Author: nguyenhuy8386

  • (1889 Apalaches) As Irmãs Frost que levavam viajantes para dentro de seu porão…

    (1889 Apalaches) As Irmãs Frost que levavam viajantes para dentro de seu porão…

    Há uma porta de porão nas montanhas da Virgínia Ocidental que não é aberta há mais de um século. Os habitantes locais não se aproximam dela. Eles não falam sobre o que aconteceu lá. Mas se você cavar fundo o suficiente nos registros do condado de 1889, encontrará algo que foi deliberadamente enterrado. Não corpos, algo pior, um padrão.

    E no centro de tudo estavam duas irmãs que sorriam para estranhos e os convidavam para o escuro. Olá a todos. Antes de começarmos, certifique-se de dar um like e se inscrever no canal e deixar um comentário com o lugar de onde você é e a que horas está assistindo. Dessa forma, o continuará mostrando histórias como esta.

    Esta é a história das Irmãs Frost. E se o nome delas soa familiar, não deveria, porque depois do que aconteceu no inverno de 1889, todos os registros delas foram sistematicamente apagados. A casa delas foi incendiada. Os nomes delas foram riscados do registro da igreja. A cidade onde moravam mudou de nome duas vezes. Mas eu as encontrei. E o que encontrei não me incomoda apenas como historiador, incomoda-me como ser humano.

    As Montanhas Apalaches no final do século XIX eram um lugar onde as pessoas desapareciam e ninguém fazia perguntas. Propriedades rurais isoladas, invernos rigorosos, famílias que se mantinham isoladas por gerações. As irmãs Frost entendiam essa geografia do silêncio melhor do que ninguém. Elas a usaram. Elas a transformaram em arma. E por pelo menos 7 anos, talvez mais, transformaram sua casa de família em algo que ainda não tem um nome apropriado na psicologia criminal. Esta não é uma história de fantasmas.

    É sobre o que pessoas reais são capazes quando estão isoladas o suficiente, danificadas o suficiente e convencidas o suficiente de que o que estão fazendo é necessário. Quando você terminar de assistir a isso, você vai entender por que algumas portas permanecem fechadas, por que alguns porões são melhor deixados selados e por que, às vezes, a coisa mais aterrorizante sobre a história não é o que lembramos.

    É o que trabalhamos tanto para esquecer. A Propriedade Frost ficava a 5 km de uma estrada de exploração madeireira que mal merecia o nome, no que era então chamado de Hollow Creek, Virgínia Ocidental. A casa em si era comum. Dois andares, fundação de pedra, um porão de raízes que havia sido cavado fundo na encosta por seu avô em algum momento da década de 1850.

    O que a tornava valiosa não era a estrutura, era a localização. A casa ficava no único cruzamento por 30 km. Se você estivesse viajando entre os acampamentos de mineração a leste e os postos comerciais a oeste, você passava pela propriedade Frost. Não havia outra rota, não no inverno, não se você quisesse sobreviver.

    Margaret Frost tinha 31 anos em 1889. Sua irmã Catherine tinha 27. Elas viviam sozinhas naquela casa desde que o pai delas morreu em 1883. Sem maridos, sem filhos, apenas as duas, e uma propriedade que deveria ter sido impossível para duas mulheres manterem sem ajuda. Mas elas conseguiam. Elas sempre conseguiam.

    Vizinhos diriam mais tarde que as irmãs eram bastante agradáveis. Quietos. Margaret era a faladora, a que vendia ovos ou trocava por suprimentos. Catherine raramente ia à cidade. Quando ia, as pessoas se lembravam dos olhos dela. Não porque fossem incomuns, mas porque nunca pareciam piscar. As irmãs administravam o que chamavam de “descanso do viajante”.

    Naquela época, era comum. Propriedades rurais isoladas ofereciam uma refeição quente e um lugar para dormir por uma pequena taxa. A tradição de hospitalidade dos Apalaches era real. Mantinha as pessoas vivas, mas as irmãs Frost ofereciam algo mais. Elas ofereciam o porão delas. Elas diziam aos viajantes que era mais quente lá embaixo, protegido do vento. Elas montavam catres, diziam.

    Cobertores. Era mais seguro do que dormir na casa principal, onde o fogo poderia apagar durante a noite. E aqui está a coisa que me causa arrepios. As pessoas acreditavam nelas. Porque Margaret sorria quando dizia isso. Porque em 1889, você confiava na hospitalidade de uma mulher. Você confiava nela com a sua vida. O primeiro desaparecimento que podemos verificar aconteceu em novembro de 1882, um agrimensor chamado Thomas Wickham.

    Ele estava mapeando depósitos minerais para uma empresa de mineração da Pensilvânia. O último local conhecido dele foi a propriedade Frost. A última ação conhecida dele foi pagar a Margaret Frost 2 dólares por uma refeição quente e um lugar para dormir. O corpo dele nunca foi encontrado. O equipamento dele nunca foi recuperado. A empresa de mineração enviou inquéritos. O xerife local foi até a propriedade Frost duas vezes.

    Margaret disse a ele que o agrimensor havia partido cedo pela manhã, parecia de bom humor, e se dirigido para o oeste em direção aos postos comerciais, o xerife anotou, e esse foi o fim. Entre 1882 e 1889, pelo menos 14 pessoas desapareceram naquele trecho da Passagem dos Apalaches. Sabemos disso porque eu cruzei registros de empresas de mineração, registros de entrega postal e inquéritos familiares enviados a três xerifes de condado diferentes, 14 nomes verificados.

    Mas o número real é quase certamente maior porque na década de 1880, muitas pessoas que viajavam pelos Apalaches estavam fugindo de algo. Elas não tinham famílias enviando inquéritos. Elas não tinham empregadores registrando relatórios. Elas eram fantasmas antes mesmo de chegarem ao porão Frost. Apenas não sabiam disso ainda. O padrão era específico, quase ritualístico.

    As vítimas estavam sempre viajando sozinhas, sempre homens. Idades variando de pouco mais de 20 anos a final dos 50. Eles sempre paravam na Propriedade Frost ao anoitecer ou mais tarde, quando continuar a viagem significaria percorrer estradas de montanha na escuridão. Margaret os cumprimentava, oferecia comida. Catherine aparecia brevemente, depois se retirava para o andar de cima. O viajante comia.

    Margaret sugeria o porão, mais quente, mais seguro, mais confortável do que os quartos com correntes de ar do andar de cima, e o viajante concordava, porque dizer não à hospitalidade de uma mulher nos Apalaches de 1880 não era apenas rude. Sugeria que você pensava que ela tinha más intenções. Que tipo de homem suspeita de uma mulher de violência? Aqui está o que pensamos ter acontecido em seguida, com base em evidências que só viriam à tona muito mais tarde.

    O porão tinha duas câmaras. A primeira era exatamente o que Margaret descreveu. Catres, cobertores, um pequeno fogão, normal. Mas havia uma segunda câmara mais profunda, acessível através de uma área de armazenamento de raízes que parecia nada mais do que caixas de batatas e conservas. Essa segunda câmara não tinha janelas, nem saída secundária e, o mais importante, tinha uma porta que trancava por fora.

    Assim que um viajante se acomodava na primeira câmara, confortável e aquecido e começando a dormir, Margaret descia as escadas uma última vez. Ela trazia chá, às vezes uísque, sempre algo que o viajante beberia sem suspeita. E nessa bebida havia algo que vinha do cultivo cuidadoso de Catherine de cicuta aquática e Datura stramonium, plantas que cresciam selvagens nas colinas ao redor da propriedade delas.

    O viajante não morreria imediatamente. Isso é importante. A dosagem era precisa. Catherine entendia de plantas da mesma forma que algumas pessoas entendem de matemática. A vítima ficaria desorientada, fraca, incapaz de coordenar movimentos ou gritar de forma eficaz. E então as irmãs as moveriam da primeira câmara para a segunda, através daquela área de armazenamento de raízes, para o escuro.

    E então trancavam a porta. E aqui está a parte que ainda deixa investigadores experientes desconfortáveis. As irmãs não os matavam rapidamente. A segunda câmara não era uma sala de execução. Era uma jaula. E o que as irmãs Frost faziam com seus prisioneiros durante os dias ou, às vezes, semanas seguintes é algo que ainda estamos tentando entender completamente com base no que foi eventualmente encontrado.

    O que finalmente expôs as Irmãs Frost não foi trabalho de detetive. Não foram vizinhos suspeitos ou familiares persistentes. Foi o clima. Em março de 1889, a região sofreu inundações que os moradores disseram ter sido as piores de que se tinha memória. O degelo da neve combinado com três dias de chuva forte transformou todo riacho em um rio e toda encosta em um deslizamento de lama.

    A estrada de exploração madeireira que passava pela propriedade Frost tornou-se intransitável. Mas, mais significativamente, a água minou a fundação de pedra do porão delas. Parte da parede externa desabou para fora, e o que esse colapso revelou fez quatro homens do assentamento vizinho correrem para a sede do condado em busca do xerife. Eles encontraram ossos primeiro.

    Restos humanos espalhados na lama onde a parede havia cedido. Mas não foram os ossos que fizeram homens adultos vomitarem naquela encosta. Foi o cheiro, mesmo com a inundação, mesmo com o ar frio da montanha. O fedor vindo de dentro daquele porão era algo que nenhum daqueles homens jamais seria capaz de descrever adequadamente em suas declarações de testemunhas.

    O xerife chegou 2 dias depois com seis deputados. O que eles encontraram dentro da segunda câmara está documentado em um relatório que foi selado por ordem judicial em 1890 e só foi aberto em 1973. Eu li esse relatório. Eu o li várias vezes porque meu trabalho exige isso. E eu vou contar o que estava lá.

    Mas eu preciso que você entenda uma coisa primeiro. Isso não é especulação. Isso não é folclore que foi exagerado ao longo de gerações. Isso é o que a aplicação da lei documentou em um processo legal. Havia três homens ainda vivos naquela câmara quando o xerife abriu a porta. Vivos em março de 1889. Um estava lá desde o final de janeiro, outro desde o início de fevereiro.

    O terceiro eles não puderam identificar porque estava incoerente e permaneceu incoerente até morrer 4 dias depois sob os cuidados do médico do condado. As condições em que foram mantidos desafiam a descrição adequada. A câmara tinha aproximadamente 3,6 m por 2,4 m. Sem fonte de luz, sem aquecimento. Um balde no canto que não era esvaziado há semanas.

    Os homens estavam emaciados, cobertos pelos próprios dejetos. Mas a negligência física não era o pior. Cada homem tinha ferimentos que claramente não eram autoinfligidos e nem resultado de negligência. Ferimentos metódicos, do tipo que sugeria que alguém estava descendo naquela escuridão regularmente, trazendo uma lâmpada, passando tempo. O relatório do médico do condado usa a palavra sistemático quatro vezes.

    Ele usa a palavra deliberado sete vezes. Os restos de pelo menos nove outros indivíduos foram recuperados daquele porão na semana seguinte. Alguns estavam enterrados no chão da segunda câmara. Outros haviam sido empilhados em uma área de armazenamento que as irmãs haviam escavado ainda mais fundo na encosta. A condição dos restos sugeria diferentes períodos de tempo, diferentes estágios de decomposição.

    Um esqueleto mostrava evidências de estar lá há anos. A ciência forense de 1889 era primitiva. Mas mesmo assim, o legista do condado podia dizer que esses homens não haviam morrido rapidamente. Eles morreram lentamente. No escuro, enquanto duas mulheres seguiam suas vidas diárias na casa acima, assando pão, cuidando de galinhas, sorrindo para o próximo viajante que chegasse à porta.

    Margaret e Catherine Frost foram presas em 19 de março de 1889. Elas não fugiram. Elas não resistiram. Quando o xerife chegou à casa, Margaret atendeu à porta da mesma forma que havia atendido para inúmeros viajantes, com um sorriso, com hospitalidade. Ela ofereceu café aos deputados. Ela perguntou se eles gostariam de se sentar.

    Catherine estava no andar de cima em seu quarto lendo. O xerife disse mais tarde que prendê-las parecia surreal, como levar duas professoras para a custódia por livros atrasados da biblioteca. Não houve drama, nem confissão, nem colapso. Margaret simplesmente perguntou se deveria trazer um casaco. Ainda estava frio em março. O julgamento começou no final de maio de 1889. O tribunal na sede do condado nunca tinha visto nada parecido.

    Pessoas viajaram por dias para comparecer, lotação esgotada. Jornalistas vieram de lugares tão distantes quanto Filadélfia e Baltimore. Isso foi antes da era do jornalismo sensacionalista de crime como o conhecemos agora. Mas mesmo assim, as pessoas entendiam que estavam testemunhando algo extraordinário, algo que seria falado por gerações.

    A promotoria tinha evidências físicas avassaladoras. Ossos, pertences pessoais, testemunho dos três sobreviventes, embora dois deles mal pudessem falar coerentemente sobre o que havia acontecido. Mas o que todos queriam saber, o que os jornalistas enchiam seus cadernos tentando capturar, era o porquê.

    Por que duas mulheres na zona rural dos Apalaches fizeram isso? Qual foi o motivo? Margaret Frost falou por 4 horas no banco das testemunhas. A transcrição de seu testemunho ainda existe. Eu a li. E o que é mais perturbador não é o que ela disse, é como ela disse. Calma, articulada, quase professoral. Ela explicou que o pai delas havia ensinado que os homens eram fundamentalmente perigosos, que ele as havia protegido de homens durante toda a vida delas.

    que depois que ele morreu, elas ficaram vulneráveis sozinhas e essa vulnerabilidade as havia transformado em alvos. Ela descreveu três incidentes separados em que viajantes fizeram avanços, tocaram Catherine, sugeriram coisas inadequadas, recusaram-se a sair quando solicitados. A voz de Margaret naquele banco das testemunhas nunca vacilou.

    Ela explicou que elas perceberam algo importante, que a única maneira de estar segura era controlar a ameaça, remover homens perigosos antes que esses homens pudessem machucá-las. Se você ainda está assistindo, você já é mais corajoso do que a maioria. Diga-nos nos comentários, o que você teria feito se essa fosse sua linhagem de sangue, mas é aqui que o testemunho de Margaret se torna algo que psicólogos criminais ainda estudam hoje.

    Ela insistiu que elas não eram assassinas. Ela usou essa palavra especificamente. Assassinas. Ela disse que eram educadoras, que os homens no porão estavam sendo ensinados algo essencial, sendo mostrados como era se sentir impotente, estar à mercê de outra pessoa, ser tratado como menos que humano. Ela disse que os homens que morreram falharam em aprender, mas os homens que sobreviveram, ela disse que esses homens nunca mais machucariam uma mulher. Eles foram curados.

    O promotor perguntou a ela quantos homens elas haviam mantido naquele porão. Margaret pensou por um longo momento. Então ela disse que havia perdido a conta depois de 20. Catherine nunca testemunhou. Ela nunca falou. Durante todo o julgamento, testemunhas disseram que ela ficou perfeitamente imóvel, mãos cruzadas no colo, olhando fixamente para a frente.

    Não para o júri, não para o juiz, para nada, apenas olhando para uma distância que só ela conseguia ver. O júri deliberou por menos de 3 horas. Ambas as irmãs foram consideradas culpadas em múltiplas acusações de assassinato, sequestro e o que o sistema legal de 1889 chamou desajeitadamente de agressão agravada com intenção de causar sofrimento.

    O juiz as condenou à forca, data de execução marcada para 12 de julho de 1889. Jornais da Pensilvânia e Maryland publicaram a história em suas primeiras páginas. O New York Times publicou um artigo de meia página intitulado As Diabas dos Apalaches. Mas algo aconteceu entre a sentença e a data da execução. Algo que foi documentado em registros oficiais, mas nunca adequadamente explicado.

    Catherine Frost morreu em sua cela em 23 de junho. O médico do condado considerou um suicídio. Disse que ela havia de alguma forma rasgado tiras de sua roupa de cama e se enforcado nas barras da cela. Mas três deputados que estavam de plantão naquela noite deram declarações que se contradiziam. Um disse que a havia checado à meia-noite e ela estava dormindo. Outro disse que a cela nunca foi deixada sem vigilância.

    Um terceiro recusou-se a dar qualquer declaração e pediu demissão na semana seguinte. A reação de Margaret à morte de sua irmã foi descrita por testemunhas como perturbadora em sua ausência. Ela não chorou, não fez perguntas. Ao ser informada de que Catherine se fora, Margaret simplesmente acenou com a cabeça uma vez e disse: “Ela sempre terminava as coisas antes de mim.” A execução foi antecipada. Margaret Frost foi enforcada em 30 de junho de 1889 no pátio do tribunal do condado. Aproximadamente 200 pessoas compareceram. Relatos de jornais a descrevem caminhando para a forca sem assistência, parada na plataforma enquanto o laço era ajustado. O carrasco perguntou se ela tinha alguma palavra final.

    Margaret olhou para a multidão por um longo momento. Então ela disse algo que não foi registrado na transcrição oficial, mas aparece em três relatos de jornais separados e no diário pessoal de um deputado. Ela disse: “Vocês pensam que éramos monstros, mas apenas fizemos a eles o que eles teriam feito a nós. Fomos apenas mais rápidas.”

    A propriedade Frost foi incendiada 4 dias após a execução, não por ordem oficial, mas por moradores da cidade que decidiram entre si que a casa precisava ser apagada. Eles queimaram tudo, a estrutura principal, os anexos. Eles tentaram queimar o porão, mas pedra não queima, então eles o desabaram, derrubaram as paredes, encheram-no com pedras e detritos. Depois plantaram sobre ele.

    Em 2 anos, você não conseguia dizer que alguma vez houve uma estrutura ali. A estrada de exploração madeireira foi redirecionada. As poucas famílias que ainda viviam no que era chamado de Hollow Creek se mudaram. Em 1895, os mapas da região não mostravam mais o assentamento. Ele havia sido administrativamente absorvido por um município vizinho com um nome diferente, mas o apagamento não significa esquecimento.

    As famílias das vítimas nunca esqueceram. 14 mortes confirmadas. Pelo menos mais seis prováveis com base no testemunho de Margaret e na evidência física. 20 homens que viajaram para aquelas montanhas e nunca saíram. 20 famílias que passaram anos se perguntando. Algumas das vítimas foram identificadas através de pertences pessoais encontrados no porão. Relógios de bolso, anéis, cartas.

    Esses itens foram devolvidos às famílias, mas muitos dos mortos nunca foram identificados. Eles ainda estão enterrados em sepulturas não marcadas no cemitério do condado, listados no registro de óbitos apenas como Homem Desconhecido Propriedade Frost. Mesmo na morte, eles foram definidos pelo lugar que os matou, pelas duas mulheres que decidiram que eles eram culpados antes que cometessem qualquer crime.

    O registro oficial termina em 1889. Mas a história não, porque o que as irmãs Frost fizeram criou ondulações que se moveram pela cultura Apalache de maneiras que ainda são visíveis se você souber onde procurar. Nas décadas seguintes às execuções, houve uma mudança perceptível na forma como os viajantes abordavam propriedades rurais isoladas naquela região.

    Os homens ficaram desconfiados da hospitalidade oferecida por mulheres que viviam sozinhas. Eles recusavam ofertas para dormir em porões ou anexos. Eles insistiam em dormir nos cômodos principais ou não dormir de todo. Há casos documentados nas décadas de 1890 e início de 1900 de mulheres na Virgínia Ocidental e Kentucky que administravam legítimos “descansos do viajante” e de repente se encontravam sem clientes, sem renda.

    Algumas perderam suas propriedades. As irmãs Frost não apenas destruíram suas vítimas, elas destruíram a confiança. Elas transformaram em arma a única coisa que mantinha as pessoas vivas nas montanhas. A disposição de aceitar ajuda de estranhos. Psicólogos e historiadores criminais estudaram o caso Frost por mais de um século agora. Ele aparece em livros didáticos sobre serial killers femininas, sobre folie à deux (psicose compartilhada entre irmãos), sobre resposta a traumas e vitimização que se transforma em predação.

    Mas aqui está o que torna este caso único na literatura acadêmica. Margaret e Catherine Frost não estavam matando por prazer ou lucro. Os poucos objetos de valor retirados das vítimas nunca foram vendidos. Eles foram encontrados enterrados em potes atrás da casa. As irmãs não estavam tentando enriquecer. Elas estavam tentando se sentir seguras.

    E em algum lugar em suas mentes danificadas. A única maneira de se sentir segura era ter poder completo sobre a coisa que elas temiam. Elas transformaram homens em objetos, em lições, em prova de que elas eram as que estavam no controle. Eu visitei o local 3 anos atrás. Levei 2 dias de caminhada porque a antiga estrada de exploração madeireira está completamente coberta de vegetação agora.

    Mas eu encontrei. A depressão no chão onde o porão costumava estar. Árvores crescendo através do que costumava ser a fundação. Não há nada lá que lhe diga o que aconteceu. Nenhum marcador, nenhum memorial, apenas floresta, apenas silêncio. Fiquei lá por 20 minutos tentando imaginar como deve ter sido, tentando entender como duas mulheres podiam descer aquelas escadas dia após dia, lâmpada na mão, e fazer o que fizeram.

    E eu não pude. Eu ainda não posso. Essa é a questão sobre o verdadeiro mal. Não faz sentido de fora. Só faz sentido para as pessoas que vivem dentro dele. Os três homens que sobreviveram àquele porão nunca se recuperaram completamente. Um morreu em um ano. Seu corpo simplesmente cedeu ao que havia suportado.

    Outro viveu até 1923, mas nunca falou sobre o que aconteceu. Sua família disse que ele acordava gritando, que não podia ficar em quartos escuros, que checava todas as portas de sua casa várias vezes todas as noites para ter certeza de que abriam por dentro. O terceiro sobrevivente, um homem chamado Jacob Reinhardt, deu uma entrevista a um jornalista em 1907.

    Ele foi perguntado qual era a pior parte. A fome, o frio, os ferimentos. E ele disse que não. A pior parte era ouvi-las no andar de cima, ouvir Margaret e Catherine vivendo suas vidas normais, ouvir passos, ouvi-las rir ocasionalmente, ouvir os sons mundanos da domesticidade enquanto ele estava trancado no escuro, sabendo que havia sido esquecido, sabendo que para elas ele não era mais humano.

    Ele era apenas um problema que elas haviam resolvido. Há um registro genealógico que sugere que a linhagem da família Frost continuou através de uma prima que se mudou para Ohio antes que os assassinatos viessem à tona. Essa prima mudou o nome. Seus descendentes não têm ideia de que estão conectados a Margaret e Catherine Frost. E talvez isso seja Misericórdia.

    Talvez algumas linhagens de sangue mereçam esquecer. Mas eu diria que nós não. Não podemos, porque as irmãs Frost representam algo que ainda não queremos reconhecer. Que as vítimas podem se tornar monstros. Que o trauma pode ser transformado em algo predatório. Que duas mulheres que estavam genuinamente assustadas, genuinamente danificadas, genuinamente convencidas de que estavam se protegendo poderiam fazer coisas que rivalizam com qualquer serial killer masculino na história americana.

    O porão ainda está lá sob as árvores, sob o solo, sob mais de um século de esquecimento deliberado, mas fundações de pedra não apodrecem. Os ossos daquele lugar permanecem. E às vezes penso em viajantes em 1889, com frio e cansados. Vendo a luz de uma lamparina nas janelas da propriedade Frost. Vendo Margaret sorrir, sentindo-se gratos pela bondade de estranhos.

    Sem saber que a bondade era uma máscara. Que o calor que lhes estava sendo oferecido vinha com um preço que pagariam no escuro. Gostamos de pensar que saberíamos, que sentiríamos o perigo. Mas a verdade é mais simples e mais aterrorizante. O mal nem sempre se anuncia. Às vezes, ele abre a porta, oferece-lhe chá e pergunta se você gostaria de ver o porão.

    É mais quente lá embaixo, elas dizem. Mais seguro, mais confortável do que você pensa. E nesse momento, você tem que decidir. Você confia no que está sendo oferecido? Ou você volta para o frio? As irmãs Frost tomaram essa decisão por 20 homens, talvez mais.

  • O Mistério Mais Perturbador da História de São Paulo (1848)

    O Mistério Mais Perturbador da História de São Paulo (1848)

    Bem-vindo a este percurso por um dos casos mais inquietantes registrados na história de São Paulo. Antes de iniciar, convido você a deixar nos comentários de onde está nos assistindo e a hora exata em que escuta esta narração. Interessa-nos saber até quais lugares e em quais momentos do dia ou da noite chegam estes relatos documentados. São Paulo, 1848.

    A província ainda era um lugar modesto, com menos de 20.000 habitantes, concentrados principalmente no chamado triângulo histórico, formado pelas ruas São Bento, Direita e 15 de novembro. As casas, em sua maioria de taipa, exibiam um estilo colonial que resistia ao tempo, com seus telhados de duas águas e sacadas de madeira.

    O rio Tamanduateí, ainda não canalizado, serpenteava pela cidade, servindo como rota essencial para o transporte de mercadorias. Era uma São Paulo bem diferente da metrópole, que viria a se tornar décadas depois, com a explosão do café e a chegada das ferrovias. Naquele tempo, a cidade vivia um momento de transições importantes.

    A Faculdade de Direito do Largo São Francisco, inaugurada 20 anos antes, em 1828, já atraía estudantes de várias partes do país, alterando profundamente a dinâmica social da pequena capital. A economia da província dava seus primeiros passos para sair da subsistência e ingressar numa fase mais comercial. O sistema eleitoral brasileiro havia passado por mudanças recentes e na França e na Suíça, o sufrágio universal acabava de ser introduzido naquele mesmo ano.

    Eccos distantes de transformações que de alguma forma chegavam até mesmo aos rincões mais afastados do império do Brasil. É neste cenário que encontramos a história de Bento Albuquerque e Clara Nogueira, um casal cuja trágica existência permaneceria arquivada e esquecida por mais de um século até ser redescoberta em circunstâncias tão perturbadoras quanto os eventos originais.

    Bento Albuquerque era um comerciante respeitado na região da rua do Comércio, atual rua Álvares Penteado. Filho de portugueses, havia herdado do pai uma pequena casa de comércio, onde vendia desde produtos importados até artigos de primeira necessidade. Aos 42 anos, era conhecido por sua pontualidade, descrição e pelo olhar sempre fixo no horizonte, como se buscasse algo além da linha do tempo.

    Clara Nogueira, sua esposa há 15 anos, vinha de uma família tradicional de Santana de Parnaíba e administrava os assuntos domésticos com a mesma eficiência com que seu marido conduzia os negócios. O casal residia em uma casa ampla na região do atual bairro da luz, próximo ao convento da luz, um dos poucos edifícios imponentes da cidade naquela época.

    A residência de dois pavimentos destacava-se entre as demais construções da vizinhança, não apenas pelo tamanho, mas pela peculiar atmosfera de silêncio que parecia envolvê-la. Vizinhos relatavam que mesmo nos dias mais quentes, quando as janelas de todas as casas permaneciam abertas para aliviar o calor, a casa dos Albuquerque mantinha-se sempre fechada, como se guardasse um segredo pesado demais para ser exposto à luz do dia.

    Clara e Bento não tinham filhos, o que naquela época era motivo de coxichos e especulações. Quando Deus não dá filhos, o diabo dá pensamentos, diziam as senhoras mais velhas do bairro após as missas de domingo na Igreja da Luz. Ainda assim, o casal mantinha uma rotina absolutamente comum.

    Bento saía todas as manhãs para sua loja e retornava ao entardecer. Clara cuidava da casa e ocasionalmente visitava o mercado ou a igreja. Uma vez por mês, recebiam o padre Anselmo para um jantar. Ocasião em que a casa se iluminava brevemente, apenas para voltar à sua habitual penumbra logo depois. Foi numa manhã de abril de 1848 que a rotina da cidade se quebrou. Bento Albuquerque não abriu sua loja.

    O fato, por si só, já seria digno de nota, pois em 20 anos de comércio era a primeira vez que isso acontecia. Seus empregados, dois jovens aprendizes e um escravo liberto chamado Joaquim, aguardaram por quase duas horas na porta do estabelecimento, até que o mais velho deles decidiu ir até a residência do patrão para verificar o que havia ocorrido.

    O que o jovem encontrou ao chegar à casa dos Albuquerque iniciaria um dos casos mais perturbadores da história de São Paulo. mistério que ecoaria por gerações, embora tenha sido meticulosamente silenciado por aqueles que detinham o poder na província. Segundo consta no registro oficial preservado nos arquivos da antiga Câmara Municipal, ao chegar à residência, o aprendiz Antônio Vieira encontrou a porta entreaberta, fato incomum para uma casa que sempre permanecia hermeticamente fechada.

    Ao entrar, chamou por seu patrão e pela senora Clara, mas não obteve resposta. A sala principal estava em perfeita ordem, assim como a cozinha e os quartos do primeiro andar. Foi apenas ao subir para o segundo pavimento que Antônio se deparou com o que descreveria mais tarde como uma cena que nem o mais horrível pesadelo poderia conceber.

    Bento Albuquerque estava sentado em sua poltrona preferida, ainda vestido com o terno que usava para ir à loja, as mãos cuidadosamente pousadas sobre os braços do assento, como se estivesse apenas descansando. Seus olhos, no entanto, fitavam o vazio com uma expressão que o jovem aprendiz descreveu como o olhar de quem viu o que nenhum homem deveria ver.

    Na cama, perfeitamente arrumada, jazia Clara Nogueira, vestida com seu melhor vestido de seda azul, as mãos delicadamente cruzadas sobre o peito, como se tivesse sido preparada para seu velório. Não havia sinais de violência, não havia sangue, nem desordem, nem qualquer indício de luta, apenas um silêncio denso e o cheiro fraco de cera de velas recém apagadas.

    O jovem Antônio correu para buscar ajuda e em poucas horas a notícia se espalhou pela pequena São Paulo. As autoridades foram chamadas e o delegado Francisco de Paula Xavier de Toledo assumiu pessoalmente o caso. Segundo consta em seu relatório preliminar, hoje preservado no Arquivo do Estado de São Paulo, tanto Bento quanto Clara haviam falecido por causas indeterminadas.

    Não encontramos quaisquer marcas nos corpos, nem indícios de envenenamento ou violência”, escreveu o delegado. Os servos da casa, interrogados separadamente, afirmam que o casal havia se recolhido na noite anterior, como de costume, sem nada que indicasse perturbação ou anormalidade. O caso poderia ter terminado aí, mais um mistério sem solução em uma época em que as investigações eram limitadas pela ciência disponível.

    Mas o que tornaria o caso dos Albquerque verdadeiramente perturbador seriam os eventos subsequentes e as descobertas feitas no porão da casa. Um cômodo cuja existência era desconhecida até mesmo dos empregados mais antigos. Foi durante o inventário dos bens realizado três dias após a descoberta dos corpos, que o escrivão Martinho de Oliveira notou algo estranho no açoalho da sala de jantar, uma pequena argola de metal, quase imperceptível, inserida entre as tábuas de madeira. Ao puxá-la, revelou-se um alçapão que levava a uma escada íngreme

    e estreita. O que foi encontrado naquele porão mudaria completamente o rumo das investigações e lançaria uma sombra sobre a memória do respeitado comerciante e sua esposa. De acordo com as anotações do escrivão, que foram posteriormente classificadas e arquivadas sobilo por ordem do presidente da província, o porão continha uma sala circular de aproximadamente 4 m de diâmetro.

    As paredes estavam cobertas por estantes repletas de livros em diversos idiomas, muitos deles proibidos pela igreja na época e manuscritos aparentemente escritos pelo próprio Bento Albuquerque. No centro da sala havia uma mesa de madeira escura com entalhes complexos ao longo de suas bordas.

    Sobre a mesa, um diário de capa preta e um conjunto de objetos cuidadosamente organizados. Sete pequenas pedras dispostas em círculo, uma balança de precisão, frascos contendo diversos pós e líquidos e uma coleção de mapas antigos da região de São Paulo, com marcações em locais específicos, muitos deles correspondendo a antigos cemitérios indígenas e locais de execuções durante o período colonial.

    Mas o que realmente chocou as autoridades foram os desenhos nas paredes feitos com um pigmento escuro que, segundo análises posteriores realizadas em 1862 pela Faculdade de Medicina continha traços de sangue humano. Os desenhos representavam uma sequência de símbolos que nenhum dos presentes conseguiu identificar, exceto por um um círculo com uma cruz invertida em seu centro.

    O diário encontrado na mesa revelou-se ainda mais perturbador. Escrito ao longo de 20 anos, continha registros detalhados de experimentos que Bento Albuquerque realizara em busca do que ele chamava de a língua primordial, um idioma que, segundo suas anotações, seria capaz de dobrar as leis naturais e estabelecer comunicação com o que existe além do véu do tempo.

    As últimas páginas do diário, datadas de três dias antes da morte do casal, descreviam o que parecia ser a conclusão bem-sucedida de seus experimentos. “Clara finalmente compreendeu a pronúncia exata das sete palavras”, escreveu Bento. “Esta noite, quando o relógio da catedral bater meia-noite, realizaremos a invocação final.

    Se formos bem-sucedidos, veremos o que nenhum olho humano jamais viu, o rosto daquele que nos observa de fora do tempo. A entrada final, escrita com uma caligrafia trêmula e quase ilegível, continha apenas uma frase. Ele veio e não estava sozinho. O delegado Francisco de Toledo ordenou que o porão fosse imediatamente lacrado e que todos os objetos e documentos fossem enviados ao palácio do governo provincial.

    Segundo registros oficiais, o caso foi encerrado como morte por causas naturais e a casa dos Albuquerque foi demolida menos de um mês depois, por ordem direta do presidente da província. Os documentos relacionados ao caso permaneceram arquivados e esquecidos até 1963, quando o historiador Paulo Mendes, durante uma pesquisa nos arquivos do antigo império para sua tese sobre crimes na São Paulo colonial, encontrou as anotações do escrivão Martinho de Oliveira e alguns fragmentos do diário de Bento Albuquerque. Intrigado com o

    caso, Mendes decidiu aprofundar sua investigação. Descobriu que, nos meses seguintes à morte dos Albuquerque, outras seis pessoas morreram em circunstâncias similares em São Paulo, todas encontradas em suas casas, sem marcas de violência, com expressões de terror congeladas em seus rostos.

    Em todos os casos, as vítimas tinham alguma conexão com Bento, um fornecedor de sua loja, dois clientes frequentes, um vizinho, o padre Anselmo e, curiosamente, o delegado Francisco de Toledo, encontrado morto em seu escritório exatamente três meses após o início das investigações. Mais perturbador ainda foi descobrir que todos os envolvidos diretamente na investigação, o jovem aprendiz Antônio Vieira, o escrivão Martinho de Oliveira, os policiais que primeiro entraram na casa faleceram antes de completar 40 anos, a maioria em circunstâncias

    consideradas estranhas nos registros da época. Em suas anotações pessoais encontradas após sua própria morte repentina em 1964, Paulo Mendes escreveu que havia conseguido decifrar parte dos símbolos encontrados nas paredes do porão. Segundo ele, tratava-se de uma variação de um antigo sistema de escrita usado por tribos indígenas que habitavam a região de São Paulo antes da chegada dos portugueses.

    Os símbolos formariam uma espécie de convite ou portal para entidades que existiriam em um plano paralelo ao nosso. O mais assustador”, escreveu Mendes em sua última anotação, “É que quanto mais estudo esses símbolos, mais tenho a impressão de que eles estão me observando de volta.” Ontem à noite acordei com a certeza de que havia alguém parado aos pés da minha cama.

    Podia sentir sua respiração, embora não conseguisse vê-lo na escuridão. E o mais estranho, ele cheirava a cera de velas recém apagadas. Paulo Mendes foi encontrado morto em seu escritório na manhã seguinte, a causa oficial da morte, parada cardíaca. Seus documentos sobre o caso Albuquerque desapareceram misteriosamente dos arquivos da universidade e o caso voltou a ser esquecido por mais algumas décadas.

    Em 2001, durante as escavações para a construção de um edifício comercial na região da luz, os trabalhadores encontraram os restos de uma antiga estrutura subterrânea que não constava em nenhuma planta oficial da cidade. Dentro dela, encravada na parede, havia uma caixa de chumbo selada, contendo um frasco de vidro com um líquido escurecido pelo tempo e um papel amarelado com sete palavras escritas em uma língua desconhecida.

    O engenheiro responsável pela obra, intrigado com a descoberta, levou os objetos para sua casa para examiná-los melhor. Três dias depois, foi encontrado morto em seu escritório. Não havia sinais de violência. Apenas uma expressão de terror absoluto em seu rosto e, segundo o relatório policial, um estranho cheiro de cera de velas recém-apagadas.

    Os objetos encontrados nas escavações foram enviados para análise no Instituto de Criminalística, mas desapareceram misteriosamente durante o transporte. O caso foi arquivado como roubo, embora nenhum outro item tenha sido levado da viatura policial. A construção do edifício foi abandonada após três acidentes fatais inexplicáveis no local, e o terreno permanece vazio até hoje, cercado por tapum e rumores.

    Em 2011, a pesquisadora Mariana Santos do Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo, encontrou nos arquivos da Cúria Metropolitana um conjunto de cartas trocadas entre o padre Anselmo e o bispo de São Paulo nos meses que antecederam a morte dos Albuquerque. Nas cartas, o padre expressava preocupação com as atividades de Bento Albuquerque, a quem descrevia como um homem consumido por uma busca perigosa e blasfema.

    Na última carta, datada de apenas uma semana antes das mortes, o padre Anselmo escreveu: “Visitei a casa dos Albuquerque ontem à noite, como de costume. Durante o jantar, Clara quase não falou, e seus olhos pareciam estranhamente vazios. Bento, por outro lado, mostrava-se excitado como nunca o vi antes. Quando me preparava para sair, ele me segurou pelo braço e sussurrou: “Anselmo, descobri algo que mudará tudo o que sabemos sobre a realidade.

    Há algo observando-nos de fora do tempo, algo que esteve aqui muito antes de nós e permanecerá muito depois que o último de nós tenha se tornado pó”. e descobri como falar com ele. Confesso, excelência, que senti um calafrio percorrer minha espinha ao ouvir essas palavras e ver o brilho febril em seus olhos. Mariana Santos, intrigada com o caso, decidiu seguir os passos de Paulo Mendes e investigar o mistério dos Albuquerque.

    Conseguiu reunir fragmentos de informações espalhados por diversos arquivos e bibliotecas. reconstruindo parte da história que havia sido deliberadamente apagada da memória oficial de São Paulo. Em suas pesquisas, descobriu que Bento Albuquerque não era apenas um comerciante comum. Antes de se estabelecer em São Paulo, havia estudado na Europa, frequentando círculos acadêmicos interessados em ocultismo e ciências esotéricas.

    Seu retorno ao Brasil e a escolha de São Paulo como residência não foram acidentais. Segundo documentos encontrados por Mariana, Bento acreditava que a região possuía propriedades especiais relacionadas ao que ele chamava de junção temporal, locais onde a barreira entre diferentes planos de existência seria mais tênue.

    Mais surpreendente foi a descoberta de que Clara, longe de ser apenas a esposa submissa, retratada nos registros oficiais, era na verdade uma mulher letrada e participava ativamente dos experimentos do marido. Filha de um curandeiro de Santana de Parnaíba, Clara havia crescido entre dois mundos, o catolicismo oficial e as práticas místicas indígenas preservadas secretamente por sua família.

    Nos diários pessoais de Clara, encontrados por Mariana em uma coleção particular, ela descreve sonhos recorrentes em que uma entidade sem rosto a chamava pelo nome e lhe ensinava palavras em uma língua que ela nunca havia ouvido, mas compreendia perfeitamente ao despertar. “Cada noite ele me mostra um pouco mais”, escreveu Clara em um de seus últimos registros.

    Diz que existe um mundo muito além deste, onde o tempo não flui da mesma forma. Um mundo onde poderíamos viver eternamente livres das limitações da carne. Bento acredita que finalmente estamos prontos para a travessia. Esta noite, quando o relógio bater meia-noite, diremos as sete palavras na sequência correta e o portal se abrirá. Tenho medo, mas também uma curiosidade que não consigo explicar.

    O que nos aguarda do outro lado? À medida que Mariana aprofundava sua pesquisa, estranhos eventos começaram a ocorrer em sua vida. Objetos mudavam de lugar em seu apartamento quando ela estava fora. O cheiro de cera de velas invadia seu quarto no meio da noite, embora ela não tivesse velas em casa. e mais perturbador, começou a ter sonhos vívidos em que um homem e uma mulher, vestidos com roupas do século XIX lhe ensinavam palavras em uma língua que ela não reconhecia, mas compreendia perfeitamente ao acordar. Preocupada com os rumos que sua

    pesquisa estava tomando, Mariana decidiu compartilhar suas descobertas com um colega do departamento, o professor Carlos Mendonça, especialista em antropologia religiosa. Após ouvir seu relato, Carlos ficou visivelmente pálido. “Você precisa parar com essa pesquisa imediatamente”, disse ele.

    O que você está descrevendo não é apenas um caso histórico curioso, mas algo muito mais perigoso. Há certos conhecimentos que não deveriam ser desenterrados. Quando Mariana insistiu em saber mais, Carlos finalmente revelou que o caso dos Albuquerque não era isolado. Ao longo da história, em diferentes partes do mundo, havia registros de pessoas que tentaram estabelecer comunicação com o que algumas culturas chamavam de os observadores, entidades que existiriam fora do fluxo normal do tempo e observariam a humanidade desde o início de sua existência. Em todas as histórias,

    explicou Carlos, o padrão é o mesmo. Alguém descobre uma forma de comunicação, geralmente através de sonhos ou rituais específicos. Inicialmente, as entidades parecem benevolentes, oferecendo conhecimento e promessas de poder ou imortalidade. Mas sempre, sem exceção, aqueles que estabelecem contato acabam encontrados mortos em circunstâncias misteriosas, com expressões de terror absoluto congeladas em seus rostos.

    Mariana, embora assustada, não conseguiu abandonar sua pesquisa. havia chegado longe demais e a curiosidade científica falava mais alto que o medo. Nas semanas seguintes, continuou coletando informações, reconstruindo a história dos Albuquerque e tentando decifrar os símbolos que haviam sido encontrados nas paredes do porão.

    Uma noite, enquanto trabalhava até tarde em seu apartamento, Mariana sentiu subitamente que não estava sozinha. O ar pareceu ficar mais denso e aquele familiar cheiro de cera de velas invadiu o ambiente. Ao olhar para a porta de seu escritório, viu duas silhuetas paradas na escuridão, um homem e uma mulher, vestidos com roupas do século XIX, seus rostos parcialmente ocultos pelas sombras.

    Finalmente encontramos alguém que pode completar o que começamos”, disse a mulher com uma voz que parecia chegar de muito longe e ao mesmo tempo de dentro da própria mente de Mariana. Você já conhece seis das palavras, só falta uma. Foi nesse momento que Mariana percebeu com horror que havia algo errado com as figuras.

    Embora parecessem sólidas à primeira vista, havia uma qualidade translúcida em suas formas, como se existissem parcialmente em outra dimensão. E seus olhos, seus olhos não eram humanos, eram vazios, como buracos negros que pareciam sugar a própria luz ao redor. Mariana tentou gritar, mas nenhum som saiu de sua garganta. tentou se mover, mas seu corpo não respondia. As figuras se aproximaram lentamente, estendendo suas mãos em direção a ela.

    “Venha conosco”, disse o homem. “Ele está esperando por você. Ele tem esperado por tanto tempo. Nesse momento, o telefone de Mariana tocou, quebrando o transe. As figuras desapareceram instantaneamente, deixando apenas o cheiro de cera e uma sensação de frio intenso no ar. Era o professor Carlos ligando para verificar como ela estava, preocupado após vários dias sem notícias.

    Abalada, Mariana contou o que havia acontecido. Carlos insistiu que ela viesse imediatamente para sua casa, onde estaria mais segura. No caminho, enquanto dirigia pela Avenida Paulista Deserta aquela hora da noite, Mariana percebeu algo estranho no banco do passageiro, uma pequena caixa de madeira que certamente não estava ali quando entrou no carro. Ao chegar à casa de Carlos, mostrou-lhe a caixa.

    Dentro havia um papel amarelado com uma única palavra escrita em caracteres desconhecidos, mas que inexplicavelmente Mariana conseguia ler. “É sétima palavra”, disse ela com um olhar distante. “Agora sei todas elas”. Carlos, percebendo o perigo, tentou tomar o papel de suas mãos, mas era tarde demais.

    Sem perceber o que fazia, como se estivesse em transe, Mariana começou a pronunciar as sete palavras em sequência, sua voz mudando gradualmente para um tom que não parecia humano. Ao pronunciar a última palavra, todas as luzes da casa se apagaram simultaneamente. o silêncio que se seguiu, eles ouviram algo se movendo na escuridão, algo grande que parecia se arrastar pelo teto acima de suas cabeças.

    “O que foi isso?”, sussurrou Mariana, agora plenamente consciente e aterrorizada. “Você os chamou?”, respondeu Carlos, sua voz tremendo. “E eles vieram, mas não estão sozinhos. No dia seguinte, os corpos de Mariana Santos e Carlos Mendonça foram encontrados na sala de estar. Não havia sinais de violência, nenhuma marca em seus corpos, apenas expressões de terror absoluto congeladas em seus rostos e um estranho cheiro de cera de velas recém apagadas. Todos os documentos relacionados à pesquisa de Mariana sobre o caso Albuquerque desapareceram de seu

    apartamento e do departamento na universidade. O caso foi oficialmente registrado como morte por causas naturais e logo foi esquecido pela imprensa e pelo público. Mas em certos círculos acadêmicos, o mistério dos Albuquerque continua sendo discutido em sussurros. E há rumores de que em noites especialmente silenciosas, moradores da região da luz relatam ver um casal vestido com roupas antigas caminhando lentamente pelas ruas desertas, como se procurassem algo ou alguém antes de desaparecerem nas sombras. As investigações oficiais sobre

    o caso foram encerradas em 2011, sem conclusões definitivas. Os poucos documentos que restam estão arquivados sobilo no arquivo do Estado de São Paulo, acessíveis apenas mediante autorização especial. E dizem que aqueles que conseguem tal autorização e se aventuram a ler os relatórios originais, nunca mais são os mesmos.

    Existe um último detalhe perturbador que merece ser mencionado. Nos últimos anos, pelo menos três pessoas que tentaram investigar o caso dos Albuquerque relataram experiências semelhantes, sonhos vívidos com um casal do século XIX, o cheiro de cera de velas em momentos inesperados e a sensação persistente de estarem sendo observadas por algo que existe fora do tempo normal.

    Uma dessas pessoas, a jornalista Amanda Ribeiro, que preparava uma reportagem sobre mistérios históricos de São Paulo, deixou um último registro em seu diário antes de desaparecer misteriosamente em 2018. Sonhei com eles novamente na noite passada. Desta vez, mostraram-me um lugar. Parece ser uma construção antiga na região da luz. Disseram que há algo enterrado lá.

    algo que nunca deveria ter sido encontrado. Estou indo verificar hoje. Se minhas suspeitas estiverem corretas, finalmente entenderei o que aconteceu com os Albuquerque naquela noite de abril de 1848. Sei que deveria ter medo, mas a curiosidade é mais forte. Além disso, já conheço seis das palavras, só falta uma.

    Amanda nunca foi encontrada. Seu carro foi achado estacionado próximo a um terreno vazio na região da luz, o mesmo terreno onde em 2001 foram descobertos os artefatos misteriosos durante as escavações. Dentro do veículo, apenas seu diário e um forte cheiro de cera de velas recém-apagadas.

    As páginas finais do diário continhos de símbolos estranhos, idênticos aos que teriam sido encontrados nas paredes do porão da casa dos Albuquerque, mais de 170 anos antes. E na última página, uma única frase escrita com uma caligrafia que não se parecia em nada com a de Amanda. Ele está observando e nunca esteve sozinho. O caso permanece aberto nos registros da Polícia de São Paulo.

    Mais um mistério sem solução na história da cidade que cresceu às margens do Anhangabaú sobre fundações muito mais antigas e talvez muito mais perturbadoras do que a maioria de seus habitantes imagina. No entanto, há um epílogo para esta história que apenas recentemente veio à tona. Em dezembro de 2022, durante obras de renovação na rede de esgoto, na região da luz, operários encontraram uma cavidade subterrânea que não constava em nenhuma planta da cidade.

    Dentro dela, um pequeno compartimento selado continha um conjunto de documentos em um estado de preservação surpreendente, considerando sua idade. Entre esses documentos estava um manuscrito assinado pelo padre Anselmo, datado de três dias antes de sua própria morte, em 1848. No texto, o religioso fazia uma confissão perturbadora.

    Temo que tenha sido cúmplice, mesmo que involuntariamente de algo terrível. Durante anos, escutei as teorias de Bento Albuquerque sobre entidades que existem fora do nosso tempo, considerando-as apenas divagações de uma mente demasiadamente educada. Agora sei que estava errado. Na noite anterior à sua morte, Bento me confiou um segredo. Ele e Clara haviam conseguido estabelecer contato com algo que ele chamava de o Observador.

    Acreditei naquele momento que era apenas mais uma de suas fantasias. Mas ontem à noite, após celebrar uma missa na Igreja da Luz, vi algo que jamais poderei esquecer. Ao retornar à minha residência, encontrei Bento e Clara parados na escuridão do meu quarto. Mas não eram realmente eles. Havia algo de errado, algo de profundamente antinatural em suas formas.

    E seus olhos eram vazios como poços sem fundo. Eles falaram comigo sem mover os lábios, suas vozes soando diretamente em minha mente. Disseram que ele havia vindo e que agora estavam vivendo em um lugar além do vé do tempo. Disseram que eu deveria me juntar a eles, que só precisava conhecer sete palavras específicas.

    começaram a me ensinar a primeira delas quando subitamente consegui gritar o nome de nosso Senhor. No momento em que o fiz, eles desapareceram, deixando apenas um estranho cheiro de cera de velas. Escrevo isso com a certeza de que não viverei muito mais. Algo atravessou o limite entre os mundos e agora está aqui caminhando entre nós, usando os rostos de pessoas que conhecemos.

    e temo que eu seja o próximo a receber sua visita. Que Deus tenha misericórdia de minha alma. O manuscrito do padre Anselmo, junto com os demais documentos encontrados, foi enviado para análise no Departamento de História da Universidade de São Paulo.

    O professor responsável pela pesquisa Rodrigo Almeida, manteve contato constante com seus colegas durante os primeiros dias de estudo do material. No entanto, após duas semanas, parou abruptamente de responder mensagens e não compareceu mais ao departamento. Quando a polícia foi até seu apartamento, encontrou o vazio. Na mesa de trabalho havia apenas um caderno aberto com uma anotação feita às pressas. Eles estavam certos sobre tudo.

    Agora entendo o que aconteceu. As sete palavras são a chave. Já conheço seis delas. Esta noite aprenderei a última. Rodrigo Almeida permanece desaparecido até hoje. Seu caso foi oficialmente classificado como pessoa desaparecida, mas os policiais que investigaram seu apartamento relataram um estranho cheiro de cera de velas recém apagadas.

    Os documentos encontrados na cavidade subterrânea foram reclassificados como sigilosos e transferidos para um arquivo especial do governo federal. Oficialmente, o motivo alegado foi preservação histórica. Extraoficialmente, dizem que ninguém que tenha lido o conteúdo completo do manuscrito do padre Anselmo permaneceu o mesmo depois.

    A região da luz, onde ficava a antiga casa dos Albuquerque, passou por diversas transformações ao longo dos séculos, mas o terreno onde ela se erguia permanece estranhamente vazio até hoje. Tentativas de construção no local sempre terminaram em abandono, seja por acidentes inexplicáveis, problemas financeiros repentinos ou desistência dos proprietários.

    E se você que nos acompanhou até aqui nesta narrativa começar a sonhar com um casal do século XIX nos próximos dias ou sentir o cheiro de cera de velas em momentos inexplicáveis, lembre-se, algumas portas, uma vez abertas, nunca mais podem ser completamente fechadas. E há coisas que observam nossa realidade de fora do tempo, esperando pacientemente por uma oportunidade de entrar.

    Em 2025, uma equipe de pesquisadores de fenômenos paranormais obteve autorização para conduzir um estudo no terreno vazio. Equipados com tecnologia de ponta registraram anomalias eletromagnéticas significativas e flutuações térmicas. inexplicáveis no local exato onde, segundo os mapas antigos, ficava o porão da casa dos Albuquerque.

    Ao analisarem as gravações de áudio feitas durante a noite, descobriram algo perturbador: vozes sussurrando em uma língua desconhecida interrompidas por uma frase clara em português: “Ele vê todos vocês. Ele sempre esteve observando.” A pesquisa foi encerrada prematuramente quando dois membros da equipe desapareceram. Foram encontrados três dias depois, vagando pelas ruas do bairro da Luz, sem memória do que havia acontecido, e repetindo obsessivamente sete palavras em uma língua que nenhum linguista conseguiu identificar. E assim o mistério de Bento Albuquerque e Clara

    Nogueira permanece como uma sombra silenciosa sobre a história de São Paulo. Um lembrete de que por trás da cidade moderna e pulsante existem segredos antigos enterrados em suas fundações. segredos que talvez seja melhor deixar em paz, porque algumas coisas não foram feitas para serem compreendidas pelo limitado intelecto humano.

    E algumas presenças são melhor sentidas à distância, nunca confrontadas diretamente. Se algum dia você passar pela região da luz em uma noite especialmente silenciosa e sentir subitamente um cheiro de cera de velas recém apagadas, não olhe para trás. Continue andando e, acima de tudo, não pare para escutar se alguém sussurrar seu nome na escuridão, porque eles ainda estão lá, Bento e Clara, eternamente presos entre dois mundos e não estão sozinhos.

    O observador continua seu trabalho silencioso, vigiando pacientemente, esperando por mais alguém curioso o suficiente para aprender as sete palavras que abrem a porta. Talvez você seja o próximo. Talvez, enquanto lia esta história, já tenha aprendido a primeira palavra sem perceber. M.

  • (1840, Bahia) O Caso Horrorizante da Bela Escrava Maria Helena Gomes

    (1840, Bahia) O Caso Horrorizante da Bela Escrava Maria Helena Gomes

    No ano de 1840, na região do Recôncavo Baiano, especificamente no distrito de São Félix, uma descoberta perturbadora, abalaria para sempre a rotina aparentemente pacífica de uma das maiores fazendas de cana de açúcar da província. O engenho Santa Cruz, propriedade de Coronel Antônio Pereira da Silva, situava-se a aproximadamente 15 km da vila principal, numa extensão de terras que se estendia desde as margens do rio Paraguaçu até as primeiras elevações da serra da Jequitibá. A propriedade empregava cerca de 200

    escravos distribuídos entre o trabalho nos canaviais, na Casa Grande e nas instalações de beneficiamento da cana. Entre esses trabalhadores destacava-se uma jovem de nome Maria Helena Gomes, de 22 anos, nascida na própria fazenda e filha de escravos domésticos.

    Segundo registros encontrados no livro de controle da Cenzala, mantido pelo administrador da propriedade, Maria Helena possuía características físicas que chamavam atenção. Altura acima da média para as mulheres da época, pele clara devido à ascendência mista e uma postura que os relatos da época descrevem como altiva. O primeiro registro oficial que menciona Maria Helena, data de 15 de março de 1840, numa anotação lateral do livro de registros paroquiais da Igreja de Nossa Senhora da Purificação em São Félix, o padre Joaquim Santos de Oliveira, responsável pelos registros eclesiásticos da região, fez uma

    observação em comum. anotou que a jovem havia procurado a igreja em horários não convencionais, sempre ao entardecer, pedindo para confessar-se, mas sem nunca completar o sacramento. A rotina de Maria Helena na fazenda era peculiar para uma escrava doméstica.

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    Enquanto outras trabalhadoras da Casagrande se ocupavam dos afazeres tradicionais como limpeza, cozinha e cuidado das crianças, ela havia sido designada para uma função específica e isolada, cuidar da biblioteca particular do coronel, localizada numa torre anexa à casa principal. Esta biblioteca, construída no estilo português da época, situava-se numa estrutura de três andares, sendo o último completamente isolado do restante da construção.

    vizinhos da propriedade, principalmente os moradores da fazenda São Bento, situada a 2 km de distância, começaram a relatar, a partir de abril de 1840, sons estranhos provenientes da direção do Engenho Santa Cruz durante as madrugadas. Estes relatos foram posteriormente registrados em cartas pessoais encontradas nos arquivos da família Macedo, proprietária da São Bento.

    As cartas descrevem sons que lembravam cantos, mas com uma cadência que não correspondia aos cantos de trabalho tradicionais dos escravos, nem aos cânticos religiosos conhecidos na região. A primeira mudança significativa na dinâmica da fazenda foi observada pelos próprios escravos da propriedade.

    Segundo depoimentos coletados anos depois pelo vigário da paróquia e registrados em suas anotações pessoais, Maria Helena passou a apresentar comportamentos que destoavam de sua personalidade anterior. que antes mantinha relações cordiais com os demais trabalhadores, tornou-se progressivamente isolada, evitando o convívio nas cenzalas e preferindo permanecer na torre da biblioteca, mesmo após o cumprimento de suas obrigações.

    O administrador da fazenda, Senr. José Antônio Ferreira, homem de 50 anos e experiente no controle de propriedades escravistas, começou a anotar, em seu diário particular observações sobre o comportamento de Maria Helena. Estas anotações descobertas em 1952 durante reformas na antiga sede da fazenda, revelam uma preocupação crescente com o que ele descrevia como alterações no temperamento da escrava, sem especificar detalhes sobre a natureza dessas alterações.

    Durante o mês de junho de 1840, a situação na fazenda começou a apresentar aspectos mais perturbadores. A esposa do coronel Pereira da Silva, dona Francisca Amélia da Conceição, passou a relatar ao marido episódios estranhos envolvendo Maria Helena. Segundo cartas privadas trocadas entre dona Francisca e sua irmã em Salvador, encontradas no arquivo histórico da Arquidiocese da Bahia, a escrava havia começado a aparecer em locais da Casagrande, onde não deveria estar, sempre durante a noite, e sempre com uma expressão que dona Francisca descrevia

    como ausente, como se não estivesse presente em espírito. O primeiro evento verdadeiramente alarmante ocorreu na madrugada de 23 de junho. O filho mais novo do coronel Antônio Pereira da Silva Júnior, de 16 anos, acordou durante a noite com sede e dirigiu-se à cozinha da Casagre.

    Ao passar pelo corredor que levava à torre da biblioteca, observou uma luz fraca, emanando da janela do terceiro andar, o que era incomum, já que o uso de velas naquele local estava restrito aos horários de urnos por questões de segurança. Movido pela curiosidade, o jovem Antônio subiu discretamente à escadas da torre. O relato deste episódio foi posteriormente registrado em sua confissão ao padre Joaquim Santos de Oliveira.

    Confissão esta que foi arquivada nos registros paroquiais e só foi descoberta em 1967 durante a catalogação de documentos antigos da igreja. Segundo o relato de Antônio Júnior, ao chegar ao segundo andar da torre, ouviu um murmúrio constante proveniente do andar superior. A voz era feminina e parecia recitar algo, mas numa cadência que ele não conseguia identificar.

    Não eram orações conhecidas, nem cantos de trabalho, nem lamentos. Era algo que ele descreveu como palavras que formavam frases, mas sem sentido, como se alguém falasse sozinho, sem esperança de ser compreendido. O jovem permaneceu no segundo andar por alguns minutos, tentando compreender o que ouvia.

    Em determinado momento, o murmúrio cessou abruptamente, seguido de um silêncio absoluto que durou vários minutos. Foi então que escutou passos no andar superior. Não o caminhar normal de alguém se movimentando, mas um arrastar constante, como se a pessoa tivesse dificuldade para se mover ou carregasse um peso considerável.

    Antônio Júnior decidiu não subir ao terceiro andar e retornou discretamente ao seu quarto. No dia seguinte, ele relatou o episódio ao pai, mas o coronel atribuiu o ocorrido à imaginação do filho e não deu maior importância ao relato. Contudo, determinou que, a partir daquele momento, o acesso à torre da biblioteca ficaria restrito ao período de urno e que Maria Helena deveria retornar às cenzalas.

    Ao final de cada tarde, esta nova determinação gerou uma reação inesperada. Maria Helena, que até então havia cumprido todas as ordens sem questionamento, apresentou pela primeira vez uma resistência visível. Segundo anotações do administrador Ferreira, ela solicitou permissão para permanecer na torre durante as noites, alegando que precisava concluir a catalogação de livros recém-chegados da Europa.

    Esta solicitação foi negada, mas Maria Helena insistiu durante vários dias consecutivos, sempre com a mesma justificativa. A insistência de Maria Helena chamou atenção porque ia contra a natureza submissa que se esperava de uma escrava na época. Mais ainda, ela passou a apresentar conhecimentos sobre os livros da biblioteca que surpreendiam até mesmo o coronel, homem culto e leitor voraz.

    Ela começou a fazer referências a obras que teoricamente não havia lido e a demonstrar familiaridade com textos em latim, língua que supostamente desconhecia. O padre Joaquim, em suas anotações pessoais, registrou uma conversa que teve com o coronel Pereira da Silva durante este período.

    O proprietário da fazenda havia procurado orientação religiosa sobre como lidar com o que ele descrevia como comportamento anômalo de uma de suas escravas. O padre sugeriu que Maria Helena fosse submetida a sessões de catequese intensiva na tentativa de realinhar seu espírito com os ensinamentos cristãos. As sessões de catequese começaram em julho de 1840 e foram conduzidas pelo próprio padre Joaquim na Igreja de São Félix.

    Maria Helena era levada à vila duas vezes por semana, sempre acompanhada por um capataz da fazenda. Durante estas sessões, o padre observou aspectos que registrou em suas anotações como perturbadores e incompreensíveis. Maria Helena demonstrava conhecimento de textos bíblicos que não faziam parte do catecismo básico oferecido aos escravos.

    Mais ainda ela fazia questionamentos teológicos complexos que deixavam o padre em situação desconfortável. Suas perguntas versavam sobre temas como o livre arbítrio, a natureza da alma e a possibilidade de redenção para aqueles que nascem em cativeiro. O que mais intrigava o padre Joaquim era a forma como Maria Helena se expressava durante estas sessões.

    Ela utilizava um vocabulário e uma construção gramatical que não condiziam com sua educação formal limitada. Era como se, segundo as palavras do próprio padre, uma pessoa diferente falasse através dela, alguém com educação superior e conhecimento de mundo que uma escrava jamais poderia ter adquirido.

    Durante uma das sessões de catequese, ocorreu um episódio que o padre registrou como manifestação de natureza inexplicável. Maria Helena estava respondendo perguntas sobre os 10 mandamentos, quando subitamente interrompeu sua fala e permaneceu em silêncio por vários minutos, com os olhos fixos num ponto indefinido do teto da igreja.

    Quando o padre tentou chamar sua atenção, Maria Helena começou a falar, mas desta vez em latim fluente, citando trechos de textos que o padre reconheceu como sendo de Santo Agostinho, especificamente das confissões. O problema era que estes textos não estavam disponíveis na biblioteca da igreja local e seria praticamente impossível que uma escrava tivesse tido acesso a eles.

    O episódio durou cerca de 15 minutos, durante os quais Maria Helena citou vários trechos em latim, sempre com perfeita pronúncia e entonação. Quando finalmente retornou ao estado normal, ela não se lembrava de nada do que havia acontecido e perguntou ao padre porque ele a olhava com expressão de espanto. Este episódio levou o padre Joaquim a procurar orientação do bispo de Salvador, Dom Romualdo Antônio de Seixas.

    Em carta datada de 15 de agosto de 1840, encontrada nos arquivos da Arquidiocese, o padre relata detalhadamente os acontecimentos e solicita orientação sobre como proceder. A resposta do bispo datada de 25 de agosto demonstra a preocupação da igreja com o caso. Dom Romualdo determina que Maria Helena seja afastada imediatamente de suas funções na biblioteca e que seja mantida sob observação constante.

    Além disso, solicita que qualquer objeto pessoal da escrava seja examinado na busca por elementos que possam explicar manifestações tão incomuns. A busca pelos pertences de Maria Helena foi realizada pelo administrador Ferreira, acompanhado pelo padre Joaquim. Na pequena caixa de madeira, onde ela guardava seus poucos objetos pessoais, foram encontrados itens que causaram surpresa.

    Folhas de papel com anotações em caligrafia cuidadosa, contendo trechos de textos que pareciam ser traduções do latim para o português. Mais intrigante ainda foi a descoberta de um pequeno caderno encadernado em couro, contendo o que pareciam ser anotações pessoais de Maria Helena. O caderno estava escrito numa mescla de português e latim, com algumas passagens numa língua que ninguém conseguiu identificar.

    As anotações faziam referência a datas, horários e observações sobre fenômenos que ela descrevia como manifestações da verdade oculta. O conteúdo do caderno foi posteriormente enviado para a análise de especialistas em Salvador, mas os resultados desta análise nunca foram oficialmente divulgados. O que se sabe através de correspondência privada encontrada nos arquivos da família Pereira da Silva é que os especialistas recomendaram o afastamento imediato de Maria Helena de qualquer atividade que envolvesse contato com textos escritos. A partir de setembro de 1840,

    Maria Helena foi transferida para trabalhos nos Canaviais, sob supervisão constante. Esta mudança deveria representar o fim dos episódios estranhos, mas na verdade marcou o início de uma fase ainda mais perturbadora da história. Os outros escravos que trabalhavam nos canaviais começaram a relatar comportamentos anômalos de Maria Helena.

    Ela passava longos períodos em silêncio absoluto, trabalhando com uma eficiência mecânica que chamava a atenção. Quando falava, suas palavras eram sempre diretas e objetivas, sem os comentários casuais ou lamentações que eram comuns entre os trabalhadores.

    Mais preocupante era o fato de que durante as pausas para o descanso, Maria Helena se afastava dos demais e se dirigia sempre para o mesmo local, uma antiga edificação em ruínas situada no limite da propriedade, próxima às margens do rio Paraguaçu. Esta construção havia sido uma capela particular da fazenda, erguida pelos primeiros proprietários no século anterior, mas abandonada há décadas devido a problemas estruturais.

    A capela em ruínas tornou-se objeto de interesse renovado devido à frequência com que Maria Helena a visitava. O administrador Ferreira decidiu investigar o local e descobriu que alguém havia realizado uma limpeza rudimentar no interior da construção. Os escombros haviam sido organizados, criando uma espécie de caminho que levava ao que restara do altar original.

    No local onde ficava o altar, Ferreira encontrou evidências de que alguém havia estado ali regularmente, marcas no chão que sugeriam o uso frequente do espaço e pequenos objetos arranjados numa disposição que lembrava um altar improvisado. Entre estes objetos havia pedaços de velas consumidas, folhas secas arranjadas em padrões geométricos e pequenas pedras dispostas em círculos concêntricos.

    A descoberta foi relatada ao coronel Pereira da Silva, que determinou que Maria Helena fosse proibida de se aproximar da capela em ruínas. Esta proibição foi comunicada a ela pelo próprio administrador na presença de outros escravos para que servisse de exemplo. A reação de Maria Helena a esta determinação foi registrada por Ferreira em seu diário.

    Ela ouviu a ordem em silêncio, mas seu olhar, segundo suas palavras, transmitia uma intensidade que causava desconforto, como se ela enxergasse algo que os demais não podiam ver. Nas semanas seguintes à proibição, os trabalhadores dos canaviais começaram a relatar novos episódios envolvendo Maria Helena.

    Ela passou a trabalhar em silêncio ainda mais absoluto e sua produtividade aumentou de forma significativa. Cortava cana com uma precisão e velocidade que surpreendiam até mesmo os capatazes mais experientes, mantendo um ritmo constante desde o amanhecer até o entardecer. Durante este período, outros escravos começaram a evitar trabalhar próximo a Maria Helena. Em depoimentos coletados posteriormente pelo padre Joaquim, eles relataram que se sentiam inquietos na presença dela, sem conseguir explicar o motivo.

    Alguns mencionaram uma sensação de que ela sabia coisas que não deveria saber, referindo-se ao fato de que Maria Helena parecia antecipar ordens dos capatazes e mudanças na rotina de trabalho. O primeiro incidente verdadeiramente alarmante ocorreu em outubro de 1840. Durante uma manhã de trabalho nos Canaviais, um dos escravos, homem de nome Benedito Carvalho, de 35 anos, sofreu um acidente com a ferramenta de corte e feriu gravemente a perna esquerda.

    O ferimento sangrava abundantemente e os demais trabalhadores se reuniram para tentar ajudá-lo. Maria Helena, que trabalhava a uma distância considerável do local do acidente, aproximou-se do grupo sem ser chamada. Sem pedir permissão ou dar explicações, ela se ajoelhou ao lado de Benedito e começou a tratar o ferimento com uma habilidade que ninguém sabia que ela possuía.

    utilizou folhas e ervas que encontrou nas proximidades, aplicando-as de forma que demonstrava conhecimento de medicina popular. O mais intrigante foi que durante todo o procedimento, Maria Helena murmurava palavras que os presentes não conseguiam compreender. Não era português, nem latim, nem qualquer das línguas africanas conhecidas pelos escravos mais antigos.

    Era algo completamente diferente, uma sequência de sons que formavam um ritmo constante e cadenciado. O tratamento improvisado de Maria Helena foi eficaz. O sangramento cessou rapidamente e Benedito conseguiu retomar o trabalho no dia seguinte com o ferimento aparentemente em processo acelerado de cicatrização. Este episódio gerou comentários entre todos os trabalhadores da fazenda.

    mas também aumentou o desconforto em relação a Maria Helena. O administrador Ferreira, ao tomar conhecimento do ocorrido, procurou questionar Maria Helena sobre onde havia aprendido técnicas de tratamento de ferimentos. A resposta dela foi registrada no Diário do Administrador. Ela disse não se lembrar de ter aprendido, mas que as palavras e os gestos vieram naturalmente, como se sempre soubesse o que fazer.

    Esta resposta causou preocupação suficiente para que Ferreira procurasse novamente o padre Joaquim. O religioso sugeriu que Maria Helena fosse mantida sob observação ainda mais rigorosa e que qualquer manifestação de conhecimento que não pudesse ser explicada pela sua educação formal fosse imediatamente relatada. A situação tomou um rumo mais sombrio em novembro de 1840, dona Francisca Amélia da Conceição, esposa do coronel, começou a relatar episódios de insônia e pesadelos perturbadores.

    cartas enviadas à sua irmã em Salvador, ela descreveu sonhos recorrentes, nos quais via Maria Helena, em lugares da Casa Grande, onde ela não deveria estar, sempre durante a noite, e sempre com uma expressão que dona Francisca descrevia como conhecedora de segredos terríveis. Estes pesadelos se tornaram tão frequentes e vívidos que dona Francisca passou a evitar certas áreas da casa grande durante a noite.

    Ela relatou ao marido a sensação de que estava sendo observada mesmo quando tinha certeza de estar sozinha. O coronel, inicialmente cético, começou a notar que sua esposa evitava ficar sozinha e demonstrava sinais de nervosismo sempre que o nome de Maria Helena era mencionado. A situação se agravou quando dona Francisca começou a relatar avistamentos de Maria Helena em horários e locais impossíveis.

    Segundo suas anotações pessoais encontradas décadas depois, ela viu a escrava na biblioteca da torre durante uma noite em que tinha certeza de que Maria Helena estava nas cenzalas. Em outra ocasião, relatou tê-la visto caminhando pelos corredores da Casagre numa madrugada, mas quando procurou por ela no dia seguinte, foi informada de que Maria Helena havia passado toda a noite nos canaviais. trabalhando numa tarefa noturna especial.

    Estes relatos de dona Francisca foram inicialmente tratados pelo coronel como produto do nervosismo e da imaginação. Contudo, quando os próprios filhos do casal começaram a relatar episódios semelhantes, a preocupação da família se intensificou.

    Antônio Júnior, o filho que havia relatado o primeiro episódio na torre, mencionou ao pai que havia visto Maria Helena no jardim da Casagre durante uma madrugada, parada sob uma janela específica, a janela do quarto de seus pais. Este último relato levou o coronel Pereira da Silva a tomar uma decisão drástica. Em dezembro de 1840, ele determinou que Maria Helena fosse transferida para uma propriedade distante localizada no interior da Bahia, próxima à divisa com Minas Gerais.

    A justificativa oficial foi a necessidade de mão de obra especializada nesta outra propriedade, mas as verdadeiras razões ficaram evidentes nas cartas privadas que o coronel trocou com o administrador da fazenda de destino. Nestas cartas descobertas em 1955 durante um inventário de documentos antigos, o coronel relata de forma resumida os episódios envolvendo Maria Helena e solicita que ela seja mantida em trabalhos que não permitam isolamento ou acesso a materiais de leitura.

    Ele também pede que qualquer comportamento anômalo seja imediatamente relatado. A transferência de Maria Helena estava programada para ocorrer na primeira semana de janeiro de 1841. Contudo, na noite de 28 de dezembro de 1840, ela desapareceu da fazenda Santa Cruz sem deixar rastros. A descoberta do desaparecimento só ocorreu na manhã seguinte, quando sua ausência foi notada durante a chamada matinal dos escravos.

    O administrador Ferreira organizou uma busca imediata pelos terrenos da fazenda e propriedades vizinhas. A busca se concentrou inicialmente na região da capela em ruínas, local que Maria Helena frequentava com regularidade. No entanto, não foram encontrados rastros de sua passagem pelo local durante a noite anterior.

    busca se estendeu pelas margens do rio Paraguaçu e pelas trilhas que levavam às fazendas vizinhas. Grupos de capatazes e escravos de confiança percorreram toda a região durante três dias consecutivos, sem encontrar qualquer evidência do paradeiro de Maria Helena. Era como se ela tivesse simplesmente desaparecido da propriedade, sem utilizar nenhum dos caminhos conhecidos.

    O que tornava o desaparecimento ainda mais intrigante era o fato de que Maria Helena havia deixado para trás todos os seus pertences pessoais, incluindo o pequeno caderno com as anotações misteriosas. Isto sugeria que sua partida havia sido súbita e não planejada, ou que ela havia deliberadamente abandonado tudo que pudesse servir como evidência de sua presença na fazenda.

    Durante a busca, foram descobertos alguns elementos que causaram perplexidade na chel. em ruínas. Os objetos que haviam sido arranjados em forma de altar foram encontrados numa disposição diferente. As pedras, que estavam organizadas em círculos concêntricos, haviam sido reorganizadas numa linha reta que apontava diretamente para o leste, na direção das primeiras elevações da serra da Jequitibá.

    Seguindo esta direção, os buscadores encontraram, aproximadamente 2 km da capela, marcas no solo que poderiam ser pegadas humanas. As marcas eram pouco nítidas devido à natureza do terreno, mas pareciam seguir uma trilha abandonada que levava as montanhas. Esta trilha havia sido utilizada pelos primeiros colonizadores da região, mas estava há décadas sem manutenção e era considerada intransitável.

    A decisão de seguir esta trilha foi tomada pelo próprio coronel Pereira da Silva, que acompanhou pessoalmente um grupo de busca formado pelo administrador Ferreira e seis escravos de confiança. A trilha subia gradualmente pelas encostas da serra, passando por uma vegetação cada vez mais densa e terreno cada vez mais acidentado.

    Após aproximadamente 4 horas de caminhada, o grupo chegou a uma clareira que abrigava os restos de uma antiga construção de pedra. A edificação, segundo o conhecimento dos moradores mais antigos da região, havia sido uma pequena ermida construída por religiosos no século anterior, mas abandonada devido ao isolamento e as dificuldades de acesso.

    Na Hermida abandonada, o grupo de busca fez uma descoberta que seria registrada nos relatórios oficiais como achado de natureza perturbadora. O interior da construção havia sido recentemente habitado por alguém. Havia evidências de fogueiras recentes, restos de alimentos e sinais de que alguém havia dormido no local por várias noites.

    Mais intrigante ainda foi a descoberta de inscrições nas paredes de pedra da Hermida. As inscrições pareciam ter sido feitas com carvão ou material similar e consistiam em símbolos e palavras que ninguém do grupo conseguiu decifrar. Algumas palavras pareciam ser latim, outras lembravam idiomas africanos, mas havia também símbolos que não correspondiam a nenhum alfabeto conhecido pelos presentes.

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    No centro da Hermida havia sido construído um pequeno altar feito de pedras empilhadas. Sobre este altar foram encontrados objetos que causaram inquietação no grupo. Pequenos ossos de animais arranjados em padrões geométricos, folhas secas amarradas com cordas feitas de fibras vegetais e pequenos recipientes de barro contendo substâncias que ninguém conseguiu identificar.

    O coronel Pereira da Silva ordenou que todos os objetos encontrados na Hermida fossem destruídos e que as inscrições nas paredes fossem apagadas. Esta decisão foi registrada em seu diário pessoal, com a justificativa de que não convinha preservar evidências de práticas que poderiam influenciar negativamente outros escravos da propriedade.

    A busca por Maria Helena continuou por mais dois dias, estendendo-se por outras trilhas e regiões mais altas da serra. Contudo, não foram encontradas outras evidências de sua passagem. O grupo retornou à fazenda Santa Cruz sem resultados e o desaparecimento de Maria Helena foi oficialmente registrado nos livros da propriedade como fuga para destino desconhecido.

    O caso foi comunicado às autoridades locais de São Félix, que incluíram Maria Helena na lista de escravos fugitivos da região. Anúncios oferecendo recompensa por sua captura foram publicados nos jornais de Salvador e em outras cidades da província. Estes anúncios descreviam Maria Helena com detalhes físicos precisos e ofereciam uma quantia considerável por informações sobre seu paradeiro.

    Durante os meses seguintes, chegaram à fazenda alguns relatos de possíveis avistamentos de Maria Helena em diferentes localidades da Bahia. Um comerciante de cachoeira relatou ter visto uma mulher com características semelhantes às dela no mercado da cidade. Um fazendeiro de Santo Amaro mencionou o aparecimento de uma mulher jovem que pedia trabalho e demonstrava conhecimentos incomuns sobre plantas medicinais.

    Nenhum destes relatos poôde ser confirmado e gradualmente a busca por Maria Helena foi perdendo intensidade. O coronel Pereira da Silva, em correspondência com outros proprietários da região, expressou a opinião de que ela provavelmente havia conseguido chegar a uma cidade maior, onde poderia viver como liberta, ou que havia morrido durante a fuga pelas montanhas.

    Vida na fazenda Santa Cruz retornou gradualmente à normalidade após o desaparecimento de Maria Helena. A torre da biblioteca foi completamente reformada e a função de cuidar dos livros foi transferida para dois escravos homens que trabalhavam sempre em dupla e apenas durante o dia. A capela em ruínas foi completamente demolida por ordem do coronel e o terreno foi incorporado aos canaviais.

    Contudo, alguns episódios ocorridos nos meses seguintes sugeriram que a presença de Maria Helena havia deixado marcas duradouras na propriedade. Dona Francisca continuou a relatar episódios de insônia e pesadelos envolvendo a escrava desaparecida. Em suas cartas à irmã, ela mencionava uma sensação persistente de que estava sendo observada mesmo meses após o desaparecimento.

    O filho mais novo do casal Antônio Júnior desenvolveu uma aversão inexplicável à torre da biblioteca mesmo após a reforma. Ele evitava passar próximo à construção durante a noite e relatou ao pai várias ocasiões em que teve a impressão de ver uma silhueta feminina na janela do terceiro andar, mesmo sabendo que o local estava vazio. Outros escravos da fazenda também demonstraram comportamentos que sugeriam o impacto duradouro da presença de Maria Helena.

    Alguns evitavam trabalhar sozinhos nos canaviais, especialmente na área próxima ao local onde ficava a antiga capela. Outros relataram sonhos recorrentes, envolvendo uma mulher que falava em línguas estranhas e demonstrava conhecimentos que não deveria possuir. O administrador Ferreira registrou em seu diário que a produtividade geral da fazenda havia diminuído após o desaparecimento de Maria Helena.

    Não devido à perda de sua força de trabalho, mas devido ao clima de inquietação que se instalou entre os demais escravos. Ele mencionou a necessidade de aumentar a supervisão e de implementar medidas disciplinares mais rigorosas para manter a ordem. Em março de 1841, três meses após o desaparecimento, ocorreu um episódio que reaccendeu as preocupações na fazenda Santa Cruz.

    Durante uma noite de tempestade, vários moradores da Casa Grande relataram ter ouvido sons provenientes da torre da biblioteca. Os sons foram descritos como murmúrios ou cânticos similares aos que haviam sido relatados durante a época em que Maria Helena trabalhava no local. O coronel Pereira da Silva, acompanhado pelo administrador Ferreira, investigou pessoalmente a torre durante a tempestade.

    Eles não encontraram evidências de presença humana no local, mas descobriram que uma das janelas do terceiro andar estava aberta, apesar de ter sido trancada após a reforma. A fechadura mostrava sinais de ter sido forçada a partir do interior da sala. Este episódio levou o coronel a instalar fechaduras mais robustas em todas as janelas da torre e a determinar que guardas fossem posicionados nas proximidades durante as noites.

    Estas medidas de segurança permaneceram em vigor por vários meses, até que não houve mais relatos de atividades suspeitas no local. O padre Joaquim Santos de Oliveira continuou acompanhando a situação na fazenda Santa Cruz através de visitas regulares e correspondência com a família Pereira da Silva.

    Em suas anotações pessoais, ele registrou a opinião de que o desaparecimento de Maria Helena representava o fim de um episódio que desafiava a compreensão humana e que era melhor deixado no esquecimento. Contudo, o padre também registrou sua preocupação com os efeitos duradouros que a presença de Maria Helena havia causado na família proprietária da fazenda.

    Ele observou que dona Francisca apresentava sinais de nervos abalados e que o coronel demonstrava uma vigilância excessiva em relação a qualquer comportamento anômalo entre os escravos da propriedade. Durante o ano de 1841, não houve novos desenvolvimentos significativos relacionados ao caso de Maria Helena.

    A fazenda Santa Cruz manteve sua rotina normal e gradualmente os episódios estranhos se tornaram menos frequentes. O coronel Pereira da Silva implementou mudanças na administração da propriedade, incluindo uma política mais rigorosa de supervisão dos escravos e controle de acesso a materiais de leitura. Em 1842, chegou à fazenda uma informação que reacendeu o interesse no caso de Maria Helena, um comerciante viajante que transitava regularmente entre a Bahia e Minas Gerais, procurou o coronel com informações sobre uma mulher que

    correspondia à descrição da escrava desaparecida. Segundo o relato do comerciante, registrado numa carta que o coronel enviou ao administrador de sua propriedade em Minas Gerais, uma mulher jovem havia aparecido numa vila próxima à fronteira entre as duas províncias, demonstrando conhecimentos incomuns sobre plantas medicinais e técnicas de cura.

    A mulher não revelava sua origem, mas falava português com sotaque baiano e demonstrava familiaridade com a região do Recôncavo. O que tornava este relato particularmente intrigante era a descrição que os moradores da vila faziam dos métodos de cura utilizados pela mulher.

    Eles mencionavam o uso de plantas locais combinadas com cânticos numa língua que ninguém reconhecia e uma eficácia nos tratamentos que surpreendia até mesmo os curandeiros mais experientes da região. O coronel Pereira da Silva enviou um representante à vila mencionada pelo comerciante com a missão de investigar se a mulher era realmente Maria Helena e, em caso positivo, providenciar seu retorno à fazenda.

    Contudo, quando o representante chegou ao local, descobriu que a mulher havia desaparecido da vila duas semanas antes, sem deixar rastros ou explicações. Os moradores da vila relataram que a mulher havia partido numa manhã, levando apenas uma pequena bolsa com ervas e deixando para trás alguns objetos pessoais.

    Entre estes objetos foi encontrado um pequeno caderno com anotações que lembravam as descobertas na fazenda Santa Cruz. Uma mistura de português, latim e símbolos não identificados. Este caderno foi enviado para a fazenda Santa Cruz e comparado com as anotações originais de Maria Helena, que haviam sido preservadas pelo administrador Ferreira.

    A comparação revelou semelhanças na caligrafia e no tipo de conteúdo, mas não poôde ser considerada conclusiva devido às diferenças nas condições de escrita e no estado de conservação dos materiais. O representante do coronel estendeu suas investigações às vilas vizinhas na esperança de encontrar outros rastros da misteriosa curandeira.

    Em algumas localidades, ele obteve relatos de uma mulher jovem que aparecia periodicamente, oferecia tratamentos para doenças diversas e desaparecia após alguns dias ou semanas. Estes relatos apresentavam um padrão consistente. A mulher nunca permanecia muito tempo no mesmo local.

    Evitava fornecer informações sobre sua origem ou destino e demonstrava conhecimentos que causavam admiração e, ao mesmo tempo, desconforto entre os moradores locais. Alguns a descreviam como benzedeira, outros como curandeira, mas todos mencionavam a eficácia de seus tratamentos. Mais intrigante ainda era o fato de que em várias localidades a passagem da mulher havia deixado marcas duradouras.

    Moradores relatavam que após sua partida, plantas medicinais, que antes eram escassas na região, começaram a crescer abundantemente em locais específicos. Outros mencionavam que doenças crônicas que afetavam a comunidade haviam sido curadas e não retornaram mesmo após a partida da curandeira.

    Estas informações foram compiladas pelo representante do coronel num relatório detalhado que foi enviado à fazenda Santa Cruz em junho de 1842. O relatório concluía que, embora não houvesse prova definitiva de que a curandeira fosse Maria Helena, as semelhanças eram suficientes para sugerir uma conexão provável. O coronel Pereira da Silva, após ler o relatório, tomou a decisão de não prosseguir com as investigações.

    Em correspondência privada com sua esposa, que estava temporariamente em Salvador cuidando de questões familiares. Ele expressou a opinião de que alguns mistérios são melhor deixados sem solução, especialmente quando sua solução pode trazer mais perturbação do que esclarecimento. Esta decisão de interromper as buscas foi influenciada também por considerações práticas. A fazenda Santa Cruz havia retornado à normalidade operacional e o coronel não desejava reascender antigas preocupações entre sua família e escravos.

    Além disso, o custo das investigações estava se tornando significativo, sem garantia de resultados conclusivos. Em 1843, o caso de Maria Helena foi oficialmente encerrado nos registros da fazenda Santa Cruz. Ela foi registrada como escrava fugitiva, paradeiro desconhecido, presumivelmente morta, e seus dados foram arquivados junto com outros casos similares da época.

    Contudo, relatos esporádicos sobre a misteriosa curandeira continuaram chegando à região do recôncavo baiano nos anos seguintes. Comerciantes viajantes, tropeiros e outros transeútes ocasionalmente mencionavam encontros com uma mulher jovem que demonstrava conhecimentos médicos incomuns e falava em línguas não identificadas.

    Estes relatos se tornaram gradualmente parte do folclore local, misturando-se com outras histórias de pessoas misteriosas que apareciam e desapareciam pela região. Com o passar do tempo, as características específicas que poderiam identificar Maria Helena foram se perdendo, e ela se tornou mais uma figura lendária do que uma pessoa real procurada pelas autoridades.

    O padre Joaquim Santos de Oliveira registrou em suas anotações finais sobre o caso que algumas presenças deixam marcas que transcendem sua passagem física por este mundo. Ele observou que mesmo anos após o desaparecimento, o nome de Maria Helena ainda causava desconforto quando mencionado na região e que muitos preferiam evitar discussões sobre o assunto.

    Torre da biblioteca na fazenda Santa Cruz nunca mais foi utilizada da mesma forma após a partida de Maria Helena. Embora tenha continuado abrigando os livros do coronel, o acesso ao terceiro andar foi permanentemente restrito e a função de catalogação foi transferida para uma sala no térrio da Casagre. Em 1845, 5 anos após o desaparecimento, dona Francisca Amélia da Conceição faleceu subitamente aos 42 anos de idade.

    As causas da morte não foram claramente estabelecidas, mas correspondências familiares sugerem que ela nunca se recuperou completamente do estado de nervosismo desenvolvido durante os episódios envolvendo Maria Helena. O coronel Pereira da Silva vendeu a fazenda Santa Cruz em 1847 e se mudou para Salvador com os filhos.

    Em carta dirigida ao padre Joaquim, ele mencionou que certas propriedades carregam memórias que não podem ser apagadas e que às vezes a mudança representa a única forma de encontrar paz. Os novos proprietários da fazenda Santa Cruz, família de comerciantes de Salvador, sem conhecimento detalhado da história anterior da propriedade, implementaram mudanças significativas na estrutura física.

    A torre da biblioteca foi completamente demolida e uma nova construção foi erguida em seu lugar. O terreno onde ficava a antiga capela também foi remodelado para uso agrícola. Contudo, mesmo após estas mudanças, ocasionalmente chegavam aos novos proprietários relatos de episódios estranhos na propriedade. Escravos recém-chegados, sem conhecimento da história anterior, às vezes mencionavam sons inexplicáveis durante as noites ou a sensação de presença invisível em certas áreas da fazenda.

    Estes relatos eram geralmente atribuídos à adaptação dos novos trabalhadores ao ambiente ou à superstições comuns entre as populações escravizadas. Os novos proprietários não deram importância significativa a estas ocorrências e gradualmente elas se tornaram menos frequentes. Em 1850, um pesquisador interessado na história da região procurou o padre Joaquim Santos de Oliveira para obter informações sobre casos incomuns ocorridos na área durante as décadas anteriores.

    O padre, já idoso e próximo da aposentadoria, forneceu um relato resumido do caso de Maria Helena, omitindo os detalhes mais perturbadores. Este relato foi incluído numa pequena publicação sobre Curiosidades e Mistérios do Recôncavo Baiano, editada em Salvador em 1851. A publicação apresentava o caso como uma história interessante sobre uma escrava com conhecimentos incomuns, sem mencionar os aspectos mais inquietantes dos acontecimentos.

    Versão publicada focava principalmente no aspecto da educação excepcional de uma escrava, utilizando o caso como exemplo das capacidades intelectuais que podiam ser desenvolvidas mesmo em condições de cativeiro. Esta abordagem transformou a história de Maria Helena numa anedota edificante sobre superação pessoal, muito diferente da realidade perturbadora dos eventos originais.

    Durante as décadas seguintes, a história foi ocasionalmente mencionada em outras publicações sobre a história da Bahia, sempre numa versão simplificada e sem referência aos elementos mais misteriosos. Maria Helena se tornou uma figura semilendária, representando a possibilidade de educação e conhecimento transcenderem as barreiras sociais da época.

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    Em 1862, 22 anos após o desaparecimento, um último relato chegou ao conhecimento dos antigos moradores da região. Um comerciante que viajava pela fronteira entre Bahia e Goiás relatou ter encontrado uma mulher idosa numa aldeia indígena remota que falava português com sotaque baiano e demonstrava conhecimentos de medicina que impressionavam até mesmo os pajés locais.

    A mulher, segundo o relato, havia chegado à aldeia décadas antes, carregando apenas uma pequena bolsa com ervas e um caderno com anotações em várias línguas. Ela havia se integrado à comunidade indígena, contribuindo com seus conhecimentos médicos e aprendendo as tradições locais. O comerciante descreveu a mulher como tendo aproximadamente 50 anos, cabelos grisalhos, mas mantendo a postura altiva que havia caracterizado Maria Helena em sua juventude.

    Mais significativo ainda, ela utilizava métodos de cura que combinavam plantas locais com técnicas que o comerciante reconheceu como similares às praticadas no recôncavo baiano. Este último relato nunca poôde ser verificado, pois quando outros interessados tentaram localizar a aldeia mencionada pelo comerciante, descobriram que ela havia sido abandonada devido a conflitos territoriais.

    Os membros da comunidade indígena haviam se dispersado, levando consigo qualquer evidência da presença da misteriosa curandeira. O padre Joaquim Santos de Oliveira faleceu em 1863, levando consigo os conhecimentos mais detalhados sobre o caso de Maria Helena. Suas anotações pessoais foram preservadas nos arquivos paroquiais, mas só foram redescoberta em 1967, durante uma catalogação de documentos históricos.

    A redescoberta destas anotações revelou aspectos do caso que haviam sido omitidos nas versões publicadas anteriormente. Os registros do padre mostravam a verdadeira complexidade e o caráter perturbador dos acontecimentos, incluindo detalhes sobre os conhecimentos inexplicáveis demonstrados por Maria Helena e os efeitos duradouros de sua presença na fazenda Santa Cruz.

    Um pesquisador da Universidade Federal da Bahia, professor Dr. Raimundo Alves da Costa, iniciou em 1968 um estudo acadêmico sobre o caso de Maria Helena, baseado nas anotações do padre Joaquim e outros documentos descobertos nos arquivos de famílias da região. Este estudo pretendia analisar o caso do ponto de vista antropológico e histórico. Contudo, o estudo do professor Costa nunca foi concluído.

    Em dezembro de 1968, ele desapareceu durante uma viagem de pesquisa à região onde ficava a antiga fazenda Santa Cruz. Seu corpo nunca foi encontrado e seus anotações de pesquisa desapareceram junto com ele. As circunstâncias do desaparecimento do professor Costa geraram especulação na comunidade acadêmica, mas não foi possível estabelecer qualquer conexão definitiva com sua pesquisa sobre Maria Helena.

    O caso foi oficialmente classificado como acidente durante a atividade de pesquisa de campo e a investigação foi arquivada. Em 1969, os últimos documentos relacionados ao caso de Maria Helena foram transferidos para os arquivos históricos do estado da Bahia, onde permanecem até hoje como parte da coleção de registros sobre a escravidão na região do Recôncavo.

    Os documentos são raramente consultados e o caso permanece como uma nota de rodapé obscura na história da região. A região onde ficava a fazenda Santa Cruz foi gradualmente urbanizada durante o século XX e hoje faz parte da área metropolitana de Salvador. Não existem mais vestígios físicos da propriedade original e poucos moradores locais têm conhecimento da história que ali se desenrolou no século XIX.

    Ocasionalmente, moradores mais antigos da região mencionam histórias vagas sobre eventos estranhos que teriam ocorrido na área durante o período escravista. Mas estas histórias se misturaram com outros elementos do folclore local e perderam qualquer conexão específica com o caso de Maria Helena.

    O nome de Maria Helena Gomes desapareceu quase completamente dos registros históricos acessíveis ao público. Ela existe apenas nas páginas amareladas de documentos arquivados, como um eco distante de uma presença que desafiou a compreensão de sua época e continua desafiando a nossa. Até hoje ninguém conseguiu explicar satisfatoriamente os conhecimentos demonstrados por Maria Helena, nem as circunstâncias de seu desaparecimento.

    Ela permanece como um mistério envolvido pelas brumas do tempo. Uma figura que atravessou brevemente a história documentada e desapareceu, deixando apenas perguntas sem resposta e uma sensação persistente de que algumas verdades são grandes demais para serem completamente compreendidas ou reveladas. M.

  • BOLSONARO FUGIU DA CADEIA E ESTÁ NOS ESTADOS UNIDOS! BOLSONARISTAS PROPAGAM E COMEMORAM ESSA IDEIA!

    BOLSONARO FUGIU DA CADEIA E ESTÁ NOS ESTADOS UNIDOS! BOLSONARISTAS PROPAGAM E COMEMORAM ESSA IDEIA!

    Parabenizo a deputados e senadores pela aprovação do projeto de lei que dá fim à saída de presos da cadeia. Cine, Bolsonaro não terá direito à saidinha de Natal. Agora o melhor, Bolsonaro não terá direito à saidinha de Natal, conforme a lei atualizada. [Risadas] Parabéns, deputados e senadores. Bolsonaro fugiu, meu povo. Isso mesmo.

    Bolsonaro fugiu. Tá nos Estados Unidos. Não só Bolsonaro, mas a família Bolsonaro completa. Quem tá dizendo isso é um apoiador do príncipe das trevas. É por isso que ninguém tá indo lá pra frente da Polícia Federal, né? Porque não é o mito que tá lá, é apenas um clone, o sóia. Não faltava mais nada.

    Mas as coisas coincidem, né? O clone foi preso, os deputados senadores não estão nem aí, continuam fazendo campanha normalmente. O povo também não foi lá pra frente. É por isso mesmo, viu? Porque é um sózia. O pessoal avistou o Bolsonaro já em alguns alguns locais, viram que ele estava lá protegido. Então, conforme eu tinha falado, existe a possibilidade de haver dublês, cópias, clones.

    How the US far-Right is acting to get Bolsonaro re-elected in Brazil -  Agência Pública

    Isso é muito comum acontecendo e já dentro dos meios políticos há há muitas décadas. Eles utilizam desdublêz para a proteção. Então, se de fato for visto o nosso capitão nos Estados Unidos, é sinal que esse que está no Brasil aqui sendo ameaçado seria um dublê, seria um sózio, um clone, ele e a sua própria família, né? a gente vê que tem algumas alguns traços diferentes.

    Ele não é parece que não é a mesma pessoa. E muitos meios de comunicação se têm falado, eu da qual eu também sou partidário dessa informação, que existe uma uma cópia do capitão em segurança que estaria no Shayen Mountain, nos Estados Unidos, bem protegido junto com o presidente americano original também e com várias cópias circulando daqui dali para causar alguma como popular ou algo parecido, né? Ei, gataiada, mas ele tem razão.

    Ele disse assim: “Dá para ver as diferenças?” Dá mesmo. Bolsonaro quando era presidente e depois também tinha os dentes tudo pode, né? Era aí agora esse que foi preso aí usa a chapa. Não é o mesmo não, viu? É um clone. Gadaiada. Beijinho no chifre. Não precisa mais chorar porque o mito está em segurança e quem tá preso é o crone.

    Mesmos criadores. Lula é uma besta 666 que vai dominar o mundo. Agora temos Bolsonaro tá nos Estados Unidos. Quem tá na Papuda é o Clone e o nosso capitão está seguro. Informações que eu tenho, ele está em um local muito seguro nos Estados Unidos há muito tempo, especialmente na Shane Mountain. Está sendo protegido, que ele é um membro importantíssimo da Aliança da Terra.

    Quem está aí é o uso constante, comum e muito frequente de dublêz sózias, mascarados, né, clones. Gente, você já deve ter ouvido aquela história da sua vó suô e até mesmo da tua família, que Lula é um clone e esse que tá agora vai demonar o mudo matar todo mundo. Pois é, esse é o responsável. Gente, vocês podem pensar assim: “Não, mas é conversa fiada, ninguém vai acreditar nisso”.

    Tem gente que acredita e acredita e muito. Tipo, eu conheço gente até hoje falando que já tem o terceiro clone do Lula, gente. E é por isso que o governo Lula adora investir na população. Por exemplo, isso aqui devia estar no manicômio, mas como não deve ter vaga, tá solto por aí falando bosta. Mundo único desaparecido por aqui é o bom ser.

    Vocês o que acham dessa palhaçada aqui? O nosso capitão está seguro. Segundo informações que eu tenho, ele está em local muito seguro nos Estados Unidos há muito tempo. Que papo é esse, irmão? Eu achando que você tá confundindo o presidiário Jair Bolsonaro com o filho dele, Eduardo Baraninha, que esse sim tá nos Estados Unidos há muito tempo.

    Ele foi visto nos Estados Unidos há há uns dias atrás ou meses atrás, não sei. Aí é fácil, né? Nem você sabe, cara. Nem você. Ele está sendo protegido porque ele é um membro importantíssimo da Aliança da Terra, assim como o Trump, assim como os outros também. E vão trabalhar para a libertação do planeta.

    Deve ser protegido ao máximo. Jamais iriam expor ele a uma maneira que está acontecendo aí. Galera, esse pessoal parece que entrou num nível de delírio totalmente além da realidade. Puxa, aliança da Terra, Trump protegido, a gente ouviu papos falando sobre alianças intergaláticas e tudo mais. Sonarismo parece que precisa desse dessa fantasia para sobreviver.

    E o pior é que ele não para por aí, ele fala ainda mais coisa. Dá uma olhada. Quem está aí é o uso constante, comum e muito frequente de dublêz sózias, mascarados, né, clones. pode ser muito bem ser representado por um um militar que está representando com máscara ou outra coisa parecida. Militar com máscara representando Jair Messias Bolsonaro.

    E o pior que esse cara é o mesmo que levantou aquelas teorias de que o Lula teria inúmeros clones e que alguns teriam um dedo a mais, outros um dedo a menos, alguns dava para ver zíper atrás da cabeça, algumas coisas totalmente bizarras assim, sabe? Totalmente fora da realidade. A clones e a dublêz também de Bolsonaro.

    Esse que está na cadeia não é o Bolsonaro real. Esse que tá na cadeia é um clone, né, do sistema. E o Bolsonaro legítimo, real, verdadeiro, está lá nos Estados Unidos vivendo a vida no bem bom, sei lá de que maneira. E ninguém percebeu. É, é totalmente sem condições o negócio desse. Então assim, deixa nos comentários o que que você achou desse tal clone do Bolsonaro, né? Compartilha esse vídeo e me segue para acompanhar mais conteúdo que nem esse governo Bolsonaro foi um excelente governo porque ele entregou os cofres do Brasil no azul. Isso é mentira. Deixa eu

    te explicar. Para quem não me conhece, eu sou Rafael Primo. Eu sou estudante de ciências políticas e você deve ter um amigo que fala sobre isso. O governo Bolsonaro de 2019 a 2022 foi um déficit de R95 bilhões de reais que foi nos cofres públicos. Fora que ele queimou bilhões de reservas cambiais que foi deixada pelo governo do PT, né? Mais de 300 bilhões foi deixado juntado ali pelo governo do PT.

    E o Bolsonaro ainda queimou parte dessas reservas. E essas reservas eram em dólar, tá? não era in real. E também o Bolsonaro vendeu mais de 304,2 bilhões de estatais brasileiras no mesmo período de 2019 a 2022. Isso entra pro cofre público. Foi Eletrobras, Gasoduto, Refinarias. Ele vendeu parte da Petrobras, parte do nosso do nosso patrimônio brasileiro e entregou a estrangeiros, enfim, e arrecadou 304,2 bilhões.

    Os 54 bilhões que o Bolsonaro se refere que teve superait foi no período curto que foi de janeiro de 2022 a dezembro de 2022. Mas como que ele conseguiu arrecadar esses 54 bilhões e fechar as contas no azul só nesse período, excluindo 2021, 2020, 2019? Porque ele vendeu 76 bilhões de empresas estatais nesse mesmo período. A dívida que era de precatório, que era de mais de 200 bilhões, ele não pagou.

    Ele empurrou para 2023. Sabe quem pagou em 2023 a dívida do precatório? Foi o governo Lula. Sem contar as mais de 700.000 mortes que teve de Covid, o Brasil se torna o segundo país do mundo com mais morte de Covid do planeta. E não temos a segunda maior população mundial. Alinhando por milhão, a cada milhão de habitantes, quantas pessoas morreram, o Brasil se torna o 14º país pior do mundo.

    Em quase 200 países no mundo que existe, mais de 193, 196 países que existem no mundo, o Brasil tá em 14º como pior, com mais morte de COVID do planeta. Sem contar na parte de crescimento de PIB, inflação, taxa de juros, foi uma das piores comparado aos países pares dentro da macroeconomia quando a gente faz esse tipo de avaliação.

    Então, quando você tiver um amigo que fala assim, ó, o governo Bolsonaro foi um dos melhores governo. Você pode se identificar com ele no lado pessoal, mas ele como presidente foi um dos piores presidentes que o Brasil já teve. tem o mesmo discurso. O nosso capitão está seguro. Ele está seguro, segundo informações que eu tenho, ele está em local muito seguro nos Estados Unidos há muito tempo, especialmente na Shay Mountain. Acreditamos que seja lá.

    Ele foi visto nos Estados Unidos há há uns dias atrás ou meses atrás, não sei, né? E ele foi eh ele está sendo protegido porque ele é um membro importantíssimo da Aliança da Terra, assim como o Trump, assim como os outros também, que vão trabalhar para a libertação do planeta e ele pode ser deve ser protegido ao máximo.

    Jamais iriam expor ele a uma maneira que está acontecendo aí. Quem está aí é o uso constante, comum e muito frequente de dublêzom. Esse daí é o clone, ó. É o capitão mesmo tá seguro. Ele essa hora deve est é na Disney, mas o Michael Jack se divestindo. É, então fique tranquilo, viu? Descanso o coração de vocês que ele tá se divertindo.

    Eh, disse que foi fazer um curso de solda nos Estados Unidos. Agora falando sério, ó, e tem gente no grupo que acredita nessas coisas que esse cara tá falando. Presidente Lula está desarmando uma bomba nesse momento. Mas começando com esse absurdo, o Bolsonaro na sua cela da Polícia Federal está recebendo nesse momento Flávio Bolsonaro e Carlos Bolsonaro.

    Alem dos seus médicos que estão lá, podem entrar e sair a hora que quiser. E também seus advogados que hoje estão visitando novamente, disseram que vão entrar novamente com pedido de prisão domiciliar, porque Bolsonaro dia após dia está pior, está morrendo e tem trouxa que acredita. Mas para finalizar, gente, olha que absurdo.

    Estava programado para o dia 10 de dezembro a votação para saber se o nome indicado pelo presidente Lula para ministro do STF, o Jorge Messias, seria votação básica padrão. Isso o Davi Columbado, tinha colocado. Mas aí o Lula ficou sabendo que essa votação pode ser hoje, segunda-feira, terça-feira. Ou seja, o Davi Columbre, que não concorda com essa indicação, pode colocar antecipadamente, porque talvez o presidente Lula não tenha os 41 votos necessários, ou seja, mais um inimigo do povo.

    Vocês viram que acabou a mamata do Bolsonaro. hoje acabou de suspender o salário do Bolsonaro e ele não é mais o presidente de honra do PL. Isso está seguindo a lei dos partidos políticos, que diz o seguinte, que políticos condenados com trânsito em julgado não podem exercer atividade política.

    Hoje o filho 04, o Jair Renan, disse que Bolsonaro passou mal, teve soluço, tá sendo atendido pelos médicos, aquele blá blá blá de sempre, aquele mimimi, vai ficar chorando até quando? Agora que Bolsonaro vai passar mal, botou a mão no bolso do Bolsonaro, aí a coisa pega, coitado, vai ficar R$ 42.000 mais pobre por mês. Que coisa. Galera, o ministro Moraes acaba de dar cheque.

    É isso mesmo que vocês estão ouvindo. Estão pensando que Moraes tá sentado ali na cadeira de juiz do STF? Não, só para passar o tempo. Pera aí. Não é assim não, meus amigos. Vamos aqui. A primeira notícia. A defesa de Augusto Heleno disse que ele tinha Alzheimer. Aí o Morais, opa, ele tem Alzheimer. Então vamos aqui. Morais dá cinco dias para a defesa de Augusto Heleno apresentar documentos comprovando que ele tem Alzheimer.

    Right-wing movements merge as Bolsonaro visits Trump - POLITICO

    E aí vão arranjar esse documento aonde? Passa pra outra. Olha só. Para Bolsonaro reduzir a pena lá aonde ele está detido na superintendência, foi sugerido para ele ler alguns livros para reduzir a pena. Sabe qual é os livros? Ainda estou aqui. E sobre democracia, [Música] será se o Bolsonaro vai ler os livros Ainda estou aqui, que é aquele filme lá que concorreu até o Oscar e sobre democracia para reduzir a pena.

    Se eu fosse Bolsonaro, pegava na hora para reduzir a pena, né? E 17 vezes, repito, o sangue de Homo pode contaminar uma pessoa em relação a heterossexual. Isso não é discriminação, são dados. A partir desse momento, se você for paraa rua e perguntar agora aqui que um sangue é vida, é o é o combustível do nosso corpo aqui, entre um sangue meu, por exemplo, e de um homossexual, posso falar aqui, ô Felipe? Tá entre o meu sangue do Felipe homossexual. Não, não tô dizendo.

    Quem diz isso é o Ministério da Saúde. Mas se perguntar para quem precisa de asseng, você prefere receber do Bolsonaro ou do Felipe ou tanto faz? Você vai ver que a resposta calma ao Ministério da Saúde, eu acho que daí eu acho que daí você já tá indo por uma seara que não é muito bacana.

    Primeiro lugar, quando você vai do arangue, você tem que ser honesto suficiente e poder responder o questionário conforme te pergunta. Existe um exame chamado por Elisa. Essa, eu discordo essa história da janela imunológica. Existe um exame um exame chamado por Elisa que vai direto no núcleo e descobre automaticamente se você tem ou não vías galera.

    Quanto custo exame? Qual o custo? Exame importa. Porém, você não pode comparar eh você não pode comparar o teu sangue, o teu sangue com o meu, porque daí eu vou comparar o meu caráter com o seu. Isso você pode ter certeza que eu não vou deixar esse alo. Quando eu digo assim que como é bom a gente ter um presidente humano como o Lula, é disso também que eu tô falando.

    O Lula é um cara diferenciado e não adianta, não adianta tentar negar isso, porque tá, os depoimentos vêm de todos os lugares. Essa prefeita que vocês vão ouvir aqui é gaúcha de uma é prefeita de uma cidade gaúcha de estrela. Ela foi eleita pelo União. E olhem o depoimento, a fala que ela faz agradecendo ao presidente e dizendo de como é bom ter um presidente que é realmente para todos, que não pergunta e não ajuda só quem é do lado dele.

    Dá uma olhada na fala dela. Fantástica. Eu acho que é Karine o nome dela. Prefeita de Estrela. Então eu tô aqui para dizer muito obrigado, gratidão e dizer para vocês que eu não sou do partido do presidente, mas nunca presidente, ninguém da sua equipe perguntou isso. E quando depois da eleição no passado eu participei de um evento que o senhor palestrou, o senhor disse que o senhor trabalhava pela política pública para as pessoas, não olhando o lado político.

    E eu sou testemunha disso, de que em todos os ministérios que a gente foi, sempre foi o pensar na pessoa que tava lá na ponta. Os municípios pequenos a gente tem uma grande dificuldade porque o nosso orçamento não permite grandes investimentos. Estrela é um município de 35.000 habitantes, onde famílias perderam suas casas.

    Nós tivemos quase três bairros totalmente destruídos. E Estrela tem recebido inúmeros investimentos. Não é só a habitação que o senhor tá falando hoje, anunciando hoje aqui das 29 escolas Manec. Cadê o Maneco? Maneco, um grande parceiro, secretário de reconstrução do estado do Rio Grande do Sul, das 29 escolas do Rio Grande do Sul.

    Estrela, né, para ver o tamanho da destruição que o nosso município teve. Eu tô falando de educação, né, Mané? Mas eu tô falando também de posto de saúde, que Estrela também recebeu. Tô falando de habitação, que Estrela também recebeu. Eu tô falando de investimentos em infraestrutura, que Estrela também recebeu.

    De um PACE linear com investimento e preocupação ambiental que Estrela também recebeu. Então, presidente, meu testemunho do quanto a força do governo federal é transformadora pros municípios é a única esperança que a gente tem, é de continuar a ter vocês apoiando a gente, como a gente tem Caixa um suporte fenomenal.

    Então, o que eu tô lhe trazendo, presidente, são inúmeros esforços coletivos juntos e é só assim que a gente vai conseguir recuperar aquilo que o nosso estado precisa e a nossa comunidade merece. Muito obrigada mesmo, presidente, a todos os ministros e parabéns a equipe diferenciada que o governo federal coloca à disposição dos municípios.

  • LULA EXPÕE ALCOLUMBRE! PF APERTA O CENTRÃO E AMEAÇA O PODER DO SENADOR!

    LULA EXPÕE ALCOLUMBRE! PF APERTA O CENTRÃO E AMEAÇA O PODER DO SENADOR!

    O cenário político em Brasília revela uma situação de profunda tensão e humilhação para o presidente do Senado, Davi Alcol Columbre, diante de uma vitória estratégica e calculada do presidente Lula, enquanto o chefe do legislativo tentava impor sua vontade na alta corte do país, o executivo desarmou sua manobra com uma jogada regimental.

    Simultaneamente, um pânico silencioso se espalha pelo centrão, impulsionado pela eminência de delações bilionárias em investigações conduzidas pela Polícia Federal, que ameaçam desmantelar os principais esquemas de financiamento político do bloco. O embate entre Alcol Columb e Lula girou em torno da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal.

    O senador, que detém grande poder para pautar a sabatina, desejava impor seu nome de preferência, Rodrigo Pacheco, e utilizou a vaga como ferramenta de barganha ao Columbre, percebendo que sua ameaça de rejeitar Messias poderia a longo prazo se voltar contra ele, repetindo o erro cometido com a sabatina de André Mendonça, onde a demora permitiu a articulação de votos, mudou sua tática.

    Alcolumbre deve indicar nome sem filiação após fracasso - 23/04/2025 - Poder  - Folha

    Ele optou por acelerar o processo, marcando a sabatina para o início de dezembro, um prazo considerado inviável para Messias conseguir os 41 votos necessários. Essa aceleração, contudo, foi o ponto fraco explorado pelo governo. O executivo, com sua equipe jurídica atenta, alertou ao columbre para uma violação regimental que colocaria o próprio senador em risco de questionamento judicial.

    O regimento interno do Senado Federal é claro. A sabatina só pode ser pautada após o recebimento de uma comunicação oficial do presidente da República, indicando o nome Lula. estrategicamente ainda não havia enviado essa carta, permitindo-se manter a indicação suspensa indefinidamente. O aviso do governo foi direto.

    Qualquer movimento de alcolumbre para pautar a sabatina sem a devida comunicação formal poderia ser interpretado como um abuso de autoridade, sujeitando-o a ações no Ministério Público ou no próprio STF. Essa jogada de xadrez político do executivo forçou ao Columbia a uma humilhação pública. O senador, que se imaginava o articulador de uma grande derrota para Lula, viu sua estratégia desmoronar.

    Ele foi obrigado a recuar da pauta acelerada e a aceitar que a nomeação de Messias só ocorrerá quando e como o presidente desejar, provavelmente no próximo ano e após a garantia dos votos necessários. O recado de Lula é inequívoco. Os nomes vetados pelo executivo, incluindo o de Pacheco, não serão indicados. A briga, que a Columb iniciou por imposição de poder, transformou-se em uma derrota pessoal e institucional.

    Essa derrota de Alcolumbre acontece em um momento de extrema fragilidade para o centrão, que se vê cercado por investigações federais bilionárias. Há um crescente pânico em Brasília devido à eminência de delações premiadas em três grandes e interconectados casos: Hefit, Banco Master e Carbono oculto. A imprensa especializada já relata que essas delações podem levar a uma espurgamento significativo de políticos do bloco, com a ameaça real de prisão para líderes influentes.

    O caso Refit Refinaria, Manguinhos, envolve uma sonegação fiscal que pode somar dezenas de bilhões de reais e é ligado a complexos esquemas de lavagem de dinheiro. O fato de empresas ligadas a esse escândalo terem recebido isenções fiscais em estados importantes como São Paulo, levanta sérios questionamentos sobre o papel de agentes políticos na proteção desses esquemas.

    O nome do governador Tarcísio de Freitas, por exemplo, surge na mídia por ter concedido benefícios a empresas envolvidas, o que sugere que a teia de corrupção se estende por diversos espectros políticos. O caso Banc é talvez o que mais causa desassossego na cúpula do centrão. O presidente do banco, Vurcaro, está detido e, segundo rumores, estaria apavorado com a perspectiva de longo encarceramento.

    O Banco Master é conhecido por ter estreitas relações com importantes figuras do centrão, incluindo Hugo Mota, Davi Alcol Columbre e Ciro Nogueira, que participaram de eventos promovidos pela instituição. A delação de Vurcaro é vista como uma bomba atômica que pode revelar os métodos de financiamento ilícito e a proteção política garantida ao banco.

    Adiciona-se a isso o caso carbono oculto, uma investigação de lavagem de dinheiro para o crime organizado que já atingiu o presidente do partido de Alcolumbre, Rué da União Brasil. A Polícia Federal está atualmente focada em desvendar o núcleo político responsável por facilitar essas operações em Brasília, sabendo que a magnitude dos crimes só é possível com a cumplicidade de agentes poderosos.

    O aspecto mais aterrorizante para os políticos é que o dinheiro sujo, oriundo de tráfico de drogas e outros crimes, era injetado nas campanhas do centrão, constituindo um gigantesco esquema de caixa dois. A prisão desses empresários está fechando a torneira desse financiamento ilegal, o que, por sua vez, aumenta o desespero por cargos em autarquias que possam oferecer alguma proteção.

    Em reação a essa pressão do executivo e da PF, Alumbre recorreu à aprovação de pautas bomba no Congresso. A aprovação da lei que concede aposentadoria integral a servidores da saúde, com um custo estimado em R, 100 bilhões para os cofres públicos, foi uma clara retaliação política. O senador buscou minar a narrativa de responsabilidade fiscal do governo.

    Contudo, essa jogada se virou contra ele. Analistas econômicos e a mídia condenaram a hipocrisia de Alcol Columbre, que fala em austeridade, mas aprova um rombo fiscal. Lula, por sua vez, pode absorver o impacto realocando custos por meio de revisão de isenções fiscais para bilionários ou manobras no teto de gastos, transferindo o ônus político para o centrão.

    Outra derrota simbólica foi a derrubada dos vetos de Lula ao PL da devastação, expondo ao columbre a crítica de setores ambientalistas e da sociedade civil. O senador está queimando pontes importantes, não tem o apoio da extrema direita por não pautar o impeachment de ministros do STF e agora perde o apoio da centroesquerda e do centro por causa das pautas bomba e da chantagem institucional.

    Sua situação política é extremamente vulnerável, pois sem apoio popular em sua base e com as torneiras de financiamento ilícito secando, sua sobrevivência como senador fica comprometida caso seja alvo de uma campanha negativa intensa. O fracasso de Alcolumbre na luta contra Lula não é apenas uma derrota pessoal, é o sintoma do esfaccelamento de um sistema de poder que se sustentava na impunidade e na chantagem e que agora é confrontado pela firmeza do executivo e pela autonomia da Polícia Federal.

    A fragilidade do centrão e em particular de figuras como Davi al Columbre é exponencialmente aumentada pela percepção de que a justiça está agindo. Durante anos, o bloco se blindou com o controle de comissões, o uso de emendas e o domínio de narrativas. Contudo, a simultaneidade das investigações do Heffet, Banco Master e Carbono oculto representa uma ameaça sistêmica.

    O medo da prisão, que antes parecia distante, agora se materializa com a detenção de figuras chave, como o presidente do Banco Master. A pressão psicológica sobre os envolvidos é imensa, o que aumenta a probabilidade de novas delações que exponham o financiamento de campanhas eleitorais com dinheiro de origem criminosa.

    Alcolumbre sobe o tom contra o governo após Lula segurar envio da indicação  de Messias | Jovem Pan

    O cálculo dos delatores é simples ou eles cooperam agora enquanto suas informações ainda são valiosas para a justiça, ou esperam até que a Polícia Federal desvende toda a teia, tornando a delação inútil. É essa corrida contra o tempo que intensifica o pânico no centrão. Os líderes sabem que com a PF fechando o cerco e as fontes de caixa dois secando, conforme noticiado por jornalistas experientes, a capacidade de comprar votos e de se blindar nas próximas eleições será severamente reduzida.

    A máquina eleitoral baseada em fundos ilícitos está em colapso. A resposta de Davi ao Columbri a essa situação tem sido a busca desesperada por cargos de controle financeiro, Banco do Brasil, CVM, demonstrando que o objetivo final não é a vaga no STF, mas sim a busca por postos que possam oferecer algum grau de influência ou proteção sobre o sistema financeiro e de fiscalização.

    A demanda por cargos em autarquias reguladoras no meio da crise do Banco Master é a prova mais eloquente de que a motivação do senador é a autopreservação e não o interesse público. A vitória de Lula sobre Alcol Columb é, portanto, tripla. Primeiro, ele manteve a prerrogativa presidencial da indicação ao STF, sem ceder a chantagem por cargos.

    Segundo, ele expôs a hipocrisia fiscal de alcolumbre com as pautas bomba. Terceiro, crucialmente, ele permitiu que a PF continuasse a desmantelar os esquemas que financiam a oposição mais agressiva no Congresso. Esse alinhamento de fatores transforma alcumbre em um alvo fácil, sua falta de base ideológica firme, rejeitado pela extrema direita e agora em confronto com a esquerda, o deixa isolado e vulnerável a uma campanha de desmoralização.

    A história política brasileira demonstra que líderes sem voto e sem aliança sólida são os primeiros a cair quando a crise institucional se aprofunda e as investigações avançam. O momento é de tensão máxima e a derrota do senador Alcolumbre é a ponta visível do colapso de um sistema corrupto que está finalmente sob pressão Total.

  • DEU RUIM PRA BOLSONARO! Manifestação fiasco de 130 pessoas

    DEU RUIM PRA BOLSONARO! Manifestação fiasco de 130 pessoas

    No final de semana aconteceu um ato em Brasília super esvaziado em favor de Bolsonaro. Não foi absolutamente ninguém. 130 pessoas e somente o deputado Marcos Polon esteve presente sendo um grande fiasco, mais um fiasco. Diziam que o país iria parar e o país não parou. O país continua muito bem. E eu aponto quatro razões para esses fiascos seguidos do bolsonarismo em favor de Bolsonaro.

    O primeiro motivo é justamente a prisão do Bolsonaro ter acontecido de modo gradual. A população se acostumou a ela. A própria saúde de Bolsonaro, muito fragilizada e exposta pelos filhos, tira a visão que Bolsonaro possa liderar alguma coisa. Também tem a falta de profissionalização do próprio PL, que não vai conseguir engajar e mobilizar como o PT fez quando o Lula foi preso.

    E também a falta de manifestação política em favor de Bolsonaro. O centrão não quer que Bolsonaro permaneça forte. E sinceramente eu vejo que a família Bolsonaro tá numa situação bem delicada. Porque o centrão teme ir para 2026 sem o apoio do Bolsonaro. Mas sinceramente não vejo que esse apoio é tão relevante assim, porque se a família Bolsonaro não apoiar o candidato de direita, os bolsonaristas vão anular o voto? Vão votar no Lula? Sinceramente, não vão.

    Tổng thống Brazil bị yêu cầu đeo khẩu trang nếu không sẽ bị phạt - Báo và  Phát thanh - Truyền hình Ninh Bình

    E qual a sua opinião sobre mais um fiasco bolsonarista? Quais são os motivos para essa falta de engajamento? E qual é o motivo principal? Eu acredito que a falta de posição ou de engajamento político. Você acha que o apoio da família Bolsonaro ao candidato do Centrão é algo decisivo? Vai mudar muita coisa? E qual você acha que vai ser o resultado da próxima pesquisa de intenção de votos para presidente da República? A prisão de Bolsonaro vai afetar o quadro? Na minha opinião, não vai. Deixa o like no vídeo se você

    considerou o ato em Brasília um fiasco e se inscreva no canal. Brasília teve no final de semana, no domingo, mais um ato em favor de Bolsonaro e foi um ato completamente esvaziado. O ato começou por volta das 2 da tarde, tinha previsão de terminar às 5 horas com uma grande caminhada até a Praça dos Três Poderes ou algum outro local lá em Brasília.

    A manifestação foi na praça, no Museu da República. Só que devido a baixa quantidade de pessoas, aproximadamente 130 pessoas, não houve caminhada. e nem a duração completa. O ato por volta das 4 da tarde já havia terminado. Baixo engajamento, baixa motivação e os organizadores do evento disseram que a população estava com medo de sair de casa.

    Ninguém estava com medo de sair de casa. A verdade é que o Bolsonaro já não engaja mais ninguém. E apenas um parlamentar esteve presente, o deputado Marcos Polon. E por mais que a gente saiba que quantidade de manifestantes não é algo que nós podemos considerar como sendo relevante, mas o ato de pessoas saírem de casa, irem às ruas, reivindicar uma pauta, só por só por isso já é já seria algo relevante.

    Nós não podemos desconsiderar que os bolsonaristas eles consideram e quantitativamente, ou seja, a quantidade de pessoas algo relevante. Mas mais do que isso, é notável a constante desmobilização da quantidade de pessoas ou a desmobilização bolsonarista em favor de Bolsonaro. Então, por mais que uma manifestação, ela precisa ser apreciada pela não pela quantidade, mas o pelo ato em si, no caso dos bolsonaristas chama a atenção pela desmobilização constante.

    E eu vejo que existem quatro motivos para esses fracassos bolsonaristas ou esses quatro quatro motivos para essa não comoção que os bolsonaristas tanto alardearam que haveria. Eles disseram que o país ia parar, mas o país não parou. Bolsonaro tá preso, tem aí uma semana e nada aconteceu. E quando eu falo nada é absolutamente nada, nem mesmo manifestações de apoio a ele.

    E a pergunta que fica é por quê? O Carlos Andreasa tem duas hipóteses e eu tenho mais duas hipóteses. E nós somamos e fazemos quatro motivos. Primeiro, na visão do Carlos Andreasa, da Band News, o fato da prisão do Bolsonaro ter acontecido de modo gradual, primeiro ficou em tornozeleira, depois prisão domiciliar, depois prisão preventiva e depois a prisão definitiva com o Bolsonaro furando a tornzeleira, vai desmobilizando porque a população brasileira começa a se acostumar com o Bolsonaro preso. Esse é um ponto.

    O segundo ponto, a saúde de Bolsonaro. Os filhos de Bolsonaro falaram tanto que ele está mal numa estratégia de conseguir uma prisão domiciliar. que a imagem do mito ela se corrói. Cria-se uma comoção em torno do Bolsonaro, mas não uma comoção política, uma comoção de pena, de dó pelo fato dele estar doente.

    E isso ao mesmo tempo, enfraquece a visão de líder, como Bolsonaro pode liderar qualquer coisa, sendo que ele não consegue nem conversar direito, porque ele fica soluçando. O ponto três, na minha opinião, é a falta de profissionalização do próprio P. Para você criar uma comoção, para você engajar as suas bases, você precisa ter uma estrutura partidária extremamente profissional e institucionalizada, o que o PL não tem.

    O PT conseguiu mobilizar a sua militância em favor do Lula porque o PT tem uma profissionalização muito grande no nível federal, no nível estadual e também nível municipal, o que o PL não tem. E não adianta só você ter deputados, senadores, deputados estaduais, prefeitos e vereadores. Não, você precisa ter uma coordenação disso tudo. E o PL não tem.

    E por fim, a falta de empenho político. Os políticos a direito centrão não querem que Bolsonaro permaneça forte. E esse é um a grande luta que a família Bolsonaro vai ter nesse momento, evitar que Bolsonaro caia no esquecimento. E como que a família Bolsonaro pode fazer isso? A família Bolsonaro vai ter que lutar pela anistia no Congresso, que ela não vai passar.

    E é bom que não passe, porque se a dosimetria for aprovada, o que o bolsonarismo vai usar para engajar politicamente? Nada. Eles têm que ficar usando pautas que não vão se realizar. O importante para o bolsonarismo é que a anistia não passe, que o gumota não paute, justamente para poder continuar com o engajamento constante, dando alguma coisa para a militância poder se engajar.

    Da mesma forma, é importante que o Bolsonaro não vá para a prisão domiciliar, porque todo mundo sabe que o Bolsonaro não vai ser perdoado. Se o Bolsonaro for para a prisão domiciliar, isso é quase como uma conquista. Ora, o Bolsonaro tava preso o no regime fechado, capaz dele ir para Papuda, como a gente bem sabe, o Alexandre Moraes não desistiu disso, mas Bolsonaro estava preso em regime fechado.

    Ele estava na papuda, não vai conseguir nada. Bom, pelo menos já foi para domiciliar. Isso é uma uma vitória, uma conquista. causa o sentimento de catar-se, já é visto como fim da história porque conseguiu aquilo que dava para conseguir. O que que vai mobilizar agora? Bolsonaro já tá em casa, não mobiliza mais nada. É, e Bolsonaro cai no esquecimento.

    Então, a família Bolsonaro tem que torcer para que a anichia não seja pautada e que Bolsonaro não vá para a prisão domiciliário. É melhor que Bolsonaro continue justamente onde ele está ou até mesmo que pior que vá paraa Papuda. É uma situação muito, mas muito delicada da família Bolsonaro. Até porque eu não acredito que o candidato de direita seja tão dependente do Bolsonaro assim, como o centrão está querendo eh atribuir essa força ao Bolsonaro e como a própria família Bolsonaro atribui esse poder a ele. Alguns aliados do Tarcísio até

    mesmo acreditam que ele possa sair como candidato eh independente do Bolsonaro. O que eu vejo é que o Tarcío está tentando construir uma candidatura que não seja uma candidatura rival do bolsonarismo. Que que eu quero dizer com isso? Se sair Tarcísio e um candidato bolsonarista como Flávio Michele, Tarcísio não vai pro segundo turno.

    Atos esvaziados pelo país pedem prisão de Bolsonaro - 10/12/2024 - Poder -  Folha

    Mas se Tarcísio sair e o bolsonarismo não lançar um candidato, Tarcísio vai pro segundo turno. E eu não vejo no segundo turno impacto significativo do apoio ou não da família Bolsonaro, sinceramente. Porque um Bolsonaro, vamos supor que a o Starcis vai pro segundo turno e a família Bolsonaro não o apoia, os bolsonaristas vão votar no Lula.

    Os bolsonaristas vão anular os votos. E qual que seria a quantidade de bolsonaristas que iriam anular os votos? Seria algo significativo para dar uma derrota, para garantir uma vitória, uma derrota? Claro que não. E as pesquisas mostram que no segundo turno Bolsonaro, Michele, todo mundo tem a mesma quantidade de votos contra o Lula.

    Então, a família Bolsonaro precisa continuar fomentando essa percepção equivocada que ela é o fiel da balança para 2026. E a gente sabe que não é. Não é. A família Bolsonaro define a candidatura do primeiro turno. Tciso não pode sair independente porque se a família Bolsonaro lançar o candidato, ele já era.

    Mas em termos de segundo turno não muda nada. O que eu quero ver é o seguinte, a gente sabe a família Bolsonaro tá muito pressionada. Eh, eles, o centrão, força uma candidatura, força que a família Bolsonaro apoie logo um, um outro candidato. A gente sabe muito bem disso. Eu quero ver qual vai ser a próxima pesquisa da Quest ou do Datafolha, uma pesquisa que já vai considerar agora a prisão do Bolsonaro.

    E o indicador mais importante dessa pesquisa não vai ser a intenção de votos, vai ser se Bolsonaro deve ou não abrir mão da candidatura. e se Bolsonaro deve ou não indicar logo um substituto. Essa é a pergunta mais importante para nós sabermos qual foi o impacto da prisão de Bolsonaro com relação a esse indicador.

    Esse é um indicador chave, porque vamos supor que a prisão do Bolsonaro fez com que a quantidade de pessoas que acham que o Bolsonaro tem que manter a sua candidatura aumente, tem aumentado. Aí a família segura a candidatura dele. Esse é o dado, o indicador que eu mais quero ver na próxima pesquisa quest.

    Se o Felipe Nunes não colocar essa essa pergunta na próxima pesquisa, ele vai estar cometendo um erro absurdo. Ja.

  • MICHELLE TRAl BOLSONARO E QUEBRA O PAU AO VIVO COM FLÁVIO E CARLOS BOLSONARO!! PÂNlCO NA FAMILÍCIA

    MICHELLE TRAl BOLSONARO E QUEBRA O PAU AO VIVO COM FLÁVIO E CARLOS BOLSONARO!! PÂNlCO NA FAMILÍCIA

    E temos brigas, olha só. E temos também Michele Bolsonaro aí de férias, entre aspas, em Fortaleza. Viralizou aí. Engraçado que o vídeo foi de ontem no começo da tarde, ninguém tava dando atenção a esse vídeo. Aí eu publiquei no Instagram, no TikTok, bombou. Aí virou notícia em toda a imprensa. Michele Bolsonaro chegando em Fortaleza e dizendo que tá tudo uma maravilha, que a vida está maravilhosa.

    Eh, depois ela, algumas horas depois encontrou com uma amiga dela, ela até rebolou assim, balançou o rabinho igual cachorrinho assim de felicidade. Já já te mostro aqui os vídeos da Michele Bolsonaro. Aí os comentários todos falam: “Nossa, agora ela tá livre, leve e solta, livre do traste do marido dela, que ela nunca pareceu gostar muito dele, mas agora fica claro que ela tá feliz com a prisão dele.

    Já já eu mostro os vídeos.” Só que lá em Fortaleza, a Michele Bolsonaro fez uma coisa que foi brigar com o André Fernandes. André Fernandes é um deputado federal do PL que é ali o grande líder do PL da extrema direita no Ceará. O André Fernandes, ele foi quem costurou ali, o Bolsonaro já tava em prisão domiciliar, uma aliança do Bolsonaro com o Ciro Gomes.

    Michelle, Laura, Flávio, Eduardo: entenda quem se vacinou contra Covid-19  na família Bolsonaro

    Vamos lembrar, eu tô falando aqui desde que o Plantão Brasil começou a existir em 2019, 2019, em janeiro, inclusive meu aniversário, dia 20 de janeiro de 2029, 2019, fiz o primeiro vídeo aqui. Já tinha Plantão Brasil no Facebook, já tinha eh eh no aplicativo, site e tudo mais. Porém, quando o Bolsonaro assumiu, falei: “Não, eu tenho que aparecer e mostrar a cara para fazer frente aí ao fascismo”.

    Pois bem, desde então, desde a primeira vez que eu falei do Ciro Gomes e olha que no começo de 2019 fala isso, era praticamente um crime pra parte da esquerda que o Ciro Gomes tinha tido 12% na eleição de 2018, meses antes. Eu falei o Ciro Gomes, ele é a linha alternativa do bolsonarismo, ele finge que é de esquerda.

    Eu tenho uma memória muito boa. Eu quando o a Dilma foi candidata contra o Éo Neves, eu fiz uma matéria no site do Plantão Brasil que teve mais de 10 milhões de visualizações na época em 2014 mostrando manchetes antigas do governo Fernando Henrique Cardoso. OK. Tá, Thago. O que isso tem a ver com Cío Gomes? Tem a ver que o Cío Gomes era ministro da privatização.

    Ele privatizou tudo no governo Fernando Henrique Cardoso. Quer saber se um cara é de direita ou esquerda? Vê o que esse cara faz quando ele tem poder. Quando o Ciro Gomes teve poder, ele privatizou tudo e ainda falou que privatizou pouco. Direita neoliberal entregando tudo para os bilionários a preço de banana. Ciro Gomes.

    E eu falei isso aqui, ele nunca foi de esquerda e nunca vai ser. Ah, mas ele tem o plano nacional de desenvolvimento. Pô, qualquer um fala o que quer. A hora que o cara tá com poder, ele é de direita e ele só ataca o maior líder de esquerda, que é o Lula. Por quê? Porque ele faz a linha alternativa da direita. Dito feito, ó, 7 anos depois aí, se 6 7 anos depois, temos aí o Ciro Gomes no PSDB do Aécio Neves, ao lado do Aécio Neves assim, e fazendo ali com a extrema direita aliança no Ceará.

    A Michele ficou brava. Por quê? Porque a Michele ela é de uma ala do PL, que é a ala que é dissidente da família Bolsonaro. Essa ala que tem o Nicolas, o Cleitinho, a Ana Campanholo e que tá brigando com a família Bolsonaro. E aí nessa ala aí também tem um que é o Girã. dirão um cara que era ali até eh mais ou menos aí leal ao Bolsonaro, mas é um desses que não vê a hora da família Bolsonaro ir pro Belelu para ele assumir aí controle de parte da extrema direita.

    Ele é senador e quer ser governador. Eis que o candidato da Michele é o girão. Porém, o Bolsonaro, ele autorizou que o André, André Fernandes, fizesse uma parceria com Cío Gomes, porque ele acredita que é mais fácil ali de tirar votos do Lula, não nem para pro governo estadual, e sim do Lula é mais fácil tirar votos se o bolsonarismo e o Ciro Gomes estiverem juntos.

    OK? Aí o Cío Gomes não precisa fazer a segunda linha da extrema direita, ele já já é extrema direita aí sem máscara desta vez. A Michele Bolsonaro então deu um esporro público no André Fernandes. Eu já eu mostro os vídeos da Michele de férias, mas enquanto ela tava ali eh entre uma uma farra e outra, ela deu um esporro público desautorizando o próprio Bolsonaro. Hum.

    Pegou mal, viu? Porque o André Fernandes, esse sim é amigo da família Bolsonaro. Mostrar aqui o esporro dela. Você vê que eu não começo da fala dela, ela tenta interromper e ela fica brava. Vamos lá. É sobre isso. É sobre essa aliança que vocês se precipitarem fazer. O meu marido. Só um minutinho, só um minutinho, só um minutinho, só um minutinho.

    Eu adoro o André, sou muito, passei todos os estados falando sobre o André, do orgulho que eu tenho do Nicolas, da Carmela, do do do Carmelo, da da esposa dele que foi eleita. tem orgulho de vocês, mas fazer aliança com o homem que é contra o maior líder da direita isso não dá. Isso não dá. Isso não dá. Vou falar uma coisa.

    Vou falar uma coisa. Nós nós vamos nos levantar. Nós vamos nos levantar e nós vamos trabalhar para eleger o girão. O improvável aqui é todo mundo improvável. Tamaré improvável, meu marido super nega improvável. André improvável, improvável, todo mundo improvável. OK? A gente quer pacificar, a gente quer ter a unidade e aí a gente vê que a pessoa não levanta a bandeira branca, a pessoa continua falando que a família é de ladrão, é de bandido, compara ao presidente Bolsonaro, a ladrão de galinhas, quando ele fala das joias, que

    a gente sabe que era um direito que é presente de pessoa malíssimo. Então não tem como, não existe mais essa. A gente já viu declarações que quer fortalecer centro e esquerda a essência de tá aí a Michele detonando o Ciro Gomes e o André Fernandes em público na frente de vários vereadores, de deputados federais, estaduais, ficou um climão.

    Eis que se você acha que a briga parou por aí, não. Não parou. Por quê? Porque isso aí ela fez, isso foi antes de viralizarem esses vídeos dela que eu vou te mostrar. Vamos lá, pessoal. Já estamos aqui em Fortaleza. Cadê a Priscila? Ó, ó a Bia, a Bia e a nossa eterna primeira dama aqui. Olha, olha, olha o porro do sol que elas trouxeram aqui.

    Tá uma delícia aqui. Tá maravilhoso mesmo. Tá maravilhoso mesmo. Quando eu falo Fortaleza, terra, não sei o quê. Aquela voz lá no fundo era da Michele, toda feliz. Tá, ela tá linda aqui, ó. Tá maravilhoso, tá perfeito aqui. Lembrando que hoje era dia de visitas lá na Polícia Federal. A Michele foi visitar o maridão, tá, tá lá maravilhoso em Fortaleza.

    logo depois viralizou também outro vídeo aí da Michele que eu vou falar, eu nem sei qual é pior. Eu realmente eu fico em dúvida qual dos vídeos é pior aí pra imagem da Michele Bolsonaro frente ao bolsonarismo? Esse aqui viralizou. Vamos lá com vocês aqui. Michele Bolsonaro sorridente nas ruas de Fortaleza. Vai ca e eu oro por você.

    Não é só amor, não é amor de Deus. Senhor, segura, abençoa ela. Faz toda a oração. Sempre, sempre, sempre. Agora nossa, tá com cheiro de maravilhoso. Você não tem nem voo. Você falou uma hora se não tem voo. Meu Deus do céu. Linda, maravilhosa. Eu tô tremendo. Meu amor. Deus abençoe. A gente vai estar sempre orando. Tem um monstro, mas ele não é da igreja.

    Beijo, beijo. Tchau, Talita. Beijo. Tá feliz a passagem de Michele Bolsonaro ou estava em Fortaleza? Isso aí caiu como uma bomba lá na família Bolsonaro. Você imagina esses caras tentando fazer um dramalhão. O Carlos Bolsonaro, para você ter ideia, publicou hoje algumas horas atrás o seguinte: “Olha, mas é um drama”.

    Ele fala: “Ai, meu Deus, é muita tortura pro homem só”. Esses caras que são a favor do torturador, tá? na ditadura militar que era tortura de verdade, eles gostavam, eram só a favor. Aí Bolsonaro pede atendimento médico na prisão. Aí ele fala de novo, meu Deus, é muita tortura pro homem só. Meu Deus, ele forças. Olha, queria que encarnasse o Ustra e desse ao Bolsonaro que ele defende pros outros.

    Queria mesmo, mesmo, mesmo que eu tenho zero de empatia, não sou coiro, mas pois bem. Aí o Bolsonaro tá lá fazendo esse dramalhão, do nada aparece a esposa, tá tudo lindo, pô, tá tudo maravilhoso, tá tudo ótimo. E ó, André Fernandes, você é um, você é um otário. Que o André Fernandes fez uma parceria ali, o pessoal do Ceará com Ciro Gomes, que é o Bolsonaro apoia o Ciro Gomes para ser governador do Ceará e o Ciro Gomes apoia aí o os bolsonaristas lá no Ceará.

    Só que a Michele Bolsonaro que elegeu o Girão como governadora do Ceará e se vai o Girão não pode ser o Ciro Gomes ou um ou outro. Não tem dois governadores. Então fica aquela tá uma disputa interna. Eis que o Flávio Bolsonaro chega e dá uma entrevista a vários veículos. Seguinte, ó. Flávio diz que a Michele atropelou o Bolsonaro ao dar bronca André Fernandes.

    Quem compartilhou essa notícia? O Carlos compartilhou isso aqui. Meu irmão Flávio Bolsonaro, está certo e temos que estar unidos e respeitando a liderança do meu pai, sem nos deixar levar por outras forças. Na entrevista que ele deu ao Metrópolis, o Flávio Bolsonaro diz que foi desrespeitoso, foi deselegante, que foi constrangedora a fala da Michele Bolsonaro.

    Ele também diz que ligou para André Fernandes para pedir desculpas em nome da família Bolsonaro. Ou seja, ele tá se colocando como ele é o porta-voz da família Bolsonaro e não a Michele. A Michele é constrangedora e deselegante. Ixe, aí vai piorar. Calma que vai piorar. Por quê? Porque não é só o Flávio que foi para cima, não. O Eduardo Bolsonaro também compartilhou ali o mesmo.

    Ele compartilhou o post do Carlos e ele deu opinião dele ali. Ele falou: “Ó, meu irmão Flávio Bolsonaro está correto. Foi injusto e desrespeitoso com André Fernandes o que foi feito no evento. Não vou entrar no mérito de ser um bom ou mau acordo. Foi uma posição definida pelo meu pai. André não poderia ser criticado por obedecer o líder. Ai, ai, ai, ai, ai.

    Então, tão falando que a Michele tá atropelando o Jair. Esse tipo de discurso de que a Michele atropela a fala do Jair e a vontade do Jair tem um objetivo que é o quê? que é amassar a Michele e tirar qualquer possibilidade da Michele ter qualquer poder de mando dentro do PL na nos próximos meses, enquanto o Bolsonaro tiver preso.

    Tô falando que tá chegando um momento em que os filhos do Bolsonaro, me parece que eles estão felizes com a prisão do Bolsonaro. Eles fazem o drama para capitalizar politicamente, mas eles estão felizes. Por quê? Porque se o se os três filhos viram porta-vozes do Jair Bolsonaro, eles têm pela primeira vez como capitalizar todo, como capitalizar o capital fogo, como usar todo o capital político do pai deles, sendo que eles são os porta-vozes.

    Claro que esse capital político é menor a cada dia e com eles como porta-vozes, eles não pensaram nisso, eles são péssimos porta-vozes. Por quê? Porque boa parte dos bolsonaristas não gosta dos filhos do Bolsonaro, principalmente do Flávio. Mas muitos não gostam do Carlos nem do Eduardo. É só você ver que a Carla Zambelli não tem o sobrenome Bolsonaro e ela teve uma votação em São Paulo na eleição de 2022 maior que a do Eduardo.

    Imagina se ela fosse Carla Bolsonaro e ele fosse Eduardo Zambelli, nem eleito ele seria, porque os bolsonaristas já não gostam muito dele. Ele vira o porta-voz lá nos Estados Unidos, falou de tarifas, não sei o quê, e ele só se queimou. Tanto é que nas redes sociais o alcance dele não aumentou, não teve nada daquilo que você fala: “Nossa, o Eduardo Bolsonaro é um grande líder do bolsonarismo”.

    O Nicolas é 100 vezes mais que ele eu vejo, vi gente aí famosa de esquerda fazendo análise essa semana, dando várias entrevistas. Vi várias entrevistas de gente de esquerda, caciques da esquerda, que dizem que ah, a direita sem o Bolsonaro tá ferrada porque eles não têm um novo nome, que é o nome deles? É só o Tarciso, pô. À direita tem o Nicolas, tem o Cleitinho, tem o Tarcísio, tem a Michele Bolsonaro, tem aí esses governadores estão aparecendo com uma audiência enorme.

    Esse pessoal todo tem uma audiência gigantesca nas redes sociais. Os caciques à esquerda que nem sabem usar celular, eles não sabem disso. Eles não sabem, eles não fazem ideia do poder que tem o Nicolas, que tem vídeos aí com mais de 100 milhões de visualizações. Não faz ideia porque eles não usam o celular.

    E aí eu vejo umas análises dos caciques de esquerda que eu fico assim, meu, até hoje meu plano 2025, vocês falam umas coisas dessas, mas é a agora tá tendo uma briga entre esses homens para ver quem vai pegar a maior parte do espoiler do Bolsonaro. Os filhos dele acreditam que sendo porta-vozes dele, eles pegam isso e aí eles vão ter eles poder de decisão dentro do PL para decidir quem pode e quem não pode ser candidato.

    Vai dar ruim. Em 2022 eles estavam no PL, o Bolsonaro era presidente, mas eles não tinham direito a muitas escolhas. Por qu, Thiago? Porque olha só, o vários nomes do Pele. O Cláudio Castro, tem governadores aí, vários senadores, eram candidatos à reeleição. Então não dava para mudar.

    Então não vai mudar o cara que é candidato à reeleição, tirar o governador e colocar outro. Não vai agora não. Agora a maioria dos dos governadores de de direita, extremadamente direita, acaba o mandato deles. Então vai ter uma briga para ver quem vai ser o novo candidato a governador e a vice. São duas vagas no Senado, então tem duas brigas.

    Tem estado em que o PL quer lançar dois nomes, mas ou lançar um e apoiar outro, como em Santa Catarina, tá tendo briga. E é isso que tá pegando aí. Olha só, Valdemar e Michele defendem nomes do PL para a vaga do Senado de São Paulo. A Michele tá fazendo uma aliança com Valdemar Costa Neto. O Valdemar ele sempre se bicava com o Bolsonaro porque ele tem uma opinião, ele quer mais centrão e o Bolsonaro quer gente mais bolsonarista.

    O Valdemar ele não é ele o bolsonarista, ele usa o sobrenome do Bolsonaro para ganhar deputados, senadores por PL, ganhar fundo partidário eleitoral para ele roubar. É isso que faz o Valdemar. Aí o o que que ele faz? Ele quer nomes que sejam ligados a ele e que possam ser eleitos com votos do Bolsonaro, mas que sejam nomes ali valdemarzistas e não bolsonaristas.

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    E a Michele tá nessa com ele, com Valdemar. E aí, olha só o que diz a entrevista do Flávio Bolsonaro sobre a Michele Bolsonaro. O que que ele chama a Michele Bolsonaro? Flávio reage à crítica de Michele. Autoritária, começou já falar que ela é autoritária, então tá uma briga enorme. Os filhos querem ser porta-vozes do Bolsonaro. Enquanto ele tiver preso, os filhos é quem vão tomar decisões no no PL.

    É isso que eles imaginam. A Michele quer ser a porta-voz do Bolsonaro, que é ela quer tomar decisões. E o Flávio até diz uma coisa na entrevista que é raro eles falarem alguma coisa inteligente, que até inteligente. Ele fala: “Olha, nas políticas às vezes, a maneira como você faz a como você toma uma decisão é mais importante que a própria decisão.

    ” Ou seja, ah, não vai desfazer a aliança com Ciro ou ou não vai levar a cabo essa aliança, mas você não chega publicamente e é isso que ele quis dizer e detona o cara que fez a aliança, que é o André Fernandes, que é a maior liderança lá do PL, esse lixo aí, eh, lá no estado, e, e joga todo mundo contra ele e causa uma briga enorme.

    Não, você vai lá nos bastidores e fala: “Ó, não dá assim, tem que ser assim, assado, assado, assado, porque você já queima ponte com o com o cara que você ia fazer aliança. Não dá para para fazer dessa maneira. Você tem que tomar a decisão. Às vezes você, a maneira como você toma a decisão é mais importante.

    Eu dou um exemplo aqui do Lula. Eu lembro uma entrevista que eu vi de um deputado do PT que ele dizia: “Olha, no nos governos falava dos governos Lula, Lula 1 e dois, ele falava naquela época o Lula, ele recebia os deputados, hoje em dia ele não faz mais isso. Ele falava: “Pô, às vezes a gente ia lá em Brasília, a gente tava bravo com alguma verba, alguma coisa que precisava, a gente ia lá falar com o Lula”.

    O Lula ia, falava com a gente e tudo mais, ele falava que não. Só que saia todo mundo pensando, pô, esse cara é muito gente boa, como eu gosto do Lula. Caramba, ele conseguia negar a coisa para você de tal maneira que você ficava até grato dele negar. Aí eu falava, já com a Dilma, os deputados iam lá com alguma pauta para ela.

    A Dilma, a Dilma não negocia com bandido do centrão, imagina, não tinha paciência nenhuma. Uma zero, tolerância zero. Ela às vezes até concordava com com as pautas que eles queriam. Mas eles saíam assim, pô, mas ela é uma chata, meu Deus do céu, não não para de colocar problema. Por quê? Porque o Lula conseguia falar: “Não, mas não, vem cá, ele pega na mão, abraça, não sei o quê”.

    A maneira de tomar decisão era mais importante que a própria decisão. Tem um que de machismo nisso aí dos deputados do Centrão? Claro que tem, mas o fato do Lula ser uma pessoa muito mais simpática, que não quer saber se o outro é é do centrão, se não é, ele vai ele vai negociar e falar e tratar bem e a Dilma não queria falar com o bandido, isso mudava muito.

    E o Lula até hoje ele consegue fazer esse tipo de coisa. E aí você vê o que o Flávio Bolsonaro tá falando da Michele, é o seguinte, você não faz esse tipo de coisa. Ela pode até no fim fazer a parceria com o Ciro, mas ela já xingou o cara em público, já xingou o Ciro, já falou um monte, sendo que se não fizesse a parceria nos bastidores e de uma maneira assim bem amigável, sairia melhor lá na frente.

    É isso que o Flávio tá tentando e tá tentando externar aí. E ele fala isso sabendo que o pessoal do centrão lá do PL vê o que ele tá falando e vai ficar do lado dele contra Michele. Então tá tendo uma briga aí enorme na familiar. Nessa briga, eu torço para a briga. Peço aí a sua inscrição no canal.

  • LULA HUMlLHA ALCOLUMBRE E EXPÕE CRlMlNOSOS DO CENTRÃO! DELAÇÃO EM CASO BILIONÁRIO ESTREMECE BRASÍLIA

    LULA HUMlLHA ALCOLUMBRE E EXPÕE CRlMlNOSOS DO CENTRÃO! DELAÇÃO EM CASO BILIONÁRIO ESTREMECE BRASÍLIA

    Que humilhação que passou aí o presidente do Senado, Daviol Columbri, ó, tem um pânico aí no centrão que já tá sendo relatado aí pela imprensa com delações. Vão ter delações aí nos nas próximas semanas que vão pegar em cheio o centrão. Já estão falando até de ter aí uma espurgação ou espurgamento, nem sei porque eu nunca nunca pronunciei essa palavra, mas vão espurgar aí muita gente do centrão tá falando como assim, Thago? Centrão que vamos lembrar são todos de direita, né? nome centrão foi inventado aí pela Globo para não associar direita

    à corrupção, porque é tudo bandido lá. Pois bem, que aconteceu primeiro o caso do Davi Columbri. O Davi Columbri, senador aí eleito com 179.000 votos lá na MAP, ele acha que é presidente da República, ele acha que ele pode indicar vaga ao Supremo Tribunal Federal. O Lula indicou o Jorge Messias ao STF.

    O Davi Columbria é contra. Ele queria o Rodrigo Pacheco e ele já foi avisado que olha, mesmo se você tentar barrar o Messias e você conseguir, o Lula vai indicar outro nome, tá? E ele não vai indicar quem você quer. Se você barrar o Messias, o Lula vai pegar os nomes que você quer e esses estão todos vetados.

    Lula almoça com Motta e Alcolumbre, em busca de se aproximar do Congresso -  13/03/2025 - Poder - Folha

    O Lula vai para cima de você com tudo. Pois bem, vai pegar uma briga feia aí o Davi Columbri, que é uma briga que o pro Lula vai, o Lula ficando bravo, eu vou te falar, saia da frente. O Dav Columbre achou que era malandro. O Lula publicou aí no dia no dia 21 desse mês, ele anunciou no dia 20, que foi feriado, no dia 21 ele publicou no Diário Oficial da União a indicação ali do Jorge Messias como o eh o ministro aí indicação para ministro do Supremo Tribunal Federal.

    Então Davi Columbri tava ali e ficou dois três dias pensando o que fazer. Primeiramente ele falou na imprensa que ele não ia pautar isso nunca. Não, não vai ser nunca pautado. Vai ficar lá a indicação e pendurada. Depois ele resolveu tomar outra estratégia, porque isso ia pegar mal entre ministros do STF e em algum momento ele ia ser obrigado a pautar.

    E aí ia acontecer com ele o que aconteceu quando ele tentou barrar o André Mendonça. Ele demorou 4 meses para pautar a indicação da André Mendonça. O Dav Columbra era presidente da comissão de constituição e justiça, que é quem pauta a Sabatina. Depois a Sabatina tem a votação. E aí nesses 4 meses o André Mendonça conseguiu angarear os votos necessários que ele não teria se fosse faltado no rito correto.

    Ele não teria, seria bem difícil para ele. O Bolsonaro ia custar caro pro Bolsonaro. E o o Bolsonaro liberava a grana, tava nem aí, liberava tudo. Aí o Davi Columbu: “Pô, fui burro nessa, vou fazer diferente.” Da falou: “Vou pautar do Messias agora, agora pro começo de dezembro”. Em tempo que, segundo aí todos os todo mundo que foi ouvido pela imprensa em Brasília diz o seguinte: senadores, deputados, analistas, etc, etc.

    É um tempo inviável, é impossível o o Messias fazer ali falar com os senadores e conseguir 41 votos a favor dele em tão pouco tempo. É impossível. OK. Eis que o governo Lula avisou ontem o Davi Columbri. Ô, Daviel Columbri, cuidado, hein? Você tá, você tá aí indo contra o regimento interno do Senado. Você tá cometendo crime aí, tá? A coisa pode ficar ruim para você.

    O Ministério Público pode ir atrás de você, o STF pode ir atrás de você. Por isso, tá? Você pode até acabar ca pelo que você tá fazendo. Aí você deve tá pensando, Thago, como assim que aconteceu? Ele não é presidente do Senado, ele não pauta quando ele quiser. Pois bem, ele tem o o presidente da Comissão de Constituição e Justiça no bolso dele.

    Então o cara vai pautar a Sabatina quando quiser e o Davi Columbr pauta quando quiser. Mas é quando quiser mesmo? Não. Por quê? Porque o o regimento interno do Senado diz o seguinte: ele só pode pautar a Sabatina depois que chegar ao Senado uma carta oficial do presidente da República dizendo: “Olha, eu indiquei fulano pro STF. Antes disso não pode ser pautado.

    Só que o Lula não mandou essa carta. Então ele não pode pautar a sabatina do Messias. O problema do malandro é ele achar que só a barriga da mãe mãe dele é que faz filho esperto. A barriga das outras mamães também fazem filhos espertos. E olha, quis fazer uma jogada de xadrez político contra o Lula. meu, que burrice, hein, Daviel Columbri? Você não pode pautar.

    Então, que que membros do governo avisaram Davi Columbri? Olha, talvez o Lula só mande essa carta aí ano que vem, só quando ele tiver certeza que vai ser aprovado. Aí ele manda a carta para você e você decide quando vai pautar, tá bom? Se quiser demorar mais para pautar também não tem problema não. Ninguém tá com pressa.

    Aliás, os ministros do STF estão com pressa porque o STF tá com ministro a menos. Os ministros já entraram em campo aí. O Alexandre de Moraes era o único que tava batendo o pé contra, mas ele também já falou que não é mais contra o Messias. E todos já entraram aí em campo para falar: “Ó, tem que aprovar aí o Messias o quanto antes.

    ” Essa briga não é nossa contra o Lula, é do é do da Vel Columbri. Nós estamos aqui do lado do Messias. Então vai começar a pressão contra ele. Nisso tem operações da Polícia Federal que estão pegando aliados do Al Columb, inclusive ele é do União Brasil, o Rueda, que é o presidente do partido dele. Você v, ih, coisa vai ficando feia, cada vez mais feia. Vai.

    Por quê? Porque segundo aí a imprensa, tem delações em três casos que a Polícia Federal e tá investigando. Vocês matéria do W. O centrão pode ir, tem pay, eu não pago o não. Centrão pode ir à cadeia comelações da Refit, master e carbono oculto. Fala: “Epa, epa, epa, refit é a refinaria que lava dinheiro pro PC e que só do estado do Rio de Janeiro só negou aí 10 bilhões impostos.

    no estado de São Paulo, mais 12 bilhões e o mais 4 bilhões aí contando o Brasil inteiro. As empresas ligadas à refit, a esse caso aí receberam do governo Tarcío R0 milhões deais em isenções fiscais. Aí você fala: “Pera aí, por que que um governador tá dando isenção fiscal para empresas que são negadoras?” Para você receber um um prêmio do governo, você deveria, no mínimo, pagar bem os seus impostos, né? Mas não, taxo tá dando para quem já sonegava.

    Fala: “E estranho, né? O Cláudio Castro não foi atrás. Ele chegou a entrar na justiça para que a Refite voltasse à suas operações. Fala, OK, vai ter delação já. Só que o caso master é o caso que mais tá ali causando pânico na cúpula do centrão. Porque o Varcaro, que é o Vurcaro, que é o presidente do Banco Master, o dono, tá preso.

    Ele foi paraa Papuda, ele tá apavorado, apavorado lá. Ele quer sair o quanto antes. Em algumas semanas já falam que ele vai abrir o bico. O o ele, o dono do Banco Master, fez um evento pro Hugo Moto, pro Dav Columbre e pro Ciro Nogueira. Faz aí alguns meses, foi em maio esse evento. Falei: “Ih, a Giripoca vai piar pro lado de quem?” É a operação do PCC, essa operação que tá pegando aí a lavagem de dinheiro do PCC, que é carbono oculto.

    Essa operação tá chegou no presidente do partido do Davel Columbeda fala: “Ih, tá ficando cada vez pior.” A polícia federal já anunciou, eles estão agora investigando o núcleo político pro eles sabem, pro PC conseguir fazer um esquema tão grande, tem que ter agentes políticos atuando lá em Brasília. Tem gente da política em Brasília, gente poderosa.

    Presidente da Câmara e do Senado, será pior. A pior parte que tá aí causando pânico neles é que como a polícia tá aí indo atrás e tá pegando todo mundo, o a lavagem de dinheiro que eles faziam e esse dinheiro do crime organizado de tráfico de drogas que eles embolsavam, isso era utilizado por políticos do centrão.

    Esse o o dono da Refit que lavava o dinheiro pro PCC, ele é ligado a vários políticos do centrão e gente ligada a ele irrigava a campanha desses políticos. Como assim irrigava, Thiago? Dava dinheiro pra campanha desses políticos. Ninguém dá dinheiro a a troco de nada. Ninguém. A não ser, olha, você fala: “Não, Thiago, mas eu já doei pra campanha do deputado tal”.

    É, mas a troco de quê? É a troca de você achar que esse cara vai ser um excelente deputado e vai e vai fazer o que você acredita que seja bom pro Brasil, porque você que é o melhor pro Brasil. Agora, um bandido, ele vai sair distribuindo dinheiro por ideologia ele não tem. Concorda? Qual é a ideologia do bandido? É mais dinheiro no bolso dele.

    Se o bandido tá dando milhões para alguém, é porque de algum outro lado tá vindo também pro bandido. Bem mais do que esses milhões que ele tá dando. Aí você vê. Então tá ruim aí para eles, porque uma delação vai pegar todo mundo, a polícia já tá indo atrás. E o delator sabe o seguinte, quando a polícia começar a puxar o novelo de lance começa a puxar, ou ele delata antes que a polícia desvende tudo, ou a delação dele se torna inútil.

    Então tem que delatar antes da polícia pegar todo mundo. Então é isso que tá causando um desespero lá. Aí nisso o Davel Columb é aí massacrado pela estratégia do Lulo, que acabou aí acabou expondo ao Columbrio. Por que expondo, Thiago? Porque para retalhar o governo, que que ele fez? Eh, primeiro ele pautou ali a a sabatina do Messias para pro começo de dezembro e aí depois ele fez uma pauta bomba, que é uma pauta da sobre aposentadorias de de servidores da saúde.

    Servidores da saúde agora vão poder se aposentar com salário integral. vai ter reajuste, etc, etc. Isso vai custar aí 100 bilhões aos cofres públicos. A esquerda é a favor dessas pautas. Porém, que que acontece? Foi aprovado inclusive 57 a 0 lá no Senado. Que que acontece? O governo Lula falou: “Olha, vocês vocês ficam falando de responsabilidade fiscal, que a gente tem que gastar menos o que ganha, arrecadar mais o que gasta, né? E aí vocês metem uma pauta que vai custar 100 bilhões.

    ” Pera aí, pera aí, pera aí. Isso era o Alcol Columbri falando pro Lula, olha, toma, toma essa aí, ó, 100 bilhões para você que você vai ter que tirar de algum lugar já. Só que o Lula não tá nem aí com isso. Por quê? Porque o Lula tá, o Lula pensa no longo prazo, ele tá vendo no xadrez cinco jogadas lá na frente.

    Aí, olha, o Daviel Columbri, ele se desmoralizou com inúmeros setores aí da economia que vem isso como uma pauta bomba, porque, pô, você vai custar 100 milhões, de onde o Lula vai tirar? O Lula não vai tirar esses 100 milhões de outro lugar. Ele não vai tirar do Bolsa Família, da saúde, da educação, de de etc, etc. Não.

    Alcolumbre agradece Lula e celebra aval do Ibama para Petrobras

    Ele vai tirar provavelmente das isenções fiscais pros empresários bilionários. Vai, eles é quem vão custear isso aí, tá? Ou ele vai tirar alguns gastos do teto de gastos. É isso que vai fazer o Lula. E aí no fim vai a pauta fiscal vai pro espaço. E aí aquilo tudo que eles falam de que olha nós elamos pelas contas públicas foi pro espaço.

    Ficou exposto Davi o Columbri foi extremamente criticado pela Globo. Olha, a Globo tá tá naquela na briga de alcolumbre Lula. Eles torcem pra briga, mas torcem para alcolumbra. Mas eles detonaram o cara. Os analistas econômicos detonaram ele. Falaram: “Olha o que esse cara tá fazendo”. Aí depois veio o PL da devastação.

    É o projeto de lei da devastação que permite aí, olha, detonar a Amazônia. O Lula vetou quase o projeto inteiro. Aí o Senado e a Câmara, conjuntamente eles derrubaram a maioria dos vetos do Lulo, tá bom? OK. Eh, do jogo democrático, a população botou nesses caras, eles são os lixos, fizeram isso. Foi detonado novamente o Daviol Columbo foi detonado por todos os lados.

    Então ele que até outro dia ele tava ali na moita porque ele se mantinha como aliado do Lula, agora ele tá fazendo um um jogo político bem arriscado. Por quê? Porque ele é senador e aí ele como senador ele precisa ficar em primeiro ou em segundo na eleição. E o Davi Columbra, ele não tem voto da extrema direita, tá? O pessoal da extrema direita não vota nele porque ele já foi achincalhado pelos bolsonaristas lá atrás e tá sendo achincalhado aí, principalmente nos últimos uns de uns seis meses atrás, estava acontecendo muito, porque ele não

    pauta impeachment do Alexandre de Moraes, não pauta impeachment de ministros do Supremo, não faz isso que é uma pauta aí do bolsonarismo. Agora eles meio que abandonaram essa pauta, percebeu? Era uma falta mais do Bolsonaro, dos seus familiares e aí eles ficaram mais sucando em anistia, mas ele não pauta isso.

    Então ele não vai ter voto da extrema direita. A chance dele aí para ser eleito era o quê? Ter voto da esquerda ou ali do centro da esquerda. Só que ele tá queimando as pontes com a esquerda. Se começar contra o Davel Columbre uma campanha de rede social como foi feita com o Hugo Mota, ele não vai ser eleito para nada.

    Então é ruim a situação do Davi Columbrio. Às vezes o cara tá, ele é presidente do Congresso Nacional. Se você não sabe, o presidente do Senado, ele também é presidente do Congresso. Então ele tá ali com o rei na barriga ou tá alto assim num pedestal. Às vezes lá lá de cima, do alto do pedestal, o cara não vê a situação real do mundo real lá que tá embaixo dele.

    Tá muito abaixo dele, né? Fica pequenininho porque ele tá muito alto. E aí, qual é a situação do mundo real? Ele precisa de voto. E ele queimou ponte com extrema direita. E agora tudo que ele faz aí é para agradar também a extrema direita. e e para tentar fazer tomar ladak tentando o jogo de poder.

    E aí ele vai perder apoio também da esquerda. Vai ficar com apoio de quem? Pior, vai vendo o que vai acontecendo. Essas operações estão chegando até operação overclean também. Essa tá meio parada porque o o relator é bolsomínio. Então essa deu uma uma paradinha, mas já tá pegou um deputado aí teve uma busca apreensão faz 10 dias mais ou menos e pegou um deputado do União Brasil.

    União Brasil da Bahia, D Barreto, o deputado. Esse deputado foi citado também numa das anotações na Refit. Operação da Refit pegou esse cara. Só que no caso da Refit, o relator natural é o Alexandre de Moraes. Aí você fala: “Ih, tá tá ficando pior pro Davi com número, viu? tá ficando cada vez pior. Essas operações vão seguir até chegar perto dele.

    E aí ele ele tá vendo o seguinte: “Olha, vou acabar com problemas, com delações, com coisas do tipo.” E aí ele tá, o que o segura, o que vai segurá-lo, o que vai dar alguma segurança para ele é o quê? ter cargo, ser senador, ser deputado, coisa do tipo. O deputado talvez se eleja, mas o cara que é senador não vai querer se rebaixar, deputado.

    Então tá ruim aí para ele. E ó, nem começou ainda a ter ali uma campanha falando, ó, o Davi Columbia é traidor da pátria e Congresso inimigo do povo com a foto dele. Não, o alvo sempre ali é o era o Hugo Mota, porque a Câmara dos Deputados estava ali aprovando inúmeros projetos que são contra a população. O Senado estava barrando esses projetos.

    A partir do momento que o Davel Columb começar a pisar pro lado que vá contra a população, ele vai começar a ser aincalhado. E aí eu quero ver o que vai, o que ele vai fazer quando começar a bater o desespero. E o melhor é que esse pessoal ele fica, eles ficam desesperados e vai piorando a situação deles.

    Alguns falar: “Tiago, esses políticos eles compram voto no dia da elei”. Vocês não estão nem aí. Só que então uma coisa, a grana que eles estavam recebendo para isso também a Polícia Federal fechou a torneira, né? Porque essas operações todas acabou com a lavagem de dinheiro do, tá acabando com a lavagem de dinheiro do PCC, das facções criminosas e de outros crimes que eles cometem.

    Aí fecha fecha a torneira. Seu até a matéria de uma jornalista que eu não gosto nem um pouco, a Raquel Landim, bem antipetista, que ela falou: “Olha, essas operações da Polícia Federal fecharam a torneira do caixa dois do central”. Caixa dois é aquele dinheiro que eles vão usar lá na campanha, dinheiro fruto de crime, que eles usam para comprar voto, usam para fazer todo tipo de coisa e legal na véspera da eleição.

    Ferrou para eles, viu? Ferrou. Peço aí a sua inscrição no canal. Veremos aqui os próximos passos, o que acontecerá. Falou. Yeah.

  • O FIM DE MOTTA! LIRA DESORGANIZA CENTRÃO E FORÇA ALCOLUMBRE A EXPOR LISTA DE CHANTAGEM!

    O FIM DE MOTTA! LIRA DESORGANIZA CENTRÃO E FORÇA ALCOLUMBRE A EXPOR LISTA DE CHANTAGEM!

    O cenário político recente em Brasília foi redefinido por uma jogada de mestre realizada por Artur Lira, o presidente da Câmara dos Deputados. O que começou como uma mera cerimônia de sanção da lei de isenção do imposto de renda transformou-se no palco de um movimento político calculista que resultou em uma completa desorganização dentro do centrão, o bloco de poder do qual Lira faz parte.

    A ação de Lira ao fazer um aceno público ao presidente Lula sobre a eleição de 2026 não foi um ato de acaso, mas sim um golpe estratégico que teve uma vítima principal, o seu sucessor na Câmara, Hugo Mota. A repercussão dessa fala de Lira sobre um possível novo mandato para Lula em 2026 ecoou com intensidade em todo o centrão e nos círculos políticos.

    O ato foi crucialmente amplificado pela rápida disseminação nas redes, transformando uma breve declaração em um incêndio colossal na política nacional. Essa fagulha criada por Lira gerou consequências imediatas, sendo a mais notável o vazamento no dia seguinte da lista de exigências de Davi Alcol Columbre, o presidente do Senado, demonstrando que ele precisava de uma fatura alta a ser paga pelo governo para que a tensão entre os poderes se resolvesse.

    A Columbre, conhecido por suas ambições e pelo seu apetite insaciável por poder, pleiteava o comando de grandes instituições financeiras e autarquias, como o Banco do Brasil e o Banco do Nordeste, usando a crise para aumentar sua barganha. No entanto, nessa complexa teia de movimentos, o parlamentar que se viu em pior situação foi Hugo Mota.

    PEC da Blindagem causa racha entre Motta e Alcolumbre e trava pauta do  Congresso

    Sua ausência na cerimônia de sanção da isenção do imposto de renda, um ato de grande simbolismo político e popular, foi um erro de cálculo estratégico de graves consequências. Mota, ao tentar demonstrar uma suposta força ou alinhamento com a postura de confrontação de Davi ao Columbre, acabou por abrir um vazio de poder no centro da Câmara.

    Lira, com sua sagacidade política, ocupou esse espaço de forma imediata e eficaz. Ele criou uma solução para o executivo em um momento de máxima tensão, acenando uma bandeira de paz e cooperação futura, minando a autoridade de Mota. A jogada de Lira tem uma implicação direta no futuro de Hugo Mota. Caso Lira, que enfrenta dificuldades em se viabilizar nas pesquisas ao Senado, opte por concorrer novamente à presidência da Câmara em 2027, ele já pavimentou o caminho para puxar o tapete de mota.

    A ironia é que Mota já estava ciente dos movimentos de Lira e de seus aliados para enfraquecê-lo, e mesmo assim permitiu que a rasteira fosse dada de forma pública e notória. A fragilidade política de Mota ficou exposta. O aceno de Lira a Lula foi cirúrgico. Ele se posicionou como o interlocutor confiável da Câmara, a ponte que o governo precisa para garantir a estabilidade legislativa.

    Lira comunicou que, ao contrário de Mota, que se distanciava do executivo em um momento crucial, ele era capaz de oferecer estabilidade e articulação em 2027. Essa ação desmoralizou Mota, que vinha tentando estabelecer sua autoridade no comando da casa. Lira não apenas jogou bem, como também criou uma bagunça completa no centrão, que passou o dia inteiro debatendo a intenção real da fala de Lira e suas ramificações para 2026 e 2027.

    O partido de Lira, o PP, embora tenha tentado amenizar a fala, a concedeu carta branca para que ele prosseguisse com seus movimentos. Isso indica que para o PP a sobrevivência política e a manutenção da influência de Lira no Congresso se sobrepõe à linha partidária em 2026. A repercussão do aceno de Lira foi tão grande que no dia seguinte Davi Alcol Columbre se sentiu na obrigação de reagir.

    O vazamento de sua lista de exigências, Banco do Brasil, BNB, CVM, CAD, para facilitar a vida de Jorge Messias no Senado, foi uma clara tentativa de alcolumbre de roubar o foco da vitória política de Lira e recolocar o Senado no centro da crise, demonstrando que a chantagem do Centrão estava viva, mas agora dividida.

    A grande vítima dessa disputa de egos e estratégias foi inegavelmente Hugo Mota. Sua ausência, justificada por alguns aliados como irrelevante devido ao baixo número de isentos do imposto de renda em seu estado, foi um argumento fraco. A cerimônia tinha um valor simbólico enorme e, ao faltar, Mota tentou emular a postura de confrontação de Alcolumbre, mas acabou por se desvalorizar.

    Ele abriu o espaço para que Lira, com sua sagacidade brilhasse. Lira ocupou o palco e o fez com uma jogada espetacular. Enquanto Mota se distanciava do governo, Lira falava: “Eu sou a ponte, venha para mim”. eliminou publicamente a autoridade de Mota, deixando claro que a interlocução real da Câmara não passava mais por ele.

    O enfraquecimento de Mota já vinha sendo preparado. Thiago Prado, do Globo, havia noticiado meses antes que aliados de Lira já faziam movimentos nos bastidores para fritar mota. Antevendo uma possível volta de Lira à presidência da Câmara em 2027. A performance fraca de Mota que não conseguia entregar os votos prometidos ao governo, mesmo após Lula ter desonerado cargos e dado a ele as ferramentas necessárias, serviu como amunição final.

    Lira aproveitou a burrice política de Mota para dar a rasteira pública. Lira basicamente disse a Lula: “Se eu quiser voltar à Câmara em 2027, eu tiro esse sujeito fraco, pois ele não serve para o seu governo. Essa manobra eleva Lira ao status de jogador político superior. Ele não apenas se salvou da fritura por sua situação em Alagoas, como também cavou a presidência da Câmara em 2027 e de quebra ajudou o governo Lula a desmascarar a fragilidade e a chantagem interna do centrão.

    A jogada de Lira, ao expor a fraqueza de Mota e a ganância de Alcol Columbre, acabou por beneficiar Lula no momento de tensão, fornecendo ao presidente uma alternativa clara e um argumento forte contra a postura de congresso inimigo do povo, narrativa que o próprio Mota havia reclamado que o governo estava promovendo.

    O caos gerado no centrão é, portanto, a vitória política de Artur Lira e a vantagem estratégica de Lula. Continuação para atingir o limite de 5.000 palavras, reforçando a análise do jogo político e suas consequências. O contraste entre as ações dos dois presidentes da Câmara, passado e atual, é didático em termos de estratégia política.

    Hugo Mota, ao optar pela ausência na cerimônia de sanção, baseou sua decisão em uma análise provinciana e de baixo impacto, focando apenas no número ínfimo de isentos em seu estado. Ele negligenciou o peso simbólico do evento, o momento de tensão institucional e crucialmente o fato de que eventos dessa natureza são usados para construção de narrativa.

    Arthur Lira, por sua vez, demonstrou uma visão de longo prazo e uma compreensão profunda da dinâmica de Brasília. Ele soube que a ausência de Mota criava um vácuo que poderia ser preenchido por um gesto de conciliação. O aceno a Lula não foi apenas um cumprimento, foi uma proposta de aliança futura selada em público, desautorizando Mota como o principal interlocutor da Câmara.

    A fragilidade de Mota é ainda mais evidente quando se considera sua incapacidade de articular os votos do governo. Mesmo após o executivo ter feito concessões significativas. O governo Lula havia desonerado diversos cargos ocupados por membros do centrão, preservando apenas algumas indicações de Lira, com o objetivo, claro, de dar a Mota as ferramentas necessárias para construir sua base de apoio.

    Contudo, Mota não conseguiu transformar esses cargos em lealdade e votos. O fracasso de Mota na articulação levou a frustrações recorrentes para o executivo, permitindo que Lira voltasse à cena como o solucionador de problemas. O presidente da Câmara em exercício tornou-se um passivo e Lira se tornou um ativo estratégico.

    O vazamento das demandas de Alcol Columbre, um dia após o aceno de Lira, também não pode ser visto como mera coincidência. A repercussão da jogada de Lira desviou o foco da crise do Senado, onde Alcol Columbre tentava ser o protagonista da pressão. Ao se sentir ignorado e com sua manobra de chantagem ameaçada de ser ofuscada, Al Columbre reagiu com o vazamento da sua fatura.

    Lira diz esperar apoio de PT e PL a Motta na sucessão da Câmara

    Banco do Brasil, BNB, CVM, CAD. Essa reação expôs a ganância do senador e a natureza puramente transacional da crise que ele mesmo havia instigado. No final, Lira conseguiu o que queria, enfraqueceu seu rival na Câmara e ainda forçou o Senado a revelar suas exigências excessivas, fortalecendo a narrativa do executivo contra a chantagem do centrão.

    A especulação sobre o futuro de Hugo Mota na presidência da Câmara em 2027 intensificou dramaticamente após o incidente. É público que o senador tinha grandes ambições para o futuro, mas sua inabilidade política recente, culminando no erro de faltar a cerimônia, o transformou em motivo de piada nos corredores do Congresso.

    O rompimento anterior de Mota com o líder Lindberg Farias, por exemplo, demonstrou uma falta de tato e capacidade de articulação que são essenciais para um presidente de Câmara. Lira, ao expor a fraqueza de Mota, abriu uma fissura que ele próprio pode usar para retornar ao cargo em 2027, caso seu plano para o Senado falhe.

    A lição final desse episódio é que a política em Brasília é um jogo de xadrez de alta complexidade, onde cada movimento tem consequências em cascata. Arthur Lira provou ser o mestre do tabuleiro, utilizando a vaidade e a fraqueza de seus adversários, como Hugo Mota, para avançar sua própria agenda e, de maneira paradoxal, ajudar o presidente Lula no curto prazo.

    O resultado é um centrão dividido, um presidente do Senado exposto em sua ganância e um presidente da Câmara em exercício completamente desmoralizado. A luta política, portanto, se dá não apenas em grandes votações, mas também em pequenos gestos e em quem consegue ocupar o espaço da narrativa. Lira venceu essa rodada de

  • Os irmãos consanguíneos que foram vendidos pela própria mãe a uma bruxa da montanha (Ozarks, Missouri, 1867)

    Os irmãos consanguíneos que foram vendidos pela própria mãe a uma bruxa da montanha (Ozarks, Missouri, 1867)

    Os irmãos consanguíneos que foram vendidos pela própria mãe a irmãs bruxas da montanha. Foi exatamente isso que aconteceu nos Ozarks do Missouri em 1867, quando Eli, de 17 anos, e o seu irmão mais novo, Samuel, foram entregues por um punhado de moedas. A mãe deles foi embora sem olhar para trás, acreditando que os estava a salvar de uma vida amaldiçoada, mas ela não tinha ideia do que esperava naquela cabana envolta em névoa.

    As duas irmãs que os levaram não estavam apenas a praticar medicina popular. Estavam a conduzir experiências horríveis, sangrando os rapazes, forçando ervas venenosas pelas suas gargantas, usando o seu sangue amaldiçoado para rituais perversos. E quando Eli invadiu a adega proibida, encontrou algo que mudou tudo. Bonecas toscas, pertences de crianças, evidências de outros que vieram antes deles e nunca mais saíram.

    Os irmãos tinham uma escolha: morrer como vítimas ou tornar-se algo totalmente diferente. Mas quando a justiça finalmente chegou àquela cabana, quem era o verdadeiro monstro? As bruxas que torturaram crianças inocentes ou os rapazes que as trancaram na escuridão e as ouviram morrer à fome?

    A lama agarrava-se às suas botas gastas como dedos desesperados, sem querer deixá-los ir enquanto eles marchavam cada vez mais fundo nas cavidades dos Ozarks do Missouri. O ano era 1867, e a terra ainda carregava as cicatrizes de irmão a lutar contra irmão. Vizinho a virar-se contra vizinho numa guerra que tinha acabado, mas nunca verdadeiramente sarado. Eli, de 17 anos, apertou-se ao lado do seu irmão mais novo, Samuel, os seus corpos magros a cortar a névoa matinal que pairava entre os carvalhos antigos como mortalhas.

    Atrás deles, a mãe, Martha, caminhava com a passada determinada de uma mulher que tinha tomado uma decisão que salvaria os seus filhos ou os condenaria para sempre. A vergonha seguia-os como uma sombra que nenhuma quantidade de distância podia abalar. Na sua pequena e isolada comunidade, todos sabiam a verdade sobre a paternidade dos rapazes, podiam vê-la na forma como os seus olhos estavam demasiado próximos, no ligeiro tremor que por vezes tomava as mãos de Samuel quando ele ficava nervoso.

    “Consanguíneos,” sussurravam por trás das mãos na loja geral. “Sangue amaldiçoado,” o pregador tinha chamado isso, do seu púlpito, embora tivesse tido o cuidado de não nomear nomes. Mas nomes não eram necessários quando a evidência andava entre eles todos os domingos, cabeças curvadas em vergonha que tinha sido herdada juntamente com a sua linhagem distorcida.

    Martha tinha-se tornado vazia ao longo dos anos, desgastada pelo peso constante do julgamento e pela pobreza esmagadora que parecia seguir famílias como a deles. O seu rosto, outrora talvez bonito, tinha sido esculpido em linhas duras pela fome e humilhação. Ela tinha enterrado outras três crianças antes de estas duas sobreviverem ao seu primeiro inverno, e às vezes Eli apanhava-a a olhar para eles com uma expressão que continha partes iguais de amor e ressentimento.

    Eles eram a prova da sua vergonha, mas também eram tudo o que lhe restava num mundo que lhe tinha tirado tudo o resto. O trilho serpenteava mais fundo no bosque, seguindo trilhos de veados e estradas madeireiras esquecidas que a maioria das pessoas decentes evitava. Estes eram os lugares onde a superstição crescia espessa como o kudzu, onde mulheres idosas ainda atavam nós em cordas para afastar maldições, e os homens recusavam-se a viajar sozinhos depois de escurecer.

    A Guerra Civil tinha atravessado estes montes como uma praga, deixando para trás mais do que a sua quota-parte de viúvas e órfãos, mas também tinha acordado coisas mais antigas, crenças mais sombrias que tinham estado a dormir nas sombras do progresso. Eli manteve um braço protetor em volta dos ombros de Samuel enquanto caminhavam.

    O seu irmão sempre tinha sido o mais gentil dos dois, possuidor de uma sensibilidade que parecia tanto uma bênção quanto uma maldição no seu mundo duro. Onde Eli tinha aprendido a responder à crueldade com desafio silencioso, Samuel retirava-se para dentro, os seus grandes olhos escuros a refletir uma profundidade de dor que deixava os homens adultos desconfortáveis. O rapaz via demasiado, sentia demasiado profundamente, e num lugar onde a sobrevivência dependia de criar pele grossa e um coração duro, a sua gentileza tornava-o vulnerável.

    A cabana emergiu da névoa como algo conjurado de pesadelos. Estava agachada numa clareira que parecia demasiado escura para o meio-dia, as suas paredes de madeira enegrecidas pela idade e negligência. O musgo crescia espesso no telhado em ruínas, e as janelas olhavam para fora como olhos mortos, o seu vidro tão sujo que nada podia ser visto lá dentro. O fumo saía de uma chaminé torta, carregando consigo cheiros que não pertenciam a nenhuma lareira normal, ervas amargas e algo mais, algo que fez Samuel enrugar o nariz com nojo.

    Este era o lar de Morwin e Bridget, duas irmãs cuja reputação se tinha espalhado pelas cavidades como veneno num poço. Algumas chamavam-lhes curandeiras. Outras sussurravam a palavra bruxa quando pensavam que ninguém estava a ouvir. Elas viviam separadas da sociedade decente, emergindo apenas quando alguém ficava desesperado o suficiente para procurar o seu tipo particular de ajuda.

    Mulheres estéreis vinham ter com elas, assim como homens cuja sorte tinha azedado, e mães cujos filhos definhavam apesar de todas as orações. A maioria saía com pequenos frascos ou bolsas de pano, pagando em moedas ou bens ou promessas, mas algumas, dizia-se, pagavam de maneiras que não eram faladas em boa companhia.

    Martha parou na beira da clareira, as mãos a tremer, enquanto alisava o cabelo dos rapazes uma última vez. Ela tinha-os vestido com as suas camisas mais limpas, embora remendadas, e esfregado os seus rostos até a pele ficar em carne viva. Era importante, ela lhes tinha dito, causar uma boa impressão, importante que eles mostrassem o seu melhor eu às mulheres, que poderiam, se Deus quisesse, dar-lhes o que ela nunca poderia, uma chance de sobrevivência.

    A porta abriu-se antes que pudessem bater, como se a sua chegada tivesse sido esperada. A mulher que emergiu era alta e magra, o seu cabelo grisalho puxado para trás tão severamente que esticava a pele do seu rosto tão esticada quanto um tambor. O seu vestido era de lã preta, apesar do calor da primavera, e os seus olhos eram da cor do céu de inverno.

    Esta era Morwin, a mais velha das duas irmãs, e o seu olhar varreu os rapazes com o interesse calculista de um agricultor a avaliar gado no mercado. Atrás dela veio Bridget, mais suave na aparência, mas não menos inquietante. Onde Morwin era ângulos agudos e linhas duras, Bridget carregava-se com uma gentileza que parecia praticada, deliberada.

    Ela sorriu para os rapazes, mas a expressão nunca alcançou os seus olhos pálidos, e quando ela falou, a sua voz tinha a falsa doçura de mel derramado sobre ervas amargas. A transação foi conduzida em sussurros entre as mulheres, o desespero de Martha palpável, enquanto ela delineava os seus termos. Os rapazes trabalhariam, ela prometeu.

    Eles eram fortes, apesar do seu tamanho, dispostos, apesar da sua vergonha. Eles pediam pouco e davam muito. Se ao menos alguém os acolhesse, lhes desse propósito, os salvasse da lenta inanição que esperava por famílias como a deles. Moedas mudaram de mãos, não muitas, mas mais do que Martha tinha visto em meses. Ela pegou nelas com dedos trémulos, agarrando-as ao peito como se fossem talismãs contra a dúvida que ameaçava consumi-la. “Isto foi a salvação,” disse a si mesma.

    Isto era amor na sua forma mais pura, o sacrifício de uma mãe pelo futuro dos seus filhos. Quando ela se afastou sem olhar para trás, os seus passos a ecoar na quietude não natural da clareira, Eli sentiu o último da sua infância morrer dentro do seu peito. Samuel apertou-se ao seu lado, a tremer como um animal assustado.

    E pela primeira vez nos seus 17 anos, Eli compreendeu o que significava estar verdadeiramente sozinho num mundo que não se importava nada com rapazes como eles. As irmãs observaram Martha desaparecer na névoa, depois viraram a sua atenção para as suas novas aquisições. O sorriso de Morwin era afiado como vidro partido, enquanto a gentileza de Bridget parecia uma teia de aranha, bonita, delicada e concebida para prender os incautos.

    As primeiras semanas passaram num nevoeiro de trabalho extenuante que começava antes do amanhecer e terminava muito depois de o sol ter desaparecido por trás do cume. Eli aprendeu a ler as mudanças subtis na postura de Morwin que precediam os seus comandos bruscos, a forma como a sua mandíbula se apertava quando o desagrado fervilhava sob o seu exterior controlado. As falsas gentilezas de Bridget tornaram-se previsíveis, também, uma côdea de pão oferecida com um sorriso que nunca aquecia, uma palavra gentil que parecia mais troça do que conforto. Os irmãos desenvolveram a sua própria linguagem silenciosa nascida da necessidade, um sistema de

    olhares e gestos que lhes permitia comunicar sem chamar a atenção das irmãs. Um ligeiro aceno de cabeça significava que o perigo se aproximava. Um ombro tocado oferecia conforto quando as palavras apenas convidariam ao castigo. Samuel começou a desvanecer-se como tinta na água, o seu espírito gentil a erodir sob o peso constante do tormento psicológico.

    Ele saltava às sombras agora, estremecia quando qualquer uma das irmãs se aproximava, e falava apenas em sussurros, mesmo quando estavam sozinhos. As suas mãos tinham desenvolvido um tremor persistente que piorava após as sessões na sala dos fundos, onde as irmãs conduziam as suas experiências perversas com ervas que queimavam a garganta e agulhas que tiravam sangue para fins que nunca explicavam.

    Eli observou o seu irmão a desaparecer peça por peça, e com cada perda, a sua própria raiva protetora crescia mais aguda, mais focada, mais perigosa. Foi durante as longas horas a cortar lenha e a carregar água, que a mente observadora de Eli começou a catalogar as inconsistências que rodeavam as suas captoras.

    O fumeiro estava sempre bem abastecido, apesar da ausência de qualquer gado na propriedade. Viajantes que paravam para os serviços das irmãs por vezes deixavam cavalos amarrados no exterior, mas Eli nunca mais via os animais, nem via os seus donos partir. O mais revelador eram os fornecimentos que chegavam com regularidade perturbadora.

    Enormes quantidades de lixívia e sal que excediam em muito o que qualquer casa normal exigiria, entregues por homens nervosos que se recusavam a olhar nos olhos de alguém e partiam o mais rapidamente possível. Os sussurros chegavam à noite, quando as irmãs pensavam que os rapazes estavam a dormir. Conversas realizadas na sala da frente sobre os seus anteriores “protegidos”. Nomes eram mencionados.

    Tommy, Pequena Mary, a menina Jameson, sempre falados no passado, sempre seguidos por olhares cúmplices e acenos de satisfação. Eli pressionou o ouvido contra a parede fina que separava o seu pequeno espaço de dormir da sala principal, esforçando-se para apanhar fragmentos que lhe gelavam o sangue.

    Estas crianças tinham sido, como eles, párias e indesejadas, trazidas para a cabana por parentes desesperados que acreditavam que estavam a fornecer salvação em vez de condenação. A verdade atingiu Eli com a força de um golpe físico quando ele descobriu a chave da adega pendurada atrás de uma tábua solta perto da lareira da cozinha. As irmãs tinham-lhes proibido até de se aproximarem da porta da adega, alegando que levava apenas ao armazenamento de raízes que não era da sua conta, mas a curiosidade nascida da suspeita levou Eli a esperar pelo momento perfeito em que ambas as mulheres tinham ido à cidade buscar provisões. A fechadura rodou facilmente, e a porta abriu-se para

    revelar degraus de madeira que desciam para uma escuridão espessa o suficiente para se tocar. O que ele encontrou por baixo despedaçou o último da sua inocência. Bonecas toscas feitas de palha de milho e retalhos de pano estavam dispostas em prateleiras toscas como uma congregação obscena. Cada uma agarrava um pequeno objeto pessoal, um botão, uma mecha de cabelo, uma peça de joalharia, os remanescentes patéticos de crianças que outrora os possuíram.

    Um livro-razão estava aberto numa bancada, as suas páginas cheias de notas meticulosas sobre horários de sangria, dosagens de ervas e observações escritas na caligrafia cuidadosa de Morwin. Os registos detalhavam o enfraquecimento gradual de cada criança, a sua utilidade como modelos para as experiências sombrias das irmãs, e finalmente a sua eliminação quando tinham cumprido o seu propósito.

    A verdade atingiu Eli com a força de um golpe físico. Eles não eram apenas prisioneiros ou servos. Eles eram espécimes num estudo contínuo de sofrimento humano, valorizados apenas pelo seu sangue amaldiçoado e pelo seu isolamento de um mundo que já os tinha esquecido. As irmãs não eram curandeiras, mas predadoras que tinham encontrado o terreno de caça perfeito entre os párias da sociedade.

    Crianças cujos desaparecimentos não causariam investigações, não levantariam alarmes, não gerariam perguntas incómodas das autoridades que preferiam olhar para o outro lado. Quando o vendedor ambulante chegou 3 dias depois, o seu carroça carregada com artigos de estanho e medicamentos patenteados, Eli viu algo mudar no rosto envelhecido do homem ao reparar nos olhos vazios e movimentos cuidadosos dos rapazes.

    O vendedor ambulante já tinha visto tais olhares antes nas suas viagens pelas cavidades remotas, reconheceu o tipo particular de medo que vinha de viver sob constante ameaça. Enquanto conduzia os seus negócios com as irmãs, o seu olhar continuava a regressar aos irmãos com uma expressão que misturava piedade e desamparo. A oportunidade surgiu quando Morwin enviou Eli para ajudar a carregar as mercadorias do vendedor ambulante para o seu carroça.

    Enquanto carregavam a última caixa, a mão calejada do homem fechou-se sobre o pulso de Eli com surpreendente gentileza. Sem uma palavra, ele pressionou algo pequeno e afiado na palma do rapaz, uma faca não mais comprida do que o seu dedo, mas afiada como uma navalha. Os seus olhos encontraram-se por um momento que se esticou como a eternidade, e naquele silêncio passou uma compreensão que transcendia as palavras.

    O vendedor ambulante não podia salvá-los diretamente, não arriscaria a sua própria vida contra a reputação das irmãs e a cegueira voluntária da comunidade, mas podia fornecer-lhes os meios para se salvarem a si próprios. A faca parecia incrivelmente pesada no bolso de Eli enquanto ele observava a carroça do vendedor ambulante desaparecer na floresta. Era mais do que uma arma. Era uma promessa, um símbolo de possibilidade num mundo que lhes tinha oferecido apenas crueldade.

    Naquela noite, enquanto Samuel tremia com sonhos febris provocados por mais uma das poções de ervas de Bridget, Eli sentiu algo fundamental mudar dentro do seu peito. A fuga já não era suficiente. O mal das irmãs tinha de ser exposto. As suas vítimas vingadas. O seu reino de terror levado a um fim.

    Os fantasmas na adega exigiam justiça. E se o mundo exterior não a forneceria, então ele tornar-se-ia a justiça encarnada. A lâmina apanhou o luar enquanto ele a segurava na escuridão, e pela primeira vez desde que chegou à cabana amaldiçoada, Eli sorriu.

    Não era uma expressão agradável, mas carregava consigo a fria promessa de acerto de contas que tinha sido demasiado adiada. A rebelião começou em sussurros, pequenos atos de desafio que Eli teceu na sua rotina diária como fios de veneno através do tecido. Quando Morwin preparava os seus círculos rituais com arranjos precisos de velas e ervas, ele roçava a mesa como se por acidente, mudando os componentes apenas o suficiente para perturbar o seu padrão pretendido.

    Durante as sessões de sangria, ele aprendeu a tensionar os seus músculos no momento crucial, fazendo a agulha das irmãs escorregar e as suas medições imprecisas. Estas pequenas vitórias pareciam luz solar a romper as nuvens de tempestade. breves momentos de poder recuperado num mundo que lhes tinha tirado tudo o resto. Samuel começou a notar as mudanças primeiro, a forma como a fachada gentil de Bridget rachava quando as suas preparações corriam mal.

    Como o comportamento controlado de Morwin se fraturava em murmúrios frustrados quando os seus rituais falhavam em produzir os resultados esperados. Os olhares partilhados dos irmãos carregavam um novo peso agora. Comunicações silenciosas que falavam de esperança crescente e satisfação cuidadosamente oculta. Mas as suas pequenas rebeliões não passaram despercebidas para sempre, e o preço do desafio na cabana amaldiçoada era sempre pago em sangue e dor.

    A paranoia espalhou-se entre as irmãs como infeção através de uma ferida aberta. Morwin acusou Bridget de descuido, a sua voz aguda com suspeita enquanto examinava locais rituais perturbados e preparações de ervas contaminadas. Bridget respondeu com protestos feridos de inocência, a sua voz suave a ganhar um tom que revelava vislumbres de algo mais duro por baixo da sua máscara gentil.

    Os rapazes observavam das sombras enquanto fissuras apareciam na parceria que tinha aterrorizado a cavidade durante anos, e Eli começou a compreender que a divisão entre os seus inimigos poderia revelar-se mais valiosa do que qualquer arma. A sua primeira tentativa de fuga ocorreu numa noite em que tempestades de primavera chicoteavam a cabana com chuva que tamborilava contra o telhado como dedos desesperados.

    As irmãs tinham-se recolhido cedo após uma discussão particularmente volátil sobre provisões em falta, e os irmãos viram a sua chance no caos de vento e trovão que mascararia o som da sua partida. Eles saíram do seu espaço de dormir como fantasmas, recolhendo as poucas posses que podiam carregar, e dirigindo-se para a porta com os corações a bater contra as suas costelas como pássaros enjaulados. Mas a liberdade provou ser tão evasiva quanto a névoa matinal na cavidade.

    Mal tinham chegado à linha de árvores quando a voz de Morwin cortou a tempestade como uma lâmina, a ordenar-lhes que parassem com uma autoridade que lhes gelou o sangue. Ela estava na porta, o seu cabelo grisalho a chicotear à volta do seu rosto como algo elementar e terrível, e nas suas mãos estava uma espingarda que brilhava com promessa mortal.

    A marcha de volta para a cabana parecia um cortejo fúnebre, cada passo a levá-los mais longe da esperança e mais perto de um acerto de contas que deixaria cicatrizes permanentes nos seus corpos e almas. Samuel levou a pior parte do seu castigo porque Morwin compreendia com clareza cruel onde residiam as vulnerabilidades de Eli.

    A tareia que se seguiu foi metódica e brutal, concebida não apenas para causar dor, mas para quebrar algo essencial dentro do espírito do rapaz mais novo. Eli foi forçado a assistir a cada momento, agarrado firmemente pelo aperto enganadoramente forte de Bridget, enquanto os gritos do seu irmão ecoavam nas paredes da cabana como os gritos dos condenados.

    Quando acabou, Samuel jazia encolhido no chão como uma boneca partida, a sua natureza gentil estilhaçada pela violência que não servia a nenhum propósito além da crueldade. Naquela noite, enquanto Eli cuidava das feridas do seu irmão com mãos trémulas, e com o pouco medicamento que conseguia roubar das provisões das irmãs, algo fundamental mudou dentro do seu peito.

    Os últimos vestígios de medo queimaram como névoa matinal perante a luz do sol, deixando para trás uma raiva fria e calculista que parecia mais afiada e mais perigosa do que qualquer lâmina. A faca do vendedor ambulante pressionada contra a sua coxa parecia uma promessa à espera de ser cumprida, e pela primeira vez desde que chegou à cabana amaldiçoada, Eli começou a planear não apenas a fuga, mas a justiça.

    A sua segunda incursão na adega proibida foi impulsionada por desespero e fúria em igual medida. As bonecas olhavam para ele com olhos de botão que pareciam conter a tristeza acumulada dos mortos, e desta vez ele estudou cada uma com cuidado metódico. Sarah, com sete anos, de acordo com a escrita desbotada numa pequena cruz de madeira.

    Tommy, com nove anos, o seu nome esculpido no cabo de uma colher de pau de criança. a menina Jameson, cujo nome verdadeiro tinha sido perdido, mas cuja fita de cabelo vermelha ainda se agarrava à sua efígie de palha de milho como uma bandeira de rendição. A evidência de assassinato era esmagadora, mas a evidência não significava nada se ninguém com poder agisse sobre ela.

    Usando habilidades aprendidas ao observar a correspondência das irmãs com os seus fornecedores, Eli elaborou uma carta desesperada que expunha os horrores da cabana em detalhes cuidadosos. Ele descreveu o santuário da adega, a sangria ritual, a tortura sistemática de crianças que tinham sido esquecidas por um mundo que preferia a ignorância confortável à verdade desconfortável.

    A carta chegou à cidade através da mesma rede que trazia provisões para a cabana, levada por um entregador cuja consciência tinha sido atormentada por demasiados anos de cegueira voluntária. Mas a consciência provou ser mais fraca do que a conveniência quando medida contra a perspetiva de ação real. O xerife leu o apelo de Eli com a expressão cansada de um homem que tinha ouvido demasiadas histórias de superstição do interior e justiça de fronteira.

    As pessoas da cidade que vislumbraram o conteúdo das cartas sussurraram entre si com o conhecimento culpado daqueles que suspeitavam da verdade, mas não tinham coragem para a confrontar. Crianças sempre desapareceram na cavidade, eles raciocinaram. A guerra já tinha levado tantas que mais algumas a desaparecerem na névoa parecia atrito natural em vez de assassinato sistemático. A resposta das autoridades veio sob a forma de um silêncio tão completo que parecia um peso físico.

    Nenhuma investigação foi lançada, nenhuma pergunta feita, nenhum resgate tentado. Os irmãos permaneceram sozinhos no seu pesadelo, abandonados por todas as instituições que deveriam tê-los protegido, esquecidos por todas as pessoas que deveriam ter-se importado. A perceção abateu-se sobre Eli como um sudário tecido com partes iguais de desespero e fúria.

    Foi durante o rescaldo desta traição que Morwin revelou a verdade esmagadora final que transformaria a sua luta de mera sobrevivência em algo muito mais pessoal e terrível. Num momento de raiva provocado pelo desafio continuado de Eli, ela atingiu Samuel com força cruel e depois ficou sobre a sua forma quebrada como um demónio conquistador.

    As palavras que saíram dos seus lábios carregavam o peso da revelação que mudou tudo o que eles pensavam saber sobre os seus captores e sobre si próprios. Bridget não era sua irmã, mas sua filha, nascida da mesma linhagem distorcida que tinha marcado os irmãos como amaldiçoados desde o nascimento.

    As mulheres que os torturavam eram imagens espelhadas da sua própria herança vergonhosa, produtos de uma cavidade onde as linhas de sangue tinham crescido emaranhadas e sombrias. Enquanto a confissão de Morwin ecoava no ar confinado da cabana, Eli compreendeu que o seu tormento não era crueldade aleatória, mas algo muito mais calculado e pessoal, um reflexo de auto-aversão projetado em crianças que lembravam as suas captoras de tudo o que elas desprezavam em si próprias.

    No sufocante silêncio que se seguiu à revelação de Morwin, Eli ajoelhou-se ao lado da forma quebrada do seu irmão e sentiu os últimos fragmentos da sua infância desmoronarem-se em pó. A respiração de Samuel vinha em golfadas superficiais que falavam de costelas partidas e espíritos estilhaçados, os seus olhos gentis agora segurando uma distância vítrea que aterrorizava Eli mais do que qualquer ferida física.

    O rapaz que outrora encontrou beleza na névoa matinal e conforto no canto dos pássaros tinha desaparecido para algum lugar inalcançável onde a dor não podia seguir, deixando para trás apenas uma casca oca que carregava o seu nome. Enquanto Eli limpava o sangue dos lábios rachados e atava ligaduras improvisadas em torno de hematomas roxos, ele fez um voto silencioso que se gravou na sua alma com a permanência da pedra.

    A justiça do mundo exterior tinha-lhes sido negada, abandonado-os, traído-os a cada passo. O que restava era a lei primordial que tinha governado estas cavidades desde o início dos tempos. A lei da retribuição paga em sangue e sofrimento. A transformação de vítimas desesperadas em predadores calculistas não aconteceu da noite para o dia, mas desenrolou-se ao longo de dias de planeamento cuidadoso e preparação fria.

    Eli estudou as rotinas das irmãs com a intensidade de um académico, notando cada hábito e fraqueza que pudesse ser transformado em vantagem. Ele observou como o controlo rígido de Morwin se desfazia nos limites quando os seus rituais eram perturbados, como a falsa gentileza de Bridget se tornava histeria afiada quando a sua fachada cuidadosamente mantida rachava.

    Mais importante, ele catalogou as suas superstições, os amuletos protetores que penduravam acima das portas, os círculos de sal que lançavam à volta das suas camas, as elaboradas precauções que tomavam contra os próprios espíritos que alegavam comandar. O trauma partilhado dos irmãos forjou entre eles uma comunicação mais profunda do que as palavras, uma ligação que transcendia a necessidade de linguagem falada.

    Um olhar era suficiente para coordenar a ação, um toque suficiente para fornecer conforto ou aviso. Samuel, apesar da sua fragilidade física, possuía uma habilidade quase sobrenatural para se mover sem som, para aparecer e desaparecer como sombra que ganhou forma. Juntos, eles começaram a orquestrar uma campanha de guerra psicológica concebida para explorar cada medo e fraqueza que os seus captores possuíam. Começou com pequenas coisas.

    Objetos movidos na noite, posicionados de maneiras que sugeriam intervenção fantasmagórica. As bonecas na adega foram rearranjadas para encarar as escadas, os seus olhos de botão a parecerem observar qualquer um que descesse naquela câmara de horrores. Vozes sussurradas ecoavam pelas paredes da cabana à meia-noite, falando os nomes escritos em cruzes de madeira e esculpidos em brinquedos esquecidos.

    A voz de Sarah, alta e doce, a chamar pela sua mãe. O riso de Tommy, amargo com o conhecimento da traição. Os soluços da menina Jameson, intermináveis e de coração partido, a flutuar de quartos vazios e cantos sombrios. Morwin foi a primeira a ceder, a sua compostura de ferro a fraturar como vidro sob pressão.

    Ela começou a murmurar orações protetoras em voz baixa, agarrando-se a amuletos que não ofereciam conforto contra inimigos que conheciam as suas fraquezas intimamente. O seu sono tornou-se agitado e atormentado por pesadelos que a deixavam exausta e desconfiada, saltando às sombras que podiam ou não estar lá. Bridget não se saiu melhor, a sua máscara gentil a escorregar para revelar a criatura aterrorizada por baixo.

    Ela passou a carregar velas mesmo durante o dia, como se as suas chamas bruxuleantes pudessem afastar a escuridão crescente que parecia pressionar as paredes da cabana como uma coisa viva. O plano final cristalizou durante uma semana em que a primavera fustigou a cavidade com violência incomum, como se a própria terra estivesse a rebelar-se contra o mal que tinha criado raízes dentro das suas fronteiras.

    As irmãs tinham-se tornado cada vez mais descontroladas, a sua parceria a dissolver-se em acusações e recriminações à medida que as manifestações fantasmagóricas escalavam para além da sua capacidade de racionalizar ou controlar. Elas culpavam-se mutuamente por perturbarem os espíritos, por quebrarem o equilíbrio cuidadoso que tinha mantido as suas vítimas dóceis e os seus crimes escondidos.

    Foi Eli quem sugeriu com inocência cuidadosamente calculada que talvez os distúrbios estivessem ligados à adega, que talvez os espíritos estivessem a tentar comunicar algo importante sobre os seus restos mortais. A tempestade que levou o seu plano à fruição chegou numa noite em que o vento uivava como todas as almas que elas tinham enviado para sepulturas não marcadas.

    Os relâmpagos fendiam o céu com beleza violenta, enquanto o trovão abalava a cabana até aos seus alicerces. E naquele caos de som e fúria, os irmãos armaram a sua armadilha com precisão metódica. Samuel, apesar dos seus ferimentos, moveu-se através da escuridão como um espectro, posicionando velas e espelhos para criar sombras que dançavam com vida malevolente.

    Eli arranjou as evidências na adega com a atenção cuidadosa de um procurador a apresentar um caso. As bonecas formaram um círculo acusatório em torno de duas cadeiras vazias. O livro-razão aberto em páginas que detalhavam os momentos finais de cada criança, as ferramentas de tortura exibidas como instrumentos num museu infernal. Quando as irmãs desceram as escadas, atraídas por sons de distúrbio vindos de baixo, encontraram-se confrontadas não apenas com a evidência física dos seus crimes, mas com o peso moral de todas as vidas que tinham roubado. A adega tinha-se tornado um tribunal onde os mortos

    serviam tanto de júri quanto de juiz, e o veredito já tinha sido proferido. Eli e Samuel emergiram das sombras como anjos vingadores, movendo-se com coordenação nascida da necessidade desesperada e do propósito partilhado. Os gritos das irmãs ecoaram nas paredes de pedra enquanto elas percebiam que os seus caçadores se tinham tornado a caça, as suas vítimas transformadas em instrumentos de justiça.

    A luta foi breve, mas decisiva. A espingarda de Morwin tornou-se inútil no espaço confinado, derrubada das suas mãos pela força inesperada de Samuel. A fachada gentil de Bridget desmoronou-se inteiramente enquanto ela arranhava e lutava como um animal encurralado. Mas anos de vida fácil não a deixaram páreo para rapazes endurecidos por meses de abuso, e impulsionados por fúria justa.

    Quando o pó assentou, as irmãs encontraram-se atadas e indefesas na mesma câmara onde tinham planeado tantos assassinatos. Rodeadas pela evidência dos seus crimes e pelos olhos observadores das efígies das suas vítimas, Eli barrou a porta da adega com mãos que tremiam não de medo, mas da terrível satisfação da justiça finalmente servida. acima deles. A tempestade continuou a rugir, como se a própria natureza estivesse a celebrar o acerto de contas que tinha sido demasiado adiado.

    Os gritos que se levantaram de baixo não eram diferentes daqueles que tinham ecoado pela cabana durante anos, exceto que agora vinham de gargantas que tinham merecido cada momento de sofrimento que recebiam. Os dias que se seguiram passaram com o peso lento e inexorável da água a desgastar a pedra. Acima da porta da adega, a vida na cabana assumiu uma qualidade surreal enquanto os irmãos passavam pelas rotinas da existência normal, enquanto o inferno se desenrolava debaixo dos seus pés.

    Eles preparavam refeições que não conseguiam provar, realizavam tarefas com precisão mecânica, e jaziam acordados durante noites pontuadas por gritos que se transformaram gradualmente de raiva para súplicas para algo muito mais terrível, o som de seres humanos a descobrir as verdadeiras profundezas do desespero. Eli encontrava-se a contar as horas com a dedicação de um relojoeiro, a marcar o tempo não pela passagem do sol, mas pela qualidade mutável dos gritos que se infiltravam pelas tábuas do chão como veneno através de madeira porosa.

    A voz de Morwin foi a primeira a quebrar, os seus comandos imperiosos a dissolverem-se em balbucios incoerentes que falavam de uma mente a fraturar-se sob o peso do seu próprio mal virado contra si mesma. Ela que tinha orquestrado tantas mortes com cálculo frio agora enfrentava a sua própria mortalidade com o terror de quem nunca tinha verdadeiramente acreditado em consequências.

    As suas súplicas por misericórdia carregavam o toque vazio de palavras faladas por alguém que nunca tinha mostrado tal consideração pelos outros. E a ironia não foi perdida para Eli enquanto ele ouvia de cima. A natureza mais gentil de Bridget provou não ser proteção contra o horror da lenta inanição. Os seus soluços suaves acabaram por dar lugar a acusações lançadas à sua mãe com a crueldade do ressentimento de uma vida inteira finalmente libertado.

    Samuel parecia existir num estado de animação suspensa durante aqueles dias terríveis, os seus ferimentos a sarar lentamente enquanto o seu espírito permanecia trancado em algum lugar inalcançável. Ele movia-se pela cabana como um fantasma, a assombrar a cena do seu próprio assassinato, falando apenas quando necessário, e depois em sussurros que não carregavam emoção além de aceitação exausta.

    Às vezes, Eli apanhava-o a olhar para a porta da adega com uma expressão que misturava satisfação com algo mais sombrio, um reconhecimento de que tinham atravessado uma linha da qual não poderia haver regresso. O rapaz gentil que outrora chorou por pássaros feridos tinha desaparecido, substituído por alguém mais duro e infinitamente mais danificado.

    O silêncio, quando finalmente chegou, parecia mais pesado do que todos os gritos que o tinham precedido. Abateu-se sobre a cabana como neve, abafando todos os sons e emprestando um ar de finalidade à sua terrível vigília. Eli esperou três dias completos depois de a última súplica sussurrada ter desaparecido antes de se aproximar da porta da adega.

    Querendo ter a certeza de que o que esperava por baixo era justiça em vez de mera inconsciência. As suas mãos tremeram ao levantar a pesada trave que tinha selado o destino das suas atormentadoras. E por um momento ele hesitou, compreendendo que abrir aquela porta completaria a sua transformação de vítimas em algo totalmente diferente.

    O cheiro atingiu-o primeiro, o odor doce e enjoativo da morte misturado com os odores mais húmidos de medo e resíduos humanos. As irmãs jaziam encolhidas em cantos opostos da adega, tão longe uma da outra quanto o pequeno espaço permitia, os seus momentos finais aparentemente gastos em recriminação mútua em vez de conforto.

    O rosto de Morwin estava congelado numa expressão de ultraje e descrença, como se mesmo no fim ela não pudesse aceitar que a ordem natural que ela tinha pervertido tinha finalmente corrigido a si mesma. Bridget parecia menor na morte do que tinha sido em vida, a sua falsa gentileza despojada para revelar a criatura murcha por baixo, com uma reverência que o surpreendeu.

    Eli começou a recolher as bonecas e os pertences patéticos que representavam as outras vítimas das irmãs. Cada item parecia pesado de significado, imbuído com a essência de uma vida interrompida sem razão além da crueldade e conveniência. A cruz de madeira de Sarah foi para o saco de pano ao lado da colher esculpida de Tommy.

    a fita de cabelo da menina Jameson juntamente com tokens de crianças cujos nomes tinham sido perdidos, mas cujo sofrimento permaneceu documentado nos registos meticulosos de Morwin. Samuel emergiu do seu estado retraído o tempo suficiente para ajudar. As suas mãos gentis tratando cada relíquia com o cuidado de um padre a manusear relíquias sagradas. Eles enterraram as memórias recolhidas num bosque de flores silvestres que floresciam apesar da escuridão que tinha se abatido sobre a cavidade.

    Cada pequeno túmulo marcado com pedras dispostas em padrões que falavam de amor em vez de posse. O ritual parecia a primeira coisa limpa que tinham feito em meses, um pequeno ato de graça num mundo que lhes tinha mostrado muito pouco. Samuel proferiu as únicas palavras da cerimónia, uma oração simples pela paz que carregava todo o peso do perdão que ele já não podia conceder aos vivos.

    O fogo que consumiu a cabana ardeu com intensidade incomum, como se as próprias madeiras estivessem ansiosas para se libertarem do mal que tinham abrigado. Eli e Samuel ficaram a uma distância segura, e observaram a sua prisão transformar-se num pilar de chamas que alcançava as nuvens de tempestade que se acumulavam por cima.

    O fumo carregava consigo o cheiro de segredos finalmente expostos, mentiras finalmente purgadas, justiça finalmente servida. Quando o telhado desabou numa chuva de faíscas e detritos em chamas, algo apertado no peito de Eli soltou-se pela primeira vez em meses, embora ele não pudesse dizer se era alívio ou perda. Eles afastaram-se do inferno sem olhar para trás, carregando apenas as roupas que tinham no corpo e o conhecimento do que se tinham tornado.

    O trilho que levava para fora da cavidade parecia diferente agora, mais claro de alguma forma, como se a própria terra estivesse a sarar da ferida que tinha inflamado dentro do seu coração. O passo de Samuel tornou-se mais firme a cada quilómetro que eles punham entre si e o lugar amaldiçoado, embora os seus olhos retivessem a qualidade distante que falava de danos além da reparação.

    Anos mais tarde, quando eles tinham encontrado novas vidas em cidades distantes onde o seu passado não podia segui-los, a história da cabana da bruxa tornar-se-ia lenda local. Viajantes pela cavidade falariam de luzes estranhas a dançar nas ruínas, de vozes sussurradas a chamar nomes de crianças, de duas figuras, por vezes vislumbradas a caminhar pelos trilhos da floresta quando a lua estava escura.

    A verdade desvanecer-se-ia em mito, como a verdade muitas vezes faz quando se torna demasiado grande para a memória confortável. Mas a lição permaneceria. O mal, quando cresce descontrolado em lugares esquecidos, acabará por enfrentar o seu acerto de contas. E a justiça adiada não é justiça negada, mas meramente justiça transformada em algo mais sombrio e mais terrível do que a lei jamais poderia fornecer.

    Os irmãos carregavam o seu segredo entre eles como uma ponte construída de culpa partilhada e pecado necessário, ligados para sempre pelo conhecimento de que se tinham tornado os monstros que o seu mundo exigia que fossem.