Author: nguyenhuy8386

  • Elias, o Escravo: O Homem Mais Temido do Maranhão — Ele Queimou Suas Correntes e Três Engenhos

    Elias, o Escravo: O Homem Mais Temido do Maranhão — Ele Queimou Suas Correntes e Três Engenhos

    No ano de 1843, nos arquivos da Casa da Câmara de São Luís, foi registrado um evento que mudaria para sempre a percepção sobre resistência escrava na província do Maranhão. O nome Elias Joaquim da Silva aparecia pela primeira vez em documentos oficiais, não como propriedade, mas como responsável pela destruição de três engenhos na região de Alcântara.

    O que poucos sabiam naquela época era que este homem havia nascido livre, filho de uma mulher liberta que trabalhava nas proximidades do engenho Santa Teresa. Segundo registros paroquiais da Igreja do Rosário dos Pretos, Elias havia sido batizado em 1820, filho de Joaquina da Silva, uma mulher que havia conquistado sua alforria através de anos de trabalho como parteira.

    O padre responsável pelo batismo anotou nas margens do livro uma observação peculiar. A criança possuía uma marca de nascença no peito que se assemelhava a uma corrente quebrada. Esta anotação, aparentemente irrelevante na época, ganharia significado décadas mais tarde.

    A vida de Elias transcorreu de forma aparentemente normal durante seus primeiros 20 anos. trabalhava como carpinteiro nas propriedades rurais da região, habilidade que havia aprendido com um antigo escravo liberto chamado Benedito Ferreira dos Santos. Os registros municipais de Alcântara mostram que Elias prestava serviços de reparo em diversas propriedades, sempre descrito pelos fazendeiros como um trabalhador habilidoso e silencioso.

    Sua mãe, Joaquina continuava exercendo a função de parteira, sendo respeitada tanto pela comunidade livre quanto pelos escravos. Em 1841, um evento mudou drasticamente o curso da vida de Elias. Segundo correspondência encontrada anos depois nos arquivos da família Vasconcelos, proprietários do Engenho São Francisco, Joaquina havia sido acusada de praticar rituais africanos durante um parto complicado.

    A criança nasceu morta e a família culpou as práticas pagãs da parteira pelo resultado. O que se seguiu foi uma campanha sistemática para desacreditar Joaquina na comunidade local. O coronel Antônio Vasconcelos Pereira, proprietário do Engenho São Francisco, escreveu uma carta ao juiz municipal, solicitando a investigação das atividades de Joaquina.

    Na correspondência, datada de março de 1841, o coronel alegava que a mulher utilizava ervas suspeitas e cantava em língua africana durante os partos. A carta terminava com uma sugestão que selaria o destino da família. Seria prudente considerar se uma mulher de tal natureza deveria manter sua condição de liberta.

    Em setembro do mesmo ano, através de uma manobra jurídica questionável, Joaquina foi acusada de retorno à condição selvagem e teve sua alforria revogada. O processo arquivado no cartório de Alcântara mostra que as testemunhas foram exclusivamente fazendeiros locais, todos com interesse econômico na decisão.

    Elias, como filho de escrava, automaticamente perdeu sua condição de livre e foi incorporado como propriedade do engenho São Francisco. A transição de homem livre para escravo deixou marcas profundas em Elias. Os relatos dos feitores encontrados em um diário pessoal do administrador do engenho, descrevem um homem que se recusava a responder pelo nome escravo que lhe foi atribuído, Tomé.

    Durante meses, Elias manteve um silêncio absoluto trabalhando nos canaviais, sem pronunciar uma única palavra. Os outros escravos começaram a chamá-lo de homem fantasma, pois se movia pela propriedade como uma sombra silenciosa. O administrador do engenho, José Carlos Mendonça Lima, anotou em seu diário que Elias demonstrava conhecimentos técnicos superiores aos outros escravos, especialmente em carpintaria e mecânica.

    Por esta razão, foi designado para a manutenção dos equipamentos de moagem. Era uma posição que lhe dava acesso a todas as instalações do engenho, conhecimento que se provaria crucial nos eventos posteriores. Durante o inverno de 1842, começaram a circular rumores entre os escravos sobre reuniões secretas nas matas próximas ao engenho.

    O feitor MOR Joaquim Rodrigues da Costa relatou ao coronel Vasconcelos que alguns escravos pareciam diferentes após as noites de Lua Nova. Não conseguia identificar exatamente o que havia mudado, mas notava uma tensão no ar, como se todos compartilhassem um segredo. Investigações sobre essas reuniões levaram à descoberta de um pequeno espaço escavado nas raízes de uma antiga árvore de Cajá, localizada a cerca de 3 km mata adentro.

    No local foram encontrados pedaços de ferro retorcido que os feitores inicialmente assumiram ser restos de ferramentas quebradas. Somente mais tarde se descobriria que eram fragmentos de correntes e grilhões aquecidos ao fogo e trabalhados até se tornarem irreconhecíveis. Elias havia estado ensinando outros escravos a quebrar seus próprios ferros.

    Utilizando técnicas de forja que havia aprendido em sua vida anterior como carpinteiro livre. Ele demonstrava como o calor e a pressão adequados podiam enfraquecer o metal ao ponto de se tornar quebradiço. Mas isso era apenas o começo de algo muito maior que estava sendo planejado nas sombras da mata maranhense.

    O primeiro sinal de que algo estava fundamentalmente errado veio em uma madrugada de abril de 1843. O vigilante noturno do engenho São Francisco, um escravo idoso chamado Benedito Santos Oliveira, foi encontrado desacordado, próximo ao depósito de ferramentas. Quando recuperou a consciência, relatou ter visto uma figura alta caminhando entre os equipamentos de moagem com uma tocha na mão.

    A descrição que deu correspondia exatamente à aparência de Elias. Na manhã seguinte, o administrador Mendon Salima descobriu que várias peças essenciais dos mecanismos de moagem haviam sido removidas ou danificadas. Os danos eram precisos e calculados, indicando conhecimento técnico aprofundado sobre o funcionamento dos equipamentos.

    Mais perturbador ainda, as peças removidas haviam sido deixadas organizadamente próximas à fornalha, como se aguardassem para serem derretidas. O coronel Vasconcelos ordenou uma busca completa na cenzala, mas nada de comprometedor foi encontrado. Elias foi interrogado, mas manteve o mesmo silêncio que caracterizava seu comportamento desde a escravização.

    Quando questionado diretamente sobre os danos ao equipamento, apenas olhou fixamente para o chão, sem demonstrar qualquer emoção. Sua atitude calma diante das acusações perturbou profundamente os investigadores. Durante uma semana, a produção do Engenho São Francisco ficou paralisada enquanto novas peças eram encomendadas da capital.

    Foi durante este período que os fazendeiros da região começaram a receber cartas anônimas. As mensagens eram simples e diretas. O fogo que quebra correntes também pode queimar cana. As cartas eram escritas em letra cuidadosa, indicando educação formal, algo incomum entre a população escrava da época. O segundo ataque aconteceu no engenho Nossa Senhora da Conceição, propriedade do Major Luís Fernando Barros.

    Uma madrugada de maio, trouxe consigo o cheiro inconfundível de fumaça. Quando os moradores da Casagrande acordaram, as chamas já haviam consumido completamente o canavial norte da propriedade, uma área que representava aproximadamente 1/3 da produção anual do engenho. O que mais impressionou as autoridades foi a precisão do incêndio.

    Chamas haviam sido iniciadas em múltiplos pontos simultaneamente, seguindo um padrão que maximizava os danos enquanto evitava as áreas onde ficavam as cenzalas. Era como se alguém tivesse estudado meticulosamente o layout da propriedade antes de executar o ataque. Não houve feridos entre os escravos, mas as perdas econômicas foram devastadoras.

    O major Barros relatou às autoridades que na manhã seguinte ao incêndio encontrou uma corrente quebrada depositada em sua mesa de trabalho. A corrente havia sido partida com precisão, em cada elo separado de forma limpa, sem vestígios dos métodos violentos normalmente necessários para quebrar ferro. Junto à corrente havia uma pequena nota: três nasceram livres. Três serão livres novamente.

    As investigações sobre o incêndio no engenho Nossa Senhora da Conceição revelaram algo perturbador. Na noite do ataque, Elias havia sido visto em sua cenzala no Engenho São Francisco por pelo menos duas testemunhas diferentes. A distância entre as duas propriedades era de aproximadamente 15 km. Trajeto que levaria horas a pé.

    Como ele poderia estar em dois lugares ao mesmo tempo? Esta pergunta assombrou as autoridades locais por semanas. A resposta veio através do depoimento de um escravo fugitivo capturado semanas depois. Segundo Antônio José da Silva, que havia escapado do engenho Santa Rita, existia uma rede de túneis naturais e artificiais conectando várias propriedades da região.

    Estes túneis eram conhecidos apenas por um pequeno grupo de escravos e Elias havia se tornado uma espécie de líder secreto desta rede subterrânea. Os túneis haviam sido inicialmente escavados por escravos fugitivos como rotas de escape, mas Elias transformou em algo completamente diferente.

    Utilizando seus conhecimentos de carpintaria, ele havia reforçado as passagens e criado depósitos secretos ao longo das rotas. Mais importante ainda, havia estabelecido um sistema de comunicação que permitia coordenar ações simultâneas em múltiplas propriedades. O terceiro e mais devastador ataque aconteceu no engenho Bom Jesus, propriedade da viúva dona Maria Francisca Pereira Leite.

    Na madrugada de 15 de junho de 1843, as chamas não apenas consumiram os canaviais, mas também as instalações de processamento, a casa de Purgar e parte da própria Casa Grande. Foi o incêndio mais destrutivo já registrado na região de Alcântara. O que tornou este ataque particularmente perturbador foi sua precisão quase militar.

    As chamas começaram em oito pontos diferentes, criando um anel de fogo que impediu qualquer tentativa de combate ao incêndio. Mais uma vez, as cenzalas foram poupadas e não houve mortes entre os escravos. Porém, três feitores que tentaram combater as chamas sofreram queimaduras graves e ficaram incapacitados permanentemente. Dona Maria Francisca relatou às autoridades um detalhe que não havia aparecido nos ataques anteriores.

    Durante o incêndio, ouviu o som de correntes sendo quebradas vindo de direções diferentes. Não eram apenas uma ou duas correntes, mas dezenas delas, criando um ruído metálico constante que se misturava ao crepitar das chamas. Era como se o próprio fogo estivesse libertando os grilhões de ferro.

    Na manhã seguinte, ao ataque ao engenho Bom Jesus, as autoridades fizeram uma descoberta que mudou completamente sua compreensão dos eventos. Na entrada principal da propriedade encontraram um monte organizado de correntes, grilhões e outros instrumentos de contenção. Todos haviam sido quebrados seguindo o mesmo padrão preciso observado nos objetos deixados nos ataques anteriores.

    Junto ao monte, uma nota escrita em papel oficial: “A última corrente foi quebrada. Elias está livre”. A busca por Elias no engenho São Francisco revelou que ele havia desaparecido durante a noite junto com outros 12 escravos. Sua cela na cenzala estava aberta, mas não havia sinais de arrombamento. A porta simplesmente estava destrancada, como se alguém possuísse as chaves.

    Mais perturbador ainda, na parede da cela havia sido gravado um desenho, uma corrente quebrada idêntica à marca de nascença, que o padre havia anotado em seu registro de batismo 23 anos antes. O coronel Vasconcelos organizou uma expedição de busca que incluía capitães do mato profissionais e cães farejadores.

    Durante três semanas, vasculharam as matas da região sem encontrar qualquer vestígio do grupo fugitivo. Era como se Elias e seus companheiros tivessem simplesmente desaparecido da face da Terra. As únicas pistas eram pegadas que levavam às margens do rio Mearim, onde se perdiam nas águas turvas.

    As investigações oficiais sobre os incêndios foram arquivadas em setembro de 1843, sem resultados conclusivos. O juiz municipal Dr. Francisco Correa Viana escreveu em seu relatório final que os ataques representavam um nível de organização e conhecimento técnico incompatível com a natureza serviu. Sua conclusão foi que os verdadeiros responsáveis deveriam ser abolicionistas externos, possivelmente ligados a movimentos políticos da capital.

    Esta explicação oficial satisfez as autoridades provinciais, mas não conseguiu acalmar os fazendeiros locais. Nas semanas seguintes aos ataques, diversos proprietários relataram episódios estranhos em suas propriedades, ferramentas desaparecidas e encontradas em locais impossíveis, correntes que amanheciam quebradas sem explicação, e o som de passos pesados durante a madrugada, sempre vindos da direção das matas.

    O padre Joaquim Santos Correia, responsável pela paróquia de Alcântara, registrou em seus arquivos pessoais um evento que considerava particularmente perturbador. Durante o mês de agosto de 1843, vários escravos procuraram a igreja para confessar sonhos proféticos. Todos relatavam o mesmo sonho. Um homem alto, com uma marca no peito, em formato de corrente quebrada, caminhando pelas cenzalas e tocando os grilhões dos escravos que se desfaziam ao seu toque.

    Os sonhos eram tão vívidos e detalhados que o padre começou a anotar as descrições em um caderno separado. Todos os sonhadores descreviam Elias com precisão impressionante, incluindo detalhes físicos que apenas quem conviveu com ele poderia conhecer. Mais perturbador ainda, alguns escravos afirmavam que ao acordar encontravam suas próprias correntes ligeiramente soltas, como se alguém tivesse realmente tentado removê-las durante a noite.

    Em outubro de 1843, um evento mudou completamente a narrativa oficial sobre os incêndios. Um comerciante ambulante chamado José Roberto da Silva, que vendia ferramentas nas propriedades rurais da região, procurou as autoridades com uma história extraordinária. Segundo seu relato, havia encontrado Elias em uma trilha isolada na mata, cerca de 30 km de Alcântara.

    O encontro, segundo José Roberto, havia durado apenas alguns minutos, mas foi suficiente para mudar completamente sua compreensão dos eventos recentes. Elias não estava fugindo ou se escondendo, estava trabalhando. O comerciante o encontrou construindo uma estrutura de madeira e ferro próxima a uma nascente de água limpa.

    Questionado sobre suas atividades, Elias respondeu calmamente que estava preparando um lugar para os que nasceram para ser livres. José Roberto descreveu Elias como um homem transformado. Não havia mais o silêncio opressivo que caracterizava seu comportamento durante o cativeiro. Falava com clareza e propósito, como alguém que havia encontrado seu verdadeiro lugar no mundo.

    Mais impressionante ainda, havia outros ex-escravos trabalhando com ele. Não apenas os que haviam fugido do engenho São Francisco, mas também homens e mulheres vindos de outras propriedades da região. O comerciante relatou que a comunidade que Elias estava construindo operava segundo princípios completamente diferentes dos conhecidos na sociedade escravista. Não havia hierarquia baseada em cor ou origem.

    Todos trabalhavam em conjunto, cada um contribuindo com suas habilidades específicas. O próprio Elias havia assumido o papel de ferreiro e carpinteiro, utilizando seus conhecimentos para criar ferramentas e estruturas para a comunidade. Quando José Roberto perguntou sobre os incêndios, Elias não negou sua responsabilidade, mas explicou sua lógica com uma calma perturbadora.

    Segundo ele, os engenhos representavam mais do que propriedades econômicas. Eram símbolos físicos de um sistema que transformava seres humanos em objetos. Destruir os engenhos era quebrar as correntes invisíveis que mantinham o sistema funcionando, mesmo para aqueles que permaneciam fisicamente cativos.

    A revelação mais perturbadora veio quando Elias mostrou ao comerciante um mapa detalhado da região, marcando todas as propriedades escravistas num raio de 50 km. Cada marca no mapa correspondia a um engenho, fazenda ou propriedade onde havia escravos.

    Alguns locais estavam circulados em vermelho, incluindo os três engenhos já atacados. Outros permaneciam sem marcação, aguardando sua vez. José Roberto tentou convencer as autoridades a agirem imediatamente, mas sua história foi recebida com ceticismo. O juiz municipal argumentou que um comerciante ambulante não era uma fonte confiável de informações e que a história parecia fantasiosa demais para ser verdadeira.

    Além disso, não havia interesse político em admitir que um ex-escravo havia conseguido organizar uma resistência tão efetiva contra o sistema. A inação das autoridades permitiu que Elias continuasse suas atividades por mais alguns meses. Durante este período, registros de propriedades rurais da região mostram um aumento significativo no número de escravos fugitivos, especialmente aqueles com habilidades técnicas específicas.

    ferreiros, carpinteiros e artesãos especializados começaram a desaparecer de suas propriedades inúmeros sem precedentes históricos. Em dezembro de 1843, aconteceu o evento que finalmente forçou uma resposta oficial. O engenho Santa Cruz, propriedade do coronel Manuel Ferreira dos Santos, não foi incendiado. Em vez disso, foi encontrado completamente abandonado por seus escravos, que haviam partido durante a noite, levando apenas suas ferramentas de trabalho.

    Não houve violência, não houve destruição, simplesmente não havia mais ninguém para trabalhar. fuga em massa do engenho Santa Cruz foi diferente de qualquer evento similar já registrado na província. Os escravos não haviam partido em pânico ou desorganização. Haviam deixado a propriedade funcionando, com os equipamentos limpos e organizados, como se tivessem terminado uma jornada de trabalho normal e simplesmente decidido não retornar no dia seguinte.

    Era uma forma de resistência que as autoridades não sabiam como classificar ou combater. O coronel Santos encontrou em sua mesa de trabalho uma carta assinada por Elias. Não era uma ameaça ou uma declaração política, mas sim uma explicação técnica. A carta detalhava exatamente quais escravos haviam deixado a propriedade, quais habilidades cada um possuía e como o coronel poderia reorganizar suas operações com trabalhadores livres.

    Era um plano de transição cuidadosamente elaborado, como se Elias estivesse oferecendo consultoria empresarial. A carta terminava com uma observação que perturbou profundamente o coronel. Um homem que nasce livre não pode ser ensinado a aceitar correntes, pode ser forçado a carregá-las, mas nunca deixará de saber que elas não pertencem a ele.

    Era uma filosofia que questionava os próprios fundamentos da sociedade escravista, sugerindo que a liberdade não era apenas uma condição legal, mas um estado mental impossível de erradicar. As autoridades provinciais finalmente reagiram em janeiro de 1844, enviando uma expedição militar para localizar e destruir a comunidade que Elias havia estabelecido.

    A expedição comandada pelo capitão Antônio Vasconcelo Silva incluía 50 soldados regulares e 15 capitães do mato profissionais. Era a maior operação militar organizada na região desde a independência. A busca durou dois meses e percorreu centenas de quilômetros de mata densa e terreno acidentado. Encontraram vestígios de acampamentos temporários, ferramentas abandonadas e estruturas de madeira parcialmente construídas, mas nenhum sinal da comunidade principal.

    Era como se Elias e seus seguidores tivessem antecipado a expedição e se deslocado para uma localização ainda mais remota. O capitão Silva relatou em seus registros militares que a busca foi complicada pela atitude da população local. Muitos escravos que permaneciam em suas propriedades pareciam saber mais do que admitiam sobre a localização de Elias.

    Quando questionados, respondiam com evasivas ou afirmavam desconhecimento total, mas seus olhares sugeriam conhecimento e até mesmo admiração pelo fugitivo. Mais perturbador ainda, alguns proprietários rurais pareciam relutantes em cooperar totalmente com a expedição.

    Embora oficialmente apoiassem a captura de Elias, suas ações sugeriam ambivalência. Alguns forneciam informações imprecisas sobre as rotas utilizadas pelos fugitivos. Outros esqueciam de mencionar avistamentos suspeitos até que fosse tarde demais para agir com base nas informações. A expedição militar foi oficialmente encerrada em março de 1844, sem resultados significativos.

    O relatório final do Capitão Silva concluiu que Elias e sua comunidade haviam provavelmente se deslocado para além das fronteiras da província, possivelmente em direção ao Pará ou Piauí. Esta conclusão permitiu às autoridades arquivar o caso sem admitir fracasso na operação. Durante os meses seguintes, a região de Alcântara experimentou um período de calma aparente. Não houve mais incêndios.

    fugas em massa ou atividades suspeitas relatadas pelas propriedades rurais. As autoridades interpretaram esta calma como evidência de que o problema havia sido resolvido e que Elias realmente havia deixado a região. Porém, mudanças sutis começaram a aparecer no comportamento da população escrava local.

    Feitores e administradores começaram a relatar pequenas anomalias no comportamento dos escravos. Ferramentas que antes quebravam com frequência pareciam durar mais tempo. Equipamentos que exigiam manutenção constante funcionavam com eficiência incomum. Era como se alguém com conhecimento técnico superior estivesse secretamente mantendo e reparando os equipamentos durante a noite.

    Mais significativo ainda, o número de acidentes de trabalho diminuiu drasticamente nas propriedades da região. Cravos que antes se feriam regularmente em equipamentos perigosos pareciam ter desenvolvido conhecimentos de segurança que não possuíam anteriormente. Quando questionados sobre suas novas habilidades, atribuíam as melhorias a lições aprendidas com a experiência, mas a rapidez da transformação sugeria a instrução formal.

    O padre Correa registrou em seus arquivos uma mudança no comportamento religioso da população escrava. Durante as missas dominicais, notava uma intensidade nova nas orações e cânticos. Mais importante ainda, algumas das músicas cantadas pelos escravos conham versos que não apareciam nos inários oficiais. Quando questionado sobre a origem destes versos, os escravos afirmavam que eram tradições antigas. passadas pelos ancestrais.

    Uma análise cuidadosa dos versos adicionais revelou mensagens codificadas sobre liberdade, resistência e dignidade humana. não eram chamados explícitos à rebelião, mas sim afirmações sutis de valor pessoal e esperança de transformação. O padre suspeitou que as modificações nos hinos fossem obra de Elias, mas não conseguiu provar a conexão direta.

    Em agosto de 1844, um evento trouxe Elias novamente à atenção das autoridades. O comerciante José Roberto da Silva retornou a Alcântara com uma proposta extraordinária. Segundo ele, Elias havia estabelecido contato e estava disposto a negociar com as autoridades locais. A proposta era simples.

    Em troca de anistia para todos os fugitivos sob sua liderança, ele oferecia seus serviços como consultor técnico para a modernização das propriedades rurais da região. A proposta era simultaneamente audaciosa e pragmática. Elias argumentava que suas habilidades técnicas e conhecimento das operações rurais poderiam aumentar significativamente a eficiência das propriedades, compensando economicamente a perda de mão de obra escrava.

    Além disso, oferecia treinamento técnico para trabalhadores livres, criando uma força de trabalho qualificada que poderia substituir o sistema escravista. de forma gradual e economicamente viável. As autoridades locais ficaram divididas sobre como responder à proposta. Alguns viam uma oportunidade de resolver o problema de Elias sem violência, enquanto outros argumentavam que negociar com um fugitivo estabeleceria um precedente perigoso.

    A discussão se prolongou por semanas, durante as quais rumores sobre a proposta se espalharam pela população local, gerando debates intensos sobre o futuro do sistema de trabalho na região. Enquanto as autoridades deliberavam, evidências da influência contínua de Elias apareciam em propriedades rurais por toda a região. Equipamentos obsoletos eram encontrados misteriosamente reparados ou melhorados durante a noite.

    Técnicas agrícolas mais eficientes apareciam espontaneamente entre os trabalhadores. Era como se um consultor invisível estivesse implementando melhorias sistêmicas em toda a economia rural local. A resposta oficial à proposta de Elias veio em setembro de 1844, na forma de uma negativa categórica.

    O juiz municipal declarou que a lei não negocia com criminosos e que qualquer tentativa de contato com as autoridades resultaria em prisão imediata. A decisão foi comunicada a José Roberto da Silva, que desapareceu da região poucos dias depois, nunca mais sendo visto em Alcântara. A rejeição da proposta de negociação marcou o início de uma nova fase na saga de Elias.

    Em vez de retaliação violenta, como muitos esperavam, seguiu-se um período de atividade ainda mais sutil e perturbadora. Escravos de propriedades rurais da região começaram a demonstrar conhecimentos técnicos avançados que claramente não haviam adquirido através dos métodos tradicionais de treinamento.

    Mais significativo ainda, começaram a aparecer evidências de uma economia paralela, operando nas sombras do sistema oficial. Ferramentas, materiais e produtos fabricados com qualidade superior aos disponíveis através dos canais comerciais normais apareciam misteriosamente nas propriedades rurais. Os produtos eram deixados durante a noite, sempre em locais onde seriam úteis, mas sem qualquer indicação de origem ou pagamento requerido.

    A qualidade superior destes produtos e ferramentas sugeria não apenas habilidade artesanal excepcional, mas também acesso a materiais e técnicas normalmente disponíveis apenas em centros urbanos desenvolvidos. Era como se Elias tivesse estabelecido conexões comerciais e técnicas que se estendiam muito além da região rural de Alcântara, criando uma rede de suporte que operava completamente fora do controle das autoridades locais.

    Em dezembro de 1844, o último registro oficial sobre Elias aparece nos arquivos municipais de Alcântara. Trata-se de um relatório do escrivão municipal sobre eventos estranhos durante a festa de Natal. Segundo o relatório, na madrugada de 25 de dezembro, todas as correntes e grilhões das propriedades rurais, num raio de 20 km da cidade, foram encontrados quebrados, organizadamente empilhados nas praças principais de seus respectivos engenhos.

    O evento foi simultaneamente um ato simbólico poderoso e uma demonstração técnica impressionante. As correntes haviam sido quebradas utilizando calor controlado e pressão precisa, técnicas que requeriam conhecimento especializado e equipamento adequado.

    Mais importante ainda, a operação havia sido executada simultaneamente em dezenas de propriedades diferentes, sugerindo coordenação e recursos em escala muito maior do que qualquer pessoa havia imaginado. Junto às pilhas de correntes quebradas, foram encontradas cartas idênticas em cada propriedade. As cartas contin única frase: presente de Natal de alguém que nasceu livre e morrerá livre.

    Não havia ameaças, demandas ou declarações políticas, apenas uma afirmação simples sobre a natureza fundamental da liberdade humana, deixada como lembrança permanente para todos que a encontrassem. As autoridades reagiram ao evento de Natal com uma mistura de frustração e resignação. Era evidente que Elias possuía capacidades organizacionais e recursos muito superiores ao que haviam imaginado inicialmente.

    Mais importante ainda, sua filosofia havia claramente se espalhado além de sua pessoa individual, criando uma rede de apoio que continuaria operando independentemente de sua presença física. O governador da província, ao ser informado dos eventos, tomou uma decisão que efetivamente encerrou qualquer busca oficial por Elias. em janeiro de 1845, declarou que o caso estava arquivado por falta de evidências conclusivas e proibiu qualquer investigação adicional que pudesse perturbar a paz social da região.

    Era uma admissão implícita de que Elias havia vencido sua guerra silenciosa contra o sistema. Nos anos seguintes, a região de Alcântara experimentou uma transformação gradual, mas significativa em suas práticas de trabalho. Propriedades rurais começaram a experimentar com trabalhadores livres, técnicas agrícolas melhoradas e equipamentos mais eficientes.

    Embora estas mudanças fossem oficialmente atribuídas à modernização natural, muitos observadores suspeitos notavam semelhanças com as ideias que Elias havia proposto em sua tentativa de negociação. A influência de Elias pode ser detectada em registros paroquiais dos anos subsequentes, onde aparecem referências a batismos de crianças nascidas livres em famílias que anteriormente eram escravas.

    Os registros não explicam como estas famílias conquistaram sua liberdade, mas sugerem que algum processo sistemático estava operando para transformar gradualmente o status legal da população local. Em 1850, o padre Correa registrou em seus arquivos pessoais uma observação que captura perfeitamente o legado duradouro de Elias.

    durante uma visita pastoral às propriedades rurais da região, notou que não conseguia encontrar uma única corrente ou grilhão em nenhuma das propriedades que visitou. Quando questionou os proprietários sobre esta ausência, recebeu explicações vagas sobre melhorias nas condições de trabalho e evolução natural dos métodos de gestão.

    O último registro histórico definitivo relacionado a Elias data de 1852. Trata-se de uma carta encontrada nos arquivos da diocese de São Luís, dirigida ao bispo e assinada por um filho da liberdade. A carta descrevia a existência de uma comunidade próspera localizada nas matas entre Maranhão e Pará, onde famílias livres de várias origens viviam em harmonia, sustentando-se através de agricultura, artesanato e comércio justo.

    A carta não mencionava Elias pelo nome, mas descrevia a comunidade como sendo fundada por um homem que nasceu livre, foi forçado ao cativeiro e reconquistou sua liberdade através da sabedoria, em vez da violência. Pedia ao bispo bênçãos para a comunidade e oferecia contribuições para obras de caridade, demonstrando prosperidade econômica e integração social bem-sucedidas.

    Investigadores modernos que estudaram os arquivos relacionados ao caso de Elias encontraram evidências circunstanciais de que sua influência se estendeu muito além da região de Alcântara. Registros de outras províncias mostram padrões similares de resistência técnica e organizada durante o mesmo período, sugerindo que suas ideias e métodos foram adaptados e implementados por grupos abolicionistas em áreas geograficamente distantes.

    A eficácia dos métodos de Elias pode ser medida por sua ausência nos registros históricos oficiais. Diferentemente de outras rebeliões escravas que deixaram rastros extensos de violência e repressão, a resistência organizada por Elias foi gradualmente esquecida pelos registros oficiais, precisamente porque ameaçava os fundamentos ideológicos do sistema de forma muito mais profunda que a rebelião aberta.

    Uma análise cuidadosa dos registros econômicos da região de Alcântara durante a década de 1850 mostra evidências de transformação sistêmica que correspondem exatamente aos objetivos que Elias havia articulado em sua proposta rejeitada de negociação. A produtividade agrícola aumentou, os custos operacionais diminuíram e gradualmente emergiu uma força de trabalho qualificada e livre.

    O mais notável é que esta transformação aconteceu sem os conflitos violentos que caracterizaram processos similares em outras regiões. Era como se uma mão invisível, mas habilidosa, tivesse guiado a transição, implementando mudanças de forma tão gradual e natural que pareceram inevitáveis em retrospectiva. Esta precisão sugere planejamento e execução de longo prazo, que vai muito além das capacidades de resistência tradicional.

    Em 1860, um viajante naturalista europeu que visitou a região de Alcântara registrou em seu diário observações sobre a população local que oferecem uma perspectiva externa valiosa sobre o legado de Elias. Segundo o naturalista, a população rural da região demonstrava níveis incomuns de alfabetização, conhecimento técnico e organização social para uma área tão isolada dos centros urbanos.

    O naturalista ficou particularmente impressionado com a qualidade dos produtos artesanais produzidos na região, especialmente trabalhos em metal e madeira que rivalizavam com os melhores produtos europeus da época. Quando questionou os artesãos sobre onde haviam aprendido suas técnicas, recebeu respostas vagas sobre tradições familiares e conhecimento passado pelos ancestrais, mas suspeitou que havia uma escola técnica secreta operando na região.

    Mais intrigante ainda, o naturalista registrou conversas com pessoas locais que demonstravam filosofia sobre trabalho, dignidade humana e organização social que eram décadas à frente de seu tempo. Estas ideias eram expressas de forma natural e assumidas como senso comum, sugerindo que haviam sido integradas a cultura local através de um processo educacional sistemático e prolongado.

    Durante sua estadia na região, o naturalista tentou localizar a fonte desta educação avançada, mas suas investigações foram delicadamente desencorajadas pela população local. Não houve hostilidade aberta. mas sim uma conspiração silenciosa de evasivas e redirecionamentos que efetivamente impediram qualquer descoberta significativa.

    Era evidente que a comunidade protegia algo ou alguém de importância fundamental. Em 1863, o Arquivo Municipal de Alcântara registrou um evento que pode ter sido o último ato público de Elias. Durante a celebração da abolição da escravidão nas Américas, uma estrutura impressionante apareceu overnight na praça principal da cidade. Era uma escultura feita inteiramente de correntes quebradas, organizadas em formato de árvore, com cada folha, sendo um elo de ferro que havia sido cuidadosamente curvado e polido. A escultura era simultaneamente uma obra de arte impressionante e uma

    declaração política poderosa. Demonstrava domínio técnico excepcional do trabalho em metal, mas também transmitia uma mensagem clara sobre transformação e crescimento, emergindo de instrumentos de opressão. Mais importante ainda, sua execução requeria recursos e organização que apenas alguém com conexões extensas poderia mobilizar.

    Junto à escultura, havia uma placa simples com uma inscrição que capturava perfeitamente a filosofia que havia guiado toda a carreira de Elias. Das correntes quebradas cresce a árvore da liberdade. Cada elo transformado é uma semente plantada para gerações futuras.

    A inscrição não era assinada, mas todos na região sabiam sua origem provável. As autoridades locais debateram sobre como responder à aparição da escultura. Alguns argumentavam que deveria ser removida como símbolo subversivo, enquanto outros defendiam sua preservação como obra de arte valiosa. O debate se prolongou por meses, durante os quais a escultura se tornou um ponto de peregrinação informal para pessoas de toda a região, que vinham admirar sua beleza e refletir sobre sua mensagem.

    A decisão final sobre o destino da escultura revelou o quanto a região havia mudado desde os dias dos primeiros ataques de Elias aos engenhos. Por unanimidade, a Câmara Municipal votou pela preservação permanente da escultura como patrimônio cultural da cidade. Era uma legitimação oficial de tudo que Elias havia representado, um reconhecimento de que suas ideias haviam se tornado parte aceita da identidade local.

    O último registro historicamente verificável relacionado a Elias aparece em 1868, na forma de um inventário postmortem arquivado no cartório de Alcântara. O documento lista os bens de um homem chamado Elias Joaquim da Silva, artesão livre, que havia morrido aos 48 anos de idade em sua propriedade rural, localizada nas proximidades da cidade.

    O inventário revela uma vida de prosperidade modesta, mas significativa. Elias possuía oficina de ferraria e carpintaria totalmente equipada, pequena propriedade agrícola produtiva e biblioteca pessoal, que incluía obras técnicas, filosóficas e educacionais avançadas para a época. Mais importante ainda, o documento lista vários aprentices aprendizes que haviam estudado com ele e continuariam operando suas oficinas após sua morte.

    A descrição no inventário de artesão livre sugere que Elias havia conseguido não apenas conquistar sua liberdade pessoal, mas também estabelecer status legal respeitado na comunidade. Seus bens foram distribuídos entre famílias locais, segundo suas instruções escritas, indicando o planejamento cuidadoso para garantir continuidade de seu trabalho após sua partida.

    Mais revelador ainda, o inventário menciona documentos educacionais e técnicos a serem preservados na biblioteca comunitária para uso das gerações futuras. Esta referência sugere que Elias havia sistematizado seus conhecimentos em forma escrita, criando um legado educacional que poderia continuar beneficiando a comunidade indefinidamente.

    Os registros paroquiais confirmam que Elias recebeu enterro cristão apropriado com cerimônia conduzida pelo padre Correia, que o descreveu em seus arquivos pessoais como um homem que transformou sofrimento em sabedoria e opressão em oportunidade para edificar outros.

    O funeral foi atendido por centenas de pessoas de toda a região, demonstrando o respeito e afeição que havia conquistado durante sua vida. No túmulo de Elias encontra-se uma lápide simples, mas eloquente. A inscrição diz apenas: Elias, Joaquim da Silva, nasceu livre, viveu livre, morreu livre. Suas correntes foram quebradas, suas sementes plantadas, sua árvore continua crescendo.

    Não há datas de nascimento ou morte, como se sua importância transcendesse marcações temporais específicas. Durante as décadas seguintes à morte de Elias, a região de Alcântara continuou desenvolvendo-se de maneiras que refletiam claramente sua influência duradoura. Emergiu como centro de excelência em educação técnica e artesanato, atraindo estudantes e comerciantes de outras províncias.

    As técnicas e filosofias que Elias havia introduzido foram refinadas e expandidas por seus sucessores. Nos anos de 1870, investigadores governamentais enviados para estudar o milagre econômico de Alcântara ficaram impressionados com os níveis de produtividade, educação e cooperação social que encontraram.

    Seus relatórios mencionam repetidamente a existência de tradições locais e conhecimentos ancestrais que explicavam a prosperidade da região sem nunca conseguir identificar suas origens históricas específicas. Estes investigadores notaram particularmente que não conseguiam encontrar evidências de conflitos sociais significativos na história recente da região.

    Era como se a transição do sistema escravista para a economia livre tivesse acontecido de forma natural e harmoniosa, sem os traumas que caracterizaram processos similares em outras áreas. Esta harmonia social sugeriu planejamento e liderança excepcionais. durante o período de transformação.

    Uma análise moderna dos registros econômicos de Alcântara durante o século XIX revela padrões que correspondem quase exatamente às propostas econômicas que Elias havia articulado em sua tentativa rejeitada de negociação com as autoridades. A região desenvolveu exatamente o tipo de economia mista, tecnicamente avançada e socialmente justa.

    que ele havia previsto como alternativa ao sistema escravista. Em 1920, um historiador acadêmico tentou compilar uma biografia completa de Elias baseada nos registros arquivísticos disponíveis. O projeto foi abandonado após dois anos de pesquisa, quando o historiador concluiu que os registros eram inconsistentes demais para suportar análise acadêmica rigorosa.

    Esta inconsistência pode ter sido resultado de décadas de proteção deliberada da memória de Elias pela comunidade local. O historiador notou que, embora existissem centenas de referências indiretas a Elias nos arquivos locais, havia surpreendentemente poucos registros diretos e detalhados sobre sua vida e atividades.

    Era como se uma conspiração silenciosa de proteção tivesse operado durante décadas para obscurecer os detalhes específicos de sua biografia, preservando apenas as lições e benefícios de seu trabalho. Durante a década de 1930, o governo federal encomendou um estudo sobre tradições de resistência escrava no Brasil, que incluiu investigação específica sobre os eventos de Alcântara na década de 1840.

    O estudo concluiu que os registros eram fragmentários demais para a análise definitiva, mas reconheceu que algum tipo de resistência organizada e bem-sucedida havia claramente ocorrido na região. Os investigadores federais ficaram particularmente intrigados pela evidência de que a resistência em Alcântara havia sido construtiva em vez de destrutiva, focando em edificação econômica e social em vez de confronto violento.

    Esta abordagem era única entre os casos de resistência escrava documentados no Brasil, sugerindo liderança e visão excepcionais entre os organizadores locais. Em 1950, o Arquivo Nacional do Brasil classificou os registros relacionados a Elias como patrimônio histórico nacional, reconhecendo sua importância para compreender a transição do sistema escravista para a economia livre no país.

    Porém, muitos dos documentos mais detalhados permaneceram inacessíveis ao público, arquivados em sessões especiais por razões não especificadas publicamente. A cidade de Alcântara hoje em dia, mantém viva a memória de Elias através de diversos monumentos e instituições que levam seu nome. A escola técnica municipal, a biblioteca pública e o centro de artesanato local foram todos nomeados em sua honra.

    Mais importante ainda, a escultura de correntes quebradas, que apareceu misteriosamente em 1863, continua ocupando lugar de honra na praça principal da cidade. Visitantes contemporâneos de Alcântara frequentemente comentam sobre a atmosfera única da região, descrita como uma mistura de serenidade e dignidade que parece permear toda a comunidade local.

    Esta atmosfera é frequentemente atribuída às tradições locais e valores comunitários que foram passados através das gerações, mas poucos conseguem identificar as origens específicas destas tradições. A Biblioteca Municipal de Alcântara possui uma sessão especial dedicada à história e tradições locais, que inclui alguns dos documentos educacionais mencionados no inventário pós-mte de Elias.

    Estes documentos incluem manuais técnicos sobre metalurgia, carpintaria e agricultura, que ainda são consultados por artesãos e agricultores locais. A qualidade e precisão das informações sugerem conhecimento profissional excepcional por parte de seu autor. Durante as comemorações do centenário da abolição da escravidão no Brasil em 1988, Alcântara foi escolhida como local para cerimônias especiais, reconhecendo pioneiros da liberdade, que haviam contribuído para a transição pacífica do sistema escravista. Embora Elias não fosse mencionado especificamente nos

    discursos oficiais, sua presença era sentida em todas as referências à sabedoria e coragem dos ancestrais. O legado de Elias pode ser detectado hoje em aspectos sutis, mas persistentes da cultura local de Alcântara. A região mantém tradições de cooperação comunitária, educação técnica e artesanato de alta qualidade que remontam diretamente aos sistemas que ele estabeleceu durante sua vida.

    Mais importante ainda, a região preserva uma filosofia de dignidade humana e possibilidade de transformação social que ecoa suas convicções fundamentais. Antropólogos que estudam as tradições orais da região frequentemente encontram histórias sobre um homem que quebrava correntes, contadas de geração em geração, sem referência específica a nomes ou datas.

    Estas histórias sempre enfatizam temas de inteligência superando força bruta, paciência vencendo pressa e construção sendo mais poderosa que destruição. São lições que continuam orientando a comunidade local em suas decisões e valores. Em 1996, arqueólogos descobriram evidências de uma rede extensiva de túneis e câmaras subterrâneas, conectando várias localidades na região de Alcântara.

    As estruturas mostram evidências de uso durante o século XIX e incluem oficinas equipadas com ferramentas de metalurgia e carpintaria. A descoberta confirmou relatos históricos sobre a ferrovia subterrânea que Elias havia estabelecido para apoiar suas operações. As escavações arqueológicas revelaram também evidências de que as estruturas subterrâneas haviam sido utilizadas para fins educacionais, incluindo salas de aula equipadas com materiais de ensino técnico e biblioteca.

    A preservação cuidadosa destes espaços sugere que foram mantidos e utilizados durante décadas após a morte de Elias, indicando continuidade institucional que garantiu a preservação de seus métodos e filosofias. A análise moderna dos métodos utilizados por Elias para quebrar correntes e grilhões revela sofisticação técnica que estava décadas à frente de seu tempo.

    Ele havia desenvolvido técnicas de tratamento térmico e manipulação de metal que apenas recentemente foram compreendidas e implementadas pela metalurgia industrial moderna. Esta inovação técnica explica como conseguiu realizar feitos que pareciam impossíveis para seus contemporâneos. Mais impressionante ainda, evidências sugerem que Elias havia sistematizado seus conhecimentos técnicos em forma de manuais educacionais que foram copiados e distribuídos para outras regiões do país.

    Fragmentos destes manuais foram encontrados em arquivos de várias províncias, sempre em contextos relacionados à resistência organizada e desenvolvimento econômico comunitário. Era como se ele tivesse criado um currículo nacional informal para a transformação social. A influência de Elias na educação técnica brasileira pode ser detectada em institutos e escolas estabelecidos durante o final do século XIX e início do século XX.

    Muitas destas instituições foram fundadas por educadores anônimos que demonstravam conhecimentos técnicos avançados e filosofias educacionais progressistas que ecoavam claramente os métodos e valores que Elias havia desenvolvido em Alcântara. Um estudo comparativo de técnicas artesanais utilizadas em diferentes regiões do Brasil durante o século X revela padrões que sugerem dispersão sistemática de conhecimentos específicos a partir de uma fonte comum.

    As técnicas eram todas variações de métodos que haviam sido documentados pela primeira vez na região de Alcântara durante a época de Elias, sugerindo que seus seguidores haviam migrado para outras áreas, levando consigo suas habilidades e conhecimentos. Até hoje, ninguém sabe ao certo quantas pessoas foram diretamente libertadas ou beneficiadas pelas atividades de Elias.

    Os registros foram deliberadamente obscurecidos ou destruídos ao longo dos anos como medida de proteção para os envolvidos. Estimativas baseadas em evidências indiretas sugerem que centenas de famílias foram diretamente impactadas, com benefícios se espalhando para milhares de pessoas ao longo de várias gerações.

    A cidade de Alcântara mantém um museu dedicado à história e tradições locais, que inclui exposições sobre as técnicas artesanais desenvolvidas durante o século XIX. Embora as exposições não mencionem Elias especificamente por nome, todas as peças exibidas exemplificam os métodos e filosofias que ele havia pioneiro. É uma forma sutil, mas poderosa, de preservar sua memória e honrar seu legado.

    O som que ainda ecoa através dos séculos em Alcântara não é o barulho de correntes sendo forjadas, mas sim o som melodioso de metal sendo transformado em ferramentas úteis, de madeira sendo moldada em móveis belos e de vozes humanas ensinando e aprendendo em harmonia.

    É o som de uma comunidade que aprendeu que a verdadeira liberdade não vem de quebrar correntes externas, mas de construir estruturas internas de dignidade, conhecimento e cooperação mútua. E talvez algumas portas nunca devessem ser fechadas, especialmente aquelas que levam ao conhecimento de que todo ser humano nasce com o direito inalienável à liberdade e que esse direito, uma vez compreendido verdadeiramente, nunca pode ser completamente extinguido por qualquer sistema de opressão. Não importa quão poderoso possa parecer,

  • O jornalista que entrou sozinho na casa dos Mercer — e nunca mais se ouviu falar dele.

    O jornalista que entrou sozinho na casa dos Mercer — e nunca mais se ouviu falar dele.

    Há casas onde as paredes se lembram, onde as tábuas do chão guardam segredos que nunca deveriam ter saído. Na primavera de 1963, uma jornalista chamada Margaret Holloway atravessou a porta da frente da Casa Mercer em Savannah, Geórgia. Ela carregava um caderno de couro, uma câmera e uma teoria sobre o que realmente havia acontecido ali 20 anos antes.

     Os vizinhos a observaram entrar às 3:47 da tarde. Observaram o pôr do sol. Observaram as luzes se apagarem, mas nunca viram Margaret Holloway sair. Seu carro permaneceu estacionado na rua por seis dias antes que a polícia finalmente entrasse. O que eles encontraram lá dentro não mudou nada no registro oficial.

     Mas mudou tudo para aqueles que sabiam onde procurar. Esta não é uma história de fantasma. Isto é algo muito mais perturbador. Olá a todos. Antes de começarmos, não se esqueçam de curtir e se inscrever no canal e deixar um comentário dizendo de onde você está assistindo e a que horas. Assim, o YouTube continuará mostrando histórias como esta.

    A Casa Mercer ficava na esquina da Bull Street com a Gordon, construída em 1860 por um homem que entendia que a arquitetura poderia ser uma espécie de armadura. Hugh Mercer projetou cada cômodo com intenção. As janelas estavam voltadas para direções específicas. As portas trancavam por dentro de maneiras que não faziam sentido a menos que você entendesse o que ele estava tentando manter fora ou manter dentro.

     Por 80 anos, a casa mudou de mãos por herança. Nunca foi vendida. A família Mercer a transmitiu como uma maldição que não podiam recusar. Cada geração viveu ali. Cada geração partiu em silêncio. Ninguém falava sobre o porquê. Então veio 1943. A guerra estava afastando os homens de Savannah, e a casa ficou vazia pela primeira vez em sua história.

     Thomas Mercer, o último descendente direto, havia morrido no inverno anterior. Seu testamento era específico. A casa não podia ser vendida. Não podia ser demolida. Tinha que permanecer exatamente como estava, mantida por um fundo fiduciário que ele havia estabelecido até que certas condições fossem cumpridas. O testamento nunca especificou quais eram essas condições.

     O advogado que o redigiu morreu duas semanas depois de Thomas de ataque cardíaco. Disseram que ele tinha 36 anos. A casa ficou vazia por três anos. Então, na primavera de 1946, uma família chamada Caldwell se mudou para lá. Eles não eram Mercer. Eles não tinham nenhuma conexão de sangue, mas ganharam a casa em uma batalha legal sobre a validade do testamento. O fundo fiduciário lutou contra eles.

     A sociedade histórica lutou contra eles. Até mesmo os vizinhos, à sua maneira quieta do sul, deixaram claro que os Caldwells não eram bem-vindos. Mas Albert Caldwell era um homem teimoso. Ele havia servido na Europa. Ele tinha visto horror de verdade. Ele não tinha medo de uma casa antiga com uma história complicada. Sua esposa, Dorothy, estava menos certa, mas seguiu a liderança do marido. Eles se mudaram em 14 de abril de 1946.

    Sua filha Susan tinha 7 anos. Seis meses depois, Susan Caldwell parou de falar. Os médicos chamaram de mutismo seletivo provocado por trauma. Mas Susan não havia experimentado nenhum trauma que pudessem identificar. Ela simplesmente parou de falar uma manhã no café da manhã. Seus pais a encontraram sentada à mesa da cozinha olhando para a parede.

     Quando perguntaram o que havia de errado, ela se virou para olhá-los com olhos que pareciam ver algo que eles não conseguiam. Ela nunca mais falou. Nem uma palavra, nem um som. Pelos próximos 43 anos, os Caldwells duraram 18 meses na Casa Mercer. Eles nunca explicaram publicamente por que foram embora. Albert disse aos carregadores para serem rápidos.

     Dorothy supervisionava com o tipo de controle rígido que vem de mal conseguir se manter unida. Susan, agora com 9 anos e ainda em silêncio, carregou um único item de seu quarto, um coelho de pelúcia que ela possuía desde a infância. Ela deixou todo o resto para trás, as bonecas, os livros, a mobília cuidadosamente arranjada que Dorothy havia escolhido para fazer o quarto parecer seguro.

     Anos depois, quando um repórter perguntou a Dorothy o que havia acontecido naquela casa, ela disse apenas isto. “Minha filha sabia de algo que nós não sabíamos, e na hora em que entendemos, já era tarde demais para protegê-la disso.” A casa ficou vazia novamente. 14 meses desta vez. O fundo fiduciário retomou o controle, pagando pela manutenção, mantendo os jardins aparados, garantindo que a estrutura permanecesse sólida, mas ninguém ficava lá dentro depois do anoitecer.

     O jardineiro, um homem chamado Ernest Webb, chegava de manhã e ia embora antes das 4:00 da tarde. Ele se recusava a trabalhar mais tarde. Quando seu supervisor o pressionou sobre isso, Ernest disse algo estranho. Ele disse que a casa tinha um horário. Que certas coisas só aconteciam depois que o sol se punha abaixo da linha do telhado. Ele não quis dar detalhes.

     Duas semanas depois daquela conversa, Ernest parou de aparecer para o trabalho completamente. Sua esposa disse que ele havia conseguido um emprego em Atlanta, mas Ernest Webb nunca trabalhou em Atlanta. Os registros da cidade não mostram emprego, nenhum endereço, nenhum rastro dele depois que ele deixou Savannah. Ele simplesmente desapareceu na vida que as pessoas constroem quando estão fugindo de algo que não conseguem explicar.

     Em 1961, a Sociedade de Preservação Histórica da Geórgia contatou uma jovem jornalista chamada Margaret Holloway. Margaret havia feito um nome para si mesma, escrevendo sobre a arquitetura gótica do sul e as famílias que habitavam essas casas antigas. Ela abordava a história como arqueologia, escavando cuidadosamente camadas de história até encontrar a verdade por baixo.

    A sociedade queria que ela escrevesse uma reportagem sobre a Casa Mercer. Eles estavam tentando garantir o status de marco histórico, e precisavam de publicidade positiva para combater os rumores que haviam se acumulado em torno da propriedade. Margaret aceitou a tarefa, mas tinha suas próprias razões para dizer sim. A avó de Margaret havia trabalhado como empregada doméstica para a família Mercer na década de 1890.

    Ela era jovem na época, apenas 16, e durou três semanas antes de sair sem explicação. Margaret havia descoberto o diário de sua avó no ano anterior, após o funeral. Nele, ela havia escrito sobre a casa, sobre sons que vinham de cômodos que deveriam estar vazios, sobre portas que se trancavam sozinhas por dentro, sobre uma presença que se movia pelos corredores com intenção e inteligência.

     A entrada final era datada de 9 de outubro de 1894. Dizia: “Não posso voltar para aquela casa.” O Sr. Mercer diz: “Estou histérica.” Talvez eu esteja, mas eu sei o que ouvi vindo do terceiro andar, e eu sei que não era vento. Não era a casa se ajeitando. Era algo que aprendeu a soar quase humano. Quase.

     Margaret Holloway passou dois meses se preparando antes de sequer pôr os pés dentro da Casa Mercer. Ela solicitou plantas baixas dos arquivos da cidade. Ela entrevistou ex-moradores, embora a maioria se recusasse a falar publicamente. Ela compilou recortes de jornais que datavam de 1872. O que ela encontrou foi um padrão, não de violência exatamente, mas de silêncio.

    Famílias se mudavam. Famílias se mudavam. E no meio, nada. Sem festas, sem eventos sociais, sem reclamações à polícia, apenas esses longos períodos de habitação silenciosa seguidos por partidas repentinas e inexplicáveis. A permanência média era de 14 meses. Nenhuma família jamais passou de 2 anos. Ela encontrou outra coisa naqueles arquivos, algo que a sociedade histórica não havia mencionado.

     Em 1909, um incêndio começou no terceiro andar da Casa Mercer. O corpo de bombeiros respondeu em minutos. Mas quando chegaram, o fogo já havia se apagado. O quarto estava frio. As janelas estavam fechadas. Não havia fonte de água, nenhuma explicação de como as chamas haviam morrido.

     O relatório do chefe dos bombeiros notou extensos danos de queimadura no chão e nas paredes. Mas ele também notou algo peculiar. O dano formava um padrão, um círculo de aproximadamente 2,4 metros de diâmetro, perfeitamente centrado no quarto, e dentro desse círculo, as tábuas do chão estavam intactas, completamente intocadas, como se o fogo tivesse deliberadamente queimado ao redor de algo ou alguém.

     Margaret escreveu para o fundo fiduciário que administrava a propriedade. Ela solicitou permissão para passar 24 horas dentro da casa sozinha, documentando sua arquitetura e história. Ela enquadrou isso como pesquisa essencial para o artigo. O fundo fiduciário negou seu pedido. Muito perigoso. Eles disseram que a casa estava desocupada há muito tempo. Havia preocupações sobre a integridade estrutural.

    Margaret escreveu de volta. Ela tinha experiência com edifícios antigos. Ela entendia os riscos. Ela assinaria qualquer termo de responsabilidade que eles exigissem. O fundo fiduciário negou novamente. Desta vez, eles não ofereceram um motivo. Então Margaret fez o que qualquer bom jornalista faria. Ela encontrou outra maneira de entrar. Através de registros públicos, ela descobriu que Ernest Webb, o jardineiro que desapareceu, havia guardado uma chave.

     Sua esposa ainda morava em Savannah. Margaret a visitou no início de março de 1963. A Sra. Webb hesitou a princípio, mas Margaret mostrou-lhe o diário. As palavras de sua avó de 69 anos antes. A Sra. Webb o leu lentamente. Quando terminou, olhou para Margaret com algo parecido com reconhecimento.

     Ela disse que Ernest teve sonhos com aquela casa por meses depois que parou de trabalhar lá. Ele acordava falando sobre o terceiro andar, sobre algo que tinha visto pela janela uma tarde. “Ele nunca me disse o que era, mas depois que esses sonhos começaram, ele não podia mais ficar em Savannah. Ele disse que a casa sabia onde morávamos.”

     Então ela foi a uma gaveta da cozinha e pegou uma chave de latão. Ela a colocou na mão de Margaret e fechou os dedos em torno dela. “Se você vai entrar lá”, ela disse, “vá durante o dia e não fique depois do pôr do sol. O que quer que você esteja procurando, não vale a pena estar lá depois de escurecer.” Margaret Holloway entrou na Casa Mercer em 23 de abril de 1963 às 3:47 da tarde.

     Uma vizinha, a Sra. Catherine Bellamy, anotou a hora porque estava observando de sua janela do outro lado da rua. Ela morava naquela casa há 32 anos. Ela havia visto famílias irem e virem da Casa Mercer. Ela tinha aprendido a prestar atenção. Mais tarde, ela diria à polícia que Margaret havia parado na porta da frente. Que ela ficou ali por quase um minuto com a mão na maçaneta de latão antes de finalmente girá-la.

     Que ela olhou para trás uma vez para a rua, como se estivesse memorizando como o mundo parecia do lado de fora. Lá dentro, Margaret encontrou uma casa congelada no tempo. Os Caldwells haviam deixado móveis para trás. O fundo fiduciário havia mantido tudo exatamente como estava. Lençóis cobriam os sofás na sala de estar. A mesa de jantar estava posta para três, como se a família tivesse simplesmente se afastado no meio da refeição e nunca mais voltado.

     Na cozinha, Margaret encontrou um calendário ainda virado para novembro de 1947. Alguém havia circulado o dia 16. Nenhuma anotação, apenas o círculo desenhado em tinta vermelha. Margaret fotografou. Ela fotografou tudo. A grande escadaria, a biblioteca com suas paredes de livros que ninguém lia há 16 anos, os quartos do segundo andar com suas camas cuidadosamente feitas.

     Ela encontrou o quarto de Susan Caldwell no final do corredor. A porta estava fechada, mas destrancada. Lá dentro, tudo permanecia como uma menina de 9 anos havia deixado. Bonecas arranjadas em prateleiras, uma pequena escrivaninha com giz de cera espalhado pela superfície, e na parede acima da cama, um desenho. Margaret se aproximou. Era rude, como os desenhos de crianças são.

     Bonecos de palito, uma casa, mas algo nele fez a pele de Margaret se arrepiar. A casa no desenho tinha um terceiro andar. E na janela do terceiro andar, Susan havia desenhado um rosto, não um boneco de palito, um rosto detalhado, cuidadosamente renderizado com olhos vazios e uma boca aberta em uma expressão que poderia ter sido um grito ou uma risada. Margaret não conseguia dizer qual.

     Abaixo do desenho, em uma caligrafia infantil irregular, estavam três palavras. Ela me vê. Margaret verificou seu relógio. 4:32. Ela tinha talvez 3 horas de boa luz do dia restantes. O aviso da Sra. Webb ecoou em sua mente. Não fique depois do pôr do sol. Mas Margaret não tinha vindo até aqui para ir embora sem ver o terceiro andar. Ela havia lido sobre o incêndio, sobre o círculo de tábuas do chão não danificadas, sobre a janela pela qual Ernest Webb havia olhado.

     Qualquer que fosse a história que esta casa estava escondendo, estava lá em cima. Ela parou na base das escadas que levavam ao terceiro andar. O ar estava diferente ali, mais frio, denso de uma forma que fazia a respiração parecer deliberada. Ela colocou a mão no corrimão. A madeira estava lisa, lisa demais, como se incontáveis mãos a tivessem apertado exatamente no mesmo ponto ao longo de décadas. Ela subiu.

     O terceiro andar consistia em um único corredor com quatro portas. Três estavam abertas, uma estava fechada. Margaret fotografou o corredor primeiro. Sua câmera era uma Leica M3, confiável e precisa. Ela havia tirado centenas de fotografias naquela tarde, documentando cada cômodo, cada detalhe. Mas quando ela revelou o filme semanas depois, quando a polícia finalmente entregou seus pertences à sua irmã, as fotografias do terceiro andar mostrariam algo impossível.

     Em cada quadro, havia uma sombra que não era projetada por nada visível, que não seguia as leis da luz e do ângulo, apenas uma forma escura que aparecia no canto de cada imagem, sempre na mesma posição em relação à câmera, sempre observando. Margaret entrou no primeiro quarto aberto. Estava vazio, exceto por uma cadeira de balanço de frente para a janela.

     A cadeira estava posicionada precisamente no centro do quarto, e por baixo dela, ela podia ver as marcas no chão. A madeira estava gasta em duas linhas curvas onde os balanços haviam se movido repetidamente por anos. Mas a cadeira não estava se movendo agora. Ela estava perfeitamente parada. Margaret se aproximou da janela e olhou para fora.

    Dali, ela podia ver a casa da Sra. Bellamy do outro lado da rua. Ela podia ver seu próprio carro estacionado no meio-fio. Ela podia ver o ângulo que Ernest Webb teria tido quando olhou para cima naquela tarde e viu o que quer que fosse que o fez deixar Savannah para sempre. O segundo quarto era menor. Quartos de empregados, talvez.

     Havia uma estrutura de cama sem colchão e uma pequena mesa. Sobre a mesa havia um copo d’água, ainda pela metade. Margaret tocou. A água estava gelada. Impossível, ela pensou. A casa não tinha eletricidade, nem água corrente. Os serviços públicos estavam cortados há anos. Ela levantou o copo e viu por baixo dele um anel manchado na madeira. Uma mancha antiga, de décadas.

     Alguém havia colocado um copo d’água neste exato local tantas vezes que havia se tornado permanente. Ela o colocou de volta, combinando o anel precisamente. O terceiro quarto continha os danos do incêndio. O círculo ainda estava visível no chão, exatamente como o chefe dos bombeiros havia descrito em 1909, 54 anos depois, e as marcas de queimadura permaneciam escuras e claras.

     Margaret se ajoelhou na borda do círculo e passou os dedos ao longo do limite. A transição era absoluta. Madeira carbonizada de um lado, chão intocado do outro, sem gradação, sem desbotamento, como se o fogo tivesse reconhecido uma fronteira que não podia cruzar. Ela pegou seu caderno e começou a esboçar o padrão. E foi quando ela notou os arranhões, sulcos profundos nas tábuas do chão intocadas dentro do círculo. Eles formavam palavras.

     Ela teve que se deitar no chão para lê-las na luz fraca. Não foi um incêndio. Foi uma porta. Se você ainda está assistindo, você já é mais corajoso do que a maioria. Diga-nos nos comentários o que você teria feito se esta fosse sua linhagem. Margaret Holloway verificou seu relógio. 5:51. O sol estava baixo. Ela podia sentir a luz mudando, tornando-se angular e fina.

     Ela tinha talvez 20 minutos antes do pôr do sol. A porta fechada esperava no final do corredor. Ela a havia guardado para o final, embora não pudesse explicar o porquê. Algum instinto lhe dizia que, assim que abrisse aquela porta, algo mudaria. A casa saberia que ela tinha visto tudo. E casas como esta. Casas que se lembram, não se esquecem de quem abre suas portas.

     Ela ficou do lado de fora do quarto por um longo tempo. Tempo suficiente para que a luz mudasse perceptivelmente. Tempo suficiente para que as sombras no corredor se aprofundassem e se espalhassem. Sua mão estava na maçaneta quando ela ouviu. Um som vindo de baixo. Suave, rítmico. O rangido da madeira sob pressão. Para trás e para frente. Para trás e para frente. A cadeira de balanço.

     Aquela que ela tinha visto no primeiro quarto. Aquela que estava perfeitamente parada. Estava se movendo agora. Ela podia ouvir claramente no silêncio da casa. E então, por baixo daquele som, outra coisa. Respiração. Lenta e deliberada. O tipo de respiração que vem do esforço, da concentração, da espera. Margaret girou a maçaneta.

     A porta abriu facilmente, como se a estivesse esperando. O quarto além estava escuro, mais escuro do que deveria estar com as janelas que ela podia ver de fora. Ela atravessou o limiar e a temperatura caiu tão severamente que sua respiração saiu em nuvens visíveis. Sua câmera pendia em seu pescoço. Ela a levantou e olhou através do visor.

     Usando-a como um escudo entre si e o que quer que ocupasse aquele espaço. Através da lente, ela podia ver mais claramente. O quarto não estava vazio. Havia móveis, uma cama, uma cômoda, um espelho na parede. E no espelho, Margaret abaixou a câmera. Ela se virou para olhar o que o espelho estava refletindo. Mas não havia nada atrás dela, apenas a porta aberta e o corredor além.

     Ela olhou de volta para o espelho. O reflexo mostrava algo diferente. Mostrava o quarto como ele tinha sido, totalmente mobiliado, habitado. E parada na porta daquele quarto refletido estava uma figura, uma mulher em um vestido longo de outra época. Seu rosto estava virado, mas Margaret podia ver seus ombros. Podia ver a maneira como ela estava em absoluta imobilidade.

     Podia ver que ela estava olhando para algo no reflexo que Margaret não conseguia ver. Olhando para onde Margaret estava parada, o som da respiração ficou mais alto. Margaret percebeu que não estava mais vindo de baixo. Estava vindo de dentro do quarto com ela. Do canto, ela não conseguia ver completamente do espaço entre os móveis e a parede onde as sombras haviam ficado espessas o suficiente para ter peso.

     Ela levantou a câmera novamente e tirou uma fotografia. O flash encheu o quarto de luz por uma fração de segundo. E naquela breve iluminação, Margaret viu o que Hugh Mercer havia construído esta casa para conter, o que todas as famílias desde então viveram acima, sem saber o que Susan Caldwell finalmente tinha visto com clareza suficiente para parar de falar para sempre. O flash se apagou.

     A escuridão retornou. E Margaret Holloway entendeu que algumas portas, uma vez abertas, não podem ser fechadas novamente. Quando a polícia entrou na Casa Mercer seis dias depois, eles encontraram o carro de Margaret Holloway ainda estacionado na rua. A chave que a esposa de Ernest Webb lhe havia dado ainda estava na fechadura da porta da frente, girada, mas não removida.

     Sua bolsa de couro estava no hall de entrada, seu conteúdo cuidadosamente arranjado. Seu caderno estava aberto na última página que ela havia escrito. A entrada era datada de 23 de abril de 1963 e cronometrada às 6:04 da noite, logo após o pôr do sol. Dizia. Eu entendo agora por que as famílias vão embora, por que Susan parou de falar, por que minha avó fugiu. Não é que a casa seja assombrada.

     É que a casa é um recipiente. E o que ela contém está aqui desde antes de Hugh Mercer colocar a primeira pedra. Ele não construiu uma casa. Ele construiu uma prisão. E o terceiro andar não é o topo da casa. É a tampa. A câmera de Margaret foi encontrada no quarto do terceiro andar com a porta fechada. A porta estava aberta agora.

     A câmera estava no chão, posicionada como se ela a tivesse colocado cuidadosamente. Quando a polícia revelou o filme. A maioria das fotografias mostrava exatamente o que eles esperavam. Quartos vazios, móveis empoeirados, detalhes arquitetônicos. Mas a fotografia final, aquela tirada com o flash naquele último quarto, mostrava apenas escuridão, não a escuridão da subexposição ou de um mau funcionamento.

     Uma escuridão que parecia existir na frente da lente, em vez de atrás dela. Como se a câmera tivesse fotografado algo que absorvia luz em vez de refleti-la. O fotógrafo da polícia que processou o filme pediu demissão três dias depois. Ele não quis dizer o porquê, mas aqueles que o viram depois disseram que ele desenvolveu o hábito de deixar as luzes acesas em todos os cômodos de sua casa, mesmo durante o dia.

     Especialmente durante o dia, Margaret Holloway nunca foi encontrada. Nem na casa, nem em Savannah, em lugar nenhum. Sua família contratou investigadores particulares. A polícia conduziu várias buscas. Eles trouxeram cães. Eles verificaram hospitais e necrotérios em três estados. Ela simplesmente desapareceu tão completamente como se nunca tivesse existido, exceto por um detalhe que a Sra.

     Bellamy relatou, e a polícia inicialmente desconsiderou. Ela disse que na noite de 23 de abril, por volta das 6:17, ela viu movimento na janela do terceiro andar da Casa Mercer, uma figura parada ali, olhando para fora. Mas a figura não se movia como uma pessoa. Ela se movia como alguém aprendendo a se mover.

     Praticando acertar os gestos. E mesmo do outro lado da rua, a Sra. Bellamy podia dizer que havia algo errado com suas proporções. Os braços eram muito longos. A cabeça estava inclinada em um ângulo que não deveria ser possível. Ela o observou por talvez 30 segundos antes que ele se afastasse da janela e desaparecesse na escuridão do quarto.

     A Casa Mercer foi finalmente demolida em 1971. A sociedade histórica lutou contra isso. O fundo fiduciário que administrava a propriedade lutou contra isso. Mas a câmara municipal votou por unanimidade. Muitos desaparecimentos, eles disseram. Muitas histórias, muita história que ninguém queria preservar. A equipe de demolição trabalhou apenas durante o dia.

     Eles se recusaram a deixar equipamentos na propriedade durante a noite. O capataz relatou mais tarde que no dia final, quando eles derrubaram o terceiro andar, o ar cheirava mal, não como poeira e madeira velha, mas como algo que havia sido selado por muito tempo e finalmente tinha encontrado uma abertura. A equipe terminou o trabalho em tempo recorde.

     Eles empilharam os escombros e os queimaram. Tudo, a madeira, os acessórios, até as pedras da fundação. Eles queimaram até que não restasse nada além de cinzas. E então enterraram as cinzas a 3,6 metros de profundidade e pavimentaram sobre elas com concreto. Há um estacionamento lá agora. As pessoas o usam todos os dias sem pensar no que jaz por baixo.

     Mas às vezes, tarde da noite, quando o sol está se pondo e a luz atinge o pavimento em um certo ângulo, os motoristas relatam ver uma sombra perto do canto de trás do lote. Uma sombra que não corresponde a nenhum objeto. Uma sombra que parece estar de pé em vez de deitada. E se você estiver lá exatamente às 6:17 da noite, a mesma hora que a Sra.

     Bellamy viu a figura na janela, você pode notar outra coisa. A sombra respira lentamente, deliberadamente, da maneira que algo faz quando está esperando há muito tempo e finalmente aprendeu a ter paciência. O caderno de Margaret Holloway foi doado à Sociedade Histórica da Geórgia por sua irmã. Ele permanece em seus arquivos, disponível para pesquisadores com hora marcada, mas poucas pessoas o solicitam.

     E aqueles que o fazem raramente ficam tempo suficiente para ler além daquela entrada final porque há mais uma linha escrita abaixo de sua observação sobre a casa ser uma prisão. Está em uma caligrafia diferente, mais trêmula, escrita rapidamente, talvez na escuridão. Diz: “Se você está lendo isto, não levante os olhos da página. Está parado atrás de você agora.

     Está parado lá desde que você começou a ler e está aprendendo.”

  • Ana Lucinda: A ESCRAVA que escondeu o filho que teve com seu senhor para que ele pudesse nascer livre.

    Ana Lucinda: A ESCRAVA que escondeu o filho que teve com seu senhor para que ele pudesse nascer livre.

    No ano de 1778, na fazenda San Jerónimo del Valle de Puebla, onde os campos de trigo se estendiam até tocar as encostas do vulcão Popocatépetl, Ana Lucinda moía milho antes do amanhecer com as mãos gretadas pelo frio de outubro. Tinha 23 anos, a pele escura marcada pelo sol inclemente e em seu ventre crescia um segredo que podia custar-lhe a vida ou oferecer-lhe a única vingança possível contra um mundo que a havia transformado em propriedade antes que aprendesse a caminhar.

     O patrão Dom Sebastián de Iturbe y Mendoza dormia ainda na casa grande, alheio ao plano que Ana Lucinda tecia em silêncio desde que sentiu as primeiras náuseas três meses antes. A Nova Espanha vivia seus últimos anos de tranquilidade sob o jugo colonial, quando a riqueza fluía das minas de Guanajuato até os cofres do rei em Madri.

     E os escravos africanos e seus descendentes trabalhavam lado a lado com os indígenas nas fazendas do centro do país. Ana Lucinda havia nascido escrava porque sua mãe o foi e sua avó antes dela, embora nenhuma jamais tenha conhecido as costas da Guiné, nem ouvido os tambores do outro lado do mar.

     Ela era crioula da escravidão, mexicana de nascimento e propriedade de papel, atada a San Jerónimo por um documento assinado quando tinha 7 anos e Dom Sebastián a comprou junto com sua mãe no mercado de Veracruz. Agora, enquanto as outras mulheres começavam a acordar nos barracões de adobe, Ana Lucinda sabia que devia agir antes que sua cintura revelasse o inevitável.

     Se o menino nascesse na fazenda, se Dom Sebastián reconhecesse em suas feições o eco de seu próprio sangue, o destino do pequeno estaria selado. Seria escravo por linha materna, segundo ditavam as leis que protegiam o patrimônio dos patrões e condenavam os filhos de ventres cativos. Mas Ana Lucinda ouvira histórias no mercado de Puebla, relatos sussurrados entre vendedoras de chiles e xales sobre crianças nascidas em terra livre, em conventos ou casas de caridade, que escapavam assim das correntes hereditárias. O plano nasceu em uma tarde de julho quando

    Dom Sebastián a chamou à biblioteca com o pretexto de que limpasse as estantes. Ele cheirava a conhaque importado e tabaco da Virgínia. Tinha 42 anos e uma esposa legítima que passava metade do ano na Cidade do México cuidando de sua mãe doente.

     Ana Lucinda não havia escolhido aquelas visitas noturnas que começaram na primavera quando o patrão a encontrou sozinha na lavanderia e decidiu que seu silêncio valia menos do que sua vontade. Ela aprendeu a não gritar, a não chorar, a se transformar em pedra enquanto ele saciava seu desejo contra o muro de cal. Mas quando seu sangue menstrual faltou e sentiu a primeira tontura, algo se quebrou em seu interior. Não permitiria que esse menino herdasse sua condição.

     Se quiserem conhecer mais histórias como esta, histórias de resistência e dignidade que permaneceram ocultas em arquivos esquecidos, se inscrevam no canal e compartilhem nos comentários de qual país nos acompanham, porque cada canto da nossa América guarda segredos que merecem ser lembrados. Em San Jerónimo viviam 17 escravos, 40 peões indígenas e cinco famílias de mestiços que trabalhavam como capatazes e artesãos.

     A estrutura era clara como a água do poço. Em cima Dom Sebastián e sua família. No meio Dom Esteban Rivadeneira, o administrador espanhol chegado de Cádiz, e embaixo todos os demais. Dom Esteban era um homem magro, de olhos cinzentos, que mantinha registro exato de cada fanega de trigo, cada arroba de feijão, cada nascimento e óbito entre a servidão.

     Anotava tudo em um livro forrado de couro que guardava à chave. E Ana Lucinda sabia que esse livro continha seu nome, sua idade, seu valor em pesos de prata. A única pessoa em quem Ana Lucinda podia confiar era Jacinta, uma indígena otomí parteira antes de chegar à fazenda, fugindo de um marido violento. Jacinta trabalhava na cozinha grande, preparava os moles que faziam Dom Sebastián chorar de prazer e conhecia o poder das ervas que cresciam nas barrancas.

     Em uma manhã de agosto, enquanto descascavam nopales no pátio de serviço, Ana Lucinda confessou seu estado com um simples olhar e um toque leve no ventre. Jacinta não perguntou quem era o pai. Os olhos de ambas disseram o suficiente. “Se nascer aqui será escravo”, sussurrou Ana Lucinda.

     “Então não pode nascer aqui”, respondeu Jacinta e cuspiu uma semente de tomate no chão. O plano tomou forma em conversas fragmentadas, frases trocadas enquanto lavavam roupa no rio ou debulhavam milho ao entardecer. Jacinta conhecia uma prima em Cholula, viúva de um tropeiro que administrava uma casa de hóspedes perto do convento de San Gabriel.

     Lá chegavam mulheres pobres, indígenas e mestiças, para dar à luz sob a proteção discreta das monjas franciscanas, que não perguntavam muito sobre origens nem circunstâncias. As crianças nascidas naquele limiar eram registradas como livres nos livros paroquiais, órfãos de pai conhecido, mas nunca escravos. O desafio era sair de San Jerónimo sem levantar suspeitas.

     Dom Esteban controlava as licenças de ausência com zelo de agiota e Ana Lucinda não tinha motivo legítimo para viajar a Cholula. Precisavam de uma razão, um pretexto que Dom Sebastián aprovasse sem questionamentos. A oportunidade chegou em setembro quando Dona Remedios, a esposa do patrão, anunciou que voltaria à fazenda em outubro para supervisionar a colheita e preparar as celebrações do Dia dos Mortos.

     Dom Sebastián ficou nervoso, ordenou limpezas exaustivas, reparos urgentes na capela e encarregou Jacinta de preparar doces cristalizados de abóbora e doces de leite para impressionar sua mulher. Ana Lucinda viu sua abertura. Se conseguisse convencer Dom Sebastián de que Jacinta precisava de ajuda para comprar ingredientes especiais em Cholula, famosa por suas docerias e mercados.

     Talvez ele aprovasse uma viagem de dois dias, mas aproximar-se de Dom Sebastián era arriscado. Desde que Dona Remedios anunciou seu retorno, o patrão evitava cruzar com Ana Lucinda como se sua presença fosse um lembrete inconveniente de seus deslizes. Ela teve que esperar, mover-se com a paciência de quem colhe trigo grão por grão.

     Em uma tarde de meados de setembro, quando o céu se tingiu de púrpura sobre o vulcão, Dom Sebastián saiu a cavalo para inspecionar as divisas orientais da fazenda. Ana Lucinda o observou do curral das galinhas, calculando. Ao anoitecer, quando ele regressou coberto de poeira e com sede, ela estava no estábulo fingindo procurar ovos perdidos.

     Dom Sebastián desmontou, entregou as rédeas ao moço e seus olhos encontraram os de Ana Lucinda. Houve um silêncio incômodo. Ele pigarreou. “O que fazes aqui tão tarde?” “As galinhas se escondem, patrão. Dona Remedios quererá ovos frescos.” Dom Sebastián assentiu. Olhou para a casa grande onde as lâmpadas começavam a acender-se. “Jacinta diz que precisa de canela de Oaxaca e chocolate de Tabasco para os doces de minha esposa.”

     Mentiu Ana Lucinda, as palavras ensaiadas 100 vezes. “Diz que em Cholula há um mercador que traz essas coisas. Posso acompanhá-la dois dias?” O patrão franziu a testa. Ela baixou o olhar para sua saia e acrescentou: “Para carregar os sacos, patrão, Jacinta já está velha.” Dom Sebastián ponderou o pedido por um instante que pareceu eterno.

    Talvez sentiu alívio em afastar Ana Lucinda da fazenda antes que sua esposa chegasse. Talvez simplesmente não se importou. Assentiu com brusquidão. “Dois dias, nem mais um. Dom Esteban lhes dará a permissão escrita.” Ana Lucinda inclinou a cabeça em agradecimento e saiu do estábulo com o coração batendo nas costelas. Havia ganhado a primeira batalha.

    Dom Esteban estendeu a permissão no dia seguinte com sua letra apertada e meticulosa, especificando nomes, destino e data de retorno. Entregou a Jacinta 3 pesos de prata para as despesas e a advertiu que se não regressassem a tempo, enviaria os capatazes para buscá-las. Jacinta assentiu com humildade fingida e guardou o papel no bolso de seu avental.

     Partiram em uma madrugada de princípios de outubro em uma carroça puxada por mulas que levava sacos de trigo para vender em Cholula. O tropeiro era um mestiço taciturno que aceitou levá-las sem fazer perguntas por uma moeda extra. Ana Lucinda levava uma manta puída enrolada com sua única muda de roupa e um rosário de madeira que havia sido de sua mãe.

     O ventre ainda não se notava sob as saias amplas, mas a tontura a assaltava cada vez que a carroça sacudia nos buracos do caminho. O vale de Cholula apareceu ao entardecer com sua grande pirâmide coberta de pasto verde e a cúpula dourada do santuário da Virgem, refletindo os últimos raios do sol. A cidade fervia de atividade, mercadores que gritavam preços, mulheres que vendiam tamales fumegantes, crianças descalças que perseguiam cães entre as barracas.

     Jacinta guiou Ana Lucinda por vielas estreitas até uma casa de adobe com portal de madeira pintado de azul. Ali vivia sua prima Dominga, uma mulher robusta, de rosto amável, que não demonstrou surpresa quando Jacinta lhe explicou a situação em voz baixa. “Aqui ficarão até que passe”, disse Dominga. “Já vi casos piores.”

     Ana Lucinda dormiu aquela noite em um catre estendido no quarto dos fundos, ouvindo o burburinho da praça que chegava através das paredes. Pela primeira vez em meses sentiu algo parecido com esperança. Estava longe de Dom Sebastián, longe de Dom Esteban, longe dos olhos vigilantes de San Jerónimo.

     Mas o plano ainda dependia de que o menino nascesse exatamente onde devia nascer. Jacinta conhecia parteiras que trabalhavam com as monjas do convento de San Gabriel, mulheres discretas que sabiam como lidar com situações delicadas. No segundo dia, enquanto Ana Lucinda permanecia oculta na casa, Jacinta visitou uma delas. Felipa, uma anciã que havia trazido centenas de crianças ao mundo e conhecia os meandros legais da liberdade e da escravidão melhor do que muitos advogados.

     Felipa escutou a história sentada em uma cadeira de couro com as mãos cruzadas sobre o colo. “Se o menino nascer na casa de Dominga, não será suficiente”, explicou com voz áspera. “Precisam que o pároco o anote como órfão nascido em território livre sob proteção do convento. Isso significa que a mãe deve estar às portas de San Gabriel quando a bolsa romper.”

     “E se perguntarem quem é ela?”, indagou Jacinta, “Diremos que é uma indígena pobre que chegou dos povoados do sul sem família, sem nome. Acontece o tempo todo. O Padre Francisco não indaga muito quando há crianças envolvidas.” Jacinta regressou à casa com as instruções precisas. Quando chegasse o momento, Ana Lucinda devia caminhar até o convento, bater na porta do portão lateral e dizer que precisava de auxílio.

     As monjas a acolheriam, chamariam Felipa e o menino nasceria sob o teto da igreja. No livro de batismos ficaria registrado como livre, filho de mãe desconhecida, e a lei colonial não poderia reclamá-lo. Mas primeiro deviam regressar a San Jerónimo, cumprir com a permissão de Dom Esteban e esperar.

     A gravidez ainda tinha 5 meses pela frente e cada dia que Ana Lucinda permanecesse na fazenda aumentava o risco de que alguém notasse seu estado. Precisavam de uma desculpa para uma segunda viagem, algo convincente que não levantasse suspeitas. Regressaram a San Jerónimo no terceiro dia com um saco de canela, dois pães de chocolate embrulhados em folhas de bananeira e uma história ensaiada sobre mercadores difíceis de encontrar.

     Dom Esteban as recebeu com sua habitual frieza, revisou as compras, anotou as despesas em seu livro e as despediu com um gesto. Ana Lucinda voltou a seus labores. Moer milho, lavar roupa no rio, recolher ovos no galinheiro, sempre sob o olhar vigilante dos capatazes. Dona Remedios chegou em meados de outubro em uma carruagem puxada por quatro cavalos, rodeada de baús e criadas que trouxe da capital.

     Era uma mulher alta, de feições severas e modos impecáveis, que inspecionou a fazenda com olho crítico e encontrou defeitos em tudo. O pó na capela, as manchas nas toalhas, a falta de flores frescas nos vasos. Dom Sebastián se esforçou para agradá-la, organizando um jantar com as famílias proeminentes do vale, onde foram servidos os moles de Jacinta e os doces que Ana Lucinda havia ajudado a preparar.

    Durante essas semanas, Ana Lucinda se moveu como sombra invisível entre as criadas, cuidando para que suas saias ocultassem o ventre que começava a arredondar-se. Dona Remedios mal reparou nela. Para a senhora, os escravos eram peças intercambiáveis do mobiliário humano da fazenda. Mas Dom Esteban era diferente.

     O administrador tinha o hábito de observar, de contar, de notar anomalias. Em uma manhã de novembro, enquanto Ana Lucinda carregava um cântaro de água em direção à cozinha, Dom Esteban a deteve com uma pergunta casual. “Estás bem? Vejo-te cansada ultimamente.” Ana Lucinda sentiu o gelo nas veias, baixou o olhar. “É o frio, Dom Esteban, nada mais.”

     O administrador estreitou os olhos, mas não insistiu. Ela seguiu seu caminho com passos medidos, sem apressar-se, sentindo o olhar dele cravado em suas costas. Naquela noite, no barracão contou a Jacinta o ocorrido. “Começa a suspeitar”, sussurrou Ana Lucinda. “Não podemos esperar muito mais.” “Faltam 4 meses ainda”, respondeu Jacinta.

     “É muito cedo para voltar a Cholula.” “Então precisamos de outra razão para sair. Qualquer razão.” A solução chegou de forma inesperada em dezembro quando Dona Remedios decidiu que queria um tapete de lã para a biblioteca e encarregou Dom Esteban de encontrar artesãos capazes de tecê-lo.

     No vale de Puebla havia ateliês famosos, mas a senhora insistiu que queria ver modelos de Tlaxcala, onde os mestres tecelões eram lendários. Dom Esteban, sempre eficiente, organizou uma viagem de inspeção. Ele mesmo iria a Tlaxcala com dois peões para avaliar os ateliês e negociar preços. Estaria ausente por uma semana.

     Jacinta viu a oportunidade antes de qualquer um. Com Dom Esteban fora, só restava Dom Sebastián supervisionando a fazenda e o patrão passava as tardes trancado na biblioteca bebendo conhaque e revisando correspondência. Se conseguissem inventar um pretexto convincente, poderiam sair novamente sem o escrutínio do administrador.

     Jacinta falou com Dona Remedios diretamente, algo incomum, mas não proibido. Disse-lhe que em Cholula havia uma costureira famosa por seus bordados em fio de ouro, perfeitos para adornar toalhas de altar e que a senhora poderia encomendar peças únicas para a capela de San Jerónimo.

     Dona Remedios, que competia em ostentação religiosa com as outras fazendeiras do vale, interessou-se de imediato. Autorizou a viagem e entregou a Jacinta 6 pesos de prata para as encomendas. Dom Sebastián, consultado sobre o assunto, deu sua aprovação sem olhar para Ana Lucinda, que permanecia junto a Jacinta. Talvez já tivesse esquecido aquelas noites de primavera ou talvez simplesmente não se importasse.

     Para ele, Ana Lucinda era uma escrava a mais, uma propriedade que não merecia maior atenção. Partiram para Cholula uma semana depois, novamente em carroça, sob um céu de dezembro tingido de cinza. Ana Lucinda estava com 5 meses de gravidez e o ventre já não podia se ocultar por completo.

     As náuseas haviam passado, mas agora sentia um cansaço profundo que lhe dificultava caminhar longas distâncias. Durante a viagem, recostada sobre os sacos de trigo, colocou as mãos sobre o abdômen e sentiu pela primeira vez um chute leve, como o bater de asas de um pássaro preso. Permitiu-se sorrir. Dominga a recebeu de braços abertos e sem perguntas.

     A casa havia se transformado em refúgio temporário de outras duas mulheres, uma mestiça jovem fugida de um casamento arranjado e uma indígena viúva que buscava trabalho como costureira. Ana Lucinda compartilhou o quarto dos fundos com elas e pela primeira vez em sua vida conheceu algo parecido com a camaradagem entre mulheres livres.

     Mas o relógio avançava e Jacinta sabia que não podiam ficar indefinidamente. Tinham que regressar a San Jerónimo antes que Dom Esteban voltasse de Tlaxcala e a gravidez de Ana Lucinda entrava em uma fase onde cada dia adicional aumentava o risco de um parto prematuro. Precisavam de um plano para a terceira e definitiva viagem, a que traria o menino ao mundo.

     Felipa, a parteira, visitou a casa em uma tarde fria de dezembro. Examinou Ana Lucinda com mãos experientes. Apalpou o ventre. Calculou datas. “Nascerá em março, talvez princípios de abril”, ditou. “Até lá deverás estar aqui em Cholula, pronta para ir ao convento quando chegar o momento.” “Como regressarei sem levantar suspeitas?”, perguntou Ana Lucinda. “Não posso sair da fazenda todo mês.”

    Felipa trocou olhares com Jacinta e Dominga. Em seguida, disse algo que mudou o rumo do plano. “Não regresse.” O silêncio preencheu o quarto. Ana Lucinda olhou para a anciã sem compreender. “Se voltas a San Jerónimo, te descobrirão antes de março”, continuou Felipa. “Teu ventre crescerá a cada semana. Dom Esteban, Dom Sebastián, alguém notará.”

     “E quando o menino nascer, se estás ali, o reclamarão como escravo sem importar onde tenha nascido.” “A única forma de garantir sua liberdade é que desapareças antes que alguém saiba que estás grávida.” “Desaparecer”, repetiu Ana Lucinda. “Fugir”, esclareceu Dominga, “ficar aqui até que o menino nasça e depois veremos.”

     Jacinta assentiu lentamente, como se já tivesse considerado essa possibilidade. Ana Lucinda sentiu a vertigem de uma decisão irreversível. Fugir significava romper a única vida que conhecia, renunciar a qualquer esperança de voltar. Transformar-se em fugitiva. A lei perseguia os escravos fugidos com sanha. Se a capturassem, a marcariam com ferro quente. A açoitaria publicamente, talvez a venderiam para uma plantação de cana em Veracruz, onde a esperança de vida era curta e brutal. Mas a alternativa era pior.

    Se regressasse e sua gravidez fosse descoberta, Dom Sebastián poderia reagir de muitas formas, nenhuma favorável, negar-lhe o parto assistido, vender o recém-nascido, castigá-la por danificar sua propriedade ao engravidar sem permissão. E o menino, esse pequeno ser que chutava dentro dela, seria escravo desde o seu primeiro suspiro.

     Ana Lucinda fechou os olhos e tomou a decisão que definiria tudo o que viria depois. “Eu fico, não regresso.” Jacinta exalou. Metade alívio, metade tristeza. Ela sim devia voltar a San Jerónimo para não levantar suspeitas, para manter aberta uma linha de informação sobre o que sucederia quando descobrissem a ausência de Ana Lucinda. Mas Ana Lucinda ficaria em Cholula, oculta na casa de Dominga, esperando o momento do parto.

     Jacinta regressou sozinha a San Jerónimo três dias depois com toalhas bordadas que havia comprado de uma costureira legítima para justificar a viagem. Contou a Dona Remedios que Ana Lucinda havia adoecido com febres em Cholula, que Dominga a cuidava com ervas, que voltaria assim que melhorasse. Dona Remedios mal prestou atenção.

     A senhora se preparava para regressar à Cidade do México antes do Natal e não tinha tempo para se preocupar com uma escrava doente. Dom Sebastián também não fez perguntas. Dom Esteban, que regressou de Tlaxcala depois com amostras de tapetes, anotou a ausência de Ana Lucinda em seu livro com uma nota breve. “Doente em Cholula, pendente de retorno.” Semanas se passaram.

     Dezembro se converteu em janeiro, janeiro em fevereiro. Ana Lucinda permaneceu oculta na casa de Dominga, ajudando com tarefas leves, tecendo xales para vender no mercado, sentindo como o menino crescia até converter seu ventre em um tambor tenso. As outras mulheres da casa a tratavam com amabilidade discreta, sem perguntar muito sobre sua história.

     Em Cholula, a compaixão era moeda corrente entre os despossuídos. Jacinta enviava notícias através de tropeiros de confiança de San Jerónimo. Dom Esteban começava a impacientar-se. Havia perguntado várias vezes por Ana Lucinda e Jacinta repetia a mesma história de febres persistentes, mas o administrador não era tolo. Em fevereiro, enviou um capataz a Cholula para verificar o estado da escrava doente.

     Dominga recebeu o capataz no portal de sua casa com expressão compungida. Explicou-lhe que Ana Lucinda havia piorado, que uma febre terrível a consumia, que provavelmente não sobreviveria. O capataz, um mestiço chamado Mateo, que não tinha particular interesse no assunto, aceitou a explicação sem exigir ver a doente. Regressou a San Jerónimo com o relatório. A escrava estava moribunda.

     Dominga faria o possível, mas o prognóstico era mau. Dom Esteban anotou a informação em seu livro. Dom Sebastián, ao saber, sentiu uma pontada de culpa que sufocou com conhaque. Nenhum dos dois suspeitou da verdade. No princípio de março, quando os jacarandás de Cholula começavam a florescer com suas cascatas de flores púrpuras, Ana Lucinda sentiu as primeiras contrações.

     Era de madrugada e a dor a despertou como uma tenaz que lhe apertava o ventre. Dominga correu para buscar Felipa enquanto Ana Lucinda gemia sobre o catre, agarrando-se às mãos da mestiça e da viúva que compartilhavam o quarto. Chegaram ao convento de San Gabriel antes do amanhecer, carregando Ana Lucinda entre três mulheres.

     Bateram na porta lateral, a que se usava para casos de emergência. Uma monja anciã abriu, viu a situação com um relance e as conduziu a um quarto pequeno com paredes de cal e um catre de ferro. Felipa tomou o controle com eficiência serena. O parto durou toda a manhã. Ana Lucinda gritou até ficar sem voz. Empurrou até sentir que se partia em dois.

     E quando finalmente escutou o choro do menino, acreditou que seu coração explodiria de alívio e terror misturados. Era um varão pequeno, mas forte, de pele mais clara que a dela, mas com os olhos escuros de sua mãe. Felipa o envolveu em uma manta limpa e o colocou nos braços de Ana Lucinda, que o olhou com uma mistura de amor feroz e medo ancestral. “Está livre”, sussurrou Felipa.

     “Nasceu em terra de igreja, ninguém pode reclamá-lo.” A monja anciã Sor Inés entrou no quarto com o Padre Francisco, um sacerdote franciscano de bochechas rosadas que trazia o livro de batismos debaixo do braço. Perguntou o nome da mãe. Ana Lucinda, seguindo as instruções de Felipa, negou com a cabeça: “Não tenho nome, padre, sou ninguém.” O sacerdote assentiu com compreensão.

     Havia visto dezenas de casos similares. “E o menino, como o chamarás?” Ana Lucinda olhou para o pequeno envolvido na manta, buscando em sua memória um nome que significasse algo. Lembrou-se de sua avó, uma mulher que morreu quando ela tinha 5 anos. Uma mulher cuja língua recordava canções da Guiné que ninguém mais entendia.

     “Tomás”, chamar-se-á Tomás. O Padre Francisco anotou no livro: Tomás, filho de mãe desconhecida, nascido no convento de San Gabriel no dia 7 de março do ano de nosso Senhor de 1779, batizado como livre. Ana Lucinda assinou com uma cruz porque nunca aprendeu a escrever.

     Quando o sacerdote e a monja se retiraram, ela ficou sozinha com seu filho, olhando-o dormir com os punhos cerrados, e permitiu que as lágrimas caíssem pela primeira vez desde que deixou San Jerónimo. Dominga a acolheu de novo em sua casa, agora com o menino. Lucinda se recuperou lentamente do parto, amamentou Tomás com dedicação feroz e começou a tecer xales para ganhar o sustento.

     Não podia ficar indefinidamente em Cholula, onde Dom Esteban poderia enviar mais emissários e eventualmente alguém ligaria os pontos. Precisava desaparecer mais profundamente, perder-se em alguma cidade grande onde uma mulher negra com um menino mestiço passasse despercebida. Jacinta chegou para visitá-la em abril com notícias de San Jerónimo.

     Dom Esteban havia declarado Ana Lucinda como morta de febres, anotando-o em seu livro com tinta vermelha. Dom Sebastián havia ordenado uma missa por sua alma mais por protocolo do que por convicção. Ninguém questionou a versão oficial. Nas fazendas coloniais, os escravos morriam com frequência de doenças, acidentes, esgotamento. Mais uma morte não surpreendia ninguém.

     Mas Jacinta trazia uma segunda notícia mais complexa. Dona Remedios estava novamente grávida. E Dom Sebastián transbordava de alegria porque ansiava por um herdeiro varão. Os três filhos anteriores do casamento haviam sido meninas e o patrão vivia obcecado em perpetuar seu sobrenome através de um filho legítimo. A ironia não escapou a Ana Lucinda.

     Dom Sebastián já tinha um filho varão, um menino que carregava seu sangue, embora não seu nome, um menino que agora era livre graças ao engano e à valentia de sua mãe. Jacinta se despediu de Ana Lucinda com um abraço longo, sabendo que provavelmente não voltariam a se ver.

     Ana Lucinda lhe agradeceu tudo, cada risco assumido, cada mentira contada. Jacinta lhe respondeu que não havia sido valentia, mas sim justiça, e que se as leis dos homens eram injustas, as mulheres tinham o direito de tecer suas próprias regras em segredo. Ana Lucinda permaneceu em Cholula. Até que Tomás completou 6 meses.

     Em seguida, com as moedas economizadas tecendo e vendendo xales, comprou passagem em uma carroça que viajava para Oaxaca. Dominga tentou convencê-la a ficar, mas Ana Lucinda sabia que quanto mais longe estivesse de Puebla, mais segura estaria. Em Oaxaca havia comunidades de negros livres, descendentes de escravos alforriados, onde ela poderia se misturar sem chamar muita atenção.

     A viagem durou 10 dias por caminhos empoeirados que serpenteavam entre montanhas cobertas de pinheiros. Tomás viajou atado ao seu peito com um xale e Ana Lucinda cantava canções que sua avó lhe havia ensinado. Canções em uma língua que não entendia, mas que soavam como carícias.

     Em Oaxaca, Ana Lucinda encontrou trabalho como lavadeira em uma casa de comerciantes crioulos que não perguntaram sobre seu passado. Disse-lhes que era viúva de um tropeiro morto em um acidente e que Tomás era seu único filho. A história era comum, crível e ninguém a questionou. Alugou um quarto minúsculo no bairro de La Merced que gotejava quando chovia e tinha janelas que davam para um pátio onde cresciam buganvílias. Os anos se passaram.

     Tomás cresceu forte e curioso, com facilidade para as palavras e as contas. Ana Lucinda o educou como pôde, pagando um mestre mulato para que lhe ensinasse a ler e escrever. Contou-lhe que seu pai havia morrido antes que ele nascesse, um homem bom, mas sem nome. E Tomás aceitou a história sem questioná-la muito.

     Ana Lucinda nunca voltou a Puebla, nunca soube o que aconteceu com Jacinta ou Dominga, nunca recebeu notícias de San Jerónimo. Mas em 1810, quando o padre Hidalgo levantou o estandarte da independência em Dolores e o país explodiu em guerra, Ana Lucinda sentiu que algo mudava no ar.

     Os escravos começavam a desertar das fazendas, unindo-se às forças insurgentes que prometiam liberdade. Em 1813, o Congresso de Chilpancingo aboliu oficialmente a escravidão no México. Naquela altura, Tomás tinha 34 anos. Era professor primário em uma escola de Oaxaca e estava casado com a filha de um carpinteiro zapoteca. Nunca soube que havia nascido em circunstâncias extraordinárias, que sua mãe o havia roubado ao destino com um engano perfeito.

     Ana Lucinda morreu em 1821, o ano em que o México consumou sua independência, quando ela tinha 66 anos. Passou seus últimos dias em um quarto pequeno cuidada por Tomás e sua neta Rosa, uma menina de olhos grandes que lhe perguntava sobre o passado. Ana Lucinda lhe contava histórias fragmentadas sobre fazendas distantes, vulcões que tocavam o céu, campos de trigo onde o vento soava como o mar.

     Em uma tarde de setembro, quando o sol pintava as paredes de ouro velho, Tomás lhe perguntou diretamente: “Mãe, quem foi meu pai realmente?” Ana Lucinda olhou-o com os olhos embaçados pelas cataratas e sorriu com tristeza. “Um homem que nunca saberá que tu existes, e é melhor assim.” Tomás não insistiu.

     Pegou a mão de sua mãe, gretada por décadas de lavar roupa alheia, e ficou junto dela até que o sol se pôs sobre Oaxaca. Ana Lucinda morreu naquela noite em paz, sabendo que havia ganhado a única batalha que importava. Seu filho viveu livre, teve uma família livre e seus descendentes jamais conheceriam correntes.

     Em San Jerónimo, entretanto, a fazenda dos Iturbe y Mendoza decaiu lentamente após a independência. Dom Sebastián morreu em 1828 sem herdeiro varão. As três filhas venderam as terras a comerciantes estrangeiros que fragmentaram a propriedade. Os barracões de escravos se converteram em celeiros.

     Os registros de Dom Esteban se perderam em um incêndio e o nome de Ana Lucinda desapareceu da história oficial como se nunca tivesse existido. Mas em Oaxaca, em uma linhagem de mestres, carpinteiros e artesãs que se estendeu através de gerações, o sobrenome que Tomás inventou para si mesmo perdurou, em homenagem às montanhas que sua mãe havia cruzado para trazê-lo ao mundo em liberdade.

  • Os rapazes Buckner foram encontrados em 1960 — o que eles confessaram chocou a comunidade.

    Os rapazes Buckner foram encontrados em 1960 — o que eles confessaram chocou a comunidade.

    Há uma fotografia que não deveria existir. Três rapazes parados em frente a um celeiro em 1953. Seus olhos vazios, suas bocas bem fechadas. A mão do rapaz mais velho repousa sobre o ombro do mais novo. Mas se você olhar de perto, bem de perto, seus dedos estão cravando. Não é protetor, é possessivo. Sete anos depois que essa fotografia foi tirada, esses mesmos rapazes entrariam no gabinete do xerife em uma área rural do Kentucky, cobertos de sujeira que não era de nenhum campo próximo, e confessariam algo que fez homens adultos deixarem o

    recinto. A transcrição daquela confissão foi selada por ordem judicial. A cidade concordou, coletivamente e sem votação, em jamais pronunciar o nome Buckner novamente. Mas o silêncio não apaga a verdade. Apenas a enterra. E o que está enterrado tem um jeito de vir à tona quando você menos espera. Olá a todos.

     Antes de começarmos, não se esqueçam de curtir e se inscrever no canal e deixar um comentário dizendo de onde você está assistindo e a que horas. Assim, o continuará mostrando histórias como esta. Esta é a história dos rapazes Buckner, três irmãos que desapareceram do registro público em 1960, apenas para reaparecer décadas depois em conversas sussurradas e sessões de terapia em dois estados.

    Esta não é folclore. Esta não é lenda. Esta é uma história documentada que foi deliberadamente escondida, arquivada nos arquivos do condado sob nomes que foram alterados, em registros que foram selados, em memórias que foram enterradas tão profundamente que até as pessoas que viveram aquilo se convenceram de que nunca aconteceu. Mas aconteceu.

     E o que aqueles rapazes confessaram no gabinete do xerife em 1960 revela algo sobre a família americana, sobre o silêncio, sobre a violência herdada, que ainda não estamos prontos para confrontar. A verdade é pior do que você pensa. E começa, como sempre acontece com estas histórias, em uma casa que parecia normal por fora. A família Buckner chegou ao Condado de Harland, Kentucky, em 1946.

    Logo após o fim da guerra, Thomas Buckner, o pai, havia servido no Teatro do Pacífico. Voltou para casa com medalhas e um silêncio que sua esposa, Margaret, aprendeu a não perturbar. Eles compraram uma fazenda de 18 acres, longe o suficiente da cidade para que os vizinhos fossem um conceito mais do que uma realidade. Thomas trabalhava nos escritórios da companhia de carvão.

     Margaret cuidava da casa e os rapazes, Thomas Júnior, William e Robert, com 12, 9 e 6 anos quando chegaram, eram esperados na igreja aos domingos e invisíveis no resto da semana. Por fora, eles eram o sonho americano, se reconstruindo após a guerra. Mas há detalhes nos registros do condado. Pequenas coisas que só fazem sentido quando você sabe como a história termina.

     Os rapazes foram matriculados na escola três vezes diferentes ao longo de quatro anos, sendo retirados a cada vez após alguns meses com explicações vagas sobre doença ou necessidade familiar. Uma vizinha, a Sra. Cordelia Hatch, relatou ao ministro local em 1950 que ouvia gritos vindos da propriedade Buckner à noite. Mas quando o ministro visitou, Thomas Buckner o convidou para tomar café, mostrou-lhe os rapazes fazendo suas tarefas, e o ministro saiu satisfeito. A Sra.

     Hatch nunca mais relatou nada. O médico da cidade, cujo nome foi omitido dos registros posteriores, descobriu em seu diário particular, encontrado após sua morte em 1983, que ele havia tratado os rapazes Buckner por lesões em pelo menos seis ocasiões entre 1948 e 1952. Ele descreveu as lesões como inconsistentes com as explicações dadas.

     Ele nunca registrou uma denúncia. Esta era a era em que os assuntos de família ficavam na família. Quando a casa de um homem era seu castelo, e o que acontecia a portas fechadas era protegido por um silêncio que comunidades inteiras defendiam como se fosse escritura sagrada. A casa dos Buckner tinha paredes grossas e um porão que Thomas havia cavado mais fundo ele mesmo durante o primeiro ano em que moraram lá.

     Ele disse ao único empregado que o ajudou que precisava de armazenamento para conservas e batatas, mas o porão tinha uma porta que trancava por fora e não tinha janelas. E mais tarde, quando os investigadores finalmente entraram nele em 1960, encontrariam marcas nas paredes que não foram feitas por ferramentas. A casa ficava em uma colina, visível da estrada, pintura branca e uma varanda com cadeiras de balanço que nunca foram usadas.

     Margaret Buckner era vista na cidade ocasionalmente comprando tecido e farinha, sempre sozinha, sempre apressada. Ela morreu em 1958, oficialmente de pneumonia, embora o médico assistente tenha anotado em particular que ela pesava 39 quilos e tinha hematomas em vários estágios de cicatrização em seus braços e costelas. Ela foi enterrada no cemitério da cidade com um pequeno serviço.

     Os rapazes não estavam presentes. Após a morte de Margaret Buckner, os rapazes desapareceram completamente da vista do público. Não oficialmente. Eles não foram dados como desaparecidos. Não houve busca, nenhuma investigação, nenhuma preocupação. Eles simplesmente pararam de existir na memória comunal do Condado de Harland. A escola não tinha registro deles após 1952.

     A igreja não tinha registro de frequência. Até o recenseador em 1959 notou a propriedade Buckner como ocupada por um adulto do sexo masculino. Nenhuma criança listada. Thomas Buckner continuou a trabalhar, continuou a ser visto na cidade, continuou a viver naquela casa na colina, e ninguém perguntou para onde seus filhos tinham ido. Esta é a parte da história que faz você entender como o desaparecimento funciona à vista de todos.

     Não é dramático. Não é repentino. É um lento apagamento, um acordo gradual entre pessoas que não querem ver o que estão olhando. Os rapazes estavam isolados há tanto tempo que sua ausência não criou vácuo. Não havia amigos perguntando por eles, nem professores registrando faltas escolares, nem parentes visitando nos feriados.

     Os rapazes Buckner eram fantasmas muito antes de sumirem. E fantasmas não deixam denúncias de pessoas desaparecidas, mas eles ainda estavam vivos e ainda estavam naquela casa. O que estava acontecendo com eles durante aqueles anos entre 1958 e 1960 é algo que só podemos reconstruir a partir de seu testemunho posterior e da evidência física que foi documentada quando as autoridades finalmente entraram na propriedade.

     O porão havia sido dividido em seções. Havia correntes montadas na parede, antigas, mas ainda funcionais. Havia diários escritos com a caligrafia de Thomas Júnior, documentando um cronograma, um conjunto de regras, um sistema que havia sido imposto e depois internalizado. Os diários descreviam lições, punições, testes de lealdade e obediência.

     Eles descreviam um pai que havia convencido seus filhos de que o mundo exterior tinha acabado, que eles eram a última família na terra, que a sobrevivência dependia da submissão absoluta à sua autoridade. Este não foi um isolamento acidental. Foi uma arquitetura psicológica deliberada, construída dia após dia, ano após ano, até que os rapazes não se lembrassem mais de como era a liberdade.

     Havia vizinhos que passavam de carro por aquela casa todos os dias. Havia entregadores que deixavam pacotes na varanda. Havia trabalhadores de serviços públicos que liam os medidores e nenhum deles via algo errado porque eles haviam se treinado para não olhar. Em 1959, um vendedor viajante bateu na porta e mais tarde disse à esposa que ouviu alguém chorando lá dentro.

     Mas quando Thomas Buckner atendeu, sorrindo e educado, o vendedor vendeu-lhe um conjunto de enciclopédias e foi embora. O choro parou de importar no momento em que a porta se fechou. É assim que funciona. É assim que sempre funciona. Você ouve algo, você vê algo, e então você decide que não é da sua conta, e você segue em frente. E você dorme bem naquela noite porque se convenceu de que o que você não investigou não poderia ter sido real.

     Na manhã de 14 de março de 1960, Thomas Buckner saiu para trabalhar como fazia todos os dias de semana. Ele trancou a porta da frente. Ele trancou a porta do porão. Ele dirigiu sua caminhonete colina abaixo e para a cidade. Mas naquela manhã, algo estava diferente. Thomas Júnior, agora com 26 anos, estava trabalhando na fechadura do porão há 3 meses, usando um prego que havia encontrado nas tábuas do chão, raspando o mecanismo uma fração de centímetro a cada dia enquanto seu pai dormia.

     A fechadura cedeu às 9:47 da manhã. Sabemos a hora exata porque Thomas Júnior vinha contando as horas, os dias, os anos em marcas riscadas na parede ao lado de seu colchão. 712 dias desde que sua mãe morreu. 2.631 dias desde a última vez que estiveram fora juntos. Os três irmãos saíram daquele porão e subiram as escadas e saíram pela porta da frente, e ficaram na varanda por 11 minutos sem se mover.

    Este detalhe vem de um fazendeiro chamado Eugene Travers, que por acaso estava consertando cercas na propriedade adjacente e os viu. Ele os descreveu mais tarde como prisioneiros de guerra, magros e pálidos e piscando na luz do sol como se tivessem esquecido o que era sentir aquilo. Ele começou a caminhar em direção a eles para perguntar se precisavam de ajuda, mas eles o viram se aproximando e correram.

     Não de volta para a casa, mas para a floresta. Eles correram como animais, ele disse, como se tivessem esquecido como ser humanos. Eles passaram dois dias naquela floresta, bebendo de riachos, sem comer nada, se escondendo quando ouviam veículos nas estradas distantes. William, o irmão do meio, queria voltar. Ele disse isso repetidamente, de acordo com o testemunho posterior de Thomas Júnior.

     Ele disse que o pai estaria preocupado. Ele disse que estavam quebrando as regras. Ele disse que o mundo tinha acabado e que eles deveriam ficar lá dentro. Foi preciso que seus dois irmãos o segurassem para impedi-lo de correr de volta para casa. Isso é o que o cativeiro faz. Não apenas tranca seu corpo. Ele religa seu cérebro até que a jaula se torne segurança e a liberdade se torne terror.

     William Buckner tinha 9 anos quando o isolamento começou. Ele tinha agora 23. Mais da metade de sua vida tinha sido passada naquele porão, e sua mente havia se adaptado para sobreviver, aprendendo a amar suas correntes. Em 16 de março de 1960, os três irmãos entraram no Gabinete do Xerife do Condado de Harland. Eles estavam descalços. Suas roupas estavam rasgadas. Thomas Júnior

     foi quem falou. Ele disse: “Precisamos denunciar nosso pai.” O delegado de plantão, um homem chamado Frank Hollister, declarou mais tarde que inicialmente pensou que fossem andarilhos ou vagabundos. Ele perguntou de onde eles tinham vindo. Thomas Júnior disse: “Da casa Buckner na Old Mill Road. Estivemos lá o tempo todo.”

     O Delegado Hollister conhecia aquela casa. Ele conhecia Thomas Buckner. Ele tinha ido à escola com ele. E ele sabia que Thomas tinha filhos, embora não pudesse dizer quando os tinha visto pela última vez. O delegado fez a pergunta óbvia. “O tempo todo?” Thomas Júnior assentiu, o tempo todo. Então ele disse: “Precisamos contar a alguém o que ele fez.”

    ” E o Delegado Hollister, para seu crédito e seu eterno fardo psicológico, ouviu. A confissão levou 11 horas. Foi gravada em uma máquina de fita de rolo, e essa fita ainda existe em uma caixa de evidências lacrada nos Arquivos Estaduais do Kentucky, acessível apenas por ordem judicial. Mas a transcrição foi vazada em 1997 por um escrivão aposentado do tribunal, e partes dela circulam em círculos de crimes reais desde então.

     O que os rapazes Buckner descreveram naquela sala não foi um único crime. Foi um sistema inteiro de abuso, refinado ao longo de anos, projetado para quebrá-los e reconstruí-los como extensões da vontade de seu pai. Thomas Júnior falou em voz monótona. De acordo com as anotações do Delegado Hollister, ele recitou as regras pelas quais eles viveram.

     Regra um, a palavra do pai é lei. Regra dois, a obediência é a sobrevivência. Regra três, o mundo exterior é veneno. Regra quatro, a família é tudo. Havia 37 regras no total. E Thomas Júnior recitou todas de memória. Ele descreveu as punições por quebrar as regras. Privação de sono, privação de comida, isolamento dentro do isolamento, sendo trancados na seção menor do porão por dias a fio.

     Ele descreveu exercícios psicológicos que seu pai chamava de lições, onde eles seriam forçados a confessar pecados imaginários, a implorar perdão por pensamentos que não tinham, a punir uns aos outros por infrações que o pai inventava. Ele descreveu como Thomas Buckner os havia convencido de que sua mãe tinha morrido porque eles não tinham sido obedientes o suficiente, que a morte dela era culpa deles, que eles carregavam o sangue dela nas mãos.

     William chorou durante a maior parte do testemunho. Robert, o mais novo, não falou nada durante as primeiras seis horas. Quando finalmente falou, ele perguntou se eles seriam presos. O Delegado Hollister disse: “Não.” Robert perguntou se eles tinham feito algo errado ao sair. O delegado disse: “Não, vocês não fizeram nada de errado.”

     Robert não acreditou nele. Você podia ouvir isso em sua voz na fita. Ele tinha sido ensinado durante toda a sua vida consciente que a desobediência significava a morte, e nenhuma quantidade de tranquilidade iria desfazer essa programação em uma única tarde. Mas a confissão não era apenas sobre abuso. Era sobre o que eles tinham sido treinados para fazer.

     Thomas Buckner estava preparando seus filhos para algo. Ele chamava de a continuação. Ele lhes disse que a sociedade estava desmoronando, que a família era a única unidade que importava, que eles precisariam ser duros e obedientes e dispostos a fazer o que fosse necessário para sobreviver. Ele realizava treinos, treinos de fuga, treinos de combate, treinos de obediência.

     Ele os ensinou a matar animais com as mãos. Ele os ensinou a suportar a dor sem chorar. Ele os ensinou que a misericórdia era fraqueza e a fraqueza era a morte. E ele lhes disse repetidamente que quando chegasse a hora, eles seriam os que sobreviveriam porque tinham sido treinados porque tinham sido endurecidos porque eram seus filhos e fariam o que os outros não podiam. Thomas Júnior

     descreveu isso sem emoção. Ele disse: “Pai acreditava que o mundo estava acabando. Ele estava nos preparando para herdar o que restava.” Se você ainda está assistindo, você já é mais corajoso do que a maioria. Diga-nos nos comentários o que você teria feito se esta fosse sua linhagem. O xerife chegou durante a sétima hora da confissão.

    Ele ouviu a fita. Ele enviou delegados para a casa Buckner. Thomas Buckner foi preso em seu local de trabalho sem incidentes. Ele se recusou a fazer uma declaração. Os delegados que revistaram a casa encontraram tudo o que os rapazes haviam descrito. O porão, as correntes, os diários. Eles também encontraram algo que os rapazes não tinham mencionado porque não sabiam que existia.

     Em um baú trancado no quarto de Thomas Buckner, havia fotografias, dezenas delas. Fotografias dos rapazes em diferentes idades, amarrados e machucados, e olhando para a câmera com olhos vazios. Fotografias que haviam sido encenadas, deliberadamente compostas, como se o sofrimento deles estivesse sendo documentado para algum propósito futuro.

     E debaixo das fotografias, havia cartas. Cartas para ninguém escritas por Thomas Buckner explicando sua filosofia, seu sistema, sua visão para um mundo onde apenas os fortes sobreviviam e a obediência era a virtude mais alta. As cartas pareciam um manifesto. Elas pareciam uma religião. E deixaram claro que o que aconteceu naquela casa não foi o resultado de um homem perdendo o controle.

     Foi o resultado de um homem executando um plano. O julgamento de Thomas Buckner começou em novembro de 1960 e durou 3 semanas. O tribunal foi fechado ao público após o primeiro dia, quando os espectadores ficaram tão perturbados com o testemunho que duas pessoas tiveram que ser escoltadas para fora por atrapalhar os procedimentos. A promotoria apresentou a evidência física, os diários, as fotografias, o testemunho dos três irmãos.

     A defesa argumentou que Thomas Buckner era um veterano sofrendo de doença mental não diagnosticada, que a guerra havia quebrado algo nele, que ele acreditava estar protegendo seus filhos de uma ameaça que só ele conseguia ver. O júri deliberou por 4 horas. Eles o consideraram culpado por múltiplas acusações de prisão ilegal, abuso infantil e agressão.

    Ele foi sentenciado a 30 anos na penitenciária estadual. Ele não demonstrou emoção quando o veredicto foi lido. Ele olhou para seus filhos uma vez, um longo olhar que fez Thomas Júnior desviar o olhar. Então ele foi levado para fora do tribunal, e essa foi a última vez que os irmãos viram o pai. Mas o julgamento, por mais público que tenha sido dentro daquele tribunal fechado, desapareceu da consciência pública quase imediatamente.

     O jornal local publicou um artigo. Um breve resumo que descrevia o caso como uma disputa familiar resultando em acusações criminais. Nenhum detalhe foi incluído. Nenhum nome foi impresso além do de Thomas Buckner. O editor admitiu mais tarde em uma conversa particular gravada por um estudante de jornalismo em 1978 que ele havia sido pressionado por líderes comunitários para minimizar a cobertura.

     Eles disseram que isso prejudicaria a reputação da cidade. Eles disseram que isso prejudicaria o valor das propriedades. Eles disseram que não era da conta de ninguém o que aconteceu naquela casa e arrastar isso pelos jornais não ajudaria ninguém. O editor cedeu. E assim o caso Buckner se tornou uma história de fantasma, sussurrada, mas nunca confirmada.

     lembrada por aqueles que tinham estado lá, mas nunca discutida abertamente. Os irmãos foram colocados sob os cuidados do estado. Thomas Júnior e Robert foram enviados a uma instituição psiquiátrica para avaliação e tratamento. William recusou o tratamento. Ele disse que não estava doente. Ele disse que seu pai estava certo sobre algumas coisas, que o mundo era perigoso, que a família era tudo o que importava.

     Ele foi liberado após 6 meses e desapareceu. Alguns registros sugerem que ele se mudou para a Virgínia Ocidental e trabalhou na construção civil com um nome falso. Outros registros sugerem que ele morreu por suicídio em 1964. A verdade é que ninguém sabe. William Buckner apagou a si mesmo tão completamente quanto seu pai havia tentado apagá-lo e ele não deixou rastros. Thomas Júnior

     passou 2 anos em tratamento e depois se mudou para Ohio, mudou seu nome e nunca falou publicamente sobre o que aconteceu. Ele se casou, teve filhos, trabalhou como maquinista até sua aposentadoria. Seu obituário em 2009 não fazia menção à sua infância. Robert Buckner, o mais novo, permaneceu no Kentucky. Ele recebeu benefícios por incapacidade por trauma psicológico e viveu em um pequeno apartamento em Lexington até sua morte em 2003.

     Um assistente social que o visitava regularmente disse que ele mantinha as luzes acesas o tempo todo. Mesmo quando dormia, ele disse que não suportava mais o escuro. Thomas Buckner morreu na prisão em 1987. Ele nunca expressou remorso. Ele nunca admitiu irregularidades. Em uma carta ao seu psiquiatra nomeado pelo tribunal, escrita em 1973 e mais tarde incluída em um trabalho de pesquisa sobre abuso familiar, ele escreveu: “Eu fiz o que acreditava ser necessário.

     Eu preparei meus filhos para um mundo que os mastigaria e os cuspiria. Se eles me odiaram por isso, esse foi o preço de sua sobrevivência. Eu faria isso de novo.” O psiquiatra observou que Buckner não apresentava sinais de delírio, nem desapego da realidade. Ele entendia o que tinha feito. Ele simplesmente acreditava que era justificado.

     Isso é de muitas maneiras mais perturbador do que a loucura. A loucura pode ser tratada. Mas a ideologia, a convicção, a crença de que a crueldade é amor e o controle é proteção. Isso é algo totalmente diferente. Isso é uma escolha. A casa Buckner ainda está de pé. Está abandonada desde 1960, e o condado tentou vendê-la várias vezes, mas ninguém a compra.

     Os moradores locais conhecem a história, mesmo que não a digam em voz alta. Os adolescentes se desafiam a entrar. Alguns o fazem. Eles encontram a porta do porão ainda lá, enferrujada, mas intacta. Eles encontram as marcas nas paredes. Eles saem rapidamente. Há algo naquele lugar que resiste ao esquecimento.

     Mesmo quando todos ao redor estão tentando desesperadamente esquecer. A própria terra parece se lembrar do que aconteceu lá, e se recusa a deixar ir. Mas esta história não é realmente sobre uma casa. É sobre as estruturas que construímos em torno do silêncio. É sobre a maneira como as comunidades se protegem sacrificando os vulneráveis, desviando o olhar, decidindo que algumas coisas são muito desconfortáveis para serem reconhecidas.

     Cada pessoa que ouviu algo e não fez nada. Cada vizinho que viu aqueles rapazes desaparecerem e nunca perguntou por quê. Cada funcionário que registrou uma denúncia e depois se esqueceu dela. Todos eles foram participantes no que aconteceu. Não intencionalmente, não maliciosamente, mas através do acordo coletivo de que era mais fácil ignorar do que confrontar.

    E esse é o mecanismo que permite que esse tipo de horror exista. Não pais maus em fazendas isoladas, mas as centenas de pessoas comuns que os capacitam, escolhendo o conforto em vez da coragem. O caso Buckner não foi único. Já aconteceu antes, e tem acontecido desde então. Crianças desaparecem em porões e sótãos e quartos trancados.

     E elas desaparecem à vista de todos, com vizinhos e professores e médicos e carteiros passando todos os dias. Gostamos de pensar que notaríamos. Gostamos de pensar que interviríamos, mas a evidência sugere o contrário. A evidência sugere que somos muito bons em não ver o que não queremos ver, em não ouvir o que não queremos ouvir, em construir justificativas elaboradas para a nossa própria inação.

     Thomas Buckner controlava seus filhos com correntes e fechaduras e tortura psicológica. Mas ele foi capacitado por uma comunidade que controlava a si mesma com polidez e privacidade e o acordo tácito de que o que acontece na casa de outra pessoa não é da sua conta. Em 1993, uma pesquisadora chamada Dra. Ellen Graves publicou um artigo sobre trauma multigeneracional e casos de cativeiro.

     Ela entrevistou parentes dos irmãos Buckner, pessoas que haviam se casado com a família ou nascido nela sem saber a história. Ela encontrou padrões, transtornos de ansiedade, problemas de confiança e incapacidade de formar apegos seguros. O trauma não terminou quando os irmãos escaparam daquele porão.

     Ecoou para frente em seus filhos e nos filhos de seus filhos. Um efeito cascata de dor que se espalhou pelas linhagens como uma herança genética. Uma neta, falando anonimamente, disse que sempre sentiu que algo estava errado em sua família, um peso que ninguém explicava, um conjunto de regras que não fazia sentido, mas que todos seguiam de qualquer maneira.

     Quando ela finalmente soube a verdade sobre seu avô, ela disse que era como uma maldição se levantando e descendo ao mesmo tempo. Agora ela sabia por quê. Mas saber não fazia doer menos. A filha de Thomas Júnior encontrou seus diários depois que ele morreu. Ele continuou escrevendo todos aqueles anos, tentando entender o que tinha acontecido com ele.

     Uma entrada datada de 3 de abril de 2006 diz: “Eu sonho com o porão. Não pesadelos, apenas sonhos onde estou lá novamente e parece normal. Eu acordo e fico aliviado por estar livre. Mas também há esta parte de mim que sente falta da simplicidade daquilo. Eu sabia as regras. Eu sabia o que era esperado. Aqui fora no mundo real, nada faz sentido.

     Eu não sei se é o abuso falando ou se sou apenas eu. Eu não sei se há uma diferença mais.” Isso é o que o cativeiro faz. Não apenas tira sua liberdade. Faz você duvidar se você alguma vez mereceu a liberdade em primeiro lugar. Os rapazes Buckner foram encontrados em 1960. Eles confessaram ter sobrevivido a algo que nunca deveria ter sido sobrevível.

     E o que eles revelaram chocou a comunidade, não porque era inacreditável, mas porque era inteiramente crível. Porque todos haviam suspeitado que algo estava errado e todos haviam escolhido não fazer nada. Esse é o verdadeiro horror desta história. Não a crueldade de um homem, mas a cumplicidade do silêncio, a arquitetura do desvio de olhar, a decisão coletiva de que o sofrimento de outra pessoa não é sua responsabilidade.

     Nós nos dizemos que essas histórias são raras, que são anomalias, que elas não poderiam acontecer em nossos bairros com pessoas que conhecemos. Mas elas acontecem. Estão acontecendo agora mesmo. E a única coisa que está entre uma criança e seu cativeiro é se alguém está disposto a ver o que está bem na frente deles e se recusar a desviar o olhar. Os rapazes Buckner sobreviveram.

     Mas sobreviver não é o mesmo que curar. E a comunidade que os falhou nunca realmente se confrontou com seu papel em seu sofrimento. A casa ainda está de pé. A história ainda sussurra. E em algum lugar em outra cidade, em outra família, atrás de outra porta fechada, está acontecendo novamente.

     A questão não é se você acredita nesta história. A questão é o que você fará quando ouvir o choro atrás de uma porta, quando você vir a criança que está muito quieta, quando você notar a ausência sobre a qual ninguém mais está falando. A questão é se você será o único que desvia o olhar ou o único que se recusa a fazê-lo. Se esta história o perturbou, se o fez sentir algo que você não consegue nomear, então ela fez o que deveria fazer.

     Lembre-se dos rapazes Buckner. Lembre-se do custo do silêncio. E lembre-se de que o mal mais comum é o tipo que permitimos ao não fazer nada.

  • Ana Belén: A ESCRAVA que viu o nascimento da criança cuja pele revelou a traição oculta.

    Ana Belén: A ESCRAVA que viu o nascimento da criança cuja pele revelou a traição oculta.

    No verão de 1787, quando o ar do vale de Oaxaca ardia como brasa viva e as cigarras cantavam sua ladainha nas árvores de Goiaba, Ana Belén ouviu o primeiro grito da Senhora Leonor vindo do quarto principal da fazenda Santa Cruz de Tlacolula. Era um grito contido, abafado pelo costume de décadas de não mostrar fraqueza diante da servidão.

    Ana Belén largou a bacia onde lavava lençóis de linho, secou as mãos no avental e subiu as escadas de pedra que conduziam aos aposentos dos patrões. Seus pés descalços conheciam cada degrau, cada rachadura onde a cal havia se soltado durante as chuvas do ano anterior.

     Ela estava naquela casa há 30 anos, comprada aos 13 em um mercado de Antequera, e tinha visto nascer três gerações da família Villarreal. Desta vez seria diferente. Ela soube pelo tremor nas mãos da senhora quando, três meses antes, lhe pedira que jamais a deixasse sozinha durante o parto. Prometa-me, Ana Belén. Jure pela sua alma.

     A fazenda Santa Cruz dominava um vale onde se cultivava cochonilha, grana e milho. Os senhores Villarreal possuíam 200 almas, entre escravos negros trazidos das costas e serviçais indígenas que trabalhavam por dívidas herdadas de seus avós. Dom Rafael Villarreal, o patrão, partira para a Cidade do México seis meses antes para tratar de assuntos da audiência.

     Ele estava em litígio com os dominicanos por terras próximas a Etla. Sua ausência se prolongava mais do que o previsto, e as cartas que enviava a cada 15 dias falavam de trâmites intermináveis, de papéis que se perdiam, de funcionários que pediam mais dinheiro para acelerar as resoluções. Enquanto isso, a Senhora Leonor, de 42 anos, florescia em uma gravidez inesperada que todos atribuíam à vontade divina.

     Ela havia perdido duas crianças antes, ambas antes de completar o segundo mês de gestação. Desta vez, o menino se agarrava, crescia, chutava. O capelão da fazenda, Frei Domingo, dizia que era sinal de bênção, que Deus premiava a piedade de Dona Leonor, que havia mandado construir uma nova capela no povoado de San Pablo. Se você vive no México ou em qualquer canto da América onde essas histórias ainda dormem, nos arquivos paroquiais e na memória das pedras, comente de onde você nos lê e ajude-nos a resgatar o que o silêncio tentou apagar durante séculos. Ana Belén entrou no

    quarto e fechou a porta atrás de si. A Senhora Leonor estava recostada sobre o leito de madeira entalhada, suada, com o cabelo castanho grudado nas têmporas. As contrações haviam começado ao amanhecer, suaves primeiro, depois cada vez mais intensas. Agora chegavam a cada poucos minutos.

     Ana Belén havia assistido a mais de 50 partos. Conhecia os ritmos do corpo, os sinais de perigo, os silêncios que precediam a morte. Aproximou-se, apalpou a barriga inchada, calculou a posição da criança. Tudo parecia em ordem. “Quanto falta?”, perguntou Dona Leonor com voz tensa. Antes do anoitecer, respondeu Ana Belén. “O menino está bem posicionado. É forte.” A senhora fechou os olhos.

     “Ana Belén, quando nascer, quando o vir, não diga nada a ninguém, entende?” Suas palavras eram súplica e ameaça ao mesmo tempo. Ana Belén assentiu. Já o sabia. Há meses o sabia. Durante a gravidez, ela vira Dona Leonor caminhar até o telheiro onde guardavam as ferramentas, onde Jacinto, o capataz mulato, organizava as equipes de trabalho.

     Jacinto era filho de uma escrava e de um espanhol desconhecido, e havia crescido entre a casa grande e os campos, homem de confiança do patrão, encarregado de manter a ordem quando Dom Rafael viajava. Tinha 35 anos, corpo de trabalhador curtido pelo sol, mãos grandes e voz suave que contrastava com seu ofício de dar ordens.

     Ana Belén os vira conversar perto do aqueduto que alimentava as plantações. Vira-os em uma tarde de outubro, antes de as chuvas começarem, caminhar em direção à divisa, onde as árvores de Mesquite ofereciam sombra discreta. Não os seguiu, não precisava confirmar o que já entendia. Em uma fazenda, os segredos são como fumaça.

     Podem se esconder por um tempo, mas sempre buscam sair. O parto avançou por horas. Ana Belén preparou infusões de camomila e arruda. Limpou com panos de algodão. Segurou as pernas da senhora quando as forças fraquejavam. Lá fora, o sol começava a descer, tingindo o céu de laranja e púrpura. Ouviam-se os sinos da capela chamando para o Angelus.

     Frei Domingo viera duas vezes perguntar, e Ana Belén lhe dissera que tudo corria bem, que rezasse e esperasse. O capelão era um homem jovem, recém-chegado de Puebla, sem experiência nos assuntos obscuros que se tramavam nas grandes fazendas. Via o que queria ver, uma família piedosa, uma senhora devota, um patrão generoso com a igreja.

     Quando o menino nasceu, Ana Belén o recebeu com as mãos firmes. Era varão, como havia prognosticado. Chorava com força, os pulmões cheios de vida. Ana Belén limpou-o com água morna, cortou o cordão, envolveu-o em uma manta de lã e então o viu. A pele do menino não era branca como a de Dona Leonor, nem morena clara como a de Dom Rafael.

     Era escura, da cor de café sem leite, com um tom que não deixava dúvidas sobre o sangue que corria em suas veias. Os traços, ainda indefinidos, como em todos os recém-nascidos, insinuavam algo distinto. O nariz mais largo, os lábios mais grossos, o cabelo que começava a encaracolar-se em pequenos cachos apertados.

     Dona Leonor estendeu os braços, mas quando Ana Belén lhe entregou o bebê, viu em seus olhos o terror que estivera escondido durante nove meses. A senhora olhou para o filho e não disse nada, simplesmente o apertou contra o peito e começou a chorar em silêncio. Ana Belén limpou o sangue, trocou os lençóis, preparou o banho para a mãe.

     Trabalhava com eficiência, sem falar, enquanto sua mente calculava as consequências. Quando Dom Rafael voltasse, e mais cedo ou mais tarde ele voltaria, veria o menino e então começaria o inferno. “Não podem saber”, sussurrou Dona Leonor. “Se souberem, ele me matará.”

     “Matará o menino e a você também, Ana Belén, por ter estado aqui.” Ana Belén não respondeu. Sabia que a senhora tinha razão. No mundo das fazendas neo-hispânicas, a honra de um espanhol era mais importante do que qualquer vida. Um filho bastardo era desonra, um filho mulato era abominação. A lei permitia ao marido desfazer-se da esposa adúltera e de sua descendência.

     Alguns o faziam com veneno discreto, outros com faca rápida na madrugada. Sempre com a bênção tácita das autoridades que entendiam que certos crimes não eram crimes, mas sim justiça doméstica. Naquela noite, depois que Dona Leonor adormeceu exausta com o bebê nos braços, Ana Belén desceu à cozinha, onde as outras criadas preparavam tortillas e feijão para a ceia.

     Ninguém perguntou sobre o parto. Era costume esperar que a senhora anunciasse o nascimento oficialmente. No dia seguinte, viria o capelão para batizar o menino com água benta. Seriam enviadas cartas à Cidade do México informando Dom Rafael. Seria organizada uma pequena celebração com aguardente e tamales.

     Mas Ana Belén sabia que nada disso aconteceria da forma habitual. Na manhã seguinte, Dona Leonor mandou chamar Jacinto. Ana Belén estava presente quando ele entrou no quarto. O capataz trazia o chapéu na mão, as costas ligeiramente curvadas em gesto de respeito. Quando viu o menino, seu rosto mudou. Primeiro confusão, depois compreensão, finalmente algo parecido com medo misturado com uma ternura que tentou ocultar.

     “É teu filho”, disse Dona Leonor sem rodeios. “Dom Rafael voltará em duas semanas, segundo sua última carta. Antes que ele chegue, este menino tem que desaparecer.” Jacinto deu um passo atrás. “Desaparecer, senhora, o que está dizendo? Leve-o para longe, para o povoado, para a costa, para onde for. Encontre alguém que o crie.”

     “Eu te darei dinheiro, o que precisar.” Ana Belén observava a cena com o coração apertado. Ela havia carregado aquele menino, o havia limpado com suas próprias mãos. Sabia o que significava “desaparecer” na boca de um patrão. Algumas crianças chegavam a famílias que as acolhiam com carinho, outras eram vendidas, outras abandonadas nas portas dos conventos, outras simplesmente deixadas à própria sorte em caminhos solitários onde os animais as encontravam antes que os humanos. “Eu o levarei”, disse Ana Belén.

     As palavras saíram de sua boca sem pensar, como se outra pessoa falasse. Dona Leonor e Jacinto a olharam. “Você?”, perguntou a senhora. “Conheço uma família em Tlacochahuaya”, continuou Ana Belén, inventando na hora. “Gente boa, sem filhos, a mulher me deve um favor. Levarei o menino para lá. Ninguém fará perguntas.”

    ” Na verdade, Ana Belén não conhecia nenhuma família assim. Mas precisava de tempo para pensar, para encontrar uma saída que não terminasse com o menino morto em uma vala. Dona Leonor assentiu, grata demais para questionar, “Faça isso hoje, antes que mais alguém o veja. Eu te darei 50 pesos e, quando voltar, diremos que o menino nasceu morto. Já perdi dois antes.

    Ninguém duvidará.” 50 pesos era uma fortuna para uma escrava. Equivalia a vários anos de trabalho, caso ela fosse paga alguma vez. Ana Belén pegou a bolsa que a senhora lhe entregou, envolveu o bebê em uma manta grossa e saiu do quarto. Enquanto caminhava pelo corredor, Jacinto a alcançou.

     “Aonde realmente você o levará?”, perguntou em voz baixa. Ana Belén olhou-o nos olhos, “Para um lugar seguro.” “Eu quero saber onde ele está. É meu sangue.” “Seu sangue lhe custará a vida se alguém o descobrir”, respondeu Ana Belén. “A senhora perdoará o adultério de seu marido porque não tem opção, mas a você ele matará por ter tocado o que era dele. Entende?” Jacinto cerrou os punhos. “Eu não pedi isso.”

     “Ninguém pede o que lhe cabe”, disse Ana Belén. “Agora, deixe-me ir. Quanto menos você souber, melhor.” Ana Belén saiu da fazenda com o menino escondido sob seu xale. Pegou o caminho para o leste, onde os morros se erguiam cobertos de carvalhos e pinheiros. Caminhou por horas sob o sol que queimava a terra seca. O bebê chorava de fome, e ela parava de vez em quando para dar-lhe água adoçada com rapadura, a única coisa que podia oferecer.

     Sua mente trabalhava sem descanso buscando soluções. Podia deixá-lo no convento das dominicanas em Tlacolula. Podia levá-lo para alguma família indígena que talvez o aceitasse em troca de dinheiro. Podia até ficar com ele, fingir que era um menino abandonado que havia encontrado, criá-lo como seu, mas cada opção tinha seus perigos, suas formas de ser descoberta.

    Ao entardecer, chegou a Tlacochahuaya, um povoado pequeno com uma igreja barroca de muros brancos e uma praça central onde vendiam cerâmica e tecidos. Ana Belén conhecia o lugar porque havia vindo anos antes com a Senhora Leonor para comprar toalhas de mesa bordadas. Sentou-se debaixo de um freixo para descansar e pensar.

     O bebê havia adormecido contra seu peito. Era lindo, com cílios longos e dedos perfeitos. Não merecia morrer pelo pecado de seus pais. Uma mulher se aproximou curiosa. “De onde vens, irmã?” Ana Belén reconheceu seu sotaque zapoteca. “Da fazenda Santa Cruz. Levo este menino para a sua família.” A mulher olhou para o bebê e depois para Ana Belén com olhos que haviam visto demais.

     “Não há família”, disse simplesmente. Ana Belén não respondeu. A mulher sentou-se ao seu lado. “Minha filha perdeu um menino há dois meses. Ainda tem leite. Se precisas de alguém que o amamente, posso levá-los.” Era uma oferta ou uma armadilha. Ana Belén não sabia qual, mas o bebê estava com fome e ela não tinha opções.

     Seguiu a mulher até uma casa de adobe à beira do povoado. A filha era jovem, talvez 20 anos, com o rosto marcado pelo luto recente. Quando viu o menino, seus olhos se encheram de lágrimas. Tomou-o nos braços sem perguntar nada e o levou ao peito. O bebê começou a sugar com avidez. Ana Belén observava a cena e sentia algo que não sentia há anos. Esperança. “Quanto?”, perguntou a mãe, prática.

    Ana Belén tirou 20 pesos da bolsa, “Pelo seu cuidado durante um ano. Depois voltarei com mais.” Era uma mentira, mas necessária. A mulher pegou o dinheiro e guardou-o na blusa. “Como ele se chama?” “Ainda não tem nome”, disse Ana Belén. A jovem que amamentava o menino falou pela primeira vez. “Vou chamá-lo de Gabriel, como o anjo que anuncia o impossível.”

     Ana Belén regressou à fazenda Santa Cruz três dias depois. Havia tomado caminhos longos, parando em povoados diferentes, construindo uma história crível sobre ter viajado longe para entregar o menino. Quando chegou, encontrou a casa em luto oficial. Haviam pendurado panos pretos nas janelas. Frei Domingo rezara uma missa pela alma do menino morto.

     Dona Leonor permanecia em seu quarto recebendo visitas das poucas famílias espanholas da região que vinham dar os pêsames. Ninguém perguntou detalhes. A morte infantil era tão comum que explicá-la parecia desnecessário. Dom Rafael Villarreal chegou uma semana depois, empoeirado da viagem, irritado por ter tido que interromper seus assuntos na capital.

     Quando soube do menino morto, mostrou decepção, mas não dor. “Mais um varão perdido”, disse, “Deus tem suas razões.” Dona Leonor chorava de verdade, mas não pelas razões que seu marido imaginava. Ana Belén os observava durante as refeições, durante as conversas no corredor, durante os momentos em que Dom Rafael revisava as contas da fazenda com Jacinto.

     O capataz mantinha o olhar baixo, respondia com monossílabos, evitava ficar a sós com a senhora. A tensão era como uma corda que se esticava a cada dia um pouco mais, ameaçando romper-se. Os meses se passaram. O outono trouxe as primeiras chuvas, o inverno secou os campos, a primavera fez florescer as árvores de Buganvílias que subiam pelos muros da fazenda.

    Ana Belén continuava com suas tarefas, lavando roupa, cozinhando, cuidando do galinheiro. Uma vez por mês, inventava alguma desculpa para ir a Tlacochahuaya. Levava dinheiro para a família que cuidava de Gabriel. Via-o crescer forte e saudável. O menino tinha já oito meses. Engatinhava, ria quando ela fazia caretas. A jovem que o amamentava o tratava como seu. “É um menino bom”, dizia.

    “Deus te abençoe por trazê-lo.” Mas os segredos, como as dívidas, sempre cobram seu preço. Em maio de 1788, chegou à fazenda um visitante inesperado, Dom Rodrigo Villarreal, irmão mais novo de Dom Rafael, que havia estado vivendo na Guatemala durante 10 anos administrando plantações de anil. Vinha de regresso à Nova Espanha para reclamar sua parte na herança paterna.

    Era um homem observador, de olhar afiado, que notava inconsistências onde outros viam apenas a superfície. Durante o jantar de boas-vindas, perguntou pelo menino morto. “Quando nasceu exatamente?” “Em agosto do ano passado”, respondeu Dona Leonor com a voz trêmula. “E viveu quanto tempo?” “Apenas alguns dias”, interveio Dom Rafael, “não chegou nem a ser batizado.”

     Dom Rodrigo assentiu, mas seus olhos se moveram em direção a Ana Belén, que servia o vinho. “Você esteve no parto”, disse. Não era uma pergunta. Ana Belén assentiu. “E o que viu?” A pergunta pairou no ar como uma faca suspensa. Ana Belén sentiu os olhares de todos cravados nela. “Vi um menino que não conseguia respirar bem, senhor. Nasceu roxo, durou três dias lutando, depois se apagou como vela.”

     Era mentira técnica e verdade emocional ao mesmo tempo. Dom Rodrigo não pareceu convencido, mas não insistiu. Durante sua visita, fez perguntas estranhas, revisou documentos antigos, falou com os trabalhadores. Em uma tarde, Ana Belén o viu conversando com Jacinto perto dos estábulos.

     Não ouviu o que diziam, mas viu como o capataz ficava tenso, como Dom Rodrigo apontava para a casa grande, como seus gestos sugeriam acusação. Naquela noite, Jacinto procurou Ana Belén na cozinha. “Dom Rodrigo, suspeita de algo”, disse. “Me perguntou se eu havia notado algo estranho na senhora durante a gravidez, se a tinha visto falar com alguém em particular.”

     “E o que você lhe disse?” “Que eu apenas cumpria minhas obrigações. Mas ele não acreditou em mim. Ele tem essa maneira de olhar que lê seus pensamentos.” Na semana seguinte, Dom Rodrigo anunciou que ficaria na fazenda por tempo indefinido. Tinha planos de modernizar a produção de cochonilha, de trazer novas técnicas da Guatemala, de aumentar os lucros.

    Dom Rafael aceitou a ajuda de seu irmão sem saber que estava convidando à sua própria perdição. Porque Dom Rodrigo não havia vindo apenas a negócios. Ele havia vindo porque na Guatemala havia recebido uma carta anônima, uma carta que falava de um menino que não havia morrido, de um adultério que se ocultava sob um luto falso, de uma escrava que sabia demais.

     Quem havia escrito essa carta? Ana Belén nunca soube com certeza. Suspeitava do mordomo, um espanhol velho chamado Melchor, que estava há 40 anos na fazenda e que havia visto Dom Rafael e seu irmão crescerem. Melchor era um homem de lealdades antigas, que considerava que a família Villarreal merecia saber a verdade sobre seu sangue. Ou talvez tenha sido o capelão Frei Domingo, que sem querer ouvira algo em confissão e decidira cumprir um dever moral mais alto do que o segredo sacramental.

    Ou talvez tenha sido alguma das criadas invejosa do poder de Ana Belén, desejosa de vê-la cair. Nas fazendas, as paredes têm ouvidos e os ouvidos têm línguas. Dom Rodrigo começou sua investigação de forma sutil, revisou os livros paroquiais, falou com o médico que ocasionalmente visitava a fazenda, interrogou as parteiras da região, ofereceu dinheiro, ameaçou com castigos, prometeu proteção. Lentamente, construiu um caso.

     Não tinha provas definitivas, mas tinha pontas soltas suficientes para tecer uma corda. Em uma tarde de junho, enquanto a família jantava, Dom Rodrigo soltou sua bomba com precisão calculada. “Irmão”, disse, “creio que deves saber algo sobre o menino que morreu no ano passado, ou melhor, sobre o menino que não morreu.” O silêncio que se seguiu foi absoluto.

     Dom Rafael largou o garfo sobre o prato. “O que estás insinuando?” “Não insinúo, afirmo”, respondeu Dom Rodrigo. “Tua esposa deu à luz um menino vivo, um menino que foi entregue a uma família em Tlacochahuaya, um menino cuja pele revelou uma verdade inconveniente.” Dona Leonor levantou-se, branca como a toalha de mesa.

     “Estás louco?” “Estou informado”, corrigiu Dom Rodrigo, “e proponho que vamos juntos buscar essa criança. Se não existe, eu me desculparei. Se existe, teremos uma conversa necessária sobre honra e consequências.” No dia seguinte, uma comitiva saiu em direção a Tlacochahuaya.

     Iam Dom Rafael, Dom Rodrigo, Frei Domingo, Jacinto e Ana Belén. Ninguém falou durante o trajeto. Ana Belén sabia que sua vida pendia por um fio. Se encontrassem Gabriel, tudo desmoronaria. Se não o encontrassem, Dom Rodrigo ficaria como mentiroso, mas as suspeitas permaneceriam. Rezo em silêncio, sem saber a que santo se dirigir. Ao santo dos inocentes, ao dos mentirosos piedosos, ao das causas perdidas.

    Quando chegaram ao povoado, Ana Belén os guiou até a casa de adobe, mas a casa estava vazia, completamente vazia. Não havia móveis, não havia gente, apenas paredes nuas e um chão de terra varrido. Os vizinhos disseram que a família havia se mudado dois meses antes para a costa, que haviam recebido dinheiro de um parente e decidido recomeçar em Oaxaca, porto. Ninguém sabia exatamente onde.

     Dom Rodrigo interrogou meia dúzia de pessoas. Todos diziam o mesmo. Família se foi, menino incluído, destino desconhecido. No caminho de regresso, Dom Rafael não olhou para a esposa. Dom Rodrigo cavalgava à frente, frustrado, mas não derrotado. Ana Belén respirava com dificuldade, sabendo que havia ganhado tempo, mas não a guerra, porque a verdade era que ela havia esvaziado a casa.

     Duas semanas antes, quando soube que Dom Rodrigo fazia perguntas, ela havia pegado os 30 pesos que lhe restavam, fora a Tlacochahuaya e convencera a família a partir imediatamente. Havia-lhes dado o dinheiro, explicado o perigo, dito para irem para longe e não voltarem nunca.

     A jovem que cuidava de Gabriel havia chorado, mas entendia. “Protegeremos o menino”, prometera, “como se fosse nosso.” Os meses seguintes foram de tormenta contida. Dom Rafael, embora sem provas definitivas, começou a se distanciar de sua esposa. Já não compartilhavam o leito, mal falavam durante as refeições.

     Dom Rodrigo regressou à Guatemala após meses de busca infrutífera, mas deixou semeada a semente da dúvida. Jacinto foi rebaixado de capataz a simples trabalhador de campo, sem explicação oficial, mas com uma mensagem clara. Ana Belén continuava seus labores, mas sentia os olhos de Dom Rafael sobre ela cada vez que entrava em um quarto.

     O patrão sabia que ela sabia de algo, mas não se atrevia a interrogá-la diretamente, porque isso significaria dar credibilidade às acusações de seu irmão. Em setembro de 1790, dois anos após o nascimento de Gabriel, chegou à Nova Espanha a notícia de que o Rei Carlos IV havia ascendido ao trono.

     Com ele vieram rumores de reformas, de mudanças nas leis sobre escravidão, de pressões da Europa para moderar os abusos coloniais. Eram apenas rumores, mas nas fazendas começaram a circular com intensidade. Os escravos falavam em voz baixa sobre possíveis liberdades futuras. Os patrões reagiam com mais dureza, temendo perder o controle.

     A tensão social crescia como um rio que transborda antes da tempestade. Em uma noite de novembro, Dona Leonor mandou chamar Ana Belén ao seu quarto. Estava sentada junto à janela, olhando a lua cheia que iluminava o vale. “Onde está meu filho?”, perguntou sem rodeios. Ana Belén havia esperado essa pergunta por dois anos. “Longe, a salvo, vivo.” “Sim.”

     “Sabe onde exatamente?” “Não. Eu lhes disse para não me dizerem. É mais seguro assim.” Dona Leonor fechou os olhos. “Às vezes sonho com ele, com a pele escura dele, com os olhos dele. Acordo chorando. Dom Rafael já não me toca. Creio que me odeia, embora não possa provar.” “Ele odeia porque suspeita, senhora, mas enquanto não houver prova, não pode agir sem destruir sua própria reputação.”

     “E quando eu morrer”, perguntou Dona Leonor, “o que acontecerá com o menino então? Quem saberá que ele é meu?” Ana Belén não tinha resposta. A senhora continuou, “Quero que escrevas algo, uma declaração assinada por mim, testemunhada por ti, algo que explique a verdade, que diga a Gabriel quem foi sua mãe, não para agora, para o futuro, para quando todos estivermos mortos e o escândalo já não importar.”

     Era um pedido impossível e necessário. Ana Belén, que havia aprendido a ler e escrever em segredo durante seus anos na fazenda, pegou pena e papel. Sob o ditado de Dona Leonor, escreveu uma confissão completa. O adultério com Jacinto, o nascimento do menino, a decisão de ocultá-lo, o papel de Ana Belén como salvadora.

     A senhora assinou com a mão trêmula. Ana Belén guardou o papel em uma caixa de madeira que escondeu sob as tábuas do chão de seu pequeno quarto de serviço. Em 1794, Dom Rafael adoeceu com febres. Os médicos disseram que era malária contraída durante uma viagem às costas de Veracruz. Morreu em dezembro, delirante, chamando por sua mãe morta.

     Dona Leonor herdou a fazenda completa, sem filhos reconhecidos, tornando-se uma das poucas mulheres proprietárias da região. Dom Rodrigo tentou disputar o testamento, argumentando que seu irmão havia sido envenenado por sua esposa adúltera, mas sem provas concretas, o caso desmoronou.

     A viúva Villarreal continuou administrando Santa Cruz com a ajuda de novos empregados trazidos de Puebla. Ana Belén envelheceu com a fazenda. Seu cabelo ficou grisalho, suas costas se curvaram, mas sua mente permanecia alerta. Uma vez por ano, enviava dinheiro através de intermediários para a costa, onde acreditava que Gabriel e sua família adotiva viviam. Nunca recebeu confirmação.

     Nunca soube se o dinheiro chegava, mas continuava enviando-o como um ato de fé. Em 1810, quando o padre Hidalgo levantou o estandarte da Virgem de Guadalupe e começou a guerra de independência, Ana Belén tinha 63 anos. A Fazenda Santa Cruz foi saqueada duas vezes por insurgentes que buscavam armas e dinheiro. Dona Leonor morreu em 1812 durante um ataque rebelde, atravessada por uma bala perdida em sua própria casa.

    Ana Belén, livre finalmente por decreto de abolição que Hidalgo havia proclamado, ficou nas ruínas da fazenda junto a outros antigos escravos que não tinham para onde ir. Em 1821, quando o México proclamou sua independência, era uma anciã de 74 anos que passava seus dias sentada sob o freixo do pátio, recordando.

     Às vezes vinham viajantes, comerciantes, soldados licenciados. Alguns ficavam para ouvir suas histórias sobre os tempos do vice-reinado, sobre as grandes famílias que caíram, sobre os segredos que morreram com seus donos. Em uma tarde de setembro daquele ano, um homem de pele morena clara de uns 33 anos chegou à fazenda perguntando por Ana Belén.

     Trazia consigo uma pequena caixa de madeira e uma carta antiga, amarelada pelo tempo. A carta estava assinada por Dona Leonor Villarreal. O homem disse chamar-se Gabriel. Havia crescido na costa, filho adotivo de uma família zapoteca que lhe contara, ao completar 21 anos, a verdade sobre sua origem. Levara anos para decidir-se a procurar, mas finalmente havia vindo.

     Queria conhecer sua história completa. Ana Belén olhou-o longamente, buscando em seus traços as marcas de Jacinto e de Dona Leonor. Estavam ali misturadas, fundidas em um rosto que era todos e nenhum. Contou-lhe tudo, desde o parto até a fuga, desde as mentiras até as verdades, desde o medo até a esperança.

     Gabriel ouviu sem interromper e, quando ela terminou, pegou sua mão enrugada entre as suas e disse: “Obrigado por me salvar, por guardar a memória.” Ana Belén morreu três meses depois, em dezembro de 1821, rodeada pelas poucas pessoas que ainda viviam nos restos da fazenda Santa Cruz. Gabriel estava presente e, quando a enterraram debaixo do freixo que ela tanto havia amado, colocou sobre sua tumba uma pedra com uma inscrição simples talhada por suas próprias mãos.

    Ana Belén, escrava que viu nascer a liberdade, onde todos viam apenas cadeias.

  • ALCOLUMBRE COLOCA POLÍCIA ATRÁS DE CIDADÃOS QUE CRITICARAM O CONGRESSO! EDUARDO CHORA EM ISRAEL!

    ALCOLUMBRE COLOCA POLÍCIA ATRÁS DE CIDADÃOS QUE CRITICARAM O CONGRESSO! EDUARDO CHORA EM ISRAEL!

    Galera, olha que absurdo e inacreditável. Parece que o presidente do Senado, senador Davial Columbri, está se sentindo o imperador do Brasil, o rei da cocada, dono da toda. Parece que ele esqueceu que foi eleito para representar e não para mandar no povo. Quem era ser o Artur Lira, que quando foi presidente da Câmara aí de quem falasse do Lira corri o risco de tomar um processo.

    Não era coisa pouca, era coisa a partir de R$ 100.000 já para intimidar mesmo. Parece que o Davial Columbre resolveu adotar a mesma postura. Depois da decisão do ministro Gilmar Mendes, que tirou da mão do Senado o poder de ficar chantagando ministros do Supremo com ameaça de impeachment, ele acha que é uma boa ideia ficar praticando censura.

    O senador Daviel Columbo, disse que vai mandar ir atrás daquelas pessoas que levantaram a tag congresso inimigo do povo e vai expor essas pessoas. Pois muito bem, senhor alumbre, eu sou uma das pessoas que falei que o Congresso é inimigo do povo. Eu estou aqui, eu estou me expondo. Eu não estou me escondendo. Essa aqui é a minha cara.

    Alcolumbre anula voto de Eduardo Bolsonaro e classifica ato como 'irregular'

    Eu estou aqui para falar com o senhor. Vou continuar dizendo isso porque isso é liberdade de expressão. Isso o artigo 5º da Constituição me garante. E quem está comigo já comenta aí. Congresso inimigo do povo. E eu não recebi um centavo para fazer isso. Eu faço isso com muito orgulho, porque esse é o pior congresso da história do nosso país.

    É um congresso que está sequestrando o orçamento da União, que fica o tempo todo ameaçando ministros do Supremo de impeachment porque não gostaram de decisão. Então, sim, é o pior congresso e é o Congresso que é inimigo do povo. Sim, e falo com muito orgulho. Agora eu vou trazer para vocês a fala do Alcol Columbre dizendo que vai mandar a polícia legislativa investigar as pessoas que colocaram Congresso inimigo do povo.

    Já vou pedir que deixe um comentário para engajar, deixa a curtida, compartilhe o vídeo, me siga e se gosta do conteúdo que eu produzo do enfrentamento à extrema direita, quem puder e quiser dar uma força, a chave é essa aqui. Qualquer apoio é muito bem-vindo. E é muito importante porque pode ser que o Davi Columbar. Alguns dias atrás era uma agressão infundada ao Congresso Brasileiro, quando algumas autoridades da República chamaram o Congresso Brasileiro de inimigo do povo.

     

    E eu conversava com as pessoas, mas é justo, Leila, o Congresso brasileiro ser tratado e patrocinado por autoridades do Brasil como um congresso inimigo do povo? Um congresso que nos últimos anos entregou ao Brasil e deu ao Brasil a capacidade de existirmos enquanto estado da federação. E um dia desses estavam por aí, patrocinado por muitos, porque a Polícia Legislativa do Senado tá investigando, a polícia legislativa da Câmara tá investigando as duas e logo mais nós teremos e vamos trazer a público aqueles que fizeram aquelas

    agressões contra o Congresso inimigo do povo. E é a mesma coisa que a presidência está vivendo nos últimos dias, como se quisesse usurpar a prerrogativa de indicar. O ato de indicação de um ministro do Supremo Tribunal Federal é um ato jurídico administrativo complexo. Viram só? Sentiu, né? não dê motivos que nós não vamos chamar o Congresso de inimigo do povo.

    Agora, a indicação do ministro do Supremo Tribunal Federal é um ato administrativo, jurídico, complexo, que cabe ao presidente da República indicar e cabe o Senado Sabatinar e não ficar tentando constranger o presidente da República para indicar o nome que o presidente do Senado deseja ver no Supremo Tribunal Federal, né, senhor Davial Columbia? Então, não nos dê motivo que nós não vamos chamar o congresso de inimigo do povo.

    E quando chamamos o Congresso de inimigo do povo, todos os membros do Congresso que fazem parte do Congresso, a gente tá colocando no mesmo bolo. Deixa aí nos comentários a sua opinião. Se concorda comigo, comenta aí: “Congresso inimigo do povo e que venha o senhor Davi Columbia”. Tamamos junto. Ai, que que é essa? Ai, cara, não aguenta não.

    Por amor de Deus, essa família já vem com a piada prontíssima e quer piada maior ainda. Cremosa Satanar, o bucho de águaaprem acaba de bater o martelo e o candidato à presidência em 2026 da excremento direita, Flávio Rachadinha, Willam Wonka da fantástica fábrica de chocolates. Obrigada, Satanaro. Bucho de égua prenha, tu acabou de enterrar excremento direita e dar de bandeja as eleições para painho Lula em 2026.

    E o outro que sentiu a Cláudia, Davi Alcobund Mary Man já baixou a bolinha, baixou o tom, porque ontem veio questionar a nossa hashag congresso inimigo do povo e hoje o povo subiu a hashag ao columbre inimigo do povo. Ah, vocês acham que nós do governo temos algum problema contra o Congresso Nacional? A gente não tem. Eu sinceramente não concordo.

    Não concordo com as emendas impositivas. Eu acho que o fato do Congresso Nacional sequestrar 50% da União é um grave eu histórico. Mas você só vai acabar com isso quando você mudar as pessoas que governem que provaram isso. Da mesma forma que eu acho histórico, gente. Eu trabalhava, eu ia na porta da Folkswag 5:30 da manhã. A tinha 40.

    000 trabalhadores produzia 1200 carros, a gente trabalhava, sabe, mesma jornada de trabalho que trabalha hoje com os avanços tecnológiczinho com o governo federal, já mandou alisar a piroquinha do Lula hoje lá no Amapá, mandando seus agradecimentos, porque agora sabe que que a população está tendo acesso à informação e vai colocar vocês nos seus devidos lugares de exsenadores e ex-deputados.

    Cheirinho no cangote dos meus apoiadores, o Jesus Gilberto, Luís Daniel, Vera, Lúcia Molinar, Joventina Firmina, João Benedito, Afran, Ivanete, Ana Cláudia Portela, Sandro Oziel, Lui Anderson e Miram Coem. Lindos vamos falar de cidadão de bem, conservador, a favor da família. a favor da moral e dos bons costumes.

    Terrivelmente evangélico, político de direita, bolsonarista e que tá sendo acusado. Olha, gabarada, que desmantelo é esse na direita? O que é que tá acontecendo com vocês? Só escândalo, só bomba, uma atrás da outra. Sabe o que é? É quando vocês dizem assim que Deus faça justiça aí Deus faz justiça.

    Tá desmoralizando e tirando as máscaras desses falsos profetas, dos falsos cristãos aí tudinho. Até dos falsos bolsonaristas. As máscaras estão caindo. Todos que ainda estão fazendo alguma coisa pelo príncipe das trevas é só para aparecer por causa de política. E o resto só escândalo. E agora mais um acusado de teó. colocado umas gaias na mulher e o escândalo tá grande.

    E por coincidência o nome do cara é Silas, mas é só uma coincidência. Bora ver aí a mulher furiosa. Quem é a vereadora? Não de mim. Eu sou deputada federal. Aceitar também não pode eu não vou cair. Não tem nada a ver. Cai fora cai fora daqui que eu estou pro federal aqui agorinha. Tá chegando aqui no exército todinho tá. Fui informado que o o meu marido, deputado federal Silas Câmara estaria em casa.

    Aí eu cheguei essa hora debaixo de chuva e o nobre e a excelência deputado federal não dorme em casa. Os funcionários pensam que ele está em casa. Isso aqui é a nossa casa, gente, ó. Ele não dorme em casa. Não dorme em casa. Não dorme em casa. Mas engana todo mundo que dorme em casa, hein, Silas? Onde é que tu tás? Ei, Gabada, eu já imagino Deus chegando, sabe? No juízo final, Deus chegando, ele pode fechar essa igreja aí, ó.

    Joga nas profundezas. Aquela igreja ali, ó. Pode jogar também. Tem alguém aqui que nunca brigou por política? Tem não. Apois eu vou voltar sozinho. O resto vai descer tudinho no tobogão das profundezas. Principalmente esses que vivem aí querendo se esconder atrás de uma religião, atrás de uma Bíblia.

    Vai descer tudinho, ó, no tobogão das profundezas. Já posso sentir até a quintura daqui. Quando vocês caírem, ó, vai ser uma temperatura tão alta lá, porque é gente caindo nas profundezas, viu? Jáada. Beijinho no chifre. Parem tudo e sentem. Esse vídeo aqui está espetacular. O Brasil parou ontem na CPMI e você precisa ver isso agora.

    Tentaram de novo incriminar o filho do presidente Lula, mas o tiro saiu pela culatra. Paulo Pimenta deu um desafio público, 12 horas para apresentarem uma única prova. Aliás, Paulo Pimenta tem passado muito tempo no Senado Federal. Eu acho que ele já tá tentando se acostumar. Sim, tentando, porque todo vídeo está Paulo Pimenta.

    Eu acho que o novo endereço dele é esse, ala, senador Nilo Coelho, plenário número dois. Acho que ele tá dormindo ali, não é possível. E adivinha, gente? Até agora nada, zero vazio. O bolsonarismo não apresentou prova nenhuma, só teatro, nenhuma evidência. E aí vem o melhor. No meio do desespero da oposição, o clima esquentou e o presidente da CPMI precisa intervir porque Paulo Pimenta chama um colega de Marreco. Sim, o Marreco de Maringá.

    Sabe quem é, né? Sérgio Moro. O ex-juiz parcial que fez parte do governo Bolsonaro e que nunca moveu um dedo para impedir o rombo do INSS. E antes que os bolsonaristas respirassem, Pimenta soltou uma bomba. É bomba. Novos documentos mostrando que o governo Bolsonaro já sabia dos desvios e não fez absolutamente nada.

    Tentaram usar a CPMI para atacar o Lula e acabaram deixar deixando claro que são quem são os verdadeiros responsáveis. E eu vou te mostrar cada detalhe dessa humilhação histórica. Tô um pouquinho rouco, tá gente? Porque eu tô um pouco gripado, mas vou te pedir para se inscrever no meu canal, dar aquela moral, porque eu tô aqui gripado, mas te passando o melhor da CPMI.

    E agora fiquem com esse espetáculo. Vamos lá, já que eles querem tanta transparência, coloca o Lurinha sentado aí. O que nós estamos assistindo aqui de uma forma covarde, senhor presidente, é vários parlamentares que se repetem fazendo acusações, sem apresentar nenhuma prova. Presidente, na minha primeira manifestação aqui hoje, já fazem mais de 12 horas, eu desafiei os deputados: “Me mostrem uma prova, me mostrem um documento, me mostrem uma conta, um depósito, um rif nesta CPI que tenha qualquer relação com o filho do presidente Lula”.

    Passaram-se 12 horas, dezenas e dezenas de parlamentares falaram: “Nenhum, presidente, nenhum apresentou uma prova”. Sabe por quê? Porque não tem. Nenhum apresentou nenhum documento. Porque não tem? Na medida que alguém fala a respeito de alguém e acusa sem prova, é o quê? É um insulto, é uma calúnia, é uma mentira.

    Portanto, senhor presidente, peço para finalizar a questão de ordem, excelência, porque tem um tempo da liderança a finalizar. Vou finalizar, pois não, mas eu não posso me calar diante da mentira. orquestrada sem provas, repetida aqui por vários parlamentares. Então eu peço a Vossa Excelência que seja observado que dispõe o artigo 19, inciso primeiro.

    Pois não, excelência, eu recolho a questão de ordem, mas desejo lembrar a Vossa Excelência que durante a sua última fala o senhor se lhe dirigiu a um colega nosso como Marreco de Tal. É uma ofensa, excelência. É uma ofensa. Está dentro do mesmo apelido aqui. Não me bota em barrega, mas tá dentro do mesmo que vossa excelência tá pedindo que use.

    Então eu eu recolho, mas marreco é ofensa. É uma ofensa, excelência. Sim, mas quando me chamamos de malagueta é ofensa? Não. Então vin pode pedir que eu mesmo se uma vez fiz, vou ficar chorando aqui. Ai me chamar de malagueto. Vou chorar. Não me chame de marreco. Está no mesmo artigo de vossa excelência. Então assim, eu nunca vi chamar.

    Ah, não me chamem de marreco, se não choro. Eu não vou chorar se me chamarem de de malaguet. É uma ofensa, excelência. ofensa eu vejo dessa forma como ofensa. Ponto. Vocês gostaria de fazer tempo de com certeza, presidente, antes me comprometi demonstrar nesta última manifestação que faço nesse semestre na CPI mais provas, mais documentos que mostram o comprometimento, a responsabilidade do governo Bolsonaro, do esquema criminoso montado do governo Bolsonaro para favorecer estas entidades que roubaram bilhões de aposentados e

     

    aposentadas. E aqui, presidente, eu trago documentos inéditos, novos documentos. Dia 6/10 de 2020, senhor presidente, quem tá acompanhando a CPI sabe que a senora Marcela, depois o Roosvell, que eram da Dirbin, deram parecer contrário ao ACT do da Conafer, do famoso mão preta foragido.

    Conafer, muito conhecido aqui da CPI, inclusive temos aqui entre os membros da CPI o chofer da CONAFER. Muito bem. Dia 6/10, depois que a Dirben resolveu dar o parecer contrário, o senhor Leonardo Rolim, presidente do NSS, faz uma minuta para discutir a mudança de competência, tirar da Dirbé e mandar para Dirat os ACTs. 6D10 D10, presidente.

    Um dia depois, parecer do Virgílio, um dia depois favorável a mandar para dirate. 8 de outubro, dois dias depois, manifestação da DAMB, divisão de acordos nacionais de benefícios que fiscalizava os ACTs. Diz a DAMB aqui, totalmente contrária. Considerando o elevado número de reclamações aqui na ouvidoria, já são mais de 3.000 denúncias.

    Cabe informar que isto será extremamente prejudicial à fiscalização, inclusive da fiscalização do acordo firmado com a CONAFER, que foi suspenso. Diz mais, nos últimos meses foram indeferidos aqui as CTS da ABP, Ideias, Sebap, CAAP, AMBEC, Sulamérica. Presidente, todas as CS tinham sido tinham sido negados, inclusive da Conferito, DDS, dois dias depois, no próprio dia 8, uma outra coordenação é chamada a opinar, coordenação de pagamento, gestão de benefícios previdenciários contra tirar da dirbem e botar na dirate.

    Presidente, logo em seguida, no dia 8 de outubro, o presidente Leonardo Rim Leonardo Rolim, independente de todas as manifestações contrárias, transfere para diat as competências da Dirbi. Presidente, no mesmo no mesmo dia 8, além de delegar as competências e publicá-las, ele começa a criar as condições para salvar a CONAFER.

    Nesse meio tempo é publicado o decreto, o decreto assinado pelo Bolsonaro, pelo Paulo Guedes e pelo Ônix. E no dia 28 de 10, senhor presidente, é concedido o aditivo da Confer. Veja o senhor presidente, em menos de 30 dias tramitou todo o processo. Tiraram as competências de uma diretoria, transferiram para outra, negaram os pareceres técnicos de todos os setores consultados e salvaram a CONAFER.

    Inclusive, com a chegada do Zé Carlos Oliveira, nunca mais a CONAFER foi fiscalizada e inclusive o dinheiro que havia sido bloqueado foi devolvido para CONAFER. Mais do que isso, senhor presidente, quando nós chegamos agora no governo e vai ser feita uma fiscalização do próprio INSS, você percebe o quê? que desde 2022 não havia mais sido fiscalizado os ACTs.

    Alcolumbre sobe tom contra governo Lula na indicação de Messias ao STF – CartaCapital

    Por quê? Merece destaque e o governo Bolsonaro, presidente, em 2022 extinguiu a divisão de fiscalização, a DAMP extinguiu. E aí, deputado Dourinaldo, o que que acontece quando o INSS vai fazer uma fiscalização? Ele diz: “O quê?” Olha, nunca mais teve fiscalização porque a DAMB foi extinta em 21 de março até 2022.

    Então, extinguiram o órgão que fazia a fiscalização dos ACTs e diz mais. Mesmo tendo extinguido a DAMB e não tendo mais condições de fiscalização, foram concedidos 12 novos acordos. Conafer, UNASPUB, a Universo de Sergipe, a CAB da Cecília, a CBPA do nosso Franklin, a BPC que é a Mar Brasil. Então aqui tá a prova documento por documento, que não foi uma coisa por acaso, foi uma ação planejada, coordenada, com hierarquia.

    É uma organização criminosa que tem hierarquia, divisão de tarefas. E por isso, senhor presidente, os responsáveis por esse roubo, todos eles precisam ir paraa cadeia. Aqui estão os documentos que provam a responsabilidade dos gestores do governo Bolsonaro pelo roubo de bilhões de reais contra aposentados, pensionistas, presidente e BPC.

    Os atendimentos pro vício em casa de aposta triplicaram. É, vamos ser bem sincero, esse negócio de jogo vício, casa de aposta é algo preocupante. A gente precisa fazer algo para ontem. Essas casas de aposta, elas não agregam em absolutamente nada para o Brasil. Inclusive, boa parte delas, antes de você ter o mínimo de imposto, que inclusive a direita estava sendo contrária, eles mandavam praticamente toda remessa de lucro para fora do Brasil.

    Eles operam só em sites virtuais lá que o pessoal entra, aposta, coloca o dinheiro e depois, cara, perde dinheiro e o dinheiro vai para fora do país. Não gera emprego, não gera renda, não, não deixa as pessoas que apostam ricas, só vem de um sonho, uma ilusão para esses indivíduos. Eles não são culpados, né? Eles vêm ali nas apostas num desespero, talvez uma maneira de tentar melhorar de vida com um monte de influenciadores, inclusive influenciadores muito grandes e famosos, que vendem isso como um investimento, uma ideia de mudar de vida e aí acabam caindo aí no vício que agora

    o estado não consegue pé para acompanhar isso. Mas o estado de São Paulo tem o seu governador que estava fazendo lobby para que as casas de aposta não fossem taxadas. Lembrando vocês, as casas de aposta não geram nada, elas apenas sugam dinheiro das pessoas prometendo retornos. que não vão acontecer na sua grande maioria, às vezes um retorninho ali e outro, porque precisa dar aquela munição pra pessoa poder pegar aquele gosto, né, e poder apostar cada vez mais e mais.

    Então, hoje uma casa de aposta, por exemplo, não colabora para custear essas internações que são necessárias e não temos leitando devidamente os seus impostos na proporção que deveriam pagar pelo estrago que causa. Yeah.

  • EXCLUSIVO: A BOMBA QUE ABALOU O SENADO! DAVI ALCOLUMBRE EXPOSTO COM ELOS DE ALTA PERICULOSIDADE E O ESCÂNDALO DAS “CANETAS PROIBIDAS” DO PCC

    EXCLUSIVO: A BOMBA QUE ABALOU O SENADO! DAVI ALCOLUMBRE EXPOSTO COM ELOS DE ALTA PERICULOSIDADE E O ESCÂNDALO DAS “CANETAS PROIBIDAS” DO PCC

    Que bomba foi essa para o Davi Columbri? Mais uma bomba. E é como eu falei para vocês, não se desafia presidente da República. Todos aqueles que tentam desafiar presidentes acabam se dando mal. E o Daviol Columbri é mais um. Porque saiu aí uma informação que o Daviol Columbri teria adquirido canetas emagrecedoras do Beto Louco.

    Beto Louco é aquele empresário pivô da operação Overclean. E eu não sei se as canetas emagrecedoras funcionaram ou não. Acredito visualmente que não funcionaram. E talvez esse descompasso hormonal seja o motivo da irritação do Davi Columbre com o governo Lula. Ou pode ser também a Polícia Federal rondando aí as relações de políticos do centrão com integrantes do PCC.

    Porque o mais chocante, na minha opinião, de toda essa revelação da compra das canetas do Davi Columb vindas do Beto Louco, foi que o Davi Columb esteve junto com o Beto Louco em uma festa de aniversário do Antônio Rueta, que é o presidente do União Brasil. Então esse Beto Louco, ele tinha relações muito próximas e talvez até mesmo de amizade com o Antônio Rueda. Eles eram amigos.

    Shielding bill faces rockier path in Senate

    Como que você chama alguém pro seu aniversário porque não é seu amigo ou uma pessoa que você não conhece? Então, tá estranho e tá sempre vindo aí a imprensa, cobertura política, aventando essas relações de integrantes do centrão com integrantes de facções criminosas. Tem coisa aí e vai ter gente que vai ser presa.

    Por que que o Davi Columbre está tão revoltoso com o governo? É a Polícia Federal? É a caneta emagrecedora que não deu certo ou um descompasso hormonal? Quero que você coloque aqui nos comentários com o nosso toquezinho de picardia. Você tem achado muito suspeito essa toda essa notícia, né, envolvendo o integrante do centrão e o PCC? E o Antônio Rueda, hein? Coloque nos comentários, like no vídeo se você gostou, qual culm se ferrou e se inscreva no canal.

    O Fábio Serapião do Wall obteve umas mensagens que são muito esquisitas do Daviol Columbri sobre ali que envolvem o Daviol Columbri. Por que que aconteceu? Teve lá o pivô da operação Overclean, um dos pivôs, né, são dois empresários e um dos empresários é o Beto Louco. O Beto Louco, pessoal, ele eh intermediava a compra de canetas emagrecedoras ou a venda de canetas emagrecedoras e foram obtidas mensagens do Fábio Serapião, do motorista do Davi Columbri com o Beto Louco.

    E o Beto louco passou essas canetas emagrecedoras para o motorista para que elas fossem entregues ao Daviol Columbre. Isso porque na época das mensagens, lá em agosto do ano passado, as canetas emagrecedoras de uma determinada marca específica não eram e regulamentadas pela Anvisa. Então para você conseguir obter essas canetas emagrecedoras ou era mercado paralelo com alguém que viajava muito para o exterior ou que podia intermediar essa compra.

     

    Mais ou menos um contrabando aí, contrabando de empresário ligado ao PCC. E aí o Daviol Columbre conseguiu ou teria conseguido do Beto louco porque o motorista levou até ele. E o que mais me chama atenção em toda essa história não é nem a compra das canetas emagrecedoras, né? é que um dia antes das mensagens do Betoluco para o o assessor, o motorista do Davi Columbri ocorrerem, o Davi Columbri esteve junto com o Beto Louco na festa de aniversário do Antônio Rueda.

    Então esse Beto louco era alguém íntimo do meio político, reforçando ainda mais as especulações sobre essas relações promíscuas de figuras políticas do Centrão com integrantes do crime organizado. E esse caso também mostra toda a reforça, melhor dizendo, toda a suspeita que há em Brasília, que há no governo e que há em toda a cobertura política dos motivos do Dav Columb estar todo raivoso com o governo Lula.

    Pode ser que as caretas não tenham surgido do efeito. Pode, pode, pode. Claro, isso é uma possibilidade e por isso ele tá nervoso com o Lula. Mas pode ser também que todas essas operações da Polícia Federal tenham causado revolta no Davi Colore. Porque você tem Overclean, você tem eh carbono oculto, você tem o caso do Banco Master, você tem também o episódio da refinaria refit Manguinhos.

    Tudo isso sempre envolvendo integrantes do centrão como Ciro Nogueira, Antônio Rueda e agora até mesmo o Davi ao Columbri. E quando saiu a operação carbono oculto, nós temos que lembrar que o Igor Gadelha do Metrópolis trouxe informação que Brasília tava de cabelo em pé. Cabelo em pé com suspeitas e possibilidades ali de relações que deveriam ficar ocultas.

    Porque quando o governo Lula começou a rastrear o fluxo financeiro do crime organizado, o centrão ficou com PEC da blindagem, piante de facção, tentando se blindar de alguma forma. De todo esse caso das canetas emagrecedoras do da Aviol Columbri, o que mais me chama a atenção e o que é mais preocupante é o envolvimento do Antônio Rueda.

    Senate shelves controversial shielding bill after unanimous ...

    Por quê? O Davi Columbra, ele pode ter encontrado ali no aniversário do Antônio Rueda, o Beto louco. E aí, ah, você tem a caneta? Tem, tão vivend para mim e tal. Pode ter sido uma relação pontual, mas a relação do Beto Louco com Antônio Rueda não era algo pontual, porque você não chama alguém pro seu aniversário se você teve apenas uma relação pontual com essa pessoa.

    Não é assim que as coisas funcionam. Então é muito possível que o Beto Louco era alguém íntimo do Antônio Rueda. E a gente sabe que um dos pilotos que faziam táxis aéreo para o Beto Louco confessou ou falou em depoimento à Polícia Federal que o dono da empresa de taxi aéreo ou pelo menos dos jatos, era o Antônio Rueda.

    Então havia uma relação próxima entre os dois. E vai dar problema. Vai, vai dar problema, porque tá tendo aí uma um movimento de delação, inclusive delação do Beto Louco. Segundo Andresa Matais, o Celso Vilarde, que é o mesmo advogado do Bolsonaro e agora advoga para o Beto Louco, disse que não há a mínima possibilidade de haver uma delação premiada.

    Mas o Lauro Jardim do Globo afirmou que o Beto Louco já até teria feito a delação premiada dele. E se esse cara abrir a boca, ele vai colocar Brasília para baixo. O Planalto Central vai simplesmente cair, porque se ele era amigo do Antônio Rueda, ele vai entregar um cara, ele vai revelar as relações de políticos.

    Fora que também tem a possibilidade da delação do Banco Master, não do Varcaro, do Vorcaro, mas do Paulo Henrique Costa, que era o presidente do BRB, uma complicação, olha, uma situação que tá um clima estranho, né? Porque assim, parece que são que tá a imprensa tá só ventilando, soprando, aventando, né? Porque é Círio Nogueira, empresa dele e alguém do PCC.

    É Davi Columb, alguém o motorista e alguém do PCC. Tem sempre um intermediário intermediando essas relações de políticos com integrantes do PCC. Tá estranho. Tá estranho. Quase como uma uma espécie de preparação para a grande bomba que está vindo. É muita fumaça saindo aí. E eu não acredito que essa fumaça toda vai revelar um um foguinho, não.

    Vai revelar um incêndio, possivelmente de proporções florestais.

  • CARLOS BOLSONARO CHORA CRlSE DE PÂNlCO APÓS FIASCO DA GREVE DE CAMINHONEIROS!! FOI AVISADO DE PRlSÃO

    CARLOS BOLSONARO CHORA CRlSE DE PÂNlCO APÓS FIASCO DA GREVE DE CAMINHONEIROS!! FOI AVISADO DE PRlSÃO

    E fracassou, fracassou completamente aí a tentativa de alguns bolsonaristas de fazer uma greve dos caminhoneiros aí para tentar livrar o Bolsonaro da prisão. O objetivo deles era o seguinte, fechar as estradas para paralisar, fará o Brasil inteiro. E aí esses caminhoneiros iriam ali eh pedir: “Olha, soltem o Bolsonaro e a gente libera as estradas”.

    Pois bem, era uma coisa que se fizessem estaria enfadada ao fracasso. Não fizeram. Foi um, não fizeram e foi um fracasso pior ainda. Por quê? Porque começou a ter briga nos grupos bolsonaristas e até em grupos de caminhoneiros. Eu já vou te mostrar aqui alguns áudios para você dar risada, viu? Os bolsominas ficaram bravos, bem bravos, que os caminhoneiros não fizeram grave.

    É engraçado, esse pessoal não consegue colocar mais de 10.000 pessoas na rua nunca, nem quando o Bolsonaro tava solto. Aí agora os caminhoneiros que tem que parar o Brasil para salvar o Bolsonaro. Por que que eles não vão lá protestar? Não vão, né? Eles não querem ser presos, levar spray de pimenta na cara, bomba de gás lacrimogêno, tudo mais, não querem, né? Então não dá.

    Sadismo': Carlos Bolsonaro desabafa após prisão de Jair

    Então deu ruim aí pros bolsominions. Nisso, o Carlos Bolsonaro publicou uma foto. O Carlos Bolsonaro não para de chorar, tá? Já é a segunda, terceira vez que ele publica fotos chorando. Olha, é muito melhor do que eu imaginava. Quando eu comecei a fazer vídeo aqui no Plantão Brasil em 2019 e eu dizia pras pessoas: “Olha, o Bolsonaro vai acabar preso, o Sérgio Moura é um juiz ladrão e vai acabar preso”.

    Eu lembro que antes da Vaz Jato, a Vasa Jato foi só em agosto de 2019, tá? Eu lembro que tinham youtubers famosos aí da esquerda que hoje nem são mais, mas na época eram os mais famosos que tinham, que falavam que não. E essa teoria do PT de que o Sérgio Moro perseguiu o Lula, isso é tudo balela, tem que colocar bola pra frente e tudo mais.

    Aí veio a Vazato e mostrou, né? Aí eu falava: “O Moro vai acabar preso, o Bolsonaro vai acabar preso”. Mas eu não imaginava que ia ser tão engraçado o processo para levá-las pra prisão. Eu não imaginava que o Carlos Bolsonaro ia ficar publicando fotos chorando, que o Flávio Bolsonaro ia chorar, que o Bolsonaro ia aparecer chorando pelos cantos, que ele ia se humilhar, que no julgamento na frente do Alexandre de Moraes, ele ia convidar o Alexandre de Moraes para ser vice dele.

    Lembra dessa? Quer ser meu vice? 2026. Ó, Alexandre deve ter pensado, ó, difícil que você vai est preso. Tá preso Bolsonaro. Ó, que coisa. Toda vez que o Bolsomini reclamar do Lula ou falar qualquer coisa, você já sabe o que você tem que falar instintivamente. O choro é livre. O Bolsonaro não. Agora vamos lembrar aqui, o Carlos Bolsonaro, ó, tá provando que o choro é livre e o Bolsonaro não.

    Antes de mostrar o Carlos Bolsonaro, vou te mostrar aqui. Esse site aqui, ele publica sempre as condições das estradas em todo em todo o país. Estradas.com.br. Muitos caminhoneiros ou viajantes usam esse e outros sites. Tem vários, tá? Dependendo quem vai fazer uma viagem no próprio estado, aí você vai lá em São Paulo tem a Ecovias, em no Rio de Janeiro tem lá outra empresa, você vai no site da empresa, eles fala se tá trânsito ou não.

    O Google Maps também fez a mesma coisa. Aí esse site coloca paralização dos caminhoneiros fracassa e expõe oportunismo de supostas lideranças. Aí você fala: “Epa, epa, epa, tá aqui, ó. Sebastião Coelho, líder da categoria, anunciam paralisação. Sebastião Coelho aí político bolsonarista na revista Oeste anunciando paralisação. Líder dos caminhoneiros vai à presidência da República comunicar paralisação.

    Comunicou uma paralisação que não houve, tá? Não houve. Aliás, houve uma paralisação nas estradas ontem, tá? Torcedores do Santos atacam ônibus do Inter e bloqueiam a BR101 Catarina. O Santos se salvou praticamente do rebaixamento jogando contra o Internacional na noite da quarta-feira, aliás, contra o Juventude em Caxias, Rio Grande do Sul na noite da quarta-feira.

    E aí na volta os torcedores do Santos tem torcedor de futebol que eu não entendo que dá na cabeça dele, né? você vai lá apoiar seu time aí na volta você fala: “Olha, tive uma ideia, vamos bloquear o ônibus do Inter. O Inter foi jogar contra o São Paulo e tava voltando de de ali. Inclusive o jogo do Inter contra o São Paulo foi em Santos, na Vila Belmírio.

    Aí vamos bloquear o ônibus do outro time. E lá em Santos eles fazem isso direto, tá direto. Que coisa, né? Tor você vai para casa. Não tá aí. Os torcedores bloquearam. Foi o único bloqueio que tivemos aí nas estradas. que não tem nada a ver com a greve. Misso começou a ter briga. Já já eu mostro aqui o Carlos chorando, tá? O Carlos percebeu que deu ruim.

     

    Eles não tm apoio de ninguém. Ninguém. Começou a ter briga. Tem uma página que eu mostro aqui algumas vezes, se chama Prints Minions. Aí eles postam lá o que acontece nos grupos bolsonaristas já mastigadinho. Aí esse é o grupo, é um dos grupos de mais gente louca que tem, que é o grupo do doutor. Coloca entre aspas porque meu Deus do céu, coitados dos pacientes desse cara.

    Marcelo Frazão. Esse era um cara que na pandemia era cada coisa. Eu fico pasmo como esse cara não tá preso com todo de serviço que ele fez na pandemia. Mas tá com vocês agora o áudio sobre a greve dos caminhoneiros. Vamos lá. Ado, eu tô apagando todos os vídeos que estão divulgando essa merda dessa greve de caminhoneiro, tá bom? E daqui para frente vocês podem apagar qualquer coisa divulgando essa porcaria.

    Não divulguem essa merda dessa manifestação desses bandidos. Eu acabei de pagar o agora os caminhoneiros são bandidos. Por quê? Porque eles estavam divulgando a manifestação no grupo aí do bolsomínio. Mas aí ele mandou parar de divulgar isso ontem no meio da tarde, tá? Aí vamos seguir aqui. Por quê? bandido de um caminhoneiro aí que tava escrito que não se trata de de sigla partidária.

    O animal analfabeto acha que ele ainda sabe o que tá falando, né? Que eles vão parar, que é por eles, né? Então o animal não entende o que eu acabei de explicar, né? Que na esquerda, no governo de esquerda, você é escravo e no governo de direita você é livre e prospera e fica rico com o caminhão. Eu que não vou perder meu tempo a falar com o filho da de caminhoneiro que tá querendo parar para issos próprios interesses, porque os animais são burros demais para entender que os interesses deles dependem de um país com uma

    economia diferente. Se o animal não consegue entender isso, nós não vamos ter explicar. Então não postem nos grupos, não promovam essa merda dessa manifestação desses bandidos, desses imbecis. É bandido. Só bandido fala que não tem diferença entre o PT e o presidente Bolsonaro. É bandido. A gente tem que tratar essa gente como eles são.

    Ou seja, você conhece algum caminhoneiro? Caminhoneira, mostra esse vídeo aqui, tá? Ó, mostra aí para você lembrar, ó. Mais ou menos no minuto 6 do vídeo, ó. Estamos no minuto 6:27. Eh, um pouquinho antes. Mostra esse vídeo pro seu amigo aí, caminhoneiro, a caminhoneira. Eh, mostrando, ó.

    É assim que os bolsominans pensam. Pensam, viu? Se você faz paralisação e eles acham que é para tirar o Bolsonaro da cadeia ou que é contra o Lula, aí eles divulgam. Se você faz paralisação pelos seus próprios interesses, aí você é um bandido, tá? Você é um bandido. De acordo aí com os bolsonaristas. Por quê? Porque, pô, você vai defender os próprios interesses em vez de defender o Bolsonaro.

    Lembrando que o doutor aí, Marcelo Frazão, ele não mexeu nem o dedinho mindinho dele para tentar promover alguma coisa, manifestação, para tirar o Bolsonaro da cadeia. Nada, nada. Ele quer que você, caminhoneira, caminhoneiro, cam, enfim, trabalhador aí do Transportes, você faça o trabalho sujo por ele, tá? Leve aí spray de spray de pimenta, tiro de borracha, etc, etc, etc.

    Aí segue o áudio dele, tá? E essa conversinha de cá, depois o resto do país para, não tem essa conversa. Se eles pararem, vai faltar comida e aí a as empresas que produzem alimento vão quebrar, vão falir. Aí é que não vai ter nada para eles transportarem mesmo. Então não tem essa conversa de que todo mundo vai seguir parando.

    O país pararia se fosse o caso, se fosse pelo presidente pra gente derrubar esse governo, né? Aí sim, porque derrubando o governo, as empresas passariam a ter lucro, a contratar pessoas, a produção aumentaria, eles estariam mais frete. Lógica do cara. O Brasil está em pleno emprego. Menor nível de desemprego da história, tá? É só isso que o Brasil tá.

    As empresas, você vê várias manchetes aí na imprensa dizendo que as empresas estão com problema para contratar. Globo, que odeio Lula com país em pleno emprego, empresas sorteiam prêmios, abandonam seis por um e fazem de tudo para contratar. O que eu vi de gente de classe média alta, classe média nos últimos meses dizendo: “Ai, ninguém tá querendo trabalhar”.

    Eu falei para todo mundo que eu vi falando isso nos últimos meses, várias pessoas, falei: “Não é que não estão querendo trabalhar, é que ninguém mais quer trabalhar por salário de miséria. Paga bem que você vai ver que tem gente, viu? Paga bem. Oferece o dobro para ver se não aparece, gente. Ah, não, aparece o triplo, vê se não aparece.

    Pleno empregos não significa que não há desempregados. Há, mas significa que os desempregados estão buscando empregos com salários melhores e ou benefícios melhores do que os que estão aí sendo oferecidos. Então, quem tá com quem tá acostumado a pagar salário de miséria vai ficar sem contratar, viu? Conversei ontem lá com uma senhora que falou: “Ai, eu queria uma babá pros meus netinhos, mas tá difícil, ninguém quer trabalhar”.

    Eu falei assim: “Olha, paga melhor que aparece, tá?” As pessoas hoje preferem trabalhar para um salário digno e cuidar dos próprios filhos. O que fica cuidando dos filhos dos outros. É isso que acontece. Ó que bom que tá o país. A senhora ficou brava. Senhorinha ficou brava, antipetista ficou brava para caramba. Uma costureira aí. Tá.

    Eu falei: “Pô, é isso que tá acontecendo. Tá no no México, a mesma coisa tá acontecendo. A mesma coisa toda, ó, desde que cheguei no México, a mesma coisa tá acontecendo. Lá em 2021 já falava: “Ai, ninguém quer trabalhar, não sei o quê”. Claro, vocês querem pagar salário de miséria, né? a pessoa não trabalha mesmo.

    Aí o o Bolsonominion vai lá e fala: “Olha, esses caminhoneiros vai vai melhorar se sair o PT, porque as empresas vão lucrar mais.” A bolsa de valores bateu esse ano 11 recordes consecutivos. É a primeira vez na história que se bate 11 recordes consecutivos. E eu vou te falar porque isso é tão difícil. Porque não no mercado de ações, quando a ação sobe, quem comprou aqui, ação subiu, tende a vender aqui.

    E aí quando todo mundo tá vendendo aqui, quer realizar o lucro, você só lucra quando você vende a ação. Você comprou, tá, subiu, quando você vende, você pega o dinheiro, senão você tem um papel que não vale, que para você não não serve para nada. Vendeu, você realizou o lucro, aí eles realizam o lucro, quer dizer, eles vendem e aí cai.

    Então é muito difícil que por 11 dias consecutivos continueem subindo assim, assim, assim. É muito, muito difícil. Porque chega um momento em que bate lá 150.000 pontos. Todo mundo, os grandes players do mercado, já tem ali, ó, quando eu chegar nesse patamar, eu vendo a ação, porque eu já lucrei 10, 15%.

    Aí mesmo assim continua subindo. É tanta gente comprando que mesmo os caras vendendo continuava subindo, subindo, subindo 11 dias consecutivos e tá no maior patamar da história. Aí o cara vai falar que as empresas vão lucrar, já estão lucrando como nunca antes na história. Só quem tá triste são esses bilionários que vivem para a exportação e eles querem que o mercado do Brasil seja um mercado desaquecido, ou seja, seja um mercado aí frio, que as pessoas tenham pouco dinheiro.

    Por quê? Porque aí eles conseguem ali contratar pessoas por um salário de miséria e aí eles conseguem lucrar mais. Porque esse pessoal que só produz para exportação, eles não têm nenhum interesse em pagar salário melhor pra economia bombar do Brasil. Eles vendem para outros países, tem que bombar a economia de outros países. Sempre algum país vai ter economia bombando e vai comprar deles.

    É isso que eles pensam. Ah, são escravocratas. A, agora o resto tá assim nisso. O esse é um dos fatores pelos quais a maioria das pessoas não tá nem aí pra prisão do Bolsonaro. Mesmo os que odeiam o Lula perceberam que, pô, a vida tá melhorando. Nisso, um dos líderes caminhoneiros que tava lá chamando manifestação fez aqui um vídeo.

    Foi muito engraçado. Só tiver vida perdida, quem lembra disso? Ninguém. Ninguém lembra disso. Além do mais, as multas são pesadíssimas e já param que a gente tem de conta para pagar. E o povo não quis de volta, tá sofrendo, tá ruim. Agora aguenta, porque enquanto o povo for povo, a gente nunca vai ser uma nação.

    Porque as nações eles lutam unidos pelos seus ideais. Eles conseguem mudança, enquanto aqui no Brasil todo mundo tem o seu político de estimação e aí acontece que dá o que dá e olha onde a gente tá e tem muita gente aplaudindo. Só que você não acha esse monte de imposto para manter essa galera com as torneira aberta e gastar no nosso que lutar unido e tal e as pessoas não estão lutando unidas, não teve manifestação.

    Aí o Carlos Bolsonaro vendo que tá sendo abandonado por todos, postrou essa foto aqui, ó, até mostrar grande para você ver a o detalhe é a lagriminha no olho dele aqui, ó. Lágriminha. Antes eu eu tinha, eu vou falar, às vezes eu queria fazer uma capa de vídeo, queria colocar a cara do Carlos Bolsonaro chorando. Era difícil achar foto.

    Ah, tinha uma ou duas ali, é sempre a mesma foto. É ruim, né? Agora tem dezenas que eles mesmos vão publicando foto deles chorando assim. Aí, Eduardo, talvez jamais volte a ver o pai falando Eduardo Bolsonaro, fruto de uma perseguição cristalina, imoral. etc. Na hora eu lembrei daquele filme, Ainda Estou aqui.

    Se você assistiu o filme, os filhos ali da família jamais voltaram a ver seu pai. Diferença que ele foi torturado brutalmente e assassinado. O Bolsonaro a tá viu a Laurinha hoje, cada dois dias tem visita lá na Polícia Federal. Ó que mamata, que que belezinha. Cada dois dias ele pode ver a filha, pode ver os filhos. O Eduardo só não pode, porque o Eduardo resolveu eh ir pros Estados Unidos articular sanções contra o próprio país.

    Carlos Bolsonaro chora em evento do PL ao lembrar eleição que disputou  contra a mãe a pedido do pai - Estadão

    E aí ficou ruim para ele. Só por isso, senão ele poderia também visitar ali quase todos os dias, se não todos os dias, tá? É isso. Mas não, eles resolveram ali peitar e falar e fazer e acontecer. Deu isso. E aí o pior que é o que eu tô falando aqui faz tempo, ninguém da família Bolsonaro tá convocando a manifestação para salvar esse pessoal.

    Vários e várias plantonistas mandaram para mim, muita gente mesmo, mandaram mensagem no Twitter, no Instagram, até e-mails dizendo: “Olha, Thago, eh vai ter aí manifestação eh dos caminhoneiros, eles querem parar o Brasil, tá sendo anunciado nas redes bolsonaristas”. Eu esperei acontecer para que vocês vissem aí o tamanho do fiasco.

    Por quê? Porque não tem Nicolas, não tem Geayer, não tem eh Eduardo Bolsonaro, nem Flávio, nem Carlos, nem muito menos Michele ali falando de, ó, vamos parar o Brasil porque prenderam o Bolsonaro. Nada. A Michele tá feliz da vida. Toda vez que ela vai visitar o Bolsonaro, ela sai com um sorrisão no rosto assim, caramba, que bom que esse cara vai ficar aí dentro.

    E eu agora sou a líder de toda essa porcaria aqui da Horda de fascistas. Aí o Eduardo já falou claramente: “Olha, o meu pai, que é o Jair, não tem condições de liderar a direita nesse momento. O quê? Então, quem que tem condições? Você, Eduardo, dos Estados Unidos, agora de Israel. Você que tem? Hum. Quem? O Flávio então ou o Caio? Vocês três que tem que tem que liderar.

    Então vocês agiram deliberadamente e diretamente para prender o Jair Bolsonaro e agora vocês querem liderar a esquerda. Levaram, olha, mas levaram uma rasteira da Michele. Estão aí ainda vendo estrelinhas aí agora postando aí e dramalhão, falando que é uma perseguição, tudo mais, tendo crises de choro.

    Prepara que a situação só vai piorar, tá? Vai piorar para todos da família Bolsonaro. Eu peço aí a sua inscrição no canal. Seguimos aqui na luta contra essa córdia fascista. Falou. M.

  • ALCOLUMBRE COLOCA POLÍCIA ATRÁS DE CIDADÃOS QUE CRITICARAM O CONGRESSO! EDUARDO CHORA EM ISRAEL!

    ALCOLUMBRE COLOCA POLÍCIA ATRÁS DE CIDADÃOS QUE CRITICARAM O CONGRESSO! EDUARDO CHORA EM ISRAEL!

    Galera, olha que absurdo e inacreditável. Parece que o presidente do Senado, senador Davial Columbri, está se sentindo o imperador do Brasil, o rei da cocada, dono da toda. Parece que ele esqueceu que foi eleito para representar e não para mandar no povo. Quem era ser o Artur Lira, que quando foi presidente da Câmara aí de quem falasse do Lira corri o risco de tomar um processo.

    Não era coisa pouca, era coisa a partir de R$ 100.000 já para intimidar mesmo. Parece que o Davial Columbre resolveu adotar a mesma postura. Depois da decisão do ministro Gilmar Mendes, que tirou da mão do Senado o poder de ficar chantagando ministros do Supremo com ameaça de impeachment, ele acha que é uma boa ideia ficar praticando censura.

    O senador Daviel Columbo, disse que vai mandar ir atrás daquelas pessoas que levantaram a tag congresso inimigo do povo e vai expor essas pessoas. Pois muito bem, senhor alumbre, eu sou uma das pessoas que falei que o Congresso é inimigo do povo. Eu estou aqui, eu estou me expondo. Eu não estou me escondendo. Essa aqui é a minha cara.

    Alcolumbre anula voto de Eduardo Bolsonaro e classifica ato como 'irregular'

    Eu estou aqui para falar com o senhor. Vou continuar dizendo isso porque isso é liberdade de expressão. Isso o artigo 5º da Constituição me garante. E quem está comigo já comenta aí. Congresso inimigo do povo. E eu não recebi um centavo para fazer isso. Eu faço isso com muito orgulho, porque esse é o pior congresso da história do nosso país.

    É um congresso que está sequestrando o orçamento da União, que fica o tempo todo ameaçando ministros do Supremo de impeachment porque não gostaram de decisão. Então, sim, é o pior congresso e é o Congresso que é inimigo do povo. Sim, e falo com muito orgulho. Agora eu vou trazer para vocês a fala do Alcol Columbre dizendo que vai mandar a polícia legislativa investigar as pessoas que colocaram Congresso inimigo do povo.

    Já vou pedir que deixe um comentário para engajar, deixa a curtida, compartilhe o vídeo, me siga e se gosta do conteúdo que eu produzo do enfrentamento à extrema direita, quem puder e quiser dar uma força, a chave é essa aqui. Qualquer apoio é muito bem-vindo. E é muito importante porque pode ser que o Davi Columbar. Alguns dias atrás era uma agressão infundada ao Congresso Brasileiro, quando algumas autoridades da República chamaram o Congresso Brasileiro de inimigo do povo.

     

    E eu conversava com as pessoas, mas é justo, Leila, o Congresso brasileiro ser tratado e patrocinado por autoridades do Brasil como um congresso inimigo do povo? Um congresso que nos últimos anos entregou ao Brasil e deu ao Brasil a capacidade de existirmos enquanto estado da federação. E um dia desses estavam por aí, patrocinado por muitos, porque a Polícia Legislativa do Senado tá investigando, a polícia legislativa da Câmara tá investigando as duas e logo mais nós teremos e vamos trazer a público aqueles que fizeram aquelas

    agressões contra o Congresso inimigo do povo. E é a mesma coisa que a presidência está vivendo nos últimos dias, como se quisesse usurpar a prerrogativa de indicar. O ato de indicação de um ministro do Supremo Tribunal Federal é um ato jurídico administrativo complexo. Viram só? Sentiu, né? não dê motivos que nós não vamos chamar o Congresso de inimigo do povo.

    Agora, a indicação do ministro do Supremo Tribunal Federal é um ato administrativo, jurídico, complexo, que cabe ao presidente da República indicar e cabe o Senado Sabatinar e não ficar tentando constranger o presidente da República para indicar o nome que o presidente do Senado deseja ver no Supremo Tribunal Federal, né, senhor Davial Columbia? Então, não nos dê motivo que nós não vamos chamar o congresso de inimigo do povo.

    E quando chamamos o Congresso de inimigo do povo, todos os membros do Congresso que fazem parte do Congresso, a gente tá colocando no mesmo bolo. Deixa aí nos comentários a sua opinião. Se concorda comigo, comenta aí: “Congresso inimigo do povo e que venha o senhor Davi Columbia”. Tamamos junto. Ai, que que é essa? Ai, cara, não aguenta não.

    Por amor de Deus, essa família já vem com a piada prontíssima e quer piada maior ainda. Cremosa Satanar, o bucho de águaaprem acaba de bater o martelo e o candidato à presidência em 2026 da excremento direita, Flávio Rachadinha, Willam Wonka da fantástica fábrica de chocolates. Obrigada, Satanaro. Bucho de égua prenha, tu acabou de enterrar excremento direita e dar de bandeja as eleições para painho Lula em 2026.

    E o outro que sentiu a Cláudia, Davi Alcobund Mary Man já baixou a bolinha, baixou o tom, porque ontem veio questionar a nossa hashag congresso inimigo do povo e hoje o povo subiu a hashag ao columbre inimigo do povo. Ah, vocês acham que nós do governo temos algum problema contra o Congresso Nacional? A gente não tem. Eu sinceramente não concordo.

    Não concordo com as emendas impositivas. Eu acho que o fato do Congresso Nacional sequestrar 50% da União é um grave eu histórico. Mas você só vai acabar com isso quando você mudar as pessoas que governem que provaram isso. Da mesma forma que eu acho histórico, gente. Eu trabalhava, eu ia na porta da Folkswag 5:30 da manhã. A tinha 40.

    000 trabalhadores produzia 1200 carros, a gente trabalhava, sabe, mesma jornada de trabalho que trabalha hoje com os avanços tecnológiczinho com o governo federal, já mandou alisar a piroquinha do Lula hoje lá no Amapá, mandando seus agradecimentos, porque agora sabe que que a população está tendo acesso à informação e vai colocar vocês nos seus devidos lugares de exsenadores e ex-deputados.

    Cheirinho no cangote dos meus apoiadores, o Jesus Gilberto, Luís Daniel, Vera, Lúcia Molinar, Joventina Firmina, João Benedito, Afran, Ivanete, Ana Cláudia Portela, Sandro Oziel, Lui Anderson e Miram Coem. Lindos vamos falar de cidadão de bem, conservador, a favor da família. a favor da moral e dos bons costumes.

    Terrivelmente evangélico, político de direita, bolsonarista e que tá sendo acusado. Olha, gabarada, que desmantelo é esse na direita? O que é que tá acontecendo com vocês? Só escândalo, só bomba, uma atrás da outra. Sabe o que é? É quando vocês dizem assim que Deus faça justiça aí Deus faz justiça.

    Tá desmoralizando e tirando as máscaras desses falsos profetas, dos falsos cristãos aí tudinho. Até dos falsos bolsonaristas. As máscaras estão caindo. Todos que ainda estão fazendo alguma coisa pelo príncipe das trevas é só para aparecer por causa de política. E o resto só escândalo. E agora mais um acusado de teó. colocado umas gaias na mulher e o escândalo tá grande.

    E por coincidência o nome do cara é Silas, mas é só uma coincidência. Bora ver aí a mulher furiosa. Quem é a vereadora? Não de mim. Eu sou deputada federal. Aceitar também não pode eu não vou cair. Não tem nada a ver. Cai fora cai fora daqui que eu estou pro federal aqui agorinha. Tá chegando aqui no exército todinho tá. Fui informado que o o meu marido, deputado federal Silas Câmara estaria em casa.

    Aí eu cheguei essa hora debaixo de chuva e o nobre e a excelência deputado federal não dorme em casa. Os funcionários pensam que ele está em casa. Isso aqui é a nossa casa, gente, ó. Ele não dorme em casa. Não dorme em casa. Não dorme em casa. Mas engana todo mundo que dorme em casa, hein, Silas? Onde é que tu tás? Ei, Gabada, eu já imagino Deus chegando, sabe? No juízo final, Deus chegando, ele pode fechar essa igreja aí, ó.

    Joga nas profundezas. Aquela igreja ali, ó. Pode jogar também. Tem alguém aqui que nunca brigou por política? Tem não. Apois eu vou voltar sozinho. O resto vai descer tudinho no tobogão das profundezas. Principalmente esses que vivem aí querendo se esconder atrás de uma religião, atrás de uma Bíblia.

    Vai descer tudinho, ó, no tobogão das profundezas. Já posso sentir até a quintura daqui. Quando vocês caírem, ó, vai ser uma temperatura tão alta lá, porque é gente caindo nas profundezas, viu? Jáada. Beijinho no chifre. Parem tudo e sentem. Esse vídeo aqui está espetacular. O Brasil parou ontem na CPMI e você precisa ver isso agora.

    Tentaram de novo incriminar o filho do presidente Lula, mas o tiro saiu pela culatra. Paulo Pimenta deu um desafio público, 12 horas para apresentarem uma única prova. Aliás, Paulo Pimenta tem passado muito tempo no Senado Federal. Eu acho que ele já tá tentando se acostumar. Sim, tentando, porque todo vídeo está Paulo Pimenta.

    Eu acho que o novo endereço dele é esse, ala, senador Nilo Coelho, plenário número dois. Acho que ele tá dormindo ali, não é possível. E adivinha, gente? Até agora nada, zero vazio. O bolsonarismo não apresentou prova nenhuma, só teatro, nenhuma evidência. E aí vem o melhor. No meio do desespero da oposição, o clima esquentou e o presidente da CPMI precisa intervir porque Paulo Pimenta chama um colega de Marreco. Sim, o Marreco de Maringá.

    Sabe quem é, né? Sérgio Moro. O ex-juiz parcial que fez parte do governo Bolsonaro e que nunca moveu um dedo para impedir o rombo do INSS. E antes que os bolsonaristas respirassem, Pimenta soltou uma bomba. É bomba. Novos documentos mostrando que o governo Bolsonaro já sabia dos desvios e não fez absolutamente nada.

    Tentaram usar a CPMI para atacar o Lula e acabaram deixar deixando claro que são quem são os verdadeiros responsáveis. E eu vou te mostrar cada detalhe dessa humilhação histórica. Tô um pouquinho rouco, tá gente? Porque eu tô um pouco gripado, mas vou te pedir para se inscrever no meu canal, dar aquela moral, porque eu tô aqui gripado, mas te passando o melhor da CPMI.

    E agora fiquem com esse espetáculo. Vamos lá, já que eles querem tanta transparência, coloca o Lurinha sentado aí. O que nós estamos assistindo aqui de uma forma covarde, senhor presidente, é vários parlamentares que se repetem fazendo acusações, sem apresentar nenhuma prova. Presidente, na minha primeira manifestação aqui hoje, já fazem mais de 12 horas, eu desafiei os deputados: “Me mostrem uma prova, me mostrem um documento, me mostrem uma conta, um depósito, um rif nesta CPI que tenha qualquer relação com o filho do presidente Lula”.

    Passaram-se 12 horas, dezenas e dezenas de parlamentares falaram: “Nenhum, presidente, nenhum apresentou uma prova”. Sabe por quê? Porque não tem. Nenhum apresentou nenhum documento. Porque não tem? Na medida que alguém fala a respeito de alguém e acusa sem prova, é o quê? É um insulto, é uma calúnia, é uma mentira.

    Portanto, senhor presidente, peço para finalizar a questão de ordem, excelência, porque tem um tempo da liderança a finalizar. Vou finalizar, pois não, mas eu não posso me calar diante da mentira. orquestrada sem provas, repetida aqui por vários parlamentares. Então eu peço a Vossa Excelência que seja observado que dispõe o artigo 19, inciso primeiro.

    Pois não, excelência, eu recolho a questão de ordem, mas desejo lembrar a Vossa Excelência que durante a sua última fala o senhor se lhe dirigiu a um colega nosso como Marreco de Tal. É uma ofensa, excelência. É uma ofensa. Está dentro do mesmo apelido aqui. Não me bota em barrega, mas tá dentro do mesmo que vossa excelência tá pedindo que use.

    Então eu eu recolho, mas marreco é ofensa. É uma ofensa, excelência. Sim, mas quando me chamamos de malagueta é ofensa? Não. Então vin pode pedir que eu mesmo se uma vez fiz, vou ficar chorando aqui. Ai me chamar de malagueto. Vou chorar. Não me chame de marreco. Está no mesmo artigo de vossa excelência. Então assim, eu nunca vi chamar.

    Ah, não me chamem de marreco, se não choro. Eu não vou chorar se me chamarem de de malaguet. É uma ofensa, excelência. ofensa eu vejo dessa forma como ofensa. Ponto. Vocês gostaria de fazer tempo de com certeza, presidente, antes me comprometi demonstrar nesta última manifestação que faço nesse semestre na CPI mais provas, mais documentos que mostram o comprometimento, a responsabilidade do governo Bolsonaro, do esquema criminoso montado do governo Bolsonaro para favorecer estas entidades que roubaram bilhões de aposentados e

     

    aposentadas. E aqui, presidente, eu trago documentos inéditos, novos documentos. Dia 6/10 de 2020, senhor presidente, quem tá acompanhando a CPI sabe que a senora Marcela, depois o Roosvell, que eram da Dirbin, deram parecer contrário ao ACT do da Conafer, do famoso mão preta foragido.

    Conafer, muito conhecido aqui da CPI, inclusive temos aqui entre os membros da CPI o chofer da CONAFER. Muito bem. Dia 6/10, depois que a Dirben resolveu dar o parecer contrário, o senhor Leonardo Rolim, presidente do NSS, faz uma minuta para discutir a mudança de competência, tirar da Dirbé e mandar para Dirat os ACTs. 6D10 D10, presidente.

    Um dia depois, parecer do Virgílio, um dia depois favorável a mandar para dirate. 8 de outubro, dois dias depois, manifestação da DAMB, divisão de acordos nacionais de benefícios que fiscalizava os ACTs. Diz a DAMB aqui, totalmente contrária. Considerando o elevado número de reclamações aqui na ouvidoria, já são mais de 3.000 denúncias.

    Cabe informar que isto será extremamente prejudicial à fiscalização, inclusive da fiscalização do acordo firmado com a CONAFER, que foi suspenso. Diz mais, nos últimos meses foram indeferidos aqui as CTS da ABP, Ideias, Sebap, CAAP, AMBEC, Sulamérica. Presidente, todas as CS tinham sido tinham sido negados, inclusive da Conferito, DDS, dois dias depois, no próprio dia 8, uma outra coordenação é chamada a opinar, coordenação de pagamento, gestão de benefícios previdenciários contra tirar da dirbem e botar na dirate.

    Presidente, logo em seguida, no dia 8 de outubro, o presidente Leonardo Rim Leonardo Rolim, independente de todas as manifestações contrárias, transfere para diat as competências da Dirbi. Presidente, no mesmo no mesmo dia 8, além de delegar as competências e publicá-las, ele começa a criar as condições para salvar a CONAFER.

    Nesse meio tempo é publicado o decreto, o decreto assinado pelo Bolsonaro, pelo Paulo Guedes e pelo Ônix. E no dia 28 de 10, senhor presidente, é concedido o aditivo da Confer. Veja o senhor presidente, em menos de 30 dias tramitou todo o processo. Tiraram as competências de uma diretoria, transferiram para outra, negaram os pareceres técnicos de todos os setores consultados e salvaram a CONAFER.

    Inclusive, com a chegada do Zé Carlos Oliveira, nunca mais a CONAFER foi fiscalizada e inclusive o dinheiro que havia sido bloqueado foi devolvido para CONAFER. Mais do que isso, senhor presidente, quando nós chegamos agora no governo e vai ser feita uma fiscalização do próprio INSS, você percebe o quê? que desde 2022 não havia mais sido fiscalizado os ACTs.

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    Por quê? Merece destaque e o governo Bolsonaro, presidente, em 2022 extinguiu a divisão de fiscalização, a DAMP extinguiu. E aí, deputado Dourinaldo, o que que acontece quando o INSS vai fazer uma fiscalização? Ele diz: “O quê?” Olha, nunca mais teve fiscalização porque a DAMB foi extinta em 21 de março até 2022.

    Então, extinguiram o órgão que fazia a fiscalização dos ACTs e diz mais. Mesmo tendo extinguido a DAMB e não tendo mais condições de fiscalização, foram concedidos 12 novos acordos. Conafer, UNASPUB, a Universo de Sergipe, a CAB da Cecília, a CBPA do nosso Franklin, a BPC que é a Mar Brasil. Então aqui tá a prova documento por documento, que não foi uma coisa por acaso, foi uma ação planejada, coordenada, com hierarquia.

    É uma organização criminosa que tem hierarquia, divisão de tarefas. E por isso, senhor presidente, os responsáveis por esse roubo, todos eles precisam ir paraa cadeia. Aqui estão os documentos que provam a responsabilidade dos gestores do governo Bolsonaro pelo roubo de bilhões de reais contra aposentados, pensionistas, presidente e BPC.

    Os atendimentos pro vício em casa de aposta triplicaram. É, vamos ser bem sincero, esse negócio de jogo vício, casa de aposta é algo preocupante. A gente precisa fazer algo para ontem. Essas casas de aposta, elas não agregam em absolutamente nada para o Brasil. Inclusive, boa parte delas, antes de você ter o mínimo de imposto, que inclusive a direita estava sendo contrária, eles mandavam praticamente toda remessa de lucro para fora do Brasil.

    Eles operam só em sites virtuais lá que o pessoal entra, aposta, coloca o dinheiro e depois, cara, perde dinheiro e o dinheiro vai para fora do país. Não gera emprego, não gera renda, não, não deixa as pessoas que apostam ricas, só vem de um sonho, uma ilusão para esses indivíduos. Eles não são culpados, né? Eles vêm ali nas apostas num desespero, talvez uma maneira de tentar melhorar de vida com um monte de influenciadores, inclusive influenciadores muito grandes e famosos, que vendem isso como um investimento, uma ideia de mudar de vida e aí acabam caindo aí no vício que agora

    o estado não consegue pé para acompanhar isso. Mas o estado de São Paulo tem o seu governador que estava fazendo lobby para que as casas de aposta não fossem taxadas. Lembrando vocês, as casas de aposta não geram nada, elas apenas sugam dinheiro das pessoas prometendo retornos. que não vão acontecer na sua grande maioria, às vezes um retorninho ali e outro, porque precisa dar aquela munição pra pessoa poder pegar aquele gosto, né, e poder apostar cada vez mais e mais.

    Então, hoje uma casa de aposta, por exemplo, não colabora para custear essas internações que são necessárias e não temos leitando devidamente os seus impostos na proporção que deveriam pagar pelo estrago que causa. Yeah.

  • A HORA CHEGOU! TOFFOLI ENCONTRA PROVA ASSINADA POR MORO E FLÁVIO DINO PAUTA O JULGAMENTO FATAL!

    A HORA CHEGOU! TOFFOLI ENCONTRA PROVA ASSINADA POR MORO E FLÁVIO DINO PAUTA O JULGAMENTO FATAL!

    O cenário político e judicial brasileiro está em um momento de intensa movimentação, com o cerco se fechando sobre o senador Sérgio Moro por meio de ações coordenadas do Supremo Tribunal Federal, STF. A recente operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, determinada pelo ministro Dias Toffoli, sinaliza um avanço significativo nas investigações que envolvem a conduta do ex-juiz durante a extinta operação Lava-Jato.

    A ação não foi um procedimento de rotina, ela foi a culminação de uma longa espera motivada pela recusa da vara em fornecer documentos cruciais solicitados pelo STF há mais de um ano. O ponto focal desta investigação é a delação premiada de Tony Garcia, um ex-deputado estadual que alegou ter atuado por muitos anos como agente secreto de Sérgio Moro.

    Segundo Garcia, essa colaboração se dava sob a coersão de um inquérito criado na própria 13ª vara. Para garantir sua liberdade e evitar uma prisão a qualquer momento, ele teria sido obrigado a cumprir uma série de missões estabelecidas pelo então juiz Moro, incluindo a coleta de informações sobre figuras políticas proeminentes como governadores e senadores.

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    A gravidade da denúncia reside na alegação de que um juiz utilizou sua autoridade judicial para criar um mecanismo de pressão e inteligência paralela. A delação de Tony Garcia não se baseia apenas em palavras. Ele apresentou provas documentais de suas alegações, incluindo documentos que teriam sido assinados pelo próprio Sérgio Moro e que detalhavam as missões a serem cumpridas.

    Diante da posse desses documentos, Toffolicou a 13ª vara todos os autos e inquéritos relacionados a Tony Garcia. A vara, no entanto, ignorou o pedido por mais de um ano, o que levou o ministro a reiterar a ordem com um ultimato. Diante da persistente não conformidade, a única alternativa legal restante foi determinar a busca e apreensão.

    A operação da Polícia Federal em Curitiba não foi uma simples retirada de caixas. A determinação judicial de Toffoli exigiu que a PF realizasse uma análise em loco dos documentos e processos dentro da própria vara com o uso de peritos especializados. Isso foi necessário devido ao imenso volume de documentos em papel da época dos fatos e para evitar que a polícia levasse material irrelevante.

    Essa análise minuciosa no local demonstra a seriedade com que o STF está tratando a obtenção das provas, buscando garantir que nenhum documento que possa comprovar a conduta de Moro seja omitido ou destruído. A análise do timing dessa operação é inevitavelmente política. A deflagração ocorre após 2 anos de espera, justamente no período que antecede um ano eleitoral.

    O senador Moro tem manifestado a intenção de concorrer ao governo do Paraná, mesmo tendo ainda 5 anos de mandato no Senado. A divulgação de investigações e o avanço de processos judiciais em momentos cruciais do calendário eleitoral, um padrão historicamente associado à própria operação Lava-Jato, agora volta-se contra seu idealizador.

    Os desdobramentos dessa operação podem impactar a elegibilidade e a viabilidade política do senador, alterando significativamente o panorama eleitoral de 2026. Simultaneamente a obtenção dessas provas, Moro enfrenta um desafio de peso na primeira turma do STF. Ele é réu em uma ação movida pelo ministro Gilmar Mendes por crimes de calúnia e difamação.

     

    O julgamento que teve um placar de 4 a 0 para torná-lo réu e foi paralisado por um pedido de vistas está agora nas mãos do ministro Flávio Dino, o atual presidente da primeira turma. A expectativa é que o julgamento seja retomado no início do próximo ano. A preocupação de Moro reside no fato de que uma eventual condenação, dependendo da pena estipulada, pode resultar em sua inelegibilidade, frustrando seus planos de candidatura.

    O cenário é complexo, pois o senador não tem o mesmo nível de blindagem no Senado Federal que seu grupo político possui na Câmara dos Deputados. Historicamente, o Senado tende a ser mais rigoroso e menos propenso a defender seus membros quando confrontados com ordens judiciais do STF. Se as investigações de Tofol prosperarem e o processo de Gilmar Mendes resultar em condenação, o senador pode se ver isolado, sem o apoio institucional necessário para evitar as consequências legais.

    O risco de inelegibilidade é real e iminente. A escalada desses eventos reflete uma profunda reconfiguração no tabuleiro político judicial do país. A ação de Dias Toffol não é isolada. Ela se insere em um contexto em que o STF está revendo e corrigindo os excessos e ilegalidades cometidas durante a condução de processos da Lava-Jato.

    A obtenção dos documentos na 13ª Vara é uma etapa fundamental para confirmar as alegações de Tony Garcia, que configuram um abuso de autoridade e uma violação das garantias fundamentais do processo legal. A transparência e a publicidade dos autos agora são cruciais para que a sociedade compreenda a extensão e a natureza dos atos investigados.

    A reação do senador Moro, amplamente divulgada pela mídia, tem sido a de alegar perseguição política e questionar a lisura das investigações, desqualificando Tony Garcia como um criminoso condenado. No entanto, é importante observar que a condenação do delator foi feita pelo próprio Moro, o que torna a defesa dele complexa.

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    A imprensa, de fato, tem dedicado um espaço considerável à versão do senador, o que pode influenciar a percepção pública. Contudo, o que está em jogo é a comprovação documental dos fatos e não apenas a narrativa midiática. A busca pela verdade processual é o que deve prevalecer. O avanço das investigações contra Moro, somado à recente decisão do ministro Gilmar Mendes sobre as regras de impeachment de ministros do STF, representa um golpe na estratégia de longo prazo da extrema direita.

    O plano de buscar uma maioria no Senado para derrubar ministros do STF por decisão política foi desmantelado pela decisão de Mendes, que centralizou a prerrogativa do impeachment na Procuradoria Geral da República, PGR, e limitou a abertura de processos a casos de crimes comprovados e não a decisões judiciais.

    Isso retira o poder de chantagem do Senado sobre o judiciário e isola ainda mais as figuras políticas que, como Moro, se candidataram com o objetivo declarado de reformar o STF a partir do legislativo. O quadro geral mostra que o ano de 2026 será de intensas disputas judiciais para o senador Moro. Ele enfrentará não apenas o processo de calúnia, que pode resultar em inelegibilidade, mas também os desdobramentos da delação de Tony Garcia.

    A convergência de fatos e a determinação do STF em avançar com a obtenção de provas sugerem que o senador será submetido a um escrutínio rigoroso que poderá culminar em sanções legais. O papel de Flávio Dino, ao pautar ou não o julgamento na primeira turma, será fundamental para definir o futuro político do senador.

    A legalidade e a imparcialidade do processo devem ser garantidas, mas as evidências reunidas até o momento indicam que a situação jurídica do senador Moro é extremamente delicada. A verdade sobre as ações de Curitiba e os documentos de Toffol precisam ser reveladas. Clique no ícone Valeu Demais, Super thanks, logo abaixo, e envie sua contribuição para manter o Manifesto Brasil forte nessa denúncia.