
Seus pequenos passos ecoavam por ruínas onde as sombras sussurravam ameaças invisíveis.
Uma garota frágil parou, sentindo o perigo na quietude que pairava sobre as ruas quebradas.
Entre metal estilhaçado e poeira, ela avistou um corpo mal agarrado ao último suspiro. O medo gelou sua espinha. No entanto, algo a impulsionou para mais perto deste estranho silencioso. Seus ferimentos pareciam profundos, o sangue marcando trilhas de uma luta desesperada e não vista.
Ela tremia, perguntando-se quem havia deixado este homem morrendo ao destino no deserto. Segurando sua última garrafa de água, ela se ajoelhou ao lado dele com quieta resolução. Na luz que se esvaía, suas mãos tremeram enquanto ela inclinava a esperança em direção aos lábios rachados dele.
O homem ofegou, os olhos piscando abertos com terror, como se estivesse fugindo de horrores invisíveis.
Ela recuou, o coração acelerado, incerta se ele era vítima ou uma ameaça oculta.
Um clang repentino ecoou nas proximidades, como se alguém os observasse da escuridão. Ela vasculhou o beco, mas apenas os detritos em movimento responderam à sua busca frenética.
O homem agarrou seu pulso, fraco, trêmulo, sussurrando um aviso que ela não conseguiu entender. Quem quer que o estivesse caçando, ela percebeu, estava muito mais perto do que ela temia.
Uma sombra deslizou sobre os escombros, alongando-se sob o sol moribundo. Ela sentiu sua presença apertando em torno deles como uma armadilha esperando para ser acionada. O homem tentou ficar de pé, mas desabou, implorando com olhos pesados de segredos. Ela sabia que ajudá-lo significava entrar em uma história muito maior do que a sobrevivência.
Agarrando a coragem, ela o arrastou em direção a um abrigo quebrado envolto em fumaça. Em algum lugar atrás deles, passos não vistos ecoavam, calmos, deliberados e se aproximando.
A porta enferrujada do abrigo rangeu, revelando uma escuridão densa de poeira. Ela puxou o homem para dentro, esperando que as sombras pudessem escondê-los do perigo. A respiração dele ficou mais áspera, cada arquejo tremendo com desespero silencioso.
A garota procurou por tecido, qualquer coisa para estancar o sangramento que encharcava a camisa dele.
Lá fora, passos lentos traçavam círculos como um predador saboreando sua caçada, o coração dela batia com um medo que ela nunca havia conhecido antes.
O homem tentou falar, mas apenas fragmentos de sussurros quebrados escaparam dele. Algo sobre uma traição, um acordo e alguém que queria que ele fosse apagado. Ela não entendeu, mas o terror em seus olhos disse o suficiente para ela.
Quem quer que o estivesse caçando não era apenas perigoso. Eles estavam perto e determinados.
Um leve clique metálico do lado de fora fez sua respiração prender na garganta. Ela pressionou um dedo nos lábios, pedindo-lhe para ficar em silêncio.
O estranho lá fora batia ritmicamente, como se estivesse sinalizando para alguém invisível. O padrão era muito firme, muito deliberado para ser um ruído aleatório de vaguear.
A garota olhou para o homem, cujos olhos se arregalaram com súbita reconhecimento. Ele murmurou uma palavra que gelou o sangue dela.
“Rastreador,” ele murmurou.
Seu pulso trovejou enquanto o bater ficava mais nítido, mais impaciente. Eles tinham apenas momentos antes que a descoberta destruísse sua frágil segurança. Ela pegou um caco de espelho quebrado jogado na sujeira ao lado da parede. Inclinando-o cuidadosamente, ela angulou seu reflexo para o beco externo.
Uma figura alta estava imóvel, o rosto escondido atrás de um capuz queimado. A figura vasculhava os escombros com precisão mecânica, calculando.
A garota abaixou o caco, temendo que até a luz pudesse trair seu esconderijo. O homem apertou sua mão fracamente, como se grato por sua coragem.
Um estrondo repentino ecoou pelas ruínas, dispersando pássaros para o céu. A figura encapuzada virou-se bruscamente, atraída pelo barulho como por uma isca. A garota exalou aliviada, mas o homem balançou a cabeça.
“Isto não é segurança,” ele sussurrou. “Quem fez aquele barulho tinha suas próprias intenções perigosas esta noite.”
Nada naquela noite era acidental. Cada passo parecia orquestrado.
A garota engoliu em seco, sabendo que a sobrevivência exigia mais do que se esconder. Ela rasgou tiras de seu vestido gasto para amarrar o ombro sangrando do homem. Ele estremeceu, mas assentiu, confiando nela mais a cada momento trêmulo.
“Por que estão atrás de você?” ela sussurrou, mal respirando a pergunta.
A resposta dele a cambaleou. “Porque eu vi o que não era para eu ver.” As palavras carregavam peso, pesadas, cheias de um perigo que ela ainda não conseguia entender.
Lá fora, o vento varria a poeira sobre restos de metal como avisos fantasmagóricos.
O homem se esforçou para se levantar, agarrando o braço dela para se equilibrar. Suas pernas tremiam violentamente, cada passo ameaçando desabar sob ele. Ela se posicionou ao lado dele, guiando-o através dos detritos retorcidos. Cada esquina guardava sombras que pareciam se mover com olhos ocultos. O ar estava denso de pavor, como se as próprias ruínas estivessem assistindo.
A garota forçou cada respiração a ficar estável, recusando-se a deixar o medo vencer. Ele apontou para uma torre distante, meio desmoronada, mas ainda alta.
“Foi aí que tudo começou,” ele sibilou, a voz mal audível.
A garota apertou os olhos, estudando a torre que se erguia dos destroços. Ela não sabia por quê, mas algo nela parecia frio e errado. Ir para lá significava caminhar para o perigo, mas ficar significava morte certa.
Ela assentiu lentamente. O único caminho a seguir era em direção à verdade.
Enquanto atravessavam um pátio vazio, um som familiar retornou: o bater, fraco, distante, mas ecoando com precisão implacável pelas ruínas.
O Rastreador encapuzado havia encontrado o rastro deles novamente, diminuindo a distância. O homem a impulsionou para frente, embora a dor gravasse linhas em seu rosto. A garota apertou o aperto nele, recusando-se a deixá-lo para trás. A silhueta da torre pairava maior, sussurrando segredos no vento.
Uma viga caída bloqueou o caminho deles, forçando-os a entrar em uma passagem estreita. As paredes do beco se elevavam, aprisionando-os em seu aperto sufocante.
As sombras se retorciam bruscamente ali, como se escondessem coisas que era melhor não ver.
O homem congelou de repente, ouvindo algo que ela ainda não conseguia detectar. Segundos depois, ela também ouviu. Respiração suave que não pertencia a eles. Alguém esperava na escuridão à frente, imóvel e paciente.
A garota se agachou, procurando no chão algo para defendê-los. Seus dedos roçaram um cano enferrujado, frio e pesado em seu aperto trêmulo. Ela o levantou cautelosamente, recusando-se a permanecer indefesa naquele pesadelo.
O homem inclinou-se perto, sussurrando: “Fique atrás de mim, aconteça o que acontecer.”
Passos se aproximaram, lentos e deliberados, ecoando pela passagem. A garota levantou o cano mais alto, o medo se transformando em bravura pura. Uma silhueta surgiu, pequena, encurvada, movendo-se estranhamente na escuridão. Por um momento, ela respirou aliviada, pensando que não era o Rastreador.
Mas então a figura se aproximou, revelando os olhos famintos de um catador. Ele se lançou, mas a garota balançou o cano com força inesperada. O impacto o fez tropeçar para trás, gemendo de choque e dor. Ela nunca havia lutado antes, mas o instinto guiava cada movimento dela.
O catador rosnou, estendendo a mão para ela com mãos desesperadas, parecidas com garras. Antes que ele pudesse agarrá-la, o homem o empurrou para o lado com suas últimas forças. O catador fugiu, aterrorizado pela súbita explosão de resistência.
A garota apoiou o homem quando ele quase desabou de exaustão. A vitória deles foi breve, mas lhes deu preciosos segundos de fuga. Eles seguiram em frente, cada passo mais pesado que o anterior.
Fumaça enrolava-se de barris quebrados à frente, projetando formas estranhas no ar. A garota cobriu a boca, guiando o homem tossindo pela névoa.
A entrada da torre estava perto agora, apenas algumas ruínas de distância, mas cada instinto gritava perigo, urgindo-a a voltar. Ela se forçou a seguir em frente, recusando-se a abandonar o homem que precisava dela. Cada passo em direção à torre parecia ser um passo para uma armadilha.
Dentro da torre estava mais frio do que a noite lá fora, de forma inquietante. As paredes estavam gravadas com símbolos que ela não entendia, afiados e irregulares. O homem olhou para eles, o horror apertando sua mandíbula e seus olhos.
“Alguém marcou este lugar,” ele sussurrou, a voz tremendo.
A garota tocou um símbolo, sentindo-o pulsar fracamente sob sua mão. Algo antigo e perigoso vivia dentro daquelas paredes.
Luzes piscaram acima, embora nenhum poder devesse existir ali. O homem agarrou seu braço, afastando-a dos símbolos brilhantes.
“Não toque em nada aqui,” ele alertou, a voz cheia de urgência. Cada canto zumbia com forças invisíveis vibrando pelo chão. Ela o guiou mais fundo na torre, apesar de seu crescente pavor.
Atrás deles, o bater fraco retornou, ecoando mais perto mais uma vez. Uma porta metálica se fechou atrás deles com um eco estrondoso. A garota se virou, assustada com o súbito isolamento que os prendia. O homem a acalmou, embora o medo ainda nublasse seus olhos enfraquecidos.
“Só há um caminho agora,” ele murmurou, apontando para uma escada estreita.
Ar frio vinha de cima, carregando sussurros que eles não conseguiam decifrar. Ela engoliu em seco, pisando primeiro na escuridão em espiral.
Os degraus rangeram a cada passo hesitante, subindo. As sombras se esticavam de forma não natural ao longo das paredes estreitas. Os sussurros ficaram mais altos, distorcendo-se entre línguas que ela não conseguia conhecer.
O homem se apoiava pesadamente nela, lutando para continuar se movendo. Uma rajada repentina extinguiu a luz fraca de baixo, prendendo-os. Eles subiram na escuridão, guiados apenas pelo instinto e desespero.
No topo, uma câmara escura os esperava, iluminada por uma única lâmpada moribunda. O ar parecia mais pesado ali, pressionando como um peso invisível. No centro, jazia um terminal empoeirado, piscando com luz fraca e bruxuleante. O homem cambaleou em direção a ele, digitando fracamente com as mãos trêmulas.
“É isto que eles querem destruir,” ele ofegou em revelação.
A garota olhou enquanto linhas de dados ocultos enchiam a tela rachada. Ela não entendia os números e códigos derramados no display, mas sentia a verdade, algo poderoso o suficiente para matar.
O homem se virou para ela, os olhos ardendo com determinação exausta. “Eu tenho que expor isso ou todos lá fora pagarão o preço.”
Ela se colocou ao lado dele, sentindo a responsabilidade se instalar em seus ombros. Eles não estavam apenas fugindo agora. Eles estavam lutando por algo maior.
Um estrondo distante sacudiu a poeira do teto da câmara. O Rastreador havia entrado na torre, se aproximando com precisão mortal.
O homem a incitou a se esconder, mas ela balançou a cabeça com desafio. Ela se recusou a deixá-lo sozinho para enfrentar o horror que se aproximava. Ela se posicionou perto da entrada, segurando seu cano firmemente. O medo tremia dentro dela, mas ela permaneceu firme apesar disso.
Os passos ficaram mais altos, ecoando com a finalidade de um veredicto. O homem digitava mais rápido, o desespero aguçando cada tecla.
A garota se preparou enquanto a maçaneta da porta girava lentamente. As luzes da câmara piscaram violentamente, as sombras se movendo bruscamente pelas paredes. Uma voz mecânica profunda escoou pela fresta da porta.
“Eu sei que você está aí dentro. Entregue o drive e morra rapidamente.”
A garota deu um passo à frente, segurando o cano enquanto seu pulso martelava descontroladamente. Poeira flutuava no feixe trêmulo da lâmpada moribunda.
A porta rangeu mais, revelando a forma imponente do Rastreador encapuzado. Metal frio reluzia ao seu lado, sugerindo o perigo que ele carregava. O homem sussurrou o nome dela fracamente, implorando para que ela permanecesse escondida, mas ela recusou, colocando-se entre ele e a ameaça que se aproximava.
O Rastreador parou, surpreso com a pequena figura bloqueando seu caminho. Sua máscara se inclinou, estudando-a com cálculo silencioso e inquietante. Ela manteve sua posição, embora o medo arranhasse sua espinha.
Atrás dela, o homem digitou desesperadamente, buscando os comandos finais. O Rastreador se aproximou, suas botas batendo como o ritmo da desgraça. A garota não se moveu, sua coragem queimando mais brilhante do que seu terror. Ela apertou o punho no cano de ferro enferrujado, recusando-se a recuar.
O Rastreador se lançou, o metal rangendo como uma fera feita de facas. Ela balançou com toda a sua força. O golpe rachou a máscara dele. Faíscas irromperam enquanto ele tropeçava para trás, atordoado por seu poder inesperado.
Atrás dela, o homem completou o upload final, alarmes gritando. Ela agarrou a mão dele e correu enquanto a torre em colapso engolia o rugido do Rastreador. Poeira rodopiou em torno deles enquanto tropeçavam na luz do sol que se esvaía, sem fôlego.
A torre atrás deles desmoronou em um rugido violento, enterrando o Rastreador para sempre. Ela se virou para o homem ferido. No entanto, em seus olhos ela agora via força, não fraqueza.
Ele sussurrou: “Você me salvou e salvou a verdade. O mundo saberá por sua causa.”
Pela primeira vez, ela sentiu o peso do que havia feito e o poder que carregava. De mãos dadas, eles caminharam em direção ao amanhecer que se levantava, para sempre ligados pelo milagre da coragem.