Author: nguyenhuy8386

  • Ela era “incurável” — Foi vendida pelos pais a um médico cruel (México, 1865)

    Ela era “incurável” — Foi vendida pelos pais a um médico cruel (México, 1865)

    No ano de 1865, quando o império de Maximiliano de Habsburgo começava a desmoronar-se sob o peso da resistência republicana, existia nos arredores de Guadalajara uma pequena povoação chamada San Miguel de los Remedios. Era um lugar onde as casas de adobe se estendiam em fileiras irregulares, conectadas por trilhos poeirentos que serpenteavam entre cactos e mesquites.


    O ar sempre carregava o aroma do copal queimado nas igrejas e o som distante dos sinos que marcavam as horas de uma vida que decorria lenta, quase imutável. Numa dessas casas, construída com muros grossos de barro e telhada com telhas vermelhas que o tempo tinha escurecido, vivia a família Hernández Morales.


    Joaquín Hernández, um homem de 42 anos de idade, trabalhava como carpinteiro nas oficinas próximas da praça principal. A sua esposa, María Dolores Morales, dedicava-se a costurar roupas para as famílias mais abastadas da vila. Tinham cinco filhos, mas era a mais pequena, Carmen Hernández Morales, de 18 anos de idade, quem tinha trazido à família uma preocupação constante desde o seu nascimento.


    Carmen tinha chegado ao mundo com o que as parteiras da região chamavam o mal dos ossos quebrados. Os seus membros pareciam frágeis como ramos secos e qualquer movimento brusco podia resultar em fraturas que demoravam meses a sarar. Os médicos locais, poucos e com conhecimentos limitados, tinham declarado a sua condição como incurável.


    Alguns sugeriam que era um castigo divino, outros falavam de sangue herdado de gerações anteriores. O certo era que Carmen, apesar da sua condição, tinha crescido até se converter numa jovem de notável inteligência e beleza, com olhos profundamente escuros que pareciam guardar segredos que o seu corpo frágil não podia expressar.


    A casa dos Hernández estava localizada na Calle Real, uma artéria que conectava o centro de San Miguel com os caminhos que levavam às fazendas açucareiras do vale. Era uma construção modesta mas sólida, com um pátio central onde María Dolores cultivava ervas medicinais e flores de sempasúchil. Os quartos distribuíam-se à volta deste espaço e o mais pequeno, onde dormia Carmen, dava para o norte, recebendo apenas umas horas de luz solar direta durante o dia.


    Durante os primeiros meses de 1865, a situação económica da família tinha começado a deteriorar-se. A guerra entre republicanos e imperialistas tinha afetado o comércio local e as encomendas de carpintaria de Joaquín tinham-se tornado escassas. María Dolores tentava compensar cosendo dia e noite, mas os pagamentos eram cada vez mais irregulares.


    Os gastos médicos de Carmen, embora limitados pela falta de tratamentos eficazes, continuavam a ser uma carga constante. As medicinas que aliviavam a sua dor, principalmente preparados de ópio e extratos de ervas, deviam ser compradas na farmácia da vila a preços cada vez mais elevados.


    Foi neste contexto de desespero económico que chegou a San Miguel de los Remedios o Dr. Aurelio Mendoza Castillo. Tratava-se de um homem de aproximadamente 50 anos de idade, de compleição robusta e cabelo grisalho, que vestia sempre fatos escuros e carregava uma bengala com punho de prata. Tinha chegado da Cidade do México, segundo ele próprio contava, fugindo dos distúrbios políticos que abalavam a capital.


    Trazia consigo cartas de recomendação assinadas por médicos de prestígio, documentos que atestavam a sua experiência no tratamento de doenças raras e degenerativas. O Dr. Mendoza estabeleceu o seu consultório numa casa grande que tinha pertencido a uma família de comerciantes prósperos localizada na praça principal em frente à igreja paroquial.


    Era uma construção de dois andares, com varandas de ferro forjado e uma porta principal de madeira maciça que permanecia fechada a maior parte do tempo. Nas janelas do andar superior, de onde o doutor atendia os seus pacientes, havia sempre cortinas corridas que impediam ver o interior. Os habitantes da vila depressa começaram a referir-se ao lugar como a casa do doutor forasteiro, embora nunca de maneira depreciativa, pois a presença de um médico educado na capital representava um luxo que San Miguel nunca tinha tido.


    Nas primeiras semanas depois da sua chegada, o Dr. Mendoza dedicou-se a estabelecer relações com as famílias mais influentes da vila. Atendia gratuitamente os filhos dos comerciantes prósperos e oferecia consultas a preços reduzidos para aqueles casos que considerava de interesse científico. A sua fama cresceu rapidamente quando conseguiu curar a filha do presidente da câmara de uma febre persistente que tinha desafiado os curandeiros locais durante meses.


    A notícia do seu sucesso espalhou-se por toda a vila e depressa começaram a chegar pacientes de povoações vizinhas. Foi María Dolores quem primeiro ouviu falar das habilidades especiais do Dr. Mendoza para tratar doenças consideradas incuráveis. Uma vizinha, cujo filho tinha sido tratado com sucesso pelo médico, comentou-lhe que o doutor tinha mencionado ter experiência particular com malformações ósseas e debilidades congénitas. A esperança, essa sensação que a família tinha aprendido a suprimir durante os 18 anos de vida de Carmen, começou a renascer no coração da mãe.


    A consulta inicial teve lugar numa terça-feira de julho, quando o calor do verão convertia as ruas de San Miguel em rios de pó incandescente. Joaquín e María Dolores levaram Carmen ao consultório do Dr. Mendoza, carregando-a numa cadeira de madeira especialmente concebida para evitar movimentos que pudessem danificar os seus ossos frágeis. A sala de espera era ampla e fresca, decorada com livros médicos encadernados em couro e estranhos instrumentos que brilhavam sob a luz que se filtrava pelas janelas.


    O doutor Mendoza recebeu a família com uma cortesia que raiava a solenidade. Examinou Carmen durante mais de duas horas, apalpando cuidadosamente os seus membros, medindo as proporções do seu crânio e tirando notas detalhadas num caderno de capas pretas. As suas perguntas eram precisas e técnicas.


    Queria saber sobre a história médica de ambos os ramos familiares, sobre os sintomas específicos que Carmen tinha apresentado desde a infância, sobre as fraturas mais graves que tinha sofrido e como tinham sarado. Ao finalizar o exame, o Dr. Mendoza dirigiu-se aos pais com uma expressão grave mas esperançosa.


    Explicou que a condição de Carmen era efetivamente rara, mas que tinha tido experiência tratando casos semelhantes em hospitais europeus durante os seus estudos de aperfeiçoamento em Paris. Mencionou tratamentos experimentais que envolviam a aplicação de metais específicos sobre os ossos, terapias de imersão em soluções minerais e o uso de aparelhos mecânicos concebidos para fortalecer gradualmente o sistema ósseo.


    No entanto, advertiu que o tratamento seria longo, complexo e requereria que Carmen permanecesse sob o seu cuidado direto durante períodos extensos. Os procedimentos eram delicados e necessitavam de supervisão constante, monitorização noturna e ajustes diários nas medicações. Seria impossível realizar o tratamento mediante visitas esporádicas ao consultório.


    Carmen teria que viver na casa do doutor durante o tempo que durasse o processo de cura, que poderia estender-se entre 6 meses e 2 anos dependendo de como o seu organismo respondesse. A proposta do doutor Mendoza incluía não somente o tratamento médico, mas também que Carmen recebesse educação formal durante a sua estadia.


    O médico assegurou que tinha conhecimentos em letras, matemática e até idiomas estrangeiros, habilidades que poderiam ser de grande valor para o futuro da jovem. Esta oferta educativa era particularmente atrativa para uma família que jamais tinha podido custear a educação dos seus filhos para lá das lições básicas dadas pelo pároco local.


    O custo do tratamento, no entanto, representava uma soma que estava completamente fora do alcance económico da família Hernández. O Dr. Mendoza pediu 500 pesos como pagamento inicial, mais 100 pesos mensais durante todo o período de tratamento. Para colocar esta quantidade em perspetiva, o salário anual de Joaquín como carpinteiro não superava os 200 pesos nos melhores anos.


    A família teria que vender a sua casa, as suas ferramentas de trabalho e possivelmente contrair dívidas que os acompanhariam durante décadas. Foi então que o Dr. Mendoza propôs uma alternativa que, segundo ele, tinha utilizado noutros casos semelhantes quando as famílias não podiam custear os tratamentos. Carmen poderia trabalhar na sua casa como assistente durante os anos posteriores à sua cura.


    Ajudando com tarefas administrativas, o cuidado de outros pacientes e a organização da sua biblioteca médica. Seria uma forma de pagamento diferido que permitiria à família aceder ao tratamento sem arruinar-se financeiramente. Carmen receberia alimentação, alojamento e educação contínua, enquanto o seu trabalho compensaria gradualmente o custo da sua cura.


    A decisão não foi imediata. Joaquín e María Dolores solicitaram tempo para consultar com outros membros da família e refletir sobre a proposta. Durante as semanas seguintes, a casa dos Hernández converteu-se em cenário de longas conversas noturnas, onde se debatiam as vantagens e riscos de confiar a vida de Carmen a um médico que, apesar das suas credenciais, continuava a ser um forasteiro na vila.


    Os irmãos mais velhos de Carmen tinham opiniões divididas. Pedro, o mais velho, de 26 anos de idade, trabalhava como comerciante no mercado local e acreditava que a família deveria tentar reunir o dinheiro necessário para um tratamento convencional, embora isto implicasse anos de sacrifício económico.


    Luis, de 24 anos de idade, que tinha aprendido o ofício de carpinteiro junto ao seu pai, considerava que a proposta do doutor era a única oportunidade real que Carmen tinha de melhorar a sua condição. Ana, de 22 anos de idade, a irmã que mais tempo passava a cuidar de Carmen, era quem demonstrava maior inquietação sobre a ideia de separá-la da família durante tanto tempo.


    Tinha notado que Carmen, apesar da sua fragilidade física, era emocionalmente dependente da rotina familiar e do cuidado constante que recebia em casa. A ideia de que vivesse com estranhos, por mais qualificados que fossem, gerava-lhe uma ansiedade que não conseguia explicar com palavras. José, o segundo filho de 20 anos de idade, tinha herdado o temperamento prático do seu pai e via na proposta do doutor uma solução que beneficiava todos os membros da família.


    Se Carmen se curasse e ainda recebesse educação avançada, poderia ter um futuro próspero que compensaria os anos de doença. Além disso, a ausência dos gastos médicos constantes permitiria à família estabilizar a sua situação económica. Carmen mesma participou nestas discussões familiares com uma maturidade que superava os seus 18 anos de idade.


    A sua condição tinha-a obrigado a desenvolver uma perspetiva sobre a vida que combinava resignação e esperança em proporções cuidadosamente equilibradas. Entendia que o tratamento proposto pelo Dr. Mendoza representava possivelmente a sua única oportunidade de experimentar uma vida sem as limitações constantes que tinha conhecido desde a infância.


    Durante este período de deliberação, o Dr. Mendoza visitou a casa dos Hernández em duas ocasiões. Na primeira visita trouxe consigo livros médicos com ilustrações detalhadas de casos semelhantes ao de Carmen, mostrando os resultados bem-sucedidos que tinha obtido com os seus tratamentos experimentais.


    As imagens mostravam radiografias, um procedimento que poucos habitantes de San Miguel conheciam, onde se podia observar a progressiva força que adquiriam os ossos submetidos às suas terapias. A segunda visita do doutor teve lugar num domingo à tarde quando toda a família estava reunida no pátio depois da missa dominical. Nesta ocasião o médico comportou-se de maneira mais informal, conversando sobre temas gerais e demonstrando um conhecimento surpreendente sobre a história local e as tradições da vila. Esta familiaridade com a cultura regional tranquilizou parcialmente as preocupações dos pais sobre confiar a sua filha a um completo forasteiro.


    O doutor também aproveitou esta visita para examinar novamente Carmen, mas desta vez na presença de toda a família, explicando cada passo da sua avaliação médica. Salientou como as fraturas anteriores tinham sarado de maneira deficiente, criando deformidades que limitavam o movimento e força da jovem.


    Descreveu, com termos técnicos, mas compreensíveis, como os seus tratamentos poderiam corrigir gradualmente estas imperfeições e fortalecer o sistema ósseo completo. Ao finalizar agosto de 1865, depois de semanas de consideração, a família Hernández tomou a decisão de aceitar a proposta do Dr. Mendoza.


    A escolha final foi influenciada por vários fatores. A deteriorada situação económica familiar, a falta de alternativas médicas locais, as credenciais aparentemente sólidas do doutor e sobretudo a esperança de que Carmen pudesse finalmente ter uma vida normal. Os preparativos para a mudança de Carmen para a casa do doutor começaram imediatamente.


    María Dolores preparou um baú com os pertences pessoais da sua filha, roupa cuidadosamente cosida, alguns livros de orações, um terço que tinha pertencido à sua avó materna e uma pequena imagem da Virgem de Guadalupe talhada em madeira. Carmen também levou consigo um caderno onde tinha escrito poemas e reflexões durante os longos períodos de repouso que a sua condição requeria. O Dr. Mendoza forneceu instruções específicas sobre como Carmen devia preparar-se para o início do tratamento.


    Durante os dias prévios devia seguir uma dieta especial rica em leite e ovos, evitar qualquer esforço físico e tomar preparados de ervas que, segundo ele, fortaleceriam o seu organismo para os procedimentos que viriam. Também solicitou que lhe trouxessem todos os registos médicos disponíveis, incluindo as notas das parteiras que tinham assistido ao seu nascimento e qualquer documento que detalhasse as fraturas e tratamentos prévios.


    A despedida teve lugar numa tarde de setembro, quando as primeiras chuvas do outono tinham refrescado o ambiente e enchido o ar com o aroma a terra húmida. Toda a família acompanhou Carmen até à casa do Dr. Mendoza, carregando os seus pertences numa carroça emprestada por Pedro.


    O percurso da Calle Real até à praça principal demorou apenas uns minutos. Mas para a família representou uma separação que sentiam como permanente, embora todos esperassem que fosse temporária. O Dr. Mendoza recebeu Carmen com formalidade profissional, mas também com uma calidez que tranquilizou parcialmente os pais. Mostrou-lhes o quarto que tinha preparado para ela no andar superior da casa.


    Um espaço amplo e bem ventilado, com uma cama especialmente concebida para proporcionar o suporte necessário para a sua condição óssea. O quarto tinha uma janela que dava para a praça, de onde Carmen poderia observar a vida quotidiana da vila e sentir-se conectada com a comunidade.


    Os primeiros dias de Carmen na casa do doutor Mendoza decorreram segundo a rotina estabelecida. As manhãs começavam cedo com um pequeno-almoço especial preparado segundo as indicações médicas do doutor. Depois vinham as sessões de tratamento, que inicialmente consistiam principalmente em banhos em soluções minerais e a aplicação de unguentos nas áreas onde as fraturas prévias tinham deixado deformidades.


    O doutor tinha explicado que o processo de cura seria gradual e que os primeiros resultados visíveis não apareceriam senão depois de várias semanas. Durante este período inicial, Carmen também começou a receber lições educativas. O Dr. Mendoza demonstrou ser efetivamente um homem educado, com conhecimentos em literatura, história e matemática que superavam consideravelmente a educação média disponível em San Miguel de los Remedios.


    As tardes eram dedicadas a exercícios de fortalecimento muito suaves, concebidos especificamente para a condição de Carmen. Estes consistiam principalmente em movimentos controlados dos membros, sempre sob a supervisão direta do doutor, quem monitorizava qualquer sinal de dor ou fadiga.


    Carmen também ajudava com tarefas administrativas simples como organizar os livros médicos do doutor e copiar notas em caligrafia cuidadosa. Aos domingos Carmen recebia visitas da sua família. María Dolores chegava sempre carregada de comida caseira e notícias do lar, enquanto Joaquín aproveitava estas visitas para conversar com o doutor sobre o progresso do tratamento.


    Durante estas reuniões familiares, Carmen parecia animada e otimista, relatando melhorias no seu nível de energia e descrevendo os conhecimentos que estava a adquirir durante as suas lições educativas. No entanto, foi durante a terceira semana de outubro quando María Dolores notou a primeira mudança preocupante no comportamento da sua filha.


    Carmen tinha começado a falar menos durante as visitas familiares. Respondia às perguntas de maneira mais breve e parecia evitar o contacto visual direto. Quando María Dolores perguntou se se sentia bem, Carmen assegurou que o tratamento avançava segundo o esperado, mas a sua mãe detetou uma tensão na sua voz que não tinha estado presente em visitas anteriores. O Dr. Mendoza explicou estes câmbios como parte normal do processo de adaptação.


    Segundo ele, os tratamentos intensivos frequentemente causavam fadiga emocional temporária e era comum que os pacientes passassem por períodos de introspeção e menor sociabilidade. Assegurou que esta fase era transitória e que Carmen recuperaria a sua personalidade habitual assim que o seu organismo se acostumasse completamente aos procedimentos médicos.


    Durante o mês de novembro, as visitas familiares tornaram-se menos frequentes. O Dr. Mendoza explicou que Carmen tinha entrado numa fase crítica do tratamento, onde a exposição a emoções fortes podia interferir com o processo de cura.


    As visitas foram reduzidas a uma por semana e estas deviam ser breves, de não mais de uma hora de duração. Além disso, o doutor solicitou que as visitas fossem individuais, já que a presença de múltiplos familiares podia resultar excessivamente estimulante para Carmen. María Dolores foi a única que manteve as visitas semanais regulares.


    Durante estas reuniões notou que Carmen tinha perdido peso de maneira notável e que a sua pele tinha adquirido uma palidez que não podia atribuir-se unicamente à falta de exposição solar. Quando perguntou sobre estes câmbios físicos, o Dr. Mendoza atribuiu-os aos efeitos secundários temporários das medicinas especializadas que Carmen estava a tomar para fortalecer o seu sistema ósseo.


    As respostas do doutor eram sempre tecnicamente convincentes, cheias de termos médicos que María Dolores não podia compreender completamente, mas que soavam autoritários e profissionais. Mencionava processos de reestruturação óssea, realinhamento calcário e reconfiguração do tecido conjuntivo como explicações para os câmbios que a família observava em Carmen.


    Foi durante a segunda semana de dezembro quando Joaquín insistiu em acompanhar a sua esposa numa visita para avaliar pessoalmente o progresso do tratamento. O Dr. Mendoza mostrou certa reticência inicial, argumentando que a presença do Pai podia ser emocionalmente perturbadora para Carmen no seu estado atual de tratamento.


    No entanto, perante a insistência de Joaquín, acedeu a permitir uma visita conjunta de duração limitada. Durante esta visita, Joaquín notou vários detalhes que aumentaram a sua inquietação sobre a situação de Carmen. A sua filha parecia não somente mais magra e pálida, mas também mais reservada emocionalmente.


    Respondia às perguntas com frases curtas e parecia constantemente consciente da presença do Dr. Mendoza, olhando-o antes de responder qualquer pergunta, como se procurasse aprovação para as suas palavras. Quando Joaquín perguntou especificamente sobre os progressos médicos, Carmen descreveu os tratamentos em termos vagos e gerais, mencionando exercícios especiais e medicinas novas, mas sem proporcionar detalhes concretos sobre os procedimentos ou resultados.


    Esta falta de especificidade contrastava notavelmente com a personalidade naturalmente curiosa e detalhista que Carmen tinha demonstrado durante toda a sua vida. O Dr. Mendoza interveio frequentemente durante a conversação complementando ou clarificando as respostas de Carmen, de maneiras que, embora parecessem ser úteis, também limitavam a comunicação direta entre pai e filha.


    Explicou que os pacientes em tratamento intensivo frequentemente tinham dificuldades para descrever tecnicamente os procedimentos médicos complexos e que era normal que dependessem dos seus médicos para explicar os processos de cura. Ao finalizar a visita, quando Joaquín e María Dolores se preparavam para se ir embora, Carmen acompanhou-os até à porta principal.


    Foi neste momento, quando o doutor Mendoza se tinha retirado momentaneamente para procurar alguns papéis, que Carmen sussurrou rapidamente aos seus pais que tudo estava bem, mas que sentia muitas saudades da sua casa. O seu tom tinha uma urgência que os seus pais não puderam interpretar claramente, mas que os deixou com uma sensação de inquietação que persistiu durante dias.


    Os dias seguintes a esta visita foram marcados por conversas frequentes entre Joaquín e María Dolores sobre o que tinham observado. Ambos partilhavam a sensação de que algo não estava completamente bem, mas também não podiam identificar problemas específicos que justificassem intervir no tratamento médico.


    Carmen tinha dito que se sentia bem. O doutor tinha proporcionado explicações racionais para todos os câmbios observados e os sintomas físicos podiam efetivamente ser parte normal de um tratamento médico intensivo. Durante as seguintes duas semanas, as visitas familiares foram suspensas completamente. O Dr. Mendoza enviou uma mensagem explicando que Carmen tinha contraído uma febre menor que requeria isolamento temporário para evitar complicações. Assegurou que se tratava de uma reação comum durante as fases avançadas do tratamento ósseo, quando o organismo se ajustava às novas medicações e que Carmen se recuperaria completamente em poucos dias.


    Esta suspensão de visitas estendeu-se muito para lá dos poucos dias prometidos inicialmente. Cada vez que Joaquín ou María Dolores se apresentavam na casa do doutor para perguntar sobre Carmen, recebiam explicações sobre complicações menores que requeriam extensão do período de isolamento.


    O doutor mencionava riscos de contágio, necessidade de repouso absoluto ou fases delicadas do tratamento que não podiam ser interrompidas. Foi Ana, a irmã de Carmen, quem primeiro expressou abertamente as suas suspeitas sobre a situação. Durante uma reunião familiar, no início de janeiro de 1866, argumentou que as explicações do doutor se tinham tornado cada vez mais vagas e que o período de isolamento era excessivamente longo para qualquer febre menor.


    Propôs que a família deveria insistir em ver Carmen, independentemente das objeções médicas do Dr. Mendoza. Pedro, o irmão mais velho, partilhava estas preocupações, mas argumentava que desafiar abertamente um médico sem evidência concreta de problemas podia ter consequências negativas. Se o doutor Mendoza era efetivamente competente e honesto, uma confrontação hostil por parte da família podia resultar na suspensão do tratamento, perdendo assim a única oportunidade de cura que Carmen tinha tido.


    O dilema familiar intensificou-se quando José, durante uma visita ao mercado local, escutou comentários vagos de outros habitantes da vila sobre ruídos estranhos que se escutavam ocasionalmente na casa do Dr. Mendoza durante as noites. Estes comentários eram imprecisos e podiam ter explicações inocentes, mas acrescentavam uma dimensão adicional de inquietação às preocupações familiares existentes.


    Ruídos estranhos foram mencionados pela primeira vez por Esperanza Villanueva, uma mulher de 60 anos de idade que vivia numa casa localizada diagonalmente em frente à praça principal. Esperanza tinha fama na vila pelos seus hábitos de observação meticulosa e a sua tendência a notar detalhes que outros passavam por alto.


    Segundo os seus relatos, durante algumas noites tinha escutado sons que descrevia como lamentos prolongados provenientes do andar superior da casa do doutor. Estes relatos foram corroborados parcialmente por Tomás Aguilar, o sineiro da igreja paroquial, quem durante as suas rondas noturnas para tocar os sinos das horas, tinha notado luzes que se acendiam e apagavam irregularmente nas janelas do segundo andar da casa do doutor.


    Tomás explicou que as luzes pareciam mover-se de quarto em quarto a horas incomuns, geralmente entre as 2 e as 4 da madrugada. No entanto, estes testemunhos não eram conclusivos. Os sons noturnos podiam explicar-se como parte de tratamentos médicos que requeriam atenção durante todas as horas do dia e as luzes irregulares podiam indicar simplesmente que o doutor mantinha um horário de trabalho não convencional para monitorizar a sua paciente.


    Além disso, tanto Esperanza como Tomás admitiam que as suas observações eram fragmentárias e que podiam estar a interpretar incorretamente sons e luzes que tinham explicações completamente ordinárias. Foi Luis quem propôs uma solução que equilibrava a necessidade de verificar o bem-estar de Carmen com o respeito pela autoridade médica do Dr. Mendoza.


    Sugeriu que a família solicitasse uma reunião formal com o doutor para discutir o progresso do tratamento e estabelecer um cronograma específico para a retoma de visitas familiares regulares. Esta aproximação permitiria avaliar a situação sem parecer confrontacional ou desconfiada. A reunião foi programada para uma terça-feira de fevereiro no consultório do Dr. Mendoza.


    Assistiram Joaquín, María Dolores e Pedro como representantes da família. O doutor recebeu-os com a sua cortesia habitual, mas María Dolores notou uma tensão no seu comportamento que não tinha estado presente em encontros anteriores. As suas respostas às perguntas familiares eram corretas, mas pareciam ensaiadas, como se tivesse antecipado as inquietações que lhe apresentariam.


    Quando Joaquín solicitou ver Carmen durante a reunião, o doutor explicou que ela estava a dormir sob os efeitos de sedativos necessários para um procedimento médico realizado nessa mesma manhã. Assegurou que despertá-la prematuramente podia interferir com o processo de recuperação e propôs programar uma visita para a semana seguinte, quando Carmen tivesse tido tempo suficiente para recuperar completamente.


    O doutor também aproveitou a reunião para informar sobre o progresso significativo que Carmen tinha alcançado durante as últimas semanas. Segundo os seus relatórios, as estruturas ósseas da jovem tinham começado a mostrar sinais de fortalecimento e as deformidades causadas por fraturas anteriores estavam a responder positivamente aos tratamentos especializados.


    Mencionou que o processo tinha alcançado uma fase onde os resultados começariam a ser visivelmente evidentes, mas que qualquer interrupção prematura podia reverter os avanços alcançados. Estas notícias otimistas foram recebidas com alívio pela família, mas também com uma cautela que tinham desenvolvido durante os meses de separação.


    Pedro perguntou especificamente sobre o cronograma estimado para a finalização do tratamento e o doutor respondeu que baseando-se no progresso atual esperava que Carmen pudesse regressar ao seu lar antes do final do ano, possivelmente durante o outono de 1866. A visita programada para a semana seguinte foi adiada novamente devido ao que o doutor descreveu como uma recaída temporal no progresso de Carmen.


    Explicou que estes retrocessos eram comuns em tratamentos experimentais e que requeriam ajustes imediatos nos procedimentos médicos. Assegurou que a situação se estabilizaria rapidamente, mas que precisava de concentração completa para fazer os ajustes necessários sem distrações externas. Durante o mês de março, a comunicação entre a família e o Dr. Mendoza tornou-se cada vez mais esporádica.


    As consultas sobre o estado de Carmen eram respondidas com notas escritas, enviadas através de mensageiros, já que o doutor afirmava estar demasiado ocupado com o tratamento intensivo para receber visitas pessoais. Estas notas continuavam a ser otimistas sobre o progresso médico, mas proporcionavam cada vez menos detalhes específicos sobre os procedimentos ou o estado emocional de Carmen.


    Foi Ana quem tomou a iniciativa de procurar informação adicional através de canais alternativos. Começou a frequentar o mercado local em horários específicos para escutar conversas sobre a casa do Dr. Mendoza e estabeleceu conversas casuais com vendedores e compradores que passavam regularmente em frente à praça principal. Os seus esforços por recolher informação foram discretos mas sistemáticos.


    Através destas investigações informais, Ana descobriu que vários habitantes da vila tinham notado mudanças nos padrões de atividade na casa do doutor. Mercedes Rojas, uma vendedora de flores que instalava a sua banca na praça durante as manhãs, tinha observado que as cortinas do andar superior permaneciam fechadas constantemente, mesmo durante as horas de maior luz solar.


    Esta observação contrastava com os primeiros meses depois da chegada de Carmen, quando as janelas se abriam regularmente para ventilação. Adicionalmente, Rosario Delgado, quem fornecia pão fresco às casas abastadas da vila, reportou que as suas entregas à casa do doutor tinham mudado significativamente. Durante os primeiros meses do tratamento de Carmen, o doutor ordenava pão suficiente para duas pessoas, mas desde janeiro tinha reduzido os seus pedidos a quantidades que pareciam apropriadas para uma só pessoa. Quando Rosario perguntou casualmente sobre esta mudança, o doutor explicou que Carmen tinha desenvolvido intolerâncias alimentares temporárias que requeriam uma dieta muito específica.


    Estes fragmentos de informação, embora não conclusivos individualmente, começaram a formar um padrão que aumentava as preocupações familiares. A ausência total de visitas, a falta de comunicação direta com Carmen e as observações dos vizinhos sobre mudanças na rotina da casa criavam um conjunto de circunstâncias que a família já não podia ignorar. Durante os primeiros dias de abril, Joaquín tomou a decisão de confrontar diretamente o Dr. Mendoza, exigindo ver a sua filha sem mais demoras.


    Acompanhado por Pedro e Luis, apresentou-se na casa do doutor durante uma tarde chuvosa, quando as ruas de San Miguel estavam praticamente desertas. O doutor inicialmente recusou-se a recebê-los enviando através da sua porta uma mensagem explicando que Carmen estava a passar por uma crise médica que requeria isolamento absoluto.


    A resposta do doutor provocou uma reação que tinha estado a gerar-se durante meses. Joaquín, normalmente um homem de temperamento moderado, levantou a voz exigindo provas do bem-estar da sua filha. Pedro apoiou o seu pai argumentando que 6 meses sem contacto direto era uma situação inaceitável, independentemente das justificações médicas.


    A confrontação atraiu a atenção de vários vizinhos que se aproximaram para observar o desenvolvimento da situação. Foi neste momento de tensão quando o Dr. Mendoza finalmente abriu a porta, mas a sua aparência tinha mudado notavelmente desde os últimos encontros. Tinha perdido peso.


    A sua roupa parecia desleixada e os seus olhos mostravam uma fadiga que sugeria noites sem dormir. As suas primeiras palavras foram para lamentar profundamente informar que Carmen tinha falecido três semanas atrás devido a complicações súbitas relacionadas com a sua condição óssea congénita. O silêncio que se seguiu a esta revelação foi total.


    O doutor explicou que a morte tinha sido repentina, causada por uma fratura interna nas costelas que tinha perfurado os pulmões sem sintomas externos evidentes. Segundo o seu relato, tinha tentado salvar Carmen mediante procedimentos de emergência, mas a fragilidade extrema do seu sistema ósseo tinha tornado impossível qualquer intervenção cirúrgica eficaz. María Dolores, quem tinha chegado a correr ao escutar as vozes elevadas na praça, colapsou ao receber a notícia.


    O doutor explicou que tinha adiado informar a família porque tinha estado a realizar estudos postmortem para compreender melhor as causas do falecimento e proporcionar respostas específicas sobre o que tinha corrido mal durante o tratamento. As perguntas sobre o paradeiro do corpo de Carmen foram respondidas com explicações sobre a necessidade de cremação imediata devido a riscos de contágio associados com as medicinas experimentais que tinha estado a receber.


    O doutor assegurou que tinha seguido todos os protocolos médicos apropriados e que tinha documentação detalhada sobre os procedimentos realizados tanto durante o tratamento como depois do falecimento. No entanto, a família exigiu ver esta documentação e obter uma segunda opinião médica sobre as causas de morte. O Dr. Mendoza acedeu a proporcionar todos os registos médicos, mas explicou que os documentos estavam no seu consultório privado e que necessitaria de tempo para os organizar apropriadamente. Programou uma reunião para o dia seguinte, onde apresentaria todos os detalhes médicos e responderia qualquer pergunta que a família pudesse ter.


    Essa noite a família Hernández não dormiu. A casa na Calle Real encheu-se de vizinhos e familiares estendidos que chegaram para oferecer condolências e apoio. No entanto, as conversações estavam dominadas por perguntas sem resposta sobre as circunstâncias da morte de Carmen e a demora em informar a família. Vários vizinhos expressaram as suas próprias suspeitas sobre o Dr. Mendoza, mencionando comportamentos que tinham notado, mas que não tinham considerado significativos até agora.


    A reunião programada para o dia seguinte nunca teve lugar. Durante as primeiras horas da madrugada, vários habitantes da vila notaram atividade incomum na casa do doutor Mendoza. Observaram-se luzes em movimento e sons que sugeriam que alguém estava a carregar objetos pesados. Ao amanhecer, quando Joaquín e os seus filhos se apresentaram para a reunião acordada, encontraram a casa completamente vazia. O Dr.


    Aurelio Mendoza Castillo tinha desaparecido durante a noite, levando consigo todos os seus pertences, documentos médicos e qualquer evidência sobre o tratamento de Carmen. Os quartos estavam completamente despojados, sem móveis, livros ou instrumentos médicos. Até as cortinas tinham sido removidas, deixando as janelas nuas e a casa com um eco oco que amplificava os passos dos investigadores.


    A busca de evidências na casa vazia revelou alguns detalhes perturbadores. No quarto do andar superior que supostamente tinha sido ocupado por Carmen, Pedro descobriu manchas no chão de madeira que pareciam ter sido limpas recentemente, mas que ainda mostravam descoloração. No pátio traseiro, Luis encontrou restos de cinzas que poderiam ter sido resultado da queima de papéis, roupa ou outros materiais orgânicos.


    As autoridades locais, limitadas nos seus recursos e experiência com casos desta natureza, iniciaram uma investigação que depressa demonstrou ser inadequada para as circunstâncias. O presidente da câmara, quem tinha sido tratado com sucesso pelo Dr. Mendoza, mostrava-se reticente a aceitar acusações graves contra um médico que tinha proporcionado serviços valiosos à vila.


    A falta de um corpo, documentos médicos ou testemunhas diretas tornava extremamente difícil proceder com ações legais específicas. Durante as semanas seguintes, a investigação revelou que as credenciais do Dr. Mendoza eram impossíveis de verificar. As cartas de recomendação que tinha apresentado ao chegar à vila continham assinaturas que não coincidiam com os médicos mencionados e as instituições europeias que supostamente atestavam a sua experiência não tinham registos da sua existência.


    Até o seu nome podia ter sido falso, já que não se encontraram registos oficiais de um Dr. Aurelio Mendoza Castillo nos arquivos médicos da Cidade do México. A busca do doutor estendeu-se a povoações vizinhas, mas foi infrutífera. Parecia ter-se desvanecido completamente, possivelmente utilizando documentos de identidade alternativos para continuar a sua fuga para destinos desconhecidos.


    Alguns relatórios não confirmados sugeriam que um homem de aparência similar tinha sido visto em cidades distantes, mas nenhum destes avistamentos pôde ser verificado de maneira conclusiva. Para a família Hernández, a perda de Carmen complicou-se com a ausência de respostas sobre as circunstâncias da sua morte.


    A falta de um corpo para sepultar apropriadamente acrescentava uma dimensão adicional de dor ao seu luto. María Dolores desenvolveu uma depressão severa que a manteve confinada à sua casa durante meses, enquanto Joaquín se tornou obsessivo na sua busca de informação sobre o paradeiro do Dr. Mendoza. Os irmãos de Carmen reagiram de maneiras diferentes ao trauma familiar.


    Pedro abandonou San Miguel de los Remedios permanentemente, mudando-se para Guadalajara, onde tentou esquecer os eventos que tinham destruído a sua família. Luis voltou-se para o álcool como escape do sentimento de culpa por ter apoiado a decisão de confiar Carmen ao doutor. Ana desenvolveu uma desconfiança profunda em relação a qualquer autoridade médica que persistiria durante toda a sua vida.


    Em 1868, 3 anos depois do desaparecimento de Carmen, um comerciante itinerante que visitava San Miguel de los Remedios mencionou ter escutado histórias semelhantes em vilas de Michoacán e Guanajuato. Relatos sobre médicos forasteiros que chegavam com credenciais impressionantes, ofereciam tratamentos experimentais para doenças incuráveis e desapareciam depois de períodos prolongados com pacientes jovens. No entanto, estas histórias eram vagas e, de segunda mão, impossíveis de verificar ou conectar definitivamente com o caso de Carmen.


    Os registos oficiais da vila arquivaram o caso como desaparecimento não resolvido em 1869. As autoridades regionais tinham determinado que sem evidência física do crime ou a localização dos envolvidos, não era possível continuar a investigação ativa.


    O expediente foi armazenado nos arquivos municipais, onde permaneceu sem ser consultado durante décadas. A casa que tinha ocupado o Dr. Mendoza permaneceu vazia durante anos. O seu proprietário original tinha morrido durante a guerra e os seus herdeiros viviam em cidades distantes. Os habitantes da vila começaram a evitar a praça principal durante as noites e circularam rumores sobre ruídos inexplicáveis que ocasionalmente se escutavam no edifício abandonado.


    No entanto, estes rumores nunca foram investigados formalmente. Em 1893, durante renovações do edifício municipal, trabalhadores encontraram uma coleção de documentos que tinham sido esquecidos num sótão húmido. Entre estes papéis encontrava-se uma carta sem data escrita na caligrafia cuidadosa que a família Hernández tinha aprendido a reconhecer como a de Carmen.


    A carta estava dirigida aos seus pais e descrevia brevemente a sua situação na casa do doutor, mencionando tratamentos que não coincidiam com as descrições médicas que tinham recebido. A carta sugeria que Carmen tinha tentado comunicar com a sua família, mas que as suas mensagens tinham sido intercetadas.


    Descrevia procedimentos dolorosos que se realizavam sem o seu consentimento e expressava medo sobre as verdadeiras intenções do Dr. Mendoza. No entanto, a carta estava incompleta e danificada pela humidade, tornando impossível determinar quando tinha sido escrita ou como tinha chegado aos arquivos municipais.


    Para então, a maioria dos membros originais da família Hernández tinham falecido ou tinham-se mudado para longe de San Miguel de los Remedios. Joaquín tinha morrido em 1882, levando consigo a obsessão por encontrar respostas sobre o destino de Carmen. María Dolores tinha-o seguido dois anos depois, sem nunca ter superado completamente a perda da sua filha mais nova.


    O descobrimento da carta renovou brevemente o interesse no caso, mas as autoridades de 1893 tinham ainda menos recursos para investigar eventos ocorridos quase três décadas atrás. A carta foi arquivada junto com os documentos originais do caso e o expediente foi transferido para os arquivos estatais onde desapareceu entre milhares de casos não resolvidos da época.


    Em 1967, durante um projeto de digitalização de arquivos históricos, um estudante de história da Universidade de Guadalajara redescobriu o caso de Carmen Hernández Morales. A sua tese de licenciatura documentou as similaridades entre este caso e outros relatórios de médicos fraudulentos que tinham operado no México durante o século XIX.


    No entanto, a investigação académica não pôde chegar a conclusões definitivas sobre o que realmente tinha ocorrido em San Miguel de los Remedios. A tese foi arquivada na Biblioteca Universitária e raramente consultada por outros investigadores. O caso de Carmen converteu-se numa nota de rodapé em estudos mais amplos sobre medicina rural e crime organizado durante o período pós-independência mexicano.


    Os detalhes específicos do seu desaparecimento foram gradualmente esquecidos, sobrevivendo unicamente em arquivos académicos especializados. Hoje em dia, San Miguel de los Remedios cresceu até se converter num subúrbio de Guadalajara. A praça principal foi remodelada múltiplas vezes e a casa onde viveu o Dr. Mendoza foi demolida nos anos 50 para construir um edifício comercial moderno.


    Não resta evidência física dos eventos que ocorreram ali durante o ano de 1865. A Calle Real onde vivia a família Hernández ainda existe, mas mudou completamente. As casas de adobe foram substituídas por construções de betão e os trilhos poeirentos converteram-se em ruas pavimentadas.


    Os habitantes atuais da área desconhecem completamente a história de Carmen e a sua família e não há marcadores históricos que comemorem os eventos do século XIX. No entanto, ocasionalmente, residentes de idade avançada mencionam histórias familiares sobre uma jovem que desapareceu há muito tempo sob circunstâncias misteriosas.


    Estes relatos são vagos e frequentemente contraditórios, misturando elementos da história real com décadas de transformação oral e embelezamento narrativo. O verdadeiro destino de Carmen Hernández Morales permanece desconhecido. Não existem evidências que confirmem a sua morte, a sua sobrevivência ou as circunstâncias específicas do que lhe ocorreu durante os meses que passou sob o cuidado do doutor Mendoza.


    O caso representa um dos muitos mistérios não resolvidos da história mexicana do século XIX, quando a falta de comunicações eficazes e sistemas legais limitados permitiam que crimes desta natureza ocorressem sem consequências para os perpetradores. A família que confiou a sua filha doente, a um forasteiro que prometia cura, nunca recebeu as respostas que procurava.


    Carmen simplesmente desapareceu, levando consigo qualquer testemunho sobre o que realmente experimentou durante os seus últimos meses de vida. A sua história sobrevive unicamente em documentos arquivados e na memória fragmentária de eventos que nenhuma testemunha viva pode confirmar completamente. E talvez em algum lugar, em arquivos ainda não descobertos ou em testemunhos que nunca foram registados oficialmente, permaneçam as respostas que a família Hernández nunca pôde encontrar.

  • Inés del Río: Esclava que cambió a su bebé por el del patrón sin que nadie lo notara

    Inés del Río: Esclava que cambió a su bebé por el del patrón sin que nadie lo notara

    Hacienda San Miguel del Río, Nova Granada, 1782. O pó vermelho cobre tudo aqui, desde as raízes nuas das árvores de cacau até as mãos daqueles que trabalham desde antes do amanhecer. O rio que dá nome a estas terras corre turvo na estação das chuvas, e nas noites sem lua, o seu som é a única coisa que interrompe o silêncio dos barracões onde dormem centenas de almas acorrentadas.


    Numa dessas cabanas de taipa, entre o cheiro a suor e a óleo de coco queimado, nasce o filho de Inês del Río numa madrugada de setembro. Enquanto lá fora, os feitores desencilhavam os cavalos e os bandos de araras troçavam do céu que apenas começava a clarear.


    Inês tinha 16 anos quando a compraram em Cartagena, arrancada de um navio que vinha da costa de Luanda. 30 anos depois, as suas mãos conheciam o peso exato de cada cesto de cacau, a temperatura precisa da água para o banho dos meninos brancos da casa grande e a geometria do sofrimento inscrita em cada cicatriz das suas costas.


    O seu corpo era um território da fazenda, como os campos e os rios, e o seu ventre tinha dado três filhos ao ar de San Miguel del Río, todos vendidos antes de completarem os anos de desmame. Sabia bem que este, o quarto, correria a mesma sorte. Os patrões não permitiam que as escravas mantivessem os seus filhos.


    Os bebés eram mercadoria, futuro capital ganho que se reproduz. Mas no ventre de Inês crescia também uma resistência que nenhum açoite tinha conseguido quebrar por completo. Trabalhava nos campos de tabaco durante o dia, colhendo folhas que a queimavam de nicotina, e pelas noites refugiava-se no barracão onde dormia com outras mulheres cativas, os seus corpos empilhados como lenha.


    Aquela era a sua vida, trabalho até à exaustão, dor que se tornava invisível, esperança que tinha aprendido a matar antes que criasse raízes. A três léguas de distância, na casa senhorial, com as suas varandas de madeira talhada e os seus pátios de pedra calcária branca, Dona Magdalena del Río Sánchez tinha estado na cama durante meses, perdendo filho após filho antes que vissem a luz.


    Os médicos falavam de nervos fracos, de sangue mal temperado, da vontade insondável de Deus. O seu marido, Dom Gaspar del Río, um homem de 50 anos cujo poder se media em hectares e na quantidade de cativos que levavam a sua marca gravada a ferro no ombro, começava a olhar para outros horizontes matrimoniais.


    Um filho, um herdeiro legítimo que levasse o seu nome, era o que faltava para consolidar a sua fortuna e a sua linhagem. Se Magdalena não podia dar-lhe, haveria outros corpos dispostos. Aquela era a realidade da casa grande, onde o silêncio era uma moeda que todos aprendiam a gastar com prudência. Magdalena passava os seus dias a olhar da varanda as montanhas azuis ao longe, prisioneira na sua própria casa, tanto quanto qualquer uma das mulheres nos barracões, embora a sua prisão tivesse cortinas de veludo e o seu corpo não tivesse cicatrizes de chicote.


    O seu marido dormia já noutra alcova. As suas criadas evitavam o seu olhar e o relógio da casa marcava cada segundo do seu fracasso com implacável precisão. Inês trabalhava na cozinha da passagem principal há 6 anos e tinha aprendido a ler os estados de espírito de Magdalena na maneira como a senhora tomava o café, no tremor das suas mãos, quando descobria que novamente tinha perdido uma gravidez.


    A sua presença era tão constante que Magdalena começou a falar-lhe como se Inês fosse um móvel, um confessionário de madeira e osso, a quem revelar os seus medos mais profundos. Uma noite, duas semanas antes de Inês dar à luz, encontrada a chorar na despensa enquanto preparava os temperos para o jantar, não fez perguntas, simplesmente continuou o seu trabalho como se não a tivesse visto. Mas Magdalena precisava ser vista.


    Sentou-se numa cadeira da cozinha, algo que jamais tinha feito, e começou a falar. Contou do seu medo de perder Dom Gaspar, dos rumores que circulavam na vila sobre as suas visitas a outras casas, da maneira como o seu corpo se tinha convertido numa traição às suas próprias ambições.


    Inês escutou sem interromper como tinha aprendido a fazer em três décadas de escravidão, enquanto Magdalena falava de coisas que nenhuma criada deveria ouvir dos lábios da sua ama. Magdalena chorou e Inês continuou a amassar o pão, as suas mãos escuras e rugosas contra a brancura da farinha. Um contraste que nenhuma das duas mencionou, mas ambas viram claramente.


    Quando chegou o momento do parto de Inês, foi assistida por Eulalia, a parteira da fazenda, uma mulher de 70 anos, cujo conhecimento de ervas e manobras tinha salvado inúmeras vidas nos barracões e também na casa grande. Eulalia portava no seu corpo a memória de 30 partos, 30 mortes, 30 milagres.


    Nasceu o filho de Inês numa noite sem lua e foi um menino forte, de pulmões robustos que encheram a cabana com o seu primeiro choro. Tinha os olhos negros da sua mãe e a boca grande, herdada de um feitor que tinha violado Inês 3 anos atrás nos campos, vivo, completo, seu por apenas uns minutos antes que o mundo o reclamasse como propriedade alheia. Naquela mesma madrugada, enquanto Inês sangrava ainda sobre o catre de serapilheira, Eulalia sussurrou-lhe algo que mudou o curso de duas vidas.


    A parteira tinha vindo diretamente da casa grande, onde Dona Magdalena tinha entrado em trabalho de parto também, acelerado pela notícia de que Dom Gaspar visitava uma rapariga crioula na vila, uma rapariga de 16 anos cuja beleza era já matéria de conversa nos cafés da cidade.


    O filho que Magdalena carregava, explicou Eulalia com a voz apenas audível, nasceria morto. Sabia-o pelos sinais que nunca falhavam. A cor da urina, o tamanho anormal da barriga que não correspondia aos meses de gestação, a maneira como o menino não se movia há 3 dias, as convulsões que Magdalena tinha começado a sofrer ao entardecer.


    Os médicos, continuou Eulalia, tinham enviado recado pedindo que preparassem um caixão e logo com voz tão baixa que quase foi um rumor, um sussurro que pareceu sair do ar mesmo. “Se quisesses que o teu filho tivesse uma vida que não fosse de correntes, este seria o momento. Os bebés recém-nascidos na escuridão, todos parecem iguais aos olhos dos que não querem ver diferenças.


    Todos choram igual, todos sangram vermelho.” Inês compreendeu antes que Eulalia terminasse de falar. Compreendeu o sacrifício que a parteira lhe estava a oferecer, porque Eulalia tinha sido ela mesma há 30 anos, uma escrava que pariu na escuridão e tinha visto o seu filho desaparecer nos braços de uma mulher branca.


    Compreendeu que não haveria segunda chance, que aquela era a única fissura no muro da fazenda, a única porta que o destino lhe abria. Compreendeu também que ao cruzá-la mataria uma parte de si mesma que nunca mais voltaria a ressuscitar. Porque a verdade daquele ato era que não era um presente, mas sim uma amputação.


    Era escolher o futuro do seu filho sobre a possibilidade de o ter. Era amar o suficiente para renunciar ao amor. A noite tornou-se um labirinto de decisões sem saída. Inês, com o corpo aberto pelo parto, perguntou se haveria dor. Eulalia respondeu que tudo o que vale a pena tem preço e que já conhecia o custo de todas as moedas que circulavam nesta fazenda.


    Inês pegou na mão do seu filho, o seu primeiro filho que poderia manter em vida, e fez um ato que a teologia condenaria, mas que a maternidade reconheceria como o ato mais puro do amor. Deixou que Eulalia levasse o seu bebé. Viu como a parteira embrulhava o menino num pano limpo, como o embalava com a experiência de alguém que segurou centenas de vidas nas suas mãos. E confiou.


    Magdalena pariu um menino sem vida, tal como Eulalia tinha previsto. Um pequeno corpo ao seu lado, perfeito no seu horror, com as mãos fechadas, como se protestassem contra a injustiça de jamais ter nascido. Dona Magdalena guinchou e os seus gritos trespassaram as paredes da casa grande, alertando a todos de que a tragédia tinha tocado novamente a sua porta.


    Dom Gaspar correu para a alcova, esperando o pior e encontrou-o. Encontrou o corpo diminuto, encontrou a sua esposa destroçada. Encontrou o fim das suas esperanças naquele quarto que cheirava a sangue e a flores azedas. Mas quando o choque e a dor começaram a ceder, quando Eulalia voltou a sair da casa grande com a sua bolsa de remédios, trazia um bebé.


    Um bebé que tinha nascido nos barracões, segundo disseram, de uma escrava que não tinha sobrevivido ao parto, um bebé que precisava de uma mãe urgentemente. Não seria uma bênção do céu que este pequeno órfão de ventre materno pudesse preencher o vazio que tinha deixado a morte do outro?


    Não era a vontade divina que um filho da fazenda, embora fosse de sangue cativo, pudesse salvar-se do destino dos escravos? Assim foi como o relato se teceu, tão subtil, que nem sequer os que o teceram puderam determinar onde terminava a mentira e onde começava a verdade. Os criados viram o que deviam ver.


    O padre benzeu o que devia benzer e a casa grande recebeu o seu herdeiro. Quando os criados lhe levaram o menino a Dona Magdalena, nas horas que se seguiram ao amanhecer, com a sua pele escura e os seus olhos negros, o seu rosto ainda enrugado da viagem recente de outro ventre, ela pegou nele como se fosse Cristo revivido, beijou-o, apertou-o contra o seu peito e naquele gesto de desespero transformado em ternura, Magdalena procurou razões. Encontrou que existiam.


    Tinha perdido um filho, é certo, mas o céu dava-lhe outro, que fosse escuro, que fosse de sangue escravo, que levasse nas suas veias a marca da fazenda. Era quase poético, era quase como se Deus tivesse querido ensinar-lhe uma lição sobre o verdadeiro significado da maternidade, que não tem cor nem estatuto, mas só amor desesperado.


    Entretanto, nos barracões, o menino morto de Magdalena foi enterrado de noite, sem padre, sem cerimónia, no terreno onde os restos de tantos outros descansavam sem nome nem cruz. Eulalia cantou uma oração num idioma que mais ninguém falava, um idioma que tinha trazido de Luanda no fundo da sua memória. E Inês, sangrando ainda, foi obrigada a regressar aos campos no dia seguinte, porque as escravas não tinham o luxo da recuperação.


    Inês olhava o seu filho crescer da penumbra da cozinha, vendo como lhe ensinavam espanhol puro, como lhe compravam roupa trazida de Cádis, como a sua tez se clareava a cada mês que passava sob o cuidado da casa grande, como se o privilégio fosse uma substância que se absorvia através da pele. Chamavam-lhe Gasparito, embora o seu pai verdadeiro ignorasse completamente que aquele menino de caracóis negros que aprendia a tocar guitarra nos salões da casa grande, levava nas suas veias o seu próprio sangue já contaminado por outro, já marcado pelo crime da mercê. Dom Gaspar olhava-o com orgulho vendo no menino a promessa de continuidade dinástica, sem suspeita alguma de que havia duas heranças naquele pequeno corpo, a do seu próprio linhagem e a da catividade. Resgatar histórias esquecidas como esta, onde o amor e a traição nascem do mesmo ato de desespero, é o que nos convoca aqui neste canal.


    Peço-vos que subscrevam e nos compartilhem de que país nos chamam estas vozes do passado, porque cada uma de vocês guarda no seu sangue histórias que merecem ser contadas, relatos de avós que não puderam escrever o seu próprio final. Passaram 3 anos nesta configuração frágil.


    Gasparito era um rapaz bonito, inteligente, de risos frequentes, que começava a aprender latim de um padre que viajava da vila todas as semanas. Tinha a capacidade de aprender rapidamente, a graça de quem cresceu rodeado de livros e música, a segurança de quem nunca duvidou do seu lugar no mundo. Magdalena protegia-o como se fosse de cristal, como se a qualquer momento a magia que o tinha trazido aos seus braços pudesse volatilizar-se.


    Dormia no quarto contíguo ao do menino, atenta a qualquer som noturno. Supervisionava pessoalmente a sua comida, os seus banhos, as suas lições. Dom Gaspar, satisfeito com o herdeiro que finalmente tinha chegado, começou a fazer planos ambiciosos. Uma educação refinada na capital, talvez uma viagem a Cádis quando tivesse mais idade, um futuro de fazendeiro e cavalheiro, casamento vantajoso que consolidaria a sua fortuna.


    Inês continuava na cozinha envelhecendo à velocidade de escrava, com as mãos cada vez mais nodosas pela artrite, mas os olhos sempre fixos no menino que crescia na casa grande como se fosse um deus entre os mortais. Às vezes, quando Gasparito descia à cozinha por algum motivo, ela encontrava razões para estar perto, oferecendo-lhe um doce, ajustando-lhe a camisa, tocando-lhe o cabelo, sob o pretexto de lhe tirar uma folha.


    O menino, criado para ser cortês, sorria-lhe e continuava o seu caminho, sem saber que aquelas mãos que o tocavam eram as mesmas que o tinham trazido ao mundo na escuridão. Passaram 5 anos desta vida e pouco a pouco a verdade começou a apresentar-se em fissuras microscópicas. Inês envelhecia rapidamente. As suas costas curvavam-se mais a cada mês. O seu cabelo tornava-se completamente branco.


    Magdalena notava coisas. A maneira como Inês olhava Gasparito, a intensidade daquela atenção que não tinha explicação suficiente na hierarquia doméstica. As criadas começavam a falar em sussurros quando pensavam que ninguém ouvia.


    Eulalia, a parteira, tinha adoecido com uma pneumonia que jamais a soltaria, e nas suas últimas semanas foi à cozinha procurar Inês. Sentaram-se juntas no pátio traseiro, onde ninguém as via. E Eulalia perguntou a Inês se conseguia dormir nas noites sabendo o que sabia. Inês respondeu que dormia como quem tinha feito as pazes com o inferno.


    Eulalia sorriu e o seu sorriso foi o sorriso de alguém que tinha chegado ao final de um caminho muito longo. Morreu três dias depois, levando consigo o segredo que só as duas partilhavam na sua totalidade. A verdadeira quebra chegou no dia em que Dom Gaspar trouxe a sua verdadeira filha, fruto dos seus encontros contínuos com uma mulher mestiça da vila, uma relação que tinha durado anos e que tinha produzido prole.


    A rapariga de 16 anos foi apresentada oficialmente como sobrinha de um amigo da família, uma pobre rapariga órfã que precisava de proteção e orientação. Mas tinha os olhos do patrão, a maneira de andar até o timbre da risada. Foi então que Magdalena começou a olhar Gasparito com uma atenção mais cuidadosa, procurando nas suas feições algo que não encaixava de todo, um puzzle que a sua mente tinha estado a resolver subconscientemente durante anos.


    A rapariga tinha sardas nos ombros, exatamente onde Dom Gaspar as tinha. Gasparito tinha o mesmo nariz ligeiramente torto, herdado do patrão. Magdalena passou uma noite inteira a olhar o retrato de Dom Gaspar que pendia na sala e depois passou para a alcova de Gasparito, observando-o dormir, procurando a verdade nas suas feições adormecidas.


    Na manhã seguinte, Magdalena mandou chamar Inês à cozinha. A ordem foi simples, mas o tom continha tudo o que precisava conter. Quando Inês chegou, encontrou Magdalena de pé em frente à janela, olhando os campos de cacau que se estendiam ao infinito. “Fecha a porta”, disse Magdalena sem se virar.


    Inês obedeceu com um coração que batia como um tambor de guerra. Magdalena virou-se lentamente e o seu rosto era diferente. Não era a cara da ama que dava ordens, mas sim a cara de uma mulher que tinha descoberto que tudo o que acreditava ser tinha sido construído sobre uma mentira. “Olha”, disse-lhe Magdalena pegando num retrato de Dom Gaspar pintado anos atrás.


    “Vês como este nariz, esta forma da mandíbula, é idêntica à de Gasparito. Idêntica. E a rapariga que o teu marido trouxe, Inês, tem exatamente os mesmos olhos que o meu filho. Devo ser tão cega para não o ver? Acreditavas que sou tão tonta?” Não foi uma pergunta. Foi a pedra atirada à água e Inês sentiu como as ondas começavam a expandir-se sem remédio. O silêncio que se seguiu foi tão denso que parecia ter peso.


    Magdalena não esperou resposta. Simplesmente continuou a falar como se pensasse em voz alta, como se Inês fosse um espelho em que pudesse ver os seus próprios pensamentos refletidos. “Fiz cálculos, Inês. Lembro-me do dia exato quando me disseram que tinha parido um menino morto. Lembro-me de Eulalia a sair da minha alcova.


    Lembro-me que três horas depois traziam Gasparito e lembro-me que a tua ausência dos campos foi comentada pelos feitores. 8 meses depois de ele nascer, Eulalia morreu, levando os seus segredos para o além ou para o inferno, conforme acredites.” Magdalena sentou-se lentamente como se os ossos lhe pesassem mais do que antes.


    “Não vou fingir que não me horroriza, nem vou fingir que compreendo como Eulalia pôde atrever-se. Mas também não vou fingir que Gasparito não é o filho que amo mais do que a qualquer outra coisa neste mundo, porque o amo, Inês, e esse amor é tão real como o ar que respiro, talvez mais real do que qualquer outra coisa que tenha sentido jamais.”


    Fez uma pausa longa e nessa pausa Inês pôde ouvir o som dos pássaros nas árvores, o rumor distante dos trabalhadores nos campos, a vida a continuar como se o mundo não estivesse a desmoronar-se. “Mais ninguém sabe”, continuou Magdalena. “Eulalia está morta. O meu marido é demasiado estúpido para ver para lá do seu próprio reflexo. E eu tenho uma opção.


    Posso denunciar-te e então destruo tudo, incluindo Gasparito. Ou podemos guardar o silêncio, as duas juntas como cúmplices.” Foi a primeira vez que Magdalena ofereceu a Inês algo que não fosse uma ordem. Foi também a primeira vez que reconheceu Inês como algo mais do que um objeto, como alguém cujas ações mereciam ser discutidas em vez de simplesmente executadas.


    O gesto foi tão inesperado que Inês quase não soube o que fazer com ele. Ficou em silêncio a tremer enquanto Magdalena lhe fazia um oferecimento que era parte trato, parte ameaça, parte ato de misericórdia. “Podes ficar”, disse Magdalena, “na cozinha ou onde quer que queiras. Podes vê-lo crescer, podes estar perto dele, mas nunca jamais dirás uma palavra. Entendes?” Inês assentiu, embora as palavras se lhe atascassem na garganta. Magdalena então fez algo ainda mais inesperado, estendeu a mão e tocou o braço de Inês. Um gesto tão simples, um contacto tão breve, mas que no contexto daquela fazenda era um ato de rebelião.


    “Somos prisioneiras as duas”, disse Magdalena. “Eu do meu casamento, da minha impossibilidade de conceber, do meu dever de guardar silêncio, tu da tua condição.” E Gasparito é prisioneiro também, embora não o saiba, prisioneiro de uma verdade que nunca poderá conhecer completamente. Assim que aqui estamos presas na mesma jaula, respirando o mesmo ar envenenado. Que Deus tenha piedade de nós.


    Passaram meses nesta nova configuração onde duas mulheres partilhavam um segredo que podia destruir tudo o que cada uma possuía. Embora possuíssem coisas radicalmente diferentes. O segredo era uma corrente que as unia tão fortemente como qualquer outro vínculo. Magdalena protegia Gasparito com uma devoção ainda mais feroz, como se o facto de saber a verdade a tivesse feito responsável de a guardar não só perante o mundo, mas perante Deus.


    Dom Gaspar, entretanto, começou a mostrar interesse em levar o seu filho para Santa Fé, onde o apresentaria em sociedade, onde o estabeleceria num caminho que o levaria a uma vida de poder e riqueza, um futuro que o afastaria para sempre de San Miguel del Río. A ideia da separação foi o que quebrou o frágil acordo de silêncio que Inês tinha guardado durante mais de 4 anos.


    Uma noite, enquanto preparava o chocolate para o jantar de Dom Gaspar, Inês aproximou-se de Magdalena no pátio traseiro, onde a senhora revia as plantas do seu jardim secreto, o único lugar onde podia permitir-se ter pensamentos que não fossem os de uma esposa obediente. “Senhora”, disse Inês, e a sua voz era a de alguém que estava a pedir algo impossível.


    “Se o levar para Santa Fé, se o afastar daqui, jamais saberei se está vivo ou se prospera, se é feliz ou se encontrou razões para viver. Não lhe peço que mo devolva. Sei que isso é impossível. Sei que isso destruiria tudo. Só lhe peço que me permita vê-lo crescer de longe, que me conte cada vez que puder, que não mo arrebate de todo.”


    Magdalena escutou em silêncio completo, sem interromper, sem julgar. Quando Inês terminou, Magdalena ficou a olhar as flores que cultivava, flores que tinha trazido de Espanha, flores que se murchavam no clima tropical, mas que ela continuava a plantar obsessivamente, como se a persistência pudesse mudar a natureza das coisas.


    Logo fez algo que surpreendeu ambas. Pegou na mão de Inês, um gesto que nenhuma criada deveria receber da sua ama e segurou-a com firmeza. “Tens a minha palavra”, disse Magdalena. “Quando ele se for, procurarei um trabalho para ti dentro da casa, algo que te mantenha perto dele, pelo menos até que seja demasiado velho para que tenhas de cuidar dele como se fosse um menino.


    Escreverá de Santa Fé e eu serei o correio entre vocês. Não será muito, mas será o que se pode salvar deste desastre.” A viagem para Santa Fé demorou mais de um ano. Dom Gaspar adoeceu com febres palustres que o mantiveram prostrado na cama durante várias semanas de outubro. Durante aquele período de incerteza, nas noites em que a fazenda continha a respiração, esperando para saber se o patrão viveria ou morreria, Gasparito e Magdalena aproximaram-se ainda mais. O menino, assustado com a possibilidade de perder o seu pai, passava horas nos aposentos da sua mãe e ela segurava-o enquanto lhe contava histórias de lonjura, histórias que falavam de lugares que ele jamais visitaria, mas que o seu destino demandava que conhecesse. E no meio daquelas conversas, a verdade começou a filtrar-se como água entre fissuras, não em palavras, mas em silêncios.


    Magdalena olhava-o de uma maneira que continha todo o desespero e toda a ternura do mundo. Gasparito perguntava por que é que às vezes a sua mãe chorava sem razão aparente. Magdalena respondia-lhe que era porque o amava e que o amor que sentia por ele era tão intenso que às vezes era mais dor do que alegria.


    Foi durante uma dessas noites quando Gasparito dormiu no peito de Magdalena, enquanto o seu pai delirava na alcova contígua, que Magdalena decidiu que a verdade teria de vir à luz, não completamente, não de forma que destruísse tudo, mas suficientemente clara para que Gasparito soubesse que a sua vida continha um mistério que lhe pertencia.


    Esperou que o menino crescesse mais, que desenvolvesse a capacidade de entender que algumas verdades são mais complicadas do que a simples dicotomia de bem e mal. Esperou três anos mais enquanto Dom Gaspar recuperava, enquanto os planos para levar Gasparito para Santa Fé se retomavam, enquanto a vida na fazenda continuava no seu ritmo implacável de ciclos agrícolas e consumo humano. Quando finalmente chegou o momento da partida, Gasparito tinha 16 anos.


    Era um rapaz alto com os olhos de Inês, mas a segurança de Magdalena. Estava ansioso por partir, por conhecer o mundo, por cumprir o destino que lhe tinham traçado. Magdalena preparou a sua bagagem pessoalmente e no fundo de um dos seus baús, escondida entre as camisas de linho branco, deixou uma carta.


    Uma carta escrita com a mão trémula, com letra que se movia de lado a lado da página, como se Magdalena estivesse a escrever num barco que balançava constantemente. Não pediu a ninguém que selasse a carta, deixou-a aberta como se quisesse dar a Gasparito a oportunidade de não a ler se assim o decidisse.


    Gasparito chegou a Santa Fé e foi aceite no círculo dos filhos dos comerciantes mais ricos, dos funcionários coloniais, dos fazendeiros poderosos. Era talentoso, educado, agradável, parecia destinado a uma vida de sucesso e consolidação de poder. Mas a carta permanecia no seu baú durante semanas, chamando a sua atenção, dizendo-lhe que havia algo que devia conhecer.


    Uma noite, enquanto estudava geometria, rendido, cansado dos números e da lógica, Gasparito tirou a carta, leu-a uma vez, depois leu-a novamente e na terceira leitura o mundo reconfigurou-se completamente. “Meu filho, porque és meu tanto como foste dela. Sou Magdalena del Río.” Começava a carta escrita em letra que Gasparito reconhecia como a da sua mãe.


    “E chegou o momento de te dizer que o amor que partilhámos foi tão real como o ar que respiras, mas que foi edificado sobre um ato que nenhuma lei autoriza nem nenhuma igreja perdoa. A tua mãe verdadeira, a que te pariu na escuridão de um barracão de escravos. Foi uma mulher chamada Inês del Río.


    Eu não te pari, mas cada vez que te amei, que vi em ti a promessa de um homem melhor, foi porque amei também aquela mulher que me ofereceu o mais precioso que tinha. Não espero o teu perdão. Não espero que compreendas como foi possível. O que espero é que vivas sabendo que a cor da tua pele não determina o teu valor e que o valor da tua vida será medido não pelo nome que levas, mas pelas ações que realizas. A tua mãe verdadeira está na fazenda San Miguel del Río.


    Se alguma vez tiveres a coragem de regressar, procura-a. Ela permaneceu ali a ver-te crescer da sombra, amando-te da única maneira que lhe foi permitido, da distância, sem voz, sem direitos. Este amor impossível, esta traição, que é também um ato de piedade, é a herança verdadeira que te deixo. Perdoa-nos ou amaldiçoa-nos.


    De qualquer maneira seremos tuas para sempre.” Gasparito não foi às suas lições no dia seguinte. Permanecia na sua alcova com a carta nas mãos, processando uma informação que o reordenava completamente. Não era filho de Dom Gaspar, era filho de uma escrava.


    Era metade cativeiro, metade humanidade, uma combinação que a sociedade em que vivia não tinha categorias para conter. Sentiu medo, sentiu ira, sentiu a vertiginosa sensação de descobrir que toda a sua identidade tinha sido construída sobre uma ficção. Mas também sentiu algo mais profundo, compreensão. Compreendeu de repente por que é que Inês o olhava daquela maneira na cozinha.


    Compreendeu por que é que Magdalena era capaz de um amor tão profundo. Compreendeu que tinha sido o objeto de um sacrifício tão imenso que não tinha palavras para o descrever. 6 meses depois de receber a carta, Gasparito abandonou Santa Fé. Os seus tutores tentaram detê-lo, ofereceram incentivos, ameaçaram com consequências, mas Gasparito estava impulsionado por algo que transcendia a razão ou a prudência.


    Regressou a San Miguel del Río numa manhã de abril, poeirento da viagem, curtido pelo caminho, transformado de uma maneira que o seu pai adotivo não poderia ter antecipado. A primeira coisa que fez foi ir à cozinha. Inês estava ali como sempre, mais idosa agora, mais curvada, as suas mãos quase inúteis pela artrite. Quando o viu entrar, algo no seu rosto mudou.


    Ficou completamente imóvel, a colher suspensa no ar. Gasparito avançou lentamente, como se fosse assustar um animal silvestre. Quando chegou a ela, ajoelhou-se. Era um ato de loucura naquela fazenda onde a hierarquia era lei absoluta e os brancos não se ajoelhavam perante os negros.


    Mas Gasparito já não era branco, ou melhor, finalmente tinha compreendido que nunca o tinha sido completamente. “Mãe”, disse, porque já não era possível chamá-la de outra forma. E Inês caiu no chão como se alguém lhe tivesse cortado as pernas. Soluçou no peito do seu filho, chorando 30 anos de silêncio, chorando o preço que tinha pago por aquela noite em que Eulalia lhe ofereceu uma porta impossível.


    Chorava também porque sabia que aquele momento não podia durar, que em breve as obrigações do mundo voltariam a separá-los, que esta reunião era linda precisamente porque era impossível. Permaneceram juntos na cozinha durante toda a noite. Gasparito contou-lhe sobre Santa Fé, sobre os seus estudos, sobre a maneira como a carta de Magdalena tinha destroçado e reconstruído a sua compreensão de quem era.


    Inês contou-lhe sobre a sua vida na fazenda, sobre as noites em que via o que poderia ter sido, sobre a maneira como tinha aprendido a viver com um vazio no peito que nenhuma quantidade de trabalho poderia preencher. Falaram em sussurros, temerosos de que alguém os descobrisse, mas já não importava muito. Magdalena morreu três meses depois de Gasparito regressar, não de doença, mas de algo mais abstrato, o cansaço de guardar um segredo que a consumia por dentro.


    Foi Magdalena quem no seu leito de morte decidiu finalmente confessar a verdade completamente, uma doença rápida. Uma febre amarela que chegou com as águas de outubro, consumiu-a em questão de dias. Os médicos fracassaram, as sangrias não funcionaram e em breve foi evidente que Magdalena se ia.


    Nas suas últimas lucidezes pediu que trouxessem papel e tinta e escreveu várias cartas com a mão trémula. Uma foi direta para Dom Gaspar, outra foi para o padre da paróquia. E uma terceira foi para Gasparito, expandindo a confissão que já tinha feito, dando detalhes, nomeando Eulalia, descrevendo o ato de troca com clareza que não deixava lugar para interpretações.


    “Se o faço agora”, escreveu Magdalena, “é porque o peso deste segredo me está a esmagar e porque creio que tens direito a saber toda a verdade antes que tenhas de decidir o que fazer com ela. Eu cometi um crime, o de permitir que se cometesse uma injustiça ainda maior sob o disfarce de misericórdia.


    Mas também creio que cometi um ato de amor que nenhuma igreja reconheceria, mas que nenhum Deus verdadeiro poderia condenar. Julga-me como considerares justo. Mas não julges Inês e não julgues o homem que acabaste por ser porque ela teve a coragem de renunciar a ti.” Inês foi a única que leu essa carta primeiro porque Magdalena lha entregou diretamente no último momento, sussurrando instruções sobre quando deveria ser entregue ao verdadeiro destinatário.


    Magdalena morreu aquela noite em paz finalmente, sabendo que pelo menos a verdade a sobreviveria. O que aconteceu depois foi complicado, como tudo aquilo que toca a verdade em lugares onde a verdade é explosiva. Dom Gaspar leu a sua carta e acreditou que era produto da febre, a alucinação de uma mente que se desvanecia. Rejeitou os detalhes.


    Insistiu em que Magdalena tinha parido Gasparito, que tudo era uma invenção, talvez uma última vingança contra ele pelas suas infidelidades. O padre, tendo escutado a confissão de Magdalena nos seus últimos momentos, ficou preso entre o seu dever de guardar o segredo da confissão e o seu dever moral de perseguir a verdade.


    Escolheu o silêncio embora lhe queimasse a alma. Mas Gasparito decidiu de outra maneira. 6 meses depois da morte de Magdalena, em 1801, escreveu uma carta dirigida à audiência real descrevendo o que sabia. A carta foi revolucionária, não porque revelasse a verdade do seu próprio nascimento, mas porque no processo de contá-la expunha a mecânica completa do sistema de escravidão que sustentava a Nova Granada.


    Descrevia como se trocavam bebés, como se falsificavam registos, como a instituição da escravidão requeria de cumplicidades constantes que sujavam as mãos de todos, desde os fazendeiros até aos padres. Não esperava que nada mudasse, mas sentiu que devia tê-lo tentado. A carta foi recebida em Santa Fé, lida com incredulidade, discutida nos tribunais.


    Algumas pessoas instaram pela investigação, outras a descartaram como o arroubo de um rapaz demasiado educado para o seu próprio bem. Não resultou em acusações formais, não mudou as leis da noite para o dia, mas circulou, foi copiada, foi comentada. E anos depois, quando os primeiros gritos de independência começaram a percorrer as províncias, a carta de Gasparito foi recordada.


    Alguns historiadores citavam-na como evidência de que a escravidão não era natural, mas sim um sistema construído que podia ser desconstruído. Gasparito juntou-se à causa independentista em 1810, quando os primeiros insurgentes marcharam para Santa Fé. Alguns disseram que foi porque tinha lido os filósofos franceses, que tinha sido educado com ideias perigosas sobre a liberdade e a igualdade.


    Outros, os que conheciam a verdade completa, sabiam que foi porque tinha visto no rosto da sua verdadeira mãe o que significava viver sob a bota de um sistema que não reconhecia a humanidade, senão como categorias de propriedade e pele. Durante a guerra de independência, Gasparito serviu no exército do norte nas campanhas de Bolívar. Não foi um general famoso, nem o seu nome aparece nos livros de história principais, mas foi alguém que lutou com uma convicção que os seus companheiros reconheciam como algo mais profundo do que a ideologia política. Logo, quando a guerra terminou e a Nova Granada se converteu em República da Colômbia, Gasparito trabalhou na administração inicial, procurando constantemente maneiras de aliviar a carga dos escravos, de tornar as leis mais humanas, embora naquela época tais tentativas fossem constantemente bloqueadas pelos latifundiários que continuavam a dominar o poder económico.


    Inês del Río morreu em 1820, à idade de 72 anos, quando a independência tinha sido finalmente declarada, quando as primeiras discussões sobre a abolição da escravidão estavam a começar nos salões do Congresso. Para então, a fazenda San Miguel del Río tinha mudado de mãos, vendida por herdeiros de Dom Gaspar, que não entendiam como mantê-la sem a estrutura que a escravidão provia.


    Diz-se que nos seus últimos anos Inês foi libertada formalmente por Gasparito, embora a liberdade tenha chegado demasiado tarde, quando as suas mãos estavam demasiado destroçadas pela artrite para fazer qualquer coisa com ela. Mas diz-se também, e isto é o que permanece nas memórias dos anciãos da região, que Gasparito visitou a fazenda uma última vez antes que a sua verdadeira mãe morresse.


    Passou as últimas noites de vida de Inês na pequena casa onde ela vivia à beira dos campos de cacau e que durante aquelas noites lhe contou histórias de uma nova Granada que começava a imaginar livre, um mundo em que ela não teria precisado daquela noite terrível com Eulalia, em que o seu filho teria sido seu desde o primeiro suspiro, reconhecido legalmente como seu filho, amado publicamente, existindo sem a necessidade de mentiras.


    Inês morreu em paz, sustentada nos braços do filho que jamais tinha podido reclamar. Quando o padre chegou para os últimos sacramentos, Gasparito contou-lhe a verdade completa. E o padre, que para então tinha 70 anos e que tinha guardado o segredo da confissão de Magdalena durante duas décadas, finalmente foi libertado do silêncio.


    Comungou Inês como se fosse uma rainha, abençoou-a como se fosse uma santa. E quando ela morreu, o padre escreveu no registo que Inês del Río tinha sido uma mulher de grande fé e maior sofrimento, cuja vida foi um testemunho da capacidade do espírito humano para amar mesmo nas circunstâncias mais atrozes. O sacrifício de Inês del Río não redimiu a escravidão.


    Nenhum ato individual poderia fazê-lo. Dezenas de milhares de escravos permaneceram acorrentados depois da sua morte. Continuavam a ser vendidos, continuavam a ser violados, continuavam a morrer nos campos, mas nos documentos que ficaram em Santa Fé, em cartas que sobreviveram a incêndios revolucionários, em memórias que foram passadas de uma geração para a seguinte, permanece o testemunho de duas vidas que se atreveram a transgredir a lei do coração contra a lei da propriedade.


    Permanece também a pergunta que nenhum de nós poderia responder completamente. Foi a troca desses bebés um ato de amor maternal ou um crime irreparável? Quem tem direito a responder? A mãe que renunciou ao filho, a mãe que o reclamou como seu, a sociedade que tornou tais atos necessários ou o filho que teve de carregar com a verdade da sua própria existência como uma carga que lhe pesava mais do que qualquer coroa.


    Em 1854, 34 anos depois da morte de Inês, a escravidão foi abolida na Colômbia. Gasparito não viveu para o ver, mas os seus escritos, os seus discursos, as suas ações foram parte do movimento que o tornou possível. Diz-se que as suas últimas palavras pronunciadas no seu leito de morte foram: “Agora que todos são livres, espero que Inês possa finalmente descansar sem o peso do silêncio.”


    Se precisar de mais alguma tradução ou edição, por favor, me diga.

  • Ana Belén: A ESCRAVA que viu o nascimento da criança cuja pele revelou a traição oculta.

    Ana Belén: A ESCRAVA que viu o nascimento da criança cuja pele revelou a traição oculta.

    No verão de 1787, quando o ar do vale de Oaxaca ardia como brasa viva e as cigarras cantavam sua ladainha nas árvores de Goiaba, Ana Belén ouviu o primeiro grito da Senhora Leonor vindo do quarto principal da fazenda Santa Cruz de Tlacolula. Era um grito contido, abafado pelo costume de décadas de não mostrar fraqueza diante da servidão.

    Ana Belén largou a bacia onde lavava lençóis de linho, secou as mãos no avental e subiu as escadas de pedra que conduziam aos aposentos dos patrões. Seus pés descalços conheciam cada degrau, cada rachadura onde a cal havia se soltado durante as chuvas do ano anterior.

     Ela estava naquela casa há 30 anos, comprada aos 13 em um mercado de Antequera, e tinha visto nascer três gerações da família Villarreal. Desta vez seria diferente. Ela soube pelo tremor nas mãos da senhora quando, três meses antes, lhe pedira que jamais a deixasse sozinha durante o parto. Prometa-me, Ana Belén. Jure pela sua alma.

     A fazenda Santa Cruz dominava um vale onde se cultivava cochonilha, grana e milho. Os senhores Villarreal possuíam 200 almas, entre escravos negros trazidos das costas e serviçais indígenas que trabalhavam por dívidas herdadas de seus avós. Dom Rafael Villarreal, o patrão, partira para a Cidade do México seis meses antes para tratar de assuntos da audiência.

     Ele estava em litígio com os dominicanos por terras próximas a Etla. Sua ausência se prolongava mais do que o previsto, e as cartas que enviava a cada 15 dias falavam de trâmites intermináveis, de papéis que se perdiam, de funcionários que pediam mais dinheiro para acelerar as resoluções. Enquanto isso, a Senhora Leonor, de 42 anos, florescia em uma gravidez inesperada que todos atribuíam à vontade divina.

     Ela havia perdido duas crianças antes, ambas antes de completar o segundo mês de gestação. Desta vez, o menino se agarrava, crescia, chutava. O capelão da fazenda, Frei Domingo, dizia que era sinal de bênção, que Deus premiava a piedade de Dona Leonor, que havia mandado construir uma nova capela no povoado de San Pablo. Se você vive no México ou em qualquer canto da América onde essas histórias ainda dormem, nos arquivos paroquiais e na memória das pedras, comente de onde você nos lê e ajude-nos a resgatar o que o silêncio tentou apagar durante séculos. Ana Belén entrou no

    quarto e fechou a porta atrás de si. A Senhora Leonor estava recostada sobre o leito de madeira entalhada, suada, com o cabelo castanho grudado nas têmporas. As contrações haviam começado ao amanhecer, suaves primeiro, depois cada vez mais intensas. Agora chegavam a cada poucos minutos.

     Ana Belén havia assistido a mais de 50 partos. Conhecia os ritmos do corpo, os sinais de perigo, os silêncios que precediam a morte. Aproximou-se, apalpou a barriga inchada, calculou a posição da criança. Tudo parecia em ordem. “Quanto falta?”, perguntou Dona Leonor com voz tensa. Antes do anoitecer, respondeu Ana Belén. “O menino está bem posicionado. É forte.” A senhora fechou os olhos.

     “Ana Belén, quando nascer, quando o vir, não diga nada a ninguém, entende?” Suas palavras eram súplica e ameaça ao mesmo tempo. Ana Belén assentiu. Já o sabia. Há meses o sabia. Durante a gravidez, ela vira Dona Leonor caminhar até o telheiro onde guardavam as ferramentas, onde Jacinto, o capataz mulato, organizava as equipes de trabalho.

     Jacinto era filho de uma escrava e de um espanhol desconhecido, e havia crescido entre a casa grande e os campos, homem de confiança do patrão, encarregado de manter a ordem quando Dom Rafael viajava. Tinha 35 anos, corpo de trabalhador curtido pelo sol, mãos grandes e voz suave que contrastava com seu ofício de dar ordens.

     Ana Belén os vira conversar perto do aqueduto que alimentava as plantações. Vira-os em uma tarde de outubro, antes de as chuvas começarem, caminhar em direção à divisa, onde as árvores de Mesquite ofereciam sombra discreta. Não os seguiu, não precisava confirmar o que já entendia. Em uma fazenda, os segredos são como fumaça.

     Podem se esconder por um tempo, mas sempre buscam sair. O parto avançou por horas. Ana Belén preparou infusões de camomila e arruda. Limpou com panos de algodão. Segurou as pernas da senhora quando as forças fraquejavam. Lá fora, o sol começava a descer, tingindo o céu de laranja e púrpura. Ouviam-se os sinos da capela chamando para o Angelus.

     Frei Domingo viera duas vezes perguntar, e Ana Belén lhe dissera que tudo corria bem, que rezasse e esperasse. O capelão era um homem jovem, recém-chegado de Puebla, sem experiência nos assuntos obscuros que se tramavam nas grandes fazendas. Via o que queria ver, uma família piedosa, uma senhora devota, um patrão generoso com a igreja.

     Quando o menino nasceu, Ana Belén o recebeu com as mãos firmes. Era varão, como havia prognosticado. Chorava com força, os pulmões cheios de vida. Ana Belén limpou-o com água morna, cortou o cordão, envolveu-o em uma manta de lã e então o viu. A pele do menino não era branca como a de Dona Leonor, nem morena clara como a de Dom Rafael.

     Era escura, da cor de café sem leite, com um tom que não deixava dúvidas sobre o sangue que corria em suas veias. Os traços, ainda indefinidos, como em todos os recém-nascidos, insinuavam algo distinto. O nariz mais largo, os lábios mais grossos, o cabelo que começava a encaracolar-se em pequenos cachos apertados.

     Dona Leonor estendeu os braços, mas quando Ana Belén lhe entregou o bebê, viu em seus olhos o terror que estivera escondido durante nove meses. A senhora olhou para o filho e não disse nada, simplesmente o apertou contra o peito e começou a chorar em silêncio. Ana Belén limpou o sangue, trocou os lençóis, preparou o banho para a mãe.

     Trabalhava com eficiência, sem falar, enquanto sua mente calculava as consequências. Quando Dom Rafael voltasse, e mais cedo ou mais tarde ele voltaria, veria o menino e então começaria o inferno. “Não podem saber”, sussurrou Dona Leonor. “Se souberem, ele me matará.”

     “Matará o menino e a você também, Ana Belén, por ter estado aqui.” Ana Belén não respondeu. Sabia que a senhora tinha razão. No mundo das fazendas neo-hispânicas, a honra de um espanhol era mais importante do que qualquer vida. Um filho bastardo era desonra, um filho mulato era abominação. A lei permitia ao marido desfazer-se da esposa adúltera e de sua descendência.

     Alguns o faziam com veneno discreto, outros com faca rápida na madrugada. Sempre com a bênção tácita das autoridades que entendiam que certos crimes não eram crimes, mas sim justiça doméstica. Naquela noite, depois que Dona Leonor adormeceu exausta com o bebê nos braços, Ana Belén desceu à cozinha, onde as outras criadas preparavam tortillas e feijão para a ceia.

     Ninguém perguntou sobre o parto. Era costume esperar que a senhora anunciasse o nascimento oficialmente. No dia seguinte, viria o capelão para batizar o menino com água benta. Seriam enviadas cartas à Cidade do México informando Dom Rafael. Seria organizada uma pequena celebração com aguardente e tamales.

     Mas Ana Belén sabia que nada disso aconteceria da forma habitual. Na manhã seguinte, Dona Leonor mandou chamar Jacinto. Ana Belén estava presente quando ele entrou no quarto. O capataz trazia o chapéu na mão, as costas ligeiramente curvadas em gesto de respeito. Quando viu o menino, seu rosto mudou. Primeiro confusão, depois compreensão, finalmente algo parecido com medo misturado com uma ternura que tentou ocultar.

     “É teu filho”, disse Dona Leonor sem rodeios. “Dom Rafael voltará em duas semanas, segundo sua última carta. Antes que ele chegue, este menino tem que desaparecer.” Jacinto deu um passo atrás. “Desaparecer, senhora, o que está dizendo? Leve-o para longe, para o povoado, para a costa, para onde for. Encontre alguém que o crie.”

     “Eu te darei dinheiro, o que precisar.” Ana Belén observava a cena com o coração apertado. Ela havia carregado aquele menino, o havia limpado com suas próprias mãos. Sabia o que significava “desaparecer” na boca de um patrão. Algumas crianças chegavam a famílias que as acolhiam com carinho, outras eram vendidas, outras abandonadas nas portas dos conventos, outras simplesmente deixadas à própria sorte em caminhos solitários onde os animais as encontravam antes que os humanos. “Eu o levarei”, disse Ana Belén.

     As palavras saíram de sua boca sem pensar, como se outra pessoa falasse. Dona Leonor e Jacinto a olharam. “Você?”, perguntou a senhora. “Conheço uma família em Tlacochahuaya”, continuou Ana Belén, inventando na hora. “Gente boa, sem filhos, a mulher me deve um favor. Levarei o menino para lá. Ninguém fará perguntas.”

    ” Na verdade, Ana Belén não conhecia nenhuma família assim. Mas precisava de tempo para pensar, para encontrar uma saída que não terminasse com o menino morto em uma vala. Dona Leonor assentiu, grata demais para questionar, “Faça isso hoje, antes que mais alguém o veja. Eu te darei 50 pesos e, quando voltar, diremos que o menino nasceu morto. Já perdi dois antes.

    Ninguém duvidará.” 50 pesos era uma fortuna para uma escrava. Equivalia a vários anos de trabalho, caso ela fosse paga alguma vez. Ana Belén pegou a bolsa que a senhora lhe entregou, envolveu o bebê em uma manta grossa e saiu do quarto. Enquanto caminhava pelo corredor, Jacinto a alcançou.

     “Aonde realmente você o levará?”, perguntou em voz baixa. Ana Belén olhou-o nos olhos, “Para um lugar seguro.” “Eu quero saber onde ele está. É meu sangue.” “Seu sangue lhe custará a vida se alguém o descobrir”, respondeu Ana Belén. “A senhora perdoará o adultério de seu marido porque não tem opção, mas a você ele matará por ter tocado o que era dele. Entende?” Jacinto cerrou os punhos. “Eu não pedi isso.”

     “Ninguém pede o que lhe cabe”, disse Ana Belén. “Agora, deixe-me ir. Quanto menos você souber, melhor.” Ana Belén saiu da fazenda com o menino escondido sob seu xale. Pegou o caminho para o leste, onde os morros se erguiam cobertos de carvalhos e pinheiros. Caminhou por horas sob o sol que queimava a terra seca. O bebê chorava de fome, e ela parava de vez em quando para dar-lhe água adoçada com rapadura, a única coisa que podia oferecer.

     Sua mente trabalhava sem descanso buscando soluções. Podia deixá-lo no convento das dominicanas em Tlacolula. Podia levá-lo para alguma família indígena que talvez o aceitasse em troca de dinheiro. Podia até ficar com ele, fingir que era um menino abandonado que havia encontrado, criá-lo como seu, mas cada opção tinha seus perigos, suas formas de ser descoberta.

    Ao entardecer, chegou a Tlacochahuaya, um povoado pequeno com uma igreja barroca de muros brancos e uma praça central onde vendiam cerâmica e tecidos. Ana Belén conhecia o lugar porque havia vindo anos antes com a Senhora Leonor para comprar toalhas de mesa bordadas. Sentou-se debaixo de um freixo para descansar e pensar.

     O bebê havia adormecido contra seu peito. Era lindo, com cílios longos e dedos perfeitos. Não merecia morrer pelo pecado de seus pais. Uma mulher se aproximou curiosa. “De onde vens, irmã?” Ana Belén reconheceu seu sotaque zapoteca. “Da fazenda Santa Cruz. Levo este menino para a sua família.” A mulher olhou para o bebê e depois para Ana Belén com olhos que haviam visto demais.

     “Não há família”, disse simplesmente. Ana Belén não respondeu. A mulher sentou-se ao seu lado. “Minha filha perdeu um menino há dois meses. Ainda tem leite. Se precisas de alguém que o amamente, posso levá-los.” Era uma oferta ou uma armadilha. Ana Belén não sabia qual, mas o bebê estava com fome e ela não tinha opções.

     Seguiu a mulher até uma casa de adobe à beira do povoado. A filha era jovem, talvez 20 anos, com o rosto marcado pelo luto recente. Quando viu o menino, seus olhos se encheram de lágrimas. Tomou-o nos braços sem perguntar nada e o levou ao peito. O bebê começou a sugar com avidez. Ana Belén observava a cena e sentia algo que não sentia há anos. Esperança. “Quanto?”, perguntou a mãe, prática.

    Ana Belén tirou 20 pesos da bolsa, “Pelo seu cuidado durante um ano. Depois voltarei com mais.” Era uma mentira, mas necessária. A mulher pegou o dinheiro e guardou-o na blusa. “Como ele se chama?” “Ainda não tem nome”, disse Ana Belén. A jovem que amamentava o menino falou pela primeira vez. “Vou chamá-lo de Gabriel, como o anjo que anuncia o impossível.”

     Ana Belén regressou à fazenda Santa Cruz três dias depois. Havia tomado caminhos longos, parando em povoados diferentes, construindo uma história crível sobre ter viajado longe para entregar o menino. Quando chegou, encontrou a casa em luto oficial. Haviam pendurado panos pretos nas janelas. Frei Domingo rezara uma missa pela alma do menino morto.

     Dona Leonor permanecia em seu quarto recebendo visitas das poucas famílias espanholas da região que vinham dar os pêsames. Ninguém perguntou detalhes. A morte infantil era tão comum que explicá-la parecia desnecessário. Dom Rafael Villarreal chegou uma semana depois, empoeirado da viagem, irritado por ter tido que interromper seus assuntos na capital.

     Quando soube do menino morto, mostrou decepção, mas não dor. “Mais um varão perdido”, disse, “Deus tem suas razões.” Dona Leonor chorava de verdade, mas não pelas razões que seu marido imaginava. Ana Belén os observava durante as refeições, durante as conversas no corredor, durante os momentos em que Dom Rafael revisava as contas da fazenda com Jacinto.

     O capataz mantinha o olhar baixo, respondia com monossílabos, evitava ficar a sós com a senhora. A tensão era como uma corda que se esticava a cada dia um pouco mais, ameaçando romper-se. Os meses se passaram. O outono trouxe as primeiras chuvas, o inverno secou os campos, a primavera fez florescer as árvores de Buganvílias que subiam pelos muros da fazenda.

    Ana Belén continuava com suas tarefas, lavando roupa, cozinhando, cuidando do galinheiro. Uma vez por mês, inventava alguma desculpa para ir a Tlacochahuaya. Levava dinheiro para a família que cuidava de Gabriel. Via-o crescer forte e saudável. O menino tinha já oito meses. Engatinhava, ria quando ela fazia caretas. A jovem que o amamentava o tratava como seu. “É um menino bom”, dizia.

    “Deus te abençoe por trazê-lo.” Mas os segredos, como as dívidas, sempre cobram seu preço. Em maio de 1788, chegou à fazenda um visitante inesperado, Dom Rodrigo Villarreal, irmão mais novo de Dom Rafael, que havia estado vivendo na Guatemala durante 10 anos administrando plantações de anil. Vinha de regresso à Nova Espanha para reclamar sua parte na herança paterna.

    Era um homem observador, de olhar afiado, que notava inconsistências onde outros viam apenas a superfície. Durante o jantar de boas-vindas, perguntou pelo menino morto. “Quando nasceu exatamente?” “Em agosto do ano passado”, respondeu Dona Leonor com a voz trêmula. “E viveu quanto tempo?” “Apenas alguns dias”, interveio Dom Rafael, “não chegou nem a ser batizado.”

     Dom Rodrigo assentiu, mas seus olhos se moveram em direção a Ana Belén, que servia o vinho. “Você esteve no parto”, disse. Não era uma pergunta. Ana Belén assentiu. “E o que viu?” A pergunta pairou no ar como uma faca suspensa. Ana Belén sentiu os olhares de todos cravados nela. “Vi um menino que não conseguia respirar bem, senhor. Nasceu roxo, durou três dias lutando, depois se apagou como vela.”

     Era mentira técnica e verdade emocional ao mesmo tempo. Dom Rodrigo não pareceu convencido, mas não insistiu. Durante sua visita, fez perguntas estranhas, revisou documentos antigos, falou com os trabalhadores. Em uma tarde, Ana Belén o viu conversando com Jacinto perto dos estábulos.

     Não ouviu o que diziam, mas viu como o capataz ficava tenso, como Dom Rodrigo apontava para a casa grande, como seus gestos sugeriam acusação. Naquela noite, Jacinto procurou Ana Belén na cozinha. “Dom Rodrigo, suspeita de algo”, disse. “Me perguntou se eu havia notado algo estranho na senhora durante a gravidez, se a tinha visto falar com alguém em particular.”

     “E o que você lhe disse?” “Que eu apenas cumpria minhas obrigações. Mas ele não acreditou em mim. Ele tem essa maneira de olhar que lê seus pensamentos.” Na semana seguinte, Dom Rodrigo anunciou que ficaria na fazenda por tempo indefinido. Tinha planos de modernizar a produção de cochonilha, de trazer novas técnicas da Guatemala, de aumentar os lucros.

    Dom Rafael aceitou a ajuda de seu irmão sem saber que estava convidando à sua própria perdição. Porque Dom Rodrigo não havia vindo apenas a negócios. Ele havia vindo porque na Guatemala havia recebido uma carta anônima, uma carta que falava de um menino que não havia morrido, de um adultério que se ocultava sob um luto falso, de uma escrava que sabia demais.

     Quem havia escrito essa carta? Ana Belén nunca soube com certeza. Suspeitava do mordomo, um espanhol velho chamado Melchor, que estava há 40 anos na fazenda e que havia visto Dom Rafael e seu irmão crescerem. Melchor era um homem de lealdades antigas, que considerava que a família Villarreal merecia saber a verdade sobre seu sangue. Ou talvez tenha sido o capelão Frei Domingo, que sem querer ouvira algo em confissão e decidira cumprir um dever moral mais alto do que o segredo sacramental.

    Ou talvez tenha sido alguma das criadas invejosa do poder de Ana Belén, desejosa de vê-la cair. Nas fazendas, as paredes têm ouvidos e os ouvidos têm línguas. Dom Rodrigo começou sua investigação de forma sutil, revisou os livros paroquiais, falou com o médico que ocasionalmente visitava a fazenda, interrogou as parteiras da região, ofereceu dinheiro, ameaçou com castigos, prometeu proteção. Lentamente, construiu um caso.

     Não tinha provas definitivas, mas tinha pontas soltas suficientes para tecer uma corda. Em uma tarde de junho, enquanto a família jantava, Dom Rodrigo soltou sua bomba com precisão calculada. “Irmão”, disse, “creio que deves saber algo sobre o menino que morreu no ano passado, ou melhor, sobre o menino que não morreu.” O silêncio que se seguiu foi absoluto.

     Dom Rafael largou o garfo sobre o prato. “O que estás insinuando?” “Não insinúo, afirmo”, respondeu Dom Rodrigo. “Tua esposa deu à luz um menino vivo, um menino que foi entregue a uma família em Tlacochahuaya, um menino cuja pele revelou uma verdade inconveniente.” Dona Leonor levantou-se, branca como a toalha de mesa.

     “Estás louco?” “Estou informado”, corrigiu Dom Rodrigo, “e proponho que vamos juntos buscar essa criança. Se não existe, eu me desculparei. Se existe, teremos uma conversa necessária sobre honra e consequências.” No dia seguinte, uma comitiva saiu em direção a Tlacochahuaya.

     Iam Dom Rafael, Dom Rodrigo, Frei Domingo, Jacinto e Ana Belén. Ninguém falou durante o trajeto. Ana Belén sabia que sua vida pendia por um fio. Se encontrassem Gabriel, tudo desmoronaria. Se não o encontrassem, Dom Rodrigo ficaria como mentiroso, mas as suspeitas permaneceriam. Rezo em silêncio, sem saber a que santo se dirigir. Ao santo dos inocentes, ao dos mentirosos piedosos, ao das causas perdidas.

    Quando chegaram ao povoado, Ana Belén os guiou até a casa de adobe, mas a casa estava vazia, completamente vazia. Não havia móveis, não havia gente, apenas paredes nuas e um chão de terra varrido. Os vizinhos disseram que a família havia se mudado dois meses antes para a costa, que haviam recebido dinheiro de um parente e decidido recomeçar em Oaxaca, porto. Ninguém sabia exatamente onde.

     Dom Rodrigo interrogou meia dúzia de pessoas. Todos diziam o mesmo. Família se foi, menino incluído, destino desconhecido. No caminho de regresso, Dom Rafael não olhou para a esposa. Dom Rodrigo cavalgava à frente, frustrado, mas não derrotado. Ana Belén respirava com dificuldade, sabendo que havia ganhado tempo, mas não a guerra, porque a verdade era que ela havia esvaziado a casa.

     Duas semanas antes, quando soube que Dom Rodrigo fazia perguntas, ela havia pegado os 30 pesos que lhe restavam, fora a Tlacochahuaya e convencera a família a partir imediatamente. Havia-lhes dado o dinheiro, explicado o perigo, dito para irem para longe e não voltarem nunca.

     A jovem que cuidava de Gabriel havia chorado, mas entendia. “Protegeremos o menino”, prometera, “como se fosse nosso.” Os meses seguintes foram de tormenta contida. Dom Rafael, embora sem provas definitivas, começou a se distanciar de sua esposa. Já não compartilhavam o leito, mal falavam durante as refeições.

     Dom Rodrigo regressou à Guatemala após meses de busca infrutífera, mas deixou semeada a semente da dúvida. Jacinto foi rebaixado de capataz a simples trabalhador de campo, sem explicação oficial, mas com uma mensagem clara. Ana Belén continuava seus labores, mas sentia os olhos de Dom Rafael sobre ela cada vez que entrava em um quarto.

     O patrão sabia que ela sabia de algo, mas não se atrevia a interrogá-la diretamente, porque isso significaria dar credibilidade às acusações de seu irmão. Em setembro de 1790, dois anos após o nascimento de Gabriel, chegou à Nova Espanha a notícia de que o Rei Carlos IV havia ascendido ao trono.

     Com ele vieram rumores de reformas, de mudanças nas leis sobre escravidão, de pressões da Europa para moderar os abusos coloniais. Eram apenas rumores, mas nas fazendas começaram a circular com intensidade. Os escravos falavam em voz baixa sobre possíveis liberdades futuras. Os patrões reagiam com mais dureza, temendo perder o controle.

     A tensão social crescia como um rio que transborda antes da tempestade. Em uma noite de novembro, Dona Leonor mandou chamar Ana Belén ao seu quarto. Estava sentada junto à janela, olhando a lua cheia que iluminava o vale. “Onde está meu filho?”, perguntou sem rodeios. Ana Belén havia esperado essa pergunta por dois anos. “Longe, a salvo, vivo.” “Sim.”

     “Sabe onde exatamente?” “Não. Eu lhes disse para não me dizerem. É mais seguro assim.” Dona Leonor fechou os olhos. “Às vezes sonho com ele, com a pele escura dele, com os olhos dele. Acordo chorando. Dom Rafael já não me toca. Creio que me odeia, embora não possa provar.” “Ele odeia porque suspeita, senhora, mas enquanto não houver prova, não pode agir sem destruir sua própria reputação.”

     “E quando eu morrer”, perguntou Dona Leonor, “o que acontecerá com o menino então? Quem saberá que ele é meu?” Ana Belén não tinha resposta. A senhora continuou, “Quero que escrevas algo, uma declaração assinada por mim, testemunhada por ti, algo que explique a verdade, que diga a Gabriel quem foi sua mãe, não para agora, para o futuro, para quando todos estivermos mortos e o escândalo já não importar.”

     Era um pedido impossível e necessário. Ana Belén, que havia aprendido a ler e escrever em segredo durante seus anos na fazenda, pegou pena e papel. Sob o ditado de Dona Leonor, escreveu uma confissão completa. O adultério com Jacinto, o nascimento do menino, a decisão de ocultá-lo, o papel de Ana Belén como salvadora.

     A senhora assinou com a mão trêmula. Ana Belén guardou o papel em uma caixa de madeira que escondeu sob as tábuas do chão de seu pequeno quarto de serviço. Em 1794, Dom Rafael adoeceu com febres. Os médicos disseram que era malária contraída durante uma viagem às costas de Veracruz. Morreu em dezembro, delirante, chamando por sua mãe morta.

     Dona Leonor herdou a fazenda completa, sem filhos reconhecidos, tornando-se uma das poucas mulheres proprietárias da região. Dom Rodrigo tentou disputar o testamento, argumentando que seu irmão havia sido envenenado por sua esposa adúltera, mas sem provas concretas, o caso desmoronou.

     A viúva Villarreal continuou administrando Santa Cruz com a ajuda de novos empregados trazidos de Puebla. Ana Belén envelheceu com a fazenda. Seu cabelo ficou grisalho, suas costas se curvaram, mas sua mente permanecia alerta. Uma vez por ano, enviava dinheiro através de intermediários para a costa, onde acreditava que Gabriel e sua família adotiva viviam. Nunca recebeu confirmação.

     Nunca soube se o dinheiro chegava, mas continuava enviando-o como um ato de fé. Em 1810, quando o padre Hidalgo levantou o estandarte da Virgem de Guadalupe e começou a guerra de independência, Ana Belén tinha 63 anos. A Fazenda Santa Cruz foi saqueada duas vezes por insurgentes que buscavam armas e dinheiro. Dona Leonor morreu em 1812 durante um ataque rebelde, atravessada por uma bala perdida em sua própria casa.

    Ana Belén, livre finalmente por decreto de abolição que Hidalgo havia proclamado, ficou nas ruínas da fazenda junto a outros antigos escravos que não tinham para onde ir. Em 1821, quando o México proclamou sua independência, era uma anciã de 74 anos que passava seus dias sentada sob o freixo do pátio, recordando.

     Às vezes vinham viajantes, comerciantes, soldados licenciados. Alguns ficavam para ouvir suas histórias sobre os tempos do vice-reinado, sobre as grandes famílias que caíram, sobre os segredos que morreram com seus donos. Em uma tarde de setembro daquele ano, um homem de pele morena clara de uns 33 anos chegou à fazenda perguntando por Ana Belén.

     Trazia consigo uma pequena caixa de madeira e uma carta antiga, amarelada pelo tempo. A carta estava assinada por Dona Leonor Villarreal. O homem disse chamar-se Gabriel. Havia crescido na costa, filho adotivo de uma família zapoteca que lhe contara, ao completar 21 anos, a verdade sobre sua origem. Levara anos para decidir-se a procurar, mas finalmente havia vindo.

     Queria conhecer sua história completa. Ana Belén olhou-o longamente, buscando em seus traços as marcas de Jacinto e de Dona Leonor. Estavam ali misturadas, fundidas em um rosto que era todos e nenhum. Contou-lhe tudo, desde o parto até a fuga, desde as mentiras até as verdades, desde o medo até a esperança.

     Gabriel ouviu sem interromper e, quando ela terminou, pegou sua mão enrugada entre as suas e disse: “Obrigado por me salvar, por guardar a memória.” Ana Belén morreu três meses depois, em dezembro de 1821, rodeada pelas poucas pessoas que ainda viviam nos restos da fazenda Santa Cruz. Gabriel estava presente e, quando a enterraram debaixo do freixo que ela tanto havia amado, colocou sobre sua tumba uma pedra com uma inscrição simples talhada por suas próprias mãos.

    Ana Belén, escrava que viu nascer a liberdade, onde todos viam apenas cadeias.

  • ALCOLUMBRE DÁ TIRO NO PÉ AO TENTAR CALAR FLAVIO DINO E LEVA UMA SURRA AO VIVO!

    ALCOLUMBRE DÁ TIRO NO PÉ AO TENTAR CALAR FLAVIO DINO E LEVA UMA SURRA AO VIVO!

    Estamos diante de um dos momentos mais cruciais para a defesa da ordem constitucional no país, com o poder judiciário tomando uma medida vigorosa para proteger sua independência e integridade contra o assédio político. A recente decisão monocrática do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que redefine o rito para pedidos de impeachment contra seus membros, deve ser vista não como um ato de blindagem, mas sim como um movimento estratégico de autodefesa da democracia perante um cenário de desequilíbrio e

    abuso sem precedentes. O contexto dessa ação judicial é alarmante. O país acumula 81 pedidos de impeachment direcionados a ministros da mais alta corte. Trata-se de uma estatística anômala que não encontra paralelo na história brasileira, nem nas democracias mais estabelecidas do planeta. Esse volume massivo de representações que se concentra majoritariamente sobre a figura do ministro Alexandre de Morais indica claramente que o instrumento legal foi sequestrado e transformado em uma arma de chantagem e coersão política

    por facções ideologicamente opostas às decisões do STF. Historicamente, a prerrogativa do impeachment foi concebida como um mecanismo de controle para ser utilizado em casos de crimes de responsabilidade graves. Contudo, o que se observa é uma distorção perigosa. A ferramenta está sendo acionada por divergências ideológicas ou como retalhação a decisões judiciais que contrariam os interesses do centrão e dos grupos extremistas.

    Alcolumbre sinaliza que vai 'medir temperatura' para indicação de Flávio Dino ao STF

    O objetivo manifesto desses grupos é criar um quadro de instabilidade permanente e pressionar o judiciário, transformando a fiscalização em um instrumento de sabotagem institucional. A manutenção desse quadro compromete a capacidade dos ministros de julgar com imparcialidade, pois passam a atuar sob a ameaça constante de destituição.

    A decisão de Gilmar Mendes atende a uma arguição de descumprimento de preceito fundamental, a DPF, e atua sobre a lei número 1, 79/50. Uma norma anterior à Constituição de 1988. Essa lei arcaica permitia que qualquer cidadão apresentasse um pedido de impeachment em um cenário de polarização extrema.

    Essa abertura se tornou uma brecha perigosa que permitiu a banalização e a utilização eleitoreira do processo. Ao determinar que o pedido formal deve partir exclusivamente da Procuradoria Geral da República, o ministro impõe um filtro técnico institucional essencial. A PGR, como fiscal da lei, assegura que a acusação possua o mínimo de plausibilidade jurídica antes de ser submetida ao Senado, tirando o processo do campo do mero ativismo político.

    Essa medida é um tapa na luva em um Congresso que, apesar das crises, se manteve inerte em atualizar a lei. O Senado, que teve a chance de modernizar a legislação, preferiu manter a regra antiga que lhe conferia um poder de pressão política. A reação inflamada de líderes como o ex-presidente do Senado, Davi Alcol Columbre e de congressistas ligados à extrema direita, ao criticarem a decisão como uma blindagem, demonstra que a medida de Mendes acertou no alvo.

     

    O que esses grupos perderam não foi um direito constitucional de fiscalização legítima, mas sim a capacidade de chantagear a Suprema Corte com pedidos enfundados. O ministro Flávio Dino não hesitou em apoiar o movimento, destacando a gravidade do cenário. Em sua análise, a quantidade em comum de representações demonstra um claro caso de perseguição e chantagem.

    Dino reforçou que o foco da discussão não é o equilíbrio de poderes, mas a distorção desse princípio por meio de abusos. Seu posicionamento, como colega e membro de destaque da corte, empresta peso e unanimidade moral à decisão, validando-a como uma resposta de estado contra a desestabilização. Alegação de que a decisão cria uma blindagem é refutada pelo fato de que o STF não está se autojulgando.

    A PGR apenas envia o caso para o Senado Federal, que continua sendo a única instância com poder de julgar e afastar um ministro. O que Gilmar Mendes alterou foi o rito de iniciação, exigindo uma análise técnica prévia. Além disso, o aumento do quórum de aprovação para 54 votos no Senado, 2/3, garante que um eventual impeachment só ocorra com o consenso político e institucional de uma ampla maioria e não por um golpe de força de um grupo minoritário e extremista.

    Essa exigência é uma salvaguarda contra a politização do processo. A blindagem real, como o roteiro aponta, é aquela que o Congresso exerce sobre si mesmo, onde deputados e senadores envolvidos em crime são sistematicamente protegidos pela votação de seus pares, que se unem para evitar a cassação de mandatos. Essa discrepância é evidente.

    O legislativo se protege por conivência política, enquanto o judiciário busca se proteger por regra técnica e constitucional. O STF está, na verdade, buscando se equiparar a padrões internacionais de estabilidade judicial e combater o uso do judiciário como palanque eleitoral. A decisão de Mendes também é uma proteção fundamental para o governo Lula.

    Ao remover o ruído constante e as crises fabricadas que consomem energia institucional, o presidente ganha um ambiente de trabalho mais sereno e previsível. Lula, que historicamente demonstrou respeito pelas instituições, nunca recorreu ao pedido de impeachment contra ministros, mesmo em momentos de grande injustiça pessoal e política.

    A estabilidade no STF permite que o executivo se concentre na aprovação de sua agenda social e econômica, sem o peso da chantagem do centrão, que usa as ameaças judiciais para estorquir a liberação de emendas e recursos. O que se testemunha é uma batalha pela soberania da Constituição de 1988. O STF está defendendo o sistema de pesos e contrapesos ao impedir que um poder domine o outro.

    A tentativa da extrema direita de formar uma maioria no Senado com o objetivo declarado de empichar ministros por questões ideológicas é um ato de ilegalidade e um ataque direto à democracia. Gilmar Mendes agiu para desarmar esse plano antes que ele se concretizasse. A decisão é um marco que reafirma que a última palavra no Brasil é dada pelo Supremo Tribunal Federal, tal como ocorre nas democracias sólidas.

    Dino vai ao STF graças a "jogo bruto" do governo e erros da oposição

    Apesar das críticas, incluindo as de setores mais radicais da esquerda, que ainda guardam antigas rusgas com Gilmar Mendes, lembrando seu histórico de decisões, o consenso jurídico e pródemocracia aponta para a correção da medida. O plenário do STF, que irá referendar a decisão, está pronto para dar uma resposta definitiva ao Congresso, reafirmando que a independência do judiciário não é negociável.

    A mobilização digital em apoio à decisão de Mendes é crucial para mostrar ao Senado que a sociedade está do lado da ordem e da legalidade. A mensagem é clara. A era do uso do impeachment como mera ferramenta de espetáculo midiático e chantagem acabou. O Brasil precisa de estabilidade e a decisão de Gilmar Mendes, endossada por Flávio Dino, é o pilar que garante que o presidente Lula possa governar com a tranquilidade institucional necessária para a reconstrução do país.

    A legalidade prevalece sobre a pressão política. A profundidade da crise exige uma análise mais detida sobre a lei 179/50 e sua incompatibilidade com a arquitetura constitucional pós 1988. Quando a lei foi promulgada, o conceito de separação de poderes era menos rígido e a ideia de um judiciário forte e independente, como o que se consolidou no atual regime democrático, ainda estava em gestação.

    A Constituição Cidadã elevou o STF ao patamar de Suprema Corte com poder de guarda da Carta Magna. exigindo, por consequência uma blindagem maior contra ataques externos. A manutenção da regra de que qualquer pessoa pode iniciar um processo de impedimento criava uma vulnerabilidade sistêmica que a decisão de Mendes visou corrigir.

    Ele atuou como um cirurgião constitucional, retirando o tumor da instabilidade. A atuação da PGR como filtro não é um ato arbitrário, mas sim um reconhecimento de seu papel constitucional como chefe do Ministério Público da União. A PGR possui a expertize e o dever legal de conduzir a ação penal pública e de zelar pela correta aplicação da lei.

    Transferir a prerrogativa de iniciativa para esse órgão é alinhar o processo de impeachment a outros procedimentos de alta relevância penal e constitucional. Dessa forma, o pedido de impedimento deixa de ser um grupo de WhatsApp, onde a cada 5 minutos se faz uma denúncia enfundada para se tornar um processo sério, embasado por critérios técnicos e por uma instituição de Estado.

    A histeria no Senado Federal, após a decisão que uniu senadores da extrema direita, do centrão e até mesmo de alas da esquerda, revela a força do status com que Gilmar Mendes ousou confrontar. O senador Alcumbre expressou publicamente a frustração da classe política, que se sentia confortável com o poder de intimidação que a lei antiga lhes conferia.

    O debate se deslocou de forma imediata para a ameaça de PEC, o que é um direito legítimo do Congresso. No entanto, o STF, ao tomar a decisão, forçou o legislativo a fazer o que era sua obrigação, legislar sobre o tema com responsabilidade. Se o Congresso aprovar uma nova lei ou PEC, ela será analisada pelo próprio STF, garantindo que a solução final seja compatível com a Constituição.

    A bola está agora, de forma correta, no campo do debate legislativo, mas sob a régua da legalidade imposta pelo judiciário. Essa medida também deve ser entendida no contexto do combate à desinformação. A utilização dos pedidos de impeachment servia como munição narrativa para a máquina de fake news da oposição, que criava um octógono virtual de o povo contra o STF.

    Ao tornar o processo de iniciativa mais técnico e menos midiático, o STF retira o combustível dessa narrativa extremista. O manifesto Brasil se alinha a essa visão, defendendo que o debate político deve ser feito nas urnas e no Congresso, e não por meio da coação judicial. O apoio do ministro Flávio Dino, que conhece profundamente as dinâmicas do assédio político, é o selo de garantia de que a decisão é uma medida de saúde democrática.

    O legado dessa decisão será a criação de um STF mais resiliente, focado em julgar com a independência que o cargo exige. Isso é fundamental para a governabilidade do presidente Lula, que precisa de um judiciário que funcione como baloarte da legalidade e não como um campo de batalha político. A vitória de Mendes e Dino é a vitória da institucionalidade sobre a anarquia e o Brasil emerge mais forte desse embate com um sistema de poderes mais equilibrado e maduro.

    E é por essa análise profunda e corajosa que desvendou a manobra genial de Gilmar Mendes e o apoio firme de Flávio Dino, a estabilidade institucional que pedimos seu apoio. O manifesto Brasil está na linha de frente para expor o jogo sujo da chantagem e defender a democracia brasileira. Para continuarmos a trazer a verdade sobre o STF e as derrotas do Centrão, precisamos do seu suporte.

    Defenda o STF contra os abusos. Clique agora mesmo no ícone Valeu Demais. Super thanks logo abaixo e envie sua contribuição. O seu valeu demais é fundamental para manter nossa voz forte contra o caos e a desinformação. Contamos com você para forç.

  • ESCÂNDAL0! SERGIO MORO PEGA JUÍZA PEL0 PESC0Ç0 E ELA FAZ DENÚNCIAS DOS SEUS CRIMES NA LAVA JATO!

    ESCÂNDAL0! SERGIO MORO PEGA JUÍZA PEL0 PESC0Ç0 E ELA FAZ DENÚNCIAS DOS SEUS CRIMES NA LAVA JATO!

    O que vocês vão ver aqui neste vídeo é escandaloso, revelador. Mostra como Sérgio Moro é um criminoso. Ele pegou uma colega dentro do elevador pelo pescoço e a ameaçou quando da Lava Jato, quando ele estava cometendo crimes e ela não concordou. E agora ela vem a público com revelações escandalosas.

    Porque se vocês acham que pegá-la pelo pescoço é algo escandaloso, ela levanta. Ela, olha só, olha só, pessoal, ela saiu da magistratura, ela deixou de ser juíza federal com medo, com medo, porque são assassinos que estão na Lava-Jato. A Lava- Jato era uma organização criminosa dentro do judiciário.

    Eles precisavam eliminar todo mundo que prestava pro caminho ficar livre. Ela ficou tão temerada em relação a continuar trabalhando que ela pegou a família, ó, e vazou, morrendo de medo desses pústulas, desses criminosos. E ela levantou inclusive acusações de que policiais federais foram assassinados por membros da Lava-Jato. Inclusive, Teoriza Vasque, ex-membro, ministro do STF, que morreu em circunstâncias nunca esclarecidas e ela havia denunciado para Teoriza Vask.

    Moro vira réu em ação do PT que pede condenação por prejuízos da Lava Jato

    E Teoriza Vasque vem a ser falecido. Hum. faleceram com ele. Desculpem o assassinato do português. E vou falar para vocês, se você não se inscreveu ainda no Brasil 247, vale a pena. Essa matéria é do Brasil 247, uma matéria maravilhosa que o nosso Joaquim de Carvalho fez com a Luciana Bauer, a Dra. Luciana Bauer, exjuíza federal.

    E agora ela pega força vendo que a justiça está funcionando. O ministro Diastofol autorizou a que fossem enquadrados e vasculhados os pertences da 13ª vara a qual o juiz Sérgio Moro trabalhou. Material este que estava escondido, que eles não publicizaram como o STF havia pedido e agora o STF vai atrás desse material. São desobedientes, tem costas quentes.

    É Morcrm. Ela vem a público, Tacla Duran comemora, Eduardo Apio comemora, juiz. E Tony Garcia foi também ao Brasil 247 e disse que a Polícia Federal conseguiu aquela caixa amarela que ele dizia que lá estavam as chantagens e os crimes de Sérgio Moro, que ele pegava aquela caixa amarela quando ia chantageá-lo para que ele grampeasse, para que ele gravasse pessoas e assim o Sérgio Moro ter na mão autoridades, como por exemplo o TRF4, que pautou e que na condenação do Lula aceitou tudo que o Sérgio Moro colocou,

    assinou embaixo. Todos na mão do marreco. O Tony vazou que eles conseguiram as provas. A Polícia Federal já está em posse dessas provas. O Marreco vai tomar cana, vai dançar. Sérgio Moro se revelou no Senado uma figura decorativa e uma de de mau gosto. Porque Sérgio Moro, figura decorativa, é brincadeira, né, pessoal? Mas ele se mostrou um inútil, não sabe nada de nada, é um incompetente, mas para armar, chantagear, meu Deus, que ratão, que esperto.

    Coloca as barbas de molho, marrequinho. Sua casa começou a cair. É um desqualificado desse que colocou Lula na cadeia. Meu Deus, é muito difícil para mim estar aqui porque eu sou uma pessoa desenvolta com direito, eu trabalho com direito climático, com direitos humanos, mas hoje aqui eu tô diante de vocês como uma vítima do lawir, né? E eu adquiri, por exemplo, tactardia, quando eu falo meu próprio caso, por isso que você já tinha me convidado há mais de um ano.

     

    E eu falei que naquele momento eu não conseguia falar de novo, é muito difícil para mim falar, mas hoje, como teve e esse eh chegaram até realmente a a vara, etc., Eu vou dar o meu testemunho aqui para vocês de o quanto eu vi uma entidade mafiosa dentro da 13ª vara e dentro da estrutura do TRF4, que até hoje se nega, a fazer uma correção e a rever seus erros.

    Só consigo falar com vocês de tudo isso porque eu não sou mais juíza e eu estou a 8.000 1000 km de distância de Curitiba. Eu só me sinto segura assim para vocês saberem o quanto é difícil, mesmo sendo um juiz federal na época, lutar contra uma ilegalidade acobertada pelo judiciário. Por que que uma VAR, sempre que você vai fazer plantão em outra subcessão qualquer, se faz recodízio, mas o Moro queria o controle absoluto sobre os processos.

    E esse processo específico, ela pagou a liberdade que eu consegui naquele abasco, eu nem lembro mais, eu tinha guardado todas as as provas de quem era. Ela falou que só que era uma pessoa da Petrobras que tinha que continuar presa porque eh, enfim, ele tava quase fazendo a delação e tinha que continuar preso, que o MPF ia mandar no outro dia um outro processo para prender, que ia ser inútil soltar, enfim, uma balela ali.

    Mas enfim, não ouvi ela. Coloquei ali a ordem de soltura que não é feita de noite, é feita de manhã, né? E sempre antes de entregar o plantão, às 11 horas, geralmente a gente entregava, eu dou mais uma, eu dava mais uma revisada no PROC e vi que foi apagado. Ah, daí eu fiquei, fiquei muito brava com ela e peitei ela, peitei a vara.

    E foi então que o Moro me pegou no elevador e me pegou pelo pescoço e me ameaçou. Não, deixa eu vocês estão ouvindo a gravidade disso? Isso, isso, isso é mafioso, é criminoso. Primeiro, desculpa, deixaar. Você não lembra o nome do Pet. Seria interessante para investigarem agora, mas é, é alguém que tava no meu plantão e tava preso no meu plantão, das milhares de pessoas que estavam presas lá.

    Isso aconteceu no ano de 2016, porque no final de dezembro de 2016 eu não eu não contei para ninguém isso, porque eu fiquei em choque. Eu fiquei em choque. Ali eu percebi, é muito difícil para mim falar isso para vocês, porque eu era um juiz federal na época, mas eu era uma pessoa que recém tinha tido um filho e o meu leite secou.

     

    Eu eu fiquei muito chocada de um colega. que que era tido como herói me pegar pelo pescoço e me ameaçar dizendo para mim ficar quieta. Eu não tive nem coragem de pedir vídeo na época pra direção do forum, porque você sofre uma violência assim, eu não falei nem pras minhas melhores amigas, ninguém ia acreditar, gente.

    Ninguém ia acreditar, não falei pra minha diretora, ninguém sabia até hoje. Luciana, deixa eu dizer uma coisa para você. Isso é final de dezembro? Perdão, dezembro? Não, isso foi, eu não me lembro direito quando foi, gente. Eu realmente bloquei quando tudo isso foi. Depois eu não entrei mais em plantão. Eu comecei a denunciar, denunciei pro Loraci na época, não sei se ele era juiz corjedor ou ou da presidência, ele eh uma juíza que era assessora da da corjedadoria Eliana Pajarim, eh, por Maucelli, porque sempre as mesmas

    pessoas estão ali, sabe? Se você vai ver hoje, sempre as mesmas pessoas se alternaram como assessores da coredoria para tapar esses buracos que é o o Louraci, Eliana, Malucele, Jebran. Sempre essas pessoas foram se alternando. Saliz também, que hoje é a corregedora do PE F4. Então o que que eu eu não sabia mais o que fazer e e pior, piorou.

    A a minha casa ficava na rua Ari Lopes. Eu tinha alugado uma casa lá e era e a minha biblioteca, eu sempre tive biblioteca grande, ficava num janelão da frente e eu sentava, ficava horas na minha escrivaninha dessa biblioteca trabalhando e começou a passar todo dia um carro da Polícia Federal ali e eu tinha sido ameaçada.

    Eu não sabia se eu se eu denunciava, se eu não denunciava. Eu fiquei totalmente com medo. A única pessoa para quem eu falei foi em dezembro de 2016, eu acho, foi em dezembro, foi para quem foi professor da minha universidade. Eu conhecia porque era tinha sido eh desembargador do TRF4, que foi o Zavask. O Zavasque já tava, eu acho, com o processo do Moro.

    Acho que sim. E eu tava muito assustada. Eu não conseguia nem falar com ele, eu só chorava. E ele muito consternado, ele ele ele falou: “Não se preocupa, só fala comigo, não fala para mais ninguém”. E daí na sequência ele morreu, ele morreu em janeiro. A princípio, eu eu achei que a morte era um acidente, mas o o delegado federal que atendeu o caso dele lá em Parati, três meses depois foi assassinado em Florianópolis.

    o lugar um lugar assim e e se você vai ver as ocorrências de quantos delegados federais foram assassinados, você vê que foi só ele em décadas, né? Então você fica vendo aquela aquela sequência assim mafiosa de que você não tem saída. A minha saída eh foi manter a cabeça fria, organizar um plano de saída da justiça, porque eu ia ser perseguida.

    Eu ia ser perseguida como o tá sendo perseguido agora. Oppio tá sendo perseguido porque deixou de pagar uma champanhe num supermercado, enquanto o Moro levou 6 bilhões em valores atuais. Gente, eu falei, eu falei a minha história para várias pessoas ali. Eu não falei da agressão, claro, no elevador do moro que ninguém ia acreditar, mas eu falei da da do caso do Aborpos para pelo menos seis pessoas de de diferentes coredores, diferentes eh juízes coredores do TRF4.

    Tem uma uma desembargadora que eu amo muito, ela é muito querida, ela é uma pessoa muito humana que se chama Luciane Correia. Ela foi fazer correção na minha vara, eu não me lembro direito quando, acho que foi em 2019, ela, eu me lembro da roupa dela, ela tava com uma blusa branca, uma calça verde e e recém o Moro tinha assumido, eu acho, para pro ministro e e eu acho não tinha saído ainda a Vasa Jato, não sei se tinha saído a Vasa Jato, mas eu falei para ela: “Vai e faz uma correção extraordinária na vara”. Porque

    aconteceu isso e isso com as diretoras ali, eles fizeram muitas coisas erradas, mas eu falei assim de uma forma que eu já não acreditava que a justiça ia ser feita. E depois o próximo cador que era o Cândida, é um grande lavajatista, ele pegou dois juízes cojadores que são muito lavajatisas de novo, né, o Loraci e outro. E e isso tudo foi se apagando.

    Eu assumi realmente assim que eu ia sair da justiça, porque a gota d’água até foi que eu pedi duas férias para emendar, duas férias para terminar o meu doutorado, o meu mestrado nos Estados Unidos, no meu doutorado. E eles não deixaram eu emendar porque aquilo ia ser perigoso, porque quando você bate de frente qualquer qualquer coisa é objeto.

    Entraram com paduritiba. É óbvio que eu não ia estar morando em Curitiba. Eu tirei todas minhas famílias de lá e algumas pessoas ali sabiam da corregedoria. Porque que eu tava com medo e ninguém fez nada. Eu tinha um filho muito pequeno. Eu só quero dizer para vocês as mesmas palavras que a gente ouviu do Papa Francisco quando mandou uma carta pro Lula, o bem vai vencer o mal.

    E e eu acredito ainda nisso, embora, quem sabe não seja dessa vez que o Moro vai ser pego e vários ali do tribunal que fizeram essa quadrilha, mas eu realmente acredito que o bem vai vencer o mal. Mas para isso a gente tem que se unir as pessoas de bem, os advogados de bem, os juízes de bem. Onde é que tá a JUF que não pede esclarecimentos sobre o que aconteceu na 13ª vara? Onde estão os juízes federais de bem desse país que não exigem que tudo seja esclarecido? Então, realmente é uma luz no fim do túnel essa operação que foi feita hoje em Curitiba.

    Uma mega operação da Polícia Federal. Dessa vez foi onde teve a Lava-Jato. Enquanto isso, nosso Lulinha tá sendo o melhor presidente pela terceira vez. Se você gostou de GD justiça, galera. Notícia bomba aí, porque a gloriosa polícia federal acaba de fazer busca apreensão na antiga vara do Moro lá em Curitiba.

    Presta atenção que o bicho tá pegando. A denúncia foi feita pelas redes sociais por aquele advogado que é bastante conhecido, Antônio Carlos de Almeita Castro, o famoso Kakai, tá? Fica ligado aí porque depois disso a Polícia Federal foi bater lá na 13ª vara em Curitiba. Vamos seguir. O bicho tá pegando.

    A diligência foi autorizada pelo ministro Dias Cofre como parte de um inquérito sigiloso que investiga suspeitas de que o ex-juizio Moro teria coagido o empresário e ex-deputado Tony Garcia a produzir gravações ilegais contra autoridades ao longo de quase uma década. Segundo Garcia, ele atuou como agente infiltrado desde o caso benestado em 2004 até desdobramentos posteriores da Lava-Jato, cumprindo ordens para restringir conversas e coletar informações sobre pessoas com prerrogativas do foro.

    Para mim, de fato, o ex-juiz Sérgio Moro é um agente da CIA infiltrado aqui no Brasil. Passou muito tempo lá nos Estados Unidos planejando como derrubar o governo do presidente Bola. Vamos seguir. Garcia relatou ao STF que documentos mantidos na 13ª vara poderiam comprovar suas acusações, o que levou Tof a autorizar um exame em loco de processos, pastas, mídias e materiais vinculados às investigações.

    A operação busca obter diretamente itens que o Supremo requisitou diversas vezes e que não foram enviados pela Justiça Federal do Paraná. Tá vendo aí o negócio como é que tá? Vem comigo aqui, ó. Conversas obtidas pela operação SPUF mostram procuradores discutindo o uso de Garcia e monitoramento e ações preparatórias. Em uma das mensagens, Deltan Dalanol chegou a se referir ao empresário como um brinquedo novo.

    Tá ouvindo aí? Hã? o ex-procurador vamos seguir em nota, o ex-juiz Mouro e agora procurador, porque ele sempre quis ser político, queria ser presidente da República, né? Classificou as acusações como um relato fantasioso e disse não ter receio do acesso do Supremo aos processos sobre sua responsabilidade na época. Vamos ver, né? Vamos ver, galera.

    Ó, eu peço que vocês curtam, apert aqui no coraçãozinho para ficar vermelho, comentem e compartilhem. Se puderem publico, vamos compartilhar esse vídeo aí porque bicho tá pegando. Vamos para cima. Então eu não compreendo as críticas que foram feitas nas última semana, Vossa Excelência, de fato, compreender é uma palavra muito forte para o nosso senador Sérgio Marreco, pô.

    Tá esperando o quê? É isso aí, pô. Eu nem sei qual que vai ser o resultado, se vai ter mesmo essa indicação, se vai ter essa, como é que vai ser essa batidina, se vai ser aprovada ou não. Eu não sei vocês, mas sempre que o futuro governador do Paraná, Paraná tá de parabéns, hein? vai sair do rato pro marreco. Voltando, sempre que ele fala do STF, cara, parece um patinho feio, triste, uma certa inveja, um rancor ali guardado, a gente não sabe por agora criticar o Senado e criticar a presidência do Senado pelo exercício das prérogativas constitucionais do Senado,

    a meu ver, um absurdo. O senador tá correto demais, Tem que defender o presidente do Senado, que inclusive é do partido dele agora. Senador, será? Hipótese, será que o nosso presidente do Congresso, o menino Davi, será que ele não tá puto por outro motivo? Não, preocupado, sei lá, com a cabeça em chamas.

    Indicado de alcumbre do mesmo partido do único senador que voou, Sérgio Marreco, ignorou alertas e investiu R$ 100 milhões deais de aposentados do Amapá no Banco Master.  o nosso presidente do Congresso, menino da vida, deve estar muito preocupado com dinheiro dos aposentados. Tem que acolher o presidente, Moro. Pô, às vezes ele tá irritado com outra coisa.

    Administrador que aplicou o dinheiro de aposentados do Amapá no Banco Master responde por gestão temerária. Sobrou até pro Temer. Às vezes, Muro, o cara do teu partido tá preocupado porque, né, o dinheiro dos aposentados é muito sagrado. Filiado à União Brasil, contador da campanha de governador do Amazonas, autorizou aporte de R$ 50 milhões deais do Amazon Preve, que não tem nada a ver com a Amazon, é dos trabalhadores do estado do Amazonas no Banco Master, também do União Brasil.

    Minha sincera avaliação, tá faltando sensibilidade para o senador da União Brasil, Sérgio Moro, porque o presidente do Congresso e até o presidente do partido dele, o Rueda, eles estão muito preocupados com o avançar das investigações envolvendo essa questão do Banco Master, por ser que um aposentado fique sem o seu dinheiro e eles estão muito preocupados com aposentados.

    Pode ser isso, amor? Tem que acolher, tentar resolver o problema dos aposentados. Pode ser isso. E o Marreco lá no Senado chorando atrás de anestesia pro Bolsonaro. O Bolsonaro colocou ele para correr. Veja como o cara é cara de pau para conseguir uns votinhos. faz de tudo. Acompanha presidente Bolsonaro.

    Não há qualquer margem de dúvidas sobre a necessidade de cuidados especiais da necessidade de alimentos especiais, tanto pela facada que recebeu naquele fatídico ano de 2018, como pelas sucessivas cirurgias que foi obrigado a fazer desde então. Nessa perspectiva, deveria ele sim com os cuidados serido de prisão domiciliar, seria mais apropriado uma pessoa com as suas condições de saúde.

    Agora, quando nós colocamos tudo isso juntos, neniência de um lado para quem praticou crimes graves e rigor excessivo em relação aos manifestantes do Rio de Janeiro ou a negação ao Bolsonaro da prisão domiciliar, é que nós percebemos que tem alguma coisa errada aí com o nosso país, que precisa ser consertado. Vamos aguardar esperar que semana os próximos em breve rebruçado sobre esse projeto de anistia de redução de penas a minha preferência pela anistia, mas temos que observar as condições políticas no momento e não podemos ficar sem ambas as coisas no

    Análise | Sergio Moro: o ex-juiz que rasgou a Constituição. Por Jorge Folena - Brasil de Fato

    presente momento de antes. Eu posso falar com autoridade porque estive, visitei algumas delas na prisão. São pessoas absolutamente simples, que tem ciência que erraram, que não deveriam ter agido daquela forma, mas jamais um tratamento assim tão rigoroso. A hora do do Congresso se debruçar sobre essa anxichinha, se debruçar sobre se não for possível anichir, um ajustamento dessas penas a patamares que sejam minimamente razoáveis.

    Falou o maior corrupto da história da Lava-Jato. 5 bilhões que sumiu, que foi paraos Estados Unidos e voltou aonde ele enfiou. O maior corrúp da história Lava- Jato, tá aí, ó. Esse país ontem deu uma lição de democracia ao mundo. Sem nenhuma láde, a justiça brasileira mostrou a sua força, não se amedrontou com as ameaças de fora e fez um julgamento primoroso, onde não tem uma acusação de oposição.

    É tudo acusação de dentro da quadrilha que tentou dar um golpe nesse país. E pela primeira vez na história do país, pela primeira vez em 500 anos na história desse país, você tem alguém preso por tentativa de golpe. Você tem um ex-presidente da República e você tem quatro generais de quatro estira presos.

    Não é demonstração de que democracia vale para todos. Democracia não é privilégio de ninguém, é um direito de 215 milhões de brasileiros. Portanto, eu estou feliz, não pela prisão de ninguém, estou feliz porque esse país demonstrou que está maduro para exercer a democracia na sua mais alta plenitude. Pessoal, senta o dedo no compartilhar porque esse vídeo é pro desespero do gado.

    Essa é a maior revista do mundo, The New York Times, que acabou de postar aquilo que o Brasil todo já sabe. Brasil desafiou o Trump e ganhou. Sabe por quê? O presidente Lula conseguiu fazer o inimaginável. negociou com Trump, conseguiu retirar a maioria das tarifas que foram colocadas sem veralatismo, sem se submeter aos norte-americanos.

    Essa é a diferença clara de um presidente que defende a soberania do Brasil e de um presidente que não só tá preso, mas representa aquilo que é o pior do Brasil. Cada fake news que bolsonarismo por enfraquece a direita brasileira. A extrema direita está fraca, está na hora da esquerda e com tudo para cima. Lula pode contar com o seu apoio para eleger metade de esquerda no Congresso? Você se indigita. Eu apoio.

    Vai responder por isso. Criminalmente. Criminalmente sim. Aqui na polícia federal.

  • CENTRÃO REJEITA FLÁVIO CANDIDATO! “Entregou pro Lula. Não prospera”

    CENTRÃO REJEITA FLÁVIO CANDIDATO! “Entregou pro Lula. Não prospera”

    A escolha de Bolsonaro por Flávio como seu candidato em 2026 despertou a fúria de vários partidos do Centrão, que em poucos minutos depois do anúncio de Bolsonaro ser divulgado, esses partidos já estão falando em neutralidade para 2026. Isso porque a candidatura do Flávio não é uma candidatura. Flávio está sendo colocado por Bolsonaro para disputar a próxima campanha presidencial para simplesmente manter o poder e a influência da direita.

    sobre o controle da família Bolsonaro. Portanto, se o centrão enfraquecer o Flávio Bolsonaro e a direita também pós 2026, o bolsonarismo de Bolsonaro sai em frangalhos. Porque o que tá em jogo em 2026 não é a vitória presidencial, porque isso o Lula vai ganhar, tá? todo mundo já sabe disso, mas é o controle da oposição para 2030, quando o Lula vai ter o ocaso da sua vida pública.

    Só que se a família Bolsonaro colocar mais uma candidatura em 2026, eles vão continuar pelo menos influenciando todo o movimento. E é isso que o Centrão não quer. Tem gente até dizendo que a candidatura de Flávio Bolsonaro não vai prosperar e não vai mesmo, porque o objetivo não é ser uma candidatura presidencial, mas simplesmente manter o poder.

    Aliados de Lula dizem que crise no Rio enfraqueceu Flávio Dino na disputa para o STF

    Coloque nos comentários o que que você achou dessa escolha do Bolsonaro pelo Flávio. Foi uma boa opção para manter o poder? É uma é uma candidatura forte, fraca? Você acha que o centrão vai mesmo romper com o Bolsonaro? O objetivo é enfraquecer o bolsonarismo. Eu quero, quero, quero não, eu quero muito que você coloque aqui nos comentários as suas percepções.

    Deixa o like no vídeo se você considera essa candidatura de de Flávio uma candidatura fraquíssima e se inscreva no canal. Como todo mundo viu, o Bolsonaro indicou o Flávio como sendo o seu candidato para 2026. Essa que não é de fato uma candidatura, porque o objetivo do Bolsonaro ao escolher o Flávio era conter os avanços de Michele, respondendo depois daquela derrota que a Michele impôs ao clã Bolsonaro depois de todo aquele embrolho no Ceará e também para manter a influência e o poder da família Bolsonaro. Porque se o Bolsonaro

    lançasse outro candidato, como por exemplo Tarcísio, o Tarcísio, mesmo sendo derrotado, sairia como a liderança da oposição e a família Bolsonaro perderia todo o seu capital político. Isso seria um problema. Mas por que que o Bolsonaro optou pela escolha do Flávio agora e não mais paraa frente? justamente pelo avanço de poder de Michele Bolsonaro.

     

    Então não é uma candidatura, isso tem que ficar muito claro. O objetivo é manter o poder, conter o avanço de Michele Bolsonaro e tentar usar a candidatura do Flávio como retórica para a liberação ou libertação de Bolsonaro ainda em 2026. Se esse plano vai dar certo, eu tenho lá muitas dúvidas sobre isso, porque a candidatura de Flávio, que pode se tentar ser algo para manter o poder da família Bolsonaro, pode ser um grande tiro no pé, porque há uma movimentação e nós sabemos disso, para desidratar essa candidatura, porque o que está em jogo

    em 2026 é justamente o futuro e a liderança da direita a partir de 2026 para 2030. Porque em 2030 a Lula não vai mais poder disputar nenhuma campanha presidencial, porque ele já vai estar com uma idade, vai tá no seu segundo mandato seguido e isso vai encerrar um período político da história brasileira, abrindo assim o novo período político.

    E alguns aliados já começaram a reclamar mais publicamente dessa candidatura do Flávio. Porque o Paulinho da Força, que é deputado do Solidariedade, o relator do projeto de anichia na Câmara dos Deputados, falou para o Lauro Jardim que essa candidatura do Flávio Bolsonaro não prospera, que é algo simplesmente é fazer o jogo do PT e entregar nas mãos do Lula a vitória em 2026.

     

    E na minha opinião, vai ficar muito mais fácil para o Lula vencer o Eduardo, o Flávio Bolsonaro. Muito mais, muito mais fácil. Nas redes sociais houve também uma divisão. Algumas pessoas da direita não gostaram da edicação do Flávio, preferiam o Tarcísio, achavam ele um candidato mais competitivo. Outros disseram que precisam estar com Bolsonaro onde quer que ele vá, quem que seja o candidato que ele escolher.

    Beleza, mas o Fábio Vaarten, que foi ministro da SECOM, ex-assessor do Bolsonaro, percebendo essa movimentação, esse descontentamento, foi também às redes sociais para falar o seguinte: “Olha, a decisão do Bolsonaro é uma decisão absoluta. O que Bolsonaro decidir está decidido, da mesma forma que o Valdemar Costa Neto também se manifestou depois da indicação do Bolsonaro que Flávio vai ser o seu candidato, mas não foi uma decisão, não vou dizer unânime, mas não agradou de modo unânime as pessoas da direita.

    E segundo o Globo, horas depois do anúncio do Flávio como sendo indicado do Bolsonaro, o centrão simplesmente rachou com esse presidente, porque todos aqueles partidos que articulavam alguma candidatura e tinham puerilmente uma esperança de receberem o aval de Bolsonaro para os seus candidatos como PSD, União Brasil, PP, Partido Novo, republicanos já começaram a falar que vão deixar a candidatura bolsonarista.

    Isso, segundo o jornal O Globo, tá? Por quê? Porque na visão deles, o sobrenome Bolsonaro é um sobrenome que tem muita resistência, muita rejeição. Só que eles estão assim, sinceramente, eles estão errados, porque mesmo que fosse outro candidato, como o Brasil ele está muito politizado e dessa forma com os a população muito bem dividida e decidida, não importa que o candidato tenha o sobrenome Bolsonaro ou não, porque o candidato que for enfrentar o Lula vai ter a mesma votação, independentemente do sobrenome,

    porque há uma polarização no nosso país muito bem definida e todas As pesquisas de intenção de votos mostram isso, porque o Tarcísio tem a mesma votação do Flávio, da Michele, do Bolsonaro e de outros candidatos no segundo turno. Então não é o sobrenome que provoca isso, mas a politização. E eles acham isso, o problema é todo, é deles.

    Flávio Dino diz que país pode ter que discutir parlamentarismo após saída de Lula

    O foco agora, segundo a notícia do Globo, é justamente tentar formar bancadas no legislativo. Esse é o objetivo dos partidos do Centrão. e eles vão eh declarar neutralidade, não vamos apoiar nenhum candidato. Essa é a posição do PSD, do do União Brasil. Tudo o que fica mais fácil para esses partidos, né? porque eles vão poder fazer ali as suas coligações regionais sem que haja uma definição mais concreta até no âmbito nacional para não causar nenhum tipo ali de constrangimento.

    Até mesmo Ciro Nogueira em confissão recente já disse que a oposição não tem nenhuma nenhum tipo de estratégia, que faltaria bom senso à direita brasileira para enfrentar o Lula, não havendo nenhum tipo de estratégia para enfrentar o Lula. E por isso o foco, na verdade, seria as bancadas do as bancadas legislativas, tanto o Senado quanto o Congresso, ou melhor, quanto a Câmara dos Deputados.

    Seria uma forma da oposição buscar ali a sua sobrevivência política. O Cío Nogueira falou isso e é o que vai acabar acontecendo, na verdade, porque essa posição do Flávio é uma posição que todo mundo já esperava que fosse acontecer. falava que o Flávio poderia ser vice. Não tinha como o Flávio se vice.

    Você não pode ter uma chapa, duas cabeças. O Flávio não pode ser vício do Tarcísio. Uma chapa precisa ter uma cabeça e precisa ter um rabo. Então, sinceramente, eu não sei a surpresa do do pessoal do Centrão, não sei qual foi eh o grande desapontamento, porque era óbvio que o Bolsonaro iria manter alguém da própria família. Isso era óbvio, tava sendo, era algo que tava sendo desenhado, mas o centrão parece gostar de se enganar.

  • Ana Belén: A ESCRAVA que viu o nascimento da criança cuja pele revelou a traição oculta.

    Ana Belén: A ESCRAVA que viu o nascimento da criança cuja pele revelou a traição oculta.

    No verão de 1787, quando o ar do vale de Oaxaca ardia como brasa viva e as cigarras cantavam sua ladainha nas árvores de Goiaba, Ana Belén ouviu o primeiro grito da Senhora Leonor vindo do quarto principal da fazenda Santa Cruz de Tlacolula. Era um grito contido, abafado pelo costume de décadas de não mostrar fraqueza diante da servidão.

    Ana Belén largou a bacia onde lavava lençóis de linho, secou as mãos no avental e subiu as escadas de pedra que conduziam aos aposentos dos patrões. Seus pés descalços conheciam cada degrau, cada rachadura onde a cal havia se soltado durante as chuvas do ano anterior.

     Ela estava naquela casa há 30 anos, comprada aos 13 em um mercado de Antequera, e tinha visto nascer três gerações da família Villarreal. Desta vez seria diferente. Ela soube pelo tremor nas mãos da senhora quando, três meses antes, lhe pedira que jamais a deixasse sozinha durante o parto. Prometa-me, Ana Belén. Jure pela sua alma.

     A fazenda Santa Cruz dominava um vale onde se cultivava cochonilha, grana e milho. Os senhores Villarreal possuíam 200 almas, entre escravos negros trazidos das costas e serviçais indígenas que trabalhavam por dívidas herdadas de seus avós. Dom Rafael Villarreal, o patrão, partira para a Cidade do México seis meses antes para tratar de assuntos da audiência.

     Ele estava em litígio com os dominicanos por terras próximas a Etla. Sua ausência se prolongava mais do que o previsto, e as cartas que enviava a cada 15 dias falavam de trâmites intermináveis, de papéis que se perdiam, de funcionários que pediam mais dinheiro para acelerar as resoluções. Enquanto isso, a Senhora Leonor, de 42 anos, florescia em uma gravidez inesperada que todos atribuíam à vontade divina.

     Ela havia perdido duas crianças antes, ambas antes de completar o segundo mês de gestação. Desta vez, o menino se agarrava, crescia, chutava. O capelão da fazenda, Frei Domingo, dizia que era sinal de bênção, que Deus premiava a piedade de Dona Leonor, que havia mandado construir uma nova capela no povoado de San Pablo. Se você vive no México ou em qualquer canto da América onde essas histórias ainda dormem, nos arquivos paroquiais e na memória das pedras, comente de onde você nos lê e ajude-nos a resgatar o que o silêncio tentou apagar durante séculos. Ana Belén entrou no

    quarto e fechou a porta atrás de si. A Senhora Leonor estava recostada sobre o leito de madeira entalhada, suada, com o cabelo castanho grudado nas têmporas. As contrações haviam começado ao amanhecer, suaves primeiro, depois cada vez mais intensas. Agora chegavam a cada poucos minutos.

     Ana Belén havia assistido a mais de 50 partos. Conhecia os ritmos do corpo, os sinais de perigo, os silêncios que precediam a morte. Aproximou-se, apalpou a barriga inchada, calculou a posição da criança. Tudo parecia em ordem. “Quanto falta?”, perguntou Dona Leonor com voz tensa. Antes do anoitecer, respondeu Ana Belén. “O menino está bem posicionado. É forte.” A senhora fechou os olhos.

     “Ana Belén, quando nascer, quando o vir, não diga nada a ninguém, entende?” Suas palavras eram súplica e ameaça ao mesmo tempo. Ana Belén assentiu. Já o sabia. Há meses o sabia. Durante a gravidez, ela vira Dona Leonor caminhar até o telheiro onde guardavam as ferramentas, onde Jacinto, o capataz mulato, organizava as equipes de trabalho.

     Jacinto era filho de uma escrava e de um espanhol desconhecido, e havia crescido entre a casa grande e os campos, homem de confiança do patrão, encarregado de manter a ordem quando Dom Rafael viajava. Tinha 35 anos, corpo de trabalhador curtido pelo sol, mãos grandes e voz suave que contrastava com seu ofício de dar ordens.

     Ana Belén os vira conversar perto do aqueduto que alimentava as plantações. Vira-os em uma tarde de outubro, antes de as chuvas começarem, caminhar em direção à divisa, onde as árvores de Mesquite ofereciam sombra discreta. Não os seguiu, não precisava confirmar o que já entendia. Em uma fazenda, os segredos são como fumaça.

     Podem se esconder por um tempo, mas sempre buscam sair. O parto avançou por horas. Ana Belén preparou infusões de camomila e arruda. Limpou com panos de algodão. Segurou as pernas da senhora quando as forças fraquejavam. Lá fora, o sol começava a descer, tingindo o céu de laranja e púrpura. Ouviam-se os sinos da capela chamando para o Angelus.

     Frei Domingo viera duas vezes perguntar, e Ana Belén lhe dissera que tudo corria bem, que rezasse e esperasse. O capelão era um homem jovem, recém-chegado de Puebla, sem experiência nos assuntos obscuros que se tramavam nas grandes fazendas. Via o que queria ver, uma família piedosa, uma senhora devota, um patrão generoso com a igreja.

     Quando o menino nasceu, Ana Belén o recebeu com as mãos firmes. Era varão, como havia prognosticado. Chorava com força, os pulmões cheios de vida. Ana Belén limpou-o com água morna, cortou o cordão, envolveu-o em uma manta de lã e então o viu. A pele do menino não era branca como a de Dona Leonor, nem morena clara como a de Dom Rafael.

     Era escura, da cor de café sem leite, com um tom que não deixava dúvidas sobre o sangue que corria em suas veias. Os traços, ainda indefinidos, como em todos os recém-nascidos, insinuavam algo distinto. O nariz mais largo, os lábios mais grossos, o cabelo que começava a encaracolar-se em pequenos cachos apertados.

     Dona Leonor estendeu os braços, mas quando Ana Belén lhe entregou o bebê, viu em seus olhos o terror que estivera escondido durante nove meses. A senhora olhou para o filho e não disse nada, simplesmente o apertou contra o peito e começou a chorar em silêncio. Ana Belén limpou o sangue, trocou os lençóis, preparou o banho para a mãe.

     Trabalhava com eficiência, sem falar, enquanto sua mente calculava as consequências. Quando Dom Rafael voltasse, e mais cedo ou mais tarde ele voltaria, veria o menino e então começaria o inferno. “Não podem saber”, sussurrou Dona Leonor. “Se souberem, ele me matará.”

     “Matará o menino e a você também, Ana Belén, por ter estado aqui.” Ana Belén não respondeu. Sabia que a senhora tinha razão. No mundo das fazendas neo-hispânicas, a honra de um espanhol era mais importante do que qualquer vida. Um filho bastardo era desonra, um filho mulato era abominação. A lei permitia ao marido desfazer-se da esposa adúltera e de sua descendência.

     Alguns o faziam com veneno discreto, outros com faca rápida na madrugada. Sempre com a bênção tácita das autoridades que entendiam que certos crimes não eram crimes, mas sim justiça doméstica. Naquela noite, depois que Dona Leonor adormeceu exausta com o bebê nos braços, Ana Belén desceu à cozinha, onde as outras criadas preparavam tortillas e feijão para a ceia.

     Ninguém perguntou sobre o parto. Era costume esperar que a senhora anunciasse o nascimento oficialmente. No dia seguinte, viria o capelão para batizar o menino com água benta. Seriam enviadas cartas à Cidade do México informando Dom Rafael. Seria organizada uma pequena celebração com aguardente e tamales.

     Mas Ana Belén sabia que nada disso aconteceria da forma habitual. Na manhã seguinte, Dona Leonor mandou chamar Jacinto. Ana Belén estava presente quando ele entrou no quarto. O capataz trazia o chapéu na mão, as costas ligeiramente curvadas em gesto de respeito. Quando viu o menino, seu rosto mudou. Primeiro confusão, depois compreensão, finalmente algo parecido com medo misturado com uma ternura que tentou ocultar.

     “É teu filho”, disse Dona Leonor sem rodeios. “Dom Rafael voltará em duas semanas, segundo sua última carta. Antes que ele chegue, este menino tem que desaparecer.” Jacinto deu um passo atrás. “Desaparecer, senhora, o que está dizendo? Leve-o para longe, para o povoado, para a costa, para onde for. Encontre alguém que o crie.”

     “Eu te darei dinheiro, o que precisar.” Ana Belén observava a cena com o coração apertado. Ela havia carregado aquele menino, o havia limpado com suas próprias mãos. Sabia o que significava “desaparecer” na boca de um patrão. Algumas crianças chegavam a famílias que as acolhiam com carinho, outras eram vendidas, outras abandonadas nas portas dos conventos, outras simplesmente deixadas à própria sorte em caminhos solitários onde os animais as encontravam antes que os humanos. “Eu o levarei”, disse Ana Belén.

     As palavras saíram de sua boca sem pensar, como se outra pessoa falasse. Dona Leonor e Jacinto a olharam. “Você?”, perguntou a senhora. “Conheço uma família em Tlacochahuaya”, continuou Ana Belén, inventando na hora. “Gente boa, sem filhos, a mulher me deve um favor. Levarei o menino para lá. Ninguém fará perguntas.”

    ” Na verdade, Ana Belén não conhecia nenhuma família assim. Mas precisava de tempo para pensar, para encontrar uma saída que não terminasse com o menino morto em uma vala. Dona Leonor assentiu, grata demais para questionar, “Faça isso hoje, antes que mais alguém o veja. Eu te darei 50 pesos e, quando voltar, diremos que o menino nasceu morto. Já perdi dois antes.

    Ninguém duvidará.” 50 pesos era uma fortuna para uma escrava. Equivalia a vários anos de trabalho, caso ela fosse paga alguma vez. Ana Belén pegou a bolsa que a senhora lhe entregou, envolveu o bebê em uma manta grossa e saiu do quarto. Enquanto caminhava pelo corredor, Jacinto a alcançou.

     “Aonde realmente você o levará?”, perguntou em voz baixa. Ana Belén olhou-o nos olhos, “Para um lugar seguro.” “Eu quero saber onde ele está. É meu sangue.” “Seu sangue lhe custará a vida se alguém o descobrir”, respondeu Ana Belén. “A senhora perdoará o adultério de seu marido porque não tem opção, mas a você ele matará por ter tocado o que era dele. Entende?” Jacinto cerrou os punhos. “Eu não pedi isso.”

     “Ninguém pede o que lhe cabe”, disse Ana Belén. “Agora, deixe-me ir. Quanto menos você souber, melhor.” Ana Belén saiu da fazenda com o menino escondido sob seu xale. Pegou o caminho para o leste, onde os morros se erguiam cobertos de carvalhos e pinheiros. Caminhou por horas sob o sol que queimava a terra seca. O bebê chorava de fome, e ela parava de vez em quando para dar-lhe água adoçada com rapadura, a única coisa que podia oferecer.

     Sua mente trabalhava sem descanso buscando soluções. Podia deixá-lo no convento das dominicanas em Tlacolula. Podia levá-lo para alguma família indígena que talvez o aceitasse em troca de dinheiro. Podia até ficar com ele, fingir que era um menino abandonado que havia encontrado, criá-lo como seu, mas cada opção tinha seus perigos, suas formas de ser descoberta.

    Ao entardecer, chegou a Tlacochahuaya, um povoado pequeno com uma igreja barroca de muros brancos e uma praça central onde vendiam cerâmica e tecidos. Ana Belén conhecia o lugar porque havia vindo anos antes com a Senhora Leonor para comprar toalhas de mesa bordadas. Sentou-se debaixo de um freixo para descansar e pensar.

     O bebê havia adormecido contra seu peito. Era lindo, com cílios longos e dedos perfeitos. Não merecia morrer pelo pecado de seus pais. Uma mulher se aproximou curiosa. “De onde vens, irmã?” Ana Belén reconheceu seu sotaque zapoteca. “Da fazenda Santa Cruz. Levo este menino para a sua família.” A mulher olhou para o bebê e depois para Ana Belén com olhos que haviam visto demais.

     “Não há família”, disse simplesmente. Ana Belén não respondeu. A mulher sentou-se ao seu lado. “Minha filha perdeu um menino há dois meses. Ainda tem leite. Se precisas de alguém que o amamente, posso levá-los.” Era uma oferta ou uma armadilha. Ana Belén não sabia qual, mas o bebê estava com fome e ela não tinha opções.

     Seguiu a mulher até uma casa de adobe à beira do povoado. A filha era jovem, talvez 20 anos, com o rosto marcado pelo luto recente. Quando viu o menino, seus olhos se encheram de lágrimas. Tomou-o nos braços sem perguntar nada e o levou ao peito. O bebê começou a sugar com avidez. Ana Belén observava a cena e sentia algo que não sentia há anos. Esperança. “Quanto?”, perguntou a mãe, prática.

    Ana Belén tirou 20 pesos da bolsa, “Pelo seu cuidado durante um ano. Depois voltarei com mais.” Era uma mentira, mas necessária. A mulher pegou o dinheiro e guardou-o na blusa. “Como ele se chama?” “Ainda não tem nome”, disse Ana Belén. A jovem que amamentava o menino falou pela primeira vez. “Vou chamá-lo de Gabriel, como o anjo que anuncia o impossível.”

     Ana Belén regressou à fazenda Santa Cruz três dias depois. Havia tomado caminhos longos, parando em povoados diferentes, construindo uma história crível sobre ter viajado longe para entregar o menino. Quando chegou, encontrou a casa em luto oficial. Haviam pendurado panos pretos nas janelas. Frei Domingo rezara uma missa pela alma do menino morto.

     Dona Leonor permanecia em seu quarto recebendo visitas das poucas famílias espanholas da região que vinham dar os pêsames. Ninguém perguntou detalhes. A morte infantil era tão comum que explicá-la parecia desnecessário. Dom Rafael Villarreal chegou uma semana depois, empoeirado da viagem, irritado por ter tido que interromper seus assuntos na capital.

     Quando soube do menino morto, mostrou decepção, mas não dor. “Mais um varão perdido”, disse, “Deus tem suas razões.” Dona Leonor chorava de verdade, mas não pelas razões que seu marido imaginava. Ana Belén os observava durante as refeições, durante as conversas no corredor, durante os momentos em que Dom Rafael revisava as contas da fazenda com Jacinto.

     O capataz mantinha o olhar baixo, respondia com monossílabos, evitava ficar a sós com a senhora. A tensão era como uma corda que se esticava a cada dia um pouco mais, ameaçando romper-se. Os meses se passaram. O outono trouxe as primeiras chuvas, o inverno secou os campos, a primavera fez florescer as árvores de Buganvílias que subiam pelos muros da fazenda.

    Ana Belén continuava com suas tarefas, lavando roupa, cozinhando, cuidando do galinheiro. Uma vez por mês, inventava alguma desculpa para ir a Tlacochahuaya. Levava dinheiro para a família que cuidava de Gabriel. Via-o crescer forte e saudável. O menino tinha já oito meses. Engatinhava, ria quando ela fazia caretas. A jovem que o amamentava o tratava como seu. “É um menino bom”, dizia.

    “Deus te abençoe por trazê-lo.” Mas os segredos, como as dívidas, sempre cobram seu preço. Em maio de 1788, chegou à fazenda um visitante inesperado, Dom Rodrigo Villarreal, irmão mais novo de Dom Rafael, que havia estado vivendo na Guatemala durante 10 anos administrando plantações de anil. Vinha de regresso à Nova Espanha para reclamar sua parte na herança paterna.

    Era um homem observador, de olhar afiado, que notava inconsistências onde outros viam apenas a superfície. Durante o jantar de boas-vindas, perguntou pelo menino morto. “Quando nasceu exatamente?” “Em agosto do ano passado”, respondeu Dona Leonor com a voz trêmula. “E viveu quanto tempo?” “Apenas alguns dias”, interveio Dom Rafael, “não chegou nem a ser batizado.”

     Dom Rodrigo assentiu, mas seus olhos se moveram em direção a Ana Belén, que servia o vinho. “Você esteve no parto”, disse. Não era uma pergunta. Ana Belén assentiu. “E o que viu?” A pergunta pairou no ar como uma faca suspensa. Ana Belén sentiu os olhares de todos cravados nela. “Vi um menino que não conseguia respirar bem, senhor. Nasceu roxo, durou três dias lutando, depois se apagou como vela.”

     Era mentira técnica e verdade emocional ao mesmo tempo. Dom Rodrigo não pareceu convencido, mas não insistiu. Durante sua visita, fez perguntas estranhas, revisou documentos antigos, falou com os trabalhadores. Em uma tarde, Ana Belén o viu conversando com Jacinto perto dos estábulos.

     Não ouviu o que diziam, mas viu como o capataz ficava tenso, como Dom Rodrigo apontava para a casa grande, como seus gestos sugeriam acusação. Naquela noite, Jacinto procurou Ana Belén na cozinha. “Dom Rodrigo, suspeita de algo”, disse. “Me perguntou se eu havia notado algo estranho na senhora durante a gravidez, se a tinha visto falar com alguém em particular.”

     “E o que você lhe disse?” “Que eu apenas cumpria minhas obrigações. Mas ele não acreditou em mim. Ele tem essa maneira de olhar que lê seus pensamentos.” Na semana seguinte, Dom Rodrigo anunciou que ficaria na fazenda por tempo indefinido. Tinha planos de modernizar a produção de cochonilha, de trazer novas técnicas da Guatemala, de aumentar os lucros.

    Dom Rafael aceitou a ajuda de seu irmão sem saber que estava convidando à sua própria perdição. Porque Dom Rodrigo não havia vindo apenas a negócios. Ele havia vindo porque na Guatemala havia recebido uma carta anônima, uma carta que falava de um menino que não havia morrido, de um adultério que se ocultava sob um luto falso, de uma escrava que sabia demais.

     Quem havia escrito essa carta? Ana Belén nunca soube com certeza. Suspeitava do mordomo, um espanhol velho chamado Melchor, que estava há 40 anos na fazenda e que havia visto Dom Rafael e seu irmão crescerem. Melchor era um homem de lealdades antigas, que considerava que a família Villarreal merecia saber a verdade sobre seu sangue. Ou talvez tenha sido o capelão Frei Domingo, que sem querer ouvira algo em confissão e decidira cumprir um dever moral mais alto do que o segredo sacramental.

    Ou talvez tenha sido alguma das criadas invejosa do poder de Ana Belén, desejosa de vê-la cair. Nas fazendas, as paredes têm ouvidos e os ouvidos têm línguas. Dom Rodrigo começou sua investigação de forma sutil, revisou os livros paroquiais, falou com o médico que ocasionalmente visitava a fazenda, interrogou as parteiras da região, ofereceu dinheiro, ameaçou com castigos, prometeu proteção. Lentamente, construiu um caso.

     Não tinha provas definitivas, mas tinha pontas soltas suficientes para tecer uma corda. Em uma tarde de junho, enquanto a família jantava, Dom Rodrigo soltou sua bomba com precisão calculada. “Irmão”, disse, “creio que deves saber algo sobre o menino que morreu no ano passado, ou melhor, sobre o menino que não morreu.” O silêncio que se seguiu foi absoluto.

     Dom Rafael largou o garfo sobre o prato. “O que estás insinuando?” “Não insinúo, afirmo”, respondeu Dom Rodrigo. “Tua esposa deu à luz um menino vivo, um menino que foi entregue a uma família em Tlacochahuaya, um menino cuja pele revelou uma verdade inconveniente.” Dona Leonor levantou-se, branca como a toalha de mesa.

     “Estás louco?” “Estou informado”, corrigiu Dom Rodrigo, “e proponho que vamos juntos buscar essa criança. Se não existe, eu me desculparei. Se existe, teremos uma conversa necessária sobre honra e consequências.” No dia seguinte, uma comitiva saiu em direção a Tlacochahuaya.

     Iam Dom Rafael, Dom Rodrigo, Frei Domingo, Jacinto e Ana Belén. Ninguém falou durante o trajeto. Ana Belén sabia que sua vida pendia por um fio. Se encontrassem Gabriel, tudo desmoronaria. Se não o encontrassem, Dom Rodrigo ficaria como mentiroso, mas as suspeitas permaneceriam. Rezo em silêncio, sem saber a que santo se dirigir. Ao santo dos inocentes, ao dos mentirosos piedosos, ao das causas perdidas.

    Quando chegaram ao povoado, Ana Belén os guiou até a casa de adobe, mas a casa estava vazia, completamente vazia. Não havia móveis, não havia gente, apenas paredes nuas e um chão de terra varrido. Os vizinhos disseram que a família havia se mudado dois meses antes para a costa, que haviam recebido dinheiro de um parente e decidido recomeçar em Oaxaca, porto. Ninguém sabia exatamente onde.

     Dom Rodrigo interrogou meia dúzia de pessoas. Todos diziam o mesmo. Família se foi, menino incluído, destino desconhecido. No caminho de regresso, Dom Rafael não olhou para a esposa. Dom Rodrigo cavalgava à frente, frustrado, mas não derrotado. Ana Belén respirava com dificuldade, sabendo que havia ganhado tempo, mas não a guerra, porque a verdade era que ela havia esvaziado a casa.

     Duas semanas antes, quando soube que Dom Rodrigo fazia perguntas, ela havia pegado os 30 pesos que lhe restavam, fora a Tlacochahuaya e convencera a família a partir imediatamente. Havia-lhes dado o dinheiro, explicado o perigo, dito para irem para longe e não voltarem nunca.

     A jovem que cuidava de Gabriel havia chorado, mas entendia. “Protegeremos o menino”, prometera, “como se fosse nosso.” Os meses seguintes foram de tormenta contida. Dom Rafael, embora sem provas definitivas, começou a se distanciar de sua esposa. Já não compartilhavam o leito, mal falavam durante as refeições.

     Dom Rodrigo regressou à Guatemala após meses de busca infrutífera, mas deixou semeada a semente da dúvida. Jacinto foi rebaixado de capataz a simples trabalhador de campo, sem explicação oficial, mas com uma mensagem clara. Ana Belén continuava seus labores, mas sentia os olhos de Dom Rafael sobre ela cada vez que entrava em um quarto.

     O patrão sabia que ela sabia de algo, mas não se atrevia a interrogá-la diretamente, porque isso significaria dar credibilidade às acusações de seu irmão. Em setembro de 1790, dois anos após o nascimento de Gabriel, chegou à Nova Espanha a notícia de que o Rei Carlos IV havia ascendido ao trono.

     Com ele vieram rumores de reformas, de mudanças nas leis sobre escravidão, de pressões da Europa para moderar os abusos coloniais. Eram apenas rumores, mas nas fazendas começaram a circular com intensidade. Os escravos falavam em voz baixa sobre possíveis liberdades futuras. Os patrões reagiam com mais dureza, temendo perder o controle.

     A tensão social crescia como um rio que transborda antes da tempestade. Em uma noite de novembro, Dona Leonor mandou chamar Ana Belén ao seu quarto. Estava sentada junto à janela, olhando a lua cheia que iluminava o vale. “Onde está meu filho?”, perguntou sem rodeios. Ana Belén havia esperado essa pergunta por dois anos. “Longe, a salvo, vivo.” “Sim.”

     “Sabe onde exatamente?” “Não. Eu lhes disse para não me dizerem. É mais seguro assim.” Dona Leonor fechou os olhos. “Às vezes sonho com ele, com a pele escura dele, com os olhos dele. Acordo chorando. Dom Rafael já não me toca. Creio que me odeia, embora não possa provar.” “Ele odeia porque suspeita, senhora, mas enquanto não houver prova, não pode agir sem destruir sua própria reputação.”

     “E quando eu morrer”, perguntou Dona Leonor, “o que acontecerá com o menino então? Quem saberá que ele é meu?” Ana Belén não tinha resposta. A senhora continuou, “Quero que escrevas algo, uma declaração assinada por mim, testemunhada por ti, algo que explique a verdade, que diga a Gabriel quem foi sua mãe, não para agora, para o futuro, para quando todos estivermos mortos e o escândalo já não importar.”

     Era um pedido impossível e necessário. Ana Belén, que havia aprendido a ler e escrever em segredo durante seus anos na fazenda, pegou pena e papel. Sob o ditado de Dona Leonor, escreveu uma confissão completa. O adultério com Jacinto, o nascimento do menino, a decisão de ocultá-lo, o papel de Ana Belén como salvadora.

     A senhora assinou com a mão trêmula. Ana Belén guardou o papel em uma caixa de madeira que escondeu sob as tábuas do chão de seu pequeno quarto de serviço. Em 1794, Dom Rafael adoeceu com febres. Os médicos disseram que era malária contraída durante uma viagem às costas de Veracruz. Morreu em dezembro, delirante, chamando por sua mãe morta.

     Dona Leonor herdou a fazenda completa, sem filhos reconhecidos, tornando-se uma das poucas mulheres proprietárias da região. Dom Rodrigo tentou disputar o testamento, argumentando que seu irmão havia sido envenenado por sua esposa adúltera, mas sem provas concretas, o caso desmoronou.

     A viúva Villarreal continuou administrando Santa Cruz com a ajuda de novos empregados trazidos de Puebla. Ana Belén envelheceu com a fazenda. Seu cabelo ficou grisalho, suas costas se curvaram, mas sua mente permanecia alerta. Uma vez por ano, enviava dinheiro através de intermediários para a costa, onde acreditava que Gabriel e sua família adotiva viviam. Nunca recebeu confirmação.

     Nunca soube se o dinheiro chegava, mas continuava enviando-o como um ato de fé. Em 1810, quando o padre Hidalgo levantou o estandarte da Virgem de Guadalupe e começou a guerra de independência, Ana Belén tinha 63 anos. A Fazenda Santa Cruz foi saqueada duas vezes por insurgentes que buscavam armas e dinheiro. Dona Leonor morreu em 1812 durante um ataque rebelde, atravessada por uma bala perdida em sua própria casa.

    Ana Belén, livre finalmente por decreto de abolição que Hidalgo havia proclamado, ficou nas ruínas da fazenda junto a outros antigos escravos que não tinham para onde ir. Em 1821, quando o México proclamou sua independência, era uma anciã de 74 anos que passava seus dias sentada sob o freixo do pátio, recordando.

     Às vezes vinham viajantes, comerciantes, soldados licenciados. Alguns ficavam para ouvir suas histórias sobre os tempos do vice-reinado, sobre as grandes famílias que caíram, sobre os segredos que morreram com seus donos. Em uma tarde de setembro daquele ano, um homem de pele morena clara de uns 33 anos chegou à fazenda perguntando por Ana Belén.

     Trazia consigo uma pequena caixa de madeira e uma carta antiga, amarelada pelo tempo. A carta estava assinada por Dona Leonor Villarreal. O homem disse chamar-se Gabriel. Havia crescido na costa, filho adotivo de uma família zapoteca que lhe contara, ao completar 21 anos, a verdade sobre sua origem. Levara anos para decidir-se a procurar, mas finalmente havia vindo.

     Queria conhecer sua história completa. Ana Belén olhou-o longamente, buscando em seus traços as marcas de Jacinto e de Dona Leonor. Estavam ali misturadas, fundidas em um rosto que era todos e nenhum. Contou-lhe tudo, desde o parto até a fuga, desde as mentiras até as verdades, desde o medo até a esperança.

     Gabriel ouviu sem interromper e, quando ela terminou, pegou sua mão enrugada entre as suas e disse: “Obrigado por me salvar, por guardar a memória.” Ana Belén morreu três meses depois, em dezembro de 1821, rodeada pelas poucas pessoas que ainda viviam nos restos da fazenda Santa Cruz. Gabriel estava presente e, quando a enterraram debaixo do freixo que ela tanto havia amado, colocou sobre sua tumba uma pedra com uma inscrição simples talhada por suas próprias mãos.

    Ana Belén, escrava que viu nascer a liberdade, onde todos viam apenas cadeias.

  • B0MBA! ALCOLUMBRE ADQUIRE DROGAS DE MEMBRO DO PCC, CRIA CORTINA DE FUMAÇA E QUER PRENDER INTERNAUTAS

    B0MBA! ALCOLUMBRE ADQUIRE DROGAS DE MEMBRO DO PCC, CRIA CORTINA DE FUMAÇA E QUER PRENDER INTERNAUTAS

    Se tem uma coisa que a extrema direita é competente é em criar cortina de fumaça. Quando eles querem desviar de um assunto para que você não colocam um outro assunto. Davi Columbre, que comprava drogas de um membro do PCC, agora está preocupado porque descobriram, porque vazou. E ele começa então a criar uma cortina de fumaça dizendo que vai prender os internautas que escreverem Congresso Inimigo do Povo, que aliás eu peço para vocês, nós começamos essa campanha aqui e eu peço para vocês que escrevam aí embaixo nos

    comentários congresso inimigo do povo, porque a gente assume que o esse congresso que tá ali, esses membros do congresso são inimigos do povo. O Congresso é uma entidade muito especial, muito importante para uma democracia, mas com esses sujeitos que tem lá é o pior congresso de todos os tempos. E mostra-se um congresso amigo do tráfico.

    Então escrevam aí, pessoal. Inclusive a plataforma do está cortando os nossos acessos. Então se você quiser ajudar o canal, melhor coisa curtir, compartilhar, comentar. E se você não é inscrito, inscreva-se. É muito fácil, tá? Voltando ao Columbre, então ameaça os internautas, como se nós devêsemos explicações a ele.

    Alcolumbre e Moraes discutem como combater o crime organizado | Agência  Brasil

    Ele nos deve explicações. Ele tem que dizer porque ele, ao serem inquerido, não declarou nada a respeito disso. Que coisa feia. Vamos lá. Que droga ao Columbre comprava desse sujeito do PCC? Ele comprava canetas de Monjaro. O Monjaro era utilizado e primordialmente para diabéticos, mas ele é um emagrecedor e o pessoal tá comprando direto. Isso aí virou uma febre.

    Na época que ele comprou, a Visa não tinha aprovado o medicamento. Então ele manda vir por contrabando de um membro do PCC, o Beto louco.Ó, só pelo nome você já vê que o Alcol Columbri sabia quem é o cara. Ele é o Beto louco e ele se envolveu. E o Beto Louco é apontado pela Polícia Federal como um líder de um esquema de fraudes de combustíveis e de lavagem de dinheiro.

    E a investigação é de que estes postos ligados ao empresário, eles são postos vinculados ao PCC. A organização da entrega foi feita pelo motorista. Foram flagradas conversas em que ele fala que olha pro Beto Louco, olha o senador já recebeu, ele já está sabendo da entrega, eh, já tá tudo OK. O Beto Louco responde, agradece ao motorista.

    E o que é mais importante nisso tudo? O fofo ao Columbre que queria ficar exguem. Não posso falar nada que eu também tô fofo. O fofo comprou algo ilegal no país e não sei se vocês estão por dentro, mas a compra de medicamentos não permitidos pela Anvisa pode configurar contrabando, descaminho, com sua negação de imposto de renda, pode configurar tráfico e ao Columbre não teve sequer sequer a ombridade de explicar essa questão toda, de dar explicações ao povo que o elegeu sobre essa relação dele com o membro do PCC. Inclusive, é

    um vínculo muito próximo, é um vínculo bastante íntimo pelas gravações. Então, ao Columbre, você quer saber por que vocês são inimigos do povo? Porque vocês fazem tudo contra o povo e vocês fazem tudo ilegalmente e vocês têm relações e escusas que faz com que nós entendamos que vocês estão ligados ao crime organizado, até pela movimentação toda que vocês têm feito em relação a leis que tm que ser votadas para combate ao crime organizado.

    Então, o Congresso é sim o inimigo do povo. E quem faz uma coisa dessas estando à cabeça do Senado, tem moral nenhuma para caçar ninguém. Explique-se, ao invés de procurar explicações para o que os outros fizeram, explique-se sobre o que você fez. Sim. E é um caso que só o Brasil é capaz de produzir. Eu juro por Deus, o que a Fabíula tava falando é verdade.

    Eu cheguei aqui e falei: “Amiga, eu estou presa nesta reportagem porque tudo assim e do ramo do inacreditável”. Eh, uma caneta emagrecedora que virou uma febre em Brasília. Se você olhar os senadores, todos eles e senadoras estão mais enxutos. E há muito tempo, né, havia essa corrida, isso era uma coisa de bastidor em Brasília, né, médicos que iam para fora e traziam o Monjar para os clientes deles, entre eles, né, os pacientes, entre eles personalidades da República e tal.

     

    Mas o fato do senador Davi Columbri ter recebido Monjaro, segundo áudio obtido pelo Serapião, e é interessante dizer porque vão começar uma série de teorias da conspiração de quem vazou, não sei quê. O Serapeião deixa claro na na reportagem que houve ali uma troca de informações entre os motoristas do Beto Louco e o motorista que prestava serviço para ele para dizer: “Olha, tô levando aí a encomenda pro senador”. Pegou? Pegou.

    O senador já tá sabendo. Muito obrigada. Então assim, agora o fato dessa caneta emagrecedora chegar à mãos do presidente do Senado quando ela era proibida no Brasil, a venda não era autorizada, mas pelas mãos de um personagem como o Beto Louco, que é suspeito de elo com o primeiro comando da capital, é de um constrangimento brutal.

    E aí, Fabía, eu chamo a atenção do nosso telespectador, de quem tá ouvindo a gente, quem tá acompanhando o All News na primeira edição, para onde este encontro entre Beto Louco e Davi Columbri teria acontecido na casa de Antônio Rueda, o presidente da União Brasil, que não raro vem aparecendo em episódios que o ligam a integrantes suspeitos de algum tipo de papel no primeiro comando. da capital.

    Então, o presidente da União Brasil arrasta o presidente do Senado para um episódio que é de novo, né, de um constrangimento brutal e que, por óbvio, né, vai ter aí implicações políticas porque vão buscar um culpado, quando na verdade podia olhar pro lado e falar: “Poxa, você me jogou em relações perigosas”, digamos assim.

    Mas é um desses capítulos, Fabíola, que só o Brasil é capaz de produzir. Presidente do Senado recebendo caneta emagrecedora que tava proibida no Brasil das mãos de um cara, que é suspeito de telos com o PCC, foi buscar lá fora e prestar esse pequeno favor para o presidente do Senado, Davi Columbrir. Bizarro. Se não estivesse gravado, ninguém acreditaria, mas é verdade.

    Estão ameaçando quem faz críticas ao Congresso Nacional. Olha só o que o Al Columbre disse durante essa sessão no Senado, porque a Polícia Legislativa do Senado tá investigando, a Polícia Legislativa da Câmara tá investigando e logo mais nós teremos e vamos trazer a público aqueles que fizeram aquelas agressões contra o Congresso inimigo do povo.

    Onde mentiram as pessoas que participaram dessa campanha totalmente espontânea que tomou conta das redes? Quando o Congresso aprovou o PL da devastação, agiu como amigo ou como inimigo do povo. Quando o Congresso aprovou a PEC da blindagem, agiu como amigo ou como inimigo do povo? Quando o Congresso defende o orçamento secreto, está agindo como amigo ou como inimigo do povo.

    Quando o Congresso aprova a liberação ampla de agrotóxicos, está agindo como amigo ou como inimigo do povo? Quando o Congresso aprovou a reforma trabalhista, tirando nossos direitos, agiu como amigo ou como inimigo do povo. E o teto de gastos e as tentativas de criminalizar movimentos sociais e a pressão para restringir o combate às fake news.

    Podemos ficar aqui o dia todo falando das vezes em que o Congresso agiu contra o povo. E mais, quem levantou essa hashtag foi o povo. Se fôssemos depender de partidos ou de autoridades, nada teria acontecido. Vamos continuar criticando o Congresso sempre que necessário, porque estamos em uma democracia. Entendemos que é um erro generalizar.

    Felizmente existem muitos bons parlamentares, mas eles são minoria. Nossa luta contra o pior congresso da história da nossa república vai continuar. Não adianta tentar calar o povo. A polícia legislativa vai ter que me investigar. Então, Polícia Legislativa vai investigar quem usou a #congresso inimigo do povo.

    Então, galera, pode começar a investigar geral aí, porque na minha opinião, o Congresso é inimigo do povo. Irmão, a maioria do Congresso não é de direita e nem é de esquerda. É do famoso central. Só funciona se rolar a emenda Pix. Só vota a favor se tiver emenda. É inimigo ou não é do povo. Aí o Davi o Columbri meteu essa aqui, ó.

    Um dia desses estavam por aí, patrocinados por muitos, porque a polícia legislativa do Senado e da Câmara estão investigando e logo teremos informações e vamos trazer a público aqueles que fizeram aquelas agressões de congresso inimigo do povo. Eu queria saber que diabos de congresso que é esse que então vota a favor do povo, que há pouco tempo atrás queria votar uma PEC da blindagem, impedir investigações contra parlamentares.

    Que congresso é esse que vota para derrubar vetos do presidente Lula que diz respeito ao meio ambiente, pra proteção do meio ambiente? Que congresso é esse que quer invadir a prerrogativa do presidente da República de indicar o ministro pra Suprema Corte? prerrogativa, tá na Constituição. E não, o nosso líder do Congresso ficou chateadinho que não foi o indicado dele, uma vez que essa prerrogativa é do presidente da República, não do presidente do Senado.

    E aí eu te pergunto, dá para dizer que esse Congresso é amigo de alguém? Por isso que eu digo o quanto é importante a militância da esquerda nas redes sociais. Por isso que eu peço para que vocês apertem aqui no coraçãozinho para ficar vermelho, para comentar no vídeo, para ganhar engajamento, para compartilhar e porque a nossa união faz efeito lá na frente.

    Olha só essa notícia que eu vou trazer para vocês que acabou de sair no site do DCM. Hoje é 5 de dezembro de 2025, hoje seou. O presidente do Senado, Davi Columbre elogiou o presidente Lula e fez um aceno ao governo. Quer dizer, o dedo nem entrou todo, tá? Ele já começou a recuar. Fica ligado aí, presta atenção, tá? Vai logo aqui apertando no coraçãozinho para ficar vermelho.

    Compartilhe. Vamos à matéria do DCM, galera. Depois do presidente do Senado, Davi Columbido rechaçado, repudiado, porque ele recebeu um ataque soviético nas redes sociais, se tornou até esse tamanhinho aqui, ó, pequenininho, tá? Até porque o presidente Lula agora tem um apoio do presidente Donald Trump para poder combater o crime organizado, não somente no Brasil, mas nos Estados Unidos também, tá? Vamos à matéria.

    Fica ligado aí, presta atenção. Ao Columbia elogia Lula sinaliza trégua com o governo, tá? Fica ligado, presta atenção. Deixa colocar só uma observação antes de eu ler a matéria, porque o presidente do Senado, Davi Columbia, disse que vai colocar polícia legislativa para saber de onde se originou Congresso inimigo do povo.

    Mas espera aí, ô Columbi, me diz aí uma coisa. Por que que tu não colocou a polícia legislativa para cima do deputado federal Goiás quando ele ofendeu a ministra Gace Hoff? Por que que você não colocou a polícia legislativa para cima dele também? Por que que tu não colocou a polícia legislativa quando deputados da extrema direita interditaram a Câmara? Por que que não colocou a polícia legislativa para cima pros deputados que protegem Carlos Amberg, Eduardo Bolsonaro, Ramaz, que estão recebendo inclusive emendas

    que foram canceladas pelo dino, né? E não colocou a tua polícia para cima desse pessoal, agora quer colocar, quer no escalar, porque o Flávio Dino tá investigando o orçamento secreto e a gente tá do lado certo, que é do STF. Tá bom, vamos aqui, galera. Ó, aconteceu um evento lá no Amapá. Foi de lá que ele mandou um recado pro presidente Lula através do Padilha.

    Presidente do Senado Davi Columbia, União Brasil, Amapá, enviou por meio do ministro da saúde, Alexandre Padilha, um recado de agradecimento ao presidente Lula. Ele destacou o apoio constante de Lula ao Amapá, afirmando: “Abreastro Padilha, muito obrigado. Leve meus agradecimentos pessoal e institucional ao presidente da República que tem nos apoiado e apoiado no Amapá todo instante.

    ” Pois é, né? Mas aí quer colocar pautas bombas aí para prejudicar o governo. Na realidade não vai prejudicar o governo não, ô presidente Davi Columbi vai prejudicar o povo porque vai sair é do nosso bolso. Tudo que o senhor fizer contra o governo vai refletir no povo. Esse governo, sim, ele trabalha em benefício do povo, não é em benefício de miliciano, não.

    Vamos seguir. Essa manifestação marca uma trégua na relação entre Columbre e Lula, que esteve tensa nos últimos meses. Ah, e só um recado para finalizar, tá? Eu não vou mais continuar porque de fato agora o Senado se colocou contra o STF. Ó, só um recado para finalizar, tá? Eh, presidente Davião Columbia, não vá mexer no vespiro, porque o ministro Alexandre Moraes e o ministro Flávio Dino, eles estão de fato combatendo as organizações criminosas.

    E saiu agora na revista Financial Times, né, que é aquela revista britânica, que o Alexandre de Moraes está entre as 25 pessoas mais influentes do mundo. Isso pesa. Então, se for mexer com impeachman, melhor você parar por aí, porque eu estou navegando nas plataformas de notícias, nas plataformas, no Instagram, TikTok, todas, todas, todas, Facebook e em peso o povo brasileiro tá apoiando o Xandão e o Flávio Dino.

    Senhor, vai mexer no vespero, é melhor o senhor recuar. E o Gilmar Mendes também tá tendo apoio, tá tendo o apoio do Brasil inteiro, tá? Até mesmo gente que era da direita tá apoiando GMA. Então o povo está do lado do STF, tá gente? Curte aí, comenta, bota para compartilhar esse vídeo. Tamos juntos. O presidente do Senado, eh, Davi Alcol Columbre, declarou que a polícia legislativa deveria agir contra quem chama o Congresso de inimigo do povo.

    Alcolumbre: Senado votará PL antifacção na próxima semana

    É uma fala que preocupa, porque numa democracia a crítica não é crime, é búsola. Quando a sociedade se sente desamparada, ela tem o direito de dizer: “Quando decisões afetam a vida real das pessoas, é natural que haja reação. Unir opinião é uma tentativa de calar um sentimento legítimo e opinião não se intimida com a autoridade policial legislativa.

    Se o parlamento se ofende com a frase, o caminho não é perseguir quem fala, mas escutar o que está sendo dito. O povo não teme debate. Quem tem poder público precisa aprender a lidar com ele. No Brasil, a liberdade de expressão não é favor, é cláusula constitucional. E se existe desconforto com as críticas, senhor al Columbre, talvez esteja na hora de olhar para os votos que provocaram esse ruído.

    Censura não corrige rumo, trabalho, postura e compromisso. Sim, um congresso forte não é o que ameaça o povo, é o que o representa, que tem a coragem de ouvir e a humildade de mudar. Gente, olha que absurdo. A justiça negou a ação do Hugo Mota contra o sindicato sindicalista responsável por espalhardos como esse aqui lá na Paraíba.

    O que aconteceu foi que o sindicato de professores tinha que ser professor, né, gente? E técnicos federais espalharam por Campina Grande, na Paraíba, terra do Hugo Mota, como esse, com a cara dele para mostrar pra população que ele apoiava e votou a favor da PEC da blindagem, assim como eles colocaram o nome de todos os deputados da Paraíba que votaram a favor dessa vergonha, quer dizer, desse projeto, né? Aí o Hugo Mota ficou ofendidíssimo e entrou na justiça dizendo que estava sendo difamado por esses altdors com a imagem dele que

    estavam espalhando esse fato verdadeiro de que ele apoiou a PEC da blindagem. E no processo, Hugo Mota exigia que o sindicato fosse obrigado a gastar dinheiro, a pagar por outdose de retratação para aliviar a imagem dele. Mas vocês acreditam que o juiz do caso rejeitou a ação do Hugo Mota dizendo que não tem difamação nenhuma nos outdoors apenas a verdade que ele realmente apoiou a PEC da blindagem.

    Agora imagina só se o povo paraibano lembrar desse fato na próxima eleição e não votar no Hugo Mota e nem em nenhum dos deputados que votaram a favor da PEC da blindagem. Já pensou que horror?

  • AMADORISMO OU JOGADA DE MESTRE? A FÚRIA DE MALAFAIA CONTRA FLÁVIO BOLSONARO REVELA O XADREZ INTERNO DA DIREITA

    AMADORISMO OU JOGADA DE MESTRE? A FÚRIA DE MALAFAIA CONTRA FLÁVIO BOLSONARO REVELA O XADREZ INTERNO DA DIREITA

    A candidatura do Flávio Bolsonaro desagradou bastante aliados de Bolsonaro e até mesmo Silas Malafaia criticou a indicação da candidatura sem citar nenhum nome, porque Silas Malafa não tem coragem para citar nome de ninguém, mas foi uma indireta muito clara paraa candidatura do Flávio Bolsonaro, dizendo que ou insinuando que a candidatura facilitaria a vitória de Lula em 2026.

    É muito possível que o Malafa tenha uma preferência pela candidatura da Michele Bolsonaro, pelo fato de ser uma candidatura mais religiosa da qual ele poderia participar e conseguir influenciar mais. Só que o Malafa tá certo, a candidatura do Flávio facilita a vitória do Lula e foi até comemorada no Palácio do Planalto.

    Só que a candidatura do Flávio, ela facilita a vitória do Lula porque ela não é uma candidatura. Essa é a questão. O Flávio, ele não empolga ninguém, ele é muito fraco, ele fez nas calças durante o debate da Bandeirantes. Mas a questão é que a candidatura do Flávio não serve como propósito de projeto de poder, projeto de poder nacional.

    Flávio Bolsonaro: ex-bolsonaristas criticam candidatura

    A candidatura do Flávio, ela serve para os interesses do próprio Bolsonaro, que é manter o bolsonarismo engajado, quer manter a família como núcleo de poder da direita e para manter o proselitismo da condenação para tentar livrá-lo da prisão de modo mais rápido. E a população sente que essa não é uma candidatura e o fato dela não ser uma candidatura desempolga, podemos colocar assim, o que favorece a vitória do Lula.

    Primeiro vamos por partes. Eu quero que você coloque aqui nos comentários porque você acha que primeiro foi uma indireta do Malafa para a indicação do Flávio Bolsonaro. Se foi uma indireta do Malafa para o Flávio, por que que ele fez isso? Ele prefere Michele? Quais os motivos? Você acha que a candidatura do Flávio facilita a vitória de Lula em 2026? Você acha que essa é uma candidatura ou apenas um simulacro de algo? Quero que você coloque aqui nos comentários.

    Deixa o like no vídeo se você acha que o Flávio facilita a vitória do Lula e se inscreva no canal. O Silas Malafa ele fez um ataque ao a indicação, pelo menos reagiu à indicação do Flávio Bolsonaro nas redes sociais. O Malafa disse que à direita, eu vou pegar exatamente o que o Malafa falou para vocês não perderem nada.

    O Malafa disse o seguinte: “O amadorismo da direita faz a esquerda dar gargalhadas. Não estou falando nem contra e nem a favor de ninguém. somente isto, na verdade seria somente isso, né? Porque, enfim, não vamos falar aqui de pronomes demonstrativos, porque de fato existem algumas eh dificuldades, mas enfim.

     

    Eu vejo que o Silas Malafa ele estava dando uma indireta a indicação do Flávio. Claro, ele não precisa citar o nome de ninguém. Claro, ele não vai querer se indispor ninguém e ele pode justificar que está falando de outra coisa e não da indicação do Flávio Bolsonaro. Mas é muito claro que ele está dando uma indireta. Ele está dando uma indireta.

    Ele acha que a candidatura do Flávio Bolsonaro é uma candidatura amadora ou uma escolha amadora por parte da direita. E claro que falar que a esquerda festeja porque facilitaria a vitória de Lula em 2026. O Malafa talvez tenha dado essa declaração por preferir a candidatura da Michele. Em maio, meados de maio, agora desse ano, 2025, o Malafa ele comentou sobre a candidatura da Michele, até mesmo com vice.

    Exaltou o nome da Michele falando que ela era o melhor nome da direita numa época que Malafia estava ali atacando o Tarcísio de Freitas. E nós temos que lembrar que o Silas Malafa ele é um cara que tem ali alguns interesses políticos, até mesmo por conta de problemas fiscais que ele possui. Silas Malafia, se continuar da forma como está, devendo para todo mundo, ele pode ser preso, ele pode, ele é quase um devedor contto, podemos colocar assim, porque ele não paga nenhum imposto, ele teve problemas com FGTS, enfim.

    E ele pode querer projetar a candidatura de Michele Bolsonaro, porque como Michele Bolsonaro não tem um histórico político e vai basear muito a sua candidatura no teor religioso, porque na cabeça de Michele Bolsonaro, política e religião se misturam, é uma coisa só. Esse cunho religioso da candidatura de Michele Bolsonaro poderia fazer com que ele Malafa tivesse uma participação maior, porque o fato de ele ser pastor, ele poderia usar os templos dele para promover uma certa capilaridade regional para a Michele Bolsonaro e assim ter

    algum tipo de benefício lá na frente. É uma possibilidade? Sim, é uma possibilidade. Malafaia pode ter a preferência por Michele Bolsonaro pelo fato de ser uma candidatura religiosa. E sim, eu vejo que a candidatura do Flávio facilita a vida do Lula e muito, facilita e muito. O Gerson Camarote do Globo News, ele trouxe a informação no blog dele que o Palácio do Planalto vibrou com a escolha do Flávio Bolsonaro.

    E por quê? Tudo bem que foi uma comemoração discreta, mas vibrou porque a escolha do Flávio Bolsonaro facilitaria a manutenção da polarização na campanha de 2026. Podemos falar de polarização eleitoral? Podemos. Eu não gosto muito de falar de polarização política. Eu vejo que o o Brasil está mais politizado, as pessoas elas estão muito mais definidas com aquilo que elas se entendem politicamente e votam no nos candidatos baseados naquilo que elas acreditam e projetam nos candidatos.

     

    Então eu vejo que hoje, no atual cenário, as pessoas não votam mais em pessoas, mas sim em ideias. tem um candidato a e esse candidato representa os meus valores, as minhas ideias e eu voto nele. Muito diferente do que era no passado, pelo menos essa é a minha visão. E o Planalto, ele temia uma candidatura de uma de um candidato como Tarcí de Freitas, que teria supostamente o perfil mais moderado.

    E esse perfil mais moderado poderia atrair aqueles votos pendulares. Mas na verdade, na minha opinião, o grande problema da candidatura do Flávio e o grande fator enfraquecedor da candidatura do Flávio é que ela não é uma candidatura. Não é uma candidatura. E a população sente que ela não é uma candidatura. E um dos elementos que faz um candidato ser forte, ser viável, é a mobilização em torno do nome dele, é a empolgação que o nome dele traz.

    E a população vai sentir e já percebe que não é uma candidatura. O objetivo do Flávio Bolsonaro não é vencer. O objetivo do Flávio Bolsonaro é manter o poder da família Bolsonaro dentro da direita. Porque se um outro nome sair, a família perde relevância política até 2030. E 2030 o Lula não vai poder disputar. 2030 surge uma nova era na política nacional com o ocaso do Lula.

    O cenário se abre completamente e a família precisa liderar esse movimento até 2030. Então ela não quer perder com mesmo com a derrota da direita vitória do Lula. Aquele que foi derrotado pelo Lula, ele pode sair como sendo líder da oposição e a e Bolsonaro não quer que a direita saia do seu da sua área de influência.

     

    Também, claro, a candidatura do Flávio visa evitar o avanço da Michele Bolsonaro, porque ela acontece dias depois da derrota da família para a Michele e principalmente manter o proselitismo da condenação do Bolsonaro vivo e ativo para reduzir o tempo de pena dele. Por isso que essa candidatura, no meu ver, é uma candidatura que ela facilita o Lula, porque ela não é uma candidatura.

    E não caiam nessa história que estão falando: “Ah, a candidatura do Flávio, ela pode pulverizar as candidaturas, não vai ter apoio do centrão”. Sinceramente, apoio partidário, eu estou cada vez mais convencido que no atual contexto político nacional é secundário. É secundário. O próprio Bolsonaro venceu em 2018 sem ter tempo de televisão, sem ter absolutamente nada.

    Falastrão' e 'traíra': entenda troca de farpas de Malafaia e Mourão

    tinha o PSL, que era um partido naníco. Se apoios partidários fossem de fato elementos relevantes atualmente, como eram no passado, o Geraldo Alkim teria sido o presidente 2018. Mas não foi. Não foi. Por quê? Porque nós mudamos e evoluímos muito em termos políticos. No atual cenário de divisão, politização, que alguns falam de polarização e melhor definição do entendimento político do brasileiro, você ter apoio partidário ali não é muito relevante.

    O que é relevante é a clareza com que os candidatos defendem e apresentam os seus pontos. Eu sou um candidato de direita, eu sou um candidato de esquerda. E assim as pessoas se identificam e pronto. O que enfraquece a candidatura do Flávio é o próprio candidato. Para além das questões da candidatura dele não ser uma candidatura, o próprio Flávio é fraco.

    Ele não empolga, ele não entusiasma, ele não engaja, ele não consegue nem falar direito, ele borra as calças no debate da Bandeirantes. E eu não estou nem entrando em problemas do passado. Fabrício Queiroz, Rachadinha, capitão Adriano. Não, eu estou falando só dele, do próprio candidato. Ele é muito ruim. Ele é muito ruim. Só o sobrenome dele como o herdeiro do Bolsonaro não é suficiente.

    Não é suficiente. Pablo Marçal, por exemplo, seria um candidato muito mais forte do que o do que o Flávio como herdeiro do Bolsonaro. Mas se até o Malafire tá reclamando, significa os caras já jogaram a toalha, né?

  • DAVI ALCOLUMBRE RASTEJA PRA LULA E RECUA APÓS AVISO DE PRlSÃO E XEQUE-MATE DO STF!! PF TÁ NA COLA!!

    DAVI ALCOLUMBRE RASTEJA PRA LULA E RECUA APÓS AVISO DE PRlSÃO E XEQUE-MATE DO STF!! PF TÁ NA COLA!!

    E bateu o desespero aí no senador Davi Columbri, presidente do Congresso. Olha, falei aqui ontem sobre aí o chequemmate que o Lula deu no Al Columbri. falei nos últimos dias também, mas que parte disso era uma articulação ali que foi feita com STF e que não foi eh divulgada dessa maneira pra imprensa, né, até porque não poderia e que culminou no Gilmar Mendes dando uma pancada no Congresso Nacional, principalmente no Senado.

    J Mendes tomou uma decisão em que ele muda a maneira como se pode pedir impeachment de ministros do STF e ainda diz que o impeachment de um ministro do STF só pode ser ali aprovado com 2/3 dos votos no Senado e não mais com maioria simples. Aí deu ruim pro ao Columbre que viu ali o Senado perder alguns poderes, né? Eles tinham ali a possibilidade, uma possibilidade maior de ficar sempre com uma faca no pescoço dos ministros do STF, porque a qualquer momento poderiam pautar o impeachment e tudo mais e peitar o Supremo Tribunal Federal. O

    Gilmares o que fez foi praticamente ali, ó, colocar um escudo contra um possível golpe do Senado ao Supremo Tribunal Federal. Lembrando que esse pessoal da direita, eles sempre se associam à extrema direita quando eles é conveniente. E ali o Alcol Columbia, ele é de um partido que é de extrema direita, que é o União Brasil.

    A manobra de Lula na disputa com Alcolumbre por Messias no STF

    e cuja cúpula do partido, inclusive ele mesmo, estão ali eh com vários aliados e amigos, amigos próximos deles, amigos ali que vão a festas com eles nas casas deles, que frequentam um a casa do outro, até se hospedam na casa um do outro de vez em quando e que estão aí sendo presos eh constantemente em operações ali e que estão mirando aí o PCC, primeiro comando da capital e o comando vermelho.

    Você vê, facções criminosas, você vê, ih, quer dizer, tá chegando neles e eles estão em desespero. A qualquer momento eles podem se alinhar ali à extrema direita e tentar um um golpe no Supremo Tribunal Federal. Então o Supremo Tribunal Federal colocou esse escudo. OK? Eis que o Jorge Messias, que é o ministro da Advocacia Geral da União do Lula e que foi indicado pelo Lula ao Supremo Tribunal Federal, ele é quem recorreu da decisão do Gilmar Mendes, dizendo: “Olha, para com isso e tudo mais”. E aguardamos aí para ver qual vai

    ser o desenrolar do da história. Na no primeiro momento, o Daviel Columbri, ele não respondeu ali ao fato do Jorge Messias ter saído para defender os senadores. Ele eh e saíram matérias da imprensa dizendo que olha, o Acolumbri ignorou completamente e tudo mais, que era mais ou menos matéria dizendo: “Olha, fez à toa, fez de bobo”.

    Aí o Jorge Messias saiu até uma matéria no Globo dizendo que ministros do STF ficaram indignados com ele. Como indignados? Ele ele pode recorrer de qualquer decisão. Normalmente o STF pode tomar decisão, depois falar: “Ó, a gente indefere aí o que vocês recorreram.” É simples, mas era uma tentativa da imprensa ali de queimar o indicado do Lula.

    Deu ruim aí a tentativa da imprensa porque poucas horas depois, num evento aí oficial do governo, o Davi Columb elogiou o Lula. O cara tava uma féria com Lula, não queria mais falar com Lula, falou um monte, ficou: “Ah, não sei o quê, é gravíssimo que o governo faz.” Levou um baile do Lula, mas levou um baile político.

     

    O Lula, eu para fazer uma analogia, o Lula é um político muito experiente e em negociações aí, ele tem décadas de experiência. E o Davel Columbia é um novato aí na política. É, é pro Lula. É como se fosse o Pelé jogar futebol contra um menino de 10 anos aí da esquina. É claro que se ele tentar ir pro ir pro pau, ele vai ser humilhado.

    É isso que vai acontecer. Pois bem, o Davel Columb foi literalmente humilhado. Ele ele sofreu uma humilhação pública ao marcar a sabatina do Jorge Messias e depois ter que cancelar. Por quê? Porque, pô, você não viu que você não recebeu a carta do governo, que é é ali um item necessário para você poder marcar sabatina.

    Você não viu? Se você não sabe, o que aconteceu foi que o Lula indicou o Jorge Messias ao STF e sabendo que ia ter uma reação destemperada lá do Davi Columbre, que é o presidente do Senado e do Congresso, o Lula não mandou uma carta oficial pro Senado com a indicação, se essa carta não chega ao Senado, o Dav Columbar a Sabatina.

    E aí ele se apressou, retalhou o governo, eh aprovou pauta bomba, tudo mais, se indispôs aí com agentes do mercado financeiro que são patrocinadores dele e dos partidos de direita. E aí no fim teve que cancelar a Sabatina, que ele tinha marcado as pressas agora pro começo de dezembro porque ele não recebeu a carta e ainda saiu aí com fama de pô, cara, você é presidente do Senado e você não sabe de uma coisa básica que você tinha que receber essa intimação aí.

    É uma intimação, não é uma a carta oficial do presidente da República. Você não sabia disso. Mas que otário. Ficou ficou de otário. Davi Columbri ficou bravo. pouco antes de elogiar o Lula, ele resolveu ameaçar aí e gente de esquerda, se você não sabe, saiu matéria aí no Globo, saiu uma matéria aí faz uns 2, tr meses e saiu uma aí faz algumas semanas mostrando aí que tem eh influenciadores que estão puxando, principalmente no Twitter, mas em todas as redes aí, inclusive YouTube, TikTok, eh, Instagram, Facebook, puxando ali um termo que é congresso inimigo do povo,

     

    inclusive com muitos vídeos de inteligência artificial que estão viralizando muito. E aí as duas matérias, tanto a de meses atrás como a de semanas atrás, citava a mim, a nós, né? Eu não vou falar a mim, porque se não tiver as plantonistas, os plantonistas não tem alcance nenhum, né? Não tem compartilhamento e não chega ninguém.

    E citando aí a nós como quem tivemos aí o maior alcance nessa empreitada aí contra o Congresso Nacional, que tava aprovando inúmeras pautas que são antipovo. O Congresso, vamos lembrar aí um resuminho do que fez, no caso, foi a Câmara dos Deputados, tá? Não foi nem o Senado, mas que que fizeram? Primeiro começaram ali a aprovar um projeto que criava um novo foro privilegiado, que fazia com que deputados e senadores não pudessem ser investigados pela Polícia Federal e presidentes de partido também não, que era ali sob medida para que o Antônio

    Rueda não possa ser investigado e que antes de fazer uma operação de busca e apreensão contra um deputado e senador, a Polícia Federal tem que avisar a mesa diretora da Câmara ou do Senado, ou seja, para que todo mundo fique sabendo que vai ter operação contra fulano. Mais o que isso tornava os gabinetes dos deputados e senadores e de presidentes do partido locais invioláveis.

    Ou seja, se um deputado ou senador esconder uma arma de um crime ali, vamos supor, matar a Marielle e o alguém ali, um senador qualquer com sobrenome B de qualquer coisa, ele vai lá e a arma do crime ele deixa no gabinete dele. Mesmo se você souber que a arma tá lá, a polícia não pode entrar para buscar.

    O qu é isso que eles queriam aprovar? Deu ruim, não conseguiram. Era PEC da bandidagem, não conseguiram aprovar. Aí depois eles estavam atrasando a isenção do imposto de renda para quem ganha até 5.000. Depois foram obrigados quando teve manifestação popular nas ruas, eles foram obrigados aí a aprovar por unanimidade a contragosto.

    Aí depois aprovar ali o PL das facções criminosas e com um texto que eles queriam colocar que proibia a Polícia Federal de investigar. A Polícia Federal terá que pedir permissão aos governadores. Falar: “Ora, ora, ora, o Cláudio Castro está sendo diretamente investigado pela Polícia Federal.

    E aí o secretário de segurança do Tarcísio, que é o Derite, vai lá pra Câmara dos Deputados e junto com Hugo Mota cria um projeto de lei que proíbe a Polícia Federal de investigar sem que o governador autorize.” Ele falou: “Pera aí, tem que pedir pro criminoso a permissão para poder investigá-lo”. Aí ele foi mudando o projeto, mudando, chegou agora no Senado e até o os os líderes do do PT e do governo já elogiaram o projeto no Senado dizendo que, ó, agora sim o projeto está é um projeto sério.

    Que coisa, né? Eh, também a Câmara aprovou ali em comissões e queria aprovar no plenário um projeto que se uma menina criança for abusada e engravidar e ela quiser tirar esse bebê, eh, esse feto, né, não bebê, um feto, eh, ou seja, acabar ali com a gravidez, que ela pegue uma pena de cadeia maior que a pena do do homem que abusou dela.

    Falou: “O quê? É isso que quiram aprovar. Tavam voltando com essa. Agora tão querendo aprovar o fim da justiça do trabalho e do Ministério Público Trabalhista”. Quer dizer, para para que possa ter trabalho escravo à vontade. Sala o quê? Isso é congresso inimigo do povo, sim ou não? Plantonista. Pois é. É óbvio que é.

    Só que o Davel Columbr alvo de nada disso, porque isso tudo ocorria na Câmara. Ele passou a ser alvo quando ele tentou roubar do Lula. Tem gente que fala usurpar. Não é usurpar também, mas é roubar, roubar na mão grande do Lula a atribuição de escolher ministro pro Supremo Tribunal Federal. Aí ficou ruim pro Davel Columbri.

    E aí ele tá tendo uma reação bem destemperada. Daí que que fez o Al Columbri? Pois bem, a Columbri chegou. Eh, e isso aqui que ele fala, eh, essa fala aqui dele, ele tá mandando em direta pro Lindberg, tá? Pro Lindberg Farias. Mas quem, como quem teve o maior alcance nas redes sobre isso? Fomos nós plantonistas.

    O Lindberg nem sequer falou sobre esse assunto, mas como nós tivemos um maior alcance, isso serve pra gente também. Vamos lá vocês a ver o Columbúbia. Alguns dias atrás era uma agressão enfundada ao Congresso Brasileiro, quando algumas autoridades da República chamaram o Congresso Brasileiro de inimigo do povo. E eu conversava com as pessoas, mas é justo, Leila, o Congresso brasileiro ser tratado e patrocinado por autoridades do Brasil como um congresso inimigo do povo, um congresso que nos últimos anos entregou ao Brasil e deu ao Brasil a capacidade

    de existirmos enquanto estado da federação. E um dia desses estavam por aí. patrocinado por muitos, porque a Polícia Legislativa do Senado tá investigando, a polícia legislativa da Câmara tá investigando e logo mais nós teremos e vamos trazer a público aqueles que fizeram aquelas agressões contra o Congresso inimigo do povo.

    E é a mesma coisa que a presidência está vivendo nos últimos dias, como se quisesse usurpar a prerrogativa de indicar. O ato de indicação de um ministro do Supremo Tribunal Federal é um ato jurídico administrativo complexo que é do presidente da República, mas ele quer dizer que não, porque o Senado tem que aprovar.

    Ele fala autoridades, ele tá mandando em direta pro Lindberg que a autoridade é deputado federal. É isso. Patrocinam. Ele usa a palavra patrocinar bem mal, viu? Pode responder a processo da B Columbro quer dizer que tá pagando. Eu não recebo um centavo. Você aí plantonista recebe. Se alguém tá recebendo, avisa aí que eu tô aqui militando gratuitamente contra essa bandidagem aí, essa cordia aí ligada a facções criminosas.

    Aí fiz um post lá no Twitter dizendo o seguinte, ó. É o Davi Columbri. Urgente. Daviel Columbri diz que vai identificar esposa. Vai lá com a minha foto no Congresso Nacional lá com o logo do Plantão Brasil fala: “Ó, eles estão liderando, tá? Somos nós, tá, Davi?” E falei: “Ó, não precisa se dar o trabalho não, ô Dav Columbes, de chamar a polícia. Estamos aqui.

    ” Aí eu coloquei: “Quem concorda com o Congresso inimigo do povo, comenta aí para o Al Columb somos maioria”. Aí em poucas horas já tem mais de 880 comentários e 1300 compartilhamentos no Twitter, que é uma rede em que é muito difícil no Twitter você conseguir mais de 100 comentários uma postagem. Até postagens do Lula raramente passam de 500 comentários e olha que o Lula tem lá 13, 14 milhões de seguidores.

    Pô, que coisa é difícil no Twitter porque pouca gente de esquerda sobrou nessa rede social. maioria das pessoas de esquerda foram embora do Twitter, porque é uma rede aí de extrema direita e é uma rede com muito ódio, mas seguimos lá por um motivo, a gente tem que ocupar todos os espaços. Então, temos que tá no Twitter, temos que tá ali, ali, ali, ali.

    Você vê que no Twitter incomoda bem esse pessoal, viu? Eles usam Twitter, os parlamentares, eles vêm que tá lá nas primeiras posições, quase sempre congresso inimigo do povo, eles ficam bravos, ficam bem bravos, tá? Inclusive, eh, ontem, antes do sorteio da Copa do Mundo, tava em segundo o Congresso Inimigo do Povo, tava em segundo ali no Twitter.

    Aí teve o sorteio da Copa do Mundo, aí todo mundo só falava ali de Brasil, Marrocos, enfim, com quem o Brasil vai jogar, quem vai jogar com quem, etc. Tá aí você vê, sentiu Davi Columbri, sentiu bem, chamou a polícia para investigar quem que tá falando mal dele. E sabe o que é o melhor? Ele não fala, nós vamos processar.

    Nós que ele não pode falar porque não é crime falar mal dele, não é crime falar congresso inimigo do povo, ele só quer identificar e expor. Quer dizer, tem policiais nesse exato momento da da Câmara e do Senado sendo pagos com dinheiro público, o salário não é pouco, não, são muito bem pagos com dinheiro público para gastar as horas de trabalho deles investigando quem é que estava ali falando que o Congresso é inimigo do povo.

    Que nem tem matéria na imprensa. O cara não vê não. Olha, eu vou te falar, pensa num num pessoal tosco aí são esses esse esses aí do Congresso Nacional aí. Horas depois disso aí, dessa fala aí, o que que fez o Davi ao Columbre? ao Columbia Lula em meio à crise por indicação de Messias ao STF e a cena com distensionamento tem nos apoiado.

    Aí ele agradeceu a sensibilidade do Lula na entrega de uma obra que ele fala que é a sua maior realização no estado, que foi graças ao Lula. Ele fala: “Ih, eu ouvi falar em recuo, recuou Daviel Columbre, sentiu a pancada. Deve ter mandado ali as polícias investigarem, né? Foi todo pomposo.

    Aí devem ter feito um relatório e falado: “Olha, são dezenas ou centenas de milhares de pessoas só nessa rede social pequenininha chamada Twitter, tá? Nas outras são milhões de pessoas aí falando que você é inimigo do povo. Se mandaram para ele algum tipo de análise de rede social vendo quantos estão contra e quantos estão a favor dele, aí ele vai ter tremilique.

    Embate entre Lula e Alcolumbre por vaga no STF ameaça criar ruptura  histórica -

    Porque para você ter uma ideia, a última pesquisa quando estávamos falando congresso inimigo do povo por conta das decisões do Hugo Mota, mostraram que apenas 1% dos comentários eram a favor do Hugo Mota. 1%. Aliás, não dos comentários, das contas que comentavam. que foram dos comentários, gente comentando contra ele faz 10, 15 comentários, né? Então aí era mais de 99% contra eles.

    Falei naquela ocasião, o Daviel Columb tinha 2% de aprovação como presidente do Senado. Imagine agora esses 2% já foram aí eh pro Beleléu, né? Vamos lembrar que naquela ocasião ainda a esquerda estava, ele era aliado do governo Lula, então agora não é mais ou vai voltar a ser, não sabemos, mas e aí a esquerda tava assim de OK com o columbre, porque tudo era aprovado na Câmara, a gente falava congresso inimigo do povo, né, no caso a Câmara dos Deputados, mas chegava no Senado, eles barravam ou pelo menos não votavam, né? Agora não. Agora ele quer

    ele ser o bonzão, ele tirar do Lula a vaga no STF. Nanina, não vai dar ruim aí pro Dabel Columb. Lembrando que ele tá com um problema que o Alexandre de Moraes está investigando as facções criminosas e nessas operações teve operação unha e carne, operação carbono oculto e algumas outras, é toda a cúpula do partido dele e só gente que já esteve com Davi Columbri, gente que é amiga do Davio Columbri, que já foram presos aí pela Polícia Federal, tem gente que tá foragida e tudo mais, então tudo é é cerco ao Dav Columbri.

    Então tá ruim, viu? tá bem ruim para ele. Você vê aí que a articulação aí do Lula deu certo, ele teve que recuar. Recuou aí da Columbia. Veremos o que acontecerá no nas próximas semanas. Só uma coisa, ontem aprovaram a lei de diretrizes orçamentárias, que é a diretriz pro orçamento do ano que vem, quase do jeitinho que cria o governo.

    Só algumas coisas ali que o governo não tem maioria e a direita coloca. Mas de resto, tudo que o governo queria de verba ali para para as principais realizações que o Lula quer fazer em 2026, aprovaram. Esse é o cara que tá contra, mas trabalha pro Lula se sabe que o chicote vai estalar para cima dele, a giripca vai piar para cima dele. É isso.

    Eu peço aí a sua inscrição no canal. Seguimos aqui na luta. Falou.