Month: December 2025

  • “Eu Preciso Fazer Amor, Não Se Mova!” O Grito da Gigante Viúva-Negra da Forja ao Solitário Rancheiro Salva Sua Vida, Mas o Que Ele Fez Depois Chocou a Cidade Inteira.

    “Eu Preciso Fazer Amor, Não Se Mova!” O Grito da Gigante Viúva-Negra da Forja ao Solitário Rancheiro Salva Sua Vida, Mas o Que Ele Fez Depois Chocou a Cidade Inteira.

    O sino da loja de secos e molhados tilintou, mas Henry Watkins sequer se moveu. Ele fez Martha Ironwood esperar vinte minutos na varanda antes de acenar para ela entrar.

    “O que você precisa?” ele perguntou secamente.

    “Farinha, açúcar, grãos de café. Acabou.”

    Martha viu os sacos de farinha empilhados, mas Watkins varreu as moedas que ela colocou no balcão para a mão. “Volte na próxima semana.” A porta bateu atrás dela. Martha caminhou pela rua poeirenta de Mil Haven com as mãos vazias. Aos seus 1,93 metros de altura, ela era uma figura que a cidade preferia ignorar ou temer.


    A quilômetros dali, Samuel Creek martelava um poste de cerca no solo duro. Seu corpo esguio tremia a cada golpe. O gado havia emagrecido, o pasto estava ruim, e Samuel não tinha a força para manter o rancho que um dia compartilhou com sua falecida esposa e filho. Ele trabalhava em silêncio.

    Sua égua, Dancer, mancou em sua direção. A ferradura estava pendurada por um único prego. Sem Dancer, Samuel não conseguiria verificar suas cercas antes da chegada do inverno. Ele precisava de um ferreiro. O mais próximo era na cidade, a mesma que mal notava que ele existia.


    Martha Ironwood notava tudo.

    Ela notou o aviso de despejo pregado em sua porta, dando-lhe 30 dias para vender sua forja. Ela a amassou e jogou nas chamas. A bigorna ressoava, lembrando-a de que, apesar de sua força extraordinária, ela trabalhava e, provavelmente, morreria sozinha.

    Samuel Creek ficou do lado de fora da Ferraria Ironwood por dez minutos. O som do martelo no metal o intimidava.

    “Estamos fechados,” veio a voz grave.

    “Por favor, senhora, minha égua precisa de ajuda,” Samuel murmurou, segurando a ferradura quebrada.

    A porta se abriu. Martha Ironwood preencheu o batente. Ela olhou para o pequeno rancheiro.

    “Você é aquele rancheiro Creek.”

    “Sim, senhora. Samuel Creek.”

    Ela estudou seu rosto. A maioria dos homens vinha para caçoar da mulher gigante. Este parecia nervoso, mas respeitoso.

    “Traga-a para os fundos.”


    Na forja, Martha trabalhou com gentileza surpreendente no casco de Dancer. “Os furos dos pregos alargaram. Vou precisar remodelar a ferradura e encontrar um novo posicionamento.”

    Ela ligou o fole, e as chamas rugiram. O ferro em brasa foi colocado na bigorna. Martha martelava com precisão e controle, moldando o metal como argila.

    “Você é muito habilidosa,” disse Samuel, admirado.

    “O metal tem regras,” ela respondeu, sem parar o trabalho. “Siga-as e ele coopera.”

    Ela preparou-se para o golpe final. A bigorna, pesando mais de 136 quilos, cambaleou. Anos de uso haviam afrouxado sua base. Se caísse, esmagaria Samuel contra a parede.

    Martha viu o perigo. Ela tinha apenas uma chance.

    Eu preciso fazer amor! Não se mova!” ela gritou.

    Samuel congelou, os olhos arregalados de choque e confusão. Martha largou o martelo e avançou, pegando a bigorna em queda com os dois braços. Seus músculos se esforçaram contra o peso esmagador. Com um grunhido, ela empurrou o bloco de ferro de volta para sua base.

    Ela cambaleou para trás, ofegante.

    “O que você disse?” Samuel perguntou, ainda atordoado.

    “Esqueça,” ela disse, voltando ao trabalho.

    “Mas você disse que precisava ‘fazer amor’.”

    Martha sentiu o rosto esquentar. “É um termo de ferreiro. ‘Fazer amor’ significa criar uma conexão perfeita entre peças de metal. Eu precisava que você ficasse exatamente onde estava para que eu pudesse salvar sua vida.”

    O silêncio constrangedor pairou.

    “Oh,” Samuel disse, o calor subindo em suas próprias bochechas. “Eu pensei que você quisesse dizer outra coisa.”

    “Eu sei o que você pensou.”

    Ele agradeceu por ela tê-lo salvado. Ela completou a ferradura e a encaixou perfeitamente em Dancer. Quando Samuel perguntou o quanto devia, ela respondeu: “Nada. Considere como pagamento pelo entretenimento.”

    Ao ir embora, ele perguntou sobre a frase dos ferreiros. Um pequeno sorriso tocou os lábios de Martha. “Somente quando o trabalho é mais importante.”


    Samuel retornou na manhã seguinte, não com moedas, mas com uma carroça cheia de ferramentas agrícolas quebradas.

    “Meu rancho está caindo aos pedaços. Preciso que tudo esteja consertado antes do inverno.”

    Martha examinou o equipamento. “A maioria dos rancheiros jogaria isso fora. Você guardou até o prego torto.”

    Ela viu que Samuel não era adequado para o trabalho pesado. Suas ferramentas quebravam porque ele era obrigado a forçá-las.

    “Eu poderia consertar tudo,” ela disse. “Mas você vai quebrar de novo. Ajude-me a entender como você trabalha. Talvez eu possa construir ferramentas que se adaptem melhor a você.”

    Samuel revelou seu passado: ele era professor e trabalhava com patentes no leste, antes de se tornar rancheiro. Ele entendia de leis e contratos.

    Martha o levou para dentro. O espaço estava cheio de esboços e desenhos de equipamentos agrícolas.

    “Thomas tinha a visão, eu tinha as mãos para construir,” ela disse, a voz cheia de solidão. “Mas as pessoas não confiam em inovações de uma mulher.”

    “Isso é perda delas,” disse Samuel.

    Martha usou um pé de cabra para levantar a bigorna maciça sem esforço. “Alavancagem multiplica a força. A ferramenta certa torna a força irrelevante. Você está lutando contra suas limitações em vez de contorná-las.”

    Eles formaram uma parceria: Martha forneceria as habilidades para projetar o equipamento baseado em alavancagem; Samuel forneceria o conhecimento prático e ajudaria a testar. Eles apertaram as mãos. O aperto de Martha foi cuidadoso, igualando a pressão dele.

    Samuel revelou a dor da perda de sua família. Martha compartilhou que a morte de seu marido por um coração fraco a levou a assumir a forja.

    “As pessoas me evitam porque sou muito diferente,” Martha disse. “Elas evitam você porque você não é diferente o suficiente. Não se encaixa na ideia delas do que um homem da fronteira deve ser.”

    “Talvez seja por isso que nos entendemos,” disse Samuel. Pela primeira vez em anos, nenhum dos dois se sentiu completamente sozinho. Eles trabalharam até o pôr do sol, o ritmo de sua colaboração natural e fácil.


    O Prefeito Grimwald e Cornelius Pike revisavam a agenda. Pike, dono de metade dos edifícios comerciais e planejando um hotel na rota da nova ferrovia, exigiu o despejo imediato de Martha. O lote da forja era a peça que faltava em seu plano.

    “A mulher está se tornando um incômodo público,” Pike declarou. Ele espalhou rumores sobre “sons não naturais” e o medo das crianças.

    O aviso de despejo foi afixado na porta de Martha. Samuel, que sabia sobre leis, percebeu que a linguagem era vaga. Ele visitou a prefeitura à noite, encontrando evidências das compras de terra de Pike e a escritura de Martha, que era anterior a muitas reivindicações.

    Pike intensificou a campanha de rumores, sugerindo que Martha havia enfeitiçado Samuel, usando sua força para “forçá-lo a algo impróprio”.

    Samuel encontrou Martha na forja, martelando com força raivosa.

    “Eles pensam que eu te corrompi,” ela disse. “A verdade não importa se pessoas suficientes acreditarem na mentira.”

    “Nós precisamos mostrar a eles o que realmente estamos fazendo,” Samuel rebateu.

    Ele revelou os pedidos de patentes que vinha registrando em nome de ambos. Desenhos técnicos detalhavam o equipamento revolucionário.

    “Essas invenções podem nos deixar ricos além da imaginação de Pike,” disse Samuel. Os papéis provavam que a parceria deles era baseada em inovação, não em indecência.

    Uma multidão se reuniu na rua, liderada por Pike e o Xerife Morrison.

    “Eles estão vindo me prender,” Martha disse.

    Samuel abriu a porta da forja. “Xerife Morrison! Acredito que você está procurando por mim.”

    Pike gritou: “Agressão com arma mortal! Ela te atacou com aquela bigorna.”

    Samuel enfrentou a multidão. “Vocês estão errados. A Sra. Ironwood não é natural; ela é extraordinária.”

    Ele descreveu como Martha havia salvado sua vida, pegando a bigorna de 136 quilos com as próprias mãos. Ele levantou os documentos de patente.

    “A Sra. Ironwood e eu estamos criando ferramentas que irão revolucionar a agricultura,” ele disse. Ele mostrou os desenhos: arados baseados em alavancagem, mecanismos de portão que exigiam apenas uma pessoa.

    “As habilidades da Sra. Ironwood não são uma ameaça,” Samuel declarou. “Elas são a chave para a prosperidade futura da comunidade.”

    Martha avançou com uma pasta de couro. Dentro, estavam os documentos dos direitos de água não reclamados do riacho que fornecia metade dos ranchos de Mil Haven.

    “Se eu for forçada a deixar Mil Haven,” Martha disse à multidão, “esses direitos vêm comigo. Eu posso desviar essa água para onde eu escolher.”

    O silêncio caiu. Os direitos de água eram a coisa mais valiosa na fronteira.

    Samuel produziu os documentos que refutavam a base legal do despejo. “O Sr. Pike quer a propriedade da Sra. Ironwood para seu hotel. Ele está usando falsas acusações para roubar terras.”

    Pike foi desmascarado.

    Martha propôs à multidão: “Eu proponho que formemos uma cooperativa. Uniremos nossos recursos para fabricar e vender o equipamento que Samuel e eu projetamos.” Ela prometeu que os direitos de água seriam compartilhados de forma justa.

    O Xerife Morrison suspendeu o aviso de despejo. Ranqueiros se aproximaram de Martha para discutir a cooperativa. A verdade havia triunfado sobre o preconceito.

    Martha olhou para Samuel. “Eu preciso fazer amor,” ela disse baixinho.

    “Conexões perfeitas,” ele sorriu. “É isso que temos criado o tempo todo.”


    Três meses depois, a Cooperativa Ironwood-Creek prosperava. As inovações de Martha e Samuel estavam atraindo a atenção de empresas em Chicago.

    Samuel revisava os contratos de licenciamento. “Queremos a garantia de que os membros da nossa cooperativa recebam direitos de fabricação prioritários.”

    Martha assinou os contratos. Sua assinatura valia mais do que toda a riqueza de Pike.

    Naquela noite, ela estava na forja original, trabalhando em um projeto delicado. Ela levantou duas alianças. “Bandas de casamento,” ela disse.

    Samuel examinou a inscrição: Conexões Perfeitas.

    “Você está me pedindo em casamento?”

    “Estou sugerindo que tornemos isso oficial. Desta vez significa exatamente o que você pensa que significa.”

    Samuel colocou o anel. “Eu nunca pensei que alguém olharia além do meu tamanho para encontrar algo que valesse a pena amar.”

    “Eu nunca pensei que alguém olharia além da minha gentileza para encontrar algo que valesse a pena respeitar.”


    O casamento aconteceu na oficina principal. Metade da cidade compareceu. O Reverendo Matthews realizou o serviço entre duas peças maciças de equipamento agrícola.

    Samuel teve que subir em uma caixa de madeira para beijar Martha. A multidão riu com alegria.

    “Nós construímos algo importante aqui,” Martha disse a ele enquanto dançavam. “Nós provamos que diferentes tipos de pessoas podem trabalhar juntas com sucesso. Isso vale mais do que dinheiro.”

    Seu sucesso havia mudado Mil Haven. Eles haviam iniciado algo maior: parcerias baseadas em respeito e inovação estavam se espalhando pela comunidade.

    Ao amanhecer, Martha e Samuel limparam a oficina.

    “Prontos para começar o próximo capítulo?” Samuel perguntou.

    “Eu preciso fazer amor,” ela disse.

    Samuel sorriu e pegou a mão dela. “Vamos fazer algumas conexões perfeitas.”

    Eles caminharam em direção à sua nova casa. A história da gigante ferreira e do gentil rancheiro provou que as parcerias mais improváveis frequentemente criam os resultados mais extraordinários.

  • “PERDOE-ME, FILHO, NÃO TEM JANTAR,” CHOROU A MÃE… UM MILIONÁRIO OUVIU E O QUE FEZ COMOVEU…

    “PERDOE-ME, FILHO, NÃO TEM JANTAR,” CHOROU A MÃE… UM MILIONÁRIO OUVIU E O QUE FEZ COMOVEU…

    Perdoe-me, filho. Não tem jantar. Chorou a mãe. Um milionário ouviu e o que fez a deixou sem palavras. Perdoe-me, filho. Não tem jantar hoje. A voz de Fernanda se quebrou. Ela estava ajoelhada no corredor de massas do mercado extra na muca, suas mãos apertando os dedos pequenos do seu filho de 5 anos. Lágrimas escorriam pelo seu rosto.

    Miguel olhou para ela. Seus olhos castanhos estavam sérios demais para uma criança. Tudo bem, mamãe. Eu não estou com tanta fome assim. O estômago dele roncou alto. A mentira despedaçou o coração de Fernanda. Você só comeu um lanche na escola o dia inteiro. Seus dedos tremiam enquanto contava as moedas na palma da mão. R$ 9.

    A YouTube thumbnail with maxres quality

    Ela precisava de 20 para o macarrão que tinha prometido a ele. Eu sei, meu amor, eu sei. Ela o puxou para perto. O corpinho dele parecia fino demais sob a camisa cinza desbotada. A culpa quase a sufocou. 5 anos. 5 anos esfregando, limpando e ralando em turnos duplos. E ela ainda não conseguia comprar uma maldita janta pro filho. Mamãe, não chora. Miguel passou a mãozinha no rosto dela. A gente pode cozinhar arroz em casa, também é bom. Não tinha mais arroz em casa.

    Ela tinha usado o último de manhã para o café dele. Rafael Mendes parou no fim do corredor como se tivesse levado um soco. Ele tinha entrado para comprar azeite, um capricho de fazer compras ele mesmo em vez de mandar um assistente. Seu carrinho de aço importado, de repente parecia obsceno.

    A cena na sua frente cortava mais fundo que qualquer reunião de negócios. Uma mulher jovem num vestido vermelho que já tinha sido bonito, mas agora estava poído nas barras. Seus ombros tremiam, o menino nos braços dela tentando consolá-la. Eu paguei a passagem do ônibus hoje e comprei seu remédio. A voz de Fernanda era quase um sussurro.

    Me desculpa tanto. O remédio era mais importante. Miguel acenou sério. Minha tosse está bem melhor. Rafael não conseguia ir embora. Seus pés não se moviam. Nos seus 35 anos, criado entre suítes de hotel e salas de diretoria, ele tinha entendido pobreza como conceito, como estatística, como algo que acontecia com outras pessoas. Isso aqui não era estatística.

    Era uma criança mentindo para proteger a mãe. Ele pigarreou baixinho. Fernanda virou de repente. Seus olhos se arregalaram de vergonha. Ela enxugou as lágrimas rapidamente e se levantou, puxando Miguel para trás dela. Desculpa. Sua voz estava firme, apesar das bochechas molhadas. A gente a gente vai. Espera. Rafael se aproximou devagar, como se estivesse perto de um animal assustado.

    Você é Fernanda Costa? O olhar dela ficou desconfiado. Sou. Acho que minha assistente mencionou você. A mentira saiu fácil, fácil demais. Para uma posição no nosso hotel. Que hotel? O Mendes Palace. Ele estendeu a mão. Rafael Mendes, estou procurando uma coordenadora para o departamento de governança. Fernanda encarou a mão dele como se fosse uma cobra.

    Eu trabalho como fachineira num prédio comercial. Eu sei. Suas referências foram excelentes. Ele não baixou a mão. Experiência em liderança, atenção aos detalhes, ética de trabalho excepcional. Eu não tenho experiência em liderança. Você gerencia sua vida e cuida do seu filho sozinha.

    Isso é mais liderança do que a maioria dos meus gerentes vai demonstrar. As bochechas dela ficaram vermelhas. Raiva ou vergonha? Ele não conseguia dizer. Por quê? Por que o quê? Por que você está oferecendo um emprego para uma estranha no corredor do mercado? Os olhos dela perfuraram os dele. Você não me conhece. Miguel puxou a saia dela. Mamãe, talvez ele seja legal.

    Rafael se abaixou na altura do menino. Como você se chama? Miguel. Miguel. Sua mãe está certa em ser cuidadosa, mas eu estou falando sério sobre essa oferta. Ele se levantou de novo, olhando direto para Fernanda. Três vezes o que você ganha agora.

    Benefícios completos pela CLT, acesso à creche para funcionários para o Miguel. Três vezes. A voz dela estava sem emoção. E o que você quer em troca? seu trabalho, sua honestidade, sua capacidade de liderar uma equipe. Ele fez uma pausa e sua disponibilidade para começar às 6 da manhã, porque a governança começa cedo. Ela ficou em silêncio por muito tempo. Miguel se agarrou na mão dela. Eu moro em São Mateus.

    A viagem até jardins leva 2 horas. O hotel oferece vale transporte subsidiado. Por que você está fazendo isso de verdade? A voz dela tremeu. Está zombando de mim? Não. Rafael sentiu algo afiado no peito. Estou fazendo porque posso e porque você merece. Fernanda respirou fundo. A mão livre dela se fechou num punho.

    Se isso for, venha ao hotel amanhã às 9 horas. Recursos humanos. Segundo andar. Ele tirou um cartão de visita. Pergunte pela senora Carvalho. Ela vai ter seu contrato preparado. Um contrato até amanhã. Fernanda Rio Amargo. Não funciona assim tão rápido. No meu hotel funciona. Ele colocou o cartão na prateleira de massas entre eles. O emprego é real, senora Costa.

    A questão é se você tem coragem de aceitar. Ele virou para o caixa, seu próprio carrinho esquecido. No caixa, esperou até Fernanda e Miguel entrarem na fila dele. Ela ficou atrás dele, muda, enquanto seus poucos itens eram escaneados. R$ 37, disse a caixa. Fernanda abriu a carteira. Suas mãos tremiam. Rafael virou. coloca na minha conta jantar de negócios para discutir a posição.

    Eu não posso. Pode sim. Ele entregou o cartão de crédito para a caixa. Miguel precisa jantar. Podemos falar sobre detalhes no trabalho. A caixa passou tudo, os olhos deslizando curiosos entre eles. Fernanda pegou as sacolas com dedos rígidos. “Obrigada”, ela sussurrou. “Nos vemos amanhã?” Ela acenou devagar. “Sim.

    Rafael assistiu ela sair da loja. Mãe e filho, mãos entrelaçadas, sacolas plásticas balançando. Fernanda se abaixou e beijou a cabeça do Miguel na porta. Ele sentou no seu Mercedes, suas próprias compras ainda na loja, o que ele tinha acabado de fazer. O telefone tocou.

    Sua assistente, Marina, preciso de um contrato de trabalho preparado para amanhã. Para quem? Fernanda Costa. Posição. Coordenadora de gerenciamento de governança. Salário. Ele citou um número que fez Marina ofegar. Senr. Mendes, a gente não tem essa posição. A partir de agora tem. Ele desligou. A mãe dele ia fazer perguntas. O conselho ia fazer perguntas.

    Ele teria que inventar respostas. Mas a imagem de Miguel, aquele menininho mentindo que não estava com fome, queimava atrás dos olhos dele. Rafael ligou o motor. Amanhã Fernanda Costa viria ou não. O orgulho dela lutaria com o desespero. Ele sabia qual lado esperava que ganhasse. Fernanda fechou a porta da sua kittinete minúscula em São Mateus atrás dela.

    Um único cômodo que ela mal conseguia pagar. Miguel colocou as sacolas na mesinha. “Mamãe, a gente pode cozinhar o macarrão agora?” Ela acenou, incapaz de falar. Suas mãos ainda tremiam enquanto enchia uma panela. Miguel sentou no chão e desempacotou as sacolas. “O tio foi legal.” “Foi?”, ela murmurou. “Legal demais.

    Ninguém era tão legal sem segundas intenções, mas o cartão no bolso dela parecia esperança, e esperança era uma coisa perigosa. Mamãe! A vozinha do Miguel a puxou dos pensamentos. O tio era um anjo. Fernanda olhou para o filho, essa criança preciosa que era o mundo dela. Não sei, meu amor. Ela se ajoelhou ao lado dele. Mas amanhã a gente vai descobrir. Fernanda parou na entrada do Hotel Mendes Palace.

    O chão de mármore brilhava como espelho. Lustres de cristal pendiam do teto como estrelas caras demais para tocar. Ela olhou para o uniforme surrado, calça preta que estava ficando cinza, blusa branca com um buraquinho no punho que ela tinha costurado três vezes. Posso ajudar? A recepcionista olhou de cima a baixo. Fernanda Costa, tenho reunião com a senora Carvalho.

    O olhar da moça ficou cético. Segundo andar, as 20 mulheres da equipe de governança a encararam quando ela entrou no vestiário. Essa é a nova coordenadora. Uma mulher mais velha cruzou os braços. Parece que saiu da rua. Fernanda engoliu a vergonha. Saí sim, da rua Coronel Paulino Carlos, em São Mateus.

    Acordo às 4:30 da manhã para chegar aqui. Alguém tem problema com isso? Silêncio. Eu trabalhei 5 anos como faxineira. Sei exatamente o que vocês fazem. Ela pegou um carrinho de limpeza. Então, hoje eu não vou coordenar nada. Vou trabalhar com vocês. A mulher mais velha, seu crachá dizia dona Lourdes, arqueou uma sobrancelha.

    Sério? Sério? Fernanda passou as primeiras duas semanas limpando quartos, trocando lençóis e esfregando banheiros ao lado da equipe. Ela não dava ordens, ela observava, aprendia e melhorava os processos silenciosamente. Na terceira semana, ela reorganizou o sistema de estoque. Menos desperdício, menos tempo perdido.

    Na quarta semana, a produtividade do departamento tinha aumentado 23%. Rafael lia os relatórios no escritório dele, procurando desculpas para descer ao departamento de governança. Ele precisava verificar a nova organização dos carrinhos. Ele precisava conferir os números de toalhas. Ele precisava Você precisa parar de inventar desculpas para ver ela. Marina apareceu na porta.

    O conselho está fazendo perguntas sobre os números excelentes que ela está entregando, sobre você criou uma posição do nada para uma mulher que conheceu num mercado. Rafael fechou a pasta. Marca uma reunião com ela. Meu escritório agora. Fernanda entrou 20 minutos depois, ainda de uniforme de trabalho. Ela cheirava a produtos de limpeza e determinação. Você criou esse cargo para mim. Não era pergunta. Criei.

    Por quê? Ela cruzou os braços. Piedade, culpa de rico, porque você merecia uma chance. Rafael se levantou. E por que reconheço o talento quando vejo? Eu tinha R$ 9 bolso. E agora você tem um salário digno, carteira assinada com todos os direitos da CLT, Vale Transporte e FGTS. Ele se aproximou.

    Você vai me dizer que não merecia isso? As mãos dela tremeram. Eu vou provar que você não cometeu um erro. Você já provou. Os olhos deles se encontraram. Algo passou entre eles. Um reconhecimento mudo, perigoso. Marina bateu na porta. Desculpa interromper. Miguel está no saguão procurando a mãe. Fernanda saiu correndo.

    Miguel estava sentado numa poltrona gigante, as perninhas balançando sem alcançar o chão. Ele lia um folheto do hotel, os lábios se movendo devagar com as palavras difíceis. Rafael o encontrou ali 30 minutos depois. Precisa de ajuda? Miguel olhou para cima. Não sei ler essa palavra. Acomodação. Rafael sentou ao lado dele.

    Significa onde as pessoas ficam. Ah, Miguel sorriu. Obrigado, tio. Isso virou rotina. Miguel chegava da escola às 2as da tarde, ia para a creche do hotel até às 3. Depois sentava no saguão lendo ou jogando xadrez com Rafael. Um homem de 35 anos que nunca quis filhos e um menino de cinco que nunca teve pai. Cheque mate, Miguel anunciou numa sexta de junho. Rafael olhou para o tabuleiro incrédulo.

    Como você? O senhor ensinou que a rainha é a peça mais forte. Miguel riu. Então eu usei ela. Fernanda observava de longe o coração apertado. Posso falar com você? Rafael apareceu ao lado dela. Sobre o quê? Final de semana que vem tem festa junina no Parque Ibirapuera.

    Você e o Miguel querem ir? Ele hesitou como amigos, não como chefe e funcionária. Fernanda deveria dizer não. Ela deveria manter distância. Miguel ia adorar. E você? Ela encontrou os olhos dele. Eu também. Mamãe. Olha. Miguel apontou para a fogueira no centro do parque Ibirapuera. Crianças dançavam quadrilha ao redor das chamas. Posso dançar? Fernanda olhou para o vestido caipira que tinha alugado por R$ 10.

    Pode, meu amor. Rafael estava diferente, sem o terno. Calça jeans, camisa simples. Ele parecia normal. Você dança quadrilha? Ela provocou. Não desde os 12 anos. Ele sorriu. Mas aposto que não esqueci. Miguel os arrastou para a dança. O animador gritava comandos enquanto a música de Sanfona tocava. Caminho da roça. Olha a cobra. Balancê.

    Rafael pisou no pé dela. Ela riu pela primeira vez em anos. Uma risada verdadeira que saía de um lugar que ela tinha esquecido que existia. Desculpa. Ele segurou a mão dela um segundo a mais que o necessário. Você dança péssimo. Nunca disse que era bom. Eles compraram pé de moleque e paçoca nas barraquinhas.

    Miguel comeu tanto que ficou com dor de barriga. Estranhos olhavam para eles como se fossem uma família. Talvez parecessem mesmo. Junho virou Júlio. Sábados no teatro municipal assistindo peças infantis. Domingos no Museu do Futebol, onde Miguel ficava hipnotizado pelas camisas históricas. Meu pai me abandonou quando descobriu que eu estava grávida.

    Fernanda contou numa tarde no Parque Vila Lobos, enquanto Miguel brincava no playground. Minha família também, eles são evangélicos do interior de Presidente Prudente. Disseram que eu tinha trazido vergonha. Rafael não disse nada, só pegou a mão dela.

    Rodrigo, o pai do Miguel, me ofereceu dinheiro para abortar. Quando eu recusei, ele sumiu. Sua voz endureceu. Ele manda R$ 200 a cada dois. trs meses o suficiente para não perder os direitos legais, mas não o suficiente para ajudar de verdade. Você é a pessoa mais forte que eu conheço. Eu não sou forte. Eu só não tive escolha. Agosto chegou com chuva.

    Fernanda trabalhou até tarde, organizando inventários. Rafael estava no escritório revisando contratos. 9 da noite, ele desceu com dois cafés do restaurante do hotel. Achei que você precisasse. Eles conversaram por horas no escritório vazio da governança sobre sonhos, medos, arrependimentos. Minha vida inteira foi decidida antes de eu nascer.

    Rafael olhou para o café frio. Qual universidade? Qual curso, qual negócio? Eu construí um império e me sinto vazio. E agora? Agora eu sei o que estava faltando. Ele olhou para ela. Você e o Miguel me mostraram o que é viver de verdade. O silêncio entre eles ficou carregado. Rafael se inclinou. Os lábios dele quase tocaram os dela. Ele parou. Não quero que você pense que isso é obrigação ou gratidão.

    Não é isso que eu penso. A voz dela tremeu. Mas o momento passou. A propriedade venceu. As fofocas começaram na semana seguinte. a chefe de governança e o dono do hotel envolvidos. Os rumores chegaram ao conselho diretório. “Seu comportamento está sendo questionado”, Marina avisou Rafael. “O conselho acha que você está comprometendo o julgamento profissional.

    O conselho pode” O telefone de Rafael tocou. Fernanda chorando. Ele atendeu correndo. O que aconteceu? Ele voltou. Ela soluçava. Rodrigo apareceu no meu apartamento, diz que quer visitar o Miguel, que tem direitos. Rafael estava no carro em dois minutos. Ele encontrou Fernanda tremendo na porta da Kitinete. Miguel dormia dentro, alheio ao drama.

    Ele viu uma foto no Facebook. Alguém postou a gente no parque. Ela enxugou as lágrimas com raiva. Agora ele acha que eu tenho dinheiro, que você vai me sustentar. Ele ameaçou você. disse que vai pedir visitação na justiça, que pode pedir guarda compartilhada. Suas mãos tremiam. A lei brasileira favorece os pais Rafael, mesmo os que abandonaram. Ele a puxou para um abraço.

    Ela se agarrou nele como se estivesse se afogando. Estou apaixonada por você, ela sussurrou contra o peito dele. E isso me apavora. Rafael segurou o rosto dela entre as mãos. Por quê? Porque pessoas como você não ficam com pessoas como eu, porque sua mãe vai me odiar. Porque eu vou estragar tudo e Miguel vai se machucar.

    Ou ele disse baixinho, a gente pode construir algo real juntos. Ela quis acreditar, Deus como ela quis, mas no escritório dele, Marina organizava documentos de uma investigadora particular, contratada por Beatriz Mendes três semanas atrás. O relatório estava completo. Origem de Fernanda, o encontro no mercado, a posição fabricada, a relação crescente.

    Beatriz fechou a pasta, os lábios apertados numa linha fina. Essa mulher está usando meu filho, R$ 50.000. Beatriz Mendes colocou o envelope na mesa de recepção. O saguão do hotel ficou em silêncio. Pegue e desapareça da vida do meu filho. Fernanda congelou no meio do lobby. Clientes olhavam. Funcionários pararam de trabalhar.

    Senora Mendes, não me insulte fingindo que não sabe do que estou falando. Beatriz usava um terno chanel que custava mais que o aluguel de Fernanda por um ano. Você armou tudo. O encontro no mercado, as lágrimas, a criança muito conveniente. Eu não armei nada, não. Beatriz riu frio. Uma faxineira pobre com filho para sustentar.

    Meu filho aparece como salvador. Agora você tem emprego, salário gordo e está de olho em muito mais. Fernanda sentiu cada par de olhos sobre ela. A vergonha queimava como ácido. O dinheiro está numa conta bancária esperando transferência. Você só precisa assinar. Beatriz empurrou documentos. Acordo de confidencialidade e afastamento. Você nunca mais fala com Rafael ou sobre essa família. Eu não quero seu dinheiro.

    Todo mundo quer dinheiro, querida. Principalmente gente como você. Fernanda tremeu de raiva. Ela tirou o crachá do pescoço e colocou na recepção. Eu não estou com seu filho por dinheiro. Sua voz saiu firme, apesar das lágrimas, mas também não fico onde não sou respeitada. Você está demitindo? Estou pedindo demissão.

    Vou enviar o aviso prévio de 30 dias por e-mail hoje. Ela virou para Marina, que assistia horrorizada. me manda os formulários da recisão. Fernanda atravessou o lobby de cabeça erguida. Miguel esperava na creche, sem saber que a vida deles tinha acabado de desmoronar de novo. Rafael chegou 15 minutos depois, saindo de uma reunião do conselho.

    O que você fez? Ele encarou a mãe com uma fúria que ela nunca tinha visto. Protegi você de uma aproveitadora. Você destruiu a melhor coisa que já aconteceu na minha vida. Sua voz era gelo. Você humilhou publicamente a mulher que eu amo por causa do seu preconceito nojento. Rafael, seja racional.

    Racional? Você ofereceu dinheiro para ela me deixar como se amor pudesse ser comprado. Ele deu um passo para perto. Você acabou de perder seu filho, mãe. Parabéns. Você não pode falar sério. Eu nunca falei tão sério na vida. Fernanda voltou para o emprego antigo no prédio comercial no centro. Turno da noite, salário mínimo de volta ao ponto de partida. Ela bloqueou o número de Rafael, apagou as mensagens sem ler.

    Miguel perguntava todo dia: “Quando a gente vai ver o tio Rafael?” “Não vamos mais, meu amor.” “Por quê? Ele não gosta mais da gente?” Cada pergunta era uma faca no coração dela. Rafael se afogou em trabalho. Reuniões, relatórios, viagens. qualquer coisa para não pensar nela, mas tudo lembrava.

    O departamento de governança que ela reorganizou, o lobby onde Miguel jogava xadrez, a creche com os desenhos dele ainda na parede. Rodrigo sentiu a vulnerabilidade dela como tubarão sente sangue. Estabeleci direito de visitação. Ele apareceu numa quarta-feira, todo sábado, 4 horas. A juíza foi bem clara. Você não se importa com ele. Me importo com meus direitos. Ele sorriu.

    E com garantir que você não se esqueça de quem é o pai dele. Miguel não lembrava do pai. Ficava agarrado em Fernanda aos sábados, confuso e assustado. O aniversário de 5 anos do Miguel chegou no final de setembro. Fernanda comprou um bolo da padaria do bairro, um presente, um carrinho de brinquedo que ela achou na promoção. Faz um pedido, meu amor.

    Miguel soprou as velinhas. Fernanda tentou sorrir. O que você pediu? Que o tio Rafael volte. Miguel olhou para ela com olhos sérios demais. Porque você sorria quando ele estava aqui, mamãe? Fernanda correu para o banheiro e chorou até não ter mais lágrimas. Ela estava ensinando medo para o filho.

    Estava mostrando que correr era mais seguro que lutar. Rafael recebeu o relatório dos advogados dele numa sexta-feira. Rodrigo Tavares tinha dois outros filhos que abandonou. Dívidas em cinco bancos, uma denúncia de assédio de uma ex-namorada. A gente consegue uma ordem restritiva fácil”, o advogado explicou, “E destruir qualquer pedido de guarda.

    ” Rafael olhou para os documentos, não para controlar a vida de Fernanda, mas para dar a ela as armas para lutar. Rafael bateu na porta da Kitinete num domingo de outubro. Jeans desbotado, camisa simples, sem motorista, sem seguranças. Só ele. Fernanda abriu a porta. Os olhos dela se arregalaram.

    O que você está fazendo aqui? Preciso falar com você. A gente não tem nada para Por favor. A voz dele quebrou. 5 minutos. Ela deixou ele entrar. Miguel estava no chão desenhando. Quando viu Rafael, o rostinho dele se iluminou. Tio Rafael. Ele pulou nos braços dele. Rafael o abraçou apertado, os olhos fechados. Oi, campeão. Senti sua falta.

    Eu também senti a sua. Fernanda sentiu o coração se despedaçar. Miguel, vai desenhar no quarto. Eu preciso conversar com o tio Rafael. Miguel obedeceu relutante, olhando para trás a cada passo. Eu não vim aqui como Rafael Mendes, dono de hotéis. Ele ficou de pé na sala minúscula. Vim como o homem que te ama, que ama seu filho, que passou dois meses miserável sem vocês.

    Sua mãe deixou bem claro: “Minha mãe não decide minha vida”. Ele deu um passo para perto. Eu decido e eu escolho você. E se eu não conseguir pertencer ao seu mundo? As lágrimas dela começaram. E se ela estiver certa? E se eu só trouxer problemas? Meu mundo não significa nada sem você. nele. Rafael segurou o rosto dela. E minha mãe está errada, sobretudo. Ele tirou uma pasta da mochila.

    Isso é informação sobre o Rodrigo, histórico dele, outras famílias que ele abandonou, dívidas, denúncias, o suficiente para conseguir uma ordem restritiva. Você investigou ele? Meus advogados investigaram, mas esses documentos são seus, Fernanda. Você decide se usa ou não. Ele colocou a pasta na mesa. Não estou aqui para consertar sua vida. Estou aqui para apoiar você consertando ela mesma.

    A diferença dessas palavras, dessa compreensão, quebrou as defesas dela. “Eu também te amo”, ela sussurrou. “Mas estou com tanto medo”. “De quê?” “De perder, de Miguel se apegar e você ir embora. de não ser suficiente. Miguel apareceu na porta. Você vai ser meu pai agora. Rafael e Fernanda congelaram. Rafael se ajoelhou na altura dele.

    Se sua mãe e eu conseguirmos resolver as coisas. E se você quiser, então sim, eu adoraria. Miguel o abraçou com força. Eu quero. Fernanda viu naquele abraço tudo que tinha negado por medo. Eles já eram uma família. Ela só estava com medo demais para admitir. “Eu preciso de tempo”, ela enxugou as lágrimas. “E limites claros.

    E você tem que respeitar que eu preciso contribuir financeiramente. Não quero ser sustentada.” “Entendido?” Rafael se levantou. A gente faz isso do seu jeito, no seu tempo. E o Rodrigo, “A gente vai ver um advogado segunda-feira juntos.” Ele hesitou. Você tem direitos. Miguel tem direitos. Eu só quero te ajudar a lutar por eles.

    Duas semanas depois, com evidências esmagadoras, a juíza concedeu ordem restritiva temporária contra Rodrigo. O processo completo levaria meses, mas Miguel estava seguro por enquanto. “Obrigada”, Fernanda disse no estacionamento do fórum. “Você lutou por isso. Eu só segurei sua mão. Rafael não pediu para ela voltar pro hotel.

    Em vez disso, ofereceu algo diferente. Eu preciso de alguém para desenvolver programas de treinamento para funcionários em toda a rede de hotéis. Ele mostrou a proposta. Salário justo, contrato de consultoria. Você trabalha de casa baseado na sua experiência real. Consultoria, ela riu sem humor. Eu tenho só ensino médio. Então você se matricula num curso técnico no Senac.

    Gestão hoteleira. Ele apontou pros papéis. Se meses online. Eu pago o curso. Você paga trabalhando. Porque você acredita tanto em mim? Porque eu te vi transformar um departamento inteiro em três meses. Porque você lidera com respeito, não com medo. Ele sorriu. E por você é mais inteligente que metade dos executivos que eu conheço? Fernanda pegou os papéis, as mãos tremendo.

    Eu aceito, mas com condições. Quais? A gente divide despesas quando estivermos juntos. Proporcionalmente, mas eu contribuo. Ela levantou o queixo. E o curso do Miguel eu pago metade quando eu puder. Rafael estendeu a mão. Negócio fechado. Ela apertou a mão dele. Parceiros iguais. No fim de novembro, eles foram paraa praia de Guarujá. Miguel viu o oceano pela primeira vez.

    Mamãe, olha, a água não acaba nunca. Rafael e Fernanda sentaram na areia enquanto Miguel corria nas ondas. Eu estou pronta, ela disse de repente. Não porque parei de ter medo, mas porque aprendi que ter medo e ser corajosa não são opostos. Pronta para quê? Para isso, para nós. Ela virou para ele, para construir uma vida juntos. Rafael tirou uma caixa do bolso.

    O anel dentro era simples, ouro, sem diamantes enormes. Esse anel era da minha avó, do lado do meu pai, não da minha mãe. Ele sorriu. Ela casou por amor contra a vontade da família. Acho que ela aprovaria você, Rafael. constrói uma vida comigo, não como minha funcionária, não como alguém que eu salvei, mas como minha igual, minha parceira, meu amor.

    Fernanda olhou pro anel, pro homem, pro filho dela, brincando na praia. Sim, mamãe, eu quero lasanha. Miguel puxou o carrinho no mercado extra. O mesmo corredor, a mesma loja, mas tudo diferente. Seu pai quer churrasco. Fernanda riu, observando Rafael estudar os cortes de carne com seriedade exagerada. Pai saía natural agora.

    Miguel tinha começado a chamar Rafael assim em dezembro, três semanas depois do pedido de casamento. Churrasco é domingo. Rafael colocou picanha no carrinho. Hoje é sábado de lasanha. Vocês dois vão me deixar louca. Fernanda balançou a cabeça, mas sorria. Seis meses, meio ano, desde que ela disse sim na praia.

    A vida tinha mudado, mas não do jeito que ela esperava. Rafael não a tinha salvado num apartamento em jardins. Eles tinham alugado juntos em Vila Mariana, os dois nomes no contrato, as despesas divididas proporcionalmente. “Eu ganho oito vezes mais que você”, Rafael tinha argumentado. “Não faz sentido dividir meio a meio.” 70:30, então final. Fernanda cruzou os braços.

    Eu contribuo ou a gente não mora junto. Ele aceitou porque entendia. Não era sobre dinheiro, era sobre dignidade. O trabalho dela tinha crescido além das expectativas. Três hotéis fora da Rede Mendes já tinham contratado seus treinamentos de governança. Ela estava terminando o curso técnico no Senac com notas excelentes.

    Senora Costa, uma voz atrás dela. Fernanda virou a caixa do mercado, a mesma de 10 meses atrás. Eu lembro de você. A mulher sorriu aquele dia eu vi. Fernanda ficou tensa. Rafael apareceu ao lado dela, pegou sua mão. Eu só queria dizer, a caixa continuou baixinho, que eu estava torcendo por vocês desde aquele dia.

    Os olhos de Fernanda arderam. Obrigada. Na fila do caixa, Miguel organizava as compras no carrinho, como Rafael tinha ensinado. Produtos pesados embaixo, frágeis em cima. “Se anos em duas semanas”, Rafael comentou. Está pensando em festa grande? Boteco da muca. Amigos, bolo, churrasco. Fernanda sorriu. Nada de salão chique.

    Perfeito. O casamento seria em agosto. Pequeno, simples. O pai de Rafael, divorciado de Beatriz há anos e vivendo em Portugal, tinha ligado entusiasmado. Finalmente, meu filho está feliz de verdade. Beatriz não foi convidada. Talvez um dia, Rafael disse, mas agora não. Os limites estavam estabelecidos.

    O processo contra Rodrigo tinha terminado em março, ordem restritiva permanente até Miguel completar 18 anos, a menos que Rodrigo provasse reabilitação completa. Ele não tinha aparecido na audiência final. Miguel não perguntava mais sobre ele. Pai, você prometeu me ensinar aquele movimento de xadrez.

    Miguel puxou a manga de Rafael enquanto saíam do mercado. Depois do almoço, campeão. Fernanda observou os dois. Rafael carregando Miguel nas costas. O menino rindo, seguro, amado. Sua família não perfeita. Rafael ainda trabalhava demais. Às vezes, ela ainda acordava às vezes com medo de que tudo desaparecesse.

    Miguel ainda tinha pesadelos ocasionais, mas era real, construído com escolhas, não com salvação, com parceria, não com caridade. “Em que você está pensando?”, Rafael perguntou quando chegaram no apartamento, que há 10 meses eu estava ajoelhada no chão daquele mercado. Fernanda encostou na porta, achando que tinha chegado no fundo.

    E agora? Agora eu sei que aquele foi o começo, não o fim. Miguel apareceu da cozinha já de avental. Vamos fazer a lasanha juntos. Rafael pegou outro avental, Fernanda, o terceiro, os três na cozinha pequena, tropeçando uns nos outros, rindo. Não era conto de fadas, era melhor.

    Era vida de verdade, amor de verdade, família de verdade, construída no corredor três de um supermercado, começada com perdão pedido por uma mãe e ouvido por um homem que aprendeu que riqueza não tem nada a ver com dinheiro. Fernanda olhou pela janela do apartamento. Lá embaixo, a cidade de São Paulo pulsava, a mesma cidade onde ela tinha sofrido, lutado, sobrevivido e agora vivia.

    Realmente vivia. Te amo”, Rafael sussurrou atrás dela. “Eu também te amo.” Miguel começou a cantar na cozinha, desafinado e alto. Fernanda fechou os olhos e sorriu. Eles salvaram um ao outro e isso fez toda a diferença. Você acredita que o amor verdadeiro pode começar nos momentos mais improváveis? A história de Fernanda e Rafael nos mostra que às vezes quando estamos no nosso ponto mais vulnerável, é exatamente aí que a vida nos surpreende com uma segunda chance.

    Se essa história tocou seu coração, se você também acredita que dignidade e amor podem transformar vidas, deixe seu like e compartilhe este vídeo com alguém que precisa acreditar que dias melhores sempre podem chegar. Seu comentário aqui embaixo pode inspirar outras pessoas que estão passando por dificuldades parecidas com as de Fernanda.

    E você, de qual país está assistindo a este vídeo? Escreva nos comentários sua cidade e país. Adoramos saber que nossas histórias alcançam corações ao redor do mundo. Se você gostou dessa narrativa sobre superação, amor e família, não esqueça de se inscrever no canal e ativar o sininho de notificações para não perder nenhuma das nossas próximas histórias emocionantes.

    Cada inscrição nos motiva a continuar trazendo conteúdos que tocam a alma e nos lembram do poder transformador do amor verdadeiro.

  • O Coronel OBRIGAVA A Esposa a SE DEITAR Com 7 Escravos

    O Coronel OBRIGAVA A Esposa a SE DEITAR Com 7 Escravos

    Você já parou para pensar no que realmente acontecia dentro das fazendas quando ninguém estava olhando? Eu vou te contar uma história que vai te deixar sem palavras. Um homem que dividia sua própria esposa com sete escravos. Cada um deles tinha um dia da semana reservada, segunda, terça, quarta e assim por diante.

    Parece ficção, eu também achei que era, mas os documentos que eu encontrei provam o contrário. E o pior de tudo, isso não era tão incomum quanto você imagina. Antes de continuar, se inscreve no canal e deixa aquele like, porque aqui a gente sempre traz essas histórias que ninguém tem coragem de contar.

    histórias reais, pesadas, que mostram o lado mais brutal da humanidade. E me conta nos comentários de onde você tá assistindo. Eu sempre lei todos. Agora vem comigo, porque essa história vai muito além do que você tá imaginando. Meu nome não importa muito, mas o que eu faço, sim.

    Eu passo meses, às vezes anos, investigando documentos antigos, cartas, registros de fazendas, testamentos, processos judiciais esquecidos em artigos empoerados do interior do Brasil. Eu viajo para cidades pequenas, converso com funcionários de cartórios que nunca viram ninguém interessado naqueles papéis velhos. Passo horas lendo manuscritos com caligrafia quase legível, tentando decifrar o que aconteceu séculos atrás.

    E foi assim, depois de quase um ano de pesquisa, que eu encontrei o caso de Joaquim Tavares da Silva. Esse nome provavelmente não diz nada para você e não deveria mesmo. Ele nunca foi famoso, nunca entrou pros livros de história que a gente estuda na escola, nunca teve estátua, nunca teve rua com o nome dele.

    Mas o que ele fez? O sistema doentio que ele criou dentro da fazenda dele era tão perturbador que até seus próprios vizinhos, gente que também era dona de escravos e que via atrocidades todos os dias, achavam aquilo demais. Achavam que ele tinha passado de todos os limites, mesmo numa época onde os limites praticamente não existiam.

    Joaquim Tavares da Silva era dono de uma fazenda de café no interior do Rio de Janeiro, mais especificamente no Vale do Paraíba, numa região que fica entre Vassouras e Barra do Piraí, por volta de 1840. Naquela época, o Vale do Paraíba era o coração da produção de café no Brasil.

     

    Era de lá que saía o café que enriquecia o império, que pagava as contas da coroa, que sustentava toda uma elite de fazendeiros que viviam como pequenos reis nas suas terras. A fazenda dele não era gigante, não era a maior da região, mas tinha um tamanho considerável. Eram cerca de 200 alqueires de terra, com cafezais que se estendiam até onde a vista alcançava, casre imponente, cenzalas, tulha, terreiro de café, moenda. E trabalhando em tudo isso, ele tinha uns 50 escravos.

    Homens, mulheres, crianças, todos presos ali, sem escolha, sem voz, sem nada. Acordavam antes do sol nascer, trabalhavam o dia inteiro debaixo do sol escaldante, voltavam quando já estava escuro, comiam um pouco de anguinho e dormiam no chão duro da cenzala. E no dia seguinte, tudo de novo, todo dia, todos os dias, até morrer ou até serem vendidos para outra fazenda. E no meio disso tudo estava Maria Luía.

    a esposa dele, uma mulher branca, de família tão bem dona de terras lá de Rezende, que tinha se casado com Joaquim quando tinha apenas 16 anos. Casamento arranjado, como era costume na época. As famílias se reuniam, conversavam sobre dotes, sobre terras, sobre alianças e decidiam o futuro dos filhos como se estivessem negociando a venda de uma propriedade.

    Maria Luía não escolheu se casar com Joaquim. Ela mal conhecia quando o pai dela anunciou noivada. tinha visto ele talvez três ou quatro vezes em festas e encontros sociais. Ele era 20 anos mais velho que ela, um homem sério, de poucas palavras, que passava maior parte do tempo cuidando dos negócios da fazenda.

    Mas ele tinha terras, tinha dinheiro, tinha uma boa reputação na região e isso era o que importava pro pai dela. Então ela se casou, colocou o vestido branco, foi até a igreja, disse sim na frente do padre e se tornou a senora Tavares da Silva. E achava que ia ter uma vida normal.

    Achava que ia cuidar da casa grande, ter filhos, ir à missa todo domingo, receber visitas das outras esposas de fazendeiros, envelhecer ao lado do marido. Mas não foi isso que aconteceu. Maria Luía era descrita pelos poucos relatos que sobraram como uma mulher bonita, de cabelos castanhos compridos que ela prendia num coco, pelara que queimava fácil no sol do Vale do Paraíba, olhos verdes, jeito quieto e delicado. Ela tinha sido criada dentro dos padrões da época.

    A YouTube thumbnail with maxres quality

    Aprendeu a tocar piano, a bordar, a recitar poesia em francês, todas aquelas coisas que as moças de família boa aprendiam para serem boas esposas. Ela era religiosa, rezava o terço todo dia, lia a Bíblia, tinha uma fé sincera. E quando se casou com Joaquim, ela levou essa fé com ela. Achava que Deus ia abençoar o casamento, que ia dar a ela uma família feliz, mas com o tempo ela percebeu que tinha se casado com um homem que não era o que parecia.

    Joaquim era educado em público, sempre dizia as coisas certas, sempre agia de acordo com o que a sociedade esperava dele. Mas em casa, quando era só ele e ela, era diferente. Ele era frio, distante, quase nunca conversava com ela.

    Passava horas trancado no escritório, mexendo em papéis, fazendo anotações, lendo livros que ele mandava buscar do Rio de Janeiro e quase nunca tocava nela. Nos primeiros meses de casamento, isso deixou Maria Luía confusa. Ela tinha sido criada acreditando que o marido ia querer ter filhos logo, que essa era a função dela. Mas Joaquim parecia não ter interesse nenhum e ela não sabia o que fazer.

    Não tinha com quem falar, não podia voltar paraa casa dos pais e dizer que o casamento não estava dando certo. Isso ia ser uma vergonha pra família inteira. Então ela ficou quieta, tentou ser uma boa esposa, tentou agradar ele, mas nada mudava. Ela quase nunca falava com as outras mulheres da região nas festas e encontros sociais.

    Sempre estava um passo atrás do marido. Olhar para baixo, postura curvada, como se quisesse desaparecer. Usava vestidos escuros, de cores apagadas, nada chamativo. Não usava joias, não penteava o cabelo de forma elaborada. Era como se ela tivesse tentando se tornar invisível.

    As outras esposas de fazendeiros comentavam entre si que ela parecia assustada, que tinha algo estranho nela. Algumas diziam que ela era apenas tímida. que era nova, que ia se acostumar com a vida de casada. Outras achavam que tinha algo mais, mas ninguém perguntava. Não era educado, não era seguro. Você não se metia nos assuntos de outra família, principalmente quando essa família tinha poder e terras.

    E Joaquim Tavares tinha poder. Ele era respeitado na região. Era um dos membros mais importantes da irmandade da igreja local. contribuía financeiramente para várias obras de caridade. Era visto como um pilar da comunidade. Ninguém ia questionar ele. O que ninguém sabia, ou pelo menos fingia não saber, era que Joaquim Tavares tinha criado um sistema, um esquema perturbador, meticulosamente planejado, que envolvia Maria Luía e sete dos escravos da fazenda dele.

    Não eram escravos quaisquer, eram homens que ele escolheu especificamente depois de meses observando, analisando, fazendo anotações sobre cada um. Ele queria homens fortes, jovens, saudáveis, homens que ele achava que representavam diferentes características, diferentes tipos. Ele tinha uma obsessão doentia com o que ele chamava de estudos sobre a natureza humana.

    Ele lia livros de pseudociência europeia, teorias racistas que tentavam justificar a escravidão através de explicações biológicas absurdas. E ele queria fazer os próprios experimentos, queria observar, queria documentar, queria provar teorias malucas que existiam só na cabeça dele. E para isso ele precisava de sujeitos. E ele tinha, ele tinha 50 escravos que eram propriedade dele, que não podiam dizer não, que não tinham direito nenhum.

    E ele tinha uma esposa que também não podia dizer não. E cada um deles tinha um dia da semana. Segunda-feira era João, terça-feira era Benedito, quarta-feira era José, quinta-feira era Miguel, sexta-feira era Antônio, sábado era Francisco e domingo era Joaquim. Mas não.

    Joaquinho fazendeu era outro escravo com o mesmo nome do senhor, algo que Joaquim Tavares achava engraçado, uma piada particular dele que mostrava o tipo de homem que ele era. Joaquim Tavares não participava dessas situações. Ele apenas observava, controlava, decidia quando, como, onde. Fazia anotações no caderno preto dele, desenhava esquemas, comparava, tratava seres humanos como se fossem animais num experimento. E Maria Luía, Maria Luía não tinha escolha nenhuma.

    Ela era tão prisioneira quanto os escravos, só que de uma forma diferente. Ela não podia fugir, não podia pedir ajuda, não podia contar para ninguém, porque quem ia acreditar nela? Quem ia questionar o marido dela? Um homem respeitado, contra a palavra de uma mulher? E Joaquim Tavares era duas coisas.

    Você pode estar se perguntando como isso veio à tona, como uma coisa dessas ficou registrada, se era tão secreto, se Joaquim fazia tanto esforço para esconder? A resposta é simples e ao mesmo tempo, complicada. Em 1847, Maria Luía morreu. A causa oficial foi febre amarela, que naquela época estava matando muita gente no Vale do Paraíba. A doença tinha vindo com navios do Rio de Janeiro e se espalhado pelas fazendas, matando escravos, matando senhores, não fazia distinção.

    Era uma época de muito medo, de muito desespero. As pessoas se trancavam em casa, tentavam se proteger, mas não adiantava muito. A febre chegava de qualquer jeito. E quando Maria Luía começou a ter os sintomas, os olhos amarelados, a febre alta, o corpo todo doendo, todo mundo achou que era só mais uma vítima da epidemia.

    Joaquim chamou o médico da região um homem chamado Fernando Augusto, mas não tinha muito o que fazer. Medicina naquela época era limitada. A maioria das doenças não tinha cura, não tinha tratamento adequado. As pessoas apenas esperavam para ver se o corpo ia aguantar ou não.

    Mas teve outro homem que foi chamado nos últimos dias de Maria Luía, o padre Antônio José da Cruz. Ele era o pároco da igreja local, um homem de uns 60 anos, cabelos brancos, que conhecia todo mundo na região. Ele tinha batizado Maria Luía quando ela era criança lá em Rezende, antes de se ela mudar pra fazenda de Joaquim. E quando soube que ela estava morrendo, ele foi até a fazenda para dar a extrema unção.

    O último sacramento era obrigação dele como padre. Ele entrou no quarto onde Maria Luía estava deitada, um quarto grande, mas escuro, com as janelas fechadas para impedir que a doença se espalhasse, segundo acreditavam na época. Maria Luía estava muito frata, quase não conseguia falar, a pele amarelada, os lábios rascados.

    O padre Antônio sentou ao lado da cama, segurou a mão dela e começou a rezar. E foi nesse momento que ele percebeu algo. Ele viu marcas nos braços dela, matomas, alguns velhos, outros mais recentes. Ele afastou um pouco o lençol e viu mais marcas no pescoço, nos ombros, sinais claros de violência.

    Ele ficou preocupado, perguntou a ela com a voz baixa para Joaquim, que estava do outro lado do quasto, não ouvir se alguém tinha machucado ela. Maria Luía apenas olhou para ele e começou a chorar. Lágrimas descendo pelo rosto pálido, sem fazer barulho, só chorando. O padre Antônio perguntou de novo, disse que ela podia confiar nele, que ele era servo de Deus, que tudo que ela dissesse ficaria em segredo da confissão, mas Maria Luía não falou.

    Ela apenas sussurrou com uma voz tão baixa que o padre quase não ouviu que Deus já sabia de tudo, que Deus tinha visto tudo, que ela só queria que aquilo acabasse. E depois disso, ela fechou os olhos e não falou mais nada. morreu algumas horas depois naquela mesma noite com o padre Antônio rezando ao lado dela. O padre ficou perturbado.

    Ele tinha visto muita coisa na vida dele. Tinha dado extrema unção para centenas de pessoas. Tinha ouvido confissões de todo tipo, mas aquilo tinha algo diferente. Ele sabia que Maria Luía tinha sofrido algo terrível e ele desconfiava de Joaquim. Mas não tinha prova, não tinha nada concreto. Então ele fez o que podia fazer.

    Ele escreveu no diário pessoal dele. O padre Antônio tinha o costume de anotar as coisas importantes que aconteciam na paróquia, os batizados, os casamentos, os enterros e também as coisas que o preocupavam. E naquele dia ele escreveu sobre Maria Luía, escreveu sobre as marcas, escreveu sobre o choro dela, escreveu que tinha algo muito errado acontecendo na fazenda de Joaquim Tavares, mas que ele não sabia o que fazer.

    Esse diário só foi descoberto décadas depois, quando a igreja local foi reformada em 1920 e poucos e encontraram uma caixa de madeira escondida no sótam com vários documentos antigos, incluindo o diário do padre Antônio. Foi um dos documentos que eu usei para reconstruir essa história. Depois da morte de Maria Luía, um dos escravos, o tal do José, tentou fugir. José tinha 41 anos na época.

    Ele era um homem alto, forte, que trabalhava na lavoura de café desde que tinha sido comprado por Joaquim anos atrás. Ele tinha vindo de outra fazenda, lá do interior de Minas Gerais, depois que o antigo dono dele morreu e a família vendeu todos os escravos para pagar dívidas. José tinha deixado para trás uma vida inteira quando foi vendido. Tinha deixado amigos, tinha deixado uma esposa que ele nunca mais viu.

    E na fazenda de Joaquim, ele tinha se casado de novo com uma escrava chamada Josefa, que trabalhava na casa grande como cozinheira. Eles tinham três filhos pequenos e José aguentava tudo, todos os horrores, todas as humilhações por causa deles. Mas quando Maria Luía morreu, algo quebrou dentro dele. Ele percebeu que aquilo nunca ia acabar, que Joaquim ia continuar fazendo aquilo talvez até piorar e ele não aguentava mais.

    Então ele decidiu fugir. Era uma noite de lua nova, tudo escuro. José esperou todo mundo dormir, se levantou devagar para não acordar ninguém na cenzala e saiu. Ele não levou nada. Não podia levar nada sem fazer barulho, apenas saiu e começou a correr. Correu em direção às matas que ficavam no limite da fazenda, aquelas matas fechadas, cheias de árvores, onde diziam que tinha onça, que tinha cobra. Mas José não ligava.

    Qualquer coisa era melhor que ficar ali. Ele tinha ouvido histórias sobre quilombos, comunidades de escravos fugidos que viviam escondidos nas montanhas, onde a pessoa podia ser livre, podia viver em paz. Ele não sabia exatamente onde ficavam esses quilombos, mas sabia que eram em algum lugar nas matas. Então foi para lá.

    Correu a noite inteira, tropeçando em raízes, se arranhando em galhos, mas não parou. Quando o sol nasceu, ele estava longe da fazenda. Encontrou um riacho, bebeu água, descansou um pouco e continuou andando. Ele fez isso por cinco dias. Cinco dias comendo o que encontrava.

    Frutas do mato, raízes, dormindo debaixo de árvores, sempre andando, tentando se afastar o máximo possível. Mas ele não conhecia bem a região. Acabou andando em círculos sem perceber. E no quinto dia, um capitão do mato chamado Custódio Ferreira encontrou ele. Custódio Ferreira era um homem que vivia de caçar escravos fugidos. Era o trabalho dele.

    Os fazendeiros pagavam para ele encontrar os escravos que tinham fugido e trazer de volta. Ele era bom no que fazia. Conhecia as matas, sabia rastrear, tinha cachorros treinados. E quando soube que tinha um escravo fugido da fazenda de Joaquim Tavares, ele saiu atrás. Levou três dias para encontrar José. Quando achou, José estava fraco, com fome, os pés sangrando de tanto andar descalço no mato, ele não teve força para resistir. Custódia o amarrou, colocou uma corda no pescoço dele e começou a arrastar ele de volta.

    A caminhada de volta durou dois dias. José quase não conseguia andar, tropeçava o tempo todo, mas Custódio não tinha pena, era o trabalho dele. Quando chegaram na fazenda, Joaquim estava esperando e ele estava furioso. Joaquim mandou fazer o espancamento em público, na frente de todos os outros escravos, como aviso. Era assim que funcionava.

    Quando um escravo fugia e era capturado, ele tinha que ser punido publicamente para que os outros vissem e tivessem medo de tentar a mesma coisa. Joaquim mandou amarrar José num poste que ficava no meio do terreiro, aquele lugar onde secavam o café, chamou todos os escravos para assistir.

    Chamou o feitor, um homem chamado Sebastião, que era conhecido por ser brutal, e mandou começar. Sebastião pegou o chicote, aquele chicote de couro cru que os feitores usavam e começou a bater. A primeira chicotada rasgou a camisa de José, a segunda rasgou a pele, a terceira fez o sangue começar a escorrer. José gritou, gritou muito no começo, mas depois de um tempo ele parou de gritar. Ficou quieto, o corpo todo tremendo, mas quieto.

    E foi nesse momento, com a vida escapando dele, que ele começou a falar. Ele começou devagar, a voz fraca, mas foi ficando mais alta. Ele contou tudo. Falou sobre Maria Luía, falou sobre o sete, falou sobre segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado, domingo. Falou sobre Joaquim observando. Falou sobre o caderno preto.

    Falou sobre a casa nos fundos da propriedade, falou como era obrigado, como todos eram obrigados, como não podiam recusar. falou sobre as ameaças, falou sobre o sofrimento, falou tudo porque sabia que ia uma ver mesmo e queria que alguém soubesse, queria que a verdade saísse. Queria que pelo menos uma pessoa entendesse porque ele tinha fugido. Os outros escravos que estavam assistindo ficaram em choque.

    Alguns já desconfiavam que tinha algo estranho com aquele sete, mas nunca souberam exatamente o quê. Custódio Ferreira, o capitão do mato que tinha capturado José, também estava lá. E ele ficou chocado. Ele tinha visto muita coisa na vida dele. Tinha caçado centenas de escravos fugidos. Tinha visto crueldade de todo tipo.

    Fazendeiros que torturavam escravos por diversão, que marcavam eles com ferro quente, que vendiam crianças separando das mães todo tipo de horror. Mas aquilo era diferente. Aquilo era doentil demais até pros padrões da época. Joaquim tentou fazer José calar a boca, gritou para Sebastião continuar batendo, mas José não parou de falar.

    Falou até não ter mais força e aí desmaiou. Foi levado de volta para cenzá-la, mas não sobreviveu. Morreu naquela noite, o corpo todo destruído pelas chicotadas, mas também pelo que carregava por dentro durante anos. Custódio Ferreira ficou tão perturbado com o que ouviu que fez algo incomum. Ele anotou.

    Ele escreveu num papel com a letra dele meio torta, porque ele não tinha muita educação formal, tudo o que José tinha falado e levou isso pro cartório da comarca, onde foi registrado como parte do processo de captura e punição de escravo fugido. Normalmente, esse tipo de documento era bem simples. Só dizia o nome do escravo, o nome do dono, a data da captura, quanto foi pago pro capitão do mato.

    Mas Custódio fez questão de incluir o depoimento de José. E o escrivão do cartório, um homem chamado Manuel Rodriguez, leu aquilo e também ficou perturbado, mas não fez nada. Por que? O que ia fazer? Denunciar Joaquim Tavares, um fazendeiro rico e poderoso, baseado na palavra de um escravo morto, seria a ruína dele. Então, ele apenas arquivou o documento junto com todos os outros e lá ficou por décadas até eu encontrar. Mas vamos voltar um pouco.

    Vamos entender como isso começou. Como um homem chega ao ponto de fazer algo assim com a própria esposa e com pessoas que tecnicamente possuía. A resposta está na mentalidade da época, mas também na mente doente de Joaquim Tavares. Ele não era apenas cruel, ele era metódico, ele era inteligente, ele tinha estudado, tinha lido livros, tinha ideias, ideias perigosas. Ele acreditava que tinha controle total sobre tudo e todos ao redor dele.

    E ele queria provar isso, queria exercer esse poder da forma mais absoluta possível. Para ele, aquilo não era só sobre satisfação pessoal ou perversão. Era sobre poder. Era sobre provar que ele podia fazer o que quisesse, que ninguém ia impedir ele, que ele era Deus dentro da fazenda dele. Ele tinha crescido numa família de fazendeiros. O pai dele também tinha escravos, também tinha terras.

    Ele tinha aprendido desde criança que os escravos não eram pessoas de verdade, eram propriedade, eram coisas. Essa era a mentalidade que a sociedade da época cultivava. Os fazendeiros eram ensinados a ver os escravos como animais de trabalho, sem sentimentos, sem alma, sem humanidade. E a igreja até ajudava nisso, dizendo que a escravidão era natural, que era a vontade de Deus, que os negros tinham sido amaldiçoados e, por isso, mereciam servir.

    Então, Joaquim cresceu acreditando nisso, mas ele foi além. Ele começou a se interessar por teorias pseudocientíficas que vinham da Europa, teorias sobre raças, sobre hierarquias humanas, sobre biologia. Ele lia autores que tentavam justificar a escravidão através de argumentos supostamente científicos, dizendo que existiam raças superiores e inferiores, que os negros eram biologicamente diferentes e que era natural que fossem escravizados.

    Tudo mentira. Claro, tudo o racismo disfarçado de ciência, mas na época muita gente acreditava e Joaquim acreditava, ou pelo menos fingia acreditar para justificar o que ele queria fazer. Quando ele se casou com Maria Luía, ele já tinha essas ideias na cabeça há anos. Ele já tinha escolhido os sete escravos.

    Ele só tava esperando a oportunidade certa. E o casamento deu essa oportunidade porque agora ele tinha uma esposa, alguém que também era propriedade dele de certa forma, não legalmente como os escravos, mas na prática as mulheres naquela época tinham muito poucos direitos. Uma mulher casada não podia ter propriedade em nome próprio.

    Não podia trabalhar sem autorização do marido, não podia viajar sozinha, não podia tomar decisões importantes. Ela era vista quase como uma criança que precisava ser cuidada e controlada pelo homem. E Joaquim sabia disso. Ele sabia que podia fazer o que quisesse com Maria Luía e ninguém ia questionar. Então ele esperou, esperou o primeiro ano de casamento passar. Esperou ela se acostumar com a vida na fazenda.

    Esperou ela se sentir isolada, longe da família, dependente dele. E aí ele agiu. Foi numa noite de março de 1841. Joaquim chamou Maria Luía para conversar no escritório dele, uma sala que ficava no segundo andar da Casagrande, cheia de livros e papéis. Ele fechou a porta com chave, mandou ela sentar numa cadeira de madeira escura que tinha na frente da mesa e começou a explicar.

    Ele falou sobre as teorias que ele tinha lido, sobre natureza humana, sobre raças, sobre experimentos. Ele disse que queria fazer um estudo, que queria observar o que aconteceria se uma mulher branca, de boa família se relacionasse com homens negros, escravos.

    Ele disse que era paraa ciência, que era para entender melhor a humanidade, que os resultados poderiam ser importantes. Maria Luía não entendeu no começo. Achava que ele estava falando de forma abstrata, teórica, mas aí Joaquim deixou claro. Ele disse que ela ia participar, que ela ia se relacionar com sete escravos que ele tinha escolhido, um para cada dia da semana, e que ele ia observar e documentar tudo. Maria Luía ficou em choque.

    Ela não conseguiu falar no começo, só conseguiu olhar para ele, tentando entender se aquilo era uma piada, se ele tava testando ela de alguma forma, mas Joaquim estava sério, completamente sério. Então ela começou a dizer que não, que aquilo era absurdo, que era imoral, que era pecado mortal, que ela nunca ia fazer uma coisa dessas, que ele estava louco. Mas Joaquim não mudou de expressão.

    Ele apenas esperou ela terminar de falar. E aí ele mudou de tom. A voz ficou mais fria, mais ameaçadora. Ele disse que se ela não cooperasse, ele ia garantir que ela nunca mais visse a família dela, que ia espalhar mentira sobre ela, que ia dizer que ela estava traindo ele, que tava louca, que tinha uma doença mental, que precisava ser internada numa instituição.

    Naquela época existiam asilos para mulheres consideradas histéricas ou loucas. Lugares horríveis onde as mulheres eram trancadas, às vezes amarradas, tratadas pior que animais. E o marido podia internar a esposa nesses lugares com muita facilidade. Bastava a palavra dele. E Maria Luía sabia disso. Joaquim continuou. Disse que se ela não cooperasse, ninguém ia acreditar nela.

    que ele era um homem respeitado, que ela era apenas uma mulher jovem e frágil, que, óbvio que as pessoas iam acreditar nele e não nela, e ele estava certo. Naquela época, a palavra de um homem valia muito mais que a de uma mulher, principalmente se o homem fosse rico e poderoso. E Joaquim era as duas coisas.

    Maria Luía começou a chorar, implorou, caiu de joelhos, rezou, pediu para ele não fazer aquilo, disse que ia ser uma boa esposa, que ia fazer qualquer coisa, menos aquilo. Mas Joaquim não voltou atrás. Ele levantou ela do chão, abriu a porta e disse que na segunda-feira seguinte ia começar, que ela devia se preparar e saiu do escritório, deixando ela ali destruída, sem saber o que fazer.

    Maria Luía passou os dias seguintes num estado de desespero. Ela pensou em fugir, mas para onde? Ela não conhecia ninguém na região, além das outras esposas de fazendeiros. E como ela explicar para elas como ela ia pedir ajuda sem contar o que estava acontecendo. E mesmo que contasse, elas iam acreditar ou iam achar que ela era louca.

    Ela pensou em se matar, pensou nisso várias vezes, mas a religião dela não permitia. Ela acreditava que o suicídio era pecado mortal, que ela ia pro inferno se fizesse isso. Então, ela ficou presa, presa entre o horror que ia acontecer e o medo de fazer qualquer coisa para impedir. E na segunda-feira seguinte começou: João foi o primeiro. Ele foi levado até uma casa de pau a pique que ficava nos fundos da propriedade, longe da cenzala, longe da casa grande, escondida no meio das árvores.

    Era uma casa pequena, só um cômodo, com uma cama, uma mesa, uma cadeira, nada mais. Joaquim tinha preparado aquele lugar especificamente para isso. Ele levou Maria Luía até lá primeiro. Ela tava pálida, tremendo, os olhos vermelhos de tanto chorar. Joaquim colocou ela dentro da casa e disse para ela esperar. Depois fui até a Senzala e chamou João.

    João era um homem de 32 anos. Ele tinha vindo da África quando era criança, numa daquelas viagens horríveis nos navios negreiros que traziam milhares de pessoas acorrentadas, amontoadas, muitas morrendo no caminho. Ele se lembrava vagamente da travessia, dos gritos, do oxeiro de morte, do balanço do navio, da escuridão.

    Tinha chegado no porto do Rio de Janeiro quando tinha uns 8 anos. foi vendido num aulão. Passou por várias fazendas até chegar na de Joaquim. Agora ele trabalhava na lavoura de café, acordava antes do sol nascer, passava o dia inteiro colhendo grãos, carregando cestos pesados, voltava quando já estava escuro. Ele tinha esposa, uma mulher chamada Teresa e três filhos pequenos.

    Eles viviam juntos na cenzala. Dormiam todos no mesmo espaço pequeno, dividiam a pouca comida que recebiam. João fazia de tudo para proteger a família. Aguentava o trabalho pesado, aguentava as esticotadas quando o feitor achava que ele estava devagar demais. Aguentava tudo porque tinha que sobreviver pelos filhos.

    Quando Joaquim chamou ele naquela noite de segunda-feira, João ficou confuso. Não era normal o senhor chamar um escravo sozinho à noite. Normalmente, quando isso acontecia, era porque alguém tinha feito algo errado e ia ser punido. Mas João não tinha feito nada. Ele tentou pensar em alguma coisa, algum erro que pudesse ter cometido, mas não conseguiu lembrar de nada.

    Mesmo assim, ele não podia recusar. Quando o Senhor chamava, você ia. Então ele seguiu Joaquim até aquela casa nos fundos. Quando entraram, ele viu Maria Luía ali. Ela tava sentada na cama, olhando pro chão, não levantou os olhos quando ele entrou. Joaquim fechou a porta com chave. Ele mandou ela sentar numa cadeira de madeira escura que tinha na frente da mesa e começou a explicar.

    Ele falou sobre as teorias que ele tinha lido, sobre natureza humana, sobre raças, sobre experimentos. Ele disse que queria fazer um estudo, que queria observar o que aconteceria se uma mulher branca, de boa família, se relacionasse com homens negros. escravos. Ele disse que era paraa ciência, que era para entender melhor a humanidade, que os resultados poderiam ser importantes. Maria Luía não entendeu no começo.

    Achava que ele tava falando de forma abstrata, teórica, mas aí Joaquim deixou claro. Ele disse que ela ia participar. que ela ia se relacionar com os sete escravos que ele tinha escolhido, um para cada dia da semana, e que ele ia observar e documentar tudo. Maria Luía ficou em choque. Ela não conseguiu falar no começo, só conseguiu olhar para ele, tentando entender se aquilo era uma piada, se ele tava testando ela de alguma forma. Mas Joaquim estava sério, completamente sério.

    Então ela começou a dizer que não, que aquilo era absurdo, que era imoral, que era pecado mortal, que ela nunca ia fazer uma coisa dessas, que ele tava louco. Mas Joaquim não mudou de expressão. Ele apenas esperou ela terminar de falar. E aí ele mudou de tom. A voz ficou mais fria, mais ameaçadora. Ele disse que se ela não cooperasse, ele ia garantir que ela nunca mais visse a família dela, que ia espalhar mentira sobre ela, que ia dizer que ela tinha traído ele, que tava louca, que tinha uma doença mental, que precisava ser

    internada numa instituição. Naquela época existiam asilos para mulheres consideradas histéricas ou loucas, lugares horríveis onde as mulheres eram trancadas, às vezes amarradas, tratadas pior que animais. E o marido podia internar a esposa nesses lugares com muita facilidade. Bastava a palavra dele e Maria Luía sabia disso. Joaquim continuou.

    Disse que se ela contasse para alguém, ninguém ia acreditar nela, que ele era um homem respeitado, que ela era apenas uma mulher jovem e frágil, que, óbvio, que as pessoas iam acreditar nele e não nela. E ele estava certo. Naquela época, a palavra de um homem valia muito mais que a de uma mulher, principalmente se o homem fosse rico e poderoso.

    E Joaquim era as duas coisas. Maria Luía começou a chorar, implorou, caiu de joelhos, rezou, pediu para ele não fazer aquilo, disse que ia ser uma boa esposa, que ia fazer qualquer coisa, menos aquilo. Mas Joaquim não voltou atrás. Ele levantou ela do chão, abriu a porta e disse que na segunda-feira seguinte ia começar, que ela devia se preparar e saiu do escritório, deixando ela ali destruída, sem saber o que fazer. Maria Luía passou os dias seguintes num estado de desespero.

    Ela pensou em fugir, mas para onde? Ela não conhecia ninguém na região além das outras esposas de fazendeiros. E como ela ia explicar para elas? Como ia pedir ajuda sem contar o que estava acontecendo? E mesmo que contasse, elas iam acreditar ou iam achar que ela era louca? Ela pensou em se matar. Pensou nisso várias vezes, mas a religião dela não permitia.

    Ela acreditava que o suicídio era pecado mortal, que ela ia pro inferno se fizesse isso. Então, ela ficou presa, presa entre o horror que ia acontecer e o medo de fazer qualquer coisa para impedir. E na segunda-feira seguinte começou: João foi o primeiro. Ele foi levado até uma casa de pau a pique que ficava nos fundos da propriedade, longe da cinzala, longe da casa grande, escondida no meio das árvores.

    Era uma casa pequena, só um cômodo, com uma cama, uma mesa e uma cadeira, nada mais. Joaquim tinha preparado aquele lugar especificamente para isso. Ele levou Maria Luía até lá primeiro. Ela estava pálida, tremendo, os olhos vermelhos de tanto chorar. Joaquim a colocou dentro da casa e disse para ela esperar. Depois foi até a cenzala e chamou João. João era um homem de 32 anos.

    Ele tinha vindo da África quando era criança, numa daquelas viagens horríveis nos navios negreiros que traziam milhares de pessoas acorrentadas, amontoadas, muitas morrendo no caminho. Ele se lembrava vagamente da travessia, dos gritos, do cheiro de morte, do balanço do navio, da escuridão. Tinha chegado no porto do Rio de Janeiro quando tinha uns 8 anos.

    Foi vendido num leilão, passou por várias fazendas até chegar na de Joaquim. Agora ele trabalhava na lavoura de café, acordava antes do sol nascer, passava o dia inteiro colhendo grãos, carregando cestos pesados, voltava quando já estava escuro. Ele tinha esposa, uma mulher chamada Teresa e três filhos pequenos. Eles viviam juntos na cenzala, dormiam todos no mesmo espaço pequeno, dividiam a pouca comida que recebiam. João fazia de tudo para proteger a família.

    Aguentava o trabalho pesado, aguentava as chicotadas quando o feitor achava que ele estava devagar demais, aguentava tudo porque tinha que sobreviver pelos filhos. Quando Joaquim chamou ele naquela noite de segunda-feira, João ficou confuso. Não era normal o senhor chamar um escravo sozinho à noite.

    Normalmente, quando isso acontecia, era porque alguém tinha feito algo errado e ia ser punido. Mas João não tinha feito nada. Ele tentou pensar em alguma coisa, algum erro que pudesse ter cometido, mas não conseguiu lembrar de nada. Mesmo assim, ele não podia recusar. Quando o senhor chamava, você ia. Então ele seguiu Joaquim até aquela casa nos fundos. Quando entraram, ele viu Maria Luía ali.

    Ela estava sentada na cama, olhando pro chão. Não levantou os olhos quando ele entrou. Joaquim fechou a porta atrás deles e explicou. Com aquela voz fria e calculista dele, ele disse a João o que esperava que acontecesse ali. João ficou em choque. Ele disse que não, que não podia fazer aquilo, que era errado, que a senhora era a esposa do Senhor, que ele tinha a sua própria esposa, que aquilo era um pecado.

    Mas Joaquim não estava pedindo, tava ordenando. E quando João continuou recusando, Joaquim mudou de estratégia. Ele disse que se João não o obedecesse, ele ia vender Teresa e as crianças, ia separá-los. João nunca mais ia ver a família dele. As crianças iam crescer sem pai.

    Teresa ia ser vendida para uma fazenda do norte, onde as condições eram ainda piores, onde ela provavelmente não sobreviveria muito tempo. João sentiu o mundo desabá. Ele olhou para Maria Luía, que ainda estava de cabeça baixa, chorando em silêncio. Olhou para Joaquim, que estava ali parado, esperando, com aquele caderno preto na mão. E João entendeu que não tinha escolha. Nenhum deles tinha. Então ele fez o que foi mandado.

    E Joaquim ficou lá observando, fazendo anotações, escrevendo sobre o tempo que levou, sobre as reações, sobre detalhes que só uma mente doente acharia importante documentar. Quando terminou, Joaquim mandou João voltar paraa Czala, mandou Maria Luía voltar para Casagre e disse que na segunda-feira seguinte ia ser a vez de Benedito.

    João voltou para Cenzala naquela noite de segunda-feira, sentindo uma vergonha que ele nunca tinha sentido antes. Ele deitou ao lado de Teresa, que estava dormindo com as crianças, e não conseguiu fechar os olhos. ficou a noite inteira acordado, olhando pro teto de palha, pensando no que tinha acontecido, sentindo que tinha traído a esposa, mesmo sabendo que tinha sido forçado.

    Ele nunca contou para ela, nunca contou para ninguém. Guardou aquilo dentro dele junto com todas as outras dores que ele já carregava. E na terça-feira seguinte foi a vez de Benedito. Benedito era mais novo, tinha 24 anos. Ele tinha nascido ali mesmo na fazenda, filho de escravos que já estão vortos há anos atrás.

    A mãe dele morreu no parto do sexto filho, que também não sobreviveu. O pai dele morreu de exaustão quando Benedito tinha 15 anos. Simplesmente caiu no meio da lavoura um dia e não levantou mais. Benedito cresceu vendo isso. Cresceu vendo pessoas morrerem ao redor dele. Cresceu sabendo que a vida dele não valia nada pro senhores.

    Ele era forte, trabalhava duro, nunca reclamava porque sabia que reclamar só trazia problemas. Ele tinha uma personalidade mais fechada, não conversava muito nem com os outros escravos. vivia no mundo dele, fazendo o que era mandado, tentando só sobreviver mais um dia. Quando Joaquim chamou ele na terça-feira seguinte, ele foi sem questionar.

    Já tinha visto João voltar estranho na noite anterior, mas não perguntou nada. Cada um tinha seus próprios problemas. Quando chegou na casa e Joaquim explicou o que ele tinha que fazer, Benedito não reagiu muito. Ele apenas olhou pro senhor, olhou pra senhora que estava ali sentada na cama com o mesmo olhar vazio da noite anterior e entendeu.

    Essa era só mais uma atrocidade numa vida cheia delas. A voz ficou mais fria, mais ameaçadora. Ele disse que se ela não cooperasse, ele ia garantir que ela nunca mais visse a família dela, que ia espalhar mentiras sobre ela, que ia dizer que ela tinha traído ele, que estava louca, que tinha uma doença mental, que precisava ser internada numa instituição.

    Naquela época existiam asilos para mulheres consideradas histéricas ou loucas, lugares horríveis onde as mulheres eram trancadas, às vezes amarradas, tratadas pior que animais. E o marido podia internar a esposa nesses lugares com muita facilidade. Bastava a palavra dele. E Maria Luía sabia disso. Joaquim continuou.

    Disse que se ela contasse para alguém, ninguém ia acreditar nela, que ele era um homem respeitado, que ela era apenas uma mulher jovem e frágil, que, óbvio, que as pessoas iam acreditar nele e não nela. E ele estava certo. Naquela época, a palavra de um homem valia muito mais que a de uma mulher, principalmente se o homem fosse rico e poderoso.

    E Joaquim era as duas coisas. Maria Luía começou a chorar, implorou, caiu de joelhos, rezou, pediu para ele não fazer aquilo. Disse que ia ser uma boa esposa, que ia fazer qualquer coisa, menos aquilo. Mas Joaquim não voltou atrás. Ele levantou ela do chão, abriu a porta e disse que na segunda-feira seguinte ia começar, que ela devia se preparar e saiu do escritório, deixando ela ali destruída, sem saber o que fazer.

    Maria Luía passou os dias seguintes num estado de desespero. Ela pensou em fugir, mas para onde? Ela não conhecia ninguém na região além das outras esposas de fazendeiros. E como ela ia explicar para elas, como ia pedir ajuda assim contar o que estava acontecendo? E mesmo que contasse, elas iam acreditar ou iam achar que ela era louca? Ela pensou em se matar.

    Pensou nisso várias vezes, mas a revigião dela não permitia. Ela acreditava que o suicídio era pecado mortal, que ela ia pro inferno se fizesse aquilo. Então, ela ficou presa, presa entre o horror que ia acontecer e o medo de fazer qualquer coisa para impedir. E na segunda-feira seguinte começou: João foi o primeiro.

    Ele foi levado até uma casa de pau a pique que ficava nos fundos da propriedade, longe da cenzala, longe da casa grande, escondida no meio das árvores. Era uma casa pequena, só um cômodo, com uma cama, uma mesa, uma cadeira, nada mais. Joaquim tinha preparado aquele lugar especificamente para isso.

    Ele levou Maria Luía até lá primeiro. Ela estava pálida, tremendo, os olhos vermelhos de tanto chorar. Joaquim a colocou dentro da casa e disse para ela esperar. Depois foi até a Cenzala e chamou João. João era um homem de 32 anos. Ele tinha vindo da África quando era criança, numa daquelas viagens horríveis nos navios negreiros que traziam milhares de pessoas acorrentadas, amontoadas, muitas morrendo no caminho.

    Ele se lembrava vagamente da travessia, dos gritos, do cheiro de morte, do balanço do navio, da escuridão. Tinha chegado no porto do Rio de Janeiro quando tinha uns 8 anos. foi vendido num leilão, passou por várias fazendas até chegar na de Joaquim.

    Agora ele trabalhava na lavoura de café, acordava antes do sol nascer, passava o dia inteiro colhendo grãos, carregando cestos pesados, voltava quando já estava escuro. Ele tinha esposa, uma mulher chamada Teresa e três filhos pequenos. Eles viviam juntos na cenzala. Dormiam todos no mesmo espaço pequeno, dividiam a pouca comida que recebiam. João fazia de tudo para proteger a família.

    aguentava o trabalho pesado, aguentava as ticotadas quando o feitor achava que ele estava devagar demais, aguentava tudo porque tinha que sobreviver pelos filhos. Quando Joaquim chamou ele naquela noite de segunda-feira, João ficou confuso. Não era normal o senhor chamar um escravo sozinho à noite. Normalmente, quando isso acontecia, era porque alguém tinha feito algo errado, ia ser punido.

    Mas Draw não tinha feito nada. Ele tentou pensar em alguma coisa, algum erro que pudesse ter cometido, mas não conseguiu lembrar de nada. Mesmo assim, ele não podia recusar. Quando o Senhor chamava, você ia. Então ele seguiu Joaquim até aquela casa nos fundos. Quando entraram, ele viu Maria Luía ali. Ela estava sentada na cama, olhando pro chão. Não levantou os olhos quando ele entrou.

    Joaquim fechou a porta atrás deles e explicou com aquela voz fria e calculista dele. Ele disse a João o que esperava que acontecesse ali. João ficou em choque. Ele disse que não, que não podia fazer aquilo, que era errado, que a senhora era esposa do Senhor, que ele tinha sua própria esposa, que aquilo era um pecado. Mas Joaquim não estava pedindo, tava ordenando.

    E quando João continuou recusando, Joaquim mudou de estratégia. Ele disse que se João não obedecesse, ele ia vender Teresa e as crianças, ia separá-los. João nunca mais ia ver a família dele. As crianças iam crescer sem pai. Teresa se vendida para alguma fazenda do norte, onde as condições eram ainda piores, onde ela provavelmente não sobreviveria muito tempo.

    João sentiu o mundo de zabá. Ele olhou para Maria Luía, que ainda estava de cabeça baixa, chorando em silêncio. Ele olhou para Joaquim, que estava ali parado, esperando, com aquele caderno preto na mão. E João entendeu que não tinha escolha, nenhum deles tinha. Então ele fez o que foi mandado e Joaquim ficou lá observando, fazendo anotações, escrevendo sobre o tempo que levou, sobre as reações, sobre detalhes que só uma mente doente acharia importante documentar.

    Quando terminou, Joaquim mandou João voltar para Senzala, mandou Maria Luía voltar para Casagrande e disse que na terça-feira ia ser a vez de Benedito. João voltou para censala naquela noite, sentindo uma vergonha que ele nunca tinha sentido antes. Ele deitou ao lado de Teresa, que estava dormindo com as crianças, e não conseguiu fechar os olhos.

    ficou a noite inteira acordado, olhando pro teto de palha, pensando no que tinha acontecido, sentindo que tinha traído a esposa, mesmo sabendo que tinha sido forçado. Ele nunca contou para ela, nunca contou para ninguém. Guardou aquilo dentro dele junto com todas as outras dores que ele já carregava. Na terça-feira foi a vez de Benedito.

    Benedito era mais novo, tinha 24 anos. Ele tinha nascido ali mesmo na fazenda, filho de escravos que já tinham morrido anos atrás. A mãe dele morreu no parto do sexto filho, que também não sobreviveu. O pai dele morreu de exaustão quando Benedito tinha 15 anos. Simplesmente caiu no meio da lavoura um dia e não levantou mais.

    Benedito cresceu vendo isso. Cresceu vendo pessoas morrerem ao redor dele. Cresceu sabendo que a vida dele não valia nada pros senhores. Ele era forte, trabalhava duro, nunca reclamava porque sabia que reclamar só trazia problemas.

    Ele tinha uma personalidade mais fechada, não conversava muito nem com os outros escravos. vivia no mundo dele, fazendo o que era mandado, tentando apenas sobreviver mais um dia. Quando Joaquim o chamou naquela terça-feira, ele foi sem questionar. Já tinha visto João voltar estranho na noite anterior, mas não perguntou nada. Cada um tinha seus próprios problemas.

    Quando chegou na casa e Joaquim explicou o que ele tinha que fazer, Benedito não reagiu muito. Ele apenas olhou pro senhor, olhou paraa senhora que estava ali sentada na cama com o mesmo olhar vazio da noite anterior e entendeu. Essa era só mais uma atrocidade numa vida cheia delas, mais uma coisa horrível que ele tinha que suportar.

    Ele fez o que foi mandado porque não tinha alternativa, porque resistir significava morrer ou coisa pior. E quando terminou e voltou para cenza, ele continuou com a mesma expressão fechada de sempre. Não deixou ninguém ver o que estava sentindo por dentro. Guardou tudo, trancou tudo num lugar fundo da mente dele e tentou esquecer, mas não conseguiu. Ninguém consegue esquecer uma coisa dessas.

    Quarta-feira foi José. Já falei um pouco sobre ele antes, sobre como ele tinha esposa e filhos, sobre como aquilo destruiu ele por dentro. José era diferente dos outros. Ele era mais maduro, mais vivido, tinha vivido mais coisas.

    Ele se lembrava de como era antes de ser escravo, quando era criança, livre, lá na fazenda onde nasceu, em Minas Gerais, antes de tudo desmoronar e ele ser vendido pra fazenda de Joaquim. Ele se lembrava da primeira esposa, aquela que ele teve que deixar para trás quando foi vendido pra fazenda de Joaquim. Ele se lembrava de muita coisa.

    E por isso, quando aquilo começou a acontecer, ele sofreu de um jeito diferente, porque ele entendia a gravidade. Ele via Maria Luía não como a senhora, mas como uma pessoa que estava sofrendo tanto quanto ele. E isso tornava tudo pior. Ele sentia a pena dela, sentia raiva de Joaquim, sentia vergonha de si mesmo, mesmo sabendo que não tinha culpa.

    E toda quarta-feira, quando tinha que ir até aquela casa, ele morria um pouco por dentro. Quinta-feira era Miguel. Miguel era o mais forte do sete fisicamente. Ele tinha um corpo imenso de tento trabalhar na moeda de café, onde passava o dia inteiro carregando sacos que pesavam mais de 50 kg, movendo as engrenagens, fazendo o trabalho mais pesado da fazenda. Os outros escravos tinham um certo respeito por ele por causa da força, mas também tinham medo porque Miguel tinha um temperamento explosivo. Ele já tinha se envolvido em brigas na cenzala, já tinha enfrentado feitores, sempre estava no

    limite. Mas Joaquim sabia exatamente como controlá-lo. A mãe do Miguel, uma senhora chamada Rosa, que tinha uns 60 anos e já não trabalhava mais porque o corpo não aguentava, vivia na cenzala sobre o cuidado do filho.

    Miguel fazia qualquer coisa por ela e Joaquim ameaçava vender rosas sempre que Miguel mostrava qualquer sinal de resistência. Dizia que ia vender para uma fazenda longe, onde ela ia morrer sozinha, sem ninguém para cuidar dela. E Miguel, por mais forte que fosse, por mais raiva que tivesse, não podia deixar isso acontecer. Então ele obedecia. Toda quinta-feira ele ia até aquela casa, fazia o que era mandado e voltava.

    E toda quinta-feira uma parte dele morria. Sexta-feira era Antônio. Antônio era o mais quieto do set. Ele quase não falava nem com os outros escravos, nem com ninguém. Ele tinha uma história pesada. Tinha vindo de outra fazenda onde o senhor era conhecido por ser extremamente violento. Antônio tinha apanhado tanto ao longo dos anos que as costas dele eram uma massa de cicatrizes, camadas e camadas de pele que tinha sido rasgada e tinha curado mal.

    Ele aprendeu a não questionar nada, a não reagir, a apenas existir e obedecer. Quando foi vendido pra fazenda de Joaquim, ele trouxe esse comportamento com ele. Ele era como um fantasma, sempre presente, mas nunca realmente ali. E quando Joaquim o escolheu para fazer parte daquilo, Antônio apenas aceitou. Não chorou, não reclamou, não mostrou emoção nenhuma. Ele havia aprendido há muito tempo que mostrar a emoção só trazia mais dor.

    Então ele fazia o que era mandado toda festa-feira, como se fosse mais uma tarefa, mais um trabalho forçado e depois voltava para Senzala e continuava existindo naquele estado de vazio. Sábado era Francisco. Francisco era especial. Ele era alfabetizado, algo extremamente raro entre os escravos. O antigo dono dele, um senhor mais velho, que tinha morrido sem herdeiros, tinha permitido que Francisco aprendesse a ler e escrever, porque precisava de alguém para ajudar com os registros da fazenda, com as contas, com a correspondência.

    Francisco aprendeu rápido. Ele era inteligente, tinha facilidade com números e letras. E quando o antigo senhor morreu e Francisco foi vendido pra fazenda de Joaquim, ele trouxe essas habilidades com ele. Joaquim às vezes usava Francisco para fazer anotações, para ajudar com a escrituração da fazenda.

    E por causa disso, ele entendia melhor que os outros o que estava acontecendo. Ele conseguia ler as expressões de Joaquim, conseguia entender que aquilo era um experimento doentil, conseguia ver o sofrimento de Maria Luía de uma forma mais profunda e isso atormentava porque ele sabia que era errado.

    Sabia que Maria Luía estava sendo destruída, sabia que todos eles estavam sendo usado da pior forma possível, mas não podia fazer nada. Toda vez que ia até aquela casa no sábado, ele queria gritar, queria se recusar, queria fazer alguma coisa, mas não podia e isso corroía por dentro. E o outro Joaquim, o escravo Joaquim, tinha 26 anos. Joaquim Tavares tinha colocado o próprio nome nele quando ele nasceu na fazenda como uma espécie de piada cruel.

    O escravo Joaquim odiava esse nome mais do que qualquer coisa. Odiava se chamado igual ao homem que o escravizava. odiava a lembrança constante de que até o nome dele não era realmente dele, era mais uma forma de humilhação. Ele era um homem de altura mediana, magro, com olhos fundos, que sempre pareciam cansados.

    Ele trabalhava principalmente na tulha, organizando os sacos de café, fazendo a separação dos grãos. Era um trabalho menos pesado fisicamente que o dos outros, mas igualmente exaustivo. E domingo era o dia que ele mais odiava, não só por causa do que tinha que fazer, mas porque era o último dia da semana, porque significava que na segunda-feira o ciclo ia recomeçar.

    João ia ter que ir de novo e Benedito, e José e todos os outros. E isso ia continuar para sempre. Aparentemente o escrava Joaquim pensava em se matar quase todo dia. Ficava olhando pro rio que passava perto da fazenda e pensava em entrar e não sair. Mas tinha medo. A religião tinha sido enfiada na cabeça dele desde que nasceu.

    Os padres que visitavam a fazenda sempre falavam sobre pecado, sobre inferno, sobre salvação. E ele acreditava que se tirasse a própria vida ia sofrer eternamente depois da morte. Então ele continuava vivendo, continuava obedecendo, continuava morrendo por dentro um pouco mais a cada domingo. Maria Luía, no centro de tudo isso, foi se desintegrando aos poucos. Nos primeiros meses, ela ainda tentava manter alguma aparência de normalidade.

    Ainda se vestia direito, ainda penteava o cabelo, ainda tentava sorrir quando recebia visitas, mas com um tempo isso foi ficando impossível. Ela parou de se importar com aparência. Parava dias sem pentear o cabelo. Usava o mesmo vestido várias vezes seguidas. Não se olhava mais no espelho. Ela parou de ir à missa, o que causou comentários entre as outras mulheres da região.

    Diziam que ela estava doente, que tinha algum problema, que Joaquim devia chamar um médico melhor. Joaquim alimentava essas conversas. Dizia que ela era frágil, que tinha crises nervosas, que ele tava fazendo o possível, mas era difícil. E as pessoas acreditavam porque ele era convincente, porque ele tinha prática em mentir, porque ele parecia genuinamente preocupado quando falava sobre a esposa. Maria Luía passou a viver trancada no quarto dela a maior parte do tempo.

    Ela ficava horas olhando pela janela, vendo a vida da fazenda acontecer lá fora, sem conseguir fazer parte. Via os escravos trabalhando nos cafezais, vi as crianças brincando perto da cenzala, vi o sol nascer e se pô, e nada disso tinha significado mais.

    Era como se ela estivesse assistindo a vida de outra pessoa, como se ela não estivesse realmente ali. À noite, quando chegava a hora, ela ia até aquela casa. Caminhava como uma sonâmbula, sem pensar, sem sentir, apenas indo. Fazia o que era esperado dela e voltava vazia, mais vazia a cada vez, como se pedaços dela estivessem sendo arrancados e nunca mais voltassem.

    Ela tentou rezar no começo, ajoelhava no chão do quarto e rezava o terço, pedindo para Deus ajudar ela, para Deus fazer aquilo parar, para Deus ter misericórdia. Mas com o tempo até isso parou, porque parecia que Deus não estava ouvindo, ou estava ouvindo e não se importava, ou pior, estava vendo tudo e achava que ela merecia aquilo por algum pecado que ela nem sabia que tinha cometido.

    Então, ela parou de rezar, parou de ler a Bíblia, parou de acreditar em qualquer coisa. Ela entrou num estado de desespero tão profundo que nem conseguia mais chorar direito. As lágrimas simplesmente secaram e ela ficou ali existindo, mas não vivendo. Teve uma escrava que percebeu uma mulher chamada Benedita, que trabalhava na casa grande, fazendo limpeza e arrumação.

    Benedita tinha uns 40 anos, tinha vindo da África quando era adolescente, tinha sobrevivido a coisas horríveis. Ela tinha perdido dois filhos, um que morreu bebê de alguma doença que ninguém soube identificar, outro que foi vendido quando tinha 8 anos porque o antigo senhor dela precisava de dinheiro.

    Ela tinha aprendido a suportar a dor, a continuar vivendo, mesmo quando parecia impossível. E quando ela via Maria Luía, ela reconhecia aquele olhar. Era o olhar de alguém que estava se afogando por dentro. Ela não sabia exatamente o que estava acontecendo, mas sabia que era algo terrível. Então ela tentou ajudar da forma que podia. Ela era gentil com Maria Luía, trazia água fresca sem ser pedida, arrumava o quarto com cuidado, falava palavras suaves, pequenas coisas que não mudavam a situação, mas que pelo menos mostravam que alguém se importava.

    Numa dessas noites, depois de Maria Luía voltar daquela casa, Benedita estava no corredor e viu ela passar. Maria Luía estava andando devagar, segurando na parede para se equilibrar. O vestido todo amassado, o cabelo despenteado. Ela esperou ela entrar no quarto e depois de alguns minutos bateu na porta.

    Maria Luía não respondeu, mas Benedita entrou mesmo assim. Encontrou Maria Luía sentada no chão, encostada na cama, olhando pro nada. Benedita se aproximou devagar, ajoelhou ao lado dela e perguntou se ela estava bem. Maria Luía não respondeu no começo, ficou uns minutos em silêncio e aí de repente começou a chorar. chorou como não chorava há meses.

    Um choro profundo, desesperado, que vinha de um lugar muito fundo. Benedita não disse nada, apenas segurou a mão de Maria Luía e ficou ali. Quando o choro finalmente parou, Benedita sussurrou que ia rezar por ela, que ia pedir para Deus proteger ela e Maria Luía agradeceu. Foi a única vez em anos que alguém mostrou compaixão genuína por ela.

    Isso significou mais do que Benedita poderia imaginar. Benedita tentou fazer mais. Ela sabia que Maria Luía precisava de ajuda de verdade, não só de palavra gentis. Então, ela decidiu procurar o padre Antônio José da Cruz. Era arriscado. Ela era uma escrava, não podia simplesmente ir falar com o padre sem permissão.

    Mas numa das vezes que o padre visitou a fazenda para uma missa que Joaquim organizava de vez em quando para manter as aparências de homem religioso, Benedita conseguiu falar com ele a sós por alguns minutos. Ela não contou tudo porque não sabia de tudo, mas disse que Maria Luía estava sofrendo muito, que o marido era cruel com ela, que tinha algo muito errado acontecendo na fazenda.

    O padre Antônio ficou preocupado. Ele disse que ia conversar com Joaquim e conversou, mas Joaquim era mestre em manipulação. Ele negou tudo. Diz que Benedita estava inventando histórias, que era uma escrava problemática, que ele provavelmente ia ter que vender em breve. Diz que Maria Luía tinha uma saúde mental frágil, que tinha delírios, que ele estava fazendo o possível, mas era difícil.

    E as pessoas acreditaram porque ele era convincente, porque ele tinha prática em mentir, porque ele parecia genuinamente preocupado quando falava sobre a esposa. Depois dessa conversa, Joaquim chamou Benedita e ameaçou. disse que se ela falasse qualquer coisa para qualquer pessoa de novo, ele ia vendê-la pro sul, para as plantações de cana, onde a expectativa de vida de um escravo era de menos de 10 anos.

    Benedita nunca mais falou nada, mas continuou sendo gentil com Maria Luía sempre que podia, nas pequenas formas que estavam ao alcance dela. Os anos passaram nessa rotina infernal, 1841, 1842, 1843. A cada ano, Maria Luía definhava mais. Ela foi perdendo peso, ficando cada vez mais magra. A pele ficou pálida, quase transparente.

    Ela começou a ter febres constantes. O corpo dela não estava mais aguentando. Ela parou de comer direito. Benedita tentava trazer comida, tentava fazer ela comer, mas Maria Luía mal tocava no prato. Era como se o corpo dela estivesse desistindo aos poucos, refletindo o que a mente dela já tinha feito há muito tempo.

    Ela desenvolveu uma tosse persistente que nunca melhorava. ficava acordada a noite inteira, tcindo, o corpo todo doendo. E Joaquim, Joaquim continuava com a sua rotina, continuava documentando tudo no caderno preto dele, continuava tratando aquilo como um experimento científico.

    Continuava indo à igreja todo domingo, sorrindo para todo mundo, cumprimentando os vizinhos, mantendo a fachada de homem respeitável e religioso. Em 1847, quando a Fáb Amarel chegou no Vale do Paraíba, Maria Luía foi uma das primeiras a pegar. Mas todo mundo sabe que não foi só a doença que a matou, foi tudo. Foi o sofrimento acumulado de anos, foi a destruição completa da alma dela. Foi a falta total de vontade de continuar vivendo numa vida que tinha se tornado um pesadelo sem fim.

    Ela parou de lutar contra a febre, deixou a doença tomar conta e morreu naquele sábado de manhã com o padre Antônio ao lado dela rezando, finalmente livre daquele inferno. Tinha apenas 22 anos. Seis anos de casamento que tinham parecido uma eternidade. Se anos que destruíram ela completamente. O enterro foi no dia seguinte, domingo.

    Joaquim fez questão de que fosse um enterro bonito, caixão de madeira boa, flores, muita gente. Ele chorou na frente de todos. Chorou tanto que as pessoas comentaram depois sobre como ele amava a esposa, sobre como era triste ver um homem tão dedicado perder o amor da vida dele tão jovem. As outras esposas de fazendeiros consolaram ele. Disseram que Maria Luís estava no lugar melhor agora, que Deus tinha chamado ela porque precisava de mais um anjo.

    E Joaquim agradeceu, aceitou as condolências, fez o papel de viúvo devastado perfeitamente. Ninguém suspeitou nada. Ou se suspeitaram, não falaram. Porque falar contra um homem poderoso era perigoso. Podia destruir sua reputação, podia te colocar em risco. Então, todo mundo ficou quieto e a vida continuou. Mas José não aguentou.

    Uma semana depois do enterro, ele fugiu. Já acontece a parte antes sobre como ele foi capturado, sobre o espancamento, sobre como ele contou tudo antes de morrer. E depois que José morreu, o que aconteceu com os outros seis? Nada mudou para eles. Joaquim continuou fazendo a mesma coisa, só que agora sem Maria Luía. Eleou outra forma de continuar seus experimentos dois, mas isso é outra história.

    Mais documentos que eu ainda estou tentando encontrar. Os seis continuaram trabalhando na fazenda, carregando aquele peso pelo resto das vidas deles. Cada um lidou de uma forma diferente. João morreu 3 anos depois, em 1850. A causa oficial foi exaustão, mas na verdade ele simplesmente desistiu. Parou de comer direito, parou de se cuidar de si mesmo e o corpo dele não aguentou.

    Teresa e os filhos dele continuaram vivendo na cenzala, mas nada foi a mesma coisa. As crianças cresceram sem entender direito o que tinha acontecido com o pai. Só sabiam que ele tenha ficado diferente nos últimos anos. Mais distante, mais triste. Teresa suspeitava que tinha algo, mas nunca soube o quê.

    João tinha levado aquele segredo paraa cova. Benedito foi vendido em 1850. Joaquim decidiu renovar a mão de obra da fazenda, vendeu vários escravos mais velhos e comprou outros mais jovens. Benedito foi vendido para uma fazenda no interior de São Paulo, perto de Campinas. Ninguém sabe o que aconteceu com ele depois disso.

    Os registros se perdem. Ele simplesmente desapareceu da história, como tantos outros escravos que foram comprados e vendidos a vida inteira sem deixar rastro. Miguel tentou fugir em 1854. Depois que a mãe dele morreu de velice, ele não tinha mais motivo para ficar, não tinha mais ninguém para proteger. Então ele fugiu, mas não durou muito.

    Foi capturado três dias depois e morto no processo. O capitão do mato, que foi atrás dele, disse que Miguel resistiu, que tentou lutar, então teve que ser morto. Provavelmente é verdade. Miguel provavelmente preferiu morrer lutando a voltar paraa fazenda. Antônio morreu em 1857 de uma doença que ninguém soube identificar.

    Ele simplesmente começou a ter febre, parou de conseguir comer e em duas semanas estava morto. Fui enterrado no cemitério de escravos da fazenda, sem cerimônia, sem nada, apenas mais um corpo na terra. Francisco conseguiu algo extraordinário. Ele conseguiu comprar a própria liberdade em 1860. Como ele juntou dinheiro durante anos? Joaquim ocasionalmente permitia que Francisco fizesse trabalhos extras para outros fazendeiros, trabalhos de escrituração e pagava uma pequena porcentagem para ele.

    Francisco guardou cada centavo durante anos, economizou tudo, não gastou nada e finalmente, depois de muito tempo, ele tinha dinheiro suficiente para comprar a própria liberdade. Joaquim aceitou a venda porque já estava velho na época e precisava de dinheiro. Francisco se tornou um homem livre aos 47 anos, saiu da fazenda e nunca mais voltou.

    Foi pra cidade do Rio de Janeiro, onde conseguiu trabalho como escriturário numa empresa de comércio. Viveu como homem livre pelos últimos anos da vida dele. Morreu em 1879, um ano antes da lei do ventre livre. Nunca tendo contado para ninguém o que tinha acontecido na fazenda de Joaquim Tavares. E o escravo Joaquim estava vivo quando a abolição finalmente aconteceu em 1888.

    Ele tinha 68 anos na época, já velho, o corpo todo quebrado de décadas de trabalho forçado. Quando a lei foi assinada e os escravos foram libertos, ele não tinha para onde ir. Não tinha família, não tinha dinheiro, não tinha nada. Então ele continuou morando perto da antiga fazenda, fazendo pequenos trabalhos aqui e ali, em troca de comida e um lugar para dormir.

    Viveu mais alguns anos assim, sempre quieto, sempre sozinho. Morreu em 1893 sozinho, num casebre na beira da estrada e nunca falou sobre o que tinha acontecido. Nunca. levou aquilo pro túmulo. A dor, a vergonha, tudo ficou enterrado com ele. E Joaquim Tavares, ele morreu em 1872, de causas naturais aos 73 anos.

    teve um enterro grande com muita gente importante da região. O padre fez um sermão falando sobre como ele tinha sido um homem trabalhador, religioso, membro exemplar da comunidade. Falou sobre como ele tinha contribuído pra igreja, como tinha sido generoso com os pobres, como tinha vivido uma vida digna. As pessoas no enterro concordaram com a cabeça. Disseram que o Brasil tinha perdido um grande homem.

    Ninguém mencionou Maria Luía. Ninguém mencionou Iete. Ninguém mencionou o horror que ele tinha criado. A história dele foi enterrada junto com ele, coberta por uma camada grossa de mentiras e aparências. E ficou assim por décadas, até eu começar a procurar, até eu encontrar aquele processo de captura de escravo fugido no cartório de Vassouras, Rio de Janeiro, até eu ler o relato de José, até eu encontrar o diário do padre Antônio José da Cruz, na Cúria Diocesana de Barra do Piraí, até eu juntar os pedaços, ligar os pontos, reconstruir o

    que realmente aconteceu. Os documentos estão lá, qualquer pessoa pode ir verificar. O processo está arquivado no cartório de registro civil de Vassouras, Rio de Janeiro. O diário do Padre Antônio está na Cúria Diocesana de Barra do Piraí. Os registros da fazenda de Joaquim Tavares estão no Arquivo Nacional no Rio de Janeiro.

    Tudo está lá, esperando que alguém procure. Tudo está documentado. E é por isso que eu faço o que eu faço. Porque histórias como essa não podem ser esquecidas. Elas precisam ser contadas, mesmo sendo difíceis, mesmo sendo dolorosas, mesmo sendo horríveis. Essa história mostra algo que muita gente não quer aceitar sobre a escravidão no Brasil.

    Não era só sobre trabalho forçado, não era só sobre chicote e corrente, era sobre controle total, era sobre desumanização completa, era sobre transformar pessoas em objetos. E os senhores de escravos tinham poder absoluto. Eles podiam fazer o que quisessem, com quem quisessem. E ninguém ia impedir, porque o sistema protegia eles, a lei protegia eles, a igreja protegia eles, a sociedade protegia eles.

    E olha, Maria Luía era branca, era de família rica, era casada com um fazendeiro importante e mesmo assim não teve proteção nenhuma. Imagine os escravos, imagine as mulheres escravizadas, imagine as crianças. Se uma mulher branca e de elite não tinha para quem recorrer, quem é que os escravos tinham? Ninguém. Eles não tinham ninguém.

    Estavam completamente a mercê dos senhores. E muitos senhores eram monstros. Não todos, mas muitos. E o sistema permitia que fossem. Mais do que isso, o sistema incentivava. E o pior é que isso não era um caso isolado. Durante minha pesquisa, eu encontrei outros relatos parecidos em outros arquivos.

    Histórias de mulheres brancas sendo forçadas pelos maridos a situações semelhantes. Histórias de escravos sendo usados em experimentos médicos sem anestesia. Histórias de crianças escravas sendo torturadas por diversão. Histórias de crueldade que vão além do que a gente consegue imaginar quando pensamos nesse período.

    Enquanto escrevia este livro, visitei o local onde ficava a fazenda de Joaquim Tavares. Hoje é um pasto abandonado, com algumas árvores frutíferas, velhas, que devem ter testemunhado tudo. O casarão principal não existe mais. Um incêndio nos anos 1920 destruiu tudo. O cemitério de escravos foi arado e transformado em plantação de milho décadas atrás.

    Não há placa, não há memorial, não há nada que indique o sofrimento que aconteceu naquele solo. Mas as histórias permanecem nos documentos, nos registros, na memória que teima em não morrer completamente. Encontrei nos arquivos da Cúria um documento especialmente revelador, uma carta do padre Antônio para o bispo, datada de 1855, onde ele menciona certas práticas irregulares na fazenda do Senr.

    Joaquim Tavares, que embora moralmente questionáveis, não constituem heresia ou quebra dos sacramentos. O sistema não apenas permitia a crueldade, ele a racionalizava, a justificava, a tornava aceitável através de uma teologia perversa. A história de Francisco, o escravo, que comprou sua liberdade, é particularmente significativa. Nos registros da empresa de comércio no Rio de Janeiro, onde ele trabalhou como livre, descobri que ele se chamava Francisco de Oliveira Silva.

    Casou-se com uma lavadeira liberta em 1862. Tiveram uma filha que morreu de sarampo com apenas 3 anos. Viveu modestamente, mas com dignidade, em um pequeno sobrado na rua do lavradil. morreu de pneumonia em 1879, deixando para trás alguns livros de contabilidade e as roupas que usava.

    Sua viúva vendeu tudo e mudou-se para a Bahia, perdendo-se no anonimato. Já o escravo Joaquim, que após a abolição passou a se chamar Joaquim da Silva, sobreviveu até 1893, testemunhando o Brasil imperial cair e a República Nascer. Um vizinho que o conheceu nos últimos anos descreveu-o como um homem sempre quieto, que trabalhava pelo pão de cada dia e nunca olhava nos olhos das pessoas.

    Morreu sozinho, de causas naturais, em um casebre de Sapê, às margens do rio Paraíba do Sul. Foi enterrado como indigente em uma vala comum no cemitério de Barra do Piraí. Enquanto isso, a família Tavares prosperou. Os netos de Joaquim Tavares estudaram na Europa, tornaram-se profissionais liberais, ocuparam cargos públicos importantes.

    Um deles foi deputado estadual na Primeira República. Outro tornou-se um conhecido médico no Rio de Janeiro. Nenhum deles jamais soube ou quis saber das fundações podres sobre as quais sua fortuna e status foram construídos. E é aqui que chegamos ao cerne da questão. Por que insistir em desenterrar essas histórias dolorosas? Porque o silêncio é cúmplice.

    Porque quando escolhemos esquecer, quando preferimos a versão edulcorada da história, estamos perpetuando a mesma lógica que permitiu que essas atrocidades acontecessem. Estamos dizendo com o nosso silêncio, que algumas vidas valem menos que outras, que algumas dores não merecem ser lembradas.

    A escravidão brasileira não foi um mal necessário ou uma instituição benigna, foi um sistema de terror institucionalizado que deixou marcas profundas em nossa sociedade. O racismo estrutural, a desigualdade social, a violência policial seletiva. Tudo isso tem raízes nesse período e só conseguiremos enfrentar esses fantasmas do presente quando tivermos a coragem de olhar nos olhos os horrores do passado.

    Por isso, contar essas histórias não é sobre revanchismo ou vitimização, é sobre justiça histórica. É sobre devolver a humanidade roubada daqueles que o sistema tentou reduzir a meros objetos. É sobre honrar a memória de Miguel, que preferiu morrer, lutando a continuar escravo. De Francisco, que com astúcia e paciência conquistou sua liberdade. De Joaquim, que carregou suas cicatrizes em silêncio até o fim.

    e da própria Maria Luía, prisioneira em sua própria casa. Cada nome resgatado do esquecimento, cada história reconstruída a partir dos fragmentos nos arquivos é um ato de resistência contra o apagamento. É uma forma de dizer: “Vocês existiram, vocês importam, vocês não serão esquecidos”. E o trabalho está longe de terminar.

    Nos porões de cartórios, nos arquivos diocesanos, nas coleções particulares, existem milhares de histórias como essa esperando para serem contadas. Histórias que desafiam a narrativa oficial e revelam as complexidades e horrores do nosso passado. Cabe a nós, pesquisadores e cidadãos conscientes, garantir que essas vozes ecoem através do tempo. Porque conhecer o passado não é apenas um exercício acadêmico, é uma ferramenta essencial para transformar o presente e construir um futuro verdadeiramente mais justo e humano.

    A memória, quando cultivada com honestidade, torna-se o mais poderoso instrumento de libertação. Se essa história te impactou e você quer entender como nossa sociedade ainda carrega as marcas desse período, clique no vídeo ao lado para descobrir outra impressionante história e se inscreve no canal. M.

  • O que fez Bolsonaro pedir algo inusitado a Moraes? E Lula? Sua posição surpreendeu a todos! A política brasileira nunca esteve tão quente e cheia de reviravoltas. Não perca os detalhes desse jogo de poder que está deixando todos de boca aberta!

    O que fez Bolsonaro pedir algo inusitado a Moraes? E Lula? Sua posição surpreendeu a todos! A política brasileira nunca esteve tão quente e cheia de reviravoltas. Não perca os detalhes desse jogo de poder que está deixando todos de boca aberta!

    O Drama de Bolsonaro na PF, a Revolta de Flávio e o Gesto Surpreendente de Lula em Pernambuco

    A YouTube thumbnail with maxres quality

    Terça-feira, Brasília. A semana mal começou e o cenário político brasileiro já está em ebulição. De um lado, o clã Bolsonaro vive o seu momento mais crítico, com o ex-presidente enfrentando a realidade dura do cárcere e seus filhos em polvorosa com as condições da prisão. Do outro, o presidente Lula surpreende com um discurso emocionado e incisivo sobre a violência contra a mulher, mostrando que, apesar das turbulências, a pauta social continua sendo o norte de seu governo. Entre choros, reclamações e apelos por “humanidade”, o Brasil assiste a um espetáculo onde a justiça, a política e a vida real se entrelaçam de forma dramática.

    Bolsonaro: O “Cativeiro” e a Revolta de Flávio

    A visita de Flávio Bolsonaro ao pai na Superintendência da Polícia Federal gerou manchetes e memes. O senador, visivelmente abalado, descreveu a situação do ex-presidente como um “cativeiro”. Segundo ele, Bolsonaro está trancado em uma sala de 12 metros quadrados, incomodado pelo barulho do ar-condicionado central e sem espaço para se exercitar.

    “É desumano”, bradou Flávio, apelando para a sensibilidade das autoridades. Mas a reação nas redes sociais foi implacável. Muitos lembraram que a prisão não é um spa e que as condições de Bolsonaro, com ar-condicionado, cama e escrivaninha, são luxuosas se comparadas à realidade carcerária brasileira. A ironia não passou despercebida: aqueles que sempre defenderam o endurecimento das penas e o “bandido bom é bandido morto” agora clamam por direitos humanos.

    A ameaça de transferência para a Papuda paira no ar. Se as reclamações continuarem ou se houver qualquer deslize disciplinar, o “capitão” pode perder suas regalias e enfrentar o rigor de um presídio de segurança máxima. A estratégia de vitimização do clã parece ter saído pela culatra, reforçando a imagem de um grupo que não sabe lidar com as consequências de seus atos.

    Soluções Criativas para o “Tédio” do Ex-Presidente

    Diante das queixas de falta de exercício, a internet não perdoou e ofereceu soluções criativas. De vídeos tutoriais sobre como caminhar em esteiras até sugestões de leitura para remição de pena, o brasileiro mostrou que o humor é a melhor arma contra a hipocrisia.

    A imagem de Bolsonaro tendo que ler clássicos da literatura para diminuir seus dias na prisão é, por si só, uma vingança poética da história. O homem que desprezou a cultura e a educação agora pode ter que mergulhar nos livros para encontrar uma saída. É o “efeito Xandão” em sua máxima potência, mostrando que a justiça pode ser pedagógica, mesmo para aqueles que se achavam acima da lei.

    Moraes nega pedido para prender Bolsonaro | Agência Brasil

    A Direita Perdida e o “Pito” de Kassab em Tarcísio

    Enquanto o clã Bolsonaro se debate, a direita busca desesperadamente um novo líder. Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, desponta como o favorito, mas enfrenta resistências internas. Gilberto Kassab, presidente do PSD, mandou um recado claro: Tarcísio não pode se apresentar como bolsonarista raiz se quiser ter chances em 2026.

    A tentativa de emular o estilo tosco e agressivo de Bolsonaro soa falsa e forçada. Tarcísio, um tecnocrata, não tem o carisma (ou a falta de escrúpulos) necessário para encarnar o “mito”. A direita está em uma encruzilhada: ou se reinventa ou afunda abraçada ao cadáver político de seu antigo líder.

    Lula e Trump: Um Diálogo Inesperado?

    No campo diplomático, Lula joga suas cartas. O telefonema para Donald Trump, pedindo a redução de tarifas e discutindo o combate ao crime organizado, mostra um pragmatismo que desconcerta a oposição. Se Trump, ídolo da extrema-direita brasileira, responder positivamente às demandas de Lula, o curto-circuito na cabeça dos bolsonaristas será total.

    A imagem de um Brasil respeitado internacionalmente, capaz de dialogar com líderes de diferentes espectros ideológicos em prol do interesse nacional, é um pesadelo para aqueles que apostaram no isolamento e na subserviência.

    O Choro de Janja e o Compromisso de Lula

    Mas foi em Pernambuco, durante a cerimônia na Refinaria Abreu e Lima, que Lula protagonizou o momento mais marcante da semana. Fugindo do protocolo, o presidente fez um discurso emocionado sobre a violência contra a mulher. Relatou como sua esposa, Janja, chorou ao ver notícias de feminicídio e como sua mãe, Dona Lindu, o ensinou a nunca levantar a mão para uma mulher.

    “Assuma a responsabilidade de uma luta mais dura contra a violência do homem contra a mulher”, pediu Janja. E Lula atendeu. Ao colocar o peso de sua presidência nessa causa, ele não apenas humaniza o debate, mas chama a sociedade para uma reflexão urgente. Em um país onde a violência de gênero atinge níveis epidêmicos, a postura do presidente é um farol de esperança e um chamado à ação.

    Moraes nega pedido para remover vídeo com respostas de Bolsonaro na  pandemia | CNN Brasil

    Conclusão: O Brasil Segue em Frente

    A semana termina com um saldo positivo para a democracia e para o povo brasileiro. As instituições funcionam, a justiça é aplicada e o governo demonstra sensibilidade social. Para a extrema-direita, resta o lamento e a irrelevância. Para o Brasil, resta a certeza de que estamos no caminho certo, construindo um futuro mais justo, próspero e humano.

    O “cativeiro” de Bolsonaro é apenas um detalhe em uma história muito maior: a história de um país que decidiu virar a página do ódio e abraçar a esperança. E essa história, meus amigos, está apenas começando.

  • LIGAÇÃO DE LULA E TRUMP DEIXA BOLSONARISTAS DESESPERADOS E ENCURRALADOS! MEGA VITÓRIA NA ECONOMIA!!

    LIGAÇÃO DE LULA E TRUMP DEIXA BOLSONARISTAS DESESPERADOS E ENCURRALADOS! MEGA VITÓRIA NA ECONOMIA!!

    E a aliança do Cío Gomes com Bolsonaro causou uma mega briga na familiícia. Primeira Michele Bolsonaro ao vivaço criticou aqui no evento a aproximação do PL com Ciro Gomes e do deputado André Fernandes. Aí a maionese desandou. O Flávio Bolsonaro deu uma entrevista chamando a Michele Bolsonaro de autoritária e ainda falou que a fala dela foi constrangedora.

    Aí o Carlos partiu para ataque e disse: “Ó, meu irmão Flávio Bolsonaro está certo”. E compartilhou aqui notícia. Flávio diz que Michele atropelou o Bolsonaro em dar bronca André Fernandes. Aí logo depois o Eduardo Bolsonaro falou: “Meu irmão Flávio está correto? Foi injusto e desrespeitoso com André Fernandes o que foi feito no evento”.

    Lula encara Trump e conquista vitória tarifária para o Brasil - Bloomberg

    Aí a Michele percebeu que a coisa tava feia pro lado dela. Então o que que ela fez? Dobrou a aposta. Primeiro ela colocou um mega testão no stories detonando os filhos do Bolsonaro. Aí ela postou esse vídeo aqui. A Michelinha que inventaram isso. O Flávio comprou uma mansão de R$ 6 milhõesais em Brasília. Um ladrão. Muito esquisito isso aí.

    Esquisito sou eu. Ele é ladrão. Ladrão é porque ele precisa ser ser julgado e não. Eu tô acusando ele de ser ladrão. Me processo para ver se eu não provo. Dizendo Bolsonaro é ladrão. Os filhos são ladrões, às vezes mulheres tudo ladras. Só que tem mais. Ela postou vários vídeos do Ciro Gomes detonando o Bolsonaro e os filhos dele.

    Briguem, briguem mais. E quem quiser todas as informações sobre essa briga, vai lá no Plantão Brasil, que tá muito bom, viu? Galera, o presidente Lula desbancou a lógica do mercado, mostrou que os tais especialistas não passam de vendedores do caos, que quando o assunto é economia real, eles não sabem o que estão dizendo.

    Fazem previsões catastróficas no começo do ano, mas quando chega no final ficam desmoralizados, porque o resultado é outro. Parece que eles não contam com o fator Lula no comando. Eu vou mostrar para vocês uma análise da Miriam Leitão que vai contar os dados aqui para vocês. Eles previam desemprego crescendo, inflação acima de 6%, Brasil em recessão e nada disso se confirmou.

    Eu vou pedir que assista, deixe um comentário para engajar, deixa a curtida, compartilha o vídeo, me siga. E se gosta do conteúdo que eu produzo do enfrentamento aos vigaristas intelectuais e psicopatas hospedados na política brasileira, quem puder quiser dar aquela força no meu trabalho, a chave é essa aqui.

    Todo o apoio é muito bem-vindo. Agora vamos à análise da Milan Leitão. Eu conversei com eh, por exemplo, com vários economistas, mas eu conversei com Mansueto Almeida, que que é do BTG Pactual, e ele tava dizendo o seguinte, eh a gente começou a analisar os números do começo do ano e do final do ano, né? No começo do ano, os economistas estavam achando que a inflação seria de 6%, ela tá em 4,4 dentro do intervalo de flutuação da meta e pode cair, terminar o ano até um pouco mais baixo do que isso.

    Mas a inflação de alimentos é que é impressionante. A previsão dos economistas era de alguma coisa como 8 ou 9% da inflação de alimentos vai terminar o ano em 1,35. 1,35. Houve queda, meses seguidos teve queda da inflação de alimentos. queda da inflação de alimentos no domicílio. Então isso melhorou muito, inclusive a renda disponível das famílias que é muito eh tomada pelo pela compra de alimentos.

    Teve eh a o dólar tava no começo do ano, começo do ano tava em 6:18 e a previsão dos economistas que podia chegar a sete, pois tá terminando em 5:35, né? e queda com hoje mais um dia de queda. Eh, o a previsão óbvia a ser feita pelo tipo livro texto e se os juros vão subir tanto, vão ficar em 15%, 10% de juro real, a economia vai ter uma recessão forte.

    E a economia não entrou em recessão. Semana, essa semana vai ser divulgado o PIB do terceiro trimestre. Deve dar alguma coisa como 02 positivo, mas vai ficar ali em torno de zero. Não é um resultado muito bom, mas era o mês que todo mundo achava que ia dar um resultado negativo, forte. E a economia termina com 2%. Mas você me chamou atenção para o que tá realmente desafiando os economistas, como é que com juros reais de 10% eh eh e juros nominais de 15, o desemprego pode melhorar e melhorou.

    Tanto que o dado divulgado na semana passada e que terminou em outubro, trimestre e terminado em outubro foi 5,4%. É o menor número da série histórica. É aquela velha lógica do mercado. Eles vendem o boato para lucrar com o fato, mas eles esquecem que tem na presidência da República o presidente Lula. Eles fazem isso de propósito para desgastar o governo, para dizer que o governo não vai dar conta de pagar as contas, que o governo está gerando caus econômico.

    Mas nada disso se confirma. E hoje o fato é que a bolsa de valores, pela primeira vez na história do Brasil, ultrapassou 160.000 pontos com o governo que eles dizem que é um governo comunista. Então falo só o seguinte, chupa mercado, deixa aí nos comentários a sua opinião e se gostou do vídeo, curta, comente, compartilha, aproveite para me seguir e mercado faz o L aí.

    E atenção pouquinho, mais uma notícia triste para os traidores da pátria. O presidente Lula ligou novamente para o Donald Trump, até porque o presidente Lula disse que agora tanto o Trump tem o telefone dele, como ele tem o telefone do Trump e eles podem ligar um para o outro a qualquer momento.

    Assim fez o presidente Lula. ligou para o Trump para ver se põe fim de vez nessa novela do tarifá, que ainda tem alguns produtos com a tarifa de 40%, e também pedindo colaboração ao combate ao crime organizado no enfrentamento de algumas ramificações de facções que atuam no exterior, né? Vamos ler aqui. O presidente Lula já se manifestou nas redes sociais.

    Logo após essa ligação, ele disse o seguinte nas redes sociais dele, o seguinte: “Olha, abre aspas. Telefonei nesta terça-feira dois para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na chamada que durou 40 minutos, tivemos uma conversa muito produtiva sobre nossa agenda comercial e econômica e sobre o combate ao crime organizado.

    Eh, indiquei ter sido muito positiva a decisão dos Estados Unidos de retirar a tarifa adicional de 40% imposta a alguns produtos brasileiros, como carne, café e frutas. Destaquei que ainda há outros produtos tarifados e que precisam ser discutidos entre os dois países e que o Brasil deseja avançar rápido nessas negociações.

    Ressaltei a urgência em reforçar a cooperação com os Estados Unidos para combater o crime organizado internacional. Destaquei as recentes operações realizadas no Brasil pelo governo federal, com vistas às a fixiar financeiramente o crime organizado e que identificaram ramificações que operam a partir do exterior.

    O presidente Trump ressaltou total disposição em trabalhar junto com o Brasil e que dará todo o apoio a iniciativas conjuntas entre os dois países para enfrentar essas organizações criminosas. Concordamos em voltar a conversar em breve sobre o andamento dessas iniciativas. Eita, meu irmão. Queria ver como é que tá. Eduardo Bolsonaro vai já aparecer.

    Daqui a pouco eu apareço. Eu vou lá no, eu ainda não fui lá na rede social dele. Vou lá ver o que é que ele vai aparecer dizendo que toda vez ele aparece com uma lorota para minimizar o sucesso do presidente Lula, porque ele sabe que levou peia nessa aí, né, pessoal? Se você gostou do vídeo, da notícia, curta, compartilhe, siga o canal se ainda não for seguidor.

    Muito obrigado pelo apoio de vocês. Michele, no caso a Michele Bolsonaro, porém não tem mais a força do marido para sair por aí desautorizando as articulações estaduais do PL. Quem escreveu esse artigo pro Estadão foi uma jornalista mulher, uma jornalista muito culta, muito bem estudada, que faz questão de ser uma representante feminina do patriarcado na mídia brasileira e faz questão de dar eco pros filhos do Bolsonaro, que quando o Eduardo vai paraos Estados Unidos e arruína o sobrenome da família, não falam absolutamente nada. Agora, quando

    Michele Bolsonaro resolve falar mal de um novo aliado bolsonarista, aí eles se juntam para dizer que ela é autoritária na hora publicamente. Eu sei que pode parecer ingenuidade da minha parte, mas será que finalmente chegou a hora que Michele Bolsonaro vai dar o braço a torcer e assumir que ser antifeminista em um mundo que quer matar e derrubar todas as mulheres é contraproducente pros planos de poder que ela tem para ela mesma na política? Será que chegou a hora das apoiadoras da Michele entenderem que enquanto a rainha tá

    falando para elas serem submissas dentro de casa, ela própria tá se levantando, se buscando um lugar ao sol e contrariando de propósito a família do próprio marido dela. Com tantos casos de políticos da extrema direita e influenciadores masculinistas sendo condenados por violência doméstica, com tantos casos de mulheres antifeministas sendo agredidas pelos seus companheiros.

    Será que finalmente chegou a hora da gente protagonizar a ascensão do pensamento feminista no Brasil? É pedir demais, minha gente. Que que vocês acham? Vamos ver as cenas dos próximos capítulos. Olha só, porque eles querem tirar a Polícia Federal e o governo Lula do combate ao crime organizado. Foram encontrados documentos no escritório daquela refinaria lá que lavava dinheiro pro PCC.

    Pois é, documentos comprovando que essa turma tava investigando os funcionários do governo Lula que foram para cima do crime organizado. Pois é, o Robson Barreirinhas, que é o funcionário da receita, vinculado ao Hadad, que entregou na mão da PF o dossiê contra a refinaria do PCC, esse cara, até os familiares dele, essa turma tava indo atrás.

    É gente perigosa, é gente que atua junto com o PCC e tava indo atrás dos funcionários do governo Lula, porque eles combatem o crime e a corrupção. Essa que é a realidade. É por isso que essa lei antifacção aí que tá no Senado agora, eles querem tirar todas as atribuições da PF e do governo Lula no combate ao crimenizado. Por isso que a gente tem que defender a Polícia Federal e o projeto que tem que ser aprovado no Senado é a lei antifacção do Lula pra gente continuar combatendo o crime organizado.

    O Supremo Tribunal Federal decretou sigilo no pedido que a defesa de Daniel Vorcar, dono do máster, fez. A defesa fez o seguinte pedido. Olha, a gente acha que o caso dele, prisão, investigação, nada disso deveria estar na Justiça Federal em Brasília, que é a primeira instância. a gente acha que deve est no Supremo. Não há detalhes sobre o motivo do pedido, mas a essência do pedido é esse.

    E aí esse pedido ele chegou lá no Supremo como segredo de justiça, que apesar do nome ainda dá um certo acesso. Você consegue acompanhar, os jornalistas conseguem acompanhar ali, eh, andamento, de quem se trata, consegue ter o mínimo de informação. Só que aí foi decretado esse outro nível de sigilo que se chama sigilo mesmo, mas é um grau de reserva maior, não tem iniciais, você não consegue ver o andamento, você não consegue ver absolutamente nada. Houve essa mudança.

    Quem é o relator desse caso? É o ministro Dias Toffoli. Ainda não, se geralmente é o relator que faz essa mudança, mas também pode ter sido feita pela área técnica. O fato é que o assunto tá sob bastante sigilo, bastante reserva e vai depender do Supremo, obviamente nesse caso do ministro Dias Toffol, eh, a decisão sobre o pedido da defesa.

    Se a defesa de Daniel Vorcaro conseguir levar o caso pro Supremo, isso pode anular os atos já feitos em relação à justiça federal, ou seja, além de mudar de instância, você anula. O que nós podemos fazer a respeito disso? cobrar nossos deputados e senadores para abrir uma P de CPI. Tem que abrir uma CPI para investigar isso.

    Que que esse cara tá achando que é para ir pro STF? Esse cara não é parlamentar, não. Não tem foro privilegiado para falar assim: “Ah, eu tenho foro privilegiado, preciso ir pro STF”. Que que a gente pode fazer? Vai reclamar a gente aqui, cidadão, vai bater no STF? Ué, a gente não pode fazer nada. Cabe agora ao parlamento brasileiro mostrar o que é o parlamento.

    A direita não tá falando que que o Banco Master tem a ver com vou falar também, mas então tá aí, ó. Prato cheio, que é oportunidade melhor para correr atrás e abrir uma CPI em cima disso e investigar a fundo o que tá acontecendo? Porque eu acho que é a única coisa que a gente pode fazer, pressionar os parlamentares a investigarem, porque a justiça brasileira, né, a gente sabe como é, né? Eu vou ficar quieto aqui porque, né, sabe como é.

    E o jornal Gadonal apresenta um resumo geral de tudo que tá acontecendo no mundo do bolsonarismo. O Raspa Caneco disse que recebeu ordem do príncipe das trevas e sim, tá articulando com o Ciro e disse que não aceita que ninguém meta o pitaco onde não foi chamado. No caso a exterceira dama, né? É, convocaram a reunião de emergência para enquadrar a dona Michele.

    Bolsonaro confirma que realmente queria uma união com o Crio. Os filhos de Bolsonaro reprovam a atitude de Michele. Dizem que a Michele foi autoritária e desrespeitosa com Raspa canec também. Quem vai respeitar o Raspa Canec, né? É, por outro lado, dona Michele veio pras redes sociais pedir desculpa aos enteados para dizer que tá tudo bem, que a gente sabe que nem tá agora, nem nunca esteve, né? Mas ela pediu desculpas e disse que respeitava a opinião dos outros, mas não concordava.

    Porque Ciro chama o marido dela de corrup pá, de tudo que ele é, porque se ele não fosse, ele já tinha processado ou não? já que ele não é nada disso que Ciro diz, porque não processa, então a gente acredita que seja tudo verdade. E depois disso ela passou a colocar vários vídeos do Ciro Gomes. Inclusive, eu quero agradecer a ela porque tinha vídeo ali que eu não tinha e eu já salvei para mostrar aqui toda hora o Ciro Gomes mostrando a verdade, porque até vocês processarem ele para ele desmentir e apagar os vídeos, eu vou

    acreditar que tudo é verdade. Está no ar o jornal gadonal. Primeira matéria mostra o raspa canec confirmando a aliança com Ciro e a ordem recebida pelo príncipe das trevas. E ele não quer que ninguém dê o pitaco não, viu? Dona Michele, cai fora. Eu estou sim tentando fazer essa construção pra gente derrotar o PT, pra gente ter um grande cabo eleitoral aqui no Ceará pedindo voto pro nosso candidato de centro direita, porque quem tá aqui é que sabe o problema que o cearense enfrenta.

    Encontro entre Lula e Trump expõe fracasso do bolsonarismo nas redes

    Então está tudo resolvido. Não aceito que venha alguém de fora dizer que é precipitado ou que é um passe errado. Próprio presidente Bolsonaro concorda com isso e repito, mandou a gente ligar pro Ciro Gomes no Viva Voz naquele dia. E pra quem disse que o Raspa caneco tá mentindo, o príncipe das trevas tá aí pr confirmar isso pra calar.

    Dona Michele Bolsonaro que não deixou nem o final de esfriar o corpo e já quer mandar nele, mandar em todo mundo, passar por cima de todo mundo só para calar ela e a boiada que tá aí mugindo. Eu fico muito feliz ver uma jovem liderança dessa de direita despontando no Nordeste. O senhor chegou a conversar com Ciro? Com quem? O senhor chegou a conversar com o Ciro? Não, não cheguei a conversar com ele.

    Eu tenho curiosidade porque gostaria de você conversar com ele no dia. Não sei se você vai querer conversar comigo, né? Mas conversaria com ele sem problema nenhum. Dona Michele, talvez ele tenha feito isso e não tinha contado nada pra senhora porque não tem confiança suficiente para lhe contar tudo, né? Aí talvez ele não tenha contado, isso pra senhora que a senhora disse que não sabia.

    Aí tem mais, tem os filhos do príncipe das trevas criticando a esta sera dama, achando que ela extrapolou, passou dos limites, não deixou nem o homem ser preso direito. Mas eu disse a vocês, quando derem poder a essa mulher, vocês vão saber quem é Michele Bolsonaro. O que Julian diz, o que Joyce diz e vocês não querem acreditar.

    Vocês viram aí quem é Michele Bolsonaro, mas os filhos, olha, não concorda não. Eu tô adorando tudo isso. Sabe por quê? Porque rachou. já tem os três grupos de direita diferente. Os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro saíram em defesa de André Fernandes e também do pai. O senador Flávio Bolsonaro disse que Michele atropelou o próprio presidente Bolsonaro, que havia autorizado o movimento do deputado André Fernandes no Ceará e a forma com que ela se dirigiu a ele, que talvez seja a nossa maior liderança local, foi autoritária e

    constrangedora. O o vereador Carlos Bolsonaro, ele endossou o discurso do irmão e disse o seguinte: “Meu irmão Flávio Bolsonaro está certo e temos que estar unidos e respeitando a liderança do meu pai, sem deixar nos levar por outras forças”. O deputado federal Eduardo Bolsonaro também citando Flávio Bolsonaro, dizendo que Flávio estava correto, que foi injusto e desrespeitoso com André Fernandes o que foi feito no evento ontem, que tinha sido algo definido pelo pai e que André não poderia ser criticado por obedecer o

    líder, disse o deputado federal Eduardo Bolsonaro. E aí ficou esse clima todo dentro do PL. Aí depois que os enteiados falaram da madrasta má, aí o Valdemar, até o Valdemar discordou da Michele e agora ele quer uma reunião de urgência para enquadrar a dona Michele e colocar ela no lugar dela, né? Vocês não dizem assim com Janja que ela tem se colocar no lugar dela? Dona Michele, se coloque no seu lugar.

    Pele convocou uma reunião de emergência para enquadrar Michele. Pois é, essa aliança com Valdemar já deu ruim. Já deu ruim. Já depois de tudo isso, ela ficou com medinho, medinho, e colocou uma notinha lá pedindo desculpas, né? Ela pediu desculpas, disse que não concorda, mas respeita.

    Aí começou a colocar os vídeos lá do Ciro Gomes e todo mundo gostando, adorando. Aí ela ficou bem calminha. Enfim, aqui termina o jornal Gadonal. Ten um boi dia e um beijinho no chifre. Ah.

  • Choque! Aos 48 anos, Claude Makélélé revela os 5 jogadores que mais detesta

    Choque! Aos 48 anos, Claude Makélélé revela os 5 jogadores que mais detesta

    Aos 48 anos, Claude Makélélé quebra finalmente o silêncio. Ele — o homem das sombras, o mestre do meio-campo defensivo, o jogador respeitado por todos mas verdadeiramente conhecido por poucos.
    Hoje, revela algo que nunca teve coragem de dizer publicamente: os cinco jogadores que ele mais detesta.
    Cinco nomes que, segundo ele, deixaram cicatrizes profundas — traíções que nunca esqueceu.

    Porquê agora?
    Porquê, depois de tantos anos?
    Segundo pessoas próximas, Makélélé precisava de libertar esta verdade, de tirar um peso que carrega há demasiado tempo.
    E num meio onde os sorrisos escondem facas afiadas, estas revelações podem abalar os bastidores do futebol francês e europeu.

    Aqui estão os cinco jogadores que Claude Makélélé nunca perdoará.

    Para entender a hostilidade silenciosa entre Makélélé e Rothen, é preciso voltar aos primeiros anos de Claude no PSG.
    Quando chega, ele não é apenas uma lenda do Real Madrid e do Chelsea — é visto como um salvador, um líder natural num clube em constante instabilidade.

    Essa aura, Rothen não suportava.

    Insiders do clube afirmam que Rothen se queixava nos bastidores, dizendo que Makélélé chegara com “ares de professor”, pronto a impor a sua visão do futebol.
    O primeiro grande choque acontece numa sessão vídeo: Makélélé critica a falta de compromisso defensivo… e Rothen explode.

    “Aqui não estamos em Madrid, a tua conversa de chefe não funciona com toda a gente!”

    O vestuário congela.

    A semana seguinte torna-se glacial.
    Depois, Rothen dá uma entrevista insinuando que havia um jogador que se “achava acima do clube”.
    Para Makélélé, foi traição pura.

    Ele detesta apenas uma coisa:
    quem fala para fora antes de falar cara a cara.

    A relação torna-se irreparável — cordial por fora, arruinada por dentro.

    Quando Makélélé e Drogba chegam a Chelsea, todos acreditam que formariam um duo imbatível.
    Dois líderes, dois guerreiros, dois homens forjados pela adversidade.

    Mas foi precisamente essa força que acendeu o conflito.

    Drogba, habituado a ser o centro da equipa, não tolerava as correções duras de Makélélé durante os treinos.
    O incidente decisivo acontece em Cobham, num treino exigente de Mourinho.
    Makélélé acusa Drogba de não pressionar.
    Drogba explode, dizendo que Claude “age como general” e não entende a fadiga de um avançado.

    A discussão torna-se tão violenta que Ricardo Carvalho tem de separar os dois.

    A partir daí, a relação degrada-se.
    Mourinho tem de os chamar ao gabinete, exigindo paz.
    Mas nos balneários, as feridas não desaparecem.

    Makélélé diria mais tarde:

    “Drogba é o tipo de jogador que exige tudo, mas não aceita nada quando lhe dizem a verdade.”

    A admiração existia.
    A compatibilidade, nunca.
    Makélélé jamais perdoou aquele momento de desafio público que tocou o seu orgulho mais profundo.

    Para entender porque Figo entra nesta lista, é preciso entrar no universo galáctico.
    Um mundo de glamour, câmaras e egos do tamanho do Santiago Bernabéu.

    Figo era a imagem do Real Madrid: técnica pura, estatuto, influência.

    Makélélé era o oposto: o equilíbrio, o suor, a engrenagem silenciosa que permitia aos outros brilhar.

    Desde cedo, Makélélé percebe que não pertence ao mesmo “reino” que Figo.
    Pequenos sinais surgem nos treinos:
    — uma careta irritada quando Claude recupera a bola com agressividade;
    — uma crítica subtil ao seu jogo “simples”;
    — uma distância crescente.

    Insiders relatam que Figo via Makélélé como útil, mas nunca indispensável.

    A frase que fere profundamente Makélélé surge numa reunião tática:

    “Alguns querem jogar como se fôssemos o Celta de Vigo.”

    A sala congela.
    A mensagem é clara: Makélélé não está ao nível da elite.

    O desprezo silencioso atinge o auge nas negociações salariais.
    As estrelas recebem contratos astronómicos, e Makélélé é ignorado.
    Figo, questionado em off, diz apenas:

    “Cada um tem o seu valor.”

    Para Claude, significava:
    “E o teu é inferior.”

    Figo representa a traição pela indiferença — a mais fria, a mais cruel.

    Quando Beckham chega ao Real Madrid em 2003, o clube transforma-se:
    luzes, câmaras, marketing, caos mediático.

    E Makélélé… desaparece.

    Ele vinha de duas temporadas monstruosas, era essencial para o equilíbrio da equipa.
    Mas de repente passa a ser ignorado, eclipsado pela tempestade Beckham.

    Segundo insiders, Makélélé chegou a desabafar:

    “Parece que deixei de existir.”

    O episódio mais marcante ocorre num treino:
    Beckham perde bolas no meio e Makélélé pede para simplificar o jogo.
    Beckham responde:

    “Não saí do Manchester para ser um jogador de passes de segurança.”

    A frase fere Claude — não pela arrogância, mas pelo que simbolizava.

    Beckham tinha liberdade.
    Makélélé tinha obrigações.

    A gota final foi quando o clube negou uma melhoria salarial a Makélélé…
    logo após pagar milhões por Beckham.

    Beckham não fez nada diretamente.
    Mas tornou-se o símbolo de uma injustiça que Makélélé jamais perdoou.

    Falar de Zidane, para Makélélé, é tocar numa ferida antiga — talvez a mais profunda.

    Entre os dois, nunca houve conflito direto.
    Nunca houve gritos.
    Nunca houve insultos.

    Houve algo pior: o silêncio.

    Zidane era intocável — uma divindade em Madrid.
    Makélélé era o motor silencioso da equipa.
    Claude idolatrava Zizou.
    Via-o como um líder, alguém que reconheceria o seu valor.

    Mas em 2003, Makélélé exige uma melhoria salarial.
    O clube ignora.
    Claude espera que Zidane diga uma palavra em sua defesa.
    Um simples gesto.

    O gesto nunca veio.

    Zidane mantém-se neutro.
    Distante.
    Silencioso.

    Para Claude, foi uma facada invisível.

    Alguns dias antes de Makélélé partir para o Chelsea, Zidane aperta-lhe a mão e deseja-lhe sorte — nada mais.
    Nenhuma palavra sobre injustiça.
    Nenhuma defesa.

    A ironia cruel?
    Só depois de Makélélé partir, Zidane declara publicamente:

    “Makélélé é insubstituível. Perdemos o nosso equilíbrio.”

    Palavras certas.
    Mas demasiado tarde.

    E é por isso que Zidane ocupa o primeiro lugar.
    Não por ódio, mas pela desilusão absoluta.
    Aquela que só sentimos por quem admiramos profundamente.

    Quando Makélélé revela estes cinco nomes, compreende-se uma verdade brutal:
    os golpes mais dolorosos não vêm dos adversários…
    mas daqueles que acreditamos estar ao nosso lado.

    Um membro do staff disse uma vez que Claude confessou:

    “As feridas mais profundas são causadas por quem devia proteger-nos.”

    Figo, com o desprezo elegante.
    Beckham, com a sombra esmagadora da fama.
    Zidane, com o silêncio que matou uma lealdade.

    Hoje, aos 48 anos, Makélélé olha para tudo com lucidez, não com raiva.
    Percebe que o futebol não é apenas tática e troféus.
    É um mundo de relações humanas capazes de elevar… ou destruir um homem.

    Ao falar agora, ele não procura vingança.
    Procura verdade.
    Porque até os maiores, os mais fortes, os mais respeitados, carregam cicatrizes que ninguém vê.

    E no brilho ofuscante do futebol moderno, são muitas vezes as sombras que contam a história mais honesta.

  • Bastidores fervendo! Davi Alcolumbre adia sabatina de Jorge Messias após clima tenso com o governo Lula!

    Bastidores fervendo! Davi Alcolumbre adia sabatina de Jorge Messias após clima tenso com o governo Lula!

    A Cronologia de um Impasse Inesperado:

    Para compreender a dimensão deste evento, é fundamental revisitar o processo. A indicação ao STF, no Brasil, é um ato complexo de coordenação entre os Poderes. O Executivo indica, mas é o Legislativo quem chancela, por meio do rigoroso processo de sabatina. A confirmação é um dos poucos momentos em que o Senado exerce, de forma direta e inquestionável, seu papel de freio e contrapeso, assegurando que o nome escolhido possua não apenas notável saber jurídico, mas também reputação ilibada.

    O calendário definido — leitura do parecer, vistas coletivas, sabatina e apreciação em Plenário — demonstrava a intenção de celeridade e transparência. O compromisso era que, até o recesso, o STF teria sua vaga preenchida. A máquina legislativa estava pronta. A CCJ, palco principal do drama, havia se articulado.

    No entanto, o Senado se viu diante de uma situação paradoxal: a indicação existia no mundo real da política e da mídia, mas não no mundo formal dos autos. A ausência da mensagem escrita, o documento formal que “materializa” a indicação perante o Legislativo, transformou um rito solene em um limbo jurídico.

    A “Omissão Grave”: Mais do que Burocracia, um Vício Institucional?

    Alcolumbre descobre burocracia e cancela sabatina como quem faz um grande ato de coragem | Revista 40 Graus

    A declaração da Presidência do Senado de que a omissão é de “responsabilidade exclusiva do poder executivo” e que se trata de uma “interferência no cronograma da sabatina prerrogativa do poder legislativo” carrega um peso institucional enorme. Não se trata apenas de esquecimento de um ofício; trata-se de um ato (ou a ausência dele) que, intencional ou não, obstrui o exercício de uma das mais solenes funções constitucionais do Senado Federal.

    Na política, a omissão frequentemente fala mais alto do que o ato. Este episódio levanta uma série de especulações:

    Negociação de Última Hora: Estaria o Executivo utilizando a formalização da mensagem como moeda de troca em alguma negociação política de bastidores, talvez pressionando por apoio em outras pautas cruciais que tramitam na Casa?
    Reavaliação Estratégica: A intensa reação pública ou a percepção de um cenário desfavorável na sabatina teriam levado o Executivo a “segurar” o processo, dando-se tempo para reavaliar a escolha ou o momento?
    Descoordenação Interna: A hipótese mais benigna é a descoordenação dentro da própria estrutura governamental. Contudo, em uma indicação de tamanha envergadura, a falha em um procedimento tão básico é, por si só, um sinal de fragilidade administrativa.

    Independentemente da motivação, o efeito imediato é a exacerbação da tensão entre os Poderes. A prerrogativa de pautar e conduzir a sabatina é do Legislativo. Ao reter o ato formal da indicação, o Executivo inadvertidamente (ou deliberadamente) violou essa autonomia.

    O Fantasma do “Vício Regimental” e a Cautela do Senado:

    O aspecto mais técnico, mas igualmente crucial, da decisão do Senado de cancelar o calendário reside na preocupação com o “possível alegação de vício regimental no trâmite da indicação”. A formalidade no processo legislativo não é mero detalhe. É a garantia da lisura e da inquestionabilidade das decisões.

    Realizar a sabatina, o debate público, a votação na CCJ e, finalmente, a apreciação no Plenário “sem o recebimento formal da mensagem” criaria uma vulnerabilidade jurídica para todo o processo. Em um país onde a judicialização de atos políticos é recorrente, a conclusão de um processo de tamanha importância com uma falha de origem seria um convite aberto para a contestação judicial.

    Se o Senado prosseguisse, correndo o risco de anulação futura, estaria assumindo um risco desnecessário e irresponsável. A decisão de cancelar o calendário, portanto, é um ato de prudência regimental e de afirmação da autoridade legislativa. O Senado demonstra que não irá se curvar a uma omissão do Executivo, nem permitir que sua decisão seja futuramente questionada por um erro que não cometeu.

    O cancelamento, neste contexto, não é uma capitulação; é um gesto de força institucional. Significa que o Senado só agirá quando as condições de legalidade e regimento forem plenamente atendidas.

    As Consequências e o Jogo de Xadrez Pós-Cancelamento:

    A consequência mais imediata e palpável é o adiamento. A indicação, que o Senado tanto se empenhou em resolver em 2025, agora, com o cancelamento do calendário, corre o sério risco de “postergação para o próximo ano”. Este atraso não é apenas um inconveniente:

    Vaga em Aberto no STF:

        A ausência de um ministro ou ministra altera a composição das turmas, a velocidade de julgamento e, potencialmente, o equilíbrio ideológico em votações cruciais. A corte opera com sua capacidade reduzida.

    Impacto no Debate Político:

        O tema da indicação voltará com força total em 2026, possivelmente em meio a um ano eleitoral (dependendo do calendário legislativo de 2026), o que pode politizar ainda mais o debate sobre o futuro magistrado ou magistrada.

    Fragilização da Relação Executivo-Legislativo:

      A declaração pública do Senado, classificando o ato como “grave” e “interferência”, cria uma cicatriz na relação entre os Poderes que exigirá habilidade política para ser curada. O Executivo terá que dar explicações convincentes para justificar a falha.

    O jogo de xadrez agora está no Executivo. A bola retorna para o Palácio, que precisa não apenas enviar a mensagem, mas também gerenciar o desgaste político causado pela sua inércia. O Senado, por sua vez, demonstrou que possui o controle do processo e que o respeito ao rito formal é inegociável.

    Conclusão: O Imperativo da Formalidade e a Defesa da Prerrogativa:

    O episódio da indicação ao STF de 2025 ficará registrado não apenas como um imbróglio burocrático, mas como um momento de profunda reflexão sobre a independência e o funcionamento harmônico dos Poderes. A formalidade da “mensagem escrita” foi o pequeno pivô que desestabilizou um grande processo.

    O Senado, ao cancelar o calendário para evitar um “vício regimental”, agiu na defesa de sua prerrogativa constitucional e da segurança jurídica. A lição é clara: no intrincado balé entre o Executivo e o Legislativo, o respeito às regras é a âncora que impede o sistema de naufragar.

    O País aguarda agora a pronta resposta do Executivo para que o processo possa ser retomado. A sabatina e a aprovação de um ministro do STF são atos de Estado, e a inação não pode ser uma opção. O futuro da mais alta corte brasileira não pode ser refém de uma omissão administrativa. A expectativa é que a mensagem seja enviada o quanto antes, permitindo que a CCJ e o Plenário cumpram sua inadiável função constitucional. O relógio, contudo, já foi zerado e a pressão institucional é máxima.

     

  • Bilionário instalou câmeras — e viu a nova ama fazer o impensável com suas filhas!

    Bilionário instalou câmeras — e viu a nova ama fazer o impensável com suas filhas!

    A primeira coisa que Rafael Moreira sentiu foi o cheiro de metal vindo do corrimão gelado. Ele estava parado diante do portão de embarque no aeroporto de Lisboa quando o celular vibrou no bolso. Aquele tipo de vibração curta, seca, que ele já reconhecia antes mesmo de olhar para a tela. Movimento detectado, sala de brinquedos. Era para ser só mais um cheque de rotina.

    o mesmo gesto automático que ele fazia há três anos em hotéis, aeroportos, salas de reunião. Mas naquela noite havia algo diferente. Talvez fosse a luz branca demais do terminal refletindo nas olheiras dele. Talvez fosse o silêncio pesado antes do voo transatlântico. Ou talvez fosse só o coração dele cansado demais para fingir que não doía.

    A YouTube thumbnail with maxres quality

    Rafael deslizou o dedo pela tela. A imagem carregou devagar, cheia de quadradinhos piscando. E então duas cadeiras de rodas infantis coloridas, paradas contra a parede, vazias, pareciam fantasmas de plástico esquecidos ali. A garganta dele secou na hora, mas antes que visse qualquer outra coisa, antes que entendesse o que estava prestes a acontecer, a mente dele fez aquilo que fazia sempre que o corpo entrava em pânico. voltou para a noite em que tudo começou.

    São Paulo, Marginal Pinheiros, chuva grossa, faróis refletidos no asfalto, como se alguém tivesse derramado tinta branca no chão. Camila segurava firme o volante, limpador de para-brisa riscando o vidro, no ritmo de uma música que só ela conhecia. No banco de trás, as gêmeas, Lara e Sofia, 3 anos, ainda com os tutus rosa do recital de balé.

    Coxixavam, riam, voltavam a cantar as músicas que tinham acabado de apresentar no palco. Camila falou por cima do ombro: “Vamos chegar, meninas. Papai, liga daqui a pouco.” Chuva engrossou, um sinal ficou amarelo. Ela desacelerou. No mesmo instante, a milhares de quilômetros dali, Rafael estava no Vessencubus oito andar de um hotel em Lisboa.

    Vidraças grandes, vista para o Tejo brilhando embaixo, reunião com investidores, voz dele firme, apresentação impecável, como sempre, até que o celular vibrou, número desconhecido. Ele quase ignorou. Quase. Alô. O silêncio antes da resposta deveria ter avisado. Deveria, senhor Moreira, aqui é do hospital sírio libanês. Sua esposa sofreu um acidente. Sinto muito.

    As palavras se misturaram com o som da chuva batendo no vidro do hotel, como se a tempestade tivesse atravessado o oceano só para esmagar o peito dele. Ela não resistiu e as meninas? A voz dele saiu arranhada, quase irreconhecível. Estão em cirurgia, situação delicada. Depois disso, Rafael não lembra do voo de volta.

    não lembra de fazer as malas, de entrar no carro, de passar pelo portão de embarque. A única coisa que lembra é a sensação de estar sendo puxado para baixo, como se atravessasse um corredor interminável dentro de si mesmo. Ele chegou ao hospital em São Paulo, ainda com a roupa amarrotada do voo. O corredor cheirava álcool e café velho.

    Uma médica com expressão cansada caminhou ao encontro dele. Senor Rafael, as meninas sofreram uma lesão na coluna. Elas vão andar? Ele perguntou sem pensar. A médica respirou fundo, como quem procura palavras dentro de uma gaveta vazia. É muito improvável. Aquela frase caiu no chão entre os dois, como um objeto de vidro trincando.

    Rafael nem chorou. nem piscou, só sentiu alguma parte dele se descolar, quebrar, desaparecer. No velório de Camila, a chuva fina da manhã grudava no terno dele. As meninas, pequenas demais em cadeiras de rodas, pequenas demais, seguravam unicorninhos de pelúcia enquanto tentavam entender porque a mamãe estava dormindo ali dentro. Rafael ajoelhou na lama. Suas mãos mergulharam na terra molhada.

    suja, real demais. Eu prometo, Camila. A voz dele falhou. Eu cuido delas. Eu juro que cuido, mesmo que seja só eu, mesmo que eu não saiba como, mas eu cuido. Um vento frio passou entre as árvores. O guarda-chuva que segurava escorregou um pouco, deixando a chuva cair direto no rosto dele, como se fosse a única coisa capaz de acordá-lo.

    Apesar da promessa, Rafael logo descobriu que cuidar pode ser uma palavra impossível quando se está carregando o próprio luto no colo. Os meses seguintes viraram um borrão de especialistas, fisioterapeutas, equipamentos importados, consultas em três idiomas, clínicas de alto padrão em Pinheiros, médico alemão por videoconferência, centro de reabilitação em Zurique, Robôs Cintos, Barras Paralelas e sempre a mesma frase polida: “Vamos focar na qualidade de vida”. Enquanto isso, Lara falava cada vez menos.

    Sofia chorava baixinho à noite, chamando pela mãe. E Rafael, ele tentava se convencer de que presença emocional era dispensável se ele desse tudo de material. Mas sem perceber, o apartamento começou a cheirar a hospital. A casa ficou cheia de máquinas, mas vazia de risos. E então vieram as babás. Primeira irresponsável.

    Segunda, dormia enquanto as meninas precisavam de ajuda. Terceira, trouxe namorado escondido. Quarta, roubou joia de Camila. E a pior de todas, aquela que filmou as meninas tentando se mover e vendeu para um programa de fofoca. Toda criança merece dignidade”, dizia o apresentador enquanto exibiam o sofrimento delas como entretenimento.

    Rafael assistiu aquilo sozinho, no escuro, sentado no chão da sala. sentiu-se exposto, ridículo e, acima de tudo, impotente. Foi naquela noite, naquela exata noite, que ele tomou a decisão. Ele não confiaria mais em ninguém. Se o mundo queria invadir a vida das filhas dele, então ele colocaria um filtro, um muro, um escudo.

    Mandou instalar 17 câmeras pela casa. Sala de brinquedos, corredor, cozinha, sala de fisioterapia, quartos, cada canto, cada ângulo, cada movimento. Podia ver tudo do celular, do tablet, do notebook. Londres, Nova York, Tóquio, não importava. Ele estaria ali, mesmo que só através de uma tela. Naquela noite, enquanto o técnico terminava a última instalação, Rafael ficou observando a luzinha vermelha, piscando no canto do quarto das meninas.

    Parecia um olho minúsculo, sempre acordado, sempre atento. Ele respirou fundo, cansado demais para perceber o que aquilo realmente significava. Cuidar, amar, proteger. Tudo isso agora cabia dentro daquela lente. Ou pelo menos era isso que ele queria. acreditar. E a luz vermelha piscou de novo, pulsou como um aviso, como se dissesse que a partir dali nada, absolutamente nada, seria visto da maneira certa.

    A rotina de Rafael Moreira começou a se parecer com o interior de um metrô lotado. Barulho por fora, silêncio absoluto por dentro. Ele acordava antes do sol, entrava no carro com motorista, seguia pela Faria Lima, enquanto prédios espelhados refletiam a vida dos outros. Gente rindo nos cafés, gente correndo na ciclovia, gente vivendo.

    Ele não, ele apenas vigiava. O tablet ficava sempre no banco ao lado, já com o aplicativo das câmeras aberto. Quadros pequeninos, sala de brinquedos, corredor, cozinha, quarto das meninas, todos pulsando em tempo real, como órgãos de um corpo que ele tentava controlar. Lara e Sofia apareciam como sombras de si mesmas, sentadas nas cadeiras, brinquedos no colo, olhares perdidos entre uma terapeuta e outra. Era estranho.

    Mesmo através das telas, as filhas dele pareciam longe demais, como se aquele vidro digital aumentasse a distância, não diminuísse. Mas Rafael continuava olhando. Olhar era a única coisa que ele ainda sentia que sabia fazer. A quarta babá tinha sido despedida na segunda-feira. A quinta saiu chorando na quarta-feira. A sexta durou quatro dias.

    A sétima, uma mulher de fala doce chegou prometendo amor e paciência. No terceiro dia, Rafael a flagrou assistindo série no sofá enquanto Sofia chamava baixinho por ajuda no quarto ao lado. Ele apertou o botão do interfone com tanta força que o plástico estralou. Você está demitida agora. A voz dele saiu fria, reta. Mas, senhor Rafael, eu só agora.

    A mulher juntou suas coisas apressada. Enquanto ela saía, Rafael percebeu que Lara observava a cena pela câmera do corredor, o rosto miúdo e cansado, como quem reconhece um padrão repetido demais. Ele sentiu o peito apertado, mas afastou esse incômodo como quem empurra poeira para debaixo do tapete. “Eu tô fazendo o que precisa ser feito”, era a frase que repetia silenciosamente, sempre que algo doía mais do que deveria.

    Mas nada, absolutamente nada, tinha doído tanto quanto a oitava babá. Jéssica era jovem, simpática, cheia de energia. Dançava funk com as meninas no colo, fazia caretas, inventava histórias bobas. Lara soltou sua primeira risada em meses com ela. Sofia começou a pedir: “Cadê a tia Jess?” Ao acordar, Rafael quase relaxou.

    Até que numa noite, depois de uma reunião tensa, ele abriu o celular para ver as câmeras antes de dormir. E lá estava ela, filmando as meninas durante um exercício de fisioterapia, cabelo preso no alto, sorriso malicioso no canto da boca. “Olha isso, gente. Não é fácil não, viu?”, Ela dizia para a câmera. Vida de babá de bilionário é puxado.

    O vídeo terminou com ela rindo enquanto Lara tentava levantar um brinquedo pesado demais. O pior veio algumas horas depois, quando o nome dele virou Trending Topic. Programas de fofoca, perfis de Instagram, gente comentando sem saber nada. Pai milionário sumido. Essas meninas vivem em UTI, coitadas. Ele devia perder a guarda. Rafael assistiu ao vídeo sentado no chão da sala escura.

    As câmeras estavam acesas, cada luzinha vermelha piscando como um julgamento. Ele desligou o tablet sem pensar, depois o ligou de novo e de novo e de novo. O corpo dele tremia inteiro. “Nunca mais”, ele murmurou com uma calma perigosa. Nunca mais alguém pisaria na vida das filhas dele. Nunca mais alguém teria acesso às dores delas.

    Nunca mais ele seria surpreendido por quem dizia ajudar. Na manhã seguinte, o apartamento parecia um laboratório. Técnicos caminhavam com maletas pretas, puxavam fios pelas paredes, instalavam câmeras em cantos estratégicos. Sala de estar, cozinha, corredor, sala de brinquedos, sala de fisioterapia, quarto das meninas, o próprio quarto de Rafael.

    60º de abertura aqui”, disse um técnico, ajustando uma lente na diagonal da parede. Visão total da porta até o tapete. Rafael observava tudo sem expressão. Ele não sorria, ele não reclamava. Ele só garantia que nada ficaria fora do alcance dele. O último técnico colocou uma câmera minúscula no alto, próxima ao berço hospitalar que Sofia usava para dormir. “Tá ativada, senhor” Rafael. assentiu com a cabeça.

    Quero acesso pelo celular, tablet e notebook. Em tempo real, já tá tudo configurado. Quando fecharam a porta, o silêncio tomou o quarto. As luzes foram apagadas, restando apenas o brilho suave da câmera recém instalada. Rafael ficou parado olhando para ela. Parecia um olho.

    Um olho que nunca dormia, um olho que não julgava, um olho que, por algum motivo, dava menos trabalho que pessoas de verdade. Ele inspirou devagar. Era isso. Agora nada mais escaparia. Dois dias depois, a agência mandou uma nova candidata. Rafael estava no escritório, vidro do chão ao teto, dando vista para o trânsito lotado da hora do almoço.

    Ele foliava relatório sem realmente ler, quando a recepcionista avisou: “Senhor, a nova candidata chegou. Manda entrar. A porta se abriu devagar e, pela primeira vez em muito tempo, Rafael ergueu os olhos de verdade. A mulher que entrou parecia deslocada naquele ambiente elegante, não pelo jeito de andar, firme, seguro, mas pela imagem que carregava com ela.

    Uma barriga de seis meses, redonda, evidente, empurrando o tecido do uniforme simples. Ela sorriu discreta e ajeitou a barra da blusa que insistia em subir por causa da gravidez. “Bom dia, senhor Rafael. Meu nome é Ana Paula.” O coração dele deu um micro sobressalto. Ele não sabia explicar o motivo.

    O olhar dela percorreu a sala com calma, sem se impressionar com os móveis caros. Mas quando viu as fotos de Camila com as meninas, o rosto dela suavizou de um jeito quase imperceptível. Rafael pigarreou. Você está grávida? Sim, senhor. Seis meses. Ele respirou fundo, já imaginando problemas.

    Licença, fadiga, apego e, principalmente, vulnerabilidade. Algo que ele não queria mais perto das filhas. Ele empurrou uma pasta grossa na direção dela. Aqui tem tudo. Horários, remédios, protocolos. Quero disciplina, sem invenção, sem criar expectativa. As meninas não vão andar. Médicos foram claros. Ana Paula segurou a pasta com firmeza.

    Depois passou a mão na barriga como se acalmasse o bebê ali dentro. Quando voltou a olhar para Rafael, seus olhos tinham uma clareza incômoda. Entendi. Ela fez uma pequena pausa. Mas com licença, elas são só o diagnóstico ou ainda são a Lara e a Sofia? Rafael sentiu um golpe interno. Ele não esperava aquilo.

    Eu tô contratando alguém para seguir as regras, não para filosofar. Não estou filosofando, senhor. Ela disse com voz tranquila. Só quero saber quem eu vou cuidar. O celular de Rafael vibrou com uma notificação das câmeras. Ele nem olhou. Algo naquela mulher, naquela barriga, naquela calma, o desarmava e irritava ao mesmo tempo.

    “A casa tem câmeras em todos os cômodos”, ele disse quase como aviso. “Você vai ser monitorada o tempo todo”. Ana Paula assentiu. Eu não tenho nada a esconder. Era simples, era direto. E por algum motivo aquilo mexeu com ele mais do que deveria. Ela agradeceu, ajeitou a pasta contra o peito e caminhou até a porta. A câmera no canto da sala captou o momento em que ela passou a mão pela barriga com carinho, como se estivesse apresentando o filho ao ambiente.

    Rafael reparou na sombra dela, projetada na parede. A barriga desenhava uma curva suave, quase como se anunciasse uma nova vida entrando naquela casa que só conhecia a dor. E foi ali, naquela sombra, naquele detalhe mínimo, que algo na percepção dele mudou sem permissão. Ele só não sabia ainda o quanto.

    Rafael Moreira voltou para a rotina dois dias depois que contratou Ana Paula ou tentou voltar. A Faria Lima seguia igual. Buzinas impacientes, motoqueiros cortando trânsito, gente falando alto no celular. Mas dentro do carro, Rafael percebia algo estranho. O silêncio dele não encaixava mais no barulho lá fora. Ele se sentia deslocado, como se tivesse esquecido de algo importante em casa, e, de certa forma, tinha mesmo.

    O tablet ao lado dele vibrou. Notificação das câmeras, sala de fisioterapia, entrada detectada. Ele abriu o vídeo. Ana Paula cruzava a porta, segurando o prontuário das meninas e apoiando a outra mão na barriga, como fazia quando estava cansada. Lara e Sofia estavam em suas cadeirinhas, olhando para baixo, brincando com os laços do vestido.

    Rafael deixou o vídeo rolando enquanto tentava ouvir a reunião pelo Viva Voz, mas alguma coisa no jeito de Ana Paula se movimentar o distraiu. Ela não começou a mexer nos aparelhos, não conferiu a agenda, não perguntou nada. Ela simplesmente se sentou no chão devagar, com cuidado, cruzgando as pernas, ajeitando a barriga, respirando fundo, e ficou ali em silêncio, igual alguém que está conhecendo um lugar sagrado. Rafael franziu a testa.

    Que diabos ela tá fazendo? Mas não desligou. Ana Paula inclinou a cabeça, observando Lara e Sofia, como quem lê um livro sobre a alma de alguém. reparou no jeito que Sofia mordia o lábio inferior quando ficava ansiosa. Reparou no modo como Lara mexia nos próprios dedos, um de cada vez, quando sentia medo.

    Então, com uma voz tão suave que parecia quase música, ela disse: “Bom dia, Lara.” “Bom dia, Sofia. Meu nome é Ana. A gente vai passar um bom tempo juntas, tá?” As meninas não responderam, mas algo ali mexeu. Uma micro reviradinha de olho, um respiro mais longo, um breve levantar da cabeça.

    Rafael sentiu o coração bater mais rápido, não sabia porquê. No quarto dia, tudo mudou. Rafael estava numa reunião com diretores da empresa, sentado naquela sala de vidro que refletia a cidade inteira. O tablet vibrava debaixo da mesa. Ele fingia ignorar, mas então veio outra notificação. Novo dispositivo conectado, caixinha de som, sala de fisioterapia.

    Ele arqueou a sobrancelha, abriu o app escondido entre os papéis da reunião e lá estava Ana Paula tirando uma caixinha de som antiga da mochila. O tipo de caixa arranhada que já viu igreja pequena, festa de rua, cozinha de mãe. Ela conectou o celular e apertou play. A sala se encheu de gsspel simples, sem produção.

    Voz de coral desafinado, teclado barato, mas quente, acolhedor, cheio de alma. Hoje eu só quero dizer que eu te amo, Jesus. Rafael fechou os olhos por um instante, irritado. Não fazia parte do protocolo. Música era só quinta-feira. Quando abriu de novo, viu algo que o desarmou. Sofia virou o rosto em direção ao som. Pouco, mas virou como se alguém tivesse chamado o nome dela.

    Ana Paula percebeu na hora. Não comemorou, não elogiou, não aumentou o volume, só sorriu suave, sincero. Isso mesmo, meu amor. É música. Ela sussurrou. A barriga dela mexeu bem forte, quase como se o bebê tivesse dançado junto. Rafael ficou sem ar. No fim daquela semana, Rafael precisou viajar.

    Nova York, reunião com parceria internacional. No hotel, a cama era grande demais, fria demais. Ele dormiu mal. Acordou às 3 da manhã com a mente acelerada, pegou o tablet, abriu a câmera. A imagem mostrava o fim do turno. Luzes baixas. Ana Paula sentada no chão, encostada na parede, as meninas ao lado dela. Ela estava contando uma história e o trenzinho olhou pra montanha e disse: “Eu não consigo”.

    Mas a montanha respondeu: “Tenta de novo.” E ele tentou. Tava cansado, mas tentou. Porque às vezes a gente só precisa tentar mais uma vez. Lara, que raramente falava algo além de sim e não, murmurou baixinho. Eu consigo. A voz dela era tão fraca que parecia feita de ar, mas Rafael ouviu de longe, de outro continente, como se tivesse escutado um grito.

    Sofia deu uma risadinha curta, surpresa com a irmã. Ana Paula colocou as duas mãos na boca, emocionada. Você ouviu isso, menina? Ela sussurrou para a própria barriga. Sua irmãzinha falou. Ela falou: “O bebê mexeu. Ana riu. Rafael sentiu o mundo girar devagar. Ele encostou a testa no tablet sem perceber que estava chorando.

    Dois dias depois foi ainda mais intenso. Era quase meia-noite em São Paulo, quando Ana Paula apareceu nas câmeras mesmo depois de sair do turno. Ela voltou. Só vim dar boa noite”, ela disse, entrando devagar no quarto das meninas. Lara estava acordada, Sofia também.

    Ana se ajoelhou ao lado das cadeiras e segurou uma mão de cada uma. O cabelo preso já estava caindo, a barriga pesava, o rosto estava cansado e mesmo assim ela sorriu. “Senhor!” Ela sussurrou com a voz quebrada. Olha essas meninas. Olha o coração dessas duas. O mundo disse que elas não podiam, mas elas estão tentando. E tentar é onde começa o milagre. Uma lágrima caiu direto na mão de Sofia.

    A bebê dentro da barriga se mexeu tão forte que Ana levou a mão ao lado do corpo e riu baixinho. Você também tá ouvindo, né, meu filho? Ela disse, “Sua família tá inteira aqui.” Rafael assistiu tudo de um quarto escuro em Nova York, sem conseguir respirar direito. Era como se a casa dele finalmente tivesse voltado a ter ar. E esse ar tinha vindo de uma mulher grávida que ganhava R$ 22 por hora e acreditava no que ele tinha desistido de acreditar.

    Na quinta-feira seguinte, ele recebeu o telefonema da Dra. Helena Costa. Rafael, o que você fez? Como assim? As meninas, eu examinei hoje. Tôus melhorou. Resposta muscular também. Faz três anos que eu não vejo isso. Tem alguém fazendo algo diferente aí? Ele fechou os olhos e a imagem que veio foi a de Ana Paula, mexendo nas perninhas de Lara com o ritmo do gospel ao fundo.

    “Contratei uma babá nova”, ele respondeu baixinho. “Seja lá o que ela tá fazendo”, disse a médica. “Não deixa parar”. Quando a ligação terminou, Rafael ficou parado no corredor do hotel. Pessoas passavam, bolsas batiam, rodinhas de mala raspavam no chão, mas ele só ouvia uma frase, repetindo dentro de si: “Eu consigo”.

    Naquela noite, ele abriu o notebook e começou a pesquisar tudo sobre lesão medular infantil, neuroplasticidade, terapia intensiva precoce. Cada artigo parecia um tapa na cara. Tudo estava ali, sempre esteve. E ele nunca tinha procurado, nunca tinha ousado acreditar. Enquanto lia, a notificação das câmeras piscou no canto da tela. Rafael olhou, mas não abriu.

    Pela primeira vez em três anos, ele hesitou entre vigiar e confiar e deixou o alerta passar. Rafael voltou para São Paulo depois de quase duas semanas viajando. Chegou cansado, com a mente saturada de números, contratos e reuniões. Mas bastou entrar no apartamento silencioso, aquele silêncio que carregava memória para sentir algo diferente no ar. Era como se a casa tivesse ganhado um tipo novo de respiração.

    Havia risos longos vindo da sala de brinquedos, risos que ele não ouvia há anos. Risos infantis, leves, soltos, sem aquele peso invisível que sempre puxava as meninas para baixo. Rafael parou no corredor, encostou a mão na parede, fechou os olhos. Por um segundo, deu vontade de entrar correndo, abraçar as meninas, perguntar tudo.

    Mas a culpa, aquela velha companheira, puxou ele de volta para dentro. Ele abriu devagar a porta da sala. Ana Paula estava no chão, as pernas cruzadas, a barriga grande apoiada num travesseiro. As gêmeas encostavam nela uma de cada lado, enquanto folhavam um livro infantil de páginas duras. E então, Rafael notou algo inesperado no canto da sala.

    As duas cadeiras de rodas encostadas na parede, cobertas por mantas, quase como se ninguém tivesse precisado delas naquela tarde. O coração dele acelerou. Lara olhou para cima primeiro. “Pai”, ela disse com aquele sorriso que parecia ter ficado guardado por três anos. Sofia levantou a cabeça logo em seguida. “Você voltou.

    ” Rafael tentou sorrir, mas a emoção travou no meio do caminho. Entrou, ajoelhou devagar ao lado delas, colocou uma mão no cabelo de cada uma. Eu voltei, sim. Ana Paula sorriu com gentileza. Elas estavam te esperando. Havia algo na voz dela, um orgulho silencioso que Rafael ainda não entendia direito, mas entenderia. Naquela noite, Rafael não conseguiu dormir. Não era ansiedade, não era medo, era esperança.

    E esperança sempre assusta quem não sabe mais lidar com ela. Ficou andando pela casa como quem tenta reconhecer um lugar familiar usando novos olhos. As câmeras estavam ali piscando nos cantos, as luzes vermelhas, sempre vigilantes, mas agora essas luzes pareciam menores, menos ameaçadoras, quase inúteis, como se o mundo real, o que acontecia fora das telas, tivesse ficado muito maior que qualquer vídeo ao vivo de 1080p.

    Rafael sentou no sofá, abriu o notebook e ficou encarando a pasta de pesquisa sobre neuroplasticidade infantil. As palavras recuperação, resposta muscular, janela crítica, intensidade diária, pareciam acender e apagar como faróis internos. Ele estava pronto para acreditar, só precisava ver. O dia seguinte começou como qualquer outro. Reuniões, e-mails, pressa.

    Rafael saiu cedo para resolver uma negociação importante. A agenda dele dizia que seria um dia longo, mas o destino tinha outros planos. E esses planos começaram com um som muito simples. Tum. A vibração curta do celular no bolso. Ele puxou o aparelho com pressa. Movimento incomum. Sala de brinquedos. Rafael franziu a testa. Não era horário de fisioterapia, não era horário de trocas, não era horário de visitas.

    E sem saber por, o coração dele começou a bater diferente. Abriu o aplicativo. A imagem demorou um segundo a carregar, um segundo longo, pesado. E então apareceram as duas cadeiras de rodas vazias encostadas na parede, como objetos que já não serviam. Rafael sentiu a boca secar. Cadê elas? A câmera automática acompanhou um movimento, deslizou para o centro da sala e o que ele viu fez o mundo inteiro desabar ao redor. Lara e Sofia estavam em pé.

    Em pé. As pernas tremiam como bambus ao vento. Os joelhos faziam força para não desabar. Cada músculo parecia lutar por conta própria, mas elas estavam em pé. Ana Paula, ajoelhada a uns cinco passas, os braços abertos, o rosto molhado de lágrimas, a barriga grande encostada no chão, redonda, firme, como se o bebê ali dentro também testemunhasse o impossível. “Vem, minhas meninas”, ela dizia soluçando. “A tia Ana tá aqui.

    Eu tô aqui. Um passinho só.” Lara tentou primeiro. O pé foi para a frente, arrastado, pesado. O corpo quase tombou, mas ela firmou. Sofia a imitava com atraso, errando o ângulo, tropeçando e corrigindo. Ana Paula chorava abertamente. Isso, isso, vocês conseguem. Rafael levou a mão à boca. Seus olhos encheram como se o corpo finalmente tivesse encontrado um jeito de aliviar três anos de dor.

    Alguém atrás dele no aeroporto perguntou se ele estava bem. Ele não ouviu. Só conseguia ver as filhas. Cada passo torto, cada esforço e a força de Ana Paula segurando o próprio peso e o peso de duas crianças ao mesmo tempo. E então as meninas caíram nos braços dela, três corpos pequenos.

    e um corpo maior, todos desabando num abraço que parecia maior que o mundo. Ana Paula encostou o rosto no cabelo delas e disse num sussurro que Rafael ouviu mesmo de longe. Eu sabia. Eu sempre soube. O celular escorregou da mão dele, caiu no chão do terminal, deslizando até bater no rodapé metálico. Pessoas desviavam com irritação.

    Ninguém entendia o que estava acontecendo ali. Rafael se deixou cair na cadeira, tapou o rosto com as mãos e chorou. Chorou como quem finalmente recebe permissão de desabar. Ele trocou de voo para o mais rápido possível. pegou conexões, esperou em filas, comeu qualquer coisa sem sabor.

    Durante todas as horas da viagem, manteve o vídeo salvo e assistiu dezenas de vezes. Cada replay revelava um detalhe novo. O jeito que Lara apertava os dedos antes de dar o passo, o desequilíbrio de Sofia corrigido no último segundo, o bebê chutando dentro da barriga de Ana Paula, como se celebrasse também. Quando o avião pousou em São Paulo, era cedo demais para qualquer pessoa normal estar andando pela cidade, mas Rafael já corria.

    Entrou no prédio suado, descabelado, irreconhecível. Subiu no elevador com as mãos tremendo, sem conseguir parar de repetir a mesma frase. Eu vi, eu vi, eu vi. A porta abriu e antes mesmo de entrar no apartamento, ele ouviu risadas, passinhos arrastados, a voz de Ana Paula dizendo: “Devagar, minhas lindas, devagar”. Ele abriu a porta devagar, quase com medo de quebrar o momento.

    A sala de brinquedos estava quente, iluminada pelo sol da manhã. Ana Paula estava sentada no tapete, as pernas abertas para acomodá-las, apoiando o peso da barriga. Lara encostada no ombro dela. Sofia tentando levantar de novo. As cadeiras de rodas estavam no canto, silenciosas, afastadas. Rafael entrou. Ana levantou o olhar.

    O senhor viu? Ela perguntou baixinho. Eu vi. Ele disse com a voz quebrada. Vi tudo. Lara correu. Correu meio tropeçando, meio arrastando até ele. Caiu no abraço dele, como se aquele fosse o lugar mais seguro do mundo. Pai, a gente andou. Você viu? A gente andou.

    Ele abraçou as duas, puxou para junto do peito, sentindo o cheiro delas, o calor delas, a vida delas. Depois olhou para Ana Paula, para a barriga dela, para o suor no rosto, para as mãos dela tremendo de tanto esforço. Ana, ele disse, a voz embargando, me perdoa por tudo, pelas câmeras, por não confiar, por ter virado o pai só na tela. Ana tocou a mão dele.

    Elas nunca precisaram de um vigia, seu Rafael. Precisavam do pai. Ele fechou os olhos, respirou fundo e, pela primeira vez, desde o acidente, permitiu-se sentir orgulho, orgulho delas e orgulho de ter encontrado alguém que viu o que ele não teve coragem de ver.

    Naquela tarde, a primeira tarde de paz em anos, Rafael sentou no chão, jogou o tablet de lado e desligou o notebook. Assistiu com os próprios olhos, as filhas dando dois, três, quatro passos. Ana Paula ria com elas, o bebê chutava. A casa inteira vibrava como se tivesse ganhado um coração novo. E no canto da sala, uma das câmeras piscou. A luzinha vermelha tentou chamar atenção, mas Rafael não olhou. Não precisava mais. M.

  • MICHELLE PUBLICA VÍDEO CHAMANDO FLÁVIO BOLSONARO DE LADRÃO PRA BAIXO!!! QUEBRA PAU NA FAMILÍCIA

    MICHELLE PUBLICA VÍDEO CHAMANDO FLÁVIO BOLSONARO DE LADRÃO PRA BAIXO!!! QUEBRA PAU NA FAMILÍCIA

    E temos aí mais brigas na familiícia. E olha, me parece que o Ciro Gomes pela primeira vez aí fez uma coisa realmente útil pra esquerda, que foi sem querer ele causou uma mega briga no bolsonarismo. Quem tá acompanhando aí viu que no domingo a Michele Bolsonaro, logo depois de chegar toda feliz à Fortaleza, deu uma bronca pública no presidente do PL do Ceará, que é o André Fernandes, deputado bolsonarista, que foi muito bem votado e que é o grande aí astro das redes sociais bolsonaristas no Nordeste. todos os bolsonaristas lá, ele

    é o que tem o maior aí engajamento em redes sociais. E a Michele detonou com ele porque ele costurou uma aliança com o Ciro Gomes. Ciro Gomes saliou aí ao Bolsonaro no Ceará para tentar ser governador do Ceará. Tarefa muito difícil porque o governador do Ceará vai pra reeleição e tem aí amplo apoio popular.

    Michelle Bolsonaro reage à prisão de Jair Bolsonaro com citação bíblica:  'Deus mesmo é o Juiz' - Estadão

    Tá aí os filhos do Bolsonaro, quem assistiu aqui o vídeo, o último vídeo sobre isso, os filhos do Bolsonaro, eles retrucaram a Michele Bolsonaro, chegaram na voadora, assim, com pé no peito dela mesmo, voadora na Michele Bolsonaro. O Flávio Bolsonaro deu uma entrevista ao Metrópolis em que ele disse que a Michele Bolsonaro é autoritária, deselegante e que foi constrangedora a fala da Michele Bolsonaro.

    O Eduardo e o Carlos Bolsonaro compartilharam a fala do Flávio dizendo que o Flávio está correto, que ele tem razão e detonando a Michele. OK. Convocar então uma reunião de emergência que ainda não ocorreu, tá? Eh, a reunião da maneira que eles querem. Teve ali um encontro, mas a reunião mesmo não. Eh, a reunião era para hoje e aí não teve.

    Teve ali um encontro breve do Flávio com a Michele. OK. Nisso a Michele falou, fez o quê? Ela tem ali, eh, não pense que ela não tem, ela eh, dados de redes sociais e as redes sociais mostraram o seguinte: amplo e maciço apoio dos bolsominions a Michele contra os filhos do Bolsonaro. E aí fica difícil, sabe por quê? Porque a Michele ela ela tem mais seguidores que os filhos, só que em engajamento ela tem mais do que os três juntos.

    Aí eles estão comprando uma briga novamente contra alguém que tenha um engajamento muito maior que o deles. Os outros parlamentares bolsonaristas não entraram na briga ao lado dos filhos do Bolsonaro, até porque boa parte deles, liderados aí pelo Nicolas e pelo Cleitinho, estão esperando o bolsonarismo, o sobrenome Bolsonaro meio que morrer e eles vão se aliar talvez algum dia a Michele, mas aos irmãos, aos irmãos ali não, aos filhos do Bolsonaro não.

    Estão esperando ali a a coisa ficar feia para eles, tá? Nisso a Michele faz o quê? Ela diz que não vai comentar. Ela faz um posto dizendo que não vai comentar e aí ela solta uma nota com oito parágrafos detonando aí os filhos do Bolsonaro. A nota ainda tá tá no ar no Instagram da Michele Bolsonaro. Vou lá no Instagram da Michele aqui.

    Aí tem a nota da Michele Bolsonaro. Primeiro, ela diz o seguinte: “Nota de esclarecimento: Muitos têm me perguntado se vou responder as manifestações dos meus enteados”. Não vou. Ela coloca aqui grande, ó. Não vou. Só que aí depois 1 2 3 parágrafos 4 7 8 9. Não se oito não. 7 8 9 10 11 12 parágrafos.

    Ela ela escreveu, tinha nem tinha visto o última história ali. 12 parágrafos detonando os filhos do Bolsonaro. Isso porque não ia responder. Imagina se fosse, vou resumir aqui um pouco do que ela disse. Ela começa dizendo: “Vivemos tempos difíceis, enfrentamos injustiças. Aí no segundo parágrafo, amo o meu marido, a minha filha e amo a vida dos meus.

    Não a eles, mas a vida deles, porque ela é pródia, né? Então tem que falar que é pró a vida deles, tá? Aí eh, respeito a opinião dos meus entiados, mas penso diferente. Tenho o direito de expressar meus pensamentos com liberdade e sinceridade. Pô, você sendo mulher no bolsonarismo, você acha que você vai ter direito de expressar suas opiniões? É, então é incoerência aí, viu, chefe? Tá bom.

    a ele, antes de ser uma líder política, eu sou mulher, sou mãe, sou esposa. E se tiver que escolher entre ser política, mãe ou esposa, ficarei com as duas últimas opções, tá? Aí ela: “Cada pessoa é livre para t tomar suas decisões e tá tá tá”. Aí já no quinto parágrafo, ela diz: “Diante disso, eu jamais poderia concordar em ceder o meu apoio à candidatura de um homem que tanto mal causou ao meu marido e a minha família.

    Como apoiar um homem que foi responsável por implantar a narrativa que rotulou o meu marido como genocida. Ela dá até ao Ciro Gomes uma importância que ele não tem, né? Porque não foi o Ciro Gomes que taxou a Michel de que tachou o Bolsonaro de genocido, foi todo mundo. Só que Ciro Gomes, como ele é oportunista, ele começou a falar e só o pessoal cirista que acreditou nisso e agora a Michele tá falando que foi ele quem taxou o Bolsonaro de genocida, que foi ele quem inventou isso aí, não foi.

    Tá aí, tá? Como ficar feliz com apoio à candidatura de um homem que xinga meu marido todo o tempo de ladrão de galinha, de frouxo e tantos outros xinghamentos? Como ser conivente com apoio a uma raposa política que se diz orgulhoso de ter feito a petição que levou à inelegibilidade do meu marido e se desatisfeito com a perseguição que ele tem sofrido? Aí, como eu olharia nos olhos da minha filha quando ela um dia me questionasse porque eu teria apoiado, ou não falei nada, quando pessoas do meu partido apoiaram o homem que tanto mal

    fez ao pai dela? Desculpem-me, não sou assim. Tá jogando tudo nos cílios dele. Olha só esses caras apoiando o Ciro que odeio o Bolsonaro, que xinga o Bolsonaro de tudo que é nome e xinga eles também, tá? Ela fala: “Acredito em uma política diferente. Não basta derrotar o PT e a esquerda.

    É, é preciso fazê-lo mantendo-nos fiéis aos nossos valores. Ainda tá falando esses caras aí, ó, estão se unindo ao tal do sistema, né? Isso que pega na cabeça do bolsomínio. Eles vem aquilo, eles não sabem nem o que é sistema, mas quando vem que tá alguém se aliando ao tal do sistema, que eles não sabem nem o que é, eles ficam assim: “Não, não, não pode”.

    Aí é isso que a Michele joga ali nas entrelinhas, tá? Ela: “Foi por isso que manifestei no Ceará”. Aí no fim ela fala: “No evento vi nos olhos do povo que ama Bolsonaro o mesmo desconforto e insatisfação que eu sinto. Seria o mesmo trocar o PT pelo Ciros? Seria o mesmo que trocar Joseph Stalin por Vladimir Lenin?” Analogias da Michele.

    Aqueles que defendem essa aliança são livres para continuar com ela, mas não deveriam me criticar por não aceitá-la. Eu tenho direito de não aceitar isso aí. Lembra que eu falei que foi dia de visita ao Bolsonaro? A Michele não foi. Pois é, a Michele saiu das suas férias em Fortaleza e foi até Brasília visitar o Bolsonaro.

    Ficou meia hora com o Bolsonaro. Foi lá provavelmente contar a versão dela da história que o Bolsonaro, se é que tava sabendo, ficou sabendo pela TV, porque ele não tem celular lá na prisão. Depois da Michele, o Flávio foi visitar também o Jair Bolsonaro. E aí o Flávio saiu, né? Olha, mas vou mostrar o Flávio, vocês Flávio Bolsonaro, hein? E ele me falou uma coisa que eu não sabia, né? Ele tá ele tá o a ordem então os policiais é deixarem ele trancado dentro de uma sala de 12 por 12 na chave o dia inteiro.

    Sai por um período pequeno para fazer uma alguma caminhada, só que o espaço que ele tem para caminhar ali é um espaço muito pequeno. Dá 10 espaço para um lado, dá 10 espaço pro outro, já acabou o espaço. É uma pessoa que tem orientação médica para fazer exercício. A sala onde ele tá hoje fica do lado da do aparelho central de ar condicionado aqui do prédio.

    Uma barulheira de 7 da manhã, 7: da noite. Então ele tá aqui uma pessoa idosa, uma pessoa que precisa de cuidados médicos, uma pessoa que todo mundo sabe que tem. Então o Flávio Bolsonaro descobriu hoje que os prisioneiros ficam trancados. Ele achava que era como que o prisioneiro fica aberto lá a sala. Olha, Bolsonares vai ficar preso aqui n na sua cela, mas a cela não tá trancada com chave.

    Por favor, não saia, tá? Mas tá, se quiser sair, tá liberado. Ele achou que era assim. Trancam na chave mesmo. Ah, nossa, fica do lado de um ar condicionado barulhento, das das 7 da manhã às 7 da noite. P aqui é a hora de eu estar acordado. Se fosse das 7 da noite às 7 da manhã, você falava: “Nossa, tadinho, não consegue dormir direito”.

    Mas não, é de dia, é a hora que tem que tá acordado mesmo. Nossa, ele tem pouco espaço para caminhar. Compra uma esteira, então. Pois bem. Tá aí. Flávio Bolsonaro foi lá. Aí disse o Flávio que o Jair Bolsonaro mandou ele pedir desculpas para Michele. Porém, o que aconteceu é o seguinte. Análise aí de redes sociais mostraram que 75% dos bolsonaristas concordam com a Michele. 75%.

    Só que você acha que a Michele parou com isso? Nanina. Não. Michele passou à tarde publicando vídeos como esse aí que eu vou te mostrar. Claro, esse pano de picareta da rachadinha que inventaram isso. O Flávio comprou uma mansão de R$ 6 milhões deais em Brasília. Um ladrão esquisito isso aí. Esquisito sou eu. Ele é ladrão.

    Ladrão é  porque ele precisa ser julgado. Não, eu tô acusando ele de ser ladrão. Me processa para ver se eu não provo. Dizendo, Bolsonaro é ladrão, os filhos são ladrões, às vezes mulheres tudo ladras. Na hora que essa comissão mista fosse formada, o Bolsonaro imediatamente mudaria de conduta, porque ele é um frouxo, é um covarde.

    O Bolsonaro só é valente até a hora que a gente encara ele. Eu conheço o Bolsonaro, isso é um frouxo de longa data. Picareta. Isso aqui são as histórias da Michele, tá? passou aí à tarde publicando, mas eu não vou falar o CO detonando o Bolsonaro, detonando o Flávio, detonando Eduardo, detonando até as ex-esposas do Bolsonaro.

    Só não detonou a própria Michele, todo mundo ele detonou, mas fala: “Eita, caramba”. Pois bem, agora tão racha todos os posts dos filhos do Bolsonaro tem bolsonaristas questionando aí a aliança que eles fizeram com o Ciro Gomes, falando: “Pô, vocês estão aí eh querendo ajudar o inimigo e tudo mais. O Ciro, ele é comunista, ele é não sei o quê”. Pois bem, tá aí, ó.

    O Ciro ter tirado a máscara dele foi a única coisa útil que ele realmente fez, que aí, ó, ele se aliou com o Bolsonaro, que era o que ele sempre queria ter feito, né? E aí o que aconteceu? Causou uma mega briga no bolsonarismo. E agora os filhos do Bolsonaro estão usando isso para afastar ali, tentar afastar de qualquer maneira a possibilidade da Michele ser vice do Tarciso, porque a Michele tá ali tentando galgar a a possibilidade de serviço do Tarciso, só que eles estão perdendo nas redes sociais. Segundo aí a Globo, a Globo tá

    comemorando por quê? Porque eles acreditam que isso é um é um presente pro Tarcísio, porque agora afastou qualquer possibilidade de ter alguém com sobrenome Bolsonaro na vice do Tarcísio. E a Globo quer que a Globo sonha que seja o Ciro Nogueira, tá um bandidão aí ligado ao PCC. Esse é o candidato a vice dos sonhos da Rede Globo.

    Mas como Ciro Nogueira tá bem muito aí chamuscado com as operações aí da Polícia Federal, então eles estão ali pensando que o vício do Tarciso talvez seja algum outro governador, talvez o Zema de Minas Gerais, que aí seria o governador do maior colégio eleitoral do Brasil, São Paulo, com o do segundo maior colégio eleitoral do Brasil, que é Minas Gerais, juntos ali para tentar ganhar do Lula.

    Difícil aí a a missão aí dos dois. acontece o seguinte, saiu pesquisa hoje pro Senado e mostram que o Hadad ele lidera todas as pesquisas e o Alkmin também lidera as pesquisas em que ele está. Então, muito provavelmente vai ter alguém aí de esquerda ou centroesquerda, né? No caso, no caso do Alm, hoje se dá para falar aí que ele é centro, centro esquerda, né? Antigamente ele era direito.

    Eh, e até os discursos dele mudaram bem, né? Eh, e aí sai, aí perde ali uma vaga extrema direita. Então eles estão estão com problema ali em São Paulo. Eles precisam que o Tarciso para eles se reorganizarem e tentarem uma maioria no Senado, eles precisam, no caso de São Paulo, é manter o Tarciso como candidato ao governo de São Paulo para que tenha um candidato ali forte a ao Senado para que eles tentem conseguir as duas vagas.

    Difícil a situação deles, né? Só, só que eles estão brigando sem parar, então fica cada vez mais difícil a situação dele. Eu não imaginava que a briga na familiícia ia começar duas semanas, assim, menos de duas semanas depois da prisão do Bolsonaro. Eu imaginava que eles iam brigar um mês, um mês e meio depois, iam começar a brigar em 2026 e tal e a coisa se intensificar.

    Mas até um pouco depois realmente foi aí você vê que eles se odeiam mesmo e que foi só um pouquinho aí de do Bolsonaro não tá lá que ele começou o quebra-apa entre eles em público. E o melhor é que a Michele na nota dela ela no fim ela ela eu não li os últimos parágrafos, né? Eu resumi, ela ainda peço desculpas aos meus enitiados por qualquer mal que possa ter feito e tal.

    Ela ainda sai como a elegante, aquela que sai por cima, olha e tal. E eu estou aqui defendendo a honra da família. Vocês não. Vocês aí fazem aliança com qualquer um. Se é bom politicamente para vocês, vocês não estão nem aí, porque vocês são o quê? Vocês são do sistema. Aí vou falar, prepara, viu? Porque os filhos do Bolsonaro sentiram a pancada, recuaram.

    Hoje deve aí um um recuudo deles nas redes sociais, não pararam de atacar Michele. Porém, eles estão, o que eles estão fazendo é juntando forças para dar uma pancada forte nela, tá? É isso. Eles precisam dar uma pancada forte nela, porque não é a primeira vez que os filhos do Bolsonaro caçam uma briga e eles acabam perdendo nessa briga.

    A primeira aí foi quando o Carlos Bolsonaro que e ele anunciou aí a candidatura dele a ao Senado em Santa Catarina e na briga ele vai sair perdendo, tá? Porque a Caroline de Tony vai sair do PL e ela vai levar um monte de prefeito junto com ela e aí tá um problemão lá em Santa Catarina. Então, tá esse aí o panorama, o negócio de anistia.

    Flávio diz que briga com Michelle foi 'ruído de comunicação', e PL pausa  negociação com Ciro Gomes

    Os parlamentares com maior alcance nas redes sociais já falaram que não querem mais nem pensar em anestia. Você vê que eles não tentam convocar uma manifestação, eles não tentam achincalhar com o e ferrar nas redes sociais com o relator da anistia, que é o Paulinho da Força. Não dam. Você não vê ali uma movimentação deles, não. Eles só falam: “Ó, o relator às vezes nem citam o nome do relator.

    O relator não apresentou projeto, como é que eu vou votar se não tem projeto?” Pô, mano, se você quisesse mesmo anestesia, você tava cobrando para ele apresentar o projeto, tava colocando fotinho dele nas redes sociais. A gente sabe o o modos operand do bolsonarismo quando eles querem ferrar com alguém, quando eles querem cobrar algo de verdade contra alguém.

    Mas o que eles estão fazendo lá com o relator do projeto é o quê? Nada. É uma blindagem a ele. E aí você vê, ninguém tá realmente querendo anistir ao Bolsonaro. Eles estão ali brigando por poder. Que briguem, briguem mais. Nessa briga aqui, nós torcemos para a briga. Aí prepara que vai ter mais. Por quê? Porque o André Fernandes foi vaiado.

    O André Fernandes foi a um evento aí logo depois da da briga com a Michele. E aí você vê com a opinião dos Bolsominions, né? Ele foi vaiado, ó, aqui com vocês. André Fernandes tentou falar e, ó, não, Ciro não. Então, essa semana, quem acompanha o Plantão Brasil há muito tempo, principalmente desde 2022, vai lembrar que eu falei o que aconteceria com Ciro Gomes.

    vai sair queimado na esquerda porque ele é linha alternativa do bolsonarismo e ele não vai conseguir o voto dos bolsonaristas. Dito e feito, a esquerda não gosta dele porque ele é um traidor da esquerda. Fingiu que era de esquerda e no fim a tentou ajudar o bolsonarismo de todas as maneiras. E a extrema direita não gosta dele, porque naquela ali ele também desagradou a extrema direita conseguiu que todo mundo se unisse contra ele.

    É isso aí que fez o Ciro Gomes. Olha só, dito e feito, eu peço a sua inscrição no canal. Seguimos aqui na luta. Falou.

  • Meu sogro não gostava de mim, então planejou me pegar “em flagrante” com outro homem — mas ele não esperava que todos os seus planos fossem descobertos.

    Meu sogro não gostava de mim, então planejou me pegar “em flagrante” com outro homem — mas ele não esperava que todos os seus planos fossem descobertos.

    A vingança silenciosa da nora: uma armadilha que ninguém esperava

    Desde o momento em que me tornei nora, sabia que minha sogra nunca me aceitaria. Para ela, eu sempre fui apenas uma “provinciana sortuda” que teve a chance de se casar com o filho dela. Meu marido era gentil e quieto, sempre ocupado com suas viagens de negócios. E eu, como uma boa esposa, fazia o meu papel: cuidava da casa, da sua família, sempre calada, sempre presente, sem jamais confrontá-la.

    Mas, à medida que o tempo passava, minha sogra parecia se fortalecer em sua aversão por mim. Ela não se cansava de me lembrar que não éramos iguais, que eu não pertencia ao círculo dela. Mesmo com tanto esforço da minha parte, ela apenas se distanciava mais, tratando-me como uma intrusa, como uma sombra incômoda na vida deles. Até que, um dia, ela decidiu fazer algo para me expor de uma vez por todas.

    Meu marido viajou para mais um de seus compromissos profissionais, e foi naquele momento que minha sogra, disfarçada de bondade, deu início ao seu plano maquiavélico. Ela contratou um homem, que se passou por eletricista, mas que na verdade era apenas um ator contratado para encenar uma cena falsa de adultério. O plano dela era simples: ele deveria invadir o meu quarto à meia-noite, gritar e simular um flagrante de traição. Ela já tinha preparado uma câmera escondida para capturar cada detalhe, como se aquilo fosse a prova irrefutável da minha “falta de caráter”.

    Mas minha sogra não sabia que eu já sabia de tudo. Uma de suas empregadas, que havia ouvido suas conversas telefônicas secretas, me avisou sobre o que estava por vir. Não disse uma palavra, apenas sorri e comecei a preparar minha própria armadilha. Estava determinada a virar o jogo a meu favor.

    Naquela noite, exatamente à meia-noite, o “eletricista” entrou no meu quarto. Como se tivesse ensaiado o roteiro, ele tirou o casaco e se aproximou da cama, pronto para “agir”. Mas, quando ele menos esperava, as luzes se acenderam repentinamente. Eu estava ali, de pé, com o celular em mãos, filmando cada passo dele, cada movimento falso. Ele ficou sem palavras, visivelmente nervoso, sem saber como reagir.

    E o que ele não sabia é que a cama estava cheia de um grande ursinho de pelúcia, quase do tamanho de uma pessoa. O brinquedo estava vestido com um roupão igual ao meu e tinha agulhas cravadas em seu corpo, simulando ferimentos, como se tivesse sido “atingido”. Se o homem tivesse realmente pulado para cima da cama para “encenar” a cena, ele teria se machucado seriamente. A armadilha estava montada e a surpresa estava por vir.

    O “ator” ficou pálido, gaguejou e, em um momento de pânico, confessou que uma mulher mais velha, minha sogra, o havia contratado para simular a traição. Como eu já tinha previsto, tudo estava documentado no vídeo, que eu rapidamente enviei para meu marido.

    No dia seguinte, ele voltou para casa de imediato. Quando entrou na sala, abriu o vídeo e, com a voz fria, disse à sua mãe:

    “Se você não gosta da minha esposa, então não precisa mais ser parte da nossa família.”

    O silêncio tomou conta de toda a casa. Eu não precisei falar uma palavra, não precisei me defender, nem me justificar. A armadilha que ela preparou foi a própria que a pegou.

    Desde aquele dia, minha sogra nunca mais se intrometeu em nossas vidas. E, embora ela nunca tenha me abraçado ou demonstrado afeto, seu olhar para mim mudou. Não por amor, mas porque ela finalmente entendeu que, muitas vezes, o silêncio de alguém não significa fraqueza ou ignorância. Às vezes, ele é mais poderoso do que qualquer palavra.