Author: nguyenhuy8386

  • Ana Belén: A ESCRAVA cujo filho nasceu com a pele do senhor… e tudo mudou para sempre

    Ana Belén: A ESCRAVA cujo filho nasceu com a pele do senhor… e tudo mudou para sempre

    O ano era 1793 e a Fazenda San Jerónimo del Valle estendia-se sob o sol implacável de Veracruz como uma ferida aberta sobre a terra vermelha. Entre os canaviais que ondulavam com o vento quente do Golfo, Ana Belén caminhava descalça, carregando um cântaro de barro sobre a anca, sentindo o peso da água fria contra a sua pele escura que brilhava com o suor do meio-dia.

    Tinha 23 anos e no seu ventre crescia um segredo que a acordava todas as noites com um terror que não se atrevia a nomear. As outras escravas observavam-na com uma mistura de inveja e suspeita, porque Dom Cristóbal de Alvarado, o senhor de 38 anos, cujo olhar azul atravessava as mulheres como uma faca afiada, lhe tinha dado um vestido de linho e a tinha transferido do campo para a casa grande três meses antes. Ana Belén não tinha pedido nada disto.

    Numa noite de abril, quando regressava de lavar roupa no rio, Dom Cristóbal tinha-a encontrado sozinha no caminho de terra que serpenteava entre os bananais. Ele cheirava a aguardente e tinha estado a discutir com a sua esposa, Dona Mariana, uma crioula de Xalapa de voz aguda e temperamento vulcânico que o repreendia constantemente pela sua incapacidade de lhe dar um herdeiro após 11 anos de casamento estéril.

    Ana Belén tentou baixar o olhar, tinha murmurado: “Com licença, meu amo”, mas ele tinha-a detido com uma mão firme no braço e a tinha levado para o barracão onde se guardavam as ferramentas. Quando terminou, Dom Cristóbal tinha-lhe dito com voz estranhamente suave que deveria permanecer calada, que uma escrava inteligente sabia quando a discrição era a sua única moeda de valor neste mundo.

    Ana Belén tinha acenado, sentindo como algo dentro dela se quebrava e endurecia ao mesmo tempo. Estas histórias que parecem perdidas no tempo merecem ser resgatadas porque em cada vida silenciada há verdades que ainda nos interpelam. Se querem que continuemos a resgatar memórias esquecidas da nossa América, convido-vos a subscrever e a partilhar nos comentários de que país nos veem, porque estas vozes atravessam todas as nossas fronteiras.


    Agora, três meses depois daquela noite, Ana Belén sentia os primeiros sinais de vida no seu interior e o pânico consumia-a como febre. Tinha visto o que acontecia quando uma escrava ficava grávida do amo. Algumas eram vendidas antes que a gravidez fosse visível, enviadas para fazendas distantes onde ninguém pudesse fazer perguntas incómodas. Outras davam à luz filhos mulatos que cresciam numa terra de ninguém, demasiado claros para serem completamente escravos, demasiado escuros para serem reconhecidos, condenados a viver entre dois mundos sem pertencer a nenhum.

    Mas Ana Belén intuía que o seu caso seria diferente, porque Dona Mariana, apesar da sua crueldade habitual, estava desesperada por um filho, qualquer filho que pudesse herdar as terras que o seu pai lhe tinha deixado e que ameaçavam passar para as mãos de um primo distante se a linha de sucessão se extinguisse.

    Foi o Padre Domingo, um franciscano gordo e bondoso que vinha todos os meses da vila para rezar missa na capela da fazenda, quem, sem o saber, deu a Ana Belén a ideia que mudaria o curso da sua vida.

    Durante uma tarde de junho, enquanto ajudava a preparar o altar, Ana Belén ouviu o sacerdote a contar a Dom Cristóbal sobre um caso peculiar em Córdova. Uma mulher branca tinha dado à luz um menino de pele escura, porque, segundo os médicos, tinha levado um susto terrível ao ver um escravo durante a gravidez, e o medo tinha impregnado a criança no seu ventre.

    Dom Cristóbal tinha rido com ceticismo, mas o Padre Domingo tinha insistido que a ciência médica da época reconhecia que as impressões maternas podiam alterar a aparência dos filhos, que o mundo natural estava cheio de mistérios que a razão mal começava a compreender.

    Ana Belén guardou essa conversa na sua memória como quem guarda uma semente para tempos de fome. Quando a sua barriga começou a crescer inegavelmente em agosto, foi Dona Mariana quem a confrontou primeiro, não Dom Cristóbal. A patroa tinha-a chamado ao seu quarto numa tarde sufocante. Tinha fechado a porta à chave e com uma voz que tremia entre a raiva e algo parecido com súplica, tinha-lhe perguntado quem era o pai.

    Ana Belén tinha baixado o olhar e tinha mentido com uma voz quase inaudível, nomeando Esteban, um jovem escravo do engenho que tinha morrido duas semanas antes, esmagado pela maquinaria do lagar. Dona Mariana tinha-a esbofeteado com força, deixando-lhe uma marca vermelha na face, mas nos seus olhos havia algo mais do que raiva. Havia um desespero calculista, uma inteligência fria que avaliava possibilidades.

    Nessa noite, Ana Belén ouviu através das paredes finas como Dona Mariana e Dom Cristóbal discutiam em voz baixa. Não conseguia distinguir as palavras exatas, mas a melodia da conversa era inconfundível. Ela propunha, ele resistia, ela insistia com uma intensidade que não admitia negação.


    No dia seguinte, Dom Cristóbal mandou chamar Ana Belén ao escritório da Casa Grande, um quarto escuro decorado com mapas antigos e estantes cheias de livros empoeirados que ninguém lia. Ele olhou-a com uma expressão que misturava culpa e alívio e explicou-lhe o plano com voz mecânica, como quem recita instruções para um trabalho qualquer.

    Quando Ana Belén desse à luz, se a criança fosse de pele clara o suficiente, Dona Mariana reclamá-la-ia como sua. A patroa simularia uma gravidez usando roupas largas e almofadas, e o parto ocorreria em segredo apenas com a ajuda de Dona Lucía, uma parteira de confiança que tinha assistido a três gerações de mulheres Alvarado e que guardaria o segredo por um saco de moedas de ouro.

    Ana Belén seria temporariamente enviada para uma casa na vila onde permaneceria escondida até depois do parto e depois regressaria à fazenda como se nada tivesse acontecido, com a promessa de que o seu silêncio seria recompensado com a sua liberdade quando o menino completasse 7 anos.

    Dom Cristóbal tinha pronunciado esta última parte com certa ênfase, como se a promessa de liberdade fosse uma generosidade extraordinária e não uma compensação miserável pelo roubo de um filho. Ana Belén tinha acenado porque não tinha escolha, porque no seu mundo as escravas não tinham direito nem sequer sobre os seus próprios corpos, muito menos sobre os frutos desses corpos.


    Os meses seguintes decorreram numa estranha suspensão do tempo. Ana Belén foi levada numa carroça fechada até uma pequena casa nos arredores de Xalapa, onde vivia uma viúva sem filhos que cobrava pela sua discrição. Ali, na solidão de quatro paredes caiadas e um pátio traseiro onde cresciam buganvílias roxas, Ana Belén sentiu pela primeira vez na sua vida algo parecido com paz.

    Não havia gritos de feitores, não havia chicotes, não havia olhares que a desnudavam. Podia caminhar livremente pela casa, podia sentar-se junto à janela e ver as pessoas a passar pela rua de calçada. Podia falar com a viúva, Dona Carmen, uma mulher de rosto severo, mas mãos amáveis, que lhe preparava caldos quentes e lhe contava histórias da sua juventude.

    Durante essas tardes intermináveis, enquanto o bebé se movia dentro dela com pontapés cada vez mais fortes, Ana Belén começou a fantasiar com uma vida diferente, uma vida onde esse menino fosse realmente seu, onde pudessem escapar juntos para as montanhas ou para o norte, onde ninguém os conhecesse.

    Mas a fantasia desmoronou-se na noite de 23 de fevereiro de 1794, quando as contrações começaram com uma violência que a deixou sem fôlego. Dona Lucía chegou com o seu saco de couro cheio de ervas e panos limpos, acompanhada por Dona Mariana, envolta numa capa escura, o rosto pálido de ansiedade.

    O parto foi longo e brutal, um tormento de horas que se esticaram como anos, durante o qual Ana Belén gritou até ficar rouca enquanto Dona Lucía lhe ordenava que fizesse força. E Dona Mariana caminhava nervosa pelo quarto, rezando em voz baixa e torcendo um rosário entre os dedos.

    Quando finalmente o menino emergiu com um choro agudo que atravessou a noite, a primeira coisa que Ana Belén viu antes que lho tirassem foi a sua pele, uma pele surpreendentemente clara, quase rosada, com o cabelo fino e escuro dos recém-nascidos, mas sem nenhum dos sinais evidentes que denunciariam a sua origem mista.

    Dona Mariana pegou no bebé com mãos trémulas, envolveu-o numa manta de linho branco bordada com iniciais que Ana Belén não conseguia ler, e saiu do quarto sem sequer a olhar. Ana Belén ficou estendida sobre os lençóis manchados de sangue, sentindo como o seu corpo se esvaziava e a sua alma se partia em dois.

    Dona Lucía deu-lhe uma infusão amarga que a ajudou a dormir e quando acordou no dia seguinte, o seu peito estava inchado e dolorido, cheio de leite que ninguém beberia. Durante as semanas que se seguiram, enquanto o seu corpo recuperava lentamente, Ana Belén existiu num estado de luto silencioso. Dona Carmen vendava-lhe o peito todas as manhãs para parar a produção de leite.

    Preparava-lhe sopas nutritivas que ela mal provava e às vezes, durante as noites, quando a dor era insuportável, sentava-se junto à sua cama e segurava-lhe a mão sem dizer palavra.


    Quando regressou à Fazenda San Jerónimo del Valle, em meados de março, tudo tinha mudado e nada tinha mudado. A Casa Grande estava decorada com flores frescas e fitas azuis para celebrar o nascimento do herdeiro.

    Dom Cristóbal caminhava com o peito inchado de orgulho, recebendo felicitações dos fazendeiros vizinhos, que vinham conhecer o menino, que daria continuidade ao nome Alvarado. Dona Mariana, instalada no seu papel de mãe recente com uma convicção quase maníaca, raramente se separava do bebé que tinha sido batizado com o nome de Rafael Cristóbal de Alvarado numa cerimónia pomposa na Igreja da Vila.

    Ana Belén foi designada novamente para os trabalhos da casa, mas agora com uma função específica, ser a ama-de-leite não oficial do menino, alimentando-o quando Dona Mariana estava demasiado cansada ou indisposta, mas sempre em privado, sempre com a advertência implícita de que a sua proximidade com o menino era um privilégio temporário que podia ser revogado a qualquer momento.

    Durante os primeiros meses, Ana Belén tentou manter uma distância emocional, tentando ver Rafael como o que oficialmente era: o filho dos seus amos, uma criatura que não lhe pertencia. Mas a maternidade não obedece a contratos nem a conveniências sociais. Cada vez que o bebé se agarrava ao seu peito, cada vez que os seus pequenos dedos se fechavam à volta do seu dedo indicador, cada vez que os seus olhos escuros a olhavam com essa confiança absoluta que só as crianças pequenas podem oferecer, Ana Belén sentia o seu coração a abrir-se e a dilacerar-se simultaneamente.

    Começou a cantar-lhe canções em voz baixa, canções que a sua própria mãe lhe tinha cantado quando era criança, canções numa língua de que mal se lembrava, mas que surgiam de um lugar profundo da sua memória. Sussurrava-lhe palavras de amor nesses momentos roubados, prometendo-lhe que um dia, de alguma forma, ele saberia a verdade.

    O primeiro ano de vida de Rafael decorreu nesta ambiguidade dolorosa. Dom Cristóbal adorava-o com uma intensidade que raiava a obsessão, consultando constantemente médicos da cidade sobre a sua saúde, importando brinquedos caros de Espanha, contratando um artista para pintar o seu retrato quando tinha apenas 6 meses.

    Dona Mariana tinha-se transformado numa mãe ferozmente protetora, afastando o menino de qualquer perigo real ou imaginário, despedindo criados que considerava demasiado descuidados e desenvolvendo um instinto territorial em relação a Rafael, que não admitia competição.

    Observava com olhos de falcão cada interação entre Ana Belén e o menino, interrompendo qualquer momento de intimidade que durasse mais do que o estritamente necessário, lembrando-lhe com comentários cortantes que ela era simplesmente uma empregada, uma ferramenta útil, mas substituível.


    Mas à medida que Rafael crescia, começaram a aparecer sinais que despertavam sussurros entre os escravos e criados. A sua pele, que ao nascer tinha sido tão clara, adquiriu com a exposição ao sol um tom ligeiramente mais escuro, um bronzeado que não desaparecia com o tempo. As suas feições, ainda infantis, mostravam uma mistura curiosa: os olhos claros de Dom Cristóbal, mas a forma do nariz e da boca que recordavam inquietantemente Ana Belén.

    O seu cabelo, que inicialmente tinha sido liso, começou a mostrar uma textura ligeiramente encaracolada que nenhum pente conseguia alisar completamente. Dona Mariana tentava controlar estes sinais com obsessão maníaca. Mantinha Rafael dentro de casa o máximo possível para proteger a sua pele do sol. Aplicava-lhe óleos e loções que prometiam clarear a tez.

    E quando a textura do seu cabelo se tornou inegável, começou a cortá-lo muito curto e a humedecê-lo constantemente com pomadas para o domar. Dom Cristóbal, por sua vez, parecia genuinamente cego a estas subtilezas ou talvez tivesse decidido conscientemente não as ver.

    Para ele, Rafael era o seu filho legítimo, o herdeiro que tinha esperado durante anos e qualquer característica física invulgar podia ser facilmente explicada pela herança genética caprichosa, os antepassados misturados que toda a família crioula tinha, embora não o admitisse publicamente. Quando algum visitante fazia um comentário sobre o aspeto ligeiramente exótico do menino, Dom Cristóbal respondia com orgulho que a avó de Dona Mariana tinha sido das Canárias, que havia sangue andaluz na família, que os Alvarados sempre tinham tido traços fortes e distintivos.


    Foi Dom Ignacio Montero, o novo administrador que chegou à fazenda quando Rafael tinha 2 anos, quem começou a fazer perguntas perigosas. Dom Ignacio era um crioulo melindroso de Puebla, contratado por Dom Cristóbal para modernizar a produção do engenho após uma série de más colheitas. Era um homem magro, de olhos pequenos e desconfiados, com uma mente calculista que via números onde outros viam pessoas e com uma ambição mal disfarçada de ascender na escala social, acumulando favores dos poderosos e segredos dos fracos.

    Desde o primeiro dia, Dom Ignacio observou com interesse peculiar a dinâmica da Casa Grande, notando detalhes que outros passavam por alto. A maneira como Dona Mariana vigiava zelosamente Ana Belén, a frequência com que o menino procurava instintivamente a escrava quando chorava, a tensão palpável que se instalava em qualquer divisão onde os três se encontravam simultaneamente.

    Uma tarde de agosto, Dom Ignacio encontrou Ana Belén sozinha no jardim traseiro a estender roupa enquanto Rafael brincava por perto com um cavalinho de madeira. O administrador aproximou-se com ar casual, fingindo interessar-se pelas flores de Buganvília, e começou uma conversa aparentemente inocente sobre o clima e as colheitas.

    Mas gradualmente, com a astúcia de quem interroga sem o parecer, Dom Ignacio conduziu a conversa para territórios mais pessoais. Quanto tempo Ana Belén estava na fazenda? Que tarefas realizava? Se tinha tido filhos próprios? Ana Belén respondeu com monossílabos cautelosos, sentindo o perigo em cada pergunta.

    Mas quando Dom Ignacio comentou casualmente que o menino Rafael se parecia notavelmente com ela em certos ângulos, especialmente quando sorria, Ana Belén sentiu o mundo parar por um instante. Não respondeu, simplesmente continuou a estender a roupa com mãos que tremiam impercetivelmente.

    Mas Dom Ignacio já tinha visto o que precisava de ver. Durante as semanas seguintes, o administrador começou a tecer a sua teia com paciência de aranha, fazendo perguntas discretas a outros criados, revendo os livros da fazenda para verificar datas, interrogando subtilmente a parteira Dona Lucía quando a mulher veio à fazenda para um parto diferente.

    Dona Lucía, assustada e envelhecida, negou tudo ao princípio, mas Dom Ignacio era especialista em aplicar pressão. Lembrou-lhe que ocultar fraudes de filiação era um crime grave, que a Igreja castigava severamente tais enganos, que ela podia perder a sua licença e o seu sustento se a sua participação fosse descoberta.

    A parteira finalmente cedeu, confessando os detalhes básicos do arranjo, embora tentasse minimizar a sua própria culpabilidade, apresentando-se como uma simples ferramenta dos desejos dos seus patrões. Dom Ignacio guardou esta informação como quem guarda pólvora, esperando o momento exato para acender o rastilho.


    Esse momento chegou em outubro, quando Dom Cristóbal anunciou a sua decisão de fazer uma viagem de negócios à Cidade do México, que o manteria ausente durante dois meses, levando consigo Dona Mariana e Rafael para aproveitar e apresentar o herdeiro na sociedade da capital. Era uma oportunidade perfeita para Dom Ignacio consolidar o seu poder na ausência do amo. Mas também era um risco.

    Se os Alvarados estabelecessem firmemente a legitimidade de Rafael perante as famílias proeminentes da capital, seria muito mais difícil questionar a sua filiação posteriormente. Na noite anterior à partida, Dom Ignacio finalmente jogou a sua cartada. Solicitou uma audiência privada com Dom Cristóbal, fechou a porta do escritório e com voz suave, mas implacável, revelou-lhe o que tinha descoberto.

    Mostrou-lhe testemunhos escritos, apresentou-lhe inconsistências nas datas da suposta gravidez de Dona Mariana. Descreveu-lhe as semelhanças físicas inegáveis entre Rafael e Ana Belén. E finalmente, com um golpe de mestre, informou-o que Dona Lucía estava disposta a testemunhar sob juramento sobre a fraude, se fosse necessário.

    Dom Cristóbal ouviu tudo isto com um rosto que transitou do ceticismo para a raiva e finalmente para uma palidez mortal. Tentou negar, tentou justificar, tentou ameaçar, mas Dom Ignacio manteve-se firme, imperturbável, deixando claro que a sua intenção não era destruir a família, mas protegê-la. Por uma soma de dinheiro considerável e uma participação significativa nos lucros da fazenda, ele garantiria que este segredo permanecesse enterrado para sempre.

    Era chantagem pura e simples. E Dom Cristóbal reconheceu-o como tal, mas também reconheceu que estava encurralado. Se a verdade viesse à tona, não só perderia o seu herdeiro, mas também a sua honra, a sua posição social e potencialmente as suas propriedades, já que um tribunal poderia determinar que a fraude invalidava o testamento que tinha preparado, deixando tudo para Rafael.

    Depois de uma noite de insónias e uma discussão furiosa com Dona Mariana, que terminou com objetos partidos e lágrimas amargas, Dom Cristóbal aceitou os termos de Dom Ignacio. A viagem à Cidade do México foi oficialmente cancelada devido a uma doença súbita de Rafael, mas na verdade porque Dom Cristóbal precisava de tempo para reorganizar as suas finanças e a sua vida em torno desta nova e precária realidade.


    Ana Belén observava tudo isto da sua posição de testemunha silenciosa, sentindo como a jaula invisível que a rodeava se tornava cada vez mais pequena. Dom Ignacio agora olhava-a com uma mistura de desprezo e fascínio, como quem observa um inseto raro sob um vidro.

    Dona Mariana tratava-a com uma hostilidade renovada, culpando-a irracionalmente pela extorsão, embora Ana Belén não tivesse dito nada a ninguém. Dom Cristóbal simplesmente a evitava, incapaz de a olhar nos olhos, como se a sua mera presença fosse um lembrete vivo do seu pecado e da sua vergonha.

    Só Rafael, agora com 2 anos e meio, continuava a procurá-la com a inocência de quem não entende as complexidades do mundo adulto, gritando: “Ana! Ana!” quando a via e correndo para ela, com os braços estendidos, antes que Dona Mariana o intercetasse e o afastasse.

    A situação tornou-se insustentável durante o Natal de 1796. A fazenda estava cheia de convidados, famílias de fazendeiros vizinhos que vinham celebrar as festas. E Rafael, agora com quase 3 anos e cada vez mais curioso e falador, tinha começado a chamar Ana Belén de mamã em momentos de distração, corrigindo-se rapidamente para Mariana quando a sua mãe oficial o repreendia.

    Durante o jantar da véspera de Natal, com uma longa mesa cheia de hóspedes elegantes, Rafael teve uma birra porque Dona Mariana não o deixava comer mais doces. No meio dos seus gritos, o menino exigiu que mamã Ana viesse consolá-lo, pronunciando as palavras com uma clareza que ecoou no silêncio repentino da sala de jantar.

    Os convidados trocaram olhares incómodos. Dona Mariana levantou-se abruptamente, o rosto vermelho de humilhação, e arrastou Rafael para fora do quarto enquanto o menino chorava. Dom Cristóbal tentou amenizar o momento com um riso forçado, explicando que as crianças pequenas frequentemente confundem as suas amas-de-leite com as suas mães, que era um mal-entendido inocente, mas o dano estava feito.

    Os rumores que tinham circulado em voz baixa entre os criados, agora tinham uma confirmação pública, embora involuntária. Durante os dias seguintes, os convidados partiram cedo, interrompendo as suas visitas com desculpas transparentes, e Ana Belén soube que o seu tempo na Fazenda San Jerónimo del Valle estava a chegar ao fim.


    Não foi Dom Cristóbal nem Dona Mariana que finalmente precipitaram a crise, mas sim o Padre Domingo. O franciscano tinha estado ausente durante meses, tratando de assuntos da sua ordem em Veracruz, mas quando regressou em janeiro e ouviu os rumores, o seu rosto bondoso transformou-se numa máscara de severidade moral. Convocou Dom Cristóbal à sacristia após a missa dominical e falou-lhe com uma franqueza brutal.

    O engano era um pecado grave, mas manter esse engano e permitir que uma criança crescesse na mentira era uma ofensa contínua contra Deus e contra a ordem natural. Ofereceu-lhe duas opções: confessar publicamente a verdade e aceitar as consequências sociais ou enviar para longe Ana Belén e Rafael, separando-os permanentemente para evitar que o menino continuasse a confundir-se sobre a sua identidade.

    Dom Cristóbal escolheu a segunda opção porque era o cobarde que sempre tinha sido. Fez arranjos para que Ana Belén fosse vendida a um comerciante de Oaxaca que precisava de criados domésticos e a transação seria concluída em duas semanas.

    A notícia chegou a Ana Belén através de Dona Carmen, a viúva de Xalapa, que tinha cuidado dela durante a gravidez e que mantinha contacto ocasional, enviando mensagens com os vendedores ambulantes. A viúva escreveu-lhe uma carta simples que um escravo alfabetizado lhe leu em voz baixa. Tinha 14 dias para decidir se aceitava o seu destino ou se fazia algo a respeito.

    Ana Belén passou essas duas semanas num estado de deliberação agónica. Tinha aprendido a ler as correntes de poder na fazenda. Sabia que Dom Ignacio estava à espera de qualquer pretexto para consolidar ainda mais a sua influência. Sabia que Dona Mariana estava à beira de um colapso nervoso. Sabia que Dom Cristóbal estava preso entre a sua consciência e a sua conveniência. Sabia também que Rafael, apesar da sua tenra idade, estava a começar a sentir a confusão da sua situação.

    Por que mamã Ana a olhava com olhos cheios de lágrimas? Por que a sua mãe oficial o abraçava com um desespero quase violento? Por que o seu pai o carregava como se a qualquer momento fosse desaparecer?


    Na noite anterior à sua partida programada, Ana Belén tomou uma decisão que mudaria o curso de múltiplas vidas. Não fugiu, não se revoltou violentamente, não tentou levar Rafael na escuridão. Em vez disso, foi procurar a única pessoa na fazenda que tinha tanto a ganhar quanto a perder com a verdade.

    Encontrou Dona Mariana sozinha no seu quarto a coser roupa para Rafael com dedos trémulos. Quando Ana Belén entrou sem bater, Dona Mariana olhou para cima com uma mistura de surpresa e medo, mas não gritou, não chamou os guardas. Nalgum nível profundo, ela estava à espera deste confronto.

    Ana Belén falou com uma voz baixa, mas firme, as palavras que tinha ensaiado durante dias fluindo com uma clareza que a surpreendeu a si mesma. Disse a Dona Mariana que entendia o seu desespero, que reconhecia que ambas eram vítimas de um sistema que as usava como ferramentas para os desejos dos homens.

    Explicou-lhe que não queria destruir a família nem reclamar Rafael publicamente, porque sabia que isso só o condenaria a uma vida de estigma e rejeição. O que queria, a única coisa que pedia, era permanecer na fazenda em alguma capacidade, ainda que fosse como a escrava mais insignificante, para poder ver o seu filho a crescer à distância, para poder garantir que ele estivesse saudável e amado. Em troca, prometia guardar o segredo para sempre, nunca revelar a verdade a Rafael nem a mais ninguém, e aceitar qualquer limite que Dona Mariana estabelecesse sobre o seu contacto com o menino.

    Dona Mariana ouviu-a com lágrimas silenciosas a escorrerem-lhe pelas faces. Quando Ana Belén terminou, houve um longo silêncio durante o qual ambas as mulheres se olharam sem as máscaras de ama e escrava, simplesmente como duas mães presas numa situação impossível.

    Finalmente, Dona Mariana falou com voz quebrada. “Eu também sou escrava nesta casa, escrava da minha incapacidade de dar filhos, escrava das expectativas do meu pai morto, escrava do nome que carrego. Rafael é a única coisa que me dá valor neste mundo e, embora saiba que não saiu do meu corpo, eu o amei todos os dias como se tivesse saído. Se ficares, se cumprires a tua promessa, juro-te pela Virgem que cuidarei dele como se fosse o meu próprio sangue. Dar-lhe-ei a melhor educação. Protegê-lo-ei de todos os perigos, incluindo a verdade que poderia destruí-lo. Mas se alguma vez quebrares a tua palavra, se alguma vez tentares reclamá-lo, usarei todo o meu poder para te apagar da existência e fá-lo-ei sem remorsos.”

    Ana Belén aceitou estes termos porque não tinha alternativa melhor. No dia seguinte, quando Dom Cristóbal anunciou que tinha decidido cancelar a venda de Ana Belén a pedido da sua esposa, Dom Ignacio levantou uma sobrancelha, mas não disse nada, calculando talvez que manter o status quo era mais rentável do que provocar um escândalo completo.

    Ana Belén foi reatribuída para trabalhar nas cozinhas, longe da casa principal e as regras eram estritas. Podia ver Rafael apenas à distância durante as ocasiões públicas. Não podia falar-lhe diretamente, a menos que ele lhe fizesse uma pergunta específica, e devia tratá-lo sempre com a deferência formal de uma serva para com o filho do amo.


    Os anos seguintes decorreram nesta dolorosa paródia de normalidade. Rafael cresceu, tornando-se um menino inteligente e curioso, educado por tutores contratados de Veracruz, mimado pelo seu pai e superprotegido pela sua mãe. À medida que amadurecia, os sinais da sua herança mista tornaram-se mais subtis, mas não menos evidentes para quem sabia o que procurar.

    A sua pele mantinha esse tom ambíguo que podia passar por Mediterrâneo no inverno, mas que escurecia demasiado no verão. O seu cabelo exigia produtos especiais para manter uma aparência apropriada, e as suas feições faciais, à medida que se definiam com a adolescência, mostravam uma beleza invulgar que combinava o melhor dos seus dois progenitores.

    Ana Belén observava-o da sua posição marginal, sentindo um orgulho secreto por cada conquista do rapaz, cada livro que dominava, cada vez que mostrava bondade para com os escravos contra a crueldade que caracterizava muitos da sua classe. Rafael, por sua vez, parecia sentir uma conexão inexplicável com ela. Às vezes, quando pensava que ninguém o via, procurava Ana Belén com o olhar durante as festividades ou quando passeava pelos terrenos da fazenda e havia nos seus olhos uma pergunta não formulada, uma intuição confusa de que havia algo importante que ele não conseguia compreender.

    Dona Mariana vigiava estas interações com ansiedade constante, interpondo-se fisicamente entre eles quando era necessário, mas à medida que Rafael crescia, tornava-se mais difícil controlar os seus movimentos e a sua curiosidade.


    O momento da verdade chegou no outono de 1810, quando Rafael tinha 16 anos e o México começava a estremecer com os primeiros tremores da insurgência. O Padre Miguel Hidalgo tinha lançado o seu grito em Dolores em setembro e as notícias da rebelião espalhavam-se como fogo pelas fazendas, despertando esperanças perigosas entre os escravos e o terror entre os proprietários.

    Dom Cristóbal, agora um homem de 54 anos com saúde deteriorada, tinha começado a beber em excesso, atormentado por medos sobre o futuro e talvez também por remorsos do passado. Dom Ignacio tinha fortalecido a sua posição a ponto de ser praticamente o verdadeiro poder na fazenda, gerindo as finanças e as decisões operacionais, enquanto Dom Cristóbal se afundava na sua própria miséria.

    Uma noite de novembro, enquanto Rafael estudava na biblioteca, encontrou entre os velhos papéis do seu pai uma carta que Dom Ignacio tinha escrito anos antes, um rascunho descartado da sua chantagem original que detalhava a fraude de filiação com uma precisão impiedosa.

    Rafael leu o documento três vezes, sentindo o seu mundo a desmoronar-se palavra por palavra. Confrontou o seu pai nessa mesma noite, invadindo o seu quarto onde Dom Cristóbal jazia meio ébrio, e exigiu a verdade. Dom Cristóbal, despojado de forças para continuar a mentir e talvez secretamente aliviado por finalmente poder confessar, contou-lhe tudo: a esterilidade de Dona Mariana, a violação de Ana Belén, embora ele a descrevesse com eufemismos cobardes como um momento de fraqueza, o plano para roubar o bebé, os anos de engano.

    Rafael saiu daquele quarto transformado, já não o herdeiro seguro de uma fazenda próspera, mas um jovem destroçado pela revelação de que toda a sua identidade era uma mentira.

    Durante dias vagueou pelos terrenos da fazenda como um fantasma, evitando todos, especialmente Dona Mariana, que tentava desesperadamente falar com ele, explicar-lhe que o amor não dependia do sangue, que ela tinha sido a sua verdadeira mãe em todos os sentidos que importavam. Mas Rafael estava demasiado esmagado para ouvir, demasiado perdido na sua própria crise existencial.


    Foi Ana Belén quem finalmente se aproximou dele, quebrando todos os acordos e arriscando tudo o que tinha construído durante 16 anos. Encontrou-o uma tarde junto ao rio onde ela costumava lavar roupa, sentado na mesma margem onde Dom Cristóbal a tinha encontrado tantos anos antes. Sentou-se ao seu lado sem pedir permissão e pela primeira vez na sua vida falou-lhe não como serva, mas como mãe.

    Contou-lhe a sua versão da história sem desculpas, mas também sem autopiedade. Explicou-lhe que ela não tinha tido escolha, que tinha feito o melhor que pôde em circunstâncias impossíveis, que vê-lo crescer, ainda que à distância, tinha sido o seu único consolo durante anos de dor silenciosa.

    Disse-lhe que entendia se ele a odiasse, que isso seria natural e justificado, mas que queria que ele soubesse que nunca se tinha passado um único dia sem que ela pensasse nele, sem que rezasse pelo seu bem-estar, sem que se sentisse dilacerada entre o orgulho do que ele se tinha tornado e a dor de não poder reclamá-lo como seu.

    Rafael chorou então, talvez pela primeira vez desde a infância, chorou com soluços profundos que sacudiam o seu corpo enquanto Ana Belén o segurava com a inabilidade de quem não está acostumada a consolar o seu próprio filho. Quando finalmente conseguiu falar, Rafael fez-lhe a pergunta que tinha sido o centro de toda esta tragédia desde o princípio.

    “O que sou eu, então? Quem sou eu?”

    Ana Belén respondeu com uma sabedoria que vinha de décadas a observar o mundo a partir das suas margens. “És Rafael, filho de dois mundos, herdeiro de dois sangues, produto de uma violência que nenhum de nós pediu, mas que todos partilhamos. Podes escolher ser o filho legítimo dos Alvarados e viver com a mentira que te protege. Ou podes escolher conhecer a tua verdade e viver com as consequências dessa honestidade. Qualquer um dos caminhos estará cheio de dor, mas pelo menos agora podes escolher qual dor preferes carregar.”


    Durante as semanas seguintes, enquanto a insurgência se espalhava pelo vice-reinado e as velhas certezas da ordem colonial começavam a desmoronar-se, Rafael começou o seu próprio processo de reconciliação com a sua identidade fragmentada. Falou longamente com Dona Mariana, que lhe confessou em lágrimas que o seu amor por ele tinha sido a única coisa real na sua vida de representações sociais. Convidou Dom Cristóbal, cuja cobardia e egoísmo agora lhe pareciam imperdoáveis, e gradualmente construiu uma relação cautelosa com Ana Belén, não exatamente como mãe e filho, mas também não como ama e escravo, mas como duas pessoas ligadas por laços de sangue e trauma que tentavam encontrar uma nova linguagem para se nomearem mutuamente.

    A resolução chegou de uma forma que ninguém tinha antecipado. Em março de 1811, Dom Cristóbal morreu de uma apoplexia, deixando Rafael como herdeiro legal da Fazenda San Jerónimo del Valle. Dom Ignacio tentou impugnar o testamento com base no conhecimento da fraude de filiação.

    Mas Rafael, aconselhado por advogados inteligentes, argumentou que ele tinha sido legalmente reconhecido como filho de Dom Cristóbal durante toda a sua vida, que todos os documentos oficiais o registavam como tal e que alterar isso agora exigiria provas que implicariam demasiadas pessoas poderosas em escândalos que ninguém queria tornar públicos.

    O caso foi resolvido através de um pagamento generoso a Dom Ignacio, que pegou no dinheiro e desapareceu para Puebla, provavelmente para tentar o mesmo esquema de extorsão noutra fazenda desprevenida.

    Rafael, agora proprietário legal de terras e escravos aos 17 anos, tomou decisões que escandalizaram a sociedade local. A sua primeira ação foi libertar Ana Belén, dando-lhe os documentos de alforria numa cerimónia privada na biblioteca onde tinha descoberto a verdade.

    Ofereceu-lhe ficar na fazenda como empregada paga, se assim o desejasse, ou partir com dinheiro suficiente para se estabelecer em qualquer lugar que escolhesse. Ana Belén escolheu ficar, não pelo dinheiro, mas porque depois de tantos anos a observar de longe, queria a oportunidade de conhecer realmente o seu filho, de construir algum tipo de relação, ainda que nos termos estranhos que a sua história lhes tinha imposto.

    Dona Mariana permaneceu na Casa Grande e, embora a sua relação com Rafael nunca voltasse a ser tão próxima como antes da revelação, encontraram uma maneira de coexistir baseada no reconhecimento de que ambos tinham sido vítimas do mesmo sistema opressor. Ela continuou a ser oficialmente a sua mãe perante a sociedade e Rafael tratou-a com o respeito que merecia pelos anos de cuidado genuíno que lhe tinha dado.

    Ana Belén e Dona Mariana desenvolveram uma paz tensa, duas mulheres que tinham partilhado o mesmo filho de maneiras tão diferentes que era impossível dizer qual tinha sido mais mãe, reconhecendo finalmente que a maternidade não era um território exclusivo, mas um espaço que podia ser partilhado, ainda que dolorosamente.


    Os anos da insurgência varreram a velha ordem e, embora a independência do México em 1821 não tenha trazido a libertação imediata de todos os escravos, iniciou-se um processo gradual de transformação social. Rafael tornou-se um dos fazendeiros que apoiou a abolição quando esta finalmente chegou, libertando todos os escravos de San Jerónimo del Valle e convertendo-os em trabalhadores assalariados.

    Alguns partiram para procurar oportunidades noutros lugares, mas muitos ficaram porque, após gerações na mesma terra, era o único lar que conheciam. Ana Belén viveu até aos 62 anos, tempo suficiente para ver Rafael casar com uma mulher mestiça de Xalapa, que conhecia toda a sua história e o amava de todas as formas.

    Tempo suficiente para conhecer os seus netos e contar-lhes histórias sobre a sua própria infância em África, histórias que ela mesma mal recordava, mas que inventava e reinventava como uma forma de reclamar um passado que lhe tinha sido roubado.

    Quando morreu em 1832, foi enterrada no cemitério familiar dos Alvarado, não na secção dos escravos, mas ao lado de Dona Mariana, que tinha morrido 3 anos antes. Rafael mandou gravar na sua lápide simplesmente “Ana Belén Mãe”, sem mais explicações, porque afinal a verdade mais complexa às vezes é expressa melhor nas palavras mais simples.

    Os registos oficiais continuaram a listar Rafael Cristóbal de Alvarado como filho legítimo de Dom Cristóbal e Dona Mariana, porque alguns segredos são demasiado complicados para os documentos legais, demasiado humanos para as categorias rígidas da burocracia.

    Mas nas histórias que se contavam em voz baixa entre as famílias da região, nos rumores que persistiram durante gerações, a verdade sobreviveu de uma forma distorcida, mas reconhecível. A história de uma escrava cujo filho nasceu com a pele do amo e de como essa ambiguidade biológica expôs as mentiras sobre as quais toda uma sociedade foi construída, as ficções de pureza de sangue e legitimidade que sustentavam uma ordem profundamente injusta. Uma história sobre violência e resistência, sobre múltiplas maternidades e verdades complexas, sobre como o amor pode existir mesmo nas circunstâncias mais retorcidas e sobre como as revoluções às vezes não começam com exércitos nem com declarações, mas com um menino que faz uma pergunta simples: “Quem sou eu realmente?”

  • Ela era “indesejável” — Sua família a trancou em um quarto sem janelas (Guadalajara, 1872)

    Ela era “indesejável” — Sua família a trancou em um quarto sem janelas (Guadalajara, 1872)

    No outono de 1872, os registos paroquiais da Igreja do Sagrario de Guadalajara começaram a apresentar inconsistências que chamaram a atenção décadas depois. Um registo de batismo datado de 20 de março de 1854 registrava o nascimento de Esperanza Dolores Vázquez Moreno, filha de Don Aurelio Vázquez Herrera, comerciante de tecidos, e Doña Remedios Moreno de Vázquez.

    No entanto, a partir de 1872, o nome da jovem desaparece completamente de todos os registos civis e eclesiásticos da cidade. A família Vázquez residia numa grande casa de dois andares, localizada na rua de San Francisco, a três quarteirões do templo de San Agustín, no que era então considerado um dos bairros mais respeitáveis de Guadalajara.

    A propriedade, construída em pedra vulcânica e adobe no estilo colonial tardio, possuía um amplo pátio central rodeado por corredores com arcos de cantaria rosa. Os vizinhos recordavam Don Aurelio como um homem severo mas justo, um católico devoto, que assistia à missa diariamente na catedral.

    Doña Remedios, por sua vez, era conhecida pela sua participação nas atividades de caridade da Sociedade das Damas da Caridade. O casal teve quatro filhos. Aurelio Júnior, nascido em 1850, María del Carmen em 1852, Esperanza Dolores em 1854 e, finalmente, José Refugio, nascido em 1856. Os registos escolares do Colégio das Irmãs da Caridade confirmam que as duas irmãs mais velhas completaram a sua educação básica sem incidentes notáveis.

    Aurelio Júnior seguiu os passos comerciais do pai, enquanto José Refugio demonstrou vocação religiosa desde tenra idade. Durante os anos de 1865 a 1870, várias testemunhas concordam que a família mantinha uma rotina estrita, mas aparentemente normal. Don Aurelio abria a sua loja de tecidos todas as manhãs às 7 em ponto, localizada nos portais do centro da cidade.

    Doña Remedios supervisionava os trabalhos domésticos com a ajuda de duas criadas. Petra Sandoval, originária de Tlaquepaque, e Jacinta Ruiz, uma mulher mais velha que servia a família desde antes do nascimento dos filhos. Aos domingos, a família completa assistia à missa das 11 na catedral, ocupando sempre o mesmo banco no lado esquerdo da nave central.

    As vizinhas mais observadoras, como Doña Soledad Guerrero, que residia na casa ao lado, notaram que durante esses anos Esperanza Dolores tinha crescido e se tornado uma jovem de aparência notável, alta para os padrões da época, com cabelo castanho-escuro e olhos verdes. A jovem destacava-se entre as irmãs por uma beleza que, segundo os testemunhos posteriores, era inquietante para os parâmetros de uma jovem decente da sociedade Tapatía.

    Em 1870, quando Esperanza completou 16 anos, começaram os primeiros indícios do que mais tarde os registos municipais catalogariam vagamente como problemas de conduta. O Padre Crescencio Maldonado, que oficiava na paróquia do Sagrario, anotou nos seus registos pessoais que a jovem tinha sido levada à confissão em múltiplas ocasiões pela mãe, sempre acompanhada de súplicas especiais para que o pároco intercedesse junto de Deus pela salvação de uma alma desviada.

    As anotações do comerciante italiano Giovanni Benedetti, que tinha um negócio de importações em frente à loja de Don Aurelio, mencionam nas suas cartas à família em Génova que, durante o verão de 1871, ele observou situações irregulares nos horários da família Vázquez. Ele escreveu que a jovem Esperanza tinha deixado de aparecer nas atividades sociais habituais, incluindo as procissões religiosas e as peças de teatro que se realizavam no Teatro de Gollado.

    De acordo com o testemunho posterior de Petra Sandoval, registado em 1893 pelo notário público Ramón Ibarra García, durante os meses finais de 1871, a jovem Esperanza tinha começado a mostrar comportamentos que não eram apropriados para uma jovem de boa família. A criada, então com 35 anos, descreveu episódios em que encontrava a jovem a conversar sozinha no pátio durante as madrugadas, rindo sem motivo aparente e cantando canções que não eram apropriadas para ouvidos cristãos.

    O inverno de 1871 trouxe consigo mudanças mais evidentes na dinâmica familiar. Doña Remedios, que até então tinha sido uma presença constante nos círculos sociais da cidade, começou a recusar convites para saraus e reuniões. As senhoras do seu círculo social, lideradas por Doña Refugio Castellanos, viúva de um próspero criador de gado, notaram que a Senhora Vázquez tinha desenvolvido uma palidez doentia e uma tendência a assustar-se com ruídos menores.

    Os irmãos de Esperanza também mostraram mudanças significativas. Aurelio Júnior, que herdara o caráter meticuloso do pai, começou a passar longas horas na loja da família, evitando regressar a casa antes do anoitecer. María del Carmen, que tinha um noivado informal com o jovem advogado Luis Fernando Orozco, rompeu subitamente o noivado sem dar explicações à família do pretendente. José Refugio, o mais novo, intensificou a sua devoção religiosa a ponto de solicitar a entrada antecipada no seminário de San José.

    Durante a Quaresma de 1872, os vizinhos mais próximos da casa dos Vázquez começaram a relatar sons incomuns vindos do segundo andar da propriedade. Doña Soledad Guerrero mencionou numa carta à irmã, residente na cidade de León, que durante as noites ouvia batidas rítmicas contra as paredes, seguidas de períodos de silêncio absoluto que duravam horas.

    O comerciante Pedro Maldonado, cuja oficina de ferreiro ficava na parte de trás do terreno dos Vázquez, relatou ter ouvido em várias ocasiões o que descreveu como cânticos gregorianos executados por uma voz feminina, mas em horários impróprios para a oração.

    A 22 de março de 1872, exatamente dois dias após o 18º aniversário de Esperanza Dolores, Don Aurelio Vázquez dirigiu-se ao gabinete do arquiteto municipal Ignacio Torres Quintero para solicitar modificações estruturais na sua propriedade. Os documentos preservados no arquivo histórico municipal especificam a construção de um quarto de resguardo no andar superior com ventilação limitada, de acordo com especificações particulares do proprietário.

    O pedido incluía o reforço de um dos quartos existentes e a instalação de medidas de segurança adicionais. As obras começaram a 15 de abril de 1872, executadas pelo mestre pedreiro Crescencio Medina e os seus dois oficiais. De acordo com o testemunho posterior do oficial Evaristo Camarena, registado em 1895, as modificações incluíam o tapamento completo da janela que dava para o pátio central, o reforço da porta com barras de ferro forjado e a instalação de um sistema de ventilação que consistia em pequenas aberturas perto do teto, concebidas de tal forma que era impossível ver o exterior a partir do interior do quarto.

    Durante as duas semanas que duraram as modificações, os trabalhadores relataram um ambiente tenso na casa dos Vázquez. O mestre Medina anotou no seu livro de obras que Doña Remedios permanecia a maior parte do tempo na capela da família, situada no rés-do-chão, dedicada a longas sessões de oração.

    Os filhos mais velhos ausentavam-se de casa durante todo o dia, e Don Aurelio supervisionava pessoalmente cada detalhe da construção. O comportamento de Esperanza durante esses dias, segundo o testemunho dos operários, era particularmente desconcertante. A jovem aparecia inesperadamente nas áreas onde as obras estavam a ser realizadas, observando em silêncio o progresso dos trabalhos.

    A sua presença gerava um desconforto notável entre os trabalhadores, que descreviam o seu olhar como demasiado direto para uma jovem e a sua maneira de se mover como imprópria para a sua condição social. O oficial Camarena recordava especialmente um incidente ocorrido a 26 de abril. Enquanto instalava as barras de ferro na porta, Esperanza aproximou-se e ficou a observar durante vários minutos.

    Quando o oficial lhe perguntou se precisava de alguma coisa, a jovem respondeu com um sorriso que ele descreveu como demasiado largo e disse-lhe: “Eu só queria ver como se constrói uma jaula para pessoas.” Depois, retirou-se sem dizer mais nada, deixando o trabalhador com uma sensação de profunda inquietação.

    As obras foram concluídas a 1 de maio de 1872. Os documentos de pagamento preservados no arquivo notarial de Ramón Ibarra García indicam que Don Aurelio pagou o total dos trabalhos em dinheiro, algo incomum para uma obra de tal magnitude. O mestre Medina anotou como observação final que o quarto modificado carecia completamente de qualquer elemento que permitisse a saída do interior. Um detalhe que ele achou estranho, mas que não considerou apropriado questionar.

    Dois dias após a conclusão das obras, a 3 de maio de 1872, Esperanza Dolores Vázquez Moreno desapareceu da vista pública. O seu último registo documentado corresponde à sua participação na procissão da Santa Cruz realizada no dia anterior. Várias testemunhas concordaram que a jovem parecia pálida e caminhava com dificuldade, como se carregasse um peso invisível.

    A partir dessa data, as respostas da família Vázquez às perguntas sobre o paradeiro de Esperanza seguiram um padrão consistente. Don Aurelio informava a quem perguntasse que a filha tinha sido enviada para um convento na Cidade do México para completar a sua educação religiosa e encontrar a paz espiritual de que necessitava. Doña Remedios, quando forçada a abordar o tema, mencionava que Esperanza tinha manifestado uma vocação religiosa repentina e tinha solicitado o recolhimento do mundo para se dedicar à contemplação.

    Os irmãos de Esperanza mantiveram versões semelhantes. Aurelio Júnior, quando questionado por conhecidos da família, explicava que a irmã tinha passado por uma crise espiritual profunda que exigia tratamento especializado num ambiente de recolhimento religioso. María del Carmen, por sua vez, afirmava que Esperanza tinha encontrado a sua verdadeira vocação no serviço a Deus e tinha-se despedido da família com grande serenidade e júbilo espiritual.

    No entanto, as inconsistências nesses testemunhos começaram a gerar suspeitas entre os vizinhos mais observadores. Doña Soledad Guerrero notou que nenhum membro da família tinha mencionado o nome específico do convento onde Esperanza supostamente se encontrava. Além disso, a Senhora Guerrero conhecia pessoalmente várias madres superioras de conventos na capital do país, e as suas investigações discretas não trouxeram informações sobre a entrada de nenhuma jovem com as características de Esperanza Dolores.

    O comerciante Giovanni Benedetti registou nas suas cartas que o comportamento da família Vázquez durante os meses seguintes ao desaparecimento de Esperanza era artificialmente normal. Ele escreveu que Don Aurelio tinha recuperado subitamente a sua jovialidade habitual, que Doña Remedios tinha retomado as suas atividades sociais com aparente tranquilidade e que os irmãos da jovem pareciam ter esquecido completamente a sua existência.

    Mas foram as criadas que forneceram os testemunhos mais inquietantes. Petra Sandoval, na sua declaração posterior, descreveu mudanças subtis, mas perturbadoras, na rotina doméstica. A criada notou que Doña Remedios tinha começado a preparar pessoalmente as refeições para levar ao segundo andar, tarefa que anteriormente delegava no serviço doméstico.

    Essas refeições, segundo Sandoval, consistiam invariavelmente em porções mais abundantes do que o habitual, como se fossem destinadas a mais do que uma pessoa. Jacinta Ruiz, a criada mais velha, relatou ter ouvido em múltiplas ocasiões sons vindos do segundo andar durante as horas em que supostamente a família completa se encontrava no rés-do-chão.

    Ela descrevia esses sons como passos lentos e arrastar de objetos pesados, seguidos de longos períodos de silêncio. Quando perguntava a Doña Remedios sobre esses ruídos, recebia respostas evasivas sobre ratos grandes ou problemas com as velhas vigas de madeira.

    Durante o verão de 1872, os vizinhos começaram a relatar um fenómeno que achavam particularmente desconcertante. Nas noites de lua cheia, segundo múltiplos testemunhos, ouvia-se da casa dos Vázquez o que descreviam como canto gregoriano feminino, mas executado em horários impróprios para a oração tradicional. O canto, segundo Doña Soledad Guerrero, parecia vir do segundo andar e tinha uma qualidade demasiado pura e demasiado triste para ser completamente humana.

    Pedro Maldonado, o ferreiro, forneceu o testemunho mais específico sobre esses cânticos noturnos. De acordo com as suas anotações, os episódios ocorriam regularmente a cada duas semanas, sempre durante as primeiras horas após a meia-noite. O canto durava aproximadamente uma hora e era caracterizado por uma perfeição técnica inquietante e uma melancolia que penetrava até aos ossos.

    Maldonado mencionou que em várias ocasiões tentou identificar as orações cantadas, mas não conseguiu reconhecer nenhuma das peças do repertório litúrgico tradicional. O outono de 1872 trouxe consigo o primeiro incidente que forçou a família Vázquez a dar explicações públicas.

    Durante a noite de 15 de outubro, os moradores das casas vizinhas foram acordados pelo que descreveram como gritos de mulher em extrema angústia. Os sons, segundo os testemunhos, duraram aproximadamente 15 minutos e foram seguidos de um silêncio tão absoluto que vários vizinhos temeram que tivesse ocorrido uma tragédia.

    Don Patricio Hernández, que residia duas casas a leste dos Vázquez, foi o primeiro a aproximar-se para oferecer ajuda. Encontrou Don Aurelio no pátio da sua casa, vestido com um roupão e aparentemente calmo. Quando Hernández perguntou pela causa dos gritos, Don Aurelio explicou que Doña Remedios tinha tido um pesadelo particularmente vívido relacionado com a preocupação pela filha ausente.

    A explicação, embora plausível, não convenceu completamente os vizinhos, especialmente porque os gritos pareciam vir do segundo andar, enquanto o quarto de dormir do casal se localizava no rés-do-chão.

    Os dias seguintes ao incidente de 15 de outubro foram marcados por uma mudança notável no comportamento da família Vázquez. Doña Remedios, que tinha conseguido recuperar alguma normalidade nas suas atividades sociais, voltou a mostrar sinais de tensão extrema. As vizinhas que a encontravam na igreja ou no mercado notaram que ela tinha desenvolvido um tique nervoso que a fazia virar constantemente a cabeça, como se esperasse ouvir algo específico.

    As suas mãos, anteriormente firmes e hábeis para os trabalhos de costura, começaram a tremer de forma percetível. Don Aurelio, por sua vez, modificou os seus horários comerciais de forma significativa. O comerciante, que anteriormente permanecia na sua loja até às 8 da noite, começou a fechar invariavelmente às 6, regressando a casa com uma pontualidade que os seus empregados achavam obsessiva.

    Giovanni Benedetti anotou que Don Aurelio parecia incapaz de se concentrar nas transações comerciais durante as últimas horas do dia, mostrando sinais de agitação crescente à medida que a hora de fecho se aproximava. Os irmãos de Esperanza também exibiram mudanças de comportamento que não passaram despercebidas.

    Aurelio Júnior, que tinha demonstrado promissoras aptidões comerciais, começou a cometer erros frequentes na contabilidade do negócio da família. Os seus antigos colegas de estudo notaram que ele tinha perdido peso consideravelmente e que os seus olhos tinham adquirido uma expressão perpetuamente assustada.

    María del Carmen, depois de romper o seu noivado, recusou todos os pretendentes que se aproximaram subsequentemente, alegando que tinha decidido dedicar a sua vida aos cuidados dos pais. José Refugio, o irmão mais novo, intensificou a sua devoção religiosa até atingir níveis que os seus confessores consideravam preocupantes.

    O Padre Crescencio Maldonado anotou nos seus registos que o jovem ia confessar-se diariamente, mas que as suas conversas eram caracterizadas por uma agitação espiritual que parecia mais relacionada com o medo do que com a verdadeira contrição. O pároco mencionou especialmente que José Refugio tinha começado a fazer perguntas teológicas sobre a natureza do castigo divino e os limites da obediência filial.


    Durante o inverno de 1872 a 1873, os testemunhos das criadas forneceram informações cada vez mais inquietantes sobre a vida quotidiana na casa dos Vázquez. Petra Sandoval descreveu uma rotina doméstica que tinha adquirido características ritualizadas. Doña Remedios, segundo a criada, tinha estabelecido horários extremamente específicos para as refeições, a limpeza e as atividades religiosas familiares.

    Qualquer desvio desses horários, por mínimo que fosse, provocava episódios de ansiedade extrema na senhora da casa. A criada também relatou mudanças na distribuição dos alimentos. Doña Remedios tinha começado a calcular as porções com uma precisão obsessiva, como se cada grama de comida fosse crucial para o equilíbrio da casa.

    No entanto, Sandoval notou que consistentemente sobrava uma quantidade significativa de alimento que a senhora guardava cuidadosamente em recipientes específicos. Quando a criada perguntava sobre o destino dessas sobras, Doña Remedios respondia vagamente que nunca se sabe quando alguém pode precisar de alimento adicional.

    Jacinta Ruiz, a criada mais velha, forneceu testemunhos ainda mais perturbadores. De acordo com a sua declaração posterior, durante o inverno de 1872, ela começou a notar que certas áreas do segundo andar da casa mostravam sinais de uso frequente, apesar de supostamente estarem desocupadas desde a partida de Esperanza. Os pisos de madeira no corredor que conduzia ao quarto modificado mostravam marcas de desgaste recente, e os corrimões do corredor superior tinham desenvolvido um polimento que só é produzido por contacto regular com as mãos humanas.

    A criada também descreveu episódios em que encontrava objetos deslocados sem explicação aparente. Cadeiras que se lembrava de ter deixado em posições específicas apareciam movidas vários centímetros. Cortinas que ela tinha puxado cuidadosamente apareciam parcialmente abertas. Livros que ela tinha arrumado nas prateleiras eram encontrados em diferentes locais. Quando relatava estas anomalias a Doña Remedios, a senhora da casa atribuía-as a correntes de ar ou a problemas de memória da própria criada.


    Mas foi durante a Semana Santa de 1873 que ocorreu o incidente que marcou um ponto de viragem na situação da família Vázquez. Na noite de Quinta-feira Santa, enquanto a família participava nas cerimónias religiosas da catedral, Doña Soledad Guerrero foi acordada por sons vindos da casa vizinha que ela descreveu como soluços desesperados intercalados com orações em latim.

    Os sons, segundo o testemunho da Senhora Guerrero, duraram aproximadamente duas horas e pareciam vir especificamente do segundo andar da casa dos Vázquez. O mais inquietante do episódio, segundo a vizinha, era que os soluços não soavam como os de uma pessoa adulta, mas sim como os de alguém mais jovem, talvez uma rapariga em extrema angústia.

    As orações em latim, por outro lado, eram recitadas com uma perfeição que sugeria uma educação religiosa profunda, mas com uma intensidade emocional que a Senhora Guerrero achava imprópria para a verdadeira devoção.

    Quando a família Vázquez regressou das cerimónias religiosas, aproximadamente às 11 da noite, os sons cessaram abruptamente. A Senhora Guerrero, preocupada com o que tinha ouvido, aproximou-se no dia seguinte para indagar discretamente sobre o bem-estar da família. Doña Remedios recebeu-a com aparente normalidade, mas quando a vizinha mencionou os sons da noite anterior, a Senhora Vázquez mostrou uma reação de alarme que tentou dissimular rapidamente.

    A explicação de Doña Remedios foi que tinha passado parte da noite em oração privada, rogando pelo bem-estar da filha ausente. Segundo a sua versão, a intensidade da sua devoção tinha feito com que ela levantasse a voz sem se aperceber, e ela pediu desculpa por qualquer incómodo causado aos vizinhos.

    No entanto, a Senhora Guerrero notou várias inconsistências nessa explicação. Os sons que tinha ouvido incluíam claramente mais do que uma voz, e as características dos soluços não correspondiam às de uma mulher da idade de Doña Remedios.


    Durante os meses seguintes, a situação na casa dos Vázquez adquiriu um caráter cada vez mais hermético. A família começou a recusar convites sociais com maior frequência, alegando compromissos religiosos ou assuntos comerciais urgentes. As criadas relataram que os horários das refeições se tinham tornado extremamente irregulares, com a família a jantar a horas invulgarmente tardias e, por vezes, a omitir refeições por completo.

    Don Aurelio modificou novamente as suas rotinas comerciais. O comerciante, que anteriormente mantinha a loja aberta seis dias por semana, começou a fechar às segundas-feiras sem aviso prévio. Os seus empregados notaram que durante esses dias ele parecia particularmente agitado e que recusava qualquer compromisso que exigisse a sua presença fora de casa.

    Giovanni Benedetti observou que Don Aurelio tinha desenvolvido o hábito de olhar constantemente para a sua casa a partir da loja, como se esperasse ver algum sinal específico.

    O verão de 1873 trouxe consigo uma série de incidentes que aumentaram as suspeitas dos vizinhos sobre a verdadeira situação da família Vázquez. Durante o mês de julho, vários moradores das casas vizinhas relataram ter visto luzes nas janelas do segundo andar da casa durante as primeiras horas da madrugada.

    Essas luzes, segundo os testemunhos, moviam-se de forma irregular, como se alguém estivesse a caminhar pelos quartos a transportar uma vela ou lâmpada a óleo. Doña Soledad Guerrero forneceu o relato mais detalhado desses avistamentos. Segundo o seu testemunho, durante a noite de 24 de julho, ela acordou devido ao calor excessivo e decidiu abrir as janelas do seu quarto para permitir a circulação do ar.

    Dessa posição, ela tinha uma vista direta do segundo andar da casa dos Vázquez. Aproximadamente às 2 da madrugada, ela observou uma luz fraca que se movia lentamente pelo corredor superior. A luz, segundo a descrição da Senhora Guerrero, parou durante vários minutos em frente à porta do quarto que tinha sido modificado meses antes.

    Durante esse tempo, a vizinha pensou distinguir a silhueta de uma figura feminina, mas a distância e a pouca iluminação tornaram impossível uma identificação precisa. A luz permaneceu imóvel durante aproximadamente 10 minutos, depois moveu-se para outras áreas do segundo andar e finalmente extinguiu-se.

    Pedro Maldonado, cuja oficina de ferreiro proporcionava uma perspetiva diferente da casa dos Vázquez, relatou observações semelhantes durante o mesmo período. O ferreiro, que frequentemente trabalhava durante as primeiras horas da madrugada para evitar o calor do dia, notou que as luzes noturnas na casa dos Vázquez seguiam padrões específicos.

    Apareciam invariavelmente entre as 2 e as 4 da madrugada. Moviam-se por rotas previsíveis no segundo andar e extinguiam-se subitamente, sem a gradualidade típica de alguém que apaga uma lâmpada antes de dormir. O ferreiro também relatou ter ouvido durante essas mesmas noites sons que descreveu como conversas sussurradas.

    As vozes, segundo Maldonado, eram demasiado ténues para distinguir palavras específicas, mas pareciam envolver mais do que uma pessoa. O tom dessas conversas variava desde o que pareciam ser discussões acaloradas até trocas que soavam como súplicas desesperadas.


    Durante o mês de agosto de 1873, as criadas da casa Vázquez forneceram testemunhos que adicionaram novas dimensões inquietantes à situação. Petra Sandoval relatou ter encontrado em várias ocasiões pratos sujos no segundo andar da casa, apesar de supostamente nenhum membro da família utilizar esses quartos.

    Os pratos, segundo a criada, mostravam restos de refeições recentes e estavam acompanhados de copos que continham resíduos de água ou de algum líquido claro. Quando Sandoval perguntou a Doña Remedios sobre esses pratos, recebeu explicações inconsistentes. Em algumas ocasiões, a senhora da casa afirmava que tinha subido para comer no segundo andar para se sentir mais perto da filha ausente. Noutras, explicava que os pratos tinham sido deixados lá por engano e que se tinha esquecido de os recolher.

    No entanto, a criada notou que as quantidades de comida consumida eram maiores do que as que correspondiam a uma única pessoa.

    Jacinta Ruiz, por sua vez, relatou ter encontrado evidências ainda mais perturbadoras. Durante a sua limpeza semanal do segundo andar, a criada descobriu no chão do corredor vários cabelos longos de cor castanho-escuro. Os cabelos, segundo a sua descrição, eram semelhantes aos de Esperanza Dolores, mas a criada achou-os estranhos porque pareciam ter sido cortados recentemente, não caídos naturalmente.

    A criada também descreveu ter encontrado numa das divisões do segundo andar pequenos pedaços de tecido que pareciam ter sido arrancados de alguma peça de vestuário. O tecido, segundo Ruiz, era de cor azul-claro, semelhante ao de um dos vestidos favoritos de Esperanza. Quando mostrou essas descobertas a Doña Remedios, a senhora da casa reagiu com uma agitação que a criada achou desproporcionada, arrebatando-lhe os pedaços de tecido e ordenando-lhe que não mencionasse a descoberta a mais ninguém.


    O outono de 1873 marcou o início de uma série de acontecimentos que forçariam a família Vázquez a enfrentar o escrutínio público de forma mais direta. O primeiro desses acontecimentos ocorreu durante a noite de 15 de setembro, quando as celebrações do aniversário da independência foram interrompidas por um incidente na casa dos Vázquez que alertou toda a vizinhança.

    Aproximadamente às 10 da noite, enquanto a maioria das famílias do bairro se preparava para dormir após as celebrações patrióticas, os moradores das casas vizinhas ouviram o que descreveram como gritos desesperados de socorro vindos do segundo andar da casa dos Vázquez. Os gritos, segundo múltiplos testemunhos, duraram aproximadamente 20 minutos e foram seguidos de sons que os vizinhos interpretaram como batidas violentas contra as paredes.

    Don Patricio Hernández, acompanhado desta vez pelo comerciante José María Sánchez e pelo artesão Miguel Torres, aproximaram-se da casa dos Vázquez para oferecer assistência. Encontraram Don Aurelio no pátio, aparentemente calmo, mas com sinais evidentes de agitação. As suas roupas estavam desarrumadas, tinha o cabelo despenteado e as suas mãos mostravam o que pareciam ser pequenos ferimentos recentes.

    Quando os vizinhos perguntaram pela causa dos gritos e dos ruídos, Don Aurelio deu uma explicação que consideraram insatisfatória. Segundo a sua versão, Doña Remedios tinha sofrido um ataque de nervos provocado por preocupações relacionadas com a filha ausente. As batidas contra as paredes, explicou, deviam-se ao facto de ela ter tropeçado em alguns móveis no seu estado de agitação.

    No entanto, os vizinhos notaram que os sons tinham vindo claramente do segundo andar, não do rés-do-chão onde se localizava o quarto de dormir do casal. Don Patricio Hernández, que tinha servido como oficial no exército durante as Guerras da Reforma, tinha experiência em distinguir diferentes tipos de gritos humanos.

    No seu testemunho posterior, declarou que os sons ouvidos nessa noite não correspondiam aos de uma mulher mais velha em estado de agitação nervosa, mas sim aos de alguém mais jovem, possivelmente em situação de extremo perigo. As batidas contra as paredes, segundo Hernández, tinham um padrão rítmico que sugeria intencionalidade, como se alguém estivesse a tentar comunicar por código.

    José María Sánchez, por sua vez, notou que Don Aurelio mostrava sinais de fadiga física que pareciam desproporcionais para alguém que simplesmente tinha assistido a sua esposa durante um episódio de nervos. O comerciante observou que Don Aurelio respirava com dificuldade. Tinha manchas de suor nas roupas, apesar do frescor da noite, e parecia ansioso para que os visitantes se retirassem o mais rapidamente possível.


    Os dias seguintes ao incidente de 15 de setembro foram marcados por uma intensificação do hermetismo da família Vázquez. Os membros da família começaram a evitar o contacto visual direto com os vizinhos quando se encontravam na rua. Doña Remedios, que anteriormente cumprimentava cordialmente as senhoras da vizinhança, começou a caminhar com a cabeça baixa e a apressar o passo quando se cruzava com conhecidos.

    As criadas relataram mudanças adicionais na rotina doméstica que achavam cada vez mais inquietantes. Petra Sandoval descreveu que Doña Remedios tinha começado a realizar pessoalmente tarefas que anteriormente delegava no serviço, especialmente aquelas relacionadas com o segundo andar da casa. A senhora da casa insistia em limpar pessoalmente certos quartos do andar superior e mostrava-se extremamente nervosa quando as criadas se aproximavam dessas áreas.

    Jacinta Ruiz forneceu testemunhos ainda mais perturbadores. A criada mais velha relatou ter encontrado no segundo andar evidências de atividade noturna regular. Os pisos de madeira mostravam marcas de uso recente. As camas pareciam ligeiramente desarrumadas, apesar de supostamente ninguém as utilizar, e em várias ocasiões encontrou pequenos objetos pessoais que não correspondiam a nenhum dos membros visíveis da família.


    Durante o inverno de 1873 a 1874, os testemunhos dos vizinhos começaram a coincidir na descrição de um fenómeno que achavam particularmente desconcertante. Nas noites de tempestade, quando os ventos e a chuva proporcionavam uma cobertura natural de som, ouviam-se da casa dos Vázquez o que descreviam como conversas prolongadas que envolviam claramente mais do que uma pessoa.

    Doña Soledad Guerrero forneceu a descrição mais detalhada desses episódios. Segundo o seu testemunho, durante a tempestade de 3 de janeiro de 1874, ela ouviu do seu quarto vozes que pareciam vir do segundo andar da casa vizinha. As conversas duraram aproximadamente três horas e eram caracterizadas por uma alternância entre tons suplicantes e tons autoritários.

    A vizinha conseguiu distinguir pelo menos duas vozes diferentes, uma que reconheceu como a de Doña Remedios e outra que descreveu como mais jovem e com um timbre que lhe era vagamente familiar. O conteúdo das conversas era inaudível devido à distância e ao ruído da tempestade, mas o tom emocional sugeria uma situação de conflito prolongado entre vontades opostas.

    Pedro Maldonado, da sua posição na oficina de ferreiro, confirmou a maioria dos detalhes relatados pela Senhora Guerrero. O ferreiro, cuja experiência no trabalho noturno tinha desenvolvido a sua sensibilidade auditiva, descreveu as vozes como uma mais velha, firme mas tensa, e outra mais jovem, que alternava entre súplicas e o que pareciam ser expressões de desafio.

    As trocas, segundo Maldonado, seguiam padrões repetitivos, como se se tratasse de discussões sobre temas recorrentes.


    A primavera de 1874 trouxe consigo o primeiro contacto direto que um membro alheio à família teve com evidências físicas da situação real na casa dos Vázquez. O incidente ocorreu a 12 de abril, quando o Padre Crescencio Maldonado se dirigiu à casa para realizar a bênção pascal anual, uma tradição que a família tinha mantido nos anos anteriores.

    O pároco foi recebido por Doña Remedios, que mostrava sinais evidentes de tensão nervosa. A senhora da casa guiou o sacerdote apenas pelas áreas do rés-do-chão, realizando as bênçãos rituais com uma pressa que o Padre Maldonado achou invulgar.

    Quando o pároco perguntou se ela desejava que ele também abençoasse os quartos do segundo andar, Doña Remedios respondeu que não era necessário porque essas áreas não estavam a ser utilizadas atualmente. No entanto, enquanto realizava a bênção no pátio central, o Padre Maldonado ouviu o que descreveu posteriormente como batidas rítmicas vindas do segundo andar.

    Os sons, segundo o pároco, seguiam um padrão específico. Três batidas curtas, uma pausa. Três batidas longas, outra pausa. E novamente três batidas curtas. O Padre Maldonado, que tinha conhecimentos básicos do código telegráfico, reconheceu o padrão como uma forma rudimentar de comunicação.

    Quando o sacerdote perguntou a Doña Remedios sobre os ruídos, a senhora da casa explicou que se tratava de problemas com os canos de água que precisavam de reparação. No entanto, o Padre Maldonado notou que a casa não tinha canalização interna e que a água era obtida de um poço localizado no pátio. A inconsistência da explicação, combinada com a evidente agitação de Doña Remedios, gerou suspeitas no pároco sobre a verdadeira natureza da situação.


    Durante os meses seguintes, o Padre Maldonado começou a fazer visitas mais frequentes à casa dos Vázquez, alegando preocupação pastoral pelo bem-estar espiritual da família. Nessas visitas, o pároco desenvolveu a prática de prolongar a sua estadia através de conversas sobre temas religiosos, enquanto prestava atenção cuidadosa a qualquer som ou sinal que pudesse vir do segundo andar.

    O sacerdote registou nas suas notas pessoais que, durante essas visitas, ouviu em várias ocasiões sons que descreveu como passos lentos e movimento de objetos pesados no andar superior. Ele também notou que Doña Remedios mostrava sinais de tensão extrema quando esses sons ocorriam na presença de visitantes, interrompendo as conversas de forma abrupta e sugerindo que era hora de os seus convidados se retirarem.


    O verão de 1874 marcou um ponto de viragem na situação quando um acontecimento fortuito forneceu a primeira evidência visual direta de que a versão oficial da família Vázquez sobre o paradeiro de Esperanza não correspondia à realidade. O incidente ocorreu durante a tarde de 25 de julho, quando um forte vento derrubou uma das árvores do pátio dos Vázquez.

    A árvore, um freixo de tamanho considerável, caiu de tal forma que os seus ramos superiores atingiram o segundo andar da casa, partindo parcialmente uma das portadas de madeira que protegiam as janelas desse andar. O dano exigia reparação imediata para evitar que as chuvas da estação causassem deterioração adicional no interior da casa.

    Don Aurelio viu-se forçado a contratar os serviços do carpinteiro Evaristo Camarena, o mesmo oficial que tinha participado nas modificações estruturais realizadas dois anos antes. Para aceder à portada danificada, Camarena precisava de usar uma escada que lhe permitisse alcançar o segundo andar a partir do exterior da casa.

    Enquanto realizava as reparações, aproximadamente às 4 da tarde, Camarena relatou ter visto através de uma das janelas do segundo andar uma figura feminina que se movia lentamente pelo corredor interior. A figura, segundo a descrição do carpinteiro, correspondia a uma mulher jovem de cabelo castanho-escuro, vestida com o que parecia ser um roupão ou vestido de cor clara.

    A visão durou apenas alguns segundos, pois a figura desapareceu rapidamente ao notar a presença do carpinteiro. No entanto, Camarena teve tempo suficiente para observar que a mulher parecia extremamente magra e que os seus movimentos sugeriam fraqueza física ou doença. O carpinteiro também notou que a figura parecia estar a tentar aproximar-se da janela, mas parou subitamente e afastou-se para o interior da casa.

    Quando Camarena terminou o seu trabalho e desceu da escada, encontrou Don Aurelio à sua espera no pátio com uma expressão de extrema tensão. Don Aurelio perguntou especificamente se o carpinteiro tinha notado algo incomum durante o seu trabalho. Camarena, intuitivamente cauteloso devido à natureza estranha da situação, respondeu que tinha concentrado a sua atenção unicamente na reparação da portada.

    No entanto, nessa mesma noite, Camarena dirigiu-se discretamente à casa de Doña Soledad Guerrero para relatar o que tinha visto. A vizinha, que mantinha suspeitas sobre a situação da família Vázquez há meses, recebeu o testemunho do carpinteiro como confirmação dos seus piores receios. Juntos, decidiram que era necessário encontrar uma maneira de verificar o bem-estar da pessoa que Camarena tinha visto no segundo andar.


    Durante as semanas seguintes, vários vizinhos começaram a organizar uma vigilância informal da casa dos Vázquez. Doña Soledad Guerrero, Pedro Maldonado, Don Patricio Hernández e o comerciante José María Sánchez estabeleceram turnos discretos para observar qualquer atividade incomum na propriedade.

    Essa vigilância comunitária forneceu evidências adicionais de que a situação na casa era significativamente mais complexa do que a família admitia publicamente. As observações sistemáticas revelaram padrões específicos de atividade no segundo andar. As luzes apareciam regularmente durante as primeiras horas da madrugada, movendo-se por rotas previsíveis que sugeriam a presença de alguém familiarizado com a distribuição dos quartos.

    Os sons de passos e movimento de objetos ocorriam com maior frequência durante as horas em que a família supostamente dormia. Mais significativo ainda, os observadores relataram ter visto em múltiplas ocasiões sombras que se projetavam nas cortinas das janelas do segundo andar, indicando claramente a presença de uma pessoa nesses quartos.

    As sombras, segundo as descrições, correspondiam a uma figura feminina de estatura média que se movia lentamente e que, por vezes, parecia permanecer imóvel durante longos períodos em frente às janelas.


    O outono de 1874 trouxe consigo uma escalada na gravidade dos incidentes relatados pelos vizinhos. Durante a noite de 31 de outubro, data que a tradição católica associa à véspera de Todos os Santos, os moradores das casas vizinhas foram acordados por sons que descreveram como os mais perturbadores ouvidos até então.

    Os sons começaram aproximadamente à meia-noite e duraram até as primeiras horas do amanhecer. Incluíam o que as testemunhas descreveram como choros prolongados e lancinantes, intercalados com períodos de silêncio absoluto. Os choros, segundo múltiplos testemunhos, não correspondiam ao padrão de luto normal, mas tinham uma qualidade desesperada e repetitiva que sugeria extrema angústia psicológica.

    Doña Soledad Guerrero, que se manteve em vigília durante toda a noite do incidente, forneceu o testemunho mais detalhado. Segundo o seu relato, os choros pareciam vir especificamente do quarto que tinha sido modificado em 1872. Os sons eram caracterizados por uma alternância entre soluços sufocados e o que pareciam ser gritos de súplica dirigidos a alguém específico.

    A vizinha também relatou ter ouvido durante a mesma noite o que descreveu como conversas em voz baixa que pareciam envolver pelo menos duas pessoas. Uma das vozes tinha um tom consolador, mas firme, enquanto a outra respondia com o que soavam como protestos fracos e fragmentados. As trocas seguiam padrões repetitivos, como se se tratasse de argumentos recorrentes sobre um tema específico.

    Pedro Maldonado, da sua posição na oficina de ferreiro, confirmou a maioria dos detalhes relatados pela Senhora Guerrero. O ferreiro acrescentou que, durante os períodos de silêncio entre os episódios de choro, ele tinha ouvido sons que descreveu como arrastar de correntes ou elementos metálicos pesados. Esses sons metálicos, segundo Maldonado, repetiam-se a intervalos regulares e pareciam vir da área onde as modificações de segurança tinham sido instaladas no quarto do segundo andar.


    No dia seguinte, os vizinhos notaram mudanças evidentes no comportamento da família Vázquez, que confirmavam que o incidente da noite anterior não lhes tinha passado despercebido. Don Aurelio não abriu a sua loja comercial até às 11 da manhã, um horário invulgarmente tardio para alguém conhecido pela sua pontualidade.

    Quando finalmente apareceu em público, mostrava sinais evidentes de fadiga extrema e parecia incapaz de se concentrar nas transações comerciais habituais. Doña Remedios não foi vista em público durante vários dias após o incidente. Quando finalmente retomou as suas atividades normais, as vizinhas notaram que ela tinha perdido peso consideravelmente e que tinha desenvolvido um tremor nervoso nas mãos que a impedia de realizar tarefas delicadas como a costura.

    Os seus olhos tinham adquirido uma expressão que as senhoras da vizinhança descreviam como perpetuamente assustada.

    Os irmãos de Esperanza também mostraram sinais de que a situação familiar tinha atingido um ponto crítico. Aurelio Júnior cometeu erros tão graves na contabilidade do negócio da família que Don Aurelio se viu forçado a rever pessoalmente todas as transações das semanas anteriores.

    María del Carmen, que anteriormente tinha conseguido manter alguma aparência de normalidade social, começou a recusar todos os convites e a evitar o contacto com as suas amigas de infância. José Refugio, o irmão mais novo, intensificou a sua devoção religiosa a ponto de o Padre Maldonado começar a preocupar-se com a sua estabilidade mental. O jovem ia à igreja várias vezes por dia, permanecendo horas em oração silenciosa em frente ao altar.

    As suas confissões, segundo o pároco, tinham-se tornado obsessivamente repetitivas e centravam-se em perguntas sobre os limites do perdão divino e a natureza do sofrimento como purificação.


    Durante o inverno de 1874 a 1875, a situação na vizinhança ficou consideravelmente tensa devido à frequência crescente de incidentes noturnos na casa dos Vázquez. Os vizinhos, organizados informalmente sob a liderança de Doña Soledad Guerrero e Don Patricio Hernández, começaram a considerar a necessidade de intervir de alguma forma para verificar o bem-estar de quem estivesse no segundo andar da casa.

    As discussões entre os vizinhos eram complicadas pela ausência de precedentes legais ou sociais claros para uma situação desse tipo. Na sociedade Tapatía da década de 1870, a autoridade patriarcal dentro do lar era considerada praticamente absoluta, e a intervenção em assuntos familiares privados era vista como uma grave transgressão social. No entanto, a evidência acumulada durante mais de dois anos sugeria claramente que algum tipo de injustiça estava a ser cometido.

    O Padre Crescencio Maldonado encontrava-se numa posição particularmente difícil. Como confessor da família e autoridade moral da comunidade, ele tinha tanto a obrigação de proteger o bem-estar dos seus paroquianos quanto a responsabilidade de respeitar a confidencialidade das confissões. As suas tentativas de abordar o tema indiretamente com os membros da família Vázquez tinham sido infrutíferas, pois todos mantinham versões consistentes sobre o suposto retiro religioso de Esperanza.


    A crise final precipitou-se durante a Semana Santa de 1875, quando um incidente forneceu evidência irrefutável de que alguém estava detido contra a sua vontade na casa dos Vázquez. O acontecimento ocorreu durante a noite de Sexta-feira Santa, enquanto a família participava nas cerimónias religiosas da catedral, deixando supostamente a casa completamente vazia.

    Aproximadamente às 10 da noite, enquanto as cerimónias religiosas continuavam no centro da cidade, os vizinhos que permaneceram no bairro ouviram da casa dos Vázquez sons que descreveram como batidas desesperadas contra as paredes e gritos de socorro claramente articulados.

    Os sons duraram aproximadamente 30 minutos e foram intensos o suficiente para serem ouvidos claramente das casas vizinhas. Doña Soledad Guerrero, acompanhada pelo seu filho mais velho e mais dois vizinhos, dirigiu-se imediatamente à casa dos Vázquez para investigar a situação.

    Eles encontraram a casa aparentemente vazia, com todas as portas e janelas do rés-do-chão fechadas pelo exterior. No entanto, os sons de batidas e gritos continuavam a vir claramente do segundo andar. Os gritos, segundo as testemunhas presenciais, incluíam palavras claramente audíveis em espanhol que não deixavam dúvidas sobre a natureza da situação.

    Os observadores relataram ter ouvido frases como socorro, ajuda e por favor, deixem-me sair. A voz era inequivocamente feminina e correspondia a alguém jovem, possivelmente entre os 18 e 25 anos de idade.

    Confrontados com evidências irrefutáveis de que alguém estava em perigo, os vizinhos tomaram a decisão de forçar a entrada na casa. Don Patricio Hernández, usando a sua experiência militar, dirigiu o procedimento de entrada por uma das janelas do rés-do-chão.

    Uma vez lá dentro, o grupo dirigiu-se imediatamente ao segundo andar, seguindo a direção dos gritos de socorro. O que descobriram no segundo andar da casa dos Vázquez superou as piores expectativas dos vizinhos. O quarto que tinha sido modificado em 1872 continha evidências claras de ocupação prolongada por uma pessoa mantida contra a sua vontade.

    O quarto, completamente isolado do exterior pelas modificações arquitetónicas, continha uma cama simples, uma pequena mesa, alguns livros religiosos e um recipiente que servia como latrina improvisada. Mais perturbador ainda, o quarto mostrava sinais de tentativas repetidas de fuga.

    As paredes apresentavam marcas de batidas e arranhões que se estendiam do chão até onde uma pessoa de estatura média podia alcançar. A porta, reforçada com barras de ferro, mostrava evidência de ter sido repetidamente batida pelo interior. O chão de madeira apresentava desgaste em padrões específicos que sugeriam caminhar obsessivo em espaços limitados.

    No entanto, quando os vizinhos entraram no quarto, encontraram-no vazio. Os gritos de socorro tinham cessado subitamente ao ouvirem-se os sons da entrada forçada na casa. Uma busca rápida no segundo andar revelou que quem quer que estivesse no quarto modificado tinha sido transferido para outro local em algum momento entre o início dos gritos e a chegada dos salvadores.

    A busca estendeu-se ao resto da casa, incluindo áreas de armazenamento, o porão e os espaços debaixo das escadas. Os vizinhos encontraram evidências adicionais de ocupação clandestina. Roupas femininas escondidas em baús, livros com anotações nas margens que sugeriam leituras recentes e restos de refeições que indicavam consumo por parte de alguém que não fazia parte da rotina alimentar normal da casa.


    Quando a família Vázquez regressou das cerimónias religiosas, aproximadamente às 11:30 da noite, encontraram a sua casa ocupada por vizinhos que exigiam explicações imediatas sobre a situação que tinham descoberto. Don Aurelio, confrontado com evidências físicas irrefutáveis, inicialmente tentou manter a versão oficial sobre o retiro religioso da filha.

    No entanto, a pressão dos vizinhos e a obviedade da evidência tornaram essa posição insustentável. Foi Doña Remedios quem finalmente deu uma confissão parcial da situação real. Segundo o seu testemunho, Esperanza tinha desenvolvido em 1871 o que a mãe descrevia como comportamentos incompatíveis com a moral cristã e as expectativas sociais de uma jovem decente.

    Esses comportamentos incluíam o que Doña Remedios catalogava vagamente como atração por pessoas inadequadas e ideias contrárias aos ensinamentos da Igreja. A família, segundo a versão de Doña Remedios, tinha decidido que a única maneira de proteger tanto Esperanza quanto a reputação familiar era manter a jovem em reclusão protetora até que ela recuperasse a razão e a decência.

    A mãe insistia que as intenções familiares tinham sido benevolentes, destinadas a proporcionar a Esperanza a oportunidade de refletir sobre os seus erros e encontrar o caminho de volta à retidão.

    No entanto, o testemunho de Doña Remedios continha inconsistências significativas que os vizinhos acharam difíceis de aceitar. A mãe não conseguiu explicar satisfatoriamente por que tinha sido necessário modificar estruturalmente um quarto para proporcionar reclusão protetora, nem por que essa reclusão tinha exigido medidas de segurança tão extremas como barras de ferro e eliminação de janelas.

    Don Aurelio, pressionado pelas perguntas diretas dos vizinhos, acrescentou detalhes que complicaram ainda mais a versão familiar. Segundo o pai, Esperanza tinha mostrado resistência violenta aos esforços familiares de correção moral, o que tinha tornado necessárias as medidas de contenção física. A jovem, segundo Aurelio, tinha ameaçado difamar a família e tinha tentado em várias ocasiões fugir para continuar com os seus comportamentos escandalosos.

    Mas a pergunta mais urgente para os vizinhos era o paradeiro atual de Esperanza. Os gritos de socorro que tinham ouvido claramente indicavam que a jovem tinha estado na casa durante a noite de Sexta-feira Santa, mas a sua localização no momento do confronto com a família permanecia inexplicada.

    Quando os pais foram pressionados sobre este ponto, as suas respostas tornaram-se evasivas e contraditórias. Don Aurelio afirmou inicialmente que Esperanza tinha sido transferida para um lugar mais seguro algumas horas antes do regresso da família das cerimónias religiosas. Quando questionado sobre a natureza desse lugar, ele explicou que tinha combinado com uma família de confiança nos arredores de Guadalajara para dar cuidados especializados à sua filha.

    No entanto, ele recusou-se a identificar essa família ou a fornecer a localização específica onde Esperanza supostamente se encontrava. Os vizinhos, insatisfeitos com essas explicações e profundamente preocupados com o bem-estar da jovem, decidiram que era necessário envolver as autoridades civis na situação.

    Don Patricio Hernández, que tinha contactos na administração municipal devido ao seu serviço militar anterior, comprometeu-se a apresentar uma denúncia formal ao chefe político do distrito.


    No entanto, antes que a denúncia oficial pudesse ser formalizada, ocorreu um acontecimento que mudou completamente a natureza da situação. Durante a madrugada do Domingo de Páscoa, os vizinhos foram acordados por sons de atividade intensa na casa dos Vázquez. Carroças, cavalos e vozes humanas foram ouvidos durante aproximadamente duas horas, sugerindo algum tipo de transferência ou mudança de emergência.

    Ao amanhecer do Domingo de Páscoa, a casa dos Vázquez estava completamente vazia. A família tinha desaparecido durante a noite, levando apenas pertences essenciais e deixando para trás a maior parte das suas posses materiais. Uma nota colada na porta principal, escrita com a letra de Don Aurelio, informava que a família se tinha mudado para a Cidade do México para tratar de assuntos comerciais urgentes e que regressariam quando as circunstâncias o permitissem.

    A investigação posterior da casa vazia revelou evidências adicionais que aprofundaram o mistério em vez de o resolverem. O quarto modificado do segundo andar tinha sido meticulosamente limpo, mas os vizinhos encontraram vários objetos que tinham sido negligenciados na limpeza apressada.

    Entre esses objetos encontravam-se várias madeixas de cabelo castanho-escuro, pedaços de tecido que correspondiam a vestidos femininos e, o mais perturbador, várias páginas do que parecia ser um diário pessoal escrito com letra feminina.

    As páginas do diário, datadas entre 1872 e 1875, continham entradas que proporcionavam uma perspetiva devastadora sobre a situação que tinha existido na casa nos anos anteriores. As entradas descreviam condições de isolamento extremo, episódios de desespero e súplicas repetidas para ser libertada do que a autora descrevia como prisão familiar.

    Uma entrada particularmente perturbadora, datada de dezembro de 1874, descrevia o estado mental da autora da seguinte forma: “Passaram tantos meses neste quarto que às vezes me esqueço de como se sente o sol na pele ou o vento no cabelo. Mãe vem todos os dias explicar-me que isto é para o meu próprio bem, que devo aprender a controlar os impulsos que ela considera pecaminosos, mas não compreendo que pecado cometi além de rejeitar o casamento que Pai tinha arranjado com o Senhor Mercado.”

    Outra entrada datada de fevereiro de 1875 fornecia detalhes específicos sobre as condições de confinamento: “A comida chega duas vezes por dia, sempre a mesma, sopa de legumes e pão duro. Quando peço livros diferentes, Mãe diz que só preciso do meu missal e da vida dos santos. Li as mesmas páginas tantas vezes que as sei de cor. As batidas na parede são o meu único método de comunicação com o mundo exterior, embora eu não saiba se alguém as ouve.”

  • FIM DA MAGNITSKY A ALEXANDRE ANUNCIADO E TRUMP ABRE lNVESTIGAÇÃO-B0MBA!! BANANlNHA EM PÂNlCO!!

    FIM DA MAGNITSKY A ALEXANDRE ANUNCIADO E TRUMP ABRE lNVESTIGAÇÃO-B0MBA!! BANANlNHA EM PÂNlCO!!

    E terça-feira aí pegando fogo em Brasília. Olha só os bolsonaristas aí, principalmente os filhos do Bolsonaro que estão ali acompanhando em tempo real, né? O Bolsonaro não, porque ele está enjaulado, lembre-se disso. Eles foram aí da euforia ao pânico em poucas horas. Que que aconteceu hoje de manhã? O Flávio Bolsonaro foi visitar o Jair Bolsonaro e logo depois ele se reuniu aí com o seu comparsa de crimes que é o Ciro Nogueira.

    Vamos lembrar, o Ciro Nogueira é ligado ao PCC. Segundo aí inúmeras testemunhas que já falaram a Polícia Federal, tá sendo investigado por isso. O Flávio Bolsonaro, ele indicou ali pro governo do Rio de Janeiro muita gente que é ligada também ao comando vermelho. Só que ao que tudo indica, essas facções todas lavam o dinheiro mais ou menos da mesma maneira.

    É ali que se une tudo, tá? E o Cío Nogueira foi ministro da Casa Civil do Bolsonaro e cometeram muitos crimes juntos, principalmente no Bolsolão. Depois dessa reunião que também contou com o Rueda, que também ele é presidente do partido eh do União Brasil e ele também tá sendo investigado aí por ligações com o PCC. Pois bem, nessa reunião eles decidiram que eles iam pautar aí o projeto de anistia hoje.

    Entenda a escalada de tensão que fez com que os EUA sancionassem Moraes com  Lei Magnitsky | G1

    Então o Hugo Mota, que é lacaio aí da extrema direita, ele anunciou que iria pautar o PL da dosimetria. OK? A esquerda reagiu. Para você ter uma ideia, os assuntos mais falados aí nas redes sociais hoje foram, vou te mostrar aqui, sem anistia número um, Hugo Mota número dois e sem dosimetria número três. Ah, para você ver aí que tá tá ruim, né? O povo tá contra o projeto deles.

    Inclusive, pesquisa mostrou aí que mais de 50% dos brasileiros, no caso 53, são a favor da manutenção da prisão do Bolsonaro. E mais de 50% também achou que ele ia fugir. OK. Que que aconteceu? Aconteceu que os bolsonaristas passaram ali a comemorar tudo mais, pererê, barará.

    Só que a primeiro BAC foi quando o Hugo Mota deu uma entrevista falando que ele ia pautar isso, porque isso é prerrogativa dele e tudo mais. Aí você vê a a primeira coisa que eu vou te dizer é o seguinte, a o tudo que falaram aí as fontes desses jornalistas da Globo, do Metrópolis, etc. Tem aqui nos vídeos de ontem e no vídeo de hoje de manhã sobre que o eles iam para cima do Flávio Bolsonaro e tudo mais, você vê que boa parte daquilo eles recuam, né? Por que que recuaram? o pessoal ali do da direita, que a imprensa chama de Centrão, eh passou a ser avisado aí pelo

    Flávio Bolsonaro o seguinte: “Foi esse provavelmente o tema da reunião do Flávio com Jair Bolsonaro hoje de manhã. Eles vão usar o gabinete do ódio para achincalhar qualquer que seja o candidato aí eh dessa direita aí eh que que querem lançar aí. Ontem se cogitou muito que eles iam lançar o Ratinho Júnior, a presidência que ele tava ganhando muita força com a candidatura do Flávio, que eles acreditavam que o Ratinho Júnior poderia chegar no segundo turno contra o Lula e ali teria o apoio do Bolsonaro. Sim ou sim, né? Que eles

    iam apoiar qualquer um contra o Lula. Isso foi falado até pelo Eduardo Bolsonaro. Porém, o que foi dito aí pelo Flávio é o seguinte: qualquer um que vocês lançarem vai ser o nosso candidato, o nosso alvo direto, eh, oponente direto para ir pro segundo turno. Então, a gente vai estraçalhar vocês nas redes sociais.

     

    A gente vai estraçalhar. Não vai ter como depois vocês tentarem qualquer tipo de aliança, coisa assim, porque a gente vai desde já estraçalhar os nomes que estão aí na infilirados para serem candidatos do chamado sistema, tá? Aí você vê, putz, os caras devem ter pensado, pô, então se colocar o Tarcísio, o bolsonarismo bate no Tarcísio.

    Vamos lembrar quando o Fláv, o Eduardo Bolsonaro, o Eduardo Bolsonaro tem um alcance pequeno e ele tem ali um poder de influência bem pequeno na extrema direita. E quando ele passou a a falar mal do Tarciso, o Tarciso caiu três pontos na pesquisa. Por que que caiu três pontos? Porque alguns bolsonaristas mais radicais que votavam no Tarcío falaram: “Opa, pera aí, esse cara é o do sistema, não voto mais nele”.

    três pontos é o suficiente ali. É, é o limear às vezes para o cara ir pro segundo turno ou não. Vamos lembrar, o Lula no primeiro turno do da eleição passada teve 48% dos votos. Um pouquinho mais de 48% dos votos. Por menos de dois pontos o Lula não ganhou no primeiro turno. Então você vê que três pontos é muita coisa. Três pontos é muita coisa nessa hora.

    Quando quando um candidato tem três pontos, como teve o Ciro Gomes, não é nada. Mas você vê que eh para ganhar no primeiro turno ou não, às vezes essa é a diferença. Aí eles pensaram: “Pô, pera aí, isso com poucos ataques. Imagina se Eduardo, Flávio, Carlos, gabinete do ódio inteiro, parlamentares que realmente estejam ali ligados ao bolsonarismo e eles são muito bons de pressionar quem não tá com eles.

    Você vê que o Nicolas faz muita coisa na base da pressão. Gustavo Girer é outro que também faz. Eh, biaquicisses também, alguns ali também vão na base da pressão. Então eles são bons nisso. Com esse pessoal todo vai ficar difícil, vai ficar muito difícil algum outro candidato ali chegar nos 10%. Alguns vão falar: “Mas Thiago, não vão chegar nem a 10%.” Eu te explico.

    Se sempre o candidato aí que é a tal da terceira via sempre se ferra, nunca chega nem 10%. Então você vê, pô, tá ruim, tá ruim aí para esse pessoal. Eles perceberam, pô, vai dar ruim. É engraçado. Agora eu vou dar um adendo aí e que ninguém vai lembrar disso aí. Quase. Você vai ver qualquer assiste todos os canais.

    Quero ver um lembrar disso aí. O Daviel Columbre tava mandando em direta a mim, né, talvez sem saber que sou eu, né, e ao Lindberg Farias, dizendo que, olha, vocês dizem que o Congresso é inimigo do povo e não sei o quê. Bravo, bravo, porque toda vez que o Congresso Nacional aprova alguma coisa contra a população, a esquerda vai para cima do Congresso, dizendo que o Congresso é inimigo do povo.

    Pois bem, mas aí ele fica bravo, falou que acionou a Polícia Legislativa e a polícia do Senado, sendo que é muito fácil. É só ver quem tá puxando. Eu, no caso, eu, Thiago, dos Reis. Aí tá, é só ler a matéria da Globo, quem quem que teve o maior alcance lá. Pois bem, aí e o pior, ele aciona a polícia por uma coisa que não é crime. Eu sou o pior ainda.

    Ele falou que vai acionar isso. Polícia não é para processar, é para expor. Aí quando vem a ameaça da extrema direita a xincalhar com eles, aí eles fazem o quê? Ai não, então vamos votar aí o que o Bolsonaro quer. É só que isso não durou muito tempo não. Por quê? Porque logo depois Hugo Mota deu essa entrevista aqui que caiu como um balde de água fria para todos os bolsonaristas.

    Vou mostrar aqui com vocês. Bandidão. Desculpa mostrar bandido na sua tela, mas Hugo Mota, deputado Eduardo Bolsonaro. Deputado Eduardo Bolsonaro, ele já tem o número de faltas que são suficientes para a cassação do seu mandato. Deputado Eduardo Bolsonaro, como todos sabem, está no exterior por decisão dele. Ele foi para os Estados Unidos, não tem frequentado as sessões da casa.

    é impossível o exercício do mandato parlamentar fora do território nacional. E com esse cumprimento de faltas, nós estamos também publicando hoje, aí será através da mesa da Câmara também o prazo para que ele possa em cinco sessões, poder apresentar a sua defesa e a mesa deverá apresentar o resultado pela cassação do seu mandato, já que ele eh cumpriu o número de faltas suficientes para isso, não é? é regimental e nós queremos também, não é, até semana que vem concluir esse processo do deputado Eduardo Bolsonaro. Então nós nessa

    reunião de líderes tratamos aí você vê, pera aí, então na mesma reunião em que eles anunciaram aí que iam votar tal da anistia, ele anunciou que vai caçar o Eduardo Bolsonaro. Você vê que ele tem cinco sessões para fazer a sua defesa, mas ele já atingiu o limite de faltas. Ou seja, mesmo se Eduardo Bolsonaro, que vamos lembrar, não tem mandado de prisão contra ele.

    Se ele pegar o próximo voo paraa Brasília e e conseguir chegar hoje à noite, se ele tivesse pego aí quando deu a entrevista ou antes, a quando teve a reunião de líderes que foi hoje de manhã, se ele pegasse um voo na hora, chegasse em Brasília lá são 8 horas de voo, chegasse, pegou o voo meio-dia, chegou 8 da noite e foi no Congresso Nacional que eles vão ficar votando hoje lá até quase meia-noite.

    Mesmo assim não adianta nada, porque ele já teve as faltas, ele será caçado. Foi isso aí que anunciou o Hugo Moto. Aí falaram: “Pô, mas mas mas vai votar anestia a cação de Eduardo Bolsonaro é porque o Hugo Mota quer caçar um desafeto do Artur Lira, que é o Glauber Braga. Glauber Braga aí tem um processo de cassação.

    Vamos lembrar, a direita tem maioria na Câmara dos Deputados. A esquerda não apenas não tem maioria, nós somos uma minoria bem pequena, mas bem pequena mesmo. E se você pensar os parlamentares de esquerda, a maioria nem sequer sabe usar a rede social, cara. Não sabe usar o Instagram, cara. Eu compartilhe aí um post.

    Se você pedir pro deputado, ele vai mandar um assessor ou assessora que ele não sabe usar o celular. O da extrema direita. Então o dia inteiro assim. E aí tem uma coisa que você pode gostar ou não. Eu particularmente não tenho aí sentimento quanto a isso de positivo ou negativo. Para muita coisa é negativa, para outras coisas, como expor muita coisa que a imprensa não mostra, é bem positiva.

    Mas hoje o ofício aí de ser deputado envolve você ficar fazendo assim, falar com as pessoas, envolve você mostrar isso. E muitos não fazem, a extrema direita faz. Aí eles têm um alcance muito maior os deputados. eles conseguem impor determinadas versões eh narrativas, né, determinadas narrativas. Aí o que aconteceu? Eles também conseguem ter maioria na Câmara, porque e um deputado que tem um alcance, ele amplia a sua votação na próxima pelo coeficiente eleitoral, ele elede alguns do partido dele a mais a mais.

    OK? Voltamos aí ao caso, eles, o Artur Lira quer caçar o Glauber Braga e aí devem aí caçar Carla Zambelli e o Eduardo Bolsonaro. Aí querem equiparar o Glauber Braga que não cometeu crime algum ao Eduardo Bolsonaro e a Carla Zambelli. Mas fala: “Pô, mas que que palhaçada, hein? Essa aí é na conta do Artur Lira.

    O Hugo Mota é só o lacaio, o cachorrinho do Artur Lira. O Artur Lira manda, senta, ele senta, dá patinha, ele dá patinha, rola o o Hugo Mota deita no chão e rola. É isso aí. Voltamos aí ao da extrema direita. Caçar o o Glober Braga não muda nada na vida do Bolsonaro, do Flávio Bolsonaro, do Eduardo, nada, nada, nada, nada. Ah, mas o Gláber Braga incomoda.

    Sim, mas eles querem e e é se livrar da prisão, caçar o com o Glauber Braga caçado ou não, eles continuam no caminho da prisão que muda a anistia. Aí o o Gomota falou o seguinte: “Olha, não vai ter isso de anistia não, isso de anistia está afastado, vai ser dosimetria.” Já foi o primeiro BAC que falaram: “Putz, a gente queria anistia, né?” Dosimetria não tira o Bolsonaro da prisão.

    Tira? Você deve estar se perguntando, eu respondo. Não, não tira. Aí chegou o texto do Paulinho da Força. O texto do Paulinho da Força é muito parecido com algum texto que ele poderia colocar em pauta um mês atrás, dois meses atrás, quando ele foi tornado relator e se encontrou lá com o Neves. Podia ser, provavelmente ele escreveu o texto naquele dia ali, naqueles dias e colocou em pauta hoje.

    O texto diz o seguinte, que o crime de abolição violenta do Estado democrático de direito e de golpe de estado, esses crimes se equiparam e aí a pessoa vai ficar com com na pena com o crime que tiver ali a maior pena. Ou seja, se se um cara pegar 8 anos por abolição violenta do Estado democrático de direito e 7 anos por golpe de estado, vai valer a pena de 8 anos.

    Se ele pegar 8 anos por golpe de estado e e 7 anos por abolição violenta do Estado democrático de direito, aí vai valer a pena do golpe de estado que é maior. É isso. Só que por isso, eh, por essa dosimetria, o Bolsonaro ainda vai ficar aí com uma pena de 19 anos de jaula. O problema para ir para para extrema direita é um pouquinho menos, 18 anos e 18 anos e pouco.

    O problema para eles é o seguinte: o Bolsonaro ainda fica 2 anos e 9 meses em regime fechado. O eh o Paulinho da Força ainda colocou para ajudar os golpistas que o tempo em prisão domiciliar pode ser utilizado para redução de pena. Como assim, Thago? O Brasil tem uma mamata, existe em alguns países, mas no Brasil é uma coisa que você fala é incrível, que o cara lê um livro e faz um resumo do livro, ele diminui ali três dias na pena.

    O cara trabalha lá na prisão, ele diminui quatro dias na pena. Às vezes você tem cara, eu tava vendo um vídeo do Fabiano Contarato, você vê um cara que é condenado por homicídio, ou seja, ele tirou a vida de uma pessoa com todas as benécies da lei, o cara fica 3 anos. 3 anos. Vale a pena. Você mata alguém e você fica 3 anos preso só.

    Brasil. Brasil 2025. E tem parte da esquerda que aquela esquerda que a direita gosta. E veja, é sempre a esquerda antipetista, que adora defender bandido e que acha isso maravilhoso e que quando a direita, a extrema direita coota essa pauta aí da segurança pública e a e a e a direita fala, vamos aumentar pena para bandido, essa parte aí da esquerda que uma esqu uma parte mínima, fala é não pode, não pode, não sei o quê.

    a gente sabe que tem que ter mais educação, mais mais condições para as pessoas, que isso diminui a criminalidade a médio e longo prazo. Mas você tem uma pena que pode chegar em determinados casos há só 3 anos de jaula para alguém que tirou a vida de outra pessoa. Olha, Brasil, no caso, o que que tá fazendo Paulinho da força é ainda pior.

    Por quê? Porque a pessoa mesmo na prisão domiciliar ela pode dizer que lê um livro, fazer ali um resumo no chat GPT, por exemplo. Chat GPT resume 30 livros para mim. O chat GPT resume, você manda o PDF lá de 30 livros, você pode baixar em qualquer site. E o chat apt resume todos. Aí a pessoa pode, se quiser, transcrever assim a mão tudo que tá ali escrito chat dept e mandar lá para diminuir dias e dias e dias a sua pena.

    Então uma pessoa aliem em algumas horas consegue ali escrever um resumão de 300 livros copiando do chatt e vai diminuir ali um ou dois anos a sua pena. Olha só que coisa. Brasil 2025. Esse é o projeto de lei aí do Paulinho da Força, não extrem direita sempre defendendo o bandido, né? Só que aí quando veio o texto, eles perceberam, pô, mas o Bolsonaro continua, ele continua preso com esse texto.

    Depois do visto, o que a Lei Magnitsky pode fazer com as finanças de  Alexandre de Moraes | Fast Company Brasil

    E o pior é que dependendo da reação que vai ter do Supremo Tribunal Federal, principalmente do Alexandre de Morais e do Gonê, é capaz que esse pessoal aí decida, pô, tá, o Bolsonaro vai continuar preso, o o Lula é reeleito, esse pessoal vai falar: “Pô, agora vamos pegar o Bolsonaro por outros crimes”. Porque a dosimetria trata dos crimes de abolição violenta do estado democrático de direito e golpe de estado, tá? Mas não trata de roubo de dinheiro público, não trata de genocídio na pandemia, não trata de superfaturamento de vacina, de

    nada disso. Esse projeto aí fala: “Ih, então tem, eu tenho uma chance enorme de antes do Bolsonaro ter uma progressão de regime de que ele já esteja condenado e com mandado de prisão por outros processos. Tem, porque a retalhação que deve vir.” Diante disso, deu aí um pânico na extrema direita.

    o melhor amigo do filas Malafaia, que é o líder do PL na Câmara, que é o ô me me sumiu o nome dele aqui, eu vou mostrar o vídeo dele. soft. Logicamente que não estamos satisfeitos com este resultado, mas é o degrau possível e nós não vamos abrir mão em circunstância nenhuma de no próximo ano, voltando os trabalhos legislativos em primeiro de fevereiro, de continuar a nossa luta pela anistia de todos os presos políticos.

    Aí ele falou: “Não, estamos satisfeitos nisso.” O Flávio Bolsonaro já anunciou que ele vai manter a candidatura, porém provavelmente ele vai manter a candidatura para conseguir pressionando, mas deve ter feito o acordo. Ó, vocês votam 12etri, eu não vou atacar vocês da maneira que atacar. A gente não vai aí utilizar nossa força máxima para atacar vocês. A gente vai negociando aí.

    Só que nisso aí Bolsonaro continua preso. Fizeram, fizeram, fizeram, fizeram. E o projeto faz com que o Bolsonaro continue preso. O que eu falei aqui da lei sobre homicídio, aquilo não entra no projeto da da dosimetria. Esse projeto para dosimetria diz que alguém pode ler livros e tudo mais, mas só os condenados por crimes contra o estado democrático de direito ou golpe de estado, esse tipo de coisa, condenados por outras coisas.

    E essa parte não entra na lei. Você fala que coisa, né? Cria um novo tipo penal. Se a pessoa comete qualquer um qualquer crime, o tempo que ela fica em casa em prisão domiciliar, fingindo que tá lendo livros e fingindo que tá trabalhando, não diminui a sua pena. Mas se ela cometer unicamente crimes contra a democracia, aí sim, aí a pessoa, o tempo que tiver em casa, fingindo que tá lendo o livro e fingindo que tá trabalhando, esse tempo conta para diminuir a pena.

    Aí você fala: “Que coisa, né? Que coisa. Essa é extrema direita. E o pior é que tem otário que vota nesses caras ainda. Fica é isso. V aí Brasil 2025, viu? Temos um trabalho longo pela frente porque olha, o Brasil é uma democracia. A gente tem que convencer os o os que votam aí no no Bolsonaro na extrema direita, a mudar de lado.

    Essa é a nossa tarefa mais difícil, viu? E temos convencer muita gente aí que é isentão a vir pro nosso lado para que na próxima legislatura a gente não tenha uma minoria tão insignificante na Câmara, porque a gente não tem condição de passar nada. Essa é a verdade. Eles passam o trator sempre que querem. E olha que o governo Lula ainda faz aí uma uma articulação de tirar de de tirar ali leite de pedra.

    Eu peço aí a sua inscrição no canal. Seguimos aqui na luta contra essa caja maldita. fou.

  • MICHELLE LARGA O PL MULHER! Crise sem fim na família

    MICHELLE LARGA O PL MULHER! Crise sem fim na família

    Michele Bolsonaro está fora da presidência do PL Mulher. O anúncio aconteceu na segunda-feira. Eu acho pouco provável que isso não tenha a ver com a candidatura do Flávio. Ela disse que está muito tensa e alegou problemas de saúde. Eu vejo que é conversa para boi dormir ou é uma estratégia de Michelle. Temos duas hipóteses.

    Uma pode ser que Michele tenha perdido seu ímpeto presidencial com o anúncio de Bolsonaro, que todo mundo sabe e a visão é consolidada, que o Bolsonaro lançou o Flávio depois de ter sido derrotado pela Michele no embate do Ceará. Mas a Michele pode estar fazendo isso para fortalecer a imagem dela de sofredora com a prisão do Bolsonaro.

    Ela tem feito isso, tem feito visitas entes, tem levado marmitinhas para o Bolsonaro e isso tudo fortalece a imagem da esposa piedosa que está com o marido injustiçado na prisão. A gente sabe que essa candidatura de Flávio cada vez mais tá dando água. Ele não está conseguindo tracionar, pelo menos nesses primeiros dias, e ele é muito fraco psicologicamente e também politicamente.

    Ao lado de Bolsonaro, Michelle é protagonista em evento do PL Mulher de SP

    Não descarto que essa candidatura de Flávio vá por terra e a candidatura de Michele acabe vingando, porque ela é muito mais competitiva que o Flávio e que o Tarcísio de Freitas. E você tem que participar dessa discussão comigo. Você vai colocar nos comentários se você acha que Michele ela está reagindo por quê? pela candidatura do Flávio que a decepcionou ou é uma estratégia de imagem da Michele ou um pouco dos dois? Coloque aqui a sua participação.

    Deixe no comentário também o quanto que o afastamento de Michele do Pel Mulher pode afetá-la para 2026. E esse casamento é um casamento de fachada? Deixa o like no vídeo se você vê essa candidatura de Flávio como um fiasco e se inscreva no canal. A Michele Bolsonaro, ela abriu mão do PL Mulher. Ela não é mais a presidente do PL Mulher por enquanto.

    Só que antes do anúncio da Michele ser divulgado, houve uma posição do Bolsonaro com relação ao Flávio, mas nós tivemos algumas informações de bastidores. O anúncio que o Flávio fez que ele seria o candidato do Bolsonaro aconteceu na sexta-feira. Na quinta-feira, ou seja, um dia antes, o Bolsonaro teve um encontro com o Flávio na prisão.

     

    Nesse encontro, o Bolsonaro falou que o Flávio seria o candidato dele, Bolsonaro, em uma resposta a Michele Bolsonaro, porque o anúncio do Flávio aconteceu dias depois daquela discussão que houve no Ceará com Michele rompendo a aliança com Ciro Gomes. O Flávio Bolsonaro falou que Michele era autoritária, mas depois teve uma discussão com o Bolsonaro.

    O Flávio pediu até desculpas para Michele, mostrando que quem manda era ela, Michele Bolsonaro. E aí teve essa reunião. O Bolsonaro lançou o nome do Flávio e solicitou para Michele que não houvesse questionamentos públicos do nome do Flávio, do nome do Flávio, que não houvesse uma oposição pública também na Michele e que não tivesse nenhum tipo de dessor.

    Em contrapartida, o Bolsonaro falou para o Flávio que ele não iria aceitar nenhum tipo de complô contra a esposa, porque quando houve o embate lá no Ceará, o Flávio, o Eduardo, o Carlos e o Jair Renan atacaram a atual esposa do Bolsonaro. Quando teve esse anúncio do Bolsonaro com o Flávio, as portas para Michele Bolsonaro se fecharam como candidata presidencial.

    E na mesma época que Michele fez aquele embate no Ceará, as pessoas começaram a falar que, olha, a Michele quer ser candidata a presidente e todo mundo sabia que ela tem essa pretensão. Aí, passados alguns dias, Michele emite uma nota afastandose, afastando da presidência do PL Mulher, alegando tensões decorrentes da prisão do Bolsonaro, tensões que podem ser tensões familiares, eu acredito que sejam tensões familiares e motivos de saúde.

    A prisão do Bolsonaro, segundo a nota que foi emitida pelo Pele Mulher, afetou muito Michele Bolsonaro. A saúde dela ficou muito debilitada, a imunidade caiu, isso já vinha sendo arrastado há alguns meses e agora ela precisou de um afastamento. Pode ter a ver com o anúncio da candidatura do Flávio.

    Sim, nós não podemos descartar isso. Eu acho que tem sim a ver. Michele tinha pretensões presidenciais e está frustrada com a preferência de Bolsonaro pelo Flávio, que é um candidato muito fraco. E Michele sabe que ela é mais forte do que o Flávio. Não em termos de números, porque ambos têm números muito parecidos, mas ela engaja mais.

    Michele, ela tem uma retórica melhor. Michele ela empolga mais e ela tem um potencial com o voto feminino muito maior do que o do Flávio. Mas Michele pode estar fazendo isso também para cultivar uma imagem da esposa perseguida ou da esposa sofredora com a prisão do Bolsonaro. Michele tem feito visitas ao Bolsonaro, ele não come comida da prisão, então ela leva marmitas, ela faz questão de ser fotografada visitando o Bolsonaro, é uma esposa presente e isso favorece a imagem dela.

    A prisão do Bolsonaro tem sido muito boa para Michele, primeiro porque ela fica longe do Bolsonaro. Quem vai querer Bolsonaro perto? Obviamente ninguém. Ele é asqueroso, mas em termos políticos também a fortalece como o afastamento do Bolsonaro do dia a dia do PL fez com que Michele pudesse peitar a família lá no Ceará. E há uma visão consolidada desde o anúncio do Flávio que o Bolsonaro reagiu à pressão que Michele fez no Ceará.

    O Bolsonaro, ele teve praticamente aí três objetivos que tá estão consolidados. O primeiro é manter a influência da família, a influência política da família na direita, isso todo mundo sabe. Segundo, aumentar o preço do apoio em 2026. E terceiro, evitar que Michele pudesse se destacar, porque por mais que Michele seja a esposa de Bolsonaro, ele não confia nela como confia nos filhos.

    Bolsonaro, ele é um cara muito paranóico e ele teve problemas com as duas esposas antes, tanto com a Rogéria, que é a mãe do Carlos, do Flávio e do e do e do Eduardo. O o Bolsonaro lançou o Carlos para disputar com a própria mãe quando ela ela ela era vereadora, até minha língua travou, lá no Rio de Janeiro. E depois a segunda esposa, Ana Cristina Vale, também o Bolsonaro teve problemas com ela.

    PL Mulher vira plataforma de esposas de políticos para 2026

    Por que que não vai ter com a Michele? São dois problemas em três casamentos, então é muito possível que tenha. Então ele lança a candidatura do falável justamente para evitar que a que a Michele Bolsonaro possa crescer mais politicamente. E a candidatura da Michele, ela é criticada por integrantes do centrão. Isso segundo a Daniela Lima.

    O que eu vejo que são críticas assim muito envias, porque quem está criticando a candidatura de Michele é o Ronaldo Caiado. São assessores de Caiado. Eles dizem que a Michele ela tem muito poder de largada. Ela larga muito bem na candidatura, mas a chegada dela é ruim, porque ela não teria o que apresentar em termos políticos contra o Lula, contra o Lula.

    Na minha visão, isso é uma grande bobagem, é uma mentira, porque não há diferença em termos de chegada da Michele, para o Flávio, para o Caiado ou até mesmo pro Tício de Freitas. Nenhum deles tem bagagem suficiente ou resultados suficientes para mostrar pra população e enfrentar o Lula. Nenhum deles tem, ainda mais agora com bons indicadores econômicos, bons indicadores sociais e aprovação da isenção do imposto de renda.

    E o Lula indo para 2026 com a discussão da escala 6 por1, vai ser a plataforma de campanha dele. Quem consegue enfrentar isso? Sinceramente, ninguém. O que eles estão tentando fazer é sabotar a candidatura de Michele, porque se Michele sai como candidata, ela vai ser derrotada pelo Lula como todos os outros serão. Porém, ela tem um potencial de liderar a direita muito maior do que qualquer um dos outros candidatos.

    Ninguém tem a força que Michele tem para tocar esse bolsonarismo mais religioso, essa talvez essa nova etapa da política brasileira, que é uma política com valores religiosos muito empregados. Caiado não tem, Zema não tem, Ratinho, Bolsonaro, Flávio, Eduardo, mas Michele tem.

  • HUGO MOTTA ENTERRA ANISTIA, CONFIRMA BOLSONARO ENJAULADO E ANUNCIA CASSAÇÃO DE EDUARDO BOLSONARO!!

    HUGO MOTTA ENTERRA ANISTIA, CONFIRMA BOLSONARO ENJAULADO E ANUNCIA CASSAÇÃO DE EDUARDO BOLSONARO!!

    E terça-feira aí pegando fogo em Brasília. Olha só os bolsonaristas aí, principalmente os filhos do Bolsonaro que estão ali acompanhando em tempo real, né? O Bolsonaro não, porque ele está enjaulado, lembre-se disso. Eles foram aí da euforia ao pânico em poucas horas. Que que aconteceu hoje de manhã? O Flávio Bolsonaro foi visitar o Jair Bolsonaro e logo depois ele se reuniu aí com o seu comparsa de crimes que é o Ciro Nogueira.

    Vamos lembrar, o Ciro Nogueira é ligado ao PCC. Segundo aí inúmeras testemunhas que já falaram a Polícia Federal, tá sendo investigado por isso. O Flávio Bolsonaro, ele indicou ali pro governo do Rio de Janeiro muita gente que é ligada também ao comando vermelho. Só que ao que tudo indica, essas facções todas lavam o dinheiro mais ou menos da mesma maneira.

    É ali que se une tudo, tá? E o Cío Nogueira foi ministro da Casa Civil do Bolsonaro e cometeram muitos crimes juntos, principalmente no Bolsolão. Depois dessa reunião que também contou com o Rueda, que também ele é presidente do partido eh do União Brasil e ele também tá sendo investigado aí por ligações com o PCC. Pois bem, nessa reunião eles decidiram que eles iam pautar aí o projeto de anistia hoje.

    A reação de Hugo Motta à pressão para cassar o mandato de Eduardo Bolsonaro

    Então o Hugo Mota, que é lacaio aí da extrema direita, ele anunciou que iria pautar o PL da dosimetria. OK? A esquerda reagiu. Para você ter uma ideia, os assuntos mais falados aí nas redes sociais hoje foram, vou te mostrar aqui, sem anistia número um, Hugo Mota número dois e sem dosimetria número três. Ah, para você ver aí que tá tá ruim, né? O povo tá contra o projeto deles.

    Inclusive, pesquisa mostrou aí que mais de 50% dos brasileiros, no caso 53, são a favor da manutenção da prisão do Bolsonaro. E mais de 50% também achou que ele ia fugir. OK. Que que aconteceu? Aconteceu que os bolsonaristas passaram ali a comemorar tudo mais, pererê, barará.

    Só que a primeiro BAC foi quando o Hugo Mota deu uma entrevista falando que ele ia pautar isso, porque isso é prerrogativa dele e tudo mais. Aí você vê a a primeira coisa que eu vou te dizer é o seguinte, a o tudo que falaram aí as fontes desses jornalistas da Globo, do Metrópolis, etc. Tem aqui nos vídeos de ontem e no vídeo de hoje de manhã sobre que o eles iam para cima do Flávio Bolsonaro e tudo mais, você vê que boa parte daquilo eles recuam, né? Por que que recuaram? o pessoal ali do da direita, que a imprensa chama de Centrão, eh passou a ser avisado aí pelo

    Flávio Bolsonaro o seguinte: “Foi esse provavelmente o tema da reunião do Flávio com Jair Bolsonaro hoje de manhã. Eles vão usar o gabinete do ódio para achincalhar qualquer que seja o candidato aí eh dessa direita aí eh que que querem lançar aí. Ontem se cogitou muito que eles iam lançar o Ratinho Júnior, a presidência que ele tava ganhando muita força com a candidatura do Flávio, que eles acreditavam que o Ratinho Júnior poderia chegar no segundo turno contra o Lula e ali teria o apoio do Bolsonaro. Sim ou sim, né? Que eles

    iam apoiar qualquer um contra o Lula. Isso foi falado até pelo Eduardo Bolsonaro. Porém, o que foi dito aí pelo Flávio é o seguinte: qualquer um que vocês lançarem vai ser o nosso candidato, o nosso alvo direto, eh, oponente direto para ir pro segundo turno. Então, a gente vai estraçalhar vocês nas redes sociais.

     

    A gente vai estraçalhar. Não vai ter como depois vocês tentarem qualquer tipo de aliança, coisa assim, porque a gente vai desde já estraçalhar os nomes que estão aí na infilirados para serem candidatos do chamado sistema, tá? Aí você vê, putz, os caras devem ter pensado, pô, então se colocar o Tarcísio, o bolsonarismo bate no Tarcísio.

    Vamos lembrar quando o Fláv, o Eduardo Bolsonaro, o Eduardo Bolsonaro tem um alcance pequeno e ele tem ali um poder de influência bem pequeno na extrema direita. E quando ele passou a a falar mal do Tarciso, o Tarciso caiu três pontos na pesquisa. Por que que caiu três pontos? Porque alguns bolsonaristas mais radicais que votavam no Tarcío falaram: “Opa, pera aí, esse cara é o do sistema, não voto mais nele”.

    três pontos é o suficiente ali. É, é o limear às vezes para o cara ir pro segundo turno ou não. Vamos lembrar, o Lula no primeiro turno do da eleição passada teve 48% dos votos. Um pouquinho mais de 48% dos votos. Por menos de dois pontos o Lula não ganhou no primeiro turno. Então você vê que três pontos é muita coisa. Três pontos é muita coisa nessa hora.

    Quando quando um candidato tem três pontos, como teve o Ciro Gomes, não é nada. Mas você vê que eh para ganhar no primeiro turno ou não, às vezes essa é a diferença. Aí eles pensaram: “Pô, pera aí, isso com poucos ataques. Imagina se Eduardo, Flávio, Carlos, gabinete do ódio inteiro, parlamentares que realmente estejam ali ligados ao bolsonarismo e eles são muito bons de pressionar quem não tá com eles.

    Você vê que o Nicolas faz muita coisa na base da pressão. Gustavo Girer é outro que também faz. Eh, biaquicisses também, alguns ali também vão na base da pressão. Então eles são bons nisso. Com esse pessoal todo vai ficar difícil, vai ficar muito difícil algum outro candidato ali chegar nos 10%. Alguns vão falar: “Mas Thiago, não vão chegar nem a 10%.” Eu te explico.

    Se sempre o candidato aí que é a tal da terceira via sempre se ferra, nunca chega nem 10%. Então você vê, pô, tá ruim, tá ruim aí para esse pessoal. Eles perceberam, pô, vai dar ruim. É engraçado. Agora eu vou dar um adendo aí e que ninguém vai lembrar disso aí. Quase. Você vai ver qualquer assiste todos os canais.

    Quero ver um lembrar disso aí. O Daviel Columbre tava mandando em direta a mim, né, talvez sem saber que sou eu, né, e ao Lindberg Farias, dizendo que, olha, vocês dizem que o Congresso é inimigo do povo e não sei o quê. Bravo, bravo, porque toda vez que o Congresso Nacional aprova alguma coisa contra a população, a esquerda vai para cima do Congresso, dizendo que o Congresso é inimigo do povo.

    Pois bem, mas aí ele fica bravo, falou que acionou a Polícia Legislativa e a polícia do Senado, sendo que é muito fácil. É só ver quem tá puxando. Eu, no caso, eu, Thiago, dos Reis. Aí tá, é só ler a matéria da Globo, quem quem que teve o maior alcance lá. Pois bem, aí e o pior, ele aciona a polícia por uma coisa que não é crime. Eu sou o pior ainda.

    Ele falou que vai acionar isso. Polícia não é para processar, é para expor. Aí quando vem a ameaça da extrema direita a xincalhar com eles, aí eles fazem o quê? Ai não, então vamos votar aí o que o Bolsonaro quer. É só que isso não durou muito tempo não. Por quê? Porque logo depois Hugo Mota deu essa entrevista aqui que caiu como um balde de água fria para todos os bolsonaristas.

    Vou mostrar aqui com vocês. Bandidão. Desculpa mostrar bandido na sua tela, mas Hugo Mota, deputado Eduardo Bolsonaro. Deputado Eduardo Bolsonaro, ele já tem o número de faltas que são suficientes para a cassação do seu mandato. Deputado Eduardo Bolsonaro, como todos sabem, está no exterior por decisão dele. Ele foi para os Estados Unidos, não tem frequentado as sessões da casa.

    é impossível o exercício do mandato parlamentar fora do território nacional. E com esse cumprimento de faltas, nós estamos também publicando hoje, aí será através da mesa da Câmara também o prazo para que ele possa em cinco sessões, poder apresentar a sua defesa e a mesa deverá apresentar o resultado pela cassação do seu mandato, já que ele eh cumpriu o número de faltas suficientes para isso, não é? é regimental e nós queremos também, não é, até semana que vem concluir esse processo do deputado Eduardo Bolsonaro. Então nós nessa

    reunião de líderes tratamos aí você vê, pera aí, então na mesma reunião em que eles anunciaram aí que iam votar tal da anistia, ele anunciou que vai caçar o Eduardo Bolsonaro. Você vê que ele tem cinco sessões para fazer a sua defesa, mas ele já atingiu o limite de faltas. Ou seja, mesmo se Eduardo Bolsonaro, que vamos lembrar, não tem mandado de prisão contra ele.

    Se ele pegar o próximo voo paraa Brasília e e conseguir chegar hoje à noite, se ele tivesse pego aí quando deu a entrevista ou antes, a quando teve a reunião de líderes que foi hoje de manhã, se ele pegasse um voo na hora, chegasse em Brasília lá são 8 horas de voo, chegasse, pegou o voo meio-dia, chegou 8 da noite e foi no Congresso Nacional que eles vão ficar votando hoje lá até quase meia-noite.

    Mesmo assim não adianta nada, porque ele já teve as faltas, ele será caçado. Foi isso aí que anunciou o Hugo Moto. Aí falaram: “Pô, mas mas mas vai votar anestia a cação de Eduardo Bolsonaro é porque o Hugo Mota quer caçar um desafeto do Artur Lira, que é o Glauber Braga. Glauber Braga aí tem um processo de cassação.

    Vamos lembrar, a direita tem maioria na Câmara dos Deputados. A esquerda não apenas não tem maioria, nós somos uma minoria bem pequena, mas bem pequena mesmo. E se você pensar os parlamentares de esquerda, a maioria nem sequer sabe usar a rede social, cara. Não sabe usar o Instagram, cara. Eu compartilhe aí um post.

    Se você pedir pro deputado, ele vai mandar um assessor ou assessora que ele não sabe usar o celular. O da extrema direita. Então o dia inteiro assim. E aí tem uma coisa que você pode gostar ou não. Eu particularmente não tenho aí sentimento quanto a isso de positivo ou negativo. Para muita coisa é negativa, para outras coisas, como expor muita coisa que a imprensa não mostra, é bem positiva.

    Mas hoje o ofício aí de ser deputado envolve você ficar fazendo assim, falar com as pessoas, envolve você mostrar isso. E muitos não fazem, a extrema direita faz. Aí eles têm um alcance muito maior os deputados. eles conseguem impor determinadas versões eh narrativas, né, determinadas narrativas. Aí o que aconteceu? Eles também conseguem ter maioria na Câmara, porque e um deputado que tem um alcance, ele amplia a sua votação na próxima pelo coeficiente eleitoral, ele elede alguns do partido dele a mais a mais.

    OK? Voltamos aí ao caso, eles, o Artur Lira quer caçar o Glauber Braga e aí devem aí caçar Carla Zambelli e o Eduardo Bolsonaro. Aí querem equiparar o Glauber Braga que não cometeu crime algum ao Eduardo Bolsonaro e a Carla Zambelli. Mas fala: “Pô, mas que que palhaçada, hein? Essa aí é na conta do Artur Lira.

    O Hugo Mota é só o lacaio, o cachorrinho do Artur Lira. O Artur Lira manda, senta, ele senta, dá patinha, ele dá patinha, rola o o Hugo Mota deita no chão e rola. É isso aí. Voltamos aí ao da extrema direita. Caçar o o Glober Braga não muda nada na vida do Bolsonaro, do Flávio Bolsonaro, do Eduardo, nada, nada, nada, nada. Ah, mas o Gláber Braga incomoda.

    Sim, mas eles querem e e é se livrar da prisão, caçar o com o Glauber Braga caçado ou não, eles continuam no caminho da prisão que muda a anistia. Aí o o Gomota falou o seguinte: “Olha, não vai ter isso de anistia não, isso de anistia está afastado, vai ser dosimetria.” Já foi o primeiro BAC que falaram: “Putz, a gente queria anistia, né?” Dosimetria não tira o Bolsonaro da prisão.

    Tira? Você deve estar se perguntando, eu respondo. Não, não tira. Aí chegou o texto do Paulinho da Força. O texto do Paulinho da Força é muito parecido com algum texto que ele poderia colocar em pauta um mês atrás, dois meses atrás, quando ele foi tornado relator e se encontrou lá com o Neves. Podia ser, provavelmente ele escreveu o texto naquele dia ali, naqueles dias e colocou em pauta hoje.

    O texto diz o seguinte, que o crime de abolição violenta do Estado democrático de direito e de golpe de estado, esses crimes se equiparam e aí a pessoa vai ficar com com na pena com o crime que tiver ali a maior pena. Ou seja, se se um cara pegar 8 anos por abolição violenta do Estado democrático de direito e 7 anos por golpe de estado, vai valer a pena de 8 anos.

    Se ele pegar 8 anos por golpe de estado e e 7 anos por abolição violenta do Estado democrático de direito, aí vai valer a pena do golpe de estado que é maior. É isso. Só que por isso, eh, por essa dosimetria, o Bolsonaro ainda vai ficar aí com uma pena de 19 anos de jaula. O problema para ir para para extrema direita é um pouquinho menos, 18 anos e 18 anos e pouco.

     

    O problema para eles é o seguinte: o Bolsonaro ainda fica 2 anos e 9 meses em regime fechado. O eh o Paulinho da Força ainda colocou para ajudar os golpistas que o tempo em prisão domiciliar pode ser utilizado para redução de pena. Como assim, Thago? O Brasil tem uma mamata, existe em alguns países, mas no Brasil é uma coisa que você fala é incrível, que o cara lê um livro e faz um resumo do livro, ele diminui ali três dias na pena.

    O cara trabalha lá na prisão, ele diminui quatro dias na pena. Às vezes você tem cara, eu tava vendo um vídeo do Fabiano Contarato, você vê um cara que é condenado por homicídio, ou seja, ele tirou a vida de uma pessoa com todas as benécies da lei, o cara fica 3 anos. 3 anos. Vale a pena. Você mata alguém e você fica 3 anos preso só.

    Brasil. Brasil 2025. E tem parte da esquerda que aquela esquerda que a direita gosta. E veja, é sempre a esquerda antipetista, que adora defender bandido e que acha isso maravilhoso e que quando a direita, a extrema direita coota essa pauta aí da segurança pública e a e a e a direita fala, vamos aumentar pena para bandido, essa parte aí da esquerda que uma esqu uma parte mínima, fala é não pode, não pode, não sei o quê.

    a gente sabe que tem que ter mais educação, mais mais condições para as pessoas, que isso diminui a criminalidade a médio e longo prazo. Mas você tem uma pena que pode chegar em determinados casos há só 3 anos de jaula para alguém que tirou a vida de outra pessoa. Olha, Brasil, no caso, o que que tá fazendo Paulinho da força é ainda pior.

    Por quê? Porque a pessoa mesmo na prisão domiciliar ela pode dizer que lê um livro, fazer ali um resumo no chat GPT, por exemplo. Chat GPT resume 30 livros para mim. O chat GPT resume, você manda o PDF lá de 30 livros, você pode baixar em qualquer site. E o chat apt resume todos. Aí a pessoa pode, se quiser, transcrever assim a mão tudo que tá ali escrito chat dept e mandar lá para diminuir dias e dias e dias a sua pena.

    Então uma pessoa aliem em algumas horas consegue ali escrever um resumão de 300 livros copiando do chatt e vai diminuir ali um ou dois anos a sua pena. Olha só que coisa. Brasil 2025. Esse é o projeto de lei aí do Paulinho da Força, não extrem direita sempre defendendo o bandido, né? Só que aí quando veio o texto, eles perceberam, pô, mas o Bolsonaro continua, ele continua preso com esse texto.

    E o pior é que dependendo da reação que vai ter do Supremo Tribunal Federal, principalmente do Alexandre de Morais e do Gonê, é capaz que esse pessoal aí decida, pô, tá, o Bolsonaro vai continuar preso, o o Lula é reeleito, esse pessoal vai falar: “Pô, agora vamos pegar o Bolsonaro por outros crimes”. Porque a dosimetria trata dos crimes de abolição violenta do estado democrático de direito e golpe de estado, tá? Mas não trata de roubo de dinheiro público, não trata de genocídio na pandemia, não trata de superfaturamento de vacina, de

    nada disso. Esse projeto aí fala: “Ih, então tem, eu tenho uma chance enorme de antes do Bolsonaro ter uma progressão de regime de que ele já esteja condenado e com mandado de prisão por outros processos. Tem, porque a retalhação que deve vir.” Diante disso, deu aí um pânico na extrema direita.

    o melhor amigo do filas Malafaia, que é o líder do PL na Câmara, que é o ô me me sumiu o nome dele aqui, eu vou mostrar o vídeo dele. soft. Logicamente que não estamos satisfeitos com este resultado, mas é o degrau possível e nós não vamos abrir mão em circunstância nenhuma de no próximo ano, voltando os trabalhos legislativos em primeiro de fevereiro, de continuar a nossa luta pela anistia de todos os presos políticos.

    Hugo Motta

    Aí ele falou: “Não, estamos satisfeitos nisso.” O Flávio Bolsonaro já anunciou que ele vai manter a candidatura, porém provavelmente ele vai manter a candidatura para conseguir pressionando, mas deve ter feito o acordo. Ó, vocês votam 12etri, eu não vou atacar vocês da maneira que atacar. A gente não vai aí utilizar nossa força máxima para atacar vocês. A gente vai negociando aí.

    Só que nisso aí Bolsonaro continua preso. Fizeram, fizeram, fizeram, fizeram. E o projeto faz com que o Bolsonaro continue preso. O que eu falei aqui da lei sobre homicídio, aquilo não entra no projeto da da dosimetria. Esse projeto para dosimetria diz que alguém pode ler livros e tudo mais, mas só os condenados por crimes contra o estado democrático de direito ou golpe de estado, esse tipo de coisa, condenados por outras coisas.

    E essa parte não entra na lei. Você fala que coisa, né? Cria um novo tipo penal. Se a pessoa comete qualquer um qualquer crime, o tempo que ela fica em casa em prisão domiciliar, fingindo que tá lendo livros e fingindo que tá trabalhando, não diminui a sua pena. Mas se ela cometer unicamente crimes contra a democracia, aí sim, aí a pessoa, o tempo que tiver em casa, fingindo que tá lendo o livro e fingindo que tá trabalhando, esse tempo conta para diminuir a pena.

    Aí você fala: “Que coisa, né? Que coisa. Essa é extrema direita. E o pior é que tem otário que vota nesses caras ainda. Fica é isso. V aí Brasil 2025, viu? Temos um trabalho longo pela frente porque olha, o Brasil é uma democracia. A gente tem que convencer os o os que votam aí no no Bolsonaro na extrema direita, a mudar de lado.

    Essa é a nossa tarefa mais difícil, viu? E temos convencer muita gente aí que é isentão a vir pro nosso lado para que na próxima legislatura a gente não tenha uma minoria tão insignificante na Câmara, porque a gente não tem condição de passar nada. Essa é a verdade. Eles passam o trator sempre que querem. E olha que o governo Lula ainda faz aí uma uma articulação de tirar de de tirar ali leite de pedra.

    Eu peço aí a sua inscrição no canal. Seguimos aqui na luta contra essa caja maldita. fou.

  • SERGIO MORO SE ENROLA E VAI PRESO POR VÍDEO ENCONTRADO NA VARA DE CURITIBA! CHANTAGENS E 0RGlAS!

    SERGIO MORO SE ENROLA E VAI PRESO POR VÍDEO ENCONTRADO NA VARA DE CURITIBA! CHANTAGENS E 0RGlAS!

    Atenção, atenção. A Polícia Federal conseguiu a prova chave pra prisão do Sérgio Moro. Polícia Federal apreende vídeo da festa da cueca na vara de Curitiba. Segundo a delação do Tony Garcia, tinha uma festa da cueca em que desembargadores do TRF4 estavam com prostitutas. E esse vídeo foi gravado amando do Sérgio Moro.

    Agora a Polícia Federal achou o vídeo. Só que a coisa piora. A Polícia Federal também encontrou um despacho assinado pelo próprio Sérgio Moro, em que ele ordena aí espionagem de figuras com foro privilegiado. Isso tudo é crime e tudo que o Tony Garcia falou já foi comprovado pela Polícia Federal. Agora só falta enjaular o Sérgio Moro.

    Grande dia. Casa caiu pro Sérgio Moro. A Polícia Federal acabou de encontrar o vídeo da festa da cueca, onde simplesmente desembargadores e juízes da Vara de Curitiba, comandada por Sérgio Moro, participam de festinhas e orgias com garotas de programa. E olha só que coisa, quem patrocinava estas orgias entre desembargadores e prostitutas eram famosos escritórios de advocacia que ofereciam essas festinhas em troca de decisões favoráveis por parte dos juízes em processos que envolviam clientes desses escritórios. Olha só que coisa

    curiosa. Então, quer dizer que uma das decisões que foi a condenação do presidente Lula saiu de uma orgia de juízes com prostitutas em Curitiba. Sérgio Moro é uma farça e tem que ser preso. E pegaram o Moro. Pois é. A Polícia Federal encontrou o tal vídeo da festa da cueca lá na 13ª vara de Curitiba. E o que que isso significa? Significa que tá sendo comprovada as denúncias aí do ex-deputado estadual Tony Garcia de que o Moro tinha um vídeo que comprometia aí os desembargadores lá do TRF de Curitiba e dessa forma ele chantagiava esses

    A mudança de Sergio Moro na República de Curitiba | VEJA

    caras para só soltar decisões favoráveis aí ao golpe contra o Brasil, contra o PT para prender o presidente Lula e para destruir o nosso país através da Lava-Jato. Pois é, agora ficou ruim. Com certeza isso aí vai colocar o Moro no caminho da cadeia, que é onde ele deveria estar. E o pior de tudo pro Moro é que a PF ainda encontrou documentos aí que também comprovam que o Marreco de Maringá se utilizava aí do ex-deputado estadual Tony Garcia para espionar e pessoas que tinham foro privilegiado.

    Isso mesmo. O cara cometeu todo tipo de crime. O caminho dele pra cadeia já tá sacramentado. E agora é só o povo brasileiro esperar para comemorar. PF apreende vídeo da festa da cueca na vara de Curitiba. Aqui embaixo, a Polícia Federal aprendeu durante a operação desta quarta-feira, dia 3/12, na 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, um vídeo intitulado Festa da cueca.

    Aí eu fiz um resumo aqui da matéria. O vídeo intitulado Festa da cueca registra um encontro íntimo descrito como uma orgia entre juízes federais e garotas de programa e uma suí presidencial de hotel de luxo em Curitiba. Pois na matéria aqui diz que é o Hotel Burbom. A gravação captura os participantes em situações comprometedoras, com ênfase em elementos de roupas íntimas, daí o nome cueca, o que facilitaria o uso para chantagem.

    Segundo investigações, os encontros eram mensais e financiados por escritórios de advocacia em troca de favorecimentos em decisões judiciais, como direcionamento de sentenças. A denúncia aqui diz que escritórios de advocacia aqui da região bancavam essas festas para que juízes federais se divertissem em troca de favorecimento nas nos processos que esses escritórios de advocacia tinham na vara de Cuti.

    O episódio principal ocorreu em 2003 no Hotel Burbon, envolvendo desembargadores do Tribunal Regional Federal da Quarta Região, famosíssimo TRF4, responsável por julgar recursos da Lava-Jato. Um delator alega que durante uma festa foi combinada a condenação do ex-presidente Lula em processos da operação Lava-Jato.

    Por enquanto, o que a gente tem são denúncias de que isso talvez tenha ocorrido. Ainda não tem provas reais de que isso ocorreu. E o que aparentemente que a matéria diz é que a PF encontrou esse vídeo. Ai, como eu queria trabalhar na PF para saber o que tá acontecendo ali dentro. Gente, hoje eu preciso que vocês prestem muita atenção no que eu vou mostrar aqui.

    Em uma entrevista histórica, o advogado Roberto Bertudo, um dos melhores advogados do Brasil, um dos nomes que viveu por dentro a máquina de Curitiba, decidiu falar. E quando eu digo falar, eu quero dizer abrir o jogo de um jeito que ninguém esperava, nem mesmo o Sérgio Moro. Todo contou os bastidores. Explicou exatamente porque a Polícia Federal precisou entrar na 13ª Vara de Curitiba, antiga fortaleza de Sérgio Moro, e descreveu como funcionava aquele ambiente, onde, segundo ele, muita coisa acontecia longe dos olhos da imprensa e também longe da legalidade. E não para

    por aí. Ele relatou o que viveu na pele, as pressões, as perseguições, o modus operand e tudo isso agora vindo à tona. Coloca Lava-Jato diante de perguntas que o Brasil nunca teve coragem de fazer. Mas agora as perguntas foram feitas. O vídeo de hoje é simplesmente imperdível. Se o que Bertoldo disse for confirmado, a história judicial recente do país precisa ser reescrita. Sim.

    Então já prepara o café, respira fundo e vem comigo, porque depois dessa entrevista nada mais fica de pé no mito da moralidade seletiva de Curitiba. E vou aproveitar, se não se inscreveu no meu canal, aproveita, vai lá, se inscreva, ativa o sininho, porque aqui tem verdade. Vamos ver. É, mas é o que eu posso falar são a é a verdade dos fatos.

    O Tony Garcia no ano, isso há muito tempo, há 20 anos atrás, foi forçado a fazer uma delação premiada contra mim e contra dezenas de outras pessoas pelo pelo Sérgio Moro. Isso não era fato novo. Eh, naquele momento em que eu fui processado, eu respondi mais de 80 inquéritos. Eu acho que eu fui a pessoa que mais ações penais e inquéritos respondeu eh por conta dessa delação do Sérgio Moro ou ou melhor dessa delação que o Sérgio Moro forçou o o Tony Garcia a realizar e e isso acabou redundando na minha prisão, uma prisão violenta que eu

    reputo não como prisão, assim como sequestro, né? e que foi algo que foi reeditado depois na Lava-Jato e que foi o modo operand eh, adotado pelo Sérgio Moro e pela gang dele aí da da que eles chamam de força tarefa, mas na verdade era uma gangue tarefa eh com objetivo político de enriquecimento ilícito, de ingresso na vida política, de busca de fama, vaidade e todos os males aí que contornaram essa realidade que foi a essa Lava-Jato.

     

    E nesse contexto, eh, o Tony Garcia contou em algumas, aí sim, eu vi algumas entrevistas deles, dele e que ele disse que ele foi forçado a dizer que pelo Sérgo Moro de que eu vi que eu viajava em meu avião com o com o Zé Adceu carregando dinheiro. E na verdade em todo aquele período, eu dizia, repetia, eu venho há mais de 20 anos contando a mesma história de que eh a minha prisão e o que o que vinha por trás da da do movimento da minha prisão era para que eu revelasse fatos relacionados a que eu não sabia, fatos

    relacionados a a Zéu, o presidente Lula, e que eles tentavam fazer com que eu também fizesse uma delação premiada contra o Zé e contra o Lula. Eh, esse é um foi o modos operante do Sérgio Moro que o levou que levou o Cro Moro a um enriquecimento. Ele ficou rico, hoje é um homem rico de muitas posses, né? A gente percebe isso.

    E que redundou nessa decisão do ministro Dias Toffoli, que é uma decisão que não merece ser comemorada, porque é muito triste você imaginar a uma vara da Justiça Federal sendo visitada pela Polícia Federal, viaturas da Polícia Federal. adinho numa vara da Justiça Federal é algo muito feio, muito, é algo que empobrece, é algo que desmerece profundamente eh a to toda e qualquer virtude que se construiu em torno da Justiça Federal Brasileira.

    É um caso, acho que único, acho que nunca houve antes na história do Brasil algo nesse sentido de policiais terem que invadir uma uma vara federal para buscar documentos. E o que se busca nesses documentos? Não, eu suponho, eu não vi a decisão do ministro Dias Sofoli, mas eu suponho que, pelo que eu vi, pela imprensa, que são fatos relacionados à a tal festa da cueca, que foi nominada assim pelo pelo pelo Tony Garcia, Tony Garcia é um bom marqueteiro, deu esse nome a alguns eventos que de fato aconteceram.

    Eu tenho conhecimento desses desses eventos e eventos que foram gravados sim pelo meu ex-sócio, que é um outro, eu acho que é mal do nome, né, que é Sérgio Costa, né, que era uma pessoa que também que acabou fazendo uma dação premiada, uma colaboração, algo nesse sentido, e que eh atendendo a todas as solicitações que o Sérgio Moro, Deltanaiol, Carlos Fernando e Janório Paludo, que são os principais personagens dessa dessa gangue da masmorra de Curitiba, eh, que funcionou inicialmente com o propósito, intuito de enriquecimento dessas pessoas e eles

    conseguiram esse intuito. todos eles saíram ricos eh dessa dessa dessa operação e e com o ingresso de dois deles na política nacional. O que a gente vê que isso posteriormente foi provado pela Vazar Jato e que demonstrou que aquilo lá não era um não era uma força tarefa do poder judiciário com o Ministério Público e era assim, na verdade a união de alguns amigos, de alguns espertalhões que tentavam fazer que se utilizavam de cargos públicos, de como agentes públicos para ganharem dinheiro com palestra e para criarem uma

    fundação onde aí sim a gente sabe teria havido o desaparecimento de R$ 5 bilhões deais, esse desaparecimento desse dinheiro que eu acho que é que está por trás dessa decisão do Diastofol, assim como a busca por por desses dessas eh possíveis gravações ou essas gravações que potencialmente estariam eh de posse do Sérgio Moro.

    Eu lamento apenas que isso tenha acontecido somente agora, porque não há dúvida que passado tanto tempo e tendo em vista o anúncio antecipado de que essa busca e apreensão aconteceria, não há não existe dúvida que eles desapareceram com tais documentos e esses documentos eh seguramente estão guardados ou estão em algum local sobre a proteção do próprio Sérgio Moro que inegavelmente eh se utilizou no cargo de juiz. juiz federal para se promover.

    É, então acho que o resultado dessa busca apreensão, fora a vergonha, fora o desmerecimento, fora eh todo o problema causado eh para a Justiça Federal do Paraná e para o TRF4, não dá, não trará muitos resultados, suponho eu. Gostaria até que trouxessem mais trouxesse mais resultados, mas eu suponho que eles devem ter desaparecido com todo e qualquer vestígio, com todo e qualquer vestígio que possam que pudesse incriminá-los, né? A partir da revista Fórum, que traz detalhes sobre a operação da Polícia Federal na 13ª Vara Federal de Curitiba.

    Bom, a PF apreendeu um vídeo intitulado Festa da cueca. Pois é, a gravação registra um encontro com desembargadores e garotas de programa em um hotel de luxo em Curitiba. De acordo com a reportagem, é exatamente o material apontado por Tony Garcia como prova central de um esquema clandestino que teria sido operado por Sérgio Moro para coagir magistrados e assim influenciar decisões do TRF4.

    Para quem não se lembra, Tony Garcia é um empresário que atuou como delator e afirma que foi recrutado por Sérgio Moro para agir como agente infiltrado. A sua função, segundo ele, era justamente obter informações e gravações comprometedoras, entre elas a da festa da cueca para fortalecer o poder informal do então juiz sobre desembargadores que julgavam processos sensíveis.

    Certo? Então, deixa eu lhe falar uma coisa, doutor. Eu espero Uhum. que essa nação nunca abdique de acreditar na justiça. Agora eu queria lhe avisar uma coisa. Esses mesmos que me atacam hoje, se tiverem sinais de que eu serei absolvido, prepare-se, porque os ataques ao senhor vai ser muito mais forte do que ele sabe até ministro da Suprema Corte que não pensa como pensa a empresa brasileira.

    Esse é um daqueles vídeos para ser compartilhados a moda, porque a casa do Marreco de Maringá caiu definitivamente. A justiça encontrou a delação do Tony Garcia sobre a festa da cueca. Quem aí se lembra que vários juízes desembargadores e promotores participaram de uma festa com prostitutas e foram chantageados pelo juiz eco, o marreco de Maringá? Disse o Tony Garcia em depoimento à polícia.

    Lula previu que isso aconteceria, que um dia este Marrequinho, a copia e cola da Gabriela HT e Deltan Ladranhol estariam no banco dos réus. Agora, o depoimento que eu trouxe para você de uma ex-juíza que disse ter sido enforcada dentro de um elevador e o leite dela secou porque ela estava puérpera, tinha acabado de dar a luz.

    trouxe apenas alguns trechos porque o vídeo é muito extenso, está disponível no Brasil 247. Vou dar o meu testemunho aqui para vocês de o quanto eu vi uma entidade mafiosa dentro da 13ª vara e dentro da estrutura do TRF4, que até hoje se nega, a fazer uma correção e a rever seus erros. Só consigo falar com vocês de tudo isso porque eu não sou mais juíza e eu estou a 8.

    Análise | Sérgio Moro: o ex-juiz que rasgou a Constituição, por Jorge  Folena - Brasil de Fato

    000 1000 km de distância de Curitiba. Eu só me sinto segura assim para vocês saberem o quanto é difícil, mesmo sendo um juiz federal na época, lutar contra uma ilegalidade acobertada pelo judiciário. O Moro queria o controle absoluto sobre os processos e esse processo específico ela pagou a liberdade que eu concedi naquele abascópico, que eu nem lembro mais.

    Eu tinha guardado todas as as provas de quem era. Ela falou que só que era uma pessoa da Petrobras que tinha que continuar presa porque eh, enfim, ele tava quase fazendo a delação e tinha que continuar preso que o MPF ia mandar no outro dia um outro processo para aprender, que ia ser inútil soltar, tinha uma balela ali, mas enfim, não ouvi ela, coloquei ali a ordem de soltura que não é feita da noite, é feita da manhã, né? E sempre antes de entregar o plantão, às 11 horas, geralmente a gente entregava, eu dou mais uma, dava mais uma revisada no croc

    e vi que foi apagado. Ah, daí eu fiquei, fiquei muito brava com ela e peitei ela, peitei a vara e foi então que o Moro me pegou no elevador e me pegou pelo pescoço e me ameaçou. Não sei. Deixa eu estão ouvindo a gravidade disso? Isso, isso, isso é mafioso, é criminoso. Uma pessoa que recém tinha tido um filho e o meu reou.

    Ô, Polícia Federal, prepara a cela do marreco que ele tá chegando. Enquanto isso, Cloud Croves pega a pipoca e o guaraná que tá esquentando a festa. Papei. Acabou pro Moro. Sua candidatura a governador está sendo enterrado no Paraná pelos coronegal encontrou o vídeo que o Tony Garcia disse que tinha. Digite aí o que que você acha que deveria acontecer com o Moro?

  • MOTTA ANUNCIA CASSAÇÃO DE EDUARDO

    MOTTA ANUNCIA CASSAÇÃO DE EDUARDO

    Um grito curto de criança ecoa dentro da casa grande. Não é grito de quem caiu, nem de quem levou tapa. É outro tipo de som. Agudo, abafado, preso na garganta, como se o ar tivesse virado vidro. Na sala fechada, três velas grossas queimam sobre a mesa.

    A luz dourada trêmula nas paredes brancas, desenhando sombras longas que dançam no teto. O cheiro no ar doce, enjoativo, cera derretida, misturada com algo mais pesado, mais visal, o cheiro de pele queimando. Zeca, 8 anos, está parado no centro da sala. O corpo pequeno treme, mas os pés não se mexem. Ele aprendeu cedo. Quando assim a chama, não se corre.

    Quando ela segura, não se debate. A mão dela aperta o queixo do menino com força suficiente para imobilizar, mas não machucar ainda. Os dedos brancos contra a pele escura parecem garras segurando presa viva. A outra mão de Amélia inclina a vela devagar, com uma calma que dói mais que pressa.

    Motta abre caminho para a cassação de Eduardo Bolsonaro; análise deve ocorrer antes do recesso parlamentar - URB News

    Cera se acumula na ponta, formando uma gota gorda, translúcida, a milímetros do rosto de Zeca. Do outro lado, Filó segura o braço do menino. A mão dela treme, quase imperceptível, mas treme. Os olhos fixos no chão, a respiração curta, o corpo dividido entre obedecer e recuar. Do pirbaixo da vela, mais sera pinga em gotas irregulares, marcando o tempo como relógio cruel.

    A porta está entreaberta. Um fio de luz vem do corredor. São de passos se aproximando. Botas pesadas no açoalho de madeira. E então, clara como faca rasgando o pano, a voz de Amélia corta o silêncio. Quero ver se alguém ainda vai dizer que você tem a cara do coronel depois disso.

    A frase chega no corredor como explosão. Os passos param. A porta se abre de vez e a gota de cera chacoalhando na ponta da vela finalmente cai. Para entender o dia em que a cera queimou o rosto de uma criança e rachou a máscara da Casagre, a gente precisa voltar alguns anos.

    Voltar pro tempo em que o cheiro de cera era tão comum na fazenda Capim Seco quanto o cheiro de café. A propriedade ficava no interior, cercada de roças alinhadas, gado gordo pastando na sombra, casa grande branca brilhando sob o sol, como se quisesse cegar quem olhasse de frente. Para quem passava pela estrada, aquilo parecia pedaço de paraíso, mas quem morava ali sabia.

    O que realmente marcava o capim seco não era a beleza da fachada, era o som dos gritos vindos de dentro e o ritual silencioso que transformava dor em rotina. No centro de tudo estava Amélia, branca, fina, cheia de renda francesa e joias herdadas. Ela parecia, para quem via de fora, uma senhora de família respeitável. Usava vestidos claros, prendia o cabelo com pentes de madre pérola, falava baixo na missa, mas os escravizados sabiam a verdade.

    Por trás da pose de dama havia uma mulher que sentia prazer em ver gente sofrer. Amélia tinha um método próprio de castigar. Não usava chicote, achava vulgar, coisa de feitor. Não gritava em público. Isso era falta de classe. O que ela fazia era pior. Transformava a violência em ritual doméstico, quase íntimo. Quando alguém a contrariava, quebrava algo. Demorava para obedecer.

    Ela não mandava pro tronco. Mandava acender uma vela grossa. Chamava a pessoa perto e com a maior calma do mundo inclinava a vela sobre a pele alheia até a caera quente escorrer devagar, grudando, queimando, marcando braço, mão, ombro, às vezes pescoço, e repetia sempre a mesma frase, como se fosse lição de catecismo. É só uma marquinha para lembrar o lugar.

     

    Os gritos ecoavam pela cozinha, pelo corredor, pela sala de costura. Mas paraa Amélia, aquilo não era crueldade, era educação, controle, poder exercido em gotas quentes, uma de cada vez. Luzia conhecia bem aquela dor. Tinha 22 anos, pele escura, mãos calejadas de tanto servir. Desde menina trabalhava dentro da casa grande, trazia água, arrumava camas, ajudava na cozinha, acalmava choro de criança branca enquanto engolia o próprio.

    Nos braços carregava cicatrizes irregulares, manchas claras, tortas, que o tempo não conseguiu apagar. Cada uma delas guardava uma memória. A primeira vez tinha sido por causa de uma gargalhada. Luzia estava na cozinha rindo alto de algo que outra escrava tinha dito quando Amélia apareceu na porta com o rosto endurecido. “Você acha que pode rir desse jeito?” A voz veio fria, cortante.

    Escrava que ri alto demais é porque não tá trabalhando o suficiente. A vela encostou no braço de Luzia. A cera desceu, a dor subiu. Desde aquele dia, Luzia aprendeu a rir para dentro, a falar baixo, a medir cada gesto, cada palavra, cada suspiro. Aprendeu que existir dentro da casa grande era andar por corda bamba esticada sobre fogo e que a qualquer momento a cera podia cair de novo.

    Luzia tinha um filho, Zeca, 8 anos, pele mais clara que a dela, olhos atentos demais pra idade, andava sempre com um pano no ombro, levando recado de um lado pro outro, servindo café, carregando cesta. Oficialmente, ele era só mais um menino nascido na cenzala, filho de escrava, destinado a repetir a vida da mãe.

    Mas quem olhava com atenção via outra coisa: o jeito de andar, o formato do rosto, um modo de olhar parecido demais com o do coronel Batista, dono da fazenda Capim Seco. Todo mundo na cenzala via, a própria Amélia via, mas a regra do jogo era clara. Ninguém falava disso em voz alta. Pro mundo, Zeca era apenas filho de Luzia. Pro coronel, naquela parte escondida que ele não deixava vir à tona, o menino era muito mais que isso.

    Batista nunca tinha assumido em palavras, mas dava sinais sem perceber. Deixava o menino circular mais perto da varanda, dava um pedaço de pão a mais, colocava para trabalhar dentro de casa em vez de mandar pro pesado da roça. Pequenos gestos que, somados, formavam confissão silenciosa, e cada um desses gestos queimava Amélia por dentro como cera fervendo.

    Ao lado de Amélia, sempre colada como sombra, estava Filó, escrava de companhia, aquela que arrumava cabelo da senhora, alinhava vestido, cheirava perfume, repetia tudo que a patroa dizia, mesmo quando era absurdo, mesmo quando era cruel. Filó aguentava humilhação, tapa, grito, tudo, só para continuar ali, longe da roça, longe da cenzala, perto da sombra fria da Casagre.

    Achava que isso a protegia, achava que obedecer a tornava diferente e de vez em quando ganhava a tarefa de ser a mão que segurava o braço de alguém enquanto a Mélia derramava cera. Com o tempo, Filó foi ficando dura por dentro. O olhar virou seco, o coração virou pedra. Ela não gostava de fazer aquilo, mas fazia.

    E cada vez que segurava um braço alheio, convencia a si mesma de que não tinha escolha, que obedecer era sobreviver, que culpa era luxo que escrava não podia ter. E no centro de tudo isso, habitando o escritório com cheiro de fumo e couro, estava o coronel Batista, homem alto, voz grossa, acostumado a mandar e ser obedecido.

    Tratava escravo como propriedade, batia quando achava necessário, mantinha a fazenda funcionando com mão de ferro. Não era homem bom, mas também não era o tipo que torturava por prazer. Para ele, violência era ferramenta, chicote, tronco, feitor, coisas que tinham função, lugar, lógica, as crueldades da esposa, porém ele preferia não ver.

    Quando ouvia um grito de cera vindo da cozinha, fechava a porta do escritório. Quando via de relance um braço queimado no corredor, desviava o olhar. Mulher tem seus modos de educar. Dizia para si mesmo, como quem repete mantra para dormir em paz.

    Desde que a fazenda funcione, não vou me meter em frescura de vela. A omissão dele era o chão firme, onde a maldade de Amélia pisava sem medo de cair. E durante anos, esse arranjo funcionou até que a cera mirou no rosto errado. Num fim de tarde comum, uma travessa de louça cara escorregou das mãos trêmulas de Tomé, escravizado mais velho, e caiu no chão da cozinha.

    O som do impacto foi seco, final. Vidro se estilhaçando em mil pedaços que espalharam brilho pelo ladrilho. Amélia ouviu o estrondo e veio voando, vestido claro arrastando no chão, rosto já endurecido antes mesmo de chegar. Essa travessa veio da corte. A voz dela cortou o ar. Você sabe quanto vale isso, negro inútil? Tomé, de joelhos, tentava juntar os cacos com as mãos tremendo.

    Perdão, senhor. Minha mão escorregou. Eu não. Ela não deixou ele terminar. Filó, segura o braço dele. Filó, que estava arrumando pano de prato do outro lado da cozinha, congelou por um segundo. Depois obedeceu como sempre. segurou o braço de Tomé com força suficiente para impedir que ele se mexesse.

    A vela grossa já estava acesa na mesa. Amélia pegou, inclinou devagar e a cera começou a escorrer. Primeiro uma gota, depois outra, depois um fio contínuo, grosso, que desceu pela pele enrugada do braço de Tomé como rio de fogo. O grito dele rasgou a cozinha. O corpo inteiro se contorceu, querendo escapar da mão que o prendia, mas Filó segurou firme.

    O cheiro de pele queimada subiu no ar, misturado com o cheiro doce da cera. Amélia soltou o braço dele só quando achou suficiente. Pronto, agora você não esquece mais de segurar direito. Tomé caiu de joelhos, chorando baixo, abraçando o próprio braço. De longe, encostada na porta que dava pro corredor, Luzia assistiu tudo em silêncio. Sentiu o cheiro.

    Sentiu no próprio corpo a memória das próprias cicatrizes acordando. engoliu seco e voltou pro estava fazendo, fingindo que não tinha visto nada. No corredor, o coronel passou, viu a cena de relance, Tomé no chão, Amélia guardando a vela, Filó limpando as mãos no avental.

    Ele parou por meio segundo, depois entrou no escritório e trancou a porta. Aquele clique da fechadura ecoou mais alto que o grito de Tomé. Quando a gente pensa em tortura, a imagem que vem na cabeça é de chicote, de tronco, de ferro quente marcando pele. Mas a verdade é que a violência mais devastadora nem sempre vem do instrumento mais óbvio. Às vezes ela vem de uma vela.

    O que Amélia fazia não era reconhecido como tortura pela sociedade da época. Era visto como castigo doméstico, coisa de mulher. educação de escravo, pequeno demais para ser levado a sério, íntimo demais para ser questionado. E é exatamente isso que torna esse tipo de violência tão perigosa. Quando a crueldade é transformada em rotina, em gesto banal, em ritual quase feminino, vela, cera, sala de costura, ela escapa do radar moral.

    Ninguém intervém porque parece pequeno demais. Ninguém denuncia porque acontece dentro de casa e a vítima sozinha com a dor acaba acreditando que aquilo realmente é só uma marquinha. Mas não é. Queimadura de cera deixa cicatriz permanente. A pele não volta ao que era. A marca fica. E cada vez que a pessoa olha pro próprio braço, revive a humilhação, a impotência, o medo. Isso tem nome na psicologia, trauma cumulativo.

    Não é um evento único e brutal. é a repetição de pequenas violências que somadas destróem a sensação de segurança, de dignidade, de humanidade. E quando o agressor transforma isso em ritual, sempre a mesma frase, sempre o mesmo cheiro, sempre a mesma dinâmica, a vítima passa a viver em estado de alerta permanente. Luzia media distância de vela.

    Zeca calculava onde a Sinhá estava antes de entrar numa sala. Tomé tremia toda vez que ouvia o som de pavio queimando, porque o corpo aprende. Ser quente não é só uma marquinha, é controle, é desumanização, é lembrete diário de que você não é dono nem da própria pele. E o mais cruel, quem aplica esse tipo de violência raramente sente culpa.

    Amélia não achava que estava torturando. Achava que estava educando, disciplinando, colocando cada um no seu lugar. Ela via os escravizados como objetos que precisavam ser moldados. E a cera era a ferramenta perfeita. Deixava a marca visível, mas não estragava o corpo pro trabalho. Esse é o sadismo doméstico. Violência disfarçada de cuidado, crueldade vendida como pedagogia.

    E funciona porque ninguém de fora enxerga como crime até que a cera caia no lugar errado. Você percebe o que essa gota de cera faz? Não é só a pele de uma criança queimar. É a máscara da casa grande rachando na frente de todo mundo. Coloca nos comentários: “Em que momento para você o coronel deixou de ser só omisso e virou também culpado? O estalo veio de onde ninguém esperava.

    Num dia aparentemente comum, uma parente distante da família veio visitar a fazenda. Mulher idosa, viúva, cheia de modos e comentários sobre tudo. Zeca foi chamado para levar uma bandeja de café até a sala onde as senhoras conversavam. Entrou quieto, como sempre, pés descalços fazendo barulho suave no açoalho. Colocou a bandeja na mesinha de centro, deu dois passos para trás e fez uma reverência leve.

    como Luzia tinha ensinado. A visitante, vendo o menino sorrir educado, soltou um comentário que caiu num ambiente como pedra em vidro. Mas que menino bonito, sen a Amélia tem os olhos meio parecidos com os do coronel, não tem? O mundo parou. O sorriso de Amélia congelou no rosto. Os dedos apertaram o lenço bordado que segurava no colo. O olhar antes educado virou faca apontada pro menino.

    Zeca sentiu o peso daquele silêncio, mas não entendeu. Abaixou a cabeça e saiu rápido da sala. Amélia forçou um sorriso fino e respondeu com voz controlada: “Criança mesti sempre puxa um traço ou outro, não é? Coisa do acaso. Mas por dentro a frase martelava sem parar. Tem os olhos meio parecidos com os do coronel.

    Aquilo que todo mundo fingia não ver tinha acabado de ser dito em voz alta, na frente de visita, na frente dela. E o pior era verdade. A partir daquele dia, Amélia começou a mirar em Zeca com uma intensidade nova. Não era mais só desprezo, era algo mais profundo, mais pessoal. Era ódio misturado com humilhação, ciúme misturado com racismo.

    Ela via no menino a prova viva da traição do marido. Via a beleza dele como afronta. Via o jeito como os outros escravos tratavam o garoto com carinho e isso a enraivecia ainda mais. Começou com pequenas violências. Chamava o menino de atrevido sem motivo. Mandava refazer tarefas que já estavam feitas. Dava tapas na nuca fingindo que era brincadeira.

    Falava perto dele sobre [ __ ] que se acha e escravo que esquece o lugar. Luzia via tudo e o medo crescia dentro dela como planta venenosa. Ela conhecia aquele padrão, conhecia o jeito como Amélia escolhia um alvo e ia apertando aos poucos, como quem aperta nó até sufocar. e sabia que mais cedo ou mais tarde assim a ia passar do tapa para cera.

    Mas o que Luzia não sabia era que dessa vez Amélia não queria marcar um braço, queria marcar o rosto. Numa tarde abafada, com o sol ainda alto, mas já inclinando pro fim do dia, Amélia mandou preparar a sala dela. Fechou as janelas, acendeu um castiçal com três velas grossas, dispensou os outros criados, chamou Só Filó e mandou Luzia enviar o menino.

    Quando Luzia ouviu a ordem, sentiu o estômago virar. Assim tá chamando Zeca Luzia. A criada que trouxe o recado falou baixo, quase com pena. Luzia fechou os olhos por um segundo, respirou fundo, depois chamou o filho. Zeca, assim, quer você na sala dela. O menino largou o pano que estava dobrando e foi sem fazer pergunta.

    Ele tinha aprendido cedo. Quando assim a chama não se hesita. Luzia ficou parada no corredor, mãos apertadas uma na outra, coração batendo descompassado. Algo estava errado. Ela sentia no corpo inteiro. Dentro da sala, Amélia a esperava sentada numa cadeira alta, com as costas retas e as mãos cruzadas no colo.

    As três velas queimavam sobre a mesa, enchendo o ambiente com aquele cheiro doce e enjoativo que Luzia conhecia tão bem. Zeca entrou, parou a alguns passos de distância. Amélia olhou para ele de cima a baixo, devagar, como quem examina objeto para decidir se vale a pena consertar ou jogar fora. Me diz uma coisa, Zeca.

    Você se acha bonito? O menino piscou confuso. Não sei se há. Eu só sou eu. Ela sorriu. Mas não era sorriso de alegria, era sorriso de quem já decidiu o que vai fazer. Pois tem muita gente por aí achando você bonito demais, falando que você tem olho bonito, cara. A voz dela ficou mais fria. [ __ ] que começa a se achar, esquece o lugar. E eu não vou deixar isso acontecer.

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    Amélia pegou uma das velas, colocou um pires embaixo e começou a inclinar devagar. Vem mais perto. Zeca deu um passo, depois outro. O corpo inteiro em alerta, mas sem saber exatamente do quê. Filó, parada ao lado, sentiu a mão tremer. Ela sabia o que vinha a seguir.

    Já tinha visto aquela cena dezenas de vezes, mas nunca com criança, nunca mirando no rosto. Amélia segurou o queixo de Zeca com força. Os dedos brancos afundaram na pele escura, imobilizando a cabeça do menino. Ele tentou recuar, mas não conseguiu. Filó, segura o braço dele. Filó hesitou por uma fração de segundo. Hesitou, depois obedeceu.

    Suas mãos seguraram o braço fino de Zeca e ela sentiu o corpo dele tremer. Sentiu o medo dele subindo pela pele como febre. Amélia inclinou a vela. A cera começou a escorrer, formando uma gota gorda na ponta. Vou te dar um presente para você nunca esquecer que essa cara não te faz melhor que ninguém aqui dentro.

    A gota cresceu, balançou, ficou a milímetros do olho de Zeca e foi nesse exato momento que a porta se abriu. Coronel Batista vinha pelo corredor irritado, remoendo contas que não fechavam, pensando em safra e em dívida. Quando passou perto da sala da esposa, ouviu a voz dela atravessando a porta entreaberta. Quero ver se algum branco ainda vai dizer que você tem a cara do coronel depois disso.

    A frase o atingiu como soco no estômago. Ele parou, virou a cabeça, empurrou a porta e viu Zeca, de olhos fechados, chorando sem chorar, com o queixo preso na mão da Simá. Filó segurando o braço do menino, dividida entre obediência e horror. Amélia com a vela inclinada, a cera quente a milímetros do rosto da criança.

    O que é isso aqui? A voz do coronel explodiu pela sala. Amélia levou um susto. A mão deu uma mexida brusca. A vela chacoalhou e a gota de cera caiu. Atingiu a bochecha de Zeca perto do olho. O menino gritou, um grito pequeno, rasgado, de dor pura. Luzia, que tinha vindo correndo pelo corredor ao ouvir o grito do marido, chegou na porta e viu o filho com a mão no rosto, a pele vermelha, a lágrima misturada com cera, e viu pela primeira vez o coronel não como patrão, mas como homem em choque.

    “Você ficou doida, Amélia?”, ele gritou. Voz tremendo entre fúria e algo parecido com medo. “Vai queimar o rosto do menino?” Ela soltou o queixo de Zeca e se levantou, jogando veneno na resposta. Menino mestiço tem que ter marca, Batista. Assim, ninguém confunde com gente da família. Ela deu um passo em direção ao marido.

    Ou você prefere que o povo continue olhando para ele e dizendo que tem sua cara? A frase derrubou o castelo de silêncio que o coronel tinha construído durante anos. Naquele segundo, tudo veio à tona. Amélia escancarou que sabia da paternidade. Os escravos, parados na porta, entenderam que a farça tinha acabado e o próprio Batista teve que se olhar por dentro. Ele viu ali não só a crueldade da esposa, viu sua própria covardia diante dela, todos os gritos de cera que tinha fingido não ouvir, todo o braço queimado que tinha deixado acontecer por conveniência, toda a omissão vestida de não vou me meter. Tudo isso explodiu

     

    naquele rosto de criança manchado de cera. Batista saiu da sala em passos duros, atravessou o corredor e se trancou no escritório. Ficou ali sozinho, com as mãos apoiadas na mesa, a respiração pesada, o peito apertado. Na cabeça, as imagens voltavam uma atrás da outra. O braço de Tomé vermelho, a pele enrugada, grudada de cera, o grito dele rasgando a cozinha e ele Batista passando pelo corredor, vendo de relance, trancando a porta, as cicatrizes nos braços de Luzia, marcas que ele via todos os dias e fingia que não via, os gritos que atravessavam

    paredes sempre abafados, sempre longe o suficiente para ele fingir que eram coisa pequena. E agora o rosto do filho, a marca perto do olho, a prova viva de que cada porta que ele fechou era permissão para que a crueldade continuasse. Se ele não fizesse nada agora, se deixasse passar mais essa, a culpa seria dele para sempre.

    Não a culpa difusa de quem não sabia, mas a culpa clara, consciente de quem viu e escolheu não ver. Ele abriu a porta e gritou pro corredor: “Chamem o feitor. Juntem os escravos no terreiro. É agora. Tem uma pergunta que atravessa essa história como espinho enfiado na carne.

    Quando é que o coronel deixou de ser só omisso e virou culpado?” A resposta é dura, mas precisa ser dita desde o primeiro grito que ele ouviu e ignorou. Na psicologia existe um conceito chamado efeito espectador. Quanto mais gente testemunha violência sem intervir, mais fácil fica para cada pessoa se convencer de que não é minha responsabilidade.

    Mas no caso do coronel, a coisa é pior, porque ele não era só espectador. Ele era o dono da casa, o homem com mais poder ali dentro, a única pessoa que podia ter parado Amélia sem sofrer consequência nenhuma. e escolheu não fazer nada. Toda vez que fechava a porta do escritório, ao ouvir um grito, ele reforçava a violência.

    Toda vez que via um braço queimado e desviava o olhar, ele dava permissão para que aquilo continuasse. A omissão dele era o chão, onde a crueldade de Amélia pisava firme. E o mais grave, ele não era omisso por ignorância. Ele sabia o que estava acontecendo. Só fingia que não via porque era conveniente.

    Porque intervir significaria criar atrito com a esposa. Significaria assumir que dentro da própria casa, sob o próprio teto, estava acontecendo algo errado. Significaria olhar no espelho e ver que tipo de homem ele realmente era. Então ele escolheu a disson cognitiva. Eu sou um homem de ordem, mas não vou me meter em frescura de vela. Até que a cera mirou no filho dele. Aí, de repente a frescura virou intolerável.

    Não porque ele descobriu que tortura é errada, mas porque a vítima dessa vez espelhava ele. E isso revela algo brutal sobre como funciona a empatia seletiva. A dor alheia só se torna real quando atinge alguém que a gente reconhece como parte de si. Enquanto eram braços de escravos quaisquer sendo queimados, o coronel conseguia dormir em paz.

    Mas quando foi o rosto do próprio filho, o corpo que carregava o sangue dele, aí sim a máscara caiu. E a cicatriz de Zeca, pequena, brilhante, perto do olho, virou mais que marca de queimadura. Virou prova material da culpa do pai. Porque cada vez que Batista olhasse para aquele rosto, ia lembrar. Ele podia ter impedido isso anos atrás.

    Podia ter parado na primeira vez que ouviu um grito. Podia ter protegido todos os corpos que Amélia marcou com cera, mas só agiu quando a dor tocou nele. No terreiro da fazenda, o tronco foi montado sob o sol inclemente da tarde. A cenzala inteira foi convocada. Feitores vieram. Gente da casa parou o que estava fazendo.

    Até alguns curiosos da vila, atraídos pelo burburinho, se aproximaram das cercas. Era rotina ver negro amarrado ali. O que ninguém esperava era quem o coronel apontou primeiro. Amarra aá. O mundo pareceu parar de girar. Os murmúrios cessaram. O vento sumiu. Até as cigarras pararam de cantar. Amélia arregalou os olhos, o rosto perdendo a cor por baixo do pó de arroz.

    “Você enlouqueceu, Batista!”, ela gritou, a voz aguda rasgando o silêncio. “Eu sou sua esposa”. Ele deu um passo em direção a ela e a voz que saiu foi de homem que não ia recuar. E você quase cegou uma criança por ciúme. E não foi qualquer criança, foi meu filho. A bomba explodiu. Zeca, no colo de Luzia, chorava baixinho, a mão ainda cobrindo a bochecha queimada.

    Os escravos se entreolharam, alguns sentindo vontade de sorrir, mas o medo era grande demais para deixar qualquer alegria vazar. O coronel não parou, apontou pro feitor, depois paraa Amélia. Amarra agora. O feitor hesitou, olhando pros lados, procurando alguém que dissesse que aquilo era loucura. Mas o coronel repetiu mais alto: “Eu disse: Amarra”. Dois homens avançaram, seguraram Mélia pelos braços.

    Ela debateu, gritou, chamou o marido de covarde, de traidor, de louco, mas foi levada até o tronco. As mãos brancas, acostumadas a segurar leque e vela, foram amarradas na madeira áspera. E então o coronel virou pro outro lado da sala. “Amarra essa aí também”, apontou para Filó.

    Filó, que tinha ficado paralisada perto da porta, sentiu as pernas fraquejarem. Eu só obedecia, coronel. A voz dela saiu fina, desesperada. Eu só fazia o que assim a mandava. Mas já era tarde. Ela também foi levada, amarrada ao lado de Amélia. Ver duas mulheres, uma senhora branca e uma criada de quarto, presas no tronco, foi uma imagem que ninguém ali tinha visto. O ar vibrava.

    Os escravos sentiam algo estranho subindo pela espinha. Não era exatamente alegria, porque alegria era perigosa demais, mas era algo parecido com justiça, torta, imperfeita, mas real. O coronel encarou o pátio inteiro, a voz firme cortando o silêncio. Toda vez que essa mulher derramou cera em negro nessa fazenda, eu virei a cara. Fingi que não vi.

    Deixei acontecer porque era mais fácil do que enfrentar. Ele respirou fundo, o peso da própria culpa esmagando o peito. Hoje ela vai sentir um pouco do que fez e todos vocês vão ver que pela primeira vez a dor tá passando pro outro lado. Mandou bater. O feitor confuso levantou o braço, mas a mão tremia.

    O chicote desceu, não como desce em corpo negro, não com a força brutal do costume. Desceu com hesitação, com medo de marcar demais a pele branca, mas desceu. Amélia gritou. Não era grito de dor física. O golpe tinha sido fraco. Era grito de humilhação, de raiva, de algo mais profundo e corrosivo, deshonra pública. Você tá me deshonrando diante dessa gentalha. Ela berrou o rosto vermelho, os olhos injetados de ódio.

    “Minha família vai saber disso. Você vai se arrepender.” O coronel deu um passo à frente, a voz saindo mais baixa, mais cortante. Minha deshonra foi ter deixado você mandar nessa casa como mandou. Hoje quem vê isso aqui é Deus. E essa gente que você queimou com sua cera. Mas golpes desceram. Amélia gritava. Filó chorava.

    Os escravos assistiam em silêncio, alguns com os olhos marejados, outros com o rosto duro, todos tentando entender o que aquilo significava. Luzia apertava Zeca contra o peito, sentindo o coração do filho bater descompassado. Quando a surra terminou, o coronel se aproximou de Amélia, ainda amarrada, o rosto molhado de suor e lágrima.

    A partir de hoje, você não é mais minha esposa. Vai voltar para casa dos seus pais, sem criado, sem escrava de companhia, sem mando nesta fazenda. Ele virou para Filó que tremia inteira. E você desce para Senzala. Gente que segura braço de irmão para outro derramar cera quente não merece o conforto da casa grande.

    Quando soltaram as duas mulheres do tronco, Amélia caiu de joelhos no chão de terra. Não porque doía, doía pouco comparado ao que ela tinha feito com tantos outros, mas porque algo dentro dela tinha se quebrado. A máscara de senhora respeitável, o poder de mandar e desmandar, o lugar social que ela achava intocável.

    Tudo isso tinha sido arrancado dela em público diante de escravos, diante de gente da vila, diante de Deus e do mundo. E ela sabia, não tinha volta. Filó foi levada para cenzá-la naquela mesma noite, ainda com as marcas do chicote nas costas, o rosto inchado de tanto chorar. Os outros escravos a receberam em silêncio. Ninguém comemorou, ninguém consolou.

    Ela tinha escolhido um lado e agora pagava o preço. Nos dias que seguiram, a fazenda Capin Seco pareceu outro lugar. Não porque tivesse mudado de verdade. O tronco continuava ali, a escravidão continuava, a violência não tinha acabado, mas algo tinha se deslocado. Uma engrenagem tinha rangido e todo mundo sentia. Amélia foi mandada de volta paraa casa dos pais numa carruagem fechada, sem despedida, sem cerimônia.

    Levou só as roupas do corpo e um baú pequeno. Nenhum criado, nenhuma joia, nenhum vestígio do poder que tinha exercido por anos dentro daquela casa. O boato da senhora amarrada no tronco correu à região, mas foi engolido pela lógica da época. Assunto de família não virava caso de justiça. O pai dela preferiu trancar a filha no quarto a enfrentar o escândalo em praça pública.

    Na casa dos pais, Amélia virou peso. Filha devolvida, mulher sem marido, sem casa, sem função. Passou os dias seguintes, trancada no quarto, recusando comida, murmurando sobre deshonra e vingança. Mas a verdade é que ninguém dava mais atenção a ela. Anos depois, no inventário do pai, ela aparece apenas como filha solteira, sem dote, sem qualquer menção à fazenda capim seco.

    A mulher da cera quente tinha sido apagada dos registros, mas as cicatrizes que deixou seguiam vivas nos corpos que marcou. Filó desceu para Senzá, carregando nos ombros mais que as marcas do chicote. Carregava o peso de ter sido cúmplice, de ter segurado braços enquanto outros queimavam, de ter trocado a solidariedade pela ilusão de proteção. Na cenzala, ninguém bateu nela, mas ninguém falava com ela também.

    Ela virou sombra, presente, mas invisível. Dormia num canto, comia sozinha, trabalhava calada. Com o tempo, Filó entendeu que castigo não é só dor física, é também o silêncio dos que poderiam ter sido seus irmãos. Zeca ficou com a cicatriz, uma marca pequena, clara, brilhando na bochecha esquerda, perto do olho. De longe, quase não se via. De perto era impossível não notar.

    Luzia cuidou daquele rosto com compressas frias, rezas baixinhas e beijos onde a pele não doía. E toda vez que olhava pra cicatriz, pensava algo estranho. Amélia tinha tentado marcar o filho para diminuí-lo, para apagar a beleza dele, para destruir a semelhança com o pai. Mas a marca tinha feito o contrário.

    Tinha forçado o segredo a sair, tinha feito a máscara da Casagrande cair, tinha obrigado o coronel a escolher e pela primeira vez ele tinha escolhido proteger o filho em vez de fingir que ele não existia. A cicatriz era prova de dor, mas também era prova de verdade. Zeca continuou listado como peça nos inventários da fazenda, sem alforria, sem mudança formal de status, mas na prática sua vida deslizou para um lugar estranho, suspenso entre dois mundos.

    Dormia num quartinho apertado construído entre a casa grande e a cenzala, nem dentro, nem fora. Servia café mais perto da varanda do que dos canaviais. Usava roupa um pouco melhor que a dos outros e sentia nos olhos dos brancos e dos negros o incômodo de quem não sabe em que lado da linha colocar um corpo. Os brancos da região olhavam com desconfiança.

    Filho reconhecido, mas escravo. Os escravizados olhavam com distância, irmão de sangue, mas protegido pelo Senhor. Zeca cresceu nesse limbo, carregando no rosto a marca que o separava de todos e que ao mesmo tempo, o definia. Luzia continuou trabalhando dentro da casa grande. Nada mudou oficialmente.

    Elas ainda era escrava, ainda servia, ainda obedecia. Mas algo tinha mudado por dentro. Pela primeira vez, ela tinha visto o sistema tremer, tinha visto a cera virar pro outro lado, tinha visto que mesmo num mundo construído em cima de violência, às vezes uma gota é suficiente para rachar tudo. E começou a acreditar, nem que fosse só um pouquinho, que o silêncio não era a única forma de proteger o filho, que existir não precisava ser sempre se encolher, que talvez um dia aquela cicatriz pudesse virar outra coisa. O coronel Batista assumiu Zeca publicamente como filho. Não deu

    liberdade, não mudou a condição do menino de escravo para livre, não aboliu nada, mas disse em voz alta diante da fazenda inteira que aquele era seu sangue. E prometeu mais para si mesmo do que para qualquer um, que ninguém mais encostaria fogo naquele rosto. Foi uma promessa pequena, individual, limitada. Não salvou ninguém além de Zeca.

    Não mudou a estrutura, não libertou Luzia, mas naquele momento dentro daquela casa, foi o máximo que o sistema permitiu rachar. Anos depois, já mais velho, com o cabelo grisalho e as costas curvadas, Batista às vezes ficava parado na varanda olhando Zeca trabalhar no pátio. Via a cicatriz brilhar ao sol e lembrava. Lembrava da porta do escritório que trancou enquanto ouvia gritos.

    Lembrava do braço de Tomé queimado, do olhar de Luzia pedindo proteção silenciosa de todos os corpos que ele deixou marcar, porque era mais fácil não ver. carregou pro resto da vida o peso de saber que podia ter feito aquilo antes, que podia ter impedido a primeira queimadura, que podia ter protegido todos os corpos que Amélia marcou, mas só agiu quando a dor tocou nele.

    E essa culpa, essa marca invisível que nenhuma cera conseguia desenhar, era a única coisa que ele não conseguia apagar. Naquela noite, depois que todos foram dormir, Luzia ficou sozinha com Zeca no quartinho pequeno que dividiam. Ela molhou um pano limpo em água fria e pressionou de leve contra a bochecha do filho. Ele estremeceu, mas não reclamou. Dói, mãe, dói, mas vai passar.

    Zeca ficou quieto por um tempo, depois perguntou com aquela voz fina de quem ainda não entende o mundo. Assim a foi embora por minha causa? Luzia respirou fundo, escolheu as palavras com cuidado. Ela foi embora porque fez uma coisa que nem o coronel conseguiu fingir que não viu. E a cicatriz vai sumir? Luzia olhou pra marca, pequena, mas permanente. Não, essa vai ficar. Zeca abaixou a cabeça.

    Luzia segurou o queixo dele com delicadeza, tão diferente do jeito que Amélia tinha segurado, e levantou o rosto do menino até os olhos dela encontrarem os dele. Escuta bem o que eu vou te dizer, meu filho. Essa marca não te faz menor, não te faz feio, não te tira nada do que você é.

    Ela respirou fundo, sentindo as próprias cicatrizes nos braços pulsarem como lembrança viva. Eles tentaram te marcar para te lembrar do lugar, mas essa marca foi o que fez a máscara deles cair. Foi o que fez seu pai assumir você. Foi o que fez a casa inteira ver que a dor que eles causam é real. Zeca não entendeu tudo, mas entendeu o suficiente.

    Abraçou a mãe e dormiu com a cabeça no colo dela enquanto Luzia ficava acordada, olhando pela janela estreita, pensando em quantos braços tinham sido queimados em silêncio antes daquele dia. Na cenzala, os mais velhos coxixavam baixo, sentados em roda perto da fogueira fraca. Tomé estava ali mexendo o fogo devagar com um graveto, o braço marcado pela cera, nunca mais voltando a ser o que era.

    Ele não falava muito desde aquele dia, mas ouvia tudo. Demorou, mas um dia a cera virou pro lado de lá, alguém disse cuspindo no chão. É, mas o tronco ainda tá de pé. Outro respondeu, olhando pro pátio escuro. Tá, mas pelo menos hoje eles sentiram um gosto do que a gente sente todo dia. Tomé balançou a cabeça devagar, ainda mexendo o fogo.

    Não foi justiça, foi só o coronel defendendo o que é dele. Verdade, concordou uma voz mais velha, mas mesmo assim foi alguma coisa. E era verdade, não tinha sido justiça completa, não tinha sido abolição, não tinha mudado o sistema. Mas naquele dia, pela primeira vez, a violência doméstica da Casa Grande tinha sido exposta em público.

    A mulher que torturava tinha sido punida e um homem com poder tinha sido forçado a olhar paraa própria culpa. Era pouco, mas era mais do que nada. Tem uma pergunta que essa história deixa no ar e que atravessa séculos até chegar em nós. Quantos corpos precisaram ser queimados em silêncio até que uma única marca, por atingir a honra da Casa Grande, obrigasse alguém com poder a enxergar o que sempre esteve diante dele? A resposta é brutal.

    Todos os outros não contaram. Tomé queimado na cozinha? Não contou. Luzia marcada no braço. Não contou. Dezenas de escravos que passaram pela vela de Amélia ao longo dos anos não contaram. Só quando a cera caiu no rosto de Zeca, filho do Senhor, espelho do Pai, prova viva do sangue misturado, foi que o sistema entrou em colapso.

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    E isso revela algo devastador sobre como funciona a empatia e a justiça dentro de estruturas de poder. A dor só se torna inaceitável quando atinge quem importa. Enquanto eram corpos negros quaisquer, a violência era ignorada, naturalizada, chamada de educação. Mas quando foi o corpo que espelhava o Senhor, aí sim virou crime. Isso não é só coisa do passado.

    Quantas violências acontecem hoje, todos os dias, em silêncio, sem que ninguém com poder intervenha, até que a dor chegue perto o suficiente para incomodar. Quantas marcas são deixadas em corpos que ninguém vê, porque esses corpos não importam o suficiente. Quantas vezes a omissão é vestida de não é da minha conta, não quero me meter? É complicado demais.

    A história de Zeca e da Cera Quente nos lembra: “Não existe neutralidade diante da crueldade. Quando você vê e não faz nada, você não é neutro, você é cúmplice.” O coronel achava que fechar a porta do escritório o isentava, mas cada porta fechada era permissão para que a violência continuasse. Filó achava que só obedecer a protegia, mas cada braço que ela segurou a transformou em parte do sistema que a oprimia.

    E Amélia? Amélia achava que estava educando, que a dor que causava era pequena demais para ser crime. Mas toda violência começa sendo normalizada como pequena. Toda tortura começa sendo chamada de disciplina. Todo o controle começa sendo vendido como cuidado. A cera quente não era só uma marquinha, era desumanização derretida.

    Era poder exercido sobre corpos disponíveis. Era sadismo disfarçado de pedagogia. E só parou quando a marca atingiu quem não podia ser marcado. Hoje a gente olha para essa história e sente raiva, sente indignação, sente vontade de gritar que aquilo era absurdo e era. Mas também é importante a gente se perguntar, que violências normalizadas a gente ainda finge não ver? Que gritos a gente ainda abafa fechando portas? Que marcas a gente ainda acha aceitáveis, desde que não atinjam quem importa? Porque o legado da escravidão não é só cicatriz histórica, é estrutura que

    segue funcionando, adaptada, disfarçada, mas viva. E enquanto houver corpos que podem ser marcados e corpos que não podem, enquanto houver dor, que só vira crime quando atinge o lado certo da linha, a cera continua caindo. Só que agora a gente não pode mais fingir que não vê.

    Mas aqui no Ciência na Cenzala, nossa missão é outra. A gente não deixa a dor virar só marquinha. A gente lê os relatos que tentaram enterrar, desenterra os nomes que a Casagrande queimou e escuta o que os corpos marcados ainda têm para contar. Se você acredita que a verdadeira história, a que arrancaram dos livros e esconderam atrás de portas fechadas, precisa ser contada, se inscreve e vem com a gente.

    Juntos, a gente garante que essas vozes e essas cicatrizes nunca mais sejam apagadas. M.

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    MOTTA ANUNCIA CASSAÇÃO DE EDUARDO

    Um grito curto de criança ecoa dentro da casa grande. Não é grito de quem caiu, nem de quem levou tapa. É outro tipo de som. Agudo, abafado, preso na garganta, como se o ar tivesse virado vidro. Na sala fechada, três velas grossas queimam sobre a mesa.

    A luz dourada trêmula nas paredes brancas, desenhando sombras longas que dançam no teto. O cheiro no ar doce, enjoativo, cera derretida, misturada com algo mais pesado, mais visal, o cheiro de pele queimando. Zeca, 8 anos, está parado no centro da sala. O corpo pequeno treme, mas os pés não se mexem. Ele aprendeu cedo. Quando assim a chama, não se corre.

    Quando ela segura, não se debate. A mão dela aperta o queixo do menino com força suficiente para imobilizar, mas não machucar ainda. Os dedos brancos contra a pele escura parecem garras segurando presa viva. A outra mão de Amélia inclina a vela devagar, com uma calma que dói mais que pressa.

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    Cera se acumula na ponta, formando uma gota gorda, translúcida, a milímetros do rosto de Zeca. Do outro lado, Filó segura o braço do menino. A mão dela treme, quase imperceptível, mas treme. Os olhos fixos no chão, a respiração curta, o corpo dividido entre obedecer e recuar. Do pirbaixo da vela, mais sera pinga em gotas irregulares, marcando o tempo como relógio cruel.

    A porta está entreaberta. Um fio de luz vem do corredor. São de passos se aproximando. Botas pesadas no açoalho de madeira. E então, clara como faca rasgando o pano, a voz de Amélia corta o silêncio. Quero ver se alguém ainda vai dizer que você tem a cara do coronel depois disso.

    A frase chega no corredor como explosão. Os passos param. A porta se abre de vez e a gota de cera chacoalhando na ponta da vela finalmente cai. Para entender o dia em que a cera queimou o rosto de uma criança e rachou a máscara da Casagre, a gente precisa voltar alguns anos.

    Voltar pro tempo em que o cheiro de cera era tão comum na fazenda Capim Seco quanto o cheiro de café. A propriedade ficava no interior, cercada de roças alinhadas, gado gordo pastando na sombra, casa grande branca brilhando sob o sol, como se quisesse cegar quem olhasse de frente. Para quem passava pela estrada, aquilo parecia pedaço de paraíso, mas quem morava ali sabia.

    O que realmente marcava o capim seco não era a beleza da fachada, era o som dos gritos vindos de dentro e o ritual silencioso que transformava dor em rotina. No centro de tudo estava Amélia, branca, fina, cheia de renda francesa e joias herdadas. Ela parecia, para quem via de fora, uma senhora de família respeitável. Usava vestidos claros, prendia o cabelo com pentes de madre pérola, falava baixo na missa, mas os escravizados sabiam a verdade.

    Por trás da pose de dama havia uma mulher que sentia prazer em ver gente sofrer. Amélia tinha um método próprio de castigar. Não usava chicote, achava vulgar, coisa de feitor. Não gritava em público. Isso era falta de classe. O que ela fazia era pior. Transformava a violência em ritual doméstico, quase íntimo. Quando alguém a contrariava, quebrava algo. Demorava para obedecer.

    Ela não mandava pro tronco. Mandava acender uma vela grossa. Chamava a pessoa perto e com a maior calma do mundo inclinava a vela sobre a pele alheia até a caera quente escorrer devagar, grudando, queimando, marcando braço, mão, ombro, às vezes pescoço, e repetia sempre a mesma frase, como se fosse lição de catecismo. É só uma marquinha para lembrar o lugar.

     

    Os gritos ecoavam pela cozinha, pelo corredor, pela sala de costura. Mas paraa Amélia, aquilo não era crueldade, era educação, controle, poder exercido em gotas quentes, uma de cada vez. Luzia conhecia bem aquela dor. Tinha 22 anos, pele escura, mãos calejadas de tanto servir. Desde menina trabalhava dentro da casa grande, trazia água, arrumava camas, ajudava na cozinha, acalmava choro de criança branca enquanto engolia o próprio.

    Nos braços carregava cicatrizes irregulares, manchas claras, tortas, que o tempo não conseguiu apagar. Cada uma delas guardava uma memória. A primeira vez tinha sido por causa de uma gargalhada. Luzia estava na cozinha rindo alto de algo que outra escrava tinha dito quando Amélia apareceu na porta com o rosto endurecido. “Você acha que pode rir desse jeito?” A voz veio fria, cortante.

    Escrava que ri alto demais é porque não tá trabalhando o suficiente. A vela encostou no braço de Luzia. A cera desceu, a dor subiu. Desde aquele dia, Luzia aprendeu a rir para dentro, a falar baixo, a medir cada gesto, cada palavra, cada suspiro. Aprendeu que existir dentro da casa grande era andar por corda bamba esticada sobre fogo e que a qualquer momento a cera podia cair de novo.

    Luzia tinha um filho, Zeca, 8 anos, pele mais clara que a dela, olhos atentos demais pra idade, andava sempre com um pano no ombro, levando recado de um lado pro outro, servindo café, carregando cesta. Oficialmente, ele era só mais um menino nascido na cenzala, filho de escrava, destinado a repetir a vida da mãe.

    Mas quem olhava com atenção via outra coisa: o jeito de andar, o formato do rosto, um modo de olhar parecido demais com o do coronel Batista, dono da fazenda Capim Seco. Todo mundo na cenzala via, a própria Amélia via, mas a regra do jogo era clara. Ninguém falava disso em voz alta. Pro mundo, Zeca era apenas filho de Luzia. Pro coronel, naquela parte escondida que ele não deixava vir à tona, o menino era muito mais que isso.

    Batista nunca tinha assumido em palavras, mas dava sinais sem perceber. Deixava o menino circular mais perto da varanda, dava um pedaço de pão a mais, colocava para trabalhar dentro de casa em vez de mandar pro pesado da roça. Pequenos gestos que, somados, formavam confissão silenciosa, e cada um desses gestos queimava Amélia por dentro como cera fervendo.

    Ao lado de Amélia, sempre colada como sombra, estava Filó, escrava de companhia, aquela que arrumava cabelo da senhora, alinhava vestido, cheirava perfume, repetia tudo que a patroa dizia, mesmo quando era absurdo, mesmo quando era cruel. Filó aguentava humilhação, tapa, grito, tudo, só para continuar ali, longe da roça, longe da cenzala, perto da sombra fria da Casagre.

    Achava que isso a protegia, achava que obedecer a tornava diferente e de vez em quando ganhava a tarefa de ser a mão que segurava o braço de alguém enquanto a Mélia derramava cera. Com o tempo, Filó foi ficando dura por dentro. O olhar virou seco, o coração virou pedra. Ela não gostava de fazer aquilo, mas fazia.

    E cada vez que segurava um braço alheio, convencia a si mesma de que não tinha escolha, que obedecer era sobreviver, que culpa era luxo que escrava não podia ter. E no centro de tudo isso, habitando o escritório com cheiro de fumo e couro, estava o coronel Batista, homem alto, voz grossa, acostumado a mandar e ser obedecido.

    Tratava escravo como propriedade, batia quando achava necessário, mantinha a fazenda funcionando com mão de ferro. Não era homem bom, mas também não era o tipo que torturava por prazer. Para ele, violência era ferramenta, chicote, tronco, feitor, coisas que tinham função, lugar, lógica, as crueldades da esposa, porém ele preferia não ver.

    Quando ouvia um grito de cera vindo da cozinha, fechava a porta do escritório. Quando via de relance um braço queimado no corredor, desviava o olhar. Mulher tem seus modos de educar. Dizia para si mesmo, como quem repete mantra para dormir em paz.

    Desde que a fazenda funcione, não vou me meter em frescura de vela. A omissão dele era o chão firme, onde a maldade de Amélia pisava sem medo de cair. E durante anos, esse arranjo funcionou até que a cera mirou no rosto errado. Num fim de tarde comum, uma travessa de louça cara escorregou das mãos trêmulas de Tomé, escravizado mais velho, e caiu no chão da cozinha.

    O som do impacto foi seco, final. Vidro se estilhaçando em mil pedaços que espalharam brilho pelo ladrilho. Amélia ouviu o estrondo e veio voando, vestido claro arrastando no chão, rosto já endurecido antes mesmo de chegar. Essa travessa veio da corte. A voz dela cortou o ar. Você sabe quanto vale isso, negro inútil? Tomé, de joelhos, tentava juntar os cacos com as mãos tremendo.

    Perdão, senhor. Minha mão escorregou. Eu não. Ela não deixou ele terminar. Filó, segura o braço dele. Filó, que estava arrumando pano de prato do outro lado da cozinha, congelou por um segundo. Depois obedeceu como sempre. segurou o braço de Tomé com força suficiente para impedir que ele se mexesse.

    A vela grossa já estava acesa na mesa. Amélia pegou, inclinou devagar e a cera começou a escorrer. Primeiro uma gota, depois outra, depois um fio contínuo, grosso, que desceu pela pele enrugada do braço de Tomé como rio de fogo. O grito dele rasgou a cozinha. O corpo inteiro se contorceu, querendo escapar da mão que o prendia, mas Filó segurou firme.

    O cheiro de pele queimada subiu no ar, misturado com o cheiro doce da cera. Amélia soltou o braço dele só quando achou suficiente. Pronto, agora você não esquece mais de segurar direito. Tomé caiu de joelhos, chorando baixo, abraçando o próprio braço. De longe, encostada na porta que dava pro corredor, Luzia assistiu tudo em silêncio. Sentiu o cheiro.

    Sentiu no próprio corpo a memória das próprias cicatrizes acordando. engoliu seco e voltou pro estava fazendo, fingindo que não tinha visto nada. No corredor, o coronel passou, viu a cena de relance, Tomé no chão, Amélia guardando a vela, Filó limpando as mãos no avental.

    Ele parou por meio segundo, depois entrou no escritório e trancou a porta. Aquele clique da fechadura ecoou mais alto que o grito de Tomé. Quando a gente pensa em tortura, a imagem que vem na cabeça é de chicote, de tronco, de ferro quente marcando pele. Mas a verdade é que a violência mais devastadora nem sempre vem do instrumento mais óbvio. Às vezes ela vem de uma vela.

    O que Amélia fazia não era reconhecido como tortura pela sociedade da época. Era visto como castigo doméstico, coisa de mulher. educação de escravo, pequeno demais para ser levado a sério, íntimo demais para ser questionado. E é exatamente isso que torna esse tipo de violência tão perigosa. Quando a crueldade é transformada em rotina, em gesto banal, em ritual quase feminino, vela, cera, sala de costura, ela escapa do radar moral.

    Ninguém intervém porque parece pequeno demais. Ninguém denuncia porque acontece dentro de casa e a vítima sozinha com a dor acaba acreditando que aquilo realmente é só uma marquinha. Mas não é. Queimadura de cera deixa cicatriz permanente. A pele não volta ao que era. A marca fica. E cada vez que a pessoa olha pro próprio braço, revive a humilhação, a impotência, o medo. Isso tem nome na psicologia, trauma cumulativo.

    Não é um evento único e brutal. é a repetição de pequenas violências que somadas destróem a sensação de segurança, de dignidade, de humanidade. E quando o agressor transforma isso em ritual, sempre a mesma frase, sempre o mesmo cheiro, sempre a mesma dinâmica, a vítima passa a viver em estado de alerta permanente. Luzia media distância de vela.

    Zeca calculava onde a Sinhá estava antes de entrar numa sala. Tomé tremia toda vez que ouvia o som de pavio queimando, porque o corpo aprende. Ser quente não é só uma marquinha, é controle, é desumanização, é lembrete diário de que você não é dono nem da própria pele. E o mais cruel, quem aplica esse tipo de violência raramente sente culpa.

    Amélia não achava que estava torturando. Achava que estava educando, disciplinando, colocando cada um no seu lugar. Ela via os escravizados como objetos que precisavam ser moldados. E a cera era a ferramenta perfeita. Deixava a marca visível, mas não estragava o corpo pro trabalho. Esse é o sadismo doméstico. Violência disfarçada de cuidado, crueldade vendida como pedagogia.

    E funciona porque ninguém de fora enxerga como crime até que a cera caia no lugar errado. Você percebe o que essa gota de cera faz? Não é só a pele de uma criança queimar. É a máscara da casa grande rachando na frente de todo mundo. Coloca nos comentários: “Em que momento para você o coronel deixou de ser só omisso e virou também culpado? O estalo veio de onde ninguém esperava.

    Num dia aparentemente comum, uma parente distante da família veio visitar a fazenda. Mulher idosa, viúva, cheia de modos e comentários sobre tudo. Zeca foi chamado para levar uma bandeja de café até a sala onde as senhoras conversavam. Entrou quieto, como sempre, pés descalços fazendo barulho suave no açoalho. Colocou a bandeja na mesinha de centro, deu dois passos para trás e fez uma reverência leve.

    como Luzia tinha ensinado. A visitante, vendo o menino sorrir educado, soltou um comentário que caiu num ambiente como pedra em vidro. Mas que menino bonito, sen a Amélia tem os olhos meio parecidos com os do coronel, não tem? O mundo parou. O sorriso de Amélia congelou no rosto. Os dedos apertaram o lenço bordado que segurava no colo. O olhar antes educado virou faca apontada pro menino.

    Zeca sentiu o peso daquele silêncio, mas não entendeu. Abaixou a cabeça e saiu rápido da sala. Amélia forçou um sorriso fino e respondeu com voz controlada: “Criança mesti sempre puxa um traço ou outro, não é? Coisa do acaso. Mas por dentro a frase martelava sem parar. Tem os olhos meio parecidos com os do coronel.

    Aquilo que todo mundo fingia não ver tinha acabado de ser dito em voz alta, na frente de visita, na frente dela. E o pior era verdade. A partir daquele dia, Amélia começou a mirar em Zeca com uma intensidade nova. Não era mais só desprezo, era algo mais profundo, mais pessoal. Era ódio misturado com humilhação, ciúme misturado com racismo.

    Ela via no menino a prova viva da traição do marido. Via a beleza dele como afronta. Via o jeito como os outros escravos tratavam o garoto com carinho e isso a enraivecia ainda mais. Começou com pequenas violências. Chamava o menino de atrevido sem motivo. Mandava refazer tarefas que já estavam feitas. Dava tapas na nuca fingindo que era brincadeira.

    Falava perto dele sobre [ __ ] que se acha e escravo que esquece o lugar. Luzia via tudo e o medo crescia dentro dela como planta venenosa. Ela conhecia aquele padrão, conhecia o jeito como Amélia escolhia um alvo e ia apertando aos poucos, como quem aperta nó até sufocar. e sabia que mais cedo ou mais tarde assim a ia passar do tapa para cera.

    Mas o que Luzia não sabia era que dessa vez Amélia não queria marcar um braço, queria marcar o rosto. Numa tarde abafada, com o sol ainda alto, mas já inclinando pro fim do dia, Amélia mandou preparar a sala dela. Fechou as janelas, acendeu um castiçal com três velas grossas, dispensou os outros criados, chamou Só Filó e mandou Luzia enviar o menino.

    Quando Luzia ouviu a ordem, sentiu o estômago virar. Assim tá chamando Zeca Luzia. A criada que trouxe o recado falou baixo, quase com pena. Luzia fechou os olhos por um segundo, respirou fundo, depois chamou o filho. Zeca, assim, quer você na sala dela. O menino largou o pano que estava dobrando e foi sem fazer pergunta.

    Ele tinha aprendido cedo. Quando assim a chama não se hesita. Luzia ficou parada no corredor, mãos apertadas uma na outra, coração batendo descompassado. Algo estava errado. Ela sentia no corpo inteiro. Dentro da sala, Amélia a esperava sentada numa cadeira alta, com as costas retas e as mãos cruzadas no colo.

    As três velas queimavam sobre a mesa, enchendo o ambiente com aquele cheiro doce e enjoativo que Luzia conhecia tão bem. Zeca entrou, parou a alguns passos de distância. Amélia olhou para ele de cima a baixo, devagar, como quem examina objeto para decidir se vale a pena consertar ou jogar fora. Me diz uma coisa, Zeca.

    Você se acha bonito? O menino piscou confuso. Não sei se há. Eu só sou eu. Ela sorriu. Mas não era sorriso de alegria, era sorriso de quem já decidiu o que vai fazer. Pois tem muita gente por aí achando você bonito demais, falando que você tem olho bonito, cara. A voz dela ficou mais fria. [ __ ] que começa a se achar, esquece o lugar. E eu não vou deixar isso acontecer.

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    Amélia pegou uma das velas, colocou um pires embaixo e começou a inclinar devagar. Vem mais perto. Zeca deu um passo, depois outro. O corpo inteiro em alerta, mas sem saber exatamente do quê. Filó, parada ao lado, sentiu a mão tremer. Ela sabia o que vinha a seguir.

    Já tinha visto aquela cena dezenas de vezes, mas nunca com criança, nunca mirando no rosto. Amélia segurou o queixo de Zeca com força. Os dedos brancos afundaram na pele escura, imobilizando a cabeça do menino. Ele tentou recuar, mas não conseguiu. Filó, segura o braço dele. Filó hesitou por uma fração de segundo. Hesitou, depois obedeceu.

    Suas mãos seguraram o braço fino de Zeca e ela sentiu o corpo dele tremer. Sentiu o medo dele subindo pela pele como febre. Amélia inclinou a vela. A cera começou a escorrer, formando uma gota gorda na ponta. Vou te dar um presente para você nunca esquecer que essa cara não te faz melhor que ninguém aqui dentro.

    A gota cresceu, balançou, ficou a milímetros do olho de Zeca e foi nesse exato momento que a porta se abriu. Coronel Batista vinha pelo corredor irritado, remoendo contas que não fechavam, pensando em safra e em dívida. Quando passou perto da sala da esposa, ouviu a voz dela atravessando a porta entreaberta. Quero ver se algum branco ainda vai dizer que você tem a cara do coronel depois disso.

    A frase o atingiu como soco no estômago. Ele parou, virou a cabeça, empurrou a porta e viu Zeca, de olhos fechados, chorando sem chorar, com o queixo preso na mão da Simá. Filó segurando o braço do menino, dividida entre obediência e horror. Amélia com a vela inclinada, a cera quente a milímetros do rosto da criança.

    O que é isso aqui? A voz do coronel explodiu pela sala. Amélia levou um susto. A mão deu uma mexida brusca. A vela chacoalhou e a gota de cera caiu. Atingiu a bochecha de Zeca perto do olho. O menino gritou, um grito pequeno, rasgado, de dor pura. Luzia, que tinha vindo correndo pelo corredor ao ouvir o grito do marido, chegou na porta e viu o filho com a mão no rosto, a pele vermelha, a lágrima misturada com cera, e viu pela primeira vez o coronel não como patrão, mas como homem em choque.

    “Você ficou doida, Amélia?”, ele gritou. Voz tremendo entre fúria e algo parecido com medo. “Vai queimar o rosto do menino?” Ela soltou o queixo de Zeca e se levantou, jogando veneno na resposta. Menino mestiço tem que ter marca, Batista. Assim, ninguém confunde com gente da família. Ela deu um passo em direção ao marido.

    Ou você prefere que o povo continue olhando para ele e dizendo que tem sua cara? A frase derrubou o castelo de silêncio que o coronel tinha construído durante anos. Naquele segundo, tudo veio à tona. Amélia escancarou que sabia da paternidade. Os escravos, parados na porta, entenderam que a farça tinha acabado e o próprio Batista teve que se olhar por dentro. Ele viu ali não só a crueldade da esposa, viu sua própria covardia diante dela, todos os gritos de cera que tinha fingido não ouvir, todo o braço queimado que tinha deixado acontecer por conveniência, toda a omissão vestida de não vou me meter. Tudo isso explodiu

     

    naquele rosto de criança manchado de cera. Batista saiu da sala em passos duros, atravessou o corredor e se trancou no escritório. Ficou ali sozinho, com as mãos apoiadas na mesa, a respiração pesada, o peito apertado. Na cabeça, as imagens voltavam uma atrás da outra. O braço de Tomé vermelho, a pele enrugada, grudada de cera, o grito dele rasgando a cozinha e ele Batista passando pelo corredor, vendo de relance, trancando a porta, as cicatrizes nos braços de Luzia, marcas que ele via todos os dias e fingia que não via, os gritos que atravessavam

    paredes sempre abafados, sempre longe o suficiente para ele fingir que eram coisa pequena. E agora o rosto do filho, a marca perto do olho, a prova viva de que cada porta que ele fechou era permissão para que a crueldade continuasse. Se ele não fizesse nada agora, se deixasse passar mais essa, a culpa seria dele para sempre.

    Não a culpa difusa de quem não sabia, mas a culpa clara, consciente de quem viu e escolheu não ver. Ele abriu a porta e gritou pro corredor: “Chamem o feitor. Juntem os escravos no terreiro. É agora. Tem uma pergunta que atravessa essa história como espinho enfiado na carne.

    Quando é que o coronel deixou de ser só omisso e virou culpado?” A resposta é dura, mas precisa ser dita desde o primeiro grito que ele ouviu e ignorou. Na psicologia existe um conceito chamado efeito espectador. Quanto mais gente testemunha violência sem intervir, mais fácil fica para cada pessoa se convencer de que não é minha responsabilidade.

    Mas no caso do coronel, a coisa é pior, porque ele não era só espectador. Ele era o dono da casa, o homem com mais poder ali dentro, a única pessoa que podia ter parado Amélia sem sofrer consequência nenhuma. e escolheu não fazer nada. Toda vez que fechava a porta do escritório, ao ouvir um grito, ele reforçava a violência.

    Toda vez que via um braço queimado e desviava o olhar, ele dava permissão para que aquilo continuasse. A omissão dele era o chão, onde a crueldade de Amélia pisava firme. E o mais grave, ele não era omisso por ignorância. Ele sabia o que estava acontecendo. Só fingia que não via porque era conveniente.

    Porque intervir significaria criar atrito com a esposa. Significaria assumir que dentro da própria casa, sob o próprio teto, estava acontecendo algo errado. Significaria olhar no espelho e ver que tipo de homem ele realmente era. Então ele escolheu a disson cognitiva. Eu sou um homem de ordem, mas não vou me meter em frescura de vela. Até que a cera mirou no filho dele. Aí, de repente a frescura virou intolerável.

    Não porque ele descobriu que tortura é errada, mas porque a vítima dessa vez espelhava ele. E isso revela algo brutal sobre como funciona a empatia seletiva. A dor alheia só se torna real quando atinge alguém que a gente reconhece como parte de si. Enquanto eram braços de escravos quaisquer sendo queimados, o coronel conseguia dormir em paz.

    Mas quando foi o rosto do próprio filho, o corpo que carregava o sangue dele, aí sim a máscara caiu. E a cicatriz de Zeca, pequena, brilhante, perto do olho, virou mais que marca de queimadura. Virou prova material da culpa do pai. Porque cada vez que Batista olhasse para aquele rosto, ia lembrar. Ele podia ter impedido isso anos atrás.

    Podia ter parado na primeira vez que ouviu um grito. Podia ter protegido todos os corpos que Amélia marcou com cera, mas só agiu quando a dor tocou nele. No terreiro da fazenda, o tronco foi montado sob o sol inclemente da tarde. A cenzala inteira foi convocada. Feitores vieram. Gente da casa parou o que estava fazendo.

    Até alguns curiosos da vila, atraídos pelo burburinho, se aproximaram das cercas. Era rotina ver negro amarrado ali. O que ninguém esperava era quem o coronel apontou primeiro. Amarra aá. O mundo pareceu parar de girar. Os murmúrios cessaram. O vento sumiu. Até as cigarras pararam de cantar. Amélia arregalou os olhos, o rosto perdendo a cor por baixo do pó de arroz.

    “Você enlouqueceu, Batista!”, ela gritou, a voz aguda rasgando o silêncio. “Eu sou sua esposa”. Ele deu um passo em direção a ela e a voz que saiu foi de homem que não ia recuar. E você quase cegou uma criança por ciúme. E não foi qualquer criança, foi meu filho. A bomba explodiu. Zeca, no colo de Luzia, chorava baixinho, a mão ainda cobrindo a bochecha queimada.

    Os escravos se entreolharam, alguns sentindo vontade de sorrir, mas o medo era grande demais para deixar qualquer alegria vazar. O coronel não parou, apontou pro feitor, depois paraa Amélia. Amarra agora. O feitor hesitou, olhando pros lados, procurando alguém que dissesse que aquilo era loucura. Mas o coronel repetiu mais alto: “Eu disse: Amarra”. Dois homens avançaram, seguraram Mélia pelos braços.

    Ela debateu, gritou, chamou o marido de covarde, de traidor, de louco, mas foi levada até o tronco. As mãos brancas, acostumadas a segurar leque e vela, foram amarradas na madeira áspera. E então o coronel virou pro outro lado da sala. “Amarra essa aí também”, apontou para Filó.

    Filó, que tinha ficado paralisada perto da porta, sentiu as pernas fraquejarem. Eu só obedecia, coronel. A voz dela saiu fina, desesperada. Eu só fazia o que assim a mandava. Mas já era tarde. Ela também foi levada, amarrada ao lado de Amélia. Ver duas mulheres, uma senhora branca e uma criada de quarto, presas no tronco, foi uma imagem que ninguém ali tinha visto. O ar vibrava.

    Os escravos sentiam algo estranho subindo pela espinha. Não era exatamente alegria, porque alegria era perigosa demais, mas era algo parecido com justiça, torta, imperfeita, mas real. O coronel encarou o pátio inteiro, a voz firme cortando o silêncio. Toda vez que essa mulher derramou cera em negro nessa fazenda, eu virei a cara. Fingi que não vi.

    Deixei acontecer porque era mais fácil do que enfrentar. Ele respirou fundo, o peso da própria culpa esmagando o peito. Hoje ela vai sentir um pouco do que fez e todos vocês vão ver que pela primeira vez a dor tá passando pro outro lado. Mandou bater. O feitor confuso levantou o braço, mas a mão tremia.

    O chicote desceu, não como desce em corpo negro, não com a força brutal do costume. Desceu com hesitação, com medo de marcar demais a pele branca, mas desceu. Amélia gritou. Não era grito de dor física. O golpe tinha sido fraco. Era grito de humilhação, de raiva, de algo mais profundo e corrosivo, deshonra pública. Você tá me deshonrando diante dessa gentalha. Ela berrou o rosto vermelho, os olhos injetados de ódio.

    “Minha família vai saber disso. Você vai se arrepender.” O coronel deu um passo à frente, a voz saindo mais baixa, mais cortante. Minha deshonra foi ter deixado você mandar nessa casa como mandou. Hoje quem vê isso aqui é Deus. E essa gente que você queimou com sua cera. Mas golpes desceram. Amélia gritava. Filó chorava.

    Os escravos assistiam em silêncio, alguns com os olhos marejados, outros com o rosto duro, todos tentando entender o que aquilo significava. Luzia apertava Zeca contra o peito, sentindo o coração do filho bater descompassado. Quando a surra terminou, o coronel se aproximou de Amélia, ainda amarrada, o rosto molhado de suor e lágrima.

    A partir de hoje, você não é mais minha esposa. Vai voltar para casa dos seus pais, sem criado, sem escrava de companhia, sem mando nesta fazenda. Ele virou para Filó que tremia inteira. E você desce para Senzala. Gente que segura braço de irmão para outro derramar cera quente não merece o conforto da casa grande.

    Quando soltaram as duas mulheres do tronco, Amélia caiu de joelhos no chão de terra. Não porque doía, doía pouco comparado ao que ela tinha feito com tantos outros, mas porque algo dentro dela tinha se quebrado. A máscara de senhora respeitável, o poder de mandar e desmandar, o lugar social que ela achava intocável.

    Tudo isso tinha sido arrancado dela em público diante de escravos, diante de gente da vila, diante de Deus e do mundo. E ela sabia, não tinha volta. Filó foi levada para cenzá-la naquela mesma noite, ainda com as marcas do chicote nas costas, o rosto inchado de tanto chorar. Os outros escravos a receberam em silêncio. Ninguém comemorou, ninguém consolou.

    Ela tinha escolhido um lado e agora pagava o preço. Nos dias que seguiram, a fazenda Capin Seco pareceu outro lugar. Não porque tivesse mudado de verdade. O tronco continuava ali, a escravidão continuava, a violência não tinha acabado, mas algo tinha se deslocado. Uma engrenagem tinha rangido e todo mundo sentia. Amélia foi mandada de volta paraa casa dos pais numa carruagem fechada, sem despedida, sem cerimônia.

    Levou só as roupas do corpo e um baú pequeno. Nenhum criado, nenhuma joia, nenhum vestígio do poder que tinha exercido por anos dentro daquela casa. O boato da senhora amarrada no tronco correu à região, mas foi engolido pela lógica da época. Assunto de família não virava caso de justiça. O pai dela preferiu trancar a filha no quarto a enfrentar o escândalo em praça pública.

    Na casa dos pais, Amélia virou peso. Filha devolvida, mulher sem marido, sem casa, sem função. Passou os dias seguintes, trancada no quarto, recusando comida, murmurando sobre deshonra e vingança. Mas a verdade é que ninguém dava mais atenção a ela. Anos depois, no inventário do pai, ela aparece apenas como filha solteira, sem dote, sem qualquer menção à fazenda capim seco.

    A mulher da cera quente tinha sido apagada dos registros, mas as cicatrizes que deixou seguiam vivas nos corpos que marcou. Filó desceu para Senzá, carregando nos ombros mais que as marcas do chicote. Carregava o peso de ter sido cúmplice, de ter segurado braços enquanto outros queimavam, de ter trocado a solidariedade pela ilusão de proteção. Na cenzala, ninguém bateu nela, mas ninguém falava com ela também.

    Ela virou sombra, presente, mas invisível. Dormia num canto, comia sozinha, trabalhava calada. Com o tempo, Filó entendeu que castigo não é só dor física, é também o silêncio dos que poderiam ter sido seus irmãos. Zeca ficou com a cicatriz, uma marca pequena, clara, brilhando na bochecha esquerda, perto do olho. De longe, quase não se via. De perto era impossível não notar.

    Luzia cuidou daquele rosto com compressas frias, rezas baixinhas e beijos onde a pele não doía. E toda vez que olhava pra cicatriz, pensava algo estranho. Amélia tinha tentado marcar o filho para diminuí-lo, para apagar a beleza dele, para destruir a semelhança com o pai. Mas a marca tinha feito o contrário.

    Tinha forçado o segredo a sair, tinha feito a máscara da Casagrande cair, tinha obrigado o coronel a escolher e pela primeira vez ele tinha escolhido proteger o filho em vez de fingir que ele não existia. A cicatriz era prova de dor, mas também era prova de verdade. Zeca continuou listado como peça nos inventários da fazenda, sem alforria, sem mudança formal de status, mas na prática sua vida deslizou para um lugar estranho, suspenso entre dois mundos.

    Dormia num quartinho apertado construído entre a casa grande e a cenzala, nem dentro, nem fora. Servia café mais perto da varanda do que dos canaviais. Usava roupa um pouco melhor que a dos outros e sentia nos olhos dos brancos e dos negros o incômodo de quem não sabe em que lado da linha colocar um corpo. Os brancos da região olhavam com desconfiança.

    Filho reconhecido, mas escravo. Os escravizados olhavam com distância, irmão de sangue, mas protegido pelo Senhor. Zeca cresceu nesse limbo, carregando no rosto a marca que o separava de todos e que ao mesmo tempo, o definia. Luzia continuou trabalhando dentro da casa grande. Nada mudou oficialmente.

    Elas ainda era escrava, ainda servia, ainda obedecia. Mas algo tinha mudado por dentro. Pela primeira vez, ela tinha visto o sistema tremer, tinha visto a cera virar pro outro lado, tinha visto que mesmo num mundo construído em cima de violência, às vezes uma gota é suficiente para rachar tudo. E começou a acreditar, nem que fosse só um pouquinho, que o silêncio não era a única forma de proteger o filho, que existir não precisava ser sempre se encolher, que talvez um dia aquela cicatriz pudesse virar outra coisa. O coronel Batista assumiu Zeca publicamente como filho. Não deu

    liberdade, não mudou a condição do menino de escravo para livre, não aboliu nada, mas disse em voz alta diante da fazenda inteira que aquele era seu sangue. E prometeu mais para si mesmo do que para qualquer um, que ninguém mais encostaria fogo naquele rosto. Foi uma promessa pequena, individual, limitada. Não salvou ninguém além de Zeca.

    Não mudou a estrutura, não libertou Luzia, mas naquele momento dentro daquela casa, foi o máximo que o sistema permitiu rachar. Anos depois, já mais velho, com o cabelo grisalho e as costas curvadas, Batista às vezes ficava parado na varanda olhando Zeca trabalhar no pátio. Via a cicatriz brilhar ao sol e lembrava. Lembrava da porta do escritório que trancou enquanto ouvia gritos.

    Lembrava do braço de Tomé queimado, do olhar de Luzia pedindo proteção silenciosa de todos os corpos que ele deixou marcar, porque era mais fácil não ver. carregou pro resto da vida o peso de saber que podia ter feito aquilo antes, que podia ter impedido a primeira queimadura, que podia ter protegido todos os corpos que Amélia marcou, mas só agiu quando a dor tocou nele.

    E essa culpa, essa marca invisível que nenhuma cera conseguia desenhar, era a única coisa que ele não conseguia apagar. Naquela noite, depois que todos foram dormir, Luzia ficou sozinha com Zeca no quartinho pequeno que dividiam. Ela molhou um pano limpo em água fria e pressionou de leve contra a bochecha do filho. Ele estremeceu, mas não reclamou. Dói, mãe, dói, mas vai passar.

    Zeca ficou quieto por um tempo, depois perguntou com aquela voz fina de quem ainda não entende o mundo. Assim a foi embora por minha causa? Luzia respirou fundo, escolheu as palavras com cuidado. Ela foi embora porque fez uma coisa que nem o coronel conseguiu fingir que não viu. E a cicatriz vai sumir? Luzia olhou pra marca, pequena, mas permanente. Não, essa vai ficar. Zeca abaixou a cabeça.

    Luzia segurou o queixo dele com delicadeza, tão diferente do jeito que Amélia tinha segurado, e levantou o rosto do menino até os olhos dela encontrarem os dele. Escuta bem o que eu vou te dizer, meu filho. Essa marca não te faz menor, não te faz feio, não te tira nada do que você é.

    Ela respirou fundo, sentindo as próprias cicatrizes nos braços pulsarem como lembrança viva. Eles tentaram te marcar para te lembrar do lugar, mas essa marca foi o que fez a máscara deles cair. Foi o que fez seu pai assumir você. Foi o que fez a casa inteira ver que a dor que eles causam é real. Zeca não entendeu tudo, mas entendeu o suficiente.

    Abraçou a mãe e dormiu com a cabeça no colo dela enquanto Luzia ficava acordada, olhando pela janela estreita, pensando em quantos braços tinham sido queimados em silêncio antes daquele dia. Na cenzala, os mais velhos coxixavam baixo, sentados em roda perto da fogueira fraca. Tomé estava ali mexendo o fogo devagar com um graveto, o braço marcado pela cera, nunca mais voltando a ser o que era.

    Ele não falava muito desde aquele dia, mas ouvia tudo. Demorou, mas um dia a cera virou pro lado de lá, alguém disse cuspindo no chão. É, mas o tronco ainda tá de pé. Outro respondeu, olhando pro pátio escuro. Tá, mas pelo menos hoje eles sentiram um gosto do que a gente sente todo dia. Tomé balançou a cabeça devagar, ainda mexendo o fogo.

    Não foi justiça, foi só o coronel defendendo o que é dele. Verdade, concordou uma voz mais velha, mas mesmo assim foi alguma coisa. E era verdade, não tinha sido justiça completa, não tinha sido abolição, não tinha mudado o sistema. Mas naquele dia, pela primeira vez, a violência doméstica da Casa Grande tinha sido exposta em público.

    A mulher que torturava tinha sido punida e um homem com poder tinha sido forçado a olhar paraa própria culpa. Era pouco, mas era mais do que nada. Tem uma pergunta que essa história deixa no ar e que atravessa séculos até chegar em nós. Quantos corpos precisaram ser queimados em silêncio até que uma única marca, por atingir a honra da Casa Grande, obrigasse alguém com poder a enxergar o que sempre esteve diante dele? A resposta é brutal.

    Todos os outros não contaram. Tomé queimado na cozinha? Não contou. Luzia marcada no braço. Não contou. Dezenas de escravos que passaram pela vela de Amélia ao longo dos anos não contaram. Só quando a cera caiu no rosto de Zeca, filho do Senhor, espelho do Pai, prova viva do sangue misturado, foi que o sistema entrou em colapso.

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    E isso revela algo devastador sobre como funciona a empatia e a justiça dentro de estruturas de poder. A dor só se torna inaceitável quando atinge quem importa. Enquanto eram corpos negros quaisquer, a violência era ignorada, naturalizada, chamada de educação. Mas quando foi o corpo que espelhava o Senhor, aí sim virou crime. Isso não é só coisa do passado.

    Quantas violências acontecem hoje, todos os dias, em silêncio, sem que ninguém com poder intervenha, até que a dor chegue perto o suficiente para incomodar. Quantas marcas são deixadas em corpos que ninguém vê, porque esses corpos não importam o suficiente. Quantas vezes a omissão é vestida de não é da minha conta, não quero me meter? É complicado demais.

    A história de Zeca e da Cera Quente nos lembra: “Não existe neutralidade diante da crueldade. Quando você vê e não faz nada, você não é neutro, você é cúmplice.” O coronel achava que fechar a porta do escritório o isentava, mas cada porta fechada era permissão para que a violência continuasse. Filó achava que só obedecer a protegia, mas cada braço que ela segurou a transformou em parte do sistema que a oprimia.

    E Amélia? Amélia achava que estava educando, que a dor que causava era pequena demais para ser crime. Mas toda violência começa sendo normalizada como pequena. Toda tortura começa sendo chamada de disciplina. Todo o controle começa sendo vendido como cuidado. A cera quente não era só uma marquinha, era desumanização derretida.

    Era poder exercido sobre corpos disponíveis. Era sadismo disfarçado de pedagogia. E só parou quando a marca atingiu quem não podia ser marcado. Hoje a gente olha para essa história e sente raiva, sente indignação, sente vontade de gritar que aquilo era absurdo e era. Mas também é importante a gente se perguntar, que violências normalizadas a gente ainda finge não ver? Que gritos a gente ainda abafa fechando portas? Que marcas a gente ainda acha aceitáveis, desde que não atinjam quem importa? Porque o legado da escravidão não é só cicatriz histórica, é estrutura que

    segue funcionando, adaptada, disfarçada, mas viva. E enquanto houver corpos que podem ser marcados e corpos que não podem, enquanto houver dor, que só vira crime quando atinge o lado certo da linha, a cera continua caindo. Só que agora a gente não pode mais fingir que não vê.

    Mas aqui no Ciência na Cenzala, nossa missão é outra. A gente não deixa a dor virar só marquinha. A gente lê os relatos que tentaram enterrar, desenterra os nomes que a Casagrande queimou e escuta o que os corpos marcados ainda têm para contar. Se você acredita que a verdadeira história, a que arrancaram dos livros e esconderam atrás de portas fechadas, precisa ser contada, se inscreve e vem com a gente.

    Juntos, a gente garante que essas vozes e essas cicatrizes nunca mais sejam apagadas. M.

  • FLÁVIO BOLSONARO É ABANDONADO AO VIVO POR LÍDERES DA DIREITA E ALEXANDRE AVANÇA COM PRlSÃO DELE!!

    FLÁVIO BOLSONARO É ABANDONADO AO VIVO POR LÍDERES DA DIREITA E ALEXANDRE AVANÇA COM PRlSÃO DELE!!

    E tivemos aí humilhação pública do senor Flávio Bolsonaro. Olha, como eu falei aqui anteriormente, saiu pela culatra o tiro aí do Bolsonaro de indicar o Flávio à presidência da República para ali obrigar o centrão ou enfim, a direita bandida a apoiar o a anistia do Bolsonaro. E aí com esse apoio da anistia aí depois o Bolsonaro apoiaria o Tarcío, que é o candidato aí da direita.

    Pois bem, esse era o plano mira bolante aí do Bolsonaro, mais um plano que deu errado. Eu falei: “Olha, o Bolsonaro achou que ele tinha uma carta na manga, só que primeiro, a carta na manga dele é a pior possível. Segundo, todo mundo sabe que ele não pode usar essa carta e ir até o fim nisso. Explico.

    O Flávio Bolsonaro não vai ser candidato à presidência de jeito nenhum, porque ele perdendo, e ele vai perder, obviamente, ele também perde o cargo de de senador, porque o mandato dele acaba agora em 2026. Se ele ficar sem furo privilegiado, ele sabe que ele vai preso. Preso. Além de perder a teta, de perder a teta, onde ele mama muito.

    Bolsonaro e Michelle dão "chapéu" na medida extrema de Moraes

    Vamos lembrar, ele virou senador. Ele que morava ali numa num apartamento lá no Rio de Janeiro. Ele está morando numa mansão que na época valia uns R$ 15 milhões deais, hoje já vale uns 20. É ali que tá morando o Flávio Bolsonaro numa mansão de três andares fora o subsolo com garagem para 10 carros com uma piscina só piscina da mansão do Flávio Bolsonaro é maior do que a casa de 99 o apartamento de 99% dos brasileiros.

    Ele tá esfregando na cara das pessoas o quanto que ele tá roubando como senador. Alguém acha que ele vai largar essa teta para ser preso? Não vai, né? Não vai. Pois bem, então todo mundo sabe que ele não vai levar a cabo isso aí. Para piorar, ele deu uma declaração aí no domingo em pânico, já com a pressão que tava sofrendo, dizendo que a candidatura dele tinha um preço. Aí ferrou.

    Aí ferrou. Saiu matéria aí na Globo de que aliados do Bolsonaro viram a fala dele como desastrosa, tá? Desastrosa a fala do Flávio dizendo que a candidatura tinha um um preço. Por quê? Porque, pô, pera aí, você faz uma, você faz uma, um anúncio aí, depois você já recua, fala: “Não, eu tenho um preço tenho preço.

    ” Aliados de Bolsonaro vem fala de Flávio como desastrosa. OK. Para piorar, aconteceu o que eu disse aqui que aconteceria. Os bandidos aí da direita, chamado centrão, eles eles não vão apoiar a candidatura do Flávio. Eles vão com tudo é para cima do Bolsonaro. Então, não vai ter nada de anistia. Inclusive saiu uma outra, uma outra jornalista da Globo falou, né, porque a Globo está, a Globo News está extremamente em cima desse assunto, porque isso mexe na possível candidatura do Tarciso.

     

    Tarciso é o candidato oficial da Globo. Eles nem escondem o quanto eles são ali Tarcío. Então eles são assim, caramba, caramba, caramba. Os maiores patrocinadores da Globo News são empresas do mercado financeiro. O camarote da Globo News, ele é casado com a com a CEO, a presidenta do da XP, que é a maior corretora aí do mercado financeiro do Brasil.

    Aí você fala: “Meu, é muito mercado financeiro a Globo News”. E aí você vê o que acontece. Vamos lá com vocês aqui outra informação da GL. Chama atenção os telefonemas e isso pode ser uma resposta a parte do silêncio que a gente viu. Quem recebeu o telefonemas da Faria Lima? Gilberto Cassabe, presidente do PSD, o próprio Tarcísio de Freitas, eh, Marcos Pereira, presidente do Republicano, Ciro Nogueira, presidente do PP.

    Quer dizer, nomes em parte deles que vão se reunir com Flávio Bolsonaro hoje. E a gente vai ter que ver o que sai disso. Mas a pressão muito grande é deixar essa candidatura morrer para tentar seguir numa construção que é improvável que tenha o apoio de Jair Bolsonaro. Primeiramente, a primeira coisa aí que você, a Globo não vai falar é que você vê como esses deputados eles são eles são ali pagos pelos barões da Faria Lima.

    Ó, receberam ligações da Faria Lima. Quer dizer, os bilionários do Brasil dão a ordem pros seus deputados de estimação, seus deputados de aluguel. Esses deputados não estão ali nunca defendendo o povo brasileiro. Eles estão defendendo os interesses dos bilionárias que os pagam, que quando acontece alguma coisa, ligam para eles dizendo que eles têm que fazer.

    Você percebeu como é aberto isso no Brasil e como a imprensa normaliza? Você não viu nenhum daqueles jornalistas depois indignado falando: “Caramba, elas estão aqui presidentes de três partidos, elas estão presidente da Câmara dos Deputados, só gente que tá mandando no Brasil”, ela citou. “E esses caras recebem ligações de banqueiros, de empresários bilionários para dizer o que eles têm que fazer.

    Que coisa normal!” El fala: “Nossa Senhora”. Nossa Senhora. E eu aqui que sempre uso aí como um dos modelos, não é? modelo exato de desenvolvimento à China, em que os empresários é quem respondem ao governo, que é um país socialista. O governo é quem manda os empresários que eles podem, não podem fazer. No Brasil é o oposto, vai imprensa normaliza, né? Que ele eles é quem mandam no pessoal e fala que coisa, né? Que coisa.

    E ainda querem colocar o Tarciso, que também é um dos empregados desses empresários, como presidente, porque hoje eles têm o o presidente ao Lula, eles não podem mandar no Lula. Olha só que coisa você vê, né? Nunca é pelo povo. Tá bom. A segunda coisa é você viu, é o que eu falei aqui antes, o que eu já tinha adiantado antes da Globo, hein? Vão deixar a candidatura do Flávio morrer, minguar.

    Por quê? Porque eles sabem que ele não vai ser candidato. É aquele cara que acha que tá abafando e tal, fala: “Eu tenho uma carta na manga”. Ele solta a carta dele, eu tenho zap aqui, ó. Pá truco. E aí o zap dele é simplesmente a pior carta do jogo. Todo mundo fala: “Pô, meu, mas até o cara que tinha pior carta tem uma carta melhor que a sua”.

    É, esse era o seu truco aí. Você trocou errado, hein? Trocou bem errado. Aí, ó. Reveja as regras do jogo antes de você tentar trucar assim. Eh, porque tá ruim, viu? Tá ruim. Deu ruim aí pro Flávio Bolsonaro. Aí, lembra que ela falou a reunião, eles vão se reunir hoje com o Flávio Bolsonaro? Pois bem, eu te mostro como é que foi a reunião.

    Como é que foi a reunião reunião do Flávio Bolsonaro? Líderes do Centrão não atendem convite e esvaziam reunião com Flávio Bolsonaro apenas de de todo mundo. Ele convocou aí eh mais de cinco líderes aí de P convocaram convocou o presidente do Partido Progressista, Ciro Nogueira, convocou o Hugo Mota, convocou o presidente do Senado, convocou o do União Brasil que é o Rueda até agora, exceto aí o Hugo Mota, todos os outros estão ligados direta ou indiretamente com facções criminosas, né? Assim como o Flávio convocou o Valdemar Costa Neto do

     

    PL, convocou o presidente do Republicanos que é o Marcos Pereira que é o partido do Tarcísio e do Hugo Mota. E aí sabe o que aconteceu? Chegou lá, Flávio, chegou lá e tal, todo pomposo. Olha só, câmeras da TV, vejam aqui como eu sou presidenciável. Já já eu falo o que aconteceu quando ele chegou lá.

    Primeiro eu quero que eu quero te mostrar o tamanho da arrogância do Flávio, do Eduardo e o tamanho do desprendimento da realidade em que eles estão, tá? Esse aqui é um post que o Eduardo Bolsonaro compartilhou. O post tá em inglês, é feito por uma das contas aí do gabinete do áudio deles. Eu vou traduzir aqui pro português o post.

    É um post bem feito, aquele cara de extrema direita. No fim do posto tem umas fotos do Flávio, do Bolsonaro, liberdade e é uma loucura, tá? Eu eu já te adianto, é uma loucura esse post aqui. Vê se você consegue pausar para ler. Tem tem muita sombra aqui, reflexo no celular, mas tenta pausar para ler aí.

    Mas eu vou ler para você. Flávio Bolsonaro acabou de jogar xadrez 4D e o establishment o sistema não viu isso acontecer. Em um cenário político repleto de presidentes de papel machê, fantoches tecnocráticos e manipuladores socialistas, uma frase ousada detonou Brasília essa semana. Libertem todos os presos políticos e eu desistirei da corrida presidencial.

    Flávio Bolsonaro não apenas lançou um desafio, ele bombardeou a narrativa. Primeiro vamos esclarecer as coisas. Flávio nunca deveria ter estado na cédula eleitoral, ou seja, ele não seria o candidato. Ele era o plano B depois que o regime prendeu seu pai por um golpe que ele nunca cometeu. O único golpe na história mundial em que tanques não entraram em ação, blá blá blá blá.

    Os mercados entraram em pânico. A moeda oscilou porque nada aterroriza mais os financistas globais do que um Bolsonaro que se recusa a ceder. Mas é a resposta de Flávio pura malícia estratégica. Talvez eu nem me candidate. Aquilo não foi uma retirada. É, essa era a única coisa que a esquerda brasileira detestava mais do que o próprio bolsonarismo.

    A mensagem era clara: “Se vocês querem que eu saia da disputa, libertem os presos políticos. Isso inclui o homem que vocês mais temem, Jair Messias Bolsonaro. Isso não é barganha, é jogo de risco. É o primeiro candidato conservador em anos a forçar o sistema, a reconhecer que o Brasil tem presos políticos encarcerados não por crimes, mas por ousarem opor ao regime.

    Eu não consigo ler isso de maneira séria, tá? Olha, olha o nível que eles estão. É uma loucura. Aí quando você eh escuta isso, depois que eu te falei que a ordem lá da Faria Lima, dos financistas globais foi deixar a candidatura dele morrer, porque eles sabem que ele não vai levar a cabo a candidatura, porque ele não vai querer perder o furo privilegiado.

    Aí fica mais engraçado ainda. Quando você se lembra do que eu falei nos vídeos anteriores de que o Alexandre de Morais, no despacho dele, ele estou dois amigos do Flávio Bolsonaro, amigos diretos, inclusive um que tá preso por contato aí com por ligações por lavar dinheiro para o comando vermelho, que é o advogado Carracena, o advogado Carracena se hospeda na mansão do Flávio quando vai a Brasília e o Flávio se hospeda na mansão dele quando vai ao Rio de Janeiro.

    Aí você fala: “O qu? Os caras são muito amigos, o cara tá preso. Vai chegar no Flávio a investigação contra as facções criminosas. Tá com o Alexandre de Moraes e ele tá indo com tudo para cima do Flávio. E eu ainda falei no último vídeo que teu assunto falei a resposta à candidatura dele vai ser Polícia Federal.

    Essa vai ser a resposta que ele vai ter. Não vai ser anistia, não. Vai ser polícia federal. Esse pessoal não vai recuar. Aí voltamos aqui que ainda tem texto, tá aí, ó. Flávio está fazendo que a time da direita nunca ousou, transformando sua candidatura em um ariet. Parlamentares conservadores já estão analisando propostas de anestia. A esquerda está abalada.

    Com a gente tá abalado. Imagino você aí assistindo o vídeo também deve estar super abalado ou abalada também. Realmente, olha, causou dor a candidatura do falar: “Tá doendo a barriga de Tanti.” Ele pode até renunciar à presidência, mas somente se conquistar algo muito maior. Bolsonaro libertado, dissidentes libertados, a narrativa de perseguição política desfeita.

    Isso não é perder, é reescrever o conselho. Flávio acaba de dizer ao Brasil: “Eu não preciso de poder, preciso de justiça”. Pô, vamos ver se ele leva isso aí a cabo. Vamos ver se ele leva isso aí a cabo. Aí o que que sai aí em matérias em diferentes veículos de imprensa? Eu li um pouco de um, de outro, de outro. Aí você vai, pega recortes ali, né? Porque sempre tem que lembrar, quando sai alguma coisa num veículo de imprensas, tem que ver quem é a fonte do jornalista e qual é o interesse da fonte por trás daquela notícia ser publicada. Porque às

    vezes a fonte tá mentindo pro jornalista. se jornalista sabe que é mentira ou que a possibilidade de mentira é de 90%, mas fala: “Pô, se eu colocar isso aqui no no na página inicial do Globo, do Metrópolis, vai dar clique, vai tá lá na CO notícias mais lidas, quando eu chegar lá na redação, o chefe de redação vai me dar um aperto de mão, vai me dar um abraço.

    ” É isso que o jornalista pensa, sabendo que é mentira eles publicam. E aí o que que dizem? Você pega o quarto de um de outro, você consegue ali a realidade. É por isso que aqui no Plantão Brasil a gente acerta tanto, porque a gente vai pegando o o que é verdade de um, o que não é, qual é a intenção.

    Às vezes a gente a gente até sabe quem é a fonte de de determinada notícia. Você já falei isso aqui várias vezes. Aí o que foi pegou o seguinte, o pessoal do Centão tá aproveitando essa candidatura do Flávio, porque agora eles falam: “Pô, já que a gente não vai ter apoio do do Bolsonaro, a gente vai construir uma candidatura aqui sem apoio do Bolsonaro.

    A hora que ele precisar retirar a candidatura, porque ele vai ser candidato ao Senado, sim ou sim, não tem possibilidade do Flávio não ser candidato ao Senado, que ele não vai soltar a teta, a não ser que ele se se fuja do Brasil antes. É a única chance ele fugir do Brasil antes, igual fez o Eduardo. Largue o mandato e fuja. É a única chance.

    Se a acontecer aí eh dele ficar mantendo a candidatura, a gente vai construir a nossa candidatura aí, que é a Globo chama de centro, mas é uma candidatura de extrema direita, tá? O Ratinho Júnior é extrema direita, o Jorginho Melo é extrema direita, o Caiado é extrema direita, o Tarciso de Freitas é muito extrema direita. Esse pessoal é nazifascista, eles são da pior espécie.

    Cláudio Castro também é muito extrema direita. Isso não é presidenciável, vai ser candidato ao Senado no Rio de Janeiro, tá? Aí você fala: “Epa, que coisa!” Então eles vão construir essa candidatura e quando chegar lá na frente vão falar pro Flávio: “Ó, a gente já tem uma candidatura aqui, já tá com chance aí, ó, tá nas pesquisas, você tira a sua e você apoia 100% a nossa.

    Depois que a gente ganhar, se ganhar, aí a gente vê o que faz lá na frente, tá? Senão não. Ah, mas você quer anistamin em troca? Pô, que coisa! Todo mundo quer muita coisa, mas as pessoas não têm tudo o que querem, né? O pessoal do da direita mesmo, eles queriam que o Lula não fosse candidato para eles terem chance de ganhar do Lula, mas eles não tem tudo o que quer.

    Eles queriam, olha, que o Lula explodisse. Vamos lembrar quando o Lula bateu a cabeça, lembra que o Lula bateu a cabeça, teve traumatismo ucraniano, a bolsa de valores subiu, disparou depois da notícia. Isso são esses urubus do mercado financeiro mostrando a gente quer que o Lula morra, mas eles não têm tudo o que querem. Tem, não tem.

    Por que Bolsonaro insiste no impedimento de Alexandre de Moraes, mesmo com  derrota certa

    Então você vê que eles tentam, tentam, tentam, mas os planos deles não dão muito certo. Porém tem um um núcleo político ali que os planos deles estão sempre errados. E é o núcleo político do Bolsonaro. Imagina os filhos do Bolsonaro pensando igual nesse textinho aí que eu te li. Nem li até o final, tá? Depois fica tanta que você nem lê até o final.

    Aí eu imagino ele se pensando que estou jogando xadrez 4D e agora eu dei um cheque mat quádruplo em todos os, se você já viu o xadrez 4D, são quatro tabuleiros, né? Aí em todos os tabuleiros isso foi um cheque mate, ó, humilhante, agora ganhei. E na verdade ele não sabe nem jogar dama. Acho que jogar dama ele vai mexer a pecinha errada. Esse é o nível aí do do pessoal.

    Deu ruim aí pro Flávio Bolsonaro. Ah, o que que aconteceu, Thiago, com a reunião que ele teve? Pois é, a reunião ficou vazia, não foi ninguém, só foi o Valdemar Costa Neto, porque é do partido dele. E o Valdemar tem que ir, né, do partido. Se o Bolsonaro aqui indicou o Flávio, o Valdemar tem que agradar o Bolsonaro.

    Os outros não foram, eles nem foram à reunião, tá? É esse aí que esse aí é o que aconteceu. Então veja, já deu ruim a candidatura do Flávio. Pessoal do lá do do chamado centrão, né? Esse pessoal aí da direita deve est assim, pô, rindo igual a gente falando. Deixa o Flávio aí manter a candidatura dele. Vamos ver.

    É igual deixar no meio do oceano um cara que não sabe nadar. Essa é a candidatura do Flávio. Porque ele saber que ele precisa ser candidato ao Senado, senão ele vai preso, tá? Porque o Alexandre de Moraes e eh ele é relator ali, a Polícia Federal vai atrás, vai pegar o Flávio, vai pegar a prova, vai vai ferrar o Flávio, mas não pode prendê-lo porque ele é senador.

    Se prender, tem uma votação igual teve votação para soltar aí o Rodrigo Bacelar e a Comissão de Constituição e Justiça lá da da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro já votou para soltar o cara, porque tem que ter uma votação porque gente de direita não fica presa no Brasil, porque tem votação e soltam o cara sempre.

    Mas ele vai solto, mas já já tá afastado, com contas bloqueadas, com tornozeleira, com isso, aquilo, todos os tudo, todas as medidas restritivas que você puder imaginar. É isso. E no caso do Flávio, ele pode até ser candidato aí ao Senado a uma reeleição e tal, mas ou manter aí não ser preso até o fim da do mandato dele. Mas se ele não for candidato ao Senado, o que vai acontecer é que ele vai ficar sem foro privilegiado e aí ele vai preso.

    Se ele for candidato ao Senado, aí demora um pouquinho mais, porque ele vai ter que ser processado e aí quando ele for condenado, é direto no STF, porque ele tem foro privilegiado, aí ele se torna inelegível e aí ele vai preso. Aí demora um pouquinho mais para ele ser preso. Essa é a única diferença, tá? Então veremos aí o que acontecerá.

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  • ELE chegou para ser apenas UM ESCRAVO, mas conquistou o coração da SINHÁ VIRGEM.

    ELE chegou para ser apenas UM ESCRAVO, mas conquistou o coração da SINHÁ VIRGEM.

    Um barão português entregou a própria esposa a cinco homens escravizados. O motivo era cruel. Ela não conseguia ter filhos e ele queria um herdeiro a qualquer custo. Mas o que esses cinco homens fizeram mudou tudo. Trataram-na com respeito, como uma irmã, mostrando bondade onde ela esperava brutalidade.

    E a decisão que ela tomou depois abalou toda a sociedade portuguesa da época. Esta é a história real que aconteceu em Portugal durante o período da escravatura e o final vai surpreender vocês completamente. Fiquem até o fim, porque essa história precisa ser conhecida. Era o ano de 1783. Em Portugal, a escravatura ainda era realidade, embora já começasse a haver vozes questionando a moralidade dessa prática horrível.

    Nas grandes propriedades do sul do país, especialmente no Alentejo, muitos nobres e barões ainda mantinham homens e mulheres escravizados trabalhando nas suas terras. A quinta do Vale Dourado era uma dessas propriedades. Ficava nos arredores de Évora, uma vasta extensão de terras férteis com olivais, vinhedos e campos de trigo. Pertencia ao Barão Francisco de Souza e Melo, um homem de 45 anos, rico, poderoso e absolutamente obsecado com uma única coisa, ter um herdeiro homem para continuar o nome da família.

    O problema era que a esposa dele, a baronesa Catarina de Souza e Melo, não conseguia engravidar. Levavam 12 anos de casamento e nada. Catarina tinha 32 anos. Era uma mulher bonita, de feições delicadas, cabelos castanhos sempre presos em penteados elaborados, olhos verdes que um dia foram alegres, mas que agora carregavam tristeza profunda.

    Nos primeiros anos de casamento, Francisco ainda tinha paciência, mas conforme o tempo passava e não vinha bebé nenhum, a pressão aumentava, a família dele cobrava, os amigos faziam comentários maldosos. A sociedade começava a sussurrar que o Barão de Souza e Melo morreria sem deixar herdeiros. Francisco consultou todos os médicos de Lisboa e Évora, trouxe curandeiras, herboristas, até uma mulher que dizia ter poderes especiais. Nada funcionava.

    Catarina bebia chás horríveis, fazia rezas intermináveis, submetia-se a tratamentos dolorosos e humilhantes, mas continuava sem engravidar. A relação entre os dois foi azedando. Francisco, que no início do casamento era relativamente gentil com Catarina, tornou-se frio e distante. Culpava-a abertamente pela falta de filhos.

    Dizia que ela era defeituosa, que tinha falhado no único dever importante de uma esposa. Catarina ouvia tudo em silêncio, a vergonha e a dor crescendo dentro dela. Na quinta do Vale Dourado, trabalhavam cerca de 20 pessoas escravizadas. A maioria vinha de África, trazida nos navios negreiros, que ainda operavam, apesar das crescentes críticas.

    Trabalhavam de sol a sol nos campos, nas vinhas, nos olivais. Viviam em condições miseráveis, numa cenzala nos fundos da propriedade. Entre esses homens escravizados, cinco destacavam-se. O primeiro chamava-se Thomás. Tinha 38 anos. Era alto e forte como um carvalho. Tinha sido capturado em Angola quando tinha 20 anos. Arrancado da família e da aldeia, vendido como animal.

    Trabalhava principalmente nos campos de trigo. Era considerado o melhor trabalhador da quinta. O segundo era João, 35 anos, de Moçambique. Tinha conhecimentos de ervas medicinais que aprendera com a mãe antes de ser capturado. Na quinta, quando algum dos outros escravizados adoecia, era João quem tratava deles às escondidas, já que o Barão não gastava dinheiro com cuidados médicos para escravos. O terceiro chamava-se Miguel, tinha 30 anos, viera de Cabo Verde.

    Era o mais silencioso dos cinco. Falava pouco, mas tinha olhos inteligentes que observavam tudo. Sabia ler e escrever, coisa rara entre os escravizados, porque tinha sido criado na casa de um senhor que o ensinou antes de vendê-lo. O quarto era Antônio, 28 anos, também de Angola.

    era o mais jovem dos cinco e tinha um espírito que a escravatura ainda não tinha conseguido quebrar completamente. Cantava enquanto trabalhava histórias da terra dele, canções que faziam os outros se lembrarem de que já tinham sido livres um dia. E o quinto era Pedro, 33 anos de Guinébal. tinha cicatrizes profundas nas costas de açoitamentos antigos, mas os olhos dele ainda brilhavam com dignidade.

    Era ele quem mantinha a esperança viva entre os escravizados, dizendo que um dia seriam livres, que Deus não tinha esquecido deles. Esses cinco homens eram próximos, dormiam na mesma área da cenzala, dividiam a comida escassa, protegiam uns aos outros quando podiam. eram como irmãos, unidos pelo sofrimento compartilhado e pela esperança de dias melhores.

    Numa noite de inverno de 1783, o Barão Francisco tomou uma decisão que chocaria até os padrões baixos da época. Estava desesperado por um herdeiro. Os médicos tinham examinado tanto ele quanto Catarina e concluíram que ambos eram férteis. Então, o problema devia ser alguma incompatibilidade entre os dois. Francisco teve uma ideia horrível.

    Se a esposa dele não conseguia engravidar dele, então precisava engravidar de outra pessoa. Mas ele não podia permitir que ela se deitasse com outro nobre. Isso seria escândalo imenso. Então pensou nos escravos. Eram propriedade dele.

    Se algum deles engravidasse Catarina, o filho tecnicamente ainda seria dele, já que os escravos lhe pertenciam. Chamou Catarina ao escritório e explicou o plano. Ela ficou horrorizada. implorou que não fizesse aquilo, mas Francisco foi inflexível. Escolheu os cinco homens mais fortes e saudáveis da quinta. Tomás, João, Miguel, Antônio e Pedro. Disse que Catarina passaria tempo com eles até engravidar. Catarina chorou, implorou, rezou, mas não tinha escolha.

    Era propriedade do marido tanto quanto os escravos eram. Não tinha direitos, não tinha voz. tinha que obedecer ou seria mandada para um convento e Francisco arranjaria outra esposa. Numa noite fria de janeiro, Francisco mandou levar Catarina até a Senzala.

    Os cinco homens foram separados dos outros e trancados com ela numa pequena divisão nos fundos. Francisco deu ordens claras. Ela ficaria ali até engravidar. Os homens deviam fazer o que fosse necessário. Depois trancou a porta por fora e foi embora. Dentro daquela divisão miserável, iluminada apenas por uma lamparina fraca, Catarina estava petrificada de medo. Encolheu-se num canto tremendo, esperando o pior.

    Os cinco homens ficaram parados, também em choque com a situação. Foi Tomás quem falou primeiro. A sua voz era profunda, mas surpreendentemente gentil. Minha senhora, não precisa ter medo de nós. Não vamos tocar em si. Catarina olhou para ele com os olhos arregalados, sem entender. Os outros quatro acenaram em concordância. Pedro deu um passo à frente.

     

    O que o seu marido está a fazer é errado. Nós somos muitas coisas, mas não somos monstros. Não vamos forçar nenhuma mulher, não importa o que nos ordenem. João tirou o casaco rasgado que usava e estendeu para Catarina. Está com frio. Tome e cubra-se. Vamos arranjar uma forma de sair desta situação sem que ninguém seja prejudicado.

    Catarina pegou o casaco com mãos trêmulas, ainda sem acreditar no que estava a ouvir. Passou a vida inteira a ouvir que os escravos eram selvagens, perigosos, sem moral. Mas ali estavam cinco homens a tratá-la com mais respeito e bondade do que o próprio marido alguma vez tratara. Miguel, o que sabia ler e escrever, sentou-se no chão a uma distância respeitosa. Precisamos pensar. O barão vai esperar que a senhora engravide.

    Quando isso não acontecer, vai querer saber porquê. Temos de arranjar uma história que proteja todos. Durante aquela primeira noite, os seis conversaram. Catarina contou sobre os anos de casamento infeliz, sobre a pressão constante para ter filhos, sobre como se sentia como um fracasso. Os cinco homens ouviram com compaixão. Depois eles contaram as histórias deles.

    Tomás falou sobre a aldeia em Angola, onde nascera, sobre a família que nunca mais viu. João descreveu a mãe que o ensinara sobre plantas medicinais. Miguel contou sobre o Senhor que o tratara relativamente bem até perdê-lo numa aposta de cartas. Antônio cantou baixinho uma canção da terra dele.

    Pedro falou sobre a esposa e os filhos que tinha deixado para trás, sem saber se ainda estavam vivos. Catarina ouviu tudo com lágrimas nos olhos. Pela primeira vez via os escravizados não como propriedade ou ameaça, mas como pessoas. Pessoas com histórias, famílias, sonhos, dores, pessoas que tinham sido arrancadas das suas vidas e forçadas a servir em terras estranhas.

    “O que o meu marido está a fazer convosco, comigo, com todos aqui, é monstruoso”, disse ela finalmente. “Sinto muito, sinto muito por fazer parte disto, por ter vivido todos estes anos sem questionar”. Pedro sorriu com tristeza. “A senhora também é prisioneira, minha senhora.

    Só que a sua prisão tem cortinas de seda e comida farta. Mas continua a ser prisão. Passaram aquela noite e os dias seguintes naquela divisão. Francisco mandava comida uma vez por dia, empurrada por baixo da porta. Não vinha verificar o que estava a acontecer lá dentro. Provavelmente não queria saber dos detalhes, apenas queria o resultado. Durante essas semanas, Catarina e os cinco homens tornaram-se próximos de uma forma que nenhum deles esperava.

    Conversavam durante horas. Os homens tratavam-na com respeito e gentileza, como se fosse uma irmã. Protegiam-la do frio, dividiam a comida escassa, contavam histórias para distraí-la. E Catarina, pela primeira vez na vida adulta, sentia-se verdadeiramente valorizada, não pela beleza, não pela capacidade de dar filhos, mas simplesmente por ser quem era.

    Os cinco homens ouviam as opiniões dela, riam das piadas dela, tratavam-na como igual, apesar de todas as diferenças de classe e cor. Foi durante a terceira semana que Catarina percebeu algo surpreendente. Estava a de apaixonar-se por Pedro, o homem de 33 anos com cicatrizes nas costas e olhos cheios de dignidade. Ele falava sobre liberdade com tanta paixão, sobre justiça com tanta convicção, que ela não conseguia deixar de admirá-lo. E Pedro também sentia algo por ela.

    Via além da baronesa rica e privilegiada. via uma mulher presa numa vida que não escolhera, obrigada a cumprir expectativas impossíveis, tratada como objeto pelo próprio marido. Não declararam os sentimentos abertamente nas primeiras semanas, mas havia olhares que duravam um pouco mais, mãos que se tocavam acidentalmente e não se afastavam imediatamente.

    Conversas sussurradas à noite quando os outros dormiam. Os outros quatro perceberam o que estava a acontecer. Tomás, o mais velho, puxou Pedro de lado um dia. Cuidado, irmão. Isto pode ser perigoso para ambos. Pedro assentiu. Eu sei, mas não consigo evitar o que sinto. Após seis semanas naquela divisão, Francisco finalmente abriu a porta, olhou para Catarina com expectativa e então, está grávida. Catarina, que tinha ensaiado esta mentira com os cinco homens, baixou os olhos. Não sei ainda, meu senhor.

    É cedo demais para ter certeza. Francisco rosnou de frustração. Mais duas semanas, então. Se não houver resultado, tentamos de outra forma. Trancou-os novamente. Mas agora Catarina tinha um plano. Durante as semanas anteriores, Miguel tinha ensinado ela a ler melhor, a escrever com caligrafia diferente. João ensinara sobre as ervas que cresciam na propriedade e como usá-las.

    Tomás explicara os melhores caminhos para sair da quinta sem ser visto. Antônio ensinara canções em línguas africanas. que poderiam servir como código. E Pedro, Pedro ensinara sobre coragem. Catarina decidira. Ia ajudar os cinco homens a fugir e ia fugir com eles. O que vocês fariam no lugar de Catarina? Deixem nos comentários.

    Duas semanas depois, quando Francisco voltou, Catarina estava preparada. Tinha fingido sintomas de gravidez que João lhe ensinara a simular. Náuseas, tonturas, sensibilidade a cheiros. Francisco, que não sabia nada sobre gravidezes reais, acreditou, deixou Catarina sair da Senzala e voltar para a casa principal. Estava satisfeito. Finalmente teria o herdeiro. Não importava qual dos cinco escravos era o pai.

    O importante era que a criança levaria o nome dele, mas Catarina não estava grávida e não tinha intenção de continuar naquela farça por muito tempo. Começou imediatamente a executar o plano que tinham elaborado. Primeiro precisava de dinheiro.

    começou a roubar pequenas quantias do escritório de Francisco, algumas moedas de ouro aqui, umas notas ali, nada que ele notasse imediatamente, mas que somado daria o suficiente para seis pessoas sobreviverem alguns meses. Segundo, precisava de documentos. Miguel tinha ensinado ela a falsificar cartas de alforria. Catarina praticou a caligrafia de Francisco durante semanas, roubou o selo oficial dele, conseguiu os papéis certos, criou cinco cartas de alforria falsas, libertando Tomás, João, Miguel, Antônio e Pedro. Terceiro, precisava de um plano de fuga.

    Tomás tinha dito que havia um barco que saía de Lisboa para o Brasil todas as semanas. Se conseguissem chegar até lá e embarcar, estariam salvos. O Brasil ainda tinha escravidão, mas era um país enorme, onde seria fácil desaparecer e começar vida nova. Durante três meses, Catarina fingiu estar grávida.

    Usava roupas mais largas, reclamava de enjoos, pedia comidas estranhas. Francisco acreditava em tudo. Estava radiante, já planeava a festa de batizado. Mas à noite, quando todos dormiam, Catarina descia até a Cenzala, conversava com os cinco homens através de uma janela, passava informações, coordenava o plano e ficava a longos momentos apenas olhando para Pedro. Os dois sabendo que o que sentiam era impossível, mas real.

    Finalmente chegou a noite da fuga. Era início de maio. Lua nova, escuridão total. Catarina tinha preparado tudo. Tinha roubado roupas de homem para ela se disfarçar. Tinha as cartas de alforria falsas. Tinha o dinheiro. Tinha comprado passagens para o barco usando um nome falso. À meia-noite desceu até a cenzala. Os outros escravizados estavam a dormir. Os cinco homens estavam acordados esperando.

    Catarina abriu o cadeado com a chave que tinha roubado semanas antes. “Vamos”, sussurrou. “temos de chegar a Lisboa antes do amanhecer”. Saíram silenciosamente da quinta. Tomás guiava. Conhecia todos os caminhos. Caminharam durante horas pela escuridão, atravessando campos, evitando estradas principais. Catarina nunca tinha caminhado tanto na vida.

    Os pés sangravam dentro dos sapatos, mas não reclamou. Quando o sol começou a nascer, estavam já longe. Pararam para descansar numa pequena mata. Catarina dividiu o pão e o queijo que tinha trazido. Os seis comeram em silêncio, exaustos, mas também exaltados. Tinham conseguido a parte mais difícil. Chegaram a Lisboa três dias depois.

    A cidade era enorme, barulhenta, cheia de gente, perfeita para se esconder. Catarina tinha cortado o cabelo, vestia roupas de homem, fingia ser um jovem senhor a viajar com os seus servos libertos. Encontraram uma hospedaria barata perto do porto. O barco para o Brasil sairia em dois dias. Tinham que esperar sem serem descobertos. Foi difícil. Lisboa estava cheia de agentes que caçavam escravos fugidos, mas as cartas de alforria falsas ajudaram.

    Quando alguém perguntava, Catarina mostrava os documentos, dizia que tinha libertado os cinco homens por bons serviços prestados. Ninguém suspeitava que a própria baronesa estava ali disfarçada. Na última noite antes do embarque, Catarina e Pedro finalmente ficaram sozinhos. Tinham alugado dois quartos na hospedaria. Ela ficava num e os cinco homens dividiam o outro. Mas naquela noite, Pedro bateu na porta dela.

    “Precisamos conversar”, disse ele quando ela abriu, “sobre o que vai acontecer quando chegarmos ao Brasil”. Entraram no quarto, ficaram parados um de frente para o outro, o ar pesado com tudo o que não tinham dito durante meses. “Eu amo-te”, disse Catarina finalmente. “Sei que é loucura. Sei que a sociedade nunca vai aceitar, mas não consigo negar o que sinto. Pedro deu um passo à frente.

    Também te amo desde a primeira noite naquela divisão, quando vi a tua coragem, a tua bondade, mas tens de ter certeza, Catarina. Se ficares comigo, vais perder tudo. Título: Riqueza, posição social, vai ser pária. Catarina segurou as mãos dele. Já perdi tudo quando decidi fugir e ganhei algo muito mais valioso.

    Liberdade e amor verdadeiro. É tudo o que preciso. Beijaram-se pela primeira vez naquela noite. E foi como nada que Catarina alguma vez tinha experimentado. Não era o dever frio do casamento com Francisco. Era paixão, era ternura, era conexão verdadeira entre duas almas que se reconheciam. No dia seguinte, os seis embarcaram no barco para o Brasil. Catarina usava o nome falso de Carlos Silva.

    Os cinco homens usavam os nomes verdadeiros, agora livre, segundo as cartas falsas. A viagem duraria quase dois meses. Enquanto isso, em Évora, o barão Francisco descobriu a fuga, ficou furioso, mandou homens procurarem por toda a região, ofereceu recompensas enormes, mas Catarina e os cinco homens tinham desaparecido sem deixar rasto. Francisco tentou manter tudo em segredo.

    disse aos conhecidos que Catarina tinha ido para Lisboa tratar de assuntos de família, mas os criados falavam, os rumores espalhavam-se. Logo toda Évora sabia que a baronesa tinha fugido com cinco escravos. O escândalo foi enorme. As famílias nobres falavam em tom chocado. A igreja condenava.

    Diziam que Catarina estava possuída, louca, corrompida. Francisco tornou-se motivo de chacota, o homem que não conseguiu manter nem a esposa, nem os escravos. No barco para o Brasil, Catarina e os outros planejavam o futuro. Tomás queria comprar terra e plantar. João queria abrir uma pequena botica com as ervas medicinais. Miguel queria ensinar crianças a ler e escrever.

    Antônio queria cantar profissionalmente. Pedro queria trabalhar numa imprensa, escrever sobre liberdade e justiça. E Catarina. Catarina só queria estar livre. Livre do casamento opressor, livre das expectativas impossíveis, livre para amar quem escolhesse, livre para ser ela mesma. Chegaram ao Rio de Janeiro em julho de 1783.

    A cidade era caótica, enorme, fervilhante, perfeita para recomeçar. Alugaram uma casa pequena em Botafogo, longe do centro onde os portugueses ricos viviam. Catarina, Pedro e os outros quatro finalmente viviam como pessoas livres. Trabalhavam duro, construíam vidas novas. Tomás conseguiu emprego numa fazenda que tratava os trabalhadores dignamente. João abriu a botica com as economias que tinham.

    Miguel começou a dar aulas para crianças pobres. Antônio cantava em tavernas e Pedro conseguiu emprego numa imprensa pequena que publicava panfletos contra a escravatura. Descobriu que tinha talento para escrever.

    Começou a publicar artigos sobre liberdade, sobre dignidade humana, sobre como a escravatura era imoral e precisava acabar. Catarina e Pedro casaram-se numa cerimônia simples, só com os outros quatro presentes. Não era casamento reconhecido pela lei ou pela igreja, mas era real para eles. Prometeram amor, respeito, parceria, tudo que o casamento anterior de Catarina nunca tinha tido. Tiveram três filhos ao longo dos anos, duas meninas e um menino. Crianças mestiças que cresceram livres, educadas, amadas.

    Catarina, que tinha passado 12 anos sem conseguir engravidar de Francisco, descobriu que o problema nunca tinha sido dela. Era a atenção, a infelicidade, o corpo dela recusando-se a trazer criança para aquela situação horrível. Mas com Pedro, numa relação baseada em amor e respeito, o corpo dela finalmente permitiu.

    Catarina chorou de alegria quando segurou o primeiro filho, não porque precisava de herdeiro para agradar marido, mas porque era fruto do amor verdadeiro. Os anos passaram. A vida no Brasil não era fácil. Havia preconceito contra casamentos mistos. Havia perigo constante de serem descobertos, especialmente nos primeiros anos. Mas estavam juntos, livres. construindo algo bonito. Os cinco homens mantiveram-se próximos como irmãos.

     

    Jantavam juntos todas as semanas, ajudavam uns aos outros nas dificuldades, celebravam as vitórias juntos e sempre se lembravam daquelas semanas na cenzala, onde a amizade deles tinha começado. Tomás casou-se com uma mulher livre brasileira. Tiveram filhos. João também casou. A esposa dele ajudava na botica. Miguel continuou solteiro, dedicado a ensinar.

    Antônio casou-se com uma cantora, formar um duo musical. Todos construíram vidas dignas. Em Portugal, o Barão Francisco nunca se recuperou do escândalo. Tentou casar de novo, mas nenhuma família nobre queria a associação com ele. Morreu sozinho e amargo aos 60 anos sem herdeiros. A quinta do Vale Dourado foi vendida para pagar dívidas. A história da baronesa que fugiu com cinco escravos, tornou-se lenda em Portugal.

    Alguns contavam com horror, como exemplo de depravação moral. Outros contavam com admiração secreta, como exemplo de coragem e rebeldia contra convenções opressivas. Mas poucos sabiam a verdade, que aqueles cinco homens não tinham tocado em Catarina, que a tinham tratado com respeito quando o próprio marido dela a tratara como objeto, que ela tinha visto humanidade onde a sociedade só via propriedade, que o amor entre ela e Pedro tinha nascido de admiração mútua e respeito.

    No Brasil, Catarina viveu até os 70 anos. Viu os filhos crescerem, casarem, terem os próprios filhos. Viu Pedro tornar-se escritor respeitado, publicando livros sobre abolição. Viu os outros quatro prosperarem de formas que nunca poderiam ter prosperado em Portugal. Quando morreu em 1821, estava rodeada pela família grande e amorosa que tinha construído.

    Pedro segurou a mão dela até o último suspiro, agradecendo por ela ter tido coragem de escolher amor e liberdade em vez de riqueza e convenção. Pedro viveu mais 10 anos. continuou a escrever até não conseguir mais segurar a pena. Quando morreu, foi enterrado ao lado de Catarina, no pequeno cemitério de Botafogo. Na lápide estava escrito: “Catarina e Pedro Silva, unidos no amor e na luta pela liberdade.

    Os descendentes deles ainda vivem no Brasil hoje. Professores, médicos, artistas, trabalhadores de todas as áreas. carregam o sangue da baronesa portuguesa que desafiou a sociedade e dos cinco homens corajosos que a trataram com dignidade quando ninguém mais tratava. A história deles é lembrada como exemplo de que é possível quebrar correntes, tanto físicas quanto mentais, que amor verdadeiro não vê cor, classe ou origem, que bondade pode nascer nos lugares mais improváveis e que, às vezes, as escolhas mais corajosas levam as vidas mais

    plenas. O barão entregou a esposa a cinco homens escravizados, esperando humilhá-la e conseguir herdeiro. Mas o que aconteceu foi que esses homens mostraram mais honra e humanidade do que ele alguma vez tivera. Que a baronesa descobriu que dignidade e amor existem independente de títulos nobiliárquicos.

    Esta história real de Portugal, nos tempos da escravatura, ensina lições importantes. Primeira, tratar pessoas como propriedade é sempre errado, não importa as justificativas legais ou sociais. Segunda, bondade e maldade não tem cor, classe ou origem. Há nobres cruéis e escravos dignos, assim como há nobres bondosos e escravos cruéis.

    O que importa é o caráter. Terceira lição. Amor verdadeiro não obedece regras sociais. Catarina e Pedro vinham de mundos completamente diferentes. Ela nascera em berço de ouro, ele em aldeia africana. Ela era educada na alta sociedade. Ele foi arrancado da família e escravizado.

    Mas quando se conheceram realmente, descobriram conexão profunda que transcendia todas essas diferenças. Quarta lição. Coragem às vezes significa perder tudo para ganhar o que realmente importa. Catarina podia ter continuado sendo baronesa, vivendo em luxo, respeitada pela sociedade, mas teria sido infeliz, presa, morta por dentro. Escolheu perder título, riqueza, posição social e ganhou liberdade, amor, vida plena. Quinta lição.

    Nunca subestime a humanidade das pessoas que a sociedade tenta desumanizar. O Barão Francisco via os cinco escravos como animais, propriedade, objetos para uso. Catarina, forçada a conviver com eles, descobriu que eram homens de honra, bondade, inteligência, homens mais dignos que muitos nobres que ela conhecera.

    A história de Catarina e os cinco homens espalhou-se pelo Brasil ao longo dos anos. foi contada em rodas de conversa, escrita em livros, transformada em música. Tornou-se símbolo da luta abolicionista, prova de que escravizados eram pessoas plenas, capazes de bondade, amor, honra. Quando a escravatura foi finalmente abolida no Brasil em 1888, os descendentes de Catarina e Pedro celebraram sabendo que a luta dos antepassados tinha contribuído para aquela vitória. Os escritos de Pedro tinham influenciado muitas pessoas.

    A história da fuga tinha inspirado outros. Em Portugal, a memória da baronesa Catarina foi gradualmente mudando. Nos primeiros anos após a fuga, era lembrada com vergonha pelas famílias nobres. Mas conforme a sociedade evoluía, conforme a escravatura era questionada e finalmente abolida, alguns começaram a vê-la diferente.

    Viam uma mulher que teve coragem de questionar as convenções da época, que reconheceu humanidade onde a sociedade mandava ver propriedade, que escolheu amor verdadeiro em vez de casamento conveniente, que pagou o preço alto pela liberdade, mas nunca se arrependeu. Hoje, mais de 200 anos depois, podemos olhar para a história de Catarina, Pedro, Tomás, João, Miguel e Antônio.

    Com a perspectiva do tempo, podemos ver claramente o que era menos óbvio na época, que o verdadeiro monstro da história não eram os homens escravizados que Francisco temia. Era o próprio Francisco, um homem que via a esposa como útero ambulante e os escravos como animais reprodutores. Os verdadeiros heróis eram aqueles cinco homens que, mesmo tendo todas as justificativas para estarem raivosos e violentos após anos de abuso, escolheram bondade, que trataram Catarina como irmã, que a protegeram, que a ensinaram, que mostraram que a humanidade sobrevive

    mesmo sob correntes. E Catarina, que teve privilégio durante toda a vida, mas nunca tinha tido liberdade de verdade, descobriu que riqueza sem liberdade é prisão dourada, que amor imposto é violência, que só quando perdeu tudo materialmente é que ganhou tudo emocionalmente.

    Esta história precisa ser contada e recontada para lembrarmos de onde viemos, dos horrores que já permitimos, das injustiças que já legalizamos, mas também para celebrarmos aqueles que, mesmo em tempos sombrios, escolheram a bondade, que desafiaram convenções cruéis, que arriscaram tudo por amor e liberdade.

     

    A história do Barão que entregou a esposa a cinco homens escravizados é história sobre escolhas. Francisco escolheu crueldade, controle, desumanização. Catarina escolheu coragem, amor, humanidade. Os cinco homens escolheram bondade quando tinham todas as razões para escolher vingança. E essas escolhas definiram destinos. Francisco morreu sozinho e odiado. Catarina e Pedro viveram décadas de amor verdadeiro. Os cinco homens conquistaram liberdade e dignidade.

    Seus descendentes espalham-se pelo Brasil, carregando legado de coragem e resistência. No fim, esta história ensina que somos definidos não pelas circunstâncias em que nascemos, mas pelas escolhas que fazemos. Podemos nascer escravizados, mas morrer livres. Podemos nascer nobres, mas viver presos. O que importa é ter coragem de escolher o que é certo, mesmo quando o mundo inteiro diz que está errado.