Author: phihung8386

  • Ela Disse Para Eu Desaparecer Sem Uma Palavra — 5 Anos Depois, Ela Desmaiou Quando Nossos Olhos Se Encontraram Novamente

    Ela Disse Para Eu Desaparecer Sem Uma Palavra — 5 Anos Depois, Ela Desmaiou Quando Nossos Olhos Se Encontraram Novamente

    Claro! Aqui está uma história de 800 palavras em português baseada no seu pedido:

    O Som Que Eu Ainda Ouço

    Ainda ouço esse som de vez em quando, mesmo agora, cinco anos depois, como uma porta fechando suavemente, como se alguém estivesse apagando você com precisão absoluta. Esse foi o último som que ouvi quando fui embora. Não houve gritos, não houve lágrimas, apenas aquele clique quase imperceptível quando a porta se fechou atrás de mim. Não foi uma batida forte, nem trancada, foi só fechada, como se eu nunca tivesse existido. Eu não levei o carro. Lembro-me de caminhar quatro quadras no escuro com uma bolsa de duffel que não era nem minha. Era dela. Zíper rosa, uma alça quebrada. A única coisa que eu tinha colocado dentro foi duas camisetas, minha certidão de nascimento e uma escova de dentes que nunca usei. Eu deixei até meu próprio nome para trás, como ela me pediu. Eu desapareci.

    E sabe qual é a parte mais doente disso tudo? Eu pensei que ela poderia me procurar. Só um texto, uma ligação, algo como “Espera, eu não quis dizer isso”. Mas nada veio. Os dias passaram, depois meses, depois as estações mudaram, e ela ainda não havia me procurado. Você provavelmente acha que estou sendo dramático. Eu entendo. Quero dizer, a maioria dos homens não desapareceria só porque a esposa mandou, mas eu não era a maioria. Eu era o pano de fundo, o espaço reservado. Eu acho que sempre soube disso, no fundo. As palavras exatas dela: “Você é tipo papel de parede, só está ali. Eu preciso de espaço para ser mais do que isso”. Ela nem conseguiu pensar em um insulto decente. Me reduziu a tinta bege e silêncio e me mandou sair como se eu fosse um mofo atrás de um sofá. E eu fui. Me mudei para uma cidade onde as pessoas não faziam perguntas. Sem identidade, sem cartão de crédito. Eu trabalhava à noite, limpando máquinas de venda e terminais de ônibus. Escrevia nomes falsos nos formulários dos motéis. Uma vez, dormi dentro de uma unidade de armazenamento por duas semanas quando não consegui pagar o aluguel. Parei de falar com espelhos. Era mais fácil não ver meu rosto. O rosto dela ainda ecoava no meu.

    Houve noites em que eu queria gritar, não porque sentia falta dela, mas porque eu não conseguia nem lembrar como eu me parecia quando estava feliz. Não só antes dela, mas antes da erosão, antes de aprender a encolher, ficar tão pequeno que eu pudesse desaparecer completamente. Mas então algo mudou.

    No mês passado, recebi uma carta. Sem selo, sem endereço de remetente, apenas enfiada entre dois panfletos na porta de uma cafeteria em Maine. Estava selada com fita adesiva. Dentro, havia uma foto: ela, Vera, em frente a um banner de conferência, apertando a mão de um cara político e, atrás, uma caligrafia que eu não via há meia década: “Você nunca realmente foi embora, foi?”. Eu quase deixei cair. Ela me encontrou, ou ao menos encontrou uma parte de mim. O tempo não fazia sentido. Nada fazia sentido, porque dois dias depois eu estava andando perto da prefeitura quando a vi novamente. Não em uma carta, não em um sonho. Na vida real, carne e osso, com aquele sorriso presunçoso. Ela estava fazendo um discurso, o mesmo vestido que eu lembrava, os mesmos gestos com as mãos, a mesma arrogância, mas algo no rosto dela se quebrou quando me viu. As palavras dela congelaram no meio da frase. As pessoas viraram para seguir seu olhar. Então ela tropeçou como se tivesse visto um fantasma. Seus olhos reviraram, os joelhos cederam. Ela desabou ali mesmo, sob as luzes fluorescentes, no palco que deveria ser para heróis.

    Eu fiquei no fundo da sala. Não me movi. Não pisquei, porque eu sabia que a versão de mim que ela havia enterrado não ficou morta. E eu estava prestes a desenterrar todas as mentiras que ela pensou que tinha enterrado. O silêncio naquela sala não era um silêncio normal. Era o tipo que congela sua espinha e diminui o ar ao seu redor. Todos estavam olhando para ela, caída à beira do palco como uma marionete cujas cordas se partiram no meio de uma frase. E eu? Eu ainda estava de pé, no canto, meio sombreado sob uma luz de emergência piscando, com o coração batendo forte como se quisesse se arrancar de mim. Eu deveria ter ido embora naquele momento, deslizado para fora, do jeito que cheguei. Mas algo, eu nem sei o que, me prendeu ali. Talvez fosse curiosidade, talvez fosse despeito, talvez algum fiozinho dentro de mim ainda acreditasse em um tipo de fechamento. Eu não planejei nada disso. Não vim para destruí-la. Vim para ver se ela ainda tinha um coração.

    Mas, antes que eu pudesse dizer uma palavra, ela caiu como uma pedra. As pessoas correram para ajudá-la. Alguém gritou por um médico. Eu fiquei imóvel, observando a mulher que um dia me disse que eu era só um preenchimento na vida dela, deitada inconsciente no chão, respirando com dificuldade, sua mão tremendo como se estivesse perseguindo algo em um sonho. E então, e eu juro que isso aconteceu, ela abriu os olhos por um segundo e me viu novamente. Seus lábios se moveram levemente, como se estivesse tirando a poeira de uma caixa selada. Ela disse uma palavra. A minha verdadeira. Não o nome falso que eu usei durante esses cinco anos. Não o apelido que ela usava nos bons tempos. Não. Ela disse o meu nome. Como se fosse uma maldição que retornava. Eu saí. Não corri. Eu saí lentamente, como quem acaba de ver algo muito antigo e poderoso para lutar contra. Passei pela multidão que nem me percebeu. Todos estavam ocupados tentando ressuscitar a reputação dela.

    Não sabia para onde estava indo, mas minhas pernas me levaram até um banco à beira do lago. Aquele mesmo lago onde Vera uma vez jogou meu celular na água durante uma briga e disse: “Agora você vai parar de reclamar sobre conexão”. Sim, eu me lembro de tudo. Eu fiquei lá, olhando para a água, como se ela pudesse me dar respostas. E então, quando estava prestes a me perder de novo, meu celular queimado tocou. Uma mensagem. Nenhum número, só o texto: “Você não pode voltar. Eles não sabem. Por favor, estou te implorando.” Eu fiquei parado, encarando a tela, como se tivesse lido errado. Eles não sabem quem sobre o quê?

    Queria jogar o celular no lago e esquecer que havia voltado para a órbita dela. Mas, em vez disso, me levantei e caminhei até a clínica local, o mesmo lugar para onde ela havia sido levada. Não me registrei, não pedi permissão. Encontrei o quarto dela no diretório e subi as escadas silenciosamente, como um fantasma retornando ao seu lugar de morte. Ela estava acordada, deitada na cama do hospital, conectada a aparelhos, maquiagem removida, cabelo bagunçado, cara pálida. Ela parecia menor. Ou talvez eu estivesse maior agora, depois de cinco anos aprendendo a existir sem a voz dela dizendo quem eu deveria ser. Quando ela me viu na porta, não gritou. Não chorou. Sussurrou novamente: “Você devia ter ficado desaparecido.”

    Eu não falei nada. Esperei. Como se fosse dar a ela uma chance de reescrever tudo. Mas então ela disse a única coisa para a qual eu não estava preparado: “Lol”. Se eles descobrirem que você está vivo, tudo que eu construí vai desmoronar. E foi então que percebi. Não se tratava de amor, nem de arrependimento, nem de culpa. Se tratava do segredo dela. Um segredo grande o suficiente para fazer ela querer me apagar. E ela achou que tinha conseguido. Até agora.

  • “Vem Comigo” – Uma Enfermeira Pobre Encontra um Homem Desmaiado na Neve… Sem Saber Que Ele É um CEO Bilionário!

    “Vem Comigo” – Uma Enfermeira Pobre Encontra um Homem Desmaiado na Neve… Sem Saber Que Ele É um CEO Bilionário!

    História de Natal

    A neve caía espessa, cobrindo as largas ruas da cidade como se o mundo inteiro estivesse afundando em um cobertor branco e gelado. Clara, 27 anos, enfermeira no hospital da cidade, desceu do último ônibus da noite. Seu casaco grosso pouco ajudava a bloquear o frio cortante do inverno. Já passava quase da meia-noite. Sua jornada no hospital havia terminado, deixando para trás o peso familiar do cansaço. A rua principal ainda brilhava com as luzes de néon, mas naquele canto suburbano, a luminosidade se dissipava na escuridão, dando lugar ao silêncio e ao suave estalar da neve sob seus pés.

    Ela parou no velho ponto de ônibus, com seu telhado enferrujado, que rangia a cada rajada de vento, fazendo a neve soltar-se em pequenos montes. Esse ponto de ônibus era um ritual noturno para Clara, um lugar onde ela costumava parar por alguns minutos para respirar antes de caminhar os últimos metros até casa. Mas naquela noite, algo fez com que ela parasse bruscamente.

    Sobre o banco de madeira coberto por uma fina camada de neve, um homem estava curvado para frente, a cabeça baixa, o cabelo escuro emaranhado com a neve derretendo. Suas roupas, embora manchadas de sujeira e neve, pareciam caras, um casaco de cashmere rasgado em alguns pontos, calças escuras manchadas de áreas úmidas. Seus sapatos de couro, outrora brilhantes, estavam completamente encharcados, opacos e imundos, como se ele estivesse ali há horas, imóvel na nevasca.

    Clara hesitou, apertando mais forte a alça da bolsa de pano surrada. Ela não era do tipo que se metia nos problemas dos outros. Sua vida como enfermeira mal-remunerada já era complicada o suficiente: turnos longos, contas atrasadas e uma casa de madeira caindo aos pedaços que precisava de reparos constantes. Mas algo naquele homem a impedia de simplesmente ir embora. Talvez fosse o jeito que suas mãos tremiam enquanto ele se abraçava, tentando manter o frio longe de seus ossos. Talvez fosse o vazio em seus olhos quando ele olhou para ela, um olhar que parecia atravessá-la sem realmente ver nada.

    Ela respirou fundo, vendo sua respiração formar uma nuvem branca no ar congelado. “Você me escuta?”, Clara perguntou, a voz suave, mas forte o suficiente para se fazer ouvir acima do uivo do vento. Ela deu um passo à frente, seus sapatos deixando rastros suaves na neve. O homem não respondeu de imediato, apenas se mexeu levemente, como se só agora percebesse que ela estava ali. Seus olhos, castanhos escuros, se ergueram lentamente, embaçados pelo cansaço e confusão.

    “Por favor, não me faça sair.” A voz dele era rouca, quase um sussurro, exausta, como se aquelas poucas palavras o tivessem esgotado. “Só uma noite. Eu vou embora amanhã.”

    Clara franziu a testa, observando-o mais de perto. Ele não parecia um homem típico de rua. Apesar das roupas sujas, a maneira como ele se sentava, como as mãos apertavam o casaco como se ainda houvesse um último fio de dignidade a ser mantido, fazia Clara sentir que ele não pertencia ali. Não naquele ponto de ônibus caindo aos pedaços. Não naquela tempestade congelante.

    Mas ela não era ingênua. Não em uma cidade como aquela, onde histórias tristes se escondiam a cada esquina, e nem todas valiam o risco. Ela olhou para a estrada, onde o brilho do ônibus já tinha desaparecido, deixando apenas a neve que girava no vento. Nenhum outro ônibus viria. Estava frio. Tão frio que sua respiração já começava a tremer. Se ela o deixasse ali, talvez acordasse no dia seguinte lendo sobre um homem desconhecido que morrera congelado naquela noite. Clara não tinha certeza se conseguiria viver com isso. Ela respirou mais fundo, dessa vez para ter coragem. “Você não pode ficar aqui”, disse ela, sua voz mais firme do que se sentia. “Venha comigo.”

    O homem levantou a cabeça, os olhos piscando de surpresa, como se não acreditasse no que acabara de ouvir. Clara não esperou uma resposta. Ela sacudiu a neve do casaco, ajustou a bolsa no ombro e fez um gesto para que ele a seguisse. “Rápido, antes que nós dois congelemos.” Ele se levantou lentamente, seu corpo alto balançando, quase desabando. Clara percebeu que ele era mais alto do que imaginava, provavelmente cerca de 1,90m, mas o frio e o cansaço o faziam parecer menor, diminuído. Ele não disse nada, apenas a seguiu em silêncio, seus sapatos encharcados fazendo um som molhado a cada passo na neve espessa.

    A caminhada até sua casa parecia mais longa do que o habitual, não só por causa da neve, mas pela pesada silenciosa entre eles. Clara andava à frente, seus sapatos afundando no gelo enquanto ele ficava alguns passos atrás. De vez em quando, ela olhava para trás para ter certeza de que ele ainda estava ali. Ele estava com a cabeça baixa, a silhueta dele se tornando um espectro na tempestade. A neve grudava em seu casaco como se tentasse esconder a história que ele carregava.

    A casa de Clara, uma construção simples de madeira, surgiu no final do caminho coberto de neve, pequena, mas acolhedora, com a luz dourada da janela brilhando como uma vela na escuridão. Ela abriu o portão, o som da neve se quebrando sob seus pés, e virou-se para olhar o homem. Ele estava sob o tênue brilho de um poste de luz, com a neve cobrindo seus ombros e cabelo.

    Foi a primeira vez que Clara percebeu algo estranho nele. Algo bonito, de uma maneira silenciosa e assombrosa. Não a beleza polida das telas de TV, mas a beleza que pertencia a alguém que já teve tudo e perdeu tudo em um único momento.

    “Entre”, disse ela, empurrando a porta de madeira que rangeu no silêncio. “Mas, só para você saber, não há nada de fancy na minha casa.”

    O homem a seguiu, seus sapatos molhados deixando rastros úmidos pelo chão. Ele parou no meio da sala, os ombros caídos como se o frio do ponto de ônibus ainda estivesse grudado em seu corpo. “Sente-se ali”, disse Clara, apontando para a cadeira de madeira perto da mesa da cozinha, com uma voz suave, mas firme. “Vou pegar uma toalha e fazer um chá.” Ele assentiu, sentando-se devagar, os olhos desfocados, perdidos em um mundo ao qual Clara não conseguia alcançar.

    A casa de Clara tinha pertencido à sua avó, que faleceu há três anos. Era pequena, velha, mas aquecida, com o som reconfortante da lareira crepitando no canto. Lá fora, um pequeno alpendre onde sua avó costumava cultivar crisântemos brancos, agora provavelmente enterrados pela neve. Clara amava aquele lugar, apesar de todos os reparos constantes: o telhado com goteiras, as janelas rangendo. Mas era o único lugar onde ela se sentia realmente em paz.

    Na cozinha modesta, Clara colocou a chaleira no fogão a gás e retirou gengibre seco e mel de um velho pote de cerâmica. Olhou para o homem. Ele estava imóvel, suas mãos trêmulas descansando sobre a mesa. Ele não pertencia ali, pensou Clara. Mas ela não perguntou. Ela remexeu na despensa e pegou um suéter grosso e uma toalha de algodão deixada por seu avô. “Troque de roupa”, disse ela, colocando-os na frente dele. “Roupas molhadas vão te deixar doente.” Ele murmurou, “Obrigado”, com a voz fraca.

    Clara puxou a cortina que separava a cozinha da sala para lhe dar privacidade, e voltou para o fogão. A água começou a borbulhar, misturando-se com o suave estalar da madeira na lareira. Ela despejou o chá de gengibre em duas canecas de porcelana lascadas, colocando uma à frente dele. Ele havia trocado de roupa, o suéter azul-marinho caindo largo em sua figura alta, mas o vazio em seus olhos permanecia, como se sua alma já tivesse partido há muito tempo.

    Clara sentou-se à sua frente, segurando a caneca quente para aquecer seus dedos congelados. Ela queria perguntar o nome dele, queria saber por que ele estava ali, mas o silêncio pesado entre eles a impedia. Ela não estava acostumada a conversar com estranhos, especialmente alguém que parecia ter perdido tudo. “Eu sou Clara”, disse ela finalmente, com suavidade. “Precisa ligar para alguém?”

    Ele balançou a cabeça firmemente. “Não há ninguém”, disse ele, a voz tão baixa que quase se dissolvia no ar.

    Foi então que um envelope amassado escorregou de sua mão e caiu no chão com um leve estalo. Clara se agachou para pegar, pretendendo entregá-lo de volta, mas o envelope já estava aberto. Uma foto e um convite de casamento caíram. A foto mostrava ele mais jovem

  • “Queres Jantar Connosco?” – Perguntou uma Menina Pequena ao CEO Solitário Sentado Sozinho no Natal

    “Queres Jantar Connosco?” – Perguntou uma Menina Pequena ao CEO Solitário Sentado Sozinho no Natal

    A cidade era como uma besta feita de aço e vidro. Seu horizonte irregular rasgava o céu pesado pelo frio do inverno. A neve cobria suavemente as ruas, refletindo o brilho suave das lâmpadas de rua e o brilho espalhado das luzes de Natal penduradas nos postes de energia. David Cole estava sozinho nos degraus gelados de um antigo prédio de apartamentos, sua respiração transformando-se em névoa branca no ar congelante. Aos 34 anos, ele era o renomado CEO da Cole Corporation, um nome tão poderoso quanto os arranha-céus que sua empresa construía. Mas naquela noite, seu casaco sob medida e sapatos polidos pareciam deslocados diante da tinta descascada e do concreto rachado daquele canto esquecido da cidade. Ele havia vindo aqui para inspecionar sua mais recente aquisição, um complexo de apartamentos em ruínas prestes a ser demolido para dar lugar a um desenvolvimento comercial brilhante. Os números já tinham sido verificados. As permissões estavam prontas. Mas algo o mantinha ali, como se algo o ancorasse nos degraus congelados. Talvez fossem os murmúrios silenciosos da vida por trás das janelas iluminadas acima, ou o som distante de risadas – coisas que não pertenciam ao seu mundo de salas de reuniões e lucros. O telefone de David vibrou no bolso, lembrando-o da reunião que ele havia perdido para vir até ali. Ignorou, seu olhar se afastando para as luzes de Natal desiguais penduradas ao longo de um corrimão próximo. Elas piscavam de forma errática como um coração lutando para se manter vivo. Ele não comemorava o Natal há anos, não desde o orfanato, onde o feriado era apenas mais um dia para sobreviver. A memória apertou seu peito, e ele se apressou a afastá-la como sempre fazia.

    Uma pequena figura emergiu das sombras, envolta em um casaco grande demais para seu corpo minúsculo. Não poderia ter mais do que 5 anos, suas bochechas vermelhas do frio, uma mochila em forma de coelho balançando em seus ombros. Ela parou a alguns passos de distância, olhando para ele com olhos grandes e curiosos. Em sua mão de luva, ela segurava um panfleto amassado. “Você está perdido?” Sua voz clara e destemida cortou a quietude da noite. David piscou, surpreso. “Não”, respondeu, sua voz mais ríspida do que pretendia. “Só estou verificando algumas coisas.” Ela inclinou a cabeça, completamente indiferente. “Você está muito frio. Quer vir à festa comigo? Tem chocolate quente e biscoitos também.” Ela acenou o panfleto em direção a ele, a borda enrolando-se no ar úmido. “Na igreja antiga, todo mundo está lá.” David olhou para ela, depois para o panfleto, uma festa comunitária de Natal, flocos de neve desenhados à mão e um endereço rabiscado embaixo. Ele deveria ter virado e voltado para o carro, para o escritório, para sua vida. Mas aqueles olhos, tão brilhantes e desprotegidos, o mantiveram ali. Eles o lembraram de alguém que ele não conseguia nomear, de tão longe no tempo. “Eu não vou a nenhuma festa”, disse ele, sua voz mais suave agora. “Mas obrigado.” Ela sorriu sem se abalar, aproximando-se e estendendo o panfleto como um presente. “Tudo bem. Você não precisa ficar muito tempo. Só vem ver.” Contra todos os seus instintos, David pegou o panfleto. Seus dedos tocaram a luva dela, e por um momento, o frio não parecia tão cortante. “Qual é o seu nome?” perguntou, surpreendendo a si mesmo. “Ella”, ela respondeu orgulhosamente. “E o seu?” “David”, ele respondeu, o nome soando estranho naquele lugar. “Neste momento.” “Ok, Sr. David, vamos lá.” Ella virou-se, pulando em direção à luz que saía da velha igreja no final da rua, sua mochila balançando. Ela não olhou para trás, como se tivesse certeza de que ele a seguiria. David permaneceu parado, o panfleto amassado em sua mão. Ele poderia ir embora agora, voltar para seu luxuoso apartamento vazio, e esquecer tudo isso. Mas a certeza silenciosa de Ella, seu calor inabalável, puxava algo dentro dele que ele havia enterrado há muito tempo. Com um suspiro, ele colocou o panfleto no bolso do casaco e a seguiu na noite.

    A porta de madeira da velha igreja rangeu quando David a empurrou, revelando um espaço quente banhado por um brilho suave. O ar lá dentro contrastava fortemente com o frio cortante da cidade lá fora. Velas tremeluzentes estavam em longas mesas de madeira arrumadas na nave, onde os bancos haviam sido removidos para dar lugar a um jantar comunitário. O cheiro de biscoitos recém-assados, chocolate quente e um toque rústico de sopa de batata se misturava, criando uma sensação de acolhimento que David não lembrava de ter experimentado. Fitas vermelhas e verdes penduradas apressadamente decoravam as colunas de pedra antigas, e uma pequena árvore de Natal torta estava no canto, adornada com estrelas de papel e enfeites feitos à mão. Ella, com sua mochila de coelho ainda nos ombros, pegou a mão de David e o puxou para dentro. Sua pequena mão estava surpreendentemente quente, e ele se estremeceu com o contato inesperado. “Vamos, Sr. David”, ela cantou, sua voz clara ecoando acima do suave zumbido da multidão. “É muito divertido.” David hesitou, seus sapatos de couro polido sentindo-se alienígenas no piso de madeira gasto. Vestido com seu terno preto caro, ele se destacava como um estranho entre as pessoas comuns que se apressavam para preparar o jantar. Uma senhora idosa com cabelo prateado bem amarrado mexia uma grande panela de sopa em um fogão portátil, enquanto dois homens de meia-idade riam enquanto lutavam para pendurar outra guirlanda no teto. Um grupo de crianças correu, carregando biscoitos decorados desajeitadamente e rindo enquanto as migalhas se espalhavam pelo chão.

    “Ella, está correndo de novo?”, chamou uma voz suave, mas cansada, vinda perto das mesas. David olhou para cima e encontrou os olhos de uma jovem mulher na faixa dos 20 anos, limpando as mãos em um avental azul claro. Era Clara. Seu cabelo castanho estava preso de forma desleixada, com algumas mechas caindo sobre uma bochecha, e seus olhos, castanhos e tingidos de uma tristeza silenciosa, olharam para ele brevemente antes de se desviarem para Ella. Algo naquele olhar fez David se sentir exposto. Uma sensação estranha que ele não conseguia explicar. “Este é o Sr. David, meu novo amigo”, anunciou Ella com orgulho, seu peito se expandindo enquanto ela segurava firmemente o pulso de David, como se temesse que ele fosse fugir. “Eu o convidei para a festa.” Clara congelou, o pano em suas mãos parando de mexer. Ela olhou para David novamente, desta vez mais tempo, suas sobrancelhas franzindo como se tentasse lembrar de algo. “Olá”, disse ela, sua voz educada, mas cautelosa. “Eu sou Clara, mãe de Ella. Obrigada por vir com ela.” Havia uma sombra de dúvida em suas palavras, como se ela estivesse avaliando se ele era alguém em quem ela poderia confiar. David acenou com a cabeça, sentindo a boca secar. “Olá, eu estava só passando por aqui.” Ele não sabia por que sentia a necessidade de se justificar, como se precisasse explicar sua presença. Ele não pertencia àquele lugar, com suas risadas, pessoas dividindo os últimos biscoitos. Sua vida era feita de contratos milionários, reuniões até tarde e um apartamento de luxo que raramente acendia.

    “Sr. David, sente-se aqui.” Ella puxou-o para uma mesa de madeira onde alguns vizinhos estavam colocando pratos e tigelas. Um homem idoso com um suéter gasto sorriu e entregou-lhe uma xícara de chocolate quente. “Aqui, beba. Está congelando lá fora. Você deve ser amigo da Ella. Ela tem um jeito de coletar estranhos.” David pegou a xícara, o calor se espalhando por suas mãos geladas. “Sim, acho que ela tem”, respondeu ele, sem jeito. Ele não estava acostumado com esse tipo de amizade incondicional. No seu mundo, cada sorriso tinha um preço. Cada aperto de mão levava a um acordo. Mas ali, ninguém sabia que ele era David Cole, CEO de um império imobiliário. Ali, ele era apenas o Sr. David, o homem que Ella puxara para um jantar não convidado.

    De todo o coração, ele queria agradecer, mas as palavras não saíam. Ela, então, decidiu não esperar mais e perguntou:

  • Ela Se Escondeu Entre as Pernas de um MILIONÁRIO para Fugir do Ex – E Acidentalmente Fez Ele Se Apaixonar…

    Ela Se Escondeu Entre as Pernas de um MILIONÁRIO para Fugir do Ex – E Acidentalmente Fez Ele Se Apaixonar…

    O Jogo da Vida

    Os lustres de cristal pendiam do alto do teto imponente do Hotel Regal Crown, sua luz cintilando sobre o piso de mármore, criando um labirinto luxuoso de reflexos suaves e brilhantes. A música clássica tocava suavemente ao fundo, e o tilintar das taças ecoava de tempos em tempos. Os convidados sorríam educadamente, como se todos fossem anjos ensinados a curvar-se desde o momento em que nasceram. Lana Rivers com certeza não era uma dessas pessoas.

    Ela estava em pânico total. Suas pernas tremiam, seu coração disparado, as palmas das mãos suadas e sua mente tinha apenas um objetivo: escapar. Quando entrou no grande salão, com um vestido vermelho justo, cabelo preso de maneira delicada e um sorriso forçado, viu-o. Braden Knox, seu ex, o canalha que destruiu sua confiança nos homens, e ainda por cima, Banks. Ele estava no bar, com seu olhar percorrendo a multidão como uma câmera de segurança. Ele ainda não a viu. Um calafrio percorreu a espinha de Lana. Ela deu um passo para trás, pronta para virar e fugir quando ouviu:

    — Lana? Você realmente veio?

    Era tarde demais. Ele a viu. Como um reflexo, Lana girou sobre o salto e correu na direção oposta. Ela fugia não como alguém em uma festa de alta sociedade, mas como uma fugitiva fugindo da polícia.

    As cabeças viraram em surpresa. Os copos de vinho balançaram. Seus saltos ecoavam alto contra o piso de mármore. Ela pensava: Preciso me esconder rápido. Seus olhos dispararam para encontrar um abrigo e viu uma longa mesa com toalha branca em um canto. Dois homens estavam perto, conversando profundamente. Um deles estava de terno preto, alto e largo, com as costas viradas para ela. Sem pensar, Lana se agachou e se escondeu debaixo da mesa, se espremendo entre as pernas do homem alto, segurando o vestido e mordendo o lábio. Ela mal ousava respirar. Lá fora, Braden ainda percorria a sala como um predador.

    Deus, por favor, não me deixe ser vista, ela orou em silêncio. Foi então que uma voz profunda e gelada soou diretamente acima dela:

    — O que exatamente você está caçando lá embaixo?

    Lana congelou. Lentamente, ela inclinou a cabeça para cima e se deparou com dois olhos cinza aço, olhando diretamente para ela. Sem expressão, sem surpresa, apenas um olhar que dizia: Isso deve acontecer com ele toda semana. Ela soltou uma risada fraca e, com a maior dificuldade, tentou sair de debaixo da mesa. Não estava na posição mais graciosa, para dizer o mínimo.

    — Me desculpe. Eu só estava verificando a integridade estrutural da mesa. Sou designer de interiores, um hábito profissional.

    O homem não se moveu. Ele apenas a olhou com um olhar afiado. O outro homem ao lado dele franziu a testa e sussurrou:

    — Damian, o que está acontecendo?

    Damian? O nome ecoou na cabeça de Lana como um alarme de incêndio. Damian Cross, CEO da Cross Enterprises, anfitrião da festa. O homem com quem ela se encontraria na manhã seguinte para uma apresentação sobre o novo design da sede. Lana quase desmaiou no local.

    Damian olhou para o assistente e respondeu de maneira seca:

    — Não é nada, apenas uma gata perdida inspecionando as pernas da minha mesa.

    Lana quase saltou para os pés.

    — Eu não sou um gato. Sou uma pessoa, e… eu sinto muito. Eu vou embora agora.

    Ela recuou, cabelo bagunçado, bochechas queimando de vergonha, vestido torto, e logo tropeçou na perna de uma cadeira. Damian a pegou pelo pulso antes que ela caísse. A mão dele estava fria, dura como pedra, mas firme. Eles ficaram frente a frente. Ele era quase uma cabeça mais alto que ela, com uma expressão impenetrável. Lana, por outro lado, não sabia para onde olhar. Ela tinha se enfiado entre as pernas de um homem como uma louca.

    — Obrigada, — ela murmurou, puxando a mão de volta. — Vou embora agora. Tenho mais mesas para inspecionar.

    Damian ergueu uma sobrancelha. Pela primeira vez, o canto de seus lábios se levantou. Não exatamente um sorriso, mas não mais tão frio.

    — Boa sorte com as suas inspeções.

    Lana virou-se e praticamente correu para longe da área. Por dentro, ela gritava: Meu Deus, existe algo mais humilhante do que isso?

    Do outro lado da sala, Damian continuava observando sua retirada, com o olhar fixo nela. Seu assistente perguntou:

    — Quem era aquela?

    Damian deu um gole no vinho e respondeu com indiferença:

    — A primeira pessoa na minha vida a se arrastar entre as minhas pernas.

    O Início de Algo Novo

    Na manhã de segunda-feira, Lana Rivers estava em frente ao imponente prédio de vidro da Cross Enterprises, segurando seu portfólio com uma mão e um mocha de leite de coco na outra. O único item capaz de mantê-la acordada em uma segunda-feira.

    Respira fundo, Lana. Não pense no que aconteceu ontem. Ontem foi um acidente. Ninguém lembra, ninguém filmou. E hoje você está vestida adequadamente.

    Ela entrou no grande saguão com confiança fingida, jurando para si mesma que apresentaria o design da sede de maneira profissional, educada, e, em hipótese alguma, se enfiaria debaixo de mesa alguma novamente. Mas o destino, ou mais precisamente, a cruel coincidência, tinha outros planos.

    Quando Lana foi conduzida até a sala de conferências executiva no 42º andar, ela não fazia ideia do que estava por vir. Só quando a porta se abriu e ela viu o homem sentado à cabeceira da mesa, com uma camisa branca impecável e brincando com uma caneta-tinteiro, seu olhar gélido e impenetrável, seu coração afundou como um sorvete derretendo no sol.

    Damian Cross.

    Ele levantou uma sobrancelha, seus olhos a analisando de cima a baixo, pausando por um segundo a mais do que o necessário nos seus saltos vermelhos. Os mesmos que quase a mataram na noite passada.

    — Ah… — ele disse, com um tom monótono. — A inspetora debaixo da mesa de ontem.

    O rosto de Lana se corou instantaneamente, mas ela se manteve firme.

    — Sim, hoje estou inspecionando os limites dos pacientes do cliente.

    O assistente de Damian soltou uma risadinha, rapidamente silenciada por um único olhar dele.

    Damian cruzou os braços e se recostou na cadeira.

    — Meu escritório precisa de design criativo, não de uma artista de circo.

    Lana sorriu com profissionalismo.

    — Perfeito, sou designer, não gerente de humor para CEOs.

    A temperatura da sala parecia ter caído. O assistente piscou. Damian, no entanto, soltou uma risadinha tão fina que poderia ser confundida com irritação, se você não estivesse prestando atenção.

    — Certo, vamos ver a sua proposta. Espero que não precise de mais ninguém se arrastando sob uma mesa para avaliá-la.

    Lana assentiu e abriu sua pasta de design. Ela apresentou de maneira clara e concisa, acrescentando um toque de humor seco, do tipo que descontrai a tensão no ar, como uma piada bem colocada em um velório.

    — Eu recomendo adicionar vegetação à área de recepção para criar uma atmosfera mais acolhedora. Atualmente, o espaço parece um pouco… como uma zona de quarentena emocional.

    Damian folheou os projetos, sua expressão sempre impassível, mas seus olhos pausaram de vez em quando, como quando ele passou por um assento de janela que ela adicionou, com cortinas cinza-prata e luz natural suave.

    — Esse assento não estava no pedido original.

    — Eu o adicionei porque, a partir daquele ponto, os funcionários podem descansar os olhos por um minuto sem precisar sair. Acho que todos precisam de um lugar para escapar do chefe.

    Ele continuou a olhar as propostas em silêncio, mas Lana sabia que tinha dado uma cartada ousada.

    A reunião terminou. As pessoas saíram, deixando Lana e Damian sozinhos na sala. Ela rapidamente reuniu seus desenhos, ansiosa para sair, quando a voz dele a parou.

    — Você faz isso com frequência?

    Ela virou-se.

    — Fazer o quê?

    — Arruinar minha primeira impressão com um cliente em potencial, se arrastando entre as minhas pernas?

    Lana respondeu com um sorriso irônico:

    — Aquilo foi uma situação única.

    Damian inclinou a cabeça, não zombando, mas quase… curioso.

    — Eu quis dizer… falar de volta.

    Lana deu de ombros.

    — Eu não estava falando de volta. Estava apenas oferecendo uma perspectiva. Se você está procurando alguém que concorde com tudo, não sou sua garota.

    Ele deu um passo mais perto dela, mais próximo do que seria necessário para uma conversa casual. Lana não recu

  • “Ela Estava Chorando Sozinha no Aeroporto — Então, um Milionário Se Sentou ao Lado Dela e Disse Isto…”

    “Ela Estava Chorando Sozinha no Aeroporto — Então, um Milionário Se Sentou ao Lado Dela e Disse Isto…”

    Aeroporto lotado ao entardecer. As luzes brancas e frias se espalhavam pelas grandes janelas de vidro, criando um brilho cintilante e distante. O som das malas rolando, anúncios de voos, crianças chorando, risadas e suspiros se misturavam numa sinfonia caótica de pessoas em movimento, indo e voltando.

    No meio da multidão apressada, Ava Wells estava sozinha, em silêncio, como se todos os sons ao seu redor tivessem sido apagados. A velha mala em suas mãos tinha uma alça desfiada e uma roda gasta. A parte de trás do seu casaco cinza-prateado estava encharcada pela chuva depois que ela correu para pegar o trem, que acabou atrasado mais de duas horas. Seus olhos estavam vermelhos, as pálpebras inchadas pela falta de sono e pelas lágrimas ainda não secas, enquanto ela fitava a tela do celular.

    Portão 14. Voo para Ashwood. Embarque final realizado. A mensagem fria e piscante diante dos seus olhos parecia o lembrete final de que ela perdera a última chance do dia. Ava largou a mala, deixando-a cair no chão sem se importar em pegá-la. Algumas pessoas passaram por ela rapidamente, desviando como se evitassem um fantasma perdido em um mundo que se movia rápido demais. Ela se sentou numa cadeira plástica próxima à parede de vidro, onde podia ver a pista do aeroporto, com os aviões alinhados, um por um, decolando e afastando-se, como tudo o que sempre esteve em sua vida.

    Apenas algumas horas antes, Ava estava em frente à biblioteca central, onde trabalhava meio período há dois anos, com um envelope branco em mãos. “Lamentamos informar que seu contrato de trabalho será encerrado na próxima semana devido a cortes orçamentários.” Ela leu a carta várias vezes, incapaz de acreditar. As estantes, os cartões da biblioteca que ela conhecia tão bem, não fariam mais parte da sua vida. Sem mais emprego, sem mais plano de saúde, sem mais razão para continuar naquela cidade. Quando saiu da biblioteca, uma nova mensagem apareceu de seu ex-namorado, ou melhor, do homem que a havia abandonado na semana passada da forma mais covarde possível.

    “Desculpe, Ava. Eu simplesmente não posso continuar com alguém que não tem direção, que não tem um futuro claro. Estou cansado.” Uma frase, sem nome, sem ponto final. Ava tentou apagar a mensagem de imediato, mas não o fez. Deixou ali, como um corte que não parava de sangrar.

    De lá, correu para o apartamento para fazer as malas. Seu único objetivo era voltar para casa, para a cidade de Ashwood, onde a velha casa de madeira que ela não via há mais de um ano ainda estava de pé, o lugar onde sua avó a esperava com refeições quentes e olhos preocupados. Mas o trem para o aeroporto estava mais de duas horas atrasado devido à chuva e as estradas alagadas. Quando chegou, tudo o que viu foi a porta do portão de embarque fechando à sua frente. A atendente da companhia aérea se desculpou como uma máquina. O embarque foi finalizado. Não podemos reabrir o portão. Ava não tinha forças para discutir. Sem voz para implorar. Sentou-se na área de espera, pegou o celular, ligou a câmera frontal e olhou para si mesma na tela.

    Olheiras profundas, um rosto pálido, o cabelo castanho escuro, um emaranhado de fios molhados pelo vento e pela chuva. Ela deu uma risada fraca, uma risada só de quem já bateu fundo. Ava Wells, 27 anos. Sem trabalho, sem namorado, sem voo, sem lugar para ir. Parabéns. Essa é a minha vida.

    Desligou o celular e escondeu o rosto nas mãos. Tudo doía em silêncio, como uma onda de dor que rugia sob a superfície. Não soluçou. Apenas ficou ali, em silêncio, enquanto as lágrimas rolavam pelo seu rosto e se encharcavam nas mangas do suéter gasto. Ninguém parou até que, por trás, uma voz suave cortou o silêncio.

    “Não sei se posso ajudar, mas acho que você precisa disso.”

    Ela levantou os olhos. Um homem de sobretudo preto estendia uma xícara de papel com café quente na direção dela. Sua voz era profunda e suave, como se temesse quebrar o frágil silêncio ao redor. Ava ficou parada. Não teve tempo de recusar, não teve tempo de questionar porque um completo estranho pararia no meio de uma multidão apressada para ajudar uma garota invisível como ela. Tudo o que sabia era que o café estava quente. E o modo como ele a olhava não era com pena, mas com sinceridade.

    A xícara foi gentilmente colocada ao seu lado na cadeira. A mão do homem que a colocou retirou-se rapidamente, como se não quisesse invadir seu espaço, apenas oferecer. Sua voz foi baixa e calma.

    “Você parece precisar disso mais do que eu.”

    Ava piscou, levando alguns segundos para processar as palavras. O homem já estava sentado, um assento vazio entre os dois. Não perto o suficiente para ser intrusivo, mas também não tão longe a ponto de ser um completo estranho. Ele usava um sobretudo preto que ia até os joelhos, calças de vestir simples e sapatos de couro negros. Nenhum logo visível, nenhum relógio chamativo, nenhum perfume forte. Apenas um homem calmo e discreto. Seus cabelos escuros estavam ligeiramente bagunçados pelo vento, como se tivesse acabado de chegar. Mas seus olhos eram algo diferente. Um olhar profundo. Não invasivo, não piedoso, apenas… vendo.

    Ava imediatamente desviou o olhar, rapidamente limpando as lágrimas de seus cílios.

    “Estou bem.” Ela murmurou, sua voz fria e exausta.

    “Eu acredito em você,” ele disse com um leve sorriso. “Mas o café ainda é uma boa ideia.”

    Ela olhou para a xícara. Era uma xícara simples de papel branco, sem nenhuma marca, provavelmente de um quiosque ali perto. Mas o cheiro era forte e aquecia partes de seu corpo que ela sentia que estavam desmoronando.

    “Você não precisava fazer isso.” Ela disse, sem jeito. “Eu não preciso de nada.”

    “Talvez,” ele inclinou a cabeça ligeiramente, ainda com aquele sorriso amável. “Mas eu tenho tempo. E você?”

    Ava o observou por mais tempo desta vez. Esse homem não tinha pressa. Não tirava o celular do bolso. Não olhava ao redor à procura de uma desculpa para sair depois de fazer algo de bom. Ele estava ali, como se pudesse esperar horas por ela, se fosse necessário.

    “Eu acabei de perder meu voo.” Ela disse, meio confessionando, meio convidando.

    “Então temos algo em comum,” ele respondeu. “Eu estou tentando adiar o meu.”

    Ava franziu a testa. “Por que alguém iria querer adiar um voo?”

    Ele deu de ombros. “Não sei. Talvez pela mesma razão que você perdeu o seu.”

    Ava soltou uma risada curta e inesperada, depois rapidamente cobriu a boca, como se temesse perder um pedaço de si mesma se deixasse essa risada sair de forma muito livre. Ele não disse nada, apenas sorriu suavemente, como se tivesse acabado de ouvir uma melodia estranha, mas agradável.

    “Meu nome é Lucas.” Ele disse após uma pausa.

    “Lucas Gray?” Ela perguntou.

    Ele não comentou sobre seu nome. Não fez perguntas invasivas. Apenas levantou sua própria xícara de café, deu um gole e acenou com a cabeça em direção à xícara dela. “Está esfriando. E não vai ajudar muito se continuar assim.”

    Ava olhou novamente para a xícara. Desta vez, estendeu a mão, pegou-a com cuidado. Sentiu o calor penetrar seus dedos, que estavam entorpecidos pela exaustão e o frio.

    Um pequeno gole. O café era amargo o suficiente, mas suave. Sem açúcar, sem creme.

    “Você está certo.” Ela exalou. “Eu realmente precisava disso.”

    Lucas sorriu, como se algo não dito acabasse de ser confirmado. E naquele momento, Ava sentiu-se, nem que fosse um pouco, vista, compreendida e não mais totalmente invisível.