Author: minhquang8386

  • Quando Soldados Brasileiros DESOBEDECERAM Ordens para SALVAR CRIANÇAS Italianas na Segunda Guerra

    Quando Soldados Brasileiros DESOBEDECERAM Ordens para SALVAR CRIANÇAS Italianas na Segunda Guerra

    Cádio Montano, norte da Itália, janeiro de 1945. A temperatura cai para 6º abaixo de zero. Soldados da força expedicionária brasileira preparam o rancho da manhã, enquanto uma fila de crianças italianas, algumas descalças, espera em silêncio do lado de fora da barraca. Um oficial britânico observa de longe e vira as costas irritado.

    A ordem é clara para todos os exércitos aliados. Sobras de comida devem ser descartadas ou queimadas, nunca entregues a civis para evitar tumultos. Os pracinhas brasileiros ignoram a regra. Um soldado enche uma concha de mingau quente feito com leite em pó americano e aveia e estende o braço para a primeira criança da fila.

    Ela segura o prato com as duas mãos trêmulas. Atrás dela, mais 30 pequenos italianos avançam. Aquele gesto simples viola a logística de guerra. O que o pracinha ainda não sabe é que naquela noite alguém no comando vai contar as panelas. Se você quer saber como essa desobediência virou legado e por italianos ainda chamam brasileiros de anjos, inscreva-se no canal agora e deixe nos comentários de onde você está assistindo sua cidade e país.

    Brasil na Segunda Guerra Mundial parece improvável para muitos, mas em julho de 1944, o primeiro escalão da força expedicionária brasileira desembarca em Nápolis. 25.000 pracinhas brasileiros sobem os apeninos rumo ao fronte da linha gótica, onde alemães ainda resistem no norte da Itália. A promessa do governo Vargas era clara.

    Lutar ao lado dos aliados contra o eixo. O que ninguém esperava era encontrar um segundo inimigo esperando nas montanhas. A fome. O inverno de 19445 na região da Toscana e da Emília Romanha é um dos mais duros do século. Neve acima de 1 m em alguns vales, ventos cortantes, temperaturas abaixo de zero durante semanas.

    Cidades inteiras estão em ruínas após meses de bombardeio e ocupação nazista. Pontes caem, estradas viram lama, colheitas se perdem, sobra pouca lenha, menos alimento. Mulheres, idosos e crianças vagam entre escombros, procurando qualquer coisa comestível. Muitas famílias italianas comem raízes, cascas de árvore, restos de batata podre. A desnutrição infantil explode.

    Quando os soldados brasileiros chegam a vilarejos, como Gio Montano e Marano Sul Panarô, encontram-se vi emagrecidos, observando de longe os acampamentos aliados. O cheiro de comida quente sai das barracas do rancho e atrai gente como mosca. Crianças aparecem primeiro, tímidas, encostadas em muros ou escondidas atrás de árvores.

    Elas sabem que outros exércitos não compartilham nada. Já viram britânicos enterrando sobras de carne enlatada e americanos queimando pão velho na frente de civis famintos, cumprindo ordens superiores de evitar assistencialismo descontrolado que possa comprometer a disciplina e a logística de guerra. Os pracinhas brasileiros reagem diferente.

    No segundo dia de acampamento perto de Gio Montano, um cabo do 11º regimento de infantaria vê cinco crianças italianas paradas a 10 m da barraca cozinha. Ele olha para os lados, pega meia lata de leite condensado que sobrou do desjejum e caminha até elas. Entrega a lata. As crianças dividem o conteúdo com os dedos e voltam correndo para as casas.

    No dia seguinte, 12 crianças aparecem no mesmo horário. No terceiro dia, são 30. A fila se organiza sozinha, em silêncio antes do amanhecer. A cozinha da FEB recebe ração americana. Latas de carne enlatada, leite em pó, aveia, feijão, chocolate, biscoitos duros, café solúvel. É comida de guerra planejada para soldados em combate, mas para civis italianos é luxo inimaginável.

    Os cozinheiros brasileiros começam a preparar um tipo de mingal quente, misturando leite em pó, aveia e açúcar em panelões grandes. Oficialmente é para a tropa. Na prática, a metade vai para a fila de crianças que agora chega a 50 pessoas todas as manhãs. Ninguém comenta diretamente a desobediência.

    Todos sabem que aquilo contraria as normas logísticas aliadas. Um tenente americano de ligação visita o acampamento brasileiro em meados de janeiro e repara no movimento de civis ao redor do rancho. Ele pergunta ao comandante do batalhão se há autorização para alimentar população local. O brasileiro responde que sobras não podem ser desperdiçadas e muda de assunto.

    O americano anota algo no caderno e vai embora. A tensão fica no ar. Todo mundo sabe que a cadeia de comando aliada pode cortar o fornecimento de rações se houver desperdício ou desvio documentado. Ainda assim, na manhã seguinte, a fila de crianças italianas continua lá. Em Marano Sul Panaro, outro episódio marca a memória dos moradores.

    Uma mulher italiana bate na porta da enfermaria improvisada da FEB, carregando um menino de do anos com febre altíssima e desidratação grave. Não há hospital civil funcionando na região. O médico civil mais próximo está a 40 km de estrada intransitável. O tenente médico brasileiro examina a criança, diagnostica infecção intestinal e percebe que sem antibiótico o garoto vai morrer em horas.

    Ele pega um Jeip, roda até Florença em plena zona de combate, consegue penicilina com um hospital de campanha americano e volta no mesmo dia. Aplica a medicação. Três dias depois, o menino está de pé. A mãe conta para todo o vilarejo. A partir daquele momento, civis italianos começam a procurar a FEB, não só para comida, mas para atendimento médico, abrigo, proteção.

    A notícia do comportamento dos brasileiros se espalha entre os vilarejos. Refugiados de Bolonha, Prato e Florença caminham quilômetros para chegar aos acampamentos da FEB. Alguns acampamentos começam a receber mais de 100 civis por dia. Oficiais brasileiros improvisam turnos de distribuição de comida para evitar tumulto. Soldados doam cobertores, jaquetas, botas velhas.

    Em alguns casos, famílias inteiras são convidadas a dormir dentro das barracas nos dias de nevasca mais intensa. Isso viola completamente o protocolo de segurança operacional, mas ninguém relata formalmente o que está acontecendo. Enquanto isso, a pressão no fronte aumenta. Monte Castelo, Castelo Novo, Montese.

    A FEB avança metro a metro contra posições alemãs fortificadas. Soldados brasileiros morrem em combate, enquanto na retaguarda seus companheiros alimentam crianças italianas. O contraste impressiona observadores aliados. Um correspondente de guerra britânico escreve em seu diário que os brasileiros parecem mais preocupados em salvar italianos do que em matar alemães.

    A frase não é elogio, mas os pracinhas não se importam. Para eles, guerra não significa ignorar quem está morrendo de fome ao lado. Em fevereiro de 1945, o Papa Pio X recebe relatórios de bispos da região da Emília Romanha, elogiando a conduta da força expedicionária brasileira. Em discurso público no Vaticano, o Papa afirma que onde houver soldados brasileiros não haverá fome.

    A frase chega aos jornais italianos e é republicada no Brasil. O governo Vargas usa a declaração como propaganda. O autocomando da FEB fica em posição desconfortável. Oficialmente, alimentar civis em massa continua sendo desvio de recursos, mas agora virou símbolo político e diplomático impossível de reprimir.

    A cada noite, nos acampamentos brasileiros, soldados comentam entre si o risco do que estão fazendo. Sabem que podem ser repreendidos, transferidos, até processados por indisciplina. Sabem que a ração desviada pode fazer falta em operações futuras. Mesmo assim, na manhã seguinte, a fila de crianças italianas se forma novamente na porta da cozinha e os pracinhas brasileiros continuam servindo o mingau quente.

    O que eles ainda não sabem é que do outro lado da linha, oficiais britânicos já começaram a registrar queixas formais sobre o comportamento irregular da FEB. A desobediência humanitária está prestes a virar problema diplomático. A primeira reclamação formal chega ao quartel general da força expedicionária brasileira no início de fevereiro de 1945.

    Um coronel britânico envia memorando ao general Mascarenhas de Morais, apontando uso inadequado de suprimentos aliados e comprometimento da segurança operacional em acampamentos brasileiros. O documento cita especificamente a presença diária de civis italianos ao redor das cozinhas da FEB e pede esclarecimentos.

    Mascarenhas lê o texto, guarda na gaveta e não responde. Ele sabe que se ordenar o fim da assistência aos civis, a tropa vai ignorá-lo. E ele também sabe que politicamente a imagem da FEB na Itália vale mais que a burocracia logística aliada. Oficiais brasileiros de escalão intermediário ficam presos entre duas pressões.

    De um lado, normas militares claras sobre uso exclusivo de ração de combate para soldados em operação. De outro, a realidade diária de crianças italianas famintas esperando na porta do rancho. Alguns tentam impor limites. Horários restritos, número máximo de porções, proibição de civis dentro do perímetro militar. As regras duram dois ou três dias.

    Depois voltam às filas, os soldados voltam a distribuir porções e os oficiais voltam a fingir que não vem. A desobediência vira rotina silenciosa. Engadia o Montano, a fila de civis cresce tanto que o comando local decide oficializar o que já acontece na prática. O capitão responsável pelo rancho organiza dois turnos de distribuição, um para a tropa, outro para os refugiados.

    Panelões extras são preparados todas as manhãs usando parte da ração destinada ao jantar. Soldados comem menos à noite para garantir que sobre comida para os italianos pela manhã. Ninguém reclama. Muitos pracinhas vem de famílias pobres do interior do Brasil e reconhecem a fome no rosto das crianças.

    Para eles, dividir comida não é heroísmo, é obrigação moral. Mas a assistência vai além do mingal. Em Marano Sul, Panaro, um sargento brasileiro percebe que várias famílias italianas não tm panelas, pratos, nem talheres. Ele reúne meia dúzia de soldados e organiza uma vaquinha improvisada. Cada um doa parte do próprio kit de campanha.

    Recolhem canecas de metal, colheres, facas, até algumas latas vazias que podem servir de panela. Entregam tudo para as famílias mais necessitadas. Quando o tenente descobre, chama o sargento e pergunta se ele sabe que está distribuindo equipamento militar sem autorização. O sargento responde que sim, que sabe e que vai continuar fazendo.

    O tenente balança a cabeça e vai embora. Não há punição. Dezenas de relatos italianos registram gestos assim. Moradores descrevem soldados brasileiros levando café, chocolate e pão branco para dentro de suas casas, mesmo sem pedirem. Famílias inteiras relatam ter sido alimentadas todas as manhãs pela cozinha da FEB durante meses, algo que salvou muitas vidas.

    Passinhas doavam cobertores e jaquetas militares para crianças que andavam descalças na neve. Esses testemunhos aparecem em entrevistas, dissertações acadêmicas e festivais locais realizados até hoje na Itália. Para os moradores dessas cidades, a FEB não foi apenas mais um exército aliado que passou, foi o exército que escolheu proteger, em vez de apenas destruir aquele resgate em Marano vira lenda local.

    Depois que o tenente médico brasileiro salva a criança com penicilina trazida de Florença, outras famílias começam a procurar atendimento médico nos postos da FEB. A enfermaria improvisada passa a receber civis todos os dias. feridos em bombardeios, crianças com diarreia crônica, idosos com pneumonia, mulheres com infecções pós parto.

    O médico brasileiro atende todos, mesmo sabendo que isso desvia medicamentos e tempo de combatentes feridos. Em uma semana especialmente dura, ele trata mais civis italianos do que soldados brasileiros. O registro oficial ignora esses números. Não há como documentar formalmente o que tecnicamente não deveria estar acontecendo.

    Enquanto isso, o contraste com outros exércitos aliados se torna impossível de ignorar. Moradores italianos relatam que tropas britânicas mantinham distância rigorosa da população civil, cumprindo a risca as ordens de evitar contato prolongado. Soldados americanos eram mais acessíveis, distribuíam chicletes e chocolates para crianças, mas raramente permitiam que civis se aproximassem das cozinhas ou recebessem refeições completas.

    Franceses e polones, traumatizados por suas próprias perdas na guerra, mal conversavam com italianos. Os brasileiros, ao contrário, convidavam famílias inteiras para comer junto com a tropa, deixavam crianças brincarem dentro dos acampamentos e tratavam civis com familiaridade que beirava a informalidade. Para os italianos, aquilo era incompreensível, para os pracinhas era natural.

    A tensão com o comando aliado aumenta em março de 1945, quando oficiais americanos pressionam mascarenhas de morais a regularizar a situação. A receio de que a generosidade brasileira crie precedente perigoso. Se todos os exércitos começarem a alimentar civis em massa, o sistema logístico do fronte italiano pode entrar em colapso.

    Mascarenhas responde com pragmatismo político. Ele emite uma ordem interna pedindo moderação na assistência a civis, mas não estabelece punições nem fiscalização real. A ordem existe no papel. Na prática, nada muda. As filas de crianças italianas continuam se formando todas as manhãs na porta das cozinhas brasileiras e os pracinhas continuam estendendo as porções quentes.

    O risco de punição disciplinar existe, mas nunca se concretiza. A justiça militar da FEB processa alguns casos graves durante a campanha da Itália. Deserções, agressões, crimes contra prisioneiros. Mas não há um único processo documentado contra soldados por alimentar ou proteger civis. Historiadores que estudam os arquivos militares brasileiros confirmam: “A desobediência humanitária foi tolerada em todos os níveis da cadeia de comando.

    Oficiais superiores sabiam o que estava acontecendo e escolheram não reprimir. Oficiais intermediários fingiam não ver. Soldados rasos simplesmente faziam o que achavam certo. A hierarquia militar funcionava, mas a compaixão vinha antes. Em abril de 1945, a FEB participa da ofensiva final aliada no norte da Itália.

    Montese cai em 14 de abril após combate intenso. Colquio é tomada dias depois. For novo de Taro se rende em 29 de abril, um dia antes do suicídio de Hitler. A guerra na Itália termina oficialmente em 2 de maio. Quando os soldados brasileiros entram nas cidades libertadas, são recebidos com flores, abraços, choro de gratidão. Crianças italianas correm atrás dos gips da FEB, gritando: “Brasiliane! Brasiliane”.

    Mulheres oferecem os poucos ovos e frutas que conseguiram guardar. Idos beijam as mãos dos pracinhas. Para os moradores dessas cidades, a FEB não trouxe apenas liberdade, trouxe comida, remédio, calor humano. Trouxe a escolha de proteger em vez de apenas vencer. Nos dias seguintes, ao fim da guerra, a assistência aos civis italianos continua.

    A FEB distribui oficialmente parte de seus estoques para vilarejos devastados, agora sem risco de punição aliada. Soldados ajudam a reconstruir pontes, limpar escombros, organizar abrigos temporários. Muitos pracinhas adiam a volta ao Brasil para ficar mais algumas semanas ajudando as famílias que acolheram. Fotos de época mostram brasileiros carregando crianças no colo, sentados à mesa com famílias italianas sorrindo em meio às ruínas.

    Essas imagens vão parar em jornais brasileiros e italianos. A narrativa oficial muda. O que antes era desobediência logística, agora é gesto humanitário histórico. Ninguém menciona mais as ordens violadas, os suprimentos desviados, os riscos assumidos. Mas para os soldados brasileiros que viveram aquilo, a conta ainda não fechou.

    Eles voltam ao Brasil em meados de 1945, sem honras, sem pensões adequadas, sem reconhecimento público proporcional ao que fizeram. Muitos morrem na miséria décadas depois. Enquanto isso, na Itália, as crianças que eles salvaram crescem, têm filhos, netos, bisnetos e todos crescem ouvindo a mesma história. Quando o mundo estava em chamas e a fome matava tanto quanto as bombas, soldados brasileiros desobedeceram ordens para salvar vidas.

    O que aqueles pracinhas não sabiam naquele inverno brutal de 1945 é que o gesto simples de alimentar os famintos ia ecoar por 80 anos. A guerra termina, mas a memória não. Em maio de 1945, enquanto a força expedicionária brasileira se prepara para voltar ao Brasil, famílias italianas aparecem nos acampamentos trazendo presentes improvisados, lenços bordados, desenhos de crianças, cartas escritas à mão.

    Muitas mal sabem escrever em italiano, menos ainda em português, mas tentam. Uma delas diz apenas Grazi soldato brasileiro. Outra traz os nomes de 30 crianças que não morreram de fome por causa de vocês. Os pracinhas guardam esses papéis nas mochilas. Alguns ainda existem hoje, preservados por famílias de veteranos ou doados a museus militares.

    São documentos pequenos, mas carregam o peso de uma dívida emocional que os italianos nunca esqueceram. Nos meses seguintes à liberação, cidades como Montese, Gadio Montano, Marano Sulpanaro e Fornovo de Taro começam a organizar homenagens locais aos soldados brasileiros. Não são eventos oficiais patrocinados por governos, são iniciativas espontâneas de moradores que querem registrar publicamente o que viveram.

    Placas de bronze são fixadas em praças. Ruas ganham nomes de oficiais e soldados da FEB. Em Montese, a praça central passa a se chamar Praça Brasil. Em Gadio Montano, uma estátua de um pracinha brasileiro é erguida no centro da cidade. Essas homenagens acontecem enquanto no Brasil os mesmos soldados voltam para casa sem emprego, sem apoio psicológico, sem reconhecimento público proporcional ao sacrifício.

    Décadas passam, veteranos da FEB envelhecem, muitos morrem sem nunca ter voltado à Itália. Mas do outro lado do Atlântico, a memória continua viva. Em 1965, 20 anos após o fim da guerra, Montesi organiza a primeira cerimônia oficial com a presença de autoridades italianas e brasileiras. Crianças da escola local, filhas e netos daqueles que foram salvos recitam poemas em homenagem aos pracinhas.

    Uma delas leu um texto que termina assim: “Vocês nos deram pão quando não tínhamos nada. Vocês nos deram esperança quando tudo estava perdido. A frase é simples, mas resume 80 anos de gratidão. A partir daquele ano, o evento se torna anual. Gáo Montano vai além. Em 1975, 30 anos depois da guerra, a cidade cria o dia do mingal da amizade.

    Celebrado todo o mês de abril. O evento reproduz a cena histórica. Moradores preparam o mesmo tipo de mingal quente feito com leite em pó, aveia e açúcar que os soldados brasileiros distribuíam durante o inverno de 1945. Crianças italianas fazem fila e recebem porções em canecas de metal, imitando o ritual que salvou seus avós.

    Bandeiras do Brasil e da Itália são erguidas lado a lado. Veteranos brasileiros são convidados de honra. Muitos voltam pela primeira vez em décadas. Alguns choram ao ver a cidade reconstruída. Outros abraçam italianos idosos que quando crianças esperavam na fila do rancho. A emoção é mútua. Testemunhos de italianos que viveram aqueles dias aparecem em estudos acadêmicos, documentários e reportagens.

    Juliana, que tinha 7 anos em 1945, relata que soldados brasileiros levavam chocolate e leite condensado para sua casa, mesmo sem ela pedir. Jeancarlo Maciantelli lembra que durante 4 meses sua família comeu todos os dias na cozinha da FEB. Hugo Castanholi descreve como pracinhas doavam cobertores e jaquetas para crianças descalças na neve.

    Maria, moradora de Marano, conta que o filho de dois anos só sobreviveu porque um tenente médico brasileiro foi até Florença buscar penicilina em plena zona de guerra. Esses depoimentos não falam de grandes batalhas ou estratégias militares. Falam de gestos pequenos repetidos que somados salvaram centenas de vidas.

    A memória da FEB na Itália contrasta brutalmente com o esquecimento no Brasil. Enquanto cidades italianas erguem monumentos e organizam festivais anuais no Brasil, os veteranos passam décadas lutando por pensões dignas e reconhecimento oficial. Muitos morrem na pobreza, outros desenvolvem traumas de guerra sem acesso a tratamento adequado.

    O governo brasileiro só começa a reconhecer formalmente o papel da FEB nos anos 2000, quando a maioria dos veteranos já havia morrido. A Itália, ao contrário, nunca esqueceu. Escolas italianas incluem a chegada da FEB em currículos locais de história. Crianças aprendem a canção do Expedicionário em português.

    Professores levam alunos aos monumentos e explicam o que aqueles soldados fizeram além de lutar. Em 2005, 60 anos após o fim da guerra, um grupo de veteranos brasileiros retorna à Itália para as cerimônias de aniversário. Eles são recebidos como heróis. Prefeitos de várias cidades fazem discursos emocionados. Um deles afirma que os brasileiros nos ensinaram que guerra não significa apenas destruir o inimigo, mas também proteger o inocente.

    Outro diz que vocês desobedeceram ordens militares para obedecer a algo maior, a humanidade. As palavras ecoam em praças lotadas. Veteranos octogenários, muitos em cadeiras de rodas, recebem medalhas honorárias, abraços, flores. Alguns choram, outros permanecem em silêncio, processando a dimensão do que fizeram 80 anos antes.

    A série documental Grze Soldato, produzida pelo exército brasileiro em parceria com cineastas italianos, captura esses encontros. O material mostra veteranos revisitando os locais onde acamparam, entrando em casas onde dormiram. reconhecendo ruas que antes estavam em ruínas. Uma cena particularmente comovente mostra um expracinha de 90 anos sendo abraçado por uma italiana de 80.

    Ela era uma das crianças da fila do mingal. Ele era um dos soldados que alimentava os refugiados. Eles não se viam há seis décadas. A mulher segura o rosto do veterano com as duas mãos e diz em italiano: “Você me salvou”. Ele responde em português: “Eu só fiz o que tinha que fazer”. A tradução acontece depois, mas o sentimento dispensa palavras.

    Historiadores que estudam a presença da FEB na Itália apontam que a memória italiana sobre os brasileiros é excepcionalmente positiva, mais do que sobre qualquer outro exército aliado. Pesquisas acadêmicas indicam que italianos lembram dos americanos como libertadores eficientes, dos britânicos como distantes e formais, mas dos brasileiros como irmãos que compartilharam o pouco que tinham.

    Essa percepção não é acidental. é resultado direto de milhares de pequenas desobediências humanitárias repetidas diariamente por meses. Cada porção servida, cada cobertor doado, cada atendimento médico prestado a civis fora do protocolo, construiu um capital emocional que atravessou gerações. Hoje, 80 anos depois, a memória continua viva.

    Montes, Gio Montano e outras cidades mantém museus dedicados à FEB, fotos, cartas, uniformes, mapas e objetos pessoais de pracinhas brasileiros estão expostos permanentemente. Escolas levam crianças italianas para visitar esses espaços. Prefeituras organizam intercâmbios culturais com o Brasil. Em 2024, o prefeito de Montesi inaugurou um novo monumento, uma estátua de uma criança italiana recebendo um prato de comida das mãos de um soldado brasileiro.

    A placa na base diz: “Eles desobedeceram ordens para salvar vidas. Nunca esqueceremos. A cerimônia reuniu italianos, brasileiros, autoridades diplomáticas e descendentes de veteranos. Crianças italianas cantaram a canção do expedicionário em português. Bandeiras tremularam e mais uma vez a história se repetiu.

    O gesto de proteger valeu mais que a obediência cega. Os pracinhas que alimentaram os famintos no inverno brutal de 1945 não imaginavam que 80 anos depois suas escolhas ainda estariam sendo celebradas. Eles não pensavam em legado, em monumentos, em homenagens. Pensavam em crianças com fome tremendo no frio e escolheram desobedecer, escolheram proteger, escolheram ser humanos antes de serem soldados.

    Essa escolha construiu algo mais duradouro que qualquer vitória militar. Construiu memória, gratidão, amor entre povos e ensinou que, às vezes, a maior coragem na guerra não está em seguir ordens, está em quebrá-las pelos motivos certos. Quando soldados brasileiros desobedeceram ordens para salvar crianças italianas na Segunda Guerra Mundial, eles não buscavam glória nem reconhecimento.

    Buscavam apenas fazer o certo diante da fome e do desespero. 80 anos depois, a Itália ainda celebra aqueles gestos enquanto o Brasil mal conhece essa história. A força expedicionária brasileira provou que coragem não está apenas em combater o inimigo, mas em proteger o inocente, mesmo quando as regras dizem o contrário.

    Esse é o verdadeiro legado dos pracinhas, a escolha de ser humano antes de ser soldado. Se essa história te tocou, compartilhe este vídeo para que mais brasileiros conheçam o que a FEB fez na Itália. Inscreva-se no canal, ative o sininho para não perder os próximos episódios sobre o Brasil na Segunda Guerra Mundial. E deixe nos comentários, você conhecia essa parte da história da força expedicionária brasileira? Qual cidade te marcou mais? A memória dos pracinhas não pode ser esquecida. depende de nós mantê-la viva.

  • As crianças Grayson foram encontradas em 1987 — e o relato delas surpreendeu as autoridades

    As crianças Grayson foram encontradas em 1987 — e o relato delas surpreendeu as autoridades

    Existe uma fotografia que não deveria existir. Três crianças paradas em um campo nos arredores de Brier Ridge, Virgínia Ocidental. Tirada na primavera de 1987. Elas estão de mãos dadas. Suas roupas estão desatualizadas em quase 30 anos.

    Atrás delas, você pode ver a fundação de uma casa que deveria ter se transformado em cinzas em 1962, quando a polícia estadual chegou naquela manhã de abril.

    As crianças não souberam dizer como chegaram ali. Não souberam dizer onde estiveram. Mas o que puderam contar, o que contaram durante as seis semanas seguintes, se tornou um dos casos de bem-estar infantil mais perturbadores da história dos Apalaches.

    Esta é uma história que a cidade de Brier Ridge tentou enterrar. E depois que você ouvir o que aquelas crianças disseram, você entenderá o porquê. Olá a todos.

    Antes de começarmos, certifique-se de curtir e se inscrever no canal e deixar um comentário com sua origem e a que horas está assistindo. Assim, o YouTube continuará mostrando histórias como esta.

    Em 19 de abril de 1987, uma corredora de domingo de manhã chamada Melissa Carver estava correndo pela Rota 42, nos arredores de Brier Ridge, quando viu algo que a fez parar de repente.

    Três crianças estavam paradas na beira de um campo de milho, silenciosas e imóveis, como se tivessem sido colocadas ali. Mais tarde, ela as descreveu como parecendo erradas, não feridas, nem doentes, mas erradas.

    A mais velha parecia ter cerca de 12 anos. A mais nova não devia ter mais de seis. Elas usavam roupas que pareciam ter saído de um catálogo dos anos 1950, calças de cintura alta nos meninos, um vestido de algodão com acabamento de renda na menina.

    Seus rostos estavam limpos, mas suas expressões eram vazias, ocas. Quando Melissa se aproximou delas e perguntou se estavam perdidas, o menino mais velho olhou para ela e disse: “Nós voltamos.”

    Ela chamou a polícia de um posto de gasolina a três quilômetros de distância. Quando o Xerife Tom Decker chegou, as crianças não tinham se movido.

    Elas estavam exatamente onde ela as havia deixado, de mãos dadas, olhando para frente. Decker diria mais tarde a um investigador estadual que, em 23 anos de aplicação da lei, ele nunca tinha sentido um desconforto como aquele. Não em uma cena de crime, nem em uma disputa doméstica, mas sim de três crianças silenciosas paradas em um campo.

    Ele perguntou seus nomes. O menino mais velho disse: “Michael Grayson.”

    A menina disse: “Caroline Grayson.” O mais novo disse: “Samuel Grayson.”

    Quando Decker perguntou onde estavam seus pais, Michael olhou para ele com uma expressão que o xerife descreveu como antiga, e disse: “Eles foram para o chão há muito tempo.”

    O nome Grayson tinha um significado em Brier Ridge. Em 1962, um incêndio havia consumido a casa da família Grayson na Crescent Hill Road.

    Richard e Evelyn Grayson morreram no incêndio. Seus três filhos, Michael, Caroline e Samuel, nunca foram encontrados.

    A suposição por 25 anos era que seus corpos haviam se perdido no desabamento, que haviam sido queimados além do reconhecimento. Que o caso, embora trágico, estava encerrado.

    Mas agora, paradas na frente do Xerife Decker, estavam três crianças que não apenas tinham esses nomes, mas correspondiam às descrições dos relatórios de pessoas desaparecidas registrados em 1962.

    Mesmas idades, mesmos rostos, mesmas marcas de nascença. Era como se não tivessem envelhecido um único dia.

    Decker as colocou sob custódia protetora e contatou o estado. Em 48 horas, investigadores federais, psicólogos infantis e especialistas forenses desceram sobre Brier Ridge.

    O que se seguiu foram seis semanas de entrevistas, exames médicos e avaliações psicológicas. E o que aquelas crianças disseram, o que descreveram em vozes calmas e firmes, era algo para o qual ninguém estava preparado para ouvir.

    Os exames médicos voltaram impossíveis. Três médicos diferentes examinaram as crianças de forma independente, e todos os três chegaram à mesma conclusão.

    Com base na densidade óssea, desenvolvimento dentário e marcadores físicos, Michael Grayson tinha aproximadamente 12 anos de idade, Caroline 9, Samuel seis.

    Não eram adultos se passando por crianças. Não eram adolescentes treinados para desempenhar um papel. Eram crianças.

    Mas as crianças que desapareceram em 1962 teriam 37, 34 e 31 anos de idade em 1987. A matemática não funcionava. A biologia não funcionava.

    E, no entanto, impressões digitais tiradas de uma xícara de cerâmica que Michael havia tocado durante a primeira entrevista foram enviadas ao FBI.

    Elas coincidiam com uma impressão parcial levantada de um caminhão de bombeiros de brinquedo recuperado dos destroços da casa dos Grayson em 1962. Caroline tinha uma cicatriz em forma de crescente no pulso esquerdo.

    Registros médicos de 1961 mostravam que Caroline Grayson havia levado pontos exatamente naquele local após cair de um balanço. Samuel tinha uma marca de nascença abaixo da orelha direita.

    A mesma marca de nascença apareceu em uma fotografia tirada em sua festa de quarto aniversário em 1961.

    Cada marcador biológico dizia que eram crianças. Cada marcador histórico dizia que eram as crianças Grayson. E isso deveria ser impossível.

    A principal investigadora, uma mulher chamada Dra. Laura Finch, havia trabalhado com crianças traumatizadas por 15 anos.

    Ela havia entrevistado sobreviventes de abuso, de tráfico, de horrores inimagináveis. Mas ela disse que as crianças Grayson eram diferentes. Elas não estavam traumatizadas. Elas não estavam assustadas. Estavam calmas. Perturbadoramente calmas.

    Quando ela perguntou a Michael o que ele se lembrava sobre o incêndio, ele não chorou. Ele não estremeceu. Ele simplesmente disse: “Nós não morremos no fogo. Nós descemos. Descemos.”

    Essa palavra apareceu em quase todas as transcrições de entrevistas. As crianças a usaram repetidamente. Nós descemos. Ele nos levou para baixo. Ainda está lá embaixo.

    Quando os investigadores pressionaram por detalhes, Michael explicou que na noite do incêndio, o pai os acordou. Ele disse que a casa estava queimando e que eles precisavam ir para o lugar seguro.

    O lugar seguro, Michael disse, era no porão, mas não o porão que qualquer um podia ver. O outro, o que ficava atrás da parede de pedra, o pai havia mostrado a eles meses antes.

    Ele o chamava de “o quarto antigo”. Ele disse que era mais velho que a casa, mais velho que a cidade, que estava lá muito antes de qualquer um deles, e que se algo acontecesse, era lá que estariam seguros.

    Caroline descreveu descer um conjunto de degraus de pedra estreitos que desciam em espiral na escuridão. Ela disse que as paredes estavam úmidas e cheiravam a ferro.

    Samuel, o mais novo, disse que parecia estar entrando na garganta da terra. Quando chegaram ao fundo, o pai disse-lhes para esperar. Ele disse que voltaria por eles. Ele nunca voltou.

    As crianças disseram que ficaram naquele quarto. Não sabiam por quanto tempo. Não havia luz, exceto por uma pequena abertura bem acima delas que deixava entrar um fino feixe de sol durante o dia.

    Elas não tinham comida, nem água, mas não estavam com fome. Não estavam com sede. O tempo parecia lento, Michael disse. Como se mover através de xarope, como estar dormindo, mas acordado.

    E então, um dia, a porta se abriu. Não a porta pela qual haviam entrado. Outra porta no lado oposto do quarto. E alguém entrou.

    As descrições das crianças sobre o homem que entrou pela segunda porta eram consistentes, mas vagas de uma forma que frustrava os investigadores. “Ele era alto,” disseram. Ele vestia roupas escuras. Seu rosto era difícil de lembrar, como olhar para algo através de fumaça.

    Michael disse que o homem não falava em voz alta. Ele falava dentro de suas cabeças. Ele disse-lhes que o pai não voltaria, que o mundo lá em cima havia seguido em frente, que eles poderiam ficar no quarto antigo, ou poderiam ir com ele.

    Quando a Dra. Finch perguntou para onde o homem os levou, a resposta de Michael foi assustadora em sua simplicidade. Ele disse: “Para lugar nenhum. Nós já estávamos lá. Ele apenas nos mostrou o resto.”

    O que se seguiu nas transcrições das entrevistas é uma série de descrições que se assemelham menos a testemunhos e mais a sonhos febris. As crianças descreveram um lugar que existia sob Brier Ridge.

    Não uma caverna, não um sistema de túneis, outra coisa. Caroline chamou de “o subterrâneo”.

    Ela disse que era vasto, com corredores que se estendiam mais longe do que se podia caminhar, quartos que mudavam de forma e paredes que respiravam.

    Samuel descreveu escadarias que levavam a outras escadarias, portas que se abriam para lugares que não deveriam existir, e um som constante, baixo, rítmico, como um coração batendo vindo de muito abaixo.

    Eles disseram que havia outros lá, não crianças, não adultos, pessoas que pareciam pessoas, mas se moviam errado, ficavam paradas errado, observavam errado.

    Michael os chamou de “os mantidos”. Ele disse que estavam lá há muito tempo. Alguns deles tinham esquecido seus nomes.

    As crianças disseram que o homem lhes ensinou coisas. Como se mover pelo subterrâneo sem se perder. Como escutar o coração e segui-lo. Como evitar os quartos que puxavam você, os que tentavam te manter.

    Ele disse-lhes que eram especiais. Que tinham sido escolhidos porque o pai tinha feito uma troca. Que o incêndio nunca foi um acidente. Que Richard Grayson sabia exatamente o que estava fazendo quando os acordou naquela noite.

    Quando a Dra. Finch perguntou que tipo de troca. Michael olhou para ela com uma expressão que ela descreveu como insuportavelmente triste, e disse: “Nós? Ele nos trocou para que a cidade continuasse crescendo.”

    Os investigadores inicialmente acreditaram que se tratava de um caso de manipulação psicológica extrema, que alguém havia sequestrado as crianças Grayson em 1962, mantido-as em um local subterrâneo, talvez um bunker ou rede de porões, e submetido-as a um condicionamento e abuso prolongados que fraturaram seu senso de realidade.

    Isso explicaria as memórias distorcidas, a linguagem estranha, o desapego calmo, mas não explicava a evidência médica.

    Não explicava como três crianças sequestradas nas idades de 12, 9 e seis anos ainda eram biologicamente 12, 9 e 6, 25 anos depois.

    E não explicava o que aconteceu quando os investigadores foram ao local da casa original dos Grayson. A propriedade estava abandonada desde o incêndio.

    A fundação ainda estava lá, rachada e coberta de ervas daninhas, mas intacta.

    Em 2 de maio de 1987, uma equipe de arqueólogos forenses e engenheiros estruturais chegou para examinar o porão. Eles encontraram os restos da adega original, madeira carbonizada, pedra desabada, cinzas.

    Mas quando começaram a escavar o canto noroeste, onde Michael disse que o quarto escondido estava, eles encontraram outra coisa. Uma junta na pedra, uma rachadura vertical de aproximadamente um metro e oitenta de altura que não combinava com a alvenaria circundante.

    Quando a abriram à força, encontraram uma passagem estreita que descia na escuridão. O ar que saiu estava frio, viciado, antigo, e cheirava, segundo o engenheiro-chefe, a ferro, terra e outra coisa, algo apodrecendo.

    Eles enviaram uma câmera para baixo. Ela desceu 20 metros antes que o sinal fosse cortado. Eles enviaram outra, mesmo resultado.

    Na terceira tentativa, a câmera capturou algo antes que o sinal morresse. Uma porta esculpida na pedra e acima dela, símbolos, não em inglês, nem em nenhuma língua que qualquer pessoa da equipe reconhecesse.

    Ninguém desceu naquela passagem. Essa decisão veio de cima. As autoridades federais, após revisarem a filmagem da câmera e consultarem especialistas estruturais, declararam o local instável e potencialmente perigoso.

    A abertura foi selada com concreto em 9 de maio de 1987. A razão oficial dada foi segurança. A razão não oficial, segundo um agente aposentado que falou com um jornalista em 2004, era que ninguém queria saber o que estava lá embaixo.

    Porque se as crianças estivessem dizendo a verdade, se até mesmo uma fração do que descreveram fosse real, então isso significava que algo estava vivendo sob Brier Ridge por muito tempo, e significava que Richard Grayson sabia disso.

    Os investigadores começaram a investigar o passado de Richard Grayson. O que encontraram pintou um quadro de um homem obcecado.

    Nos meses anteriores ao incêndio, Richard havia se afastado das atividades sociais. Ele havia parado de ir à igreja. Ele havia começado a passar horas na sociedade histórica da cidade, folheando mapas e registros antigos.

    Uma bibliotecária se lembrou dele perguntando sobre a fundação da cidade, sobre os colonos originais, sobre o que havia estado ali antes que a cidade existisse.

    Ele havia pegado livros sobre folclore local, sobre lendas nativas americanas da região, sobre levantamentos geológicos, e nas semanas antes de sua morte, ele havia dito à esposa, Evelyn, algo que ela mencionou à irmã em um telefonema.

    Ele disse que Brier Ridge foi construída sobre uma base ruim, que a cidade havia feito um acordo há muito tempo, que alguém tinha que continuar pagando.

    A irmã de Evelyn, Martha Hollis, foi entrevistada em junho de 1987. Ela tinha 71 anos e ainda morava em Brier Ridge.

    Ela disse aos investigadores que sua irmã estava aterrorizada nas semanas anteriores ao incêndio, que Richard havia mudado, que ele havia se tornado distante, obsessivo, paranoico.

    Ele havia começado a trancar as portas dos quartos das crianças à noite.

    Ele havia instalado fechaduras extras na porta do porão. Ele disse a Evelyn que algo estava acordando, que estava faminto, e que se ele não fizesse algo, levaria mais do que apenas sua família.

    Quando Martha perguntou o que ele queria dizer, Evelyn não soube explicar. Ela apenas disse que Richard acreditava que a cidade devia uma dívida e que ele havia encontrado uma maneira de pagá-la.

    O incêndio que matou Richard e Evelyn Grayson foi considerado acidental em 1962. Fiação defeituosa, dizia o relatório.

    Mas quando os investigadores revisaram os arquivos originais do caso em 1987, encontraram inconsistências. O fogo havia começado em vários locais simultaneamente.

    Resíduo de acelerante havia sido notado, mas descartado. E um bombeiro que estava no local naquela noite, havia escrito em seu diário pessoal, nunca incluído no relatório oficial, que a porta do porão havia sido acorrentada pelo lado de fora, como se alguém quisesse ter certeza de que nada subisse ou que ninguém descesse.

    O relato das crianças de repente parecia menos como delírio e mais como testemunho. E isso levantou uma pergunta que ninguém queria responder.

    Se Richard Grayson havia trocado seus filhos por algo sob a cidade, o que ele havia conseguido em troca? A resposta pode estar na própria cidade.

    Brier Ridge estava morrendo na década de 1950. As minas de carvão estavam esgotadas. A serraria estava fechando. Os jovens estavam indo embora.

    Mas em 1963, um ano após o incêndio dos Grayson, as coisas mudaram. Uma empresa têxtil abriu uma fábrica no lado leste da cidade, depois uma fábrica de embalagens, depois um centro de distribuição.

    Em cinco anos, Brier Ridge passou de uma população de 1.500 para mais de 4.000. Empregos vieram, dinheiro veio, a cidade cresceu e continuou crescendo.

    Em 1987, Brier Ridge estava prosperando. Novas escolas, novas igrejas, novos bairros se espalhando pelas colinas. Era uma história de sucesso, um milagre dos Apalaches.

    Mas o retorno das crianças Grayson lançou uma sombra sobre essa prosperidade.

    Porque se Richard Grayson havia feito uma troca — seus filhos pela sobrevivência da cidade — então o crescimento de Brier Ridge não era um milagre. Era uma compra. E a conta acabara de chegar.

    As crianças foram colocadas em lares adotivos. Enquanto as autoridades tentavam determinar seu status legal, mas a colocação não durou muito.

    Em duas semanas, todas as três famílias adotivas relataram os mesmos problemas. As crianças não dormiam, não em um sentido normal.

    Os pais adotivos as checavam no meio da noite e as encontravam sentadas eretas na cama, de olhos abertos, olhando para as paredes.

    Quando perguntados o que estavam fazendo, diziam que estavam escutando. Escutando o quê? O coração.

    Disseram que ainda podiam ouvi-lo, que ele as seguia, que nunca parava.

    Uma mãe adotiva relatou ter acordado às 3:00 da manhã e encontrado Samuel parado na porta de seu quarto. Quando ela perguntou o que estava errado, ele disse: “Ele sabe que nós partimos. Ele nos quer de volta.”

    Ela chamou os serviços sociais na manhã seguinte e se recusou a mantê-lo por mais uma noite.

    Michael disse à sua assistente social que o homem do subterrâneo os havia avisado, que partir tinha consequências, que a troca não estava terminada.

    Pressionado por detalhes, Michael disse que o homem lhes disse que eles poderiam voltar à superfície, mas teriam que trazer algo de volta, um substituto, alguém para tomar seu lugar no quarto antigo, alguém para manter o coração alimentado.

    A assistente social perguntou quem eles deveriam trazer. A resposta de Michael foi registrada nas anotações do caso, sublinhada duas vezes, ele disse. Qualquer um.

    “Ele não se importa. Ele só precisa ser alimentado.”

    Essa declaração desencadeou uma avaliação psicológica imediata. As crianças foram separadas e colocadas sob observação supervisionada, mas mesmo separadas, suas histórias permaneceram consistentes.

    Caroline disse a mesma coisa ao seu avaliador. Samuel, apesar de ter apenas 6 anos de idade, usou uma linguagem quase idêntica. Eles não estavam inventando.

    Eles não estavam coordenando. Eles acreditavam nisso. E o que é mais perturbador, pareciam resignados com isso.

    No final de maio, a cidade de Brier Ridge tomou conhecimento da situação. As notícias viajam rápido em cidades pequenas, e o retorno das crianças Grayson era o tipo de história que não podia ser contida.

    No início, houve curiosidade, depois desconforto, depois medo.

    As pessoas começaram a fazer perguntas. Por que as crianças voltaram agora? O que elas queriam? E por que os investigadores estavam escavando a antiga propriedade Grayson?

    Alguns moradores começaram a se lembrar de coisas, coisas estranhas. Um homem chamado Howard Finch, sem parentesco com a Doutora Laura Finch, disse a um repórter local que em 1963, logo após a cidade começar a crescer, ele estava caçando na floresta ao norte da Crescent Hill Road.

    Ele encontrou um círculo de pedras em uma clareira. No centro, havia um buraco talvez de um metro e vinte de largura, descendo na escuridão.

    Ele jogou uma pedra nele e nunca a ouviu cair. Quando mencionou isso ao pai, ele foi instruído a esquecer, que algumas coisas em Brier Ridge eram melhores deixar em paz.

    Ele nunca mais voltou, mas se lembrava de onde era.

    Se você ainda está assistindo, você já é mais corajoso do que a maioria. Diga-nos nos comentários o que você teria feito se esta fosse sua linhagem.

    Outras histórias surgiram. Uma mulher chamada Grace Puit disse que seu avô havia sido um dos fundadores originais da cidade, que ele havia mantido um diário que ela encontrou em seu sótão depois que ele morreu.

    Nele, ele havia escrito sobre o acordo antigo. Ele não explicava o que era, mas havia escrito que a sobrevivência da cidade dependia de sua honra, que a terra exigia pagamento, que toda geração tinha que se lembrar.

    Quando Grace tentou mostrar o diário a um historiador na década de 1970, ele havia desaparecido de seu sótão. Ela nunca mais o encontrou.

    Um professor aposentado chamado Benjamin Tate disse que na década de 1940, quando era menino, seu pai o levou a uma reunião da cidade no porão do antigo tribunal.

    Ele não deveria estar lá, mas se escondeu atrás de uma pilha de cadeiras e escutou. Os homens estavam falando sobre o subterrâneo, sobre mantê-lo quieto, sobre garantir que as crianças ficassem longe de certos lugares, sobre o que aconteceria se o pacto fosse quebrado.

    Tate disse que não entendeu na época, mas depois que as crianças Grayson voltaram, ele entendeu perfeitamente.

    A cidade sempre soube. Em 7 de junho de 1987, Michael Grayson desapareceu de sua casa de grupo. Ele estava sob supervisão constante.

    Mas em algum momento entre a checagem de cama às 22:00 e a troca de turno da manhã às 6:00, ele desapareceu. Sua janela estava trancada por dentro. Sua porta era monitorada.

    Não havia sinais de entrada ou saída forçada. Ele simplesmente se foi. A busca começou imediatamente. Polícia, voluntários, cães farejadores. Eles vasculharam a área por 3 dias.

    Na manhã de 10 de junho, um corredor o encontrou. Ele estava parado no mesmo campo de milho onde as crianças foram descobertas pela primeira vez.

    Mesmo local, mesma posição, mãos ao lado do corpo, olhos para frente, expressão vazia.

    Quando a polícia chegou, Michael não resistiu. Ele não correu. Ele permitiu que o levassem de volta.

    Mas quando a Dra. Finch o entrevistou mais tarde naquele dia, ele lhe disse algo que a fez parar a gravação duas vezes para se recompor.

    Ele disse que havia voltado para baixo. Que a porta havia se aberto para ele.

    Que o homem estava esperando e que o homem havia lhe dado uma escolha. Trazer de volta o que era devido ou todos os três teriam que retornar permanentemente.

    Michael disse que escolheu voltar para avisá-los. Ele disse que eles tinham até o final do verão. Depois disso, o subterrâneo viria por eles. E não pararia nas crianças.

    Caroline e Samuel foram transferidos para uma instalação segura em Charleston, a mais de 160 quilômetros de distância.

    Michael foi colocado em um hospital psiquiátrico para observação. A separação tinha como objetivo protegê-los, mas em 23 de junho, Caroline desapareceu de seu quarto em Charleston.

    Mesmas circunstâncias, porta trancada, corredor monitorado, sem explicação. Ela foi encontrada 2 dias depois em Brier Ridge, parada do lado de fora da entrada selada da propriedade Grayson.

    Quando as autoridades chegaram, ela estava traçando os símbolos no concreto com os dedos. Ela disse que podia ouvi-lo chamando, que estava ficando mais alto, que estava zangado por terem selado a porta.

    Uma semana depois, Samuel desapareceu de sua colocação adotiva. Ele foi encontrado na manhã seguinte no porão de uma igreja abandonada nos arredores da cidade, ajoelhado em frente a uma parede de pedra, sussurrando para ela.

    Quando perguntado o que estava fazendo, ele disse que estava pedindo desculpas. Pedindo desculpas a quê? Ao coração. Por ter partido? Por fazê-lo esperar.

    A decisão foi tomada de manter todas as três crianças juntas sob supervisão 24 horas em uma instalação médica em Brier Ridge.

    A Dra. Finch argumentou contra, dizendo que a própria cidade parecia ser parte do problema, mas ela foi desautorizada.

    As autoridades acreditavam que a proximidade com recursos de saúde mental e a capacidade de monitorá-los como uma unidade superavam os riscos. Essa decisão provaria ser catastrófica.

    No final de julho, a equipe da instalação começou a relatar ocorrências estranhas. Mau funcionamento de equipamentos, luzes piscando, pontos frios nos quartos das crianças e sons, sons rítmicos profundos vindos das paredes, como se algo massivo estivesse respirando.

    As crianças ficaram cada vez mais agitadas. Pararam de comer, pararam de falar com qualquer pessoa, exceto entre si.

    E quando falavam, a equipe relatou que suas vozes soavam erradas, em camadas, como múltiplas pessoas falando ao mesmo tempo.

    Michael disse a uma enfermeira que o tempo estava quase esgotado, que o subterrâneo estava se esticando, que estava alcançando pelas rachaduras.

    Em 14 de agosto de 1987, aproximadamente às 2:30 da manhã, todos os alarmes da instalação dispararam simultaneamente. A equipe correu para a ala das crianças e encontrou todas as três paradas no corredor, de mãos dadas, olhando para o chão.

    Quando perguntado o que estavam fazendo, Michael olhou para cima e disse: “Está aqui.”

    O chão sob elas começou a rachar. Não por falha estrutural. As rachaduras se moviam como veias se espalhando em padrões deliberados, formando formas, símbolos, os mesmos símbolos que haviam sido esculpidos acima da porta no porão dos Grayson.

    A equipe tentou afastar as crianças, mas elas não se mexiam. Caroline disse: “Temos que voltar agora.”

    Samuel disse: “É hora de ir para casa.” E Michael disse: “Diga a eles que sentimos muito. Diga a eles que tentamos.”

    As luzes se apagaram. Na escuridão, a equipe relatou ter ouvido aquele som novamente. O pulso rítmico profundo, mais alto do que nunca, vindo de baixo.

    Quando os geradores de emergência ligaram 30 segundos depois. As crianças tinham sumido.

    O chão onde estavam paradas havia desabado para dentro, revelando um buraco que descia na escuridão.

    Equipes de resgate foram montadas. Mas antes que alguém pudesse entrar, o buraco se selou. As rachaduras no chão se suavizaram. Os símbolos desapareceram.

    Em minutos, era como se nada tivesse acontecido, exceto que as crianças Grayson tinham sumido.

    O relatório oficial declarou que as crianças Grayson escaparam por um túnel de manutenção e permaneceram desaparecidas.

    A investigação foi encerrada em 1989. A instalação foi fechada e mais tarde demolida. O local da casa original dos Grayson foi comprado pela cidade e transformado em um pequeno parque.

    Nenhuma escavação jamais foi permitida. Nenhuma investigação adicional foi conduzida, e a cidade de Brier Ridge continuou a crescer.

    Mas algo mudou depois de agosto de 1987. As pessoas que moravam lá notaram, mesmo que não falassem sobre isso abertamente. A cidade parecia diferente. Mais pesada.

    Havia mais desaparecimentos do que costumava haver. Não muitos, apenas o suficiente para notar.

    Um adolescente fugiria e nunca seria encontrado. Um caminhante entraria na floresta e desapareceria.

    Um morador idoso se afastaria de uma casa de repouso e desapareceria sem deixar rastros. Sempre na parte norte da cidade, sempre perto da antiga propriedade Grayson.

    E sempre as buscas terminariam da mesma forma. Sem corpo, sem evidência, sem explicação, apenas sumidos.

    A Dra. Laura Finch deixou Brier Ridge em 1988 e nunca mais voltou. Ela recusou todas as entrevistas sobre o caso até 2003, quando falou com um cineasta de documentários sob a condição de anonimato.

    Ela disse que as crianças Grayson estavam dizendo a verdade. Que ela passou 16 anos tentando racionalizar o que havia testemunhado e não conseguia.

    Que algo existia sob aquela cidade. Algo antigo, paciente e faminto. E que Richard Grayson não estava insano. Ele estava desesperado.

    Ela disse que a pior parte não era o que havia acontecido com as crianças.

    Era saber que a cidade havia permitido. Que em algum lugar da história de Brier Ridge, alguém havia feito um acordo. Uma troca, segurança e prosperidade em troca de sacrifício ocasional.

    E essa troca nunca havia sido quebrada. As crianças eram apenas o pagamento mais recente.

    Em 2006, uma equipe de construção iniciando as obras para um novo shopping center na borda norte de Brier Ridge descobriu uma rede de túneis sob o local.

    Túneis antigos, túneis de pedra, do tipo que não deveria existir naquela região. Quando os engenheiros desceram para inspecioná-los, encontraram evidências de habitação.

    Não recentes, entalhes antigos nas paredes, símbolos que ninguém conseguia identificar. E em uma câmara, encontraram roupas de criança, apodrecidas, fragmentadas, mas inequivocamente de diferentes épocas.

    Década de 1800, início de 1900, década de 1960. A descoberta foi relatada às autoridades locais que contataram o conselho arqueológico estadual.

    Em 48 horas, o local foi selado por ordem federal. O projeto de construção foi realocado. Os túneis foram preenchidos com concreto.

    Nenhuma explicação foi dada ao público. A equipe foi paga por seu silêncio, e o registro oficial afirma que nada de significado histórico foi encontrado.

    Brier Ridge ainda existe, com uma população de pouco mais de 6.200 no último censo. É uma cidade tranquila, próspera, o tipo de lugar onde as pessoas criam famílias e constroem futuros.

    Mas se você cavar nos registros, encontrará padrões. A cada 20 a 30 anos, crianças desaparecem.

    Não todas de uma vez, não de maneiras que atraem a atenção nacional, apenas silenciosamente.

    Uma aqui, duas ali, e a cidade segue em frente. Em 1934, os gêmeos Miller sumiram de seu quintal. Em 1958, uma menina chamada Judith Carver desapareceu a caminho de casa da escola.

    Em 1962, as crianças Grayson. Em 1997, um menino chamado Daniel Crest desapareceu durante um acampamento. As buscas sempre terminam da mesma forma e a cidade sempre continua crescendo.

    Algumas pessoas dizem que Brier Ridge é amaldiçoada. Outras dizem que é abençoada, mas as pessoas que viveram lá por tempo suficiente, aquelas cujas famílias remontam a gerações, não usam nenhuma das duas palavras.

    Elas apenas dizem que a cidade tem um entendimento, que ela cuida dos seus. E que às vezes cuidar significa fazer sacrifícios.

    As crianças Grayson nunca mais foram vistas depois de 14 de agosto de 1987. Seu caso permanece oficialmente sem solução.

    Mas em 2012, um caminhante explorando a floresta ao norte de Brier Ridge encontrou algo esculpido no tronco de um velho carvalho.

    Três nomes: Michael, Caroline, Samuel, e abaixo deles, uma única frase. Ainda estamos aqui embaixo.

    O caminhante relatou o caso à polícia local. Quando os policiais foram investigar, a árvore havia sido cortada.

    O toco não mostrava evidências de entalhe, e o caminhante, um homem chamado Thomas Reed, mudou-se da Virgínia Ocidental 3 meses depois.

    Ele disse a um amigo que não conseguia se livrar da sensação de que algo o estava observando naquela floresta, que ele tinha ouvido um som enquanto estava parado perto daquela árvore.

    Um som rítmico profundo, como um coração batendo, vindo de baixo.

    Ele disse que não sabia se as crianças Grayson ainda estavam vivas, mas sabia que não estavam sozinhas.

    E ele sabia que o que quer que as estivesse mantendo, o que quer que Richard Grayson as tivesse trocado, ainda estava lá, ainda esperando, ainda faminto, e ainda muito acordado.

    A cidade de Brier Ridge não fala mais sobre as crianças Grayson.

    Mas em noites tranquilas, quando o vento se move pelas colinas e as casas se aninham na escuridão, algumas pessoas dizem que ainda se pode ouvir. Aquele pulso rítmico profundo, o coração de algo antigo, algo que vive nos espaços sob o mundo, algo que se lembra de todo acordo já feito, e algo que sempre cobra o que lhe é devido.

  • A jornada de cuidado e confiança entre um escravo e uma sinhá viúva após um encontro inesperado

    A jornada de cuidado e confiança entre um escravo e uma sinhá viúva após um encontro inesperado

    Um escravo encontrou uma mulher branca caída em frente à porteira da fazenda, ensanguentada e quase sem vida. O que ele fez a seguir mudou o destino de ambos para sempre. Esta é a história real que aconteceu em Campos dos Goitacazes e que ninguém esperava que terminasse desta forma. Fiquem até o final, porque o desfecho vai surpreender-vos completamente.

    Era uma noite fria de julho de 1862, quando Joaquim voltava dos campos de cana de açúcar. O escravo de 35 anos havia passado o dia inteiro a trabalhar sob o sol escaldante da região norte do Rio de Janeiro, as mãos calejadas, as costas doridas, os pés descalços, cheios de feridas. Mais um dia igual a todos os outros.

    Ou pelo menos era isso que ele pensava. Ao aproximar-se da porteira principal da fazenda Santa Rita, Joaquim ouviu um gemido baixo vindo da escuridão. Parou imediatamente. O coração disparou. Sabia que escravos não deveriam andar por aquela área após o anoitecer. Mas aquele som não parecia de um animal. Era humano. Era de alguém que sofria.

    Aproximou-se devagar, os olhos tentando enxergar através da pouca luz da lua. E foi então que a viu. Uma mulher branca estava caída no chão de terra batida, o vestido rasgado, o rosto coberto de sangue, o cabelo castanho espalhado ao redor da cabeça, como uma coroa escura. Ela estava inconsciente. Joaquim olhou à volta. Ninguém. A fazenda estava silenciosa.

    Sabia que se alguém o visse ali com uma mulher branca naquele estado, seria açoitado até a morte. ou pior, podia ser enforcado sem qualquer julgamento, mas algo dentro dele não conseguiu virar as costas. Aquela mulher estava a morrer. Ajoelhou-se ao lado dela e tocou-lhe o pulso com cuidado. Ainda havia batimento cardíaco, fraco, mas existia.

    Observou os ferimentos, um corte profundo na testa, o vestido manchado de sangue na altura das costelas, o tornozelo inchado num ângulo estranho. Ela havia sido agredida. E quem quer que tenha feito aquilo, deixou-a para morrer ali mesmo. Joaquim tomou a decisão mais arriscada da sua vida.

    Ergueu a mulher nos braços com todo o cuidado que conseguiu. Ela era leve como uma pena, provavelmente por causa da desnutrição que os últimos tempos de vivez lhe haviam causado. Começou a caminhar rapidamente em direção à Senzala, escondendo-se nas sombras, evitando os caminhos principais. A cenzala onde Joaquim vivia era um pequeno cubículo no fim de uma fileira de construções miseráveis.

    Dividia o espaço com outros três escravos, mas naquela noite, por sorte ou por providência divina, estava sozinho. Os outros haviam sido levados para trabalhar na casa grande. Deitou a mulher sobre o seu próprio gerha, a única cama que possuía. Acendeu uma pequena lamparina e finalmente pôde ver melhor os ferimentos.

    O corte na testa precisava de ser limpo urgentemente. As costelas podiam estar partidas. O tornozelo estava certamente deslocado. Joaquim não era médico, mas anos de trabalho escravo haviam lhe ensinado a tratar feridas. Tinha de tratar das suas próprias lesões muitas vezes e dos seus companheiros também.

    rasgou um pedaço da sua própria camisa e molhou-o na água que tinha guardada num balde. Começou a limpar o sangue do rosto dela com movimentos suaves e cuidadosos. A mulher gemeu, mas não acordou. Isso era bom. Significava que não sentiria a dor enquanto ele tratava dos ferimentos mais graves. Limpou o corte profundo na testa e amarrou-o com outro pedaço de pano.

    Depois examinou as costelas. Havia um corte grande ali também que ainda sangrava. limpou-o da mesma forma, pressionando com firmeza até o sangramento parar. Quanto ao tornozelo, sabia que precisava de o colocar de volta no lugar, mas isso causaria uma dor imensa. Decidiu esperar até ela acordar.

    Passou a noite inteira ao lado dela, trocando os panos quando ficavam ensanguentados, molhando-lhe os lábios com água fresca, verificando se a febre não subia demasiado. Joaquim rezou, pediu a Deus que salvasse aquela vida. Não sabia por estava a arriscar tudo por uma desconhecida, mas algo dentro dele dizia que era o que devia fazer.

    Quando o sol começou a nascer, Joaquim sabia que precisava de ir trabalhar nos campos, mas não podia deixá-la sozinha. Se alguém a encontrasse ali, estariam ambos perdidos. Decidiu então inventar que estava doente. Era arriscado, pois escravos doentes eram frequentemente castigados por preguiça, mas não tinha escolha.

    foi até o feitor e disse que havia passado a noite com fortes dores no estômago e não conseguia trabalhar. O feitor olhou-o com desconfiança, mas Joaquim era conhecido como um trabalhador dedicado que nunca reclamava. Deram-lhe um dia para se recuperar, com aviso de que se no dia seguinte não estivesse nos campos, levaria 20 xibatadas.

    Voltou rapidamente para as cenzá-la. A mulher continuava inconsciente, mas a respiração estava mais regular. Isso era um bom sinal. Joaquim aproveitou o dia para conseguir mais água, algumas ervas medicinais que conhecia e um pouco de comida que guardava escondida. Sabia que quando ela acordasse precisaria de se alimentar. Foi já ao final da tarde, quando ela finalmente abriu os olhos.

    Piscou várias vezes, confusa, tentando entender onde estava. Quando viu Joaquim sentado ao seu lado, o pânico tomou conta dela. Tentou levantar-se rapidamente, mas a dor nas costelas e no tornozelo fizeram-la gritar e cair de volta. Joaquim levantou as mãos num gesto de paz. “A senhora está a salvo”, disse com voz calma. “Não vou fazer-lhe mal.

    A senhora estava ferida na porteira da fazenda. Trouxe-a para aqui para tratar dos seus ferimentos. A mulher olhou-o com os olhos arregalados, ainda cheia de medo. Quem é o senhor? Onde estou?” A voz dela saía fraca, rouca. “Chamo-me Joaquim. A senhora está na Senzala. Sei que não é o lugar apropriado para uma senhora como a senhora, mas não havia outro sítio seguro.

    Se a tivesse levado para a casa grande, fariam perguntas e eu seria morto por tocar numa mulher branca.” Ela ficou em silêncio por um longo momento, processando aquelas palavras. Depois perguntou: “Por que me ajudou, então? Por que arriscou a sua vida por mim?” Joaquim baixou os olhos. Porque era o que estava certo. Porque não consigo ver alguém a sofrer e virar as costas? Porque Deus não teria perdoado se eu a tivesse deixado morrer ali.

    Lágrimas começaram a correr pelo rosto da mulher. Ela tentou sentar-se novamente e desta vez Joaquim ajudou-a com cuidado. “O meu nome é Helena”, disse ela. Helena Vasconcelos. Sou viúva. O meu marido era dono da fazenda das palmeiras, a propriedade vizinha. Ele morreu há seis meses. Joaquim ouviu atentamente enquanto ela contava a história.

    O marido de Helena havia morrido de febre amarela, deixando-a sozinha com uma fazenda endividada e sem filhos. O irmão do falecido marido, um homem chamado Rodrigo, queria ficar com as terras. começou a pressioná-la para assinar documentos que transfeririam a propriedade para ele. Ela recusou-se. Na noite anterior, Rodrigo havia aparecido com dois capangas.

    Disseram-lhe que era a última chance. Quando ela recusou novamente, espancaram-na brutalmente, jogaram-la na carroça e largaram-naenda dela, para que morresse e parecessem que havia sido assaltada por bandidos. Joaquim sentiu a raiva crescer dentro dele enquanto ouvia. Conhecia bem esse tipo de crueldade. Via todos os dias na fazenda homens poderosos que faziam o que queriam sem qualquer consequência.

    “A senhora precisa de comer algo”, disse ele, mudando de assunto. “Tenho um pouco de farinha e rapadura. Não é muito, mas vai dar-lhe forças”. Helena comeu devagar, cada movimento causando-lhe dor. O tornozelo continuava muito inchado. Joaquim explicou que precisava de o colocar de volta no lugar, mas que ia doer muito.

    Ela assentiu, mordendo um pedaço de pano enquanto ele fazia o procedimento. O grito dela foi abafado, mas as lágrimas correram livremente. Deixem a vossa opinião nos comentários. O que fariam no lugar de Joaquim? Naquela noite, Joaquim precisou de voltar para os campos de cana de açúcar. Não podia arriscar mais um dia de ausência.

    Deixou Helena com água e comida e fez-lhe prometer que ficaria quieta e em silêncio. A cenzala estava vazia durante o dia, pois todos trabalhavam, mas à noite os outros escravos voltariam. Precisava de pensar numa solução antes disso acontecer. Trabalhou o dia inteiro sob o sol escaldante de Campos dos Goitacazes, mas a mente estava longe dali.

    Pensava em Helena, nos ferimentos dela, no perigo em que ambos estavam. Sabia que não podia mantê-la escondida por muito tempo, mas também sabia que se ela voltasse para a fazenda dela, Rodrigo terminaria o trabalho. Quando voltou à noite, encontrou Helena acordada, sentada no gerão. O rosto dela estava menos inchado, a cor voltando às faces.

    Ela havia conseguido beber água e comer um pouco mais. O tornozelo ainda doía muito, mas estava imobilizado com as tiras de pano que Joaquim havia improvisado. Os outros escravos chegaram pouco depois. Joaquim havia decidido confiar num deles, um homem mais velho chamado Tomás, que era como um pai para ele, levou-o para um canto e contou-lhe tudo.

    Tomás o ouviu em silêncio, o rosto grave. Depois disse: “És um louco, rapaz, mas és um louco com um coração bom. Vamos ajudar-te.” Tomás convenceu os outros dois escravos a manterem o segredo. Durante os dias seguintes, organizaram-se para que sempre houvesse alguém a vigiar enquanto Helena estava escondida ali. Revzaavam-se para trazer comida extra, água limpa e tudo o que ela precisasse.

    Helena foi recuperando aos poucos. O corte na testa começou a cicatrizar. As costelas pararam de doer tanto, o tornozelo foi desinchando, mas mais do que a recuperação física, algo mais estava a acontecer entre ela e Joaquim. Passavam as noites a conversar em voz baixa. Helena contava sobre a vida dela, sobre como o casamento havia sido arranjado quando tinha apenas 16 anos, sobre como o marido era distante e frio, sobre a solidão de viver naquela fazenda grande e vazia.

    Joaquim contava sobre a vida dele, sobre como havia nascido escravo, sobre os pais que nunca conheceu porque foram vendidos quando ele era bebé, sobre os sonhos de liberdade que guardava no coração. Descobriram que tinham mais em comum do que imaginavam. Ambos sabiam o que era a solidão. Ambos conheciam a dor de viver numa prisão, mesmo que fossem prisões diferentes.

    Ambos ansiavam por algo mais, por uma vida onde pudessem escolher o próprio caminho. E aos poucos, naquele pequeno cubículo miserável da cenzala, nasceu algo que nenhum deles esperava, um sentimento que desafiava todas as regras daquela sociedade. Helena começou a olhar para Joaquim não como um escravo que a havia salvo, mas como um homem de coragem, bondade e dignidade.

    Joaquim começou a ver Helena não como uma ciná branca distante, mas como uma mulher frágil que precisava de proteção e que fazia o coração dele bater mais forte. Uma noite, Helena tocou a mão dele. Foi um gesto simples, mas que significava tudo. Joaquim, sussurrou ela. Sei que isto é loucura. Sei que o mundo nunca aceitaria, mas preciso que saibas que nunca me senti tão segura, tão vista, tão cuidada como me sinto contigo.

    Joaquim segurou a mão dela com firmeza. Também sinto o mesmo, senora Helena, mas temos de ser realistas. A senhora é uma mulher branca de posses. Eu sou um escravo. Se alguém descobrir o que estou a sentir, serei morto e a senhora será destruída socialmente. Helena apertou a mão dele. Então fugimos.

    Há cidades no sul onde a escravatura não é tão rígida. Podemos recomeçar. Posso vender as joias que tenho escondidas. É dinheiro suficiente para comprarmos a tua liberdade e começarmos uma vida nova. A proposta era tentadora, mas Joaquim sabia dos riscos. Escravos fugitivos eram caçados como animais. Se fossem apanhados, ele seria torturado e morto publicamente como exemplo.

    Helena seria presa e, provavelmente internada num hospício, pois diriam que estava louca por querer fugir com um escravo. Mas ao mesmo tempo, Joaquim percebeu que pela primeira vez na vida tinha algo pelo qual valia a pena arriscar. Tinha amor, tinha esperança, tinha a possibilidade de ser livre. Passaram as semanas seguintes a planear cuidadosamente.

    Helena, que já conseguia andar com ajuda de uma bengala improvisada, conseguiu enviar uma mensagem secreta para uma amiga de confiança, pedindo que trouxesse as joias que havia deixado escondidas na fazenda das palmeiras. amiga chocada, mas compreensiva, fez o que foi pedido. Joaquim falou com Tomás e os outros escravos de confiança, explicou o plano.

    Alguns acharam que era loucura, outros entenderam. Tomás abraçou-o e disse: “Vai, filho, vive a vida que nós nunca pudemos viver. Ser livre.” marcaram a fuga para uma noite de lua nova quando a escuridão seria maior. Helena havia conseguido contactar um comerciante que fazia viagens regulares para São Paulo e que, mediante pagamento generoso, concordou em levá-los escondidos na carroça dele.

    Na noite marcada, Joaquim e Helena saíram silenciosamente da cenzala. Os outros escravos cobriram a fuga deles, criando distrações e garantindo que os feitores não notassem nada de estranho. Caminharam pela escuridão até o ponto de encontro combinado, cada passo cheio de medo, mas também de esperança. O comerciante estava lá, conforme prometido.

    Escondeu-os debaixo de sacos de café e grãos na parte de trás da carroça. A viagem seria longa, perigosa, desconfortável, mas era a única chance que tinham. Durante três dias, viajaram escondidos, parando apenas rapidamente para necessidades básicas. Comiam pouco, dormiam menos ainda, mas estavam juntos e isso era tudo o que importava.

    Quando finalmente chegaram a São Paulo, o comerciante deixou-os numa pensão modesta nos arredores da cidade. Helena vendeu as joias a um joalheiro discreto que não fez perguntas. Com o dinheiro, contratou um advogado que tinha fama de ajudar escravos a conseguirem a liberdade. O processo foi complicado. Helena teve de inventar uma história sobre como Joaquim era um escravo que ela havia herdado do marido e que desejava libertar por gratidão aos serviços prestados.

    Pagou as taxas necessárias, assinou os documentos e, finalmente, depois de semanas de espera angustiante, Joaquim tinha a carta de alforria nas mãos. Era livre. Pela primeira vez em 35 anos, Joaquim era um homem livre. Choraram abraçados naquele pequeno quarto da pensão. Choraram de alegria, de alívio, de gratidão a Deus.

    Toda aquela jornada impossível havia dado certo, mas sabiam que não podiam baixar a guarda. Rodrigo certamente estaria à procura de Helena, que havia sempre o risco de alguém de Campos dos Goitacazes reconhecê-los. precisavam de desaparecer completamente. Mudaram-se para uma cidadezinha no interior de São Paulo, um lugar pequeno onde ninguém os conhecia.

    Helena disse que era viúva vinda do Rio de Janeiro. Joaquim disse que era um trabalhador livre que havia conseguido comprar a própria liberdade. Ninguém questionou. Alugaram uma casinha simples nos arredores. Joaquim começou a trabalhar como carpinteiro, uma habilidade que havia aprendido na fazenda. Helena costurava e vendia bordados.

    A vida era simples, mas era deles. Podiam acordar juntos, trabalhar lado a lado, sonhar com o futuro. Um ano depois da fuga, casaram-se numa pequena capela. Não foi um casamento grandioso como os que Helena havia conhecido na juventude. Foi simples, com apenas duas testemunhas que eram vizinhos que se haviam tornado amigos. Mas foi o casamento mais verdadeiro e cheio de amor que qualquer um deles poderia imaginar.

    Helena tornou-se Helena Silva, adoptando o sobrenome comum que Joaquim havia escolhido para si quando ganhou a liberdade. Não era mais assim a Vasconcelos da Fazenda das Palmeiras. Era apenas Helena, esposa de Joaquim, mulher trabalhadora que lutava todos os dias ao lado do homem que amava. Tiveram três filhos ao longo dos anos, duas meninas e um menino.

    Crianças nascidas livres que nunca conheceriam as correntes da escravatura. Joaquim chorou quando segurou o primeiro filho nos braços. Pensou nos seus próprios pais, vendidos e separados dele quando era bebé. Prometeu ali mesmo que estes filhos teriam tudo o que ele nunca teve. Amor, família, liberdade. Ensinaram os filhos a ler e escrever algo raro naquela época, especialmente para descendentes de escravos.

    Helena, que havia recebido educação na juventude, fazia questão de que as crianças tivessem acesso ao conhecimento. Joaquim ensinava-lhes a trabalhar com as mãos, a ter dignidade, a nunca baixar a cabeça para ninguém. A vida não foi fácil. Houve momentos de escassez, de dificuldades, de preconceitos velados. Alguns na cidadezinha estranhavam aquele casal, uma mulher branca casada com um homem negro, mas nunca disseram nada diretamente e com o tempo foram aceites na comunidade.

    Helena nunca se arrependeu da escolha que havia feito. Todas as noites, quando deitava a cabeça no travesseiro ao lado de Joaquim, agradecia a Deus por aquele escravo corajoso ter decidido salvá-la naquela noite na porteira da fazenda. havia perdido uma vida de riqueza e status social, mas havia ganho algo muito mais valioso, amor verdadeiro e liberdade para viver como queria.

    Joaquim também agradecia todos os dias. Agradecia por ter tido a coragem de ajudar Helena naquela noite. Agradecia por ela ter visto nele não um escravo, mas um homem digno de amor. Agradecia pela família que haviam construído juntos, pela vida simples, mais cheia de propósito que levavam. Passaram o resto das suas vidas naquela cidadezinha.

    Viram os filhos crescerem, casarem, terem os próprios filhos. Joaquim trabalhou até aos 70 anos, as mãos ainda habilidosas mesmo na velice. Helena continuou a abordar até que a vista já não permitia, sempre com um sorriso no rosto. Quando Joaquim adoeceu gravemente aos 73 anos, Helena não saiu do lado dele. Segurou a mão dele durante dias, falando sobre todas as memórias que haviam construído juntos.

    Lembrou-lhe da noite em que se conheceram, da coragem dele, de como havia mudado a vida dela para sempre. Joaquim morreu numa manhã ensolarada com Helena ao lado e os filhos e netos à volta da cama. As últimas palavras dele foram: “Vivi uma vida livre, amei e fui amado. Não podia pedir mais nada a Deus. Helena viveu mais 5 anos após a morte de Joaquim. Nunca voltou a casar.

    Dizia que já havia encontrado o amor da sua vida e que mais ninguém poderia ocupar aquele lugar. Passava os dias contando histórias aos netos sobre o avô deles, sobre a coragem dele, sobre o amor que haviam partilhado. Quando Helena morreu aos 81 anos, foi enterrada ao lado de Joaquim, no pequeno cemitério da cidade.

    Na lápide simples estava escrito apenas Helena e Joaquim Silva, unidos no amor, livres para sempre. A história deles passou de geração em geração na família. Os descendentes nunca esqueceram a coragem daquele escravo, que arriscou tudo para salvar uma desconhecida e da mulher que teve a ousadia de amar, além das barreiras impostas pela sociedade da época.

    Anos mais tarde, quando a escravatura foi finalmente abolida no Brasil, os netos de Joaquim e Helena participaram ativamente das celebrações. Lembraram-se do avô que havia conquistado a própria liberdade antes mesmo da lei e da avó que havia escolhido o amor em vez do conforto e do status social. A fazenda Santa Rita, onde tudo havia começado, continuou a existir por mais algumas décadas até ser dividida e vendida.

    A senzala onde Joaquim cuidou de Helena foi demolida, como tantas outras, apagando os vestígios físicos daquela parte sombria da história brasileira. Mas a história de amor que nasceu ali nunca foi esquecida. Em campos dos goitacazes, algumas pessoas mais velhas ainda contam a lenda da Sahá viúva, que desapareceu misteriosamente, e do escravo que fugiu na mesma época.

    Há quem diga que ela foi morta pelo cunhado e que o escravo aproveitou a confusão para fugir. Há quem diga que foram embora juntos. Mas ninguém sabe ao certo o que aconteceu. Só os descendentes de Joaquim e Helena conhecem a verdade e guardam essa história como um tesouro. Lembrando que o amor verdadeiro não conhece barreiras, não respeita posições sociais, não se curva diante das convenções.

    O amor verdadeiro simplesmente acontece entre duas almas que se reconhecem independentemente de tudo o resto. Esta é a história real de como um escravo encontrou uma senhá viúva machucada em frente a uma porteira em campos dos goitacazes. Decidiu salvá-la arriscando a própria vida. E como esse acto de coragem deu origem a um amor que desafiou todas as regras de uma época marcada pela desigualdade e pela crueldade.

    Uma história que nos ensina que a humanidade, a bondade e o amor são mais fortes do que qualquer corrente, qualquer preconceito, qualquer lei injusta. Joaquim poderia ter passado direto por aquela porteira naquela noite de julho. Poderia ter fingido que não viu nada, que não ouviu nada. teria sido o mais seguro, o mais prudente, mas escolheu arriscar, escolheu ajudar, escolheu ver em Helena, não uma mulher branca de uma classe superior, mas simplesmente um ser humano que precisava de ajuda.

    E Helena, quando recuperou a consciência e percebeu quem a havia salvo, poderia ter reagido com medo, como, com desprezo, como muitas mulheres brancas da época reagiriam. Mas escolheu ver em Joaquim, não um escravo inferior, mas um homem de honra, coragem e bondade. Escolheu ver a alma dele em vez da cor da pele.

    Essas escolhas mudaram tudo. Transformaram duas vidas que pareciam destinadas à miséria e à solidão em vidas plenas de amor, família e liberdade. provaram que é possível quebrar as correntes, não apenas as físicas, mas também as mentais e sociais que aprisionam as pessoas em papéis pré-determinados. A história de Joaquim e Helena aconteceu numa época em que o amor entre um escravo e uma mulher branca era não apenas proibido, mas impensável.

    Era algo que podia resultar em morte, tortura, destruição de vidas. Mas eles ousaram. Ousaram amar, ousaram fugir, ousaram construir uma vida juntos contra todas as probabilidades e conseguiram, não porque foram sortudos, mas porque foram corajosos, determinados, e porque tinham fé, fé em Deus, fé um no outro, fé de que havia algo melhor esperando por eles, além daquelas fazendas de campos dos goitacazes.

    Hoje, mais de 150 anos depois, os descendentes deles vivem espalhados por várias cidades do Brasil. São professores, médicos, comerciantes, trabalhadores de todas as áreas, pessoas livres que devem essa liberdade à coragem de um casal que se recusou a aceitar o destino que a sociedade havia traçado para eles.

    Em cada família, há sempre alguém que conta a história do bisavô Joaquim e da bisavó Helena. As crianças ouvem fascinadas sobre o escravo corajoso e assim a viúva que ousaram amar numa época em que isso parecia impossível. E aprendem com essa história que o amor verdadeiro, quando é puro e sincero, pode vencer qualquer obstáculo.

    A história de Joaquim e Helena não é apenas uma história de amor. É uma história sobre humanidade, sobre compaixão, sobre coragem. É sobre um homem que viu outro ser humano em sofrimento e não hesitou em ajudar, mesmo sabendo que isso poderia custar-lhe a vida. É sobre uma mulher que teve a coragem de desafiar todos os preconceitos da sua época para estar com o homem que amava.

    É uma história que precisa de ser contada e recontada para que nunca esqueçamos que, por trás dos números frios da escravatura, por trás das estatísticas históricas, havia pessoas reais com sonhos, medos, esperanças e capacidade de amar. Pessoas como Joaquim, que trabalhavam de sol a sol, mas ainda tinham bondade no coração para ajudar um estranho.

    Pessoas como Helena, que nasceram em berço de ouro, mas tiveram a humildade de reconhecer o valor em alguém que a sociedade considerava inferior. Esta história aconteceu em Campos dos Goitacazes, mas poderia ter acontecido em qualquer uma das milhares de fazendas que existiam pelo Brasil durante o período da escravatura.

    Quantas outras histórias parecidas aconteceram e se perderam no tempo? Quantos outros amores impossíveis floresceram nas sombras, longe dos olhos da sociedade? Quantos outros actos de coragem e bondade foram esquecidos? Nunca saberemos, mas sabemos desta, sabemos da história de Joaquim e Helena. E isso é suficiente para nos lembrar de que mesmo nos períodos mais sombrios da história, mesmo quando a crueldade e a injustiça parecem reinar absolutas, a bondade e o amor ainda encontram uma forma de florescer.

    Joaquim encontrou uma viúva machucada em frente a uma porteira e decidiu cuidar dela na cenzala. Esse simples acto de bondade desencadeou uma série de acontecimentos que resultaram em amor, liberdade, família e uma vida que nenhum dos dois poderia ter imaginado. Provaram que somos mais do que as circunstâncias em que nascemos, que podemos escolher nosso próprio caminho, mesmo quando todos dizem que é impossível.

    E essa é uma lição que continua relevante hoje. Quantas vezes deixamos de ajudar alguém porque temos medo das consequências? Quantas vezes permitimos que preconceitos e convenções sociais nos impeçam de seguir o coração? Quantas vezes escolhemos a segurança em vez da coragem? A história de Joaquim e Helena desafia-nos a ser melhores, a ver além das aparências, das diferenças, das barreiras que a sociedade constrói entre as pessoas, a ter coragem de fazer o que é certo, mesmo quando é perigoso, a acreditar que o amor pode conquistar

    tudo quando é verdadeiro. Então, da próxima vez que passardes por alguém que precisa de ajuda, lembrem-se de Joaquim, da escolha que ele fez naquela noite em frente à porteira, e perguntem-se: “Terei eu a mesma coragem? Farei eu a escolha certa, mesmo quando for difícil? Porque no fim não são as riquezas o status social ou o poder que definem uma vida bem vivida.

    São os actos de bondade, os momentos de coragem, as escolhas de seguir o coração. São as pessoas que amamos e que nos amam de volta. São os legados que deixamos para as gerações futuras. Joaquim e Helena deixaram um legado extraordinário, uma família grande e próspera, uma história de amor que atravessou gerações, uma prova viva de que é possível vencer a injustiça, de que o amor não conhece barreiras, de que a liberdade é um direito que vale a pena lutar por ela.

    E tudo começou com um escravo que encontrou uma viúva machucada em frente a uma porteira em campos dos goitacazes e fez a escolha mais corajosa da sua vida. A escolha de ajudar, a escolha de amar, a escolha de ser livre. Esta é a história deles. Uma história real que aconteceu no Brasil do século XIX. Uma história que nos ensina sobre coragem, amor e humanidade.

  • A verdade por trás dos salgados clandestinos — Um capítulo marcante da história de Pernambuco

    A verdade por trás dos salgados clandestinos — Um capítulo marcante da história de Pernambuco

    Em março de 2012, quando a Polícia Civil de Pernambuco invadiu uma casa simples no bairro Eliópolis, em Garanhuns, os investigadores encontraram algo que mudaria para sempre, a forma como o Brasil enxergaria o mal. Pedaços de carne humana cozinhando no fogão, ossos fervendo em panelas e um diário manuscrito com rituais de purificação que gelaram o sangue dos mais experientes.

    Mas o que realmente aterrorizou as autoridades não foi apenas o canibalismo, foi descobrir que por anos aquela carne tinha sido vendida em salgados pelas ruas da cidade, em padas, coxinhas, pastéis e centenas de pessoas inocentes tinham comido. Antes de continuar, escreva nos comentários de onde você está assistindo esse vídeo.

    Quero saber até onde nossas histórias estão chegando. Para entender como três pessoas comuns se transformaram nos canibais mais temidos do Brasil, precisamos voltar ao ano de 2004, as ruas empoeiradas do bairro Rio Doce, em Olinda, onde João Beltrão Montenegro, um homem de 42 anos, trabalhava como vendedor ambulante e cultivava uma obsessão que mudaria vidas para sempre.

    João não era diferente de milhares de brasileiros. Ensino fundamental incompleto, trabalho braçal, uma vida sem perspectivas numa periferia que o mundo preferia esquecer. Mas havia algo em seus olhos que incomodava os vizinhos, um brilho estranho, como se ele enxergasse coisas que outros não conseguiam ver.

    Nascido numa família evangélica conservadora, João cresceu ouvindo sobre o fim dos tempos sobre eleitos e condenados. Seu pai, um mecânico alcólatra, batia nele sempre que o pegava, conversando com anjos. Sua mãe morreu quando ele tinha 12 anos e João jurava que ela continuava falando com ele através dos sonhos. Aos 20 anos, ele já havia passado por três denominações religiosas diferentes.

    Batista, Assembleia de Deus, universal. Nenhuma satisfazia sua sede por respostas absolutas. João queria mais do que salvação. Ele queria propósito, queria ser especial. Foi em 2001 que tudo começou a mudar. Trabalhando como ajudante numa loja de produtos esotéricos no Recife, João descobriu literatura sobre purificação espiritual, controle populacional e teorias sobre raças superiores.

    Livros que misturavam cristianismo primitivo com ideologias extremistas europeias. O João sempre foi estranho. Relembra dona Maria Santos, antiga vizinha no Rio Doce. Ele ficava horas parado na calçada. olhando as pessoas passarem como se estivesse estudando elas, escolhendo. Em 2003, João começou a frequentar um terreiro de Umbanda na periferia de Olinda, não por fé, mas por curiosidade mórbida.

    Queria entender os rituais de sacrifício, os cortes, a manipulação do sangue. O pai de santo, Severino Alves, expulsou João após três meses. Aquele homem tinha algo podre dentro dele”, declarou Severino à polícia anos depois. Ele perguntava coisas que nenhum filho de santo pergunta sobre carne, sobre comer os espíritos dos mortos. Silvia Cristina Torres tinha 35 anos quando o conheceu na feira de Olinda.

    Divorciada, dois filhos pequenos, Rafael de 8 anos e Amanda de seis. vendia doces caseiros para sustentar a família depois que o ex-marido desapareceu sem pagar pensão. Era uma mulher simples, religiosa, que frequentava a Igreja Batista da Esperança todas as semanas e acreditava que Deus tinha um plano para cada pessoa. Ela não sabia que João também acreditava em planos divinos, mas os dele envolviam morte.

    O primeiro encontro aconteceu numa terça-feira de dezembro. Silvia estava vendendo cocadas quando João se aproximou da barraca. Comprou duas, elogiou a qualidade, perguntou sobre a vida dela com uma preocupação que parecia genuína. “Você tem um dom especial”, ele disse, olhando direto nos olhos dela.

    Suas mãos transformam ingredientes simples em algo sagrado. Era o tipo de elogio que Silvia nunca havia recebido. Nenhum homem jamais havia falado de suas mãos. como algo sagrado. João voltou todos os dias durante duas semanas, sempre comprando doces, sempre com palavras carinhosas, sempre perguntando sobre os filhos, sobre as dificuldades, sobre os sonhos que ela havia abandonado.

    O namoro começou devagar. João era carinhoso, atencioso, ajudava Silvia com os filhos, trazia presentes baratos, mas bem intencionados. levava Rafael para jogar bola no campinho do bairro. Penteava os cabelos de Amanda enquanto contava histórias bíblicas. Durante seis meses, foi o homem perfeito.

    Silvia finalmente havia encontrado alguém que a valorizava, alguém que enxergava nela mais do que uma mãe solteira lutando para sobreviver. Mas João estava apenas plantando sementes até a noite de junho de 2005, quando decidiu revelar suas verdadeiras crenças. O mundo está doente, Silvia. Ele sussurrou no escuro do quarto, enquanto os filhos dormiam no cômodo ao lado, cheio de pessoas ruins, impuras, prostitutas, viciados, gente que contamina a criação de Deus.

    E ele me mostrou o caminho para curar essa doença. Silvia tentou se levantar, mas João segurou sua mão com delicadeza. Não tenha medo. Deus me escolheu para uma missão e escolheu você para me ajudar. Documentos apreendidos pela Polícia Civil revelam que João mantinha 23 cadernos repletos de anotações místicas, desenhos anatômicos detalhados, símbolos que misturavam cristianismo com rituais africanos, teorias nazistas sobre purificação racial e interpretações distorcidas do apocalipse de João. Ele havia criado uma cosmologia própria. acreditava que Deus

    estava testando a humanidade através da corrupção, que apenas os puros mereciam viver e que ele, João Beltrão Montenegro, havia sido escolhido para identificar e eliminar os impuros. Não é assassinato, Silvia, é cirurgia espiritual.

    A manipulação funcionou porque João tocou na ferida mais profunda de Silvia, a necessidade de se sentir especial. Durante toda a vida, ela havia sido apenas mais uma mulher pobre numa periferia esquecida. Agora, de repente, era uma eleita de Deus. Silvia deveria ter fugido naquele momento. Deveria ter pegado os filhos e corrido. Mas a manipulação já havia infectado sua mente como um vírus silencioso.

    Em 2006, a vida do casal mudou drasticamente com a chegada de Camila Rodrigue Silva. Aos 19 anos, ela era tudo que Silvia não era. Jovem, bonita, vulnerável. havia fugido de casa em Caruaru após ser abusada pelo padrasto e trabalhava como doméstica na região metropolitana do Recife.

    João a conheceu numa parada de ônibus em casa amarela. Camila chorava, segurando uma mala de papelão e contando as moedas no bolso. Ela tinha apenas R$ 15 e lugar nenhum para dormir. João se aproximou com a mesma tática que havia usado com Silvia. ofereceu ajuda, comida, um lugar seguro para ficar.

    Falou sobre proteção divina, sobre como Deus nunca abandona os justos. “Você não está sozinha”, ele disse, enxugando as lágrimas dela. Deus me mandou te encontrar. Camila, sem família e sem opções, aceitou ir com ele. Não sabia que estava entrando numa armadilha que levaria 4 anos para se fechar.

    O que aconteceu nos meses seguintes foi uma manipulação psicológica tão sofisticada que até hoje psicólogos forenses estudam o caso nos cursos de criminologia da Universidade Federal de Pernambuco. João não apenas convenceu duas mulheres a dividirem o mesmo homem, ele as transformou em verdadeiras crentes de sua missão divina. “Vocês duas foram escolhidas”, ele explicava durante os cultos noturnos no quintal da casa.

    Silvia, a mãe espiritual, Camila, a filha perdida que encontrou o caminho. Juntas vocês são os instrumentos de Deus para a grande purificação. A estratégia era cruel e eficiente. Ele alimentava a carência emocional de ambas, ao mesmo tempo que criava uma competição sutil entre elas. Silvia queria provar que era digna do amor de João.

    Camila queria provar que merecia um lugar naquela família improvável. E João controlava tudo. Decidia quando cada uma podia se aproximar dele, quando mereciam carinho, quando precisavam ser corrigidas. Ele as transformou em escravas emocionais dispostas a qualquer coisa para manter o afeto que acreditavam ter conquistado. Ele falava como um profeta relatou dona Rosa Pereira, vizinha da família à polícia em 2012. Tinha resposta para tudo.

    Fazia as pessoas acreditarem que ele realmente conversava com Deus. Até eu chegava a duvidar se ele não era mesmo especial. A casa número 47 da Rua das Palmeiras, no Rio Doce, se tornou o quartel general de uma seita que ainda não tinha nome oficial. João passava entre 3 e 4 horas por dia pregando sobre purificação, sobre como certas pessoas eram marcadas para morrer e assim limpar o mundo de suas impurezas.

    Silvia e Camila ouviam em silêncio religioso, sentadas no chão de cimento queimado, absorvendo cada palavra como se fosse evangelho sagrado. João havia conseguido algo que poucos líderes religiosos conseguem. Devoção absoluta. As regras da casa eram simples e terríveis. Não questionar as decisões de João, não falar com vizinhos sobre os ensinamentos, não sair sozinhas, não comer carne que não tivesse sido abençoada por ele.

    As primeiras vítimas foram animais, gatos de rua que João capturava durante as madrugadas, cachorros abandonados que seguiam Silvia quando ela saía para comprar mantimentos. João dizia que era treinamento espiritual, que eles precisavam se acostumar com a morte, com o sangue, com o processo de transformar vida em alimento sagrado.

    É assim que nossos ancestrais faziam, ele explicava enquanto esquartejava um gato no quintal, antes da contaminação moderna, antes das pessoas esquecerem que comer é um ato sagrado. E as duas mulheres obedeciam por amor, por medo, por uma fé distorcida que crescia como tumor maligno a cada ritual noturno. Os vizinhos do rio Doce começaram a notar mudanças estranhas na rotina da família. O trio saía apenas após o pô do sol.

    Comam quantidades excessivas de sal grosso, pimenta e ervas na feira. Silvia, que antes sorria para todos, agora caminhava de cabeça baixa, como se carregasse um peso invisível. O cheiro que vinha da casa às vezes era diferente, doce demais, metálico, como o ferro derretido misturado com açúcar queimado.

    A gente achava que eram os doces da Silvia. Lembra seu Antônio? aposentado, que morava na casa ao lado, mas era um cheiro meio estranho, enjoativo. Minha esposa sempre fechava as janelas quando vinha dali, mas ninguém suspeitava da verdade. Como poderiam? Eram apenas três pessoas comuns numa periferia brasileira. Três pessoas que estavam prestes a transformar uma crença distorcida numa realidade que faria o Brasil inteiro questionar os limites da maldade humana.

    Em dezembro de 2007, João decidiu que era a hora de dar o próximo passo. O treinamento havia terminado. A fé das suas seguidoras estava inabalável. O mundo precisava ser purificado através do que ele chamava de comunhão suprema. Eles precisavam provar a carne humana, precisavam consumir a essência dos impuros para se tornarem verdadeiramente puros.

    João só não sabia que a primeira vítima já estava escolhida e que seria o início de uma jornada que transformaria uma casa simples do Rio Doce no berço do maior caso de canibalismo da história brasileira. Aceita cartel estava prestes a nascer e suas primeiras palavras seriam escritas com sangue. Janeiro de 2008 marcou uma mudança radical na dinâmica do trio.

    João havia decidido que era hora de oficializar sua missão divina. A casa no Rio Doce, que antes abrigava uma família disfuncional, se transformou no templo de uma religião que nascia das trevas da mente humana. Precisamos de um nome”, João anunciou durante um dos cultos noturnos. Deus me revelou em sonhos. Seremos o cartel. A escolha não era acidental.

    João explicou às suas seguidoras que a palavra cartel representava união, controle e poder absoluto. Eles não eram apenas um grupo religioso, eram uma organização com missão específica, controlar quem merecia viver e quem precisava morrer. Silvia e Camila aceitaram o nome sem questionar, há meses que não questionavam mais nada.

    A manipulação psicológica havia chegado ao estágio final, dependência total. Os rituais se tornaram mais elaborados. João criou uma hierarquia rígida, onde ele era o purificador supremo. Silvia era a mãe guardiã e Camila a filha da transformação. Cada uma tinha responsabilidades específicas no que João chamava de processo de limpeza mundial. Documentos apreendidos pela Polícia Civil revelam que João mantinha um calendário detalhado com datas sagradas.

    Lua nova era para jejum e meditação, lua cheia para os rituais de purificação. E as sextas-feiras eram reservadas para o que ele denominava comunhão suprema. A humanidade está contaminada há séculos. João pregava enquanto caminhava pelo quintal da casa, gesticulando como um profeta bíblico. Prostitutas, viciados, criminosos, pessoas sem Deus no coração.

    Eles infectam os puros apenas existindo. A teoria de João sobre purificação misturava elementos cristãos distorcidos com ideologias extremistas que havia absorvido durante anos de leitura obsessiva. Ele acreditava que certas pessoas carregavam uma essência impura que contaminava o ambiente ao redor e que a única forma de neutralizar essa contaminação era através do que chamava de absorção purificadora, comer a carne dos impuros.

    Quando consumimos a essência de alguém contaminado, ele explicava com a calma de um professor universitário, nós neutralizamos o mal que essa pessoa espalha pelo mundo e ao mesmo tempo, fortalecemos nossa própria pureza. A lógica era doentia, mas João tinha uma habilidade perturbadora de tornar o absurdo convincente. Ele citava versículos bíblicos fora de contexto, misturava conceitos de diferentes religiões e criava uma narrativa que fazia sentido apenas dentro do universo mental que havia construído. Silvia foi a primeira aceitar completamente a doutrina. Sua fé

    cega em João a tornava incapaz de questionar qualquer ensinamento, por mais extremo que fosse. Ela acreditava genuinamente que estava participando de uma missão divina. Camila demorou mais para ser convencida. Aos 20 anos, ainda mantinha resquícios de consciência moral. Mas João sabia exatamente como quebrar suas resistências.

    “Você sofreu nas mãos de homens impuros.” Ele sussurrava. durante as sessões de aconselhamento espiritual que aconteciam no quarto do casal, seu padrasto te contaminou, mas aqui você pode se vingar de todos os homens como ele. Pode transformar sua dor em poder. A manipulação funcionou porque tocou na ferida mais profunda de Camila, a raiva reprimida contra o abuso que havia sofrido.

    João transformou seu trauma em combustível para o ódio e o ódio em justificativa para o que viria a seguir. Em fevereiro de 2008, aita Cartel estabeleceu suas regras definitivas. Eram sete mandamentos que João havia recebido em revelação. Primeiro, apenas o purificador supremo decide quem deve morrer. Segundo, a morte dos impuros é um ato sagrado, não um crime.

    Terceiro, o sangue derramado deve ser oferecido à terra como sacrifício. Quarto, a carne consumida deve ser preparada com sal e ervas sagradas. Quinto, nenhum pedaço pode ser desperdiçado. Tudo tem propósito divino. Sexto, os ossos devem ser queimados em ritual específico. Sétimo, o segredo da seita deve ser protegido até a morte.

    As regras eram escritas à mão num caderno vermelho que João guardava como se fosse uma relíquia sagrada. Silvia e Camila precisavam recitá-las todas as noites antes de dormir, mas havia um oitavo mandamento não escrito. A seita precisava se sustentar financeiramente e João havia encontrado uma forma perfeita de combinar propósito religioso com necessidade econômica. Os salgados.

    Deus me mostrou uma visão. Ele anunciou numa madrugada de março: “Vamos levar nossa purificação para o mundo. Vamos alimentar as pessoas com a essência transformada dos impuros. Assim, toda a cidade participará da nossa missão sem nem saber.” A ideia era ao mesmo tempo genial e aterrorizante. Eles usariam a carne das vítimas para fazeras, coxinhas e pastéis que seriam vendidos nas ruas de diferentes cidades pernambucanas.

    O produto da purificação se tornaria literal e simbólico. Silvia, que tinha experiência em culinária por causa dos doces que vendia na feira, seria responsável pela preparação. Camila ajudaria com os temperos e o preparo da massa. João supervisionaria todo o processo e escolheria os locais de venda.

    Assim, cada pessoa que comer nossos salgados estará participando da purificação mundial. João explicava com os olhos brilhando de fanatismo. Eles não vão saber, mas estarão consumindo a transformação do mal em bem. Para testar a teoria, eles começaram com os animais que capturavam. Gatos e cachorros mortos eram transformados em carne moída, temperada com ervas que João considerava sagradas e usada no recheio de salgados que as mulheres vendiam discretamente na periferia de Olinda.

    Os vizinhos compravam, elogiavam o sabor diferenciado, pediam mais. A Silvia tinha um tempero especial, lembra dona Francisca, que comprou salgados da família durante meses. Era um gosto meio doce, meio salgado, diferente de tudo que eu já tinha provado. O sucesso inicial convenceu João de que Deus estava abençoando a missão. Era hora de dar o próximo passo.

    Em abril de 2008, ele anunciou que havia chegado a hora da primeira purificação humana. Deus havia revelado o nome da primeira vítima, uma jovem que representava tudo de impuro no mundo moderno. Ela é prostituta, viciada e desrespeitosa com os pais”, João declarou durante um culto noturno.

    “É perfeita para iniciar nossa missão verdadeira. Se inscrevam no canal, pois temos mais histórias como essa para contar.” O nome da vítima era Giovana Reis Oliveira, 17 anos, estudante do ensino médio numa escola pública de Olinda, filha de uma família trabalhadora do bairro Jardim Atlântico. João a havia observado durante semanas, anotado sua rotina, estudado seus hábitos e decidido que ela seria o sacrifício inaugural do cartel.

    Ele não sabia que estava prestes a cruzar uma linha que transformaria três pessoas comuns nos criminosos mais procurados de Pernambuco. Uma linha que uma vez atravessada os levaria direto ao inferno que eles mesmos haviam criado. Aceita Cartel havia nascido oficialmente e sua primeira palavra seria escrita com o sangue de uma adolescente que apenas queria terminar os estudos e ajudar a família.

    O mal havia encontrado sua forma definitiva e estava pronto para se alimentar. Mas João, Silvia e Camila ainda não sabiam que essa primeira morte seria apenas o começo de uma espiral de horror que duraria 4 anos e chocaria o Brasil inteiro. Eles acreditavam estar salvando o mundo. Na verdade, estavam destruindo a própria humanidade que carregavam dentro de si.

    A primeira vítima os aguardava sem saber que havia sido escolhida para morrer. E a cidade de Garanhuns, a 300 km de distância, ainda não imaginava que se tornaria o palco dos crimes mais perturbadores da história criminológica brasileira. O cartel estava pronto para mostrar ao mundo do que era capaz, e o mundo não estava preparado para testemunhar tamanha maldade disfarçada de fé.

    Giovana Reis Oliveira tinha 17 anos quando cruzou o caminho de João Beltrão Montenegro numa terça-feira de maio de 2008. Ela voltava da escola técnica, onde estudava enfermagem, quando o homem de olhar penetrante se aproximou na parada de ônibus do bairro Jardim Atlântico em Olinda. “Você parece uma menina responsável”, João disse com um sorriso que parecia genuíno. “Tenho uma proposta de trabalho que pode interessar.

    ” Giovana hesitou. A família passava por dificuldades financeiras desde que o pai Antônio Reis havia perdido o emprego na fábrica de tecidos. Sua mãe, Conceição Oliveira, trabalhava como fachineira em casas de família, mas o salário mal cobria as despesas básicas.

    A proposta de João era simples, trabalhar como doméstica na casa dele em Rio Doce. Salário de 400 por mês, mais alimentação e moradia. Para uma família que sobrevivia com menos de R$ 500 mensais, era uma oferta irrecusável. É para cuidar da casa e ajudar minha esposa com os afazeres João explicou. Trabalho honesto, ambiente familiar, o que Giovana não sabia.

    é que havia sido observada durante semanas. João estudara sua rotina, conhecia seus horários, sabia que ela era vulnerável financeiramente. A aproximação não foi casual, foi uma caçada cuidadosamente planejada. Registros da Escola Estadual Maria José Albuquerque mostram que Giovana era uma aluna exemplar. Notas altas, comportamento irrepreensível, sonhava em se formar em enfermagem e trabalhar no hospital da restauração, no Recife.

    Seus professores a descreviam como uma menina de ouro, com futuro brilhante pela frente. A Giovana era especial. Relembra Maria Santos, sua professora de português. Inteligente, educada, sempre disposta a ajudar os colegas. Quando soubemos que ela havia arranjado um emprego como doméstica, ficamos preocupados. Uma menina com aquele potencial merecia coisa melhor.

    Em 26 de maio de 2008, Giovana se despediu da família pela última vez. Carregava uma mala de pano com suas poucas roupas e os livros escolares que pretendia continuar estudando nas horas vagas. Sua mãe a abençoou na porta de casa. sem imaginar que nunca mais veria a filha viva.

    A casa no Rio Doce recebeu Giovana com uma encenação perfeita de normalidade familiar. Silvia se mostrou carinhosa e maternal. Camila, apenas três anos mais velha que a recém-chegada, fingiu ser uma irmã mais velha protetora. João mantinha uma postura paternal, respeitosa. Durante três meses, Giovana viveu uma rotina aparentemente normal.

    Acordava cedo, preparava o café, limpava a casa, ajudava Silvia na cozinha. À noite estudava seus livros de enfermagem à luz de uma lâmpada fraca no quartinho que lhe haviam dado, mas estava sendo cuidadosamente observada. João estudava cada movimento, cada reação, cada traço da personalidade da menina. Ele precisava conhecer perfeitamente sua vítima antes de agir.

    A Giovana era inocente demais, Camila confessou anos depois, durante interrogatório policial. Ela acreditava que éramos uma família de verdade, que João era um homem bom, que Silvia era como uma mãe para ela. Lentamente, João começou a introduzir elementos de doutrinação religiosa. Falava sobre pureza, sobre pessoas escolhidas por Deus, sobre missões especiais.

    Giovana, criada numa família católica tradicional, ouvia com respeito as pregações que João dizia ter recebido em revelação. “Você é especial, Giovana”, ele repetia durante as longas conversas noturnas no quintal: “Deus tem planos grandes para sua vida”. O que João não revelava é que esses planos envolviam a morte dela.

    Em agosto de 2008, começaram os rituais. João convenceu Giovana de que ela precisava participar de sessões de purificação espiritual para se tornar uma pessoa melhor. A menina, confiante na família que a havia acolhido, aceitou participar. Os primeiros rituais eram aparentemente inofensivos.

    Orações em círculo, jejuns de purificação, banhos com ervas que João dizia serem sagradas. Giovana participava de tudo com a fé sincera de uma adolescente que acreditava estar crescendo espiritualmente. Mas João estava apenas preparando o terreno para o que viria a seguir. A transformação de Giovana em vítima foi gradual e cruel. João começou a isolá-la do mundo exterior.

    Convenceu-a de que a família não a procurava porque estava decepcionada com suas escolhas. Que o mundo lá fora era perigoso e impuro, que apenas ali, naquela casa, ela estaria verdadeiramente segura. Ele mexia com a cabeça dela. Silvia revelou durante judicial.

    Fazia ela acreditar que nós éramos a única família de verdade que ela tinha. Em setembro, João anunciou que Giovana havia sido escolhida para uma missão especial. Ela seria a primeira a passar pelo ritual de purificação suprema, um processo que a transformaria numa pessoa completamente pura, livre de todas as contaminações do mundo moderno.

    Giovana acreditou como uma ovelha sendo conduzida ao matadouro, ela caminhou voluntariamente para o próprio sacrifício. A noite de 26 de setembro de 2008 foi cuidadosamente planejada. João escolheu uma sexta-feira de Lua Nova, data que considerava ideal para rituais de transformação. Silvia preparou uma refeição especial.

    Camila decorou o quintal com velas e flores. Tudo parecia uma celebração. “Hoje você vai nascer de novo, Giovana”, João anunciou durante o jantar. “Vai se tornar pura como os anjos”. Após a refeição, eles se dirigiram ao quintal para o que João chamou de cerimônia de purificação final. Giovana vestia um vestido branco que Silvia havia costurado especialmente para a ocasião.

    Ela sorria genuinamente feliz por ter sido escolhida para algo que acreditava ser sagrado. O que aconteceu naquele quintal durante a madrugada de 27 de setembro foi reconstruído anos depois. através dos depoimentos dos próprios criminosos. Detalhes tão perturbadores que o promotor André Rabelo precisou fazer pausas durante os interrogatórios.

    João matou Giovana com um golpe de facão na nuca enquanto ela estava ajoelhada em oração. A menina não teve tempo de entender o que estava acontecendo. Morreu acreditando que estava participando de um ritual sagrado. Mas a morte foi apenas o começo do horror. Seguindo os mandamentos da seita cartel, João, Silvia e Camila esquartejaram o corpo de Diovana com a precisão de açueiros.

    profissionais separaram a carne em porções, retiraram os órgãos internos, quebraram os ossos maiores para facilitar o manuseio. Parte da carne foi consumida naquela mesma madrugada, durante o que João chamou de comunhão purificadora. Os três comeram a carne de Giovana, temperada com sal grosso e ervas, acreditando que estavam absorvendo a pureza da menina. O restante foi cuidadosamente processado.

    Silvia, usando a experiência culinária que havia desenvolvido vendendo doces, transformou a carne de Giovana em ingrediente para salgados, padas, coxinhas, pastéis. Durante duas semanas, esses salgados foram vendidos nas ruas de Olinda e Recife.

    Centenas de pessoas compraram e comeram, sem imaginar que estavam consumindo os restos de uma adolescente assassinada. O tempero da Silvia estava especial naqueles dias. Lembra um cliente habitual que a polícia localizou anos depois. Tinha um sabor diferente, mais encorpado. Cheguei a perguntar qual era o segredo. O segredo era Giovana Reis Oliveira.

    Os pais de Giovana procuraram a polícia quando a filha não deu notícias. Foram à casa em Rio Doce. Mas João disse que ela havia ido embora sem avisar. que havia arranjado um emprego melhor em Recife. A família registrou o boletim de ocorrência, mas a polícia tratou o caso como mais um desaparecimento de menor em situação de vulnerabilidade social.

    Não havia indícios de crime, apenas uma doméstica que havia mudado de emprego sem avisar os patrões. Giovana se tornou mais uma estatística, mais um nome numa lista de pessoas desaparecidas que ninguém investigava com seriedade. João, Silvia e Camila continuaram suas vidas normalmente. O ritual de purificação havia sido um sucesso. Eles se sentiam mais puros, mais próximos de Deus, mais confiantes na missão que acreditavam ter recebido. Mas algo havia mudado irreversivelmente no trio.

    Cruzar a linha entre morte, entre humanidade e monstruosidade, havia despertado neles um apetite que não conseguiriam mais controlar. Se existem pessoas que se tornam monstros, elas estavam aprendendo que matar não era difícil, que esquartejar era prático, que comer carne humana era apenas questão de tempero adequado.

    A primeira vítima havia alimentado não apenas seus corpos, mas também sua sede. Por mais aceita cartel, havia provado sangue e agora queria mais. Giovana Reis Oliveira se tornou a primeira de uma série que duraria 4 anos e chocaria o Brasil inteiro. Mas naquele momento ela era apenas uma menina de 17 anos, cujo sonho de ser enfermeira havia sido interrompido pela maldade de pessoas que ela considerava família.

    João já planejava a próxima vítima e desta vez eles não ficariam 4 anos escondidos numa periferia de Olinda. Era hora de levar a missão para uma cidade maior, para um lugar onde pudessem expandir os negócios e purificar mais pessoas. Era hora de ir para Garanhuns. Após o assassinato de Giovana, o trio permaneceu em Olinda por mais três anos, não por remorço ou medo, mas por cautela estratégica.

    João havia decidido que precisavam aperfeiçoar seus métodos antes de expandir a missão sagrada. Durante esse período, a Seita Cartel operou como uma empresa familiar sinistra. Silvia desenvolveu técnicas culinárias cada vez mais sofisticadas para disfarçar o sabor e a textura da carne humana nos salgados. Camila se especializou em identificar potenciais vítimas nas ruas da região metropolitana do Recife e João aprimorou seus métodos de manipulação psicológica.

    Mas em 2011 a situação mudou dramaticamente. Os vizinhos do Rio Doce começaram a fazer perguntas inconvenientes sobre o cheiro que vinha da casa. Algumas pessoas se lembraram da menina que havia trabalhado como doméstica e desaparecido misteriosamente. “A paranoia de João cresceu. Está na hora de mudar.” Ele anunciou durante um culto noturno em dezembro de 2011.

    Deus me revelou um lugar novo para continuarmos a purificação, uma cidade onde poderemos trabalhar sem interferências. A cidade escolhida foi Garanhuns, no agreste pernambucano. João havia visitado a região algumas vezes durante viagens de negócios, quando ainda trabalhava como vendedor ambulante. Conhecia a dinâmica local, cidade média, movimento comercial intenso, muitos forasteiros circulando. O lugar perfeito para se misturar sem chamar atenção.

    Em janeiro de 2012, o trio se mudou para uma casa alugada no bairro Eliópolis. Residência simples, mas estrategicamente localizada, próxima ao centro comercial, mas isolado o suficiente para manter privacidade. João havia escolhido o local após duas semanas de observação cuidadosa.

    A casa da rua São Paulo, número 134, se tornou o novo quartel general da Seita Cartel e também o cenário dos crimes mais perturbadores da história de Garanhuns. Aqui vamos poder trabalhar adequadamente”, João explicou à suas companheiras enquanto organizavam os poucos móveis no imóvel. Deus preparou este lugar para expandirmos nossa missão.

    A adaptação à nova cidade foi rápida e eficiente. Silvia alugou um ponto no mercado municipal para vender salgados. Camila conseguiu trabalho como vendedora numa loja de roupas no centro. João se apresentou como comerciante autônomo, transitando entre diferentes negócios.

    Para os vizinhos de Heliópolis, eles eram apenas mais uma família nordestina em busca de melhores oportunidades. Ninguém suspeitava que haviam acabado de receber os canibais mais perigosos do país. Durante o primeiro mês em Garanhuns, João estabeleceu novas regras operacionais para a seita. A experiência com Giovana havia mostrado que sequestrar vítimas e mantê-las em casa era arriscado.

    O novo método seria mais direto, atrair, matar rapidamente e desaparecer com o corpo. Eficiência é pureza. Ele pregava durante os rituais noturnos no quintal da nova casa. Quanto menos tempo entre a escolha e a purificação, melhor. Em fevereiro de 2012, João identificou a primeira vítima de garanhuns, Vanessa Lima Rocha, de 31 anos.

    Vanessa era exatamente o perfil que João procurava. Mulher solteira, sem vínculos familiares fortes na cidade, vida social discreta. havia-se mudado para Garanhuns havia apenas seis meses. Trabalhava como secretária num escritório de contabilidade e morava sozinha num apartamento no centro. João a observou durante duas semanas, anotou sua rotina, saía de casa às 7:30, almoçava sempre no mesmo restaurante, voltava do trabalho às 18 horas, frequentava uma academia três vezes por semana.

    Vida previsível, vulnerabilidades identificáveis. A abordagem aconteceu numa terça-feira de fevereiro, na saída da academia. João se aproximou de Vanessa, fingindo ser um empresário local interessado em contratar serviços de secretariado para uma empresa que estava montando. “Soube que você trabalha com contabilidade”, ele disse com o charme que havia desenvolvido ao longo dos anos. Tem uma proposta que pode interessar.

    Trabalho extra, boa remuneração. Vanessa, sempre interessada em renda adicional, aceitou conversar. João sugeriu que se encontrassem no sábado seguinte para discutir detalhes. O local seria a casa dele, onde poderiam conversar com mais privacidade. Era 25 de fevereiro de 2012, quando Vanessa Lima Rocha se dirigiu à casa da rua São Paulo, 134, acreditando que participaria de uma entrevista de emprego.

    usava sua melhor roupa, carregava currículo atualizado e estava esperançosa com a possibilidade de melhorar sua situação financeira. Ela não sabia que estava caminhando para a própria morte. João a recebeu com cortesia exagerada. Apresentou Silvia como sua esposa e sócia nos negócios. Camila foi apresentada como secretária da empresa.

    Tudo parecia profissional e legítimo. Durante uma hora, eles conversaram sobre trabalho, responsabilidades, salário. Vanessa se mostrou interessada e competente. João fingiu estar impressionado com seu currículo. “Você é perfeita para o que precisamos”, ele disse com um sorriso que não chegava aos olhos.

    Mas antes de fecharmos o acordo, preciso que você conheça a natureza especial do nosso trabalho. Foi então que João revelou a verdadeira natureza da empresa. Falou sobre purificação, sobre missão divina, sobre pessoas escolhidas para morrer. Vanessa tentou sair, mas Silvia havia trancado a porta discretamente. Você foi escolhida por Deus. João explicou com a calma de quem recita uma receita culinária.

    Sua morte vai purificar o mundo. É uma honra. O assassinato de Vanessa foi mais rápido que o de Giovana. João havia aprendido que prolongar o sofrimento era desnecessário e arriscado. Um golpe certeiro na nuca com um martelo de carpinteiro. Morte instantânea. O ritual de esquartejamento seguiu os mesmos padrões estabelecidos 4 anos antes.

    Silvia comandou o processo com a eficiência de uma profissional. Camila ajudou sem demonstrar nenhuma emoção. Parte da carne foi consumida pelos três na mesma noite. O restante foi cuidadosamente processado e transformado em recheio para os salgados que Silvia vendia no mercado municipal. Durante duas semanas, os clientes de Silvia consumiram Vanessa Lima Rocha sem saber.

    elogiavam o tempero diferenciado, pediam a receita, compravam quantidades maiores. Dona Silvia tinha um dom especial, lembra Maria José, comerciante que tinha banca próxima no mercado. Os salgados dela sempre tinham um sabor único, mas encorpado, sabe? Diferente de tudo que eu já provei, a família de Vanessa em São Paulo, só percebeu o desaparecimento uma semana depois, quando ela não respondeu às ligações habituais.

    Acionaram a polícia de Garanhuns, mas não havia pistas concretas. Vanessa havia simplesmente desaparecido. O delegado responsável pelo caso, Dr. Carlos Mendonça, tratou a ocorrência como desaparecimento voluntário. Mulher adulta, solteira, sem dívidas conhecidas, provavelmente mudou de cidade em busca de melhores oportunidades. João, Silvia e Camila acompanharam as notícias sobre o desaparecimento com interesse profissional.

    Analisaram os erros, identificaram os acertos, planejaram melhorias para a próxima operação, porque já estava claro que haveria uma próxima. O sucesso da operação havia confirmado a eficiência dos novos métodos. Garanhuns se mostrou o ambiente ideal para expandir a missão do cartel e havia tantas pessoas impuras na cidade que precisavam ser purificadas.

    Em março de 2012, João começou a observar a próxima vítima, Tatiana Alves Moura, de 25 anos. Tatiana era natural de Caruaru e havia se mudado para Garanhuns após conseguir emprego como vendedora numa loja de eletrodomésticos. morava numa pensão no bairro Santo Antônio e enviava parte do salário para ajudar a mãe doente. Era o perfil perfeito, vulnerável socialmente, sem rede de proteção local, rotina previsível. A observação durou uma semana.

    João identificou que Tatiana tinha o hábito de voltar do trabalho sempre pelo mesmo caminho, sozinha, por uma rua pouco movimentada. Era a oportunidade que ele procurava. Em 12 de março de 2012, quando Tatiana voltava do trabalho, João a abordou, fingindo estar perdido e pedindo informações. Durante a conversa, ele mencionou que estava procurando vendedoras experientes para trabalhar numa nova loja que pretendia abrir.

    “Você tem o perfil que procuro”, ele disse com o charme ensaiado. “Que tal conversarmos melhor amanhã? Posso buscar você depois do trabalho. Tatiana, sempre interessada em crescer profissionalmente, aceitou a proposta. Combinou de encontrar João na saída da loja no dia seguinte. Era 13 de março, quando Tatiana Alves Moura entrou no carro de João Beltrão Montenegro pela última vez.

    Ela acreditava que estava indo para uma entrevista de emprego que mudaria sua vida. estava certa sobre a mudança, mas não sobre o tipo de mudança que a aguardava. O terceiro assassinato da Seita Cartel seria ainda mais calculado que os anteriores. João havia aperfeiçoado seus métodos. Silvia dominava completamente o processo de transformar corpos humanos em alimento comercializável.

    E Camila desenvolvia uma frieza emocional que impressionava até mesmo João. A máquina de matar estava funcionando perfeitamente e Garanhuns não imaginava que abrigava os criminosos mais perigosos do país. na loja de eletrodomésticos onde Tatiana trabalhava. Os colegas estranharam quando ela não apareceu no dia seguinte ligaram para a pensão, mas a proprietária disse que ela havia saído normalmente para trabalhar.

    Foi o início de mais um desaparecimento que a polícia trataria como caso rotineiro. Mais uma pessoa que simplesmente desapareceu sem deixar rastros. Mas desta vez algo seria diferente. Um detalhe aparentemente insignificante começaria a unir os pontos e levar as autoridades até a casa do horror em Heliópolis.

    O erro que João não previu estava prestes a acontecer. E com ele o fim de 4 anos de crimes perfeitos. O erro que levaria à queda da Seita Cartel começou com um descuido aparentemente insignificante. Após assassinar Tatiana Alves Moura, em 13 de março de 2012, João cometeu o primeiro deslize em 4 anos de crimes perfeitos.

    Permitiu que Camila usasse o cartão de crédito da vítima. Era só para testar se ainda funcionava. Camila confessaria anos depois durante interrogatório. João queria saber se a família já havia cancelado. O teste revelou mais do que esperavam. O cartão estava ativo e Camila comprou produtos básicos numa farmácia do centro de Garanhuns.

    Compras pequenas, insignificantes, mas que deixaram um rastro digital que não existia nos casos anteriores. Três dias depois, quando a família de Tatiana em Caruaru recebeu a fatura do cartão pelo correio, tudo mudou. Havia uma compra feita após o desaparecimento da filha em Garanuns. Minha filha sumiu no dia 13.

    Dona Lúcia Moura disse ao telefone para o atendimento do banco. Como pode ter compra no cartão dela no dia 15? O banco confirmou. Transação realizada na farmácia São José, centro de Garanhuns, 15 de março, 1437. Mineiro. Valor 23,50. comprador, uma mulher de aproximadamente 20 anos, cabelos castanhos usando blusa azul.

    Dona Lúcia ligou imediatamente para a delegacia de Garanhuns. Desta vez, o caso não seria tratado como desaparecimento voluntário. Havia evidência de atividade criminosa. O delegado Carlos Mendonça assumiu pessoalmente a investigação. Veterano com 25 anos de experiência policial, ele havia desenvolvido um instinto apurado para casos complexos e alguma coisa naquele desaparecimento não batia.

    Duas mulheres desaparecidas em menos de um mês. Ele anotou no relatório inicial. Perfis similares, faixa etária próxima, ambas sem vínculos familiares fortes na cidade. A primeira ação foi revisar as câmeras de segurança da farmácia São José. As imagens mostraram claramente uma jovem morena, aparentando 20 e poucos anos, comprando produtos básicos com o cartão de Tatiana.

    O rosto estava nítido o suficiente para a identificação. Simultaneamente, a equipe investigativa começou a traçar conexões entre os dois desaparecimentos. Vanessa Lima Rocha havia sumido em 25 de fevereiro. Tatiana Alves Moura em 13 de março. Ambas solteiras, trabalhadoras, sem histórico de problemas psicológicos ou financeiros. Não é coincidência.

    Mendonça disse para sua equipe durante reunião na delegacia: “Alguém está caçando mulheres nesta cidade”. A investigação ganhou urgência quando uma terceira similaridade foi descoberta. Tanto Vanessa quanto Tatiana haviam mencionado para conhecidos que receberam propostas de emprego poucos dias antes de desaparecer.

    Maria José, colega de trabalho de Tatiana, prestou depoimento crucial. Ela estava animada. disse que um empresário a havia abordado com proposta de emprego melhor. Ia se encontrar com ele depois do trabalho. O padrão estava se formando. Alguém usava ofertas de emprego para atrair vítimas. Alguém que conhecia a cidade sabia identificar pessoas vulneráveis e tinha local adequado para esconder evidências.

    Mendonça solicitou reforços da Polícia Civil de Recife. O caso estava ganhando contornos de serial killer e ele precisava de especialistas em crimes em série. A equipe expandida começou um trabalho meticuloso de investigação. Entrevistaram comerciantes do centro, donos de estabelecimentos onde as vítimas eram conhecidas, motoristas de táxi, seguranças de lojas. Alguém tinha que ter visto algo.

    Foi José Antônio, taxista veterano de Garanhuns, que forneceu a primeira pista concreta. “Lembro sim dessa moça”, ele disse ao ser mostrada a foto de Tatiana. Vi ela entrando num Fiat Uno no branco na rua da loja onde trabalhava. Era um homem mais velho dirigindo, uma mulher no banco do carona. A descrição do veículo foi fundamental.

    Fiat no branco, modelo antigo, placa com letras PEF. A equipe começou a rastrear veículos com essas características na região. Enquanto isso, João, Silvia e Camila continuavam suas atividades normalmente. Não sabiam que estavam sendo procurados, mas a paranoia natural de João aumentava a cada dia.

    Estão fazendo muitas perguntas na cidade, Camila relatou após um dia de trabalho na loja. A polícia anda perguntando sobre mulheres desaparecidas. João tomou a decisão que selaria o destino da seita, acelerar o cronograma. Em vez de esperar meses antes do próximo crime, como fazia habitualmente, ele decidiu agir rapidamente.

    Uma quarta vítima eliminaria as suspeitas ao criar confusão temporal na investigação. Era uma lógica distorcida, mas fazia sentido na mente perturbada do líder da seita. Se a polícia estava procurando padrões temporais, ele quebraria o padrão. A quarta vítima escolhida foi Sandra Melo, de 29 anos, professora primária que havia se mudado para Garanhuns havia pouco tempo.

    Ela se encaixava perfeitamente no perfil, solteira, poucos vínculos locais, rotina previsível, mas João não sabia que a investigação havia chegado mais perto do que imaginava. Em 15 de março, a equipe de Mendonça localizou o Fiat Uno no Branco. O veículo estava registrado em nome de João Beltrão Montenegro, residente na rua São Paulo, 134, bairro Eliópolis.

    A consulta aos antecedentes revelou informações perturbadoras. João tinha histórico de passagem por clínicas psiquiátricas em Recife, registros de envolvimento com grupos religiosos extremistas e uma queixa de 2009 por comportamento estranho, arquivada sem investigação. Encontramos nosso suspeito. Mendonça anunciou para a equipe: “Vamos fazer vigilância discreta antes de agir.

    ” A observação da casa em Heliópolis começou em 16 de março. Durante 48 horas, policiais a paisana monitoraram a movimentação do trio. O que viram confirmou as suspeitas mais sombrias. João, Silvia e Camila mantinham horários noturnos.

    Saíam pouco durante o dia, mas tinha movimento intenso na casa durante as madrugadas. Vizinhos relataram cheiros estranhos vindos do quintal, especialmente aos finais de semana. Mais perturbador, Silvia frequentava o mercado municipal diariamente, vendendo salgados que tinham procura acima da média. Clientes elogiavam o sabor diferenciado, mas ninguém questionava a origem dos ingredientes.

    Em 18 de março, a equipe interceptou uma conversa telefônica entre João e um contato não identificado. Ele falava sobre mercadoria especial e entregas programadas. O vocabulário comercial disfarçava algo muito mais sinistro. Mendonça decidiu que era hora de agir. As evidências circunstanciais eram suficientes para mandado de busca e apreensão, mas ele não estava preparado para o que encontraria na casa do horror.

    Se essa história já te arrepiou até aqui, compartilhe o vídeo para que mais gente descubra essa parte esquecida do país. A operação foi planejada para a madrugada de 19 de março de 2012. três equipes, uma para cercar a casa, outra para revistas nos fundos, uma terceira para entrada principal. Mendonça queria evitar que evidências fossem destruídas.

    Às 5:30 da manhã, quando o primeiro raio de sol tocava os telhados de Heliópolis, 12 policiais cercaram a casa da rua São Paulo, 134. O que encontraram dentro mudaria para sempre a forma como o Brasil enxergava os limites da maldade humana. A primeira coisa que chamou atenção foi o cheiro, doce e metálico ao mesmo tempo, como açúcar queimado misturado com ferro derretido, um odor que grudava na garganta e fazia o estômago revirar.

    No quintal, panelas enormes ferviam sobre fogões improvisados. Dentro delas, ossos humanos em diferentes estágios de cocão, costelas, fêmores, fragmentos de crânios, como se alguém estivesse preparando uma sopa macabra. Na cozinha, a cena era ainda mais perturbadora. Pedaços de carne humana organizados sobre tábuas de corte, alguns já temperados com sal e ervas, outros sendo processados numa máquina de moer carne doméstica.

    Sobre o fogão, três panelas conham o que parecia ser recheio para salgados. Carne moída temperada, pronta para ser usada em empadas e coxinhas. Carne que havia sido pessoas vivas apenas dias antes. “Meu Deus!”, sussurrou o investigador Marcos Silva ao entrar na cozinha. “Eles estão cozinhando gente.” João, Silvia e Camila foram encontrados dormindo tranquilamente no quarto principal.

    Não tentaram resistir à prisão, pelo contrário, pareciam quase aliviados por finalmente poder falar sobre suas obras sagradas. “Vocês não entendem”, João disse calmamente enquanto era algemado. “Estávamos salvando o mundo, purificando a humanidade”. O mais chocante veio quando os policiais encontraram o Diário da Seita.

    23 cadernos manuscritos com detalhes de 4 anos de crimes, descrições minuciosas dos assassinatos, receitas para preparo de carne humana, listas de clientes que haviam comprado salgados feitos com vítimas anteriores, e a informação que gelou o sangue de todos os presentes, centenas de pessoas em Garanhuns haviam comido carne humana sem saber. Durante meses, os salgados de Silvia eram feitos com Vanessa Lima Rocha e Tatiana Alves Moura.

    A descoberta se espalhou pela cidade como fogo em palha seca. Em poucas horas, multidões se aglomeravam nas ruas, exigindo o linchamento público do trio. A própria casa onde os crimes aconteceram foi incendiada por vizinhos revoltados antes que a perícia terminasse o trabalho. Garanhuns nunca mais seria a mesma. Uma cidade inteira havia sido forçada a confrontar a realidade de que consumiu carne humana, de que conviveu por meses com os canibais mais perigosos do país, sem suspeitar de nada.

    E o pior ainda estava por vir, porque a investigação estava apenas começando, e os segredos que a Seita Cartel guardava eram ainda mais profundos do que qualquer um poderia imaginar. A verdade completa sobre quatro anos de horror estava prestes a ser revelada, e o Brasil inteiro tremeria com as descobertas que viriam a seguir.

    Os interrogatórios de João Beltrão Montenegro, Silvia Cristina Torres e Camila Rodrigue Silva duraram 16 dias. 16 dias que expuseram uma realidade tão perturbadora que mudou para sempre a forma como o sistema judiciário brasileiro lidaria com crimes de canibalismo. O promotor André Rabelo, responsável pelo caso, precisou fazer pausas frequentes durante os depoimentos.

    Em 22 anos de carreira, nunca presenciei tamanha frieza emocional”, ele declarou à imprensa. Eles falavam sobre esquartejar pessoas como se estivessem descrevendo uma receita culinária. João confessou tudo com orgulho perturbador. Detalhou cada assassinato, cada ritual, cada etapa do processo de transformar vítimas em alimento.

    Ele genuinamente acreditava que havia prestado um serviço sagrado à humanidade. Purificamos quatro pessoas impuras, ele repetia durante os interrogatórios. Neutralizamos o mal que elas espalhavam pelo mundo. Deus vai nos recompensar por isso. Silvia manteve-se calada na maior parte do tempo, respondendo apenas quando questionada diretamente, mas suas respostas revelavam uma mente completamente dominada pela doutrina de João.

    Ela não demonstrava remorço, apenas uma obediência cega que impressionava até os psicólogos forenses. Camila foi quem forneceu os detalhes mais perturbadores. Durante horas, descreveu com precisão cirúrgica como esquartejavam as vítimas, que temperos usavam na carne, como preparavam os salgados, onde vendiam os produtos.

    “A gente tinha clientes regulares,”, ela disse, sem demonstrar emoção. Eles sempre elogiavam o sabor, pediam a receita, compravam mais. A investigação revelou que durante 4 anos, centenas de pessoas consumiram carne humana sem saber. Comerciantes do mercado municipal, clientes avulsos, até mesmo policiais que faziam rondas na região, haviam comido os salgados de Silvia.

    Maria José Santos, que tinha banca próxima a Devia no mercado, vomitou durante três dias seguidos após descobrir a verdade. “Comi várias vezes”, ela disse entre lágrimas. “Sempre elogiava o tempero especial. Meu Deus, que nojo! O impacto psicológico em Garanhuns foi devastador.

    A cidade inteira precisou confrontar a realidade de ter convivido com canibais durante meses. Pessoas que haviam comprado salgados de Silvia desenvolveram traumas profundos. Muitas precisaram de acompanhamento psicológico por anos. Foi como descobrir que você estava vivendo num pesadelo sem saber”, declarou Antônio Carlos Ferreira, comerciante que frequentou a banca de Silvia durante meses.

    A gente achava que conhecia nossos vizinhos, que entendia a nossa cidade. Em dezembro de 2013, começou o primeiro julgamento. João, Silvia e Camila foram processados inicialmente pelo assassinato de Giovana Reis Oliveira, cometido em 2008 no Rio Doce. O Ministério Público decidiu separar os casos por local e data para garantir que nenhum crime ficasse impune.

    O júri popular foi realizado no fórum de Olinda, sob esquema especial de segurança, multidões se aglomeravam do lado de fora, exigindo pena de morte para os réus. Dentro do tribunal, o silêncio era sepulcral quando os promotores descreviam os detalhes dos crimes. “Eles não são animais”, disse o promotor André Rabelo em seu discurso final.

    Animais matam por instinto, por sobrevivência. Estes réus mataram por prazer sádico, disfarçado de religião. Mataram por diversão. Mataram porque gostavam. A defesa tentou alegar insanidade mental, mas os laudos psiquiátricos foram categóricos. João, Silvia e Camila eram plenamente conscientes de seus atos. Sabiam que estavam cometendo crimes, sabiam que era errado.

    Escolheram fazer mesmo assim. Dr. Roberto Medeiros, psiquiatra forense responsável pelos exames, explicou ao júri: “Eles não são loucos no sentido clínico, são pessoas com personalidades psicopáticas desenvolvidas que encontraram na religião uma justificativa para expressar impulsos sádicos.

    O veredito veio após 14 horas de deliberação, culpados por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e vilipêndio de corpo. João foi condenado a 23 anos de prisão, Silvia a 21 anos, Camila a 19 anos. Mas a justiça estava apenas começando. Em março de 2018, 6 anos após a prisão, começou o segundo julgamento, desta vez pelos assassinatos de Vanessa Lima Rocha e Tatiana Alves Moura, cometidos em Garanhuns.

    O processo foi ainda mais tenso que o anterior. As famílias das vítimas acompanharam cada sessão exigindo justiça. cidade de Garanhuns parou para assistir ao julgamento que finalmente revelaria todos os detalhes dos crimes que haviam traumatizado a comunidade. João compareceu ao tribunal com a mesma arrogância de sempre.

    Durante o depoimento, ele reafirmou suas crenças religiosas distorcidas e disse que faria tudo novamente se fosse solto. “Deus me deu uma missão”, ele declarou para o juiz Dr. Marcelo Henrique Silva. “E eu cumpri essa missão com perfeição. Não tenho remorços. Silvia e Camila permaneceram caladas durante a maior parte do processo, mas quando questionadas diretamente sobre as vítimas, suas respostas gelaram o sangue dos presentes.

    Elas estavam contaminadas, Silvia disse com voz monocórdia. João me explicou que eram pessoas ruins, que precisavam morrer. O momento mais perturbador veio quando Camila foi questionada sobre os salgados vendidos no mercado. Ela descreveu com detalhes técnicos como preparavam a carne das vítimas para consumo comercial.

    A gente temperava bem para disfarçar o gosto, ela explicou como se estivesse dando uma aula de culinária. Pimenta, cominho, sal grosso, ficava igual carne de porco. As sessões foram interrompidas várias vezes porque jurados passavam mal ao ouvir os detalhes. Uma jurada desmaiou quando Camila explicou como retiravam os órgãos das vítimas.

    Outro precisou ser substituído após desenvolver síndrome do pânico, mas o júri persistiu e em dezembro de 2018 o veredicto final foi anunciado. João Beltrão Montenegro foi condenado a 71 anos de prisão, Silvia Cristina Torres há 68 anos, Camila Rodriguees Silva há 71 anos.

    Somadas as condenações dos dois julgamentos, os membros da Seita Cartel receberam penas que ultrapassaram 200 anos de prisão. João nunca mais sairia da cadeia, nem suas companheiras. Hoje, passados mais de 10 anos dos crimes, João cumpre pena na penitenciária Barreto Campelo em Itamaracá. Aos 65 anos, ele mantém as mesmas crenças delirantes.

    Escreve cartas para jornalistas explicando sua missão divina e afirma que outros continuarão seu trabalho. Silvia e Camila estão presas na colônia penal feminina de Buí, no interior de Pernambuco. Silvia, hoje com 58 anos, desenvolveu depressão severa e passa a maior parte do tempo em isolamento voluntário. Camila, aos 36 anos, trabalha na biblioteca da prisão e afirma ter encontrado a verdadeira religião, mas as consequências dos crimes da seita cartel vão muito além das condenações judiciais.

    Garanhuns nunca se recuperou completamente do trauma. O mercado municipal foi reformado três vezes, mas muitos comerciantes ainda relatam pesadelos sobre os salgados de Silvia. A cidade desenvolveu uma paranoia coletiva em relação a alimentos vendidos por desconhecidos.

    Mudou nossa forma de ver as pessoas, diz Maria Fernanda Costa, moradora de Garanhuns há 40 anos. A gente não confia mais como antes. Sempre fica aquela dúvida: será que eu realmente conheço meu vizinho? A casa da rua São Paulo 134, onde os crimes aconteceram, foi demolida em 2015. No local, hoje existe uma praça com uma placa discreta, lembrando as vítimas. Mas os moradores do bairro Eliópolis ainda sentem o peso da memória.

    O caso dos canibais de Garanhuns se tornou objeto de estudo em universidades do mundo inteiro. Criminologistas, psicólogos e sociólogos analisam como três pessoas comuns se transformaram em monstros capazes de atos tão extremos. Dr. Paulo Sérgio Teles, criminologista da Universidade Federal de Pernambuco, publicou três livros sobre o caso.

    É o exemplo mais completo de como o fanatismo religioso pode ser usado para justificar os piores impulsos humanos. Ele explica. As famílias das vítimas nunca se recuperaram completamente. Dona Conceição Oliveira, mãe de Giovana, morreu em 2019, sem nunca superar a perda da filha. Até o fim, ela se culpava por ter deixado a menina aceitar o emprego como doméstica.

    Dona Lúcia Moura, mãe de Tatiana, ainda luta na justiça por uma indenização do Estado. Ela alega que a polícia demorou para agir nos primeiros desaparecimentos, o que permitiu que sua filha fosse assassinada. Minha filha morreu porque ninguém levou a sério os desaparecimentos anteriores. Ela disse durante uma audiência em 2020.

    Se tivessem investigado direito, Tatiana estaria viva. A verdade é dura. Mas precisa ser dita. O caso dos canibais de Garanhuns revelou falhas sistêmicas na segurança pública brasileira. Mostrou como pessoas vulneráveis podem desaparecer sem que ninguém investigue adequadamente. Expôs a facilidade com que predadores podem se camuflar em comunidades pequenas, mas também revelou algo mais perturbador sobre a natureza humana.

    mostrou que o mal absoluto pode se esconder atrás de rostos comuns, de famílias aparentemente normais, de pessoas que vendem salgados no mercado e cumprimentam os vizinhos na rua. João Beltrão Montenegro não era um monstro nascido das trevas, era um vendedor ambulante que desenvolveu crenças distorcidas e convenceu duas mulheres a segui-lo numa jornada ao inferno.

    Silvia e Camila não eram demônios disfarçados, eram mulheres comuns que permitiram que a manipulação destruísse sua humanidade. O caso nos ensina que o mal não vem de outro planeta. Não usa chifres e rabo, não mora em castelos sombrios. Ele vive na casa ao lado, trabalha no mesmo escritório, compra pão na mesma padaria e às vezes prepara salgados que vendemos no mercado municipal da nossa cidade.

    Toda semana trazemos vozes que o mundo tentou esquecer. Inscreva-se para não perder a próxima. Esta foi a história dos canibais de Garanhuns. Uma história que nos força a questionar não apenas os limites da maldade humana, mas nossa própria capacidade de identificar o perigo que pode estar escondido bem debaixo dos nossos narizes. Porque algumas verdades são difíceis de engolir, mas são ainda mais difíceis de esquecer.

    E em algum lugar do Brasil, neste exato momento, outras seitas podem estar nascendo. Outros líderes podem estar manipulando seguidores vulneráveis, outras vítimas podem estar sendo escolhidas. A história dos canibais de Garanhuns terminou, mas a vigilância sobre a maldade humana deve ser eterna, porque o mal nunca dorme e está sempre procurando sua próxima oportunidade de se alimentar. M.

  • Detetives Dudu e Saori Investigam “Super Baia” Secreta Enquanto Alianças Explodem e Obsessão por Dudu Atinge Ponto de Ebulição

    Detetives Dudu e Saori Investigam “Super Baia” Secreta Enquanto Alianças Explodem e Obsessão por Dudu Atinge Ponto de Ebulição

    A Temperatura no Confinamento Atinge Níveis Críticos

    A temperatura no confinamento rural atingiu níveis estratosféricos! O que parecia ser uma calmaria pós-formação de Roça transformou-se em um fervilhante caldeirão de estratégias, teorias da conspiração e, o mais importante, a implosão de alianças que pareciam inabaláveis. O epicentro da crise? A dupla Dudu e Saori, que agiu como verdadeiros detetives, e a articulação fria e calculista de Duda e Kate, cujas conversas na Baia revelaram um plano de eliminação que visa o peão mais odiado da edição.

    Prepare-se, leitor, pois este não é um simples resumo: é o raio-X completo das 24 horas que reescreveram o roteiro do reality, desvendando segredos, inimizades antigas e a polêmica que chocou a todos, agora sob uma nova perspectiva.

    Os “Detetives” e a Teoria da Conspiração da ‘Super Baia’

    A noite de chuva, que deveria ser um momento de reflexão e acalento, tornou-se o palco para uma das teorias mais elaboradas da edição. Dudu, o peão sempre atento aos detalhes de produção e propenso a criar narrativas, cismou que algo grandioso e secreto estava acontecendo na Baia. Segundo sua crença inabalável, a própria apresentadora, Adriane Galisteu, teria entrado no local para anunciar a formação de uma “Super Baia,” que envolveria Toninho, Duda e Kate, possivelmente culminando em uma eliminação surpresa, fora do cronograma tradicional.

    O que reforçava sua teoria, em um momento em que as câmeras cortavam e a edição não mostrava o contexto completo? “Nunca esteve tão iluminada a área dos animais,” ele insistiu para Saori, apontando a luz como a evidência irrefutável de um momento ao vivo de grande porte.

    A parceira, inicialmente, tentou intervir, gritando pelos nomes dos peões da Baia. No entanto, Dudu a repreendeu com firmeza: “Para, Saori, a Adri está falando com eles, não atrapalha eles não!” Ele estava irredutível. Em sua mente, toda aquela iluminação atípica era justificada pela necessidade de um “ao vivo” especial. Enquanto a dupla debatia a lógica por trás das luzes e da suposta intervenção da produção, os peões mencionados — Kate e Duda — estavam, na verdade, no interior do celeiro, tecendo comentários incisivos e planos de jogo sobre os adversários, prontos para a próxima batalha. Dudu e Saori, ao se concentrarem tanto na tese das luzes, perderam o foco no jogo real que se desenrolava, sublinhando a intensidade do confinamento e a capacidade dos participantes de criarem suas próprias realidades dentro do programa.

    Mal começou 'A Fazenda 17' e primeira rixa está formada: 'Duda Wendling já  virou inimiga', declara Ray Figliuzzi. Saiba por quê! - Purepeople

    Crise na Aliança: A DR na Chuva e o Fim da Comunicação

    Em paralelo à investigação da Super Baia, a aliança (ou seria um flerte em tempo integral?) entre Dudu e Saori sofreu um abalo sísmico que pode ser fatal para o jogo de ambos. Uma “Discussão de Relacionamento” (DR) foi ao ar, exibindo a fragilidade da comunicação entre os dois e a profunda disparidade de expectativas. Dudu iniciou a discussão, acusando Saori de não o ter acompanhado durante um momento de chuva, enquanto ela estava “livre” e, agora, estava ao lado de seus “inimigos.”

    Saori, visivelmente magoada e defendendo sua posição, devolveu a acusação com uma crítica dolorosa e de efeito imediato: “Inimigos que você trata melhor que eu.” O desabafo, no entanto, não parou por aí. Ela confrontou Dudu sobre sua postura nos diálogos, levantando um ponto crucial sobre a falta de respeito na comunicação: “Você não me deixa falar, não me deixa completar uma frase. Daqui a pouco você sai andando quando eu estou falando alguma coisa que você não gosta. É feio, falta de educação.” A falta de resposta de Dudu, que apenas reagiu com um apático “Falar o quê?”, apenas a fez levantar e se retirar para o interior da sede, frustrada por não ser ouvida.

    Este episódio revela a dificuldade de equilibrar jogo e emoção. Para Dudu, o jogo estratégico e as parcerias de conveniência parecem ser a prioridade; para Saori, a validação pessoal e a atenção plena parecem ser cruciais para a manutenção de qualquer laço. A cena de Saori se retirando, após tentar argumentar, demonstra que as tensões internas da dupla atingiram um ponto de ruptura, colocando em xeque a promessa (feita em tom de brincadeira, claro) de que o reality duraria até fevereiro e que eles teriam uma família.

    A Estratégia Fria da Baia: Duda e Kate Traçam o Roteiro da Roça

    Enquanto Dudu e Saori estavam ocupados com as luzes e as discussões emocionais, Duda e Kate estavam na Baia, desvendando os movimentos do grupo adversário e traçando o caminho para a próxima Roça com uma frieza estratégica impressionante.

    A conversa começou com a informação de que Valério estaria comentando com Saori e Fabiano sobre Kate, questionando o motivo dela ter “comprado essa briga” e insinuando que ela estaria falhando em defender Carol. Kate, com sua habitual assertividade, descartou a crítica de imediato, aconselhando Duda a se preocupar com quem está “do lado dela, a Saori.”

    Duda, por sua vez, explicou a Kate sua recente mudança de foco no jogo, defendendo a necessidade de “seguir os instintos.” Ela justificou a decisão de vetar Mesquita em vez de Dudu: “A partir do momento que eu vi que o pessoal não ia vetar o Dudu, que preferiu vetar o Mesquita, eu já fiquei assim, tchau tchau Saori,” declarou Duda, expondo que a saída de Saori do seu radar de alianças já era um fato consumado. Duda, inclusive, revelou ter alertado Mesquita sobre Fabiano, afirmando que o peão “fala uma coisa e faz outra desde o início do programa.”

    A conversa evoluiu para as projeções da Roça. Kate apostou que Dudu indicará Mesquita, mas que o grupo deve combinar os votos em Valério, enquanto Duda sugere Fabiano. A certeza de Kate é que sua opção de voto é sempre a mesma: Dudu. “Não está disponível, fia, não está disponível,” lamentou, lembrando que Dudu está imune na semana. Elas concluíram que o fator de desempate, seja o Fazendeiro ou o Lampião, será crucial para definir o destino dos votos da casa. A estratégia conjunta de Duda e Kate demonstra que, para elas, o jogo é puramente racional e as emoções de alianças antigas foram deixadas de lado em prol de um objetivo final.

    O Desabafo de Duda: A Ruptura com Saori

    Duda usou a conversa estratégica com Kate para, finalmente, desabafar sobre o motivo real e mais profundo de seu afastamento de Saori. A razão é uma lição sobre a maturidade nas relações pessoais, dentro ou fora de um reality show.

    “Foi por isso que eu me afastei da Saori, eu via que você e a Carol, por mais que você não concordasse com algo que ela falava ou fazia, você chamava ela em off e tudo bem, ela te escutava, ela não fazia,” explicou Duda. Ela contrastou essa relação de mão dupla com a que tinha com Saori, atirando no cerne do problema: “A Saori sempre quis me dar conselho, mas quando eu fui dar conselho, ela não aceitou.”

    Esta declaração é um tiro certeiro na postura de Saori, acusando-a de ser unilateral nas amizades. Enquanto Saori se posicionava como mentora ou conselheira, ela se recusava a ouvir críticas ou conselhos que não lhe agradassem. Duda percebeu que essa dinâmica era tóxica e optou por se afastar, buscando a reciprocidade que encontrou em alianças mais honestas e menos impositivas, como a que estabeleceu com Kate. A verdadeira traição, neste caso, não foi estratégica, mas sim emocional, um acúmulo de frustrações pela falta de humildade de Saori.

    A Polêmica do Acessório e a Questão da Hipocrisia de Fabiano

    Um dos pontos mais explosivos da conversa entre Kate e Duda foi a menção a uma polêmica envolvendo Fabiano e o uso controverso de um item pessoal de látex com um condimento. Kate revelou ter questionado Fabiano sobre o episódio, que ele mesmo teria trazido à tona, alegando que uma colega de confinamento usou o objeto.

    A reação de Duda foi de incredulidade e julgamento, voltado diretamente para a atitude de Fabiano: “Sai fora, mano, como o cara naquela idade pega um item [pessoal] com um condimento, sabendo que essa Saori estava ali,” insinuando que Fabiano teria se exposto desnecessariamente, dando munição para a adversária.

    Kate, por sua vez, confrontou Fabiano diretamente sobre a questão do objeto ter sido encontrado no lixo. Fabiano teria respondido de maneira vaga e evasiva, ao que Kate rebateu com uma dura acusação de hipocrisia e falta de honestidade no jogo: “Mas quem está falando que os dois aqui estão fazendo as coisas? Não vamos ser hipócritas, Fabiano.”

    A importância deste debate não reside apenas no objeto em si, mas no teste de caráter e honestidade que ele impõe. Fabiano, ao tentar se justificar ou desviar a culpa, acabou entrando em uma armadilha retórica de Kate, que soube explorar a situação para questionar a integridade do peão. Este incidente, agora, servirá como um divisor de águas na percepção de Fabiano pelo público e pelos próprios confinados.

    A Obsessão Sem Limites: Kate Quer Dudu Fora a Qualquer Custo

    Se há um sentimento que une o grupo da Baia, é a fervorosa vontade de ver Dudu fora do jogo. Kate se revela como a peoa mais determinada nessa missão. Em suas palavras, com a convicção de quem já fez as contas e mediu as forças, “Não tem ninguém nessa casa, gente, que é mais voto direto, que a pessoa queira mais fora do programa do que a Kate, que é o Dudu.”

    Ela está convicta de que Dudu é sua opção de voto, e mesmo que ele estivesse imune, a vontade de votar nele persiste. “Eu quero votar nele antes dele ir embora. Peraí que eu vou dar um votinho nele aqui. Você está doido?”, ela expressou, com um misto de raiva e determinação.

    Duda concorda plenamente, lamentando a possibilidade de Dudu e Fabiano permanecerem no jogo até o final: “Faltam nove dias, né, Kate? Imagina que raiva você vai sair e saber que o Dudu e Fabiano ainda estão lá no reality. Eu iria querer morder, me beliscar toda.”

    Esta obsessão por Dudu, no entanto, é o que o mantém no centro das atenções. Enquanto Kate deseja provar sua força ao eliminá-lo, o público, nas redes sociais, demonstra uma polarização, com as hashtags de “Fechados com Dudu” medindo força com outros movimentos. A dinâmica de “quem mais odeia” pode, paradoxalmente, garantir a permanência de Dudu, transformando-o no grande protagonista da edição em um ciclo vicioso de rejeição e permanência.

    Conclusão: O Tabuleiro de Xadrez Está Virado

    Com a Roça se aproximando, o tabuleiro de xadrez do reality está irreconhecível. A amizade Dudu-Saori está fraturada, o trio da Baia (Duda, Kate, Toninho) está unindo forças em um plano de eliminação cirúrgico, e Fabiano se viu envolvido em uma polêmica que afeta sua imagem.

    A grande lição desta semana é que o jogo não se ganha apenas com força, mas com a capacidade de ouvir e com alianças estratégicas bem firmadas. A obsessão de Kate por Dudu, a teoria da conspiração da “Super Baia” e a crise no relacionamento Dudu-Saori garantem que a emoção não diminuirá. Quem se adaptará mais rápido às novas regras de convivência e voto? A resposta está nas mãos do público, mas uma coisa é certa: a tensão e o drama rural estão mais quentes do que nunca!

  • A Defesa Inesperada: A Controversa Tese do “Constitucionalismo Abusivo” e o Novo Rosto da Crise Institucional

    A Defesa Inesperada: A Controversa Tese do “Constitucionalismo Abusivo” e o Novo Rosto da Crise Institucional

    O cenário político-jurídico brasileiro há muito se acostumou com a tensão, mas um recente posicionamento do Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), elevou o debate a um novo patamar de controvérsia. Em uma entrevista que visava defender uma decisão que críticos interpretam como uma forma de “blindar” a Suprema Corte, o ministro não apenas adicionou mais um termo ao léxico político nacional, mas cunhou uma expressão que, segundo observadores, tem o potencial de redefinir os limites da crítica institucional e da própria ação democrática: o “Constitucionalismo Abusivo”.

    A tese, lançada em meio a um turbilhão de críticas já existentes ao Judiciário, não é apenas uma peça de doutrina jurídica; ela é uma declaração de guerra ideológica contra a insatisfação popular e política que tem se manifestado, de maneira crescente, contra os membros do STF. Para compreender a magnitude dessa nova expressão, é fundamental primeiro revisitar o clima de exasperação que a precedeu, um contexto onde o tribunal já havia gerado uma sequência de expressões polêmicas que moldaram a percepção pública sobre sua atuação.

    A Atmosfera de Desconfiança e as Expressões do STF

    O STF tem estado sob intensa vigilância e crítica nos últimos anos, e essa tensão deu origem a termos que se tornaram onipresentes no debate público. A Corte, por meio de seus ministros, passou a caracterizar a insatisfação e a crítica como fenômenos que necessitavam de categorização e combate.

    Termos como “Desordem Informacional” surgiram para descrever a veiculação de verdades ou fatos que, embora corretos, eram apresentados de uma forma que levava o público a concluir que o próprio STF era o responsável pelos problemas em curso. Em outras palavras, a clareza factual era vista como um vetor de desestabilização da confiança na instituição.

    Em seguida, a expressão “Milícia Digital” foi amplamente utilizada para rotular e, em muitos casos, criminalizar qualquer pessoa ou grupo que ousasse criticar abertamente as decisões dos ministros. A crítica, elemento vital da saúde democrática, era assim reclassificada, em certos contextos, como uma ameaça organizada e ilegal.

    Além disso, declarações políticas de ministros sobre regimes internacionais, a exemplo da menção à admiração pelo regime chinês – tido por críticos como comunista, ditatorial e autoritário – adicionaram lenha à fogueira das críticas sobre o alinhamento ideológico da Corte.

    O ápice dessa sequência de declarações, antes do “Constitucionalismo Abusivo,” incluiu expressões que se tornaram icônicas na polarização política, como o infame “Perdeu, Mané” ou a afirmação de que o tribunal teria “derrotado o bolsonarismo”. Em um momento de profunda discórdia institucional, a Ministra Cármen Lúcia também proferiu uma frase que reverberou, indicando a preocupação da Corte com a descentralização do poder e a potencial desordem: “Não podemos deixar 213 pequenos tiranos no Brasil decidirem o que eles quiserem.”

    Supremo Tribunal Federal

    Em um cenário onde o STF era percebido por uma parcela significativa da população e do Congresso como tendo perdido o controle, agindo com inquéritos de longa duração, levando à prisão ou ao exílio de jornalistas, advogados e até mesmo parlamentares, a necessidade de uma defesa robusta e, sobretudo, inédita, se tornou evidente para seus membros.

    A Invenção do “Constitucionalismo Abusivo”

    É neste contexto de desconfiança e polarização que Gilmar Mendes introduz seu novo conceito. O ministro utilizou a entrevista para justificar a decisão de proteger seus colegas da Suprema Corte de um possível processo de impeachment, uma ferramenta de responsabilização política prevista na Constituição.

    Mendes argumentou que a prática de impeachment de juízes por um tribunal político, no caso o Senado Federal, tornou-se “ultrapassada”. E por que ela estaria ultrapassada? Porque, em sua visão, “isto na verdade dá ensejo àquela prática do constitucionalismo abusivo.”

    A expressão é chocante em sua essência, especialmente considerando a posição de quem a profere. Os ministros do STF são os guardiões designados da Constituição, o manual fundamental da democracia brasileira. No entanto, para proteger seus pares de crimes alegados – como a abertura de inquéritos supostamente ilegais, a intimidação de legisladores ou alegações de favoritismo – o ministro criou uma barreira terminológica que, na prática, desqualifica o exercício de um mecanismo constitucional legítimo.

    A tese do constitucionalismo abusivo implica uma premissa perigosa: se você utilizar a Constituição, com seus mecanismos previstos, para tentar restaurar a ordem democrática (na ótica dos críticos do STF) e, neste processo, os ministros do Supremo forem enfraquecidos ou responsabilizados, então você está abusando da Constituição.

    Trata-se de uma inversão conceitual. Usar a lei para resgatar a lei torna-se, pela nova definição, um crime ou, pelo menos, uma ilegalidade. É o ponto onde a defesa da lei se transforma na subversão da lei, dependendo de quem está sendo alvo da ação. O constitucionalismo abusivo, portanto, é a negação da legitimidade do processo de impeachment quando a maioria popular o utiliza como ferramenta contra os membros da mais alta corte.

    Observadores apontam que essa expressão supera em gravidade outras teses controversas, como a “ditadura da maioria”, de Alexandre de Moraes, ou a tese de que a Venezuela seria uma “ditadura conservadora”, atribuída ao Ministro Luís Roberto Barroso em um debate anterior. A razão é simples: o “constitucionalismo abusivo” não é apenas uma crítica a um modelo político; é uma tentativa de deslegitimar a própria estrutura de checks and balances quando esta se volta contra a instituição que a está definindo.

    O Risco da Sobrevivência e a Vontade Popular

    A parte mais reveladora da defesa de Gilmar Mendes reside na admissão aberta do porquê dessa decisão de “blindagem.” A motivação, segundo o próprio ministro, não é puramente filosófica ou doutrinária, mas profundamente política e de sobrevivência institucional:

    “Essa questão se tinha politizado no sentido agora partidário do termo de maneira tão radical que vários partidos anunciavam candidatos a senadores para fazer impeachment de ministros do Supremo.”

    Essa declaração é a chave para desvendar o novo conceito. Se partidos políticos estão lançando candidatos ao Senado com a bandeira expressa do impeachment de ministros do STF, isso significa que essa pauta gera votos. Se gera votos, é porque a vontade da maioria do povo brasileiro, manifestada nas urnas, clama por essa responsabilização.

    A lógica é fria e irrefutável: o povo quer a responsabilização dos ministros.

    Ao declarar que a campanha eleitoral, que seria baseada nessa perspectiva, está “longe de ser correto”, o Ministro Gilmar Mendes, em essência, está rotulando a vontade da maioria do povo, expressa democraticamente pelo voto, como um erro ou, pior, como um abuso. A Suprema Corte, que deveria ser a defensora imparcial da Constituição, age preventivamente contra o resultado potencial de um processo eleitoral.

    O que está em jogo, portanto, não é uma leitura refinada de jurisprudência, mas uma estratégia de sobrevivência. É o medo de serem alvos de um impeachment constitucional, impulsionado por uma maioria legítima no Senado. O “Constitucionalismo Abusivo” emerge, assim, não como uma tese acadêmica, mas como uma manobra jurídica de autoproteção institucional contra a soberania popular, vista como uma ameaça.

    Conclusão: Uma Instituição em Estado de Defesa

    O lançamento do termo “Constitucionalismo Abusivo” marca um ponto de inflexão na crise institucional brasileira. Não se trata apenas de mais um embate político, mas de um momento em que a Suprema Corte parece ter rompido o verniz da imparcialidade para se posicionar explicitamente em um estado de defesa contra a crítica e a ação política que ameaçam sua composição.

    A questão crucial que resta é: o que acontece quando o guardião da Constituição declara que o uso de um de seus próprios mecanismos, impulsionado pela vontade popular expressa em eleições, é um ato de abuso? A crítica sugere que o STF cruzou a linha, utilizando o aparato legal para proteger a si mesmo contra a accountability democrática, sob o pretexto de preservar a estabilidade institucional.

    O risco é que, ao rotular o legítimo uso dos mecanismos constitucionais de responsabilização como “abusivo”, o STF não apenas enfraquece a Constituição, mas também se isola ainda mais da percepção pública de legitimidade. A longo prazo, a única blindagem real para qualquer instituição democrática é a confiança e o respeito da população. E o “Constitucionalismo Abusivo” parece ter nascido não para gerar respeito, mas para garantir a sobrevivência em meio a uma das crises de confiança mais profundas da história recente do Brasil. A discussão sobre o papel do Judiciário e os limites de seu poder acaba de ganhar um novo e controverso capítulo.

  • URGENTE! SECRETÁRIO DE CASTRO LIGOU PARA DEPUTADOS PEDINDO PARA SOLTAR RODRIGO BACELLAR

    URGENTE! SECRETÁRIO DE CASTRO LIGOU PARA DEPUTADOS PEDINDO PARA SOLTAR RODRIGO BACELLAR

    É, meu amigo e minha amiga, o secretário de governo do Cláudio Castro, o André Moura, que foi chamado de criminoso algumas semanas atrás por um assessor da pasta da Casa Civil chamado Victor Travancas, estaria atuando nos bastidores lá na Lerge para conseguir que o Rodrigo Barcelo. O que é interessante dessa história toda é que há um tempo atrás, quando essa notícia do Victor Travancas saiu, né, de que o André Moura seria um criminoso e que ele teria ligação com o próprio TH Joias, ele disse que isso era a mobilização da oposição, em

    especificamente de Sergipe. Ele deu a entender isso, né? Porque ele é pré-candidato ao Senado de Sergipe. Você não tá entendendo errado não. Ele é secretário de governo do Cláudio Castro, da secretaria de governo, inclusive ele é Segov do Cláudio Castro e é pré-candidato ao Senado lá em Sergipe. Inclusive, ó, olha que grandissíssima ironia.

    Neste final de semana viralizou lá em Sergipe uma imagem que aparece o governador Fábio Mitidieri, que é o governador do estador de Sergipe, junto com o senador da República, Alessandro Vieira, ao lado do deputado estadual lá por Sergipe, Jeferson Andrade, junto com o senhor, deixa eu mostrar para vocês aqui, ó, junto com o senhor André Moura, tá aqui, vou até mostrar para vocês aqui que tem um material aqui pra gente poder discutir sobre isso aqui, ó.

    Essa seria supostamente, ó, a chapa com o apoio do governador de Sergipe, ó. E olha quem tá do lado aí, inclusive do governador, ó, Alessandro Vieira, que é relator da CPI do crime organizado, é relator também da PEC da da do PL antifacção, né? E aí o André Moura, quando foram divulgados alguns materiais apontando ali que ele teria supostalmente ligação com o TH Joias ou com o Cláudio Castro, inclusive tá aqui, ó, André Moura ao lado aí, do Cláudio Castro.

    Entenda por que Cláudio Castro é a continuação de Wilson Witzel no governo do RJ - Brasil de Fato

    André Moreness de terno creme, né, ou marrom, como vocês queiram chamar. No meio tá o Rodrigo Barcelá e do outro lado tá o Cláudio Castro. E aí quando eu saí dessas informações, ele disse que era a oposição tentando macular a imagem dele de alguma maneira e que não existe isso de que ele teria supostamente ligação com o crime organizado, mas que ele já teria identificado de onde teriam saído esses ataques.

    Quais seriam os ataques, Carlito? O Victor Travancas tá aqui, ó. saiu no na saiu no dia 17 de novembro na Fúria de São Paulo. Assessor de governo Castro pede exoneração e acusa secretário de ser criminoso. Quem seria esse secretário? O secretário seria o André, o André Moura, que inclusive foi condenado durante o período que que eh Aras ainda era procurador-geral da República, foi apresentada ali uma denúncia pela procuradoria geral da República, ele foi condenado, entrou com recurso e aí no meio do caminho a PGR decidiu voltar atrás e oferecer um

    acordo de não persecução penal. Só para vocês rememorarem um pouco quem é o André Moura. O André Moura, tá, ele era líder do governo do Michel Temer, ajudou a articular o golpe contra a presidenta Dilma Roussef, foi membro do governo Wilson Witsel, secretário da Casa Civil também, se não me falha a memória.

    estranhamente, mesmo Vitel passando por um golpe aplicado contra ele pelo seu vice-governador Cláudio Castro, o senor André Moura continuou como SECON, ou melhor, como secretário no governo do André, do do Cláudio Castro. E aí na época que saiu a publicação dessa carta aí, né, porque a matéria foi publicada na Folha de São Paulo no dia 17 de novembro, porém a carta pedindo a exoneração do Víctor Travancas, do governo do Cláudio Castro, ela foi enviada pro Cláudio Castro no dia 4 de novembro. E entre as alegações que foram

    apontadas ali pelo Víctor Travancas é que para um governo que quer se vender, eu vou até ler aqui um trecho da carta, deixa eu mostrar para vocês, ó. Essa aqui, ó, foi a carta que o Victor Travancas enviou pro Cláudio Castro. E em um trecho da carta, ele diz o seguinte, ó: “A decisão que hora apresento não nasce de desalento, mas de profunda inconformidade com a continuidade do secretário de governo, André Moura, na pasta no que no que pese o STF ter extinto a punibilidade deste criminoso, o mesmo não significa que não existiram

    os fatos ocorridos e a corrupção por ele praticada. Por quê? ele realmente não foi preso, não é porque ele era inocente, é porque ele fez um acordo de não persecução penal, que é basicamente um acordo que o Ministério Público oferece, onde o indivíduo eh confessa os crimes que cometeu, geralmente paga uma pecúnia, uma multa ou algo do tipo e ele não é preso, mas ele não é absolvido da culpa.

    Não, ele não é culpado, ele não roubou, ele não cometeu crime, não é isso que acontece, tá? Tanto que ele precisa confessar as condutas criminosas que tenha participado. E aí em outro trecho da carta publicada aqui pelo Victor Travancas, ele diz o seguinte, ó: “Um governo que pretende combater o crime organizado não pode ser ter entre seus membros um secretário que mantém íntimas relações conforme postages nas redes sociais do Instagram com o traficante TH Joias”.

    Essas postages são reais, Carlito. Bom, isso aqui é uma foto do André Moura com TH Joias. Tá, isso aqui tá no Instagram do TH, inclusive que chama o André Moura, como vocês podem ver aqui, ó, de meu amigo André Moura. Tem outro material, Carlito, tem outro material. Tá aqui, ó, outro material do TH Joias. E por que que eu tô mostrando tudo isso aqui? O governo do Cláudio Castro, o o o secretário André Moura, porque de acordo com esse material publicado agora no Globo, olha o que tá escrito aqui, ó.

    Secretário de governo procura deputados e pede votos a bacelar. Líder na Assembleia Legislativa, Amorim nega. E quem é que teria procurado, Carlit? Esses esses deputados tá aqui, ó. iniciativa teria partido do próprio André Moura, que é um dos indicados do Barcelão do governo Fluminense. Quem me segue no Instagram vai ver que eu publiquei um vídeo nesse final de semana questionando o senador Alessandro Vieira que dizia que o André Moura era criminoso também, que deveria estar na cadeia e não disputando política as

    eleições do por que ele está dividindo uma chapa com André Moura. Aí agora neste momento que o Alessandro Vieira é relator do PL antifacção no Senado e que é relator da CPI do crime organizado, você tem um cara que tá na mesma chapa, na pré-chapa, na verdade, né, para 2026, ao lado do André Moura, defendendo que se solte um cara que foi acusado pela Polícia Federal de vazar a informação de uma operação da polícia para um traficante que é ligado ao comando vermelho. E aí segue aqui a matéria, ó.

    o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Rio de Janeiro e líder do governo, Cláudio Castro, na Assembleia Legislativa, Rodrigo Amorim, que é ódo União Brasil, Rodrigo Amorim do União Brasil, André Moura do União Brasil, Rodrigo Barcelo, do União Brasil diz que negou que haja qualquer interesse do Palácio da Guanabara na votação que vai decidir se bacelar continuará preso.

    O Globo apurou que o secretário de governo, André Moura, ligou para alguns parlamentares orientando votar a favor da soltura. Aí eu vou perguntar agora pro André Moura se nessa carinha de pau dele ele vai ter coragem de novo de dizer que a Globo que talvez a a oposição que plantou essa matéria na Globo.

    Você vai dizer agora, André, porque nas denúncias que eu fiz lá em Sergipe, no meu Instagram, de das suas relações, no mínimo próximas demais com gente ligada ao crime, como é o caso do TH Joias, como é o caso do Rodrigo Bacelar, você respondeu dizendo que não, isso é a oposição que está preocupada com ótimo resultado nas pesquisas eleitorais do pré-candidato ao Senado André Moura. Vamos ver.

    O lobby teria partido de iniciativa pessoal do secretário e não de um pedido de Castro. André Moura é um dos é um dos indicados de Barcelona no primeiro escalão do governo Fluminense. Não há nenhuma orientação do governo sobre o tema, ao entendimento de que é um assunto interno restrito à casa. Nesta segunda-feira, a Comissão de Constituições e Justiça decidiu por quatro votos a três levar ao plenário, ã, na legge um uma um projeto de resolução para que os parlamentares se manifestem sobre a revogação ou não da prisão de Rodrigo Barcelar,

    presidente da casa. eh presidente de da casa determinada pelo Supremo Tribunal Federal. A votação está marcada para as 15 horas. O deputado Rodrigo Amorim negou ali e tudo mais, né? Mas tá todo mundo falando que foi sim, que o André Moura procurou várias pessoas. O André Moura procurou várias pessoas para tentar livrar da cadeia o o Rodrigo Barcel.

    E aí eu pergunto, André Moura, e pergunto aí ao senador Alessandro Vieira, primeiro ao senador Alessandro Vieira, cadê a coerência, Alessandro, de você que andava, dizia que o André Moura era um criminoso e que deveria estar na cadeia e que na semana passada, inclusive, disse que não subiria no mesmo palanque que André e que não pediria voto para André, porque diferente de de André, você não era malandro, fez denúncias no ano passado contra André Moura.

    E aí, Andra Moura, que é filha do André Moura, que é deputada federal por Sergipe, que foi candidata a prefeita de Aracaju no ano passado, aí agora tá ligando para parlamentares na lego, que tem ligação com Comando Vermelho, segundo a Polícia Federal. Eu vou fazer depois um vídeo. Se você me segue aqui no YouTube, não me segue no Instagram, me siga.

    É só botar lá o Carlito Neto ou Carlitos com o Neto que você me encontra, porque eu vou fazer um vídeo agora, assim que eu soltar esse vídeo, já vou fazer um vídeo criticando o Alessandro Vieira e a cara de pau do André Moura, que vai continuar culpando a oposição por expor o óbvio, André, que você tem no mínimo ligações próximas demais.

    Algumas pessoas até poderiam dizer que seriam perigosas com pessoas ligadas diretamente ao comando vermelho. André Moura, vai negar ainda isso que tá acontecendo? E qual que é o seu interesse em livrar a cara do Rodrigo Barcelar se primeiro vocês não toleram o crime, vocês não toleram criminosos e vocês não toleram ilegalidades? Eu acho que tá faltando um pouco de óleo de peroba para passar na cara de pau, né? Porque acho que passou da hora.

    E esse papio de que não, o governador Cláudio Castro não tem nada a ver com isso, não tem nenhuma orientação. O governador Cláudio Castro não tem nada a ver, mas o secretário de governo do Cláudio Castro tá ligando para deputados para conseguir votos para mandar para casa o Rodrigo Bacelar, mas não é algo que o governador quer.

    Então quer dizer, o governador não quer isso, mas não proibiu o seu secretário de entrar em contato com deputados. Realmente o Cláudio Castro acha que a gente vai engolir essa história de que não, não tem nada a ver com Castro não, isso aí ele que decidiu por conta própria. Toma vergonha na cara, deixa de imaginar que o povo é otário, tá certo? Comenta aqui embaixo o que que você acha disso tudo.

    Compartilha esse vídeo, se inscreva no canal se você ainda não for inscrito aqui, deixa seu like. Mais uma vez estamos num cenário diferente aqui em São Paulo. Hoje choveu, né? Então choveu até granizo aqui hoje em São Paulo. Então tô gravando em pé aqui. Não deu para sentar ali porque tá tudo molhado ali, como vocês estão vendo ali, ó.

    Mas muito obrigado a quem tá acompanhando aqui, pedir para deixar o like, compartilhar o vídeo, se inscrever no canal se você não é inscrito, se torne membro do canal aqui que ajuda a gente bastante, tá? Sendo membro do canal e pedir a você também que se puder colaborar com o nosso Pix, colabore. O Pix do canal é o historiadoroficial@gmail.com.

    O link para você colaborar com o nosso Pix tá em outros vídeos aí. É porque como eu não tô fazendo edição nesses vídeos aqui que eu tô nesta semana em São Paulo, não vai aparecer na tela, mas se você puder colaborar, eu agradeço bastante, tá certo? Tudo que eu falei para vocês tá aqui no comentário fixado. Compartilha o vídeo, grande abraço e até o nosso próximo encontro.

  • A Queda do Gigante: Evidências ‘Devastadoras’ Ameaçam Sérgio Moro e Abalam as Estruturas da Direita Brasileira

    A Queda do Gigante: Evidências ‘Devastadoras’ Ameaçam Sérgio Moro e Abalam as Estruturas da Direita Brasileira

    O cenário político brasileiro nunca foi um mar de calmaria, mas as últimas revelações sugerem que o país está prestes a testemunhar um terremoto de proporções inéditas. No centro do furacão está um dos nomes mais polarizadores da política recente: o ex-juiz e atual Senador Sérgio Moro. De acordo com informações que circulam nos bastidores e ganham as redes, provas consideradas “devastadoras” teriam sido encontradas, colocando sua permanência no Senado e até mesmo sua liberdade em risco iminente. A pergunta que ecoa em Brasília e nas redes sociais é: a casa realmente caiu para o Marreco do Paraná?

    As alegações contra Sérgio Moro são graves e apontam para um suposto esquema de corrupção que ultrapassaria a marca dos R$ 10 milhões. A narrativa mais chocante envolve a menção a uma misteriosa “pasta amarela”, descrita como um dossiê que traria à tona todos os detalhes das supostas transgressões cometidas pelo parlamentar. Embora os pormenores exatos do conteúdo permaneçam envoltos em especulação, o tom dos comentários sugere que o material é explosivo o suficiente para mudar o curso de sua carreira política e jurídica. Há, inclusive, referências a eventos privados polêmicos envolvendo pessoas de alto escalão, o que adiciona uma camada de escândalo às investigações de desvio.

    Pré-candidatura de Moro ao governo do Paraná provoca debandada de prefeitos no Estado | Jovem Pan

    O clamor por justiça e a intensificação das investigações colocam Moro em uma posição de extrema vulnerabilidade. As informações apontam que as autoridades estão trabalhando “a todo vapor”, e o Senador estaria “aterrorizado” com a possibilidade de uma prisão a qualquer momento. A ironia não passa despercebida: o juiz que se notabilizou por combater a corrupção agora se encontra no centro de um escândalo de desvio. Essa reviravolta serve de gancho para um conselho incisivo a apoiadores de figuras ligadas a Moro: antes de taxar outros de corruptos, é imperativo que cada um revise seus próprios conceitos e condutas, pois, no jogo da política, acusações frequentemente se viram contra os acusadores. A história tem mostrado que aqueles que mais veementemente apontam o dedo são, por vezes, os mesmos que escondem seus próprios delitos.

    A potencial queda de Moro não é um evento isolado; ela se insere em um contexto de crescente desorganização e tensões internas na direita brasileira. Um exemplo claro desse desalinho foi a tentativa fracassada de Flávio Bolsonaro de realizar uma reunião crucial com líderes da direita para discutir sua candidatura. O convite foi simplesmente ignorado pelos líderes do Centrão, resultando em uma sala esvaziada. O abandono sinaliza uma perda de força e coesão dentro do grupo que antes parecia monolítico, expondo as fissuras e o desinteresse de importantes figuras políticas em se alinhar a certas alas.

    Outro episódio que ilustra a hipocrisia e as contradições do movimento conservador é a votação na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Deputados da direita, que publicamente se posicionam como adversários ferrenhos da criminalidade e da corrupção, votaram para libertar um colega parlamentar aliado que havia sido preso pela Polícia Federal, acusado de envolvimento com lavagem de dinheiro para o crime organizado. Embora a legislação permita tal deliberação, o ato gerou intensas críticas por parte da oposição, que o classificou como uma vergonha e um claro exemplo de dois pesos e duas medidas. A defesa de que a soltura não atrapalharia as investigações soa vazia diante do histórico de conduta do grupo, reforçando a percepção de que, para essa ala política, a lei é aplicada de forma seletiva, dependendo da aliança partidária.

    A família Bolsonaro continua a ser um foco de polêmicas e manobras políticas. Flávio Bolsonaro, conhecido pelo apelido irônico de “Willonka” em alusão ao seu passado empresarial controverso, surpreendeu ao revelar o “preço” para desistir de sua candidatura à Presidência da República. O valor cobrado não era financeiro, mas sim a liberdade de Jair Bolsonaro. Flávio declarou que só abandonaria a disputa se seu pai estivesse “livre nas ruas e nas urnas”, caminhando feliz e “sem estar na cadeia”. Essa declaração, vista por muitos como um delírio político ou uma estratégia desesperada, sublinha a profunda preocupação da família com o futuro legal do ex-presidente, que atualmente enfrenta sérias restrições. A ideia de que a política nacional possa ser trocada por uma garantia de liberdade é, no mínimo, um indicativo da fragilidade e da situação de cerco em que a família se encontra.

    Adicionalmente, a atenção se voltou para o anúncio de um filme sobre o ex-presidente, intitulado em inglês como “The Dark Horse” e traduzido para o português como “A Mula Sombria”. O projeto, criticado por sua qualidade de produção e pelo ator escalado, que foi comparado a figuras de comédia nacional, virou alvo de escárnio. A descrição das cenas, focada em questões de saúde e momentos pouco lisonjeiros, reforça a visão de que a imagem de Bolsonaro está sendo constantemente desgastada, mesmo em tentativas de glorificação. Outro momento de ridículo foi a gravação de Eduardo Bolsonaro no Muro das Lamentações, rezando pela liberdade do seu pai. A gravação, amplamente divulgada, foi posteriormente ridicularizada quando se descobriu que o pedido, escrito em papel, foi descartado no lixo, simbolizando o fracasso da estratégia.

    A turbulência política não se restringe ao plano federal, alcançando as pautas legislativas estaduais e a conduta de parlamentares. A Deputada Federal Júlia Zanata, de Santa Catarina, tornou-se protagonista de uma controvérsia jurídica ao processar um comentarista por tê-la chamado de “vergonha para o estado”. O caso, que chegou a uma instrução criminal, levanta o debate sobre os limites da liberdade de expressão e a aceitação de denúncias que muitos consideram “absurdas”. O Ministério Público é questionado por permitir que um juiz decida se a opinião de um cidadão sobre um político constitui crime, em um momento em que escândalos de corrupção e agressões verbais mais graves circulam livremente.

    Além disso, Zanata está sob os holofotes por suas ações legislativas e pelo uso de recursos públicos. A parlamentar é criticada por ter encaminhado repasses significativos para um clube de tiro de um amigo. A situação se agravou quando a deputada, em vez de se defender, pareceu ridicularizar a investigação, pedindo desculpas apenas por ter mandado “tão pouco dinheiro público” no ano anterior e prometendo enviar muito mais. Sua defesa agressiva do armamento e a destinação de fundos a clubes de tiro são vistas como prioridades desalinhadas com as necessidades básicas da população.

    A controvérsia culmina com a sua “ideia revolucionária”: propor mudanças na Lei Maria da Penha para defender homens que apanham de mulheres. Embora a proteção de qualquer vítima seja um princípio justo, a proposta, vinda de uma defensora ferrenha do armamento e em meio a tantas outras polêmicas, é interpretada como uma manobra para armar a pauta política e desvirtuar o foco da legislação original, que visa proteger vítimas historicamente vulneráveis. A cada nova declaração, a reputação do estado e da classe política parece perder um pouco de sua dignidade.

    Em contraste com o debate político focado em figuras e escândalos, o tema da violência contra a mulher trouxe à tona uma discussão crucial sobre a raiz do problema. Especialistas argumentam que o aumento da pena, por si só, não resolverá a situação de agressões, feminicídios e violência generalizada. O cerne da questão reside na cultura de posse e superioridade.

    O agressor, ao cometer o crime, frequentemente acredita estar no seu direito de fazê-lo, vendo a mulher como sua “posse”. Muitos casos de feminicídio ocorrem porque o homem não aceita que a mulher não seja mais dele. Nessa perspectiva, a educação é a única solução real e duradoura. É a educação que molda o indivíduo desde a infância, na escola e na sociedade, e que precisa ser reformulada para desmantelar a crença de superioridade masculina. Não há punição máxima que fará um homem repensar um crime motivado por essa mentalidade de posse. A solução, complexa e multifacetada, não está em uma única lei, mas sim em uma profunda e contínua revolução educacional e cultural.

    Enquanto a direita se divide e, para alguns, “sucumbe e desaparece” em meio a crises internas, acusações de corrupção e polêmicas de gestão, a outra ala política avança. O governo federal tem implementado programas com foco popular, como o “Tobo Gás”, o grupo de trabalho para melhorar as condições de motoboys e o “Orçamento Popular”, que permitirá à população escolher como melhorar sua região. A tônica é a aproximação do governo com a base e a promessa de que o país continuará no “rumo certo”.

    No entanto, o drama em torno de Sérgio Moro e o caos na direita continuam a dominar o noticiário. Seja qual for o desfecho das investigações e dos processos judiciais, a percepção é de que o Brasil está em um momento de acentuada instabilidade. As revelações sobre Moro e a desorganização de seus aliados prometem um futuro político incerto e, para o observador atento, a garantia de mais capítulos explosivos nessa interminável novela brasileira. Resta saber se as profecias de prisão se concretizarão e se a ala política envolvida será capaz de resistir ao peso das “provas devastadoras” que parecem se acumular.

  • MALAFAIA SURTA CONTRA FLÁVIO BOLSONARO APÓS AVISO DE PRlSÃO E PLANO DE ANISTIA AFUNDA!! VEXAME TOTAL

    MALAFAIA SURTA CONTRA FLÁVIO BOLSONARO APÓS AVISO DE PRlSÃO E PLANO DE ANISTIA AFUNDA!! VEXAME TOTAL

    O anúncio da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, feito em meio a uma crescente pressão da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal (STF), não se sustentou por 48 horas. Longe de ser uma demonstração de força, o movimento se revelou um ato de desespero e um tiro no pé político, expondo publicamente uma estratégia bizarra de barganha que tinha como preço único e inegociável a anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro e, por tabela, a salvação jurídica do próprio clã.

    A reação foi imediata, brutal e veio de todos os lados: do mercado financeiro, de figuras proeminentes da direita e, previsivelmente, do sistema de Justiça, que, segundo analistas, não recuará. O plano, classificado como “amadorismo total” até por aliados históricos como o pastor Silas Malafaia, naufragou em menos de dois dias, transformando uma jogada de mestre que visava negociar a liberdade em um vexame de proporções épicas, que arrancou gargalhadas e até comemoração discreta nos bastidores do Palácio do Planalto.


    O Escudo da Imunidade e o Teatro da Perseguição

    A manobra do clã Bolsonaro foi lida pelo cenário político como um movimento desesperado para criar um escudo de imunidade e uma narrativa de perseguição política em torno de Flávio Bolsonaro. Nos bastidores, as investigações conduzidas sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, no âmbito das apurações contra facções criminosas e a atuação de milícias digitais, se aproximam perigosamente do senador. Despachos recentes do ministro citaram aliados de Flávio, incluindo um advogado preso por ligações com grupos criminosos e até um ex-árbitro de futebol indicado pelo senador para um cargo na Secretaria de Esportes do Rio de Janeiro. A batata de Flávio, como se diz na gíria política, estava “assando rapidamente”.

    Bolsonaro Backs Son Flavio for Brazil 2026 Election Against Lula, Jolting  Market - Bloomberg

    Diante da iminência de operações e do aprofundamento das investigações, o clã optou por ressuscitar uma tática já conhecida no jogo político da extrema-direita. A estratégia é simples: anunciar o alvo da investigação como candidato a um cargo majoritário. Assim, quando a polícia age, a narrativa de defesa é instantânea: “Alexandre de Moraes e a esquerda estão com medo e perseguindo nosso candidato”.

    Essa mesma peça de teatro foi encenada em ocasiões anteriores. Em 2023, quando uma operação de busca e apreensão atingiu o número dois e três da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), indicados por Alexandre Ramagem (aliado do clã), a investigação parecia se aproximar de Ramagem e Carlos Bolsonaro. O que fez o ex-presidente? Peitou a cúpula do seu partido, passou por cima de negociações e cravou: “Nosso candidato [à prefeitura do Rio de Janeiro] é Ramagem”. Meses depois, quando Ramagem foi alvo de uma operação de busca e apreensão, a narrativa estava pronta: “Estão perseguindo o nosso candidato”.

    Outro exemplo ocorreu em janeiro de 2024, quando Carlos Jordy, então líder da oposição na Câmara, foi alvo de busca e apreensão. Dois dias depois, ele foi alçado por Bolsonaro à condição de candidato à prefeitura de Niterói, no Rio de Janeiro. Em todos os casos, o objetivo era claro: blindagem temporária e criação de uma cortina de fumaça.

    Com Flávio, o plano era mais ambicioso. A candidatura não visava apenas blindagem, mas sim ser a moeda de troca definitiva para aprovar o projeto de anistia. O objetivo do “sistema” – o mercado, setores de centro-direita e aqueles que desgostam do PT – seria manter Jair Bolsonaro inelegível, mas preso apenas por crimes relacionados ao Golpe de Estado, ignorando acusações de roubo de joias, mau uso do cartão corporativo ou genocídio na pandemia.

    A ideia era manter o ex-presidente na cadeia, forçando-o a apoiar Tarcísio de Freitas como o nome que unificaria a direita, pavimentando o caminho para um eventual acordo ou indulto, se Tarcísio vencesse. O lançamento de Flávio, então, era o contraponto: “Se não houver anistia, Flávio segue candidato e racha a direita”. O passo seguinte seria negociar: “Votem a anistia, soltem o Bolsonaro, e ele retira Flávio e apoia quem vocês quiserem”.


    A Reação Brutal do ‘Sistema’: Mercado e Aliados em Pânico

    O plano, porém, desmoronou assim que o anúncio foi feito, na sexta-feira. A reação do chamado “sistema” não foi de medo ou recuo, mas de repulsa e um cálculo frio que expôs o amadorismo da jogada.

    O mercado financeiro reagiu de forma violenta. A bolsa de valores, que vinha batendo recordes e estava em alta, despencou mais de 10.000 pontos em resposta ao anúncio. O dólar subiu 4%. A desvalorização não ocorreu porque o mercado temia uma presidência de Flávio – muito pelo contrário. Economistas e barões do mercado, em análises publicadas na grande imprensa, precificaram (como chamam a reação do mercado) a candidatura Flávio como a certeza de que Luiz Inácio Lula da Silva teria uma vitória extremamente fácil nas próximas eleições.

    O cálculo é simples: o mercado apoia Tarcísio por considerá-lo um candidato que imporia políticas de austeridade e teria chances reais de derrotar Lula. Flávio, por outro lado, carece de apoio e popularidade para vencer o pleito. A candidatura, portanto, foi vista como uma “terceira via” que tiraria capital político de Tarcísio, garantindo o tetra de Lula com facilidade inédita. Em outras palavras, a bolsa caiu porque a vitória de Lula se tornou muito mais provável.

    A pressão se intensificou no sábado e domingo, vinda de dentro da própria base de apoio. Pesquisas que vazaram rapidamente mostraram Flávio com uma desvantagem de 16 pontos percentuais em um cenário de segundo turno contra Lula – o que o coloca entre os candidatos com pior desempenho (atrás apenas do irmão, Eduardo, com 20 pontos de desvantagem). O melhor desempenho ainda é o de Tarcísio, que perde por “apenas” cinco pontos.

    Nesse cenário de terra arrasada, até mesmo aliados fiéis reagiram com fúria. Silas Malafaia, um dos maiores apoiadores do ex-presidente, rompeu o silêncio para detonar a estratégia. Em uma nota para a imprensa, ele criticou: “O amadorismo da direita faz a esquerda dar gargalhadas”. A crítica do pastor, um profundo conhecedor do humor político da base bolsonarista, atestava o óbvio: a esquerda, de fato, estava em festa. Rumores também indicavam que a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, estava “uma fera” nos bastidores, alegando não ter sido avisada sobre a decisão.


    O Preço Revelado: A Carta Mais Fraca na Mesa de Negócios

    O golpe mais duro no plano veio no domingo. A pressão foi tão insuportável que Flávio Bolsonaro, desesperado, recuou publicamente antes mesmo que a estratégia pudesse ser colocada em prática. No meio da tarde de domingo, ele apareceu para repórteres e, praticamente desistindo da candidatura, revelou a sua carta na manga, que se provou ser uma das piores cartas do baralho.

    Ao ser questionado sobre se levaria a candidatura até o fim, Flávio hesitou e disse: “Olha, eu tenho uma possibilidade de não ir até o fim. Eu tenho preço para isso. Eu vou negociar. Eu tenho preço para não ir até o fim.” Pouco depois, ele mesmo revelou o preço, antecipando o que seria uma negociação sigilosa nos corredores do Congresso: a anistia.

    O timing para essa negociação seria crucial, pois o Congresso entra em recesso no dia 19 de dezembro e só retorna em 1º de fevereiro. O plano era manter o suspense até, pelo menos, terça-feira, para aumentar a pressão e usar a mídia como palco para a barganha. Mas o pânico fez o senador adiantar o preço publicamente.

    Esse recuo prematuro foi um erro estratégico fatal. Na analogia com um jogo de cartas, o clã virou a carta que tinha na manga antes da hora e, para piorar, a carta era fraca. A reação em Brasília foi de escárnio. A jogada, que deveria ser um blefe poderoso, revelou-se um pedido de socorro.

    Ainda no domingo, Eduardo Bolsonaro tentou desesperadamente fazer um spin nas redes sociais, publicando uma nota que exaltava a “candidatura de Flávio Bolsonaro [que] alcança 117 milhões nas redes”, tentando alegar que a esquerda estava “pirando” com a força do movimento. A resposta dos internautas, até mesmo de parte da base, foi de deboche. O comentário mais curtido sob a postagem de Eduardo resumia a ironia: “A candidatura do Flávio Bolsonaro tem todo o meu apoio. Espero que vocês levem até o fim essa candidatura”. A mensagem implícita: a permanência de Flávio garantia a vitória de Lula no primeiro turno.

    O desespero do clã foi flagrante. Se o objetivo era obter a anistia, a resposta do “sistema” foi de dobrar a aposta. A expectativa, agora, é que a reação de Alexandre de Moraes seja de intensificar as investigações contra Flávio Bolsonaro, apertando o cerco para mostrar que peitar o Judiciário não será tolerado. O plano não apenas falhou, como acelerou a pressão policial sobre o principal alvo.


    O Calcanhar de Aquiles: O Foro Privilegiado e a Cadeia

    A razão pela qual Flávio Bolsonaro não pode levar a cabo essa candidatura é o seu “calcanhar de Aquiles”: a perda do foro privilegiado.

    O mandato de senador de Flávio se encerra em 2026. Se ele for candidato à Presidência e perder, ele automaticamente fica sem mandato parlamentar a partir de janeiro de 2027. Ao perder o mandato, ele cai imediatamente nas mãos da primeira instância da Justiça. O risco é real e imediato. Juízes de primeira instância no Rio de Janeiro já ordenaram a prisão de aliados próximos no passado, como Fabrício Queiroz.

    Ninguém em Brasília, nem mesmo os aliados mais próximos, acredita que Flávio Bolsonaro arriscaria ficar um único dia sem foro privilegiado. A candidatura à Presidência, portanto, nunca foi séria. Era uma manobra de negociação desesperada. A aposta de que o Congresso votaria a anistia para evitar a candidatura foi a única forma de dar sentido ao risco.

    O fracasso em manter o blefe e a rápida revelação do “preço” (anistia) fizeram com que o plano mirabolante desmoronasse por completo, expondo a fragilidade e o isolamento político do clã, que segue sem apoio popular e sem base para protestos – o ex-presidente, aliás, segue isolado na sede da Polícia Federal, sem qualquer manifestação de apoio de seguidores nas ruas.

    A jogada que era para ser o xeque-mate se tornou o maior vexame político recente, confirmando a previsão de que o clã não sabe jogar o jogo da alta política e que o amadorismo, somado à arrogância, pode ser a sentença final.

  • ALVOROÇO: FABIANO QUASE DESISTE, DUDU EXPÕE FOFOCA CHOCANTE E BEIJO TRIPLO VIRA O ASSUNTO DA MADRUGADA

    ALVOROÇO: FABIANO QUASE DESISTE, DUDU EXPÕE FOFOCA CHOCANTE E BEIJO TRIPLO VIRA O ASSUNTO DA MADRUGADA

    A noite de festas no reality rural frequentemente serve como um catalisador para as emoções reprimidas, e a última celebração não foi exceção. O que deveria ser um momento de pura diversão se transformou em um turbilhão de desabafos, estratégias de jogo arriscadas e, claro, muita fofoca que promete redefinir as alianças e o panorama da competição. Com bebedeira elevada, declarações de amor e amizade, e até mesmo um “beijo compartilhado” polêmico, a Fazenda 17 viveu uma madrugada de caos controlado, onde o limite emocional de alguns competidores foi testado ao extremo, e a estratégia de outros veio à tona com clareza.

    Para o telespectador ávido, o que aconteceu após o show da banda Serial Funk é mais importante do que qualquer prova. A casa, em plena ebulição, revelou não apenas o lado festeiro dos peões, mas também a fragilidade de suas estratégias e a intensidade de seus relacionamentos interpessoais.

    O Xadrez Estratégico da Pré-Festa: A Soberba de Carol em Análise

    Antes mesmo dos drinques começarem a circular, a conversa estratégica já dominava o quarto. Fabiano iniciou a noite com uma reflexão sobre Ioná, expressando a Carol que acreditava que a ex-peoa merecia ter chegado muito mais longe na competição. Carol, no entanto, discordou veementemente. Para ela, Ioná havia ultrapassado limites, proferindo palavras consideradas graves e agindo sem moderação, o que justificaria sua saída.

    A análise de jogo não parou por aí. Reunidos, Toninho, Duda e Mesquita chegaram a uma conclusão unânime e alarmante para Carol: ela havia cometido um grave erro estratégico ao não vetar Dudu na Prova do Fazendeiro. A decisão, segundo eles, prejudicou demais o seu jogo, expondo-a a um risco desnecessário. Duda, com um olhar perspicaz, chegou a comentar que seria um desfecho irônico e “top” se Carol acabasse na Roça por alguma dinâmica e fosse eliminada, justamente por conta de sua postura que consideram “soberba” e a aposta excessiva na sua popularidade com o público.

    O grupo, convicto, afirmou que Carol está “queimadíssima aqui fora”, e que Dudu seria uma espécie de “versão masculina de Carol”, um competidor que também deveria enfrentar a berlinda. A amizade entre Carol e Kate também foi tema de debate, com o grupo observando que Carol estava gradualmente perdendo a paciência com a aliada, o que poderia culminar em um rompimento da “casca de bala” nos próximos dias.

    Ainda sobre alianças, a aproximação de Kate com Duda e Mesquita foi notada. A prioridade de voto do trio era clara: tirar Dudu. Kate, inclusive, via Duda e Mesquita como peças-chave para se posicionar de forma mais incisiva. Apesar da proximidade com Carol, Kate sempre se alinhou com o grupo em seus posicionamentos, e agora, com a intenção de ir para cima de Dudu, a união com Duda e Mesquita se fortalece, culminando no evento mais comentado da festa: o famoso beijo compartilhado.

    Em um breve momento de devaneio, Duda e Mesquita questionaram se estariam entre os favoritos da edição. Mesquita sonhou alto: “Já pensou se lá fora a gente é os favoritos?”, ao que Duda respondeu com imaginação e Mesquita com fé. Um diálogo que revela a esperança e, talvez, a ilusão que a pressão do jogo pode gerar.

    As Opções da Chama Laranja: O Poder da Reversão de Votos

    Em meio a toda a estratégia, a apresentadora Galisteu revelou as opções da Chama Laranja, que será disputada na Prova de Fogo. O poder do lampião mais uma vez mostra sua capacidade de virar o jogo de cabeça para baixo. As opções são:

    Opção A: Repassar todos os votos que um peão recebeu para outro (podendo inclusive repassar os próprios votos, uma dinâmica similar à da semana anterior, mas com potencial de impacto ainda maior).

    Opção B: Escolher mais um peão, e o voto do detentor do poder terá peso dobrado (o voto valerá dois).

    Essa votação crucial definirá os rumos da próxima Roça e será decidida pouco antes do sorteio da prova.

    A Festa Agitada: Romance Intenso e um Beijo Compartilhado

    A festa finalmente começou e, como sempre, rendeu momentos inesquecíveis. O grupo Serial Funk animou a noite, que foi marcada por declarações de amizade, promessas de divisão de prêmio, desabafos de casal e, principalmente, o polêmico “selinho triplo” entre Kate, Duda e Mesquita.

    O ato de Kate beijar os dois aliados gerou comentários imediatos e incisivos por parte de Dudu e Saori. Saori pontuou que Carol, que já estava em atrito com Kate por sua aproximação de Duda e Mesquita, ficaria ainda mais incomodada. A dupla interpretou o beijo como um sinal de que Kate estaria se divertindo com a intensa conexão física dos dois amigos. Dudu, em um momento de pura fofoca, declarou a Saori que queria contar o ocorrido imediatamente a Carol. “Ela [Carol] tem que ficar sabendo desse beijo”, disse.

    A preocupação de Dudu era que Carol ficasse “maluca” com a notícia, mas ele afirmou que não conseguiria guardar um segredo tão relevante. A discussão sobre o beijo e a natureza das relações continuou, com Dudu e Fabiano criticando abertamente o flerte intenso e a exibição de intimidade de Duda e Mesquita. Dudu traçou um contraste entre o que ele chamou de “conexão física pela conexão física” e o “amor verdadeiro”. Fabiano concordou, citando o “amor ágape,” um amor incondicional e superior. A dupla romântica da casa, Dudu e Saori, defendia a pureza de seu próprio sentimento em contraposição àquilo que consideravam uma atitude de exibição e busca por atenção.

    Fabiano no Limite: O Desabafo do “Paizão” e a Promessa Inacreditável

    Em um dos momentos mais emocionantes da noite, Fabiano demonstrou estar no seu limite emocional. Inicialmente, ele se declarou para Saori, incentivando Dudu a cultivar o relacionamento, mostrando seu lado de conselheiro. Ele expressou o desejo de ser o “paizão” da edição, e que, mesmo sem chances de ganhar o prêmio (segundo sua própria análise), fazia questão de levar Dudu, Saori e Carol para a vida. Ele até mesmo incluiu Toninho, que considera marrento, e Mesquita, afirmando que o peão se perdeu no jogo, mas que “aqui fora é uma pessoa completamente diferente.”

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    O ponto de virada veio em um desabafo profundo com Carol. Fabiano confessou que estava no seu ápice de estresse e que, se acordasse no dia seguinte “meio lelé das ideias,” consideraria seriamente “bater o sino” e ir embora. Carol, embora se identificasse com a exaustão, o impediu, afirmando que não o deixaria desistir. Fabiano, contudo, recuperou a compostura e mudou de ideia, motivado pela rivalidade: “Eu não ia aceitar perder pro Toninho, pra Duda, pro Valério, pro Mesquita, de jeito nenhum.”

    Nesse momento de fragilidade e união, Carol e Fabiano selaram uma promessa controversa e de alto risco para o jogo: se um deles ganhasse o prêmio final, o dividiria com o outro. Carol, de coração, prometeu dar uma “carvãozinho” (dinheiro) para Fabiano, pedindo que a informação ficasse em segredo. Fabiano, inicialmente, recusou, mas Carol insistiu. No fim, ele aceitou, dizendo que se recebesse, doaria para uma instituição de caridade, ou para seus pais, conforme sugerido por Carol. A promessa, que já gerou especulações sobre a sustentabilidade do jogo de Carol (que já havia feito promessas semelhantes a Kate), mostra o nível de confiança e lealdade entre os dois.

    Em um outro momento de desabafo com Carol, Fabiano voltou a criticar Toninho, descrevendo-o como “alegria e bonzinho” na frente das câmeras, mas “agressivo” por trás, citando brigas com ele e com Dudu. Fabiano afirmou que votaria facilmente no rival, separando “o jogo da amizade.” Carol, por sua vez, elogiou Fabiano, chamando-o de seu principal apoio no jogo, um “pai” que ela não teve, um homem que se sacrifica pela família, reconhecendo que ele a tirou de um “buraco” em momentos difíceis.

    Conexões Pós-Festa e Choques Estratégicos

    A euforia da festa continuou no pós-festa, especialmente para Mesquita, que estava visivelmente alterado. Em momentos de grande agitação e euforia, o peão pulou na aliada Kate, realizando movimentos de celebração.

    Enquanto isso, a conversa sobre o jogo continuava a todo vapor. Duda e Mesquita, em um momento de reflexão estratégica, debateram o futuro. Mesquita comentou que Carol ficou extremamente abalada com sua volta da Roça, e Duda concordou, afirmando que Carol e Saori cantaram vitória antes da hora. “Essa soberba que vai derrubar ela,” disse Mesquita, criticando Carol por achar que “só ela sabe jogar.”

    No mesmo diálogo, Mesquita criticou Fabiano, chamando-o de “influenciado por Carol.” Para ele, Fabiano não deveria estar no Top 5, pois “fica sendo influenciado, é chamado de burro e não rebate, ele é um pau mandado.” Duda concordou que a postura era feia. O casal também teve uma pequena Discussão de Relacionamento (DR) sobre o futuro fora do confinamento. Mesquita se sentiu inseguro pelo fato de Duda sempre dizer que não tinha certeza se continuaria com ele, o que abria margem para ele pensar que o relacionamento construído no programa não seria suficiente. Duda tranquilizou-o: “Não tem a ver com não ser o suficiente. Consigo me ver num relacionamento com você. Seria 10 de 10.” Contudo, ela ressaltou que, se estivesse em um relacionamento, seu foco mudaria, e que ela precisa resolver questões pessoais, especialmente em relação à sua mãe, antes de se entregar a algo com alguém.

    Outro momento de destaque foi a declaração de amor de Fabiano à sua namorada, mesmo em estado alterado. Em um longo monólogo, ele afirmou estar “firme, forte” e que ninguém teria o que falar dele. “Eu vou honrar ela para sempre. A mulher que eu quero envelhecer,” declarou, ressaltando sua fidelidade, mesmo que, segundo a observação de alguns, não tenha havido tanta “tentação” assim.

    Dudu e Saori: Planos para o Futuro e Clima de Romance

    O romance de Dudu e Saori continuou forte. Nos instantes finais da festa, Dudu cumpriu sua promessa e contou a Carol sobre o “beijo compartilhado” de Kate, Duda e Mesquita. Carol não deu muita importância, mas o incômodo era visível. Dudu e Saori continuaram a interagir de forma intensa, com Dudu expressando o desejo de ter um filho com ela. “Eu quero ser o pai de um filho com essa mulher… vai ser a coisa mais linda do mundo,” disse ele.

    A afinidade do casal era tamanha que, na área dos animais, Saori propôs momentos de carinho na baia, brincando com a ideia de intensa intimidade antes da Prova do Fazendeiro. O clima de romance na baia, que gerou comentários sobre a veracidade do relacionamento, encerrou a madrugada para o casal, que planeja passar o Réveillon juntos e construir uma vida a dois fora da Fazenda.

    A noite caótica e reveladora mostrou que, a cada dia que passa, as estratégias se intensificam e os laços afetivos são postos à prova. A promessa de divisão de prêmio, as críticas à soberba e a ameaça de desistência garantem que os próximos dias serão decisivos e cheios de reviravoltas no jogo.