Author: nguyenhuy8386

  • O “LOUCO” Truque da Cozinheira da Senzala Que Fez o Coronel Confessar o Que Escondeu Por Anos

    O “LOUCO” Truque da Cozinheira da Senzala Que Fez o Coronel Confessar o Que Escondeu Por Anos

    A fazenda São Bento da Mata ficava a 45 km de Ouro Preto, na região de Mariana, encravada entre morros cobertos de mata atlântica, que se estendia por léguas. Era 1863 e o Brasil ainda vivia sob o regime escravocrata, que perduraria por mais 25 anos. O coronel Henrique Tavares de Albuquerque administrava aquelas terras com mão de ferro.

    mantendo mais de 200 escravizados, trabalhando nas plantações de café e milho que se espalhavam pelas encostas. A propriedade era conhecida em toda a região pela rigidez do coronel, um homem de 52 anos que havia herdado as terras do pai e expandido os negócios através de casamentos estratégicos e aquisições de propriedades menores.

    Sua esposa, dona Esperança Martins de Albuquerque, de 41 anos, vinha de uma família tradicional de comerciantes de Diamantina e trouxera um dote considerável para o matrimônio, além de 16 escravizados que trabalhavam na Casagre. Entre os escravizados domésticos destacava-se Benedita dos Santos, uma mulher de 34 anos que chegara a fazenda ainda criança, vinda de um leilão em Vila Rica.

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    Benedita trabalhava na cozinha há mais de duas décadas e era respeitada tanto pelos outros cativos quanto pelos feitores pela sua habilidade culinária e conhecimento de ervas medicinais. Ela havia aprendido a ler e escrever em segredo, ensinada por um antigo capelão da fazenda que morrera em 1858. A rotina da fazenda seguia um padrão rígido estabelecido pelo coronel.

    Os escravizados do campo acordavam às 4 da manhã com o toque do sino, trabalhavam até às 6 da tarde com uma parada para o almoço ao meio-dia. Os domésticos tinham horários mais flexíveis. mas raramente descansavam antes das 9 da noite. Benedita levantava às 3 da madrugada para preparar o café do coronel e de dona Esperança, que tomavam o desjejum pontualmente às 6 horas.

    Durante os 21 anos em que serviu na Casagre, Benedita desenvolveu uma rotina peculiar. Ela anotava em pequenos pedaços de papel tudo o que ouvia nas refeições familiares, conversas sobre negócios. disputas entre vizinhos, comentários sobre outros fazendeiros, até mesmo discussões íntimas entre o casal. Esses papéis eram escondidos dentro de um buraco que ela cavara atrás do fogão à lenha, protegidos por uma pedra solta na parede. O coronel Henrique tinha três filhos com dona esperança.

    Miguel, de 22 anos, formado em direito em São Paulo. Isabel, de 19 anos, que morava na fazenda aguardando um casamento arranjado com um comerciante de Ouro Preto e João Batista, de 16 anos, que estudava no seminário de Mariana, mas retornava nos períodos de férias. A família Albuquerque mantinha relações cordiais, mas distantes com os vizinhos.

    A fazenda mais próxima pertencia ao major Antônio Ferreira da Costa, localizada a 12 km de distância entre as duas propriedades. Estendia-se uma vasta área de mata fechada, cortada apenas por uma trilha estreita, usada pelos tropeiros, que transportavam mercadorias entre Mariana e as fazendas isoladas da região.

    Em outubro de 1863, chegou à fazenda um novo feitor contratado pelo coronel Damaceno Silva, homem de 45 anos vindo de uma propriedade próxima à Barbacena, tinha fama de ser eficiente no controle dos escravizados, embora métodos nunca fossem questionados pelos proprietários. Damaceno instalou-se numa casa pequena, construída entre a Senzala e a Casa Grande, de onde podia observar tanto os movimentos dos cativos quanto da família.

    A chegada do novo feitor coincidiu com mudanças sutis na dinâmica da fazenda. Os escravizados passaram a trabalhar por mais tempo, os castigos tornaram-se mais frequentes e um silêncio pesado instalou-se nas conversas durante as refeições na Casagre. Benedita notou que o coronel passou a evitar olhar diretamente para Damaceno durante as poucas ocasiões em que este se apresentava para relatórios.

    Durante os primeiros meses, Damaceno demonstrou conhecimento excepcional sobre o manejo de propriedades rurais. Ele reorganizou os turnos de trabalho, estabeleceu novas rotas para o transporte de mercadorias e conseguiu aumentar a produtividade das plantações. O coronel parecia satisfeito com os resultados, mas dona Esperança comentou em algumas ocasiões que não gostava do olhar do novo feitor.

    Em janeiro de 1864, um evento perturbou a rotina da fazenda. Um escravizado chamado Tomás, de 28 anos, desapareceu durante a madrugada. Tomás trabalhava na roça e era conhecido por sua força física e habilidade com animais. Damaceno organizou uma busca que durou três dias, mas nenhum rastro foi encontrado.

    O caso foi registrado como fuga, embora alguns escravizados mais antigos comentassem em sussurros que Tomás nunca havia demonstrado intenção de escapar. Duas semanas após o desaparecimento de Thomás, Benedita encontrou manchas escuras no chão da casa do feitor enquanto levava à refeição dele. As manchas pareciam antigas, como se alguém tivesse tentado limpá-las, mas sem sucesso completo.

    Quando perguntou a Damaceno sobre as marcas, ele respondeu de forma evasiva que havia derrubado tinta durante um reparo nas paredes. Durante o outono de 1864, mais dois escravizados desapareceram em circunstâncias similares. Primeiro foi Luía, uma jovem de 22 anos que trabalhava na lavanderia.

    Depois, Joaquim, homem de 35 anos, responsável pelo cuidado dos cavalos. Em ambos os casos, as versões oficiais indicavam fuga, mas os outros cativos começaram a demonstrar sinais de medo crescente. Benedita percebeu que as conversas na mesa do coronel mudaram drasticamente após os desaparecimentos.

    De onde antes se discutiam assuntos corriqueiros sobre a fazenda e negócios, agora predominavam silêncios longos e olhares tensos. Dona Esperança fazia perguntas diretas sobre os fugitivos que o coronel respondia com monossílabos ou mudanças bruscas de assunto. Em maio de 1864, Benedita descobriu algo que mudaria completamente sua percepção sobre os acontecimentos na fazenda.

    Enquanto limpava o escritório do coronel, encontrou uma carta do major Antônio Ferreira da Costa, escrita em tom de preocupação. A correspondência mencionava rumores sobre métodos questionáveis empregados na fazenda São Bento da Mata e sugeria uma conversa reservada entre os dois proprietários. A carta estava datada de três semanas antes e não havia sido respondida. Benedita memorizou o conteúdo e anotou as informações nos seus papéis escondidos atrás do fogão.

    Pela primeira vez em anos, ela sentiu que suas anotações poderiam ter importância além da simples curiosidade. Durante os meses seguintes, Benedita intensificou sua atenção às conversas e movimentos na Casagre. Ela notou que Damaceno vinha se encontrando com o coronel em horários incomuns, sempre após o anoitecer, e sempre no escritório com as portas fechadas.

    Essas reuniões duravam entre uma e duas horas e quando terminavam, tanto o coronel quanto o feitor saíam com expressões sombrias. Em agosto de 1864, dona Esperança confrontou o marido durante o jantar sobre os desaparecimentos. A discussão foi tensa e Benedita, servindo à mesa, ouviu acusações veladas sobre coisas que não deviam estar acontecendo e responsabilidades que não podem ser ignoradas.

    O coronel encerrou a conversa abruptamente, ordenando que dona Esperança não se metesse em assuntos que não compreendia. Na madrugada seguinte à aquela discussão, Benedita foi acordada por sons vindos do pátio central da fazenda. Pela fresta da janela da cozinha, ela viu da Marceno caminhando em direção à mata, carregando algo envolto em tecido escuro.

    O feitor desapareceu na trilha que levava as terras do Major Costa e retornou aproximadamente duas horas depois, agora sem a carga misteriosa. Durante setembro e outubro, a tensão na fazenda atingiu níveis críticos. Os escravizados trabalhavam em silêncio quase absoluto, evitavam contato visual com Damaceno e demonstravam sinais visíveis de medo.

    Alguns começaram a desenvolver problemas de saúde, aparentemente sem causa específica, perdendo peso e apresentando tremores constantes. Benedita observou que o coronel também mudara drasticamente. Ele começou a beber mais vinho durante as refeições. Suas mãos tremiam ao segurar os utensílios e desenvolveu o hábito de olhar constantemente em direção às janelas, como se esperasse ver algo ou alguém aproximando-se.

    Dona Esperança tentava manter conversas normais durante as refeições, mas as tentativas eram recebidas com respostas monossilábicas ou silêncio completo. Em novembro de 1864, ocorreu o evento que transformaria definitivamente a dinâmica da fazenda. Miguel Tavares de Albuquerque retornou de São Paulo após completar seus estudos em direito, trazendo consigo perspectivas diferentes sobre a administração de propriedades rurais e o tratamento de escravizados.

    Miguel imediatamente notou as mudanças na fazenda. Ele questionou o pai sobre a redução no número de cativos, os métodos empregados por Damaceno e a atmosfera opressiva que dominava a propriedade. As perguntas do filho mais velho deixaram o coronel visivelmente desconfortável, gerando discussões acaloradas durante as refeições familiares. Durante uma dessas discussões, Miguel mencionou que havia conversado com estudantes de outras regiões sobre práticas consideradas excessivamente cruéis, mesmo para os padrões da época.

    Ele citou casos de proprietários que enfrentaram problemas legais por tratamento inadequado de escravizados, sugerindo que certas práticas poderiam atrair atenção indesejada das autoridades. O coronel reagiu com violência verbal incomum, acusando o filho de ter sido influenciado por ideias abolicionistas durante os estudos.

    A discussão escalou até dona Esperança intervir, mas o clima familiar deteriorou-se ainda mais após esse confronto. Miguel passou a questionar diretamente as decisões do pai sobre a administração da fazenda, criando um ambiente de constante tensão. Benedita percebia que a situação estava chegando a um ponto crítico.

    As anotações que ela mantinha há anos começaram a formar um padrão perturbador quando analisadas em conjunto. Conversas fragmentadas, comportamentos estranhos, desaparecimentos inexplicados e a crescente tensão familiar sugeriam algo muito mais grave do que simples fugas de escravizados. Em dezembro de 1864, Benedita tomou uma decisão que mudaria o curso dos acontecimentos.

    Ela decidiu usar seus conhecimentos culinários e de ervas medicinais para conseguir informações mais precisas sobre o que realmente estava acontecendo na fazenda. Seu plano era simples, mas arriscado. Adicionar uma pequena quantidade de valeriana à bebida do coronel para deixá-lo mais propenso a falar durante as refeições.

    A valeriana era uma erva que Benedita conhecia bem, usada tradicionalmente para acalmar nervos e facilitar o sono. Em pequenas quantidades, a planta podia reduzir a tensão e baixar as defesas de uma pessoa sem causar sonolência excessiva. Benedita havia usado a erva algumas vezes para tratar a insônia de Dona Esperança, sempre com resultados positivos e sem efeitos colaterais significativos.

    O plano de Benedita começou a ser executado gradualmente durante as refeições de dezembro. Ela adicionava pequenas quantidades de valeriana ao vinho do coronel, sempre em doses mínimas para evitar suspeitas. O efeito foi sutil, mas perceptível. O coronel tornava-se mais locuá durante os jantares. Suas defesas baixavam e ele começou a fazer comentários que normalmente evitaria.

    Durante a terceira semana de dezembro, o efeito da valeriana combinado com a pressão constante exercida por Miguel resultou numa revelação parcial. Durante o jantar, quando o filho questionou novamente sobre os escravizados desaparecidos, o coronel deixou escapar uma frase que perturbou toda a família. Às vezes, é preciso fazer escolhas difíceis para manter a ordem, mesmo que essas escolhas custem vidas.

    O silêncio que se seguiu foi absoluto. Dona Esperança deixou os utensílios caírem. Miguel fixou o olhar no pai com expressão de choque e Isabel, que raramente participava das conversas, ficou visivelmente pálida. O coronel percebeu imediatamente que havia dito demais e tentou mudar de assunto, mas o dano estava feito. Miguel não deixou a questão passar.

    Ele confrontou o pai diretamente, exigindo explicações sobre o significado daquela frase. O coronel tentou minimizar suas palavras, alegando que se referia apenas à necessidade de disciplina rígida para manter a produtividade, mas sua explicação soou pouco convincente diante da gravidade da afirmação anterior.

    Naquela mesma noite, Benedita ouviu conversas intensas vindas do escritório do coronel. Miguel havia confrontado o pai em particular, exigindo a verdade sobre os desaparecimentos e sobre os métodos empregados por Damaceno. A discussão durou mais de 3 horas, mas Benedita não conseguiu ouvir detalhes específicos devido às portas fechadas e ao tom baixo das vozes. Na manhã seguinte, Miguel procurou Damaceno para uma conversa particular.

    O encontro aconteceu no pátio central da fazenda à vista de vários escravizados e a tensão era perceptível mesmo à distância. Miguel fez perguntas diretas sobre os métodos de disciplina empregados, os motivos dos desaparecimentos e as atividades noturnas que alguns cativos haviam relatado. Damaceno respondeu com evasivas e tentativas de minimizar as preocupações do jovem, alegando que os escravizados fugidos eram conhecidos por comportamento rebelde e que as medidas disciplinares seguiam padrões normais para propriedades da região. Suas

    explicações, no entanto, não convenceram Miguel, que continuou investigando por conta própria. Durante os últimos dias de dezembro, Miguel começou a conversar diretamente com os escravizados mais antigos, tentando obter informações sobre os desaparecidos e sobre possíveis irregularidades na administração de Damaceno.

    Essa aproximação incomum entre um membro da família proprietária e os cativos causou desconforto visível tanto no coronel quanto no feitor. Benedita observa esses desenvolvimentos com interesse crescente, continuando a administrar pequenas doses de valeriana no vinho do coronel. Ela percebeu que o efeito cumulativo da erva, combinado com a pressão psicológica exercida por Miguel, estava minando gradualmente as defesas do proprietário da fazenda.

    Em 29 de dezembro de 1864, durante o jantar de véspera de Ano Novo, ocorreu a revelação que todos na fazenda esperavam secretamente. Miguel havia passado o dia inteiro investigando e confrontando tanto o pai quanto Damaceno sobre inconsistências nas histórias dos desaparecidos.

    Durante a refeição, numa atmosfera carregada de tensão, Miguel apresentou evidências que havia coletado ao longo das últimas semanas. Ele havia encontrado pertences dos escravizados desaparecidos escondidos na casa de Damaceno, descoberto irregularidades nos registros da fazenda e obtido relatos preocupantes de cativos sobre atividades noturnas suspeitas. O coronel, sob efeito da valeriana e pressionado pelas evidências apresentadas pelo filho, começou a demonstrar sinais de colapso emocional.

    Suas mãos tremiam violentamente, sua voz falhava e ele evitava contato visual com qualquer membro da família. A pressão acumulada durante meses estava atingindo um ponto crítico. Foi nesse momento que Benedita decidiu implementar a fase final do seu plano. Ela havia preparado um chá especial usando uma combinação de valeriana com camomila e mel, apresentando-o ao coronel como uma bebida para acalmar seus nervos.

    A dose de Valeriana nessa preparação era significativamente maior que as anteriores, calculada para induzir um estado de relaxamento profundo. 15 minutos após beber o chá, o coronel começou a apresentar sinais visíveis de sedação leve. Sua resistência psicológica diminuiu drasticamente, suas defesas mentais baixaram e ele tornou-se incapaz de manter as barreiras emocionais que havia construído durante meses para ocultar a verdade.

    Miguel, percebendo a oportunidade, intensificou seus questionamentos. Ele confrontou o Pai diretamente sobre cada desaparecimento, sobre cada inconsistência nos registros, sobre cada comportamento suspeito observado na fazenda. A combinação da pressão psicológica com o efeito da valeriana finalmente quebrou a resistência do coronel.

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    Em estado de semiconsciência induzido pela erva, o coronel Henrique Tavares de Albuquerque começou a confessar crimes que mantiveram ocultos durante mais de um ano. Sua voz saía em sussurros entrecortados, mas cada palavra era claramente audível na sala de jantar em silêncio absoluto. A confissão revelou que Damceno havia sido contratado não apenas como feitor, mas como executor de uma política de terror destinada a eliminar escravizados considerados problemáticos ou rebeldes.

    O coronel admitiu que ordenara a morte de pelo menos sete cativos durante o período em que o novo feitor estivera na fazenda. Os métodos empregados eram brutais, mesmo para os padrões da época. Os escravizados selecionados eram levados durante a madrugada para locais isolados na mata, onde daceno os executava e ocultava os corpos em sepulturas improvisadas.

    O objetivo era criar um clima de terror que desencorajasse qualquer tentativa de rebelião ou fuga. O coronel confessou que a decisão de implementar essa política havia sido motivada por pressões econômicas e medo de perder controle sobre a propriedade.

    Relatórios sobre revoltas em fazendas vizinhas e rumores sobre a proximidade da abolição haviam criado uma paranoia que o levou a tomar medidas extremas para manter a ordem. Durante a confissão, dona Esperança saiu da sala em estado de choque, incapaz de processar as revelações sobre crimes cometidos pelo marido. Isabel permaneceu imóvel, com lágrimas silenciosas escorrendo pelo rosto, enquanto Miguel tomava notas detalhadas de cada admissão feita pelo pai.

    Benedita, presente na sala, como sempre durante as refeições familiares, testemunhou cada palavra da confissão. Ela manteve-se em silêncio absoluto, mas internamente processava informações que confirmariam suas suspeitas acumuladas durante meses de observação cuidadosa. confissão durou aproximadamente 45 minutos, durante os quais o coronel revelou detalhes sobre cada crime, incluindo datas, métodos e localizações dos corpos.

    Ele admitiu que a pressão psicológica havia se tornado insuportável, especialmente após as investigações iniciadas por Miguel. Quando o efeito da Valeriana começou a diminuir, o coronel percebeu a gravidade do que havia revelado. Ele tentou retratar suas palavras, alegando delírio ou confusão mental, mas as admissões haviam sido muito específicas e detalhadas para serem descartadas como fantasias.

    Miguel informou ao Pai que as confissões seriam relatadas às autoridades competentes. Como bacharel em direito, ele compreendia que os crimes admitidos constituíam assassinatos que deveriam ser investigados formalmente, independentemente das relações familiares envolvidas. Durante os primeiros dias de janeiro de 1865, a Fazenda São Bento da Mata transformou-se num cenário de investigação criminal.

    Miguel enviou correspondência às autoridades de Ouro Preto, relatando as confissões do pai e solicitando investigação formal dos desaparecimentos. As autoridades chegaram à fazenda em 8 de janeiro, acompanhadas por um delegado, dois oficiais e um escrivão responsável pelos registros formais. A investigação começou com interrogatórios separados dos membros da família, dos escravizados e de Damasceno, que ainda permanecia na propriedade.

    Damaceno inicialmente negou qualquer envolvimento em crimes, mas confrontado com as confissões do coronel e evidências físicas encontradas em sua residência, acabou admitindo participação nos assassinatos. Ele alegou ter agido sob ordens diretas do proprietário, tentando minimizar sua responsabilidade pessoal pelos crimes.

    A investigação das autoridades incluiu escavações nos locais indicados durante a confissão do coronel. Em 15 de janeiro, os primeiros corpos foram encontrados numa clareira localizada a 2 km da sede da fazenda, enterrados em covas rasas e parcialmente decompostos. A descoberta dos corpos confirmou as confissões e resultou na prisão tanto do coronel Henrique quanto de Damaceno Silva.

    Ambos foram transportados para a cadeia de Ouro Preto, onde aguardariam julgamento formal pelos crimes de assassinato. O caso ganhou notoriedade em toda a região, sendo reportado nos jornais de Ouro Preto e Mariana como exemplo das brutalidades associadas ao regime escravocrata. A fazenda São Bento da Mata tornou-se símbolo dos excessos cometidos por proprietários que utilizavam terror para manter controle sobre suas propriedades.

    Miguel assumiu a administração da fazenda após a prisão do pai, implementando mudanças significativas nos métodos de trabalho e tratamento dos escravizados. Ele aboliu castigos físicos severos, melhorou as condições de alojamento na cenzala e estabeleceu horários de trabalho menos rigorosos. Dona Esperança nunca se recuperou completamente do choque causado pelas revelações.

    Ela desenvolveu problemas de saúde que a mantiveram acamada durante longos períodos, raramente saindo de seu quarto na Casagrel foi enviada para morar com parentes em Diamantina, onde permaneceu até o casamento arranjado ser oficialmente cancelado devido ao escândalo familiar. Durante o julgamento realizado em março de 1865, as circunstâncias da confissão foram examinadas detalhadamente.

    A defesa do coronel tentou argumentar que as admissões haviam sido obtidas sob influência de substâncias, mas os detalhes específicos e a descoberta dos corpos tornaram essa alegação irrelevante. Benedita foi chamada para depor como testemunha durante o processo. Ela relatou suas observações sobre mudanças de comportamento na família e atividades suspeitas na fazenda, mas não mencionou o uso da valeriana.

    Seu depoimento foi considerado crucial para estabelecer o padrão de comportamento que precedeu a confissão. O julgamento resultou em condenação tanto do coronel quanto de Damaceno por múltiplos assassinatos. O coronel recebeu sentença de 20 anos de prisão enquanto Damaceno foi condenado à morte por enforcamento. Sentença executada em maio de 1865. A fazenda São Bento da Mata continuou operando sob a administração de Miguel até a abolição da escravatura em 1888.

    Durante esse período, a propriedade tornou-se conhecida por práticas mais humanitárias em relação aos trabalhadores, contrastando dramaticamente com sua reputação anterior. Benedita permaneceu na fazenda até 1870, quando Miguel lhe concedeu liberdade formal juntamente com outros escravizados mais antigos.

    Ela estabeleceu-se numa pequena casa na cidade de Mariana, onde trabalhou como cozinheira para famílias locais até sua morte em 1886. Os registros do caso foram arquivados nos cartórios de Ouro Preto e Mariana, mas muitos documentos foram perdidos durante reformas realizadas nos prédios públicos em 1923. Cópias parciais dos depoimentos foram encontradas em 1952 por um pesquisador interessado em crimes do período imperial.

    As anotações secretas de Benedita foram descobertas em 1958 durante demolição de uma parede da antiga cozinha da fazenda que havia sido abandonada após a morte de dona esperança em 1891. Os papéis preservados pela secura do esconderijo forneceram detalhes adicionais sobre a dinâmica familiar durante o período dos crimes.

    Um estudo acadêmico sobre o caso foi iniciado em 1961 por1, professor da Universidade Federal de Minas Gerais. Mas a pesquisa foi interrompida em 1963 devido a problemas de saúde do pesquisador. Os documentos coletados durante essa investigação foram arquivados na biblioteca universitária, onde permanecem disponíveis para consulta. A fazenda São Bento da Mata foi vendida pelos herdeiros de Miguel em 1912, sendo posteriormente dividida em propriedades menores.

    A Casa Grande foi demolida em 1935, mas as ruínas da cenzala ainda podem ser vistas no local, cobertas pela vegetação que retomou a área. Em 1947, moradores da região relataram avistamentos de luzes estranhas na mata, onde foram encontrados os corpos dos escravizados assassinados. Essas aparições foram atribuídas a fenômenos naturais ou atividade de caçadores noturnos, mas criaram uma lenda local sobre almas que não encontraram descanso.

    O coronel Henrique morreu na prisão em 1879, após cumprir 14 anos de sua sentença. Ele nunca expressou arrependimento pelos crimes cometidos, mantendo até o final que suas ações haviam sido necessárias para preservar a ordem em sua propriedade. Miguel Tavares de Albuquerque tornou-se advogado respeitado em Ouro Preto, especializando-se em casos relacionados aos direitos de ex-escravizados após a abolição.

    nunca se casou e morreu em 1921, deixando uma pequena fortuna que foi doada para instituições de caridade locais. O último registro oficial relacionado ao caso data de 1967, quando foram encontrados fragmentos adicionais de ossos humanos durante escavações para a construção de uma estrada na antiga propriedade.

    Análise forense confirmou que os restos pertenciam a indivíduos que morreram no período correspondente aos crimes confessados. A história da confissão induzida por Benedita permanece como exemplo singular de como conhecimentos tradicionais sobre plantas medicinais foram utilizados para revelar verdades que permaneciam ocultas. Sua ação demonstrou que, mesmo em posições aparentemente submissas, indivíduos determinados podem encontrar formas de exposir crimes e buscar justiça.

    Os métodos empregados por Benedita levantam questões éticas sobre o uso de substâncias para obter confissões, mas o contexto histórico e a gravidade dos crimes descobertos fornecem perspectiva diferente sobre suas ações. Em uma sociedade onde escravizados não tinham recursos legais para denunciar abusos, sua iniciativa representou uma forma única de resistência.

    O caso ilustra também como a pressão psicológica, quando combinada com fatores externos, como substâncias sedativas, pode quebrar defesas mentais construídas para ocultar crimes graves. A confissão do coronel não resultou apenas do efeito da valeriana, mas da combinação dessa influência com investigações persistentes de Miguel e acúmulo de evidências incriminatórias.

    A descoberta das anotações de Benedita, décadas após os eventos, revelou a extensão de sua observação meticulosa e planejamento cuidadoso. Suas anotações demonstram compreensão sofisticada da dinâmica familiar e habilidade para identificar padrões de comportamento que indicavam atividades criminosas. O destino dos outros escravizados da fazenda, após os eventos de 1865, variou significativamente. Alguns permaneceram trabalhando para Miguel sob condições melhoradas.

    Outros migraram para cidades próximas em busca de oportunidades diferentes, e alguns simplesmente desapareceram dos registros históricos. A transformação da fazenda sob a administração de Miguel demonstrou que mudanças significativas eram possíveis mesmo dentro do sistema escravocrata, embora tais melhorias dependessem inteiramente da vontade individual dos proprietários.

    Suas reformas foram consideradas excepcionais para a época e região. Os crimes revelados na fazenda São Bento da Mata representaram um extremo de brutalidade mesmo para os padrões de uma sociedade escravocrata, onde violência contra cativos era legalizada e normalizada.

    A reação das autoridades e da sociedade local ao caso demonstrou que existiam limites, ainda que vagos, para o que era considerado aceitável. A preservação parcial da documentação relacionada ao caso permite análise histórica das dinâmicas sociais, legais e familiares do período. Os registros fornecem perspectiva única sobre como crimes eram investigados e julgados no Brasil imperial, especialmente quando envolviam membros da elite agrária.

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    O papel da imprensa local na divulgação do caso demonstrou o poder dos jornais para moldar opinião pública sobre questões sensíveis. A cobertura dos crimes e julgamentos ajudou a criar consciência sobre os excessos do sistema escravocrata, contribuindo indiretamente para debates sobre abolição.

    A metodologia empregada por Benedita para obter a confissão representou conhecimento sofisticado sobre propriedades de plantas medicinais e seus efeitos psicológicos. Seu uso da valeriana demonstrou compreensão prática de dosagens, timing e combinação com fatores psicológicos para maximizar efetividade. As consequências de longo prazo do caso incluíram mudanças nas práticas de outras fazendas da região que passaram a evitar métodos considerados excessivamente brutais por medo de repercussões similares. Notoriedade do julgamento criou precedente que influenciou

    comportamentos de outros proprietários. A análise moderna do caso revela camadas de complexidade social, racial e familiar, que eram características do período. A intersecção entre poder econômico, relações raciais, dinâmicas familiares e sistema judiciário cria um microcosmo das tensões que definiam a sociedade brasileira do século XIX.

    O legado do caso permanece relevante para estudos sobre resistência escrava, tendo Benedita desenvolvido uma forma única de confrontar o poder estabelecido, usando conhecimentos tradicionalmente associados a cuidados domésticos. Sua ação demonstrou como sabedoria popular podia ser adaptada para propósitos de justiça social.

    Os registros preservados sobre o caso continuam sendo consultados por pesquisadores interessados em crime, justiça e relações sociais no Brasil imperial. A documentação fornece exemplo raro de como eventos dramáticos eram processados pelo sistema legal da época. A memória local sobre os crimes persistiu por gerações através de histórias transmitidas oralmente entre famílias da região.

    Essas narrativas, embora modificadas pelo tempo e retransmissão, preservaram elementos essenciais da história que complementam os registros oficiais. A evolução da propriedade após os eventos ilustra como escândalos criminais podiam afetar permanentemente o status social e econômico de famílias da elite.

    A queda da família Albuquerque representou exemplo das consequências sociais de crimes que ultrapassavam limites aceitos pela comunidade.

  • (1895, Bento Gonçalves) O Horripilante Caso de Elisa Bernardi

    (1895, Bento Gonçalves) O Horripilante Caso de Elisa Bernardi

    No outono de 1895, quando as vinículas da Serra Gaúcha ainda eram propriedades familiares modestas e os imigrantes italianos lutavam para estabelecer suas raízes no solo brasileiro. A região de Bento Gonçalves foi palco de eventos que permaneceram arquivados em registros fragmentados por décadas.

    O caso de Elisa Bernardi, como ficou conhecido nos poucos documentos que sobreviveram ao tempo, representa um dos episódios mais perturbadores já registrados naquela comunidade informação. A colônia italiana de Bento Gonçalves, estabelecida havia apenas 15 anos, vivia o delicado equilíbrio entre preservar tradições ancestrais e adaptar-se às exigências do novo mundo.

    As famílias se agrupavam em pequenos núcleos rurais, separados por quilômetros de mata atlântica, ainda virgem, e estradas de terra que se tornavam intransitáveis durante as chuvas de inverno. Era nesse cenário de isolamento relativo que a família Bernardi havia construído sua vida. Giuseppe Bernardi, patriarca de 52 anos, havia chegado ao Brasil em 1878.

    com a esposa Caterina e três filhos. Trabalhador incansável, estabeleceu uma pequena propriedade na região que hoje corresponde ao distrito de Tuiuti, a aproximadamente 12 km do centro da futura cidade de Bento Gonçalves. A propriedade situava-se em uma elevação suave, cercada por arroios e mata densa, oferecendo tanto isolamento quanto proteção natural.

    Elisa Bernardi era a filha mais nova do casal, nascida já em solo brasileiro no ano de 1877. Aos 18 anos, em 1895, ela havia se tornado uma jovem mulher de aparência marcante, com os cabelos escuros, característicos da região da Lombardia, de onde originava-se a família.

    Segundo relatos preservados em correspondências da época, Elisa possuía uma personalidade introspectiva, passando longas horas caminhando sozinha pelas trilhas que serpenteavam a propriedade familiar. A rotina na propriedade dos seguia o ritmo característico das famílias colonas da região. Giuseppe dedicava-se ao cultivo de milho e feijão, além de manter um pequeno rebanho de gado leiteiro.

    Caterina cuidava da horta e dos afazeres domésticos, auxiliada pelos filhos mais velhos. Elisa, por sua vez, havia assumido a responsabilidade de cuidar das galinhas e de uma pequena criação de porcos. que a família mantinha em um chiqueiro construído nos fundos da propriedade, próximo à linha de mata que delimitava suas terras. Era uma existência simples, mas não desprovida de tensões.

    Giuseppe Bernardi era conhecido na comunidade por seu temperamento severo e por manter disciplina rígida no lar. Vizinhos relatavam que raramente se ouvia risadas vindas da propriedade dos Bernard. Mesmo durante as festividades religiosas que uniam italiana, o silêncio que envolvia aquela família era tema de conversas sussurradas entre as mulheres quando se reuniam para os trabalhos coletivos de costura.

    Durante o inverno de 1894, alguns eventos aparentemente menores começaram a alterar a dinâmica familiar. Caterina Bernardi passou a fazer comentários vagos sobre o comportamento de Elisa para outras mulheres da comunidade. Mencionava que a filha havia desenvolvido o hábito de acordar antes do amanhecer e permanecer longos períodos fora de casa, sempre alegando estar cuidando dos animais.

    Quando questionada diretamente, Elisa oferecia respostas evasivas e demonstrava irritação crescente. O padre Giovan Marcelo, responsável pela assistência espiritual da comunidade italiana na região, registrou em seus diários pessoais algumas observações sobre a família Bernard durante aquele período.

    Segundo suas anotações, datadas de dezembro de 1894, Giuseppe havia procurado orientação espiritual sobre questões familiares não especificadas. O padre notou que Giuseppe parecia perturbado por assuntos domésticos que não conseguia explicar claramente. A propriedade dos Bernardi possuía características físicas que contribuíam para o ambiente de isolamento.

    A casa principal, construída em madeira e pedra, segundo os padrões arquitetônicos trazidos da Itália, situava-se no centro de um terreno de aproximadamente 20 haares. Atrás da residência, uma série de construções menores abrigava os animais e implementos agrícolas. O chiqueiro onde Elisa passava grande parte do tempo ficava a cerca de 100 m da casa, escondido por uma fileira de eucaliptos que Giuseppe havia plantado como quebravento.

    Entre a residência principal e as instalações dos animais havia um pequeno galpão de madeira que originalmente servia como depósito de ferramentas. Com o tempo, esse espaço havia sido parcialmente abandonado, acumulando objetos em desuso e servindo ocasionalmente como abrigo para equipamentos durante as tempestades.

    Era uma construção simples, de aproximadamente 4 m por6, com apenas uma janela pequena e uma porta que rangia quando aberta devido à humidade constante da região. No início de março de 1895, chegou à propriedade dos Bernardi um jovem chamado Marco Stefanelli. Marco era órfão de 22 anos, filho de imigrantes que haviam falecido durante uma epidemia de febre amarela que atingiu a região 3 anos antes.

    Sem família próxima, ele havia sobrevivido realizando trabalhos temporários em diferentes propriedades da colônia italiana. Giuseppe Bernardi havia contratado Marco para ajudar com os preparativos para o plantil de outono e para realizar reparos nas instalações da propriedade.

    Marco Stefanelli estabeleceu-se em um pequeno quarto anexo ao celeiro principal a cerca de 50 m da casa da família. Era um jovem de aparência robusta, acostumado ao trabalho pesado, mas que chamava atenção por sua tendência ao silêncio e por evitar contato visual prolongado durante conversas.

    Alguns vizinhos que conheciam sua história comentavam que a perda traumática dos pais havia deixado marcas profundas em sua personalidade. A chegada de Marco coincidiu com mudanças no comportamento de Elisa, que não passaram despercebidas pela família. Caterina notou que a filha havia começado a tomar banhos mais frequentes e a dedicar maior atenção à aparência.

    Elisa também passou a questionar sobre assuntos que nunca haviam despertado seu interesse, como as atividades sociais da comunidade e os eventos religiosos programados para os meses seguintes. Giuseppe, inicialmente satisfeito com o trabalho de Marco, começou a expressar preocupação sobre a proximidade que parecia estar desenvolvendo-se entre o jovem trabalhador e sua filha.

    Em conversas com vizinhos, mencionava que Elisa havia começado a encontrar desculpas para permanecer nas proximidades de onde quer que Marco estivesse trabalhando. Quando confrontada sobre esse comportamento, Elisa reagia com defesas veementes, alegando que simplesmente estava aprendendo sobre o trabalho na propriedade.

    Durante o mês de abril de 1895, uma série de pequenos incidentes começou a criar atmosfera de tensão crescente na propriedade. Ferramentas desapareciam de seus locais habituais e eram encontradas em lugares inesperados. Caterina relatou que alimentos preparados sumiam da despensa sem explicação. Giuseppe descobriu que a porta do galpão abandonado, que permanecia trancada há meses, havia sido violada e mostrava sinais de uso recente.

    Os animais da propriedade também começaram a apresentar comportamento incomum. As galinhas, tradicionalmente tranquilas, passaram a demonstrar agitação constante, especialmente durante as primeiras horas da manhã e ao entardecer. Os porcos que Elisa havia cuidado com dedicação por anos começaram a mostrar relutância em se aproximar dela, reagindo com grunhidos quando ela entrava no chiqueiro.

    Marco Stefanelli, quando questionado sobre sua percepção desses eventos, oferecia respostas vagas e demonstrava desconforto visível. alegava não ter notado nada fora do comum e atribuía às mudanças no comportamento dos animais as variações climáticas típicas da mudança de estação. Sua postura corporal durante essas conversas, entretanto, sugeria conhecimento que ele preferia não compartilhar.

    O padre Giovan Marcelo registrou em seus diários uma conversa que teve com Caterina Bernardi no final de abril. Segundo suas anotações, Caterina havia procurado orientação sobre preocupações familiares de natureza delicada. O padre notou que Caterina parecia profundamente angustiada, mas incapaz de articular a natureza exata de seus temores.

    Ela mencionou sonhos perturbadores e uma sensação crescente de que algo estava sendo escondido dentro de sua própria casa. A configuração física da propriedade facilitava a manutenção de segredos. A distância entre as diferentes construções, combinada com a mata densa que cercava o terreno, criava múltiplos espaços onde atividades poderiam ocorrer sem observação direta.

    O galpão abandonado em particular situava-se em uma posição que o tornava invisível da casa principal, escondido atrás dos eucaliptos e acessível através de uma trilha discreta que serpenteava pela vegetação. Durante o mês de maio, Giuseppe Bernardi tomou a decisão de dispensar Marco Stefanelli.

    oficialmente alegou que os trabalhos para os quais havia contratado o jovem estavam concluídos e que a situação financeira da família não permitia manter um empregado adicional. Entretanto, vizinhos notaram que Giuseppe parecia ansioso para ver Marco partir e que evitava explicações detalhadas sobre sua decisão.

    Marco recebeu a notícia de sua dispensa com aparente resignação, mas testemunhas relataram que ele passou os últimos dias na propriedade demonstrando agitação crescente. foi visto caminhando sozinho pelas trilhas durante a noite e mantendo conversas sussurradas com Elisa, sempre que conseguia encontrá-la fora da presença dos pais.

    Na manhã de sua partida, programada para 22 de maio, Marco desapareceu sem se despedir da família. Giuseppe descobriu a ausência de Marco quando foi chamá-lo para o café da manhã. O quarto anexo ao celeiro estava vazio, mas os pertences pessoais do jovem permaneciam no local. Suas roupas, ferramentas pessoais e uma pequena quantia de dinheiro que havia economizado durante seu tempo na propriedade estavam intocados.

    A única evidência de sua partida era a ausência do próprio Marco. A reação de Elisa à notícia do desaparecimento de Marco chamou atenção pela intensidade incomum. Segundo Caterina, a filha passou o dia inteiro trancada em seu quarto, recusando-se a comer ou a conversar. Quando finalmente emergiu, na manhã seguinte, parecia ter perdido peso visivelmente e apresentava olheiras profundas que sugeriam noite inse.

    Suas primeiras palavras foram perguntas ansiosas sobre se alguém sabia para onde Marco havia ido. Giuseppe organizou uma busca informal nas propriedades vizinhas e nas trilhas que conectavam à região. Outros colonos se juntaram ao esforço, percorrendo quilômetros de mata à procura de sinais do jovem desaparecido.

    A busca se concentrou inicialmente nas trilhas que Marco conhecia, aquelas que levavam as propriedades onde havia trabalhado anteriormente e ao pequeno povoado, onde ocasionalmente comprava suprimentos. Após três dias de busca em frutífera, Giuseppe decidiu reportar o desaparecimento às autoridades locais.

    Na época, a presença policial na região era limitada, consistindo principalmente em um delegado itinerante que visitava as colônias a intervalos irregulares. O relato oficial arquivado nos registros municipais precários da época classificou o caso como abandono voluntário de emprego e não previu investigação aprofundada.

    Elisa, durante as semanas que se seguiram ao desaparecimento de Marco, passou por transformação marcante em seu comportamento e aparência. Perdeu peso significativo e desenvolveu hábito de falar sozinha durante as tarefas diárias. Caterina relatou a vizinhas que a filha havia começado a referir-se a Marco como se ele ainda estivesse presente na propriedade, mencionando conversas que supostamente havia tido com ele na noite anterior.

    O galpão abandonado, que havia sido violado meses antes, tornou-se objeto de atenção renovada. Giuseppe decidiu investigar o espaço pessoalmente e descobriu evidências de uso recente e prolongado. O chão de terra batida mostrava sinais de ter sido nivelado artificialmente e havia indícios de que um tipo de mobília improvisada havia sido instalada e posteriormente removida.

    Pequenos objetos pessoais foram encontrados escondidos entre as tábuas soltas das paredes. Entre os objetos descobertos no galpão, Giuseppe encontrou uma série de cartas escritas à Amão em italiano. As cartas não eram assinadas nem endereçadas, mas a caligrafia era reconhecível como sendo de Elisa. O conteúdo das cartas, segundo anotações preservadas nos diários do padre Giovani, era de natureza íntima e perturbadora, sugerindo o relacionamento que ia além das convenções sociais aceitas pela comunidade. A descoberta das cartas levou a confronto direto

    entre Giuseppe e Elisa. Testemunhas relataram ter ouvido gritos vindos da casa dos Bernard durante a tarde de 15 de junho. Caterina, visivelmente angustiada, procurou refúgio na casa de vizinhos, explicando que Giuseppe havia descoberto o comportamento inaceitável por parte de Elisa e que a situação havia se tornado insustentável.

    Elisa, quando confrontada sobre as cartas e sobre a natureza de seu relacionamento com Marco, ofereceu respostas contraditórias que variaram de negações veementes a confissões parciais. Em determinado momento, segundo relatos da época, ela alegou que Marco havia prometido levá-la embora da propriedade e que eles haviam feito planos para se estabelecer em outra região.

    Em seguida, negou ter tido qualquer relacionamento especial com ele. A pressão psicológica sobre Elisa intensificou-se quando Giuseppe decidiu consultar outras famílias da comunidade sobre o comportamento de sua filha. As conversas revelaram que vários vizinhos haviam notado mudanças no comportamento da jovem durante os meses anteriores, mas ninguém havia compartilhado suas observações diretamente com os pais.

    O silêncio coletivo que havia cercado a situação criou atmosfera de culpa e recriminação dentro da comunidade. Durante os últimos dias de junho, Elisa começou a apresentar sintomas que hoje seriam reconhecidos como sinais de colapso nervoso.

    Passou a dormir apenas poucas horas por noite e desenvolveu obsessão com o galpão onde havia encontrado-se com Marco. Caterina a encontrou várias vezes parada diante da construção, conversando com alguém que não estava visível, gesticulando como se respondendo a perguntas. O comportamento cada vez mais errático de Elisa culminou em incidente que marcou definitivamente a memória da comunidade.

    Na manhã de 2 de julho de 1895, ela foi encontrada por Caterina no interior do galpão, deitada no chão de terra, batida em posição fetal, murmurando repetidamente o nome de Marco. Quando tentaram movê-la, Elisa resistiu violentamente, alegando que Marco estava esperando por ela e que não podia partir. Giuseppe decidiu que a situação exigia intervenção médica.

    Na época, os recursos de saúde mental disponíveis para a comunidade italiana eram extremamente limitados. O médico mais próximo ficava na cidade de Caxias do Sul, a mais de 30 km de distância. e sua experiência com distúrbios psicológicos era rudimentar. A viagem até Caxias do Sul, por estradas precárias exigiria pelo menos um dia inteiro.

    Antes que providências médicas pudessem ser tomadas, Elisa desapareceu da propriedade. Na manhã de 5 de julho, Caterina descobriu que a filha não estava em seu quarto e que não havia sinais de sua presença em nenhum lugar da casa ou das instalações anexas. Diferentemente do desaparecimento de Marco, entretanto, algumas pistas foram deixadas para trás.

    A janela do quarto de Elisa estava aberta e pegadas descalças eram visíveis na terra úmida que cercava a casa. A busca por Elisa mobilizou toda a comunidade italiana da região. Mais de 20 homens participaram dos esforços, percorrendo sistematicamente as trilhas, arroios e clareiras em um raio de 10 km da propriedade dos Bernardi. A busca incluiu áreas de mata densa que raramente eram exploradas pelos colonos.

    lugares onde uma pessoa poderia se esconder ou se perder facilmente. No terceiro dia de busca, em 8 de julho, um grupo liderado pelo vizinho Antônio Ross fez descoberta perturbadora em uma clareira localizada a aproximadamente 2 km da propriedade dos Bernardi. A clareira, cercada por árvores altas, que bloqueavam a maior parte da luz solar, continha evidências de ocupação humana recente.

    Cinzas de fogueira ainda estavam presentes e havia sinais de que alguém havia construído abrigo improvisado usando galhos e folhas. Mais inquietante que os sinais de acampamento era a presença de objetos pessoais que foram identificados como pertencentes tanto a Elisa quanto a Marco.

    Fragmentos de tecido que correspondiam ao vestido que Elisa usava quando desapareceu foram encontrados presos em galhos baixos. Uma faca que Giuseppe reconheceu como tendo pertencido a Marco estava parcialmente enterrada próximo às cinzas da fogueira. A configuração da clareira sugeria que havia sido usada como local de encontro por período prolongado.

    Trilhas discretas conectavam o espaço a diferentes direções, incluindo uma que levava diretamente à propriedade dos Bernard. A vegetação ao redor havia sido parcialmente alterada, de maneira que criava maior privacidade, com galhos entrelaçados formando barreira natural que tornava a clareira praticamente invisível para quem passasse pelas trilhas principais.

    Antônio Ross e seus companheiros expandiram a busca a partir da clareira, seguindo as trilhas que se irradiavam em diferentes direções. Uma das trilhas levava a um afloramento rochoso que oferecia vista parcial da propriedade dos Bernard. Outra descia em direção a um arroio que atravessava a região, correndo paralelo à estrada principal, que conectava as propriedades isoladas ao povoado mais próximo.

    Foi seguindo a trilha que levava ao arroio que os buscadores fizeram descoberta que alteraria permanentemente a natureza do caso. Em uma curva do córrego, onde a água havia criado o poço natural, cercado por pedras e vegetação densa, eles encontraram mais evidências da presença de Elisa e Marco. Roupas lavadas estavam estendidas em galhos próximos à água, e havia sinais claros de que o local havia sido usado para banho e para lavar utensílios.

    Próximo ao poço, parcialmente escondido sob uma pilha de pedras que claramente havia sido arranjada artificialmente, Antônio Rossi descobriu pequeno embrulho feito de tecido. O conteúdo do embrulho incluía várias cartas escritas por Elisa, similares àquelas encontradas no galpão, mas com data mais recente.

    As cartas revelavam que Elisa e Marco haviam planejado fuga da propriedade e que estavam vivendo escondidos na mata por período indeterminado. O conteúdo das cartas também sugeria que a situação entre Elisa e Marco havia se tornado complicada de maneiras que os buscadores inicialmente não compreenderam completamente.

    Referências vagas a problemas e mudanças eram feitas sem explicação clara. Uma das cartas mencionava dificuldades em encontrar comida e abrigo adequados, e outra fazia referência a decisão que precisa ser tomada, sem especificar que decisão seria essa.

    A descoberta das cartas e dos objetos pessoais na região do Arroio redirecionou os esforços de busca. Ficou claro que Elisa e Marco haviam estado vivendo na mata por período significativo, possivelmente desde o desaparecimento inicial de Marco em maio. A proximidade dos locais de acampamento à propriedade dos Bernard sugeria que eles haviam permanecido na área, talvez retornando ocasionalmente para obter suprimentos ou simplesmente para observar a casa de onde Elisa havia partido.

    Giuseppe Bernardi, confrontado com evidências de que sua filha havia estado vivendo na mata com Marco por meses, passou por período de profunda angústia. Vizinhos relataram que ele parou de trabalhar na propriedade e passou dias inteiros caminhando pelas trilhas, chamando o nome de Elisa e implorando para que ela retornasse. Caterina, por sua vez, refugiou-se na religião, passando horas em oração e buscando orientação constante do padre Giovani.

    A comunidade italiana da região, tradicionalmente unida por laços de solidariedade mútua, começou a demonstrar sinais de divisão sobre como lidar com a situação dos Bernard. Algumas famílias expressaram simpatia e ofereceram apoio contínuo. Outras, entretanto, começaram a manifestar desconforto com o escândalo que o caso estava criando e sugeriram que Giuseppe deveria procurar resolver a situação de maneira mais discreta.

    Durante a segunda semana de julho, as condições climáticas na região deterioraram-se significativamente. Chuvas intensas caíram por vários dias consecutivos, transformando as trilhas em atoleiros e fazendo os arroios transbordarem. As condições tornaram impossível continuar a busca na mata e criaram preocupação adicional sobre a segurança de Elisa e Marco, que supostamente ainda estavam vivendo ao ar livre.

    Foi durante esse período de tempestades que Giuseppe tomou decisão que surpreendeu a comunidade. Em 17 de julho, ele anunciou que estava abandonando a busca ativa por Elisa e que aceitava que ela havia escolhido sua própria vida. explicou que continuaria esperando por seu retorno, mas que não podia mais dedicar toda sua energia a procurar alguém que claramente não desejava ser encontrada.

    A decisão de Giuseppe de cessar a busca ativa não foi bem recebida por todos os membros da comunidade. Antônio Ross e várias outras famílias argumentaram que a busca deveria continuar, especialmente dadas as condições climáticas adversas que poderiam colocar Elisa em perigo. Padre Giovanni ofereceu-se para organizar expedições de busca independentes, mas Giuseppe pediu que respeitassem sua decisão.

    Durante o mês de agosto, relatos esporádicos começaram a circular sobre avistamentos de duas pessoas caminhando pelas trilhas remotas da região. Os avistamentos nunca eram confirmados e geralmente envolviam figuras vistas à distância ou durante condições de pouca luz.

    Alguns vizinhos alegaram ter visto fumaça subindo de áreas de mata, onde não havia propriedades estabelecidas, sugerindo que fogueiras estavam sendo acesas por pessoas acampando ilegalmente. Um dos relatos mais específicos veio de Maria Fontana, esposa de um colono que morava a aproximadamente 5 km da propriedade dos Bernard.

    Em 23 de agosto, ela alegou ter visto uma jovem mulher caminhando sozinha por uma trilha que passava próxima a sua propriedade. A mulher correspondia à descrição de Elisa e parecia estar carregando uma trouxa de roupas. Mas quando Maria chamou por ela, a figura desapareceu rapidamente na mata. O avistamento relatado por Maria Fontana foi significativo porque sugeriu que Elisa estava sozinha sem marco.

    Isso levantou questões sobre o que havia acontecido com o jovem e se ele ainda estava com Elisa ou se havia partido para destino desconhecido. Giuseppe, quando informado sobre o avistamento, demonstrou interesse renovado, mas manteve sua decisão de não organizar buscas ativas. Durante setembro de 1895, a atenção da comunidade começou a se desviar gradualmente do caso de Elisa Bernarde.

    As preocupações com a preparação para o inverno, o plantio das culturas de estação fria e outros assuntos práticos da vida colonial assumiram prioridade. A família Bernard lentamente retornou a uma rotina que superficialmente se assemelhava à normalidade. Embora vizinhos notassem que tanto Giuseppe quanto Caterina haviam mudado permanentemente.

    O primeiro evento que trouxe o caso de volta à atenção da comunidade ocorreu em 26 de outubro. Caçadores que perseguiam javalis nas matas ao sul da propriedade dos Bernard descobriram estrutura que claramente havia sido construída por seres humanos. A estrutura, localizada em depressão natural, cercada por árvores altas, consistia em abrigo mais elaborado que os acampamentos temporários encontrados anteriormente.

    O abrigo havia sido construído com considerável habilidade, utilizando galhos entrelaçados, folhas e lama, para criar paredes que ofereciam proteção substancial contra os elementos. O teto havia sido feito com camadas de folhas e galhos. dispostos, de maneira que desviava a água da chuva. O interior continha área preparada para dormir, local para fazer fogo e espaços organizados para armazenar objetos pessoais.

    Mais perturbador que a existência do abrigo era sua condição quando foi descoberto. A estrutura estava parcialmente destruída, com paredes derrubadas e objetos espalhados pelo chão, como se tivesse ocorrido luta ou perturbação violenta. Cinzas de fogueira estavam espalhadas e havia sinais de que alimentos em decomposição haviam sido deixados expostos, atraindo animais selvagens que haviam danificado ainda mais o local.

    Entre os objetos espalhados pelo abrigo destruído, os caçadores encontraram mais evidências da presença de Elisa e Marco. Fragmentos de roupas, utensílios de cozinha improvisados e vários objetos pessoais. foram identificados pelas famílias como pertencendo aos jovens desaparecidos. Mais inquietante era a presença de objetos que claramente haviam sido tomados da propriedade dos Bernard, incluindo uma faca de cozinha e uma manta que Caterina reconheceu imediatamente.

    A descoberta do abrigo destruído reiniciou especulação intensa na comunidade sobre o que havia acontecido com Elisa e Marco. As condições em que o abrigo foi encontrado sugeriam que algo dramático havia ocorrido, mas não havia evidências claras que permitissem determinar a natureza exata dos eventos.

    Teorias variaram desde ataque de animais selvagens até confronto entre os próprios jovens. Giuseppe, confrontado com evidências renovadas da presença de Elisa na região, decidiu investigar pessoalmente o abrigo destruído. Acompanhado por Antônio Ross e dois outros vizinhos, ele passou várias horas examinando os restos da estrutura e procurando pistas adicionais na área circundante.

    O que encontraram aprofundou o mistério em vez de esclarecê-lo. A investigação mais detalhada do abrigo revelou que havia sido ocupado por período considerável, possivelmente vários meses. Restos de comida indicavam que os ocupantes haviam tido acesso a suprimentos variados, alguns dos quais só poderiam ter sido obtidos através de visitas a propriedades habitadas ou ao povoado próximo.

    Isso sugeria que Elisa e Marco haviam mantido algum tipo de contato com a civilização durante seu tempo na mata. Mais intrigante eram evidências de que o abrigo havia sido expandido e modificado ao longo do tempo. Diferentes técnicas de construção eram visíveis em diferentes sessões, como se melhorias tivessem sido feitas gradualmente, conforme os ocupantes ganhavam experiência e acesso a materiais melhores.

    Uma sessão do abrigo havia sido construída com tábuas de madeira que claramente haviam sido cortadas com ferramentas adequadas não improvisadas. A presença das tábuas de madeira cortadas levou à investigação mais ampla da área ao redor do abrigo. Giuseppe e seus companheiros descobriram que havia várias outras estruturas menores nas proximidades, incluindo abrigos para armazenar comida e água, área designada para lavar roupas e utensílios e até mesmo estrutura que parecia ter servido como latrina improvisada.

    O conjunto sugeria que Elisa e Marco haviam criado pequeno assentamento temporário com considerável grau de organização. A organização e permanência do assentamento levantaram questões sobre as intenções de Elisa e Marco. Parecia claro que eles não estavam simplesmente se escondendo temporariamente, mas haviam tentado estabelecer algum tipo de vida permanente na mata.

    Isso contradinha teorias anteriores de que eles estavam esperando oportunidade para deixar a região completamente e sugeria que talvez tivessem planejado permanecer indefinidamente nas proximidades. Durante as primeiras semanas de novembro, novos avistamentos de figuras solitárias caminhando pelas trilhas da região foram relatados por vários vizinhos.

    Diferentemente dos relatos anteriores, estes avistamentos envolviam consistentemente apenas uma pessoa, uma jovem mulher, que correspondia à descrição de Elisa. Nenhum dos relatos mencionou a presença de Marco, reforçando a impressão de que algo havia acontecido para separá-los. O mais específico destes avistamentos foi relatado por Francesco Giordano, um colono que morava na estrada principal que levava ao povoado.

    Em 12 de novembro, ele alegou ter visto uma jovem mulher emergir da mata próxima à sua propriedade e caminhar ao longo da estrada em direção ao povoado. Quando ele a chamou, ela respondeu: “E Francesco teve certeza de que era Elisa Bernardi. Ela parecia magra e mal vestida, mas fisicamente intacta. Segundo Francesco, Elisa respondeu às suas perguntas de maneira evasiva, alegando que estava bem e que não precisava de ajuda.

    Quando ele ofereceu levá-la de volta à propriedade de seus pais ou providenciar transporte para onde quer que estivesse indo, ela recusou firmemente. Francesco notou que ela carregava uma trouxa pequena e que suas roupas, embora sujas e desgastadas, não eram as mesmas que ela usava quando desapareceu meses antes.

    O encontro de Francesco com Elisa durou apenas alguns minutos antes que ela se desculpasse e continuasse caminhando em direção ao povoado. Francesco considerou segui-la, mas decidiu respeitar seu desejo aparente de privacidade. Entretanto, ele imediatamente se dirigiu à propriedade dos Bernard para informar Giuseppe sobre o encontro. Chegando lá, na mesma tarde, Giuseppe recebeu a notícia do avistamento de Elisa com mistura de alívio e frustração.

    Ficou claro que sua filha estava viva e aparentemente em condições físicas razoáveis, mas sua recusa em retornar para casa, ou mesmo manter contato prolongado com vizinhos, sugeria que ela havia tomado decisão consciente de permanecer separada da família. Giuseppe decidiu ir ao povoado no dia seguinte para tentar encontrá-la. A viagem de Giuseppe ao povoado, no entanto, não resultou em reencontro com Elisa.

    Comerciantes e residentes locais relataram ter visto uma jovem mulher que correspondia à sua descrição, mas ninguém sabia para onde ela havia ido ou onde estava hospedada. Algumas pessoas mencionaram ter visto a mulher conversando com viajantes que passavam pela região, sugerindo que ela talvez estivesse tentando conseguir transporte para outro lugar.

    A busca infrutífera no povoado deixou Giuseppe profundamente desencorajado. Retornou à propriedade com a certeza de que Elisa estava deliberadamente evitando contato com a família, mas sem entendimento claro de suas motivações ou planos futuros. Caterina, quando informada sobre o encontro de Francesco e a subsequente busca malsucedida, passou vários dias em estado de angústia renovada.

    Durante dezembro de 1895, os avistamentos de Elisa tornaram-se ainda mais raros e espaçados. A comunidade começou gradualmente a aceitar que ela havia partido definitivamente da região, possivelmente acompanhando algum dos viajantes que frequentemente passavam pela área. O inverno rigoroso tornava improvável que alguém conseguisse sobreviver na mata sem abrigo adequado, reforçando a teoria de que ela havia encontrado outras acomodações. O último avistamento confirmado de Elisa Bernardi foi relatado em 23 de dezembro pelo padre

    Giovani Marcelo. Segundo suas anotações, ele estava retornando de visita pastoral a uma família isolada quando viu uma jovem mulher ajoelhada diante de um cruzeiro de madeira que havia sido erguido à beira da estrada principal anos antes. quando se aproximou para oferecer assistência, reconheceu Elisa imediatamente.

    O encontro do padre Giovani com Elisa foi mais prolongado que os avistamentos anteriores relatados por outros membros da comunidade. Segundo suas anotações detalhadas, Elisa parecia fisicamente debilitada, mas mentalmente lúcida. Ela respondeu às suas perguntas sobre sua condição e bem-estar, mas recusou-se a discutir seus planos ou explicar por havia deixado a casa familiar.

    Quando o padre ofereceu ajuda para reunir-se com seus pais, ela agradeceu, mas declinou firmemente. Mais significativo foi o que Elisa revelou sobre Marco durante sua conversa com o padre Giovani. Segundo as anotações do padre, ela confirmou que Marco havia estado com ela durante os meses em que viveram na mata, mas explicou que eles haviam se separado em outubro.

    Ela não ofereceu detalhes sobre as circunstâncias da separação ou sobre o paradeiro atual de Marco, dizendo apenas que ele havia partido para lugar onde ela não podia segui-lo. Quando o padre Giovan perguntou se Marco estava bem quando se separaram, Elisa hesitou por longo tempo antes de responder. Finalmente, ela disse que Marco estava em paz e que não precisava mais se preocupar com os problemas que os haviam forçado a se esconder.

    A natureza vaga de sua resposta, combinada com sua linguagem corporal durante a conversa, deixou o padre com impressões perturbadoras que ele posteriormente registrou em seus diários pessoais. O padre Giovan ofereceu-se para acompanhar Elisa onde quer que ela estivesse indo, ou para providenciar acomodação temporária enquanto ela reconsiderava sua situação.

    Elisa agradeceu a oferta, mas explicou que havia tomado disposições para deixar a região e que não desejava criar mais problemas para sua família ou para a comunidade. Quando pressionada sobre detalhes, ela permaneceu evasiva, mas assegurou ao padre que não estava em perigo imediato. A conversa terminou com Elisa, pedindo ao padre que transmitisse suas despedidas aos pais e explicasse que sua decisão de partir não estava relacionada a ressentimento ou raiva, mas a circunstâncias que tornavam impossível retomar sua vida anterior. Ela pediu

    especificamente que Giuseppe e Caterina não se culpassem pelo que havia acontecido e que tentassem continuar suas vidas sem esperar por seu retorno. Após transmitir as despedidas, Elisa partiu caminhando pela estrada em direção ao povoado. O padre Giovan considerou segui-la, mas respeitou seu desejo aparente de privacidade.

    Essa foi a última vez que qualquer membro da comunidade italiana de Bento Gonçalves relatou ter visto Elisa Bernardi. Seu destino após 23 de dezembro de 1895 permaneceu desconhecido. Giuseppe e Caterina Bernardi receberam as despedidas transmitidas pelo padre Giovani com sentimentos misturados. Havia alívio em saber que Elisa estava viva e aparentemente segura, mas também tristeza profunda pela confirmação de que ela não pretendia retornar.

    Caterina, em particular teve dificuldade em aceitar que nunca mais veria a filha e passou meses esperando que Elisa mudasse de ideia e voltasse para casa. O destino de Marco Stefanelli permaneceu completamente em mistério. As referências vagas de Elisa ao fato de que ele havia partido para lugar onde ela não podia segui-lo e estava em paz, foram interpretadas de várias maneiras pelos membros da comunidade.

    Algumas pessoas acreditaram que ele havia deixado a região para procurar trabalho em outras áreas. Outras, entretanto, desenvolveram teorias mais sombrias. sobre o que poderia ter acontecido com ele. Durante janeiro de 1896, uma busca final e limitada foi organizada para tentar localizar Marco ou determinar seu destino. A busca concentrou-se nas áreas onde os abrigos destruídos haviam sido encontrados e em locais que não haviam sido explorados completamente durante as buscas anteriores.

    Usep participou dessa busca final, movido em parte curiosidade sobre o destino do jovem que havia trabalhado em sua propriedade. A busca de janeiro resultou em descoberta adicional que aprofundou o mistério em vez de esclarecê-lo. Em área de mata densa, localizada a aproximadamente 3 km do abrigo destruído encontrado em outubro, os buscadores descobriram um local que claramente havia sido usado para enterrar algo.

    O solo havia sido escavado e posteriormente coberto, mas com cuidado insuficiente para esconder completamente a perturbação. A escavação do local revelou restos de roupas e objetos pessoais que foram identificados como tendo pertencido a Marco Stefanelli. As roupas estavam em condições que sugeriam que haviam sido enterradas há vários meses, possivelmente desde outubro, coincidindo com o período em que Elisa havia indicado que eles se separaram.

    Não havia, entretanto, evidências dos restos físicos de Marco, apenas seus pertences pessoais. A descoberta dos pertences enterrados de Marco criou especulação intensa na comunidade sobre o que havia realmente acontecido entre ele e Elisa durante seu tempo escondidos na mata. Aência dos restos físicos de Marco, combinada com o enterro cuidadoso de seus pertences, sugeria que algo significativo havia ocorrido, mas a natureza exata dos eventos permaneceu indeterminada.

    Giuseppe decidiu não prosseguir com investigações adicionais. Os registros oficiais sobre o caso de Elisa Bernardi e Marco Stefanelli são fragmentários e incompletos. Os arquivos municipais da época contém apenas referências básicas aos desaparecimentos classificados como abandono voluntário, no caso de Elisa, e desaparecimento não resolvido no caso de Marco.

    Nenhuma investigação formal foi conduzida pelas autoridades, refletindo tanto a limitação dos recursos policiais da época quanto a tendência da comunidade italiana de resolver questões internas sem envolvimento externo. O padre Giovan Marcelo manteve registros mais detalhados em seus diários pessoais, incluindo observações sobre o comportamento da família Bernard e sua própria interpretação dos eventos.

    Esses registros, preservados nos arquivos paroquiais fornecem a fonte mais rica de informações sobre os aspectos psicológicos e sociais do caso. O padre expressou preocupação particular sobre o impacto dos eventos na coesão da comunidade italiana. Giuseppe e Caterina Bernardi continuaram vivendo na propriedade onde os eventos ocorreram até suas mortes.

    Giuseppe em 1903 e Caterina em 1907. Vizinhos relataram que eles nunca recuperaram completamente o equilíbrio emocional após o desaparecimento de Elisa. Giuseppe, em particular desenvolveu o hábito de caminhar pelas trilhas da propriedade durante as tardes, como se ainda esperasse encontrar evidências do paradeiro de sua filha.

    A propriedade dos Bernard foi vendida após a morte de Caterina para a família de imigrantes alemães que se estabeleceram na região durante a primeira década do século XX. Os novos proprietários demoliram várias das estruturas originais, incluindo o galpão onde Elisa e Marco haviam se encontrado. A casa principal foi expandida e modificada, eliminando muitas das características físicas que estavam associadas aos eventos de 1895.

    Durante as décadas que se seguiram, o caso de Elisa Bernardi tornou-se parte do folclore local da região de Bento Gonçalves. Diferentes versões da história circularam oralmente entre as famílias da comunidade italiana, com detalhes que variaram e se modificaram através das gerações.

    Algumas versões enfatizavam aspectos românticos da relação entre Elisa e Marco, enquanto outras focavam nos elementos mais sombrios e misteriosos dos eventos. Em 1922, um pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul chamado Doutor Alberto Moraes, conduziu estudo sobre a história da imigração italiana na Serra Gaúcha.

    Durante sua pesquisa, ele entrevistou vários membros idosos da comunidade que haviam sido contemporâneos dos eventos de 1895. As entrevistas revelaram detalhes adicionais sobre o caso, incluindo algumas informações que não haviam sido preservadas em registros escritos. Dr. Morais registrou o relato particularmente intrigante de uma mulher chamada Rosa Benedet, que havia sido amiga próxima de Caterina Bernardi.

    Segundo Rosa, Caterina havia confiado a ela, pouco antes de sua morte informações adicionais sobre os eventos de 1895, que nunca haviam sido compartilhadas com outros membros da comunidade. Rosa hesitou em revelar esses detalhes durante sua entrevista com o Dr. Morais, mas finalmente decidiu compartilhá-los para fins históricos.

    Segundo o relato de Rosa Benedetti, Caterina havia descoberto, após o desaparecimento final de Elisa, evidências que sugeriam que a filha havia estado grávida durante os últimos meses em que viveu na mata. Rosa explicou que Caterina havia encontrado indicações desta condição entre os pertences que Elisa havia deixado para trás e em observações que havia feito sobre mudanças físicas de sua filha antes do desaparecimento.

    Caterina nunca compartilhou essa informação com Giuseppe ou com outras pessoas. A revelação sobre uma possível gravidez forneceu contexto adicional para entender as motivações de Elisa e as circunstâncias que levaram aos eventos de 1895. também explicação possível para algumas das referências vagas que Elisa havia feito durante sua última conversa com o padre Giovan sobre circunstâncias que tornavam impossível retomar sua vida anterior. Entretanto, a informação nunca foi confirmada independentemente.

    Dr. Morais incluiu o caso de Elisa Bernardi em sua dissertação sobre a história social da imigração italiana. mas apresentou os eventos como exemplo de tensões familiares e sociais típicas do período de adaptação enfrentado pelos imigrantes. Não especulou extensivamente sobre os aspectos mais misteriosos do caso, focando em Sted, nos elementos que ilustravam questões mais amplas sobre estruturas familiares, expectativas sociais e pressões econômicas enfrentadas pelas comunidades de imigrantes. A dissertação de Dr. Morais foi

    arquivada na biblioteca da universidade e permaneceu largamente ignorada por décadas. Não foi até 1958 que o documento foi redescoberto por outro pesquisador, Dr. Maria Gonzales, que estava conduzindo estudos sobre casos não resolvidos na história do Rio Grande do Sul. Dr. Gonzales ficou intrigada pelos aspectos misteriosos do caso de Elisa Bernardi e decidiu condir investigação mais aprofundada. Dr.

    Gonzales conseguiu localizar alguns dos descendentes das famílias que haviam sido contemporâneas dos eventos de 1895. Através de entrevistas com essas pessoas, ela coletou versões adicionais da história que haviam sido preservadas oralmente através das gerações. Algumas dessas versões incluíam detalhes que não apareciam nos registros escritos disponíveis, embora a confiabilidade dessas informações fosse questionável devido ao tempo transcorrido.

    Uma das entrevistas conduzidas por Dr. Gonzales foi com Giuseppe Bernard Neto, neto do Giuseppe original, que havia crescou ouvindo histórias sobre os eventos contadas por membros mais velhos da família. Giuseppe Neto revelou que havia rumores persistentes na família de que Elisa havia sido vista em outras regiões do Brasil décadas após seu desaparecimento de Bento Gonçalves.

    Esses avistamentos nunca foram confirmados, mas sugeriram que ela poderia ter sobrevivido e estabelecido nova vida em outro lugar. Dr. Gonzales também conseguiu acesso aos diários pessoais do padre Giovani Marcelo, que haviam sido preservados nos arquivos paroquiais. Uma revisão mais cuidadosa desses diários revelou entradas que não haviam sido notadas por pesquisadores anteriores, incluindo reflexões do padre sobre possíveis interpretações dos eventos e suas preocupações sobre aspectos do caso que ele considerava perturbadores demais para discutir

    publicamente na época. Em uma entrada datada de janeiro de 1896, o padre Giovan registrou sonho recorrente que havia começado a ter após sua última conversa com Elisa. No sonho, ele caminhava pela mata próxima à propriedade dos Bernard e ouvia vozes chamando por ajuda. Quando seguia as vozes, encontrava Marco Stefanelli sozinho em clareira, ferido e pedindo por assistência.

    O padre interpretou o sonho como possível indicação divina de que Marco precisava de ajuda e que talvez ainda estivesse vivo na mata. Motivado por esses sonhos, o padre Giovanni havia organizado várias expedições pequenas e discretas para procurar Marco durante os primeiros meses de 1896. Essas expedições não haviam resultado em descobertas significativas, mas haviam permitido ao padre explorar áreas da mata que não haviam sido examinadas durante as buscas oficiais. Ele registrou em seus diários que havia encontrado evidências adicionais de

    ocupação humana na mata, mas nada que pudesse ser definitivamente ligado a Marco. Dr. Gonzales tentou localizar os locais específicos mencionados nos diários do padre Giovanni para conduzir sua própria exploração, mas descobriu que muitas das características geográficas haviam mudado drasticamente durante as décadas intermediárias.

    Desenvolvimento agrícola e florestal havia alterado as trilhas e muitas das estruturas naturais que haviam servido como pontos de referência na época não existiam mais. A propriedade original dos Bernardi havia sido incorporada à fazenda Maior e era irreconhecível. Em 1962, durante escavação para a construção de nova estrada na região que havia sido propriedade dos Bernard, trabalhadores descobriram restos humanos em local que correspondia aproximadamente à área onde o galpão abandonado havia sido localizado décadas antes.

    Os restos foram examinados por autoridades locais e determinados como sendo de pessoa adulta que havia morrido várias décadas antes da descoberta. A descoberta dos restos humanos reascendeu interesse no caso de Elisa Bernardi e Marco Stefanelli. Dr. Gonzales foi consultada pelas autoridades devido ao seu conhecimento do caso histórico.

    E ela providenciou informações sobre as pessoas desaparecidas para auxiliar na identificação. Entretanto, as técnicas forenses disponíveis na época eram limitadas. e não foi possível fazer identificação definitiva baseada apenas nos restos ósse Gonzales organizou expedição final para tentar localizar evidências adicionais relacionadas ao caso.

    Usando mapas históricos e as descrições preservadas nos diários do padre Giovani, sua equipe explorou sistematicamente áreas que correspondiam aos locais mencionados nos relatos de 1895. A expedição resultou na descoberta de vários artefatos que pareciam datar do período relevante, incluindo fragmentos de metal, que poderiam ter sido utensílios de cozinha e pequenos objetos. pessoais.

    Entre os artefatos descobertos, o mais intrigante foi fragmento de metal gravado, que parecia ser parte de medalhão ou joia. A gravação, embora desgastada pelo tempo, incluía letras que poderiam ser interpretadas como MS, possivelmente referindo-se a Marco Stefanelli. O fragmento foi encontrado em área que correspondia aproximadamente ao local onde os pertences enterrados de Marco haviam sido descobertos em 1896, fornecendo possível confirmação da conexão.

    Autor Gonzales completou sua investigação em 1964 e preparou o relatório abrangente sobre o caso. O relatório incluía todas as evidências disponíveis, desde os registros históricos originais até as descobertas arqueológicas recentes. Entretanto, ela concluiu que, apesar do material substancial que havia sido coletado, o destino exato de Elisa Bernard e Marco Stefanelli permanecia indeterminado. O relatório de Dr.

    Gonzales foi arquivado nos registros estaduais e cópias foram enviadas para várias instituições acadêmicas interessadas em história regional. O documento permaneceu amplamente desconhecido fora dos círculos acadêmicos especializados até 1968, quando foi descoberto por jornalista investigativo que estava pesquisando casos históricos não resolvidos para a série de artigos de jornal.

    O jornalista chamado Carlos Mendoza publicou série de três artigos sobre o caso de Elisa Bernard no jornal local de Caxias do Sul durante setembro de 1968. Os artigos geraram interesse considerável na comunidade regional e resultaram em várias pessoas entrando em contato com Mendoza para compartilhar informações adicionais ou teorias sobre os eventos.

    Entretanto, nenhuma das informações fornecidas resultou em esclarecimento significativo sobre o caso. Um dos contatos mais intrigantes recebidos por Mendoza veio de mulher idosa chamada Helena Martinelli, que alegava ter informações sobre o destino de Elisa Bernardi. Helena explicou que sua avó havia trabalhado como parteira na região durante as últimas décadas do século XIX e havia mantido registros informais de nascimentos e outros eventos médicos.

    Segundo Helena, esses registros incluíam referência à jovem mulher que correspondia à descrição de Elisa, que havia dado à luz em localidade distante durante o inverno de 1895. Helena ofereceu-se para mostrar os registros de sua avó à Mendoza, mas quando ele tentou arranjar encontro, descobriu que Helena havia mudado de endereço e não podia ser localizada.

    através das informações de contato que havia fornecido. Tentativas subsequentes de localizar Helena ou verificar sua história foram infrutíferas. Mendoza incluiu referência ao contato em seus artigos, mas admitiu que não havia conseguido confirmar as informações independentemente, os artigos de Mendoza marcaram o último interesse público significativo no caso de Elisa Bernardi durante várias décadas.

    O caso gradualmente desapareceu da consciência pública, permanecendo conhecido apenas para especialistas em história local e ocasionais entusiastas de mistérios históricos. Os arquivos relacionados ao caso foram consolidados e depositados nos arquivos estaduais, onde permanecem disponíveis para pesquisadores interessados.

    Durante os anos que se seguiram, desenvolvimento urbano e agrícola continuou a alterar a paisagem da região onde os eventos ocorreram. A maior parte da mata onde Elisa e Marcos supostamente viveram foi desmatada para agricultura ou desenvolvimento residencial. As trilhas antigas foram substituídas por estradas pavimentadas e marcos geográficos mencionados nos relatos históricos deixaram de existir ou tornaram-se irreconhecíveis.

    Hoje, a região que foi palco dos eventos de 1895 faz parte da próspera área vinícola de Bento Gonçalves. Visitantes da área raramente têm consciência da história sombria que uma vez se desenrolou naquelas terras. Não há monumentos ou placas comemorativas relacionadas ao caso de Elisa Bernardi e poucos residentes locais estão familiarizados com os detalhes dos eventos.

    Ol, pesquisadores ou escritores interessados em história local redescobrem o caso e tentam investigação adicional. Esses esforços geralmente resultam em pouco progresso devido à escassez de evidências físicas. disponíveis e a passagem de mais de um século desde os eventos originais. As pessoas que tiveram conhecimento direto dos eventos já faleceram há décadas e as tradições orais que preservaram aspectos da história tornaram-se fragmentadas e não confiáveis.

    O caso de Elisa Bernardi permanece como exemplo de mistério histórico que resiste à resolução completa. As evidências disponíveis fornecem estrutura básica dos eventos, mas deixam questões fundamentais sem resposta. O destino final tanto de Elisa quanto de Marco, a natureza exata de seu relacionamento e as circunstâncias que levaram aos eventos de 1895 permanecem assuntos de especulação em vez de fato estabelecido.

    Para aqueles que estudam o caso hoje, talvez a lição mais significativa seja sobre os limites do conhecimento histórico. Mesmo casos que geraram documentação substancial e investigação extensiva podem permanecer fundamentalmente misteriosos quando as evidências físicas se deterioraram e as testemunhas desapareceram.

    O caso de Elisa Bernardi serve como lembrete de que nem todos os mistérios do passado podem ou serão resolvidos, independentemente dos esforços dedicados à sua investigação, nos registros fragmentados que sobreviveram, nas tradições orais que persistiram e nas evidências físicas ocasionalmente descobertas. O eco dos eventos de 1895 continua a ressoar.

    A história de Elisa Bernardi e Marco Stefanelli permanece como testemunho dos dramas humanos que se desenrolaram nas comunidades pioneiras do Brasil. dramas cujos detalhes completos talvez nunca sejam conhecidos, mas cujo impacto emocional e social continuou a afetar gerações subsequentes. E assim, mais de um século depois, quando o vento sopra através dos vinhedos, que agora cobrem as terras, onde uma vez ficava a propriedade dos Bernard, talvez ainda carregue ecos.

    Vozes que chamaram por ajuda numa mata que já não existe. Vozes que sussurraram segredos em abrigos que foram destruídos pelo tempo. Vozes que permaneceram silenciosas sobre verdades que levaram consigo para lugares onde ninguém mais poderia segui-las. Что?

  • (1903, Salvador) O Horripilante Caso da Jovem Marina Azevedo

    (1903, Salvador) O Horripilante Caso da Jovem Marina Azevedo

    No ano de 1903, Salvador ainda era uma cidade de contrastes violentos. O Pelourinho fervilhava com o comércio de escravos libertos que tentavam sobreviver, enquanto as famílias tradicionais baianas se refugiavam em seus sobrados coloniais, protegidas por grossas paredes de pedra e cal.

    Foi nesse cenário que se desenrolou uma das histórias mais perturbadoras já registradas nos arquivos da Santa Casa de Misericórdia da Bahia. Marina dos Santos Azevedo tinha 22 anos quando desapareceu. Era filha única de Joaquim Manuel Azevedo, comerciante português estabelecido no Mercado Modelo, e de Esperança dos Santos, baiana nascida no Recôncavo.

    A família vivia numa casa térrea, na Rua da Misericórdia, número 67, a poucos metros da igreja de mesmo nome, uma residência modesta, mas bem posicionada no centro da cidade baixa. Segundo os registros paroquiais da Igreja da Misericórdia, Marina era descrita pelos vizinhos como uma moça reservada de hábitos regulares. Levantava-se sempre antes do amanhecer para acender as velas do oratório familiar e preparar o café da manhã. Às 7 horas da manhã, acompanhava a mãe até o mercado para comprar peixe fresco. Às 9 voltava para casa e dedicava-se aos afazeres domésticos. Às tardes bordava no quintal, sempre sob a sombra de uma jaqueira centenária.

    A rotina da família Azevedo seguia um padrão rígido. Joaquim saía para o trabalho às 5:30 da manhã e retornava apenas ao entardecer. Esperança passava as manhãs no mercado, onde vendia doces caseiros numa pequena barraca alugada. Marina ficava responsável pela casa. Aos domingos, os três assistiam à missa na Igreja do Rosário dos Pretos, onde Esperança havia sido batizada.

    Os vizinhos comentavam que a casa da família Azevedo era diferente das outras, silenciosa demais, mesmo durante o dia. As janelas permaneciam fechadas na maior parte do tempo e raramente se ouvia conversa no quintal. Dona Francisca Pereira, que morava na casa ao lado, relatou anos depois que Marina falava pouco, mesmo quando cumprimentada na rua, sempre abaixava os olhos e respondia com monossílabos.

    O Padre Antônio José da Silva, responsável pela paróquia da Misericórdia, registrou em suas anotações pessoais que a família Azevedo frequentava os serviços religiosos com regularidade, mas nunca participava dos eventos sociais da comunidade. Joaquim contribuía financeiramente para a igreja, mas evitava conversas prolongadas após as missas. Esperança trazia oferendas, mas mantinha-se afastada das outras mulheres.

    Na casa da Rua da Misericórdia, as refeições aconteciam em silêncio. Marina servia o pai e a mãe, comia rapidamente e retirava-se para o quintal. Joaquim lia jornais antigos que comprava por alguns réis no mercado. Esperança costurava ou remendava roupas sob a luz de candeeiros. As conversas limitavam-se ao estritamente necessário: pedidos de mais comida, comentários sobre o tempo, recados de vizinhos.

    Durante o mês de outubro de 1903, alguns eventos quebraram a rotina da família. Primeiro chegou uma carta endereçada à Marina. O carteiro, Sr. Benedito Rodriguez, lembrava-se claramente, porque era incomum solteira receber correspondência. A carta não tinha remetente identificado, apenas um carimbo dos correios da cidade baixa. Marina recebeu-a das mãos do pai e desapareceu no interior da casa.

    No dia seguinte, Marina faltou à missa matinal, algo que jamais havia acontecido antes. Esperança explicou ao padre que a filha estava indisposta, mas não forneceu detalhes sobre a natureza do mal-estar. Durante aquela semana, os vizinhos notaram que as janelas da casa permaneceram fechadas por dias seguidos. Nenhum movimento no quintal, nenhum som de atividade doméstica.

    Dona Francisca relatou que ouviu conversas abafadas durante as madrugadas, vozes que se alternavam entre sussurros e períodos de silêncio absoluto. Não conseguia distinguir as palavras, mas percebeu que eram sempre duas pessoas conversando, nunca três. Uma vez, por volta das 2 horas da manhã, escutou algo que parecia choro contido, mas não tinha certeza se vinha da casa dos Azevedo ou de outro lugar da vizinhança.

    O açougueiro Francisco de Assis Bonfim, que fornecia carne para várias famílias da região, notou que os Azevedo pararam de fazer encomendas. Durante duas semanas consecutivas, Esperança não apareceu no mercado. Joaquim continuava saindo para o trabalho, mas retornava mais cedo que o habitual. Os vizinhos comentavam que ele caminhava com pressa, olhando sempre para os lados, como quem teme ser observado.

    Em novembro, a situação tornou-se ainda mais estranha. Marina voltou a aparecer, mas algo havia mudado drasticamente em sua aparência. Dona Francisca descreveu que a moça parecia ter perdido muito peso em pouco tempo. Caminhava de forma diferente, como se cada passo lhe causasse dor. Os cabelos, antes sempre penteados com cuidado, estavam constantemente desarranjados. As roupas pareciam largas demais para seu corpo.

    O Padre Antônio José registrou que Marina voltou a frequentar a igreja, mas comportava-se de maneira estranha durante as missas. Sentava-se no último banco, mantinha a cabeça baixa durante toda a celebração e saía antes do final. Quando o padre tentava cumprimentá-la na saída, ela desviava o olhar e apressava o passo. Em uma ocasião, ele notou marcas escuras nos pulsos de Marina, mas ela cobriu-as rapidamente com as mangas do vestido.

    Esperança também mudou seu comportamento. Voltou ao mercado, mas vendia seus doces em silêncio absoluto. Não respondia às perguntas das outras vendedoras e evitava contato visual com os clientes. Quando questionada sobre a saúde da filha, limitava-se a dizer que Marina estava se recuperando de uma febre prolongada. Nunca fornecia detalhes adicionais, mesmo quando as pessoas insistiam em saber mais.

    As mudanças na dinâmica familiar tornaram-se evidentes para toda a vizinhança. As janelas da casa continuavam fechadas durante o dia, mas à noite era possível ver luz fraca através das frestas das madeiras. Dona Francisca observou que a luz movia-se de um cômodo para outro, como se alguém caminhasse pela casa carregando uma vela. Os movimentos seguiam sempre o mesmo padrão: da sala para o quintal, do quintal para o que parecia ser um quarto nos fundos.

    Durante o mês de dezembro, aconteceu o evento que mudaria definitivamente a história da família Azevedo. Na madrugada do dia 15, Dona Francisca foi acordada por gritos que vinham da casa vizinha. Não eram gritos de dor física, mas de desespero absoluto. Uma voz feminina que gritava palavras incompreensíveis intercaladas com períodos de silêncio. Os gritos duraram aproximadamente uma hora e depois cessaram completamente.

    Na manhã seguinte, Dona Francisca notou que a casa dos Azevedo estava estranhamente silenciosa. Nenhum movimento, nenhum som de atividade doméstica. As janelas permaneceram fechadas durante todo o dia. Joaquim não saiu para o trabalho. Esperança não foi ao mercado. À tarde, uma vizinha bateu na porta para perguntar se precisavam de algo, mas ninguém respondeu.

    No terceiro dia de silêncio absoluto, o Padre Antônio José decidiu verificar pessoalmente a situação da família. Acompanhado por dois homens da paróquia, dirigiu-se à casa da Rua da Misericórdia. Bateram na porta várias vezes. Chamaram pelos nomes dos moradores, mas não obtiveram resposta. As janelas estavam fechadas, mas não trancadas.

    Através de uma fresta conseguiram ver o interior da sala. A casa parecia habitada, mas deserta. Móveis em seus lugares habituais, roupas estendidas no quintal, restos de comida na mesa da cozinha. Tudo indicava que as pessoas haviam saído momentaneamente e retornariam em breve. Porém, havia algo perturbador na organização dos objetos. As cadeiras estavam dispostas em círculo no centro da sala. Sobre a mesa, três pratos com comida intocada, como se uma refeição tivesse sido interrompida abruptamente.

    O padre decidiu entrar pela janela da cozinha. O interior da casa confirmou suas suspeitas de que algo grave havia acontecido. Na sala encontrou cartas espalhadas pelo chão. Não eram cartas comuns. A caligrafia era a mesma em todas elas, mas o conteúdo variava drasticamente. Algumas continham palavras de amor e saudade, outras ameaças veladas. Algumas eram incompreensíveis, apenas sequências de palavras soltas, sem conexão lógica.

    No quarto dos fundos, o padre fez a descoberta mais perturbadora. O colchão estava revirado, como se alguém tivesse procurado algo escondido no seu interior. No chão encontrou mechas de cabelo feminino cortadas de forma irregular. As paredes apresentavam marcas estranhas, como se alguém tivesse passado as unhas repetidamente sobre a cal. Em um canto do quarto, uma boneca de pano estava despedaçada com o enchimento espalhado pelo chão.

    A investigação preliminar revelou que a família Azevedo havia desaparecido durante a madrugada, deixando para trás todos os seus pertences. Joaquim abandonara sua barraca no mercado sem avisar aos colegas comerciantes. Esperança deixara seus doces em casa, alguns ainda em processo de preparo. Marina não levara nenhuma peça de roupa, nem mesmo seus objetos pessoais mais básicos.

    Os registros oficiais da época são escassos, mas o delegado responsável pelo caso, Coronel João Batista Ferreira, anotou em seu relatório que a casa apresentava sinais de luta: móveis revirados, louças quebradas no chão da cozinha, manchas escuras em algumas paredes que não puderam ser identificadas com precisão. No quintal encontraram uma enxada com cabo quebrado e terra revolvida próxima à jaqueira, como se alguém tivesse cavado e depois coberto novamente o buraco.

    A busca pela família estendeu-se por toda Salvador e cidades vizinhas. Cartazes com os nomes e descrições dos desaparecidos foram afixados em mercados, igrejas e repartições públicas. Joaquim era descrito como homem de estatura mediana, cabelos grisalhos, cicatriz na mão esquerda. Esperança, mulher mulata de 40 anos, sempre vestida de preto, dente de ouro no sorriso. Marina, moça de 22 anos, cabelos cacheados, marca de nascença no pescoço.

    Durante as primeiras semanas após o desaparecimento, surgiram alguns relatos de pessoas que alegavam ter visto membros da família em diferentes locais. Um pescador disse ter visto uma mulher parecida com Marina, caminhando sozinha pela praia de Itapuã ao amanhecer. Um comerciante do Mercado Modelo relatou ter visto alguém semelhante a Joaquim comprando provisões no cais, mas quando se aproximou para cumprimentar, o homem desapareceu entre a multidão.

    As investigações revelaram aspectos da vida da família que antes eram desconhecidos pelos vizinhos. Joaquim mantinha correspondência regular com parentes em Portugal, mas as cartas haviam cessado abruptamente no mês de setembro. Esperança frequentava discretamente terreiros de candomblé no subúrbio de Salvador, prática que escondia do marido e da filha. Marina, segundo descobriu-se depois, recebia visitas secretas de um jovem seminarista durante as tardes em que os pais estavam ausentes.

    O jovem em questão era Padre José Maria dos Santos, ordenado recentemente e designado para auxiliar nas atividades da paróquia do Rosário dos Pretos. Durante os interrogatórios, ele admitiu conhecer Marina, mas negou qualquer envolvimento romântico. Segundo seu depoimento, Marina procurava orientação espiritual para questões pessoais, que não se sentia à vontade para discutir com os pais. As conversas aconteciam no quintal da casa, sempre em horários em que Joaquim e Esperança estavam ausentes.

    O Padre José Maria revelou detalhes perturbadores sobre o estado mental de Marina durante suas últimas conversas. Ela relatava pesadelos constantes, envolvendo uma criança que chorava durante as madrugadas. Descrevia vozes que ouvia vindas do porão da casa, embora a construção não possuísse porão. Mencionava uma sensação constante de estar sendo observada, mesmo quando estava sozinha. Em várias ocasiões, pediu ao padre que benzesse a casa, mas ele não compreendia o motivo da solicitação.

    As revelações do Padre José Maria levaram as autoridades a realizar uma segunda inspeção na casa da Rua da Misericórdia. Desta vez, a busca concentrou-se no quintal, especificamente na área próxima à Jaqueira, onde haviam encontrado terra revolvida. Utilizando ferramentas apropriadas, começaram uma escavação sistemática do local.

    A aproximadamente 1 metro de profundidade, encontraram uma caixa de madeira enterrada há vários anos. O conteúdo da caixa surpreendeu os investigadores: roupas de bebê cuidadosamente dobradas, uma certidão de nascimento datada de 1898 e um frasco contendo um líquido escuro que nunca foi identificado. A certidão estava em nome de uma criança chamada Antônio dos Santos Azevedo, filho de Joaquim e Esperança.

    A descoberta do documento levantou questões que ninguém conseguiu responder satisfatoriamente. Segundo os registros paroquiais, Joaquim e Esperança nunca tiveram outros filhos além de Marina. Não havia registro de nascimento ou óbito de nenhuma criança com o nome encontrado na caixa. Os vizinhos mais antigos não se recordavam de Esperança ter estado grávida em 1898, nem de qualquer criança ter vivido na casa além de Marina. O Padre Antônio José, responsável pelos registros da paróquia, verificou cuidadosamente todos os livros de nascimento, batismo e óbito dos anos correspondentes. Não encontrou nenhuma referência a Antônio dos Santos Azevedo. Também não havia registro de que Esperança tivesse solicitado batismo para uma segunda criança. Os únicos documentos oficiais envolvendo a família datavam do batismo de Marina em 1881.

    A investigação sobre a criança misteriosa levou os investigadores a questionar pessoas que conheciam a família há mais tempo. Dona Maria das Dores, parteira que assistira o nascimento de Marina, foi encontrada vivendo numa casa simples no bairro da Liberdade. Já com mais de 70 anos e saúde debilitada, ela relutava em falar sobre os acontecimentos do passado.

    Pressionada pelas autoridades, Dona Maria das Dores revelou que, de fato, havia assistido um segundo nascimento na casa da família Azevedo. O evento aconteceu no final de 1898, durante um período de chuvas intensas que isolaram a cidade baixa do restante de Salvador. O nascimento foi difícil, durou mais de 20 horas e a criança nasceu com problemas graves que ela não soube especificar. Segundo o relato da parteira, a criança viveu apenas três dias. Durante esse tempo, permaneceu no quarto dos fundos da casa, assistida exclusivamente por Esperança. Joaquim não permitiu que outras pessoas soubessem do nascimento. Marina, então com 17 anos, foi enviada para ficar com parentes no Recôncavo durante todo o período.

    O enterro aconteceu no próprio quintal, numa cerimônia privada da qual participaram apenas os pais e a parteira. Dona Maria das Dores descreveu o ambiente da casa durante aqueles três dias como opressor e silencioso. Esperança não chorava, mas também não demonstrava alegria. Joaquim permanecia a maior parte do tempo em seu quarto, saindo apenas para providenciar os itens necessários para os cuidados da criança. A parteira foi instruída a não comentar o acontecimento com ninguém, nem mesmo com outras famílias para as quais prestava serviços.

    A revelação da parteira explicava a presença da caixa enterrada no quintal, mas levantava outras questões perturbadoras. Por que a família decidiu esconder a existência da criança? Por que Marina foi afastada de casa durante esse período? E mais importante, qual era a conexão entre esses eventos do passado e o desaparecimento recente da família.

    O Padre José Maria, quando confrontado com essas informações, revelou detalhes adicionais sobre suas conversas com Marina. Ela havia mencionado que ouvia choro de criança durante as madrugadas, especificamente vindo da direção do quintal. Descrevia uma sensação de que alguém caminhava pela casa durante a noite, mas quando verificava não encontrava ninguém. Em várias ocasiões encontrava objetos fora de lugar pela manhã: cadeiras movidas, portas que havia deixado fechadas, encontradas abertas, velas acesas em locais onde não as havia deixado.

    Marina também relatou ao padre episódios em que acordava com a sensação de que alguém havia estado em seu quarto durante a noite. Encontrava marcas de pés pequenos na poeira do chão, como se uma criança tivesse caminhado pelo cômodo. Em uma ocasião encontrou uma pequena mão impressa na condensação do vidro da janela, mas quando chamou os pais para ver, a marca já havia desaparecido.

    Os relatos de Marina, combinados com as descobertas no quintal, sugeriram aos investigadores que a família vivia assombrada pela memória da criança morta. Esperança, segundo observaram os vizinhos, havia mudado drasticamente após 1898. Tornou-se mais reservada, evitava conversas sobre família e raramente sorria. Joaquim passou a trabalhar longas horas e a beber com frequência nas tavernas do porto.

    A busca pela família Azevedo continuou por meses, mas sem resultados concretos. Cartazes foram afixados em cidades do interior da Bahia, em Aracaju e até mesmo no Recife. Algumas pessoas relataram avistamentos, mas nenhum foi confirmado. A casa da Rua da Misericórdia permaneceu fechada durante todo o ano de 1904, causando desconforto aos vizinhos que evitavam passar em frente à propriedade durante a noite.

    No final de 1904, chegou uma carta aos cuidados do Padre Antônio José. Não tinha remetente identificado, mas o carimbo dos Correios indicava que havia sido postada em Feira de Santana. A carta era assinada apenas com a inicial M e continha poucas palavras: “Encontramos paz longe da cidade. Não nos procurem mais. A criança finalmente descansa.” A caligrafia da carta foi comparada com documentos deixados na casa da família, mas os resultados não foram conclusivos. Algumas características sugeriam que poderia ter sido escrita por Marina, mas havia diferenças significativas que poderiam indicar que a pessoa estava escrevendo sob extremo estresse ou tentando disfarçar sua identidade. O padre optou por não divulgar o conteúdo da carta, temendo que gerasse falsas esperanças entre os vizinhos.

    Durante o ano de 1905, a casa da família Azevedo foi vendida por ordem judicial a uma família de comerciantes vindos do sertão. Os novos proprietários, entretanto, permaneceram na propriedade apenas seis meses. Relataram eventos similares aos descritos anteriormente por Marina: sons de passos durante a madrugada, objetos que mudavam de lugar, sensação constante de estar sendo observados.

    A família que comprou a casa era formada por Manuel Ferreira da Silva, sua esposa Antônia, e dois filhos pequenos. Manuel trabalhava como comerciante de couro e havia se mudado para Salvador em busca de melhores oportunidades de negócio. Durante os primeiros meses, adaptaram-se bem à cidade e ao novo lar. Os problemas começaram quando decidiram fazer reformas no quintal.

    Ao remover a jaqueira centenária para construir uma área de depósito, encontraram uma segunda caixa enterrada próxima às raízes. Esta era menor que a anterior e continha apenas um objeto: uma boneca de porcelana com o rosto parcialmente quebrado. A boneca estava envolvida em um tecido branco que, quando removido, revelou-se ser um pequeno vestido de batizado com manchas escuras que nunca conseguiram identificar.

    A descoberta da boneca coincidiu com o início dos eventos perturbadores na casa. Os filhos de Manuel, de 6 e 8 anos, começaram a relatar que brincavam com uma menina que aparecia no quintal durante as tardes. Descreviam uma criança de idade similar à deles, sempre vestida de branco, que brincava apenas com brinquedos antigos e desaparecia quando os adultos se aproximavam.

    Antônia, inicialmente cética quanto aos relatos dos filhos, começou a prestar atenção quando notou que brinquedos eram movidos durante a noite. Encontrava bonecas organizadas em círculo no centro da sala, blocos de madeira empilhados formando torres complexas, livros de história infantil abertos em páginas específicas. Os arranjos eram sempre feitos com cuidado e precisão que suas crianças não possuíam.

    A situação escalou quando Antônia começou a ouvir conversas vindas do quarto das crianças durante as madrugadas. Eram vozes infantis que conversavam em tom baixo, como se tentassem não acordar os adultos. Quando ela se levantava para verificar, encontrava os filhos dormindo profundamente, mas os brinquedos estavam dispostos pelo chão, como se uma brincadeira tivesse sido interrompida abruptamente.

    Manuel, inicialmente relutante em aceitar que algo sobrenatural estava acontecendo, mudou de opinião após um evento específico. Durante uma noite de setembro de 1905, foi acordado por sons vindos da cozinha. Encontrou todos os pratos da casa organizados sobre a mesa, com pequenas porções de comida, servidas como se fosse um jantar para muitas pessoas. Na cabeceira da mesa, a boneca de porcelana estava sentada numa cadeira com um guardanapo amarrado ao redor do pescoço.

    A família Silva decidiu abandonar a casa após esse evento. Venderam a propriedade rapidamente por um preço muito abaixo do valor de mercado para um homem que planejava demolir a construção e erguer um pequeno armazém comercial. Manuel jamais revelou publicamente os motivos que os levaram a deixar Salvador tão precipitadamente, mas contou ao Padre Antônio José que não conseguia mais dormir tranquilo, sabendo que seus filhos brincavam com uma criança que não existia.

    O homem que comprou a casa era Coronel Antônio Pereira Guedes, proprietário de várias terras no interior da Bahia e interessado em investir no comércio urbano. Seus planos de demolição, entretanto, foram interrompidos quando trabalhadores contratados para o serviço se recusaram a continuar após o primeiro dia de trabalho. Segundo relataram, durante a demolição das paredes internas da casa, encontraram uma terceira caixa enterrada, desta vez sob o piso da sala.

    O conteúdo era mais perturbador que as descobertas anteriores: fotografias da família Azevedo que incluíam uma quarta pessoa. As fotos mostravam Joaquim, Esperança, Marina e uma criança pequena que nenhum dos vizinhos se lembrava de ter visto. As fotografias eram de qualidade profissional, tiradas em um estúdio da cidade alta. Nas imagens, a família aparecia vestida com suas melhores roupas, posando de forma formal típica da época. A criança, que aparentava ter aproximadamente três anos, estava sempre posicionada entre Marina e Esperança. Em todas as fotos, entretanto, o rosto da criança estava borrado, como se ela tivesse se movido durante a exposição.

    O Coronel Antônio Pereira decidiu interromper a demolição e consultar as autoridades sobre as descobertas. As fotografias foram enviadas para análise em Salvador e, posteriormente, para o Rio de Janeiro, onde especialistas tentaram determinar quando e onde haviam sido tiradas. Os resultados foram inconclusivos, mas sugeriram que as imagens datavam de aproximadamente 1899.

    A descoberta das fotografias levou a uma nova investigação sobre o desaparecimento da família Azevedo. Desta vez, os investigadores concentraram-se em locais onde a família poderia ter se refugiado após deixar Salvador. Verificaram registros de hospedagens, vendas de propriedades e movimentação de documentos em cartórios de várias cidades baianas.

    Em Feira de Santana encontraram evidências de que alguém, usando nomes similares aos da família, havia comprado uma pequena propriedade rural. Em janeiro de 1904, a descrição dos compradores correspondia aproximadamente às características de Joaquim e Esperança, mas havia discrepâncias nos nomes que sugeriam o uso de identidades falsas.

    A propriedade ficava numa região afastada da cidade, cercada por plantações de fumo e cana-de-açúcar. Quando as autoridades chegaram ao local, em março de 1906, encontraram a casa abandonada há pelo menos um ano. Os vizinhos mais próximos, que viviam a alguns quilômetros de distância, relataram que uma família havia morado na propriedade por aproximadamente 2 anos, mas mantinha pouco contato com a comunidade local.

    A casa em Feira de Santana mostrava sinais de ter sido habitada recentemente. Móveis simples, utensílios de cozinha, roupas esquecidas nos armários. Na sala principal encontraram mais fotografias da família Azevedo. Mas estas eram diferentes das descobertas anteriormente. Mostravam apenas três pessoas: Joaquim, Esperança e Marina. A qualidade das imagens era inferior, como se tivessem sido tiradas por um fotógrafo amador.

    No quintal da propriedade rural, próximo a uma pequena capela que os antigos proprietários haviam construído, encontraram uma quarta sepultura. Diferente das caixas encontradas em Salvador, esta continha restos mortais reais. Os ossos eram de uma pessoa jovem, provavelmente mulher, que havia morrido há aproximadamente dois anos. Junto aos ossos encontraram fragmentos de um vestido azul e um crucifixo de madeira.

    A análise dos restos mortais foi realizada por um médico legista de Salvador, Dr. Carlos Ferreira Magalhães. Segundo seu relatório, tratava-se de uma mulher de aproximadamente 20 a 25 anos, que havia morrido de causas que não puderam ser determinadas devido ao estado de decomposição avançado. Não havia sinais evidentes de violência, mas também não havia indicações de morte natural.

    A descoberta em Feira de Santana levantou a possibilidade de que Marina havia morrido durante o período em que a família viveu na propriedade rural. As fotografias encontradas na casa, mostrando apenas três pessoas, sugeriam que ela havia morrido antes de 1905, data aproximada das últimas imagens. Os investigadores começaram a considerar a hipótese de que Joaquim e Esperança haviam fugido de Salvador após a morte da filha.

    Entretanto, essa teoria foi questionada quando surgiram novos relatos de pessoas que alegavam ter visto Marina em diferentes locais da Bahia durante 1906. Uma comerciante de Cachoeira relatou ter vendido tecidos para uma moça que correspondia à descrição de Marina. Um padre de Santo Amaro mencionou ter confessado uma jovem mulher que falava sobre culpa relacionada à morte de uma criança. Os relatos eram inconsistentes e muitas vezes contraditórios, mas mantinham viva a possibilidade de que Marina ainda estivesse viva. Algumas pessoas descreviam-na como uma mulher perturbada, que falava sozinha e parecia não reconhecer completamente onde estava. Outras relataram conversas lúcidas, mas sempre centradas em temas relacionados à morte, culpa e redenção.

    A investigação oficial foi encerrada em dezembro de 1906, sem conclusões definitivas sobre o destino da família Azevedo. O Coronel Antônio Pereira doou a casa da Rua da Misericórdia para a Igreja, que a transformou em depósito de objetos religiosos. A propriedade em Feira de Santana foi vendida a uma família de agricultores que removeu todos os vestígios da ocupação anterior.

    O caso continuou gerando interesse e especulação entre os moradores de Salvador durante vários anos. Algumas pessoas afirmavam que a família havia sido vítima de algum tipo de maldição relacionada à morte da criança misteriosa. Outras sugeriam que Marina havia enlouquecido devido ao peso de algum segredo familiar e que os pais haviam fugido para protegê-la.

    O Padre Antônio José, que acompanhou toda a investigação, registrou em suas anotações pessoais uma teoria diferente. Segundo ele, a família Azevedo havia sido destruída pela culpa coletiva relacionada à morte da criança em 1898. Marina, que havia sido afastada de casa durante o nascimento e morte do bebê, nunca soube a verdade sobre o que havia acontecido, mas sentia inconscientemente o peso do segredo familiar. De acordo com a teoria do padre, os eventos perturbadores que Marina relatava — sons de criança chorando, objetos que se moviam, sensação de ser observada — eram manifestações de sua própria culpa e confusão em relação ao segredo que os pais escondiam. A descoberta da verdade, possivelmente através das cartas misteriosas que recebia, teria causado um colapso mental que levou ao desaparecimento da família.

    Durante os anos seguintes ao encerramento da investigação, surgiram ocasionalmente relatos de pessoas que alegavam ter encontrado membros da família Azevedo, vivendo em condições precárias em diferentes partes do Nordeste. Esses relatos nunca foram confirmados, mas mantiveram viva a esperança de que pelo menos alguns membros da família tivessem sobrevivido. Em 1910, uma mulher idosa que vivia num asilo em Aracaju afirmou ser Esperança dos Santos Azevedo. Estava em estado mental debilitado e não conseguia fornecer informações consistentes sobre sua identidade ou sobre o que havia acontecido com sua família. Morreu no mesmo ano sem que sua verdadeira identidade fosse confirmada.

    Durante a década de 1920, a casa da Rua da Misericórdia, que havia se tornado depósito da igreja, começou a apresentar problemas estruturais que levaram à sua demolição. Durante os trabalhos de demolição, não foram encontrados novos objetos ou evidências relacionados à família Azevedo. O terreno foi transformado numa pequena praça que existe até hoje. A propriedade em Feira de Santana continuou sendo habitada por diferentes famílias durante as décadas seguintes. Algumas relataram eventos estranhos, similares aos experimentados pelos Silva em Salvador, mas nada tão intenso que justificasse o abandono da propriedade. A capela construída pelos antigos proprietários foi restaurada e continua sendo usada pela comunidade local.

    Em 1930, um pesquisador da Universidade Federal da Bahia, Professor Joaquim Nabuco de Araújo, interessou-se pelo caso da família Azevedo como parte de um estudo sobre desaparecimentos não resolvidos no Brasil. Ele coletou todos os documentos oficiais relacionados ao caso e entrevistou pessoas que ainda se lembravam dos eventos. O Professor Nabuco publicou um artigo acadêmico sobre o caso em 1932, intitulado Desaparecimentos Familiares na Bahia Colonial: O Caso Azevedo. O artigo apresentava uma análise detalhada de todos os aspectos da investigação, mas não chegava a conclusões definitivas sobre o que havia acontecido com a família. O trabalho foi arquivado na biblioteca da universidade e raramente consultado por outros pesquisadores.

    Durante a década de 1940, alguns dos últimos contemporâneos dos eventos começaram a morrer, levando consigo suas memórias pessoais sobre a família Azevedo. Dona Francisca Pereira, a vizinha que havia relatado os eventos mais detalhados, morreu em 1942, sem nunca ter mudado sua versão dos fatos. O Padre Antônio José, que havia documentado meticulosamente todos os aspectos da investigação, morreu em 1945. Seus arquivos pessoais foram transferidos para os arquivos da diocese de Salvador, onde permaneceram sem catalogação adequada durante várias décadas.

    Em 1950, durante uma reforma nos arquivos da diocese, foram descobertos documentos relacionados ao caso que não haviam sido incluídos na investigação oficial. Entre eles, cartas que Marina havia escrito ao Padre José Maria durante os meses que antecederam o desaparecimento da família. As cartas revelavam detalhes perturbadores sobre o estado mental de Marina durante seus últimos meses em Salvador. Ela descrevia visões noturnas de uma criança que caminhava pela casa tentando encontrar seus pais. Relatava conversas que ouvia entre Joaquim e Esperança durante as madrugadas, nas quais discutiam sobre um erro do passado que precisava ser corrigido.

    Uma das cartas mencionava especificamente que Marina havia descoberto a existência do irmão que morreu em 1898. Ela escreveu que encontrou a certidão de nascimento e outros documentos escondidos no armário dos pais. A descoberta havia causado um confronto familiar que resultou na deterioração das relações entre os três membros da família. Segundo as cartas, Marina cobrava dos pais uma explicação sobre por que havia sido mandada embora durante o nascimento e morte do irmão. Questionava se sua ausência havia contribuído de alguma forma para a morte da criança. Expressava culpa por não ter conhecido o irmão e raiva por ter sido excluída de um evento tão importante na família.

    As cartas também revelavam que Marina havia começado a receber visitas noturnas de alguém que se identificava como sendo enviado pelo irmão morto. Essas visitas aconteciam durante as madrugadas, quando os pais estavam dormindo. A pessoa que a visitava trazia objetos que haviam pertencido à criança morta – roupas, brinquedos, fotografias. O conteúdo das cartas sugeria que Marina estava sendo manipulada por alguém que conhecia detalhes íntimos sobre a história da família. As visitas noturnas incluíam pressão psicológica para que ela confrontasse os pais sobre suas ações em 1898. O visitante misterioso alegava que a criança morta não poderia descansar em paz até que a verdade fosse revelada.

    A descoberta das cartas levou a uma reavaliação do caso por parte das autoridades eclesiásticas. O Bispo de Salvador, Dom Carlos Alberto Santos, ordenou uma investigação interna para determinar se havia aspectos do caso que não tinham sido adequadamente investigados na época.

    A investigação eclesiástica, conduzida em 1951, concentrou-se na identificação do visitante misterioso que havia manipulado Marina durante os meses que antecederam o desaparecimento. As cartas sugeriam que essa pessoa possuía conhecimento detalhado sobre a família que só poderia ter sido obtido através de alguém muito próximo aos Azevedo. Durante a investigação, descobriu-se que o Padre José Maria dos Santos, que havia sido interrogado na época, omitiu informações importantes sobre suas conversas com Marina.

    Confrontado com as evidências das cartas, ele admitiu que Marina havia mencionado as visitas noturnas, mas que ele havia decidido não revelar essa informação porque acreditava que fossem alucinações causadas por extremo estresse emocional. O Padre José Maria também revelou que Marina havia pedido ajuda para identificar a pessoa que a visitava durante as madrugadas. Ela descreveu o visitante como um homem jovem, sempre vestido de preto, que conhecia detalhes sobre a família que nem mesmo ela sabia. Em várias ocasiões, Marina expressou medo de que esse homem fosse perigoso, mas também se sentia compelida a continuar os encontros.

    A nova informação levou os investigadores a considerar a possibilidade de que o desaparecimento da família Azevedo havia sido resultado de coerção ou ameaças por parte do visitante misterioso. As cartas de Marina sugeriam que ele havia prometido revelar toda a verdade sobre a morte da criança caso ela não conseguisse obter confissões dos pais.

    A investigação eclesiástica tentou identificar pessoas que poderiam ter tido acesso às informações íntimas sobre a família Azevedo. A lista incluía a parteira Dona Maria das Dores, que já havia morrido, o Padre Antônio José, que havia conduzido parte da investigação original, e outras pessoas que haviam tido contato próximo com a família durante os anos anteriores ao desaparecimento. Entretanto, a investigação não conseguiu identificar conclusivamente a identidade do visitante misterioso. Os documentos disponíveis não forneciam descrição física suficientemente detalhada e as pessoas que poderiam confirmar ou negar as suspeitas já haviam morrido ou não podiam ser localizadas.

    Em 1952, a investigação eclesiástica foi encerrada sem conclusões definitivas. O relatório final sugeria que a família Azevedo havia sido vítima de manipulação psicológica por parte de pessoa desconhecida, mas não conseguia determinar se isso havia resultado em morte ou desaparecimento voluntário. Os documentos da investigação eclesiástica foram classificados e arquivados na biblioteca do seminário de Salvador. O acesso aos documentos foi restrito a pesquisadores autorizados e poucas pessoas tiveram oportunidade de estudar o material durante as décadas seguintes.

    Durante a década de 1960, o interesse acadêmico pelo caso da família Azevedo ressurgiu quando uma estudante de história da Universidade Federal da Bahia, Maria José Cunha Santos, escolheu o caso como tema de sua tese de graduação. Ela conseguiu acesso aos documentos eclesiásticos e conduziu nova análise de todas as evidências disponíveis.

    A tese de Maria José, defendida em 1968, apresentou uma teoria completamente nova sobre o caso. Segundo sua análise, o visitante misterioso que manipulou Marina poderia ter sido o próprio Padre José Maria dos Santos. A teoria baseava-se em inconsistências em seu depoimento e no fato de que ele possuía conhecimento detalhado sobre a história da família.

    De acordo com a teoria apresentada na tese, o Padre José Maria havia desenvolvido uma obsessão não religiosa por Marina durante suas conversas espirituais. Quando descobriu sobre a existência da criança morta, decidiu usar essa informação para manipular psicologicamente Marina e aproximar-se dela. As visitas noturnas eram encontros secretos durante os quais ele exercia pressão psicológica sobre a jovem.

    A teoria sugeria que o desaparecimento da família havia sido o resultado direto da manipulação psicológica exercida pelo padre. Marina, incapaz de lidar com a pressão e com as revelações sobre o passado familiar, teria sofrido um colapso mental que levou os pais a fugirem de Salvador para protegê-la de exposição pública.

    A tese de Maria José foi bem recebida academicamente, mas gerou controvérsia na comunidade religiosa de Salvador. O Padre José Maria, que ainda estava vivo em 1968, negou veementemente as acusações. Ameaçou processar a universidade caso a tese fosse publicada sem modificações que removessem as acusações diretas contra ele. Devido às pressões legais e religiosas, a tese de Maria José nunca foi publicada integralmente. Uma versão censurada que apresentava as teorias como possibilidades hipotéticas sem acusações diretas, foi arquivada na biblioteca da universidade. A versão completa permaneceu restrita até a morte do Padre José Maria em 1969.

    Após a morte do Padre José Maria, surgiram novas informações que pareciam confirmar algumas das suspeitas apresentadas na tese censurada. Durante a organização de seus pertences pessoais, foram encontrados objetos que haviam pertencido à família Azevedo, incluindo fotografias e cartas que não deveriam estar em sua posse. Entre os objetos encontrados estava a boneca de porcelana, que havia sido descoberta no quintal da casa em Salvador. O padre havia mantido a boneca em seu quarto durante décadas, junto com outras lembranças da família Azevedo.

    Também foram encontradas cartas de Marina que não haviam sido incluídas nos arquivos da investigação original. As cartas encontradas entre os pertences do Padre José Maria continham detalhes ainda mais perturbadores sobre sua relação com Marina. Em algumas delas, ela relatava medo das visitas noturnas, mas também expressava confusão sobre seus próprios sentimentos em relação ao visitante misterioso. As cartas sugeriam que ela estava sendo manipulada através de técnicas de persuasão psicológica sofisticadas.

    A descoberta dos objetos pertencentes à família Azevedo levou à reabertura não oficial do caso por parte de algumas autoridades eclesiásticas. Entretanto, como o Padre José Maria havia morrido, não havia possibilidade de confrontá-lo com as novas evidências. A investigação limitou-se à catalogação dos objetos encontrados e à análise de sua relevância para o caso original.

  • Após gerações de “sangue puro”, o herdeiro nasceu com a voz de outra pessoa.

    Após gerações de “sangue puro”, o herdeiro nasceu com a voz de outra pessoa.

    Há uma fotografia que não deveria existir. Foi tirada no verão de 1953 em uma casa que não existe mais, em uma cidade que não reconhece o que aconteceu lá. Na fotografia, uma mulher segura um bebê. Ela não está sorrindo. Os olhos dela estão fixos em algo além do enquadramento da câmera. Algo que o fotógrafo optou por não capturar.

    A boca do bebê está aberta, no meio de um choro. Mas, de acordo com as três pessoas que estavam naquele quarto, nenhum som saiu. Nem naquele momento, nem por semanas. E quando a criança finalmente emitiu um ruído, todos que o ouviram sentiram a pele arrepiar. Porque a voz que saiu da garganta daquele bebê não pertencia a um recém-nascido. Pertencia a alguém que estava morto há 27 anos.

    Isto não é folclore. Esta não é uma história de fantasmas compartilhada ao redor de uma fogueira. Isso é o que acontece quando uma família fica tão obcecada com a pureza, tão consumida pela ideia de manter sua linhagem intocada, que se esquece de que o sangue tem memória. E às vezes essa memória tem uma voz. Olá a todos.

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    Antes de começarmos, certifique-se de curtir e se inscrever no canal e deixar um comentário dizendo de onde você é e a que horas está assistindo. Dessa forma, o YouTube continuará mostrando histórias exatamente como esta. A família Witmore chegou a Ashefield, Virgínia, em 1792. Eles vieram com títulos de terra, dinheiro e uma crença que os definiria pelos 160 anos seguintes: linhagem significava tudo.

    Enquanto outras famílias no condado se casavam com moradores de cidades vizinhas, uniam suas fortunas com estranhos e diluíam o que chamavam de sua herança, os Witmore fizeram algo diferente. Eles olharam para dentro. Eles se casavam dentro da família, primos com primos, primos de segundo grau com primos de terceiro. Eles chamavam isso de preservação. A cidade chamava de outra coisa, mas nunca alto o suficiente para os Witmore ouvirem.

    Quando o século XX chegou, a árvore genealógica dos Witmore não se ramificou para fora. Ela se enroscou em si mesma como uma cobra, comendo o próprio rabo. Havia cinco linhas familiares principais, todas interconectadas, todas vivendo em um raio de 16 km da propriedade original dos Witmore. Eles possuíam a terra. Eles possuíam o moinho. Eles possuíam a igreja onde batizavam seus filhos e enterravam seus mortos. E eles possuíam o silêncio de todos que trabalhavam para eles.

    Mas o silêncio tem uma maneira de se romper. E em 1953, em um quarto no segundo andar da Mansão Witmore, nasceu algo que nenhuma quantia de dinheiro, terra ou pedigree poderia explicar. Algo que deveria ter permanecido enterrado, algo com uma voz que não lhe pertencia.

    A criança foi nomeada Thomas Witmore V. Sua mãe era Catherine Whitmore, 24 anos, filha de um Witmore e neta de um Whitmore. Seu pai era Richard Whitmore, 31, cujos próprios pais eram primos de primeiro grau. Isso não era incomum na família. Era esperado.

    Mas o que não era esperado, o que ninguém estava preparado, era o silêncio. Durante as primeiras 6 semanas de vida de Thomas, ele não emitiu som, nem um choro, nem um gemido, nem mesmo os pequenos gorgolejos e arrulhos que os recém-nascidos fazem instintivamente. O pediatra o examinou duas vezes. Não havia nada fisicamente errado com sua garganta, pulmões, cordas vocais. Ele estava simplesmente silencioso, antinaturalmente, perturbadoramente silencioso.

    E então, uma noite, no final de setembro, ele gritou. Catherine estava sozinha no berçário. Ela tinha acabado de colocar Thomas em seu berço quando a boca dele se abriu e saiu um som que a fez dar um passo para trás e pressionar a mão contra a parede para se firmar. Não era o lamento agudo de um bebê. Era mais profundo, rouco. Parecia alguém que havia passado anos fumando cigarros e gritando no vazio. Parecia alguém velho, e, o pior de tudo, parecia familiar.

    Catherine Whitmore não contou ao marido sobre o grito. Não no início. Ela se convenceu de que havia imaginado, que a exaustão e a tensão da nova maternidade haviam distorcido sua percepção. Mas três noites depois, aconteceu de novo. Desta vez, Richard estava no quarto. Ele estava parado perto da janela, olhando para os campos que sua família possuía há um século e meio. Quando Thomas abriu a boca e falou, não chorou, falou, a palavra que saiu foi incompreensível, ininteligível, mas tinha a forma da linguagem. Tinha intenção. Richard se virou lentamente, com o rosto pálido, e olhou para seu filho de seis semanas. Em seguida, saiu do quarto sem dizer uma palavra.

    O médico da família foi chamado novamente, depois um especialista de Richmond, depois outro de Baltimore. Eles examinaram Thomas por horas, realizando testes que não tinham nome em 1953, verificando anormalidades que a medicina ainda não havia aprendido a categorizar. Todo médico chegava à mesma conclusão. Não havia nada de errado com a criança. Suas cordas vocais eram normais. Seu desenvolvimento neurológico era normal. Ele era, por todos os padrões mensuráveis, um bebê saudável. Mas bebês saudáveis não soam como velhos moribundos quando choram, e certamente não formam palavras.

    Quando Thomas tinha 3 meses de idade, os sons se tornaram mais frequentes, mais distintos. Catherine começou a manter um diário, anotando tudo o que ouvia, embora soubesse o quão insano pareceria se alguém lesse. Em 14 de novembro, ela escreveu: “Ele disse: ‘Frio hoje.’ Eu sei que ele disse isso. Richard também ouviu, mas não quer falar sobre isso.” Em 22 de novembro, ele riu. Não a risada de um bebê. Parecia alguém se lembrando de uma piada cruel. Em 3 de dezembro, ele disse um nome. Eu não consegui entender completamente, mas parecia Miriam.

    “Não há Miriam em nossa família.” Mas Catherine estava errada. Houve uma Miriam. Miriam Whitmore, nascida em 1897, morreu em 1926, aos 29 anos. Ela era tia-avó de Richard, irmã de seu avô, e, de acordo com os poucos registros que ainda existiam, ela havia morrido em circunstâncias que a família se recusava a discutir. Sua certidão de óbito listava a causa como insuficiência respiratória, mas não havia anúncio de funeral no jornal local, nem obituário, nem lápide no jazigo da família. Ela simplesmente desapareceu da narrativa familiar, apagada tão completamente como se nunca tivesse existido.

    O pai de Richard, Jonathan Whitmore, ainda estava vivo em 1953. Ele tinha 71 anos, era meio surdo e raramente saía de seu quarto no terceiro andar da mansão. Mas quando Catherine mencionou o nome de Miriam, algo mudou em seu rosto, uma tensão em torno da boca, um lampejo de reconhecimento que ele tentou esconder, mas não conseguiu. Ele disse a Catherine para parar de fazer perguntas. Ele disse que alguns nomes eram melhores não serem ditos, que o passado deveria permanecer enterrado, que desenterrar velhos assuntos de família só traria problemas. E então ele lhe perguntou algo que fez o sangue dela gelar.

    “O menino tem dito outras coisas, coisas que ele não deveria saber?”

    Catherine não respondeu, mas a verdade era sim. Thomas tinha dito outras coisas, fragmentos de frases que não faziam sentido, referências a lugares que não existiam mais. Em 9 de janeiro de 1954, enquanto Catherine trocava sua fralda, Thomas olhou diretamente para ela e disse naquela mesma voz rouca e errada: “A porta do porão não tranca mais.” Catherine congelou.

    Havia um porão sob a mansão, mas ele estava selado há décadas, vedado com tábuas após algum incidente na década de 1920 que ninguém da família explicaria. Richard havia mencionado isso uma vez anos atrás, quando se casaram, mas apenas para dizer a ela para nunca perguntar sobre isso.

    Naquela noite, Catherine desceu ao porão com uma lanterna. Ela encontrou a velha porta do porão atrás de uma pilha de móveis e cortinas roídas por traças, e encontrou mais alguma coisa. As tábuas que a haviam selado eram novas. Alguém havia removido as antigas e as substituído recentemente. Nos últimos meses. Ela pressionou o ouvido contra a madeira e ouviu. De algum lugar lá de baixo, ela ouviu água pingando e, abaixo disso, algo mais. Um som como respiração, lenta, trabalhosa. Errada.

    Catherine não dormiu naquela noite. Ela se deitou na cama ao lado de Richard, ouvindo-o respirar, imaginando quantos segredos ele estava guardando, perguntando-se se ele sabia o que estava atrás daquela porta do porão, perguntando-se se o pai dele sabia, perguntando-se se a família inteira sempre soubera e ela era a única estúpida o suficiente para ter se casado sem fazer as perguntas certas.

    Quando a manhã chegou, ela tomou uma decisão. Ela descobriria quem era Miriam Whitmore e o que havia acontecido com ela. O cartório de registros do condado ficava a 30 minutos de carro da mansão. Catherine disse a Richard que estava levando Thomas para visitar a irmã em Charlottesville, mas em vez disso, ela dirigiu até o tribunal em Ashefield com o filho dormindo em um cesto no banco do passageiro.

    A escriturária do cartório de registros era uma senhora mais velha chamada Sra. Brennan, que trabalhava lá há 40 anos. Quando Catherine pediu para ver a certidão de óbito de Miriam Whitmore, a expressão da Sra. Brennan mudou. Não exatamente suspeita, nem medo, algo no meio. Ela perguntou a Catherine por que ela queria vê-la. Catherine disse que estava escrevendo uma história da família. A Sra. Brennan não parecia acreditar nela, mas foi para a sala dos fundos e voltou 10 minutos depois com um arquivo tão fino que mal podia ser chamado de arquivo.

    A certidão de óbito estava datada de 17 de março de 1926. Causa da morte: insuficiência respiratória, local da morte: residência da família Whitmore, médico assistente: Dr. Howard Stevens. Mas havia outra coisa no arquivo: uma nota manuscrita em um pedaço de papel que havia amarelecido com a idade. Não estava assinada, mas a caligrafia era cuidadosa, deliberada, como a de alguém que queria ter certeza de que suas palavras seriam entendidas décadas depois. A nota dizia: “Dr. Stevens solicitou investigação do condado em 19 de março. Pedido negado pelo Xerife Whitmore. Nenhuma autópsia realizada. Corpo sepultado na propriedade da família sem supervisão do condado. Este escritório aconselhado a encerrar o assunto e arquivar de acordo.”

    Catherine leu a nota três vezes. Xerife Whitmore. Aquele teria sido o avô de Richard, Thomas Whitmore III. O mesmo homem cujo nome havia sido dado ao seu filho. O mesmo homem que de alguma forma garantiu que ninguém olhasse muito de perto para a morte de Miriam. Ela perguntou à Sra. Brennan se havia outros registros, relatórios policiais, artigos de jornal. A Sra. Brennan balançou a cabeça. Em seguida, ela se inclinou para a frente e disse algo calmamente. Tão calmamente que Catherine quase não ouviu. “Minha mãe trabalhou para os Witmore naquela época. Ela estava lá na noite em que Miriam morreu. Ela nunca me disse o que viu, mas eu sei que a mudou. Ela nunca mais pisou naquela propriedade, nem mesmo por o dobro do salário.”

    Catherine voltou para casa em silêncio. Thomas acordou uma vez durante a viagem e emitiu um som que não era bem um choro. Era mais como um suspiro, como alguém exalando depois de prender a respiração por muito tempo. Quando chegaram de volta à mansão, o carro de Richard estava na garagem. O carro da enfermeira do pai dele também estava.

    Catherine levou Thomas para dentro e encontrou Richard parado no foyer, com o rosto pálido e tenso. Ele disse que o pai queria vê-la sozinha. Sem o bebê.

    O quarto de Jonathan Whitmore cheirava a papel velho e cânfora. As cortinas estavam fechadas, e a única luz vinha de uma pequena lâmpada na mesa de cabeceira. Ele estava sentado em uma cadeira perto da janela, um cobertor sobre o colo, as mãos dobradas sobre um livro encadernado em couro. Quando Catherine entrou, ele não olhou para ela. Ele manteve os olhos fixos na janela, embora as cortinas bloqueassem qualquer vista do exterior. Ele disse a ela para se sentar. Ela se sentou.

    E então ele começou a falar. Ele disse que a família Witmore se manteve pura por uma razão, não por orgulho, embora houvesse orgulho. Não por tradição, embora houvesse tradição, mas porque eles haviam feito uma escolha há muito tempo, no início dos anos 1800, e essa escolha teve consequências. Ele não explicou qual foi a escolha. Ele não disse quem a tinha feito ou por quê. Ele apenas disse que a pureza era necessária, que a diluição teria sido catastrófica, que toda geração havia entendido isso e havia feito o que era necessário para mantê-la.

    E então ele disse algo que fez as mãos de Catherines ficarem dormentes. Ele disse que Miriam não entendeu. Ela pensou que poderia quebrar o padrão. Ela pensou que o amor era mais forte que o sangue. Ela estava errada.

    Catherine perguntou o que aconteceu com Miriam. Jonathan ficou em silêncio por um longo tempo. Em seguida, ele abriu o livro encadernado em couro no colo. Não era um livro. Era um diário. A caligrafia era elegante, feminina, apressada em alguns lugares e dolorosamente cuidadosa em outros. O diário de Miriam. Jonathan virou para uma página perto do final e disse a Catherine para ler. Sua voz era monótona, sem emoção, como se estivesse recitando uma lista de compras em vez de revelar um segredo de família que estava enterrado há quase 30 anos.

    O registro estava datado de 10 de março de 1926. Uma semana antes de Miriam morrer. Ela escreveu sobre um homem que havia conhecido. O nome dele era Daniel Graves. Ele não era de Ashefield. Ele não era da Virgínia. Ele era um caixeiro-viajante que havia parado na cidade por 3 dias. E de alguma forma, naqueles três dias, Miriam se apaixonou por ele. Ou talvez ela apenas tenha se apaixonado pela ideia dele. A ideia de alguém que não compartilhava seu sangue, que não carregava o peso do nome Witmore, que poderia oferecer a ela uma vida que não envolvesse casar com um primo e produzir outra geração de crianças que se pareciam demais com os pais. Ela escreveu que ia fugir com ele, que já havia arrumado uma mala, que ia encontrá-lo na estação de trem em 15 de março e nunca mais voltar.

    Mas ela nunca chegou à estação de trem. O próximo registro no diário estava datado de 14 de março. A caligrafia era diferente, trêmula, desesperada. Ela escreveu que o pai havia descoberto, que a havia trancado em seu quarto, que lhe disse que ela estava doente, que estava confusa, que a família cuidaria dela. Ela escreveu que podia ouvi-los conversando lá embaixo. O pai, os irmãos, o médico da família. Ela escreveu que estava com medo. E então o registro terminava no meio da frase, como se alguém tivesse tirado o diário dela enquanto ela ainda escrevia.

    Jonathan fechou o diário. Ele disse a Catherine que Miriam havia ficado histérica, que se recusara a comer, a dormir, a aceitar que ir embora era impossível. Ele disse que a família tentou argumentar com ela, mas ela não ouvia. Então, eles fizeram o que achavam ser o melhor. Eles a mantiveram em seu quarto. Deram-lhe remédios para acalmá-la. Remédios que o Dr. Stevens havia prescrito. Remédios que deveriam ajudá-la a descansar.

    Mas Miriam não descansou. Na noite de 16 de março, ela começou a gritar, não a chorar. Gritar. Gritar que não conseguia respirar, que seu peito estava em chamas, que algo estava errado. O Doutor Stevens foi chamado, mas quando ele chegou, era tarde demais. Miriam estava morta, e a família decidiu que ninguém de fora da família precisava saber os detalhes.

    Catherine perguntou onde Miriam estava enterrada. Jonathan apontou para a janela, para os campos além da mansão. Ele disse que ela estava enterrada na propriedade, sem identificação, sem luto, apagada.

    E então ele disse algo que embrulhou o estômago de Catherine. Ele disse: “Ela ainda está aqui. Ela nunca foi embora de verdade. O sangue não vai embora. Apenas espera.”

    Catherine levantou-se para sair, mas Jonathan agarrou seu pulso. Seu aperto era surpreendentemente forte para um homem da idade dele. Ele disse que Thomas era especial. Que a voz que ele carregava não era uma maldição. Era um lembrete, um aviso. Ele disse que a família tentou enterrar o passado, mas o passado encontrou um caminho de volta através de Thomas, através do sangue. Ele disse que Catherine precisava aceitar isso, que lutar contra isso só pioraria as coisas. E então ele soltou o pulso dela e se virou de volta para a janela, como se a conversa nunca tivesse acontecido.

    Naquela noite, Catherine não conseguiu encontrar Thomas. Ela o havia colocado para uma soneca no berçário, mas quando foi verificá-lo uma hora depois, o berço estava vazio. Ela procurou por todo o segundo andar, depois o primeiro. Então ela ouviu a voz de Richard chamando seu nome no porão. Ela o encontrou parado na porta do porão. As tábuas haviam sido removidas. A porta estava aberta. E de algum lugar no fundo do porão, ela podia ouvir Thomas chorando.

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    Mas não era a voz de Thomas. Era a voz de Miriam, gritando, implorando, suplicando para ser solta.

    Richard desceu as escadas do porão primeiro. Catherine o seguiu, as mãos tremendo tanto que ela teve que agarrar o corrimão para não cair. As escadas eram velhas, de madeira, escorregadias com umidade e algo mais sobre o qual ela não queria pensar. O ar ficava mais frio a cada passo, e o cheiro a atingiu no meio do caminho. Mofo e podridão, e algo doce e enjoativo por baixo de tudo, como flores deixadas por muito tempo em um vaso.

    O choro havia parado. Agora havia apenas silêncio. O tipo de silêncio que parece vivo, que pressiona seus tímpanos e faz você entender que algo está esperando. No final da escada, Richard ligou uma lanterna. O feixe cortou a escuridão e iluminou um espaço que não deveria ter existido.

    O porão era enorme, muito maior do que a área da casa acima. Paredes de pedra se estendiam em sombras que a lanterna não conseguia alcançar. E no centro da sala, havia um berço. Não o berço de Thomas, um antigo feito de madeira escura que havia empenado e rachado com a idade. Thomas estava dentro dele, deitado de costas, olhando para o teto. Ele não estava mais chorando. Ele estava sorrindo. E quando o feixe da lanterna tocou seu rosto, ele virou a cabeça para Catherine e falou com a voz de Miriam, clara como um sino: “Você me encontrou.”

    Catherine correu para o berço e pegou Thomas, segurando-o com tanta força que ele começou a se debater. Mas a voz não parou. Continuou falando. Continuou usando a boca do filho dela para formar palavras que pertenciam a uma mulher morta. Dizia: “Eles me colocaram aqui. Eles me disseram que era para o meu próprio bem. Disseram que eu estava doente. Mas eu não estava doente. Eu só queria ir embora.”

    Richard ficou paralisado, o feixe da lanterna tremendo em sua mão. Catherine exigiu saber o que estava acontecendo. Por que Thomas estava falando assim. O que a família havia feito. Richard não respondeu. Ele apenas continuou olhando para o berço, para a madeira escura, para os arranhões gravados nas laterais. Arranhões que pareciam ter sido feitos por unhas.

    Então Catherine viu, no canto do porão, mal visível no brilho da lanterna, uma forma. No início, ela pensou que era uma pilha de roupas velhas, mas à medida que seus olhos se ajustavam, ela percebeu que era um corpo, ou o que restava de um. O esqueleto era pequeno, encolhido em posição fetal, ainda vestindo os restos de um vestido branco que havia amarelecido e apodrecido. E ao redor do pescoço, havia um medalhão. Catherine conhecia aquele medalhão. Ela o tinha visto em fotos antigas da família. Ele pertencia a Miriam.

    Richard finalmente falou. Sua voz era vazia, derrotada. Ele disse que o avô lhe contou a verdade quando ele completou 18 anos. A mesma verdade que todo herdeiro Witmore aprendia ao atingir a maioridade. Miriam não havia morrido em seu quarto. Ela havia morrido aqui embaixo, no porão, depois que a família percebeu que ela não pararia de tentar escapar. Eles a trouxeram aqui para se acalmar. Eles trancaram a porta e a deixaram por 3 dias. O Dr. Stevens protestou, ameaçou ir às autoridades, mas o Xerife Whitmore deixou claro o que aconteceria se ele o fizesse. Então, o Dr. Stevens assinou a certidão de óbito, pegou seu dinheiro e nunca mais falou sobre isso. E a família selou o porão e fingiu que nunca aconteceu.

    Mas o sangue lembra. O sangue carrega a memória. E quando gerações de Witmore se casavam entre si, quando o mesmo material genético circulava de volta repetidamente, essas memórias não desapareciam. Elas se concentravam. Elas ficavam mais fortes. Até que finalmente, em Thomas, encontraram uma voz novamente.

    Se você ainda está assistindo, você já é mais corajoso do que a maioria. Diga-nos nos comentários o que você teria feito se esta fosse sua linhagem.

    Catherine subiu as escadas com Thomas e saiu do porão. Richard ficou para trás. Ela podia ouvi-lo lá embaixo movendo coisas, o som de pedra raspando contra pedra. Ela não perguntou o que ele estava fazendo. Ela não queria saber. Ela levou Thomas para o berçário e o segurou até o nascer do sol. E pelo resto daquela noite, ele não emitiu um som. Nem a voz de Miriam. Nem a sua própria, apenas silêncio, o mesmo silêncio antinatural com o qual ele havia nascido.

    Pela manhã, Richard disse a ela que eles estavam de partida. Ele já havia arrumado malas para os três. Ele disse que não podiam mais ficar na casa, que não era seguro, que algo havia sido liberado que não podia ser contido. Mas Catherine sabia a verdade. Você não pode fugir do sangue. Você não pode colocá-lo em uma mala e deixá-lo para trás. Thomas carregaria a voz de Miriam aonde quer que fossem. E, eventualmente, ele carregaria outras vozes também. Todas as vozes de todos os Witmore que sofreram em silêncio, que foram apagados, que foram sacrificados para manter a linhagem pura.

    Eles se mudaram para Maryland, uma pequena cidade chamada Eastern, onde ninguém conhecia o nome Whitmore, onde Richard conseguiu um emprego em um banco local e Catherine pôde fingir que eram uma família normal. Eles alugaram uma casa em uma rua tranquila, ladeada por carvalhos. Eles se apresentaram aos vizinhos. Eles iam à igreja aos domingos. Eles fizeram tudo o que podiam para construir uma vida que não tivesse nada a ver com a mansão, o porão ou as vozes.

    Por 6 meses, quase funcionou. Thomas cresceu. Aprendeu a sentar, a agarrar objetos, a sorrir para a mãe quando ela cantava para ele. E, o mais importante, ele fazia sons normais de bebê, arrulhos e gorgolejos e, eventualmente, algo que quase soava como mamãe. Catherine se permitiu acreditar que a distância havia rompido qualquer conexão que existisse entre seu filho e os mortos.

    Mas no primeiro aniversário de Thomas, tudo mudou. Catherine havia assado um bolo pequeno. Richard havia comprado um trem de brinquedo de madeira. Eles haviam convidado dois casais da vizinhança que tinham filhos da idade de Thomas. Era para ser comum, seguro. Mas quando Catherine trouxe o bolo com uma única vela acesa no topo, Thomas olhou para a chama e falou.

    Não com a voz de Miriam desta vez. Com uma voz de homem, profunda, autoritária, fria, ele disse: “A escolha foi feita em 1809. Concordamos com os termos. A terra seria nossa. A prosperidade seria nossa. Mas o sangue tinha que permanecer puro. Esse foi o acordo.”

    Os vizinhos riram nervosamente, pensando que era algum tipo de truque, algum dispositivo de gravação escondido na cadeira alta. Mas Catherine e Richard sabiam melhor. Eles viram a maneira como os olhos de Thomas haviam mudado. Não a cor, a consciência por trás deles, como se outra pessoa estivesse olhando através de seu rosto. Alguém que estava esperando há muito tempo para falar.

    Richard rapidamente acompanhou os vizinhos para fora, dando desculpas sobre Thomas estar cansado, sobre a necessidade de remarcar. E quando a casa ficou vazia, ele se sentou em frente a Catherine e contou o que o avô lhe havia contado. A história que todo herdeiro Whitmore eventualmente aprendia. A história que explicava tudo.

    Em 1809, a família Witmore estava falindo. A terra estava estéril. As colheitas não cresciam. A dívida estava os esmagando. Thomas Whitmore I, o patriarca, o fundador da linhagem familiar na Virgínia, estava desesperado e, em seu desespero, procurou ajuda de alguém que a igreja teria chamado de profano. Uma mulher que vivia na floresta além do limite da propriedade, uma mulher que sabia coisas sobre sangue e solo e os antigos acordos que precediam o Cristianismo.

    Ela lhe disse que poderia tornar a terra fértil novamente. Ela poderia garantir prosperidade para sua família por gerações. Mas haveria um preço. A linhagem tinha que permanecer pura. Nenhum sangue de fora poderia se misturar com o sangue Whitmore. Se isso acontecesse, se a linha fosse quebrada, tudo entraria em colapso. A terra se lembraria, os mortos se lembrariam e eles retomariam o que lhes era devido.

    Thomas Witmore, o primeiro, concordou. Ele não acreditava em maldições, magia ou antigos acordos. Ele acreditava na sobrevivência. E por 140 anos, a família havia honrado esse acordo. Mesmo quando as razões para isso se desvaneceram da memória, mesmo quando se tornou apenas tradição, apenas a maneira como as coisas eram feitas. Mas Miriam havia tentado quebrá-lo. Ela se apaixonou por um estranho. E a família a deteve da única maneira que sabiam: garantindo que ela nunca fosse embora, garantindo que seu sangue permanecesse onde pertencia, no chão, na família, no padrão.

    E agora Thomas carregava tudo isso. Não apenas a voz de Miriam, mas as vozes de todos que haviam sido ligados a esse acordo. Todo Witmore que se casou com um primo por obrigação em vez de amor. Toda criança nascida de uniões que nunca deveriam ter acontecido. Todo sepultamento secreto. Todo quarto selado. Todo membro da família que havia desaparecido dos registros sem explicação. Todos estavam dentro dele, esperando sua chance de falar.

    Catherine perguntou a Richard o que eles deveriam fazer. Como eles deveriam criar um filho que era assombrado por sua própria ancestralidade. Richard não tinha uma resposta. Ele apenas sabia o que o avô lhe havia contado. Que deixar a terra não quebrava a maldição. Apenas a atrasava. Que, mais cedo ou mais tarde, Thomas teria que voltar. Porque o acordo não era apenas com a família. Era com a própria terra. E a terra era paciente.

    Thomas parou de falar com outras vozes depois daquela noite. Mas ele também não voltou a ser uma criança normal. Ele cresceu quieto, observador, como se estivesse sempre ouvindo algo que mais ninguém podia ouvir. Catherine mantinha diários sobre seu desenvolvimento, páginas e páginas de observações que ela nunca mostrou a nenhum médico. Ela escreveu sobre a maneira como ele olhava para fotografias da propriedade Witmore e passava os dedos sobre as janelas. Ela escreveu sobre os pesadelos que ele tinha, sempre o mesmo: uma mulher de vestido branco parada no final de um longo corredor chamando seu nome. Ela escreveu sobre a vez em que ele tinha 7 anos e desenhou na escola uma casa com um porão embaixo. E quando a professora perguntou o que havia no porão, ele disse: “os que ficaram.”

    Quando Thomas completou 18 anos, Catherine e Richard se convenceram de que o pior havia ficado para trás. Thomas havia concluído o ensino médio. Ele havia sido aceito na faculdade na Pensilvânia. Ele tinha amigos, ou pelo menos conhecidos. Ele parecia normal o suficiente, embora um pouco retraído. O pai de Richard havia morrido 3 anos antes, levando consigo para o túmulo todos os segredos restantes que tinha. A mansão em Ashefield havia sido vendida para um incorporador que planejava derrubá-la e construir condomínios. Parecia que o legado Witmore estava finalmente terminando, que a família poderia finalmente ser livre.

    Mas na noite anterior à partida de Thomas para a faculdade, ele disse aos pais que precisava voltar. Voltar para Ashefield, voltar para a propriedade. Ele disse que podia sentir que eles estavam chamando. Todos eles, Miriam e os outros, aqueles cujos nomes foram apagados, cujas mortes foram encobertas, cujas vozes foram silenciadas por gerações. Ele disse que eles precisavam ser reconhecidos, precisavam ser lembrados, e ele era o único que restava que podia ouvi-los com clareza suficiente para fazer isso.

    Catherine implorou para que ele não fosse. Ela disse que era apenas uma casa, apenas terra, apenas sujeira e pedra e madeira podre. Mas Thomas olhou para ela com olhos que eram seus e não eram seus ao mesmo tempo, e disse: “Não é a casa, Mãe. É o sangue, e eu não posso fugir do meu próprio sangue.”

    Thomas dirigiu sozinho para Ashefield. Catherine e Richard o seguiram 2 horas depois, aterrorizados com o que poderiam encontrar. Quando chegaram, a mansão ainda estava de pé. O incorporador aparentemente havia encontrado problemas. Problemas estruturais, ocorrências estranhas que fizeram os trabalhadores se recusarem a voltar, equipamentos com defeito, pessoas ouvindo vozes vindas das paredes. Um trabalhador afirmou ter visto uma mulher de vestido branco parada em uma janela do segundo andar, embora todo o edifício estivesse vazio há meses. O projeto foi abandonado, e Thomas estava parado no gramado da frente, coberto de mato, olhando para a casa como se nunca tivesse saído.

    Catherine e Richard tentaram convencê-lo a sair, mas Thomas não estava ouvindo. Ele atravessou a porta da frente e eles o seguiram. Lá dentro, a casa estava pior do que Catherine se lembrava. Os móveis haviam sumido, vendidos ou roubados. O papel de parede estava descascando. Havia buracos no chão onde a madeira havia apodrecido. Mas Thomas se moveu pelos quartos como se soubesse exatamente para onde estava indo. Ele foi para o porão. Ele foi para a porta do porão. E ele desceu as escadas na escuridão com Catherine e Richard atrás dele, suas lanternas cortando fracos feixes pelo preto.

    O porão parecia diferente, menor de alguma forma. Ou talvez fosse apenas que a memória de Catherine o havia transformado em algo maior e mais terrível do que realmente era. Mas os restos mortais de Miriam ainda estavam lá no canto, intactos. Thomas se ajoelhou ao lado do esqueleto e colocou a mão no tecido velho e amarelado do vestido. E então ele começou a falar, não com a voz de Miriam, não com a voz de Thomas Witmore I, com a sua própria voz, mas com um peso por trás dela que não pertencia a um jovem de 18 anos.

    Ele disse os nomes, todos eles, cada Witmore que havia sido apagado dos registros da família. Cada criança nascida com defeitos e escondida, cada mulher que tentou sair e foi impedida, cada homem que questionou o padrão e foi silenciado. Ele disse seus nomes em voz alta, um após o outro, até que a lista parecia interminável, e enquanto ele falava, algo mudou no porão. O ar ficou mais quente. O peso opressor que pairava sobre o espaço por décadas começou a diminuir. Catherine sentiu. Richard sentiu. E quando Thomas finalmente terminou, quando ele pronunciou o último nome e se calou, o porão parecia vazio de uma maneira que não parecia antes. Não apenas vazio de pessoas, vazio de presença, vazio do passado.

    O esqueleto de Miriam ainda estava lá, ainda usando o medalhão, mas parecia menor agora, frágil, apenas ossos e tecido, e os restos de uma vida que havia sido roubada, apenas um corpo esperando para ser enterrado adequadamente.

    Thomas se levantou. Ele disse aos pais que estava feito, que as vozes haviam parado, que o acordo, o que quer que fosse, estava quebrado agora. Não porque a família não conseguiu manter a linhagem pura, mas porque alguém finalmente reconheceu o custo, finalmente disse os nomes das pessoas que foram sacrificadas para mantê-la. Ele disse que a terra não queria mais sangue. Queria a verdade, e agora a tinha.

    Eles enterraram Miriam no cemitério da cidade 3 dias depois. Um enterro adequado com uma lápide que ostentava seu nome completo e as datas de seu nascimento e morte. Catherine contatou os poucos Witmore restantes que conseguiu encontrar, primos distantes que haviam se mudado e mudado seus nomes, e lhes contou o que havia acontecido. Alguns deles vieram ao enterro. A maioria não veio, mas não importava. Miriam tinha um túmulo agora, um lugar onde as pessoas podiam se lembrar dela. Um lugar onde sua história não podia ser apagada.

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    Thomas nunca foi para a faculdade na Pensilvânia. Ele ficou em Ashefield. Ele comprou a mansão do incorporador por quase nada e passou os dois anos seguintes restaurando-a. Não como uma casa de família, mas como outra coisa, um sítio histórico, um lugar onde as pessoas pudessem aprender sobre a verdadeira história de famílias como os Witmore, aquelas que escondiam seus segredos por trás da riqueza e respeitabilidade, aquelas que sacrificavam seus próprios filhos para manter uma imagem de pureza que nunca foi real para começar. E Thomas viveu lá sozinho, em uma casa que não mais sussurrava.

    Catherine o visitava uma vez por ano após o enterro. Ela perguntava se ele ainda ouvia as vozes. Ele disse que não, mas disse que ainda podia senti-las às vezes, como um eco em seu peito, um lembrete de que o sangue tem memória, que as famílias carregam sua história, quer a reconheçam ou não, e que a única maneira de quebrar uma maldição é parar de fingir que ela nunca existiu.

    A Mansão Witmore ainda está de pé hoje. Se você dirigir por Ashefield, Virgínia, pode vê-la da estrada. Há uma pequena placa na frente que diz que está aberta para visitas nos fins de semana. A maioria das pessoas passa sem parar, mas às vezes, tarde da noite, as pessoas relatam ver luzes nas janelas, ouvir vozes, sentir-se observadas. Thomas diz que é apenas a casa se assentando, apenas madeira velha e pedra velha fazendo o que as coisas velhas fazem. Mas Catherine sabe melhor. Ela sabe que alguns lugares nunca se desprendem completamente do passado. Eles apenas aprendem a conviver com ele. E o mesmo acontece com as pessoas que carregam esse passado em seu sangue.

    A fotografia de 1953 ainda existe. Está em uma gaveta na casa de Catherine, embrulhada em papel de seda, guardada onde ela não precisa olhar, mas ela sabe que está lá. E ela sabe que um dia alguém a encontrará e fará perguntas. Perguntas sobre a mulher que não está sorrindo. Sobre o bebê cuja boca está aberta. Sobre a história que ficou enterrada por tanto tempo que quase se tornou um fantasma. E talvez seja assim que deve ser. Talvez a única maneira de honrar os mortos seja continuar contando suas histórias. Continuar dizendo seus nomes. Continuar lembrando que o sangue não é apenas biologia. É memória. É história. É a voz de todos que vieram antes. Esperando por alguém corajoso o suficiente para…

  • Os irmãos Carter foram encontrados em 1985 — e suas confissões destruíram a história da família.

    Os irmãos Carter foram encontrados em 1985 — e suas confissões destruíram a história da família.

    O ar cheirava a ferrugem e papel velho quando abriram o depósito em Cedar Falls, Iowa. Era março de 1985. Uma mulher chamada Diane Harmon havia herdado o espaço do espólio de seu tio. Um homem que ela havia encontrado apenas duas vezes antes de ele morrer. Dentro, sob documentos fiscais e medalhas militares, ela encontrou uma caixa de lata embrulhada em oleado.

    Quando ela a abriu, três fotografias deslizaram para fora. Elas mostravam dois meninos, talvez de 8 e 10 anos, parados em frente a um celeiro. Os olhos deles eram vazios. As roupas eram limpas demais para crianças da fazenda. No verso de uma foto, em lápis desbotado, alguém havia escrito: “Os Meninos Carter. Perdoem-nos.” Diane não conhecia nenhum Carter, mas as fotos a perturbaram o suficiente para que ela as levasse para a Sociedade Histórica de Cedar Falls.

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    Foi então que a arquivista reconheceu o celeiro. Ele havia queimado em 1953, levando seus segredos consigo. Ou assim todos acreditavam. O que Diane Harmon havia encontrado era o começo de uma história que desvendaria uma das tragédias familiares mais cuidadosamente guardadas do Centro-Oeste. Uma história sobre dois meninos que desapareceram dos registros públicos em 1938, apenas para reaparecer décadas depois com uma confissão que destruiu tudo o que sua família havia construído. Olá a todos.

    Antes de começarmos, certifique-se de curtir e se inscrever no canal e deixar um comentário dizendo de onde você é e a que horas está assistindo. Dessa forma, o YouTube continuará mostrando histórias como esta. Esta é a história dos Meninos Carter, o que eles viveram, o que foram forçados a se tornar e o que finalmente contaram ao mundo quando o silêncio não era mais possível. Isso não é folclore. Não é lenda. Esta é uma história documentada que foi enterrada porque era perturbadora demais para ser enfrentada. O tipo de verdade que faz você se perguntar que outras histórias estão escondidas em caixas trancadas, esperando por alguém corajoso o suficiente para abri-las. Os Meninos Carter foram encontrados em 1985. O que eles confessaram destruiu tudo.

    A família Carter possuía 340 acres de terras agrícolas nos arredores de Milbrook, Iowa, uma cidade tão pequena que não aparecia na maioria dos mapas estaduais. Em 1935, quando a Crise de Poeira (Dust Bowl) estava sufocando famílias pelas planícies, os Carter pareciam intocados. O solo era escuro e rico. As colheitas eram abundantes. As pessoas na cidade chamavam isso de sorte. Outros chamavam de outra coisa.

    A família vivia isolada, frequentava a igreja aos domingos e nunca pedia ajuda. Essa era a maneira americana na época. Sofrer em silêncio, sorrir em público, manter as portas trancadas. Thomas Carter administrava a fazenda com sua esposa Margaret e seus quatro filhos. Os dois mais velhos eram meninos. William, nascido em 1927, e Robert, nascido em 1929. Havia também duas filhas mais novas, mas seus nomes foram apagados da maioria dos registros após o que aconteceu. William e Robert foram descritos pelos vizinhos como educados, obedientes e estranhamente quietos. Uma professora mais tarde lembrou que William uma vez veio à aula com um olho roxo e, quando perguntado sobre isso, ele disse que havia esbarrado em uma porta. Ela não acreditou nele. Mas em 1937, você não questionava um homem sobre como ele criava seus filhos. Então, no verão de 1938, os meninos desapareceram. Não da maneira que você poderia pensar. Eles não fugiram. Eles não morreram em um acidente. Eles simplesmente pararam de aparecer na cidade. Foi dito à escola que os meninos estavam tendo aulas em casa. Foi dito à igreja que eles estavam ajudando na colheita. Quando um vizinho perguntou a Margaret Carter onde estavam seus filhos, ela sorriu e disse que eles estavam hospedados com parentes em Nebraska. Mas não havia parentes em Nebraska. Nunca houve. Por 15 anos, ninguém viu William e Robert Carter. Seus nomes desapareceram dos registros censitários. Seus nascimentos foram registrados, mas suas infâncias se tornaram uma lacuna no registro histórico, um espaço em branco que ninguém pensou em questionar. Em cidades pequenas, as pessoas aprendem a não fazer muitas perguntas. As famílias tinham segredos. A depressão tornou as pessoas cruéis de maneiras que nunca admitiriam. E os Carter continuaram a cultivar, continuaram a frequentar a igreja, continuaram a sorrir até 1953, quando o celeiro queimou. E mesmo assim, ninguém sabia o que estava escondido lá dentro.

    O celeiro ficava na extremidade mais distante da propriedade Carter, a quase 400 metros da casa principal. Foi construído em 1912, quando o pai de Thomas Carter desbravou a terra pela primeira vez. A estrutura era enorme, com três andares, telhado de duas águas e paredes grossas o suficiente para manter o inverno de Iowa do lado de fora. Mas depois de 1938, ninguém, exceto Thomas Carter, tinha permissão para entrar. Ele o mantinha trancado com cadeado. Ele disse ao trabalhador contratado que era usado para armazenar equipamentos valiosos demais para serem deixados expostos. Uma vez, um trabalhador rural chamado Eugene Pratt tentou espiar por uma fresta nas tábuas. Thomas o pegou e o demitiu na hora. Eugene deixou a cidade no dia seguinte e nunca falou sobre o que pensou ter visto ou ouvido.

    O incêndio começou em uma noite de fevereiro de 1953. Foi o inverno mais frio em 20 anos, e as chamas podiam ser vistas a 5 km de distância. Um brilho alaranjado estrondoso contra os campos congelados. Quando os vizinhos chegaram, o celeiro já estava desabando para dentro, o calor tão intenso que derreteu a neve em um círculo perfeito ao redor da fundação. Thomas Carter ficou observando, o rosto iluminado pelo fogo, e ele não se moveu para salvar nada. Quando o chefe dos bombeiros perguntou o que estava lá dentro, Thomas disse: “Equipamentos agrícolas e móveis velhos. Nada importante. Nada que valha a pena arriscar uma vida.” Mas quando as cinzas esfriaram, o inspetor de incêndio encontrou algo que não pertencia ali. Correntes. Pesadas correntes de ferro aparafusadas nas vigas de suporte no segundo andar, e sob a madeira carbonizada. No que havia sido o porão do celeiro, eles encontraram os restos de duas pequenas camas. Pouco mais do que paletes de madeira com cobertores podres. Havia pratos de lata, um balde enferrujado e, riscadas em uma das vigas, mal visíveis sob a fuligem, estavam dois conjuntos de iniciais: W. C. e R. C. William Carter, Robert Carter. O inspetor registrou um relatório. Mas Thomas Carter era um homem respeitado, um diácono na igreja, e a cidade decidiu que as descobertas eram inconclusivas. Talvez as correntes fossem para o gado. Talvez as camas fossem para trabalhadores sazonais. Talvez as iniciais fossem uma coincidência. O relatório foi enterrado em um arquivo do condado, e ninguém perguntou sobre os meninos Carter novamente.

    Thomas morreu de ataque cardíaco em 1961. Margaret o seguiu em 1969. A fazenda foi vendida, a terra foi arada e a história deveria ter terminado ali. Mas segredos não morrem, eles esperam. Quando Diane Harmon levou aquelas fotografias para a Sociedade Histórica de Cedar Falls, ela não tinha ideia do que estava prestes a descobrir. A arquivista, uma mulher chamada Ruth Holloway, havia vivido na área durante toda a sua vida. Ela reconheceu o celeiro imediatamente. Ela era adolescente quando ele queimou e se lembrava dos rumores que se seguiram, sussurros na loja de conveniência, conversas abafadas que paravam quando as crianças passavam. Ruth sempre se perguntou o que realmente havia acontecido com os meninos Carter, mas, como todos os outros, ela havia aprendido a não perguntar.

    As fotografias estavam datadas no verso. Julho de 1937, apenas um ano antes de os meninos desaparecerem. Ruth começou a puxar arquivos, cruzando registros censitários, registros escolares, diretórios da igreja. O que ela encontrou foi arrepiante. William e Robert Carter apareceram no censo de 1930. Eles apareceram nos registros escolares até a primavera de 1938. Depois, nada. Sem registros de formatura, sem registros de emprego, sem licenças de casamento, sem certidões de óbito. Era como se tivessem sido apagados. Ruth contatou o escritório de registros do Estado de Iowa. Ela apresentou pedidos à Administração da Segurança Social. Ela até entrou em contato com o Escritório de Assuntos de Veteranos, pensando que talvez os meninos tivessem se alistado com nomes diferentes.

    E foi então que ela os encontrou. Não em Iowa. Não com o sobrenome Carter, mas em uma instalação psiquiátrica no Oregon, admitidos em 1953, o mesmo ano em que o celeiro queimou. Dois homens, ambos usando o sobrenome Morrison, ambos listando seu local de nascimento como desconhecido. As anotações dos médicos assistentes os descreveram como severamente traumatizados, não verbais durante os primeiros 6 meses de tratamento e sofrendo do que agora seria reconhecido como transtorno de estresse pós-traumático complexo. Ruth fez a ligação.

    Ela falou com uma assistente social que tinha acesso aos arquivos selados. E essa assistente social, após verificar as credenciais de Ruth e a natureza histórica da investigação, revelou algo que fez o sangue de Ruth gelar: os dois homens finalmente começaram a falar. Eles participaram de terapia. E em 1984, apenas meses antes de Diane Harmon encontrar aquelas fotografias, eles haviam dado um testemunho completo gravado sobre sua infância, sobre o que aconteceu naquele celeiro, sobre por que eles haviam se escondido por 30 anos antes que alguém os encontrasse. A assistente social disse que o testemunho era a coisa mais perturbadora que ela já tinha ouvido em 23 anos de trabalho clínico.

    William Carter tinha 58 anos quando finalmente falou sobre sua infância. Robert tinha 56. Eles estavam vivendo em uma instituição de assistência supervisionada em Portland, nunca tendo se integrado totalmente à sociedade, nunca se casado, nunca mantido empregos por mais de alguns meses. O terapeuta que gravou o depoimento deles disse que eles falavam em turnos, como se tivessem ensaiado a história mil vezes em suas cabeças, mas nunca tivessem tido permissão para dizê-la em voz alta. Suas vozes eram monótonas, sem emoção, como homens lendo um roteiro escrito por outra pessoa. Mas os detalhes eram específicos, específicos demais para serem inventados.

    Eles disseram que começou na primavera de 1938. Depois que o pai pegou William roubando um pedaço de pão da cozinha, não para si mesmo, mas para Robert, que estava doente com febre, Thomas Carter decidiu que os meninos precisavam de disciplina. Ele disse que eles haviam ficado moles, desobedientes, corrompidos por professores que enchiam suas cabeças com ideias acima de sua posição. Então ele os levou para o celeiro. Ele disse a Margaret que seria temporário, apenas algumas semanas para lhes ensinar o valor do trabalho duro e da obediência. Margaret não argumentou. Naqueles dias, uma esposa não questionava a autoridade do marido, especialmente de um homem como Thomas Carter.

    Os meninos receberam uma lista de regras. Eles deveriam acordar ao amanhecer e trabalhar até o anoitecer. Eles deveriam falar apenas quando fossem dirigidas a eles. Eles não deveriam deixar o celeiro por nenhum motivo. As refeições seriam trazidas para eles. Thomas instalou as correntes ele mesmo, prendendo-as às vigas de suporte no segundo andar onde os meninos dormiam. Ele disse que era para a segurança deles, para impedi-los de fugir durante a noite, mas as correntes eram curtas, curtas demais para ficarem totalmente em pé. William disse que eles aprenderam a dormir agachados, as costas curvadas, os pulsos em carne viva pelo ferro das algemas.

    Se você ainda está assistindo, você já é mais corajoso do que a maioria. Diga-nos nos comentários o que você teria feito se esta fosse sua linhagem. Semanas se tornaram meses. Meses se tornaram anos. Os meninos disseram que o pai os visitava todas as noites depois do jantar. Ele lia a Bíblia, passagens sobre obediência e sofrimento e os pecados do orgulho. Ele perguntava se eles haviam aprendido a lição, se estavam prontos para se juntar à família novamente. E toda vez que eles diziam sim, ele balançava a cabeça e dizia que estavam mentindo. Que ele podia ver a rebelião ainda queimando em seus olhos. Robert lembrava de implorar. William lembrava do silêncio. Nenhum dos dois funcionava.

    Os irmãos disseram ao terapeuta que perderam a noção do tempo após o primeiro ano. As estações se confundiram. O inverno significava que o celeiro estava congelando, a respiração visível na escuridão, os dedos dormentes mesmo sob os cobertores finos que a mãe deixava no pé da escada. O verão significava calor sufocante, o ar denso e parado, moscas se reunindo nos pratos de comida que ficavam tempo demais antes que eles pudessem alcançá-los. Eles recebiam o suficiente para sobreviver, mas nunca o suficiente para se sentirem humanos. Aveia pela manhã, pão e água ao meio-dia, uma lata de feijão à noite se tivessem trabalhado o suficiente. Seu pai decidia o que significava “o suficiente”.

    William disse que tentou manter Robert são contando histórias. Ele inventava contos elaborados sobre lugares que eles iriam quando finalmente saíssem, cidades que visitariam, refeições que comeriam. Robert disse que essas histórias eram a única coisa que o impedia de perder completamente a cabeça. Mas à medida que os anos se arrastavam, até mesmo as histórias começaram a parecer mentiras. Eles pararam de falar sobre fugir, pararam de falar sobre o futuro. Eles apenas existiam dia após dia em um espaço que cheirava a madeira podre e seus próprios corpos sujos.

    A mãe trazia a comida, mas nunca falava com eles. Ela não olhava em seus olhos. William disse que a odiava mais do que odiava o pai, porque pelo menos o pai acreditava que estava fazendo algo justo, algo necessário. A mãe sabia que estava errado e não fazia nada.

    Uma vez, em 1942, Robert ficou violentamente doente. Ele estava vomitando, febril, delirando. Margaret ficou no pé da escada e o observou sofrer por 3 dias antes de finalmente trazer um médico. Foi dito ao médico que o menino havia se ferido em um acidente agrícola e estava se recuperando no celeiro porque a casa estava muito cheia. O médico lhe deu remédio e nunca perguntou por que um menino de 16 anos estava acorrentado como um animal.

    Os irmãos disseram que pensaram em matar o pai. Eles falavam sobre isso em sussurros depois que ele saía todas as noites. Eles imaginaram uma dúzia de maneiras diferentes de fazer isso, mas as correntes os impediam de alcançar a escada. E mesmo que tivessem se libertado, eles não sabiam para onde iriam. Eles não tinham dinheiro, nem identificação. Eles haviam sido apagados do mundo. William disse que a pior parte não era a dor física. Era a percepção de que ninguém viria salvá-los, que eles haviam sido esquecidos, que o pai havia convencido com sucesso toda a cidade de que seus filhos simplesmente não existiam mais. E, de certa forma, ele estava certo. Eles pararam de ser meninos. Eles se tornaram outra coisa. Algo quebrado.

    O incêndio em 1953 não foi um acidente. William admitiu isso em seu testemunho, embora o tenha dito sem emoção, sem orgulho, sem vergonha. Ele o disse da maneira que alguém descreveria lavar a louça ou dobrar a roupa.

    Naquela época, eles estavam no celeiro há 15 anos. William tinha 26 anos. Robert tinha 24. Eles haviam passado mais tempo de suas vidas acorrentados do que em liberdade. Seus corpos estavam retorcidos por anos dormindo em posições apertadas. Suas mentes haviam aprendido a sobreviver desligando tudo, exceto as funções mais básicas. Mas, em algum lugar sob a dormência, uma faísca permaneceu.

    Thomas Carter havia se tornado descuidado. Ele estava mais velho, suas mãos tremiam e ele parou de verificar as correntes com tanto cuidado quanto antes. Uma noite em fevereiro, William libertou o pulso. Demorou horas. A pele rasgou, o sangue tornou o metal escorregadio, mas ele se soltou e então libertou Robert.

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    Eles não fugiram imediatamente. Eles esperaram até que o pai adormecesse na casa. Então William encontrou um lampião a querosene, o tipo que Thomas usava quando vinha ler suas passagens da Bíblia. William disse que não pensou nisso. Ele apenas agiu. Ele derramou o querosene ao longo da base do celeiro e acendeu um fósforo.

    Eles correram. Eles andaram pelos campos congelados até que seus pés sangrassem, e então continuaram andando. Eles roubaram roupas de uma fazenda a 32 km de distância. Eles pegaram um trem de carga indo para o oeste. Eles mudaram seus nomes para Morrison, o sobrenome de solteira de sua mãe. Embora nunca tenham explicado por que escolheram manter qualquer conexão com a família que os destruiu. Por meses, eles se mudaram de cidade em cidade, fazendo bicos, dormindo em abrigos, traumatizados demais para confiar em alguém. Eventualmente, eles acabaram no Oregon, onde uma assistente social notou que algo estava errado e os colocou no sistema psiquiátrico. Foi lá que eles permaneceram pelos próximos 32 anos.

    Quando Ruth Holloway finalmente os contatou em 1985, William e Robert tiveram a escolha de tornar pública sua história, eles recusaram. Eles disseram que já haviam dito tudo o que precisavam dizer em suas sessões de terapia e não tinham interesse em revivê-la para estranhos. Eles não queriam dinheiro. Eles não queriam justiça. Thomas e Margaret Carter já estavam mortos. A fazenda se foi. O celeiro era cinza. Que aspecto teria a punição para fantasmas?

    Os irmãos morreram com seis meses de diferença no início dos anos 2000. A história deles conhecida apenas por um punhado de assistentes sociais, historiadores e, agora, por você. As fotografias que Diane Harmon encontrou foram doadas à Sociedade Histórica de Iowa, onde permanecem em um arquivo com controle de temperatura. As gravações da terapia são seladas sob leis de privacidade médica e provavelmente nunca serão divulgadas. Não há memorial para William e Robert Carter, nem marco onde o celeiro ficava. A terra é agora um campo de soja pertencente a uma corporação agrícola que não tem ideia do que aconteceu ali.

    O nome da família Carter morreu com os irmãos. E isso é exatamente o que Thomas Carter queria: apagar seu filho tão completamente que até mesmo o sofrimento deles seria esquecido. Mas aqui está o que ele não entendeu. Histórias como esta não desaparecem. Elas se escondem. Elas esperam. Elas vêm à tona quando alguém abre a caixa errada ou faz a pergunta errada ou se recusa a desviar o olhar de algo que o resto do mundo decidiu que era melhor deixar enterrado.

    Os Meninos Carter foram encontrados em 1985. O que eles confessaram destruiu a história da família, mas também lhes deu algo que nunca tiveram. A verdade, testemunhada, lembrada, acreditada, e agora você também a carrega. Se esta história o afetou, deixe um comentário abaixo. Diga-nos de onde você é. Diga-nos que você esteve aqui, porque é assim que garantimos que histórias como esta nunca sejam esquecidas.

  • LIGAÇÃO DE LULA E TRUMP DEIXA BOLSONARISTAS DESESPERADOS E ENCURRALADOS! MEGA VITÓRIA NA ECONOMIA!!

    LIGAÇÃO DE LULA E TRUMP DEIXA BOLSONARISTAS DESESPERADOS E ENCURRALADOS! MEGA VITÓRIA NA ECONOMIA!!

    E a aliança do Cío Gomes com Bolsonaro causou uma mega briga na familiícia. Primeira Michele Bolsonaro ao vivaço criticou aqui no evento a aproximação do PL com Ciro Gomes e do deputado André Fernandes. Aí a maionese desandou. O Flávio Bolsonaro deu uma entrevista chamando a Michele Bolsonaro de autoritária e ainda falou que a fala dela foi constrangedora.

    Aí o Carlos partiu para ataque e disse: “Ó, meu irmão Flávio Bolsonaro está certo”. E compartilhou aqui notícia. Flávio diz que Michele atropelou o Bolsonaro em dar bronca André Fernandes. Aí logo depois o Eduardo Bolsonaro falou: “Meu irmão Flávio está correto? Foi injusto e desrespeitoso com André Fernandes o que foi feito no evento”.

    Lula encara Trump e conquista vitória tarifária para o Brasil - Bloomberg

    Aí a Michele percebeu que a coisa tava feia pro lado dela. Então o que que ela fez? Dobrou a aposta. Primeiro ela colocou um mega testão no stories detonando os filhos do Bolsonaro. Aí ela postou esse vídeo aqui. A Michelinha que inventaram isso. O Flávio comprou uma mansão de R$ 6 milhõesais em Brasília. Um ladrão. Muito esquisito isso aí.

    Esquisito sou eu. Ele é ladrão. Ladrão é porque ele precisa ser ser julgado e não. Eu tô acusando ele de ser ladrão. Me processo para ver se eu não provo. Dizendo Bolsonaro é ladrão. Os filhos são ladrões, às vezes mulheres tudo ladras. Só que tem mais. Ela postou vários vídeos do Ciro Gomes detonando o Bolsonaro e os filhos dele.

    Briguem, briguem mais. E quem quiser todas as informações sobre essa briga, vai lá no Plantão Brasil, que tá muito bom, viu? Galera, o presidente Lula desbancou a lógica do mercado, mostrou que os tais especialistas não passam de vendedores do caos, que quando o assunto é economia real, eles não sabem o que estão dizendo.

    Fazem previsões catastróficas no começo do ano, mas quando chega no final ficam desmoralizados, porque o resultado é outro. Parece que eles não contam com o fator Lula no comando. Eu vou mostrar para vocês uma análise da Miriam Leitão que vai contar os dados aqui para vocês. Eles previam desemprego crescendo, inflação acima de 6%, Brasil em recessão e nada disso se confirmou.

    Eu vou pedir que assista, deixe um comentário para engajar, deixa a curtida, compartilha o vídeo, me siga. E se gosta do conteúdo que eu produzo do enfrentamento aos vigaristas intelectuais e psicopatas hospedados na política brasileira, quem puder quiser dar aquela força no meu trabalho, a chave é essa aqui.

    Todo o apoio é muito bem-vindo. Agora vamos à análise da Milan Leitão. Eu conversei com eh, por exemplo, com vários economistas, mas eu conversei com Mansueto Almeida, que que é do BTG Pactual, e ele tava dizendo o seguinte, eh a gente começou a analisar os números do começo do ano e do final do ano, né? No começo do ano, os economistas estavam achando que a inflação seria de 6%, ela tá em 4,4 dentro do intervalo de flutuação da meta e pode cair, terminar o ano até um pouco mais baixo do que isso.

    Mas a inflação de alimentos é que é impressionante. A previsão dos economistas era de alguma coisa como 8 ou 9% da inflação de alimentos vai terminar o ano em 1,35. 1,35. Houve queda, meses seguidos teve queda da inflação de alimentos. queda da inflação de alimentos no domicílio. Então isso melhorou muito, inclusive a renda disponível das famílias que é muito eh tomada pelo pela compra de alimentos.

    Teve eh a o dólar tava no começo do ano, começo do ano tava em 6:18 e a previsão dos economistas que podia chegar a sete, pois tá terminando em 5:35, né? e queda com hoje mais um dia de queda. Eh, o a previsão óbvia a ser feita pelo tipo livro texto e se os juros vão subir tanto, vão ficar em 15%, 10% de juro real, a economia vai ter uma recessão forte.

    E a economia não entrou em recessão. Semana, essa semana vai ser divulgado o PIB do terceiro trimestre. Deve dar alguma coisa como 02 positivo, mas vai ficar ali em torno de zero. Não é um resultado muito bom, mas era o mês que todo mundo achava que ia dar um resultado negativo, forte. E a economia termina com 2%. Mas você me chamou atenção para o que tá realmente desafiando os economistas, como é que com juros reais de 10% eh eh e juros nominais de 15, o desemprego pode melhorar e melhorou.

    Tanto que o dado divulgado na semana passada e que terminou em outubro, trimestre e terminado em outubro foi 5,4%. É o menor número da série histórica. É aquela velha lógica do mercado. Eles vendem o boato para lucrar com o fato, mas eles esquecem que tem na presidência da República o presidente Lula. Eles fazem isso de propósito para desgastar o governo, para dizer que o governo não vai dar conta de pagar as contas, que o governo está gerando caus econômico.

    Mas nada disso se confirma. E hoje o fato é que a bolsa de valores, pela primeira vez na história do Brasil, ultrapassou 160.000 pontos com o governo que eles dizem que é um governo comunista. Então falo só o seguinte, chupa mercado, deixa aí nos comentários a sua opinião e se gostou do vídeo, curta, comente, compartilha, aproveite para me seguir e mercado faz o L aí.

    E atenção pouquinho, mais uma notícia triste para os traidores da pátria. O presidente Lula ligou novamente para o Donald Trump, até porque o presidente Lula disse que agora tanto o Trump tem o telefone dele, como ele tem o telefone do Trump e eles podem ligar um para o outro a qualquer momento.

    Assim fez o presidente Lula. ligou para o Trump para ver se põe fim de vez nessa novela do tarifá, que ainda tem alguns produtos com a tarifa de 40%, e também pedindo colaboração ao combate ao crime organizado no enfrentamento de algumas ramificações de facções que atuam no exterior, né? Vamos ler aqui. O presidente Lula já se manifestou nas redes sociais.

    Logo após essa ligação, ele disse o seguinte nas redes sociais dele, o seguinte: “Olha, abre aspas. Telefonei nesta terça-feira dois para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na chamada que durou 40 minutos, tivemos uma conversa muito produtiva sobre nossa agenda comercial e econômica e sobre o combate ao crime organizado.

    Eh, indiquei ter sido muito positiva a decisão dos Estados Unidos de retirar a tarifa adicional de 40% imposta a alguns produtos brasileiros, como carne, café e frutas. Destaquei que ainda há outros produtos tarifados e que precisam ser discutidos entre os dois países e que o Brasil deseja avançar rápido nessas negociações.

    Ressaltei a urgência em reforçar a cooperação com os Estados Unidos para combater o crime organizado internacional. Destaquei as recentes operações realizadas no Brasil pelo governo federal, com vistas às a fixiar financeiramente o crime organizado e que identificaram ramificações que operam a partir do exterior.

    O presidente Trump ressaltou total disposição em trabalhar junto com o Brasil e que dará todo o apoio a iniciativas conjuntas entre os dois países para enfrentar essas organizações criminosas. Concordamos em voltar a conversar em breve sobre o andamento dessas iniciativas. Eita, meu irmão. Queria ver como é que tá. Eduardo Bolsonaro vai já aparecer.

    Daqui a pouco eu apareço. Eu vou lá no, eu ainda não fui lá na rede social dele. Vou lá ver o que é que ele vai aparecer dizendo que toda vez ele aparece com uma lorota para minimizar o sucesso do presidente Lula, porque ele sabe que levou peia nessa aí, né, pessoal? Se você gostou do vídeo, da notícia, curta, compartilhe, siga o canal se ainda não for seguidor.

    Muito obrigado pelo apoio de vocês. Michele, no caso a Michele Bolsonaro, porém não tem mais a força do marido para sair por aí desautorizando as articulações estaduais do PL. Quem escreveu esse artigo pro Estadão foi uma jornalista mulher, uma jornalista muito culta, muito bem estudada, que faz questão de ser uma representante feminina do patriarcado na mídia brasileira e faz questão de dar eco pros filhos do Bolsonaro, que quando o Eduardo vai paraos Estados Unidos e arruína o sobrenome da família, não falam absolutamente nada. Agora, quando

    Michele Bolsonaro resolve falar mal de um novo aliado bolsonarista, aí eles se juntam para dizer que ela é autoritária na hora publicamente. Eu sei que pode parecer ingenuidade da minha parte, mas será que finalmente chegou a hora que Michele Bolsonaro vai dar o braço a torcer e assumir que ser antifeminista em um mundo que quer matar e derrubar todas as mulheres é contraproducente pros planos de poder que ela tem para ela mesma na política? Será que chegou a hora das apoiadoras da Michele entenderem que enquanto a rainha tá

    falando para elas serem submissas dentro de casa, ela própria tá se levantando, se buscando um lugar ao sol e contrariando de propósito a família do próprio marido dela. Com tantos casos de políticos da extrema direita e influenciadores masculinistas sendo condenados por violência doméstica, com tantos casos de mulheres antifeministas sendo agredidas pelos seus companheiros.

    Será que finalmente chegou a hora da gente protagonizar a ascensão do pensamento feminista no Brasil? É pedir demais, minha gente. Que que vocês acham? Vamos ver as cenas dos próximos capítulos. Olha só, porque eles querem tirar a Polícia Federal e o governo Lula do combate ao crime organizado. Foram encontrados documentos no escritório daquela refinaria lá que lavava dinheiro pro PCC.

    Pois é, documentos comprovando que essa turma tava investigando os funcionários do governo Lula que foram para cima do crime organizado. Pois é, o Robson Barreirinhas, que é o funcionário da receita, vinculado ao Hadad, que entregou na mão da PF o dossiê contra a refinaria do PCC, esse cara, até os familiares dele, essa turma tava indo atrás.

    É gente perigosa, é gente que atua junto com o PCC e tava indo atrás dos funcionários do governo Lula, porque eles combatem o crime e a corrupção. Essa que é a realidade. É por isso que essa lei antifacção aí que tá no Senado agora, eles querem tirar todas as atribuições da PF e do governo Lula no combate ao crimenizado. Por isso que a gente tem que defender a Polícia Federal e o projeto que tem que ser aprovado no Senado é a lei antifacção do Lula pra gente continuar combatendo o crime organizado.

    O Supremo Tribunal Federal decretou sigilo no pedido que a defesa de Daniel Vorcar, dono do máster, fez. A defesa fez o seguinte pedido. Olha, a gente acha que o caso dele, prisão, investigação, nada disso deveria estar na Justiça Federal em Brasília, que é a primeira instância. a gente acha que deve est no Supremo. Não há detalhes sobre o motivo do pedido, mas a essência do pedido é esse.

    E aí esse pedido ele chegou lá no Supremo como segredo de justiça, que apesar do nome ainda dá um certo acesso. Você consegue acompanhar, os jornalistas conseguem acompanhar ali, eh, andamento, de quem se trata, consegue ter o mínimo de informação. Só que aí foi decretado esse outro nível de sigilo que se chama sigilo mesmo, mas é um grau de reserva maior, não tem iniciais, você não consegue ver o andamento, você não consegue ver absolutamente nada. Houve essa mudança.

    Quem é o relator desse caso? É o ministro Dias Toffoli. Ainda não, se geralmente é o relator que faz essa mudança, mas também pode ter sido feita pela área técnica. O fato é que o assunto tá sob bastante sigilo, bastante reserva e vai depender do Supremo, obviamente nesse caso do ministro Dias Toffol, eh, a decisão sobre o pedido da defesa.

    Se a defesa de Daniel Vorcaro conseguir levar o caso pro Supremo, isso pode anular os atos já feitos em relação à justiça federal, ou seja, além de mudar de instância, você anula. O que nós podemos fazer a respeito disso? cobrar nossos deputados e senadores para abrir uma P de CPI. Tem que abrir uma CPI para investigar isso.

    Que que esse cara tá achando que é para ir pro STF? Esse cara não é parlamentar, não. Não tem foro privilegiado para falar assim: “Ah, eu tenho foro privilegiado, preciso ir pro STF”. Que que a gente pode fazer? Vai reclamar a gente aqui, cidadão, vai bater no STF? Ué, a gente não pode fazer nada. Cabe agora ao parlamento brasileiro mostrar o que é o parlamento.

    A direita não tá falando que que o Banco Master tem a ver com vou falar também, mas então tá aí, ó. Prato cheio, que é oportunidade melhor para correr atrás e abrir uma CPI em cima disso e investigar a fundo o que tá acontecendo? Porque eu acho que é a única coisa que a gente pode fazer, pressionar os parlamentares a investigarem, porque a justiça brasileira, né, a gente sabe como é, né? Eu vou ficar quieto aqui porque, né, sabe como é.

    E o jornal Gadonal apresenta um resumo geral de tudo que tá acontecendo no mundo do bolsonarismo. O Raspa Caneco disse que recebeu ordem do príncipe das trevas e sim, tá articulando com o Ciro e disse que não aceita que ninguém meta o pitaco onde não foi chamado. No caso a exterceira dama, né? É, convocaram a reunião de emergência para enquadrar a dona Michele.

    Bolsonaro confirma que realmente queria uma união com o Crio. Os filhos de Bolsonaro reprovam a atitude de Michele. Dizem que a Michele foi autoritária e desrespeitosa com Raspa canec também. Quem vai respeitar o Raspa Canec, né? É, por outro lado, dona Michele veio pras redes sociais pedir desculpa aos enteados para dizer que tá tudo bem, que a gente sabe que nem tá agora, nem nunca esteve, né? Mas ela pediu desculpas e disse que respeitava a opinião dos outros, mas não concordava.

    Porque Ciro chama o marido dela de corrup pá, de tudo que ele é, porque se ele não fosse, ele já tinha processado ou não? já que ele não é nada disso que Ciro diz, porque não processa, então a gente acredita que seja tudo verdade. E depois disso ela passou a colocar vários vídeos do Ciro Gomes. Inclusive, eu quero agradecer a ela porque tinha vídeo ali que eu não tinha e eu já salvei para mostrar aqui toda hora o Ciro Gomes mostrando a verdade, porque até vocês processarem ele para ele desmentir e apagar os vídeos, eu vou

    acreditar que tudo é verdade. Está no ar o jornal gadonal. Primeira matéria mostra o raspa canec confirmando a aliança com Ciro e a ordem recebida pelo príncipe das trevas. E ele não quer que ninguém dê o pitaco não, viu? Dona Michele, cai fora. Eu estou sim tentando fazer essa construção pra gente derrotar o PT, pra gente ter um grande cabo eleitoral aqui no Ceará pedindo voto pro nosso candidato de centro direita, porque quem tá aqui é que sabe o problema que o cearense enfrenta.

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    Então está tudo resolvido. Não aceito que venha alguém de fora dizer que é precipitado ou que é um passe errado. Próprio presidente Bolsonaro concorda com isso e repito, mandou a gente ligar pro Ciro Gomes no Viva Voz naquele dia. E pra quem disse que o Raspa caneco tá mentindo, o príncipe das trevas tá aí pr confirmar isso pra calar.

    Dona Michele Bolsonaro que não deixou nem o final de esfriar o corpo e já quer mandar nele, mandar em todo mundo, passar por cima de todo mundo só para calar ela e a boiada que tá aí mugindo. Eu fico muito feliz ver uma jovem liderança dessa de direita despontando no Nordeste. O senhor chegou a conversar com Ciro? Com quem? O senhor chegou a conversar com o Ciro? Não, não cheguei a conversar com ele.

    Eu tenho curiosidade porque gostaria de você conversar com ele no dia. Não sei se você vai querer conversar comigo, né? Mas conversaria com ele sem problema nenhum. Dona Michele, talvez ele tenha feito isso e não tinha contado nada pra senhora porque não tem confiança suficiente para lhe contar tudo, né? Aí talvez ele não tenha contado, isso pra senhora que a senhora disse que não sabia.

    Aí tem mais, tem os filhos do príncipe das trevas criticando a esta sera dama, achando que ela extrapolou, passou dos limites, não deixou nem o homem ser preso direito. Mas eu disse a vocês, quando derem poder a essa mulher, vocês vão saber quem é Michele Bolsonaro. O que Julian diz, o que Joyce diz e vocês não querem acreditar.

    Vocês viram aí quem é Michele Bolsonaro, mas os filhos, olha, não concorda não. Eu tô adorando tudo isso. Sabe por quê? Porque rachou. já tem os três grupos de direita diferente. Os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro saíram em defesa de André Fernandes e também do pai. O senador Flávio Bolsonaro disse que Michele atropelou o próprio presidente Bolsonaro, que havia autorizado o movimento do deputado André Fernandes no Ceará e a forma com que ela se dirigiu a ele, que talvez seja a nossa maior liderança local, foi autoritária e

    constrangedora. O o vereador Carlos Bolsonaro, ele endossou o discurso do irmão e disse o seguinte: “Meu irmão Flávio Bolsonaro está certo e temos que estar unidos e respeitando a liderança do meu pai, sem deixar nos levar por outras forças”. O deputado federal Eduardo Bolsonaro também citando Flávio Bolsonaro, dizendo que Flávio estava correto, que foi injusto e desrespeitoso com André Fernandes o que foi feito no evento ontem, que tinha sido algo definido pelo pai e que André não poderia ser criticado por obedecer o

    líder, disse o deputado federal Eduardo Bolsonaro. E aí ficou esse clima todo dentro do PL. Aí depois que os enteiados falaram da madrasta má, aí o Valdemar, até o Valdemar discordou da Michele e agora ele quer uma reunião de urgência para enquadrar a dona Michele e colocar ela no lugar dela, né? Vocês não dizem assim com Janja que ela tem se colocar no lugar dela? Dona Michele, se coloque no seu lugar.

    Pele convocou uma reunião de emergência para enquadrar Michele. Pois é, essa aliança com Valdemar já deu ruim. Já deu ruim. Já depois de tudo isso, ela ficou com medinho, medinho, e colocou uma notinha lá pedindo desculpas, né? Ela pediu desculpas, disse que não concorda, mas respeita.

    Aí começou a colocar os vídeos lá do Ciro Gomes e todo mundo gostando, adorando. Aí ela ficou bem calminha. Enfim, aqui termina o jornal Gadonal. Ten um boi dia e um beijinho no chifre. Ah.

  • MICHELLE PUBLICA VÍDEO CHAMANDO FLÁVIO BOLSONARO DE LADRÃO PRA BAIXO!!! QUEBRA PAU NA FAMILÍCIA

    MICHELLE PUBLICA VÍDEO CHAMANDO FLÁVIO BOLSONARO DE LADRÃO PRA BAIXO!!! QUEBRA PAU NA FAMILÍCIA

    E temos aí mais brigas na familiícia. E olha, me parece que o Ciro Gomes pela primeira vez aí fez uma coisa realmente útil pra esquerda, que foi sem querer ele causou uma mega briga no bolsonarismo. Quem tá acompanhando aí viu que no domingo a Michele Bolsonaro, logo depois de chegar toda feliz à Fortaleza, deu uma bronca pública no presidente do PL do Ceará, que é o André Fernandes, deputado bolsonarista, que foi muito bem votado e que é o grande aí astro das redes sociais bolsonaristas no Nordeste. todos os bolsonaristas lá, ele

    é o que tem o maior aí engajamento em redes sociais. E a Michele detonou com ele porque ele costurou uma aliança com o Ciro Gomes. Ciro Gomes saliou aí ao Bolsonaro no Ceará para tentar ser governador do Ceará. Tarefa muito difícil porque o governador do Ceará vai pra reeleição e tem aí amplo apoio popular.

    Michelle Bolsonaro reage à prisão de Jair Bolsonaro com citação bíblica:  'Deus mesmo é o Juiz' - Estadão

    Tá aí os filhos do Bolsonaro, quem assistiu aqui o vídeo, o último vídeo sobre isso, os filhos do Bolsonaro, eles retrucaram a Michele Bolsonaro, chegaram na voadora, assim, com pé no peito dela mesmo, voadora na Michele Bolsonaro. O Flávio Bolsonaro deu uma entrevista ao Metrópolis em que ele disse que a Michele Bolsonaro é autoritária, deselegante e que foi constrangedora a fala da Michele Bolsonaro.

    O Eduardo e o Carlos Bolsonaro compartilharam a fala do Flávio dizendo que o Flávio está correto, que ele tem razão e detonando a Michele. OK. Convocar então uma reunião de emergência que ainda não ocorreu, tá? Eh, a reunião da maneira que eles querem. Teve ali um encontro, mas a reunião mesmo não. Eh, a reunião era para hoje e aí não teve.

    Teve ali um encontro breve do Flávio com a Michele. OK. Nisso a Michele falou, fez o quê? Ela tem ali, eh, não pense que ela não tem, ela eh, dados de redes sociais e as redes sociais mostraram o seguinte: amplo e maciço apoio dos bolsominions a Michele contra os filhos do Bolsonaro. E aí fica difícil, sabe por quê? Porque a Michele ela ela tem mais seguidores que os filhos, só que em engajamento ela tem mais do que os três juntos.

    Aí eles estão comprando uma briga novamente contra alguém que tenha um engajamento muito maior que o deles. Os outros parlamentares bolsonaristas não entraram na briga ao lado dos filhos do Bolsonaro, até porque boa parte deles, liderados aí pelo Nicolas e pelo Cleitinho, estão esperando o bolsonarismo, o sobrenome Bolsonaro meio que morrer e eles vão se aliar talvez algum dia a Michele, mas aos irmãos, aos irmãos ali não, aos filhos do Bolsonaro não.

    Estão esperando ali a a coisa ficar feia para eles, tá? Nisso a Michele faz o quê? Ela diz que não vai comentar. Ela faz um posto dizendo que não vai comentar e aí ela solta uma nota com oito parágrafos detonando aí os filhos do Bolsonaro. A nota ainda tá tá no ar no Instagram da Michele Bolsonaro. Vou lá no Instagram da Michele aqui.

    Aí tem a nota da Michele Bolsonaro. Primeiro, ela diz o seguinte: “Nota de esclarecimento: Muitos têm me perguntado se vou responder as manifestações dos meus enteados”. Não vou. Ela coloca aqui grande, ó. Não vou. Só que aí depois 1 2 3 parágrafos 4 7 8 9. Não se oito não. 7 8 9 10 11 12 parágrafos.

    Ela ela escreveu, tinha nem tinha visto o última história ali. 12 parágrafos detonando os filhos do Bolsonaro. Isso porque não ia responder. Imagina se fosse, vou resumir aqui um pouco do que ela disse. Ela começa dizendo: “Vivemos tempos difíceis, enfrentamos injustiças. Aí no segundo parágrafo, amo o meu marido, a minha filha e amo a vida dos meus.

    Não a eles, mas a vida deles, porque ela é pródia, né? Então tem que falar que é pró a vida deles, tá? Aí eh, respeito a opinião dos meus entiados, mas penso diferente. Tenho o direito de expressar meus pensamentos com liberdade e sinceridade. Pô, você sendo mulher no bolsonarismo, você acha que você vai ter direito de expressar suas opiniões? É, então é incoerência aí, viu, chefe? Tá bom.

    a ele, antes de ser uma líder política, eu sou mulher, sou mãe, sou esposa. E se tiver que escolher entre ser política, mãe ou esposa, ficarei com as duas últimas opções, tá? Aí ela: “Cada pessoa é livre para t tomar suas decisões e tá tá tá”. Aí já no quinto parágrafo, ela diz: “Diante disso, eu jamais poderia concordar em ceder o meu apoio à candidatura de um homem que tanto mal causou ao meu marido e a minha família.

    Como apoiar um homem que foi responsável por implantar a narrativa que rotulou o meu marido como genocida. Ela dá até ao Ciro Gomes uma importância que ele não tem, né? Porque não foi o Ciro Gomes que taxou a Michel de que tachou o Bolsonaro de genocido, foi todo mundo. Só que Ciro Gomes, como ele é oportunista, ele começou a falar e só o pessoal cirista que acreditou nisso e agora a Michele tá falando que foi ele quem taxou o Bolsonaro de genocida, que foi ele quem inventou isso aí, não foi.

    Tá aí, tá? Como ficar feliz com apoio à candidatura de um homem que xinga meu marido todo o tempo de ladrão de galinha, de frouxo e tantos outros xinghamentos? Como ser conivente com apoio a uma raposa política que se diz orgulhoso de ter feito a petição que levou à inelegibilidade do meu marido e se desatisfeito com a perseguição que ele tem sofrido? Aí, como eu olharia nos olhos da minha filha quando ela um dia me questionasse porque eu teria apoiado, ou não falei nada, quando pessoas do meu partido apoiaram o homem que tanto mal

    fez ao pai dela? Desculpem-me, não sou assim. Tá jogando tudo nos cílios dele. Olha só esses caras apoiando o Ciro que odeio o Bolsonaro, que xinga o Bolsonaro de tudo que é nome e xinga eles também, tá? Ela fala: “Acredito em uma política diferente. Não basta derrotar o PT e a esquerda.

    É, é preciso fazê-lo mantendo-nos fiéis aos nossos valores. Ainda tá falando esses caras aí, ó, estão se unindo ao tal do sistema, né? Isso que pega na cabeça do bolsomínio. Eles vem aquilo, eles não sabem nem o que é sistema, mas quando vem que tá alguém se aliando ao tal do sistema, que eles não sabem nem o que é, eles ficam assim: “Não, não, não pode”.

    Aí é isso que a Michele joga ali nas entrelinhas, tá? Ela: “Foi por isso que manifestei no Ceará”. Aí no fim ela fala: “No evento vi nos olhos do povo que ama Bolsonaro o mesmo desconforto e insatisfação que eu sinto. Seria o mesmo trocar o PT pelo Ciros? Seria o mesmo que trocar Joseph Stalin por Vladimir Lenin?” Analogias da Michele.

    Aqueles que defendem essa aliança são livres para continuar com ela, mas não deveriam me criticar por não aceitá-la. Eu tenho direito de não aceitar isso aí. Lembra que eu falei que foi dia de visita ao Bolsonaro? A Michele não foi. Pois é, a Michele saiu das suas férias em Fortaleza e foi até Brasília visitar o Bolsonaro.

    Ficou meia hora com o Bolsonaro. Foi lá provavelmente contar a versão dela da história que o Bolsonaro, se é que tava sabendo, ficou sabendo pela TV, porque ele não tem celular lá na prisão. Depois da Michele, o Flávio foi visitar também o Jair Bolsonaro. E aí o Flávio saiu, né? Olha, mas vou mostrar o Flávio, vocês Flávio Bolsonaro, hein? E ele me falou uma coisa que eu não sabia, né? Ele tá ele tá o a ordem então os policiais é deixarem ele trancado dentro de uma sala de 12 por 12 na chave o dia inteiro.

    Sai por um período pequeno para fazer uma alguma caminhada, só que o espaço que ele tem para caminhar ali é um espaço muito pequeno. Dá 10 espaço para um lado, dá 10 espaço pro outro, já acabou o espaço. É uma pessoa que tem orientação médica para fazer exercício. A sala onde ele tá hoje fica do lado da do aparelho central de ar condicionado aqui do prédio.

    Uma barulheira de 7 da manhã, 7: da noite. Então ele tá aqui uma pessoa idosa, uma pessoa que precisa de cuidados médicos, uma pessoa que todo mundo sabe que tem. Então o Flávio Bolsonaro descobriu hoje que os prisioneiros ficam trancados. Ele achava que era como que o prisioneiro fica aberto lá a sala. Olha, Bolsonares vai ficar preso aqui n na sua cela, mas a cela não tá trancada com chave.

    Por favor, não saia, tá? Mas tá, se quiser sair, tá liberado. Ele achou que era assim. Trancam na chave mesmo. Ah, nossa, fica do lado de um ar condicionado barulhento, das das 7 da manhã às 7 da noite. P aqui é a hora de eu estar acordado. Se fosse das 7 da noite às 7 da manhã, você falava: “Nossa, tadinho, não consegue dormir direito”.

    Mas não, é de dia, é a hora que tem que tá acordado mesmo. Nossa, ele tem pouco espaço para caminhar. Compra uma esteira, então. Pois bem. Tá aí. Flávio Bolsonaro foi lá. Aí disse o Flávio que o Jair Bolsonaro mandou ele pedir desculpas para Michele. Porém, o que aconteceu é o seguinte. Análise aí de redes sociais mostraram que 75% dos bolsonaristas concordam com a Michele. 75%.

    Só que você acha que a Michele parou com isso? Nanina. Não. Michele passou à tarde publicando vídeos como esse aí que eu vou te mostrar. Claro, esse pano de picareta da rachadinha que inventaram isso. O Flávio comprou uma mansão de R$ 6 milhões deais em Brasília. Um ladrão esquisito isso aí. Esquisito sou eu. Ele é ladrão.

    Ladrão é  porque ele precisa ser julgado. Não, eu tô acusando ele de ser ladrão. Me processa para ver se eu não provo. Dizendo, Bolsonaro é ladrão, os filhos são ladrões, às vezes mulheres tudo ladras. Na hora que essa comissão mista fosse formada, o Bolsonaro imediatamente mudaria de conduta, porque ele é um frouxo, é um covarde.

    O Bolsonaro só é valente até a hora que a gente encara ele. Eu conheço o Bolsonaro, isso é um frouxo de longa data. Picareta. Isso aqui são as histórias da Michele, tá? passou aí à tarde publicando, mas eu não vou falar o CO detonando o Bolsonaro, detonando o Flávio, detonando Eduardo, detonando até as ex-esposas do Bolsonaro.

    Só não detonou a própria Michele, todo mundo ele detonou, mas fala: “Eita, caramba”. Pois bem, agora tão racha todos os posts dos filhos do Bolsonaro tem bolsonaristas questionando aí a aliança que eles fizeram com o Ciro Gomes, falando: “Pô, vocês estão aí eh querendo ajudar o inimigo e tudo mais. O Ciro, ele é comunista, ele é não sei o quê”. Pois bem, tá aí, ó.

    O Ciro ter tirado a máscara dele foi a única coisa útil que ele realmente fez, que aí, ó, ele se aliou com o Bolsonaro, que era o que ele sempre queria ter feito, né? E aí o que aconteceu? Causou uma mega briga no bolsonarismo. E agora os filhos do Bolsonaro estão usando isso para afastar ali, tentar afastar de qualquer maneira a possibilidade da Michele ser vice do Tarciso, porque a Michele tá ali tentando galgar a a possibilidade de serviço do Tarciso, só que eles estão perdendo nas redes sociais. Segundo aí a Globo, a Globo tá

    comemorando por quê? Porque eles acreditam que isso é um é um presente pro Tarcísio, porque agora afastou qualquer possibilidade de ter alguém com sobrenome Bolsonaro na vice do Tarcísio. E a Globo quer que a Globo sonha que seja o Ciro Nogueira, tá um bandidão aí ligado ao PCC. Esse é o candidato a vice dos sonhos da Rede Globo.

    Mas como Ciro Nogueira tá bem muito aí chamuscado com as operações aí da Polícia Federal, então eles estão ali pensando que o vício do Tarciso talvez seja algum outro governador, talvez o Zema de Minas Gerais, que aí seria o governador do maior colégio eleitoral do Brasil, São Paulo, com o do segundo maior colégio eleitoral do Brasil, que é Minas Gerais, juntos ali para tentar ganhar do Lula.

    Difícil aí a a missão aí dos dois. acontece o seguinte, saiu pesquisa hoje pro Senado e mostram que o Hadad ele lidera todas as pesquisas e o Alkmin também lidera as pesquisas em que ele está. Então, muito provavelmente vai ter alguém aí de esquerda ou centroesquerda, né? No caso, no caso do Alm, hoje se dá para falar aí que ele é centro, centro esquerda, né? Antigamente ele era direito.

    Eh, e até os discursos dele mudaram bem, né? Eh, e aí sai, aí perde ali uma vaga extrema direita. Então eles estão estão com problema ali em São Paulo. Eles precisam que o Tarciso para eles se reorganizarem e tentarem uma maioria no Senado, eles precisam, no caso de São Paulo, é manter o Tarciso como candidato ao governo de São Paulo para que tenha um candidato ali forte a ao Senado para que eles tentem conseguir as duas vagas.

    Difícil a situação deles, né? Só, só que eles estão brigando sem parar, então fica cada vez mais difícil a situação dele. Eu não imaginava que a briga na familiícia ia começar duas semanas, assim, menos de duas semanas depois da prisão do Bolsonaro. Eu imaginava que eles iam brigar um mês, um mês e meio depois, iam começar a brigar em 2026 e tal e a coisa se intensificar.

    Mas até um pouco depois realmente foi aí você vê que eles se odeiam mesmo e que foi só um pouquinho aí de do Bolsonaro não tá lá que ele começou o quebra-apa entre eles em público. E o melhor é que a Michele na nota dela ela no fim ela ela eu não li os últimos parágrafos, né? Eu resumi, ela ainda peço desculpas aos meus enitiados por qualquer mal que possa ter feito e tal.

    Ela ainda sai como a elegante, aquela que sai por cima, olha e tal. E eu estou aqui defendendo a honra da família. Vocês não. Vocês aí fazem aliança com qualquer um. Se é bom politicamente para vocês, vocês não estão nem aí, porque vocês são o quê? Vocês são do sistema. Aí vou falar, prepara, viu? Porque os filhos do Bolsonaro sentiram a pancada, recuaram.

    Hoje deve aí um um recuudo deles nas redes sociais, não pararam de atacar Michele. Porém, eles estão, o que eles estão fazendo é juntando forças para dar uma pancada forte nela, tá? É isso. Eles precisam dar uma pancada forte nela, porque não é a primeira vez que os filhos do Bolsonaro caçam uma briga e eles acabam perdendo nessa briga.

    A primeira aí foi quando o Carlos Bolsonaro que e ele anunciou aí a candidatura dele a ao Senado em Santa Catarina e na briga ele vai sair perdendo, tá? Porque a Caroline de Tony vai sair do PL e ela vai levar um monte de prefeito junto com ela e aí tá um problemão lá em Santa Catarina. Então, tá esse aí o panorama, o negócio de anistia.

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    Os parlamentares com maior alcance nas redes sociais já falaram que não querem mais nem pensar em anestia. Você vê que eles não tentam convocar uma manifestação, eles não tentam achincalhar com o e ferrar nas redes sociais com o relator da anistia, que é o Paulinho da Força. Não dam. Você não vê ali uma movimentação deles, não. Eles só falam: “Ó, o relator às vezes nem citam o nome do relator.

    O relator não apresentou projeto, como é que eu vou votar se não tem projeto?” Pô, mano, se você quisesse mesmo anestesia, você tava cobrando para ele apresentar o projeto, tava colocando fotinho dele nas redes sociais. A gente sabe o o modos operand do bolsonarismo quando eles querem ferrar com alguém, quando eles querem cobrar algo de verdade contra alguém.

    Mas o que eles estão fazendo lá com o relator do projeto é o quê? Nada. É uma blindagem a ele. E aí você vê, ninguém tá realmente querendo anistir ao Bolsonaro. Eles estão ali brigando por poder. Que briguem, briguem mais. Nessa briga aqui, nós torcemos para a briga. Aí prepara que vai ter mais. Por quê? Porque o André Fernandes foi vaiado.

    O André Fernandes foi a um evento aí logo depois da da briga com a Michele. E aí você vê com a opinião dos Bolsominions, né? Ele foi vaiado, ó, aqui com vocês. André Fernandes tentou falar e, ó, não, Ciro não. Então, essa semana, quem acompanha o Plantão Brasil há muito tempo, principalmente desde 2022, vai lembrar que eu falei o que aconteceria com Ciro Gomes.

    vai sair queimado na esquerda porque ele é linha alternativa do bolsonarismo e ele não vai conseguir o voto dos bolsonaristas. Dito e feito, a esquerda não gosta dele porque ele é um traidor da esquerda. Fingiu que era de esquerda e no fim a tentou ajudar o bolsonarismo de todas as maneiras. E a extrema direita não gosta dele, porque naquela ali ele também desagradou a extrema direita conseguiu que todo mundo se unisse contra ele.

    É isso aí que fez o Ciro Gomes. Olha só, dito e feito, eu peço a sua inscrição no canal. Seguimos aqui na luta. Falou.

  • LULA BATE RECORDE DE IBOPE E HUMlLHA O CENTRÃO! PF PEGA DEPUTADO BOLSONARISTA EM CASO BILIONÁRIO

    LULA BATE RECORDE DE IBOPE E HUMlLHA O CENTRÃO! PF PEGA DEPUTADO BOLSONARISTA EM CASO BILIONÁRIO

    E temos bomba do Lula. Olha só que coisa. Sai aí notícia mostrando que o pronunciamento do Lula foi aí a maior audiência, recorde de audiência de domingo. E não só desse domingo, de alguns domingos passados também. Se você não sabe, só na Globo o pronunciamento do Lula teve 15.9 pontos. Para você ter uma ideia, tem no site aqui que é o Notícias da TV.

    Todo dia eles dão uma tabela com todas as audiências do dia anterior, em todos os canais, né? E aqui você vai ver em todo todos os canais, de todos os canais, a maior audiência foi pronunciamento do Lula na Globo 15.9. Só que na Record o pronunciamento do Lula foi a segunda maior audiência do dia. No SBT também é a segunda e na Band também é a segunda. Você fala: “Caramba”.

    E e sempre 0.1 atrás da primeira. Você fala: “Eita, caramba! É o Lula. Tá na hora do Lula aparecer mais que o povo gosta de ver o Lula. Tô defendendo aqui desde o começo do mandato dele, que o pessoal ali da comunicação estude um pouquinho, não precisa ser muito não, o que é feito pela presidenta do México, que é a presidenta mais bem avaliada do mundo.

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    Na comunicação, eu vou falar o segredo é o seguinte: ela faz coletivas de imprensa todo dia. Ela não dá entrevista para um veículo, ela dá uma coletiva de imprensa e aí ela rebate as perguntas canalhas dos repórteres e ela expõe ali os adversários políticos dela, que na prática são todos criminosos.

    e ela vai expondo os crimes deles e aí ela ganha amplo apoio popular fazendo isso. E aí ela consegue ampliar a maioria que ela tem no Congresso, eleição após eleição, vai ampliando a maioria no Congresso da esquerda porque a população fica sabendo. O Lula precisa começar a fazer isso, porque olha, um o pronunciamento dele foi perfeito assim.

    Você vê ali, ele mostra tudo que ele fez, mas aquilo precisa ser mostrado. Concorda você? Sim ou não, plantonista? Precisa ser mostrado para toda a população todos os dias. Você tem que enfiar informação na cabeça das pessoas e enfiar mais e mais e mais e mais. Porque se a pessoa vê aquilo num domingo, na no mesmo domingo à noite, a pessoa já recebe fake news.

    Na segunda, na terça, na quarta, na quinta, na sexta, o mês inteiro recebendo fake news. Para uma vez o Lula aparecer e falar é pouco, bem pouco. Pois bem, mas você vê aí o sucesso do Lula. Lula tá bombando aí e o melhor, né, fazendo um um dando aí uma notícia excelente que é a isenção do imposto de renda para quem ganha até 5.000.

    Só que os bolsonaristas já estão nas redes sociais dizendo que olha, eu ti o Lula tira com uma mão e dá com a outra. Ele dá com uma mão e tira com a outra. Ele tá ali, ele vai descontar não sei o quê, ele vai começar a cobrar mais não sei o quê, tal, o imposto vai aumentar, quando você vê vai ficar pior.

    E muita gente acredita, muita gente acredita que, ah, é uma medida populista, porque ele tá tá me dando com essa mão e tirando aqui com outra muito mais do que tá me dando. É isso que as pessoas acabam acreditando por conta da fake news. Mas se ele tá todo dia mostrando, as pessoas não acreditam não.

    Nisso aí, o Lula, eu eu mostrei aqui no final de semana como ele deu ali um chequem mat no Davi Columbri. Davel Columbia é o presidente do Senado que acha que tem mais poder que o presidente da República e que pode fazer escolhas que são do presidente da República. O Lula indicou o Jorge Messias ao Senado. O Davi Columbia o Rodrigo Pacheico.

    Eu falei aqui, o Rodrigo Pacheco é um cara da direita com um pezinho e meio na extrema direita, se precisar. E é zero confiança nesse cara. bandidão na época da COVID. Ele foi cúmplice de genocídio por muito, muito, muito tempo. Aliás, só não foi mais cúmplice de genocídio porque o STF mandou ele instalar a CPI da COVID que ele fez a contragosto.

    Ele não queria que tivesse aquela CPI que ele queria fechar com Bolsonaro. Tá aí você vê esse lixo aí no STF. Imagine o Lula não é trouxa. O Lula indicou o Jorge Messias. Aí o Davi Columb falou que não gostou da maneira como o Lula indicou. Tá bom. O Lula podia indicar de qualquer maneira, se fosse candidato dele, ele ia adorar.

    Mas como não era o dele, o Lula podia fazer o que fosse. Ele queria que o Lula beijasse o pé dele, implorasse eles possam indicar o Messias, se humilhasse publicamente. Aham. Que o Lula vai fazer isso. Você viu como o Lula tratou o Trump, né? Quem é Davi Columbr na fila do pão? Ele ele deve pensar se ver essa pergunta. Eu sou o presidente do Senado e do Congresso do Brasil. Tá bom.

    Calma, Daviel Columbri, que o que é seu tá vindo. Você tem decisões na vida. Se você colher, você vai plantar. Você tá Se você plantar, você vai colher. Tá plantando coisas que vão ser bem desagradáveis no futuro, que é o que o Hugo Mota plantou, que é ficar tentando peitar o governo em assuntos que são extremamente impopulares na opinião pública.

    Você vai plantar o quê? Impopularidade. Aí o Davi Columbri fez uma carta nesse final de semana mostrando que acusou o golpe. Qual foi o golpe? Qual foi a pancada do Lula nele? O Lula indicou o Messias para STF, porém ele colocou lá no Diário Oficial da União. Mas o regimento do Senado diz o seguinte, que o a sabatina do indicador STF pode ser marcada quando for enviada uma carta do presidente da República, comunicando oficialmente o Senado de quem é indicado.

    E o Lula não mandou essa carta. Aí o Davi Columbri marcou a sabatina do Jorge Messias agora pro começo de dezembro. Olha só, já estamos em dezembro, hein? Como passa rápido o ano aí marcou aí pro começo de dezembro e o o Lula, o governo Lula avisou ele, nem vi imprensas, envia interlocutores assim bem debochado, mas pô, você marcou uma sabatina ilegalmente, porque você não pode marcar sabatina que você não recebeu a carta.

    Você recebeu carta? Cadê a carta do Lula? Mostra aí. Aí ele ele se deu conta que ele foi feito de otário. E o pior, ele marcou a sabatina do do Jorge Messias e para mostrar poder, que era para mostrar pro governo Lulô, olha, eu tenho poder, ele aprovou uma pauta bomba que é vai contra tudo que o mercado financeiro quer, porque dá ali um um custo extra pro governo de 100 bilhões.

    pauta que, inclusive, não duvido que a esquerda queria aprovar isso, que é uma pauta que equipara aposentadorias de servidores da saúde, aos salários dos atuais e das atuais pessoas. Então, quando o salário for aumentando, as aposentadorias vão aumentando também. Isso custa R 100 bilhõesais aos copes públicos. É uma pauta de esquerda, uma pauta que eu votaria a favor, sim, pestanejar, defenderia, inclusive se eu fosse senador.

    Porém, a direita não ia querer isso, mas o Alcol Columb queria impor uma pauta bombó. vai custar 100 bilhões pro orçamento. Foi feito de otário. Aprovou uma pauta de esquerda, deixou todo o mercado financeiro bravo com ele e não com o governo Lula. Porque se o Lula põe essa pauta para votar e defende, aí o Colúmbia queira votar contra.

    Então o governo Lula sinalizou: “Não, por favor, não vote isso. Isso seria um desastre pra gente se você votar isso”. Aí o babaca foi lá, votou a favor do que o governo queria. ficou ele com a pecha de de que ele não tem responsabilidade fiscal, perdeu o discurso, foi achincalhado por toda a imprensa econômica do Brasil. E aí tudo isso foi para mostrar força, dizer: “Olha, eu tive 57 votos, até os governistas votaram comigo.

    Os governistas estão votando com você? É porque é uma pauta de esquerda. Olha só, tive 57 votos. Toma ali Lula. Quando for o Messias, eu vou ter 60 contra ele. E ele não pode nem marcar a sabatina porque ele não recebeu a carta. Se o Lula quiser mandar a carta só ano que vem, ele manda só ano que vem. Chegou no nível em que, olha só a notícia, fala na autoe e ministros do STF vem ao columbre exposto.

    Ao deixar digitais na resistência ao Messias, presidente do Senado diz buscar respeito. Fontes ouvidas pela Andrea Sadi demonstram perplexidade com a intensidade da atuação dele contra o indicado do Lula. Até os ministros do STP tá assim: “Pô, cara, você tá maluco, você tá maluco.” Se expôs, fez um monte de abobrinha, deu tudo errado pro Davi o Columbri.

    Aí ele soltou uma cartinha, vou mostrar aqui a cartinha do Davi Columbri. Soltou aí no domingo, tá? Só que a situação dele piorou ontem, tá? N vamos mostrar aqui. Davi Columbri você vê que que ele sentiu quando ele solta cartinha na rede social. Aí é que a coisa ficou feia. Aí ele coloca lá o brasão do Senado Federal, presidência do Senado. Diz ele mais ou menos.

    Vou vou resumir, hein? É nítida a tentativa de setores do executivo, né, do governo Lula, de criar a falsa impressão de que divergências entre os poderes são resolvidas por ajuste de interesse, com cargos e emendas. Isso é ofensivo, não apenas para mim, mas também para todo o poder legislativo.

    Ele trata a si mesmo como e ofensivo, não apenas ao presidente do Congresso Nacional, é a ele, né? Mas ele tem que se colocar. Você vê o ego do cara, ele se coloca assim, uma coisa que é pessoal, é ele contra o Lula, não é o presidente do Congresso, é ele. Ele não tá representando a mais ninguém, apenas e puramente os próprios interesses. Aí tá.

    Em verdade, trata-se de um método antigo de desqualificar quem diverge de uma ideia ou de um interesse de ocasião. Nenhum poder deve se julgar acima do outro e ninguém detém o monopólio da razão. Tampouco se pode permitir a tentativa de desmoralizar o outro para fins de autopromoção. Quem começou a desmoralizar foi ele que começou a falar na imprensa que o Messias não ia passar, que eu tenho 60 votos contra ele.

    Olha, o Lula também não soube fazer indicação e não sei o quê. E aí no fim ele fala: “Olha, é o Senado quem o presidente da República pode indicar, mas é o Senado quem vota, né?” Aí ele fala, aí você vê, feita a escolha pelo presidente da República e publicada no Diário Oficial da União causa perplexidade ao Senado que a mensagem escrita ainda não tenha sido enviada, o que parece buscar interferir indevidamente no cronograma estabelecido pela casa, ou seja, pelo Senado.

    Prerrogativa exclusiva do Senado. Que ele quer dizer o seguinte: “Pô, eu fiz o cronograma e você não me enviou a carta. Você colocou no Diário Oficial da União e não me enviou a carta.” É, eu a prerrogativa de enviar a carta, adivinha de quem é? É do Lula. Ele envia a hora que ele quiser. Ele indica no Diário Oficial da União, mas a carta mesma ele indica a hora que a hora que ele quiser.

    Aí o Columbo fala: “Não, mas a prerrogativa de de fazer o cronograma é minha.” Claro, depois que receber a carta, você faz o cronograma que você bem entende. Quando receber a carta, senão não, você não foi notificado oficialmente. Como é que você vai fazer um cronograma de algo que você não foi notificado oficialmente? sentiu o golpe, mas sentiu bem sentido.

    E calma que pior é que a PF tá chegando nos amiguinhos dele, tá aí. Vamos lá. E já já eu falo aí da PF. Ele, aliás, o prazo estipulado para a Sabatina guarda a coerência com a quase totalidade das indicações anteriores e permite que a definição ocorra ainda em 2025. Isso é mentira.

    Foi o menor prazo que ele deu na história. Nunca um candidato teve um prazo tão pequeno para conseguir os votos necessários como ele deu pro Messias. E ele deu ainda transparecendo na imprensa que era de propósito, porque ele é contra. Aí ele fala, fala isso, fala e fala. Aí teve uma reunião dele com a Glaz em que a Glaise informou para ele: “Olha, se você quiser ir pro pau, nós vamos pro pau.

    Quer ir pro pau? Vamos pro pau. Vamos ver quem quem aqui é mais forte. Você quer medir força com o governo? Vamos lá. Segundo saiu na imprensa, o Davi Columbri, ele fez a primeira parte da carta porque ele quer a presidência do Banco do Brasil em troca da indicação do Messias. O que o columbre tá fazendo é criar dificuldade para vender facilidade.

    Ele fala que não, que não sei o quê, tá tá e ele pede alguma coisa. Só que para ganhar algo muito alto, ele tem que criar uma dificuldade muito alta. E aí o que ele usou para tentar mostrar poder, ele acabou se desmoralizando. Eh, foi isso que ele fez, que foi a principalmente a votação da pauta bomba lá. Aí depois ele também aprovou os vetos, ele e o Mota, os vetos do Lula ao pele da devastação, mas isso já tinha ampla maioria para aprovar e para para derrubar os vetos do Lula, tá? Ampla maioria.

    Por quê? Por que que tinha ampla maioria, Thago? Porque a bancada ruralista é a maior que tem. Então já tinha maioria e a extrema direita, a direita, são todos ali, lá cai os deles. Então é uma derrota que o Lula já sabia que ia ter. Mostrar poder mesmo foi nessa pauta bomba aí, entre aspas.

    E aí ele mostrou poder, se se indispôs com o Congresso Nacional. Nisso, a única, o único alento que esse pessoal teve aí é que o Daniel Vorcaro do Banco Master, ele foi solto no final de semana no TRF1, mandou soltá-lo, tá? Uma desembargadora ali que sempre solta bandido, mandou soltá-lo. Só que piorou agora o caso, porque descobre-se que esse deputado aqui, amigo do Bolsonaro, que é o João Bacela, aqui outra foto deles juntos.

    Quando você vê várias fotos do Bolsonaro como deputado, é porque ele é amigo mesmo, tá? Se é um evento outro, tá? Mas quando são várias fotos, ainda mais em eventos assim que eles estão com chapéu e tudo mais rindo, é porque é amigo, não é aliado de hora, amigo. Tá aí. O o que o que aconteceu? Esse deputado João Barcela, a Polícia Federal encontrou documentos de negócios imobiliários multimilionários dele com o dono do Banco Master.

    Tudo indica que o dono do Banco Master estava pagando propina ao deputado do PL ou a parte propina ou a parte dele de algum negócio criminoso via compra e venda de imóveis. Também a Polícia Federal tá investigando Ciro Nogueira que é aliado da do Columbia, esse deputado João Bacela, ele é do ele é da Bahia.

    Na Bahia e ele ali e ele é da ala do ACM Neto. O ACM Neto é um dos maiores aliados do da VO Columbia. da Semenet também já foi pego ali, pegaram um avião da irmã dele, que na verdade é dele, né? A irmã dele não é política ele que é. Eh, numa operação contra o PCC, mas fala: “Ih, você vai ligando, essas operações estão se entrelaçando”.

    E agora essa operação deve ir ao Supremo Tribunal Federal, porque já é a segunda menção a parlamentares. O primeiro era o o deputado Dal Barreto, agora chega aí o João Barcel. Segunda menção aí e agora não é só uma menção, é uma coisa direta contra um parlamentar que a investigação pega. Então vai subir para STF.

    Subindo paraa STF deve ficar a relatoria com Alexandre de Moraes ou com o Flávio Dino, tá? Um dos dois. Flávio Dino porque envolve aí o orçamento secreto e Alexandre de Moraes porque ele é o relator do da ADPF das favelas, da investigação que tem contra facções criminosas e também de investigações ali que miram eh mais ou menos ali o que tem a ver com a carbono oculto.

    Aí você vê, ih. Aí ferrou, hein? Aí ferrou. de vez pro senhor Davi Columbri. Ele tá peitando o Lula e até o STF, porque os ministros do STF não gostam de ter um ministro a menos, tá? E eles não querem de jeito nenhum precedente de ter alguém que vai ser rejeitado pelo Senado. Eles não querem. Como assim? Você tem a prerrogativa o Senado de aprovar? Claro que tem, mas você tem que aprovar.

    Você pode cobrar caro, aprovação e tudo mais, mas vocês não podem fazer essa palhaçada aí não. No governo Bolsonaro, em que muitos ministros estavam contra o Bolsonaro, mesmo assim os ministros não davam declarações contra o André Mendonço, não davam. E agora, segundo a imprensa, os ministros estão entrando em campo, alguns pessoalmente para ajudar o Jorge Messias a ser eleito.

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    E aí o que se fala é o seguinte, ó, o Lula também tem que entrar em campo pessoalmente, porque sem o Davi Columbri, o Lula é quem precisa aprovar. E aí o que o governo tá tá mais ou menos contando é o seguinte: olha, se o Davi Columbri quiser ir pro pau, a gente vai achincalhar com ele de tal maneira que ele vai fic ele vai perguntar: “Olha, alguém anotou a placa do caminão que passou por cima do mim? Mim anotar a placa e pior, o governo pode simplesmente começar a aumentar mais a verba da Polícia Federal. E aí você sabe o que vai

    acontecer, né? Cada vez mais vai começar a pegar esses bandidos. Olha, sonho com dia em que o Brasil seja igual a esses países de primeiro mundo. Eu ve vejo muito isso na China, mas também tem no Japão, tem na Noruega, tem na Suécia, que o cara que é bandido, ele pega uma pena dura daquelas que que iniba qualquer outra de ser bandido, sabe? Que que o cara fique com medo de praticar o crime, que ele fala: “Meu Deus do céu, ferrou se eu for pego”.

    Nesse nível é isso que eu sonho. Inclusive, a parte da imprensa já disse que, ó, boa parte do centrão deve ser espurgado aí. principalmente agora em 2026. 2026 parece que a Polícia Federal vai para cima com tudo. E eu espero que vá. Alguns falaram: “Ai, é ano eleitoral, não pode.” É no ano eleitoral que é para ir para cima mesmo.

    É no ano eleitoral que é para expor a bandidagem. Fal que dá em Chico tem que dar em Francisco. Ainda mais se Chico era inocente, Francisco é é culpado. Eu lembro em ano eleitoral, na época do em 2012, era ano eleitoral de de disputa paraa prefeitura, o STF marcou o julgamento do mensalão pro período eleitoral e aí ficará xincalhando com o PT na imprensa para tentar fazer o PT não ganhar prefeitura serem somente de capitais.

    E não deu certo. Aí em 2018 a mesma coisa. Em ano eleitoral, pá, a Lava já tá lá. Em 2014 também soltaram lá. Eh, bombas contra eles. A Polícia Federal, e olha que a polícia federal era governo Dilma, hein? Eh, soltava bombas contra eles e a justiça também, principalmente a Lava-Jato, que tava ali no começando no período eleitoral.

    A diferença é que era todo mundo inocente, preso sem provas. Aí agora sem todas as provas crimes, crimes bilionários desse pessoal. Olha, o melhor período para expor tudo mesmo e para começar a aprender um atrás do outro é o período eleitoral. Pra população na hora da eleição tá com a cabeça bem fresca. Esse cara é criminoso, não voto nele e nos indicados dele.

    Aí quem sabe o Brasil vai melhorando. Peço aí a sua inscrição no canal. Seguimos aqui na luta. Falou.

  • 💣REINALDO AZEVEDO SOLTA BOMBA PRA ALCOLUMBRE! Está derrotado

    💣REINALDO AZEVEDO SOLTA BOMBA PRA ALCOLUMBRE! Está derrotado

    Reinaldo Azevedo lançou uma bombinha, podemos dizer assim, para o Davi Columbri, fazendo questionamentos sobre os motivos de Davi Columbri não querer aprovar o Jorge Messias ou se colocar tão veementemente contra. Porque se o Davi Columbre não quer cargos, como ele mesmo deixou claro, por ele está barrando a indicação do Jorge Messias ao STF.

    Messias inclusive que já teria votos. Na minha opinião, o Davi Columbr errou. Ele teve o seu momento de Hugo Mota, um político que eu considerava muito habilidoso, mas na verdade não. Na hora do Vamos ver, Daviol Columbou. Arregou como Abel Ferreira. Arregou na final da Libertadores. Abel Ferreira, que na verdade é o meu arco inimigo, porque para ele fazer tudo aquilo que ele está fazendo, porque ele quer me provocar, sem dúvida alguma.

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    Mas por que que Davi Colomb errou? Porque agora ele só pode ser salvo por uma pessoa, pelo próprio Lula. Davi Columbri se colocou numa sin cuuca de bico que não tem mais como ele sair. Ou ele expõe o motivo real dele não querer a aprovação do Jorge Messias, que não há nenhum motivo plausível, ou ele vai precisar do Lula para tirá-lo dessa situação super constrangedora e sem saída.

    Davi Columbre será derrotado pelo Lula. Coloque nos comentários. Quero saber a sua opinião, o motivo que você acha que Davi Columbri não quer a aprovação do Jorge Messias? É banco master? É porque o Messias ele é evangélico? Pode ser? É porque ele quer cargos? Qual é a do Davi o Columbre com o Jorge Messias? Você considera que se Messias for aprovado será uma derrota? Tudo a ver ao Columbre? Lula pode salvar ao Columbre ou nem isso servirá para ele escapar dessa derrota? quer que Messias seja aprovado só para pirraçar o alcolumbre?

    Então like no vídeo e se inscreva também no canal. O David Alcol Columbre sempre foi considerado, pelo menos por mim, como um político habilidoso, um político astuto. E nós vimos nessa nova presidência, tanto da da Câmara quanto do Senado, a diferença de postura do Davi Columbri para Hugo Mota, né? Mota é um parmalate do biquinho.

    Então e nós vimos essa diferença dos dois. Só que desde o momento que o Jorge Messias foi indicado pelo Lula, eu vi a postura do alculumbre como sendo algo assim estriônico demais e muito contundente. Na política não é bom ter toda essa contundência, porque ele se colocou numa situação sem saída.

    O que que o Davi Columb falou? Que o Lula errou na indicação do Jorge Messias e principalmente que ele não queria cargos porque foi especulado tudo que Davi Columbria cargos do Banco do Brasil, essas coisas todas. Mas ele negou e o governo também negou. Se Devo Columbre não considera o Messias alguém capaz, sendo que não cabe a ele fazer esse julgamento, por tem que ter uma postura ilibada e saber jurídico.

    Ele tem, ele era ministro da GU ou advogado geral da União, então ele pode ser indicado. E se Davi Columbos, o que ele quer? Não tem como ele sair dessa situação. Davi Colombre vai ficar no embate perpeto contra o governo Lula. Porque não há justificativa para essa animosidade. Nada justifica a animosidade Davi Columbre com a indicação do Jorge Messias.

    E quanto mais tempo ele da violumbre demora para pautar a sabatina ou quanto mais tempo demora para o Jorge Messias ser aprovado, pior pro Davi Columbri. Ele simplesmente não tem saída. E aí veio o Reinaldo Azevedo e fez o questionamento que todo mundo tá fazendo. O que Davi ao Columb quer? O que esse homem quer? Foi especulado pelo Igor Gadelho do Metrópolis ou foi vazado que ele queria a presidência do Banco do Brasil, a presidência do Banco do Nordeste, a presidência do CAD e a presidência da CVM. O governo no final de semana

    desmentiu e o Davi Columbri, que o Davi cria cargos e o Davi Columbri também falou que ele não quer cargo, ele não quer nada. Então o que que ele quer? O que que ele quer? É Banco Master. O problema é Polícia Federal, é Banco Master, é apoio lá no no Amapá, é margem equatorial. O que esse homem quer? Se ele não quer nada, como ele tá dizendo, por ele está resistindo ao Jorge Messias, porque ele queria o Rodrigo Pacheco.

     

    Mas não vai ter o Rodrigo Pacheco, não vai. Então sobram especulações para o Davi Columbri, que jogou extremamente mal. Ele deveria ter feito como ele fez com André Mendonça, ficado quieto, mas ele veio a público, ele esperou, ele balançou as tetinhas, ele ele deu chilique, um chilique desnecessário, porque se o Jorge Messias for aprovado, como que fica o Davi Cum? Ele se desmoraliza.

    Eu detesto político burro, ainda mais alguém que eu considerava como um bom ator político, fazendo uma bobagem dessa. Porque segundo o ICL Notícias, o governo já tem os votos necessários para provar o o Jorge Messias. E o Lula com três mandatos nas costas, eu duvido que ele iria lançar o nome do Messias, divulgar no colocar no no diário oficial, no diário e no diário oficial se ele não tivesse os votos, se ele não soubesse que o Jorge Messias seria aprovado.

    Então ele já tem o receio dos integrantes do governo é que a pressão do Davi Columbadores possa ser tão grande que alguns senadores possam querer mudar, mudar de lado, mudar de voto. Tá tudo certo. O republicanos apoiou formalmente a candidatura do Jorge Messias, porque o republicanos é um partido evangélico da Igreja Universal do Edir Macedo.

    Tanto o Cásio Nunes, Marx quanto o André Mendonça apoiaram o Messias. Então ele vai ter votos. Ele vai ter votos. A questão é vai ter apoio até lá, até o dia 10, até a próxima semana? Ao indica sim. Então é uma situação assim muito muito esquisita. Ainda mais o governo tentou baixar a temperatura, não quer problemas com o Columbre, porque é o governo que vai salvar o Columbri.

    Na semana passada ele tinha se casado do Wall, tinha até trazido para nós informação que o governo via espaço para negociar com Lav Columbri. Tem lá margem equatorial, tinha até lá uma BR que poderia, o governo poderia recapear, poderia reformar, não era nem exatamente no Amapá, mas na região norte, o que fortaleceria a influência da colum da região.

    Ou apoio ao candidato, o Clécio Luiz, do candidato ao Columbri, que é o governador atual da Mapá, tá mal. O governo poderia apoiar o Columbula é muito bem cotado lá. E até a Letícia Casala falou assim: “Olha, se o David Columbri não quiser negociar, o governo sabe como fazer para criar problemas”. E criou e criou essa história do cargo.

    Alcolumbre rebate governo e nega troca de favores na indicação ao STF

    O governo, se o Alcol Columb cria cargo agora e ele negou que ele queria cargo, agora ele não vai poder. Porque como ele vai voltar atrás? Ele falou que ele não queria, agora ele quer. Aí vai, pô, aí ele aceita o cargo da presidência do Banco do Brasil, falar: “Ah, tá vendo? Você queria era cargo para destravar o Messi”.

    O governo empurrou ao Columb para as cordas. não queiram disputar ou senador, mesmo sendo presidente do Senado, deputado, mesmo sendo presidente da Câmara, presidente do Congresso, não tem poder para peitar presidente da República. Ainda mais um presidente como Lula, que tem uma máquina profissional extremamente capacitada, como é o governo brasileiro, como é o estado brasileiro. Isso que é importante.

    Não tô falando governo, estado. O Lula conhece a máquina do estado como ninguém e agora é o Lula que vai salvar o Columbri. Segundo a Letícia Casada, a Daniela Lima do Wall, há uma preparação do terreno para que haja um encontro do Lula com Davi Columbri. E o Davi Columbri tá numa situação tão ruim, mas tão ruim, sem saída, porque se o Messias forado, o Columbia tá derrotado.

    Ele vai pleitear cargos, não pode, porque agora a situação dele ficou irreversível. Quem vai tirar o alcolombre do buraco é justamente o Lula, que vai poder tentar criar uma situação para que o Columbria não seja visto como alguém que foi derrotado pelo governo. Jogou mal o Alumbrin jogou mal, muito mal. Para ser sincero, o Renan Caleiros não cometeria um erro tão tão amador assim como Davi Colomb cometeu. Foi amador, sinceramente.

    Mother.

  • IBOPE EXPLODE! LULA HUMILHA ALCOLUMBRE COM O REGIMENTO E PF PEGA ALIADO DO CENTRÃO EM FR4UDE$$

    IBOPE EXPLODE! LULA HUMILHA ALCOLUMBRE COM O REGIMENTO E PF PEGA ALIADO DO CENTRÃO EM FR4UDE$$

    O cenário político e de segurança pública do país converge para um ponto de inflexão que favorece o poder executivo e, ao mesmo tempo, expõe a profunda fragilidade de uma ala do poder legislativo. O presidente Lula, ao comunicar publicamente a isenção do imposto de renda para uma fatia expressiva da população, registrou um recorde notável de audiência na televisão brasileira.

    Esse sucesso de comunicação que alcançou picos de 15,9 pontos em uma das maiores emissoras e foi a segunda maior audiência em diversas outras, demonstra o apoio popular e a receptividade do público às ações do governo. É evidente que o povo deseja ver o presidente e saber de suas decisões, um dado que a equipe de comunicação do executivo deveria aproveitar para ampliar a exposição do presidente, a exemplo de líderes globais que utilizam a comunicação diária para informar e desmascarar as narrativas adversas. A informação precisa ser

    constantemente reforçada para neutralizar a onda contínua de informações distorcidas que circula nas redes sociais, enquanto o presidente capitaliza politicamente com medidas populares e ganha a confiança do público. O presidente do Senado, Davi Alcol Columbre, sofre uma derrota dupla em suas tentativas de usar o poder regimental para chantagear o executivo.

    Alcolumbre cancela sabatina de Jorge Messias após governo não enviar  mensagem formal

    A crise iniciada com a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal revelou-se um erro de cálculo monumental por parte de Alcolumbre. O senador, que desejava impor o nome de Rodrigo Pacheco e exigia que o presidente Lula se curvasse a sua influência, viu sua estratégia desmoronar.

    Lula, ciente da prerrogativa constitucional do executivo, não cedeu à pressão e demonstrou que a escolha do STF é inegociável, independentemente das preferências pessoais de Alcol Columbre. O senador, ao tentar retaliar a indicação de Messias, optou por uma demonstração de força imprudente. Primeiro, ele indicou publicamente que não pautaria a sabatina, o que lhe traria desgaste perante o STF, repetindo o erro cometido durante a indicação de André Mendonça.

    Depois, ele mudou a tática, marcando a sabatina para o início de dezembro, em um prazo inviável para que Messias articulasse os 41 votos necessários. Essa manobra destinada a humilhar Messias e o executivo foi desfeita por uma simples jogada regimental. O executivo, ciente de que o regimento do Senado exige uma carta oficial do presidente para que a sabatina seja marcada, simplesmente não enviou o documento.

    O recado foi entregue ao Al Columbática e, segundo relatos, com um toque de ironia. A prerrogativa do timing era do executivo e ele só enviaria a carta quando houvesse certeza da aprovação. Davi Alcol Columbre foi assim feito de refém de sua própria arrogância regimental. Ele marcou ilegalmente uma sabatina, expondo-se ao ridículo e a possíveis questionamentos jurídicos.

    Para agravar sua situação, ele tentou mostrar força, aprovando uma pauta bomba que concedia aposentadorias integrais para servidores da saúde com um custo estimado de R, 100 bilhões. Essa ação, embora em essência alinhada com pautas sociais, foi usada por Alcolumbre para impor um ônus financeiro ao governo e provar que ele tinha o controle da agenda. O resultado foi o oposto.

    Ele foi achincalhado pelo mercado financeiro e pela imprensa econômica por agir com irresponsabilidade fiscal, perdendo o discurso de austeridade que o centrão costuma adotar. Ele aprovou uma pauta que o executivo apoiava, mesmo que com ressalvas orçamentárias, desmoralizando a si próprio perante seus aliados de direita e o mercado, enquanto Lula permaneceu ileso e focado em medidas populares.

    A humilhação de Alcolumbre foi tamanha que ele se viu compelido a divulgar uma nota pública nas redes sociais, utilizando o brasão do Senado. Nessa nota, ele tentou refutar a percepção de que suas divergências eram motivadas por ajuste de interesses e barganha de cargos, classificando a sugestão como ofensiva. Contudo, ao mesmo tempo que negava a chantagem, que incluía o Banco do Brasil, ele reclamava que a falta do envio da carta oficial pelo executivo interferia no cronograma que ele unilateralmente havia estabelecido. Anota expôs o ego ferido

    do senador e sua incapacidade de enxergar o cenário político para além de seus interesses pessoais, sendo desmentido pelo próprio regimento. Ministros do STF manifestaram perplexidade com a intensidade da sua atuação, evidenciando que alcolumbre estava isolado até mesmo dentro dos poderes da República.

    Essa postura de ataque frontal de Alcol Columbre contra o executivo e indiretamente contra o STF ocorre no exato momento em que o cerco da Polícia Federal se fecha sobre seus aliados e o bloco do centrão. A justiça e a PF estão agindo com uma autonomia inédita e as investigações sobre crimes bilionários estão se entrelaçando.

    Um caso que causa enorme apreensão é o avanço sobre o Banco Master. Embora o dono do banco, Daniel Vorcaro, tenha sido solto provisoriamente no final de semana, o caso ganhou um novo e explosivo desdobramento. A Polícia Federal encontrou documentos que comprovam negócios imobiliários multimilionários entre Vorcaro e o deputado João Bacela PL Bahia, um parlamentar da ala bolsonarista e aliado de figuras próximas à alcolumbre.

    Essa descoberta sugere que o dinheiro do Banco Master sob investigação pode ter sido canalizado para o legislativo através de transações de compra e venda de imóveis, possivelmente configurando propina ou lavagem de dinheiro. Essa é a segunda menção direta a parlamentares em um curto espaço de tempo. A primeira sendo o caso do deputado Dal Barreto, Refit, o que leva a investigação para a esfera do Supremo Tribunal Federal, STF.

    A relatoria desses casos provavelmente cairá nas mãos de Alexandre de Morais ou Flávio Dino, o que aumenta o pânico no centrão, pois são ministros conhecidos por sua firmeza. O receio de delações premiadas nos casos Refit, Banco Master e Carbono oculto é real e a eminência de que o dinheiro do crime organizado que irrigava o caixa dois do centrão seja totalmente cortado, está levando esses líderes ao desespero.

    A defesa da autonomia da PF e o avanço das investigações representam uma ameaça existencial para a ala do centrão, que se financiava por meio de esquemas ilícitos. A Columbre, ao brigar publicamente com Lula, não apenas se desmoraliza perante o mercado e o STF, como também se expõe a uma campanha negativa devastadora.

    Ele não tem o voto da extrema direita por não pautar o impeachment de ministros do STF e ao votar pautas bomba queima pontes com o centro e a esquerda. O senador está isolado e vulnerável. A situação é clara. Enquanto Lula acumula apoio popular e acerta na comunicação, a oposição no Senado demonstra fragilidade, vaidade pessoal e está sob cerco da justiça.

    Lula pode sofrer derrota histórica em impasse com Alcolumbre

    O executivo, com serenidade assiste ao colapso político do seu principal adversário no Congresso, que se expõe ao tentar ser mais poderoso do que a própria Constituição e o regimento interno. A escalada do confronto, culminando na derrota regimental de Davi al Columbre, oferece uma oportunidade única para o executivo redefinir as regras do jogo com o legislativo.

    Ao invés de ceder a barganha por cargos estratégicos, o presidente Lula demonstrou que a nomeação para uma corte vitalícia como o STF não está à venda. A insistência de Alcol Columbia em pleitear o controle de instituições como o Banco do Brasil e a CVM, em meio a escândalos financeiros que envolvem seus aliados, torna evidente que o objetivo primário não é a qualidade institucional, mas sim a blindagem e o acesso a recursos para sustentar a máquina política em apuros.

    A transparência desse movimento, forçada pela exposição de sua própria lista de desejos, é um duro golpe na credibilidade do senador. A conexão entre a política e os escândalos financeiros nunca foi tão explícita. O fato de um deputado bolsonarista, João Bacela ser flagrado em negócios imobiliários com o dono de um banco sob investigação Banco Master, em um momento em que a PF investiga o uso de dinheiro do crime organizado, carbono oculto para financiar campanhas, desenha um quadro de colapso moral e legal. O que está em

    jogo não é apenas a vaga de um ministro do STF, mas a própria sobrevivência política de figuras chave do Centrão em 2026. O desespero de Alcol Columbre é a manifestação desse temor. Ele sabe que sem o fluxo de caixa dois e com a PF atuando em ano eleitoral, o que o autor defende como necessário para expor a criminalidade, sua reeleição e a de seus aliados se tornam quase impossíveis.

    A análise da pauta bomba de R 100 bilhões é crucial. ao Columbre, ao impô-la, tentou ser visto como um líder capaz de paralisar o governo. Na realidade, ele apenas confirmou a narrativa de que o centrão é irresponsável fiscalmente e que suas ações são motivadas por retaliação e não por um planejamento econômico sólido.

    Essa exposição minou sua credibilidade junto ao mercado e a setores da mídia que tradicionalmente são críticos ao executivo. Ao invés de enfraquecer Lula, ele o fortaleceu. A estratégia de Lula de manter a calma e usar o regimento para desarmar a urgência de Alcol Columbonstra a superioridade de uma visão de longo prazo sobre a tática imediatista e passional de um líder acuado.

    O futuro de Davi Al Columbre no Senado está agora seriamente em cheque. Ele perdeu a credibilidade como articulador no STF, falhou em sua demonstração de força contra Lula e está exposto a um cerco judicial que se intensifica a cada dia. A ausência de apoio ideológico forte, combinada com a impopularidade de suas manobras de chantagem e pautas bomba, o torna o alvo perfeito para uma campanha de desmoralização popular.

    O presidente Lula, ao contrário, demonstra que a via da legalidade, da firmeza e da comunicação popular é a mais eficaz para derrotar o sistema de barganha e corrupção, que há anos domina parte do Congresso Nacional. O Brasil testemunha o momento em que a força da justiça, apoiada por um executivo firme, ameaça finalmente desmantelar as estruturas de poder ilícito que se instalaram em Brasil.