Pedro Scooby curte dia de praia com Cintia Dicker e os filhos na Bahia
Pedro Scooby curte dia de praia com Cintia Dicker e os filhos na Bahia — Foto: Reprodução/Instagram
O ex-BBB Pedro Scooby, de 36 anos de idade, compartilhou uma sequência de fotos com a família durante um dia de praia na Península de Maraú, na Bahia. Nos cliques o surfista se diverte com a esposa, Cintia Dicker, de 38 anos, e os filhos Dom, de 12 anos, e os gêmeos Liz Piovani e Bem Piovani, de 9, e Aurora, de 2.
“Tem coisas na vida que o dinheiro não compra, essa é uma delas!”, escreveu ele. Nos comentários da publicação muitos fãs elogiaram a família. “Família linda!!! Isso aí é a maior riqueza que podemos ter na vida!!!!! Recebam todo meu amor e carinho!!”, comentou um seguidor. ” Essa primeira foto merece um quadro! Lindos!”, mencionou um outro.
Recentemente, Pedro Scooby revelou que sua relação com Luana Piovani, de 48 anos, “está ótima” e que eles estão chegando, juntos, a consensos sobre a criação dos filhos.
“Eu nunca vou ser exatamente o que ela quer, porque esse é o grande problema [dela comigo], que não é o meu com ela. Acho que o que a gente passou foi reflexo do que as pessoas passam em casa quando se separam, porque às vezes uma parte quer uma criação de um jeito, a outra quer do outro, nunca vai ser 100%”, iniciou ele ao Canal Uol. “Mas acho que se comunicar é o grande lance da criação de filhos com pais separados, tentar mostrar de uma forma mais de boa que por esse caminho será o melhor para as crianças. Então hoje a gente tem uma relação bem de boa”, explicou.
Pedro Scooby curte dia de praia com Cintia Dicker e os filhos na Bahia — Foto: Reprodução/Instagram
Pedro Scooby curte dia de praia com Cintia Dicker e os filhos na Bahia — Foto: Reprodução/Instagram
Pedro Scooby curte dia de praia com Cintia Dicker e os filhos na Bahia — Foto: Reprodução/Instagram
Pedro Scooby curte dia de praia com Cintia Dicker e os filhos na Bahia — Foto: Reprodução/Instagram
Pedro Scooby curte dia de praia com Cintia Dicker e os filhos na Bahia — Foto: Reprodução/Instagram
Pedro Scooby curte dia de praia com Cintia Dicker e os filhos na Bahia — Foto: Reprodução/Instagram
Eder Militão mostra vídeo das férias com Tainá Castro, Cecília e enteados
Cecília, Éder Militão e Tainá Castro — Foto: Reprodução Instagram
Eder Militão compartilhou no Instagram, neste domingo (3), um vídeo no qual resumiu suas férias em Ibiza, na Espanha, ao lado da esposa, Tainá Castro, de 29 anos, de Cecilia, de 3, que ele teve com Karoline Lima; e dos enteados, Helena, de 5, e Matteo, de 3, do antigo casamento da influenciadora com Leo Pereira. O jogador do Real Madrid, que se reapresenta ao clube esta semana, teve ainda a companhia dos pais, Edvaldo Militão e Ana Maria Militão, na viagem.
“Abençoado”, escreveu ele. Tainá deixou vários recados para o marido, com quem teve uma lua de mel em Dubai antes da temporada na praia. “Foi lindo. Agora foco que esse ano é seu”, disse ela – o Real Madrid tem sua primeira partida pelo campeonato espanhol no próximo dia 19.
Mas o casal não curtiu apenas o mar: no vídeo, o zagueiro mostrou momentos de treino na casa onde ficaram em Ibiza, além de partidas de paddel entre ele e a esposa. Tainá e Militão se casaram no dia 18 de julho, em um festão milionário no Palácio Tangará, em São Paulo.
Eder Militão mostra férias em Ibiza família com Tainá Castro, Cecília e enteados
Eder Militão e Tainá Castro — Foto: Reprodução Instagram
Tainá Castro — Foto: Reprodução Instagram
Eder Militão mostra férias em Ibiza, na Espanha — Foto: Reprodução Instagram
Tainá Castro e Eder Militão jogaram paddel nas férias — Foto: Reprodução Instagram
Bruna Biancardi mostra vida em família com Neymar, Mavie e Mel nos ‘últimos dias’
Marie, Mel e Neymar – Instagram
Bruna Biancardi dividiu com os seguidores, neste domingo (3/8), uma série de fotos que retratam o clima familiar dos últimos dias ao lado de Neymar e das filhas, Mavie, de 1 ano e 8 meses, e Mel, que completa um mês na terça-feira (5). A influenciadora, de 31 anos, publicou os cliques no Instagram, com a legenda “Últimos dias”, encantando os fãs com as cenas de afeto e convivência em casa.
As imagens mostram momentos íntimos, como Neymar segurando as meninas, Bruna com Mel recém-nascida nos braços, e até um registro do parto. Também aparece Davi Lucca, de 13 anos, filho de Neymar com Carol Dantas, brincando com Mavie. O jogador, de 33 anos, também é pai de Helena, de 1 ano, fruto da relação com Amanda Kimberlly.
Neymar, Bruna Biancardi e Mel – Instagram
Domingo com clima de festa e mesa farta
Mais cedo, Bruna já havia publicado um vídeo feito por uma amiga durante o almoço de domingo na casa da família. Bianca Coimbra, que gravou as imagens, brincou com a fartura do cardápio: “Quando a sua amiga te chama para um almoço básico de domingo, básico, um frango com macarrão, pouca opção.”
Bruna Biancardi posta fotos com Neymar, Mavie e Mel – Instagram
O vídeo mostra uma grande variedade de pratos, com entradas, saladas, massas e frutos do mar, reforçando o clima acolhedor e celebrativo do momento em família.
Davi Lucca,e Mavie – Instagram
Bruna segue compartilhando sua rotina com leveza e naturalidade, mostrando os bastidores da maternidade e da vida ao lado do jogador. As fotos reforçam o vínculo entre todos os filhos de Neymar e a harmonia nos momentos em que a família está reunida.
Bruna Biancardi abre álbum de fotos de vida em família com Neymar, Mavie e Mel — Foto: Reprodução/Instagram
Bruna Biancardi abre álbum de fotos de vida em família com Neymar, Mavie e Mel — Foto: Reprodução/Instagram
Bruna Biancardi abre álbum de fotos de vida em família com Neymar, Mavie e Mel — Foto: Reprodução/Instagram
Bruna Biancardi abre álbum de fotos de vida em família com Neymar, Mavie e Mel — Foto: Reprodução/Instagram
Bruna Biancardi abre álbum de fotos de vida em família com Neymar, Mavie e Mel — Foto: Reprodução/Instagram
Mauricio Silveira morre aos 48 anos; ator estava em coma após cirurgia de retirada de tumor
Morre o ator Mauricio Silveira aos 48 anos — Foto: Conde Fotografia Thainara
Maurício Silveira tem 48 anos – Foto: Reprodução/ Instagram @mauriciosilveiraoficial
O ator Maurício Silveira, conhecido por seus trabalhos na televisão, morreu no sábado, 2 de agosto, aos 48 anos. A família confirmou a informação, detalhando que ele estava internado no Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A internação aconteceu após a descoberta de um tumor no intestino.
Silveira passou por uma cirurgia para a remoção do tumor, mas, logo após o procedimento, surgiram complicações no quadro clínico. Diante disso, os médicos decidiram por uma segunda cirurgia. Nos últimos dias, familiares chegaram a solicitar doações de sangue, evidenciando a gravidade da situação.
Trajetória de destaque na Globo e na Record
A carreira de Maurício Silveira atravessou diferentes emissoras e projetos. Na TV Globo, ele participou de tramas como Cobras & Lagartos, Faça Sua História e Insensato Coração, onde interpretou papéis marcantes que ajudaram a consolidar sua imagem junto ao grande público.
Na Record, o ator também acumulou papéis de relevância. Fez parte da novela Balacobaco e integrou o elenco da série bíblica Reis, que teve grande repercussão entre os telespectadores. Com uma presença constante nas telas, Silveira somou contribuições relevantes à dramaturgia brasileira.
O corpo do ator será velado neste domingo (3), a partir das 9h, no cemitério Jardim da Saudade de Sulacap, no Rio. A cerimônia promete reunir amigos, familiares e colegas de profissão, em uma despedida marcada pela admiração e respeito que o artista conquistou ao longo de sua trajetória.
“É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Mauricio da Silveira Ferreira”, informou a família, divulgando informações do velório, que será realizado na Capela 6 do Cemitério Jardim da Saudade Sulacap, no Rio de Janeiro, das 9h às 11h deste domingo (3).
No comunicado, a família citou uma frase de Mauricio na arte de despedida: “Às vezes, um simples sorriso ilumina tudo. Existem almas que brilham.”
Morre o ator Mauricio Silveira aos 48 anos — Foto: Reprodução/Instagram
Nos comentários, fãs e amigos lamentaram a morte. “Que vazio que você deixará, irmão. Tinha muita vida pela frente, muito novo ainda”, escreveu um. “Meus sentimentos. Descanse em paz, guerreiro. Sentiremos saudades”, comentou outro. “Obrigado, Mauricio Silveira, pelos motivacionais, me ajudaram muito, que Deus o tenha de braços abertos”, desejou mais um.
Na tarde desse sábado (2), foi realizada uma corrente de fé em prol da recuperação do ator. Na postagem de divulgação do ato, a família explicou que Maurício permanecia internado, intubado e respirando por aparelhos e pediu doação de sangue.
“Seu quadro ainda é grave, com infecção na região abdominal. No dia 31/07, ele passou por mais um procedimento cirúrgico, que exigiu transfusão de sangue. Ele se encontra em vigilância pós-operatória no CTI.”
Gominho compartilha lembranças de Preta Gil: ‘Sempre foi linda’
Foto: Reprodução/Instagram @gominho
Na última sexta-feira (1º), Gominho dividiu com seus seguidores mais um momento de saudade de Preta Gil. O apresentador publicou em seus stories do Instagram a imagem de uma caderneta escolar da cantora, de 1991, quando ela tinha 17 anos. “Tamo aqui vendo as coisinhas dela! A bixa sempre foi linda!”, escreveu ele, enquanto exibia o documento com uma foto em preto e branco de Preta.
Além disso, Gominho contou que tem cuidado dos pertences da artista, entre eles objetos pessoais e recordações da juventude. No boletim, aparece a informação de que Preta estudava pela manhã, na turma 105. A lembrança comoveu os seguidores, que sempre acompanharam a relação próxima entre os dois.
Foto: Reprodução/Instagram @gominho
Homenagem de Gominho durante apresentação musical
Durante o lançamento de seu novo projeto musical em um bar na Gávea, Zona Sul do Rio, Gominho dedicou parte de sua fala à cantora. Segundo a colunista Fábia Oliveira, ele refletiu sobre a importância da amiga em sua vida. “Tenho vivido dias muito difíceis. E não é sobre estar cantando, mas sobre movimentar corpos e música. Isso me fez muito bem. Música é amor, e eu aprendi o melhor com a Preta”.
Em seguida, ele relatou como a artista influenciou diretamente sua ligação com o samba. Apesar de não ter formação musical, contou que Preta sempre o incentivou. “Se eu estou aqui fazendo isso, mesmo sem saber cantar, mesmo que seja para me divertir, que é o que tenho feito através do samba, foi a Preta que me ensinou e me aconselhou a vida inteira a fazer tudo aquilo que eu sei fazer”.
A fala seguiu com um desabafo sobre o impacto da perda. Gominho descreveu a rotina sem os conselhos da amiga como solitária. “Hoje de manhã eu estava pensando que perdi a pessoa que me aconselhava na vida. É muito louco você acordar e perceber que precisa tomar decisões e não tem mais ela para alertar”.
Ele lembrou que contava com a ajuda de Preta há 15 anos. Por fim, citou o que acredita que ouviria dela naquele momento, o que o impulsionou a seguir com a apresentação: “Tenho certeza que ela ia falar: ‘viado, para de palhaçada e vai lá entregar tudo que tem para entregar’. Então, muito obrigado”.
Detalhe
Gominho compartilha lembranças emocionantes de Preta Gil: ‘Sempre foi linda’ Entre lágrimas e sorrisos, o apresentador relembra momentos inesquecíveis ao lado da amiga e exalta sua beleza e força em todas as fases da vida.
Na manhã desta segunda-feira, Gominho surpreendeu seus seguidores ao compartilhar em suas redes sociais uma série de fotos e vídeos antigos com Preta Gil, acompanhados de uma legenda comovente que emocionou fãs e amigos da cantora. “Sempre foi linda. Por dentro e por fora. E sempre será”, escreveu ele, em meio a uma onda de nostalgia e carinho.
A postagem rapidamente viralizou, alcançando milhares de curtidas e comentários. Mas, mais do que likes, o que se viu foi uma onda de afeto e reconhecimento pela amizade verdadeira entre os dois artistas.
Uma amizade que ultrapassa os holofotes
Preta Gil e Gominho cultivam uma amizade que vai muito além dos flashes e eventos de gala. Os dois se conheceram nos bastidores da música e da televisão, mas foi a conexão genuína e o respeito mútuo que solidificaram a relação ao longo dos anos.
Em entrevistas anteriores, Gominho já havia declarado:
“Preta é daquelas pessoas que chegam e mudam a energia do lugar. Ela acolhe, escuta, vibra com a gente. Nunca vi alguém com tanta luz.”
E a recíproca sempre foi verdadeira. Preta, em diversas ocasiões, se referiu a Gominho como um “irmão de alma”, alguém que esteve ao seu lado nos momentos mais difíceis e também nas maiores celebrações.
Lembranças que aquecem o coração
Nas imagens publicadas, é possível ver momentos descontraídos dos dois em viagens, bastidores de shows, aniversários, e até no sofá de casa, de pijamas e rindo à toa. Em uma das fotos, Preta aparece abraçada com Gominho usando um turbante colorido e sorriso largo no rosto.
Na legenda de uma dessas imagens, Gominho escreveu:
“Essa era uma noite qualquer, mas você transformou em especial. Você sempre soube fazer isso.”
Os fãs, é claro, não contiveram a emoção:
“Chorei lendo. Que amizade linda!”
“Preta é e sempre foi uma mulher inspiradora. Obrigado por compartilhar essas lembranças.”
“Gominho, você tem um coração gigante. Dá pra sentir o amor em cada palavra.”
Preta Gil: símbolo de força, beleza e autenticidade
Desde o início de sua carreira, Preta Gil sempre se destacou por sua autenticidade e coragem de ser quem é. Ela quebrou padrões, enfrentou preconceitos e se tornou uma referência de empoderamento feminino, principalmente entre as mulheres negras e fora dos padrões estéticos impostos pela sociedade.
Para Gominho, essa força sempre foi visível:
“Ela nunca teve vergonha de ser intensa, de ser verdadeira. Ela sempre se amou — e ensinou a gente a fazer o mesmo.”
Mesmo enfrentando dificuldades de saúde recentemente, Preta segue inspirando milhões com sua garra, seus posicionamentos e sua sensibilidade. E, como mostrou Gominho, sua beleza vai muito além da aparência física — ela está na sua essência.
O poder das memórias
Na mesma postagem, Gominho finalizou com uma reflexão poderosa:
“A gente vive correndo, achando que tudo é urgente. Mas o que realmente importa são esses momentos — os risos no meio da madrugada, os abraços apertados, as conversas que aquecem a alma. Com Preta, eu tive muitos. E sou grato por cada um.”
Ele ainda prometeu que continuará dividindo com os fãs histórias e lembranças dessa amizade tão especial.
Repercussão entre famosos
A homenagem de Gominho não passou despercebida por outras celebridades. Vários artistas deixaram mensagens de carinho nos comentários:
Ivete Sangalo: “Lindos! O amor de vocês é inspirador.” Giovanna Ewbank: “Chorei! Que texto lindo, Gominho. Preta é um sol.” Pabllo Vittar: “Me emocionei. Preta sempre foi exemplo pra mim.”
Além disso, a própria Preta Gil compartilhou a publicação nos stories, com um coração vermelho e a frase:
“Te amo, meu Gominho. Sempre.”
Uma homenagem que tocou o Brasil
Em tempos de tantas incertezas e polarizações, ver uma amizade como a de Gominho e Preta Gil aquecer os corações é um verdadeiro alento. A sinceridade das palavras, o afeto nas imagens e o respeito presente em cada lembrança demonstram que, no fim das contas, o que realmente fica são os laços que construímos com o coração.
O som da caneca de café do meu pai batendo com força na bancada fez meu corpo se encolher. Mas foram as palavras dele que me atravessaram como uma lâmina fria.
— Você se acha santa? Você é só uma parasita com complexo de mártir! — cuspiu, apontando o dedo para mim. — Mora aqui de graça e agora quer dar lição de moral como se a gente te devesse algo?
Fiquei paralisada, o ar gelado da geladeira aberta batendo nas minhas costas. Em uma mão, eu segurava a nota do supermercado: R$ 2.843 — o último respiro da minha conta bancária quase vazia.
Minha mãe, minha irmã, meu irmão… nenhum deles me olhou. Nenhum defendeu. Nenhum sequer respirou mais forte.
Sete anos pagando contas, sustendo a casa, bancando remédios, aniversários e boletos — e agora, tudo que recebo é desprezo?
Meu nome é Rachel, tenho 30 anos e sou designer gráfica. Esta é a história de como eu recuperei meu valor depois de ser apagada pela minha própria família.
Tudo começou aos 23, quando meu pai perdeu o emprego. Entrei de cabeça: trabalhava em loja durante o dia, fazia freelas à noite, tudo para que não perdêssemos o teto. Oliver fazia faculdade. Veronica estava no ensino médio. Minha mãe? Em colapso emocional. E meu pai… nunca agradeceu.
Eu bancava tudo. E nunca reclamei. Nem quando comia miojo escondida no quarto porque não dava pra comprar carne pra todo mundo. Eu achava que um dia reconheceriam meu esforço. Que talvez, só talvez, se lembrassem que eu também era gente.
Naquele domingo, paguei a última dívida do cartão de crédito do meu pai — uma conta antiga do hospital. Pensei que, quem sabe, ele reconhecesse.
Mas quando sugeri reorganizarmos o orçamento, porque eu não estava mais dando conta, ele explodiu.
E ninguém disse uma palavra.
Naquela noite, arrumei uma mala e fui para o apartamento minúsculo da minha amiga Kristen. Não avisei ninguém. Só fui.
Na manhã seguinte, cancelei o débito automático do financiamento. Cortei a luz, excluí o aplicativo de entrega de compras que eu pagava por eles. Pela primeira vez em sete anos, eles teriam que se virar.
Duas semanas depois, meu celular explodiu com chamadas perdidas. No começo, a culpa me corroía. Fui ensinada a colocar a dor dos outros acima da minha.
Mas algo quebrou dentro de mim naquele domingo. E dessa vez, o silêncio foi a minha resposta.
Vi de longe o caos: geladeira vazia, conta de luz cortada, carro apreendido. Minha mãe postava pedidos vagos de oração no Facebook. Ninguém mencionava meu nome. Eu tinha sido apagada.
Até que Veronica ligou de um número desconhecido. Atendi no impulso.
— Você tá sendo dramática! — ela disse, irritada. — A mamãe e o papai tão sofrendo e você tá aí se fazendo de vítima!
Respirei fundo.
— A vítima que pagou sua internet, suas roupas, seu delivery nos últimos quatro anos?
Silêncio. Um silêncio que gritou mais do que qualquer discussão.
— Vocês sabiam — continuei, a voz firme. — Só não se importaram.
Ela desligou.
Naquela noite, chorei. Não de arrependimento, mas de luto. Pela família que nunca me viu como filha, só como um caixa eletrônico com batimentos cardíacos.
Dois meses depois, me mudei para um estúdio minúsculo que podia pagar com meu novo emprego. Pela primeira vez, vivi. Comprei comida de verdade. Dormi sem crise de ansiedade. Fui pra terapia.
Até que recebi um e-mail do meu pai: “URGENTE — POR FAVOR, LEIA”.
Eles estavam sendo despejados. Queriam ajuda. Só mais uma vez.
Sem um pedido de desculpa. Só desespero.
Ignorei.
Dias depois, uma carta chegou no meu trabalho — lugar que eles nunca deveriam saber onde era. Um “amigo” da família contou.
Dentro da carta: o seguro de aposentadoria do meu pai. Meu nome havia sido removido há dois anos.
Motivo? “Não confiável”.
Depois de sete anos pagando tudo.
Eu tremia. Mas não de tristeza. Era raiva misturada com uma sensação nova: limite.
Então, o destino sorriu. Uma ex-colega me mandou mensagem: “O prédio onde seus pais moram está à venda. Quer que eu te ponha em contato com a firma do meu tio?”
Sim. Eu quis.
Com economia, bom crédito e um empréstimo, comprei o prédio. No nome de uma empresa. Sem rastros. Em três semanas, era meu.
Enviei uma notificação formal: 60 dias para desocupação.
Dias depois, apareceram na porta do meu novo apartamento.
— Podemos entrar? — perguntou meu pai, seco.
— Não — respondi.
Ele insistiu: — Família ajuda. Você nos deve isso.
— Eu devo? Eu banquei tudo por sete anos! Vocês me chutaram como lixo.
Minha mãe chorou. Eu não vacilei.
— Eu sei que me apagaram do seguro. Eu sei de tudo. E agora vocês estão apagados da minha vida.
Mas dei uma opção: pagar aluguel cheio, sem regalias, ou sair.
Eles saíram.
Seis meses depois, mudaram de estado. Nunca mais ligaram.
Fiquei com o prédio. Reformei. No andar de cima, montei meu refúgio criativo. Pela primeira vez, respiro sem peso no peito.
Guardei a mensagem de voz da minha mãe como lembrança: não sou descartável. Fui a base. E agora, estou de pé. Por mim. Por inteira.
Eu estava imersa na reconciliação do terceiro trimestre quando o laptop apitou com uma videochamada. “casa dos wexler” piscava na tela como um sinal de alerta. hesitei. cliquei para atender.
a imagem dos meus pais surgiu, sorrindo como se tivessem ganhado na loteria.
– leona, querida, temos uma notícia maravilhosa! – cantou minha mãe com aquela voz doce que sempre precedia más notícias.
– o que foi agora? – perguntei, já recostando na cadeira.
– resolvemos o problema do casamento da brin – disse meu pai, cheio de orgulho.
– como assim?
– vendemos sua casa do lago!
por um segundo, o mundo inclinou. vendida? a minha casa?
– sua casa do lago – repetiu minha mãe, como se eu não tivesse entendido. – conseguimos uma oferta incrível! e usamos o dinheiro para garantir o local do casamento.
– você não estava usando mesmo – acrescentou meu pai, como se isso justificasse.
não consegui responder. aquela casa era minha. o único lugar onde eu me sentia em paz. um espaço só meu, comprado com meu suor quando tinha 28 anos. não com eles, nem com coassinaturas. só eu, um advogado e um banco que me chamou de “senhor” no e-mail.
– é o presente perfeito para a brin – disse minha mãe. – você sempre foi tão generosa!
generosidade. palavra bonita para mascarar o roubo.
encerrei a chamada com um “obrigada”, mas a calma era fingida. fechei o laptop. fui direto para o cofre digital onde guardava documentos importantes. e lá estava: a escritura da casa, transferida anos atrás para uma empresa que criei na pós-graduação — wexmont holdings. ninguém sabia disso. nem minha família, nem a brin. e ainda assim… eles venderam. ou pensaram que sim.
liguei para natalie, minha advogada.
– eles falsificaram minha assinatura – expliquei, com a voz firme.
– leona… isso é crime. falsidade ideológica, fraude, apropriação indevida. você tem um caso.
– eu não quero vingança – falei. – quero justiça.
dois dias depois, um aviso de embargo foi entregue na porta da casa dos meus pais. nenhum grito. nenhuma ligação dramática. apenas um e-mail: “verifique sua correspondência”.
as mensagens começaram às 6h da manhã. a organizadora do casamento estava desesperada: cheques bloqueados, fornecedores exigindo pagamento, o local ameaçando cancelar. a fantasia deles estava desmoronando.
brin postava selfies com vestidos brancos, como se nada estivesse acontecendo. mas a verdade batia à porta com força. e ela logo perceberia que nada do que foi planejado com o meu dinheiro seria real.
no tribunal, o juiz foi direto:
– sr. e sra. wexler, não violaram apenas a lei, violaram a confiança. trataram a filha de vocês como caixa eletrônico.
meus pais não conseguiram sustentar o olhar. a sentença foi clara: restituição imediata, e exclusão de qualquer direito futuro sobre minha propriedade.
quando brin subiu ao banco das testemunhas, perdeu o controle em três minutos:
– ela está com inveja! – gritou. – nunca suportou me ver feliz!
mas ninguém se comoveu. não havia empatia por quem construiu castelos com tijolos alheios.
saí do tribunal em silêncio. sem glória. apenas alívio.
dias depois, voltei à casa do lago. tudo estava como deixei. mas o ar havia mudado. já não era lar, era lembrança. coloquei a chave no balcão e saí sem olhar para trás.
em boston, sentei no chão do meu apartamento. excluí os contatos de todos: mãe, pai, brin. não doeu. foi como limpar uma ferida velha.
abri uma nova conta bancária. só minha. sem permissões, sem laços. finalmente livre.
então o telefone tocou. um detetive:
– sra. wexler, sua denúncia inspirou outros. já recebemos mais três casos semelhantes.
sorri pela primeira vez em semanas.
– às vezes, basta uma pessoa parar de esconder a fumaça para o incêndio aparecer.
https://www.youtube.com/watch?v=GyWvjXRGgRI
na manhã seguinte, fiz as malas. não contei para ninguém. embarquei num trem para o norte, sem endereço, apenas um destino: liberdade.
pela primeira vez, o silêncio não era solidão. era paz.
Meu avô levantou a taça de mimosa com um sorriso caloroso.
— Minha querida, fico tão feliz que esteja aproveitando o apartamento que comprei para você.
O clima da mesa de brunch congelou. Engasguei com o suco de laranja, sentindo a queimadura na garganta. Meus olhos buscaram os rostos ao redor: minha mãe entreabriu os lábios, confusa; minha irmã tirou os olhos do celular; e meu pai… meu pai deixou o garfo cair com um estalo seco no prato de porcelana.
Meu coração martelava no peito. Olhei para baixo, limpei as mãos no guardanapo, depois encarei meu avô.
— Eu moro num porão — sussurrei.
O sorriso dele vacilou.
— O quê? — perguntou.
— Eu nunca recebi apartamento nenhum — disse, agora mais alto, com a voz firme. — Não vou chorar aqui. Não depois de tantos anos.
O silêncio caiu como tempestade. Meu avô piscou devagar.
— Mas… eu fiz a transferência para seu pai, há quatro anos. Ele disse que foi uma surpresa de graduação.
Minha boca secou. Meu pai empalideceu. Minha mãe o encarou, trêmula.
— Você disse que ajudou ela a encontrar um lugar bonito no centro — murmurou.
— Pai? — chamei, fitando seus olhos. Ele se mexeu, desconfortável.
— Eu ia contar…
— Não. Você ia ficar com o dinheiro.
Meu avô empurrou a cadeira para trás, como se tivesse levado um soco. Eu endireitei a postura.
— Você me mandou trabalhar mais, parar de esperar esmolas. E deixou que eu limpasse chão de outras pessoas enquanto você embolsava o dinheiro que era meu recomeço.
Levantei. As mãos tremiam, o coração disparado.
— Não ia dizer nada hoje. Mas já que estamos comemorando aniversário, talvez seja hora de parar de fingir.
Virei as costas e saí. No corredor do restaurante, a raiva queimava em mim. Ouvi passos apressados atrás.
— Kayla, espera!
Era meu avô. Estava diferente. Mais velho. Mais triste.
— Você nunca recebeu o apartamento?
Balancei a cabeça.
— Moro num porão com caldeira ao lado da cama. A dona fuma tanto que as paredes são amarelas. Pago em dinheiro porque ela não acredita em banco.
Ele engoliu em seco.
— Seu pai disse que você queria independência. Que você era ingrata.
Soltei uma risada amarga.
— Eu nem sabia que havia algo para agradecer.
Ele passou a mão no rosto, derrotado.
— Eu quero consertar isso.
— Como?
— Me deixa ver onde você mora.
Naquela noite, levei-o até o porão. O cheiro de cigarro e mofo nos envolveu. Ele olhou em volta, viu a estante torta, o colchão encostado na máquina de lavar.
— Você vive assim desde a faculdade?
Assenti. Ele ficou em silêncio, depois se levantou.
— Amanhã vamos ao banco. E depois vou conversar com seu pai.
Na manhã seguinte, ele já estava ao telefone com seu advogado.
— Quero rastrear cada centavo. E retirar qualquer autorização que Daniel tenha sobre meu dinheiro.
Ao meio-dia, estávamos em um escritório bancário. A gerente mostrou a transferência dos \$70.000 marcados como “condomínio de Kayla”. Mas, dias depois, o valor fora redirecionado para uma conta de investimento no nome do meu pai.
Meu avô não disse nada. Depois pediu cópia dos documentos.
— Ele traiu você e mentiu para mim. Isso é roubo.
— Vamos resolver isso — falei.
Fomos direto à casa dos meus pais. Não entrava lá havia anos. Meu avô tocou a campainha. Meu pai abriu a porta, surpreso.
— Precisamos conversar.
Nos reunimos na sala. Meu avô colocou a pasta sobre a mesa.
— Você disse que Kayla morava no apartamento que comprei. Mas o dinheiro nunca chegou até lá. Você mentiu. E roubou.
— Eu estava guardando para o futuro dela…
— Não minta de novo — interrompi. — Você disse que eu era preguiçosa. Que não merecia ajuda. Enquanto vivia com meu dinheiro.
Meu avô abriu a pasta e empurrou os papéis.
— Já falei com Howard. Vamos seguir com processo se for preciso. Mas você vai devolver tudo. E explicar isso no próximo brunch.
Minha mãe sussurrou:
— Daniel, diga que não é verdade.
Ele não disse nada.
— Kayla vai se mudar comigo — disse meu avô. — Já acionei a corretora.
No brunch seguinte, sentei ao lado dele, na cabeceira. Quando meu pai chegou, parecia envelhecido. Ninguém fingiu normalidade.
— Recebi todos aqui para esclarecer algo grave — anunciou meu avô. — Enviei dinheiro para ajudar Kayla. Fui enganado.
Ele contou tudo. O roubo. A mentira. A negligência.
Depois virou-se para meu pai:
— Você não vai tocar mais em um centavo da minha herança.
Entregou uma carta e ordenou que ele a lesse. Era uma confissão.
Quando ele terminou, havia apenas silêncio. Mas eu não me sentia pequena. Me sentia vista.
Naquela noite, olhei as estrelas com meu avô.
— Nunca pediu nada.
— Eu já tinha desistido.
Ele sorriu.
— Achei um lugar para você. Piso de madeira clara, janelas de verdade.
Sorri. Talvez eu merecesse isso. Mas, acima de tudo, merecia parar de viver com migalhas.
A nova morada tinha janelas enormes. O sol entrava como se me esperasse. Abri o laptop, resgatei os esboços de design que um dia escondi. Agora era minha hora.
Meses depois, fui contratada por uma empresa de arquitetura para projetar moradias sociais. Sabiam que eu entendia sobre espaços pequenos. Eu vivi isso.
Organizei um brunch no meu novo apartamento. Pratos de verdade. Risos de verdade. Meu avô trouxe flores. Meu pai não veio. E tudo bem.
O tampo de mogno da mesa do escritório do meu pai nunca pareceu tão longo quanto naquela manhã. Eu me sentei numa das pontas, observando Diane — minha madrasta — se acomodar na outra extremidade como se estivesse prestes a presidir um tribunal. Kyle, meu meio-irmão mais novo, estava ao lado dela, entretido no celular, com aquele ar entediado de quem já sabia o final do filme.
O advogado da família, Sr. Garrett, ajustou os óculos e abriu sua pasta com um gesto calculado. Era o dia da leitura do testamento, três semanas após o ataque cardíaco que levou meu pai. Estávamos ali para repartir o que restava da vida dele.
Diane tamborilava as unhas perfeitamente feitas na mesa. Casada com meu pai há quatro anos — tempo suficiente para redecorar a casa inteira, mas não para apagar os vestígios da minha mãe. Pelo menos não para mim.
— “Última vontade e testamento de Robert Chun, datado de 15 de março de 2023,” começou o advogado, com a voz seca. Notei um pequeno sorriso no canto dos lábios de Diane. Dois dias após o diagnóstico terminal do câncer. Dois dias após sabermos que não havia retorno.
— “À minha amada esposa, Diane Chun, deixo a casa, as contas bancárias, investimentos e bens pessoais, com as seguintes exceções…”
Meu estômago apertou. Lá vinha.
— “Ao meu filho Kyle Chun, deixo a empresa Chin Industries, a ser gerida por Diane até que Kyle complete 25 anos.”
Kyle nem sequer desviou os olhos do celular.
— “À minha filha, Sarah Chun… deixo minha biblioteca pessoal.”
O silêncio foi mais ensurdecedor que qualquer grito.
— “Os livros?” perguntei, depois de longos segundos.
O advogado hesitou.
— “Aproximadamente 3 mil volumes. Incluindo primeiras edições. Avaliadas em…”
— “Os livros,” repeti, digerindo o gosto amargo da traição.
— “Seu pai sabia o quanto você amava aquelas leituras,” disse Diane com um tom enjoado. “Sempre foi tão estudiosa.”
A olhei com mais atenção: o vestido de grife, os brincos de diamante que foram da minha mãe, o brilho satisfeito nos olhos. Então sorri.
— “Obrigada. Eu vou cuidar deles.”
Kyle levantou os olhos pela primeira vez. Diane estreitou os dela, desconfiada da minha reação serena.
Antes que o advogado encerrasse, a porta se abriu. Era a Sra. Patterson, secretária do meu pai há 30 anos. Trazia um envelope amarelo apertado contra o peito.
— “Desculpem a interrupção, mas… há algo que precisam ver.”
— “Estamos no meio de uma reunião particular,” rosnou Diane.
A Sra. Patterson a ignorou.
— “Quando o Sr. Chun me pediu para esvaziar o cofre, encontrei isto. Datado de 2 de abril. Duas semanas após o testamento lido agora.”
O Sr. Garrett pegou o envelope com mãos trêmulas.
— “Isso é… altamente irregular…”
— “Ele pediu que fosse lido somente após a leitura do primeiro testamento,” explicou ela.
— “Ele estava dopado! Fora de si!” gritou Diane.
— “Sente-se, Diane,” falei, com uma firmeza que me surpreendeu. “Deixe-o ler.”
O novo testamento começava assim:
“Passei duas semanas observando. E o que vi partiu meu coração. Diane, que passou mais tempo com corretores e advogados do que ao meu lado. Kyle, que preferiu um festival de música a me visitar. E Sarah… que nunca perguntou sobre herança, mas quis ouvir minhas histórias, meus medos, minha vida.”
“À Diane, deixo exatamente o que trouxe ao casamento: nada. Ao Kyle, deixo minha coleção de vinis. Talvez aprenda que algumas coisas são mais valiosas que o dinheiro. E à Sarah… deixo tudo o mais.”
A sala explodiu em protestos. Diane vociferava sobre manipulação. Kyle, boquiaberto, só balbuciava “isso não pode ser”. Foi então que a Sra. Patterson tirou um tablet da bolsa.
— “Seu pai gravou uma mensagem.”
O rosto cansado de meu pai surgiu na tela.
“Diane, você comemorou. Marcou visita com corretor pra vender a casa onde a mãe da Sarah morreu. Kyle, você chamou a empresa de ‘dinheiro fácil’. Mas Sarah… Sarah só queria me ouvir. Por isso, deixo tudo a ela.”
— “Você nunca pediu nada. Nem quando ele ofereceu pagar suas dívidas.”
— “Eu só queria tempo com ele,” respondi.
Nos meses seguintes, Diane tentou brigar judicialmente, mas perdeu logo na primeira audiência. Kyle, surpreendentemente, me procurou. Disse que nunca quis a empresa, só queria fazer música. Dei a ele uma parte do que me deixou — os discos e algum dinheiro. Hoje ele está em Nashville, seguindo seu sonho.
Eu assumi a Chin Industries. Descobri que todas aquelas conversas com meu pai sobre liderança valeram mais do que qualquer MBA. Guardei a casa também. O jardim da mamãe ainda floresce. E a biblioteca virou meu lugar preferido.
No último dia da Sra. Patterson na empresa, ela me entregou uma carta:
“Sarah, se está lendo isso, é porque provou ser a herdeira que eu sempre soube que era. Os livros eram nossas conversas não ditas. Estou orgulhoso de você. Mamãe também estaria.”
Guardei aquela carta na minha gaveta. E nos dias difíceis, releio. Porque herdei muito mais do que dinheiro. Herdei o amor que ele teve medo de expressar. E os livros… aqueles livros que quase foram tudo, continuam sendo o meu tudo.
Lena sempre achou que passaria despercebida pela vida. Trabalhava como faxineira noturna em um renomado escritório de advocacia em São Francisco, o Wilson & Blake. Aos 25 anos, seu mundo era feito de silêncio, corredores vazios e teclados empoeirados. Nunca reclamava, nunca chegava atrasada. Invisível, era como se sentia.
Criada em abrigos desde os seis anos, Lena conhecia bem o peso do abandono. Passou por diversas famílias adotivas, nenhuma duradoura. Aprendeu cedo a não se apegar. Seu histórico escolar era irregular e os empregos que teve sempre giravam em torno de sobrevivência, não de sonhos. Mas Lena tinha uma habilidade especial: lembrava de rostos e histórias. Sabia que o segurança da entrada tinha uma filha que dançava balé, que a recepcionista colecionava cartões-postais e que a estagiária de TI fazia kombucha artesanal.
Mas quem lembrava de Lena?
Exceto por Charlotte, uma assistente administrativa que sempre sorria para ela. Em uma noite qualquer, Charlotte comentou:
– Nunca vi alguém limpar um teclado com tanta dedicação.
Lena deu de ombros.
– Primeira mãe adotiva era obcecada por limpeza. Ficou em mim.
A amizade entre as duas cresceu discretamente. Charlotte dividia a comida, Lena escutava seus desabafos. Um dia, Charlotte mencionou um programa de bolsas de estudos da empresa, disponível inclusive para funcionários da limpeza.
– Você deveria tentar, Lena. Tem potencial.
– Pessoas como eu não ganham bolsas – respondeu ela, sem acreditar.
Tudo mudou numa terça-feira de outono.
Lena recebeu sua programação habitual, mas notou algo estranho: estava escalada para limpar a sala 812 – o escritório do CEO, Ethan Blake. Aquele andar era geralmente proibido fora das sextas-feiras. Hesitou, mas decidiu cumprir a ordem.
Subiu até o 8º andar. A sala estava vazia. A cidade brilhava do lado de fora das janelas. Lena limpava discretamente quando viu um porta-retratos escondido atrás de uma pilha de pastas. Curiosa, o puxou. O que viu a fez congelar: uma foto antiga, dois filhos sentados em frente a um prédio institucional. Ela reconheceu o lugar de imediato: o lar infantil Evergreen. Era ela naquela foto. Mas quem era o menino?
Antes que pudesse processar, o chefe da manutenção, Sr. Rock, apareceu.
– O que está fazendo aqui? Você devia estar no 712!
– Me deram o número errado…
– Você não é paga para pensar. Está aqui para limpar.
No dia seguinte, Lena desabafou com Charlotte. Juntas, descobriram algo surpreendente: Ethan Blake fora adotado aos 12 anos. Antes disso, também viveu no abrigo Evergreen.
Sem saber, Lena havia salvo Ethan.
Na infância, Ethan havia pensado em tirar a própria vida. Até que uma garotinha se aproximou dele, perguntou por que chorava e disse:
– Eu sentiria sua falta. Talvez você tenha que crescer para ajudar gente como a gente.
Ela lhe deu um desenho infantil de um sol sorridente. Ele guardou aquele papel por 25 anos.
Naquela noite, após rever a foto, Ethan reconheceu Lena. Pediu ao RH que a transferisse para uma posição melhor, com benefícios. Nunca a abordou diretamente, mas mudou sua vida silenciosamente.
Sr. Rock, desconfiado da ascensão repentina de Lena, começou a persegui-la. Tentou sabotá-la, mas Charlotte interveio. Denunciou o assédio ao RH. Quando o caso chegou até Ethan, ele decidiu agir.
Convocou uma reunião geral.
Diante de toda a equipe, Ethan contou sua história. Falou do abrigo, da tentativa de suicídio e da garotinha que lhe salvou a vida.
– Guardei esse desenho e essa lembrança por 25 anos. Hoje, crio o Fundo de Bolsas Lena Hope para funcionários que passaram pelo sistema de adoção. Porque ninguém deve ser invisível.
Lena chorava. A memória da criança em sofrimento voltou. O menino era Ethan. Ela havia salvado aquele menino e ele, agora, mudava sua vida.
Nas semanas seguintes, Lena foi a primeira bolsista do programa. Começou a estudar serviço social à noite. A cultura do escritório mudou. Outras histórias vieram à tona. O projeto cresceu.
Um ano depois, durante o primeiro gala do Programa Lena Hope, um jovem se aproximou dela:
– Eu ia desistir da vida até ouvir sua história. Agora quero fazer a diferença também.
Lena sorriu. Ao seu lado, Ethan murmurou:
– Mais uma onda.
– E quem sabe até onde ela chegará – respondeu ela.
Porque no fim, ninguém é invisível quando alguém escolhe olhar de verdade.