Author: nguyenhuy8386

  • O Escravo Disputado por Duas Sinhás Que Gerou o Maior Escândalo do Rio Grande do Sul, 1854

    O Escravo Disputado por Duas Sinhás Que Gerou o Maior Escândalo do Rio Grande do Sul, 1854

    Na primavera de 1853, na estância nos arredores de Pelotas, Rio Grande do Sul, ninguém imaginava que duas mulheres de sua própria família travavam uma guerra silenciosa e mortal pelos favores do mesmo homem. Não um pretendente da elite, não um oficial militar, mas Gabriel, um escravo mulato de 26 anos, alfabetizado, que trabalhava como administrador interno da propriedade e possuía uma beleza e refinamento que desafiavam sua condição.

    Durante 8 meses, dona Francisca, esposa do comendador, de 34 anos, e sua cunhada viúva, dona Mariana, de 28 anos, disputaram secretamente a atenção de Gabriel, cada uma, acreditando ser a única a manter um relacionamento proibido com ele, o que começou como encontros furtivos separados, transformou-se em uma teia de mentiras, manipulações, chantagens e ciúmes.

    que envolveu subornos a outros escravos, ameaças veladas e até tentativas de envenenamento. Na noite gelada de 15 de junho de 1854, quando as duas senhoras se encontraram simultaneamente no mesmo local onde Gabriel as aguardava, o confronto brutal entre elas acordou toda a casa grande. O comendador descobriu não um, mas dois adultérios sobeto.

    Três pessoas morreriam nas 48 horas seguintes. A sociedade gaúcha jamais viu escândalo igual. Mas tudo começou 10 meses antes, quando o inverno rigoroso de 1853 cobria os campos de pelotas com geada espessa todas as manhãs. A estância Santa Rita era uma das propriedades mais prósperas da região das charqueadas.

    1500 rezes abatidas por mês, 200 escravos trabalhando nas salgadeiras, uma casa grande de dois andares com varandas que davam para os campos infinitos onde o gado pastava antes de seguir para o matadouro. O comendador Antônio Rodrigues da Silva, com 52 anos, cabelos grisalhos e bigode farto, construíra aquele império com mãos de ferro. Negociava diretamente com o Rio de Janeiro e Buenos Aires.

    Suas carretas de sharque alimentavam tropas imperiais e plantações de café no Sudeste. Era respeitado e temido em igual medida. A sociedade sulista do império tinha códigos próprios, mais rígida que a do norte açucareiro, mais violenta que a do sudeste cafeeiro. O gaúcho não perdoava ofensas. A honra valia mais que a vida.

    As mulheres da elite viviam reclusas, transitando apenas entre a igreja, as visitas familiares e os saraus restritos. Qualquer deslize moral era punido com exclusão social permanente. E havia algo mais. O medo constante da missigenação.

    Apesar de ser prática comum entre senhores e escravas, a ideia de mulheres brancas se relacionando com homens negros ou mulatos era considerada o maior dos crimes, uma subversão completa da ordem natural. As leis eram claras. Relacionamentos entre mulheres brancas e homens negros ou mulatos eram tratados como estupro, independentemente do consentimento.

     

    O homem seria executado, a mulher enviada para um convento ou instituição para alienados mentais, a família deshonrada para sempre. Não havia perdão, não havia clemência. Nesse mundo de hierarquias brutais vivia dona Francisca de Almeida Silva. 34 anos, casada a 16 com o comendador. Pele alva que nunca via o sol direto, cabelos castanhos sempre presos em coques elaborados, olhos escuros que revelavam uma inteligência aguçada, sufocada pela rotina.

    Vinha de família tradicional de Porto Alegre, filha de desembargador, educada em colégio de freiras. Tocava piano com perfeição, lia francês fluentemente, bordava como ninguém na região e morria de tédio. 16 anos de casamento que produziram apenas duas filhas, ambas já enviadas para estudar em Porto Alegre. O comendador a tratava com cortesia fria, como se trataria uma peça valiosa de mobília.

    visitava seu quarto uma vez por mês, cumprindo obrigação conjugal com eficiência mecânica. O resto do tempo dedicava aos negócios, à política local, às viagens comerciais que duravam semanas. Francisca sabia que ele mantinha duas escravas como amantes fixas nas cenzalas. Todos sabiam. Ninguém mencionava. Sua vida era uma sequência previsível de dias idênticos.

    Acordava às 6 da manhã. rezava, supervisionava o café da manhã, bordava até o almoço, lia até a hora do chá, tocava piano antes do jantar, dormia cedo, sozinha, sempre sozinha, até que chegou a cunhada. Dona Mariana Rodrigues Pacheco, tinha 28 anos quando envio voo.

    Seu marido, irmão mais novo do Comendador, morrera de febre amarela em viagem ao Rio de Janeiro, deixando-a sem filhos e sem fortuna. própria. A propriedade do falecido foi incorporada à estância principal. Mariana não tinha para onde ir. O comendador, cumprindo obrigação familiar, ofereceu-lhe abrigo na Santa Rita. Ela chegou em abril de 1853, vestida de negro rigoroso, carregando apenas três baús de roupas e livros.

    era mais baixa que Francisca, mais curvilínea, com cabelos loiros raros na região e olhos verdes que chamavam atenção indesejada, bonita de forma provocante, mesmo sob as roupas de luto. Nos primeiros meses, manteve-se reclusa em seus aposentos, saindo apenas para as refeições e a missa dominical. As duas mulheres estabeleceram uma convivência cordial, mas distante.

    Francisca, como senhora da casa, mantinha a autoridade sobre os escravos domésticos e as rotinas. Mariana aceitava sua posição de agregada com resignação aparente. Tomavam chá juntas às tardes. Conversavam sobre trivialidades, nunca sobre sentimentos, frustrações ou os vazios que ambas carregavam.

    O que elas não imaginavam era que compartilhariam muito mais do que aquela casa. Gabriel chegara à estância Santa Rita 5 anos antes, em circunstâncias incomuns. Não nascera escravo. Era filho de uma mucama alforreada e um comerciante português que morrera antes de reconhecê-lo legalmente. Crescera livre em Rio Grande. Aprendeu a ler e escrever com padres jesuítas.

    trabalhava como caixeiro quando foi preso por dívidas que não conseguiu pagar. A lei permitia a escravização por dívida. O comendador comprou seus serviços por bom preço. Aos 26 anos, Gabriel era diferente dos outros escravos. Pele mulata clara, traços finos que revelavam a mistura de sangues, olhos cor de mel, corpo alto e bem proporcionado.

    Falava português corretamente, sem os vícios de linguagem dos cativos. Sabia fazer contas complexas. O comendador, o homem prático, percebeu que desperdiçaria um talento, mantendo-o nas charqueadas. designou-o como administrador interno, responsável por gerenciar estoques, supervisionar escravos domésticos, fazer inventários. Gabriel transitava pela Casa Grande com frequência.

    subia ao escritório do comendador para apresentar relatórios. organizava a biblioteca, verificava se as mucamas cumpriam suas funções, usava roupas melhores que os outros cativos, camisas de algodão, calças de linho, sapatos de couro. Tratava as senhoras com respeito impecável, olhos sempre baixos, voz sempre suave, postura sempre subserviente, mas por dentro queimava.

    Queimava de raiva por ter nascido livre e tornado-se escravo por um acidente do destino. Queimava de humilhação, cada vez que precisava baixar a cabeça para homens que considerava intelectualmente inferiores. Queimava de desejo cada vez que via mulheres brancas passarem por ele como se fosse invisível.

    Sabia que era bonito, sabia que era inteligente, sabia que em qualquer outro lugar do mundo poderia ter vida diferente, mas estava preso, preso por correntes que não via, mas que eram mais fortes que ferro. Foi Francisca quem o notou primeiro. Era uma tarde de maio, três semanas após a chegada de Mariana. Francisca estava na biblioteca procurando um volume de poesias francesas quando Gabriel entrou para organizar os livros que o comendador deixara espalhados.

    Ele pediu licença, mantendo distância respeitosa. Começou a trabalhar em silêncio. Francisca observou-o por sobre o livro aberto em suas mãos. Observou a forma como seus dedos tocavam as lombadas dos volumes com cuidado quase reverente. Observou como lia os títulos, às vezes franzindo a testa em concentração.

    Observou o perfil do seu rosto, a curva do pescoço, a largura dos ombros sob a camisa simples. Pela primeira vez em anos, sentiu algo além de tédio. Gabriel, percebendo que estava sendo observado, virou-se e encontrou os olhos da fixos nele. Baixou o olhar imediatamente, tenso. “Desculpe se a incomodei, dona Francisca. Já termino e me retiro.

    Você sabe ler?” A pergunta saiu antes que ela pudesse pensar melhor. “Sim, senhora. Aprendi quando ainda era livre.” “Livre?” Francisca fechou o livro genuinamente curiosa. Como um homem livre se torna escravo. Gabriel hesitou. Não era apropriado conversar longamente com a Sinhá, mas ela havia perguntado e recusar-se a responder seria desrespeito. Dívidas, senhora.

    Trabalhava como caixeiro em Rio Grande. Fiz um empréstimo que não consegui pagar. A lei permite. Eu sei o que a lei permite. Francisca levantou-se, aproximando-se das estantes. Você gosta de ler? Gostava, senhora, quando tinha tempo. Que tipo de livro? Filosofia, senhora? História, poesia? Às vezes.

    Francisca pegou o volume que procurava e, em impulso inexplicável, entregou-o a Gabriel. Víctor Hugo, les miserable, você lê francês? Gabriel olhou o livro como se fosse uma cobra venenosa. Aceitar seria presunção imperdoável. Recusar seria insulto. Assim. Um pouco, senhora, muito pouco. Leve, leia quando puder, mas não deixe o comendador ver.

    Os olhos de Gabriel encontraram os dela por uma fração de segundo. Naquele instante, algo passou entre eles. Reconhecimento. Duas pessoas inteligentes presas em gaiolas diferentes, vendo uma a outra pela primeira vez. Muito obrigado, senhora. Gabriel pegou o livro, escondendo-o sob o braço. Cuidarei bem dele. Saiu rapidamente.

    Francisca ficou parada no meio da biblioteca, coração batendo mais rápido do que deveria, sentindo-se viva pela primeira vez em anos. Se você está curioso para saber como essa história impossível começou, deixe seu like. Esta é uma história real que desafia tudo o que achamos que sabemos sobre o passado.

    Nos dias seguintes, Francisca criou desculpas para estar na biblioteca sempre que Gabriel precisava organizá-la. Conversas curtas, cuidadosas, sempre dentro dos limites da propriedade. Ela perguntava sobre os livros. Ele respondia com reverência estudada, mas os olhares duravam frações de segundo a mais. As vozes ficavam levemente mais suaves. A distância física diminuía centímetro a centímetro.

    Gabriel devolvia os livros que ela emprestava com comentários escritos em pequenos pedaços de papel deixados entre as páginas. Análises inteligentes que revelavam uma mente culta. Francisca respondia com suas próprias notas. Uma correspondência secreta através da literatura. Foi através de uma nota sobre um poema de Camões que Gabriel ousou escrever.

    Assim a me honra com sua atenção. Espero não estar sendo presunçoso ao dizer que nossas conversas são à luz nos meus dias escuros. Francisca queimou a nota imediatamente após ler, mas escreveu outra. Não há presunção em falar verdade. Suas palavras também iluminam o vazio.

    Enquanto isso, Mariana emergia lentamente de seu luto. Começou a deixar os aposentos com mais frequência. Tomava café da manhã com Francisca. Caminhava pelos jardins nas tardes frias. Sentava-se na varanda para bordar, observando o movimento da propriedade, e inevitavelmente notou Gabriel. Notou como ele se movia com graça entre os outros escravos.

    Notou sua postura ereta, diferente da curvatura submissa dos demais. Notou sua voz educada quando dava instruções. Notou principalmente sua beleza. Mariana, viúva por apenas 8 meses, queimava de necessidades que não ousava nomear. O casamento fora arranjado quando tinha 18 anos. O marido, 20 anos mais velho, a tratava como boneca decorativa. As relações conjugais eram rápidas e insatisfatórias.

    Ele morrera antes que ela descobrisse se havia algo além daquilo. Agora, aos 28 anos, descobria-se observando um escravo mulato com uma intensidade que a assustava. Foi em uma manhã de junho que ela criou o primeiro pretexto. Gabriel subia as escadas carregando livros para o escritório do comendador. Mariana esperou até que ele passasse pelo corredor onde ela estava.

    Gabriel, a voz saiu mais alta que pretendia. Ele parou imediatamente, curvando-se. Sim, dona Mariana. Preciso que você revise o inventário do meu quarto. Algumas peças de prata que trouxe não estão na lista. Certamente, senhora. Quando a senhora desejar, agora, se puder, o comendador está em Pelotas, não voltará até a noite.

    Gabriel seguiu-a até os aposentos de Mariana, mantendo três passos de distância respeitosa. Ela fechou a porta. Não completamente. Seria escandaloso demais, mas o suficiente para criar intimidade. As peças estão naquele baú. Mariana apontou para o canto do quarto. Gabriel ajoelhou-se ao lado do baú, retirando papel e lápis para fazer o inventário.

    Mariana ficou em pé ao lado dele, mais perto do que necessário. Podia sentir o calor do corpo dele, o cheiro de sabão e suor limpo. “Você é muito diferente dos outros escravos”, ela disse voz baixa. Gabriel manteve os olhos no inventário. O comendador me designou funções diferentes, senhora. Não é só isso. Você pensa diferente. Move-se diferente, Simpausa. É muito bonito.

    O lápis de Gabriel parou no meio de uma palavra. O silêncio ficou denso, perigoso. A senhora não deveria dizer essas coisas? Sua voz saiu rouca. Por que não? É a verdade. Por Gabriel levantou os olhos finalmente, encontrando-os dela. Porque é perigoso, dona Mariana, para ambos. Eu sei.

    Ela deu um passo mais perto, mas não consigo parar de pensar em você. Gabriel levantou-se bruscamente, quase derrubando o tinteiro. Preciso ir. O inventário pode esperar. Não. Mariana segurou seu braço. O toque foi como choque elétrico para ambos. Não vá não. Ainda. Se alguém entrar, ninguém vai entrar. Todos estão ocupados. A casa está vazia. Seus dedos apertaram o tecido da manga dele.

    Apenas fique um momento. Só conversar, por favor. Gabriel olhou para a porta entreaberta, para os dedos dela em seu braço, para os olhos verdes suplicantes. Sabia que deveria sair imediatamente. Sabia que cada segundo ali aumentava o perigo exponencialmente, mas ficou. Ficou porque viu naqueles olhos a mesma solidão que carregava.

    Ficou porque, por um momento, não era tratado como propriedade, mas como homem. ficou porque era humano e humanos cometem erros fatais quando tocados por desejo e compaixão. Só um momento, ele concordou, voz resignada. Mariana soltou seu braço, mas não se afastou.

    Começou a falar sobre a viuvez, sobre a solidão, sobre sentir-se invisível e inútil. Gabriel ouvia inicialmente tenso, gradualmente relaxando. Ofereceu palavras de conforto, cuidadosas, mas genuínas. Quando saiu 15 minutos depois, ambos sabiam que aquilo se repetiria e repetiu. Nos dias seguintes, Mariana criava situações que exigiam a presença de Gabriel em seus aposentos, sempre com a porta entreaberta, sempre dentro dos limites da propriedade, mas cada vez com maior intimidade.

    As conversas ficavam mais longas, mais pessoais. Os toques acidentais ficavam mais frequentes. A tensão sexual não dita crescia como tempestade se formando. Gabriel encontrava-se dividido entre duas situações impossíveis. De manhã, trocava notas secretas com Francisca através dos livros da biblioteca.

    As mensagens tornavam-se mais pessoais, mais carregadas de emoção mal contida. Francisca escrevera em uma nota que ele guardou contra toda a prudência. Sonho com conversas que nunca podemos ter, com toques que nunca podemos compartilhar. É pecado desejar o impossível. De tarde visitava os aposentos de Mariana sob pretextos cada vez mais frágeis, afundando em conversas íntimas que beiravam a confissão.

    Ela falava de seu corpo que nunca conhecera prazer, de suas noites vazias, de seus sonhos proibidos. E Gabriel, homem de sangue quente e inteligência aguçada, percebia que ela não falava de abstrações. Ele sabia que estava jogando com fogo, sabia que aquilo terminaria em tragédia, mas pela primeira vez em 5 anos de escravidão, sentia-se vivo, desejado, visto como homem completo.

    E essa sensação era narcótico potente demais para resistir. O que Gabriel não percebia ainda era que as duas mulheres estavam em rota de colisão e ele estava no centro. Era final de junho quando Francisca decidiu cruzar a linha final. O comendador viajara para Rio Grande, negócio que levaria três dias. As filhas estavam em Porto Alegre.

    Mariana estava de cama com dor de cabeça, ou pelo menos era o que dissera. A casa estava extraordinariamente vazia. Francisca enviou uma mucama com recado. Gabriel deveria vir à biblioteca após o jantar para organizar novos livros que haviam chegado de Porto Alegre.

    Quando ele entrou, às 8 da noite, encontrou a biblioteca iluminada por apenas duas velas. Francisca estava de pé junto à janela, vestindo um hobby de seda que revelava mais do que o costume. Cabelos soltos pela primeira vez desde que se conheceram. “Fecha a porta”, ela disse, “sem se virar.” Gabriel obedeceu mãos tremendo levemente. A senhora pediu para organizar livros. Menti. Francisca virou-se finalmente.

    Os olhos dela brilhavam de determinação e medo. Não há livros para organizar. Então, por que me chamou? Você sabe por quê? O silêncio esticou-se entre eles como corda prestes a romper. Dona Francisca. Gabriel deu um passo atrás em direção à porta. Isso é loucura. Se alguém souber, ninguém vai saber. Todos dormem. As mucamas estão nas cenzalas. Estamos sozinhos.

    A senhora não pensou nas consequências? Me enforcarão. A senhora será enviada para a instituição de alienados. O comendador. O comendador. Francisca Rio. Som amargo. O comendador me trata como móvel. 16 anos de casamento e ele não sabe minha cor favorita. Meu livro preferido, o que me faz sorrir. Você em semanas me conhece melhor que ele em uma vida inteira.

    Isso não muda o fato de que sou escravo e a senhora é esposa dele. Eu sei o que sou. A voz dela subiu, depois baixou para sussurro intenso. Sei exatamente o que sou. Prisioneira em casa dourada, útero que não deu herdeiro homem, decoração que ele exibe em saraus.

    Sei tudo isso, mas com você, com você sou Francisca, apenas Francisca, mulher que pensa, sente, deseja. Gabriel encostou-se na porta, olhos fechados. Isso vai nos destruir. Eu sei. Ela se aproximou lentamente, mas prefiro um momento de verdade a uma vida inteira de mentira. Quando Francisca ficou a poucos centímetros dele, Gabriel abriu os olhos, viu lágrimas escorrendo pelo rosto dela, viu coragem e desespero e desejo misturados, viu tudo o que sentia refletido naqueles olhos escuros. “Não podemos”, ele tentou uma última vez.

    “Podemos?”, Francisca tocou seu rosto com dedos trêmulos. Por uma noite podemos fingir que este mundo não existe. A resistência de Gabriel quebrou-se como galho seco. Puxou-a para seus braços com força, que a surpreendeu. Beijou-a com fome de anos de solidão e desejo reprimido.

    Ela respondeu com igual intensidade, dedos entrelaçados em seus cabelos, corpo pressionado contra o dele. Ali na biblioteca cercada de livros que falavam de mundos melhores, escravo e siná quebraram todas as leis divinas e humanas. foi desesperado, eterno, urgente e cuidadoso, transgressor e estranhamente inocente. Dois seres humanos encontrando conexão mundo que decretara sua impossibilidade.

    Quando terminou, permaneceram entrelaçados no chão entre as estantes, respirações aos poucos voltando ao normal. “O que fizemos?”, Francisca sussurrou contra o peito dele. “Condenmo-nos. Gabriel respondeu, mas não a soltou. Vale a pena. Ele beijou seus cabelos. Pergunte-me quando estivermos na forca.

    Ram baixinho, humor negro de quem sabe que cometeu erro irreparável, mas não consegue se arrepender. Precisamos ser cuidadosos. Francisca levantou-se, ajeitando as roupas. Ninguém pode suspeitar. Isso não pode se repetir. Não pode. Ela concordou. Mas vai. e repetiu. Nas semanas seguintes, sempre que o comendador viajava, Gabriel e Francisca encontravam-se na biblioteca após o escurecer.

    Desenvolveram códigos, livros deixados em posições específicas, velas acesas em determinadas janelas. eram cuidadosos ao extremo. Nunca olhavam um para o outro durante o dia, nunca falavam além do estritamente necessário quando havia testemunhas. Mas à noite, nas horas roubadas, eram apenas homem e mulher, amando-se com urgência de condenados. O que nenhum dos dois sabia era que Mariana também avançava.

    Enquanto Francisca acreditava ter Mariana segura nos aposentos, com dores de cabeça convenientes, a cunhada traçava seus próprios planos. Era início de julho, inverno rigoroso, quando Mariana finalmente seduziu Gabriel completamente. Chamou-o aos seus aposentos sob pr pr pr pr pr pretexto de móvel pesado que precisava ser movido.

    Quando ele entrou, ela estava de roupão, cabelos soltos, pele perfumada. Não há móvel, não é? Gabriel perguntou cansado de jogos perigosos. Não. Mariana trancou a porta. Não há móvel. Há apenas eu, você e a verdade. Dona Mariana, a senhora está brincando com fogo, então deixe-me queimar. Se aproximou, desatando o roupão. Sei que sente algo por mim.

    Vejo em seus olhos. Gabriel recuou, mas o quarto era pequeno. A senhora está enganada. Estou. Ela o encurralou contra a parede. Então, por que seu coração dispara quando estou perto? Por que suas mãos tremem quando me toca acidentalmente? Porque tenho medo. Medo do que a senhora quer. Medo das consequências. Deixe o medo para depois. Mariana pressionou-se contra ele. Agora apenas me beije.

    Gabriel, fraco e humano, cedeu novamente. O que começou com Mariana foi diferente do que tinha com Francisca. Com Francisca havia conexão intelectual, ternura, clicidade de mentes aprisionadas. Com Mariana havia paixão física pura, desejo animal, urgência corporal sem pretensão de romance. Gabriel, pela primeira vez em sua vida, tinha duas amantes e ambas eram as mulheres mais perigosas que poderia escolher. Durante julho e agosto, Gabriel viveu uma farça impossível.

     

    Encontrava-se com Francisca nas noites em que o comendador viajava, nos cantos escuros da biblioteca. encontrava-se com Mariana nas tardes em que Francisca visitava vizinhos nos aposentos trancados dela. Cada uma acreditava ser a única. Cada uma cobrava declarações de exclusividade.

    Cada uma ameaçava com ciúmes que ele não entendia completamente. Era apenas questão de tempo até que as mulheres descobrissem a verdade e quando descobrissem o inferno se abriria. Pause por um momento. Em uma sociedade que punia essa transgressão com extrema violência, o que levaria duas pessoas a arriscar tudo. Deixe sua reflexão nos comentários.

    Agosto chegou com ventos gelados que cortavam como navalhas. A Estância Santa Rita preparava-se para o início da nova temporada de abate. O comendador estava mais presente, supervisionando pessoalmente as operações. Os encontros de Gabriel com ambas as mulheres tornaram-se mais raros e, por isso mesmo, mais desesperados. Foi Mariana quem começou a suspeitar primeiro.

    Uma tarde, fingindo dor de cabeça, observou pela fresta da porta do seu quarto, Gabriel, passando pelo corredor. Esperava que ele subisse até seus aposentos, como fazia sempre que ela mandava recado através da mucama. Mas ele não subiu, continuou andando em direção ao outro lado da casa. Curiosidade picou como espinho.

    Mariana saiu silenciosamente de seus aposentos, seguindo-o à distância segura. Viu-o entrar na biblioteca. Esperou. Minutos depois, Francisca entrou também, olhando para os lados antes de fechar a porta suavemente. O sangue de Mariana gelou, depois ferveu. Aproximou-se da porta, o vido colado contra a madeira.

    Não conseguia distinguir palavras, apenas murmúrios, mas reconheceu o tom íntimo, carregado de emoção. Reconheceu porque era o mesmo tom que Gabriel usava com ela. Mariana afastou-se da porta, mãos tremendo de raiva e ciúmes. Voltou para seus aposentos sem ser vista, mente fervilhando de pensamentos venenosos. A hipócrita. Francisca, sempre tão correta, tão senhora da casa, tão acima de todos, estava o mesmo escravo que Mariana amava. Não, não amava. Mariana não amava Gabriel.

    Amava o que ele representava. Amava o poder de tê-lo, a transgressão de possuí-lo, o perigo de desafiá-lo. E agora descobria que dividia tudo isso com a cunhada. Mariana não confrontou ninguém imediatamente. Era inteligente demais para isso. Confronto direto levaria a Escândalo. E Escândalo a destruiria tanto quanto a Francisca.

    Não precisava ser mais esperta. Precisava usar aquela informação a seu favor. Nos dias seguintes, Mariana mudou sua estratégia. tornou-se mais doce com Francisca, elogiava seus bordados, pedia conselhos sobre assuntos domésticos, propunha caminhada juntas pelos jardins. Francisca, sem suspeitar de nada, relaxou a guarda.

    “Você parece mais feliz ultimamente”, Mariana comentou durante o chá de uma tarde. Francisca quase engasgou. Feliz. Por que diz isso? Não sei. Há um brilho diferente em seus olhos, como se tivesse descoberto algo novo. Deve ser a leitura. Tenho encontrado livros muito interessantes. Ah, sim, livros. Mariana sorriu, gato brincando com o rato.

    O Gabriel tem sido muito prestativo organizando a biblioteca. Não. Francisca ficou pálida por uma fração de segundo antes de recompor-se. Sim. É muito eficiente, muito eficiente mesmo. Bonito também, não acha? Mariana. Francisca colocou a xícara na mesa bruscamente. Que tipo de comentário é esse? Apenas uma observação. Mariana manteve o tom leve. Não precisa ficar ofendida.

    É apenas um escravo, afinal. Exatamente. Apenas um escravo. Mas Francisca levantou-se e saiu da sala coração disparado. Mariana sabia de alguma forma sabia. Naquela noite, Francisca conseguiu enviar recado para Gabriel através de uma mucama de confiança. Precisamos parar. É perigoso demais. Gabriel recebeu a mensagem com alívio, misturado a dor.

    Sabia que era inevitável. sabia que cada encontro aumentava as chances de descoberta catastrófica. Sabia que deveriam ter parado meses atrás, mas quando Mariano o procurou dois dias depois, ele não conseguiu recusar. Senti sua falta. Ela disse trancando a porta dos aposentos. Por que tem me evitado? Não evitei, dona Mariana. Tenho estado ocupado com Não minta para mim.

    Ela o empurrou contra a parede, olhos brilhando perigosamente. Você acha que sou idiota? Acha que não percebo quando está me evitando? A senhora está imaginando coisas. Estou. Mariana desabotoou a blusa dele lentamente. Então prove. Prove que ainda me deseja. Gabriel pegou suas mãos parando-a. Isso precisa parar para ambos.

    É loucura continuar. Por quê? Porque tem medo. Sempre foi covarde assim? Não é covardia, é sobrevivência. Ou talvez. Mariana inclinou a cabeça estudando-o. Talvez seja porque há outra pessoa. O corpo de Gabriel ficou rígido. Não há ninguém. Não. Então, por que cheira a perfume de lavanda? O mesmo perfume que Francisca usa? Silêncio mortal. Achei que era minha imaginação.

    Mariana continuou, voz baixa e venenosa. Mas não é. É. Você está as duas, a mim e a minha cunhada. Que homem ambicioso você é, Gabriel, subindo na vida literalmente. Dona Mariana, cale a boca. Ela o esbofeteou. A marca ficou vermelha em seu rosto. Cale a boca e me escute com atenção. Se você terminar comigo para ficar com aquela vaca, eu conto tudo.

    Conto ao comendador, conto à sociedade inteira e você sabe o que acontecerá. A senhora também será destruída, mas você morrerá. Mariana sorriu frio e calculado. E isso me basta. Gabriel percebeu naquele momento que havia subestimado completamente aquela mulher. Vira nela apenas solidão e desejo. Não perceber a crueldade, o egoísmo, a capacidade de destruição.

    O que a senhora quer? Quero que termine com ela. Quero que seja apenas meu. E se obedecer, ficaremos em segredo até eu decidir que acabou. Ela tocou o rosto dele, onde a marca da bofetada ardia. Simples assim. E se eu recusar? Então, amanhã mesmo o comendador saberá de tudo e você poderá assistir Francisca sendo arrastada para o manicômio antes de ser enforcado na praça pública.

    Gabriel fechou os olhos. Estava preso em armadilha sem saída. Se terminasse com Francisca, quebraria o coração da única pessoa que o tratara com verdadeira ternura. Se não terminasse, condenaria ambos. Preciso de tempo para pensar. Tem até amanhã de noite. Mariana destrancou a porta. Agora saia. E Gabriel, se tentar avisar Francisca, eu saberei. Tenho olhos em toda esta casa.

    Gabriel saiu cambaleando, mente girando em desespero. Tinha menos de 24 horas para decidir como navegar aquele campo minado. O que ele não sabia era que Francisca também estava armando seus próprios planos. Porque Francisca não era idiota. Percebera as perguntas de Mariana, os olhares calculistas, as insinuações venenosas.

    E Francisca tinha recursos que Mariana não imaginava. As mucamas eram leais a ela. Não a cunhada viúva que chegara há poucos meses. E mucamas viam tudo, sabiam tudo, especialmente Benedita, escrava de 40 anos que servia como aia pessoal de Francisca, desde que esta chegara à estância como noiva. Fale a verdade, Benedita.

    Francisca disse naquela noite, trancadas no quarto: “Dona Mariana, ela tem envolvimento com Gabriel?” Benedita baixou os olhos. “Não é meu lugar dizer sim. Ah, Benedita, olhe para mim.” Francisca pegou as mãos da escrava. “Você me conhece há 16 anos. Sabe que confio em você mais que em qualquer pessoa nesta casa. Preciso da verdade, por favor.” Benedita suspirou pesadamente.

    Sim, senh desde julho. Todos nas cenzalas sabem. Dona Mariana chama ele aos aposentos dela quando o comendador não está. Francisca sentiu algo quebrar dentro do peito. Todos sabem. Os escravos sabem, mas não falam. Não é nosso lugar. E E eles sabem sobre mim também. Benedita hesitou antes de acenar afirmativamente: “Sabem sim, há, mas ninguém julga a senhora. Gabriel é bom homem, não merecia ser escravo. E a senhora pausa.

    A senhora sempre nos tratou com bondade. Se encontrou momento de felicidade, ninguém vai delatar.” Lágrimas escorreram pelo rosto de Francisca, não de vergonha, mas de raiva. Gabriel estava com ambas. estava mentindo para ambas, estava usando ambas ou estavam usando-o. A raiva transformou-se rapidamente em compreensão fria.

    Gabriel não era vilão naquela história. Era peça movida por forças maiores que ele. Duas mulheres poderosas disputando propriedade, porque era isso que ele era no final das contas, propriedade. Benedita, preciso que faça algo por mim. Qualquer coisa sim há. Vigie, Mariana, anote horários, comportamentos, tudo e me informe imediatamente se ela tentar algo contra Gabriel ou contra mim.

    A senhora pretende? Ainda não sei. Francisca enxugou as lágrimas, mas não permitirei que aquela mulher destrua tudo, nem a mim, nem a Gabriel, nem esta família. Enquanto isso, Gabriel lutava com sua própria consciência. Não podia avisar Francisca sem que Mariana soubesse. Não podia continuar com Mariana sem trair Francisca.

    Não podia terminar com ambas sem causar escândalo. Estava preso em teia, cada vez mais apertada. Passou a noite acordado na cenzala, olhando o teto de palha, mente buscando saídas impossíveis. A única solução que via era fugir, deixar a estância, arriscar-se nas estradas, tentar chegar ao Uruguai, onde poderia ser livre.

    Mas fugitivos eram caçados, capitães do mato eram eficientes. E, se fosse capturado, a punição seria pior que morte. Além disso, fugir deixaria Francisca a mercê de Mariana. e por razões que não conseguia explicar completamente, não suportava a ideia de abandoná-la. Amanheceu sem resposta.

    Foi trabalhar mecanicamente, movendo-se pela casa como fantasma. Evitou ambas as mulheres. Concentrou-se em tarefas que o mantivessem longe das áreas onde elas transitavam. Mas era setembro e setembro trazia o aniversário do comendador. Toda a sociedade de Pelotas seria convidada para a grande saral, na estância Santa Rita. Duas centenas de pessoas circulariam pela Casagre.

    Haveria música, dança, comida abundante. O prestígio do comendador seria exibido em todo seu esplendor. E Gabriel, como administrador interno, precisaria supervisionar tudo. Na semana anterior ao Saral, a tensão na casa era palpável. Francisca e Mariana mal se falavam. Gabriel evitava ambas. O comendador, alheio a tudo, preocupava-se apenas com a impressão que causaria nos convidados.

    As mucamas coxixavam, os escravos sentiam a tempestade se aproximando. Foi três dias antes do saral que Mariana fez sua jogada. Procurou Gabriel nas cenzalas, onde ele jamais esperaria vê-la. Chegou a noite encapuzada, acompanhada apenas por uma escrava de confiança. Preciso falar com você agora. Gabriel a levou para o depósito de ferramentas, único lugar minimamente privado.

    A senhora enlouqueceu se alguém vê. Ninguém me viu. E mesmo que vissem, não importa mais. Mariana jogou um embrulho aos pés dele. Isso é dinheiro suficiente para comprar sua euforria e ainda sobrar para começar vida nova. Gabriel olhou o embrulho sem tocá-lo. Em troca de quê? Em troca de você fazer exatamente o que eu mandar no saral do comendador. Que tipo de coisa? Ainda decidirei.

    Mas quando decidir, você obedecerá sem questionar. fará o que eu pedir e depois disso estará livre, livre de mim, livre desta estância, livre desta vida. E se eu recusar, então na manhã do Saral contarei ao comendador sobre você e Francisca, e assistirei quando ele mandar castrá-lo antes de enforcá-lo. Gabriel sentiu náuseia subir.

    Por que está fazendo isso? Porque posso? Mariana sorriu e naquele sorriso havia apenas crueldade. Porque vocês dois me usaram, me mentiram, me traíram e agora pagarão de uma forma ou de outra. Ela saiu, deixando Gabriel paralisado ao lado do dinheiro que representava tanto sua salvação quanto sua condenação. Dois dias antes do saral, Francisca finalmente confrontou Gabriel.

    encontrou-o na biblioteca sozinho, organizando cadeiras para os convidados. Trancou a porta. Precisamos conversar. Gabriel não a olhou. Não há nada para conversar. Há tudo para conversar. Sei sobre Mariana. Agora ele olhou. Olhos arregalados. Como? Não importa como. O que importa é que estamos todos em perigo. Ela está planejando algo. Sinto. Eu sei o que ela está planejando.

    Gabriel contou tudo. A chantagem, o dinheiro, a exigência misteriosa para o saral. Francisca ficou pálida. Ela vai causar escândalo público. É a única explicação. Vai expor tudo diante dos convidados para destruir a todos. O que fazemos? Fugimos. A decisão apareceu nos olhos de Francisca como relâmpago.

    Hoje à noite pegamos cavalos, vamos para Rio Grande, conseguimos passagem para o Uruguai. Estão sonhando? Gabriel assegurou pelos ombros. O Comador nos caçará. Capitães do mato nos encontrarão e quando encontrarem, então morremos livres. Francisca tocou o rosto dele. Morremos juntos. Preferível a viver esta mentira.

    Gabriel olhou para aquela mulher educada, refinada, criada em berço de ouro, propondo abandonar tudo por ele, por um escravo, por amor impossível. Você enlouqueceu. Enlouqueci há meses quando me apaixonei por você. Era a primeira vez que qualquer um deles usava aquela palavra. Amor pairou entre eles como confissão e condenação. Francisca, não diga que não sente o mesmo. Sei que sente. Vi em seus olhos desde o primeiro dia.

    Sentir não muda a realidade. Então vamos mudar a realidade. Ela o beijou com desespero. Esta noite, à meia-noite, nos encontramos nos estábulos. Temos cavalos selados. 6 horas de vantagem antes que percebam nossa falta. Podemos conseguir. E Mariana? Mariana pode se enforcar com suas próprias intrigas. Gabriel queria dizer não.

    Queria ser sensato, queria sobreviver, mas olhou para Francisca, brilho de esperança louca nos olhos, corpo tremendo de adrenalina e amor, e não conseguiu destruir aquela fé. Meia-noite ele concordou. nos estábulos. Beijaram-se uma última vez antes de ela sair, ambos sabendo que haviam acabado de selar seus destinos.

    O que nenhum dos dois sabia era que Benedita, cumprindo ordens de Francisca de vigiar tudo, observara Mariana indo às censalas duas noites antes, e ficara perturbada demais para contar imediatamente a Assiná. Quando finalmente decidiu falar, era tarde demais. A noite anterior ao Saral chegou gelada e carregada de presságios.

    Gabriel preparou-se meticulosamente. Guardou o dinheiro de Mariana, seria útil na fuga. Separou roupas simples, embrulhou pão e shark roubados da despensa. Estava pronto para fugir ou morrer tentando. Meia-noite chegou lentamente. Gabriel saiu da cenzala quando todos dormiam, movendo-se como sombra em direção aos estábulos.

    Coração batendo tão forte que temia acordar os outros. Mãos suando, apesar do frio. Chegou aos estábulos 5 minutos antes da hora combinada. Dois cavalos estavam selados como Francisca prometera. Alforges prontos, tudo perfeito. 15 minutos depois, Francisca ainda não chegara. Gabriel começou a ficar nervoso. Onde ela estava? Teria sido descoberta? Teria mudado de ideia? 20 minutos, meia hora.

    Foi quando ouviu os gritos. Gritos vindos da casa grande, múltiplas vozes, luz de tochas se movendo rapidamente, latidos de cães. Gabriel sentiu o sangue gelar. Foram descobertos. De alguma forma, alguém descobriu o plano. Deveria fugir sozinho, montar o cavalo e cavalgar até ser capturado. Mas não conseguia abandonar Francisca.

    começou a correr em direção à casa quando viu a cena que mudaria tudo. No pátio frontal da Casagre, iluminado por dezenas de tochas, Mariana estava de camisola, cabelos desgrenhados, gritando e apontando para Francisca: “Puta, adúltera, todos vejam, a senhora da casa  escravo.” O comendador estava lá de hobby, completamente confuso.

    Outros escravos acordados pelo alvoroço, mucamas assustadas e Francisca, pálida como morte, tentando explicar algo a um marido que não estava ouvindo. Mentira, Francisca gritava. Está inventando tudo? Está louca. Louca? Então, como explica isto? Mariana jogou algo no chão. Gabriel, ainda escondido na escuridão, reconheceu: “E suas camisas, as que Francisca lavara pessoalmente para apagar o cheiro dela.

    Encontrei no seu quarto roupas dele e isto. Outro objeto, o livro de Víctor Hugo, primeiro que trocaram, com dedicatória dele para você.” O comendador pegou o livro, leu a nota que Gabriel escrevera meses antes, em momento de fraqueza. Olhou para Francisca, olhou para as roupas no chão. Antônio, deixe-me explicar. Francisca estendeu as mãos. A bofetada foi tão forte que a jogou no chão.

    O comendador rugiu, voz ecoando pela propriedade. Deshonrou meu nome, minha casa, minha honra. Não. Francisca tentou levantar, mas ele a chutou. Onde está ele? Onde está o escravo, filho da Gabriel sabia que deveria fugir. Deveria montar o cavalo e nunca olhar para trás, mas viu Francisca sangrando no chão.

    Viu o comendador descer sobre ela novamente e algo nele quebrou. Saiu das sombras. Caminhou em direção ao pátio iluminado, em direção à própria morte. Estou aqui. Todos se viraram. O comendador parou. Pé ainda sobre as costelas de Francisca. Mariana sorriu triunfante.

    Francisca gritou: “Não!” Gabriel continuou andando até estar a poucos metros do comendador. Olhou para Mariana, viu vitória e vingança naqueles olhos verdes. Olhou para Francisca, viu amor e desespero. Olhou para o comendador, viu ódio puro. “Sou culpado,” Gabriel disse, voz firme. “Fui eu quem a seduziu. Ela é inocente. Usei artes diabólicas. Feitiços que aprendi de curandeiros africanos.

    Assim, ah, estava enfeitiçada. A culpa é toda minha. Não, Francisca chorava. É mentira. Eu o amei voluntariamente. Eu escolhi. Cale a boca. O comendador chutou-a novamente. Então olhou para Gabriel, estudando-o como se visse pela primeira vez. Então foi você. Você corrompeu minha esposa. Violou a santidade do meu lar. Sim, senhor.

    Sabe o que faço com escravos que tocam em mulheres brancas? Sei, senhor. O comendador virou-se para os outros escravos que assistiam aterrorizados. Amarrem ele ao pelourinho. Arranquem a roupa, todos assistirão. Quero que vejam o que acontece com negros que se esquecem do seu lugar. Quatro escravos avançaram sobre Gabriel. Ele não resistiu. Deixou-se ser arrastado até o pelourinho no centro do pátio.

    Deixou-se ser despido e amarrado, braços esticados acima da cabeça, costas expostas. Francisca gritava tentando levantar, sendo contida por mucamas. Mariana a assistia, olhos brilhando de satisfação perversa. O comendador pegou o chicote pessoalmente. Quantas vezes, filho da  Quantas vezes tocou nela? Gabriel não respondeu. A primeira chicotada abriu pele e carne.

    Gabriel mordeu os lábios até sangrar, mas não gritou. Quantas vezes? Segunda chicotada, terceira, quarta? Dezenas de vezes! Mariana gritou venenosa durante meses. Ele a fodeu em todos os cantos desta casa, na biblioteca, nos jardins, até mesmo. Cale a boca, Mariana. Francisca conseguiu se libertar. Correu em direção ao marido. Pare, por favor. Ele não tem culpa. Fui eu.

    Eu? O comendador empurrou-a brutalmente. Ela caiu batendo a cabeça em uma pedra. Ficou imóvel. “Francisca!” Gabriel gritou, puxando as correntes. Chicotada, 15ª vigésima. As costas de Gabriel não eram mais que carne rasgada, quando o comendador finalmente parou, ofegante de esforço e raiva. Isso é só o começo ele disse, voz mortal.

     

    Amanhã depois do saral, porque não cancelarei meu aniversário por causa de e escravo. Você será castrado publicamente, depois enforcado, e seu corpo ficará pendurado na entrada da estância como aviso. Gabriel mal ouvia, visão escurecendo pela dor. Viu Benedita e outras mucamas carregando Francisca desacordada para dentro da casa.

    Viu Mariana finalmente uma expressão de horror substituindo o triunfo, como se só agora percebesse o monstro que desencadeara. Viu o comendador entrar na casa, deixando-o amarrado ali, sangrando no frio da noite. Os outros escravos dispersaram lentamente, silenciosos, aterrorizados. Apenas um permaneceu, João, escravo velho que trabalhava nos estábulos desde antes de Gabriel chegar. Vou te soltar, filho.

    João sussurrou quando teve certeza de que estavam sozinhos. Vou te dar um cavalo. Vai embora. Vai para longe daqui. Não posso deixá-la. Ela está morta, filho, ou tão boa quanto. O comendador vai mandá-la para manicômio. Você não pode salvá-la, só pode se salvar. Então não me salvarei.

    João olhou para aquele jovem teimoso, sangrando mais orgulhoso, condenado, mas digno. Balançou a cabeça. Que Deus tenha piedade de você, filho, porque os homens não terão. Deixou Gabriel ali e foi embora. A tensão está aumentando. Se você está torcendo por esse casal impossível, deixe seu like. Mas lembre-se, esta é uma história real do Brasil escravocrata.

    Amanheceu lentamente sobre a estância Santa Rita, o dia do grande saral, dia em que o comendador exibia sua riqueza e poder para a Sociedade de Pelotas, dia em que tudo desmoronaria em chamas. Gabriel passou a noite amarrado ao pelourinho, costas ardendo, sangue seco colando-se à pele, frio penetrando até os ossos, mas manteve-se consciente através da dor, porque sabia que se desmaiasse poderia nunca mais acordar.

    Ao amanhecer, João voltou com um balde de água e panos, limpou as feridas o melhor que pôde, aplicou unguentos preparados pelas curandeiras, deu-lhe água e pedaços de pão que Gabriel mal conseguiu engolir. “Assim?”, Gabriel perguntou. Voz rouca. Acordou, está trancada nos aposentos. O comendador colocou duas mucamas vigiando.

    Ela tenta sair, mas não deixam. E Mariana? trancada também parece arrependida agora, mas tarde demais. João amarrou as bandagens. Os convidados começam a chegar ao meio-dia. O comendador mandou te deixar aqui até o saral acabar. quer que todos vejam, que saibam, quer fazer exemplo. Isso mesmo, filho. Gabriel olhou o horizonte onde o sol nascia, pintando o céu de vermelho sangue.

    Teve a certeza absoluta de que aquele era o último amanhecer que veria. Estranhamente, sentiu-se em paz. Vivera mais intensamente nos últimos meses que em toda a sua vida. Amara e fora amado, desejara e fora desejado, fora tratado como homem, mesmo que por tempo curto. Valia a pena morrer por isso. Enquanto Gabriel aceitava seu destino, dentro da casagre Francisca travava batalha diferente.

    Acordara com dor lancinante na cabeça, marca roxa na face, costelas latejando a cada respiração. Benedita estava ao lado da cama chorando silenciosamente. Gabriel, foi a primeira palavra que conseguiu articular. Vivo, sim, mas ferido. O comendador mandou chicoteá-lo a noite toda. Francisca tentou se levantar, mas quase desmaiou de tontura. Preciso vê-lo. Não pode, Sinh.

    Tem guardas na porta. O comendador não quer que saia. Para onde ele me mandará? Con vento, manicômio. Benedita não respondeu. A resposta estava nos olhos tristes. Então vou morrer trancada como louca. Francisca deitou-se novamente, lágrimas escorrendo. E Gabriel será enforcado. Tudo porque nos atrevemos a amar.

    O amor de vocês era impossível. Sim. Ah. Todo amor é impossível até que existe. Francisca olhou o teto. Benedita, há algo que você possa fazer? Qualquer coisa? O que senhá? Não sei. Ajudá-lo a fugir, envenenar o comendador, incendiar a casa. Riu amargamente. Algo. Há algo. Benedita disse lentamente: “Mas é perigoso para todos”.

    Francisca sentou-se bruscamente, ignorando a dor. Diga, os escravos estão com medo. Medo do que o comendador vai fazer com Gabriel. Medo de que se um pode ser morto assim, todos podem. Pausa significativa. A conversa de revolta. Francisca olhou para a escrava como se a visse pela primeira vez. Revolta. Há 40 homens nas salgadeiras.

    Trabalham com facas o dia todo, conhecem cada canto desta propriedade. Se decidirem, Benedita deixou a frase suspensa, mas precisariam de razão, de liderança, de alguém que os organizasse. Você está sugerindo que eu não estou sugerindo nada, senh apenas dizendo que as portas às vezes abrem quando se empurra na direção certa.

    As duas mulheres olharam-se longamente. Francisca, criada em berço de ouro, educada para ser ornamento. Benedita, nascida escrava, educada pela brutalidade. Mas naquele momento eram apenas duas mulheres desesperadas, buscando saída impossível. “Se eu conseguir sair deste quarto,” Francisca começou. “Deixe isso comigo, Sim.

    ” Enquanto essas conspirações fermentavam, Mariana vivia seu próprio inferno particular, também trancada, também vigiada, mas pelas razões certas, o comendador não confiava nela. Percebia tarde demais que a cunhada era cobra venenosa, mas não podia expô-la publicamente sem revelar o escândalo da casa. Então, mantinha-a presa, decidindo o que fazer depois.

    Mariana olhava-se no espelho, vendo o monstro olhando de volta. O que fizera? Destruíra tudo por ciúme mesquinho e vingança cruel. Gabriel seria morto. Francisca seria internada, a família destruída. E para quê? para provar ponto, para se vingar de rejeição. Pela primeira vez em sua vida, Mariana sentiu algo parecido com Remorço, mas Remorço não desfazia o mal causado. Remorço não ressuscitaria Gabriel após o enforcamento.

    Remorço era luxo dos que chegavam tarde demais. Sentou-se na cama, vestido negro de viúva, parecendo mortalha, e chorou. Chorou por Gabriel, por Francisca, por si mesma. Chorou pela mulher amarga e solitária que se tornara. Chorou porque sabia que carregaria aquilo até o último dia de vida, mas lágrimas eram baratas.

    E Mariana, descobria tarde demais, não tinha forma de pagar suas dívidas. Meio-dia chegou com o primeiro grupo de convidados. Charretes e cavalos enchendo o pátio. Homens de fraque e mulheres de vestidos pomposos, estanciiros ricos e suas famílias, políticos locais, comerciantes prósperos, padre da igreja matriz, todos vindo celebrar mais um ano de vida do comendador Antônio Rodrigues da Silva.

    E todos vendo logo na entrada um escravo mulato amarrado ao pelourinho, costas destroçadas, cabeça baixa. “Que se passa ali?”, um convidado perguntou. “Um escravo que se esqueceu de seu lugar?” O comendador respondeu: “Vozregada de significado. Logo será tratado adequadamente, mas hoje é dia de festa. Entrem, entrem”. Os convidados passaram, alguns olhando Gabriel com curiosidade, outros com repulsa, a maioria com indiferença. Apenas mais um escravo sendo punido.

    Nada de extraordinário. Instalaram-se na casa. Música começou a tocar. Um quarteto de cordas contratado de Porto Alegre. Comida foi servida em abundância. Shark, vitela, pães doces, vinhos importados. O comendador circulava entre os convidados, recebendo cumprimentos, contando piadas, exibindo prosperidade.

    Ninguém perguntou por sua esposa. Era sabido que mulheres da casa não participavam sempre dos saraus. Assumiram que dona Francisca estivesse indisposta. O que não sabiam era que Francisca, naquele exato momento, estava saindo de seus aposentos através de passagem secreta que apenas ela e Benedita conheciam. Passagem construída décadas antes, quando a casa fora erguida, ligando os quartos principais à despensas através de corredor estreito nas paredes.

    Benedita aguiou pela escuridão dedos tocando as paredes de madeira. Saíram nas dispensas, onde duas outras mucamas esperavam com roupas simples, vestido de escrava, lenço cobrindo os cabelos. Não vão reconhecê-la assim, Benedita disse, ajudando-a a se vestir. Mas precisa andar curvada, olhos baixos, como nós.

    Francisca ajustou o lenço, escondendo os cabelos castanhos. olhou-se refletida em panela de cobre irreconhecível. E agora? Agora vamos até as cenzalas conversar com quem precisa ouvir. Saíram pelas portas dos fundos, misturando-se aos escravos que serviam o saral. Ninguém prestou atenção a mais uma mucama circulando.

    Chegaram à cenzalas, onde os homens das charqueadas descansavam entre turnos. Benedita reuniu seis homens. Os mais fortes, os mais inteligentes, os líderes naturais entraram em um barracão vazio. Francisca jogou o lenço para trás, revelando-se. Houve murmúrios de surpresa e medo. Silêncio. Benedita ordenou. Assim a tem proposta. Francisca olhou para aqueles homens.

     

    Músculos construídos por trabalho brutal, peles marcadas por chicotes, olhos que já não carregavam esperança. Sabia que o que estava prestes a propor era loucura. Sabia que provavelmente morreria, mas não via a alternativa. “Gabriel será morto ao pôr do sol”, ela começou. Voz firme, apesar do medo. Vocês sabem disso e sabem que se Gabriel pode ser morto, qualquer um de vocês pode, por qualquer razão, a qualquer momento.

    Os homens não responderam, mas tensão aumentou no ar. Eu amei, Gabriel. Amo Gabriel. E por isso vou ser trancada em manicômio, tratada como louca pelo resto da vida. Mas antes que isso aconteça, proponho algo. Respiração profunda. Libertem Gabriel. Tomem a casa, peguem armas, cavalos, dinheiro. Fujam todos para o Uruguai, para onde quiserem.

    Mas fujam juntos, organizados, com chance. Silêncio pesado. Então, um dos homens, Mateus, corpo enorme coberto de cicatrizes, falou: “Assimábio o que está pedindo? Sei, estou pedindo revolta, estou pedindo que arrisque em tudo. E assim há o que ganha com isso? Uma hora ao lado de Gabriel antes de morrer. É tudo que quero.

    Outro homem mais jovem chamado Paulo cuspiu no chão. Porque deveríamos confiar numa? Sua gente nos chicoteia, nos vende, nos mata. Por que ajudá-la agora? Porque não estou pedindo para me ajudarem. Francisco olhou nos olhos de cada um. Estou oferecendo me juntar a vocês. Quando atacarem, eu estarei junto. Quando fugirem, eu fugirei.

    Quando morrerem, voz tremeu. Eu morrerei. Benedita colocou a mão no ombro de Francisca. Ela fala verdade. Tratou-nos com bondade durante anos e ama Gabriel de verdade. Vi seus olhos. Não é como a outra. Sim. Ah. cheia de veneno. Os homens entreolharam-se. Comunicação silenciosa. Finalmente, Mateus acenou.

    Há 40 homens nas charqueadas, facas afiadas e todos raivosos com o que fizeram com Gabriel. Pausa. Se a está disposta a morrer conosco, morreremos tentando ser livres. Quando? Francisca perguntou. Por do sol. Quando o comendador for buscar Gabriel para a execução, atacaremos então como? Mateus sorriu sem alegria. Deixe isso conosco, Sá. Sabemos como.

    Francisca sentiu, estendeu a mão. Mateus olhou para ela surpreso, então a apertou. Aperto de iguais. Obrigado ela disse. Por tudo. Não agradeça ainda, senh provavelmente estaremos todos mortos antes da noite acabar. Francisca deixou as cenzas, escoltada novamente por Benedita, voltou para a casa pelos caminhos dos fundos, mas ao invés de retornar aos aposentos, desviou em direção ao pátio, onde Gabriel permanecia amarrado.

    Aproximou-se silenciosamente, aproveitando que todos os guardas estavam ocupados, supervisionando o saral. Ajoelhou-se atrás do pelourinho, onde não podiam vê-la, mas ele podia ouvi-la. Gabriel, sussurro baixíssimo. Ele reconheceu a voz imediatamente. Francisca, como está aqui? Não importa. Escute. Ao pôr do sol, haverá revolta.

    Os escravos vão atacar. Você será libertado. Não. Gabriel protestou. Eles vão morrer. Todos. Não vale. Vale. Ela tocou suas costas feridas levemente, sentindo-o tremer de dor. Vale cada vida. Vale a chance de liberdade. Vale eu e você termos ao menos minutos juntos antes do fim. Francisca, você não precisa fazer isso. Preciso porque te amo.

    Porque essa é a única forma de dar significado a tudo que aconteceu. Beijou suas costas gentilmente. E porque no final prefiro morrer livre do que viver escrava de mentira. Lágrimas escorreram pelo rosto de Gabriel, misturando-se ao sangue seco. Eu também te amo. Desde o primeiro dia na biblioteca. Eu sei.

    Francisca sorriu, embora ele não pudesse ver. sempre soube. Ficou ali por mais um minuto, absorvendo a presença dele, gravando na memória a sensação de tocá-lo. Então levantou-se e partiu, sabendo que a próxima vez que o visse seria em meio à violência e caos, ou nunca mais. A tarde avançou em letargia cruel. O saral continuava. Música, risadas, conversas superficiais.

    O comendador embriagava-se lentamente de vinho e adulação. Os convidados desfrutavam de luxo construído sobre sofrimento e nas cenzalas, nas charqueadas, nas despensas, uma tempestade se preparava. Às 5 da tarde, Mateus reuniu os 40 homens escolhidos, distribuiu facas escondidas em roupas, dividiu em grupos 10 para dominar os guardas, 10 para pegar armas na sala de armaria, 10 para garantir os cavalos, 10 para proteção dos que fugiriam.

    “Lembremo-nos!”, ele falou, voz grave, “Não somos assassinos. Matamos apenas quem nos atacar. Objetivo é fugir, não vingança. E assim há, alguém perguntou. Assim, vem conosco. Libertou Gabriel, foge com ele. Houve murmúrios, mas ninguém protestou. Francisca ganhara de forma improvável o respeito daqueles homens.

    Às 6 horas, Sol começou a descer no horizonte, tingindo tudo de laranja e vermelho. O comendador, cambaleante de vinho, anunciou aos convidados. Meus amigos, antes do jantar testemunharão algo especial. A justiça sendo feita. Um escravo que esqueceu seu lugar aprenderá a lembrá-lo.

    Os convidados, curiosos e meio embriagados também, seguiram-no para o pátio, onde Gabriel permanecia amarrado. Formar círculo como se fosse espetáculo. O comendador aproximou-se de Gabriel, faca na mão. Antes de te enforcar, vou garantir que nunca mais toque em mulher branca. Gabriel fechou os olhos, preparando-se para a dor final. Foi quando os gritos começaram das cenzalas.

    40 homens avançaram em corrida, facas em punho, rostos determinados, uivos de guerra de homens que não tinham mais nada a perder. O comendador virou-se confuso. Os convidados gritaram, mulheres desmaiando, homens recuando. O quê? O comendador começou. Mateus chegou primeiro, derrubando-o com soco brutal. Dois outros escravos cortaram as cordas que prendiam Gabriel, que desabou. Segurou-o antes que caísse.

    “Consegue andar?” “Consigo correr,” Gabriel respondeu, adrenalina superando a dor. Caos explodiu. Guardas sacaram armas, mas foram dominados antes que pudessem atirar. Convidados correram em pânico, pisoteando uns aos outros. Mateus e seu grupo avançaram para a armaria, quebrando portas, pegando rifles e pistolas.

    Francisca surgiu correndo das sombras, ainda vestida como escrava. Jogou-se nos braços de Gabriel. Está vivo por enquanto. Precisamos sair agora. Outro grupo trouxe cavalos já selados, 20 animais, não suficiente para 40 pessoas, mas teriam que servir. Foi quando o primeiro tiro ecoou. Um dos guardas, ferido, mas consciente, disparara.

    A bala atingiu Paulo no peito. Ele caiu, olhos arregalados de surpresa, sangue espalhando-se rapidamente. Paulo! Mateus gritou, ajoelhando-se ao lado do jovem. Vivai! Paulo sussurrou, sangue borbulhando dos lábios. Foge por mim. morreu antes de terminar a frase. A morte do primeiro quebrou algo nos outros. Não era mais revolta controlada, era guerra.

    Três escravos avançaram sobre o guarda que atirara, facas descendo repetidamente. Quando terminaram, o homem não era mais reconhecível. “Parem!” Mateus rugiu: “Não somos como eles, mas era tarde. Sangue chamava sangue. Mais guardas chegavam correndo da periferia da propriedade, mais tiros. Dois escravos caíram, um cavalo relinchando de dor quando uma bala acertou seu flanco.

    Montém! Francisca! Gritou! Não há tempo. Gabriel, ignorando as costas em fogo, montou, puxando Francisca para cima do cavalo. Mateus e outros fizeram o mesmo. Alguns cavalos carregando dois ou três homens. “E outros?”, Benedita gritou, apontando para os escravos sem montaria.

    Sigam a pé”, Mateus ordenou: “Encontrem-se conosco na divisa com o Uruguai, cidade de Jaguarão. Há abolicionistas lá.” Esporearam os cavalos, explodindo do pátio em galope desesperado. 20 pessoas em 20 cavalos buscando liberdade ou morte tentando. Atrás deles, a estância Santa Rita queimava literalmente. No caos tochas haviam sido derrubadas.

    Fogo espalhava-se rapidamente pela casa grande, pelas cenzalas, pelos galpões. O comendador, ensanguentado, mas vivo, assistia seu império virar cinzas. viu sua esposa fugindo nas costas de um escravo. Viu tudo que construíra desmoronando e em seus aposentos, Mariana observava pelas janelas gradeadas o inferno que causara, lágrimas escorrendo, sabendo que sairia viva, mas carregaria culpa até morrer.

    Os fugitivos cavalgaram a noite toda, cavalos exaustos, espuma gotejando das bocas, pessoas feridas sangrando, mas sem parar. Não podiam parar. Capitães do mato logo estariam em seus rastros. Amanhecer encontrou-os a 40 km de pelotas próximos à fronteira. Alguns cavalos mancavam. Três pessoas haviam caído durante a noite, machucadas demais para continuar, dizendo aos outros para seguir em frente.

    Gabriel e Francisca cavalgavam juntos. Ela segura contra o peito dele, apesar da dor das costas feridas. Não haviam falado muito durante a fuga. Não havia necessidade. Estavam juntos, vivos, por enquanto suficiente. Olhe, Mateus apontou, Jaguarão e além, Uruguai.

    A pequena cidade fronteiriça se estendia à distância, e, além dela, do outro lado do rio Jaguarão, a promessa de liberdade, mas entre eles e a fronteira, uma linha de homens armados, capitães do mato, capangas do comendador, talvez 30 homens, rifles apontados e à frente de todos o próprio comendador Antônio Rodrigues da Silva. Os fugitivos pararam a 100 m de distância, não havia para onde ir.

    cerrados entre os perseguidores e a fronteira, o comendador cavalgou lentamente até ficar no meio termo entre os dois grupos. Voz carregando pela manhã silenciosa: “Fancisca, é sua última chance. Volte agora! Esquecerei tudo. Te tratarei como esposa merece ser tratada.” Francisca olhou para Gabriel, depois para o marido.

    Decisão iluminou seus olhos, desmontou do cavalo, caminhou em direção ao comendador. Gabriel tentou segurá-la, mas ela se soltou. Não. Gabriel sussurrou. Francisca parou a poucos metros do comendador. Olhou para o homem com quem fora casada por 16 anos. O homem que a tratara como propriedade, o homem que destruíra tudo.

    “Você está certo?” Ela disse autossuficiente para todos ouvirem. “Merece ser tratada como esposa merece”. Virou-se de costas para ele, caminhou de volta para Gabriel, montou novamente. Eu escolho ele. Escolho liberdade. Escolho amor. Escolho dignidade. Olhou o comendador uma última vez.

    e escolho nunca mais viver na gaiola que você construiu. O rosto do comendador contorceu-se em ódio puro. Então morrerão juntos. Ergueu a mão para ordenar o ataque. Foi quando o tiro veio da direção oposta. Um dos capitães do mato caiu, bala no peito. Depois outro. Depois mais dois. Da cidade de Jaguarão. Um grupo de homens armados emergia.

    abolicionistas, quilombolas, escravos libertos que formavam rede clandestina de ajuda. “Corram”, alguém gritou dos abolicionistas. “Cruzem o rio, estarão seguros no outro lado.” Os fugitivos não precisaram de segundo convite. Esporearam os cavalos exaustos em direção ao rio. Tiros explodiam de ambos os lados. Agora, perseguidores contra abolicionistas. Caos de nova batalha.

    Gabriel segurou Francisca firme enquanto o cavalo entrava no rio. Água fria até o peito, correnteza forte, o animal lutando para não ser levado. Outros cavalos ao redor, alguns conseguindo, alguns sendo levados pela correnteza, cavaleiros lutando para nadar, tiros ainda ecoando atrás deles e então milagrosamente patas tocando fundo novamente, subindo à margem oposta. Uruguai, terra estrangeira, terra livre.

    Gabriel e Francisca desabaram do cavalo caindo na grama, respirando pesadamente, olhando para trás através do rio. Do outro lado, o comendador estava na margem, fuzil em mãos apontando. Por um momento, Gabriel achou que atiraria, mas o homem apenas ficou ali impotente, assistindo sua propriedade. Esposa e escravo, escaparem para sempre.

    Depois virou-se e partiu. Derrotado, quebrado. De 20 cavalos que começaram, apenas 12 cruzaram o rio. Oito pessoas perdidas, mortas ou capturadas. Mas 12 sobreviveram. 12 conseguiram o impossível. Mateus ajoelhou-se na grama, beijando a terra. Livres! Finalmente livres! Francisca virou-se nos braços de Gabriel, olhou para seu rosto, sangrando, machucado, exausto, mas vivo, beijou-o profundamente, não se importando com quem via.

    “Conseguimos”, ela sussurrou contra seus lábios. “Conseguimos,”, ele concordou. “Sabiam que o futuro seria difícil. Estranhos em terra estranha, sem dinheiro, sem família, sem nada além uns dos outros. sabiam que o comendador tentaria pegá-los, mandaria agentes caçadores de recompensa. Sabiam que sempre olhariam para trás com medo, mas naquele momento, molhados e exaustos na margem uruguaia do rio Jaguarão, eram livres e juntos. E era tudo que importava.

    Esta história real nos mostra o preço brutal da transgressão social. Se você está sentindo a injustiça deste sistema, compartilhe. Histórias como esta revelam à humanidade que o racismo tentava negar. 3 anos depois, 1857, Montevidel, Uruguai. A pequena casa na periferia da cidade tinha paredes caiadas e telhado de telhas vermelhas, dois quartos, cozinha simples, quintal onde cresciam hortaliças, modesta, mas digna e inteiramente deles.

    Gabriel trabalhava como professor em escola para filhos de escravos fugidos e libertos. Ensinava português, matemática, história. Pagamento era pouco, mas suficiente. E, pela primeira vez na vida, era tratado com respeito. Senr. Gabriel, chamavam-no. Senhor. Francisca costurava e bordava para famílias uruguaias ricas.

    Descobrira que suas habilidades de Sinhá tinham valor no mundo livre. Também ensinava francês para crianças da elite local. O dinheiro complementava-o de Gabriel. viviam simplesmente, mas sem fome, sem medo, sem correntes visíveis ou invisíveis. À noite, deitavam-se juntos na cama estreita, corpos entrelaçados, conversando sobre o dia, sobre o futuro, sobre os filhos que talvez tivessem um dia.

    As costas de Gabriel cicatrizaram, mas deixaram marcas. Francisca traçava os sucos com dedos gentis, lágrimas nos olhos cada vez que via. Gabriel segurava sua mão, beijava seus dedos, dizia que valera a pena. Cada cicatriz era símbolo de liberdade conquistada. Dos 12 que cruzaram o rio, oito permaneceram em Montevidel.

    Mateus abriu pequena oficina de ferreiro. Benedita trabalhava como parteira. Formaram comunidade, família escolhida, substituindo a biológica perdida. Notícias do Brasil chegavam ocasionalmente. A estância Santa Rita fora reconstruída parcialmente, mas nunca recuperou o prestígio.

    O comendador tornara-se recluso, bebendo-se até a morte 3 anos após a fuga. Morrera sozinho, sem herdeiros, propriedade confiscada por dívidas. Mariana fora enviada para convento após o escândalo. Diziam que enlouquecera de remorço, passando dias inteiros rezando e chorando. Morrera em 1856. Febre que os médicos não conseguiram curar. Últimas palavras foram supostamente pedido de perdão a Gabriel e Francisca.

    Francisca chorou quando soube, não de tristeza, mas de alívio. O último fantasma do passado enterrado, o último fio cortado. “Deveria perdoá-la?”, perguntou a Gabriel. “Já perdoou?”, Ele respondeu: “No momento em que escolheu fugir, ao invés de odiar, foi ela que destruiu tudo. Não foi o sistema que destruiu tudo. Mariana foi apenas instrumento. Gabriel olhou pela janela para o céu azul de Montevidel.

    Sistema que transforma pessoas em propriedade, que nega humanidade, que pune amor. Esse é o verdadeiro inimigo.” Francisca abraçou-o por trás. rosto contra suas costas cicatrizadas. Quando a escravidão acabar no Brasil, não sei, mas acabará. Tem que acabar. Nenhum sistema construído sobre crueldade dura para sempre. Estavam certos.

    31 anos depois, em 1888, a lei Áurea seria assinada. Escravidão abolida oficialmente, mas Gabriel e Francisca não viveriam para ver. Em 1862, febre amarela varreu Monte Videl. Matou milhares, matou Mateus, matou Benedita, matou Gabriel. Ele adoeceu em abril, febre alta, delírios.

    Francisca cuidou dele noite e dia, aplicando com pressas frias, forçando-o a beber água, mas não havia cura. A medicina da época era impotente contra a doença. Numa noite de maio, deitado na cama estreita, suor encharcando os lençóis, Gabriel segurou a mão de Francisca. “Não se arrepende”, ele sussurrou, voz fraca.

    “De quê?” “De tudo, do escândalo, da fuga, desta vida difícil?” Francisca beijou seus dedos, queimando de febre. Arrependo-me apenas de não termos fugido mais cedo, de termos desperdiçado meses em medo quando podíamos ter estado juntos. “Te amo,” Gabriel disse, “desde aquele primeiro dia na biblioteca.” “Eu sei, sempre soube.” Francisca sorriu através das lágrimas.

    “E eu te amo até o último suspiro e além”. Foram as últimas palavras que trocaram. Gabriel fechou os olhos e não os abriu novamente. Parou de respirar às 3 da manhã, mão ainda entrelaçada na dela. Francisca ficou ali segurando-o até o amanhecer. Depois chamou vizinhos. Prepararam o corpo. Enterraram-no cemitério para estrangeiros. Pequena cruz de madeira com o nome mal grafado.

    Francisca viveu mais 19 anos. Nunca se casou novamente, nunca amou novamente. Continuou ensinando, costurando, sobrevivendo. Visitava o túmulo de Gabriel todas as semanas, levando flores, contando sobre seu dia, mantendo conversa unilateral, como se ele ainda estivesse ali. Em 1881, aos 62 anos, teve ataque do coração.

    Morreu instantaneamente, sozinha em casa. Vizinhos encontraram seu corpo dois dias depois. Enterraram-na ao lado de Gabriel, mesma cruz simples de madeira, nenhum sobrenome, apenas Francisca Amada. Com o tempo, as cruzes apodreceram, as sepulturas foram esquecidas, a pequena casa foi demolida para dar lugar a edifício. A escola onde Gabriel ensinou fechou.

    As pessoas que os conheceram morreram. A história de Gabriel e Francisca desapareceu, como tantas outras histórias de amor impossível daquela época. Mas nas famílias de escravos fugidos que se estabeleceram no Uruguai, a história foi passada oralmente. A voz contavam para netos.

    Houve uma vez uma branca e um escravo que amaram tanto que desafiaram o mundo inteiro. Nos quilombos do Brasil, a história de Mateus e dos 40 foi cantada. Houve uma vez homens que escolheram morrer livres, ao invés de viver acorrentados. E em Pelotas, nas rodas de chimarrão das famílias antigas, a história do escândalo da Estância Santa Rita era sussurrada com mistura de horror e fascínio. Houve uma vez uma mulher da elite que jogou tudo fora por amor a um escravo.

    Versões diferentes, detalhes mudados, mas essência permanecendo. Duas pessoas que amaram quando amar era crime, que escolheram um ao outro quando sociedade exigia separação, que preferiram liberdade difícil a conforto de correntes. A história de Gabriel e Francisca nos mostra que a humanidade e o amor sempre encontraram formas de existir, mesmo nos sistemas mais opressivos.

    Se você quer ver mais histórias assim, inscreva-se no canal e ative o sininho. Deixe nos comentários qual história você quer ver a seguir, porque histórias como estas, de amor, coragem e resistência são as verdadeiras raízes do Brasil. Não as versões sanitizadas dos livros oficiais, mas as narrativas humanas cruas que revelam quem realmente fomos e talvez quem ainda podemos nos tornar.

    A Estância Santa Rita hoje é ruína parcialmente reconstruída, patrimônio histórico estadual. Turistas visitam, tiram fotos, ouvem versão oficial. Importante centro de produção de Shark no século XIX. Ninguém menciona o escândalo. Ninguém fala de Gabriel e Francisca. Ninguém conta sobre a revolta.

    Mas se você olhar com atenção, ainda pode ver no pátio as marcas onde o pelourinho ficava. Ainda pode encontrar nas fundações queimadas da antiga casa grande os vestígios do incêndio. Ainda pode imaginar se fechar os olhos os gritos daquela noite de junho de 1854. Histórias não morrem completamente, apenas adormecem esperando alguém as acordar.

    Esta foi uma delas, a história de amor impossível entre escravo e siná, que gerou o maior escândalo que o Rio Grande do Sul já viu. História de paixão e revolta, de liberdade e sacrifício, de humanidade persistindo onde deveria ser impossível. E como todas as grandes histórias de amor, terminou em tragédia e transcendência.

    Gabriel e Francisca morreram jovens, longe de casa, sem reconhecimento ou glória, mas morreram livres, morreram amados. E no fim, talvez seja tudo o que qualquer um de nós pode esperar. M.

  • (1920, Niterói) O Arrepiante Caso de Clara Fonseca

    (1920, Niterói) O Arrepiante Caso de Clara Fonseca

    No outono de 1920, quando as primeiras brisas frias começavam a soprar pelas encostas da então pacata cidade de Niterói, no estado do Rio de Janeiro, um evento aparentemente comum mudaria para sempre o destino de uma família respeitada da região central. A residência de número 47 da Rua da Conceição, uma construção colonial de dois pavimentos com azulejos portugueses nas fachadas. abrigava os Fonseca a três gerações.

    Era uma dessas casas que pareciam crescer com o tempo, acumulando cômodos, histórias e silêncios em suas paredes de pedra. Benedito Fonseca, comerciante de 62 anos, havia herdado do pai não apenas a casa, mas também um próspero negócio de importação de tecidos finos que atendia as famílias abastadas da capital federal.

    Casado com Hermínia Fonseca de 58 anos, o casal criara quatro filhos naquelas paredes que ecoavam com risos durante os domingos familiares. Dos quatro filhos, três já haviam constituído suas próprias famílias e se mudado para casas próximas, mantendo a tradição de almoços dominicais na casa paterna. Apenas Clara Fonseca, a caçula de 22 anos, permanecia sob o teto paterno. Clara era descrita pelos vizinhos como uma jovem de temperamento reservado, mas não reclusa.

    Possuía uma beleza discreta, com cabelos castanhos sempre presos em coques elaborados e olhos escuros, que alguns consideravam demasiadamente penetrantes para uma moça de sua idade. Diferentemente das outras jovens da vizinhança, Clara nunca demonstrou interesse particular em pretendentes, preferindo dedicar suas tardes à leitura e aos bordados que executava com maestria impressionante.

    Sua mãe, Hermínia, frequentemente comentava com as amigas da igreja que Clara possuía dedos abençoados para o trabalho com linhas e agulhas. A rotina da casa seguia um padrão estabelecido há décadas. Benedito saía todas as manhãs às 7 horas em direção ao seu escritório na rua 15 de novembro. Retornando invariavelmente às 5 da tarde, Hermínia dedicava suas manhãs aos afazeres domésticos e as visitas sociais, sempre acompanhada por Clara quando se tratava de compromissos na igreja ou em casas de parentes.

    As tardes eram reservadas aos bordados que as duas mulheres executavam na sala de estar, próximas à janela que dava para o pequeno jardim interno da casa. O jardim, aliás, era motivo de orgulho particular de Hermínia. Em um espaço não maior que 20 m qu, ela cultivava jasms, rosas brancas e uma pequena horta de ervas aromáticas que utilizava na cozinha.

    Uma palmeira imperial plantada pelo sogro de Benedito ainda nos primeiros anos da casa dominava o centro do jardim, criando uma sombra agradável durante os dias mais quentes. Era comum encontrar Clara sentada sob essa palmeira nas manhãs de sábado, lendo os romances franceses que tomava emprestado da biblioteca municipal.

    Os vizinhos da rua da Conceição conheciam bem os ritmos da casa dos Fonseca. A janela da sala de estar permanecia sempre aberta durante as tardes, permitindo que os sons dos bordados, o arrastar suave das cadeiras, o murmúrio ocasional de conversas entre mãe e filha, o tilintar das xícaras de chá às 4 horas se tornassem parte da paisagem sonora da rua.

    Dona Eulália Santos, que residia na casa de número 45, costumava ajustar seus próprios afazeres pelo som das atividades dos vizinhos. Quando ouvia o ranger da portinhola de ferro, que dava acesso ao jardim, sabia que eram 5:30 e que Benedito acabara de chegar do trabalho. A casa em si possuía particularidades arquitetônicas que a distinguiam das demais construções da rua.

    O térreo abrigava uma sala ampla, a sala de jantar, a cozinha e uma pequena despensa. Uma escada de madeira de lei com corrimão trabalhado em ferro levava ao segundo pavimento, onde se encontravam três quartos e um pequeno escritório que Benedito utilizava para os negócios da família.

    O quarto de Clara ficava na parte dos fundos da casa, com uma janela que dava diretamente para o jardim interno. Era um cômodo de dimensões modestas, mas arejado, decorado com móveis de jacarandá que pertenceram à avó paterna da jovem. O porão da casa escavado diretamente na rocha sobre a qual a construção se erguia, servia como depósito para os tecidos que Benedito comercializava.

    Era um ambiente naturalmente fresco e seco, ideal para a preservação dos materiais delicados. O acesso se fazia através de uma escada estreita que descia da despensa e apenas Benedito possuía a chave do cadeado que protegia a porta de ferro forjado. Clara, desde pequena, demonstrava uma aversão inexplicável àele espaço, recusando-se terminantemente a descer as escadas, mesmo quando a mãe precisava de ajuda para buscar algum tecido específico.

     

    Durante o inverno de 1920, alguns vizinhos começaram a notar mudanças sutis na rotina da casa dos Fonseca. A janela da sala de estar, que tradicionalmente permanecia aberta durante as tardes, passou a ficar fechada com mais frequência. Os sons dos bordados, antes tão regulares, tornaram-se esporádicos. Dona Eulália, sempre atenta aos movimentos da vizinhança, comentou com outras moradoras da rua que não ouvia mais as conversas entre mãe e filha durante as sessões de costura.

    Benedito mantinha seus horários com a mesma pontualidade de sempre, mas alguns conhecidos notaram que o comerciante parecia mais Ty turn durante as conversas casuais no centro da cidade. Quando questionado sobre a família, respondia com monossilábicos ou mudava rapidamente de assunto. Mía, por sua vez, reduziu drasticamente suas saídas sociais, cancelando compromissos na igreja e visitas aparentes, sem oferecer explicações detalhadas.

    Clara, que já era reservada por natureza, tornou-se praticamente invisível na vizinhança. As raras vezes em que era vista, sempre acompanhada pela mãe em trajetos curtos até a igreja ou o mercado municipal, apresentava uma palidez que chamava atenção. Seus olhos, antes descritos como penetrantes, pareciam constantemente desviados para o chão, como se evitasse qualquer contato visual com as pessoas que cumprimentava.

    A mudança mais significativa, entretanto, foi notada pelo pároco da Igreja do Santíssimo Sacramento, padre Antônio Marques, de 61 anos. A família Fonseca frequentava a missa dominical das 9 horas a mais de 20 anos, ocupando sempre o mesmo banco na terceira fileira do lado direito da nave. Durante os meses de maio e junho de 1920, Padre Antônio observou que Clara passou a acompanhar os pais apenas esporadicamente e quando estava presente, mantinha-se de cabeça baixa durante toda a celebração, inclusive nos momentos de canto coletivo, quando tradicionalmente erguia a voz com notável afinação. Em julho daquele ano,

    um evento aparentemente insignificante chamou a atenção de dona Eulália Santos. Era uma quinta-feira pela manhã, por volta das 10 horas, quando ela ouviu gritos vindos da casa dos Fonseca. Não eram gritos de dor ou desespero, mas algo que ela descreveria posteriormente como um som de discussão muito alta, como se alguém estivesse sendo repreendido severamente.

    Os gritos cessaram abruptamente após alguns minutos e a casa voltou ao silêncio que se tornara sua característica nos últimos meses. No dia seguinte, sexta-feira, dona Eulia notou algo incomum. A janela do quarto de Clara, que habitualmente permanecia entreaberta durante as manhãs para arejar o cômodo, estava fechada e as cortinas corridas.

    Mais estranho ainda, permaneceu assim durante todo o final de semana. Na segunda-feira seguinte, quando a vizinha foi até o pequeno mercado da rua São João para fazer suas compras semanais, encontrou Hermínia Fonseca escolhendo legumes, com uma expressão que ela descreveria como de quem carrega um peso nas costas.

    Hermínia, sempre cordial e disposta a conversas breves sobre o tempo ou os preços dos alimentos, limitou-se a cumprimentar dona Eulália com um aceno de cabeça e saiu rapidamente do estabelecimento após efetuar suas compras. O comerciante, Senr. Joaquim Barbosa, comentou posteriormente que Hermínia parecia diferente, como se tivesse envelhecido alguns anos em poucos meses.

    Durante o mês de agosto, os filhos mais velhos de Benedito e Hermínia, Roberto de 32 anos, Alberto de 30 anos e Maria José, de 28 anos, começaram a aparecer na casa paterna com maior frequência. Roberto, que trabalhava como escrivão no cartório municipal, costumava almoçar na casa dos pais apenas aos domingos.

    Passou, entretanto, a fazer visitas durante a semana, sempre no final da tarde, permanecendo por períodos que dona Eulália calculava em cerca de uma hora. Alberto, que havia aberto um pequeno comércio de ferragens na rua Visconde do Rio Branco, também intensificou suas visitas. Diferentemente do irmão que chegava sozinho, Alberto frequentemente trazia consigo sua esposa, Conceição e os dois filhos pequenos.

    As crianças, antes barulhentas e brincalhonas durante as visitas dominicais, pareciam agora mais contidas, brincando sempre próximas aos pais e evitando correr pelos cômodos da casa, como faziam anteriormente. Maria José, casada com um funcionário dos Correios e moradora da vizinha São Gonçalo, passou a cruzar a Bahia com uma regularidade que chamava a atenção.

    Sua sogra, dona Carmen Ribeiro, comentou com outras freguesas da farmácia, onde costumava comprar os remédios para o marido, que Maria José parecia preocupada com alguma coisa na família, mas não falava sobre o assunto. Foi durante uma dessas visitas familiares mais frequentes que ocorreu o primeiro incidente que seria posteriormente documentado.

    Na tarde de 23 de agosto, uma terça-feira particularmente quente, Roberto Fonseca saiu da casa dos pais com uma expressão de perturbação evidente. Dona Eulália, que regava as plantas de sua pequena varanda na frente da casa, observou que o jovem parou na calçada por alguns momentos, como se tentasse decidir que direção tomar antes de caminhar rapidamente em direção ao centro da cidade.

    No dia seguinte, Alberto chegou à casa paterna, acompanhado de uma pessoa que dona Eulália não reconheceu, um homem de meia idade, vestindo um terno escuro e carregando uma pequena valize de couro. O desconhecido permaneceu na casa por aproximadamente 2 horas, saindo acompanhado por Benedito, que o escoltou até a esquina da rua da Conceição, com a rua General Andrade Neves.

    A partir da janela de seu quarto, dona Eulália conseguiu observar que os dois homens mantiveram uma conversa breve antes de se despedirem com um aperto de mãos. Nos dias subsequentes, a casa dos Fonseca retornou ao silêncio que a caracterizava desde o início do inverno. A janela de Clara permanecia fechada.

    Os sons dos bordados haviam cessado completamente e mesmo Benedito parecia ter alterado ligeiramente sua rotina, chegando em casa alguns minutos mais tarde que o habitual, Hermínia praticamente desapareceu das ruas da vizinhança, sendo vista apenas durante trajetos rápidos entre a casa e a igreja nas manhãs de domingo. O mês de setembro trouxe uma mudança climática acentuada.

    As chuvas de primavera começaram mais cedo que o habitual, e os moradores da rua da Conceição passaram a manter janelas e portas fechadas com maior frequência. Foi durante uma dessas tardes chuvosas que dona Eulália percebeu algo que a intrigaria por muito tempo. Por volta das 4 horas da tarde de uma quinta-feira, ela ouviu o som inconfundível da portinhola do jardim dos Fonseca.

    sendo aberta e fechada repetidas vezes, como se alguém estivesse entrando e saindo do quintal com frequência. O som persistiu por cerca de 15 minutos, sempre com o mesmo padrão, abertura, pausa breve, fechamento, seguido de alguns segundos de silêncio antes de recomeçar. Movida pela curiosidade, dona Eulália subiu ao pequeno sótam de sua casa, de onde tinha uma visão parcial do jardim dos vizinhos. O que viu a deixou intrigada.

    Benedito caminhava em círculos sob a palmeira imperial, carregando o que parecia ser uma pá pequena. A cada volta completa, ele se dirigia até a portinhola. A abria, olhava para a rua e retornava ao centro do jardim para recomeçar o percurso circular. Essa rotina de caminhadas circulares no jardim tornou-se um padrão quase diário durante as semanas seguintes.

    Sempre no mesmo horário, sempre com a mesma duração, sempre executada apenas por Benedito. Hermínia e Clara pareciam ter desaparecido completamente da vida social da casa. A própria missa dominical na Igreja do Santíssimo Sacramento passou a contar apenas com a presença de Benedito, que se sentava sozinho no banco familiar e participava da celebração com uma concentração que Padre Antônio descreveria posteriormente como intensa, mas perturbada.

    Em outubro, os primeiros sinais de que algo definitivamente não estava bem na casa dos Fonseca tornaram-se impossíveis de ignorar. A correspondência começou a se acumular na caixa de madeira fixada no portão de ferro. Cartas, jornais e alguns pequenos pacotes permaneciam sem ser recolhidos por dias consecutivos.

    Algo completamente fora do padrão de uma família que sempre foi meticulosa com os compromissos. e correspondências. Senr. Joaquim Barbosa, do mercado da rua São João, comentou com alguns fregueses que os Fonseca haviam reduzido drasticamente suas compras.

    Hermínia, que tradicionalmente adquiria provisões para uma semana inteira durante suas visitas semanais, passou a comprar quantidades pequenas e aparentemente aleatórias de alimentos. Às vezes era só um pouco de farinha e açúcar, relataria posteriormente o comerciante. Outras vezes apenas alguns legumes, como se estivesse comprando para uma pessoa só, não para uma família.

    A situação se tornaria ainda mais intrigante quando Roberto Fonseca procurou o padre Antônio Marques para uma conversa reservada. O encontro aconteceu na sacristia da Igreja após a missa de domingo, no dia 15 de outubro. Segundo anotações posteriormente encontradas no diário pessoal do pároco, Roberto parecia extremamente agitado e relutante em falar claramente sobre o que o incomodava.

    A conversa, que durou cerca de 40 minutos, foi descrita pelo padre como confusa e cheia de insinuações que não consegui compreender completamente. Roberto teria perguntado ao padre sobre a natureza do perdão divino para situações que fogem ao controle humano e se existiam pecados tão graves que nem mesmo a confissão poderia absolver.

    Padre Antônio, experiente em conversas delicadas devido a seus 40 anos de sacerdócio, tentou conduzir Roberto a uma confissão formal, mas o jovem recusou-se, alegando que não era ele quem precisava do sacramento, mas não podia falar pelos outros.

    Antes de partir, Roberto fez uma pergunta que ficaria gravada na memória do pároco. Padre, o senhor acredita que algumas situações podem ser tão graves que a única solução seja o silêncio completo, mesmo que esse silêncio cause sofrimento a pessoas inocentes. Padre Antônio tentou obter mais detalhes, mas Roberto despediu-se abruptamente, prometendo retornar quando as coisas estivessem mais definidas. Essa conversa jamais aconteceu.

    Roberto não retornou à igreja nas semanas seguintes e quando o padre tentou visitá-lo em sua casa, na rua Miguel de Frias, foi informado pela esposa que Roberto havia viajado a trabalho para a capital federal e permaneceria ausente por tempo indeterminado. Durante a terceira semana de outubro, Alberto também desapareceu da rotina familiar.

    Seu comércio de ferragens permaneceu fechado por três dias consecutivos sem explicação, com apenas um bilhete manuscrito na porta, informando que o estabelecimento retomaria as atividades em breve. Quando finalmente reabriu, Alberto parecia uma pessoa diferente. Clientes habituais notaram que ele havia emagrecido visivelmente e que evitava conversas prolongadas, limitando-se ao estritamente necessário para efetuar as vendas.

    Maria José, por sua vez, cessou completamente suas visitas à casa paterna. Sua sogra, dona Carmen, comentaria posteriormente que a jovem havia mencionado problemas familiares graves que precisavam ser resolvidos entre os irmãos, mas sem fornecer detalhes específicos. A própria Maria José passou a demonstrar sinais de tensão nervosa, sendo vista pelo médico local, Dr.

    Raul Tavares, que lhe receitou um tônico para os nervos e repouso absoluto. Foi nesse contexto de silêncios e ausências que ocorreu o evento que transformaria definitivamente a situação da família Fonseca em um mistério que perduraria por décadas. Na manhã de 30 de outubro de 1920, uma sexta-feira de céu nublado e vento forte vindo da Bahia, dona Eulália Santos foi despertada por um som que jamais havia escutado antes na rua da Conceição.

    Eram aproximadamente 5:30 da manhã, quando um grito prolongado e agudo atravessou o ar matinal. Não era um grito de dor física, mas algo que ela descreveria como um som de desespero puro, como se alguém tivesse descoberto algo terrível. O grito cessou abruptamente, seguido por um silêncio que pareceu se estender por uma eternidade. Dona Eulália levantou-se imediatamente e dirigiu-se à janela que dava para a rua.

    A casa dos Fonseca estava completamente às escuras, sem nenhuma luz acesa em qualquer dos cômodos. O jardim, visível apenas pela claridade difusa do amanhecer, parecia normal. A portinhola estava fechada. A palmeira imperial balançava suavemente com o vento e nada indicava qualquer perturbação. Durante os minutos seguintes, dona Eulália permaneceu observando, esperando por algum movimento ou luz.

    que explicasse o grito que havia ouvido. Nada aconteceu. A casa permaneceu em silêncio absoluto, como se estivesse desabitada. Às 6 horas, horário em que Benedito habitualmente iniciava seus preparativos matinais, nenhum som emergiu da residência.

    Às 7 horas, quando o comerciante deveria estar saindo para o trabalho, a porta principal da casa continuava fechada. Dona Eulália, preocupada e intrigada, decidiu realizar suas tarefas domésticas matinais próxima à janela que dava para a rua, mantendo a casa dos Fonseca sob observação discreta. Às 8 horas da manhã, ainda sem qualquer movimento na casa vizinha, dona Eulália tomou uma decisão.

    Vestiu seu melhor vestido, arrumou os cabelos cuidadosamente e atravessou a rua com a intenção de verificar se tudo estava bem com a família. Aproximou-se do portão de ferro e chamou por Hermínia, como era costume entre as vizinhas quando se tratava de questões domésticas. Nenhuma resposta. chamou novamente, desta vez com voz mais alta, mencionando que havia alguns assuntos da igreja para discutir.

    O silêncio persistiu. Finalmente, após alguns minutos de hesitação, dona Eulália empurrou suavemente o portão de ferro. Para sua surpresa, não estava trancado. Caminhou pelo pequeno corredor que levava à porta principal da casa, observando que o jardim estava impecavelmente cuidado, como sempre. As rosas brancas desabrochavam em toda sua exuberância.

    Os jasmins exalavam o perfume intenso e a grama aparentava ter sido cortada recentemente. Tudo parecia normal, exceto pelo silêncio absoluto que emanava da casa. Bateu a porta principal com os nós dos dedos suavemente primeiro, depois com mais insistência. Chamou pelos nomes de Benedito, Hermínia e Clara, sem obter resposta.

    Tentou girar a maçaneta da porta, mas estava trancada. caminhou ao redor da casa, verificando as janelas do téro, todas fechadas e com cortinas corridas. Foi quando se dirigia à parte dos fundos da casa, que dona Eulália notou algo que a deixaria profundamente perturbada. A portinhola que dava acesso ao jardim interno estava entreaberta, balançando suavemente com o vento.

    Aproximou-se e empurrou-a completamente, revelando o pequeno espaço verde que conhecia bem através das observações de sua janela. O jardim estava em perfeito estado de conservação, mas havia algo diferente. Sob a palmeira imperial, exatamente no local onde havia observado Benedito caminhando em círculos durante as tardes chuvosas de setembro, a Terra apresentava sinais evidentes de ter sido movimentada recentemente.

    Não se tratava de um buraco ou escavação, mas a grama estava ligeiramente mais baixa naquele ponto e o solo parecia ter sido compactado de maneira artificial. Dona Eulália permaneceu alguns minutos observando aquela pequena área, tentando compreender o que poderia ter causado aquela alteração.

    Foi quando notou que uma das janelas do segundo pavimento, a janela do quarto de Clara, estava entreaberta, com a cortina se movimentando levemente com a brisa matinal. Chamou pelo nome de Clara, dirigindo a voz para aquela janela. aguardou alguns instantes e repetiu o chamado.

     

    Da terceira vez teve a impressão de ter visto o movimento atrás da cortina, como se alguém se aproximasse da janela e recuasse imediatamente, mas não houve resposta verbal. Decidindo que havia ultrapassado os limites da educação social, dona Eulália saiu do jardim e retornou à sua casa. Durante todo o dia, manteve observação discreta sobre a residência dos Fonseca. Não houve movimento algum. Nenhuma luz foi acesa durante a noite.

    Nenhuma pessoa entrou ou saiu da casa e o silêncio permaneceu absoluto. No sábado seguinte, a situação permanecia inalterada. Dona Eulália, cada vez mais preocupada, decidiu procurar Roberto Fonseca em sua casa, na rua Miguel de Frias. A esposa de Roberto, Antônia, uma jovem de 26 anos, conhecida por sua cordialidade, recebeu a vizinha com uma expressão que ela descreveria posteriormente como de quem espera notícias ruins.

    Antônia confirmou que Roberto havia viajado para a capital federal por questões de trabalho e que não tinha previsão de retorno. Quando dona Eulallia mencionou a estranha quietude da casa dos pais de Roberto, a jovem pareceu ficar visivelmente nervosa. Alegou não saber de nada específico, mas sugeriu que dona Eulália procurasse Alberto ou Maria José se estivesse realmente preocupada. A visita ao comércio de ferragens de Alberto foi igualmente insatisfatória.

    O jovem, que havia emagrecido ainda mais desde a última vez que dona Eulalia o havia visto, afirmou que seus pais estavam passando por um período de reclusão voluntária e que não desejavam visitas ou perturbações. Quando questionado sobre Clara, Alberto respondeu apenas que ela estava bem, mas precisava de tranquilidade.

    Dona Eulália, não convencida pelas explicações vagas, decidiu procurar padre Antônio Marques. O pároco, após ouvir o relato da vizinha preocupada, concordou em acompanhá-la até a casa dos Fonseca para uma visita pastoral. Era domingo à tarde, quando os dois se dirigiram à rua da Conceição. Padre Antônio bateu a porta com autoridade, identificando-se claramente e solicitando permissão para uma conversa com a família.

    Após alguns minutos de silêncio, ouviram passos lentos se aproximando. A porta foi entreaberta, revelando Hermínia Fonseca em um estado que chocou tanto o padre quanto dona Eulália. A mulher havia envelhecido visivelmente em questão de semanas. Seus cabelos, sempre impecavelmente penteados, estavam desalinhados e com mechas grisalhas que não existiam anteriormente.

    Sua pele apresentava uma palidez extrema e seus olhos estavam inchados, como se houvesse chorado intensamente por períodos prolongados. Hermínia cumprimentou o padre com deferência, mas manteve a porta apenas entreaberta. claramente não convidando os visitantes a entrar. Padre Antônio perguntou sobre a ausência da família na missa dominical e sobre o bem-estar de todos os moradores da casa.

    Hermínia respondeu com voz baixa e trêmula, que a família estava atravessando dificuldades particulares que exigiam recolhimento e oração. Quando o padre perguntou especificamente sobre Clara, Hermínia hesitou visivelmente antes de responder que a filha estava indisposta, mas recebendo todos os cuidados necessários.

    Padre Antônio solicitou permissão para visitá-la e oferecer os confortos espirituais adequados, mas Hermínia recusou educadamente, alegando que Clara precisava de silêncio absoluto para sua recuperação. A conversa durou apenas alguns minutos e Hermínia despediu-se dos visitantes com uma pressa evidente.

    Antes de fechar a porta, entretanto, Padre Antônio notou algo que o intrigaria profundamente. Atrás de Hermínia, na penumbra do corredor interno da casa, distinguiu a silhueta de um homem que parecia observar a conversa. Pela altura e compleição física, deduziu tratar-se de Benedito, mas não conseguiu vê-lo claramente antes de a porta ser fechada.

    Nos dias seguintes, Padre Antônio fez algumas investigações discretas. visitou o escritório de Benedito na rua X de novembro e foi informado pelo sócio comercial, Senr. Antônio Caldas, que Benedito havia comunicado uma ausência temporária por questões familiares urgentes. O escritório estava funcionando normalmente com o Sr.

    Caldas, assumindo todas as responsabilidades administrativas. Durante a semana, outros moradores da rua da Conceição começaram a notar a estranha situação da casa dos Fonseca. O silêncio absoluto, a ausência de movimento durante o dia e a falta de sinais normais de vida doméstica tornaram-se assunto de conversas entre vizinhos.

    Algumas teorias começaram a circular. doença grave na família, problemas financeiros ou mesmo algum escândalo que exigia descrição. Foi durante essa semana de especulações que ocorreu o segundo evento significativo. Na noite de quinta-feira, por volta das 2 horas da manhã, dona Eulália foi novamente despertada por sons vindos da casa dos Fonseca.

    Desta vez não se tratava de gritos, mas de algo igualmente perturbador. O som repetitivo de alguém cavando, o ruído era inconfundível. O bater ritmado de uma ferramenta contra a terra, seguido pelo arrastar de solo sendo removido. Dona Eulalia conseguiu identificar que o som vinha da direção do jardim interno da casa. A atividade persistiu por aproximadamente uma hora.

    cessando abruptamente por volta das 3 horas da manhã. Na manhã seguinte, movida por uma curiosidade que já se transformara em genuína preocupação, dona Eulália decidiu observar o jardim dos Fonseca de sua pequena varanda. O que viu confirmou suas suspeitas. A área sob a palmeira imperial havia sido visivelmente alterada. A terra apresentava sinais claros de ter sido escavada. e depois aterrada novamente durante a noite.

    Mais intrigante ainda, próximo ao local da escavação, havia algumas ferramentas de jardim que ela não se recordava de ter visto anteriormente. Uma pá pequena, uma enchada e o que parecia ser um mansinho. As ferramentas estavam dispostas de maneira organizada, como se alguém houvesse planejado utilizá-las novamente em breve.

    Naquele mesmo dia sexta-feira, dona Eulia tomou uma decisão que considerava necessária, embora delicada, dirigiu-se ao posto policial da rua Visconde de Cepetiba para relatar suas preocupações sobre a família Fonseca. O delegado responsável Dr. Henrique Moraes, um homem de 45 anos, com reputação de seriedade e descrição, ouviu o relato com atenção. Dr.

    Morais conhecia a família Fonseca há muitos anos e sabia de sua respeitabilidade na comunidade. Entretanto, as informações fornecidas por dona Eulália, somadas aos relatos que havia recebido de padre Antônio Marques durante uma conversa informal, criaram um quadro que justificava uma investigação discreta.

    No sábado pela manhã, acompanhado pelo escrivão José Cunha, Dr. Morais dirigiu-se à rua da Conceição para uma visita oficial à residência dos Fonseca. chegaram por volta das 10 horas, horário considerado apropriado para visitas sociais e bateram a porta principal com a autoridade que seus cargos conferiam. A espera foi longa.

    Após aproximadamente 10 minutos, ouviram passos lentos se aproximando. E, finalmente, Benedito Fonseca abriu a porta. Sua aparência chocou ambos os policiais. O comerciante conhecido por sua postura elegante e cuidados com a apresentação pessoal, estava visivelmente abatido. Suas roupas, embora limpas, pareciam ter sido vestidas a dias sem trocar.

    Seus olhos estavam vermelhos e suas mãos tremiam ligeiramente. Benedito cumprimentou os visitantes com a cortesia habitual, mas sua voz era quase inaudível. Dr. Morais explicou que havia recebido relatos de preocupação dos vizinhos sobre o bem-estar da família e que considerava seu deverificar se todos estavam bem. Benedito respondeu que a família estava atravessando momentos difíceis de ordem particular, mas que todos estavam em segurança.

    O delegado solicitou permissão para conversar com Hermínia e Clara como parte de um procedimento padrão em visitas de verificação familiar. Benedito hesitou visivelmente antes de explicar que Hermínia estava muito abalada emocionalmente e que Clara se encontrava indisposta e sob cuidados médicos.

    Quando questionado sobre qual médico estava acompanhando Clara, Benedito mencionou vagamente um especialista da capital, sem fornecer nomes ou detalhes. Dr. Morais, experiente em interrogatórios e percebendo as evasivas de Benedito, adotou uma abordagem mais firme. explicou que, dada a natureza das preocupações relatadas pelos vizinhos e a responsabilidade da polícia em assegurar o bem-estar dos cidadãos, seria necessário verificar pessoalmente o estado de todos os moradores da casa. Benedito pareceu entrar em pânico.

    Suas mãos começaram a tremer mais visivelmente e ele passou a gaguejar ao falar. alegou que uma visita policial naquele momento seria extremamente prejudicial à recuperação de Clara e implorou para que os policiais retornassem em alguns dias, quando a situação estivesse mais estável.

    A reação de Benedito, longe de tranquilizar os policiais, apenas intensificou suas suspeitas. Dr. Moraes, mantendo um tom respeitoso, mas firme, informou que não poderia deixar a casa sem verificar pessoalmente que todos os moradores estavam em segurança. Tratava-se, explicou, de um procedimento padrão que não podia ser postergado.

    Foi nesse momento que a situação tomou uma direção inesperada. Da parte superior da casa, do que parecia ser o quarto de Clara, veio um som que gelou o sangue dos presentes. Não era um grito, nem um choro, mas algo que o escrivão José Cunha descreveria posteriormente como um lamento contínuo, como se alguém estivesse em grande sofrimento, mas tentando não ser ouvido.

    O som persistiu por alguns segundos e depois cessou abruptamente. Benedito, percebendo que os policiais haviam ouvido claramente o lamento, perdeu completamente a compostura. Começou a chorar e a murmurar frases desconexas sobre segredos familiares e coisas que não podiam ser reveladas. Dr. Morais, determinado a compreender a situação, informou a Benedito que entraria na casa com ou sem permissão, pois havia razões suficientes para suspeitar que algo grave estava acontecendo.

    Benedito, aparentemente resignado, afastou-se da porta e permitiu que os policiais entrassem. O interior da casa estava em estado de conservação normal, mas havia um ar de abandono que chamava atenção. A sala de estar, tradicionalmente arrumada com primor, apresentava sinais de que não recebia cuidados há várias semanas.

    Uma camada fina de poeira cobria os móveis e algumas peças de bordado estavam espalhadas pelo chão, como se houvessem sido abandonadas abruptamente. Dr. Morais dirigiu-se diretamente às escadas que levavam ao segundo pavimento, seguido pelo escrivão, e por um benedito cada vez mais agitado. do corredor superior, identificaram facilmente o quarto de Clara pela porta entreaberta e pelo som baixo de respiração irregular que vinha do interior.

    Empurraram a porta suavemente e depararam-se com uma cena que os marcaria pelo resto de suas vidas. Clara Fonseca estava sentada em sua cama, vestindo um camisão branco, com os cabelos completamente desgrenhados e os olhos fixos em um ponto da parede, como se visse algo invisível para os demais. Seu estado físico era alarmante, havia perdido peso drasticamente e sua pele apresentava uma palidez quase translúcida.

    Mais perturbador que sua aparência física, era seu comportamento. Clara balançava levemente o corpo para a frente e para trás, murmurando palavras incompreensíveis em voz baixa. Quando os policiais se aproximaram, ela não demonstrou qualquer reação, continuando seu movimento rítmico e seus murmúrios, como se estivesse completamente alheia à presença de outras pessoas no cômodo. Dr.

     

    Morais tentou comunicar-se com Clara, chamando-a pelo nome e fazendo perguntas simples sobre seu estado de saúde. Ela não respondeu, não olhou para ele e não deu sinais de ter consciência de sua presença. Era como se estivesse em um mundo completamente separado do que acontecia ao seu redor. O escrivão José Cunha, observando o ambiente do quarto, notou vários detalhes perturbadores.

    As cortinas estavam permanentemente fechadas, criando uma penumbra constante. Havia pratos com restos de comida espalhados pelo chão, alguns claramente há vários dias, atraindo insetos. Mais estranho ainda, as paredes do quarto estavam cobertas de rabiscos feitos com carvão ou giz, formando padrões incompreensíveis que se estendiam do chão até onde Clara conseguia alcançar.

    Em uma das paredes próxima à janela, havia uma série de marcações que pareciam contar dias, como se Clara estivesse tentando manter registro da passagem do tempo. As marcações somavam 47 riscos agrupados de cinco em cinco, sugerindo que ela estava naquele estado há aproximadamente s semanas. Benedito, ao ver os policiais examinando o quarto de sua filha, entrou em colapso emocional completo, caiu de joelhos no corredor e começou a confessar entre soluços que não havia conseguido proteger Clara e que a família carregava um segredo terrível que havia destruído sua filha. Dr. Morais, percebendo a gravidade da situação, decidiu que Clara precisava de

    cuidados médicos imediatos. Enviou o escrivão para buscar Dr. Raul Tavares, o médico local, enquanto ele próprio tentava acalmar Benedito e obter informações sobre o que havia causado o estado de Clara. Durante os 40 minutos que aguardaram a chegada do médico, Benedito alternava entre períodos de choro convulsivo e momentos de lucidez relativa.

    Nas fases mais calmas, conseguiu fornecer algumas informações fragmentadas que começaram a esclarecer parcialmente o mistério que envolvia a família. Segundo Benedito, no final de julho daquele ano, Clara havia feito uma descoberta no porão da casa que havia mudado tudo. Ele não conseguia explicar claramente o que ela havia encontrado, limitando-se a repetir que se tratava de algo do passado da família que deveria ter permanecido enterrado para sempre.

    A partir dessa descoberta, Clara havia começado a apresentar comportamentos estranhos, recusando-se a sair do quarto e demonstrando sinais de perturbação mental crescente. Hermínia, segundo Benedito, havia tentado cuidar da filha sozinha, esperando que o tempo curasse o trauma.

    Entretanto, o Estado de Clara apenas se deteriorou até chegar ao ponto em que se encontrava naquele momento. A própria Hermínia, incapaz de lidar com a situação e profundamente abalada pelo que Clara havia descoberto, havia se refugiado no quarto do casal e raramente saía de lá. Quando o Dr. Raul Tavares chegou, acompanhado pelo escrivão, sua primeira reação foi de choque diante do estado de Clara.

    Após um exame inicial, diagnosticou severa perturbação nervosa com características de melancolia profunda, e declarou que a jovem precisava de cuidados especializados que não podiam ser oferecidos em casa. Foi nesse momento que Dr. Morais tomou a decisão de investigar o porão da casa. Se, conforme Benedito havia sugerido, Clara havia feito uma descoberta perturbadora naquele local.

    Era necessário determinar exatamente do que se tratava para compreender completamente a situação. Benedito, ao saber da intenção do delegado de examinar o porão, entrou novamente em desespero. Implorou para que os policiais não descessem as dependências subterrâneas da casa, alegando que algumas coisas eram melhor deixadas em paz.

    Sua reação apenas confirmou para Dr. Morais que o segredo da família Fonseca estava escondido naquele local. Acompanhado pelo escrivão e pelo médico e seguido relutantemente por Benedito, Dr. Morais desceu pela escada estreita que levava ao porão. O ambiente estava escuro e úmido, com um odor forte que imediatamente chamou atenção.

    Não se tratava do cheiro habitual de humidade e mofo comum em porões antigos, mas de algo mais penetrante e desagradável. Benedito, com mãos trêmulas, acendeu uma lamparina de querosene que iluminou parcialmente o espaço subterrâneo. O porão era maior do que parecia da entrada, estendendo-se por baixo de toda a casa.

    Pilhas de tecidos cuidadosamente organizadas ocupavam a maior parte do espaço, mas havia uma área nos fundos, próxima à parede que dava para o jardim, que estava visivelmente diferente do resto do ambiente. Nessa área, o chão de terra batida apresentava sinais evidentes de ter sido escavado e aterrado recentemente várias vezes.

    Havia algumas ferramentas de escavação encostadas à parede, as mesmas que dona Eulália havia observado no jardim, e próximo a elas, um baú de madeira antigo que parecia ter sido recentemente desenterrado. O baú estava entreaberto e, de seu interior, emanava o odor forte que havia chamado atenção imediatamente.

    Dr. Morais aproximou-se cautelosamente e abriu completamente a tampa. O que encontrou no interior explicaria finalmente o estado de Clara e o comportamento da família durante os últimos meses. No baú havia ossos humanos em estado avançado de decomposição, envoltos em tecidos que pareciam muito antigos.

    Junto aos restos mortais, havia algumas cartas amareladas pelo tempo, um pequeno crucifixo de prata e o que parecia ser um diário com páginas manchadas e parcialmente ilegíveis. Benedito, ao ver que os policiais haviam descoberto o conteúdo do baú, desabou completamente. Entre soluços, começou a contar uma história que havia sido mantida em segredo pela família por mais de 20 anos.

    Segundo sua versão, quando ele era jovem e havia recém-herdado a casa do pai, descobriu aqueles restos mortais enterrados no porão durante uma reforma das fundações. As cartas encontradas junto aos ossos sugeriam que se tratava dos restos de uma jovem chamada Esperança Silva, que havia trabalhado como empregada doméstica para os avós de Benedito no final do século anterior.

    Segundo os documentos, a jovem havia engravidado e, devido ao escândalo que isso representaria para uma família respeitável da época, havia sido mantida em cárcere privado no porão até dar a luz. O diário, escrito pela própria esperança, relatava condições de vida deploráveis durante sua reclusão forçada. Segundo seus registros, ela havia sido alimentada minimamente e mantida acorrentada no porão durante os últimos meses de gravidez.

    O diário terminava abruptamente com uma entrada que sugeria que ela havia morrido durante o parto, sem assistência médica adequada. Benedito explicou que ao descobrir esses restos e documentos 20 anos antes, havia ficado horrorizado com o que seus ancestrais haviam feito. Entretanto, temendo o escândalo e as consequências legais, decidiu manter o segredo e enterrar novamente os ossos, desta vez no jardim sob a palmeira imperial.

    Apenas ele e Hermínia conheciam a verdade sobre aqueles restos mortais. Durante todos esses anos, família havia vivido normalmente e o segredo parecia ter sido definitivamente enterrado. Entretanto, em julho daquele ano, Clara havia descido ao porão por motivos que Benedito não conseguia explicar claramente, talvez procurando tecidos para seus bordados, e havia encontrado alguns ossos pequenos que haviam sido esquecidos durante a transferência para o jardim.

    A descoberta havia devastado clara emocionalmente. Segundo Benedito, ela havia ficado obsecada com a história de Esperança Silva, passando noites inteiras no porão, lendo e relendo o Diário da Jovem morta. Gradualmente, Clara havia começado a demonstrar sinais de identificação patológica com a vítima, como se ela própria estivesse vivendo o sofrimento descrito nas páginas amareladas.

    A situação havia se deteriorado quando Clara começou a alegar que podia ouvir esperança chorando no jardim durante as noites e que os ossos estavam inquietos e queriam justiça. Hermínia, incapaz de convencer a filha de que se tratava de imaginações causadas pelo trauma da descoberta, havia entrado em desespero igual ao da filha.

    Foi então que a família havia tomado a decisão de esumar novamente os restos de esperança do jardim e tentar encontrar uma forma adequada de dar-lhes sepultura cristã. As escavações noturnas que dona Eulália havia observado eram tentativas desesperadas de Benedito de localizar exatamente onde havia enterrado os ossos anos antes. Entretanto, cada nova escavação apenas piorava o estado mental de Clara.

    Ela passava as noites observando o pai cavar no jardim e se convenceu de que Esperança estava tentando escapar para buscar vingança contra a família. Gradualmente, Clara havia parado de comer regularmente, de cuidar de sua higiene pessoal e de manter qualquer contato social, refugiando-se completamente em seu quarto.

     

    A descoberta no porão fornecia uma explicação lógica para o comportamento estranho da família durante os últimos meses, mas também criava uma situação legal, complexa. Dr. morais encontrava-se diante de evidências de um crime grave cometido décadas antes, restos mortais que haviam sido ocultados e uma família destruída pela revelação de segredos ancestrais. O médico Dr.

    Raul Tavares, após examinar mais detidamente Clara em seu quarto, confirmou que seu estado era resultado de trauma psicológico severo combinado com possível desnutrição. Recomendou internação imediata em um estabelecimento especializado no tratamento de perturbações mentais, pois considerava que ela representava risco para si mesma.

    Ermínia, que havia permanecido trancada em seu quarto durante toda a descoberta, foi finalmente convencida a sair e conversar com as autoridades. Seu estado era quase tão grave quanto o da filha. Havia perdido peso drasticamente. Seus cabelos estavam completamente grisalhos e ela demonstrava sinais de exaustão extrema. Durante sua conversa com o Dr.

    Morais, Hermínia confirmou a versão de Benedito sobre a descoberta dos ossos e sobre o deterioramento progressivo de Clara. Entretanto, acrescentou detalhes perturbadores sobre o comportamento da filha durante as últimas semanas. Segundo ela, Clara havia começado a conversar com esperança durante as noites, mantendo longos diálogos com alguém invisível.

    Mais inquietante ainda, Clara havia começado a demonstrar conhecimento detalhado sobre eventos que havia lido no Diário de Esperança, como se ela própria houvesse vivenciado aqueles momentos. Durante suas crises mais severas, chegava a falar na primeira pessoa sobre a gravidez, o cárcere no porão e o medo da morte, como se fosse a própria Esperança Silva falando através dela.

    As investigações prosseguiram durante os dias seguintes. Os restos mortais foram retirados do porão e enviados para a análise na capital federal, onde médicos especializados confirmaram tratar-se de uma mulher jovem que havia morrido aproximadamente 25 anos antes. O diário e as cartas foram entregues a especialistas em documentos históricos para autenticação.

    Clara foi internada no hospício nacional na capital federal, onde ficou sob cuidados especializados. Os relatórios médicos dos primeiros meses de internação descreviam um quadro de melancolia profunda com características de possessão histérica, onde a paciente alternava entre períodos de silêncio absoluto e crises onde relatava experiências que não eram suas, mas de uma pessoa morta décadas antes.

    Roberto Alberto e Maria José retornaram a Niterói após serem informados sobre a situação. Os três irmãos confirmaram que tinham conhecimento parcial sobre problemas na família, mas alegaram que os pais haviam sempre se recusado a fornecer detalhes específicos. Roberto admitiu que sua conversa com padre Antônio havia sido motivada por suspeitas vagas sobre segredos familiares, mas que jamais imaginara a gravidade da situação.

    A casa da Rua da Conceição foi lacrada pelas autoridades enquanto prosseguiam as investigações sobre os restos mortais de Esperança Silva. Benedito e Hermínia mudaram-se temporariamente para a casa de Roberto, onde permaneceram sob observação médica devido ao estado de choque em que se encontravam.

    Durante as investigações, foram descobertos documentos nos arquivos da Santa Casa de Misericórdia que confirmavam parcialmente a história relatada no Diário de Esperança. Os registros indicavam que uma jovem chamada Esperança Silva havia trabalhado para a família do avô de Benedito entre 1895 e 1896, mas desaparecera subitamente, sem deixar rastros.

    Padre Antônio Marques foi consultado sobre os registros eclesiásticos da época e confirmou que não havia registro de óbito de esperança Silva em nenhuma das paróquias da região. Também não havia registro de batismo de qualquer criança que pudesse ser filha dela durante aquele período, sugerindo que tanto a mãe quanto o bebê haviam morrido sem receber os sacramentos. As investigações sobre a morte de Esperança Silva foram oficialmente arquivadas devido à impossibilidade de responsabilizar criminalmente pessoas mortas há décadas.

    Entretanto, o caso criou um precedente legal sobre a obrigatoriedade de reportar descobertas de restos mortais às autoridades, independentemente de quando os crimes haviam sido cometidos. Clara permaneceu internada no hospício por seis meses.

    Durante esse período, seu estado apresentou melhoras gradativas, mas ela nunca recuperou completamente a estabilidade mental. Os médicos relataram que ela havia desenvolvido uma personalidade dual, alternando entre sua própria identidade e uma personalidade que afirmava ser Esperança Silva. Durante os períodos em que se comportava como Clara, ela demonstrava consciência de sua situação e expressava horror pela descoberta que havia feito no porão.

    Entretanto, frequentemente regredida à personalidade de esperança, relatando em detalhes vividos os sofrimentos descritos no diário, como se ela própria os houvesse experienciado. Os registros médicos do hospício indicavam que Clara havia perdido permanentemente a capacidade de viver de forma independente.

    Mesmo durante seus períodos de lucidez, demonstrava terror extremo em relação a espaços fechados, especialmente porões ou cômodos sem janelas. Qualquer menção à família Fonseca ou à casa da rua da Conceição provocava cresvera. Em março de 1921, Clara foi transferida para uma instituição religiosa especializada no cuidado de mulheres com perturbações mentais.

    O local, dirigido por irmãs da Congregação das Filhas da Caridade ficava localizado em uma área rural próxima a Petrópolis, onde ela poderia ter acesso a jardins e espaços abertos que pareciam acalmar seus temores. Benedito nunca se recuperou completamente do trauma de ter os segredos familiares revelados. vendeu o negócio de tecidos para o sócio e passou a viver uma vida reclusa, raramente saindo de casa e evitando qualquer contato social além da família imediata.

    Hermínia desenvolveu problemas de saúde relacionados ao estresse e morreu em 1923, 2 anos após os eventos. A casa da rua da Conceição permaneceu vazia por vários anos. Roberto, Alberto e Maria José recusaram-se a habitá-la, e tentativas de vendê-la foram malsucedidas devido aos rumores que circulavam na vizinhança sobre os eventos que haviam ocorrido ali.

    A propriedade gradualmente se deteriorou, com o jardim crescendo selvagem e a própria casa apresentando sinais de abandono. Os restos mortais de Esperança Silva receberam finalmente sepultura cristã no cemitério do Marui em 1922. O túmulo, custeado pela família Fonseca como forma de reparação moral trazia apenas seu nome e as datas aproximadas de nascimento e morte, sem menção às circunstâncias de sua morte.

    Dona Eulália Santos mudou-se da rua da Conceição em 1924, alegando que não conseguia mais viver tranquilamente após tudo que havia presenciado. Antes de partir, ela relatou a alguns vizinhos que durante as noites silenciosas ainda conseguia ouvir sons vindos da casa abandonada dos Fonseca, como se alguém caminhasse pelos cômodos vazios ou movimentasse objetos no porão.

    O caso Clara Fonseca tornou-se um marco na discussão sobre as consequências psicológicas de segredos familiares e sobre a importância do tratamento adequado de traumas. Médicos da capital federal estudaram seu caso como exemplo de como descobertas perturbadoras sobre o passado familiar podem desencadear perturbações mentais severas em pessoas predispostas.

    Clara viveu na instituição religiosa em Petrópolis até 1938, quando morreu aos 40 anos de idade. Segundo os registros das irmãs que cuidaram dela, seus últimos anos foram relativamente pacíficos, com as crises relacionadas à personalidade de Esperança Silva, tornando-se cada vez mais raras. Entretanto, ela nunca voltou a mencionar sua família biológica ou a demonstrar interesse em retornar à vida social normal.

    Os documentos encontrados no porão da casa dos Fonseca foram preservados nos arquivos da Polícia Civil e, posteriormente transferidos para o arquivo histórico municipal. O Diário de Esperança Silva tornou-se um documento importante para historiadores interessados nas condições de vida das empregadas domésticas no final do século XIX, oferecendo uma perspectiva única sobre os abusos que muitas vezes eram cometidos contra mulheres em situação de vulnerabilidade social.

    Padre Antônio Marques, profundamente marcado pelos eventos, passou a dedicar parte de seus sermões à importância da confissão e da transparência familiar. Ele argumentava que segredos mantidos por gerações poderiam causar danos terríveis às famílias, sendo melhor enfrentar as consequências da verdade do que permitir que mentiras crescessem como sementes envenenadas.

    Roberto Fonseca mudou-se para São Paulo em 1925, onde reconstruiu sua vida longe das memórias perturbadoras associadas à casa familiar. Alberto manteve seu comércio de ferragens, mas nunca mais falou publicamente sobre os eventos relacionados à sua irmã. Maria José desenvolveu problemas nervosos, similares aos da mãe, e passou a evitar qualquer menção ao caso Clara.

    A casa da rua da Conceição foi finalmente demolida em 1932 para dar lugar a uma construção moderna. Durante o processo de demolição, os trabalhadores relataram ter encontrado mais alguns ossos pequenos no subsolo, possivelmente pertencentes ao bebê de Esperança Silva, que havia morrido junto com ela.

    Esses restos também foram sepultados no túmulo da jovem no cemitério do Marui. O terreno onde ficava a casa dos Fonseca abrigou posteriormente uma pequena pensão familiar que funcionou até os anos 60. Diversos inquilinos relataram ao longo dos anos, sons estranhos vindos do porão e sensação de presença invisíve nos cômodos. Mas esses relatos foram sempre atribuídos à sugestão causada pelo conhecimento da história do local.

    Durante a década de 50, um pesquisador da Universidade Federal Fluminense conduziu um estudo sobre o caso Clara Fonseca como parte de uma investigação mais ampla sobre histeria coletiva e trauma familiar. O estudo concluiu que a descoberta dos restos mortais havia funcionado como catalisador para perturbações psicológicas que provavelmente já existiam em estado latente na jovem, sendo agravadas pela pressão do segredo familiar. O pesquisador, professor Dr.

    Mário Augusto Teixeira, argumentou em sua tese que o caso demonstrava como eventos traumáticos do passado familiar podem afetar gerações posteriores, mesmo quando os descendentes não têm conhecimento direto sobre esses eventos. Segundo sua teoria, Clara havia desenvolvido uma sensibilidade psicológica ao ambiente da casa que a predispôs a reagir de forma extrema à descoberta dos ossos.

    Em 1962, 42 anos após os eventos originais, os arquivos do caso foram revisados por uma comissão de médicos e historiadores interessados em documentar casos de perturbação mental relacionados a traumas familiares. e comissão concluiu que Clara havia sido vítima tanto dos crimes cometidos por seus ancestrais, quanto da decisão familiar de manter esses crimes em segredo.

    O relatório final da comissão recomendou que casos similares fossem tratados com maior abertura e transparência, argumentando que o silêncio familiar frequentemente causava mais danos psicológicos que a própria revelação da verdade. O caso Clara Fonseca foi incluído em manuais de psiquiatria como exemplo de como segredos familiares podem se manifestar através de gerações.

    Durante os anos 60, alguns moradores antigos da rua da Conceição ainda se recordavam dos eventos de 1920. Dona Mercedes Carvalho, que havia sido vizinha da família Fonseca, relatou em entrevista a um jornal local que a história havia marcado profundamente a comunidade, criando uma consciência maior sobre a importância de enfrentar problemas familiares ao invés de escondê-los.

    A história de Clara Fonseca também influenciou mudanças na legislação local sobre a descoberta de restos mortais em propriedades privadas. Foi estabelecido que qualquer descoberta dessa natureza deveria ser imediatamente reportada às autoridades, independentemente de quando os crimes haviam ocorrido ou de quem poderia ser responsabilizado.

    Em 1968, o último documento relacionado ao caso foi arquivado quando a instituição religiosa onde Clara havia vivido seus últimos anos foi fechada. As irmãs da Congregação das Filhas da Caridade relataram que Clara havia sido uma paciente querida e que, apesar de suas limitações mentais, havia contribuído para os trabalhos de bordado da instituição com uma habilidade que recordava seus tempos de juventude na casa familiar. M.

  • O presidente da Venezuela que engravidou sete vezes a escrava que cuidava de sua esposa doente, 1799.

    O presidente da Venezuela que engravidou sete vezes a escrava que cuidava de sua esposa doente, 1799.

    O vale de Caracas desperta sob um manto de névoa espessa na madrugada de março de 1799. O ar cheira a terra molhada, a café acabado de moer e a algo mais difícil de nomear: medo. Na residência presidencial localizada no coração da cidade colonial, os muros de pedra calcária absorvem o primeiro raio de sol, enquanto os escravos começam as suas tarefas antes do amanhecer. A cozinha já ferve. Mãos negras movem panelas de cobre. Picam legumes trazidos das fazendas do interior. Preparam o pequeno-almoço que o presidente mal provará. Ninguém fala mais do que o necessário. As conversas são sussurros quebrados, olhares de soslaio, silêncios que pesam mais do que as palavras.

    No segundo andar, no maior quarto da casa, jaz Dona Inés de Tobar, esposa do presidente. Tem 32 anos, mas parece ter 50. A doença consome-a há 8 meses. Os médicos falam de febres intermitentes, de humores desequilibrados, de melancolia profunda. Ninguém menciona o óbvio. Está a morrer. Ao lado da sua cama, sentada num tamborete de madeira, está María Felipa. Tem 23 anos. A sua pele escura contrasta com os lençóis brancos de linho importado. As suas mãos longas e firmes seguram um pano húmido com água de rosas e ervas medicinais. Coloca-o sobre a testa ardente de Dona Inés com uma delicadeza que parece impossível para alguém que também conhece o chicote.

    María Felipa nasceu numa plantação de cana-de-açúcar nos arredores de Valência. Aos 12 anos foi vendida a um comerciante português que a levou para Caracas. Aos 16 passou para as mãos do presidente como parte de um lote de escravos domésticos. Agora, 7 anos depois, é a única pessoa em quem Dona Inés confia para aliviar a sua agonia. A doente abre os olhos brevemente. Os seus lábios ressecados tentam formar palavras, mas apenas sai um gemido rouco. María Felipa aproxima-lhe uma chávena de chá de tília, ajuda-a a beber devagar, inclinando a cabeça com cuidado para que não se afogue. Dona Inés volta a fechar os olhos. A sua respiração é irregular, como se cada inalação lhe custasse um esforço sobre-humano.

    Nesse momento, a porta abre-se sem aviso prévio. O presidente entra com passo firme, vestido com casaco azul-escuro bordado a ouro, calças brancas e botas de couro preto polido. A sua presença preenche o quarto. Tem 45 anos, cabelo escuro com grisalhos nas têmporas, mandíbula quadrada e olhos que nada revelam. É um homem habituado a ser obedecido sem questionamentos. María Felipa levanta-se de imediato, baixa o olhar e recua um passo. Ele não diz nada. Aproxima-se da cama, observa a sua esposa durante alguns segundos e depois vira a cabeça para a escrava. Olha-a de alto a baixo. Não é a primeira vez, mas desta vez o olhar dura mais. Demasiado.

    O presidente pigarreia e fala com voz grave. Sem emoção. “Como passou a noite?” “Mal, senhor. Teve febre até ao amanhecer.” Ele assente lentamente. Os seus olhos continuam fixos nela. María Felipa sente o peso desse olhar como se fosse uma mão no seu ombro. Sabe o que significa. Já o viu antes noutros homens brancos. Mas este homem não é um qualquer. É o presidente da República, o homem que decide quem vive e quem morre na Venezuela. “Traga-me água fresca”, ordena.

    María Felipa sai do quarto com passos rápidos. Caminha pelo corredor de ladrilhos frios, desce a escada em caracol e chega ao pátio interior onde está o poço. O coração bate-lhe forte. Não é exatamente medo, é algo pior. A certeza de que algo inevitável está prestes a começar. Quando regressa com a jarra de água, o presidente continua ao lado da cama, mas agora tem uma mão apoiada nas costas da cadeira onde ela estava sentada. Olha-a a aproximar-se. María Felipa oferece-lhe a jarra. Ele pega nela, bebe um gole longo e pousa-a na mesa de cabeceira. Depois, sem desviar os olhos dela, diz: “Ficará aqui todas as noites. Não quero que a minha esposa esteja sozinha.” María Felipa assente. Sabe que essa ordem nada tem a ver com Dona Inés.

    O presidente sai do quarto. A porta fecha-se com um baque seco. María Felipa volta a sentar-se ao lado da doente. As suas mãos tremem ligeiramente enquanto molha o pano em água fria. Lá fora, no pátio, os escravos continuam a trabalhar. O sol já está alto. A cidade desperta com o ruído de carruagens, vendedores ambulantes e sinos de igreja. Mas naquele quarto o tempo parece ter parado. María Felipa sabe que a sua vida acabou de mudar. Não sabe o quanto nem de que maneira exata, mas sabe. Sente-o nos ossos, na respiração entrecortada, no silêncio que se tornou mais pesado do que nunca. Dê like se quer conhecer a verdade que os livros de história ocultaram durante séculos.

    Nessa noite, María Felipa permanece acordada ao lado da cama de Dona Inés. A doente dorme inquieta, gemendo entre sonhos. As velas projetam sombras longas nas paredes. O relógio de pêndulo marca as horas com um tique-taque hipnótico. À meia-noite ouve passos no corredor. Param em frente à porta. María Felipa prende a respiração. A porta não se abre, mas ela sabe que ele está ali do outro lado, à espera, a medir, a decidir quando será o momento. Os passos afastam-se. María Felipa expira lentamente. Desta vez foi apenas um aviso, uma advertência silenciosa do que virá.

    Fecha os olhos e reza em voz baixa no idioma que a sua avó lhe ensinou. Palavras de que já quase não se lembra, mas que ainda lhe dão consolo. Amanhã será outro dia e o dia seguinte também. E em algum momento, entre a rotina de cuidar de uma mulher moribunda e servir um homem poderoso, o seu corpo deixará de lhe pertencer por completo.

    Passaram-se 5 dias desde aquela manhã. A rotina de María Felipa tornou-se previsível. Acordar antes do amanhecer, preparar infusões medicinais, trocar os lençóis de Dona Inés, alimentá-la com caldo morno quando aceita comer, limpar a sua testa quando a febre aumenta e todas as noites ficar ali sozinha com a doente e com o som de passos que se aproximam mas não entram. Até esta noite. É sexta-feira, chove lá fora. A água bate nas telhas de barro com força, criando um ritmo constante que abafa qualquer outro som.

    As velas estão acesas. Dona Inés dorme profundamente, ajudada por uma dose forte do láudano que o médico deixou naquela tarde. María Felipa está sentada no tamborete a coser um rasgão numa das camisas de dormir da doente quando a porta se abre. Desta vez não há dúvida. Ele entra e fecha atrás de si com a chave. O som do ferrolho é definitivo. O presidente veste um robe escuro sobre a camisa. O seu cabelo está despenteado como se tivesse estado a passear pela casa durante horas sem conseguir dormir. Caminha em direção a ela com passos lentos. María Felipa pousa a costura na mesa e levanta-se. Baixa o olhar. Fecha os punhos ao lado do corpo. Ele para a meio metro de distância. Cheira a brandy e a tabaco. A sua voz é baixa, quase um sussurro. “Vem comigo.”

    Não é uma pergunta, é uma ordem. María Felipa sabe que não pode recusar. Sabe que se o fizer, amanhã estará no mercado de escravos, pior ainda, numa plantação do interior onde a violarão 10 homens antes do meio-dia. Pelo menos aqui, sob este teto, há uma possibilidade de sobreviver.

    Segue o presidente para fora do quarto. Caminham pelo corredor em silêncio. A chuva continua a cair com força. Não há mais ninguém acordado na casa. Chegam a um quarto no final do corredor, o gabinete presidencial. Ele abre a porta e faz-lhe um gesto para que entre. A porta fecha-se.

    Três meses se passaram desde aquela primeira noite. O verão chega a Caracas com um calor sufocante que transforma a cidade num forno. As ruas cheiram a estrume de cavalo, frutas podres e suor. Na residência presidencial, os escravos trabalham mais devagar, arrastando os pés sobre os ladrilhos quentes, procurando qualquer sombra onde se refugiar do sol implacável. Dona Inés continua viva, mas mal. O seu corpo transformou-se num esqueleto coberto de pele amarelada. Come uma vez por dia, se tanto. Bebe água com dificuldade. Os seus olhos encovados já não refletem vida, apenas resignação. Os médicos deixaram de vir. Não há mais nada a fazer, exceto esperar.

    María Felipa continua a cuidar dela durante o dia e a visitar o gabinete do presidente todas as noites. A rotina tornou-se mecânica. Ele chama-a, ela vai, ele toma o que quer, ela regressa. Ninguém diz nada, ninguém pergunta, todos sabem, mas ninguém fala. No entanto, algo mudou no corpo de María Felipa. Pelas manhãs sente náuseas. O cheiro do café a enjoa. Os seus seios estão inchados e sensíveis. Ao princípio tentou ignorar os sinais, mas agora não pode mais. Está grávida.

    Uma tarde, enquanto prepara um banho morno para Dona Inés, sente uma tontura tão forte que tem de se apoiar na parede. Fecha os olhos e respira profundamente. Quando os abre, encontra o olhar de outra escrava. Juana, uma mulher de 50 anos que trabalha na cozinha há décadas. Juana viu tudo, sabe tudo. Os seus olhos dizem o que a sua boca não pode. “Já começou.”

    Nessa noite, depois de deitar Dona Inés, María Felipa desce à cozinha. Juana está sozinha a limpar a louça do dia. Ao vê-la entrar, a mulher mais velha para o que está a fazer e aproxima-se. “Há quanto tempo não sangra?”, pergunta em voz baixa. “Dois meses sem sangrar”, responde María Felipa. Juana assente com tristeza. Não há surpresa no seu rosto. “Ouça-me bem, menina. Quando ele souber, dar-lhe-á duas opções. Tomar algo para perder o bebé ou tê-lo e entregá-lo. Nenhuma das duas é boa, mas terá de escolher.” María Felipa engole em seco. “Não há escapatória, não há justiça, apenas há sobrevivência.”

    No dia seguinte, durante o pequeno-almoço, o presidente recebe uma visita inesperada. O seu confessor, o Padre Sebastián Morales. Ninguém sabe do que falam, mas quando saem o rosto do presidente está tenso. Uma semana inteira passa sem que ele a procure. O silêncio do poder é mais perigoso do que a sua violência. Mas no oitavo dia, quando está a trocar os lençóis de Dona Inés, o presidente entra no quarto. A sua expressão é ilegível. Aproxima-se de María Felipa e diz-lhe em voz baixa: “Siga-me.” Caminham até ao gabinete. Desta vez há outra pessoa à espera: Dona Eugenia Palacios, parteira reconhecida em Caracas.

    O presidente dirige-se a María Felipa sem a olhar nos olhos. “Dona Eugenia irá examiná-la. Se estiver grávida, ela dar-lhe-á algo para resolver isso.” O exame confirma: “Está grávida. Aproximadamente 3 meses.” O presidente levanta-se e entrega um pequeno saco à parteira. “Faça o necessário. Não quero complicações.”

    Na cozinha, a parteira prepara uma infusão escura que cheira a ervas amargas e a algo metálico. Verte-a numa garrafa de vidro e entrega-a a María Felipa. “Beba metade esta noite antes de dormir, a outra metade amanhã ao amanhecer. Será doloroso, mas passará. Não grite.” María Felipa sobe ao quarto de Dona Inés com a garrafa escondida sob o seu avental. Senta-se no tamborete e olha para a garrafa durante horas. Quando o relógio marca as 3 da madrugada, finalmente destampa a garrafa e bebe a metade do conteúdo.

    Ao amanhecer a dor começa. Cólicas que atravessam o seu ventre como facas. Sangue que mancha a sua roupa interior, náuseas violentas que a fazem vomitar. Ao meio-dia tudo terminou. O seu corpo expulsou o que mal começava a formar-se. María Felipa limpa tudo, queima os lençóis manchados, lava-se com água fria e volta às suas tarefas como se nada tivesse acontecido. Mas algo se partiu dentro dela. O seu primeiro filho perdido. Comente se acha que as leis daquela época protegiam mulheres como María Felipa.

    O outono chega com ventos frios. Dona Inés finalmente morre numa madrugada de outubro. María Felipa não sente tristeza, nem alívio, apenas um vazio estranho. O presidente é informado. O funeral é três dias depois. Após o enterro, a casa entra num período de luto oficial. Durante um mês, o presidente não recebe visitas. Encerra-se no seu gabinete, bebe brandy e fuma charutos até ao amanhecer.

    Uma noite de novembro, dois meses após o funeral, o presidente chama María Felipa ao seu gabinete. O luto terminou para ele. A violência é rápida, brutal, desprovida de qualquer humanidade. “Vá embora”, diz ele. As visitas noturnas repetem-se. 4 meses depois, María Felipa descobre que está grávida outra vez. Desta vez não a surpreende. Desce à cozinha e procura Juana. “Outra vez”, diz simplesmente. Juana fecha os olhos com cansaço.

    O presidente transfere-a para uma casa pequena nos arredores de Caracas. É um exílio silencioso, uma desaparecimento temporário do mundo. A gravidez decorre sem complicações. É um menino. María Felipa segura-o durante menos de uma hora. Depois Dona Eugenia tira-o dos seus braços. “O presidente decidiu que o menino será criado num orfanato de Maracaibo.” O seu segundo filho perdido.

    Duas semanas depois, levam-na de volta para a residência presidencial. Retoma as suas tarefas. 9 meses depois está grávida pela terceira vez. O ano de 1801 começa com seca. María Felipa vive a sua terceira gravidez isolada. Desta vez, pare uma menina. Segura-a durante 5 minutos antes de a tirarem. Não chora. Já não lhe restam lágrimas. Terceira filha perdida.

    Quarto filho (Menino): Nascido em outubro de 1801. Tiraram-no.

    Quinto filho (Menina): Nascida em julho de 1802. Tiraram-na.

    Sexto filho (Menino): Nascido em abril de 1803. Tiraram-no.

    Sétimo filho (Gémeos): Menino e menina. Nascidos em dezembro de 1803. Tiraram-nos.

    María Felipa transforma-se numa máquina de parir filhos que nunca conhecerá. O seu corpo é um território conquistado, explorado até ao esgotamento. Depois do sétimo parto, o médico que a examina diz ao presidente que outra gravidez poderia matá-la. O presidente ordena que transfiram María Felipa para uma plantação de cacau em Valência. Já cumpriu o seu propósito.

    María Felipa chega à plantação em janeiro de 1804. Tem 28 anos, mas parece ter 50. O trabalho físico é quase um alívio comparado com o que viveu em Caracas. Ninguém a toca, ninguém a chama no meio da noite. O seu corpo pertence-lhe outra vez, embora esteja partido.

    Uma noite, sentada à volta do fogo com outros escravos, uma mulher idosa chamada Candela pergunta-lhe: “Quantos filhos lhe tiraram?” “Sete.” O grupo fica em silêncio. Uma mulher pergunta: “Sabe onde estão?” “Não, tiraram-mos ao nascer. Nunca me disseram o que aconteceu com eles.” Candela cospe para o fogo. “Os brancos não nos tratam como humanos… Os nossos filhos nascem com preço na cabeça.” María Felipa assente.

    Em julho de 1804, chega um novo escravo, um homem jovem chamado Esteban. “Ouvi rumores”, diz ele. “Dizem que há grupos de escravos fugitivos nas montanhas… que aceitam qualquer um que tenha a coragem de escapar.” María Felipa olha para ele com ceticismo. “São apenas histórias.” “Mas se conseguir, é livre.”

    Três dias depois, Esteban desaparece. Os caçadores voltam com o seu corpo. Espancaram-no até à morte. Penduram o seu corpo na entrada da plantação como advertência. María Felipa vê-o a decompor-se durante uma semana. Nessa noite, sozinha no seu catre, toma uma decisão. Não tentará escapar, mas vai sobreviver e vai contar a sua história.

    Em março de 1806, o presidente envia uma mensagem para a plantação. Quer que María Felipa regresse a Caracas. A sua nova esposa, Isabel, precisa de uma criada experiente. María Felipa tem 30 anos. A nova esposa, Isabel, é jovem, ingénua e de pele de porcelana. Para ela, os escravos são parte da mobília. María Felipa trabalha 16 horas por dia. Move-se pela casa como um fantasma eficiente.

    O presidente vê-a ocasionalmente. Os seus olhares cruzam-se brevemente. Entre eles há um entendimento silencioso: o que passou, ficou no passado. Mas o silêncio é quebrado. Uma noite de junho, depois de uma festa, ele encontra-a sozinha na cozinha. A sua mão estende-se em direção a ela, mas antes de a tocar, para. Algo nos olhos de María Felipa o detém. Não é medo. Ele retira a mão.

    Isabel engravida. María Felipa cuida dela. Isabel afeiçoa-se a ela. “Quando o meu filho nascer, será a ama dele.” María Felipa não responde quando Isabel pergunta se alguma vez teve filhos.

    O filho de Isabel nasce em fevereiro de 1807. María Felipa torna-se a ama do menino. Carrega-o, embala-o, canta-lhe canções em voz baixa. Vê nos olhos desse menino os seus sete filhos perdidos.

    Em 1810 eclodem as primeiras rebeliões independentistas em Caracas. Uma noite de julho, um grupo de patriotas assalta a residência presidencial. O presidente é capturado. María Felipa esconde as crianças de Isabel e enfrenta os soldados. Ela indica-lhes onde está o dinheiro do presidente, salvando Isabel e os meninos.

    O ex-presidente é executado publicamente em 1812. Isabel e os seus três filhos ficam desamparados. Refugiam-se em casa do seu irmão em Valência. María Felipa, com 36 anos, vai com eles. Torna-se a verdadeira autoridade da casa.

    Uma tarde de 1815, enquanto lava roupa no rio, encontra Juana. “Dizem que teve filhos do presidente. Sete, que lhe tiraram um por um. Você é a única que sobreviveu para contá-lo.” Juana diz que os rumores indicam que esses filhos estão vivos, criados em orfanatos ou por famílias distantes. María Felipa abana a cabeça. “Não importa, já não são meus, nunca foram.”

    A guerra termina em 1821. Bolívar proclama a independência. Isabel morre em 1823. Os seus filhos, já adolescentes, querem que María Felipa fique, mas ela sabe que não é família. Pega nas suas poucas pertenças e parte sem dizer adeus. Partilhe este vídeo se acha que histórias como esta merecem ser contadas.

    María Felipa tem 41 anos quando chega a Puerto Cabello. Durante anos recolhe fragmentos de informação. Descobre que o seu primeiro filho nunca existiu, mas os outros seis sim. Ela viaja durante dois anos de cidade em cidade. Observa de longe o seu filho mais velho, capitão no exército libertador. Vê a sua filha freira a entrar no convento. Não chora, apenas guarda cada imagem na sua memória.

    Em 1826 regressa a Caracas. Encontra trabalho como cozinheira numa pousada perto da Plaza Mayor. Uma noite de tempestade, serve sopa a um homem encharcado. É alto, magro, sacerdote. É o seu quarto filho, o nascido em 1802. Ele come, reza, parte. María Felipa fica sozinha e chora pela primeira vez em 30 anos.

    María Felipa morre em 1845, aos 60 anos. Antes de morrer, escreve a sua história em 10 páginas. “Isto não é vingança. É verdade para que os meus filhos a leiam algum dia.” Entrega o manuscrito à dona da pousada com a instrução de o entregar ao jornal El Venezolano.

    Um mês depois, o El Venezolano publica o manuscrito sob o título A Escrava do Palácio. A cidade entra em escândalo. A história esbate-se com o tempo, mas nas cozinhas de Caracas, nas plantações do interior, entre as mulheres negras, María Felipa transforma-se em lenda, um símbolo de resistência silenciosa.

    Hoje, os Arquivos Nacionais da Venezuela guardam cópias do manuscrito original. María Felipa não procurou vingança, não pediu justiça, apenas testemunhou. A sua voz sussurra: não se esqueçam, não caiam. Sobrevivam.

  • Josefina: A ESCRAVA que descobriu durante o parto que o senhor criaria o filho de outro homem.

    Josefina: A ESCRAVA que descobriu durante o parto que o senhor criaria o filho de outro homem.

    Nas terras poeirentas da fazenda San Cristóbal, no norte da Nova Granada, onde o sol caía implacável sobre os campos de cana e os chicotes ecoavam como trovões distantes, vivia uma mulher cujo nome ficaria gravado em sussurros proibidos, Josefina.

    Tinha 24 anos quando esta história começou e seu ventre protuberante anunciava uma vida que nasceria no meio do verão mais cruel que aquela região já havia conhecido. Era 1789 e naquelas terras os escravos não tinham direito nem sequer aos próprios filhos. Inscreva-se no canal e comente de que país nos está a ver. Seu apoio ajuda-nos a continuar a contar estas histórias. Esquecidas.

    Josefina havia chegado a San Cristóbal 5 anos antes, vendida por um traficante português que a arrancou das costas de Angola quando era apenas uma moça. Lembrava-se pouco de sua terra natal, mas guardava na memória o som do mar e o rosto de sua mãe, desbotado pelo tempo e pela dor.

    Na fazenda, ela foi destinada a trabalhar na casa grande, servindo a Dona Beatriz de Mendoza, a esposa do patrão, Dom Rodrigo. Era um trabalho menos esgotante do que o dos campos, mas não menos humilhante. Todos os dias, Josefina vestia sua ama, penteava seus cabelos acobreados, servia-lhe chocolate em chávenas de porcelana trazidas da Espanha e ouvia suas queixas sobre o calor, o tédio, a solidão daquelas terras selvagens que tanto desprezava.

    Dom Rodrigo de Mendoza era um homem de 42 anos, corpulento, de rosto curtido pelo sol e olhar duro como o ferro. Havia herdado a fazenda de seu pai e a transformara numa das mais prósperas da região, à base de mão de obra escrava e disciplina férrea. Tinha fama de ser justo, mas implacável. Pagava suas dívidas, cumpria seus contratos, mas não tolerava a desobediência nem a preguiça.

    Os escravos que tentavam fugir eram perseguidos com cães de caça e, quando capturados, açoitados publicamente como advertência. Os que trabalhavam bem recebiam uma ração extra de comida aos domingos. Era assim que seu mundo funcionava, com prémios pequenos e castigos grandes. Dona Beatriz, em contrapartida, era uma mulher miúda, de pele pálida e mãos delicadas que jamais haviam conhecido o trabalho.

    Havia chegado de Cartagena das Índias três anos antes, quando Dom Rodrigo decidiu que precisava de uma esposa de boa família para lhe dar herdeiros legítimos. O casamento havia sido celebrado com grande pompa na igreja de São Pedro, com o próprio bispo a benzer a união.

    Mas na fazenda todos sabiam que aquele casal dormia em quartos separados e mal trocava palavras. Dona Beatriz passava seus dias a bordar, a rezar o rosário e a queixar-se do calor a quem quisesse ouvi-la. Dom Rodrigo passava os seus a percorrer suas terras a cavalo, a supervisionar o corte de cana, a contar as arrobas produzidas e a beber aguardente em seu escritório até tarde da noite.

    Josefina conhecia todos os segredos daquela casa. Sabia que Dona Beatriz guardava cartas perfumadas num gaveta fechada à chave. Sabia que Dom Rodrigo visitava os barracões dos escravos algumas noites procurando mulheres jovens que não podiam recusar. Sabia que o capataz, um mulato chamado Sebastián, roubava açúcar e o vendia na vila.

    E sabia algo mais, algo que a aterrorizava e a mantinha acordada durante as noites. Sabia quem era o verdadeiro pai do filho que carregava em seu ventre. O homem chamava-se Miguel e era um escravo chegado de Cuba dois anos antes. Alto, de pele escura como a noite e olhos que pareciam guardar todos os segredos do mundo, Miguel trabalhava nos campos, mas tinha um talento especial: sabia ler e escrever.

    Seu antigo amo, um comerciante de Havana, havia-o ensinado porque o utilizava como escrivão. Quando o homem morreu arruinado, Miguel foi vendido junto com o resto dos bens. Dom Rodrigo comprou-o por uma quantia ridícula, sem saber que aquele escravo possuía conhecimentos que o tornavam perigoso. Josefina e Miguel conheceram-se numa tarde de domingo, quando os escravos tinham permissão para descansar algumas horas.

    Ele estava sentado debaixo de uma árvore de sumaumeira com um pedaço de carvão na mão escrevendo algo num pedaço de casca. Ela aproximou-se curiosa e perguntou-lhe o que fazia. Miguel levantou o olhar e mostrou-lhe as letras. Liberdade, havia escrito. “Sabes o que significa?”, perguntou-lhe. Josefina negou com a cabeça. “Significa não ter amo”, explicou Miguel. “Significa ser dono do teu próprio destino.”

    Aquela palavra, liberdade, soou nos ouvidos de Josefina como uma música celestial, como algo impossível e belo ao mesmo tempo. Começaram a encontrar-se em segredo. Miguel ensinava-lhe as letras desenhando-as na terra com um pau. Contava-lhe histórias de lugares distantes, de homens negros que haviam comprado sua liberdade, de rebeliões nas ilhas caribenhas, de palenques escondidos nas montanhas, onde os cimarrones viviam livres.

    E pouco a pouco, sem que nenhum dos dois o planeasse, nasceu entre eles algo mais forte que a amizade. Nasceu o amor, um amor proibido, perigoso, que devia ser mantido oculto porque qualquer escravo surpreendido em relações sem permissão do amo podia ser separado e vendido para longe, ou, pior ainda, castigado publicamente. A primeira vez que se amaram foi no celeiro, entre sacos de milho, com o coração a bater-lhes tão forte que temiam que alguém pudesse ouvi-lo.

    Miguel sussurrou-lhe ao ouvido promessas que ambos sabiam impossíveis. “Algum dia seremos livres, Josefina. Algum dia nossos filhos não conhecerão as correntes.” Ela chorou contra o seu peito, não de tristeza, mas de uma felicidade tão intensa que doía. Porque pela primeira vez na sua vida sentia-se vista, amada, humana.

    Mas Dom Rodrigo também havia posto os seus olhos em Josefina. Uma noite, depois de beber mais do que devia, entrou no quarto que ela partilhava com outras duas escravas domésticas. As outras fingiram estar a dormir, aterrorizadas, enquanto o patrão se aproximava do jergón de Josefina. “Levanta-te”, ordenou. Ela obedeceu a tremer.

    “Vem comigo”, disse ele e conduziu-a a um quarto vazio no final do corredor. Ali, sem palavras doces nem pretensões, tomou-a. Josefina fechou os olhos e deixou a sua mente voar para longe, para outro lugar, para outro tempo, enquanto o seu corpo permanecia imóvel sob o peso do homem, que a possuía não por desejo, mas por direito de propriedade.

    Aquela violação repetiu-se mais três vezes nas semanas seguintes. Dom Rodrigo mandava chamá-la quando lhe apetecia, usava-a e depois despedia-a como quem devolve uma ferramenta ao seu lugar. Josefina não podia contar a Miguel o que estava a acontecer.

    Como explicar-lhe que o amo a violava regularmente, como dizer-lhe que não tinha poder para o impedir. Assim, calou-se e cada vez que Miguel a beijava, ela sentia que a sua alma se partia em duas. Quando descobriu que estava grávida, Josefina entrou em pânico. Contou os dias, as semanas, as noites, quando havia sido, com Miguel ou com Dom Rodrigo. O tempo confundia-se na sua memória, turvo pelo medo e pela vergonha.

    Sabia que se o menino nascesse com a pele demasiado clara, Miguel faria perguntas. E sabia que se nascesse muito escuro, Dom Rodrigo poderia suspeitar que não era seu e castigá-la por ter estado com outro homem, porque os amos sempre assumiam que qualquer filho de uma escrava lhes pertencia. Dona Beatriz estranhamente mostrou interesse na gravidez de Josefina.

    “Quando nascer, criá-lo-ei como meu próprio filho”, anunciou um dia, enquanto Josefina lhe apertava o vestido. “Dom Rodrigo e eu não tivemos descendência e precisamos de um herdeiro. Se for varão, educá-lo-emos como um filho legítimo desta casa.” Josefina sentiu que o mundo cambaleava sob os seus pés.

    Tirarem-lhe o filho, criá-lo como se fosse branco, como se não carregasse o seu sangue, mas não disse nada. As escravas não tinham voz. Miguel notou a mudança em Josefina. Via-a pálida, assustada, distante. “O que se passa contigo?”, perguntou-lhe uma tarde. “Nada”, mentiu ela, “é só a gravidez.” Mas Miguel conhecia aquele olhar. Havia-o visto noutras mulheres dos barracões. Era o olhar de quem guarda um segredo terrível.

    “Esse filho é meu, não é?”, perguntou com uma mistura de esperança e terror na voz. Josefina acenou com a cabeça porque não podia mentir-lhe totalmente. “Sim”, disse, “é teu.” E naquele momento acreditou que era verdade, porque queria que fosse com toda a sua alma. Os meses passaram lentamente. O ventre de Josefina cresceu. Pesado e redondo como uma lua cheia.

    Dom Rodrigo mal lhe dirigia a palavra agora, como se a gravidez a tivesse tornado invisível. Dona Beatriz, em contrapartida, estava mais animada do que nunca. Havia mandado preparar um quarto para o menino com um berço de madeira entalhada e mantas de renda. Havia consultado o Padre Tomás, o pároco da vila, sobre como legalizar a adoção de um filho de escrava.

    Tudo estava disposto para que assim que nascesse, o bebé fosse separado de Josefina e entregue aos Mendoza. Miguel começou a fazer planos. Falou com outros escravos de confiança, homens que também sonhavam com a liberdade. “Quando o menino nascer, iremos embora”, disse-lhes. “Há um palenque nas montanhas do leste.

    “Acolher-nos-ão se chegarmos até lá.” Era uma loucura, todos o sabiam. Os caminhos estavam vigiados, os palenques eram perseguidos por milícias e os escravos fugitivos que eram capturados sofriam torturas que faziam desejar a morte. Mas Miguel estava disposto a tentar. “Não deixarei que tirem o meu filho”, jurou. “Não deixarei que cresça como escravo.”

    Uma noite de agosto, quando o ar era tão espesso que custava respirar, Josefina sentiu as primeiras contrações. A dor atravessou-a como um raio, fazendo-a dobrar-se. Gritou e as outras escravas correram a procurar Remedios, a parteira da fazenda. Remedios era uma mulher idosa, com as mãos cheias de rugas, mas experientes, que havia trazido ao mundo centenas de crianças, brancas e negras.

    “Calma, filha”, disse enquanto examinava Josefina. “O menino vem bem, tudo correrá bem.” Levaram Josefina para a cabana de partos, uma construção pequena atrás da casa grande, onde as escravas davam à luz. Dona Beatriz insistiu em estar presente, sentada numa cadeira num canto, abanando-se e murmurando orações.

    Dom Rodrigo esperava lá fora, fumando o seu cachimbo e a passear inquieto. O parto durou toda a noite. Josefina gritava, suava, mordia um pedaço de madeira que lhe haviam dado para suportar a dor. Remedios dizia-lhe para fazer força, para respirar, para não desistir. E finalmente, quando o sol começava a surgir no horizonte, o menino nasceu. Era um varão pequeno, mas saudável, com os pulmões fortes, porque chorava com força. Remedios limpou-o com água morna e envolveu-o numa manta.

    E então, naquele momento, algo terrível aconteceu. Quando Remedios aproximou o bebé da luz do candeeiro, o seu rosto transformou-se. Ficou paralisada a olhar para o recém-nascido com os olhos muito abertos. Dona Beatriz levantou-se da sua cadeira e aproximou-se. “Deixa-me vê-lo”, exigiu. Remedios a tremer mostrou-lhe o bebé. O silêncio que se seguiu foi mais terrível do que qualquer grito.

    O menino tinha a pele clara, quase rosada, e os olhos, embora ainda não tivessem tomado a sua cor definitiva, eram de um cinzento-esverdeado inconfundível. Mas o mais revelador era o cabelo, não o cabelo encaracolado e escuro que se esperaria de um bebé mulato, mas fios finos e quase loiros, e na orelha esquerda uma pequena marca de nascença em forma de meia-lua, idêntica à que tinha o Padre Tomás, o pároco da vila.

    Dona Beatriz soltou um gemido sufocado. Josefina, exausta e confusa, não entendia o que estava a acontecer. “O meu filho está bem?”, perguntou com voz fraca, mas ninguém lhe respondeu. Dona Beatriz saiu a correr da cabana gritando o nome do seu marido. Dom Rodrigo entrou como um touro enfurecido. “O que está a acontecer?”, bramou.

    Remedios, aterrorizada, mostrou-lhe o bebé. Dom Rodrigo pegou no menino nos braços e observou-o sob a luz. O seu rosto ficou primeiro vermelho, depois pálido como cera. “Isto não é possível”, murmurou. “Este menino não é meu.” Virou-se para Josefina com olhos cheios de fúria.

    “Quem é o pai? Com quem te deitaste, Josefina?” Fraca e ainda a sangrar do parto, tentou falar, mas as palavras não saíam. “Foi… foi o patrão”, balbuciou finalmente. “O senhor obrigou-me.” Mas Dom Rodrigo não era tolo. Conhecia a cor da sua própria pele. Sabia como eram os seus traços. Aquele menino não era seu. “Mentirosa!” Rugiu e levantou a mão para a golpear. Remedios interpôs-se, valente apesar da sua idade. “Senhor, não é o momento.

    “A rapariga pode sangrar até à morte.” Dom Rodrigo baixou a mão, mas o seu olhar prometia vingança. Saiu da cabana com o bebé nos braços, deixando Josefina a chorar, e Remedios a tentar conter a hemorragia. Lá fora, Dona Beatriz esperava com o rosto sulcado de lágrimas. Dom Rodrigo entregou-lhe o bebé sem dizer palavra e dirigiu-se diretamente para a casa paroquial onde vivia o Padre Tomás.

    Ainda era muito cedo, mas bateu à porta com violência até que o padre apareceu meio adormecido e em camisola. “Dom Rodrigo, o que se passa?”, perguntou alarmado. “O que se passa”, disse Dom Rodrigo com voz perigosamente calma, “é que a minha escrava acaba de parir um filho que tem a marca da sua orelha.” O Padre Tomás empalideceu.

    Por um momento, pareceu que ia desmaiar. Depois, com voz trémula, tentou explicar-se. “Dom Rodrigo, eu… Há uma explicação. Essa marca é comum na minha família. Talvez seja coincidência.” Mas Dom Rodrigo não era homem de se deixar enganar com evasivas. “Diga-me a verdade”, exigiu. “Deitou-se com a minha escrava?” O Padre Tomás negou com a cabeça, desesperado.

    “Não, por Deus santo, nunca toquei em Josefina. Eu…” E então a verdade começou a revelar-se terrível e grotesca. O Padre Tomás, entre soluços, confessou que ele nunca havia estado com Josefina, mas sim havia estado com Dona Beatriz. Durante mais de um ano, a esposa de Dom Rodrigo e o pároco mantiveram um romance clandestino.

    Encontravam-se às quintas-feiras à tarde quando Dom Rodrigo estava a supervisionar a colheita nos campos distantes. Dona Beatriz ia à igreja supostamente para se confessar e o Padre Tomás recebia-a não no confessionário, mas no seu próprio quarto. “Mas isso não explica…”, começou Dom Rodrigo, ainda sem compreender. E então, como um raio, a compreensão atingiu-o. O bebé que acabava de nascer não era filho de Josefina e do Padre Tomás, era filho de Dona Beatriz e do Padre Tomás.

    As duas mulheres haviam dado à luz quase ao mesmo tempo. Ou talvez Dona Beatriz tivesse dado à luz antes, em segredo. E Dom Rodrigo correu de volta para a fazenda com o Padre Tomás a seguir-lhe os passos, implorando perdão. Entrou na casa grande como uma tromba, e subiu ao quarto da sua esposa. Dona Beatriz estava sentada na cama com os lençóis manchados de sangue.

    Havia dado à luz durante a noite, sozinha, em silêncio, enquanto todos estavam atentos ao parto de Josefina. E o bebé que havia parido, um menino de pele escura com os traços inconfundíveis de um mulato, descansava num cesto ao seu lado. “Trocou-os?”, disse Dom Rodrigo com uma voz que gelava o sangue.

    “Deu à luz um bastardo mulato e trocou-o pelo filho da minha escrava.” Dona Beatriz não negou nada. Estava demasiado cansada, demasiado derrotada. “Sim”, admitiu. “Fiz isso. Pensei que se criasse o filho de Josefina como meu, ninguém jamais saberia que eu tinha… que eu tinha estado com um escravo antes de conhecê-lo.” A revelação caiu como uma bomba.

    Dona Beatriz, antes de se casar com Dom Rodrigo, quando ainda vivia em Cartagena, havia tido um romance com um escravo doméstico da casa dos seus pais, um homem chamado Jerónimo, que tocava violino e lhe sussurrava poemas. Quando os seus pais descobriram a gravidez, encerraram-na durante meses, planeando dizer que estava doente, mas o bebé nasceu morto. Ou foi o que lhe disseram.

    O que Beatriz nunca soube era que os seus pais haviam enviado o menino para um orfanato para ocultar a vergonha. Anos depois, traumatizada e culpada, Beatriz havia aceitado casar-se com Dom Rodrigo, um homem rico e respeitável que podia dar-lhe uma vida de conforto, mas nunca havia esquecido Jerónimo.

    E quando chegou à fazenda San Cristóbal e viu os escravos a trabalhar nos campos, algo nela quebrou-se novamente. O Padre Tomás havia sido seu confidente, a única pessoa a quem havia contado o seu passado. E da compaixão nasceu algo mais obscuro, algo proibido. Quando Beatriz engravidou do Padre Tomás, entrou em pânico. Não podia ter um filho do padre. Seria o fim de ambos. Mas também não podia abortar porque isso era pecado mortal.

    Então, no seu desespero, concebeu um plano. Sabia que Josefina também estava grávida. Sabia que Dom Rodrigo pretendia criar o filho da escrava como seu e decidiu que trocaria os bebés ao nascer. O seu filho com o Padre Tomás seria entregue a Josefina e o filho de Josefina seria apresentado como seu.

    Assim, todos acreditariam que Dom Rodrigo havia engravidado a sua escrava, o que ninguém questionaria, e que ela generosamente havia decidido adotar o menino. Mas o que Beatriz não havia previsto era que o filho do Padre Tomás nasceria com as marcas inconfundíveis do seu parentesco. A meia-lua na orelha, os olhos cinzentos, o cabelo quase loiro.

    E também não havia previsto que o seu próprio filho, o bebé que havia parido em segredo, teria a pele tão escura, porque, afinal, o verdadeiro pai biológico desse menino não era nem Dom Rodrigo nem o Padre Tomás, era Miguel. A verdade final, a mais terrível de todas, revelou-se quando Remedios, a velha parteira, reuniu coragem para falar. Havia guardado esse segredo durante meses, mas agora que tudo estava desvendado, decidiu confessar.

    Meses atrás, quando Dona Beatriz havia adoecido com febres, Remedios a havia atendido, e durante o delírio, a senhora havia balbuciado coisas, confissões involuntárias. Remedios havia descoberto que Dona Beatriz não havia estado com o Padre Tomás recentemente.

    O seu último encontro havia sido há mais de 8 meses. A gravidez de Beatriz tinha outra origem. Durante as festas de São João, 6 meses atrás, Dom Rodrigo havia organizado uma celebração na fazenda. Havia comida abundante, música e álcool. Os escravos haviam recebido permissão para dançar e festejar no pátio. Dona Beatriz, aborrecida e sozinha no seu quarto, havia bebido mais vinho do que devia.

    Naquela noite, tonta e confusa, havia descido ao jardim procurando ar fresco. Ali havia encontrado Miguel, que estava sozinho, a olhar para as estrelas. Haviam conversado. Miguel, com a sua educação invulgar, havia recitado versos que se lembrava da sua época em Cuba. Dona Beatriz, surpreendida por encontrar um escravo que sabia de poesia, havia ficado a conversar com ele.

    E na escuridão da noite, embriagados ambos pelo vinho e pela solidão, havia acontecido o impensável. No dia seguinte, Beatriz havia acordado com uma ressaca terrível e uma lembrança vaga do ocorrido. Havia-se convencido a si mesma de que havia sido um sonho, uma alucinação do álcool.

    Mas quando descobriu semanas depois que estava grávida, soube a verdade e havia fabricado toda aquela história do Padre Tomás para ocultar o verdadeiro horror, que havia concebido um filho com um escravo, exatamente igual que na sua juventude. Quando Josefina, ainda fraca no seu leito de parto, ouviu toda esta história da boca de Remedios, sentiu que o mundo desmoronava.

    O bebé que havia parido não era de Miguel, como ela havia acreditado e desejado. Era filho de Dom Rodrigo, produto daquelas violações que ela havia sofrido em silêncio. Miguel nunca havia sido o pai e o filho que agora Dona Beatriz tinha nos seus braços, o bebé moreno que ela pensava devolver a Josefina, era na verdade filho de Miguel e da própria Dona Beatriz.

    Miguel, que havia escutado tudo de fora da cabana, entrou a cambalear. O seu rosto era uma máscara de dor e confusão. “O que significa tudo isto?”, perguntou com voz quebrada. “Esse menino é meu?” Josefina não pôde responder. Não sabia o que dizer, como explicar a teia de enganos e violações que havia levado a este momento. Remedios falou por ela.

    “Sim, Miguel, esse menino é teu, mas não é de Josefina, é da senhora.” Dom Rodrigo, que havia escutado toda a confissão de Remedios com expressão de pedra, finalmente falou. “Então”, disse lentamente, “o filho que a minha escrava pariu é meu e o filho que a minha esposa pariu é do meu outro escravo.”

    Virou-se para Dona Beatriz, que soluçava na cama. “Desonraste o meu nome, a minha casa e a igreja. Deitaste-te com um padre e com um escravo. Tentaste enganar-me fazendo-me criar o filho do teu amante como se fosse o meu herdeiro.” Virou-se para o Padre Tomás, que estava ajoelhado a rezar. “E tu, homem de Deus, profanaste os teus votos e mentiste sob o manto da religião.”

    O que se seguiu foi rápido e brutal. Dom Rodrigo, fazendo uso do seu poder absoluto como amo da fazenda, ditou sentença. Dona Beatriz seria devolvida à sua família em Cartagena, repudiada e sem dote. O escândalo persegui-la-ia o resto da sua vida. Jamais poderia voltar a casar-se.

    O Padre Tomás seria denunciado ao bispo, despojaram-no da sua batina e exilaram-no para um mosteiro remoto nas montanhas, onde passaria o resto dos seus dias em penitência. Miguel seria vendido para uma fazenda no sul, longe, onde nunca mais pudesse voltar a ver o seu filho. E Josefina, Josefina ficaria em San Cristóbal, a criar o filho de Dom Rodrigo como mais um escravo.

    Mas o destino ainda tinha uma última carta para jogar. Naquela mesma noite, enquanto a fazenda estava submersa no caos e no escândalo, Miguel tomou uma decisão. Não permitiria que lhe tirassem o seu filho, mesmo que fosse filho também de Dona Beatriz. Esse menino carregava o seu sangue, o seu nome, a sua esperança. Reuniu os escravos de confiança e propôs-lhes o plano que havia estado a preparar durante meses, escapar para o palenque das montanhas.

    Mas Miguel não fugiu sozinho. Entrou na casa grande com o coração a bater como um tambor de guerra e pegou no bebé moreno dos braços de Dona Beatriz. “É meu filho”, disse simplesmente. Beatriz não resistiu. Talvez estivesse demasiado cansada, talvez sentisse que merecia perder tudo o que havia tentado proteger. Miguel saiu do quarto com o bebé embrulhado em mantas e correu para a cabana onde Josefina jazia.

    “Vem comigo”, implorou-lhe. “Fugimos juntos. Criamos este menino como nosso.” Josefina, fraca e ainda a sangrar, olhou para ele com olhos cheios de lágrimas. “Não posso”, sussurrou. “Não posso deixar o outro bebé. É filho de Dom Rodrigo. Sim, mas saiu do meu ventre. Carreguei-o 9 meses a senti-lo crescer dentro de mim. Não o posso abandonar.” Miguel compreendeu.

    Naquele momento compreendeu a terrível complexidade do amor, do dever, do destino. Josefina não podia fugir porque o seu coração estava dividido entre o filho que havia parido e o homem que amava. “Então irei sozinho”, disse Miguel com voz embargada, “mas criarei o nosso filho em liberdade. Ensinar-lhe-ei a ler e a escrever. Falar-lhe-ei de ti, da tua valentia.

    “Do teu sacrifício e, quando for maior, se quiser, voltará para te procurar.” Beijaram-se pela última vez, um beijo que sabia a lágrimas e a despedida. Depois Miguel perdeu-se na noite com o bebé contra o seu peito, seguido por um grupo de escravos decididos a arriscar a vida pela liberdade. Josefina ficou na cabana a abraçar o vazio que Miguel havia deixado.

    Dom Rodrigo descobriu a fuga ao amanhecer. Mandou os seus homens perseguir os fugitivos, mas Miguel e o seu grupo conheciam bem o terreno. Moveram-se rapidamente, escondendo-se de dia e caminhando de noite. Três semanas depois chegaram ao palenque de San Basilio nas montanhas. Os cimarrones receberam-nos com cautela, mas ao verem o bebé e ouvirem a sua história aceitaram-nos.

    Miguel tornou-se mestre do palenque, ensinando a ler e a escrever às crianças nascidas em liberdade. O seu filho, a quem chamou Tomás, em cruel ironia pelo padre que havia sido parte da tragédia, cresceu forte e livre, sem correntes nem amos. Josefina ficou em San Cristóbal a criar o filho de Dom Rodrigo. O menino, a quem chamaram Rodrigo Filho, cresceu sem saber que a mulher que o amamentava, que o embalava nos seus braços, que lhe cantava canções em língua africana, era a sua verdadeira mãe.

    Dom Rodrigo deu-lhe um tratamento especial, não por amor, mas por orgulho. Era o seu único herdeiro legítimo. Quando Rodrigo Filho completou 5 anos, o seu pai enviou-o para estudar em Bogotá, para casa de uns parentes. Josefina não voltou a vê-lo. Os anos passaram. Dom Rodrigo envelheceu amargurado e solitário. Dona Beatriz morreu em Cartagena de febres sem nunca ter voltado a pisar San Cristóbal.

    O Padre Tomás cumpriu a sua penitência no mosteiro e morreu ali, velho e arrependido. Josefina continuou a servir na casa grande. Viu passar as estações, as colheitas, as vidas. Teve outros dois filhos de homens diferentes, todos escravos. Viu-os crescer, trabalhar, sofrer.

    E todas as noites, antes de dormir, rezava por Miguel e por Tomás, o filho que nunca havia segurado nos braços, mas que vivia no seu coração. Em 1821, quando a Grande Colômbia obteve a sua independência e foi proclamada a liberdade de ventres, Josefina tinha 56 anos. A lei dizia que os filhos de escravas, nascidos depois dessa data, seriam livres ao completarem 18 anos. Mas Josefina já era velha e cansada.

    As suas costas estavam curvadas, as suas mãos tremiam. Dom Rodrigo havia morrido dois anos antes, deixando a fazenda a Rodrigo Filho, que a administrava de Bogotá sem a visitar jamais. Um dia de setembro, um homem jovem chegou a San Cristóbal. Era alto, de pele escura, com olhos inteligentes e porte digno.

    Perguntou por uma mulher chamada Josefina, que havia sido escrava de Dom Rodrigo de Mendoza. Os escravos velhos, os que ainda restavam, levaram-no até ela. Josefina estava sentada debaixo da sumaumeira, a mesma árvore onde tantos anos atrás havia conhecido Miguel. “É a Josefina?”, perguntou o jovem. Ela acenou com a cabeça a olhá-lo com curiosidade. “Sou Tomás”, disse ele. “Miguel era o meu pai.

    “Morreu o ano passado, mas antes de morrer contou-me a sua história. Pediu-me que viesse procurá-la.” Josefina sentiu que o coração lhe parava. “Miguel…”, sussurrou, “viveu livre?” Tomás sorriu. “Viveu livre e ensinou-me tudo o que sabia. Agora sou mestre no palenque. Vim levá-la comigo, se quiser vir.”

    Josefina olhou à sua volta para a fazenda que havia sido a sua prisão durante quase 40 anos. Olhou para os escravos que ainda trabalhavam nos campos à espera de uma liberdade que chegava demasiado lenta. Olhou para a casa grande onde havia dado à luz um filho que nunca foi seu e havia perdido o homem que amava.

    E depois olhou para Tomás, o filho de Miguel, que lhe estendia a mão oferecendo-lhe algo que nunca havia tido. Uma escolha. “Sim”, disse finalmente, “quero ir consigo.” Levantou-se a tremer e pegou na mão do jovem. Caminharam juntos em direção à saída da fazenda, duas figuras sob o sol do entardecer. Josefina não olhou para trás. Deixou para trás a dor, a vergonha, os segredos.

    Levava consigo apenas as suas lembranças e a certeza de que no final o amor havia sido mais forte do que as correntes. Chegaram ao palenque uma semana depois. Era um lugar pequeno, mas bonito, rodeado de montanhas verdes e cascatas. Os cimarrones viviam em casas de madeira, cultivavam os seus próprios alimentos, criavam os seus filhos em liberdade.

    Quando Josefina entrou na vila, os habitantes receberam-na com cânticos. Tomás levou-a para uma casa pequena, limpa e acolhedora. “Esta será a sua casa”, disse. “Aqui pode descansar. Ninguém lhe dirá o que fazer, para onde ir. É livre.” Josefina viveu os seus últimos anos no palenque, rodeada de pessoas que a respeitavam e a amavam.

    Ajudava com as crianças pequenas, contava histórias da fazenda para que as novas gerações soubessem de onde vinham. E todas as noites, antes de dormir, falava com Miguel em voz baixa, como se ele ainda estivesse ao seu lado. “Conseguimos”, dizia-lhe. “No final conseguimos.” Morreu em 1828 em paz, rodeada de Tomás e dos outros habitantes do palenque.

    Enterraram-na debaixo de uma sumaumeira, igual à que havia em San Cristóbal, porque ela havia pedido que assim fosse. E na sua sepultura, Tomás gravou com as suas próprias mãos uma palavra que o seu pai lhe havia ensinado a escrever tantos anos atrás, a mesma palavra que Miguel havia desenhado numa casca na primeira vez que Josefina o viu. Liberdade.

  • O XEQUE-MATE NO SENADO: LIRA USA LULA PARA HUMILHAR ALCOLUMBRE E PAVIMENTAR ROTA DE PODER ATÉ 2030

    O XEQUE-MATE NO SENADO: LIRA USA LULA PARA HUMILHAR ALCOLUMBRE E PAVIMENTAR ROTA DE PODER ATÉ 2030

    O recente recu do senador Davi Al Columbre nas relações com o governo Lula, evidenciado pelos seus acenos públicos de distensão, não é apenas um sinal de apaziguamento com o executivo, mas sim o resultado de um profundo temor e de uma inquietude política provocados por uma jogada de mestre do deputado Artur Lira.

    O gesto de Lira ao participar de um evento oficial e rogar um quarto mandato para o presidente foi muito mais do que uma simples cortesia. Foi um movimento de vingança calculada que desestabilizou o cenário no Senado e pavimentou o caminho do próprio Lira para um futuro de poder em Brasília. A cena se deu em um momento de alta tensão entre o Palácio do Planalto e o Congresso.

    Na cerimônia de sanção da lei de isenção do imposto de renda, Lira, na ausência notável do deputado Hugo Mota, assumiu o papel de porta-voz da Câmara. Ao desejar publicamente a Lula um novo mandato presidencial, Lira não apenas quebrou a rigidez do protocolo, mas também se projetou como a solução imediata para os problemas de governabilidade do executivo.

    Lula versus Lira: o duelo do ano promete

    A mensagem era clara: “Eu sou a ponte. Eu garanto a pauta e diferente dos meus colegas, eu não hesito em negociar a estabilidade.” Essa ação de Lira causou um incômodo monumental em Davi Al Columbri. O senador, que ambiciona a recondução à presidência do Senado em 2027, interpretou o aceno como um passo agressivo de Lira para cavar uma vaga na Casa Alta e até mesmo na sua liderança.

    Embora alguns analistas considerem exagerada a ideia de Lira, um neófito na casa, assumir o comando do Senado imediatamente, a inquietação de Alcol Columbre é genuína, porque ele enxerga na jogada uma ameaça direta à sua própria perpetuação no poder. A jogada de Lira nesse contexto foi uma retaliação a um histórico de atritos como o veto de Alcol Columbria à Ascensão de Lira na presidência da Federação entre o Progressistas PP e o União Brasil.

     

    A força da manobra de Lira reside em seus desdobramentos subsequentes, que por coincidência ou não, ocorreram em rápida sucessão, fortalecendo a narrativa de que ele é o verdadeiro articulador. Primeiro, o deputado Hugo Mota simplesmente desapareceu do debate político central. Desmoralizado por sua ausência no evento e pela falta de liderança na Câmara.

    Segundo Davi al Columbre se viu forçado a recuar na disputa pela sabatina de Jorge Messias, adiando a votação e fazendo um aceno de paz a Lula, inclusive com gestos públicos constrangedores. O senador, já fragilizado por ser ligado a investigações e por ter tentado usar Renan Calheiros como relator para confrontar Lira, sentiu o peso da desestabilização.

    A vulnerabilidade de Alcol Columbre foi exposta de forma decisiva. Ele está ciente de que por ter sentado sobre pautas importantes como a anistia, ele enfrenta a resistência de bolsonaristas e de outros grupos para ser reconduzido em 2027. O gesto de Lira, ao mostrar que o presidente Lula tem um apoio poderoso no legislativo, diminuiu o poder de baganha de alcolumbre e o colocou em uma posição de submissão ao executivo.

    O vazamento de suas supostas exigências por cargos em grandes bancos estatais e agências reguladoras como CVM CAD apenas reforçou sua imagem de negociador movido por interesses. A jogada de Lira, mesmo que não visasse diretamente a presidência do Senado, foi um investimento estratégico de longo prazo.

    Ao se tornar a opção de estabilidade para o governo Lula, Lira não apenas garantiu sua própria relevância, mas também criou um cenário favorável para 2027. Se ele desistir da candidatura ao Senado, que é arriscada e o colocaria como neófito na casa e buscar a reeleição na Câmara, ele terá o apoio irrestrito do executivo para ser reconduzido à presidência daquela casa.

    A reeleição de Lira na Câmara seria uma vitória crucial para ele, permitindo-lhe passar mais 4 anos como um dos homens mais poderosos da República, apoiado pelo Planalto. Esse cenário o posicionaria perfeitamente para 2030, quando a vaga para o Senado em Alagoas estará aberta com a potencial reeleição de Renan Filho ao governo.

    Disputar o Senado em 2030, após 4 anos de presidência da Câmara, seria um movimento muito mais seguro e tranquilo, garantindo-lhe uma carreira política duradoura e blindada. O aceno a Lula, portanto, foi o primeiro lance em um jogo de xadrez que visa o poder até o final da próxima década. O manifesto Brasil segue atento, pois essa manobra expôs a Guerra Fria dentro do Congresso e a forma como os líderes utilizam a presidência da República como um ativo para suas disputas pessoais.

     

    A jogada de Arthur Lira, ao amedrontar Davi ao Columbre demonstrou que na política a percepção de poder muitas vezes é mais importante do que o poder real. E o presidente Lula, ao aceitar esse aceno, ganhou um poderoso aliado contra os elementos desestabilizadores do legislativo. A forma como Artur Lira executou a manobra na cerimônia de sanção da lei de isenção do imposto de renda revela uma inteligência política que contrasta com a ingenuidade de seus adversários.

    Lira se aproveitou da ausência do deputado Hugo Mota, que queria dar um recado de descontentamento ao executivo, e transformou o vácuo de poder em uma demonstração de lealdade e pragmatismo. Mota, ao tentar ser um antagonista, acabou se tornando um codiuvante na ascensão de seu rival. O contraste entre a eloquência e o timing perfeito de Lira e a atitude birrenta de Mota foi devastador para o atual comando da Câmara.

    No Senado, o impacto foi sentido de maneira mais viseral. A relação entre Alcolumbre e Lira é marcada por uma rivalidade profunda. E o senador temia que Lira, com seu capital político e sua máquina de articulação, pudesse de fato se tornar um concorrente para a presidência da casa. A derrota de Alcol Columbre na questão da Sabatina, dias após o aceno de Lira, fez com que a narrativa de que o ex-presidente da Câmara havia se tornado o favorito do executivo se consolidasse.

    Essa percepção forçou ao Columbia a engolir o próprio orgulho e buscar o apaziguamento com o governo evidenciado por seus elogios públicos no Amapá. A influência da jogada de lira se estende para além do Congresso e atinge o próprio centrão. Com a candidatura de Flávio Bolsonaro, que desagradou a cúpula do Centrão por ser vista como uma manobra familiar, Lira ganha ainda mais autonomia.

    A possível neutralidade do seu partido, o Progressistas PP, em 2026, significa que Lira não estará preso a um candidato de oposição fraco. Ele terá liberdade de ação total para se alinhar com o executivo e garantir seus próprios objetivos de longo prazo. Essa neutralidade partidária, que no passado seria vista como fraqueza, torna-se a arma mais poderosa de Lira para negociar com o presidente Lula.

    Lira e Alcolumbre resistem ao desembarque de partidos da base do Governo; entenda – O Brasilianista

    O cálculo de Lira é complexo, mas brilhante. Ele utiliza a instabilidade alheia à fragilidade de Mota, o medo de alcolumbre, a inelegibilidade de Bolsonaro como moeda de estabilidade para o executivo. Ao se apresentar como o único capaz de garantir a governabilidade no Congresso, ele se torna um agente indispensável, protegendo-se de qualquer revés judicial ou político.

    A lição de Lira é que a política brasileira moderna é um jogo de alianças pragmáticas, onde a lealdade é temporária e o poder institucional é o único objetivo duradouro. O manifesto Brasil conclui que o recu de Davi ao Columbre não foi um ato de reconciliação, mas de sobrevivência diante do avanço de um adversário interno mais astuto.

    Artur Lira, ao rogar um quarto mandato para Lula, assegurou seu próprio futuro, demonstrando ser o jogador mais sagaz do tabuleiro político atual. E é por essa análise minuciosa que desvendou a vingança de Artur Lira e o pânico de Davi ao Columbre, que precisamos do seu apoio. O manifesto Brasil está aqui para expor as manobras de poder e as negociações de bastidores que definem o futuro do nosso país.

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    Contamos com você para fortalecer a análise. O recente recu do senador Davi Al Columbre nas relações com o governo Lula, evidenciado pelos seus acenos públicos de distensão, não é apenas um sinal de apaziguamento com o executivo, mas sim o resultado de um profundo temor e de uma inquietude política provocados por uma jogada de mestre do deputado Artur Yeah.

  • A Inépcia Fatal: Flávio Bolsonaro Joga Sua Carreira na Lata do Lixo e o Centrão Garante a Derrota

    A Inépcia Fatal: Flávio Bolsonaro Joga Sua Carreira na Lata do Lixo e o Centrão Garante a Derrota

    A declaração do Flávio Bolsonaro que a candidatura dele tinha um preço foi uma das maiores bobagens políticas dos últimos anos, porque a candidatura do Flávio tá sofrendo uma pressão muito forte do centrão. Inclusive haveria uma reunião do Flávio com Cassciques do Centrão e as lideranças simplesmente não foram, sabotaram a reunião do Flávio Bolsonaro porque eles têm a preferência pelo Tarcísio de Freidas.

    Eles acham que o Tarcíio é mais competitivo do que o Flávio. Só que a gente sabe que não tem nada disso. Tanto Flávio quanto Tarcísio ou Bolsonaro ou Eduardo ou quem quer que seja vai ter a mesma votação no segundo turno contra o Lula. Até mesmo Thomas Stra manda ver já falou que Flávio candidato favorece a vitória de Lula no primeiro turno. Falso.

    Porque qualquer candidato favorece a vitória de Lula no primeiro turno. Porque Lula tem possibilidade de vitórias no primeiro turno em todos os institutos de pesquisa. Mas nessa condição de fragilidade da candidatura, quando o Flávio vem e coloca que a candidatura dele tem um preço, ele fala ou ele mostra que a candidatura dele não é séria e isso favorece a narrativa do centrão, que a candidatura dele precisa ser descartada.

    Flávio diz que não retira pré-candidatura sem Bolsonaro livre e nas urnas |  CNN Brasil

    Aí depois ele veio, tentou concetar falando que a candidatura dele é uma candidatura forte, não tem volta. Até achei que pudesse ser uma estratégia para confundir todo mundo, mas uma coisa tão confusa, tão estúpida, que eu acho que não tem estratégia nenhuma. E eu quero que você coloque nos comentários se você acha que a candidatura do Flávio Bolsonaro ela é verdadeira ou ela é o embuste de Bolsonaro.

    Você acha que Flávio vai resistir com a candidatura até o final ou o centrão vai conseguir pressioná-lo para que ele desista? Toda essa história de anunciar a candidatura, depois voltar atrás e voltar atrás da desistência, foi uma estratégia ou o Flávio errou e tentou corrigir o erro dele? Considera essa candidatura fraquíssima? Se sim, claro, like no vídeo se você concorda comigo e se inscreva no canal.

    O Flávio Bolsonaro foi anunciado, ou ele mesmo anunciou que ele era o indicado pelo Bolsonaro para ser o candidato em 2026. OK? Isso foi na sexta-feira, no sábado, o Flávio Bolsonaro veio a público depois uma grande repercussão negativa do centrão e do mercado, dizendo que ele poderia deixar de ser candidato, mas isso tudo haveria um preço e o preço seria a liberdade do Bolsonaro.

     

    Então, Fábio deu a ideia ou transmitiu a ideia que a candidatura dele estaria condicionada ao projeto de anichia do Bolsonaro. E essa fala foi a pior possível, porque ficou muito claro que a candidatura dele não é uma candidatura séria, é uma não candidatura. E se não há uma candidatura séria, as pessoas não se engajam. E mesmo o objetivo dele, que é anicha Bolsonaro, fica ainda mais fraco.

    Porque olha, se seu objetivo é soltar o seu pai e você tá barganhando sua candatura, essa candidatura não vai prosperar, você é um tosco. Então, sabendo disso, o Flávio tentou atenuar a situação no domingo dizendo que a o preço dele seria eu abro mão da minha candidatura contando que o meu pai seja candidato, mas a candidatura dele não tem volta, ele vai ser o candidato mesmo.

    Ou seja, é um completo de um LORPA. Tanto que a Veja divulgou que o centrão não leva a candidatura do Flávio a sério. Eles acham que o que o Flávio Bolsonaro de fato vai desistir da candatura dele. E eu comecei a desconfiar que tudo isso era uma estratégia de guerra híbrida da família Bolsonaro. Algo que foi muito utilizado por Bolsonaro em 2018 e no começo do governo dele.

    A guerra híbrida na comunicação e foi muito utilizado pelo Steve Bennon que é guru do Bolsonaro e dos filhos dele. Ela é utilizada para confundir a cobertura política. Então solta uma informação de supetão que ninguém está esperando pelo próprio agente propagador da notícia ou por um veículo não convencional de mídia. é uma notícia que confunde e na sequência essa notícia é desmentida, pegando todo mundo de calça curta.

    Então isso foi muito utilizado. Na época do Gustavo Bebiano, quando ele foi demitido, quem divulgou a notícia foi o antagonista, que não é um site de primeira grandeza. Aí veio o Bolsonaro desmentindo a demissão do Bebiano. Passado duas semanas, o o Bebiano foi demitido mesmo. E agora aconteceu mais ou menos isso.

    O Flávio divulga a sua candidatura, depois ele fala que vai desistir, negando a candidatura dele e vê na repercussão ele vai e nega a desistência tentando confundir todo mundo. Mas isso foi uma grande burrice. Por quê? Porque há uma tentativa do centrão de desacreditar a candidatura dele, Flávio. Então, essa família Bolsonaro, eles fazem absolutamente tudo errado.

    Principalmente o Bolsonaro faz filhos todos errados. Porque o centrão ele começou a divulgar logo que a candidatura saiu, que seria uma candidatura balão de ensaio, que é uma candidatura que não é séria, que é uma candidatura só para atender aos interesses da família Bolsonaro. E por que que o centrão está fazendo isso? Porque mesmo que seja uma candidatura para atender um interesse ou um objetivo pontual do Bolsonaro, se a candidatura do Flávio pegar tração, pegar musculatura, ele saia como candidato.

    Então o centrão quer fazer o quê? Quer reduzir a candidatura do Flávio Bolsonaro a uma candidatura falsa para evitar que haja um engajamento. Porque se é uma candidatura que não existe, se uma candidatura fantasma, uma candidatura fake, por que a militância bolsonarista, que ainda é numerosa nas redes sociais, vai se engajar, não vai? E quando o Flávio vem da própria boca dele e fala que ele tem um preço, que ele pode desistir, ele faz o jogo do centrão.

    Esse cara, ele é uma besta, ele é burro politicamente ele é burro. E esse é um dos meus principais problemas políticos com o Bolsonaro e seus familiares. Eles são burros, eles não sabem jogar. Isso me incomoda demais. Quando o cara vem e fala que ele pode desistir, ele reforça tudo que aqueles que são contrários à candidatura dele querem e enfraquece inclusive a situação do pai.

    Olha esse cara, ele é terrivelmente imbecil, terrivelmente imbecil, muito tosco. E no dia seguinte sai o Datafolha mostrando que o Flávio tá muito enfraquecido. Inclusive o centrão usou, está usando Datafolha para desacreditar a catura do Flávio, falar: “Olha o Flávio não tem chance nenhuma, o que é falso, porque o Datafolha foi divulgado com os dados coletados antes do anúncio do Flávio como candidato.

    Ele nunca foi considerado um candidato viável. Ele era especulado, mas o nome dele corria ali muito, muito por fora. Era o Bolsonaro, sempre o preferencial. Aí tinha o Tarcísio e a Michele. O Flávio não aparecia, que apareceram o Eduardo. Então não dá para considerar o Datafolha para mensurar o poder, a força ou não do Flávio.

     

    E o Data Folha mostrou algo que o Flávio, mesmo aparecendo bem atrás do Lula, ele ainda é um candidato competitivo. Porque no atual cenário de divisão política e cristalização da politização, que as pessoas querem falar de chamar de polarização, o Flávio é um candidato viável. Porque se você for pegar a média do do Lula para os seus adversários, há uma oscilação dentro da margem de erro.

    Na média, o Lula tem 49% das intenções de votos e os seus adversários têm 40. Todo mundo oscila dentro desse desse desse valor, dessa média. Não há muita diferença. Então, o Flávio, mesmo ele sendo rejeitado, tendo rachadinha, como o centrão quer minar a candidatura dele, ele ainda é um candidato tão competitivo quanto Tarcísio, quanto Michele, quanto o próprio Bolsonaro.

    Ele vai ter uns 40%. O Flávio é fraco, não pelo dataf, o Flávio é fraco por ele ser fraco, por ele ser um candidato que nem empolga ninguém. Esse é o problema do Flávio. E o centrão está sabotando essa candidatura dele, porque depois que ele foi, voltou, falou que ia, falou que não ia, ele tentou realizar uma reunião com lideranças do Centrão, com a liderança do PL, que é o partido dele, com a liderança do PP, com liderança do União Brasil e do Republicanos.

    Flávio confirma pré-candidatura à Presidência em 2026 | Política | Valor  Econômico

    Isso é em Brasília para tentar estancar a crise. Só que essas lideranças esvaziaram a reunião. Ninguém foi, deixaram o Flávio falando sozinho. Só que aí que tá a questão. O Flávio, pelo fato de ter o sobrenome da família Bolsonaro, de ser Flávio Bolsonaro, não precisa do apoio dos partidos, o centrão para ter uma candidatura viável.

    Essa história de estrutura regional, capilaridade é algo que era importante. Ainda é importante, mas bem menos importante do que já foi no passado. O Flávio não precisa de bênção de partidos do centrão para disputar e ser um candidato competitivo em 26 ou para ter a mesma quantidade de votos do Tarcísio. Se Flávio disputar com o Lula e Flávio for derrotado e isso vai acontecer, não.

    O Tarcis não significa que o Tarciso iria ganhar. O Tarcis tem a mesma quantidade de votos do Flávio, porque o país ele está muito dividido. A polarização ela está muito cristalizada. Se o Flávio quiser sair mesmo como candidato, ele sai, ele peita e derrota o Tarcísio, que se for sair pelo Republicanos, o PSD com Ratinho Júnior, ele derrota todos, porque ele, diferentemente do do Tarcísio, do Ratinho, ele tem valores muito mais explícitos em termos políticos e ideológicos do que Ratinho Tarcísio.

    Que que esses em termos nacionais qual que é o pensamento deles? Não há. Então, não há esse engajamento todo em torno de Tarcísio e Ratinho. Ah, mas o Flávio é fraco. Sim, o Flávio ele é extremamente fraco, mas o fato dele ser ter o sobrenome Bolsonaro, ele já desperta paixões, mesmo ele sendo completo de um nada.

    Mas eles não sabem disso. Aí o problema é deles, né? Mas tá sendo sabotado pelo central e ele se ajuda falando que vai abandonar a candidatura. Nossa, mas é muito burro. É muito burro.

  • JUÍZA EXPÕE CRIME DE SERGIO MORO NA MORTE DE TEORI ZAVASCKI E PEDE PRlSÃO!! PF PEGOU PROVA-CHAVE!!!

    JUÍZA EXPÕE CRIME DE SERGIO MORO NA MORTE DE TEORI ZAVASCKI E PEDE PRlSÃO!! PF PEGOU PROVA-CHAVE!!!

    E ferrou pro Sérgio Moro, hein? Acabou aí para o Sérgio Moro. Veremos aí muito próximamente um dos agentes da CIA no Brasil dos Estados Unidos sendo presos, que é Sérgio Mori. Ó, vai ser provavelmente a primeira vez na história que alguém aí infiltrado dos Estados Unidos no Brasil acaba preso. E a chance aí do Sérgio Moro não ser preso cada dia é menor.

    Que que aconteceu? Na semana passada teve uma operação de busca apreensão da Polícia Federal na 13ª Vara de Curitiba. OK? Ali eu falei, é uma operação por conta da delação do Tony Garcia. O Tony Garcia começou falando e ele falou coisas ali que pareciam até absurdas no começo, porém a Polícia Federal conseguiu provas de boa parte do que ele tava falando.

    Isso lá atrás em 2023. Aí passou 2023, passou 2024, o ministro de Astófoli do Supremo Tribunal Federal, que é o relator da investigação, ele passou a pedir informações ali paraa 13ª Vara Criminal de Curitiba, que é onde trabalhou Sérgio Moro e a Gabriela Hart, a juíza do Cupia e Cola, eles se recusavam a dar essas informações para o Diastófolo.

    Teori Zavascki e o fascínio de Sergio Moro pelos holofotes - Época

    Então, depois passado muito tempo, o Diastofol ele aproveitou um timing e fez uma operação aí e agora ele vai para cima do Sérgio Moro. Eu vou te explicar por o timing do Toffol. Muitos estão se perguntando, Thiago, mas por que agora ele tá fazendo isso? Por que que não fez antes? Por que que não fez depois? Tem aí duas coisas.

    A primeira é que o timing dessa operação é exatamente para que o Sérgio Moro se ferre bem no ano eleitoral, que é o ano que vem, 2026, que exatamente que ele fazia com os alvos da Lava-Jato. Ele esperava o período eleitoral para começar a fazer um monte de operação. A diferença é que ele perseguia a gente sem provas e agora o Diastófoli tá munindo de muitas provas contra ele.

    A operação conseguiu cumprir o seu objetivo. O despacho do Diastofol dizia ali que eles queriam uma caixa amarela, porque é nessa caixa amarela onde o Tony Garcia disse que o Sérgio Moro colocou ali gravações que o Tony Garcia fez a manda do Sérgio Moro. Entre elas uma gravação da chamada festa da cueca, que foi uma festa de desembargadores, principalmente do TRF4, que é ali um tribunal do Sul do Brasil.

     

    E esses desembargadores, teve um jogo da seleção brasileira no Rio Grande do Sul. E esses desembargadores era uma mega festa com prostitutas, só que a maioria desses desembargadores era casado. Aí você fe, ih, deu ruim. Aí, segundo aí o Tony Garcia, o Sérgio Moro conseguiu a fita de eh de dessa festa aí e utilizou isso para fazer chantagem contra esses desembargadores.

    É por isso que o TRF4, eles faziam tudo que o Sérgio Moro mandava. Todas as decisões absurdas do Sérgio Moro eram referendadas pelos três bandidos do TRF4, inclusive a prisão do Lula, etc, etc. Fala que coisa. Então eles estavam sobem, é, mas que lixos humanos, né? Fazendo coisa errada e depois não assume como um adulto. OK. Quando o Tony Garcia falou isso a primeira vez, parecia algo assim, pô, pera aí, é muito fantasioso isso aí.

    Porém, depois eh, a polícia conseguiu um despacho que eu vou te mostrar aqui, em que eh tinha ali as ordens do Sérgio Moro pro Tony Garcim, inclusive para espionar pessoas que tm foro privilegiado. Esse aqui é o despacho, tá? Quem me segue na na rede social, eu publiquei isso aqui no Twitter, essa imagem, tá? Aí você pode olhar lá, tá mandando ali eh e ele espionar o Reins, que é senador, tá mandando ali, ó, Roberto Siqueira, Sérgio Malucelli, Sérgio Malucelli aí, ó, ele é pai do do da esposa do filho do Moro, tá? Familiar do Moro hoje. Eh, e

    vários outros. O Malucelli foi, inclusive, ele é o desembargador que foi o o pioneiro ali, a pioneiro não, o principal ali que afastou o juiz Eduardo Apio da Lava-Jato. Foi ali uma arapuca que fizeram o o Malucelli com o Sérgio Moro para afastar o Eduardo Apo, porque ele estava tornando públicas aí as coisas que o Sérgio Moro fez, no caso os crimes do Sérgio Moro.

    Aí, OK, Sérgio Moro conseguiu ali afastar o Eduardo AP, porém o tempo passou e agora a Polícia Federal fez essa operação. E segundo aí a Polícia Federal e segundo saíram matérias até a dama da SEC News, que é uma jornalista lavajatista do gabinete do ódio do Tarcísio, que é Andresa Mata do Metrópolis, ela fez matéria dizendo: “Ó, a Polícia Federal achou a caixa amarela e achou o vídeo da festa da cueca.” fala.

    Então tudo que o Tony Garcia falou era verdade. Olha, tem aquela de que quem conta um conto aumenta um ponto e tal. Você pode falar: “Não, era muito mirabolante o que falava o Tony Garcia, ele deve est aumentando alguma coisa, pelo menos.” Não. A polícia provou tudo o que ele falou. A giripca vai piar para cima do Moro feio.

    Só que tem uma coisa que piora. O 247, o Joaquim de Carvalho, fez uma entrevista a semana, nesse final de semana com uma jorn uma jornalista, uma juíza, a juíza Luciana Bauer, na a juíza, vou mostrar aqui foto da juíza, tudo mais, vou mostrar melhor, melhor ainda um vídeo dela, da Luciana Bauer. Tá aqui a foto dela.

    Ixi, saiu aqui o negócio, tá? Tá aqui o vídeo dela. E ela faz uma denúncia contra o Sérgio Moro que eu vou te mostrar aqui agora que você vai falar o quê? Pera aí, a coisa, o buraco é bem mais embaixo com Sérgio Moro. Tá com vocês aqui. Ex-juíza, né? Ela saiu da magistratura, ela fugiu do Brasil, que ela fugiu do Sérgio Mouro.

     

    Juíza foi ameaçada pelo Moro. Com vocês aqui o relato dela. Quem era? Ela falou que só que era uma pessoa da Petrobras que tinha e esse processo específico ela pagou a liberdade que eu consegui naquele corps. Eu nem lembro mais. Eu tinha guardado todas as as provas de quem era. Ela falou que só que era uma pessoa da Petrobras, que tinha que continuar presa porque eh, enfim, ele tava quase fazendo a delação e tinha que continuar preso que o MPF ia mandar no outro dia um outro processo para aprender que ia ser inútil soltar. Não tinha uma balela ali,

    mas enfim, não vi ela, coloquei ali a ordem de soltura que não é feita de noite, é feito de manhã, né? E sempre antes de entregar o plantão, às 11 horas, geralmente a gente entregava, eu dou mais uma dava mais uma revisada na PROC e vi que foi apagado. Ah, daí eu fiquei, fiquei muito bravo com ela e peitei ela, peitei a vara e foi então que o Moro me pegou no elevador e me pegou pelo pescoço e me ameaçou.

    Vocês estão ouvindo a gravidade aí? Ela falou: “O Sérgio Moro me pegou pelo pescoço e me ameaçou”. Falou: “O quê?” Sérgio segundo ela, o Sérgio Moro pegou ela, agrediu ela no elevador e ameaçou, falou que acabar com a vida dela e tudo mais. Aí ela conta que carros da Polícia Federal passaram a rondar a casa dela.

    Só que se você acha que ela juíza não denunciar ninguém, ela denunciou. Aí vem a pior parte aí da história dela. Vocês aqui o resto do relato dela. Uma parte, né? Biblioteca grande ficava num janelão da frente e eu sentava, ficava horas na minha piscininha, nessa biblioteca trabalhando e começou a passar todo dia um carro da Polícia Federal ali e eu tinha sido ameaçada.

    Eu não sabia se eu se eu denunciava, se eu não denunciava. Eu fiquei totalmente com medo. A única pessoa para quem eu falei foi em dezembro de 2016, eu acho, foi em dezembro, foi para quem foi professor da minha universidade. Eu conhecia porque era tinha sido eh desembargador do TRF4, que foi o Zavask. O Zavasque já tava, eu acho, com o processo do Moro.

    Acho que sim. E eu tava muito assustada. Eu não conseguia nem falar com ele, eu só chorava. E ele muito consternado, ele ele ele falou: “Não se preocupa, só fala comigo, não fala para mais ninguém”. E daí na sequência ele morreu. Ele morreu em janeiro. A princípio eu eu achei que a morte era um acidente, mas o o delegado federal que atendeu o caso dele lá em Parati, três meses depois foi assassinado em Florianópolis.

    O lugar um lugar assim e e se você vai ver as ocorrências de quantos delegados federais foram assassinados, você vê que foi só ele em décadas, né? Então pô, um delegado foi assassinado em décadas, foi o que investigava a morte do Toravas. Lembrando você, Thores Vasco, era o ministro do STF, que poucos dias antes tinha dito que ele ia investigar os desmandos do Sérgio Moro na Lava-Jato.

    O Teó Vasque estava irritadíssimo porque o Sérgio Moro tava cometendo crime atrás de crime. E aí o Teores da Vasc, ele tava num avião, um avião que é considerável a considerado, abre aspas incaível. Por que incaível, Thiago? Porque é um avião que além dele ser um bimotor, então se um motor falha, ele tem outro para para seguir voo.

     

    Esse avião ele consegue planar, então ele consegue eh voar ali, planar por muito tempo sem nenhum motor. Então, se os dois motores falharem que olha, eu vou falar no avião minimotor, falhar um motor, ok, mas falhar o segundo já tá difícil, mas o avião consegue planar. Aí você fala: “Pô, então esse avião não cai. É muito difícil esse avião cair.

    O avião, segundo a a ali a polícia, o avião caiu assim, ó. Tudo indica algum tipo de sabotagem, coisa do tipo, né? Bem estranho, bem estranho. Ou foi atingido por algo, não sabemos. Porque o delegado do caso morreu e entrou um outro delegado que simplesmente falou: “Ó, foi acidente, ponto funé, acabou”. O pior, a caixa preta do avião, ela aguenta impactos até de até 10.

    000 km/h contra concreto duro. O avião caiu na água e vamos lembrar, a caixa preta, ela não tem impacto direto porque ela tá dentro da fuselagem do avião. O avião não caiu a 10.000 km/h, tá? Ele caiu a cerca de 230 km/h na água. A caixa preta se danificou, falou: “O quê?” Pior, pior, piora, Thaago. Pior, é óbvio que piora.

    O assassino do delegado do caso Teores Vasc, ele treinou num clube de tiro chamado Ponto 38, que é o clube de tiro da Júlia Zanata, deputada bolsonarista, o mesmo clube de tiro em que treinou o Adélio com o Flávio, com o Flávio, o Carlos e Eduardo Bolsonaro, os três frequentavam lá. O Adélio, no caso, treinou junto do Carlos nos mesmos dias estiveram lá.

    Mas o Flávio e Eduardo frequentavam também esse clube de tiro. Eles falam: “O quê? É coincidência demais. Olha, uma coincidência, OK, duas, OK, três.” Fala: “Pô, pera aí, começa a ficar”. Você vê um pouquinho de fumaça, você pensa, pô, muita coisa causa fumaça. Você vê mais fumaça, você fala: “Pô, estranho.” Agora, você vê muita fumaça, você fala: “Pô, tem fogo”.

    Se tem muita fumaça, tem alguma combustão, tem fogo aí. Onde tem fumaça, tem fogo geralmente que não fala, ó, nossa, um pouquinho de fumaça, não tá, não tá pegando fogo nada, mas muita, tá, nesse caso é um fumacê danado. Agora você se preparem, já tem muita gente pedindo aí uma investigação da morte do ministro Teores Vasque, tá? eh, para que se saiba em que circunstâncias ele morreu, porque justo quando ele começou a ele disse que ia para cima do Sérgio Moro, aconteceu isso e ele disse, coincidência ou não, alguns dias depois

    de falar com essa juíza que falou: “Ó, o Sérgio Moro tá cometendo crime, Sérgio Moro tá cometendo crime, me agrediu, ele tá me ameaçando, tem carro da Polícia Federal”. Lembrando, em 2016 já havia câmeras nas vias do Brasil, nas ruas do Brasil. Era muito fácil eh provar que um carro da Polícia Federal esteve perto da casa dela, esteve ali na época.

    Você pegava câmeras ali das da rua da casa dela ou de outros lugares, você via ali, ó, pô, o carro tá realmente passando ali. Além disso, a maioria dos carros da Polícia Federal em 2016 já tinha GPS. Hoje todos têm. Em 2016 a esmagadora maioria dos carros da Polícia Federal já tinha GPS.

    Claro que o talvez o pessoal lá, os criminosos, amandos do Sérgio Moro, eh, pudessem desligar o GPS do carro, alguma coisa assim do tipo, mas não era, não é uma coisa fácil, tá? Desligar o GPS do carro da polícia. Eu não digo GPS que você usa lá, o A, esse para para te guiar, e sim GPS que diz onde está esse carro para que tenha ali um controle de onde está o carro, né, da polícia, onde está cada carro, qual é a rota que cada carro faz todos os dias.

    Exatamente. Para um policial não pegar o carro e sair de passeio, né? Pois bem, aí você fala o quê? tudo isso. E aí o cara que ia investigar morreu. Quando ele morre, a Vasa Jato provou depois que teve ali um uma discussão ali no grupo da Lavajato e eles articularam para que o Faquim assumisse, eles diziam assumir a bronca, o Faquim se tornasse o relator da Lava-Jato.

    Faquim se tornou relator e aí ele passou a concordar com todas as decisões do Sérgio Mouro. foi uma maioria que não tinha ainda com Teores Vasco, ele referendava algumas decisões e outras não. E aí ele já tava indicando que não ia mais aceitar nada do Sérgio Moro. Quando ele morre e entra o Faquim, o Faquim passa aí a referendar tudo que faz o Sérgio Moro e aceitar todas as decisões do Moro.

    E aí tinha a maioria ali para poder perseguir o Lula, prender o Lula, acabar aí com a indústria de empreiteiras do Brasil, acabar com a indústria nuclear, a indústria de submarinos nucleares e a indústria naval do Brasil, acabar com tudo. Foi um golpe enorme na democracia do Brasil, um golpe enorme no povo brasileiro e na economia do Brasil.

    Fala que coisa, hein? Quanta coisa. E isso tudo, vamos lembrar, começou lá atrás com Sérgio Moro espionando aí autoridades com foro privilegiado. Só que agora a Polícia Federal tem todas essas provas contra o Sérgio Moro. A segunda parte do timing do Diasto Tófoli, lembra que a primeira, eu falei, tem dois motivos aí dele ter feito isso agora.

    O primeiro foi que o Dias Toffol eh vai fazer com Mouro, exatamente o que ele fazia com os outros, pegar ele no ano eleitoral. O segundo eh teve final da Libertadores na semana aí passada retrasada, né? Flamengo e Palmeiras. Pois bem, sabe quem foi lá? Quem é palmeirense? Foi a final da Libertadores? Diastofoli. Sabe com quem que o Diastofoli foi? Ele foi no jatinho de um advogado do de um dos bandidos, diretor geral do Banco Master.

    Banco Master é aquele banco em que roubaram só de dinheiro público e de pensionistas mais de R bilhões de reais utilizando esse banco. E a investigação prendeu todo mundo. Aí depois a uma juíza de segunda instância soltou o dono do Banco Master. Tá solto. Os outros seguem presos, mas o dono foi foi solto. E aí o que aconteceu? Segundo aí matérias na imprensa, vários veículos aí falaram, ó, Daniela Lima no Wall, falou a André Sad no Globo News, mas vários aí o Metrópolis falava o pessoal lá do chamado Centrão, que é um nome bonitinho

    que a Globo inventou, né, para não chamar de direita esses bandidos. Então, os bandidos à direita não estavam mais dormindo porque eles falaram: “Esse caso, esse caso master vai pegar todo mundo, não vai sobrar um em Brasília, vai ser uma desgraça total para eles.” Porém, quando o Diastófoli levou o caso pro STF, advogados vêm caso master como Lava-Jato 2.

    0 e respiro aliviados com o caso no STF. Teve comemoração, tá? Então, vamos matéria aqui da imprensa, análise defesas do Banco Master. festejam. Decisão de Tofoli. Ele puxou o caso pro STF, um caso multibilionário de roubo de dinheiro público e e aí ele viajou no avião do advogado para ver a final da Libertadores lá no Peru, jogo do Palmeiras.

    Ele palmeirenses fala qual é a chance dele ferrar o cliente desse advogado. Qual é a chance? Saberemos aí nos próximos dias. Mas o pros advogados terem comemorado, você fala que coisa. Então o Diastóf ele falou: “Pô, em vez aí de eu ferrar aqui todo toda a direita na Lava-Jato 2.0 que vai pegar todo esse pessoal, eu vou ferrar um só.

    Vou ferrar o Sérgio Moro. E aí já tira o foco do Banco Master, porque vai todo mundo olhar pro Sérgio Moro. Esse foi o plano do Diastópoli. A gente aqui no Plantão Brasil, nós falamos o que acontece com Sérgio Moro e dos crimes do Moro, mas a gente não pode deixar de lembrar, você plantonista de que o Diastofol está tirando o foco de um outro caso, tá? tá tirando o foco de A para pegar o B.

    Por mim, para prender o Sérgio Moro, ótimo. Dos males o menor, mas agora tem que ir para cima. No caso, Banco Master, isso vai ser cobrado, viu? A gente não vai ficar aqui no Plantão Brasil endeusando de Astófoli quando ele for para cima para prender o Moro, não, porque tem que ir para cima no caso Banco Master também, que os maiores bandidos da atualidade do Brasil estão envolvidos nesse caso.

    Pedido de condenação à prisão de Sergio Moro repercute no mundo político |  CNN Brasil

    Estão falando aí de um caso que são entre 20 e 25 bilhões de reais roubados, tá? E e esse é a pontinha do iceberg, deve ter sido muito mais. Se investigar acha mais. Veremos aí o que vai acontecer no caso do Banco Master. O dono do banco segue solto, tá? Os políticos do centrão seguem dormindo, aliviados. Menos um aí do centrão, não é da direita, tudo direita lá.

    Menos um que é o Sérgio Moro. Esse aí não dorme mais porque acharam o vídeo da festa da cueca. Eu até pensei, caramba, ele ia deixar aquele vídeo na vara de Curitiba há tanto tempo, só que tem uma coisa que tem numa vara criminal. As salas ali onde onde se guardam provas são salas extremamente seguras, com muito controle de segurança, com câmeras, tem que entrar para entrar tem que ter senha, tudo mais, etc, etc.

    Então o Sérgio Moro colocou aquilo como provas num processo do Tony Garcia e aquela prova fica lá para sempre. Porque se alguém tirar aquela prova, Sérgio Moro não é mais o juiz da o juiz de Curitiba. Vamos lembrar disso. Quando ele saiu de Curitiba, ele saiu para ser ministro da justiça do Bolsonaro. Então ele saiu com o rei na barriga, ele saiu todo pomposo assim, ó.

    Agora eu eu que mando, eu mando no Brasil inteiro, eu mando em tudo. Foi o que pensou o Sérgio Moro. Então ele não tirou aquilo enquanto ele ainda era juiz. E aí o que que aconteceu? Agora não tinha mais como tirar. Depois que Tony Garcia fez o relato, nem ele, nem a Gabriela Rertinha poder de fazer alguma coisa. E aí vai fazer o quê? Quem é que ia cometer um crime ali que seria amplamente documentado pros dois? Ninguém.

    E aí a polícia conseguiu pegar a caixa amarela e conseguiu pegar o vídeo da festa da cueca. Os relatos do Tony Garcia estão comprovados. Agora só falta aí a prisão do Sérgio Moro. Mas calma, viu? É pouco a pouco que as coisas vão. Vou me surpreender muito essa prisão do Sérgio Moro sair aí em breve, porque primeiro vão bater forte nele, mas muito forte nele, porque vamos lembrar o Sérgio Moro antes de prender alguém e ele prendia sem provas, hein? Nesse caso tem todas.

    Ele batia forte, forte, forte por muito tempo para depois prender. Então agora vai ser hora de amaciar o Sérgio Moro. Como amaciar o Sérgio Moro? Vamos bater forte aí no Sérgio Moro, mostrando as provas do crime dele, dos crimes dele. Aguardemos, ó, lembra aqui em 2019, quando eu comecei o Plantão Brasil, falava, eu fui o único que falava isso, Mouro e o Bolsonaro vão acabar presos.

    Tinha gente que ainda falava: “Nossa, o Thiago é otimista demais e olha, eles perderam a eleição, até vai, mas presos nunca. tá chegando. Peço a sua inscrição no canal.

  • MALAFAIA SURTA CONTRA FLÁVIO BOLSONARO APÓS AVISO DE PRlSÃO E PLANO DE ANISTIA AFUNDA!! VEXAME TOTAL

    MALAFAIA SURTA CONTRA FLÁVIO BOLSONARO APÓS AVISO DE PRlSÃO E PLANO DE ANISTIA AFUNDA!! VEXAME TOTAL

    E falhou, hein? Fracassou o plano mirabolante aí do Bolsonaro para tentar não ser preso. Bom, preso ele já tá, mas para tentar ser solto, que é o plano aí de anistia. Que que aconteceu? Olha, quem assistiu aqui o último vídeo, eu mostrei como a Polícia Federal tá chegando no senhor Flávio Bolsonaro. Inclusive, nos despachos aí do Alexandre de Moraes, no âmbito das investigações contra facções criminosas, ele começou a citar vários aliados do Flávio Bolsonaro.

    Um deles, que é um advogado, já tá preso por ligações com comando vermelho. Então, a batata do Flávio Bolsonaro tá assando muito rapidamente. Eis que logo depois aí da Polícia Federal fazer mais uma operação e pegar um monte de gente, o Jair Bolsonaro anunciou o Flávio Bolsonaro como seu candidato a presidência. Quem me segue lá no Twitter, eu também publiquei no stories do Instagram, ficou sabendo o que eu falei, que foi: “Olha, já vi a extrema direita utilizar essa tática”.

    A tática é a seguinte, eles vem que a Polícia Federal tá chegando no Flávio Bolsonaro e anunciam o Flávio como candidato à presidência, porque aí quando a polícia fizer uma operação e pegar o Flávio e pegar gente no entorno dele e com talvez até tornozeleira, prisão, etc, etc, eles vão falar: “Olha, é porque o Alexandre de Moraes e a esquerda estão com medo do Flávio Bolsonaro e agora estão perseguindo o Flávio Bolsonaro.

    Bolsonaristas criticam exposição de conversas entre o ex-presidente e  Eduardo, e saem em defesa de Malafaia

    ” Não cheguei a falar no Twitch, deixei aqui pro Plantão Brasil, mas essa estratégia já foi usada, inclusive algumas vezes, tá? Vou te dar aqui exemplos. O Ramagem teve uma operação de busca apreensão que prendeu, isso foi em 2023, que prendeu ali o número dois e o número três da BI indicados pelo Ramagem. Aquela operação tava clara que ia chegar no Ramagem e no Carlos Bolsonaro.

    Que que fez Jair Messias Bolsonaro? Ele no dia seguinte ele peitou o Valdemar Costa Neto. Valdemar tava querendo ali ver quem seria o candidato à prefeitura eh bolsonarista do Rio de Janeiro. O Bolsonaro peitou, passou por cima, não discutiu com não não discutiu, não não dialogou com ninguém e falou: “Nosso candidato é o Ramagem”.

    Por quê? Três meses depois, quando teve uma operação de busca apreensão contra o Ramagem, a narrativa do Bolsonaro foi: “Estão aí perseguindo o nosso candidato à prefeitura do Rio de Janeiro”. Hum. Que coisa também em 2024, no dia 9 de janeiro de 2024, teve uma operação de busca apreensão contra o Carlos Jordi. Carlos Jordi era o então líder da oposição na Câmara dos Deputados e o Carlos Jordi, dois dias depois foi ali também o Bolsonaro, passando por cima de todo mundo, foi escolhido pelo Bolsonaro como candidato à prefeitura de Niterói,

     

    no Rio de Janeiro. Por quê? Porque aí quando tivesse alguma operação contra ele, eles falariam o quê? Olha, estão perseguindo o nosso candidato. São dois exemplos aí claros da última eleição, mas tem vários outros. OK. Agora é a mesma coisa. Polícia tá chegando no Flávio, prendeu um amigo dele. Eh, no último despacho, o Alexandre de Morais citou amigos do Flávio, inclusive um um ex-árbitro de futebol que o Flávio Bolsonaro indicou para ser secretário de esporte do Cláudio Castro.

    O Cláudio Castro foi citado também na decisão do Alexandre de Moraes que prendeu o Rodrigo Bacelar. E aí de repente o Flávio é o candidato do Bolsonaro, porém tinha um que de plano nisso aí, que foi o seguinte, o plano era Flávio seria candidato, a direita e o chamado sistema, que é aquele que é aquele pessoal que odeia o PT e que quer o Tarcísio presidente.

    E eles estão usando. Eu tô falando isso aqui desde 2023, né? Você plantonista, você já tá sabendo de cor e salteado. Você sabe aí das coisas antes de acontecer, porque eu aviso aqui, o plano deles era manter o Bolsonaro preso só por golpe de estado, não por roubo de joias, nem por roubo de dinheiro público do cartão corporativo, nem por genocídio na pandemia, nem por ó qualquer outro dos inúmeros crimes que ele cometeu. Não.

    Só por golpe de estado. Bolsonaro preso obrigado a apoiar o Tarcísio. Se o Tarciso ganhar a eleição, aí dão um jeito aí fazem um acordão pro Bolsonaro ser solto. Seja vi indulto do Tarcísio ou só um acordão. Vi acordão, até melhor que o Tarciso não precisa para eles, né? Que o Tarciso não precisa se comprometer a nada.

    O Eduardo Bolsonaro, o Flávio Bolsonaro, etc. Já estão falando disso há muito tempo. O Eduardo Bolsonaro já falou abertamente que ele sabe que tem um acordo aí e que o candidato do sistema é o tal Tarciso. OK. Eis que eles lançam o Flávio Bolsonaro como candidato à presidência e esperavam o quê? Uma reação forte aí, eh, mas não tão forte como teve do chamado sistema, que é o mercado financeiro, direita, Rede Globo, etc, etc.

    Que que aconteceu? O plano era manter o Flávio candidato um tempo e aí falar: “Olha, votem a anistia, que se vocês votarem anistia, o Flávio retira a candidatura e o Bolsonaro ele vai indicar quem vocês quiserem”. Então votem a NIS, soltem o Bolsonaro e ele vai apoiar 100% quem vocês quiserem. Pois bem, o plano começou a dar errado já ontem, no domingo, começou já no na sexta, quando foi anunciada a candidatura, começou que a bolsa de valores caiu, tava em alta, teve aí tava batendo o recorde, tava em 167.000

    pontos, recorde da bolsa de valores, caiu mais de 10.000 pontos, o dólar subiu 4%. Você fala: “Caramba, por quê?” Porque o mercado financeiro reagiu assim bem negativamente ao Flávio como candidato. Não porque eles têm medo de uma presidência do Flávio, não. Eh, ainda me dei o trabalho de ler, né, só para confirmar o que eu já sabia, o que você também deve imaginar.

     

    Eh, li ali eh, no poder 360, depois na CNN Brasil, análises de barões aí do mercado financeiro, inclusive gente ali eh de empresas bem famosas e bancos famosos, economistas, que disseram: “Olha, o mercado vê que o Tarcis é um candidato que iria impor políticas de austeridade, que são as políticas que o mercado financeiro precisa, eh, e que apoia.

    E ele é o único que tinha chance de ganhar do Lula. E o Flávio Bolsonaro não tem chance nenhuma de ganhar do Lula. Então o mercado precificou aí a eles chamam precificar que quer dizer fez cair a bolsa eh o fato de que o o Flávio é o Bolsonaro, o Flávio é o candidato. Ou seja, a bolsa caiu porque eles dizeram: “Pô, o Lula vai o Lula vai ser tetra, o Lula vai ganhar a eleição de novo e agora muito mais facilmente, porque contra o Flávio tá fácil demais”.

    Teve até saíram matérias dizendo que lá no Planalto teve comemoração, não comemoração de estourar champanhe e tal, mas assim, ão dando gargalhada com esse anúncio. OK? Aí no sábado a pressão pro Flávio Bolsonaro foi muito grande de setores à direita dizendo: “Olha, não pode ser você, não dá”. E aí começou a pressão de de setores fortes aí da imprensa batendo forte no Flávio Bolsonaro.

    E no domingo saiu aí uma pesquisa mostrando que o Flávio Bolsonaro está 16 pontos atrás do Lula numa simulação de segundo turno. Ele é o que pior vai contra o Lula, exceto o Eduardo. O Eduardo vai um pouquinho pior. O Eduardo tá 20 pontos atrás. 19. Aí o 523 19. Aí o o o melhor é o Tarcíio que perde do Lula com apenas cinco pontos. apenas cinco pontos.

    Então você já viu, o mercado financeiro não quer o Flávio, quer o Tarciso, etc, etc. Só que a reação foi tão negativa, a pressão ficou tão grande que até o Malafaia entrou no meio. Malafaia entrou no meio para detonar o que aconteceu. Malafaia soltou uma nota, dessa vez ele não fez videozinho não, tá? Ele soltou uma nota a quem interessar.

    O amadorismo da direita faz a esquerda dar gargalhadas. Exatamente o que eu tô falando. Não estou falando nem contra e nem a favor de ninguém, somente isso. Bom, bom entendedor, meia palavra basta, né? Ele tá tá contra aí a candidatura do Flávio. Para ele é amadorismo total. O plano obviamente vai falhar. Eh, e e outra, alguém acha que vão soltar o Bolsonaro para que o Flávio desista, tal? Pois bem, eles começaram a ficar desesperados porque eles perceberam o seguinte, a resposta do chamado sistema não vai ser aprovar nichelar o Bolsonaro, não vai

    ser. Talvez ele consiga convencer aí alguns deputados do do chamado centrão, né, que são todos de direita e adoravam o Bolsonaro que deixava eles roubarem muito dinheiro público, né? Agora não estão podendo. Eh, talvez consiga aí convencer alguma coisa. Porém, a resposta do chamado sistema, sempre que eles são confrontados, é o quê? é dobrar a aposta.

    E aí, que que seria dobrar a aposta? Vamos lembrar quem é o relator da investigação contra facções criminosas que meteu medo no Bolsonaro é o Alexandre de Moraes. Quem é o relator das investigações contra o Eduardo Bolsonaro em que o Eduardo Bolsonaro falava: “Eu sei que você vai dobrar posse, então aí só se ferrou em tudo que fez.

    Alexandre de Moraes, quem é o relator das investigações que culminaram no Bolsonaro condenado apenas por golpe de estado, como eu tô adiantando aqui desde 2023, tô falando isso aqui há 2 anos e meio, pelo menos. É o Alexandre de Moraes. Aí você vê que que coisa, né? Que coisa. Coincidência, será? Bom, a coincidência ele ser relator aí da investigação da eh das facções criminosas é, mas ele é.

    Muito provavelmente a resposta virá o quê? As investigações vão arrochar para cima do Flávio Bolsonaro. Se você não entende o termo, eu vou dizer. Vão para cima com tudo do Flávio Bolsonaro. Vão apertar o Flávio Bolsonaro e espremer até sair suco. Se espremer sai, viu? E aí o o Flávio Bolsonaro percebeu a família Bolsonaro que tá o Jair não, porque eles não visitaram o Jair desde sexta, mas eles perceberam o seguinte, putz, foi um tiro no pé, porque se se isso foi anunciado porque estão com medo da Polícia Federal com Alexandre de

    Moraes relator, agora é que o Alexandre de Moraes vai para cima com tudo do Flávio porque ele tá peitando aí. Pois bem, eis que o desespero bateu e ontem Flávio Bolsonaro apareceu, vou mostrar aqui para você, mas é cada uma. Brasil 2025, tá? Flávio Bolsonaro apareceu em pleno domingo à tarde falando o seguinte, já quase desistindo da candidatura o Flávio, tá? Então vou mostrar aqui para você.

    Deixa eu tirar aqui o microfone. Vamos lá. 3 2 1. Vai até o fim com a candidatura. Olha, tem uma possibilidade de eu não ir até o fim. Eu tenho preço para isso. Eu vou eu vou negociar. Eu tenho preço para não ir até o fim. Só que eu vou falar para vocês amanhã. Vai até o Você vai até o fim com a candidatura? Não, olha, eu tenho um preço para isso.

    Eu vou anunciar, só que eu vou anunciar para vocês amanhã, que seria hoje. Só que a coisa ficou tão feia que o Flávio já anunciou ontem mesmo o preço, tá? Ele falou aí para repórteres que o preço é Adivinha qual é o preço para ele não ir até o fim com a candidatura? Adivinha. 3 2 1 Anistia. Oh, nossa, surpreendeu um total de zero pessoas.

    Então eles e colocaram o Flávio como candidato para quando a Polícia Federal chegar nele, eles terem a narrativa de que, olha, tá sendo perseguido. Só que a resposta foi tão bruta e aproveitar isso para também nas próximas semanas galgar ali uma anistia para ser aprovada no começo do ano que vem ou ainda aí eh no final desse ano, tá? Só que no meio dessa aí, vamos lembrar, tem sessão até dia 19 de dezembro, tá? Então ele tem, ele tem aí duas semanas para fazer isso.

    Só que no meio dessa aí a reação foi tão brutal até da extrema direita que ó, você vê o Malafai, o Malafai não foi o único, vários ali detonaram e tal. A Michele Bolsonaro é um dos bastidores tá uma fera, uma fera. Ela chegou a dizer, ela quando foi anunciado o Flávio na sexta-feira, ela chegou a dizer: “Eu não fui avisada”.

    Aí depois ela fez um post dizendo que Deus te abençoe e tá tá tá tá tá tá. Mas deu para perceber que ela não tava nem um pouco contente com isso. E aí o negócio é o quê? Vamos trocar então, ó. Eu retiro a minha candidatura se vocês votarem a anistia. Qual a chance disso aí dar certo? Eu vou te adiantar. É bem pequena. E ele inclusive, olha, o muito provavelmente o plano deles era manter ele falando que ia manter a candidatura até o fim por alguns dias, principalmente no mínimo até terça-feira.

    Por que terça-feira, Thiago? Por estamos nas últimas semanas aí do Congresso Nacional aberto que dia 18, 19 entram em recesso e só voltam no dia primeiro de fevereiro. Vão ter um mês e meio de férias aí os parlamentares. E aí não dá para votar neste ano no recesso. Então ele tinha que manter até terça-feira que a Brasília tá bombando, fervendo com todo mundo falando: “E agora? E agora? Nossa, vai o Flávio não vai não sei o quê”.

    E aí ele poderia ali pessoalmente em reuniões de líderes falar: “Ó, se votar nisso, eu vejo, a gente negocia aqui e tudo mais”. Só que não deu, que a reação foi muito brutal. Então ele já foi desesperado em pleno domingo falar: “Ó, eu tenho um preço, hein?” Já recuou. Aí depois falar: “Não, se voltar nesse dia, essa é aquela que o cara tá num jogo de cartas e ele mostra as cartas antes da hora.

    Aí todo mundo fala: “Pô, essa era a sua carta que você tinha na manga?” O pior é, imagine aí um jogo de pôker ou de qualquer carta aí que você sabe jogar um jogo de carta. Imagina o cara tem uma carta ali virada, na hora que ele mostra a carta, joga na mesa, é uma das piores de todas, cara. Vem todo pimpão, todo bonzão. Olha, tem uma carta na manga aqui, ó.

    Olha só. Aí ele já mostra a carta antes do que deveria. Já ferrou. E a carta dele é uma porcaria. Aí todo mundo fala: “Pô, cara, todo mundo ganha de você nesse jogo aí, cara. Você é o pior de todos. Para você ter ideia, o esculacho foi tanto que o o Eduardo Bolsonaro postou essa entrevista aqui do Flávio foi mais ou menos às 4 da tarde, tá? Às 5, mais ou menos.

    O Eduardo Bolsonaro publicou isso aqui nas redes sociais. Cruzo éé, candidatura de Flávio Bolsonaro alcança 117 milhões nas redes. Todo mundo fazendo piada. Aí a esquerda pira, meu presidente estourou. Isso foi publicado pelo Eduardo Bolsonaro, tá? A esquerda pira. Não derrotaram o bolsonarismo, apenas o estimularam ao destilar seu ódio nos perseguir. Nosso movimento é imparável.

    Tá todo mundo dando risada do do que a esquerda pira. Olha só se a esquerda pirade de tanto da risada. Obrigado, Flávio. Lula no primeiro turno agora. Você tinha dúvida. Agora não temos mais. é Lula no primeiro turno. Inclusive, quando foi anunciado o comentário lá no no post do Eduardo, do Eduardo Bolsonaro que teve mais likes e não tenha dúvidas que ele lê os comentários com mais curtidas, foi o meu que eu falei Flávio Bolson.

    Bolsonaro, Eduardo e Malafaia: entenda próximos passos de investigações |  CNN Brasil

    A candidatura do Flávio Bolsonaro tem todo o meu apoio. Espero que vocês levem até o fim essa candidatura. Eu já tava prevendo que ele ia desistir. Eu só não imaginava que menos de 48 horas depois ele já ia tá falando que tem preço, que é só aprovar nisto aquele dia. Eu falei: “Poque você não consegue virar 48 horas do seu plano?” Aí veremos agora, eh, hoje, segunda-feira, é dia de visitas na Polícia Federal.

    Polícia Federal, que aliás, segundo aí policiais, está tranquila a superintendência da Polícia Federal de Brasília. Não tem nada, não tem um bolsominion lá indo lá. protestar, indo lá, que seja prestar apoio. Nada, nada, nada. O Bolsonaro tá completamente isolado. É isso que tá acontecendo. Então, o plano aí falhou. Até o Malafaia falou que isso é amadorismo, que que olha que plano ruim.

    A própria extrema direita ficou assim: “Pô, pera aí, mas com o Flávio?” Muita gente não gosta do Flávio. Muitos bolsonaristas não gostam do Flávio. Os bolsonaristas sabem que o Flávio Bolsonaro é ladrão de dinheiro público. Eles sabem. O pior tá por vir, porque agora prepara que vai ter resposta aí da Polícia Federal, tá? Vai ser via polícia federal que estão chegando no Flávio e eles não vão parar a investigação porque ele é é porque ele é presidenciável, entre aspas.

    Nem dá para chamar ele disso aí porque a gente sabe que ele não vai se manter. Porque tem uma coisa, essa é a pior parte da carta dele, é a pior parte, ó. Esse essa é a cereja do bolo que eu deixei pro final do vídeo. O mandato do Flávio Senador acaba agora em 2026. Se ele for candidato à presidência e perder, ele fica sem mandato.

    Ele vai ir preso imediatamente. Imediatamente ele cai nas mãos da primeira instância. O juiz já já mandou prender Queiros mandou prender. Não vai prender o Flávio. Alguém acha que o Flávio vai arriscar ficar sem furo privilegiado um dia? Mas não vai mesmo e ainda mais 4 anos. só daqui 4 anos ele poderia ter furo de novo.

    Quer dizer, todo mundo sabe que ele não vai levar isso a cabo. Ele não tem nem mesmo se ele mantivesse o plano de ficar, não, vou ficar uma, duas semanas ali insistindo que eu serei candidato até o fim. Foi, foi esse o problema aí dele no fim de semana. Todo mundo em Brasília que que ligou, que se comunicou com ele, com seus pares, falaram falaram para ele pelos aliados: “Pô, a gente sabe que você não vai ficar sem furo privilegiado.

    A gente sabe que você vai ser candidato ao Senado. Todo mundo sabe. Não tem uma pessoa em Brasília que não sabe que o Flávio Bolsonaro não vai arriscar ser candidato à presidência e perder e ficar sem foro privilegiado. Quer dizer, você joga a pior carta de todas, sendo que todo mundo já sabia qual era a sua carta antes e à vezes um, ah, nossa, agora vai, não sei o e não é.

    Veremos mais um plano aí, mirabolante que deu completamente errado. Seguimos aí dando risada. Eu peço aí a sua inscrição no canal. Seguimos aqui na luta contra essa corita. Vão acabar todos presos, viu? Anota isso aí. Falou. Yeah.

  • PF PEGA PROVA-CHAVE PRA PRENDER FLÁVIO BOLSONARO POR LIGAÇÃO COM FACÇÕES!! THIAGO É PERSEGUIDO!!!

    PF PEGA PROVA-CHAVE PRA PRENDER FLÁVIO BOLSONARO POR LIGAÇÃO COM FACÇÕES!! THIAGO É PERSEGUIDO!!!

    Ó, primeiro eu vou falar aqui de uma perseguição que eu tô sofrendo, coisa até meio pessoal. Quem não quiser ver, pula aí um ou dois minutos do vídeo, aí depois, no final do vídeo, eu falo um pouquinho mais. Eh, teve um processo aí em que várias matérias aí na imprensa saíram ali, ó, tem mandado de prisão contra o Thiago dos Reis.

    Era um processo de pensão alimentícia que o meu pai, meu pai, se você não sabe, ele já tentou assassinar a minha mãe, a minha irmã, uma pessoa bem tóxica. E ele moveu contra mim, contra a minha irmã. No processo, a gente mostrou ali que ele não precisa de pensão alimentícia. Quem não sabe, pensão alimentícia não é só de pai ter que pagar pros filhos também.

    Eh, também filhos pagar pros pais caso eles não tenham nada. Só que a gente mostrou na justiça que ele não precisa, que ele tem casa, ele tem emprego, ele inclusive é empresário, ele não precisa. Porém, o juiz não quer saber. O juiz vê lá o nome Thago dos Reis. E o juiz me ferrou em absolutamente tudo.

    Flávio e Carlos Bolsonaro visitam o pai na PF - 25/11/2025 - Brasília Hoje  - Folha

    Todos os advogados que viram esse processo falaram que olha, é inacreditável o que tá nesse processo. É perseguição pura. OK? Aí conseguimos aí reverter isso. Matérias aí em vários veículos, até veículos que se dizem de esquerda, eles se recusam a tirar a matéria dizendo que tem mandado de prisão contra mim, porque não tem.

    E aí o juiz soltou uma decisão que não tá em segredo de justiça. É por isso que eu posso falar aqui, que diz o seguinte: “Penhora aí todas as minhas contas, penhora até a monetização aqui dos canais de YouTube, de outras redes sociais, penhora um monte de coisa da minha irmã também em detrimento do meu pai”.

    Só que a gente mostrou pro juiz que o meu pai ele falsificou documentos meus para abrir uma conta no Nubank para pedir empréstimo no meu nome para roubar dinheiro meu e coisas do tipo. Isso foi comprovado. Tem uma sentença contra os bancos que deixaram que isso acontecesse mostrando isso. O isso causa, se você não sabe, no poder judiciário, algo chamado indignidade.

     

    Se o pai é indigno, o filho, não importa a circunstância, não é obrigado a pagar pensão para ele. O juiz simplesmente ignorou. Por quê? Porque ele vê o nominho retiago dos Reis. E aí ele vai lá e vai para cima de mim. Esse é o tipo, é só uma das perseguições que nós enfrentamos aqui no Plantão Brasil, tá? Só uma, fora as várias e várias e várias outras.

    Depois lá pro fim do vídeo eu falo um pouquinho mais sobre isso. Agora vamos falar aqui sobre Flávio Bolsonaro. Deu ruim aí pro Flávio Bolsonaro, viu? A Polícia Federal na decisão do Alexandre de Moraes em que ele prendeu o aliado do Flávio Bolsonaro, que é o Rodrigo Bacilar, vou até mostrar que não não apenas uma, eles têm centenas de fotos juntos porque um frequentava a casa do outro, inclusive quando ia pra Brasília, às vezes ele se hospedavam ali, eh, no mesmo local.

    E aí você fala: “Que coisa, hein? Que coisa!” O Rodrigo Barcelar foi preso na decisão. O Alexandre de Moraes cita o Cláudio Castro, mas ele também cita ali outros operadores ali do Comando Vermelho. Uma das pessoas citadas é um secretário do Cláudio Castro. Vou te mostrar aqui. Ah, aqui o bacelário Flávio Bolsonaro, ó, na casa deles. Felizes aí, ó.

    Tem várias fotos esse dia. Estavam bem felizes os dois juntos nesse dia. Tem várias fotos de várias e várias e vários dias em que os dois estavam juntos. Porém, tem um secretário que é o Gutemberg Fonseca, secretário do esporte do Cláudio Castro. amigo do Flávio Bolsonaro e que foi indicado a pedido do Flávio Bolsonaro, tá? Isso aqui, se esse é o Gutemberberg Fonseca, atual secretário de esporte do Rio de Janeiro.

    Segundo aí a Polícia Federal descobriu, ele teve um encontro com um dos membros do comando vermelho para tratar aí de dar apoio político ao comando vermelho em tal local. O membro do Comando Vermelho chegou a pedir ali para que ele tirasse o BOPE de determinada área, que eles tinham ali uma boca, alguma coisa ali que eles tinham naquela região e eles pediram para tirar o BOPE, o que depois teve um agradecimento do membro do CV dizendo obrigado.

    Então tiraram o BOP e colocaram ali a polícia militar normal. O BOP tem fuzis, tudo mais. Polícia militar que tem revolvinho assim pequeno, eh, fica mais difícil pra polícia lutar com os traficantes. Aí você fala: “Caramba, esse cara não foi demitido, atual secretário.” Você vai achar várias matérias na imprensa mostrando que ele foi indicado como secretário do esporte a pedido do Flávio Bolsonaro.

    O Gutemberg Fonseca não é da confiança total do Cláudio Castro, aquele que ele colocou porque ele confia, não. secretário do esporte, como a extrema direita não liga muito para esporte, essas coisas, então ele colocou ali um dos cargos ali que para um aliado indicado, OK? Só que o Gutemberg Fonseca, ele foi indicado pelo Flávio Bolsonaro porque tinha um outro secretário do Cláudio Castro que teve que ser exonerado.

    Por quê? Porque esse outro secretário do Cláudio Castro tava com a Polícia Federal na cola dele. Sabe quem é? Vou mostrar aqui. Tá aqui no evento ao lado do governador. Esse aqui é Alessandro Carracena. Ele era secretário de direitos do consumidor. Outra coisa que essa direita não tá nem aí, são direitos do consumidor. O Carracena, advogado.

    O Carracena, ele foi indicado ali pelo Cláudio Castro em 2022 para ser secretário de de defesa do consumidor. E isso saíram matérias na época dizendo isso foi amando do Flávio Bolsonaro. Fala, hum, tá? Então esse cara é da confiança do Flávio Bolsonaro. Sim. E o Gutemberg, eh, que Fonseca, ex-árbitro, que, eh, se encontrou com membro do Comando Vermelho e ajudou ali de alguma maneira o Comando Vermelho também é da confiança do Flávio Bolsonaro.

    Sim, segundo conversas da que a polícia tem, né, ele ele teria ajudado. OK. E aí o que aconteceu com esse Carracena? O Carracena foi preso, ele está preso nesse exato momento e as autoridades estão buscando com ele uma delação premiada. Imagine que o Flávio Bolsonaro tá se tremendo todo nesse exato momento. Delação premiada. Por quê? Thiago foi preso.

    Por quê? porque ele também vazava operações para membros do comando vermelho. E aí ele instruía a facção sobre como eles poderiam ali se beneficiar e não apenas eh fugir, mas até se beneficiar ali de operações. Esse falou o quê? É, tá preso ele e ele aí movimentava muito dinheiro da facção e ajudava a facção dessas maneiras, sendo que ele era secretário do Cláudio Castro.

    Aí quando você lembra, você já vai ver que já são três secretários no mínimo do Cláudio Castro, dois indicados pelo Flávio Bolsonaro diretamente, que tem ligações com Comando Vermelho, que você tem ali o Gutemberg que se encontrou de acordo com conversas, você estav se perguntando: “Mas por que que não prenderam ainda esse secretário do esporte?” Eu vou te dizer porque se aprender com base em conversas, não, a polícia não faz isso hoje.

     

    Não é Lava-Jato que eles pegavam uma coisinha ali e tal, já aprendia, não. Então estão deixando, até porque o cara que tá solto vai acabar produzindo provas contra si mesmo. Por quê? Porque se muita gente graúda tá sendo presa, que que acontece com os outros que não estão presos? Eles precisam de alguma maneira manter a roda do negócio girando.

    Por e eles continuam, vamos lembrar, o tráfico de drogas continua, então continua entrando dinheiro, eles continuam tendo dinheiro que eles têm que lavar. Então eles continuam tendo que cometer o crime. Só que agora eles não têm muitas maneiras de lavar dinheiro porque a Polícia Federal tá indo para cima. Fechou a refinaria que o Cláudio Castro tentou reabrir, fechou ali postos de gasolina, fechou usina, fechou um monte de coisa que o PCC usava para lavar dinheiro, bloqueou bens, bloqueou ativos, aí ficou ruim. Então os o os membros da da

    organização criminosa acabam tendo ali que cometer o crime de novo. Pera aí que eu vou colocar aqui a bandeira do Brasil atrás de novo. Voltou a bela bandeira do Brasil. Pois bem, e aí você pensa, o quê? Então você tem três, eu tenho o Gutemberg, tem esse aí, Carracena, que tá preso e o outro secretário do Cláudio Castro era o secretário de presídios.

    Eu nunca imaginei que um governo estadual teria secretário de presídios. Você consegue imaginar se o Lula tivesse um ministro dos presídios? Pois bem, o Cláudio Castro tinha o secretário de presídios do Cláudio Castro, ele foi pego saindo ali, ajudando um membro do Comando Vermelho a sair pela prisão pela porta da frente.

    Você vai falar: “Ah, mas Thiago, quando a justiça manda soltar o cara, pode sair pela porta da frente”. Não, não tinha ordem de soltura. Não tinha ordem de prisão contra o cara. Com vocês aí a matéria da Globo da época, tá? Dia 27 de julho, deixou o presídio Vicente Pirajibe, do complexo de Bangu, pela porta da frente. Essas imagens mostram a abelha deixando a cadeia.

    Durante a caminhada até a portaria principal, um carro para para cumprimentá-lo. O carro é oficial, tem escolta e estava à disposição do secretário Rafael Montenegro. O problema é que Wilton Carlos deixou a cadeia com o mandado de prisão em aberto. O RJ2 teve acesso a esse e-mail enviado no dia 15 de julho, ou seja, 12 dias antes da soltura de abelha.

    Nele, a terceira vara criminal da capital encaminhou pro gabinete do secretário de administração penitenciária o novo mandado de prisão expedido contra o traficante. A Políter, a divisão de capturas da Polícia Civil também foi consultada e também informou do mandado de prisão em aberto. Mesmo assim a abelha foi solto. Fala, soltaram o cara pela porta da frente com mandado de prisão em aberto, sendo que tinha um ofício pro pro cara que foi lá apertar a mão dele dizendo: “É, é para prender esse traficante”.

    e soltaram o traficante pela porta da frente. Ainda foi lá, ele foi lá, quer dizer, de todos os locais em que ele poderia estar na vida dele, ele estava ali dentro do presídio, no momento em que o cara estava fugindo pela porta da frente. Para quê? Para ele apertar a mão do traficante e falar: “Ó, você foi solto graças a mim”.

    Aí você v o quê? Rio de Janeiro, isso foi em 2021, tá? O Cláudio Castro já era governador. Exonerou o cara? Não exonerou. Só exonerou meses depois por coisas políticas, né? Não por por conta disso. Eles falar o quê? Então são três aí já ligados diretamente, só que dois deles são indicações diretas do Flávio Bolsonaro.

    Aí você fala: “Ih, a coisa vai ficar feia pro Flávio Bolsonaro”. O Flávio Bolsonaro, ele tem uma uma ligação bem íntima com o Carracena que tá preso. Por quê? Porque segundo aí matérias na imprensa, quando o Carracena vai à Brasília, ele se ia, né? agora tá preso. Ele se hospedava na mansão do Flávio Bolsonaro. E o Flávio Bolsonaro, apesar de ter comprado inúmeros imóveis do Rio de Janeiro, quando ele ia o Rio de Janeiro, ele se hospedava na mansão do Carracena.

    El fala o quê? O Flávio Bolsonaro, senador da República, ele não se hospeda em casa própria, não? na mansão do cara, advogado, amigo dele, secretário de estado, fala o que agora preso por ter ligação com facção criminosa. Qual é a chance de um político ele fazer duas indicações num governo? E as duas indicações que ele fez ao governo tem ligações diretas com traficantes, mas esse político não tem.

    Ou esse político ele é muito ingênuo e aí não serve para ser político, né? que é o caso aí, caso o Flávio Bolsonaro seja 100% inocente, porque olha só, tá cercado de criminosos, você não vê que os caras são criminosos. E e você pode indicar qualquer pessoa do mundo pro cargo, porque você ajudou o governador a se eleger, porque você tinha votos que você é filho do Bolsonaro.

    E aí você indica justo alguém que tem ligação com facção criminosa. É muito estranho. Mas aí a faz isso duas vezes. Hum. Então, prepara aí que a Polícia Federal tá indo para cima de todo esse pessoal aí, tá? Então, a mesma investigação aí que tá com o Alexandre de Moraes tá pegando. Alexandre de Moraes já citou o Cláudio Castro, citou o secretário dele, citou o TH Joias na decisão que prendeu o Rodrigo Barcelar.

    E agora, segundo aí saiu, saiu matéria na Globo, não se sabe se o Rodrigo Barcelar vai ser solto. Como assim, Thaago? Tem chance dele ser solto? Infelizmente tem. Por quê? Porque para prender uma autoridade no Brasil, um deputado federal, as excelências quando são presos ou presas, eh, tem que ter uma votação no Congresso, no caso na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, para ver se mantém ou não a prisão dele.

    Só que essa votação é aberta. Quem é que vai querer se expor para soltar o Rodrigo Bacelar, o cara que tem ligação com facção criminosa? Quem é que vai querer se expor? Vamos falar aqui, estamos a 10 meses da eleição. O o deputado vai querer se expor, pô, tava ajudando a soltar o faccionado ali, não vai, né? Mas não vai mesmo.

    Então, veja, então aí só que por outro lado tem deputado com rabo preso, que se não ajudar o amiguinho, o amiguinho quanto quanto mais tempo ele ficar preso, maior a chance dele fechar uma delação. Porque o amiguinho com eu falo amiguinho comparsa de crime, que é o bacilar, sabe? Pô, pera aí, não vão prender só a mim, não. Eu vou abrir o bico e vou delatar todo mundo.

    O que acontece é o seguinte, vai a a assembleia tem 45 dias para tomar essa decisão e aí saberemos quem é quem. Então, segundo aí saiu matéria na na Globo também e tal de gente que consultou parlamentares em off e eles falou: “O placar vai ser bem apertado, não dá para cravar que ele vai ser solto.

    ” Assim que foi preso o bacelar, o que se falava lá, não vai ser solto, foi preso, mas vai ser solto. Agora não. Agora os parlamentares são com medo dos desdobramentos, porque cada parlamentar que voltar para soltar esse cara, é um parlamentar que tá colocando um alvo na própria testa. Por qu, Thago? Porque o Alexandre de Moraes e a Polícia Federal vão olhar, pô, pera aí, que que você tá querendo soltar esse cara? Não tem motivo, porque se você pensar o motivo na Constituição para que deputados quando são presos tenha que ter uma votação para definir se eles ficam

    presos ou não, é para poder ali para poder que os parlamentares tirem qualquer dúvida de que, ah, tá tendo perseguição contra fulano. Quem imagina eh na época da ditadura, por exemplo, a ditadura ia lá, se alguém quisesse fazer uma ditadura novamente, vai lá e prende um deputado porque não gosta dele, tá? Aí o Congresso Nacional que é são eleitos pelo povo, vai ver, pô, pera aí, mas essa prisão foi injusta, essa prisão foi irregular, vamos soltar esse cara porque não é assim que funciona, tá? Agora esse é diferente de, olha, eu vou

    soltar porque é meu amigo, aí não não dá não, que é o que a extrema direita faz geralmente. Só que a extrema direita faz isso quando parlamentares são presos por crimes ali que eles estão ameaçando as instituições, tudo mais, que para extrema direito isso não é nem não é nem crime, né? Eles gostam disso.

    Aí é outra coisa, e o Congresso Nacional sabe que boa parte da população, até gente que não é de extrema direita, até gente aí que é de centro, que é moderada, releva ataques às instituições. Tanto é que eu falei aqui, acertadamente a a equipe do Lula acabou tomando esse caminho. Eu falei: “Olha, o Lula não pode ir pelo caminho de ficar falando: “Olha, goste de mim porque eu defendo a democracia.

    Olha, vamos fazer nessa eleição uma eleição de democracia contra autoritárias. Você vai perder. A pessoa não tá nem aí paraa democracia. Essa é a verdade. As pessoas não estão nem aí. As pessoas relevam. Tanto é que o plano Tarciso ali, eu falei desde o comecinho que era aí, ó, você viu que tudo que eu falei aconteceu e era manter o Bolsonaro preso só por golpe de estado, porque eles sabem, eles têm pesquisas mostrando isso, que a população moderada, até muitos que votaram no Lula, relevam acusação de golpe de estado. Releva

    assim, ah, não gosto, mas o Tarciso prometer indulto pro Bolsonaro, por isso para mim não tem problema. já roubo de dinheiro público e outras coisas aí não, a população não perdoa. Ligação com facção criminosa, a população não perdoa mesmo. Então ficou assim pros deputados, pô, pera aí, ligação, facção criminosa e é pesado, hein? Então, no primeiro momento veio aquela, ah, tá, vamos minimizar.

    Aí depois veio o BAC que foi pô, 45 dias vão ser achincalhadas nas redes sociais e pior, a Polícia Federal vai olhar voto por voto. Por que que esse cara votou para ajudar o cara? A prisão dele não foi ilegal, a prisão dele não tem perseguição. A prisão dele tem todos os elementos que precisam para uma prisão preventiva.

    Flávio diz que Bolsonaro está “inconformado” com a prisão por suposta fuga

    Tem provas de que ele ajudou ali o TH Joias a fugir. Tem provas de que ele vazou a operação. Então, se você tem prova de que o cara vazou operação e não estamos falando aqui de uma operação, novamente quando se trata da extrema direita, ah, uma operação contra um golpista que para eles não é nem crime, vamos relevar, finge que não, né? Não, não é prova nenhuma, porque ajudar o cara a fugir de uma perseguição, não é assim que é o discurso deles, a gente sabe, não é esse esse caso. Esse discurso não cabe.

    Aí e você ajudou um faccionado que ia fugir, ficou difícil aí, amiguinho, bacelar. É assim que os deputados vão eh tão tão aí mandando pros advogados dele, provavelmente via advogados, via quem vai visitá-la na lá na prisão os recados que, ó, tá difícil te ajudar, viu? Só que o problema, o Barcelinho para todo mundo, ó.

    A casa vai cair, mas não vai cair só para mim, não, vai cair para todo mundo. Então tá muita gente aí se se tremendo, porque o Alexandre de Moraes falou que ia atrás do núcleo político e nós tivemos desdobramentos muito antes esperado. Olha, quando teve a aquela operação lá contra o comando vermelho do Cláudio Castro, a gente não imaginava que um mês depois o presidente da Assembleia Legislativa estaria preso por ligação com aquela mesma facção criminosa e que o Cláudio Castro seria citado na na negócio. Tá ruim, tá bem

    ruim. Veremos o que vai acontecer. Eu peço sua inscrição no canal. Eh, peço aí para quem se incomodou, desculpa aí pelo meu desaba desabafo no começo, mas é importante os plantonistas saberem que tem muita perseguição. Essa perseguição que eu tô citando é desde 2020, tá? Desde a pandemia. E, e olha, é o processo que a gente provou tudo tudo tim por tim. Eh, eu vou falar.

    E o juiz não quer saber não. O juiz é lá o nome Thago e ele não quer saber. E aí vai pra segunda instância, reverte, só que aí depois muda quem é o desembargador. A mesma coisa acontece. mudam os desembargadores. Desembargador não quer saber, ignora tudo, tudo, tudo, tudo que você põe lá. Por quê? Porque é perseguição pura e crua.

    Peço aí sua sua inscrição no canal. Seguimos aqui na luta. Falou. M.

  • BOMBA PRA MORO! Denunciado por agressão em juíza

    BOMBA PRA MORO! Denunciado por agressão em juíza

    Acusação muito forte e muito grave contra o Sérgio Moro. Depois daquela operação da Polícia Federal de buscas na 13ª vara de Curitiba para pegar documentos sobre espionagens do Sérgio Moro, uma ex-juíza chamada Luciana Bauer disse que ela foi atacada fisicamente pelo Sérgio Moro. Ele teria atacado no pescoço. Algo simplesmente gravíssimo.

    A situação onde Moro se complica e até mesmo o Hélio Gaspari da Folha de São Paulo disse que tudo que está acontecendo agora, levantando esses documentos do passado, pode ser só o começo. Inclusive a Polícia Federal encontrou uma fita, uma gravação, um vídeo, melhor dizendo, chamado de Festa da cueca, um encontro de magistrados de Curitiba com acompanhantes, pessoas que prestam serviços mais 18 em hotel de luxo em Curitiba.

    Isso teria sido usado por Sérgio Moro para ameaçar, proteger e chantagear pessoas do TRF4. É uma situação pesada. E o Ciro Nogueira, que é presidente da Federação União Brasil e PP, já foi para o Paraná para retirar a candidatura de Sérgio Moro ao governo do estado, mesmo ele liderando as pesquisas. Será que isso tem influência nessa operação que surgiu contra o Sérgio Moro? Quero que você coloque nos comentários qual vai ser o futuro de Moro.

    Moro na Justiça foi 'gol de placa' de Bolsonaro e 'jogo arriscado' para o  juiz, avalia cientista político - BBC News Brasil

    Você acha que o Sérgio Moro pode ser preso se tudo contra ele for comprovado? Moro atacou mesmo a ex-juíza. A ida do Sírio Nogueira para o Paraná tem a ver com todos esses episódios que estão sendo revelados agora? Coloca nos comentários, deixa o like no vídeo se você quer a prisão do Sérgio Moro e se inscreva no canal.

    Essa situação do Sérgio Moro, pessoal, é uma situação muito pesada, porque já existem algumas denúncias contra ele feitas pelo ex-deputado federal Tony Garcia. Esse Tony Garcia disse que ele foi, olha só a situação, que ele foi usado pelo Sérgio Moro e pressionado para espionar figuras ou autoridades com foro privilegiado, desembargadores, ministros do STJ, na época que o Moro era juiz em Curitiba.

    O Moro, na condição de juiz de Curitiba, não poderia ter investigado pessoas com foro privilegiado. E ele fez, ele usou o Tony Garcia para colocar um policial como assessor do Tony Garcia disfarçado e espionar figuras que tinham foro privilegiado. E ele teria, Sérgio Moro, grampeado todo o escritório do Tony Garcia. Uma situação assim muito pesada.

     

    O STF solicitou documentos do Sérgio Moro e do TRF. TRF não, perdão, da Vara de Curitiba. Eles não passaram e houve a busca na semana passada. Inclusive teve a caixa amarela. que segundo o Tony Garcia era o local onde todas essas gravações, sejam áudios ou vídeos, eram armazenados. O Hélio o Gaspari, não é Gaspari, é Gaspari da Folha de São Paulo, veio com uma conversa na segunda-feira, ou seja, hoje falando o seguinte: se tudo o que for falado sobre o Sérgio Moro, eh, na verdade falou o seguinte, que essa pode

    ser somente o começo de uma bomba pesada para o Sérgio Moro. E já começou a vir mais coisas. Em uma entrevista ao portal 247, uma ex-juíza da 13ª vara de Curitiba, chamada Luciana Bauer, que agora está morando nos Estados Unidos, disse que o Sérgio Moro a atacou fisicamente porque ela teria resistido a uma pressão que ele Moro fez.

    O portal 247 não é um portal de primeira grandeza, como F de São Paulo, Metrópoles, até mesmo a Veja, o Globo. Então nós temos que ficar sempre com o pé atrás, mas foi um relato da própria boca da pessoa que teria sido agredida pelo Sérgio Moro. Essa agressão aconteceu no ou teria acontecido no elevador reservado para magistrados da vara de Curitiba.

    Moro a teria atacado pelo pescoço, a teria estrangulado. Isso, segundo informações da própria ex-juíza que se sentiu muito intimidada, hoje mora nos Estados Unidos, livre das pressões de Sérgio Moro. Não sei como ela vai comprovar isso. Se foi no elevador, possivelmente tem câmeras de segurança ali. Ela poderia ter alguma prova, não saiu nenhum tipo de vídeo daquele momento.

    Como ela vai provar que aconteceu isso ou não? Aí já fica mais difícil de de ser realizado ou de ser comprovado. Se ela tiver alguma prova, podemos ver. E se de fato tiver um vídeo do Sérgio Moro atacando fisicamente uma pessoa, aí já fica mais ainda complicada a situação do Moro. O que foi descoberto foi o vídeo da festa da cueca.

    Isso a Polícia Federal encontrou. Segundo informações da Andresa Mata do Metrópolis, essa festa da cueca, essa gravação da festa da cueca era um rumor já bem antigo lá da 13ª vara de Curitiba. Só que agora esse rumor foi comprovado com a gravação encontrada. Nessa gravação tem é um vídeo de um encontro de magistrados com acompanhantes no hotel de luxo, hotel cinco estrelas em Curitiba.

    Esses encontros eles eram frequentes e o nome do vídeo é Festa da CEC. Coisa impressionante. Esses encontros eles eram frequentes e patrocinados por escritórios de advocacias. O objetivo dessa gravação, segundo a Andresa Matais, era proteger aliados e, principalmente intimidar pessoas do TRF4. Se Sérgio Moro usou ou não esse vídeo da festa da cueca, isso só o tempo e as investigações vão dizer, mas o vídeo existe e é mais um elemento que foi encontrado pela Polícia Federal.

    nessa buscas na ou nas buscas que foram feitas lá no Tribunal de Curitiba. Tudo isso antes da operação Lava-Jato, antes da Lava-Jato. E vendo todo o modos operando de Sérgio Moro na época da Lava-Jato, como foi divulgado pela Vazajato, não duvido que Moro tenha adotado métodos mais obscuros para realizar a sua vontade.

    Em 2016, Moro disse a jornal que 'jamais entraria para a política' -  01/11/2018 - Poder - Folha

    Eu estou louco para ver essa gravação, mas acho difícil que ela seja divulgada, o que é uma pena, tá? Mas enfim, vendo toda essa situação, eu começo a desconfiar da viagem do Círio Nogueira para o Paraná. Círio Nogueira, senador, envolvido com um monte de suspeitas de envolvimento com facções e afins. Mas o Círio Nogueira é do PP, o Moro é do União Brasil.

    Só que PP e União Brasil estão federados na União Progressista, que é aquela federação. Círio Nogueira é um dos presidentes dessa federação e ele teria ido para o Paraná para discutir e retirar a candidatura do Sérgio Moro, mesmo Moro liderando as pesquisas de intenção de votos para o Paraná. O objetivo seria garantir uma parceria da federação com o PSD do Ratinho Júnior, porque tá havendo uma debandada de de líderes do do União Brasil e do PP, então eles estariam querendo conter essa debandada.

    E o Ratinho Júnior é um desafeto do Sérgio Moro. Ratinho Júnior não gosta do Sérgio Moro e não quer dividir o protagonismo na sucessão, não queria passar o bastão para o Sérgio Moro, enfim, quer manter ali a sua zona de influência no Paraná. Mas também vendo toda essa situação, todos esses escândalos e às vezes Brasília até tem informações que nós não temos, pode ser que o Círio Nogueira esteja movendo os seus pauzinhos para evitar problemas para o partido lá em 2026.

    Será que o Moro participou da festa da cueca, hein? Seria divertido.