Author: nguyenhuy8386

  • DEU RUIM PRA BOLSONARO! Punição pior que prisão

    DEU RUIM PRA BOLSONARO! Punição pior que prisão

    Bolsonaro recebeu uma notícia terrível que para nós, por óbvio, é maravilhosa. Ele poderá, além de ser preso, além de ir para Papuda, além de ficar sem saidinha no final do ano, ele vai ficar sem salário, sem aposentadoria, sem direitos militares, porque ele perderá a patente. Bolsonaro deixará de ser militar mesmo na reserva e não vai ser somente o Bolsonaro que vai perder a patente.

    O general Augusto Heleno vai perder a patente, o general Walter Bragan Neto e todos os militares envolvidos perderão as patentes. Bolsonaro, tudo bem, ele tem o salário da aposentadoria e recebeu Pix de patriotário, mas agora o general Augusto Seleno vai ficar sem aposentadoria, vai ter que se aposentar com uma aposentadoria do INSS, o o Walter Braganeto e todos eles.

    É uma punição deliciosa, porque na condição de militares eles trabalharam em favor de um golpe de estado, maquinaram contra as instituições e agora todos eles serão punidos. E o Heleno é particularmente delicioso e também tem ali uma compensação histórica por tudo o que ele fez na época do Haiti. E o STF que vai definir tudo, vai nem ser o Superior Tribunal Militar.

    Cựu tổng thống Brazil hai lần vào viện sau khi lĩnh án 27 ...

    Você acha que o Bolsonaro vai perder a patente? 7 anos de regime fechado é pouco ou você acha que o Bolsonaro deveria ir para o zoológico? O que Heleno Braga Neto e os outros militares vão ficar fazendo depois que eles perderem a aposentadoria. E o Bolsonaro tem que ser muito patriotário para enviar Pix para ele.

    Se você concorda comigo, gostou, quer a perda da patente, like no vídeo e se inscreva no canal. Essa história da patente, olha, é maravilhosa. Primeiro porque os bolsonaristas eles gostam até de um jeito meio como afetivo, chamaram o Bolsonaro de meu capitão, né? Não tem o negócio de fetichismo aí nessa história toda, né? Porque meu capitão, né? Bolsonaro é o capitão de nada.

    Bolsonaro nunca foi um bom militar. Bolsonaro pegava lonas de para-quedas para fazer bolsa e vender. Conversa fiada. Bolsonaro nem pular de para-quedas. Bolsonaro pulava. Não, ele era o cavalão. Que cavalão, que cavalão. Agora ele vai perder a patente, porque essa é uma história que já está sendo ventilada há um tempinho.

    E agora as vésperas do julgamento de Bolsonaro, que vai começar na próxima terça-feira, tudo isso está sendo desenhado para se concretizar. O trouxe a informação de que há a possibilidade praticamente certa de Bolsonaro perder a patente. Por quê? Existem duas normas que vão vigorar a perda da patente de Bolsonaro.

    Quais? A Constituição Federal e também o estatuto militar. Como que o Bolsonaro, Heleno Braga Neto e os outros podem continuar como militares? Se na condição de militares eles têm que zelar pela pátria, tem que zelar pelas instituições, eles não zelaram porque eles tentaram derrubar as instituições, tem um dando um golpe de estado, então eles vão perder as patentes.

    Isso inclui militares da ativa e também da reserva, no caso o Bolsonaro. E o núcleo um da trama gupista é o núcleo que tem a maior concentração de militares. Geralmente quem eh avalia a perda de patente de militar ou não é o Superior Tribunal Militar. Mas nesse caso é muito provável que quem vá tomar a decisão é o STF, porque o procurador-geral de justiça militar já deu a entender que o STF vai tomar a decisão pedindo a perda das patentes e isso deverá ser de fato concretizado.

    Essa história de perda de patente já tá assim, ó, sendo ventilada há um tempinho, porque a Maria Elizabeth Roca, que é a presidente do Superior Tribunal Militar, já havia sinalizado isso há alguns meses. E para que esses militares percam as patentes, basicamente eles têm que ser condenados a 2 anos de prisão somente.

    A pena deles vai ser uma pena muito maior. Então, ao término do julgamento, que vai ter ali 12 dias, 10 dias, né, no máximo, vai começar no dia 2 e terminar no dia 12, o Superior Tribunal Militar deverá deliberar sobre a perda de patentes ou não. Esse julgamento não vai interferir o julgamento do STF. Uma coisa, uma coisa, outra coisa, outra coisa.

    Brazil's Bolsonaro Hospitalized After Feeling Unwell, Son Says - Bloomberg

    Mesmo que o Superior Tribunal Militar mantenha a as patentes, os militares condenados vão ser vão ser presos, vão para vão paraa prisão, tá? E o que acontece se você perder a patente? Se você perder patente, você perde todas as prerrogativas militares. Você deixa de ser um militar, você deixa de ser um um brigadeiro, um general, um capitão, um tenente coronel e ao perder a sua patente, você perde o seu, a sua aposentadoria ou o seu salário.

    No caso do Bolsonaro, ele recebeu pics de patriotário a dar com pau e ele também tem a aposentadoria da Câmara e da presidência da República. OK. O Heleno tem aposentadoria para além da aposentadoria militar? Não sei. O Braga Neto tem? Não sei. Eles vão ter que arrumar emprego. Que emprego? Eu sendo que eles já estão velhos, completamente inúteis, porque eles são isso mesmo.

    Quem dar quem tenta dar um golpe de estado é um inútil e vejo aquilo que o Heleno fez no militar, no no Haití, nem bom militar ele é, que como eles vão sobreviver? Essa é a questão. E como eles precisam ser condenados a apenas 2 anos de prisão, a pena que eles vão pegar é muito superior a isso. Então, é muito provável que eles percam mesmo as patentes.

    Só o Bolsonaro, a pena prevista dele tá sendo aí de 43 anos. Só o Bolsonaro. Claro que a pena dele deve ser maior, porque ele era o chefe da organização criminosa e por você liderar a organização criminosa, você tem aí alguns pesos maiores, alguns aditivos de tempo. Então, a pena do Bolsonaro, 43 anos de prisão nesse tempo todo.

    Claro, ele não vai sobreviver até lá. Bolsonaro não vai chegar vivo até 2030. Mas por quê? Por conta de todos os problemas de saúde, ele é completamente eh relapso com os próprios cuidados. Mas pelo que está sendo especulado e contado, é muito possível que o Bolsonaro pegue 7 anos de regime fechado, nem regime semiaberto, regime fechado.

    Portanto, um prazo muito superior aos 2 anos que o Bolsonaro prisaria para perder a patente. E o Alexandre de Moraes, ele está pensando seriamente e considerando essa possibilidade, segundo o Igor Gade do Metrópolis, de mandar o Bolsonaro e todos os outros réus desse núcleo um, futuramente condenados, né, para a papuda, regime fechado.

    E não vai ter eh prerrogativa ou possibilidade de prisão em superintendência da Polícia Federal ou prisão militar. não vão ter essa possibilidade, porque existem tantos outros eh patriotários e até mesmo ex-integrantes do governo Bolsonaro que vão para Papuda, que você não pode criar uma casta de diferenciação.

    Por exemplo, o patriotário que foi lá e invadiu o STF acreditando que haveria um golpe de estado, ele não maquinou nada, ele só ele simplesmente foi na onda. ele vai ficar num regime fechado muito pior do que o Bolsonaro, que vai ficar numa salinha privativa. Então você cria ali certas disfunções. Então a condenação a prisão do Bolsonaro, regime fechado é muito correta e na papuda, muito possível que depois ele saia, vai pro regime semiaberto ou até mesmo pra prisão domiciliar em função da saúde do Bolsonaro. Mas a princípio é a papuda

    mesmo. E há uma chance do das Forças Armadas punirem esses maus militares, porque isso tem que acontecer. A imagem das Forças Armadas ficou muito desgastada ao longo desse do governo Bolsonaro, porque o Almir Garniier, que é o almirante, né, portanto, da Marinha, ele colocou as tropas à disposição de Bolsonaro.

    E mesmo o Freire Gomes e o brigadeiro Batista Júnior que falaram assim: “Não, não vamos colocar”. Eles deveriam ter dado voz de prisão ali e eles não fizeram. E depois o Freir Gomes no depoimento do STF recuou, foi covardão, porque ele não sustentou a posição. Se o Batista Júnior não segura a situação, não sustenta a posição, o julgamento do Bolsonaro teria tomado outro rumo.

    Hã? Então assim, é uma grande possibilidade, uma grande oportunidade de os militares serem punidos e eles vão e vão de um modo muito bem punido. Tem que ser, não tem jeito.

  • Centrão em alerta: Rueda e Ciro Nogueira pressionam Lula diante do temor por impactos nas finanças

    Centrão em alerta: Rueda e Ciro Nogueira pressionam Lula diante do temor por impactos nas finanças

    O cenário político de Brasília, que já vinha operando sob intensa pressão, acaba de ser sacudido por uma nova e poderosa onda de investigações. O epicentro deste novo tremor está inegavelmente localizado no coração do centrão, o bloco de partidos que detém a chave da governabilidade no Congresso Nacional. Uma nova e significativa operação da Polícia Federal foi deflagrada, mirando instituições financeiras e o estratégico setor de combustíveis, um segmento que já está sob meticuloso escrutínio em inquéritos de grande repercussão.

    e a tensão já era alta devido ao temor crescente de potenciais delações premiadas nos casos que envolvem o Banco Máter e as conexões suspeitas investigadas na operação carbono oculto que tangenciam o crime organizado. Agora, o nível de alarme entre os principais líderes do Congresso atingiu um ponto crítico e quase insustentável.

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    A operação mais recente conduzida pela Polícia Federal em uma ação coordenada com a Receita Federal na manhã de hoje tem como alvo declarado o que o próprio governo federal, através de seus ministros, convencionou chamar de o andar de cima, as grandes figuras empresariais e financeiras que tradicionalmente operam acima das penalidades comuns.

    O foco primordial da investigação é um sofisticado e complexo esquema de sonegação fiscal praticado por empresas que utilizam a fraude tributária, não apenas como uma forma de diminuir custos operacionais, mas de maneira mais nefasta como um modelo de negócio fundamental para sua sobrevivência e expansão. Estes são os chamados devedores comumazes que se valem do não pagamento sistemático e fraudulento de impostos para obter vantagens competitivas, desleais e injustas contra concorrentes honestos.

    Ao não recolher tributos devidos ao Estado, conseguem oferecer produtos a preços artificialmente mais baixos, deturpando profundamente a concorrência e o equilíbrio do mercado. Um dos alvos centrais desta nova e robusta ofensiva policial que envolve o grupo Heffit, antiga refinaria Manguinhos, é o empresário Ricardo Magro, uma figura com alta circulação nos círculos políticos e sociais de Brasília.

    Magro, segundo as informações detalhadas nas ordens judiciais e em relatórios investigativos, mantém uma relação de profunda e comprovada proximidade com Antônio Rueda, o atual presidente do União Brasil, um dos partidos mais influentes do Centrão e o mesmo partido do presidente do Senado, Davi Alcol Columbre.

    Esta proximidade não se restringe apenas a encontros políticos. O empresário Ricardo Magro foi mencionado e investigado na complexa operação carbono oculto, que expôs possíveis elos entre grandes empresários, fundos de investimento, o segmento de combustíveis e, o mais grave, o crime organizado. A sua presença como alvo nesta nova operação intensifica de maneira inevitável a pressão sobre o União Brasil e sobre toda a estrutura do centrão.

    é esta sucessão ininterrupta de eventos investigativos de alto impacto que permite uma nova e mais clara leitura sobre a recente irritação e as manifestações de descontentamento de líderes do centrão, como Hugo Mota, presidente da Câmara, e Davi Alcol Columbre, presidente do Senado, para com o governo federal. A raiva que eles demonstram publicamente pode não ter origem primária em questões puramente políticas ou de indicações ministeriais, como a disputa em torno da escolha de Jorge Messias para o STF, mas sim em uma profunda e crescente preocupação com o avanço incessante e

    descontrolado da Polícia Federal. Nos últimos meses, o centrão vivenciou três grandes reveses investigativos que citam ou tangenciam seus principais líderes. A operação Carbono oculto, com citações a Ciro Nogueira e Antônio Rueda em contextos de negociações questionáveis. O escândalo do banco Master, que também tem envolvimento notório de figuras do centrão, incluindo Ciro Nogueira, e agora a operação do grupo Raffit, que atinge diretamente um amigo íntimo e empresário ligado à Rueda. A soma destes fatos cria um

    ambiente de pânico generalizado e justificado. Esta situação força a opinião pública a ligar os pontos e a correlacionar os eventos, as intensas e repetidas tentativas do centrão de aprovar leis que visavam reduzir drasticamente os poderes de investigação da Polícia Federal. Movimentações como a tentativa de aprovação da PEC, da blindagem e o apoio irrestrito ao PL antifacção, que chegou a ser relatado com o objetivo explícito de enfraquecer a autonomia da PF, demonstram a urgência e o desespero do centrão em construir uma barreira

    legal intransponível contra as investigações. Todas essas tentativas de autoproteção foram barradas em grande parte pela oposição firme do governo e pela mobilização da opinião pública que compreendeu a manobra. A irritação do centrão com o presidente Lula, portanto, decorre do fato de o governo não ter permitido o enfraquecimento da instituição que agora, de maneira implacável, mira diretamente o financiamento ilícito e as operações fraudulentas de seus aliados mais próximos.

    O contraste de posturas e de prioridades dentro do Congresso Nacional é evidente e precisa ser destacado. Enquanto membros do centrão e de partidos mais à direita defendem com veemência a repressão, o rigor e a força policial em comunidades de baixa renda, eles demonstram uma surpreendente complacência, omissão e até proteção aos bilionários, grandes empresários e sonadores envolvidos em crimes financeiros.

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    Essa dualidade moral e política se manifestou claramente durante a votação do regime de urgência de um projeto que buscava punir os devedores com Tumases, os sonegadores que usam a fraude como modelo de negócio. Apesar da pauta ser de interesse público e buscar a justiça fiscal, dezenas de votos contrários ao regime de urgência vieram de integrantes do PL e do próprio centrão.

    Essa atitude demonstra uma proteção explícita e coordenada aos grandes criminosos financeiros, os mesmos que frequentemente são os grandes financiadores de campanhas eleitorais e operam nos bastidores do poder. O fator mais explosivo, o verdadeiro catalisador da crise e que deixa Brasília em estado de alerta máximo é o risco iminente e a expectativa de delações premiadas nos casos em andamento.

    Há informações, embora por vezes conflitantes, sobre se empresários chave, como o pivô da carbono oculto, já estariam negociando acordos de colaboração com a justiça. Se delações forem confirmadas nos casos carbono oculto ou banco master, a cascata de informações e provas pode levar a derrocada de grandes nomes do centrão, como Ciro Nogueira e Antônio Rueda, devido aos elos financeiros e políticos revelados pelas investigações.

    O medo real que está tirando o sono dos líderes do Congresso é que esses empresários, pressionados pelas investigações e pela perspectiva de longas penas de prisão, revelem os bastidores da proteção política, do lobby e do financiamento ilegal que sustentam a cúpula do centrão. O governo federal, ao contrário de gestões anteriores que focavam em investigações de baixo impacto, optou por uma estratégia de combater o crime organizado a partir do rastreamento de seu financiamento e da investigação do andar de cima. Uma abordagem que, de

    forma inevitável, colide frontalmente com os interesses de grupos políticos poderosos e arraigados. Essa é a verdadeira razão do conflito.

  • HUGO MOTTA E DERRITE FERRADOS AO VIVO POR SADI! Governo foi mesmo derrotado?

    HUGO MOTTA E DERRITE FERRADOS AO VIVO POR SADI! Governo foi mesmo derrotado?

    Andreadi expôs o Hugo Mota ao vivo na Globo News e os planos do centrão com o PL antifacção para enfraquecer a Polícia Federal. Porque quando houve o questionamento ao Hugo Mota pela Andrea Sadi, ele deu aquela sabonetada e não conseguiu responder, porque o grande objetivo do centrão e da direita era justamente enfraquecer os poderes da Polícia Federal por conta dos desdobramentos da operação Carbono Oculto.

    Por isso, vendo a votação do PL antifacção na data de ontem, eu não posso considerar que foi uma derrota do governo e uma vitória da oposição. Não, muito pelo contrário, porque o objetivo do Guilherme de Ritambensa tentando protocolar um monte de textos a respeito do PL era enfraquecer a Polícia Federal, mas ele não conseguiu fazer isso na totalidade.

    Claro, ele reduziu o financiamento à Polícia Federal, mas eles não conseguiram da forma como desejavam. Então, na minha visão, não há uma vitória da oposição completa, principalmente do Centrão. E ainda tem a operação do Banco Master, que vai dar problemas para os integrantes do centrão. Tem governador Cláudio Castro envolvido, tem governador bolsonarista do Distrito Federal, Ibanis Rocha também envolvido.

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    E eu quero que você coloque nos comentários o ponto mais importante para que você possa provar para toda a internet brasileira que o meu público é o mais qualificado politicamente de todo o YouTube. A votação e aprovação do PL antifacção de ontem foi uma vitória do governo ou foi uma vitória da oposição? Coloque nos comentários.

    O grande objetivo do centrão era se blindar da Polícia Federal. Essa operação do Banco Master vai pegar a gente graúda? Se você gostou da exposição da Sadia, então like no vídeo. Sentiu que ela humilhou o Mota e se inscreva no canal. Ontem à noite foi aprovado o PL antifacção, uma situação estranha porque foi pautado pelo governo.

    É um projeto do governo que foi coptado pelo Hugo Mota, escolhendo o Guilherme de Derritança imensa para a aprovação desse projeto. Porque o governo Lula lançou o projeto antifacção para dar uma resposta a toda a pressão pela segurança pública. E esse PL do governo federal tinha como objetivo endurecer o combate ao crime organizado com a filosofia que o governo tem adotado, que é rastrear os financiamentos, rastrear o andar de cima do crime organizado, que é o que importa, não o andar de baixo.

    Porque o andar de baixo, quando você vai e faz as operações, como o Cláudio Castro fez lá no Rio de Janeiro, você vai e mata um monte de gente, rapidamente isso é reposto por conta das questões sociais que nós também temos, do próprio neoliberalismo promovido e defendido pela direita, que segrega uma parte considerável da população a retirando das transações ou do comportamento que o capital quer hoje, que é justamente o capitalismo financeiro, empurrando essas pessoas para marginalidade pro crime organizado. Então o que que nós temos

    temos que fazer? A proposta do governo, rastrear o andar de cima. Mas o PL antifacção não prevê isso. PL antifacção aprovado pelo Guilherme Derit. Hugo Mota colocou o Gram Derit para anular a vitória do governo e também para blindar o centrão, porque Guedenit fez seis textos, uma verdadeira lambança que tinha com objetivo não rastrear os recursos do crime organizado, mas justamente proteger o crime organizado, enfraquecendo a Polícia Federal.

    E até mesmo na versão de ontem aprovada, há o enfraquecimento da Polícia Federal. E essa obsessão do Guilherme de Rit de enfraquecer a PF foi muito estranha. E a Andrea Sadi ao vivo no Globo News questionou isso perante o Hugo Mota, que para tentar aprovar o texto apareceu um monte de programas de televisão.

    Ela perguntou: “Olha, Hugo Mota, no na PEC da blindagem, nós vimos que havia uma tentativa de blindagem de parlamentares iria beneficiar o crime organizado. O texto Som foi aprovado porque houve uma reação popular e o Senado derrubou”. Mas vocês aprovaram? O primeiro texto do Guilherme de Hit previa enfraquecimento da Polícia Federal e foi derrubado.

    Vocês votariam e aprovariam esse texto? Aí o Hugo Mota Parmalatezinho do jeito que é ficou dando aquela sabonetada dele básica, porque o grande objetivo era enfraquecer a Polícia Federal com o primeira a primeira versão do texto impedindo que a Polícia Federal participasse das investigações no estado, teria que pedir autorização para os governadores.

    Depois mudou a operação teria que ser conjunta só se envolvesse os estados, só se envolvesse a União. Uma confusão só. Depois ele queria reduzir as fontes de financiamento e agora conseguiu reduzir as fontes de financiamento. Porque o texto do Guerrite previnte: se a operação teve início no estado, todos os recursos apreendidos têm que ir para o fundo de financiamento ou combate ao crime dos estados.

    Se foi uma operação em âmbito nacional, com a operação, com a atuação da Polícia, aí vai para o Fundo Nacional de Combate ao Crime Organizado, mas de qualquer forma há uma redução do financiamento da Polícia Federal. E vendo o texto final, eu não consigo dizer que foi uma derrota do governo ou uma vitória da oposição, porque se o grande objetivo era justamente enfraquecer a Polícia Federal, eles não conseguiram fazer isso.

    E por que o centrão queria enfraquecer a Polícia Federal por conta da operação carbono oculto e eles não conseguiram enfraquecer na totalidade que eles gostariam. Porque operação carbono occulto foi aquela operação do governo federal, da Polícia Federal, que conseguiu rastrear e desbaratinar um super esquema do crime organizado, no caso do PCC em São Paulo, que falsificava e adulterava combustível para distribuir nos postos de gasolina, falsificando combustíveis com usinas compradas pelo próprio PCC. Então, o PCC

    produzia combustível nas usinas de cana de açúcar, os adulterava, lançava para os postos de gasolina e esses postos distribuíam pra população que comprava uma gasolina adulterada, um combustível adulterado. Depois havia também toda uma rede de financiamentos da Faria Lima com fundos de investimentos, inclusive fundos de investimentos ligados ao Bancaster para que essa operação pudesse funcionar.

    Com a operação carbono culto, o governo Lula chegou até a Faria Lima. E é claro que essa operação principal, ela tem ali os seus filhos, os seus desdobramentos, como operações carbonoculto locais, por exemplo, a operação carbonoculto lá no Piauí, que encontrou postos de gasolina ligados ao PCC, fazendo transações financeiras para empresas do senador Círio Nogueira, do PP, o mesmo partido do Guilherme de Rit.

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    Então, o grande objetivo do centrão não era combater o crime organizado. O grande objetivo do centrão e da direita que os bolsonaristas tentaram fazer era blindar políticos e o autoescalão no clima organizado que tem relação com esses políticos da Polícia Federal. É isso. A direita, como não consegue enfrentar Lula diretamente por conta das questões econômicas, vai tentar arrastar essa pauta da segurança pública até 2026.

    Já existem novas operações, assassinas que vão ser feitas pelo Cláudio Castro lá no Rio de Janeiro, que é a grande vitrine do combate ao crime organizado, que vai ser usada pelos governadores de direita, que são candidatos, como no caso Tarcis de Freitas e também pelo bolsonarismo. Eles vão entrar na favela, vão dar tiro em todo mundo, vão perguntar depois, porque esse é o modos operandit, que é o secretário de segurança pública de São Paulo, que é o modos operandolsonarismo.

    A gente vai, atira e depois pergunta: “Ah, mas não tinha passagem porta, era preto.” É assim que eles querem combater. Porque esse tipo de combate ao crime que a direita e o centrão defendem é o tipo de combate ao crime que fomenta preconceitos e atrai votos da classe média brasileira, porque a classe média brasileira é em sua maioria ou até mesmo na sua essência preconceituosa, principalmente se for contra preto e pobre.

    Esse é o plano da direita. Vamos blindar os poderosos porque eles estão blindados com essa PEC, com o PL an de facção do Glem de Hit. Crimes do colarinho branco, tudo bem que isso aqui é um colarinho azul, estão protegidos, não vão ser tocados, mas vai endurecer para quem? Para aquele pobre ignoto lá da favela.

    Foi uma vitória da oposição, vendo tudo que a oposição fez, na minha opinião, é uma derrota parcial da sociedade. Что?

  • MOTTA TEM MANDATO EM RISCO! Lula o ferrou

    MOTTA TEM MANDATO EM RISCO! Lula o ferrou

    Hugo Mota se assustou com uma pesquisa de popularidade indicando o Lula bem popular na Paraíba, o estado do presidente da Câmara forçando a recuar. Mota foi o principal alvo de vários ataques do PT e percebeu que a sua reputação estava indo para o vinagre, não uma queda somente de popularidade, mas uma rejeição simbólica daquele que não quer justiça social.

    Os ataques do PT e principalmente a posição de Lula em buscar justiça social foram ceteiros e obrigaram Mota a recuar. Porque a Paraíba não é São Paulo, não é Santa Catarina. E se Mota acha que teria couro grosso para enfrentar Lula durante um ano e meio, ele percebeu que não tinha e por isso recuou.

    Agora ele fala até de corte das emendas. Não sei se ele está falando sério, porque a palavra de Mota não vale muita coisa depois do que ele falou com o Hadad e recuou, porque o governo vê que Hugo Mota, ele não aguenta a pressão. Não é igual o Artur Lira. Mota é menino e é justamente aí nessa fragilidade Mota, no seu reduto de votação e no medo de se distanciar das bases e não ser vitorioso em 2026, que está a brecha de atuação do governo Lula para buscar justiça social e principalmente a redução do imposto de renda.

    Lula parabeniza Hugo Motta por vitória na Câmara e prevê 'parceria exitosa'  - Agenda do Poder

    Coloque nos comentários se você acha que Hugo Mota tá certo ao acreditar que não tem couro grosso. Os ataques do PT e as falas de Lula foram exageradas ou foram corretas? Você acha que o Gumota está tendo um colapso na sua imagem? Gostou que ele arregou? A palavra de Mota vale alguma coisa? Isso também é importante por conta das da questão das emendas.

    Gostou que Mota deu uma arregadinha? Então no vídeo e se inscreva no canal. Eu quero começar a nossa conversa falando sobre uma pesquisa que foi divulgada pelo veículo estado de Minas Gerais, que assustou também o Hugo Mota e sintetiza bastante a reação do ataque que houve da por parte da do PT e da militância digital petista, que também assustou o Hugo Mota e forçou o Mota a recuar.

    Porque quando houve a traição do Hugo Mota com o IOF, que ele prometeu para o Badingo, na terça-feira ele mudou de posição. Houve uma reação do governo e também da militância que pela primeira vez em 3 anos e meio de governo, a pauta das redes sociais foi dominada pela esquerda. a pauta da justiça social, a ponto até do Jornal Nacional fazer um uma reportagem ridícula de defesa do Congresso contra a justiça social, porque ah, estão fazendo vídeos de inteligência artificial e memes.

    Ah, faça meu favor. Só que o jornal de Minas Gerais ou o Estado de Minas, que é o nome do estado de Minas, contra o estado de São Paulo, né, o veículo estado de Minas, eles fizeram um levantamento, um estudo com uma consultoria dizendo que a repercussão nas redes sociais foi extremamente negativa para o Hugo Mota, não afetando somente a sua popularidade, mas criando uma rejeição simbólica, e isso é mais forte de qualquer coisa.

    Por que rejeição simbólica? Essa rejeição simbólica extrapolaria a ideologia. Não seria algo a mod está sendo rejeitado pela esquerda, mas ele é aprovado pela direita. Não, ele estaria sendo rejeitado por pelos dois espectros, algo que vai muito além da ideologia. E por quê? Porque o povo cansou de privilégios para poucos e o gumota seria o grande obstáculo para justiça social.

    Eu não gosto muito dessas análises baseadas em interações redes sociais, porque elas tendem a ser bastante milpes, muito limitadas, porque rede social não é o povo de fato, no povo de verdade, mas os políticos levam isso em consideração. E é claro que isso assusta o Hugo Mota, porque segundo a Daniela Lima do G1, ele ficou extremamente impressionado, assustado e com medo de uma pesquisa de popularidade que foi divulgada na Paraíba, que é o estado do Ugumota. O Gumota é de Patos.

    E nessa pesquisa, o Lula teria 67% de aprovação, 67%. Ou seja, não dá para Hugo Mota, o menininho, uma cidade de patos, que o pai é prefeito, enfrentar o Lula, ainda mais uma cidade no Nordeste. Não dá. Se o Longo Mota fosse do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, até de São Paulo, OK. Mas do Nordeste. E como que ele Hugo Mota, manteria esse estado constante de conflito e briga com o Lula até a próxima campanha política? Ele não iria conseguir fazer isso porque ele não tem couro grosso e ele teve que recuar.

    Lula recebe Hugo Motta e integrantes do Republicanos em mais uma rodada de  conversas sobre 2026 | Jovem Pan

    Ele não ia conseguir enfrentar o L. E Hugo Mota, segundo Andres Zamatais do Metrópolis, ele participou daquela brincadeira tomando whisky no gargalo, porque pesquisas internas levantadas pela equipe do deputado mostraram que o fato dele ser presidente da Câmara o distancia da política local de da Paraíba, da política paroquial.

    Então ele participou daquela brincadeira para mostrar que ele está presente e que ele topou participar. Por isso que ele virou o whisk no gargalo numa imagem completamente cafagest. E para a equipe do Hugo Mota, aquela imagem ela só traria problemas se ela virasse um escândalo nacional. Só que deu errado.

    Por quê? Primeiro que a imagem é nojenta, grotesca, é cafageste, um político tomando whisky no gargalo dias depois de ter e votado o aumento da conta de luz. Isso pegou mal. Parece que ele estava brindando a derrota dos mais pobres. O timing foi completamente errado e aquela imagem se tornou um símbolo do descaso de Hugo Mota.

    Então o impacto simbólico foi muito forte porque aquela imagem foi usada várias vezes pelos perfis que estavam atacando Gumota. E essa é justamente a brecha que o governo pode usar para negociar com o Congresso, porque a gente sabe que o Congresso está em conuio com o mercado. O mercado quer a destruição total do Lula para que não haja justiça social, para que sobre mais dinheiro para a população de alta renda, para que não aumente gastos públicos ou investimento público, para que as empresas públicas sejam depreciadas, porque assim você consegue privatizar as

    empresas públicas, enfim. E o Congresso quer que haja um enfraquecimento de Lula e um enfraquecimento do próprio executivo para que seja colocada uma espécie de parlamentarismo onde o Congresso vai governar. É isso. Só que Congresso e mercado, deputados e mercados, eles podem andar juntos até um certo ponto.

    Só que existe um pequeno pontozinho que o mercado não consegue caminhar com o Congresso. O dia da votação, o dia do voto. Por quê? Porque existe muito mais gente pobre no Brasil do que rico. Muito mais. Então o voto ou os votos destes deputados vem da população de baixa renda. Então há uma preocupação, eles precisam desses votos para serem vitoriosos nas campanhas políticas.

    Então aí está o ponto de divergência e onde o governo pode atuar. Se o Hugo Mota tá com medo de perder voto, vamos colocar na negociação, vamos sentar e vamos negociar porque eles precisam se garantir no poder. Essa é a brecha que o governo tem. como a gente fala sempre aqui no canal. E isso está muito claro. O Hugo Mota ficou com medo de império enfrentamento com o Lula e acabar perdendo a possibilidade de ser vitorioso em 2026.

    A ponto de Hugo Mota participar de uma entrevista ao Globo News dizendo que ele pode cortar as emendas, parte das emendas para colaborar com o corte de gasto e o ajuste fiscal. Só que a gente precisa conversar também sobre isso, porque emenda não há problema nenhum. Não há nenhum problema com emenda, porque as emendas parlamentares são repasses que são feitos para as prefeituras, para os governos estaduais, para que seja feita uma ponte, uma compra de um equipamento, o investimento.

    Então, elas são boas, tá? São boas e necessárias. O problema das emendas atual é que o controle do orçamento vindo do legislativo, ou seja, o controle que o o legislativo tem sobre o orçamento ficou muito grande a ponto de o legislativo não precisar do governo federal para a liberação das emendas. Então, os parlamentares, como eles já tm um controle grande das emendas, eles podem continuar enviando o as emendas para as suas localidades de votação, garantindo assim a sua perpetuação no poder ou os votos para a campanha seguinte. Isso fez com que o executivo

    ficasse de mãos atadas, o legislativo avançasse sobre as prerrogativas do poder executivo, criando quase um parlamentarismo sem a discussão e a votação do povo. Esse é o problema das emendas. É uma, as emendas, elas estão provocando uma mudança de regime do presidencialismo para o parlamentarismo. E várias pessoas já estão comentando sobre isso.

    O que a gente precisa saber o seguinte, esse corte nas emendas vai ser o corte do montante no volume ou o corte da proporção que o legislativo controla das emendas parlamentares ou o corte que o legislativo controla do orçamento da união? Essa é a discussão, porque se continuar da forma como tá em pouquíssimo tempo, nós estaremos no regime parlamentarista sem que haja a discussão.

    Tem problema de estarmos no regime parlamentarista? Não, eu não gosto, mas não haveria problema se a população fosse chamada a participar da discussão, indo para um plebiscito, coisa do tipo, o que não está acontecendo no momento. Вот.

  • HUMILHAÇÃO DE MOTTA! HUGO MOTTA ADIA VOTAÇÃO APÓS DERRITE SER CHAMADO DE “FR@NG0 BURR0”!

    HUMILHAÇÃO DE MOTTA! HUGO MOTTA ADIA VOTAÇÃO APÓS DERRITE SER CHAMADO DE “FR@NG0 BURR0”!

    Preparem-se para testemunhar a patética burrice estratégica da direita brasileira, que, num ato de autossabotagem política, conseguiu entregar de bandeja a pauta da segurança pública ao governo Lula. O que aconteceu na Câmara dos Deputados hoje foi uma vitória estrondosa do Brasil e das esquerdas, mas o preço dessa vitória é a exposição da fraqueza intelectual e da agenda oculta por trás do deputado bolsonarista Guilherme de Deite.

    Quando pensamos que o bolsonarismo já atingiu o fundo do poço da estupidez política, surge o frango de Hite para cavar mais fundo e provar que ele não tem apenas a aparência de um galinácio, mas também o cérebro de um. Este indivíduo que tenta compensar sua frustração e seu histórico de deboche pessoal, com uma postura de machão forçada na polícia, propôs um projeto de lei que é a epítome da imbecilidade política.

    A direita vinha de um período de recuperação no debate da segurança pública. Após ser duramente atingida pela PEC da blindagem e pela operação carbono oculto, o bolsonarismo havia conseguido capitalizar sobre as operações desastrosas no Rio de Janeiro, colocando o governo federal nas cordas com a pauta da repressão.

    Oposição se irrita com proximidade de Hugo Motta com o governo - PlatôBR

    Mas no momento exato em que a direita estava retomando o território, o guerreiro de Hit surge com um projeto de uma burrice que visa limitar e reduzir drasticamente os poderes da Polícia Federal. A pergunta que ecoa em Brasília e que destrói a narrativa da direita é simples. Por que diabos a direita quer algemar a Polícia Federal? O que o centrão, o Tarcísio de Freitas e principalmente Guilherme de Rite querem esconder? Que tipo de investigação eles estão tentando evitar? Este projeto pegou tão mal que instantaneamente anulou qualquer

    ganho de popularidade que a direita havia conquistado, transformando a pauta da segurança em uma discussão sobre corrupção e blindagem. O projeto de Derit é tão absurdo em sua concepção que exige que a Polícia Federal solicite permissão aos Estados para conduzir investigações. É uma medida que beira a insanidade institucional.

    Ora, é sabido que as polícias estaduais em muitas regiões são permeáveis ao crime organizado, possuem informantes, ou pior, são partes integrantes das milícias. Permitir que a informação sobre uma operação federal vase para as polícias estaduais é o mesmo que enviar um aviso ao crime organizado, garantindo a fuga dos criminosos e o fracasso das operações.

    Exatamente como aconteceu em operações no Rio de Janeiro, onde informações foram passadas ao comando vermelho. A sociedade civil, o governo Lula e as próprias instituições reagiram com repúdio. A Polícia Federal foi a público manifestar seu total descontentamento, apontando que o projeto criava uma blindagem perigosa. De Hit, na sua teimosia infantil, tentou remendar o texto, mas o resultado foi o mesmo, um projeto que mantém a essência da limitação dos poderes da PF.

    Diante do desgaste gigantesco, o presidente da Câmara, Hugo Mota, um político que carece de estatura e pulso para o cargo, foi forçado a adiar a votação. Mota, o Zé Biquinho da Câmara, não tem a capacidade de gestão para lidar com o tsunami de desconfiança gerado por Derrite. Ele foi pressionado por figuras como o ministro da justiça, Ricardo Lewandowski, que alertou que o Supremo Tribunal Federal certamente derrubaria o projeto, gerando um desgaste institucional incalculável.

    A ação de Derrite não é apenas burra, é altamente suspeita. O avanço da PF em grandes casos, como a investigação do assassinato de Mariele Franco, que levou à prisão do deputado federal Chiquinho Brazão, revelou de forma explícita as relações incestuosas entre o poder público, as milícias, o crime organizado e pasmen, até mesmo certas lideranças evangélicas.

    O rastreamento do dinheiro e das conexões de alto escalão do crime organizado, aqueles que não estão nos morros, mas sim na Faria Lima e nos condomínios de luxo, pode levar a tropeços em figuras políticas poderosas. A tentativa de limitar a PF é uma clara reação para frear o avanço dessas investigações. Se você blinda a atuação estadual da interferência da PF, você consegue proteger toda uma rede que envolve políticos, o crime organizado e as figuras que financiam tudo isso.

    E quem é o homem por trás dessa agenda de blindagem? Guilherme de Rit não é um ingênuo. Ele é um indivíduo com um passado profissional brutal. Ele é, na essência assassino que teve que ser convidado a se retirar da rota, a polícia de São Paulo, por sua extrema violência e sua disposição em matar pessoas.

    Ele permaneceu apenas 4 anos na rota, mas suas operações eram descontroladas, agindo como se estivesse em um videogame na vida real, matando um monte de gente. Sua saída não foi por perseguição do sistema, mas sim por sua sede de sangue. E o que ele está fazendo agora levanta a suspeita. Um amigo de The Hit, que participou de seu podcast e é seu colega de farda, está sendo investigado pelo Ministério Público de São Paulo por seu envolvimento com o PCC, Primeiro Comando da Capital.

    Hugo Motta prega união no balanço dos primeiros meses como presidente

    Derrite, numa clara tentativa de encobrir os rastros, tirou o episódio do podcast do ar. O que ele está tentando esconder? Que tipo de ligações ele tem com o crime organizado que o obriga a tentar destruir o poder investigativo da Polícia Federal? Depois de toda a repercussão negativa da PEC da blindagem e o desgaste que isso trouxe à Câmara, Derrit insiste nesse projeto provando sua completa falta de inteligência política.

    Ele está queimando a imagem da Câmara dos Deputados e de toda a direita, expondo a fragilidade de Hugo Mota, que é incapaz de comandar a casa. Se essa aberração for aprovada na Câmara, será derrubada no Senado, onde o presidente Davi Alcol Columbre tem a maturidade que Mota não tem. Que burrice ter colocado um indivíduo tão comprometido e com um passado tão questionável como Deit para ser o relator de um projeto crucial.

    O bolsonarismo recuperou a pauta da segurança pública por um breve momento e a jogou no lixo por causa da agenda oculta e da burrice de um homem só. Por que a direita tem tanto medo das investigações federais? Essa é a única pergunta que importa agora.

  • 💣BOMBA! LÍDERES DO CENTRÃO COM O PCC! Ciro e Motta suspeitos

    💣BOMBA! LÍDERES DO CENTRÃO COM O PCC! Ciro e Motta suspeitos

    Se alguém ainda tinha alguma dúvida que o principal problema do centrão com o governo Lula era a Polícia Federal, agora já não tem mais, né? Porque aquela operação da PF contra o grupo FIT da refinaria Manguinhos teve como um dos alvos um braço direito do Ciro Nogueira. Algo impressionante, porque o Ciro Nogueira ele tá com o nome envolvido em todas as operações recentes da Polícia Federal contra esses grandes grupos financeiros.

    Banco Master, o nome dele tá envolvido. Operação carbono oculto, o nome dele também tá envolvido com suspeitas de ligação com o PCC. E agora o caso do grupo Fit refinaria manguinhos. O braço direito dele também tá envolvido. É uma coisa impressionante. O cara tá gabaritando todas. Por isso que Brasília ficou com medo da operação carbono oculto.

    Por agora o Fernando Hadad comentando a operação do grupo FIT deu a entender que há uma relação da carbono oculto com o grupo FIT. E tá sobrando até Pugo Mota, porque ele foi a estrelinha de um jantarzinho que aconteceu lá em Nova York em maio de 2025, patrocinado pelo dono do grupo FIT, o Fernando Magro.

    Galdino confirma Politicaetc e revela que Hugo Motta e ...

    Hugo Mota, que está sentado em cima de um projeto para cobrar, que já foi aprovado no Senado, para cobrar devedores com Tumazes, como no caso o grupo FIT. Então eu quero que você coloque nos comentários se você acha, por sua opinião, que o centrão está tão assim irritadiço com o Lula. É coincidência que a irritação ficou maior depois da carbono oculto e todas as outras operações ou não? Você acredita que o Cío Nogueira esteja mesmo envolvido com o PCC e outras organizações ilegais? Essa operação Manguinhos com o grupo FIT tem relações com a carbona oculta? Eu

    quero que você coloque nos comentários tudo que você acha de Cío Nogueira ou Gumota. Deixa o like no vídeo se você tem gostado dessas operações da PF, da forma como o governo Lula tem combatido o crime organizado e se inscreva no canal. A gente tem falado já há um certo são alguns vídeos baseados, claro, nas informações que são passadas pela cobertura política da mídia tradicional, que o verdadeiro motivo do centrão estar irritado com o Lula não é a indicação de Jorge Messias, um pouquinho Flávio Dino ali com as emendas, mas a principal

    preocupação é com a Polícia Federal. Por quê? Porque o grupo, o grupo Lula, o governo Lula, ele tem uma abordagem de combate ao crime organizado que é diferente da direita. A direita estranhamente quer fazer espetáculo subindo morro e matando pobre, sem perguntar quem é, equiparando o estado com bandidos.

    Mas enfim, a direita tem essa visão muito limitada das coisas. a gente dá um descontinho. Só que essa visão da direita é uma visão que você consegue distrair a população. Você finge que está combatendo o crime e os verdadeiros criminosos eles ficam impunes. O governo Lula tá tentando mudar essa lógica, apresentando formas de combate ao crime organizado baseados no rastro do financiamento.

    E aí veio a operação carbonoculto. Quando houve operação carbono occulto, que mostrou os elos da Faria Lima com o PCC, justamente com falsificação e adulteração de combustível, o centrão ficou desesperado e começou a se mobilizar. Aí nós tivemos a PEC da blindagem aprovada pela Câmara dos Deputados, derrubada pelo Senado, o projeto do Guilherme de Rit, que só não foi aprovado porque houve uma comoção popular muito forte com relação à redução dos poderes da Polícia Federal, mas são dois projetos que visam reduzir os poderes da Polícia Federal. É uma

    coisa sistemática. E todos os textos do Guilherme de Hit havia ali dispositivos, mecanismos para a redução dos poderes da Polícia Federal. Então, a gente começa a ligar os pontos e o próprio governo Lula vê que o centrão não está desgostoso por causa de Jorge Messias, mas sim por causa das operações da Polícia Federal.

    Segundo o Lauro Jardim do Globo, um dos alvos da operação do grupo Fit da Refinaria Manguinhos foi um rapaz chamado Jonathas Assunção. Quem é esse cara? Ele era executivo do grupo FIT. E o Jonatas Assunção, ele era chefe de gabinete do Walter Braga Neto, na época do governo Bolsonaro e era o número dois do Ciro Nogueira na época que o senador era ministro da Casa Civil.

    Inclusive o Ciro Nogueira indicou para o Adolfo Saltida, Sustida, até falei engraçado, né? Do Ministério de Minas Energia, a esposa do Jonath Assunção, para um cargo administrativo ali no Ministério de Minas Energia. O cara está intimamente ligado com o Círio Nogueira, intimamente ligado.

    Segundo as informações do Laurio Jardim, o que é estranho, Círio Nogueira, que está envolvido também na operação do Banco Master, porque ele fez lobby contra a CPI que ia investigar o banco, ele fez lobby para aumento do fundo garantidor de crédito, que depois nós vimos que era muito utilizado pelo Banco Master para atrair para a venda do dos CDBs.

    E ele fez lobby para a venda do Banco Master para o BRB. o Banco de Brasília. Fora que na operação Carbono oculto, a Polícia Federal identificou transações de empresas ligadas ao Cílio Nogueira com empresas do PCC. Super esquisito. Já o Hugo Mota, tem aí uma outra questão, vou até me encostar aqui na cadeira, né? Trazer mais para perto aqui o tripé.

    O lance do Hugo Mota foi o seguinte. Em maio de 2025, Hugo Mota foi a estrela de um jantar lá em Nova York, patrocinado pelo dono do grupo Fit, o Fernando Magro. Fernando Magro, que é amigo pessoal do do Antônio Rueda, presidente do União Brasil, que fez a federação com o PP do Ciro Nogueira e que é super parceiro do Hugo Mota.

     

    Então, nesse jantar, Hugo Mota, que já sabia que o grupo Fit era o maior devedor de ICMS do Brasil, participou e falou com entusiasmo sobre a defesa de aumento do número de deputados, algo que foi barrado pelo Lula. Hugo Mota, que por sua vez está sentado em cima de um projeto aprovado pelo Senado para cobrar devedores comumazes.

    Que são esses devedores com Tumazes? São empresas, devedores que só negam impostos usando isso como vantagem competitiva diante dos concorrentes, porque eles não pagam impostos, então eles conseguem colocar produtos com preços mais baratos, principalmente no segmento de combustível que cada centavo conta. Você acha que o centrão não tá envolvido nesse caso? E o Hadad deu uma declaração mostrando que há sim uma potencial relação do grupo FIT com a operação carbono carbono oculto.

    Porque a operação carbono occulto, o que que ela fazia? Ela usava fundos de investimento para compra de refinarias. Essas refinarias adulteravam combustíveis que eram repassados para os postos de gasolina. Postos de gasolina podendo ou não ser do PCC. O Fernando Hadad falou o seguinte recentemente: “Olha, o crime organizado ele deixou de ter substâncias ilícitas, farinha e aquelas ervinhas como a sua principal fonte de renda.

    Agora tá competindo com as substâncias ilícitas adultção de combustível para lavagem de dinheiro. Inclusive nós detectamos carregamentos de contrabando de armamentos vindo de contêiners dos Estados Unidos para cá. E eu já falei para o Lula conversar com o Donald Trump e colocar esse assunto na pauta, porque há esse todo esse movimento de associação do crime organizado com aação de combustível.

    Então a já tá falando o a operação do grupo FIT tem a ver com a operação carbonoculto. Inclusive depois da operação carbono occulto o grupo Fit mudou suas operações financeiras, segundo informações do metrópolis. Então assim, vai cair no colo do centrão o envolvimento de pessoas ligadas ao grupo com o primeiro comando da capital, crime organizado e várias outras coisas.

    É uma questão de tempo e os caras estão aqui. Porque se o Bolsonaro foi preso e estão falando que ele não tem nada de golpe, essas coisas, como que você vai defender alguém do centrão com com relacionamentos com crime organizado? Não dá. É, é implosão completa de toda a carreira política.

  • FORO OU CADEIA! ARTHUR LIRA PEDE VOTOS A LULA EM ACENO DESESPERADO PARA NÃO SER PRESO!

    FORO OU CADEIA! ARTHUR LIRA PEDE VOTOS A LULA EM ACENO DESESPERADO PARA NÃO SER PRESO!

    O cenário político de Brasília, caracterizado por alianças voláteis e movimentos estratégicos de sobrevivência, acaba de testemunhar uma das manobras mais ousadas e calculadas do ano. O presidente da Câmara dos Deputados, Artur Lira, demonstrou recentemente, em um evento oficial que celebrava a sanção da lei de isenção do imposto de renda, uma notável e quase desesperada flexibilidade política.

    A sua fala registrada em vídeo e que se tornou imediatamente viral nos bastidores do poder, não foi apenas uma cortesia protocolar ao chefe do executivo, mas um aceno político de altíssimo peso ao presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva. Na ocasião, Lira, com um sorriso que disfarçava a seriedade do momento, sugeriu publicamente a possibilidade de o presidente Lula vir a concorrer a um próximo mandato em 2026, indicando que questões complexas e de difícil solução no presente poderiam ser tratadas nessa

    potencial futura gestão. Este gesto que para o observador menos atento pode parecer uma simples deferência institucional, desencadeou um terremoto nos bastidores e, previsivelmente gerou um profundo desconforto entre seus aliados mais próximos do bloco bolsonarista e do centrão tradicional. A grande questão que domina as análises políticas é complexa e multifacetada.

    Lula tira poder sobre dinheiro de ministérios para fazer 'caixinha de fim  de ano' para o Centrão - Estadão

    Por que Artur Lira, uma figura que se notabilizou por equilibrar e, por vezes, desafiar as forças políticas mais diversas, faria um aceno tão explícito e público ao principal nome da oposição em um momento de tensões no Congresso? A resposta analisada sob a ótica da geopolítica regional, da sucessão de poder e do direito, aponta para uma combinação explosiva de fatores que transcendem a disputa nacional e se concentram obsessivamente no seu próprio futuro e no cenário do seu estado natal.

    Alagoas. A situação política e eleitoral em Alagoas, onde Lira busca desesperadamente consolidar sua candidatura para o Senado em 2026. é de extrema instabilidade, incerteza e alta voltagem. A eleição para o Senado no estado é considerada por muitos analistas a Premier League da política nacional, devido à sua complexidade histórica e a intensidade da rivalidade entre os atores envolvidos.

    Arthur Lira não pode, em hipótese alguma, dar-se ao luxo de ser derrotado nesta disputa. O sucesso eleitoral não representa apenas a continuidade de sua influência e poder no Congresso. Ele é crucialmente o escudo jurídico que garante a manutenção de seu foro privilegiado, o que o protege diretamente de investigações em andamento e processos judiciais que podem ter graves consequências, como as relacionadas às operações overclean e kit robótica.

    Se Lira não for eleito senador, o risco de seu destino ser o mesmo de outros políticos que perderam a blindagem é real, iminente e, para ele, catastrófico. A complexidade em Alagoas é amplificada de forma crítica pelas manobras e indefinições do prefeito de Maceió, HC. O prefeito está envolvido em uma teia intrincada de compromissos e acordos políticos que se tornaram, na prática, mutuamente excludentes, forçando-o a um jogo de escolhas impossíveis.

    TOHC tem pelo menos três grandes acordos pendentes. O primeiro é o acordo de reciprocidade para apoiar a candidatura de Arthur Lira ao Senado, um apoio essencial para Lira, que precisa urgentemente dos votos da capital para compensar sua baixa performance nas pesquisas do interior do estado. O segundo é o acordo feito com o ex-senador Rodrigo Cunha, que abriu mão de seu cargo para se tornar vice-prefeito de JHC em uma jogada que permitiu a ascensão de uma aliada no Senado.

    E o terceiro é um acordo complexo que teria sido costurado em Brasília para garantir a permanência de JHC na prefeitura. Um movimento que envolveria a ascensão de uma figura de seu círculo familiar, Marlúcia Caldas, para um cargo em um tribunal superior. A indefinição de JHC sobre seu próprio futuro político, se ele concorre ao governo, ao Senado ou se permanece na prefeitura até o final do mandato, paralisa toda a articulação de Lira e coloca em risco a viabilidade de sua candidatura ao Senado.

    O cenário eleitoral em Alagoas para 2026 é um campo minado de candidaturas fortes e competitivas. Além da pressão da indefinição de JHC e da presença de Lira, há a figura constante e poderosa de Renan Calheiros, que busca a reeleição e detém forte influência política no interior do Estado.

    Soma-se a isso a ascensão de figuras emergentes como David Davino, e a possibilidade de que nomes como Alfredo Gaspar possam, ainda que indiretamente, influenciar a distribuição de votos de seus grupos políticos. Mais recentemente, o cenário foi abalado pela performance surpreendente da esposa de JHC, Maria Cândia, que surgiu muito bem posicionada nas pesquisas, superando Lira em alguns cenários de intenção de voto.

    O aceno de Lira ao presidente Lula, portanto, deve ser lido como uma tática de sobrevivência política de último recurso e alto risco. Lira precisa urgentemente conquistar o segundo voto dos eleitores lulistas em Alagoas. aqueles que votarão em primeiro lugar em Renan Calheiros. Ao sinalizar publicamente a possibilidade de uma colaboração futura com o governo do PT, Lira busca legitimar-se perante o eleitorado de esquerda e centro-esquerda, um movimento que ele espera que lhe garanta os votos necessários no interior do estado,

    Lula tira poder sobre dinheiro de ministérios para fazer 'caixinha de fim  de ano' para o Centrão - Estadão

    região de forte influência de Renan. O objetivo é criar uma diferenciação clara em relação à oposição mais radical e garantir que sua candidatura seja vista como uma opção viável de estabilidade e pragmatismo, independentemente do alinhamento ideológico principal do eleitor. Lira está jogando a cartada final para garantir sua vaga no Senado, pois a ausência do foro privilegiado com as investigações em curso representaria um risco pessoal e jurídico insustentável.

    É instrutivo notar o contraste que esta atitude de Artur Lira estabelece com a postura adotada por outros líderes do Congresso, como Hugo Mota e Davi Alcol Columbre. Enquanto estes optaram por um rompimento público e estridente com o governo, motivados por disputas menores ou por preocupações com o avanço de investigações da Polícia Federal, Lira demonstrou uma visão de longo prazo e um pragmatismo calculado.

    Lira aproveitou a ausência e a birra de seus colegas para fazer uma jogada de mestre, priorizando sua sobrevivência política e jurídica em detrimento da lealdade ideológica de momento, um movimento que ele sabe que terá repercussões diretas em seu estado. A política brasileira e em particular a de Alagoas continua a ser um espetáculo de articulações e jogos de poder, onde a diferença entre um aceno estratégico e a perda do mandato pode ser a linha tênue entre a continuação da carreira e o enfrentamento de processos judiciais de

    alta gravidade. O cenário político de Brasília, caracterizado por alianças voláteis e movimentos estratégicos de sobrevivência, acaba de testemunhar uma das manobras mais ousadas e calculadas do ano. No.

  • PF NA PORTA! ALCOLUMBRE E MOTTA TENTAM SALVAR SONEGADORES ENQUANTO POLÍCIA FEDERAL CERCA ALIADOS!

    PF NA PORTA! ALCOLUMBRE E MOTTA TENTAM SALVAR SONEGADORES ENQUANTO POLÍCIA FEDERAL CERCA ALIADOS!

    O Congresso Nacional está sob uma pressão investigativa que tem reescrito o mapa das alianças e das tensões em Brasília. Os líderes do chamado centrão enfrentam um cenário de alto risco jurídico que, na análise de muitos observadores políticos experientes, é a verdadeira força motriz por trás das recentes manifestações de descontentamento e dos rompimentos com o governo federal.

    Há uma percepção crescente baseada na observação dos fatos e dos processos judiciais, de que as disputas públicas entre o presidente da República e figuras proeminentes do legislativo, como Hugo Mota e Davi Alcol Columbre, não são primariamente sobre ideologia, projetos ou indicações ministeriais, mas sim um reflexo direto do pânico que se instalou nos gabinetes diante do avanço incansável, coordenado e bem financiado da Polícia Federal.

    Questão ideológica que dividia na eleição foi secundarizada, diz Lula no 1º  encontro com Alcolumbre e Motta – CartaCapital

    É crucial para a compreensão do momento político atual entender a mudança no equilíbrio de poder. Neste mandato, o centrão, um bloco majoritariamente composto por políticos de direita e centro direireita, alcançou um nível de poder de barganha e controle orçamentário que era absolutamente impensável em gestões anteriores.

    Graças a novos mecanismos de distribuição de verbas que concentram bilhões de reais nas mãos dos parlamentares, o controle de parte significativa do orçamento se tornou um trunfo político mais valioso e mais autônomo do que a própria participação em ministérios. Em resposta a este cenário de hipertrofia do poder legislativo e de aumento da demanda por cargos e recursos, o governo federal adotou uma tática que tem se mostrado extremamente eficaz.

    e perturbadora para o status quo de Brasília. Em vez de ceder integralmente ao Tomaladaká tradicional em troca de apoio incondicional, optou por conceder autonomia, recursos e verbas robustas para que a Polícia Federal pudesse investigar o crime de colarinho branco, a corrupção e a lavagem de dinheiro de forma ampla, profunda e irrestrita. O resultado imediato e visível dessa autonomia é a convergência de várias investigações que estão progressivamente cercando os caciques dos maiores partidos do centrão.

    Figuras influentes como Ciro Nogueira, Antônio Rueda, Artur Lira e o próprio Hugo Mota tem aliados próximos, empresários de suas bases eleitorais ou grandes financiadores de campanha envolvidos em algum inquérito de alta complexidade. Duas operações em particular têm causado pânico em Brasília, funcionando como verdadeiros catalisadores da crise.

    A primeira envolve as conexões do crime organizado e do PCC com o setor de combustíveis, exposta na operação carbono oculto, que trouxe à tona alegações de recebimento de valores e uso de aeronaves de luxo por políticos ligados ao centrão. Segunda é a crise financeira e política deflagrada pelo escândalo do Banco Master, cujas ramificações financeiras atingem diversos políticos de destaque.

    Recentemente, o cerco se apertou de forma dramática e incontestável com a mega operação da Polícia Federal e da Receita Federal contra o grupo Reffid, antiga refinaria Manguinhos e seus líderes. Esta operação é de interesse fundamental, pois o setor de combustíveis, devido à sua alta movimentação financeira, tem sido sistematicamente utilizado por organizações criminosas para lavar dinheiro e gerar fortunas ilícitas.

    O mecanismo de fraude é complexo e sofisticado. As empresas envolvidas compram refinarias e centenas de postos de combustível, falsificam notas fiscais para simular um faturamento muito maior do que o real. E assim inserem no mercado formal bilhões de reais oriundos de atividades criminosas. Além da lavagem de dinheiro em si, essas empresas também praticam a suação fiscal comum, utilizando a fraude tributária como uma vantagem competitiva deliberada para esmagar concorrentes honestos.

    O empresário pego nesta operação de grande escala é Ricardo Magro, o dono da Raffid, que ostenta o título de maior devedor com Tomás do Brasil. com uma dívida ativa que ultrapassa a marca de 26 bilhões de emos federais e estaduais não pagos. A relação de magro com o poder político é mais do que casual, é notória e documentada.

    Ele não é apenas ligado ao governo do Rio de Janeiro, cujos membros tentaram, de forma controversa reativar a refinaria na justiça, contrariando ordens de fechamento da PF sob a alegação de risco de segurança. Magro também mantém uma proximidade embaraçosa com o próprio Hugo Mota. Documentos e relatos de imprensa revelam que Mota foi a estrela de um jantar suntuoso oferecido pela Refit em Nova York.

    Com altos custos de hospedagem, relatos apontam para R$ 5.000 por diária e utilizando de forma controversa uma aeronave da Força Aérea Brasileira, OEFAB, para o deslocamento internacional, gerando um custo considerável para o herário público e levantando sérias questões sobre o uso indevido de recursos e bens da União. Esta proximidade e intercâmbio de favores se traduzem diretamente em manobras legislativas de blindagem.

    O Congresso vinha discutindo um projeto de lei, PL, vindo do Senado, que visava justamente cobrar e punir com mais rigor os devedores contumases, como Ricardo Magro, dono da Heffit. No entanto, o projeto ficou misteriosamente paralisado por meses na Câmara sob a presidência de Hugo Mota.

    Questão ideológica que dividia na eleição foi secundarizada, diz Lula no 1º  encontro com Alcolumbre e Motta – CartaCapital

    Um ato que, na prática, beneficiava diretamente o maior sonegador do país e seu anfitrião em Nova York. Hugo Mota, após a operação da PF e a pressão midiática intensa, foi forçado a pautar o projeto, mas não sem antes a iniciativa ter sido sabotada por membros do centrão, como Ciro Nogueira, que tentou incluir emendas no Senado para blindar donos de refinarias e usinas da aplicação dessa lei, alegando questões técnicas.

    A atuação de Mota, protelando e dificultando a votação de um projeto que penalizaria o maior devedor com Tomás do país e amigo da refinaria que o convidou para a viagem de luxo, é vista como a evidência mais clara de que a briga dele e de Alcol Columbre não é por pauta política ou ideológica, mas sim uma tentativa desesperada e coordenada de frear as investigações que se aproximam perigosamente de seus círculos financeiros e políticos.

    Eles temem que o Lula, tal como governos anteriores agiram com seus desafetos, interfira na autonomia da PF para proteger seus aliados. Mas o governo tem mantido a política de não interferência nas investigações do andar de cima. O medo do centrão é exponencialmente amplificado pelo risco iminente de delações premiadas nos inquéritos em curso.

    O cenário do banco master, por exemplo, que se cruza com o caso Heffet. e envolve o cunhado do maior doador de campanha de Tarcísio de Freitas. Cria uma linha de investigação que ameaça derrubar toda a base política do Republicanos e do entorno de Ciro Nogueira. a possibilidade de que figuras

  • O que os sumos sacerdotes do Egito faziam às filhas do faraó durante rituais secretos era pior que a morte.

    O que os sumos sacerdotes do Egito faziam às filhas do faraó durante rituais secretos era pior que a morte.

    No nono dia do 3º mês de Akhet, 714 anos antes de Cristo, uma princesa caminha por corredores esculpidos em calcário que resistiu por mil anos. O nome dela é Shepenwepet, filha do Faraó Osorkon III, e ela tem 14 anos. Ela veste linho branco tão fino que levou 6 meses a tecer. Ouro circunda os seus pulsos e garganta.

    O seu cabelo foi tratado com óleos que cheiram a mirra e incenso. Por todas as medidas visíveis, ela está a ser preparada para a mais alta honra que uma filha real pode receber. Ela está aterrorizada. Os corredores levam mais fundo para o templo de Karnak, passando por salões públicos onde as pessoas comuns deixam oferendas, passando por pátios onde os sacerdotes realizam cerimónias visíveis a milhares. Estes são os espaços que o pai dela conhece.

    Os espaços que aparecem em relatos oficiais, os espaços que representam a religião egípcia como ordem divina e majestade sagrada. Mas ela caminha para além desses espaços agora, através de portas que só os sacerdotes podem passar, por passagens que se estreitam a cada curva, em direção a câmaras que não existem em registos públicos, em direção a rituais que nunca serão descritos em hieróglifos destinados a olhos comuns.

    Três sacerdotisas a acompanham. Elas não são guardas exatamente. Não a restringem. Elas simplesmente andam ao lado dela com a calma certeza de mulheres que realizaram esta tarefa antes. Mulheres que conduziram outras princesas por estes mesmos corredores. Mulheres que sabem precisamente o que espera na câmara à frente. Uma delas, a mais velha, fala. “Tu entendes a honra que te está a ser concedida.

    Tu te tornarás a Esposa de Deus de Amun. Tu falarás pelo divino. Tu mediarás entre o reino terrestre e o celestial. O reino do teu pai depende do teu serviço.” Shepenwepet entende as palavras. Ela foi ensinada o seu significado ao longo dos últimos 6 meses de preparação. Mas entender e aceitar não são a mesma coisa. Ela sabe o que a cerimónia pública envolverá amanhã.

    Os pronunciamentos perante multidões reunidas. O casamento ritual com o deus Amun realizado no templo principal. Os títulos conferidos, as honras proclamadas. O que ela não sabe é o que acontece esta noite nestas câmaras escondidas durante rituais que o pai dela, o homem mais poderoso do Egito, nunca testemunhou e nunca será informado em detalhe.

    A lacuna entre a cerimónia pública e a realidade privada é onde a verdadeira transformação ocorre. E é sobre essa lacuna que ninguém falou honestamente. O pai dela senta-se no seu palácio neste exato momento, talvez a 50 passos de distância através de paredes de pedra que poderiam muito bem ser montanhas. Ele acredita que a sua filha está a ser preparada para a cerimónia da manhã.

    Ele acredita que ela está a ser instruída nas suas orações finais e purificações. Foi-lhe dito que os rituais desta noite são demasiado sagrados para até Faraós testemunharem, que o deus exige privacidade com a sua consorte escolhida durante estas preparações finais. Ele acredita nisto porque recusar-se a acreditar exigiria uma ação que ele não pode tomar.

    O tratado com o sacerdócio de Amun foi assinado. Os arranjos políticos estão completos. A dedicação de Shepenwepet garante a estabilidade egípcia numa época em que potências estrangeiras ameaçam de todas as direções. O pai dela sacrificou a sua filha para preservar o seu reino. Reconhecer o que esse sacrifício realmente custa destruí-lo-ia. Melhor acreditar nos sacerdotes. Melhor confiar nas autoridades religiosas que prometem que a honra e a devoção aguardam a sua filha.

    Entretanto, aquela criança caminha em direção a algo que o pai dela não pode imaginar e não permitiria se entendesse. O corredor termina numa porta, não as portas douradas e maciças do templo público. Esta porta é de calcário simples, indistinguível da parede, exceto pela ligeira costura que marca o seu contorno. Uma sacerdotisa retira uma chave. A porta abre-se para dentro com um som que ecoa na pedra. A câmara para além é pequena, talvez 4,5 metros de diâmetro, circular. As paredes estão cobertas de hieróglifos que Shepenwepet pode ler, mas cujos significados neste contexto parecem ameaçadores em vez de sagrados. Instruções, procedimentos, a documentação do que ocorreu neste espaço durante séculos. No centro senta-se uma bacia de pedra cheia de líquido que brilha escuro à luz do candeeiro, não água. Outra coisa. O cheiro é amargo, medicinal, sobreposto com fumo de incenso que se enrola pela câmara. Quatro sacerdotes esperam nas sombras. Eles vestem as peles de leopardo que marcam as mais altas posições do sacerdócio de Amun. Os seus rostos estão pintados com ocre e carvão em padrões que os transformam de homens em representações da autoridade divina. Eles não falam. Eles simplesmente observam enquanto Shepenwepet entra. A sacerdotisa mais velha gesticula em direção à bacia. “A purificação deve ser completa. Remova as suas vestimentas e entre na água sagrada.” Este é o momento em que a narrativa pública e a realidade oculta começam a divergir. Tudo o que se segue ocorre sob a linguagem do ritual sagrado, serviço divino e transformação sagrada.

    Mas a realidade envolve procedimentos que horrorizariam o pai de Shepenwepet se descritos em linguagem simples. O génio do sistema é que nunca será descrito em linguagem simples. Será registado como cerimónia religiosa. Será lembrado como a dedicação honrada de uma princesa ao serviço divino. E Shepenwepet nunca será capaz de dizer a ninguém o que realmente aconteceu nesta câmara.

    Não porque ela será impedida de falar, mas porque o sistema desenvolveu técnicas para garantir que as vítimas não podem articular a sua própria violação sem simultaneamente profanar os fundamentos sagrados da sociedade egípcia. Mas aqui está o que torna este momento verdadeiramente notável. O que o torna pior do que qualquer coisa a acontecer à vista do público? Três câmaras de distância, outra mulher senta-se sozinha.

    O nome dela é Amenirdis I e ela ocupou a posição de Esposa de Deus antes de o sistema de adoção ser implementado. Ela tem 53 anos. Ela vive neste complexo do templo há 38 anos. E ela sabe exatamente o que está a acontecer a Shepenwepet agora mesmo porque a mesma coisa aconteceu com ela décadas atrás. Ela poderia caminhar até aquela câmara. Ela tem a autoridade. Ela ainda é Esposa de Deus, em breve será substituída, mas ainda não foi demitida. Ela poderia entrar naquela sala e parar o que está prestes a ocorrer. Ela senta-se nos seus aposentos em vez disso, mãos cerradas, respiração cuidadosamente controlada, enquanto sons que não deviam existir a alcançam através das paredes de pedra. Ela aprendeu ao longo de décadas que a intervenção é impossível.

    A única vez que ela tentou avisar uma mulher mais jovem sobre o que a esperava, foi submetida a rituais de purificação que duraram 3 dias e a deixaram incapaz de andar durante uma semana. Ela aprendeu, adaptou-se. Ela sobreviveu não interferindo com a perpetuação do sistema. Mas esta noite, os sons estão mais altos do que o habitual. Ou talvez ela esteja simplesmente mais consciente. Ou talvez, após 38 anos de dormência, algo tenha rachado e ela possa sentir novamente.

    Seja qual for a causa, ela senta-se num luxo que ridiculariza a sua impotência e ouve enquanto outra rapariga é destruída em nome do serviço divino. Hoje vais descobrir como o sacerdócio de Amun construiu este sistema. Como ascenderam a um poder que rivalizava com os próprios faraós. Como transformaram a autoridade religiosa em mecanismos de controlo sobre mulheres reais.

    Como desenvolveram rituais que serviam à exploração política e pessoal, enquanto mantinham a aparência de serviço divino. Como construíram infraestrutura dentro dos templos que criou espaços além da supervisão. Como selecionaram, isolaram e transformaram as filhas dos governantes do Egito em instrumentos que serviam ao poder sacerdotal. Vais descobrir o que aconteceu a mulheres que tentaram resistir.

    O que aconteceu aos servos que testemunharam e tentaram ajudar. O que aconteceu a membros da família que tentaram intervir? Vais aprender sobre os sistemas económicos que tornaram esta exploração lucrativa. Os quadros legais que a tornaram tecnicamente legítima.

    As justificações religiosas que a tornaram psicologicamente aceitável para milhares de participantes. Isto não é especulação. Isto não é ficção sensacionalista. Esta é história documentada que os egiptólogos têm vindo a juntar a partir de inscrições em templos, registos de túmulos, papiros administrativos e evidência arqueológica. As fontes existem. Os padrões são claros. As histórias individuais emergem da análise cuidadosa do que os registos oficiais dizem e, mais importante, do que eles omitem estrategicamente. A Esposa de Deus de Amun era real. Shepenwepet era real.

    As outras mulheres que detinham este título eram reais. O que lhes aconteceu foi sistemático, calculado e escondido sob camadas de linguagem religiosa que tornava a discussão honesta quase impossível, mesmo para os contemporâneos. Antes de continuarmos, compreende que o que se segue examina o poder, a religião e a exploração de formas que são profundamente perturbadoras.

    Estes não foram atos aleatórios de crueldade individual. Esta foi prática institucional mantida ao longo de séculos. O horror reside na natureza sistemática, na competência administrativa, na forma como a civilização sofisticada construiu quadros que transformaram o abuso em dever sagrado. Fica até ao fim porque o que vais aprender irá quebrar completamente tudo o que pensavas saber sobre o antigo Egito.

    Clica no like do vídeo e subscreve o canal para apoiar um colega entusiasta da história e diz-me de onde estás a assistir nos comentários. Fico sempre surpreendido com a distância que estas histórias alcançam. Agora vamos regressar àquela câmara por baixo de Karnak e descobrir o que aconteceu quando Shepenwepet entrou naquela bacia.

    Mas primeiro, devemos entender como este sistema surgiu em primeiro lugar. Porque as origens revelam intenções que a propaganda posterior tentou obscurecer. Para entender como os altos sacerdotes egípcios ganharam o poder de controlar as filhas do Faraó, deves primeiro compreender a natureza única do sacerdócio de Amun e como evoluiu ao longo de mil anos para um estado dentro do estado. O sistema religioso do Egito nunca foi monolítico.

    A terra continha milhares de templos dedicados a centenas de divindades. Cada cidade importante tinha o seu deus padroeiro. Cada templo tinha o seu sacerdócio. Durante a maior parte da história egípcia, os faraós mantiveram uma clara supremacia sobre as instituições religiosas. Eles nomeavam altos sacerdotes. Eles controlavam as receitas dos templos.

    Eles garantiam que nenhum único sacerdócio acumulasse poder suficiente para desafiar a autoridade real. Mas Amun era diferente desde o início. O deus originou-se em Tebas, uma cidade relativamente menor durante o Reino Antigo. Quando os príncipes Tebanos derrubaram governantes estrangeiros e estabeleceram o Reino Médio por volta de 2.000 anos antes da era comum, eles elevaram a sua divindade local à proeminência nacional.

    Amun tornou-se associado ao deus sol Rá, fundindo-se em Amun-Rá, rei dos deuses. Tebas tornou-se a capital religiosa. E os sacerdotes que serviam Amun de repente viram-se a gerir o culto mais importante do Egito. O Novo Reino, começando por volta de 1550 antes da era comum, trouxe um crescimento explosivo na proeminência de Amun. Os faraós fizeram campanha no Próximo Oriente, conquistando territórios desde a Núbia até à Síria. Eles atribuíram o seu sucesso militar ao favor de Amun.

    Eles inundaram os templos Tebanos com tributos de povos conquistados. Ouro, prata, terra, escravos, a riqueza a fluir para o templo de Karnak tornou-se impressionante. Registos contemporâneos fornecem números específicos que revelam a escala. Um papiro do reinado de Ramessés III documenta que os templos de Amun possuíam 421.000 cabeças de gado, 433 jardins, mais de 80 navios, 65 aldeias e empregavam 81.000 trabalhadores. Esta não era uma instituição religiosa no sentido moderno. Este era um império económico.

    Na época de Ramessés III, por volta de 1150 antes da era comum, o sacerdócio de Amun controlava quase um terço das terras aráveis do Egito. Eles empregavam dezenas de milhares de pessoas. Operavam oficinas, quintas, minas, expedições comerciais. Mantinham exércitos privados para proteger as suas vastas posses.

    Eles tinham-se tornado, em termos económicos e políticos, tão poderosos quanto o próprio faraó. Mas aqui está o que as inscrições oficiais nunca declararam diretamente. Esta riqueza criou corrupção que o próprio sacerdócio documentou em registos internos nunca destinados a visualização pública. Papiros administrativos descobertos nos arquivos do templo revelam desfalque, suborno e exploração sistemática de trabalhadores.

    Os sacerdotes viviam num luxo que excedia os padrões reais, enquanto os trabalhadores do templo subsistiam com rações mínimas. A lacuna entre os ideais religiosos e a prática real era enorme. Isto criou um problema fundamental. Os faraós derivavam legitimidade do mandato divino. Eles governavam porque os deuses aprovavam.

    Mas se os sacerdotes que supostamente mediavam a vontade divina se tornassem demasiado poderosos e demasiado corruptos, eles podiam ameaçar essa legitimidade. Eles podiam declarar que os deuses estavam desagradados. Eles podiam reter as cerimónias religiosas que confirmavam a autoridade real. Eles podiam, com efeito, vetar o poder faraónico através de meios religiosos. O sacerdócio e o trono entraram num equilíbrio delicado.

    Nenhum podia destruir o outro sem destruir os fundamentos da sociedade egípcia. Os faraós precisavam da confirmação sacerdotal do favor divino. Os sacerdotes precisavam da proteção e patrocínio reais. A relação era simbiótica, mas cada vez mais tensa. Múltiplos faraós tentaram limitar o poder sacerdotal durante o Novo Reino.

    Acnáton tentou a solução mais radical, tentando substituir todo o sistema religioso egípcio pela adoração de uma única divindade solar. A sua revolução falhou catastroficamente. Após a sua morte, o sacerdócio de Amun regressou com poder reforçado, tendo demonstrado que nem mesmo os faraós podiam desafiar com sucesso a sua autoridade. A lição era clara.

    O confronto direto com o sacerdócio era suicídio político, mas permitir-lhes poder ilimitado era igualmente perigoso. Os governantes egípcios precisavam de uma estratégia diferente, uma forma de manter a influência dentro do culto de Amun sem desencadear o tipo de crise religiosa que tinha destruído Acnáton. Nesta tensão surgiu uma inovação notável, a posição de Esposa de Deus de Amun.

    O título apareceu durante o Reino Médio, mas ganhou significado político durante a 18ª dinastia. A Esposa de Deus de Amun era apresentada como a consorte terrestre do deus. Ela realizava rituais que teoricamente aplacavam Amun, garantindo o seu contínuo favor ao Egito. Ela detinha uma enorme autoridade religiosa, superada apenas pelo sumo sacerdote de Amun.

    E criticamente, ela era sempre uma mulher de sangue real. Inicialmente, esta posição era ocupada pelas esposas ou mães do Faraó, mulheres da família real que já estavam ligadas ao trono. O arranjo funcionava. Dava à família real envolvimento direto no culto de Amun sem desafiar a autoridade sacerdotal. Demonstrava piedade faraónica. Criava uma ligação visível entre o divino e o real.

    A Rainha Ahhotep deteve o título durante a 17ª dinastia. A Rainha Ahmose-Nefertari, que ajudou a expulsar os invasores Hicsos e a estabelecer o Novo Reino, exerceu enorme influência através da posição. Estas mulheres eram figuras políticas poderosas por direito próprio.

    O título de Esposa de Deus realçava a sua autoridade, em vez de a restringir. Mas algo mudou durante o Terceiro Período Intermediário, quando o Egito se fragmentou em reinos concorrentes. A natureza da posição transformou-se de formas que os registos oficiais obscurecem, mas os documentos administrativos revelam. Um papiro do ano 7 do Faraó Shabaka descoberto nos arquivos do templo Tebano contém correspondência entre oficiais reais e o sumo sacerdote.

    A carta discute arranjos para a dedicação da filha do faraó. A linguagem é burocrática, discutindo logística, atribuições de habitação, alocações de pessoal, transferências de receitas. Mas enterrada no detalhe administrativo está uma frase que revela a dinâmica de poder: “de acordo com os termos exigidos pelo templo como condição para o reconhecimento.” O sacerdócio estava a fazer exigências. Os faraós estavam a cumprir.

    E os termos envolviam entregar filhas reais. Os Faraós Kushitas que reunificaram o Egito a partir da sua base na Núbia por volta de 750 antes da era comum enfrentaram um problema particular. Eram conquistadores estrangeiros que precisavam de legitimar o seu domínio sobre os territórios egípcios tradicionais.

    Eles precisavam do reconhecimento do sacerdócio Tebano mais do que a maioria dos governantes porque o seu direito a governar era questionado pela nobreza egípcia tradicional. Os sacerdotes tinham influência. Eles podiam conceder ou reter a legitimidade religiosa e usaram essa influência para extrair uma concessão sem precedentes. A filha do faraó, não a sua esposa ou mãe, tornar-se-ia Esposa de Deus de Amun.

    Ela seria dedicada jovem, antes do casamento. Ela faria votos de castidade que a impediam de ter herdeiros. Ela adotaria a próxima Esposa de Deus como sua sucessora, mantendo a continuidade da posição fora da sucessão dinástica normal. Mais criticamente, ela residiria permanentemente em Tebas dentro do complexo do templo sob supervisão sacerdotal. Este arranjo alterou fundamentalmente a dinâmica de poder.

    O faraó estava a entregar a sua filha permanentemente à autoridade sacerdotal. Ela nunca casaria. Nunca produziria herdeiros que pudessem fortalecer o poder real. Ela viveria toda a sua vida dentro de uma instituição controlada pelo próprio sacerdócio que o trono estava a tentar gerir.

    Os sacerdotes apresentaram isto como honrar a devoção real. Descreveram-no como o mais alto privilégio. Registaram-no em inscrições como evidência de piedade faraónica. Mas estruturalmente era tomada de reféns tornada sagrada. E uma vez que o precedente foi estabelecido com a dinastia Kushita, cada governante subsequente enfrentou a mesma expectativa.

    A primeira filha do faraó a ocupar a posição sob estes novos termos foi Amenirdis I, filha de Kashta, por volta de 740 antes da era comum. Ela foi dedicada aos 13 anos. De acordo com inscrições que calculam os seus anos de serviço, ela adotou Shepenwepet, a primeira filha do próximo faraó, como sua sucessora quando essa rapariga atingiu os 12 anos. Isto estabeleceu o padrão.

    Cada Esposa de Deus adotaria a filha do próximo faraó, criando uma cadeia de sucessão que ligava cada nova dinastia ao sacerdócio Tebano. Mas aqui está o que as inscrições nunca explicam. Por que é que a adoção se tornou obrigatória? Sob o sistema anterior, quando as rainhas detinham o título, passava naturalmente através das linhas da família real. O requisito de adoção servia um propósito específico.

    Garantia que a lealdade da Esposa de Deus pertencia à sua antecessora adotiva e ao sacerdócio, em vez da sua família biológica e do trono. A mulher que te adotava controlava a tua herança. Ela determinava se recebeste as propriedades e a autoridade associadas à posição.

    Ela avaliava o teu desempenho e podia teoricamente revogar a adoção se te revelasses inadequada. Isto criava uma cadeia de obrigação que passava pela instituição sacerdotal, em vez de através da linhagem real. Mais importante, significava que cada faraó não podia reclamar a sua filha. Uma vez adotada pela anterior Esposa de Deus, ela legalmente pertencia a essa linha de sucessão.

    O sacerdócio tinha encontrado um mecanismo para extrair permanentemente filhas reais do controlo familiar enquanto mantinha a aparência de honrar essas famílias. As mulheres que detinham esta posição estavam entre as pessoas mais poderosas do Egito em termos administrativos. Elas controlavam vastas propriedades. Elas comandavam enormes equipas. Elas realizavam rituais que teoricamente determinavam o destino do reino.

    As inscrições do templo descrevem-nas como Amadas de Amun, consorte divina, senhora das duas terras. Um documento económico do ano 15 de Osorkon III lista propriedades controladas pela Esposa de Deus Shepenwepet II. As propriedades incluíam sete grandes quintas no Alto Egito, três quintas no Delta, duas estações comerciais na Núbia, oficinas que empregavam mais de 3.000 artesãos, terras agrícolas trabalhadas por 15.000 trabalhadores e receita anual equivalente a aproximadamente 2 toneladas de ouro.

    Isto era poder real, riqueza real, autoridade real sobre milhares de vidas e enormes recursos. Mas poder e autonomia não são sinónimos. Estas mulheres exerciam autoridade apenas dentro de quadros completamente controlados pelo sacerdócio. Elas realizavam rituais concebidos por sacerdotes. Elas viviam em aposentos mantidos por sacerdotes. Elas estavam constantemente rodeadas por oficiais sacerdotais que geriam todos os aspetos da sua existência.

    Elas exerciam enorme influência, mas não possuíam liberdade real. E sob as inscrições oficiais, sob as cerimónias públicas, sob as honras registadas, jazia uma realidade oculta que nenhum documento público jamais descreveria explicitamente. Os rituais de iniciação cujos detalhes eram mantidos até dos faraós. As técnicas de isolamento que impediam a genuína ligação humana.

    Os mecanismos de controlo físico disfarçados de práticas de purificação. A exploração vestida de linguagem sagrada. Tudo isso documentado apenas em fragmentos, em leituras cuidadosas do que as fontes omitem, em vez do que afirmam. Em evidência arqueológica de espaços cujas funções nunca foram oficialmente registadas, nos ossos traumatizados de mulheres cujas múmias revelam o que as inscrições ocultam.

    A bacia continha água misturada com natrão, o composto salino usado na mumificação. O simbolismo era deliberado. Shepenwepet estava a passar por uma morte ritual. A sua identidade anterior como filha do Faraó estava a ser dissolvida. O que emergiria da bacia seria algo novo, algo que pertencia ao templo, em vez de à sua família. Ela removeu o seu linho fino conforme instruído.

    As sacerdotisas pegaram em cada vestimenta cuidadosamente, dobrando-as com precisão ritualística. Estas roupas seriam armazenadas numa câmara selada. Ela nunca mais as usaria. Elas representavam a sua vida anterior agora a terminar. A água estava fria apesar da noite quente egípcia. Ela entrou na bacia, o líquido subindo até à sua cintura. O natrão ardia onde tocava a sua pele, uma irritação química que se intensificava à medida que os minutos passavam. Isto era esperado.

    Isto fazia parte da purificação. Os sacerdotes começaram a cantar em egípcio antigo, a linguagem sagrada usada apenas em contextos religiosos. Shepenwepet entendia fragmentos, referências à morte e renascimento, à dissolução dos laços terrestres, ao surgimento como vaso divino. A linguagem era antiga mesmo para ela, carregando peso de séculos de uso em contextos semelhantes. Um sacerdote aproximou-se da bacia a carregar uma navalha de cobre afiada.

    As sacerdotisas já tinham removido a maior parte do seu pelo corporal durante os 6 meses de preparação, mas esta navalha final era cerimonial. Ele começou pela sua cabeça, rapando os últimos vestígios de cabelo enquanto continuava o cântico. O cabelo carregava identidade pessoal na crença egípcia. Removê-lo simbolizava remover o apego ao eu individual. Mas o simbolismo tinha propósitos práticos também. A remoção completa do pelo corporal marcava-a como diferente de todas as outras mulheres no Egito. Qualquer pessoa que a visse saberia imediatamente que ela pertencia ao templo. Ela não podia disfarçar-se, não podia misturar-se na sociedade normal, não podia escapar sem ser instantaneamente reconhecível. A rapagem era tanto marcação quanto simbolismo.

    Quando a rapagem estava completa, as sacerdotisas derramaram solução adicional de natrão sobre a sua cabeça, deixando-a escorrer pelo seu rosto e corpo. O ardor intensificou-se. Ela fechou os olhos. Ela tinha sido instruída a não gritar, a não mostrar sofrimento. Qualquer sinal de resistência indicaria inaptidão para o serviço divino. Qualquer som significaria que ela carecia da força necessária para os seus deveres sagrados.

    Qualquer desconforto visível sugeriria que ela era indigna. Este era o primeiro teste. Suportar o desconforto em silêncio. Demonstrar capacidade para a submissão a procedimentos que magoavam sem fornecer explicação ou conforto. Provar que a obediência suplantava o sentimento pessoal. Mostrar que se podia sofrer sem queixas. Ela passou. Ela permaneceu em silêncio, exceto pela respiração superficial que não conseguia controlar totalmente.

    Os sacerdotes notaram a sua submissão. Um fez uma marca num pergaminho de papiro registando o seu primeiro teste bem-sucedido. Após o que pareceram horas, mas foram talvez 30 minutos, eles a levantaram da bacia, as sacerdotisas a secaram com linho e a vestiram com novas vestimentas, não as roupas finas e decorativas que ela usara antes, linho branco simples, do tipo usado por sacerdotes durante o serviço do templo, funcional, uniforme, marcando-a como pertencente à instituição, em vez de representar estatuto real.

    As vestimentas eram idênticas às usadas por dezenas de outros servos do templo. Isto era intencional. Ela estava a ser transformada de princesa única em componente intermutável do aparato religioso. A sua individualidade estava a ser sistematicamente removida, substituída por identidade institucional. Levaram-na para uma câmara adjacente.

    Este espaço era maior, as suas paredes cobertas com pinturas que representavam o deus Amun em várias formas. A imagem dominante mostrava Amun como um homem com um falo ereto, uma representação comum, enfatizando o poder criativo e gerador do deus. Shepenwepet tinha visto tais imagens antes em templos públicos onde representavam conceitos abstratos de fertilidade e criação. Mas aqui nesta câmara privada com quatro sacerdotes a observá-la, as imagens assumiram um significado diferente.

    Isto não era teologia abstrata. Isto era uma pré-visualização do que estava prestes a ocorrer. As pinturas eram um manual de instruções tornado em iconografia religiosa. O sumo sacerdote de Amun avançou. O nome dele era Montuemhat e ele era a pessoa não-real mais poderosa do Egito. Ele controlava o complexo do templo Tebano com autoridade absoluta. Ele comandava recursos que rivalizavam com o tesouro do faraó.

    Ele tinha sobrevivido a três dinastias diferentes, tornando-se indispensável para cada governante sucessivo através de uma combinação de legitimidade religiosa e poder económico. Ele tinha 63 anos e detinha a sua posição há mais de 30 anos. Ele tinha supervisionado pessoalmente a iniciação de quatro esposas de deuses anteriores.

    Ele sabia exatamente o que estava a fazer. Esta não era a sua primeira vez. Este era um procedimento refinado, aperfeiçoado através de décadas de prática. “Tu já não és Shepenwepet, filha de Osorkon,” ele afirmou. A sua voz era formal, ritual, desprovida de calor pessoal. “Tu és a Esposa de Deus, a consorte divina, o vaso terrestre através do qual a vontade de Amun se manifesta.

    A tua identidade anterior está morta. O que resta é instrumento sagrado.” Ele gesticulou para uma plataforma no centro da câmara. “Deita-te. A consagração deve ser completada.” Este foi o momento em que a iniciação transitou para outra coisa. Algo que nunca seria descrito em registos oficiais.

    Algo que ocorreu em dezenas de tais cerimónias ao longo dos séculos, mas foi sistematicamente excluído da documentação. Algo que não servia a propósito religioso, mas servia a muitos propósitos pessoais e políticos. Shepenwepet compreendeu com clareza doentia o que significava a consagração. Os seis meses de preparação tinham incluído referências veladas, explicações proferidas em linguagem eufemística sobre união sagrada e casamento divino e manifestação física da realidade espiritual. Mas os eufemismos tinham sido deliberadamente

    vagos, impedindo-a de compreender totalmente o que descreviam até este momento em que a recusa era impossível. Ela olhou para a porta. As sacerdotisas estavam de pé à sua frente, bloqueando qualquer saída. Ela olhou para os sacerdotes. Os seus rostos pintados não revelavam nada.

    Eles não eram homens neste contexto, ou assim insistia o quadro religioso. Eram representantes da autoridade divina. As suas ações, quaisquer que fossem essas ações, ocorriam dentro do quadro do ritual religioso e, portanto, transcendiam o julgamento normal. Mas Shepenwepet tinha 14 anos e compreendeu que o que estava prestes a acontecer não tinha nada a ver com deuses e tudo a ver com poder.

    Ela compreendeu que estes homens tinham desenvolvido um sistema que lhes permitia fazer o que quer que quisessem com filhas reais, enquanto chamavam a isso adoração. Ela compreendeu que estava presa. “Deita-te,” repetiu Montuemhat. “O deus espera pela sua consorte.” Ela tinha sido criada a acreditar que os deuses eram reais, que o ritual religioso ligava os reinos terrestre e divino, que os sacerdotes mediavam o poder sagrado.

    Estas crenças tinham sido a fundação da sua educação, da sua visão do mundo, da sua compreensão da própria realidade. O génio do sistema foi que ele usou essas crenças como arma. Resistir aos sacerdotes era resistir aos deuses. Questionar o ritual era questionar a verdade religiosa. Recusar era cometer sacrilégio que deslegitimaria o reinado do seu pai e traria a ira divina sobre o Egito. Esta era a armadilha.

    Resistir e causar catástrofe nacional. Submeter-se e suportar a destruição pessoal. Não havia terceira opção. Ela deitou-se na plataforma. A pedra estava fria sob o linho fino que já estava a ser removido do seu corpo. O que se seguiu foi violação tornada sagrada através do contexto.

    Os sacerdotes realizaram ações que serviam os seus próprios propósitos, enquanto descreviam essas ações como necessidade religiosa. Eles invocaram a autoridade divina para justificar procedimentos que não tinham nada a ver com a genuína espiritualidade e tudo a ver com o estabelecimento de controlo absoluto sobre uma rapariga de 14 anos que não tinha poder para resistir e nenhuma linguagem para descrever o que estava a acontecer sem blasfemar contra os fundamentos da própria religião egípcia. A cerimónia durou até ao amanhecer. Múltiplos sacerdotes participaram em rotação. Eles registaram as suas ações em documentos usando linguagem codificada. O casamento divino foi consumado. O deus recebeu a sua noiva. A união sagrada foi alcançada. Estas frases apareceriam em registos internos do templo. Elas documentavam o que ocorreu sem realmente o descrever.

    Anos mais tarde, quando os arqueólogos descobriram estes registos, a maioria inicialmente interpretou a linguagem como puramente metafórica, descrições simbólicas de comunhão espiritual. Foi apenas através da referência cruzada com evidência arquitetónica, com o design destas câmaras, com os ferimentos visíveis em restos mortais mumificados, com a análise comparativa de sistemas semelhantes noutras culturas, que a realidade literal começou a emergir.

    Isto não era metáfora. Isto era documentação de abuso sistemático disfarçado sob terminologia religiosa. Quando o sol nasceu, eles vestiram Shepenwepet novamente. Pintaram o seu rosto com cosméticos no estilo elaborado reservado para a Esposa de Deus. Colocaram braceletes de ouro nos seus pulsos, tornozelos e garganta.

    Arranjaram um colar cerimonial de lápis-lazúli e cornalina sobre os seus ombros. Posicionaram uma coroa de ouro e prata na sua cabeça recém-rapada. Transformaram a sua aparência de vítima em deusa. Isto era crucial. Qualquer pessoa que a visse agora veria insígnias e autoridade.

    Não veriam o dano, não notariam que ela mal conseguia andar, não reconheceriam que estava em choque. A elaborada apresentação obscureceu o trauma por baixo. Levaram-na para câmaras que se tornariam a sua residência permanente dentro do complexo do templo. Os quartos eram magníficos. Paredes pintadas retratavam cenas de triunfo religioso. Mobiliário de ébano e marfim preenchia os espaços.

    Cortinas de linho bordadas com fio de ouro separavam as áreas de dormir das salas de receção. Cada superfície demonstrava riqueza e cuidado. Ela mal conseguia registar os seus arredores. A dor física era severa, mas o dano psicológico era muito pior. Ela tinha sido sistematicamente violada por homens que invocavam autoridade religiosa.

    Ela tinha sido incapaz de resistir sem cometer sacrilégio. Ela tinha sido transformada de filha do Faraó em algo que pertencia inteiramente ao sacerdócio. E o aspeto mais horripilante era que, em 6 horas, seria esperado que ela aparecesse no templo principal para a sua cerimónia de dedicação pública. Ela ficaria perante milhares de testemunhas. Ela aceitaria o título de Esposa de Deus formalmente.

    Ela sorriria e demonstraria graça e mostraria ao povo do Egito que estava honrada em servir. A lacuna entre o que acabara de acontecer e o que lhe seria exigido realizar era o espaço onde a sua identidade se estilhaçou completamente. Seis horas depois, Shepenwepet entrou no pátio principal do Templo de Karnak.

    10.000 pessoas tinham-se reunido para testemunhar a sua dedicação formal. O pai dela, o Faraó Osorkon, sentou-se num trono posicionado em frente à entrada do templo. O sumo sacerdote, Montuemhat, estava ao lado dele. Entre eles, um espaço vazio esperava por Shepenwepet. Ela moveu-se com passos cuidadosos, cada movimento calculado para esconder o dano físico da iniciação da noite.

    Os assistentes tinham-lhe fornecido preparações medicinais que suavizavam a dor o suficiente para andar. Tinham aplicado cosméticos adicionais que ocultavam quaisquer sinais visíveis de sofrimento. Tinham-na vestido com vestimentas especificamente concebidas para apoiar o seu corpo, enquanto pareciam cerimoniais. A multidão viu uma princesa em magnificente regalia. Eles viram ouro e lápis-lazúli a apanhar a luz do sol. Eles viram uma jovem que parecia serena e graciosa. Eles viram exatamente o que o sistema queria que vissem. Enquanto Shepenwepet caminhava em direção ao trono, uma voz na multidão chamou. A voz de uma mulher a falar Núbio, em vez de Egípcio. As palavras eram indistintas, mas o tom era de questionamento. Vários espetadores egípcios viraram-se para a voz, franzindo a testa com a interrupção da cerimónia sagrada.

    Guardas moveram-se em direção à mulher que tinha falado. Ela foi rapidamente escoltada para fora do pátio. A sua voz desvaneceu-se enquanto era levada. A cerimónia continuou sem mais interrupções. Mas naquele momento, Shepenwepet tinha entendido algo crucial.

    A sua família na Núbia, os parentes da sua mãe que a tinham enviado para o Egito como parte do arranjo político, não sabiam o que tinha acontecido. Eles acreditavam na narrativa oficial e qualquer um que questionasse essa narrativa seria removido antes que as suas perguntas pudessem espalhar-se. O sistema tinha mecanismos internos para suprimir a dissidência, não através de violência aberta, mas através da remoção rápida e silenciosa de qualquer pessoa que ameaçasse a história oficial. O sumo sacerdote Montuemhat começou a dedicação formal.

    Ele recitou orações que descreviam as virtudes de Shepenwepet, a sua devoção, a sua pureza, a sua perfeita adequação ao serviço divino. Cada palavra foi cuidadosamente escolhida para reforçar a narrativa de que isto era honra, em vez de cativeiro. O Faraó Osorkon falou a seguir. Ele declarou o seu orgulho na seleção da sua filha para este papel sagrado.

    Ele elogiou a sua vontade de servir os deuses. Ele expressou gratidão ao sacerdócio de Amun por reconhecer a sua dignidade. A sua voz tremeu ligeiramente quando mencionou a mãe dela, que tinha morrido 2 anos antes e nunca veria este dia. Esse tremor foi a única fissura na performance.

    Mas foi o suficiente para dizer a Shepenwepet que o seu pai não estava totalmente em paz com este arranjo. Alguma parte dele questionava, alguma parte dele sofria, mas não o suficiente para o parar. Não o suficiente para arriscar as consequências políticas da retirada. A dúvida dele era real, mas impotente. Quando os discursos concluíram, foi exigido que Shepenwepet falasse, que se dirigisse à multidão reunida, que expressasse a sua alegria e devoção, que confirmasse que abraçava este papel de bom grado.

    Ela proferiu as palavras que tinham sido escritas para ela. A sua voz estava firme. Ela tinha praticado este discurso durante meses. Ela o proferiu com a precisão de alguém que tinha memorizado cada sílaba e inflexão. *Sinto-me honrada para além da medida de servir como Esposa de Deus de Amun. Este dever sagrado é a mais alta realização da minha vida. Eu dedico-me inteiramente ao serviço divino.

    Eu renuncio a todos os apegos terrenos em favor da comunhão espiritual. Comprometo-me a realizar os meus deveres com devoção até que a morte me liberte para me juntar aos deuses na vida após a morte.* As palavras ecoaram pelo pátio. 10.000 pessoas ouviram a sua aceitação voluntária. 10.000 testemunhas poderiam mais tarde testemunhar que ela tinha abraçado este papel voluntariamente. O sistema tinha fabricado consentimento através de performance pública.

    Após a cerimónia, houve um banquete. Shepenwepet sentou-se na mesa principal entre o pai e Montuemhat. Esperava-se que ela comesse, bebesse, conversasse agradavelmente com dignitários visitantes que a felicitavam pela sua elevação. Cada mordida de comida era tortura. Cada sorriso era agonia.

    Cada resposta educada exigia recorrer a reservas de força que ela não sabia possuir. Ela atuou durante seis horas, enquanto o seu corpo gritava e a sua mente se fragmentava sob a tensão de manter a compostura. O pai dela falou com ela apenas uma vez em privado durante um momento em que a atenção se tinha deslocado para os músicos que entretinham os convidados.

    Ele inclinou-se para ela e disse calmamente: “A tua mãe estaria orgulhosa. Tu honras a nossa família.” Ela olhou para ele. Realmente olhou para ele, viu a forma cuidadosa como ele evitava os seus olhos, viu a tensão na sua mandíbula, viu o ligeiro tremor na sua mão enquanto ele levantava o seu copo. Ele sabia, em algum nível, ele sabia que isto estava errado. Mas ele tinha feito a sua escolha.

    Estabilidade política sobre o bem-estar da sua filha, o reino, sobre o indivíduo. “Obrigada, pai,” ela respondeu. As palavras eram vazias. Ambos sabiam disso. Essa foi a última conversa privada que ela alguma vez teve com ele. Ele partiu no dia seguinte, regressando ao seu palácio no Baixo Egito. Ela permaneceu em Tebas. A separação era permanente por design.

    Se ainda estás a ouvir, comenta o número um abaixo para me avisares que estás aqui. Clica no like do vídeo e subscreve o canal para me mostrares o teu apoio, se ainda não o fizeste. Agora, vamos continuar. As câmaras atribuídas à Esposa de Deus eram magníficas. Ocupavam uma ala inteira do complexo do templo com pátios privados, instalações de banho e paredes decoradas que retratavam o seu estatuto oficial. Ela tinha uma equipa de 50 servos.

    Ela possuía propriedades em todo o Egito que geravam enorme receita. Ela usava joias que excediam os tesouros de reinos menores. Mas ela estava sozinha de formas que a riqueza não podia resolver. O sistema tinha desenvolvido técnicas de isolamento sofisticadas, aperfeiçoadas ao longo de gerações. Shepenwepet estava constantemente rodeada por pessoas, mas não lhe era permitido contacto genuíno com ninguém.

    Os seus servos eram selecionados pelo sacerdócio através de um processo de verificação que priorizava a lealdade à instituição sobre qualquer possível apego pessoal a ela. Eles relatavam as suas conversas, os seus estados de espírito, as suas atividades aos supervisores sacerdotais através de um sistema formal documentado em registos administrativos. Um papiro descoberto nos arquivos do templo lista os requisitos de relatórios para a comitiva da Esposa de Deus.

    Todas as noites, os servos seniores submetiam um relato escrito detalhando conversas tidas, estado emocional observado, pedidos feitos, queixas expressas, visitantes recebidos, tempo gasto em várias atividades, comida consumida, orações completadas e quaisquer comportamentos invulgares. Estes relatórios eram revistos por três oficiais sacerdotais diferentes e armazenados permanentemente.

    Shepenwepet descobriu este sistema por acidente 3 semanas após a sua dedicação. Ela encontrou uma serva a escrever num canto do pátio. Curiosa, ela aproximou-se e leu por cima do ombro da mulher antes que a serva notasse a sua presença. O papiro continha descrições detalhadas de tudo o que Shepenwepet tinha dito e feito naquele dia, incluindo uma anotação de que ela tinha chorado durante as orações da noite, sugerindo aceitação incompleta dos deveres sagrados. A serva congelou quando percebeu que Shepenwepet tinha visto o relatório. Por um momento, os olhos delas encontraram-se.

    A expressão da serva continha algo que poderia ter sido simpatia ou poderia ter sido medo. Depois ela baixou o olhar e não disse nada. Shepenwepet compreendeu. Os servos não eram seus aliados. Não podiam ser. As suas posições dependiam de satisfazer os supervisores sacerdotais. Qualquer servo que desenvolvesse lealdade pessoal a ela seria transferido imediatamente e substituído por alguém mais fiável.

    Ela testou esta compreensão uma semana depois. Uma jovem serva, uma rapariga chamada Merit, que parecia ter aproximadamente a idade de Shepenwepet, tinha mostrado pequenas gentilezas, trazendo almofadas extra sem que lhe fosse pedido. Selecionando alimentos que Shepenwepet preferia, demorando-se um pouco mais do que o necessário durante a attendance matinal, como se quisesse proporcionar companhia, Shepenwepet tentou uma conversa.

    “De onde és, Merit?” “De Abidos, Esposa de Deus.” A resposta foi formal. “Tens família lá?” “Estou dedicada ao serviço do templo. A minha família é o sacerdócio.” A resposta estava claramente ensaiada. “Mas antes de vires para cá, tinhas pais, irmãos?” O rosto de Merit ficou cuidadosamente vazio. “Eu sirvo o templo. Nada antes importa.” 2 dias depois, Merit tinha desaparecido.

    Uma serva diferente tomou o seu lugar. Quando Shepenwepet perguntou o que tinha acontecido, foi-lhe dito que Merit tinha sido reafetada para servir num templo diferente. O sacerdócio rodava os servos regularmente para garantir novas perspetivas. A mensagem era clara. Não formes apegos. Qualquer pessoa que mostrasse potencial para uma ligação genuína seria removida. O isolamento era deliberado e imposto.

    Era proibido a Shepenwepet deixar o complexo do templo sem escolta sacerdotal. A restrição foi enquadrada como proteção. A Esposa de Deus era demasiado sagrada para se mover livremente entre pessoas comuns. A sua pureza exigia isolamento de influências contaminantes. A explicação oficial enfatizava o seu estatuto elevado. Mas o efeito prático era prisão.

    Ela não podia visitar mercados, não podia caminhar por Tebas, não podia ver o Nilo, exceto das janelas do seu pátio, não podia experienciar qualquer aspeto da vida egípcia normal. O seu mundo contraiu-se para as paredes do templo e os pátios interiores. Ela só podia receber visitantes com aprovação prévia concedida pelos administradores sacerdotais. O pai dela enviou representantes três vezes durante o primeiro ano.

    Estas visitas ocorriam em pátios públicos sob supervisão sacerdotal. Guardas armados estavam nas entradas do pátio. Servos posicionavam-se a uma distância audível. A privacidade era impossível. O primeiro representante que chegou foi o escriba-chefe do pai dela, um homem chamado Amenhotep, que conhecia Shepenwepet desde a infância.

    Ele a tinha ensinado a ler hieróglifos. Ele lhe tinha trazido presentes em dias de festa. Ele tinha feito parte da sua vida antes de tudo mudar. Quando ela o viu entrar no pátio, o seu primeiro instinto foi correr para ele, implorar por ajuda, contar-lhe tudo o que tinha acontecido durante a iniciação, suplicar por resgate. Mas os guardas estavam a observar.

    Os servos estavam a ouvir. E as primeiras palavras de Amenhotep disseram-lhe que a comunicação honesta era impossível. “Princesa, perdoe-me, Esposa de Deus.” Ele corrigiu-se formalmente. “O seu pai envia saudações e pergunta pela sua saúde. Ele espera que a senhora se tenha adaptado com sucesso aos seus deveres sagrados.”

    A linguagem formal, o título cuidadoso, a ênfase na adaptação. Ele estava a sinalizar que esta conversa seria oficial, que ele não podia ajudá-la mesmo que ela pedisse, que o seu papel era relatar ao pai dela que tudo estava aceitável. “Por favor, diga ao meu pai que estou bem cuidada e honrada em servir,” ela respondeu, usando as frases que lhe tinham sido ensinadas. A resposta que satisfaria todos, exceto o coração do pai e o dela.

    Eles conversaram por talvez 30 minutos. A conversa foi inteiramente superficial. detalhes sobre a propriedade do templo que ela agora geria. Perguntas sobre a sua saúde respondidas com garantias apropriadas. Menções de desenvolvimentos políticos no Baixo Egito que não tinham ligação com a sua nova existência.

    Quando Amenhotep partiu, ela compreendeu que nem o contacto mínimo que estas visitas proporcionavam ofereceria alívio. Os visitantes viam o que o sistema queria que vissem. uma filha a viver no luxo, uma mulher a desempenhar importantes funções religiosas, uma princesa elevada ao mais alto cargo religioso. Eles relataram ao Faraó Osorkon que a sua filha estava bem cuidada e feliz no seu serviço.

    Osorkon acreditou neles porque não acreditar exigiria confrontar a possibilidade de que ele tinha entregado a sua filha a algo horrível. E confrontar essa possibilidade significaria ou revogar a sua dedicação, o que criaria uma crise religiosa que poderia destruir o seu reinado já instável, ou viver com o conhecimento de que ele tinha sacrificado a sua criança para manter a estabilidade política. Melhor acreditar nos relatórios, melhor aceitar a narrativa oficial, melhor confiar que os sacerdotes eram homens honrados a supervisionar o serviço sagrado. A dissonância cognitiva era confortável. A verdade seria insuportável. Durante uma visita inicial de um representante diferente, Shepenwepet tentou transmitir o seu sofrimento através de linguagem cuidadosa que pudesse passar pela revisão sacerdotal, enquanto sinalizava sofrimento a alguém que a conhecia bem.

    Ela descreveu sentir-se oprimida pelas responsabilidades sagradas e a lutar para entender a natureza completa do serviço divino. Ela enfatizou que a transição tinha sido mais difícil do que o antecipado e que às vezes se sentia isolada, apesar das muitas pessoas que a rodeavam.

    O representante, um oficial militar chamado Pedes, que tinha servido com o pai dela por 20 anos, acenou com a cabeça simpaticamente. “Tais sentimentos são naturais durante qualquer período de transição.” Ele respondeu: “A senhora vai crescer no seu papel. A sua dedicação ao dever é admirável. O seu pai ficará satisfeito em ouvir a sua humildade e devoção.”

    Ele tinha compreendido mal completamente ou escolhido compreender mal. Ela estava a descrever cativeiro e trauma. Ele estava a ouvir dificuldades normais de ajustamento que se resolveriam com o tempo. Depois de ele partir, Montuemhat a convocou. “A sua conversa demonstrou mau julgamento,” ele afirmou friamente. “A Esposa de Deus não expressa dúvida.”

    “A Esposa de Deus incorpora a certeza no serviço divino. A incerteza sugere fraqueza. A fraqueza ameaça a ordem divina que mantém a estabilidade do Egito. Futuras visitas serão restringidas até que demonstre melhor compreensão do seu papel público.” As visitas pararam por 8 meses.

    Quando foram retomadas, Shepenwepet tinha aprendido a atuar perfeitamente. Ela expressou nada além de contentamento. Ela descreveu os seus deveres com aparente entusiasmo. Ela demonstrou completa adaptação ao seu papel. A performance foi tão bem-sucedida que o pai dela enviou uma carta expressando alívio por as suas preocupações iniciais terem sido infundadas. A sua filha estava claramente a prosperar na sua posição sagrada.

    Os deuses a tinham abençoado com contentamento no serviço divino. Ela leu a carta dele nos seus aposentos e sentiu algo partir dentro dela que nunca sararia adequadamente. O pai dela acreditou na mentira porque ela tinha aprendido a contá-la de forma convincente. O alívio dele provou que o isolamento dela era completo. Os rituais diários exigiam execução precisa.

    Todas as manhãs antes do amanhecer, Shepenwepet acordava e era banhada por assistentes usando água que tinha sido abençoada através de orações noturnas. Ela era vestida com vestimentas específicas cujo cada detalhe carregava significado simbólico. Linho branco para pureza. Joias de ouro que representavam a ligação solar a Amun-Rá. Cosméticos específicos aplicados em ordem ritual. O processo demorava 2 horas. Ao amanhecer, ela entrava no templo principal para realizar o ritual da manhã.

    Esta cerimónia envolvia aproximar-se do santuário que continha a estátua de culto de Amun, deslacrar as portas, apresentar oferendas de comida e bebida, recitar orações prescritas em egípcio antigo, realizar gestos que tinham sido codificados séculos antes e selar novamente o santuário. Todo o procedimento era testemunhado por sacerdotes que garantiam a aderência exata à tradição.

    O ritual parece simples, mas carregava um enorme peso. A crença egípcia sustentava que os deuses exigiam sustento e cuidado diários. O ritual da manhã literalmente despertava Amun e providenciava para as suas necessidades. A falha em realizá-lo corretamente podia enfurecer o deus. O bem-estar do reino supostamente dependia da execução perfeita. Isto significava que Shepenwepet atuava sob pressão constante.

    Qualquer erro, qualquer desvio dos movimentos prescritos exatos, qualquer palavra mal pronunciada nas orações antigas, qualquer momento de distração visível nos seus olhos podia ser interpretado como negligência perigosa. Os sacerdotes observavam os erros com a intensidade de homens cujo poder dependia de encontrar falhas.

    E eles encontravam sempre algo, um gesto completado ligeiramente depressa demais, uma palavra pronunciada com inflexão moderna em vez de antiga, um momento de distração visível nos seus olhos. Os erros eram frequentemente microscópicos. Às vezes eram inteiramente inventados, mas forneciam justificação para o que os sacerdotes chamavam de “sessões de treino adicionais”.

    Estas sessões de treino ocorriam nas mesmas câmaras onde a sua iniciação tinha tido lugar. Elas sempre envolviam os mesmos sacerdotes, embora nem sempre as mesmas combinações. Elas sempre seguiam padrões semelhantes que tinham sido claramente estabelecidos através de longa prática. Montuemhat a convocaria depois de descobrir algum erro na sua performance ritual. “O deus não ficou satisfeito com a cerimónia desta manhã.” Ele afirmaria: “A sua pronúncia da terceira invocação foi descuidada.

    O favor divino exige perfeição. A senhora deve ser submetida a consagração renovada para restaurar a ligação adequada com Amun.” A linguagem permanecia religiosamente codificada. Consagração renovada, restauração da ligação divina, reafirmação do casamento sagrado. Estas frases apareceriam em documentos sacerdotais cuidadosamente formuladas para soarem como procedimentos religiosos legítimos para qualquer pessoa que os lesse sem entender o contexto. Mas Shepenwepet entendia.

    Ela tinha aprendido durante as primeiras sessões de treino que estas não tinham nada a ver com corrigir erros rituais e tudo a ver com manter o controlo através de abuso sistemático. As sessões ocorriam aproximadamente duas vezes por mês durante o seu primeiro ano. A frequência era calculada para ser sustentável a longo prazo, enquanto garantia que ela nunca recuperava totalmente entre sessões.

    Tempo suficiente passava para que ela pudesse funcionar nos seus deveres diários. Não tempo suficiente passava para que ela pudesse estabilizar psicologicamente. Ela aprendeu que a resistência durante as sessões levava a um aumento da frequência. A lógica era perfeitamente circular e inescapável. Se ela mostrasse sofrimento ou relutância, o sacerdote declarava que ela estava a perder o favor divino e exigia intervenção mais intensiva. A resistência dela provava que ela precisava de mais daquilo a que estava a resistir.

    Mas se ela se submetesse sem resistência, eles declaravam que a sua obediência perfeita demonstrava a sua adequação ao papel, o que exigia confirmação regular através de sessões contínuas. A submissão dela provava que ela podia suportar mais. Não havia comportamento que terminasse o abuso. Havia apenas comportamentos que afetavam a sua frequência e intensidade.

    Ela aprendeu a dissociar-se durante as sessões, enviando a sua consciência para outro lugar enquanto o seu corpo permanecia presente. Este era um mecanismo de sobrevivência que os humanos provavelmente tinham descoberto desde que o trauma existiu. Ela o aperfeiçoou a uma forma de arte.

    Ela podia observar-se de fora, a observar sem experienciar totalmente, presente, mas ausente simultaneamente. Os sacerdotes notaram e discutiram entre si. Shepenwepet tinha ouvido fragmentos destas conversas. Alguns sacerdotes achavam a desconexão perturbadora, preferindo o que chamavam de “participação ativa”, mesmo que tal participação fosse coagida. Outros achavam-na aceitável, vendo o corpo dela como vaso, cujo estado psicológico era irrelevante para a suposta eficácia do ritual.

    Um sacerdote, um homem chamado Pediamun, que era mais jovem do que Montuemhat, mas igualmente poderoso dentro da hierarquia do templo, parecia ofender-se pessoalmente com a sua dissociação. Durante as sessões que ele supervisionava, ele exigia que ela demonstrasse envolvimento. “O deus exige a sua presença completa.” Ele insistia.

    Quando ela falhava em cumprir, ele escalava de formas que forçavam a sua atenção de volta para o seu corpo físico. Após várias sessões desse tipo, ela aprendeu a fingir envolvimento bem o suficiente para o satisfazer, enquanto mantinha distância interna. Outra performance adicionada às muitas que lhe era exigido dar. Entre sessões de treino, os seus dias seguiam padrões repetitivos. Rituais da manhã, pequeno-almoço em áreas comuns com outro pessoal do templo, embora ela comesse numa mesa separada que marcava o seu estatuto único.

    Tardes a gerir as suas propriedades através de pessoal administrativo que trazia relatórios e procurava decisões sobre a alocação de recursos, orações e oferendas da noite, limpeza cerimonial antes de dormir. O trabalho administrativo era genuíno e exigente. Ela estava a gerir uma entidade económica que empregava milhares de pessoas e gerava enorme receita. O trabalho exigia inteligência, julgamento e atenção cuidadosa aos detalhes.

    Poderia ter sido satisfatório em circunstâncias diferentes, mas saber que toda a sua autoridade derivava de uma posição para a qual ela tinha sido forçada, que cada decisão que ela tomava perpetuava o sistema que a controlava, que a sua administração competente apenas provava a sabedoria do sacerdócio em a selecionar, esgotava o trabalho de qualquer satisfação potencial.

    Ela era uma prisioneira habilidosa, a realizar trabalho habilidoso que beneficiava os seus captores. Quanto melhor ela atuava, mais o sistema tinha sucesso. Durante o terceiro ano de Shepenwepet como Esposa de Deus, algo aconteceu que revelou como o sistema lidava com as ameaças às suas narrativas cuidadosamente mantidas.

    Uma serva chamada Tia tinha sido atribuída à casa de Shepenwepet 6 meses antes. Tia era jovem, talvez 13 ou 14 anos, e tinha sido dedicada ao serviço do templo por pais que não podiam dar-se ao luxo de alimentar a sua grande família. Ela era inteligente, observadora e, infelizmente para a sua sobrevivência, possuía uma consciência que o templo ainda não tinha conseguido suprimir totalmente.

    Tia testemunhou uma das sessões de treino de Shepenwepet por acidente. Ela tinha sido enviada para entregar uma mensagem à sacerdotisa sénior e tinha-se enganado no caminho nas secções subterrâneas do complexo do templo. Ela deu consigo fora da câmara onde tais sessões ocorriam. A porta estava ligeiramente entreaberta. Através dela, ela ouviu sons que não deviam existir num espaço sagrado.

    Ela ouviu por talvez 30 segundos antes que um servo mais velho a encontrasse e a puxasse para longe. Mas 30 segundos foram suficientes para entender o que estava a acontecer. Suficiente para reconhecer que a honrada Esposa de Deus estava a ser sujeita a algo que contradizia toda a narrativa oficial sobre o serviço divino. Tia cometeu um erro catastrófico.

    Ela falou sobre o que tinha ouvido com outra jovem serva, uma rapariga que ela considerava uma amiga. Ela descreveu a sua confusão, o seu sofrimento, a sua incapacidade de reconciliar o que tinha testemunhado com o que lhe tinha sido ensinado sobre a posição de Esposa de Deus. A conversa foi relatada em horas. Ambas as raparigas foram convocadas para comparecer perante um tribunal de sacerdotes seniores.

    Shepenwepet só soube disto porque os procedimentos ocorreram numa câmara adjacente ao seu pátio. Ela ouviu vozes elevadas. Ela ouviu uma jovem a chorar. Ela ouviu os tons medidos dos sacerdotes a interrogar. Ela moveu-se para perto da parede partilhada e ouviu. “A senhora alega ter ouvido sons que sugerem atividade imprópria.” A voz de Montuemhat ecoou através da pedra. “Isto é uma acusação séria.

    A senhora entende que acusações falsas contra cerimónias sagradas constituem blasfémia?” “Eu não estou a fazer acusações.” A voz de Tia estava aterrorizada. “Eu estava apenas confusa com o que ouvi. Eu estava à procura de entendimento.” “O entendimento é encontrado através de canais adequados, não através de fofocas com outros servos, não através da disseminação de dúvidas sobre procedimentos sagrados que a senhora carece da educação para compreender.” “Eu não queria fazer mal.”

    “Eu estava apenas…” “A senhora estava a questionar a autoridade divina. A senhora estava a sugerir que os sacerdotes que servem Amun poderiam estar a envolver-se em conduta imprópria. A senhora entende a gravidade de tais sugestões?” Houve silêncio, depois soluços, depois a voz de Montuemhat novamente, mais fria do que antes. “A senhora tem duas escolhas. A senhora pode retratar estas alegações inteiramente.

    Afirmar que estava enganada, que compreendeu mal o que ouviu, que a sua confusão a levou a conclusões inadequadas. A senhora aceitará punição por espalhar falsos rumores, e permanecerá no serviço do templo sob supervisão mais atenta. Ou a senhora pode manter estas alegações, caso em que se estará a declarar não fiável e inadequada para o serviço sagrado. A senhora será expulsa do templo e regressará à sua família em desgraça, carregando documentação de que foi demitida por blasfémia. A sua família enfrentará consequências sociais que podem incluir perda de propriedade e estatuto.” Shepenwepet fechou os olhos. Ela sabia o que Tia escolheria.

    A rapariga não tinha escolha real. Insistir no que tinha ouvido destruiria a sua família. Retratar-se permitir-lhe-ia sobreviver, embora sob condições que garantiriam que ela nunca mais falaria livremente. “Eu estava enganada.” A voz de Tia era mal audível. “Eu compreendi mal. Peço desculpa pela minha confusão.” “Mais alto. Para que as testemunhas reunidas possam ouvir a sua retratação claramente.” “Eu estava enganada.

    A Sra. compreendeu mal o que ouviu. Eu peço desculpa, por favor. Eu estava errada,” o tribunal concluiu. Ambas as raparigas foram punidas. Tia recebeu 20 chicotadas por espalhar falsos rumores. A outra rapariga recebeu 10 por ouvir sem relatar imediatamente. Ambas foram transferidas para trabalhos forçados nas cozinhas do templo, onde o seu contacto com outro pessoal seria limitado.

    Shepenwepet nunca mais viu Tia, mas a mensagem era clara. O sistema tinha mecanismos para lidar com testemunhas. Não exigia matá-las. Exigia meramente forçá-las a retratar-se publicamente, punindo-as severamente e garantindo que qualquer outra pessoa que considerasse falar entenderia os custos. Mais tarde naquela noite, Montuemhat visitou os aposentos de Shepenwepet. Isto era invulgar.

    Ele normalmente a convocava, em vez de vir ter com ela. “A senhora estava a ouvir,” ele afirmou. Não uma pergunta. “Eu ouvi vozes,” ela respondeu cuidadosamente. “Uma serva cometeu erros infelizes hoje. Ela demonstrou os perigos da educação insuficiente que leva a falsas conclusões sobre assuntos sagrados. Confio que a senhora entende com que facilidade a confusão se pode espalhar entre os não educados.”

    Ele estava a avisá-la, deixando claro que o sistema se protegeria, que mesmo que ela falasse, mesmo que tentasse descrever o que aconteceu durante as sessões de treino, ninguém acreditaria nela. Eles chamariam a isso confusão, incompreensão, interpretação errada blasfema do ritual sagrado por alguém que carecia da educação teológica adequada, apesar de ser Esposa de Deus. “Eu entendo,” ela disse.

    “Fico satisfeito por entender. Seria infeliz se a confusão se espalhasse para níveis mais altos. Se alguém do seu estatuto expressasse mal-entendidos sobre procedimentos sagrados, tal confusão da própria Esposa de Deus poderia criar uma crise religiosa séria.”

    “Poderia pôr em questão a ordem divina que mantém a estabilidade do Egito, poderia ameaçar a legitimidade do seu pai como Faraó, uma vez que o serviço divino da sua filha legitima o seu domínio.” A ameaça era explícita. Se ela falasse, o pai sofreria. O arranjo político que a sua dedicação apoiava colapsaria. Ela não estaria apenas a destruir-se a si mesma. Ela estaria a destruir o poder da sua família.

    “Eu não tenho confusões,” ela respondeu. “Eu entendo os meus deveres sagrados completamente.” Montuemhat sorriu. Foi um sorriso de alguém que tinha reforçado com sucesso o controlo. “Eu sabia que a senhora era a escolha certa para esta posição. A sua inteligência serve-a bem. Continue a demonstrar tal sabedoria.” Ele partiu. Shepenwepet sentou-se nos seus aposentos luxuosos rodeada por ouro e seda e compreendeu que até a possibilidade de falar honestamente tinha acabado de ser eliminada.

    O sistema tinha demonstrado a sua capacidade de lidar com testemunhas, tinha mostrado o que acontecia àqueles que questionavam, tinha deixado claro que a resistência era fútil. Ela estava sozinha de uma forma que transcendia o mero isolamento físico. Ela estava epistemologicamente sozinha. A verdade da sua experiência não podia ser partilhada, não podia ser verificada, não podia ser validada por ninguém.

    Ela existia numa realidade privada que divergia completamente das narrativas oficiais e essa divergência permaneceria para sempre invisível para todos, exceto para os seus captores. Em 74 antes da era comum, quando Shepenwepet tinha 24 anos e tinha sobrevivido uma década como Esposa de Deus, foi-lhe exigido que adotasse uma sucessora.

    O novo faraó Shabaka tinha unificado o Egito sob o domínio Kushita e precisava de demonstrar a sua piedade à nobreza egípcia tradicional. O arranjo padrão foi negociado. A sua filha Amenirdis II, de 12 anos, seria dedicada como a próxima Esposa de Deus. Shepenwepet foi instruída a participar ativamente na adoção e iniciação. O sistema tinha desenvolvido esta prática deliberadamente ao longo de gerações anteriores.

    Ter a atual Esposa de Deus a assistir à iniciação da nova servia múltiplos propósitos. Demonstrava continuidade. Fornecia orientação experiente e, o mais cínico, implicava a vítima anterior na vitimização da próxima. Este foi talvez o aspeto mais cruel de todo o sistema. Transformou vítimas em perpetuadoras.

    Garantia que até as mulheres que sofreram reconheciam a necessidade de fazer outras sofrer. Criava cadeias de trauma que ligavam cada geração à seguinte. Shepenwepet conheceu Amenirdis durante os 6 meses de preparação preliminar. A rapariga a lembrou-a devastadoramente de si mesma 10 anos antes. Mesma mistura de honra e ansiedade.

    Mesma compreensão incompleta do que a esperava. mesma confiança na autoridade religiosa que seria usada como arma contra ela. Mesma crença de que esta posição representava genuíno favor divino, em vez de cativeiro elaborado. Elas tinham permissão para conversas limitadas durante este período, embora sempre sob supervisão.

    Múltiplos assistentes se posicionavam a uma distância audível. Guardas estavam nas entradas do pátio. A privacidade era impossível. Mas até estas conversas supervisionadas revelaram a personalidade de Amenirdis. Ela era inteligente, curiosa, genuinamente piedosa. Ela fazia perguntas ponderadas sobre teologia e ritual.

    Ela queria entender o significado religioso por trás de cada procedimento. A sua sinceridade tornava tudo pior. Ela realmente acreditava no significado divino do que estava prestes a empreender. Ela via a sua dedicação como o mais alto chamado espiritual. Ela estava honrada por ser selecionada. A sua fé era real e profunda e estava prestes a ser usada como o mecanismo da sua destruição.

    Amenirdis fez perguntas sobre a vida diária como Esposa de Deus, sobre os rituais, sobre a gestão de propriedades, sobre se Shepenwepet gostava do seu serviço, sobre se a posição era tão significativa quanto todos alegavam que seria. Shepenwepet enfrentou escolhas impossíveis nestas conversas. Ela podia dizer a verdade, o que traumatizaria esta criança e possivelmente resultaria na sua própria punição severa por minar o sistema.

    Ou ela podia mentir, o que perpetuaria a falsa compreensão de Amenirdis e tornaria a traição inevitável ainda mais devastadora. Ou ela podia tentar algum caminho intermédio, fornecendo dicas sem avisos explícitos, esperando que a rapariga pudesse entender, enquanto mantinha negação plausível se as suas palavras fossem relatadas. Ela escolheu o caminho intermédio tentado.

    “A iniciação é intensa,” ela disse cuidadosamente durante uma conversa supervisionada num jardim do templo. “Exige completa rendição à vontade divina. Alguns aspetos são difíceis de suportar. Vais precisar de força para além do que sabes possuir atualmente.” “Estou preparada para dar tudo ao serviço divino.” Amenirdis respondeu com devoção sincera. “Eu pensei o mesmo, mas a preparação e a experiência são diferentes.

    Lembra-te apenas do que te estou a dizer agora. Quando chegar a hora, quando te encontrares em circunstâncias que pareçam erradas, lembra-te que a resistência torna tudo pior. A aceitação é sobrevivência.” Amenirdis parecia confusa. “Por que é que as circunstâncias pareceriam erradas se tudo é serviço divino?” “Porque és humana. Porque a tua compreensão humana é limitada.

    porque a lacuna entre o conforto humano e o requisito divino pode ser vasta. Lembra-te apenas, a aceitação é sobrevivência.” A rapariga acenou com a cabeça lentamente, claramente incerta do que fazer com estes avisos crípticos. A sacerdotisa supervisora fez anotações no seu papiro sempre presente. Shepenwepet sabia que a conversa seria relatada e analisada.

    Ela tinha escolhido as suas palavras cuidadosamente o suficiente para evitar minar explicitamente o sistema, enquanto tentava fornecer alguma preparação para o horror que esperava. A conversa foi relatada a Montuemhat. Ele convocou Shepenwepet na manhã seguinte. “A sua conversa com a candidata continha elementos perturbadores.” Ele afirmou: “Referências a circunstâncias que parecem erradas.

    Sugestões de que o serviço divino envolve algo que exige sobrevivência, em vez de alegria. Estes enquadramentos podem criar ansiedade desnecessária.” “Eu estava a prepará-la psicologicamente para as exigências do papel.” Shepenwepet respondeu: “A iniciação é desafiadora. Ela não deve estar completamente despreparada.” “A iniciação é sagrada. Descrevê-la como algo a ser sobrevivido, em vez de abraçado, mina o seu significado espiritual.” “Ela precisará de sobreviver,” Shepenwepet disse calmamente.

    “Ambas sabemos disso.” Os olhos de Montuemhat estreitaram-se. “Nós sabemos que o serviço divino exige força. Nós sabemos que a transformação é necessária. Nós sabemos que o deus exige completa submissão. Estas são verdades religiosas, não assuntos de sobrevivência contra destruição. O seu enquadramento sugere que a senhora não aceitou totalmente o seu próprio papel sagrado, mesmo após 10 anos.”

    A ameaça era implícita. Questiona demasiado abertamente e enfrenta consequências. Shepenwepet baixou os olhos no gesto de submissão que tinha aperfeiçoado. “Perdoe a minha linguagem imprecisa,” ela disse. “Eu quis dizer apenas que a transformação sagrada exige força interior.” “Isso é um enquadramento aceitável. Use-o se tiver de fornecer avisos.

    Mas não sugira que algo impróprio ocorrerá. Não plante sementes de resistência. A senhora entende?” “Eu entendo.” Ela foi dispensada. Ela tinha tentado. Ela tinha feito o que podia dentro das restrições estreitas da fala permitida. Não foi suficiente. Nunca seria suficiente. Amenirdis experienciaria a mesma iniciação que Shepenwepet tinha experienciado, o mesmo trauma, a mesma destruição da inocência, a mesma transformação de princesa em instrumento. E Shepenwepet seria obrigada a assistir. A noite de

    iniciação de Amenirdis chegou. Shepenwepet foi levada para a câmara subterrânea onde a sua própria transformação tinha ocorrido uma década antes. O espaço estava inalterado. Mesma bacia de pedra, mesmas paredes pintadas, mesmos implementos rituais dispostos nas prateleiras. Até o cheiro era idêntico. Aquela mistura de incenso e natrão e outra coisa que Shepenwepet nunca tinha conseguido identificar. Amenirdis foi trazida pelas sacerdotisas. Os olhos da rapariga de 12 anos estavam arregalados com uma mistura de medo e antecipação. Ela tinha sido preparada por 6 meses de instrução. Ela entendia que o ritual desta noite era importante e sagrado. Ela não entendia o que importante e sagrado realmente significava neste contexto.

    Ela viu Shepenwepet de pé contra a parede da câmara e sorriu com genuíno alívio. o rosto familiar, a mulher que tinha tentado prepará-la, a atual Esposa de Deus, que a guiaria através do que viesse a seguir. O sorriso continha confiança que fez Shepenwepet querer chorar. Montuemhat entrou com três outros sacerdotes. Eles vestiam trajes cerimoniais completos, incluindo os mantos de pele de leopardo que marcavam a mais alta posição.

    Os seus rostos estavam pintados com os padrões de ocre e carvão que os transformavam de indivíduos em representações da autoridade divina. A cerimónia começou exatamente como a de Shepenwepet tinha começado uma década antes. A remoção das vestimentas, a entrada na bacia de natrão, a rapagem ritual, as orações em egípcio antigo, a remoção cuidadosa e sistemática da identidade individual em preparação para a transformação em instrumento institucional. Amenirdis suportou as fases iniciais com notável compostura.

    Ela tinha sido informada de que estes procedimentos eram purificação. Ela acreditava nisso. A sua fé a sustentou através do desconforto. Mas depois veio a transição para a câmara adjacente, a plataforma, os sacerdotes a aproximarem-se. O momento em que a preparação ritual mudou para algo inteiramente diferente. Shepenwepet assistiu ao momento exato em que Amenirdis compreendeu.

    O rosto da rapariga mudou. Confusão tornou-se compreensão tornou-se horror. Ela olhou para Shepenwepet com uma expressão que continha traição e incompreensão e um apelo desesperado por intervenção. Shepenwepet não podia fazer nada. Ela foi obrigada a testemunhar, obrigada a ficar ali em silêncio enquanto Amenirdis era sujeita a horas de violação justificada como ritual de casamento sagrado.

    Obrigada a observar cada momento de trauma que ela tinha experienciado e estava agora a assistir a ser infligido a outra criança. Isto era parte do génio do sistema. Fazer as vítimas anteriores assistirem às novas vítimas garantia que o trauma ligava todas as Esposas de Deus juntas numa experiência partilhada que nunca podia ser discutida.

    Criava uma continuidade de sofrimento que reforçava a permanência do sistema. Amenirdis resistiu. Ao contrário de Shepenwepet, que tinha ficado paralisada pelo medo e pelo condicionamento religioso, Amenirdis lutou. Ela gritou. Ela debateu-se. Ela chamou pelo pai. Ela invocou os deuses para pararem o que estava a acontecer.

    Ela fez tudo o que Shepenwepet tinha ficado demasiado chocada para fazer durante a sua própria iniciação. A resistência piorou tudo. Os sacerdotes responderam às suas lutas invocando procedimentos de purificação adicionais para expulsar os espíritos malignos que alegavam estar a causar a sua resistência. O abuso intensificou-se sob este enquadramento religioso. A sua luta foi interpretada como evidência de possessão demoníaca que exigia intervenção espiritual mais agressiva.

    Ao amanhecer, Amenirdis estava quebrada de formas que iam para além do que Shepenwepet tinha experienciado. A resistência tinha provocado escalada que a submissão passiva poderia ter minimizado. Ela mal conseguia mover-se, mal conseguia falar. Os seus olhos estavam vazios de tudo, exceto choque. Os sacerdotes a vestiram com a regalia cerimonial. Eles pintaram o seu rosto.

    Eles posicionaram as suas joias. Eles transformaram a sua aparência de vítima em deusa através de cosméticos e ouro. Depois a conduziram para os seus novos aposentos, deixando instruções de que seria esperado que ela aparecesse para a cerimónia de dedicação pública em 5 horas. Shepenwepet foi dispensada para os seus próprios aposentos. Ela regressou aos seus quartos luxuosos e sentou-se imóvel até que o amanhecer irrompeu completamente.

    Ela tinha acabado de assistir a uma rapariga de 12 anos ser sistematicamente destruída. Ela tinha sido incapaz de o impedir. A sua presença tinha sido exigida como testemunha e sanção implícita. O sistema tinha-a forçado a tornar-se cúmplice, tinha-a tornado parte da maquinaria que produzia novas vítimas, tinha garantido que ela nunca poderia separar-se completamente da instituição que a tinha destruído porque ela era agora parte do processo que destruía outras.

    Este foi o passo final na sua própria transformação. Ela já não era meramente vítima. Ela era perpetuadora. A distinção tinha sido eliminada. A sua sobrevivência dependia de continuar a funcionar dentro do sistema que exigia periodicamente novas vítimas. Ela não podia resistir sem resistir à sua própria sobrevivência. Quando a manhã chegou, tanto Shepenwepet quanto Amenirdis apareceram na cerimónia de dedicação pública.

    Ambas as mulheres desempenharam os seus papéis atribuídos. Ambas demonstraram graça e compostura perante milhares de testemunhas. Ambas confirmaram que o serviço divino era honra, em vez de horror. A lacuna entre a performance pública e a realidade privada nunca tinha sido maior, mas a lacuna era invisível para todos, exceto para as mulheres que a habitavam.

    Anos acumularam-se em décadas. A vida de Shepenwepet tornou-se uma sucessão de dias idênticos, marcados apenas por eventos externos que não tinham ligação direta com a sua existência. Faraós mudaram. Conflitos políticos irromperam e resolveram. Invasões estrangeiras vieram e foram. E, apesar de tudo, o sistema da Esposa de Deus continuou a funcionar exatamente como concebido.

    Shepenwepet tornou-se especialista no seu papel. Através de pura repetição, ela podia realizar o ritual da manhã com precisão mecânica, o seu corpo a mover-se através de gestos que se tinham tornado automáticos após 15.000 repetições. Ela geria as suas propriedades com eficiência competente, tomando decisões que maximizavam a receita para o templo, enquanto mantinha os seus trabalhadores em condições minimamente aceitáveis. Ela treinou mais duas sucessoras depois de Amenirdis.

    Cada iniciação outro trauma que lhe era exigido testemunhar e possibilitar. Pelo seu 40º ano, ela tinha-se tornado o que o sistema queria que ela fosse, uma cativeira sustentável, uma prisioneira submissa a longo prazo, cuja adaptação era tão completa que ela já não exigia gestão ativa. Ela realizava as suas funções sem resistência. Ela orientava novas vítimas.

    Ela demonstrava a mulheres mais jovens que a sobrevivência dentro do sistema era possível se elas se rendessem completamente. Ela era um modelo de história de sucesso de transformação humana sistemática. Mas sob a performance, algo permanecia. Algum fragmento da rapariga de 14 anos que tinha caminhado aqueles corredores em direção à câmara de iniciação. Algum núcleo de Shepenwepet que nunca se tinha rendido totalmente, apesar de décadas de pressão sistemática.

    Ela não podia expressar esta resistência externamente, não podia agir nela de forma significativa. Mas ela existia, no entanto, escondida em espaços tão privados que até ela raramente reconhecia a sua presença. Esta resistência interna manifestava-se em pequenos gestos inúteis.

    Ela falaria às vezes o nome do pai em voz alta quando sozinha nos seus aposentos à noite, pronunciando as sílabas Núbias que os registos oficiais tinham substituído por versões Egípcias. Ela ocasionalmente tocava na parede num padrão específico que tinha sido um gesto de infância que a mãe lhe ensinara, um ritual privado que não significava nada para ninguém, exceto para a própria Shepenwepet.

    Ela deliberadamente pronunciava mal uma palavra durante as orações da noite, mudando o som vocálico de uma forma que os sacerdotes nunca notavam, mas que representava uma minúscula escolha autónoma numa existência de outra forma completamente controlada. Estes gestos eram insignificantes. Eles não mudavam nada. Não afetavam ninguém. Eles serviam apenas ao propósito de provar a si mesma que alguma capacidade para a ação independente ainda existia, mesmo em forma puramente simbólica.

    Eles eram tudo o que ela tinha e eram suficientes para manter o último fio de identidade que o sistema não tinha conseguido apagar completamente. A infraestrutura que permitiu o sistema da Esposa de Deus era vasta e sofisticada. Entender o seu funcionamento completo exige examinar não apenas as experiências individuais, mas as estruturas institucionais que tornaram essas experiências inevitáveis, em vez de excecionais. O Complexo do Templo de Karnak era um dos maiores centros religiosos do mundo antigo. No seu auge, cobria

    mais de 80 hectares. Empregava dezenas de milhares de pessoas. Continha dezenas de edifícios, incluindo templos, escritórios administrativos, oficinas, instalações de armazenamento, habitação para sacerdotes e servos, e as câmaras especializadas onde as Esposas de Deus viviam. A escavação arqueológica dos aposentos da Esposa de Deus revelou características arquitetónicas que iluminam a natureza do sistema.

    A ala residencial estava localizada na secção sul do complexo ligada ao templo principal através de uma série de corredores, mas separada das áreas públicas por múltiplos postos de controlo. Os aposentos em si eram luxuosos, mas concebidos com o controlo como consideração primária. Os quartos de dormir tinham apenas uma entrada que dava para um pátio que era acessível apenas através de um portão guardado.

    As janelas estavam posicionadas no alto das paredes, fornecendo luz e ventilação, mas impedindo as linhas de visão para áreas fora do controlo do templo. As salas adjacentes abrigavam pessoal permanente que podia monitorizar a Esposa de Deus em todos os momentos. O layout arquitetónico tornava a vigilância simples e a fuga impossível. As instalações de banho eram elaboradas com piscinas alimentadas por aquedutos subterrâneos e sistemas de aquecimento que aqueciam a água para uso no inverno.

    Mas estes banhos luxuosos estavam posicionados em áreas onde os sacerdotes podiam aceder sem passar por espaços públicos. O design facilitava o controlo, enquanto mantinha a aparência de proporcionar conforto. O mais significativo, as secções subterrâneas dos aposentos da Esposa de Deus ligavam-se através de túneis a outras partes do complexo do templo.

    Estes túneis não apareciam em quaisquer mapas públicos. Não eram visíveis de cima do solo. As suas entradas estavam ocultas atrás de painéis decorativos ou escondidas em áreas de armazenamento, mas existiam, fornecendo rotas de acesso que permitiam aos sacerdotes irem e virem das câmaras da Esposa de Deus sem serem observados por ninguém, exceto por pessoal cuidadosamente verificado.

    A existência destes túneis não estava documentada em quaisquer registos oficiais. Os arqueólogos descobriram-nos apenas através de escavação sistemática que revelou espaços cuja função não podia ser explicada por operações públicas do templo. Os túneis não serviam a propósito religioso legítimo. Serviam ao controlo e acesso. Eram infraestrutura concebida especificamente para possibilitar o que os registos oficiais nunca reconheceriam que ocorria.

    Características arquitetónicas semelhantes foram encontradas em templos em Mênfis e Heliópolis, onde as Esposas de Deus também residiam. O padrão sugere design sistemático, em vez de improvisação local. Alguém, provavelmente múltiplos alguéns ao longo de gerações. criou deliberadamente espaços que facilitavam o abuso, enquanto mantinha a aparência de serviço religioso honroso.

    A estrutura económica que apoiava a posição de Esposa de Deus era igualmente sofisticada. Os registos do templo documentam as propriedades controladas por várias Esposas de Deus ao longo de dois séculos de operação do sistema. As propriedades eram consistentemente substanciais, gerando receitas anuais que tornariam os seus detentores ricos por qualquer padrão antigo. Mas esta riqueza servia mais o controlo do que o conforto.

    A Esposa de Deus não podia aceder pessoalmente às suas riquezas teóricas. Ela podia tomar decisões administrativas sobre a gestão de propriedades, mas os supervisores sacerdotais reviam todas as transações importantes. Ela não podia liquidar ativos, transferir riqueza para outros, ou usar recursos financeiros para facilitar a fuga. O dinheiro existia em papiro mais do que no seu controlo real. O poder económico servia várias funções.

    Demonstrava que a posição era genuinamente importante, não meramente cerimonial. Fornecia trabalho que ocupava o tempo e a atenção da Esposa de Deus. Criava incentivos para que servos e administradores apoiassem a continuação do sistema, uma vez que os seus meios de subsistência dependiam dele, e fazia com que os observadores externos vissem a posição como privilegiada, em vez de cativa.

    Um documento particularmente revelador sobrevive da administração de Shepenwepet III no século VI antes da era comum. É um contrato para fornecer à casa da Esposa de Deus bens de luxo, incluindo incenso, cosméticos, linhos finos e joias. O contrato especifica quantidades enormes a um custo substancial. Demonstra a riqueza material que rodeava a Esposa de Deus.

    Mas as anotações na margem revelam outra coisa. instruções sobre quais itens deveriam ser apresentados à Esposa de Deus para seleção versus quais deveriam ser fornecidos diretamente aos aposentos por alocação padrão. Era permitido à Esposa de Deus selecionar alguns itens de luxo, criando a ilusão de preferência pessoal e escolha, mas as necessidades básicas eram simplesmente alocadas sem a sua intervenção, deixando claro que o seu controlo era limitado e supervisionado. Toda a estrutura económica era teatro.

    Recursos reais fluíam através da sua autoridade. O trabalho administrativo real era exigido. Mas o controlo final permanecia com o sacerdócio que podia anular as suas decisões, restringir o seu acesso ou revogar os seus privilégios inteiramente se ela se revelasse difícil.

    Os quadros legais que legitimavam o sistema derivavam da lei religiosa que se tinha desenvolvido ao longo de milénios da civilização egípcia. Os sacerdócios egípcios sempre detiveram um estatuto especial. Os templos egípcios sempre controlaram propriedades substanciais. As posições religiosas egípcias sempre incluíram elementos de serviço e dedicação.

    O sistema da Esposa de Deus enquadrava-se nestas categorias legais existentes, enquanto era muito mais extremo na prática do que a lei reconhecia explicitamente. Isto criava negação plausível. Os defensores podiam argumentar que a Esposa de Deus era simplesmente uma elaboração de práticas religiosas estabelecidas. Os críticos que apontavam para a natureza cativa da posição podiam ser descartados como atacando a própria religião egípcia, em vez de questionar uma prática institucional específica.

    A legitimidade legal combinada com a autoridade religiosa tornava a oposição de princípios quase impossível sem cometer blasfémia. As técnicas psicológicas empregadas foram refinadas através de gerações de prática. O trauma inicial durante a iniciação serviu para estilhaçar a identidade existente. O isolamento contínuo impedia a formação de redes de apoio. Requisitos elaborados de performance forçavam as vítimas a tornarem-se cúmplices no seu próprio cativeiro.

    Os privilégios fragmentados concedidos pela submissão criavam investimento no sistema. As exibições públicas de riqueza e poder faziam o resgate externo parecer desnecessário. A participação forçada em iniciações subsequentes implicava as vítimas na perpetração dos mesmos abusos que tinham sofrido. Estas técnicas combinadas num sistema abrangente de controlo que a psicologia moderna reconheceria como sofisticado.

    O sacerdócio tinha descoberto por tentativa e erro o que funcionava para transformar indivíduos resistentes em instrumentos submissos. Eles tinham documentado abordagens bem-sucedidas em materiais de treino internos que ensinavam a cada geração de sacerdotes como manter o sistema. Um texto fragmentado descoberto nos arquivos do templo contém instruções para gerir transições difíceis com novas Esposas de Deus.

    O documento fornece recomendações específicas para corrigir a resistência e garantir a integração adequada. A linguagem é clínica, tratando a transformação humana como problema técnico que requer solução sistemática. As recomendações incluem períodos de isolamento, rituais repetitivos concebidos para criar estados dissociativos e manipulação cuidadosa de recompensas e punições para moldar o comportamento.

    O documento não está datado, mas o estilo da caligrafia sugere origem no final do Novo Reino, provavelmente por volta de 800 antes da era comum. Isto significa que as técnicas tinham sido sistematizadas séculos antes do tempo de Shepenwepet. Ela não foi a primeira a experienciar estes métodos. Dezenas de mulheres antes dela tinham sido sujeitas aos mesmos procedimentos cuidadosamente refinados.

    O sistema tinha aprendido com a experiência o que funcionava. O impacto geracional estendeu-se muito para além das vidas individuais das mulheres. As famílias reais aprenderam que dedicar uma filha ao serviço divino era um custo político inevitável de governar o Egito. Os faraós criaram as suas filhas com esta expectativa, talvez inconscientemente as preparando psicologicamente para o cativeiro, de formas que tornavam o trauma mais fácil de infligir.

    A normalização ocorreu ao longo de gerações até que a prática parecesse natural, em vez de horrível. Os servos que trabalhavam nos aposentos da Esposa de Deus, os sacerdotes que administravam o sistema, os oficiais que geriam as propriedades, as incontáveis pessoas cujos meios de subsistência dependiam da continuação da instituição, todos aprenderam a racionalizar a sua participação. Eles focavam-se nos seus deveres específicos, em vez de confrontarem o horror cumulativo.

    Eles diziam a si mesmos que estavam a servir a religião egípcia, a manter a ordem divina, a garantir a estabilidade do reino. Eles evitavam olhar diretamente para o que estavam a possibilitar. É assim que a opressão sistemática opera em escala. Através de estruturas institucionais que tornam o horror rotineiro. Através de incentivos económicos que tornam a exploração lucrativa.

    Através da divisão de papéis que distribui a responsabilidade tão completamente que nenhum único participante suporta peso psicologicamente esmagador. Através de enquadramento religioso ou ideológico que faz a atrocidade parecer necessária ou até virtuosa. O sistema da Esposa de Deus teve sucesso porque juntou todos estes elementos num todo coerente que foi resiliente ao longo de séculos de mudança política.

    Persistiu através de invasões estrangeiras, guerras civis, transições dinásticas e mudanças culturais dramáticas. Sobreviveu porque servia funções que múltiplas partes achavam úteis e porque desafiá-lo exigia confrontar os fundamentos da religião e sociedade egípcias. Regressamos agora a Shepenwepet a caminhar por aqueles corredores em direção à câmara de iniciação.

    O momento antes de tudo mudar, o momento em que a sua vida se dividiu em antes e depois. A rapariga de 14 anos que acreditava que estava a ser honrada, que confiava que o serviço divino significava genuína elevação espiritual. que não tinha como imaginar o que o ritual sagrado realmente significava neste contexto. Ela entrou naquela bacia. A água fria e o natrão ardente tocaram a sua pele. Os sacerdotes começaram o seu cântico.

    E naquele momento, uma versão de Shepenwepet terminou, e outra começou. Não porque ela escolheu a transformação, mas porque o sistema não lhe deixou escolha, exceto submissão ou destruição. O que se seguiu foram 42 anos de cativeiro tornado confortável através de seda e ouro. 42 anos de isolamento de todos os que a conheceram antes da sua dedicação.

    42 anos de abuso sistemático mascarado como ritual religioso. 42 anos de atuação de contentamento público enquanto mantinha resistência privada. 42 anos de sobrevivência sem esperança porque o sistema não lhe deu alternativas, exceto a morte ou a resistência. Shepenwepet morreu em 665 antes da era comum, aos 56 anos. Ela deteve a posição de Esposa de Deus de Amun durante 42 anos.

    Ela sobreviveu à sua antecessora adotiva, ao seu pai, a três dos seus irmãos e à maioria dos sacerdotes que a tinham iniciado. Ela testemunhou mudanças políticas dramáticas. Ela viu o Egito conquistado pelos Assírios e reconquistado por dinastias nativas. Ela sobreviveu por pura resistência em condições concebidas para a quebrar completamente. A sua morte foi registada formalmente em documentos do templo.

    O sacerdócio organizou elaboradas cerimónias fúnebres. Ela foi mumificada com as técnicas de mais alta qualidade disponíveis usando materiais caros e especialistas habilidosos. O seu túmulo foi preenchido com bens de luxo para a vida após a morte, incluindo mobiliário, joias, oferendas de comida e amuletos protetores. Tudo foi feito de acordo com os protocolos estabelecidos para alguém do seu estatuto.

    O túmulo estava localizado na Necrópole de Medinet Habu, perto do complexo do templo. O seu sarcófago era de calcário revestido com folha de ouro e decorado com cenas religiosas. As inscrições identificaram-na como Esposa de Deus de Amun, Adoradora Divina, amada do deus, senhora das duas terras.

    O seu caixão ostentava os elaborados títulos que ela tinha acumulado durante quatro décadas de serviço. Ela foi memorializada exatamente como o registo oficial insistia que ela deveria ser, mas o seu corpo conta uma história diferente. A análise moderna dos seus restos mumificados revelou evidência que contradiz a narrativa oficial de serviço honrado. O seu esqueleto mostra dano significativo consistente com trauma crónico sustentado ao longo de muitos anos.

    Múltiplas fraturas saradas nas costelas e ossos faciais sugerem lesões de impacto repetidas. A deterioração das articulações na anca e joelhos indica o tipo de stress repetitivo que resulta de tipos específicos de abuso sustentado. O dano pélvico visível na estrutura esquelética é exatamente o que os patologistas forenses reconhecem como resultado de violação sistemática começando na adolescência precoce e continuando por décadas. Os seus ossos não mentem. Eles são testemunho físico do que as inscrições hieroglíficas nunca afirmam. Eles são a evidência que torna o sistema escondido visível ao exame moderno. Amenirdis II a sucedeu como Esposa de Deus. A transição foi perfeita de acordo com os registos oficiais. O sistema continuou sem interrupção.

    Uma mulher morreu e outra tomou o seu lugar e a maquinaria institucional simplesmente se ajustou e continuou a funcionar. Amenirdis serviu por mais de 40 anos, morrendo por volta de 620 antes da era comum. Ela foi sucedida por Shepenwepet III, que serviu até aproximadamente 600 antes da era comum. Shepenwepet III foi sucedida por Nitócris I, que deteve a posição até 586.

    Nitócris foi sucedida por Ankhnesneferibre, que seria a última mulher a deter o título. A cadeia de sucessão estendeu-se por dois séculos, cada mulher dedicada jovem, cada uma sujeita aos mesmos procedimentos de iniciação. Cada uma vivendo nos mesmos aposentos isolados, cada uma realizando os mesmos rituais.

    Cada uma gerindo as mesmas propriedades, cada uma sofrendo o mesmo abuso sistemático disfarçado de serviço divino. Cada uma morrendo eventualmente e sendo substituída pela filha do próximo faraó. Dezenas de mulheres no total ao longo da operação completa do sistema. A maioria dos seus nomes estão perdidos para a história. Alguns são preservados apenas como breves menções em documentos administrativos.

    Algumas, como Shepenwepet, têm túmulos que sobreviveram com as suas inscrições intactas. Mas todas elas existiram. Todas elas suportaram. Todas elas sobreviveram ou falharam em sobreviver à mesma estrutura sistemática. O sistema terminou em 525 antes da era comum, quando a conquista Persa perturbou o poder do sacerdócio de Amun.

    O rei Persa Cambises invadiu o Egito e desmantelou grande parte da infraestrutura religiosa tradicional. O sacerdócio perdeu a sua influência política. Os recursos económicos que tinham apoiado a posição da Esposa de Deus foram redirecionados para a administração Persa. Os templos continuaram a operar, mas sob supervisão Persa que eliminou a independência sacerdotal. A última Esposa de Deus, Ankhnesneferibre, viveu a conquista, mas não foi substituída quando morreu. As condições políticas que tinham tornado a posição útil tinham mudado.

    O Egito era parte do Império Persa. As antigas dinâmicas de poder entre o trono e o templo já não se aplicavam. O sacerdócio carecia da influência para exigir que os governantes Persas entregassem as suas filhas à autoridade sacerdotal. A instituição que tinha consumido dezenas de mulheres ao longo de dois séculos simplesmente parou. Não porque alguém reconheceu a sua injustiça, não porque o sacerdócio experienciou despertar moral.

    Não porque a resistência organizada das vítimas forçou a mudança sistémica, mas porque as circunstâncias políticas mudaram e a influência que proporcionava já não era útil para qualquer parte com poder para a manter. Esta é a verdade mais fria.

    As Esposas de Deus foram libertadas não pela oposição de princípios à sua exploração, mas pela conquista Persa que tornou o seu cativeiro continuado administrativamente inconveniente. O seu sofrimento terminou tão impessoalmente quanto tinha começado. um efeito colateral de desenvolvimentos militares e políticos que não tinham nada a ver com a sua humanidade ou as suas décadas de resistência. Ankhnesneferibre morreu por volta de 525 antes da era comum, com aproximadamente 85 anos.

    Ela tinha sido dedicada aos 10 anos em 595, o que significa que serviu como Esposa de Deus por aproximadamente 70 anos. Sete décadas de cativeiro que começou antes que ela compreendesse totalmente o que era a infância e terminou apenas quando a morte a libertou. O que sentiu ela quando o sistema terminou? Alívio por nenhuma nova Esposa de Deus ser dedicada.

    Dor por o seu sofrimento não ter servido a nenhum propósito transcendente, mas apenas conveniência política temporária. Raiva por ter suportado por tanto tempo apenas para ver a instituição abandonada sem reconhecimento dos seus custos. As fontes não registam a sua resposta emocional. Ela permanece silenciosa na morte, como lhe era exigido ser silenciosa na vida. O legado do sistema da Esposa de Deus estende-se para além do seu período operacional. Demonstra como a autoridade religiosa pode ser usada como arma para criar estruturas de opressão que parecem legítimas para os contemporâneos e para as gerações posteriores que leem apenas registos oficiais. Mostra como a sofisticação administrativa pode tornar a exploração sistemática sustentável ao longo de séculos.

    Revela como os incentivos económicos criam redes de apoio para instituições que destroem indivíduos enquanto beneficiam muitos outros. Prova que a civilização sofisticada é totalmente compatível com a atrocidade institucionalizada quando a combinação certa de justificação religiosa, quadro legal e incentivo económico existe. Estas lições importam porque os padrões persistem em diferentes formas, diferentes culturas, diferentes religiões, diferentes práticas específicas, mas a dinâmica subjacente se repete.

    O uso de linguagem sagrada para mascarar a exploração. O isolamento de vítimas de redes de apoio. A transformação da resistência em evidência que exige mais intervenção. Os incentivos económicos e políticos que fazem muitas pessoas investirem na continuação do sistema. As narrativas oficiais que sanitizam a história para as gerações posteriores que preferem mentiras confortáveis a verdades desconfortáveis.

    Shepenwepet e as outras Esposas de Deus merecem ser lembradas não como exemplos exóticos de prática religiosa antiga, mas como seres humanos que suportaram cativeiro sistemático durante décadas, enquanto lhes era dito que o seu cativeiro era honra. Elas merecem o reconhecimento de que o que lhes foi feito foi exploração, independentemente do enquadramento religioso.

    Elas merecem o reconhecimento de que a sua força em sobreviver não justifica o sistema que exigiu que exercessem essa força. As narrativas confortáveis que apresentam a Esposa de Deus como uma posição de genuína autoridade espiritual são falsas. Não totalmente falsas, pois estas mulheres desempenhavam funções religiosas reais e exerciam poder administrativo real, mas falsas na omissão dos custos, do cativeiro, do abuso sistemático, da total ausência de escolha significativa.

    A verdade é mais dura, mas necessária. Estas mulheres eram instrumentos de um sistema que servia interesses sacerdotais e políticos. Elas eram valiosas para esse sistema precisamente porque podiam ser apresentadas como honradas enquanto eram controladas. O seu aparente poder tornava a sua real impotência invisível. O seu luxo tornava o seu cativeiro negável.

    A sua submissão, quer genuína quer encenada, fazia com que desafiar o sistema parecesse desnecessário para a maioria dos observadores. Entender isto exige confrontar perguntas desconfortáveis sobre como as sociedades permitem a opressão institucional, como a autoridade religiosa pode ser manipulada por aqueles que alegam representá-la, como a competência administrativa pode servir a propósitos malignos tão eficazmente quanto serve a bons.

    Como os incentivos económicos podem tornar a exploração sustentável e até lucrativa. como as narrativas oficiais podem esconder a verdade com sucesso durante milénios quando essas narrativas servem os interesses de poderosas instituições. Shepenwepet entrou naquela câmara em 714 antes da era comum. O sistema a consumiu.

    Ela sobreviveu através da força e fragmentação e do desenvolvimento de mecanismos psicológicos de coping que permitiram a resistência sem aceitação. Ela encenou a submissão pública enquanto protegia algum fragmento de resistência privada. Ela suportou por 42 anos. Ela morreu ainda cativa, ainda a atuar, ainda a manter a aparência de contentamento que o sistema exigia.

    E por três milénios, o seu sofrimento foi escondido sob inscrições que proclamavam a sua honra e bênção. Ela merece melhor memorial do que mentiras oficiais. Ela merece o reconhecimento do que realmente lhe foi feito. Ela merece o reconhecimento como alguém que sobreviveu à exploração sistemática, enquanto mantinha fragmentos de resistência que o sistema tentou, mas falhou, em eliminar completamente.

    Ela merece ser lembrada não como Esposa de Deus de Amun, amada do deus, mas como Shepenwepet, filha de Osorkon, cativa por quatro décadas, morta aos 56 anos, cujos ossos testemunham verdades que todas as elaboradas inscrições tentaram esconder, mas não conseguiram apagar completamente. Lembra-te do nome dela. Lembra-te do que lhe foi feito.

    Lembra-te que foi sistemático, religiosamente justificado, economicamente apoiado e escondido com sucesso do exame honesto por 3.000 anos. Lembra-te que narrativas históricas confortáveis escondem frequentemente verdades desconfortáveis que são mais difíceis de aceitar, mas mais importantes de entender.

    Lembra-te que examinar essas verdades exige questionar a autoridade, analisar lacunas em registos oficiais, privilegiar a evidência física sobre o texto propagandístico e estar disposto a concluir que instituições honradas eram na verdade mecanismos de exploração. Se este vislumbre da escuridão escondida da história te deixou a querer descobrir mais verdades enterradas, preparei outra jornada nas sombras do passado que não vais querer perder.

    Clica no vídeo a aparecer no teu ecrã agora para descobrir outro capítulo chocante que a história tentou apagar. E se achaste esta exploração tão fascinante quanto eu, clica no botão de subscrever para que possamos continuar a descascar as camadas da história juntos. Estas vozes merecem ser ouvidas.

    Mesmo que tenham sido sistematicamente silenciadas no seu próprio tempo através de linguagem religiosa que tornava a discussão honesta impossível, estas histórias merecem ser contadas, mesmo que poderosas instituições tentaram apagá-las através de propaganda que persistiu por milénios. A verdade merece emergir, mesmo quando as mentiras tiveram 3.000 anos para se solidificar em história aceite que a maioria das pessoas nunca questiona. Lembra-te de Shepenwepet. Lembra-te de todas as Esposas de Deus cujos nomes sobrevivem em inscrições que as honram falsamente. Lembra-te das mulheres cujos nomes se perderam completamente, mas cujo sofrimento foi igualmente real e cujos ossos contam histórias que as suas bocas nunca foram autorizadas a falar. Lembra-te que civilização e atrocidade não são opostos, mas muitas vezes parceiros quando a sofisticação administrativa combina com a corrupção moral e a justificação religiosa para criar sistemas de exploração sistemática que beneficiam muitos enquanto destroem alguns. O passado não era mais simples ou mais inocente do que o presente. Era complexo, brutal e

    sofisticado na sua capacidade para exploração disfarçada de honra. Reconhecer essa verdade é essencial porque a capacidade humana para o horror sistemático não terminou com o antigo Egito ou com qualquer outro período histórico. Persiste onde quer que o poder possa combinar autoridade com isolamento.

    Onde quer que a linguagem religiosa ou ideológica possa mascarar a exploração como serviço, onde quer que os incentivos económicos possam criar redes de apoio para atrocidade institucional que destrói indivíduos enquanto aparentemente os eleva. Lembra-te, questiona, examina e recusa-te a aceitar narrativas oficiais quando a evidência sugere verdades mais sombrias por baixo da superfície. É assim que honramos as vítimas da opressão sistemática.

    É assim que impedimos que sistemas semelhantes surjam em novas formas. É assim que garantimos que a verdade histórica serve a justiça, em vez da propaganda.

  • A punição mais brutal usada pelos hunos contra as esposas dos generais romanos.

    A punição mais brutal usada pelos hunos contra as esposas dos generais romanos.

    Em 18 de julho do ano 452 após o nascimento de Cristo, na cidade do norte de Itália de Aquileia, uma mulher chamada Aurelia Marcella agacha-se na escuridão de uma adega de vinho por baixo do que foi outrora a villa mais grandiosa no quarteirão dos mercadores. Ela tem 34 anos, a esposa do Tribuno Gaius Petronius Marcellus, que comanda o que resta da guarnição a defender as muralhas da cidade acima da sua cabeça.

    Ela não vê o marido há 11 dias. A última vez que o viu, ele beijou-lhe a testa e disse-lhe para esconder as crianças. Ele disse-lhe que, se as muralhas caíssem, ela devia levá-las para as lagoas a leste. Ele disse-lhe que, acontecesse o que acontecesse, ela não devia deixar que os Hunos a levassem viva. Acima da sua cabeça, o som de gritos não parou durante 3 horas.

    Aurelia segura as suas duas filhas contra o peito. Flavia tem 12 anos. Tertia tem nove. Elas pararam de chorar há 2 dias, quando a comida acabou. Agora, elas simplesmente tremem. A adega cheira a vinho velho e bolor e a outra coisa. Algo que tem andado a pairar pelas ruas há dias. O cheiro a carne a queimar e corpos a apodrecer que nem as grossas paredes de pedra conseguem impedir de entrar.

    O que Aurelia ainda não sabe é que o marido morreu nas muralhas há 6 horas. Uma flecha na garganta enquanto dirigia a defesa do portão leste. O que ela não sabe é que os Hunos romperam as muralhas ao amanhecer através de uma secção que colapsou após 3 meses de bombardeamento incessante.

    O que ela não sabe é que os guerreiros que agora se movem pelas ruas acima da sua cabeça não estão simplesmente a saquear. Estão a caçar. E o que Aurelia Marcella absolutamente não sabe é o que os Hunos fazem às esposas dos comandantes militares romanos. Ela não sabe que existe um protocolo específico, um sistema que foi refinado ao longo de décadas de conquista através das estepes e para o coração da Europa. Ela não sabe que as esposas dos oficiais são identificadas e separadas da população em geral. Ela não sabe que o que lhes acontece a seguir é concebido não meramente para punir, mas para enviar uma mensagem que ecoará por todo o império durante gerações. Ela está prestes a descobrir. Os passos acima aproximam-se. Aurelia ouve vozes a falar uma língua que ela não entende.

    Sons guturais ásperos que parecem mal humanos. Ela ouve o estrondo de portas a serem arrombadas. Ela ouve os gritos de vizinhos que conhece há anos. Ela cheira a fumo de edifícios que estão a começar a arder. E depois ela ouve passos nas escadas que descem para a adega.

    Hoje vais descobrir as práticas sistemáticas que os Hunos empregaram contra as famílias da liderança militar romana. Práticas que historiadores antigos registaram em fragmentos demasiado perturbadores para a maioria dos manuais modernos incluir. Vais aprender porque as esposas de generais e tribunos romanos eram especificamente visadas e para que propósito o seu sofrimento servia na estratégia mais ampla de conquista Huna.

    Vais entender porque o historiador bizantino Priscus, que realmente visitou a corte do Rei Huno e viu estas práticas em primeira mão, escreveu que o tratamento de mulheres nobres romanas cativas foi concebido para quebrar não apenas corpos, mas linhagens inteiras.

    E vais aprender o que a evidência arqueológica descoberta em valas comuns nos Balcãs revela sobre a escala do que aconteceu a milhares de mulheres romanas cujo único crime foi estarem casadas com homens que defendiam o império. Se achas este conteúdo valioso, considera subscrever o canal. Exploramos os cantos mais sombrios da história que as fontes mainstream se recusam a discutir.

    Mas antes que eu te conte exatamente o que aconteceu naquela adega por baixo de Aquileia, antes que eu revele o que os Hunos fizeram a Aurelia Marcella e às suas filhas quando finalmente arrombaram a porta, preciso de te levar para trás. Preciso de explicar como os guerreiros mais temidos do mundo antigo desenvolveram os seus métodos particulares para lidar com as esposas dos seus inimigos.

    Porque entender o que aconteceu em Aquileia exige entender o sistema que o criou. E prometo-te que, quando regressarmos àquela adega, vais entender exatamente porque o marido de Aurelia lhe disse que a morte era preferível à captura. Deixa-me falar-te primeiro sobre outra mulher. O nome dela era Eudoxia Licínia.

    Ela não foi vítima dos Hunos, mas a sua história ilustra o que as mulheres romanas enfrentavam durante esta era de colapso. Ela era filha do Imperador Romano Oriental Teodósio II e era casada com o Imperador Ocidental Valentiniano III. Quando Valentiniano foi assassinado em 455, ela foi levada como prémio por invasores Vândalos que saquearam a própria Roma.

    Ela passou anos em cativeiro antes de ser libertada. A sua história era famosa. Foi discutida nas cortes de Constantinopla, mas as milhares de mulheres levadas pelos Hunos… As suas histórias não eram famosas. As suas histórias não foram discutidas. Elas simplesmente desapareceram na vastidão das estepes e nunca mais se ouviu falar delas.

    Os Hunos emergiram das estepes da Ásia Central por volta do século IV após o nascimento de Cristo. As suas origens permanecem contestadas entre os historiadores, mas o que não é contestado é o terror que inspiraram desde o momento em que cruzaram para a Europa. O historiador romano Amiano Marcelino, a escrever na década de 370, descreveu-os como “uma raça de homens que ultrapassava todos os outros bárbaros na sua selvajaria.”

    Ele escreveu que eram baixos e atarracados com ombros maciços e pescoços grossos, que os seus rostos eram tão hediondos e imberbes que podiam ser confundidos com bestas de duas pernas, em vez de seres humanos. Mas Amiano estava a descrever mais do que a aparência física. Estava a descrever uma cultura de guerra que os Romanos nunca tinham encontrado.

    Os Hunos eram guerreiros nómadas a cavalo que viviam na sela desde a infância. Podiam disparar os seus arcos compósitos com precisão mortal enquanto galopavam a toda a velocidade. Comiam carne crua que amaciavam colocando-a entre as coxas e os flancos dos seus cavalos. Não tinham assentamentos permanentes e nenhuma linguagem escrita.

    E o mais importante para a nossa história, tinham desenvolvido métodos sofisticados para extrair o valor máximo dos povos conquistados. É aqui que as esposas dos comandantes militares se tornam relevantes. Mas primeiro, precisas de entender algo sobre a sociedade Huna que a maioria das histórias não enfatiza. Os Hunos não eram simplesmente invasores. Eram construtores de impérios.

    Na época de Átila, eles controlavam um território que se estendia do Rio Reno a oeste até aos Montes Urais a leste. Governaram dezenas de povos sujeitos, incluindo Godos, Gépidas, Alanos e remanescentes de confederações nómadas anteriores. Eles extraíram tributo dos Impérios Romanos Oriental e Ocidental.

    No auge do seu poder, eles recebiam 2.100 libras de ouro anualmente apenas de Constantinopla. Um império desta escala exigia mais do que força militar. Exigia sistemas. Sistemas para extrair riqueza, sistemas para controlar populações sujeitas, sistemas para quebrar a vontade dos povos conquistados tão completamente que a rebelião se tornasse impensável.

    O tratamento de mulheres capturadas fazia parte deste sistema. Entre as culturas de guerreiros nómadas como os Hunos. As mulheres da classe de liderança do inimigo serviam múltiplos propósitos. Eram troféus que demonstravam vitória. Eram reféns cujo tratamento podia ser usado para desmoralizar a resistência restante.

    Eram gado reprodutor cujos filhos carregariam a linhagem dos conquistadores e eram objetos de comércio cujo valor dependia do seu estatuto social e condição física. O historiador bizantino Priscus fornece o relato mais detalhado em primeira mão da sociedade Huna. No ano 449, ele viajou para a corte do Rei Huno como parte de uma missão diplomática de Constantinopla.

    O que ele viu lá mudou para sempre a sua compreensão do mundo bárbaro. Priscus descreve o encontro com um mercador grego que tinha sido capturado durante o saque da cidade de Viminacium no Danúbio. Este mercador tinha sido rico antes da sua captura. Tinha sido atribuído a um nobre Huno chamado Onagisius como parte da divisão dos despojos.

    Priscus observa que entre os Hunos era costume que os cativos ricos fossem dados à nobreza, enquanto os prisioneiros comuns eram distribuídos entre os guerreiros ou vendidos como escravos. Mas Priscus também descreve algo mais perturbador. Ele escreve sobre a forma como as elites Hunas tratavam os seus escravos e cativos.

    Ele observa que, ao contrário dos senhores Romanos, que eram legalmente proibidos de matar os seus escravos sem causa, os Hunos não tinham tais restrições. Os nobres Hunos podiam e executavam cativos por ofensas menores ou simplesmente para entretenimento. Podiam e usavam cativas femininas da forma que escolhessem.

    Priscus regista uma conversa que teve com o mercador grego sobre as diferenças entre a escravatura Romana e Huna. O mercador, que tinha-se adaptado à vida entre os Hunos, inicialmente argumentou que os cativos eram tratados melhor do que os cidadãos pobres do Império Romano. Ele alegou que os senhores Hunos eram mais generosos do que os cobradores de impostos Romanos. Ele alegou que a vida nas estepes tinha uma liberdade que a vida no império em declínio não podia igualar.

    Mas quando Priscus o pressionou, o mercador admitiu certas verdades. Ele admitiu que os senhores Hunos podiam matar os seus escravos sem consequências. Ele admitiu que as cativas femininas não tinham proteção legal nenhuma. Ele admitiu que os filhos de mulheres cativas pertenciam inteiramente aos seus senhores, sem reconhecimento de paternidade ou cidadania Romana. E depois o mercador chorou.

    Ele chorou porque, apesar da sua acomodação à vida Huna, ele sabia o que tinha acontecido às mulheres Romanas que ele tinha visto serem levadas durante o saque de Imanium. Ele sabia o que tinha acontecido aos seus filhos. Ele sabia que o destino das mulheres nobres cativas era algo de que ele não podia falar mesmo depois de anos entre os Hunos.

    O tratamento das mulheres Romanas de elite era particularmente brutal porque servia um propósito estratégico. Os Hunos entendiam algo fundamental sobre a sociedade Romana. Os comandantes militares Romanos tiravam a sua autoridade não apenas do seu cargo, mas do seu nome de família e linhagem. Um tribuno ou general cuja esposa e filhas tivessem sido violadas e escravizadas, perdia não apenas a sua família, mas a sua honra.

    A sua capacidade de comandar respeito entre os seus pares era destruída. A sua linhagem era corrompida. Isto era intencional. A primeira grande invasão Huna do território Romano veio no ano 441, quando os reis Átila e Bleda lançaram um assalto maciço através do Danúbio para as províncias de Arakum.

    O Império Romano Oriental tinha enviado as suas melhores tropas para o Norte de África para lutar contra os Vândalos, deixando a fronteira do Danúbio virtualmente indefesa. Os Hunos reconheceram esta fraqueza e exploraram-na com eficiência devastadora. A invasão não foi um simples ataque. Foi uma campanha calculada concebida para extrair concessões máximas do Império Oriental.

    Átila e Bleda usaram o pretexto de tributo não pago e obrigações de tratado não cumpridas para justificar o seu ataque. Eles alegaram que as autoridades Romanas estavam a abrigar desertores Hunos. Eles alegaram que um bispo Romano tinha profanado locais de enterro Hunos. Se estas alegações eram verdadeiras era irrelevante. Elas forneceram a justificação para um assalto que tinha sido planeado durante meses.

    Eles capturaram e destruíram a cidade de Singidunum, que é agora Belgrado. A guarnição lá era de aproximadamente 3.000 homens. Nenhum sobreviveu. A população civil era talvez de 15.000. Aqueles que não foram mortos foram levados como escravos.

    As famílias dos oficiais da guarnição foram separadas e processadas de acordo com o sistema Huno. Eles avançaram para Margus e arrasaram-na. O bispo de Margus, o mesmo homem que os Hunos tinham acusado de profanação de túmulos, foi entregue a eles pela sua própria congregação, que esperava que este sacrifício pudesse poupar a sua cidade. Não poupou. Margus foi destruída tão completamente quanto Singidunum. O destino do bispo foi registado em fragmentos que sugerem que ele foi empalado nas paredes da sua própria catedral. Eles avançaram profundamente nos Balcãs, tomando cidade após cidade, e em cada conquista, seguiram o mesmo padrão. Os homens de combate foram mortos ou escravizados.

    As mulheres e crianças comuns foram levadas como cativos em geral para serem distribuídas entre os guerreiros, mas as esposas e filhas de oficiais militares e líderes cívicos foram separadas e receberam tratamento especial. A cidade de Nis fornece o exemplo mais horripilante do sistema em ação. Nis era o local de nascimento de Constantino, o Grande, o imperador que tinha legalizado o Cristianismo e transformado o mundo Romano.

    Era um importante centro militar e centro administrativo na província de Dácia Mediterrânea. A cidade tinha muralhas que tinham sido reforçadas sob múltiplos imperadores. Tinha celeiros que podiam sustentar um cerco por meses. Tinha uma guarnição de tropas veteranas e uma milícia civil preparada para defender as suas casas.

    Quando os Hunos chegaram em 443, encontraram uma cidade que não se renderia. O cerco começou no início da primavera. Os Hunos implantaram aríetes e torres de cerco, tecnologias que tinham aprendido com povos conquistados ao longo de décadas de expansão. Eles também implantaram uma arma que os Romanos não tinham antecipado: o terror. Todos os dias do cerco, os Hunos executavam cativos levados do campo circundante à vista das muralhas.

    Eles empalavam agricultores. Eles queimavam aldeias. Eles enviavam as cabeças decepadas de soldados Romanos a voar sobre as muralhas por catapulta. Eles queriam que os defensores soubessem exatamente o que os esperava se não se rendessem. Os defensores não se renderam. Eles aguentaram por semanas enquanto os seus suprimentos de comida diminuíam e a doença começava a espalhar-se. Eles aguentaram enquanto os Hunos traziam mais equipamento de cerco e começavam o bombardeamento sistemático das muralhas. Eles aguentaram até que não conseguiram mais aguentar. Quando as muralhas finalmente caíram, os Hunos desencadearam o que o historiador Calínico chamou de “um massacre além da contagem”.

    O mesmo Calínico escreveu que a nação bárbara dos Hunos, que estava na Trácia, “tornou-se tão grande que mais de 100 cidades foram capturadas, e houve tantos assassinatos e derramamentos de sangue que os mortos não puderam ser contados.” Ele escreveu que eles levaram cativas as igrejas e mosteiros e mataram os monges e donzelas em grandes quantidades. Mas o que aconteceu às famílias dos oficiais que defenderam Nis foi registado em fragmentos que sobrevivem apenas porque historiadores posteriores os acharam demasiado significativos para ignorar completamente.

    O comandante da guarnição de Nis era um homem cujo nome se perdeu para a história. Conhecemo-lo apenas como o Comes Nisenis (o Conde de Nis). Sabemos que a sua esposa foi capturada viva juntamente com as suas três filhas cujas idades são registadas como 14, 11 e 8.

    Sabemos que foram identificadas por servos que traíram o seu esconderijo em troca das suas próprias vidas. O que aconteceu a seguir foi documentado por Priscus que passou pelas ruínas de Nis 5 anos após a sua destruição. Ele escreveu que quando chegaram a Nis, encontraram a cidade deserta como se tivesse sido saqueada. Apenas algumas pessoas doentes jaziam nas igrejas.

    Ele escreveu que pararam a uma curta distância do rio num espaço aberto porque “todo o terreno adjacente à margem estava cheio dos ossos de homens mortos na guerra.” Mas Priscus também registou testemunho de sobreviventes que tinham testemunhado o destino da família do comandante. A esposa do Comes foi trazida perante os nobres Hunos que tinham liderado o assalto.

    Ela foi despojada das suas roupas Romanas que eram valiosas e podiam ser vendidas ou trocadas. Ela foi examinada por mulheres Hunas que serviam como avaliadoras, determinando o valor das cativas femininas com base na idade, aparência e usos potenciais. Ela foi então atribuída a um guerreiro cuja posição lhe dava direito a uma cativa do seu estatuto.

    As suas filhas foram separadas dela e atribuídas a guerreiros diferentes com base nas suas idades e valor potencial. A mais velha, aos 14 anos, era considerada em idade de procriação. A mais nova, aos 8 anos, era considerada treinável para serviço doméstico. A filha do meio apresentava um conjunto diferente de possibilidades. O que as fontes descrevem a seguir devo transmitir cuidadosamente porque os detalhes são perturbadores, mesmo para os padrões da guerra antiga.

    As mulheres nobres Romanas capturadas pelos Hunos foram submetidas a um processo concebido para quebrar completamente a sua identidade. Elas receberam nomes Hunos. Foram forçadas a adotar vestimentas e costumes Hunos. Foram impedidas de falar Latim ou Grego sob pena de punição severa. Foram obrigadas a servir os seus captores em qualquer capacidade que fosse exigida.

    Para as esposas dos comandantes militares, este processo foi particularmente brutal porque os Hunos queriam garantir que estas mulheres nunca mais pudessem regressar à sociedade Romana. Uma mulher que tinha sido capturada e escravizada podia teoricamente ser resgatada ou salva. Mas uma mulher que tinha sido usada de certas maneiras nunca mais podia reclamar o seu antigo estatuto. A lei e o costume Romanos eram claros sobre este ponto.

    Uma mulher que tinha sido violada por bárbaros era considerada permanentemente poluída. O seu testemunho em tribunal era inútil. Os seus filhos, se os tivesse, após tal tratamento, eram considerados ilegítimos. O seu marido, se sobrevivesse, tinha o direito legal de se divorciar dela sem penalização. Os Hunos sabiam disto. Eles exploraram-no deliberadamente.

    A esposa do Comes Nisenis não foi resgatada, apesar das tentativas de parentes para negociar a sua libertação. O nobre Huno que a detinha recusou todas as ofertas. 5 anos depois, quando Priscus passou pela região, ela ainda estava viva. Ela ainda estava em cativeiro. Ela já não era reconhecível como uma mulher nobre Romana.

    Tinha sido transformada em algo mais inteiramente. As suas filhas nunca mais foram vistas por nenhuma testemunha Romana. Mas Nis foi apenas o começo. No ano 452, os Hunos sob Átila lançaram o seu maior assalto ao Império Romano Ocidental. Cruzaram os Alpes Julianos para a própria Itália. O seu primeiro alvo foi Aquileia, a grande cidade-fortaleza que guardava as abordagens do norte à Península Itálica.

    Aquileia era uma das cidades mais importantes do Império Ocidental. Servia como sede de uma residência imperial, um grande centro comercial e uma fortaleza militar crítica. As suas muralhas tinham sido reforçadas ao longo dos séculos. A sua guarnição era substancial. O general Romano Flávio Aécio tinha-a reforçado com as suas melhores tropas, sabendo que se Aquileia aguentasse, os Hunos seriam forçados a um cerco dispendioso que poderia esgotar os seus recursos. Aécio estava certo sobre o cerco.

    Durou 3 meses. Os Hunos cercaram a cidade e bombardearam-na incessantemente. Cortaram os suprimentos de comida. Contaminaram as fontes de água atirando corpos para os rios a montante. Lançaram assalto após assalto contra as muralhas, cada um repelido com pesadas baixas de ambos os lados. Mas Aécio estava errado sobre uma coisa.

    Ele acreditava que as muralhas aguentariam até que ele pudesse reunir uma força de socorro. Não aguentaram. De acordo com o historiador Jordanes, que escreveu um século depois, Átila estava “prestes a abandonar o cerco quando observou uma cegonha branca a voar para longe da cidade com os seus filhotes.” Ele interpretou isto como um sinal de que a cidade estava condenada.

    No dia seguinte, uma secção da muralha que tinha sido enfraquecida por meses de bombardeamento finalmente colapsou. Os Hunos irromperam pela brecha. O que se seguiu foi uma das destruições mais completas de uma grande cidade Romana da história. Jordanes escreve que os Hunos “devastaram Aquileia de tal forma que mal deixaram vestígios dela restantes.”

    Eles não se limitaram a saquear a cidade. Eles a desmantelaram sistematicamente. Derrubaram edifícios. Queimaram o que não podia ser derrubado. Derreteram ouro e prata, objetos religiosos em fornalhas construídas a partir dos escombros de igrejas. Levaram tudo de valor que podia ser transportado e destruíram tudo o que não podia.

    Mas as pessoas, as pessoas eram o verdadeiro prémio. A população de Aquileia antes do cerco era estimada em mais de 50.000. Alguns tinham fugido antes do cerco começar. Alguns tinham morrido durante os 3 meses de bombardeamento e fome. Quando as muralhas caíram, talvez 30.000 permaneceram. Os Hunos separaram-nos de acordo com o mesmo sistema que tinham aperfeiçoado nos Balcãs. Homens de combate foram mortos, a menos que tivessem habilidades valiosas. Artesãos foram escravizados e enviados de volta para o território Huno. Mulheres e crianças comuns foram distribuídas entre os guerreiros ou vendidas a traficantes de escravos que seguiam o exército. E as famílias de oficiais militares e líderes cívicos foram identificadas, separadas e sujeitas ao tratamento especial reservado para a sua classe. Agora regressamos àquela adega.

    Aurelia Marcella e as suas filhas foram descobertas no segundo dia após a queda das muralhas. Foram traídas por um escravo doméstico que esperava ganhar favor com os conquistadores. Os guerreiros Hunos que as encontraram não as mataram imediatamente. Reconheceram pelas vestimentas e joias de Aurelia que ela era uma mulher de estatuto.

    Mandaram chamar uma avaliadora. A avaliadora era uma mulher Huna cujo trabalho era avaliar as cativas femininas. Ela examinou Aurelia e as suas filhas, anotando as suas idades, a sua condição física, os seus usos potenciais. Ela perguntou através de um intérprete se o marido de Aurelia estava vivo. Quando Aurelia disse que não sabia, a avaliadora sorriu.

    Se o marido estivesse vivo e pudesse ser identificado, então Aurelia e as suas filhas seriam usadas para o quebrar. Elas seriam exibidas a ele antes de ser executado para que a sua última visão fosse a humilhação delas. Esta era a prática padrão para as famílias de oficiais que tinham liderado a resistência contra os Hunos.

    Se o marido já estivesse morto, então Aurelia e as suas filhas seriam distribuídas de acordo com o seu valor. Aurelia, aos 34 anos, era considerada passada dos seus melhores anos de procriação, mas ainda útil para serviço doméstico e outros fins. Flavia, aos 12 anos, era considerada em idade de procriação. Tertia, aos 9 anos, era considerada treinável. Aurelia soube que o marido tinha morrido nas muralhas.

    Ela recebeu esta notícia não como dor, mas como um estranho tipo de alívio. Pelo menos ele não teria de testemunhar o que viria a seguir. O que veio a seguir foi a jornada. As mulheres capturadas não eram mantidas no local da conquista. Elas eram marchadas de volta para o território Huno através de centenas de quilómetros de terreno cada vez mais hostil. Esta jornada servia múltiplos propósitos.

    Removia as cativas de qualquer possibilidade de resgate. Quebrava a sua vontade através da exaustão e privação. E matava as mais fracas, garantindo que apenas as mais valiosas sobreviviam para chegar aos mercados de escravos. A marcha de Aquileia para a planície Húngara cobriu aproximadamente 800 quilómetros.

    Cruzou os Alpes Julianos através de passagens montanhosas que se elevavam a altitudes de mais de 1.500 metros. Cruzou rios inchados com o degelo da primavera. Passou por territórios que já tinham sido devastados pelo avanço Huno, onde não se podia encontrar comida ou abrigo. Aurelia e as suas filhas marcharam durante 6 semanas. Elas receberam mal o suficiente para sobreviver, um punhado de grãos por dia.

    Ocasionalmente, um pedaço de carne seca de cavalos que tinham morrido na marcha. água de riachos e rios, alguns dos quais tinham sido contaminados pelos corpos daqueles que tinham morrido antes delas. Não lhes foi dada roupa adequada para as travessias da montanha. As roupas finas Romanas de Aurelia tinham sido despojadas dela no primeiro dia.

    Foi-lhe dada uma túnica de lã áspera que fornecia pouco calor no frio da montanha. As suas filhas não receberam nada até que outras cativas morressem e as suas roupas pudessem ser redistribuídas. Foram forçadas a caminhar descalças sobre terreno rochoso. Os Hunos não tinham interesse em fornecer sapatos aos cativos. Sapatos eram valiosos. Cativas femininas eram renováveis. Eram espancadas se ficassem para trás.

    Os Hunos não tinham paciência para a fraqueza. Uma cativa que não conseguisse acompanhar era uma cativa que atrasaria a marcha. E uma cativa que atrasasse a marcha era uma cativa que seria deixada para trás para morrer. Muitas mulheres morreram nestas marchas. Os corpos foram deixados onde caíram. Os Hunos não enterravam os seus cativos. Não marcavam as sepulturas.

    Não paravam para dizer orações pelos mortos. Simplesmente seguiam em frente. Aurelia sobreviveu. Ela sobreviveu porque era forte. Porque tinha sido bem alimentada antes do cerco. Porque se forçou a continuar a mover-se quando cada parte do seu corpo gritava por descanso. Flavia sobreviveu. Ela sobreviveu porque era jovem. Porque o seu corpo podia suportar o que o corpo de uma mulher mais velha não podia.

    Porque a mãe a empurrava para a frente, passo após passo, através das passagens da montanha. Tertia não sobreviveu. Tertia morreu na terceira semana da marcha. Ela tinha 9 anos. Ela morreu de exaustão e exposição nos Alpes Julianos em algum lugar entre Aquileia e o Heartland Huno. Ela morreu a chamar pela mãe.

    Ela morreu a perguntar por que é que isto lhe estava a acontecer. Ela morreu sem entender o que tinha feito para merecer este destino. O seu corpo foi deixado ao lado da estrada. Não foi permitido a Aurelia parar de andar. Quando as sobreviventes chegaram ao território Huno, foram levadas para um ponto de encontro central onde os despojos da campanha Italiana eram separados e distribuídos.

    O historiador Priscus descreve cenas semelhantes da sua visita à corte de Átila. Ele escreve sobre ver cativos Romanos de óbvia origem nobre a servir como escravos de guerreiros Hunos. Ele escreve sobre a forma como tinham sido transformados pelo seu cativeiro. Ele escreve sobre mulheres que já não se lembravam dos seus próprios nomes, que já não se lembravam das suas famílias, que tinham sido quebradas tão completamente que não conseguiam imaginar nenhuma vida além daquela que agora viviam. Aurelia e Flavia foram separadas neste ponto.

    Foram atribuídas a diferentes nobres Hunos e nunca mais se veriam. Uma mãe que tinha perdido uma filha na marcha, agora perdia outra para a distribuição dos despojos. Ela não tinha voz na questão. Ela não tinha direitos. Ela era propriedade agora, e a propriedade não tem opiniões sobre como é dividida.

    As últimas palavras que Aurelia disse a Flavia não foram registadas por ninguém. O último abraço que partilharam não foi testemunhado por ninguém que se importasse de se lembrar. O último momento em que uma mulher nobre Romana e a sua filha ficaram juntas como seres humanos livres terminou num pátio de distribuição em algum lugar na planície Húngara, e depois foram embora uma da outra para sempre.

    Os registos do que lhes aconteceu individualmente não sobrevivem. Sabemos apenas que estavam entre as milhares de mulheres Romanas que desapareceram na vastidão do Império Huno, para nunca mais regressar. Sabemos apenas que o seu destino foi partilhado por mulheres de todas as cidades que os Hunos destruíram. De Singidunum e Margus e Nis, de Serdica e Filipópolis, de Aquileia e Pádua e Milão e uma centena de outros lugares cujos nomes foram esquecidos.

    Mas sabemos o que geralmente aconteceu às mulheres na sua situação porque os padrões eram consistentes ao longo de décadas de conquista Huna. As mulheres atribuídas a guerreiros Hunos tornaram-se a sua propriedade em todos os sentidos da palavra. Esperava-se que realizassem trabalho doméstico, servissem refeições, mantivessem roupas e equipamentos.

    Esperava-se que fornecessem serviços físicos conforme exigido. Esperava-se que tivessem filhos que seriam criados como Hunos, não como Romanos. Se resistissem, eram espancadas. Se tentassem fugir, eram mortas ou mutiladas de formas que tornavam a fuga futura impossível. Se se recusassem a submeter aos seus captores, eram passadas a guerreiros menos prestigiados cujo tratamento era ainda mais duro.

    Algumas mulheres Romanas capturadas pelos Hunos acabaram por alcançar uma espécie de acomodação com as suas circunstâncias. Priscus descreve o encontro com uma dessas mulheres na corte de Átila. Tinha sido capturada durante o saque de Imanium anos antes. Tinha sido entregue a um nobre Huno chamado Onagius como parte da sua quota-parte dos despojos. Ela tinha-lhe dado filhos.

    Ela já não era mantida como escrava, mas como algo como uma esposa secundária. Ela tinha-se adaptado aos costumes Hunos tão completamente que já não falava Grego ou Latim. Priscus descreve esta mulher com uma mistura de fascínio e horror. Ele observa que ela se vestia à moda Huna, que usava o cabelo ao estilo Huno, que se sentava no chão entre as mulheres Hunas e bordava tecido como elas faziam.

    Ele observa que quando ele se dirigiu a ela em Grego, ela inicialmente não respondeu como se tivesse esquecido a língua do seu nascimento. Só quando ele persistiu é que ela finalmente lhe falou em frases hesitantes que sugeriam anos de desuso. Ela disse-lhe que o seu nome Romano já não importava. Ela disse-lhe que os seus filhos não sabiam nada de Roma.

    Ela disse-lhe que tinha tido a sorte de ser dada a Onagisius, que era rico e tratava bem as suas mulheres pelos padrões Hunos. Ela disse-lhe que outras mulheres Romanas não tinham tido tanta sorte. Ela disse-lhe que tinha visto coisas de que não podia falar mesmo agora. O que ela queria dizer com essa declaração final, Priscus não regista.

    Mas podemos imaginar, podemos imaginar com base no que outras fontes nos dizem sobre o destino das cativas que foram dadas a guerreiros menores, que não foram bem tratadas, que não sobreviveram para alcançar qualquer tipo de acomodação. Se a acomodação desta mulher representa sobrevivência ou um tipo diferente de morte é uma questão que cada espetador deve responder por si mesmo. Ela viveu. Ela teve filhos.

    Ela alcançou um estatuto que a protegeu dos piores abusos. Mas a mulher que ela tinha sido antes de as muralhas de Viminacium caírem tinha desaparecido para sempre. Ela tinha sido substituída por outra pessoa inteiramente. Alguém que já não se lembrava da sua própria língua. Alguém cujos filhos cresceriam como Hunos.

    Alguém que tinha sido apagada tão certamente como se tivesse morrido nas muralhas com o marido. A escala do que aconteceu às mulheres Romanas durante as invasões Hunas é difícil de compreender, mesmo com evidência arqueológica moderna. No ano 2003, arqueólogos a escavar um local perto do Danúbio no que é hoje a Hungria descobriram uma vala comum contendo os restos mortais de mais de 400 indivíduos.

    A análise dos ossos revelou que aproximadamente 70% eram do sexo feminino. Uma análise mais aprofundada revelou que muitas destas mulheres mostravam sinais de desnutrição, violência e stress físico prolongado consistente com trabalho forçado. A datação por carbono colocou a sepultura em meados do século V.

    A localização correspondia a uma rota conhecida usada pelos Hunos para transportar cativos dos Balcãs para os seus territórios centrais. As mulheres nesta sepultura não tinham morrido rapidamente. A análise dos padrões de crescimento ósseo sugeriu que muitas tinham vivido durante anos em cativeiro antes das suas mortes. Tinham sido exploradas. Tinham sido famintas. Tinham sido sujeitas a trauma físico repetido.

    E depois tinham morrido e sido enterradas juntas num poço que não estava marcado e não se destinava a ser encontrado. Esta foi uma sepultura entre centenas que foram descobertas nos antigos territórios do Império Huno. Em 1998, arqueólogos a trabalhar perto do local da antiga Aquileia descobriram evidência de enterros em massa datados de meados do século V.

    Os restos mortais incluíam mulheres e crianças cujos ossos mostravam sinais de morte violenta. Algumas tinham sido decapitadas. Algumas mostravam evidência de queimadura. Algumas tinham sido enterradas vivas com base nas posições dos seus corpos e na terra nos seus pulmões. Estes não eram soldados que tinham morrido em batalha. Eram civis que tinham morrido no rescaldo.

    Eram aqueles que não tinham sido valiosos o suficiente para levar como cativos. Os idosos, os doentes, os feridos, as mulheres que eram demasiado velhas ou demasiado jovens ou demasiado danificadas para valerem o trabalho de marchar através das montanhas. Os Hunos matavam o que não podiam usar, e usavam o que não matavam.

    Em 2011, a análise genética de restos mortais de um cemitério do período Huno na Hungria revelou algo que os arqueólogos há muito suspeitavam. Muitos dos indivíduos enterrados lá mostravam marcadores genéticos consistentes com populações Mediterrâneas. Populações Romanas. Estas eram pessoas que tinham nascido no império e tinham morrido em cativeiro.

    Os seus filhos e netos foram enterrados ao lado deles, mostrando mistura genética entre populações Mediterrâneas e da Ásia Central. As mulheres que tinham sido levadas de Aquileia e Nis e Singidunum tinham tido filhos com os seus captores. Essas crianças tinham crescido como Hunos. Tinham casado e tido filhos seus. Tinham-se tornado parte de um povo que as suas avós teriam considerado bárbaros. As linhagens de generais e tribunos e líderes cívicos Romanos tinham sido absorvidas na vastidão das estepes. Era isto que os Hunos queriam dizer quando falavam em quebrar linhagens, não simplesmente matar os homens, mas levar as mulheres e garantir que os seus descendentes seriam Hunos, não Romanos.

    O número total de mulheres Romanas que foram capturadas, escravizadas e sujeitas ao tratamento que descrevi, é impossível de determinar com precisão. Mas os historiadores que estudaram as fontes estimam que durante o período de domínio Huno, de aproximadamente 370 a 455 após Cristo, centenas de milhares de mulheres foram levadas do território Romano.

    Nem todas eram esposas de oficiais militares, mas aquelas que o eram receberam tratamento concebido especificamente para as destruir e, através delas, para destruir a moral e a coesão da liderança militar Romana. Isto não era brutalidade aleatória. Esta era política sistemática. Os Hunos entendiam que a civilização Romana foi construída sobre certas fundações.

    Honra familiar, pureza da linhagem, o estatuto sagrado das esposas e mães Romanas. Ao visar estas fundações deliberada e consistentemente, os Hunos alcançaram algo que a mera vitória militar não podia. Eles quebraram a vontade do Império Romano de resistir. Após o saque de Aquileia, os Hunos avançaram para destruir Pádua, Verona, Bréscia, Bérgamo e Milão.

    Em cada cidade, o padrão repetiu-se. As muralhas caíram, a população foi processada, as famílias dos líderes militares foram identificadas e sujeitas ao tratamento especial. Deixa-me falar-te do que aconteceu em Milão, porque Milão foi diferente.

    Milão tinha sido a capital do Império Romano Ocidental até apenas 50 anos antes da invasão Huna. Era uma cidade de palácios e igrejas e edifícios administrativos. Era uma cidade onde viviam as famílias dos mais altos funcionários do império. A guarnição em Milão era comandada por um Comes chamado Marcianus. Ele tinha servido sob Aécio na Gália e tinha sido enviado para a Itália para ajudar a organizar a defesa contra os Hunos.

    A sua esposa era uma mulher chamada Gala, que vinha de uma das mais antigas famílias senatoriais de Roma. Eles tinham três filhos, dois filhos e uma filha. Quando os Hunos se aproximaram de Milão, Marcianus enviou a sua família para sul, em direção a Roma, acreditando que estariam mais seguros lá. Eles nunca chegaram.

    O comboio com que viajavam foi intercetado por batedores Hunos que tinham sido enviados à frente do exército principal. Todos no comboio foram mortos ou capturados. Gala e a sua filha foram levadas. Os seus filhos foram mortos porque tinham idade suficiente para pegar em armas, e os Hunos não tinham utilidade para rapazes Romanos que pudessem crescer e tornar-se soldados Romanos.

    Marcianus soube do destino da sua família quando os Hunos exibiram a sua esposa e filha nas muralhas de Milão durante o cerco. Queriam que ele visse o que aconteceria se ele continuasse a resistir. Queriam que ele soubesse que a rendição podia poupar a sua família a mais sofrimento. Marcianus não se rendeu. Ele aguentou as muralhas até que caíssem. Ele morreu a lutar no assalto final.

    Ele nunca soube o que aconteceu à sua esposa e filha depois de a cidade ser tomada. O que sabemos é que Gala foi identificada como a esposa de um comandante Romano sénior. Foi dada a um nobre Huno de alta posição, como convinha ao seu estatuto. A sua filha, que tinha 14 anos, foi dada a um nobre diferente. Foram marchadas para leste com as outras cativas. Nunca mais foram vistas por nenhuma testemunha Romana.

    Quando os Hunos chegaram ao Rio Pó, o general Romano Aécio ainda não tinha conseguido reunir uma força de socorro. O império estava paralisado não apenas pela fraqueza militar, mas pelo conhecimento do que tinha acontecido às famílias dos oficiais que tinham resistido. Que oficial lutaria até à morte, sabendo o que esperava a sua esposa e filhos se ele falhasse.

    Este foi o génio do terror Huno. Não era aleatório. Foi calculado para produzir exatamente este efeito. O Papa Leão I acabou por se encontrar com Átila e persuadi-lo a retirar-se da Itália. Os termos exatos desta negociação são desconhecidos, mas os historiadores acreditam que estiveram envolvidos pagamentos de tributos maciços, juntamente com ameaças de um exército Romano Oriental que tinha cruzado o Danúbio para atacar a pátria Huna.

    Os Hunos retiraram-se não porque tivessem sido derrotados, mas porque tinham extraído tudo de valor da península Itálica, incluindo o seu povo. A retirada foi quase tão terrível para os cativos quanto o avanço tinha sido. Aqueles que tinham sobrevivido à marcha para leste agora tinham de marchar novamente, carregando os despojos que os seus captores tinham adquirido.

    Aqueles que não conseguiam acompanhar foram deixados para trás. Aqueles que mostravam sinais de fraqueza eram espancados. Aqueles que tentavam fugir eram mortos. E aqueles que conseguiam chegar até ao território Huno tinham de começar as suas novas vidas. Vidas que nunca mais seriam as suas. Átila morreu no ano seguinte, em 453 após Cristo. De acordo com Jordanes, ele morreu na noite de núpcias devido a uma hemorragia grave possivelmente causada por consumo excessivo de álcool. A sua nova esposa era uma mulher chamada Ildico, que alguns historiadores acreditam ter sido ela própria uma cativa levada durante a campanha Italiana.

    Se isto for verdade, então é possível que uma mulher levada de Aquileia ou Milão estivesse presente quando o rei dos Hunos morreu, a engasgar-se no seu próprio sangue. Justiça de uma espécie, embora não o suficiente para importar para os milhares que já tinham sofrido. Átila foi enterrado num local secreto e os trabalhadores que cavaram a sua sepultura foram mortos para impedir a sua descoberta. Dizia-se que o tesouro enterrado com ele era enorme.

    Ouro e prata e objetos preciosos levados de cem cidades por toda a Europa, mas também os tesouros menos tangíveis, as linhagens quebradas, as linhagens corrompidas, as mulheres que nunca mais regressariam a casa. Após a sua morte, o Império Huno fragmentou-se rapidamente. Os seus filhos lutaram entre si pelo trono. Os povos sujeitos que tinham sido mantidos sob controlo pela vontade de ferro de Átila viram a sua oportunidade e revoltaram-se.

    Os Gépidas sob o seu rei Ardaric revoltaram-se primeiro, seguidos pelos Ostrogodos e outros. Dentro de uma geração, os Hunos tinham desaparecido da história como uma força política coerente. Os grandes acampamentos na planície Húngara esvaziaram. Os guerreiros dispersaram-se. O império que tinha aterrorizado dois continentes durante um século simplesmente deixou de existir.

    Mas as mulheres que tinham levado não regressaram. Algumas tinham morrido em cativeiro. Algumas tinham sido vendidas a traficantes de escravos e dispersas pelo mundo conhecido. Algumas tinham sido absorvidas pelos povos que sucederam os Hunos nas planícies da Europa Central. Algumas tinham tido filhos que cresceram sem saber nada da sua herança Romana. A esposa e a filha sobrevivente do Tribuno Gaius Petronius Marcellus nunca mais foram ouvidas.

    Os seus nomes não aparecem em registos posteriores. Os seus destinos só podem ser imaginados com base no que sabemos que aconteceu a mulheres em circunstâncias semelhantes. O que sabemos é isto. Elas não morreram rapidamente. Os Hunos não tinham interesse em matar cativas valiosas. Elas morreram lentamente ao longo de anos ou décadas de servidão ou sobreviveram e foram transformadas em algo irreconhecível, algo que nunca mais podia regressar ao mundo que tinham conhecido.

    Foi isto que os Hunos fizeram às esposas dos generais Romanos. Foi por isso que o Tribuno Marcellus disse à sua esposa que a morte era preferível à captura. Esta foi a verdade indizível que os historiadores Romanos registaram em fragmentos demasiado perturbadores para a maioria das fontes modernas discutir. A pergunta que isto levanta é desconfortável, mas necessária.

    Como devemos lembrar estas mulheres? Devemos lembrá-las como vítimas cujo sofrimento estava para além do seu controlo? Devemos lembrá-las como sobreviventes que suportaram circunstâncias que quebrariam a maioria das pessoas? Devemos lembrá-las de todo, dado que os seus nomes e histórias individuais foram largamente perdidos para a história? Eu acredito que devemos lembrá-las. Eu acredito que o seu sofrimento importa não apenas como facto histórico, mas como um lembrete do que os seres humanos são capazes de fazer uns aos outros quando todas as restrições são removidas. Eu acredito que esquecê-las seria uma traição final adicionada a todas as traições que elas

    já suportaram. Os Hunos desapareceram. O Império Romano desapareceu. Mas os padrões de comportamento que tornaram o sofrimento destas mulheres possível não desapareceram. Eles recorrem ao longo da história sempre que uma força conquistadora procura quebrar a vontade dos conquistados ao visar as suas famílias.

    O alvo sistemático de mulheres de elite durante a conquista não foi inventado pelos Hunos e não terminou com eles. Vemo-lo na Europa medieval durante os ataques Vikings. Vemo-lo durante as conquistas Mongóis. Vemo-lo em conflitos que ocorreram na memória viva.

    Os métodos mudam, a tecnologia muda, as justificações mudam, mas a lógica fundamental permanece a mesma. Se queres quebrar um povo completamente, não derrotas simplesmente os seus exércitos. Tu destróis as suas famílias. Tu corrompes as suas linhagens. Tu garantes que os sobreviventes carregam o trauma do que aconteceu ao longo de gerações. Isto é o que os Hunos entenderam.

    Isto é o que eles praticaram com eficiência sistemática. Isto é o que eles fizeram às esposas dos generais Romanos. As esposas dos generais Romanos não escolheram o seu destino. Não escolheram nascer em famílias de liderança militar. Não escolheram casar com homens que defendiam o império.

    Não escolheram estar presentes quando as muralhas caíram. O que lhes aconteceu não foi culpa delas, mas aconteceu. E devemos saber que aconteceu porque saber é como honramos a sua memória. Saber é como garantimos que o seu sofrimento não foi inteiramente em vão.

    Se achaste este vídeo valioso, por favor, considera subscrever e partilhá-lo com outros que estão interessados nos capítulos mais sombrios da história que as fontes mainstream preferem ignorar. Estas histórias merecem ser contadas. Estas mulheres merecem ser lembradas. O que pensas? Devemos continuar a explorar tópicos como este? Deixa-me saber nos comentários abaixo.

    E se quiseres aprender mais sobre a queda do Império Romano e as invasões bárbaras que o destruíram, vê o nosso vídeo sobre o que aconteceu ao último Imperador Romano. O link está na descrição. Até à próxima, lembra-te que a história não é apenas sobre reis e batalhas. É sobre pessoas comuns apanhadas em circunstâncias extraordinárias.

    É sobre as esposas e filhas que pagaram o preço pelas decisões de homens que muitas vezes não sobreviveram para testemunhar as consequências. Aurelia Marcella pagou esse preço. As suas filhas pagaram esse preço. Milhares de mulheres cujos nomes nunca saberemos pagaram esse preço. Deixa-me contar-te mais uma história antes de fechar.

    A história de uma mulher cujo nome realmente sabemos porque ela acabou por ser resgatada de volta para o território Romano. O nome dela era Anastasia. Ela era a esposa de um tribuno chamado Valerius que tinha comandado uma secção da guarnição de Aquileia. Ao contrário da maioria das mulheres levadas de Aquileia, ela acabou por ser recuperada. A sua família pagou um enorme resgate em ouro para garantir a sua libertação.

    Ela regressou ao território Romano 3 anos após a sua captura. Mas a Anastasia que regressou não era a Anastasia que tinha sido levada. Ela não conseguia falar do que lhe tinha acontecido. Ela não conseguia suportar ser tocada pelo marido. Ela não conseguia olhar para a sua família sobrevivente sem chorar.

    Ela tinha sido tão quebrada pelas suas experiências que tirou a própria vida dentro de um ano após o seu regresso. O seu marido, Valerius, registou a sua história numa carta a um amigo. Ele escreveu que ela tinha sido submetida a tratamento que nenhuma mulher Romana deveria alguma vez ter de suportar. Ele escreveu que os seus captores a tinham usado de maneiras concebidas para garantir que ela nunca mais pudesse regressar à vida normal. Ele escreveu que tinham tido sucesso.

    A carta sobrevive porque o amigo a preservou. Ele a preservou porque queria que as gerações futuras soubessem o que tinha acontecido. Queria que entendessem o que os Hunos tinham feito às mulheres Romanas. Queria que se lembrassem. Devemos lembrar. Não devemos esquecê-las.