Author: kieungan8386

  • Reinaldo Azevedo dispara recado duro para Alcolumbre e aponta desgaste nos bastidores!

    Reinaldo Azevedo dispara recado duro para Alcolumbre e aponta desgaste nos bastidores!

    Oi gente, eu sou o Titi, eu sou e sejam bem-vindos ao Vol Festa. E hoje precisamos sofocar do domingão dessa semana que escancarou o Luciano Hul roubando mais uma vez convidados do fantástico. Pois é. Pois é, gente. O Luciano Hul está brincando com vidas. Ele está gerando malestar na TV Globo. Poliana e Maju estão pistolinhas.

    É, a gente tem muita coisa para comentar. Inclusive um climão ao vivo com Serginho Grosman no palco do domingão com o Luenuco. A gente tá assim de pautas para hoje, então bora descascar esse abacaxi. Partiu. Bom, como você acabou de falar, temos um monte de coisas para comentar sobre o domingão de ontem que foi ao vivo de novo.

    Olha só, atendendo aos pedidos de vocês na semana passada, não é mesmo? Vocês estão vendo, né, gente? Vocês falam aqui nos comentários, o Luciano Hook vai lá e faz, né? É, eu vou a povo gostou do ao vivo. Vamos fazer de novo. É, não é, é batata. Se bem que eu também desconfio que ele esteja agora no momento de recalque da própria esposa, né? Ele e a Fátima Bernard estão muito de olho no novo programa da Angélica no GNT que se chama Angélica ao vivo, por se tratar de um programa da apresentadora Angélica, fazendo ele ao vivo, né? E aí tudo acontece, é

    maravilhoso, é engraçado, o Brasil está gostando do programa. Luciano Hul deve ter olhado para aquilo e falado se ela pode fazer ao vivo, eu também farei não é porque foi muito aleatoriamente. Do nada ele começou a fazer ao vivo, né? Logo em seguida da Angélica estreal Angélica ao vivo, Luciano Hul passou a gostar de estar ao vivo na TV brasileira, né? Eu sinto aí uma relação tóxica entre os dois.

    O que Luciano Huck disse de errado?

    Bom, e além de ser ao vivo de novo, eles também repetiram o quadro da Nicole Balls entrevistando pessoas pelo mundo, né? Vocês lembram que semana passada apareceu a Nicole na Time Square em Nova York conversando com os gringos do nada reagindo ao negócio dela no telão, né? Mas isso tudo tudo sem combinar, gente.

    Foi surpresa para ela. Sim, aconteceu, era aniversário, é a primeira vez que ela não estava depois de ser convidada, de tá na Bombania, né? E aí ela ficou, ela tava tímida, ela tinha acabado de receber a surpresa no telão. Ela tava, ela estava realmente reagindo com naturalidade a coisas que estavam ali acontecendo e que o pessoal do palco do domingão aqui no Brazlia pedia para ela fazer lá em Nova York.

    E daí isso foi ser repercutiu, né? As pessoas gostaram, acharam engraçado, teve fez um certo barulho, né? E aí ontem tentaram fazer de novo. Daí a Nico Boss dessa vez apareceu em Buenos Aires, na Argentina. Aí Luciano ficou pedindo para ela conversar com as pessoas ali em espanhol. Vamos ver. Conversa com alguém aí.

    O seu inglês foi ótimo semana passada. Deixa eu ver teu espanhol como é que tá. Rolá. É brasileiro. É argentino. Colombiano? Colombiano. Colombiano. E agora como é que fala colombiano, menino? Tango. Tu dança tango? Salsa. Salsa dança salsa. Colômbia é salsa. Aí amigo, se eu tivesse te conhecido antes, eu não tinha sido eliminada. Arrasada.

    Eu falei, é bonitinho, né? Mas já não tava tão engraçadinho quanto o primeiro que foi mais, né? Já não era mais a primeira vez assim. É, né? Ela não foi pega de pulo, né? É, parece que foi uma coisa, ah, vamos final de semana passada deu tão certo, foi tão legal, vamos fazer de novo. Daí fica já mandaram ela para lá bicicado para dar certo assim, né? Ela tinha até um microfone com canopla com o logo do domingão.

    Gente, isso aí é coisa já arranjada, plantada, é manipulação isso aí. E não só isso que em seguida Nicole também convenientemente, vamos dizer assim, encontrou ali um casal dançando tango na rua, que coincidentemente era o ritmo da semana na dança dos famosos, né? Aí ela foi lá, conversou com eles, eles foram super receptivos, ela tentou dançar tango com o rapaz, né? Vamos ver achar alguém para me ensinar a dançar o tango aqui. Vamos ver se eu acho.

    Olha aqui, achei um casal babado dançando tango. Olha gente, parece até a Rafa Cima. Manda um que tal. Ei, Litic Tico que eu fui eliminada. Não consegu saber classe. Eu só conheço classe de aula que eu corria. Fala se ele pode ensinar com você. Eu quero me quero aprender. Você me empresta seu bof? Um minutinho.

    Presta bof. Tá vendo? Olha, tá tudo forçado, né, gente? Era tudo combinado, né? O ritmo da semana do Danças Famos era Tango. A Nico aparece em Buenos Aires e encontra do nada um casal dançando tango no meio da rua. É óbvio que foi tudo. Você viu a moça doida para segurar logo o microfone da Nicole? Tava tudo tão combinado, a cara era treme.

    É, pelo menos avisado, talvez assim, né? Ah, a gente tá aqui fazendo um programa. Aí a apresentadora pode vir aqui abordar vocês, vocês dançam, né? Pelo menos uma coisa. Você ganham esses dinheiros, esses hooks, esses hooks, hul cos. Ah, gente, eu acho que se começar agora toda semana esse negócio vai ficar chato, porque já não foi tão legal quanto na semana passada.

    Você pediu na semana passada. Você falou ai que foi tão engraçadinho Nicole por todo por mundo todo fui moleque, fui inocente, tava abalado com certas coisas, entendeu? Agir na emoção, me perdoa. Entendeu? Agora já pode voltar Nicole, já volta Nicole pro palco dessa vez, né? É, exatamente. Inclusive Nicole não esteve no palco na Bomboniar no último domingão, mas o Richarlon aceitou o convite da semana passada do Luciano Hook e estava lá batendo bomba.

    Ô gente, mas vocês vai virar moda porque agora é assim, né? Todo mundo quer eliminado. Luciano no fal volta, volta, fica junto com a feia aqui no negócio. Daqui a pouco gente vai ter mais gente nesse negócio da do do banquinho lá do lado do que na plateia do domingão. É, né? Que tá ficando tão grande, as pessoas começam a ficar atrás da bombone agora.

    Exatamente, gente. E outra coisa, Charlon foi ontem para fazer nada, só para exibir aquela bela jaqueta dele que inclusive eu gostei. Mas assim, ele não fez, eu não fiquei, só ficou aqueles dentes branco. O programa inteiro fazer alguma coisa fez, não somou, não acrescentou nada. Nem teve tanto espaço assim porque era tanta gente para falar ao mesmo tempo, né? Inclusive, spoiler, né? Spoiler aconteceu ao vivo, né? O Álvaro foi eliminado ontem, o Luciano também convidou ele para a semana que vem, né? Eu acho que esse esse rola, acho que que

    vão vão levar Álvaro, sim, né? Eu acho que sim. Eu acho que o até porque Álvaro no na lista do BBB, né? Então tem esses bos que Nicole e Álvaro estão tão embicados pro BBB 26, né? Eu acho que eles, esses aí vão ser efetivados lá no negócio. Agora, Richard, só acho que foi só uma. Que bom que você veio. Só para desviar do assunto.

    Se a gente não se vê, feliz ano novo, né? Aquela conversa de gente que não quer ver um bom tempo assim. É tipo isso. Outro que aceitou o convite para estar no domingo ontem foi Serginho Grosman e foi um convite especial, né, que ele nunca esteve. Inclusive Luciana ficou até reclamando. Ai faz 25 anos que eu convido, tem mais tempo que eu convido do que casamento com Angélica.

    Aí foi o Sardinho do Paco. Vamos ver. O momento que eu acontecer agora é uma espera de 25 anos. 1 qu4to de século que eu estou esperando para esse momento. Você ter ideia, eu tô casado com Angélica há 21 anos. Eu tô esperando mais esse momento do que eu sou casado com a Angélica. Pela primeira vez dividindo um palco comigo num programa apresentado por mim, eu tenho a honra de trazer Serginho Groisman no domingão.

    Muito obrigado pelo convite. Demorou, hein? Demorou 25 anos para me convidar. Agora em compensação foi declaração de amor. O cara sai de São Paulo no domingo para vir ao vivo na televisão. É que tem que ser meu amigo mesmo. Aí vocês viram, gente, a desmascarada que Serginho deu ao vivo no Luciano Hul. Ao vivo mesmo, né? que ele fala: “Ah, é 25 anos que eu convido, 25 anos, 1 qu4to de século de espera, não sei o quê.

    ” Aí abre o telão, sai o Serginho, fala: “Demorou 25 anos para me convidar”. É, então a gente não não não mente. Ele falou: “É verdade. Eu confio mais no Serginho que no Luciano Hulk, gente. De longe, mas de longe. Serginho, o Sergio Grosman, ele ele ele passa uma confiança que o Luciano Hul, cara, não vai ter nessa encarnação aqui.

    Ele passa uma credibilidade. Eu acredito que realmente o Luciano Hulk foi pra Globo na mesmo momento ali de Serginho, teve Ana Maria, acho que o Jô também foi mais ou menos essa época, né? E ele simplesmente esqueceu que ele podia chamar o Serginho. Ficou nessa de Xuxa na Maria, só as loura pegou Angélica, fez uma família inteira, 174 filhos e esqueceu.

    Serginho, lembrou agora, lembrou do Serginho logo agora, entendeu? E aí o Serginho falou: “É, não me convidou em 25 anos. Agora sim que veio o convite, eu venho, né? E ao vivo no domingo”. É, foi de que? que você falou de São Paulo pro Rio de Janeiro ao vivo no domingo. Ao vivo no domingo. Não podia ter convidado no outro dia que era gravado? Ele ia no meio da semana mesmo durante o expediente? Não.

    Convidou para ir ao vivo no tirando o descanso do colega. Se no outas horas da próxima semana Serginho tiver mais preguiçosinho, lento, a gente sabe de quem é a culpa, né? E a gente não vai gostar nada disso. Mas se você tá gostando da fofoca, não esquece de clicar no like, clica no dedão que tá para cima e se acabou de chegar aqui no VFest, aproveita esse momento para se inscrever no canal.

    Já aciona o sininho, porque daí toda vez que a gente subir uma fofoca nova, você já recebe uma deliciosa notificação no seu telefone e aí é só pegar um bom cafezinho, acomodar bem o popozão, clicar e se divertir. E agora sim, bora continuar com buxa. Bom, continuando a dança dos famosos nesse domingão, foi só na segunda parte do domingão, depois do futebol.

    Antes do futebol teve umas outras coisinhas. Por exemplo, teve o quadro do Luciano realizando o sonho de um garoto de conhecer o Zé Vaqueiro. Daí aquele negócio aparece o Zé Vaqueiro de surpresa, daí cantou com o menininho lá no palco ao vivo, né? Mas uma coisa que eu achei engraçada que teve uma hora que o Luciano pede pro garoto cantar uma música do João Gomes, que ele menino tinha se apresentado com João Gomes em outrora e o menino não tava lembrando nenhuma música, deixou o Luciano meio agitado. Vamos ver com o João Gomes,

    você cantou o que com ele? Qual que você gosta do João Gomes? Do João Gomes que você cantou? Qual que você gosta? Música dele. É. Você não cantou com ele no DVD dele, cara? Nãoi. Eu adoro fazer criança na televisão ao vivo. É maravilhoso. Você realmente não sabe o que vai acontecer, não é mesmo? O adulto já não sabe, né? Então ficou ficou pistola com o menino, né, gente? Mas você sabe que isso aí serve de que ele realmente é fã do Zé Vaqueiro, né? Que ele participou do show do João Gomes, gravou lá junto com João

    Gomes e não lembrou da música, mas do Zé Vaqueiro é fãzão, né, gente? Mas o Luciano Hook não gostou nada. É, eu achei que que lembrou o Luciano Hul que ele não gosta na verdade de fazer ao vivo, né? Exatamente. Exatamente. Depois ele sentou o menino lá na na cantinho do degrau ali da dos banquinhos. É.

    Aí teve isso também. Sentou o menino do lado com o Zé Vaqueiro e anunciou que o Ed Gama lançou uma música com o Zé Vaqueiro e daí ambos cantam no palco. A música dos dois juntos. Mas daí você vê ele ele chamou o menino, né? Fazer a realização do sonho, não sei o quê. Mas tudo isso para quê? para lançar a nova música do Zé Vaqueiro com o Ed Gama, né? Eles dão umas voltas, gente.

    A mesma coisa aconteceu na semana passada quando ele chamou Ana Maria Braga para realizar o sonho da moça lá de Salvador que faz não sei quantos tipo de café e não sei o que. Mas o que para que que era? Para lançar também o familião da Ana Maria Braga. Agora não basta ter o famílhão do Luciano Hul, tem o familião da Ana Maria Braga, tem o familihão da Ah, na verdade da semana passada foi o famílhão da Sangalo.

    É. retrasado. Eu fiquei esperando esse momento v desses da semana. Familhão do Serginho, familião dos aqueiros, familião da Rafa Ciman que tava lá também, né? Mas não, mas passou não. Inclusive, vocês viram que a Rafa Cima ela, ela também foi só para fazer propaganda, né? Só que não era famílão, era daquele negócio lá.

    Ah, daquele parceiro do Luciano Hul lá, aquele moço estranho, é amarelo de de medicamentos de farmacêuticos. E aí a Rafa Carima, né, com produtos de de bebê, né, de maternidade assim e tal. E aí eu achei super engraçado porque nas últimas semanas todas vocês repararam que todo mundo que ia no juúri artístico do dança, na verdade era uma participação para fazer uma ação comercial, como foi o caso aí que eu acabei de mencionar da Ivete Sangalo com Familhão, Ana Maria Braga com Familhão e eu não lembro mais se teve outros anteriores, mas deve ter

    tido. E dessa vez ele colocou o Serginho Grosman para não ganhar nada no júrio artístico, só para não ficar batido. Colocou a Rafa Cima lá no banquinho. A Rafa Carma por causa de barrigão de mamãe, né, de grávida, tal. entrou naquele banquinho ruim, ficou ali o tempo todo só para fazer propaganda dos negócios de de de bebê do do da indústria farmacêutica do amigo do Luciano Hul.

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    Eu acho que vai virar a par vai vai já virou uma tendência assim todo convidado que for no domingão vai é é uma participação patrocinada né? É verdade. Eu fico meio chateado, me sinto meio enganado às vezes, gente. É sério que nem no episódio da Ana Maria Braga mesmo, mas eu contei aqui pr vocês.

    Eu chorei com a moça, né? realizando sonho de conhecer Ana Maria Braga, achei tudo tão lindo. Aí daqui a pouco tava Ana Maria Braga segurando a barra de ouro. É, vem vender o Felhão. Aí eu falei: “Nossa, gente”. Mas eu que nem você falou, “Anota aí, a Xuxa vai no domingão. Vai ser familião da Anita. Não vaião da Anita”. Certeza. Eu acho que a Xuxa só não foi esse domingo aqui porque ela fez show lá no Ibirapuera do Stranger Things lá, do lançamento da nova temporada do Stranger Things.

    Ah, inclusive vocês viram que o menino foi lá, era aniversário dele, da o menino da série, que eu não sei o nome nem dele na série, nem da vida real. Ele faz o o negócião lá, né? O bicho feio, né? É o Beck, né? Ah, faz tanto tempo. Foi a 84 anos. Não sei. Aí no aniversário dele é a Xuxa cantou o parabéns da Xuxa para ele.

    Gente, o olhinho meio brilhando, olhando pra Xuxa. E falei, gente, olha que coisa mais linda, né? Pessoa vem de fora e ganha parabéns da Xuxa. A gente que é daqui, quer uma vida inteira, nunca poôde nem entrar no show. Que show da Xuxa é esse? Que show da Xuxa é esse? Não é verdade? Teve um pessoal invadindo o show, não teve? Teve. Foi perigosíssimo. Teve.

    Ela teve que ser retirada com a polícia, uma baixaria. Ó, é, mas é a chuchona, né, gente? É uma é uma parada estranha, né? É uma loucura a roupa dela. Você viu a Mariana, nossa editora quer gostar assim, ó, jogado na frente. Falei: “Gente, olha, ela é a Xuxa do mundo invertido. Você vê grandes estressias essa semana na a nova e última temporada do Stranger Things.

    Vai ter a novela vertical da J Picon que estreia amanhã. Grandes estreias, Kiara. O retorno é o nome da novela. A gente pode vir comentar com vocês na quarta-feira. que pode que a gente vai ter muito abacaxi para descascar desse negócio. Novela vertical com a Jade de Picom, pelo amor de Deus. É um prato cheio. É um prato cheio, meu Deus. Bom, mas eu t falar do do Domingão, né? Por falar em cantoria lá, Zabaqueiro e tals, Luciano Hook está assim como Nicole Balls, todo internacional nas entrevistas, né? Recentemente teve entrevista dele com o Prispa William que

    passou no domingão, já tinha tido também Naomi Campville pessoalmente no domingão, em agosto desse ano, né? Sim, ela avaliando lá as danças e tudo mais. E daí ontem foi exibida uma entrevista do Luciano Hul com a cantora do Alipa, que estava aí no Brasil já fazia alguns dias, né? Fez shows também em Rio de Janeiro, São Paulo.

    E inclusive do do Aliba se divertiu muito no Brasil, né? Passei eu digo mais, eu digo que ela viveu, ela viveu muito ela viveu o que a gente já não consegue mais viver com idade. Vocês viram, a gente já tomou show caipirinha, ela comeu churrasquinho, foi no futebol, foi no ensaio da escola de samba. Gente, se eu tomar meio copo de chopo com Ana Cláudia, eu já não sou gente no dia seguinte, eu fico com dengue automaticamente.

    Agora do Lipa não na flor da idade, no pique da Globela, né? É, todo dia um atrás do outro. Todo dia. Jogou baralho no btiquinho no Rio de Janeiro, gente. E ela disse ainda que sempre anda com baralho na bolsa. É de Áries do Alipa. Sempre compete. Pronta para uma competição. Sempre pronta para uma competição. Me lembro alguém. Eu ando com Uno.

    É verdade. Nossa, a gente, ele tem tanta carta de mais quatro no Uno dele, eu não sei como a Matel mandou a dele com defeito, porque tem muito mais quatro, mais dois, lembra um inferno, não tem condição de jogar Uno com ele. Não tem, não fala assim, não tem condições. Nem banco imobiliário.

    Uma vez a gente brigou, a gente quase separou porque banco imobiliário. Ele é ignorante no jogo. Nunca vi. Eu sigo as regras. Não, você faz tudo. Aprendi com a minha amiga Mariana, tem que seguir as regras. É dois dois falafr que não segue regra coisa isso, mas a regra das cabeças deles. Enfim, voltando a falar de Luciano Hook domingo, né? Domingão no caso, ontem Luciano Hook passou o domingo todo fazendo suspe deixou entender algumas vezes até que a do Lipa iria ao palco do domingão, mas ele também tá cheio de fazer.

    Ó o seu Luciano Hul, a gente tá de olho em você. que também no domingo do príncipe, quando eu mostrava ali os banquinhos, tinha um banquinho livre com o a capa e o e o e o a coroa de príncipe ali, meio que dando a entender que a qualquer momento o príncipe entraria. Ele foi muito cta, ele trouxe a Naomi, que Naomi tá meio desocupada hoje em dia, né, gente? Aí ela, ela ele trouxe ela, ela foi jurada dança de fal e depois ele sempre ficou com essa esse jeitinho meio que de falar vai vir aqui no domingão, né? Príncip Will Domingão.

    No domingão. Eu já imaginei o príncipe William avaliando a Vanessa Camar de famosos, entendeu? Eu sonhei alto e agora com a do Lipa foi a mesma coisa, porque a do Lipa foi até na casa do Luciano Hul, gente. Eles ficaram lá na Angra dos Reis, na casa deles, na ilha deles, né? Que tava a ilha inteira, né? Sei todo mundo do Luciano hoje pegou pra Angélica com a Eva.

    Você tirou foto com a Eva. A Eva tá grande, né, gente? E E aí eu falei, foi, né, gente? Aquela fo inclusive teve até uma hora que ele ele pegou pregou uma peça no público, né, que ele falou presença especial começa com D, pode entrar no palco. Daí começou a tocar uma música do Alipa, era o Diogo Defant e voltou do nossa, que legal.

    A ele já enganou todo mundo, mas daí no final das contas não teve do Alipa no no palco do domingão. Foi só uma entrevista pré-gravada em outrora. Talvez na casa dele, não sei, né? Do Luciano. Acho que a casa dele é aquele lugar não. Acho que não. Aquela casa aquele lugar não é a casa dele não.

    Aquela parede ali não é. Você já foi na casa de Luciano. Eu fui, mas eles não deixam a gente usar celular lá. Não tem como mostrar para vocês. Angélica me chama sempre, mas era um pouco longe para mim. Ele gravou entrevista quando ali. Aí falaram pela passagem dela pelo Brasil, contou o contato dela com os fãs brasileiros. Até que chega uma hora que Luciano que ele toda descolada, legalzão, né? Ele mandou imprimir um RG para Dual Lipa com o nome abrasirado dela, Eduarda Felipa.

    Entregou pra Doualipa. Vamos ver. Já que tá todo mundo falando que você tem que ser Eduarda Felipa, deixa fiz uma brincadeira com você que eu quero te entregar os seus novos documentos brasileiros. De fato, agora você vai ter um RG brasileiro. Thank you so much, Eduarda Felipa. Amazing.

    Thank you, thank you, thank you, thank you, thank you. Fabulous. É, gente, porque a gente apelidou a menina, né? Porque ela fica aqui toda ag toda brasileirada tem que ganhar o nome, né? Aí ficou Eduarda Filipa de Dua Lipa. Eduarda Felipa. Mas isso já aconteceu em outra hora, né? Não sei se eu já contei para vocês, mas sou muito fã de Kate Perry e a Dua Alipa também, tá? Porque a Dua Alipa já subiu no palco para agarrar Kate Perry antes de ser famosa, tá bom? E assim, a Kate Perry a gente sabe que há muito tempo aqui no Brasil a gente

    chama ela de Catarina Pereira, né? Kate Perry, Catarina Pereira, entendeu? E em 2024 nós mesmos fãs fizemos um enorme RG e entregamos para Cate Perry. Eu achei inconveniente a parte de ser enorme, porque ela com certeza não levou isso embora. Eu achei que o Luciano Hook foi muito mais sagaz de fazer uma carteirinha de RG pequenininha, porque com certeza a do Alipa, a nossa Eduarda Felipa colocou na bolsa e levou com ela.

    É, mas eu acho que que o Luciano Rook ele viu, né, o que fizeram o ano passado. Ah, vendo a gente, então eu vou fazer primeiro e melhor no tamanho real. Exatamente. E era original, né? Porque ele tem o poder de É um RG mesmo, tem número, tem ela pode fazer um cartão se agora da Kate Perna, o da Kate Per uma grande cartolina que a gente imprimiu na Infoserra.

    Foi inconveniente com a Kate Perno passado, né? Levaram ela na estrela da casa, fizeram foi. É, a gente a gente chateou a C Perry, a gente acho que ela não volta mais. Ela volta esse ano já, mas ela ainda tava já abalada. Eu senti ela tava, ela tava diferente com a gente. Falando dessa entrevista da Doipa com com o Luciano Hook no domingão e citando as outras também que nem a gente falou da Naomi, do William do Príncipe William, né? Eu fico pensando, mas é que o Fantástico não fique enciumado com essas coisas do Luciano Hul levando

    entrevistas com essas personalidades no domingó porque anteriormente essas coisas aconteciam até o trol até uns 5, 10 anos atrás era tudo no fantástico. Imagina, acho que eu acho que é mais recente do que isso. Acho que até, sei lá, ano passado, retrasado ainda, essas coisas tudo era no fantástico, até antes dele indo pro domingão, né? Eu acho, é, mas acho que ainda um pouco ele tava lá no domingão já e ainda tinha essas coisas de gente que tava passando pelo Brasil aparecer no Fantástico assim, sabe? Tanto gente que tá lançando

    filme como gente que tá passando de turnê. Mas esse ano parece que o Luciano Ruque abachou essa essa essa pauta, né, esse tipo de entrevista para ele, né, gente, coisa que não existia no domingão na época do Faustão, por exemplo, porque podia est Madonna no Brasil, o Faustão ia trazer a Susana Vieira, sempre a Susana Vieira, ao menos que a pessoa fosse se apresentar no domingão, Alanis Morete, Shakira, enfim, né? Fifi Harmy, lembra? Terrível, né? Foi bem triste aquilo, mas mas se ela não vai daí a entrevista gravada em outro em outro lugar fica com

    Fantástico, né? Daí agora parece que Luci na bocanha tudo. E e eu tô falando isso porque foi engraçado que teve, né, do Alipa, entrevista com do Alipa no domingão com o Luenuk e no Fantástico de ontem parece que ficou sobrando um tempinho, né? Quase no final do do programa, antes deles falarem de futebol, que é sempre a última coisa, né? Eles exibiram uma matéria de uns 5 minutos sobre a dança do acasalamento dos jacarés.

    Vamos, vamos ver um trechinho. Você vai ver como um predador usa a vibração do próprio corpo para fazer a água dançar. É o espetáculo do acasalamento. Está se preparando. Uma canção de amor que faz as águas dançarem. Uma performance pantaneira requintada. Ele parece encantado. Ai, meu Deus do céu. E a gente começa a semana vendo as águas dançando.

    Que baixaria sem limites, hein? Que situação, hein? A gente coloca o nosso público numa segunda-feira pós feriado prolongado e a gente vê as águas dançando. Passou. E sabe uma coisa que eu achei curiosa também que eu fui buscar lá no Global Play para passar aqui para vocês uns trechos, né? E o engraçado que o acasalamento dos jacarés não aparece nem como um trecho do Fantástico, porque o Globo para ele coloca trechinhos, né? Ah, é prisão, é Enem, assassinato, aquelas coisas que passa no Fantástico, né? E não tinha o trecho do calzamento

    dos jacarés. Aparentemente foi uma coisa meio que ai, tá sobrando um tempinho aqui, vamos passar isso para ocupar, gente. Mas eu achei que ficou que é assim, é o é o trecho do programa que eles separaram para entrevistar a do Alipa, para falar sobre a passagem da Dual Lipa no Brasil, né? É.

    Eu acho que às vezes eles não contavam que o Luciano, além de entrevistar do Alipa, que já é roubar uma convidada, roubar uma pausa do Mingão, também exibiu uma matéria toda antes dela entrar para, né, antes de entrar o VT da entrevista em si. Ele exibiu uma matéria toda sobre toda a passagem dela pelo Brasil. Eu acho que realmente ele tirou a pauta do do ele derrubou a pauta do Fantástico.

    E assim, nos 45 do segundo tempo, eu acho que a galera do Fantástico não tava esperando que o que eles tinham separado, que eles tinham editado, né, e tudo ia também ser exibido no domingão. E eu acho que deve existir uma política interna da Globo de assunto que é tratado num programa, não vai ser tratado no outro. Exceção é só para encontro de Ana Maria Braga, que é uma reprise, né, gente? Eu encontro, falo as coisas, depois vem Ana Maria B, fala das mesma coisa.

    É tipo um negócio que vazou um tempo atrás, que a gente até comentou aqui com vocês que o pessoal do Altas Horas do Sarginho Grosman tava meio assim com o Marcos meu no Caldeirão que roubou convidado, tipo Caetano Velouso e e Maria Betânia, acho que teve uma vez, né, que o Marcos meão convidou antes e já tinha uma coisa gravada pro Serginho e daí acabou não podendo exibir no mesmo dia porque acho que teve alguma coisa com a Xuxa também que tinha alguma coisa que a Xuxa sempre, né, gente? Mas era isso, era tipo o Sarginho tinha programado ou

    gravado algumas coisas com as mesmas pessoas que o Mon ia lá e chamava. E é no mesmo dia, né, gente? É, é o mesmo caso, né? Domingão, fantástico, é o caldeirão e mais tarde altas horas. Então fica muito ruim, né? A a mesma atração, o mesmo conteúdo. Eu acho que realmente ontem teve alguma coisa que eu acho que mais hora, menos hora vai vazar isso com certeza.

    Mas dava para perceber ontem durante o Fantástico a Maju tava chateada, a Poliana tava com uma cara fechadíssima. Eu acho que de repente a gente vai que correr. Que que tem aí? Fuça essas fitas, pega esses DVD, que que é esse pen drive? É jacaré dançando na água. Então vai ser esse aqui. É a água dançando com jacaré e vai ser isso.

    Mas eu acho que é é acho que é um negócio que o Luciano tá entrando num lugar que não é dele não, gente. Mas eu confesso que eu gosto mais porque quantas vezes a gente já teve que assistir tanta coisa ruim e chata no Fantástico? para chegar lá no final para ver ali uma entrevista, uma matéria sobre alguma alguma coisa mais que a gente queria ver assim, que eles sempre seguram pro final assim.

    Eu acho que o o Fantástico ele traz aquela depressão e pré segunda-feira também, sa começa o Fantástico já começa a me dar um negócio, meu Deus do céu, vai começar tudo de novo, a segunda-feira tá chegando. Então eu não gosto de assistir fantástico, mas principalmente porque é só matéria pesada, né, e desgraceira e coisa ruim.

    E daí às vezes a gente realmente tem que assistir um monte de coisa chata para daí chegar num conteúdo que a gente de fato gostaria de ver, como uma entrevista com Eduarda Felipa do Alipa, né, gente? E aí no domingão já vê tudo junto, né? Já vê tá tudo ali, é entretenimento, é a coisa mais pop, mas ali no domingão e deixa o Fantástico virar de vez um cidade de Alerta, então, né? Porque é o que tá virando, né, gente? E realmente eu também acho que fica melhor.

    Mas isso é a gente falando agora. Imagina lá dentro a picuinha que não tá. É, eu acho, porque assim como aconteceu, gente. Outra coisa, olha só os sinais. A polêmica anterior era era o mal-estar entre Marcos Mon e Serginho Grosman, né? Quem é que tava ontem no domingão? Serginho Groisman. É, é, é, é ali uma já, entendeu? Para trazer a polêmica pronta já.

    Na verdade, o Luciano Hook adora entregar uma piada pronta pra gente, né? Impressionante. Mas é sobre isso. Eu acho que já já mais hora, menos hora, vai começar a sair essas coisas, viu, gente? Ah, mas nós como públicos, eu apoiaria Luciano Hul. Deixa tudo no domingão mesmo, que ele te deu uma barra de ouro também, meu amor. Domingão familiando.

    Seja milionário e você também. Mas e vocês, gente? Vocês acham que o pessoal do Fantástico tá chateado? E você agora prefere assistir essas matérias assim de entrevista com divas internacionais, com atores, atrizes, príncipes, modelos, no domingão ou no Fantástico? Conta tudo pra gente, porque, né, isso vai mudar muito a nossa vida.

    E quando você for fazer seu comentário, não esqueça de usar # não foi fantástico que a gente vai saber que você ficou até o final do vídeo, vai marcar o seu comentário com um lindo coração. Isso aí. Ó, tem vídeo novo no canal do Titi, hein? É verdade. Gente, no sábado saiu lá um vídeo da gente testando o nosso novo aspirador de pó que mandaram aqui pra casa.

    Aquele negócio do futuro que a gente não sabe nem segurar direito. Mas gente do céu, o que foi aquele funcionamento dele? Gente, inclusive nesse vídeo também tem uma públ da Emo que da EMA. que o povo todo ficou fal o cupom não tá funcionando, o cupom não tá funcionando. Agora tá funcionando o cupom, tá gente? Avisa todo mundo que quis usar o cupom que eu não consigo usar que agora tá funcionando.

    Foi cagada da própria Ema que esqueceu de validar o cupom para vocês. Não tem nada a ver com a gente, mas já tá funcionando. E amanhã é dia de Natal já o Natal já chega pra gente no canal pessoal também, tá galera? E aí, ó, para você que ainda não tá inscrito no canal pessoal, aproveita esse momento para se inscrever lá também.

    O link tá aqui na descrição, clica, se inscreve, porque daí você passa a semana toda com a gente, porque um dia vídeo aqui, outro dia vídeo lá, outro dia vídeo aqui, outro dia vídeo lá e você se diverte com a gente a semana toda. E caso você perdeu alguma coisa, corre lá, faz uma maratona de ti ou uma maratona virou festa com mais vídeos e fofocas. É isso.

    Não desgruda mais de nós, não.

  • BOMBA: ANCELOTTI DERRUBA MITOS E TRAÇA O CAMINHO CHOCANTE PARA A GLÓRIA BRASILEIRA! A VERDADE NUA E CRUA SOBRE NEYMAR E O FUTURO DE ESTÊVÃO!

    BOMBA: ANCELOTTI DERRUBA MITOS E TRAÇA O CAMINHO CHOCANTE PARA A GLÓRIA BRASILEIRA! A VERDADE NUA E CRUA SOBRE NEYMAR E O FUTURO DE ESTÊVÃO!

    Perguntar, todo mundo vai dizer assim: “Pô, mas o Anchelote tava lá e vocês não falaram do Neymar, né? Não vou te perguntar nada. O que que você falaria do Neymar para o Neymar? O que que você pensa de Neymar?” Fala, galera. Hoje vocês vão assistir a uma daquelas entrevistas que simplesmente paramil. Carlo Anchelote abriu o coração como nunca, falou das origens humildes, contou como o futebol mudou a vida dele e revelou o que significa no fundo da alma ser o técnico da seleção brasileira. Ele não fugiu de nenhum

    Tema. Falou de Neymar, de Vini Júnior, de Estevão. Falou da essência do futebol brasileiro, aquela mistura de talento, paixão e improviso que encanta o mundo. E eu te digo, tem emoção, tem sinceridade e tem revelações que você nunca ouviu antes. Então fica comigo até o final, porque cada frase dessa entrevista mostra porque Ancelot está tão conectado com o Brasil e por esta nova era da seleção promete mexer com o coração de todo torcedor.

    Prepara o like, ativa o sininho e vamos juntos, porque o que você vai ver agora é simplesmente imperdível. Sabe? Tem algumas pessoas e que eu pelo por exemplo lá falar assim: “Pô, esse cara existe mesmo?” Uma vez entrou num estúdio Milton Nascimento. Olha, nossa, você existe. Outra vez entrou o Erasmo Carlos.

    O e o Erasmo, me chamando pelo nome. Eu falei: Erasmo Carlos existe. A gente que gosta de futebol, Carlo Antielote existe, existe uma emoção. Está aqui com a gente pela primeira vez participando de um programa no Brasil. Ele nos dá a honra, belíssima matéria. É uma honra. Você sabia? Primeiro assim, muito obrigado pela presença, pelo Você sabia que aqui no Brasil a comunidade italiana é uma das maiores do mundo? Houve um tempo que era a maior fora da Itália.

    Você já sabia disso? Sim, sabia. Sabia que muitos italianos chegaram aqui sobrar tudo nos no nos surto Brasil. Uhum. E creio, eu acho que, como disse, eh, somos gemelos, não? E vem cá, você nunca tinha vindo aqui antes de trabalhar na seleção brasileira? Só uma vez e em Fortaleza para ver um jogo do da seleção, um jogo que eu precisava mirar Serginho.

    Uhum. Uhum. Jogava Dida quando você estava no Mila. Sim. Por aquele tempo eu estava trabalhando por Juventus. Ah, tá. A Juventus disse: “Temos que fichar a Serginho”. Um observador. Observador de Juventus. Sim. E não me escutaram. Depois foi a Milan. Milã me escutou. Aí agora aqui você viajou o mundo. Você foi campeão em cinco países diferentes, além de ter viajado o mundo.

    Você tem saudade da tua terra? lá da onde tem os seus amigos, a sua origem. Não, saudade é nova. Eu acho que eu saí de Itália em 2009 para ir a Londres e depois creo que tenido una boa expercia trabando inlaterra, in Francia, inem a parte o idioma. Uhum. Eh, però é conhecido a cultura do países que é dos jogadores que é obviamente diferente.

    Faltava faltava Brasil, faltava e então é uma como pode dizer horra pensar de preparar uma Copa do Mundo com o Brasil. Uhum. Agora a gente vai levar ele para lá, não vai? Exatamente. Entre tantos assuntos que temos que falar hoje. Antes o Sport Record foi até a casa, onde cresceu o técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelote.

    Por lá, na Itália, encontramos personagens que fazem parte da vida do Mister desde criança. A reportagem é do Mauro Júnior. Bem-vindos a Bela Redeolo, a 170 km de Milão. São cerca de 9.000 moradores e quase todos têm uma história do Antielote para contar. O seu Luig de 81 anos, por exemplo, anda todo orgulhoso com esta foto na carteira.

    Anelote está no meio com o pai de esquerda e o seu Luig. Ele nasceu nessa casa, na zona rural de Rediolo, onde morou até os 10 anos de idade. Foi criado na roça e ajudava o pai no cultivo de uvas. A modesta plantação ficava nesse pedaço de terra que o menino Antielote usava como campinho. O primo Maurício sofria com os dribles do pequeno e áudio Antielote, carinhosamente chamado de Carleto.

    Desde aqueles tempos a gente colocava duas garrafinhas no chão e se divertia fazendo gol. porta. Eu jogava aqui sempre com Carlos. Carleto morava nesta casa com a irmã e os pais. Giuseppe era um pequeno agricultor. A mãe Cecília era dona de casa e uma cozinheira de mão cheia. Cecília era Cecília era a rainha da cozinha.

    laborator. Eram pais trabalhadores e tratavam bem todos na cidade. Carlo aprendeu muito com eles. E foi o seu Giuseppe quem levou o filho para treinar no campo do Ctio Rediolo, time amador da cidade. Na parede, orgulho e gratidão pelo primeiro time. Aqui na sede do Rediolo Calcio, o Anchelote deixou esse quadro de presente com uma dedicatória Almio Rediolo.

    Frank Silvestro, de 86 anos, testemunhou tudo. Hoje ele é o zelador do clube, mas naquela época teve o privilégio de ser o primeiro treinador de Carlo Anelote. Olha ele aí, ó. Muito moço no canto da foto e o antielote do outro lado sempre sorridente. Era sempre foi um garoto muito sério e não me dava nenhum problema.

    Aldo Ferrari, o fundador do fã clube. Os dois se tornaram próximos. Eu já trouxe uma banda aqui porque ele gosta muito de cantar. história paixão é a comida. Os pratos favoritos dele são capelete e tortel. Capete e tortele. Uma pasta artesanal recheada com carne de vaca e de frango. Uma taça de vinho tradicional da Emília Romanha e muito, muito parmidiano, redeano do jeito que o Antielote gosta.

    Aldo Ferrari: "Manifester, c'est aussi exprimer son existence" | RTS

    Prato preparado pelo amigo Fausto Matsa. Os dois jogaram juntos no C Reediolo, como Fausto faz questão de mostrar no quadro que ele pendurou na parede do restaurante. Talento. O talento dele não é só no futebol, mas principalmente no relacionamento com as pessoas. Vai cantar uma música pra gente, Carleto. Sim. Está.

    Eu gosto cantar, mas eh estava outro dia aí, então estava lá. Sim, sim. É lindo voltar na sua históri. Sim, sim. Tenho, tenho amigos, mas sobretudo tenho recuerdos, não, deste período que ha sido um período muito bonito. Canta uma música aí pra gente. Canta agora. Não, agora. Agora não. Agora agora. Agora não. A música prende questa mano. Zingará.

    Não, não é. Agora aqui absoluto. No Brasil, qual a sua música predileta? Prefiro no Brasil. Sim. Eu cantado uma vez com toquinho. Com toquinho aquarela. Sim. Aquarela. Sim. Uma qualquer desenh amarelo. Examente. É uma música italiana. Sim. E cominho cantamos junto em um teatro. Eh, essa canção é uma canção italiana que foi feita uma versão pro português e é um dos maiores sucessos eh do Toquinho.

    Eh, o Chico Boar que morou na Itália tem muita muita relação também da música. Roberto Carlos fez sucesso em Sano. Vem cá. Quando você era o o pequeno Carleto, que que você imaginava pra sua vida? Era o futebol? No, no. Futbol sempre ha estado una pais para m segue sendo una uma pais, obviamente han mudado muitas coisas na minha vida, lo que humano mudado a pais por fútbol, que é a mesma que tenia quando estava aí na em Itália com meus amigos, com minha com a minha família.

    Você era o craque da molecada, não? Não, não. Eh, eu penso a a carreira profissional para seguir um amigo que foi era fichado por Parma, porum. Por académia do Parma e ele não queria estar só a Parma. Entendi. Então disse, eu podo venir a Parma só para fazer companhia com um amigo e Parma me fou e depois ele depois de um ano voltou a casa porque não não le gustava delio.

    Sim. E voltou a casa e eu me quedei em Parma. Pois é. Então hoje nós temos aqui um cidadão do mundo e agora vocês estão liberados. Dodô, Maurício Noriega, Salvio Espinolo. Já ouviu falar do Dodô? que é o artilheiro dos gols bonitos. Sim, eu não não lembrava isso, però mas você sabe, né, Cléber? Primeiro que é uma honra tê-lo aqui.

    Eh, é um prazer muito grande. A gente tem uma confiança muito grande no teu trabalho, tem uma admiração enorme e a gente tá em muito boas mãos servindo a seleção brasileira. A gente tem uma ligação, viu, Cléber, do Botafogo, pô. Filho dele trabalha no Botafogo, time que eu joguei, né? Então, aproveitando agora agora a gente viu tua história onde você cresceu, eh, sucesso absoluto desde de garoto.

    Essa forma de se relacionar com as pessoas vem desde criança sua ou o futebol tem um pouco disso? Não, eu creio que eu sou assim porque a formação que tenido a minha família ha sido uma formação e de maneira muito tranquila. Mi padre era uma pessoa muito tranquila, mi madre também e tenido professores na escola tranquilos. de formação caracterial, obviamente.

    E é por isso, sim, por esse período que eu passei com a minha família aí e depois obviamente tu aprende da toda a experiência que tu t o primeiro treinador que era uma pessoa muito muito tranquila, que era um um sueco e muito preparado com o jovem, me ajudou muito a crescer Eh, isso e na escola também. Então, e minha maneira de ser e também minha maneira de treinar.

    Não, não digo de treinar, mas de ter uma relação que eu gosto, que tem que ser uma relação ao mesmo nível. Eu não não quero estar mais alto que um jogador, mas nem tampouco mais baixo. O mesmo nível é uma relação. Eu eu acho que a relação é muito muito importante. Antielote, a sua chegada à seleção brasileira, ela teve um diferencial.

    Negociações no futebol são complicadas, mas a sua teve o sonho de comandar a seleção brasileira. É um privilégio para você estar à frente da seleção? Sim, para mim obviamente é um privilégio. Creo que a negocia foi muito, muito simples. Creo que tenido um primeiro contato com a seleção até do anos, mas depois tenha o contrato com o Real Madrid.

    O dia que hum pensei de deixar Real Madrid eh a negociação foi muito muito muito rápida. com a federação e é um sonho para você, um sonho, uma honra, um desafio muito grande porque, como dicho, é uma gran motivação pensar de poder preparar o mundial com a seleção brasileira. Em 94, você tava na comissão técnica do arrigo saque, né? Sim.

    Quando o a Itália e o Brasil fizeram, assistente da equipa nacional, o Arrigo sacando o Brasil e Itália fizeram a final. Por que uma seleção, um profissional consagrado como você poderia continuar perfeitamente nos clubes e você opta por uma seleção. Então eu queria saber de você, qual é o o que o a Europa pensa do futebol brasileiro, da seleção brasileira e o que te motivou mais a dizer assim: “Eu vou pegar, como você disse, esse desafio”.

    Eu creo que que estar em um campeonato do mundo é uma experiência muito muito bonita. Então queria repetir este tipo de experiência. Ha chegado la oportunidade de treinar a melhor seleção do mundo. Então, eh, tem um lado pessoal, então tem muito um lado de do Carlo Ancelotti, independentemente da da Era era ele de repetir essa experiência de 94.

    Uhum. estar juntos com com a equipo nacional, com os jogadores para um tempo muito longe e ha sido uma experiência muito muito bonita e queria repetirlo. É melhor que o equipo nacional de Brasil não é o Anelot jogou a Copa do Mundo? Você não jogou 82 que você estava machucado, não foi isso? Sim, estava machucado.

    82 86 você jogou? Não estava presente, mas não joguei nenhum minuto. Mas foi foi convocado, presente, é calentado muitas vezes o banco em 90 joguei. Sim. É. É. Então ele tem experiência de Copa do Mundo como jogador e agora vai ter como treinador. Maria H, eh quando a gente recebe e o técnico da seleção, a nossa tendência é dizer assim: “Você vai convocar o fulano?” E eles dizem: “Não sei, fulano, fulano é um nome é fulano.

    Como que que seria? paisano, não é? Você vai convocar o jogador, o você nunca vai responder. Por exemplo, você vai levar o o Estevão pra Copa, você vai dizer: “Ah, talvez, mas tem nomes.” Eu acho que eu acho que sim também a gente tá jogando bem louco nestes se meses. Eu acho que vai estar na Copa do Mundo. A gente espera que você tá vendo, ô Estevão, mantém do jeito que tá, foco, fica assim que o homem falou que você vai.

    E o Estevão parece que é uma das suas curiosidades. Eh, eh, eh, primeiro, muito obrigado pela presença aqui. É um prazer recebê-lo. Eh, a sua relação com o Estevão, algumas pessoas que têm acesso ao dia a dia da seleção me disseram que é uma relação diferente, um pouco de pai para filho. Você gosta muito de conversar com os jogadores, especialmente com o Estevão.

    toma um café, conta uma piada assim, você enxerga no Estevan o potencial para ser um jogador realmente muito muito especial, muito diferente ou ele já é esse jogador muito, muito especial, muito diferente? Eu é ele é um jogador muito, muito especial, muito diferente, porque ele tem um talento muito grande, natural e depois e eh isto não significa que ele é um jogador completamente formado, porque ele tem uma que por certo não está formado 100%.

    Então eu lo eu não hablo, creo que em geral o talento non lo pode melhorar, però lo pode ajudar a a dar continuità a este talento. Logo pode ajudar l’aspetto físico, l’apprendimento tattico, eh l’aspecto mental também porque é muito jovem. Eu não digo só o treinador que tem que fazer todas as pessoas que que trabalham com ele.

    Eu acho que ele está progressando muito bem, muito, muito bem no Chelsea. E eu não falado com Chelsea, mas estou certo que eles estão fazendo com ele um programa específico neste sentido. E então temos, creo que a a seleção tem que aproveitar desse talento porque é um talento muito grande como outros jogadores têm na na na seleção.

    Eu eh o talento que tem a seleção muito muito grande. Não sei se outros equipo e nacional podem ter a sorte de ter este talento. Però só o talento non è lave dell’esito, hai que metter cosa. Angelotti, e o Vini Júnior, o talento del que no durante muito tempo foi indiscutível, mas na seleção brasileira ainda faltava.

    E você falou muito de calentar, esquentar o banco de reservas. Ele não me parece tá lidando muito bem com isso. Hoje ele não é titular absoluto no Real Madrid, né? Bueno, creo que iso é um un um momento, um período de sua vida profissional. Eh, creo que tem que ele tem que pode ser que jogadores sempre, sobre todo estos tipos de jogadores sempre 100% de su características.

    Pode ser que ha un poco, però por cierto Vinicius va a ser una temporada também como temporadas passadas, una temporada importante no no Real Madrid e chegará muito bem a para a Copa do Mundo. Então esse também se acha que vai pra Copa? O o Vinícius também você acha que vai pra Copa como o Estevão? Evidentemente Vinícius vai para a Copa.

    Vai para a Copa. É isso que eu vou te perguntar. de passar pro Salvio. Eu imagino que para um treinador o dia a dia é muito bom para conhecer, lidar, treinar e colocar na cabeça do jogador o que o que você quer. Uma qualidade sua, na minha maneira de ver, é que com elencos diferentes você monta bons times.

    Você não me parece ser o cara que tem um esquema para botar o jogador dentro do esquema. Você monta um esquema a partir dos jogadores e você acabou de elogiar a seleção brasileira, o elenco da seleção. É mais difícil montar uma seleção, apesar de você escolher quem você quiser, do que um time que você tem o dia a dia para trabalhar? Não, mais difícil não, porque bem, creo que a parte mais importante do futebol é o jogador.

    Uhum. Então, eh, eu tenho que me preparar um sistema onde o jogador está confortável. Isto é evidente. E depois aí ele trabal que que a maioria do da melhoria que podemos fazer aqui é nel no trabalho coletivo dos jogadores de talento. Esse trabalho coletivo parece hoje vai ser o mais importante, já que você tem talento individual.

    euo que se jogadores traballanos creo que podemos conento que equipo podemos competir na copa do mundo. A focalização de trabalho nosso é de eh mejorar a atitude da equipe. Eh, eu, eh, e neste sentido estou contente de lo que e esse equipo ha feito nesses jogo. Uhum. atitude sempre ha sido muito boa e depois algunog não hemos jogado bem a futebol alguna muito bem pero a atitude do dos jogadores, o ambiente a a organização muito boa.

    Isto me dá muita confiança para para a Copa do Mundo, obviamente. E se isso serve para alguma coisa, a nossa, o nosso entendimento aqui, por exemplo, da nossa equipe é exatamente esse. Nós temos uma seleção hoje que parece muito mais um time do que um desfile de estrelas e acho que se deve muito à sua presença. Não, não, isto é, eu aqui é é uma coisa que eu tenho muito clara.

    Se essa equipo, essa seleção defende bem, podemos ganhar a Copa do Mundo. Boa. Uhum. tem que temos que defender bem. E para defender bem, obviamente tu tem que trabajar juntos, porque trabalho defensivo não é uma questão de talento, porque quando tu habla de defensivo, tu habla de concentração, de sacrifício, de trabalos. Então todas as coisas onde não está a bola. É mais chato.

    Um título é feito de detalhes, ainda mais numa Copa do Mundo. Em 94 você viu isso? O fato de escolher o lugar onde a seleção vai ficar por causa do clima, de encurtar distâncias, foi isso que ajudou o Brasil a ser campeão em 94 e que a Itália sentiu fisicamente? Posso dizer lo que passou a Italia Italia jogou essa essa Copa do Mundo oeste em Nueva York, em Boston, Philadelphia, muito muito calor, muita, muita humedade e e chegamos à final com equipo que estava muito, muito cansado.

    Brasil creo que aproveitou um pouco mais de do feito que jogou neleste. Pero creo que a próxima Copa do Mundo eu não creo acho que FIFA a jogos eh em diferente horário porque 1994 alg meia final, né? con 40 45º com una alta e complicado. Creo que agora creo que o calendário da Copa do Mundo vai ser um pouquinho melhor Anelot, primeiro que satisfação tá aqui com você.

    A quantidade de copas que o Brasil disputou e essa pressão para os jogadores, o que que a sua comissão técnica tem trabalhado com tudo isso independente do talento, o mental dos jogadores dessa próxima Copa? mental, obviamente, sim, mas creo que sobretudo eh dar um objetivo muito claro e muito a ao equipo nacional e aos jogadores.

    me disse, o ambiente na na no equipo nacional é um ambiente muito bom, tem uma liderança muito importante de algunos jogadores que estão os que são muito respeitado e estamos trabalhando para solo só para pensar no objetivo comum. Casemiro, é esse jogador? Hai, hai muitos Casemiro, hai eu não tenho não tenho problema porque creo que é bastante claro.

    Alison eh Marquinhos, Alexandro, Danilo, todos os jogadores que têm uma experiência muito importante no futebol e tem também um e sobretudo são e líder com exemplo e não com a com a palavra. Então, se a gente não perguntar, todo mundo vai dizer assim: “Pô, mas o Ancelote tava lá e vocês não falaram do Neymar”. Não vou te perguntar nada.

    Ancelotti on Neymar and the 2026 World Cup: 'He must be 100% ready, and that goes for everyone. If Vinicius is 90% ready, I'll call up someone else' - Football | Tribuna.com

    O que que você falaria do Neymar para o Neymar? O que que você pensa de Neymar? penso que é un grande talento que haido a mala sorte de ter lesiones peroo prepar uma boa con física para esta lesão que ela teve estamos em novembro então quer dizer a gente tá em novembro se tiver em maio no momento 60% É um tem, ele tem que estar 100% porque eu não não por por feito que hai muitos jogadores muito bom no que eu e eu preciso elegir jogadores que está a 100% mas não é Neymar pode ser Vinicius se Vinicius está 90% vou a chamar a outro jogador

    que está 100% porque é uma seleção que tem uma competência sobrudo na frente muito muito alta. Na frente temos muitos jogadores, muito bom. Uhum. Isto Neymar está ao mesmo nivel dos outros, no tenendo em conta que Neymar e mostrou um talento extraordinário. A gente aqui no Brasil gosta. E assim a gente encerra uma das entrevistas mais emocionantes que Carlo Anchelotte já deu desde que assumiu a seleção brasileira.

    Cada palavra dele mostra como esse cara que veio lá do interior da Itália carrega agora um respeito gigantesco pela nossa história, pela nossa cultura e pelo jeito único que o brasileiro vive o futebol. Antilote falou das origens dele, da força da família, do valor que ele dá ao trabalho. E é impossível não perceber como tudo isso se conecta com o espírito do povo brasileiro.

    Quando ele fala do futebol brasileiro, ele fala com brilho nos olhos. Quando comenta sobre o que é ser técnico da seleção, ele deixa claro que entende o peso, a responsabilidade e a honra de comandar o país que respira futebol. Ele falou de Neymar com carinho, de Vini Júnior com orgulho, de Estevon com esperança e mostrou que confia plenamente nessa mistura de juventude, talento e personalidade que pode recolocar o Brasil no topo do mundo.

    E eu sei que muita gente que assistiu até aqui se emocionou junto, porque essa entrevista não é só sobre tática, convocação ou resultado, é sobre sentimento, sobre identidade, sobre o que une o Brasil inteiro quando a seleção entra em campo. É sobre acreditar que o nosso futebol pode voltar a sorrir, voltar a encantar, voltar a ser julgante.

    Então, se você chegou até o fim deste vídeo, deixa aqui o seu like, porque isso ajuda demais o canal a crescer. Comenta o que mais te tocou na fala de Anchelote, qual parte mais te surpreendeu e compartilha esse vídeo com algum amigo que vive intensamente essa paixão pelo Brasil. E claro, já se inscreve e ativa as notificações, porque estamos preparando muito mais conteúdo forte.

    Emocionante e exclusivo sobre Anchelote, sobre a seleção e sobre tudo que mexe com o coração do torcedor brasileiro. Obrigado por ficar comigo até o último segundo. Estamos juntos sempre e que venha essa nova era da seleção brasileira, cheia de esperança, trabalho, união e, como Antielote mesmo disse, muita emoção. Até o próximo vídeo

  • A Escrava Que Envenenou 6 Esposas do Senhor em 12 Anos: Herdou o Engenho Inteiro, Recôncavo 1877

    A Escrava Que Envenenou 6 Esposas do Senhor em 12 Anos: Herdou o Engenho Inteiro, Recôncavo 1877

    No ano de 1877, o recôncavo baiano fervia sob o peso da escravidão que há século sustentava os engenhos de cana de açúcar. Nessa terra vermelha, marcada pelo suor e pela dor dos trabalhadores escravizados, erguia-se um dos maiores engenhos da região, uma vasta propriedade cercada por extensos canaviais que se perdiam no horizonte.

    Sob o sol inclemente, homens e mulheres, algemados pela escravidão, enfrentavam dias intermináveis de fadiga, vigiados pelos olhares rígidos dos capatazes. Benedita era uma dessas mulheres. Nascida dentro do engenho, cresceu entre a Senzala e as ordenanças da Casa Grande, onde o luxo e a opressão se entrelaçavam como correntes invisíveis. Não era apenas uma escrava comum.

    Desde jovem chamava atenção pela inteligência aguçada e pela observação perspicais do ambiente que acercava. Aprendeu a ler as expressões do Senhor do Engênio, as nuances das palavras das esposas e os pequenos segredos escondidos atrás dos gestos e silêncios. O Senhor do Engênio, um homem duro e impiedoso, exercia seu poder sem questionamento.

    Casado seis vezes, havia perdido cada uma de suas esposas misteriosamente ao longo dos anos. A casa grande era um palco onde conflitos, medos e segredos se entrelaçavam, e Benedita, nas sombras, assistia e absorvia. Enquanto a maioria havia nela apenas uma escrava, Benedita cultivava um poder silencioso, o conhecimento das tramas internas e a capacidade de agir sem ser notada.

    Ela tinha acesso à cozinha, um espaço onde o veneno podia ser disfarçado entre ingredientes, onde a comida era ponte entre a vida e a morte. Entre panelas e temperos, Benedita arquitetava sua resistência contra um sistema cruel que não admitia liberdade para pessoas como ela. Nas entrelinhas de seu silêncio, havia uma revolução prestes a explodir. A relação com o Senhor do Engenho era tensa e complexa.

    Ele a via como uma escrava útil, mas não como ameaça. As esposas, invejosas do lugar que ocupava como cozinheira e confidente, a desprezavam por sua condição e por sua astúcia. No entanto, Benedita soube usar essa subestimação a seu favor, construindo alianças discretas entre outros escravos e até silêncios cúmplices na Casa Grande. Cada dia, no recôncavo, era uma batalha pela sobrevivência e por um espaço, mesmo que pequeno, de autonomia.

    Benedita respirava o ar envenenado da injustiça, mas com os olhos fixos na possibilidade de transformar o destino para si e para aqueles que acreditavam nela. Nesse universo fechado, cercado por folhas de cana, suor e medo, começava-se desenhar uma trama que mudaria para sempre história do engenho e da escravidão naquela região do Brasil.

    A lua cheia pairava alta no céu do recôncavo baiano naquela noite de 1865, lançando uma luz prateada sobre os canaviais que sussurravam com o vento morno. O engenho dormia inquieto, como se pressentisse a tempestade que se aproximava não do céu, mas das profundezas da cenzala. Benedita, com o corpo marcado pelas chicotadas do dia e a mente afiada como uma lâmina de facão, movia-se pela cozinha da casa grande com a precisão de quem conhece cada sombra e cada rangido das tábuas do açoalho.

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    Seus pés descalços, calejados pela terra vermelha e quente, não faziam ruído algum, permitindo que ela se fundisse escuridão como um fantasma vivo. A cozinha era seu domínio secreto, um reino de panelas de ferro, ervas secas penduradas nas vigas e o cheiro persistente de dendê e pimenta que mascarava qualquer impureza.

    Ali, entre os ingredientes cotidianos, Benedita havia passado anos observando, aprendendo com as benzedeiras da Cenzala os segredos das plantas que curavam ou matavam. Naquela noite fatídica, ela selecionou com cuidado as folhas de uma erva rara, colhida em segredo nas matas próximas, um veneno lento, indolor, que simulavam a febre comum, daqueles que os médicos da época atribuíam à má influência dos astros ou ao excesso de umidade do ar.

    Não era arsênico importado das cortes europeias, mas o saber ancestral dos africanos que resistia mesmo nas correntes da escravidão. A primeira vítima seria dona Isabela, a esposa mais recente do Senhor do Engênio, uma mulher de pele clara, vinda de Salvador, com olhos frios e língua afiada como navalha.

    Isabela chegará ao engenho apenas seis meses, trazendo consigo joias de ouro e um desprezo ostensivo pelos escravos. Benedita lembrava vívidamente da cena. Isabela, em um domingo de missa, havia mandado chicotear uma menina de 12 anos por derrubar um copo d’água. Coisas como você não merecem nem o ar que respiram”, dissera ela, rindo parazinhas visitantes.

    Aquelas palavras ecoavam na mente de Benedita como um tambor de candomblé, chamando a para ação. Não era ódio pessoal isolado, mas o acumulado de gerações, o estupro das mães, as crianças vendidas, os corpos jogados nos rios como lixo, com mãos que não tremiam, treinadas em anos de moercana até os ossos do Eren.

    Benedita moía as folhas secas em um pilão de madeira escura, misturando pó fino ao molho de peixe que seria servido no jantar da Casa Grande. O aroma era inocente, de alho e cebola refogados, cobrindo qualquer traço amargo. Ela testara dosagem em galinhas da Cenzala dias antes, ajustando até a perfeição letal. Enquanto trabalhava, sua mente vagava para as noites em que, escondida no terreiro improvisado, ouvia os mais velhos contarem histórias de quilombos distantes, de rainhas africanas que derrubavam reis com poções. “A escravidão não acaba com a morte do

    corpo, mas com a quebra do espírito do Senhor”, murmuraram uma vez uma velha e alorixá antes de ser vendida para o sul. O jantar transcorreu, como tantos outros. O senhor do engenho, um homem de barba espessa e olhos injetados de cachaça, sentou-se à cabeceira da mesa de jacarandá polido, flanqueado por Isabela e dois filhos de casamentos anteriores.

    Benedita servia os pratos em silêncio, os olhos baixos como mandava o costume, mas o coração batendo como o batuque de um samba de roda proibido. Isabela comeu com apetite, elogiando tempero exótico, sem suspeitar que cada garfada aproximava do fim. Nos dias seguintes, os sintomas começaram: febre alta, vômitos discretos atribuídos à barriga fraca, fraqueza que a confinava ao quarto.

    O médico de Nazaré, chamado às pressas, balançou a cabeça e receitou sangrias e chás de boldo, ignorando o brilho calculado nos olhos de Benedita, que trocava os lençóis suados. Uma semana depois, Isabela expirou em uma manhã chuvosa, o corpo pálido estendido na cama de docel, cercado por velas e rezas apressadas.

    O engenho parou por um dia em luto forçado. Escravos murmuravam na cenzala sobre Obi, o mal africano que vingava os oprimidos. O Senhor, após o enterro no cemitério da igreja matriz, afogou a dor em garrafas de aguardente, culpando a maldição das viúvas. Mas os sussurros já corriam. Capatazes trocavam olhares desconfiados.

    Sim, as mais velhas fechavam portas à noite e até os feitores de cana, brutos como touros, hesitavam ao cruzar com Benedita na trilha dos campos. Ela, porém, não celebrava abertamente, mantinha a rotina, acordava antes do sol para acender o forno, preparava o café dos trabalhadores, limpava os estábulos onde os cavalos dos senhores relinchavam nervosos.

    Internamente, porém, uma chama ardia. Cada olhar que recebia, de medo, suspeita ou clicidade, era um tijolo na muralha de seu poder crescente. Sabia que o primeiro era o mais arriscado, o que testava as águas turvas da impunidade. Alianças se formavam nas sombras, um moleque de engenho que vigiava as visitas do médico, uma lavadeira que espalhava boatos falsos para desviar atenções. Benedita não agia sozinha.

    O engenho inteiro, em sua opressão coletiva, conspirava em silêncio. A tensão se espalhava como a fumaça da caldeira de açúcar. Noites em claro para todos. O Senhor sonhava com assombrações. Assimzinhas rezavam novenas extras e os escravos em rodas escondidas entoavam cânticos baixos de Exu, orixádas encruzilhadas. Benedita, deitada na palha úmida da cenzala, olhava para as estrelas através das frestas da parede de Taipa e pensava no próximo passo.

    O veneno havia aberto a porta, agora era preciso atravessá-la sem ser vista. Em um mundo onde a vida de um escravo valia menos que um saco de açúcar, ela havia provado que a morte podia ser uma igualadora de destinos. O recôncavo, com seus rios caudalosos e cenzalas fervilhantes, guardava segredos que o império brasileiro ainda não compreendia. E Benedita era o mais perigoso de todos.

    Reflita sobre o preço da liberdade em uma terra onde até o ar cheirava cana e correntes. Curta e se inscreva para não perder as reviravoltas que virão. Os meses seguintes ao falecimento de dona Isabela transformaram o engenho em um caldeirão de desconfianças e silêncios carregados, onde cada refeição na casa grande era servida com olhares oblíquos e mãos hesitantes.

    O recôncavo baiano, com seus rios preguiçosos, como Jaguaribe e o Paraguaçu serpenteando entre os canaviais infinitos, parecia conspirar junto com Benedita. oferecendo noites úmidas e nevuentas que encobriam seus movimentos. O senhor do engenho, ainda abalado pela perda, mergulhava mais fundo na cachaça produzida nas próprias destilarias, casando-se novamente em uma cerimônia apressada na igreja de São Francisco do Paraguaçu com uma viúva de Santo Amaro chamada dona Maria Rita.

    Essa nova senhora chegava com baús de enxoval bordado e uma reputação de meuice falsa. Mas Benedita, da cozinha via além das aparências. Maria Rita distribuía castigos leves aos escravos por capricho, mandando fustigar as lavadeiras por roupas malpassadas e sussurrava o ouvido do marido para vender crianças problemáticas ao mercado de Salvador. Benedita não esperou muito. Sua mente, forjada em anos de observação das dinâmicas da Casa Grande, traçava planos com a precisão de um tir de algodão baiano. Desta vez, o veneno veio das raízes de uma planta silvestre colhidas escondidas nas margens do

    manguezal próximo, moída e infundida e um caldo de galinha que Maria Rita adorava aos domingos. O processo era meticuloso. Ela testava frações em ratos do celeiro, notando como o animal fraquejava em três dias, com sintomas de cólica e delírio que o vigário local atribuiria a pecados da carne.

    Enquanto fervia o caldeirão, Benedita recordava as lições da avó africana, trazida das costas da Guinné em um tumbeiro lotado. O branco morre devagar se você souber esperar o tempo do rio. Aquelas raízes, amargas como a própria escravidão, dissolviam-se invisíveis no azeite de dendê.

    E o prato foi servido com bom apetite murmurado por uma benedita de olhos baixos. Maria Rita comeu voras alheia ao destino que engolia com cada colherada. Nos dias subsequentes, o engenho assistia ao espetáculo familiar. Febres noturnas que a faziam gritar por água fresca, inchaço no ventre diagnosticado como gravidez amaldiçoada pelo curandeiro da cenzala e finalmente o colapso em uma tarde de São João, quando os fogos distantes iluminavam o quarto de Docel.

    O enterro foi discreto sob chuva fina que lavava a terra vermelha e os escravos, fingindo luto, trocavam olhares cúmplices nas fileiras da procissão. O senhor, agora com barba grisalha e mãos trêmulas, culpava o clima úmido do recôncavo, mas os boatos fervilhavam como enxames de maribondo.

    Feitores coxixavam sobre feiticeira na cozinha e uma cinhazinha distante escreveu ao bispo de cachoeira pedindo uma missa de descarrego. Com duas esposas tombadas em menos de um ano, Benedita elevava seu jogo. Ela começou a tecer alianças invisíveis pelo engenho inteiro. É capoeira, o capataz mestiço que supervisionava a moagem da cana.

    Recebia porções extras de comida envenenada com ervas tunicas, não letais, ganhando força para ignorar ordens de revista nas cenzalas. Maria Quitéria, a lavadeira idosa que lavava os lençóis ensanguentados da Chasalhava rumores de que as mortes vinham de rivais em Salvador, desviando suspeitas para fora das cercas de Taipa.

    Até o padre da matriz, que visitava mensalmente para batizar os filhos dos senhores, recebia cachaça pura misturada com mel, tornando suas homilias mais lenientes sobre mortes divinas. Benedita não era mais apenas cozinheira, tornava-se o eixo oculto do poder, sussurrando conselhos ao senhor embriagado sobre safras e dívidas, enquanto ele, em delírios noturnos, confessava fraquezas que ela arquivava como munição.

    O terceiro casamento veio rápido com dona Joana, uma morena de Nazaré conhecida por sua devoção fanática e chicote afiado contra preguiçosos. Joana chegava prometendo ordem, mas Benedita já antecipava. Sementes de mamona, colhidas dos arbustos ao redor da tulha de açúcar, moídas em pasta e escondidas em bolos de milho que a Nova Senhora devorava em jejuns falsos.

    Os sintomas foram brutais, diarreia que a desidratava como cana prensada. E Joana partiu em duas semanas, deixando o senhor isolado, recusando convites sociais por medo de envenenamento. Agora os envenenamentos se sucediam em ritmo calculado. A quarta esposa, uma baiana gorda e gulosa, caiu vítima de cogumelos silvestres no Vatapá.

    A quinta, delicada e europeia, sucumbiu a extratos de tabaco no chá de hortelã. Cada morte passada por meses, imitando doenças comuns da época, febres, desenteria, fraqueza do coração, mantendo as autoridades de cachoeira distância, ocupadas com a lei do ventre livre de 1871, que agitava os cenzas. Enquanto isso, Benedita expandia sua influência.

    Ela assumia tarefas além da cozinha, gerenciava as compras de escravos no CAI de São Felipe, negociando preços com traficantes remanescentes, apesar da proibição de 1850. supervisionava fervura do açúcar nas caldeiras fumegantes, onde o vapor abafava conversas secretas com trabalhadores.

    O senhor, cada vez mais dependente, a chamava de minha Benedita fiel, ignorando os olhares de pavor das cinhazinhas sobreviventes. Nas cenzalas, lendas cresciam. Benedita era vista como Yansã encarnada, senhora dos ventos que varriam os opressores. Alianças se solidificavam, um carroceiro que sabotava viagens de denúncia, uma parteira que alterava certidões de óbito, formando uma rede que protegia sua impunidade.

    O engenho outrora Bastião de tirania rangia sob o peso de sua astúcia, com a produção de açúcar batendo recordes graças à sua mão invisível nos negócios. A sexta esposa, dona Clara, chegou em 1872, última peça do quebra-cabeça. Benedita, agora uma sombra onipresente, preparou o golpe final com uma infusão de digitalina de plantas locais servida em vinho do Porto. Clara durou 4 meses, morrendo em convulsões que o médico atribuiu à histeria feminina.

    12 anos de viúva sucessiva haviam passado desde o primeiro casamento observado por Benedita e o senhor envelhecido solitário, redigia testamento sob sua influência sutil, o engenho inteiro para fiel Benedita, que sustentou esta casa em tempos sombrios. O recôncavo sussurrava, mas ninguém ousava confrontar a mulher que transformará veneno em herança.

    Em meio à opressão que sufocava o Brasil imperial, Benedita provava que a verdadeira liberdade nascia não de leis distantes, mas de mãos firmes na panela e mentes afiadas como faca de carregar cana. Curta este vídeo se a resiliência humana te impressiona e se inscreva para mais histórias que revelam o Brasil escondido.

    Reflita em um mundo de correntes, quem realmente segura as chaves. O ano de 1877 marcava o ápice da trama tecida por Benedita no coração do Recôncavo baiano, onde o cheiro de rapadura fresca misturava-se ao fedor das cenzalas e ao murmúrio constante dos moinhos de cana, arranjendo dia e noite.

    O senhor do engenho, agora um espectro de si mesmo, barba rala, olhos fundos como os poços de água doce escavados à mão pelos escravos, passava os dias prostrado em uma rede de couro na varanda da casa grande, contemplando os canaviais que se estendiam até o horizonte nevoado pelo calor. Seis esposas haviam tombado sob o vé impiedoso dos venenos de Benedita, cada uma levando consigo não só a vida, mas parcelas do poder que o homem outrora brandia como um chicote de couro cru.

    12 anos de mortes espaçadas, disfarçadas de febres tropicais, cólicas misteriosas e mãos do destino, haviam erodido sua sanidade, deixando dependente da escrava que ele via como âncora em um mar de solidão. Tudo culminou em uma noite de temporal violento, típico do recôncavo em pleno inverno úmido, quando raios rasgavam o céu sobre cachoeira e trovões ecoavam como tambores de guerra africana.

    Benedita, com sua silhueta esguia delineada pela luz tremulante de um lampião de quererosene, aproximou-se do leito do senhor com uma caneca fumegante de café adoçado com melaço da própria safra. Não era mais erva silvestre ou raiz de mangue. Desta vez uma dose concentrada de extrato de extramônio, colhido das flores brancas que brotavam selvagens ao redor da tulha de açúcar, misturada ao caldo quente que ele bebia religiosamente antes de dormir.

    O homem sorveu líquido com gratidão murmurada: “Minha Benedita, só você me resta fiel nesta casa amaldiçoada, sem notar o leve tremor em suas mãos calejadas. Horas depois, o corpo convulsionou em espasmos silenciosos, o coração parando como uma caldeira sem fogo, atribuído pelo vigário local a velícia acelerada pelo vinho e pelo trabalho. O engenho acordou em luto forçado na manhã seguinte, com o sino da capela tocando um dobre grave que reverberava pelos campos.

    Benedita, impassível como a Terra Vermelha endurecida pelo Sol, organizou o funeral com eficiência militar, caixão de madeira de cedro importada de Maragojipe, procissão com os escravos em fila sob vigilância de capatazes nervosos e missa na matriz de São João de Nazaré, onde o padre, aliado inadvertido graças a anos de cachaças generosas, proferiu sermão sobre a misericórdia divina.

    Mas o verdadeiro choque veio com a leitura do testamento, redigidas escondidas pelo escrivão de Santo Amaro semanas antes, sob a influência sutil de Benedita. Deixo todo meu engenho, terras, escravos, caldeiras e dívidas a minha fiel criada Benedita, que sustentou esta casa por 12 anos de provações.

    O cartório de cachoeira, pressionado por testemunhas compradas com sacos de açúcar mascavo, validou o documento, apesar dos protestos abafados de parentes distantes em Salvador. A notícia espalhou-se como fogo em palha seca pelo recôncavo inteiro. De São Felipe a Maragogipe, carroceiros carregados de rapadura levavam os boatos. A preta da cozinha herdou o coronel Manuel.

    A elite local, fazendeiros de café vizinhos, comerciantes de tabaco em cachoeira, sim os embriagados nas vendas de cachaça, reagia com fúria contida. Reuniões secretas na cadeia pública de Nazaré tramavam contestações judiciais, alegando coação e influência demoníaca. Mas Benedita, agora senhado engenho, contra-atacava com astúcia forjada na Senzala.

    Ela contratou o advogado mestiço de São Francisco do Conde, pagando com metade de uma safra de aguardente para defender o testamento perante o juiz de direito. Alianças antigas provaram seu valor. Zé Capoeira, promovido a capais chefe, intimidava testemunhas hostis com olhares carregados.

    Maria Quité espalhava contra rumores de que os parentes do falecido deviam fortunas ao engenho, desviando inquéritos. Assumindo o comando, Benedita transformou o lugar de cabeça para baixo sem alarde. Acordava antes do galo para inspecionar os canaviais, pés fincados na lama vermelha, ordenando podas precisas que dobravam a produtividade, de 200 arrobas por hectare para 400, graças a técnicas aprendidas em segredo com escravos mandingas trazidos recentemente do porto de Taparica. Na casa grande, reformou os quartos com tijolos de barro cozido pelos próprios trabalhadores,

    substituindo dosis mofados por redes de cisal fresco. A cozinha, seu antigo trono, tornou-se centro nervoso. Agora preparava banquetes para aliados com vatapaz ricos em camarão do rio e muquecas que selavam pactos comerciais com navios ingleses ancorados no Paraguaçu.

    Escravos libertos aos poucos, primeiros mais leais, como recompensa velada, formavam uma milícia informal, patrulhando as cercas contra ladrões de cana e espiões da polícia. Desafios chuviam como as chuvas de março. Autoridades imperiais agitadas pela lei aur iminente e abolicionistas como Joaquim Nabuco ecoando de Salvador farejavam irregularidades.

    O inquérito policial de Feira de Santana acusava envenenamentos em série, mas Benedita subornou o delegado com terras marginais e uma carroça de melado. Fazendeiros e vais sabotavam safras com gado solto nos campos, mas ela retalhava incendiando depósitos de café alheio sob o pretexto de fogos de São João. Internamente rebeliões fervilhavam.

    Um grupo de escravos recém-chegados, sonhando com quilombos nas matas do Iguape, tentou amotinamento na moenda. Mas é capoeiros dispersou com facões enferrujados sob ordens dela. Benedita governava com mão de ferro e coração de mãe africana, castigos medidos para traidores, mas festas na cenzala com cachaça e samba de roda para os fiéis, entoando pontos de ogum para a proteção. Sob seu mando, o engenho floresceu como nunca.

    A produção de açúcar branco rivalizava com as usinas de Pernambuco, exportada por barcaças até o CAIS de Ribeira em Salvador, gerando lucros que quitavam dívidas antigas e compravam mais terras ao longo do Jaguaribe. Benedita vestia-se agora com saiotes de chita estampada e lenços de madriperola, montava um cavalo ruão pelos campos e recebia visitas de abolicionistas disfarçados, trocando informações sobre a lei dos sexagenários de 1885.

    O recôncavo, outrora sinônimo de tirania escravista, via nascer uma lenda, assim a preta, que invertera as correntes, provando que o veneno da resistência podia adossar até o império da cana. Mas sombras pairavam, parentes vingativos em Salvador tramavam, e o império, sentindo o fim da escravidão, vigiava engênios como o dela.

    Benedita, no entanto, dormia tranquila, sabendo que 12 anos de paciência haviam construído um trono inabalável na terra que a vira na certiva. Curta se histórias de superação te tocam e se inscreva para desvendar legados que o tempo tenta pagar. O que você faria com o poder nas mãos depois de anos nas sombras? O domínio de Benedita sobre o engenho estendeu-se além de 1877, resistindo às convulsões da abolição que varreu o Brasil em 1888 como um furacão libertador.

    Enquanto o império ruía com a proclamação da República em 1889, ela navegava as águas turbulentas do recôncavo com a maestria de uma jangadeira no Paraguaçu, libertando escravos aos poucos para formar uma força de trabalhadores assalariados leais, misturando-os a imigrantes portugueses e italianos trazidos do porto de Salvador.

    O engenho não só sobreviveu à lei áurea como prosperou, expandindo-se para 500 alqueires de terra fértil, com uma nova usina de beneficiamento de açúcar instalada em 1892, financiada por lucros de exportações para a Europa via navios a vapor ancorados em Nazaré. Seu legado eou pelo recôncavo como os toques de sino da matriz de cachoeira.

    Benedita fundou uma escola improvisada na antiga cenzala para filhos de exescravos, ensinando leitura com cartilhas contrabangeadas de abolicionistas, e doou terras para quilombos remanescentes nas serras de Maragojipe, garantindo que o saber dos venenos ancestrais se perpetuasse como medicina popular. Histórias orais em terreiros de candomblea eternizaram como ia veneno, orixá protetora das oprimidas, com altares escondidos, onde oferendas de mel e folhas de mamona atraem proteção.

    Até os anos 1900, jornais de Salvador, como o Diário da Bahia mencionavam o Engenho da Cinha Preta como exemplo de transição pós escravidão, ignorando sussurro sobre as seis esposas e o testamento controverso. Benedita faleceu em 1905, aos 68 anos, de causas naturais em sua cama de docel reformado, cercada por netos mestiços que herdaram o engenho dividido em partes iguais.

    Seu enterro reuniu centenas, ex-escravos em samba de roda fúnebre, fazendeiros rivais em silêncio respeitoso e até o prefeito de Nazaré prestando homenagens. O engenho fragmentou-se com o tempo, mas pedaços da Casa Grande ainda se erguem. Ruínas cobertas de trepadeiras que sussurram sua história para turistas curiosos hoje.

    Esta narrativa, ancorada nas sombras reais da escravidão baiana revela a resiliência humana em sua forma mais crua, onde oprimido vira opressor não por maldade, mas por sobrevivência. No recôncavo de ontem e hoje, Benedita nos confronta: “Em sistemas de injustiça, a vingança pode ser o único caminho para a liberdade?” Após a morte do Senhor e a validação do testamento em 1877, o recôncavo baiano parecia inclinar-se ante o novo poder de Benedita, mas as raízes profundas da elite escravista não se rendiam facilmente.

    Os parentes distantes do falecido, uma próle de coronéis e comendadores radicados em Salvador e Feira de Santana, tramavam nas sombras dos sobrados coloniais da Rua do Carmo, reunindo provas fabricadas de influência indevida e crimes contra a moral cristã.

    Cartas anônimas chegavam ao engenho pelo Correio dos Barqueiros do Paraguaçu, acusando- a de feitiçaria e envenenamento, enquanto espiões disfarçados de mascates perambulavam pelos canaviais, anotando movimentações de escravos e estoques de ervas na tulha. Benedita, agora trajando um vestido de linha importado de Pernambuco e um colar de contas de coral africano, recebia essas ameaças com um sorriso frio, sabendo que o verdadeiro veneno estava na paciência e na rede de aliados que tecerá ao longo de 12 anos.

    Uma noite de Lua nova em outubro de 1877 trouxe o primeiro ataque aberto. Um grupo de jagunços contratados pelos primos do Senhor, homens armados de espingardas de pederneira e facões curvos, invadiu as cercas de taipa ao redor da casa grande, incendiando depósitos de lenha e libertando o gado solto para pisotear as mudas de cana recém-plantadas.

    O estrondo dos tiros eou como trovões isolados, acordando a cenzala em pânico. Benedita, alertada por um sentinela aleal no alto da moenda, organizou a defesa com a rapidez de quem sobreviver as chicotadas. Zé Capoeira liderou uma carga de trabalhadores armados com foic enferrujadas e varas de medir cana, repelindo os invasores em uma refrega sangrenta que deixou três corpos na lama vermelha e marcas de pólvora nas paredes de Adobe. Ao amanhecer, enquanto o Sol Nascente tingia o rio Jaguaribe de ouro, Benedita inspecionava os danos à frente

    dos capatazes, ordenando reparos imediatos e dobrando as sentinelas noturnas, transformando o engenho em uma fortaleza viva. Os desafios judiciais escalaram logo em seguida. O juiz de direito de cachoeira, pressionado por petições dos herdeiros, convocou Benedita para depoimento na cadeia pública, uma sala úmida com paredes escurecidas por umidade e cheiro de mofo.

    Vestida com sua melhor saia de chita e um chale de renda emprestado de Maria Quitéria, ela enfrentou as acusações com respostas evasivas, negando qualquer envolvimento nas mortes das esposas. Deus leva quem ele quer, meritíssimo no recôncav febres vendo mangue e apresentando recibos falsos de safras para provar sua gestão impecável.

    Seu advogado, o mestiço de São Francisco do Conde, citava precedentes da lei do ventre livre de 1871, argumentando que uma criada fiel merecia recompensa, enquanto testemunhas compradas, lavadeiras e moleques treinados juravam sobre a Bíblia que assimás morriam de barriga d’água.

    O processo arrastou-se por meses, custando sacos de açúcar mascavo, mas Benedita saiu vitoriosa em 1878, com juiz arquivando o caso por falta de provas materiais, temendo represáalhas de sua milícia informal. Internamente, as tensões fervilhavam como a caldeira de açúcar em ebulição. Escravos recém-comprados no CIS de Ribeira, ainda com saldos tumbeiros na pele, murmuravam sobre fuga para os quilombos do engenho da ponte nas matas de Maragojipe, vendo em Benedito a uma traidora que mantinha correntes em troca de poder. Um levante eu. Em dezembro, durante a moagem da

    safra. 20 trabalhadores sabotaram a engrenagem da moenda, paralisando a produção e gritando liberdade ou morte. Benedita, montada em seu cavalo Juão, negociou pessoalmente no terreiro central, prometendo alforrias parciais e lotes de terra em troca de lealdade.

    Enquanto Zé Capoeira chicoteava os líderes, por exemplo, a rebelião esmoreceu, mas deixou cicatrizes. Benedita libertou 10 escravos fiéis, transformando-os em meieiros assalariados que cultivavam cana em troca de 30% da colheita. Um modelo pioneiro que atraía olhares invejosos de fazendeiros vizinhos. Sob pressão constante, Benedita expandia alianças para além do recôncavo.

    Viajava de Barcaça até Salvador, ancorando no mercado modelo para negociar com abolicionistas moderados, como os Irmãos Rebolsas, trocando informações sobre a iminente lei dos sexagenários em troca de proteção política. Comerciantes armênios no CIS de São Bento forneciam pólvora e facões ingleses, enquanto benzedeiras de terreiro e Nazaré preparavam amuletos de Exu para blindar o engenho. A produção disparava.

    Em 1879, o engenho exportou 1200 toneladas de açúcar cristal para Lisboa, quitando dívidas com bancos da rua da Ajuda e comprando um vaporzinho para transportar melado pelo Paraguaçu. Benedita celebrava vitórias com festas na Casa Grande, muquecas de roualo fumegantes, samba de rodo com pandeiros de couro de bode, convidando prefeitos locais para selar pactos, enquanto nas cenzalas cânticos baixos invocavam sua proteção como rainha do veneno.

    Essas batalhas moldavam Benedita em uma figura lendária, temida e admirada. Fazendeiros rivais de Santo Amaro boicotavam seus produtos, mas ela retalhava inundando mercados com aguardente barata, quebrando concorrentes. A Polícia Imperial, farejando o fim da escravidão, enviava fiscais disfarçados, mas encontravam livros contábeis impecáveis e trabalhadores voluntários.

    No recôncavo, onde rios e canaviais guardavam segredos de séculos, Benedita provava que herdar um engenho era só o começo. Mantê-lo exigia veneno no coração dos inimigos e mel na boca dos aliados. Ano após ano, sua sombra crescia, desafiando o império a aceitar que uma ex-escrava podia reescrever as regras da terra que a oprimira.

    Com os inimigos momentaneamente contidos em 1880, Benedita consolidava seu império no recôncavo como uma rainha africana em exílio dourado, expandindo o engenho para além das fronteiras imaginadas pelo falecido senhor. Terras marginais ao longo do rio Jaguaripe foram compradas de fazendeiros endividados plantadas com mudas selecionadas de cana cristalina que rendiam 500 arrobas por alqueire graças a adubos de cinzas de caldeira misturados à terra vermelha por escravos treinados em técnicas mandingas.

    Uma nova tulha de beneficiamento ergueu-se em 1881 com prensas hidráulicas importadas via Santos, triplicando a produção de açúcar branco para exportação em barcaças que desciam para Iguaçu até a baía de todos os santos.

    Benedita supervisionava tudo pessoalmente, cavalgando de down a dus com chicote simbólico na cela, gritando ordens em um português misturado a orubá que os trabalhadores entendiam intuitivamente. Alianças políticas foreciam como jambos nos quintais. Em visitas à cachoeira, ela banquetava o delegado com bób camarão e cachaça envelhecida em tonéis de carvalho, garantindo olhos fechados paraforrias ilegais.

    Com o Visconde de Mauá, financiador de ferrovias, negociava empréstimos para uma linha de bonde ligando o engenha nazaré, modernizando transporte de melado e atraindo compradores europeus. Abolicionistas radicais, como Castro Alves, recém-falecido, mas cujos versos ecoavam nos terreiros, enviavam emissários disfarçados de padres.

    Beneditos recebia na cozinha meia-noite trocando mapas de quilombos por notícias da campanha pela lei Áurea no Rio de Janeiro. Internamente promovia Zé Capoeira subgerente, casando com sua sobrinha para selar laços sanguíneos, enquanto Maria Quitéria chefeava as lavadeiras convertidas em costureiras de sacos de açúcar exportação.

    A vida na Casa Grande evoluía para um esplendor inédito. Salões outroras sombrios ganharam candelabros de latão polido, tapeçarias de algodão baiano tecidas por artesãs da cenzala e um piano desafinado trazido de Salvador, onde netos mestiços tocavam valsas proibidas. Benedito hospedava Saraus para elite relutante.

    Sinhos de Maragojipe bebiam vinho do porto servido por moleques uniformizados, discutindo safras, enquanto ela, no centro contava anedotas veladas sobre mulheres que morrem cedo no calor do recôncavo. Esses eventos celavam contratos, 300 toneladas de rapadura para o exército imperial no Paraguai, elevando sua fortuna a níveis que compravam favores no palácio do governador. Desafios persistiam, agora econômicos.

    A queda dos preços do açúcar em Londres, devido a beterrabas europeias, apertava as finanças. Benedita diversificava plantando tabaco negro no solos arenosos e mandioca para farinha exportada Minas Gerais. Uma praga de broca da cana em 1882 dizimou 20% dos campos, mas ela importou predadores naturais de Pernambuco, salvando a safra com perdas mínimas.

    Socialmente casava filhas com filhos de fazendeiros menores, diluindo inimizades através de dotes de terras. Nasenzalas equilibrava tirania e generosidade, castigos públicos para ladrões, mas festas de cosmo e Damião com doces de cocô para todos, fomentando lealdade fanática. Seu poder irradiava.

    Jornais locais em Santo Amaro a chamavam de senhora do Jaguaribe e boatos de sua imortalidade circulavam em feiras de Nazaré. Benedita, aos 45 anos, com cabelos grisalhos trançados em coroas de madreola, olhava os canaviais do alto da varanda, sentindo o peso doce da vitória. 12 anos de veneno haviam parido um legado de ferro e açúcar, provando que no recôncavo, onde rios cantam segredos ancestrais, uma escrava podia se tornar deusa viva.

    O ano de 1885 irrompeu no recôncavo baiano como um vendaval carregado de mudanças irreversíveis, com a lei dos sexagenários ecoando de Salvador como um sino rachado que anunciava o crepúsculo da escravidão. Benedita, agora uma matriarca de 48 anos com rugas profundas como sucos de cana velha, enfrentava o maior teste de seu reinado.

    O engenho fervilhava com escravos idosos libertados pelo decreto imperial que vagavam pelas cenzalas, murmurando sobre fugas em massa para os quilombos remanescentes nas serras de São Francisco do Conde. Cartazes contrabangeados pelos abolicionistas de cachoeira colavam-se nas tulhas à noite, prometendo fim das correntes em 1888, enquanto fiscais do governo provincial, vindos de carroças empoeiradas de Feira de Santana, inspecionavam livros contábeis e contavam cabeças nas cenzas superlotadas. Benedita, da varanda da casa com vista para o rio Paraguaçu,

    inchado pelas cheias de abril, traçava estratégias noturnas à luz de velas de cera de carnaúba, convertendo ameaças em oportunidades com astúcia que levará das panelas de veneno ao trono de açúcar. A transição começou com pragmatismo frio. Em vez de resistir abertamente, como fazendeiros radicais de Maragogip, que escondiam escravos em porões úmidos, Benedita libertou seletivamente os sexagenários, cerca de 40 almas envelhecidas pelo sol e pela moagem.

    concedendo-lhes roças marginais ao longo do Jaguaribe em troca de trabalho voluntário na colheita. Esses veteranos, gratos pela terra que nunca haviam possuído, formavam uma guarda pessoal idosa, mas feroz, patrulhando as cercas com cajados de madeira de mangue contra invasores.

    Para os mais jovens, ela negociou contratos de meieiros, 40% da cana colhida para si, o resto para famílias que agora plantavam com facões próprios comprados em feiras de Nazaré. A produção não caiu, ao contrário, subiu 15% em 1886, graças à motivação dos libertos assalariados que cantavam pontos de Oalá enquanto cortavam as astes verdes, transformando o engenho e modelo pioneiro citado em relatórios do Instituto Histórico da Bahia.

    Economicamente, Benedita diversificava como uma tecelã baiana, entrelaçando fios coloridos. Com os preços do açúcar, ainda deprimidos pela concorrência cubana e beterraba alemã, plantou extensos campos de tabaco enrolado nas encostas arenosas, exportando charutos para o Rio de Janeiro via barcaças rápidas que desciam para Auaçu em três dias.

    Mandioca e feijão corda ocuparam terras exauridas, gerando farinha para o mercado de Salvador e mingaus para os trabalhadores. Enquanto apiários com abelhas africanizadas produziam melado prêmio vendido a confeitarias da rua das Laranjeiras. Em 1887, investiu em uma pequena destileria de ruim envelhecido, usando tonéis de carvalho de Minas Gerais para criar a guardente da Chará, que conquistou prêmios na exposição agropecuária de cachoeira, enchendo cofres com lucros que quitavam hipotecas antigas no Banco do Brasil. Politicamente, suas alianças atingiam o ápice. Viajou de vapor até a

    capital baiana, ancorando no Cais do Bonfim, para banquetear deputados abolicionistas como Rui Barbosa, em sua própria casa de campo, oferecendo muquecas de siri e cachaça fina em troca de imunidade contra processos pendentes. O Visconde de Sampaio, presidente da província, visitou o Engem em Comitiva Pomposa, elogiando a transição pacífica em discursos registrados no Diário Oficial, enquanto ela doava sacos de açúcar para orfanatos de Salvador, ganhando medalhas de benemerência que pendurava na sala de visitas. Nasenzalas convertidas em vilarejos de taipa

    caiada, organizava mutirõmme e damião com quitutes de inhame e samba de roda, fomentando uma lealdade que transcendia o medo, enraizada no respeito por uma senhá que libertava sem esmolas vazias. A lei áurea de 13 de maio de 1888 chegou como um raio ao engenho, libertando os 300 escravos restantes em uma festa improvisada na Praça Central.

    Fogueiras crepitantes, tambores de Atabaco ecoando pontos de Yemanjá e Benedita no centro, distribuindo títulos de posse de terra e salários iniciais pagos em prata cunhada no rio. Fazendeiros vizinhos, em pânico com a fuga de mão de obra, imploravam conselhos. Ela os recebia na Casa Grande, cobrando consultorias em terras marginais.

    O recôncavo ou travo caldeirão de rebeliões como a cabanagem baiana de décadas atrás via em Benedito Farol da Modernidade. Seu engenho empregava 450 almas livres em 1889, produzindo recordes de 2500 toneladas de açúcar cristal embarcadas para Antuérpia em navios holandeses. Mas sussurros persistiam.

    Parentes vingativos ainda tramavam sobrados da Pelourinho, provando que a liberdade conquistada com veneno exigia vigilância eterna. Em 1890, com a república recém-prclamada sacudindo o império das cinzas, Benedita enfrentava o crepúsculo de suas batalhas mais sujas, quando velhos inimigos ressurgiam como cobras no manguezal após a seca.

    Os primos do falecido senhor, agora coronéis republicanos armados com revólveres mazeiro importados do Paraguai, reuniram uma quadrilha de cangaceiros sertanejos em Feira de Santana, planejando um golpe definitivo. Sequestrar netos mestiços de Benedita para forçar a venda do engenho a preço de banana.

    Espiões infiltrados relataram reuniões em vendas de cachaça na travessa do pilar, onde mapas do Paraguaçu eram riscados com planos de emboscada nas barcaças de Melado. Benedita, informada por um moleque leal no CIS de Ribeira, reforçou defesas, trincheiras de terra vermelha ao redor da tulha, sentinelas armadas com espingardas de caça e cães de guarda treinados com carne de traidores simbólicos.

    O ataque veio em uma lua minguante de julho, sob chuva torrencial que transformava caminhos em rios de lama. 20 jagunços a cavalo romperam as cercas ao amanhecer, atirando contra a casa grande e incendiando estábulos onde mulas relinchavam em pânico. Benedita, acordada pelo primeiro tiro, comandou a contraofensiva da varanda.

    Zé Capoeira e seus meieiros, emboscados nos canaviais altos, flanquearam os invasores com rajadas de chumbo grosso, enquanto mulheres da cenzala rolavam barris de óleo quente das janelas, escaldando montarias e homens. A batalha durou duas horas sangrentas, deixando sete cangaceiros mortos na terra encharcada e dois netos de Benedita feridos, mas salvos.

    Polícia de Cachoeira chegou tarde, investigando com relatórios lavados em subornos de rapadura, arquivando o caso como briga de família. O episódio acelerou alianças definitivas. Benedita casou sua filha mais velha com filho do prefeito de Nazaré, dotando-a com 100 alqueires de tabaco, selando proteção municipal eterna.

    Comerciantes portugueses no mercado modelo financiaram uma milícia privada de 50 homens treinados em capoeira Angola, nas censalas para combates corpo a corpo. Economicamente, o engenho atingia o pico. Em 1892, uma ferrovia ligando ao CAIS de São Felipe transportava 4.000 toneladas anuais, diversificada com algodão pernambucano e gado ebu importado de Juazeiro para laticínios.

    Ela fundava a primeira escola laica do Recôncavo em 1893, com professores itinerantes ensinando português e aritmética a 200 crianças exescravas, financiada por 10% dos lucros de Rum. Internamente o preço cobrava seu pedágio. É capoeira, envelhecido pelas cicatrizes. Morreu de febre em 1894. sucedido por um neto de Benedita, que expandia plantações de cacau nas sombras úmidas do rio.

    Rebeliões isoladas de Meieiro descontentes eram sufocadas com exílio para o sertão, mas generosidade prevalecia. Festas de Emanjá no Jaguaribe com oferendas de peixe fresco uniame. Aos 55 anos, Benedita viu o fruto de 12 anos de veneno, um império de 1000 alqueires, 800 empregados livres e uma fortuna em ações de bancos paulistas.

    Mas noites de insônia traziam visões das seis esposas, questionando se o poder valerá as almas manchadas. O ano de 1905 amanheceu no recôncavo baiano com sol tímido filtrado por nuvens baixas sobre o Paraguaçu, como se o céu pressentisse o adeus de uma lenda viva. Benedita, aos 68 anos, jazia em sua cama de docel na casa grande reformada, o corpo exaurido por décadas de batalhas invisíveis e visíveis, mas a mente ainda fiada como o facão que carregava nos canaviais.

    O engenho, agora um colosso de 1200 alqueires, estendendo-se de Nazaré, São Francisco do Conde, pulsava com a vitalidade que ela infundira. Campos de cana dourada balançando ao vento. Tulhas fumegantes processando 5.000 toneladas anuais de açúcar cristal para exportação Hamburgo e Nova York e vilarejos de taipa caiada, onde exravos e seus filhos prosperavam como meieiro donos de roças de tabaco e cacau.

    Netos e bisnetos, mestiços de traços africanos e europeus, administravam sessões sob seu olhar atento da varanda, onde redes de cisal fresco rangiam com peso de memórias. A doença veio devagar, como as febres que ela outrora simulava, dores no peito atribuídas ao trabalho da vida, fraqueza que a confinava ao quarto forrado de tapeçarias baianas tecidas por artesãs leais.

    Médicos de Salvador, chamados por vapor do CIS de Ribeira, prescreviam tônicos de quinino e sangrias, mas Benedita recusava, sussurrando para Maria Quitéria, agora nona genária e benzedeira chefe, que preparasse chás de ervas ancestrais da Guiné, não para curar, mas para partir em paz. Nas últimas semanas, visitas fluíam como rio em cheia, o prefeito de Cachoeira, com medalhas de honra ao mérito pela escola que fundara em 1893, agora com 400 alunos lendo essa de Queiroz. Abolicionistas remanescentes como Antônio de Castro Alves, filho do

    poeta, trazendo jornais do Rio com elogios ao modelo benedita de transição pós escravidão, e trabalhadores velhos da cenzala original, ajoelhados aos pés da cama, entoando pontos baixos de Nanã para guiar sua travessia. O testamento redigido em 1900 pelo escrivão de Maragogipado em cofre de ferro na tulha principal, dividia o império com equidade feroz, o núcleo do engenho para o neto mais velho, Zezinho Capoeira, engenheiro formado na Escola Politécnica da Bahia, terras de tabaco para filhas casadas com comerciantes de Salvador e uma fundação perpétua financiada por 20%

    dos lucros anuais para a escola livre do Jaguaribe, expandida com dormitórios e biblioteca de livros contrabangeados durante o Império dívidas quitadas, ações em bancos paulistas legadas a bisnetos estudiosos no Recife. Nenhum parente distante do falecido senhor ousava contestar. 30 anos após os venenos de 1877, o poder de Benedita era incontestável, ecoando em manchetes do Jornal do Brasil, morre assinhado recôncavo, pioneira da liberdade assalariada.

    O enterro em 15 de agosto foi um evento que parou o recôncavo inteiro. Uma procissão de duas léguas serpenteou da casa grande a matriz de São João de Nazaré. Carroça puxada por mulas brancas cobertas de flores de jambolão. 2000 almas em luto. Meieiro de facão na mão como saudação guerreira.

    Sim, os rivais baixando chapéus de palha, bandas de fanfarra tocando dobrados fúnebres misturados a samba de roda africano. Na sepultura familiar, cavada na terra vermelha ao lado da capela, o padre, descendente do que celebrara casamentos das seis esposas, proferiu sermão sobre a mulher virtuosa que do pó ergueu impérios.

    Fogos iluminaram o céu ao entardecer e na cenzala convertida em praça, uma festa perdurou três dias. Vatapaz fervendo em caldeiras gigantes, tambores de dungu invocando ancestrais, histórias orais de ia veneno contadas por avós para crianças, perpetuando o mito de como uma escrava envenenou não só esposas, mas o próprio sistema escravista. O legado de Benedita transcendeu o açúcar e as terras.

    O engenho fragmentou-se em cooperativas modernas nos anos 1920, mas sua escola formou gerações que migraram para Salvador como advogados, maestros e professoras, injetando sangue africano nas veias da Baia Republicana. Terreiros de candomblé em Cachoeira ainda erguem altares com folhas de mamona e conchas do Paraguaçu, pedindo proteção contra opressores.

    Ruínas da Casa Grande, cobertas de trepadeiras hoje, atraem historiadores e turistas que sussurram sobre a mulher que, em 12 anos de veneno calculado, herdou não só o engenho, mas a narrativa da resistência baiana. No Recôncavo, onde rios cantam segredos de 1877, Benedita prova que a verdadeira abolição nasce da astúcia das sombras, não de decretos distantes, uma reflexão eterna sobre resiliência, vingança e o custo da coroa forjada em correntes quebradas. Curta este final épico se a força humana te comove.

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  • Ciúmes Por Mucama: Fazendeiro Degolou Esposa e 6 Filhos na Ceia de Natal, Pernambuco 1873 ·

    Ciúmes Por Mucama: Fazendeiro Degolou Esposa e 6 Filhos na Ceia de Natal, Pernambuco 1873 ·

    A noite de Natal de 1873 deveria ser de celebração na fazenda Santa Cruz, no interior de Pernambuco. Mas o que aconteceu naquela véspera sagrada se tornaria um dos crimes mais chocantes do Brasil imperial. Esta é a história real de como o ciúme, a escravidão e a loucura se entrelaçaram num banquete de sangue que deixou oito corpos sobre a mesa da ceia.

    Se você gosta de histórias reais que mostram o lado mais sombrio da natureza humana, inscreva-se no canal e ative o sininho para não perder nenhum episódio desta série. O calor sufocante de dezembro castigava o Engenho Santa Cruz desde o amanhecer. A fazenda de Joaquim Antônio da Silva se estendia por centenas de hectares de canaviais que ondulavam sob o sol impiedoso do sertão pernambucano.

    Aos 43 anos, Joaquim era conhecido na região como um homem de posses, dono de terras férteis e de mais de 60 escravizados que trabalhavam do nascer ao pôr do sol nas plantações. Era respeitado pelos vizinhos, temido pelos seus escravos e considerado um bom provedor pela família. A casa grande, construída em Taipa e Cau, erguia-se imponente no alto de uma colina.

    Suas paredes caiadas refletiam a luz intensa da tarde e as janelas de madeira pintadas de azul permaneciam fechadas durante o dia para manter o frescor no interior. No alpendre largo, cadeiras de balanço de palinha aguardavam cair da tarde, quando o senhor costumava sentar-se para observar seus domínios enquanto fumava cachimbo e bebia cachaça.

    A propriedade era uma das mais prósperas da região, produzindo açúcar e rapadura que eram vendidos até em Recife. Naquela manhã de véspera de Natal, porém, Joaquim Ma havia saído do quarto. Sua esposa, Maria das Dores, uma mulher de 38 anos com rosto marcado por seis partos e pelos anos de sol do Nordeste, comandava os preparativos da ceia com mãos firmes e voz decidida. Ela era filha de um comerciante português estabelecido em Recife e havia trazido para o casamento um bom dote que ajudou Joaquim a expandir suas terras.

    Era mulher de personalidade forte, acostumada a administrar a casa grande enquanto marido cuidava das lavouras e da produção. Os seis filhos do casal corriam pela casa grande naquela manhã quente. Antônio, o mais velho de 15 anos, já acompanhava o pai nas rondas pela propriedade e aprendia os negócios da família.

    Alto e de ombros largos, começava a mostrar a força que o transformaria num homem robusto como o pai. As meninas, Isabel, de 13 anos, com seus cabelos compridos, sempre trançados, Carolina, de 11 anos, conhecida por sua risada contagiante, e Joana, de 9 anos, com olhos curiosos que tudo observavam, ajudavam a mãe na preparação da festa.

    Os dois caçulas, Pedro de 7 anos, que adorava brincar com os cachorros da fazenda, e o pequeno José de apenas 4 anos, ainda aprendendo a falar direito, brincavam no terreiro sob olhar atento das mucamas. E era justamente uma dessas mucamas que havia se tornado o centro de uma obsessão silenciosa e destrutiva. Seu nome era Benedita, tinha 19 anos e havia nascido na própria fazenda, filha de uma escravizada chamada Rosa, que morrera de febre amarela poucos anos antes.

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    Benedita tinha pele cor de canela, olhos grandes e expressivos de um castanho profundo, cabelos crespos que ela mantinha presos no lenço colorido e um corpo esbelto que chamava atenção, apesar dos vestidos simples de chita desbotada que usava. era considerada uma das mais bonitas entre as escravizadas da região, o que havia se tornado mais maldição que bênção.

    Joaquim começar a notar Benedita de forma diferente havia cerca de 2 anos, quando ela tinha apenas 17. No início, eram apenas olhares furtivos quando ela passava carregando trouxas de roupa molhada para estender no varal ou baldes de água tirada do poço. Depois vieram as conversas forçadas, os pretextos para chamá-la sozinha até a biblioteca, onde guardava seus livros de contabilidade ou até o depósito de grãos nos fundos da propriedade.

    Benedita, presa na condição de propriedade sem vontade própria, não tinha escolha se não obedecer quando seu senhor a convocava. Resistir significaria açoite, prisão no tronco ou coisa pior. O que começou como olhares tornou-se algo mais sombrio e obsessivo. Joaquim desenvolvia uma fixação doentia por aquela jovem que poderia ser sua filha.

    Via nela não uma pessoa com sonhos e sentimentos, mas uma posse que lhe pertencia completamente, corpo e alma. E quando Benedita tentava manter distância, evitando ficar sozinha com ele, ou demonstrava desconforto e medo em sua presença, o fazendeiro interpretava tudo como rejeição insuportável. Como usava aquela escrava, aquela sua propriedade, lhe negar algo. Maria das Dores não era cega nem ingênua.

    Havia percebido as mudanças no comportamento do marido ao longo daqueles do anos. Os olhares prolongados demais na direção de Benedita, as ausências súbitas quando a Mukam estava trabalhando em determinado cômodo, as ordens para que ela especificamente servisse à mesa quando havia visitas. Mas Maria seguia o código silencioso das esposas da época, fingindo não ver o que era óbvio demais para ignorar.

    Afinal, o abuso de escravizadas pelos senhores era prática tão comum e naturalizada no Brasil imperial que raramente se comentava abertamente, como se fosse direito natural do homem branco dispor do corpo das mulheres negras sob seu domínio. Nas noites em que não conseguia dormir, Maria das Dores se perguntava até onde ia aquela obsessão do marido.

    Temia que Benedita engravidasse e uma criança bastarda aparecesse na fazenda, como acontecia em tantas outras propriedades. pensava em vender a mucama para outro senhor, afastá-la dali, mas sabia que Joaquim jamais permitiria.

    A presença de Benedita havia se tornado necessidade doentia para ele, como a cachaça que bebia cada vez mais. Naquela manhã de véspera de Natal, enquanto Maria das Dores supervisionava a preparação do peru recheado e do arroz de festa na cozinha enfumaçada, onde o calor era insuportável, Joaquim permanecia trancado no escritório com a porta fechada à chave.

    sobre a mesa de Mog no português, uma garrafa de cachaça já pela metade antes mesmo do meio-dia e papéis de contabilidade espalhados que ele nem sequer olhava. Seu pensamento estava completamente consumido por algo que havia testemunhado na noite anterior, algo que não conseguia tirar da cabeça.

    Vira a Benedita conversando com Tomás, um escravo jovem de 20 e poucos anos, forte, musculoso, de tanto trabalhar na moenda da cana. Eram apenas palavras trocadas ao pé do poço no final do dia. Um momento inocente de conversa entre duas pessoas jovens da mesma condição que compartilhavam o peso da escravidão. Tomás fizeram algum comentário que arrancou um sorriso de Benedita, um sorriso genuíno que iluminou seu rosto por alguns segundos.

    Mas para Joaquim, escondido atrás da janela do escritório, observando aquela cena, aquilo havia se transformado em prova irrefutável de traição insuportável. Como usava aquela mucama sorrir para outro homem quando ele, o senhor absoluto da fazenda, a desejava com intensidade que o consumia? A paranoia havia se instalado na mente do fazendeiro como erva daninha que sufoca toda a plantação saudável.

    Cada sorriso de Benedita, dirigido a outra pessoa era interpretado como afronta pessoal. Cada momento em que ela não estava sob seu olhar vigilante, alimentava fantasias torturantes de infidelidade e rejeição. Joaquim não conseguia ver a loucura de sentir ciúmes de uma mulher que jamais fora sua por vontade própria, que na verdade o temia e evitava sempre que possível.

    A obsessão havia corroído sua capacidade de raciocinar. Durante toda aquela manhã interminável, enquanto a casa se enchia dos aromas de canela e cravo da Índia. De carne assada e doces de cocô ainda quentes, Joaquim bebia e ruminava sua raiva crescente. Olhava pela janela do escritório e via Maria das Dores organizando a mesa da ceia com capricho, ajeitando cada detalhe.

    Via seus filhos correndo pelo terreiro, rindo alto naquela inocência própria da infância, e sentia apenas um vazio crescente tomando conta do peito, como se aquela família que construíra ao longo de quase 20 anos de casamento fosse um obstáculo entre ele e o objeto de sua obsessão doentia.

    Ao meio-dia, quando o sol estava no ponto mais alto, tornando o ar denso pesado como chumbo derretido, Joaquim finalmente saiu do escritório. Seu andar era cambaleante, não apenas pela bebida, mas também pelo peso dos pensamentos sombrios. Os olhos estavam injetados de sangue pela cachaça e pela falta de sono das últimas noites.

    Maria das Dores olhou para o marido com preocupação crescente no rosto, sentindo um aperto no peito, mas não disse nada. Aprenderá ao longo dos 19 anos de casamento que questionar Joaquim quando ele estava naquele estado de embriaguez e mau humor só piorava muito as coisas. Era melhor deixar passar, esperar que o momento passasse.

    O fazendeiro atravessou o corredor largo que levava até a cozinha, seus passos ecoando no açoalho de madeira. Podia ouvir as vozes das escravizadas conversando baixo enquanto preparavam os últimos pratos da ceia. chegou até a porta da cozinha e parou ali, apoiado no batente, apenas observando. Benedita estava junto ao grande fogão de lenha, mexendo uma panela pesada de feijão verde com uma colher de pau. O suor escorria por seu rosto e pescoço por causa do calor intenso que emanava do fogo.

    Quando percebeu a presença do Senhor na porta, seu corpo inteiro se enrijeceu como se tivesse levado um choque. Conhecia bem aquele olhar fixo e vazio, aquela forma pesada de respirar. sabia por experiência própria, que nada de bom viria dali.

    As outras mucamas, que trabalhavam na cozinha baixaram os olhos imediatamente e continuaram suas tarefas em silêncio tenso e carregado. O único som era o crepitar da lenha queimando, o borbulhar das panelas no fogo e, ao longe o canto de algum pássaro que não sabia da tragédia que se aproximava. Joaquim ficou ali parado por longos minutos que pareceram eternos, apenas observando Benedita com aquela intensidade perturbadora.

    Então, sem dizer uma única palavra, deu meia volta e saiu, deixando atrás de si um rastro de tensão palpável que fez todas as mulheres na cozinha respirarem aliviadas. Benedita deixou escapar um suspiro trêmulo. Suas mãos tremiam tanto que quase deixou cair a colher de pau. Sentia o coração batendo tão forte que parecia querer saltar pela boca.

    Anzinga, uma escravizada mais velha que conhecia Benedita desde que nascerá, aproximou-se e tocou seu ombro num gesto de consolo silencioso. Não precisavam trocar palavras para entender o medo que todas sentiam. Sabiam que algo estava errado, que havia uma tempestade se formando.

    A tarde transcorreu numa quietude antinatural que deixava a todos desconfortáveis. Os preparativos da ceia continuavam porque a tradição exigia, mas havia algo diferente no ar que fazia até as crianças mais agitadas ficarem mais contidas e silenciosas. Antônio, o filho mais velho, notou o comportamento estranho do pai e tentou puxar conversa sobre a colheita da próxima semana, mas Joaquinho o ignorou completamente, como se o rapaz fosse invisível ou transparente.

    O menino ficou confuso e um pouco magoado com aquela indiferença tão fora do comum. Joaquim vagou pela propriedade durante a tarde como um fantasma. Passou pelos canaviais, onde os escravizados ainda trabalhavam mesmo véspera de Natal, porque a cana não espera e o trabalho nunca para completamente numa fazenda. Caminhou até o engenho onde a moenda estava parada para a celebração do dia seguinte.

    ficou ali parado por muito tempo, olhando para as engrenagens de madeiras silenciosas, para os tachos onde a garapa fervia transformando-se em melado. Pensava no que vira na noite anterior, naquele sorriso de Benedita para Tomás e sentia a raiva crescer como febre que não baixa.

    Tomás trabalhava justamente ali no engenho, sendo responsável por alimentar a moenda e cuidar para que tudo funcionasse perfeitamente. era um homem respeitado entre os outros escravizados por sua força e também por sua bondade, sempre disposto a ajudar os mais fracos. Naquele momento, estava organizando as ferramentas para o dia seguinte, quando percebeu a presença do Senhor.

    Cumprimentou respeitosamente como era esperado, mas Joaquim apenas o encarou com olhar carregado de ódio inexplicável. Tomás sentiu um calafrio subir pela espinha sem entender o motivo daquela hostilidade repentina. O fazendeiro ficou tentado a fazer algo ali mesmo, a punir Tomás por ter ousado fazer Benedita sorrir, mas algum resquício de razão, ainda funcionando, impediu.

    Virou as costas e voltou para casa grande, os punhos cerrados com tanta força que as unhas cravavam nas palmas das mãos, deixando marcas de lua crescente. A cada passo que dava, sua mente trabalhava criando cenários cada vez mais distorcidos. Via Benedita e Tomás juntos de formas que provavelmente nunca aconteceram. Imaginava traições e rejeições, onde só havia interações comuns entre pessoas vivendo sob o mesmo jo.

    Quando o sino da pequena capela da fazenda anunciou 5 horas da tarde com suas badaladas metálicas que coaram pela propriedade, Maria das Dores reuniu a família na sala principal. Era hora de todos se prepararem para a ceia de Natal, que seria servida pontualmente às 7 da noite, conforme a tradição mantida há anos.

    As meninas foram para seus quartos trocar de roupa, colocando seus melhores vestidos de chita engomada com babados nas barras que elas mesmas haviam ajudado a costurar. Os meninos vestiram camisas limpas e calças de brin, os cabelos penteados com capricho. Maria das Dores aproveitou aquele momento para verificar mais uma vez cada detalhe da mesa.

    A toalha de linho branco importada de Portugal estava perfeitamente lisa, sem uma única dobra. Os pratos de porcelana com detalhes azuis que pertenciam a sua avó brilhavam sob a luz que começava a ficar dourada. Os talheres de pratados da família estavam todos polidos até reluzir. No centro da mesa, um arranjo de flores do campo e ramos de pitanga dava o toque final de beleza.

    Tudo estava perfeito, como sempre estiver em todas as ceias de Natal desde que se casara. Mas enquanto ajeitava os guardanapos dobrados ao lado de cada prato, Maria das Dores sentia uma angústia crescente apertar seu peito. Algo estava errado, profundamente errado.

    O silêncio pesado que tomara conta da casa, o comportamento estranho de Joaquim, aquela sensação de que o ar estava carregado demais. Pensou em adiar a ceia, inventar alguma desculpa, mas como explicar isso para as crianças que esperavam ansiosas? Como justificar quebrar uma tradição tão importante? sacudiu a cabeça, tentando afastar aqueles pensamentos ruins e se concentrou nos preparativos finais. Joaquim subiu até o quarto que dividia com a esposa, sem dizer palavra para ninguém.

    Maria das Dores o seguiu com os olhos até ele desaparecer no corredor, um aperto crescente e doloroso no peito que ela não conseguia explicar. Havia algo diferente naquele silêncio do marido, algo que ia muito além da bebedeira ou do mau humor costumeiro que ela já conhecia tão bem.

    Era como se uma sombra muito mais escura tivesse tomado conta dele, apagando qualquer centelha de humanidade que ainda existisse por trás daqueles olhos vazios. No quarto, com suas paredes caiadas e móveis de jacarandá, Joaquim ficou parado por alguns minutos, apenas olhando pela janela para os canaviais que se estendiam até onde a vista alcançava. Aquelas terras eram suas, conquistadas com trabalho duro ao longo de décadas.

    Aquela casa, aquela família, tudo aquilo era seu. E mesmo assim sentia-se vazio, consumido por uma obsessão que não conseguia controlar ou entender completamente. Abriu o grande armário de madeira de lei, onde guardava suas armas de caça. Passou a mão devagar pelo rifle que usava para caçar nas matas próximas, pela espingarda que servia para espantar onças que às vezes atacavam o gado.

    Mas seus dedos pararam sobre algo diferente, algo que não era para caça de animais. Uma faca de cabo de osso com detalhes em prata, com lâmina longa de mais de 30 cm e afiada como navalha. Era a faca que ele próprio mantinha sempre no ponto perfeito de corte, a mesma que usava para sangrar os porcos no tempo do abate.

    Pegou a arma branca com mão firme e sentiu o peso dela na palma. A lâmina refletia a luz alaranjada do final de tarde que entrava pela janela. ficou ali por longos minutos apenas observando aquele objeto como se estivesse hipnotizado por ele. Então, com movimentos lentos e deliberados, escondeu a faca sob o palitó de linho que usaria para a ceia. Ajeitou o tecido para que nada ficasse visível, nenhum volume suspeito que pudesse alertar alguém.

    Olhou-se no espelho de moldura dourada que Maria das Dores tanto estimava e que fora presente de casamento de seu pai. O homem que o encarava de volta tinha olhos de estranho, completamente vazios, de qualquer luz ou emoção reconhecível. Não havia ali o pai amoroso que brincava com os filhos pequenos, nem o marido que um dia cortejara Maria das dores com flores e promessas.

    Naquele momento, alguma parte essencial de Joaquim Antônio da Silva já havia morrido por dentro, dando lugar a algo monstruoso que se alimentava apenas de ciúme e loucura destrutiva. Lá embaixo, na sala de jantar, a mesa da ceia estava posta com todo o capricho que a tradição exigia. A toalha de linho branco cobria a longa mesa de madeira escura capaz de acomodar até 12 pessoas confortavelmente.

    Os pratos de porcelana trazidos de Portugal por um antepassado de Maria das Dores brilhavam a luz suave das velas que já começavam a ser acesas uma por uma. No centro da mesa, o candelabro de prata de três braços, que era herança de família e só saía do armário em ocasiões muito especiais, como aquela.

    Maria das Dores havia caprichado na decoração, como sempre fazia, colocando ramos frescos de pitanga que ela mesma colhera no quintal pela manhã, intercalados com flores amarelas e brancas do campo que as meninas trouxeram. O peru, assado e dourado ocupava o lugar de honra no centro da mesa, sua pele crocante brilhando sob a luz das velas, exalando um aroma delicioso que se espalhava por toda a casa.

    Ao redor dele, travessas de barro e porcelana transbordavam de comida preparada com cuidado ao longo de todo o dia. Havia o arroz branco soltinho, temperado com açafrão trazido de Recife, o feijão verde cozido no ponto exato com pedaços generosos de carne de sol que derretia na boca, a farofa amarela preparada com ovos e miúdos do próprio Peru, a salada de alface e tomate temperada com azeite português e vinagre.

    Tinha também o pirão grosso feito com o caldo do peru, a couve refogada com alho e bacon e bandejas de pão caseiro ainda morno que Inzinga havia acabado de tirar do forno de barro. Para sobremesa, esperavam na copa os doces tradicionais: cocada branca e preta, bolo de milho verde ainda fumegante, manjar branco com calda de ameixa e doce de cocô em calda, que era especialidade da casa.

    As crianças já estavam sentadas em seus lugares habituais, vestidas com suas melhores roupas e com os rostos limpos reluzentes. Os olhos brilhavam de expectativa e fome, aquela ansiedade própria da infância em noites especiais. Antônio ocupava seu lugar na cabeceira oposta ao lugar tradicional do pai, sentado ereto, tentando parecer mais adulto e responsável como convinha ao filho mais velho.

    As três meninas estavam de um lado da mesa, Isabel com seu vestido azul claro, Carolina com vestido rosa, que era sua cor favorita. e Joana com laço grande no cabelo que ela ajeitava toda hora. Do outro lado, os dois meninos mais novos conversavam baixinho entre si. Pedro contando ao pequeno José sobre os presentes que esperava ganhar no dia seguinte. Conversavam animado sobre tudo e nada.

    Aquela tagarelice alegre de crianças que ainda não conhecem as crueldades do mundo. Antônio falava sobre o cavalo novo que o pai havia prometido quando completasse 16 anos. Isabel comentava sobre o vestido que queria costurar para a festa de São João. Carolina imitava os cachorros da fazenda, fazendo todos rirem.

    Joana perguntava quando poderiam comer os doces. Pedro queria saber se no dia seguinte poderiam soltar rojões. O pequeno José apenas sorria e batia palmas, feliz por estar ali cercado pela família que amava. Não sabiam, não podiam nem imaginar que aquela seria a última conversa de suas vidas, que em poucos minutos tudo aquilo, toda aquela alegria inocente e expectativa feliz, seria destroçada da forma mais brutal possível.

    Não sabiam que estavam vivendo os últimos momentos de suas existências curtas demais, que jamais cresceriam, jamais realizariam os sonhos que alimentavam naquele instante. Maria das Dores entrou na sala carregando mais uma travessa, desta vez com batatas assadas douradas e perfumadas com alecrim. Colocou no único espaço que ainda restava na mesa já farta.

    Olhou ao redor com satisfação, misturada a preocupação. Tudo estava perfeito visualmente, mas aquela sensação ruim não a abandonava. Onde estava Joaquim? Por que demorava tanto? Olhou para a escada, esperando vê-lo descer, mas nada. Chamou Benedita com um gesto. Amucama aproximou-se com passos rápidos, mantendo os olhos baixos, como era esperado das escravizadas.

    Maria das Dores pediu que fosse buscar o Senhor, avisar que a seia estava pronta e a família esperava. Benedita sentiu o estômago revirar com aquela ordem. A última coisa que queria era subir até o quarto de Joaquim, mas não tinha escolha. fez uma reverência e subiu as escadas com pernas que pareciam de chumbo. Bateu suavemente na porta do quarto.

    Esperou alguns segundos em silêncio pesado. Bateu novamente, um pouco mais forte. Finalmente ouviu a voz de Joaquim mandando entrar. Abriu a porta apenas o suficiente para falar através da fresta, mantendo-se no corredor. Disse com voz trêmula que a senhora mandara avisar que a seia estava servida e todos esperavam. Joaquim respondeu que já descia, mas havia algo na voz dele que fez Benedita descer as escadas correndo, o coração disparado de um medo que não conseguia nomear, mas que era viseral e profundo. Voltou para a cozinha, onde as outras mucamas

    aguardavam, todas tensas e alertas. Nzinga olhou para ela com preocupação, vendo terror estampado no rosto da menina. Segurou suas mãos geladas e sussurrou uma reza baixinha pedindo proteção. Benedita encostou-se na parede, sentindo as pernas fraquejarem. Suar frio escorrendo pelas costas, apesar do calor que ainda fazia mesmo com a noite caindo.

    Maria das Dores acendeu as últimas velas do candelabro de prata, aquele que só era usado nas ocasiões mais importantes. As chamas dançavam suavemente, lançando sombras móveis pelas paredes caiadas da sala. A luz dourada e trêmula davam ar quase sagrado aquele momento, como se estivesse num altar em vez de numa mesa de jantar comum.

    Ela olhou para seus seis filhos com ternura profunda, com aquele amor de mãe que não precisa de palavras para se expressar e que é talvez o sentimento mais puro que existe no mundo. Se soubesse, se pudesse ter uma visão do horror que estava prestes a se desenrolar, teria agarrado cada um deles naquele instante.

    Teria fugido daquela casa correndo, carregando os menores no colo e puxando os maiores pela mão, corrido para bem longe daquelas terras, daquele homem que já não reconhecia mais como rapaz de quem se apaixonara há quase 20 anos atrás. teria abandonado tudo, a casa, as terras, as posses, tudo em troca da segurança de seus filhos, mas não sabia, não podia saber.

    Então, apenas sorriu para eles com aquele sorriso cansado de mãe que trabalhou o dia inteiro, mas que encontra alegria em ver a família reunida. Joaquim apareceu no alto da escada, começou a descer com passos medidos, lentos e deliberados, como se cada degrau exigisse esforço consciente. O palitó de linho que vestia escondia perfeitamente a lâmina que carregava sob o tecido.

    Seu rosto estava completamente inexpressivo, como uma máscara de cera sem vida, sem emoção alguma que pudesse ser identificada. Os olhos vazios não refletiam a luz das velas. Pareciam dois poços fundos escuros, levando para lugar nenhum. Entrou na sala de jantar e todos ficaram em silêncio instantaneamente, como se uma nuvem fria tivesse passado sobre a mesa.

    As crianças interromperam suas conversas animadas no meio das frases. Esperavam que o pai se sentasse para que finalmente pudessem começar a ceia que tanto aguardavam. Joaquim caminhou lentamente até a cabeceira da mesa, puxou a cadeira pesada de madeira escura e sentou-se com movimentos automáticos.

    Maria das Dores ocupou seu lugar à direita do marido, como sempre fizera em todos os jantares ao longo dos anos de casamento. Olhou para ele tentando decifrar o que se passava naquela cabeça, tentando encontrar algum sinal do homem que conhecera, mas encontrou apenas um vazio perturbador e assustador.

    Os olhos de Joaquim não piscavam, apenas fixavam algum ponto indefinido no espaço, como se estivesse vendo algo que mais ninguém podia ver. Ainda assim, Maria das Dores tentou manter a normalidade. Era véspera de Natal. A família estava reunida. A tradição precisava ser mantida. Fez o sinal da cruz com movimentos reverentes, tocando a testa, o peito e cada ombro. Juntou as mãos e começou a rezar a oração de agradecimento pela ceia convos suave e cheia de fé.

    Pai nosso que estais no céu, santificado seja o vosso nome. As crianças acompanhavam a reza com olhos fechados e mãos postas sobre a mesa, repetindo as palavras familiares que haviam aprendido desde pequenos. Vem a nós o vosso reino.

    A voz de Maria das Dores ecoava naquela sala, onde em poucos minutos se consumaria uma tragédia sem paralelo na história da região. Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. Joaquim permanecia em silêncio absoluto, os olhos fixos na chama da vela que queimava bem diante dele, fascinado pelo movimento hipnótico do fogo. O pão nosso de cada dia nos dai hoje. As palavras da oração enchiam o ar carregado de tensão que ninguém além de Maria das Dores parecia sentir completamente.

    Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. Mas não haveria perdão naquela noite amaldiçoada, apenas sangue, morte e destruição de tudo que aquela família representava. E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Maria das Dores terminou a reza e abriu os olhos lentamente. Foi fazer o sinal da cruz novamente quando seu olhar encontrou do marido.

    E naquele instante, naquele único segundo de conexão visual, ela soube. Não sabia exatamente o quê, mas soube com absoluta certeza que algo terrível estava prestes a acontecer. Seu corpo inteiro gelou de repente, apesar do calor. O coração disparou no peito, batendo tão forte que ela podia ouvir o sangue pulsando nos ouvidos.

    abriu a boca para dizer algo. Qualquer coisa, gritar talvez. Mas não houve tempo para palavras. Joaquim levantou-se da cadeira com movimento súbito e violento que fez a madeira render alto. A faca surgiu de sob o palitó no movimento fluido e praticado, a lâmina longa refletindo a luz dourada das velas de forma quase hipnótica.

    Maria das Dores ainda tentou se levantar num reflexo desesperado de fugir ou proteger os filhos que gritavam de susto. Mas já era tarde demais. A lâmina desceu em arco mortal, encontrando a garganta dela com precisão terrível. O corte foi profundo e certeiro, abrindo a carne num talho largo que cortou a traqueia e as artérias carótidas de uma só vez.

    O sangue jorrou sobre a toalha branca imaculada em jatos rítmicos, acompanhando as batidas do coração ainda vivo, manchando o linho com vermelho escuro que se espalhava como tinta derramada. Maria das Dores levou as mãos ao pescoço num gesto inútil de tentar conter a vida que escapava entre seus dedos.

    Os olhos arregalados de horror e incompreensão absoluta encaravam o marido como se perguntassem porquê, por aquilo. Cambaleou para trás, bateu nas costas da cadeira e caiu meio sentada, meio deslizando, o corpo começando a sacudir em espasmos involuntários, enquanto a vida escapava rapidamente. Suas últimas palavras foram um sussurro inaudível. Talvez os nomes de seus filhos que amava mais que a própria vida.

    Talvez uma prece final pedindo que Deus os protegesse. As crianças explodiram em gritos de terror absoluto que ecoaram pela casa inteira. O horror do que presenciavam era grande demais para suas mentes inocentes processarem. Antônio se levantou de um salto, derrubando a cadeira para trás, num reflexo de tentar proteger os irmãos mais novos, colocando-se entre eles e aquela ameaça que não conseguia reconhecer como sendo próprio pai.

    Mas Joaquim já estava sobre ele com velocidade surpreendente para um homem que bebera tanto. O rapaz de 15 anos lutou com toda a força que tinha, tentou segurar o braço do pai que empunhava a faca. Gritou pedindo que parasse, que acordasse daquela loucura. Seus dedos conseguiram agarrar o pulso de Joaquim por alguns segundos preciosos, mas a força da demência é maior que a força da razão e do amor.

    A faca se libertou do aperto fraco de Antônio e mergulhou fundo no peito do rapaz, atravessando o osso externo com força brutal e perfurando o coração pulsante. Antônio sentiu uma dor aguda e depois uma frieza estranha se espalhando pelo corpo. Seus olhos encontraram os do pai por um último segundo, ainda buscando compreensão que não viria jamais.

    Então, suas pernas cederam e ele desabou no chão de madeira, o sangue encharcando a camisa branca que havia vestido com tanto capricho poucas horas antes. Isabel e Carolina tentaram correr em pânico absoluto, gritando por socorro que não viria de lugar algum, mas estavam presas entre a mesa pesada e a parede sem saída possível.

    A sala de jantar, que sempre fora lugar de conforto e união familiar, havia se transformado numa armadilha mortal. As duas meninas se abraçaram chorando desesperadas. Isabel tentando proteger a irmã mais nova com o próprio corpo. Joaquinhas alcançou em três passadas largas, agarrou Isabel pelos cabelos longos e puxou com força, arrancando a dos braços de Carolina. A menina de 13 anos tentou se defender, arranhando o rosto do pai e chutando, mas era como tentar deter uma tempestade com as mãos.

    A faca subiu e desceu. Subiu e desceu num ritual macabro executado por mãos que já não pareciam humanas, que se moviam com a eficiência mecânica de um açueiro profissional. Carolina tentou aproveitar aquele momento para correr, mas seus pés descalços escorregaram numa poça de sangue que já cobria o chão de madeira.

    caiu de joelho, soltando um grito agudo de terror. Joaquim se virou para ela com movimentos lentos agora, sabendo que não havia pressa. A menina de 11 anos olhou para o pai com lágrimas escorrendo pelo rosto, a boca aberta em súplica muda. Estendia as mãozinhas pequenas, como se ainda acreditasse que aquilo podia parar, que o pai voltaria a si e a abraçaria, dizendo que tudo era um pesadelo. Mas a lâmina não conhecia Piedade.

    Joana, a menina de 9 anos com seus olhos curiosos que sempre tudo observavam, conseguiu se esconder debaixo da mesa num reflexo de sobrevivência puro. Por alguns segundos eternos, permaneceu ali congelada pelo horror, vendo os pés descalços da mãe imóveis estendidos no chão, vendo sangue escorrer abundante, formando poças vermelhas escuras que se espalhavam pelo açoalho de madeira, alcançando suas próprias mãos.

    Podia ouvir os gritos dos irmãos sendo cortados abruptamente, um por um. Podia ouvir a respiração pesada do pai, que não era mais pai. tentou se fazer invisível, prender a respiração, desaparecer completamente, mas Joaquim sabia exatamente onde ela estava. Havia crescido brincando de esconde esconde com todos aqueles filhos. Conhecia cada esconderijo, cada canto da casa.

    Abaixou-se lentamente, os joelhos estalando com movimento e olhou para baixo da mesa. Seus olhos encontraram os de Joana cheios de lágrimas e terror absoluto. Estendeu a mão manchada de sangue e puxou a menina pelos cabelos. arrastando-a para fora do esconderijo inútil enquanto ela se debatia e gritava.

    Os gritos de Joana foram os mais lancinantes de todos, agudos e desesperados, de uma forma que rasgava a alma de qualquer um que ouvisse. Ela implorava com palavras entrecortadas pelo choro. Chamava por papai com aquela voz fina de criança que ainda acreditava que apelos à paternidade poderiam despertar alguma humanidade restante.

    Pedia clemência que não existia mais naquele homem completamente tomado pela loucura. Mas a lâmina não distinguia súplicas nem lágrimas. Caiu sobre ela com a mesma indiferença brutal com que havia caído sobre todos os outros. Pedro e o pequeno José, os dois caçulas, haviam corrido para um canto da sala assim que o massacre começara.

    Estavam abraçados um ao outro, tremendo violentamente, os olhos arregalados de terror assistindo à destruição de toda sua família. Pedro, o menino de 7 anos que adorava brincar com os cachorros, tentava proteger o irmãozinho de 4 anos colocando-se na frente dele, abraçando contra o peito, como havia visto a mãe fazer tantas vezes.

    Suas mãos pequenas apertavam as costas de José com força, como se pudesse escondê-lo completamente, fazê-lo desaparecer. Joaquim caminhou até eles com passos lentos e arrastados agora, a faca pingando sangue a cada movimento, deixando um rastro vermelho pelo chão. Seus olhos continuavam completamente vazios de qualquer emoção reconhecível, como se estivesse executando uma tarefa desagradável, mas necessária, algo que precisava ser feito e pronto.

    Não havia raiva visível naquele rosto, nem satisfação sádica, apenas vazio profundo e perturbador. Pedro ergueu o rosto molhado de lágrimas e tentou uma última vez. Papai, não faz isso. Por favor, papai, a gente te ama. A gente vai ser bom. A gente promete. As palavras saíam atropeladas, desesperadas, carregadas de uma inocência tão pura que partia o coração.

    Mas aquele homem não era mais o pai deles. Não era mais Joaquim Antônio da Silva, fazendeiro respeitado, marido e genitor. Era algo monstruoso, vestindo a pele humana, um demônio que havia tomado o controle completo. A lâmina atravessou o corpo magro de Pedro com facilidade terrível.

    O menino soltou um grito curto e depois um gemido baixo de dor e incompreensão. Suas mãos relaxaram o aperto em José, os braços caíram para os lados. Desabou sobre o irmão mais novo, que mal entendia o que estava acontecendo, protegendo com o próprio corpo, mesmo na morte. José, o pequeno José de apenas 4 anos, que ainda aprendia a falar direito, ficou preso sob o peso do irmão por alguns segundos.

    Seus olhinhos grandes olhavam para cima sem compreender, vendo aquele homem que ele chamava de papai aproximar-se com algo vermelho e brilhante na mão. Não teve tempo de sentir medo. Mal teve tempo de entender que aquilo era o fim. A escuridão o levou rápido, levando junto toda inocência e futuro que jamais aconteceria. O silêncio que se seguiu foi absoluto e pesado como chumbo.

    Após os gritos, após a violência frenética, veio um silêncio mais aterrador que qualquer som. Em menos de 10 minutos, a sala de jantar havia se transformado em matadouro. Oito corposam espalhados pelo chão ou caídos sobre as cadeiras. O sangue cobria tudo. A toalha branca estava encharcada de vermelho, os pratos de porcelana salpicados.

    O peru assado permanecia no centro daquela carnificina. Testemunha muda do horror. Joaquim permaneceu de pé no centro da sala, respirando pesadamente, a faca ainda na mão. Seu palitó estava encharcado de vermelho, o rosto salpicado de sangue. Os olhos vazios olhavam ao redor como se tentasse entender onde estava.

    Era como se ele próprio tivesse morrido junto com a família, como se a parte humana dele tivesse se desligado completamente. O que restava ali era apenas uma casca vazia sem propósito algum. Do lado de fora, as mucamas que haviam escutado os gritos permaneciam paralisadas de terror. Estavam agrupadas perto da cozinha, chorando baixinho e rezando.

    Nenhuma ousava entrar na casa. Benedita estava entre elas, tremendo violentamente, sendo amparada por Nzinga. Ela sabia, no fundo da alma que de alguma forma era parte daquela tragédia, que o ciúme doentil do Senhor havia encontrado a forma mais monstruosa de se manifestar.

    Sentia culpa esmagadora, mesmo sabendo que não tinha culpa alguma. Os outros escravizados foram se reunindo aos poucos no terreiro, vindos das censalas e dos canaviais. Ficavam em grupos pequenos conversando baixo, tentando entender o que teria acontecido. Os gritos haviam sido ouvidos por toda a propriedade.

    Especulavam em sussurros cheios de medo, mas ninguém tinha coragem de entrar na casa grande. Benedito, o escravo mais velho da fazenda com seus 60 e poucos anos, tomou coragem finalmente. Alguém precisava descobrir o que havia acontecido. Pegou uma lamparina e caminhou devagar até a porta principal. Suas mãos tremiam fazendo a luz dançar pelas paredes.

    Podia sentir o cheiro de sangue mesmo antes de chegar à sala de jantar. Quando ergueu a lamparina e a luz iluminou a cena completa, Benedito sentiu suas pernas bombas. Teve que se apoiar no batente para não cair. Em todos seus anos, em todas as violências que presenciara, nada preparara para aquilo. Fez o sinal da cruz três vezes e rezou em voz trêmula.

    Maria das Dores caída sobre a cadeira, Antônio estirado no chão, as três meninas amontoadas num canto, os dois meninos pequenos abraçados mesmo na morte. E no centro, Joaquim sentado calmamente, como se nada tivesse acontecido. Benedito recuou cambaleando e saiu quase correndo. Quando chegou no terreiro, seu rosto dizia tudo. As mucamas começaram a chorar alto.

    Os homens baixaram as cabeças em choque. Mas Benedito sabia que precisava agir. Correu até o cercado dos cavalos e montou no melhor alazão da fazenda sem pensar nas consequências. cravou os calcanhares e o animal disparou pela estrada de terra rumo à vila mais próxima. A cavalgada desesperada levou mais de uma hora pela estrada esburacada. Benedito galopou sem parar, as imagens do que vira se repetindo em sua mente como pesadelo.

    Chegou na vila quando sinos batiam 9 horas. As ruas estavam vazias porque as famílias celebravam o Natal. correu até a delegacia, uma construção pequena e modesta, e bateu com força na porta, fazendo-a tremer. Um sargento sonolento apareceu ajeitando a farda com cara de poucos amigos.

    Quando ouviu o relato atropelado, primeiro duvidou. Oito assassinatos, uma família inteira. Na noite de Natal parecia delírio, mas havia algo no desespero genuíno de Benedito, no terror em seus olhos, que não podia ser ignorado. Chamou dois soldados e, armados com rifos e lanternas, seguiram de volta à fazenda. Chegaram por volta das 10:30.

    Os escravizados ainda estavam no terreiro rezando baixinho. Quando viram os uniformes, abriram caminho em silêncio. Os três policiais entraram com cautela, rifos em punho. O corredor estava em penumbra. Podiam sentir aquele cheiro inconfundível de sangue e morte. O sargento sentiu o estômago apertar antecipando o horror.

    Quando chegaram à sala de jantar e suas lanternas iluminaram a cena. Até os homens mais experientes sentiram o estômago revirar. Um dos soldados virou-se e vomitou no corredor. O sargento forçou-se a examinar metodicamente. Contou os corpos um por um. Uma mulher adulta, três meninas, três meninos, incluindo um que não deveria ter mais que 4 anos.

    Todos mortos brutalmente, degolados ou esfaqueados. O sangue havia formado poças que começavam a coagular. E sentado calmamente à mesa, Joaquim Antônio da Silva não havia se movido. A faca estava pousada ao seu lado, ainda vermelha. Seu rosto permanecia inexpressivo, os olhos fixos em lugar distante. Não reagiu quando os policiais entraram.

    Não demonstrou surpresa ou medo algum. O sargento aproximou-se com rifo apontado. Ordenou que se levantasse e colocasse as mãos visíveis. Joaquim obedeceu mecanicamente como autôm. permitiu que o prendessem com cordas sem resistência. Quando finalmente o sargento perguntou por fizer aquilo, Joaquim virou a cabeça lentamente.

    Seus lábios formaram uma única palavra murmurada: “Siúmes! Apenas isso, como se aquela palavra explicasse tudo, como se justificasse destruir oito vidas, incluindo seis crianças, que eram sua própria carne e sangue. A notícia se espalhou pela região com velocidade impressionante. Ao amanhecer do dia de Natal, metade da província já sabia do crime bárbaro.

    Pessoas vinham de vilarejos distantes apenas para ver a casa onde tamanha atrocidade fora cometida. ficavam do lado de fora especulando, fazendo sinal da cruz repetidamente. Autoridades maiores chegaram de Recife no dia seguinte. Um delegado provincial, um escrivão e até médico legista fizeram exame minucioso da cena, anotaram tudo, desenharam diagramas.

    O médico examinou as vítimas uma por uma e atestou que todas morreram de ferimentos por arma branca. Cortes profundos que causaram morte rápida por perda massiva de sangue. Os corpos foram removidos no terceiro dia. Mulheres da vila vieram preparar os mortos para enterro. Choravam especialmente ao cuidar das crianças tão pequenas.

    Maria das Dores e os seis filhos foram colocados em caixões simples de pinho fornecidos pela paróquia. O funeral aconteceu numa tarde chuvosa. Parecia que até o céu chorava. Centenas de pessoas compareceram de toda a província. O padre fez sermão emocionado sobre fragilidade da vida e perigos das paixões descontroladas. Os oito caixões foram enterrados juntos numa sepultura coletiva.

    Uma cruz simples de madeira foi colocada com todos os nomes gravados: Maria das Dores, Antônio, Isabel, Carolina, Joana, Pedro e José. Embaixo uma frase: assassinados na ceia de Natal de 1873. Que Deus os tenha. Durante muitos anos depois, pessoas visitavam aquela sepultura na véspera de Natal, levando flores e velas, rezando pelos mortos, especialmente pelas crianças inocentes.

    Benedita foi vendida meses depois para a família de comerciantes em Recife. Trabalhou até a abolição 15 anos depois. Casou-se com homem livre. Teve quatro filhos que cresceram livres, mas jamais falou sobre aquela noite. Carregou o peso em silêncio até o fim de seus dias. Nas noites de Natal ficava especialmente quieta, os olhos distantes.

    Sabia que não tinha culpa, mas a culpa irracional nunca abandonou completamente. O julgamento aconteceu três meses depois em Recife. Foi transferido porque temiam linchamento. O ódio popular era tamanho que Joaquim precisou ficar em cela especial para proteção, porque até criminosos endurecidos sentiam repulsa. O caso se tornou sensação em todo o Brasil imperial.

    Jornais de Recife, Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo publicaram reportagens detalhadas. A sociedade ficou profundamente abalada. Eram oito mortes, seis crianças assassinadas pelo próprio pai na noite mais sagrada. O julgamento durou 5 dias. A promotoria apresentou testemunhas descrevendo o comportamento errático de Joaquim nos meses anteriores. Escravizados testemunharam sobre sua obsessão por Benedita, sobre os ciúmes irracionais.

    A defesa argumentou em sanidade mental. Trouxe médico alienista do Rio, que concluiu que Joaquim sofria de mania obsessiva e ciúme patológico que levaram à loucura temporária. Mas a promotoria contraargumentou com força: se estava louco, como planejou tão metodicamente? Como escondeu a faca? Como esperou o momento exato? Aquilo era ato calculista, não de louco delirante.

    As galerias ficavam lotadas todos os dias. Quando Joaquim era trazido algemado, murmúrios de ódio percorriam a multidão. Durante todo o julgamento, permaneceu praticamente mudo. Respondia com monossílabos quando forçado. Geralmente apenas olhava para o vazio. Não demonstrava remorço, nem tentava se defender.

    Quando perguntaram se tinha algo a dizer, apenas balançou a cabeça. No quinto dia, veio o veredicto. O Júri deliberou por menos de 2 horas, culpado de todos os oito assassinatos em primeiro grau, com premeditação e crueldade extrema, decisão unânime. O juiz, visivelmente emocionado, pronunciou sentença de morte por enforcamento. A execução deveria ocorrer em 60 dias.

    Joaquim não reagiu, apenas baixou a cabeça, aceitando passivamente seu destino. Joaquim aguardava a execução marcada para início de maio numa cela pequena e úmida. passava di sentado, olhando para a parede, perdido em pensamentos que ninguém saberia. Recusava visitas de padres que ofereciam conforto espiritual.

    Comia pouco, estava emagrecendo rapidamente, tornando-se sombra do homem robusto que fora. Mas a execução pública nunca aconteceu. Na madrugada de 28 de abril, três dias antes da data marcada, o guarda encontrou Joaquim pendurado pelas tiras rasgadas da própria camisa amarradas numa trave. havia se enforcado durante a noite em silêncio.

    O corpo já estava frio. Encontraram carta curta escrita com carvão na parede. Pedia perdão aos filhos e à esposa. Dizia que o demônio tomara conta de sua alma naquela noite e que agora ia ao encontro da justiça divina. Terminava pedindo que enterrassem seu corpo em terra não consagrada, porque não merecia descansar em solo sagrado.

    O pedido foi atendido, foi enterrado sem cerimônia em vala comum fora dos muros do cemitério. Nenhuma cruz marcou o local. Com o tempo, até a localização foi esquecida. A fazenda Santa Cruz foi abandonada. Herdeiros distantes não quiseram a propriedade manchada por sangue. Os escravizados foram vendidos. Com os anos, a casa foi se deteriorando. O teto desabou, as paredes racharam, o mato invadiu.

    Pessoas evitavam o lugar dizendo que era assombrado. Contavam de gritos ouvidos nas noites de dezembro, de luzes estranhas, de sombras que se moviam. As ruínas ainda existem escondidas entre canaviais. Poucos se aventuram lá, mas aqueles que vão dizem sentir presença pesada, como se memória daquela noite ainda ecoasse.

    A sepultura coletiva ainda existe. A cruz original foi substituída por uma de pedra nos anos 1950. Os nomes ainda estão gravados e todo ano na véspera de Natal alguém anônimo coloca flores frescas. Ninguém sabe quem, mas as flores sempre aparecem, lembrando que aquelas vidas importaram. Esta história nos lembra que crimes do passado não desaparecem com o tempo.

    Permanecem como cicatrizes na memória coletiva. Alerta sobre o que acontece quando humanidade é negada, quando pessoas são reduzidas a objetos. O massacre de Natal de 1873 é parte dolorosa, mas importante da nossa história. Capítulo que não pode ser esquecido porque ainda tem muito ensinar sobre natureza humana, sobre perigos da obsessão e sobre consequências de sistemas baseados em dominação.

    Se você chegou até o final, deixe seu comentário, compartilhe para que mais pessoas conheçam essa parte sombria da nossa história. Inscreva-se no canal, ative o sininho. Conhecer nossa história, por mais dolorosa que seja, é fundamental para entendermos quem somos e construirmos futuro melhor.

  • 3 Filhas, 1 Coronel Doente: Ele Tinha Relações Com As 3 Filhas Toda Noite… Até Que Uma Escrava 

    3 Filhas, 1 Coronel Doente: Ele Tinha Relações Com As 3 Filhas Toda Noite… Até Que Uma Escrava 

    3 Filhas, 1 Coronel Doente: Ele Tinha Relações Com As 3 Filhas Toda Noite… Até Que Uma Escrava 🔪

    No coração de Minas Gerais em 1865, enquanto o Brasil sangrava na Guerra do Paraguai e o império escravista começava a rachar sob pressão internacional, um homem construía seu próprio reino de terror.

    Longe dos campos de batalha do Sul, protegido pelas montanhas e pelo silêncio comprado com medo, o coronel Augusto Ferreira Braga não era apenas mais um senhor de escravos brutal entre milhares. Ele era algo diferente, algo pior. Sua fazenda não tinha apenas escravos, tinha prisioneiros. Sua casa não abrigava família, abrigava vítimas. E seus crimes não eram apenas contra aqueles que ele possuía legalmente, eram contra suas próprias filhas, transformadas em esposas forçadas. Eram contra a própria natureza humana.

    Esta é a história real de como uma comunidade escravizada, aliada a filha mais velha do monstro, derrubou o patriarca mais temido de todo o sul de Minas Gerais. Uma história de resistência silenciosa, coragem impossível e justiça tardia, mas devastadora. Se você quer conhecer os segredos mais sombrios do Brasil imperial, aqueles que os livros de história preferem esquecer, inscreva-se no canal e ative o sino, porque nos próximos 40 minutos você vai testemunhar uma das histórias mais perturbadoras e inspiradoras da era da escravidão brasileira. A fazenda Santa Cruz estendia-se por 2000 alqueires de terra

    fértil no município de São João del Rei, região central de Minas Gerais. Era uma das maiores propriedades da província, com 300 cabeças de gado, campos de café que se perdiam no horizonte, engenho de cachaça que produzia 1000 garrafas por mês e uma reputação que fazia até fazendeiros vizinhos baixarem os olhos em respeito ao medo.

    O ano de 1865 marcava o terceiro ano da guerra do Paraguai, conflito que drenava homens e recursos do Brasil. Mas para o coronel Augusto Ferreira Braga, a guerra era oportunidade. Vendia mantimentos para o exército imperial a preços inflacionados, fornecia cavalos confiscados de fazendeiros menores e prosperava enquanto outros empobreciam.

    Tinha 53 anos, estava no auge de seu poder e não temia homem algum, nem Deus. Augusto era alto, quase 2 m, com ombros largos que ainda mostravam a força de décadas de vida rural. Seu rosto era marcado por rugas profundas, como sucos na terra, barba grisalha, sempre aparada com precisão militar e olhos cinzentos que pareciam feitos de aço frio.

    Usava sempre roupas negras de linho importado, cartola de feltro que havia pertencido a seu pai e carregava constantemente um chicote de couro cru trançado com fios de arame farpado. Não era adereço decorativo, era extensão de seu braço, instrumento de controle diário. A casa grande dominava o topo de uma colina suave. Construção colonial de dois andares com paredes grossas de pau a pique, telhas portuguesas escuras com manchas de limo, janelas altas com grades de ferro forjado que impediam entrada e saída. O casarão tinha 18 cômodos, mas apenas cinco eram

    habitados. Os outros permaneciam fechados desde a morte da segunda esposa do coronel, como se fossem mausoléus para memórias que ninguém queria visitar. Ao redor da casa grande, distribuídas em semicírculo como satélites orbitando um sol negro, ficavam as construções da fazenda: Senzalas para 120 escravos, estábulos, celeiros, casa de defumação, engenho, capela pequena que raramente via celebrações.

    E mais distante, quase escondida atrás de uma cerca de bambu, ficava a enfermaria, onde os escravos doentes eram isolados, não para tratamento, mas para morrerem longe dos olhos dos vivos. Os escravos da fazenda Santa Cruz vinham de diversas regiões. Havia africanos nascidos em Angola, Congo e Moçambique, trazidos décadas atrás quando o tráfico ainda era legal.

    Havia criolos nascidos no Brasil, filhos e netos de africanos, alguns nunca tendo conhecido outro lugar além daquela fazenda. Havia mulatos resultados de violências que ninguém nomeava, mas todos conheciam. E havia até alguns indígenas capturados no sertão e vendidos ilegalmente, embora a escravidão indígena fosse proibida desde o século anterior.

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    Todos trabalhavam das 4 da manhã, quando o sino da fazenda soava pela primeira vez até o pôr do sol, quando soava novamente liberando-os para cenzalas, onde dormiriam em esteiras finas sobre chão de terra batida. Domingos não existiam para eles. Feriados católicos eram dias de trabalho meio período, generosidade que Augusto considerava prova de sua bondade cristã. Mas o verdadeiro horror da fazenda Santa Cruz não acontecia nos campos de café, nem nos currais.

    Acontecia dentro da Casa Grande, especificamente no segundo andar, onde viviam as três filhas do coronel. Benedita tinha 17 anos em 1865. Era mais velha. Nascida em 1848 do casamento de Augusto com dona Mariana, sua primeira esposa. Tinha cabelos negros longos que raramente penteava, olhos castanhos fundos que haviam perdido qualquer brilho de juventude e corpo magro demais, como se recusasse inconscientemente qualquer alimento que prolongasse sua existência.

    Usava sempre vestidos escuros, cinzas ou pretos, e falava pouco, com voz baixa que parecia ter esquecido como soar alta. Joaquina, de 15 anos, era diferente. Onde Benedita havia se curvado sobre o peso do horror, Joaquina havia endurecido. Seus olhos castanhos claros mantinham faíscas de raiva que ela escondia quando o pai estava presente, mas que queimavam intensas quando estava sozinha.

    Tinha cabelos castanhos que cortava curtos contra a vontade de Augusto. Ao pequeno de rebelião que lhe custava surras regulares, mas que insistia em repetir. Custódia, a mais jovem com 13 anos, ainda não havia sido completamente quebrada. Chorava frequentemente, o que irritava o pai a ponto de trancá-la dias inteiros no sótam sem comida.

    Era loira como a mãe morta havia sido, com olhos azuis que pareciam deslocados naquele ambiente de trevas. Era também a mais frágil fisicamente, tendo contraído tuberculose dois anos antes, doença que Augusto se recusava a tratar adequadamente por considerar desperdício de dinheiro. As três viviam em um estado que não era vida nem exatamente prisão, mas algo entre ambos.

    Podiam circular pela casa grande durante o dia, podiam ir à capela, podiam supervisionar o trabalho das escravas domésticas, mas não podiam sair da propriedade sem o pai. Não podiam receber visitas, não podiam escrever cartas e a cada noite, uma delas, ou às vezes duas, eram convocadas ao quarto principal do coronel.

    O horror havia começado com Benedita quando ela tinha apenas 12 anos, poucos meses após a morte misteriosa da segunda esposa de Augusto, dona Teresa. A menina não compreendeu inicialmente o que estava acontecendo, porque o pai a chamava à noite, porque a tocava de maneiras que faziam seu corpo inteiro gritar silenciosamente. Quando finalmente compreendeu já era tarde demais. estava presa em uma rotina de pesadelos que se repetia eternamente.

    Quando Joaquina completou 13 anos, o coronel a adicionou a rotina. Benedita tentou proteger a irmã, oferecendo-se para ir todas as noites no lugar dela, mas Augusto apenas riu e disse que tinha direito à variedade. Quando custódia atingiu a mesma idade, o ciclo se completou.

    Três filhas, três substitutas para esposas mortas, três vítimas aprisionadas em um inferno particular. Mas Augusto não limitava sua crueldade às filhas. Sua violência irradiava para todos ao redor como veneno penetrando o solo. Havia um escravo chamado Damião, ferreiro de 38 anos, que mantinha registro mental meticuloso de cada atrocidade que testemunhava.

    Damião tinha memória fotográfica, capacidade rara que lhe permitia lembrar datas exatas, nomes completos, circunstâncias detalhadas. Nos últimos 10 anos, ele havia contabilizado 15 assassinatos diretos cometidos pelo coronel. Não espancamentos que resultavam em morte, que eram dezenas, mas assassinatos premeditados executados friamente. Havia o caso de Manuel, escravo de 22 anos, que havia aprendido a ler com o padre abolicionista que passará pela região.

    Quando Augusto descobriu, ordenou que cortassem os polegares de Manuel com machado, dizendo que mãos que seguravam livros não serviam para trabalho honesto. Manuel morreu de gangrena duas semanas depois, delirando com febre. Havia o caso de Joana, escrava de 16 anos, que ficará grávida após violência do próprio coronel.

    Quando começou a mostrar barriga, Augusto ordenou que a jogassem no açude com pedras amarradas aos pés. Disseram que havia se suicidado por vergonha. Damião sabia a verdade. Havia o caso do pequeno Pedro, filho de 5 anos de uma das escravas de cozinha, que havia brincado com um dos cães de caça do coronel.

    O animal mordeu a criança no braço, ferimento superficial que curaria em dias. Mas Augusto, furioso porque o cão havia sido contaminado, mandou matar tanto o animal quanto a criança. Ambos foram enterrados juntos em cova rasa, atrás dos estábulos e havia dezenas de outros casos. Fazendeiros vizinhos que se recusaram a vender terras e sumiram misteriosamente.

    Comerciantes que cobraram preços que Augusto considerou abusivos e foram encontrados mortos em assaltos que nunca foram investigados. Mulheres livres pobres que rejeitaram avanços dele e tiveram suas casas queimadas à noite. O coronel mantinha seu poder através de uma rede cuidadosamente construída de suborno, intimidação e violência estratégica.

    Pagava o delegado de São João del Rei R$ 500.000 por ano para ignorar denúncias. Tinha dois juízes de paz na folha de pagamento. Mantinha capangas armados que eram ex-militares ou criminosos procurados em outras províncias. Homens sem moral que fariam qualquer coisa por dinheiro e proteção. Mas Damião, trabalhando silenciosamente em sua forja, martelando ferro e memorizando crimes, sabia algo que Augusto não sabia.

    Todo império tem rachaduras e às vezes basta encontrar a rachadura certa e aplicar pressão no ponto exato para desmoronar a estrutura inteira. O que Damião não sabia ainda era que a rachadura mais perigosa no império de Augusto não estava na cenzala. estava dentro da casa grande, no coração quebrado, mas não destruído, de uma menina de 17 anos, que havia decidido que preferia morrer lutando do que continuar vivendo de joelhos.

    Benedita acordava todas as manhãs com o mesmo ritual, abria os olhos, contava até 10 lentamente. Tentava lembrar um único momento de felicidade genuína em toda sua vida. falhava, levantava-se. Seu quarto no segundo andar da Casa Grande tinha uma janela que dava para os campos de café ao leste. Ela passava horas olhando pela grade de ferro, observando os escravos trabalharem sob o sol brutal.

    Alguns pensariam que estava exercitando crueldade, observando sofrimento alheio com indiferença de senhora. Mas Benedita não via apenas escravos, via aliados potenciais, via pessoas que também estavam presas, via, principalmente Damião. O ferreiro trabalhava em uma construção aberta perto dos estábulos e de sua janela benedita conseguia vê-lo martelar ferro incandescente na bigorna, criar ferraduras, consertar ferramentas quebradas, forjar correntes que aprisionavam gente. Ele trabalhava com precisão quase artística, movimentos

    econômicos e eficientes. Mas o que fascinava Benedita era como ele às vezes parava, olhava ao redor com atenção que parecia catalogar tudo e então retomava o trabalho como se nada tivesse acontecido. Ela havia notado esse comportamento há meses e compreendido seu significado.

    Damião estava observando, documentando mentalmente, esperando. As três irmãs raramente conseguiam ficar sozinhas sem vigilância. Augusto mantinha duas escravas domésticas mais velhas, Rufina e Maria das Dores, com instrução explícita de relatar cada conversa, cada movimento suspeito, cada lágrima derramada.

    Mas Rufina tinha perdido dois filhos para a crueldade do coronel, e Maria das Dores havia sido estuprada por ele incontáveis vezes. Nenhuma das duas sentia lealdade genuína, apenas fingiam, reportando conversas inventadas sobre bordado e orações enquanto omitiam as verdadeiras. Foi Rufina quem criou a primeira oportunidade real de conversa privada entre as irmãs.

    Era uma manhã de domingo quando Augusto havia ido até uma fazenda vizinha discutir compra de gado. As meninas estavam na capela particular da fazenda, espaço pequeno com seis bancos de madeira, altar simples e crucifixo que estava torto desde sempre. “Precisam rezar alto”, sussurrou Rufina do lado de fora da porta. “Muito alto, por pelo menos uma hora.

    Vou ficar de vigília”. Benedita compreendeu imediatamente, começou a cantar hinos em voz alta e suas irmãs a acompanharam. Sob a cobertura do canto, finalmente puderam falar: “Não aguento mais”, disse custódia, a mais jovem, com voz quebrada. “Quero morrer toda a noite rezo para não acordar de manhã.” Não diga isso”, respondeu Joaquina com firmeza que escondia sua própria dor.

    Ele quer que pensemos assim, quer que sintamos que a morte é a única saída. Mas é, explodiu custódia, que outra saída existe? Estamos presas. Ninguém sabe. Ninguém se importa. Somos apenas as pobres órfã de mãe, sendo criadas pelo pai dedicado. Benedita, que havia permanecido em silêncio, finalmente falou.

    Sua voz era baixa, mas carregava algo novo, algo que suas irmãs não haviam ouvido antes. Determinação. Existe outra saída. Vingança. As irmãs mais novas a olharam chocadas. Como? perguntou Joaquina, documentando tudo, cada crime, cada nome, cada data, criando evidências que nem subornos podem ignorar e então entregando essas evidências para pessoas certas, no momento certo, da maneira certa.

    Benedita puxou de dentro da saia algo embrulhado em pano. Era um caderno pequeno, páginas amareladas e manchadas, capa de couro que estava descascando. Há trs anos vem escrevendo tudo que ele faz. Tudo que vejo, tudo que ouço. Joaquina pegou o caderno com mãos trêmulas, abriu em página aleatória.

    A letra era miúda, apertada, aproveitando cada milímetro de papel. Leu em voz baixa. 13 de março de 1863. Pai mandou matar a escrava generosa porque ela recusou trabalhar doente. Ela tinha parto apenas quro dias. O bebê morreu de fome dois dias depois. Ambos enterrados sem cerimônia atrás da casa de defumação. Testemunhas, Damião, Rufina, Tomás, Sebastiana.

    Havia dezenas de entradas, centenas, tr anos de horror meticulosamente documentado com detalhes que qualquer tribunal teria que considerar. “Como conseguiu esconder isso?”, perguntou custódia maravilhada. No sótam, dentro do forro de um colchão velho que ninguém usa. “Subo lá quando ele sai ou quando está bêbado demais. para anotar.

    Benedita fez uma pausa, mas documentar não basta. Precisamos de aliados, gente que testemunhe, gente que tem acesso a autoridades. Os escravos? Perguntou Joaquina. Sim, e sei por onde começar. Damião. As semanas seguintes foram de aproximação calculada. Benedita começou a encontrar desculpas para descer até a forja.

    Precisava de um gancho consertado, de uma dobradiça ajustada, de uma faca amolada, desculpas frágeis, mas plausíveis. Damião a recebia sempre com respeito formal exagerado, que era ele próprio uma forma de resistência. Tratava a filha do coronel com mais cerimônia que o próprio coronel, expondo hipocrisia do sistema. Mas seus olhos diziam algo diferente.

    Diziam que entendia, que sabia, que estava esperando. O momento crítico aconteceu em uma tarde chuvosa de julho. Augusto tinha ido a São João de Rei comprar suprimentos e não retornaria até a noite. Benedita desceu a forja, carregando uma tesoura quebrada, pretexto transparente. “Precisa que eu conserte isso, sinzinha?”, perguntou Damião, sem levantar os olhos da ferradura que estava moldando.

    “Não”, respondeu Benedita baixinho. “Preciso que me ajude a destruir meu pai”. O martelo parou no ar, silêncio absoluto, exceto pela chuva tamburiilando no telhado de Zinco. Então, Damião lentamente colocou o martelo de lado, olhou ao redor, verificando que estavam sozinhos e finalmente encarou Benedita. Continue”, disse simplesmente, “E Benedita contou tudo.

    As violências noturnas, os anos de aprisionamento, o diário que mantinha, os crimes que testemunha. Quando terminou, lágrimas corriam por seu rosto, mas sua voz não havia quebrado uma única vez. Damião ficou em silêncio por longo tempo, então se levantou, caminhou até um canto da forja, moveu algumas ferramentas e retirou uma tábua solta do chão.

    Debaixo havia um espaço o onde guardava pequenos objetos, algumas moedas que conseguirá economizar pequenas quantias, uma faca riscada com marcas de dias contados e mais recentemente páginas dobradas contendo nomes escritos em letra cuidadosa que não era dele. Documentos de confissão de crime assinados por testemunhas.

    Há dois anos estou fazendo o que você faz”, disse Damião, guardando os pertences novamente no esconderijo, documentando. Pensei estar sozinho nisso. Não está mais, respondeu Benedita. E agora preciso da sua ajuda para espalhar essas evidências para quem possa usá-las. Para alguém fora dessa fazenda? Alguém com poder.

    Damião fechou a tábua do chão, respirou profundamente. Seu rosto era máscara de tranquilidade, mas seus olhos queimavam com emoção controlada. Se fazermos isso e falharmos, nos matará lentamente como exemplo para os outros. Se não fizermos, respondeu Benedita, continuaremos morrendo rapidinho.

    Só que aos poucos, dia após dia, até não restar nada de nós além de casca vazia. O silêncio que seguiu foi tão pesado que parecia ter peso físico. Damião a observou por longo tempo, estudando seu rosto, buscando sinais de fraqueza ou hesitação que pudessem indicar a armadilha. “Não encontrou nenhum. Preciso de três dias para pensar”, disse finalmente. “E para falar com alguém que precisa falar comigo?” “Com Tomás.

    ” O choque no rosto de Damião foi resposta suficiente. “Eu não sou cega”, disse Benedita. Vi você e Tomás se comunicando através de sinais durante meses. Ele é parte do seu plano, qualquer que seja. Menina, se denuncia. Não vou denunciar. Vou me juntar a vocês. Temos mesmo objetivo. Destruir um monstro. Damião estudou-a novamente, então lentamente assentiu.

    Volte aqui em três dias à noite sozinha e traga sua avó. Minha avó está morta há 5 anos. Exatamente. Ninguém espera que converse com uma morta. Deu uma desculpa sobre estar rezando no túmulo. Venha. Os três dias seguintes foram de ansiedade insuportável para Benedita. Ela dormia poucas horas. Seu estômago estava permanentemente contraído por tensão.

    Qualquer barulho a fazia pular de susto, mas mantinha a rotina. Atendia o pai quando chamava. Disfarçava dor com máscaras ensaiadas. perguntava sobre saúde dele com falsa preocupação que o mantinha satisfeito. Na noite combinada, esperou até que a casa adormecesse. Seu pai tinha bebido cachaça demais no jantar e roncava pesadamente no andar de baixo.

    Joaquina e custódia fingiam dormir em seus quartos. Benedita se moveu pela escuridão com expertais e ganha após anos de fugidas noturnas. Desceu pela escada que rangava em três degraus específicos que aprenderá a evitar. saiu pela porta de trás da cozinha que deixava trinco sutil quando empurrada com o ângulo exato.

    Cruzou o pátio mantendo-se nas sombras, evitando a luz da lua que iluminava forte. Dirigiu-se ao pequeno cemitério particular da fazenda, lugar esquecido atrás da capela, onde enterravam pessoas livres, não escravos. Damião a esperava entre os túmulos, junto com três outros escravos que ela nunca havia visto tão perto. Um era Tomás, homem de 50 anos com cabelos grisalhos, que havia sido sapateiro antes de ser escravizado 20 anos atrás.

    Os outros dois eram Sebastiana, a parteira que trabalhava nas cenzalas e um homem jovem de uns 25 anos chamado Benedito, carpinteiro. Seus nomes, disse Damião simplesmente, precisam conhecer nomes de quem confiam a vida. Benedita explicou o plano. Documentação, testemunhas, contato com autoridades em São João del Rei. Roubar documentos comprometedores do coronel para prova innegável.

    Entrega cuidadosa das evidências em momento calculado. Ele tem alguém dentro do delegado disse Tomás. Sobornos regulares. Denúncias nunca prosperam. Então, não denunciamos para o delegado, respondeu Benedita. Denunciamos para o juiz municipal, Dr. Francisco de Paula Santos.

    Ele tem reputação de justiceiro e a rumores de que ele está começando a questionar o sistema escravista. “Rumores não são confiáveis”, disse Sebastiana. “Correto. Por isso, precisamos de provas tão sólidas que nenhum juiz possa ignorar. Não apenas minhas observações. Precisamos de documentação médica de violências, de registros de transações ilegais. de testemunhas confiáveis.

    “Há uma coisa mais”, disse Benedita, “Minha irmã Joaquina, ela quer participar e custódia também, mas é frágil demais. Deixaremos custódia protegida”. Os conspiradores trocaram olhares apreensivos, mas a sentiram. A rede de resistência começava a se formar, tecida com fios tão finos quanto quase invisíveis, mas que em conjunto poderiam suportar o peso de destruir um império de horror.

    Quando Benedita retornou à casa grande uma hora depois, seu coração batia descontrolado, mas sua mente estava clara pela primeira vez em anos. havia escolhido um caminho, havia aliados, havia esperança. Não sabia ainda que esse caminho levaria direto ao coração do perigo e que em questão de meses, tudo explodiria de maneira que ninguém poderia prever. Nos meses seguintes a reunião no cemitério, a conspiração se organizou como máquina de engrenagem silenciosa.

    Cada pessoa tinha papel específico em operação que exigia precisão absoluta. Tomás, o sapateiro que havia sido comprado no Rio de Janeiro, tornou-se copista. Em noites de Lua Nova, quando a escuridão era completa, ele se acoccorava na forja de Damião com papel e tinta clandestina e recopiava o diário de Benedita com letra meticulosa, mas deliberadamente diferente da original. Criava múltiplas cópias, cada uma em local diverso.

    Uma enterrada sob raiz de árvore na mata distante, outra escondida dentro de um tronco occo que ficava atrás do engenho. Uma terceira guardada na cabana de Yemaiá, a curandeira que havia ensinado Benedita sobre plantas. Sebastiana, a parteira de 52 anos, começou a manter registro paralelo de seus partos e tratamentos.

    Mas dentro dessa documentação comum, ela adicionava detalhes perturbadores, cicatrizes de látigo inestantes antes do parto, fraturas mal curadas nunca tratadas, sinais de estupro repetido em meninas crescendo, lesões internas que sugeriam violência sexual extrema. Ela assinava com rubrica codificada que apenas Damião compreenderia, criando evidência médica que nenhum coronel conseguiria refutar.

    Maria Benedita, a lavadeira de 28 anos, tinha acesso à casa dos feitores onde documentos eram ocasionalmente deixados expostos. Com a habilidade de quem havia trabalhado em mansões desde criança, ela aprenderá a foliar papéis sem deixar marca alguma.

    Memorizava conteúdo, depois sussurrava as informações para Damião durante trabalho nos campos. encontrou correspondência entre Augusto e um traficante do Paraguai oferecendo 15 escravos por metade do preço de mercado, contrato que violava leis imperiais. Encontrou bilhetes do coronel ao delegado, agradecendo pelos serviços discretos contra uma soma anual de R$ 500.000.

    Encontrou notas de um deputado provincial confirmando propostas de suborno em troca de proteção legal. Mas o contato mais crucial foi Rita. Rita tinha 22 anos. Era alfabetizada porque havia trabalhado na casa de um comerciante letrado que ensinara secretamente e era inteligente de forma que intimidava alguns homens. Damião orquestrou sua colocação como copeira na residência do Dr.

    Francisco de Paula Santos, juiz municipal, através de contatos com outro fazendeiro que deveu favores ao coronel e podia manipular sistemas de trabalho escravo. Durante 3s meses, Rita trabalhou discretamente na casa do juiz. Servia café enquanto ele lia processos, limpava escritório enquanto ele preparava argumentos legais, ouvia conversas com promotores, advogados, outros juízes e absorvia especialmente suas frustrações. O Dr.

    Francisco de Paula Santos era homem de 45 anos, viúvo a uma década, pai de dois filhos criados por criada. tinha reputação de juiz justo, mas limitado pela corrupção ao seu redor. Sabia que coronéis cometiam crimes impunemente. Sabia que escravos eram torturados rotineiramente com impunidade. Sabia que o sistema era podre desde raiz, mas não conseguia provar nada. Denúncias de escravos eram inadmissíveis. Vizinhos, vizinhos tinham medo. Rita plantou sementes durante meses.

    Nunca foi direta, apenas deixava escapar comentários enquanto trabalhava. “Ouvi dizer que na fazenda Santa Cruz trabalham homens que somem sem aviso”, disse uma noite enquanto servia chá. “Que tipo de homens desaparecem?”, perguntou o juiz, levantando os olhos. Escravos que falam demais, dizem: “O coronel não gosta de insubordinação”.

    Outra noite deixou cair um prato que se quebrou. Desculpe, senhor. Fico nervosa quando penso no que minha avó sofreu naquela fazenda. Morreu com marcas de chicote tão profundas que os ossos ficavam visíveis. O juiz não respondeu, mas seus olhos mostraram algo. Comprometimento, curiosidade. Até que finalmente, em uma tarde de julho, Rita criou oportunidade para conversa real.

    Senhor, tenho medo de contar, mas sinto obrigação. Há atrocidades acontecendo na fazenda Santa Cruz que desafiam tudo que a lei deveria proteger. O juiz a observou por longo tempo. Que tipo de atrocidades? E Rita começou a contar, com voz cuidadosa, e detalhes específicos que Damião havia ensinado.

    Escravos desaparecidos, torturas documentadas, morte de crianças sob circunstâncias suspeitas. E finalmente, baixando ainda mais a voz, as filhas dele não saem de casa. Há boatos terríveis sobre porquê. O juiz ficou branco. Se alguém tivesse evidências, disse Rita cuidadosamente, não estaria em perigo absoluto se aquela evidência fosse trazida a alguém que pudesse agir.

    Sim, respondeu o juiz lentamente. Se evidência fosse incontestável, se fosse trazida com proteção cuidadosa, se houvesse coragem de agir, Rita plantou semente derradeira, a pessoas preparadas para coragem, senhor. Apenas esperando o momento certo. O mês de agosto chegou quente e tenso. Augusto começava a sentir que algo errava na atmosfera da fazenda. Havia mudanças sutis.

    Os escravos trabalhavam, mas sem aquela desesperação aberta usual. Havia olhares que trocavam mensagens quando pensavam que ninguém observava. Conversas que paravam quando ele se aproximava. E havia algo estranho em Benedita também.

    Ela parecia menos quebrada, mais atenta, como se estivesse observando algo ao invés de apenas existindo. No dia 10 de agosto, Augusto convocou Damião ao escritório. Sem preâmbulo, o ferreiro sabia que podia significar qualquer coisa. Morte, surra, interrogatório. O coronel estava sentado atrás de sua mesa de jacarandá quando Damião entrou. Seus olhos cinzentos pareciam aço gelado.

    Damião, você trabalha comigo há 22 anos. Sim, senhor. Nesse tempo você me conhece, sabe como funciono e sabe que tolero poucas coisas. O silêncio era pesado como chumbo. Estou vendo sinais, continuou Augusto, de que a conspiração entre meus escravos, conversas secretas, reuniões não autorizadas.

    Você sabe algo? Damião manteve rosto completamente impassível. Não, Senhor. Mentira, disse Augusto, levantando-se. Sei que você é líder deles, que eles o respeitam, que vos comunicam através de sinais que acham que sou cego demais para notar. O coronel caminhou até ficar frente à frente com Damião. Então, vou perguntar uma última vez.

    O que você e os outros estão conspirando? Nada, senhor. Trabalhamos, obedecemos, nada mais. Augusto ergueu o chicote e golpeou com força total. O fio de arame farpado cortou profundamente a bochecha de Damião, abrindo ferida que sangrou instantaneamente. Mas ele não gritou, sequer fez som.

    “Você é orgulhoso demais para seu próprio bem”, disse Augusto, respirando pesadamente. “Essa é a fraqueza que vou explorar”. levantou o chicote novamente para segundo golpe. A porta se abriu. Benedita entrou carregando bandeja com café da noite. Seus olhos se arregalaram vendo Damião com sangue escorrendo por fração de segundo. Emoção pura, preocupação, raiva, medo, passou por seu rosto. Então ela se controlou.

    Pai trouxe o café que pediu, está fumegando ainda. Augusto baixou o chicote, momentanearamente interrompido, bebeu café de um gole, então acenou para Damião. Saia, mas escute, estou de olho em você. Um passo errado e será seu último. Damião saiu mantendo postura absolutamente neutra, embora seu rosto estivesse queimando com dor e humilhação contida.

    Aquela noite, a conspiração se reuniu em local diferente do usual, a casa deá na mata, lugar que Augusto nunca procuraria porque tinha medo de curandeiras que conheciam plantas de magia negra. Damião relatou o interrogatório. Seu rosto ainda estava inclinado para um lado, a ferida começando a inchar. Ele sabe, disse Tomás com certeza. Não exatamente, mas sente que algo está sendo planejado.

    Então, precisamos acelerar, respondeu Damião. Não podemos esperar pelo plano original. Temos talvez uma ou duas semanas antes que ele comece matanças preventivas. Não estamos prontos, protestou Sebastiana. Ainda faltam cópias do diário. Ainda faltam documentos do escritório. Então faremos com o que temos, disse Damião. O diário é suficiente.

    Os registros médicos são suficientes. E Rita disse que o juiz está preparado psicologicamente. Ele só precisa de empurrão final. Benedita, que havia sido trazida furtivamente por Maria Benedita, concordou. Concordo. Se meu pai descobre a conspiração antes de agirmos, não teremos segunda chance. Ele nos matará a todos silenciosamente.

    A decisão foi tomada. Agiram no domingo, 13 de agosto, quando Augusto sairia para missa na cidade com as filhas, capangas e guardas. Domingo, 13 de agosto de 1865, sol escaldante. Ninguém esperava que aquele dia marcaria fim de um reino. Augusto saiu às 8 da manhã com comitiva.

    Duas filhas, Benedita havia fingido doença, seus capangas habituais e guardas da fazenda. O trajeto para São João de Rei levaria 2 horas. Tempo suficiente. Damião reuniu o grupo. Ele próprio, Tomás, Sebastiana, Benedito, Carpinteiro e dois homens de confiança chamados Lourenço e Matias. Benedito havia preparado chave falsificada para escritório, usando impressão em cera a que fizera meses antes. A porta abriu com facilidade quase anticlimática.

    Dentro o escritório exalava poder. Móveis de jacarandá, pinturas de ancestrais do coronel, livros de contabilidade encadernados em couro e na parede oposta o cofre de ferro embutido disfarçado por quadro de São Jorge. Damião se ajoelhou frente ao cofre.

    Suas mãos tremiam de adrenalina enquanto girava os números que havia memorizado ao longo de anos. 18 320 07. Clique! A porta cedeu. Dentro havia a verdadeira mina de ouro para conspiração. Maços de dinheiro em papel anotado com valores que seriam suficientes para sustentar pequena comunidade por anos. Joias roubadas, documentos que mudavam tudo.

    Tomás começou a revistar sistematicamente, fotografando mentalmente cada papel. Contratos com traficante do Paraguai. Vendeu 15 escravos ilegalmente em 1863. assinou como major ferreira, usando nome falso para ocultar identidade. Cartas para o delegado, oferecendo suborno de 500.000 anuais para ignorar denúncias de crimes. Correspondência com deputado provincial, propondo R.000 Ris em troca de proteção legal e influência política.

    E aqui disse Tomás com voz que tremeu ligeiramente, testamento original de dona Mariana, assinado e autenticado por tabelião da época. As meninas herdam tudo. O coronel herdou nada. Ele forjou todos os documentos posteriores. E isso? Perguntou Damião, apontando para outro documento. Tomás leu lentamente: “Procuração falsa”.

    Nomeando Augusto como tutor absoluto das filhas até que completassem 25 anos, dando-lhe direitos parentais e restritas sobre corpos e propriedades. A assinatura do juiz é claramente forjada. A tinta é diferente dos outros documentos da época. Bastava, mais do que bastava. Era arsenal que derrubaria qualquer homem, por mais poderoso que fosse.

    Tomás começou a copiar alguns documentos em papel que levará, enquanto Damião fotografava outros com impressão de ser a que Benedito havia preparado. Não tinha tempo para perfeição, apenas o suficiente para criar registro duplicado. Então ouvir Passos na casa. Ele voltou, sussurrou Lourenço. Pânico silencioso explodiu. Não havia tempo de restaurar tudo perfeitamente.

    Damião rápida, apanhou os documentos mais críticos, Testamento original, Contratos do Paraguai, correspondência de suborno e os enfiou debaixo de sua camisa. Tomás fez o mesmo com cópias. Benedito deu sinal, apontando para a porta de trás. Mas antes que pudessem sair, a porta do escritório se abriu. Benedita entrou, seus olhos imediatamente registrando tudo. Os homens dentro, a porta aberta do cofre, a desordem.

    Ele voltou buscando documentos para almoço com o delegado. Ela disse rapidamente, esqueceu os papéis. Está no corredor, 5 segundos. Sem perguntas, Benedita se posicionou na porta do escritório, bloqueando vista do corredor. Pai! gritou com urgência artificial. “Acho que vi escravos correndo nos fundos.

    Pareciam estar roubando. Funcionou.” Ou Augusto mudar de direção, seus passos apressados indo para o fundo da casa. Damião e Grupo explodiram em movimento pela porta de trás, descendo pela escada de serviço, cruzando o pátio lateral, entrando na mata que se iniciava a 100 m da casa grande. Pouco após ouvir gritos de Augusto descobrindo que cofre tinha sido violado.

    O ponto de não retorno havia sido cruzado. Aquela noite, Rita recebeu mensagem através do sistema clandestino que funcionava entre fazendas. Cifra simples. Frase disfarçada em canção que vendedores ambulantes cantavam, significava chegou a hora. Na terça-feira seguinte, Rita fingia estar doente.

    Pediu permissão para visitar sua mãe, que supostamente morava em cabana, nos arredores de São João del Rei. O juiz, simpatizando com escrava que havia perdido mãe, permitiu. Ela sabia onde Damião estaria, em casa de um comerciante negro livre chamado Gonçalves, que tinha negócio de carroças. Local que aparentava ser apenas ponto de comércio, perua, na verdade, ponto de contato para a rede abolicionista regional.

    Gonçalves entregou a Rita Sacola de couro, contendo tudo que Damião havia preparado, documentos que Tomás havia fotocopiado, diário original de Benedita, registros médicos de Sebastiana, correspondências roubadas, tudo isso vai mudar tudo disse Gonçalves. Ou nos mata todos ou nos liberta. respondeu Rita. Na quarta-feira ao meio-dia, Rita pediu ao juiz que falasse em particular sobre assunto grave. Dr. Francisco de Paula Santos a recebeu em seu escritório.

    Rita colocou a sacola sobre a mesa. “Tudo que a senhorita mencionou”, disse Rita, “stá aqui? Provas, testemunhas, documentação original, é suficiente.” O juiz abriu lentamente a sacola, começou a revistar. Primeiro diário. Leu páginas que descreviam, em detalhe cuidadoso, violência contra três meninas.

    Leu nomes de escravos que haviam desaparecido, leu datas de assassinatos, viu caligrafia da menina, letra que tremulava as vezes de emoção quando descrevia piores crimes. Quando terminou, o juiz tinha lágrimas correndo pela bochecha. “Meu Deus”, murmurou. “Meu Deus do céu.” Então, examinou documentos legais.

    O testamento original que provava a fraude, as procurações falsificadas, as assinaturas forjadas em comparação com documentos autênticos da época. Diferenças eram óbvias para olho treinado. Finalmente, leu correspondência sobre subornos. O juiz se levantou bruscamente, pálido. “Está tudo aqui?”, perguntou. “Mas existem testemunhas”, disse Rita. 50 escravos dispostos a testemunhar se receberem proteção, vizinhos brancos que confirmará crimes, médica que tratou vítimas e as filhas dele que estão dispostas a depor em tribunal sob juramento.

    Isso é suficiente para a prisão imediata, disse o juiz com voz que tremulava. Mais do que suficiente, isso é suficiente para condenação, morte. Seu rosto ficou duro, tomou decisão em segundos. Chamarei o delegado e o promotor. Hoje montamos operação. A operação foi montada com sigilo militar.

    20 guardas armados foram reunidos, homens sem ligações familiares com coronéis, soldados que respondiam para a autoridade legal genuína. Não capangas, não mercenários, verdadeiros agentes de lei. Na quarta-feira à tarde, a comitiva de juiz, delegado, promotor e guardas partiu para a fazenda Santa Cruz. Levaram também Damião, que seria importante testemunha prévia.

    Chegaram às 4:30, quando Augusto estava supervisionando colheita de café nos campos distantes da casa. Quando viu a comitiva aproximando, o coronel sorriu primeiro, pensando que era visita importante que lhe renderia influência, mas algo no tamanho do grupo e na expressão dos homens o fez hesitar.

    Coronel Augusto Ferreira Braga”, disse o juiz avançando a cavalo. “Está preso por ordem judicial sob múltiplas acusações. Traição ao Império brasileiro por tráfico ilegal de escravos com nação em guerra contra Brasil, assassinato de pelo menos 15 pessoas. Falsificação de documentos legais, roubo de herança de menores sob sua tutela, corrupção de funcionários públicos, crimes contra a natureza com menores de idade.

    Augusto começou a negar, sua mão indo para a pistola no cinto. Não recomendo resistência, disse o delegado calmamente. Mas Augusto resistiu, socou um guarda, tentou sacar a pistola, levou coronhada na cabeça que o derrubou e deixou tonto. foi acorrentado com brutalidade, que refletia quanto nojo até guardas profissionais sentiam por crimes documentados.

    Enquanto arrastavam para carreta de prisão, Augusto gritava: “Vocês não entendem. Tenho amigos em Ouro Preto. Tenho influência no Rio. Vou destruir todos vocês.” Seus amigos foram informados por telegrama esta manhã sobre seus crimes, respondeu o promotor com frieza. Nenhum respondeu oferecendo suporte. Ratos abandonam navios quando navio começa a afundar.

    Quando levaram Augusto, juiz ordenou busca completa da propriedade no porão. Câmara de tortura com correntes embutidas nas paredes, manchas de sangue que Eterno não conseguiria remover, instrumentos de tortura que faziam até soldados endurecidos virar o rosto em revulão. E debaixo do piso de terra batida, ossos, dezenas de ossos, restos de vítimas nunca reportadas, enterradas em fossa comum dentro da casa.

    Encontraram Benedita, Joaquina e Custódia trancadas em seus quartos. Quando os guardas abriram portas e explicaram que estavam salvas, Benedita desabou em choro que havia estado reprimido por anos. Joaquina apenas perguntou: “Ele vai pagar?” “Sim”, respondeu o juiz. “Ele vai pagar.” Custódia, a mais jovem e frágil, apenas pediu: “Posso deixar essa casa?” “Você pode deixar essa casa agora?”, disse o juiz gentilmente, e nunca precisa voltar.

    O julgamento começou três semanas depois, em setembro de 1865. Corte lutava todos os dias. Não era apenas caso legal, era evento político. A elite de Minas Gerais queria garantir que o juiz falharia ou que realmente ousaria condenar um coronel à morte. 53 testemunhas foram chamadas. Escravos descreveram em detalhe sereno e devastador anos de horror. Vizinhos brancos confirmaram desaparecimentos.

    Comerciantes confirmaram transações ilegais. Peritos analisaram documentos falsificados e identificaram inconsistências óbvias. Benedita testemunhou durante duas horas. descreveu sem dramatismo artificial, mas com profundidade, que deixou até observadores endurecidos estarrecidos, anos de abuso.

    Sua voz tremia em certos momentos, mas não quebrou. A defesa tentou argumentar que escravos não tinham capacidade de testemunho confiável, que documentos poderiam ser falsificados, que acusações contra homem de posição social estabelecida eram automaticamente suspeitas. Mas os sete jurados, todos proprietários de terra, que conheciam bem e privilegiava sistema, mas que também compreendiam que crimes documentados com tal clareza não podiam ser ignorados, deliberaram por apenas dois dias. Retornaram com veredicto único, culpado em todas as

    acusações. Sentença: Morte por enforcamento em praça pública no dia 15 de outubro de 1865. No dia 15, multidão enorme se congregou na Praça da Câmara de São João de Rei. Escravos, homens livres, pobres, comerciantes, até alguns fazendeiros que queriam testemunhar. Quando Augusto subiu ao cada falso, seu rosto ainda exibia raiva, não arrependimento. Recusou últimos ritos.

    Sua declaração final foi: “Que todos os escravos desta terra sejam amaldiçoados. Esta é minha última vontade. A trampilha se abriu, o corpo caiu, a corda se esticou e o coronel Augusto Ferreira Braga, aos 53 anos, terminou. Não havia comemoração ruidosa entre escravos. Era cedo demais, mas uma verdade havia sido estabelecida.

    Coronéis podiam cair, sistemas de terror podiam ser derrubados. Benedita, Joaquina e Custódia herdaram fazenda Santa Cruz conforme testamento original, mas nenhuma desejava permanecer ali. Venderam propriedade e mudarão-se para Rio de Janeiro, reconstruindo vidas longe do horror. Damião foi libertado por decisão judicial em reconhecimento ao papel essencial na operação.

    Trabalhou como ferreiro livre e respeitado em São João del Rei até sua morte em 1881. Em 1888, 23 anos após queda do coronel Augusto, Lei Áurea finalmente aboliu escravidão em Brasil. Rufina, Tomás, Sebastiana e todos os outros conspiradores finalmente viveram como pessoas livres. A história do coronel Augusto Ferreira Braga tornou-se lenda em círculos abolicionistas.

    Era citada como prova de que o sistema escravista corrompia não apenas escravizados, mas também senhores, transformando-os em monstros. era invocada em argumentos pela liberdade e pela justiça. A fazenda Santa Cruz nunca recuperou prosperidade anterior. Novo dono contratou trabalhadores livres, mas Terra parecia recusar crescimento após anos de sangue. Eventualmente tornou-se propriedade modesta que desapareceu da memória regional.

    Mas a memória de Carlota, de Damião, de Benedita e Tomás permanece em cada luta por justiça, em cada ato de resistência, em cada voz que se alça contra opressão. A verdade é que certos eventos mudam direção da história, não porque são maiores que outros horrores. Escravidão cometeu atrocidades tão terríveis quanto estas todos os dias, por três séculos, sem consequência.

    Mas porque em momento preciso pessoas corretas com coragem adequada e evidência incontestável conseguiram o impossível, fizeram o sistema responder por seus crimes e isso, por breve tempo, mudou tudo. Se esta história impactou você, compartilhe, porque histórias que esquecemos são histórias condenadas a se repetir. E está a história que Brasil precisa lembrar. M.

  • A Maldição de Sansão: O Escravo Gigante de 2,20m Que Quebrou a Coluna de 9 Feitores Antes dos 25

    A Maldição de Sansão: O Escravo Gigante de 2,20m Que Quebrou a Coluna de 9 Feitores Antes dos 25

    No coração do Brasil escravocrata de 1840, nas profundezas do recôncavo baiano, nasceu uma lenda que faria senhores de engenho tremerem e escravos sussurrarem esperança. Sansão não era apenas um homem, era uma força da natureza aprisionada em correntes de ferro.

    Com 2,20 m de altura e músculos capazes de quebrar madeira com as mãos nuas, ele se tornaria o pesadelo de nove feitores antes de completar 25 anos, nove colunas vertebrais partidas, nove homens aleijados ou mortos. Esta não é uma história de vingança, é um registro brutal da resistência humana levada ao limite absoluto. Esta é uma das histórias mais perturbadoras e reais da escravidão no Brasil.

    Se você quer conhecer a verdade que os livros escolares não contam, inscreva-se no canal agora e ative o sininho. Prepare-se, porque não há volta depois que você conhecer Sansão. Fazenda Santa Cruz, Recôncavo Baiano. Madrugada de 15 de março de 1840. O ar estava pesado com cheiro de cana queimada e suor humano na cenzala, aquele barracão de madeira podre, onde os escravos eram amontoados como gado, uma jovem de 17 anos chamada Benedita estava em trabalho de parto.

    Sozinha, sem parteira, sem ajuda médica, sem compaixão. O dono da fazenda, coronel Joaquim da Fonseca Machado, havia deixado claro: escravos nasciam e morriam sem custos adicionais. Era economia rural, planejamento de safra, gestão de propriedade. Benedita era filha de africanos trazidos à força nas últimas levas do tráfico atlântico. Ela nunca conheceu liberdade, nasceu escrava, viveu escrava e naquela noite, enquanto seu corpo se rasgava para trazer outra vida ao mundo, sabia que seu filho seria escravo também.

    O parto durou 8 horas. Ela mordeu um pedaço de madeira para não gritar. Gritos incomodavam os senhores, escravos que incomodavam apanhavam. Quando finalmente o bebê emergiu, caindo sobre a terra batida da cenzala, as mulheres mais velhas que assistiam em silêncio ficaram paralisadas. A criança era monstruosa, não no sentido de deformidade, mas de proporções.

    Pesava quase 5,5 kg, mídia 68 cm, tamanho de uma criança de 6 meses. Seus membros eram grossos, suas mãos já cobriam a palma de Benedita. Uma das velhas escravas, tia Joaquina, pegou o bebê nos braços e sussurrou em ourubá antigo. Este é marcado pelos deuses. Outra cuspiu no chão e fez sinal da cruz. Este é amaldiçoado.

    Benedita apenas chorou, segurando o filho contra o peito nu, sentindo peso impossível daquela criança que parecia carregar o destino nas costas. Vicente Cardoso era o feitor mor da fazenda Santa Cruz havia 23 anos. Português de Lisboa, tinha 52 anos, rosto marcado pela varíula, três dedos a menos na mão esquerda, perdidos em uma briga de taverna e uma reputação construída sobre sangue e terror.

    Ele não era apenas cruel, era metodicamente brutal. Conhecia exatamente quantas chibatadas um homem suportava antes de desmaiar, quantos dias um escravo podia trabalhar sem água antes de colapsar, qual ângulo do chicote abria a carne mais profundamente. Quando soube do nascimento do bebê gigante, Vicente desceu até a Cenzala.

    Não por curiosidade, mas por avaliação comercial. Ele examinou a criança como um fazendeiro examina um bezerro. Abriu sua boca para ver os dentes inexistentes, apalpou seus membros, pesou no braço, virou-se para Benedita e disse com frieza calculada: “Este vai valer ouro, mas se você deixá-lo morrer, eu tiro o prejuízo da sua pele”.

    Benedita abaixou a cabeça. Não havia resposta possível. Vicente cuspiu no chão e saiu, já calculando quantos anos levaria para aquela criança estar apta ao trabalho pesado. A ordem foi clara. Benedita tinha 10 dias para se recuperar. Era generosidade rara. Normalmente, escravas voltavam ao Eito três dias após o parto, mas Vicente não era tolo. Um investimento daquele tamanho precisava sobreviver.

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    No sétimo dia, porém, a ordem mudou. A safra estava atrasada. Todos os braços eram necessários. Benedita foi arrastada de volta ao canavial com bebê amarrado às costas com panos velhos. Ela cortava a cana sob sol de 40 graus enquanto Sansão, nome que as escravas já haviam dado ao menino, em referência ao gigante bíblico, mamava sangue misturado ao leite, porque as costas de sua mãe sangravam dos golpes de chicote que Vicente distribuía para estimular produtividade.

    Os primeiros anos de sanção foram uma anomalia médica que desafiava qualquer conhecimento da época. Aos 2 anos, ele tinha o tamanho de uma criança de cinco. Aos quatro, era maior que meninos de 10. Aos 6 anos, media 1,40 m e pesava 50 kg de pura musculatura infantil. Seu crescimento não era apenas vertical, era uma explosão de massa corporal que consumia tudo que ele comia e ainda deixava seu corpo gritando por mais. A alimentação na cenzala era pensada para manter escravos vivos, não saudáveis.

    Farinha de mandioca, feijão com bichos, sobras de carne estragada, água suja. Para uma criança normal era subnutrição crônica. Para Sansão era tortura diária. Ele tinha fome constante, devastadora, incontrolável. Comia cascas de árvores, mastigava raízes arrancadas do chão, caçava insetos, ratos, qualquer coisa com proteína. As outras crianças escravas tinham medo dele.

    Viam aquele menino gigante devorando coisas que nem cachorros comiam e pensavam que ele era possuído. As dores do crescimento eram insuportáveis. Seus ossos se expandiam tão rapidamente que rasgavam músculos. Suas articulações inchavam todas as noites. Ele acordava gritando, suando, mordendo panos para não despertar a ira dos feitores.

    Benedita tentava consolá-lo, mas o que uma mãe escrava podia fazer? Não havia remédios, não havia médicos, apenas dor e a certeza de que aquilo nunca terminaria. Tia Joaquina preparava chás de ervas que mal aliviavam o sofrimento. Ela dizia, Sansão que sua dor tinha propósito, que os orixás o estavam preparando para algo maior. Sansão, com 6 anos de idade, olhava para ela com olhos vazios e perguntava: “Para quê? Para morrer no eiito como todo mundo.

    Sansão tinha 7 anos quando foi colocado para trabalhar oficialmente. Era lei não escrita nas fazendas. Criança que conseguia segurar ferramenta trabalhava. Ele foi levado ao curral para começar com tarefas leves, limpar estrumi, alimentar animais, carregar água. Mas Vicente Cardoso viu nele algo mais. Viu força, viu potencial, viu lucro.

    No terceiro dia, Vicente ordenou que Sansão carregasse um saco de 50 kg de milho até o armazém. Eram 200 m de distância. Para um adulto era trabalho pesado. Para uma criança de 7 anos, mesmo uma criança do tamanho de Sansão era impossível. Sansão tentou, colocou o saco nos ombros, deu três passos e caiu. Vicente não disse nada, apenas esperou.

    Sansão se levantou, carregou novamente, caminhou mais cinco passos, caiu. Vicente começou a contar em voz alta. Quando Sansão caiu pela quinta vez, o chicote veio, três golpes nas costas nuas. Sansão não chorou, levantou, carregou o saco e cambaleando, sangrando, terminou o trajeto. Vicente sorriu.

    Ele havia quebrado homens adultos com menos. Aquele menino era diferente. Nos dias seguintes, os sacos ficaram mais pesados. 60 kg, 70, 80. Sansão caía menos a cada dia. Seu corpo se adaptava com velocidade assustadora. Aos 9 anos, ele carregava 100 kg sem cambalear. Aos 10, carregava mais peso que homens de 30. Vicente exibia-o para outros fazendeiros, como quem exibe cavalo de raça.

    “Olhem só o que tenho”, ele dizia com orgulho proprietário. “Um negro que vale 10”. E Sansão em silêncio acumulava ódio. Tudo tem limite. Até a obediência de uma criança escravizada tem ponto de ruptura. Para Sansão, esse momento chegou aos 11 anos, em uma tarde de novembro de 1851, quando o sol parecia derreter a terra e o ar era tão quente que queimava os pulmões. Sansão estava no canavial cortando cana junto com os adultos.

    Ele já media 1,60 m. tinha músculos definidos como os de um homem feito e trabalhava em ritmo que envergonhava escravos experientes. Mas naquele dia algo quebrou. Não foi o corpo, foi a mente. Ele simplesmente parou, largou o facão, ficou imóvel, olhando para o horizonte, como se pudesse ver além das plantações, além da fazenda, além daquela vida.

    Vicente Cardoso estava a 20 m, viu a parada, sentiu a afronta, aproximou-se com o chicote já desenrolado. Volta ao trabalho, moleque. Sansão não se moveu, não respondeu, apenas continuou olhando para o nada. Vicente golpeou suas costas uma vez, duas, três, cinco, 10 vezes. A pele abriu, o sangue escorreu, mas Sansão não gritou.

    Não correu, não obedeceu, apenas virou a cabeça lentamente e encarou Vicente com olhos que pareciam arder em chamas invisíveis. Vicente Cardoso, homem que havia chicoteado centenas de escravos, que havia visto homens morrerem sob seu chicote sem sentir remorço, recuou. Havia algo naquele olhar que não era humano. Era fúria concentrada de um animal selvagem prestes a atacar.

    Era aviso de que a próxima chibatada seria a última. Vicente cuspiu no chão, xingou. Mas não golpeou novamente. Naquela noite, Sansão foi acorrentado pela primeira vez. Grilhões de ferro nos tornozelos, correntes tão pesadas que um homem adulto mal conseguia andar. Sansão as arrastou como se fossem feitas de palha. A cenzala inteira testemunhou.

    Algo havia despertado naquele menino. Entre os 11 e os 17 anos, Sansão passou por uma transformação que médicos da época chamariam de impossível. Ele crescia 5 cm por ano, velocidade três vezes superior ao normal. Mas não era apenas altura, era massa muscular, densidade óssea, força bruta que parecia desafiar as leis da biologia humana.

    Aos 13 anos, Sansão media 1,75 m. Aos 15, ultrapassou 1,95 m. Aos 17, atingiu 2,10 m. E aos 19 anos, sua altura final se estabeleceu 2,20 m de pura potência física. Seus ombros mediam 95 cm de largura. Seus braços eram mais grossos que as pernas de homens adultos. Suas mãos cobriam completamente um rosto humano.

    Seu pescoço era uma coluna de músculo capaz de suportar peso que quebraria outros homens. Cada passo que dava fazia o chão tremer. Quando ele respirava fundo, seu peito se expandia como fleiro. As pessoas que o viam pela primeira vez ficavam paralisadas. Não era apenas o tamanho, era a proporção.

    Sansão não tinha aparência deformada de quem sofria de gigantismo patológico. Seu rosto era normal, humano, bonito, até. Tinha os traços de sua mãe Benedita, olhos fundos e expressivos, nariz largo, lábios cheios. Mas quando se levantava completamente, quando ficava ereto e mostrava sua estatura completa, as pessoas sentiam medo primitivo.

    Era a mesma sensação de estar diante de um leão, consciência instintiva de estar na presença de um predador superior. A força de sanção não era apenas impressionante, era aterrorizante. Existem registros documentados, anotações de fazendeiros e relatos de escravos que sobreviveram àquela época, descrevendo feitos que parecem exagerados, mas foram testemunhados por dezenas de pessoas.

    Aos 15 anos, Sansão quebrou correntes que eram usadas para prender bois de mais de 500 kg. Simplesmente puxou até o metal ceder. Aos 16, levantou uma bigorna de ferreiro, objeto de 150 kg, com uma mão como se fosse saco de farinha. Aos 18, carregou sozinho um tronco de madeira que normalmente exigia seis homens.

    Testemunhas relatam que ele partiu uma tábua de madeira maciça de 5 cm de espessura ao meio, usando apenas as mãos, como se estivesse rasgando papel. Mas a demonstração mais perturbadora de sua força aconteceu quando ele tinha 19 anos. Um boi de trabalho, animal de mais de 700 kg, ficou preso em uma vala durante uma tempestade. Oito homens tentaram tirá-lo usando cordas e alavancas. Falharam. Vicente ordenou que Sansão tentasse. Ele desceu até a vala.

    Posicionou-se atrás do animal, colocou as mãos sob sua barriga e simplesmente levantou. O boi foi erguido da vala com as quatro patas fora do chão. Homens que viram aquilo ficaram em silêncio absoluto. Não era força humana, era outra coisa. Mas todo poder tem custo.

    O corpo de Sansão, apesar de sua força monstruosa, estava sendo destruído por dentro. Aos 20 anos, ele já acumulava lesões que a lei ariam homens normais. Seus joelhos inchavam todas as noites. O peso de seu próprio corpo era castigo constante. Suas costas, cobertas de cicatrizes de chicote sobre chicote, formavam um mapa grotesco de dor acumulada. Seus pés sangravam dentro das botas que o coronel era obrigado a mandar fazer sob medida, porque nenhum calçado comum servia.

    A dor era companheira constante. Dor nos ossos que cresceram rápido demais, dor nas articulações que sustentavam peso sobre humano, dor nas costas flageladas por anos de chicote, dor na alma de uma vida inteira de humilhação. Sansão nunca reclamava, não pedia remédios, não pedia descanso, apenas trabalhava, comia, dormia e trabalhava novamente.

    máquina de carne e osso, tratado como equipamento agrícola que precisava funcionar até quebrar. Tia Joaquina, agora com mais de 60 anos, era a única que tentava cuidar dele. Ela preparava um guuentos de ervas para suas feridas, fazia chás para aliviar a dor. Rezava em Orubá, pedindo aos orixás que protegessem aquele menino que havia se tornado gigante. Sansão aceitava os cuidados em silêncio. Uma vez, tia Joaquina perguntou se a dor era muito forte.

    Ele respondeu: “A dor do corpo eu aguento. É a dor de existir que me mata.” Sansão tinha 13 anos quando sua mãe morreu. Benedita, que nunca teve saúde forte, que trabalhou até três dias antes de Sansão nascer e voltou ao trabalho sete dias depois, que viveu toda sua vida carregando peso maior que seu corpo suportava, finalmente sucumbiu. Tuberculose.

    A doença que matava escravos aos montes porque viviamados em censala sem ventilação. Comiam mal. trabalhavam até a exaustão. Ela morreu na cenzala à noite, torcindo sangue. Sansão estava ao lado dela, segurando sua mão, que parecia de criança perto da dele. Benedita tentou falar, mas só saía sangue de sua boca. Ela olhou para o filho, aquele gigante de 13 anos que ela havia parido sozinha na terra batida e tentou sorrir.

    Sansão não chorou, não gritou, apenas segurou a mão dela até sentir o último aperto, até sentir o corpo ficar frio e rígido. No dia seguinte, Benedita foi enterrada em uma cova rasa nos fundos da fazenda, onde todos os escravos eram jogados, sem caixão, sem padre, sem lápide, apenas corpo enrolado em pano velho e coberto de terra. Sansão não foi autorizado a ir ao enterro, tinha trabalho a fazer.

    Vicente Cardoso foi claro: “Negra morta não traz lucro. Você continua vivo e vai trabalhar. Naquela noite, Sansão quebrou três ferramentas com as mãos nuas. Vicente viu, mas não disse nada. Havia limites até para sua crueldade. Ou talvez fosse medo do que aquele menino gigante poderia fazer se fosse pressionado além da conta.

    O coronel Joaquim da Fonseca Machado era homem de negócios. Antes de tudo, ele via Sansão não como ser humano, mas como ativo financeiro de valor extraordinário. Em 1857, quando Sansão tinha 17 anos, comerciantes de escravos vindos de Salvador ofereceram 15 contos de réis por ele, valor equivalente a 15 escravos adultos em condições normais de trabalho. O coronel recusou. Senhores de engenho vizinhos ofereceram mais.

    Recusado. Até representantes de circos europeus que viajavam pelo Brasil buscando curiosidades humanas para exibir na Europa, ofereceram fortunas, todos recusados. Sansão valia mais trabalhando. Ele fazia em horas o que uma equipe de 10 homens levava dias para completar. Construção de açudes, derrubada de mata fechada, remoção de pedras gigantescas, transporte de carga impossível. Era força de trabalho multiplicada, investimento que se pagava todos os meses.

    O coronel calculava em 5 anos, sanção já havia gerado lucro equivalente a 30 escravos. Em 10 anos seria 50. Por que vender? Mas havia outro motivo para não vender. Controle. Sansão era perigoso. O coronel sabia disso. Vicente sabia disso. Qualquer um com olhos via. Um escravo com aquela força, aquele tamanho, aquele olhar de ódio contido, era ameaça existencial ao sistema. Vendê-lo seria passar o problema para outro.

    Mantê-lo era controlar a ameaça. E controlar sanção exigia vigilância constante, grilhões permanentes, isolamento social. Ele comia sozinho, dormia afastado dos outros escravos, trabalhava sem companhia, era prisioneiro dentro da prisão, escravo vigiado entre escravos. Vicente Cardoso odiava Sansão.

    Não era apenas antipatia profissional de feitor por escravo rebelde. Era ódio visceral, primitivo, existencial. Vicente via em sanção tudo que temia. Um negro que não se curvava, que não implorava, que olhava brancos nos olhos sem baixar a cabeça. Era afronta a ordem natural das coisas, pelo menos a ordem que Vicente acreditava ser natural. Desde o incidente quando Sansão tinha 11 anos, aquela recusa silenciosa que fez Vicente recuar pela primeira vez na vida, o feitor havia transformado a existência do menino em experimento de crueldade. Não era apenas trabalho pesado, era

    tortura planejada, metódica, científica. Vicente estudava sanção como entomologista estuda inseto, identificando vulnerabilidades, testando limites, procurando ponto de quebra. Ele começou com privação. Impedia que Sansão bebesse água durante horas, mesmo sob sol escaldante. Quando Sansão finalmente recebia permissão para beber, Vicente cronometrava 10 segundos.

    Sansão bebia desesperadamente e Vicente puxava o balde antes que pudesse saciar a sede. Depois vinham as refeições. Vicente colocava comida na frente de Sansão e ordenava que esperasse uma hora, duas horas. Quando finalmente permitia que comece, Sansão devorava com mãos trêmulas e Vicente chutava o prato, espalhando comida na terra. Conduão, cachorro. Sansão comia.

    A tortura física era constante, chicotearmento em feridas abertas, sal esfregado nas costas sangrando, trabalho sobido disposição ao sol até desmaiar. Vicente testava quantas horas Sansão aguentava sem dormir, quantos quilos podia carregar antes de colapsar, quantas chibatadas precisavam antes que gritasse? Sansão nunca gritou.

    Aguentava tudo em silêncio, com aqueles olhos vazios que pareciam estar olhando para outro mundo. E isso enlouquecia Vicente mais ainda. Era tarde de novembro de 1858. Sansão tinha 18 anos e media 2,15 m. estava carregando vigas de madeira para a construção de um novo barracão.

    Trabalho que exigia três homens, mas que Vicente ordenava que ele fizesse sozinho. Sansão obedecia mecanicamente, carregando troncos de 100 kg nos ombros, caminhando 200 m, depositando, voltando para pegar outro. Vicente estava bêbado. Era sexta-feira e ele havia começado a beber cachaça desde o meio-dia. Alcoolismo era epidemia entre feitores.

    Profissão que exigia brutalidade constante cobrava preço psicológico. Vicente bebia para dormir, para esquecer os gritos que ouvia mesmo quando estava sozinho, para silenciar algo dentro dele que talvez fosse consciência. Quando bêbado, ficava mais cruel ainda. Ele começou a insultar sanção. Primeiro foram xingamentos comuns, preguiçoso, animal, coisa. Depois ficou pessoal.

    Vicente começou a falar de Benedita. Disse que ela era que abriu as pernas para qualquer um, que Sansão provavelmente era filho de estupro. Nenhum negro normal faz um monstro desses. Que Benedita havia morrido feliz porque finalmente se livrou da vergonha de ter parido uma aberração.

    Sansão continuou trabalhando, continuou carregando vigas. Sua expressão não mudou. Vicente se aproximou, cuspiu no rosto de Sansão. A saliva escorreu pela bochecha do gigante, que apenas piscou e continuou andando. Vicente ficou furioso com a falta de reação, pegou o chicote e golpeou as costas nuas de Sansão, costas cobertas de cicatrizes antigas e feridas abertas recentes.

    O couro do chicote rasgou pele, expondo o músculo. Sangue escorreu quente pelas costas de Sansão. Ele parou, largou a viga que carregava. virou-se lentamente para Vicente e Vicente soube naquele momento, vendo aqueles olhos que finalmente mostravam emoção, ódio puro, concentrado, assassino, Vicente Cardoso soube que ia morrer.

    Sansão não correu, não gritou, apenas caminhou até Vicente com passos medidos, deliberados. Vicente tentou recuar, tentou erguer o chicote, tentou gritar por ajuda. Não houve tempo. Mãos gigantescas agarraram os ombros do feitor e Sansão ergueu do chão como se fosse criança. Vicente chutou o ar, tentou se soltar, mas era como tentar escapar de armadilha de ferro. Sansão olhou nos olhos de Vicente.

    Pela primeira vez em 18 anos de vida, Sansão falou com o branco sem ser perguntado. Agora você vai sentir sua voz era grave. Rouca de anos falando apenas o necessário. Vicente tentou gritar, mas Sansão apertou. Apertou os ombros com força que fez ossos começarem a ceder. Vicente sentiu as clavículas se partirem primeiro.

    Dor lancinante que fez sua visão escurecer. Depois vieram as costelas. Sansão aumentou a pressão, abraçando Vicente como se fosse dar um abraço, mas era braço que matava. O som foi nauseiante. Craque, craque, craque. Osso se partindo um após o outro. Então veio pior, a coluna vertebral. Sansão mudou a pegada, segurou Vicente pela nuca e pela cintura e torceu.

    O som foi como galho seco quebrando, mas amplificado, visceral. Vicente soltou o grito que não parecia humano. Era uivo de animal sendo destroçado. E então silêncio. Suas pernas pararam de se mexer. Seus braços ficaram moles. Ele não morreu, mas algo pior aconteceu. Ficou consciente, respirando, mas completamente paralisado do peito para baixo.

    Sansão largou Vicente no chão como se fosse lixo. O feitor caiu de bruços na terra, gemendo, babando, tentando mover pernas que não respondiam mais. Urina escorreu entre suas pernas. Bexiga havia se soltado com trauma. Sansão olhou para ele sem expressão, limpou as mãos na calça e voltou para pegar outra viga. Continuou trabalhando como se nada tivesse acontecido.

    Ao redor, escravos que testemunharam ficaram paralisados. Ninguém gritou, ninguém correu buscar ajuda, apenas assistiram em silêncio, enquanto Vicente Cardoso, o homem mais temido da fazenda, se contorcia no chão como verme esmagado. Vicente Cardoso sobreviveu, mas jamais andou novamente. Ficou paralisado da cintura para baixo, incontinente, dependente de cuidados constantes.

    O coronel mandou-o para um Casebre nos fundos da fazenda, onde ele viveu mais de 17 anos, deitado em uma cama imunda, sendo cuidado por uma escrava velha que ele havia torturado durante anos. Alguns dizem que ela cuspia na comida dele, outros dizem que ela o deixava sujo na própria urina durante dias. Vicente morreu em 1875. Descaras infectadas que apodreceram sua carne até expor os ossos. Ninguém foi ao seu enterro.

    Para sanção, a punição foi brutal, mas não fatal. O coronel enfrentava dilema impossível. A lei exigia execução pública de escravo que agredisse branco, mas sanção valia fortuna. Matar investimento daquele tamanho seria desperdício inaceitável. A solução foi castigo exemplar sem morte. Sansão foi amarrado ao tronco na praça central da fazenda.

    200 chibatadas foram ordenadas, número suficiente para matar maioria dos homens. Antônio Gomes, novo feitor contratado às pressas, aplicou pessoalmente cada golpe. Ele era mulato livre, homem de 30 anos, conhecido por sua frieza e eficiência. Começou às 6 da manhã. O couro do chicote rasgava a pele de sanção, expondo músculos, atingindo ossos.

    Sangue escorria formando poças no chão. Às 9 da manhã, 50 chibatadas. Sansão não havia gritado uma vez. Ao meio-dia, sem chibatadas, Sansão estava consciente, olhos abertos, fixos no horizonte. Às 3 da tarde, 150 chiatadas. As costas de Sansão eram massa de carne viva, onde não se via mais pele intacta. Às 6 da noite, 200 chibatadas completas.

    Sansão ainda estava consciente. Antônio Gomes, suando com braço doendo, olhou para aquilo e sussurrou: “Isso não é humano.” Após sobreviver as 200 chibatadas, Sansão foi isolado completamente. Construíram para ele um calaboço de pedra no fundo da propriedade, celas sem janelas, onde era acorrentado pelos tornozelos, pulsos e pescoço.

    Recebia uma refeição por dia jogada no chão. Não via sol, não ouvia vozes, apenas escuridão e correntes, mas mesmo assim era forçado a trabalhar. Todas as manhãs, um feitoro libertava temporariamente para tarefas impossíveis: derrubar árvores sozinho, carregar rochas de centenas de quilos, abrir valas profundas. Eram trabalhos projetados para matá-lo de exaustão.

    Sansão não morria, apenas ficava mais forte. Antônio Gomes era diferente de Vicente. Não era cruel por prazer, era metódico. Durante meses, aplicou tortura psicológica sistemática. Acordava sanção em horários aleatórios, impedindo sono regular. oferecia comida e tirava antes que terminasse. Ameaçava a tia Joaquina constantemente.

    Sansão não reagia, trabalhava mecanicamente, existia em estado quase catatônico. Antônio acreditava que havia vencido. Aconteceu em manhã de março de 1859, após chuva pesada. O chão estava lamacento. Antônio fiscalizava sanção carregando pedras quando seu pé escorregou. Caiu de costas vulnerável. Seus olhos encontraram os de Sansão a 3 m de distância. Terror puro o atravessou.

    Tentou gritar, mas não houve tempo. Sansão cruzou a distância em dois passos, agarrou pelos ombros, ergueu do chão e torceu. O som da coluna quebrando euou pela fazenda. Antônio caiu paralisado da cintura para baixo. Sansão voltou ao trabalho como se nada tivesse acontecido. Entre 1860 e 1862, três feitores tentaram quebrar sanção. Todos falharam brutalmente.

    Manuel Ribeiro, ex-militar veterano, tratou Sansão como inimigo de guerra com privação extrema. Durou 4 meses até virar as costas. Sansão pegou pela nuca e cintura, dobrou seu corpo até a coluna se partir. Manuel nunca mais andou. Sebastião Costa, conhecido como sete dedos, tentou veneno, doses pequenas de arsênico na comida esperando enfraquecê-lo gradualmente.

    O corpo de Sansão parecia imune. Quando Sebastião percebeu o fracasso, tentou fugir. Sansão o perseguiu pelos canaviais, o encontrou escondido e quebrou sua coluna com golpe de joelho nas costas. Sebastião agonizou três dias antes de morrer. Damião Pereira, o mais jovem com 25 anos, tentou ganhar confiança de Sansão.

    Oferecia favores, falava como iguais. Sansão nunca respondeu. Um dia, Damião tocou seu ombro para chamar atenção. Foi o último movimento voluntário de sua vida. Sansão girou, segurou pelas têmporas e torceu a cabeça enquanto segurava o corpo. O som foi nauseiante. Damião sobreviveu tetraplégico, incapaz de falar, alimentado por tubo durante 10 anos.

    Por trás da força monstruosa havia homem que nunca conheceu paz. Sansão tinha 22 anos e ainda não sabia o que era dormir sem correntes, comer até saciar ou sentir toque que não fosse golpe. Sua vida era ciclo mecânico, acordar no calaboço escuro, trabalhar 16 horas, ser acorrentado novamente, receber comida no chão, dormir, repetir, sem conversas, sem amigos, sem nada que tornasse existência suportável. Os outros escravos o temiam, viam-no como monstro, como amaldiçoado. Ninguém se aproximava.

    Tia Joaquina era a única exceção. Conseguia visitá-lo ocasionalmente, levando pequenos pedaços de comida ou panos limpos. Nessas visitas, Sansão falava pouco, sempre baixo, mas falava. Perguntava sobre Benedita. Queria saber se ela havia sido feliz, se o amou, se se arrependeu de tê-lo parido. Tia Joaquina mentia. Dizia que Benedita era forte, morreu em paz, estava orgulhosa.

    Sansão nunca acreditou, mas fingia que sim. Todas as noites, Sansão acordava gritando. Sonhava com Benedita sendo chicoteada enquanto ele assistia sem poder fazer nada. Sonhava com crianças morrendo de fome nas cenzalas. Sonhava com campos infinitos de cana onde corria, mas nunca escapava. E sonhava com liberdade, conceito que não conseguia visualizar.

    Como seria não ter correntes? Como seria escolher quando comer, dormir, falar? Liberdade era tão irreal quanto voar. Uma vez tia Joaquina perguntou se ele desejava fugir. Sansão riu. Sou um rouco que ela nunca tinha ouvido. Fugir para onde? Sou negro, gigante marcado. Onde eu for, alguém vai me reconhecer. Vão me caçar com cães e me matar. Pelo menos aqui eu sei o que esperar.

    Dor eu conheço, liberdade, eu nem sei o que é. Tia Joaquina chorou porque sabia que ele estava certo. Em 1863, o coronel contratou Francisco Dias, o feitor mais cruel da Bahia. Ele estudou sanção por semanas, identificou que dor física não afetava mais, mas memória sim. Francisco descobriu onde Benedita estava enterrada. Desenterrou o corpo e profanou os ossos na frente de Sansão. Cuspiu neles, pisoteou-os, quebrou-os.

    Sansão não reagiu. Francisco queimou as roupas que Benedita deixou. Sansão continuou trabalhando. Francisco percebeu que precisava atacar algo vivo. Ordenou que tia Joaquina fosse amarrada ao tronco e começou a chicoteá-la. A velha de 65 anos gritava enquanto sangue escorria. Sansão ficou paralisado. Francisco apontou pistola para tia Joaquina. Mais um passo e atiro nela.

    Após 30 golpes, Francisco se aproximou confiante de Sansão. Agora você me obedece ou ela apanha toda semana. Sansão simplesmente puxou as correntes até quebrarem. O metal se partiu como gravetos. Francisco atirou. Bala no ombro. atirou novamente, bala no peito. Sansão não parou, agarrou Francisco pelas costelas e apertou. As 12 costelas quebraram perfurando pulmões.

    Francisco morreu afogado no próprio sangue, consciente até o fim. Foi a primeira vez que Sansão o matou imediatamente. Não foi acidente, foi execução. Com Francisco morto e Sansão livre das correntes, a fazenda entrou em pânico. Capatazes armados cercaram-no, mantendo distância. rifos apontados, mas ninguém atirava. Ele já tinha duas balas no corpo e continuava de pé. Sansão não atacou mais ninguém.

    Caminhou até tia Joaquina, cortou as cordas com as mãos e a carregou para cenzá-la. Depois sentou-se em frente e esperou sangrando. Os capatazes enviaram mensageiro urgente para buscar o coronel. O coronel chegou ao entardecer com seis homens armados e um médico. Olhou para Francisco, destroçado no pátio e sentiu medo.

    Depois olhou para Sansão sangrando e viu indiferença. Ele não parecia se importar se viveria ou morreria. “Você matou o meu feitor”, o coronel disse. Sansão respondeu baixo. Eu não tenho futuro. Nunca tive. O médico examinou os ferimentos. Ambas balas haviam atravessado uma perfurando o pulmão. Limpou com água ardente, calutterizou com ferro quente, enfaixou. Sansão não reagiu à dor.

    Durante três dias, Sansão ficou sentado. Não comeu, não bebeu, apenas sentou sangrando enquanto seu corpo curava ferimentos que deveriam tê-lo matado. Tia Joaquina sobreviveu. As escravas cuidaram dela. No sexto dia, ela foi até Sansão. Você precisa comer. Morrer de fome não é vingança, é apenas morte lenta. Sansão virou para ela. Eu só quero que acabe. Ela segurou sua mão.

    Ainda não acabou. Cada dia que você vive é derrota deles. No sétimo dia, Sansão comeu. Em setembro de 1864, o coronel foi sozinho ao calabouso, onde Sansão estava novamente acorrentado. Preciso conversar homem para homem. Minha fazenda está morrendo sem feitor, sem controle. Em um ano estarei falido.

    Sansão perguntou: “E por que eu me importaria?” O coronel respondeu: “Porque se eu falir, todos serão vendidos separadamente. Tia Joaquina será vendida e morrerá no transporte. Você será vendido para alguém pior.” O coronel então ofereceu: “Eu quero que você seja meu feitor.” Sansão ficou em silêncio.

    Finalmente disse: “Não, eu não vou me tornar o que eu odeio. Não vou chicotear meus irmãos por migalhas. Prefiro apodrecer aqui.” Virou as costas. A conversa terminou. João Batista era mulato livre de 38 anos, ex-escravo, tinha família ainda escrava e precisava de dinheiro para comprá-los. Quando o coronel ofereceu pagamento suficiente, não pôde recusar. João pensou que poderia se conectar com Sansão, falar de igual para igual. Foi até o calaboço.

    Meu nome é João Batista. Eu já fui escravo como você. Sansão o ignorou. João tentou por quatro meses com abordagem gentil. Sansão nunca respondeu. Para ele, João era traidor, negro livre, vendendo outros negros. João ficou frustrado, começou a falar mais alto, dar ordens duras, ameaçar.

    Finalmente, em julho de 1864, pegou o chicote. Você vai me respeitar. Tentei ser gentil, mas você é animal. chicoteou Sansão com raiva. Sansão não reagiu. Exausto, João sentou sob a árvore e cochilou apenas 15 minutos. Quando acordou, Sansão estava ao lado dele. João tentou pegar a pistola. Não houve tempo.

    Sansão agarrou sua cabeça e torceu. João caiu tetraplégico e mudo. Viveu mais 10 anos completamente paralisado, incapaz de fazer qualquer coisa além de piscar. Nove feitores, oito aleijados, um morto. A fazenda Santa Cruz tornou-se conhecida em todo o Brasil como fazenda do gigante assassino. Jornais abolicionistas usavam Sansão como exemplo da brutalidade escravocrata. Conservadores usavam-no como prova de que negros eram selvagens.

    Ambos estavam errados. Sansão não era símbolo. Era apenas homem quebrado que reagia da única forma que conhecia. O coronel não conseguia mais contratar feitores. Ofereceu fortunas, terras, participação nos lucros. Ninguém aceitava. A fazenda entrou em declínio. Sem feitor. A disciplina frouxava, produtividade caía.

    O coronel, agora com 63 anos, via seu império ruir por causa de um único homem. Pensava em soluções desesperadas, vender a fazenda, matar sanção e assumir prejuízo, libertá-lo secretamente. Nenhuma opção era boa. Era 1864 e o Brasil estava na guerra do Paraguai.

    O império precisava de soldados e recrutava escravos com promessa de liberdade após o conflito. O coronel ouviu que o exército pagava bem por escravos fortes. Pensou em sanção. Um gigante de 2,20 m seria soldado valioso ou morreria rapidamente em combate. Era solução perfeita, lucro imediato e fim do pesadelo. Enviou carta para oficiais descrevendo sanção sem mencionar seu histórico violento. Mas antes da visita dos oficiais, algo aconteceu.

    Tia Joaquina morreu, simplesmente dormiu e não acordou. Tinha 67 anos, corpo esgotado. Quando contaram a sanção, ele pediu para ver o corpo. Levarão-no até a cenzala acorrentado com seis guardas. Tia Joaquina estava deitada limpa, expressão serena. Sansão ajoelhou ao lado dela e ficou horas em silêncio. Finalmente tocou seu rosto, mão gigantesca cobrindo face pequena e então quebrou. Pela primeira vez desde criança, chorou, soluços profundos que sacudiram seu corpo inteiro.

    Chorou pela mãe que morreu jovem, pelo pai que nunca conheceu, por tia Joaquina, por si mesmo. As escravas velhas começaram canto funeral em Yorubá. Sansão se juntou, voz grave misturando-se as delas. Quando se levantou, sussurrou: “Agora eu não tenho mais nada”. E homem sem nada perder é o mais perigoso de todos.

    Os oficiais do exército imperial chegaram em outubro de 1864. Dois capitães e um tenente vieram avaliar Sansão. O coronel os levou até o pátio, onde Sansão trabalhava carregando pedras de 200 kg. Quando viram, ficaram paralisados. Por Deus, isso é um homem, o tenente murmurou. Aproximaram-se cautelosos.

    Você, negro, qual o seu nome? Sansão os ignorou. Quando oficial fala, responde. O capitão gritou. Sansão largou a pedra, virou e olhou com olhar vazio. O capitão recuou involuntariamente. O coronel ordenou demonstração de força. Sansão ergueu carroça carregada, quase meia tonelada acima da cabeça e caminhou 10 passos. Os oficiais ficaram boqueabertos.

    Com 10 homens assim, poderíamos virar canhões paraguaios”, o capitão disse calculando. Pediram mais demonstrações. Sansão quebrou tábua grossa com mãos, levantou bigorna com uma mão, arrancou o poste fincado no chão. A cada demonstração, os militares ficavam mais entusiasmados. “Quanto você quer por ele?” O coronel deu preço absurdo. Os militares concordaram imediatamente.

    Documentos foram preparados. Dinheiro mudou de mãos. Sansão foi oficialmente vendido ao exército imperial. Ele assistiu em silêncio, sem expressão. Para ele não fazia diferença. Escravo do coronel ou do imperador, ainda era escravo. Naquela última noite, Sansão não dormiu. Ficou pensando 24 anos de vida, todos naquele lugar.

    Cada pedra, cada árvore era memória de dor, mas era o único lar que conhecia. Partir. Parecia libertação, mas ele sabia que apenas mudaria local do cativeiro. Pensou em fugir, poderia quebrar correntes, correr para mata. Mas para onde? Era gigante negro em país escravocrata. Seria caçado, encontrado, morto. Não havia fuga, nunca houve. De manhã vieram buscá-lo.

    Trouxeram correntes novas, mais pesadas. algemaram pulsos, tornozelos, colocaram coleira de ferro no pescoço conectada à corda longa segurada por soldado a cavalo. Era equipamento para animal perigoso. Antes de partir, Sansão pediu visitar túmulo de tia Joaquina. Os oficiais riram: “Escravo não faz pedidos”. Mas o coronel permitiu.

    Sansão ajoelhou na cova fresca. Eu vou embora. Não sei se volto, não sei se quero. Os oficiais puxaram a corda, forçando a levantar. Ele passou pela censala onde nasceu, pelo tronco onde foi chicoteado, pelo pátio onde quebrou nove colunas e atravessou o portão. A viagem até Salvador levou cinco dias. Sansão caminhava acorrentado, puxado por cavalo.

    Pessoas paravam para olhar, apontavam, sussurravam. A noite era trancado em celeiros. No quinto dia, chegaram a Salvador. Sansão viu o mar pela primeira vez, extensão infinita de água azul encontrando céu no horizonte. Era beleza que nunca imaginou existir. Por momento, esqueceu as correntes e apenas olhou.

    Anda, gigante, oficial, gritou. Sansão se virou do mar e seguiu, mas aquela imagem ficou gravada. Lembrete-te de que mundo era maior que sua jaula. O navio militar estava ancorado no porto. Embarcação velha com cheiro de mofo e desespero. Centenas de homens, maioria escravos, sendo embarcados.

    Muitos choravam, outros rezavam, alguns tentavam fugir e eram capturados. Sansão foi colocado no porão com outros 50 homens. Espaço apertado, ar sufocante, escuridão quase completa. Foi acorrentado à viga de ferro. Sua altura fazia com que precisasse ficar agachado. Teto era baixo demais. Por três dias, ficou naquela posição enquanto o navio era carregado. No terceiro dia, antes do navio partir, um padre subiu ao porão para dar bênção.

    Homem velho de cabelos brancos caminhou entre os acorrentados aspergindo água benta. Quando chegou a sanção, parou, olhou para o gigante agachado e perguntou suavemente: “Qual seu nome, filho?” Sansão, ele respondeu: O padre assentiu como juiz de Israel, o homem de força divina. Sansão riu sem humor.

    Não há nada de divino em mim, padre, apenas força inútil. O padre colocou mão em seu ombro. Toda força tem propósito, filho. Mesmo que você ainda não veja. E o abençoou. Foi o último ato de gentileza que Sansão receberia. O navio partiu ao amanhecer. No quinto dia de viagem, tempestade monstruosa atingiu a embarcação. No porão, acorrentados e presos, os homens entraram em pânico.

    A água entrava por rachaduras. O navio balançava violentamente. Gritos de terror enchiam o ar. Alguns rezavam, outros vomitavam, outros choravam, sabendo que morreriam afogados como ratos. Sansão permanecia calmo. Observou água entrando. Calculou o tempo até afundarem, talvez 30 minutos. Pensou que era forma apropriada de morrer.

    Afogado em escuridão, acorrentado, sem dignidade. Fechou os olhos e esperou, mas morte não veio. Contra todas as probabilidades, o navio sobreviveu. Dos 50 homens no porão, 12 morreram afogados ou esmagados. Sansão estava vivo novamente. Sempre sobrevivia quando morte parecia certa. O navio ficou a deriva três dias antes que embarcação portuguesa o rebocasse até Vitória. Ali descobriram que os danos eram extensos.

    Reparos levariam meses. Os recrutas seriam mantidos em prisão militar temporária. Sansão foi transferido para prisão. Edifício de pedra no centro da cidade. Cela pequena, mas tinha janela. Pela primeira vez em anos, podia haver céu durante dia, lua e estrelas à noite. Essa pequena liberdade era luxo que nunca imaginou apreciar.

    Um dos guardas, homem negro livre chamado Tobias, às vezes conversava com ele. Contava sobre movimento abolicionista crescendo, sobre escravos fugindo protegidos por redes, sobre mudanças lentas, mas inexoráveis. “Vai chegar o dia em que não haverá mais escravos no Brasil”, Tobias dizia. Sansão não acreditava.

    Talvez não amanhã, mas vai acontecer”, Tobias insistia. Em janeiro de 1865, Sansão simplesmente desapareceu. A versão oficial dizia que morreu de febre e foi enterrado em vala comum, mas rumores contraditórios corriam. Abolicionistas o libertaram e enviaram para Quilombo. Ele enlouqueceu, quebrou correntes e matou guardas antes de ser abatido. Comerciantes ilegais o roubaram.

    Padre falsificou documentos declarando morto e o escondeu em mosteiro. A verdade se perdeu no tempo. Registros dizem morte, lendas dizem libertação. Sansão tornou-se fantasma. O que sabemos é que Sansão deixou marca. Na fazenda Santa Cruz, que faliu em 1872, sua história continuou sendo contada. Diziam que em noites escuras, quando o vento soprava forte, podiam ouvir som de correntes sendo quebradas.

    Era sanção, ainda lutando, ainda resistindo. Nos registros históricos da Bahia existem menções a escravo gigante de força extraordinária, que aleijou múltiplos feitores. Abolicionistas usavam sua história como exemplo de resistência. Conservadores usavam como propaganda contra abolição.

    Quando a abolição chegou em 1888, 23 anos após desaparecimento de Sansão, escravos mais velhos disseram que ele tinha razão. Morrer livre era melhor que viver escravizado. Se realmente morreu naquela prisão em 1865, pelo menos morreu sabendo que havia resistido, que nunca se curvou completamente, que quebrou nove colunas de homens que tentaram quebrá-lo primeiro.

    A história de Sansão não é fábula, é pedaço doloroso da história brasileira. Milhões foram escravizados por quase quatro séculos. Cada um tinha história, nome, resistência. Alguns fugiam, outros preservavam cultura em segredo. Outros, como Sansão, resistiam com violência, porque era a única linguagem que opressores entendiam. Não podemos julgar homem que viveu em inferno inimaginável.

    Podemos apenas testemunhar sua dor e garantir que histórias como a dele não sejam esquecidas. Sansão passou 24 anos vivo, embora chamar aquilo de vida seja generosidade. Sua força não foi bênção, foi maldição. No final, desapareceu em mistério, que talvez seja misericórdia. Esta foi a história de Sansão, o gigante acorrentado.

  • A Sinhá Viúva Que Dividiu 8 Escravos Com Suas 3 Filhas: O Pacto Proibido de Minas, 1864

    A Sinhá Viúva Que Dividiu 8 Escravos Com Suas 3 Filhas: O Pacto Proibido de Minas, 1864

    A poeira vermelha das estradas de Minas Gerais subia em nuvens espessas sob o sol em Clemente de março de 1864 na fazenda Santo Antônio, localizada entre morros cobertos de Mata Atlântica três léguas de Ouro Preto, o sino da capela tocou três vezes, anunciando que o coronel Antônio Rodrigues da Silva havia partido deste mundo.

    Tinha 62 anos quando a febre amarela consumiu seu corpo em apenas cinco dias, deixando viúva dona Mariana Beatriz da Silva, de 43 anos, e três filhas solteiras. A casa grande, com suas paredes caiadas e janelas de madeira entalhada, ficava no topo de uma colina de onde se avistava toda a propriedade

    Eram 200 alqueires de terra cultivados com café, milho e feijão. No terreiro frontal, as pedras portuguesas formavam desenhos que refletiam o status da família. Aos fundos, a cenzala abrigava oito pessoas escravizadas que mantinham toda aquela estrutura funcionando. Dona Mariana estava na sala principal, vestida de preto rigoroso, sentada numa cadeira austríaca de jacarandá.

    Seus olhos claros, normalmente firmes, agora vagavam pelo ambiente, como se procurassem respostas nas paredes. Ao seu redor, as três filhas guardavam silêncio pesado. Joaquina, a mais velha de 24 anos, tinha o rosto anguloso da mãe e a postura rígida de quem aprendeu desde cedo a não demonstrar fraqueza. Helena, de 21 era mais delicada, com cachos castanhos que insistiam em escapar do penteado.

    A caçula Cecília, de 18, tinha os olhos inquietos de quem ainda não havia desistido de sonhar. O tabelião Joaquim Ferreira ajustou os óculos de armação dourada e abriu o testamento com gestos cerimoniosos. Sua voz eou pelo cômodo com aquela entonação formal dos documentos oficiais. O coronel deixará a fazenda, as terras e todos os bens para a esposa, com uma cláusula específica que fez dona Mariana cerrar os punhos sobre o vestido negro.

    E quanto aos cativos, o tabelião fez uma pausa dramática. Determino que os oito sejam divididos em partes iguais entre minha esposa e minhas três filhas, cabendo dois a cada uma, para que tenham meios próprios de sustento e independência. O silêncio que se seguiu era do tipo que pesa no peito.

    Dona Mariana levantou-se lentamente, caminhando até a janela que dava para o terreiro. Lá embaixo podia ver as pessoas que agora precisaria dividir como se fossem sacas de café ou cabeças de gado. João, o mais velho, de 46 anos, consertava uma cerca com aquelas mãos calejadas que conheciam cada palmo daquela terra. Benedita, sua companheira, lavava roupas no tanque enquanto cantarolava baixinho.

    Os filhos do casal, Miguel de 16 anos e Rosa de 14 carregavam água do poço. Havia ainda Tomás, o ferreiro de 32 anos, cuja habilidade em trabalhar o metal era conhecida em toda a região. Joana, de 28, cozinheira de mão cheia que transformava os ingredientes mais simples em refeições memoráveis. Ana, jovem de 19 anos que cuidava da horta com dedicação quase maternal.

    E por fim, o pequeno José, de apenas 9 anos, filho de Ana, que ainda não entendia completamente o mundo cruel em que havia nascido. Mãe, a voz de Joaquina quebrou o silêncio. O Senhor sempre dizia que separar famílias era pecado mortal. Dona Mariana não se virou, continuou olhando pela janela, observando aquelas vidas que seu falecido marido havia decidido fragmentar como herança.

    O coronel sempre fora homem de negócios, mas ela conhecera nele momentos de uma humanidade que poucos viam. Será que no delírio da febre ele esquecer os próprios princípios? Seu pai acreditava que cada uma de vocês precisaria de meios próprios”, respondeu finalmente, a voz controlada, mas tensa. Ele não confiava que encontrariam maridos que a sustentassem adequadamente.

    Helena levantou-se, aproximando-se da mãe. Mas dividir João e Benedita, separar Ana de José, isso não é dar meios de sustento, mãe, isso é crueldade. O tabelião pigarreou, desconfortável com a conversa. Senhoras, perdoem-me, mas a lei é clara. O testamento deve ser cumprido conforme registrado.

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    Tenho outros compromissos e preciso de suas assinaturas, confirmando o recebimento da herança. Cecília, que até então permanecerá calada, falou pela primeira vez. E se não assinarmos, a propriedade ficará em inventar indefinido, explicou o Tabelião com paciência forçada. Nenhuma das senhoras poderá tomar decisões sobre a fazenda ou seus recursos. Eventualmente o estado pode intervir.

    Dona Mariana finalmente se voltou para as filhas. Naquele momento, sob a luz da tarde que entrava pelas janelas, ela pareceu ter envelhecido 10 anos. Assinaremos, disse com firmeza que não sentia. Mas antes de qualquer divisão, precisamos conversar sozinhas. O tabelião concordou, aliviado por sair daquela situação desconfortável, guardou os documentos e prometeu retornar em três dias para as assinaturas finais.

    Quando seus passos finalmente silenciaram no corredor, as quatro mulheres se entreolharam. Existe uma forma, dona Mariana, disse baixinho, como se as paredes pudessem ouvi-la, de cumprirmos a letra do testamento sem destruir essas famílias. Mas exigirá algo que vai contra tudo que esta sociedade espera de nós.

    Joaquina franziu o senho. O que quer dizer? Um pacto respondeu a viúva. Um acordo entre nós quatro que nunca poderá ser revelado. Porque se alguém descobrir, seremos condenadas não só pela lei, mas por toda esta província. Lá fora, o sol começava a se pôr sobre os morros de Minas Gerais.

    Na cenzala, João abraçava Benedita, incerto sobre o que o futuro lhes reservava. Ana embalava José, cantando baixinho a mesma canção que sua mãe, vendida quando ela tinha a idade do filho, cantava. O vento da noite trazia o cheiro de terra úmida e o presságio de mudanças inevitáveis. Se você está acompanhando esta história e quer saber que decisão impossível dona Mariana está prestes a propor, deixe seu like agora e inscreva-se no canal. Esta é uma jornada baseada em registros reais do Brasil imperial.

    E cada capítulo revela camadas mais profundas de um dos períodos mais sombrios e complexos da nossa história. Ative o sininho para não perder nenhum momento desta narrativa que desafia tudo que achamos saber sobre aquela época. A noite caiu pesada sobre a fazenda Santo Antônio. Na Casagrande, apenas velas iluminavam a sala onde as quatro mulheres permaneciam reunidas.

    Dona Mariana havia mandado as criadas dormirem cedo, alegando que precisava de privacidade para o luto. A verdade era que o que estava prestes a propor não podia ter testemunhas. Vocês sabem como funciona a partilha de bens neste país? Começou dona Mariana, as mãos cruzadas sobre o colo.

    O testamento estabelece que cada uma de nós deve receber dois cativos. Se seguirmos o protocolo tradicional, um juiz fará a distribuição baseada em valor de mercado. João, por ser o mais experiente, seria considerado o mais valioso. Tomás, pela especialização como ferreiro, também as mulheres e crianças teriam valor menor. Joaquina completou o raciocínio. Então separariam João de Benedita para equilibrar os valores.

    Miguel ficaria com quem levasse o pai, Rosa com quem ficasse com a mãe e Ana seria separada de José. Exatamente, confirmou a viúva. É o procedimento padrão. Já vi isso acontecer dezenas de vezes em outras propriedades. Helena levantou-se inquieta. Então o que a senhora propõe? Dona Mariana respirou fundo antes de continuar. Proponho que façamos a divisão apenas no papel.

    Oficialmente, cada uma de nós será proprietária de dois cativos específicos, mas na prática todos continuarão vivendo e trabalhando aqui juntos, como sempre fizeram. As famílias permanecerão intactas. O silêncio que se seguiu era carregado de implicações. Cecília foi a primeira a entender completamente. Isso é ilegal. Se alguém descobrir que não exercemos controle real sobre nossa propriedade, pode nos acusar de fraude, de violação das leis que regem a escravidão.

    Pior que isso, acrescentou Joaquina, podem dizer que estamos sendo coniventes com fugas, que não mantemos disciplina adequada, poderiam confiscar todos os cativos e nos multar pesadamente. Dona Mariana assentiu gravemente. Por isso, chamo de pacto proibido. Teria que ser um segredo absoluto entre nós quatro. Para o resto do mundo, cada uma teria seus dois cativos designados. Apenas nós saberíamos que essa divisão é fictícia.

    Helena voltou a se sentar, processando as informações. Mas mãe, como isso funcionaria? Os documentos, as transações, se alguma nós precisar vender ou emprestar. Jamais venderíamos ou empresaríamos, cortou dona Mariana com firmeza. Essa seria a primeira regra do pacto. Enquanto vivermos, os oito permanecem aqui.

    A segunda regra, todas as decisões sobre eles seriam tomadas em conjunto por nós quatro. Nenhuma poderia agir sozinha. Joaquina cruzou os braços. Pensativa: “E a divisão no papel? Como faremos para que pareça legítima?” Eu fiquei com João e Tomás, considerados os mais valiosos.

    Você, Joaquina, ficaria com Benedita e Miguel, Helena com Ana e Rosa, Cecília com Joana e José. A viúva tinha claramente pensado em cada detalhe. Cada família ficaria oficialmente dividida entre duas de nós, mas morando e trabalhando no mesmo espaço. Cecília levantou uma questão crucial. E se uma de nós se casar, o marido teria direito sobre os dois que constam em meu nome? Por isso, a terceira regra, disse dona Mariana, se alguma se casar antes do casamento, transferiria legalmente seus cativos para as outras, ficaria sem propriedade formal sobre eles. Seria a garantia de que o pacto não seria quebrado por um genro. O peso daquela proposta era

    imenso. Não se tratava apenas de contornar a lei, mas de criar uma estrutura secreta que exigiria confiança absoluta entre elas. Uma palavra fora do lugar, um comentário descuidado e tudo ruiria. Existe outra questão”, ponderou Helena, a voz baixa. Eles próprios, João, Benedita, os outros. Não deveríamos consultá-los.

    Dona Mariana fechou os olhos brevemente. Se os consultarmos, eles se tornam cúmplices. Se algo der errado, também serão punidos, provavelmente com muito mais severidade que nós. É melhor que acreditem que a divisão é real, pelo menos inicialmente. Isso é desonesto, protestou Cecília. Estamos decidindo o destino deles sem sequer ouvi-los.

    E não é exatamente o que a escravidão toda é, retrucou Joaquina, amarga. Decidir destino sem consulta. Pelo menos assim, as famílias ficam juntas. A discussão se estendeu pela noite. Cada uma das mulheres trouxe objeções, questionamentos, receios. Dona Mariana permaneceu firme, argumentando que não havia alternativa melhor. O testamento era irrevogável.

    A divisão aconteceria de qualquer forma. A única escolha real era entre fragmentar aquelas famílias segundo os caprichos do mercado ou preservá-las através de um arranjo secreto. Por volta da meia-noite, Joaquina finalmente falou: “Existe ainda a questão prática. Como manteremos a ilusão? Vizinhos visitam, negócios são conduzidos. As pessoas precisam ver que cada uma de nós exerce controle sobre sua propriedade.

    Faremos pequenos teatros”, sugeriu Helena, entrando no espírito da coisa. Quando houver visitas, cada uma dará ordens específicas aos que constam em seu nome. Manteremos registros separados de roupas, rações. Superficialmente, tudo parecerá dividido. Cecília tinha lágrimas nos olhos. Isto é loucura.

    Estamos planejando enganar toda a sociedade, mentir para autoridades, violar tradições. Tudo por quê? Para manter juntas pessoas que nem mesmo são livres de verdade. Exatamente por isso, respondeu dona Mariana, com voz suave, mas determinada. Por que não posso devolver a eles a liberdade que nunca deveriam ter perdido? Porque a lei me impede de libertá-los sem complicações imensas que provavelmente resultariam em reescravização.

    Mas posso, ao menos dar-lhes isto, a dignidade de permanecerem com seus entes queridos. A madrugada encontrou as quatro mulheres ainda acordadas, refinando os detalhes do pacto. Cada uma assumiria responsabilidade pública por seus dois cativos designados, mas todas as decisões importantes continuariam sendo coletivas.

    Criariam documentos falsos de empréstimos de mão de obra entre si para justificar, porque todos trabalhavam em toda a propriedade. Inventariam desculpas para visitas de família entre as cenzalas. “Precisamos fazer um juramento”, disse finalmente Joaquina. “Algo que nos una a este pacto de forma solene.

    ” Dona Mariana buscou a Bíblia da família, aquela que pertencera a sua avó. As quatro colocaram as mãos sobre o livro de capa de couro gasto. No silêncio daquela madrugada, longe dos ouvidos do mundo, fizeram um voto que desafiava as leis dos homens, mesmo que não pudesse desafiar completamente as correntes da escravidão.

    Lá fora, na cenzala, João acordou subitamente, sem saber porquê. Ao lado dele, Benedita dormia inquieta. Ele saiu silenciosamente, olhando para a casa grande iluminada pelas velas. Algo estava acontecendo ali, algo que mudaria todos eles. Podia sentir no ar pesado da noite mineira.

    Três dias depois, o tabelião Joaquim Ferreira retornou à fazenda Santo Antônio, trazendo os documentos finais. A manhã estava clara, com aquele céu azul profundo, típico de Minas Gerais após as chuvas. No escritório do falecido coronel, agora território de dona Mariana, as quatro mulheres assinaram a partilha conforme haviam planejado. O tabelião revisou cada assinatura com cuidado meticuloso.

    Dona Mariana fica com João e Tomás, dona Joaquina com Benedita e Miguel, dona Helena com Ana e Rosa e dona Cecília com Joana e José. Ele ajustou os óculos satisfeito. Tudo conforme determina a lei. Precisarei apenas que as senhoras façam uma declaração de reconhecimento de cada cativo. Declaração? Joaquina manteve a voz neutra, mas seu coração acelerou.

    Simples formalidade, garantiu o tabelião. Cada uma deve declarar publicamente diante dos cativos designados, que os reconhece como sua propriedade legal. Evita confusões futuras. Dona Mariana forçou um sorriso cort. Certamente faremos isso no terreiro para que todos ouçam claramente. O sino foi tocado, convocando todos da cenzala para o terreiro frontal.

    João foi o primeiro a chegar, seguido por Benedita, que secava as mãos no avental. Miguel e Rosa vieram juntos, confuso sobre a convocação inesperada. Tomás largou o martelo na forja e caminhou lentamente, o rosto fechado. Joana trouxe Ana pela mão, enquanto pequeno José se agarrava à saias da mãe. Formaram uma linha irregular diante da Casa Grande. O sol da manhã lançava sombras longas sobre as pedras portuguesas.

    Podiam ouvir os pássaros nos cafezais ao longe, alheios ao drama humano que se desenrolava ali. O tabelião desceu os degraus com seus papéis. Dona Mariana e as filhas o seguiram, cada uma usando suas melhores roupas de luto. O contraste era gritante. De um lado, mulheres em sedas negras e rendas importadas. Do outro, pessoas em roupas de algodão rústico, pés descalços na terra vermelha.

    João chamou o tabelião, consultando seus documentos. Você é declarado propriedade de dona Mariana Beatriz da Silva. João manteve o olhar fixo em algum ponto distante. Aos 46 anos, tinha visto tantas partilhas que sabia exatamente o que estava acontecendo. Sua mandíbula se contraiu, mas nenhuma palavra saiu de seus lábios.

    Tomás continuou a voz burocrática, também propriedade de dona Mariana. O ferreiro fechou os punhos, fazendo os músculos dos braços saltarem. Olhou brevemente para João, buscando algum sinal, alguma indicação do que pensar. Benedita, você é declarada propriedade de dona Joaquina da Silva. Foi nesse momento que o impacto real atingiu.

    Benedita, que estava ao lado do marido, sentiu as pernas fraquearem, propriedade de pessoas diferentes. Na linguagem da escravidão, isso significava separação iminente. Ela buscou a mão de João, que a apertou com força desesperada. Miguel, o tabelião, não parecia notar ou se importar com o drama que provocava. propriedade de dona Joaquina. O jovem de 16 anos olhou para o pai e depois para a mãe.

    Pelo menos estava com ela. Mas e o pai? E Rosa, Rosa, propriedade de dona Helena da Silva. A menina de 14 anos soltou um gemido baixo. Joaquina teve que morder o lábio para não intervir. Era parte do teatro. Lembrou a si mesma. Necessário e cruel. Ana, você também é propriedade de dona Helena. A jovem de 19 anos permaneceu imóvel, mas lágrimas silenciosas corriam pelo seu rosto. Sabia o que viria a seguir.

    José, propriedade de dona Cecília da Silva. O menino de 9 anos não entendia completamente, mas sentiu o corpo da mãe tremer. Ana puxou o filho para mais perto, envolvendo com os braços numa proteção que sabia ser ilusória. E finalmente, Joana, propriedade de dona Cecília. O tabelião guardou os papéis. satisfeito com o trabalho concluído.

    Pronto, tudo devidamente registrado e declarado. Sugiro que as senhoras façam marcações nas roupas e utensílios de cada um para evitar confusões. Bom dia a todas. Quando Tabelião se afastou, um silêncio sepulcral dominou o terreiro. Benedita abraçou João com desespero contido. Ana apertou José contra o peito. Rosa procurou o olhar do irmão, do pai, da mãe, tentando entender como sua família fora fragmentada em poucos minutos.

    Dona Mariana deu um passo à frente. Precisava agir rápido antes que o desespero se transformasse em pânico. “Voltem à suas atividades”, ordenou. A voz firme, mas não cruel. Esta fazenda continua funcionando como sempre. Nada muda no dia a dia. João levantou o olhar pela primeira vez. Nada muda, sim.

    Ah, nada, repetiu ela, colocando significado extra nas palavras que só suas filhas entenderiam completamente. Vocês trabalharão como sempre trabalharam, viverão onde sempre viveram. Mas pertencemos a pessoas diferentes. A voz de Benedita era quase um sussurro. Como uma família pode pertencer a quatro senhoras? Joaquina interveio, seguindo o roteiro que haviam planejado. Faremos arranjos de empréstimo entre nós.

    É comum em famílias. Minha mãe me emprestará João quando necessário. Eu lhe empresto, Benedita. As divisões são apenas legais, não práticas. Era uma mentira que continha uma verdade maior. E João, que não era tolo, começou a perceber que havia algo além da superfície. E se assim as brigarem? Se cada uma quiser levar sua propriedade para lugares diferentes, não brigaremos, disse dona Mariana com firmeza absoluta. Isso é uma promessa que faço diante de todos.

    Esta família não será dividida geograficamente. Tomás falou pela primeira vez: “Promessas de senhores valem tanto quanto contratos com o diabo. Já vi muitas.” “Não sou meu marido”, retrucou dona Mariana. E havia aço em sua voz. e minhas filhas não são outros senhores que você conheceu. Está sendo pedido que confie em nós e sei que não temos dado razões para isso, mas é o que peço mesmo assim.

    José, que finalmente encontrou coragem, perguntou com a inocência brutal das crianças: “Por que não nos liberta?” Então sim, se não quer nos separar, por que não nos deixa ir embora? A pergunta ecuou no terreiro como um tiro. Cecília fechou os olhos, sentindo o peso da verdade. Helena desviou o olhar. Joaquina manteve a expressão neutra com esforço.

    Dona Mariana ajoelhou-se, colocando-se no nível do menino. Porque o mundo lá fora não é gentil com os libertos, José? Porque as leis deste país tornam a libertação quase tão perigosa quanto a escravidão? Por quê? Ela hesitou, buscando palavras para uma verdade complexa demais.

    Porque às vezes não temos o poder de mudar tudo, apenas de fazer o melhor dentro das correntes que nos prendem a todos. A história está chegando num ponto crucial. Inscreva-se no canal e ative as notificações para acompanhar como esse pacto impossível entre senhoras e escravizados vai se desenvolver.

    Estamos baseando esta narrativa em documentos reais de inventários e cartas de fazendeiros mineiros da época, trazendo à luz contradições e complexidades que os livros de história muitas vezes simplificam. Deixe nos comentários o que você acha dessa situação. Era melhor o Pacto Secreto ou seria preferível seguir a lei e separar as famílias oficialmente? Sua opinião importa nesta conversa sobre nosso passado.

    As semanas seguintes a partilha transcorreram numa estranha normalidade. Superficialmente nada havia mudado na fazenda Santo Antônio. João continuava acordando antes do sol para supervisionar os trabalhos nos cafezais. Benedita ainda comandava a cozinha e o tanque de lavar. Miguel ajudava o pai, Rosa auxiliava a mãe, Tomás martelava o ferro na forja, criando ferramentas e consertando equipamentos.

    Ana cultivava sua horta, José brincava pelo terreiro e Joana preparava as refeições que sempre preparara, mas algo fundamental havia se alterado. Agora, quando Joaquina dava uma ordem a João, ele hesitava imperceptivelmente, lembrando que oficialmente não lhe pertencia. Quando Helena pedia algo a Miguel, o rapaz olhava para a mãe, confuso sobre a quem realmente devia obedecer.

    As crianças, especialmente sentiam a tensão invisível que permeava cada interação. Dona Mariana mantinha encontros noturnos regulares com as filhas para coordenar o teatro que representavam. Joaquina, quando o padre vier benzer a casa semana que vem, você precisa dar ordens visíveis a Benedita e Miguel, instruía.

    Helena, certifique-se de que Ana e Rosa estejam perto de você durante a visita. Precisamos reforçar a aparência de propriedade dividida. Foi Cecília quem primeiro expressou o desconforto crescente. Mãe, isto está se tornando uma tortura para eles. Vejo José olhando para Ana com medo de que alguém o leve embora. Não é justo mantê-los na incerteza.

    O que sugere? Perguntou dona Mariana, cansada. que revelemos o pacto, que os transformemos em cúmplices de uma ilegalidade. “Sugiro que sejamos honestas”, insistiu Cecília, “que expliquemos o que estamos fazendo e porquê, que lhes demos escolha, mesmo que seja apenas a ilusão de escolha.” Joaquina balançou a cabeça. Isso é perigoso.

    Se eles souberem e alguém os interrogar sob pressão, podem revelar tudo. “E acredita que não percebem que algo estranho está acontecendo?”, retrucou Helena. João não é idiota. Benedita faz perguntas indiretas sobre porque não fomos divididas em casas separadas. Eles sabem que há algo além da superfície. O debate se intensificou até que dona Mariana tomou uma decisão. Falarei com João.

    Apenas ele inicialmente é o mais velho, o mais sábio. Se alguém pode entender a complexidade da situação, é ele. Dois dias depois, numa tarde de garoa fina que transformava o mundo em tons de cinza, dona Mariana mandou chamar João ao escritório. era um cômodo que ele conhecia bem, tendo sido convocado ali inúmeras vezes pelo falecido coronel para discutir plantil, colheitas, necessidades da fazenda, mas nunca pela viúva, sozinha, com a porta fechada.

    “Sente-se, João”, disse ela, apontando para uma cadeira. Ele hesitou. Escravizados não sentavam na presença de senhores. Era uma das regras não escritas, mas absolutamente rígidas daquela sociedade. “Por favor”, insistiu dona Mariana. O que preciso falar requer que sejamos pessoas conversando, não hora e propriedade.

    João sentou-se na beirada da cadeira, o corpo tenso, pronto para levantar ao primeiro sinal de ofensa. Dona Mariana serviu dois copos de água fresca do filtro de pedra, colocou um diante dele. Mais uma quebra de protocolo. Você percebeu que algo não está certo com esta partilha? Começou ela. Não era pergunta. Sim. Sim. Pode me dizer o que nota? João escolheu as palavras com cuidado. 46 anos de escravidão lhe haviam ensinado que sinceridade excessiva podia ser mortal.

    Notei que a senhora e assim as moças não agem como proprietárias separadas. Notei que ninguém foi transferido de lugar. Notei que as ordens vem de todas, não apenas de quem consta nos papéis. Você é observador”, disse dona Mariana com meio sorriso triste. Seu pai também era. A menção ao pai, vendido quando João tinha 12 anos, fez algo se mover no peito do homem.

    Meu pai me ensinou a observar tudo e falar pouco. Sabedoria valiosa. Dona Mariana bebeu água, organizando os pensamentos. Vou lhe contar algo que pode nos colocar em risco a mim e as minhas filhas, mas também a sua família. Por isso, preciso que pense cuidadosamente antes de decidir se quer ouvir. João franziu o senho. Decidir sim. Ah, sim.

    Porque se eu revelar isto, você se torna parte de um segredo e segredos podem ser perigosos. O homem ficou em silêncio por um longo momento. Pela janela podia ver Benedita estendendo roupas apesar da garoa. Miguel consertando uma roda de carroça. Rosa alimentando as galinhas. Sua família. Quero ouvir”, disse finalmente. Dona Mariana então revelou tudo. O pacto entre ela e as filhas, a decisão de manter a divisão apenas no papel, o juramento que fizeram sobre a Bíblia.

    Explicou porque não podiam simplesmente libertar todos, as complicações legais da lei de 1831, nunca aplicada, o preconceito que os libertos enfrentavam, a falta de terras ou recursos para recomeçar. João ouviu tudo sem interromper. Quando ela terminou, ele continuou calado por tanto tempo que dona Mariana começou a se preocupar.

    Por que? Perguntou finalmente. Por que fazer isto? A lei permitiria separar todos. Seria mais simples. Por que, respondeu ela, e havia lágrimas não derramadas em sua voz. Meu marido pode ter esquecido, mas eu não. Você segurou Joaquina quando ela nasceu, ajudou a construir o berço de Helena, ensinou Cecília a andar. Benedita cuidou de mim quando tive febre.

    Miguel cresceu brincando com minhas filhas. Eu não posso desfazer a escravidão, João. Não tenho poder para isso, mas posso fazer isto, este pequeno ato de não sei nem como chamar. Misericórdia, sugeriu João, amargo. Piedade. Talvez apenas humanidade, respondeu dona Mariana. o mínimo que posso oferecer no sistema que rouba até isso. João levantou-se caminhando até a janela.

    Vi a sua família lá fora trabalhando como sempre e quer que eu guarde este segredo que finja não saber. Quero mais que isso disse dona Mariana. Quero que me ajude a manter este pacto funcionando. Que explique aos outros o suficiente para que entendam, mas não tanto que se tornem vulneráveis interrogados. Quero, quero sua colaboração, sua cumplicidade.

    E em troca, em troca, prometo que enquanto eu viver, enquanto minhas filhas viverem, vocês oito permanecerão juntos. Não é liberdade, não é justiça, é apenas o que posso oferecer. João voltou a se sentar, olhou diretamente nos olhos de dona Mariana pela primeira vez em sua vida, quebrando outra regra tácita. Falarei com os outros, explicarei.

    Mas saiba uma coisa, sim. Isto não nos torna aliados. Não apaga as correntes, mesmo que fiquem invisíveis, apenas as torna mais suportáveis. Eu sei”, sussurrou ela. “Acredite, eu sei.” Quando João saiu do escritório, a garoa tinha se transformado em chuva constante.

    Ele caminhou até a cenzala, onde reuniu todos numa roda, com palavras cuidadosas, revelou o pacto, explicou as implicações, descreveu o perigo que todos enfrentariam se alguém descobrisse. Benedita chorou de alívio ao entender que não seria separada dele. Ana abraçou José com força renovada. Miguel e Rosa trocaram olhares esperançosos, mas Tomás, o ferreiro, levantou a questão que todos pensavam.

    Isto não muda nada de verdade, não é? Continuamos escravizados, apenas com mais uma camada de mentira sobre nós. Não concordou João. Não muda nada fundamental, mas muda isto. Nossas famílias ficam inteiras. E no mundo onde nos tratam como ferramentas ou animais, até isso é algo. Naquela noite, na Casagrande, na Cenzala, dois grupos de pessoas permaneceram acordados até tarde, cada um processando o peso do pacto que agora compartilhavam.

    Um segredo que os unia numa teia complexa de dependência mútua, onde senhoras precisavam da descrição de escravizados. Escravizados dependiam da palavra de senhoras. Era uma aliança frágil, construída sobre fundações de injustiça, mas era também a única coisa entre aquelas famílias e a fragmentação total. E por hora, teria que ser suficiente.

    Os meses seguintes trouxeram uma rotina delicada à Fazenda Santo Antônio. O pacto funcionava, mas a primeira ameaça chegou numa tarde de agosto com Capitão Rodrigues Almeida e seu filho Antônio Júnior, interessado em Joaquina. Dona Mariana, disse o capitão durante o café, observando pela janela, ouvida partilha. Curiosa decisão manter todos aqui juntos.

    Fazemos empréstimos constantes entre nós para as diferentes tarefas, respondeu dona Mariana com serenidade forçada. Empréstimos. O capitão era cético. Vejo João ali fora, que ficou para a senhora, mas Benedita para Joaquina. Decisão estranha, não manter casais na mesma propriedade. Helena interveio rapidamente. A lei permite empréstimos, capitão.

    Permite, mas exige propriedade claramente demarcada. Se um juiz decidir que a partilha não foi realmente efetuada, pode ordenar nova divisão sob supervisão judicial. Era uma ameaça velada, mas clara. Quando os visitantes partiram, as mulheres se entreolharam a prensas. Ele vai criar problemas. disse Joaquina. Quer controle sobre a fazenda através do casamento.

    Precisamos reforçar as aparências, decidiu dona Mariana. Cada uma terá tarefas específicas claramente associadas aos seus cativos designados, registros meticulosos de empréstimos. Naquela noite, João reuniu todos na cenzala explicando a situação. Tomás bateu o punho na mesa. Então temos que fingir melhor que pertencemos a pessoas diferentes.

    É isso ou arriscar que um juiz venha e nos separe de verdade, argumentou João. Já vivemos fingindo tantas coisas, disse Benedita Baixinho. Fingir mais uma não fará diferença. Cada mentira tem um custo murmurou Miguel. A questão é: vale a pena pagar para ficarmos juntos? A resposta era óbvia, mas dolorosa. Nas semanas seguintes, a Fazenda implementou mudanças sutis.

    Joaquina dava ordens mais públicas a Benedita e Miguel. Helena fazia o mesmo com Ana e Rosa. Para observadores externos, parecia bem administrado. Para quem vivia ali, era um balé coreografado onde cada passo importava. O pacto continuava, mas o peso de mantê-lo aumentava. Dezembro trouxe notícias que abalariam o equilíbrio.

    A lei do ventre livre estava sendo debatida e fazendeiros organizavam resistência. Dona Mariana foi convocada à assembleia em Ouro Preto. O salão fervia com 40 fazendeiros discutindo. O capitão Rodrigues presidia: “Dona Mariana, que honra! Não esperávamos senhoras nestas discussões políticas.” “Sou proprietária legal”, respondeu secamente. “Tenho tanto direito quanto qualquer homem”.

    O Barão de Pitangui tomou a palavra: “O imperador pretende libertar os ventres. Em 20 anos não teremos mão de obra. Contratando trabalhadores livres”, sugeriu o comendador Alves do Fundo. Como na Europa, trabalhadores livres não suportarão nosso sol, retrucou o Barão. Seria inviável economicamente. Dona Mariana surpreendeu a todos. A Inglaterra aboliu há décadas.

    Os Estados Unidos acabaram de ter uma guerra civil sobre isto. O mundo está mudando. Podemos resistir, mas não parar o tempo. O capitão bateu o punho na mesa. Então sugere que entreguemos nossa propriedade sem luta. Sugiro que nos preparemos, que busquemos alternativas antes de sermos forçados. Ela se levantou.

    Vim para ouvir, não debater. Boa tarde. Na carruagem, Joaquina disse: “Fezigos hoje, mãe”. Já os tinha, ao menos agora sei onde estamos. Numa ilha cada vez menor, cercada por águas que sobem. De volta, reuniu as filhas e João relatando tudo. E a senhora? Sim. Ah, perguntou João. Onde se posiciona? Num lugar impossível.

    Não posso apoiar abolição aberta sem perder tudo, mas também não posso fingir que isto durará para sempre. Naquela noite chegou notícia sobre levantes de escravizados no cerro e diamantina. Centenas se rebelaram. A repressão fora brutal, mas o recado estava dado. João ouviu com expressão indecifrável. Penso que sua tempestade já começou. Sim. E ninguém aqui está preparado para o que vem.

    Em 1865, a guerra do Paraguai trouxe mudanças inesperadas. O império recrutava homens, incluindo escravizados, que voltariam livres. Miguel, de 16 anos, manifestou interesse. Estão recrutando em Ouro Preto, disse a João. Quem lutar volta livre e quem não volta volta morto, respondeu o pai, tenso.

    Tenho idade para ser vendido, separado da família, por que não para lutar pela liberdade? A notícia causou tumulto. Joaquina estava abalada. Ele pode morrer lá, mas se sobreviver, volta livre, disse Cecília. É uma chance que nunca mais terá. Chamaram Miguel diretamente. Quero ir, disse, sem hesitar. Quero voltar dono de mim mesmo, mesmo que seja arriscado. Benedita chorou. João manteve com postura estoica.

    Rosa abraçou o irmão com força. Joaquina assinou os papéis de recrutamento com mãos trêmulas. Quando Miguel partiu em março, todos se reuniram. Ele abraçou os pais longe. Beijou Rosa, parou diante de Joaquina. Sim. Ah, agradeço por deixar eu ir. Volte vivo, Miguel. Por favor, volte vivo. A partida abriu ferida profunda, mas trouxe algo inesperado. Cartas. Miguel escrevia quando podia.

    Aqui somos todos soldados. Não importa a cor. Um capitão negro comanda brancos. A guerra é terrível, mas mostra que outro mundo é possível. As palavras causaram impacto. Tomás começou a questionar mais. Se lá um preto pode comadar brancos, porque aqui não pode nem olhar nos olhos.

    Ana começou a ensinar José a ler escondido, usando as cartas. Dona Mariana percebia as mudanças. chamou João novamente. As cartas estão mudando as pessoas aqui. Estão e a senhora vai proibir? Deveria. Se proibir, manterei controle ou apenas perderei a confiança? O controle já está perdendo, não pelas cartas, mas porque o mundo lá fora muda.

    Miguel está vendo isto e quando voltar, se voltar, trará essa mudança com ele. E vocês, o que farão quando a mudança chegar? Sobreviveremos, mas sobreviver como livre seria melhor que como propriedade bem tratada. Continuaremos com o pacto, decidiu dona Mariana, até que não seja mais necessário ou impossível o que vier primeiro. Em dezembro chegou carta diferente.

    Miguel estava ferido, mas vivo. Tiro na perna. Sobrevivi. Agora preciso sobreviver até voltar. Livre. Esta história está se aproximando de momentos decisivos. Inscreva-se e ative o sino para não perder o capítulo final, onde descobriremos se Miguel retornará, se o pacto resistirá e como estas vidas enfrentarão as transformações que estão por vir.

    Baseado em registros históricos reais da Guerra do Paraguai e do período final da escravidão em Minas Gerais, comente: você teria deixado Miguel partir? Suas opiniões enriquecem nossa reflexão sobre este período. Março de 1870, um homem de 22 anos mancando, cruzou o portão da fazenda Santo Antônio. Miguel havia voltado com cicatriz profunda na perna, dureza nos olhos e algo mais precioso que ouro. Sua carta de alforria.

    Benedita correu pelo terreiro abraçando o filho. João o seguiu mais contido, lágrimas nos olhos. Rosa, agora 19 anos, abraçou o irmão Soluçando. A casa grande inteira desceu. Joaquina segurava um lenço emocionada. Bem-vindo, Miguel, disse dona Mariana. Você é livre, pode ficar ou ir. A escolha é sua. Miguel olhou para todos. Pais, irmã, os outros ainda escravizados.

    Quero ficar, mas como trabalhador contratado, quero salário justo e documento assinado. O pedido era revolucionário. Dona Mariana assentiu lentamente. Faremos um contrato. Você trabalhará e receberá pagamento. Terá alojamento próprio. Naquela noite, pela primeira vez, um homem negro livre por mérito jantou à mesa com senhoras brancas.

    As regras sociais gritavam contra aquilo, mas todos as ignoraram. Miguel contou sobre a guerra. Conheci o tenente Henrique, filho de escravizados, nascido livre, advogado, comandava brancos, era respeitado por competência. Ele disse: “O futuro não nos será dado. Teremos que arrancá-lo com as próprias mãos, mesmo que sangre em ponto.” O silêncio era pesado.

    João falou: “Depois de ver esse futuro possível, como pode voltar e ver sua família presa?” Não posso. Por isso voltei com o plano. Vou trabalhar, juntar dinheiro, comprar a alforria de vocês. Um por um. Comprar nossa própria liberdade, murmurou Benedita, a não ser que Miguel olhou para dona Mariana, a não ser que eu os liberte gratuitamente.

    E aí chegamos às complicações legais. Ela explicou os riscos. Há outro caminho disse Miguel. transformar esta fazenda em cooperativa. Oficialmente vocês continuariam proprietárias. Na prática, trabalharíamos como parceiros. Se libertar todos em etapas, sugeriu Cecília, ao longo de meses parecerá decisão gradual, não libertação em massa. E cada libertação com contrato de trabalho, como de Miguel, completou Helena. Documentado, legal.

    Dona Mariana caminhou até a janela. Há um problema. Eu e minhas filhas sacrificamos casamentos, filhos, futuros normais para manter este pacto. Agora propõe desmantelá-lo. Não desmantelar, disse Helena, transformar em algo melhor, algo sem segredos. João levantou-se, olhando para Joaquina. Sim. Ah, com respeito. Seus sacrifícios foram escolhas. Nós nunca tivemos isso.

    Se agora podemos ter, por favor, não deixe que seu passado nos prenda. Joaquina chorou. Helena abraçou a irmã. Cecília segurou a mão da mãe. Faremos assim, decidiu dona Mariana, voz firme, apesar das lágrimas. Começaremos as libertações no mês que vem, uma por mês, com contratos de trabalho.

    Em 8 meses, todos serão livres. Se quiserem ficar, trabalharemos juntos. Se quiserem ir, terão nossa bênção e recursos. E o capitão Rodrigues perguntou Tomás. Deixem o capitão comigo”, disse dona Mariana com sorriso cansado. “Passei seis anos fingindo ser viúva frágil. Posso fingir mais um pouco?” Pela primeira vez, a fazenda dormiu com esperança concreta, não esperança vaga, mas datas marcadas, documentos prometidos, liberdade com prazo definido. Miguel, em seu quarto próprio pela primeira vez, olhou para a carta de

    alforria. Em 8 meses, sua família inteira teria documentos iguais. Na Casagrande, dona Mariana guardou o testamento pela última vez. Você queria que elas tivessem meios de sustento. Nunca imaginou que os meios seriam parceria, não propriedade. Sobre os morros de Minas Gerais, a madrugada clareava um novo dia, uma nova era, para 16 pessoas buscando libertarem-se juntas.

    Esta história baseada em registros históricos nos lembra que a abolição foi processo longo construído por pessoas comuns enfrentando dilemas impossíveis. Se esta narrativa tocou você, deixe seu like, inscreva-se e compartilhe. Que lições tiramos desses pactos imperfeitos do passado para os desafios do presente? A história da escravidão brasileira tem milhões de narrativas silenciadas. Este canal traz essas vozes à luz.

    Ative as notificações para as próximas histórias realistas baseadas em fatos. Conhecer nosso passado, por mais doloroso, é o único caminho para um futuro mais justo. Obrigado por ter acompanhado até o fim.

  • Historiadores descobrem um segredo obscuro em um retrato de 1861 que parecia inocente de duas amigas

    Historiadores descobrem um segredo obscuro em um retrato de 1861 que parecia inocente de duas amigas

    Historiadores descobrem um segredo obscuro em um retrato de 1861 que parecia inocente de duas amigas

    Em setembro de 2024, a historiadora Dra. Fernanda Oliveira Lima, especialista em história social do Brasil imperial pela Universidade Federal de Minas Gerais, estava catalogando uma coleção de fotografias do século XIX, recém-doada ao Museu Histórico de Vassouras, quando uma imagem em particular a fez parar completamente.

    Era uma fotografia de 1861, mostrando duas jovens mulheres sentadas lado a lado em um banco ornamental no jardim de uma casa grande. Uma era branca, vestida com um elaborado traje de seda estampada típico da elite imperial. A outra era negra, com um vestido simples, mas bem cuidado, de algodão claro. À primeira vista, a fotografia parecia apenas mais um retrato da elite cafeeira do Vale do Paraíba Fluminense, mas havia algo na imagem que perturbou profundamente Fernanda.

    As duas jovens estavam sentadas extraordinariamente próximas uma da outra. Suas mãos quase se tocavam sobre o banco. Suas expressões eram serenas, quase idênticas em compostura. E ambas olhavam diretamente para a câmera com a mesma dignidade, a mesma presença. Em 1861, 27 anos antes da abolição da escravatura, aquela proximidade física e igualdade de postura em uma fotografia eram absolutamente extraordinárias.

    Fernanda havia estudado centenas de fotografias do período escravocrata. Nas raríssimas imagens onde pessoas escravizadas apareciam ao lado de seus senhores, elas sempre estavam posicionadas de forma a enfatizar hierarquia: de pé enquanto os senhores sentavam, ao fundo da composição, com postura submissa, nunca sentadas no mesmo nível, nunca com a mesma dignidade visual. Mas aquela foto era diferente, radicalmente diferente.

    No verso da fotografia, escrito em tinta desbotada, mas ainda legível, havia uma inscrição: “Maria Leopoldina e Helena, fazenda Santa Eulália. Vassouras, 15 de agosto de 1861. Amizade eterna”. A palavra “amizade” estava sublinhada duas vezes. Fernanda sentiu um arrepio.

    Em uma sociedade escravocrata, profundamente hierárquica e racialmente estratificada como o Brasil imperial, o conceito de amizade entre uma jovem da elite branca e uma jovem negra era não apenas improvável, era perigoso. Aquela fotografia estava escondendo algo muito mais complexo e perturbador do que aparentava.

    Ela pegou o telefone e ligou para dois colegas que sabia que precisariam estar envolvidos naquela investigação. O primeiro foi o Dr. Roberto Mendes da Silva, historiador especializado em escravidão urbana e rural no Vale do Paraíba pela Universidade Federal Fluminense. A segunda foi a Profa. Márcia Regina dos Santos, genealogista e especialista em história de famílias afro-brasileiras pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

    Quando Fernanda mostrou a fotografia para ambos, três dias depois em seu escritório no museu, as reações foram imediatas e intensas. Roberto ficou em silêncio por longos minutos, estudando cada detalhe da imagem com lupa. Márcia, uma mulher negra de 52 anos, cuja própria pesquisa acadêmica focava em recuperar histórias apagadas de pessoas escravizadas, tinha lágrimas nos olhos.

    Roberto foi o primeiro a falar. Ele apontou para os vestidos das duas jovens. O vestido de Maria Leopoldina, a jovem branca, era claramente de seda importada, provavelmente francesa, com estampa floral elaborada e acabamentos em renda. Custaria uma fortuna em 1861. O vestido de Helena, embora simples, era de algodão de qualidade, perfeitamente costurado, com pequenos botões de madrepérola.

    Não era roupa de trabalho escravo, era roupa de alguém que tinha status especial dentro da hierarquia da fazenda. Márcia observou as mãos de ambas as jovens. As mãos de Maria Leopoldina eram delicadas, claramente nunca haviam realizado trabalho manual pesado. Mas as mãos de Helena, embora posicionadas com elegância, mostravam sinais sutis de trabalho. Eram ligeiramente mais ásperas, as unhas mais curtas. Helena trabalhava, mas não no campo. Provavelmente trabalho doméstico leve, talvez costura ou trabalhos delicados dentro da casa grande.

    Mas o detalhe mais perturbador que Márcia notou estava no pescoço de Helena. Ela usava um colar simples com um pequeno medalhão. Márcia pegou a lupa e examinou cuidadosamente. O medalhão tinha uma inicial gravada: “L”, a mesma inicial do nome Maria Leopoldina.

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    As três peças de evidência visual — a proximidade física, a qualidade do vestido de Helena e o medalhão com a inicial de Maria Leopoldina — sugeriam algo que os três historiadores sabiam ser simultaneamente comum e profundamente ocultado na história do Brasil escravocrata: um relacionamento íntimo entre duas mulheres em uma sociedade que negava humanidade plena a uma delas.

    Se você ainda não se inscreveu no canal, faça isso agora, porque esta história vai revelar uma das verdades mais dolorosas e complexas sobre relacionamentos durante a escravidão no Brasil e ative o sininho para não perder nenhuma investigação. Deixe também nos comentários de qual estado você está nos assistindo, porque essa história do Vale do Paraíba Fluminense tem conexões com todo o país.

    Fernanda sabia que precisavam de muito mais informações. Quem eram Maria Leopoldina e Helena? Qual era a natureza exata de seu relacionamento? E por que alguém decidiu fotografá-las juntas daquela maneira em 1861, arriscando provocar escândalo social? A investigação começou pelos registros da fazenda Santa Eulália em Vassouras.

    Vassouras era, em 1861, o coração da produção cafeeira brasileira. As fazendas da região concentravam a maior parte da riqueza do império e também a maior concentração de pessoas escravizadas fora das áreas urbanas. Era um mundo de contrastes brutais: casas grandes luxuosas, construídas sobre o sofrimento de milhares de africanos e afro-brasileiros forçados a trabalhar nas plantações de café.

    Roberto viajou para Vassouras e passou duas semanas nos arquivos locais. Ele encontrou registros extensos da fazenda Santa Eulália, propriedade da família Almeida Prado, uma das mais ricas e influentes da região. O patriarca em 1861 era o Comendador Francisco José de Almeida Prado, barão do café com propriedades extensas e mais de 300 pessoas escravizadas trabalhando em suas terras.

    Os registros confirmavam que Maria Leopoldina de Almeida Prado nasceu em 1846, filha única do Comendador Francisco e de sua esposa, Dona Isabel Clara do Sacramento. Em 1861, ela tinha 15 anos, idade em que jovens da elite começavam a ser preparadas para casamentos arranjados com outros membros da aristocracia cafeeira.

    Mas encontrar informações sobre Helena foi infinitamente mais difícil. Pessoas escravizadas raramente apareciam em registros oficiais com nomes completos ou histórias pessoais. Eram listadas em inventários de propriedade como objetos. “Escrava Helena, parda, 14 anos, costureira, valor 800 mil réis”. Roberto encontrou exatamente essa entrada em um registro de 1860 da fazenda Santa Eulália.

    Helena tinha sido adquirida pela família Almeida Prado em 1857, quando tinha apenas 11 anos, vinda de uma fazenda menor da região que falira. Ela foi designada para trabalho doméstico leve na Casa Grande, especificamente para ajudar a costureira principal da fazenda e, eventualmente, servir como dama de companhia para Maria Leopoldina.

    “Dama de companhia”. O termo parecia inocente, mas Márcia sabia o que frequentemente significava na prática. Jovens escravizadas designadas como damas de companhia para filhas da elite viviam em um limbo social perturbador. Elas não trabalhavam no campo sob o chicote dos feitores. Viviam dentro da casa grande, compartilhando às vezes até o mesmo quarto que as jovens senhoras que serviam. Eram educadas o suficiente para conversar, entreter, fazer companhia, mas nunca eram livres. Eram propriedade juridicamente equiparadas a móveis ou animais, sem importar quão próximas fisicamente estivessem de suas senhoras.

    E frequentemente, naquela proximidade forçada, relacionamentos complexos e contraditórios se desenvolviam: afeto genuíno misturado com desigualdade estrutural absoluta, intimidade emocional coexistindo com a realidade brutal de que uma pessoa possuía legalmente a outra.

    Roberto encontrou mais um documento crucial nos arquivos de Vassouras: uma carta datada de 20 de julho de 1861, escrita por Dona Isabel Clara do Sacramento, mãe de Maria Leopoldina, endereçada à sua irmã em Petrópolis. Na carta, Dona Isabel expressava preocupação com o que ela chamava de “apego excessivo e imprudente” de sua filha à escrava Helena.

    A carta dizia: “Minha querida irmã, escrevo-te com coração aflito. Leopoldina desenvolve afeição demasiada à moça Helena. Passam horas em conversa privada. Leopoldina insiste que Helena se sente à mesa durante suas refeições quando estão sozinhas. Empresta-lhe livros e ensina-lhe leitura contra a expressa proibição do comendador. Temo que minha filha não compreenda as distinções naturais e necessárias que nossa sociedade requer. O comendador ameaça vender Helena caso o comportamento continue, mas Leopoldina entra em crises de choro quando tal possibilidade é mencionada. Não sei como proceder, pois nunca vi minha filha tão obstinada.”

    A carta revelava algo extraordinário. Maria Leopoldina não apenas tinha afeto por Helena, ela ativamente desafiava as normas sociais de sua classe e época para tratá-la como igual. Ensinar uma pessoa escravizada a ler era, em muitas regiões do Brasil escravocrata, explicitamente proibido. Era considerado perigoso, subversivo. Senhores temiam que escravizados alfabetizados pudessem forjar documentos de alforria, ler literatura abolicionista, organizar rebeliões. E Maria Leopoldina estava fazendo exatamente isso, desafiando até mesmo seu próprio pai, o poderoso Comendador Francisco José de Almeida Prado.

    A equipe de pesquisadores precisava entender melhor quem eram aquelas duas jovens, além dos papéis sociais impostos por sua época. Fernanda decidiu procurar por mais documentos pessoais, diários, cartas, qualquer coisa que revelasse suas vozes individuais e a natureza de seu relacionamento. Márcia teve a ideia de tentar localizar descendentes da família Almeida Prado.

    Famílias da antiga aristocracia cafeeira frequentemente preservavam arquivos privados, documentos, fotografias, objetos pessoais passados por gerações. Se tivessem sorte, alguém ainda teria guardado papéis de Maria Leopoldina. Após semanas de pesquisa genealógica, Márcia localizou Clara Regina Almeida Prado Fonseca, uma mulher de 78 anos que vivia em Petrópolis e era tataraneta do Comendador Francisco José de Almeida Prado.

    Clara concordou em receber os pesquisadores em sua casa, uma antiga residência de veraneio da família, construída na década de 1880. Quando Fernanda, Roberto e Márcia chegaram à casa de Clara em uma tarde chuvosa de outubro, ela os recebeu com chá e biscoitos em uma sala repleta de antiguidades e fotografias antigas. Clara explicou que sua família havia preservado meticulosamente documentos e objetos por gerações.

    Quando Fernanda mostrou a fotografia de 1861 de Maria Leopoldina e Helena, Clara ficou visivelmente emocionada. Clara disse que conhecia aquela fotografia. Ela tinha uma cópia dela guardada há décadas. Mais importante, ela tinha algo que os pesquisadores não esperavam: o diário completo de Maria Leopoldina, cobrindo os anos de 1859 a 1862.

    O diário era um caderno de capa de couro verde escuro, com páginas amareladas, mas surpreendentemente bem preservadas. A caligrafia de Maria Leopoldina era elegante e educada, típica de jovens da elite que recebiam instrução em escrita refinada, mas o conteúdo do diário era tudo menos típico.

    As primeiras entradas de 1859 eram comuns para uma jovem de 13 anos da elite imperial. Maria Leopoldina descrevia bailes, aulas de piano e francês, visitas de familiares, pequenas fofocas sobre conhecidos. Mas tudo mudou em fevereiro de 1860, quando Helena chegou à fazenda Santa Eulália.

    A primeira menção a Helena no diário era datada de 8 de fevereiro de 1860: “Hoje chegou nova moça para servir-me como dama de companhia. Seu nome é Helena, tem 12 anos, apenas um ano menos que eu. É muito quieta e parece assustada. Mamãe diz que devo tratá-la com firmeza, mas não crueldade. Não compreendo por que devo tratá-la de qualquer forma que não seja gentil. Ela tem olhos muito tristes.”

    Nos meses seguintes, as entradas sobre Helena tornaram-se cada vez mais frequentes e mais reveladoras. Maria Leopoldina descrevia longas conversas com Helena. Como descobriu que Helena havia perdido a mãe aos 8 anos, como Helena tinha sido separada de dois irmãos mais novos quando foi vendida para a fazenda Santa Eulália. Maria Leopoldina expressava horror crescente à medida que compreendia a realidade da vida de Helena.

    Uma entrada de maio de 1860 dizia: “Hoje Helena chorou ao contar-me como foi arrancada de sua mãe quando tinha oito anos. Sua mãe foi vendida para fazenda distante e Helena nunca mais a viu. Como pode existir tamanha crueldade no mundo? Como posso eu, que tenho tudo, aceitar que Helena, que é tão inteligente e sensível quanto eu, seja tratada como propriedade? Não consigo mais dormir à noite pensando nisso.”

    Compartilhe este vídeo com alguém que gosta de histórias sobre relações humanas complexas. Porque o que aconteceu entre Maria Leopoldina e Helena foi muito além do que qualquer pessoa da época poderia aceitar publicamente.

    Em julho de 1860, Maria Leopoldina começou a ensinar Helena a ler e escrever em segredo. Ela roubava livros da biblioteca de seu pai e dava aulas para Helena tarde da noite, quando todos na casa dormiam. Helena aprendeu rapidamente. Em poucos meses conseguia ler romances inteiros. Mas o relacionamento entre as duas jovens evoluiu muito além de educação clandestina.

    As entradas do diário de Maria Leopoldina tornaram-se cada vez mais emocionais e intensas. Em novembro de 1860, ela escreveu: “Helena é a única pessoa neste mundo que verdadeiramente me compreende. Posso contar-lhe pensamentos que jamais ousaria compartilhar com minha mãe ou minhas primas. Ela me entende completamente e eu a ela. Quando estou com Helena, sinto-me mais eu mesma do que nunca.”

    Em janeiro de 1861, as entradas tornaram-se ainda mais explícitas sobre a natureza do sentimento de Maria Leopoldina: “Sei que o que sinto por Helena é errado aos olhos da sociedade. Ela é escrava e eu sou filha de seu senhor, mas meu coração não reconhece tais distinções. Eu a amo não como se ama uma serva ou uma companheira. Eu a amo como não tenho palavras adequadas para descrever. Apenas sei que não posso imaginar minha vida sem ela.”

    A revelação era inequívoca. Maria Leopoldina estava profundamente apaixonada por Helena e, pelas entradas subsequentes, o sentimento era correspondido, embora Helena, como pessoa escravizada, vivesse em constante medo das consequências de qualquer expressão de afeto genuíno.

    Roberto estudou cuidadosamente as entradas seguintes. Em março de 1861, Maria Leopoldina escreveu sobre uma conversa devastadora com Helena, onde Helena explicou que, não importava o quanto elas se amassem, o relacionamento não tinha futuro. Helena podia ser vendida a qualquer momento. Quando Maria Leopoldina se casasse, como inevitavelmente teria que fazer com algum homem da elite cafeeira escolhido por seu pai, elas seriam separadas para sempre. E acima de tudo, Helena vivia sob constante vigilância e controle absoluto.

    Maria Leopoldina respondeu a isso com uma promessa dramática registrada em seu diário: “Jurei a Helena que nunca permitirei que nos separem. Prometi que encontrarei forma de libertá-la. Prometi que de alguma maneira viveremos como iguais. Ela sorriu tristemente e me disse que promessas assim são impossíveis de cumprir, mas eu estou determinada a provar que está errada.”

    Foi nesse contexto emocional carregado que a fotografia de 15 de agosto de 1861 foi tirada. A entrada do diário daquele dia explicava tudo: “Hoje convenci papai a contratar o fotógrafo Sr. Augusto Ramos para tirar retrato meu no jardim. Disse que queria memória permanente de minha juventude em Santa Eulália. Ele concordou, pois gosta de ostentar prosperidade da família. O que papai não sabe é que insisti que Helena posasse comigo. Disse ao fotógrafo que era para ter companheira na imagem, como é costume. O senhor Ramos hesitou, mas eu paguei-lhe extra do meu próprio dinheiro de mesada para que não questionasse.”

    “Helena estava aterrorizada de que descobrissem, mas eu segurei sua mão discretamente antes da fotografia e sussurrei: ‘Este será nosso documento. Prova de que nosso amor existiu. Não importa o que aconteça depois.’ O medalhão que ela usa no retrato é meu. Dei-lhe ontem. Tem minha inicial. Quero que ela o use sempre para lembrar que meu coração é dela.”

    Fernanda, Roberto e Márcia ficaram em silêncio após ler aquela entrada. A fotografia não era apenas um retrato, era um ato de resistência, um documento deliberadamente criado por uma jovem de 15 anos, que sabia que seu amor era impossível segundo as leis e normas de sua sociedade, mas que se recusava a deixá-lo ser completamente apagado. Maria Leopoldina havia transformado aquela fotografia em prova de que Helena existiu não como propriedade, mas como pessoa amada. Era sua forma de desafiar o apagamento sistemático da humanidade de Helena pela sociedade escravocrata.

    Clara, a descendente que preservou os documentos, estava chorando silenciosamente. Ela disse: “Sempre soube que havia algo especial naquela foto. Minha avó, que era neta de Maria Leopoldina, dizia que aquela imagem era importante, mas nunca explicou exatamente porquê. Agora entendo. Era amor. Amor impossível, mas real.”

    Mas a história não terminava com a fotografia de agosto de 1861. O diário de Maria Leopoldina continuava por mais um ano e as entradas subsequentes revelavam que as consequências daquele ato de desafio foram devastadoras. Em setembro de 1861, apenas um mês após a fotografia ser tirada, o Comendador Francisco José de Almeida Prado descobriu a verdadeira natureza do relacionamento entre sua filha e Helena.

    Não está claro nos registros exatamente como ele descobriu, se alguém os delatou, se ele encontrou o diário de Maria Leopoldina ou se simplesmente observou comportamentos que considerou inapropriados demais para ignorar. A entrada do diário de 24 de setembro de 1861 descreve uma cena terrível: “Papai entrou em meu quarto esta manhã em fúria que jamais vi antes. Ele arrancou Helena de meu lado, literalmente a arrastou pelos braços. Helena gritava, eu gritava. Mamãe entrou e tentou acalmar papai, mas ele estava transtornado.”

    “Ele me chamou de nomes horríveis. Disse que sou degenerada, antinatural, que trago vergonha pra nossa família. Disse que Helena me corrompeu, que ela usou artes malignas para confundir minha mente. Tentei explicar que não foi Helena, que fui eu quem a procurou, mas ele não escutou. Ordenou que levassem Helena para o tronco. Implorei de joelhos. Mamãe implorou. Ele não cedeu. Ouvi os gritos de Helena do jardim. Vou carregar aqueles gritos até morrer.”

    A violência descrita era típica da escravidão brasileira. Pessoas escravizadas eram rotineiramente punidas fisicamente por transgressões reais ou percebidas, especialmente quando se tratava de desrespeitar hierarquias raciais e sociais. Helena foi castigada não por algo que fez, mas por ter sido objeto do afeto de Maria Leopoldina, algo sobre o qual ela não tinha controle algum.

    Mas a punição não parou com violência física. O comendador decidiu vender Helena. Era a arma mais cruel que ele podia usar contra sua filha: separação permanente da pessoa que ela amava. Maria Leopoldina entrou em colapso emocional. As entradas de seu diário em outubro e novembro de 1861 são quase ilegíveis, manchadas pelo que parecem ser lágrimas. Ela parou de comer adequadamente, recusava-se a sair de seu quarto, não falava com seu pai. Sua mãe, preocupada com a saúde da filha, tentou intermediar, mas o comendador estava irredutível.

    Em 3 de dezembro de 1861, Helena foi vendida para um comerciante de escravos que a levaria para uma fazenda no interior de São Paulo, a mais de 200 km de distância. Era uma sentença de separação permanente. Sem sistemas de comunicação modernos, sem direitos legais, Helena simplesmente desapareceria da vida de Maria Leopoldina para sempre.

    A entrada do diário daquele dia é devastadora: “Levaram Helena hoje. Consegui vê-la apenas por um momento antes de a colocarem na carroça. Nossos olhos se encontraram. Ela não chorava mais, estava além das lágrimas. Eu segurava o medalhão que ela havia devolvido. Mamãe a forçou a tirá-lo, dizendo que era propriedade da família que não lhe pertencia. Segurei o medalhão e prometi novamente que a encontraria. Ela apenas balançou a cabeça. Ela sabe, como sempre soube, que sou impotente contra as forças que nos separam. A carroça partiu. Helena olhou para trás uma última vez. Então desapareceu pela estrada. Meu coração foi com ela. Não sei como continuar vivendo.”

    Deixe sua opinião nos comentários. Como você acha que relacionamentos assim eram mais comuns do que a história oficial nos conta? Esta realidade oculta do Brasil escravocrata precisa ser discutida.

    Márcia, a genealogista da equipe, sabia que precisavam tentar rastrear o que aconteceu com Helena após 1861. Era uma tarefa quase impossível. Registros de vendas de pessoas escravizadas raramente incluíam informações sobre destinos finais. Pessoas eram tratadas como mercadorias transferidas entre proprietários, sem documentação de suas vidas subsequentes.

    Mas Márcia tinha experiência em pesquisa meticulosa de arquivos fragmentados. Ela sabia que cada venda de pessoa escravizada geralmente gerava pelo menos dois documentos: uma escritura de venda registrada em cartório no local de origem e um registro de entrada na fazenda de destino. Se conseguisse encontrar ambos, poderia rastrear Helena.

    Márcia passou três meses investigando cartórios e arquivos de fazendas em São Paulo. Finalmente, em um arquivo municipal de Campinas, ela encontrou o registro de venda: “Helena Parda, 15 anos, costureira, vendida em 3 de dezembro de 1861 pela fazenda Santa Eulália, Vassouras, Rio de Janeiro, para a Fazenda São Bento, Campinas, São Paulo, propriedade do Sr. Joaquim Antunes de Morais. Valor 1 conto de réis”.

    Com essa informação, Márcia viajou para Campinas e localizou os arquivos da antiga fazenda São Bento, agora preservados no arquivo municipal. Os registros da fazenda eram detalhados, mantidos meticulosamente pelo administrador da propriedade. E lá estava Helena, listada como costureira trabalhando na Casa Grande. Mas Márcia encontrou algo mais nos registros.

    Em março de 1862, havia uma anotação: “Escrava Helena recebida autorização especial do senhor Joaquim Antunes para aprender ofício de costura fina com Mestre Caetano, alfaiate contratado”. Em julho de 1862, Helena foi promovida a costureira chefe da Casa Grande. Helena estava sendo tratada com respeito incomum em seu novo local.

    Márcia investigou mais profundamente. Em agosto de 1862, encontrou uma carta nos arquivos da fazenda, escrita pelo próprio Joaquim Antunes de Morais, endereçada a um amigo. Na carta, Joaquim mencionava: “Adquiri recentemente excelente costureira chamada Helena. É moça educada, surpreendentemente letrada, raridade entre escravos. Fala francês, lê bem. Veio de família cafeeira de Vassouras. Soube por intermediário que houve escândalo envolvendo a filha da família e esta moça. Não me importo com fofocas. Helena é trabalhadora exemplar e trato-a justamente.”

    Márcia percebeu o que havia acontecido. A mãe de Maria Leopoldina, Dona Isabel Clara, secretamente interviera. Ela não podia desafiar abertamente seu marido, mas usou conexões familiares para garantir que Helena fosse vendida não para qualquer fazenda brutal, mas para propriedade de conhecido da família que tinha reputação de tratar pessoas escravizadas com menos crueldade que a norma. Era o máximo que ela podia fazer dentro das limitações de seu poder como mulher da elite imperial.

    Mas havia mais na história. Márcia continuou investigando os registros de Campinas. Em maio de 1863, encontrou um documento extraordinário: “Carta de alforria de Helena”, concedida por Joaquim Antunes de Morais. Helena foi libertada aos 17 anos. Cartas de alforria eram documentos legais que concediam liberdade a pessoas escravizadas. Podiam ser gratuitas ou condicionais, exigindo pagamento ou anos adicionais de serviço. A alforria de Helena foi gratuita e incondicional.

    O documento declarava: “Por reconhecer os bons serviços prestados e o caráter exemplar da escrava Helena, concedo-lhe liberdade plena e irrevogável”. Mas anexado à carta de alforria, havia outro documento: “Recibo de pagamento de 1:500$000 (um conto e quinhentos mil réis) recebidos por Joaquim Antunes, de fonte anônima, para compensação pela perda de propriedade valiosa ao alforriar a escrava Helena”.

    Alguém havia pago pela liberdade de Helena e Márcia suspeitava fortemente de quem era. Ela voltou ao diário de Maria Leopoldina. As últimas entradas de 1862 revelavam que Maria Leopoldina havia começado a vender discretamente suas joias pessoais e outros objetos de valor que possuía. Ela acumulou quantia significativa ao longo de meses.

    Em abril de 1862, há uma entrada: “Consegui endereço de Helena através de informante que subornei. Ela está em Campinas, em fazenda de conhecido de família. Enviei carta através de intermediário confiável. Não sei se chegará a ela, mas tentei.”

    Em março de 1863, a entrada final relevante: “Recebi confirmação de que Helena foi alforreada. Todo o dinheiro que juntei foi usado para pagar sua liberdade através de intermediários discretos. Papai nunca pode saber que fui eu. Helena está livre. É tudo o que importa. Mesmo que nunca nos vejamos novamente, ela não é mais propriedade de ninguém. Meu coração pode descansar sabendo isso.”

    Maria Leopoldina havia sacrificado tudo o que possuía de valor material para comprar a liberdade de Helena. Foi seu ato final de amor e desafio contra o sistema que a separou.

    Mas a história de Helena após a alforria revelou-se ainda mais surpreendente. Márcia continuou rastreando registros em Campinas. Em 1864, Helena abriu um pequeno ateliê de costura na cidade. Em 1866, ela se casou com João Pedro da Silva, homem negro livre que trabalhava como carpinteiro. Eles tiveram quatro filhos entre 1867 e 1875.

    Márcia encontrou registros de batismo de todos os quatro filhos e todos tinham algo em comum: seus nomes intermediários. A primeira filha, nascida em 1867, foi batizada como Ana Leopoldina da Silva. O segundo filho, em 1869, foi José Leopoldo da Silva. A terceira filha em 1872, Maria da Silva. O quarto filho, em 1875, Pedro Leopoldo da Silva. Helena nunca esqueceu Maria Leopoldina. Ela honrou aquele amor dando a seus filhos nomes que perpetuavam a memória da jovem que arriscou tudo por ela.

    Roberto descobriu mais informações sobre o destino de Maria Leopoldina. Ela nunca se casou, o que era extraordinariamente incomum para a mulher de sua classe social. Havia referências em correspondências familiares à melancolia persistente de Maria Leopoldina, à sua recusa obstinada de aceitar qualquer pretendente. Seu pai tentou arranjar vários casamentos, mas ela rejeitou todos.

    Em 1870, após a morte do Comendador Francisco José, Maria Leopoldina, então com 24 anos, usou parte de sua herança para fundar uma escola para meninas pobres e órfãs em Vassouras. A escola, chamada Instituto Educacional Santa Helena, operou de 1871 a 1920. Era uma escola notável para a época porque aceitava alunas negras e brancas igualmente, o que era profundamente incomum no Brasil pós-abolição. Maria Leopoldina dedicou o resto de sua vida àquela escola. Ela morreu em 1918 aos 72 anos, solteira e sem filhos, mas educou centenas de meninas ao longo de quase cinco décadas.

    A equipe de pesquisadores agora tinha a história completa, mas enfrentavam uma questão ética complexa: como contar essa história publicamente, de maneira que honrasse tanto Maria Leopoldina quanto Helena, sem romantizar a realidade brutal da escravidão?

    Márcia foi a mais eloquente ao articular o dilema. Ela disse: “Esta é história de amor genuíno, mas é também história de profunda desigualdade de poder. Maria Leopoldina amava Helena, mas Maria Leopoldina também era filha do homem que legalmente possuía Helena. Esse é um paradoxo inescapável. Podemos reconhecer a genuinidade dos sentimentos de ambas, sem esquecer que o próprio contexto de seu relacionamento era fundamentalmente injusto e violento. Como historiadores, temos obrigação de honrar a humanidade de Helena e não reduzi-la ao objeto de afeto de uma pessoa branca, por mais bem intencionada que essa pessoa fosse.”

    A equipe decidiu que precisavam tentar localizar descendentes de Helena antes de tornar a história pública. Helena teve quatro filhos, então provavelmente havia descendentes vivos. Eles mereciam saber a verdade sobre sua ancestral e ter voz em como a história seria contada.

    Márcia usou registros genealógicos para rastrear a família Silva de Campinas. Levou meses, mas eventualmente localizou três descendentes diretos de Helena: Teresa da Silva Oliveira, bisneta de Helena, através de sua filha Ana Leopoldina; Carlos Eduardo Silva, tataraneto, através de José Leopoldo; e Beatriz Silva Santos, também tataraneta através de Maria.

    Fernanda contatou os três descendentes e explicou a descoberta. As reações foram intensamente emocionais. Teresa, uma professora aposentada de 76 anos, vivendo em Campinas, disse que a família sempre soube que Helena havia sido escravizada e depois alforreada, mas nunca souberam os detalhes de porquê ou como ela obteve liberdade. A história havia sido perdida através das gerações.

    Carlos, um advogado de 53 anos, ficou profundamente comovido ao saber que sua ancestral havia sido alfabetizada e educada por Maria Leopoldina, e que posteriormente usou essa educação para construir vida independente como costureira. Ele disse: “Minha família sempre enfatizou educação. Agora entendo de onde veio isso. De Helena, que valorizava tanto a educação, que deu esse dom aos filhos e eles aos seus filhos, geração após geração.”

    Beatriz, uma historiadora de 48 anos, ficou particularmente interessada no aspecto de gênero e sexualidade da história. Ela apontou que relacionamentos entre mulheres no século XIX eram duplamente invisibilizados: primeiro pela estrutura de poder da escravidão e depois pelo silenciamento histórico de relacionamentos não heterossexuais.

    A equipe organizou um encontro entre Clara Regina Almeida Prado Fonseca, descendente de Maria Leopoldina, e os três descendentes de Helena. O encontro aconteceu em maio de 2024 na casa de Clara em Petrópolis. Foi um momento de profunda emoção e complexidade. Clara trouxe a fotografia de 1861, o diário de Maria Leopoldina e outros objetos preservados pela família. Os descendentes de Helena trouxeram documentos que sua família havia guardado: a carta de alforria de Helena de 1863, registros de seu ateliê de costura, certificados de batismo de seus filhos com os nomes Leopoldina e Leopoldo.

    Deixe sua reflexão nos comentários. Como devemos lembrar relacionamentos que eram simultaneamente cheios de afeto genuíno e estruturalmente desiguais? Esta é uma das questões mais difíceis da história da escravidão.

    Clara pediu desculpas em nome da família Almeida Prado pela violência e injustiça que Helena sofreu. Ela reconheceu que, embora Maria Leopoldina tivesse boas intenções e genuíno afeto por Helena, a estrutura da escravidão significava que Helena nunca teve verdadeira escolha ou agência em seu relacionamento. Ela viveu anos em cativeiro, foi separada violentamente da pessoa que amava e carregou cicatrizes físicas e emocionais pelo resto da vida.

    Teresa, em nome da família Silva, aceitou o pedido de desculpas com dignidade. Ela disse: “Nossa ancestral Helena sobreviveu, construiu vida digna, criou família, passou valores de educação e resistência para gerações seguintes. Não podemos mudar o passado, mas podemos honrar sua memória, contando sua história completa, incluindo sua dor, sua coragem e sua humanidade plena.”

    Os descendentes de ambas as famílias decidiram colaborar na preservação e divulgação da história. Doaram todos os documentos relevantes para o Museu Histórico de Vassouras e para o Arquivo Municipal de Campinas, garantindo que pesquisadores e o público pudessem acessá-los. Mas houve um último documento que ninguém esperava.

    Clara revelou que tinha uma carta adicional encontrada entre os papéis de Maria Leopoldina após sua morte em 1918. A carta nunca foi enviada, mas estava claramente endereçada a Helena. A carta não tinha data, mas pela caligrafia e pelo papel parecia ser de cerca de 1900, quando Maria Leopoldina tinha cerca de 54 anos e Helena teria 52.

    A carta dizia: “Minha querida Helena, não sei se você ainda vive ou onde está ou se algum dia lerá estas palavras, mas escrevo porque meu coração não consegue ficar em silêncio. Passaram-se quase 40 anos desde que nos separaram. Não houve dia em que não pensei em você. Construí a escola em sua honra, dei seu nome a ela. Eduquei centenas de meninas como tentei educar você. Fiz isso esperando de alguma forma compensar o mal que minha família lhe causou. Mas sei que nenhuma boa ação pode apagar o fato de que você sofreu por minha causa. Você foi punida por algo que não foi culpa sua. Fui eu quem a amei e você pagou o preço. Perdoe-me se puder. Sei que não tenho direito de pedir perdão, mas quero que saiba que você foi e permanece o amor de minha vida. Tudo o que fiz desde 1861 foi tentativa de honrar o que compartilhamos, por mais breve que tenha sido. Espero que você tenha encontrado felicidade, liberdade verdadeira, amor que mereceu. Espero que sua vida tenha sido boa. Se há vida após a morte, espero que nos reencontremos lá, onde não haverá correntes, não haverá hierarquias, não haverá nada que nos separe. Eternamente sua, Leopoldina.”

    Quando Clara terminou de ler a carta em voz alta, todos no encontro estavam chorando. Era testemunho final de um amor que atravessou décadas, classes sociais, raças e todas as barreiras que o Brasil escravocrata havia construído entre duas pessoas.

    Em agosto de 2024, exatos 163 anos após a fotografia original ter sido tirada, o Museu Histórico de Vassouras inaugurou exposição intitulada “Amor e Resistência: a história de Maria Leopoldina e Helena”. A exposição apresentava a fotografia de 1861, trechos do diário de Maria Leopoldina, a carta de alforria de Helena, documentos sobre suas vidas posteriores e painéis explicativos, contextualizando o relacionamento dentro da brutal realidade da escravidão brasileira.

    A abertura da exposição reuniu descendentes de ambas as famílias, historiadores, ativistas de direitos humanos e membros da comunidade LGBTQIA+. A fotografia de 1861, ampliada para tamanho monumental, ocupava a parede central da exposição. Maria Leopoldina e Helena, duas jovens que viveram há mais de século e meio, finalmente tinham sua história reconhecida publicamente.

    Fernanda, Roberto e Márcia publicaram um artigo acadêmico completo sobre o caso na Revista Brasileira de História, uma das mais prestigiadas publicações históricas do país. O artigo, intitulado “Entre afeto e poder: relacionamentos interraciais e de mesmo gênero na sociedade escravocrata brasileira”, usava a história de Maria Leopoldina e Helena como estudo de caso para a análise mais ampla de como relacionamentos íntimos atravessavam e complicavam hierarquias raciais e sociais no Brasil imperial.

    O artigo gerou extensa discussão acadêmica. Alguns historiadores elogiaram a pesquisa por revelar dimensões pouco estudadas da intimidade no Brasil escravocrata. Outros levantaram questões importantes sobre os riscos de romantizar relacionamentos estruturalmente desiguais. Todos concordaram que a história precisava ser contada, mas com cuidado analítico para não apagar as realidades de violência e coerção que permeavam todos os aspectos da escravidão.

    Márcia foi particularmente eloquente em entrevistas sobre o significado da descoberta. Ela disse: “Helena não foi apenas vítima passiva, nem apenas objeto de afeto de Maria Leopoldina. Ela foi pessoa completa, com desejos, pensamentos e agência dentro dos limites brutais impostos pela escravidão. Depois de obter liberdade, ela construiu vida admirável. Abriu negócio próprio, casou, teve filhos, passou educação e valores para gerações seguintes. Sua história é de resiliência, não apenas de sofrimento. É isso que precisamos lembrar.”

    A história também ressoou profundamente com comunidades LGBTQIA+ no Brasil. Ativistas apontaram que Maria Leopoldina e Helena eram parte de uma história queer brasileira que foi sistematicamente apagada. Relacionamentos entre pessoas do mesmo gênero existiram em todas as épocas e lugares, mas raramente foram documentados ou reconhecidos, especialmente quando envolviam pessoas marginalizadas como mulheres e pessoas escravizadas.

    Em junho de 2025, durante o mês do orgulho LGBTQIA+, a Prefeitura de Vassouras inaugurou um pequeno parque público chamado “Jardim Maria e Helena”, localizado próximo ao local onde ficava a antiga fazenda Santa Eulália. O parque tem banco de ferro similar ao da fotografia de 1861, onde visitantes podem sentar e refletir sobre a história.

    Clara Regina Almeida Prado Fonseca e Teresa da Silva Oliveira, descendentes de Maria Leopoldina e Helena, respectivamente, tornaram-se amigas próximas. Elas frequentemente fazem palestras juntas em escolas e universidades sobre história de suas ancestrais e sobre a importância de confrontar verdades complexas e dolorosas do passado.

    O Instituto Educacional Santa Helena, a escola fundada por Maria Leopoldina em 1871, não existe mais fisicamente, mas seu legado foi revitalizado. Em 2025, a Prefeitura de Vassouras, em parceria com organizações educacionais, criou um programa de bolsas de estudo chamado “Programa Helena Leopoldina”, destinado a apoiar educação de jovens negras de baixa renda interessadas em história, artes e ciências sociais.

    A fotografia de 1861, aquela imagem que parecia simplesmente mostrar duas jovens sentadas em um jardim, tornou-se um dos documentos visuais mais estudados e discutidos da história brasileira do século XIX. Ela é citada em cursos sobre história da escravidão, história de gênero, história da sexualidade e história da fotografia.

    Aquele momento congelado no tempo, duas jovens olhando serenamente para a câmera, suas mãos quase se tocando, um medalhão com inicial compartilhada, tornou-se símbolo de amor que desafiou todas as estruturas de poder de sua época, mesmo sabendo que não poderia vencê-las completamente. Historiadores agora usam a história de Maria Leopoldina e Helena para ensinar sobre as complexidades da escravidão brasileira.

    A escravidão não foi apenas sistema de trabalho forçado, foi sistema total que controlava todos os aspectos da vida de pessoas escravizadas, incluindo seus relacionamentos íntimos, suas emoções, suas possibilidades de amar e ser amadas. E ao mesmo tempo, a história mostra que, mesmo dentro daquele sistema brutal, pessoas escravizadas mantinham sua humanidade completa, suas capacidades de sentir, pensar, amar, resistir.

    A história também ensina sobre os limites da boa vontade individual dentro de estruturas opressivas. Maria Leopoldina genuinamente amava Helena e fez o máximo que podia dentro de suas limitações para protegê-la e eventualmente libertá-la. Mas Maria Leopoldina também foi criada dentro de sistema que lhe deu privilégios imensos às custas de pessoas como Helena. Ela desafiou aspectos daquele sistema, mas não podia destruí-lo sozinha. Sua história é tanto sobre o poder do amor individual, quanto sobre as limitações de soluções individuais para injustiças estruturais.

    Helena, por sua vez, demonstrou resiliência extraordinária. Ela sobreviveu a traumas inimagináveis: ser vendida como criança, separada de sua família, viver anos em cativeiro, ser violentamente punida e separada da pessoa que amava. Mas quando obteve liberdade, ela construiu vida digna. Ela não permitiu que as violências que sofreu a definissem completamente. Ela amou, casou, teve filhos, trabalhou, construiu comunidade. Sua história é testemunho da força humana de sobreviver e criar significado mesmo após sofrimento profundo.

    Os quatro filhos de Helena — Ana Leopoldina, José Leopoldo, Maria e Pedro Leopoldo — cresceram livres. Nunca conheceram a escravidão. Helena garantiu que todos fossem educados. Três dos quatro aprenderam ofícios especializados. Todos passaram para seus próprios filhos a história de que vieram de ancestral forte, que sobreviveu e venceu. Embora os detalhes completos da história de Helena com Maria Leopoldina tivessem sido perdidos através das gerações, os valores que Helena priorizou — educação, dignidade, amor, família — foram transmitidos e permaneceram.

    Maria Leopoldina nunca teve filhos biológicos, mas as centenas de meninas que educou em seu instituto foram, de certa forma, seu legado. Muitas daquelas meninas vieram de famílias de ex-escravizados no período pós-abolição. Maria Leopoldina deu a elas oportunidades que a sociedade brasileira racista geralmente negava. Ela as ensinou a ler, escrever, fazer contas, pensar criticamente. Várias de suas alunas tornaram-se professoras, costureiras, pequenas empresárias. Elas, por sua vez, educaram suas próprias filhas e netas.

    Hoje, mais de 160 anos após aquela fotografia ser tirada, os descendentes de Maria Leopoldina e Helena finalmente conhecem a história completa. Eles sabem que suas ancestrais se amaram em um tempo e lugar que tornava aquele amor quase impossível. Eles sabem que aquele amor custou sofrimento terrível, mas eles também sabem que aquele amor foi real, foi documentado e merece ser lembrado.

    A fotografia de 15 de agosto de 1861 não mente. Ela mostra exatamente o que Maria Leopoldina queria que mostrasse: duas jovens mulheres sentadas lado a lado como iguais, olhando diretamente para a câmera com a mesma dignidade, suas mãos quase se tocando. Era imagem impossível para sua época. Impossível socialmente, impossível legalmente, impossível segundo todas as normas e leis do Brasil escravocrata. Mas Maria Leopoldina a criou de qualquer forma. Ela transformou aquele momento em documento permanente de que seu amor por Helena existiu.

    E agora, 163 anos depois, aquele documento cumpriu seu propósito. A história foi contada. Helena não é mais apenas uma entrada em inventário de propriedade (“Escrava Helena, parda, costureira”). Ela é Helena, pessoa completa, mulher que amou e foi amada, que sobreviveu e construiu vida, que teve filhos e netos e bisnetos e tataranetos que hoje carregam seu sangue e seus valores.

    Maria Leopoldina não é apenas filha de Barão do café que nunca se casou. Ela é Maria Leopoldina, jovem que desafiou sua própria classe social e família por amor, que sacrificou tudo para libertar a pessoa que amava, que dedicou sua vida a educar meninas como forma de honrar aquele amor.

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    Esta foi a história de um retrato de 1861 que parecia inocente de duas amigas, mas que revelou uma das verdades mais complexas e comoventes sobre amor, poder e resistência no Brasil escravocrata. Foi história sobre duas jovens que não escolheram nascer em mundos tão profundamente desiguais, mas que, dentro daquela desigualdade, encontraram conexão humana genuína e a honraram da melhor forma que puderam. Obrigado por assistir.

  • URGENTE! Vazou que Dudu lidera favoritismo e vídeo explosivo de Saory complica geral! A Record vai falar?

    URGENTE! Vazou que Dudu lidera favoritismo e vídeo explosivo de Saory complica geral! A Record vai falar?

    A “CPI da Calcinha” e a Tensão Crescente entre Saori e Dudu

    Tudo começou nas horas silenciosas da madrugada, longe dos holofotes principais, mas não das câmeras atentas do pay-per-view. A cena: Saori e Dudu exploravam o closet em busca de itens perdidos e acabaram encontrando vestígios que, para o público, reacenderam uma velha polêmica. Em uma das gavetas, um achado inusitado: uma calcinha de cor rosa com uma mancha. Imediatamente, a memória do público (e dos peões) viajou para a controvérsia anterior envolvendo Saori e um item similar.

    O que poderia ser apenas uma descoberta trivial transformou-se em munição. Saori, com o seu temperamento já conhecido, não hesitou em alfinetar Dudu. A peoa não perdeu a oportunidade de usar o achado para debochar da situação, fazendo uma clara referência ao episódio em que Dudu supostamente teria chamado Tamires para inspecionar uma peça íntima dela. A troca de farpas, registrada em vídeo, mostrou Saori com uma insistência que beirava a provocação, enquanto Dudu tentava se desvencilhar da situação, visivelmente irritado com a persistência da colega.

    A briga, que poderia ter ficado confinada ao closet, seguiu em outros ambientes, e o relacionamento já instável de Saori e Dudu passou por uma nova prova de fogo. Saori acusou-o de esconder coisas dela e de não ser transparente. Mas, em um movimento surpreendente e de demonstração de força, Dudu não cedeu à chantagem emocional. Ele não correu atrás, adotando uma postura de “Você que sabe”, que muitos telespectadores interpretaram como um sinal de maturidade e autoconfiança no jogo. Essa reação fria e calculada de Dudu, no entanto, apenas serviu para alimentar a especulação: de onde vem tanta segurança?

    O Furo de Informação: A Suspeita do Horário Revelado

    O segundo e mais grave ponto da controvérsia veio logo em seguida, ainda na mesma madrugada. Na cozinha, Saori e Dudu conversavam sobre o momento de descanso. Saori, ao se recusar a ir para a área externa, disse que já era tarde, revelando o horário exato da madrugada. Ela mencionou que era por volta de 1h45 da manhã.

    Saory Cardoso avalia chances de Dudu Camargo com ela: 'Acho ele uma  gracinha' | A Fazenda 17

    O problema é que, teoricamente, os peões não têm acesso a relógios ou a informações de tempo no confinamento. Carol, que estava na conversa, logo questionou a origem da informação, e a resposta de Saori foi vaga e evasiva, dando a entender que teria visto através da televisão do closet. O diálogo que se seguiu é um verdadeiro dossiê de desconfiança:

    Carol: “É 1 hora agora da manhã e essa senora não é 1h30.”

    Carol: “Como você sabe?”

    Saori: “Eu tenho informantes.”

    Dudu: “É, queria saber como esse povo sabe.”

    Carol: “É porque tocou o berrante.”

    Saori: “Não.”

    Carol: “A televisão lá dentro, né?”

    Embora a explicação da “televisão” possa ser uma tentativa de disfarce, para muitos, essa conversa apenas confirma um rumor que circula há semanas: o de que alguns peões estariam recebendo informações privilegiadas através do monitor de avisos e advertências dentro do closet. Este não seria o primeiro episódio. A peoa Ioná já havia levantado suspeitas ao comentar que teria sido “aconselhada” por alguém da produção ou da psicóloga a evitar um certo assunto, o que reforça a ideia de que a comunicação com o mundo exterior pode não estar totalmente cortada para todos os participantes.

    O “Presente” da Produção e a Confirmação do Favorito

    Se os episódios de Saori e a tensão crescente no relacionamento não bastavam, um acontecimento banal se transformou no maior indício de favoritismo da temporada. Na mesma madrugada, Dudu recebeu um item pessoal da produção: uma escova de dentes, mas não uma comum. Era uma escova de dentes personalizada com o nome “Dudu” gravado.

    Embora o motivo alegado pela produção possa ser a insistência de Dudu em pedir o objeto, o fato de ele ser o único peão a receber um item personalizado não passou despercebido. Saori, que estava presente, ficou visivelmente surpresa. Para o público e muitos comentaristas, esse ato da produção foi lido como um sinal inequívoco: a emissora estaria, de forma sutil, marcando Dudu como o seu preferido e, consequentemente, o favorito para a vitória.

    A alegação de que a personalização seria para “identificação” não convenceu, pois as escovas de dente não são objetos passíveis de serem misturados em condições normais de uso pessoal. O que antes era um boato, agora ganha contornos de quase certeza. Dudu é o favorito. E o jogo da Record, mais uma vez, é questionado.

    A Mudança Inexplicável de Carol: Estratégia ou Informação?

    Em meio a este cenário de desconfiança, a atitude da peoa Carol também merece atenção. Conhecida por sua proximidade com Kate, uma das maiores rivais de Dudu, Carol teve uma guinada repentina em sua postura. Ela, que antes havia acusado Dudu de traição e de ter tentado colocar sua aliada na Roça, agora está colada nele, defendendo-o com unhas e dentes e se colocando ao seu lado em todas as discussões.

    O que explica essa mudança de 180 graus? Seria uma estratégia para se aproximar do potencial vencedor do jogo, como muitos alegam? Ou será que Carol, a partir de informações que circulam a passos lentos e secretos, percebeu que Dudu é inatingível e decidiu se blindar ao lado do favorito? A audiência está atenta a cada movimento, e essa aliança inesperada é vista por muitos como mais um sinal de que o jogo não está sendo jogado apenas com as cartas que estão sobre a mesa.

    Saori Por Interesse? O Dilema do Relacionamento

    E, claro, a proximidade de Saori com Dudu, apesar das brigas, está sob um microscópio de análise. Seria o interesse, o medo de ser eliminada, o motor por trás da reconciliação após o escândalo da “calcinha”? Muitos acreditam que, sabendo ou desconfiando do favoritismo de Dudu, Saori está estrategicamente se mantendo ao lado dele.

    A Fazenda 17: Carol se revolta com promessa de Dudu e chama peão de  'traíra' · Notícias da TV

    No entanto, há a corrente que argumenta que, se Saori está com Dudu por interesse, ela não o sabe por meio de informações privilegiadas, pois ele sequer foi à Roça para ter seu favoritismo confirmado pelo voto popular. Mas, e se ela souber? E se o vazamento de informações tiver chegado aos ouvidos dela, como sugere o episódio do horário? O relacionamento entre os dois se torna o termômetro de uma temporada onde a desconfiança é a regra e o amor, se existe, é a exceção.

    O Veredito Inconclusivo: A Credibilidade em Jogo

    “A Fazenda 17” se tornou um estudo de caso sobre a credibilidade dos reality shows no Brasil. Nunca, em nenhuma edição, houve tantas intervenções, tantos boatos de vazamento de informações e tantos indícios de que o jogo pode estar sendo direcionado. A formação de Roça de hoje promete ser caótica, mas o que realmente importa é: será que o voto do público ainda decide o resultado?

    A produção da Record tem um longo caminho para recuperar a confiança de sua audiência. O que acontece dentro do closet não fica mais restrito ao closet. A internet viu, e a grande pergunta que fica é: se Dudu é realmente o favorito, qual o preço que o programa está pagando por essa “revelação” precoce?

  • Madrugada pega fogo! Armação EXPLODE, Saory surta e parte pra cima de Dudu; Carol descontrola!

    Madrugada pega fogo! Armação EXPLODE, Saory surta e parte pra cima de Dudu; Carol descontrola!

    Imagine a cena. Os bons companheiros logo depois do assalto a Luftanza. Tudo lindo, tudo perfeito, todo mundo rico. A quadrilha tá feliz tirando foto mental com dinheiro, sonhando com casacos de mink e carros enormes. Mas é aí, exatamente aí que começa o inferno. Porque cada membro da máfia acorda achando que o outro tá querendo passar a perna.

    A desconfiança vira paranoia, a paranoia vira trairagem e a trairagem vira corpos aparecendo em freezer, porta-malas e caminhão de lixo. No meio dessa carnificina elegante tem o personagem mais patético de todos, Morris, o vendedor de perucas. [Aplausos] O coitado só quer receber a parte dele. [Música] I did what I had to do. I need the money.

    [Música] E o Jimmy ignora, enrola, diz que tá sem tempo, até que perde a paciência e adeus, Mou. E aí você olha pro Brasil de hoje e pensa: “Meu Deus, a vida imita escorcese com uma fidelidade assustadora”. Porque o regime supremo PT, Lula e seus togados de estimação, fez sua própria luftanza. Tomaram o poder, dominaram tudo, passaram o rodo.

    Só que agora, agora a máfia começou a brigar entre si. Desconfiança, check, paranoia, check. Trairagem check. E é nesse ponto que surge o nosso Morris de Toga, Luís Roberto Barroso, o choroso, o triste, o exvisionário que agora vive pedindo pra Lula a parte dele. Meu presidente, cadê meu cargo? Cadê minha embaixada? Cadê Paris? E Lula faz o dim, não atende ligação, não responde mensagem, não marca reunião.

    Ministro do STF Luís Roberto Barroso recebe alta hospitalar | Agência Brasil

    Ou seja, se a vida continuar seguindo o roteiro de os bons companheiros, o final desses bons companheiros da vida real. Não vai ser bonito. [Música] Brasilinas e brasilinos, preparem seus corações, seus armários e, principalmente, preparem os gatilhos emocionais da esquerda. Porque chegou a nova coleção de camisetas Oi Luiz.

    As únicas peças de roupa no mundo que a Janja nunca teria coragem de vestir. Com uma camiseta Oi Luís, você irrita petista, socialista, progressista, jornalista da Globo News. Bem, aqueles que sabem ler, né? É só vestir e assistir ao Chilique. As camisetas Oi Luiz vestem melhor do que muita toga e nelas suprema é só a qualidade.

    E o tecido? Ah, o tecido mais resistente que a soberania brasileira, mais leve que o cérebro da Dilma e mais confortável que cargo comissionado. Então, aponte a câmera do seu celular para o QR code na tela ou acesse que está na tela ou clique no link da descrição desse vídeo e comprea, porque diferente do governo, as camisetas Oi Luiz entregam tudo que prometem.

    Brasilinas e brasilinos, preparem-se. Hoje a gente vai acompanhar um momento histórico. Não histórico, tipo descoberta do fogo, queda do muro de Berlim ou chip inventado pelo Elon Musk falar sete idiomas. Ei, Meg, eu não quero comer essa droga. Que tal presunto com ovos? Não é histórico, tipo ver um carro capotando em câmera lenta enquanto toca.

    My Heart will go on ao fundo. Sim, pela primeira vez em 130 anos, um indicado ao STF pode não ser aprovado pelo Senado. E o protagonista dessa novela é Ninguém menos que Jorge Messias, o Messias, o pombo correio do apocalipse jurídico, o homem que virou verbo. Vou dar um Messias aqui. Sinônimo de dar ruim com classe.

    A cena é a seguinte. Lula escolheu Bcias para sentar na cadeira deixada por Luís Roberto Barroso. Cadeira essa que, pelo visto, ficou amaldiçoada. E agora o pobre Messias está correndo atrás de voto, igual o Wly correndo atrás de relevância. Todo mundo sabe que ele existe, mas ninguém consegue encontrar. A Sabatina é dia 10 de dezembro, tá tudo marcado, buffet contratado, fotógrafos prontos, mas o principal, os votos.

    Esses ainda tão em paradeiro desconhecido. Beias tá precisando de 41 votos e, pelo jeito, tá conseguindo só a metade disso e isso se contar voto de amigo imaginário. A CCJ, o primeiro obstáculo, o Minotauro sem glamur. Primeiro ele precisa passar pela CCJ e ali já começa o clima de Olha, sinceramente, a oposição e a bancada evangélica já estão com o pé atrás, os dois braços cruzados e a sobrancelha arqueada, igual o juiz do MasterChef, vem do prato cru.

    E para melhorar a situação, Beias ainda tá enfrentando o pedido de convocação em CPMI por suspeita de prevaricação na fraude do INSS. É tipo se candidatar a síndico do prédio enquanto o condomínio tá investigando seu cachorro por comer as plantas do hall. Não ajuda muito. O Everton Rocha até disse que vai fazer um parecer favorável, mas parecer favorável do Everton é igual elogio de sogra.

    Não muda nada na prática. Agora vamos falar do plenário. Aliados de Davi Al Columbri dizem que tem 50 votos contrários. 50. Isso significa que se Beias fosse um participante de reality show, ele seria eliminado com rejeição maior que Carlinhos Troll no BBB. Aquele mandrado, se fosse hoje não era aprovado, continua valendo, viu Carol? Conversando com alguns aliados do presidente do Senado, Daviol Columbri, o cálculo que eles têm feito é de que eles têm pelo menos 50 votos pela rejeição ao nome de Jorge Messias, o advogado geral

    da União, para o Supremo Tribunal Federal. O Messias precisaria de no mínimo 41 votos. São 81 senadores. Então a conta não está fechando definitivamente. Está desfavorável ao AGU. Desde a redemocratização, nenhum indicado ao STF foi rejeitado. Mas Beias tá ali firme, determinado a quebrar esse tabu.

    É quase um atleta olímpico do fracasso. Se conseguir, merece medalha. Tem outro detalhe importante. A mensagem presidencial que oficializa a votação não foi enviada. E sem mensagem não rola sabatina. É tipo marcar casamento, mas esquecer de enviar os convites. A noiva chega, o padre chega, o bffet chega e ninguém mais aparece.

    Ao columbre ficou pistola. Soltou nota dura, praticamente um disrack institucional. A nota basicamente diz: “Não venham botar a culpa em mim se esse trem descarregar”. Ele reclamou que o governo atrasou de propósito o envio da indicação, tentou jogar pressão para cima dele e ainda ficou aquele rumor gostoso de Brasília. Toma lá daakos, emendas, promessa de amizade eterna, aquela coisa celestial que só a política brasileira proporciona.

    E aí a Columbri disse: “Não gostei”. e marcou a sabatina no dia 10, um prazo curtíssimo. Ou seja, quis dizer: “Meu filho, se vira aí, porque se eu te ajudar eu caio junto”. Supremo com quem eu conversei estão olhando de forma perplexa para essa esse cabo de guerra que foi eh instalado, efetivado por Davi Columbri na visão deles.

    Porque eles dizem assim: “Tudo bem, uma vez superada, o Davi Columb queria o Rodrigo Pacheco, mas uma vez superada essa essa etapa, você tem que tocar a bola, vira a página e vida que segue.” Não foi isso que o Davi Columbri fez na visão deles. Eles Lula não conversou antes com alcumbre, não administrou expectativa, não explicou nada.

    Foi aquele clássico, eu mando, você obedece. Só que o Senado não é o PT, a galera não aceita grito, não. Al Columbre queria o Rodrigo Pacheco, Xandão queria o Rodrigo Pacheco. Os donos do tabuleiro querem o Rodrigo Pacheco. E Lula indicou oas. É tipo está num churrasco e todo mundo quer ouvir metálica, mas o Lula pega o Bluetooth e coloca ao Sion.

    Nada contra, mas contexto, né? Caso Beias seja rejeitado, Lula leva um tombo histórico. Não é só uma derrota política, é aquela queda de escada que viraliza no TikTok com o som do Ai, ai, ai, ai. E aí nos bastidores surge ela, Simone Tebet, a mulher maravilha da governabilidade, a missatia do centrão, a diplomata dos impossíveis.

    O governo já está ali no canto da sala coxixando. E se a gente colocasse a Tebet só para ver como fica? Mas Lula nega. Diz que não quer Pacheco, não quer mudar, não quer aceitar pressão. Aham. Tá bom. É o mesmo Lula que dizia que não ia fazer aliança com o centrão. Dois meses depois tava abraçando o L igual ursinho de pelúcia.

    E o Brasil? Ah, o Brasil. Ai, o Brasil tá com falta de juiz de carreira. Não, meu filho, o Brasil tá com falta de juízo mesmo. Falta de bom senso, falta de vergonha na cara. No Brasil, para ser ministro do STF, notável saber jurídico virou ter diploma de direito. Daqui a pouco vai virar saber escrever o próprio nome sem garrancho.

    Lula, tentando indicar alguém pro STF, virou aquele meme. Não vai não, ele não vai não. Não vai não. Tá ruim de indicação, hein, Lula? Messias, Tébet, Pacheco. Só falta o Tiririca. E sinceramente não sei se pioraria não. Mas agora, meus amiguinhos, chegamos ao trecho mais totoso, suculento, crocante, aquele que vem com aquele crunch emocional que só a justiça poética proporciona.

    Barroso, o protagonista involuntário dessa bagunça, o iniciador da corrente do caos, o homem que acreditou piamente que Lula cumpriria a palavra. [Música] Pois é, estão dizendo nos bastidores que Barroso está depressivo, chorando dias e noites, mocho mergulhado numa bad vibe que nem banheira de sal grosso, nem seita, nem João de Deus, nem meditação transcendental tá resolvendo.

    E olha que ele já tentou tudo isso, hein? Mindphones, yoga, cristal de quartzo, mantra tibetano, playlist. Ative a sua luz interior no Spotify. Barroso tinha um acordo com Lula. Saiu do STF achando que ia ganhar um posto diplomático na Europa, Paris, de preferência. Já tava imaginando o selfie na torre Effel, estudando francês, praticando ui ui, escolhendo o terno para as recepções.

    E o que ganhou? Silêncio. Ghostin. Lula não atende nem SMS. Barroso virou ex-tóxico bloqueado no WhatsApp. Por favor, o Barroso está em lágrimas porque o Lula não atende mais. Fala que eu tô mentindo. Eu quero que você aí em Brasília fale que eu estou mentindo. O Barroso tá chorando, tá? Barroso tá chorando, tá triste, cara.

    Consegue imaginar perfeitamente porque ele combinou o negócio com o Lula e o Lula não tá mais atendendo o telefonema do Barros. Você acha que o Barroso vai aparecer candidato alguma coisa em 2006? Lacombe, só se for a candidata a fila de de de terapia. Quer dizer que o quer dizer que o Barros virou abóbora. O Barroso virou abóbora. Ele combinou um negócio com o Lula para sair.

    Aí o Lula virou e falou assim: “Não, depois que ele saiu, óbvio, enfiou Messias”. É aquela coisa, né? Sai, sai, pode, pode sair. Tá tudo certo, tudo combinado, tá tudo combinado. Não foi cumprido o o combinado. O Messias vai entrar, o Barroso tá chorando porque o Lula não atende mais o telefonema dele. O Al Columbria não conseguiu resolver esse embrolho e o Barroso tá em depressão profunda, chorando dia e noite.

    Hôm nay, Tổng thống Brazil Lula da Silva thăm cấp Nhà nước tới Việt Nam

    Cara, o Constantino tá pessimista, mas eu acho que o Messias tem grande chance de ser barrado. Eu quero que seja provável. Ah, não faz isso não, cara. Faz isso não. O Barroso tá depressivo, ó. O Columbi tá bolado. Você vai querer que essa resolver o problema Você quer resolver o problema dele? Eu quero essa galera brigando igual dois  porque o cabelo do outro.

    Eu quero briga de irmão. Eu quero briga de briga de Eu quero centrão contra PT. É maravilhoso. É porque você tá considerando, se ele for aprovado, significa que o Alcolumbre vai continuar fazendo o jogo do Lula. Se ele for negado, significa que o Alcolumbre tomou uma decisão, finalmente vai descolar, como o partido dele já descolou.

    Ah, não entendi o que você tá falando. Entendi o que você tá falando. Não, mas de qualquer forma, eu quero ver briga de travela. Eu quero ver assim, eu quero, eu quero problema no ponto, sabe o ponto da esquina ali. Eu não quero esse ponto pacificado. Ele confiou em ladrão e olha, deu merda. É como diz o ditado moderno, criado inclusive para momentos como este.

    Entre bandidos não há lealdade. Apenas recibos. Barroso sempre dava dicas culturais em tom irônico. Era toda semana um livro, uma música, uma reflexão, um cheiro de superioridade moral. Pois bem, agora é a nossa vez, Barroso. Dica da semana especial, Barroso. Música Vou festejar de Bet Carvalho com a letra chora.

    Não vou ligar. Não vou ligar. Chegou a hora. Pode chorar. Pode chorar. Barroso querido, respira fundo, abraça o travesseiro, toma um chazinho, mas cuidado com a marca, vai que é servido pela galera da KGB do STF e aceita. Você entrou na fila da ingratidão lulista. É grande, é longa e só anda para trás. Porque como toda boa novela brasileira, quem traz será traído, quem manipula será manipulado.

    E quem confia no Lula pode chorar, pode chorar. E é isso aí, Barroso. Vou festejar porque, sinceramente, depois de anos ouvindo seu tom professoral, suas palestras moralistas, suas lições de ética dadas do alto da torre de marfim, vê você chorando, largado, sem cargo, sem paris, sem status, sem atenção, sem visto, sem retorno de ligação? Ah, isso sim é notório saber jurídico, mas só para quem sabe ler a vida com ironia.

    No fim das contas, nos bons companheiros ou no regime supremo PT, a regra é a mesma. Quem vive de trairagem, morre de trairagem e sempre acaba descobrindo que na verdadeira máfia o último a perceber que virou alvo é o próprio idiota que achava que tava no comando. Perdeu, mané. Fico no tribunal mais alguns dias da próxima semana para devolver alguns pedidos de vista e encerrar as pendências.

    apresentar meu pedido de aposentadoria. Presidente, após mais de 40 anos de serviço público, transmito a Vossa Excelência e a todos os colegas a expressão do meu afeto profundo e sincero, com os melhores votos de sucesso continuado e boas realizações. Amém. Muito obrigado. Gostou desse vídeo? Então, inscreva-se no canal, comente, curta e compartilhe com seus amigos.

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