que acredita que possui o que não é dele”, respondeu Violet das sombras, seus olhos escuros refletindo ódio. “Um homem que acha que mulheres são propriedades a serem reclamadas e controladas.”
Clarabel finalmente soltou o pulso de Clayton, mas antes, seu polegar traçou um pequeno círculo sobre seu pulso, um gesto tão sutil e íntimo que fez sua respiração prender. “Morrison possui documentos alegando que pertencemos a ele. Documentos legais que nos tornariam pouco mais que servas contratadas.”
Os cavaleiros haviam parado perto do curral, e Clayton podia vê-los conversando entre si, apontando para a cabana e para as pegadas frescas que seu próprio cavalo deixara na terra macia. Morrison, um homem alto, de cabelos grisalhos e olhos frios, desmontou e começou a caminhar em direção à porta da frente. Grace movimentou-se com eficiência silenciosa, recolhendo papéis de um baú de madeira e escondendo-os sob a roupa.
“Fugimos há três meses, mas Morrison tem conexões por todo o território. Homens como ele não aceitam perder o que consideram propriedade.” Clayton sentiu a raiva crescer no peito, uma fúria que não sentia desde a juventude. A ideia de essas cinco mulheres notáveis serem tratadas como posses fez suas mãos se fecharem em punhos.
“Agora vocês estão sob minha proteção”, disse sem pensar, surpreendendo-se com a convicção na voz. Clarabel olhou para ele, seus olhos verdes vasculhando seu rosto com intensidade que o deixava exposto. “Tem certeza de que quer fazer essa escolha, Clayton? Estar conosco significa enfrentar homens que não respeitam a lei ou a decência.”
Antes que pudesse responder, os passos pesados de Morrison soaram na varanda de madeira, seguidos por três batidas secas na porta. A cabana caiu em silêncio, exceto pelo suave sussurro da respiração e pelo batimento rápido do coração de Clayton.
“Sabemos que vocês estão aí, senhoritas”, chamou Morrison pela porta, voz suave e culta, mas com ameaça subjacente. “É hora de voltarem para casa, onde pertencem.” Clarabel aproximou-se ainda mais de Clayton, o calor do corpo dela aquecendo seu lado enquanto sussurrava em seu ouvido: “O que quer que aconteça a seguir, lembre-se de que algumas escolhas mudam um homem para sempre.”
Clayton tomou sua decisão naquele instante. Ele avançou em direção à porta, mas Clarabel segurou seu braço novamente, os dedos pressionando seu músculo com força desesperada. O breve contato enviou calor por todo seu corpo, e ele podia sentir o leve perfume de flores silvestres e ar da montanha em seus cabelos.
“Não”, ela respirou, os lábios próximos ao ouvido dele. “Você não entende o que está arriscando.” Mas Clayton já alcançara a maçaneta. Algo nessas cinco mulheres, na dignidade silenciosa e força oculta delas, despertara um instinto protetor que ele não sabia possuir.
Quando abriu a porta, os olhos pálidos de Morrison se fixaram nele com interesse calculista. “Bem, bem”, disse Morrison, o sorriso fino nunca alcançando os olhos. “Não acredito que nos conhecemos. Sou Thomas Morrison, e estou aqui para recolher minha propriedade.”
“Não há propriedade aqui que lhe pertença”, respondeu Clayton, posicionando-se totalmente na porta, bloqueando a visão do interior. “Esta é terra privada, e você está invadindo.”
Os dois acompanhantes de Morrison mexeram-se nos cavalos, mãos aproximando-se discretamente das armas. Clayton percebeu o movimento, mas manteve o foco em Morrison, cujo sorriso se tornava mais predatório. “Acho que você não entendeu a situação. Amigo, essas cinco mulheres assinaram contratos comigo, acordos legais que pretendo honrar.”
“Foram contratos assinados sob coação depois que você ameaçou nossas famílias e destruiu nossas casas. Não lhe devemos nada”, disse Ruby atrás dele, a voz cortante com fúria.
A máscara de Morrison quebrou levemente, revelando o homem cruel por trás da fachada polida. “Contratos são contratos, senhorita Callahan. A lei é clara sobre esses assuntos.”
Sadie aproximou-se de Clayton, seu corpo pequeno tremendo, mas a voz firme: “A lei também diz que mulheres não são gado para ser comprado e vendido. Somos cidadãs livres deste território.”
O riso de Morrison era frio e sem alegria. “Liberdade é um luxo que mulheres na sua posição não podem pagar. Vocês têm dívidas a pagar, todas vocês.”
Clayton sentiu Clarabel se mover atrás dele, sua presença como uma chama em suas costas. Quando ela falou, a voz carregava autoridade. “Nossas dívidas foram fabricadas por você, Morrison. Registros falsificados, documentos forjados, intimidação de testemunhas. Temos provas.”
“Provas?” Os olhos de Morrison brilharam com interesse. “Gostaria muito de ver essas supostas evidências.”
Violet emergiu das sombras, carregando uma bolsa de couro com documentação de cada transação fraudulenta, assinatura falsificada, e testemunhas que haviam sido subornadas. Três meses lhes deram tempo suficiente para reunir tudo que precisavam.
A compostura de Morrison finalmente quebrou, seu rosto retorcendo-se de raiva. “Vocês bruxas conspiradoras acham que podem me enganar. Tenho juízes no bolso. Marechais me devem favores. Sua pequena coleção de papéis não significa nada.”
Clayton posicionou-se na frente das mulheres, coração batendo, percebendo a dimensão real do que havia se envolvido. Essas não eram apenas cinco mulheres fugindo de um arranjo desagradável. Eram testemunhas de corrupção que se estendia profundamente no governo territorial.
A mão de Morrison moveu-se para a arma, a voz mortalmente calma: “Saia do caminho, estranho. Isso não te diz respeito, e eu odiaria que você se machucasse por mulheres que não valem o pó para explodir.”
Antes que alguém reagisse, Grace apareceu com algo em mãos que fez o rosto de Morrison ficar branco de choque. Clayton percebeu que o que essas mulheres estavam escondendo era muito mais perigoso do que qualquer um havia revelado.
Grace avançou, a mão estendida para Morrison, revelando um pequeno medalhão prateado que captava a luz da tarde. O rosto de Morrison empalideceu, mãos tremendo enquanto olhava para o simples objeto.
“Você reconhece isso, não é?” A voz de Grace era firme, mas Clayton podia ouvir o aço por trás do tom. “Pertencia à sua esposa, Margaret. A esposa que você disse ter morrido de tuberculose há cinco anos.”
A compostura de Morrison quebrou completamente, sua voz tornando-se um sussurro áspero. “De onde você conseguiu isso?”
“Da própria Margaret. Três semanas atrás, em Denver. Ela está viva e muito interessada em compartilhar sua história com as autoridades territoriais.”
As palavras de Grace atingiram Morrison como golpes físicos. Clayton observou a fachada cuidadosamente construída do homem desmoronar. Clarabel posicionou-se ao lado de Clayton, seu ombro encostando no braço dele em gesto casual, mas eletrizante.
Margaret nos contou tudo. Como você a declarou morta para roubar as reivindicações de mineração do pai dela, como usou essas reivindicações para financiar seu esquema de adquirir mulheres por contratos fraudulentos.
Ruby avançou, olhos azuis brilhando de satisfação. Ela também contou sobre as outras mulheres.
“Thomas, aquelas que tentaram resistir e simplesmente desapareceram. Margaret manteve registros de todas elas.” Clayton sentiu a raiva crescer até níveis perigosos. A ideia de esse homem destruir vidas, tratando mulheres como propriedade descartável, fez suas mãos se fecharem em punhos.
Sem pensar, moveu-se protetoramente para perto das mulheres, criando uma barreira entre elas e Morrison.
A voz suave de Sadie soou claramente no silêncio tenso. “Temos depoimentos de outras 12 mulheres, todas dispostas a testemunhar sobre seus métodos.”
O marechal territorial estava aguardando nossas provas dentro de uma semana. Os olhos pálidos de Morrison se moveram entre as mulheres e Clayton, calculando opções. Clayton percebeu o momento em que o homem entendeu que sua posição era desesperadora.
Violet saiu das sombras completamente pela primeira vez, sua beleza etérea e inteligência que queimava nos olhos escuros. “Na verdade, temos várias testemunhas.” O som de cavalos se aproximando novamente ecoou pelo vale. Clayton viu pelo menos seis cavaleiros surgindo da floresta, distintivos brilhando à luz do sol.
O marechal territorial e seus ajudantes chegaram com timing perfeito. Morrison, cara retorcida de raiva e desespero, percebeu que preferiria ver todos mortos a enfrentar a justiça. Sua mão moveu-se para a arma, mas congelou ao ver seis rifles apontados para ele pelos ajudantes montados.
O homem era muitas coisas, mas não suicida. Clayton via a raiva crescendo no rosto dele, a fúria de quem nunca foi negado. Ruby aproximou-se de Clayton, sua presença calorosa e reconfortante. “O marechal está investigando Morrison há mais de um ano. Contactamos ele semanas atrás quando percebemos que tínhamos evidências suficientes para acusações.”
Sadie apresentou a bolsa de couro a Marshall Thompson. “Está tudo documentado, senhor. Nomes, datas, contratos falsificados, declarações de testemunhas e registros financeiros mostrando como Morrison usou a suposta morte de sua esposa para roubar reivindicações de mineração.”
Enquanto o marechal examinava o conteúdo da bolsa, Clayton percebeu Clarabel atrás dele, próxima o suficiente para sentir o calor de seu corpo através do casaco.
Quando ela falou, era só para seus ouvidos: “Você poderia ter ido embora, sabia? Poderia ter visto os homens de Morrison e decidido que não era sua luta.” A mão dela encontrou a dele livre, dedos entrelaçando-se em gesto íntimo e natural.
“Por que não fez isso?” Clayton virou-se levemente, olhando direto para os olhos verdes hipnotizantes.
“Porque algumas coisas valem a pena lutar, mesmo quando você acabou de descobri-las.” O momento entre eles se estendeu, carregado de possibilidades e promessas não ditas, até que a voz de Marshall Thompson quebrou o feitiço:
“Thomas Morrison, você está preso por fraude, conspiração e tentativa de assassinato. Ajudantes, prendam o prisioneiro.”
Enquanto o oficial se aproximava para deter Morrison, o desespero do homem finalmente superou a cautela. Com um rugido de raiva, ele sacou a arma, mirando não nos ajudantes ou em Clayton, mas diretamente em Clarabel, a mulher que havia orquestrado sua queda.
O tempo pareceu desacelerar enquanto Clayton reagia antes mesmo de pensar. Ele puxou Clarabel para trás com um braço, erguendo o revólver do tio Jeremiah com o outro. O disparo de Morrison ecoou simultaneamente com o de Clayton. Os dois sons se fundiram em um estrondo único que reverberou nas paredes da montanha.
A bala de Morrison estilhaçou a moldura da porta a poucos centímetros da cabeça de Clarabel. O tiro de Clayton atingiu o ombro do homem, fazendo-o girar. A arma caiu de suas mãos, pousando na terra próxima aos cavalos. O marechal Thompson e os ajudantes cercaram Morrison com prática eficiente, enquanto ele segurava o ombro ferido, xingando pelos dentes cerrados.
“Chega, Morrison. Acabou.”
Clayton percebeu Clarabel pressionada contra suas costas, mãos segurando seu casaco, respiração rápida quente contra seu pescoço. A percepção de quão perto estivera de perdê-la, de perder essa mulher extraordinária que conhecia há apenas algumas horas, mas que já havia mudado sua vida completamente, fez suas mãos tremerem.
“Está ferida?” perguntou, virando-se para encará-la, voz áspera de emoção e adrenalina.
“Não, graças a você”, respondeu ela, movendo as mãos do casaco para o rosto dele, palmas quentes contra suas bochechas.
“Poderia ter morrido também”, respondeu Clayton, cobrindo as mãos dela com as suas.
Naquele momento, com o perigo passado e o toque dela o ancorando, ele compreendeu que tudo em sua vida o havia levado a esse instante, a proteger essa mulher e as quatro outras que de algum modo se tornaram sua responsabilidade e propósito.
Ruby aproximou-se de Morrison enquanto os ajudantes amarravam seu braço ferido, olhos azuis brilhando de satisfação.
“Como se sente, Thomas, ao finalmente enfrentar as consequências de seus atos?”
Morrison olhou para cima, ódio puro em seus olhos. “Isso não acabou. Tenho amigos, conexões. Vocês nunca estarão seguros.”
Violet avançou, olhos frios como o inverno. “Suas conexões estão enfrentando suas próprias investigações. Graças às evidências que reunimos, sua rede de corrupção acabou.”
Sadi aproximou-se do lado de Grace. As duas mulheres observaram enquanto Marshall Thompson assegurava os documentos que garantiriam que Morrison enfrentasse justiça por seus crimes.
“Realmente acabou, não é?” perguntou Sadi, voz cheia de admiração.
“Acabou, querida. Somos livres.” Grace assentiu, braços envolvendo protetivamente a jovem.
O marechal Thompson aproximou-se de Clayton, estendendo a mão. “Bom tiro, garoto. Morrison teria matado a Srta. Bell se não fosse pelo seu rápido raciocínio.”
Enquanto Clayton apertava a mão do marechal, sentiu os dedos de Clarabel escorregarem entre os seus livres, toque que enviava calor por todo o corpo. Quando olhou para ela, viu algo em sua expressão que acelerou seu coração mais do que o tiroteio.
“E agora?” perguntou Clayton, esperando desesperadamente que o próximo capítulo incluísse essas cinco mulheres notáveis que haviam virado seu mundo de cabeça para baixo da melhor maneira possível.
“Agora decidimos se você realmente consegue lidar com todas nós cinco.”
Três meses depois, Clayton estava na varanda da cabana do tio, observando as cinco mulheres que transformaram não apenas sua propriedade, mas toda sua existência. A cabana foi ampliada com quartos adicionais. O curral reconstruído para acomodar mais cavalos, e a terra ao redor cultivada em hortas produtivas e pastos.
O marechal Thompson havia retornado na semana anterior com notícias de que Morrison fora condenado a 15 anos na prisão territorial. Sua rede de corrupção desmoronou após a apresentação das evidências, e três juízes foram removidos do cargo. Margaret Morrison recuperou os direitos de mineração de seu pai e usava os lucros para ajudar outras mulheres a escapar de situações semelhantes.
Ruby saiu do celeiro, cabelos ruivos captando a luz do sol da tarde enquanto conduzia um cavalo recém-domado ao curral. Sua habilidade natural com animais tornou-a indispensável na operação de criação de cavalos. Ela acenou para Clayton, sorriso brilhante e genuíno, sem sombra de medo ou raiva.
Sadie trabalhava na horta ao lado de Violet. As duas formaram uma amizade improvável, mas forte. A natureza gentil de Sadie equilibrava perfeitamente a mente calculista de Violet. Juntas, criaram uma horta próspera que supria não apenas suas necessidades, mas fornecia excedente para comércio com assentamentos vizinhos.
Grace havia se estabelecido como gerente não oficial da pequena comunidade, cuidando das contas e da correspondência com compradores de cavalos e produtos. Suas habilidades organizacionais e autoridade natural transformaram o refúgio em um empreendimento lucrativo.
Mas foi Clarabel quem mais chamou a atenção de Clayton. Ela surgiu da casa carregando uma carta, olhos verdes encontrando os dele imediatamente pelo quintal. A conexão entre eles havia se aprofundado a cada dia, construída sobre respeito mútuo, propósito compartilhado e uma atração que amadureceu em algo muito mais significativo do que simples desejo.
“Mais um pedido de cavalos”, disse ela, aproximando-se dele, sorriso caloroso e íntimo. “Três fazendeiros no Colorado querem reprodutores até a primavera.”
Clayton pegou a carta, mas a atenção permaneceu no rosto dela, no contentamento que via ali, combinando com o seu próprio. “Precisaremos expandir a operação novamente.”
“Vamos”, concordou ela, aproximando-se até ficar dentro do círculo de seus braços. A facilidade com que aprenderam a tocar, compartilhar espaço e conforto ainda o impressionava.
“Está tendo dúvidas sobre nosso acordo?” Clayton olhou para a propriedade e para as quatro outras mulheres que se tornaram sua família, propósito, responsabilidade e alegria.
“Quando o tio Jeremiah me deixou esta cabana, o velho nunca poderia imaginar a vida que construímos aqui. Nunca”, disse firmemente, puxando Clarabel para mais perto. “Embora às vezes me pergunte se quem está sendo realmente cuidado aqui sou eu, pelas cinco mulheres notáveis, e não o contrário.”
Clarabel riu, som brilhante e livre. “Talvez estejamos cuidando uma da outra. Talvez seja exatamente como deve ser.”
Enquanto o sol começava a se pôr atrás das montanhas, pintando o céu de laranjas e roxos brilhantes, Clayton percebeu que o último presente de seu tio não havia sido a cabana ou a terra.
Fora a chance de se tornar o homem que estava destinado a ser. Cercado por pessoas que o desafiavam, apoiavam e amavam à sua maneira única.
A vida tranquila que imaginara parecia pequena demais comparada à existência rica, complexa e bela que agora vivia. Ele se perguntou se conseguiria lidar com cinco mulheres extraordinárias, e a resposta o surpreendeu.
Elas poderiam lidar entre si juntas, e isso fazia toda a diferença.